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Numero do processo: 10218.720247/2011-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.100
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em sobrestar o julgamento do processo, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEÃO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em sobrestar o julgamento do processo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10218.720247/201115 Resolução n.º 1802000.100 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA), que por unanimidade de votos considerou improcedente a impugnação da contribuinte. Por economia processual, a seguir passo a adotar o relatório de DRJ para resumir a lide: “I – DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referente aos anoscalendário de 2006, 2007, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 30.06.2006). AUTO DE INFRAÇÃO – LUCRO ARBITRADO– ANO CALENDÁRIO DE 2007 (FLS. 976/999) TRIBUTO IMPOSTO R$ JUROS DE MORA R$ MULTA – R$ TOTAL IRPJ 99.190,44 49.182,75 148.785,65 297.158,84 CSLL 62.455,10 30.251,39 93.682,62 186.389,11 TOTAL 483.547,95 A impugnante tomou ciência do auto de Infração em 30/07/2011. (fls. 1000). II– DAS INFRAÇÕES LANÇADAS A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber: 2 – INFRAÇÕES APURADAS – ANOCALENDÁRIO DE 2006 DIFERENÇAS DE BASE DE CÁLCULO ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS VALORES DECLARADOS – LUCRO ARBITRADO. Como a RECEITA BRUTA MENSAL AUFERIDA, é a RECEITA DECORRENTE DA VENDA DE MERCADORIAS(VALOR TOTAL DE R$ 3.740.771,55) e tal receita é maior que a receita declarada (VALOR Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10218.720247/201115 Resolução n.º 1802000.100 S1TE02 Fl. 3 3 TOTAL R$ 0,00), há necessidade de se lançar de ofício a diferença entre o valor escriturado e valor declarado. 3 – INFRAÇÕES APURADAS – ANOCALENDÁRIO DE 2007 DIFERENÇAS DE BASE DE CÁLCULO ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS VALORES DECLARADOS – LUCRO ARBITRADO. Como a RECEITA BRUTA MENSAL AUFERIDA, é a RECEITA DECORRENTE DA VENDA DE MERCADORIAS(VALOR TOTAL DE R$ 2.042.111,15) e tal receita é maior que a receita declarada (VALOR TOTAL DE R$ 0,00), há necessidade de se lançar de ofício a diferença entre o valor escriturado e o valor declarado. 4 – MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150% A Fiscalizada e a empresa Distribuidora de alimentos Santa Marta, ambas sob a administração da família ALCICI ASSAF,não escrituravam suas receitas, além de prestar informações falsas à Receita Federal do Brasil, objetivando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Resta, desta forma, caracterizado o evidente intuito de sonegação fiscal por parte da fiscalizada. III DA IMPUGNAÇÃO 3 Em 25/08/2011, a Empresa apresentou impugnação ao Auto de infração (fl. 1007/1042), e alega em síntese: 3.1 – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – AFASTAMENTO ARBITRÁRIO DE SIGILO BANCÁRIO – RESERVA DE JURISDIÇÃO O auto de infração é nulo, pois viola a reserva constitucional de jurisdição, para o afastamento do sigilo bancário do contribuinte. O que se vê, pois, é o fato de se ter realizado a autuação, tão só, com base em suposta discrepância entre os valores depositados em conta corrente e os valores expostos em DECLARAÇÕES FISCAIS ESTADUAIS, servindo tal discrepância para se dar o lançamento fiscal; A obtenção dos dados referentes aos depósitos não ocorreu por ato de informações pelo contribuinte; Sucede que, por ato forte da autoridade fazendária, houve a obtenção por esta, daqueles dados. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10218.720247/201115 Resolução n.º 1802000.100 S1TE02 Fl. 4 4 Tal ato, porém, macula o lançamento fiscal, pois o afastamento de sigilo bancário está no espectro da denominada “reserva constitucional da jurisdição”. Apenas o magistrado pode afastar o sigilo bancário; Esta preliminar de nulidade do auto de infração deve ser conhecida, para anulálo, pois o lançamento fiscal baseou, única e exclusivamente, em levantamento realizado nas contas de depósitos e de investimento do contribuinte autuado, tendo cujos dados foram obtidos por ato próprio da autoridade fazendária autuante, violando, assim premissas básicas do estado de direito democrático. (grifamos) 3.2 – DO MÉRITO 3.2.1 DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS O auto de Infração se baseou na denominada “Pauta Fiscal”. Fazendo o mero confronto entre valores declarados pela sociedade empresária que agora se defende, e aqueles obtidos na movimentação bancária do contribuinte, a autoridade fiscal desconsiderou a FIDEGNIDADE de quaisquer outros documentos. Fezse uma presunção de renda. Não basta mero ingresso de numerário(depósitos) para se aferir ter ocorrido faturamento. Digase, desde já, que o arbitramento é forma excepcionalíssima para se acertar a relação jurídicatributária. A regra é que se apurem os valores pelos documentos, necessariamente, ofertados pelo contribuinte. Na impossibilidade, após instaurado o devido processo legal administrativo, é que se poderá da tal desiderato. Não se permite, por ser ilegítimo a mais não poder, determinarse previamente, o arbitramento, dando a incumbência ao contribuinte “ônus da prova em contrário” Assim, o AUTO, POR TAL RAZÃO, É NULO. CABE A AUTORIDADE ADMINISTRATIVA PROVAR A EXISTÊNCIA DE RENDA NÃO EXISTE ÔNUS AO CONTRIBUINTE DE PROVAR SE O DEPÓSITO E, OU NÃO RENDA – ARTIGO 142 DO CTN. Cabe ao AGENTE ADMINISTRATIVO , para lançar o TRIBUTO, demonstrar a existência de renda. ................................................................................................................... Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10218.720247/201115 Resolução n.º 1802000.100 S1TE02 Fl. 5 5 De qualquer forma, a RENDA sujeita à tributação deve ser provada pelo agente fiscal, para ser autorizado o lançamento do tributo, sobre tal aspecto material. ................................................................................................................... O FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURIDICA É A OBTENÇÃO ECONÔMICA OU JURÍDICA DE RENDA, E APENAS RENDA. A autuação tem apenas um, e um só, fundamento. Houve o cotejo dos DEPÓSITOS BANCÁRIOS DO CONTRIBUINTE, sem que a autoridade fazendária se cuidasse de comprovar se eles eram, ou não, renda. É só disso que se trata a autuação. A perspectiva dimensível do aspecto material da hipótese de incidência (matéria tributável) dos tributos lançados pela fiscalização não é o volume de recursos financeiros que ingressa no caixa do CONTRIBUINTE, mas, apenas e tão só, aquela espécie de ingressos que se classifica como RENDA DO CONTRIBUINTE. 3.2.2 DA PROVA EMPRESTADA MEIO INDICIÁRIO A fundamentação da autuação está lastreada, apenas, no cotejo entre O LIVRO DE APURAÇÃO DO TRIBUTO ESTADUAL – ICMS – e os depósitos em conta corrente. A fiscalização, em posse dos livros do ora peticionário, sem analisar os pormenores do fato, sem realizar qualquer diligência ou mesmo qualquer trabalho fiscal, não investigado e nem demonstrado a verdade dos fatos, afrontando gravemente o princípio da verdade real. Simplesmente carreou para o seu trabalho fiscal os valores contidos no livro de apuração do tributo estadual, na forma mais cômoda e arbitraria. A prova emprestada pode ser utilizada tão somente como indicio de prova. Da forma como foi utilizada a prova emprestada, o auto de infração está revestido de total irregularidade, conforme estabelecido na legislação vigente e na jurisprudência dominante. 3.3 – DA ILEGALIDADE DA MAJORAÇÃO DA MULTA DE 150% INEXISTÊNCIA DE DOLO OU FRAUDE – DESCONFIGURAÇÃO DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA MULTA AGRAVADA DO ARTIGO 44, II, DA LEI 9.430, DE 1996 A conduta do contribuinte, no caso da autuação,não almejou o impedimento da ocorrência do fato gerador .........A acusação que lhe é feita e a de omitir dados da movimentação financeira, que pode ser aferida mediante PROGRAMA DA RECEITA FEDERAL. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10218.720247/201115 Resolução n.º 1802000.100 S1TE02 Fl. 6 6 ................................................................................................................... O contribuinte, no caso, não agiu com intuito de impedir, retardar, excluir ou modificar as características essenciais do tributo. O fato de a declaração de rendimentos não conter nenhum valor não impede a autoridade fazendária de a obter por outros meios. Isso, por si só, descaracteriza o conceito de fraude, a evitar seja majorada a multa, da forma em que realizada pela autoridade fazendária. 3.4 – Para consubstanciar a sua defesa, a Impugnante mencionou Julgados Administrativos e Judiciais de Tribunais superiores;” A DRJ de Belém (PA) julgou improcedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores, pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE INOCORRENCIA Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. SIGILO BANCÁRIO É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10218.720247/201115 Resolução n.º 1802000.100 S1TE02 Fl. 7 7 entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. DIFERENÇAS DE BASE DE CÁLCULO ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS VALORES DECLARADOS Comprovado que as receitas escrituradas nos Livros Fiscais e Comerciais não foram declaradas, restam incontroversa a omissão de receitas e a consequ ente tributação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A omissão acintosa e reiterada da receita tributável revela o caráter doloso da conduta do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária do fato gerador da obrigação tributária principal, sujeitando o tributo de incidente sobre essa omissão à penalidade de multa qualificada. Correta a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% quando restar evidenciado nos autos os motivos da aplicação da referida multa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Solicitação Indeferida” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 16/03/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/04/2012. É o relatório. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10218.720247/201115 Resolução n.º 1802000.100 S1TE02 Fl. 8 8 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. Conforme relatado, tratase de recurso voluntário proposto pela Recorrente, a qual aduz que há irregularidade no procedimento fiscal, visto que houve quebra do sigilo bancário da Recorrente sem a respectiva autorização judicial e por conseguinte, violação de seu direito à privacidade, garantido constitucionalmente. De fato o sigilo bancário da contribuinte foi quebrado, de modo que tomo por meu voto no presente processo, os mesmos fundamentos do processo nº 10240.000424/2007 80, julgado nesta turma por unanimidade, in verbis: “Dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que diz respeito ao princípio da legalidade, do qual a autoridade administrativa não pode se afastar, está inserida questão inerente ao acesso dos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011. “Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte.” À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10218.720247/201115 Resolução n.º 1802000.100 S1TE02 Fl. 9 9 fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)” Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada em 25/04/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral.” O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 543B, do CPC, o qual transcrevo: “Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10218.720247/201115 Resolução n.º 1802000.100 S1TE02 Fl. 10 10 § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral.” Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10218.720247/201115 Resolução n.º 1802000.100 S1TE02 Fl. 11 11 for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: “Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei).” Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o, do artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre: a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B, parágrafo único, do CPC) e; b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela em 15122010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10218.720247/201115 Resolução n.º 1802000.100 S1TE02 Fl. 12 12 repercussão geral, em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10218.720247/201115 Resolução n.º 1802000.100 S1TE02 Fl. 13 13 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314 RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP.”(grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: “Art. 62 ...... § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10218.720247/201115 Resolução n.º 1802000.100 S1TE02 Fl. 14 14 determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. No momento em que o MinistroRelator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543 B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf.” Assim, a teor do § 1º do artigo 62A do RICARF voto pelo sobrestamento do processo, até que seja proferida decisão nos termos do artigo 543B do Código de Processo Civil (CPC). (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10860.901260/2008-93
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1803-000.057
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o processo em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o processo em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10860.901260/200893 Resolução n.º 000.057 S1TE03 Fl. 2 2 Relatório. CONFAB MONTAGENS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ CAMPINAS (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o presente processo de PER/DCOMP, por meio dos quais a interessada pleiteia o reconhecimento de direito creditório com origem em saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, para a compensação dos débitos declarados. 2. A autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada, nos termos do Despacho Decisório de fls. 16/18, que se transcreve: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo in formado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 424.484,47; Valor do saldo negativo informado na D1PJ: R$ 442.179,23 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 30027.26866.030305.1.7.022891 01893.02058.270807.1.7.025783 14493.38735.270807.1.7.021195 3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 19, em 1° setembro de 2008, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 30 de setembro de 2008, fls. 20/24, com as alegações que se seguem. "Informamos que o saldo apresentado na DIPJ 2005 — anobase 2004, no valor de R$ 442.179,23 está correto. No anocalendário de 2004 a Confab Montagens apresentou, ao final do exercício, prejuízo fiscal no valor de R$ 832.469,47 (ficha 09 da DIPJanexo 2). Entretanto, no mês de janeiro de 2004, a mesma apresentava uma situação de Lucro Real de R$ 507.491,43, acarretando em uma antecipação devida no valor de R$ 124.872,85. Este valor foi devidamente pago através dc recolhimento de R$ 43.791,99 em 27/02/2004 e compensação de R$ 81.080,88 realizada em 27/02/2004, através da Per/Dcomp 29568.11046.270204.1.3.025033 (anexo 3). A partir do mês de fevereiro/2004 não houve antecipações mensais em decorrência da apuração de prejuízo fiscal, conforme demonstrativo cm DIPJ (anexo 3). Além do valor antecipado cm janeiro dc 2004, a Confab Montagens possui, ainda, os valores correspondentes às retenções sofridas no ano Fl. 198DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10860.901260/200893 Resolução n.º 000.057 S1TE03 Fl. 3 3 de 2004 e não utilizadas para compensação, no decorrer do ano calendário de 2004, devido à situação de prejuízo fiscal apresentada. São elas (anexo 4): Assim, em dezembro de 2004 o valor total do saldo negativo de IRPJ compensável em exercícios posteriores somam R$ 442.179,23, conforme informado na ficha 12 da DIPJ 2005 — base 2004 (anexo 2). 