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Numero do processo: 10380.001222/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização junte aos autos o Anexo I, citado no processo pela referida autoridade e se pronuncie a respeito dessas provas, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização junte aos autos o Anexo I, citado no processo pela referida autoridade e se pronuncie a respeito dessas provas, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 01 22 2/ 20 09 -1 2 Fl. 924DF CARF MF Processo nº 10380.001222/200912 Resolução nº 2301000.704 S2C3T1 Fl. 900 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário da decisão da DRJ (fls. 718) proferida pela 6ª Turma da DRJ/FOR, Acórdão 0824.163 de 29/10/2012, que julgou procedente em parte a Impugnação, por maioria de votos, exonerando a Contribuinte em R$ 223.106,10, mantendo R$ 3.007.311,03 do crédito tributário proveniente do Auto de Infração DEBCAD nº 37.178.0500, cuja Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constituem fatos geradores de obrigações tributárias as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CIÊNCIA VIA INTERNET. PRORROGAÇÕES. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. Eventual falta de ciência do contribuinte na prorrogação do mesmo não implica nulidade do processo se cumpridas todas as regras pertinentes ao processo administrativo fiscal. Frisase que, nos termos da Portaria n.º 11.371/2007, a ciência pelo sujeito passivo do MPF darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. CARACTERIZAÇÃO. OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. Prescreve o art. 30, IX, da Lei 8.212/91 que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. Tal solidariedade abrange tanto obrigação principal quanto acessória, dado o caráter abrangente do dispositivo legal. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não prosperam as alegações de cerceamento do direito de defesa, por obscuridade do lançamento. O Relatório Fiscal e os anexos do Auto de Infração trazem informações seguras e detalhadas sobre a base de cálculo, sua apuração, as contribuições devidas e o total acrescido de juros e multa. PEDIDO DE PERÌCIA. INDEFERIMENTO Conforme prescreve o art. 18 do Decreto 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância poderá indeferir o pedido de realização de perícias ou diligências quando as considere prescindíveis ou impraticáveis. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10380.001222/200912 Resolução nº 2301000.704 S2C3T1 Fl. 901 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Conforme consta do Auto de Infração de fls. 2 e ss. que originou o DEBCAD n. 37.178.0500, a Contribuinte foi condenada ao pagamento de crédito tributário na importância correspondente a R$ 3.230.417,13, sendo R$1.684.997,73 de imposto a recolher, R$505.499,33 de multa e R$1.039.920,07 de juros referente às contribuições devidas à Seguridade Social incidentes sobre salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais, correspondentes a parte da empresa. Segundo o relatório fiscal de fls. 45/57, nas contas de despesas da Contribuinte, existem diversos lançamentos de pagamentos a pessoas físicas, cuja nomenclatura determina “por conta e ordem da fundação F. Feitosa”, sendo que, quando intimada para esclarecer tais lançamentos, a Contribuinte permaneceu inerte. Por esta razão, tais pagamentos foram considerados como pagamentos à segurados individuais, base de cálculo à Seguridade Social. Segundo o relatório, a Base de Cálculo do presente lançamento: “as parcelas consideradas do presente lançamento de débito foram totalizadas por competência e consignadas no Discriminativo Analítico de Débito – DAD em anexo”, sendo que “Todos os lançamentos utilizados como base de cálculo referentes aos contribuintes individuais encontramse detalhados no ANEXO I e constam no levantamento CIN. ” Segundo o Relatório Fiscal, a Fundação Francisca Feitosa, referida nas contas de despesas da Contribuinte, não possui Ato Declaratório de Isenção, mas apenas o CEAS (Certificado de Entidade de Assistência Social, apenas um dos requisitos para usufruir o benefício fiscal do Art. 55 da Lei 8.212/1991, assim como, constatase que a Fundação não consta como de utilidade pública federal no sítio do Ministério da Justiça. Continua o relatório: “Mesmo que tal entidade fosse isenta, em nada alteraria o presente lançamento, uma vez que a s remunerações utilizadas como base de cálculo, se referem a segurados que prestam serviços e são remunerados por HAPVIDA somente, sem a intermediação da Fundação”. Inclusive, segundo o Relatório, não foi observada nenhuma situação que apontasse qualquer vínculo desses contribuintes individuais com outra pessoa jurídica que não a Contribuinte e, a Contribuinte não declarou em sua DIPJ que prestou serviços à Fundação. A Contribuinte não apresentou quaisquer comprovantes de recebimentos de valores pagos pela Fundação para o repasse aos segurados (contribuintes individuais); ou as notas fiscais dos serviços prestados pela Fundação; ou sequer os comprovantes de pagamentos a esta e a contabilização das operações citadas nas contas de despesas, embora intimada pela Autoridade Fiscal quando da condução do procedimento fiscalizatório. Todas as Notas Fiscais apuradas pela Fiscalização, foram emitidas pela Contribuinte, assim como tiveram a Contribuinte como favorecidas, dentre delas, citase as notas fiscais emitidas por COOPANEST, COOPER. DOS MÉDICOS DA SANTA CASA DE MACEIÓ, COOFTAM, SANCOOP, COOPEGO, COOPANESTBA, UROCOOPRN, onde expressamente se atesta como tomadora do serviço a empresa HAPVIDA, mas nos lançamentos referentes a essas empresas, na conta de despesas da Contribuinte, constam no histórico “POR CONTA E ORDEM DA FUNDAÇÃO F. FEITOSA”, demonstrando que a Contribuinte é quem paga e usufrui dos serviços prestados. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 10380.001222/200912 Resolução nº 2301000.704 S2C3T1 Fl. 902 4 Inclusive, destacase que a Fundação tem como presidente JORGE FONTOURA PINHEIRO KOREN DE LIMA, como Diretora ANA CHRISTINA FONTOURA KOREN DE LIMA e o Sr. CANDIDO PINHEIRO KOREN DE LIMA como Procurador, sendo que todos são sócios de HAPVIDA. Os valores utilizados para o lançamento do crédito tributário foram extraídos da Declaração de Imposto de Renda Retido na fonte entregue pela empresa que indica, no código 0588 Rendimento do Trabalho sem Vínculo e das GFIP´s entregues pela empresa. Segundo o Relatório Fiscal, “Todos os lançamentos utilizados como base de cálculo referentes aos contribuintes individuais encontramse detalhados no (ANEXO I) e constam no levantamento CIN.” Lançouse o crédito tributário também contra outras 03 empresas, eis que, conforme fundamentação do auditor responsável pelo lançamento, há a constatação de Grupo Econômico, envolvendo diversas empresas trabalhando conjuntamente, segundo fundamentação do Relatório Fiscal, em que todas as empresas atendem no mesmo endereço, com o mesmo contador, sendo que, inclusive, os funcionários atendem indistintamente todas as empresas do grupo, sendo juntado a sentença trabalhista dos autos 1147200701407006, e os Acórdãos dos autos 01953/200400707003 e 01368/200400507000 confirmam a solidariedade das empresas inseridas no Auto. Verificamse as empresas inseridas no Auto como solidárias da Contribuinte, conforme os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 61/67: Hap Vida – Administradora de Plano de Saúde (CNPJ 047.613.04/000122), com endereço na Av. Heraclito Graca, n. 406, 4º Andar, Fortaleza/CE; Hapvida Participações e Investimento LTDA (CNPJ 051.974.43/000138), com endereço na Av. Heraclito Graca, n. 406, Fortaleza/CE; Hospital Antonio Prudente LTDA (CNPJ 058.749.46/000109), com endereço na Av. Aguanambi, n. 1827, Fortaleza/CE; A Contribuinte apresentou sua impugnação formal nas fls. 76/87, na qual protesta totalmente o Auto apresentado, afirmando: Irregularidade do procedimento, nulidade do auto, diante da ofensa ao art. 9, parágrafo único da portaria 11.371/2007 da SRF, diante da falta de intimação da Contribuinte das inúmeras prorrogações efetuada na realização do procedimento fiscal, sendo que tal regulamentação determina a necessidade do registro eletrônico e intimação da contribuinte quanto a qualquer alteração da MPF; A remuneração paga a contribuintes individuais não tem incidência de contribuição previdenciária, visto que são pagamento de pessoas jurídicas com conta e ordem de terceiro, sendo a maioria dos pagamentos tidos como realizados a contribuintes individuais, na realidade foram feitos para pessoas jurídicas, a título de serviços de manutenção, serviços jurídicos, serviços de consultoria e auditoria, sendo que, inclusive, o pagamento realizado a empresa Maxlimp Terceirização de serviços Ltda, foi objeto do auto de infração 37.178.0527, também lavrado pelos mesmos auditores fiscais, onde se exige as retenções relativas aos Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10380.001222/200912 Resolução nº 2301000.704 S2C3T1 Fl. 903 5 serviços de locação de mãodeobra. Afirma que apresentou aos Agentes Fiscais todas informações requeridas verbalmente; Apresenta uma planilha (fl. 92/127), retirado da Razão contábil demonstrando o alegado; A atividadefim da Contribuinte não é a prestação dos serviços médicos, mas sim a administração dos recursos apresentados pelos usuários, visando à manutenção dos serviços médicos, ambulatoriais e hospitalares a serem utilizados por estes; Que a Contribuinte mantém 2 contratos com a Fundação Francisca Feitosa, o primeiro, firmado na data de 12/07/1996, devidamente registrado no Cartório de Títulos e Documentos, que visa a administração pela Contribuinte do Plano de Saúde Santa Clara, instituído pela Fundação, cabendo a Contribuinte, o pagamento dos serviços médicos, ambulatórias e hospitalares prestados por terceiros aos usuários do plano referenciado, sendo que a Contribuinte agiu por conta e ordem da Fundação Francisca Feitosa, e o segundo, firmado em 03/12/2001, através do qual a Contribuinte contratou a Fundação Francisca Feitosa para prestar serviços médicos, ambulatoriais e hospitalares, tendo aquela, entre suas obrigações, a possibilidade de pagamento, por conta e ordem da Fundação, dos terceiros utilizados na prestação dos referidos serviços; Que os pagamentos realizados pela Contribuinte as pessoas físicas não são de sua responsabilidade, mas sim da fundação Francisca Feitosa, com a qual mantêm contrato; Indevida a exigência do presente Auto de Infração, visto que os pagamentos ou foram efetuados a pessoas jurídicas, portanto, não são contribuintes individuais, ou foram pagos a pessoas físicas, em sua menor parte, mas em face de serviços prestados à Fundação Francisca Feitosa, a qual autorizou a Contribuinte a efetuar referidos pagamentos, “em face de crédito que detinha com esta, restando, por qualquer ângulo, improcedente o auto de infração impugnado”; Não configuração de grupo econômico: o simples fato de as empresas possuírem sócios comuns não configura a existência de um grupo econômico, havendo necessidade de que haja uma empresa controladora, havendo evidente subordinação das demais em relação àquela, inclusive pertinente as atividades desempenhadas; Necessidade de realização de Perícia; Nas fls. 128/ 327, verificamse as Notas Fiscais de serviços incluídos no Crédito Tributário lançado como sendo referente a pagamento de contribuintes individuais, enquanto são, na realidade, prestação de serviço por pessoas jurídicas. Nas fls. 329/338, constatamse os dois contratos que a Contribuinte detém com a Fundação Francisca Feitosa, que a partir da Assembleia Geral Extraordinária de 14/12/2004, alterou sua denominação para Fundação Ana Lima, conforme documento de fl. 353. Nas fls. 359, constatase o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, RCEAS 1097/2004 e nas fls. 364, verificase o Atestado de Registro da Fundação no Conselho Nacional de Assistência Social CNAS. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10380.001222/200912 Resolução nº 2301000.704 S2C3T1 Fl. 904 6 Nas fls. 366/377, verificase o Contrato Social da Contribuinte; nas fls. 379/ 394, juntouse o Contrato Social do Hospital Antonio Prudente S/S, na qual a Hapvida Assistência Médica LTDA consta como sócia majoritária do hospital (fl 387, com 87% das quotas sociais); nas fls. 395/402, verificase o Contrato Social da Hapvida Administradora de Serviços de Saúde S/C, no qual indica que a Contribuinte era sócia da empresa no seu início; e nas fls. 403/410, consta o Contrato Social da Hapvida Participações e Investimentos LTDA. Nas fls. 413/416, a 5ª Turma da DRJ/FOR decidiu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, conforme Resolução 1.742 em 02/12/2009, sendo que, conforme entendeu o Relator, “o relatório fiscal assevera que todos os lançamentos utilizados como base de cálculo referentes aos contribuintes individuais, encontramse detalhados no anexo I. Entretanto, não há nos autos o referido anexo I, detalhando, por competência, a composição da base de cálculo, como mencionado no relatório fiscal”. Assim como, “o relatório fiscal faz menção ao batimento GFIP/DIRF. Entretanto, da verificação do resultado deste comparativo não se obtém as bases de cálculo apuradas pela auditoria fiscal”. Segundo o relator da Resolução, “as bases de cálculo das contribuições previdenciárias foram encontradas a partir das contas de despesas do grupo quatro, entretanto, a auditoria fiscal não discriminou quais as contas contábeis que compõem o referido grupo. Dentre as contas contábeis integrantes do grupo quatro, também, não restou esclarecido quais as que foram utilizadas no presente lançamento”. E continua a dúvida: “inferese da narração dos fatos que a auditoria fiscal se utilizou do método de aferição indireta para encontrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas. No entanto, encontrase ausente a fundamentação legal pertinente, tanto no relatório fiscal, quanto no relatório FLD Fundamentos Legais do Débito”. Portanto, diante dessas razões ventiladas, a DRJ decidiu por converter o julgamento em diligência para a resolução dos questionamentos antes do julgamento da Impugnação, sendo necessário que o auditor fiscal responda: 1) Fazer ajuntada do anexo I, conforme mencionado no relatório fiscal; 2) Detalhar a forma de apuração da base de cálculo; 3) Detalhar as contas contábeis que compõem o grupo 4 e quais foram consideradas para a constituição do crédito tributário; 4) Informar se, no presente lançamento, foi considerado algum pagamento a pessoajurídica, consoante as notas fiscais de prestação de serviços trazidas na defesa; 5) Explicitar a fundamentação legal da aferição indireta. Nas fls. 419/431, observa a resposta pelo Auditor Fiscal responsável pelo lançamento: Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10380.001222/200912 Resolução nº 2301000.704 S2C3T1 Fl. 905 7 Com relação o Anexo I, o Auditor fiscal afirma que entregou ao Contribuinte (Recibo de Arquivos Entregues sob o código identificador 8edeb7c24ca9d4bc9faec65ce783abl0). A via da Receita Federal do Anexo I se encontra na mídia digital CD juntada ao processo 10380.001219/200907, DEBCAD 37.178.0489. Conforme consta na pesquisa perante o sítio eletrônico deste Conselho, o processo 10380.001219/200907 foi distribuído perante esta R. Turma (1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 2ª Seção) e está sob relatoria de Vossa Senhoria, MM. Presidente, Dr. João Bellini Junior. Com relação ao detalhamento da forma de apuração da base de cálculo: “A base de cálculo, segundo o Relatório Fiscal, se refere aos lançamentos constantes no Anexo I, onde consta o histórico, valor e as respectivas contas, inclusive o contribuinte demonstrou total compreensão destes, impugnando vários lançamentos com juntada de documentos”. Com relação ao detalhamento das contas contábeis que compõe o grupo 4 e quais foram consideradas para a constituição do crédito tributário: As contas estão detalhadas no referido Anexo I. Com a indagação sobre se, no crédito presente lançamento, foi considerado algum pagamento a pessoa jurídica, consoante as notas fiscais de prestação de serviços trazidas na defesa: As informações em meio digital apresentadas foram trabalhadas em planilha excel, resultando em planilha eletrônica com mais de 120.000 linhas (somente o Anexo I). Das notas apresentadas, concluímos que, dos lançamentos impugnados, apesar de indicarem pessoas físicas, alguns se referem efetivamente a pagamentos efetuados a pessoas jurídicas, devendo ser excluídos do presente auto, na forma que se segue no anexo a esta informação. Segue o resumo das exclusões da base de cálculo: Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10380.001222/200912 Resolução nº 2301000.704 S2C3T1 Fl. 906 8 As notas fiscais acostadas às fls 183 Laboratório de Análises Químicas/184 Laboratório Dr. Pérez Limardo/185/186 Fono Audio Clínica /269 Soe de Médicos Prest de Serviços não tiveram os respectivos lançamentos apontados pelo contribuinte e não foram encontrados no anexo I, não sendo base do presente lançamento. As notas fiscais de fls 375 Lúcia Alves e 377 Consulfort se referem a dezembro de 2003, período não objeto desta ação Fiscal. Ao explicar a fundamentação legal da aferição indireta, o Auditor Fiscal expressamente afirmou que: Não houve aferição indireta, sendo considerado como fatos geradores os lançamentos que demonstram, pelo histórico, pagamentos a contribuintes individuais CI. Ressaltese que, por questão de prudência, foi ainda dado prazo e oportunidade ao contribuinte para, querendo, demonstrar, por escrito, se algum daqueles lançamentos não se referiam a pagamentos a Contribuintes Individuais — Termos de Intimação 03, 04, 05 e 06. Nada foi informado, consoante consta do Relatório Fiscal. Entendimento diferente seria também respaldado pela legislação fiscal, em especial à MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1 e 3; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18,1; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3 e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235, que autorizam a autoridade fiscal, na falta da regular apresentação da documentação requisitada, lançar o que entende devido, cabendo ao contribuinte prova em contrário. A Contribuinte se manifestou nas fls. 432/449. Em 17/11/2010, verificase o despacho 2007 exarado pela 5ª Turma da DRJ/FOR, no qual constatou que a apontada como responsável solidária (Hapvida Administradora de Plano de Saúde) não tomou ciência do crédito lançado, assim como, do resultado da diligência, apenas a Contribuinte tomou ciência. Nas fls. 499 há a intimação da Hapvida Administradora de Plano de Saúde em 18/04/2012, sendo apresentada sua Impugnação expressa em 17/05/2002, na qual informa que: Seu nome empresarial mudou para Canadá Administradora de Bens Imóveis S/S; Nega qualquer relação com a Contribuinte que possa originar o apontado Grupo Econômico, pois sequer estava em atividade (estava inativa na época do período apurado, sendo juntada a DIPJ de 2005 para comprovação, nas fls. 549); Decadência em relação Hapvida Administradora de Plano de Saúde, pois somente teve ciência do lançamento em 18/04/2012, sendo que o lançamento diz respeito as competências de janeiro a dezembro de 2004, nos termos do Art. 150, §4º do CTN; Fl. 931DF CARF MF Processo nº 10380.001222/200912 Resolução nº 2301000.704 S2C3T1 Fl. 907 9 Nulidade do auto de infração por falta de cientificação do contribuinte quanto as alterações no MPF Que os valores foram efetuados a pessoas jurídicas ou por conta e ordem de terceiro; Necessidade de perícia técnica; Nas fls. 718/746 a 6ª Turma da DRJ/FOR julgou as impugnações acostadas aos autos, na qual, decidiu: Sobre a alegada decadência suscitada pela Canadá Administradora de Bens Imóveis S/S, a autoridade fiscal entendeu que o instituto decadencial é único e indivisível, sendo que a ciência da Contribuinte e das demais devedoras solidárias se aperfeiçoaram. É aplicável ao caso concreto o art. 150, §4º do CTN, visto que a Contribuinte recolheu parcialmente as contribuições sociais apuradas, encerrandose o dies ad quem, em 31.01.2009, e, considerando que tanto a devedora principal HAPVIDA ASSISTENCIA MEDICA LTDA como as solidárias Hapvida Participações e Investimentos LTDA e a Hospital Antônio Prudente LTDA foram cientificadas do crédito 30.01.2009 (fls. 73/74) não há de se falar em decadência para nenhuma delas, inclusive a Canadá Administradora de Bens Imóveis S/S; Sobre a nulidade por cerceamento de defesa e lançamento obscuro, verificase que a auditoria, em seu Relatório Fiscal, com seus anexos e com a juntada do Anexo I individualizou os lançamentos e as contas de despesa em questão, nas quais incidiram contribuições previdenciárias. As receitas tributáveis foram devidamente quantificadas/qualificadas e detalhadas sem qualquer generalidade, não havendo qualquer mácula no procedimento fiscal capaz de ensejar a declaração de nulidade do mesmo; Sobre a nulidade por falta de ciência de prorrogação do MPF, há a previsão de prorrogação do prazo de validade do MPF, inclusive tantas vezes quantas forem necessárias, sendo que a prorrogação é efetuada por meio eletrônico e essa informação estará disponível na Internet para consulta pelo Impugnante, a partir do código de acesso fornecido com o termo que formaliza o início do procedimento fiscal, a dispensar a ciência pessoal do sujeito passivo; Sobre a imposição do Grupo Econômico, entendese pela noção clássica de grupo econômico por subordinação, caracterizado pela reunião de empresas através de um processo de concentração e sob uma direção comum, mas sem fusão de patrimônios e nem a perda da personalidade jurídica de cada empresa integrante, os grupos de sociedade visam à concretização de empreendimentos comuns, sendo que no caso em análise, constatouse o Grupo Econômico diante da existência de quadro societário comum; há prestação de serviços de uma para outra; há decisões judiciais reconhecendo a solidariedade entre empresas do grupo; as empresas possuem logística única, como contabilidade, financeiro, administradores, mesmo endereço (Av Heráclito Graça 406), mesmo contador e funcionários atendendo indistintamente a todas as empresas do grupo ostensivamente conhecido como HAPVIDA, sendo prova suficiente para constatação do Grupo Econômico; Sobre as contas do Grupo 4.X – Despesas, constatouse que o Fisco providenciou planilha expurgando os pagamentos residuais a pessoas jurídicas em meio aos lançamentos contábeis tributados como remuneração a contribuintes individuais na fl. 420; Para que os pagamentos se deem por conta e ordem da contratada (fundação), esta deve constar como tomadora dos serviços (responsável) nos documentos pertinentes, principalmente na nota fiscal, que é um documento que dota o Fisco de informações Fl. 932DF CARF MF Processo nº 10380.001222/200912 Resolução nº 2301000.704 S2C3T1 Fl. 908 10 necessárias ao controle e fiscalização dos tributos. A Lei nº 8.212/91, art. 22, IV, inclusive, referese expressamente à nota fiscal como fonte de dados para a cobrança da contribuição discutida, entretanto, em todas as notas fiscais anexadas pelo auditor fiscal consta como tomador dos serviços a Contribuinte e não a Fundação; Não há nos autos prova alguma do suposto ressarcimento de valores da Fundação para a Hapvida, por conta dos alegados pagamentos por conta e ordem da primeira, sendo que a auditoria fiscal tratou de colacionar notas fiscais emitidas por diversas cooperativas de trabalho, cujo historio também era “por conta e ordem da Fundação F. Feitosa” (fls. 54/99 DEBCAD 37.178.0519) que atestam como tomadora dos serviços a própria Hapvida, inclusive as notas fiscais acostadas pela Contribuinte (Doc 03, fls. 128 e ss) corroboram o relatado; Sobre o arbitramento indireto “a auditoria fiscal foi precisa ao afirmar que as pessoas físicas que constam dos lançamentos contábeis do grupo de despesas 4.X encontram ressonância no código 0588 – Rendimento do Trabalho sem Vínculo da DIRF, o que robustece a aferição e indica omissão de remuneração em GFIP, principalmente diante da falta de esclarecimentos por parte da empresa visando explicar o porquê das diferenças encontradas (R$ 11.706.682,88 em DIRF e R$ 43.130,34 em GFIP)” sendo legal a aferição indireta, cabendo o ônus da prova ao sujeito passivo; Entendeu ser desnecessária a realização de perícia, assim como, constatou sua incompetência para julgar questões de inconstitucionalidade e inobservância dos princípios constitucionais; Necessário destacar que do julgamento da DRJ, a julgadora Lilian Freitas da Silva votou pela exoneração total do crédito tributário, em face de nulidade decorrente de vício material, por entender que não restou devidamente caracterizada a aferição indireta, havendo contradição entre a conclusão a que se chegou no julgamento e a afirmação categórica do Auditor Fiscal autuante de que não havia efetuado tal procedimento para apurar a base de cálculo das contribuições lançadas. A descrição precisa do fato e da disposição legal infringida é requisito básico do Auto de Infração, conforme art. 10, III e IV, e, no caso, é essencial para se estabelecer a quem incumbe o ônus da prova, que somente se inverte no caso de aferição indireta. Nas fls. 760, a Hapvida Participações e Investimento LTDA apresentou seu Recurso Voluntário alegando: Inexistência de grupo econômico, apesar de ter sócios em comum, não preencheu os demais requisitos entendidos como necessários pelo CARf (“empresas controladas e administradas conjunta e unitariamente, de forma que se confunde numa mesma pessoa a administração e controle interno e a própria atuação de mercado” Acórdão 240200967 – 2ª Seção de julgamento, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, 06/07/2010). Nulidade do auto de infração por falta de cientificação do contribuinte quanto as alterações no MPF Nas fls. 792 a Canadá Administradora de Bens Imóveis S/S apresentou seu Recurso Voluntário, no qual alega: Nega qualquer relação com a Contribuinte que possa originar o apontado Grupo Econômico, pois sequer estava em atividade (estava inativa na época do período apurado, sendo juntada a DIPJ de 2005 para comprovação, nas fls. 549); Fl. 933DF CARF MF Processo nº 10380.001222/200912 Resolução nº 2301000.704 S2C3T1 Fl. 909 11 Decadência em relação Hapvida Administradora de Plano de Saúde, ou seja, em relação a Canadá Administradora de Bens Imóveis S/S, pois somente teve ciência do lançamento em 18/04/2012, sendo que o lançamento diz respeito as competências de janeiro a dezembro de 2004, nos termos do Art. 150, §4º do CTN; Nulidade do auto de infração por falta de cientificação do contribuinte quanto as alterações no MPF Nas fls. 821 o responsável solidário Hospital Antônio Prudente S/S apresentou seu Recurso Voluntário, alegando: Inexistência de grupo econômico, apesar de ter sócios em comum, não preencheu os demais requisitos entendidos como necessários pelo CARf (“empresas controladas e administradas conjunta e unitariamente, de forma que se confunde numa mesma pessoa a administração e controle interno e a própria atuação de mercado” Acórdão 240200967 – 2ª Seção de julgamento, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, 06/07/2010). Nulidade do auto de infração por falta de cientificação do contribuinte quanto as alterações no MPF Nas fls. 846 e ss., a Contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando que: Nulidade do auto de infração por falta de cientificação do contribuinte quanto as alterações no MPF, nos termos do Art. 12 da Portaria 11.371 da RFB de 12/12/2007 e Acórdão 220200517 do CARF – 2ª Seção/ 2ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária. Obscuridade do lançamento e cerceamento de defesa – o auditor fiscal responsável pelo lançamento afirmou que não houve aferição indireta quando os autos baixaram para a realização da diligencia da resolução 1.742 da DRJ/FOR, enquanto que na decisão do Acórdão da Impugnação a DRJ entendeu que houve sim aferição indireta, sendo a mesma justificada pela conduta omissa da Contribuinte, razão inclusive que a decisão da DRJ foi por maioria simples, enquanto a Auditora Fiscal Lilian Freitas da Silva votou pela constatação do vício e nulidade do auto, por não ter restado comprovado a aferição indireta nos termos do art. 10, III e IV; A despesas vinculadas a conta grupo 4 não incide contribuição previdenciária, visto que atividadefim da Contribuinte não é a prestação dos serviços de saúde, mas sim, gestão de plano de saúde e que mantém dois contratos com a Fundação Francisca Feitosa, assim os pagamentos efetuados eram de responsabilidade da Fundação e não da Contribuinte; que as operadoras de plano de saúde não são obrigadas a recolher contribuição previdenciária dos valores repassados aos médicos credenciados, conforme jurisprudência do STJ; Necessidade de realização de perícia, pois os lançamentos realizados no auto de infração são fruto de equívocos, essencial a realização da perícia para esclarecimento; Este é o relatório. Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10380.001222/200912 Resolução nº 2301000.704 S2C3T1 Fl. 910 12 VOTO Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade A decisão do Acórdão da Impugnação da DRJ foi disponibilizada à Contribuinte em 19/12/2012, tendo sua ciência em 03/01/2013, conforme certidão de fls. 755. A Contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário em 28/01/2013 (fl. 846), portanto dentro do lapso temporal de 30 dias. Já as responsáveis solidárias, Canadá Administradora de Bens Imóveis S/S teve sua intimação realizada via postal no dia 28/12/2012 (fl. 758), a Hapvida Participações e Investimento LTDA teve sua intimação realizada via postal no dia 28/12/2012 (fl. 757), e o Hospital Antonio Prudente LTDA teve sua intimação realizada via postal no dia 03/01/2013 (fl. 759), sendo que as três apresentaram seus respectivos Recursos Voluntários no dia 28/01/2013 (fl. 792, 759 e 821 respectivamente), portanto dentro do lapso temporal de 30 dias. Diante do exposto, conheço dos 04 Recursos Voluntários e passo à análise de seus méritos. Mérito Necessidade de Converter o Julgamento em Diligência Tratase de Recurso Voluntário da decisão da DRJ (fls. 718) proferida pela 6ª Turma da DRJ/FOR, Acórdão 0824.163 de 29/10/2012, que julgou procedente em parte a Impugnação, por maioria de votos, exonerando a Contribuinte em R$ 223.106,10, mantendo R$ 3.007.311,03 do crédito tributário proveniente do Auto de Infração DEBCAD nº 37.178.0500. A discussão do presente Auto de Infração diz respeito à parte devida por segurados contribuintes individuais à Seguridade Social, durante o período apurado de 01/01/2004 a 31/12/2004, no qual a Autoridade Fiscal constatou nas contas de despesas da Contribuinte, a existência de diversos lançamentos de pagamentos à pessoas físicas, cuja nomenclatura determina “por conta e ordem da Fundação F. Feitosa”, não sendo encontrado, no entanto, qualquer repasse de dinheiro pela Fundação à Contribuinte e, levando em consideração que a Contribuinte, quando intimada para esclarecer tais lançamentos, permaneceu inerte, a Autoridade Fiscal entendeu que tais lançamentos foram de fatos efetuados pela Contribuinte e não pela Fundação, sendo justa a incidência da contribuição previdenciária ora exigida. Juntamente com a Contribuinte, a Autoridade Fiscal entendeu pela existência de Grupo Econômico, inserindo as empresas Hap Vida – Administradora de Plano de Saúde (CNPJ 047.613.04/000122), cujo nome empresarial modificou para Canadá Administradora de Bens Imóveis S/S, Hapvida Participações e Investimento LTDA (CNPJ 051.974.43/000138), e Hospital Antonio Prudente LTDA (CNPJ 058.749.46/000109), como responsáveis solidárias. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10380.001222/200912 Resolução nº 2301000.704 S2C3T1 Fl. 911 13 Tendo em vista que todas as empresas apresentaram Recurso Voluntário, determina este Conselho: Súmula CARF nº 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade Portanto, passase à análise de todos os Recursos Voluntários, seja da Contribuinte, como que também, das Responsáveis Solidárias. Antes de adentrar na resolução das preliminares e do mérito trazidos pelas partes no presente processo administrativo, pontuase, primeiramente, a necessidade de chamar o presente feito à ordem e converter os autos em diligência, antes de se fazer seu julgamento. Chamase o feito a ordem, visto que o equívoco constatado na análise dos autos, cuja falta de saneamento pode causar nulidade do lançamento. O auto de infração se encontra incompleto nos presentes autos, visto que não foi juntado o Anexo I. O Anexo I contém a base de cálculo do crédito lançado. Impossível julgar um processo administrativo fiscal sem que o Auto de Infração esteja completo e preenchido com os requisitos do Artigo 10 do Decreto 70.235/77: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Os incisos de I a VI do Art. 10 são requisitos de validade, dos quais o III e o IV emergem a necessidade de inserção da base de cálculo no Auto de Infração. Segundo o Relatório Fiscal em análise, “Todos os lançamentos utilizados como base de cálculo referentes aos contribuintes individuais encontramse detalhados no (ANEXO I) e constam no levantamento CIN”. Portanto, a Base de Cálculo do presente processo está expressada no documento que supostamente acompanhou o Auto de Infração, denominado de ANEXO I. O Anexo I não se encontra juntado nos autos, sendo, inclusive, uma das exigências da 5ª Turma da DRJ/FOR quando decidiu converter o julgamento em diligência em 02/12/2009, na Resolução 1.742, diante da incerteza constatada pelos julgadores na prova documental carreada aos autos pela Auditoria Fiscal, visto que: Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10380.001222/200912 Resolução nº 2301000.704 S2C3T1 Fl. 912 14 “O relatório fiscal assevera que todos os lançamentos utilizados como base de cálculo referentes aos contribuintes individuais encontramse detalhados no anexo I. Entretanto, não há nos autos o referido anexo I, detalhando, por competência, a composição da base de cálculo, como mencionado no relatório fiscal.” (...) “o relatório fiscal faz menção ao batimento GFIP/DIRF. Entretanto, da verificação do resultado deste comparativo não se obtém as bases de cálculo apuradas pela auditoria fiscal”. (...) “as bases de cálculo das contribuições previdenciárias foram encontradas a partir das contas de despesas do grupo quatro, entretanto, a auditoria fiscal não discriminou quais as contas contábeis que compõem o referido grupo. Dentre as contas contábeis integrantes do grupo quatro, também, não restou esclarecido quais as que foram utilizadas no presente lançamento”. A conversão do julgamento em diligência se deu justamente para se fazer a juntada do anexo I, mencionado no relatório fiscal. Nas fls. 419/431, observa a resposta pelo Auditor Fiscal responsável pelo lançamento que afirmou que, com relação o Anexo I, o entregou ao Contribuinte, conforme se constata o recibo de Arquivos Entregues sob o código identificador 8edeb7c24ca9d4bc9faec65ce783abl0 e a via da Receita Federal se encontra em mídia digital de CDROOM, juntada APENAS no processo 10380.001219/200907, referente ao DEBCAD 37.178.0489, proveniente da mesma fiscalização. Entretanto, não houve a juntada novamente, agora perante este processo de número 10380001222/200912 o CDROOM contendo o suscitado Anexo I. Conforme consta na pesquisa perante o sítio eletrônico deste Conselho, o processo 10380.001219/200907 foi distribuído perante esta R. Turma (1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 2ª Seção) e está sob relatoria de Vossa Senhoria, MM. Presidente, Dr. João Bellini Junior. Embora o Auditor Fiscal afirme que houve a juntada do Anexo I no processo 10380.001219/200907, resultante da mesma fiscalização, era necessário que houvesse a juntada deste documento no presente processo, visto que é primordial para julgamento dos apontamentos levantados pela Contribuinte sobre a regularidade dos valores lançados, principalmente pelo fato de ambos os processos não tramitarem conjuntamente. Não se entende como a DRJ conseguiu analisar a validade do Auto de Infração lançado sem ter o Anexo I, onde comporta a Base de Cálculo. Deve ser por esta razão em que não há concordância entre o entendimento da Turma da DRJ e do Auditor Fiscal que procedeu a fiscalização de que se houve ou não a Aferição Indireta para o lançamento do presente crédito tributário, o que dificulta a defesa do Contribuinte e o julgamento do presente processo por esta Turma. Por esta razão, para que não haja nulidade total do presente processo administrativo, voto por converter em diligencia o julgamento, para que se remeta os presentes autos à instância inferior, para que haja a juntada do Anexo I no presente processo. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 10380.001222/200912 Resolução nº 2301000.704 S2C3T1 Fl. 913 15 Entretanto, para que isso ocorra, necessário anular a decisão da 6ª Turma da DRJ/FOR, Acórdão 0824.163 de 29/10/2012, visto que a mesma foi proferida sem a análise do documento Anexo I que contempla a base de cálculo do crédito lançado no presente processo, omissão que deverá ser sanada pela instância inferior. Tendo em vista o requerimento de nulidade do Auto de Infração, por cerceamento de defesa suscitado pela Contribuinte ante a falta de juntada do Anexo I no presente processo administrativo, fazse necessário, depois de juntado o suscitado Anexo I no presente processo, a abertura de novo prazo para a Contribuinte se manifestar expressamente sobre o conteúdo do mesmo. Posteriormente, os autos deverão ser, novamente, julgado pela DRJ competente, para que se promova novo Acórdão da Impugnação. CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o anexo I seja juntado, e após, o auditor fiscal informar se desse documento foi extraída a base de cálculo da presente autuação, assim como expressamente informar se ele já se encontra no presente processo e se as informações do anexo correspondem as fls. 41 a 44 ou 422 e 431 do presente processo. Após vinda a manifestação, ciência ao contribuinte para, querendo se manifestar. É como voto. Juliana Marteli Fais Feriato Relatora (assinado digitalmente) Fl. 938DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.906943/2009-75
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do Carf apresenta regramento nesse sentido.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. DILIGÊNCIA.
