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Numero do processo: 12963.000076/2007-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DESCABIMENTO
Cabe desqualificar a multa de ofício sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários no Brasil, em conta própria, quando não resta comprovado procedimento tendente a prejudicar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador. Hipótese em que as provas trazidas aos autos são insuficientes para comprovação do dolo.
Aplicável ao caso a Súmula CARF n° 25.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 19/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DESCABIMENTO Cabe desqualificar a multa de ofício sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários no Brasil, em conta própria, quando não resta comprovado procedimento tendente a prejudicar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador. Hipótese em que as provas trazidas aos autos são insuficientes para comprovação do dolo. Aplicável ao caso a Súmula CARF n° 25. Recurso especial negado.
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DESCABIMENTO Cabe desqualificar a multa de ofício sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários no Brasil, em conta própria, quando não resta comprovado procedimento tendente a prejudicar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador. Hipótese em que as provas trazidas aos autos são insuficientes para comprovação do dolo. Aplicável ao caso a Súmula CARF n° 25. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 00 76 /2 00 7- 11 Fl. 779DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 12963.000076/200711 Acórdão n.º 9202003.937 CSRFT2 Fl. 10 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 19/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Do Processo Até a Decisão Recorrida Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física (efls. 06 a 12), acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, tendo em vista omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O detalhamento do Auto de Infração AI se encontra relatado no Termo de Verificação de Fiscal, às efls. 15 a 17. O procedimento fiscal decorreu de demanda externa à RFB, pela 4ª Vara da Justiça Federal de Minas Gerais, visando a instruir investigação criminal sobre possível prática de crime de lavagem e ocultação de bens, direitos e valores instaurada pelo Ministério Público em Minas Gerais, relativamente a terceiros com quem o contribuinte estava envolvido. O auto de infrações foi objeto de impugnação, em 11/07/2007, às efls. 445 a 465 dos autos. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ em Juiz de Fora que, por unanimidade, em 09/05/2008, no acórdão 0919.283, às efls. 474 a 484, rejeitou as preliminares arguidas e julgou o lançamento impugnado procedente para manter o crédito tributário lançado no auto de infração. Inconformado, o contribuinte, em 09/06/2008, apresentou recurso voluntário, às e fls. 488 a 502, no qual reiterou as razões de impugnação. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento julgou o recurso voluntário em 27/09/2011, resultando no acórdão n° 220201.397, às efls. 507 a 551, assim ementado: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 12963.000076/200711 Acórdão n.º 9202003.937 CSRFT2 Fl. 11 3 O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A COMPETÊNCIA PARA O AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL LANÇAR TRIBUTOS FEDERAIS INDEPENDE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de norma administrativa a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. DILIGÊNCIA/PERÍCIA FISCAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 12963.000076/200711 Acórdão n.º 9202003.937 CSRFT2 Fl. 12 4 Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA. APURAÇÃO MENSAL. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações ao fisco divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de contas bancárias movimentadas no Brasil e/ou no exterior, rendimentos, bens ou direitos, mesmo que de forma reiterada, por si só, não caracteriza evidente Fl. 782DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 12963.000076/200711 Acórdão n.º 9202003.937 CSRFT2 Fl. 13 5 intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. Pedido de perícia rejeitado. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. O acórdão teve a seguinte redação: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de perícia e as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga votou pelas conclusões quanto à preliminar de nulidade do lançamento em função de possíveis irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Do Recurso Especial da Fazenda Em 1º/12/2011, foi apresentado Recurso Especial de Divergência (RE) da Procuradoria da Fazenda, às efls. 555 a 562, contestando a desqualificação da multa aplicada no AI , em contradição ao § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, dada a infringência dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1966. A conduta reiterada e sistemática do contribuinte nos anoscalendário de 2003 e 2004, revelaram o evidente intuito de fraude, o que se comprovou nos autos "por sua ação firme, abusiva e sistemática, em burla ao cumprimento da obrigação fiscal, demonstrou conduta consciente que procura e obtém determinado resultado: enriquecimento sem causa". Como paradigma da divergência, indica o Acórdão nº 10195.282 da 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 12963.000076/200711 Acórdão n.º 9202003.937 CSRFT2 Fl. 14 6 O Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção da CARF, em 09/02/2012, através do Despacho n° 220200.888, às efls. 583 a 589, concluiu pela existência da divergência suscitada pela Procuradoria da Fazenda e deu seguimento ao RE da Fazenda, para que seja reapreciada a questão multa qualificada. Em 12/04/2012, foi dada ciência ao contribuinte (efls. 697 e 699) da Intimação SACAT nº 0074/2012, de 28/03/2012, juntamente com o acórdão recorrido, o RE da Procuradoria da Fazenda e o Despacho nº 220000.888 acima descritos. Do Recurso Especial do contribuinte Já em 16/12/2011, o contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência RE ao acórdão recorrido, às fls. 592 a 607. No RE suscita divergência nas seguintes matérias: a) nulidade do procedimento por quebra de sigilo bancário sem autorização judicial; b) cerceamento de defesa pela juntada de documento sem oportunidade de o Contribuinte manifestarse; c) presunção relativa baseada em depósitos bancários e o ônus da prova; d) incerteza e iliquidez do crédito tributário lançado e ausência de motivação adequada ao artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996; e e) necessidade de realização de diligências e perícias. Como paradigmas trouxe as íntegras de acórdãos: do STF no Recurso Extraordinário nº 3089.808/PR, e nº 10617.192, da 6ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Além desses, citou os acórdãos 10417.752, 10192.691 e 10807.508. Usou como paradigma da divergência para a matéria b) o acórdão 104 17.752; para a matéria c) referiu os acórdãos 10617.192 e 10807.8508; e para matéria d) os acórdãos 10617.192 e 10192.691. Não se divisou paradigmas postos para sustentação de divergência nas matérias a) e e). Em face do RE do contribuinte, a Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF efetuou despacho que, com base nos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009 denegou o seguimento daquele recurso. Os motivos da denegação foram: inexistência de indicação de paradigmas relativamente aos itens a) e e) acima citados. Para o item b) não houve a necessária similitude fática em ter o acórdão recorrido e o paradigma. No tocante a matéria posta em c), foram indicados os acórdãos paradigmas de divergência de números 10617.192 e 10807.508, sendo o primeiro, pelo contrário, convergente com o recorrido e o segundo não cumpria os requisitos dos §§ 7º e 9º do art. 67 do RICARF. Por fim, a matéria tratada em d) utilizase de dois acórdão de divergência paradigmáticos: nº 10617.192 e 10192.691, sendo que o primeiro envolvia valoração de prova e não interpretação da norma em face de fatos similares e o segundo também não cumpria os requisitos dos §§ 7º e 9º do art. 67 do RICARF. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 12963.000076/200711 Acórdão n.º 9202003.937 CSRFT2 Fl. 15 7 O despacho acima descrito foi mantido integralmente pelo Presidente do Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em despacho às efls. 755 e 756, datado de 09/04/2015, negando seguimento ao RE do contribuinte. Contrarrazões do contribuinte Em 23/04/2012, o contribuinte juntou, às efls. 701 a 707, contrarrazões ao RE da Fazenda Nacional. Reafirma a inexistência de qualquer falsidade material ou ideológica que permita a qualificação da penalidade aplicada. O ônus probatório da existência de fraude é da fiscalização e ainda que o contribuinte tivesse se mantido em erro relativamente às contas bancárias, isso não implicaria fraude. Em conclusão, requer que o RE fazendário não seja conhecido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso da Procuradoria é tempestivo. À época da apreciação do RE da Fazenda, em 09/02/2012, a sua análise teve por base o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, naquele ordenamento o RE cumpria os requisitos para sua admissibilidade. No presente processo, ainda que a ação fiscal tenha decorrido de demanda do Poder Judiciário a partir de investigação criminal sobre possível prática de crime de lavagem e ocultação de bens, direitos e valores instaurada pelo Ministério Público em Minas Gerais, não consta qualquer afirmativa de que o contribuinte tenha sido denunciado em algum delito daquela natureza e no próprio relatório fiscal nada se encontra nesse sentido. Nem mesmo encontrei nos autos qualquer informação ao juízo quanto a uma possível incompatibilidade entre os valores de movimentação financeira e o patrimônio do contribuinte. No Termo de Verificação Fiscal foi informado que a aplicação da penalidade qualificada foi disposta "em face à ocorrência, em tese, de Crime contra a Ordem Tributária, conforme delineia os arts. 1° e 2° da lei n° 8.137/90" (efl. 17, CONCLUSÃO, primeiro parágrafo). Ou seja, a fiscalização fundamentou a qualificação da penalidade com base em um crime, em tese, que dependeria da apuração que ela própria realiza e deveria fundamentar. Ou seja, restou a omissão, por si só. Assim, a qualificação aparentemente se deu pela simples omissão decorrente dos depósitos que o contribuinte não foi capaz de comprovar e que, tendo ocorrido em dois períodos consecutivos, teria sido reiterada. Não há sequer indicação de conjunto probatório indiciário que permita concluir pela existência de dolo ou fraude. Sendo esse o caso, para a multa referente à infração de omissão de rendimentos recebido no país, lançada por presunção de depósitos bancários de origem não comprovada, não há que haver qualificação, devendo ser reduzida ao percentual normal de 75%. Nesse sentido, faço referência à jurisprudência deste colegiado, conforme a seguir: Fl. 785DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 12963.000076/200711 Acórdão n.º 9202003.937 CSRFT2 Fl. 16 8 ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:2002,2003,2004,2005 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). Recurso Especial do Procurador negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Por fim, considerando que a constatação de infração em dois anos consecutivos não seja comprovação suficiente de dolo, entendo ser aplicável ao caso a súmula CARF 25: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 786DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 12963.000076/200711 Acórdão n.º 9202003.937 CSRFT2 Fl. 17 9 Fl. 787DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009774/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1196 a 31/01/2005
NORMAS GERAIS. RENÚNCIA, DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso.
No presente caso, como confessado pela parte, a ação judicial e o acordo entre a contribuinte e a União, conforme determinação regimental, configuram a desistência do recurso, motivo do seu não conhecimento.
Numero da decisão: 2301-004.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1196 a 31/01/2005 NORMAS GERAIS. RENÚNCIA, DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. No presente caso, como confessado pela parte, a ação judicial e o acordo entre a contribuinte e a União, conforme determinação regimental, configuram a desistência do recurso, motivo do seu não conhecimento.
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RENÚNCIA, DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. No presente caso, como confessado pela parte, a ação judicial e o acordo entre a contribuinte e a União, conforme determinação regimental, configuram a desistência do recurso, motivo do seu não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 97 74 /2 00 7- 22 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.009774/200722 Acórdão n.º 2301004.310 S2C3T1 Fl. 300 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Feito o registro. Na presente NFLD estão sendo cobrados os débitos referentes às contribuições destinadas à Seguridade Social relativas à parte dos segurados, bem como à parte patronal, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais (trabalhadores autônomos) e segurados empregados (estagiários em descordo com a legislação específica e trabalhadores contratados mediante contrato administrativo) – no período de 08/1996 a 12/2004, conforme relatório fiscal às fls. 56 a 60. Não concordando com o lançamento, a autuada apresentou impugnação, na forma das fls167 e ss. A Delegacia da Receita Previdenciária em Belo Horizonte exarou a decisão de fls. 198 a 209, mantendo o lançamento fiscal. Não concordando com a decisão de primeira instância, o autuada interpôs recurso, fls. 204 a 220. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. Em análise dos autos, o CARF decidiu, segundo a Resolução 2302000196, fls. 0230, converter o julgamento em diligência, a fim de: Desse modo, deve o julgamento ser convertido em diligência para que seja juntada cópia da petição inicial do mandado de segurança, bem como do acordo judicial. Também deve ser informado se o presente auto de infração está incluído no Parcelamento Especial. Após juntadas das informações deve ser oportunizado prazo para que o Estado de Minas Gerais se manifeste acerca dessa Resolução, bem como dos dados juntados. Os documentos solicitados foram juntados e a fiscalização emitiu parecer, com a seguinte informação: Fl. 301DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 1. Em cumprimento à diligência determinada pela 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Resolução nº. 230200.127, relativa a NFLD nº 37.062.8411, juntamos ao presente cópia do Mandado de Segurança – Proc. Nº. 1999.38.00.0178182 e do Acordo Judicial celebrado ente União e o Instituto Nacional do Seguro Social –INSS e o Estado de Minas Gerais. 2. Conforme planilha encaminhada pelo Estado, através do oficio nº101/2011, também juntada ao presente, a NFLD em referência, foi apenas parcialmente incluída no parcelamento. 3. Cópia deste despacho está sendo encaminhada ao contribuinte para ciência e manifestação no prazo de 30 dias a contar da data do recebimento. A contribuinte foi cientificada e manifestouse, fls. 0295, informando que o crédito em litígio foi objeto de acordo e está parcelado. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.009774/200722 Acórdão n.º 2301004.310 S2C3T1 Fl. 301 5 Voto Conselheiro Relator, Relator Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui que utilizarei do registro em ata do que foi decidido. Feito o registro. Quanto ao conhecimento, cabe esclarecer questão. A contribuinte confessa sua dívida e afirma que o parcelamento foi efetivado. Assim, determinação do Regimento Interno do CARF define a questão: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente Portanto, há desistência do recurso, motivo de seu não conhecimento. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por não conhecer do recurso, nos termos do voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10166.725150/2014-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ATRAVÉS DE AÇÃO JUDICIAL. DEDUÇÃO DE DESPESAS NECESSÁRIAS AO SEU RECEBIMENTO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
1. A dedução das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento da renda está sujeita à comprovação (§ 2º do art. 12-A da Lei nº 7.713/1988).
2. A inexistência de comprovação viabiliza a incidência do imposto sobre o montante total dos rendimentos tributáveis recebidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ATRAVÉS DE AÇÃO JUDICIAL. DEDUÇÃO DE DESPESAS NECESSÁRIAS AO SEU RECEBIMENTO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. 1. A dedução das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento da renda está sujeita à comprovação (§ 2º do art. 12-A da Lei nº 7.713/1988). 2. A inexistência de comprovação viabiliza a incidência do imposto sobre o montante total dos rendimentos tributáveis recebidos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS NECESSÁRIAS AO SEU RECEBIMENTO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. 1. A dedução das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento da renda está sujeita à comprovação (§ 2º do art. 12A da Lei nº 7.713/1988). 2. A inexistência de comprovação viabiliza a incidência do imposto sobre o montante total dos rendimentos tributáveis recebidos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 51 50 /2 01 4- 02 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 10166.725150/201402 Acórdão n.º 2402005.231 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 20ª Turma da DRJ/RJ1, cuja ementa e resultado são os seguintes: OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Assim, foi mantida integralmente a exigência do crédito tributário constituído através de Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física, no valor total de R$ 13.197,79, decorrente da seguinte acusação: a) omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 30.896,40. A decisão da DRJ se sustenta basicamente nas seguintes premissas: b) o fato de o recebimento dos rendimentos decorrer de decisão judicial não os torna, por si só, não sujeitos à tributação pelo imposto de renda ou isentos. Caberia ao contribuinte, para afastar a regra geral de que todos os rendimentos são tributáveis, comprovar eventual natureza isentiva dos mesmos ou demonstrar que parte do valor corresponderia a honorários advocatícios ou despesas judiciais, desde que não ressarcidas ou indenizadas sob qualquer forma; c) apesar de não ter juntado a petição inicial e as decisões proferidas no processo judicial, depreendese das fls. 07/15, que a interpretação da contribuinte acerca da natureza isenta dos valores recebidos é equivocada visto que o intuito da ação impetrada pela impugnante, servidora pública do Instituto Nacional de Seguro Social, é o reconhecimento de reajuste salarial, ou seja, diz respeito a verbas que sujeitamse normalmente à incidência do imposto de renda. A contribuinte tomou ciência da decisão em 06/02/2015 (fl. 53) e apresentou a petição de fls. 56/57 em 24/02/2015, que será recebida como recurso, na qual alegou o seguinte: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 4 d) foi recebido um valor líquido de R$ 24.956,01, conforme cópia de extrato bancário do Banco do Brasil, e não R$ 30.896,40; e) o valor foi distribuído da seguinte forma: IRRF de R$ 926,89; e honorários advocatícios de R$ 5.013,50, pagos ao advogado nominado e identificado no recurso; f) o valor tributável é de R$ 24.956,01 e o valor devido a título de IRPF já foi devidamente pago. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 10166.725150/201402 Acórdão n.º 2402005.231 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da omissão de rendimentos Inicialmente, cumpre observar que os rendimentos em questão foram recebidos no anocalendário 2010, conforme ofício e cálculo de fls. 14/15. Desta forma, o presente caso é regido pelo art. 12A da Lei nº 7.713/1988, com a redação da Lei nº 12.350/2010, conversão da MP nº 497/2010, conforme se vê abaixo, sendo inaplicável o precedente do STF, RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado. “Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. § 1o O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. § 2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. § 3o A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: I – importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 6 por escritura pública; e II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 4o Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1o e 3o. § 5o O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2o, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do ano calendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. § 6o Na hipótese do § 5o, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual. § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. § 8o (VETADO) § 9o A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo.” Consoante DAA de fls. 19 e seguintes, o programa gerador da declaração já contava com campo específico para a declaração dos rendimentos tributáveis de pessoa jurídica recebidos acumuladamente pelo titular ou dependentes. Logo, os rendimentos em questão, correspondentes àqueles descritos no caput da norma encimada, deveriam ter sido declarados naquele campo específico (regra do caput) ou, opcionalmente, serem oferecidos ao ajuste anual (opção prevista no § 5º). No caso concreto, a recorrente omitiu rendimentos, pois não declarou a quantia de R$ 30.896,40, comprovadamente recebida através de ação proposta perante a Justiça Federal. Ademais, ela não comprovou, através de recibo ou de nota fiscal, ter efetivamente pago a quantia de R$ 5.013,50, a título de honorários advocatícios. É importante mencionar que o extrato bancário de fl. 61 não faz prova do pagamento, mormente porque apenas registra um determinado montante creditado na conta da própria recorrente. A propósito, o fato de ela não ter comprovado, mediante documentação hábil e idônea, o efetivo pagamento da quantia e o seu respectivo beneficiário, impede que se possa tributar o titular da renda que, segundo ela, é o advogado. Logo, a recorrente não se desincumbiu de seu ônus probatório, ex vi do art. 15 do Decreto nº 70.235/1972. Por fim, e muito embora a recorrente alegue que o valor tributável seja de R$ 24.956,01 e que o valor devido a título de IRPF já foi devidamente pago, verificase que nem mesmo esse valor ela declarou, tampouco efetuou o alegado recolhimento. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 10166.725150/201402 Acórdão n.º 2402005.231 S2C4T2 Fl. 5 7 3 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI
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Numero do processo: 10925.002196/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
Ementa:
INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS.
A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE.
No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO.
As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS.
Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer o direito ao crédito (i) na aquisição de amônia e outros insumos (ii) de combustíveis e lubrificantes, (iii) de peças de reposição (iv) das embalagens de apresentação e (v) produtos de conservação e limpeza.
Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito em relação aos serviços especificados no Arquivo 6.A, exceto para serviços de transporte de gordura, carga de resíduos, serviços nas câmaras frias de armazenagem de produtos acabados, instalações e montagens de equipamentos, no valor de R$ 159.560,77, conforme planilha inserida no voto, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que reconheciam o direito de crédito para outros serviços não diretamente ligados ao processo produtivo propriamente dito
Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito na aquisição de Embalagem de Transporte, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Ricardo Paulo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro o Walker de Araújo.
Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito para os fretes sobre venda de produto acabado e produto agropecuário.
Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os gastos com fretes na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo.
Por unanimidade, em manter a glosa em relação aos gastos com frete na aquisição de insumos, cuja descrição refere-se a "Diversos, Outras Cargas, Conforme NF" ou sem descrição do produto adquirido.
Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com frete (i) de transferência de leite "in natura" dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos de coleta; (ii) de remessa e retorno à análise laboratorial e (iii) de remessa e retorno para conserto para manutenção dos bens de produção.
Por unanimidade de votos, em manter a glosa ao direito de crédito nos gastos com frete (i) na transferência entre os Centros de Distribuição, (ii) produto acabado, (iii) transferência do produto agropecuário para revenda (iv) aquisição de material para uso e consumo e (v) venda locais presumidos.
Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os gastos com frete intitulado "Consignação", vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo.
Por unanimidade de votos, em manter a glosa ao direito de crédito nos gastos com fretes (i) na aquisição de produto agropecuário para revenda, (ii) na aquisição de ativo imobilizado (iii) na devolução de vendas (iv) de remessa e retorno de armazenagem de produtos acabados e (v) fretes diversos. Os Conselheiros Domingos de Sá, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado votaram pelas conclusões em relação ao frete na devolução de vendas.
Por unanimidade de votos, em manter a glosa em relação à depreciação da BALANÇA ROD. CFE. NT:12049 SATURNO BALANCAS RODOVIARIAS (FOTO 05), MAQUINA PALETIZADORA WLP-150 NT:41508 SERRALGODAO MAQUINAS LTDA (FOTO 8), MAQUINA PALETIZADORA SMLP-150 COM RAMPA NF-46231 SERRALGODAO COM. LTDA, (FOTO 19), EMPILHADEIRA ELETRICA RETRAK STILL MOD:FME 17 G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E (FOTO 24), CARREG BAT.JLW FA48 100T SERIE:25364 E 25365 C/CARRINHO DE BATERIAS NF:64150 EMP (foto 25), TRANSPORTADORES DEROLETES POR GRAVIDADEND 73-TRILOG COM.DE MAQUINAS E INSTALACO (foto 27), TRANSPALETEIRA YALE MPE060-F/A89 C/BATERIA E CARREGADOR NF:2519 MACROMAQ EQUIP.L (foto 31) , MAQUINA PALETIZADORA SMLP-200 C/RAMPA SERIE 40174.19.0407 NF:49790 SERRALGODAO C (foto 32),, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETEIRA MOD:PL-3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P (foto 34), CARROS PARA CONGELADOS CFE. NF:9173-FRIGO INDUSTRIAL LTDA-CAMARAS FRIAS (foto 35).
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
(assinado digitalmente)
Walker Araújo
Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 21 96 /2 00 9- 45 Fl. 4326DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 3 2 As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer o direito ao crédito (i) na aquisição de amônia e outros insumos (ii) de combustíveis e lubrificantes, (iii) de peças de reposição (iv) das embalagens de apresentação e (v) produtos de conservação e limpeza. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito em relação aos serviços especificados no Arquivo 6.A, exceto para serviços de transporte de gordura, carga de resíduos, serviços nas câmaras frias de armazenagem de produtos acabados, instalações e montagens de equipamentos, no valor de R$ 159.560,77, conforme planilha inserida no voto, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que reconheciam o direito de crédito para outros serviços não diretamente ligados ao processo produtivo propriamente dito Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito na aquisição de Embalagem de Transporte, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Ricardo Paulo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro o Walker de Araújo. Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito para os fretes sobre venda de produto acabado e produto agropecuário. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os gastos com fretes na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo. Por unanimidade, em manter a glosa em relação aos gastos com frete na aquisição de insumos, cuja descrição referese a "Diversos, Outras Cargas, Conforme NF" ou sem descrição do produto adquirido. Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com frete (i) de transferência de leite "in natura" dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos de coleta; (ii) de remessa e retorno à análise laboratorial e (iii) de remessa e retorno para conserto para manutenção dos bens de produção. Fl. 4327DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 4 3 Por unanimidade de votos, em manter a glosa ao direito de crédito nos gastos com frete (i) na transferência entre os Centros de Distribuição, (ii) produto acabado, (iii) transferência do produto agropecuário para revenda (iv) aquisição de material para uso e consumo e (v) venda locais presumidos. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os gastos com frete intitulado "Consignação", vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo. Por unanimidade de votos, em manter a glosa ao direito de crédito nos gastos com fretes (i) na aquisição de produto agropecuário para revenda, (ii) na aquisição de ativo imobilizado (iii) na devolução de vendas (iv) de remessa e retorno de armazenagem de produtos acabados e (v) fretes diversos. Os Conselheiros Domingos de Sá, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado votaram pelas conclusões em relação ao frete na devolução de vendas. Por unanimidade de votos, em manter a glosa em relação à depreciação da BALANÇA ROD. CFE. NT:12049 SATURNO BALANCAS RODOVIARIAS (FOTO 05), MAQUINA PALETIZADORA WLP150 NT:41508 SERRALGODAO MAQUINAS LTDA (FOTO 8), MAQUINA PALETIZADORA SMLP150 COM RAMPA NF46231 SERRALGODAO COM. LTDA, (FOTO 19), EMPILHADEIRA ELETRICA RETRAK STILL MOD:FME 17 G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E (FOTO 24), CARREG BAT.JLW FA48 100T SERIE:25364 E 25365 C/CARRINHO DE BATERIAS NF:64150 EMP (foto 25), TRANSPORTADORES DEROLETES POR GRAVIDADEND 73TRILOG COM.DE MAQUINAS E INSTALACO (foto 27), TRANSPALETEIRA YALE MPE060 F/A89 C/BATERIA E CARREGADOR NF:2519 MACROMAQ EQUIP.L (foto 31) , MAQUINA PALETIZADORA SMLP200 C/RAMPA SERIE 40174.19.0407 NF:49790 SERRALGODAO C (foto 32),, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETEIRA MOD:PL3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P (foto 34), CARROS PARA CONGELADOS CFE. NF:9173FRIGO INDUSTRIAL LTDACAMARAS FRIAS (foto 35). (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator (assinado digitalmente) Walker Araújo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Fl. 4328DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 5 4 Relatório Trata o presente de pedido de ressarcimento de créditos de PIS/Pasep não cumulativa, relativo ao terceiro trimestre de 2007, cumulado com declarações de compensação. As glosas efetuadas pela fiscalização se referiram a: 1. Aquisições de bens para revenda sujeitos à alíquota zero; 2. Aquisições de produtos não consideradas insumos: material de embalagem de transporte de produtos acabados(caixas de papelão, filme stretch, bobina lisa); produtos à alíquota zero; peças de manutenção em geral; materiais de construção; outros itens (bonés, aventais, botas, luvas, cadeado, grama); 3. Aquisições de serviços não considerados insumos: conservação e limpeza, manutenção das instalações da indústria, carga de resíduos, dedetização, fretes estabelecimentos; 4. Fretes sobre vendas relativos a transporte entre unidades de coleta e produção e entre produção e unidades de venda; 5. Encargos de depreciação de bens do imobilizado relativo a bens adquiridos anteriormente a 1º/05/2004, a bens usados, veículos de transporte da administração, máquinas e equipamentos não ligados diretamente à produção e alguns itens por falta de comprovação documental; 6. Reclassificação de créditos presumidos da agroindústria, inseridos no ressarcimento e glosados para manter apenas a possibilidade de desconto, além de glosa de parte dos créditos por falta de comprovação. Em manifestação de inconformidade, a recorrente, alegou: 1. Ofensa ao princípio da nãocumulatividade das contribuições, propugnando pela tese de que os créditos deveriam ser calculados sobre os custos e despesas gerais necessários à obtenção da receita, não podendo ser restringido por normas infraconstitucionais; 2. Que embora reconhecesse correta a glosa de aquisições à alíquota zero, cometeu equívoco ao inserir na base de débitos de valores relativos a revenda de produtos sujeitos à alíquota zero; 3. Que dentre os valores relativos às glosas de material de embalagem, estavam contidos valores relativos a embalagens para apresentação; 4. Que as embalagens destinadas apenas ao transporte de produtos industrializados também deveriam ser consideradas como insumos; 5. Que os produtos glosados como insumos adquiridos à alíquota zero foram de fato tributados e se inserem no conceito de insumos; Fl. 4329DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 6 5 6. Que as peças de reposição em geral se referiam à manutenção de máquinas e equipamentos da linha de produção; 7. Que os combustíveis e lubrificantes glosados foram utilizados em geradores de energia e empilhadeiras utilizadas no setor produtivo; 8. Que os demais produtos glosados como insumos foram utilizados no processo produtivo, relacionandoos em planilha com descrição da utilização; 9. Que os serviços glosados referiamse à manutenção industrial, resfriamento do leite, dentre outras utilizações no processo produtivo; 10. Que foram glosados indevidamente fretes nas aquisições de insumos e fretes de transferência de insumos entre a coleta do leite e a indústria; que os fretes entre a indústria e os pontos de venda deveriam ser considerados fretes sobre vendas e que o despacho decisório desconsiderou os documentos apresentados; 11. Que, embora reconhecesse corretas as glosas relativas aos bens adquiridos anteriormente a 1º/05/2004, aos bens usados, aos veículos da administração, à correção monetária do imobilizado e outros, as máquinas e equipamentos objeto da depreciação foram utilizados na produção de bens destinados à venda. Ao final, pediu o reconhecimento dos créditos a favor da recorrente. A Quarta Turma da DRJ em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0723.190, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2007 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. DACON. ANÁLISE DO CRÉDITO. A utilização dos créditos das contribuições do PIS e da Cofins, apurados na sistemática da nãocumulatividade, é estabelecida pelo contribuinte por meio do DACON, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses crédito, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo DACON. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ANOCALENDÁRIO: 2007 Fl. 4330DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 7 6 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em interpretação literal da legislação, somente dará direito a crédito o frete contratado relacionado a uma "operação de venda". O mero deslocamento dos produtos acabados do estabelecimento industrial até o estabelecimento distribuidor da empresa, onde ocorrerá a efetiva venda, não integra a "operação de venda". REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, somente os que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INSUMOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As partes e peças adquiridas para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da Fl. 4331DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 8 7 contribuição, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando, preliminarmente a ofensa ao princípio da verdade material e da ampla defesa, e reprisa as alegações de mérito já deduzidas na manifestação de inconformidade, além de erro material contido na decisão recorrida. Pugnou, ainda, pelo afastamento das restrições de reconhecimento do crédito fundadas em equívocos no preenchimento do Dacon, conforme decidido em primeira instância, relativamente ao preenchimento de fretes de aquisições de insumos na linha de serviços como insumos e fretes sobre operações de venda, bem como dos fretes de entre os pontos de coleta e a produção. Por fim, reiterou a necessidade de exclusão dos valores de revenda de produtos sujeitos à alíquota zero, indevidamente incluídos pela recorrente na base de cálculo dos débitos. Na seção de 20/03/2012, esta turma converteu o julgamento em diligência para: 1. Estornar os valores relativos às revendas de produtos sujeitos à alíquota zero da base de cálculo dos débitos e apurar o saldo credor efetivo; 2. Que a recorrente possa demonstrar efetivamente que embalagens são de apresentação; 3. Distinguir as peças em geral que são utilizadas em manutenções da produção das que se refiram a máquinas e equipamentos que não se encontram na produção; 4. Verificar o uso da empilhadeiras que utilizem o gás Ultrasystem como combustível; 5. Verificar onde utilizase a amônia; 6. Demonstrar onde são aplicados os serviços glosados em geral; Fl. 4332DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 9 8 7. Que a recorrente demonstre separadamente os valores de fretes sobre vendas, fretes sobre aquisições e fretes entre estabelecimentos; 8. Que a recorrente comprove a origem e a composição dos valores relativos aos encargos de depreciação; O relatório final da fiscalização partiu do seguinte quadro de valores controversos, obtido do recurso voluntário e informou para cada item: Item Valor Controverso Inicial em Recurso Voluntário Embalagem de apresentação 1.991.420,56 Embalagem de transporte 384.053,55 Materiais de Reposição 1.041.017,06 Produtos de conservação e limpeza 207.359,15 Combustíveis e Lubrificantes 49.434,21 Outros insumos 32.084,27 Serviços 9.689.005,96 Fretes 6.153.507,21 Encargos de depreciação 83.839,39 1. Exclusão da revenda de produtos sujeitos à alíquota zero: o relatório final informou que tal exclusão apenas aumentou o saldo de créditos presumidos, mas não alterou o saldo sujeito ao pedido de ressarcimento; 2. Embalagens de apresentação: a diligência não reconheceu como de apresentação as destinadas a "proteger contra o impacto e sujeiras externas, facilitando o transporte (grifei) e estocagem e expressar as informações de endereço, SIF e código de barras", reconhecendo o crédito relativo às demais embalagens de apresentação; 3. Materiais de reposição: a diligência reconheceu que parte dos valores considerados pela recorrente deveria compor o ativo imobilizado por aumentar a vida útil dos bens objeto de manutenção em mais de um ano, representando acréscimo ao ativo imobilizado, sujeito a futuras depreciações; 4. Combustível usado nas empilhadeiras, gás Ultrasystem: a diligência informou o uso das empilhadeiras para transporte de bobina (embalagem lona vida) do almoxarifado à produção, bem como no recolhimento de leite da ponta da esteira até o local de reserva do leite, denominado "quarentena"; em relação aos demais insumos, apenas informou que a recorrente os relacionou como insumos aplicados na produção; Fl. 4333DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 10 9 5. Amônia: a diligência informou que o produto é utilizado em compressores para geração de água fria, usada na refrigeração de leite e derivados e nas câmaras frias para maturação de queijos; 6. Serviços em geral: a diligência informou manteve glosa parcial referente a serviços que não possuem relação direta com o processo produtivo ou que deveriam ser imobilizados por se tratarem de reformas, ampliações e modernização de instalações sujeito a futuras amortizações; manteve a glosa de outros serviços não relacionados diretamente com a produção, bem como de serviços que deveriam ser imobilizados; 7. Fretes: manteve a glosa de transferência de produtos acabados, transferência de produtos agropecuários para revenda, e frete na aquisição de imobilizado, passíveis de utilização mediante depreciação, em relação aos bens utilizados na produção. 