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Numero do processo: 15758.000260/2008-65
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. IRRF Os rendimentos auferidos em aplicações em fundos de investimento financeiro devem ser acrescidos ao lucro presumido para fins de tributação do IRPJ, ainda que não tenha havido o resgate da aplicação financeira, na medida em que a pessoa jurídica tenha utilizado o IRRF sobre tais rendimentos para dedução do IRPJ apurado no período trimestral. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. A ocorrência de postergação de pagamento do IRPJ em função da infração indicada pela fiscalização demanda prova da ocorrência de pagamento espontâneo em período - base posterior.
Numero da decisão: 1802-001.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins De Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. IRRF Os rendimentos auferidos em aplicações em fundos de investimento financeiro devem ser acrescidos ao lucro presumido para fins de tributação do IRPJ, ainda que não tenha havido o resgate da aplicação financeira, na medida em que a pessoa jurídica tenha utilizado o IRRF sobre tais rendimentos para dedução do IRPJ apurado no período trimestral. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. A ocorrência de postergação de pagamento do IRPJ em função da infração indicada pela fiscalização demanda prova da ocorrência de pagamento espontâneo em período - base posterior.
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IRRF Os rendimentos auferidos em aplicações em fundos de investimento financeiro devem ser acrescidos ao lucro presumido para fins de tributação do IRPJ, ainda que não tenha havido o resgate da aplicação financeira, na medida em que a pessoa jurídica tenha utilizado o IRRF sobre tais rendimentos para dedução do IRPJ apurado no período trimestral. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. A ocorrência de postergação de pagamento do IRPJ em função da infração indicada pela fiscalização demanda prova da ocorrência de pagamento espontâneo em período base posterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins De Sousa – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 02 60 /2 00 8- 65 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida (fls.239/243) que a seguir transcrevo: Tratase de auto de infração (fls. 68/73) relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), lavrado em 12/02/2008, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 438.984,53, correspondente ao imposto e respectivos acréscimos legais. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 64/67, parte integrante do auto de infração, a autoridade fiscal deixou consignado o que segue: No dia 31 de outubro de 2007 foi emitido pela Sra. Delegada da Receita Federal do Brasil em Santo André SP, o Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0811400.2007.002910, para que fosse fiscalizado o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) do contribuinte acima identificado, relativo ao anocalendário de 2004 (folha 01). Verifiquei que o contribuinte fiscalizado apurou seu imposto de renda pessoa jurídica, referente ao anocalendário de 2004, pelo Lucro Presumido, conforme cópia da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa J urídica, relativa ao anocalendário de 2004, exercício de 2005 DIPJ/2005, anexa as folhas 04 a 22 deste processo. Constatei pela DIPJ/2005 do fiscalizado que o mesmo declarou que não auferiu rendimentos e ganhos líquidos nas aplicações de renda fixa / renda variável nos quatro trimestres do ano de 2004, porém na apuração do imposto de renda a pagar deduziu valores relativos ao imposto de renda retido na fonte Ficha 14A (fls. 05 a 07). Em 05/11/2007 lavrei Termo de Inicio de Fiscalização, anexo a folha 03 deste processo, intimando o contribuinte fiscalizado a apresentar, entre outros documentos, aqueles a seguir discriminados: Livros contábeis e fiscais relativos ao ano de 2004; Informe de rendimentos e do IRRF referente às aplicações financeiras relativas ao ano de 2004; Comprovantes das demais receitas e ganhos de capital auferidos no ano de 2004. Em 19/11/2007 o contribuinte nos apresentou parte dos documentos solicitados, conforme documentos anexos às folhas 23 a 32 deste processo. Verifiquei que as receitas brutas mensais provenientes da venda de energia elétrica, relativa aos meses de janeiro/2004 a dezembro/2004, escrituradas pelo contribuinte nos seus livros Diário e Razão, são iguais àquelas declaradas em sua Fl. 370DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000260/200865 Acórdão n.º 1802001.372 S1TE02 Fl. 3 3 DIPJ/2005, nas fichas relativas ao cálculo do PIS (Ficha 22A) e da COFINS (Ficha 26A), conforme atestam as cópias do livro do Razão anexadas eis folhas 38 a 39 deste processo. A soma das receitas brutas mensais provenientes da venda de energia elétrica, em cada trimestre calendário relativo ao ano de 2004, confere com os valores da receita bruta trimestral declarada pelo fiscalizado na sua DIPJ/2005, na ficha de apuração do imposto de renda sobre o lucro presumido (Ficha 1444). Constatei através do Informe de Rendimentos Financeiros do AnoCalendário de 2004 emitido pelo Bankboston Banco múltiplo S/A, CNPJ No 60.394.079/0001 04, fornecido pelo fiscalizado em 19/11/2007, anexo à folha 32 deste processo, que o mesmo auferiu rendimento bruto proveniente de aplicações financeiras, durante o anocalendário de 2004, no valor total de R$ 1.188.158,50, tendo um imposto de renda retido na fonte (IRRF) de 20% sobre estes rendimentos auferidos, no valor total de R$ 237.631,33. De acordo com o Informe de Rendimentos apresentado o contribuinte fiscalizado possuía três aplicações financeiras durante o ano de 2004, sendo o rendimento das mesmas e o IRRF em cada trimestre abaixo discriminado: PERÍODO RENDIMENTO DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS IRRF Primeiro trimestre/2004 248.631,11 49.726,15 Segundo trimestre/2004 359.166,30 71.833,14 Terceiro trimestre/2004 382.398,78 76.479,62 Quarto trimestre/2004 197.962,31 39.592,42 Verifiquei pelos sistemas da Receita Federal do Brasil que as informações existentes nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRFs) apresentadas pelo Bankboston Banco Múltiplo S/A, CNPJ No 60.394.079/000104, são as mesmas existentes no Informe de Rendimentos Financeiros do Ano Calendário de 2004 emitido pelo mesmo banco, com receitas financeiras totais de R$ 1.188.158,50 no ano de 2004, e IRRF de R$ 237.631,33. Anexamos estas informações às folhas 33 a 37 deste processo. Constatei que o contribuinte fiscalizado escriturou suas receitas financeiras, relativas ao ano de 2004, em seus livros Diário e Razão, num valor total de R$ 1.277.358,67 (fls. 40 a 41). Há algumas divergências entre os valores mensais das receitas financeiras escrituradas nestes livros pelo fiscalizado e aquelas existentes nas DIRFs e no Informe de Rendimentos do Bankboston, que totalizaram R$ 1.188.158,50. Verifiquei que o contribuinte fiscalizado utilizou em sua DIPJ/2005, anexa às folhas 04 a 22 deste processo, o valor do IRRF sobre aplicações financeiras de R$ 237.621,33 para deduzir seu imposto de renda a pagar, sendo R$ 49.726,15 utilizado no primeiro trimestre, R$ 71.833,14 utilizado no segundo trimestre, R$ 0,00 utilizado no terceiro trimestre, e R$ Fl. 371DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 116.062,04 utilizado no quarto trimestre. O imposto de renda a pagar apurado pelo fiscalizado em sua DIPJ/2005, após a dedução do IRRF sobre as aplicações financeiras, foi de R$ 14.699,53 no primeiro trimestre, R$ 14.058,04 no segundo trimestre, R$ 74.103,12 no terceiro trimestre, e R$ 49.948,01 no quarto trimestre. Constatei que o contribuinte declarou em suas DCTFs, relativas ao ano de 2004 (fls. 42 a 45), valores devidos do imposto de renda pessoa jurídica trimestral iguais ao imposto de renda a pagar declarado em sua DIPJ/2005, ou seja, utilizando o IRRF sobre as aplicações financeiras citado no item 10) deste Termo para deduzir o imposto de renda trimestral devido. Verifiquei que o contribuinte fiscalizado, embora tenha se beneficiado do IRRF sobre as aplicações financeiras para deduzir seu imposto de renda a pagar trimestral, relativo ao ano de 2004, não acrescentou à base de cálculo do imposto de renda sobre o lucro presumido trimestral os rendimentos obtidos através de suas aplicações financeiras, discriminados no item 7) deste Termo, conforme podemos verificar na linha 06 da Ficha 14A da DIPJ/2005 do fiscalizado (folhas 05 a07) 0 contribuinte fiscalizado informou, no documento anexado à folha 24 deste processo, que não teria considerado os rendimentos das aplicações financeiras na base de calculo do lucro presumido trimestral porque "para efeito de apuração do cálculo do imposto de renda, contribuição social e demais contribuições sociais, a referida empresa optou em tributar tais rendimentos pelo regime de caixa, conforme disposto na Instrução Normativa SRF 093 datada de 24 de dezembro de 1997 em seu artigo 37". Apresentou demonstrativo, anexo à folha 25 deste processo, onde consta a que o lucro realizado pelo regime de caixa de suas aplicações financeiras foi de R$ 331.573,70 em outubro de 2004 e R$ 76.874,71 em novembro de 2004, sendo este lucro declarado em sua DIPJ/2005 na linha 16 (demais receitas e ganhos de capital) da Ficha 14A (apuração do IRPJ sobre o lucro presumido). Em 07/01/2008 lavrei Termo de Intimação Fiscal, anexo às folhas 46 a 47 deste processo, intimando o contribuinte fiscalizado a apresentar alguns documentos, e esclarecer se possui alguma ação judicial que lhe dê o direito de não adicionar a base de cálculo do imposto de renda, apurado pelo lucro presumido trimestral, relativo ao ano de 2004, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras referentes a fundos de investimentos, geridos pelo Bankboston, que totalizaram R$ 1.188.158,50 no ano de 2004, sendo RS 248.631,11 no primeiro trimestre, R$ 359.166,30 no segundo trimestre, R$ 382.398,78 no terceiro trimestre, e R$ 197.962,31 no quarto trimestre do ano de 2004. Caso o fiscalizado possua esta ação judicial apresentar cópia da petição inicial da mesma, decisões, liminar, sentença, acórdão, certidão de objeto e pé, e tudo o que tiver relativo a esta ação. Em 14/01/2008 o contribuinte fiscalizado nos apresentou os documentos solicitados através do Termo lavrado em 07/01/2008, que foram anexados as folhas 48 a 60 deste Fl. 372DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000260/200865 Acórdão n.º 1802001.372 S1TE02 Fl. 4 5 processo. No documento anexado a folha 48 deste processo o fiscalizado esclarece que o procedimento adotado pela referida empresa, considerado somente as receitas financeiras realizadas pelo regime de caixa, para fins de tributação do lucro presumido para cálculo do imposto de renda, contribuição social e demais contribuições, esta de acordo com a Instrução Normativa 093 artigo 37, datada de 24 de dezembro de 1997, razão pela qual a empresa não impetrou nenhuma ação judicial pleiteando o direito de não adicionar a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social,relativo ao anocalendário de 2004, as receitas financeiras ainda não realizadas até a data dos respectivos períodos de apurações. 16) Considerandose que: a) o artigo 25 da Lei No 9.430/96 determina que os rendimentos auferidos em aplicações financeiras comporão o lucro presumido; b)o artigo 3o da IN SRF No 121/2000 determina que no caso de beneficiário pessoa jurídica, titular de quaisquer aplicações financeiras de renda fixa, bem assim de depósitos de poupança, de quotas de fundo de investimento e de aplicações de swap, a fonte pagadora deverá discriminar, por mês, os rendimentos tributados e o respectivo imposto de renda na fonte; c)a tributação das aplicações financeiras em fundos de investimentos, relativas ao ano de 2004, eram regulamentadas pela Instrução Normativa SRF No 25, de 6 de Março de 2001, que estabelece em seu artigo 10, inciso III, que a incidência do imposto de renda na fonte sobre os rendimentos auferidos por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, nas aplicações em fundos de investimento, ocorrerá, no último dia útil de cada mês, ou no resgate, se ocorrido em outra data, no caso de fundos sem prazo de carência, inclusive por término do prazo de carência inicial; d) a aliquota do IRRF, relativa aos rendimentos auferidos em fundos de investimentos, durante o ano de 2004, era de 20%, conforme parágrafo 90 do artigo 28 da Lei No 9.532/1997; e) o Informe de Rendimentos Financeiros, relativo ao Ano Calendário de 2004, do Bankboston, apresentado pelo fiscalizado em 19/12/2007, está em conformidade com a Lei No 9.532/1997 e com as IN SRF No 121/2000 e IN SRF No 25/2001, discriminando os rendimentos mensais auferidos pelo fiscalizado, bem como o IRRF correspondente com a alíquota de 20%; j) a compensação do IRRF em aplicações financeiras da pessoa jurídica deverá ser feita de acordo com o comprovante de rendimentos fornecido pela instituição financeira, sendo os rendimentos integrados ao lucro presumido (artigo 33, parágrafos 1°e 10° da IN SRF No 25/2001); Fl. 373DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 g) não há hipótese de qualquer contribuinte se beneficiar de imposto de renda retido na fonte e não declarar os rendimentos auferidos que deram origem a este IRRF, como foi feito pelo fiscalizado nos três primeiros trimestres de 2004. Nas instruções para preenchimento da DIPJ/2005, quando é informado como preencher a linha 25 da Ficha 14A, relativa a dedução do imposto de renda retido na fonte para se obter o imposto de renda a pagar, o programa informa: "indicar o valor correspondente ao imposto de renda retido na fonte sobre as receitas que integram a base de cálculo do imposto devido"; h) o fiscalizado não possui ação judicial relativa ao IRPJ do ano de 2004, que lhe de o direito de deduzir o IRRF de receitas financeiras auferidas e não declaradas pelo mesmo em sua DIPJ/2005, conforme informado peio mesmo folha 48 deste processo; Concluo que devemos reconstituir a apuração do IRPJ sobre o lucro presumido trimestral do contribuinte fiscalizado, relativo ao ano de 2004, considerando todas as receitas mensais auferidas pelo mesmo, bem como as deduções do IRRF a que o mesmo tem direito, conforme a legislação vigente no ano citado. Para isto elaboramos a planilha DEMONSTRATIVO DO IRPJ TRIMESTRAL A SER LANÇADO RELATIVO AO ANO DE 2004, anexa à folha 63 deste processo. 17) Na planilha elaborada, anexa de folha 63 deste processo, temos as seguintes informações: coluna (1): receita bruta auferida no mês pelo contribuinte fiscalizado proveniente da venda de energia elétrica. Os valores foram obtidos através dos livros Diário e Razão do fiscalizado (fls. 38 e 39); coluna (2): receita mensal auferida pelo contribuinte fiscalizado proveniente de aplicações financeiras. Os valores foram obtidos através do Informe de Rendimentos Financeiros fornecido pelo Bankboston (folha 32) e da DIRF do mesmo banco (fis. 33 a 37); coluna (3): demais receitas auferidas pelo contribuinte fiscalizado provenientes da amortização da receita pré operacional do mesmo. Os valores foram obtidos através dos livros Diário e Razão do fiscalizado (lis. 61 e62); coluna (4): base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido trimestral. Os valores foram obtidos aplicandose o percentual de 8% sobre a receita bruta trimestral proveniente da venda de energia elétrica e somandose ao valor obtido as receitas trimestrais provenientes das aplicações financeiras e das demais receitas, conforme artigos 518 e 521 do RIR/99 ; coluna (5): IRPJ apurado no trimestre com base no lucro presumido. Os valores foram obtidos de acordo com os artigos 541 e 542 do RIR199; coluna (6): dedução do IRRF sobre aplicações financeiras. Os valores foram obtidos através do Informe de Rendimentos Financeiros fornecido pelo Bankboston (folha 32) e da DIRF do mesmo banco (fis. 33 a 37); Fl. 374DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000260/200865 Acórdão n.