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Numero do processo: 13896.721490/2012-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis.
Numero da decisão: 9202-003.860
Decisão: Recurso Especial provido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis. Recurso Especial provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 14 90 /2 01 2- 38 Fl. 3935DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional, face ao acórdão 2301004.102, proferido pela 3ª Câmara/ 1º Turma Ordinária/2ª Seção de Julgamento do CARF. Tratase de Autos de Infração Autos de Infração DEBCAD nºs 37.361.5523, 37.361.5531 e 37.361.5515, relativos ao período de apuração de 01/2008 a 12/2008, lavrados à constituição de crédito tributário previdenciário relativo às contribuições sociais devidas pela empresa à Seguridade Social, bem assim, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa e riscos ambientais do trabalho – GILRAT, contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como das contribuições destinadas aos Terceiros (FNDE Salário educação, SENAI, INCRA, SESI e SEBRAE), incidentes sobre os valores relativos a remuneração dos segurados. A fiscalização procedeu, ainda, a qualificação da multa de ofício, nas competências onde esta restou aplicável por força do princípio da retroatividade benigna (art. 106, inciso II, “c” do Código Tributário Nacional – CTN). Tal qualificação se fundamentos nos seguintes elementos: a) o contribuinte efetuou parte do pagamento do salário mensal do empregado sob a rubrica “cota utilidade”, e sob a falsa alegação de que tais verbas consistiam em utilidades fornecidas aos empregadas, não integrando o saláriodecontribuição; b) o contribuinte procedeu à contratação de empregados por meio de pessoas jurídicas interpostas, e/ou realizou pagamentos a segurados registrados por meio de pessoas jurídica, reduzindo seu saláriodecontribuição; c) além de não ter declarado todos os fatos geradores na GFIP, durante o procedimento fiscal o contribuinte forneceu à fiscalização informações errôneas quanto às informações contábeis. Finalizou o Fisco, afirmando que todos estes fatos demonstram a clara intenção do contribuinte em retardar e dificultar a apuração dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, caracterizando, em tese, a figura da sonegação, nos termos do artigo 71 da Lei nº 4.502/54, aplicandose a qualificação da multa de ofício prevista no artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Fl. 3936DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13896.721490/201238 Acórdão n.º 9202003.860 CSRFT2 Fl. 10 3 Às fls. 3323/3381, 3390/3448, 3453/3512, 3525/3621, 3626/3723, 3736/3796, o Contribuinte apresentou defesa aos Autos de Infração arguindo, em síntese, ausência de fundamentação legal no lançamento; que a fiscalização desconsiderou sua contabilidade indevidamente; que a fiscalização extrapolou suas funções ao entrevistar ex funcionários da Recorrente; que a alimentação fornecida aos trabalhadores, quando a um pequeno percentual de participação destes não configura verba remuneratória e sim indenizatória; que auxílio a transporte não incide contribuição previdenciária; que é inconstitucional a contribuição previdenciária sobre prólabore e prestadores de serviços; que a multa possui um valor absurdo; da inexistência de débito suplementar relativo a contribuição incidente sobre pagamento de cota utilidade; da inconstitucionalidade de incidência de contribuição previdenciária incidente sobre prólabore de prestadores de serviços; que a multa fiscal não pode ser utilizada como intuito arrecadatório, valendose como tributo disfarçado; ao final requereu prova pericial. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba – DRJ/PR (fls. 3818/3852) manteve o crédito tributário exigido pelo Fisco, votando pela improcedência da impugnação. A Contribuinte, fls. 3861/3878, interpôs Recurso Voluntário reiterando as argumentações anteriores. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, às fls. 3890/3906, votou por negar provimento ao recurso quanto ao auxílio médico e auxílio alimentação, dar provimento ao recurso em relação ao auxílio transporte, e dar provimento ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, em relação aos fatos geradores anteriores a 12/2008. Explicou que, em obediência ao prescrito no art. 144 do CTN, cabe afastar a majoração da multa de ofício para 150%, promovida pela fiscalização, uma vez que tal acréscimo só foi possível a partir da Medida Provisória nº 449/2008, isto é, para fatos geradores a partir da competência 12/2008. No caso dos autos, os fatos geradores são anteriores a tal competência, conforme consta do relatório. Assim, a multa deve ser aplicada em seu patamar ordinário e sem a qualificadora para fatos geradores anteriores a 12/2008. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial, às fls. 3908/3916, requerendo para reformar o acórdão atacado e determinar que a análise da norma mais benéfica aplicável ao caso leve em conta a soma das multas previstas pelo descumprimento das obrigações principais e acessórias, aplicáveis na sistemática anterior à Medida Provisória nº 449/2008, em Fl. 3937DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 comparação com a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, que é única, aplicável ao caso por força do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Às fls. 3919/3925, em Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, foi considerado que, no acórdão recorrido, entendeuse ser desnecessária a soma do valor da multa da obrigação principal com a multa da obrigação acessória para efeitos de comparação, conforme dispõe o artigo 35A da Lei n.º 8.21/91, enquanto nos acórdãos paradigmas, a apuração da situação mais favorável ao sujeito passivo seria aquela extraída do comparativo entre as somas das multas aplicadas nos moldes dos art. 35, II (obrigação principal) com a multa prevista no art. 32, IV, § 5º (obrigação acessória), em confronto com a multa de 75% trazida pela novel legislação (multa de ofício). Restou, assim, configurada a similitude das situações fáticas de maneira a caracterizar a divergência jurisprudencial apontada pela Recorrente. Devidamente intimado, o Interessado mantevese inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de Autos de Infração Autos de Infração DEBCAD nºs 37.361.5523, 37.361.5531 e 37.361.5515, relativos ao período de apuração de 01/2008 a 12/2008, lavrados à constituição de crédito tributário previdenciário relativo às contribuições sociais devidas pela empresa à Seguridade Social, bem assim, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa e riscos ambientais do trabalho – GILRAT, contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como das contribuições destinadas aos Terceiros (FNDE Salárioeducação, SENAI, INCRA, SESI e SEBRAE), incidentes sobre os valores relativos a remuneração dos segurados. A fiscalização procedeu, ainda, a qualificação da multa de ofício, nas competências onde esta restou aplicável por força do princípio da retroatividade benigna (art. 106, inciso II, “c” do Código Tributário Nacional – CTN). Finalizou o Fisco, afirmando que todos estes fatos demonstram a clara intenção do contribuinte em retardar e dificultar a apuração dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, caracterizando, em tese, a figura da sonegação, nos termos do artigo 71 da Lei nº 4.502/54, aplicandose a qualificação da multa de ofício prevista no artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Fl. 3938DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13896.721490/201238 Acórdão n.º 9202003.860 CSRFT2 Fl. 11 5 A lide se concentra sobre a correta interpretação da aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106 do CTN. O acórdão recorrido determinou a redução da multa de ofício ao percentual de 75%, em relação aos fatos geradores anteriores a 12/2008. Explicou que, em obediência ao prescrito no art. 144 do CTN, cabe afastar a majoração da multa de ofício para 150%, promovida pela fiscalização, uma vez que tal acréscimo só foi possível a partir da Medida Provisória nº 449/2008, isto é, para fatos geradores a partir da competência 12/2008. No caso dos autos, os fatos geradores são anteriores a tal competência, conforme consta do relatório. Assim, a multa deve ser aplicada em seu patamar ordinário e sem a qualificadora para fatos geradores anteriores a 12/2008. O Recorrente, por sua vez, em sede de Recurso Especial, aduziu que a análise da norma mais benéfica aplicável ao caso deve levar em conta a soma das multas previstas pelo descumprimento das obrigações principais e acessórias, aplicáveis na sistemática anterior à Medida Provisória nº 449/2008, em comparação com a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, que é única, aplicável ao caso por força do art. 35A da Lei nº 8.212/91. O caso em tela trata da aplicação da multa no Direito Tributário no transcurso do tempo, pugnando assim pela análise dos artigos que se aplicam ao tema em todas as suas redações legais. Para isso, segue abaixo o quadro sinótico, que demonstra um panorama da evolução legislativa que se aplica ao tema: MULTA PELO NÃO PAGAMENTO LEI 8212/91 LEI 8212/91 LEI 8212/91 redação Lei 9876/99 redação original – recolhimento em atraso lançamento de ofício alterada MP 449/2008 convertida Lei 11.941/2009 Art. 35 Multa 60% (máximo) Art. 35 Multa 50% Art. 35 Manda aplicar o art. 61 (débitos lançados mas recolhimento em atraso) Insere Art. 35A Manda aplicar art. 44 (lançamento de ofício) Art. 61 Lei 9430/96 Multa 20% a 75% Art. 44 Lei 9430/96 Multa 75% MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA LEI 8212/91 LEI 8212/91 LEI 8212/91 redação original redação Lei 9528/97 alterada MP 449/2008 Art. 32 sem Multa Art. 32, §5º Multa 100% Insere Art. 32A Multa 20% (limitada a) Fl. 3939DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Deixo de transcrever aqui a redação original dos artigos legais utilizados no acórdão recorrido, uma vez que esta redação não estava vigente na época da constituição do crédito tributário. Ela consta no quadro sinótico apenas para contextualização dos percentuais de multa instituídos pelo legislador no transcurso do tempo. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, correspondem ao período em discussão nestes autos, vejamos seu texto: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. § 7º. A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (...) _______________________________________________________ Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Observese que o tema tem sido amplamente debatido neste tribunal administrativo, quando se trata de aplicação das referidas multas para descumprimento de obrigações principais ou acessórias ou até mesmo de ambas conjuntamente, sendo oportuno o esclarecimento. Em casos como este a Câmara Superior de Recursos Fiscais vem firmando posicionamento de que ambos os artigos 32 e 35, Lei 8212/91 tem conteúdo material análogo, e que, portanto a aplicação de ambos, embora possível na interpretação literal, seria vedada na interpretação sistemática da doutrina do Direito Tributário. Isso por que se ambos os artigos prevêem penalidade para conduta materialmente análoga estaria configurado “ bis in idem”. Nesse sentido, excerto do voto da relatora Maria Helena Cotta: Fl. 3940DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13896.721490/201238 Acórdão n.º 9202003.860 CSRFT2 Fl. 12 7 Com efeito, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e de NFLD, não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. A norma transcrita anteriormente se encontra em sua redação vigente na data da constituição do crédito e de seu auto de infração, caso seguíssemos somente o princípio “tempus regit actum” esta seria a melhor aplicação da lei ao caso concreto (subsunção do fato a norma), contudo, o direito tributário abarca o instituto da Retroatividade Benigna, previsto no art. 106, CTN que assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desse modo, respeitando o instituto da retroatividade benigna temos que observar se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, Em 2008 foi aprovada a Medida Provisória n. 449/2008, que insere o artigo 35 – A e 32 A ao texto legal, cuja redação no tocante aos artigos aqui discutidos permaneceu inalterada quando da sua conversão na Lei nº 11.941, de 2009. Assim os artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, uniformizaram os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, nos seguintes termos: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) _______________________________________________________ Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou Fl. 3941DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) _______________________________________________________ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Desse modo, é possível afirmar que o artigo 35, da Lei 8212/91 na redação dada pela Lei 11.941/09 acima citada determina que nos casos em que se trate de tributo constituído (lançado e recolhido em atraso) aplicarseá o artigo 61 da Lei 9430/96. Enquanto que o artigo 35A esclarece que, nos casos de tributos cujo lançamento ocorreu de ofício, deve ser aplicado o comando legal do art. 44 da mesma Lei 9430/96. O caso em apreço não discute débitos de tributos lançados e não pagos, mas sim de lançamento de ofício realizado pela Receita Federal, desse modo o artigo 61 da Lei 9430/96, não guarda aplicabilidade com o presente processo, importando tão somente nesse caso o artigo 44 da já citada Lei 9430/96, vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Assim cito novamente decisão esclarecedora desta Câmara, no processo Nº 10935.006908/200714, que explicita a forma de interpretação e aplicação destes comandos legais ao longo do tempo: “ Resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996.” Fl. 3942DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13896.721490/201238 Acórdão n.º 9202003.860 CSRFT2 Fl. 13 9 Observese que, quando o artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996 dispõe expressamente “nos casos do lançamento de ofício” e inciso I utiliza a expressão “nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” percebese, claramente, que está embutido no mesmo artigo o lançamento de ofício e a falta de declaração. Diante do exposto, é necessária a reforma do acórdão recorrido, pois embora este tenha decidido no sentido de aplicar ao contribuinte a norma mais benéfica, esta não pode ser escolhida aleatoriamente, ela precisa ser aplicada dentro uma interpretação coerente do ordenamento jurídico no qual esta inserida. O que se consegue através da aplicação do artigo 44, inciso I da Lei 9.430/1996. Desse modo dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que se mantenha a execução nos moldes lançados pelo agente fiscal no MPF, o qual já adotou dentro da argumentação acima exposta, a situação mais benéfica para a Contribuinte. É o voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Fl. 3943DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/06/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11543.000721/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
NULIDADE DOS ATOS PRATICADOS PELO CONTRIBUINTE. INCAPACIDADE ABSOLUTA OU RELATIVA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO.
Não havendo prova convincente e robusta da incapacidade absoluta, nem da capacidade relativa, do contribuinte no momento de realização do ato de intimação do lançamento e da propositura da impugnação, ocorridos no ano de 2010, os atos processuais praticados não são nulos, pois não há previsão legal para declarar a nulidade de atos praticados por pessoa que fora submetida à ação de interdição (curatela) no ano de 2006.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF no 9).
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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INCAPACIDADE ABSOLUTA OU RELATIVA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO. Não havendo prova convincente e robusta da incapacidade absoluta, nem da capacidade relativa, do contribuinte no momento de realização do ato de intimação do lançamento e da propositura da impugnação, ocorridos no ano de 2010, os atos processuais praticados não são nulos, pois não há previsão legal para declarar a nulidade de atos praticados por pessoa que fora submetida à ação de interdição (curatela) no ano de 2006. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF no 9). Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 07 21 /2 01 0- 89 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11543.000721/201089 Acórdão n.º 2402005.345 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 03/09, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2009, anocalendário de 2008, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais. Por descrever os fatos, adoto o conteúdo do Despacho Decisório (fls. 36/40), reproduzido a seguir: “Contra o contribuinte acima identificado foi emitida por auditorfiscal da Delegacia da Receita Federal em Vitória, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2009, anocalendário 2008, resultando em redução do imposto a restituir para R$ 938,08, conforme Demonstrativo do Valor a Restituir (fl. 17). O contribuinte foi cientificado do lançamento em 26/3/2010, conforme Aviso de Recebimento (fl. 9). Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foi efetuado lançamento de oficio, tendo em vista que foi apurada a seguinte infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, conforme informação na Declaração do Imposto de Renda Retido na FonteDirf: (...) O Enquadramento Legal encontrase nos autos. O contribuinte apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento a qual foi indeferida (fls. 04), resultando na Notificação de Lançamento objeto de análise neste processo. A Solicitação de Retificação de Lançamento foi indeferida por constar no laudo médico doença não especificada em lei para isenção do imposto de renda. Em 29/3/2010, no pedido de impugnação (fl. 02/03), acompanhado dos documentos de fls. 04/08, o contribuinte alega que: a SRL foi indeferida por, segundo a auditorafiscal, o diagnóstico constante do laudo médico não estar especificado em lei; transtorno depressivo grave com distúrbios psicóticos está inserido no campo de alienação mental. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Em 19/07/2010 (fl. 10), o contribuinte solicita a inclusão do laudo médico e requer prioridade no julgamento do processo por ser portador de moléstia grave. Em 04/05/2011 (fls. 27/28), o impugnante vem, novamente, ao processo requerer urgência na devolução dos valores de imposto de renda retidos indevidamente, tendo em vista que todos os documentos que comprovam que os rendimentos são isentos e não tributáveis já foram juntados aos autos.” A decisão de primeira instância (fls. 36/40) julgou improcedente a impugnação, mantendose os valores apurados pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 30/11/2011 (fls. 43), o interessado, por meio de sua curadora especial, interpôs, em 01/09/2014, o recurso de fls. 46/47. Nas razões recursais aduz, em síntese, que: 1. o contribuinte é absolutamente incapaz e todos os seus atos praticados no presente processo são nulos; 2. a curadora especial não foi cientificada da notificação de lançamento nem da decisão de primeira instância; 3. no mérito, informa que o contribuinte é portador de moléstia grave (alienação mental) e isento do imposto de renda. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11543.000721/201089 Acórdão n.º 2402005.345 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator I DA PREJUDICIALIDADE: ALEGAÇÃO DE INCAPACIDADE ABSOLUTA DO CONTRIBUINTE E NULIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS PROFERIDOS Por meio da curadora especial, há a alegação na peça recursal de que o contribuinte é absolutamente incapaz e todos os seus atos praticados no presente processo são nulos, deste a intimação do lançamento fiscal até a peça de impugnação, a teor do art. 169 do Código Civil (Lei 10.406/2002). Nos termos do inciso I do art. 166 do Código Civil, é nulo o negocio jurídico celebrado por pessoa absolutamente incapaz. Nesse passo, o art. 169 desse mesmo código dispõe que o negócio jurídico, quando celebrado por pessoa absolutamente incapaz, não é susceptível de confirmação, nem convalescer pelo decurso do tempo. Conforme Certidão Judicial da 1a Vara de Órfãos e Sucessões de Vitória/ES (fls. 49), emitida em 13/12/2006, o contribuinte (Sr. Carlos Marcos Cruz Reis), por ser portador de psicose, foi submetido ao processo de interdição (curatela) e declarado incapacitado para os atos da vida civil, tendo como curadora definitiva a Sra. Lusiene Pereira dos Santos (cônjuge). Ocorre, entretanto, que, antes do advento da Lei 13.146/2015, a ação de interdição (curatela) proveniente da deficiência mental poderia decorrer tanto da incapacidade absoluta (art. 3o do Código Civil) como da incapacidade relativa (art. 4o do Código Civil), a teor do art. 1.767 do Código Civil. Código Civil Lei 10.406/2002: Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I os menores de dezesseis anos; II os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos; III os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos. (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) I (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 II (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) III (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer: Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) I os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; II os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido; III os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo; II os ébrios habituais e os viciados em tóxico; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) III aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) IV os pródigos. Parágrafo único. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial. Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial. (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) ......................................................................................................... Art. 1.767. Estão sujeitos a curatela: I aqueles que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para os atos da vida civil; II aqueles que, por outra causa duradoura, não puderem exprimir a sua vontade; III os deficientes mentais, os ébrios habituais e os viciados em tóxicos; IV os excepcionais sem completo desenvolvimento mental; I aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) II (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) III os ébrios habituais e os viciados em tóxico; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) IV (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11543.000721/201089 Acórdão n.