12. Encargos do ativo imobilizado: a diligência informou apenas que a recorrente apresentou relação dos bens e respectivo serviço de reforma, bem como fotografias identificando os referidos. A recorrente, por sua vez, manifestouse sobre o resultado da diligência, alegando a juntada das informações prestadas em diligência no processo 10925.000034/2013 59, pois que as prestadas pela diligência foram parciais e imprecisas quanto à caracterização das embalagens para apresentação; que a diligência comprovou que as peças de reposição informadas em arquivo, cuja mídia foi juntada ao processo 10925.000034/201359, seriam consumidas em máquinas e equipamentos utilizados na industrialização e que o montante mantido em glosa contém erro material; que o montante de serviços glosados contém erro material; que seja reconhecido o direito à apropriação de créditos sobre a depreciação dos itens que não foram considerados insumos, mas que deveriam ser ativados no imobilizado. Concernente aos fretes, a recorrente entendeu comprovados os fretes não abordados no relatório fiscal, e reiterou o direito ao creditamento das glosas mantidas. Ao final, pediu o saneamento das inconsistências, a juntada da mídia constante do processo 10925.000034/201359 a este processo, que as intimações recaíssem no subscritor da manifestação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, destacase que a recorrente pugnou pela juntada da mídia constante do processo 10925.000034/201359, sob pena de se caracterizar cerceamento de defesa. Porém, as provas e informações constantes no processo são suficientes à formação de Fl. 4334DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 11 10 convicção sobre as matérias litigadas, como se demonstrará em cada tópico a ser abordado, razão pela qual entendo desnecessária tal providência. Requereu, ainda, o saneamento de erro material contido na decisão recorrida, o qual deferese, devendo ser considerado o valor de R$ 78.869,46 referente ao restabelecimento da glosa do item 4.5 para o mês de agosto/2007 e R$ 31.996,76 referente ao restabelecimento da glosa do item 4.6 para o mês de julho/2007. Passando à análise dos pontos controvertidos, é necessário expor o entendimento sobre o conceito de insumos para o PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos. A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 4335DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 12 11 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 4336DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 13 12 III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 4337DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 14 13 a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Fl. 4338DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 15 14 Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Constatase também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verificase que no REsp 1.246.317MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, decidiuse pela ilegalidade parcial do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, Fl. 4339DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 16 15 isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 RS, decidiuse pela legalidade das referidas INs e do conceito restrito de insumos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que lhe foram submetidas, apreciando de forma integral a controvérsia posta nos presentes autos. 2. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ). 3. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumos previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 4340DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 17 16 5. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos os bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 6. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 7. Recurso especial a que se nega provimento. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: Fl. 4341DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 18 17 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 4342DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 19 18 Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. Fl. 4343DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 20 19 O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ Fl. 4344DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 21 20 (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Estabelecidas as premissas acima, passase à análise específica dos pontos controvertidos. EXCLUSÃO DOS VALORES DE REVENDA DE PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO DA BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS Concernente a este item, restou constatado pela fiscalização que esta exclusão não alterou o saldo credor objeto do pedido de ressarcimento, mas apenas aumentou o saldo de créditos presumidos da agroindústria, passíveis apenas de serem descontados no valor de R$ 22.099,57, conforme relatório fiscal. EMBALAGEM DE APRESENTAÇÃO E EMBALAGEM DE TRANSPORTE A fiscalização efetuou a glosa por entender que as embalagens se destinam precipuamente ao transporte de produtos acabados nos termos do artigo 4º, inciso IV e artigo 6º do Decreto nº 4.544/2002: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): [...] IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou Art. 6º Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto, entenderseá (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso II): I como acondicionamento para transporte, o que se destinar precipuamente a tal fim; e II como acondicionamento de apresentação, o que não estiver compreendido no inciso I. Fl. 4345DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 22 21 § 1º Para os efeitos do inciso I, o acondicionamento deverá atender, cumulativamente, às seguintes condições: I ser feito em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; e II ter capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em que o produto é comumente vendido, no varejo, aos consumidores. § 2º Não se aplica o disposto no inciso II aos casos em que a natureza do acondicionamento e as características do rótulo atendam, apenas, a exigências técnicas ou outras constantes de leis e atos administrativos. § 3º O acondicionamento do produto, ou a sua forma de apresentação, será irrelevante quando a incidência do imposto estiver condicionada ao peso de sua unidade. O acórdão de primeira instância manteve a glosa, salientando que algumas embalagens poderiam gerar créditos, mas pela falta de documentação probatória, tais embalagens não poderiam ser consideradas. Em recurso voluntário, a recorrente defendeu que a legislação não diferenciou conceito de embalagem de apresentação e de embalagem de acondicionamento, sendo que ambas gerariam créditos da nãocumulatividade das contribuições. Alegou ainda que as embalagens destinadas a transporte não são passíveis de utilização e oneram o custo final do produto, constituindo custo de aquisição de insumos. Quanto à glosa de outras embalagens que acondicionam os produtos comercializados, a recorrente entendeu tratarem de embalagens de apresentação, não se destinando apenas ao transporte, mas garantindo a integridade dos produtos e destaque frente aos consumidores, não sendo passíveis de reutilização. Separou o que considera embalagens de apresentação R$ 1.991.420,56 de embalagens para transporte R$ 384.053,55. A resolução determinou a diligência para que a recorrente pudesse comprovar as embalagens que fossem de apresentação. O relatório fiscal elaborado reconheceu o direito a R$ 1.731.563,02, mantendo a glosa de R$ 259.857,54 relativa a embalagens consideradas como de transporte, além da glosa de R$ 384.053,55, valor reconhecido pela recorrente como embalagens de transporte. A distinção importa na caracterização da ocorrência ou não da operação de industrialização e definição da incidência do IPI quando condicionada à forma de embalagem, ou seja, situações que não são tratadas nas legislações do PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos. Salientase que a legislação do PIS/Pasep e Cofins quando quis utilizar definições do IPI o fez expressamente, como no §3º do artigo 10 da Lei nº 11.051/2004: Art. 10. Na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pela pessoa jurídica encomendante, no caso de industrialização Fl. 4346DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 23 22 por encomenda, aplicamse, conforme o caso, as alíquotas previstas: (Vigência) [...] § 3o Para os efeitos deste artigo, aplicamse os conceitos de industrialização por encomenda do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Por outro lado, embora as IN SRF nº 247/2002, artigo 66, e nº 404/2004, artigo 8º não tenham distinguido embalagem de apresentação de embalagem de transporte, para a embalagem ser considerada insumo, devese analisar se o dispêndio com este material compõe ou não o processo produtivo, no sentido de lhe ser inerente ou essencial. Primeiramente, destacase que as embalagens referentes a caixas de papelão referidas pela informação fiscal foram descritas pela recorrente nas efls. 1.157 a 1.199, razão pela qual é improcedente a alegação de necessidade de se juntar a mídia do processo 10925.000034/201359. No arquivo apresentado pela recorrente, constam as informações e fotografias de tais embalagens. Verificando estas informações, confirmase que a função precípua destas embalagens referese à facilitação de transporte e armazenamento dos produtos acabados, não integrando o processo produtivo, mas a fase seguinte de estocagem e acondicionamento para remessa. Na mesma função estão as embalagens já reconhecidas pela recorrente como de transporte, no valor de R$ 384.053,55. Portanto, dou provimento ao recurso para admitir o creditamento sobre R$ 1.731.563,02. PEÇAS EM GERAL PARA REPOSIÇÃO A resolução que deferiu a diligência requereu que fosse discriminado que peças teriam sido utilizadas em manutenções e que peças não teriam sido utilizadas. A diligência concluiu que da relação apresentada pela recorrente de R$ 1.041.017,06 glosados, R$ 770.897,29 se referiam à manutenção de máquinas e equipamentos, mas que, aparentemente, pela natureza, teriam sido considerados como acréscimos na vida útil dos equipamentos superior a um ano, nas máquinas e equipamentos usados na industrialização e que deveriam ser contabilizados no Ativo Imobilizado para futuras depreciações. Por seu turno, a recorrente se manifestou no sentido de que a diligência teria confirmado que todas as peças se referem à manutenção de máquinas e equipamentos, e, que caso se entendesse pela necessidade de ativação no imobilizado, que fosse concedido o crédito relativo à depreciação, pugnando ainda pela correção do valor glosado, de R$ 770.897,29 para 771.387,79. A recorrente apresentou arquivo contendo a relação de peças destinadas à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na industrialização, sendo que a autoridade fiscal questionou apenas R$ 771.387,79 (valor correspondente à soma da planilha constante na informação fiscal) como passível de imobilização, restando a diferença configurada dispêndios de manutenção industrial. Fl. 4347DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 24 23 Relativamente ao questionamento fiscal, o artigo 346 do Decreto nº 3.000/1999 dispõe: Art. 346. Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens e instalações destinadas a mantêlos em condições eficientes de operação (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48). § 1º Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes e peças resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição do respectivo bem, as despesas correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48, parágrafo único). § 2º Os gastos incorridos com reparos, conservação ou substituição de partes e peças de bens do ativo imobilizado, de que resulte aumento da vida útil superior a um ano, deverão ser incorporados ao valor do bem, para fins de depreciação do novo valor contábil, no novo prazo de vida útil previsto para o bem recuperado, ou, alternativamente, a pessoa jurídica poderá: I aplicar o percentual de depreciação correspondente à parte não depreciada do bem sobre os custos de substituição das partes ou peças; II apurar a diferença entre o total dos custos de substituição e o valor determinado no inciso anterior; III escriturar o valor apurado no inciso I a débito das contas de resultado; IV escriturar o valor apurado no inciso II a débito da conta do ativo imobilizado que registra o bem, o qual terá seu novo valor contábil depreciado no novo prazo de vida útil previsto. § 3º Somente serão permitidas despesas com reparos e conservação de bens móveis e imóveis se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Assim, as despesas de manutenção que acarretem o aumento da vida útil do bem, prevista na data de sua aquisição, devem ser ativadas e sujeitas a depreciações futuras. A motivação da autoridade fiscal foi a seguinte: "Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 3 a – Peças e materiais de rep.aplic.manut.maq.e equipamentos.pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, aparentemente teriam sido considerados como insumos equipamentos, aparelhos ou peças que pela natureza acresceriam vida útil superior a 1 ano as máquinas e equipamentos usados na industrialização de seus produtos. Por esta razão, não poderiam ser levadas diretamente a conta de despesa e, portanto computadas na base de cálculo dos créditos das contribuições Pis e Cofins, mas deveriam ser contabilizadas no Ativo imobilizado para futuras depreciações." Fl. 4348DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 25 24 Entendo que a motivação é por demais sucinta e sem comprovação, ainda que indiciária, do aumento de vida útil, pois não evidencia como ocorreria o aumento, transparecendo, inclusive falta de convicção na alegação, ao afirmar que "aparentemente" teriam sido considerados insumos que acresceriam vida útil. Neste sentido, citamse acórdãos: Acórdão nº 1401000.769: GASTOS COM REPAROS AUMENTO DA VIDA ÚTIL DO BEM Não comprovado, pelo Fisco, que o bem teve sua vida útil aumentada em mais de um ano, são admitidos como despesas operacionais os gastos com reparos, destinados a mantêlo em condições normais de funcionamento. Ainda que se comprovasse o aumento da vida útil dos bens, estarseia diante da inobservância do regime de competência, vez que deveria ser reconhecido o direito de deduzir as despesas por meio de depreciação. Nestes casos, o procedimento que deve ser adotado pela Autoridade Fiscal é o disposto no Parecer Normativo COSIT nº 02/96, sob pena se exigir o recolhimento do tributo que se sabe será restituído, vez que a empresa terá direito a apropriar as depreciações daqueles bens ativados. Acórdão nº 130200.463: DESPESAS COM REPAROS E CONSERVAÇÃO. ATIVAÇÃO. No caso de despesas com reparos e conservação de bens, a capitalização dos montantes correspondentes só deverá ser efetivada se dos reparos ou da conservação resultar aumento da vida útil do respectivo bem. Tratandose de procedimento de ofício, cabe à autoridade fiscal demonstrar tal ocorrência e, sendo o caso, a determinação do novo valor contábil do bem, do novo prazo de sua vida útil e, por decorrência, da taxa de depreciação a ser utilizada. Acórdão nº 10517.423: BENS IMOBILIZÁVEIS POR SUA NATUREZA Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens, de forma a mantêlos em condições eficientes de operação. Se isso não ficar caracterizado ou os consertos redundarem em aumento da vida útil do bem em mais de um ano, devese imobilizálo. Recurso de oficio conhecido e improvido. Acórdão nº 10322.314: GASTOS COM REPAROS AUMENTO DA VIDA ÚTIL DO BEM Não comprovado, pelo Fisco, que o bem teve sua vida útil aumentada em mais de um ano, são admitidos como despesas operacionais os gastos com reparos, destinados a mantêlo em condições normais de funcionamento. Fl. 4349DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 26 25 Portanto, entendo procedente o direito ao creditamento sobre o total de peças de reposição no valor de R$ 1.041.017,06. PRODUTOS DE CONSERVAÇÃO E LIMPEZA Em recurso voluntário, a recorrente apresenta planilha com utilização destes produtos como soda líquida, ácido nítrico, soda cáustica, e outros, na limpeza de carretas, silos e tanques, para esterilizar embalagens, como desincrustante de máquinas de iogurte, como detergentes lubrificantes para esteiras da produção de leite UHT, e como limpeza dos equipamentos de produção. Os relatórios de comprovantes de avaliação de rótulos do Serviço de Inspeção Federal SIF do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento MAPA indicam a exigência do referido órgão quanto aos controles de higiene operacional, como higiene externa de caminhões e interna de tanques, devendo, portanto, ser considerados bens inerentes ao processo produtivo. Neste sentido, citase decisão proferida pelo STJ no REsp 1.246.317, na qual entendeuse pela possibilidade de creditamento no caso de limpeza em indústria de gêneros alimentícios sujeita a rígidas normas da vigilância sanitária: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. [...] 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A Fl. 4350DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 27 26 assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido Assim, reconheço o creditamento sobre R$ 207.359,15. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES A recorrente pugnou pelo reconhecimento de R$ 49.434,21 relativos à utilização de gás Ultrasystem, graxas, óleos e lubrificantes que seriam usados em equipamentos do setor produtivo como empilhadeiras, máquinas do setor de leite longa vida etc. A diligência in loco confirmou a utilização das empilhadeiras no transporte de bobina para embalagem de lona vida do almoxarifado até a produção e também de esteira até o local de reserva do leite (chamado quarentena), bem como a relação de outros insumos indica sua utilização para lubrificação de máquinas e equipamentos da produção, em nada objetando o relatório fiscal. Assim, comprovada a utilização no setor produtivo, devem ser reconhecidos os créditos relativos a tais aquisições. AQUISIÇÃO DE AMÔNIA E OUTROS INSUMOS Quanto a este item, a diligência in loco constatou que o produto é utilizado na sala de máquinas, em compressores para geração de água fria, posteriormente utilizada na refrigeração do leite e derivados e nas câmaras frias de maturação de queijos. Pela descrição, podese inferir que a amônia é utilizada no processo produtivo, devendo ser reconhecido o creditamento no valor de R$ 1.139,20. Quanto aos demais insumos, referemse a produtos de análise físicoquímica e tratamento de água utilizada na caldeira e limpeza e manutenção de máquinas e peças. O relatório de diligência fiscal informou que tais limpezas e análises são exigência do Serviço de Inspeção Federal SIF obrigatório para manter o registro do produto no MAPA Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento MAPA e, portanto, devem ser considerados inerentes ao processo produtivo, sendo reconhecido o direito ao creditamento de R$ 30.945,07. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS LINHA 03 E DESPESAS DE FRETES E ARMAZENAGEM NA OPERAÇÃO DE VENDA LINHA 07 A fiscalização glosou serviços informados na linha 03 das fichas 4 e 6 do DACON Serviços utilizados como insumos no valor de R$ 9.689.005,96, constantes do Anexo III relativos a manutenções das instalações industriais, carga de resíduos, dedetização, Fl. 4351DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 28 27 etc e ainda fretes nas aquisições de insumos, fretes entre estabelecimentos (coleta e produção, produção e venda, armazenamento de queijo e retorno do produto à empresa). Em relação à linha 07, a fiscalização glosou R$ 6.153.507,21 a este título por falta de informações que pudessem relacionar o frete adquirido com as notas fiscais de venda, destacando ainda que fretes entre estabelecimentos não podem gerar créditos por falta de previsão legal, glosa esta mantida na primeira instância. A recorrente apresentou em cumprimento da diligência, o detalhamento correspondente a R$ 9.773.616,56, enquanto a glosa total para estes dois itens foi de R$ 15.842.513,17, o que implica manutenção da glosa de R$ 6.068.896,61 por falta de comprovação. Quanto aos serviços utilizados como insumos, a glosa mantida na primeira instância fundamentouse no fato de a recorrente não ter indicado ou explicado em que consistiriam estes serviços e onde seriam aplicados. A recorrente defendeu que tais serviços são utilizados na manutenção industrial, no resfriamento de leite, análises laboratoriais, armazenagem, locação de equipamentos industriais e outros, sendo essenciais ao processo produtivo. A resolução, então, solicitou a demonstração de que tais serviços seriam aplicados diretamente no processo produtivo dos bens destinados à venda, cujo cumprimento resultou na Intimação Saort 20130038CCV, da qual transcrevese a parte relativa aos serviços utilizados como insumos: 6. QUANTO AOS SERVIÇOS GERAIS, tais como: ”manutenção industrial (de empilhadeira, de equipamentos de queijaria, de caldeira, do setor de produtos UHT, etc), resfriamento do leite, reforma do equipamento queijomatic, dentre outros que são utilizadas nas etapas de manipulação do produto dentro da linha de produção daquelas que não se encontram dentro da linha de produção; 6.1 APRESENTAR relação de todas as notas fiscais de ENTRADA, correspondente aos serviços gerais (item 6) que sejam aplicados diretamente no processo produtivo de bens destinados à venda, contendo: CPF fornecedor/CNPJ emissor; nome do fornecedor; CNPJ estabelecimento de entrada; número da nota fiscal; data da emissão; data da entrada; CFOP; descrição do serviço; valor total; totalizador ao final de cada mês; discriminar os serviços gerais utilizados na produção dos que não se encontram na produção da empresa, por seção/setor onde podem ser localizadas. Em resposta, a recorrente informou ter apresentado planilhas contendo os serviços utilizados diretamente no processo produtivo (6.a), uma planilha denominada “demais serviços” (6.b) e uma planilha com serviços cuja função não foi identificada (6.c). O relatório fiscal resultado da diligência consignou que no arquivo 6.a serviços utilizados como insumos diretamente na produção a recorrente relacionou serviços que não seriam utilizados diretamente na produção ou que deveriam ser amortizados por Fl. 4352DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 29 28 ampliar a vida útil em mais de um ano, montando o valor de R$ 356.431,49. Da planilha 6.b, manteve a glosa de R$ 40.393,17, não se pronunciando sobre a planilha 6.c. A recorrente propugnou em sua manifestação sobre o resultado da diligência pelo reconhecimento do creditamento sobre os itens 6.a e 6.b. Relativamente à planilha 6.a, reiterase que a alegação de aumento de vida útil em mais de um ano necessita ser comprovada pela fiscalização, conforme já abordado anteriormente, o que novamente não ocorreu neste item. Já dentre os serviços relacionados na planilha 6.a, entendo que devem ser mantidas as glosas relativas a serviços de manutenção na ETE, treinamentos, serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, totalizando R$ 66.721,63, bem como relativos a instalações de máquinas, no valor de R$ 95.067,60, que pertencem ao ativo permanente, sendo sujeito à depreciação e não apropriados créditos como insumos. Dada a ausência de informação detalhada sobre estas montagens e instalações, a fim de se determinar a taxa de acordo com a IN SRF nº 162/1998 e a falta de demonstração do valor a ser depreciado pela própria recorrente, não há como deferir o creditamento por depreciação. As tabelas abaixo discriminam tais glosas: DESCRIÇÃO DO SERVIÇO VALOR R$ RECUPERAÇÃO DE ASFALTO (CÂMARAS FRIAS) 49.399,79 ISOLAMENTO TÉRMICO 1.666,66 ISOLAMENTO TÉRMICO 1.666,66 ISOLAMENTO TÉRMICO 1.666,66 TRANSPORTE DE GORDURA 3.426,20 CARGAS DE RESÍDUO 3.611,40 CARGAS DE RESÍDUO 3.055,80 TOTAL SERVIÇOS NÃO CONSIDERADOS INSUMOS 64.493,17 ATIVO PERMANENTE VALOR R$ INSTALAÇÃO DE MÁQUINA 3.498,54 SERVIÇO DE INSTALAÇÃO DE MÃQUINA 91.569,06 TOTAL ATIVO PERMANENTE 95.067,60 TOTAL DE GLOSA 159.560,77 Assim, dos R$ 429.366,63 demonstrados pela recorrente, efls. 1240, reconhecese o creditamento de R$ 269.805,86. Concernente ao item 6.b tratamse de serviços relativos a exames admissionais e demissionais, monitoramento de segurança, confecção de materiais de expediente, serviços de auditoria para certificação de qualidade ISO, serviços de hospedagem para terceirizados, que não possuem inerência ou são anteriores ao processo produtivo, devendo ser mantida a glosa de R$ 40.393,17. Relativamente ao item 6.c, a planilha não descreve sua função no processo nem o setor onde foram aplicados, portanto deve ser mantida a glosa de R$ 15.889,74. Assim, considerase comprovado o creditamento sobre R$ 269.805,86, relativos à planilha 6.a. Fl. 4353DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 30 29 Concernente aos fretes, as glosas ocorreram pela falta de informações que pudessem relacionar o frete adquirido com as notas fiscais de venda ou de insumos, destacando ainda que fretes entre estabelecimentos não podem gerar créditos por falta de previsão legal, glosa esta mantida na primeira instância por entender ainda que a informação em linha equivocada do Dacon ensejaria a manutenção da glosa. A recorrente defende que a glosa empreendida pelo Fisco foi arbitrária, que o mero equívoco na inserção de fretes de aquisição de insumos e transferência de insumos na linha de despesas de fretes sobre a venda não pode obstar o reconhecimento ao direito creditório, e ,por fim, pugna pelo creditamento quanto aos fretes nas aquisições de insumos, entre transferências de insumos entre os pontos de coleta e a indústria, aos fretes entre a produção e os pontos de venda e aos próprios fretes sobre a venda, solicitando ainda a baixa em diligência, caso se entendesse que as provas juntadas fossem insuficientes. Neste sentido, a resolução determinou a diligência para que a recorrente pudesse comprovar os fretes em operações de venda, bem como elaborasse demonstrativo, separando o frete sobre a aquisição de insumos, sobre as operações de vendas e sobre as transferências entre estabelecimentos. Intimada a realizar a separação, com apresentação de documentação probatória, a recorrente apresentou as seguintes planilhas: a) VENDA PROD. ACABADO: Frete na venda de produtos acabados (leite e derivados). b) VENDA PROD. AGROP.: Frete na venda de produtos agropecuários (ração e farelo de trigo). c) VENDA LOCAIS PRESUMIDOS: Fretes entre estabelecimentos da empresa de produtos acabados para efetuar a venda fora do estabelecimento. d) TRANSFERÊNCIA CD: Frete na transferência de produtos acabados dos seus estabelecimentos industriais até o Centro de Distribuição (CNPJ n° 83.011.247/001455) localizado na cidade de Curitiba PR. e) TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO: Frete na transferência de produtos acabados entre seus estabelecimentos industriais. f) TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA: Frete na transferência de produtos agropecuários (farelo e farelo de trigo) da matriz até os demais estabelecimentos, destinados à revenda. g) COMPRA INSUMOS: Frete na compra de insumos (leite in natura, lenha e cavaco, embalagens, ingredientes, etc). h) COMPRA USO E CONSUMO: Frete na compra de insumos (peças, etc.) classificados como de uso e consumo. i) TRANSFERÊNCIA PC: Frete na transferência de leite in naturais dos Postos de Coleta até os estabelecimentos industriais. Fl. 4354DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 31 30 j) TRANSFERÊNCIA PCPC: frete de leite in natura entre postos de coleta. k) CONSIGNAÇÃO: Frete na transferência de produtos (leite in natura e manteiga) do estabelecimento do remetente (fornecedor) até o estabelecimento destinatário (prestador de serviço de armazenagem e/ou resfriamento), tendo a TIROL como consignatário arcado com o ônus da operação. l) COMPRA PROD. AGROP. P/ REVENDA: Frete na compra de produtos agropecuários (farelo de soja, farelo de trigo, ração, sal mineral, calcário, suplementos para ração, etc), destinados à revenda aos produtores de leite. m) COMPRA IMOBILIZADO: Frete na compra de bens para o ativo imobilizado. n) DEVOLUÇÃO DE VENDAS: Frete referente devolução de venda de produtos acabados (leite longa vida, manteiga, etc). o) REMESSA ARMAZENAGEM: frete na remessa de queijos e manteiga dos estabelecimentos industriais para armazenagem em terceiros. p) RETORNO ARMAZENAGEM: frete no retorno de queijos e manteiga dos estabelecimentos de armazenagem em terceiros. q) REMESSA ANÁLISE: Frete na remessa de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados. r) RETORNO ANÁLISE: Frete no retorno de caixas/vasilhames nos quais foram remetidas as amostras de produtos (leite in natura) para análise em estabelecimentos terceirizados. s) REMESSA CONSERTO: Frete na remessa de bens (prensa, cilindro, pistão, etc.) para conserto. t) RETORNO CONSERTO: Frete no retorno de bens (filadeira, etc.) remetidos para conserto. u) DIVERSOS: Outros fretes não enquadrados nas classificações acima. O relatório final da diligência abordou apenas os fretes relacionados nas planilhas TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO, TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA e COMPRA IMOBILIZADO, entendendo pela impossibilidade de creditamento. Em manifestação ao relatório final de diligência, a recorrente reafirma o direito ao creditamento, seja como frete na aquisição de insumos, seja como fretes sobre vendas, bem como entende confirmado o creditamento sobre as demais planilhas. Inicialmente, salientase que, embora o relatório seja omisso quanto às demais planilhas, algumas descrições são suficientes para formação de convicção quanto à possibilidade de creditamento. Fl. 4355DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 32 31 Assim, os fretes nas aquisições de insumo devem ser reconhecidos por se tratarem de custo de aquisição, bem como os fretes de transferências de insumos entre estabelecimentos, por se tratarem de serviços aplicados durante o processo produtivo, incluindo aqui os fretes entre os pontos de coleta até a produção, conforme explicitado no FLUXO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO NA INDÚSTRIA: DE LACTICÍNIOS TIROL LTDA 01.1. TRANSPORTE 1º PERCURSO: Nesta primeira etapa há o custo de transporte, que é o valor pago ao transportador para fazer a coleta do leite na propriedade do produtor rural e sua transferência até os postos de resfriamento, ou dependendo da localização da propriedade e da indústria, o leite já é transferido diretamente para a indústria, sem passar pelo posto de resfriamento [...] 02.1. TRANSPORTE 2º PERCURSO: Nesta segunda etapa, há custo de transporte, que é o valor pago às transportadoras pelo serviço de transporte entre o posto de resfriamento e a indústria. Neste sentido, deve ser reconhecido o direito ao creditamento das seguintes planilhas, sobre as quais o relatório fiscal não se pronunciou: VENDA PROD. ACABADO e VENDA PROD. AGROP, por se tratarem de fretes sobre vendas, nos termos do inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. COMPRA DE INSUMOS: segundo a recorrente são fretes nas compras de insumos que compõem o custo de aquisição e geram direito a crédito. Entretanto, verificase na informação prestada pela recorrente, a aquisição referese a leite in natura, lenha, cavaco, embalagens, ingredientes e descrições genéricas como diversos, outras cargas, conforme nf, ou simplesmente sem descrição do produto adquirido. No caso de aquisição de leite, tratase de produto sujeito à alíquota zero, de acordo com o inciso XI do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004. Assim, como a própria recorrente expôs em sua peça recursal, o frete na compra de insumos compõe o custo de aquisição deste insumo, bem como o seguro pago pelo comprador. A base de cálculo do crédito é composta pelo custo de aquisição e sobre este aplicase a alíquota a que está sujeita o produto, no caso do leite, alíquota zero. Portanto, não há que se falar em hipótese autônoma de frete, mas sim hipótese de creditamento sobre a aquisição de um insumo, cuja base contém o frete e o seguro pagos. Porém, para os bens sujeitos à alíquota zero, não há crédito algum, nem do valor do bem, nem de frete, nem de seguro. Destarte, devem ser excluídas da planilha acima, os fretes vinculados à aquisição sujeitas à alíquota zero, bem cuja descrição referese a "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido, por não ser possível identificar a condição de insumos. Fl. 4356DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 33 32 TRANSFERÊNCIA PC e PCPC: Frete na transferência de leite in naturais dos Postos de Coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos. REMESSA ANÁLISE e RETORNO ANÁLISE: fretes na remessa e retorno de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados. REMESSA CONSERTO e RETORNO CONSERTO por se tratar de frete utilizado em manutenção de bens da produção, segundo informação da recorrente, não havendo qualquer objeção no relatório fiscal da diligência. Porém, relativamente às planilhas abaixo, entendo que a glosa deve ser mantida: * VENDA LOCAIS PRESUMIDOS: por se tratar de frete de produtos acabados anterior à operação de venda; TRANSFERÊNCIA CD frete na transferência de produtos acabados dos seus estabelecimentos industriais até o Centro de Distribuição (CNPJ n° 83.011.247/001455) localizado na cidade de Curitiba PR), TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO frete na transferência de produtos acabados entre seus estabelecimentos industriais e TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA frete na transferência de produtos agropecuários (farelo e farelo de trigo) da matriz até os demais estabelecimentos, destinados à revenda. A Lei nº 10.833, de 2003 assim dispôs em seu artigo 3º, inciso IX sobre a hipótese de creditamento sobre fretes nas operações de vendas: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) ... IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Da redação do inciso destacase a expressão “quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Entendo que a especificidade da expressão indica que o inciso trata do negócio jurídico de compra e venda de mercadoria, posto que não faria sentido a restrição para as despesas operacionais de logística interna que, certamente, são suportadas pela pessoa jurídica, não havendo que se cogitar de ônus a ser suportado por um comprador, quando inexiste a compra, nem quando se refere a operações de logística interna. Por outro lado, para classificar como insumo, o serviço de frete deve possuir a natureza de custo e não de despesas operacionais, as quais excluo do conceito de insumo, não em razão de sua indispensabilidade à atividade econômica, mas em razão de ser uma despesa incorrida posteriormente ao processo produtivo. No mesmo sentido da impossibilidade de creditamento, citamse os seguintes acórdãos: Fl. 4357DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 34 33 Acórdão nº 220100.081, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento: COFINS NÃOCUMULATIVA. FRETE PARA ESTABELECIMENTO DA CONTRIBUINTE. O frete de mercadorias acabadas para armazenamento em estabelecimento da contribuinte não dá direito a créditos de COFINS por falta de previsão legal nesse sentido. Acórdão nº 3803003.595, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento: INSUMOS ALCANCE FRETE DE TRANSFERÊNCIA. PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda, que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados do PIS devido. Destacase o excerto abaixo deste acórdão: “Destaco que o frete empregado pela empresa é de produto acabado para estabelecimento da mesma empresa, ou seja, de mero procedimento interno de logística que constitui despesa operacional, entretanto, não passível de ser utilizada para creditamento da contribuição para o PIS/PASEP no regime da nãocumulatividade, por absoluta falta de previsão legal.” Salientase que esta turma, em recente julgado de Acórdão nº 3302002.464, assim também se posicionou: CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados não geram direito a crédito da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Portanto, incabível o creditamento relativo a tais despesas. * COMPRA USO E CONSUMO: a recorrente afirmou que se trata de frete material e uso e consumo (peças etc), cuja descrição não permite a identificação da natureza da carga e sua utilização no processo produtivo, impossibilitando o creditamento como insumos. * COMPRA PROD. AGROP. P/ REVENDA por se tratar de frete na aquisição de bens para revenda, compondo o custo de aquisição destes bens, informados na linha 01 do DACON. A inclusão destes fretes em diligência representa inovação, pois as alegações no recurso especial referiam a fretes na aquisição de insumos, fretes internos de insumos (pontos de coleta até a unidade de produção) e fretes em operações de venda. A Fl. 4358DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 35 34 inclusão neste momento somente seria possível, em homenagem ao princípio da verdade material, se a recorrente comprovasse o erro cometido no preenchimento da linha 01 do DACON, o que até então não fora cogitado, nem provado na diligência. Assim, entendo incabível esta inovação em sede de diligência. * CONSIGNAÇÃO: tratase de custos de aquisição no caso de leite in natura, por se frete na transferência de leite in natura, de diversos produtores para o estabelecimento destinatário para resfriamento), valendo as mesmas considerações tecidas para a compra de leite in natura, sujeito à alíquota zero * COMPRA IMOBILIZADO, pois não se refere a serviços utilizados no processo produtivo nem a frete nas operações de vendas, razão pela qual tais aquisições não geram créditos, ressalvada a possibilidade de creditamento sobre as futuras depreciações, desde que relativas a bens utilizados no processo produtivo, o que, entretanto, não restou comprovado na diligência, além do que o pedido representa inovação, pois a defesa inicial pautouse na existência de fretes como insumos, aquisição de insumos e sobre vendas; * DEVOLUÇÃO DE VENDAS: a informação prestada referese a fretes sobre devoluções de leite e queijos, e consistem em despesas operacionais, sem previsão legal para se efetuar o creditamento, além de representar inovação nas razões recursais manifestadas em manifestação de inconformidade e impugnação, por não se tratar de frete na aquisição de insumos, ou de transferências de insumos ou produtos acabados, nem de frete na operação de venda. * REMESSA E RETORNO DE ARMAZENAGEM, pois se refere a fretes de produtos acabados. * DIVERSOS, pois a generalidade da descrição não permite a comprovação de sua utilização no processo produtivo ou nas operações de venda. Assim, devem gerar créditos os fretes relativos às planilhas VENDA PROD. ACABADO, VENDA PROD. AGROP, TRANSFERÊNCIA PC e PCPC, REMESSA ANÁLISE, RETORNO ANÁLISE, REMESSA CONSERTO e RETORNO CONSERTO, totalizando R$ 4.177.590,00, ressalvando a necessidade de a unidade de execução do acórdão apurar o crédito relativo à COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero e produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO A fiscalização glosou o creditamento sobre encargos de depreciação relativos a bens adquiridos anteriormente a 1º/05/2004, a bens usados, a veículos da administração, à correção monetária do imobilizado e outros bens não utilizados na linha de produção, e também relativos a bens sem comprovação documental. A resolução determinou diligência para que a recorrente comprovasse a composição e origem do valor controverso remanescente após a decisão de primeira instância, de R$ 83.839,39, devendo prestar os devidos esclarecimentos. Fl. 4359DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 36 35 O relatório fiscal da diligência apenas informou que a recorrente apresentou a planilha contendo a descrição dos bens, sua função, bem como anexou fotografias, não tendo a recorrente se manifestado sobre este item. Em manifestação sobre o relatório, a recorrente nada informou sobre este tópico. Diante da falta de clareza no relatório fiscal, da ausência de manifestação da recorrente, inferese, a partir da relação e fotografias apresentadas pela recorrente, efls. 1353 em diante, que devem ser mantidas as glosas relativas a BALANÇA ROD. CFE. NT:12049 SATURNO BALANCAS RODOVIARIAS (FOTO 05), MAQUINA PALETIZADORA WLP 150 NT:41508 SERRALGODAO MAQUINAS LTDA (FOTO 8), MAQUINA PALETIZADORA SMLP150 COM RAMPA NF46231 SERRALGODAO COM. LTDA, (FOTO 19), EMPILHADEIRA ELETRICA RETRAK STILL MOD:FME 17 G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E (FOTO 24), CARREG BAT.JLW FA48 100T SERIE:25364 E 25365 C/CARRINHO DE BATERIAS NF:64150 EMP (foto 25), TRANSPORTADORES DEROLETES POR GRAVIDADEND 73TRILOG COM.DE MAQUINAS E INSTALACO (foto 27), TRANSPALETEIRA YALE MPE060F/A89 C/BATERIA E CARREGADOR NF:2519 MACROMAQ EQUIP.L (foto 31) , MAQUINA PALETIZADORA SMLP200 C/RAMPA SERIE 40174.19.0407 NF:49790 SERRALGODAO C (foto 32),, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETEIRA MOD:PL3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P (foto 34), CARROS PARA CONGELADOS CFE. NF:9173FRIGO INDUSTRIAL LTDACAMARAS FRIAS (foto 35), usados para transporte, armazenamento ou estocagem de produtos acabados, totalizando R$ 23.291,46. Assim, reconhecese o direito ao creditamento de R$ 60.547,93. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório sobre embalagens de R$ 1.731.563,02, material de reposição de R$ 1.041.017,06, produtos de conservação e limpeza de R$ 207.359,15, combustíveis e lubrificantes de R$ 49.434,21, amônia de R$ 1.139,20, outros insumos de R$ 30.945,07, serviços como insumos de R$ 269.805,86, fretes de R$ 4.177.590,00 e encargos de depreciação de R$ 60.547,93, todos valores referentes a base de cálculo. De forma ilíquida, reconheço o creditamento sobre fretes da planilha COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero e produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido, a serem calculados pela unidade responsável pela execução do acórdão, nos termos da Solução de Consulta Interna Cosit nº 18/2012. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 4360DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 37 36 Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo Redator designado Em que pese as razões arroladas pelo ilustre Relator, peço licença para divergir em relação ao não reconhecimento de crédito sobre (i) aquisição de embalagem de transporte; (ii) frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero; e (iii) frete intitulado como "Consignação", posto que referidos bens e serviços, por integram o processo produtivo da Recorrente, devem ser considerados passíveis de creditamento. Vejamos: (i) aquisição de Embalagem de Transporte Em síntese apartada, entendeu o ilustre Relator que, por se tratar de fase posterior ao processo produtivo da Recorrente, as embalagens utilizadas com função precípua de transporte e armazenamento dos produtos acabados, não integram o processo produtivo, seja direta ou indiretamente e, nessa condição, não geram créditos. Por outro lado, entendeu que as embalagens de apresentação, por integram o processo produtivo da Recorrente, visto que por não se destinarem apenas ao transporte do produto e por alteram a apresentação do produto que embala, são passíveis de creditamento. Nessa de linha de raciocínio, o ilustre Relator manteve a glosa relativa (i) as embalagens consideradas pela fiscalização como de transporte no valor de R$ 259.857,54, as quais foram registradas pela Recorrente como de apresentação, (ii) as embalagens de transporte propriamente dita no montante de R$ 384.053,55, concedendo o direito a crédito sobre embalagens de apresentação no valor de R$ 1.731.563,02, conforme apurado no relatório fiscal carreada aos autos. Ou seja, do montante de R$ 2.375.474,11 pleiteado pela Recorrente a título de embalagens de apresentação e de transporte, foi mantida a glosa de R$ 643.911,09, conforme se verifica no demonstrativo abaixo: Item Custo de Aquisição Reconhecido Glosado Embalagem de apresentação 1.991.420,56 1.731.563,02 259.857,54 Embalagem de transporte 384.053,55 0,00 384.053,55 Total glosa 643.911,09 Entretanto, com todo respeito as razões adotadas pela ilustre Relator, entendo que independentemente de serem de apresentação ou de transporte, ou por ter sido utilizada em etapa posterior a fabricação do produto, os materiais de embalagens, seja com a finalidade de alterar o produto que embala ou de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, devem ser admitidos como insumos de produção e, consequentemente gerar créditos de PIS/COFINS. Fl. 4361DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 38 37 Isto porque, considerando que operação realizada pela Recorrente envolve o manuseio de produtos alimentícios, as embalagens de transporte são necessárias para proteger e evitar qualquer contato externo com o produto e principalmente evitar qualquer risco de contaminação. Desta forma, diferentemente do entendimento apresentado pelo d. Relator, este Redator entende que, para fins de apropriação de crédito do PIS e da Cofins, é irrelevante o fato de o material de embalagem ser de apresentação ou de transporte se tais materiais são utilizados no âmbito do processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser comercializado, como ocorreu com os materiais de embalagem destinados à proteção contra impactos, sujeiras externas e facilitando o transporte, conforme devidamente explicitado pela Recorrente em sede recursal. Ora, se tais materiais representam custos incorridos na fase de produção do bem destinado à venda, certamente, inexiste razão plausível para excluir da base de cálculo os referidos créditos pelo simples fato de serem embalagens utilizadas no transporte do referido produto. Portanto, além do valor reconhecido pelo Relator a título de embalagens de apresentação, deve ser admitido também o crédito relativo (i) as embalagens consideradas pela fiscalização como de transporte no valor de R$ 259.857,54, as quais foram registradas pela Recorrente como de apresentação, e (ii) as embalagens de transporte propriamente dita no montante de R$ 384.053,55. (ii) frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero Neste ponto, o d. Relator afastou o direito de crédito relativo ao frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero com base nos seguintes fundamentos: A base de cálculo do crédito é composta pelo custo de aquisição e sobre este aplicase a alíquota a que está sujeita o produto, no caso do leite, alíquota zero. Portanto, não há que se falar em hipótese autônoma de frete, mas sim hipótese de creditamento sobre a aquisição de um insumo, cuja base contém o frete e o seguro pagos. Porém, para os bens sujeitos à alíquota zero, não há crédito algum, nem do valor do bem, nem de frete, nem de seguro. É de se ver que a fundamentação para manutenção da glosa de créditos calculados sobre fretes foi no sentido de que os bens sujeitos à alíquota zero, cuja base de cálculo do crédito já engloba o valor do frete e do seguro, não dá direito ao crédito. Em relação à esta matéria, esta Turma já adotou posicionamento contrário ao entendimento apresentado pelo i. Relator, por meio do acórdão nº 3302002.922, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, o qual adoto como fundamento para solucionar a questão sob análise, a saber: Conforme acima demonstrado a fundamentação da glosa de créditos calculados sobre fretes prendese ao fato de que as aquisições dos insumos são tributados à alíquota zero, estando em desacordo com o art. 3º, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.637, de 2002. No entanto há precedente no CARF conforme Acórdão nº 3403001.944, de 09/03/13, que confere uma outra interpretação ao dispositivo legal em destaque, a qual me filio por entender consentânea com os objetivos visados pela lei de regência Fl. 4362DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 39 38 da matéria, no tocante ao dispositivo em exame, cuja ementa a seguir se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. Nesse sentido, registro excertos da referida decisão, nos termos do voto condutor: A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1º da Lei nº 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (em relação à Cofins):(grifei). “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor:(...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004)”(grifei). Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). )(grifei). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto. Portanto, por ser passível de creditamento, a glosa de créditos relativo ao frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero deve ser totalmente revertida. (iii) frete intitulado como "Consignação" Adoto as mesmas considerações tecidas para a compra de leite in natura, sujeito à alíquota zero. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório relativo (i) as embalagens consideradas pela fiscalização como de transporte no valor de R$ 259.857,54, as quais foram registradas pela Recorrente Fl. 4363DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.002196/200945 Acórdão n.º 3302003.151 S3C3T2 Fl. 40 39 como de apresentação, e (ii) as embalagens de transporte propriamente dita no montante de R$ 384.053,55, todos valores referentes a base de cálculo. De forma ilíquida, reconheço o creditamento sobre fretes (i) relativos à aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero, e (ii) dos intitulados como "Consignação", a serem calculados pela unidade responsável pela execução do acórdão, nos termos da Solução de Consulta Interna Cosit nº 18/2012. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator designado. Fl. 4364DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por PA ULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digita lmente em 24/05/2016 por WALKER ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.721030/2014-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E DECISÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca parte da matéria submetida à apreciação em processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1: "importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", dada a prevalência do entendimento emanado naquela esfera sobre eventual decisão administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão da concomitância de instâncias administrativa e judicial.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Wilson Antônio de Souza Corrêa, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E DECISÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca parte da matéria submetida à apreciação em processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1: "importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", dada a prevalência do entendimento emanado naquela esfera sobre eventual decisão administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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SUBROGAÇÃO. Recorrente CASA DE CARNE NOVA ITALIA EIRELI ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E DECISÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca parte da matéria submetida à apreciação em processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1: "importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", dada a prevalência do entendimento emanado naquela esfera sobre eventual decisão administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 10 30 /2 01 4- 54 Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão da concomitância de instâncias administrativa e judicial. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Wilson Antônio de Souza Corrêa, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10120.721030/201454 Acórdão n.º 2402005.198 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Examinase recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS, que julgou procedente auto de infração DEBCAD nº 51.056.824 6 (fls. 3/31), referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produtos rurais de pessoa física, devidas pelo fiscalizado na qualidade de subrogado. O relatório da instância a quo descreve com minúcia os termos do lançamento, motivo pelo qual peço a devida vênia para reproduzilo, na sua essência (fls. 1043/1046): Conforme Relatório Fiscal, os fatos geradores das contribuições apuradas, constantes do presente lançamento, decorrem da aquisição de produtos rurais de Pessoas Físicas não declarados em GFIP, tampouco as contribuições devidas foram recolhidas. Os fatos geradores foram apurados com base em informações em GFIP, listagens de entradas de mercadorias de 2010 a 2011, Sped Fiscal de 07/2011 a 12/2012, apresentados pela empresa fiscalizada no decorrer do procedimento fiscal. Seguindo a autoridade fiscal informa que: nas listagens apresentadas pela autuada em TXT constam nomes dos fornecedores de produto rural, mas não constam CNPJ nem o CPF dos fornecedores, o que levou a fiscalização a considerar pessoa física aqueles fornecedores sem denominação típica de pessoa jurídica, ou seja, pessoa física seriam os nomes não finalizados com LTDA, ou SA, ou ME etc... A empresa não apresentou qualquer decisão judicial eximindoa da obrigação de reter as contribuições incidentes sobre o valor resultante da aquisição de produtos rurais de pessoas físicas. (...) No endereço da empresa fiscalizada, Frigorífico Vale do Cedro ou Frigorífico Cedro, atualmente Casa de Carne Nova Itália Eireli ME, funcionam três empresas do ramo de "Carnes", do mesmo grupo de pessoas, utilizando o mesmo telefone (062) 3514 1271, inclusive este mesmo telefone foi cadastrado na JUCEG e na Receita Federal do Brasil. Na verdade a alteração da empresa fiscalizada para outro município, com outra denominação e atividade, passando a ser a empresa Casa de Carne Nova Itália Eireli ME, anteriormente denominada Frigorífico Vale do Cedro Ltda, a qual já era devedora de mais de R$ 7.600.000,00 em débitos tributários federais lavrados até a competência 12/2009, foi muito útil para a continuidade dos negócios do frigorífico. Vez que a empresa fiscalizada continua no mesmo endereço, sendo administrado pelo mesmo Sr. Elias, mas desvinculado de seus débitos ou restrições fiscais. Portanto, há indícios de que a mudança de CNPJ do foi efetuada com intuito de fraude, sonegação e conluio, como previsto na Lei nº 8.137, de 1990, Lei nº 4502, de 1964 em seus art.(s) 71 a 73, e no CTN. Desse modo, as empresas Meia Ponte Alimentos Eireli e Master Agroindustrial Ltda ME localizadas no endereço da autuada, por se tratarem de um grupo empresarial, bem como os sócios das empresas em debate foram responsabilizados solidariamente com débitos tributários da empresa fiscalizada, conforme art.(s) 134, 135, e inciso I do art.124 do CTN. Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 O contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 9690/1031), nos seguintes termos, em síntese: conforme decisão do STF no RE nº 363.852/MG, defende a inconstitucionalidade da contribuição em tela; afirmou que obteve decisão de mérito em seu favor em Ação Anulatória de Débito Fiscal de nº 49730052011.4.01.3500, promovida face à autuação anterior, pelos mesmos motivos; disse que a Fiscalização incluiu na Listagem de Notas Fiscais de Entrada Pessoa Física 07/2011 a 12/2012, as Notas Fiscais de Transportes de Gado, ou prestação de serviço, classificadas nos CFOP 1949, o qual é utilizado nas Notas Fiscais apenas para transportar os animais das Fazendas até o Frigorífico, sendo descabida sua inclusão na base de cálculo do lançamento; defendeu o caráter confiscatório da multa de ofício. E, demandando o cancelamento do auto de infração, pediu, subsidiariamente, a exclusão dos valores apurados com base nas Notas Fiscais de Transportes de Gado das Fazendas para o Frigorífico, CFOP 1949, porquanto os valores inseridos em tais notas fiscais, não constituem fato gerador de contribuição para o Funrural, e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, até o julgamento definitivo da lide administrativa. A DRJ/FNS manteve integralmente a exigência, conforme acórdão de fls. 142/153. De sua parte, o recurso voluntário foi interposto pelo contribuinte pelos responsáveis solidários em 24/9/2014 (fls. 1133/1181). Nele, são retomados as razões e pedido da impugnação, além de formulado pleito voltado à exclusão dos responsáveis solidários do processo. Por meio de memorando datado de 25/11/2014 (fls. 1191/1250), a PGFN dá notícia de decisão proferida no AI nº 004551772.2014.4.01.0000), determinando a suspensão da eficácia do arrolamento de bens e direitos e da atribuição de responsabilidade solidária aos agravantes no que se refere aos débitos deste processo, considerando o decidido na ação ordinária 1103574.2014.4.01.3500. É o relatório. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10120.721030/201454 Acórdão n.º 2402005.198 S2C4T2 Fl. 109 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo, porém não deve ser admitido. Nesse sentido, impende desde já passar à análise da ação judicial nº 11035 742014.04.01.3500, com pedido de antecipação de tutela, que foi ajuizada em 23/4/2014 na Justiço Federal de Goiânia . Examinando a petição inicial dessa ação (fls. 1224/1250), constatase que foram formulados pedidos visando a: exclusão dos responsáveis solidários; suspensão dos efeitos do arrolamento de bens; antecipação de feitos de tutela para evitar o prosseguimento de cobrança administrativa, bem para que fosse julgado insubsistente o auto de infração DEBCAD nº 51.056.8246, veiculado no presente processo administrativo; declaração de inexistência dos fatos geradores lançados com base nas notas fiscais de CFOP 1949; e declaração de inconstitucionalidade da multa. Constatase, sem maiores dificuldades, a coincidência com os pedidos vertidos em sede de recurso voluntário, destacandose que o principal objeto da referida ação é a desconstituição do auto de infração escopo da controvérsia administrativa. Oportuno é registrar que até as razões de fato e de direito que buscam amparar as demandas administrativa e judicial são do mesmo quilate. Cumpre destacar que a existência de ação judicial versando sobre o mesmo objeto do processo administrativo atrai a incidência da Súmula CARF nº 1, de observância obrigatória pelos membros deste colegiado, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF): Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ora, existindo controvérsia já estabelecida no Judiciário que abrange a matéria que se apresenta litigiosa neste julgamento, qualquer decisão de fundo a ser emanada por este Colegiado restaria ineficaz frente ao entendimento daquele Poder, prevalecente nos Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 termos do inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal, mormente quando tal entendimento já está abrigado sob o manto da coisa julgada, como no caso concreto. De fato, a concomitância traduzse em fator externo à relação processual administrativa que impede a eficácia de eventual decisão emanada nesse âmbito, a qual se configura desnecessária e inútil no que contrariar a decisão de mérito do Poder Judiciário. Em votovista exarado no RE nº 233.582/RJ (DJe de 16/5/2008), o qual discutiu a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.380, de 22 de setembro de 1980, o Ministro Gilmar Mendes teceu considerações que também se revelam aplicáveis no particular: Destarte, a renúncia a essa faculdade de recorrer no âmbito administrativo e a automática desistência de eventual recurso interposto é decorrência lógica da própria opção do contribuinte de exercitar a sua defesa em conformidade com os meios que se afigurem mais favoráveis aos seus interesses. Temse aqui fórmula legislativa que busca afastar a redundância da proteção, uma vez que, escolhida a ação judicial, a Administração estará integralmente submetida ao resultado da prestação jurisdicional que lhe for determinada para a composição da lide. (...) Não vislumbro, por isso, qualquer desproporcionalidade na cláusula que declara a prejudicialidade da tutela administrativa se o contribuinte optar por obter, desde logo, a proteção judicial devida. Destarte, muito embora as razões recursais trazidas, o fato é que as decisões judiciais prolatadas no âmbito da ação judicial nº 11035742014.04.01.3500 deverão ser simplesmente cumpridas pela administração tributária federal, sendo despicienda eventual manifestação adicional deste Colegiado sobre o tema, bem como o prosseguimento do exame do mérito do presente litígio. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da concomitância de instâncias administrativa e judicial. Ronnie Soares Anderson. Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 10711.007729/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração.
REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para o transporte marítimo, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do Decreto-Lei n° 37/66.
Recurso de Ofício negado e Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-002.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Fazenda Nacional ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para o transporte marítimo, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. Recurso de Ofício negado e Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 77 29 /2 00 9- 91 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10711.007729/200991 Acórdão n.º 3301002.972 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da 2ª Turma da DRJ/FNS: O presente Auto de Infração, às fls. 02/05, no valor de R$ 4.100.000,00, foi lavrado face ao descumprimento da obrigação de prestar as informações dos dados de embarque de mercadorias para exportação, no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõem os artigos 37 e 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Na planilha, de fls. 13/28, constam os números das DDE, as datas do embarque e as datas das informações, as quais foram registradas pelo autuado após o prazo de sete dias estabelecido no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF nº 510, de 2005. Intimada do lançamento (fls. 31/32), a interessada apresentou a impugnação de fls. 33/38, na qual, em breve síntese: Alega que sua conduta não se encontra tipificada na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/66, na redação dada pela Lei n° 10.833/03, pois não deixou de prestar informações sobre veículo ou carga nele transportada. Apenas o fez com atraso, hipótese diferente da prevista na penalidade cominada. Aduz que os atrasos ocorreram por razões alheias à sua vontade, devidos à ausência de informações que deveriam ser prestadas pelos exportadores. E que não se pode interpretar que o atraso das DDE possa configurar como embaraço ou impedimento fiscalização, razão pela qual resta descaracterizada a infração. Ademais, as DDE foram entregues na repartição aduaneira antes de qualquer intimação ou procedimento fiscal, ou seja, após a denúncia espontânea pela impugnante. Aduz que não reveste a condição, conforme o relato fiscal, de transportador internacional e nem é prestadora de serviços de transporte internacional ou agente de carga, mas é apenas uma agência de navegação. Argumenta que, se devida fosse a multa, esta deveria ser aplicada uma única vez por veículo transportador, de acordo com a Solução de Consulta Interna COSIT n° 8. Requer seja julgado improcedente o auto de infração. Os presentes autos foram encaminhados à diligência para, observando se o benefício da SCI Cosit n° 08/2008, fossem acrescidas, à tabela de folhas 13/28, as informações do nome do navio de transporte e da respectiva viagem. Atendendo à solicitação de diligência, foram juntadas, às fls. 57/72, a informação de navio vinculada a cada declaração de exportação listada e, às fls. 73/79, o resumo de viagens efetuadas por cada navio agrupadas por data de embarque, totalizando 53 (cinquenta e três) navios e 111 (cento e onze) viagens. A autoridade fiscal observou que o nº da viagem não consta dos Fl. 197DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10711.007729/200991 Acórdão n.º 3301002.972 S3C3T1 Fl. 12 3 dados de embarque inseridos pelo agente marítimo no despacho de exportação, tendo agrupado as viagens com datas de embarque informadas num intervalo de 30 dias. Cientificada a autuada (fls. 83/84), esta apresentou manifestação (fls 85/91), onde reitera os argumentos já indicados na impugnação e acrescenta que, após a diligência, ficou patente o erro material insanável ao exigir a multa pela quantidade de DDE. Argumenta que o dispositivo legal que fundamenta a presente autuação determina que é do transportador a responsabilidade de registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, pelo que a multa não lhe pode ser imputada, por ser agente marítima. Assim, não haveria tipicidade legal para a sua conduta e que não é admissível o recurso à analogia nem interpretação extensiva das disposições legais. Afirma que se a IN RFB nº 800/2007 estabelecesse a responsabilidade do agente marítimo por esta multa, estaria a autoridade administrativa extrapolando o seu poder regulamentar, pois a responsabilidade solidária deve estar prevista em lei. Ademais, o fato de ser representante do transportador estrangeiro não se confunde com responsabilidade. Alega que a fundamentação legal da autuação contraria o disposto no inciso III do art. 56 da mesma IN SRF nº 28/94, que estabelece o prazo de dez dias, contado da conclusão do embarque ou de transposição de fronteira, para o exportador efetuar a declaração para o despacho aduaneiro de exportação. Consequentemente a multa seria inaplicável, por incompatibilidade de prazos, pois a informação relativa ao embarque, no Siscomex, é dependente deste registro da DDE. Reafirma a denúncia espontânea da infração, indicando que a jurisprudência do STJ é no sentido de esta ser aplicável tanto à penalidade de natureza tributária, quanto de natureza administrativa. Aduz que as ações da fiscalização devem estar consubstanciadas na legislação de regência e por provas que sustentem o fato acusado, o que, no presente caso, não aconteceu. Requer seja julgado improcedente o auto de infração. Os autos foram novamente baixados em diligência (fls. 112/113), para que a autoridade fiscal considerasse a observação acerca do lapso temporal de trinta dias de atracação ser muito extenso e, diante da constatação prática da rotina portuária nas instalações subordinadas à sua unidade de origem, caso julgasse apropriado, reformulasse a tabela de fls. 73/79. Além disto, observouse que alguns fatos geradores listados nas fls. 57/72 não foram considerados na planilha de fls. 73/79. Em resposta, a fiscalização juntou a relação final de navios e datas das respectivas viagens, totalizando 53 navios e 133 viagens. Esclarece que, após análise mais acurada das informações de datas de embarque constantes das declarações de exportação em questão, o prazo máximo de 04 (quatro) dias como operação contínua é passível de ser considerada como uma viagem individualizada (fls. 117/121). Fl. 198DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10711.007729/200991 Acórdão n.º 3301002.972 S3C3T1 Fl. 13 4 Cientificada a autuada (fls. 124/125), esta não apresentou manifestação, conforme consta do despacho de fl. 126. A 2ª Turma da DRJ/FNS, no Acórdão 0735.039, por unanimidade de votos julgou procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário apurado no valor de R$ 140.000,00, excluindo os valores de: R$ 525.000,00, pelo reconhecimento, de ofício, da decadência parcial; R$ 3.435.000,00, pela aplicação retroativa de legislação mais benéfica. Essa decisão foi assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. DECADÊNCIA. O prazo para impor penalidade relativa ao controle aduaneiro extinguese em cinco anos a contar da data da infração. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veículo transportador. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. O instituto da denúncia espontânea não alcança a penalidade aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória autônoma, como é o caso da informação dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação, prestada fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja sanção visa a disciplinar o cumprimento tempestivo da obrigação acessória por parte dos transportadores e de seus representantes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em sede de recurso voluntário, alega a Recorrente: 1 Preliminar de retroatividade benigna, com o advento da Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 02/06/2014; 2 Ilegitimidade passiva, devido a agência marítima ser equiparada ao transportador internacional para fins de responsabilidade tributária, que não haveria base legal para fiscalização presumir que a Recorrente por ter seus dados registrados no Siscomex como representante do transportador seja, para todos os efeitos legais, a responsável pelo transporte Fl. 199DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10711.007729/200991 Acórdão n.º 3301002.972 S3C3T1 Fl. 14 5 internacional e, por via de consequência, a responsável solidária pela multa regulamentar que a fiscalização pretende cominar à Recorrente; 3 Aduz que não há como a fiscalização pretender arguir a responsabilidade solidária da multa regulamentar prevista na alínea “e”, inciso IV, do art. 107, do DecretoLei nº 37/66, na redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, com base na alínea “b”, do parágrafo único, do art. 32, do DecretoLei nº 37/66, já que este comando legal dispõe sobre a responsabilidade solidária para imposto sobre a importação e não para a multa isolada ora em discussão, tendo a responsabilidade solidária que estar expressamente prevista em lei consoante os precisos termos do art. 121, II, do CTN; 4 Alega a ocorrência de denúncia espontânea, por ressaltar que o procedimento fiscalizatório só ocorreu após a notícia espontânea realizada pela Recorrente e que por isso, a penalidade não é devida; 5 Reitera demais pontos da impugnação. Ao final, requer seja reconhecida a nulidade do auto de infração e, no mérito, julgado integralmente improcedente o lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Esclareçase que não houve violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972, e com isso, não há no auto de autuação quaisquer vícios prejudiciais, não há falarse, portanto, em nulidade do lançamento. À Recorrente foi imposta a multa regulamentar prevista no art. l07, inciso IV, “e” do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, pela constatação de informação fora do prazo de embarques realizados por navios representados pela Wilson Sons, verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Fl. 200DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10711.007729/200991 Acórdão n.º 3301002.972 S3C3T1 Fl. 15 6 Demonstrouse que as mercadorias foram embarcadas, mas os “dados de embarque” no Siscomex foram registrados após o prazo legal de 7 (sete) dias previsto. Assim, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 para o conjunto de informação de dados de embarque não prestados no prazo previsto. Preliminar de Retroatividade Benigna Alega a Recorrente que o advento da Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 02/06/2014, que alterou a Instrução Normativa RFB nº 800, de 27/12/2007, no parágrafo 1º, do artigo 11, nos termos da nova redação, não mais contempla a obrigação da informação dos manifestos eletrônicos ser prestada pelas agências de navegação que representem a empresa de navegação operadora da embarcação e pelas empresas de navegação parceiras. Aduz ainda que também foram revogados pelo art. 4º da IN RFB nº 1.473/2014 os artigos 23, 24 e 45 da IN RFB nº 800/2007 que previam, respectivamente, a solicitação de retificação de informações prestadas no sistema e a cominação da penalidade prevista nas alíneas “e” ou “f”, do inciso IV, do art. 107, do DecretoLei nº 37/66, ao transportador, ao depositário e ao operador portuário, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos na IN RFB nº 800/2007. E conclui a Recorrente que, o auto de infração foi lavrado em 11/12/2009 e tendo em vista que não mais é exigido que a informação dos manifestos eletrônicos seja prestada à RFB pelas agências marítimas, e, também, pela revogação dos artigos 23, 24 e 45, que previam a solicitação de retificação de informações prestadas no sistema e a possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 às agências marítimas, haveria que se pugnar pelo princípio da retroatividade benigna a fim de permitir que a agência marítima seja desonerada da multa imposta. Quanto a este pedido, vêse que os dispositivos apontados não tratam da matéria ora em questão, uma vez que à Recorrente foi imputada a aplicação da penalidade do art. 107, IV, "e", ao passo que o prazo aplicado na identificação da infração, foi o da IN nº 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF nº 510, de 2005, conforme ser verá adiante no tópico "Da Aplicação da Multa Regulamentar". Ilegitimidade do agente marítimo Para a Recorrente, o agente marítimo não é considerado responsável tributário, uma vez que o agente marítimo não pode ser equiparado ao transportador para efeito da responsabilização tributária, porque esta atribuição não se aplica à natureza de sua atividade de mandatária. Cita a Súmula nº 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos: “O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei n° 37, de 1966” e outras decisões. Em vista disso, requer seja dado provimento ao seu recurso voluntário para cancelamento do auto de infração. Não assiste razão à Recorrente neste tópico, conforme se demonstrará a seguir. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10711.007729/200991 Acórdão n.º 3301002.972 S3C3T1 Fl. 16 7 Dispõe o art. 32 do DecretoLei nº 37/66, verbis: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Io transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) Além disso, a solidariedade tributária passiva encontra guarida no CTN, nos seguintes dispositivos: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 202DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10711.007729/200991 Acórdão n.º 3301002.972 S3C3T1 Fl. 17 8 II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. A respeito da legitimidade da solidariedade tributária do agente marítimo em relação ao transportador estrangeiro, citese a decisão do REsp 1.129.430/SP, relator ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJE de 14/12/2010, julgado em sede de recurso repetitivo, que assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei nº 2.472/88 (que alterou o art. 32, do DecretoLei nº 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, porque inexistente previsão legal para tanto. Contudo, a partir da vigência do DecretoLei nº 2.2472/88 já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. Em decorrência do exposto, o Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, em relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Nesse sentido já se pronunciou a Câmara Superior, no Acórdão nº 9303003.276, 3ª Turma, julg. 05/02/2015: ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE IMPORTAÇÃO Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO.O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. Recurso Especial da Fazenda provido. Então, comprovada a vinculação entre a Recorrente e o transportador marítimo estrangeiro, não há que se falar em ilegitimidade passiva. Aplicação da Multa Regulamentar Conforme já mencionado, a autuação fiscal está lastreada no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 (redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03), que prevê a aplicação de multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por infração para quem deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10711.007729/200991 Acórdão n.º 3301002.972 S3C3T1 Fl. 18 9 Por meio da análise da legislação de regência da matéria ora discutida, é possível concluir que a responsabilidade pelos registros dos dados de embarque no Siscomex, é da Recorrente, pelo que deve esta suportar a multa prevista nesse dispositivo, pois está expresso que deixar de prestar informação nos prazos estabelecidos pela RFB sobre veículo transportador ou carga nele transportada ou suas operações enseja a multa de R$ 5.000,00. Assim, a empresa transportadora é a destinatária da penalidade prevista, sobretudo quando interpretado em conjunto com o art. 37 do DecretoLei 37/66, verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) O art. 37, §2º, da referida Instrução Normativa, com a redação dada pela Instrução Normativa nº 510/05, vigente à época dos fatos, estabelecia o prazo de 7 (sete) dias para que o transportador procedesse ao registro dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria contados da data da realização do embarque marítimo: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (...) § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. Por sua vez, o art. 44 impõe ao transportador a responsabilidade pela omissão dos registros: Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis. Corroborando com o entendimento acima exposto, as manifestações do CARF em relação ao tema: SISCOMEX. REGISTRO A DESTEMPO DOS DADOS DE EMBARQUE. TRANSPORTADOR. MULTA. CABIMENTO. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10711.007729/200991 Acórdão n.º 3301002.972 S3C3T1 Fl. 19 10 Esgotado o prazo de sete dias para o transportador registrar junto ao SISCOMEX os dados de embarque, cabível a aplicação da multa prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei nº 37/66. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (CARF, Acórdão 320100.534, julg. 29/07/2010) EXPORTAÇÃO POR VIA MARÍTIMA. DESPACHO ADUANEIRO. AVERBAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. A incorreta indicação no Siscomex da data de embarque de mercadorias destinadas ao exterior por via marítima, sem oportuna retificação, dificulta as ações de fiscalização aduaneira e é fato típico da multa cominada no Decreto lei 37, de 1966, artigo 107, inciso IV, alínea “e” c/c/ alínea “c”, na redação dada pela Lei 10.833, de 2003. (CARF, Acórdão 3101000.547, julg. 01/10/2010) Todavia, a obrigação acessória em tela não é somente a de prestar as informações, no Siscomex, mas de prestálas no prazo fixado pela legislação vigente, como bem ressaltado pela DRJ: A alegação de que a infração originouse de atraso na prestação de informações pelo exportador não pode ser escusável ao fisco para a exclusão da penalidade aplicada, pois a legislação estabelece que o responsável perante o fisco para prestar tal informação é o transportador ou seu agente marítimo. (...) Como pode ser observado, a disposição legal quanto ao prazo a ser observado é expressa. É dever de ofício da fiscalização constatar se o prazo foi atendido, sendo que, em caso negativo, resta tipificada a infração e cabível a autuação aplicada ao caso concreto. Ademais, assinalese que referida multa é aplicada em razão do simples descumprimento da obrigação acessória, não se cogitando da relevância da informação à administração tributária, de ter havido culpa de terceiros ou embaraço e dificuldade à fiscalização, uma vez que a responsabilidade pela infração tem natureza objetiva e independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato praticado, consoante o art. 94, § 2º, do DL 37/66 e art. 136 do CTN. No caso em tela, ficou comprovado que a Recorrente descumpriu o prazo para prestar informação dos dados de embarque de mercadorias no sistema e, assim sendo, restou caracterizado o descumprimento de obrigações acessórias, portanto, deverá ser aplicada a penalidade prescrita no artigo 107, inciso IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66 (com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03). Todos os traços da multa aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos artigos 5º, II e 37, caput da Constituição e artigo 97 do CTN. Cumpre salientar ainda que, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10711.007729/200991 Acórdão n.º 3301002.972 S3C3T1 Fl. 20 11 Dessa forma, constatado o atraso das informações no SISCOMEX, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Da Alegação de Denúncia Espontânea Alega a Recorrente que a infração apontada foi comunicada à repartição alfandegária antes do início do procedimento fiscal e sendo a denúncia espontânea uma exclusão de punibilidade, a aplicação de penalidade de natureza tributária ou administrativa deve ser excluída. Enfatiza que a denúncia espontânea aplicase a qualquer penalidade de natureza pecuniária. Não assiste razão à Recorrente, pois não cabe a denúncia espontânea de penalidades aplicadas em razão do cumprimento intempestivo de obrigações acessórias autônomas, pois a obrigação sob comento consiste em registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, na forma e no prazo estabelecido pela Receita Federal, conforme o art. 37 e alínea “e”, do inciso IV, do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003. E este prazo veio a ser definido no art. 37, § 2º, da IN SRF n.º 28, de 1994, na redação dada pela IN SRF nº 510, de 2005. Assim, a legislação tutela o cumprimento tempestivo da obrigação acessória por parte dos transportadores ou de seus representantes. Logo, o registro dos dados de embarque após o prazo regularmente estabelecido não caracteriza a denúncia espontânea aludida pela Recorrente, mas sim, representa a própria conduta infracional punida pela multa regulamentar aplicada. Do Cálculo da Multa Regulamentar Não há qualquer qualquer reparo a ser feito na decisão da DRJ, quanto ao valor da multa: A penalidade deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador/viagem, de acordo com a Solução de Consulta Interna n° 8 da COSIT, de 14/02/2008, o que já foi devidamente considerado após a diligência determinada pela DRJ (efls. 117/120). Assim, por este motivo, pois, a cada embarque de um navio sem que se tenha efetuado o registro dos dados corretos de todas as mercadorias exportadas, no Siscomex, de forma tempestiva, estáse diante de uma conduta infracional. Assim, o resultado final da diligência fiscal alterou o lançamento para excluir o montante de R$ 3.435.000,00, pois o lançamento original considerou 820 infrações, no valor total de R$ 4.100.000,00, enquanto que remanesceram 133 infrações corretamente lançadas, o que corresponde ao montante de R$ 665.000,00. Entretanto, diferentemente do que reclama a Recorrente, esta improcedência parcial do lançamento não é decorrente de vício material insanável, mas de interpretação à legislação que foi provida de forma mais benéfica ao contribuinte, conforme os termos da SCI COSIT nº 08 combinada à alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, de tal forma que o lançamento pode ser sanado com a diligência fiscal efetuada. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10711.007729/200991 Acórdão n.º 3301002.972 S3C3T1 Fl. 21 12 Da Decadência de Parte do Crédito Tributário A DRJ/FNS analisou os fatos geradores das infrações pelo descumprimento da obrigação acessória de efetuar o registro dos dados de embarque, no período compreendido entre 18/01/2004 e 08/01/2005. A DRJ considerou na contagem, o dia seguinte ao prazo de sete dias do embarque, conforme previsto no art. 37, § 2º da IN SRF nº 28/94, já com a nova redação dada pela IN SRF nº 510/2005, que é mais benéfica ao contribuinte (a redação anterior mencionada "imediatamente" ou seja, 24 horas do embarque). Nos termos dos artigos 138 e 139 do DecretoLei n.º 37, de 1966, e artigos 668 e 669 do Decreto n° 4.543, de 2002: DecretoLei n.º 37/66 Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Decreto n° 4.543/02 Art.668.O direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado; ou (...) Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração. Considerando que a ciência do auto de infração se deu em 25/11/2009, os fatos geradores das infrações ocorridas até 25/11/2004 embarques até 17/11/2004 estão sob o manto da decadência, como acertadamente apontou a DRJ/FNS. Dessa forma, são as seguintes infrações não abrangidas pela decadência: Fl. 207DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10711.007729/200991 Acórdão n.º 3301002.972 S3C3T1 Fl. 22 13 Por conseguinte, acertadamente a DRJ constatou que na data do lançamento operouse parcialmente a decadência em relação aos créditos tributários dos fatos geradores até 25/11/2004 embarques até 17/11/2004, demandando, neste ponto, o não provimento do recurso de ofício, devendo ser definitiva a exoneração do valor de R$ 525.000,00, mantendose como valor devido o de R$ 140.000,00 não abarcados pela decadência. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10711.007729/200991 Acórdão n.º 3301002.972 S3C3T1 Fl. 23 14 Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, confirmado a exoneração do crédito no valor de R$ 3.435.000,00 (três milhões, quatrocentos e trinta e cinco mil) e do valor de R$ 525.000,00 (quinhentos e vinte e cinco mil), pelo reconhecimento de ofício da decadência, bem como negar provimento ao recurso voluntário, mantendo como devido o valor de R$ 140.000,00 (cento e quarenta mil reais). Sala de Sessões, em 18 de maio de 2016 (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Fl. 209DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 16327.000655/2003-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não comprovado o óbice ao pleno exercício do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento.