º 1802001.372 S1TE02 Fl. 5 7 coluna (7): imposto de renda trimestral apurado pelo lucro presumido a pagar corresponde ao imposto apurado no trimestre coluna (5) menos o IRRF no trimestre coluna (6); coluna (8): IRPJ declarado na DIPJ e na DCTF. Os valores foram obtidos da Ficha 14A da DIPJ/2005 do contribuinte fiscalizado (fls. 05 a 07) e das suas DCTFs (fls. 42 a 45); coluna (9): IRPJ trimestral declarado a menor a ser lançado. Corresponde ao imposto de renda trimestral a pagar coluna (7) menos o IRPJ declarado na DCTF coluna (8). Verifiquei pela planilha elaborada, anexa a folha 63 deste processo, que o contribuinte fiscalizado declarou a menor o IRPJ trimestral, apurado pelo lucro presumido, nos quatro trimestres do ano de 2004, sendo os valores devidos de R$ 62.157,78 relativo ao 1º trimestre, R$ 89.790,90 relativo ao 2° trimestre, R$ 19.120,08 relativo ao 3º trimestre, e RS 23.848,09 relativo ao 4o trimestre. Alimentandose o Sistema da Receita Federal do Brasil com os valores do IRPJ trimestral devidos, discriminados no item 18) deste Termo, obtivemos um crédito tributário total de R$ 438.984,53, sendo R$ 194.916,85 relativo ao imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ), R$ 97.880,06 relativo aos juros de mora calculados até 31/01/2008, e R$ 146.187,62 relativo a multa proporcional passível de redução, conforme discriminado na folha 02 deste processo. 20) Anexei a este processo toda documentação emitida pelo Sistema da Receita Federal do Brasil, a saber: Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário fl. 02; Capa do Auto de Infração do IRPJ fl. 68; Demonstrativo de Apuração do IRPJ fls. 69; Demonstrativo de Multa e Juros de Mora do IRPJ fl. 70; Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do IRPJ fl. 71; Termo de Encerramento fl. 72; Instruções ao Contribuinte fl. 73. 21) Ressalvo o direito da Fazenda Nacional de fazer verificações posteriores, e cobrar o que for devido, em razão de fatos, circunstâncias e elementos não verificados e/ou conhecidos nesta oportunidade. 22) E, para constar e produzir os devidos efeitos legais, lavrei o presente termo em três vias de igual teor e forma, assinado por mim, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e pelo representante legal do contribuinte fiscalizado, que neste ato recebe uma das vias. Cientificada do lançamento em 22 de fevereiro de 2008 e inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus advogados e bastante procuradores (procuração de fls. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 87/88), apresentou a impugnação de fls. 96/111, em 24 de março de 2008, com as razões de defesa abaixo sintetizadas. Após breve resumo dos fatos, confirma a Impugnante o procedimento detalhado pela Fiscalização em seu termo de Verificação, informando que somente teria deixado de adicionar à base de cálculo do imposto apurado nos três primeiros trimestres de 2004 as receitas financeiras decorrentes das aplicações nos fundos de renda fixa mantidos em seu nome até então junto ao BankBoston por possuir respaldo legal para tanto. Explica que, segundo determina o parágrafo 9° do artigo 33 da Instrução Normativa n.° 25/01, somente teria acrescentado à base de cálculo do IRPJ apurado pelo lucro presumido as receitas provenientes das aplicações financeiras na medida da sua alienação ou resgate (regime de caixa). E complementa: Portanto, de acordo com a sistemática em foco, uma vez que no período sob análise a Impugnante não resgatou quaisquer valores dos seus fundos de investimento de renda fixa, não há que se falar em adições à base de cálculo do imposto de renda. Afirma que teria deduzido dos valores devidos a titulo de IRPJ o imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras, tendo tomado por base os valores informados em DIRF. Ressalta que não pretende em suas razões, apresentar qualquer tese jurídica ou questionar a constitucionalidade dos diplomas legais citados no Auto de Infração. Na verdade, objetivaria apenas a aplicação correta dos dispositivos legais relacionados ao caso, e o reconhecimento dos seus efeitos tributários. Reproduz o art. 33 da Instrução Normativa n° 25, de 26 de março de 2001, defendendo que, uma vez que os rendimentos oriundos de aplicações financeiras deverão ser acrescidos à base de cálculo do IRPJ somente quando de seu resgate, alienação ou cessão de títulos ou aplicação, respeitado o regime de caixa, não tendo ocorrido no período o referido resgate, nada haveria de ser acrescido à base de cálculo do imposto. Defende a possibilidade de se deduzir os valores pagos a titulo de IRRF sobre aplicações financeiras da base de cálculo do IRPJ devido nos três primeiros trimestres de 2004, alegando que a legislação tributária determina a dedução do IRRF quando do encerramento do período de apuração. Passa a discorrer sobre a forma de apuração do tributo devido sobre os ganhos em aplicação financeira de renda fixa, concluindo que uma vez que ao contribuinte foi afastada a disponibilidade econômica sobre determinado valor (parcela do seu rendimento sujeita ao IRRF), que fora destacado mensalmente pela instituição financeira (vide informes de rendimentos doc. 2) e repassado instantaneamente aos cofres da Unido, imperioso concluir que, imediatamente, surge a possibilidade de o contribuinte aproveitar estes valores para fins Fl. 376DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000260/200865 Acórdão n.º 1802001.372 S1TE02 Fl. 6 9 de dedução do imposto de renda devido a cada trimestre (nos casos de apuração trimestral) ou ao final do período (anual). Aduz a Impugnante não ter decorrido de seu procedimento qualquer prejuízo ao Fisco, uma vez que teria adicionado à base de cálculo do imposto devido quando do resgate das aplicações os valores relativos aos rendimentos sobre os quais teriam incidido o tributo retido durante o ano de 2004. E detalha: Conforme dito anteriormente, a impugnante, durante os três primeiros trimestres do anocalendário de 2004, não efetuou o resgate, alienação ou cessão de sua aplicação em renda fixa e, consequentemente, não ofereceu os rendimentos dela decorrentes à tributação, em estrita observância à sistemática legal aplicável. No entanto, no primeiro, segundo e quarto trimestres do ano calendário seguinte (2005), a Impugnante efetuou o resgate de suas aplicações no montante total de R$ 1.806.180,00 (um milhão, oitocentos e seis mil, cento e oitenta reais), tendo informado em sua DIPJ (doc. 3) o total liquido de receitas financeiras no montante de R$ 1.767.133,18 (um milhão, setecentos e sessenta e sete mil, cento e trinta e três reais e dezoito centavos). Nos termos da DIRF emitida pelo Bankboston (doc. 4) , a receita financeira apurada no período totaliza R$ 1.629.906,11 (um milhão, seiscentos e vinte e nove mil, novecentos e seis reais e onze centavos). Nesse cenário, a Impugnante ofereceu à tributação, no ano calendário de 2005, o valor adicional de R$ 137.227,07 (cento e trinta e sete mil, duzentos e vinte e sete reais e sete centavos) referente a receitas financeiras (vide quadro descritivo anexo doc. 5) . Em 2006, ainda sob a mesma sistemática, a Impugnante efetuou resgate dos montantes aplicados num total de R$ 1.532.355,30 (um milhão, quinhentos e trinta e dois mil, trezentos e cinquenta e cinco reais e trinta centavos), tendo informado tal quantia em sua DIPJ (doc. 6). Por outro lado, nos termos da DIRF emitida pelo "BankBoston" (doc. 7), a receita financeira apurada no período totaliza R$ 897.555,13 (oitocentos e noventa e sete mil, quinhentos e cinquenta e cinco reais e treze centavos). Desta forma, a Impugnante ofereceu à tributação a quantia de R$ 634.800,17 (seiscentos e trinta e quatro mil, oitocentos reais e dezessete centavos) referente a receitas financeiras (vide quadro comparativo anexo doc. 8). Fl. 377DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Por todo o exposto, notase que, apesar de não ter recolhido IRPJ referente às receitas financeiras em 2004, a Impugnante o fez nos anos subsequentes, quando do resgate das aplicações. Por fim, questiona, caso não acatadas suas alegações prévias, o cálculo efetuado pela Fiscalização quando da determinação da base de cálculo do imposto lançado, uma vez que não fora considerada a adição à base de cálculo de períodos posteriores dos rendimentos auferidos em 2004. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Campinas/SP) julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento conforme decisão proferida no Acórdão nº 0535.646, de 01/11/2011, da 5ª Turma da DRJ/Campinas/SP (fls.239/247), cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Anocalendário: 2004 LUCRO PRESUMIDO. TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. Uma vez que os rendimentos de aplicações em fundos de investimentos em renda fixa são creditados diariamente nas contas de investimentos, considerase restarem disponíveis incondicionalmente na forma do art. 43 do CTN. Com isso, no regime de competência ou de caixa, os rendimentos creditados no trimestre devem ser incluídos na base de cálculo do IRPJ. IRRF. DEDUÇÃO. REQUISITO. Somente se admite, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar que a pessoa jurídica deduza, do imposto devido, o valor do imposto pago ou retido na fonte, desde que comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos sobre os quais incidiram o imposto de renda na fonte. POSTERGAÇÃO. FALTA DE PROVAS. Não sendo possível confirmar, através dos documentos trazidos aos autos, que as receitas não incluídas no período fiscalizado teriam sido posteriormente oferecidas à tributação e o correspondente imposto devidamente recolhido, não há como reconhecer a postergação alegada. A empresa autuada foi cientificada da mencionada decisão em 05/01/2012 e, protocolizou o recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 03/02/2012, no qual ratifica que realmente não adicionou as receitas financeiras originadas das suas aplicações em fundos de renda fixa junto ao BankBoston, à base de cálculo do IRPJ nos três primeiros trimestres do ano calendário de 2004. A Recorrente alega que pautou sua conduta em estrita observância ao que determina o parágrafo 9o do artigo 33 da Instrução Normativa n.° 25, de 06 de março de 2001, vigente no anocalendário autuado. Ou seja, no sentido de somente acrescentar à base de cálculo do IRPJ pelo lucro presumido as receitas provenientes das aplicações financeiras, na medida de sua alienação ou resgate, em consonância, portanto, com o regime de caixa. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000260/200865 Acórdão n.º 1802001.372 S1TE02 Fl. 7 11 Aduz que no período em foco não resgatou qualquer valor de suas aplicações de renda. Assim, não há que se falar em adição à base de cálculo do IRPJ. Afirma que deduziu o IRRF sobre os rendimentos das aplicações financeiras, do montante devido a título de IRPJ no encerramento de cada período, tomando por base os valores constantes dos informes de rendimentos fornecidos pelas instituições financeiras, nos termos do inciso I, do artigo 33 da IN nº 25/2001 e do artigo 773 do RIR/99. A Recorrente alega que não efetuou o resgate de seus rendimentos de aplicações financeiras, portanto, não teve a disponibilidade econômica da renda. Conclui que, sendo a disponibilidade econômica relacionada ao regime de caixa e a disponibilidade jurídica relacionada ao regime de competência, a decisão de primeira instância, ao dispor que os rendimentos de aplicação financeira restaram disponíveis incondicionalmente, merece ser reformada, pois, não resgatou seus rendimentos de aplicações financeiras nos três primeiros trimestres de 2004, portanto, não obteve a disponibilidade econômica necessária para o nascimento do fato gerador do imposto de renda. Ressalta que aplicou exatamente a sistemática prevista na legislação. Assim, levandose em consideração que nos três primeiros trimestres do ano de 2004 não efetuou nenhum resgate em suas aplicações financeiras, não houve adição de quaisquer valores a titulo de receita financeira na base de cálculo do IRPJ nestes trimestres. Esclarece que a atual sistemática, usualmente conhecida como "come cotas", foi introduzida no sistema jurídico tributário brasileiro somente com a edição da Lei n.° 11.033/04. Portanto, ela não é aplicável aos fatos geradores que deram origem ao presente auto de infração. Neste sentido, a Recorrente requer sejam afastados quaisquer questionamentos acerca da sistemática adotada (regime de caixa) no que tange ao momento do reconhecimento das receitas financeiras para fins de apuração do lucro presumido. Em seguida, a Recorrente discorre sobre a possibilidade de dedução do IRRF decorrente das aplicações financeiras no presente caso. Para tanto transcreve os artigos 729 e 733 do RIR/99 e art. 33, § 10° da IN nº 25/2001 e conclui que de acordo com os informes de rendimentos fornecidos pelo BankBoston, a Recorrente deduziu da base de seu IRPJ devido os valores retidos a titulo de IRRF por aquela instituição financeira. Aduz que, se tratando de uma efetiva antecipação de recolhimento de valores ao Fisco, não há cabimento em se cogitar a impossibilidade do aproveitamento instantâneo destas quantias para a compensação com o IRPJ apurado no mesmo trimestre.Em outras palavras, uma vez que ao contribuinte foi afastada a disponibilidade econômica sobre determinado valor (parcela do seu rendimento sujeita ao IRRF), que fora destacado mensalmente pela instituição financeira (vide informes de rendimentos documento n° 02 juntado à Impugnação) e repassado instantaneamente aos cofres da União, imperioso concluir que, imediatamente, surge a possibilidade de o contribuinte aproveitar estes valores para fins de dedução do IRPJ devido a cada trimestre (nos casos de apuração trimestral) ou ao final do período (anual).Assim, merece ser reformada a d. decisão de primeira instância que considerou a dedução de IRRF da base de cálculo do IRPJ feita pela Recorrente como indevida. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 A Recorrente alega que, o raciocínio percorrido pela Fiscalização, e confirmado pela decisão de primeira instância, para imputar à Recorrente o acréscimo dos valores auferidos a titulo de receitas financeiras à base tributável pelo IRPJ, respaldase no mero fato de que a Recorrente se beneficiou do IRRF para reduzir seu IRPJ a pagar. Argúi que a própria disciplina legal estabelece que as receitas financeiras auferidas em aplicações de renda fixa podem, por opção da pessoa jurídica, ser computadas à base de cálculo do IRPJ, na sistemática do lucro presumido, apenas quando do efetivo resgate da aplicação, em observância ao regime de caixa. Tal foi a opção validamente feita pela Recorrente, não havendo que se cogitar de sua desqualificação em função da utilização do IRRF para abatimento do IRPJ devido no período, uma vez que este tratamento tributário igualmente encontrase amparado em lei. E que, não há, nem mesmo, que se admitir que a conduta da Recorrente tenha acarretado postergação de tributo devido. Isso porque, conforme dito anteriormente, a Recorrente, durante os três primeiros trimestres do anocalendário de 2004, não efetuou o resgate, alienação ou cessão de sua aplicação em renda fixa e, consequentemente, não ofereceu os rendimentos dela decorrentes à tributação, em estrita observância à sistemática legal aplicável. Ressalta que no primeiro, segundo e quarto trimestres do anocalendário seguinte (2005), a Recorrente efetuou o resgate de suas aplicações no montante total de R$1.806.180,00, tendo informado em sua DIPJ (documento n° 03 juntado à Impugnação) o total líquido de receitas financeiras no montante de R$ 1.767.133,18. Sendo que, na DIRF emitida pelo Bankboston (documento n° 04 juntado à Impugnação), a receita financeira apurada no período totaliza R$1.629.906,11. Portanto, a Recorrente ofereceu à tributação, no anocalendário de 2005, o valor adicional de R$137.227,07 referente a receitas financeiras (vide quadro descritivo anexo ao documento n° 05 juntado à Impugnação). Observa que, em 2006, ainda sob a mesma sistemática, a Recorrente efetuou resgate dos montantes aplicados num total de R$1.532.355,30, tendo informado tal quantia em sua DIPJ (documento n° 06 juntado à Impugnação). Sendo que, na DIRF emitida pelo BankBoston (documento n° 07 juntado à Impugnação), a receita financeira apurada no período totaliza R$ 897.555,13. Desta forma, a Recorrente ofereceu à tributação a quantia de R$ 634.800,17 referente a receitas financeiras (vide quadro comparativo anexo ao documento n° 08 juntado à Impugnação). Conclui que, apesar de não ter recolhido IRPJ referente às receitas financeiras em 2004, a Recorrente o fez nos anos subsequentes, quando do resgate das aplicações. Argumenta a Recorrente que, ainda que se pudesse admitir ter havido postergação de tributo no presente caso, não agiu corretamente a Fiscalização ao apurar o tributo supostamente devido. Pois, nos termos do artigo 25, II da Lei 9.430/96 (reproduzido no art. 521 do RIR/99), as receitas financeiras devem ser incluídas na base tributável apurada pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, apesar de não se enquadrarem no conceito de "receita bruta de vendas e serviços", correspondente à base de cálculo do IRPJ sob tal sistemática. Entende que em função da postergação de tributo devido, deveria ter a d. fiscalização procedido à recomposição das bases de cálculo dos anos subsequentes, o que não foi feito.Assim, a d. Turma Julgadora deveria ter se atentado a esse fato e ordenado processo de diligência para que fosse calculada a referida composição. Finalmente requer provimento ao recurso e que seja previamente intimada na pessoa dos seus representantes legais a seguir relacionados: Ivandro Maciel Sanchez Júnior (OAB/SP n° 139.853) e Cristiane Romano (OAB/SP n° 123.771) advogados, sócios do escritório Fl. 380DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000260/200865 Acórdão n.º 1802001.372 S1TE02 Fl. 8 13 Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados, o primeiro com endereço na Avenida Brigadeiro Faria Lima n° 3144, 8o andar, CEP 01451000, São Paulo SP e, a segunda, em Brasília, DF, SCN, Quadra 2, Bloco A, Sala 904A. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins De Sousa O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e suas alterações posteriores. Dele tomo conhecimento. De acordo com a descrição dos fatos, fl.71, o Auto de Infração em questão referese ao IRPJ — Imposto de Renda Pessoa Jurídica decorrente de ação fiscal na qual a fiscalização constatou que o contribuinte apurou irregularmente o IRPJ, relativo ao ano calendário de 2004, deixando de acrescentar à base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido do primeiro, segundo e terceiro trimestre, as receitas financeiras provenientes de aplicações financeiras, porém na apuração do imposto de renda a pagar deduziu os valores relativos ao imposto de renda retido na fonte Ficha 14A (fls. 05 a 07). O IRPJ trimestral lançado foi calculado pela fiscalização conforme demonstrativo anexo ao mesmo auto de infração, fl.63. Sobre a exigência tributária consta do Termo de Verificação Fiscal o seguinte esclarecimento, fl.66: 16) Considerandose que: a) o artigo 25 da Lei No 9.430/96 determina que os rendimentos auferidos em aplicações financeiras comporão o lucro presumido; b) o artigo 3° da IN SRF No 121/2000 determina que no caso de beneficiário pessoa jurídica, titular de quaisquer aplicações financeiras de renda fixa, bem assim de depósitos de poupança, de quotas de fundo de investimento e de aplicações de swap, a fonte pagadora deverá discriminar, por mês, os rendimentos tributados e o respectivo imposto de renda na fonte; c) a tributação das aplicações financeiras em fundos de investimentos, relativas ao ano de 2004, eram regulamentadas pela Instrução Normativa SRF No 25, de 6 de Março de 2001, que estabelece em seu artigo 1 ° , inciso III, que a incidência do imposto de renda na fonte sobre os rendimentos auferidos por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, nas aplicações em fundos de investimento, ocorrerá, no último dia útil de cada mês, ou no resgate, se ocorrido em outra data, no caso de fundos sem prazo de carência, inclusive por término do prazo de carência inicial; Fl. 381DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 c) a aliquota do IRRF, relativa aos rendimentos auferidos em fundos de investimentos, durante o ano de 2004, era de 20%, conforme parágrafo 9° do artigo 28 da Lei No 9.532/1997; e) o Informe de Rendimentos Financeiros, relativo ao Ano Calendário de 2004, do Bankboston, apresentado pelo fiscalizado em 19/12/2007, está em conformidade com a Lei No 9.532/1997 e com as IN SRF No 121/2000 e IN SRF No 25/2001, discriminando os rendimentos mensais auferidos pelo fiscalizado, bem como o IRRF correspondente com a alíquota de 20%; f) a compensação do IRRF em aplicações financeiras da pessoa jurídica deverá ser feita de acordo com o comprovante de rendimentos fornecido pela instituição financeira, sendo os rendimentos integrados ao lucro presumido (artigo 33, parágrafos 1 ° e 10° da IN SRF No 25/2001); g) não há hipótese de qualquer contribuinte se beneficiar de imposto de renda retido na fonte e não declarar os rendimentos auferidos que deram origem a este IRRF, como foi feito pelo fiscalizado nos três primeiros trimestres de 2004. Nas instruções para preenchimento da DIPJ/2005, quando é informado como preencher a linha 25 da Ficha 14A, relativa a dedução do imposto de renda retido na fonte para se obter o imposto de renda a pagar, o programa informa: "indicar o valor correspondente ao imposto de renda retido na fonte sobre as receitas que integram a base de cálculo do imposto devido"; h) o fiscalizado não possui ação judicial relativa ao IRPJ do ano de 2004, que lhe dê o direito de deduzir o IRRF de receitas financeiras auferidas e não declaradas pelo mesmo em sua DIPJ/2005, conforme informado pelo mesmo à folha 48 deste processo; Concluo que devemos reconstituir a apuração do IRPJ sobre o lucro presumido trimestral do contribuinte fiscalizado, relativo ao ano de 2004, considerando todas as receitas mensais auferidas pelo mesmo, bem como as deduções do IRRF a que o mesmo tem direito, conforme a legislação vigente no ano citado. Para isto elaboramos a planilha — DEMONSTRATIVO DO IRPJ TRIMESTRAL A SER LANÇADO RELATIVO AO ANO DE 2004, anexa à folha 63 deste processo. Conforme relatado, a Recorrente alega, em síntese, que pautou sua conduta em estrita observância ao que determina o parágrafo 9º do artigo 33 da Instrução Normativa n.° 25, de 06 de março de 2001, vigente no anocalendário de 2004, autuado. Ou seja, no sentido de somente acrescentar à base de cálculo do IRPJ pelo lucro presumido as receitas provenientes das aplicações financeiras, na medida de sua alienação ou resgate, em consonância, portanto, com o regime de caixa. Aduz que, se tratando o IRRF de uma efetiva antecipação de recolhimento de valores ao Fisco, não há cabimento em se cogitar a impossibilidade do aproveitamento instantâneo destas quantias para a compensação com o IRPJ apurado no mesmo trimestre.Em outras palavras, uma vez que ao contribuinte foi afastada a disponibilidade econômica sobre determinado valor (parcela do seu rendimento sujeita ao IRRF), que fora destacado mensalmente pela instituição financeira (vide informes de rendimentos documento n° 02 juntado à Impugnação) e Fl. 382DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000260/200865 Acórdão n.º 1802001.372 S1TE02 Fl. 9 15 repassado instantaneamente aos cofres da União, imperioso concluir que, imediatamente, surge a possibilidade de o contribuinte aproveitar estes valores para fins de dedução do IRPJ devido a cada trimestre (nos casos de apuração trimestral) ou ao final do período (anual).Assim, merece ser reformada a d. decisão de primeira instância que considerou a dedução de IRRF da base de cálculo do IRPJ feita pela Recorrente como indevida. Sobre o tratamento dos rendimentos e do imposto de renda retido na fonte (IRRF) faz se necessária a transcrição da seguinte legislação: Decreto nº 3000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) Art.739.A partir de 1º de janeiro de 1999, a incidência do imposto de renda na fonte sobre os rendimentos nas aplicações em fundos de investimento, auferidos por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta e as imunes de que trata o art. 170, ocorrerá (Medida Provisória nº 1.75316, de 1999, art. 6º): Ina data em que se completar cada período de carência para resgate de quotas com rendimento, no caso de fundos sujeitos a essa condição, ressalvado o disposto no inciso seguinte; IIno último dia útil de cada trimestrecalendário, no caso de fundos com períodos de carência superior a noventa dias; IIIno último dia útil de cada mês, ou no resgate, se ocorrido em outra data, no caso de fundos sem prazo de carência. §1ºA base de cálculo do imposto será a diferença positiva entre o valor da quota apurado na data de resgate ou no final de cada período de incidência referido neste artigo e na data da aplicação ou no final do período de incidência anterior, conforme o caso (Medida Provisória nº 1.75316, de 1999, art. 6º, §1º). §2ºAs perdas apuradas no resgate de quotas poderão ser compensadas com ganhos auferidos em resgates ou incidências posteriores, no mesmo fundo de investimento, de acordo com procedimento a ser definido pela Secretaria da Receita Federal (Medida Provisória nº 1.75316, de 1999, art. 6º, §2º). §3ºOs quotistas dos fundos de investimento cujos recursos sejam aplicados na aquisição de quotas de outros fundos de investimento serão tributados de acordo com o disposto neste artigo (Medida Provisória nº 1.75316, de 1999, art. 6º, §3º). (...) Art.770.Os rendimentos auferidos em qualquer aplicação ou operação financeira de renda fixa ou de renda variável sujeitam se à incidência do imposto na fonte, mesmo no caso das operações de cobertura hedge, realizadas por meio de operações de swap e outras, nos mercados de derivativos (Lei nº 9.779, de 1999, art. 5º). (...) Fl. 383DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 §2ºOs rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §2º, Lei nº 9.317, de 1996, art. 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51): I integrarão o lucro real, presumido ou arbitrado; II serão tributados de forma definitiva no caso de pessoa física e de pessoa jurídica optante pela inscrição no SIMPLES ou isenta. §3º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado: ... II os rendimentos auferidos em aplicações financeiras serão adicionados ao lucro presumido ou arbitrado somente por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação (regime de caixa); III as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 761, 764, 765 e 766 somente podem ser compensadas com ganhos auferidos nas mesmas operações ............................. Art.773.O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, incisos I e II, Lei nº 9.317, de 1996, art. 3º, §3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51): Ideduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; II definitivo, no caso de pessoa física e de pessoa jurídica optante pela inscrição no SIMPLES ou isenta. IN SRF nº 25, de 06 de março de 2001 Disposições Comuns às Operações de Renda Fixa e de Renda Variável Tratamento dos Rendimentos e do Imposto Art. 33. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será: I deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; II definitivo, no caso de pessoa física e de pessoa jurídica optante pela inscrição no Simples ou isenta. § 1º Os rendimentos e os ganhos líquidos de que trata este artigo integrarão o lucro real, presumido ou arbitrado. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000260/200865 Acórdão n.º 1802001.372 S1TE02 Fl. 10 17 (...) § 9º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado: (...) II os rendimentos auferidos em aplicações financeiras serão adicionados ao lucro presumido ou arbitrado somente por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação (regime de caixa); (...) § 10. A compensação do imposto de renda retido em aplicações financeiras da pessoa jurídica deverá ser feita de acordo com o comprovante de rendimentos, mensal ou trimestral, fornecido pela instituição financeira. (...) Com efeito, a legislação acima permite que os rendimentos auferidos em aplicações financeiras sejam adicionados ao lucro presumido ou arbitrado somente por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação (regime de caixa). Também prescreve que, a compensação do imposto de renda retido em aplicações financeiras da pessoa jurídica deverá ser feita de acordo com o comprovante de rendimentos, mensal ou trimestral, fornecido pela instituição financeira. A Recorrente ressalta que aplicou exatamente a sistemática prevista na legislação, pois, levandose em consideração que nos três primeiros trimestres do ano de 2004 não efetuou nenhum resgate em suas aplicações financeiras, não houve adição de quaisquer valores a titulo de receita financeira na base de cálculo do IRPJ nestes trimestres. Porém, a fiscalização constatou através do Informe de Rendimentos Financeiros do AnoCalendário de 2004 emitido pelo Bankboston Banco Múltiplo S/A, CNPJ Nº 60.394.079/0001 04, fornecido pelo fiscalizado em 19/11/2007, anexo à folha 32 deste processo, que o mesmo auferiu rendimento bruto proveniente de aplicações financeiras, durante o anocalendário de 2004, no valor total de R$ 1.188.158,50, tendo um imposto de renda retido na fonte (IRRF) de 20% sobre estes rendimentos auferidos, no valor total de R$ 237.631,33. De acordo com o Informe de Rendimentos apresentado, o contribuinte fiscalizado possuía três aplicações financeiras durante o ano de 2004, sendo o rendimento das mesmas e o IRRF em cada trimestre abaixo discriminado: PERÍODO RENDIMENTO DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS IRRF Primeiro trimestre/2004 248.631,11 49.726,15 Segundo trimestre/2004 359.166,30 71.833,14 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 18 Terceiro trimestre/2004 382.398,78 76.479,62 Quarto trimestre/2004 197.962,31 39.592,42 A Fiscalização constatou que o contribuinte fiscalizado escriturou suas receitas financeiras, relativas ao ano de 2004, em seus livros Diário e Razão, num valor total de R$ 1.277.358,67 (fls. 40 a 41).Embora tenha se beneficiado do IRRF sobre as aplicações financeiras para deduzir seu imposto de renda a pagar trimestral, relativo ao ano de 2004, não acrescentou à base de cálculo do imposto de renda sobre o lucro presumido trimestral os rendimentos obtidos através de suas aplicações financeiras, conforme verificado na linha 06 da Ficha 14A da DIPJ/2005 do fiscalizado (folhas 05 a 07). Entendo que a conduta do contribuinte é incompatível com as leis consolidadas no artigo 526 do RIR/99 que assim dispõe: Art.526.Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido no período de apuração, o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo, vedada qualquer dedução a título de incentivo fiscal (Lei nº 8.981, de 1995, art. 34, Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º, Lei nº 9.430, de 1996, art. 51, parágrafo único, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 10). Parágrafo único.No caso em que o imposto retido na fonte ou pago seja superior ao devido, a diferença poderá ser compensada com o imposto a pagar relativo aos períodos de apuração subseqüentes. Como se vê, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido no período de apuração, o imposto retido na fonte (IRRF) sobre as receitas que integraram a base de cálculo do IRPJ devido nos trimestres de 2004. Conforme os artigos 25 e 51 da Lei nº 9.430/1996, esses rendimentos devem ser adicionados ao lucro presumido, para efeito de determinação do imposto de renda devido. E o imposto de renda incidente na fonte é considerado como antecipação do devido na declaração de rendimentos. Desse modo, os rendimentos auferidos em aplicações em fundos de investimento financeiro devem ser acrescidos ao lucro presumido para fins de tributação do IRPJ, ainda que não tenha havido o resgate da aplicação financeira, na medida em que a pessoa jurídica tenha utilizado o IRRF sobre os rendimentos para dedução do IRPJ apurado no período trimestral. Assim, é de se concluir que, se o IRRF é antecipação do imposto que será devido ao final do período de apuração trimestral, é lógico que os rendimentos que sofreram a incidência do IRRF devem ser adicionados ao lucro presumido para que haja a possibilidade da compensação de que trata o § 10 do artigo 33 da Instrução Normativa n.° 25, de 06 de março de 2001 a que alude a Recorrente. Uma vez comprovado, com fundamento em documentação produzida por instituição financeira, que os rendimentos não foram incluídos na base de cálculo do tributo, deve manter se a autuação. A Recorrente argúi que no primeiro, segundo e quarto trimestres do anocalendário seguinte (2005), a Recorrente efetuou o resgate de suas aplicações no montante total de R$1.806.180,00, tendo informado em sua DIPJ (documento n° 03 juntado à Impugnação) o Fl. 386DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15758.000260/200865 Acórdão n.º 1802001.372 S1TE02 Fl. 11 19 total líquido de receitas financeiras no montante de R$ 1.767.133,18. Sendo que, no Informe de Rendimentos emitido pelo Bankboston, fl.203, (documento n° 04 juntado à Impugnação), a receita financeira apurada no período totaliza R$1.629.906,11. Portanto, a Recorrente ofereceu à tributação, no anocalendário de 2005, o valor adicional de R$ 137.227,07 referente a receitas financeiras, conforme quadro descritivo anexo ao documento n° 05 juntado à Impugnação) emitido pela Recorrente, fl.205. Outrossim, em 2006, ainda sob a mesma sistemática, a Recorrente alega que efetuou resgate dos montantes aplicados num total de R$1.532.355,30, tendo informado tal quantia em sua DIPJ (documento n° 06 juntado à Impugnação). Sendo que, no Informe de Rendimentos, fl.220 emitido pelo BankBoston (documento n° 07 juntado à Impugnação), a receita financeira apurada no período totaliza R$ 897.555,13. Desta forma, a Recorrente ofereceu à tributação a quantia de R$ 634.800,17 a maior referente a receitas financeiras (vide quadro comparativo anexo ao documento n° 08 juntado à Impugnação). A argumentação da Recorrente, é que, apesar de não ter recolhido IRPJ referente às receitas financeiras em 2004, a Recorrente o fez nos anos subsequentes, quando do resgate das aplicações, a saber: R$ 137.227,07 em 2005 e R$ 634.800,17 em 2006. Entende que em função da postergação de tributo devido, deveria ter a d. fiscalização procedido à recomposição das bases de cálculo dos anos subsequentes, o que não foi feito.Assim, a d. Turma Julgadora deveria ter se atentado a esse fato e ordenado processo de diligência para que fosse calculada a referida composição. Compulsandose os autos, em relação aos anos calendários de 2005 e 2006, não constato qualquer valor adicionado à base de cálculo do imposto de renda sobre o lucro presumido trimestral relativo aos rendimentos obtidos através de suas aplicações financeiras, conforme verificado na linha 06 Rendimentos e Ganhos Líquidos Aplicações Renda Fixa/Renda Variável, da Ficha 14A das DIPJ/2006 (ano calendário 2005, fls.192 e 193) bem como na DIPJ/2007 (ano calendário 2006, fls.210 e 211), nem tampouco consta qualquer valor na linha 30 “IMPOSTO DE RENDA POSTERGADO DE PERÍODOS DE APURAÇÃO ANTERIORES”. Assim, apenas as planilhas trazidas às fls 205 e 222 não são hábeis a identificar quais as receitas teriam sido de fato oferecidas à tributação, e se, dentre elas, estariam contempladas aquelas que ensejaram o IRRF utilizado na apuração do imposto do período anterior (2004). É cediço que, a caracterização da postergação pressupõe a existência de pagamento do tributo em período posterior, decorrente da infração identificada pela fiscalização. A jurisprudência deste Conselho Administrativo há muito consolidou o entendimento quanto à necessidade da demonstração e comprovação da postergação, não bastando a simples alegação de sua ocorrência, a exemplo dos seguintes julgados: COMPROVAÇÃO DA POSTERGAÇÃO. A ocorrência de postergação no pagamento do imposto de renda deve ser demonstrada e não simplesmente alegada. (Ac. 10183.483/92) IRPJ. POSTERGAÇÃO. A alegação de postergação de pagamento do imposto demanda prova da ocorrência de pagamento espontâneo em períodobase posterior. (Ac. 103 21.341 /2003) Fl. 387DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 20 IRPJ POSTERGAÇÃO ÔNUS DA PROVA Na relação jurídicotributária o ônus probandi incumbit ei qui dicit, inicialmente cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário, no sentido de realizar o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. Ao sujeito passivo, entretanto, compete, igualmente, apresentar os elementos que provam o direito alegado, bem assim elidir a imputação da irregularidade apontada. (Ac. 10321.619/2004) POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DE TRIBUTO. A postergação de pagamento de tributo pressupõe a prova do seu efetivo pagamento. (Ac. 103 22.446/2006 e 10322.746/2006) POSTERGAÇÃO – PROVA – Cabe ao contribuinte trazer aos autos a prova de qualquer efeito postergatório, devendo ser rejeitado o pedido de perícia quando os fatos podem ser demonstrados pelo contribuinte através de sua escrituração. (Ac. 10196015/2007)” Não havendo a Recorrente trazido aos autos a necessária demonstração e comprovação de pagamento posterior do IRPJ, de modo a configurar a alegada postergação, resta mantido o lançamento fiscal. Quanto ao pleito que seja intimada na pessoa dos seus advogados: Ivandro Maciel Sanchez Júnior (OAB/SP n° 139.853) e Cristiane Romano (OAB/SP n° 123.771), o primeiro com endereço na Avenida Brigadeiro Faria Lima n° 3144, 8o andar, CEP 01451000, São Paulo SP e, a segunda, em Brasília, DF, SCN, Quadra 2, Bloco A, Sala 904A. Ressaltese que o endereçamento de intimações ao contribuinte é matéria especificamente regulamentada no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores. E, nos termos do art. 23 do mencionado Decreto, é prevista intimação do sujeito passivo apenas no domicílio tributário, assim considerado o do endereço postal, eletrônico ou de fax, fornecido pelo contribuinte, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Relatora Ester Marques Lins De Sousa Fl. 388DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11522.000042/2003-29
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA E DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. APROVEITAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, a partir da constatação de imposto de renda retido na fonte informado/constante da Declaração de Ajuste Anual, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 12/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 12/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA E DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. APROVEITAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, a partir da constatação de imposto de renda retido na fonte informado/constante da Declaração de Ajuste Anual, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 00 42 /2 00 3- 29 Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 12/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório MAMEDE SAID MAIA FILHO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 20/01/2003, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica; e caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em relação aos anos calendário 1996, 1997 e 1998 , conforme peça inaugural do feito, às fls. 570/592, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 2a Turma da DRJ em Belém/PA, consubstanciada no Acórdão nº 5562/2006, às fls. 636/645, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 4a Câmara, em 25/06/2008, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 10423.286, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999 AUTUAÇÃO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DECADÊNCIA Inexistindo na lei ordinária que institui a incidência tributária comando expresso no sentido de que se trata de exigência isolada e definitiva, aplicase a regra geral do Imposto de Renda Pessoa Física, que é a tributação anual, por ocasião do ajuste, considerandose ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro do anocalendário. Ressalva do entendimento pessoal do Relator em sentido contrário. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11522.000042/200329 Acórdão n.º 9202002.454 CSRFT2 Fl. 754 3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1701/97 o artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária cuja origem o titular, regularmente intimado, não comprove mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE DESVIO DE FINALIDADE O desvio de finalidade de recursos recebidos por agente público não autoriza, por si só, a qualificação da penalidade na seara tributária, se não demonstrada a correlação entre referida conduta e a intenção específica de suprimir a arrecadação tributária. Argüição de decadência acolhida. Recurso parcialmente provido.” Irresignada, a Procuradoria interpôs Recurso Especial, às fls. 703/710, com arrimo no artigo 7o, incido I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado a legislação que contempla a matéria, mais precisamente os artigos 149, inciso V, 150, § 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à contrariedade à lei argüida. Sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado no Superior Tribunal de Justiça, estabelece que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de “homologação” de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento. Assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento não há o que se homologar, não estando o lançamento de ofício previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. Sustenta que o contribuinte não efetuou o pagamento antecipado do IRPF incidente sobre as diferenças repassadas por agência de viagens durante todo o ano calendário 1997, impondo seja aplicado do prazo decadencial insculpido no artigo 173, inciso I, do CTN. Em defesa de sua pretensão, infere que adotandose o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. In casu, como o contribuinte foi notificado do Auto Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 de Infração em foco em 20/01/2003, não há que se falar em decadência, devendo ser reformado, portanto, o acórdão recorrido. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 4ª Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, especialmente o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, conforme Despacho nº 104462/2008, às fls. 712/713. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, o contribuinte não ofereceu suas contrarrazões, tendo, em verdade, oposto Embargos de Declaração, de fls. 719/721, os quais restaram prejudicados diante do Pedido de Desistência Parcial dos recursos interpostos nos autos do presente processo administrativo, remanescendo em discussão tão somente a parte em que logrou êxito no Acórdão recorrido e objeto do Recurso Especial da Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara do 1o Conselho de Contribuintes a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, o contribuinte fora autuado, com arrimo nos artigos 1o a 3o, e §§, da Lei n° 7.713/88, c/c artigo 42 da Lei nº 9.430/96, em virtude da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e com base em depósitos bancários realizados em conta de sua titularidade, sem a devida comprovação da origem. Por sua vez, ao analisar o caso, a Câmara recorrida achou por bem rechaçar em parte a pretensão fiscal, acolhendo a preliminar de decadência arguida relativamente ao anocalendário 1997, adotando o prazo decadencial insculpido no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, restando decaído parcialmente o crédito tributário. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a legislação de regência, notadamente os artigos 150, § 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e, bem assim a jurisprudência deste Colegiado e do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do contribuinte, com antecipação de pagamento, não há o que se homologar. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11522.000042/200329 Acórdão n.º 9202002.454 CSRFT2 Fl. 755 5 recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando o Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas IRPF sujeito ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que o Imposto de Renda Pessoa Física deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11522.000042/200329 Acórdão n.º 9202002.454 CSRFT2 Fl. 756 7 simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento no Imposto de Renda Pessoa Física, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento relativamente ao anocalendário 1997, a partir da constatação de imposto de renda retido na fonte informado e submetido ao ajuste na Declaração de Ajuste Anual 1997, às fls. 05/08. Na esteira dessas considerações, vislumbrandose a ocorrência de recolhimentos – antecipação de pagamento , fato relevante para a aplicação do instituto da decadência, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar, é de se manter a ordem legal no sentido de aplicar o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do CTN. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 20/01/2003, com a devida ciência do contribuinte constante do Aviso de Recebimento – AR, de fl. 594, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente ao fato gerador ocorrido em 31/12/1997, fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, impondo seja mantida a improcedência parcial do feito. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 4a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10183.004307/2008-06
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
Ementa
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2802-002.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a).