º 2402005.345 S2C4T2 Fl. 5 7 V os pródigos. No presente caso, os elementos probatórios não apontam em nenhum momento que o contribuinte seria absolutamente incapaz. Pelo contrário, os documentos de fls. 30/32 (emitido em 29/04/2011, Procuração estabelecendo poderes aos advogados para atuarem em seu nome) e de fls. 24/26 (emitido em 19/07/2010, solicita prioridade na tramitação de seu processo na Delegacia da Receita Federal do Brasil), ambos assinados pelo próprio contribuinte e sem a assinatura ou representação/assistência da curadora especial, sinalizam que o contribuinte não seria absolutamente incapaz. Tanto o ato de intimação do lançamento fiscal como a peça de impugnação, proposta pelo próprio contribuinte e com sua assinatura, foram realizados no ano de 2010. Os laudos médicos emitidos em 13/05/2005 (fl. 07) e 13/07/2010 (fl. 12), bem como as cópias dos laudos médicos de fls. 51/54, informam que o contribuinte é portador de transtorno depressivo grave com distúrbios psicóticos, enquadrandoo na CID F 32.3, sendo que isso, por si só, não é conclusivo para reconhecer a incapacidade absoluta do contribuinte. Por sua vez, reconhecemos que o curador pratica os atos da vida civil em nome do curatelado, visto representálo legalmente a partir da sentença que declara sua incapacidade. Assim, não obstante a condição de curatelado do ora representado contribuinte no ano de 2006, o exercício de seus direitos e deveres efetivase por intermédio de seu representante legal, enquanto a causa de sua incapacidade se mantiver. Desse modo, no caso concreto, houve o preenchimento e encaminhamento da Declaração de Ajuste Anual do imposto de renda, contendo o endereço do domicílio fiscal eleito pelo contribuinte e sem qualquer informação de que o contribuinte seria absolutamente incapaz ou teria outra incapacidade para praticar atos processuais e da vida civil. Neste caso, aparentemente, a hipótese seria de proibição de comportamento contraditório (chamado de venire contra factum proprium) e impossibilidade de alegação da própria torpeza (art. 180 do Código Civil). Nesse passo, quanto à incapacidade, seja absoluta ou relativa, a decisão de interdição necessita ser registrada para produzir efeitos erga omnes (art. 9o do Código Civil), sendo que esse registro, assim como a decisão de interdição, não é eterno e não tem eficácia permanente. Observase, ainda, que a decisão de interdição submetese à cláusula rebus sic stantibus, alterandose ou modificandose segundo as razões fáticas evidenciadas no paciente e no exercício de suas atividades, podendo decorrer de melhora do quadro com o abrandramento da incapacidade e até mesmo a sua reversão (chamada de levantamento da interdição). Assim, para declarar a nulidade ou aceitar a anulabilidade de ato processual, a incapacidade do contribuinte deve ser demonstrada no momento de realização do ato supostamente viciado, sendo que, no caso ora analisado, a Certidão da Justiça emitida em data anterior ao momento de realização do ato, por si só, não configura a nulidade ou anulabilidade do ato praticado posterior à decisão judicial de interdição do paciente, pois a decisão judicial tem eficácia executiva efêmera, amoldandose ao contexto fático evidenciado no momento de julgamento. Diante da ausência de prova convincente e robusta da incapacidade absoluta do contribuinte, nem da incapacidade relativa, no momento da prática de atos exercidos no ano de 2010, não se acata a alegação de que os atos praticados após a ciência da intimação fiscal seriam nulos, pois não há previsão legal para declarar a nulidade de atos praticados por pessoa Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 que fora submetida à ação de interdição (curatela) no ano de 2006. Em outras palavras, somente na hipótese de demonstração da incapacidade do contribuinte no momento do exercício do ato, declarado pelo Poder Judiciário ou demonstrado nos autos, seria possível admitir, diante do caso concreto, a nulidade ou anulabilidade dos atos praticados pelo contribuinte dentro do presente processo, em obediência aos artigos 166, 169 e 171, todos do Código Civil. Após análise e rejeição da prejudicialidade suscitada na peça recursal, passo à apreciação das demais questões recursais. II DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cumpre esclarecer que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos recursais extrínsecos, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o interesse, o cabimento e a legitimidade para tanto. Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 30/11/2011, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado aos autos (fls. 43). Por sua vez, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 46/47), assinado por sua curadora especial, apresentando as mesmas alegações postuladas na sua peça de impugnação, e informa que não tinha ciência dos atos processuais de intimação e notificação do lançamento fiscal. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que a Recorrente interpôs o recurso voluntário em 01/09/2014, nos termos da papeleta do recurso voluntário, devidamente carimbado pelo Fisco da Delegacia da Receita Federal em Vitória/ES, papeleta final do recurso (fl. 46). O art. 5º, parágrafo único, do Decreto 70.235/1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito dos tributos arrecadados e administrados pela União – estabelece como serão computados os prazos para interposição de recurso, transcrito abaixo: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11543.000721/201089 Acórdão n.º 2402005.345 S2C4T2 Fl. 6 9 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) Na espécie, a Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 30/11/2011 (quartafeira). Assim, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do artigo 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 01/12/2011 (quintafeira). O trigésimo dia ocorreu em 30/12/2011 (sextafeira). Entretanto o recurso só teria sido apresentado ao Fisco em 01/09/2014, segundafeira (papeleta final do recurso voluntário), portanto, fora do prazo recursal. Com o mesmo entendimento, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a peça recursal deverá ser apresentada no local do órgão preparador de circunscrição do sujeito passivo. Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (g.n.) Com relação ao fato de que a curadora especial não recebeu diretamente a notificação de lançamento nem a decisão de primeira instância, cumpre esclarecer que esses documentos foram enviados para o domicílio fiscal eleito pelo contribuinte e, além disso, tal alegação, por si só, não pode ser considerada para alargar o prazo legal de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto 70.235/1972, já que não se constitui como hipóteses de força maior ou de caso fortuito. Esse entendimento está em conformidade com o enunciado da Súmula CARF no 9, transcrita abaixo: “Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” No mesmo sentido, o inciso II do art. 23 do Decreto 70.235/1972 exige apenas a prova de que a correspondência foi entregue no endereço do domicílio fiscal do contribuinte e depreendese que esta pode ser recebida por qualquer outra pessoa a quem o senso comum permita atribuir a responsabilidade pela entrega da mesma. Decreto 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) O domicílio de intimação estava correto, pois ocorreu a intimação por via postal mediante AR enviado para o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, a saber: Rua Manoel Vivácqua, 614, Bairro Aeroporto, CEP 29.072230, Vitória/ES. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 A regra na contagem dos prazos processuais é a continuidade, ou seja, os prazos não se suspendem nem se interrompem, com exceção das hipóteses de força maior ou de caso fortuito, como greves ou outros fatos que impeçam o funcionamento dos órgãos da Administração. Essas hipóteses devem ser devidamente comprovadas nos autos e, no momento, não as encontramos presentes neste processo. Nesse sentido, resta claro que o contribuinte (Recorrente) não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal que seria o dia 30/12/2011 e não o dia 01/09/2014 como fora apresentado. Diante desse quadro fático, impõese afirma a ocorrência da intempestividade da peça recursal do contribuinte, não devendo prosperar o exame das demais alegações postuladas no recurso de fls. 46/47. III CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10865.000626/2004-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1401-001.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 06 26 /2 00 4- 31 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.000626/200431 Acórdão n.º 1401001.425 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso, fls. 313316: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foram apreciadas as Declarações de Compensação (PER/DCOMP) de nº: 09221.71286.290104.1.3.044700, 40377.65609.040204.1.3.046445, 32941.56753.290104.1.3.040561, 15899.15604.290104.1.3.043234, 41885.68001.290104.1.3.041063, 14664.64025.300104.1.3.047320, 40974.41247.290104.1.3.042683, 31050.01964.290104.1.3.043142, 38386.10651.290104.1.3.044134, 10172.26520.290104.1.3.044060, 00521.44503.290104.1.3.045010, 22745.01189.090104.1.3.047015, 21738.41282.290104.1.3.044304, 13354.46782.270904.1.3.046888 e 41101.35396.250505.1.3.048025. De acordo com o informado nas Per/DCOMP, os créditos seriam oriundos de pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ, referentes aos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, agosto e setembro de 2003, tendo sido utilizados para a compensação de débitos de IRPJ apurados nos meses de junho, outubro e novembro de 2003, de IRRF código 05611, relativo à quinta semana de janeiro de 2004 e 0430, relativo ao 30° Dia de janeiro de 2004 e IPI referente ao terceiro decêndio de 2003. Em Despacho Decisório proferido em 12/06/2008 (fls. 206 e seguintes), foi reconhecido crédito no valor de R$ 201.814,64 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.000626/200431 Acórdão n.º 1401001.425 S1C4T1 Fl. 4 3 referente ao recolhimento do IRPJ efetuado em 30/04/2003, de R$ 284.439,46 referente ao recolhimento do IRPJ do mês de março e de R$ 467.284,41 referente ao IRPJ do mês de abril, ambos recolhidos em 30/06/2003, homologandose as compensações analisadas no processo até o limite do crédito reconhecido. Informa a Autoridade Fiscal que os pagamentos que o contribuinte considerou indevidos ou maiores que o devido foram todos confirmados, mas que somente foi apurado saldo disponível nos meses de março e abril de 2003. Esclarece ainda que a Declaração de Compensação de nº 03527.37079.270904.1.3.041762 foi homologada eletronicamente. Foram admitidos os pedidos de cancelamento das declarações de compensação de nºs: 09221.71286.290104.1.3.044700, 40377.65609.040204.1.3.046445, 32941.56753.290104.1.3.04 0561, 15899.15604.290104.1.3.043234, 31050.01964.2901041. 3.43142, 38386.10651.290104.1.3.044134, 00521.44503. 290104.1.3.045010, 22745.01189.090104.1.3.047015. Não foi admitido o cancelamento das declarações de compensação de n.ºs 40974.41247.290104.1.3.042683 e 21738.41282.290104.1.3.044304 porque o débito e o crédito existem. Foi admitida a retificação das declarações de compensação de n.ºs 41885.68001.290104.1.3.041063 e 14664.64025. 300104.1.3.047320. O discriminativo das compensações efetuadas foi apresentado ao contribuinte mediante Intimação, às fls. 271 e 272, cuja ciência ocorreu em 17/12/2008 (fl.273). Irresignado, apresentou o contribuinte, em 16/01/2009, Manifestação de Inconformidade (fl. 275), alegando, em síntese, que: As conclusões do despacho decisório que entendeu pela homologação parcial e não homologação de parte das DCOMPs constantes dos presentes autos não procedem, devendo ser as aludidas Declarações de Compensação integralmente homologadas, como segue: I) DOS VALORES DE R$ 921,23; R$ 361.614,35; R$ 12.512,44 e R$ 291.661,53 REFERENTES DCOMP NÃO HOMOLOGADAS: Fl. 367DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.000626/200431 Acórdão n.º 1401001.425 S1C4T1 Fl. 5 4 Os valores acima demonstrados foram corretamente indicados nas respectivas DCOMPs, tendo origem válida e adequadamente comprovada, conforme se constata na própria base de dados da RFB. Os procedimentos previstos no art. 26 da IN 460/2004, que determinavam o agir do sujeito passivo, quando da realização da compensação de tributos administrados pela RFB, foram integralmente atendidos pela Inconformada, o que torna incontestável a prevalência da compensação levada a termo. Desta forma, há que se reformar o teor do despacho quanto a DCOMP aqui em apreço, a fim de que se reconheça definitivamente o direito a aludida compensação através da homologação da mesma. II) DOS VALORES DE R$ 347.051,00 E R$ 71.708,01, REFERENTES À PARTE NÃO HOMOLOGADA DAS DCOMPs: 40974.41247.290104.1.3.042683 e 21738.41282.290104.1.3.04 4304 COMPENSAÇÕES PARCIAIS. As conclusões do despacho, no tocante a essas DCOMP, merecem reparo, pois, é notória a existência de flagrante equívoco. No próprio despacho, as fls. 4/5 temos o seguinte demonstrativo: Total recolhido: 1.865.382,70 Como se verifica no quadro acima, que retrata conteúdo demonstrado na citada folha do despacho, constatase que o valor total dos tributos recolhidos e utilizados para as mencionadas compensações totaliza um valor significativamente acima daqueles pleiteados nas DCOMPs em análise. O total das compensações pleiteadas totaliza R$ 1.594.858,20 (integralmente homologadas R$ 204.885,29, não homologadas – R$ 666.709,55 e parcialmente homologadas R$ 723.263,36) Fl. 368DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.000626/200431 Acórdão n.º 1401001.425 S1C4T1 Fl. 6 5 Quando visualizamos o quadro que demonstra a totalidade dos tributos recolhidos e utilizados para as compensações aqui em deslinde, verificamos o valor de R$ 1.865.382,70, portanto, R$ 270.524,50 acima do valor efetivamente aproveitado através das aludidas DCOMPs. Vejamos, especificamente, quanto à homologação parcial do PerDComp no 40974.41247.290104.1.3.043142. Nesta PerDComp foi solicitada a compensação de um débito de R$ 633.141,72, referente ao IRPJ de novembro de 2003, com um crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ referente ao período de apuração de março de 2003. Conforme se verifica no quadro constante às fls.3 do despacho, referente ao PA de março de 2003, a empresa apurou, conforme declarado em DIPJ e DCTF, um valor de imposto a recolher no montante de R$ 972.621,05. Desse montante, R$ 335.973,24 foram quitados mediante compensação, restando um valor de R$ 636.647,81. Para quitação deste valor foram efetuados os seguintes pagamentos: R$ 560.090,73, dos quais foram alocados R$ 238.076,06, restando um saldo de R$ 322.014,67; e R$ 821.372,87, dos quais foram alocados R$ 398.571,75, restando um saldo de R$ 422.801,12. O saldo de pagamento a maior para este período de apuração, portanto, era de R$ 744.815,79. O crédito referente ao pagamento a maior no mês de março foi indicado a compensação em três PerDComps (já ignorando os eventuais pedidos de cancelamento e retificadores não admitidos): PerDComp 03527.37079.270904.1.3.041762 (homol. eletronicamente). Total do crédito original utilizado: R$ 207.027,92. PerDComp 20176.93389.270904.1.7.046978 (homologado) Total do crédito original utilizado: R$ 214.112,40 Assim, descontandose o montante do crédito original utilizado nos PerDcomp 03527.37079.270904.1.3.041762 acima, restaria um saldo de R$ 537.878,87. Desses R$ 537.878,87, após a compensação levada a efeito no PerDComp 0176.93389.270904.1.7.046978, ainda restaria um saldo no R$ 323.675,47 passível de ser utilizado em outras compensações. No entanto, conforme o quadro constante da fl. 01 da intimação, somente foi reconhecido, no PerDcomp 40974.41247. 290104.1.3.043142, um crédito original do valor de R$ 284.439,46. Desta forma resta comprovado, de modo claro e incontestável, que as compensações levadas a termo pela Inconformada está em patamares de valores inferiores aos efetivos créditos Fl. 369DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.000626/200431 Acórdão n.º 1401001.425 S1C4T1 Fl. 7 6 passíveis de compensação detidos por ela, não se justificando nenhuma não homologação e homologações parciais como concluiu o r. despacho. Desta forma é de rigor seja determinada a reforma do r. despacho proferido pela Receita Federal do Brasil, nos autos do presente processo, a fim de que seja ajustado ao efetivo direito da Inconformada que, a saber, é ter homologado integralmente os seus pleitos de pedido de compensação. DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da parte indeferida de seu pleito, a inconformada REQUER que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade para o fim de reformar o despacho decisório, de modo a ser integralmente deferido os "Pedido de Compensação tratados nos autos do processo aqui em deslinde, Processo Administrativo n° 10865.0006261200431, com a conseqüente integral homologação das compensações constantes nele constantes. A 6ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por meio de Acórdão assim ementado, fls. 312: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte foi cientificada desse Acórdão em 25/11/2014, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo de fls. 324. Em 10/12/2014 apresentou o recurso voluntário de fls. 326335, reiterando os argumentos apresentados na fase de manifestação de inconformidade. Alegou, outrossim, que, em relação à Dcomp 21738.41282.290101.1.3.044304 (parcialmente homologada), a decisão Fl. 370DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.000626/200431 Acórdão n.º 1401001.425 S1C4T1 Fl. 8 7 recorrida se absteve de apreciar a alegação da contribuinte de que havia saldo disponível para a homologação integral desta Dcomp. É o relatório. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.000626/200431 Acórdão n.º 1401001.425 S1C4T1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Dos valores de R$ 921,23; R$ 361.614,35; R$ 12.512,44 e R$ 291.661,53, referentes às Dcomps relacionadas no “Quadro II – Não Homologados” Para maior clareza, reproduzo abaixo o aludido Quadro II, referente às Dcomps não homologadas: Em sua peça recursal, assim como fizera em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte (ora recorrente) limitouse a afirmar que os os valores por ela listados (R$ 921,23; R$ 361.614,35, R$ 12.512,44 e R$ 291.661,53) foram corretamente informados nas respectivas PER/DCOMPs. No seu entender, tendo sido observado o disposto no art, 26 da Instrução Normativa nº 460/2004, as citadas compensações deveriam ter sido homologadas. Não assiste razão à recorrente. Tais alegações foram correta e objetivamente enfrentadas pela decisão de piso, fls. 317318: Entretanto, como bem esclarece a Intimação no 10865/SEORT/922/2008, às fls. 271 e 272, da qual a impugnante teve ciência em 17/12/2008 (fl. 273), os créditos utilizados nas PER/DCOMP 13354.46782.270904.1.3.046888 e 41101.35396.250505.1.3.048025 foram integralmente utilizados nas PER/DCOMP de nos 40974.41247.290104.1.3.042683 e 21738.41282.290104.1.3.044304, o que pode ser facilmente verificado pela simples comparação das citadas PER/DCOMP, às fls. 112 e 141; 39 e 181. Diante da inexistência dos créditos informados pelo contribuinte pela integral utilização destes em outras PER/DCOMP, concluo que foi absolutamente correta a decisão da Autoridade Fiscal de não homologar as compensações realizadas nas PER/DCOMP, 13354.46782.270904.1.3.046888 e 41101.35396.250505.1.3.04 8025. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.000626/200431 Acórdão n.º 1401001.425 S1C4T1 Fl. 10 9 Quanto à PER/DCOMP 10172.26520.290104.1.3.04.4060, correto também o Despacho Decisório, que não reconheceu o alegado direito creditório. Como é possível verificar pelas telas do Sistema da Receita Federal Fiscel juntadas às fls. 310 e 311, o DARF informado pelo contribuinte, no valor de R$ 1.248.637,47 está integralmente alocado, não restando nenhum saldo para a compensação realizada pelo contribuinte. Os elementos constantes dos autos comprovam a correção do entendimento adotado pela decisão de piso. Assim sendo, em relação ao presente tema, nego provimento ao presente recurso voluntário. Dos os valores de R$ 347.051,00 e R$ 71.708,01, referentes à parte não homologada das DCOMP 40974.41247.290104.1.3.042683 e 21738.41282.290104.1.3.044304 Em relação a tais valores, também repetindo o que foi alegado na fase de manifestação de inconformidade, a contribuinte (ora recorrente) sustentou que a parcela não homologada das DCOMP 40974.41247.290104.1.3.042683 e 21738.41282.290104.1.3.04 4304 também deveriam ter sido homologados. No seu entender, o valor total dos tributos recolhidos e utilizados para as mencionadas compensações era significativamente maior do que os valores pleiteados nas aludidas DCOMPs. Consequentemente, haveria saldo suficiente para a homologação total daquelas compensações. Mais uma vez, não assiste razão à recorrente. A decisão de piso analisou com muita objetividade esta questão, conforme se observa pela simples leitura do trecho que se segue (fls. 318319, grifado): Vejamos o quadro do Despacho Decisório (fl. 209) utilizado pela impugnante para chegar ao números apresentados: Como se verifica, o contribuinte baseouse no total de valores recolhidos (R$ 821.372,87, R$ 576.725,42 e R$ 467.284,41 = R$ 1.865.382,70) para chegar à conclusão de que haveria saldo disponível para a homologação integral das compensações (R$ 1.594.858,20), contudo, grande parte desses valores não está disponível (vinculados a outros débitos), como se verifica na quarta coluna da tabela acima, suprimida pela impugnante em sua Manifestação de Inconformidade. [...] é provável que a impugnante quisesse referirse à PER/DCOMP 40974.41247.290104.1.3.042683, esta sim homologada parcialmente, conforme Intimação à fl. 271. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.000626/200431 Acórdão n.º 1401001.425 S1C4T1 Fl. 11 10 Nessa PER/DCOMP o contribuinte informou como fonte de crédito o pagamento efetuado em 30/06/2003 mediante DARF (cód. 2362), no valor total de R$ 576.725,42 (principal de R$ 560.090,73 e juros de R$ 16.634,69), referente ao período de apuração 31/03/2003. Portanto, ao contrário do que pretende a impugnante, não é a soma dos valores pagos referentes ao mês de março de 2003 que deve ser considerada para a verificação de saldo disponível para a compensação pretendida, mas unicamente o saldo disponível referente ao DARF informado na PER/DCOMP analisada. Conforme se verifica no Despacho Decisório, do pagamento de R$ 576.725,42, apenas R$ 284.439,46 estão disponíveis, valor insuficiente para compensar o débito de R$ 633.141,72 informado na PER/DCOMP 40974.41247.290104.1.3.042683, o que gerou sua homologação apenas parcial, conforme demonstrativo que consta na Intimação à fl.271. Em sua peça recursal, a contribuinte alegou que a decisão recorrida se absteve de apreciar a alegação, apresentada em sua manifestação de inconformidade, de que havia saldo disponível para a homologação integral da Dcomp 21738.41282.290101.1.3.04 4304 (que foi apenas parcialmente homologada). Não assiste razão à recorrente. Na verdade, todas as considerações apresentadas em relação à DCOMP 40974.41247.290104.1.3.042683 também se aplicam à aludida DCOMP 21738.41282.290101.1.3.044304. Também em relação a esta DCOMP a contribuinte baseouse no total dos valores recolhidos para chegar à conclusão de que haveria saldo disponível para a homologação integral das compensações. No entanto, boa parte dos citados valores não se encontrava disponível, posto que já vinculados a outros débitos. Diante do exposto, considero que a presente alegação da contribuinte também não merece prosperar. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 374DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 19515.000345/2004-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1998 a 31/10/2003
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.
RETENÇÃO DE TRIBUTO NA FONTE. PROVA. COMPROVANTES DE RETENÇÃO OU DARF APRESENTADOS PELA FONTE PAGADORA.
A alegação de retenção de tributo na fonte por ocasião da prestação de serviços a outras pessoas jurídicas deve ser comprovado por meio de Comprovante de Retenção fornecido pela fonte pagadora ou por meio de DARF por ela apresentado no qual conste o valor da base de cálculo correspondente ao fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/1998 a 30/11/2002
PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.
RETENÇÃO DE TRIBUTO NA FONTE. PROVA. COMPROVANTES DE RETENÇÃO OU DARF APRESENTADOS PELA FONTE PAGADORA.
A alegação de retenção de tributo na fonte por ocasião da prestação de serviços a outras pessoas jurídicas deve ser comprovado por meio de Comprovante de Retenção fornecido pela fonte pagadora ou por meio de DARF por ela apresentado no qual conste o valor da base de cálculo correspondente ao fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços.