COMPENSAÇÃO. IRRF COM IRPJ ESTIMATIVA. JUROS REMETIDOS A FILIAL DOMICILIADA EM PAÍS COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. NÃO CABIMENTO.
O imposto retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados a filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país com tributação favorecida, apenas poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz.
REMESSA DE JUROS A FILIAL DOMICILIADA EM PAÍS COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. ALÍQUOTA.
Não comprovado que o prazo de amortização médio dos títulos internacionais é de no mínimo 96 meses, é aplicável a alíquota de 25% sobre os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento.
Numero da decisão: 1402-002.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à utilização do IRRF no valor de R$ 226.825,45 na composição do saldo negativo do ano-calendário de 2001.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Gilberto Batista, Paulo Mateus Ciccone e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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INOCORRÊNCIA. Não comprovado o óbice ao pleno exercício do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. COMPENSAÇÃO. IRRF COM IRPJ ESTIMATIVA. JUROS REMETIDOS A FILIAL DOMICILIADA EM PAÍS COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. NÃO CABIMENTO. O imposto retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados a filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país com tributação favorecida, apenas poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz. REMESSA DE JUROS A FILIAL DOMICILIADA EM PAÍS COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. ALÍQUOTA. Não comprovado que o prazo de amortização médio dos títulos internacionais é de no mínimo 96 meses, é aplicável a alíquota de 25% sobre os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à utilização do IRRF no valor de R$ 226.825,45 na composição do saldo negativo do anocalendário de 2001. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 06 55 /2 00 3- 96 Fl. 961DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.000655/200396 Acórdão n.º 1402002.141 S1C4T2 Fl. 961 2 (assinado digitalmente) LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Gilberto Batista, Paulo Mateus Ciccone e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.000655/200396 Acórdão n.º 1402002.141 S1C4T2 Fl. 962 3 Relatório Tratase de retorno de diligência que foi determinada no julgamento do Recurso Voluntário, conforme Resolução de fls. 802/806 proferida por esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do C. CARF. Para facilitar o entendimento das partes e dos meus pares passo a descrever os fatos descritos nos autos. O Despacho Decisório de fls. 421, decidiu homologar parcialmente as seguintes compensações: No Despacho Decisório, foi reconhecido e homologado parcialmente os seguintes créditos: a ) o reconhecimento do direito creditório da Recorrente no valor de R$ 36. 218. 472, 05, sem incidência de juros SELIC; b) a homologação da compensação do IRRF do mês de dezembro/2001, no valor de R$ 3.922.887,80, (apurado com base em balanço ou balancete de suspensão), restando compensar um saldo de IRRF de R$ 32.295.584,54.; c) a não homologação das compensações efetuadas em 01/2002, 03/2002, 01/2003 e 05/2003; Fl. 963DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.000655/200396 Acórdão n.º 1402002.141 S1C4T2 Fl. 963 4 A autoridade fiscal considerou indevidas as seguintes compensações (item c de fls.412): "c. 1) IR de 01/2002, no valor de R$ 1.196.483,92; c.2) IR de 03/2002, no valor de RS 8.939.068,34; c.3) IR de 01/2003, no valor de R$ 20.893.155,76; c.4) PIS de 05/2003, no valor de R$ 1.795.950,60;" A não homologação dos créditos acima apontados foi baseada nas seguintes razões: "10. De acordo com a legislação pertinente, o IRRF sobre os rendimentos pagos à filial da interessada (valor efetivamente pago) não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país enquadrado nas disposições do art. 245 do RIR/99, pode ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, quando os resultados de sua filial, que contêm os referidos rendimentos, forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil. (...) 11. Como se vê, à compensação do referido IRRF, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país com tributação favorecida, aplicamse as mesmas regras da compensação dos tributos pagos no país de domicílio da filial e dos pagos relativamente a rendimento e ganhos de capital auferidos diretamente no exterior. Em consonância com a legislação, o Manual de Instalação do Programa da DIP J/2003 e Instruções de Preenchimento, aprovado pela IN SRF n°307/2003, nos itens 17.1.6.4 e linha 11/08 informa que referidos créditos não podem ser compensados nos recolhimentos mensais referentes aos meses de janeiro a novembro, bem como no caso de pagamento do imposto do mês de dezembro com base na receita bruta e acréscimos. Em suma, a compensação está adstrita aos débitos do imposto adicional apurados no mês de dezembro com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução e do imposto relativo a todo anocalendário. Regra limitadora, reconheçase, editada em harmonia com a regra de não incidência de juros SELIC sobre o crédito compensável." Além de não homologar as compensações acima apontadas, determinou a cobrança dos seguintes créditos: d) encaminhou para a representação DEINF/SPO/ DIFID para imposição da multa isolada prevista no inciso IV, do §1, do art. 44, da Lei n° 9.430/96 sobre o IR relativo a 01/2002 e 03/2002; e) a cobrança do IR relativo a 01/2003 e do PIS relativo a 05/2003; (fls.412) f) a revisão do Saldo Negativo do IRPJ do anocalendário 2001 para R$ 467.665,56; g ) a homologação da compensação do IR relativo a 04/2003 até o limite do Saldo Negativo do IRPJ de R$ 467.665,56; e h) a revisão do Saldo Negativo do IRPJ do ano calendário 2002 para R$ 1.523.789,19. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.000655/200396 Acórdão n.º 1402002.141 S1C4T2 Fl. 964 5 Ato contínuo, em 15/08/2003 foi juntado ao processo n° 16327.000655/2003 96, o processo n° 16327.001506/200344, para que ambos sejam analisados conjuntamente na presente decisão. Conforme r. despacho de fls.16/17, trata o processo de final 44 supra mencionado de "Declaração de Compensação (DCOMP), formalizada em 30.04.2003, de débito do Imposto de Renda (IR) devido no mês de Janeiro/2003, no valor de R$ 7.612.782,66, com alegado Saldo Negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica do anocalendário 2002, no montante de R$ 90.486.657,87 (fls. 08 a 10). A compensação pleiteada não foi homologada, in verbis: "2. A compensação formalizada nestes autos envolve direito creditório decorrente de IRRF, código 0481, incidente sobre remessas de juros efetuadas pelo interessado a filial domiciliada no exterior, e saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2002, cuja quantificação e forma de utilização foram apreciadas no processo n° 16327.001507/2003 99, na decisão acostada às fls. 16 a 24. 3. Em decorrência dos fundamentos adotados naquele decisório, a autoridade administrativa concluiu pela impossibilidade de o interessado utilizar referidos créditos na compensação formalizada nestes autos. Desta forma, o débito do IR mensal de 01/2003, no valor de R$ 7.612.782,66, compensado indevidamente, será exigido com os acréscimos legais previstos na IN SRF n° 210/02 e art. 74 da Lei n° 9.430/96 e alterações." Em seguida, inconformada com a decisão prevista no r. Despacho Decisório que homologou parcialmente os créditos a Recorrente oferece manifestação de inconformidade de fls. 31/40, juntando documentos de fls. 41/53. Ato contínuo, foi proferido v. acórdão da DRJ de São Paulo, mantendo o r. despacho que não homologou os créditos. (fls.641/665) Devidamente notificada às fls. 667, a empresa apresenta Recurso Voluntário, onde repisa argumentos da manifestação de inconformidade. Em seguida, o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligencia para que fosse analisadas algumas divergências em relação aos documentos referentes aos comprovantes de recolhimento do IRRF. Após os autos terem sido remetidos para a unidade de origem, a Recorrente foi notificada para se manifestar sobre a diligencia, fls. 808. Dentro do prazo de 15 dias que lhe foi consignado, a Recorrente se manifestou nos autos, apresentando breves considerações sobre o IRRF do anocalendário de 2001 e junta documentos societários de fls.811/834, alegando que as divergências de CNPJs encontradas se referem a incorporações de empresas. Em seguida, as fls. 835 a autoridade diligente afirma que não tem novos elementos a apresentar, além dos constantes da decisão da DRJ/SPOI no Acórdão 1610. 019. Ato continuo, a Recorrente foi notificada a se manifestar nos autos novamente e apresenta petição de fls. 838/841 alegando que a diligencia era direcionada para que a autoridade autuante se manifestasse sobre os documentos juntados pela Recorrente, e que Fl. 965DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.000655/200396 Acórdão n.º 1402002.141 S1C4T2 Fl. 965 6 tal determinação não foi cumprida adequadamente pelo agente fiscal, requerendo o total provimento do Recurso Voluntário, com a consequente homologação integral da compensação efetuada. Em seguida os autos foram encaminhados para a 1 Turma Ordinária da 4 Câmara da 1 Seção para o julgamento do Recurso Voluntário. Antes que os autos fossem encaminhados para a 1 TO 4 Câmara 1 Seção, a Recorrente apresenta petição destacando alguns pontos do processo em epigrafe, juntando aos autos substabelecimento e cópia do contrato de cambio através do qual foi realizada a remessa de juros ao exterior e consequentemente deram origem ao pagamento indevido do IRRF. (fls.886/892). Ocorre que a C. 1 Turma da 4 Câmara, decidiu proferir nova Resolução de fls. 893/895 encaminhando os autos para a 1 Turma Ordinária da 1 Câmara da 1 Seção para que o Relator Valmir Fonseca Menezes da Resolução anterior de numero 140200.001 que havia convertido em diligencia, julgasse o Recurso Voluntário. Não obstante, equivocadamente os autos foram encaminhados para a 1 Turma Ordinária da 3 Câmara da 1 Seção, que os remeteu por meio de despacho de encaminhamento para o D. Conselheiro que tinha preferido o voto vencedor que converteu o julgamento em diligencia, o Sr. Valmir Fonseca Menezes. Em seguida, com a renuncia do D. Relator que proferiu o voto que converteu o julgamento em diligencia, os autos foram a mim encaminhados para que fosse produzido relatório e voto. É o relatório. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.000655/200396 Acórdão n.º 1402002.141 S1C4T2 Fl. 966 7 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves O Recurso Voluntário é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado e preenche todos os requisitos de admissibilidade, motivos pelos quais conheço seu processamento. Preliminar: A Recorrente requer a suspensão de exigibilidade do crédito e que o Recurso Voluntário seja reconhecido no efeito suspensivo. Tais requerimentos não carecem de analise desta E. Turma, eis que enquanto perdurar este processo administrativo a exigibilidade dos créditos estará suspensa. Em relação a alegação de cerceamento do direito de defesa por estar incompleta a capitulação legal do r. Despacho Decisório que indeferiu as compensações, entendo que não deve prosperar. O r. despacho decisório encontrase fundamentado e expressa com clareza os motivos pelos quais as compensações não foram homologadas. Ademais, a Recorrente conseguiu se defender, demonstrando que tinha pleno conhecimento dos fatos e motivos pelos quais foram indeferidas as compensações. Desta forma, afasto a alegação de cerceamento do direito de defesa. Mérito: 1 – Da compensação do IRRF incidente sobre os juros remetidos para o exterior com o IRPJ estimativa: A compulsar os autos e após entender os fatos e matéria de direito versada no processo em epígrafe, entendo que em relação a este ponto o v. acórdão não merece reforma, eis que na legislação que trata do abatimento do crédito relativo ao IRRF não contém a possibilidade de compensação com IRPJ estimativas. Tanto a Medida Provisória 1.8072/99 como a Instrução Normativa permitem o abatimento do crédito do IRRF incidentes sobre rendimentos enviados para a filial ou sucursal domiciliada no exterior, apenas com o imposto devido incidente sobre o lucro real da matriz, desde que os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, sejam computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.000655/200396 Acórdão n.º 1402002.141 S1C4T2 Fl. 967 8 No caso da Recorrente e nos termos do parágrafo 3º do art. 2º da Lei nº 9.430/96, o lucro real da matriz é apurado em 31/12 de cada anocalendário, por ter optado pelo pagamento do imposto calculado sobre base de estimativa. Assim, a alegação da Recorrente de que não é legitima a não homologação da compensação do IRRF incidente sobre os juros remetidos para o exterior com o IRPJ calculado com base na receita bruta e acréscimos, alegando que não há base legal para tal vedação, não deve prosperar, eis que existe norma específica determinando a forma pela qual se deve abater os créditos do IR retido. Para fundamentar meu entendimento e por economia processual, colaciono abaixo a parte do v. acórdão recorrido que analisou este ponto. “A contribuinte insurgese contra o entendimento da autoridade fiscal de que não é legítima a compensação do IRRF incidente sobre os juros remetidos para o exterior com o IRPJ calculado com base na receita bruta e acréscimos, alegando que não há base legal para tal vedação. Como muito bem observou a autoridade administrativa a compensação do IRRF incidente sobre importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas à filial domiciliada em país com tributação favorecida, por fonte localizada no Brasil, a título de juros e comissões em geral, obedece a normas próprias. A seguir transcrevemos trecho do despacho decisório de fls. 405/412: Item 4 do despacho proferido no processo n° 16327.000655/200396 "4. Cabe observar inicialmente o conflito das informações prestadas pelo interessado em sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica referente ao anocalendário 2001, DIPJ/2002 (fls. 219) e DCOMP (fls. 13 a 14). Na linha 12B/13 da DIPJ/2002, o interessado apurou Saldo Negativo de Imposto de Renda de R$ 1.455.526,55. Em que pese a entrega e regular processamento da DIPJ/2002, o interessado declarou em sua DCOMP como origem do crédito utilizado o Saldo Negativo da Pessoa Jurídica do anocalendário 2001, no montante de R$ 34.951.595,82. Examinada a documentação apresentada, constatamos tratarse de compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), código 0481, incidente sobre remessas de juros a filial domiciliada em país com tributação favorecida (...) 9. Na legislação, a compensação deste IRRF está disciplinada no art. 395 e parágrafos do RIR/99 e INSRF n°213/2002 (...) " Deste modo, foi utilizado como crédito para compensação, parte dos débitos controlados no processo 16327.000655/200396, o valor de IRRF, código 0481. Embora tenha sido reconhecido um crédito no montante de R$ 36.218.472,05, as compensações não foram homologadas por entender a autoridade administrativa que tal crédito só pode ser compensado com "os débitos do imposto e adicional apurados no mês dezembro com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução e do imposto relativo a todo anocalendário" (fls. 410). O art. 9 o da Medida Provisória n° 1.8072, de 25/03/1999, base legal do § 8 do art. 395 do RIR/1999, assim dispõe: "Art. 9a O imposto retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados a filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país enquadrado nas disposições do art. 24 da Lei nº 9.430, de 1996, poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil quando os resultados da filial, sucursal, Fl. 968DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.000655/200396 Acórdão n.º 1402002.141 S1C4T2 Fl. 968 9 controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil. Parágrafo único. Aplicase à compensação do imposto a que se refere este artigo o disposto no art. 26 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995." Por sua vez, o §° 15, do art. 14 da IN 213/2002, que trata especificamente do imposto pago no Brasil incidente sobre os juros remetidos para o exterior, diz o seguinte: "§ 15. O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo anocalendário, não ter apurado lucro real positivo, poderá ser compensado com o que for devido nos anoscalendário subseqüentes. " A partir da leitura destes dispositivos concluímos que, em princípio, o regime de tributação das remessas de juros e comissões, nos termos do art. 685, II, " b " do RIR/99, seria exclusivo na fonte, como ocorre nas demais remessas de juros a pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior. No entanto, o art. 9 da MP 1.8072/1999 permitiu a compensação do imposto retido com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, desde que os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, sejam computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil. Frisese ainda que tal compensação só pode ser feita até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, nos termos do parágrafo único do art. 9º da Medida Provisória n° 1.8072, e §9° do art. 395, do RIR/99. Ora, tanto na medida provisória quanto na IN, não está admitido expressamente a possibilidade de compensação do IRRF, código 0481, com o IRPJ estimativa. Contrariamente ao que alega a Manifestante, a IN SRF n° 213/02, ao regulamentar a hipótese legal, também faz referência a lucro real, ou seja, aquele apurado com base em balanços trimestrais ou anuais, conforme a opção efetuada pelo contribuinte. Ao analisarmos os dados constantes da D IP J/2002, verificamos o seguinte: • Foram computados no lucro real os lucros disponibilizados pelas filiais Banco ABN AMRO Real S/A Ag. Grand Caymam, Banco ABN AMRO Real S/A Ag. Nassau, nos montantes de R$ 210.608.818,36 e R$ 1.684.957,56, respectivamente (ficha 36 fls. 236), perfazendo o total de R$ 212.293.775,92 (ficha 09B As. 213). • Foi apurado lucro real no valor de R$ 15.787.550,03 (ficha 09B/31 fls. 213). • Foi homologada a compensação de IRRF, código 0481, com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, apurado em 31 de dezembro de 2001 (item b fls. 411). O período de apuração foi anual e não trimestral, em virtude da opção da contribuinte pelo pagamento do imposto em cada mês, calculado sobre base estimada. Como anteriormente ressaltado, tanto a lei como a instrução normativa são claras ao permitirem a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos enviados a filial ou sucursal domiciliada no exterior, apenas com imposto devido incidente sobre o lucro real da matriz. O § 3 do art. 2 da Lei n° 9.430/1996, é claro ao afirmar que lucro real das empresas que optarem pelo pagamento mensal por estimativa é aquele apurado no dia 31 de dezembro de cada ano, in verbis: "Art. 2. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1 e 2 do art. 29 Fl. 969DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.000655/200396 Acórdão n.º 1402002.141 S1C4T2 Fl. 969 10 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de1995. (...) § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1° e 2º do artigo anterior. Por conseguinte, o lucro real é aquele determinado por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, ou no dia 31 de dezembro de cada ano, nos casos em que a pessoa jurídica optar pelo pagamento do imposto calculado sobre base estimada. A autoridade fiscal homologou a compensação do IRRF, código 0481 como o imposto devido sobre o lucro real da matriz, no montante de R$ 3.922.887,50 (alíquota de 15% R$ 2.368.132,50; adicional R$ 1.554.755,00). Por conseguinte está correto o despacho decisório que não homologou a compensação efetuada com débitos de imposto de renda da matriz calculado sobre base estimada. Ressaltamos mais uma vez que, o crédito de IRRF é da filial com domicílio fiscal no exterior, cuja tributação seria exclusiva na fonte, se não fosse a previsão legal do art. 9° da Medida Provisória n° 1.8072, de 25/03/1999. Contrariamente ao alegado pela Manifestante, a autoridade administrativa não ofendeu ao princípio da legalidade, ao admitir tão somente a hipótese de compensação do IRRF, código 0481, com o lucro real da matriz, apurado ao final do ano calendário. É a Manifestante que pretende efetuar compensação sem expressa previsão legal, em legal, em desconformidade com o art. 170, caput, do CTN: [...] A leitura do disposto no art. 170, nos leva à conclusão de que todas as condições necessárias para a autorização da compensação devem estar claramente expressas nos dispositivos legais pertinentes à matéria. Deste modo, se houvesse base legal para amparar a pretensão da Manifestante, a lei deveria dispor que o imposto retido na fonte (crédito da filial no exterior), poderia ser compensado com o lucro real da matriz ou com o imposto devido no exercício seguinte, calculado sobre base de cálculo estimada. Em resumo, deve ser mantida a não homologação das compensações discriminadas no item "c" do despacho decisório (fls. 412).” Assim, embora o IRRF na remessa realizada em 2001 já tenha sido reconhecido pela autoridade administrativa, o valor excedente ao IRPJ devido no próprio período não poderá ser compensado com tributo federal, eis que não compõe o saldo negativo e, por tal motivo, não pode ser utilizado para compensação via DComp. Entendo que o que deveria ser feito pela Recorrente, era controlar o crédito na parte B do LALUR e utilizálo para deduzir somente o saldo de IRPJ devido no ajuste anual em períodos subsequentes. Por isso, as seguintes estimativas não podem ser homologadas (quadro fl. 216): Fl. 970DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.000655/200396 Acórdão n.º 1402002.141 S1C4T2 Fl. 970 11 2 – Da compensação do IRRF com débitos do PIS: Neste tópico, a Recorrente alega que teria recolhido IRRF nas operações de remessa de juros a maior, eis que teria aplicado a alíquota de 25%, sendo que a alíquota certa seria a de 15%. Em relação a este ponto, também entendo que o v. acórdão deve ser mantido, pois a Recorrente não conseguiu comprovar por meio de documentos os requisitos previstos no inciso IX do artigo 691 do RIR/99 para que a alíquota incidente sobre a remessa dos juros para o exterior seja de 15%. Assim, entendo que a Recorrente recolheu o imposto com a alíquota correta de 25%, não restando a diferença dos 10% para compensar com o PIS. No mais, colaciono abaixo a parte do v. acórdão “a quo” que analisou esta matéria. “Alega a manifestante que a alíquota correta a ser aplicada para a apuração do Imposto de Renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no país seria a de 15%, prevista no art. art. 1º, da Lei n° 9.959/20000. Por sua vez, a autoridade administrativa, no item 8 do despacho decisório entendeu que a alíquota aplicável é a de 25%, in verbis: "8. Verificase que o recolhimento do IRRF efetuado pelo interessado (responsável), utilizado nas compensações cuja regularidade se examina, foi calculado à alíquota de 25% sobre os juros remetidos, conforme disposto no art. 685, II, "b ", do Regidamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, e regra de reajustamento da base de cálculo de que trata o art. 725 do mesmo diploma legal e IN SRF n" 15/01, art. 20, § 2°". O art. 691, IX, do RIR/99 assim dispõe: "Art. 691. A alíquota do imposto na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses (Lei n° 9.481, de 1997, art. 1? e Lei n? 9.532, de 1997, art. 20): DCjuros, comissões, despesas e descontos decorrentes de colocações no exterior, previamente autorizadas pelo Banco Central do Brasil, de títulos de crédito internacionais, inclusive commercial papers, desde que o prazo médio de amortização corresponda, no mínimo, à 96 meses;" O art. I o da Lei n° 9.959/2000, elevou a alíquota para 15%, in verbis: "Art. 1 Relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 de janeiro de 2000, a alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes e domiciliados no exterior, nas hipóteses previstas nos incisos III e V a IX do art. 1da Lei nq 9.481, de 13 de agosto de 1997. com a redação dada pelo art. 20 da Lei n° Fl. 971DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.000655/200396 Acórdão n.º 1402002.141 S1C4T2 Fl. 971 12 9.532. de 10 de dezembro de 1997, será de quinze por cento, observado, em relação aos incisos VI e VII, o disposto no art. 8 da Lei 9.779. de 19 de janeiro de 1999. (Vide Lei 10.560, de 13.11.2002) (nosso grifo). Por outro lado, assim dispõe o art. 685, II, " b " do RIR/99: "Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei n 5.844, de 1943, art. 100, Lei n 3.470, de 1958, art. 77, Lei n? 9.249, de 1995, art. 23, e Lei nº 9.779, de 1999, arts. 7º e 8º): II à alíquota de vinte e cinco por cento: b) ressalvadas as hipóteses a que se referem os incisos V, VIH, IX, X e XI do art. 691, os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento, a que se refere o art. 245." Restanos saber em qual das hipóteses deve ser enquadrada a situação fática objeto do presente processo. Primeiramente, cumpre observar que a Manifestante apenas anexou cópia do contrato de câmbio registrado no Bacen (fls. 549/550). A remessa de juros registrada no Bacen é efetuada a partir de uma operação financeira anteriormente registrada. No caso do contrato anexado a fls. 549, a linha 16 CR ou CA FIRCE referese à operação financeira 244/00000/06548. Como não foi anexado ao processo n° 16327.000655/200396 cópia do ROF Registro de Operação Financeira, referente à operação que deu origem à remessa de juros, não é possível averiguar quais as condições estabelecidas pelas partes para pagamento do empréstimo (números de parcelas, peridiocidade, carência, prazo). Assim, não há como analisar se a condição prevista na legislação para enquadramento no inciso IX do art. 691 foi observada pela Manifestante. Diante de todo o exposto, não há reparos a fazer no despacho da autoridade administrativa, que enquadrou as remessas de juros de fls. 549/550 na hipótese do art. 685, II, "b", do RIR/99. Logo a Manifestante efetuou os recolhimentos à alíquota correta, correspondente à 25%, não sendo aplicável aos montantes recolhidos as regras gerais de compensação, previstas no art. 21 da IN 210/2002, pelas quais seria possível compensar o IRRF com débitos de PIS.” Desta forma, entendo que a Recorrente não trouxe prova de que os juros foram pagos a um contrato que tenha prazo igual ou superior a 15 anos nos termos do artigo 1º da Lei 9.959/2000, que remete a Lei 9.481/97. Ademais, a filial que foi beneficiada se encontra em pais com tributação favorecida, o que nos remete novamente a alíquota de 25%, nos termos do artigo 8º da Lei 9779/99. Logo, não há como comprovar que a alíquota aplicável seria a de 15%, sendo certo que os fatos e documentos constantes nos autos nos leva a considerar que a alíquota de 25% é a mais correta, não sendo possível reconhecer o crédito pleiteado. Assim, entendo que não deve ser homologada a seguinte compensação: Fl. 972DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.000655/200396 Acórdão n.º 1402002.141 S1C4T2 Fl. 972 13 3 – Do saldo negativo de Imposto de Renda do anocalendário 2001 e do IRRF por órgão público. A autoridade administrativa reviu o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, reconhecendo parte do montante declarado na linha 08/Ficha 12 da DIPJ/2002 – R$ 467.665,56, glosando integralmente o valor constante da linha 09/Ficha 12 da DIPJ/2002 – R$ 372.236,57 (item 17 do despacho – fls. 218.) 226.825,45. Após a análise dos documentos constantes nos autos, ouso discordar em parte do v. acórdão da DRJ. Ocorre que a Recorrente, após a interposição do Recurso Voluntário, acostou aos autos documentos societários que comprovam que a subsidiária Real Administradora de Cartões e Serviços S.A. foi incorporada pela Banco Real S.A., que por sua vez, foi incorporado pelo Banco ABN Amora Bank. A autoridade administrativa, deixou de se manifestar sobre estes documentos quando o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência, sendo assim, entendo que tais documentos relativos as empresas incorporadas são suficientes para comprovar a retenção do IR, conforme passo a expor abaixo. Em relação a decisão referente aos créditos albergados pelos documentos de fls. 556/559 que não foram aceitos por não constar a Recorrente como beneficiária dos rendimentos no documento de fl. 556, entendo que deve ser reformada. O documento de fl. 556 é o comprovante anual de rendimentos emitido pela Companhia Brasileira de Meios de Pagamentos e os documentos de fls.557/559 são os pagamentos onde indicam como beneficiária a Recorrente. Apesar de no documento de fl. 556 não constar como beneficiaria o nome da Recorrente, consta o CNPJ da empresa subsidiária Real Administradora de Cartões e Serviços S.A. que foi incorporada pelo Banco Real, que posteriormente foi incorporada pelo Banco ABN Amaro Bank conforme contrato social de fls. 905. No comprovante de pagamento de fl. 557, referente ao mês de agosto de 2001, demonstra que foi retido imposto no valor de R$ 70.482,49, tendo como fonte pagadora a empresa Companhia Brasileira de Meios de Pagamento e como beneficiária o Banco ABN Amaro Real S.A. No comprovante de fl.558, ocorre a mesma situação acima apontada, sendo que se refere a retenção do imposto no mês de novembro de 2001, no valor de R$ 75.328,96. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.000655/200396 Acórdão n.