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso- Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 29/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 2 1 1 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.004307/200806 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.096 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de janeiro de 2013 Matéria IRPF Recorrente GONÇALO DOMINGOS DE CAMPOS FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a). (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 29/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 43 07 /2 00 8- 06 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento às fls. 02/04, onde está o fisco a exigir o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 5.604,48, a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (Suplementar), incluídos a multa de oficio de 75% e os juros de mora, estes calculados até 29/08/2008. A exigência decorreu da revisão efetuada na declaração de ajuste anual apresentada pela contribuinte para o exercício 2004, anocalendário 2003, em que a autoridade fiscal apontou a ocorrência das seguintes infrações à legislação tributária: · Dedução Indevida de Despesas Médicas glosa do valor de R$10.355,34, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas , por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Esclareceu a autoridade lançadora que, o contribuinte comprovou despesas médicas no valor total de R$ 12.679,86. Não foi considerado recibo emitido por pessoa jurídica (documento hábil seria nota fiscal de prestação de serviço). Em relação ao plano de saúde UNIMED não foi considerado a parcela referente ao Sr. Igor Santos de Campos (não relacionado como dependente da DIRPF). Não foi considerado a nota fiscal emitidas por Meonphys Serviços de Saúde ada no valor de R$ 9.000,00 ( empresa fiscalizada em anos anteripres, sen constatada o não funciomamento da mesma;—para gnocalendário 2005 declarou como inativa). Após a ciência do lançamento o interessado apresentou impugnação, às fls.01/02, alegando, consoante o relatório da decisão de primeira instância, que: i. Procurou a empresa MOENPHYS SERVIÇOS DE SAÚDE LTDA, e esta informou que houve falha por parte de sua contabilidade, porém providências já foram tomadas, visto que estava causando transtorno não só a sua pessoa; ii. Traz uma declaração da empresa MOENPHYS; iii. Tal despesa foi paga e o imposto é de inteira responsabilidade da MOENPHYS. A 4a Turma de Julgamento da DRJ/Campo Grande(MS) decidiu, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do Acórdão DRJ/CGE nº 0422.085, de14/10/2010, às fls.74/79. Cientificado do resultado do julgamento a quo em 23/11/2010 (AR Aviso de Recebimento à fl. 84), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 27/12/2010, conforme documentação às fls. 87/92. É o relatório Voto Fl. 100DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10183.004307/200806 Acórdão n.º 2802002.096 S2TE02 Fl. 3 3 Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora. De início, cabe apreciar a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado pela interessada em face da decisão proferida em primeira instância. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, assim dispõe: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23. Farse á a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (grifei No caso, a ciência à contribuinte do Acórdão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Campo Grande (MS) se deu em 23/11/2010 (terçafeira), conforme Aviso de Recebimento – AR à fl. 84 dos autos. Ocorre que, somente em 27/12/2010 (segundafeira), após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias para interposição de recurso a este Conselho, foi apresentada petição, sem discussão quanto à sua tempestividade. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O término do prazo para apresentação de Recurso Voluntário se deu em 23/12/2010 (quintafeira). Deste modo, está caracterizada a intempestividade da defesa apresentada, face o disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, acima transcrito. Isto posto, voto por não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Fl. 102DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901658/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
1.0 = *:*
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. Júlio César Alves Ramos Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve Despacho Decisório eletrônico não homologando compensação constante de PER/DCOMP, cujo crédito tem origem, segundo a contribuinte, em retenções feitas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo o Despacho denegatório o DARF não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O processo retorna a este Colegiado após duas diligências: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 01 65 8/ 20 08 -3 3 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.901658/200833 Resolução nº 3401000.588 S3C4T1 Fl. 217 2 a primeira determinou ao órgão de origem se pronunciar sobre a DCTF retificadora e a existência de pagamento a maior ou não, quando a DRF de Florianópolis entendeu não caber qualquer revisão no Despacho Decisório que não reconheceu o crédito e, além do mais, afirmou que o recurso voluntário não devia ser conhecido porque firmado por pessoa sem poderes de representação para tanto; a segunda visou sanar a falha na representação e intimar a contribuinte a se pronunciar sobre o entendimento da DRF FlorianópolisSC, exposto na primeira diligência. Intimado por ocasião da segunda diligência, a contribuinte insiste na compensação, referindose a outros dois processos semelhantes a este – os de nºs 10983.901218/200886 e 10983.901097/200872 – e afirmando que as telas SIAFI demonstram a retenção pelos órgãos públicos. Requer a reforma do acórdão recorrido ou, então, nova diligência para que se proceda à juntada dos “Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS”, expedidos pelos órgãos públicos pagadores, que são espelhos das telas SIAFI, tal como adotado nos dois processos acima referidos, nos quais o valor compensado decorrente das retenções foi confirmado pela DRF. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator Diante da insuficiência das diligências realizadas até agora, e por ter sido regularizada a representação processual, carece realizar uma nova, desta feita para que a unidade de origem adote procedimentos semelhantes aos realizados nos processos nºs 10983.901218/200886 e 10983.901097/200872, investigando a fundo a existência de pagamento a maior ou não. Para tanto, deve buscar junto ao SIAFI os dados das retenções e, se necessário, solicitar à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS fornecidos por órgãos públicos (incluindo autarquias e fundações da administração pública federal) a pessoas jurídicas fornecedoras de bens ou prestadoras de serviços, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/96. A Recorrente possui inúmeros processos semelhantes ao presente, sendo em que alguns foram comprovadas, ao menos em parte, as retenções alegadas. Diante dessas comprovações, reforçase a necessidade de nova investigação. Pelo exposto, voto por converter o presente julgamento em nova diligência para que a unidade de origem, primeiro, verifique as retenções alegadas, seja por meio do sistema SIAFI, seja obtendo junto à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, e segundo, emita parecer conclusivo sobre a compensação, respondendo: a) se restaram comprovadas tais retenções, discriminando os seus valores em caso positivo, e b) se houve ou não compensação com os montantes devidos, elaborando demonstrativo com os valores retidos, compensados e os saldos porventura disponíveis. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.901658/200833 Resolução nº 3401000.588 S3C4T1 Fl. 218 3 Do parecer deve ser dada ciência à contribuinte, abrindoselhe o prazo de trinta dias para, querendo, se manifestar sobre o resultado desta nova diligência. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 218DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001482/99-04
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005).
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito.
Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito.
Recurso Extraordinário Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM:21/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005). No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Recurso Extraordinário Provido em Parte.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA COMPROVADA. Ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 14 82 /9 9- 04 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Recurso Extraordinário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM:21/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.001482/9904 Acórdão n.º 9900000.599 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º CSRF/0305.630, proferido pela 3ª Turma da CSRF em 25/02/2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso extraordinário à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso especial. Segue abaixo sua ementa: “FINSOCIAL – RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O prazo para que o contribuinte pleiteie a restituição/compensação de indébito relativo a tributos sujeitos a lançamento por homologação deve ser contado a partir do término do prazo para homologação do pagamento (5+5 = 10 anos). Jurisprudência pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça. Recurso especial negado.” A Fazenda Nacional afirma que o aresto recorrido diverge dos paradigmas que apresenta, cujas ementas serão reproduzidas abaixo: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ILL — O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” (AC CSRF/0400.810) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.” (AC 0202.088) Observa que, de acordo com o voto condutor do primeiro paradigma, o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, considerado este como a data do pagamento, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro. Afirma que o segundo paradigma, por sua vez, afastou expressamente a tese dos 5+5 e determinou que o prazo para pleitear a repetição de indébito tributário tem início com o pagamento antecipado. Ao final, requer o provimento do presente recurso. Nos termos do Despacho n.º 910000.073, foi dado seguimento ao pedido em análise. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 O contribuinte não apresentou contrarazões. Eis o breve relatório. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.001482/9904 Acórdão n.º 9900000.599 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. O Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações Fl. 289DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005): “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP Fl. 290DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.001482/9904 Acórdão n.º 9900000.599 CSRFPL Fl. 5 7 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si" (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” Fl. 291DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (08/10/1999), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional e darlhe parcial provimento, para não acolher o direito de repetição de indébito do contribuinte para os fatos geradores ocorridos anteriormente à 08/10/1989. É como voto. Elias Sampaio Freire Fl. 292DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11516.002793/2006-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
Ementa:
IRRF. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. ÓRGÃO PÚBLICO.
Comprovada a natureza dos rendimentos, bem como a retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, há que se reconhecer o direito à compensação do tributo retido, na respectiva Declaração de Ajuste Anual.
Numero da decisão: 2201-001.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 06/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. ÓRGÃO PÚBLICO. Comprovada a natureza dos rendimentos, bem como a retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, há que se reconhecer o direito à compensação do tributo retido, na respectiva Declaração de Ajuste Anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 06/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 27 93 /2 00 6- 10 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 05/10, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 41.717,09, calculados até abril de 2006. A fiscalização glosou as deduções efetuadas com dependentes (R$ 3.240,00), despesas com instrução (R$ 4.425,00), despesas médicas (R$ 6.274,92), de livro caixa (R$ 3.600,00) e a parcela de R$ 11.216,03 do IRRF compensado. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação (fls. 01/03), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Diz que comprova os dependentes relacionados na declaração (dois filhos e o cônjuge) com as certidões de nascimento e de casamento que anexa. Argúi que as despesas com instrução foram efetuadas com os dois filhos, um deles na UNISUL (R$4.089,02) e o outro no Colégio Tendência (R$2.228,00), e com ele próprio, relativas a dois cursos de aperfeiçoamento junto à Associação Catarinense de Medicina (R$750,00), sem comprovante, e um curso semelhante junto ao Centro de Estudos do Hospital Florianópolis (R$275,00). Quanto às despesas médicas, relaciona os pagamentos declarados, no total de R$6.274,92, indicando os documentos a elas relativos apresentados. Como despesa de livro caixa, relata que informou o pagamento efetuado à Clínica Médica Trindade Ltda., no valor de R$3.600,00, referente a aluguel de consultório na mesma, "cujo lucro decorrente desse atendimento está declarado nos rendimentos tributáveis item 01 UNIMED Florianópolis". Em relação ao IRRF, argúi que recebeu, no ano de 2001, do Governo do Estado de Santa Catarina, o pagamento do precatório TRT 260/95, de ação trabalhista, no valor de R$42.240,76, desse valor houve desconto de encargos previdenciários, custas e IRPF de R$11.216,03, conforme recibos que anexa. Relata que a Receita Federal recebeu essas informações "em documento que anexei a declaração por não haver na mesma, espaço suficiente para deixar o mais claro possível esses dados (documento 28). Essas informações foram aceitas pela Receita se observarmos que o valor total dos rendimentos tributáveis declarados que inicialmente era de R$71.654,90 (cinco fontes pagadoras) passou para R$105.447,53, justamente devido ao acréscimo do valor recebido através do precatório." Afirma que não recebeu a intimação em 13 de janeiro de 2006, citada, tendo apenas recebido em 07/08/2006 o Auto de Infração, do qual pede anulação. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11516.002793/200610 Acórdão n.º 2201001.603 S2C2T1 Fl. 3 3 A 5ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC julgou procedente em parte o lançamento, como se depreende da leitura de parte do voto condutor da decisão em comento: 1.1. Dependentes À vista da legislação transcrita e das Certidões de Casamento e de Nascimento dos filhos Luiz Gustavo Vieira Ferraresi (20/04/1982) e Manoella Vieira Ferraresi (9/08/1983), às fls. 13 a 15, há que se restabelecer a dedução com dependentes, conforme pleiteada na declaração, no importe de R$3.240,00. 1.2. Despesas médicas Também, à vista da legislação transcrita, da relação de pagamentos efetuados à fl. 44 e dos documentos apresentados pelo contribuinte às fls. 26 a 36, há que se restabelecer a dedução com despesas médicas no montante de R$6.219,92... (...) 1.3. Despesas com instrução (...) À vista da legislação transcrita e dos documentos anexados às fls. 16 a 21, há que se aceitar a dedução de despesas com instrução no limite individual previsto de R$1.700,00, relativas ao filho Luiz Gustavo Vieira Ferraresi, uma vez comprovados os pagamentos à Universidade do Sul de SC UNISUL. 1.4. Livro Caixa (...) Assim, considerando que não há livro caixa escriturado nem documento comprobatório de pagamento do aluguel, há que se manter a glosa, conforme efetuada pela autoridade revisora. 2.IRRF (...) Ora, os documentos apresentados, dois deles produzidos pelo próprio contribuinte, não comprovam a efetividade da retenção de imposto de renda na fonte quando do recebimento do precatório. Apenas os cálculos de fl. 38 não confirmam o valor efetivamente recebido, quisesse o contribuinte apresentar prova producente, deveria ele ter trazido aos autos, juntamente com os cálculos, o Alvará Judicial do pagamento do precatório. Intimado da decisão de primeira instância em 09/02/2011 (fl. 58), Cesar Augusto Ferraresi apresenta Recurso Voluntário em 01/03/2011 (fls. 59 e seguintes), sustentando, essencialmente, verbis: (...) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Consta em papel timbrado da Procuradoria Geral do Estado de Santa Catarina o demonstrativo dos valores requisitados mediante Alvará os quais constituíram o processo de Precatório TRT n° 260/95. Neste demonstrativo consta o valor do principal mais os juros, totalizando R$ 42.240,76, dos quais foram descontados R$ 146,11, a título de INSS e foram retidos na fonte o total de R$ 11.216,03, que foi o total de IRRF descontado e declarado pelo contribuinte em sua declaração de imposto de renda em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A controvérsia cingese, nesta segunda instância, na glosa efetuada pela autoridade fiscal, relativa ao imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 11.216,03. De um lado, afirma a autoridade recorrida que não consta nos autos prova de que o valor R$ 11.216,03 referese a imposto de renda retido na fonte sobre reclamatória trabalhista movida pelo recorrente contra o Governo do Estado de Santa Catarina. Assevera, ainda, o julgamento singular que “... quisesse o contribuinte apresentar prova producente, deveria ele ter trazido aos autos, juntamente com os cálculos, o Alvará Judicial do pagamento do precatório”. Por sua vez, informa o suplicante que está juntando a peça recursal, além do alvará judicial, documento oficial da Procuradoria Geral do Estado de Santa Catarina demonstrando o valor recebido, bem como o imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 11.216,03. Pois bem, compulsandose os documentos acostados de fls. 65/67, verifico, pois, que os mesmos demonstram que o recorrente recebeu a título de “Precatórios TRT para Pagamento” do Governo do Estado de Santa Catarina o montante de R$ 42.240,76 e, sobre este valor, foi retido R$ 11.216,03, relativo a imposto de renda na fonte. Destarte, com as presentes considerações e diante da suficiência da prova documental trazida aos autos entendo estar resolvida a controvérsia instaurada, razão pela qual deve ser restabelecido o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 11.216,03. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11516.002793/200610 Acórdão n.º 2201001.603 S2C2T1 Fl. 4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 11516.002793/200610 Recurso nº: 905.961 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.603. Brasília/DF, 15 de maio de 2012. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 16327.001734/2007-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
INCENTIVOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL
A exigência de comprovação de regularidade fiscal, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, deve se ater ao período a que se referir a DIPJ na qual se deu a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes, admitindo-se a prova de quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto 70.235/72. (Súmula CARF 37).