Numero da decisão: 3201-002.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/1998 a 31/10/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. RETENÇÃO DE TRIBUTO NA FONTE. PROVA. COMPROVANTES DE RETENÇÃO OU DARF APRESENTADOS PELA FONTE PAGADORA. A alegação de retenção de tributo na fonte por ocasião da prestação de serviços a outras pessoas jurídicas deve ser comprovado por meio de Comprovante de Retenção fornecido pela fonte pagadora ou por meio de DARF por ela apresentado no qual conste o valor da base de cálculo correspondente ao fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1998 a 30/11/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. RETENÇÃO DE TRIBUTO NA FONTE. PROVA. COMPROVANTES DE RETENÇÃO OU DARF APRESENTADOS PELA FONTE PAGADORA. A alegação de retenção de tributo na fonte por ocasião da prestação de serviços a outras pessoas jurídicas deve ser comprovado por meio de Comprovante de Retenção fornecido pela fonte pagadora ou por meio de DARF por ela apresentado no qual conste o valor da base de cálculo correspondente ao fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2374; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.076 1 1.075 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000345/200423 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.167 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS COFINS Recorrente CARL ZEISS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1998 a 31/10/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. RETENÇÃO DE TRIBUTO NA FONTE. PROVA. COMPROVANTES DE RETENÇÃO OU DARF APRESENTADOS PELA FONTE PAGADORA. A alegação de retenção de tributo na fonte por ocasião da prestação de serviços a outras pessoas jurídicas deve ser comprovado por meio de Comprovante de Retenção fornecido pela fonte pagadora ou por meio de DARF por ela apresentado no qual conste o valor da base de cálculo correspondente ao fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1998 a 30/11/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 45 /2 00 4- 23 Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.077 2 O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. RETENÇÃO DE TRIBUTO NA FONTE. PROVA. COMPROVANTES DE RETENÇÃO OU DARF APRESENTADOS PELA FONTE PAGADORA. A alegação de retenção de tributo na fonte por ocasião da prestação de serviços a outras pessoas jurídicas deve ser comprovado por meio de Comprovante de Retenção fornecido pela fonte pagadora ou por meio de DARF por ela apresentado no qual conste o valor da base de cálculo correspondente ao fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Originalmente, o presente processo foi formalizado em decorrência da lavratura do Auto de Infração de fls. 106 a 118, referente à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, consubstanciando exigência de credito tributário no valor total de R$ 156.204,90, concernente aos fatos geradores ocorridos nos meses 03/1998, 03/1999 a 10/1999, 12/1999 a 03/2000, 05/2000 a 08/2000, 10/2000 a 08/2001, 10/2001 a 07/2002, 09/2002 a 11/2002, a multa de oficio de 75% e aos juros de mora calculados até 30/01/2004. 2. Posteriormente, em virtude do disposto no art. 2° da Portaria SRF n° 6.129 de 02/12/2005, foi juntado ao presente processo, Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.078 3 por anexação, o de n° 19515.000346/200478, formalizado em decorrência da lavratura do Auto de Infração de fls. 424 a 437, referente à falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de R$ 768.752,29, concernente aos fatos geradores ocorridos nos meses 03/1998, 03/1999 a 10/1999, 12/1999 a 03/2000. 05/2000 a 08/2000, 10/2000 a 08/2001, 10/2001 a 07/2002, 09/2002 a 01/2003, 03/2003, 04/2003, 06/2003 a 09/2003, à multa de oficio de 75% e aos juros de mora calculados até 30/01/2004. 3. Foi relatado pelo Autuante, no quadro "Descrição dos fatos e enquadramento legal" dos Autos de Infração, As fls. 115 e 434, que durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados. 4. Informa o Autuante nos Termos de Verificação e de Intimação Fiscal de fls. 23/24 e 354/355 que: 4.1 A auditoria foi iniciada com o Termo de Inicio de Fiscalização (fls. 04 e 335), no qual a Contribuinte foi intimada a apresentar a Planilha "INFORMAÇÕES RECEITA FEDERAL", com as receitas auferidas nos últimos cinco anos; 4.2 Tais informações foram entregues à fiscalização e anexadas aos autos deste processo (fls. 05/22 e 336/353); 4.3 Com base nessas informações, foram apurados os valores da Contribuição para o PIS e da Cofins, e comparados com os valores das mesmas contribuições declarados nas DCTF correspondentes, entregues pela Contribuinte à Receita Federal; 4.4 Foram elaboradas as planilhas "DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA" (fls. 25/36 e 356/367), anexadas aos presentes Termos; 4.5 Nessas planilhas, são comparados os valores constantes na COLUNA 1 — "Principal/Valores Apurados pelo AFRF" (apurados com base nas informações fornecidas pela Contribuinte), com os valores da COLUNA 2 "Débitos Declarados" (em DCTF); e 4.6 As diferenças apontadas entre as colunas ‘1’ e ‘2’constam na coluna "IMPOSTO/CONTRIBUIÇAO" no campo "DIFERENÇAS APURADAS PELO AFRF", nas citadas planilhas. 5. Nesses mesmos Termos a Contribuinte foi intimada a apresentar Darf, assim como eventuais DCTF ou Ações Judiciais que pudessem comprovar as diferenças nos recolhimentos acusadas na coluna "IMPOSTO/CONTRIBUIÇÃO" do campo "DIFERENÇAS APURADAS PELO AFRF", constantes das planilhas em anexo. Foi, ainda, esclarecido que: Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.079 4 5.1 Os valores eventualmente a serem autuados, pela lavratura de auto de infração decorrente pelo não recolhimento da integralidade das contribuições declaradas, terão como base de cálculo os valores constantes na última coluna das planilhas citadas, os quais decorrem os valores das contribuições apontadas na coluna contígua a esta, ambas as colunas pertencentes ao campo "DIFERENÇAS APURADAS PELO AFRF"; 5.2 A Coluna "2" (Créditos Apurados) das mesmas planilhas, serão completadas pelas comprovações a serem efetuadas pela Contribuinte, mediante a apresentação dos elementos intimados. Tais créditos serão deduzidos diretamente dos valores constantes da coluna "IMPOSTO/CONTRIBUIÇÃO" do campo "DIFERENÇAS APURADAS PELO AFRF", reduzindo na mesma proporção, as eventuais autuações; e 5.3 Caso houvesse concessão de liminar judicial que autorizasse/suspendesse o recolhimento das contribuições em tela, faziase necessário para a sua comprovação, a apresentação da petição inicial, as decisões judiciais proferidas e o andamento atualizado destes eventuais processos. 6. Foram apresentadas pela Contribuinte As fls. 40/95 e 371/413 cópias de DCTF, Darf e da DIPJ 1999/1998. 7. Considerando as informações constantes na documentação trazida pela Contribuinte, foram elaboradas novas planilhas "DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA" (fls. 98/103 e 416/421). Os valores referentes As diferenças apontadas nos recolhimentos da Contribuição para o PIS e da Cofins, e As suas respectivas bases de calculo, constam informados no campo "DIFERENÇAS APURADAS PELO AFRF", e são objeto dos Autos de Infração em questão, conforme relatado pelo Autuante nos Termos de Verificação Fiscal de fls. 104/105 e 422/423 que integram os referidos Autos. 8. Os dispositivos legais infringidos constam da "Descrição dos fatos e enquadramento legal", de fls. 117 e 436 dos referidos Autos de Infração. 9. Cientificada em 18/02/2004 (fls. 114 e 433), a Interessada ingressou, em 19/03/2004, com as impugnações de fls. 125/147 e 439/461, nas quais alega que: 9.1 As infrações mencionadas em ambos os autos não ocorreram, em primeiro lugar porque dentre os valores apontados como diferença apurada estão incluídas importâncias de COFINS e PIS já retidas e recolhidas por órgãos da administração pública federal, e, ainda, porque o restante do numerário apontado como diferença se refere a valores resultantes de variações cambiais realizadas; 9.2 Os Autos de Infração impugnados não contém a descrição do fato que faz gerar a obrigatoriedade do pagamento do tributo. Tal descrição corresponde A própria motivação do ato, ou seja, Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.080 5 a descrição do motivo da prática do ato. 0 ato administrativo que não possua tal motivação é ato administrativo nulo, pois sua ausência corresponde a vicio de tal gravidade que não permite sua convalidação; 9.3 Apesar do exposto, ainda que não seja esse o entendimento da Autoridade Julgadora, mostrase necessária a realização de diligências complementares para que a autuação possa ser adequadamente julgada; 9.4 A Autoridade Fiscal sequer reconheceu que dentre as diferenças apontadas incluemse receitas que já se sujeitaram A retenção das contribuições exigidas, por se tratarem de receitas decorrentes de vendas/serviços realizados a pessoas da administração pública federal; 9.5 Outra parte das diferenças apontadas pela Ilustre Autoridade Fiscal é composta de receitas financeiras, principalmente de receitas cambiais, que não podem se sujeitar A incidência das contribuições nos termos do que sera demonstrado; 9.6 Latente a necessidade de serem realizadas diligências complementares no caso, com o fim de compor o valor da diferença apontada pela Ilustre Autoridade Fiscal, o que só então permitirá que seja confirmada que dentre as diferenças estão incluídas receitas já sujeitas A retenção das contribuições, bem como que dentre as diferenças estão incluídas principalmente receitas cambiais; 9.7 Desta forma, antes mesmo do julgamento da primeira instância administrativa, devem ser realizadas diligências com o intuito de atestar o ora afirmado, sendo realizada a composição da origem das receitas que originaram a diferença apontada pela Autoridade Fiscal; 9.8 Também, nessa fase administrativa, deve ser realizada perícia com o intuito de comprovar o alegado, inclusive com a apresentação de respostas aos quesitos que são ao final apresentados; 9.9 Em relação às diferenças apuradas pelo Agente Fiscal por não ter considerado as retenções realizadas pelas pessoas da administração pública federal, compete ressaltar que: 9.9.1 Realizando vendas e prestações de serviços a pessoas da administração pública federal, se sujeita a Impugnante, por ocasião do recebimento de seu preço, à retenção prevista no art. 64 da Lei n° 9.430/96; 9.9.2 Com o objetivo de comprovar o exposto, anexa a Impugnante, listagem dos anos de 1999 até 2003, na qual consta a razão social da pessoa retentora dos tributos, a data de retenção, a nota fiscal que consigna a operação realizada, e ainda, a base de cálculo das contribuições bem como os valores Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.081 6 das mesmas que foram retidos (doc. VIII, fls. 283/300 e 597/614); 9.9.3 A documentação que embasa a referida listagem está sendo providenciada pela ora Impugnante, sendo requerido o prazo suplementar de 30 dias para sua juntada. 0 prazo suplementar mostrase necessário por pretender a Impugnante realizar a juntada além das notas fiscais referentes As vendas/serviços prestados, também dos comprovantes dos recebimentos dos valores com a dedução dos tributos retidos; 9.9.4 Em relação à documentação referida na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 23/2001, revogada pela 94/2003,ou seja, o comprovante anual de retenção referido no art. 21, observase que, na realidade, as pessoas da administração pública federal, apesar de insistentes solicitações da ora Impugnante, não disponibilizam tal documento. Nem mesmo o DARF, que também atesta o recolhimento, é disponibilizado por tais pessoas, restando assim A Impugnante, realizar a comprovação do alegado na forma especificada anteriormente; 9.10 Em relação às diferenças decorrentes de receitas financeiras, cabe observar que: 9.10.1 A receita financeira ou receita derivada de aplicações/operações financeiras, apesar de tratarse de receita operacional, não está incluída no conceito de receita bruta de venda de bens e serviços; 9.10.2 Sendo a base de cálculo do PIS e da Cofins apenas o faturamento, definido como receita bruta da venda de bens e serviços, as outras receitas que não a integrem jamais poderiam integrar esta base de calculo; 9.10.3 A Lei n°9.718/1998, contraria a definição existente de faturamento, qual seja, a "receita da venda de bens e/ou serviços". Na tentativa de dar novo significado A expressão, desloca por completo seu conceito restrito e sedimentado em norma constitucional, calçada em significação fornecida pelo direito privado e reconhecida inclusive pelo Poder Judiciário, e incorre, pois, em inconstitucionalidade; 9.10.4 Além de contrariar o texto constitucional, a Lei n° 9.718/1998, também contraria o art. 110 do Código Tributário Nacional, recepcionado com força de Lei Complementar; 9.10.5 0 surgimento posterior da Emenda Constitucional n° 20/1998, não tornou a Lei n° 9.718/1998, no que se refere A previsão de faturamento como totalidade das receitas, constitucional. A Lei é inconstitucional desde o momento de sua edição, face As disposições da Constituição aplicáveis naquele momento. Uma norma inconstitucional não deixa de sela apenas porque num instante futuro a constituição é alterada; Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.082 7 9.10.6 Jamais lei ordinária poderia alterar o conceito pressuposto de faturamento para incluir nele outras realidades. Primeiro porque contrario à Constituição e segundo, que ainda que estivesse de acordo com os dispositivos constitucionais, não seria veiculo normativo adequado para dispor desta forma, uma vez que, haveria a necessidade de outra lei complementar; 9.10.7 Desta forma, demonstrase mais uma vez inconstitucional a Lei n° 9.718/1998, por extrapolar sua possibilidade de regulamentação, tratando de matéria reservada A Lei Complementar; 9.10.8 No que se refere As diferenças apontadas pela Ilustre Autoridade Fiscal, objeto das autuações realizadas, além de se referirem a receitas financeiras, referemse ainda, em sua maior parte, a um grupo especifico de receitas financeiras, quais sejam, as receitas cambiais. Essas receitas jamais podem estar incluídas no conceito de "faturamento"; 9.10.9 0 resultado decorrente de uma variação cambial, ainda que positivo, não gera, necessariamente, uma verdadeira receita no momento da liquidação de determinado contrato que tenha sido firmado em moeda estrangeira. De acordo com o que determina a Lei n° 9.718/1998, tal variação cambial positiva, tratandose de receita financeira, se sujeita A incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins, apesar de não gerar, necessariamente, verdadeira receita no momento de liquidação do empréstimo, como na hipótese do real se desvalorizar perante a moeda estrangeira; 9.10.10 A própria Receita Federal, reconheceu a total falta de razoabilidade de tal sujeição tributária. Nesse sentido, através do art. 30 da MP 1.858/99, passou a dispor que a partir de 17/01/2000 as variações monetárias em função da taxa de câmbio seriam consideradas a partir da liquidação da correspondente operação, tal determinação, porém, deveria ser aplicada não só na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins, mas também do IR e da CSSL, o que poderia ocasionar perdas aos contribuintes; 9.10.11 Desse modo, sendo ilegítima a tributação, pela Cofins e pela Contribuição para o PIS, da mera variação cambial, nada impede que empresa opte, como sempre fez e de acordo com os parágrafos 1 0 e 2° do artigo 30 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001, pela apuração das variações monetárias pelo regime de competência, deduzindo as variações negativas nas bases de cálculo da CSLL e do IRPJ, sem que ofereça A tributação pela Cofins e pela Contribuição para o PIS, todavia, as variações monetárias positivas; 9.10.12 Não se vislumbre nesse comportamento qualquer contradição, já que a empresa não está utilizando simultaneamente o regime de competência para o IRPJ e a CSLL e o de caixa para a Cofins e a Contribuição para o PIS, mas apenas o regime de competência para todos esses tributos, Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.083 8 recusandose, no entanto, a pagar Cofins e Contribuição para o PIS sobre algo que não constitui renda; e 9.10.13 Desse modo agiu a ora Impugnante, deixando de oferecer as variações monetárias positivas A tributação pela Cofins e pela Contribuição para o PIS; 9.11. Por todas as razões de fato e de direito acima expostas, requer a ora Impugnante que seja acolhida a presente impugnação, sendo julgados nulos os Autos de Infração ora impugnados, ou que alternativamente, caso não seja esse o entendimento, sejam os mesmos julgados insubsistentes, na sua integralidade, com o cancelamento dos débitos fiscais impostos através dos mesmos, reconhecendose a inocorrencia das infrações apontadas; e 9.12 Requer ainda, na forma do inciso IV, do art. 16, do Decreto 70.235/72, que sejam realizadas diligências complementares e ainda perícia sobre a documentação comprobatória do alegado, principalmente no que tange A retenção das contribuições pelas pessoas da administração pública federal, sendo que, desde já requer o prazo de 30 dias para a juntada da documentação complementar referente a esse assunto. 10. Em 16/04/2004 (fl. 629), a Impugnante apresentou a documentação constante dos anexos I a VI, com a qual pretende comprovar as alegadas retenções. 11. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. 12. Foram por mim anexadas, As fls. 635 a 729, cópias das DIPJ 2000/1999, 2001/2000, 2002/2001, 2003/2002 e 2004/2003. 13. Por meio da RESOLUÇÃO DRJ/RJOII N° 099, de 26 de março de 2008, (fls. 730 a 737), esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. 14. O resultado da diligência foi consignado no "Termo de encerramento de Diligência Fiscal", anexado As fls. 916 a 927. 15. Cientificada do resultado da diligência em 12/07/2010, a Impugnante sobre ele se manifestou as fls. 945/946. Sobreveio decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II/RJ, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/1998 a 30/09/2003 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Tendo sido o auto de infração lavrado em estreita obediência aos ditames da norma processual regente, dando total condição Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.084 9 ao impugnante de expressar plenamente sua inconformidade com a exigência nele efetuada, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa muito menos na nulidade do procedimento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. As argüições de inconstitucionalidade não são oponiveis na esfera administrativa, incumbindo ao Poder Judiciário apreciá las. Ê vedado aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nos casos de existência de decisão em processo judicial em que a Interessada faça parte, ou na ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 26A, § 6°, incisos I e II, do Decreto n° 70.235, de 1972. Na hipótese do inciso I, o sentido de "decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal" deve ser concebido apenas como decisão que tenha por lei o atributo de valer "para todos". PIS/COFINS. BASE DE CALCULO. LEI N°9.718, DE 1998, ART. 3°, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. EFEITOS INTER PARTES. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do § 1 ° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, nos termos do art. 472 do Código de Processo Civil CPC (Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973), eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1998 a 30/11/2002 FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento em relação aos valores não recolhidos. DECADÊNCIA. PIS. SÚMULA VINCULANTE N°8 DO STF. Afastada a aplicação do disposto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91 com a publicação da Súmula Vinculante n° 8 do STF, é de se considerar, no que diz respeito ao prazo para constituição de crédito tributário referente Contribuição para o PIS e Cofins, o estabelecido pelo § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. PIS. BASE DE CALCULO. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.085 10 As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações em função da taxa de câmbio deverão ser computadas na determinação da base de calculo da Contribuição para o PIS e da COFINS, na condição de, receitas financeiras, devendo tais receitas ser reconhecidas pelo regime de competência se esse for o regime adotado para apuração do IRPJ e da CSLL. PIS. RETENÇÕES EFETUADAS POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Somente serão consideradas as retenções devidamente comprovadas por meio do comprovante anual de retenção fornecido pelo órgão ou entidade que efetuou a retenção à pessoa jurídica beneficiária do pagamento, ou, alternativamente, da cópia impressa do Dad, desde que este contenha, no campo destinado a observações, o valor pago, correspondente ao fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1998 a 30/09/2003 FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de recolhimento da Cofins no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento em relação aos valores não recolhidos. DECADÊNCIA. COFINS. SÚMULA VINCULANTE N°8 DO STF. Afastada a aplicação do disposto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91 com a publicação da Súmula Vinculante n° 8 do STF, é de se considerar, no que diz respeito ao prazo para constituição de crédito tributário referente à Contribuição para o PIS à Cofins, o estabelecido pelo § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. COFINS. BASE DE CALCULO. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL. As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações em função da taxa de câmbio deverão ser computadas na determinação da base de calculo da Contribuição para o PIS e da COFINS, na condição de, receitas financeiras, devendo tais receitas ser reconhecidas pelo regime de competência se esse for o regime adotado para apuração do IRPJ e da CSLL. COFINS. RETENÇÕES EFETUADAS POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Somente serão consideradas as retenções devidamente comprovadas por meio do comprovante anual de retenção fornecido pelo órgão ou entidade que efetuou a retenção à pessoa jurídica beneficiária do pagamento, ou, alternativamente, Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.086 11 da cópia impressa do Darf, desde que este contenha, no campo destinado a observações, o valor pago, correspondente ao fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Foram submetidas a apreciação deste conselho duas questões, quais sejam a possibilidade de tributação das receitas financeiras e o reconhecimento das retenções realizadas por órgãos públicos. Das receitas financeiras As receitas financeiras percebidas pela recorrente foram incluída na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apuradas no regime cumulativo. Tais valores, notadamente, constituem receita não operacional da pessoa jurídica, posto não serem fruto direto da alienação de um bem ou serviço relacionado à atividade fim da sociedade empresária Em relação ao tema, esclarecese que até o advento da Lei 9.718/1998, a base de cálculo da Cofins correspondia à receita bruta decorrente da venda de bens, de serviços ou de bens e serviços (conceito de faturamento), nos termos do artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Com a publicação da Lei nº 9.718/98, artigos 2º e 3º, a base de cálculo do tributo foi ampliada, de forma a alcançar toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida e da classificação contábil das receitas: Art.2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.087 12 Art.3º.O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Segundo tais dispositivos, as receitas financeiras enquadramse no conceito estabelecido pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, haja vista a base de cálculo do tributo atingir a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Tal dispositivo, contudo, foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B): EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria,aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Esta decisão enquadrase à hipótese prevista pelo caput do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.088 13 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, diante da inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo da Cofins apurada no regime cumulativo compreende o faturamento mensal da pessoa jurídica nos termos do artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91, correspondendo este a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Assim sendo, como as receitas não operacionais não compõem a base de cálculo do tributo, os valores lançados incidentes sobre as receitas financeiras percebidas pela recorrente devem ser cancelados. Das retenções realizadas por órgãos públicos Em relação às retenções promovidas pelos órgãos públicos, dada a propriedade com que a matéria foi tratada pela decisão recorrida, transcrevo abaixo trecho do seu voto condutor, ao qual adoto como razão de decidir neste processo: 71. Alega a Impugnante ter o Auditor, quando da apuração das diferenças não recolhidas, desconsiderado as compensações por ela efetuadas com crédito oriundo de retenções efetuadas da Contribuição para o PIS e da Cofins incidentes sobre receitas decorrentes de vendas efetuadas e serviços prestados a órgãos públicos. 72. A fim de comprovar suas alegações, anexou aos autos planilha de fls. 283/300 e 597/614 contendo listagem dos anos de 1999 até 2003, na qual consta a razão social da pessoa retentora dos tributos, a data de retenção, a nota fiscal que consigna a operação realizada, e ainda, a base de calculo das contribuições bem como os valores das mesmas que foram retidos. 73. Para respaldar as informações fornecidas na referida planilha apresentou a documentação constante dos Anexos I a VI. 74. Cabe observar que as informações sobre as compensações efetuadas com crédito referente a retenções por órgãos públicos já tinham sido fornecidas pela Contribuinte nas DIPJ correspondentes (fls. 635 a 729), antes de lavrados os Autos de Infração em questão. Ainda assim, tais informações não foram consideradas e nem questionadas pelo Autuante durante o procedimento fiscal. A Contribuinte, por sua vez, também não faz menção as referidas retenções quando intimada, durante o procedimento fiscal, a esclarecer a razão das diferenças apuradas pelo Autuante entre os valores devidos das Contribuições, por ele apurados, e os recolhidos/declarados pela Contribuinte. 75. Do exame da documentação apresentada verificase que, não obstante esta comprovar a informação de que a Impugnante efetuara vendas e prestara serviços a pessoas da administração pública federal, mostrase insuficiente para comprovar a efetivação das retenções informadas nas planilhas de fls. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.089 14 283/300 e 597/614, visto que a Impugnante deixou de apresentar os comprovantes das retenções efetuadas nos anoscalendário de 1999 a 2003, pelas fontes pagadoras constantes dessas planilhas, alegando que as pessoas da administração pública federal, apesar de insistentes solicitações, não disponibilizaram tais documentos. 76. Além disso, cabe acrescentar que também não foi anexada aos autos a documentação contábil que pudesse comprovar a efetivação das compensações de crédito oriundo das retenções informadas com débitos referentes à Contribuição para o PIS e à Cofins, conforme informado nas planilhas de fls. 263/282 e 577/596. 77. Em vista do relatado, considerando a presença de fortes indícios de existência de valores referentes à Contribuição para o PIS e à Cofins retidos na fonte por órgãos públicos, e por não se encontrarem reunidos nos autos os elementos necessários solução do litígio, o processo foi encaminhado à DEFIC/SPO para que: 77.1 Fosse verificado se consta do cadastro de informações fornecidas RFB declaração das fontes pagadoras discriminadas na listagem de fls. 283/300 e 597/614 de que teriam efetuado as referidas retenções; 77.2 Caso tal declaração não conste do cadastro de informações fornecidas RFB, a Contribuinte fosse intimada a apresentar todos os comprovantes das retenções efetuadas nos anos calendário de 1999 a 2003, pelas fontes pagadoras constantes das listagens de fls. 283/300 e 597/614, devendo, caso fossem apresentados em cópias, serem essas autenticadas pelo fiscal designado para efetuar a diligência; 77.3 De posse dos comprovantes acima mencionados, fosse verificado se esses lastreiam as informações fornecidas nas planilhas de fls. 283/300 e 597/614; e 77.4 Em se confirmando as informações fornecidas nas referidas planilhas, seja verificado, mediante diligência no domicilio fiscal da Contribuinte e a vista da documentação contábil e fiscal desta, se foi efetuada a compensação dos valores retidos das Contribuições com débitos dessas mesmas Contribuições, conforme informado nas planilhas de fls. 263/282 e 577/596 e se a operação foi registrada em sua contabilidade. 78. O resultado da diligência foi consignado no "Termo de encerramento de Diligência Fiscal", anexado As fls. 916 a 927, no qual consta que: 78.1 Em atendimento ao solicitado no procedimento de diligência, a empresa reapresentou novas planilhas, anexadas As fls. 10 a 32 do ANEXO VI do presente PAF, acompanhadas pelos seus arquivos magnéticos, incluindo a indicação e a escrituração dos livros razão; Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.090 15 78.2 Nessas planilhas, os valores retidos foram agrupados para cada CNPJ dos órgãos retentores, classificados em ordem crescente, o que facilitou a conciliação com as Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, na verificação da retenção da Contribuição para o PIS e da Cofins; 78.3 Os valores informados como retidos foram escriturados nos livros Razão, anexados as fls. 33 a 208 do ANEXO VI; 78.4 Para cada CNPJ buscouse nos registros da SRF, (Sistema: RESUMO DO BENENFICIARIOS/DETALHAMENTO MENSAL DIRFRO06), as Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, estando a ZEISS como beneficiária, para os anos impugnados. Essas DIRF foram anexadas as fls. 02 a 197 do ANEXO VII do presente processo; 78.5 As planilhas "PIS comparação entre os valores escriturados e declarados em DIRF / por ordem crescente de CNPJ", anexadas as fls. 776 a 803 do processo, apresentam a diferença (coluna 19), entre os valores retidos pelos órgãos governamentais e os escriturados pela ZEISS (coluna 7); 78.6 Foram destacados, os lançamentos na cor cinza, nas linhas compreendidas entre os campos das colunas 7 a 19, em que não consta a DIRF, nos registros da SRF, com a retenção para os lançamentos escriturados; 78.7 As planilhas "PIS comparação entre os valores escriturados e declarados em DIRF / por ordem cronológica", anexadas as fls. 804 a 845 do processo, apresentam o comparativo entre os valores retidos da Contribuição para o PIS escriturados pela ZEISS e os retidos pelos órgãos governamentais, ordenados em ordem cronológica, com subtotais mensais, permitindo a comparação direta com as planilhas de fls. 283 a 300; 78.8 Existe uma grande quantidade de lançamentos escriturados sem contra partida dos valores declarados' em DIRF pelos órgãos retentores. Dai se explica, conforme se verifica nestas planilhas, que os valores declarados como retidos são quase sempre inferiores aos escriturados; 78.9 A última coluna das planilhas de fls. 804 a 845, apresenta os totais mensais não comprovados da retenção da Contribuição para o PIS; 78.10 As planilhas "COFINS comparação entre os valores escriturados e declarados em DIRF / por ordem crescente de CNPJ", anexadas As fls. 846 a 873 do processo, apresentam a diferença (coluna 23), entre os valores retidos pelos órgãos governamentais e os escriturados pela ZEISS (coluna 9); 78.11 Foram destacados, os lançamentos na cor cinza, nas linhas compreendidas entre os campos das colunas 9 a 23, em que não consta a DIRF com a retenção para os lançamentos escriturados; Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.091 16 78.12 As planilhas "COFINS comparação entre os valores escriturados e declarados em DIRF / por ordem cronológica", anexadas às fls. 874 a 914 do processo, apresentam o comparativo entre os valores da COFINS escriturados pela ZEISS e os retidos pelos órgãos governamentais, ordenados em ordem cronológica, com subtotais mensais de modo a se poder comparar diretamente com as planilhas de fls. 597 a 614; 78.13 Existe uma grande quantidade de lançamentos escriturados sem contra partida de valores declarados em DIRF pelos órgãos retentores. Dai se verifica nestas planilhas que os valores declarados como retidos são quase sempre inferiores aos escriturados; 78.14 A ultima coluna das planilhas de fls. 874 a 914, apresenta os totais mensais não comprovados da retenção da COFINS; 78.15 As planilhas de fls. 283 a 300 e 597 a 614 apresentam alguns erros em seus subtotais mensais, sendo, contudo, considerado sua correção nas análises efetuadas. Tais erros apontados são decorrentes pela não inclusão, no calculo dos subtotais mensais, dos primeiros valores dos lançamentos, nos períodos aqui relacionados; 78.16 As fls. 158 a 201 do ANEXO VII, foram anexadas as declarações de retenção na fonte por órgãos governamentais fornecidas à ZEISS, e por ela apresentadas durante o procedimento de diligencia; 78.17 Todos os valores constantes nas declarações de retenções apresentadas pela ZEISS, estão nos registros pesquisados nas DIRF da SRF, sem qualquer alteração. Portanto a análise para comprovação dos lançamentos escriturados foi efetuada a partir dos valores pesquisados das DIRF; 78.18 Os documentos comprobatórios analisados (DIRF pesquisadas nos sistemas da SRF, e declarações de retenção fornecidas pela ZEISS), estão todos escriturados; 78.19 A escrituração da retenção da Contribuição para o PIS é efetuada pela conta 2.13.30.4 / "PIS A RECOLHER" e a da retenção da Cofins, pela conta 2.13.30.5/"COFINS A RECOLHER", até setembro de 2000, posteriormente, a escrituração passou a ser efetuada nas contas: 1.5.4.03.20 PIS RETIDO ÓRGAOS GOVERNAMENTAIS e 1.5.4.03.21 COFINS RETIDA ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS, em razão de novo plano de contas da empresa. As cópias do Livro Razão, foram anexadas As fls. 33 a 208 do Anexo VI; 78.20 Todos os valores informados como retidos da Contribuição para o PIS e da Cofins, comprovados e não comprovados, foram compensados com os valores devidos dessas contribuições nos meses em que foram efetuadas as referidas retenções; Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.092 17 78.21 A escrituração da compensação de recolhimentos a maior da Contribuição para o PIS é efetuada pela conta 2.13.30.4/ "PIS A RECOLHER", e da Cofins, pela conta 2.13.30.5/ "COFINS A RECOLHER", até setembro de 2000, sendo então alteradas para as contas 2.6.3.02.03 PIS e 2.6.3.02.04 COFINS, em razão de novo plano de contas da empresa. A cópia das folhas destas escriturações nos livros razão, são anexadas As fls. 33 a 208 do Anexo VI; 78.22 As planilhas de fls. 263 a 282 e 577 a 596, apresentam o campo "Valor compensado com recolhimentos anteriores a maior", no qual a ZEISS informou a compensação da Contribuição para o PIS e da Cofins, de mesma natureza, por ter efetuado recolhimentos indevidos, pela venda de serviços ao exterior (exportação de serviços), efetuadas no período de janeiro/1995 a fevereiro/1999, imune, portanto, As respectivas contribuições e devidamente declarados em DCTF, conforme esclarecimento por escrito prestado pela empresa, anexado A fl. 915 do processo; 78.23 Em relação As compensações efetuadas da Contribuição para o PIS, somente não estão escriturados os valores referentes a junho de 1999, novembro de 2001 e dezembro de 2002; 78.24 Os valores das compensações efetuadas da Cofins foram todos escriturados; e 78.25 Em janeiro de 2003, houve compensações com tributos de natureza diferentes: foi efetuada a compensação da Contribuição para o PIS, no valor de R$ 12.079.44, com o saldo negativo do IRPJ; e foi efetuada a compensação da Cofins, no valor de R$ 22.901,11, com o saldo negativo da CSLL. 79. Cientificada do resultado da diligência em 12/07/2010 (fl. 927), a Impugnante sobre ele se manifestou As fls. 945/946, alegando, em relação às compensações efetuadas em janeiro de 2003, que: 79.1 O valor da Contribuição para o PIS (R$ 12.079,44) foi compensado com saldo negativo do IRPJ (pago a maior em 2002), conforme registrado no livro razão de 2003, vol 3/6, página 939; 79.2 O valor da Cofins (R$ 23.028,78) foi compensado, parte (RS 22.901,11) com saldo negativo da CSLL (pago a maior em 2002) e parte (R$ 127.68) com saldo negativo do IRPJ (pago a maior em 2002), conforme registrado no livro razão de 2003, vol 3/6, página 982; e 79.3 Essas compensações foram efetuadas com base no art. 74 da Lei n° 9.430/1996, com as alterações introduzidas pelos art. 49 da Lei n° 10.637/2002, art. 17 da Lei n° 10.833/2003 e art. 40 da Lei 11.051/2004, que permite ao sujeito passivo que apurar crédito, inclusive judiciário com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, utilizálo Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.093 18 na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições, administrados por aquele órgão. 80. Diante do resultado da diligência solicitada, é de se acatar parcialmente as compensações efetuadas pela Contribuinte de valores da Contribuição para o PIS e da Cofins oriundos de retenção efetuada na forma prevista no art. 64 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme será visto a seguir. 81. De plano, cabe esclarecer que, à época em que foram efetuadas as retenções vigiam a Instrução Normativa SRF/STN/SFC n° 23, de 2 de março de 2001, e a IN SRF/SFC/STN n° 294, de 4 de fevereiro de 2003, que dispunham sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados, a pessoas jurídicas, por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal, prevista no art. 64 da Lei n° 9.430/1996. Essas Instruções Normativas estabeleciam em seu art. 5 0 que os valores retidos na forma nelas disposta poderiam ser compensados, pelo contribuinte, com o imposto e contribuições de mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. 82. Assim, o que se tem a verificar é se restou comprovada nos autos a existência dos créditos referentes às retenções efetuadas e se esses créditos foram utilizados na compensação dos débitos conforme informado pela Contribuinte nas planilhas de fls. 263 a 282 e 577 a 596. 83. No procedimento de diligência foi verificado que as compensações informadas nas planilhas de fls. 263 a 282 e 577 a 596 com valores da Contribuição para o PIS e da Cofins retidos por órgãos públicos foram parcialmente comprovadas por meio das DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras à RFB, pelos comprovantes anuais de retenção apresentados pela Impugnante e pela escrituração contábil anexada ao processo. 84. Os valores comprovados foram consolidados nas planilhas de fls. 805 a 845 (PIS) e 875 a 914 (Cofins). Os valores informados como retidos, escriturados, mas não comprovados pela Impugnante serão desconsiderados neste julgado. 85. De acordo com o disposto no Decreto n° 70.235/1972, artigos 15 e 16, caberia A Impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dessem a elas força probante. Eis o que diz a norma: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 'Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.0 da Lei n.° 8.748/1993)" (Grifouse) Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.094 19 86. Do exame das informações consolidadas nas planilhas de fls. 805 a 845 referentes às retenções da Contribuição para o PIS, verificase que: 86.1 Nos meses 12/2000, 10/2001 e 04/2002, os valores escriturados como compensados (coluna "PIS retido escriturado"), são menores que os informados nas DIRF (coluna "PIS total"), ou seja, as compensações foram integralmente comprovadas, devendo ser considerados nas compensações os valores escriturados como compensados, extinguindo parcialmente crédito tributário lançado; 86.2 No mês 02/2000, o valor escriturado como compensado (coluna "PIS retido escriturado"), é igual ao informado na DIRF (coluna "PIS total") e maior que o valor lançado, ou seja, a compensação limitarseá ao valor lançado, extinguindo o crédito tributário lançado na sua integralidade; 86.3 No mês12/2001, o valor escriturado como compensado (coluna "PIS retido escriturado"), é menor que o informado na DIRF (coluna "PIS total") e maior que o valor lançado, ou seja, a compensação limitarseá ao valor lançado, extinguindo o crédito tributário lançado na sua integralidade; 86.4 Nos meses 08/2001, 10/2002 e 11/2002, os valores escriturados como compensados (coluna "PIS retido escriturado"), são maiores que os comprovados informados na DIRF (coluna "PIS total") que por sua vez são maiores que os valores lançados, ou seja, as compensações serão limitadas aos valores lançados, extinguindo os créditos tributários lançados na sua integralidade; e 86.5 Nos demais meses os valores escriturados como compensados (coluna "PIS retido escriturado"), são maiores que os comprovados informados nas DIRF que por sua vez são menores que os valores lançados, ou seja, as compensações serão limitadas aos valores informados nas DIRF (coluna "PIS total"), extinguindo parcialmente os créditos tributários lançados. (grifo nosso) Assim sendo, tendo em vista que todas as retenções de tributos comprovadas foram excluídas deste auto de infração, não merece acolhida o recurso voluntário neste ponto. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que sejam excluídos os tributos incidentes sobre receitas financeiras, devendo ser mantido os demais valores exigidos. Relator Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.000345/200423 Acórdão n.º 3201002.167 S3C2T1 Fl. 1.095 20 Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13799.720164/2014-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. IPTU. DEDUÇÃO DO VALOR PAGO.