º 1402002.141 S1C4T2 Fl. 973 14 E no de fl. 559, a mesma situação, só que se refere ao mês de dezembro de 2001 e o imposto foi retido no valor de R$ 81.014,00. Desta forma, entendo que tais documento são suficientes para comprovar o valor declarado na linha 08/Ficha 12 da DIPJ de fl. 218. Assim, entendo que os documentos devem ser aceitos como prova do valor declarado na Linha 08/Ficha 12 da DIPJ/2002, fl. 218, sendo que os créditos do IRRF no valor de R$ 226.825,45 relativos a estas declarações podem ser utilizados na composição do saldo negativo do anocalendário de 2001. No mais, acompanho o que restou decidido no v. acórdão recorrido em relação a este ponto, seja por divergência de valores, seja por falta de documentação para comprovar a retenção do imposto. Em relação ao montante declarado na linha 09/Ficha 12B da DIPJ 2002 (fl. 218) referente ao imposto retido por órgão público que foi glosado integralmente pela autoridade autuanate, acompanho o entendimento do v. acórdão recorrido, e colaciono a parte do voto que tratou desta matéria. "A autoridade administrativa glosou integralmente o montante declarado na linha 09/Ficha 12B da D IP J/2002 (fls. 218), equivalente ao imposto retido por órgão público. A autoridade entendeu que "o valor constante em DIRF (fls. 389), R$ 265.795,86, além de inferior ao total deduzido como tributo retido por órgão público nas linhas 19C/27, 20C/27, 16/06 e 12B/09, não permite que se identifique a parcela correspondente ao imposto de renda na fonte". A Manifestante apenas juntou o comprovante de fls. 623, não contestando diretamente nenhuma das afirmações da autoridade fiscal, e não anexando nenhum documento novo. Desta forma, permanece a situação apontada pela autoridade administrativa, não sendo possível identificar a parcela correspondente ao IRRF. Notese que no código 6188 estão incluídos valores relativos ao PIS, à COFINS e à CSLL. Após a análise documental resta ainda a ser verificada as outras alegações da Manifestante. A Manifestante alega que o INSS não fornece o informe de rendimentos comprobatórios dos créditos oriundos da retenção na fonte de tributos federais. No entanto, não anexou aos autos nenhum outro documento hábil a comprova a retenção, tais como notas fiscais de prestação de serviços e comprovantes de depósito. De mais a mais, também não foi localizada pela autoridade administrativa DIRF entregue pelo INSS, em que conste o CNPJ da contribuinte como beneficiária. [...] Por fim, em que pese estar correta a afirmação da Manifestante de que a compensação objeto da DCOMP 24260.42709.310703.1.7.029706 não tem qualquer relação com o IRRF incidente sobre a remessa de juros para o exterior, relativo ao anocalendário de 2001, não há nenhum impeditivo legal para que a autoridade administrativa efetue a revisão de ofício do saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2001. Diante de todo o exposto, e em face dos dispositivos legais supra mencionados, deve ser integralmente mantido o despacho decisório, por não ter sido apresentada qualquer documentação que pudesse infirmar a revisão de ofício do saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2001, efetuada pela autoridade administrativa no despacho de fls. 405/412." Fl. 974DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.000655/200396 Acórdão n.º 1402002.141 S1C4T2 Fl. 974 15 4 – Da exigência do IR mensal de 01/2003 e da alegação de abusividade da multa isolada: Em relação a alegação de abusividade da multa isolada, o processo que trata do Auto de Infração não esta apenso a este principal em epígrafe, sendo que o que for decido aqui deverá repercutir no processo do Auto de Infração que exige o multa isolada. Desta forma, entendo que a matéria relativa a multa isolada deve ser analisada nos autos do processo que se originou pela lavratura do Auto de Infração que exige multa isolada. Quanto ao IR mensal de janeiro de 2003, também entendo que não poderá ser utilizado para compor o saldo negativo mensal do IRPJ, conforme decidido no item 1 do meu voto neste processo, devendo ser mantido em relação a este ponto o v. acórdão recorrido. 5 Processo n° 16327.001506/200344: O que foi decido neste processo, conforme fundamentação acima, deve ser aplicado ao Processo n° 16327.001506/200344, eis que trata da mesma matéria só que de créditos relativos a compensação não homologada de parte do IR devido no mês de janeiro de 2003, no montante de R$ 7.612.782,66, com sua DCOMP declarando o crédito utilizado o saldo negativo do anocalendário de 2002 no importe de R$ 90.486.657,87. O saldo negativo do anocalendário de 2002 apurado pela Recorrente, foi composto por meio da compensação do IRRF código 0481 incidente sobre remessa de juros a filial situada no exterior. Para facilitar o entendimento dos fatos, colaciono a fundamentação relativa a não homologação dos créditos do processo final 44: 2. A compensação formalizada nestes autos envolve direito creditório decorrente de IRRF, código 0481, incidente sobre remessas de juros efetuadas pelo interessado a filial domiciliada no exterior, e saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2002, cuja quantificação e forma de utilização foram apreciadas no processo n. 16327.001507/200399, na decisão acostada às fls. 16 a 24. 3. Em decorrência dos fundamentos adotados naquele decisório, a autoridade administrativa concluiu pela impossibilidade de o interessado utilizar referidos créditos na compensação formalizada nestes autos. Desta forma, o débito do IR mensal de 01/2003, no valor de R$ 7.612.782,66, compensado indevidamente, será exigido com os acréscimos legais previstos na IN SRF n. 210/02 e art. 74 da Lei n. 9.430/96 e alterações. Para motivar meu voto em relação a este ponto, peço vênia para colacionar a parte do v. acórdão recorrido que analisou detalhadamente este ponto e que entendo que deve ser mantida: Fl. 975DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.000655/200396 Acórdão n.º 1402002.141 S1C4T2 Fl. 975 16 "Deste modo, foi utilizado como crédito para compensação do débito controlado no processo n° 16327.001506/200344 (parte do IR devido no mês de janeiro de 2003, no montante de R$ 7.612.782,66), o valor de IRRF, código 0481. Embora o crédito tenha sido reconhecido, as compensações não foram homologadas por entender a autoridade administrativa que "a compensação está adstrita aos débitos do imposto e adicional apurados no mês de dezembro com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução e do imposto relativo a todo ano calendário" (item 11 fls. 23). O art. 9 o da Medida Provisória n° 1.8072, de 25/03/1999 assim dispõe: [...] A partir da leitura deste dispositivo concluímos que, em princípio, o regime de tributação das remessas de juros e comissões, nos termos do art. 685, II, " b " do RIR/99, seria exclusivo na fonte, como ocorre nas demais remessas de juros a pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior. No entanto, o art. 9o permitiu a compensação do imposto retido com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, desde que os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, sejam computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil. Frisese ainda que tal compensação só pode ser feita até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, nos termos do parágrafo único do art. 9 o da Medida Provisória n° 1.8072, e §9° do art. 395, do RIR/99. Ao analisarmos os dados constantes da DIPJ/2003, verificamos o seguinte: • Foram computados no lucro real os lucros disponibilizados pelas filiais Banco ABN AMRO Real S/A Ag. Grand Caymam, Banco Real Del Paraguay S/A e Real Paraguaya de Seguros S/A, nos montantes de R$ 447.912.596,49, R$ 26.254.570,36 e R$ 6.629.139,60, respectivamente (ficha 36 fls. 56/59), perfazendo o total de R$ 480.796.306,45 (ficha 09B fls. 60). • Foi apurado prejuízo fiscal no valor de R$ 459.111.605,21 (ficha 09B/32 fls. 62). Ora, a lei é clara ao permitir a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos enviados a filial ou sucursal domiciliada no exterior, apenas com imposto devido incidente sobre o lucro real da matriz. Como foi apurado prejuízo fiscal, não houve incidência de imposto sobre o lucro da matriz, estando correto o despacho decisório que não homologou a compensação efetuada com débitos de imposto de renda incidente sobre a receita da matriz. Ressaltamos que o crédito de IRRF é da filial com domicílio fiscal no exterior, cuja tributação, se não fosse a previsão legal do art. 9o da Medida Provisória n° 1.8072, de 25/03/1999, seria exclusiva na fonte. Contrariamente ao alegado pela Manifestante, a autoridade administrativa não ofendeu ao princípio da legalidade ao admitir tão somente a hipótese de compensação do IRRF, código 0481, com o lucro real da matriz, apurado ao final do ano calendário. É a Manifestante que pretende efetuar compensação sem expressa previsão legal, e desconformidade com o art. 170, caput, do CTN: [...] A leitura do disposto no art. 170, nos leva à conclusão de que todas as condições necessárias para a autorização da compensação devem estar claramente expressas nos dispositivos legais pertinentes à matéria. Deste modo, se houvesse base legal para amparar a pretensão da Manifestante, a lei deveria dispor que o imposto retido na fonte (crédito da filial no exterior), poderia ser compensado com o lucro real da matriz ou sobre o imposto devido no exercício seguinte, calculado sobre base de cálculo estimada. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.000655/200396 Acórdão n.º 1402002.141 S1C4T2 Fl. 976 17 Os exemplos de interpretação sistêmica adotada pelo Egrégio Conselho de Contribuintes, citados pela Manifestante, não se aplicam a casos de compensação. No tocante ao aviso de cobrança, deve ser ressaltado que a Manifestação de Inconformidade suspende a exigibilidade do respectivo crédito tributário, nos termos do art. 17 da Lei n. 10.833/2003. Em resumo, não há reparos a fazer no despacho decisório, devendo ser mantida a não homologação da compensação do IR mensal de 01/2003, no valor de R$ 7.612.782,66." Diante do exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço parcialmente do Recurso Voluntário, acolhendo o pedido da Recorrente em relação ao item 3 do meu voto, para reconhecer os créditos relativos ao IRRF dos comprovantes em que constam os CNPJs das empresas sucedidas/incorporadas, até o valor de R$ 226.825,45, mantendo o restante do v. acórdão recorrido. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Voto Relator. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 11831.000151/99-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador 30/09/1997, 31/10/1997,
- 30/11/1997, 31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998,
31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998,
31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998,
28/02/1999,31/03/1999,30/04/1999.
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU
COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA QÜINQUENAL.
O pleito de restituição/compensação de valores
recolhidos a maior, a titulo de contribuição para o
PIS, nos moldes dos inconstitucionais Decretos-Leis
n2s 2.445 e 2.449, de 1988, tem como prazo de
decadência/prescrição aquele de cinco anos, contado
a partir da edição da Resolução n2 49, do Senado
(Precedente Acórdão ne: 202-16.357).
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 202-18.230
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO
CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição ao PIS nos períodos compreendidos entre janeiro de 1990 e outubro de 1994, observado o critério da semestralidade, sem atualização monetária da base de cálculo. Vencidos os Conselheiros Nadja Rodrigues Romero e Antonio Carlos Atulim, que consideraram extinto o direito ao indébito dos períodos anteriores a maio de 1999.
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
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I "21:Á MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ‘7fr;''.:•n 1/4" ' "fClç.q:'l SEGUNDA CÂMARA Processo n° 11831.000151/99-79 Recurso n° 136.061 Voluntário ~ator ccossocrcs dr2L__ Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE PIS • • Acórdão n° 202-18.230 Pu'," Sessão de 15 de agosto de 2007 Recorrente DISBRASA DISTRIBUIDORA BRASILEIRA DE VEÍCULOS LTDA. • Recorrida DRJ em São Paulo - SP Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador 30/09/1997, 31/10/1997, - 30/11/1997, 31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 28/02/1999,31/03/1999,30/04/1999. Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA QÜINQUENAL. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a titulo de contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais Decretos-Leis n2s 2.445 e 2.449, de 1988, tem como prazo de decadência/prescrição aquele de cinco anos, contado a partir da edição da Resolução n2 49, do Senado (Precedente Acórdão ne: 202-16.357). Recurso provido em parte. MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasilia 03 / )0 I ~.1" Andrezza Nastimicikal Mal. Niape 1377389 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição ao PIS nos períodos compreendidos entre janeiro de 1990 e outubro de 1994, observado o critério da semestralidade, sem atualização monetária ‘L--L—\ a, Processo n.° 11831.000151/99-79 CCO2/CO2 Acórdão n.°202-18.230 Fls. 2 da base de cálculo. Vencidos os Conselheiros Nadja Rodrigues Romero e Antonio Carlos Atulim, que consideraram extinto o direito ao indébito dos períodos anteriores a maio de 1999. ANT NIO CARLOS A IM ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Presidente Brasflia 03 ,10 09,001-- e' Nasci i rito Schnicikal Mau Siape 137738g V4P ) A-1001-1):(MOAD • ()NI° LISBOA CARDuS0 Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Ivan Allegretti (Suplente), Antonio Zomer e Maria Teresa Martinez López. CCO2/CO2 Acórdão 2101 28-31 18,230151 /99-79 MF • SEGCUONNDOFECROENCSELHOM Fls. 3• • CIODE ORcIG°INNTALRIBuiNtu. erasilia, / 10 ,0t001- LitnalL Andreua Nascimento Scluncikal Relatório Ma. ti ktpc )317319 Trata-se de recurso voluntário impetrado pela empresa Disbrasa Distribuidora de Veículos Ltda. (CNPJ n2 61.799.227/0001-33), em face do Acórdão n2 05.737, de 17 de agosto de 2004 (fls. 260/277), prolatado pela DRI/SP, que manteve o indeferimento da solicitação de restituição/compensação, assim ementado: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, • 31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE - SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE - INCONS77TUCIONALIDADE - DECADÊNCIA - SEMESTRALIDADE DO PIS - JUROS A manifestação de inconformidade apresentada contra decisão que não homologou as declarações de compensação apresentadas tem o condão de suspender a exigibilidade dos débitos que o contribuinte pretende compensar. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. O direito de pedir restituição extingue-se após o prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Legislação superveniente alterou o prazo de recolhimento do PIS, sendo que estas normas não foram afetadas pela Resolução 49 do Senado Federal. Sobre os créditos tributários não pagos no prazo legal de vencimento devem ser acrescidos os juros morató rios. Solicitação Indeferida". Portanto, o presente processo trata de recurso objetivando a restituição dos valores pagos a maior, extraídos da diferença entre as quantias recolhidas pelos decretos inconstitucionais (n2s 2.445/88 e 2.448/88), no período compreendido entre janeiro de 1990 e outubro de 1994, e as efetivamente devidas pela LC n2 07/70, em razão de ter utilizado como base de cálculo desta contribuição o resultado do mês imediatamente anterior ao vencimento, e não o sexto mês anterior, como determinava o parágrafo único do art. 62 da mencionada LC. No recurso de fls. 284/304, a recorrente alega que ingressou em 12/05/1999, com o pedido de compensação dos créditos de PIS (gerados em virtude da declaração de inconstitucionalidade dos DLs) com débitos do próprio PIS, relativos aos fatos geradores ocorridos entre setembro de 1997 e outubro de 1998 e entre fevereiro e abril de 1999, aduzindo, para tanto, em síntese, que a decadência do direito de pleitear a restituição ou a compensação da diferença da contribuição ao PIS recolhida em conformidade com os Decretos-Leis n2s 2.445 e 2.448, ambos de 1988, e o valor devido pela LC n 2 7/70, somente se daria em 11/10/2000, tendo em vista que a Resolução n2 49, do Senado Federal, somente foi publicada em 10/10/95, conforme reiterada jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e também de acordo com a jurisprudência dos Tribunais Superiores. É o Relatório. Processo n.° 11831.000151/99-79 CCO2/CO2 Acórdão n.• 202-18.230 MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINT: Fls. 4• CONFERE COM O ORIGINAL • &adia. (2? / 10 / Voto At:drena Nasci) nto Schmcikal Mal. Sioe 13773/19 Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator O recurso merece ser conhecido, porquanto tempestivo e revestidos dos demais requisitos legais pertinentes. • Trata o caso em tela de pedido de restituição de contribuição do PIS, em face da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Eg. STF, em face dos Decretos-Leis n2s 2.445/88 e 2.449/88, nos autos do Recurso Extraordinário n2 148.754-2/RJ, tendo o Senado Federal exercido a prerrogativa contemplada no art. 52, X, da Constituição Federal, sendo • promulgada a Resolução n2 49, de 9 de outubro de 1995 (DOU de 10/10/1995). O indébito pleiteado refere-se aos períodos de janeiro de 1990 e outubro de • 1994, cuja solicitação foi protocolada em 12/05/1999, o que levou a DRF/SP a indeferir o pleito por considerar decaído o direito à restituição, em face do que preconiza o art. 168 do CTN, bem como pelo fato do Ato Declaratório SRF n2 96/99, respaldado no Parecer PGFN/CAT n2 1.538/99, que igualmente considera o prazo de 5 (cinco) anos para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente. O assunto já foi 'bastante discutido no âmbito deste Colegiado. Nesse sentido peço venia para transcrever parte do voto condutor do Acórdão n 2 202-16.357, nos autos do Processo n2 13847.000227/99-59 (Recurào n2 124.876), julgado na sessão de 18 de maio de 2005, designado relator para o acórdão o Conselheiro Dalton César Cordeiro de Miranda, cujos fundamentos adoto como razão de decidir, verbis: "Em preliminar, volto meus esforços para a análise de tormentosa questão. Assim, com respeito a meus pares, passo ao exame da questão da aplicação do dies a quo para o reconhecimento, ou não, de haver decaído a recorrente do direito de pleitear a restituição/compensação da contribuição para o PIS, nos moldes em que formulada nestes autos. O Superior Tribunal de Justiça, por intermédio de sua Primeira Seção, fixou o entendimento de que '..., no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados.'! Para o Superior Tribunal de Justiça, portanto, reconhecida é a restituição do indébito contra a Fazenda, sendo o prazo de decadência contado segundo a denominada tese dos 5+5, nos moldes em que acima transcrito. Com a devida vênia àqueles que sustentam a referida tese, consigno que não me filio à referida corrente, pois, a meu ver, estar-se-á contrariando o sistema constitucional brasileiro em vigor que disciplina o controle da constitucionalidade e, conseqüentemente, os efeitos dessa declaração de inconstitucionalidade. Ocorre que a defesa à tese dos 5+5 contraria o próprio sistema constitucional brasileiro, de acordo com o qual, uma vez declarada, g Processo n.° 11831.000151/99-79 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.230 • Fls. 5 pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, a inconstitucionalidade de determinada exação em controle difluo de constitucionalidade, compete ao Senado Federal suspender a execução da norma declarada inconstitucional, nos termos em que disposto no art. 52, inciso X da Carta Magna, sendo que, a partir de então, são tidos por inexistentes os atos praticados sob a égide da norma inconstitucional A esse propósito, inclusive, cumpre observar as lições de Mauro Cappelletti, ao discorrer sobre os efeitos do controle de • constitucionalidade das leis: 'De novo se revela, a este propósito, uma radical e extremamente • interessante contraposição entre o sistema norte-americano e o sistema en austríaco, elaborado, como se lembrou, especialmente por obra de Hans kelsen. No primeiro desses dois sistemas, segunda a concepção 5 o mais tradicional, a lei inconstitucional, porque contrária a uma ?21 .3 norma superior, é considerada absolutamente nula Ou& and voa% eg g. e, por isto, ineficaz, pelo que o juiz, que exerce o poder de controle, o E "r"45u: A não anula, mas, meramente, declara uma (pré-existente) nulidade da 6.1 o •;::, o F-r- lei inconstitucional' (destaquei). o C) 3 2 -Lu O crà • o ce z I Recurso Especial n° 608.844-CE, Ministro José Delgado, Primeira Turma do o tu o“.Superior Tribunal de Justiça, acórdão publicado em D oJU, Seção I, de 7/6/2004. n Ci No caso em tela foi justamente isso o que ocorreu. O Colendo Supremo o ° Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE n° 1 48.754/RJ - portanto, em sede de controle concreto de constitucionalidade tási ta declarou inconstitucionais os Decretos-Leis es 2.445/88 e 2.449/88, que alteraram a sistemática de apuração do PIS, tendo o Senado, em 10/10/1995, publicado a Resolução n • 49/95, suspendendo a execução dos referidos diplomas legais. A partir daquele momento aquelas normas declaradas inconstitucionais foram expulsas do sistema jurídico, de forma que todo e qualquer recolhimento efetuado com base nas mesmas o foram de forma equivocada, razão pela qual possui a ora requerente direito à restituição dos valores recolhidos, independentemente de ter havido homologação desses valores ou não. Em verdade, como no sistema constitucional brasileiro predomina a tese da nulidade das normas inconstitucionais, cuja declaração apresenta eficácia ex tunc, todos os atos firmados sob a égide da norma inconstitucional são nulos. Conseqüentemente, todo e qualquer tributo cobrado indevidamente - como é o caso presente - é ilegal e inconstitucional, possuindo a contribuinte, ora recorrente, direito à repetição daquilo que contribuiu com base na presunção de constitucionalidade da norma. Não há, portanto, como se falar em prazo prescricional iniciado com o fato gerador, eis que, a teor do que prescreve o ordenamento pátrio, não há nem mesmo que se falar em fato gerador, eis que não há tributo a ser recolhido. Aliás, o Colendo Supremo Tribunal Federal há muito exarou posicionamento no sentido de que, uma vez declarada a inconstitucionalidade da norma que instituiu determinada exação, L%- d Processo n.• 11831.000151/99-79 CCO2X02 Acórdão n.°202-18.230 • Fls. 6 surge para o contribuinte o direito de repetir aquilo que pagou • indevidamente. Vejamos: Declarada, assim, pelo Plenário, a inconstitucionalidade material das normas legais em que fundada a exigência da natureza tributária, porque falta a título de cobrança de empréstimo compulsório -, segue- • se o direito do contribuinte à repetição do que pagou (C.Trib. Nac., art. 165), independentemente do exercício financeiro em que tenha ocorrido o pagamento indevido." (Recurso Extraordinário n° 136.883- 7/Ri, Ministro Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, ai de 13/9/1991) • Assim, admitir que a prescrição tem curso a partir do fato gerador da exação tida por inconstitucional implica violação direta e literal aos princípios da legalidade e da vedação ao confisco, insculpidos nos —te arts. 5°, inciso II, e 150, inciso IV, ambos da Constituição Federal. Isto • porque, em se tratando de lei declarada inconstitucional, a mesma é 1:05 nula; logo, não há que se conceber a exigência do tributo e, por te' 4 conseguinte, que se falar em fato gerador do mesmo. E. em sendo nula a • f, 2 a exação, o seu recolhimento implica confisco por parte da ai C2 c) 02 3er: Administração, devendo, portanto, ser restituído ao contribuinte - in 3 o r, casu, à requerente -, o valor confiscado. o • •Por certo, o nosso ordenamento jurídico prevê, como princípio, a la utu 7% Z prescritibilidade das relações jurídicas, razão pela qual não há que se 8 ct er) ç:, 2 2 conceber que o direito do contribuinte de reaver os valores cobrados g 'à- = e indevidamente não sofra os efeitos da prescrição. Por outro lado, não g 8 se pode admitir que aquele, que de boa-fé e com base na presunção de €91 constitucionalidade da exação outrora declarada inconstitucional, seja • )2 prejudicado com isso. Daí se mostra a necessidade da aplicação do gi to princípio da razoabilidade. Atendendo a essa lógica, cumpre a nós, julgadores, analisar a situação e contrabalançar os fatos e direitos a fim de propiciar uma aplicação justa e equânime da norma. Considerar - como foi feito na presente situação - que, independentemente da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n"s 2.445/88 e 2.449/88, o prazo prescricional para a recorrente pleitear a restituição daqueles valores que recolheu indevidamente teria início com o fato gerador (inexistente, por sinal) da exação, não se afigura a melhor solução, e tampouco atende aos princípios da razoabilidade e da justiça, objetivo fundamental da República Federativa do Brasil (art. 3°, inciso I, da Constituição Federal). A esse propósito, inclusive, vale observar que o próprio Superior Tribunal de Justiça é por sua Primeira Seção, analisando Embargos de Divergência no Recurso Especial n° 423.994, publicado no Diário da Justiça de 5/4/2004, seguindo o voto do Ministro Relatar Francisco Peçonha Martins, firmou posicionamento nesse mesmo sentido. Confira-se trecho do voto condutor do aludido recurso: 'Na hipótese de ser declarada a inconstitucionalidade da exação e, por isso, excluída do ordenamento jurídico desde quando instituída como ocorreu com os Decretos-Leis n's 2.445 e 2.449, que alteravam a sistemática de contribuição do PIS (12E 148.754/121, DJ 04.03.94), penso que a prescrição só pode ser estabelecida em relação à ação e /\ Processo n.• 11831.000151/99-79 CCO2/CO2 Acórdão n.• 202-18.230 Fls. 7 não com referência às parcelas recolhidas porque indevidas desde a sua instituição, tornando-se inexigível e, via de conseqüência, possibilitando a sua restituição ou compensação. Não há que perquirir se houve homologação.' (destacamos e grifamos) O Acórdão recorrido, por seu turno, externou posicionamento no sentido diametralmente oposto, qual seja, de que o termo a quo para a contagem do prazo prescrkional teria início com o fato gerador da exação, variando conforme a homologação, desconsiderando a existência ou não de declaração de inconstitucionalidade da norma. Cumpre ainda observar o que dispõem os arts. 165 e 168, ambos do Código Tributário Nacional: 'Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio • protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4', do art. .0 • 162, nos seguintes casos: ‘Cobib cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior p; os; _ que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza "ai '4) 'Z.". ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; g t.t u —ct fr11- erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota o o o aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou O O -"k- conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 5 ob2 ») •Ét ta 5:- 111 - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão or cem z r,; condenató ria. g-) W 2 2 e Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso E, o u do prazo de 5 (cinco) anos, contados: UIIn U: -453 1- nas hipóteses dos incisos]. e II do art 165, da data da extinção do a co crédito tributário; II - na hipótese do inciso III do art. 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória.' (gr(os meus) Com efeito, se um determinado contribuinte recolheu mais tributo que o devido por um equívoco seu (art. 165, inciso I, CTN), a prescrição tem início com a extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, do CTN), que se deu com a homologação do lançamento. Logo, correta a aplicação da tese esposada no Acórdão recorrido. Todavia, nos casos, como o presente, em que a contribuinte recolheu tributo indevido (art. 165, inciso I, do CTIn), com base em lei que, em momento ulterior, foi declarada inconstitucional, a contagem se dá de outra forma. Isto porque, no mundo jurídico, os decretos-leis que tinham instituído a cobrança indevida não existem, de modo que não se pode falar em crédito tributário propriamente dito. Com isso, aplica-se, subsidiariamente, o Decreto n° 20.910/32, de acordo com o qual "as dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, V • . . . . • Processo n.• 11831.000151/99-79 CCO2FCO2 • 'Acórdão ri.' 202-18.230. Fls. 8 prescrevem em 5 (cinco) anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem.' (art. 1°). Como o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n"s 2.445/88 e 2.449/88, em controle concreto de constitucionalidade, essa decisão só passou a ter eficácia erga omnes com a publicação da Resolução n° 49, do Senado Federal, em • 10/10/1995, momento em que a recorrente passou a fazer jus à restituição dos valores pagos indevidamente. , Levando-se, ainda, em consideração que o prazo prescricional é de , cinco anos, a prescrição para a recorrente pleitear a restituição da quantia paga indevidamente somente se consumaria em 10/10/2000. In casu, o pleito foi formulado pela recorrente em 26 de setembro de 2001, portanto, em data posterior a 10/10/2000, o que atrai a decadência ao referido pedido administrativo. Em face de todo o exposto, com a observação de que este também é o entendimento exarado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes, nego provimento ao recurso." (grifos do original) Portanto, no caso em tela, que trata do indébito requerido em 12/05/1999, relativo ao período compreendido entre janeiro de 1990 e outubro de 1994, e, considerando ainda a Resolução n2 49, de 10/10/1995; do Senado Federal, que definitivamente afastou do mundo jurídico os Decretos-Leis n2s 2.445/88 e 2.449/88, logo, quando o pedido de restituição/compensação foi protocolado, ainda não havia decaído o direito de o contribuinte pleitear a restituição do indébito, cujo direito se estendia até 10/10/2000, conforme bem demonstrado no acórdão paradigma. Em face do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar-lhe provimento parcial, a fim de reconhecer a semestralidade da base de cálculo do PIS, nos termos da Lei Complementar n2 7/70, cujo regramento permaneceu até fevereiro de 1996, sem qualquer correção da base de cálculo, devendo ser restituível/compensado os valores recolhidos a maior, nos moldes dos inconstitucionais Decretos-Leis n2s 2.445 e 2.449, de 1988. Os valores dos indébitos remanescentes, após o desconto da contribuição devida com base na Lei Complementar n2 7/70, devem ser corrigidos monetariamente, até 31/12/1995, com base na tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n 2 08, de 27/06/97. A partir de 1 2/01/96, sobre os indébitos passam a incidir exclusivamente juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente, até o mês anterior em que houver a restituição/compensação, acrescida de 1% relativamente ao mês da ocorrência da restituição ou compensação, por força do disposto no art. 39, § 4 2, da Lei n2 9.250/95. Sala das Sessões, em 15 de agosto de 2007. MF - SEGUNDO CONSELI40 DE CONTRIBUINTESCONFERE COM O ORRNAL Caie4 -mg&140 . &adia. 03 /_2102/ 2,0 0:-/- ANTÔNIO LISBOA C OSO ititAr.1— Andrezza Nascimento Schntcikal Mat. Sispc 1377389\ I Page 1 _0022500.PDF Page 1 _0022600.PDF Page 1 _0022700.PDF Page 1 _0022800.PDF Page 1 _0022900.PDF Page 1 _0023000.PDF Page 1 _0023100.PDF Page 1
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Numero do processo: 13786.720004/2014-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. PLANO DE SAÚDE COMPROVAÇÃO.