3. DO PEDIDO Ante o exposto, a Confab Montagens, respeitosamente, requer a reforma do r. despacho decisório e, conseqüentemente, sejam reconhecidos os créditos pleiteados (referentes ao saldo negativo de IRPJ lançado na DIPJ/2005) e sejam homologadas as compensações levadas a efeito, cancelandose, por conseguinte, os lançamentos (glosas de tributos, multa e juros) objetos do presente processo.” A DRJ CAMPINAS (SP), através do acórdão nº 0530.296, de 09 de setembro de 2010 (fls. 144/161), julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ. O reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo do IRPJ condicionase A demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado a dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, preenchidos nos termos da legislação aplicável, bem como a certeza e a liquidez das demais compensações e recolhimento efetuados, visando a extinção das estimativas ou aproveitadas no encerramento do período. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10860.901260/200893 Resolução n.º 000.057 S1TE03 Fl. 4 4 ANTECIPAÇÕES DO IRPJ. COMPENSAÇÕES. Apresentada/transmitida Declaração de Compensação (PER/DCOMP), em que consta débito de estimativa mensal do IRPJ, considerada extinta sob condição resolutória, o valor dessa estimativa compensada deve compor o resultado final do período de apuração, como dedução do valor da imposto devido, considerandose que as DCOMP constituem confissão de divida, passível de cobrança imediata, em caso de nãohomologação da compensação pleiteada. DIREITO CREDITÓRIO EM LITÍGIO. COMPENSAÇÃO. Diante das provas presentes nos autos e oferecidas pela interessada reconhecese parcialmente o direito creditório pleiteado e homologam se as compensações declaradas, até o limite desse direito. Ciente da decisão em 17/11/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 158), apresentou o recurso voluntário em 16/12/2010 fls. 174/181, onde reitera os argumentos da inicial e que a decisão de primeira instância deve ser reformada confirmandose integralmente o direito creditório. É o relatório. Voto. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), cujo direito creditório se refere a saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2004, não reconhecido em virtude de divergência entre a PER/DCOMP e a DIPJ do período. Alega a recorrente em síntese: a) Que o saldo negativo constante da DIPJ está correto, conforme documentos já apresentados na manifestação de inconformidade; b) Que a decisão de primeira instância deve ser reformada, pois deveria ter verificado todas as informações constantes dos sistemas da RFB conforme procedeu em relação as estimativas do mês de janeiro de 2004; c) Que deve ser confirmado integralmente o direito creditório, homologandose as compensações realizadas. Considero que o estado atual do processo não permite a solução do litígio. Com efeito, conforme se observa do despacho decisório originário (fl. 16), o direito creditório foi indeferido única e exclusivamente por divergência entre as PER/DCOMP apresentadas e a DIPJ do ano calendário 2004 que se encontrava maior. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10860.901260/200893 Resolução n.º 000.057 S1TE03 Fl. 5 5 Já a decisão de primeira instância, embora tenha assumido para si a tarefa de analisar o direito creditório, limitouse a aceitar a comprovação da estimativa de IRPJ do mês de Janeiro de 2004 e o imposto de renda na fonte constante dos comprovantes de rendimentos fornecidos por algumas das fontes pagadoras. Considerando os razoáveis indícios de que os valores informados pela contribuinte estavam corretos e que o motivo do indeferimento originário foi tão somente a divergência do PER/DCOMP com a DIPJ, deveria a instância “a quo” a teor do contido no art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, requerido os documentos e informações necessárias para o completo deslinde do litígio. Destarte, em homenagem ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo fiscal, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem (DRF TAUBATÉSP) analise e requeira as diligências que entender cabíveis para confirmar o direito creditório pleiteado nas PER/DCOMP, informando: a) O valor integral do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2004; b) Quais os montantes adicionais detalhados por fonte pagadora, devem ser reconhecidos como integrantes do saldo negativo para o ano calendário 2004, deduzidos os valores já concedidos pela decisão de primeira instância, no montante de R$ 192.355,88; c) Quaisquer elementos adicionais que julgar pertinentes para a completa solução do litígio. Após a conclusão da diligência deve ser dada ciência à recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias apresente suas razões adicionais caso queira. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch – Relator Declaração de Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes A meu ver, carece de lógica despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação que se fundamenta, exclusivamente, no fato de que o valor original do saldo negativo informado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) é inferior ao valor do saldo negativo informado na respectiva Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Ressalto, também, que a própria decisão recorrida reconheceu, expressamente, a existência de erro de preenchimento dos correspondentes Per/DComp (fls. 146): 10. Dessa forma, concluise que a interessada equivocouse no preenchimento de todos os PER/DCOMP apresentados, tendo em conta que deveria ter informado um único saldo negativo em todos eles, igual ao apurado na DIPJ (R$ 442.179,23). Fl. 201DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10860.901260/200893 Resolução n.º 000.057 S1TE03 Fl. 6 6 Por outro lado, divirjo do ilustre Conselheiro Relator na parte em que ele, em seu Voto, converte o julgamento em diligência, “para que a unidade de origem (DRF TAUBATÉSP) analise e requeira as diligências que entender cabíveis para confirmar o direito creditório pleiteado nas PER/DCOMP”. Em meu sentir, o despacho decisório eletrônico emitido é improcedente e, dessa forma, não comporta qualquer tipo de revisão, ainda que intentada por este Colegiado. Acatarse tal procedimento significaria, em última análise, admitirse que, inobstante a incorreção da motivação da não homologação da compensação pleiteada, possa o Fisco atirar no que vê e, então, a autoridade julgadora, já no âmbito do processo contencioso, fazêlo acertar no que não viu. Dou provimento integral ao Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 202DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 16062.000214/2007-76
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/04/2006
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
SEBRAE
Submetem-se à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo.
SESI/SENAI
As empresas prestadoras de serviços no ramo da construção civil estão sujeitas às contribuições para o SESI/SENAI, por se enquadrarem no conceito de empresa industrial
Numero da decisão: 2403-000.735
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado,. Por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, com a prevalência da multa mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. SEBRAE Submetemse à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. SESI/SENAI As empresas prestadoras de serviços no ramo da construção civil estão sujeitas às contribuições para o SESI/SENAI, por se enquadrarem no conceito de empresa industrial Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado,. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, com a prevalência da multa mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Cid Marconi Gurgel de Souza. Ausente o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16062.000214/200776 Acórdão n.º 240300.735 S2C4T3 Fl. 631 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0223.396 7ª Turma, que julgou procedente em parte o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação acessória. A autuação foi assim resumida no acórdão: Tratase de infringência ao artigo 32, IV, § 5° da Lei n° 8.212, de 24 de . julho de 1991, com a redação da Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, combinado com o artigo 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048 de 06 de maio de 1999, por ter a empresa apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, com omissão de fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração, às ils.38 a 41. De acordo com o Relatório Fiscal este Auto de Infração refere se a remunerações não declaradas em GFIP, pagas a segurados empregados e a contribuintes individuais autônomos que prestaram serviços na obra de construção civil, matrícula CEI 43.520.0172376, apuradas através da análise da escrituração contábil e que não foram incluídos em folhas de pagamento, relativas ao período de novembro de 2002 a abril de 2006. (grifei) A ciência do lançamento ocorreu em 20/06/2007. Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • os valores ora questionados, referemse a alterações nas unidades autônomas a pedidos dos proprietários. Estas alterações eram cobradas em separado de acordo com que o executor do serviço cobrava, que eram realizadas pelos próprios funcionários da CAVEC com materiais fornecidos pelos proprietários; • tais valores eram pagos diretamente para a CAVEC, que repassava integralmente a quem realizava as modificações; • estes valores eram considerados baixos, não permitindo o recolhimento da respectiva contribuição previdenciária, sendo que já era recolhido em virtude de vinculo empregatício; • questiona a tributação destinada a terceiros SESI, SENAI, SEBRAE, INCRA. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16062.000214/200776 Acórdão n.º 240300.735 S2C4T3 Fl. 632 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Registro que se trata de descumprimento da obrigação acessória estabelecida no artigo 32, IV, § 5° da Lei n° 8.212. Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. A questão central, portanto é verificar se os pagamentos efetuados constituem fatos geradores. Remunerações A Constituição Federal, em seu art. 201, § 11, determina que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, sejam incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária. Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. Na Lei 8.212/91, Lei de Custeio da Previdência Social, o artigo 28 trata do salário de contribuição, isto é, da base de cálculo da contribuições previdenciárias. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6.recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16062.000214/200776 Acórdão n.º 240300.735 S2C4T3 Fl. 633 7 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8.recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9.recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Como visto, a regra é a tributação da totalidade dos rendimentos. As exceções, isto é, as parcelas não integrantes do salário, ou seja, as exceções à regra geral, foram arroladas exaustivamente no § 9° do artigo 28 da Lei 8212, de 1991, não figurando entre elas valores de pequena monta. Os valores em questão foram apurados através da análise da escrituração contábil da recorrente. Pelo exposto, concluo que os serviços foram executados por empregados e contribuintes individuais que prestaram serviço na obra matrícula CEI 43.520.0172376; que foram remunerados pela recorrente e que constituem fatos geradores de contribuições previdenciárias. Contribuições para terceiros Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16062.000214/200776 Acórdão n.º 240300.735 S2C4T3 Fl. 634 9 As contribuições para Terceiros têm sua previsão no artigo 149, da Constituição Federal; e nos termos do artigo 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007, às contribuições devidas a Terceiras Entidades, aplicamse os Mesmos prazos, condições, sanções e privilégios, previstos para as contribuições previdenciárias, inclusive quanto à cobrança judicial. SESI/SENAI A requerente afirma que por ser prestadora de serviço na construção civil, não deve contribuir para o SESI/SENAI. Veremos que não cabe razão à recorrente. A vinculação da recorrente ao SESI e ao SENAI decorre dos Decretos Leis nºs 4048 e 9403 que fixaram como sujeitos passivos as indústrias integrantes do Plano da Confederação Nacional da Indústria, no anexo do art. 577 da CLT, recepcionado pela Constituição Federal, conforme jurisprudência do STF e do STJ. Em relação a essa questão o Superior Tribunal de Justiça, no processo AgRg no REsp 1089935 / CE, Agravo Regimental no Recurso Especial 2008/02047350, assim decidiu: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SESI. SENAI. EMPRESAS DA CONSTRUÇÃO CIVIL. INCIDÊNCIA. ENQUADRAMENTO COMO EMPRESAS INDUSTRIAIS. 1. Esta Corte possui entendimento assente no sentido de que as empresas prestadoras de serviços no ramo da construção civil estão sujeitas às contribuições para o SESI/SENAI, por se enquadrarem no conceito de empresa industrial. Precedentes: REsp 870.483/MT, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe de 25.3.2008; REsp 524.239/PE, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ de 1.3.2004. (grifei) 2. Agravo regimental não provido. SEBRAE Veremos que também não cabe razão às alegações da recorente de não ser contribuinte do SEBRAE. Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Por fim, assim também vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16062.000214/200776 Acórdão n.º 240300.735 S2C4T3 Fl. 635 11 imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Il O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócioeconômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; ... Quanto à alegação de aplicação do artigo 240 da Constituição Federal, não é em razão desse dispositivo que as contribuições ao INCRA não se destinem à Seguridade Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16062.000214/200776 Acórdão n.º 240300.735 S2C4T3 Fl. 636 13 Social, mas em razão das competências atribuídas à autarquia federal, como já exposto acima. A redação é clara quanto sua restrição apenas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, onde não se enquadra o INCRA: Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) A contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sôbre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos têrmos dêste DecretoLei, são devidas de acôrdo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º dêste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º dêste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º dêste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sôbre a soma da fôlha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas Fl. 13DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16062.000214/200776 Acórdão n.º 240300.735 S2C4T3 Fl. 637 15 (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). Ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. Ressaltase, por fim, que é vedado a este órgão julgador afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, foi aprovada pelo Conselho Pleno do Segundo Conselho de Contribuintes a Súmula 02, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” Multa No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas Fl. 15DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Fl. 16DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16062.000214/200776 Acórdão n.º 240300.735 S2C4T3 Fl. 638 17 À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 17DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10510.001007/2008-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1999 a 31/05/2007
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BASE DE CÁLCULO
A base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias das empresas para os contribuintes individuais é o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês.