Ainda que jungido ao principio da verdade material, se o contribuinte nega-se a produzir provas e trazer documentos aptos a infirmar ou ao menos gerar dúvida quanto aos fatos confessados com a apresentação de DCTF e Per/Dcomp, não cabe ao julgador franquear-lhe, por meio de diligência, tal oportunidade, sob pena de malferir, não somente o processo administrativo como também os princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE.
É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integral ou parcialmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO E COLEGIADO A QUO. TERMOS. RATIFICAÇÃO.
A alegação de que o saldo credor referenciado em Per/Dcomp seria suficiente para acobertar os débitos confessados não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que impõe a ratificação dos termos da decisão exarada pela repartição fiscal de origem e corroborada pelo colegiado a quo.
Numero da decisão: 3001-000.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência do conselheiro Renato Vieira de Avila e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do Carf apresenta regramento nesse sentido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. DILIGÊNCIA. Ainda que jungido ao principio da verdade material, se o contribuinte nega-se a produzir provas e trazer documentos aptos a infirmar ou ao menos gerar dúvida quanto aos fatos confessados com a apresentação de DCTF e Per/Dcomp, não cabe ao julgador franquear-lhe, por meio de diligência, tal oportunidade, sob pena de malferir, não somente o processo administrativo como também os princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integral ou parcialmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO E COLEGIADO A QUO. TERMOS. RATIFICAÇÃO. A alegação de que o saldo credor referenciado em Per/Dcomp seria suficiente para acobertar os débitos confessados não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que impõe a ratificação dos termos da decisão exarada pela repartição fiscal de origem e corroborada pelo colegiado a quo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1973; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 164 1 163 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.906943/200975 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.457 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 14 de agosto de 2018 Matéria PER/DCOMP ELETRÔNICO PIS/PASEP Recorrente MECALUX DO BRASIL SISTEMAS DE ARMAZENAGEM LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade de a intimação darse na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do Carf apresenta regramento nesse sentido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. DILIGÊNCIA. Ainda que jungido ao principio da verdade material, se o contribuinte negase a produzir provas e trazer documentos aptos a infirmar ou ao menos gerar dúvida quanto aos fatos confessados com a apresentação de DCTF e Per/Dcomp, não cabe ao julgador franquearlhe, por meio de diligência, tal oportunidade, sob pena de malferir, não somente o processo administrativo como também os princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integral ou parcialmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 69 43 /2 00 9- 75 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10830.906943/200975 Acórdão n.º 3001000.457 S3C0T1 Fl. 165 2 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO E COLEGIADO A QUO. TERMOS. RATIFICAÇÃO. A alegação de que o saldo credor referenciado em Per/Dcomp seria suficiente para acobertar os débitos confessados não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que impõe a ratificação dos termos da decisão exarada pela repartição fiscal de origem e corroborada pelo colegiado a quo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência do conselheiro Renato Vieira de Avila e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0538.748, da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP DRJ/CPS que, na sessão de julgamento realizada em 20.08.2012 (efls. 71 a 78), julgou improcedente a manifestação de inconformidade e, por conseguinte, não reconheceu o direito creditório indicado no Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação PER/DComp em questão. Da síntese dos fatos Adotase, como de costume neste colegiado extraordinário, para o acompanhamento inicial dos fatos, matérias, pedidos e trâmite dos autos, o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito: Relatório Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: (...) Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10830.906943/200975 Acórdão n.º 3001000.457 S3C0T1 Fl. 166 3 A Recorrente utilizouse do crédito em questão, devidamente atualizado pela Taxa Selic, como permite a legislação federal, para compensar com inúmeros débitos. A planilha e os demais documentos anexo dão conta do valor original do crédito, de suas atualizações pela Taxa Selic e suas correspondentes atualizações para compensação, em momentos distintos, sendo que a mera análise das informações constantes nas DCOMPs, com os acréscimos legais ao crédito da Taxa Selic, dão conta de que o mesmo crédito é suficiente/disponível para a integral quitação/compensação do débito declarado na DCOMP 02099.67110.041104.1.3.045441. Isso indica que a r. decisão de não homologação sobreveio sem que a D. fiscalização checasse a integralidade das DCOMPs vinculadas ao aludido crédito, devidamente atualizado pela Taxa Selic, acabando por tão somente indeferilos (não homologandoos) devido a incongruências de seu sistema. (...) Dessa forma, deve buscar a D. Administração a verdade real, não podendo deixar de homologar a declaração de compensação da Recorrente em razão de incongruências formais no sistema ou por não realizar os batimentos/cálculos acerca da atualização de crédito pela Taxa Selic, pois, como se prova com os documentos anexos, a Recorrente tem o direito à compensação e o crédito é sim suficientes para a quitação integral tanto dos débitos declarados na aludida DCOMP como em todas as demais, nos termos que demonstra a planilha ora juntada, e inclusive, isto já deveria ter sido verificado pelo próprio sistema da Receita Federal as declarações e recolhimentos feitos pela Recorrente; dever da D. Administração. (...) Assim, requer a Recorrente, fazendo uso do Diploma acima, seja reconsiderada a r. decisão recorrida para que seja reconhecido como suficiente o crédito, devidamente atualizado, apurado pela Recorrente e por conseguinte homologada a respectiva DCOMPs por ela apresentada, com baixa dos respectivos processos de débitos correlatos. (...) Com o protocolo desta e até sua final decisão, nos termos do inciso I do § 3º do art. 48 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, a exigibilidade dos débitos objeto do presente pedido de compensação deverá ser suspensa, nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional, (...) (...) Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10830.906943/200975 Acórdão n.º 3001000.457 S3C0T1 Fl. 167 4 Da ementa do acórdão recorrido A 8ª Turma da DRJ/CPS, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Consideramse confissão de dívida os débitos declarados em DCTF e em DCOMP. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito e, mais especificamente, com a decisão contida no acórdão vergastado, o recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 83 a 161), para, em suma, reprisar os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Com vista a demonstrar a identidade das alegações suscitadas em ambas as peças de defesa, evidencio os argumentos ora apresentados, que: 1 o crédito em questão, decorrente de pagamento a maior que o devido, referente ao PIS da competência de OUT/2002, foi utilizado para efetuar diversas Per/Dcomp, cuja planilha elaborada informa haver saldo suficiente para a compensação dos débitos nelas indicado, tanto que com relação ao Per/Dcomp em apreço, referido quadro aponta o crédito original de R$ 567,97, resultado obtido da subtração do crédito original com os débitos compensados no Per/Dcomp enviadas anteriormente, evidenciando a legalidade da origem do crédito utilizado para a compensação e a existência de saldo suficiente para a quitação dos débitos apontados em cada Per/Dcomp; 2 seu único lapso foi ter deixado de relacionar todos os Per/Dcomp enviadas, conforme descritas na referida planilha, o que poderia ter dado ensejo a não homologação da presente declaração de compensação; 3 no caso concreto não foi observado o princípio da verdade material, uma vez que o fisco não confirmou as demais compensações realizadas pelo contribuinte, bem como a origem de seus créditos; Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10830.906943/200975 Acórdão n.º 3001000.457 S3C0T1 Fl. 168 5 4 da análise da documentação trazida na manifestação de inconformidade e reapresentada neste recurso voluntário as compensações efetuadas deveriam ter sido homologadas; 5 ainda em respeito ao princípio da verdade material, deveria o fisco ter aprofundado na análise dos apontamentos realizados no intuito de constatar a veracidade das informações e fundamentações trazidas aos autos pelo contribuinte, porém, de forma ilegal e abusiva, em desrespeito aos princípios que regem o PAF, não foi o que ocorreu, pois o acórdão recorrido aduziu "que o Contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido", eivandoo de nulidade. Diante do exposto, requer seja reconhecido como suficiente o crédito apresentado para a quitação dos débitos indicados no Per/Dcomp em questão, homologandose a compensação realizada, ou alternativamente que o processo seja baixado em diligência, para que a autoridade fiscal confira as demais compensações realizadas e a origem do respectivo crédito, e que as futuras intimações sejam efetuadas em nome do contribuinte e também de seus patronos, em seu endereço profissional, sob pena de nulidade. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 26.11.2012 (efl. 163), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado em 23.10.2012 (efls. 83 a 161), conforme depreendese do carimbo aposto na sua "folha de rosto", antes mesmo da ciência formal, ocorrida em 26.10.2012, conforme observase do "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" (efl. 162), que referese ao "COMUNICADO SEORT/DRF/CPS/ 1348/2012", de 18.09.2012, portanto é claramente tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Preâmbulo I Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10830.906943/200975 Acórdão n.º 3001000.457 S3C0T1 Fl. 169 6 Sem embargo, antes tratarse dos temas aos quais o litígio se restringe, importa registrar que é demandada a ciência dos patronos do contribuinte. Todavia, para fins de esclarecimento, os incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Regimento Interno deste Carf Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Preâmbulo II Depreendese do elogiável voto condutor do acórdão recorrido que os Per/Dcomp's indicados na planilha apresentada pelo contribuinte comprometiam na sua totalidade o valor do Darf em que eles se basearam para efetuar a compensação, e que, igualmente após as homologações ocorridas continuou a inexistir saldo disponível para o aproveitamento em compensação do valor pleiteado na Dcomp objeto de análise neste processo. Portanto, tão somente depois da efetiva desconstituição total ou parcial da dívida confessada, pela supressão ou diminuição dos débitos informados no documento de confissão, haveria, ao menos em tese, a possibilidade de a Administração deferir eventual pedido de restituição ou homologar compensação, sujeitandose o contribuinte, todavia, à legislação de regência e aos critérios temporais, atinentes à retificação do documento de confissão DCTF, que forem aplicáveis, aliada à efetiva demonstração da existência do crédito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do crédito seja comprovada por documentação hábil que dê suporte aos valores declarados. Portanto, a questão é que, como a origem do crédito está jungida à necessidade da evidenciação das circunstâncias acima delineadas, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade, trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação de se postulava. Essa, digase, é a dicção do caput do artigo 170 do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação. De outra forma, os pressupostos, pois, do direito crédito a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Neste passo, competia ao contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, trazer as provas que emprestariam ao crédito postulado a liquidez e certeza. Desta feita, não podese, aqui, sob o pálio da verdade material suplantar as regras procedimentais aplicáveis ao processo administrativo e permitir, ao arrepio do princípio da isonomia, fazernos substituir à autoridade fiscal ou ao próprio colegiado recorrido, para refazer todo o trabalho que deveria ter sido concretizado e trazido ao feito pelo sujeito passivo, pretensamente, detentor do crédito. Esclareço, não encontro óbices para considerar as informações prestadas após o início da ação fiscal; mas não tenho como verificar a correção das ditas informações se o próprio contribuinte não traz ao processo provas e documentos que demonstrem que tais dados são verdadeiros, limitandose a apresentar uma mera planilha informativa. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10830.906943/200975 Acórdão n.º 3001000.457 S3C0T1 Fl. 170 7 Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta pelo tão aventado princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas não contempladas pela instância a quo, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno, e, na espécie, tais provas não foram, reprisese, produzidas, sequer na fase recursal antecedente. Como o contribuinte abstevese de produzir, ainda de minimamente, as provas necessárias à demonstração da liquidez e certeza de seu direito creditório, não nos cabe, agora, franquearlhe, por meio de diligência, tal oportunidade, pena de malferir, não o decreto que rege o processo administrativo fiscal federal, como também o princípio da isonomia. Preâmbulo III Os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972 revelam que a realização de diligências deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando esta entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, a diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Mérito A legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de Per/DComp por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o despacho decisório que não homologou a compensação, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.906943/200975 Acórdão n.º 3001000.457 S3C0T1 Fl. 171 8 Nos presentes autos, o recorrente apresentou o PER/DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ele própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que o jurisdiciona. Com a apresentação da manifestação de inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro patamar de aferição, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. O recorrente, como relatado, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, limitouse a apresentar uma planilha e as cópias de diversas PER/DComp, além de cópia do comprovante de arrecadação Darf dos valores pagos e que suportariam o crédito compensado. Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, como já atestado no voto condutor do acórdão recorrido, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito é não aquele que foi inclusive confessado na DCTF apresentada. Reprisando, não procede, também, a alegação trazida no recurso voluntário de que, em caso de dúvidas acerca da liquidez e certeza, o julgador se encontrava obrigado a determinar a realização de diligências. Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que a simples reapresentação dos mesmos elementos de prova apresentados na manifestação de inconformidade nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam, como já dito, a uma mera planilha e às cópias de diversas Per/Dcomp. Digase, tais elementos sequer são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo; estando, portanto, longe de conferir a liquidez e certeza necessária, o que confere absoluta razão ao voto condutor do acórdão recorrido quanto este expressamente afirma que o contribuinte deveria, pra tal finalidade, apresentar sua escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação, uma vez que é significativa a disparidade entre os valores confessados em DCTF e aqueles posteriormente indicados no Per/Dcomp e questão. Assim, temse a mesma situação em que se encontrou a DRJ recorrida, ou seja, parcos elementos de prova, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo, posto que os elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? O recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado no PER/Dcomp de que tratam os presentes autos, deixando, transcorrer a Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.906943/200975 Acórdão n.º 3001000.457 S3C0T1 Fl. 172 9 oportunidade de produzir provas que sustentassem suas alegações, na medida em que, tanto no processo administrativo fiscal como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Vejase o que dispõe o artigo 36 da Lei 9.784 de 29.01.1099, verbis: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido são os termos do artigo 333 do CPC (Lei 5.869 de 11.01.1973, reproduzido no artigo 373 da Lei 13.105 de 16.03.2015 Novo CPC), verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão Isto posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para manter por seus exatos termos a decisão recorrida que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação realizada no Per/Dcomp em questão. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Relator Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902583/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios deve apresentar-se comprovada no processo.
EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS.
CONBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003.
SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.
Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS.
PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins.
REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo.
PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO.
O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) aplicado a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004.
CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios deve apresentar-se comprovada no processo.
EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS.
CONBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003.
SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.
Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS.
PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins.
REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo.
PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO.
O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) aplicado a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004.
CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-005.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento para acatar os créditos referentes a uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização; análises laboratoriais; lubrificantes, inibidor de corrosão, anticogelante propilenogclicol e polímero utilizado no tratamento de água; despesas com operador logístico; produtos para movimentação de cargas e embalagens, pallets utilizados no transporte interno de produtos e/ ou como embalagem de proteção, no transporte dos produtos vendidos; fretes de produtos acabados e fretes de matéria prima; das despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica (granja); crédito extemporâneo referente a despesas de armazenagem e frete nas operações de venda; dos créditos presumidos -alíquota; das despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos; das despesas referentes à gerenciamento e medição de energia elétrica. Vencidos os conselheiros Winderley Morais Pereira quanto a aluguel de granja. Ari Vendramini quanto a aluguel de granja e frete de produtos acabados entre estabelecimentos. Marcelo Costa Marques D'Oliveira que negou créditos quanto as despesas com caminhão Munk e empilhadeiras. Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho que negou frete de produtos acabados entre estabelecimentos e as despesas com caminhão Munk. Liziane Angelotti Meira, que negou provimento para os créditos referentes as despesas com caminhão Munk. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao aluguel de granja, o conselheiro Salvador Cândido Brandão Júnior.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Salvador Cândido Brandão Júnior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento para acatar os créditos referentes a uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização; análises laboratoriais; lubrificantes, inibidor de corrosão, anticogelante propilenogclicol e polímero utilizado no tratamento de água; despesas com operador logístico; produtos para movimentação de cargas e embalagens, pallets utilizados no transporte interno de produtos e/ ou como embalagem de proteção, no transporte dos produtos vendidos; fretes de produtos acabados e fretes de matéria prima; das despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica (granja); crédito extemporâneo referente a despesas de armazenagem e frete nas operações de venda; dos créditos presumidos -alíquota; das despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos; das despesas referentes à gerenciamento e medição de energia elétrica. Vencidos os conselheiros Winderley Morais Pereira quanto a aluguel de granja. Ari Vendramini quanto a aluguel de granja e frete de produtos acabados entre estabelecimentos. Marcelo Costa Marques D'Oliveira que negou créditos quanto as despesas com caminhão Munk e empilhadeiras. Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho que negou frete de produtos acabados entre estabelecimentos e as despesas com caminhão Munk. Liziane Angelotti Meira, que negou provimento para os créditos referentes as despesas com caminhão Munk. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao aluguel de granja, o conselheiro Salvador Cândido Brandão Júnior. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Júnior - Redator designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios deve apresentar-se comprovada no processo. EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) aplicado a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios deve apresentar-se comprovada no processo. EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) aplicado a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Provido em Parte
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios deve apresentarse comprovada no processo. EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 25 83 /2 01 2- 89 Fl. 13390DF CARF MF 2 Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) aplicado a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios deve apresentarse comprovada no processo. EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. Fl. 13391DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 3 3 SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) aplicado a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento para acatar os créditos referentes a uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização; análises laboratoriais; lubrificantes, inibidor de corrosão, anticogelante propilenogclicol e polímero utilizado no tratamento de água; despesas com operador logístico; produtos para movimentação de cargas e embalagens, pallets Fl. 13392DF CARF MF 4 utilizados no transporte interno de produtos e/ ou como embalagem de proteção, no transporte dos produtos vendidos; fretes de produtos acabados e fretes de matéria prima; das despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica (granja); crédito extemporâneo referente a despesas de armazenagem e frete nas operações de venda; dos créditos presumidos alíquota; das despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos; das despesas referentes à gerenciamento e medição de energia elétrica. Vencidos os conselheiros Winderley Morais Pereira quanto a aluguel de granja. Ari Vendramini quanto a aluguel de granja e frete de produtos acabados entre estabelecimentos. Marcelo Costa Marques D'Oliveira que negou créditos quanto as despesas com caminhão Munk e empilhadeiras. Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho que negou frete de produtos acabados entre estabelecimentos e as despesas com caminhão Munk. Liziane Angelotti Meira, que negou provimento para os créditos referentes as despesas com caminhão Munk. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao aluguel de granja, o conselheiro Salvador Cândido Brandão Júnior. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Júnior Redator designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório O presente processo trata de Pedido de Ressarcimento e compensação não homologado pela Autoridade Fiscal. Os pedidos de compensação estão controlados no seguintes processos: 10925.902580/201245 10925.902581/201290 10925.902582/201234 10925.902583/201289 A Fiscalização nos procedimentos de auditoria, entendeu por não homologar os pedidos de compensação, ensejando a exigências dos tributos compensados e exigência da multa isolada de 50%, por compensação indevida, prevista no art. 74, §17, da Lei n. 9.430, de 1996, incluído pela Lei n. 12.249, de 2010. Os autos de infração foram vinculados aos processos de compensação formalizados nos seguintes processos: Fl. 13393DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 4 5 11516.724149/201317 11516.724150/201341 11516.724151/201396 11516.724152/201331 Todas os despachos decisórios denegatórios dos pedidos de compensação e os autos de infração para exigência da multa por compensação indevida, citados acima foram objeto de manifestação de inconformidade e impugnação. A primeira instância negou provimento aos recurso da Recorrente. Além dos processos acima, foi lavrado contra a Recorrente Auto de Infração para exigência do PIS e da COFINS, a partir das glosas de créditos referentes ao mesmo período de abril/2009 a junho/2010. O Auto de Infração foi formalizado no processo 11516.724153/201385 e foi objeto de impugnação, julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Considerando a vinculação das matérias e a conexão processual, os 9 (nove) processos estão sendo julgados nesta mesma sessão. Realizados estes esclarecimentos passemos ao relatório do presente processo que controla pedido de ressarcimento/compensação. Tratase de Pedido de Ressarcimento (PER) nº 02719.74644.030511.1.5.090528 (fls. 7486 e seguintes), transmitido em 03/05/2011, retificador do PER de nº 18636.02686.280709.1.1.092496, de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) de incidência não cumulativa, vinculados à receita de exportação, apurados no 2º trimestre calendário de 2009, no valor de R$ 10.351.725,62. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido e as compensações a ele vinculadas não foram homologadas. Do Relatório Fiscal A Autoridade Fiscal informa que os processos nºs 11516.724153/201385, 10925.902580/201245, 10925.902581/201290, 10925.902582/201234, 10925.902583/201289, 11516.724149/201317, 11516.724150/201341, 11516.724151/201396 e 11516.724152/201331 tratam da mesma matéria fática, divididos apenas por razões processuais em processos de ressarcimento e processos de auto de infração de cada trimestre, e que, portanto, devem ser analisados em conjunto. Tendo em vista a ocorrência de declarações de compensação não homologadas e transmitidas na vigência da Lei nº 12.249/2010 – tratadas nos processos números 10925.902580/201245, 10925.902581/201290, 10925.902582/201234, 10925.902583/201289 , foram lavrados os autos de infração para exigência de multa isolada correspondentes, tratados nos Fl. 13394DF CARF MF 6 processos números 11516.724149/201317, 11516.724150/2013 41, 11516.724151/201396 e 11516.724152/201331. Informa que empresa SADIA S.A. 20.730.099/000194 foi incorporada pela BRF S.A. (fls. 2813 e seguintes), nova denominação social de BRF – BRASIL FOODS S.A., CNPJ 01.838.723/000127 cuja sede está localizada no município de Itajaí – SC na rua Jorge Tzachel, nº475. A incorporação foi oficializada pela Assembléia Geral Extraordinária da Sadia S.A. realizada em 31 de dezembro de 2012, registrada na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina em 10/01/2013. Sobre as verificações realizadas nos créditos do período a Autoridade Fiscal relata que: a contribuinte forneceu a conta contábil e o número do documento fiscal relativos a contabilização das notas fiscais listadas nas memórias de cálculo, sendo confirmadas por amostragem as contas informadas, através do número do documento fiscal e da data do lançamento; analisou cada uma das descrições dos itens das memórias de cálculo, de forma a determinar, com base na legislação vigente à época, quais os itens teriam direito a crédito, elaborando uma “matriz de glosas”; aplicou a “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo, identificando os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal utilizada na memória de cálculo. Explica que os procedimentos de glosa foram adotados na seguinte sequência: numa primeira etapa de verificação, as informações presentes nas memórias de cálculo (onde o contribuinte informa à fiscalização quais as notas fiscais utilizadas para apurar os créditos declarados em Dacon) foram cotejadas com as notas fiscais, obtidas do SPED Fiscal; a segunda etapa de verificação consistiu na elaboração de uma “matriz de glosas”, com os itens que, com base na legislação vigente à época, davam direito a crédito; a terceira etapa consistiu na aplicação da “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo, a fim de identificar os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal. A quarta etapa é a de glosa propriamente dita: foram somados os itens da memória de cálculo para cada linha do Dacon; em seguida, foi aplicada a “matriz de glosas” para excluir os itens que não tinham direito a crédito; subtraiuse o segundo do primeiro para chegar ao valor reconhecido; a diferença positiva entre o valor declarado no Dacon e o valor reconhecido é o valor glosado. A Autoridade Fiscal relata que em relação às linhas 02 Bens Utilizados como Insumos e 03Serviços Utilizados como Insumos das fichas 06A e 16A, foi constatado que muitos bens e serviços adquiridos e informados nestas linhas não foram utilizados como insumos. E que assim, além dos procedimentos acima, também foram analisadas as contas contábeis onde as notas fiscais foram contabilizadas para permitir o correto entendimento do que se tratava cada aquisição. Informa, então, que foram glosados das referidas linhas os valores contabilizados nas contas contábeis que lista em seu relatório. Seguem alguns Processo exemplos das contas listadas pela Autoridade Fiscal: 3432025–GFTBENS DE NATUREZA PERMANENTE; 3350576–PRD DIFERENCAS DE PREÇOS MAT. IMPRODUTIVO; 3432211–GFTCONSERV. MANUT.PREDIALSERVICOS; 3433285 – GFTMATERIAL DE Fl. 13395DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 5 7 EXPEDIENTE/CONSUMO; 3433722 – GFTCONDUCAODESPESAS COM TAXI / MOTO TAXI LOCAL; 3434346 GFTBENS DE NATUREZA PERMANENTE ADMINISTRATIVO; 3431010 – GFTSALARIOS E ORDENADOS; 3431045 GFTRECLAMACOES TRABALHISTAS. Segue informando: que foram glosadas das linhas 2 e 3 as aquisições contabilizadas nas contas listadas mas que nem tudo o que foi contabilizado nestas contas contábeis teve crédito solicitado; que foi considerado, após análise individualizada, o direito ao crédito em relação aos itens que têm o crédito assegurado em outra linha do Dacon, informados nas linhas 2 ou 3 em duplicidade; e que há casos em que os bens, por si só, não têm aplicação como insumos, mas se tratam de material do ativo permanente, tais como concreto, cimento, ferramentas, tubos, cabos, instalações, bens e serviços que não foram utilizados como insumos, tais como uniformes, equipamentos de proteção individual, alimentação de trabalhadores, material de limpeza e higiene pessoal, despesas médicas, coroas funerárias, telefones, locação de veículos, etc. Depois de descrever o procedimento fiscal, a Autoridade Fiscal passa a identificar as glosas realizadas conforme as linhas do Dacon, como segue. 1. Ficha 06A do Dacon Aquisições no Mercado Interno Da base de cálculo dos créditos apurados em Dacon, Ficha 06A –, foram glosados os valores que seguem: 1.1. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Da linha 02 foram glosados os valores referentes a: 1.1.1. Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo – pela descrição nota fiscal A Autoridade Fiscal relata que glosou os valores das notas fiscais de aquisições de mercadorias e serviços que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004. Foram glosados da base de cálculo os valores das aquisições de bens ou serviços indevidamente incluídos nesta linha, como PEDRA BRITA N 1, PARA CONCRETOS, BOTA SEG PVC C/F S/B BR 41 CL NITRI e CAPACETE SEG FIBRA BR ABA FRONT C/JUG 1.1.2. Aquisições que não têm direito a crédito na linha 2, pois não representam a aquisição de insumos Foram glosadas as aquisições que não têm direito a crédito na linha 2, pois não representam a aquisição de insumos, mas por se tratarem de: gastos para manutenção predial, aquisições de bens contabilizados no ativo imobilizado, e aquisições que claramente não se referem ao processo produtivo, entre outros. Tais valores foram identificados através da conta contábil onde foi contabilizada a nota fiscal cujo crédito foi solicitado, informada pela contribuinte na memória de cálculo. Assim, notas fiscais contabilizadas nas contas GFTBENS DE NATUREZA PERMANENTE, 3350576–PRD DIFERENCAS DE PREÇOS MAT. IMPRODUTIVO e 3432211–GFTCONSERV. Fl. 13396DF CARF MF 8 MANUT.PREDIALSERVICOS, entre outras, foram glosadas por tipificarem operações sem direito a crédito. 1.1.3. Aquisições efetuadas junto a pessoas físicas Dos valores informados para a linha 2 do Dacon a Autoridade Fiscal glosou os valores referentes a bens adquiridos de pessoas físicas, identificados na listagem NF GLOSADAS – Aquisições de pessoas físicas. 1.1.4. Despesas com fretes de transferência de produtos Foram glosados os valores de fretes contabilizados na conta 1555057 ESTQFRETE TRANSFERENCIA ENTRE PLANTA, localizada dentro do estoque de produtos acabados, conforme verificado nos balancetes. Intimada a informar o que é contabilizado na referida conta (1555057), na conta 1555413 ESTQFRETE TRANSF.ENTRE PLANTAS – OUTROS e na conta 1555286 ESTQ – FRETE POR TRANSFERENCIA –NOTA ZT, entre outras, a interessada informou que “Nesta conta são registrados os fretes sobre transferências de matéria prima, produto semi acabado, produto acabado entre as unidades do grupo. Este valor é registrado nos materiais”. Conclui, a Autoridade Fiscal, que o que está contabilizado dentro do estoque de produtos acabados são os fretes de transferência de produtos acabados, sem direito a crédito; aduz que apresentando de forma sintética e sem qualquer diferenciação a utilização das contas, não logrou comprovar que os fretes contabilizados na conta 1555057, cujos créditos pretendeu apurar na linha 2, referemse a operações com direito a crédito. 1.1.5. Aquisições sujeitas à alíquota zero Foram glosadas as aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero, com fundamento no art. 3º, §2º da Lei nº 10.833/2003. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem 16NF Glosadas Alíquota zero. 1.1.6. Aquisições cujos CFOP das notas fiscais não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem 15NF Glosadas Operações sem direito a credito (CFOP). 1.1.7. Aquisições de insumos com suspensão de contribuição de PIS/Pasep e de Cofins A Autoridade Fiscal relata que excluiu os valores das aquisições de insumos com suspensão obrigatória de PIS/Cofins na operação de venda, que não geram crédito regular (linha 02), mas somente crédito presumido de atividades agroindustriais. Assim coloca: No período sob fiscalização, a contribuinte adquiria de pessoas jurídicas, de forma rotineira, SUINO GERAL P/ ABATE, MILHO EM GRAO, BOI CASTRADO RASTREADO e outros produtos agropecuários. Estas mercadorias eram utilizadas no processo produtivo da contribuinte, na elaboração de seus produtos. A contribuinte apurou, sobre estes insumos, créditos básicos de PIS/PASEP e COFINS. Todavia, conforme será demonstrado, este procedimento não estava correto. Na época, as aquisições produtos agropecuários por agroindústrias já estavam reguladas pelos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004, verbis: Fl. 13397DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 6 9 Destaca que a SADIA S/A preenchia condições para a aplicação da suspensão elencadas no art 4º da IN SRF 660/2006 e que, portanto, a suspensão na operação de venda determinada em lei se impunha. Menciona que caso o vendedor tenha apurado contribuição para o PIS/PASEP e Cofins sobre estas vendas, ocorreu pagamento indevido, o que não dá direito de creditamento para o comprador. 1.2. Linha 03 Serviços Utilizados como Insumo Dos montantes informados para linha 03 do Dacon foram glosados os valores das: 1.2.1. Aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004; Foram glosados os valores das aquisições de bens sem direito a crédito, tais como CHICOTE FLEX I304, FLUIDO DE FREIO ou EXTINTOR PO ABC PREMIUM 4,5KG; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos; 1.2.2. Aquisições que não têm direito a crédito na linha 3, pois não representam a aquisição de serviços utilizados como insumos Foram glosadas as aquisições que não representam a aquisição de insumos, quer por se tratarem de gastos para manutenção predial, aquisições de bens contabilizados no ativo imobilizado, aquisições que claramente não se referem ao processo produtivo, entre outros. Tais valores foram identificados através da conta contábil onde foi contabilizada a nota fiscal cujo crédito foi solicitado, informada pela contribuinte na memória de cálculo. Assim, notas fiscais contabilizadas nas contas 3432025–GFTBENS DE NATUREZA PERMANENTE, 3350576–PRD DIFERENCAS DE PREÇOS MAT. IMPRODUTIVO e 3432211– GFTCONSERV. MANUT.PREDIAL SERVICOS, entre outras, foram glosadas por tipificarem operações sem direito a crédito. Também foram glosadas todas as despesas com locação de veículos, máquinas e equipamentos; as notas fiscais foram incluídas em duplicidade com as notas informadas na linha 6. Tais situações foram objeto de relatório específico de notas fiscais glosadas, NICTBNF cuja contabilização indica não se enquadrarem no conceito de insumo ou serviço com direito a crédito. 1.2.3. Aquisições cujos CFOP das notas fiscais não representa aquisição de bens ou serviços e nem outra operação com direito a crédito Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Operações sem direito a credito (CFOP). 1.2.4. Aquisições sujeitas à alíquota zero Foram glosadas as aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero, sendo que nesta linha do Dacon só devem ser informados os serviços utilizados como insumos; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Alíquota zero. A Autoridade Fiscal salienta que, nesta linha, só devem ser informados os serviços utilizados como insumos. 1.2.5. Aquisições de pessoas físicas Fl. 13398DF CARF MF 10 1.3. Linha 04 Despesas de Energia Elétrica e Energia Térmica, inclusive sob a forma de vapor Foram glosados valores relativos: a despesas com serviços de gerenciamento de energia elétrica e agenciadora de energia elétrica, pagos à empresa COMERC ENERGIA S/A; despesas com serviço de medição de motores elétricos pagos à empresa GRAPHUS ENGENHARIA E CONSERVAÇÃO. Informa a Autoridade Fiscal que os serviços de gerenciamento e agenciamento não constituem consumo de energia elétrica, mas somente assessoramento na contratação e fornecimento da energia, conforme se constata no endereço eletrônico da empresa contratada na internet. Da mesma forma, serviços de medição de motores elétricos não se referem a consumo de energia elétrica por estabelecimentos da pessoa jurídica. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem 03 Linha 4 – NF Glosadas Energia Elétrica. 1.4. Linha 05 – Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica Foram glosados dos valores informados relativos a aluguéis pagos a pessoa física e pagamentos relativos a arrendamento de granja avícola, gastos que não se enquadram no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem Linha 5 NF Glosadas. 1.5. Linha 06 – Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica Foram glosados dos valores informados relativos a gastos que não se enquadram no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, que somente contempla “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica utilizados nas atividades da empresa”. Foram glosadas notas fiscais relativas a aluguel de veículos despesas com fretes e outros serviços não enquadrados como alugueis. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem Linha 6 NF Glosadas. 1.6. Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Foram glosados os valores relativos a fretes pagos a pessoa física, além de serviços de movimentação de produtos que não se enquadram no conceito de fretes, definido no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. As notas fiscais glosadas estão individualizadas no relatório Linha 7 – NF Glosadas Fretes. 1.7. Linha 09 – Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação) Foram glosados os valores referentes a bens com data de incorporação ao ativo imobilizado anterior a 1º/05/2004, para os quais o contribuinte pretende descontar créditos nos meses de janeiro e fevereiro de 2009. Também foi glosado dessa linha o valor de R$ 249.503.927,60 o qual, na memória de cálculo apresentada, a contribuinte informou: se referir à Linha 10 do Dacon e que, com base na Lei nº 11.488/2007, passou a efetuar o crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins com base no valor de aquisição e construção, apropriando no mês de março/2009 todos os créditos retroativos a janeiro/2007. Sobre a glosa a Autoridade Fiscal informa que a contribuinte, mesmo intimada para tanto, não apresentou os esclarecimentos necessários que possibilitassem o correto entendimento da forma de apropriação dos encargos de depreciação dos bens constantes na memória de Fl. 13399DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 7 11 cálculo apresentada, de forma que todos os valores foram glosados por impossibilidade de análise. E acrescenta que a legislação não contemplou o aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições. Nesse sentido, diz que apesar de a lei estabelecer (§4º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003) que o saldo de crédito presente no Dacon dos meses anteriores possa ser aproveitado para desconto dos débitos gerados no mês em curso, o crédito que não foi informado nos meses anteriores não pode ser informado no Dacon do mês em curso. Afirma que a legislação prevê, para o caso de incorreções nas informações prestadas, a apresentação de Dacon retificador e que não há dúvida de que um crédito que deixou de ser considerado no momento correto gerou incorreção na informação prestada à época. Acrescenta que a retificação do Dacon além de ser uma exigência da legislação é também uma necessidade a fim de verificarse a real natureza do possível crédito. Transcreve ementa da Solução de Consulta nº 73 – SRRF10/Disit, de 20/04/2012, em que consta que É exigida a entrega de Dacon e DCTF retificadoras quando houver aproveitamento extemporâneo de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep. Transcreve também a ementa da Solução de Consulta nº 192 – SRRF08/Disit, de 18 de maio de 2010, que trata de créditos de depreciação acelerada de máquinas e equipamentos e que concluiu pela possibilidade de se alterar a opção da forma de depreciação normal pela depreciação acelerada a qualquer momento, porém, nesse caso, a nova sistemática será aplicada somente sobre o valor residual do bem a depreciar, não se cogitando no exercício retroativo da nova sistemática de apropriação de créditos sobre encargos de depreciação Foram gerados dois relatórios com os valores glosados: Linha 9 – Valores Glosados Encargos de Depreciação; Linha 9 – Valores Glosados Enc. Deprec. Março 2009, que reproduz somente a primeira parte da planilha apresentada pela contribuinte. 1.8. Linha 10 – Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base no Valor de Aquisição ou de Construção) Conforme relata a Autoridade Fiscal, a contribuinte: apresentou memória de cálculo denominada ITEM 09 LINHA 10 – SOBRE AQUISIÇÕES DO ATIVO IMOBILIZADO 1º TRIM_2009.FINAL.xls, contendo cinco planilhas denominadas “MÁQUINAS 1”, “MÁQUINAS 2”, “MÁQUINAS 3”, “MÁQUINAS Importadas” e “Resumo Créditos”; nas memórias de cálculo apresentadas, descontou créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins à razão de 1/48 (um quarenta e oito avos) sobre o valor de aquisição dos itens do imobilizado para cada um dos meses de janeiro, fevereiro e março/2009; informou ainda que os valores constantes na memória de cálculo relativos ao mês de março/2009, da Linha 10 do Dacon, foram informados na Linha 11 do Dacon – Encargos de Amortização de Edifícios e Benfeitorias. A Autoridade Fiscal coloca que a legislação somente facultou ao Fl. 13400DF CARF MF 12 contribuinte o desconto de créditos à razão de 1/48 em relação à aquisição de máquinas e equipamentos. Em não sendo possível a utilização do §14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 no desconto de créditos relativos a edificações e benfeitorias, foram glosados os valores referentes a: 1.8.1. diferenças entre as depreciações calculadas pelo contribuinte para as edificações e benfeitorias (informadas na planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 1”) e a depreciação correta, conforme o disposto na IN SRF nº 162/1998, Anexo II prazo de 300 meses para edificações e benfeitorias; 1.8.2. diferenças entre as depreciações de itens relacionados a materiais de construção utilizados em edificações e benfeitorias calculadas pelo contribuinte (informadas na planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 2”) e a depreciação correta (IN SRF nº 162/1998); 1.8.3. depreciação de bens (informadas na planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 3”), para os quais a interessada, instada para tanto, não apresentou a descrição detalhada de sua natureza e aplicação, o que impossibilitou a aferição pela fiscalização do direito ao crédito; Foram gerados quatro relatórios contendo os cálculos das glosas referentes à Linha 10 do DACON: Linha 10 – EDIFICAÇÕES; Linha 10 – Material de Construção; Linha 10 – Impossibilidade de Análise. 