A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB/DF 24.259
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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PLANO DE SAÚDE COMPROVAÇÃO. A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB/DF 24.259 João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 6. 72 00 04 /2 01 4- 73 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento emitida em 9/12/2013, no valor total de R$ 5.127,47, incluídos multa e juros de mora calculados até 30/12/2013, em face da constatação de infração à legislação tributária configurada por dedução indevida de despesas médicas R$ 9.375,22 (fls. 8/12). O enquadramento legal consta na notificação de lançamento ( fls. 9/10). O contribuinte apresentou a impugnação (fls. 2/5), acompanhada dos documentos (fls. 6/14), mediante a qual requer o cancelamento do débito fiscal alegando, em síntese, que o recibo de pagamento das mensalidades do plano de saúde contratado junto a Unimed Noroeste Fluminense Cooperativa de Trabalho Médico, CNPJ 28.794.020/000182 individualiza o beneficiário, que é o próprio contribuinte. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, ementada conforme segue: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. O direito à dedução de despesas médicas restringese àquelas que tiveram por beneficiário o contribuinte ou seus dependentes, assim considerados na forma da legislação do imposto de renda, e está condicionado comprovação do atendimentos aos requisitos legais e da efetividade da prestação de serviços e dos correspondentes pagamentos. Para melhor compreensão dos fundamentos decisórios, colacionase fragmentos do voto: [...] Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 9/10), a glosa deveuse ao fato de o contribuinte não ter apresentado documento que especifique os beneficiários do plano de saúde contratado junto a Unimed Noroeste Fluminense Cooperativa de Trabalho Médico, conforme solicitado mediante Termo de Intimação Fiscal de fls. 15. [...] Da análise dos autos verificase que o interessado apresentou à fiscalização o documento de fls. 14, datado de 05/04/2011, que consiste em declaração relativa aos pagamentos por ele efetuados e, em sede de impugnação, apresentou documento com o mesmo conteúdo, datado de 06/01/2014. Este último traz a observação de que esclarecimentos que ainda se fizerem necessários deverão ser obtidos em contato com telefone que especifica. [...] O contribuinte fora cientificado do Acordão nº 1656.195 21ª Turma da DRJ/SP1 em 07/04/2014 (fl. 37). Fl. 75DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13786.720004/201473 Acórdão n.º 2301004.594 S2C3T1 Fl. 75 3 Sobreveio recurso voluntário em 05/05/2014 ( fls. 38/44), acompanhado de documentos ( fls. 45/71). Em apertada síntese, justificou que no seu entendimento bastaria apresentar declaração "firmada pelo prestador de serviços informando, objetivamente, que o contribuinte é o único beneficiário do plano, se for caso, ou identificasse os beneficiários, individualizando os valores pagos". Asseverou que quando compreendeu o teor da solicitação fiscal, por meio da DRJ, dirigiuse novamente à Unimed Noroeste Fluminense, que lhe forneceu as declarações abaixo: R$ 5.941,92 referemse a despesas com o plano do próprio contribuinte, Paulo Afonso Arinos Tostes Salles CPF nº 327.240.63791 e, R$ 3.420,00 referemse a despesas com o plano de saúde de sua esposa, Lea Vidal Tostes Sales CPF nº 250.488.13715. Informou quer no anocalendário de 2010 deixou de incluir sua esposa na Declaração de Ajuste Anual e que sua esposa optou pela apuração simplificada do seu IRPF e que, justamente por conta disso, as despesas com plano de saúde não foram utilizadas em duplicidade pelo recorrente e sua esposa. Reconhece como parcialmente o devido o lançamento, para o qual efetua pagamento acrescido de multa e juros, considerando o benefício de redução de 30% da multa, Lei 8.212/1991, art. 6º, III, (cálculos fls. 43). Junta DARF e comprovante de pagamento em fl. 67. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. A controvérsia cingese à glosa de despesas com plano de saúde, ante a falta de informação que deveria ter sido prestada pelo contribuinte quanto ao(s) beneficiário(s) do plano. Neste contexto, o RIR/99 estabelece: [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas Fl. 76DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; [...] Analisando os documentos carreados ao presente recurso, verifico que o recorrente apresentou à fl. 61, declaração da Unimed Noroeste Fluminense, contendo as informações necessários ao deslinde do feito. As despesas médicas glosadas, conforme declaração supracitada, referemse a plano de saúde em que os beneficiários são o próprio recorrente e sua esposa. Esclarece o contribuinte que por um equívoco deixou de declarar como dependente sua esposa na DIRPF, anocalendário 2010. Em suas razões recursais, o sujeito passivo reconhece como indevida a dedução com plano de saúde relativamente a sua esposa, no valor de R$ 3.420,00 e faz pagamento do imposto devido, acrescido de juros e multa. Junta comprovante à fl. 67. Assim, tendo o contribuinte logrado êxito em fazer a comprovação de quem são os beneficiários do plano, têmse como devida apenas a glosa no valor de R$ 3.420,00. Ante ao exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para restabelecer a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 5.941,92. (Assinado Digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 77DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 16004.000134/2009-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO.
Para os tributos lançados por homologação, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 25.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 (Súmula CARF nº 25).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITOS IGUAIS OU INFERIORES A R$12.000,00. LIMITE ANUAL DE R$80.000,00. SÚMULA CARF Nº 61.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula CARF nº 61).
PARCERIA RURAL X ARRENDAMENTO RURAL. DISTINÇÃO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS NÃO MANTIDA.
A diferença intrínseca entre os contratos de parceira rural e de arrendamento rural é que os primeiros caracterizamse pelo fato de o proprietário da terra assumir os riscos inerentes à exploração da atividade e partilhar os frutos ou os lucros na proporção que houver sido previamente estipulada, enquanto que nos últimos não há assunção dos riscos por parte do arrendador que recebe um retribuição fixa pelo arrendamento das terras.
No caso de contrato de arrendamento, o rendimento recebido pelo proprietário dos bens rurais cedidos é tributado como se fosse um aluguel comum, enquanto que no contrato de parceria, as duas partes são tributadas como atividade rural na proporção que couber a cada uma delas.
Para descaracterizar o contrato de parceria agrícola, considerando ele uma simulação de um contrato de arrendamento, deve a fiscalização apresentar provas suficientes da conduta simulada. A mera existência de contrato de compra e venda, para entrega futura da produção, com empresa terceira à parceria agrícola, não é suficiente para concluir que o proprietário da terra, na condição de parceiro, teria simulado a parceria agrícola e estabelecido um valor fixo (em quantidade de produção) da produção que iria receber advinda da parceria, o que caracteriza um valor de aluguel pelo arrendamento.
É ônus da fiscalização demonstrar a existência de simulação, não podendo, por simples suposição ou presunção, criar uma ficção jurídica, para autuar o contribuinte, sem apresentar uma comprovação hábil a demonstrar a efetiva ocorrência de uma conduta simulada.
MULTA QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE DOLO.
Cabível a incidência de multa qualificada, quando presente uma das hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 2202-003.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de impertinência de documentos e elementos carreados aos autos. Quanto à infração de "omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada", por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para excluir da base tributável o valor de R$ 16.500,00, do ano-calendário 2003, por decadência, e excluir da base de cálculo tributável do ano-calendário 2005 o valor de R$ 36.957,92, em virtude da Súmula CARF nº 61. Por maioria de votos, cancelar o lançamento relativo à infração de "reclassificação de rendimentos declarados nas DIRPFs", vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Relator), Eduardo de Oliveira e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, que mantiveram o lançamento dessa infração. Quanto à multa de ofício, por unanimidade de votos, desqualificá-la em relação à infração "omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada", reduzindo-a ao percentual de 75%. Foi designado o Conselheiro Martin da Silva Gesto para redigir o voto vencedor.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator.
Assinado digitalmente
Martin da Silva Gesto - Redator designado.
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Para os tributos lançados por homologação, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 25. “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 01 34 /2 00 9- 77 Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64” (Súmula CARF nº 25). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITOS IGUAIS OU INFERIORES A R$12.000,00. LIMITE ANUAL DE R$80.000,00. SÚMULA CARF Nº 61. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula CARF nº 61). PARCERIA RURAL X ARRENDAMENTO RURAL. DISTINÇÃO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS NÃO MANTIDA. A diferença intrínseca entre os contratos de parceira rural e de arrendamento rural é que os primeiros caracterizamse pelo fato de o proprietário da terra assumir os riscos inerentes à exploração da atividade e partilhar os frutos ou os lucros na proporção que houver sido previamente estipulada, enquanto que nos últimos não há assunção dos riscos por parte do arrendador que recebe um retribuição fixa pelo arrendamento das terras. No caso de contrato de arrendamento, o rendimento recebido pelo proprietário dos bens rurais cedidos é tributado como se fosse um aluguel comum, enquanto que no contrato de parceria, as duas partes são tributadas como atividade rural na proporção que couber a cada uma delas. Para descaracterizar o contrato de parceria agrícola, considerando ele uma simulação de um contrato de arrendamento, deve a fiscalização apresentar provas suficientes da conduta simulada. A mera existência de contrato de compra e venda, para entrega futura da produção, com empresa terceira à parceria agrícola, não é suficiente para concluir que o proprietário da terra, na condição de parceiro, teria simulado a parceria agrícola e estabelecido um valor fixo (em quantidade de produção) da produção que iria receber advinda da parceria, o que caracteriza um valor de aluguel pelo arrendamento. É ônus da fiscalização demonstrar a existência de simulação, não podendo, por simples suposição ou presunção, criar uma ficção jurídica, para autuar o contribuinte, sem apresentar uma comprovação hábil a demonstrar a efetiva ocorrência de uma conduta simulada. MULTA QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE DOLO. Cabível a incidência de multa qualificada, quando presente uma das hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de impertinência de documentos e elementos carreados aos autos. Quanto à infração de "omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada", por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para excluir da base tributável o valor de R$ 16.500,00, do anocalendário 2003, por decadência, e excluir da base de cálculo tributável do anocalendário 2005 o valor de R$ 36.957,92, em virtude da Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.125 3 Súmula CARF nº 61. Por maioria de votos, cancelar o lançamento relativo à infração de "reclassificação de rendimentos declarados nas DIRPFs", vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Relator), Eduardo de Oliveira e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, que mantiveram o lançamento dessa infração. Quanto à multa de ofício, por unanimidade de votos, desqualificála em relação à infração "omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada", reduzindoa ao percentual de 75%. Foi designado o Conselheiro Martin da Silva Gesto para redigir o voto vencedor. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator. Assinado digitalmente Martin da Silva Gesto Redator designado. Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem sintetizar os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do Acórdão nº 1738.484, da Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SP2. Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 03/04/2009, o Auto de Infração de fls. 728 a 765 (sendo as folhas 728 a 749 correspondentes ao Termo de Descrição dos Fatos) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2004, 2005, 2006 e 2007 (anoscalendário 2003, 2004, 2005 e 2006), por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 815.612,08, dos quais R$ 274.169,72 correspondem a imposto, R$ 411.254,56, a multa proporcional, e R$ 130.187,80, a juros de mora, calculados até 31/03/2009 (fl. 750). Conforme Termo de Descrição dos Fatos (fls. 728 a 749) e Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 752 a 757), o procedimento teve origem na apuração da seguintes infrações: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica, conforme item 6.1.1 do Termo de Descrição dos Fatos (fls. 728 a 749); Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, conforme item 6.1.2 do Termo de Descrição dos Fatos (fls. 728 a 749); DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos usados nessas operações, conforme demonstrado no item 6.1.3 do Termo de Descrição dos Fatos (fls. 728 a 749); CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF O sujeito passivo classificou indevidamente na Declaração de Ajuste os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de receitas de arrendamento, conforme demonstrado no item 6.2 do Termo de Descrição dos Fatos (fls. 728 a 749). O enquadramento legal das infrações encontrase As fls. 753, 754, 755 e 757. O enquadramento legal dos acréscimos legais encontrase à fl. 763. Cientificado do Auto de Infração em 13/04/2009 (fl. 769), o contribuinte apresentou, em 12/05/2009, a impugnação de fls. 774 a 806, na qual requer, em síntese, seja acolhida a impugnação, cancelado o Auto de Infração, extinto o crédito tributário e arquivado o processo administrativo tributário em tela, pois: PRELIMINARES considera a juntada do Termos de Descrição dos Fatos de fls. 304 a 399, lavrado em face do contribuinte Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda. impertinente e irrelevante pois os fatos envolvendo essa empresa não redundaram, na opinião do interessado, seja direta, seja indiretamente na apuração das supostas infrações apontadas no Auto de Infração contestado — cita a Lei n° 9.784/99, que regula o Processo Administrativo. Também considera que a intenção da fiscalização foi dar credibilidade à autuação, que considera precária; decadência para o período entre janeiro de 2003 e março de 2004, pois a multa de 150% não seria cabível e o lançamento seria com base no art. 150, § 4° do CTN (por homologação) e o período de apuração do IRPF seria mensal, a partir da Lei n° 7.713/88 (cita acórdãos do CC); MÉRITO quanto à omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica, atribui ao esquecimento em declarar tais valores, que considera ínfimos frente aos seus rendimentos totais e afirma haver efetuado o recolhimento dos valores omitidos, acrescidos dos encargos legais; Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.126 5 quanto à omissão de ganho de capital, afirma que o fisco não a comprovou, apenas presumiu e como prova, alega que a escritura foi registrada após o pagamento do valor que teria sido omitido; quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, afirma que a fiscalização não trouxe aos autos os extratos nos quais se baseou para autuar o contribuinte, portanto não ha provas e o lançamento é nulo; ainda quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, não seriam renda e seria necessária investigação adicional por parte do fisco (cita doutrina e jurisprudência); além disso, teria vendas de gado em valor maior que os depósitos não comprovados no mês de março de 2003 e outro tanto em 2005; quanto à desclassificação de rendimentos, observa que a fiscalização alegou que o contribuinte classificou incorretamente como receita da atividade rural rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de arrendamentos. O entendimento do fisco seria incorreto, pois o Código Civil brasileiro garante a liberdade de contratar e a desconsideração dos contratos dependeria de provas, que não teriam sido apresentadas pela fiscalização, pois os contratos, ao ver do interessado, teriam sido considerados mera ficção pela fiscalização e, além disso, haveria risco, pois o interessado receberia um percentual da produção, assim, o total recebido, em toneladas, teria sido diferente em cada ano. quanto ao agravamento da multa, argumenta que o agravamento é injustificado, não havendo prova de fraude ou dolo em nenhuma das hipotéticas infrações apontadas pela fiscalização. Concluindo, pede pela improcedência da acusação fiscal, requer o acolhimento da impugnação, com o cancelamento do Auto de Infração e a extinção do crédito tributário, além do arquivamento do processo. A DRJ/SP2 julgou improcedente a impugnação, por unanimidade de votos, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 PRELIMINAR. PERTINÊNCIA DE DOCUMENTOS CARREADOS AOS AUTOS. São pertinentes documentos que contextualizem a autuação e ajudem a formar o juízo do julgador, mesmo quando não diretamente vinculados autuação. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Configurado, no presente caso, o dolo, consistente na tentativa do contribuinte em evitar o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto, o prazo para que a Fazenda Nacional exerça o direito da constituição do crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Preliminar rejeitada. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 6 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ALUGUÉIS. Face aos elementos constantes nos autos, mantémse a majoração dos rendimentos. Matéria não impugnada. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. Face aos elementos constantes dos autos, mantémse a omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos em reais. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS DECLARADOS NAS DIRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Rendimentos de arrendamento rural, muito embora tivessem sido declarados como rendimentos da atividade rural, devem ser reclassificados em virtude de sua natureza e são equiparados a aluguéis para fins tributários. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFICIO. A aplicação da multa de oficio decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária e, presentes na conduta do contribuinte as condições que propiciaram a majoração da multa de oficio, pela caracterização do dolo, mantémse a multa qualificada no percentual de 150%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado pessoalmente da decisão em 04/03/2010 quintafeira (fl. 868), tendo interposto recurso voluntário em 05/04/2010 segundafeira (fls. 874 a 928), no qual alega, em síntese: Preliminares: Da impertinência de documentos e elementos carreados aos autos e relatos formulados na peça acusatória A Fiscalização procurou vincular a responsabilidade do recorrente com relação a fatos que dizem respeito unicamente à empresa Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda., pois o relatado sobre essa empresa não redundou, direta ou indiretamente, na apuração das supostas infrações aqui apontadas; diversamente do entendimento da decisão recorrida, verificase que as acusações apresentadas não têm nenhuma relação com os fatos apontados na fiscalização da empresa Rio Preto Abatedouro, não havendo razão para se anexar ao processo o Termo de fls. 304 a 399. Nem a Fiscalização nem o relator da decisão contestada identificaram qualquer relação entre a autuação fiscal e os fatos apontados no referido termo; Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.127 7 o Termo de Fiscalização de fls. 304 a 399 foi elaborado bem antes, no ano de 2008, quando se suspeitava de haver indícios de irregularidades do contribuinte em relação aos fatos nele descritos, porém sem prova que pudesse confirmar tal suspeita; a ação fiscal realizada no contribuinte em 2009 veio confirmar que nenhuma das suspeitas e acusações eram verdadeiras, tanto que o Fisco não demonstrou que o que foi apurado em sua pessoa física tivesse relação com as operações daquela empresa; os valores constantes do item 7.1.1. do Termo lavrado na firma Rio Preto Abatedouro (fls. 340), identificados como supostamente recebidos daquela empresa pelo contribuinte, não foram objeto de qualquer apuração fiscal no recorrente; é inconteste que a fiscalização não estabeleceu ou demonstrou qualquer relação entre as operações próprias da atividade do contribuinte com as nefastas acusações levadas ao Termo de fls. 304 a 399, o qual é elemento estranho ao presente processo, e deste deve ser excluído, ou, no mínimo, ignorados os seus termos no julgamento deste litígio; deve ser observado o disposto na Lei nº 9.784/1999, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, ainda que em caráter suplementar à regência do Decreto n° 70.235/72 (PAF), ao contrário do que afirmou o relator do acórdão; resta claro que a lei reguladora do processo administrativo repele a instrução do processo fiscal com peças, elementos e fundamentos que não digam respeito aos fatos apontados e imputados ao administrado; também é impertinente o idêntico relato feito pelos Auditores Fiscais nos itens 1 a 4 do Termo de Descrição dos Fatos lavrado em face do recorrente (fls. 728 a 731), por sua similaridade àquele transcrito no termo referente à Rio Preto Abatedouro; ressoa aleivosa a acusação inserida ao final do ato decisório (fls. 868) de que "o autuado é um dos lideres de organização criminosa que visava fraudar o fisco, sonegar tributos, sendo mais que evidente a intenção dolosa no uso de laranjas, empresas de fachada e noteiras para esse objetivo", pois não há qualquer registro de que o recorrente tenha sido condenado por comportamentos dessa natureza; em obediência ao principio da isonomia, deve ser observado o tratamento expresso no art. 2° do Decreto n° 70.235/72, mandando riscar os termos difamatórios inseridos na decisão recorrida, às fls. 868, de que "o autuado é um dos lideres de organização criminosa que visava fraudar o fisco, sonegar tributos, sendo mais que evidente a intenção dolosa no uso de laranjas, empresas de fachada e noteiras para esse objetivo". é óbvio que a intenção da fiscalização, ao anexar o termo lavrado no contribuinte Rio Preto Abatedouro, foi de dar credibilidade à precária e insustentável motivação relativa ao agravamento da penalidade no recorrente. No entanto, a argumentação do Fisco, reiterada pela DRJ, não merece acolhida, haja vista a total desvinculação do presente feito em relação ao daquela empresa. Da decadência Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 8 é notório que o agravamento da multa teve o objetivo de estender o prazo decadencial do lançamento, transpondoo da regra do artigo 150, § 4º, do CTN, para a regra do artigo 173, I, da mesma lei; o lançamento tributário imposto ao recorrente deve submeterse as regras dispostas no artigo 150 e parágrafo 4°, do CTN, que regem o lançamento por homologação; o prazo decadencial tem como termo inicial a ocorrência do fato gerador. E para que o lançamento fiscal seja válido, deve ser finalizado antes do decurso do prazo de cinco anos; o fisco não exercitou a tempo a homologação das operações do recorrente com relação aos fatos geradores de janeiro de 2003 a março de 2004, pois o marco temporal do fato gerador se consumara, em relação ao período mais recente, em 31/03/2004, e dispunha ele dos 05 (cinco) anos subseqüentes, ou seja, até 31/03/2009, para atestar a regularidade dos procedimentos do fiscalizado. Ocorre que a ação fiscal foi concluída com a autuação em 03/04/2009, com a ciência do contribuinte em 13/04/2009, quando já se esgotara o prazo hábil para investigação da regularidade dos fatos apontados. Assim, o lançamento não é válido, porque o eventual crédito foi atingido pelo prazo de decadência. Cita julgados do CARF. MÉRITO: Omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas é um absurdo a DRJ atribuir atitude dolosa ao contribuinte por este ter negado possuir o imóvel locado, pois tal afirmação foi feita no momento do atendimento da presente ação fiscal e por real esquecimento daquilo que havia se passado há tanto tempo; o comportamento doloso deve ser aferido no momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, e não por declarações a posteriori, firmadas no decorrer da ação fiscal; o que importa é que o contribuinte efetuou o recolhimento do tributo exigido, acrescido dos consectários legais, extinguindo o crédito tributário pelo pagamento (art. 156, I, do CTN). Como conseqüência, a matéria tributável em questão não deve ser objeto de julgamento; a situação ocorreu pelo esquecimento do contribuinte em informar o responsável pelo preenchimento das declarações dos anoscalendário de 2003 e 2004, sobre tal rendimento. Não houve a intenção de omitir os rendimentos, inclusive porque os valores tributáveis, se comparados aos rendimentos totais auferidos nos respectivos períodos, equivalem a apenas aproximadamente 0,42% e 0,35%, respectivamente; informou à fiscalização que não possuía imóvel alugado por verificar que não existia em suas declarações (2003 e 2004) recolhimentos a titulo de carnêleão e também porque todas as suas operações são regiamente declaradas; optou por efetuar o pagamento do valor total reclamado no auto de infração, preferindo não entrar na discussão da autuação. Todavia, rechaça a acusação de ser uma prática usual de sonegação; invoca a Súmula CARF nº 14 que estabelece que "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo"; Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.128 9 a insignificância dos rendimentos impõe admitir que o contribuinte não teve a intenção de omitir os valores recebidos e mostra que a fiscalização se excedeu tanto na infração quanto no agravamento da penalidade, caracterizandoa como fraudulenta. Por seu lado, a Delegacia de Julgamento também agiu de maneira exacerbada e inconveniente, porquanto a matéria não deveria ser objeto de análise e pronunciamento na decisão. Omissão de ganho de capital na alienação de imóvel A fiscalização alega que houve omissão de ganho de capital de R$ 95.000,00, na alienação do imóvel localizado em Novo Hamburgo/RS em 03/08/2005 para Altemir Dellabeta, porque em 27/06/2005 o contribuinte recebeu aquela importância, mas não a integrou na apuração do ganho de capital na DIRPF; a decisão recorrida argumenta que as provas indiciárias, em especial o depósito bancário anterior à lavratura da escritura, não deixam dúvida da existência de omissão de ganhos de capital, e que a omissão foi dolosa; no entanto, tratase de mera presunção de que o valor depositado seria parte da transação do imóvel, porque seu recebimento ocorreu muito antes da alienação. Até porque, existe a Escritura Pública registrada, identificando a venda em 03/08/2005 pelo valor de R$ 60.000,00, a qual merece fé pública até prova em contrário, prova esta não apresentada nos autos pela fiscalização; porém, em razão do contribuinte não haver localizado o adquirente do imóvel de modo comprovar de forma cabal que o valor recebido anteriormente não se referia à operação imobiliária, entendeu por desistir da impugnação no que diz respeito aos débitos pertinentes ao suposto ganho de capital, que serão objeto do parcelamento instituído pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, conforme requerimento anexo; Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada a decisão recorrida manteve integralmente a tributação sobre os depósitos bancários, sob alegação de que não ocorreu a comprovação da origem, com coincidência em datas e valores, sendo irrelevante a existência de renda, declarada ou não; a Fiscalização não apresenta nos autos prova da materialidade da infração, haja vista inexistir no processo os extratos bancários que demonstrem a movimentação financeira do contribuinte. O que existe são extratos esparsos que não correspondem aos valores apurados. As Intimações de 10/09/2008 e 02110/2008 (fls. 227/230 e 236/239) para comprovar a origem dos recursos ingressados nas contas bancárias, estão embasadas em planilhas elaboradas pelo próprio fisco, sem que exista o extrato da efetiva movimentação financeira a lhe dar suporte; ao efetuar o lançamento com suporte em depósitos bancários, a Fiscalização deve comprovar, com toda clareza, de quais depósitos se constitui a matéria tributável. Comprovar, e não apenas demonstrar em planilhas. Até porque, como apregoa o relator da decisão, a comprovação da origem é exigida mediante a coincidência em datas e valores com os créditos; Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 10 a exigência de imposto de renda com base exclusivamente em depósitos bancários, sem a demonstração objetiva da existência de renda consumida, através da comprovação fiscal de sinais exteriores de riqueza, não atende às exigências do sistema constitucional tributário e do Código Tributário Nacional. Cita doutrina e jurisprudência a respeito; o lançamento é nulo de pleno direito, posto que a fiscalização não trouxe aos autos os extratos bancários com base nos quais apurou a suposta omissão de rendimentos. Logo, não há prova material da alegada infração que fundamenta o Auto de Infração; em todas as declarações de rendimentos (fls. 277, 294 e 301) consta a declaração de substancial receita da Atividade Rural: R$ 4.459.261,62 em 2003; R$ 5.873.414,67 em 2005 e R$ 9.003.541,73 em 2006. Verificase, portanto, que os rendimentos considerados omitidos pela fiscalização, no total de R$ 255.104,99 para os três períodos, são insignificantes em relação ao que o contribuinte ofereceu à tributação (255.104,99 ÷ 19.336.218,02 x 100 = 1,31%); por essa proporção de apenas 1,31% de receita supostamente não identificada, é razoável entender que os valores correspondentes compõem os rendimentos declarados; mesmo diante do extraordinário rendimento declarado nos períodos fiscalizados, o Fisco entendeu por tributar os valores constantes da fl. 755, através da autuação,além de cometer excesso inexplicável, imputando ao contribuinte a pecha de fraudador do erário, aplicando a penalidade qualificada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento); a Fiscalização deixou de considerar receitas comprovadas pelo contribuinte, decorrentes da venda de gado bovino para abate, conforme retratam as notas fiscais de venda do ano de 2003, anexadas à impugnação (docs. 3 e 4), e notas fiscais do ano de 2005 também anexadas (docs. 5 a 8); no mês de março de 2003, o Fisco considerou como omissão de rendimentos o depósito de R$ 16.500,00 (fl. 738). No entanto, referido depósito é parte do recebimento das vendas comprovadas no montante de R$ 105.840,00 (docs. 3 e 4 da impugnação). Tanto é que as vendas foram efetuadas em 03/03/03 e o recebimento parcial aconteceu no dia 14/03/2003 (data do depósito), situação perfeitamente normal em se tratando de vendas de produtor rural; no anocalendário de 2005 o Fisco deixou de considerar receitas de vendas no montante de R$ 135.200,00 (docs. 5 a 8 da impugnação) que justificariam os depósitos tidos como não comprovados. Além do mais, os depósitos efetuados na conta do Bradesco) no ano de 2005 são retornos de numerários sacados anteriormente das contas bancárias pelo contribuinte; ainda que houvesse omissão de rendimentos apenas por argumentação o Fisco cometeu a falha de considerar toda a suposta omissão como rendimentos de outras atividades, e não da atividade rural; conforme se constata pelas declarações de rendimentos de fls. 272 a 303, inclusive pela receita bruta já apontada acima (R$ 4.459.261,62 em 2003; R$ 5.873.414,67 em 2005 e R$ 9.003.541,73 em 2006), o contribuinte exerce exclusivamente a Atividade Rural, Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.129 11 pois os rendimentos da mesma representam mais de 99,5% do total dos rendimentos. Portanto, é inadmissível tributar como se fosse de outras atividades, e não da atividade rural; cita julgados do CARF. Reclassificação de rendimentos declarados nas DIRPF A fiscalização alega que o contribuinte classificou indevidamente na Declaração de Ajuste como receita da atividade rural rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de arrendamentos. Afirma que os "Contratos de Parceria", anexados sob fls. 508/591, apesar de terem sido chamados de "parceria" rural, são na realidade arrendamento rural; esse entendimento do Fisco está apoiado nos seguintes argumentos: 1. mediante análise das obrigações e direitos constantes da cláusula quarta, descrita na fl. 740, verificouse que todo o ônus do plantio, manutenção, colheita e transporte, etc., está a cargo da "parceiraoutorgada" — empresa agrícola. Que não há risco algum para o "parceirooutorgante" e a sua única "atuação" é o recebimento da quantia prefixada de canade açúcar por alqueire plantado; 2. que no "Contrato de Parceria Agrícola" de fls. 508/511, apesar de constar na cláusula 3.1 (fl. 509) a partilha dos frutos (15% dos frutos pertenceriam ao "parceiro" outorgante), no outro contrato (firmado com a Usina), verificase que o percentual é pura ficção, já que é remunerado mediante quantidade fixa de tonelagem de cana por alqueire. 3. que o fiscalizado (outorgante) está subordinado ao "parceirooutorgado", não possuindo autonomia para alienar seu imóvel sem obrigar o adquirente a respeitar o "contrato de parceria" firmado. Que o adquirente do imóvel, fica obrigado a ser "parceiro" da usina; 4. que pelo "Contrato de Compra e Venda de CanadeAçúcar", firmado com a usina Açúcar Guarani S.A. (fls. 512/513), o fiscalizado receberá, anualmente, uma quantia fixa de canadeaçúcar (493,02 ton), não importando se houvesse ou não produção, comprovando que a modalidade do contrato firmado é de arrendamento; o cerne da questão está na análise dos contratos, um de Parceria Agrícola na exploração da canadeaçúcar, firmado com a empresa agrícola Olimpia Agricola Ltda., e outro, totalmente distinto, de venda da produção recebida em decorrência da parceria, para a usina produtora de açúcar e álcool Açúcar Guarani S.A.; a decisão recorrida, fundada numa argumentação simplória e desprovida de embasamento fático à luz da documentação carreada aos autos (contratos de parceria rural), reafirma a posição da Fiscalização de que a diferença fundamental entre os dois tipos de contrato, de parceria rural ou de arrendamento rural, é o risco, dizendo, ainda, que o autuado recebeu garantias de tal monta que o risco ficou minimizado descaracterizando o contrato que seria de parceria rural, considerado como de arrendamento rural. E que os contratos garantem ao interessado um rendimento fixado em toneladas de canadeaçúcar, reduzindo os riscos a quase zero; Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 12 o próprio relator da decisão reconhece que o risco é inato ao contrato de parceria firmado pelo contribuinte. Ora, se o risco ficou minimizado, como diz, é porque ele existe. Se inexistente não haveria o que minimizar. Existindo o risco, qualquer que seja a sua proporção, não há que se falar em contrato de arrendamento, mas sim em contrato de risco, como é o caso dos contratos de parceria rural; é falsa a alegação de que os contratos garantem ao interessado um rendimento fixado em toneladas de canadeaçúcar. Pela simples leitura do contrato de fls. 22/25, vêse na cláusula 1.3 que a produção na safra 2000/2001 é totalmente pertencente à parceiraoutorgada, enquanto que pela cláusula 3.1, a partir da safra 2001 a participação do parceirooutorgante nos frutos corresponde ao percentual de 15% da quantidade produzida. Essas condições são estabelecidas em vários outros contratos, a exemplo dos de fls. 514/517 e 526/529; é um erro crasso da autoridade fiscal analisar os contratos conjuntamente, quando na verdade são compromissos distintos, de natureza jurídica diversa, devendo ser analisados separadamente; pelo Contrato de Parceria Agrcola com a empresa Olimpia Agrícola Ltda., está muito claro, na cláusula 3.1 (fl. 509), que o contribuinte participa dos frutos da produção, no caso a canadeaçúcar produzida, e que o percentual que lhe cabe é da ordem de 15% da colheita; ressaltese que não é anormal que todo o ônus do custeio, como plantio, manutenção, colheita e transporte, etc., esteja a cargo da "parceiraoutorgada" a empresa agrícola, porque essa é a regra nos contratos de "parceria agrícola", onde o outorgante entra com a terra, bem que o outorgado não possui, pois, como é o caso de produção em grande escala, da cultura da cana e produção de açúcar e álcool, demandaria a aquisição de grandes áreas, o que inviabilizaria o investimento; é óbvio que existe o risco para o "parceiro outorgante" quanto à produção da área entregue em parceria, pois, se por ação da natureza (seca extrema, incêndio, excesso de chuva, etc.,), ou pela deficiência no trato da cultura, a produção resultar menor que a prevista, isso afetara a participação do dono da terra, haja vista estar baseada em percentual da produção, nesse caso, o contribuinte receberá o equivalente a 15% (quinze por cento) da produção; o Contrato de Parceria firmado com a empresa Olímpia Agrícola Ltda. atende a todos os requisitos estabelecidos no Decreto n°. 