MORADIA
A habitação custeada pela empresa só não é tributada, quando fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
O processo administrativo tributário encontra-se regulado e é regido pelo Decreto 70.235/72.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2403-000.689
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade
de votos, em reconhecer a decadência das competências até 01/2003 com base no artigo 150, § 4°, do CTN. No mérito: Por maioria de votos, em dar provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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BASE DE CÁLCULO A base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias das empresas para os contribuintes individuais é o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês. MORADIA A habitação custeada pela empresa só não é tributada, quando fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL O processo administrativo tributário encontrase regulado e é regido pelo Decreto 70.235/72. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência das competências até 01/2003 com base no artigo 150, § 4°, do CTN. No mérito: Por maioria de votos, em dar provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Jonathas Ribeiro da Silva e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.001007/200816 Acórdão n.º 240300.689 S2C4T3 Fl. 1.495 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, acórdão 1518.2046ª Turma, que julgou procedente em parte o lançamento. Em primeira instância, decidiuse pela decadência até a competência 11/202 e 13/2002 devido ao transcurso do prazo superior a 5 (cinco) anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado até a data da ciência (artigo 173, I). Decidiuse também, devido à existência de recolhimento parcial, pela decadência do crédito consignado nas competências 12/02 e 01/03, em face da ciência do débito em 25/02/2008, e nos termos do art. 150, §4°, do CTN. Tratase de crédito lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n° 37.157.6997, em nome da CONSTRUTORA CUNHA LTDA, referente às competências 06/99 a 09/99, 12/99, 01/00 a 12/04, 01/05 a 12/05, 01/06 a 12/06 e 01/07 a 05/07, em 06/03/2008, e recebido em 10/03/2008. De acordo com os Relatórios da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, os valores que integram a Notificação referemse às contribuições dos segurados contribuintes individuais, às contribuições patronais devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados e contribuintes individuais, mais a contribuição destinada ao financiamento dos beneficios em razão da incapacidade laborativa e a destinada a outras entidades e fundos, dos seguintes levantamentos: • CDM CONDOMINIO P LABORE INDIRETO. Valores referentes às despesas com as taxas de condomínio dos apartamentos 1001 do edifício Mansão Jose Cunha e 1201 do edifício Mansão Alfredo Tavares, obtidos dos lançamentos contábeis na conta de despesas 3.2.1.01.0033 — condomínio. Não declarado em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP; • CONTRIBUIÇAO SOCIOS ADM. Levantamento referente às contribuições que deveriam ser descontadas dos sócios da empresa referentes às retiradas prólabore, abatidas dos descontos verificados nas folhas de pagamento, até o limite das contribuições previdenciárias. Não declarado em GFIP; • CIN FOPAG CONTRIB INDIVID. Bases de cálculo e contribuições descontadas dos contribuintes individuais obtidas das folhas de pagamento. Não declarado em GFIP; • DAL. — Diferença de Ac. Legais. • ENE E ELETRICA P LABORE INDIRETO. Valores referentes às despesas com consumo de energia elétrica do apartamento 1001 do Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 edifício Mansão Jose Cunha, obtidos dos lançamentos contábeis nas contas de despesas 3.2.1.01.0011 — água luz e telefone, e n° 3.2.1.01.0061 — luz. Não declarado em GFIP; • FRE PAGTO A CONT INDIVID FRETE. Bases de cálculo e contribuições descontadas dos contribuintes individuais de frete obtidas das folhas de pagamento. Não declarado em GFIP; • GFP CONTRIB DECLARADAS EM GFIP. Contribuições declaradas em GFIP; • MOR MORADIA PRO LABORE INDIRETO. Valores referentes ao custo da moradia dos sócios. Os sócios residem em apartamentos pertencentes à Construtora Cunha Ltda. A XXI alteração do Contrato Social dispunha que o sócio administrador José Francisco da Cunha reside no apartamento 1001 do Edifício Mansão José Cunha e que o sóciocotista Genivaldo Tavares da Cunha tem como domicílio o apto. 1201 do Edifício Mansão Alfredo Tavares , sendo fixado 05/03 como competência inicial de moradia. Ambos os imóveis estão no estoque da construtora, conforme planilhas fornecidas pela empresa. Não tendo sido verificado, nos livros contábeis, qualquer lançamento atinente a aluguéis, e considerandose o disposto no art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, fezse necessário o arbitramento do valor desta retirada prólabore indireta. Na falta de outros elementos, estimouse, como custo de locação, o correspondente a 1% (um por cento) do valor de mercado do imóvel, utilizandose, como tal, o valor de venda lançado em planilha fornecida pela empresa. Não declarado em GFIP; • CONTRIB NÃO DECLARADAS EM GFIP. Contribuições não declaradas em GFIP, relativas às remunerações de segurados empregados, obtidas das folhas de pagamento; • PLS PL SAUDE P LABORE INDIRETO. Valores referentes a plano de saúde pago pela empresa em prol dos sócios e seus familiares. Não sendo extensivo tal beneficio aos empregados da empresa, os valores despendidos a este título integram os salários decontribuição. Os valores foram extraídos das faturas pagas a Bradesco Saúde S/A. Não declarado em GFIP. Entendeu a fiscalização que os fatos acima reportados configuram, em tese, crime, foi feita Representação Fiscal para Fins Penais. A ciência do presente lançamento ocorreu em 10/03/2008. Consta do RF que houve um lançamento anterior, do qual o contribuinte tomou ciência em 25/02/2008, anulado por vício formal visto que teve que ser cancelado porque estava vinculado à matrícula antiga do auditorfiscal que realizou a fiscalização. A matrícula antiga era n° 1180337, enquanto que a nova é n° 2180337. Inconformada com a decisão de primeira instância, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.001007/200816 Acórdão n.º 240300.689 S2C4T3 Fl. 1.496 5 • O lançamento deve ser anulado pois a Lei 9.784/99 estabelece prazo de até 30 dias para a administração decidir em processo administrativo, após concluída a instrução e esse prazo não foi respeitado. • Da decadência do direito do fisco lançar Contribuições Previdenciárias sobre fatos ocorridos entre dezembro/2000 a abril/2003 • A empresa cedeu gratuitamente os imóveis para seu sócios residirem não havendo que se falar, no presente caso, em base de calculo do imposto. • O Sr Auditor fiscal jamais poderia ou deveria ter arbitrado o valor dos alugueres. • Multa aplicada. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. DECADÊNCIA Em primeira instância, quanto à decadência foram utilizados dois critérios: decidiuse pela decadência até a competência 11/202 e 13/2002 devido ao transcurso do prazo superior a 5 (cinco) anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado até a data da ciência (artigo 173, I) e decidiuse também, devido à existência de recolhimento parcial, pela decadência do crédito consignado nas competências 12/02 e 01/03, em face da ciência do débito em 25/02/2008, nos termos do art. 150, §4°, do CTN. Não concordo com a metodologia adotada. Entendo que devese utilizar somente um critério para a decadência. Entendo que, pela existência de recolhimentos parciais, devese aplicar a regra do artigo 150, §4°, do CTN. A ciência do primeiro lançamento ocorreu em 25/02/2008 e do segundo em 10/03/2008. Considero decadentes as competências até 01/2003, resultado igual ao decidido em primeira instância. PRAZO DETERMINADO PELA LEI 9.784/99 O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. USO DOS IMÓVEIS PARA MORADIA Foi constatado pela fiscalização e reafirmado pela empresa que os sócios residem em apartamentos pertencentes à Construtora Cunha Ltda. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.001007/200816 Acórdão n.º 240300.689 S2C4T3 Fl. 1.497 7 A base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias das empresas, para os contribuintes individuais, é o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, conforme artigo 22 da Lei 8.212/91. Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). A habitação custeada pela empresa só não é tributada, quando fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; É evidente que a moradia fornecida aos sócios constitui remuneração indireta. Registrou o Relatório Fiscal que a XXI alteração do Contrato Social dispunha que o sócio administrador José Francisco da Cunha reside no apartamento 1001 do Edifício Mansão José Cunha e que o sóciocotista Genivaldo Tavares da Cunha tem como domicílio o apto. 1201 do Edifício Mansão Alfredo Tavares , sendo fixado 05/03 como competência inicial de moradia. Ambos os imóveis estão no estoque da construtora, conforme planilhas fornecidas pela empresa. Visto que não foi verificado nos livros contábeis qualquer lançamento atinente a aluguéis, e considerandose o disposto no art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, fezse o arbitramento do valor desta retirada prólabore indireta. Estimouse, como custo de locação, o correspondente a 1% (um por cento) do valor de mercado do imóvel, utilizandose, como tal, o valor de venda lançado em planilha fornecida pela empresa. Entendo o procedimento fiscal correto. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por, nas preliminares, reconhecer a decadência das competências 01/2003 com base no artigo 150, § 4°, do CTN e no mérito, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10314.001144/93-49
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 1998
Ementa: Máquina de impressão dupla face de placa de circuito impresso. - "EX' da posição n° 84.43.50.9900, instituído pela Portaria MF 373, de 13/07/93. Constatando-se que, na realidade, a importação foi de um sistema, e não de urna máquina para impressão dupla face de placas de circuito impresso, o seu enquadramento no "EX' da Portaria MF 373 é inadmissível. Cancelamento, contudo, da multa aplicada com base no artigo 4°, I, da Lei 8.218/91, por não atendimento ao princípio da tipicidade.
RECURSO PROVIDO PARCIALMENTE.