1.9. Linha 11 – Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias Os relatórios contendo os cálculos das glosas referentes à Linha 11 do Dacon são os mesmos relatórios das glosas da Linha 10, pois se referem ao mesmo tipo de crédito, sendo que a contribuinte utilizou a Linha 11 do Dacon apenas para informar os créditos do mês de março. 2. Ficha 06A CRÉDITOS PRESUMIDOS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS Linha 25 – Calculados sobre Insumos de Origem Animal Linha 26 – Calculados sobre Insumos de Origem Vegetal A Autoridade Fiscal reduziu o valor do crédito apurado pela contribuinte ajustando a alíquota erroneamente utilizadas pela interessada, de 0,99% (60% de 1,65%) para insumos que não se enquadram nas condições da legislação; explica: tal alíquota era prevista no inciso I do §3º do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004 apenas para aquisições de insumos de origem animal e que se sejam classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; as aquisições de insumos que não se classifiquem nos capítulos e posições citados no inciso I recaem no inciso II (soja e derivados) ou no inciso III (demais) e devem ser apropriados créditos presumidos de 0,0825% (50% de 1,65%) e 0,5775% (35% de 1,65%), respectivamente. Da base de cálculo do crédito, foram glosados os valores das aquisições cujos CFOP das notas fiscais não representam aquisições de insumos, perfeitamente identificados na listagem individualizada e das notas fiscais das aquisições de bens para revenda. A Autoridade Fiscal traz em seu relatório a listagem dos insumos Fl. 13401DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 8 13 adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa (na coluna Alíquota PIS correta consta a informação Não se aplica ou zero), totalizados por descrição em cada mês e informa que as notas fiscais cujos valores foram glosados estão devidamente individualizadas na listagem Credito presumido – detalhe. 3. Ficha 06B Aquisições de Insumos no Mercado Externo Da base de cálculo dos créditos informados na linha 02 das Ficha 06B, foram glosados os valores referentes a: 3.1. Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art.8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004 Bens ou serviços indevidamente incluídos nesta linha, como CALDEIRA DE GIRACAO VAPOR ALTA PRESSAO e SISTEMA TRATAMENTO TÉRMICO CONSISTATOR, classificados no CFOP 3.551 (aquisição para o Ativo Imobilizado). 3.2. Aquisições bens sujeitos à alíquota zero da contribuição. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NFSem Direito a Crédito – Importações. Manifestação de inconformidade Inicialmente, a Recorrente defende que a manifestação de inconformidade ora apresentada deverá ser julgada em conjunto com as manifestações de inconformidade apresentadas nos autos dos Processos Administrativos de números 10925.902581/2012 90, 10925.902582/201234 e 10925.902583/201289, bem como com as impugnações relativas aos Processos Administrativos de números 11516.724150/201341, 11516.7241511201396, 11516.724152/201331 e 11516.724153/201385. Destaca que todos esses processos administrativos possuem origem no mesmo MPF, instituído com o fim de verificar a existência e higidez de diversos créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, apurados na sistemática não cumulativa no período compreendido entre 2006 e 2010. E, considerando que o que restar decidido nos autos de um processo administrativo terá efeitos diretos nos demais casos em discussão, defende que, para que seja dado um melhor tratamento à questão, todos os processos devem ser apreciados pelo mesmo órgão julgador dessa Delegacia de Julgamento. Nulidade do Despacho Decisório Suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando que a “superficialidade da análise das informações necessárias para a glosa dos créditos” fere o princípio da verdade material. Nesse sentido, aduz, em síntese, que “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” caberia à fiscalização “analisar todos esses fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado” e não somente “proceder à glosa com base em análises superficiais da documentação apresentada no curso do procedimento de fiscalização”. Reclama que, a glosa “com base na natureza da conta contábil na qual o bem foi registrado”, a glosa dos créditos apropriados à razão de 1/48, sobre as despesas com depreciação de bens do Fl. 13402DF CARF MF 14 ativo imobilizado, “sob a lacônica justificativa de que tais despesas não se referem a máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, mas sim a despesas com construções, edificações ou benfeitorias” e a glosa “sob a justificativa de que o Código Fiscal de Operações e Prestações ("CFOP") referese à aquisição de bens que não geraram direito a créditos”, foram realizadas sem a análise da aplicação desses bens e serviços no processo produtivo, o que “demonstra a nulidade da decisão ora atacada”, pois, ao assim proceder, a Fiscalização acabou por glosar diversas despesas que, notoriamente, caracterizamse como insumos. Conclui que, por não ter a Fiscalização buscado a verdade material e nem tampouco apresentado motivação para tanto, o presente Despacho Decisório não pode subsistir, devendo ser cancelado. Conceito de insumo No tópico III.2 Da Sistemática NãoCumulativa da Contribuição ao PIS e da Cofins / Da Legitimidade dos Créditos Apropriados pela Requerente, a fim de afastar o conceito de insumo adotado pela Fiscalização, tece considerações sobre a não cumulatividade das contribuições em tela estabelecendo o seu entendimento sobre o conceito de insumo aplicável ao caso, à luz da interpretação que faz da legislação, da jurisprudência e da doutrina. Diz, inicialmente, que, da combinação dos incisos e parágrafos do artigo 3º das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 com o artigo 195, inciso I, alínea V, e § 12, da Constituição Federal, temse que o critério de escolha legislativa dos custos e despesas que conferem direito de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é a relação de inerência de tais dispêndios com a formação da receita, critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. Defende, que o conceito de insumo, na sistemática não cumulativa dessa contribuições é muito mais abrangente do que o conceito de insumo adotado pela legislação do IPI, englobando todos e quaisquer dispêndios ligados ao processo produtivo e, assim, à obtenção de receita. Aduz, com base em jurisprudência do CARF, que o conceito de insumo aplicável ao caso deve ser o mesmo aplicável ao imposto de renda, já que a materialidade dessas contribuições (a receita) é muito mais próxima daquela estabelecida ao IRPJ, do que daquela prevista para o IPI. E, por fim, destaca que o conceito de insumo previsto na IN SRF n° 404/2004 não é o mesmo previsto na lei, o que implica em sua ilegalidade e menciona que os Tribunais Federais têm se firmado nesse sentido, exatamente em razão de a IN ultrapassar sua função de interpretação e exequibilidade da lei, ao pretender restringir o conceito de insumo. Bens e serviços utilizados como insumo No tópico III.2.2 — Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos (Linhas 02 e 03 da Ficha 06 da DACON), a Recorrente, inicialmente, destaca que o erro quanto à linha da ficha de créditos da Dacon em que foram lançados os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, não justifica a glosa dos referidos créditos. Menciona que tal entendimento, inclusive, foi corroborado em recente decisão proferida pelo CARF em outro processo da própria Requerente. E na sequência, a requerente passa a colocar os fatos e as razões de direito, pelos quais entende que faz jus aos créditos glosados. Fl. 13403DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 9 15 Glosa dos valores dos itens que não se enquadram no conceito de insumos Em relação à Indumentária e Itens de Uso Obrigatório, a Recorrente, em síntese, alega que a indumentária dos colaboradores que trabalham em suas plantas industriais, itens tais como botas, luvas, aventais, protetores auriculares, respiradores descartáveis, conjuntos impermeáveis e toucas, bem como os itens de proteção de uso obrigatório, são exigidos por norma emanada da autoridade reguladora, sendo essenciais ao processo produtivo, sem os quais ela nem ao menos poderá exercer a sua atividade. Corroborando esse entendimento cita acórdão do CARF. Quanto aos Pallets, explica que consistem em estruturas de madeira, cuja principal função é facilitar o transporte de insumos e mercadorias dentro do estabelecimento e que também servem para evitar o contato de tais materiais com qualquer superfície, impedindo contaminações que poderiam colocar em risco a integridade dos produtos industrializados. Adicionalmente, cita decisão do CARF que autorizou o creditamento sobre as despesas incorridas com os chamados "materiais para acondicionamento para transporte", por configuram despesas com armazenagem, expressamente prevista como apta para gerar crédito no inciso IX, do art. 3º, da Lei n.° 10.833/2003. Diz que o mesmo ocorre com relação às caixas plásticas (Doc. 12 — nota fiscal de aquisição desse item), que “são utilizadas, não apenas para separação das partes dos cárneos, ..., mas também para transportar e armazenar produtos dentro e fora das plantas da Requerente”. Conclui, então, que as glosas devem ser canceladas, por se tratarem, os pallets e as caixas, de material indispensável no processo produtivo, além de configurar uma clara despesa com armazenagem, tal como já decidido pelo CARF. A título de Materiais e Equipamentos, defende o direito a crédito em relação a itens que cita – lâmpadas, reatores, detergentes, lubrificantes, fusíveis, anticongelantes, correias, rolamentos, mangueiras, estatores, bombas, dentre outros que, segundo alega, teriam sido empregados no processo produtivo, estando diretamente relacionados à geração de receitas, caracterizando, assim, como insumos. Explica que: As lâmpadas são utilizadas nas incubadoras de ovos e para aquecimento dos pintos de 1 dia; Os reatores, por sua vez, são equipamentos auxiliares, utilizado em conjunto com as lâmpadas de descarga e que objetivam limitar a corrente na lâmpada e fornecer as características elétricas adequadas, evitando o efeito estroboscópio/flicker (cintilação) nas lâmpadas e proporcionando elevada economia de energia; Os detergentes industriais são utilizados na higienização e limpeza das máquinas e pisos do estabelecimento industrial, atendendo, obviamente, às rigorosas regras emanadas pelas autoridades regulatórias; Já os lubrificantes e os fusíveis, são indispensáveis ao bom funcionamento das máquinas e equipamentos pertencentes ao processo produtivo; Fl. 13404DF CARF MF 16 O inibidor de corrosão, por sua vez, é composto por substâncias químicas que retardam ou inibem por completo o processo corrosivo de tubulações e caldeiras, a fim de que seja prolongada a vida útil das máquinas e equipamentos, com a prevenção de paradas não programadas e de fraturas. Referida substância age de modo a retirar as incrustações das paredes dos equipamentos, sem atacar as partes estruturais essenciais para o bom desempenho técnico. O inibidor atua em três etapas: i) adsorção à superfície metálica; ii) formação de película de óxido protetor do metal base; e iii) reação com o componente potencialmente corrosivo presente no meio aquoso; O anticongelante propilenoglicol é utilizado nos compressores que produzem o ar frio para congelar as matérias primas e produtos acabados produzidos pela Requerente (bovinos, aves ou suínos). Além disso, esse item pode ser utilizado na manutenção da temperatura adequada nos ambientes em que realizado o processo produtivo da Requerente. Ainda, as correias (Doc. 15 — nota fiscal de aquisição desse item) são utilizadas em diversas máquinas da Requerente e são responsáveis por efetuar a tração entre os motores elétricos e as máquinas responsáveis por diversas funções ao longo do processo produtivo, tais como as embaladeiras, moedeiras, misturadoras, embutideiras, grampeadeiras, fatiadeiras, esteiras transportadoras, etc. As correias também são utilizadas para a transmissão de tanques de mistura de molhos e nas peças de retirada de pele dos animais. Os rolamentos (Doc. 16 — nota fiscal de aquisição desse item) são materiais que possibilitam o movimento controlado entre duas ou mais partes da máquina. Referidos corpos rolantes estabilizam o desempenho das peças estruturais das máquinas utilizadas no processo produtivo da Requerente. Além disso, os rolamentos são empregados em equipamentos como arrancador de pescoço stork, pertencente ao frigorifico de frangos. As mangueiras (Doc. 17 — nota fiscal de aquisição desse item) consistem em instrumento condutor de água que possibilita o resfriamento dos motores e bombas, com a introdução do líquido nas câmaras de resfriamento e sua posterior retirada.(...) O polímero é utilizado no tratamento de água e efluentes, com o objetivo de remover a turbidez e as partículas sólidas da água. O estator para bomba (Doc. 18 — nota fiscal de aquisição desse item) é a parte da bomba que conduz o fluxo magnético e proporciona sua rotação. Em outras palavras, neste equipamento é produzida a corrente que fornece energia aos diversos circuitos elétricos do equipamento. A bomba, por sua vez, tem participação fundamental no processo produtivo da Requerente, pois é a máquina que mistura o leite antes de sua introdução nas embalagens, propiciando a homogeneidade de temperatura do produto armazenado. Conclui que, pelas breves descrições, é inegável que todos esses itens estão intrinsecamente ligados ao processo produtivo, pois seria impossível realizar a sua atividade sem tomar as precauções relativas à higienização ou preservação e bom funcionamento de suas máquinas bem como à manutenção da temperatura ideal em suas câmaras frigoríficas e plantas fabris. Em relação a estas, cita recente Acórdão proferido pelo CARF, em processo da própria requerente, por meio do qual restou reconhecido o direito ao crédito sobre as aquisições de Fl. 13405DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 10 17 ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos de sua atividade fabril. Contesta a glosa dos valores relacionados a Serviços Realizados por "Operador Logístico", alegando que a movimentação das mercadorias é inerente à sua atividade, pela impossibilidade de comercialização de seus produtos na ausência de tais serviços, que são intrinsecamente relacionados à armazenagem e ao frete das mercadorias produzidas. Conclui que, dada à imprescindibilidade dos serviços relacionados à movimentação de mercadorias, associada ao fato de que estão diretamente relacionados com as despesas de frete de vendas, devem as glosas em referência ser integralmente canceladas. Afirma que os serviços de Análise Laboratoriais consistem de insumo, tendo em vista que os produtos fabricados são destinados ao consumo humano e que, portanto, devem ser constantemente avaliados e testados, de modo a preservar sua qualidade e integridade. Passa a defender o direito a crédito em relação a outros itens glosados da planilha NF Glosadas — Não Representam Aquisição de Insumos" como segue: ... fluído térmico que é um fluído de transmissão de calor dotado de grande estabilidade térmica (Doc. 20 — nota fiscal de aquisição desse item"), utilizado no processamento de alimentos, que requer grandes variações de temperatura e pressão. O ácido clorídrico (Doc. 21 — nota fiscal de aquisição desse item) concentrado, por sua vez, é utilizado na hidrólise de proteínas e de amido para o processamento de produtos industrializados produzidos pela Requerente. Ainda, é empregado na análise de minerais, cálcio e fosfato. Outro item importante é o mangote descartável de polietileno, que consiste em utensílio de higiene, necessariamente descartável, idêntico ao de uso hospitalar, utilizado no processo produtivo da Requerente para impedir que os produtos alimentícios tenham contato com a pele dos funcionários que atuam na linha de produção. Destaquese que o avental possui a mesma função. Por sua vez, a chapa industrial de inox é utilizada para escorrer o leite que é retirado da ordenheira automática, bem como para apoiar os produtos no momento da fabricação. As termorresistências são instrumentos que permitem medir, com elevada exatidão, a temperatura do meio ambiente por meio da relação entre a resistência elétrica do material e sua temperatura (Doc. 23 observese nota fiscal de aquisição desses itens). Os termorresistores são usados, principalmente, para controlar refrigeração de alimentos, procedimento indispensável para sua correta conservação e armazenagem. Os serviços florestais são contratados para efetuar a derrubada de árvores no campo, sendo que tais árvores serão o material necessário ao abastecimento das caldeiras. Contesta a glosa das despesas com locação de empilhadeiras ("equipamento locado — Udia — empilhadeiras"), que não foram informadas na Linha 6 da Dacon, relativa à locação de máquinas e equipamentos, alegando que o simples equívoco nas informações prestadas em obrigação acessória não justifica a Fl. 13406DF CARF MF 18 glosa dos créditos de Contribuição ao PIS, entendimento esse, inclusive, corroborado pelo próprio CARF no Acórdão 3302 0002.027, de 23.04.2013. Acrescenta que a essencialidade das empilhadeiras locadas no processo produtivo é inconteste, já que consiste em máquina para carregar e descarregar mercadorias em pallets, possibilitando a célere movimentação da carga dentro e fora dos galpões de produção, o que é imprescindível às atividades da Requerente. Glosa dos valores de itens contabilizados em contas contábeis que não se referem a itens que geram créditos Inicialmente, destaca a superficialidade da Autoridade Fiscal na busca da verdade material, tendo em conta que esta considerou que todos os bens e serviços contabilizados em determinadas contas contábeis não dariam direito a crédito em razão da nomenclatura da conta, sem que fosse realizada uma auditoria profunda nos bens e serviços adquiridos e contabilizados nessas contas. Diz que tal fato é suficiente para que se entenda pela improcedência do Despacho Decisório quanto a este tópico. Não obstante, defende o direito ao crédito em relação a vários itens, conforme segue: Analisando as despesas relativas à conta 3350576 "PRD DIFERENÇAS DE PREÇOS MATERIAL IMPRODUTIVO", verificase que há diversos insumos utilizados no processo produtivo da Requerentee que foram glosados de forma arbitrária, tais como: (i) equipamento de indumentária de uso obrigatório segundos as normas da ANVISA, já abordados no item anterior, tais como luvas, máscaras, botinas, sapatos, botas, calças, dentre outros; (ii) e materiais utilizados em máquinas e equipamentos, como, por exemplo, rolamentos, correias, retentores, abraçadeiras, mangueiras, etc., que também foram objeto de análise acima. A conta contábil 3432262 "GFT — CONSERV. MANUT. MAQ. E EQUIP. — MANUT. GERAL — MAT/PEC" é a conta na qual são contabilizados os custos das peças para manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da Requerente, tais como: arruela, rolamento, retentor, esferas, válvulas, correias, bobina, abraçadeira. Frisese, uma vez mais, que tais bens são utilizados no processo produtivo da Requerente, isto é, estão diretamente relacionados à geração de receitas e, por esses motivos, caracterizamse como insumos passíveis de creditamento pela Contribuição ao PIS. A conta contábil 3432211 "GFT — CONSERV. MANUT. — PREDIAL — SERVIÇOS" diz respeito aos serviços de manutenção das máquinas e equipamento, que tem por objetivo melhorar o desempenho desses itens, além de aumentar a vida útil. Dentre essas despesas com manutenção merecem destaque os serviços de substituição de painéis frigoríficos (câmaras, túneis de congelamento e ambientes climatizados), substituição de portas frigoríficas motorizadas, dentre outras. A conta contábil 3432025 "GFT — BENS DE NATUREZA PERMANENTE" referese a gastos gerais, tais como gastos com ferramentas, termômetro (utilizado para medição da temperatura do processo produtivo), salômetro, cronometro, sendo que todos esses itens são essenciais ao processo produtivo da Requerente. A conta contábil 1970674 "TRANSITÓRIA ATIVO PERMANENTE — DESEMB DE IMPORTAÇÃO", por sua vez, Fl. 13407DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 11 19 possui diversas despesas relacionadas com os desembaraço aduaneiro de insumos importados, tais como: despesas com armazenagem, armazenagem e vistoria container, serviços de despachante, serviços de frete, dentre outros. Além disso, contém serviços realizados por operador logístico (carga e descarga de mercadorias, por exemplo), que, conforme já visto, são passíveis de creditamento pela Contribuição ao PIS. Conclui que as glosas efetuadas em razão, unicamente, da contabilização das despesas correlatas nas contas 3350576, 3432262, 3432211, 3432025, e 1970674, que, supostamente, não representam operação com direito a crédito, não devem subsistir, tendo em vista a caracterização dos itens glosados como insumos essenciais ao processo produtivo. Glosa dos valores de bens e serviços adquiridos de pessoas físicas Defende que faz jus ao créditos em relação aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, seja porque tais despesas estão relacionadas à geração de receitas, caracterizandose como insumos, seja porque o CARF já decidiu pela possibilidade de aproveitamento dos créditos relativos às aquisições de insumos em casos análogos. No mais, alega que faz jus, no mínimo, aos créditos presumidos sobre tais compras, na forma do art. 8º da Lei n° 10.925/2004. Glosa dos valores de fretes de Insumos e de Produtos Acabados Alega que o creditamento sobre as despesas com fretes, sejam ou não relacionadas à operação de venda, está em consonância com a legislação vigente e com a mais recente jurisprudência administrativa sobre a matéria. Explica que, diante das diversas etapas do processo produtivo, aliado à sua extensa quantidade de plantas industriais, é notório que o frete de matérias primas e produtos semiacabados é inerente à atividade da empresa e imprescindível ao mencionado processo produtivo, devendo os seus gastos serem considerados para fins de creditamento. Defende o crédito decorrentes de despesas de frete relacionadas: aos transporte de ração para os integrados, responsáveis pela criação de aves, e transferência de ovos para incubadora; transporte de máquinas, essenciais ao processo produtivo da empresa, para conserto; e ao transporte de produtos acabados, em relação ao qual aduz que o frete dos estabelecimentos industriais aos centros de distribuição nada mais é do que uma parcela do frete destinado à venda. Glosa dos valores das aquisições de bens sujeitos a alíquota zero A Recorrente inicialmente contesta a glosa das aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, realizada com base no art. 3º, § 2º, das Leis n.° 10.637/2002 e nº 10.833/03, alegando que as aquisições cujos valores foram glosados não se subsumem a estas normas. Argumenta que as aquisições em apreço, distintamente do que preleciona as mencionadas normas, não se referem a bens cuja receita não se encontra sujeita à contribuição, mas a bens que se encontram no campo de incidência da contribuição e que tiveram a alíquota reduzida a zero pelo legislador; afirma que, portanto, o fato de não haver um efetivo dispêndio pelo Fl. 13408DF CARF MF 20 contribuinte que forneceu os bens não implica que tal bem não está sujeito à contribuição. Entretanto, defende que, caso não se acolha o entendimento acima, é aplicável aos valores glosados a segunda parte do referido dispositivo legal. Isso por que, segundo alega, é possível afirmar que o tratamento fiscal do instituto da alíquota zero se confunde com o da isenção, devendo, portanto, aquele instituto estar sujeito à exceção que este comporta. Glosa dos valores das aquisições cujo Cfop da nota indica operação sem direito de crédito Já em relação às Aquisições sob CFOP que Não Geram Créditos, reclama da superficialidade da análise da Autoridade Fiscal que não cuidou de verificar se os bens adquiridos são insumos do processo produtivo. Alega que uma simples análise da planilha elaborada pelo Fisco permite verificar que diversos bens glosados consistem de insumo com base nas justificativas já aduzidas na presente manifestação, tais como as despesas com materiais e equipamentos (retentor, arruela, barra, rebolo, dentre outros), despesas com fretes, despesas com óleos empregados nas máquinas do processo produtivo, dentre outras. Reclama ter sido arbitrário o procedimento adotado pela Fiscalização de glosar bens cujo Cfop diz respeito a mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária (CFOP 1407 e 2407), sem sequer analisar a natureza do insumo adquirido e o seu emprego no processo produtivo. E aponta como mais grave ainda a situação que se refere ao Cfop cuja descrição é outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada, ou mesmo de material de uso ou consumo (Cfop 1949), pois é impossível a Fiscalização saber de qual insumo se trata apenas com base na mera redação do Cfop. Destaca que a Fiscalização glosou diversas despesas com fretes de mercadorias sob o Cfop 1360, relativas à "aquisição de serviço de transporte por contribuinte substituto em relação ao serviço de transporte", para a entrega de mercadorias, por exemplo, o que, evidentemente, deve ser compreendido como um insumo da Requerente. Glosa dos valores das aquisições com suspensão das contribuições Contra às glosas das aquisições de insumos com suspensão das contribuições, a Recorrente alega que as alegações trazidas pela Fiscalização não merecem prosperar, pois os insumos foram adquiridos sem a suspensão da Cofins. Defende que, em assim sendo, não há o que se falar em aplicação do mencionado art. 9º da Lei n° Lei n° 10.925/2004, mas sim do conceito de insumo previsto no já mencionado art. 3° da Lei n° 10.833/2003. Nesse sentido, ressalta, ainda, que no período objeto de análise, vigia a Instrução Normativa RFB n° 660/2006, que dispunha sobre a suspensão da incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins nas aquisições de que trata o art. 9º da Lei n° 10.250/2004, sem, contudo, tecer quaisquer comentários quanto à obrigatoriedade da suspensão de tributos nas operações; alega que tal obrigação somente surgiu com a publicação da IN RFB n° 977/2009. Despesas de energia elétrica No tópico III.2.3 — Das Despesas de Energia Elétrica e Energia Térmica, Inclusive sob a Forma de Vapor (Linha 04 da Ficha 06 da DACON) a interessada contesta a glosa dos valores dos Fl. 13409DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 12 21 serviços de gerenciamento de energia elétrica e agenciadora de energia elétrica, pagos à COMERC ENERGIA S/A, bem como os serviços de mediação de motores elétricos, pagos à GRAPHUS ENGENHARIA e CONSERVAÇÃO alegando que esses serviços caracterizamse como insumos inerentes ao processo produtivo da Requerente e foram equivocadamente informados na Linha 4, da Ficha 06, da Dacon, e defende que o erro no preenchimento da Dacon não representa um óbice ao aproveitamento de créditos. Despesas de aluguéis de prédios No tópico III.2.4 — Das Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoas Jurídicas (Linha 05 da Ficha 06 da DACON), contesta a glosa dos os valores pagos pelo arredamento da "Granja Avicola Nicolini Ltda" alegando que em sendo a sua atividade eminentemente agroindústria, a principal "área" que poderia locar para exercer a primeira etapa de sua atividade, no caso, a criação dos animais, seria justamente uma granja, razão pela qual, ao contrário do que afirma o Fisco, se aplica ao caso o art. 3º, inciso IV, da Lei n.° 10.637/2002. Contra à glosa dos alugueis de veículos, no tópico III.2.5 — Das Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas (Linha 06 da Ficha 06 da DACON), a Recorrente alega que os veículos tais veículos são, em sua grande maioria, verdadeiras máquinas, devendo o seu aluguel ser considerado como tal, por serem essenciais ao processo produtivo da Requerente. Explica: Notase, dessa forma, que, mais que um veículo, o referido caminhão "Munck" possui, predominantemente, a função de guindaste, sendo a característica "motora" ou seja, de veículo terrestre — tão somente uma questão de praticidade, de modo que o referido guindaste possa se locomover mais facilmente dentro e entre os estabelecimentos da Requerente. Adicionalmente, os demais veículos listados na mencionada planilha e que foram objeto da presente glosa, igualmente, devem ser considerados por essa E. Turma Julgadora. Com efeito, tais veículos são utilizados para movimentar os animais e os materiais essenciais ao processo produtivo da Requerente. E, justamente, os dispêndios com os alugueis de veículos que possuem essas características têm sido amplamente aceitos como passíveis de creditamento. (...) Tais "veículos de passeio", ainda que não se enquadrem como máquinas e equipamentos, o que se admite apenas por epítrope, são essenciais ao processo produtivo da Requerente, já que os vendedores dependem de tais veículos para negociar com os compradores e, assim, levar os produtos comercializados ao consumidor final. Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda No tópico III.2.6 — Das Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Linha 07 da Ficha 06 da DACON), defende que faz jus ao créditos em relação aos fretes pagos às pessoas físicas, seja porque tais despesas estão relacionadas à geração de receitas, caracterizandose como insumos, seja porque o Fl. 13410DF CARF MF 22 CARF já decidiu pela possibilidade de aproveitamento dos créditos relativos às aquisições de insumos em casos análogos. Quanto às glosas com os serviços de movimentação de produtos, alega que faz jus aos créditos dada à imprescindibilidade desses serviços relacionados à movimentação de mercadorias, associada ao fato de que estão diretamente relacionados com as despesas de frete de vendas, tal como explicado no item "Serviços Realizados por "Operador Logístico", contido no tópico “III.2.2.a — Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos". Despesas com bens do Ativo Imobilizado No que se refere a bens do Ativo Imobilizado, a interessada, no tópico III.2.7 — Das Despesas com Bens do Ativo Imobilizado — Encargos de Depreciação (Linha 09 da Ficha 06 DACON), contesta às glosas efetuadas sobre os créditos relativos a bens adquiridos até 30/04/2004 com fundamento no art. 31 da Lei 10.865104, alegando que a limitação dos créditos sobre a depreciação de bens já adquiridos e incorporados ao seu patrimônio representa uma afronta ao direito adquirido sobre esses créditos, considerando que afetou a apropriação de créditos cuja origem está assentada nas aquisições anteriores à vigência da mencionada Lei. Cita decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região no Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade na Apelação em Mandado de Segurança n° 2005.70.00.0005940/PR, que determinou a inconstitucionalidade do art. 31 da Lei n° 10.865104. Quanto às glosas sobre os créditos relativos as despesas de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, que foram aproveitados de forma extemporânea, reconhece que de fato apenas informou os créditos extemporâneos no período em que se apropriou deles para reduzir a base de cálculo das contribuições, no caso, em março de 2009, e explica que se aproveitava dos créditos conforme as taxas de depreciação das próprias edificações e que, após verificar a possibilidade de se aproveitar dos créditos das contribuições à razão de 1/24, com base no art. 6º da Lei n° 11.48810727, passou a se aproveitar de todos os créditos extemporâneos que deixaram de ser aproveitados desde janeiro de 2007. Afirma que os créditos oriundos de dispêndios legítimos e que efetivamente ocorreram devem ser reconhecidos pela Autoridade Fiscal, mesmo que extemporaneamente, uma vez que houve mero equívoco ao declarálos no mês de março de 2009, sem retificar as declarações acessórias anteriores. Acrescenta que: como se trata de simples erro material, pode a Autoridade Fiscal retificá lo de ofício, sem qualquer prejuízo ao direito creditório ou ao Fisco, em conformidade aos ditames do princípio da verdade material, sendo exatamente o disposto no artigo 147, § 2º, do CTN; o art. 3º, § 4º, da Lei n° 10.63712002 prevê expressamente a possibilidade de utilização de créditos extemporâneos; a retificação da Dacon é desnecessária para a apropriação de créditos extemporâneos; a retificação é apenas uma das formas que o contribuinte pode adotar para apropriarse de créditos extemporâneos, pois há, também, a possibilidade de o contribuinte não retificar a Dacon e apropriarse do crédito no mês corrente. Por fim, destaca que o fato de ter informado os créditos extemporâneos na linha errada da Ficha 06 da Dacon não Fl. 13411DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 13 23 representa um óbice ao aproveitamento dos créditos (a requerente informou esses créditos na Linha 09, enquanto que o correto seria na Linha 10), conforme já abordado na presente peça por diversas oportunidades. Já no tópico III.2.8 — Das Despesas com Bens do Ativo Imobilizado — Valor de Aquisição ou de Construção (Linha 10 da Ficha 06 da DACON), contesta a glosa dos créditos apropriados a razão de 1/48 sobre despesas de depreciação com edificações e benfeitorias do seu ativo imobilizado alegando que os créditos glosados referemse, efetivamente, a despesas com a depreciação de itens do ativo imobilizado, mais especificamente, a máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Nesse sentido argumenta: Analisando a planilha com as glosas efetuadas pela Fiscalização, observase que diversas despesas referemse às máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da Requerente, tais como: (i) despesas com abates bovinos, que evidentemente referemse ao equipamento utilizado para o abate desses animais; (ii) despesas com caldeiras, que são máquinas e equipamentos do processo produtivo; (iii) despesas com desossas, que se referem às máquinas e equipamentos relativos às desossas dos animais; (iv) despesas com higienização, que se caracterizam como insumos no processo produtivo; (v) despesas com manutenção de máquinas e equipamentos em geral, que são essenciais ao regular funcionamento desses itens. Inclusive, diversas dessas despesas referemse a máquinas e equipamentos mencionados no processo produtivo da Requerente descrito no item III.I "Breve Descritivo das Atividades da Requerente", pois tal processo envolve as operações de abates, desossas, incubadoras, pendura, tratamentos de água quente, para as quais são necessárias as máquinas e equipamentos que originaram os gastos ora analisados. Com base no exposto e levando em consideração as despesas glosadas, resta evidente que os créditos de Contribuição ao PIS ora glosados pela Fiscalização referemse a despesas com manutenção de máquinas e equipamentos pertencentes ao processo produtivo da Requerente, devendo essa C. Turma de Julgamento determinar o cancelamento do lançamento fiscal. No tópico III.2.9 — Das Despesas com Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias (Linha 11 da Ficha 06 da DACON), remete às razões de contestação postas no item III.2.8 da manifestação de inconformidade. Crédito presumido da agroindústria Quanto crédito presumido da agroindústria, no tópico III.2.10 — Créditos Presumidos (Ficha 06A — Linhas 25 e 26 do DACON),inicialmente a Recorrente coloca que o itens descritos como "milho em grão', "farelo de trigo", "soja em grão', "pinto de 1 dia", "leitão recria", dentre outros constantes do Despacho Decisório consistem de insumo. Explica que: o milho em grão, o farelo de trigo e a soja em grão são elementos essenciais na produção da ração dos animais; os pintos de 1 dia e os suínos para recria, por sua vez, são essenciais ao processo produto das aves e suínos; Fl. 13412DF CARF MF 24 No que se refere às glosas efetuadas em relação aos percentuais aplicados para cálculo do crédito presumido, alega que o método para o cálculo do crédito presumido está no próprio art. 8º da Lei n° 10.925/2004, em seu parágrafo 3º, o qual fazendo remissão ao caput, vincula, assim, o cálculo do crédito presumido ao produto produzido e, por outro lado, arrola como base de cálculo do crédito o valor da aquisição do insumo. Acrescenta que tal é o entendimento que se chega a partir de uma interpretação literal, lógica e finalística da legislação e que o CARF assim também vem decidindo. Por fim, afirma que o parágrafo 10, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, incluído pela Lei nº 2.865/2013, põe fim a qualquer dúvidas sobre a questão pois não dá margem à dúvida: o direito à aplicação do percentual de 60% decorre da natureza do produto resultante da atividade agroindustrial e não da natureza dos insumos empregados, pois, do contrário, não ditaria tal dispositivo que o direito ao crédito na alíquota de 60% abrange todos os insumos utilizados nos produtos em questão. Diz que a tal dispositivo, enquanto interpretativo, deve ser dada eficácia retroativa nos termos do art. 106 do CTN. Pedido de perícia e diligência A Recorrente pugna pela realização de perícia, que se justificaria, segundo alega, pela necessidade de trazer ao conhecimento da autoridade julgadora os detalhes e particularidades dos seus processos produtivos, permitindolhe entender a específica natureza de cada despesa glosada pela Fiscalização e analisar sua pertinência e relação com o processo produtivo. Indica um perito a quem caberia: descrever de forma detalhada os seus processos produtivos; descrever de forma detalhada cada despesa glosada pela Fiscalização; esclarecer qual a relação das despesas glosadas pela Fiscalização com o processo produtivo; demonstrar quais despesas de frete são relacionadas à venda de mercadorias e produtos e quais são relacionadas à transferência entre estabelecimentos; demonstrar o valor do crédito extemporâneo, calculado a partir de janeiro de 2007, ao qual faz jus a Requerente, para aproveitamento em março de 2009. Em razão de a auditoria fiscal, segundo alega, ter sido superficial na análise de seu processo produtivo, a Recorrente também pugna pela realização de diligência fiscal para que o auditor fiscal esclareça: se os bens e serviços caracterizados como insumos pela Requerente em sua Dacon são utilizados no processo produtivo e efetivamente guardam relação intrínseca com a geração de receitas, em conformidade com o disposto no art. 3º, inciso II, da Lei n° 10.637/2002; se as despesas com alugueis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, são utilizados para a consecução das atividades da Requerente, em consonância com o art. 3º, inciso IV, da Lei n° 10.637/2002, ou, ao menos, podem caracterizarse como insumos, nos termos do art. 3º,inciso II, da Lei n° 10.637/2002; se as despesas com itens relativos a edificações e benfeitorias, referemse efetivamente a gastos incorridos com edificações e benfeitorias, ou referemse a gastos incorridos com máquinas e equipamentos do ativo imobilizado utilizados no processo produtos da Requerente, conforme dispõe o art. art. 3º, inciso VI, da Lei n° 10.637/2002. Diante de todo o exposto, pede que seja dado provimento à sua Fl. 13413DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 14 25 manifestação de inconformidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO COMO NORMAS COMPLEMENTARES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões judiciais prolatadas em ações individuais não produzem efeitos para outros que não aqueles que compõem a relação processual. E as decisões administrativas, não formalmente dotadas de caráter normativo, igualmente se aplicam inter partes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. INTIMAÇÃO FISCAL. ANÁLISE DO CRÉDITO. O contribuinte, ao não atender à intimação do Fisco para apresentar as informações necessárias à análise do direito ao crédito pleiteado, inviabiliza o reconhecimento deste. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FORÇA PROBANTE. Escrituração contabilidade da empresa faz prova das operações comerciais da empresa para fins de apuração dos tributos incidentes sobre as receitas geradas; somente faz prova a seu favor nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos fiscais hábeis e idôneos. NOTA FISCAL. FORÇA PROBANTE. As Notas Fiscais fazem prova perante o fisco das operações comerciais das empresas na medida em que gozam de presunção de veracidade, presunção esta somente afastada por quem o pretenda, por meios hábeis e bastantes para tanto. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a apuração dos créditos é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade Fl. 13414DF CARF MF 26 tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO. DACON. DCTF. RETIFICAÇÃO. A alteração pelo contribuinte da apuração dos créditos relativos a determinado período há que ser efetivada através da entrega do Dacon retificador e da DCTF retificadora, se houver alteração de valores que tenham sido informados em DCTF. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PESSOA FÍSICA. CRÉDITO REGULAR. INEXISTÊNCIA. À ausência de previsão legal, não há direito a crédito calculado à alíquota normal da contribuição sobre os custos dos bens adquiridos de pessoas físicas. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS DE FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste permissivo legal para tomada de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep a partir de dispêndios com serviços de frete de mercadorias ou produtos entre estabelecimentos da empresa. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÕES TRIBUTADAS. Somente geram créditos da Contribuição para o PIS/Pasep passíveis de desconto da contribuição devida os valores das aquisições de bens ou serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. Fl. 13415DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 15 27 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada pela com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ARRENDAMENTO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A hipótese de tomada de crédito prevista no inciso IV do art. 3º, da Lei n.° 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 é específica para despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos e não se aplica a pagamentos de arrendamento. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESA COM LOCAÇÃO DE VEÍCULO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. À ausência de previsão legal, não há direito a crédito calculado sobre despesa com locação de veículos. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. VEDAÇÃO. É vedada, por expressa determinação legal, a apropriação, a partir de 01/08/2004, de créditos da Contribuição para o PIS calculados sobre os encargos de depreciação de bens e direitos do ativo imobilizado adquiridos até 30/04/2004. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com a decisão da DRJ, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário repisando as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 13416DF CARF MF 28 O recurso é voluntário, deve ser conhecido na sua integralidade por ser tempestivo e atender os demais requisitos de admissibilidade. Nulidade Em sede preliminar, alegase a existência de vícios no ato administrativo que não teria atendido aos requisitos de motivação e finalidade ofendendo o principio da verdade material. Não vislumbro assistir razão ao recursos. O despacho decisório teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para a não homologação do pedido de ressarcimento/compensação e as provas que conduziram a Autoridade Fiscal. A Recorrente foi cientificada da decisão e apresentou manifestação de inconformidade, que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância. Irresignado com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas pela primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações do despacho decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. O conceito de insumo a ser utilizado na apuração dos créditos do PIS e da COFINS não cumulativos A teor do relatado a Recorrente pretende modificar o entendimento adotado pela autoridade fiscal com a aplicação de um conceito amplo de insumo, onde os custos e despesas suportados pela empresa necessários a suas atividades, estariam incluídos nas operações possíveis de gerar créditos do PIS e da COFINS não cumulativa. Ao definir a não cumulatividade do PIS e da COFINS a Emenda Constitucional nº 42/2002. incluiu o § 12º no art. 195 da CF. verbis: “§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas.” As alterações promovidas pela EC nº 42 deixou à legislação infraconstitucional definir quais setores econômicos poderiam utilizar a forma de apuração não cumulativa das contribuições. A regulamentação efetiva da utilização da não cumulatividade veio com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida posteriormente na Lei nº 10.637/2002 para o PIS e tratando da COFINS foi editado a Medida Provisória 135, de 30 Fl. 13417DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 16 29 de outubro de 2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003. O § 12º do art. 195 da CF atribui a legislação infraconstitucional determinar quais setores econômicos poderiam utilizar a não cumulatividade. Destarte, a própria norma constitucional definiu a existência de limites e restrições para a utilização da não cumulatividade. A possibilidade de utilização de créditos para redução da contribuição devida das aquisições de bens e serviços utilizados como insumo, foi prevista no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003. Verbis: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; “ O conceito de insumo, constante da Lei nº 10.833/2003, não foi perfeitamente delimitado, surgindo desta indeterminação, uma grande discussão sobre o alcance da palavra “insumo” inserida no texto legal, gerando diversos entendimentos sobre a matéria. As interpretações adotadas ocupam um vasto campo entre duas posições extremas. A primeira defendida em normas da Receita Federal, criando posições restritivas a utilização do conceito de insumo, conforme previsto no § 4º, do art. 8º, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. “§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.” Fl. 13418DF CARF MF 30 Outra linha de pensamento trata o conceito de insumo da forma mais abrangente possível, estendendo o seu conceito a toda e qualquer despesa realizada pela empresa para realização do suas atividades. A Recorrente alega que o conceito da palavra insumo contida no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003 teria este caráter geral e extensivo, onde os custos e despesas incorridos pela empresa ensejariam a possibilidade de utilização de créditos. A posição que vem sendo adotada nas turmas do CARF vai no sentido da análise restritiva do conceito de insumo, como pode ser visto na decisão adotada no Acórdão nº 330100.423, que foi assim ementado: Acórdão n° 330100.423 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de fevereiro de 2010 Matéria Cofins NãoCumulativa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 INSUMOS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. AQUISIÇÃO DE PESSOA FÍSICA. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A Lei n° 10.637102 que instituiu o PIS nãocumulativo, em seu art. 3°, § 3°, inciso I, de modo expresso, como regra geral, vedou o aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas. FRETE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CUSTO DE PRODUÇÃO. Gera direito a créditos do PIS e da Cofins nãocumulativos o dispêndio com o frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica domiciliada no País, para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda, bem assim o transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica, desde que estejam estes em fase de industrialização, vez que compõe o custo do bem. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 13419DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 17 31 São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem.” Neste sentido tem caminhado diversos julgados do CARF, ao se ater essencialmente aos conceitos definidos na norma ordinária para definir a procedência do crédito alegado pelos contribuintes, de outra forma não há o que trabalhar, pois se identificássemos a existência da não cumulatividade integral ao PIS e COFINS todo e qualquer despesa, sendo de serviço ou aquisição de insumos comporiam o quadro de créditos possíveis de redução da contribuição devida e não é o que observamos em todo arcabouço de legislação ordinária que lista uma série de definições e regras para fruição dos créditos. Afastar por completo as restrições legais não é possível. De outra banda utilizar o conceito restritivo previsto na IN SRF 404/2004, ao meu sentir, também não é melhor solução para a questão, visto o conceito da Instrução Normativa, copiar o conceito do insumo do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, entretanto, as contribuições incidem sobre o faturamento, gerando uma distorção na utilização daquele conceito para a não cumulatividade do PIS e da COFINS. O conceito de insumo previsto no art. 3º da Lei nº 10.833/2003, esclarece que são possíveis de gerar créditos as aquisições de bens e serviços a serem utilizados na prestação de serviços ou na produção de bens. Acredito que o caminho para delimitar se as despesas incorridas geram ou não o crédito passa pela definição da atividade que gerou a despesas e sua interferência na prestação de serviços ou produção de bens. O ônus que se apresenta ao julgador será para cada caso, delimitar o serviço prestado ou o processo produtivo do contribuinte e dele extrair as atividades essenciais e necessárias a sua realização e partindo deste universo, identificar os custos e despesas que possibilitariam a utilização do crédito. Com base nestas premissas passemos a análise dos produtos e serviços que a Recorrente pretende aproveitar como créditos na apuração das contribuições que foram glosados pela Fiscalização. a) Insumo Bens e serviços diversos a1)Uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização Entendo que todos estes produtos e serviços estão diretamente ligados ao processo produtivo da Recorrente e por diversas normas tantos sanitárias quanto trabalhistas são de uso obrigatório para o seguimento onde atua a empresa. Assim, entendo que assiste razão ao recurso para estes produtos e serviços devendo ser afastadas as glosas referentes uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização. a2) Análises laboratoriais Fl. 13420DF CARF MF 32 As despesas referentes a analises laboratoriais obedecem normas técnicas e atendem determinações normativas e de controle da produção. Entendo que tais despesas estão vinculadas ao processo produtivo devendo ser afastadas as glosas da Fiscalização. a3) Lâmpadas, reatores, fusíveis, correias, rolamentos, mangueiras, bomba, estator para bomba, caldeira de giração vapor alta pressão e sistema de tratamento térmico consistor Os equipamento constantes deste tópico são produtos que se incorporam ao ativo da empresa, fato salientado no recurso voluntário, que ao tratar da caldeira de giração vapor alta pressão e sistema de tratamento térmico consistor, confirma que tais produtos são parte do ativo da empresa, mas, por estar vinculado ao processo produtivo poderiam estar aptos a auferir créditos. O fato de equipamento constantes do ativo estarem vinculados ao processo produtivo não permite o creditamento na forma de insumo. A legislação nestes casos, permite a utilização de créditos com regras próprias que ocorrer por meio de custos de depreciação. Portanto para os produtos deste tópico correto a glosa realizada pela fiscalização. a4) Lubrificantes, inibidor de corrosão, anticogelante propilenogclicol e polímero utilizado no tratamento de água Os produtos constantes deste tópico estão diretamente ligados as atividades de manutenção de máquinas e equipamentos do processo produtivo. Ao meu sentir, tais despesas são vinculadas ao processo produtivo e aptas a serem creditadas na apuração do valor devido das contribuições. a5) Despesas com Operador Logístico As movimentações de carga tanto de produtos dentro do processo produtivo, e de produtos em elaboração e acabados são atividades intrínsecas as atividades fabris. Dentro do conceito de insumo utilizado neste voto, entendo que os custos referentes a movimentação de carga e produtos acabados, mesmo quando realizados por terceiros, desde que pessoas jurídicas, são despesas referentes ao processo produtivo e aptas a gerar créditos na apauração das contribuições não cumulativas. b) Produtos para movimentação de cargas e embalagens, pallets utilizados no transporte interno de produtos e/ ou como embalagem de proteção, no transporte dos produtos vendidos A Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais debateu a matéria em recente decisão prolatada na sessão de 12/12/2017 no Acórdão 9303006.068, que decidiu pela possibilidade de creditamento das operações referentes a movimentação de carga, pallets e embalagens. Por concordar com a posição adotada na Terceira Turma, peço vênia para adotar Fl. 13421DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 18 33 quanto a esta matéria o voto do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas e fazer dele as minhas razões de decidir quanto a esta matéria. A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Fl. 13422DF CARF MF 34 Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matériasprimas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matérias primas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS nãocumulativos. Com relação a esse item, essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu decisão em casos análogos, nos processos administrativos nºs 10925.720046/201212 e 10925.720686/201222, na sessão realizada, em que receberam a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito DO PIS/COFINS. PIS/COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA. Após a alteração veiculada pela Lei nº 12.865, de 2013, expressamente interpretativa, indiscutivelmente, os insumos da indústria alimentícia que processem produtos de origem animal classificados Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, adquiridos de não contribuintes farão jus ao crédito presumido no percentual no percentual de 60% do que seria apurado em uma operação tributada. Fl. 13423DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 19 35 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS As leis instituidoras da sistemática nãocumulativa das contribuições PIS e COFINS, ao exigirem apenas que os insumos sejam utilizados na produção ou fabricação de bens, não condicionam a tomada de créditos ao "consumo" no processo produtivo, entendido este como o desgaste em razão de contato físico com os bens em elaboração. Comprovado que o bem foi empregado no processo produtivo e não se inclui entre os bens do ativo permanente, válido o crédito sobre o valor de sua aquisição. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Nos termos do § 4º do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes". Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. REP Provido em Parte e REC Provido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial aos recursos especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo, nos seguintes termos: I) recurso especial da Fazenda Nacional: a) limpeza e desinfecção: por maioria, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto; b) embalagens utilizadas para transporte: por maioria em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Carlos Alberto Freitas Barreto; c) despesas de períodos anteriores: por maioria, em negar provimento. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; d) serviços de lavagem de uniformes: pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e) percentual de crédito presumido: por unanimidade, em negar provimento; f) juros sobre multa de ofício: por maioria, em dar provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e II) recurso especial do sujeito passivo: Fl. 13424DF CARF MF 36 a) indumentária: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto; e b) pallets: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designados para redigir os votos vencedores o Conselheiro Júlio César Alves Ramos em relação às letras "a", “b” e “c” do item I e letra “b” do item II; e o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho em relação à letra a do item II. (grifouse) Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. c) Dos bens e serviços utilizados como insumos Contabilizados em contas contábeis que não geram créditos Para este item tanto o relatório fiscal que serviu de base para a exigência, quanto a decisão da primeira instância deixaram claro que as contas contábeis apresentadas pela Recorrente não correspondem a bens aptos a gerar créditos e caso a recorrente tenha cometido equívocos em alocar despesas nestas contas contábeis deveria deixar claro tais equívocos comprovados por meio de documentos fiscais e contábeis. Fl. 13425DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 20 37 No recurso voluntário a Recorrente volta a defender que as contas contábeis glosadas pela Fiscalização corresponderiam a produtos que possibilitassem o direito creditório e cita especificamente duas contas "3350576 PRD DIFERENÇAS DE PREÇOS MATERIAL IMPRODUTIVO" e "1970674 TRANSITÓRIA TIVO PERMANENTE DESEMB DE IMPORTAÇÃO". Para a primeira conta contábil afirma que podem existir equívocos e como tal situação foi aventada pela Fiscalização e também pela decisão da DRJ caberia a Autoridade Fiscal verificar tais equívocos, entendo que não pode prosperar o pleito da Recorrente, conforme bem detalhado no relatório fiscal e na decisão da primeira instância a obrigação de justificar os créditos é da Recorrente e caso existam equívocos na alocação de despesas em contas contábeis cabe a Recorrente demonstrar de forma clara e comprovada tais equívocos para fazer jus a tais créditos. Como tal procedimento não foi adotado pela Recorrente, não existe reparo a ser feito na decisão da DRJ. Quanto a segunda conta a Recorrente pede que seja permitida a utilização de créditos referentes a despesas aduaneiras de desembaraço de importação, entendo que tais despesas não estão vinculadas ao processo produtivo da Recorrente, tratamse de despesas referentes a trâmites necessário para a importação de produtos e não estão vinculadas ao processo produtivo, portanto não podem ser utilizadas para auferir créditos na apuração das contribuições. d) Dos bens e serviços utilizados como insumos aquisição de pessoas físicas A Recorrente pede que seja afastada todas as glosas referentes as aquisições de pessoas físicas. Neste ponto é mister ressaltar que a legislação veda o aproveitamento de crédito referente a aquisição de pessoas físicas, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. A Recorrente pede subsidiariamente, para que caso não seja considerada a integralidade dos créditos referentes a aquisição de pessoas físicas, seja considerado o crédito presumido referente as estas operações, nos termos previstos no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Entretanto, pelo que se apresenta nos autos a Recorrente apresentou discussão quanto a Fl. 13426DF CARF MF 38 aplicação de alíquotas referentes ao crédito presumido, que serão enfrentados em momento posterior deste voto. e) Dos serviços utilizados como insumos aquisições sob CFOP que não geram créditos A Fiscalização glosou despesas referentes a aquisições referente a sete CFOP que não dariam direito ao crédito: CFOP 1407 (Compra de mercadoria para uso ou consumo cuja mercadoria esta sujeita ao regime de substituição tributária), CFOP 1551 (Compra de bem para o ativo imobilizado), CFOP 1556 (Compra de material para uso ou consumo), CFOP 1949 (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada), CFOP 2303 (Aquisição de serviço de comunicação por estabelecimento comercial), CFOP 2407 (Compra de mercadoria para uso ou consumo cuja mercadoria está sujeita ao regime de substituição tributária) e CFOP 2556 (Compra de material para uso ou consumo). Para as aquisições de produtos com substituição tributária, entendo que a legislação exige a tributação do PIS e da COFINS na etapa anterior, nestes casos tal tributação não existe. Assim, nas operações que envolvem produtos com substituição tributária não é possível a fruição de créditos. Quanto as outras operações citadas neste tópico, entendo que a glosa baseada unicamente nos códigos de CFOP pode ser utilizada como razão para glosa, entretanto é possível que em determinadas operações seja possível o creditamento destas despesas. Neste caminho caberia a Recorrente detalhar os produtos destes itens que seriam utilizadas no processo produtivo. Neste ponto o recurso voluntário cita especificamente as despesas com água e esgoto. A partir do conceito de insumo utilizado neste voto, conforme detalhado alhures, entendo que são aptos a gerar créditos as despesas referentes água utilizada na linha de produção exclusivamente, cabendo a Recorrente fazer as provas necessárias para comprovar os gastos com água utilizada na linha de produção. Quanto aos demais itens, em que pese o relatório de diligência fiscal e as manifestações da Recorrente, os produtos que estão abarcados na atividade de manutenção de equipamentos já foi abordado em item anterior deste voto e aqueles que por força da legislação devem ser incluídos no ativo podem ser objeto de créditos, mas dentro das regras legais para créditos sobre bens do ativo. Portanto neste tópico somente são admitidos os créditos referentes as despesas com água e esgoto utilizados na linha de produção, cabendo a Recorrente fazer as provas necessárias para comprovar estes gastos. f) Dos fretes de produtos acabados e/ou fretes de matéria prima Quanto as glosas de frete, a Recorrente afirma como possíveis de gerar créditos, as despesas de frete para transporte de matérias primas e de produtos acabados entre seus estabelecimentos. As diversas situações em que o custo de frete é utilizado nas atividades empresariais demonstra a dificuldade em definir quando estes custos são possíveis de gerar créditos na apuração do PIS e da Cofins. Intensa tem sido a discussão neste Conselho sobre a Fl. 13427DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 21 39 matéria, exigindo a manifestação para cada um dos tipos de frentes pleiteados no recurso pela Recorrente. Quanto a primeira hipótese de frete pretendida pela Recorrente, entendo que o transporte de matérias primas compõe o custo destas mercadorias e sendo suportado pela Recorrente podem ser utilizados para auferir créditos. Quanto a segunda hipótese do transporte de produtos acabados entre estabelecimentos. Segundo a Recorrente estão associados ao transporte de produtos entre as unidades fabris e os centros de distribuição. Para está matéria, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, em recente julgado, entendeu por considerar como possíveis de gerar créditos as despesas de frente de produtos acabados entre estabelecimentos da empresas. A decisão da CSRF no Acórdão 9303005.15 foi assim ementada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. Fl. 13428DF CARF MF 40 PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Transcrevo a seguir trecho do voto condutor do Acórdão da CSRF referente aos frete de produtos acabados entre estabelecimentos que peço vênia para incluir no meu voto e fazer dele minhas razões de decidir. Em relação ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, que ressurgiu com a discussão acerca do direito ao crédito de PIS e de Cofins sobre as despesas com fretes de transferência de produtos acabados entre os seus estabelecimentos, entendo que lhe assiste razão. Eis que os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: ∙ Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; ∙ Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; ∙ O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: ∙ A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o Fl. 13429DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 22 41 sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; ∙ A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Dessa forma, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. Portanto, quanto a discussão sobre frente, assiste razão à Recorrente no direito creditório referente as despesas de frete no transporte de matériaprima e de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. g) Das aquisições sujeitas à alíquota zero ou com tributação suspensa Quanto as aquisições sujeitas à suspensão ou alíquota zero, a legislação é clara em vedar a apropriação de créditos, cujas operações anteriores não sofreram a incidência das contribuições. O art. 3º, § 2º, II da Lei nº 10.833/2003, traz o diploma que veda tais créditos. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em Fl. 13430DF CARF MF 42 produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(grifo nosso) Assim, correta a glosa realizada pela Fiscalização. h) Das despesas de aluguéis de granja A discussão neste item restringese ao aluguel de granjas em área rural. A Fiscalização entendeu que a previsão legal para créditos nas despesas de aluguel restringese a prédios e máquinas e o aluguel de áreas rurais não estão previstas na legislação. A Recorrente pede a aplicação de um conceito mais extensivo da legislação abarcando também o aluguel de granjas que estariam ligadas ao processo produtivo da Recorrente. Entendo como correta a posição da Fiscalização, não vejo possibilidade de estender a previsão legal para os créditos referentes as despesas com aluguel de prédios e máquinas não estando incluídas nesta previsão legal o aluguel de granjas. Assim correta a glosa realizada. i) Crédito extemporâneo referente a despesas de armazenagem e frete nas operações de venda A decisão da DRJ quanto a está matéria manteve a posição da Fiscalização que entendeu ser possível a utilização de créditos extemporâneo desde que exista a informação dos créditos na DACON correspondente ao período em que os créditos foram apurados. A Recorrente defende que tal exigência não seria necessária para utilização dos créditos. A matéria foi enfrentada pela Terceira Turma da Câmara Superior no Acórdão 9303004.562, onde foi decidido pela possibilidade da utilização dos créditos extemporâneos. O voto vencedor do Acórdão da lavra do Conselheiro Charles Mayer de Castro detalha a posição adotada pela maioria da turma e por concordar com a posição adotada pela Câmara Superior, peço vênia para incluir o voto condutor do Acórdão e fazer dele as minhas razões de decidir quanto a esta matéria. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Com a devida vênia, discordamos do il. Relator. Já defendíamos na Câmara baixa, nada obsta que o contribuinte possa, em determinado trimestrecalendário, aproveitarse de crédito de PIS/Cofins não aproveitado em trimestrescalendários anteriores. Como as razões do nosso convencimento coincidem com o adotado no Acórdão nº 3202001.617, de 19/03/2014, proferido Fl. 13431DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 23 43 pela 2ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em julgamento do qual participamos, passamos a transcrever o voto do seu relator, o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, adotandoo como o fundamento da nossa divergência: "Para a DRJ, o entendimento da fiscalização foi correto, pois na sua ótica era inadmissível apurar créditos extemporâneos sem retificar os DACONs e DCTFs anteriores. Eis suas palavras: CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA DACON. A apuração extemporânea de créditos só admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, em especial as DCTF e os Dacon. No entanto, em janeiro de 2015, nossa Turma julgou que é possível, sim, o desconto de créditos extemporâneos de PIS/COFINS nãocumulativos, no julgamento do PAF nº 12585.000064/200911 (somente ficou vencida a douta ConselheiraPresidente, Irene Souza da Trindade Torres Oliveira). Com efeito, as Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Igualmente, no “Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – (EFDPIS/ Cofins)”, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, há previsão expressa de o contribuinte lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Observese: 2.5 BLOCOS DO ARQUIVO Entre o registro inicial e o registro final, o arquivo digital é constituído de blocos, referindose cada um deles a um agrupamento de documentos e outras informações. 2.5.1 Tabela de Blocos BlocoDescrição 0Abertura, Identificação e Referências ADocumentos Fiscais Serviços (ISS) CDocumentos Fiscais I – Mercadorias (ICMS/IPI) DDocumentos Fiscais II – Serviços (ICMS) F Demais Documentos e Operações Fl. 13432DF CARF MF 44 M Apuração da Contribuição e Crédito de PIS/PASEP e da COFINS 1Complemento da Escrituração – Controle de Saldos de Créditos e de Retenções, Operações Extemporâneas e Outras Informações 9Controle e Encerramento do Arquivo Digital [...] As sobreditas previsões no DACON e na EFD buscam cumprir o disposto no art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, segundo o qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Além disso, é preciso frisar que a única consequência legal para o preenchimento incorreto do DACON são as multas previstas no art. 7º Lei nº 10.426/2002. Confirase: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 13433DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 24 45 I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; e IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. § 4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. § 5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 6º No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON Fl. 13434DF CARF MF 46 ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo." Como se vê, o art. 7º Lei nº 10.426/2002 prevê, apenas, multa em caso de incorreções no DACON e a intimação do contribuinte para corrigilas, de modo a reduzir tais sanções. Não há, por conseguinte, previsão legal para glosar os créditos da não cumulatividade por eventuais equívocos no DACON. Pelo mesmo raciocínio, não é possível indeferir o PER pelo simples fato deste abranger mais de um trimestre, em decorrência da apuração extemporânea, permitida, dos créditos pelo contribuinte. Acrescentese, ainda, que o referido crédito tem por fundamento o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 c/c art. 16 da Lei n° 11.116/2005, podendo ser utilizado tanto na dedução da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno, quanto na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB, observada a legislação específica. Eis os seus termos: (Lei n° 11.033/2004) Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (Lei n° 11.116/2005) Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Fl. 13435DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 25 47 Em tais créditos, colhase os seguintes precedentes do CARF julgados à unanimidade: Processo nº 16349.000033/200814 Relator JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Sessão de 24/07/2014 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO. O aproveitamento de crédito presumido da COFINS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as agroindústrias, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas. COFINS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. O art. 16, da Lei nº 11.116/2005, autoriza a utilização dos créditos do PIS e COFINS nãocumulativos se eles tiverem sido acumulados em razão das vendas dos produtos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/COFINS. [Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente)]. *** Processo 15586.001201/201048 Relator JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/09/2008 CUSTOS DE PRODUÇÃO. CRÉDITOS. Os custos incorridos com serviços de desestiva/produção (descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matériasprimas no armazém alfandengado), geram créditos dedutíveis da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou passíveis de ressarcimento. Fl. 13436DF CARF MF 48 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. SALDO TRIMESTRAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. De acordo com o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833, de 2003, o crédito de um determinado mês pode ser utilizado nos meses subsequentes, e o fato da Lei nº 11.116/2005, autorizar o ressarcimento do saldo de créditos somente no término do trimestre, não quer dizer que não poderão ser aproveitados créditos apurados em outros trimestres. Recurso Voluntário Provido [Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.] Ademais, é dever da fiscalização apurar os créditos e os débitos nos tributos nãocumulativos, refazendo se for o caso cálculos efetuados pelo contribuinte, na forma da legislação tributária. Não pode a fiscalização indeferir o ressarcimento ou glosar os créditos nãocumulativos, por alegado vício formal no preenchimento das obrigações acessórias, sem sequer intimar o contribuinte para retificar os supostos equívocos nem examinar se os créditos procedem ou não, deixando indevidamente de corrigir, de ofício, os erros eventualmente cometidos pelo contribuinte. Acolho, nessa linha, o mesmo entendimento firmado sobre a matéria pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em 01/09/2011, no PAF. nº 13981.000184/200495, cujo Voto da lavra do Ilmo. Conselheiro EMANUEL ASSIS transcrevo abaixo, integrandoo a minha fundamentação: Para mim, na situação em tela não há necessidade de a contribuinte retificar o Dacon antes, para somente após aproveitar os créditos em período seguinte. No curso de uma fiscalização ou diligência, constatado incongruência nos dados do Dacon (ou de outra declaração entregue pelos contribuintes, inclusive a DCTF), os cálculos do tributo devido devem ser refeitos de modo a resultar em lançamento de ofício ou em proveito do sujeito passivo. Na hipótese de incongruência favorável ao contribuinte nada impede que a administração tributária adote as providências cabíveis, dispensandose exigências que podem ser supridas por ato da própria administração. É o que se dá no caso sob análise, já que o processamento do Dacon pode ser refeito pela RFB. Para tanto basta instituir controles nos sistemas eletrônicos, a registrar a alteração feita. Não me parece razoável que, após a contribuinte explicar a apuração do crédito em período seguinte e requerer o aproveitamento extemporâneo, dentro do prazo decadencial, sem que haja dúvida sobre o direito alegado este lhe seja negado sob a justificativa de não ter sido retificada previamente uma obrigação acessória. O fato de o Dacon não ter sido retificado há de ser relevado, por não haver dúvida quanto ao crédito correspondente às aquisições das notas fiscais acima mencionadas. Fl. 13437DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 26 49 Na linha da interpretação ora adotada, já existe, inclusive, decisão de Superintendência da RFB dizendo da desnecessidade de retificação de DCTF, em hipótese que se afigura semelhante à presente situação. Refirome à Solução de Consulta da Disit da 3ª RF nº 35, de 30/08/2005, com o seguinte teor, verbis: ASSUNTO: Obrigações Acessórias EMENTA: COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. A compensação de créditos tributários declarados como saldos a pagar na DCTF com créditos apurados em eventos supervenientes ao período de apuração daqueles créditos tributários obriga o sujeito passivo à entrega de Declaração de Compensação, sendo desnecessária a entrega de DCTF retificadora que tenha por fim informar a compensação efetuada. DCTF é confissão relativa e que a RFB não pode têla como definitiva, omitindose de realizar a diligências necessárias à apuração na contabilidade e escrita fiscal. Pelos fundamentos acima, e levando em conta o § 4º do art. 3º, tanto da Lei nº 10.637/2002 (PIS) quanto da Lei nº 10.833/2003 (Cofins), segundo o qual o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, dou provimento parcial para admitir os créditos relativos às aquisições das notas fiscais de fornecedores anexadas à Manifestação de Inconformidade e aproveitadas no mês seguinte ao de emissão." Forte nessas razões, entendo que ao recurso especial interposto pela Procuradoria devese negar provimento. Portanto, assiste razão à Recorrente quanto ao aproveitamento dos créditos extemporâneos. j) Dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado adquiridos em data anterior a 01/05/2004 O art. 31 da Lei nº 10.685/2004 veda de forma expressa o desconto de créditos referentes a depreciação ou amortização de bens e direitos do ativo imobilizado adquiridos em data anterior a 30 de abril de 2004. Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. Fl. 13438DF CARF MF 50 A Recorrente alega que a matéria foi objeto de julgamento pelo Poder Judiciário em que teria sido decidido pela inconstitucionalidade da vedação prevista no art. 31 da Lei nº 10.685/2004. Entretanto, a decisão esta submetida a repercussão geral e não possui um posicionamento definitivo que possa afetar os julgamento deste colegiado, visto a impossibilidade no âmbito do CARF de discutir constitucionalidade de lei tributária. Diante da vedação legal, não pode prosperar a pretensão da Recorrente em aproveitar créditos referentes a depreciação de bens do ativo imobilizado que foram adquiridos em data anterior a 30/04/2004. k) Dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado A Fiscalização realizou glosas referentes a depreciação de bens do ativo imobilizado, utilizando duas situações distintas. A primeira diz respeito a impossibilidade, segundo a Fiscalização, da Recorrente utilizar a depreciação no prazo de 48 meses para edificações e benfeitorias, sendo necessário que o prazo seja de 300 meses conforme normas da Receita Federal. O segundo motivo para parte das glosas, diz respeito a falta de identificação das máquinas e equipamento, impossibilitando a identificação dos bens submetidos a depreciação. As motivações para as glosas deste tópico, foram assim descritas no Relatório Fiscal. A planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 1”, apresentada pelo contribuinte, relacionou itens relativos a edificações e benfeitorias de seu ativo imobilizado (Fab Óleo Soja Toledo, Fabr.Linguiças Duque, GJ Matr Fgo Prod CV, entre outros) e que foram depreciadas em 48 meses para fins de crédito de PIS/COFINS. Nesses casos, foram apuradas as diferenças entre as depreciações calculadas pelo contribuinte (em 48 meses) e a depreciação correta, conforme o disposto na IN SRF nº 162/1998 (prazo de 300 meses para edificações e benfeitorias) e foram glosadas as diferenças. A planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 2”, apresentada pelo contribuinte, relacionou diversos outros bens, máquinas e equipamentos incorporados ao seu ativo imobilizado e depreciados em 48 meses. Nesta planilha foram identificados diversos itens relacionados a materiais de construção utilizados em edificações e benfeitorias (TIJOLO FURADO 6 FUROS, Telha P.P. G. 0,5 7800mm Ral 9003, CIMENTO CP II 32, entre outros) e que também foram depreciados pelo contribuinte à razão de 1/48 avos para cada mês, em desacordo com a legislação. As diferenças em relação à depreciação normal de 300 meses para estes itens foram glosadas. Já, a planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 3”, apresentada pelo contribuinte, relacionou diversos itens de seu ativo imobilizado também depreciados em 48 meses. Porém, nessa planilha não há nenhuma descrição ou identificação dos bens que estão sendo depreciados à razão de 1/48 (um quarenta Fl. 13439DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 27 51 e oito avos) por mês. Assim, foi o contribuinte novamente ntimado, através do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 005/00555 (fls. 2388 e seguintes) a informar a descrição detalhada desses bens que estão sendo depreciados, sob pena de glosa dos créditos associados.. No recurso voluntário, a Recorrente alega que a legislação não determina que a depreciação ocorra no prazo de 48 meses, sendo uma faculdade a ser utilizada pelo Contribuinte e não faz nenhuma alegação quanto a ausência de descrição das máquinas e equipamentos. A possibilidade de utilização de um prazo menor para depreciação foi prevista no art. 3º, § 14º da Lei nº 10.833/2003 § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(grifo nosso) A lei de forma clara permite a depreciação no prazo menor, somente as aquisições de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. As glosas promovidas pela Fiscalização tratam da aplicação do prazo menor de depreciação relativos a edificações e benfeitorias, que não estão previstas na legislação. Assim, correta a glosa realizada pela Autoridade Fiscal. Em relação a segunda motivação para as glosas de depreciação. A Recorrente não questionam o entendimento adotado pela Fiscalização, não sendo apresentado nenhum documento ou informação que pudesse levar a efetiva individualização e identificação de parte dos bens que a Recorrente pretende auferir créditos. Portanto, nesta matéria não existindo uma alegação especifica contra o trabalho fiscal, as glosas devem ser mantidas nos termos apurados pela Fiscalização. l) Dos créditos presumidos Quanto a esta matéria a Recorrente pede que seja utilizado as alíquotas de que trata a Lei 10.925/2004, em relação aos bens produzidos e não aos adquiridos. A matéria foi resolvida com a redação adotada no § 10º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, que ficou assim redigido. Fl. 13440DF CARF MF 52 " Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e Fl. 13441DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 28 53 II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5o Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. ... § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013)"(grifo nosso) A observação do texto legal deixa sedimentado que o percentual a ser aplicado é de 60% (sessenta por cento) aos insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004. m) Das despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos Consta do art. 3º, IV da Lei nº 10.833/2003 a permissão para utilização de créditos referentes as despesas de aluguel de máquinas e equipamentos. In verbis. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... Fl. 13442DF CARF MF 54 IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; A determinação legal não restringiu a utilização dos créditos somente as máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. A premissa legal é que as máquinas e equipamentos sejam utilizados nas atividades da empresa. Entendo, que o conceito de atividades da empresa não implica na necessidade de que sejam os bens locados utilizados no processo produtivo. As exigências da norma exigem o pagamento a pessoa jurídica e a utilização nas atividades da empresa. Portanto, para esta matéria assiste razão aos argumentos da Recorrente, devendo ser afastada as glosas referentes as despesas com alugueis de máquinas e equipamentos pagos a pessoa jurídica. n) Dos fretes prestados por pessoas física e fretes na operação de venda Quanto aos fretes prestados por pessoas física a legislação exige que os custos referentes a prestação de serviços sejam de pessoa jurídica. Assim, não assiste razão a Recorrente quanto a esta matéria. A Recorrente também pede o aproveitamento de fretes referente as operações de venda. A legislação permite o aproveitamento de tais despesas, entretanto, a negativa do aproveitamento dos créditos pela fiscalização se deu pela ausência de comprovação documental dos valores e serviços supostamente vinculados ao frete na operação de venda. Neste ponto, o recurso voluntário não logrou comprovar a efetiva despesa com fretes na operação de venda. Destarte as glosas realizadas deve ser mantida. o) Glosa créditos de Notas Fiscais de aquisição para revenda Quanto aos insumos agrícolas, a Fiscalização identificou que a Recorrente auferiu créditos presumidos referentes a aquisição de insumos agrícolas de pessoas físicas com base no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro Fl. 13443DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 29 55 de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Nos termos do relatório fiscal, foram glosados aquisições de produtos referentes a Notas Fiscais de produtos adquiridos para revenda. Nos termos previstos na legislação o crédito presumido referese a produtos adquiridos para industrialização. Em que pese os argumentos constantes do recurso voluntário, que tais produtos fariam parte do processo produtivo da Recorrente, não foram trazidos elementos no recurso voluntário que pudessem contrapor a afirmação do despacho decisório que listou produtos cujas Notas fiscais constavam que os produtos foram adquiridos para revenda. Portanto, nesta matéria não assiste razão ao recurso. p) Das despesas referentes à energia elétrica e energia térmica Foram glosados pela Fiscalização os valores relativos as despesas com serviços de gerenciamento de energia elétrica e agenciadora de energia elétrica e despesas com serviço de medição de motores elétricos. Os argumentos da Fiscalização caminham no sentido de que os serviços de gerenciamento e agenciamento não constituem consumo de energia elétrica. Sem dúvida os serviços referentes a agenciamento e gerenciamento não correspondem a consumo de energia elétrica, entretanto, é inequívoco que tais despesas estão vinculadas a energia elétrica e portanto, ao meu sentir, também estão aptas a gerar créditos na apuração das contribuições não cumulativas. Assim, nesta matéria cabe razão aos argumentos do recurso. Por fim, consta do recurso, diversas alegações de ofensa a princípios constitucionais. Quanto a esta matéria, este colegiado esta impedido de se manifestar, diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para acatar a possibilidade de se apurar créditos de PIS e da COFINS não cumulativos referente a uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização; análises laboratoriais; lubrificantes, inibidor de corrosão, anticogelante propilenogclicol e polímero utilizado no tratamento de água; despesas com operador logístico; produtos para movimentação de cargas e embalagens, pallets utilizados no transporte interno de produtos e/ ou como embalagem de proteção, no transporte dos produtos vendidos; fretes de produtos acabados e fretes de matéria prima; crédito extemporâneo referente a despesas de Fl. 13444DF CARF MF 56 armazenagem e frete nas operações de venda; dos créditos presumidos alíquota; das despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos; das despesas referentes à gerenciamento e medição de energia elétrica. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Voto Vencedor Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior Na condição de Redator Designado para o Voto Vencedor, no que se refere exclusivamente à possibilidade de apropriação de créditos decorrentes do aluguel de granja na sistemática não cumulativa de apuração do PIS e da COFINS, passo a expor a fundamentação pertinente. A discussão neste item restringese ao aluguel de granjas em área rural. A Fiscalização entendeu que a previsão legal para créditos nas despesas de aluguel restringese a prédios e máquinas e o aluguel de áreas rurais não estão previstas na legislação. Nos termos do inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/03 no caso da COFINS, bem como o inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637/02 para o PIS, resta autorizada a apropriação de créditos sobre alugueis de prédios utilizados nas atividades da empresa: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Em que pese o entendimento do nobre Relator no sentido de que o aluguel de áreas rurais não estão previstas na legislação, devese entender que as granjas devem ser entendidas no conceito de "prédios" "utilizados nas atividades da empresa" adotado pela legislação. Não obstante, é possível identificar o conceito de "prédio rural" trazido pelo Estatuto da Terra (Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964.): Art. 4º Para os efeitos desta Lei, definemse: I " Imóvel Rural", o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada; Fl. 13445DF CARF MF Processo nº 10925.902583/201289 Acórdão n.º 3301005.015 S3C3T1 Fl. 30 57 Por pertinente, trago a Solução de Consulta COSIT nº 331, de 21 de junho de 2017, que aborda tanto a questão do bem imóvel, compreendido além da definição leiga de prédio edificado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPEMENTA: REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. A pessoa jurídica submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS/Pasep pode descontar créditos sobre aluguéis de prédios pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, desde que obedecidos todos os requisitos e as condições previstos na legislação. A remuneração paga pelo arrendatário em relação ao bem arrendado é denominada de aluguel, representando a retribuição pelo uso e gozo do bem imóvel. A Lei nº4.504, de 30 de novembro de 1964 (Estatuto da Terra), e a Lei nº8.629, de 25 de fevereiro de 1993, definem "imóvel rural" como sendo o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada. É princípio geral de hermenêutica que onde a lei não distingue não cabe ao intérprete distinguir. Desta forma, o conceito de prédio contido no inciso IV do art. 3ºda Lei nº10.637, de 2002, engloba tanto o prédio urbano construído como o prédio rústico não edificado. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso IV; Lei nº4.504, de 1964 (Estatuto da Terra); Lei nº8.629, de 1993; Decreto nº59.566, de 1966, art. 3º; e Decreto nº4.382, de 2002, art. 9º. Notase que que o conceito de prédio albergado pela legislação tributária vai muito além do edifício, abrangendo tudo aquilo que, por natureza ou por acessão, seja bem imóvel destinado às atividades do locatário, inclusive o chamado bem imóvel rural rústico. Pelo exposto, entendo que os prédios destinados às granjas e locadas pela Recorrente, evidentemente utilizadas na atividade da empresa, são considerados prédios para fins de apuração do crédito do PIS e da COFINS não cumulativos, nos exatos termos dos incisos IV dos arts. 3º das Leis nº 10.833/03 e Lei nº 10.637/02, uma vez que a legislação não faz qualquer distinção quanto à serem tais prédios urbanos ou rurais. É como voto, para dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, apenas para conceder a possibilidade de se apurar créditos de PIS e da COFINS não cumulativos referente as despesas de aluguel de granjas. (assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Junior Fl. 13446DF CARF MF 58 Fl. 13447DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721204/2013-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. VICIO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. QUESTÃO DE MÉRITO.