Restando comprovado, por documentos bancários, guias de pagamento, contratos e registros imobiliários juntados aos autos, ter o contribuinte assumido o encargo do IPTU incidente sobre os imóveis de sua propriedade, pode ser o montante correspondente deduzido dos rendimentos de aluguéis recebidos no curso do respectivo ano-calendário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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IPTU. DEDUÇÃO DO VALOR PAGO. Restando comprovado, por documentos bancários, guias de pagamento, contratos e registros imobiliários juntados aos autos, ter o contribuinte assumido o encargo do IPTU incidente sobre os imóveis de sua propriedade, pode ser o montante correspondente deduzido dos rendimentos de aluguéis recebidos no curso do respectivo anocalendário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 79 9. 72 01 64 /2 01 4- 73 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13799.720164/201473 Acórdão n.º 2402005.311 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE) DRJ/FOR, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), alterando o saldo de imposto de renda a restituir do anocalendário 2012 de R$ 4.282,16 para o montante de R$ 2.759,73 (fls. 26/29), face à apuração de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física no valor de R$ 5.536,11. A contribuinte, em sua impugnação (fls. 2/24), afirmou que não houve omissão de rendimentos, pois o montante apurado pela fiscalização diz respeito ao IPTU dos imóveis alugados, cujo ônus foi dela, e não da locatária. Aduziu, ainda, que o valor foi pago através de cheque de sua conta corrente, em 14/3/2014. A instância de primeiro grau manteve a exigência (fls. 37/41), sob o entendimento, em síntese, de que os documentos carreados na impugnação não suportavam, com segurança, a versão dos fatos conforme narrada pela recorrente. O recurso voluntário foi interposto em 2/10/2014 (fl. 50/235), repisando as razões da impugnação e juntando novos documentos. É o relatório. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Reza o art. 49 do RIR/99 (Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000/99): Art.49.São tributáveis os rendimentos decorrentes da ocupação, uso ou exploração de bens corpóreos, tais como (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 3º,Lei nº 4.506, de 1964, art. 21, eLei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º): Iaforamento, locação ou sublocação, arrendamento ou subarrendamento, direito de uso ou passagem de terrenos, seus acrescidos e benfeitorias, inclusive construções de qualquer natureza; (...) §1ºConstitui rendimento tributável, na declaração de rendimentos, o equivalente a dez por cento do valor venal de imóvel cedido gratuitamente, ou do valor constante da guia do Imposto Predial e Territorial UrbanoIPTU correspondente ao anocalendário da declaração, ressalvado o disposto noinciso IX do art. 39(Lei nº 4.506, de 1964, art. 23, inciso VI). §2ºSerão incluídos no valor recebido a título de aluguel os juros de mora, multas por rescisão de contrato de locação, e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento, inclusive atualização monetária. Art.50.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, no caso de aluguéis de imóveis (Lei nº 7.739, de 16 de março de 1989, art. 14): Io valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; II o aluguel pago pela locação de imóvel sublocado; III as despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento; IV as despesas de condomínio. Art.51.É obrigatória a emissão de recibo ou documento equivalente no recebimento de rendimentos da locação de bens móveis ou imóveis (Lei nº8.846, de 21 de janeiro de 1994, art. 1ºe §1º). Parágrafo único.O Ministro de Estado da Fazenda estabelecerá, para os efeitos deste artigo, os documentos equivalentes ao Fl. 242DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13799.720164/201473 Acórdão n.º 2402005.311 S2C4T2 Fl. 103 5 recibo, podendo dispensálos quando os considerar desnecessários (Lei nº 8.846, de 1994, art. 1º, §2º).(grifei) Assim, o locador pode deduzir o valor dos impostos incidentes sobre o imóvel, como IPTU, que tenham sido de seu exclusivo encargo, quando do preenchimento da Ficha "Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas e do Exterior pelo Titular". A DRJ/RJ1 não aceitou as guias de pagamento e os respectivos comprovantes bancários apresentados na impugnação (fls. 6/24), sob a alegação de não terem sido apresentados os contratos de aluguel, bem como os documentos de propriedade dos imóveis identificados naquelas guias (fl. 40). Não obstante, em sede de recurso voluntário, a contribuinte acostou aos autos os contratos demandados (fls. 162/179) e registros imobiliários (fls. 180/221) concernentes aos imóveis consignados nas guias de pagamento do IPTU, restando claro, do exame dos documentos, ser ela proprietária dos referidos, e ter assumido o encargo do tributo em tela. Assim, a dedução do IPTU pago, efetuada pela contribuinte sobre os rendimentos de aluguel em sua DIRPF/2013, tem amparo na legislação de regência, bem como no conjunto probatório coligido no processo. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 13896.722884/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 14 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Entendeu-se que o processo deve ser remetido para a unidade preparadora, a fim de seja formalizado um novo processo administrativo, para o qual deverá ser transferido o crédito tributário decorrente apenas da infração 001 (infração reflexa ao IRPJ), devendo permanecer nos autos a infração à legislação do IPI e o crédito dela consequente. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, relatora, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, que entendiam que a competência para o julgamento era só da Primeira Seção. Designou-se para redigir o voto vencedor o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, presidente. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) José Antônio Valduga, OAB/SC n º 48303.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Entendeu-se que o processo deve ser remetido para a unidade preparadora, a fim de seja formalizado um novo processo administrativo, para o qual deverá ser transferido o crédito tributário decorrente apenas da infração 001 (infração reflexa ao IRPJ), devendo permanecer nos autos a infração à legislação do IPI e o crédito dela consequente. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, relatora, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, que entendiam que a competência para o julgamento era só da Primeira Seção. Designou-se para redigir o voto vencedor o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, presidente. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) José Antônio Valduga, OAB/SC n º 48303. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e redator designado (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo RELATÓRIO
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Entendeuse que o processo deve ser remetido para a unidade preparadora, a fim de seja formalizado um novo processo administrativo, para o qual deverá ser transferido o crédito tributário decorrente apenas da infração 001 (infração reflexa ao IRPJ), devendo permanecer nos autos a infração à legislação do IPI e o crédito dela consequente. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, relatora, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, que entendiam que a competência para o julgamento era só da Primeira Seção. Designouse para redigir o voto vencedor o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, presidente. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) José Antônio Valduga, OAB/SC n º 48303. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e redator designado (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .7 22 88 4/ 20 12 -1 1 Fl. 17123DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 13896.722884/201211 Resolução nº 3201000.695 S3C2T1 Fl. 17.124 2 RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, bem como a DRJ de Ribeirão Preto, tendo em vista recurso de ofício. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões dos Recursos Voluntários ora examinados: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado auto de infração (fls. 16396/16408) pelo fato de o estabelecimento equiparado a industrial ter importado e revendido no mercado interno produtos tributados pelo IPI sem emissão de nota fiscal, em decorrência de omissão de receitas, e também por ter dado saída de produtos sem o destaque de IPI na nota fiscal. O crédito tributário lançado totalizou R$ 187.500.073,35, inclusos juros de mora, multa proporcional (150%) e multa sobre IPI não lançado com cobertura de crédito. A Autoridade Fiscal lavrou um único Termo de Verificação Fiscal para dois Processos Administrativos distintos. O processo nº 13896.722883/201269 traz os Autos de Infração do IRPJ, reflexos sobre a CSLL, o PIS e a COFINS, o presente, processo nº 13896.722884/201211 efetua o lançamento do IPI. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 16332/16389 descreve que as irregularidades na apuração do IPI ocorreram no estabelecimento 85.305.258/000744 do contribuinte, no entanto, estão sendo lançadas contra o estabelecimento matriz da empresa, na condição de sucessor e responsável pelas obrigações tributárias do citado estabelecimento filial, em função da sua extinção em abril de 2009, a par do disposto no art. 132, único, do CTN (Lei 5.172/66 e suas alterações). Consoante a descrição dos fatos do auto de infração (fls. 16398/16400), a fiscalizada incorreu nas seguintes irregularidades: a) saídas a produtos tributados sem lançamento do imposto, apuradas através da constatação de receita de origem não comprovada/omissão de receita; b) saídas a produtos tributados com emissão de notas fiscais sem lançamento do imposto apuradas em diligências; c) saídas a produtos tributados com emissão de notas fiscais sem lançamento do imposto, escrituradas no livro diário e/ou nos livros registro de saídas. Foram arrolados os seguintes sujeitos passivos responsáveis: Komlog Importação Ltda (CNPJ 06.114.935/000185) e Denisson Moura de Freitas (CPF 104.780.79800). A contribuinte foi cientificada do auto de infração, pessoalmente, em 11/12/2012. Os responsáveis Denisson Moura de Freitas e Komlog Fl. 17124DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 13896.722884/201211 Resolução nº 3201000.695 S3C2T1 Fl. 17.125 3 Importação Ltda foram cientificados do lançamento e dos Termos de Sujeição Passiva, por via postal, respectivamente, em 12/12/2012 e 13/12/2012. As impugnações foram apresentadas pela contribuinte e pelos sujeitos passivos arrolados como responsáveis em mesma data de 02/01/2013. Das impugnações: 1) Asia Distribuidora de Utilidades Domésticas Ltda (fls. 16436/16470) Inicialmente, protesta pelo reconhecimento da tempestividade da impugnação. Na seqüência, apresenta uma síntese fática na qual descreve os fatos relatados no Termo de Verificação Fiscal, inclusive, aponta como ponto de discordância o fato da fiscalização proceder lançamento inclusive sobre as notas fiscais com CFOP 6110, referentes a saídas destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não foi apontado nenhum fato que pudesse sugerir que as operações de saídas destinadas à Zona Franca de Manaus não tivessem chegado ao referido destino e, portanto, não poderia a fiscalização proceder ao lançamento das referidas notas, por ofensa à tipicidade cerrada e à verdade material. Prosseguindo, apresenta os seguintes tópicos de preliminar e mérito: a) Da decadência do lançamento do imposto: considerando que a intimação do lançamento foi efetuada apenas em 11 de dezembro de 2012, verificase que o prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN já havia sido superado em mais de 11 meses, o que impõe reconhecer que o crédito lançado de IPI relativamente ao exercício de 2006 está extinto, assim como as multas reflexas; b) Da decadência das multas/penalidades: a contagem do prazo decadencial para o lançamento de multa/penalidade ocorre de modo diverso, tendo como base a data da infração, nos termos do art. 78 da Lei nº 4.502/64: “Art. 78 O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração”. Considerando que a intimação do lançamento ocorreu em 11 de dezembro de 2012, significa dizer que os lançamentos de créditos da "multa proporcional" e da "multa por IPI não lançado com cobertura de crédito" derivados de infrações cometidas antes de 09 de dezembro de 2007 estão todos extintos, face a decadência; c) Da inexigibilidade do IPI na saída das mercadorias do estabelecimento da impugnante: a equiparação entre o importador comerciante e o industrial, conforme prevista em lei, diz respeito apenas ao desembaraço aduaneiro, uma vez que é este o momento da entrada da mercadoria acabada no circuito econômico. Sendo assim, não poderá ocorrer uma nova equiparação posterior, tal qual defende o Fisco, tendo em vista que quando a mercadoria sai do estabelecimento comercial para consumo temse apenas a circulação de um produto acabado, inexistindo novo fato gerador (industrialização/aperfeiçoamento) capaz de ensejar a incidência de nova tributação. Desta feita, a Impugnante não é sujeito passivo do IPI nos moldes apresentados pela Receita Federal, já que a mera circulação de produtos acabados no mercado interno não caracteriza Fl. 17125DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 13896.722884/201211 Resolução nº 3201000.695 S3C2T1 Fl. 17.126 4 fato gerador passível da cobrança do tributo, motivo pelo qual não poderá recair sobre ela lançamento visando a cobrança destes valores, em conformidade com o disposto nos arts. 46 e 51 do CTN e §1º do art. 2º , da Lei nº 4.502/64; d) Da ação ordinária nº 2009.72.00.0104435 iniciada na 3ª Vara Federal de Florianópolis/SC e dos efeitos da sucessão: a Impugnante possui a seu favor a Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária nº 2009.72.00.0104435/SC, proposta em setembro de 2009 na 3ª Vara Federal de Florianópolis pela empresa KOMLOG IMPORTAÇÃO LTDA (sucessora), objetivando "declarar a inexistência da relação jurídicofiscal em relação à incidência do IPI no momento em que a Autora figura não mais como importadora, mas como comerciante dos produtos importados acabados no mercado interno". O pedido foi julgado procedente em primeira instância, com a concessão de antecipação de tutela para a suspensão da exigibilidade do IPI nas saídas dos produtos importados do estabelecimento da ora Impugnante, entendimento que foi confirmado pelo TRF4 em acórdão unânime proferido em 22.06.2010. O processo encontrase pendente de julgamento no STJ (REsp n9 1247788). Partindo da premissa que o instituto da sucessão faz com que a ora Impugnante, KOMLOG, subroguese no lugar da empresa ASIA, e, por tal motivo, responda por todas as obrigações tributárias, conforme previsão do art. 133 do CTN, cabe à Impugnante a responsabilidade sobre o pagamento do montante devido a título de IPI. Todavia, ainda que a responsabilidade da antiga empresa recaia, agora, sobre a sua sucessora, o lançamento efetuado deverá respeitar as características, benefícios e limitações do novo sujeito passivo. Dessa forma, não se pode perder de vista que o efeito declaratório da decisão que antecipou a tutela na ação judicial 2009.72.00.0104435/SC, proposta pela empresa KOMLOG IMPORTAÇÃO LTDA, ora sucessora, se estende e alcança a empresa sucedida. Portanto, mesmo que a Receita Federal entenda pela existência da relação jurídicotributária que embasa o lançamento veiculado no auto de infração, em decorrência da sucessão tributária e da retroatividade dos efeitos da decisão proferida em ação declaratória, a exigibilidade do suposto crédito tributário já se encontrava suspensa pela ordem judicial emanada no Processo n° 2009.72.00.0104435/SC, estando o Fisco impedido de adotar qualquer medida executiva. Assim, o lançamento tributário ora impugnado só poderia ter sido levado a efeito para fins de prevenção de decadência. e) Da impossibilidade de aplicação da multa de ofício nos lançamentos para prevenção de decadência – art. 63 da Lei nº 9.430/96: tendo em vista o curso da Ação Declaratória nº 2009.72.00.0104435/SC, que implicou no reconhecimento da impossibilidade da Fazenda Nacional cobrar o IPI da Impugnante quando esta der "saída" no mercado interno aos produtos importados que não sofreram qualquer ato de industrialização depois de desembaraçados (é o caso dos autos), significa dizer que todo o crédito ora lançado já estava com a exigibilidade suspensa, e, portanto, além de não ser devido o IPI constituído, o que apenas deverá aguardar o trânsito em julgado do Processo Judicial para confirmação, também não poderá, em hipótese Fl. 17126DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 13896.722884/201211 Resolução nº 3201000.695 S3C2T1 Fl. 17.127 5 alguma, subsistir a multa de ofício lançada pela Autoridade Fiscal ao lavrar o presente Auto de Infração; f) Da multa regulamentar por falta de apresentação de documentos: a imposição mostrase descabida uma vez que: a) os documentos relativos à 2006 já haviam sido apresentados à Receita Federal em virtude do PAF n° 0811300/00024/2010; b) por se tratar de prazo superior a 5 anos, já havia decaído a obrigação da Impugnante de manter e/ou apresentação os documentos relativos ao ano de 2006; c) os documentos foram furtados, motivo pelo qual, juntamente com as provas do ocorrido, foram apresentadas as reconstituições fiscais do período, demonstrando a boafé e colaboração da Impugnante durante o procedimento de fiscalização; g) Da multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito e sua falta de previsão legal: a multa sobre IPI não lançado com cobertura de crédito carece de previsão legal, pois o inciso II do art. 80 da Lei n° 4.502/64 citado pela fiscalização foi revogado pela Lei n° 11.488/2007. De toda sorte, mesmo que haja outro dispositivo que permita a aplicação da multa nos termos em que foi aplicada, a verdade é que a fiscalização não o indicou e, assim, não efetuou o enquadramento legal de forma correta já que expressamente apontou dispositivo que estava revogado. Concluise, portanto, que a indicação imprecisa da norma aplicável impede que a impugnante exerça de forma plena o seu direito de defesa; h) Ao final, requer o sobrestamento do presente julgamento até que seja julgada, em definitivo, a Ação Declaratória nº 2009.72.00.010443 5/SC que aguarda julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça do REsp nº 1247788. Em não se admitindo o sobrestamento, requer seja provida a impugnação fiscal, julgandose insubsistente o auto de infração lavrado. Requer, ainda, que os advogados signatários da presente sejam intimados da decisão por meio de notificação. 2) Denisson Moura de Freitas (fls. 16505/16539) Apresenta as mesmas preliminares e razões de defesa acima expostas, nada acrescentando, especificamente, quanto à sua sujeição passiva solidária perante o crédito tributário constituído. 3) Komlog Importação Ltda (fls. 16576/16610) Apresenta as mesmas preliminares e razões de defesa acima expostas, nada acrescentando, especificamente, quanto à sua sujeição passiva solidária perante o crédito tributário constituído. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RPO no 1443.680, de 07/08/2013, proferida pelos membros da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PRAZO DECADENCIAL. Fl. 17127DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 13896.722884/201211 Resolução nº 3201000.695 S3C2T1 Fl. 17.128 6 Na ausência de pagamento antecipado, bem como nos casos comprovados de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos, prevista no art. 150, § 4°, do CTN, deslocase para a regra geral, prevista no art. 173, I, do mesmo diploma legal. Cancelase a exigência para a qual restou demonstrado o transcurso do prazo fatal, à vista da ciência dos autos de infração em 11/12/2012. CONTRIBUINTE DO IPI. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. O estabelecimento importador de produtos de procedência estrangeira que dá saída a esses produtos equiparase a estabelecimento industrial, estando sujeito à obrigação principal, que consiste no pagamento do tributo, e às obrigações acessórias, consistentes, por exemplo, na emissão de notas fiscais com o lançamento do IPI e na escrituração de livros fiscais. DECISÃO JUDICIAL. A sentença judicial faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, e tãosomente em relação ao fato a que a decisão se refere, não possuindo efeito erga omnes. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO COM COBERTURA DE CRÉDITO. PREVISÃO LEGAL. É correta a imposição de multa de ofício proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, ainda que a falta de lançamento tenha sido parcial ou que haja saldo credor na escrita fiscal. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Operase a preclusão processual relativamente à sujeição passiva da pessoa física e/ou jurídica que deixa de apresentar argumentos de defesa em relação à atribuição da respectiva responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído. Impugnação Improcedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. O julgamento foi no sentido de considerar procedente em parte o lançamento para: a) considerar decaídos os períodos de apuração de janeiro a novembro de 2006; e dessa forma decotou do auto de infração os fatos geradores fulminados pela decadência, ou seja: b) alterar o valor do crédito tributário originalmente lançado para R$ 37.826.156,52 de imposto e R$ 56.739.234,78 de multa proporcional, acrescidos dos juros regulamentares, conforme planilha (no voto da DRJ) ; c) alterar o valor a multa sobre IPI não lançado com cobertura de crédito de R$ 26.257.197,82 para R$ 18.964.539,53, conforme detalhado no parágrafo anterior. (vide conclusão do voto a quo, onde estão as planilhas referidas) Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Bem como os responsáveis solidários Komlog Fl. 17128DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 13896.722884/201211 Resolução nº 3201000.695 S3C2T1 Fl. 17.129 7 Importação Ltda (CNPJ 06.114.935/000185) e Denisson Moura de Freitas (CPF 104.780.798 00). Inconformados, os mesmos apresentaram recursos voluntários, trazendo basicamente os mesmos argumentos, tais como: preliminar nulidade do auto de infração. Violação do artigo 142 do CTN, do princípio da tipicidade cerrada e da verdade material: a fiscalização imputou sonegação quanto à totalidade das saídas realizadas pela recorrente. Porém, apenas R$ 7.252.546,16 corresponde à omissão de receita. Por uma questão de tipicidade, cada infração deveria ter sido tomada de forma individualizada para que o lançamento fosse consistente e exigível. O erro na apuração e constituição do crédito tributário é vício material. preliminar nulidade do julgamento da DRJ de Ribeirão Preto recomposição da escrita fiscal de ofício: em vez de apontar o erro material praticado pela autoridade lançadora, os julgadores da DRJ Ribeirão Preto promoveram ex officio a recomposição do lançamento. O exercício da função de julgar não autoriza que o órgão julgador proceda à recomposição da estrutura do lançamento para tornálo válido, ainda que em montante inferior ao crédito originariamente constituído. bis in idem: evidente o vício presente na constituição do crédito, uma vez que a autoridade fiscal faz incidir em duas pontas da venda de mercadorias o mesmo imposto, eis que tributa as receitas apuradas na escrituração da recorrente, resultantes da venda de mercadorias e, do outro lado, faz incidir a exação sobre as notas fiscais em posse dos compradores, as quais dizem respeito às mesmas saídas escrituradas já tributadas. preliminar da tributação reflexa e a prova da inexistência de omissãode receita: a partir da fiscalização empreendida para apurar os tributos IRPJ, CSLL,PIS e C ' F INS e dos valores de 'receitas omitidas', a autoridade fiscal, de formailegal, ampliou o âmbito de repercussão daqueles fatos imponíveis para sobre elesfazer incidir o IPI. O procedimento é inadmissível, pois utiliza um mesmo fatoocorrido para fazer incidir tributos cuja materialidade é absolutamente distinta. o recorrente obteve ingresso de valores decorrentes de empréstimo, os quais não foram considerados. Tais valores obtidos por meio de financiamento bancário não são tributáveis pelo IRPJ e reflexos, muito menos pelo IPI. da conduta da contribuinte ante a suposta obrigação fiscal: a recorrente não agiu visando o cometimento de uma fraude. Na verdade, não reconhece a obrigação de pagar IPI na revenda no mercado interno das mercadorias importadas, após ter efetuado o pagamento do IPI no desembaraço aduaneiro. Tratase de interpretação da norma tributária. Logo, dolo, fraude ou simulação são condutas que não existiram, pelo que a conduta de não destacar IPI na nota fiscal não pode ser motivo para agravar a multa para 150%. mercadorias importadas sem industrialização em solo nacional. Fato gerador do IPI: desembaraço aduaneiro. Aspecto material de incidência do IPI necessidade de industrialização. Já recolheu o tributo no desembaraço aduaneiro, e não ocorreu outro fato gerador (industrialização) na saída para justificar novamente a incidência do IPI. O pagamento do IPI deve ocorrer no desembaraço ou na saída subsequente, sob pena de bis in idem. A noção de fato gerador do IPI jamais poderá estar dissociada do conceito de operação/industrialização. da alternatividade da cobrança segundo o artigo 34 do RIPI (Decreto4.544/02): a incidência do IPI sobre produtos importados é tratada por meio dehipóteses alternativas, ou no desembaraço ou na saída do estabelecimento equiparado aindustrial. No que diz respeito à figura da equiparação, é equívoco colossal admitir que da relação s ub j e t i va de fixação legal (equiparação) Fl. 17129DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 13896.722884/201211 Resolução nº 3201000.695 S3C2T1 Fl. 17.130 8 possa decorrer a obrigação tributária principal, sem que se concretize o aspecto material da hipótese de incidência. da ação ordinária n. 2009.72.00.0104435 e dos efeitos da sucessão: a recorrente possui mais um aspecto em seu favor; a existência de ação judicial proposta pela empresa Komlog (sucessora), objetivando declarar a inexistência de relação jurídicofiscal em relação à incidência do IPI no momento em que não figura mais como importadora, mas sim como comerciante dos produtos importados. A sentença e o acórdão do TRF4 lhe são favoráveis, confirmando que uma vez pago o IPI no desembaraço e não havendo atos de industrialização, não haverá nova incidência do tributo quando efetuar a venda no mercado interno. Como a Komlog foi indicada como sucessora da Ásia, o lançamento deve observar a ação judicial em questão. Logo, o lançamento deveria ser realizado apenas para prevenir a decadência; não caberia lançamento de multa de ofício, tampouco seria possível falar em fraude, dolo e simulação. impossibilidade de aplicar multa de ofício nos lançamento para prevenir a decadência: como a Komlog, sucessora, tem decisão judicial que lhe é favorável, o lançamento apenas tem o condão de prevenir a decadência e não pode sofrer a incidência de multa. do ilegal agravamento da multa proporcional e da multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito: incabível o lançamento da multa proporcional, em face da decisão judicial favorável à empresa sucessora. Na hipótese de se entender aplicável a multa, é desarrazoado o agravamento em 150%, pois não está configurada qualquer hipótese da multa do artigo 71 da Lei n. 4.502/64. A conduta de falta de lançamento e falta de recolhimento autoriza apenas a aplicação da multa de 75%. deslocamento do termo decadencial ante a incorreta imputação de sonegação: ante a inexistência de conduta dolosa da recorrente, a decadência deve observar a regra do artigo 150, § 4° do CTN, pois houve o pagamento de IPI no desembaraço aduaneiro. decadência do direito de lançar multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito: a multa não poderia ser agravada para 150%, pelas razões já expostas para multa proporcional (não há dolo, tampouco sonegação). Ademais, em decorrência da natureza da multa isolada (descumprimento de obrigação acessória), a contagem do prazo decadencial deve observar a regra do artigo 78, da Lei n. 4.502/64 (cinco anos contados da data da infração). Tratase de multa de natureza administrativa, não se aplicando o CTN. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira, de forma regimental. O processo foi posto em pauta em sessão de abril de 2016, com pronunciamento do voto e posterior, pedido de vista. No entanto, em 03/05/2016, houve alteração do RICARF, com a edição da Portaria de n° 152/2016, dando uma nova redação ao art. 2° do Anexo II do RICARF, no tocante à competência para julgamento dos recursos. VOTO VENCIDO CONSELHEIRA MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM RELATORA Fl. 17130DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 13896.722884/201211 Resolução nº 3201000.695 S3C2T1 Fl. 17.131 9 Conheço do recurso de ofício que atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Bem como, os presentes recursos voluntários são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade, razão por que deles, também, tomo conhecimento. Versa o presente de auto de infração lavrado para cobrança de IPI, totalizando o montante de R$ 187.500.073,35, já com acréscimos (juros de mora, multa de 150% e multa sobre IPI não lançado com cobertura de crédito). O termo de verificação fiscal (TVF) narra que as irregularidades foram praticadas no estabelecimento 85.305.258/000744 da contribuinte (Ásia). No entanto, o lançamento foi lavrado em face da matriz, tendo em vista sua condição de sucessora, ante a extinção da filial (artigo 132, § único do CTN). De acordo com a descrição dos fatos do auto de infração (fls. 16398/16400), a Recorrente, na condição de estabelecimento equiparado a industrial, incorreu nas seguintes irregularidades:saídas a produtos tributados sem lançamento do imposto (IPI), apuradas por meio da constatação de receita de origem não comprovada/omissão de receita; saídas a produtos tributados com emissão de notas fiscais sem lançamento do imposto apuradas em diligências (nos clientes da Recorrente); e saídas a produtos tributados com emissão de notas fiscais sem lançamento do imposto, escrituradas no livro diário e/ou nos livros registro de saídas. As infrações foram individualizadas e tratadas de forma separada no TVF; ou seja, tópico (5.1) para omissão de receitas em 2006 e 2007 e outro tópico (5.2) para emissão de notas fiscais sem destaque do IPI (receitas apuradas a partir de diligências nos clientes e pela escrituração apresentada). Como relatado, foram arrolados os seguintes sujeitos passivos responsáveis: Komlog Importação Ltda (na qualidade de sucessora do negócio – artigo 133 do CTN) e Denisson Moura de Freitas (sócio administrador, artigos 124 e 135 do CTN). Em sede de preliminar, a Recorrente argumenta sobre a da tributação reflexa e a prova da inexistência de omissãode receita: a partir da fiscalização empreendida para apurar os tributos IRPJ, CSLL,PIS e COFINS e dos valores de 'receitas omitidas', a autoridade fiscal, de forma ilegal, ampliou o âmbito de repercussão daqueles fatos imponíveis para sobre elesfazer incidir o IPI. O procedimento é inadmissível, pois utiliza um mesmo fato ocorrido para fazer incidir tributos cuja materialidade é absolutamente distinta. Ainda, em preliminar, os recorrentes questionam suposta tributação reflexa. Afirma que, o mesmo acontecimento que deu ensejo à incidência de tributos cuja imposição se dá em decorrência de auferir lucro ou receita, foi utilizado como base para incidência de tributo cuja materialidade é a industrialização. Ressaltese que a fiscalização identificou, apenas no ano de 2007, 10.855 créditos efetuados nas contas bancárias da contribuinte (Ásia), já excluídos créditos bancários identificados como sendo transferências entre contas da própria empresa, resgates de aplicações financeiras, empréstimos bancários e ingressos cujos estornos puderam ser conferidos nos extratos. Constou do TVF o seguinte: Fl. 17131DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 13896.722884/201211 Resolução nº 3201000.695 S3C2T1 Fl. 17.132 10 O CONTRIBUINTE relaciona, em suas cartas de 01/11/2012 e 05/11/2012, diversos depósitos cuja origem alega ser proveniente de empréstimo das respectivas instituições financeiras, no entanto, deixa de apresentar qualquer comprovação documental de tais empréstimos, bem como de sua forma de quitação, de modo que não é possível afastar a possibilidade de que tais empréstimos tenham sido quitados com o recebimento de duplicatas da própria empresa ou de cheques prédatados dos clientes, cujas respectivas receitas podem ter sido omitidas e não submetidas à tributação. Assim sendo, e considerando que o fiscalizado deixou de escriturar expressiva parcela dos depósitos bancários, evidenciando a prática de omissão de receitas, não há como dispensar a apresentação de documentação que comprove a contratação e a forma de quitação dos empréstimos relacionados, de modo que não serão consideradas como comprovadas as origens e a tributação das receitas vinculadas aos depósitos relacionados nas cartas apresentadas pelo CONTRIBUINTE em 01/11/2012 e 05/11/2012. Observase que a fiscalização demonstrou que a empresa, dolosamente, tentou ocultar a ocorrência do fato gerador, tendo em vista: a) a omissão de receitas na escrituração contábil e fiscal e nas DIPJs; b) notas fiscais não escrituradas obtidas com clientes da autuada; c) a resistência para apresentação de livros de entradas e saídas de 2006 e 2007 (alegação de furto de documentos, mas que estavam disponíveis para Fazenda Estadual); e d) livros de apuração de IPI com dados incorretos. Quanto à omissão de receitas e às notas fiscais não escrituradas obtidas com clientes, a fiscalização demonstrou o seguinte: A contribuinte, para o ano calendário de 2007, chegou a apresentar declaração totalmente zerada. Intimada para esclarecer tal fato, apresentou declaração retificadora, o que comprova que a original não tinha informações verdadeiras. As receitas escrituradas nos livros Diário de 2007 coincidem com as receitas informadas na DIPJ retificada. Todavia, são inferiores às receitas apuradas nos livros registro de saídas de 2007, entregues por equívoco à fiscalização, havendo omissão de receita de R$ 6.353.780,58. A contribuinte deixou de escriturar, também, nos livros Diário de 2006 e 2007, diversos depósitos bancários, cujos montantes totalizam R$ 32.827.171,06 em 2006, e R$ 36.262.730,83 em 2007, caracterizando, também, omissão de receita. Aliás, conforme pode ser visto nos demonstrativos que relacionam os depósitos bancários omitidos, a fiscalizada deixou de escriturar todos os lançamentos de determinadas contas, de modo que não se trata de erro ou mero esquecimento de alguns lançamentos, mas sim intenção deliberada de ocultar as receitas auferidas e recebidas nas contas omitidas. A fiscalização também realizou diligência, por amostragem, em alguns dos clientes da autuada. Dentre as notas fiscais obtidas nos clientes, não foram escrituradas nos livros de registro de saída de 2007 notas que totalizam R$ 19.923.269,35, fato que também caracteriza a prática de sonegação. Ao final, apurouse, para 2006, receitas omitidas que totalizam R$ 32.827.171,06, e para 2007, R$ 62.539.780,76, evidenciado que a prática de sonegação é intencional, reiterada, e não decorre de erros ou esquecimentos fortuitos e pontuais. Fl. 17132DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 13896.722884/201211 Resolução nº 3201000.695 S3C2T1 Fl. 17.133 11 Além dos fatos acima, é bom ressaltar a existência do processo de n° 13896.722883/201269, da mesma empresa, referente ao IRPJ, cuja matéria trata de omissão de receita, julgado recentemente em 05/04/2016, que trata de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; Contribuição para o Programa de Integração Social PIS) e Multa Regulamentar, relativas aos anos calendário de 2006 e 2007, formalizadas em razão da imputação de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; omissão de receitas decorrentes de vendas tidas como não declaradas; e falta de apresentação de arquivos magnéticos, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008 Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO. A teor do disposto no art. 150 do Código Tributário Nacional, o denominado lançamento por homologação operase pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade exercida pelo contribuinte no sentido de apurar o tributo devido, expressamente a homologa. O referido artigo fixa o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para que a autoridade administrativa promova essa homologação. Contudo, se comprovada a ocorrência de dolo, tal prazo, tido como decadencial, não é aplicável. Nesse caso, a decadência é regida pelas disposições do art. 173 do mesmo diploma legal. AUTORIZAÇÃO PARA REEXAME. SUPORTE LEGAL E MOTIVAÇÃO. Revelase regular o reexame por parte da autoridade fiscal de período já fiscalizado, na circunstância em que foi precedido de autorização emitida pela autoridade competente, com lastro na lei e devidamente motivada. MULTA. QUALIFICAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação sobre os valores apurados da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. REEXAME E REVISÃO DE LANÇAMENTO. PROCEDIMENTOS DISTINTOS. O REEXAME de período já fiscalizado, na circunstância em que cuida tão somente de complementação de constituição de crédito tributário em relação a matérias diversas das alcançadas pelo procedimento fiscal anterior, não se confunde com REVISÃO DE LANÇAMENTO, não se submetendo, assim, às disposições do art. 149 do CTN. ARBITRAMENTO DO LUCRO. VIOLAÇÃO DO ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Fl. 17133DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 13896.722884/201211 Resolução nº 3201000.695 S3C2T1 Fl. 17.134 12 Descabe falar em violação do aspecto temporal da hipótese de incidência na circunstância em que a autoridade fiscal, constatando a imprestabilidade da escrituração, abandona o regime de tributação adotado pelo contribuinte e promove o arbitramento do lucro. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. José Antônio Homerich Valduga, OAB/SC nº 8.303. A exigência do IPI resulta da mesma infração que deu origem ao processo do IRPJ, tendo em vista omissão de receita. A teor do relatado, os fatos que ensejaram o lançamento tiveram origem em procedimento de fiscalização do IRPJ, sendo o auto de infração, controlado no presente processo, decorrente daquela fiscalização. Ao analisar a competência desta Seção para apreciar o recurso em questão, faz se necessária acatar a determinação do Regimento Interno do CARF, que define à Primeira Seção a competência para julgar recursos de oficio e voluntário, dos tributos conexos, decorrentes ou reflexos, cuja exigência esteja lastreada em fatos apurados em fiscalização do IRPJ, conforme previsto art. 2º, inciso IV do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, transcrito abaixo. “Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) No caso em tela, confirmado que a exigência do IPI decorre de fatos apurados em fiscalização de IRPJ, voto no sentido de não conhecer dos recursos (ofício e voluntário)e declinar a competência do julgamento à Primeira Seção do CARF. Em face do exposto, não conheço dos recursos para declinar competência. Fl. 17134DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 13896.722884/201211 Resolução nº 3201000.695 S3C2T1 Fl. 17.135 13 (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Relator VOTO VENCEDOR CONSELHEIRO CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA REDATOR DESIGNADO Conforme se verifica do seu campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, o lançamento constitui crédito tributário decorrente do IPI em face do cometimento de três infrações: a primeira é mero reflexo do IRPJ (créditos em contacorrente bancária sem origem comprovada); as demais são próprias da legislação do IPI e com aquela não se relacionam. A atual redação conferida pela Portaria MF nº 152, de 2016, ao art. 2º, inciso IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 9 de junho de 2015, atribuiu à Primeira Seção a competência o julgamento dos litígios envolvendo o IPI quando reflexo do IRPJ. Já o art. 4º, inciso II, estabeleceu que, não sendo este o caso – ou seja, quando as infrações forem autônomas –, cabe à Terceira Seção julgálos: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...) Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: I Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, inclusive quando incidentes na importação de bens e serviços; II Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL); Fl. 17135DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 13896.722884/201211 Resolução nº 3201000.695 S3C2T1 Fl. 17.136 14 III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); (...) Temos, portanto, no presente lançamento, infrações a serem julgadas por duas Seções do CARF. Ocorre que, antes da modificação acima referida, o reconhecimento da competência da Primeira Seção de Julgamento – que, a propósito, não se afigurava obrigatório (a norma, como se verá, traz o verbo no futuro do presente) –, para julgar os processos que versavam sobre infração à legislação do IPI quando reflexa do IRPJ se dava unicamente pela aplicação do art. 6º, inciso II, do Anexo II do RICARF/2015, que trata dos processos denominados “vinculados” – no caso, quando dois ou mais processos foram formalizados num mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Depois de modificado pela Portaria MF nº nº 152, de 2016, não há mais dúvida: na redação atual do RICARF/2015, a competência material para julgar o IPI reflexo é da Primeira Seção de Julgamento. Porém, como já antecipamos, o auto de infração em exame formalizou, além da infração à legislação do IPI que é mero reflexo do IRPJ, também crédito tributário decorrente de duas outras infrações cuja competência para o julgamento é desta Terceira Seção. Nesse contexto, entendemos que o presente julgamento deva ser convertido em diligência, a fim de que a unidade preparadora formalize um novo processo administrativo, para o qual deverá ser transferido o crédito tributário decorrente apenas da infração 001 (PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL. VENDA SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL APURADA EM DECORRÊNCIA DE RECEITA NÃO COMPROVADA), devendo permanecer nos autos as demais infrações à legislação do IPI e o crédito delas consequente. Ao término do procedimento, ambos os processos administrativos devem ser devolvidos a esta turma para prosseguimento no julgamento. É como voto. Fl. 17136DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 13896.722884/201211 Resolução nº 3201000.695 S3C2T1 Fl. 17.137 15 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 17137DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 13963.000236/2004-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1997 SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. É possível a inclusão de ofício da pessoa jurídica no Simples, com efeitos retroativos a 01/01/1997, em face da inequívoca intenção da interessada de optar pelo sistema simplificado e da ausência de comprovação, pelo Fisco, do exercício de atividade vedada para o aludido sistema.
Numero da decisão: 1401-000.519
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1997 SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. É possível a inclusão de ofício da pessoa jurídica no Simples, com efeitos retroativos a 01/01/1997, em face da inequívoca intenção da interessada de optar pelo sistema simplificado e da ausência de comprovação, pelo Fisco, do exercício de atividade vedada para o aludido sistema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) VIVIANE VIDAL WAGNER Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 8788): O processo tem origem em solicitação da sociedade empresária Joscar Comércio e Prestadora de Serviços Ltda (CNPJ 01.222.693/000120) de inclusão no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, retroativa a 01/01/1997, conforme consta no documento de fl. 01. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, ao apreciar a citada solicitação, indeferiu o pleito da Interessada, ao argumento de que o SIVEX (Sistema de Vedações e Exclusões do Simples) identificou que os CNAEFiscal informados pela Interessada (8299799, 6399200, 7490105 e 7490199) se referem a atividades vedadas pela Lei n° 9.317/1996 (fls. 22 a 24). Irresignada com a decisão denegatória, a Interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 27 a 30, instruída com os documentos de fls. 32 a 77, alegando, em síntese, o que se passa a expor. Disse que "a empresa fez sua opção no prazo regulamentar e através de banco do Brasil, conforme instrução, e de acordo com todas as informações seria por opção, ou pagamentos do primeiro Guia Darf Simples no ano 1997, e dentro do que estava estabelecido a empresa declarou que sua opção quanto ao porte da empresa e ao recolhimento no previsto como estabelecido". Sustentou que "a empresa em momento algum errou em sua opção ou em seus pagamentos para solicitar tal correção de seus dados já que a mesma estava dentro do estabelecido e não foi solicitado a este órgão o acerto dito .., e que cita como determina que a empresa teria sua opção com efeitos retroativo, isto não esta correto já que a empresa fez opção e estaria fazendo seus pagamentos regularmente". Alegou que seu objeto, que era prevenção hidráulica, "não era vedado ao sistema integrado de pagamentos e impostos Simples". Aduziu que não vulnerou "quaisquer normas da legislação Federal, muito menos cometeu atos irregulares, para sujeitarse às cominações que venha a ser imposta através da notificaç â'o de lançamento em referência". Asseverou que devido a fluência do prazo decadencial prescrito no artigo 150, §4°, da Lei n° 8.212/1991, "esta notificação não tem porque prosperar". Disse que a cobrança de tributos devidos pelas empresas em geral seria uma "apropriação indébita" já que os recolhimentos efetuados pela Interessada na sistemática do SIMPLES não teriam como ser restituídos. Fl. 123DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13963.000236/200441 Acórdão n.º 140100.519 S1C4T1 Fl. 114 3 Por fim, apresentou os seguintes pedidos: Assim solicitamos manter a opção do simples conforme a empresa manteve seus pagamentos e suas declarações dentro do estabelecido por lei. Manter os pagamentos já que a empresa não poderia se beneficiar do art. 168 por sua prescrição e seus pagamentos teriam que ser novamente pago, já que com a nova opção teriam que ser recolhidos novamente e isso seria pagamento em duplicidade para o mesmo imposto. Manter sua atividade e seuspagamentos desde sua opção e declarações de imposto simples, e solicitar baixa de atividade em 2007 com pedido a 2004 em decorrência da empresa já ter encerrado suas atividades. Tendo em vista a constatação de que a manifestação de inconformidade de fls. 27 a 30 não foi firmada por representante legal da sociedade empresária Joscar Comércio e Prestadora de Serviços Ltda, foi determinada, em 26/10/2007, sua intimação para regularizar a situação (fl. 79). Devidamente intimada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade firmada pelo seu sóciogerente José Carlos Silveira Paes (fls. 81 a 84), que repete as razões e pedidos apresentados na peça de fls. 27 a 30. A 5ª Turma da DRJ Florianópolis, por maioria de votos, indeferiu a solicitação da contribuinte, por meio do Acórdão nº 0718.383, fls. 8793. O voto condutor deste Acórdão considerou que a interessada efetivamente exerce atividade impeditiva para o Simples Nacional, enquadrada no CNAE 82999799 (atividades ligadas à prevenção de incêndios). Segundo o Acórdão, tais serviços são típicos de engenheiros e profissionais assemelhados (tecnólogos e técnicos), e vedam a opção pelo SIMPLES, por força do disposto no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/1996.” Cientificada do Acórdão em 21/01/2010 (fls. 95), a contribuinte, em 22/02/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 96103, argumentando que a empresa não pretava serviços ligados à prevenção de incêndio, mas simplesmente fazia reparos em canos de PVC. Argumentou que merece acolhida o voto divergente, que acompanha o Acórdão recorrido, por meio do qual duas julgadoras votaram pela nulidade do despacho decisório da DRf Florianópolis, tendo em vista a não comprovação da real atividade do contribuinte. Afirmou que a contribuinte era optante pelo Simples, no período compreendido entre os anos de 1997 e 2003 10 da Resoluçãonº 50//2008 do Comitê Gestor do Simples Nacional. A pessoa jurídica somente teria requerido a inclusão retroativa diante da solicitação da Receita Federal referente ao ano 2004, tendo em vista a ausência da declaração do SIMPLES, quando da solicitação de baixa da referida pessoa jurídica. Reiterou a alegação apresentada na instância anterior, no sentido de que a cobrança de tributos devidos pelas empresas em geral seria uma "apropriação indébita" já que Fl. 124DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 os recolhimentos efetuados pela Interessada na sistemática do SIMPLES não teriam como ser restituídos. Por fim, informou que está solicitando a baixa da pessoa jurídica . É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. A solução do presente litígio passa, necessariamente, pela correta identificação da natureza da atividade de “prevenção hidráulica” desempenhada pela pessoa jurídica. Sobre o tema, assim se manifestou o voto condutor do Acórdão recorrido, fls. 8889: A Interessada, tanto no requerimento de fl. 01 como em sua manifestação de inconformidade, acabou por confuinar que presta serviços ligados a prevenção de incêndios, que é atividade incluída no código CNAE 8299799, já que na manifestação de inconformidade diz que trabalha com "prevenção hidráulica" e no requerimento de fl. 01 aduz que "exerce atividade de serviço preventivo a empresas terceiras". O pleito de inclusão retroativa no SIMPLES de fl. 01, portanto, não pode ser deferido, já que a Interessada, segundo suas próprias manifestações, presta serviços (ligados à prevenção de incêndios) que por se caracterizarem como típicos de engenheiro e profissionais assemelhados (tecnólogos e técnicos), vedam a opção pelo SIMPLES, por força do disposto no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/1996. [...] Assim, pelos excertos de legislação transcritos acima, depreendese que a competência para executar serviços na área de prevenção contra incêndios cabe aos engenheiros de segurança e aos técnicos/tecnólogos ligados a esta área da engenharia. Nesse diapasão, já julgou a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Anocalendário: 2000 Ementa: VEDAÇÃO. SISTEMA DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13963.000236/200441 Acórdão n.