Numero da decisão: 301-28.649
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, apenas para excluir a multa do art. 4°, inciso I da Lei 8.218/91, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ
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Constatando-se que, na realidade, a importação foi de um sistema, e não de urna máquina para impressão dupla face de placas de circuito impresso, o seu enquadramento no "Er' da Portaria MF 373 é inadmissível. Cancelamento, contudo, da multa aplicada com base no artigo 4°, I, da Lei 8.218/91, por não atendimento ao princípio da tipicidade. RECURSO PROVIDO PARCIALMENTE. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, apenas para excluir a multa do art. 4°, inciso I da Lei 8.218/91, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 18 de fevereiro de 1998 --00000„. MOACYR ELOY DE MEDEIROS nor Presidente MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉROCDRADO MA•OLIAL DA FAZENDA NACIONAL cunsekna..Gege n e, reprmnieceo evIretudIC141 Relatora -Irlanda I 'aelonel "Ire LUCIANA Coll n EZ NONIZ I CNiES içhnigg haearciene t4 Fendo Nallawal Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, LEDA RUIZ DAMASCENO, MÁRIO RODRIGUES MORENO, ISALBERTO ZAVÃO LIMA e JOSÉ ALBERTO DE MENEZES PENEDO. tme MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N.° : 116.775 ACÓRDÃO N.° : 301-28.649 RECORRENTE : ADIBOARD S/A RECORRIDA : IRF-SÃO PAULO/SP RELATOR(A) : MÁRCIA REGINA MACHADO MEL ARÉ RELATÓRIO E VOTO Em cumprimento à Resolução n° 301.1032, foi anexado aos autos o Relatório Técnico n° 103580, exarado pelo Instituto Nacional de Tecnologia, contendo o parecer a respeito da perícia feita na máquina de impressão dupla face de placas de circuito impresso, marca Ono Sokki, modelo TN-5001P, importada e declarada na DI n° 253.395, de 20 de agosto de 1993. Conforme consta do relatório de fls. 148/149, trata-se de questão de enquadramento de maquinário, importado pela recorrente e descrito na DI 253.395, de 20/08/93, em "ex" da posição n° 84.43.50.9900, da Portaria MF 373, de 13/07/93. A referida Portaria alterou para zero por cento, pelo prazo de seis meses, a aliquota do bem denominado de "máquina de impressão dupla face de placas de circuito impresso". A recorrente descreveu o bem importado, na DI respectiva, como "máquina de impressão dupla face de placas de circuito impresso, totalmente automático, composto de alimentador, esteira de esfera, módulo de limpeza anti-estática, transportador de esfera, impressora automática com câmara CCD, mesa vácuo, dispositivo de fixação descarregador automático e módulo de resfriamento, acompanhado com KIT de partes e peças de reposição." Ao iniciar-se o processo de desembaraço, o AFTN autuante, após determinar a realização de perícia por engenheiro certificante, desenquadrou o maquinário da posição "ex" por considerá-lo um sistema incompleto constituído de duas máquinas que funcionam em conjunto com outros equipamentos, onde cada uma imprime em estágios diferentes uma face da placa, dando no final a impressão das duas faces. A máquina única de impressão de duas faces, portanto, não estaria caracterizada. Após regular processamento do feito e tendo sido a ação fiscal julgada procedente em Primeira Instância Administrativa, houve recurso voluntário por parte do recorrente, com argüição de preliminares, inclusive. 2 •- - - - • ' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N.° : 116.775 ACÓRDÃO N.° : 301-28.649 Tal como consta de fls. 150, entendo que as preliminares de nulidade do AIIM e cerceamento de defesa não merecem acolhida, reiterando, nesta oportunidade, os fimdamentos já expostos neste sentido. No mérito, esta Câmara entendeu necessária a realização de urna nova perícia, a ser feita pelo INT, para se melhor julgar a causa, e para, inclusive, dar oportunidade para a recorrente acompanhar a verificação técnica e formular quesitos. Realizada a perícia e respondidos os quesitos inexorável se mostra a total procedência da ação fiscal. Efetivamente inexiste a máquina descrita no "ex" da Portaria MF 373 de 1993, qual seja: Máquina para impressão dupla face de placas de circuito impresso, mas um "conjunto de equipamentos constituídos de duas máquinas de impressão, alimentadores, transportadores, módulos de limpeza e de resfriamento e descarregador automático", tendo o conjunto a função única de confeccionar placas de circuito impresso de duas faces. A resposta ao quesito 3 dada pelo IPT é clara para bem definir a questão. Ao responder se isoladamente os equipamentos podem realizar funções distintas, assim foi respondido: Sim. A máquina de impressão só realiza sua função em uma face da placa. Para realizarmos a impressão em duas faces necessitamos de duas máquinas. Os demais equipamentos têm a sua função própria a saber, transportar, limpar, alimentar, resfriar e descarregar as placas, ou seja integrar um conjunto de máquinas e equipamentos destinados a confecção de placas de circuito impresso de dupla face. Vê-se, pois, que a importação, em verdade, foi de um sistema -- tanto que assim constou, inclusive da GI de fls. 48, e não de uma máquina para impressão dupla face de placas de circuto impresso, que, dito até mesmo pela recorrente, inexistente no mercado mundial. O seu enquadramento do "ex" da Portaria MF 373, portanto, é inadmissível. Inaplicável, ainda, ao caso a redução prevista na Portaria MF 581, de 09/11/93, haja vista não conter ela efeitos retroativos de modo a acobertar a importação feita anteriormente pela recorrente. Entendo, contudo, que a multa aplicada com base no artigo 4°, I, da Lei 8.218/91 deve ser cancelada por não atendimento ao princípio da tipicidade . O inciso I do artigo 40 da Lei 8.218/91 prevê, genericamente, três hipóteses fáticas que ensejariam a aplicação da multa, constituindo um tipo aberto, não utilizável em direito tributário. Nessa área é imperativa a utilização do tipo cerrado, que define de modo preciso e exaustivo seus elementos e características. "Neste tipo há subsunção do 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N.° : 116.775 ACÓRDÃO N.° : 301-28.649 fato concreto ao tipo, isto é, o fato concreto deve apresentar todas as notas características do tipo, deve "cair" dentro do tipo legal para que este lhe possa ser aplicado."(Younne Dolácio de Oliveira - Curso de Direito Tributário, vol. 1, edições CEJUP). Além do mais, ainda que estivesse a norma perfeitamente adequada ao princípio da tipicidade, para poder prevalecer a penalização, a fiscalização deveria, fundadamente, explicitar por qual daquelas três hipóteses constantes da regra legal o contribuinte estaria sendo apenado. Não o fazendo no momento oportuno do lançamento ou da lavratura do auto de infração, de forma expressa, caracterizada fica a violação ao direito do amplo exercício da defesa por parte do contribuinte. DOU, assim, PROVIMENTO PARCIAL ao recurso apresentado pela recorrente, para o fim de cancelar a exigência da multa imposta com base no artigo 4°, inciso!, da Lei 8.218/91. Sala das Sessões, em 18 de fevereiro de 1998 MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ - Relatora 4 . .
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900538/2006-62
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1802-000.025
Decisão: Por unanimidade de votos, converteram o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Por meio do mencionado despacho decisório, fl.39, foi indeferido o pedido, e declarada não homologada a compensação, ante a constatação de que o valor do crédito original de R$ 49.280,83, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, em outro PER/DCOMPde nº 32635.87699.300603.1.7.04 3970, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, no valor de R$ 17.845,82. O PER\DCOMP de nº 32635.87699.300603.1.7.043970 foi juntado aos autos (fls.46/50) com o referido crédito decorrente de estimativa de CSLL (código 2484) apurado em 28/02/2003 no valor de R$ 49.280,83 (Data de Arrecadação: 30/04/2003) para compensar débitos de IRPJ (código 2362: R$ 19.814,92) e CSLL (código 2484: R$ 8.155,45) por estimativa, apurados em abril/2003, no total de R$ 27.970,37. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Ribeirão Preto/SP) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida mediante o venerando Acórdão nº 26.185 de 25 de setembro de 2009 (fls.58/65), cientificado ao interessado em 06/11/2009 (AR fl.66). A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.58): Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário: 2003 Fl. 117DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10850.900538/200692 Despacho n.º 1802000.025 S1TE02 Fl. 2 2 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. ANTECIPAÇÃO. Os recolhimentos de CSLL por estimativa são meras antecipações, não sendo passíveis de restituição, a não ser após a apuração de saldo negativo ao final do anocalendário. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente A empresa interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 07/12/2009, fls.67/76, trazendo os seguintes argumentos para contraditar a decisão recorrida: que, o presente caso, não trata de recolhimento de CSLL por estimativa, com eventual apuração de saldo negativo ao final do período, como decidido pela Delegacia de Julgamento mas sim referese a espécie a “Recolhimento Indevido de CSLL”, isto porque, conforme revela a DIPJ/2004 entregue pela recorrente, no período de apuração correspondente ao mês de FEVEREIRO DE 2003, a recorrente teve PREJUÍZO, circunstância da qual restou indevido qualquer recolhimento tributário relativo a CSLL, não obstante isso, recolheuse, por um lapso, a título de CSLL do mês de FEVEREIRO DE 2003, a INDEVIDA importância de R$ 49.280,83, ainda que ela contribuinte, tenha adotado o sistema de pagamento por estimativa. que, os dados necessários para aferir a base de cálculo negativa da CSLL em fevereiro de 2003 encontramse inequívocos na DIPJ/2004, que se encontra na base de dados da RECEITA FEDERAL; que, as declarações contidas na DIPJ/2004, revestemse da credibilidade necessária para o fim de serem aceitas e acatadas e, que não foram rejeitadas pela autoridade fiscal; que, a fiscalização validou, ainda que de forma implícita, o conteúdo das informações contidas na da DIPJ/2004, razão pela qual não pode, sob pena de subversão aos princípios que norteiam o direito tributário, apresentar, apenas em sede de julgamento, questionamentos com vistas a subtrair da recorrente seu direito ao crédito; que, estando o julgador na dúvida quanto aos valores da DIPJ/2004 deveria ter convertido o julgamento em diligência, restando, por conseguinte, IDÔNEA E INQUESTIONÁVEL a DIJP/2004 apresentada pela recorrente, até que se tenha algum dado objetivo que possa dizer ao contrário; que, não se conforma com o acórdão ora guerreado, no que tange à alegação segundo a qual a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis e documentos fiscais, com vistas à ratificar sua DIPJ/2004, tanto mais porque em momento alguma a idoneidade Fl. 118DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10850.900538/200692 Despacho n.º 1802000.025 S1TE02 Fl. 3 3 desta DIPJ fora questionada por quem quer que fosse, assim como também não houve qualquer solicitação de apresentação de documentos complementares. Para fortalecer suas alegações a recorrente transcreve julgados administrativos à fl.75 sobre a verdade material no processo administrativo. Finalmente a recorrente requer seja provido o recurso voluntário, para o fim de decretar a procedência da manifestação de inconformidade veiculada pela recorrente, ou ainda, anular o acórdão recorrido, convertendo o julgamento em diligencia, para o exame dos documentos julgados porventura necessários à ratificação da DIJP/2004. Da análise do processo, consta que o fundamento para o indeferimento do pedido no despacho decisório pela autoridade administrativa é que constatou que o valor do crédito original de R$ 49.280,83, (Data de Arrecadação: 30/04/2003), a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP nº 20501.64243.280703.1.3.049408 foi localizado o pagamento, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, constantes do outro PER/DCOMP de nº 32635.87699.300603.1.7.043970, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no mencionado PER/DCOMP 20501.64243.280703.1.3.049408. Consta dos autos cópia do PER/DCOMP de nº 32635.87699.300603.1.7.043970 (fls.46/50) com o referido crédito decorrente de estimativa de CSLL (código 2484) apurado em 28/02/2003 no valor de R$ 49.280,83 (Data de Arrecadação: 30/04/2003) para compensar débitos de IRPJ (código 2362: R$ 19.814,92) e CSLL (código 2484: R$ 8.155,45) por estimativa, apurados em abril/2003, totalizando, pois, em R$ 27.970,37. Assim, compensado o débito apurado em abril/2003, no PER/DCOMP de nº 32635.87699.300603.1.7.043970; o débito apurado em maio/2003, no total de R$ 2.077,27 no PER/DCOMP de nº 09243.22019.300603.1.3.046049 (Processo nº 10850.900533/2006 30), em tese, restaria o saldo suficiente para liquidar o débito de junho/2003 no valor de R$ 17.845,82 no PER/DCOMP nº 20501.64243.280703.1.3.049408. Ou seja, 27.970,37 + 2.077,27 + 17.845,82 = Total < R$ 49.280,83. Diante do exposto, voto no sentido de que sejam encaminhados os autos à DRF/São José do Rio Preto para que se pronuncie acerca do pagamento efetuado em 30/04/2003 e informar sobre a quitação dos débitos em que se utilizou o valor total de R$ 49.280,83. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 119DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000648/94-41
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Ementa: CLASSIFICAÇÃO - RECURSO DE OFÍCIO.
Confirmado que o veiculo em tela atende às especificações do Ato
Declaratório COSIT/ADN n° 32/93, negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 301-28.526
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOACYR ELOY DE MEDEIROS
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score : 1.0
Numero do processo: 16327.001344/2004-25
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1803-000.012
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência em virtude do limite de alçada, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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score : 1.0
Numero do processo: 10680.011754/2007-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 01/11/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO GFIP - MPF
COMPLEMENTAR - FALTA DE CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO - NULIDADE FORMAL.
O Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal - CFL 69, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter infringido o disposto na Lei nº 8212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3° e 6°, acrescido pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art, 225, IV e § 4° do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048, de 06/05/1999.
A multa foi aplicada conforme dispõe a Lei n° 8212, de 24/07/1991, art. 32, §6°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. HI, e art. 373.