59.566, de 1966, que regulamentou a Lei n°. 4.504/64 (Estatuto da Terra). Transcreve o artigo 4º; é normal que o outorgante (proprietário) fique subordinado às regras do contrato de parceria, numa eventual alienação do imóvel rural, pois isso implica em que o adquirente do imóvel cumpra o restante do contrato, o que é regra comum em qualquer contrato; o contrato firmado com a parceiraoutorgada para a produção da canade açúcar preenche os requisitos definidos na Lei n°. 4.504, de 1964 e Decreto 59.566, de 1966, pelo qual o contribuinte recebe como contraprestação o equivalente a 15% (quinze por cento) dos produtos colhidos pela parceira; Outra coisa totalmente diferente, contudo, é a negociação que envolve a venda da produção decorrente da parceria, isto é, a venda da canadeaçúcar correspondente Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.130 13 aos 15% que lhe fora disponibilizado na colheita pela parceiraoutorgada, feita a empresa Açúcar Guarani S.A.; a venda da produção é realizada para a empresa Açúcar Guarani S.A., mediante "Contrato de Compra e Venda de CanadeAçúcar, conforme exemplar constante das fls. 512/513. Nessa negociação, como os contratantes não sabem de antemão a quantidade exata a ser negociada, é natural que se estipule o produto negociado com base em previsão quantitativa da produção, o que é feito com base na produtividade média por hectare na região, conforme estabelecido na cláusula 4 do contrato (fl. 512); como é um contrato com vigência para 04 (quatro) anos (típico para o cultivo da canadeaçúcar) e baseado na produtividade média da região de plantio, chegouse à quantidade de 7.395,30 toneladas de cana para o período. É lógico que a quantidade exata da venda ficará dependente do que couber ao vendedor (contribuinte) corresponde aos 15% de toda a produção de canadeaçúcar na área objeto da parceria, tal como previsto na cláusula 3, à fl. 412; o fato de o "Contrato de Compra e Venda" estipular o pagamento da cana em parcelas equivalente a 493,02 toneladas anuais, não significa a descaracterização do "Contrato de Parceria Agrícola", que é independente, e estipula a participação do contribuinte em 15% nos frutos da parceria; a fiscalização intimou a empresa Açúcar Guarani S.A., para apresentar esclarecimentos sobre os fornecimentos de canadeaçúcar, seja da parceria, seja da produção própria, conforme Termo de Intimação de fls. 695/696. E na resposta da empresa (fls. 698/700), está muito claro o seguinte: Item 3.1: Que as obrigações do contribuinte se restringiam à cessão do uso do solo para exploração agrícola do parceiro outorgado e participação de 15% nos frutos provenientes da lavoura de canadeaçúcar. Item 5.1: Que os contratos não possuem cláusulas especificas sobre caso fortuito e força maior, justamente em razão da previsão legal Estatuto da Terra (Lei 4.504/64 art. 96, § 1°, inciso l). Que nos contratos de parceria agrícola prevê na cláusula 6ª , item 6.5 que, em caso de omissão no contrato, aplicarseão os dispositivos do Estatuto da Terra, Código Civil e legislação complementar no que se dispuser a respeito. Item 5.2: Assim, na parceria agrícola, em caso de perda da produção da cana deaçúcar por caso fortuito ou força maior o parceiro outorgante receberia apenas 15% (quinze por cento) da produção que for aproveitável; o rendimento decorrente da parceria dependerá, sempre, da produção colhida pelo parceiro, vinculado ao percentual de 15% dos frutos colhidos. Porém, a venda do fruto pertencente ao contribuinte, em razão da variabilidade da produção, é feita em função da produtividade média da região, e por isso mesmo, se chegou à quantidade média de 493,02 toneladas anuais; esclarece que os valores recebidos, além de representarem adiantamentos por conta dos fornecimentos, não correspondem ao pagamento das 493,02 toneladas anuais, como afirma a Fiscalização; Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 14 de acordo com planilhas fornecidas pela empresa Açúcar Guarani S.A., às quais se juntou as Notas Fiscais correspondentes, conforme docs. 9 a 19 anexados à impugnação, os números demonstram o seguinte: 1. O contribuinte recebeu 12.282,71 toneladas em 2003; 8.137,24 toneladas em 2004 e 5.308,71 toneladas em 2005. Logo, em nenhum dos períodos houve recebimento equivalente a 05 (cinco) parcelas de 493,02 toneladas (2.465,10 toneladas), que, segundo a Fiscalização, corresponderiam a rendimento de arrendamento porque definidos em parcelas fixas. 2. Tampouco o faturamento realizado nos períodos corresponde àquela quantidade de toneladas alegada pelo Fisco, pois faturou 15.769,30 toneladas em 2003; 4.286,43 toneladas em 2004 e 15.050,19 toneladas em 2005. 3. Se o recebimento de fato correspondesse ao arrendamento fixo de 2.465,10 toneladas por ano, como alega a fiscalização, o preço do produto comercializado seria de R$ 135,67 a tonelada em 2003 (R$ 334.458,33 ÷ 2.465,10); R$ 89,81 a tonelada em 2004 (R$ 221.414,45 ÷ 2.465,10) e R$ 66,56 a tonelada em 2005 (R$ 164.092,31 ÷ 2.465,10); a documentação constante dos autos demonstra que o rendimento da parceria é variável em função da produção, já que o parceirooutorgante (contribuinte) recebe a participação de 15% (quinze por cento) dos frutos; o contrato firmado entre as partes representa o acordo de vontades e, nos termos art. 421, do Novo Código Civil Brasileiro "a liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato"; restou configurado que a fiscalização agiu irregularmente na reclassificação de rendimentos da atividade rural e o auto de infração deve ser cancelado. Multa de ofício agravada o relator afirma ser relevante a análise do termo de fls. 304 a 399 e dos itens 1 a 4 do Termo de Descrição dos Fatos de fls. 728 a 749, porque contextualizam os comportamentos e as intenções, dolosas ou não, do contribuinte e diz que "o autuado é um dos lideres de organização criminosa que visava fraudar o fisco, sonegar tributos, sendo mais que evidente a intenção dolosa no uso de laranjas, empresas de fachada e noteiras para esse objetivo"; nem a fiscalização nem o relator da decisão recorrida identificam qualquer relação entre a autuação fiscal do contribuinte e os fatos apontados no Termo de fls. 304 a 399; há qualquer registro de que o recorrente tenha sido condenado por comportamentos dessa natureza; quanto à omissão de rendimentos de aluguéis, foi caso de mero esquecimento, conforme já dito na impugnação. Não obstante, como o contribuinte efetuou o recolhimento do débito exigido no auto de infração, não há que se falar naquela infração, até porque o crédito tributário foi extinto; de igual sorte, o contribuinte entendeu por desistir da impugnação no que diz respeito aos débitos pertinentes ao suposto ganho de capital da venda de imóveis, que serão objeto do parcelamento instituído pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, conforme requerimento anexo (doc. 01); Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.131 15 afirma o Fisco que o intuito doloso está na insistência do interessado em sonegar ao fisco informações, mesmo intimado e reintimado e na apresentação da impugnação; alega a Fiscalização que a apresentação de documentação sem comprovação de sua veracidade, bem como a não apresentação da documentação original na fase de fiscalização e a entrega de declaração consignando deduções escrituradas em livro caixa da atividade rural e a recusa do contribuinte em apresentálo à Fiscalização, caracteriza intenção prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1.964, sendo hipótese de agravamento da multa. Afirma, ainda, que houve intenção em dificultar a apuração do fato gerador da renda, no caso da atividade rural; a decisão recorrida está na contramão da legislação de regência, pois a ação ou omissão dolosa do interessado, seja por sonegação ou fraude, deve estar associada à ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Ou seja, a intenção tendente a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, ou o conhecimento por parte da autoridade fazendária, se prende à fase do nascimento do dito fato gerador, e não a comportamentos posteriores, ainda que estes tenham causas relacionadas ao atendimento pelo fiscalizado com relação a exigências apresentadas pelo fisco; conforme já esclarecido, a Fiscalização formulou a exigência do Livro Caixa tãosomente enquanto esteve em curso o procedimento de Diligência, que é um procedimento distinto, inclusive com Mandado de Procedimento especifico. Mas na lavratura do Termo de Inicio de Fiscalização (fls.61/62), quando efetivamente teve inicio o "procedimento de fiscalização" propriamente dito, o Fisco não mais exigiu o Livro Caixa e os comprovantes de despesas da atividade rural; comprova mediante cópia autenticada do livro Caixa e de toda a documentação das operações nele registradas (docs. 08 a 177), a autenticidade da documentação já carreada ao processo junto à Impugnação; a jurisprudência administrativa é farta no sentido de que nas infrações apuradas no lançamento de diferenças de tributos resultantes da mudança do regime de tributação, não há cabimento no agravamento da multa; mesmo na hipótese de rendimento omitido, o que se repele veementemente, quando muito, se poderia argüir a possibilidade de ter havido a apresentação de declaração inexata, e mesmo assim em decorrência de presunção de omissão de rendimento, não por algum motivo que pudesse caracterizar a intenção dolosa de burlar o fisco. Portanto, é injustificado o agravamento da penalidade com relação a todas as supostas infrações. Cita julgados do CARF; é falsa a alegação do Relator de que o contribuinte está sendo objeto de ações penais relativo à suas atividades econômicas, e que isso também justificaria o agravamento da multa. ainda que fosse verdade, caberia ao fisco demonstrar que o processo criminal teria relação com a suposta matéria tributável apontada no presente Auto de Infração e isso em momento algum foi feito; a falsa alegação é rebatida pela Certidão de NADA CONSTA, expedida pela Justiça Federal de 1º Grau, Seção Judiciária de São Paulo, anexa (doc. 201). Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 16 Ao final, pede o recorrente que seja julgado procedente o presente recurso, com a reforma da decisão recorrida, para o fim de declarar insubsistente o Auto de Infração e extinto o credito tributário em constituição. O presente processo foi colocado em pauta na sessão de 08/12/2015, quando, nos debates, foi suscita a questão da impossibilidade de se considerar, na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, o que teria ocorrido no anocalendário 2005. O Conselheiro MARTIN DA SILVA GESTO solicitou vista, a qual foi convertida em vista coletiva pelo Presidente da Turma, tendo ficado consignado o seguinte voto deste Relator: excluir da base tributável o valor de R$ 16.500,00, relativo à infração de omissão de rendimentos de depósitos bancários, do anocalendário 2003, por decadência; no mérito, DAR parcial provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício relativa à infração de omissão de rendimentos de depósitos bancários. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Tratase de lançamento relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercícios 2004, 2005, 2006 e 2007 (anoscalendário 2003, 2004, 2005 e 2006), por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 815.612,08, dos quais R$ 274.169,72 correspondem a imposto, R$ 411.254,56, a multa proporcional, e R$ 130.187,80, a juros de mora, calculados até 31/03/2009, decorrente das seguintes infrações: 1. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS; 2. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS; 3. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA; 4. RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF. As infrações foram lançadas com multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento). A decisão de primeira instância foi no sentido de julgar improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário lançado. Inicialmente cabe ressaltar que o recorrente efetuou o pagamento dos valores lançados relativos à infração "OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS", extinguindo o crédito tributário, assim como desistiu do recurso na parte tocante à infração " OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.132 17 BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS", conforme se depreende pela leitura do seu recurso e pelos documentos acostados aos autos (fls. 808/809 e 869). Assim, essas matérias encontramse fora do litígio e não serão apreciadas. Preliminares: Da impertinência de documentos e elementos carreados aos autos e relatos formulados na peça acusatória Aduz o Recorrente que a Fiscalização procurou vincular a sua responsabilidade com relação a fatos que dizem respeito unicamente à empresa Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda. e, diversamente do entendimento da decisão recorrida, verifica se que as acusações apresentadas não têm nenhuma relação com os fatos apontados na fiscalização daquela empresa, não havendo razão para se anexar ao processo o Termo de fls. 304 a 399. Afirma que nem a Fiscalização nem o relator da decisão contestada identificaram qualquer relação entre a autuação fiscal e os fatos apontados no referido termo, o qual é elemento estranho ao presente processo, e deste deve ser excluído, ou, no mínimo, ignorados os seus termos no julgamento deste litígio. O termo referido, de fls. 304 a 399, é referente à ação fiscal desenvolvida na empresa Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda., CNPJ 05.038.080/000198, em decorrência da denominada "Operação Grandes Lagos", realizada pela Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal, que visava investigar uma suposta organização criminosa criada para cometer fraudes contra a Administração Tributária, na região de São José do Rio Preto. Após a realização da operação, houve determinação judicial para que todas as pessoas jurídicas e físicas envolvidas fossem objeto de fiscalização pela Receita Federal. Dentre as pessoas a serem fiscalizadas estavam a empresa Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda. e o contribuinte fiscalizado, Nivaldo Fortes Peres, o qual foi apontado pela Fiscalização como sócio de fato daquela empresa, tendo inclusive sido arrolado como responsável solidário do crédito tributário lançado contra a empresa. Não assiste razão ao Recorrente em sua pretensão, uma vez que a fiscalização aqui em questão, assim como aquela realizada na empresa Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda., foi efetuada dentro do contexto da "Operação Grandes Lagos", em obediência a uma determinação judicial. A simples anexação desse termo ao processo não causou nenhum prejuízo à defesa do Recorrente, visto que a autuação teve seus próprios fundamentos, sem se socorrer de fatos relativos à ação fiscal ocorrida na empresa. Notese que a decisão de primeira instância também não levou em consideração o conteúdo do termo citado para fundamentar o que foi decidido em relação às infrações tributárias cometidas, tendo se restringido às condutas do fiscalizado pessoa física no tocante ao presente caso. Na realidade, o que se pretendeu mostrar foi a motivação da fiscalização, que decorreu de determinação judicial no âmbito da "Operação Grandes Lagos" (fls. 399 a 404), com quebra de sigilo bancário mediante autorização judicial (fls. 415 a 424). Dessa forma, entendo que não há razão para que se retire dos autos o termo de fls. 304 a 399, tendo em vista a falta de prejuízo à defesa do recorrente. Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 18 Quanto à alegação de que é impertinente o idêntico relato feito pelos Auditores Fiscais nos itens 1 a 4 do Termo de Descrição dos Fatos lavrado em face do recorrente, por sua similaridade àquele transcrito no termo referente à Rio Preto Abatedouro, também entendo não haver óbice ao fato de a autoridade fiscal ter contextualizado a ação fiscal, mostrando a sua motivação, consoante já exposto acima, razão pela qual não merece acolhida a irresignação do Recorrente. Da decadência Alega o recorrente que o prazo decadencial tem como termo inicial a ocorrência do fato gerador e, para que o lançamento fiscal seja válido, ele deve ser finalizado antes do decurso do prazo de cinco anos. Afirma que se encontram decaídos os lançamentos relativos aos fatos geradores de janeiro de 2003 a março de 2004, pois a ciência do Auto de Infração ocorreu em 13/04/2009, quando já se esgotara o prazo hábil para investigação da regularidade dos fatos apontados. Observase que restam ainda sob litígio as infrações referentes a "Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada" e a "Reclassificação de rendimentos declarados nas DIRPF". O Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) decorrente da infração relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada está sujeito ao regime de apuração anual. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual, que somente se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada anocalendário. Esse entendimento já se encontra pacificado no âmbito administrativo, conforme Súmula nº 38 do CARF: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”. Assim o fato gerador relativo à omissão de rendimentos do anocalendário 2003 somente ocorreu no dia 31/12/2003 e o relativo ao anocalendário 2005 em 31/12/2005. Não houve lançamento referente ao anocalendário 2004 para essa infração. No tocante à contagem do prazo decadencial, em observância ao disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 973.733 SC , cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.133 19 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). No que concerne ao IRPF, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, houve pagamento referente ao anocalendário 2003, conforme se depreende da análise do Auto de Infração (fl. 758). Assim, para o deslinde da questão, tornase necessário primeiramente decidir se ocorreu alguma das hipóteses de dolo, fraude ou simulação, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, pois a outra possibilidade de aplicação do prazo previsto pelo artigo 173, I, do CTN, é a ocorrência de uma delas. A autoridade fiscal fundamenta a qualificação da multa nos seguintes termos: Tendo em vista o fato de o contribuinte ter subfaturado a venda de imóvel urbano (item 6.1.2), ter omitido rendimentos tributáveis de aluguel (item 6.1.1), ter simulado contratos de Parceria rural" (item 6.2.), bem como ter depósitos de origem não comprovadas em vários anoscalendário (item 6.1.3.), com o objetivo de não pagar a totalidade dos tributos incidentes na operação (IRPF e ganho de capital), restou flagrantemente caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, fato suficiente para justificar a exasperação da penalidade na forma prevista no citado art. 44, II, da Lei n° 9.430 de 1996, que assim dispõe: [...] Cumpre lembrar que a lei 11.488, de 15 de junho de 2007, alterou a redação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, conforme abaixo transcrito: [...] Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 20 Entretanto, a base legal para a qualificação da multa continua sendo os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502 de 1964, cuja redação mencionamos abaixo: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstancias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão, dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72. Ressaltese que qualquer conduta fraudulenta do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que a conduta fraudulenta se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. Em relação à infração referente aos depósitos bancários de origem não comprovada, verificase que não há uma justificativa convincente de que ocorreu alguma prática fraudulenta pelo fiscalizado, sendo apenas alegado que houve uma prática reiterada. Assim, tratandose de lançamento de omissão de receita por presunção legal de depósito bancário e não tendo ocorrido qualquer acusação específica de dolo pessoal em relação aos fatos geradores dessa infração, bem como inexistindo utilização de interposta pessoa (a conta era da pessoa física, titular dos rendimentos), é de se aplicar a jurisprudência desse Conselho para afastar a qualificação da multa de ofício, em especial a Súmula CARF nº 25, que dispõe: "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64". Portanto, concluise que não restou comprovado que o contribuinte tenha praticado nenhuma conduta dolosa que se enquadrasse nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, em relação a infração de "omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada". Assim, fica descartada a hipótese de dolo, fraude ou simulação que ensejaria a aplicação do prazo decadencial do artigo 173, I, do CTN. Desse modo, devese aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, de acordo com o entendimento acima referido. Como o fato gerador do anocalendário 2003 ocorreu em 31/12/2003, o prazo decadencial findou em 31/12/2008. Tendo em vista que a ciência do auto de infração se deu em 13/04/2009 (fl. 769), o lançamento referente ao anocalendário 2003, relativo à infração de "omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada" foi alcançado pela decadência. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.134 21 Quanto à outra infração, "Reclassificação de rendimentos declarados nas DIRPF", para se verificar as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, tornase necessário a análise dos contratos de parceria rural e os argumentos da autoridade fiscal e do Recorrente, que se confundem com o mérito e serão abordados adiante. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada Argumenta o Recorrente que a Fiscalização não apresentou nos autos prova da materialidade da infração, haja vista inexistir no processo os extratos bancários que demonstrem a movimentação financeira do contribuinte. Afirma que existem apenas extratos esparsos que não correspondem aos valores apurados e que as intimações de 10/09/2008 e 02/10/2008 (fls. 227/230 e 235/239), para comprovar a origem dos recursos ingressados nas contas bancárias, estão embasadas em planilhas elaboradas pelo próprio Fisco, sem que exista o extrato da efetiva movimentação financeira a lhe dar suporte. Aduz que a exigência de imposto de renda com base exclusivamente em depósitos bancários, sem a demonstração objetiva da existência de renda consumida, através da comprovação fiscal de sinais exteriores de riqueza, não atende às exigências do sistema constitucional tributário e do CTN. Alega que em todas as suas declarações de rendimentos consta a declaração de substancial receita da Atividade Rural e que os rendimentos considerados omitidos pela fiscalização, no total de R$ 255.104,99 para os três períodos, são insignificantes em relação ao que o contribuinte ofereceu à tributação, cerca de 1,31%, sendo razoável entender que os valores correspondentes compõem os rendimentos declarados. Relata que a Fiscalização deixou de considerar receitas comprovadas pelo contribuinte, decorrentes da venda de gado bovino para abate, conforme retratam as notas fiscais de venda do ano de 2003, anexadas à impugnação e notas fiscais do ano de 2005 também anexadas. Que, no mês de março de 2003, o Fisco considerou como omissão de rendimentos o depósito de R$ 16.500,00 o qual é parte do recebimento das vendas comprovadas no montante de R$ 105.840,00 (docs. 3 e 4 da impugnação). No anocalendário de 2005, o Fisco deixou de considerar receitas de vendas no montante de R$ 135.200,00 (docs. 5 a 8 da impugnação) que justificariam os depósitos tidos como não comprovados. Além do mais, os depósitos efetuados na conta do Bradesco no ano de 2005 são retornos de numerários sacados anteriormente das contas bancárias pelo contribuinte. Defende, ainda, que é inadmissível tributar os depósitos como se fossem rendimentos de outras atividades, uma vez que ele exerce exclusivamente a Atividade Rural e os rendimentos da mesma representam mais de 99,5% do total. Tendo em vista a autorização judicial para quebra do sigilo fiscal do contribuinte, o Fisco solicitou aos bancos os extratos bancários e demais informações relativas às contas correntes do fiscalizado, as quais foram encaminhas pelas instituições financeiras em meio digital (fls. 415 a 450). O contribuinte, em nenhum momento durante a ação fiscal, questionou a existência dos depósitos, os quais lhe foi dado conhecer mediante o Termo de Intimação Fiscal de 10/09/2008 (fls. 227 a 230), de forma individualizada e com todas as informações relevantes: banco, agência, conta, data, histórico, documento, valor e indicação de Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 22 crédito/débito, sendo intimado a comprovar a origem e tendo apresentado resposta com a justificativa de alguns depósitos e alegando "7. Quanto aos outros créditos não foi possível identificar um a um com a atividade rural, relacionado nos ´relatórios das receitas da atividade rural´ dos anos 2003 a 2006 já apresentados". Por meio do Termo de Termo de Intimação Fiscal de 02/10/2008 (fls. 235 a 239), o fiscalizado foi novamente intimado a comprovar a origem dos depósitos e apresentou resposta (fls. 240 e 241), com a justificativa de alguns créditos e afirmando que "3. Os demais créditos apontados, são frutos da exploração das atividades próprias do contribuinte na agropecuária, conforme relatórios das Receitas da Atividade Rural referente os anos calendários 2.002 a 2.006, enviados na resposta do Termo de Intimação Fiscal no. 02 de 27/03/2008". Às fls. 451 a 494 encontramse os registros de toda a movimentação bancária do contribuinte e à fl. 495 a relação de todos os depósitos cuja origem não foi considerada comprovada pela Fiscalização. Portanto, não tem razão o Recorrente, visto que lhe foi dado conhecimento de todos depósitos questionados pela Fiscalização, o que lhe proporcionou todas as condições para justificar a sua origem, tanto que ele logrou comprovar alguns créditos e, em nenhum momento, chegou a questionar a existência de qualquer depósito mencionado nas intimações. Quanto à alegação de que não se pode exigir o imposto de renda com base exclusivamente em depósitos bancários, sem a demonstração objetiva da existência de renda consumida, pela comprovação fiscal de sinais exteriores de riqueza, não há dúvida de que essa tese já está superada. Essa argumentação não se sustenta desde a vigência da Lei nº 9.430/96, que em seu artigo 42 determinou que recai sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que são rendimentos omitidos. A autoridade fiscal não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda, a demonstrar sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob a égide do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Esse entendimento já se encontra pacificado nesse Conselho, conforme enunciado nº 26 da Súmula CARF: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Argumenta, ainda, o Recorrente, que os rendimentos considerados omitidos pela fiscalização são insignificantes em relação ao que o contribuinte ofereceu à tributação, cerca de 1,31%, sendo razoável entender que os valores correspondentes compõem os rendimentos declarados, e que se deveria tributar os depósitos como se fossem rendimentos de outras atividades, uma vez que ele exerce exclusivamente a Atividade Rural e os rendimentos da mesma representam mais de 99,5% do total. Também não lhe assiste razão nesse ponto, posto que cabe ao contribuinte fiscalizado comprovar, de forma individualizada, a origem de cada um dos créditos efetuados em suas contas bancárias, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, em conformidade com o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.135 23 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Outrossim, observase que nem todos os rendimentos do contribuinte são da atividade rural, tendo ele inclusive sido autuado por omissão de rendimentos de aluguéis e de ganho de capital, o que já comprova que nem toda a origem de suas receitas é proveniente da atividade rural. Afirma o Recorrente que a Fiscalização deixou de considerar receitas comprovadas pelo contribuinte, decorrentes da venda de gado bovino para abate, nos anos de 2003 e 2005, conforme documentação acostada aos autos. No entanto, ele não efetuou a vinculação entre cada receita de venda e o depósito na conta corrente. A apresentação de notas fiscais de venda não é suficiente para comprovação da origem, pois nem toda venda é feita à vista e, no presente caso, não foi provado o efetivo recebimento dos valores. Ademais, as datas e valores não são coincidentes. O mesmo argumento é válido para rechaçar a sua alegação de que os depósitos efetuados no Bradesco em 2005 são retornos de numerários sacados anteriormente das suas contas. Ressaltese que, em relação anocalendário 2003, o lançamento referente a essa infração foi alcançado pela decadência, conforme exposto acima. Como já demonstrado, o ônus de comprovar individualizadamente a origem dos depósitos é do contribuinte, não sendo satisfatórias meras alegações desprovidas de provas robustas. Assim, não procedem as alegações do Recorrente. Dos depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00, cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 no anocalendário Após os debates ocorridos na sessão de 08/12/2015, quando esse processo foi colocado em pauta e lido o relatório, constatouse que de fato existem depósitos realizados no Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 24 anocalendário de 2005 de valor individual inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapassou R$80.000,00 (oitenta mil reais) naquele anocalendário, os quais não foram excluídos da tributação. A Fiscalização justifica a tributação desses depósitos tendo em vista que a somatória de todos os créditos não comprovados é superior a R$ 80.000,00, conforme se depreende do Termo de Descrição dos Fatos (fl. 738). No entanto, para fins de verificação do limite anual de R$ 80.000,00, devese considerar apenas os depósitos inferiores a R$ 12.000,00, consoante Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Na tabela abaixo encontramse os valores dos depósitos que devem ser excluídos da tributação, conforme entendimento da Súmula CARF nº 61. Banco Agência Conta Data Histórico Valor (R$) 341 0265 171173 28/01/2005 DEPOSITO DINHEIRO 338,92 237 2825 0000088 11/03/2005 DEPOSITO EM DIN 50,00 237 2825 0000088 01/04/2005 DEPOSITO EM DIN 60,00 237 2825 0000088 13/04/2005 DEPOSITO EM DIN 500,00 237 0534 0026867 28/06/2005 DEPOSITO EM DIN 271,00 237 0534 0026867 22/08/2005 TRANSF ENTRE AG 2.000,00 237 0534 0026867 01/09/2005 TRANSF ENTRE AG 2.000,00 237 0534 0026867 06/09/2005 DEPOS CC AUTOATAG00031MAQ03089 1.076,00 237 0534 0026867 07/10/2005 TEDTRANSF ELETRMET.FRANCISCO 8.765,80 237 0534 0026867 19/10/2005 TRANSF ENTRE AG 9.390,37 237 0534 0026867 07/11/2005 DEPOS CC AUTOAT 300,00 237 0534 0026867 09/12/2005 TEDTRANSF ELETRMET.ALECY J C 5.128,10 237 0534 0026867 12/12/2005 DEPOS CC AUTOATAG02126MAQ01535 7.077,73 Total 36.957,92 Dessa forma, devem ser excluídos da base de cálculo tributável do ano calendário 2005 o valor de R$ 36.957,92. Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.136 25 Reclassificação de rendimentos declarados nas DIRPFs A Fiscalização entendeu que o contribuinte classificou indevidamente na Declaração de Ajuste como receita da atividade rural rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de arrendamentos, porquanto os "Contratos de Parceria", anexados sob fls. 508/591, apesar de terem sido chamados de parceria rural, são na verdade de arrendamento rural, os quais são tributáveis. O Recorrente alega que a autoridade fiscal agiu irregularmente na reclassificação de rendimentos da atividade rural e o auto de infração deve ser cancelado, pois a documentação constante dos autos demonstra que os contratos firmados são de parceria, pelos quais ele participa dos frutos da produção, no caso a canadeaçúcar produzida, no percentual de 15% da colheita. A controvérsia reside em saber se os contratos avençados entre o contribuinte fiscalizado e as empresas Olimpia Agrícola Ltda. e Açúcar Guarani S.A. e entre ele e a empresa Vale do Paraná S/A Álcool e Açúcar são de parceria rural, conforme alegado pelo contribuinte, ou se ocorreu uma simulação com o intuito de sonegação fiscal, como defende o Fisco. É que os rendimentos provenientes de parceria rural são considerados, para fins tributários, como sendo da atividade rural, que possui tributação favorecida, enquanto aqueles oriundos de arrendamento rural são tributados como rendimentos de aluguel. O Decreto nº 59.566, de 14 de novembro de 1966, que regulamentou a Lei nº 4.504/64 (Estatuto da Terra), assim dispõe: Art 1º O arrendamento e a parceria são contratos agrários que a lei reconhece, para o fim de posse ou uso temporário da terra, entre o proprietário, quem detenha a posse ou tenha a livre administração de um imóvel rural, e aquêle que nela exerça qualquer atividade agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa ou mista (art. 92 da Lei nº 4.504 de 30 de novembro de 1964 Estatuto da Terra e art. 13 da Lei nº 4.947 de 6 de abril de 1966). Art 2º Todos os contratos agrários regerseão pelas normas do presente Regulamento, as quais serão de obrigatória aplicação em todo o território nacional e irrenunciáveis os direitos e vantagens nelas instituídos (art.13, inciso IV da Lei nº 4.94766). Parágrafo único. Qualquer estipulação contratual que contrarie as normas estabelecidas neste artigo, será nula de pleno direito e de nenhum efeito. Art 3º Arrendamento rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de imóvel rural, parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, outros bens, benfeitorias e ou facilidades, com o objetivo de nêle ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agro industrial, extrativa ou mista, mediante, certa retribuição ou aluguel, observados os limites percentuais da Lei. § 1º Subarrendamento é o contrato pelo qual o Arrendatário transfere a outrem, no todo ou em parte, os direitos e obrigações do seu contrato de arrendamento. § 2º Chamase Arrendador o que cede o imóvel rural ou o aluga; e Arrendatário a pessoa ou conjunto familiar, representado pelo seu chefe que o recebe ou toma por aluguel. Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 26 § 3º O Arrendatário outorgante de subarrendamento será, para todos os efeitos, classificado como arrendador. Art 4º Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso especifico de imóvel rural, de parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, benfeitorias, outros bens e ou facilidades, com o objetivo de nêle ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agro industrial, extrativa vegetal ou mista; e ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de matérias primas de origem animal, mediante partilha de riscos do caso fortuito e da fôrça maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei (artigo 96, VI do Estatuto da Terra). Parágrafo único. para os fins dêste Regulamento denominase parceiro outorgante, o cedente, proprietário ou não, que entrega os bens; e parceirooutorgado, a pessoa ou o conjunto familiar, representado pelo seu chefe, que os recebe para os fins próprios das modalidades de parcerias definidas no art. 5º. Art 5º Dáse a parceria: I agrícola, quando o objeto da cessão fôr o uso de imóvel rural, de parte ou partes do mesmo, com o objetivo de nêle ser exercida a atividade de produção vegetal; II pecuária, quando o objetivo da cessão forem animais para cria, recria, invernagem ou engorda; III agroindustrial, quando o objeto da sessão fôr o uso do imóvel rural, de parte ou partes do mesmo, ou maquinaria e implementos, com o objetivo de ser exercida atividade de transformação de produto agrícola, pecuário ou florestal; IV extrativa, quando o objeto da cessão fôr o uso de imóvel rural, de parte ou partes do mesmo, e ou animais de qualquer espécie, com o objetivo de ser exercida atividade extrativa de produto agrícola, animal ou florestal; V mista, quando o objeto da cessão abranger mais de uma das modalidades de parceria definidas nos incisos anteriores. Art 6º Ocorrendo entre as mesmas partes e num mesmo imóvel rural avenças de arrendamento e de parceria, serão celebrados contratos distintos, cada qual regendose pelas normas especificas estabelecidas no Estatuto da Terra, na Lei nº 4.94766 e neste Regulamento. Parágrafo único. Regerseão pelas normas do presente Regulamento, os direitos e obrigações dos atuais meeiros, terceiros quartistas, parcentistas ou de qualquer outro tipo de parceirooutorgado, cujo contrato estipule, no todo ou em parte, a partilha em frutos, produtos ou no seu equivalente em dinheiro. O artigo 59 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, disciplina: Art. 59. Os arrendatários, os condôminos e os parceiros na exploração da atividade rural, comprovada a situação documentalmente, pagarão o imposto, separadamente, na proporção dos rendimentos que couberem a cada um (Lei nº 8.023, de 1990, art. 13). Parágrafo único. Na hipótese de parceria rural, o disposto neste artigo aplicase somente em relação aos rendimentos para cuja obtenção o parceiro houver assumido os riscos inerentes à exploração da respectiva atividade. Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.137 27 Fazse necessário, portanto, que se analise a essência dos contratos celebrados pelo contribuinte e as empresas Olimpia Agrícola Ltda., Açúcar Guarani S.A. e Vale do Paraná S/A Álcool e Açúcar, para se saber qual a natureza deles: arrendamento ou parceria rural. A diferença intrínseca entre eles é que aqueles se caracterizam pela ausência de riscos de caso fortuito ou de força maior, bem como pelo recebimento de um valor fixo por parte do proprietário, enquanto que esses, pela existência da possibilidade de riscos para o proprietário, sem haver retribuição fixa. Observase que o fiscalizado firmou duas modalidades de contrato com as empresas Olimpia Agrícola Ltda. e Açúcar Guarani S.A.: o primeiro "Contrato de Parceria Agrícola" (fls. 508 a 511) com a Olimpia Agrícola Ltda.; o segundo, com a Açúcar Guarani S.A. (fls. 512 a 513), que se refere à compra e venda de canadeaçúcar. A Fiscalização, ao analisar os contratos conjuntamente, concluiu o seguinte: O modus operandi era o seguinte: quando o fiscalizado tinha a intenção de arrendar um talhão de terra para a Usina, para dissimular o negócio jurídico (arrendamento), tentava ludibriar o Fisco, simulando 2 (dois) contratos: a) o primeiro, denominado de "Contratos de Parceria Agrícola", firmado com a empresa agrícola da Usina — Olímpia Agricola Ltda (denominada de Parceira outorgada) — fls. 508/511; Apesar de constar na cláusula 3.1 (fl. 509) a partilha dos frutos (15% do frutos pertenceriam ao "parceiro" outorgante), veremos, ao tratarmos do próximo contrato (firmado com a Usina), que este percentual é pura ficção, já que o "parceiro outorgado" é remunerado mediante quantidade fixa de tonelagem de cana por alqueire. Ou seja, não existe a repartição de riscos nestes contratos. Independentemente de haver produção ou não, o fiscalizado receberá uma determinada quantia (prefixada) de cana. Chamou a atenção, nestes contratos firmados com as empresas agrícolas, os direitos e o obrigações dos "parceiros" (cláusula quarta) — fls. 509/510: "4.1. A PARCEIRAOUTORGADA (Agricola) será responsável: a) pelo pagamento das despesas com o preparo das terras, ou seja, adubação, aplicação de inseticidas, herbicidas e outros insumos; tratos culturais, colheita, carregamento e transporte, inclusive da parte da produção que couber ao PARCEIRO OUTORGANTE; b) pelas despesas para a realização de quaisquer benfeitorias básicas e necessárias à administração da cultura da canadeaçúcar; e d) pela recuperação das terras com relação as erosões existentes nas áreas já plantadas. 4.2. O PARCEIROOUTORGANTE (fiscalizado) será responsável: a) pela garantia à PARCEIRAOUTORGADA da legitimidade da posse, uso e gozo do imóvel cedido em parceria; b) pelo pagamento de todos os impostos, taxas e contribuições de melhoria que incidam ou venham a incidir sobre o imóvel objeto deste contrato; 4.3. Fica assegurada à PARCEIRAOUTORGADA: a) o direito de dirigir com absoluta independência os trabalhos e serviços inerentes ou decorrentes da cultura da canadeaçúcar, na área que lhe é cedida em parceria, sujeitandose, todavia, a eventuais determinações legais de aspecto técnico, quanto à produtividade e produção, em como aquelas inerentes à proteção do solo e dos recursos naturais; b) o direito de contratar com estabelecimentos de crédito, particulares ou oficiais, empréstimos e financiamentos agrícolas, oferecendo em garantia dos mesmos a parte Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 28 que lhe cabe nas culturas realizadas na área objeto da parceria, estipulando as cláusulas e condições que julgar conveniente, sem que tais contratos de empréstimos ou financiamentos acarretem ou possam acarretar qualquer responsabilidade para o PARCEIROOUTORGANTE; c) o direito de continuidade do presente contrato, até o seu término, no caso de venda do imóvel para terceiros. 4.4. Fica assegurado ao —PARCEIROOUTORGANTE: a) o direito de livre acesso à área cedida em parceria, para fiscalização do integral cumprimento das obrigações assumidas pela PARCEIRAOUTORGADA neste instrumento; e b) o direito às benfeitorias realizadas na áreas, desde que irremovíveis, sem que caiba a PARCEIRAOUTORGADA qualquer direito pela sua execução, salvo ajuste superveniente em contrário." Portanto, analisandose as obrigações e os direitos constantes da cláusula quarta, supra, verificamos que todo o ônus do plantio, manutenção, colheita e transporte, etc., está a cargo da "PARCEIRAOUTORGADA" empresa agrícola. Em outras palavras, não há risco algum para o "PARCEIROOUTORGANTE". A sua única "atuação" é o recebimento da quantia prefixada de canadeaçúcar por alqueire plantado. Também merece destaque a cláusula sexta fl. 510: "6.1. No caso de alienação da área objeto da parceria, no todo ou em parte, deverá a alienante fazer constar do instrumento respectiva clausula obrigando o adquirente a respeitar o prazo de vigência deste contrato de parceria, na forma do previsto no art. 1415, combinado com o art. 1.197, ambos do Código Civil Brasileiro." Ou seja, o fiscalizado está subordinado ao "parceirooutorgado", não possuindo autonomia para alienar seu imóvel sem obrigar o adquirente a respeitar o "contrato de parceria" firmado. Caso o contrato firmado fosse de fornecimento de canade açúcar, ele poderia dispor da propriedade, e até mesmo da própria cana, sem o encargo contratual assumido. Em resumo, o adquirente fica obrigado a ser "parceiro" da usina. b) o segundo, denominado de "Contrato de Compra e Venda de Canade Açúcar", firmado com a usina Açúcar Guarani S/A (denominada de compradora) fls. 512/513; Antes de analisarmos as cláusulas deste contrato, chamamos a atenção para o fato de que os dois contratos simulados (itens "a" e "b", supra) fazem referência mesma área plantada denominada de blocos. Na cláusula 3 deste contrato está disposto que caberá ao VENDEDOR (fiscalizado), por força da parceria celebrada, o percentual de 15% (quinze por cento) de toda a canadeaçúcar produzida na Area objeto do contrato — fl. 512. Já vimos que este percentual é pura ficção, já que, DE FATO, o valor auferido pelo fiscalizado é prefixado em quantidade de canadeaçúcar por alqueire arrendado. Já na cláusula 4 dispõe que "considerando a produtividade média da região, o VENDEDOR estima que fará jus, durante os 04 (quatro) anos de vigência do contrato de parceria que celebrou com a empresa Olímpia Agrícola Ltda à quantidade de 7395,30 (sete mil trezentas e noventa e cinco toneladas e trezentos quilos) de canadeaçúcar" — fl. 512. Por outro lado, na cláusula 5.1.2 prevê (512/513): "As 7395.30 (sete mil trezentas e noventa e cinco toneladas e trinta quilos) de cana deaçúcar objeto deste contrato de venda e compra serão pagas pela COMPRADORA ao VENDEDOR em 05 (cinco) parcelas anuais, correspondendo Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.138 29 cada uma delas a 493,02 (quatrocentas e noventa e três toneladas e vinte quilos.) de canadeaçúcar, vencíveis nos dias 10 (dez) dos meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro, de cada anosafra, vencendo a primeira delas no dia 10 do mês de agosto de 2001, e a última no dia 10 do mês de dezembro do ano de 2003". Ou seja, o fiscalizado receberá, anualmente, uma quantia fixa de canadeaçúcar (493,02 ton), não importando se houvesse ou não produção. Por fim, comprovando, mais uma vez, que a modalidade do contrato firmado é de arrendamento, transcrevemos a cláusula 7 do referido contrato (fl. 513): "Todas as despesas com o corte, carregamento e transporte da cana vendida correrão pro conta, única e exclusivamente, da COMPRADORA.' Ou seja, mais uma vez todas as despesas correm por conta da COMPRADORA, não há nenhum risco ao fiscalizado. Tendo em vista que o fiscalizado também firmou contratos de fornecimentos com a Açúcar Guarani S/A, vejamos as principais divergências entre os Contratos de Fornecimento e de "Parceria": a) Quanto as obrigações e direitos: Nos "Contratos de Parceria" já descrevemos que o ônus, do preparo da terra ao transporte da cana até o pátio da Usina, é todo da "parceirooutorgada": "4.1. A PARCEIRAOUTORGADA (Agricola) será responsável: a) pelo pagamento das despesas com o preparo das terras, ou seja, adubação, aplicação de inseticidas, herbicidas e outros insumos; tratos culturais, colheita, carregamento e transporte, inclusive da parte da produção que couber ao PARCEIRO OUTORGANTE; b) pelas despesas para a realização de quaisquer benfeitorias básicas e necessárias administração da cultura da canadeaçúcar; e d) pela recuperação das terras com relação às erosões existentes nas áreas já plantadas"— fl. 509. Cláusula 7. "Todas as despesas com o corte, carregamento e transporte da cana vendida correrão pro conta, única e exclusivamente, da COMPRADORA" —fl. 513. Já, nos Contratos de Fornecimentos, as cláusulas prevêem o seguinte: "Cláusula 3ª O FORNECEDOR se compromete a entregar a produção contratada no local de descarregamento de cana da GUARANI (pátio da usina/recepção de cana), mediante cronograma de entrega estabelecido pela GUARANI, antes do início de cada safra. Cláusula 4ª Para a consecução do fornecimento ora contratado, toda a canade açúcar será cortada, carregada e transportada até a unidade industrial da GUARANI por conta, risco e as expensas exclusivas do FORNECEDOR, entre os meses de maio a novembro de cada ano" — fl. 593 Da análise das cláusulas acima, verificamos que somente nos contratos de fornecimento os riscos correm por conta exclusiva do fiscalizado. Nos "Contratos de Parceria" todos os riscos, inclusive de caso fortuito e força maior, são assumidos pela Usina. b) Quanto à quantidade de cana a ser fornecida: Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 30 Nos "Contratos de Parceria" já descrevemos que a quantidade é prefixada em determinada quantidade, por alqueire arrendado: "Cláusula 4. Considerando a produtividade média da região, o VENDEDOR estima que fará jus, durante os 04 (quatro) anos de vigência do contrato de parceria que celebrou com a empresa Olímpia Agricola Ltda à quantidade de 7395,30 (sete mil trezentas e noventa e cinco toneladas e trezentos quilos) de canadeaçúcar" fl. 512. Apesar de constar o verbo "estimar', o fato é que não consta em nenhum das cláusulas do "Contrato de Parceria" o tratamento dado à diferença efetiva apurada na produção de cana na área contratada (a menor ou a maior). Ademais, já demonstramos que o pagamento também é prefixado, anualmente, em quantidade fixa de canadeaçúcar. Ou seja, neste "Contrato de Parceria", para o fiscalizado é irrelevante a produção real apurada na área arrendada. Com relação aos Contratos de Fornecimentos, a cláusula 1ª, e seus parágrafos prevêem que o seguinte: "Cláusula 1ª Pelo presente instrumento partícula e na melhor forma de direito, o FORNECEDOR se obriga a fornecer e a GUARANI se obriga a receber 23.400 toneladas de cana de açúcar correspondentes à produção total obtida no período continuo de 5 safras (...); §1° Estas estimativas de produções anuais serão reavaliadas a cada ano, nos meses de março/abril, objetivando garantias mútuas de atendimento e suprimento. As diferenças encontradas serão objetos de registro em termo aditivo ao presente contrato". §2° A quantidade de cana contratada por este instrumento, poderá ser remanejada pelos FORNECEDOR (sic) pela correspondente produção obtida em outra propriedade, desde que os FORNECEDOR (sic) tenha a respectiva posse, em comum acordo com a GUARANI, fazendose uso de termo aditivo especifico para o registro desta ocorrência" fls. 592/593. Ou seja, a quantidade de cana contratada poderá até mesmo ser oriunda de outra área, já que no fornecimento não é relevante o local onde é plantada a cana, mas, a efetiva entrega do produto. Ao contrário, nos "Contratos de Parceria", não importa ao arrendador a produção real apurada, já que o interesse é apenas em receber o valor do arrendamento, representado por uma tonelagem fixa de canadeaçúcar por alqueire. C) Quanto à forma de pagamento: Nos "Contratos de Parceria" o pagamento é prefixado em quantidade fixa de cana: "As 7395,30 (sete mil trezentas e noventa e cinco toneladas e trinta quilos) de cana deaçúcar objeto deste contrato de venda e compra serão pagas pela COMPRADORA ao VENDEDOR em 05 (cinco) parcelas anuais, correspondendo cada uma delas a 493,02 (quatrocentas e noventa e três toneladas e vinte quilos.) de canadeaçúcar, vencíveis nos dias 10 (dez) dos meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro, de cada anosafra, vencendo a primeira delas no dia 10 do más de agosto de 2001, e a última no dia 10 do mês de dezembro do ano de 2003" fls. 512/513. Com relação aos Contratos de Fornecimentos, as cláusulas 8ª a 14ª, dispõem sobre o pagamento, que são feitos tendo em vista a EFETIVA entrega de cana pelo fornecedor fls. 594/595. Portanto, em razão do conteúdo firmado nos referidos contratos, está caracterizado que os contratos de "Parceria" são, na realidade, de arrendamento. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.139 31 [...] "PARCEIRO" Vale do Paraná S/A — Álcool e Açúcar — fls. 709/727 A empresa Vale do Paraná apresentou os documentos solicitados às fls. 711/727. Da análise do Instrumento "Particular de Contrato de Parceria Agrícola Cultura de Canadeaçúcar", firmado em 16/01/2006, também restou demonstrado que este contrato, na verdade, também é de arrendamento (fls. 719/726). Senão vejamos: Apesar de constar que o "Parceiro proprietário" — Sr. Nivaldo Fortes Peres tinha participação na produção objeto do referido contrato (cláusula nona — fl. 721), veremos que era remunerado, mensalmente, mediante uma quantidade fixa de cana por alqueire. Chamamos a atenção ao parágrafo quinto desta cláusula nona (fl. 722): Parágrafo quinto: A fim de viabilizar o equilíbrio econômico entre as partes, considerando o lapso de tempo entre a instalação da lavoura e os atos de colheita, fica pactuado um adiantamento mensal em favor do PARCEIRO PROPRIETÁRIO, obedecendo as seguintes condições e especificações: a) Conhecida a área efetiva que será objeto de implantação da lavoura de canade açúcar, a PARCEIRA AGRICULTORA antecipará mensalmente ao PARCEIRO PROPRIETÁRIO, todo dia 07 (sete) de cada mês, iniciando em 07 de março de 2006, a quantia financeira equivalente a 98,30 ton (noventa e oito virgula trinta toneladas) de canadeaçúcar. b) O adiantamento da participação ocorrerá ate o dia 07 de novembro de 2012, ou seja, 81 parcelas iguais mensais e sucessivas. C) O preço da tonelada de cana objeto dos adiantamentos, obedecerá à proporção de 30,00 (trinta) toneladas/alqueire por ano, correspondendo ao valor financeiro nominal na estimativa de 121,97 KG/ATR, com dedução de Funrural (2,30%) (...). Ora, a alegada antecipação de pagamentos vigorará até 07 de novembro de 2012 data de encerramento do contrato (cláusula segunda — fl. 720). Ou seja, contrato será iniciado e terminado com "antecipações" mensais de 98,30 ton de cana. Com efeito, esta quantidade mensal (98,30 ton) equivale à multiplicação da área arrendada (39,32 alqueires — cláusula primeira) pela quantidade de ton/alqueires pactuadas (30,00), dividido por 12 (n° de meses do ano): (39,32 x 30,00) / 12 = 98,30 Portanto, restou comprovado que os "Contratos de Parceria", firmados com as Usinas, acima citadas, em sua essência, tratam de arrendamentos, já que não há risco algum ao fiscalizado, principalmente os de caso fortuito e de força maior. (os destaques são do original). Analisandose os contratos firmados pelo contribuinte com as empresas Olimpia Agricola Ltda. e Açúcar Guarani S.A., percebese que existe um vínculo entre eles. Destaquese as cláusulas 2 e 3 do "Contrato de Compra e Venda de CanadeAçúcar" (fl. 512), onde se verifica uma referência explícita ao "Contrato de Parceria Agrícola", sendo que ambos os contratos foram formalizados na mesma data e com os mesmos signatários. A cláusula 9 também denota claramente a correlação entre eles. Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 32 2. O VENDEDOR, na qualidade de proprietário do imóvel mencionado no item anterior, dele destacou uma área de 82,17 alqueires ou 198,84 hectares, (denominada em mapa elaborado pela Olímpia Agricola como Blocos 4103, 4111 e 4113) e cedeu o seu uso à empresa OLIMPIA AGRÍCOLA LTDA., em regime de parceria agrícola, pelo prazo de 04 (quatro.) anos, com inicio em 01 de janeiro do ano de 2.000 e termino no dia 31 de dezembro do ano de 2.003, nos termos e nas condições estabelecidos no contrato de parceria agrícola que celebraram nesta mesma data. 3. Nos termos do contrato de parceria mencionado, caberá ao ora VENDEDOR, por força da parceria celebrada, o percentual de 15% (quinze por cento) de toda a canadeaçúcar produzida na área de 50,12 alqueires objeto da parceria, durante todo o prazo de vigência do contrato, com exceção da safra relativa ao ano de 2000/2001, na qual o ora VENDEDOR não fará jus a nenhuma participação. [...] 9. Na hipótese de prorrogação do contrato de parceria agrícola celebrado entre o VENDEDOR e a empresa Olímpia Agrícola Ltda., por se entender viável outros cortes da canadeaçúcar, a COMPRADORA obrigase pela aquisição da cana excedente e cabível ao VENDEDOR, nas mesmas condições estabelecidas neste contrato. Também é de se ressaltar as diferenças entre o contrato de compra e venda formulado com a empresa Açúcar Guarani S.A. (vinculado ao "contrato de parceria), às fls. 512 e 513, com o contrato de mero fornecimento firmado com aquela mesma empresa (sem vínculo com o "contrato de parceria") fls. 592 a 597, conforme descrito minuciosamente pela autoridade fiscal. contrato vinculado ao "contrato de parceria" contrato de mero fornecimento o ônus, do preparo da terra ao transporte da cana até o pátio da Usina, é todo da "parceira outorgada". Todas as despesas com o corte, carregamento e transporte da cana vendida correrão pro conta, única e exclusivamente, da COMPRADORA. toda a canadeaçúcar será cortada, carregada e transportada até a unidade industrial da GUARANI por conta, risco e às expensas exclusivas do FORNECEDOR. O FORNECEDOR se compromete a entregar a produção contratada no local de descarregamento de cana da GUARANI (pátio da usina/recepção de cana). a quantidade é prefixada em determinada quantidade, por alqueire arrendado, na vigência do contrato de parceria que celebrou com a empresa Olímpia Agrícola Ltda. a quantidade de cana contratada poderá até mesmo ser oriunda de outra área o pagamento é prefixado em quantidade fixa de cana o pagamento é feito tendo em vista a efetiva entrega de cana pelo fornecedor Destarte, pelo acima exposto, entendo que agiu com acerto a Fiscalização em considerar os contratos firmados entre o contribuinte e as empresas Olimpia Agrícola Ltda. e Açúcar Guarani S.A., assim como entre ele e a Vale do Paraná S/A Álcool e Açúcar, como contratos de arrendamento rural e como tal tributálos. Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.140 33 A jurisprudência deste Conselho é pacífica no sentido de que o tratamento tributário dos valores recebidos pelo arrendador nesses casos é o de aluguel, conforme se depreende, a título exemplificativo, dos seguintes julgados: PARCERIA RURAL x ARRENDAMENTO RURAL. DISTINÇÃO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO A diferença intrínseca entre os contratos de parceira rural e de arrendamento rural é que os primeiros caracterizamse pelo fato de o proprietário da terra assumir os riscos inerentes à exploração da atividade e partilhar os frutos ou os lucros na proporção que houver sido previamente estipulada, enquanto que nos segundos não há assunção dos riscos por parte do arrendador que recebe um retribuição fixa pela arrendamento das terras. O pagamento em quantidade fixa de produto, por si só, não descaracteriza o arrendamento e, muito menos, permite enquadrar o contrato como parceria rural, visto que a essência da parceria rural está no compartilhamento do risco, que deve ser comprovado documental. No caso de contrato de arrendamento, o rendimento recebido pelo proprietário dos bens rurais cedidos é tributado como se fosse um aluguel comum, enquanto que no contrato de parceria, as duas partes são tributadas como atividade rural na proporção que couber a cada uma delas. (CARF, 2ª Seção, 2ª Turma da 2ª Câmara, Acórdão 2202002.706, julgado em 16/07/2014, relator Antonio Lopo Martinez). RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS ALUGUÉIS Os valores percebidos em decorrência de contrato que tem por objeto o arrendamento de imóveis rurais e preço anual ajustado em quantias fixas de produtos, independente do efetivo resultado da atividade, tem natureza tributável e são da espécie aluguéis. (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Acórdão 10247.344, julgado em 26/01/2006, relator Naury Fragoso Tanaka). IRPF. ATIVIDADE RURAL. ARRENDAMENTO RURAL. O que distingue o contrato de arrendamento do contrato de parceria rural é a partilha de riscos do caso fortuito e da força maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções estipuladas em contrato, observados os limites percentuais legais. Não havendo nos autos a comprovação de o cedente ter assumido esse risco fica afastada a hipótese de um contrato de parceria, configurase caso de contrato de arrendamento e os recursos auferidos com essa operação são tributados pela regra ordinária do imposto de renda da pessoa física e não pela modalidade de tributação da atividade rural. (CARF, 2ª Seção, 2ª Turma Especial, Acórdão 280200.804, julgado em 16/06/2010, relator Jorge Claudio Duarte Cardoso). Passemos à analise da simulação. Na simulação, a declaração recíproca das partes não corresponde à vontade efetiva, pois ela se caracteriza pela divergência entre o ato aparente (realização formal) e o ato que se quer materializar (oculto). A causa da ocultação está sempre voltada para se alcançar algum benefício que não poderia ser obtido caso se utilizasse das vias normais. Para que não se configure simulação se torna necessário que as partes queiram praticar esses atos não apenas formalmente, mas também materialmente, porquanto na simulação os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas formalmente, pois materialmente o ato praticado é outro. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 34 Conforme Venosa: Simular é fingir, mascarar, camuflar, esconder a realidade. Juridicamente, é a prática de ato ou negócio que esconde a real intenção. A intenção dos simuladores é encoberta mediante disfarce, parecendo externamente negócio que não é espelhado pela vontade dos contraentes. As partes não pretendem originalmente o negócio que se mostra à vista de todos; objetivam tãosó produzir aparência. Tratase de declaração enganosa de vontade. A característica fundamental do negócio simulado é a divergência intencional entre a vontade e a declaração. Há na verdade oposição entre o pretendido e o declarado. As partes desejam mera aparência do negócio e criam ilusão de existência. Os contraentes pretendem criar aparência de um ato, para assim surgir aos olhos de terceiros. A disparidade entre o querido e o manifestado é produto de deliberação dos contraentes (VENOSA, Silvio de Salvo. Direito civil. Parte geral. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2003, p. 467). Nas lições de Farias e Rosenvald: A simulação revelase como o intencional e propositado desacordo entre vontade declarada (tornada exterior) e a vontade interna (pretendida concretamente pelo declarante), fazendo com que seja almejado um fim diverso daquele afirmado. [...] Na simulação aparentase um negócio jurídico que, na realidade, não existe ou ocultase, sob uma determinada aparência, o negócio verdadeiramente desejado. Por isso, e de acordo com a nossa sistemática legal, é possível detectar duas espécies de simulação: a) absoluta ou b) relativa. A simulação absoluta tem lugar quando o ato negocial é praticado para não ter eficácia. Ou seja, na realidade, não há nenhum negócio, mas mera aparência. [...] Já a simulação relativa, por sua vez, oculta um outro negócio (que fica dissimulado), sendo aquela em que existe intenção do agente, porém a declaração exteriorizada diverge da vontade interna. Em ambas as hipóteses, a simulação gera nulidade do negócio jurídico, não produzindo efeitos. (grifos do original). (FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Curso de direito civil. vol. 1. 12ª ed. Salvador: Juspodium, 2014, p. 576) Por todos os fatos apresentados e pelas circunstâncias em que os negócios foram feitos, percebese claramente que se trata de uma simulação relativa, na qual o contribuinte tentou ocultar um outro negócio com o intuito de diminuir a tributação incidente sobre os valores recebidos. Multa qualificada Em relação à infração de "omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada", o lançamento ocorreu por presunção legal de depósito bancário e, conforme decidido acima, no item "Decadência", não houve qualquer acusação específica de dolo pessoal em relação aos fatos geradores dessa infração, bem como inexistiu utilização de interposta pessoa. Desse modo, é de se aplicar a jurisprudência desse Conselho para afastar a qualificação da multa de ofício, em especial a Súmula CARF nº 25: "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.141 35 sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64". Quanto à infração "Reclassificação de rendimentos declarados nas DIRPF", é de se concluir que houve uma simulação por parte do contribuinte com vistas a usufruir da tributação favorecida da atividade rural. A fraude caracterizase por uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à Fazenda Pública, em um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano, onde, utilizandose de subterfúgios, ocorre uma ocultação da ocorrência do fato gerador ou um impedimento ou retardamento do seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Consoante exposto acima, o fiscalizado utilizouse de artifícios visando dar uma aparência de parceria rural a contratos que, na realidade, são de arrendamento rural, sendo que esses últimos se equivalem, para fins de tributação, a contratos de aluguel. E o fim almejado era o de sonegação do tributo devido. Entendo, portanto, que o contribuinte praticou conduta dolosa com a finalidade de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza e circunstâncias materiais, assim como de modificar as suas características essenciais, enquadrandose nas hipóteses dos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, o que justifica a qualificação da multa de ofício em relação a essa infração. Por fim, em relação à decadência no tocante à infração "Reclassificação de rendimentos declarados nas DIRPF", em virtude da ocorrência de fraude, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme o artigo 173, I, do CTN. Como o fato gerador do anocalendário 2003 ocorreu em 31/12/2003, o prazo decadencial findou em 31/12/2009. Tendo em vista que a ciência do auto de infração se deu em 13/04/2009 (fl. 769), o lançamento referente ao anocalendário 2003, relativo à infração "Reclassificação de rendimentos declarados nas DIRPF", não foi alcançado pela decadência. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para: a) acolher a preliminar de decadência para excluir da base tributável o valor de R$ 16.500,00, relativo à infração de "omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada", do anocalendário 2003; b) rejeitar as demais preliminares; c) no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para excluir da base de cálculo tributável do anocalendário 2005 o valor de R$ 36.957,92 e desqualificar a multa de ofício relativa apenas à infração "omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada", reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado digitalmente Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 36 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator. Voto Vencedor Conselheiro Martin da Silva Gesto Redator designado. Data venia, venho divergir quanto ao entendimento do ilustre Relator quanto a reclassificação de rendimentos declarados nas DIRPFs. A Fiscalização entendeu que o contribuinte classificou indevidamente na Declaração de Ajuste como receita da atividade rural rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de arrendamentos, porquanto os "Contratos de Parceria", anexados sob fls. 508/591, apesar de terem sido chamados de parceria rural, seriam na verdade de arrendamento rural. Conforme bem relatou o ilustre Conselheiro Relator, o Recorrente alega que a autoridade fiscal agiu irregularmente na reclassificação de rendimentos da atividade rural e o auto de infração deve ser cancelado, pois a documentação constante dos autos demonstra que os contratos firmados são de parceria, pelos quais ele participa dos frutos da produção, no caso a canadeaçúcar produzida, no percentual de 15% da colheita. Portanto, a controvérsia, em síntese, reside em saber se os contratos avençados entre o contribuinte fiscalizado e as empresas Olimpia Agrícola Ltda. e Açúcar Guarani S.A. e entre ele e a empresa Vale do Paraná S/A Álcool e Açúcar são de parceria rural, conforme alegado pelo contribuinte, ou se ocorreu uma simulação com o intuito de sonegação fiscal, como defende o Fisco. É que os rendimentos provenientes de parceria rural são considerados, para fins tributários, como sendo da atividade rural, que possui tributação favorecida, enquanto aqueles oriundos de arrendamento rural são tributados como rendimentos de aluguel. O Decreto nº 59.566, de 14 de novembro de 1966, que regulamentou a Lei nº 4.504/64 (Estatuto da Terra), já transcritos pelo Relator em seu voto, tratam da diferença entre os referidos contratos de arrendamento e o de parceria, que podem ser assim sintetizados: Nos termos do art. 3º do Estatuto da Terra, arrendamento rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de imóvel rural, parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, outros bens, benfeitorias e ou facilidades, com o objetivo de nêle ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa ou mista, mediante, certa retribuição ou aluguel, observados os limites percentuais da Lei. Por sua vez, nos termos do art 4º do Estatuto da Terra, parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso especifico de imóvel rural, de parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, benfeitorias, outros bens e ou facilidades, com o objetivo de nêle ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa vegetal ou mista; e ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de matérias primas de origem animal, mediante partilha de riscos do caso fortuito e da força maior do empreendimento rural, e dos frutos, Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.142 37 produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei (artigo 96, VI do Estatuto da Terra). Durante os exercícios fiscais em questão (2004 a 2007) o máximo percentual permitido em um contrato de parceria era de 10%, quando o proprietário concorresse apenas com a terra nua. Após, abrangindose portanto parte do ano de 2007, com a redação dada pela Lei nº 11.443/2007, o percentual nesta forma de parceria agrícola teve seu limite máximo aumentado para 20%. Os contratos de parceria agrícola firmados pelo Recorrente previam o percentual de 15%. Ao meu entender, o estabelecimento de percentual acima do permitido à época não é, por si só, suficiente para descaracterizar este contrato, ao menos para fins tributários. Assim, não sendo noticiado nos autos que houve declaração de nulidade dos contratos por parte do poder judiciário e, pelo contrário, temse prova nos autos que eles foram cumpridos pelas partes, entendo que eles foram perfectibilizados. Assim, não há como, por tão somente os contratos de parceria terem sido pactuados em percentual acima do limite permitido à época, que considere a Fiscalização estes como se arrendamento fossem. Todavia, ao que se verifica o motivo que levou a fiscalização a lavrar a autuação foi pela necessidade de partilha de riscos do caso fortuito e da força maior do empreendimento rural. Assim, necessário que o proprietário da terra, em um contrato de parceira, tenha assumido os riscos inerentes à exploração da respectiva atividade. Fazse necessário, portanto, que se analise a essência dos contratos celebrados pelo contribuinte e as empresas Olimpia Agrícola Ltda., Açúcar Guarani S.A. e Vale do Paraná S/A Álcool e Açúcar, para se saber qual a natureza deles: arrendamento ou parceria rural. A diferença intrínseca entre eles é que aqueles se caracterizam pela ausência de riscos de caso fortuito ou de força maior, bem como pelo recebimento de um valor fixo por parte do proprietário, enquanto que esses, pela existência da possibilidade de riscos para o proprietário, sem haver retribuição fixa. Observase que o fiscalizado firmou duas modalidades de contrato com as empresas Olimpia Agrícola Ltda. e Açúcar Guarani S.A.: o primeiro "Contrato de Parceria Agrícola" (fls. 508 a 511) com a Olimpia Agrícola Ltda.; o segundo, com a Açúcar Guarani S.A. (fls. 512 a 513), que se refere à compra e venda de canadeaçúcar. Entendeu a fiscalização que o contribuinte teria dissumulado o negócio jurídico (arrendamento), tentando ludibriar o Fisco, simulando dois contratos: a) o primeiro, denominado de "Contratos de Parceria Agrícola", firmado com a empresa agrícola da Usina — Olímpia Agricola Ltda (denominada de Parceira outorgada) — fls. 508/511; b) o segundo, denominado de "Contrato de Compra e Venda de Canade Açúcar", firmado com a usina Açúcar Guarani S/A (denominada de compradora) fls. 512/513. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 38 A Fiscalização considerou que, por ter sido já vendida a produção, que haveria uma simulação. Ora, é natural no meio agrícola os contratos de compra e venda com entrega futura, sendo, por óbvio, já estabelecidos valores a estes negócios. Ainda, considerou a Fiscalização que não se poderia presumir a produção por uma média de produtividade da região nos últimos quatro anos anteriores a assinatura do contrato. Esta conclusão não me parece fazer sentido, pois as partes são livres para ajustar o preço que bem entenderem, sendo razoável. Deste modo, o proprietário da terra, após ter firmado contrato de parceria agrícola, firmou com terceiro, contrato de compra e venda com entrega futura, de sua parte na produção agrícola. Pareceme com sentido o negócio, pois sabendo que terá a canadeaçúcar quando produzida, natural que venha já a garantir a sua comercialização. Assim, não considero que por ele já ter estabelecido a quantidade de cana de açúcar que irá entregar a terceiro no futuro venha a descaracterizar o contrato de parceria agrícola, vindo a configurar um contrato de arrendamento. A fiscalização não demonstrou em nenhum momento que o contribuinte não iria receber 15% da produção agrícola, mas sim valor fixo, como sustentou. Faz ela tão somente uma presunção de que, pelo contribuinte ter já previsto quanto que representaria isso em canadeaçúcar e já ter estipulado valor a esta produção junto a terceiro, teria ele acertado quantidade fixa de canadeaçúcar por hectare. Tal lógica não faz sentido, pois para um contrato de compra e venda futura de produção agrícola, necessário estipular quantidade e valor, não poderia ter o contribuinte ter somente estipulado valor, sem informar a quantidade comercializada, isso daria insegurança ao negócio jurídico, pois o adquirente não saber o quantum está obrigado a comprar e, por consequência, a pagar, seria um verdadeiro cheque em branco. Diante disso, verificase que não há no presente caso nada que possa levar a crer que o contribuinte não assumiu os riscos de caso fortuito ou de força maior com a produção agrícola. Compreendo que o préestabelecimento de produção, considerandose a média dos últimos quatro anos, bem como o valor desta produção, junto a terceiro que se compromete a comprála, não é suficiente para concluir que houve uma simulação por parte do contribuinte, que teria assim planejado para disfarçar um contrato de arrendamento rural, tudo em busca de uma tributação que lhe fosse mais benéfica. Para descaracterizar o contrato de parceria agrícola, considerando ele uma simulação de um contrato de arrendamento, deve a fiscalização apresentar provas suficientes da conduta simulada. A mera existência de contrato de compra e venda, para entrega futura da produção, com empresa terceira à parceria agrícola, não é suficiente para concluir que o proprietário da terra, na condição de parceiro, teria simulado a parceria agrícola e estabelecido um valor fixo (em quantidade de produção) da produção que iria receber advinda da parceria, o que caracteriza um valor de aluguel pelo arrendamento. Aliás, para afastar a argumentação da fiscalização por completo, bastaria o contribuinte não ter realizado a venda de sua produção com entrega futura, pois este é o motivo que fundamenta o auto de infração. Conforme se verifica, a argumentação para manter o auto de infração quanto a tal questão, não se mantém. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 16004.000134/200977 Acórdão n.º 2202003.130 S2C2T2 Fl. 1.143 39 Assim, entendo que a fiscalização não só lavrou o auto com base numa presunção, como também realizou um ficção jurídica para fundamentálo, o que não pode ser acolhido por este Conselho. É ônus da fiscalização demonstrar a existência de simulação, não podendo, por simples suposição ou presunção, criar uma ficção jurídica, para autuar o contribuinte, sem apresentar uma comprovação hábil a demonstrar a efetiva ocorrência de uma conduta simulada. Diante disso, entendo que a reclassificação de receitas realizada pela autoridade fiscal deve ser afastada, devendo ser afastada a tributação por arrendamento (aluguéis), devendo ser considerada legal e correta a forma na qual o contribuinte ofereceu a tributação os valores advindos da parceria agrícola em questão, ou seja, como provenientes da atividade rural. Ante o exposto, voto no sentido em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para também cancelar o lançamento relativo à infração de "reclassificação de rendimentos declarados nas DIRPFs". Assinado digitalmente Martin da Silva Gesto Redator designado. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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