As causas de nulidade do auto de infração estão relacionadas quer ao descumprimento dos requisitos para a formação do ato administrativo quer à incompetência da autoridade ou ainda, em se tratando de despachos e decisões, à preterição ao direito de defesa. Há vício na formação do ato administrativo quando este não indica a fundamentação para a cobrança. Todavia, quando tal fundamentação existe e o que se pretende é concluir por sua não aplicação ao caso concreto, a questão não é de nulidade mas de mérito, devendo-se concluir pela procedência ou improcedência do auto de infração.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCONSIDERAÇÃO DOS EFEITOS DA POSTERGAÇÃO. NECESSIDADE DE QUE SEJA CUMPRIDA A MESMA OBRIGAÇÃO.
O instituto da postergação, como se extrai do art. 273 do RIR/99, pressupõe a inobservância do regime de competência. Postergar significa atrasar, deixar de cumprir uma obrigação no prazo, sendo elemento essencial desta conduta a intenção de posteriormente adimplir a mesma obrigação. Daí porque somente se cogita de postergação quando a prestação é entregue, embora com atraso. No caso em que há o pagamento de tributos motivado por situação de fato diversa da que motivou a autuação não se pode concluir que esta resta viciada por desconsiderar os efeitos da postergação.
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO O GANHO DE CAPITAL.
Os negócios jurídicos que se integram na incorporação de ações ocorrem em razão de manifesta deliberação dos sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembléias, nos termos do artigo 252 da Lei n° 6.404/76; portanto, são os acionistas que determinam os valores pelas quais as operações serão realizadas (observadas as prescrições legais tendentes a proteger acionistas minoritários) de modo que se a operação de subscrição realizar-se por valor superior ao valor contábil, haverá apuração de ganho de capital tributável.
DESMUTUALIZAC¸A~O CETIP. DEVOLUC¸A~O DE PATRIMO^NIO DE ASSOCIAC¸A~O. CISA~O COM VERSA~O DO PATRIMO^NIO PARA SOCIEDADE ANO^NIMA. TRIBUTAC¸A~O DO GANHO DE CAPITAL.
Na~o se pode cogitar de aplicac¸a~o do MEP aos ti´tulos patrimoniais das associac¸o~es, porque sequer inexiste investimento do associado. Este contribuiu para formar o capital da associac¸a~o sem qualquer interesse econo^mico. Pore´m, ao fim e ao cabo, essa associac¸a~o isenta acumulou supera´vits ao longo dos anos. Posteriormente, em decorre^ncia da extinc¸a~o dessa entidade sem fins lucrativos, uma vez convertida em sociedade ano^nima, os associados tornaram-se acionistas, auferindo um acre´scimo de seu patrimo^nio em raza~o da aquisic¸a~o do direito aos resultados na~o tributados da entidade isenta, obtidos antes de se transformar em sociedade ano^nima. Esses resultados foram adicionados ao valor patrimonial dos ti´tulos de cada associado, refletindo-se no valor das ac¸o~es recebidas da pessoa juri´dica com fins lucrativos enta~o criada, o que na~o e´ compati´vel com a pretensa~o do recorrente de se livrar do cre´dito tributa´rio correspondente ao ganho auferido.
INCORPORAC¸A~O DE AC¸O~ES. TRIBUTAC¸A~O O GANHO DE CAPITAL.
Os nego´cios juri´dicos que se integram na incorporac¸a~o de ac¸o~es ocorrem em raza~o de manifesta deliberac¸a~o dos so´cios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assemble´ias, nos termos do artigo 252 da Lei n° 6.404/76; portanto, sa~o os acionistas que determinam os valores pelas quais as operac¸o~es sera~o realizadas (observadas as prescric¸o~es legais tendentes a proteger acionistas minorita´rios) de modo que se a operac¸a~o de subscric¸a~o realizarse por valor superior ao valor conta´bil, havera´ apurac¸a~o de ganho de capital tributa´vel.
MULTA ISOLADA - DECADÊNCIA
A multa isolada deve ser constituída uma vez caracterizado o não recolhimento de estimativas e o prazo decadencial inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, em razão de se submeter tipicamente à modalidade direta e não ao lançamento por homologação.
Numero da decisão: 1401-002.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em relação à infração 1 (incorporação de ações), por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga, que davam provimento integral. Em relação à infração 2 (desmutualização), por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Leticia Domingues Costa Braga, que davam provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. VICIO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. QUESTÃO DE MÉRITO. As causas de nulidade do auto de infração estão relacionadas quer ao descumprimento dos requisitos para a formação do ato administrativo quer à incompetência da autoridade ou ainda, em se tratando de despachos e decisões, à preterição ao direito de defesa. Há vício na formação do ato administrativo quando este não indica a fundamentação para a cobrança. Todavia, quando tal fundamentação existe e o que se pretende é concluir por sua não aplicação ao caso concreto, a questão não é de nulidade mas de mérito, devendo-se concluir pela procedência ou improcedência do auto de infração. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCONSIDERAÇÃO DOS EFEITOS DA POSTERGAÇÃO. NECESSIDADE DE QUE SEJA CUMPRIDA A MESMA OBRIGAÇÃO. O instituto da postergação, como se extrai do art. 273 do RIR/99, pressupõe a inobservância do regime de competência. Postergar significa atrasar, deixar de cumprir uma obrigação no prazo, sendo elemento essencial desta conduta a intenção de posteriormente adimplir a mesma obrigação. Daí porque somente se cogita de postergação quando a prestação é entregue, embora com atraso. No caso em que há o pagamento de tributos motivado por situação de fato diversa da que motivou a autuação não se pode concluir que esta resta viciada por desconsiderar os efeitos da postergação. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO O GANHO DE CAPITAL. Os negócios jurídicos que se integram na incorporação de ações ocorrem em razão de manifesta deliberação dos sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembléias, nos termos do artigo 252 da Lei n° 6.404/76; portanto, são os acionistas que determinam os valores pelas quais as operações serão realizadas (observadas as prescrições legais tendentes a proteger acionistas minoritários) de modo que se a operação de subscrição realizar-se por valor superior ao valor contábil, haverá apuração de ganho de capital tributável. DESMUTUALIZAC¸A~O CETIP. DEVOLUC¸A~O DE PATRIMO^NIO DE ASSOCIAC¸A~O. CISA~O COM VERSA~O DO PATRIMO^NIO PARA SOCIEDADE ANO^NIMA. TRIBUTAC¸A~O DO GANHO DE CAPITAL. Na~o se pode cogitar de aplicac¸a~o do MEP aos ti´tulos patrimoniais das associac¸o~es, porque sequer inexiste investimento do associado. Este contribuiu para formar o capital da associac¸a~o sem qualquer interesse econo^mico. Pore´m, ao fim e ao cabo, essa associac¸a~o isenta acumulou supera´vits ao longo dos anos. Posteriormente, em decorre^ncia da extinc¸a~o dessa entidade sem fins lucrativos, uma vez convertida em sociedade ano^nima, os associados tornaram-se acionistas, auferindo um acre´scimo de seu patrimo^nio em raza~o da aquisic¸a~o do direito aos resultados na~o tributados da entidade isenta, obtidos antes de se transformar em sociedade ano^nima. Esses resultados foram adicionados ao valor patrimonial dos ti´tulos de cada associado, refletindo-se no valor das ac¸o~es recebidas da pessoa juri´dica com fins lucrativos enta~o criada, o que na~o e´ compati´vel com a pretensa~o do recorrente de se livrar do cre´dito tributa´rio correspondente ao ganho auferido. INCORPORAC¸A~O DE AC¸O~ES. TRIBUTAC¸A~O O GANHO DE CAPITAL. Os nego´cios juri´dicos que se integram na incorporac¸a~o de ac¸o~es ocorrem em raza~o de manifesta deliberac¸a~o dos so´cios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assemble´ias, nos termos do artigo 252 da Lei n° 6.404/76; portanto, sa~o os acionistas que determinam os valores pelas quais as operac¸o~es sera~o realizadas (observadas as prescric¸o~es legais tendentes a proteger acionistas minorita´rios) de modo que se a operac¸a~o de subscric¸a~o realizarse por valor superior ao valor conta´bil, havera´ apurac¸a~o de ganho de capital tributa´vel. MULTA ISOLADA - DECADÊNCIA A multa isolada deve ser constituída uma vez caracterizado o não recolhimento de estimativas e o prazo decadencial inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, em razão de se submeter tipicamente à modalidade direta e não ao lançamento por homologação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. VICIO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. QUESTÃO DE MÉRITO. As causas de nulidade do auto de infração estão relacionadas quer ao descumprimento dos requisitos para a formação do ato administrativo quer à incompetência da autoridade ou ainda, em se tratando de despachos e decisões, à preterição ao direito de defesa. Há vício na formação do ato administrativo quando este não indica a fundamentação para a cobrança. Todavia, quando tal fundamentação existe e o que se pretende é concluir por sua não aplicação ao caso concreto, a questão não é de nulidade mas de mérito, devendose concluir pela procedência ou improcedência do auto de infração. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCONSIDERAÇÃO DOS EFEITOS DA POSTERGAÇÃO. NECESSIDADE DE QUE SEJA CUMPRIDA A MESMA OBRIGAÇÃO. O instituto da postergação, como se extrai do art. 273 do RIR/99, pressupõe a inobservância do regime de competência. Postergar significa atrasar, deixar de cumprir uma obrigação no prazo, sendo elemento essencial desta conduta a intenção de posteriormente adimplir a mesma obrigação. Daí porque somente se cogita de postergação quando a prestação é entregue, embora com atraso. No caso em que há o pagamento de tributos motivado por situação de fato diversa da que motivou a autuação não se pode concluir que esta resta viciada por desconsiderar os efeitos da postergação. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO O GANHO DE CAPITAL. Os negócios jurídicos que se integram na incorporação de ações ocorrem em razão de manifesta deliberação dos sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembléias, nos termos do artigo 252 da Lei n° 6.404/76; portanto, são os acionistas que determinam os valores pelas quais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 04 /2 01 3- 68 Fl. 725DF CARF MF 2 as operações serão realizadas (observadas as prescrições legais tendentes a proteger acionistas minoritários) de modo que se a operação de subscrição realizarse por valor superior ao valor contábil, haverá apuração de ganho de capital tributável. DESMUTUALIZAÇÃO CETIP. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. CISÃO COM VERSÃO DO PATRIMÔNIO PARA SOCIEDADE ANÔNIMA. TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL. Não se pode cogitar de aplicaçaõ do MEP aos títulos patrimoniais das associações, porque sequer inexiste investimento do associado. Este contribuiu para formar o capital da associaçaõ sem qualquer interesse econômico. Poreḿ, ao fim e ao cabo, essa associação isenta acumulou superávits ao longo dos anos. Posteriormente, em decorrência da extinção dessa entidade sem fins lucrativos, uma vez convertida em sociedade anônima, os associados tornaramse acionistas, auferindo um acréscimo de seu patrimônio em razão da aquisição do direito aos resultados não tributados da entidade isenta, obtidos antes de se transformar em sociedade anônima. Esses resultados foram adicionados ao valor patrimonial dos títulos de cada associado, refletindose no valor das ações recebidas da pessoa jurídica com fins lucrativos então criada, o que não é compatível com a pretensão do recorrente de se livrar do crédito tributário correspondente ao ganho auferido. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO O GANHO DE CAPITAL. Os negócios jurídicos que se integram na incorporacã̧o de acõ̧es ocorrem em razão de manifesta deliberação dos sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembléias, nos termos do artigo 252 da Lei n° 6.404/76; portanto, são os acionistas que determinam os valores pelas quais as operações serão realizadas (observadas as prescrições legais tendentes a proteger acionistas minoritários) de modo que se a operaçaõ de subscriçaõ realizarse por valor superior ao valor contábil, haverá apuração de ganho de capital tributável. MULTA ISOLADA DECADÊNCIA A multa isolada deve ser constituída uma vez caracterizado o não recolhimento de estimativas e o prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, em razão de se submeter tipicamente à modalidade direta e não ao lançamento por homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em relação à infração 1 (incorporação de ações), por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga, que davam provimento integral. Em relação à infração 2 (desmutualização), por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Leticia Domingues Costa Braga, que davam provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. Fl. 726DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 726 3 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de auto de infração reduzindo o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL relativos ao anocalendário 2008 e com cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre as bases de cálculo estimadas, com aplicação de multa de ofício de 75%. Segundo a fiscalização, teria havido (i) "rendimento não computado na determinação do ganho de capital após alienação de investimento" (art. 3o da Lei 9.249/95 e arts. 247, 248, 249, II, 251, 277, 278, 299, 300, 379 par. 2o do RIR/99) como resultado da operação de incorporação de ações da Bovespa Holding S/A pela Nova Bolsa (BM&FBovespa S/A) ocorrida em maio de 2008, bem como (ii) "omissão de ganho auferido na devolução do patrimônio social de entidade isenta" (art. 3o da Lei 9.249/95, art. 17, caput e par. 1o, 3o e 4o da Lei 9.532/97 e art. 239 do RIR/99), referente à desmutualização da CETIP ocorrida em julho de 2008. O relatório da decisão recorrida assim descreve os fatos: As irregularidades constatadas foram contextualizadas no Termo de fls. 223/244, no qual o Autuante reportase, em preliminar, ao Mandado de Procedimento Fiscal e ao Termo de Início de 02/05/2013, em que solicitado que fosse informado e comprovado o valor do custo de aquisição dos títulos da antiga CETIP Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos, cindida a partir de 1° de julho de 2008, através do processo de desmutualização daquela entidade, para a criação da atual Cetip S. A. Balcão Organizado de Ativos e Derivativos, e o valor recebido em ações desta última. Da análise da resposta do contribuinte, conforme as fls. 10 e 19 a 22 descreve a Fiscalização ter verificado que o Itaú Unibanco acabou se tornando o detentor de vários títulos da antiga CETIP, outrora possuídos por outras instituições, e cujo Fl. 727DF CARF MF 4 patrimônio passou ao Itaú Unibanco por fusão, incorporação e outras formas de aquisição de controle acionário. Por meio dos Termos de Intimação de 10.07.2013 e de 31.07.2013, fls. 23 e 24 e 33 e 34, foram solicitadas informações de quantos e quais títulos passaram à sua titularidade) os custos de aquisição de cada um deles. E, por meio de outro Termo de Intimação datado de 10.07.2013, conforme as fls. 164 e 165, foram solicitados os detalhes das operações de subscrição de ações da Nova Bolsa S.A., ocorrida em maio de 2008, quando foram incorporadas as ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. pela Nova Bolsa, pedindo que fosse apresentado quadro demonstrando as quantidades de ações, custos, preços e datas de incorporação das ações da Bovespa Holding e da BM&F S.A. de titularidade do Itaú Unibanco que foram convertidas em ações da BM&FBovespa S.A. (Nova Bolsa). Esclarece a Fiscalização que: nos meses de agosto e outubro de 2007 houve o processo de desmutualização das duas Bolsas. A desmutualização da Bovespa se deu em agosto. A da BM&F em outubro. Convencionouse chamar de desmutualização o processo de transformação da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), ambas associações sem fins lucrativos, em sociedades empresariais constituídas sob a forma de sociedade anônima de capital aberto. A Bovespa passou a se denominar Bovespa Holding S.A. e a BM&F, Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.. O Itaú Unibanco detinha, no início de maio de 2008, 7.655.323 ações ordinárias da Bovespa Holding S.A., ao custo de R$ 1,757123 por ação no total de R$ 13.451.343,01. Vide planilha fornecida pelo contribuinte sobre a movimentação de ações na folha 168 deste Processo. Acerca da Unificação das Bolsas, informa o autuante: Conforme documento datado de 17.04.2008, denominado Fato Relevante, fls. 187 a 197 deste Processo, os responsáveis pela Bovespa Holding S.A. e pela Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A. resolveram constituir a Nova Bolsa S.A., que a partir de 08 de maio de 2008 incorporaria as ações de ambas as Bolsas. As ações da Bovespa Holding foram incorporadas a valor de mercado e avaliadas por laudo de avaliação. Segundo o documento, a reorganização societária tinha por objetivo integrar as atividades das duas entidades visando "atingir uma estrutura integrada mais eficiente, com potencial de economia nas despesas combinadas das duas Bolsas, além de possibilitar o maior crescimento e rentabilidade dos negócios por elas desenvolvidos"; Para os acionistas portadores de ações tanto da BM&F quanto da Bovespa haveria também benefícios na troca de ações por ações da Nova Bolsa, como veremos adiante. E, quanto a Apuração do Ganho, descreve: Em decorrência do processo de incorporação de ações, a transferência do patrimônio social das duas Bolsas para a Nova Bolsa S.A., ficou estabelecido que os detentores de ações da BM&F, cujo valor patrimonial era de R$ 1,00 (um real) por ação, receberiam uma ação da Nova Bolsa para cada ação da BM&F que possuíssem. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 727 5 No caso dos detentores de ações da Bovespa Holding, foi atribuído o valor de R$ 24,82 para cada ação, valor apurado, segundo o documento denominado Fato Relevante, pela média ponderada do volume financeiro transacionado das cotações médias, ajustadas pelos proventos distribuídos, observadas nos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo nos últimos 30 dias que antecederam a divulgação daquele documento. Estas ações ordinárias da Bovespa não seriam resgatadas em dinheiro pela Nova Bolsa e ficou estabelecido que cada uma destas ações equivaleria a 1,42485643 ações da Nova Bolsa. Dessa maneira, como o Itaú Unibanco detinha 7.655.323 ações ordinárias da Bovespa Holding, a partir de maio de 2008 passou a possuir 10.907.736 ações ordinárias da Nova Bolsa (BM&FBovespa S.A.). Além disso, ficou estabelecido que para cada 10 (dez) ações ordinárias da Bovespa Holding seria concedida gratuitamente 1 (uma) ação preferencial da Nova Bolsa. Com isso, o Itaú Unibanco recebeu 765.532 ações preferenciais da Nova Bolsa a título de bonificação. A cada ação preferencial da Nova Bolsa foi atribuído o valor de R$ 17,153408. Estas ações preferenciais foram resgatadas em dinheiro pela Nova Bolsa, conforme o documento denominado Fato Relevante já mencionado. Somadas as 10.907.736 ações ordinárias com as 765.532 ações preferenciais recebidas, o número total de ações BM&FBovespa oriundas da Bovespa Holding passou a ser de 11.673.268. Dividindose o custo histórico das ações ordinárias da Bovespa Holding, de R$ 13.451.343,01, pela nova quantidade de ações, temse que o custo unitário de cada uma dessas ações passou a ser de R$ 1,152320242 conforme nossa planilha denominada Ganho na Incorporação de Ações pela BM&FBovespa fls. 215 deste Processo. O Itaú Unibanco detinha 7.655.323 ações ordinárias da Bovespa Holding S.A. em maio de 2008 ao custo de R$ 13.451.343,01. Para cada uma dessas ações foi atribuído, o valor de R$ 24,82 pelos critérios já informados. Em função desse critério, esse lote de ações passou a valer, depois de 08.05.2008, o valor total de R$ 190.005.116,86. Mas ao contrário das ações preferenciais que foram resgatadas em dinheiro, o Itaú Unibanco recebeu, por esse lote, 10.907.736 ações ordinárias da BM&FBovespa S.A.. O valor correspondente às 765.532 ações preferenciais da Nova Bolsa a título de bonificação multiplicadas pelo valor unitário de R$ 17,153408, num total de R$ 13.131.482,73, foi devidamente submetido à tributação pelo contribuinte em maio de 2008, depois de descontado o custo proporcional das ações preferenciais, de R$ 882.138,02, conforme a nossa planilha da fl. 215 e os documentos constantes das fis. 166 a 177 deste Processo. Como do custo total das ações da Bovespa Holding, de R$ 13.451.343,01, foi atribuído o custo proporcional de R$ 882.138,02 às ações preferenciais cujo valor foi submetido à tributação, resta que o custo proporcional das ordinárias, avaliadas em R$ 190.005.116,86, passou a ser de R$ 12.569.204,99. Vide nossa planilha da fl. 215 já mencionada. Verificase, portanto, que o Itaú Unibanco possuía no início de maio de 2008, 7.655.323 ações ordinárias da Bovespa Holding ao custo de unitário de R$ 13.451.343,01. Em decorrência da unificação das Bolsas, passou a possuir no final de maio de 2008, 10.907.736 ações ordinárias da Nova Bolsa (BM&FBovespa S.A.) avaliadas em R$ 190.005.116,86, apurando um ganho de R$ 177.435.91,87, descontandose seu custo de R$ 12.569.204,99. Esse ganho não foi submetido à tributação. Fl. 729DF CARF MF 6 Uma consulta formulada ao Banco Bradesco S.A., entidade responsável pela custódia das ações da Nova Bolsa (BM&FBovespa S.A.), confirma as quantidades de ações possuídas pelo Itaú Unibanco em maio de 2008, conforme os documentos das folhas 178 a 186. Para justificar a Tributação do Ganho, aborda a Fiscalização a caracterização da incorporação de ações da Bovespa Holding S/A pela Nova Bolsa S A como alienação sujeita à incidência de IRPJ e CSLL. E, para tanto, reportase à doutrina sobre o procedimento de incorporação de ações que é bem descrito por Edmar de Oliveira Andrade Filho em artigo no site Academia Brasileira de Direito ABDIRI, do qual transcreve alguns excertos. [...] E continua: o embasamento legal para a caracterização deste tipo de operação como alienação é o parágrafo 2° c/c o parágrafo 3° do artigo 3° da Lei n° 7.713/88, em que o Legislador, ainda que tratando da determinação de base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física, assim define o tipo de operação sujeita à apuração de eventual ganho de capital: "Artigo 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos artigos 9º e 14 desta Lei. (vide Lei 8.023, de 12/04/90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos artigos 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos, ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Inclusive, o próprio CARF já se manifestou no sentido de que a "incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo". (Acórdão n° 920200.662 da 2º Turma/Sessão de 12/04/2010). Concluindo, com fundamento no parágrafo 2° c/c o parágrafo 3° do artigo 3° da lei 7713/88, acima indicado, ocorre a efetiva alienação das ações da Bovespa Holding S/A. Dessa forma existe tributação de IRPJ e CSLL, de acordo com os artigos 247, 248, 249 inciso II, 251, 277,278, 299, 300 e 379, § 2º, do RIR/99. O Itaú Unibanco, em vista dos argumentos apresentados, deveria ter submetido à tributação de IRPJ e da CSLL, em maio de 2008, o valor de R$ 177.435.911,87, referente ao lucro apurado na incorporação de ações ordinárias oriundas da Bovespa Holding pela BM&FBovespa S.A. Não o fez. Só submeteu à tributação o valor recebido em dinheiro relativo às ações preferenciais recebidas em forma de bonificação. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 728 7 Aborda o cabimento da multa isolada e os dispositivos que a fundamentam, tendo em vista que o Itaú Unibanco, em relação às estimativas mensais de IRPJ e CSLL apuradas com base na Receita Bruta e Acréscimos, deixou de incluir o ganho de capital obtido na conversão de ações da Bovespa Holding por ações da BM&FBovespa S.A. no mês de maio de 2008, vindo a resultar em falta de recolhimento de estimativas. Conclui, então, a título de Tributos Não Recolhidos na Estimativa Mensal de maio de 2008 que, no caso concreto, o valor recebido pelo Itaú Unibanco a título de recebimento de ações patrimoniais da Nova Bolsa, líquido do valor de custo R$ 177.435.911,87 deveria compor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL nas estimativas mensais do mês em que se efetivou a unificação das Bolsas (art. 225 do RIR/99). Na DIPJ do exercício de 2009, relativa ao anocalendário de 2008, consta que no mês de maio o contribuinte optou pela tributação com base na Receita Bruta e Acréscimos. No demonstrativo da fl. 216 deste Processo, reproduzimos os valores da estimativa mensal de IRPJ e de CSLL declarados pelo contribuinte no mês de maio de 2008 e os valores que deveriam ter sido declarados e recolhidos com a inclusão do valor de R$ 177.435.911,87 nas fichas 11 e 16 da DIPJ. Apuramos assim a multa isolada de 50% sobre a diferença. Passa então a discorrer acerca da Devolução dos Títulos Patrimoniais da CETIP, como segue: acompanhando as transformações havidas nas Bolsas, em cujas atividades ela exercia papel essencial como agente de compensação e pagamento dos títulos e valores negociados, em 29 de maio de 2008, seus associados aprovaram em Assembleia Geral Extraordinária realizada, a desmutualização da associação com cisão de 99,84% do patrimônio da entidade a favor da CETIP S.A. BALCÃO ORGANIZADO DE ATIVOS E DERIVATIVOS, com produção de efeitos em 1° de Julho de 2008. Vide a ata da Assembleia Geral Extraordinária às fls. 198 a 208. De acordo com o Instrumento de Protocolo e Justificativa da Operação de Cisão Parcial da CETIP Câmara de Custódia e Liquidação, documento datado de 14.04.2008 fls. 209 a 214, em 1° de julho de 2008 se daria a transformação da Cetip Associação na Cetip S.A. O Instrumento de Protocolo explica em seu item II Motivos e Fins da Cisão Parcial 2.1 que a operação tinha por finalidade a desmutualização da CETIP Associação, processo pelo qual as atividades econômicas compreendidas em seu objeto social deixariam de ser exercidas por meio de uma estrutura jurídica associativa e passariam a ser desenvolvidas por outra entidade, sob a forma de sociedade anônima. Após a implementação da Operação, a partir de 1° de julho de 2008, as atividades de compensação, liquidação e custódia e outras exercidas pela CETIP Associação, passariam a ser todas desenvolvidas unicamente pela CETIP S.A.. Como a cisão seria parcial, a Cetip Associação permaneceria responsável pelas atividades de natureza educacional por ela desenvolvidas, (item 2.2 do Instrumento de Protocolo). Houve nessa época uma série de alterações societárias na entidade. Cada entidade possuidora de títulos associada teve que devolver seus títulos patrimoniais à Cetip. Pelos itens 5.1 e 5.2 do Instrumento de Protocolo, em 1°/07/2008 houve a emissão de ações ordinárias da CETIP S.A., atribuídas aos antigos detentores de títulos patrimoniais da CETIP Associação em substituição a suas participações no patrimônio da Cetip Associação.Como forma de devolução do capital representado pelos títulos das associadas, a Cetip S.A. entregou 406.650 ações da nova empresa para cada um dos 496 detentores de títulos patrimoniais da entidade. Fl. 731DF CARF MF 8 Sobre os Valores na Desmutualização da CETIP, reportase o Autuante ao Instrumento de Protocolo da Operação de Cisão Parcial da CETIP Câmara de Custódia e Liquidação, aprovado na AGE da desmutualização, que fixava as diretrizes operacionais e econômicas do ato societário, cuja introdução transcreve e expõe: Com base no patrimônio do balancete de 31 de março de 2008, foi deliberado que seriam cindidos elementos ativos e passivos da CETIP Associação no valor de R$ 201.698.400,00, ou seja 99,84% do seu patrimônio líquido que na mesma data estava avaliado em R$ 202.018.895,10. Em consequência, o patrimônio da CETIP Associação após a cisão se reduziria a R$ 320.495,10 . Considerando que eram 496 os títulos patrimoniais existentes, temse a seguinte distribuição de valores : A A.G.E. determinou que pela devolução e cisão do patrimônio a cada um dos 496 titulares seriam atribuídas 406.650 ações da CETIP S.A., sem valor nominal. Ficou, também, estabelecido que a incorporação da parcela cindida do patrimônio da CETIP Associação somente viria a produzir efeitos em 1° de Julho de 2008, mesmo momento em que, de fato, darseia a subscrição e a integralização das novas ações. A esse respeito o Instrumento de Protocolo expressa: . V. NÚMERO E ESPÉCIE DE AÇÕES A SEREM EMITIDAS PELA CETIP S.A. PARA SEREM ATRIBUÍDAS AOS DETENTORES DE TÍTULOS PATRIMONIAIS DA CETIP ASSOCIAÇÃO 5.1 Efetivada a Operação, em 1º de julho de 2008 haverá a emissão de ações ordinárias da CETIP S.A., a serem atribuídas aos atuais detentores de títulos patrimoniais da CETIP ASSOCIAÇÃO em substituição suas atuais participações. 5.2 O número de ações de emissão da CETIP S.A. a ser atribuído aos atuais detentores dos títulos representativos do patrimônio da CETIP ASSOCIAÇÃO será determinado com base nos valores patrimoniais contábeis, apurados em 31 de março de 2008, conforme informado na tabela abaixo: 5.3. Após a implementação da Operação, em 1º de julho de 2008, o capital social da CETIP S.A. passará a ser dividido em 201.698.400 (duzentas e um milhões, seiscentas e noventa e oito mil e quatrocentas) ações, todas ordinárias e sem valor nominal. Como se percebe, o valor patrimonial de 31 de março de 2008 serviu simplesmente para fins de determinação do número de ações a serem atribuídas a cada proprietário de título, a posteriori. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 729 9 O capítulo III do Instrumento de Protocolo e Justificativa da Operação de Cisão Parcial deixou claro que na data da efetivação da cisão, 1° de Julho de 2008, ocorreria o registro das variações patrimoniais havidas na CETIP Associação no período de 1° de abril até 30 de junho de 2008, tanto da parte não cindida como da parcela cindida: Em 1° de Julho de 2008 foi levantado o Balanço da CETIP S.A., auditado pela KPMG Auditores Independentes, em cuja página 5 consta o Demonstrativo das Mutações do Patrimônio Líquido que traz a seguinte indicação: "Parcela adicional do acervo da CETIP Associação incorporado pela Companhia R$ 18.754.194 . Esse valor constou contabilizado como Reserva de Capital. Somando os dois valores temse o valor da desmutualização no dia em que a mesma efetivamente ocorreu: Por conseguinte, o valor do patrimônio que foi efetivamente devolvido pelos titulares da CETIP Associação, e que simultaneamente foi cindido à CETIP S.A., na data em que teve efeito a desmutualização 1° de Julho de 2008 foi de R$ 220.452.594,00, o que equivale a R$ 444.460,88 por associado. Aborda a Fiscalização a Atualização dos Títulos Patrimoniais, expondo que: O artigo 9° do Anexo à Resolução CMN (BACEN) n° 2.690 de 28.01.2000, determinava que, ao término de cada exercício social, de haver a apuração do valor do patrimônio social da entidade sem fins lucrativos com base nas demonstrações financeiras, adotandose os mesmos procedimentos e critérios usados pelas sociedades anônimas. Pois bem, o valor do patrimônio da CETIP, apurado anualmente, era dividido pelo número de títulos patrimoniais existentes, chegandose, assim, ao valor nominal corrigido e atualizado dos Títulos Patrimoniais. Esta atualização dos valores dos títulos, deve ser tributada nas seguintes situações, previstas no RIR/99: Fl. 733DF CARF MF 10 "Art. 434 A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8° da Lei n° 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação". "Art. 435 O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real": (...) "II em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante": "a) alienação, sob qualquer forma"; (...) Reportase à forma de contabilização dos títulos patrimoniais das entidades sem fins lucrativos expondo estar prevista no Capítulo 1, item 11, subitem 3, parágrafo 3° do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF, que transcreve, observa que a contabilização da atualização dos Títulos Patrimoniais da CETIP detidos pelas entidades associadas não afetava o resultado do exercício, uma vez que a contrapartida da atualização do valor era registrada em conta de Reserva de Capital. Assim, esta mais valia jamais foi tributada anteriormente. E complementa: A previsão legal para a não tributação desse acréscimo patrimonial dos títulos ao longo do tempo, não distribuído e incorporado ao capital das corretoras/distribuidoras, foi dada pela Portaria MF n° 785, de 20.12.1977. Destaquese, entretanto, que a citada Portaria trata do evento "constituição de reserva com acréscimos no valor nominal aos títulos", o que não se confunde com o evento ora tributado "devolução do patrimônio da CETIP às suas associadas", alcançado pelo artigo 17 da 9.532/97. Define o Custo de Aquisição dos Títulos da CETIP, expondo: De acordo com os documentos das fls. 35 a 163, fornecidos pelo contribuinte, e a nossa planilha da fl. 217, os títulos de propriedade do Itaú Unibanco foram adquiridos pelo Banco Itaú e pelo Unibanco e por diversas entidades que posteriormente viriam a fazer parte do conglomerado. Os valores de aquisição originais correspondiam a 1.000 ORTNS, mas alguns títulos foram adquiridos posteriormente por outros valores, como mostra a nossa planilha da fl. 217. Como para alguns dos títulos o contribuinte não informou o valor de aquisição porque valor o título foi transferido do patrimônio da instituição incorporada, recorremos aos registros da Cetip e relacionamos os valores originais dos títulos na nossa planilha da fl. 217, elaborada de acordo com a atualização de valores pelos fatores de conversão estabelecidos pelo Banco Central e adotados pela Justiça Federal. Ao todo foram 09 títulos, que custaram originalmente, em valores atuais, R$ 34.505,56. Como esses valores foram resgatados em ações da Cetip S.A. pelo total de R$ 4.000.147,92, constatamos que houve um ganho de capital de R$ 3.965.642,36 em julho de 2008. Convém lembrar que embora o contribuinte mencione o título de n° 0360 em sua resposta das fls. 36 e 37, não anexou cópia do título nem de seu comprovante de aquisição, mas a Cetip confirma a emissão do título originalmente para o Banco Bandeirantes de Investimento S.A. em 09.06.1987. Aborda os Aspectos Tributários da Desmutualização, como segue: Fl. 734DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 730 11 Os títulos patrimoniais da CETIP Associação estavam sujeitos a atualizações periódicas em seu valor, com base na variação do seu patrimônio líquido. Porém tais valores não transitavam por contas de resultado e, conseqüentemente, não se sujeitavam à tributação pelo imposto de renda (IRPJ) e pela contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), desde que não fossem distribuídos e mantidos em conta de reserva, conforme determinação de portaria do Ministério da Fazenda: Portaria MF nº 785, de 20.12.1977: ... O evento da desmutualização trouxe uma brusca e radical alteração do quadro fático até então existente. Ao lhes serem conferidas as ações da nova sociedade, as instituições deixaram de se qualificar como associadas de entidade isenta e passaram a ser sócias de empresa com finalidade de lucro. Visando materializar o capital da nova companhia, os associados da CETIP Associação efetivamente devolveramlhe seu patrimônio, o qual foi então cindido, recebendo como pagamento ações da própria CETIP S.A.. A norma legal que confere caráter de fato jurídico tributário aos eventos ocorridos na desmutualização da CETIP Associação, encontrase nitidamente inserta na Lei n° 9.532/97. Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas do inciso I do art. 17 da Lei n° 9.249, de 1995. §2° O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento do valor. § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4° Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. Percebase que o fato apto a desencadear a incidência dos tributos, nesse caso, é o ganho obtido pelos associados na devolução de patrimônio da CETIP Associação, ou seja, com a própria operação de desmutualização, na forma como foi efetuada. Fl. 735DF CARF MF 12 Nos termos da citada Lei, o valor a ser oferecido à tributação, por adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, é a diferença entre o valor recebido a título de devolução do patrimônio e o valor outrora entregue para a formação do mesmo. Essa sistemática visa estabelecer a justa tributação das parcelas de valorização do patrimônio da entidade isenta, que até então não haviam transitado por resultado. No caso de título patrimonial adquirido no mercado secundário, deduzse o valor do custo de aquisição, uma vez que as maisvalias anteriores haverão de ter sido oferecidas à tributação por parte da vendedora, a título de seu ganho de capital. Conforme deliberado pela A.G.E., de 29.05.2008 já citada, a incorporação da parcela cindida do patrimônio da CETIP Associação somente viria a produzir efeitos em 1° de Julho de 2008, mesmo momento em que se daria a subscrição e a integralização das novas ações. E assim resume: • a data do fato gerador dos tributos incidentes sobre a valorização do título patrimonial é o momento em que efetivamente se deu a desmutualização, isto é, o momento da subscrição das ações da CETIP S.A. em retribuição à simultânea devolução do patrimônio cindido da CETIP Associação, ou seja, o dia 1° de Julho de 2008; • quanto ao "valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta a título de devolução de patrimônio" citado pela Lei, não há qualquer dificuldade em se identificálo: será o valor do quinhão a que o antigo titular passa a ter direito sobre o patrimônio da nova sociedade, pelo fato de ser detentor da parcela de 1/496 de suas ações, avaliado no momento em que a desmutualização se efetiva, 1° de Julho de 2008; • por sua vez, o "valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio", a ser deduzido, corresponde ao custo de aquisição do título. A Associação Cetip, cujo patrimônio em grande parte deixou de existir e cujos títulos patrimoniais foram extintos, efetivamente devolveu o seu patrimônio aos associados, na forma de ações. Ao serem conferidas ações da nova sociedade em substituição aos títulos patrimoniais, a instituição deixa de se qualificar como associada à entidade e passa a ser sóciaacionista da nova entidade, empresa que ostenta finalidade de lucro. A mais valia se dá pela diferença entre o valor original de aquisição dos títulos e o valor de ressarcimento oferecido pela Cetip na devolução dos títulos, tributandose, em decorrência, o valor equivalente às atualizações acumuladas pelos títulos patrimoniais ao longo do tempo resultantes das variações patrimoniais ocorridas nas entidades sem fins lucrativos. Os títulos, adquiridos por R$ 34.505,56 foram trocados por ações, que, como vimos, em 1° de julho de 2008, equivaliam a R$ 444.460,88 (quatrocentos e quarenta e quatro mil quatrocentos e sessenta reais e oitenta e oito centavos) por título, num total de R$ 4.000.147,92. A diferença de 3.965.642,36, portanto, é passível de tributação, à luz da legislação vigente, como base de cálculo do IRPJ e CSLL. Destaca a falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL sujeita à multa isolada, expondo que: O Itaú Unibanco, em relação às estimativas mensais de IRPJ e CSLL apuradas com base na Receita Bruta e Acréscimos, deixou de incluir o ganho de Fl. 736DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 731 13 capital obtido na devolução de patrimônio da Associação Cetip no mês de julho de 2008, vindo a resultar em falta de recolhimento de estimativas. Aqui vale lembrar que a contrapartida dos lançamentos correspondentes às atualizações periódicas que cada título da CETIP recebia, resultantes da valorização patrimonial ocorrida na entidade isenta, que normalmente seria conta de resultado, por força da Portaria MF 785/77 davase em conta de Reserva de Capital constante do Patrimônio Líquido (conta COSIF 6.1.3.70.00). Ou seja, a adição do ganho na desmutualização efetivamente equivale ao ganho de capital outrora não tributado. Assim sendo, não resta dúvida de que o valor da devolução de patrimônio, líquido de seu custo, ocorrida no momento da desmutualização, tem natureza originária de ganho, enquadrandose, portanto, na previsão do art. 225 do RIR/99. Conclui, então, que: houve a falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital na conversão de ações ordinárias da Bovespa Holding por ações ordinárias da BM&FBovespa S.A em 2008. A base de cálculo para a tributação de IRPJ e CSLL foi um ganho de capital de R$ 177.435.911,87, conforme nossa planilha da fl. 215, e representa a diferença entre o valor/das ações ordinárias da Bovespa Holding possuídas pelo Itaú Unibanco em maio de 2008 7.655.323 ações ao custo total de R$ 12.569.204,99 e o valor recebido em ações da BM&FBovespa num total de R$ 190.005.116,86. Em conseqüência, também foi lançada multa isolada por falta de recolhimento de estimativa em maio de 2008, conforme demonstrativo de fls. 216; houve a falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital na devolução de patrimônio da Associação Cetip. A base de cálculo para a tributação de IRPJ e CSLL é de R$ 3.965.642,36 e representa a diferença entre o valor entregue para a formação do patrimônio, de R$ 34.505,56, e o recebido pelo Itaú Unibanco, na forma de ações da Cetip S. A. Balcão Organizado de Ativos e Derivativos, de R$ 444.460,88 por título, num total de R$ 4.000.147,92, conforme nossa planilha da fl. 217. Em conseqüência, também foi lançada multa isolada por falta de recolhimento de estimativa em julho de 2008, conforme demonstrativo de fl. 218. A impugnação apresentada foi julgada improcedente em 18/02/2014 pela DRJ em Ribeirão Preto, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972, hipóteses cuja ocorrência não restou comprovada, sobretudo tendo em conta que os autos de infração e seus anexos foram formalizados com observância dos requisitos do art. 142 do CTN, bem como do disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal, permitindo ao contribuinte a perfeita compreensão das infrações que lhe foram imputadas, tanto que delas se defendeu de forma detalhada. PRAZO DECADENCIAL. VERIFICAÇÃO DE FATOS DE PERÍODOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. Tendo sido o lançamento cientificado ao contribuinte dentro do prazo decadencial aplicável, não se cogita de Fl. 737DF CARF MF 14 decadência. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário é obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, podendo o Fisco verificar ocorrências em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. A regra geral para contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, no caso de penalidades, está prevista no artigo 173, I do CTN, apresentandose regular a exigência formalizada dentro deste prazo. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO SOB A FORMA DE AÇÕES. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. IRPJ. CSLL. Sujeitase à incidência do IRPJ e CSLL, computandose na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos por pessoa jurídica, provenientes de instituição isenta, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. Constitui ganho de capital, a ser submetido à tributação de IRPJ e CSLL, a diferença de valor decorrente da conversão de ações ordinárias da Bovespa Holding por ações ordinárias da BM&F Bovespa S A. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. ESTIMATIVAS MENSAIS. IRPJ. CSLL. Constatada a falta/insuficiência do recolhimento das estimativas devidas, fica a pessoa jurídica sujeita à multa de ofício isolada sobre os valores inadimplidos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A decisão foi cientificada ao contribuinte em 22/03/2014, apos o decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal, ocorrida em 07/03/2014 (fl. 476). O recurso voluntário foi apresentado em 08/04/2014 (fl. 478589), alegando, em síntese: Quanto à incorporação de ações (Infração no. 1): Preliminarmente, a nulidade dos autos de infração em razão de: vício na capitulação legal, já que a autoridade fiscal fundamenta o lançamento em regra própria da tributação da renda das pessoas físicas (art. 3o da Lei 7.703/1988), claramente inaplicável às pessoas jurídicas; vício de apuração na base de cálculo, pois, tendo posteriormente vendido as ações da Nova Bolsa em duas etapas (março de 2010 e janeiro de 2012) e oferecido o ganho de capital apurado à tributação, teria ocorrido quando muito a postergação do pagamento do IRPJ e da CSLL devidos. Ressalta que há disciplina específica para a hipótese de postergação, de modo que não podem ser aplicadas as regras de imputação pretendidas Fl. 738DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 732 15 pela autoridade autuante e traz julgados do CARF que cancelam a exigência quando não observado tal cálculo. No mérito, sustenta a inexistência de ganho de capital na substituição de ações da Bovespa Holding pelas ações da Nova Bolsa, eis que (i) não há na incorporação de ações verdadeira alienação, mas mera substituição de ações da Bovespa Holding por outras da Nova Bolsa; (ii) ainda que para argumentar que de alienação se tratasse, não teria ocorrido no caso concreto qualquer ganho de capital passível de tributação, dada a absoluta ausência de realização da renda, tendo havido apenas fatos permutativos. Quanto à desmutualização da CETIP (Infração no. 2): Preliminarmente, a nulidade dos autos de infração em razão de vício na apuração da base de cálculo, pois, tendo posteriormente vendido as ações da CETIP (janeiro de 2011) e oferecido o ganho de capital apurado à tributação, teria ocorrido quando muito a postergação do pagamento do IRPJ e da CSLL devidos. No mérito, sustenta que a operação de cisão levada a efeito para a desmutualização da CETIP é perfeitamente legítima porque expressamente prevista no ordenamento jurídico, produzindo os efeitos que lhe são próprios, não se confundindo com a devolução de patrimônio aos associados; a própria legislação tributária prevê e disciplina a cisão de entidade isenta, sendo certo que os efeitos de eventual desatendimento das condições da isenção devem ser suportados pela própria entidade; os valores das atualizações periódicas dos títulos patrimoniais da CETIP têm natureza de avaliação pelo método da equivalência patrimonial não se sujeitando à tributação, compondo o valor contábil do investimento; ademais, por decorrerem de lucros e reservas capitalizados sempre estiveram isentos do imposto de renda; as atualizações anteriores ao anobase de 2007, inclusive, jamais poderiam ser desconsideradas como custo do investimento para efeito de tributação em 2013, porque já decaiu o Fisco do direito de questionálas, na esteira do entendimento pacífico do então Primeiro Conselho de Contribuintes no acórdão 10196.265 de 08.08.2007 DOU 06/03/2008, Rel. Paulo Roberto Cortez e outros citados. sobre a CSLL, após estender a esta os argumentos apresentados para o IRPJ, acrescenta que a atualização do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas (e da CETIP) já não compõe o lucro líquido ou resultado do exercício, consistindo em ajuste à conta de patrimônio líquido, diretamente. Quanto à multa isolada: sustenta a decadência do direito de lançar, eis que as exigências referemse aos meses de maio e julho/2008 e, em 25/10/2013 já havia decorrido o prazo de cinco anos previsto no art. 150,§ 4º, do CTN, aplicável ao caso porque existente pagamento antecipado. Cita decisões administrativas e judiciais para corroborar sua tese. Fl. 739DF CARF MF 16 defende a impossibilidade da exigência de multa isolada depois do encerramento do período de apuração, mesmo quando apurado prejuízo, conforme decisões da CSRF (acórdãos 9101001.838, 9101001.547, 9191001.246) também de câmaras baixas. A União apresentou contrarrazões (fls. 596633). Em petição apresentada em setembro de 2016 a Recorrente juntou aos autos cópia de suas DIPJ de 2008 a 2012. Recebi o processo em distribuição realizada em 22 de junho de 2017. Voto Vencido Conselheira Livia De Carli Germano Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A Fiscalização atribui ao contribuinte falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital (1) na conversão de ações ordinárias da Bovespa Holding por ações ordinárias da BM&FBovespa S/A em maio de 2008 e (2) na devolução do patrimônio da associação Cetip ocorrida em julho de 2008. Passo a tratar separadamente de tais imputações. INFRAÇÃO No. 1 (INCORPORAÇÃO DE AÇÕES) nulidades Quanto ao auto de infração referente à operação de incorporação de ações, o Recorrente sustenta, preliminarmente, que os autos de infração são nulos por vício na capitulação legal, já que a autoridade fiscal fundamenta o lançamento no artigo 3o da Lei 7.703/1988, regra própria da tributação da renda das pessoas físicas, inaplicável assim às pessoas jurídicas. Ocorre que a procedência de tal argumento não levaria à nulidade do auto de infração mas à sua improcedência. Isto porque, nos termos da legislação que rege os atos e o processo administrativo, as causas de nulidade estão relacionadas quer ao descumprimento dos requisitos para a formação do ato administrativo quer à incompetência da autoridade ou ainda, em se tratando de despachos e decisões, à preterição ao direito de defesa. No caso, poderia haver vício no ato administrativo do lançamento caso este não indicasse qualquer fundamentação para a cobrança. Ocorre que tal fundamentação existe, sendo que a alegação da defesa é exatamente de que ela não é aplicável ao caso concreto. Sendo assim, temos que os requisitos do ato administrativo foram cumpridos, e não consta contra ele qualquer alegação de incompetência da autoridade. Por tal razão, este voto tratará da questão sobre o vício na capitulação legal indicada no auto de infração não como causa para a nulidade mas como questão de mérito. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 733 17 Antes, porém, passo à análise da outra causa de nulidade apontada pelo Recorrente. Ainda como causa de nulidade, alega o Recorrente vício na autuação por terem sido desconsiderados efeitos da postergação. Isso porque, tendo posteriormente vendido as ações da Nova Bolsa em duas etapas (março de 2010 e janeiro de 2012) e oferecido o ganho de capital apurado à tributação, teria ocorrido quando muito a postergação do pagamento do IRPJ e da CSLL devidos. O instituto da postergação, como se extrai do art. 273 do RIR/99 pressupõe a inobservância do regime de competência, o que não se identifica no caso. Com efeito, postergar significa atrasar, deixar de cumprir uma obrigação no prazo, sendo elemento essencial desta conduta a intenção de posteriormente adimplir a mesma obrigação. Daí porque somente se cogita de postergação quando a prestação é entregue, embora com atraso. Se analisada a situação em momento anterior a esse pretendido cumprimento tardio, terseá, apenas, o inadimplemento puro e simples da obrigação. Assim, a postergação seria verificada, no caso, se os valores tributáveis apurados pela Fiscalização no anocalendário de 2008 tivessem sido reconhecidos pelo contribuinte em período de apuração posterior e isso ensejasse efetivo pagamento do tributo. Não obstante, no caso em questão o que ocorreu foi o pagamento de tributos motivado por situação de fato diversa da escrita na autuação qual seja: a posterior venda das ações da Nova Bolsa. Tanto não se trata de postergação que a base de cálculo não necessariamente seria a mesma em tais hipóteses. Assim, não há propriamente um vício na autuação por desconsideração de postergação que leve à nulidade do auto de infração. Por tal razão voto por não acolher a preliminar de nulidade suscitada. INFRAÇÃO No. 1 (INCORPORAÇÃO DE AÇÕES) mérito Tratando do mérito da autuação relativa à incorporação de ações, passo a analisar a alegação de vício quanto à capitulação legal indicada pela autoridade autuante. O Termo de Verificação Fiscal descreve a operação e conclui tratarse de alienação sujeita à incidência de IRPJ e CSLL. Cita trecho de doutrina, após o que finaliza, a fl. 218: Fl. 741DF CARF MF 18 O Auto de Infração por sua vez menciona as seguintes bases legais: IRPJ: CSLL: Fl. 742DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 734 19 Vêse, portanto, que o que levou a autoridade lançadora a concluir que a incorporação de ações é uma alienação que produz ganho de capital foi a definição constante do art. 3o da Lei 7.703/1988. Não se discute que tal dispositivo legal é dedicado à tributação da renda da pessoa física. Embora se trate do mesmo tributo (no caso do imposto sobre a renda), a definição do que é renda da pessoa física e a da pessoa jurídica é tratada em regras próprias, não sendo possível aplicar dispositivos legais de uma a outra, salvo se a lei assim dispuser. Assim, entendo que, no caso, o motivo da autuação está equivocado. Resta saber se o equívoco no motivo da autuação é relevante para se declarar sua improcedência. A resposta é positiva. O Decreto 70.235/1972 prevê expressamente que o auto de infração deve conter, obrigatoriamente, a descrição do fato e a disposição legal infringida (art. 10, III e IV). Com efeito, o lançamento fiscal não deixa de ser um ato administrativo, o qual tem como um de seus elementos o motivo. Assim dispõe o artigo 50 da Lei 9.784/1999 (grifamos): Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V decidam recursos administrativos; VI decorram de reexame de ofício; VII deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. § 2o Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. Fl. 743DF CARF MF 20 Do caput desse dispositivo legal depreendese que o motivo compreende as situações de fato e de direito que levam à prática do ato administrativo no caso, a situação de fato representa as circunstâncias, situações ou acontecimentos que levam a Administração a praticar o ato (no caso, a incorporação de ações), enquanto a situação de direito é a norma que embasa o ato administrativo (no caso, o art. 3o da Lei 7.703/1988). O parágrafo primeiro esclarece a exigência de que o motivo seja explicitado na chamada motivação e, com base nisso, a doutrina chega a falar em um princípio da motivação ou da fundamentação. Neste sentido: "o princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos." (Di Pietro, Maria Sylvia Zanella. "Direito Administrativo", 19 ed., Atlas: 2005, p. 97). Temos, portanto, que a legislação exige motivação (isto é, exposição dos motivos) para o ato administrativo que afete direitos ou agrave deveres, sendo que, nos termos da chamada teoria dos motivos determinantes, largamente aceita pelo STJ, as razões que a administração pública invoca para a prática do ato administrativo são dele partes integrantes. Assim, a motivação constante do lançamento é obrigatória e vincula a fiscalização. Se a razão de fato ou de direito indicada no auto de infração para o lançamento não subsiste, não pode o lançamento ser mantido por razão diversa daquela que fundamentou o ato administrativo do lançamento. Voltando à análise específica do presente caso, uma vez provado que o motivo que baseou a conclusão pela existência de ganho de capital não é aplicável já que não se trata de imposto de renda da pessoa física não deve subsistir o lançamento, por erro em sua fundamentação de direito. Neste sentido, se o Termo de Verificação Fiscal (TVF) indica circunstâncias de direito inaplicáveis ao caso, tal ato administrativo resta equivocado, não podendo nem mesmo ser completado posteriormente, eis que teria nascido contaminado em um dos seus elementos essenciais. E, no caso, os demais dispositivos legais citados no TVF e no auto de infração como embasamento para a autuação não são hábeis a sanar tal vício no ato administrativo do lançamento. Isso porque tratase simplesmente de menção a diversos artigos sem qualquer explicação da aplicação deles ao caso. A análise de tais dispositivos revela que tratase de normas igualmente genéricas, aplicáveis às mais diversas situações. De fato, o TVF cita genericamente dispositivos do regulamento do Imposto sobre a Renda que definem lucro real (art. 247), lucro líquido (art. 248), ajustes ao lucro líquido (art. 249), dever de escriturar (art. 251), lucro operacional (art. 277), lucro bruto (art. 278), despesas dedutíveis (art. 299), custos e despesas operacionais (art. 300) e tributação de rendimento de participações societárias (art. 37). Fl. 744DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 735 21 Por sua vez, no auto de infração do IRPJ são citadas as bases legais acima mais o art. 3o da Lei 9.249/1995 que trata da alíquota do IRPJ. Igualmente, no auto de infração de CSLL são citados apenas dispositivos legais gerais acerca da base de cálculo dessa contribuição (art. 2o da Lei 7.689/1988), da aplicação à CSLL das regras do IRPJ referentes à apuração e pagamento, mantidas a base de cálculo e as alíquotas próprias (art. 57 da Lei 8.981/1995), da aplicação da Lei 9.249/1995 ao IRPJ e à CSLL (art. 2o da Lei 9.249/1995), da indedutibilidade da CSLL do lucro real e de sua própria base de cálculo (art. 1o da Lei 9.316/1996), da aplicação de artigos da Lei 9.430/1996 da CSLL (art. 28 da Lei 9.430/1996), da alíquota da CSLL (art. 3 da Lei 7.689/1988). É no mínimo curioso notar que a autoridade lançadora em nenhum momento menciona o artigo 418 do RIR/99 (ou sua base legal, o artigo 31 do DecretoLei 1.598/1977), que é o dispositivo que regula a tributação do imposto de renda sobre o ganho de capital da pessoa jurídica, vejase: Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31). § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 1º). § 2º O saldo das quotas de depreciação acelerada incentivada, registradas no LALUR, será adicionado ao lucro líquido do período de apuração em que ocorrer a baixa. Ora, o fato de a legislação do IRPJ possuir dispositivo específico tratando do ganho de capital (acima transcrito) reforça a posição de que não há nenhuma razão para se tomar de empréstimo legislação aplicável exclusivamente à pessoa física, como fez a autoridade autuante. Ressaltese, ademais, que ao tomar emprestada base legal inaplicável ao caso a autoridade autuante acabou por se equivocar também quanto ao próprio tratamento conferido aos valores lançados como ganho de capital. De fato, como se percebe do trecho do auto de infração a fl. 213, reproduzido abaixo, a autoridade autuante incluiu o valor do suposto ganho (R$177.435.911,87) como resultado operacional para fins do IRPJ. Vejase: Fl. 745DF CARF MF 22 Ora, se a autoridade autuante acusa o contribuinte de ter auferido ganho de capital na alienação de ações o respectivo valor deveria ter sido tratado como resultado não operacional. E não se trata de apenas um detalhe, visto que o fato de a autoridade autuante ter incluído o valor como resultado não operacional, além de reafirmar a conclusão de que há um erro patente na capitulação legal do auto de infração, revela que a própria base de cálculo da autuação está equivocada. Pois em. Em sede de contrarrazões ao recurso voluntário, a PGFN menciona a tese de que "eventual erro de enquadramento legal não constitui vício insanável, quando o fato tenha sido corretamente descrito no Auto de Infração de forma a possibilitar o pleno exercício de defesa dos autuados". Não comungo do entendimento de que, no âmbito do processo administrativo tributário, o sujeito passivo autuado defendese dos fatos que lhe são imputados, e não da capitulação legal da infração. O § 3º do artigo 18 do Decreto 70.235/1972 é claro em exigir a lavratura de auto de infração complementar quando, em exames posteriores, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada1. Ou seja, o Direito Tributário regula especificamente o caso análogo à mutatio libelli criminal, exigindo a formalização de lançamento complementar e a notificação do sujeito passivo para se defender de tal alteração, fato este que impede que se trate o instituto exatamente da mesma forma como ele é tratado no Direito Penal. Também não se pode pretender validar o lançamento pelo fato de o Recorrente ter compreendido as infrações que lhe foram imputadas, delas se defendendo de forma detalhada. A expertise dos patronos não pode servir de parâmetro para determinar a validade de um lançamento. 1 "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" Fl. 746DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 736 23 Ressaltese que para a CSLL a questão é ainda mais grave pois tratase de tributo com base de cálculo própria, sendo que não se discute que o art. 3o da Lei 7.703/1988 rege apenas o imposto sobre a renda. Assim, mesmo que meu voto restasse vencido e se admitisse que tal dispositivo é aplicável ao IRPJ, fato é que não se pode utilizálo para a cobrança de CSLL e não há, no auto de infração, outro dispositivo legal que embase a autuação. Por tais razões orientei meu voto para, quanto à infração no. 1, julgar procedente o recurso por fundamentação incorreta do auto de infração. Termino por observar que, mesmo que não houvesse tal equívoco na fundamentação legal do auto de infração, entendo que não houve fato gerador do IRPJ e da CSLL no caso em questão, eis que o Recorrente não auferiu renda com a incorporação de ações. Sobre a operação, recordese o que descreve o Termo de Verificação Fiscal: Verificase, portanto, que o Itaú Unibanco possuía no início de maio de 2008, 7.655.323 ações ordinárias da Bovespa Holding ao custo de unitário de R$ 13.451.343,01. Em decorrência da unificação das Bolsas, passou a possuir no final de maio de 2008, 10.907.736 ações ordinárias da Nova Bolsa (BM&FBovespa S.A.) avaliadas em R$ 190.005.116,86, apurando um ganho de R$ 177.435.91,87, descontandose seu custo de R$ 12.569.204,99. Esse ganho não foi submetido à tributação. O acórdão recorrido afirma que, "diante da diferença de valor, não prospera a alegação de simples permuta ou mera substituição". Ocorre que a diferença é apenas de valor e não de custo. O fato de algo se valorizar não é fato gerador de tributo se tal ganho não é realizado. A operação de incorporação de ações nada mais é do que uma troca (permuta) de ativos e nesta não há preço, no sentido objetivo do termo, já que para os permutantes os bens permutados têm valor equivalente. Nas palavras de Pontes de Miranda: “Não há preço, no sentido próprio, porque um dos figurantes promete um bem, que não é dinheiro, e o outro figurante promete outro bem, que não é dinheiro”2. Essa circunstância já foi reconhecida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ao emitir o Parecer PGFN nº 454, de 6 de maio de 1992, o qual conclui que “a desoneração tributária na permuta não é um privilégio, e sim o reconhecimento de não incidência da regra de tributação”. Vale destacar, ainda, os seguintes trechos deste parecer: “20. O momento do fato gerador do imposto sobre maisvalia é o da alienação do bem por um preço que ultrapasse a reposição do capital, realizandose só neste momento o ganho de capital. Ora, como bem acentuou Pontes de Miranda, na troca há correspectividade sem preço, porque os figurantes da relação jurídica não entram com dinheiro, conseqüentemente inexiste fato gerador do tributo. Poderseia dizer, no caso da permuta, sem torna de dinheiro, que o momento da incidência seria diferido no tempo. 2 PONTES DE MIRANDA, Francisco Cavalcanti. Tratado de Direito Privado, vol. 39, 3ª edição, Rio de Janeiro: Borsoi, 1972, pág.3789. Fl. 747DF CARF MF 24 21. Criarse, fictamente, na permuta de bens, um ganho de capital é violar o próprio patrimônio. A sua tributação configuraria, por conseguinte, imposto sobre a propriedade e não sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Não existe lei mandando cobrar imposto na permuta de bens, não onerosa. Ainda que existisse tal diploma legal, seria fulminado pelo vicio insanável da inconstitucionalidade.”3 Curiosamente, para a Receita Federal apenas algumas modalidades de permuta não têm reflexos tributários. Uma delas é a “permuta, caracterizada com a entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública federal, estadual, do Distrito Federal e municipal, ou de outros créditos contra a União, como contrapartida da aquisição das ações ou quotas leiloadas no âmbito dos respectivos programas de desestatização” (art. 29, V, da IN SRF nº 84/2001). A outra é a que envolve exclusivamente unidades imobiliárias (artigo 121 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999 e IN SRF nº 107/1988). Nada indica, porém, que o tratamento deva ser diferente em caso de troca de outros bens que não títulos da dívida pública ou unidades imobiliárias. Até porque, a Receita Federal sequer tem competência para trazer isenções tributárias, as quais necessariamente decorrem de lei. Na verdade, o que levou a Recorrente a registrar o ativo recebido por valor superior ao bem que ela entregou não foi uma diferença de preço, nem mesmo uma decorrência imediata da operação de permuta. Tratouse de uma consequência apenas mediata do negócio realizado, constante de norma contábilsocietária, qual seja, a obrigação de avaliar seus ativos pelo método de equivalência patrimonial prevista no artigo 248 da Lei 6.404/76. Isso porque as sociedades obrigadas a avaliar seus ativos pelo método de equivalência patrimonial não registram seus investimentos apenas pelo valor de aquisição, devendo também determinar o valor contábil destes por meio da aplicação, sobre o valor do patrimônio líquido da sociedade investida, do percentual de participação detido em seu capital social. E, vale lembrar, os resultados de equivalência patrimonial são neutros para fins de IRPJ e CSLL, eis que, se positivos, não são tributáveis e, se negativos, não são dedutíveis, devendo neste último caso ser adicionados à apuração da base de cálculo de tais tributos (arts. 225 e 389 do RIR/994). Isso porque, nesta seara, como não poderia deixar de ser, prevalece o princípio da efetiva realização da renda para fins de tributação. 3 Diante disso, a PGFN concluiu que o art. 65 da Lei nº 8.383/91 que previa “tratamento jurídico de permuta” à entrega de títulos da dívida pública federal como contrapartida à aquisição de participação societária de empresa privatizada seria meramente interpretativo, e apenas teria por objetivo “espancar dúvidas quanto a não incidência de gravame fiscal nas trocas efetuadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização, e, ainda, oferecer claramente os critérios para os registros contábeis do negócio jurídico realizado”. 4 “Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados pertinentes às aplicações financeiras de renda fixa e renda variável, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimento pela equivalência patrimonial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, § 1º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º)”. “Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). Fl. 748DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 737 25 Em resumo: a incorporação de ações, por se tratar de mera troca de bens, não foi a situação de direito que gerou acréscimo patrimonial ao Recorrente; o que gerou tal acréscimo patrimonial foi a contabilização do investimento pelo método (obrigatório) de equivalência patrimonial, o qual não tem efeitos tributários por expressa previsão legal. Diante disso, mesmo que a autoridade autuante tivesse acertado a fundamentação legal do auto de infração, no mérito meu voto seria orientado para dar provimento ao recurso voluntário neste item. Conclusão quanto à infração no. 1 (incorporação de ações): oriento meu voto para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento integral ao recurso. INFRAÇÃO No. 2 (DESMUTUALIZAÇÃO) nulidade O Recorrente sustenta a nulidade dos autos de infração em razão de vício na apuração da base de cálculo, pois, tendo posteriormente vendido as ações da CETIP (janeiro de 2011) e oferecido o ganho de capital apurado à tributação, teria ocorrido quando muito a postergação do pagamento do IRPJ e da CSLL devidos. Aplicase ao caso as mesmas razões de voto acima quanto à posterior venda das ações da Nova Bolsa, razão pela qual faço referência aos correspondentes trechos de voto a respeito da nulidade da Infração no. 1 e adoto como razões de decidir também nesta hipótese, para não acolher a preliminar de nulidade suscitada. INFRAÇÃO No. 2 (DESMUTUALIZAÇÃO) mérito No mérito, porém, entendo que assiste razão ao Recorrente. Isso porque, em breve síntese, a cisão de uma associação, com versão do patrimônio cindido para uma pessoa jurídica com fins lucrativos, não se confunde com a dissolução desta entidade e é expressamente prevista pelos arts. 1.113 e seguintes e art. 2.033 do Código Civil: para os associados da entidade cindida a operação, assim como qualquer cisão, consiste na mera troca de ativos, não caracterizando fato gerador de tributos. A operação que ficou conhecida como "desmutualização" correspondeu à cisão parcial da CETIP Associação, com incorporação do patrimônio cindido para a CETIP S.A.. Em troca dos títulos patrimoniais, os então associados receberam ações da pessoa jurídica incorporadora do patrimônio cindido. Muito em razão do disposto na Solução de Consulta nº 10, de 26 de outubro de 2007, as autoridades fiscais costumam apontar que associações não poderiam passar pelo processo de “desmutualização”, tendo em vista a redação do artigo 61 do Código Civil atualmente vigente (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002), o qual veda a destinação de Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV)”. (grifamos) Fl. 749DF CARF MF 26 qualquer parcela do patrimônio de associações a entes com finalidade lucrativa no caso de dissolução de uma associação, conforme segue: “Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 565, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União.” Assim, à luz do art. 61 do Código Civil, na hipótese de dissolução de uma associação, inexistindo no estatuto disposição quanto ao destino dos bens, e não tendo os associados deliberado nada a respeito, destinarseá o patrimônio social a um estabelecimento municipal, estadual ou federal, de fins iguais ou semelhantes. Em qualquer caso os associados têm direito a receber de volta, no mínimo: (i) o valor de patrimônio correspondente a suas cotas ou frações ideais; e (ii) as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. Como se percebe, a Receita Federal traz à análise o artigo 61 do Código Civil por entender que a desmutualização equiparase à dissolução da associação. E essa equiparação é feita, segundo o Fisco, por “não haver autorização no ordenamento jurídico para que se lhe aplique subsidiariamente as normas da Lei das S/A ou dos art. 1.113 e segs. do Código Civil de 2002”. Ou seja, a Receita Federal entende que não haveria disposição legal expressa autorizando a aplicação, às associações, das normas relativas à cisão. Ocorre que tal premissa é equivocada. Isso porque o Código Civil autoriza, sim, a aplicação de suas regras relativas à cisão às associações: “Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 446, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código.” E não é que as associações emprestam das sociedades a disciplina da transformação, incorporação, cisão ou fusão. O que ocorre é exatamente o contrário. No 5 “Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto.” 6 “Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) V os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003).” Fl. 750DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 738 27 Código Civil, o legislador houve por bem trazer a disciplina geral das pessoas jurídicas no Título II do Livro I da Parte Geral, dedicando ainda às sociedades o Livro II da Parte Especial. E para deixar claro que a separação seria apenas topográfica, dispôs, no artigo 44, §2º, que as normas pertinentes às associações aplicamse, subsidiariamente, às sociedades objeto do Livro II da Parte Especial. Significa dizer: ao mesmo tempo em que a disciplina da transformação, incorporação, cisão ou fusão (arts. 1.113 e seguintes do Código Civil) é comum a todas as pessoas jurídicas, as normas relativas às associações aplicamse subsidiariamente, a quaisquer espécies de sociedades. Neste sentido, não há qualquer base jurídica para se equiparar a desmutualização a uma dissolução. São aplicáveis à cisão, portanto, as regras previstas nos artigos 1.113 e seguintes do Código Civil, em prejuízo do artigo 61, que trata de operação diversa. Outra premissa equivocada é a de que o Código Civil de 2002 teria trazido alteração no cenário jurídico a respeito da dissolução das associações. Vejamos brevemente. A matéria da dissolução das associações não suscitava dúvidas na vigência do Código Civil de 1916 (Lei nº 3.071 de 1º de janeiro de 1916). Naquela época, havia a diferenciação entre associações de fins lucrativos e associações de fins não lucrativos, sendo a dissolução das primeiras tratada no artigo 23 e a das segundas no artigo 22 em resumo, na dissolução de uma associação com intuito econômico o patrimônio social seria divido entre os associados ou seus herdeiros, já para a associação de intuito nãoeconômico, salvo regra diferente disposta no estatuto, o patrimônio social seria devolvido a estabelecimento municipal, estadual, territorial, distrital ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. A redação do artigo 22 era clara quanto à possibilidade de disposição do patrimônio social pelos próprios associados, por meio do estatuto ou de deliberações, e a destinação subsidiária para outra associação de fins idênticos ou semelhantes, conforme verificado abaixo: “Art. 22. Extinguindose uma associação de intuitos não econômicos, cujos estatutos não disponham quanto ao destino ulterior dos seus bens, e não tendo os sócios adotado a tal respeito deliberação eficaz, devolverseá o patrimônio social a um estabelecimento municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. Parágrafo único. Não havendo no Município ou no Estado, no Distrito Federal ou no Território ainda não constituído em Estado, em que a associação teve sua sede, estabelecimento nas condições indicadas, o patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, à do Distrito Federal, ou à da União.” Assim, em uma análise comparativa, vemos que o Código Civil de 2002 trouxe as seguintes mudanças: (i) acabou a diferenciação entre associações de intuito econômico ou nãoeconômico (o artigo 53 do Código Civil de 2002 estabelece que as associações constituemse pela união de pessoas que se organizem por fins nãoeconômicos); e Fl. 751DF CARF MF 28 (ii) alterou a redação do artigo que trata da dissolução da associação, conforme transcrito acima (art. 61 do código Civil de 2002). Uma leitura mais precipitada levaria à conclusão de que tal mudança na redação impossibilitou que o patrimônio da associação tivesse fim diverso que não o destino para outra associação sem fins lucrativos. Não é o caso, não sendo este o entendimento da doutrina civilista7. De fato, conforme estabelecido no citado artigo 61, as quotas e frações ideais do patrimônio das associações podem ser transferidas a seus titulares, antes que o patrimônio remanescente seja destinado à outra associação sem fins lucrativos. Essas quotas e frações ideais do patrimônio são citadas no parágrafo único do artigo 56 (Código Civil de 2002) e não é feita ressalva quanto à porcentagem do patrimônio que pode ser atribuído aos associados. “Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto.” Assim, os artigos citados permitem às associações o fracionamento de seu patrimônio, bem como a atribuição de titularidade às respectivas frações, assegurando a possibilidade de sucessão patrimonial aos associados. Na dissolução, o patrimônio da associação pode ser transferido aos associados até a satisfação da sua fração (quotaparte), podendo, inclusive não sobrar patrimônio remanescente para ser destinado à outra associação. Além da restituição da quota ou fração ideal do patrimônio a que tiverem direito, se for o caso, os associados podem ainda receber, por sua deliberação ou pelo estatuto, o valor atualizado das contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. De fato, o caráter privado da associação não pode ser desprezado. A destinação do patrimônio escolhida pelos associados deve prevalecer em detrimento da destinação fixada por imposição legal. Este caráter privado da associação diferencia este tipo de pessoa jurídica das fundações, que têm conotação eminentemente social e patrimônio que não volta ao particular que o destinou para tal finalidade, tendo regras de extinção bem mais rígidas estabelecidas pelo Código Civil. No mesmo sentido, Silvio Rodrigues defende que “em primeiro lugar dever seá atentar para o que dizem os estatutos. Se estes forem silentes, devese examinar se os sócios adotaram alguma deliberação eficaz sobre a matéria. Se eles nada resolveram, ou se a deliberação for ineficaz, devolverseá o patrimônio a um estabelecimento público congênere ou de fins semelhantes (CC, art. 61)(...)”8. 