O MPF válido para fins de autuação fiscal é aquele em que é dada ciência ao sujeito passivo ora pela forma pessoal, ora por via postal ou ora ainda por Edital.
Resta a nulidade formal do Auto de Infração por não existir no momento da lavratura o MPF devidamente validado pela ciência ao sujeito passivo ora pela forma pessoal, ora por via postal ou ora ainda por Edital.
PROCESSO ANULADO.
Numero da decisão: 2403-000.254
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de voto, em acolher a
preliminar de nulidade por vicio formal. Vencida a conselheira Núbia Moreira Barros Mazza.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/11/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO GFIP - MPF COMPLEMENTAR - FALTA DE CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO - NULIDADE FORMAL. O Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal - CFL 69, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter infringido o disposto na Lei nº 8212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3° e 6°, acrescido pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art, 225, IV e § 4° do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048, de 06/05/1999. A multa foi aplicada conforme dispõe a Lei n° 8212, de 24/07/1991, art. 32, §6°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. HI, e art. 373. O MPF válido para fins de autuação fiscal é aquele em que é dada ciência ao sujeito passivo ora pela forma pessoal, ora por via postal ou ora ainda por Edital. Resta a nulidade formal do Auto de Infração por não existir no momento da lavratura o MPF devidamente validado pela ciência ao sujeito passivo ora pela forma pessoal, ora por via postal ou ora ainda por Edital. PROCESSO ANULADO.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-26T14:26:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-26T14:26:11Z; Last-Modified: 2011-09-26T14:26:12Z; dcterms:modified: 2011-09-26T14:26:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:d31349fb-a1ff-4cd0-8047-80bfc04d3ec1; Last-Save-Date: 2011-09-26T14:26:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-26T14:26:12Z; meta:save-date: 2011-09-26T14:26:12Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-26T14:26:12Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-26T14:26:11Z; created: 2011-09-26T14:26:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; Creation-Date: 2011-09-26T14:26:11Z; pdf:charsPerPage: 1788; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-26T14:26:11Z | Conteúdo => S2-C413 FE 92 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10680..011754/2007-11 Recurso re 158.519 Voluntário Acórdão no 2403-00.254 — 4° Câmara / 3' Turma Ordinária Sessão de 21 de outubro de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente CONTEFE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/11/2005 PREVIDENCIARIO CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÁO GFIP - MPF COMPLEMENTAR - FALTA DE CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO - NULIDADE FORMAL. O Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal - CFL 69, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter infringido o disposto na Lei nO 8212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3° e 6°, acrescido pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art, 225, IV e § 4° do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048, de 06/05/1999. A multa foi aplicada conforme dispõe a Lei n° 8212, de 24/07/1991, art. 32, §6°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. HI, e art. 373. O MPF válido para fins de autuação fiscal é aquele em que é dada ciência ao sujeito passivo ora pela forma pessoal, ora por via postal ou ora ainda por Edital. Resta a nulidade formal do Auto de Infração por não existir no momento da lavratura o MPF devidamente validado pela ciência ao sujeito passivo ora pela forma pessoal, ora por via postal ou ora ainda por Edital. PROCESSO ANULADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de voto, em acolher a preliminar de nulidade por vicio formal. Vencida a conselheira Núbia Moreira Barros Mazza. C. CARLOS AliBERTO MEES STRWIGARI - Presidente PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato, Marcelo Magalhães Peixoto e Nirbia Moreira Barros Mazza (Suplente). Ausente o Conselheiro Ivacir Júlio de Souza. 2 Processo n° 10680 011754/2007-11 S2-C4T.3 Acórdão n.° 2403-00.254 Fl 93 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário, As fls. 76 a 85, apresentado contra Decisão da Secretaria da Receita Previdenciária - Delegacia da Receita Previdencidria em Belo Horizonte - MG, fls. 58 a 67, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração n'. 35.488.421-2, lavrado em 01.11.2005 e corn ciência da Recorrente em 04.11.2005, As fls. 01, com valor consolidado de R$ 4.985,71 (quatro mil, novecentos e oitenta e cinco reais e setenta e um centavos),. 0 Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal — CFL 69, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social - GFIP corn informações inexatas nos campos "RAT", "PIS", "Retenção" e "Ocorrência" das GFIP, descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, e parágrafo 6°, acrescido pela Lei 9.528, de 10/12/1997, combinado corn o art. 225, IV e parágrafo 4 °, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999. Ainda de acordo corn o Relatório Fiscal da Infração, As fls. 25 a 26, a Recorrente no period° de 04/1999 a 02/2001, 0412001 a 03/2002 e 05/2002 a 05/2003, deixou de informar no campo "ocorrência" o código: 04 (exposição a agente nocivo - aposentadoria especial aos 25 anos de serviço), para os segurados empregados relacionados no "ANEXO I", que se constitui em parte integrante do presente Relatório. Ainda, o Relatório Fiscal da Infração, As fls. 25 a 26„ mostra que foi constatada a exposição a agentes nocivos no ambiente de trabalho, prejudiciais a saúde ou a integridade fisica dos trabalhadores relacionados em anexo, que ensejam aposentadoria especial aos 25 anos de serviços, verificando-se os "Laudos Técnicos de Condições Ambientais do Trabalho - LTCAT", expedidos por engenheiro de segurança do trabalho, demais demonstrações ambientais e controles apresentados pela empresa, analisados durante a ação fiscal. O Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal — TEAF, As fls. 11 a 12, relaciona o Resultado do Procedimento Fiscal, com os seguintes termos lavrados: DOCUMENTO PERÍODO NÚMERO DATA LAVRATURA VALOR (R$) GPS 11/2004 13/2004 Rec Inic. 06/10/2004 21.34,57 AI 11/2005 11/2005 354884204 01/11/2005 148.314,88 AI 11/2005 11/2005 354884212 01/11 12005 4.985,71 AI 11/2005 11/2005 354881035 01/11/2005 550,87 NFLD 04/1999 12/2004 354884190 01/11/2005 816 167,67 NFLD 10/1997 12/2004 354884395 16/11/2005 134.369,62 3 Relação dos Mandados de Procedimento Fiscal — MPF acostados aos autos: WIPE — n° PERÍODO DE APURAÇÃO DATA DE VALIDADE DO MPF DATA DE CIÊNCIA DA RECORRENTE FOLHA NO PROCESSO 091937 76 04/1997 10/2004 0102.2005 04,01.2005 07 09193776 complementat. 01 p . . - — I. 04/1997 10/2004 03.06.2005 01.03.2005 08 i. 09193776 — 04/1997 10/2004 14.10.2005 28.06.2005 09 complementar 03 1 O período objeto do Auto de Infração, conforme o no Relatório Fiscal da Infração, fls. 25 a 26, é de 01/1999 a 11/2003. Em relação ao Auto de Infração, o mesmo foi lavrado em 01.11.2005, sendo que a Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 04.11.2005, conforme fls. 01. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 27 a 28, considera o contribuinte primário devido ao não registro de Auto de infração anteriores. Da mesma forma, não registra a existência de circunstância agravante, conforme a descrição do inciso V do art. 290, do Decreto n° 3.048/1999. No entanto, o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 27 a 28, registrou a existência de circunstância atenuante, prevista no art. 291 do Decreto n° 3.048/1999, nestes termos: " ( • ) 5- Constatou-se a correção de parte da falta. dentro do periodo da ação fiscal, antes da lavratura do presente AI com a entrega das retificadoras na rede bancaria autorizada, relativas aos campos RAT, PIS e RETENÇÃO, o que constitui uma circunstancia atenuante prevista no inciso V do art 292 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Dec, 3.048/91, A empresa lido corrieiu a falta campo "ocorrencia". 6- Conforme determina o parcigrgfo 2 0 e .5' do art, 656 da IN/SRP 03, de 14.07,2005 a multa será atenuada em cinqüenta por cento, se o infrator tiver corrigido a falta no prazo até a data da ciência da decisão da autoridade que julgar o Auto de Infração e será aplicada sobre o valor da multa correspondente a cada ocorr acia para a qual houve correção da falta. 7- Neste caso, cc.cle•acouj p_3sic,Icf__,Ial ta a multa a será reduzida em 50% apenas para estes campos, conforme demonstrado nos Anexos III e IV 4 Processo ns 10680 011754/2007-11 S2-C4T3 Acórdao ri ° 2403-00„254 Fl 94 8- Pelo exposto e conforme demonstrado no Anexo IV, a multa a ser aplicada importa no valor de R$4.98.5,71(Qriatro mil,novecentos e oitenta e cinco reais e setenta e um centavos)." (gn) Pela inflação cometida foi aplicada a multa de R$ 4.985,71 (quatro mil, novecentos e oitenta e cinco reais e setenta e urn centavos), conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 27 a 28. A multa corresponde a 5 Vo (cinco por cento) do valor mínimo previsto no art. 92, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, c/c o art. 283 do Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, atualizado pela Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007, para cada ocorrência corn informação incorreta na GFIP; limitada, em cada competência, em razão do número de segurados, aos valores estabelecidos no §4° do art. 32, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 30 a 54, alegando em síntese: Em sede PRELIMINAR: (a) o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, que legitimou os trabalhos ,fiscalizatórias que cidminaram coin lavratura do presente AI, apenas outorgou poderes para execuciio de atos até o dia 14.10.2005. 0 AI foi lavrado no dia 04.11.2005, ou Seitz, sem amparo do MPF. Cita artigo 7° da Portaria RFB n° 4.328/2005 e o parágrafo único do artigo 607 da Instrução Normativa n° 100/03. Conclui gye o lançamento fiscal está eivado de nulidade, por força do inciso II do artigo 31 da Portaria MPS n° 520/04. (b) os fatos geradores cujos dados não teriam sido apresentados em GFIP no penado de abril de 1.999 a novembro de 2.000, dizem respeito a crêditos tributários alcançados pela decadência, diante do transcurso de mais de cinco anos em relação lavratura da autuação. Cita o Código Tributário Nacional e jurisprudência (c) há duplicidade da multa imposta, eis que os nwsmos fatos narrados no Relatório Fiscal ensejaram a lavratura do AI n° 35.488.420-4, em decorrência da prestação ern GFIP de dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições providenciarias.. Cita Jurisprudência e alega que ambas autuações são No MÉRITO: (d) Sobre a omissão/inexatidão nos campos "RAT", "PIS" e "Retenção" diz que corrigiu a falta e com fulcro no art. 291, §1° do RPS, requer a relevaglio da multa. (e) Sabre o campo "ocorrência", diz que não está configurada situação na qual os empregados da impugnalite estejami submetidos a risco à stride ou integridade lis/co, pois os feitos da exposição são eliminados ou atenuados em virtude de adoção 6 de medidas protetivas., conforme demonstrado na defesa administrativa da NFLD 35.488.419-0. (I) Cita a IN INSS/DC n° 107 que dispõe sabre a necessidade do Perfil Profissiográfico Providenciado — PPP - para a comprovação de exposição do trabalhador. Acrescenta que a fiscalização não examinou os PPPs, tendo adotado como pressuposto a informação contida no PPRA, (g) Alega haver impossibilidade da aplicação de diversas penalidades por infi-agões de mesma espécie, pois a SRP está aplicando uma penalidade para cada uni dos meses de competência em que foram inseridas informações incorretas na Após análise, a Secretaria da Receita Previdenciiiria - Delegacia da Receita Previdenciária em Belo Horizonte - MG, emitiu a Decisão Notificação n° 11.401 1,4/0558/2006, às fls. 58 a 67, 'Id ando procedente a autuação com relevação parcial da multa em relação As faltas cometidas, com a seguinte Ementa: LEGISLAÇÃO PREVIDENC1/11?1A. AUTO DE INFRAÇÃO, GFIP. DADOS NÃO RELACIONADOS A CONTRIBUIÇÕES PRE'VIDENCIÁRIAS, INFORMAÇÕES INEXATAS. MPF, DECADÊNCIA, CORREÇÃO PARCIAL DA FALTA. RELEVA CÃO PARCIAL DA MULTA. Apresentar a empresa GFIP coin informagões inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições' previdenciárias constitui infração ao artigo 32, inciso IV, §6° da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.528/97. O decurso de prazo do MPF não implica em nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, Decreto n° 3.969/2001, art. 16 É de dez anos o prazo para a constituição do crédito previdenciário, Lei 8.212/91, art, 45, incisos Jell A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, se o inflator for primário, tiver corrigido a falta e lido tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante, art. 291, §1°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n°3.046/99. A entrega pelo autuado de GFIP reaficadora com informações corretas nos campos relativos a dados não relacionados a fatos geradores de contribuições implicará na relevação da multa em relação aos campos informados corretamente, Instrução Normativa INSS/DC n°03, art. 656, §4 0 . AUTUAÇÃO PROCEDENTE COM RELEVAÇÃO PARCIAL DA MULTA EM RELAÇÃO ASFALTAS CORRIGIDAS Inconformada com a decisão, a Recorrente a resentou recurso voluntário, a 85, na qual alega em síntese que: fls. 76 Processo n° 10680 011754/2007-11 S2-C4T3 Acórdão n ° 2403-00.254 Fl 95 Em sede PRELIMINAR: (a) da desnecessidade do depósito prévio em função de que, primeiro, tal exigência é inconstitucional. 