Numero da decisão: 1301-001.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Declarou-se impedido o Conselheiro Valmir Sandri.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A exigência de comprovação de regularidade fiscal, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, deve se ater ao período a que se referir a DIPJ na qual se deu a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes, admitindose a prova de quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto 70.235/72. (Súmula CARF 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir Sandri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 34 /2 00 7- 48 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 2 Relatório A contribuinte acima identificada ingressou, em 28/09/2007, com o PERC — Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais de fls. 01/02, tendo em vista não ter sido emitida a ordem pertinente a sua opção por aplicação de parte do IRPJ relativo ao ano calendário de 2004, exercício 2005, no FINOR (fls 27). Por meio do Despacho Decisório de fls. 105/110, proferido em janeiro/2009, a autoridade administrativa competente indeferiu o pedido, tendo em vista o resultado de consultas ao CADIN e aos registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal, pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Instituto Nacional de Seguridade Social e pela Caixa Econômica Federal (CEF)/FGTS, apontando a existência de débitos tributários e com base no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995. O auditor fiscal designado para apreciar o pedido, assim informou: A contribuinte manifestou sua opção para aplicação de parcela do imposto de renda em incentivos fiscais, no caso, no FINOR, percentual de 12% da base de cálculo DIPJ/2004), sendo a base de cálculo o montante de R$ 57.919.263, 98, o valor Declarado do incentivo fiscal, R$ 6.950.311,68. Ocorre que a interessada calculou e recolheu, como alegado, erroneamente, a título do incentivo fiscal de que trata o presente processo, a importância de R$ 10.556287,02, por haver calculado um percentual de 18% da base de cálculo declarada, quando a Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, no art. 4, § 1 ° inciso II, limitava tal incentivo a 12% da mesma base, e o fez por meio de DARF Especifico, recolhendo a importância diretamente ao fundo de Investimentos do Nordeste, FINOR, fl. 37. Com relação a este valor a maior, de 6% da base de cálculo, no montante de R$ 3.605.975,34 recolhido indevidamente em conta patrimonial da interessada perante o FINOR, verificase que já foi motivo de apreciação em processo administrativo próprio, P.A. 16327.001321/200500, resultando na cobrança do mesmo valor, faltante no recolhimento do imposto de renda da pessoa jurídica no exercício de 2005, nos termos da Lei n 9.532, art. 4°. Com relação à parcela legalmente permitida para a opção pelo incentivo fiscal, verificouse, comojá explicitado no item, que a interessada não pôde dela usufruir por ocasião do processamento eletrônico da DIPJ, Exercício 2005, por motivo de irregularidades fiscais. Antes da apreciação do pedido da interessada, quanto ao mérito, devese verificar, em caráter preliminar, se a interessada pode usufruir o incentivo fiscal em questão, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria. Nesse intuito foram consultados o CADIN/SISBACEN e os registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal/PGFN/INSS/CEF/FGTS. A aludida consulta indica que a interessada está, também nesta data, em situação irregular junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil/PGFN, como se verifica a fls. 91 a 98, deste processo, relatório SINCOR, indicando que consta débito da interessada em Fl. 414DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16327.001734/200748 Acórdão n.º 1301001.122 S1C3T1 Fl. 11 3 cobrança final no PROFISC, impedindoa de comprovar quitação de tributos e contribuições federais, com o que fica materializada a vedação. O referido despacho decisório encontrase assim ementado: Assunto: Pedido de revisão de ordem de emissão de incentivo (PERC), relativo ao IRPJ/2005, ano base 2004. Ementa: INCENTIVOS FISCAIS. PERC A legislação veda a concessão de incentivos fiscais nas situações em que o pleiteante não estiver regular junto à Fazenda Pública, e perante ao fundo de Garantia. Inconformada com o referido Despacho Decisório a interessada apresentou a manifestação de inconformidade. Esclarece que o procedimento administrativo em tela restringese apenas ao indeferimento do PERC, referente à destinação de parte do IRPJ do anoCalendário 2004 da Recorrente ao FINOR no percentual legalmente estipulado, ao passo que no processo administrativo n° 16327.001321/200500, discute a transferência do percentual de 6% do recolhimento efetuado à maior ao FINOR no código 9344 para o IRPJ no código 2390, o qual está aguardando o Julgamento do Recursos voluntário interposto pela Recorrente (doc. de fls. 164/185). Também argúi a nulidade da decisão, expondo que o indeferimento do pedido sem que a Recorrente seja intimada a regularizar a sua situação junto aos Órgãos Administrativos fere meridianamente os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, revestindo, desta forma a patente nulidade a decisão, motivo pelo qual mister se faz sua reforma integral, por configurar preterição ao seu direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72. Defende também que o momento da análise de pendências fiscais para fins da fruição do benefício fiscal é a época da opção pelo Incentivo Fiscal em comento, discordando assim da análise feita decorridos quatro anos de sua opção. Neste diapasão, acusa o procedimento adotado de ser contrário a qualquer tipo de eficiência e razoabilidade e reclama que não pode o pedido ser apreciado no momento que mais interessar à Fazenda como vem fazendo a Administração Pública. Assevera que a utilização de débitos em momento posterior ao da opção pela utilização do beneficio fiscal pretendido, não obstante não estar claramente definida na legislação regulamentadora, fere o princípio da moralidade administrativa à medida que permite à Administração Pública aguardar pacientemente a existência de qualquer débito para indeferir um direito garantido aos contribuintes. Passa então a interessada a discorrer sobre a sua regularidade fiscal. Argumenta que, às fls. 91 a 98, apenas o P.A. n° 16327.000404/200816, consta com uma suposta exigibilidade ativa, entretanto o suposto débito sequer existia quando da opção pela recorrente ao beneficio, não podendo ser admitido como impedimento ao gozo do beneficio. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 4 Expõe que, ao contrário do entendido pela r. decisão ora recorrida, a Recorrente, de acordo com o próprio relatório acostado às fls. 91 a 98 do presente procedimento administrativo, está em situação totalmente regular à época para fruição do beneficio. Aliás, tal fato resta totalmente reforçado, uma vez que detém Certidões Negativas de Débitos válidas (fls. 187 a 191). Observa que a comprovação de regularidade fiscal deve ser feita através da apresentação das correspondentes Certidões Negativas de Débitos, conforme bem determina o artigo 124 da Instrução Normativa SRF n° 267, de 23 de dezembro de 2002. Conclui que, para o contribuinte fruir do incentivo fiscal em tela, deverá obrigatoriamente estar "em dia" com suas obrigações fiscais, as quais são facilmente atestáveis pela mera apresentação de Certidões Negativas de Débito, tal é o caso da Recorrente. Por fim, postula o conhecimento da Manifestação de Inconformidade em apreço, para reforma da decisão recorrida, com o consequente deferimento do PERC. A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/SPOI) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1624.282, de 11/02/2010 (fls. 196), julgamento improcedente a manifestação de inconformidade, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PERC. QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS.PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16327.001734/200748 Acórdão n.º 1301001.122 S1C3T1 Fl. 12 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Nesta fase,a recorrente reitera os argumentos já expostos na manifestação de inconformidade aduzindo, em síntese, que: “Por todo acima exposto, verificase o absurdo do indeferimento do pedido,vez que quando da opção pelo incentivo fiscal não fora indicado nenhum débito capaz de obstar a fruição do benefício, bem como em razão da Recorrente ter comprovado sua situação de regularidade fiscal tanto quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade como no momento atual. Neste plano, verificase que a D. Autoridade Fiscal, quando da análise do PERC, entendeu por bem indeferila em virtude de suposta existência de pendências (sic) "( ... )junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil/PGFN, como se verifica a fls. 91 a 98 deste processo, relatório SINCOR, indicando que consta débito da interessada em cobrança final no PROFISC, impedindoa de comprovar quitação dos tributos e contribuições federais, com o que fica materializada a vedação abaixo prescrita”. Ocorre que no citado Relatório de Apoio à Emissão de Certidão, datado de 18/12/2008, às fls. 91 a 98 dos autos, consta como débito impeditivo apenas o PA n.° 16327.000.404/200816, o qual sequer existia quando da opção pela Recorrente ao benefício, não podendo ser admitido como impedimento ao gozo do benefício em exame.” A questão posta ao conhecimento do Colegiado cingese ao exame do indeferimento do pedido de revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais — PERC em razão da situação irregular da contribuinte perante a RFB e PGFN. Ressaltese que a opção pela aplicação em incentivos fiscais é formalizada na declaração de rendimentos e só se transforma em investimentos, com o direito aos certificados correspondentes, a partir do momento da concordância da SRF com a opção formalizada. A emissão do extrato representa um ato administrativo da Secretaria da Receita Federal e que tem por objetivo informálo a respeito da confirmação ou não da opção pelos incentivos fiscais. O art. 60 Lei n° 9.069/95 estabelece como condição para a concessão do incentivo a comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. O dispositivo está assim redigido: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 6 No caso em tela, a autoridade julgadora em primeira instancia, manteve o indeferimento nos termos pleiteado, sob a argumentação de que o contribuinte deixou de cumprir os requisitos dispostos no art. 60 da Lei n° 9.069/95, posto que não comprovou a inexistência de pendências junto a RFB e a PGFN, até o momento da apresentação da defesa. Insta salientar, que com relação a parcela calculada e destinada a maior ao FINOR pela contribuinte, o valor em excesso encontrase em cobrança no processo administrativo n° 16327.001321/200500 o qual pende de julgamento nesta Corte Administrativa por pedido de vista nesta mesma Sessão de Julgamento. Para a solução da lide, no presente processo, fazse necessário identificar qual o momento em que o sujeito passivo deveria provar sua regularidade fiscal com o fito de aproveitar o beneficio fiscal para o qual fez a opção, sob pena de impossibilitar ao sujeito passivo efetuar a prova de tal regularidade. Em primeiro plano, cumpre ressaltar que esta matéria encontrase pacificada , através da Súmula CARF n° 37, publicada no DOU em 17/07/2010, de aplicação obrigatória, haja vista seu caráter vinculante, nos termos abaixo transcritos: “Súmula CARF no. 37: IRPJ – Incentivos Fiscais Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova de quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto no. 70.235/72.” Compulsando os autos, importa ressaltar que por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o recorrente comprovou sua situação regular junto à PGFN/RFB, (Certidão Conjunta relativa aos tributos Federais e à Divida Ativa da União valida até 14/07/2009, fls. 188); INSS (Certidão Negativa de Débitos relativa às Contribuições Previdenciárias valida até 12/08/2009, fls. 187) e FGTS (Certificado de regularidade anexo às fls. 191). Registrese, que novamente a recorrente colaciona aos autos, juntamente com o recurso voluntário, cópias de novas certidões de igual teor atestando sua regularidade com validade até 18/07/2010, 09/10/2010 e 24/06/2010, respectivamente. Pelo exposto, voto por DAR Provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 418DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16327.001734/200748 Acórdão n.º 1301001.122 S1C3T1 Fl. 13 7 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
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Numero do processo: 10882.001898/2010-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 01 89 8/ 20 10 -9 9 Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001898/201099 Resolução nº 2402000.276 S2C4T2 Fl. 1.468 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal de 30/06/2010 de contribuições previdenciárias, parte patronal, sobre previdência complementar privada em regime aberto. Foram excluídos do lançamento as parcelas correspondentes ao reembolso ensino e diferenças entre RAIS e GFIP. Com isso, mantiveramse as parcelas de reembolso de transportes, reembolso de vestuário e utilidades diversas. A fiscalização não lavrou autodeinfração por descumprimento de obrigações acessórias. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: Acórdão: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. O cerceamento de defesa é vício que somente se pode configurar após a instauração da fase litigiosa do procedimento de que trata o art. 142 do Código Tributário Nacional, de modo que não há cogitarse de nulidade do lançamento por eventuais omissões ou obscuridades no correspondente relatório fiscal. DESPESAS COM EDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. CONDIÇÕES. NÃO COMPROVAÇÃO. LANÇAMENTO. NULIDADE. Impõese a nulidade do respectivo levantamento quando não suficientemente demonstrado, pela fiscalização, que os valores despendidos pela empresa com educação de seus empregados se situam no campo de incidência das contribuições previdenciárias. BATIMENTO RAIS X GFIP. DIFERENÇAS. DEMONSTRAÇÃO. INSUFICIENTE. LANÇAMENTO. NULIDADE. Impõese a nulidade do respectivo levantamento quando não suficientemente demonstradas, pela fiscalização, as diferenças apuradas no batimento dos dados da RAIS com os da GFIP, sobre as quais foram calculadas as contribuições previdenciárias exigidas. USO DE VEÍCULO DO EMPREGADO. NÃO COMPROVAÇÃO. RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. Quando não comprovado que os pagamentos feitos aos empregados se destinavam, efetivamente, ao ressarcimento de despesas com uso de veículos de propriedade destes, os valores despendidos pelo empregador integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. VESTUÁRIO. PAGAMENTO EM DINHEIRO. Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001898/201099 Resolução nº 2402000.276 S2C4T2 Fl. 1.469 3 O valor pago em dinheiro ao trabalhador, a título de reembolso de despesas com vestuário, integra o salário de contribuição do trabalhador e, também, a base de cálculo das contribuições da empresa. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXTENSÃO A TODOS OS TRABALHADORES DA EMPRESA. O valor pago pela pessoa jurídica a título de contribuição a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, somente não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias se o programa for disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. SEGURO DE VIDA. EXTENSÃO A TODOS OS TRABALHADORES DA EMPRESA. O valor pago pela pessoa jurídica a título de prêmio de seguro de vida de seus trabalhadores, somente não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias se o benefício estiver previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e, ainda, for disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. MULTA MAIS BENÉFICA. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. PAGAMENTO. Tendo em vista que o percentual relativo à multa de que trata o art. 35 da Lei n° 8.212/91 varia conforme a fase em que se encontra o processo administrativo tributário, somente por ocasião do pagamento das respectivas contribuições é que poderá ser avaliada se tal penalidade é mais benéfica do que a prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. ... 2o) Contudo, foi constatado que grande parte dos valores pagos equivocadamente como cota utilidades se referem, em verdade, a complementos do salário contratual, rotulados de reembolsos de transporte, vestuários, ensino, dentre outros, supondose estar em conformidade com o Acordo Coletivo de Trabalho celebrado com o Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Empregados de Empresas de Processamento de Dados do Estado de São Paulo, de acordo com a tabela do item 2.5 do citado relatório;... 4o) As utilidades em questão, rotuladas de reembolsos de transportes, vestuários, ensino, dentre outros, foram pagas como complemento do salário contratual, cuja condição indenizatória, alegada pela empresa, foi descaracterizada, inclusive, pelo Ministério SP BARUERI DRF do Trabalho e Emprego, através de sua Delegacia Regional do Trabalho de São Paulo, ou seja, pelo próprio órgão que homologou o acordo coletivo retro citado;... 5o) De fato, em fiscalização realizada no ano de 2007, o Auditor do MTE assim relatou: Valendose desse expediente ilícito, simulando pretenso "reembolso" de despesas com "utilidades ", a empresa estaria sonegando a seus Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001898/201099 Resolução nº 2402000.276 S2C4T2 Fl. 1.470 4 trabalhadores o reconhecimento e o pagamento de diversos direitos incidentes sobre o salário, como férias, 13° salário, FGTS, etc, bem como deixando de recolher os tributos incidentes sobre a folha de pagamento de salários, como contribuições previdenciárias e imposto de renda, com a agravante de não manter documentação de prestação de contas desses pagamentos irregulares. Estaria, ainda, a empresa, amparada em Acordo Coletivo de Trabalho para realização desses pagamentos ... Ora, a despeito da inegável importância dos instrumentos coletivos de trabalho, e da sua eficácia ser constitucionalmente garantida, não se pode admitir que tais diplomas sobrepujem tão frontalmente o Ordenamento Jurídico Tributário e Trabalhista, criando uma espécie de ordenamento próprio, alheio às normas cogentes à que está submetida toda a sociedade ". 8o) O presente auto é composto dos seguintes levantamentos: a "RT", referente às remunerações pagas sob a nomenclatura de "reembolso de transportes", no valor de R$ 1.175.682,98; ° "RE", referente às remunerações pagas sob a nomenclatura de "reembolso de ensino", no valor de R$ 388.175,93; • "RV", referente às remunerações pagas sob a nomenclatura de "reembolso de vestuário", no valor de R$ 227.036,01; ° "RU", referente às remunerações pagas como "utilidades diversas", que não se enquadram nos levantamentos anteriores, no valor de R$ 15.969,24; ° "RG", referente às parcelas remuneratórias informadas na RAIS e não declaradas em GFIP, no valor de R$ 283.260,63; Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Houve cerceamento de defesa, na medida em que: 1) A classificação do fiscal com relação aos pagamentos por ele nominados como complementação de salário é genérica, não permitindo ao contribuinte identificálos para fins de defesa; 2a) O fiscal referese a remunerações originadas de diferenças entre os dados da RAIS e da GFIP, mas não esclarece que tipo de remuneração é essa; 3a) Da análise desses documentos, relativos aos anos de 2006 e 2007, é fácil verificar que um é espelho do outro, ou seja, que todas as informações prestadas na RAIS o foram, igualmente, em GFIP; 4a) Exemplificando, no levantamento "RG", foram lançadas como base de cálculo, nas competências 01/2006, 03/2006, 05/2006, 06/2006, 09/2006 e 11/2006 as importâncias de R$ 67.545,00, R$ 35.477,88, R$ 65.819,00, R$ 25.159,84, R$ 44.955,36 e R$ 55.744,91, respectivamente, mas em nenhum momento o fiscal informou a origem desses pagamentos ou os supostos beneficiários; e 5a) Nenhum débito pode ser atribuído ao contribuinte que não seja claramente apurado e demonstrado pela fiscalização, pois nossa legislação veda a presunção de débito fiscal; Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001898/201099 Resolução nº 2402000.276 S2C4T2 Fl. 1.471 5 1) Faltou ao fiscal atuar com legalidade e responsabilidade na apuração dos fatos apontados como fundamentos do lançamento, o que claramente viola os princípios norteadores do Processo Administrativo; 2a) Os atos da administração pública são vinculados, devendo ser fundamentados, justificados e comprovados, sendo vedado ao poder público imputar falsa responsabilidade ao contribuinte, além do que, sendo o lançamento fiscal um ato administrativo, tem o mesmo de obedecer aos princípios que regem essa categoria de atos, dentre os quais a legalidade, a oficialidade, a inquisitoriedade, a vinculabilidade e a verdade material; 3a) Neste sentido, os lançamentos "outras utilidades" e "diferenças RAIS x GFIP" compõem valores que não configuram fato imponível do tributo objeto da presente notificação, pois a base de cálculo utilizada pelo Sr. Auditor Fiscal não retrata a realidade dos fatos; 4a) Considerando que a empresa disponibilizou todos os documentos requeridos pelo fiscal, não poderia este realizar o lançamento por arbitramento, pois isto afronta o art. 148 do Código Tributário Nacional e os §§ 1o , 3o , 4o , 5 o e 6o do art. 33 da Lei n° 8.212/91; 5a) Ademais, parte do débito apurado decorreu de procedimento por aferição e parte por arbitramento, sem, no entanto, que o auditor fiscal tenha apresentado a fundamentação legal de tais procedimentos. Da utilidade "Educação" 1) A Consolidação das Leis do Trabalho CLT prevê expressamente a natureza indenizatória dos pagamentos relativos à educação e ensino de empregados (art. 458, § 2o , inciso II), enquanto a Jurisprudência Trabalhista entende que o pagamento de despesas com ensino e instrução é inerente à função social da empresa, valor fundamental do nosso ordenamento jurídico; 2a) Também na esfera previdenciária, o pagamento de despesas com educação dos empregados possui natureza indenizatória, consoante o disposto no inciso XIX do § 9o do Decreto n° 3.048/99; 3a) Não obstante a autorização legal acima mencionada, por extrema cautela, a autuada celebrou Acordo Coletivo de Trabalho com o Sindicato representante da categoria de seus empregados (SINDPD), no qual é ratificada a natureza indenizatória do pagamento feito à instituição de ensino com a qual a autuada estabeleceu convênio; 4a) A autuada possui cópia de todos os convênios firmados com instituições de ensino, tais como os celebrados com o Centro Universitário FIEO, com a Faculdade de Informática e Administração Paulista e com a Faculdade Módulo Paulista, por meio dos quais seus empregados teriam descontos nos cursos de graduação e pós graduação mantidos por essas instituições; 5a) O incentivo ao estudo e à formação concedido aos seus empregados não se limitava apenas ao nível superior, mas em muitas situações a autuada também custeava mensalidades de ensino fundamental e médio, como se vislumbra no reembolso da mensalidade do Instituto Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001898/201099 Resolução nº 2402000.276 S2C4T2 Fl. 1.472 6 Paulista Adventista de Educação e Assistência Social, feito a Gustavo Rodrigues; 6a) De todo modo, a autuada apenas reembolsava as despesas de ensino após a entrega do recibo ou do comprovante de pagamento da mensalidade devidamente quitado pelo beneficiário; e 7a) Muito embora tenha tido acesso a todos os documentos da empresa, a fiscalização não individualizou as despesas por segurado, mas apenas as descreveu genericamente exemplifiquese com as competências outubro de 2006 e junho de 2007, quando foram gastos, respectivamente, R$ 1.406,27 e R$ 2.143,00 com reembolso referente a educação , tornando impossível à autuada saber qual o rol de beneficiários, o valor pago a cada um e a suposta alíquota que incidiria sobre o seu saláriodecontribuição, o que constitui infringência ao disposto no art. 243 do Decreto n° 3.048/99. • Da utilidade "Transporte" 1a) A Consolidação das Leis do Trabalho CLT prevê expressamente a natureza indenizatória dos pagamentos relativos à reembolso de despesas com transporte (art. 458, § 2o , inciso III), enquanto a Jurisprudência Trabalhista entende ser essa despesa essencial para o bom desenvolvimento da prestação de serviços, pois, caso o empregado se utilizasse dos próprios recursos, ocorreria um enriquecimento ilícito por parte do empregador, o qual, por força de lei, deve exclusivamente suportar o risco da atividade econômica; 2a) Também na esfera previdenciária, o reembolso de despesas de transporte dos empregados possui natureza indenizatória, consoante o disposto no inciso XVIII do § 9 o do Decreto n° 3.048/99; 3a) Não obstante a autorização legal acima mencionada, por extrema cautela, a autuada celebrou Acordo Coletivo de Trabalho com o Sindicato representante da categoria de seus empregados (SINDPD), no qual é ratificada a natureza indenizatória do pagamento em apreço. 4a) Para a apuração do quanto a ser pago a cada trabalhador, a autuada, por meio do site "www.apontador.com.br". calculava a distância percorrida diariamente pelo empregado no percurso casa trabalhocasa, e pagava R$ 0,89 por quilômetro percorrido, multiplicando tal valor pelo número de quilômetros percorridos pelo empregado durante o mês; 5a) A autuada possui cópia de todos os relatórios de despesas com quilometragem elaborados por seus empregados e dos comprovantes de residência dos mesmos, para que o reembolso corresponda à distância por eles efetivamente percorrida, de modo que não tivessem nenhum ônus para desempenhar as suas atividades, tal como prevê a lei; e 6a) Muito embora tenha tido acesso a todos os documentos da empresa, a fiscalização não individualizou as despesas relativas a reembolso de transporte por segurado, mas apenas as descreveu genericamente exemplifiquese com as competências abril de 2007 e agosto de 2006, quando foram gastos, respectivamente, R$ 5.991,95 e R$ 16.788,12 com a utilidade em apreço , tornando impossível à autuada saber qual o rol de beneficiários, o valor pago a cada um e a suposta alíquota que incidiria sobre o seu saláriodecontribuição, o que constitui infringência ao disposto no art. 243 do Decreto n° 3.048/99. Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001898/201099 Resolução nº 2402000.276 S2C4T2 Fl. 1.473 7 Da utilidade "Vestuário" 1) A Consolidação das Leis do Trabalho CLT prevê expressamente a natureza indenizatória dos vestuários fornecidos e utilizados para a prestação de serviços (art. 458, § 2o , inciso I), enquanto a Jurisprudência Trabalhista entende que se o empregado tivesse que pagar o vestuário e ferramentas necessários ao desempenho de suas atividades, assumiria encargos típicos da atividade econômica, o que não faz sentido, à luz do art. 2 o da CLT; 2a) Também na esfera previdenciária, o reembolso de despesas de transporte dos empregados possui natureza indenizatória, consoante o disposto no inciso XVII do § 9 o do Decreto n° 3.048/99; 3a) Não obstante a autorização legal acima mencionada, por extrema cautela, a autuada celebrou Acordo Coletivo de Trabalho com o Sindicato representante da categoria de seus empregados (SINDPD), no qual é ratificada a natureza indenizatória do reembolso de vestuário necessário à prestação de serviços; 4a) Muito embora tenha tido acesso a todos os documentos da empresa, a fiscalização não individualizou as despesas relativas a reembolso de vestuário por segurado, mas apenas as descreveu genericamente exemplifiquese com as competências dezembro de 2006 e fevereiro de 2007, quando foram gastos, respectivamente, R$ 2.216,93 e R$ 3.055,00 com a utilidade em apreço , tornando impossível à autuada saber qual o rol de beneficiários, o valor pago a cada um e a suposta alíquota que incidiria sobre o seu saláriodecontribuição, o que constitui infringência ao disposto no art. 243 do Decreto n° 3.048/99. Das "Diferenças RAIS x GFIP" 1) A autuada preencheu e apresentou as RAIS dos anos de 2006 e 2007 de acordo com o respectivo Manual de Orientação, procedeu ao correto preenchimento das GFIP de todas as competências daqueles anos, e recolheu integralmente as contribuições ao FGTS; 2a) Além disso, as informações prestadas nas RAIS o foram também nas GFIP, não havendo, pois, que se falar em diferenças de valores; e 3a) Muito embora tenha tido acesso a todos os documentos da empresa, o auditor fiscal não discriminou de modo detalhado quais são essas parcelas remuneratórias e os respectivos sujeitos passivos da obrigação tributária que apresentam diferenças entre a RAIS e as GFIP, em cada uma das competências em que essas supostas divergências foram identificadas ou seja, não se observa a matéria sobre a qual poderá incidir o tributo, porquanto não detalhadamente discriminados os objetos das parcelas remuneratórias decorrentes das supostas diferenças , o que constitui infringência ao disposto no art. 243 do Decreto n° 3.048/99. Das "Outras utilidades" Ia) Tratamse de utilidades oferecidas aos empregados para o trabalho, e não pelo trabalho, não se caracterizando como contraprestações do serviço; 2a) Ademais, muito embora tenha tido acesso a todos os documentos da empresa, o auditor fiscal não procedeu a uma descrição detalhada, contendo uma discriminação pormenorizada, das utilidades a que se refere no presente auto vale dizer, não se observa a matéria sobre a qual poderá incidir o tributo, porquanto não foram discriminados os Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001898/201099 Resolução nº 2402000.276 S2C4T2 Fl. 1.474 8 objetos das utilidades mencionadas , o que constitui infringência ao disposto no art. 243 do Decreto n° 3.048/99; 3a) Inclusive, existe a possibilidade dessas utilidades se referirem aos benefícios já impugnados nos itens anteriores, com o que estaríamos diante de caso de dupla tributação; • Dos encargos moratórios e da multa de ofício Ia ) A multa de ofício exigida in casu não pode prevalecer, tendo em vista que a autuada pautou toda sua conduta por normas válidas do direito do trabalho, sendo totalmente escusável qualquer violação que eventualmente tenha ocorrido na seara tributária; 2a) Entendimento contrário arriscaria a segurança do sistema jurídico, que já não se poderia denominar "sistema" se fosse tão desarticulado em suas disciplinas, o que se evita observandose o disposto no art. 112 do CTN e o inciso XIII do art. 2 o da lei que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal; 3a) Acrescentese que a multa administrativa não se destina à punição de empresas que conduziram seus atos na certeza de observarem a lei e o melhor aos seus funcionários; 4a) Ainda que assim não fosse, a multa de ofício de 75%, atualmente prevista para os casos de falta de recolhimento das contribuições tratadas na Lei n° 8.212/91, não pode ser aplicada ao presente caso, pois, antes da publicação da Medida Provisória n° 449/2008, era cabível a multa de mora, hoje limitada a 20% pelo artigo 61 da Lei n° 9.430/96; 5a) A pretensão de aplicação da multa de ofício aos créditos tributários cujos fatores geradores ocorreram nos exercícios de 2006 e 2007, afronta diretamente o art. 106, II, do CTN, que autoriza a aplicação retroativa da multa de mora atualmente prevista na legislação para as contribuições a que se refere a lei de custeio e cujos fatos geradores sejam anteriores à MP n° 449/2008; e 6a) Por conseguinte, a multa deve ser reduzida para o percentual de 20%, em atendimento à legislação mais benéfica ao contribuinte. É o Relatório. Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10882.001898/201099 Resolução nº 2402000.276 S2C4T2 Fl. 1.475 9 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Conforme relatado, a fiscalização, constituiu crédito sobre "reembolso de transportes", "reembolso de ensino", "reembolso de vestuário", "utilidades diversas" e referente às parcelas remuneratórias informadas na RAIS e não declaradas em GFIP. Foram excluídos do lançamento as parcelas correspondentes ao “reembolso ensino” e “diferenças entre RAIS e GFIP”. Como se sabe, de acordo com o artigo 28, §9º da Lei nº 8.212/91, uma vez cumpridos os requisitos legais, não há incidência da contribuição sobre as parcelas de transporte, ensino e vestuário. Logo, uma vez comprovada a efetiva despesa, a presunção é pela não incidência que, para ser afastada, deverá a fiscalização demonstrar quais requisitos não foram cumpridos como, por exemplo, não os disponibilizar para todos os segurados empregados e dirigentes e outros de acordo com a parcela. Considerando que a recorrente apresentou comprovantes de reembolso das despesas com transportes e ensino e nota fiscal de aquisição de vestuário, para que se possa examinar a incidência ou não é necessário que a fiscalização se pronuncie sobre a pertinência desses documentos e as razões que levaram à constituição do crédito. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos solicitados e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias sobre o relatório conclusivo a ser redigido pela fiscalização. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/01/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 12971.007749/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1999 a 28/02/2006