7 “Na dissolução da associação o primeiro passo é a restituição do valor das frações ideais ou das quotas do patrimônio da associação, que não se confunde com a qualidade de associado, como já se teve a oportunidade de examinar no art. 56, parágrafo único do Código Civil. Após a realização de tal devolução, o Código ainda possibilita que os associados determinem que o patrimônio remanescente ainda seja empregado para ressarcir os associados do pagamento de suas contribuições, que em geral são mensais. Se isso não for deliberado pelos associados, a lei determina que seu patrimônio seja entregue a entidades de fins não lucrativos designadas no próprio estatuto e na omissão deste à instituição municipal, estadual ou federal, de fins semelhantes ao da associação extinta. Não havendo tais instituições, o patrimônio retorna à Fazenda do Estado, Distrito Federal ou União” . (AZEVEDO, Álvaro Villaça. e NICOLAU, Gustavo Rene. “Código Civil Comentado Das Pessoas e dos Bens”, Vol. I, 1ª edição. São Paulo: Atlas, 2007, pág. 154) 8 RODRIGUES, Silvio. “Direito Civil Parte Geral”, vol. 1, 34ª edição. São Paulo: Saraiva, 2007, pág. 98. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 739 29 O artigo 54, VI, do Código Civil de 2002 estabelece, sob pena de nulidade do estatuto, que este deve conter condições para a alteração das disposições estatutárias e para e dissolução da associação. Esta disposição corrobora para o entendimento de que são aquelas pessoas que se organizam para a finalidade a que se propõe a associação que definem qual será a destino do patrimônio da associação, no caso de dissolução desta. Como se percebe, os associados sempre estiveram autorizados, tanto pelo Código Civil de 1916 quanto pelo atualmente vigente, a deliberar sobre o destino do patrimônio da associação, no caso de sua dissolução. A transferência do patrimônio para associação de fins idênticos ou semelhantes deve ser encarada como alternativa subsidiária disposta em lei de destinação do patrimônio, devendo sempre ser respeitado o caráter privado da associação. Mas este foi apenas um parêntese já que, no caso, como visto, a cisão não se confunde com a dissolução. Claro está, portanto, que a legislação civil permite a cisão de uma associação isenta. A legislação tributária, por sua vez, igualmente não impõe qualquer restrição a esta operação. De fato, a redação original da Lei nº 9.532/1997 determinava que as entidades isentas deveriam assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da isenção, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público (art. 15, §4º). Porém, tal dispositivo foi revogado pelo art. 18, IV, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 19989, de maneira que, a partir de então, a legislação fiscal não impôs qualquer restrição a que, por ocasião da cisão de entidade isenta, o patrimônio cindido fosse destinado a uma entidade com fins econômicos. Ressaltese que mesmo que impusesse qualquer restrição, a conseqüência para o descumprimento teria efeitos apenas para o futuro, operandose a perda da condição de entidade isenta a partir da prática da infração (art. 32, §§5º e 10, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e arts. 14 e 15, §3º, da Lei nº 9.532/97). Não obstante, entende a autoridade autuante que a operação de desmutualização seria uma devolução de capital, aplicandose, no campo tributário, a regra do artigo 17 da Lei nº 9.532/199710. Ocorre que para se concluir pela devolução de capital 9 “Art. 18. Ficam revogados, a partir de 1° de janeiro de 1999: (...) IV o § 4° do art. 15 da Lei n° 9.532, de 1997.” 10 “Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas do inciso I do art. 17 da Lei nº 9.249, de 1995. § 2º O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; Fl. 753DF CARF MF 30 necessariamente se deve entender que houve a dissolução (total ou parcial) da associação, o que, como vimos acima, não é o caso. De fato, o artigo 17 da Lei nº 9.532/1997 trata da tributação devolução de capital, não sendo aplicável ao caso em questão, na medida em que cisão nada tem a ver com devolução de capital, que pressupõe a liquidação da associação. De se notar que o artigo 16 da Lei nº 9.532/1997 traz a disciplina tributária para a conferência de bens ao patrimônio de instituições isentas, bem como dispõe sobre o valor a ser atribuído aos bens de entidade isenta quando transferidos ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão: “Art. 16. Aplicamse à entrega de bens e direitos para a formação do patrimônio das instituições isentas as disposições do art. 23 da Lei nº 9.249, de 199511. Parágrafo único. A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá ser efetuada pelo valor de sua aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação.” Tal previsão não apenas admite a cisão de pessoa jurídica isenta como determina que os bens e direitos sejam transferidos pelo valor de aquisição porque assim a outra sociedade, quando os alienar, ficará sujeita à tributação de eventual ganho. Portanto, a consequencia tributária se dá no âmbito das pessoas jurídicas envolvidas na cisão, sem afetar assim os associados, que não apuram qualquer resultado em virtude da operação. De fato, tendo em vista que nas hipóteses de incorporação, fusão e cisão das pessoas jurídicas em geral já era permitido avaliar o patrimônio pelo valor contábil ou de mercado (art. 21 da Lei nº 9.249/1995), o parágrafo único artigo 16 da Lei nº 9.532/1997 apenas veio garantir que, no caso de pessoas jurídicas isentas, somente pode ser utilizado o valor contábil, evitandose a aplicação da isenção a eventual ganho de capital oriundo da realização da operação a valor de mercado. Pois bem. Não obstante esteja claro que para os detentores dos títulos patrimoniais a cisão da associação com versão do patrimônio para uma sociedade seja mero fato permutativo, é de se observar, também, que as atualizações do valor dos títulos patrimoniais para refletir o patrimônio das associações sempre tiveram neutralidade fiscal. De fato, no exercício desta competência, o Banco Central do Brasil editou o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (“Cosif” – Circular nº 1.273, b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado.” 11 “Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital.” Fl. 754DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 740 31 de 29 de dezembro de 1987) obrigando12 os detentores a avaliarem os títulos patrimoniais da forma seguinte: “3 Os títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, e da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos CETIP são atualizados, por ocasião dos balanços, pelo valor informado pela respectiva bolsa, procedendose aos seguintes lançamentos de ajustes: (Circ 1273) a) se o novo valor informado pelas bolsas for superior ao saldo contábil na database do balanço, debitase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS; b) se o novo valor informado pelas bolsas for inferior ao saldo contábil na database do balanço, creditase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS até o limite do seu saldo. A parcela excedente, se houver, é debitada em LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS. 4 As atualizações de títulos patrimoniais, informadas pelas bolsas, independentemente da época de sua aprovação, são valorizadas em cada levantamento de balanço de exercício para efeito de lançamentos de ajustes. (Circ 1273) 5 O valor de ágios, porventura pagos na aquisição de títulos patrimoniais (valor de custo superior ao valor atualizado informado pelas bolsas), contabilizase em Investimentos, a débito de ÁGIOS NA AQUISIÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS. (Circ 1540)” Assim, os detentores não contabilizam os títulos patrimoniais pelo valor de custo, visto que são obrigados a refletir em sua contabilidade as mutações havidas no patrimônio líquido da CETIP, proporcionalmente a sua participação nesta associações. Estes ajustes são realizados apenas para fins contábeis, visando a refletir com maior transparência a participação na CETIP. O mecanismo é equivalente ao método de equivalência patrimonial aplicável aos investimentos de sociedades anônimas com base no art. 248 da Lei nº 6.404/1976, muito embora no caso dos títulos patrimoniais o método de avaliação tenha por base, ainda, normatização própria, editada pelo ente competente para tanto que é o Banco Central. Os ajustes contábeis realizados com relação ao valor dos títulos patrimoniais não refletem, todavia, a apuração de qualquer acréscimo ou decréscimo patrimonial efetivo, e por tal razão sequer poderiam ter qualquer efeito para fins tributários, pelo simples fato de que não ocorre a disponibilidade econômica ou jurídica da renda. 12 Capítulo 1, 1, “2 As normas e procedimentos, bem como as demonstrações financeiras padronizadas previstas neste Plano, são de uso obrigatório para: (Res 2122 art 7º; Res 2828 art 8º; Res. 2874 art 10 III; Circ 1273; Circ 1922 art 1º; Circ 2246 art 1º; Circ 2381 art 24) (...) j) as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários e câmbio;” Fl. 755DF CARF MF 32 Reconhecendo essa circunstância, o Ministro da Fazenda editou a Portaria nº 785, de 20 de dezembro de 1977, prevendo que os ajustes contábeis realizados pelos detentores dos títulos seriam indiferentes para fins tributários, a menos que significassem efetiva distribuição, conforme segue: “I. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decretolei nº 1.109/70, art. 3º, § 3º (RIR, art. 237).” Quer a norma dizer, no inciso I, que desde que contabilizado como reserva, o acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais são resulta em qualquer impacto tributário. E isto não significa a concessão de qualquer benefício fiscal aos titulares, pois se trata meramente de uma declaração do óbvio: que não há disponibilidade econômica ou jurídica de renda que permita a tributação de tais ajustes. Por sua vez, o inciso II esclarece que a disciplina tributária aplicável à reserva assim constituída seria aquela prevista no DecretoLei nº 1.109/1970, art. 3º, §3º, qual seja, a não tributação por ocasião do aumento de capital realizado com o montante desta reserva, contanto que o respectivo valor permanecesse capitalizado por pelo menos 5 anos13. E a base legal de tal afirmação, indicada no próprio preâmbulo da Portaria 785/1977, é o art. 223, “m”, do RIR/75. Em outras palavras: referida portaria apenas reconhece que tal dispositivo do RIR/75 se aplica também aos títulos patrimoniais. E este reconhecimento era mesmo necessário, já que o artigo 223, “m”, do RIR/75 fazia referência a “ações, quotas ou quinhões de capital”, o que poderia deixar dúvida sobre se os títulos patrimoniais estariam ou não compreendidos em tal conceito. E suma, as cifras derivadas da atualização dos títulos patrimoniais, antes de constituírem receita ou ganho, prestavamse, exclusivamente, a espelhar as oscilações do capital social das associações, permitindo a operacionalização da legislação infralegal baixada pelo Banco Central. Os detentores dos títulos estavam, por isso, compelidos a corrigir as cifras de face de seus ativos, somente para que, nestes moldes, guardassem elas plena correspondência com os quinhões ideais do patrimônio social da CETIP, por elas referenciados. Sabemos que não foi isso, no entanto, o que entendeu a Receita Federal na Solução de Consulta 10/07. De fato, o Fisco entendeu que a Portaria estaria trazendo um benefício fiscal, correspondente à “postergação da tributação de tais acréscimos, para quando houver a redução do capital social da bolsa de valores ou a própria extinção dela”. 13 “Art. 3º Os aumentos de capital das pessoas jurídicas mediante a incorporação de reservas ou lucros em suspenso não sofrerão tributação do impôsto de renda. § 3º Ocorrendo a redução do capital ou a extinção da pessoa jurídica nos 5 (cinco) anos subseqüentes o valor da incorporação será tributado na pessoa jurídica como lucro distribuído, ficando os sócios, acionistas ou titular, sujeitos ao impôsto de renda na declaração de rendimentos, ou na fonte, no ano em que ocorrer a extinção ou redução.” Fl. 756DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 741 33 Porém, é no mínimo estranho se cogitar que uma portaria estaria instituindo tal postergação, pois mesmo sob a égide da Constituição então vigente não era admitida a concessão de benefícios fiscais por mera portaria do Ministro da Fazenda. Muito mais razoável é, portanto, entender, conforme visto acima, que tal portaria apenas reconhece que os ajustes contábeis realizados com relação ao valor dos títulos patrimoniais não significam disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Conclusão quanto à infração no. 2 (desmutualização): oriento meu voto para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento integral ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Ante o exposto, oriento meu voto para rejeitar as preliminares de nulidade para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Voto Vencedor Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator designado Fl. 757DF CARF MF 34 Em que pese o judicioso voto exarado pela Conselheira Relatora, ouso discordar de algumas questões e que assim levaram o Colegiado a formar maioria contrária às suas posições. Abaixo, formulo os fundamentos para discordância em atenção à designação que me foi atribuída para redigir o voto vencedor. Erro na capitulação legal. De fato, houve erro no enquadramento legal, conforme constado desde a decisão de primeiro grau. Nada obstante, não se caracterizou qualquer equívoco no regime jurídico aplicável, tanto que não houve qualquer erro de cálculo decorrente da imputação jurídica. Também não houve qualquer prejuízo para a defesa e isso não decorre de uma suposta expertise dos profissionais encarregados de elaborar as peças de impugnação e recursal. Já me manifestei nesse sentido em diversas oportunidades. Transcrevo abaixo ementa no AC 1401001.504, de 20/01/2016, da minha lavra: NULIDADE ENQUADRAMENTO LEGAL As formalidades procedimentais só ensejam nulidades quando repercutem substancialmente; no caso específico, quando cerceiam o direito de defesa do contribuinte. Nem mesmo um erro evidente no enquadramento legal, algo não caracterizado no presente feito, seria capaz de tornar nulo o procedimento, se a descrição fiscal foi suficiente para a precisa identificação do teor acusatório. Apesar de o acórdão ter sido proferido nas questões preliminares, diferentemente do que aqui se deliberou, seu fundamento se estende para a análise de mérito, uma vez que não houve modificação da matéria objeto do auto de infração. Para não ficar apenas com jurisprudência da minha própria lavra, transcrevo abaixo acórdão com a mesma posição adotada por mim: ENQUADRAMENTO LEGAL. IRREGULARIDADE. CORRETA DESCRIÇÃO DOS FATOS. VALIDADE DO LANÇAMENTO. É válido o lançamento, ainda que contenha alguma irregularidade no enquadramento legal, se a descrição dos fatos for correta, permitindo ao sujeito passivo exercer o direito de defesa (AC 1301002.205, de 14/02/2017). A alegação de erro no enquadramento legal, portanto, não é fundamento para inquinar de nulidade ou de improcedência material do lançamento tributário. Fl. 758DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 742 35 Ganho de capital nas operações de incorporação de ações e na desmutualização O ganho de capital na incorporação de ações e na desmutualização já foi enfrentado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais não só no que diz respeito aos temas em si, mas também especificamente em relação às operações tratadas no presente processo. Tratase do recente Acórdão 9101003.536, de 4 de abril de 2018. Abaixo, transcrevo a ementa pertinente: INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO O GANHO DE CAPITAL. Os negócios jurídicos que se integram na incorporação de ações ocorrem em razão de manifesta deliberação dos sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembléias, nos termos do artigo 252 da Lei n° 6.404/76; portanto, são os acionistas que determinam os valores pelas quais as operações serão realizadas (observadas as prescrições legais tendentes a proteger acionistas minoritários) de modo que se a operação de subscrição realizarse por valor superior ao valor contábil, haverá apuração de ganho de capital tributável. DESMUTUALIZAÇÃO CETIP. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. CISÃO COM VERSÃO DO PATRIMÔNIO PARA SOCIEDADE ANÔNIMA. TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL. Não se pode cogitar de aplicacã̧o do MEP aos títulos patrimoniais das associações, porque sequer inexiste investimento do associado. Este contribuiu para formar o capital da associacã̧o sem qualquer interesse econômico. Porém, ao fim e ao cabo, essa associação isenta acumulou superávits ao longo dos anos. Posteriormente, em decorrência da extinção dessa entidade sem fins lucrativos, uma vez convertida em sociedade anônima, os associados tornaramse acionistas, auferindo um acréscimo de seu patrimônio em razão da aquisicã̧o do direito aos resultados não tributados da entidade isenta, obtidos antes de se transformar em sociedade anônima. Esses resultados foram adicionados ao valor patrimonial dos títulos de cada associado, refletindose no valor das ações recebidas da pessoa jurídica com fins lucrativos então criada, o que não é compatível com a pretensão do recorrente de se livrar do crédito tributário correspondente ao ganho auferido. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO O GANHO DE CAPITAL. Os negócios jurídicos que se integram na incorporação de ações ocorrem em razão de manifesta deliberação dos sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembléias, nos termos do artigo 252 da Lei n° 6.404/76; portanto, são os acionistas que determinam os valores pelas quais as operações serão realizadas (observadas as prescricõ̧es legais tendentes a proteger acionistas minoritários) de modo que se a operação de Fl. 759DF CARF MF 36 subscricã̧o realizarse por valor superior ao valor contábil, haverá apuração de ganho de capital tributável. Abaixo, transcrevo o teor do voto condutor da decisão: Assim expostos os fatos, é preciso ter em conta que, de acordo com a Fiscalização, a recorrida subscreveu ações de sociedades anônimas mediante recursos provenientes da devolução do patrimônio de instituições isentas. A recorrida pondera que não houve extinção de associações com devolução de capital à associada e, sim, cisão de associações sem fins lucrativos, cujos patrimônios foram vertidos para sociedades resultantes da cisão. Em primeiro lugar, não se pode admitir a tese defensiva que sustenta a realização de cisão com a versão de parte do patrimônio das associações para sociedades anônima. Registrese que, nos termos do artigo 53 do vigente Código Civil, "constituemse as associacõ̧es pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos". Essa redação mereceu a crítica que deu lugar ao Enunciado no 534 do Conselho da Justica̧ Federal, segundo o qual "as associações podem desenvolver atividade econômica, desde que não haja finalidade lucrativa." Vale considerar que a finalidade institucional, sempre de índole não lucrativa, justifica os benefícios e as vantagens que acabam redundando em aumento do patrimônio das associações. Como é cediço, certos propósitos associativos mobilizam o Poder Público e particulares a conceder benesses, regalias e privilégios como forma de estímulo ou apoio à consecução dos fins que motivaram a constituição das associações. O Direito não admite a distribuição do patrimônio da associação aos associados, já que as contribuições destes, bem como os benefícios e as vantagens proporcionados por terceiros, inclusive pelo Poder Público, objetivam, em última instância, a realizacã̧o dos fins almejados pela associação. Coerentemente com tal concepção, o artigo 61, caput, do Código Civil de 2002 prevê que, "em caso de dissolucã̧o da associação, o remanescente do patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou fracõ̧es ideais do patrimônio relativas aos associados contribuintes, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberacã̧o dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes." Percebase também que a lei de modo algum autoriza a destinação do remanescente do patrimônio líquido para entidade que não tenha fins iden̂ticos ou semelhantes ao da associação dissolvida. Em consonância com o artigo 61, § 2o, do Código Civil/2002, caso inexista no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituicã̧o com fins idênticos ou semelhantes, o que remanescer de seu patrimônio deverá ser transferido à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. À vista do regramento civil das associações, é inquestionável a proibição da versão do patrimônio de uma associação para uma sociedade anônima. Também é inquestionável que as associacõ̧es não se sujeitam à cisão, instituto do Direito específico das sociedades. Para tal conclusão, basta rememorar que o Livro II do Código Civil/2002 cuida do Direito das Empresas, dividido em Títulos. Ao Título II cabem as regras referentes às sociedades, iniciandose com o conceito de contrato de sociedade estipulado em seu artigo 981: "celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados." (grifei) Aqui já se verifica uma distinção essencial: a sociedade persegue o lucro, ao passo que a associação, não. Fl. 760DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 743 37 Continuando a exploração topográfica do Título II, dividido em capítulos: justamente o capítulo X trata da transformação, incorporação, fusão e cisão de sociedades. Óbvio, pois, que não há espaço à afirmação de que se aplicam as regras relativas à cisão às associações. Por essa razão, a disciplina do parágrafo único do artigo 16 da Lei no 9.532/1997 não é aplicável às associações, conforme se depreende do texto do mencionado dispositivo legal: [seguiu o dispositivo] Segundo o artigo 44 do Código Civil em vigor, são pessoas jurídicas de direito privado: as associacõ̧es, as sociedades, as fundacõ̧es, as organizações religiosas (incluído pela Lei no 10.825, de 22.12.2003), os partidos políticos (incluído pela Lei no 10.825, de 22.12.2003) e as empresas individuais de responsabilidade limitada (incluído pela Lei no 12.441, de 2011). A partir desse dispositivo legal, inferese que o parágrafo único do artigo 16 da Lei no 9.532/1997 não incide na transferência de bens e direitos de entidades isentas para o patrimônio de toda e qualquer pessoa jurídica, uma vez que as associações não podem ser objeto de incorporacã̧o, fusão ou cisão. Há, entretanto, pessoas jurídicas isentas que não têm a natureza de associação. Desde que estas estejam autorizadas a se submeter a operações de incorporação, fusão ou cisão, serão regidas pela regra do parágrafo único do artigo 16 citado, quando transferirem bens e direitos para o patrimônio de outras pessoas jurídicas, em decorren̂cia daquelas operações, exceto se houver norma especial que determine de outro modo. No mesmo rumo, não se pode dizer que o artigo 2.033 do vigente Código Civil estabelece que toda e qualquer pessoa jurídica pode realizar operação de transformação, incorporação, cisão ou fusão, verbis: [seguiu o dispositivo] Definitivamente, tal dispositivo remete ao próprio Código, salvo nos casos previstos em lei especial, os atos constitutivos das pessoas jurídicas e as operacõ̧es de transformacã̧o, incorporação, cisão ou fusão. Ora, é o próprio Código Civil que não autoriza as associações a se submeter a tais operacõ̧es. Reiterando o que se adiantou, não há norma no Código Civil ou em lei especial que preveja a operação de transformacã̧o, incorporação, cisão ou fusão para associações. O próprio conceito legal de associacã̧o autoriza a conclusão de que a exploracã̧o de atividade lucrativa por pessoa jurídica que anteriormente gozava de vantagens e benefícios por não perseguir o lucro, implica dissolução desta. Com razão a Fazenda Nacional, contudo, ao expor que, "ainda que admitíssemos a aplicaçaõ de institutos como a transformação, cisão e incorporação de sociedades empresárias ao presente caso, apenas para se evitar eventual soluçaõ de continuidade das atividades desenvolvidas pelas Bolsas, ainda assim, dada a nítida disparidade de regimes, não há como fugir à conclusão (como manda a lei) de que os associados receberam de volta patrimônio e, ato contínuo, ainda que na mesma folha de papel, utilizaramse do mesmo para a integralização de ações em sociedade anônima." (grifei) Esclareçase, ainda, que não é verdade que houve permuta de títulos patrimoniais por ações. Concebese o contrato de permuta ou troca como um contrato bilateral comutativo, já que as obrigações dos contraentes devem equivalerse, Fl. 761DF CARF MF 38 juridicamente. Assim, se houvesse permuta, haveria outra parte que deveria arcar com obrigações contrapostas às obrigações dos antigos associados. Nesse tópico, perguntase: se o associado recebeu acõ̧es, o que se comprometeu a dar em troca, e para quem, com o fito de receber as acõ̧es? Que obrigação foi assumida pelo associado, em sinalagma? A resposta é simples: nenhuma; não havia outrem com quem tivesse permutado algo. O caráter sinalagmático da permuta decorre do cerne intencional em torno da compensação de um bem por outro, com equilíbrio econômico entre as prestações. Desse contrato surgem obrigações correlativas de entregar uma coisa pela outra, pois a pretensão de obter uma coisa é o que motiva a transferência do domínio da outra. Consignese que, "assim como na compra e venda, em que um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, ou seja, é contrato que engendra exclusivamente uma obrigação de dar (rem pro pretium), mas não uma obrigação de fazer (Washington de Barros Monteiro, Curso de Direito Civil, Direito das obrigacõ̧es, São Paulo: Saraiva, 1959, vol. 2, p. 91), igualmente na permuta não há troca de coisa por uma obrigação de fazer (do ut facias), mas exclusivamente uma rem pro re (Barros Monteiro, op. cit., p. 129)." A alegação do recorrente sugere que os associados deixaram de ter títulos patrimoniais representativos do capital da associação "em troca" de ações. Se o associado celebrou a troca antedita, deveria haver outra pessoa para quem entregou os títulos patrimoniais e de quem recebeu as ações. Contudo, nada disso ocorreu, pois o antigo associado recebeu ações emitidas pela sociedade anônima destinatária do patrimônio da associação, sem assumir a obrigação de lhe entregar, de forma comutativa, coisa alguma. Também é preciso elucidar que a Portaria MF no 787/1977 não favorece à recorrente. Vejase: [seguiu a redação da Portaria] Não se deve perder de vista que a aludida Portaria foi editada para regulamentar a alínea "m" do artigo 223 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 76.186/1975. Significa dizer que a Portaria n° 785/1977 não determinou que se aplicassem as normas da Lei no 6.404/1976 disciplinadoras do método da equivalen̂cia patrimonial. Na verdade, a alínea “m” do artigo 223 do RIR/1975 referiase a quinhões ou fracõ̧es ideais recebidas pelos associados em decorrência de meros aumentos de capital da Bolsa de Valores. Ora, um dispositivo do RIR/1975 não pode ter conexão com o método da equivalen̂cia patrimonial (MEP), instituído posteriormente pela Lei no 6.404/1976. Nesse ponto, impende colocar em evidência o indigitado dispositivo do RIR/1975: [seguiu o dispositivo] Perante o cenário em relevo, constatase que a Portaria MF no 787/1977 simplesmente autorizava a postergacã̧o da tributação das sociedades corretoras, incidente sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das quotas ou frações ideais, decorrentes de alteracã̧o do patrimônio das associações (Bolsas de Valores), desde que a corretora associada houvesse constituído reserva para futura incorporacã̧o ao capital. Implementada a mencionada condição para a postergação, a tributação em referência deveria ocorrer no momento da distribuição do valor acrescido, ou, dentro de cinco anos do aumento de capital com a citada reserva, quando da redução desse capital ou da extinção da pessoa jurídica associada, como previa o artigo 237 do RIR/1975: Fl. 762DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 744 39 [seguiu o dispositivo] Seja como for, não se pode perder de vista que, na vigência do artigo 17 da Lei no 9.532/1997, devese tributar a devolução do patrimônio da associação pela diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos dessa entidade isenta e o valor em dinheiro ou o valor dos bens que foram entregues para a formacã̧o do patrimônio da associação. Cumpre reforca̧r a rejeição ao argumento de que os acréscimos antes aduzidos resultam da equivalência patrimonial, o que obstaria sua sujeição à tributação, em consonância com artigos 225 e 388 RIR/99. Embora já tenha sido delineado, de forma breve, que a Portaria MF no 787/1977 não se refere à aplicacã̧o do método da equivalência patrimonial, convém transcrever o seguinte trecho do acórdão no 9101002.462, da lavra do Conselheiro André Mendes de Moura: "Defende a Contribuinte que cabe a atualização no valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das bolsas de valores constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos nos moldes do MEP, conforme metodologia imposta pelos princípios contábeis e pelo BACEN e a CVM, e o tratamento disciplinado na área fiscal pela Portaria MF no 758/77. Ocorre que o MEP é instituto previsto na mencionada Lei no 6.404, de 1976, que não trata de associações, mas sim de sociedade por ações que visam o lucro. É método de atualização de investimentos da controladora em controladas e coligadas. Ou seja, a investidora reflete, no seu patrimônio líquido, as variações positivas ou negativas do patrimônio líquido de suas investidas. Eventual variação positiva no investimento da investidora não é submetida à tributação, porque se trata de reflexo dos lucros das investidas destinados ao aumento do seu capital social, que já foram tributados nas próprias investidas (coligadas ou controladas). Por outro lado, as associações civis, enquanto se mantiverem nessa condição, e a quem pretende a recorrente equiparar às controladas ou coligadas, são isentas de tributação. Ou seja, não se tributa nem a investida (associação sem fins lucrativos), nem o investidor (detentor do título patrimonial). Por isso, o contexto em que insere a Portaria MF no 785, de 1977 é o de conferir transparência à evolução patrimonial das bolsas, que eram associações sem fins lucrativos. Resta evidente, portanto, a distorção ao se pretender equiparar a variação de investimento prevista por meio do MEP à atualização de títulos patrimoniais decorrentes de variações no patrimônio das bolsas de valores prevista na mencionada portaria ministerial. Ademais, analisandose como a lei societária conceitua as sociedades controladas e coligadas (art. 243 da Lei no 6.404, de 1976), tornase ainda mais improvável compreender que os detentores dos títulos patrimoniais de uma associação sem fins lucrativos possam ser assemelhados a investidores com poder de decisão sobre a administração da investida, vez que não são detentores de um investimento relevante e tampouco exercem influência significativa. Os arts. 116 e 243 da Lei no 6.404, de 1976, deixam claro o vetor que direciona a relação entre as empresas do grupo: o poder de deliberar sobre o destino da empresa. Fl. 763DF CARF MF 40 (...) Como se pode observar, a equiparação entre os proprietários de títulos patrimoniais de associação sem fins lucrativos a controladoras de uma sociedade empresária por ações, com fins lucrativos (controlada ou coligada) não encontra nenhuma sustentação jurídica. A propriedade de títulos patrimoniais não confere nenhum poder sobre os destinos da associação, os associados não tem direitos e obrigações recíprocos, o fim colimado não é o proveito comum dos sócios, mas sim o ideal da associação. Por outro lado, o MEP reflete a valorização de ações que a empresa possui, de participações societárias de empresas controladas ou coligadas, sobre as quais exerce poder de decisão. Propriedade de títulos patrimoniais X propriedade de ações de empresas controladas e coligadas são situações que não se comunicam, sob qualquer enfoque que se analise a questão, tanto no direito empresarial (Código Civil), quanto no direito contábil (Lei no 6.404, de 1976) ou no direito tributário." (grifos no original) Em síntese, não se pode cogitar de aplicação do MEP aos títulos patrimoniais das associações, porque sequer inexiste investimento do associado. Este contribuiu para formar o capital da associacã̧o sem qualquer interesse econômico. Poreḿ, ao fim e ao cabo, essa associação isenta acumulou superávits ao longo dos anos. Posteriormente, em decorrência da extinção dessa entidade sem fins lucrativos, uma vez convertida em sociedade anônima, os associados tornaramse acionistas de uma sociedade anônima. No entanto, um dos associados não quer que se reconheça o acréscimo de seu patrimônio, em razão da aquisição do direito aos resultados não tributados da entidade isenta, obtidos antes de se transformar em sociedade anônima. Esses resultados foram adicionados ao valor patrimonial dos títulos de cada associado, refletindose no valor das acõ̧es recebidas da pessoa jurídica com fins lucrativos então criada, o que não é compatível com a pretensão do recorrente de se livrar do crédito tributário correspondente ao ganho auferido. Apesar de não estar vinculado à CSRF, concordo integralmente com os fundamentos da sua decisão e, portanto, os adoto para manter o lançamento relativamente aos ganhos de capital. Multas isoladas No tocante às multas isoladas, não se caracterizou a decadência, uma vez que, conforme corretamente posto pela decisão recorrida, tais sanções são impostas tipicamente de ofício e, portanto, submetemse ao prazo previsto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e não no § 4˚, art. 150 desta mesma codificação. Também não merece prosperar a alegação de impossibilidade do lançamento de multa fora do período de apuração. É verdade que já houve julgados nesse sentido, mas sempre discordei de tal posição ausência de previsão legal e de lógica das suas premissas. Abraço apenas a posição acerca da impossibilidade de lançamento concomitante de multa isolada e de ofício, mas isso não ocorreu no presente feito, uma vez que a matéria tributável foi totalmente absorvida por prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 16327.721204/201368 Acórdão n.º 1401002.306 S1C4T1 Fl. 745 41 Conclusão Por todo o exposto, acompanho a Conselheira Relatora quanto às preliminares e, no mérito, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 765DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.006048/2006-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. EFEITO DECORRENTE DA DECISÃO FINAL, DEFINITIVA E IRREFORMÁVEL NA ÓRBITA ADMINISTRATIVA EM PROCESSO CONEXO QUE MANTEVE A GLOSA DA DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO QUE IMPLICOU REVERSÃO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ EM SALDO A PAGAR.
Após a transmissão das DCOMP, as quais tratam da utilização de saldo negativo de IRPJ, a contribuinte sofreu autuação fiscal, glosa da despesa de amortização de ágio, implicando reversão do saldo negativo de IRPJ em saldo a pagar do referido ano-calendário, gerando processo específico de lançamento do crédito tributário.
Naquele processo administrativo, a lide foi julgada por decisão final, definitiva e irreformável na órbita administrativa, restando confirmada a reversão do saldo negativo de IRPJ em saldo a pagar pela manutenção integral da infração imputada, implicando, por consequência, a inexistência de saldo negativo de IRPJ do referido ano-calendário.
Assim, as DCOMP transmitidas pela contribuinte, objeto deste processo ainda em curso, que tratam da utilização do referido saldo negativo de IRPJ para quitação dos débitos confessados, não podem ser homologadas, pois o direito creditório pleiteado restou confirmado inexistente por decisão final, definitiva e irreformável na órbita administrativa no processo conexo, ao manter a referida infração.