º 140100.519 S1C4T1 Fl. 115 5 Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que prestem serviços na área de sistema de prevenção contra incêndios, pois essa atividade é exercida por profissionais com habilitação legalmente exigida ou a eles assemelhados. (Acórdão n° 9265, de 26 de abril de 2005) Por sua vez, as julgadoras Rosane Raquel Compagnoni Lubini e Zilda Noeme Alvarenga de Alecar discordaram da conclusão do ilustre Relator, pelas razões abaixo transcritas (fls. 9193): Já com referência a atividade principal, CNAEFiscal 8299799, o relator entendeu haver restrição em razão da Manifestante ter confirmado que presta serviços ligados a prevenção de incêndios, que é atividade incluída nesse código, já que na Manifestação de Inconformidade, fls 82, diz que trabalha com "prevenção hidráulica" e no requerimento de fl. 01 aduz que exerce atividade de serviço preventivo a empresas terceiras, sendo neste ponto que divirjo do relator, pelas razões a seguir enunciadas. Em primeiro lugar, o material probatório constante dos autos, composto pelo Contrato Social, fls. 3/5, e a Alteração Contratual, fls. 2, aponta que a empresa exerceu a atividade de empreiteira em geral até 22/05/1997, e de comércio de material hidráulico e prestação de serviços em geral, após esta data. Portanto, a empresa exercia atividades que, em princípio, não impediam sua adesão ao Simples. Em segundo lugar, o enquadramento feito à época pela empresa foi no CNAE 74993, conforme se verifica no Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral, emitido em 28/05/2004, fls. 6, que correspondia a "outras atividades de serviços prestados principalmente às empresas não especificados anteriormente", código do grupo "Outras Atividades de Serviços Prestados Principalmente Às Empresas". Conforme declarado pela Manifestante a empresa já não exerce atividades desde final de 2003, portanto, não efetuou o enquadramento no CNAEFiscal 8299799, já que esta nova codificação de atividade econômica foi adotada no âmbito da Receita Federal somente a partir de 01/01/2007, conforme Instrução Normativa SRF n° 700, de 22 de dezembro de 2006, publicada no DOU de 28.12.2006. Das atividades englobadas neste novo código, o relator enquadrou a atividade declarada pelo contribuinte na Manifestação, ou seja, serviços de "prevenção hidráulica", como serviços ligados a prevenção de incêndios, que são típicos de engenheiros e profissionais assemelhados e, portanto, atividade vedada à inclusão no Simples. Todavia, no meu entendimento, a atividade que deve ser analisada no código 8299799, é aquela correspondente ao mesmo enquadramento que a empresa havia efetuado no código 74993, ou seja, outras atividades de serviços prestados Fl. 126DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 6 principalmente às empresas não especificados anteriormente.[...] [...] Como se vê, o código 82997/99 corresponde a "OUTRAS ATIVIDADES DE SERVIÇOS PRESTADOS PRINCIPALMENTE ÀS EMPRESAS NÃO ESPECIFICADAS ANTERIORMENTE", ou seja, o mesmo enquadramento que a empresa havia feito em 1997 por não encontrar outro que especificasse a atividade que exercia. Assim, entendo que a consulta simulada no SIVEX não poderia embasar o indeferimento do pedido retroativo de inclusão, sem que fosse anteriormente diligenciado qual a atividade efetivamente desenvolvida pela Manifestante, como também, o enquadramento automático dos "serviços de prevenção hidráulica" como "serviços de prevenção de incêndios", não poderia ser feito sem oportunizar que o contribuinte comprovasse a atividade exercida. Por fim, discordo, também, do entendimento manifestado no voto vencedor de que o código 82997/99 englobe serviços de prevenção de incêndios identificados como atividade típica de engenheiros e profissionais assemelhados. Como visto na descrição do código, acima, entre as diversas atividades não especificadas anteriormente estão os "serviços de caráter privado de prevenção de incêndios", cuja atividade, salvo melhor juizo, envolve os serviços de brigada de incêndio prestados por empresa especializadas, correlato, em parte, ao serviços prestado pelos bombeiros públicos, não se tratando, portanto, exclusivamente das atividades de engenheiro de segurança no trabalho, que seriam enquadrada no código 4322 3/0 [...] Em sua peça recursal, a contribuinte negou, peremptoriamente, que realizava atividades ligadas à prevenção de incêndio, afirmando que a pessoa jurídica realizava apenas serviços de reparos em canos de PVC. Analisando os elementos de prova constantes dos autos, entendo que a razão está ao lado das julgadoras vencidas. Para justificar meu entendimento, enfatizo que as provas documentais constantes dos autos (Contrato Social e respectiva Alteração, fls. 25) não fornecem nenhum indício de que a pessoa jurídica desenvolvia alguma atividade impeditiva para o Simples. Conforme bem apontado pelas julgadoras vencidas, com base exclusivamente nos elementos probatórios constantes do autos, seria forçoso concluir que “a empresa exercia atividades que, em princípio, não impediam sua adesão ao Simples”. Vale dizer que a conclusão do Acórdão recorrido não se baseou em provas documentais, mas simplesmente em declarações pouco claras feitas pela pessoa jurídica em sua manifestação de inconformidade. Na referida manifestação de inconformidade, a pessoa jurídica afirmou que trabalhava com “prevenção hidráulica”, mas em momento algum afirmou que tal atividade compreendia a atividade de “prevenção de incêndio”. A inclusão da palavra “incêndio” Fl. 127DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13963.000236/200441 Acórdão n.º 140100.519 S1C4T1 Fl. 116 7 decorreu de uma simples ilação do Relator, sem qualquer suporte em elementos probatórios constantes dos autos. Da mesma forma, no requerimento de fl. 01, a pessoa jurídica afirma que “exerce atividade de serviço preventivo a empresas terceiras”, sem fazer qualquer referência à atividade de “prevenção de incêndio”. Sobre o tema, as julgadoras vencidas foram muito precisas e objetivas em sua declaração de voto, conforme se observa às fls. 93: [...] o enquadramento automático dos "serviços de prevenção hidráulica" como "serviços de prevenção de incêndios", não poderia ser feito sem oportunizar que o contribuinte comprovasse a atividade exercida. Diante do exposto, concluo que, com base nos elementos constantes dos autos, não é possível afirmar que a contribuinte exercia atividade impeditiva da opção pelo Simples. Consequentemente, não poderia a autoridade fiscal indeferir o pleito da contribuinte, sem antes realizar diligência visando identificar a efetiva natureza das atividades desempenhadas pela pessoa jurídica. Resta analisar se a contribuinte atendia aos demais requisitos, para que se possa deferir o seu pedido de inclusão de ofício de pessoa jurídica no SIMPLES, com efeitos retroativos a 01/01/1997. Sobre o tema, o Parecer COSIT n.° 60, de 13 de outubro de 1999, estabelece (grifado): 11. Com base nos textos legais acima transcritos e admitido o fato de o contribuinte ter omitido ou apresentado informação inexata quanto à opção, poderseá utilizar da analogia para promover de ofício a inclusão no evento correspondente à opção da pessoa jurídica pela sistemática de pagamentos de que trata o SIMPLES, desde que demonstrada a intenção da pessoa jurídica em utilizarse dela. O preenchimento de dados específicos das pessoas jurídicas na FCPJ, tais como porte e impostos inclusos no recolhimento, o recolhimento por meio doDARFSIMPLES e a entrega da Declaração Anual Simplificada são formas hábeis de comprovar a manifestação da vontade de a pessoa jurídica optar pelo SIMPLES. 12. Tratase de erro de fato, cuja correção a autoridade administrativa pode, de ofício, sanar, uma vez que ao interessado não são dados os meios operacionais. Para proceder ao acerto, a autoridade administrativa (Delegado ou Inspetor da Receita Federal), mediante solicitação formal do interessado, e à vista dos documentos comprobatórios do erro, determinará a retificação de ofício da FCPJ .e conseqüente inclusão da empresa no CNPJ como optante pelo SIMPLES, com efeitos retroativos. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 8 A própria autoridade competente da unidade de origem admite que, no presente caso, restou demonstrada a inequívoca intenção da pessoa jurídica em optar pelo Simples, conforme se observa às fls. 2223: Para os fatos ocorridos até o exercício de 2003, a comprovação pode ser feita, mesmo que não tenha havido apresentação do TO ou da formalização da opção de, adesão ao Simples mediante a FCPJ, pela comprovação de entrega das Declarações Anuais Simplificadas e/ou a apresentação dos comprovantes de pagamento (DarfSimples), nos termos da SCI Cosit n° 21 (retificada) e Nota Técnica Corat n° 44. Em consulta aos sistemas da RFB, verificamse recolhimentos pelo SIMPLES, conforme fls. 17 a 19, e apresentação de declaração PJ/Simplificada para os anoscalendário 1997 a 2003 ficando omisso para os anoscalendário de 2004 e 2006, fls.20. A meu ver, a omissão na apresentação da Declaração PJ/Simplificada para o anocalendário 2004 não tem o condão de descaracterizar a inequívoca intenção da pessoa jurídica em optar pelo Simples, uma vez que no referido anocalendário os recolhimentos continuaram sendo feitos pela sistemática do Simples. Diante do exposto, meu voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, reconhecendo o seu direito de ser incluída no Simples, com efeitos retroativos a 01/01/1997, conforme requerido. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 129DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 13837.720896/2014-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E DECISÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca a matéria submetida à apreciação no processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Isso porque há prevalência do entendimento emanado esfera judicial sobre eventual decisão administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E DECISÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca a matéria submetida à apreciação no processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Isso porque há prevalência do entendimento emanado esfera judicial sobre eventual decisão administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca a matéria submetida à apreciação no processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Isso porque há prevalência do entendimento emanado esfera judicial sobre eventual decisão administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 7. 72 08 96 /2 01 4- 60 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13837.720896/201460 Acórdão n.º 2402005.267 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 04/09, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2012, anocalendário de 2011, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais, em face da constatação da omissão de rendimentos recebidos do Itaú Unibanco S/A, no valor de R$103.207,12, tendo sido compensado o IRRF de R$13.347,48 incidente sobre esses rendimentos, conforme DIRF e, omissão de rendimentos decorrentes de reclamatória trabalhista, no valor de R$ 8,00. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendose os valores apurados pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 25/02/2015 (fls. 311), o interessado interpôs, em 13/03/2015, o recurso de fls. 312/313. Nas razões recursais aduz que não houve a concomitância de instância administrativa e judicial, assim como não ocorreu a omissão de rendimentos sinalizada no lançamento fiscal. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. DA CONCOMITÂNCIA ENTRE A DEMANDA JUDICIAL E A ESFERA ADMINISTRATIVA Cumpre frisar que, na Ação Ordinária n.º 2002.51.01.0149953, o contribuinte demanda que seja declarada inexigibilidade total de IRPF sobre os proventos de aposentadoria complementar recebidos da Rioprevidência, sucessora da PreviBanerj. Nessa ação judicial foi deferida a antecipação de tutela para determinar o depósito judicial do valor retido na fonte a título de imposto de renda sobre a complementação de aposentadoria. A sentença de primeiro grau julgou procedente o pedido, mas o acórdão do TRF da 2ª Região julgou parcialmente procedente o pedido, declarando a inexigibilidade de IRPF sobre a complementação de aposentadoria pelos autores recebida, na medida de suas próprias contribuições durante a égide da Lei 7.713/88, estando prescritos os recolhimentos de IRPF anteriores a 01/08/1992. A decisão foi mantida pelo STJ, tendo transitado em julgado.Os autores promoveram a execução do julgado e foram opostos embargos à Execução autuados sob o nº 21013.51.01.0211309 (processo eletrônico) ainda em fase de julgamento (fls. 302). Constatase que a Recorrente busca na ação judicial o mesmo intento visado no recurso sob apreciação, ou seja, a incidência ou não do imposto de renda sobre a complementação de aposentadoria. Ora, existindo controvérsia já estabelecida no Judiciário que abrange a essa matéria, qualquer decisão de fundo a ser emanada por este Colegiado restaria ineficaz frente ao entendimento daquele Poder, prevalente nos termos do inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal, mormente quando tal entendimento já está abrigado sob o manto da coisa julgada, conforme destacado pelo recorrente no particular. Destacase que a existência de ação judicial versando sobre o mesmo objeto do processo administrativo atrai a incidência da Súmula CARF nº 1, de observância obrigatória pelos membros deste colegiado, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015): Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Dessa forma, muito embora as razões recursais arguidas, o fato é que as decisões proferidas no bojo dos processos 2002.51.01.0149953 (Ação Ordinária) e 21013.51.01.0211309 (Embargos à Execução), fls. 41/299, deverão ser simplesmente Fl. 322DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13837.720896/201460 Acórdão n.º 2402005.267 S2C4T2 Fl. 4 5 cumpridas pela administração tributária federal, não sendo necessária a eventual manifestação adicional deste Colegiado acerca do tema. CONCLUSÃO: Voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 13971.000035/99-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991
Ementa:
JULGAMENTO DE MATÉRIA ESTRANHA AO CONTEÚDO DOS AUTOS. EMBARGOS INOMINADOS. NULIDADE DO ACÓRDÃO.
A decisão que julga pedido não formulado no recurso caracteriza-se como extra petita. A decisão contendo esse tipo de erro deve ser anulada em virtude do princípio da congruência.
Numero da decisão: 9303-003.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento aos embargos de declaração para anular o processo a partir da decisão de 2ª instância, inclusive. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López, que davam provimento para anular o acórdão embargado e apreciar a matéria objeto do recurso especial, negando-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1989, 1990, 1991 Ementa: JULGAMENTO DE MATÉRIA ESTRANHA AO CONTEÚDO DOS AUTOS. EMBARGOS INOMINADOS. NULIDADE DO ACÓRDÃO. A decisão que julga pedido não formulado no recurso caracterizase como extra petita. A decisão contendo esse tipo de erro deve ser anulada em virtude do princípio da congruência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento aos embargos de declaração para anular o processo a partir da decisão de 2ª instância, inclusive. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López, que davam provimento para anular o acórdão embargado e apreciar a matéria objeto do recurso especial, negandolhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. Tatiana Midori Migiyama – Relatora Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 00 35 /9 9- 26 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 3 1/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de embargos opostos pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM BLUMENAU – SC, em face do Acórdão nº 305.080, objeto do julgamento realizado em 2 de fevereiro de 2010, quando a 3ª Turma da CSRF julgou o recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL em decisão assim ementada: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1989, 1990, 1991 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o quinquênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido.” Para melhor compreensão dos pontos destacados pelo embargante, considero a manifestação dada em Despacho de folhas 362 a 3364 pelo ilustre Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual, peço vênia, para transcrevêla (Grifos meus): “Em sessão de julgamento realizada em 2 de fevereiro de 2010, a 3ª Turma da CSRF julgou o recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL, exarando o Acórdão nº 9303000.648, fls. 318 a 3571, em decisão assim ementada: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1989, 1990, 1991 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o quinquênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido. A DRF/BLUSC, autoridade administrativa regimentalmente incumbida da execução do Acórdão nº 9303000.648, vem agora aos autos para apontar erro material no julgamento perpetrado pela 3ª Turma da CSRF. Segundo a informação de fls. 359 e 360, acolhida pelo GABIN Fl. 367DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 3 1/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000035/9926 Acórdão n.º 9303003.436 CSRFT3 Fl. 366 3 SAORTDRFBLUSC, o voto condutor do Acórdão embargado e o provimento dado pelo julgamento estão dissociados da matéria controvertida nos autos. Pede saneamento. Com efeito, analisando os autos, verifico que, em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte questionou os índices de correção dos indébitos de Finsocial. O Acórdão da DRF/JFA nº 0913.476, de 6 de junho de 2006, decidiu a matéria nesses termos. Confirase a ementa: Anocalendário: 1989, 1990, 1991 Ementa: RESTITUIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. No âmbito da Secretaria da Receita Federal a atualização monetária, até 31/12/95, de valores pagos ou recolhidos no período de 01/01/88 a 31/12/91, para fins de restituição ou compensação, se dá de acordo com a Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR n.° 8/97. Solicitação Indeferida O Recurso Voluntário que se seguiu pediu reforma dessa decisão no que tange aos índices de atualização monetária utilizados pela Receita Federal para corrigir o crédito da recorrente. Nessa linha, o voto vencido do Acórdão nº 30238.936, de 12 de setembro de 2007, foi pelo desprovimento do recurso: Essa Câmara mesmo já teve oportunidade de julgar caso semelhante, em que a determinação judicial não tratava dos índices a serem aplicados, e a correção dos indébitos ficou conforme a norma administrativa: COMPENSAÇÃO. ÍNDICES DE CORREÇÃO. Determinação judicial que concede o direito à compensação, porém não trata de índices de correção a serem aplicados, logo, a correção dos indébitos atende ao que dispõe a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/1997. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Por maioria de votos, negouse provimento ao recurso, nos termos do relator. Vencidos os Conselheiros Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Luciano Lopes de Almeida Moraes que davam provimento. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 3 1/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Acórdão 30238030 MÉRCIA HELENA TRAJANO D’AMORIM 21/09/2006 Ex positis, voto por DESPROVER o recurso Sala das Sessões, em 12 de setembro de 2007 Porém, inexplicavelmente, o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Redator Designado para o voto vencedor, deu provimento ao recurso voluntário, para afastar decadência que jamais fora antes decretada, em julgamento que ficou assim ementado: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 1989, 1990, 1991 Ementa: FINSOCIAL – RESTITUIÇÃO – COMPENSAÇÃO – DECADÊNCIA. No caso de lançamento por homologação, sendo esta tácita, na forma da lei, o prazo decadencial se inicia após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional alegou justamente que o voto vencedor tratou de objeto estranho ao conteúdo dos autos. O Recurso Especial do Procurador foi admitido por meio do Despacho nº 302091, em 28/04/2008. As contrarrazões oferecidas ao Recurso Especial pediram o não conhecimento do apelo por falta de preenchimento dos pressupostos regimentais necessários. Por fim, o embargado Acórdão nº 9303000.648, em 02/02/2010, proveu o Recurso Especial, e reconheceu a prescrição, sem enfrentar a matéria efetivamente controvertida nos autos, qual seja, os índices utilizados na correção monetária. Conclusão Com essas considerações, acolho a manifestação da DRF/BLU/SC como embargos inominados, para que a decisão seja corrigida, mediante a prolação de novo acórdão. Incluase o presente processo em lote de sorteio a um dos conselheiros da 3ª Turma da CSRF. assinado digitalmente CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 369DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 3 1/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000035/9926 Acórdão n.º 9303003.436 CSRFT3 Fl. 367 5 Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais” Em respeito ao Despacho emitido pelo Presidente da Câmara Superior de fls. 362 a 364, recepciono esse processo sorteado para essa conselheira. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Conheço dos embargos interpostos pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM BLUMENAU – SC como embargos inominados, pois tempestivos e admissíveis, já que, depreendendose da análise dos autos, fica evidente que o acórdão embargado da Câmara Superior de Recursos Fiscais apreciou matéria estranha ao conteúdo dos autos. Eis que analisou o dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito, enquanto a lide a ser apreciada envolveria os índices a serem utilizados na correção monetária do indébito tributário. O que, por consequência, acolho os embargos como inominados, para anular o acórdão embargado e passar a apreciar a lide posta na Manifestação de Inconformidade apresentada em 20/12/2001 (fls. 129/133), bem como no Recurso Voluntário de 11.7.2006 (fls. 274/280) – que, por sua vez, foi apreciado pela 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes. Para tanto, trago os dizeres do art. 66, Anexo II, da Portaria MF 343/2015 – RICARF atual: “Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 3 1/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente.” Ainda que a 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes tenha apreciado corretamente a matéria, vêse claro que o Acórdão 30238.936, que contemplou o voto vencido e voto vencedor, contemplou no voto vencedor e, por conseguinte, na ementa, matéria estranha ao conteúdo dos autos, pois discorreu sobre prazo prescricional para requerimento da restituição. É de se esclarecer que o conteúdo do voto vencido estava correto, já que contemplou devidamente a matéria da lide. A lide versava sobre os índices a serem aplicados quando da correção de indébitos no âmbito da Administração Tributária, e não sobre prazo prescricional para a restituição de indébito tributário. A partir desse julgamento, constatase a ocorrência de sucessivos equívocos, vez que: · Quando da realização da ciência do acórdão da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes à Procuradoria da Fazenda Nacional, houve a apresentação de Recurso Especial contra a decisão, alegando, exatamente, que o voto “vencedor” tratou de objeto estranho ao conteúdo dos autos; A Fazenda Nacional, inclusive trouxe em seu pedido o que segue: Índices não condizem com a realidade econômica brasileira – os índices deveriam refletir sempre a inflação dos períodos – ou seja, a desvalorização do dinheiro no tempo. a. Da Fazenda Nacional: · No caso de cumprimento de determinação judicial que concede o direito à compensação, porém não trata de índices de correção a serem aplicados, para fins de correção dos indébitos, devese observar a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/1997. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 3 1/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000035/9926 Acórdão n.º 9303003.436 CSRFT3 Fl. 368 7 No que tange a aplicação dos índices de correção monetária, entendo que os índices oficiais utilizados pela recorrente estão corretos, pois devem refletir sempre a inflação dos períodos – a desvalorização do dinheiro no tempo. Ainda que em decisão judicial que favorece o contribuinte, não ter havido qualquer referência aos expurgos inflacionários que agora na esfera administrativa o interessado solicita, entendo que seria cabível seu reconhecimento. Eis que o direito à correção monetária, nada mais é que a recomposição monetária em virtude da inflação ocorrida no lapso temporal, restabelecendo o "status quo", fazendo com que a desvalorização natural da moeda não influa no montante reclamado, devendo ser aplicada desde o pagamento indevido, em obediência à Súmula n° 162, do STJ que estatui que "na repetição de indébito, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido." Ademais, proveitoso esclarecer que essa matéria já foi tratada no Parecer PGFN/CRJ º 2.601, aprovado pelo PGFN em 20/11/2008, o qual, submetido à apreciação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda, foi por este aprovado, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, do que decorreu a expedição do Ato Declaratório nº 10/2008, do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, que assim dispõe, in verbis: “(...) DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: ‘Nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007.’” No mesmo Parecer o Sr. ProcuradorGeral da Fazenda Nacional também determina que “Com a publicação, dêse ciência do presente Parecer ao Senhor Secretário da Fl. 372DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 3 1/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Receita Federal, para a finalidade prevista nos §§ 4º e 5º do art. 19 da Lei no 10.522, de 19.07.2002.” Portanto, verificase que a matéria foi tratada de forma mais benéfica pela Administração Fazendária nas hipóteses de pedidos de restituição ou compensação de valores recolhidos indevidamente, o que se deve observar para as decisões judiciais que reconhecem o indébito tributário, ainda que não contemplem especificamente quais os índices de atualização do indébito que devem ser considerados nos pedidos de restituição/compensação, por não se justificar a existência de tratamento disforme entre as esferas judicial e administrativa. Em vista de todo o exposto, acolho os embargos apresentados pela Delegacia da Receita Federal como inominado, anulando o Acórdão da CSRF nº 9303 000.648, e, apreciando devidamente a lide contemplado no conteúdo dos autos do processo, nego provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Voto Vencedor Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Redator designado. A discordância da maioria do Colegiado com a relatoria original se refere ao reflexo que a decisão dos embargos dará ao processo. Pela relatoria original, o acórdão embargado deveria ser anulado e a Terceira Turma da CSRF analisaria o mérito novamente do recurso especial e negaria provimento ao mérito do pedido. Contudo, a maioria do colegiado entendeu de forma diversa. Decidiu que o acórdão deveria ser anulado e a nova decisão daquela turma seria no sentido de anular a decisão da 2ª instância administrativa. Entendo perfeita a decisão vencedora pelos motivos que passo a discorrer. Compulsando e cotejando as matérias postas nos autos, em especial, no recurso voluntário, no acórdão de 2ª Instância, no recurso especial, no acórdão da CSRF e, por fim, nos embargos de declaração opostos pela DRF, identifico que a turma baixa (2ª instância) julgou matéria estranha a lide, fato que configurou que sua decisão foi extra petita. Reproduzo as linhas traçadas pelo embargante para demonstrar que a decisão contemplou pedido que não fora objeto dos recursos especial e do voluntário: Fl. 373DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 3 1/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000035/9926 Acórdão n.