0.9 da irrelevcincia do descumprimento de obrigações acessórias cujos créditos tributários foram atingidos pela decadência. Ocorre que os fatos geradores cujos dados teriant sido apresentados pela empresa, via GFIP, de forma incorreta, ocorridos em períodos intercalados entre os meses de abril de 1999 até novembro de 2000, dizem respeito a créditos tributários alcançados pela decadência, diante do transcurso de mats de 5 (cinco) anos em relação a lavra/ura da autuação Do MÉRITO• (c) do suposto equivoco no código do campo ocorrências . De outro lado, não 116 como sustentar que a Autuada deveria ter inserido, no campo "Ocorrência" da GFIP, informação a respeito da exposição dos empregados a agentes nocivos acima dos limites de tolerância. Conforme se infere do Relatório anexo à autuação, sustenta a auditoria fiscal Tie, no período de junho de 2.003 a dezembro de 2004, o código a ser utilizado para determinados empregados, que, "de acordo com o PPRA apresentado, estão expostos a agentes nocivos acima do limite de tolerância", seria o de número 04. Entrementes, a descrição da atividade ali prevista não se adequa à realidade fática do ambiente em que laboram os empregados relacionados.. No presente caso, não está configurada situação na qual os empregados da Recorrente estejam submetidos a risco á saúde ou integridade fisica, pois os efeitos derivados da exposição agentes tidos com nocivos ('ruído, silica, dentre outros) eliminados ou atenuados em virtude da adoção de medidas protetivas, sejam elas de cunho individual ou coletivo, conforme demonstrado na defesa administrativa à NFLD n" 35 .488.419-0. Há de se atentai; ainda, que a mencionada IN INSS/DC n° 107, de 22/04/2004, é clara ao dispor que "Para a comprovação de que o trabalhador está exposto a agentes nocivos é necessário que a empresa mantenha perfil profissiográfico previdenciário, conforme disposto no art. 58, 5° I°, da Lei n° 8.213/91" Entretanto, para concluir pela falha na indicação da informa cão do campo "OCORRËNCIA", a autuação fiscal adotou como .essu i osto somente a in arma ão contida no Pro rama de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA, não tendo sequer examinado ou mencionado o PPP dos funcionários.. (d) da impossibilidade de se aplicar diversas penalidades por supostas infrações de mesma espécie. Secretaria da Receita Previdenciciria está aplicando urna penalidade para cada um dos meses de competência em que 7 foram inseridas, na GFIP, infirma0es tidas como incorretas a este respeito. É que a sucessão de inflações de idêntica natureza, apuradas em uma só autuação, devem ser reputadas como urna infração continuada a ensejar a aplicação de apenas uma penalidade. A recorrente fez aditamento do recurso Voluntário, as fls. 87 a 90, solicitando que seja determinado o cálculo da penalidade em conformidade com as alterações da Lei 11.941/2009. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 86. É: o relatório. Processo n° 10680 011754/2007-11 Acórdito n 2403-00.254 S2-C4T3 Fl 96 Voto Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 86. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. Anota-se ainda que o Supremo Tribunal Federal — STF ao editar a Súmula Vinculante da. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa . Súmula Vinculante 21 .t inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe O. 210, p 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. I. DAS OUESTÕES PRELIMINARES DA NULIDADE DO AUTO DE INFRACÃO EM FUNÇÃO DA FALTA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NO MOMENTO DA AUTUAÇÃO Preliminarmente, deve-se verificar a ocorrência, ou não, de nulidade do Auto de Infração - AI ern função da falta de Mandado de Procedimento Fiscal quando da lavratura do AL De plano, tem-se que a auditoria fiscal no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal — TEAF, as fls. 11 a 12, relaciona o Resultado do Procedimento Fiscal, corn os seguintes termos lavrados: DOCUMENTO PERÍODO NÚMERO DATA LAVRATURA VALOR (RS) GPS 11/2004 1.3/2004 Rec Inic, 06/10/2004 21.34,57 Al 11/2005 11/2005 354884204 01/11/2005 148.314,88 Al 11/2005 11/2005 354884212 01 11112005 4.985,71 AI 11/2005 11/2005 354881035 01/11/2005 550,87 NFLD 04/1999 12/2004 354884190 01/11/2005 816.167,67 NFLD 10/1997 12/2004 354884395 16/11/2005 134369,62 lo Desta forma, ao presente Auto de Infração n'. 35.488.421-2, lavrado em 01.11.2005 e com ciência da Recorrente em 04.11.2005, conforme fls. 01, tern-se que também foi lavrado o Auto de Infração no. 35.488.103-5, também lavrado em 01.11.2005. Em consulta ao site do Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS, site http://wwwl ,previdencia.gov.bricrps/debito.asp, acesso realizado em 14.10,2010, obtem-se o número do processo (N° do Processo: 36950.001899/2006-90 ) associado ao Auto de Infração n° 035.488.103-5: N° do Processo: 36950.001899/2006-90 NFLD/AI: 0035.488.103-5 Interessado: CONTEPE LTDA Documento Interessado: 21.990.429/0001-43 Portanto, a partir do número do processo 36950.001899/2006-90 associado ao Auto de Infração n° 035.488.103-5, pode-se efetuar urna pesquisa a fim de se identificar a ocorrência ou não de julgamento deste processo no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF ou mesmo no do Conselho de Contribuintes. Desta forma, em pesquisa 6. base de dados de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, chega-se ao Acórdão n° 2401.00.0020 — 1" Turma Ordinária da 4° Câmara da 2' Seção, Sessão ocorrida em 03 de março de 2009, relatora Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Anota-se de plano, que o Acórdão re 2401.00.0020 — 1" Turma Ordinária da 4° Câmara da 2" Seção, anulou o processo, com a seguinte Ementa e Decisão: Process() n°36950.001899/2006-90 Re'curso n" 144.288 Voluntário Acórdão n" 2401-00.020 - 4" Câmara /1" Turma Ordinária Sessão de 3 de nun ço de 2009 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CONTEPE LTDA Recorrida SRP — Sec, etaria da Receita Previdenciái ia Assunto, Contribuições Sociais Previdencicirias Data do fato gerador' 01/11/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - ERROS CAMPO "OCORRÊNCIA" - MPF COMPLEMENTAR - FALTA DE CIÊNCIA NOTIFICADO - NULIDADE DA AUTUAÇÃO Auto de infração lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do cul 32, inciso IV da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 283, sç 3" do .RPS, aprovado pelo Decreto mm 03 . 048/1999 O MPF,foi criado no intuito de legitimar o procedimento fiscal, e MPF válido para . fins de autuação é aquele onde o sujeito • Processo n° 10680.011754/2007-11 AcórdEio n 2403-00.254 S2-C4T3 Fl 97 passivo teve conhecimento de sua existência seja feita pessoa/mente, ou mesmo com o comprovante de recebimento por correio, Nulo é o Auto de infra cão por não existir no momento da lavratura MPF devidamente validado pela ciência do declarante ou pelo comprovante de encaminhamento ao sujeito passivo, PROCESSO ANULADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. ACORDAM os membros da 4" Camara /3" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por malaria de votos, em maiden - o Auto de Infração. Vencido o Conselheiro Rogério de Lei/is Pinto, que votou por não anular o Auto de Infração, Outrossim, o Relatório deste Acórdão n° 2401.00.0020, a seguir: Processo n°36950.00)899/2006-90 Recurso n" 144.288 Voluntário Acórdão n" 2401-00 020 - 4" Camara / 1" Turma Ordinária Sessão de 3 de março de 2009 Matéria AUTO DE INFRA CÃO Recorrente CONTEPE LTDA Recorrida SRP Secretaria da Receita Previdencitiria Relatório. Trata-se de retorno de diligência comandada por meio da Resolução n" 206-00.062 desta 6" Camara de Julgamento no intuito de identificar a existência de MPF válido, devidamente cientificado ao sujeito passivo dentro do prazo de autuação. importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 01111/2005, tendo a cientificagdo ao sujeito passivo ocorrido 04/11/2005. Para retomar as informações pertinentes ao processo transcrevo abaixo os termos do relatório feito quando da conversão do julgamento em diligencia Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, inciso IV da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 283, § 3" do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciciria, a recorrente informou a GFIP e a GRFP com dodos incorretos relativos it informação "campo ocorrencia", relativamente as competéncias 04/1999 a 12/2003, fis. 13 a 14. Foi prestada pela empresa a informação de que o segurado estava exposto a 11 agente nocivo e com direito a aposentadoria especial aos 25 anos de serviço, o que não correspondia a realidade Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 24 a 26, A unidade descentralizada da SRP emitiu a Decisão-Notifica cão lis. 42 a 47, mantendo a autuação com a relevaçao da multa aplicada. Não concordando com a decisão do órgão previdencicirio, foi interposto recurso, conforme lis 57 a 65. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega: 0 ,MPF que legitimou os trabalhos fiscalizatórios, apenas outorgou poderes para execução de atos até 14/10/2005, sendo assim somente podem ser considerados como válidos os atos praticados durante a vigência do WE Não há nem no relatório fiscal, nem em seus anexos, a discriminação dos empregados que não estariam submetidos ao código de ocorrência 04, ou seja, foram informados de maneira indevida na GFIP, dessa forma, há cerceamento de defesa; Embora o prazo de decadência previsto no art. 45 da lei n"8,212/91 seja de dez anos, referida norma não tem o condão de prevalecer sobre as normas gerais a respeito da decadência do crédito tributário, previstas no art 150, §4" do CTN; O recorrente impetrou mandado de segurança pleiteando o recebimento e a apreciação do presente recurso sem a obrigatoriedade do depósito no percentual de 30%, sendo subsidiariamente pedido o recebimento por meio de arrolamento de bens. Requer seja conhecido e provido o presente recurso, reformando DN, a Jim de que seja declarada a nulidade do lançamento, posto o cerceamento de defesa e ter os s fatos geradores que ensejaram a multa sido alcançados pela decadência. A unidade descentralizada da SRP apresenta suas contra-razões as fls. 155 a 156 0 órgão previdencidrio alega, em síntese que não foram trazidos elementos novos capazes de alterar a decisão anterior; requerendo, por fim, que seja mantida a Decisão- Notificação. A unidade descentralizada da SRP em Belo Horizonte, anexou cópia do MPF- C — 04, indicando na informação ás J1s, 168, a seguinte questão item 1,3: "Portanto, não há que se falar em autuação fora do período de cobertura do MPF, ulna vez que, quando o contribuinte tomou ciência do Auto de infração a validade da MPF estava prorrogada para 05/12/2005. 0 que ocorreu é que deixou de constar ciência, por escrito do contribuinte, desta última prorrogação, Que estava disponível no site do Ministério da Previdência Social — www.previdenciasocial.gov.br na internet, opção: Servicos/EmpregadoilMandado de Procedimento Fiscal (MPF), corn a utilização do código de acesso impresso no próprio MPF o pelo telefone do serviço de fiscalização 12 Processo n° 10680.011754 12007-11 Acórdão n.° 2403-00,254 S2-C4T3 Fl 98 13 conforme consta descrito no MPF assinado pelo contribuinte em 04/01/2005, 01/03/2005 e em 28/06/2005. Todas estas informações constam do campo OBSERVACOES do MPF" Destaca, ainda a informação que não foi dada ciência ao recorrente dos termos da diligencia por não ter sido acrescentado elemento »ovo. É o relatório. A seguir, colaciono o inteiro teor do Voto proferido neste Aeórdao n° 2401.00.0020: A diligência promovida por este 2" CC foi no sentido de que ci autoridade previdenciária, co/acionasse aos autos copia do 111.13F com a ciência do recorrente, ou merino comprovante de que houve o encaminhamento dentro do prazo de lavratura do MPF. Pela informa cão prestada pela unidade descentralizada da SRP, o MPF já havia sido emitido, .faltando apenas a sua cientificagiio, o que de forma algunta tornaria nula a autuação. Senão vejamos: "Portanto, não há que se falar em autuação fora do período de cobertura do MPF, uma yea que, quando o contribuinte tomou ciência do Auto de Infração a validade do MPF estava prorrogada para 05/12/2005. 0 que ocorreu é que deixou de constar ciência, por escrito do contribuinte, desta última prorrogação, que estava disponível no site do Ministério da Previdência Social — www.previdenciasocialgov.br na Internet, opção. Serviços/Empregador/Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), com a utilização do código de acesso impresso no próprio MPF o pelo telefone do serviço de fiscalização conforme consta descrito no MPF assinado pelo contribuinte em 04/01/2005, 01/03/2005 e em 28/06/2005, Todas estas informações constam do campo OBSERVAÇÕES do MPF." Ao contrário do entendimento do AFRFB que prestou as informações, entendo que no âmbito da fiscalização Previdenciária o MPF foi criado no intuito de legitimar o procedimento fiscal, e MPF válido para fins de autuação é aquele onde o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência seja feita pessoalmente, ou memo com o comprovante de recebimento por correio. Alegar que o contribuinte poderia ter acessado o sitio da previdência social para conferir se existia MPF não se coaduna com as normas previdencicirias que remetem ao tema A possibilidade de o sujeito passivo acessor o sitio da previdência, .foi criado no sentido de que se possa conferir a autenticidade do MPF, e não para que o contribuinte descubra se existe MPF válido A questão do MPF já foi por diversas vezes apreciada e reapreciada tanto no âmbito deste 2" CC, como do CRPS, onde inclusive consolidou-se o entendimento de que apenas o lançamento seja da NFLD ou do AI deveriam ser feitos dentro do prazo de validade do MPF, não tendo, necessariamente a cientificaçã 0 de ocorrer nesse tempo. Contudo, não foi o que ocorreu no presente caso. O lançamento, que é o último ato privativo de AFPS foi realizado dentro do prazo de validade do MPF, que não foi cientificado ao sujeito passivo, tanto que o mesnzo alega que foi autuado /bra do prazo de cobertura do MPF Pode-se observar que a IN n" 03/2005, que estabelece normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação, dispõe sobre a extinção do MPF', benz como sobre a cientifica cão do sujeito passivo em relação a NFLD e AL conforme segue: Art. 589. 