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso, quanto à preliminar de decadência, nos moldes do artigo 173, I do CTN, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1999 a 28/02/2006 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 97 1. 00 77 49 /2 00 9- 26 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso, quanto à preliminar de decadência, nos moldes do artigo 173, I do CTN, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12971.007749/200926 Acórdão n.º 2302002.145 S2C3T2 Fl. 377 3 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, cientificada ao sujeito passivo através de Registro Postal em 31/07/2006, referese às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados nas competências de 06/1999 a 02/2006, apuradas com base nas informações prestadas em GFIP e nas folhas de pagamento em confronto com as GPS apresentadas. Após a impugnação, DecisãoNotificação de fls. 305/317, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário alegando em síntese: a) que entregou todas as GFIP’s; b) que não efetuou o recolhimento das contribuições por falta de capacidade econômicofinanceira; c) que não houve apropriação indébito, pois deve apenas a parte da empresa; d) requer prazo para efetuar o recolhimento; e) que o grau de risco do SAT é considerado leve não podendo ser cobrada a alíquota de 20% no exercício de 1998; f) que não expõe segurados a riscos ambientais do trabalho que acarretem aposentadoria especial; g) que não pode ser atribuída solidariedade com a empresa Limpadora Novo Horizonte, porque já recolheu as contribuições; h) que a alíquota de 8% é descabida devendo ser aplicada a de 0,38%; i) que a contribuição para o INCRA está extinta desde 1989, não havendo base legal para a cobrança; j) que a multa é inconstitucional; k) que não concorda com a correção monetária incidir sobre os acessórios; l) que a taxa SELIC é ilegal e inconstitucional. Requer a retificação da NFLD para a exclusão dos valores a título de juros, multa e correção monetária excedentes ao que estabelece a lei, ou o seu cancelamento. O recurso foi tomado como intempestivo por constar no envelope de postagem a data aposta de 15/11/2006, fls. 334, quando o prazo para a interposição expirou em Fl. 406DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 13/11/2006 e deserto pela falta do depósito recursal. O recorrente foi cientificado e o crédito inscrito em dívida ativa. Após apresentação de sentença judicial para o seguimento do recurso desprovido do depósito, a Procuradoria cancelou a inscrição e os autos vieram a julgamento. É o relatório. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12971.007749/200926 Acórdão n.º 2302002.145 S2C3T2 Fl. 378 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido. Embora conste dos autos que a peça recursal foi apresentada extemporaneamente, também consta no despacho de encaminhamento do recurso, fls. 375, que a data de 15/11/2006, considerada na apresentação do recurso é feriado nacional. Do exame da cópia do envelope anexado ao processo, fls. 334, vêse que está colocado por escrito a data de 15/11/2006, enquanto o carimbo aposto pelos Correios encontrase parcialmente legível, mas a data poderia, também, ser interpretada como 13/11/2006, caso em que o recurso seria tempestivo. Desta forma, considerando que a postagem do documento não poderia ter sido efetuada em 15/11/2006, por ser feriado nacional, dia da Proclamação da República, e considerando o Princípio de Direito Processual Penal de que a dúvida interpretase a favor do acusado, tenho que o recurso deve ser aceito como tempestivo. Das Preliminares A notificação referese ao período de 06/1999 a 02/2006 e foi lavrada em 25/07/2006, com ciência pelo sujeito passivo em 31/07/2005. A decadência não foi argüida pela recorrente, mas por ser matéria de ordem pública deve ser examinada de ofício na apreciação deste recurso. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social Fl. 408DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12971.007749/200926 Acórdão n.º 2302002.145 S2C3T2 Fl. 379 7 Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, os recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado, restringemse a algumas competências como 06/1999, 11/1999 e 02/2000, que estariam alcançadas pela fluência do prazo decadencial por qualquer das regras expostas no CTN. Para as demais competências onde não foram verificados recolhimentos parciais, conforme Discriminativo RDA – Relatório de Documentos Apresentados, fls. 59/61, aplicase o artigo 173, I do CTN, devendo ser excluídas do levantamento as competências até 11/2000, inclusive: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Do Mérito A notificação teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e nas suas folhas de pagamento e o confronto das mesmas com os valores recolhidos em GPS, de forma que se tornam incontroversos os valores lançados. As folhas de pagamentos foram preparadas pela própria recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pela recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Fl. 410DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento A recorrente tece diversas considerações na peça recursal que não fazem parte do presente processo como a alíquota do SAT no ano de 1998, que não consta deste levantamento, responsabilidade solidária, alíquota de segurados e aposentadoria especial e correção monetária, motivo pelo qual deixo de me manifestar sobre tais assuntos. Quanto ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; Fl. 411DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12971.007749/200926 Acórdão n.º 2302002.145 S2C3T2 Fl. 380 9 c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de Fl. 412DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) No caso em tela foi considerada a alíquota de 3%, conforme o CNAE 2899.1, informado pela própria recorrente em GFIP, não pertencem ao lançamento adicionais para o financiamento de aposentadoria especial. A cobrança das contribuições destinadas ao INCRA está prevista em lei, conforme consta dos Fundamentos Legais do Débito FLD, fls. 74/77, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Nesse sentido é o entendimento do STF, conforme ementa no Agravo Regimental do Recuso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem Fl. 413DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12971.007749/200926 Acórdão n.º 2302002.145 S2C3T2 Fl. 381 11 expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. No mesmo sentido é o entendimento da 1ª Seção do STJ no julgamento do Recurso Especial n 977.058 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. 1. A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. 2. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. 4. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori , infungíveis para fins de compensação tributária. 5. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o thema iudicandum , impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. 6. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). 7. A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei 7.787/89. 8. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. 9. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a Fl. 414DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice, ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. 11. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdades regionais. 12. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. Não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, vigente à época do lançamento. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: Fl. 415DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12971.007749/200926 Acórdão n.º 2302002.145 S2C3T2 Fl. 382 13 a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99). No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” Fl. 416DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4, de cumprimento obrigatório pelo colegiado: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As argüições acerca da ilegalidade e inconstitucionalidade das leis não vão ser examinadas porque a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas. Observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas e dcidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Fl. 417DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12971.007749/200926 Acórdão n.º 2302002.145 S2C3T2 Fl. 383 15 Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso para acatar a fluência do prazo decadencial, como exposto pelo artigo 173, I do Código Tributário Nacional e excluir do lançamento as competências até 11/2000, inclusive. Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 418DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10480.914335/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/05/2003
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO NO CARF.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3803-003.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. Após 9 de junho de 2005, o prazo para a repetição ou compensação de indébitos relativos a tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, conforme já decidiu o Supremo tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621, submetido à sistemática da repercussão geral. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2003 REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO NO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 43 35 /2 00 9- 51 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em decorrência da decisão da DRJ Recife/PE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte para se contrapor à não homologação da compensação pleiteada, nos termos do despacho decisório eletrônico exarado pela repartição de origem. O contribuinte havia transmitido à Receita Federal Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), relativos a pretenso pagamento da Cofins efetuado a maior, cujo direito creditório reclamado neste processo totaliza o valor de R$ 41.080,31, tratandose de crédito de sociedade empresária sucedida por incorporação. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que, “na data de transmissão do documento em análise já estava extinto o direito de utilização do crédito por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP” (fl. 7). Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 12 a 18) e requereu a homologação total da compensação ou a realização de perícia para se confirmar o crédito pleiteado, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) nos termos de decisões judiciais reproduzidas em parte na peça recursal, a prescrição do direito de ação, relativa à compensação de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil deve ser contada a partir da efetiva ou tácita homologação do respectivo lançamento; b) a não homologação das compensações constitui autêntica sanção política ou indireta, violando a razoabilidade, a proporcionalidade e o devido processo legal. A DRJ Recife/PE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 54 a 62), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 COFINS.RESTITUIÇÃO.PRAZO DECADENCIAL 0 prazo para pleitear a restituição de tributos relativos a valores pagos a maior ou indevidamente, inclusive em relação aos tributos lançados por homologação, é de 5 anos contados da data do pagamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10480.914335/200951 Acórdão n.º 3803003.654 S3TE03 Fl. 94 3 A compensação, nos termos do art. 170 do CTN, só poderá ser homologada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato especifico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando este deixar de conter os requisitos estabelecidos pelo art.16, inciso IV, do decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 e quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 67 a 78) e reitera seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo reproduzidas na peça recursal ementas de decisões dos extintos Conselhos de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento que já se encontrava extinto pelo decurso do prazo de cinco anos entre a data de arrecadação e a data de transmissão da declaração de compensação. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 A contorvérsia se restringe, portanto, ao prazo extintivo do direito de se pleitear a restituição de tributos pagos a maior ou indevidamente. O Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621, submetido à regra da repercussão geral (art. 543B, § 3º, do Código de Processo Civil), decidiu, em 4 de agosto de 2011, que, no que tange aos pedidos de repetição ou compensação de indébitos formalizados a partir de 9 de junho de 2005, aplicase lhes o prazo de cinco anos contados da data do pagamento indevido. A data de 9 de junho de 2005 corresponde ao dia seguinte ao termo final da vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, que definiu, nas hipóteses de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo de cinco anos contados da data do pagamento antecipado para a extinção do crédito tributário respectivo. No mesmo julgamento, a aplicação retroativa do referido prazo (art. 3º da LC nº 118/2005) foi considerada inconstitucional, por ferir o princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Referida decisão do STF transitou em julgado em 27 de fevereiro de 2012, de acordo com consulta ao sítio do Tribunal na internet realizada em 08/10/2012. De acordo com o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o contribuinte formulou seu pedido de restituição e compensação em 5 de dezembro de 2008, após, portanto, a vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, referindose a pagamento efetuado em 15/05/2003, em razão do que temse por transcorrido o prazo previsto no art. 168, I, do Código Tributário Nacional (CTN), combinado com o art. 3º, in fine, da Lei Complementar nº 118/2005. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10480.914335/200951 Acórdão n.º 3803003.654 S3TE03 Fl. 95 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10480.914335/200951 Interessada: VOTORANTIM CIMENTOS N/NE S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.654, de 25 de outubro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 25 de outubro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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