º 9303003.436 CSRFT3 Fl. 369 9 Em tempo, a requerente apresentou Recurso Voluntário em 11/07/2006 (fls. 274/280), contestando novamente a forma da correção utilizada e citando julgados do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, 3ª Região e Superior Tribunal de Justiça. Foi emitido o Acórdão nº 30238.936, em 12/09/2007, pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 283/289), provendo o recurso voluntário interposto e no qual constam relatados os votos “vencido” e “vencedor”. Ocorre que o voto “vencido” discorre sobre o pleito do requerente, qual seja, sobre quais índices a serem aplicados quando da correção de indébitos no âmbito da Administração Tributária, enquanto o voto “vencedor” discorre sobre o prazo prescricional para requerimento da restituição. Quando da realização da ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional, a qual deuse em 16/04/2008 (fl. 291, 293/296), houve a apresentação de Recurso Especial contra a decisão então proferida pelo Terceiro Conselho de Contribuintes, alegando, exatamente, que o voto “vencedor” tratou de objeto estranho ao conteúdo dos autos. O Recurso Especial do Procurador foi admitido, através de exame de admissibilidade exarado no despacho nº 302091 em 28/04/2008 (fls. 303/305). A requerente apresentou ainda, contrarrazões ao Recurso Especial (fls. 308/310), em 04/08/2008, alegando que o Recurso Especial apresentado não preenche os pressupostos regimentais necessários. Por fim, foi emitido o Acórdão nº 9303000.648, em 02/02/2010, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 318/357), provendo o Recurso Especial, e reconhecendo a prescrição postulada, não sendo citado, em nenhum momento, nada relativo ao pleito do contribuinte, qual seja, os índices utilizados na correção monetária. Considerando as incoerências detectadas entre o objeto da contestação inicialmente apresentada, qual seja, na manifestação de Inconformidade (atualização monetária), e com o resultado do último Acórdão emitido (prescrição), proponho a devolução do presente processo à Câmara Superior de Recursos Fiscais para o que entender necessário Cravada essa premissa, veremos que a decisão extra petita deve ser anulada em virtude do princípio dispositivo e do princípio da congruência. Impossível a vida em sociedade sem uma normatização do comportamento humano. Daí surgir o direito como conjunto das normas gerais e positivas, disciplinadoras da vida social. As normas de direito são traçadas abstratamente como previsão a ser observada nas relações intersubjetivas. São normas de conduta ditadas para a generalidade dos membros da coletividade. Em situações concretas, geram, para determinadas pessoas, a faculdade de exigir de outras uma certa conduta, positiva ou negativa. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 3 1/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Quando o indivíduo pretende satisfazer uma necessidade, ele procura o objeto adequado. Pode, no entanto, ocorrer que outra pessoa também avoque a si a faculdade de satisfazerse às custas do mesmo bem. Surge então o conflito de interesses, que ocorre justamente quando a situação favorável à satisfação de uma necessidade, se verificada em relação a um sujeito, exclui a possibilidade de constituirse a mesma situação relativamente a outro sujeito. Caso o conflito não possa ser resolvido pela composição voluntária, sendo mantida a resistência oposta por uma das partes à pretensão da outra, temos a lide. Para manter o império da ordem jurídica, assegurar a paz social e regular a composição dos litígios, cria o estado normas jurídicas que formam o direito processual, também denominado formal ou instrumental, por servir de forma ou instrumento de atuação da vontade concreta das leis de direito material ou substancial, que há de solucionar o conflito de interesses estabelecido entre a partes, sob forma de lide. Com o azo de solucionar tais conflitos, a ordem jurídica instituiu o remédio denominado “processo”. O renomado doutrinador Chiovenda conceitua “processo” como sendo “um complexo dos atos coordenados ao objetivo da autuação da vontade da lei, com respeito a um bem que se pretende garantido por ela, por parte dos órgãos julgadores”. Tem como finalidade precípua ser um método para a aplicação do direito de forma uniforme, justa e certa. A lide será resolvida pelo julgador, tal com foi posta. Com efeito, o litígio será resolvido nos limites da pretensão resistida, sendo defeso os julgamentos extra petita, matéria estranha à lide; ultra petita, mais do que a lide, e citra petita, julgamento que não analisou toda a lide. Destarte, o julgador não pode apreciar matéria que não faz parte do litígio, a decisão terá sempre que versar sobre a pretensão resistida. A esse fenômeno darse o nome de princípio da congruência. Em suma, é vedado julgamento de matéria incontroversa posta nos autos. O conselheiro Henrique Pinheiro Torres define de forma didática o princípio da congruência, verbis: Como conseqüência lógica dos princípios dispositivos e da demanda, há o que a doutrina denominou de princípio da congruência (adstrição) ou da correspondência, entre o pedido e a sentença, que impede o julgador de atuar sobre matéria que não foi objeto de expressa manifestação pelo titular do interesse. Por conseguinte, é o pedido que limita a extensão da atividade judicante. Daí, considerarse extra petita a decisão sobre pedido diverso daquilo que consta da petição inicial. Será ultra petita a que for além da extensão do pedido, apreciando mais do que foi pleiteado. Por fim, é citra petita a decisão que não versou sobre a totalidade do pedido. Em suma, pelo princípio da congruência, deve haver perfeita correspondência entre o pedido e a decisão. Não sendo lícito ao julgador ir além, aquém ou em sentido diverso do que lhe foi pedido. Em outras palavras, o julgamento da causa é limitado pelo pedido, não podendo o julgador dele se afastar, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, bases em que se assenta a atividade judicante. Assim, o julgado que vai além da matéria devolvida no recurso ao colegiado, indiscutivelmente, viola esses princípios. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 3 1/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000035/9926 Acórdão n.º 9303003.436 CSRFT3 Fl. 370 11 O professor Arruda Alvim define a decisão extra petita: A sentença será extra petita quando se pronunciar sobre o que não tenha sido objeto do pedido. Haverá infração clara ao próprio princípio dispositivo, consagrado como princípio medular do sistema, o qual deve inspirar todo o pronunciamento judicial, inclusive a sentença. A sentença extra petita viria a subtrair ao réu a legitima possibilidade de se ter defendido, pois não teria ele tido oportunidade de manifestarse sobre o que viria a ser decidido, e que não foi o pedido. (...) A jurisprudência tem reiteradamente entendido ser nula a sentença que decidir extra petita, nulidade esta que deve se declarada de ofício. Conforme já relatado, o Colegiado de 2ª Instância julgou matéria estranha a lide. Diante do erro apontado na decisão, cabe analisarmos que tipo de erro foi cometido e qual será consequência. Não tenho dúvida que proferir decisão sobre matéria que não foi objeto da lide e, por consequência, se omitir da matéria da lide é caso de error in procedendo, senão vejamos: Parto pela autorizada lição do Professor JOSÉ AFONSO DA SILVA, verbis: A distinção fundamental está em que o juiz erra in procedendo, quando viola uma norma de direito processual, destinada a indicarlhe o modo de regular a sua conduta e a das partes durante o processo. Ensina o Professor AMÂNCIO FERREIRA: A decisão é errada por padecer de error in procedendo, quando se infringe qualquer norma processual disciplinadora dos diversos atos processuais que integram o procedimento. Plácido e Silva define error in procedendo com sendo erro no processar, ou erro de processo, que consiste na aplicação de regra de direito processual diferente da que deveria incidir, ou na nãoaplicação da regra incidente, por dolo processual, malícia, ignorância, desídia, ou interpretação errônea. Segundo pacificada doutrina, o error in procedendo consiste no defeito de forma que contamina a decisão enquanto ato jurídico, tornandoa inválida. O error in procedendo é marcado pela existência de vício na estrutura, na construção do ato jurídico consubstanciado na decisão jurisdicional, o que justifica a cassação, ou seja, a invalidação do decisum. Para Alexandre Freitas Câmara o error in procedendo está sempre ligado ao descumprimento de uma norma de natureza processual, e consiste em vício formal da decisão, Fl. 376DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 3 1/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 que acarreta sua nulidade. Nesta hipótese, o objeto do recurso não será a reforma da decisão recorrida, mas sua invalidação. Em síntese, o error in procedendo consiste em vício de forma, em defeito estrutural, de construção do pronunciamento jurisdicional que deve ser resolvido com a nulidade do decisum que o contém. Feitas essas considerações, voto no sentido de anular a decisão de 2ª Instância de devolver os autos para que o Colegiado a quo profira uma nova decisão observando o objeto do pedido posto no recurso voluntário. É como voto. Sala de sessões, 23/02/2016 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 377DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 3 1/03/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13888.002396/2004-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
Ementa:
PRAZO DECADENCIAL DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. INAPLICABILIDADE PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PREVISTO NO ARTIGO 74 DA LEI Nº 9.430/1996.
A verificação da liquidez e certeza do direito creditório não se sujeita ao prazo decadencial previsto nos artigos 150, §4º e 173 do CTN. O prazo para homologação da compensação é de cinco anos contados da data de entrega da declaração de compensação, nos termos do artigo 74, §5º da Lei nº 9430/1996.
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. VEDAÇÃO.
O valor dos impostos recuperáveis não compõe o estoque de abertura de que trata o artigo 12 da Lei nº 10.833/2003, conforme os artigos 289, 290, 292, 293 e 294 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda).
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO PREVISTOS NO ARTIGO 15 DA LEI Nº 10.865/2004. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PARA COMPENSAÇÃO APENAS PARA SALDOS CREDORES GERADOS A PARTIR DE 9/08/2004 EM VIRTUDE DO DISPOSTO NO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. COMANDO DO ARTIGO 16 DA LEI Nº 11.116/2005.
Somente os saldos credores gerados a partir de 9/08/2004, decorrentes de créditos apurados na forma do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 em virtude do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, podem ser objeto de compensação, podendo ser efetuada a partir de 19/05/2005.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-003.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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INAPLICABILIDADE PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PREVISTO NO ARTIGO 74 DA LEI Nº 9.430/1996. A verificação da liquidez e certeza do direito creditório não se sujeita ao prazo decadencial previsto nos artigos 150, §4º e 173 do CTN. O prazo para homologação da compensação é de cinco anos contados da data de entrega da declaração de compensação, nos termos do artigo 74, §5º da Lei nº 9430/1996. CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. VEDAÇÃO. O valor dos impostos recuperáveis não compõe o estoque de abertura de que trata o artigo 12 da Lei nº 10.833/2003, conforme os artigos 289, 290, 292, 293 e 294 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda). CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO PREVISTOS NO ARTIGO 15 DA LEI Nº 10.865/2004. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PARA COMPENSAÇÃO APENAS PARA SALDOS CREDORES GERADOS A PARTIR DE 9/08/2004 EM VIRTUDE DO DISPOSTO NO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. COMANDO DO ARTIGO 16 DA LEI Nº 11.116/2005. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 23 96 /2 00 4- 75 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.002396/200475 Acórdão n.º 3302003.129 S3C3T2 Fl. 347 2 Somente os saldos credores gerados a partir de 9/08/2004, decorrentes de créditos apurados na forma do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 em virtude do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, podem ser objeto de compensação, podendo ser efetuada a partir de 19/05/2005. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Declarações de Compensação com utilização de créditos da nãocumulatividade de Cofins, relativo ao mês de maio de 2004. A fiscalização efetuou as seguintes glosas, reconhecidas em despacho decisório, cientificado em 30/10/2009: 1. Glosa da inclusão do ICMS na base de cálculo do crédito presumido do estoque de abertura, por entender que o ICMS, sendo tributo recuperável, não compõe o valor do estoque, conforme artigo 12, §1º da Lei nº 10.833/2003 e artigo 289, §3º do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/99); 2. Glosa de créditos de importação vinculados a receitas de exportação, no período entre 1º/05/2004 a 8/08/2004, por falta de previsão legal. Em manifestação de inconformidade, a recorrente, alegou: 1. A decadência do direito de glosar os referidos créditos por aplicação do art. 150, §4º do CTN; 2. A necessidade de se incluir o ICMS na base de cálculo do crédito presumido relativo ao estoque de abertura, em razão de que este valor compôs a base de cálculo das contribuições incidentes na receita do vendedor, por ocasião das aquisições; Fl. 347DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.002396/200475 Acórdão n.º 3302003.129 S3C3T2 Fl. 348 3 3. A possibilidade de aproveitamento de créditos de importação vinculados a receitas de exportação, em virtude de inexistência de norma jurídica que condicione o aproveitamento a receitas tributadas; A Quinta Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1435.922, cuja ementa transcrevese: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/05/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIAS E DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. A perícia deve ser solicitada e a documentação comprobatória das alegações deve ser juntada quando da apresentação da manifestação de inconformidade, ou posteriormente nas condições do disposto no artigo 57 do Decreto nº 7.574, de 2001. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da apresentação da declaração. Base Legal: Art. 94, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. VEDAÇÃO. Não se inclui no saldo do estoque de abertura existente em 30/04/2004 o valor dos impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Base legal: Art. 289 do RIR/99. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. VALOR PAGO NA IMPORTAÇÃO. O saldo acumulado dos créditos relativos as importações sujeitas ao pagamento do PIS e Cofins, apurados a partir de 09/08/2004, poderão ser utilizados em compensação ou ressarcimento somente a partir de 19/05/2005. Base legal: Art. 16, parágrafo único, da Lei nº 11.116, de 2005. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 348DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.002396/200475 Acórdão n.º 3302003.129 S3C3T2 Fl. 349 4 Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações deduzidas na manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente alegou decadência do direito de reajustar a base de cálculo dos créditos. A compensação submetida à Administração Tributária mediante a entrega de Declaração de Compensação sujeitase ao prazo homologatório de cinco anos a partir da data de entrega da referida declaração, conforme artigo 74, §5º da Lei nº 9.430/96.1 A homologação compreende, dentre outros, a verificação dos pressupostos jurídicos e fáticos atinentes ao direito creditório e sua análise é prerrogativa da Administração Tributária e não configura lançamento de ofício, mas procedimento para aferir a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. A recomposição da base de cálculo, seja na base de receita seja no creditamento da nãocumulatividade, pode ser efetivada sem a necessidade de lavratura de Auto de Infração, pois é condição para se concluir pela procedência do pedido. Por outro lado, a tese defendida pela recorrente não se aplica ao caso presente, pois o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º e no artigo 173 do CTN se refere ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito escriturado. Ressalvase que um lançamento de ofício seria inócuo, pois não há constituição de crédito tributário e serviria apenas para estabelecer o contraditório e ampla defesa, o que já está garantido em análises de declarações de compensação, pois que submetidas ao rito processual do Decreto nº 70.235/1972, a teor do §11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Neste sentido, citase julgado desta turma: 1 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) [..] § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 349DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.002396/200475 Acórdão n.º 3302003.129 S3C3T2 Fl. 350 5 Acórdão nº 3302002.353: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DE DIFERENÇAS. Apurando o Fisco diferença entre o valor pleiteado e o valor que entende devido a título de ressarcimento de PIS ou Cofins, não pode a Autoridade Fazendária efetuar o pagamento do valor pleiteado, posto que ilíquido e indevido. Há que ser firmado o entendimento sobre o valor exato do crédito a ressarcir. A apuração darseá por meio de discussão em lançamento de ofício ou por meio de glosa efetuada no próprio pedido de ressarcimento. Rejeitase, assim, a prejudicial argüida. Inclusão do ICMS na base de cálculo do estoque de abertura. O artigo 12 da Lei nº 10.833/2003dispõe que a pessoa jurídica possui direito à apuração de crédito presumido correspondente ao estoque de abertura de bens na data do início da incidência nãocumulativa da contribuição, conforme transcrito abaixo: Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. (Produção de efeito) § 1o O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque. § 2o O crédito presumido calculado segundo os §§ 1o, 9o e 10 deste artigo será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) § 3o O disposto no caput aplicase também aos estoques de produtos acabados e em elaboração. Por sua vez, os artigos 289, 290, 292 a 294 estabelecem: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). Fl. 350DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.002396/200475 Acórdão n.º 3302003.129 S3C3T2 Fl. 351 6 § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; [...] Art. 292. Ao final de cada período de apuração do imposto, a pessoa jurídica deverá promover o levantamento e avaliação dos seus estoques. Art. 293. As mercadorias, as matériasprimas e os bens em almoxarifado serão avaliados pelo custo de aquisição (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, §§ 3º e 4º, e Lei nº 6.404, de 1976, art. 183, inciso II). Art. 294. Os produtos em fabricação e acabados serão avaliados pelo custo de produção (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, § 4º, e Lei nº 6.404, de 1976, art. 183, inciso II). Depreendese, pois, que os estoques são avaliados pelos custos de aquisição, não se incluindo nos referidos os impostos recuperáveis, como é o caso do ICMS de que trata a lide. Neste sentido, citamse os Acórdãos nº 3403003.305, proferido em 14/10/2014 e nº 3801001.796, proferido em 20/03/2013, cujas ementas transcrevemse: Acórdão nº 3403003.305: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. ESTOQUE DE ABERTURA. ICMS. EXCLUSÃO. Na composição do estoque de abertura de que trata o art. 11 da Lei no 10.637/2002 deve ser excluído o ICMS, conforme art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda. Acórdão nº 3801001.796: CRÉDITO PRESUMIDO ESTOQUE DE ABERTURA VALORAÇÃO DO ESTOQUE LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. O estoque de abertura deve ser valorado segundo os critérios adotados para fins do imposto de renda e o valor do ICMS, quando recuperável, não integra o valor dos estoques a ser utilizado como base de cálculo do crédito presumido. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.002396/200475 Acórdão n.º 3302003.129 S3C3T2 Fl. 352 7 A recorrente alega que o crédito está diretamente relacionado à incidência na etapa anterior. Entretanto, o regime de creditamento é delineado pelas hipóteses previstas, as quais definem a base de cálculo e as alíquotas e, não necessariamente, se vinculam diretamente à incidência na etapa anterior. Exemplo é a aquisição de insumo adquirido de um fornecedor tributado pelo lucro presumido (portanto, tributado a 3% para a Cofins), cujo crédito ocorre a 7,6% no adquirente sujeito à nãocumulatividade. Outro exemplo, diametralmente oposto à questão do ICMS aqui tratado, referese ao IPI não recuperável, o qual compõe o custo de aquisição gerando crédito da nãocumulatividade2, apesar de consistir em exclusão da base de cálculo da incidência da exação3. Destarte, nego provimento ao recurso nesta matéria. Direito à compensação de saldos credores relativos a créditos de importação vinculados a receitas de exportação, no período entre 1º/05/2004 a 8/08/2004 O direito ao creditamento em operações de importação surgiu com a instituição da incidência das contribuições para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação pela Lei nº 10.865/2004, e foi delineado nos artigos 15 a 18 da referida lei. O artigo 15 dispõe: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Regulamento)(grifo não original) Observase que a lei não mencionou os artigos 5º da Lei nº 10.637/2002 e 6º da lei 10.833/2003, e, conforme ocorrido nestas leis, o regramento do creditamento vinculado à exportação foi estabelecido à parte dos artigos terceiros, a saber: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Produção de efeito I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; 2 Art. 66, §3º da IN SRF nº 247/2002 3 Art. 24, inciso III da IN SRF n º 247/2002 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.002396/200475 Acórdão n.º 3302003.129 S3C3T2 Fl. 353 8 II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (Produção de efeito) I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Destacase que o §1º de cada artigo vincula o creditamento à exportação, apurado na forma do art. 3º das referidas leis, delimitando o alcance dos créditos vinculados às receitas de exportação, bem como definindo a forma de utilização de tais créditos, o que impede a aplicação dos artigos 5º e 6º acima transcritos aos créditos de importação. Entretanto, em 9/08/2004, foi publicada a MP nº 206/2004, cujo art. 16 dispunha: Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. A exposição de motivos desta medida provisória estabelece no item 19 que “As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.”, conferindo caráter interpretativo ao Fl. 353DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.002396/200475 Acórdão n.º 3302003.129 S3C3T2 Fl. 354 9 dispositivo. O artigo 16 tornouse artigo 17 na conversão da medida provisória na Lei nº 11.033/2004, mantendose a redação. Assim, as exportações não impedem a manutenção dos créditos a ela vinculados sejam decorrentes dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 ou da Lei 10.833/2003, sejam decorrentes do art. 15 da Lei nº 10.865/2004. A manutenção implica a possibilidade de desconto das contribuições sujeitas à incidência nãocumulativa, mas não possibilita, por si, a compensação ou o ressarcimento. Neste sentido, em 19/05/2005, foi publicada a Lei 11.116/2005, a qual estipulou em seu artigo 16 as formas de utilização de determinados créditos em vista do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, nos seguintes termos: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.(grifo não original) Inferese que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005, em seu parágrafo único, restringiu a utilização para compensação ou ressarcimento apenas dos saldos credores gerados a partir de 9/08/2004, com pedidos formulados a partir de 19/05/2005, o que torna indevida a compensação realizada pela recorrente com saldos credores apurados em maio de 2004, ressalvada, porém, a possibilidade de utilização destes saldos para desconto. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 354DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.002396/200475 Acórdão n.º 3302003.129 S3C3T2 Fl. 355 10 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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