0 MN' se extingue.. I — pela conclusão do procedimento fiscal, com a emissão do Termo de encerramento da Auditoria Fiscal —TEAF (.,) Art. 594. 0 termo de Encerramento de Auditoria Fiscal — TEAF' é. emitido pelo AFPS, quando do término da Auditoria Fiscal e destina-se a cientificar o sujeito passivo da conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo Único. Constará do TEAF a expressa referência aos elementos examinados e aos créditos lançados. (.. ) Art 662.. 0 sujeito passivo será cientificado da NFLD e do AI da seguinte forma.. I — pessoa/mente, após a lavratura da NFLD ou do AI, COMplyvando-se o recebimento mediante assinatirra do representante legal ou do mandatário; — por via postal on por qualquer otaro meio, com prova de recebimento tornado no domicilio tributário do sujeito passivo, ou III — por edital, quando os meios previstos nos incisos I e 11 resultarem infrutiferos („) §3" Na hipótese do inciso II do caput, o encaminhamento dos documentos deverá ser efetuado, preferencialmente, em até 3 dins após a lavratura da NFLD ou do AI, considerando-se cientificado o sujeito passivo na data do efetivo recebimento ou, se omitida a mencionada data do r ecebimento, 15 dias após a data da expedição da intimação. §4" Os meios de intimação previstos nos incisos I e II do copra não estão sujeitos a ordem de preferência. (..,) Resta claro, que o MPF e o instrumento que visa dar conhecimento ao sujeito passivo quanta aos atos da ação/auditoria fiscal em si, cuja ciência deverá ser dada por ocasião do inicio do procedimento fiscal, e dum ante o desenrolar do procedimento, e ainda que o mesmo se extingue com o registro no termo próprio que é o TEAF; lavrado quando do término da auditoria pare cientificar do sujeito passivo do término do procedimento .4 14 Processo n° 10680,011754/2007-11 Acórdão n.° 2403-00.254 S2-C4T3 Fl 99 O manual do contencioso, aprovado pela Of n" 04 de 15/03/1004, dispõe na letra "c" do item 9 5 — VICIOS PROCESSUAIS COM RELAÇÃO AO MPF. - O MPF complementar emitido após o vencimento do MPF original — embora o art. 15 do Decreto 3696/1001 enumere expiração de seu prazo de cumprimento como hipótese de extinção do MPF, o art. 16 do mesmo Decreto enuncia que tal expiração não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responscivel pela emissão do MPF extinto determinar a emissão de novo MPF para conclusão do procedimento fiscal.. Assim, o MPF complementar emitido no curso da ação fiscal, mesmo que após o vencimento do MPF original ou dos complementares já emitidos, não invalida os atos praticados, inclusive os lançamentos, desde que exista MPF válido na data da lavratura da NFLD ou Al pelo AFPS. Dessa forma, havendo ciência prévia deste MPF complementar ao sujeito passivo antes do encerramento da ação fiscal, lido deverá ser nulificado o lançamento." (grifo nosso) O Conselho Pleno do CRPS, 170 exercício de sua competência, uniformizott a jurisprudência administrativa previdenciciria sobre a matéria, nos termos do art. 14 da Portaria 88/1004, por meio do Enunciado 15/2006, transcrito a seguir.. A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF não acarreta nulidade do lançamento. Porém, dito enunciado é aplicável apenas quando existindo MPF válido no momenta da lavratura da NFLD, a ciência da mesma dá-se em momento posterior já fora da cobertura. Face o exposto, entendo que indo encontra-se o auto de infração, por no momento da sua lavratura, não existir MPF devidamente validado seja pela ciência do recorrente ou pelo comprovante do encaminhamento ao sujeito passivo. CONCLUSÀO: Voto por CONHECER DO RECURSO para ANULAR 0 AUTO DE INFRAÇÃO 170S termos acima expostos. Desta forma, restou comprovado que o presente Auto de Infração n". 35.488.421-2 lavrado em 01.11.2005 e com ciência da Recorrente em 04.11.2005 As fls. 01, teve o mesmo tramite procedimental do outro Auto de Infração, Auto de Infração n" 035.488.103-5, que foi lavrado ao término do mesmo Procedimento Fiscal, conforme o Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal — TEAF, As fls.. 11 a 12. Observa-se que o Auto de Infração no. 35.488.421-2, lavrado em 01.11.2005 e com ciência da Recorrente em 04.11.2005, conforme fls. 01, ocorreu sem Cille a lavratura do Auto de Infração se desse dentro do prazo de validade de um MPF cientificado pelo su¡eito passivo, conforme se depreende dos Mandados de Procedimento Fiscal — MPF acostados aos autos: 1 15 MPF — n° PERÍODO DE APURAÇÃO DATA DE VALIDADE DO MIT DATA DE CIÊNCIA DA RECORRENTE FOLHA NO PROCESSO 0919*6 0411997 10/2004 03.02.2005 04.01.2005 07 ii 09193776 — complementar 01 04/1997 10/2004 03.06.2005 01.03.2005 08 ii 09193776 — 04/1997 10/2004 14.10.2005 28.06.2005 09 complementar 03 Ou seja, tanto em relação ao presente Auto de Infração n'. 35.488.421-2 quanto ern telação ao Auto de Infração n° 035.488.103-5, restou caracterizado Clue não havia tido a ciência do contribuinte ara a 'roiro a fio do Mandado de Procedimento Fiscal: que havia sido emitido, até o dia 05.12.2005, nestes termos do Relatório do Acórdão n° 2401.00.0020: " („) Portanto, não hó que se falar em autuação fora do período de cobertura do MPF, uma vez que, quando o contribuinte tomou ciência do Auto de Infração a validade do MPF estava prorrogada para 05/12/2005 ocorreu é que deixou contribuinte, desta última prorrogação, que estava disponível no site do Ministério da Previdência Social — www.previdenciasociatgov.br na internet, opção: Serviços/Empregador/Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), com a utilização do código de acesso impresso no próprio MPF o pelo telefone do serviço de fiscalização conforme consta descrito no MPF assinado pelo contribuinte em 04/01/2005, 01/03/2005 e em 28/06/2005. Todas estas informagbes constam do campo OBSERVACÕES do MPF," (gn) Neste mesmo sentido, às fls. 61 e 62, na Decisão Notificação n° 11.401.410558/2006, julgando procedente a autuação com relevação parcial da multa em relação as faltas cometidas, tem-se a confirmação de que não houve a ciência da Recorrente quanto ao MPF emitido que foi prorrogado até o dia 05.12.2005: "( 0) 12. Sobre o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, cabe esclarecer; que em 06 de outubro de 2005, foi emitido MPF complementar prorrogando o prazo de execução do procedimento fiscalipara 05 de dezembro de 2005. 12.5 Cumpre ressaltar que a autuada teve ciência que estava sob açao fiscal a partir de 04/07/2005, data cut que recebeu o MPF n°09193776, conforme documento de fls. 07 dos autos, onde há a informação de que referido MPF poderia ser verificado mediante consulta ao sito do Ministério da Previdência Social com a utilização do código de acesso ao MPF, informado do corpo do mesmo. S2-C4T3 12.6. Assim, a qualquer momento, a interessada poderia manter-se informada da existência de MPF, seu conteúdo e, especificamente, sua validade. Os IIIPFs complementares emitidos possuem o mesmo minter° e código de acesso, sendo atribuida à empresa a faculdade de confirmar os dodos, sempre que o deseiar, durante aa 12.7, Por fim, cumpre esclarecer que o instrumento que põe fim ação ,fiscal é o TEAF Teimo de Encerramento de Ação Fiscal, que no presente caso foi emitido em 16/11/2005, enviado pelo correio á notificada, conforme cópia juntada àsfls. 11/12. 12.8. No caso em tela, a lavra turn do Al ocorreu na vigência de MPF, com validade até 0.5.12 2005. Assim, pelas razões acima, não cabe a alegação de nulidade do lançamento por auséncia de MPF válido." (gn) Ainda assim, anoto a colocação no Acórdão n° 2401.00.0020 — 1' Turma Ordinária da 4fi Câmara da 2' Seção, Sessão ocorrida em 03 de março de 2009, relatora Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, na qual se mostra que no âmbito do 2° Conselho de Contribuintes e no âmbito do CRPS consolidou -se o entendimento de que apenas o lançamento seja da NFLD ou do AI deveriam ser feitos dentro do prazo de validade do MPF, não tendo, necessariamente a cientificação de ocorrer nesse tempo: " Ao contrário do entendimento do AFRFB que prestou as informações, entendo que no ambit° da fiscalização Previdenciária o MPF foi criado no intuito de legitimar o procedimento fiscal, e MPF válido para fins de autuação é aquele onde o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência seja feita pessoalmente, ou mesmo com o comprovante de recebimento por correio. Alegar que o contribuinte poderia ter acessado o sitio da previdência social para conferir se existia 111PF não se coaduna com as nomtas previdencidrias que remetem ao (ono. A possibilidade de o sujeito passivo acessar o sitio da previdência, ,foi criado no sentido de que se possa conferir a autenticidade do MPF, e não para que o contribuinte descubra se existe MPF válido. A questão do MPF já foi por diversas vezes apreciada e reapreciada tanto no ámbito deste 2 0 CC, como do CRPS, onde inclusive consolidou-se o entendimento de que apenas o lançamento seja da NFLD ou do AI deveriam ser feitos dentro do prazo de validade do IPIPF, não tendo, necessariamente a ,cientificavilo de ocorrer nesse tempo. " 'pi) Ainda assim, conforme se depreende da Instrução Normativa n° 03/2005, que estabelece normas gerais de tributação providenciária e de arrecadação, com a redação vigente h época da lavratura do Auto de Infração, previa que fosse emitido novo MPF-C, após a extinção pelo decurso do prazo do MPF, sendo que a este novo MPF-C deveria ser dado ciência ao sujeito passivo: Art 587. 0 MPF terá validade de até.- Processo n° 10680.011754/2007-11 Acencl5o n.° 2403-00.254 F1 100 17 I - cento e vinte dias, nos casos de MPF-F e de MPF-E; - sessenta dias, nos casos de MPF-D e de MPF-Ex I" A prorrogacão do pal() de validade do MPF será formalizada mediante a emissão do MPF-C, tantas vezes quantas necessárias, observados, em cada mandado, os limites' estabelecidos no caput Art 588. Será dada ciência do MPF ao sujeito Passivo da seguinte foi ma; I - pessoal, comprovada com a assinatura do representante legal, do mandatário ou do preposto do sujeito passivo; II - por via postal, ou poi. qualquer outro meio, com prova de recebimento tomada no domicilio tributário do sujeito passivo; III - por edital, quando meios previstos nos incisos I e II resultarem infiutiftros. §. I" Ocorrendo a recusa de recebimento do MPF, o AFPS deixará a via destinada ao sujeito passivo no local da ocorrência e registrará, em todas as vias, no campo destinado ao recibo, a expressão "recusou-se a assinar", seguida da identificação do responsável pela recusa, considerando-se cientificado o sujeito passivo § 2" A ciência do MPF dá inicio ao piacedimento fiscal, implicando a perda da espontaneidade do sujeito passivo referida no § I" do art, 645. § 3" Após a ciência cio MPF, a SRP não emitirá parecer em relação a consulta relativa às obrigaçães pm evidenciárias objeto de verificação no pr.ocedimento fiscal § 4' Os. meios de cientificação, previstos nos incisos I e II do caput, não estão sujeitos a ordem de preferência, Ai t, 589, 0 MPF se extingue. I - pela conclusão do procedimento fiscal, com a emissão do Termo de Encerramento da Auditoria-Fiscal - TEA?, 11 -pelo deems° dos prazos a que se refere o art, 587. Parcigrafb único. A hipótese de que trata o inciso II do caput não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do mandado extinto determinar a emissão de nova MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Desta forma, constata-se que RAO existia MPF válido no momento da lavratura do Auto de Infração, em 01.10.2005, tampouco foi dada ciência do MPF ao sujeito passivo em momento posterior à ciência do Auto de Infração, ocorrido em 04.11.2005. Face o exposto, entendo que houve nulidade formal do Auto de Infração no. 35.488.421-2, pois no momento da sua lavratura não existia Mandado de Procedimento 19 Process° n° 10680.011754/2007-11 S2-C4T3 Acórdão n ° 2403-00.254 Fl. 101 Fiscal devidamente válido pela ciência ao sujeito passivo ora pela forma pessoal, ora por via postal ou ora ainda por Edital. CONCLUSÃO: Voto por CONHECER DO RECURSO para ANULAR, POR VICIO FORMAL, O AUTO DE INFRAÇÃO nos termos acima expostos. corno voto. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2010 -tw fr PAULO MA ICI P HEIRO MONTEIRO - Relator Brasilia, 06 de Dezembro de 2010 MA • A ADALENA SILVA Chefe da Secretaria da Quarta Camara MINISTÉRIO DA FAZENDA meiq -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 444..-6s4 1.* » QUARTA CÂMARA SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 10680.011754/2007-11 Recurso n°: 158.519 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão IV 2403-00.254 Ciente, com a observação abaixo: [ 1 Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaracao Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902220/2013-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 31/08/1999
CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência da COFINS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais principais ou não, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS/DESPESAS.
As receitas decorrentes de recuperação de custos/despesas não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, por falta de previsão legal.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. RECEITAS EM GARANTIA, EXCEDENTE DE ESTOQUE, SUCATA E LUBRIFICANTES
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3402-009.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membro do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos apurados em diligência fiscal. Ausentes os Conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Renata da Silveira Bilhim.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maysa de Sa Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s): a Conselheira Renata da Silveira Bilhim, o Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares e o Conselheiro Jorge Luis Cabral, substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges.
Nome do relator: Maysa de Sá Pittondo Deligne
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/08/1999 CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência da COFINS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais principais ou não, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS/DESPESAS. As receitas decorrentes de recuperação de custos/despesas não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, por falta de previsão legal. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. RECEITAS EM GARANTIA, EXCEDENTE DE ESTOQUE, SUCATA E LUBRIFICANTES Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2022-01-26T17:07:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-01-26T17:07:51Z; Last-Modified: 2022-01-26T17:07:51Z; dcterms:modified: 2022-01-26T17:07:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-01-26T17:07:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-01-26T17:07:51Z; meta:save-date: 2022-01-26T17:07:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-01-26T17:07:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-01-26T17:07:51Z; created: 2022-01-26T17:07:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2022-01-26T17:07:51Z; pdf:charsPerPage: 2114; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-01-26T17:07:51Z | Conteúdo => S3-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10850.902220/2013-45 Recurso Voluntário Acórdão nº 3402-009.850 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de dezembro de 2021 Recorrente RODOBENS CAMINHOES CIRASA S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/08/1999 CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência da COFINS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais principais ou não, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS/DESPESAS. As receitas decorrentes de recuperação de custos/despesas não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, por falta de previsão legal. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. RECEITAS EM GARANTIA, EXCEDENTE DE ESTOQUE, SUCATA E LUBRIFICANTES Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membro do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos apurados em diligência fiscal. Ausentes os Conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Renata da Silveira Bilhim. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 22 20 /2 01 3- 45 Fl. 278DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-009.850 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.902220/2013-45 Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maysa de Sa Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s): a Conselheira Renata da Silveira Bilhim, o Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares e o Conselheiro Jorge Luis Cabral, substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges. Relatório Trata-se de Pedido de Compensação de crédito de PIS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior do período de apuração de 31/08/1999. O contribuinte indica no pedido a existência de um PER/DCOMP inicial, transmitido em 28/04/2004, no qual o crédito teria sido declarado (n.º 18576.87115.280404.1.2.04-1988). A compensação pleiteada não foi homologada por despacho decisório eletrônico, vez que o DARF teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do período. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real do recolhimento a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tal pagamento seria devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26-A, do Decreto nº72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62- A., ambos do RICARF; Ato contínuo, a DRJ-RIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte nos termos sintetizados na ementa, a seguir transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 31/08/1999 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Fl. 279DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-009.850 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.902220/2013-45 Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões de mérito alegadas na Manifestação de Inconformidade, repetindo as mesmas argumentações. Em novembro/2018, este Colegiado, em outra composição, acompanhou a proposta de conversão do julgamento do processo em diligência feita pelo Relator originário por meio da Resolução n.º 3402001.509, nos seguintes termos: Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º70.235/722, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP): (i) intime a Recorrente para: (i.1) apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (i.2) informar como procedeu com o aproveitamento do crédito da COFINS Cumulativa do processo, informando os pedidos de compensação/restituição transmitidos em relação a este crédito, qual o valor do crédito aproveitado em cada pedido, quais os processos administrativos correspondentes e o status atual dos processos. (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá- los com o recolhido; (ii.2) apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo da COFINS Cumulativa ao qual a Recorrente tem direito em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Caso seja reconhecido um valor de crédito passível de compensação, informar qual o montante creditício que poderá ser aproveitado pela Recorrente no presente processo, considerando os demais processos por ela apresentados relacionados ao mesmo crédito. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a solicitação, o processo foi a mim sorteado, tendo em vista que o Relator originário, Waldir Navarro, deixou este Colegiado em razão do término do seu mandato. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-009.850 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.902220/2013-45 Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A matéria aqui discutida é recorrente aqui neste Colegiado, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. No caso concreto, o processo de pedido de compensação formulado pelo contribuinte, por meio de PER/DCOMPs, não foi homologado pela DRF de Origem porque foi constatado que inexistia crédito disponível suficiente relativo ao DARF indicado e visto que todo o valor estaria alocado para extinguir débitos declarados na DCTF apresentada, conforme o constante do despacho decisório em anexo. Visando comprovar o seu direito creditório, o Contribuinte juntou ao seu recurso voluntário planilhas e livro Diário que indicam, supostamente, a existência de receitas estranhas ao conceito de faturamento na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS. Este Colegiado, em novembro/2018, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos a seguir indicados: Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º70.235/722, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP): (i) intime a Recorrente para: (i.1) apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (i.2) informar como procedeu com o aproveitamento do crédito da COFINS Cumulativa do processo, informando os pedidos de compensação/restituição transmitidos em relação a este crédito, qual o valor do crédito aproveitado em cada pedido, quais os processos administrativos correspondentes e o status atual dos processos. (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá- los com o recolhido; (ii.2) apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo da COFINS Cumulativa ao qual a Recorrente tem direito em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Caso seja reconhecido um valor de crédito passível de compensação, informar qual o montante creditício que poderá ser Fl. 281DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-009.850 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.902220/2013-45 aproveitado pela Recorrente no presente processo, considerando os demais processos por ela apresentados relacionados ao mesmo crédito. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. A DRF de origem analisou detalhadamente cada rubrica contábil reivindicada pela Recorrente, que supostamente não comporia a base de cálculo das contribuições (PIS e COFINS) por força da declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98. Em suma, concluiu o Auditor Fiscal que o Contribuinte concorda que devem ser incluídas na base de cálculo da COFINS e do PIS as receitas referentes ao recebimento das seguintes receitas operacionais (líquidas das devoluções/deduções): vendas de veículos novos, vendas de veículos usados, instalação e vendas de peças e motores, prestação de serviços da oficina, vendas de outras mercadorias e outras prestações de serviços (outras atividades). Porém, de forma divergente ao entendido pela Recorrente, afirma que nas rubricas analisadas, as referentes as contas contábeis abaixo indicadas deveriam compor o faturamento para efeito de incidência das referidas contribuições: 37201-00001 Bonificação MBB Veículos Novos 37202-00001 Bonificação MBB Peças e Motores 37202-00007 Receita Cota Consórcio Em seguida, foram refeitos os cálculos do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis que lhes foram apresentados, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo aquelas receitas financeiras e estranhas ao conceito de faturamento, onde apurou-se o PIS a pagar apurado na diligência do período de apuração de 31/08/1999 em confronto com o pagamento do período informado na Perdcomp, obtendo-se o valor recolhido a maior, conforme planilha juntada. Por fim, apurou na mesma planilha o valor do crédito reconhecido em cada Perdcomp constante do processo em epígrafe, limitando-se o reconhecimento do crédito até o valor pedido. Na informação fiscal resultante da diligência, a DRF de São José do Rio Preto concluiu pela homologação integral do pedido apresentado pela Intimada nos autos do referido processo, conforme denota o trecho a seguir transcrito: 18. Comparando o PIS apurado na diligência (R$ 3.971,89) com o DARF do recolhimento (R$ 4.620,40) concluímos que houve recolhimento a maior no valor de R$ 648,51. 19. Tendo como premissa não ser possível à administração restituir valor acima do que foi pedido pelo interessado, e comparando-se o crédito pleiteado no pedido de compensação em análise (R$ 488,54) com o valor que apuramos como recolhido a maior, concluímos ser passível de reconhecimento crédito para compensação no valor de R$ 488,54, fls. 244 e 255. Em sua manifestação sobre o resultado da diligência, a Recorrente aduz que, apesar de ter entendimento contrário à tese sustentada pela DRF, no sentido da inclusão, na base de cálculo das contribuições das receitas oriundas de “bonificações” e “recuperação de despesas com garantia”, a Empresa concorda com o resultado de diligência, na medida em que há o reconhecimento integral dos créditos pleiteados. Fl. 282DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-009.850 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.902220/2013-45 Assim, não havendo mais litígio nos autos, não se faz necessário adentrar na discussão sobre a tributação das receitas de “bonificações” e “Cota Consórcio”, devendo ser reconhecido integralmente o direito creditório pleiteado pela empresa na diligência fiscal. Por fim, cabe esclarecer que, não obstante a Recorrente não ter retificado a DCTF relativamente ao débito que originaria o alegado pagamento indevido, as turmas colegiadas do CARF têm expressado o seguinte entendimento sobre essa questão, ao qual concordo: Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado (Acórdão nº 3301-005.595, de 13 de dezembro de 2018, Rel. Salvador Cândido Brandão Junior). Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos apurados em diligência fiscal. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Relator Fl. 283DF CARF MF Documento nato-digital
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