Numero da decisão: 1201-002.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: Relator
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DCOMP. UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. EFEITO DECORRENTE DA DECISÃO FINAL, DEFINITIVA E IRREFORMÁVEL NA ÓRBITA ADMINISTRATIVA EM PROCESSO CONEXO QUE MANTEVE A GLOSA DA DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO QUE IMPLICOU REVERSÃO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ EM SALDO A PAGAR. Após a transmissão das DCOMP, as quais tratam da utilização de saldo negativo de IRPJ, a contribuinte sofreu autuação fiscal, glosa da despesa de amortização de ágio, implicando reversão do saldo negativo de IRPJ em saldo a pagar do referido anocalendário, gerando processo específico de lançamento do crédito tributário. Naquele processo administrativo, a lide foi julgada por decisão final, definitiva e irreformável na órbita administrativa, restando confirmada a reversão do saldo negativo de IRPJ em saldo a pagar pela manutenção integral da infração imputada, implicando, por consequência, a inexistência de saldo negativo de IRPJ do referido anocalendário. Assim, as DCOMP transmitidas pela contribuinte, objeto deste processo ainda em curso, que tratam da utilização do referido saldo negativo de IRPJ para quitação dos débitos confessados, não podem ser homologadas, pois o direito creditório pleiteado restou confirmado inexistente por decisão final, definitiva e irreformável na órbita administrativa no processo conexo, ao manter a referida infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 60 48 /2 00 6- 58 Fl. 491DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório COMPANHIA ENERGÉTICA DE PERNAMBUCO CELPE recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1124.933, sessão de 18 de dezembro de 2008, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE) que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, mantendo a decisão de HOMOLOGAR PARCIALMENTE A COMPENSAÇÃO, nos termos do voto do relator. Por bem sintetizar o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, constante do Acórdão ao norte mencionado, completandoo ao final: A interessada acima qualificada apresentou Declarações de Compensação —Dcomp (fls. 11/56), abaixo descriminadas, por meio das quais compensou crédito do Imposto de renda Pessoa Jurídica IRPJ com débitos de sua responsabilidade. O crédito informado seria decorrente de saldo negativo do IRPJ do exercício de 2005, ano calendário 2004 no valor de R$ 4.932.503,65 (valor originário constante da sua DIPJ/2005 Retificadora entregue em 27/10/2006). De acordo com o Relatório de Informação Fiscal (fls.06/09), propôsse a homologação parcial da compensação, ante o reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 1.120.665,93 inferior ao informado nas Declarações de Fl. 492DF CARF MF Processo nº 19647.006048/200658 Acórdão n.º 1201002.366 S1C2T1 Fl. 492 3 Compensação. Aprovando o citado parecer, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Recife exarou o Despacho Decisório de fls. 181/189, através do qual resolveu HOMOLOGAR PARCIALMENTE a compensação até o limite do crédito reconhecido, no valor originário de R$ 1.120.665,93, adiante especificado. A divergência encontrada entre o valor do crédito declarado pela interessada e o valor apurado pela fiscalização decorreu da falta de adição ao lucro liquido de despesas operacionais indedutíveis contabilizadas como amortização de ágio, fato este que corrigido oficio ensejou na consideração do valor a restituir de R$ 1.120.665,93 (Demonstrativo às fls. 139/140 e Termo de Encerramento de Ação Fiscal às fls.99/125). A "contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.145/156), alegando, em síntese, que a suposta infração detectada pela fiscalização,a qual alterouo resultado da CSLL, constitui o processo de n° 196476.010151/200783 que se encontra em litígio, desta feita, o presente processo deverá aguardar a decisão definitiva do citado processo por estar estritamente relacionado com o mesmo. A impugnante também argumenta contra a infração detectada relativamente à glosa de despesa relativa à amortização de ágio constante do processo n º 19647.010151/200783. Do pedido. A impugnante requer que seja julgada a presente impugnação conjuntamente com a impugnação apresentada no processo n° 19647.010151/200783, e em caso contrário que este processo seja sobrestado com fulcro no art. 265, inciso IV do CPC até o desfecho do citado processo. Requer ainda que, caso entendimento for no sentido de a presente lide ser julgada independentemente do processo n° 19647.010151/200783, seja analisado o mérito alegado e reformada a decisão recorrida. A DRJ/Recife, por meio do Acórdão ao norte identificado, indeferiu a solicitação da contribuinte e manteve a decisão consubstanciada no despacho decisório de efls. 141/142, sob os seguintes argumentos: Ocorre que, antes que fosse apreciada a pretendida compensação, a contribuinte foi alvo de fiscalização promovida Fl. 493DF CARF MF 4 pela Delegacia da Receita Federal em Recife, no anocalendário em questão, ensejando lançamento de auto de infração formalizado no Processo n° 19647.010151/200783, no qual foi verificado, entre outras, a falta de adição ao lucro liquido de despesas indedutíveis de amortização de ágio, ensejando a apuração de um imposto a restituir/compensar no montante de R$ 1.120.665,93, inferior ao crédito do IRPJ objeto do pedido de compensação em lide. O citado auto de infração, constante do processo n° 19647.010151/200783, foi objeto de julgamento pela 5' Turma de Julgamento desta DRJRecife, através do Acórdão n° 11 23.277 de 30/06/2008, o qual manteve a glosa da dedução de despesa a título de ágio efetuada pela fiscalização (...) (...) O Acórdão acima citado foi objeto de Recurso voluntário e encontrase no 1° Conselho de Contribuintes, para apreciação desde 12/11/2008, consoante consulta anexa às fls. 247/248. Vale salientar que, mesmo que o auto de infração ainda não houvesse sido julgado nesta instância, haveria de ser mantida a decisão denegatória do crédito suplicado. Isto porque, à época do despacho, já fora lavrado o auto de infração, tendose então a circunstância de que, naquele momento, como agora, inexistiam créditos líquidos e certos a amparar a compensação pleiteada, em face do que se tinham por não atendidos os pressupostos estabelecidos no art. 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (...) (...) Diante da decisão de primeira instância, foi oposto o Recurso Voluntário (e fls. 401 e seguintes) trazendo, em essência, as mesmas alegações de seu primeiro apelo. Esta Turma, com outra composição, por meio da Resolução nº 1201001.166, na sessão de 04 de fevereiro de 2015 (fls. 481 e seguintes), resolveu determinar a suspensão do julgamento deste processo até o julgamento definitivo do processo administrativo nº 19647.01051/200783, ora pendente de julgamento pela Câmara Superior deste Tribunal. Conforme consta do Termo de Apensação de fls. 480, este processo foi juntado por apensação ao processo nº 10480.906257/200911. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Em face da tempestividade verificada e presentes os demais pressupostos de admissibilidade passo a apreciar o recurso voluntário interposto. Conforme relatado, os autos do processo tratam de compensação tributária. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 19647.006048/200658 Acórdão n.º 1201002.366 S1C2T1 Fl. 493 5 A contribuinte efetuou compensação tributária de débitos, conforme DCOMPs objeto dos autos, utilizando saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2004, valor original apurado R$ 4.932.503,65, informado na DIPJ 2005, anocalendário 2004, Ficha 12 A efls. 90. Na sequência, em 25/09/2007, a contribuinte foi autuada quanto ao ano calendário 2004, e o saldo negativo de IRPJ de R$ 4.932.503,65 foi revertido para saldo de IRPJ a pagar de R$ 3.942.110.77, conforme autos do Processo conexo nº 19647.010151/2007 83, em face da infração imputada "adições não computadas na apuração do lucro real despesa (indedutivel) de amortização de ágio" , in verbis: (...) Abaixo, trago a colação, o "Demonstrativo de Apuração" de IRPJ do ano calendário de 2004 constante do Auto de Infração do processo conexo nº 19647.010151/2007 83: Fl. 495DF CARF MF 6 A lide objeto do Processo nº 19647.010151/200783, que trata da glosa da despesa de amortização de ágio que implicou reversão do saldo negativo da IRPJ do ano calendário 2004 de R$ 4.932.503,65 para saldo de IRPJ a pagar de R$ 3.942.110,77, restou com decisão definitiva, irreformável, na instância administrativa, com o advento do Acórdão nº 9101002.186, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (efls. 2.565 do processo nº 19647.010151/200783), com a seguinte decisão: DAR PROVIMENTO para fins de restabelecer a autuação fiscal pela glosa da despesa de amortização de ágio, pela glosa de prejuízos compensados indevidamente no IRPJ e pela compensação indevida da base de cálculo negativa da CSLL; Assim, existindo decisão final irreformável na órbita administrativa nos autos do Processo (conexo) nº 19647.010151/200783, confirmando a inexistência de saldo negativo da IRPJ do anocalendário de 2004 pela manutenção da infração ""adições não computadas na apuração do lucro real despesa (indedutível) de amortização de ágio" ou seja, restou sacramentada a reversão do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 de R$ 4.932.503,65 para saldo de IRPJ a pagar de R$ R$ 3.942.110,77, não cabendo discutir aqui, novamente, a mesma matéria, que restara decidida naqueles autos. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 496DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001158/2005-47
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. APLICAÇÃO DE SÚMULA.
Não se conhece recurso especial que à época da análise da admissibilidade contrarie súmula do CARF.
Numero da decisão: 9101-003.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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NÃO CONHECIMENTO. APLICAÇÃO DE SÚMULA. Não se conhece recurso especial que à época da análise da admissibilidade contrarie súmula do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 11 58 /2 00 5- 47 Fl. 278DF CARF MF 2 de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN, em face do acórdão nº 120200.256, onde se cancelou exclusão ao SIMPLES ao entendimento de que não comprovada a necessidade de profissional legalmente habilitado (engenheiro) para a execução das atividades de industrialização e comercialização e prestação de serviços de usinagem e manutenção de máquinas e peças para indústria e comércio em geral, a pessoa jurídica pode optar pelo sistema SIMPLES de recolhimento de impostos e contribuições federais. A Contribuinte foi excluída do Simples por intermédio do Ato Declaratório Executivo DRF/S8C nº 569.212, de 02 de agosto de 2004 (efl 16), por possuir CNAE de atividade vedada, qual seja reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso geral. O contribuinte ingressou com Solicitação de Revisão da Execução da Opção pelo Simples, alegando que, apesar de possuir a atividade em um dos CNAE's, não exercia de fato a "prestação de serviços', não fazia manutenção e reparação de maquinas e equipamentos, mesmo que para outras empresas, e não realizava a montagem de equipamentos elétricos eletrônicos, limitandose apenas à fabricação e comercialização dos equipamentos. A Delegacia indeferiu seu pleito, ao argumento de que "o objeto de exploração econômica deste contribuinte, no período compreendido entre 13/06/1997 e 17/05/2004. é "industrialização e comercialização e prestação de serviços de usinagem e manutenção de máquinas e peças para indústrias e comércios em geral". de modo que o contribuinte incide em atividade vedada, nos termos do artigo 20, inciso XII, da 1NSRF 355/2003, de acordo com os parâmetros do Sistema de Vedações e Exclusões SIVEX. Os parâmetros do sistema são estabelecidos de acordo com a legislação em vigor. Não se verifica, nem o contribuinte comprova, a ocorrência de erro de fato a ser corrigido de oficio. Os efeitos da exclusão são definidos pela legislação nos termos definidos pelo ADE 569.212." Impugnado o ato, a DRJ foi indeferido o pleito do contribuinte, ao entendimento de que o exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional da engenharia é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples. Apresentado Recurso Voluntário, a Turma a quo a ele deu provimento. O voto do relator do acórdão recorrido conclui que a atividade de prestação de serviços de manutenção industrial não é equiparada à engenharia, bem como é ônus da fazenda a prova do efetivo exercício da atividade, quanto mais pela aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006, que deixou de considerar vedada citada atividade. Abaixo, transcrição da ementa da referida decisão: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 13819.001158/200547 Acórdão n.º 9101003.680 CSRFT1 Fl. 279 3 Ementa: SIMPLES. ATIVIDADES DE INDUSTRIALIZAÇÃO E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE USINAGEM E MANUTENÇÃO DE PEÇAS PARA INDÚSTRIA. Não comprovada a necessidade de profissional legalmente habilitado (engenheiro) para a execução das atividades de industrialização e comercialização e prestação de serviços de usinagem e manutenção de máquinas e peças para indústria e comércio em geral, a pessoa jurídica pode optar pelo sistema SIMPLES de recolhimento de impostos e contribuições federais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente jul gado. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial às fls 200/217, alegando que a decisão deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe foi dada por outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, em relação às seguintes matérias: 1. A previsão no contrato social de atividade vedada à opção pelo simples é suficiente para exclusão do contribuinte do SIMPLES. 2. Montagem, manutenção e assistência técnica em equipamentos eletro eletrônicos. Assemelhada à de Engenheiro. Vedação à opção pelo SIMPLES. 3. Impossibilidade de aplicação da LC 123/2006 retroativamente. O Recurso da Fazenda foi conhecido, conforme despacho de admissibilidade. Intimado do Recurso da Fazendo o contribuinte apresenta contrarrazões, argumentando que a decisão da Turma a quo está em consonância com a Súmula 57, de modo que deve ser improvido o recurso da Fazenda. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade do Recurso, entendo importante o debate Conforme a decisão recorrida as atividades de "industrialização e comercialização e prestação de serviços de usinagem e manutenção de máquinas e peças para indústrias e comércios em geral" estão dentre aquelas descritas nos itens 15 a 17 do art. 1° da Resolução referida e podem ser exercidas por profissional Técnico de Nível Médio, consoante art. 24 da mesma Resolução, sem a necessidade de profissional de Engenharia como defendeu o acórdão recorrido. Alega também o relator da decisão, a meu ver como argumento acessório ao principal (obiter dictum), que o Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES baseouse Fl. 280DF CARF MF 4 unicamente no código da atividade econômica: "2929 7/02. Instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso geral.", sem maiores aprofundamentos quanto à verdadeira situação fática do contribuinte, diferentemente da atividade econômica da interessada, que indicava em sua 2ª alteração contratual, fls. 22 a 24,: "industrialização e comercialização e prestação de serviços de usinagem e manutenção de máquinas e peças para indústrias e comércios em geral". Ao final, claramente como obiter dictum, manifesta o relator sobre a aplicação da Lei Complementar 123/06, no seguinte sentido: Por fim, não obstante tudo o que foi dito, observase, ainda, que as atividades desenvolvidas pela recorrente à época da edição do ADE de exclusão (2ª alteração contratual), não se encontram dentre aquelas vedadas pelo art. 17 da Lei complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, atual SIMPLES Nacional, fazendo jus, portanto, aos benefícios desse regime especial de pagamento. Pois bem, a ratio decidendi da decisão recorrida é no sentido de que a atividade pela qual o Contribuinte foi excluído do regime (Instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso geral) não se assemelha ao de engenheiro, não sendo proibitiva de ingresso no simples. Ocorre que, em relação à possibilidade de contribuintes que exercem tal atividade optarem pelo SIMPLES, foi editada a súmula CARF 57, que possui a seguinte redação: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Tendo em vista que aqui a análise paira sobre a possibilidade de manutenção no SIMPLES de sociedade que exercia a Instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso geral é possível compreender que a situação presente encontrase no âmbito daquelas analisadas para a edição da súmula. Logo, avaliando esse tema não conheço do Recurso da Fazenda. Em razão da aplicação da súmula, há a perda de interesse de agir em relação às outras matérias. Nesse contexto, voto por não conhecer o Recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 281DF CARF MF Processo nº 13819.001158/200547 Acórdão n.º 9101003.680 CSRFT1 Fl. 280 5 Fl. 282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000984/2007-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/2000
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVO. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO-INCIDÊNCIA.
Não há incidência do PIS e da COFINS sobre receitas decorrentes da venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, pois a operação equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, a qual está isenta da contribuição.
ATO DECLARATÓRIO DA PGFN Nº 04/2017. DISPENSA DE RECURSO. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELOS CONSELHEIROS DO CARF.
O Procurador-Geral da Fazenda Nacional expediu o Ato Declaratório nº 04, de 16/11/2017, autorizando a dispensa de apresentação de contestação, recursos e desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, "nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do Decreto-Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinada a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade".
Com fundamento no art. 62, §1º, inciso II, alínea "c" do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do MF nº 343/2015, os Conselheiros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deram provimento ao recurso especial da Contribuinte, alterando-se o entendimento da maioria do Colegiado, tendo em vista a publicação do Ato Declaratório da PGFN nº 04/2017, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda.
Numero da decisão: 9303-007.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/2000 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVO. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO-INCIDÊNCIA. Não há incidência do PIS e da COFINS sobre receitas decorrentes da venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, pois a operação equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, a qual está isenta da contribuição. ATO DECLARATÓRIO DA PGFN Nº 04/2017. DISPENSA DE RECURSO. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELOS CONSELHEIROS DO CARF. O Procurador-Geral da Fazenda Nacional expediu o Ato Declaratório nº 04, de 16/11/2017, autorizando a dispensa de apresentação de contestação, recursos e desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, "nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do Decreto-Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinada a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade". Com fundamento no art. 62, §1º, inciso II, alínea "c" do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do MF nº 343/2015, os Conselheiros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deram provimento ao recurso especial da Contribuinte, alterando-se o entendimento da maioria do Colegiado, tendo em vista a publicação do Ato Declaratório da PGFN nº 04/2017, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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Recorrente FCA FIAT CHRYSLER AUTOMOVEIS BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/2000 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVO. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃOINCIDÊNCIA. Não há incidência do PIS e da COFINS sobre receitas decorrentes da venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, pois a operação equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, a qual está isenta da contribuição. ATO DECLARATÓRIO DA PGFN Nº 04/2017. DISPENSA DE RECURSO. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELOS CONSELHEIROS DO CARF. O ProcuradorGeral da Fazenda Nacional expediu o Ato Declaratório nº 04, de 16/11/2017, autorizando a dispensa de apresentação de contestação, recursos e desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, "nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinada a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade". Com fundamento no art. 62, §1º, inciso II, alínea "c" do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do MF nº 343/2015, os Conselheiros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deram provimento ao recurso especial da Contribuinte, alterandose o entendimento da maioria do Colegiado, tendo em vista a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 09 84 /2 00 7- 66 Fl. 317DF CARF MF 2 publicação do Ato Declaratório da PGFN nº 04/2017, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, tempestivo, interposto pela Contribuinte ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº 3201000.417, proferido pela 2º Câmara/1º Turma Ordinária, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário, que possui a seguinte ementa: Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/2000 (...) RECEITA DE VENDAS EFETUADAS A EMPRESA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. A isenção para o PIS e a COFINS prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII eIX, do referido artigo, até 25 de julho de 2004. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 13603.000984/200766 Acórdão n.º 9303007.438 CSRFT3 Fl. 318 3 Apenas a partir de 26 de julho de 2004, as alíquotas do PIS e da Cofins foram reduzidas a zero para as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, quando auferidas por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM, nos termos do que dispõe o art. 2º da Lei nº 10.996, de 2004. Recurso Voluntário Negado. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Especial, aduz divergência jurisprudencial quanto à isenção das Contribuições concedida nas vendas de mercadorias a adquirentes domiciliados na Zona Franca de Manaus, efetuadas no período de 11/1997 a 12/2000. Para comprovar o dissenso, aponta como paradigma o Acórdão nº 3401 01.527. Em seguida, o Presidente da 3º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls.287/291. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls. 293/315. No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito especialmente quanto isenção ou não das contribuições PIS e Cofins para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, sob os fundamentos das regras dispostas na Medida Provisória nº 1.8586/1999, e reedições até a Medida Provisória nº 2.037 24/ 2000. In caso, tratase de Pedido de Restituição no qual a Contribuinte solicita créditos em decorrência de pagamento indevido da Cofins sobre receitas decorrentes de vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus, relativos ao período entre 01/11/1997 a 31/12/2000, que alegou ter o benefício de isenção. Com efeito, em razão da jurisprudência reiterada do Superior Tribunal de Justiça quanto à não incidência das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinada a pessoas jurídicas com sede na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional editou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 1.743/2016, propondo a edição de ato declaratório para autorizar dispensa de Fl. 319DF CARF MF 4 apresentação de contestação, de recursos e desistência dos já interpostos nas ações judiciais que discutam o tema. Referido Parecer foi aprovado por ato do Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no Diário Oficial da União de 14/11/2017, e, por conseguinte publicado pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional o Ato Declaratório nº 04, de 16/11/2017, autorizando a dispensa de apresentação de contestação, recursos e desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, "nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinada a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade". Com fundamento no art. 62, §1º, inciso II, alínea "c" do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do MF nº 343/2015, os Conselheiros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deram provimento ao recurso especial da Contribuinte, alterandose o entendimento da maioria do Colegiado, tendo em vista a publicação do Ato Declaratório da PGFN nº 04/2017, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 320DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.721328/2013-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. CASAS GERIÁTRICAS.
As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica.
GLOSA DE DEDUÇÃO COM DESPESAS DE INSTRUÇÃO
Na declaração de ajuste anual somente poderão ser deduzidos os pagamentos comprovadamente efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite previsto na legislação.
Numero da decisão: 2402-006.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. CASAS GERIÁTRICAS. As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. GLOSA DE DEDUÇÃO COM DESPESAS DE INSTRUÇÃO Na declaração de ajuste anual somente poderão ser deduzidos os pagamentos comprovadamente efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite previsto na legislação.
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DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS DE INSTRUÇÃO Recorrente OSCAR PAULO SACHETT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. CASAS GERIÁTRICAS. As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. GLOSA DE DEDUÇÃO COM DESPESAS DE INSTRUÇÃO Na declaração de ajuste anual somente poderão ser deduzidos os pagamentos comprovadamente efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite previsto na legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 13 28 /2 01 3- 98 Fl. 355DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 1ª Tuma da DRJ/FOR, consubstanciada no Acórdão nº 0837.145, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos processuais até a decisão de primeira instância, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, fls. 02/26, relativo aos anocalendário de 2008 a 2011, exercício de 2009 a 2012, para formalização do crédito tributário no valor de R$ 58.995,99, já incluídos multa de ofício e juros de mora. As infrações apuradas pela Fiscalização, relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse detalhados às fls. 04 a 06. Foram apuradas as seguintes infrações: 0001 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE Redução da base de cálculo do imposto de renda apurado na Declaração de Ajuste Anual dedução a título de dependente(s), pleiteadas indevidamente, conforme relatório fiscal em anexo. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13005.721328/201398 Acórdão n.º 2402006.539 S2C4T2 Fl. 3 3 Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2008 1.655,88 75,00 31/12/2009 5.191,20 75,00 31/12/2010 5.424,84 75,00 31/12/2011 2.710,70 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2008 e 31/12/2008: Arts. 73, 77, 83 e 841 do RIR/99 Art. 3º da Medida Provisória n° 280/2006, convertida na Lei n° 11.311/06 Art. 1º, inciso II e parágrafo Único da Lei n° 11.482, de 31 de maio de 2007. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: Arts. 73, 77, 83 e 841 do RIR/99 Art. 3º da Medida Provisória n° 280/2006, convertida na Lei n° 11.311/06 Art. 1º, inciso III e parágrafo único da Lei n° 11.482/07, com a redação dada pela Lei n° 11.945/09 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010: Arts. 73, 77, 83 e 841 do RIR/99 Art. 3º da Medida Provisória n° 280/2006, convertida na Lei n° 11.311/06 Art. 1°, inciso IV e parágrafo único da Lei n° 11.482/07, com a redação dada pela Lei n° 11.945/09 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Arts. 73. 77, 83 e 841 do RIR/99 Art. 3º da Medida Provisória n° 280/2006, convertida na Lei n° 11.311/06 Art. 1º, inciso V e parágrafo único, da Lei n° 11.482/07, incluído pela Lei n° 12.469/11. 0002 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Redução da base de cálculo do imposto de renda apurado na Declaração de Ajuste Anual com dedução a título de despesas médicas, pleiteadas indevidamente, conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (RS) Multa (%) 31/12/2008 11.082,99 75,00 31/12/2009 14.125,20 75,00 31/12/2010 28.431,60 75,00 31/12/2011 11.520,00 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2003 e 31/12/2008: Arts. 73. 80, 83 e 841 do RIR/99 Art. 1º, inciso II e parágrafo Único da Lei n° 11.482. de 31 de maio de 2007. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: Arts. 73, 80, 83 e 841 do RIR/99 Art. 1º, inciso III e parágrafo único da Lei n° 11.482/07, com a redação dada pela Lei n° 11.945/09 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010: Arts. 73, 80, 83 e 841 do RIR/99 Fl. 357DF CARF MF 4 Art. 1º, inciso IV e parágrafo único da Lei n° 11.482/07, com a redação dada pela Lei n° 11.945/09 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Arts. 73,80, 83 e 841 do RIR/99 Art. 1º, inciso V e parágrafo único, da Lei n° 11.482/07, incluído pela Lei n° 12.469/11. 0003 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO Redução da base de cálculo do imposto de renda apurado na Declaração de Ajuste Anual com dedução a título de despesas com instrução, pleiteadas indevidamente, conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (RS) Multa (%) 31/12/2008 7.776,87 75,00 31/12/2009 8.126,82 75,00 31/12/2010 5.661,68 75,00 31/12/2011 5.916,46 75.00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2008 e 31/12/2008: Arts. 73, 81, 83 e 841 do RIR/99 Art. 3º da Medida Provisória n° 280/06, convertida na Lei n° 11.311/06 Art. 1º. inciso II e parágrafo Único da Lei n° 11.482, de 31 de maio de 2007. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: Arts. 73, 81, 83 e 841 do RIR/99 Art. 3º da Medida Provisória n° 280/06, convertida na Lei n° 11.311/06 Art. 1º, inciso III e parágrafo único da Lei n° 11.482/07, com a redação dada pela Lei n° 11.945/09 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010: Arts. 73, 81, 83 e 841 do RIR/99 Art. 3º da Medida Provisória n° 280/06, convertida na Lei n° 11.311/06 Art. 1º, inciso IV e parágrafo único da Lei n° 11.482/07, com a redação dada pela Lei n° 11.945/09 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Arts. 73, 81, 83 e 841 do RIR/99 Art. 3º da Medida Provisória n° 280/06, convertida na Lei n° 11.311/06 Art. 1º, inciso V e parágrafo único, da Lei n° 11.482/07, incluído pela Lei n° 12.469/11. Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. O Relatório de Fiscalização, anexado às fls 07/10, encontrase abaixo transcrito: “1. O contribuinte foi selecionado em procedimento de Revisão Interna das Declarações de Ajuste Anual dos exercícios 2009, 2010, 2011 e 2012, para verificação da dedução de despesas médicas, tendo em vista a não confirmação, por parte de hospitais, clínicas e profissionais de saúde, do recebimento de valores de despesas médicas deduzidas, cm operação regional de coleta de informações. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13005.721328/201398 Acórdão n.º 2402006.539 S2C4T2 Fl. 4 5 2. Foi intimado (Intimação Fiscal N° 135/2013, de 27/02/2013) a apresentar a documentação comprobatória dos valores deduzidos como dependentes, despesas médicas e despesas com instrução nas Declarações de Ajuste relativas aos anos calendário de 2008, 2009, 2010 e 2011. 3. Na mesma Intimação foi também solicitada a discriminação dos pagamentos de mensalidades de planos de saúde e participação em consultas por pessoa beneficiária e os documentos comprobatórios de internações hospitalares, com identificação da pessoa internada, se fosse o caso, além da comprovação da obrigação de efetuar pagamentos de despesas médicas e de instrução de alimentandos. 4. A ciência postal deuse em 04/03/2013 conforme AR Aviso de Recebimento. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTES 5. Comprova o contribuinte a dedução como dependente do filho Leonardo Guimarães Sachelt nos anoscalendário 2008, 2009 e 2010 e da mãe, Gema Etelvina Tartari nos anoscalendário 2008, 2009, 2010 c 2011. 6. Em relação à filha Letícia Guimarães Sachett, esta é admitida como dependente apenas no anocalendário 2008, pois ainda contava com 21 anos completos. Nos anos seguintes, por superar a idade limite e não ser comprovada documentalmente a condição de universitária, efetuamos a glosa da dedução desta dependente nos anoscalendário 2009, 2010 e 2011. 7. Quanto à filha Liana Guimarães Sachett, maior de 21 anos e não comprovada documentalmente a condição de universitária, efetuamos a glosa nos anos calendário 2008, 2009, 2010 e 2011. 8. Efetuamos ainda a glosa da dedução como dependente de Theresinha Ambelina Tartari, nos anoscalendário 2009, 2010 e 2011 pela não apresentação de documentação comprobatória exigida em Intimação Fiscal. 9. Os valores glosados são de R$ 1.655,88 no anocalendário 2008 (dependente Liana); R$ 5.191,20 no anocalendário 2009 (dependentes Liana, Letícia e Theresinha); R$ 5.424,84 no anocalendário 2010 (dependentes Liana, Letícia e Theresinha); e R$ 2.710,70 no anocalendário 2011 (dependentes Letícia e Theresinha). DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO 10. Atendendo à Intimação Fiscal, o contribuinte apresenta declaração e recibos de pagamentos de União Brasileira de Educação e Assistência Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, informando os valores de mensalidades pagas para o dependente Leonardo Guimarães Sachett, nos anos calendário 2008, 2009 e 2010 e recibos de pagamento de mensalidade, para o mesmo dependente, emitidos por Associação Pro Ensino em Santa Cruz do Sul UNISC, nos anoscalendário 2009 e 2010. 11. Assim, admitese como comprovada a despesa com instrução do dependente Leonardo, admitida sua dedução, sempre pelo valor limite anual, de R$ 2.592,29 (anocalendário 2008); R$ 2.708,94 (anocalendário 2009); e R$ 2.830,84 (ano calendário 2010). Fl. 359DF CARF MF 6 12. Desconsideramos o recibo de pagamento efetuado a Medcursos Medwriters Editora Ltda., as Notas Fiscais 11463, 14281 e 14372 de Di Livros Editora Ltda., a Nota Fiscal 1338 de Livromed Livraria Médica Ltda. e as Notas Fiscais 7176 e 8680 de Paulo Roberto Bueno Abati – Livraria Biomédica Barba por falta de previsão legal, para a dedução como despesa com instrução a aquisição de livros. 13. Desconsideramos o recibo de pagamento de hospedagem emitido por Medical Relations Organização de Festas e Recepções Ltda., por falta de previsão legal, para dedução como despesa com instrução, de pagamento desta natureza. 14. Não foram apresentados outros comprovantes. 15. Apresentamos, a seguir, demonstrativo dos valores das deduções declaradas pelo contribuinte, em cada anocalendário, indicando as deduções indevidas, por não terem sido comprovadas: 16. Atendendo a Intimação, foram apresentados os seguintes documentos, admitidos como comprovação parcial da dedução: Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13005.721328/201398 Acórdão n.º 2402006.539 S2C4T2 Fl. 5 7 17. Desconsideramos a Nota Fiscal de Serviço n° 29273 do Hospital Santa Cruz, pois referese a despesas de Thiago Henrique Pires, não relacionado como dependente pelo contribuinte na Declaração de Ajuste. 18. Desconsideramos a Nota Fiscal de Serviço n° 29968 de Hospital Santa Cruz, pois referese a despesas de Ronildo Zilch de Freitas, não relacionado como dependente pelo contribuinte na Declaração de Ajuste. 19. Desconsideramos as Notas Fiscais de Serviço n°s. 168, 184, 190, 194, 198, 303, 307, 309, 312, 316, 319, 323, 32S, 333, 337, 343, 349, 382, 383, 387, 390, 394, 400, 418, 422, 455, 458, 462, 466, 470, 474, 479, 483, 487, 491 e 493 de Micheline Schunke e 06 (seis) Recibos sem número de Deise Tatiane da Silva por falta de previsão legal para dedução como despesa médica de pagamentos a casas geriátricas, não estabelecidas como clínicas médicas e pela prestação de serviços não dedutíveis, em valor único que engloba despesas indedutívies como hospedagem, alimentação, medicamentos e material de higiene. 20. Desconsideramos as Notas Fiscais de Serviço nºs. 1775, 2210, 2223 e 2305 de Rabuske, Weigel e Hoss Uda., por falta de previsão legal para dedução como despesa médica de serviços de cobrança de valores a receber de clientes por atendimento médico prestado. 21. Não foram apresentados outros comprovantes. Apresentamos, a seguir, demonstrativo dos valores das deduções declaradas pelo contribuinte, em cada anocalendário, indicando as deduções indevidas, por não terem sido comprovadas: (...)” Inconformado com a exigência, cuja ciência ocorreu em 10/07/2013 (AR às fls. 129), o interessado, através de sua procuradora (instrumento às fls. 140), apresentou impugnação em 08/08/2013 (fls. 133/139), alegando, o seguinte: “OSCAR PAULO SACHETT, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem respeitosamente através de sua procuradora a Srta. Eriane Marines dos Santos, (Anexo I) apresentar, CONTESTAÇÃO Ao Auto de Infração, pelas razões de falos e direitos que seguem; 1 OS FATOS; Em 11/07/2013 foi recebido o AUTO de INFRAÇÃO (Anexo II) demonstrando os valores deduzidos nas declarações com fato gerador nos anos de 2008, 2009, 2010 e 2011 a qual a Receita Federal do Brasil glosou parte dos valores informados. Foi alegado o uso indevido de dependente nos quatro anos em questão sendo glosado no valor total de R$ 14.982,62. Fl. 361DF CARF MF 8 Foram indeferidas as despesas médicas em questão no valor total de R$ 65.159,79 do montante total declarado no valor de R$ 123.018,05. 2 DA VERACIDADE DOS FATOS; § DOS DEPENDENTES: I Conforme o Relatório de Fiscalização folha 01 de 04 item 06 foi glosado os anos de 2009, 2010 e 2011 a que se refere à filha Letícia Guimarães Sachett por entender que a mesma supera a idade limite e que no momento da análise não havia sido comprovada documentalmente a condição de universitária. II Também conforme o Relatório de Fiscalização folha 01 de 04 item 07 foi glosado os anos de 2008, 2009, 2010 e 2011 a que se refere à filha Liana por entender que a mesma supera a idade limite e que no momento da análise não havia sido comprovada documentalmente a condição de universitária. § DAS DESPESAS MÉDICAS; III No ano de 2008 exercícios 2009 foi declarado um montante de R$ 27.438,59 de despesas médicas. Foi deferido o valor de R$ 11.082,99, porém após analisar as despesas deferidas e indeferidas podese averiguar que não foram consideradas as despesas com Plano de Saúde em nome da dependente Liana Guimarães Sachett. Foram glosadas as Notas Fiscais 303, 307, 309, 312, 316, 319, 323, 32g, 333, 337, 343, 349 (Anexo III) datadas do período de Janeiro a Dezembro de 2008 em nome de Micheline Schunke, registrada sob o CNPJ n°05.201.125/000101 com o Código de Atividade Econômica Principal sob n° 87.11.502, nomeada como Instituições de Longa Permanência para Idosos e titulada como nome fantasia "DEDICAÇÃO CASA GERIATRICA" nota fiscal essa designada a Assistência Gerontológica da dependente Dna. Gemma Etelvina Tartari. (Anexo IV) IV No ano de 2009 exercícios 2010 foi declarado um montante de R$ 23.400,00, de despesas médicas deste valor foram glosados R$ 14.125,20. Portanto, após analisar a situação podese averiguar que não foram consideradas as despesas do plano de saúde de seus Dependentes, Letícia Guimarães Sachett e Liana Guimarães Sachett. Ainda neste ano foram glosadas as Notas Fiscais de n° 168, 382, 383, 387, 390, 394. 400 (Anexo V) em nome de Micheline SchunkeME registrada sob o CNPJ n° 07.829.077/000118 e 05.201.125/000101, valores estes designado ao cuidado e tratamento da dependente Dna. Gemma Etelvina Tartari. V No ano de 2010 exercícios 2011 foi declarado um montante de R$ 46.I41,40, de despesas médicas, deste valor foram glosadas o total de R$ 28.431,60. Porém após análise das despesas pode se averiguar que não foi considerado as despesas com o Plano de Saúde da dependente Letícia Guimarães Sachett e as Notas Fiscais de n° 184, 190, 194, 198, 418, 455, 458, 462, 466, 470, 474 e 479 em nome de "M.Schunke & Cia LtdaME, registrada sob o CNPJ n° 07.829.077/000118, anteriormente conhecida como Micheline Schunke ME,(Anexo VI) valores destinados a Assistência Gerontológica da dependente Dna. Gemma Etelvina Tartari. VI No ano de 2011 exercícios 2012 foi declarado um montante de R$ 26.038.06 de despesas médicas e deste valor foi glosado R$ 11.520,00, porém após analisar os documentos foi apurado que não foi considerado o valor do plano de saúde da dependente Letícia Guimarães Sachett e novamente nos deparamos com a glosa das Notas Fiscais de n° 483, 487, 491, 493, 422 (Anexo VIl) em nome de Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13005.721328/201398 Acórdão n.º 2402006.539 S2C4T2 Fl. 6 9 Micheline SchunkeMF registrada sob CNPJ n° 05.201.125/000101 assim como os recibos que não contém numeração e estão datados de julho a dezembro/2011 em nome de Deise Tatiane da SilvaME, tendo como nome Fantasia "Lar São José",(Anexo VIII) valores estes destinados ao tratamento de Assistência Gerontológica" da dependente Dna. Gemma Etelvina Tartari. O DIREITO 3 PRELIMINARMENTE I A dependente Letícia Guimarães Sachett, nascida em 09/07/1986, (Anexo IX) e estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)(Anexo X) conforme a comprovação devo dizer que a mesma foi legalmente declarada como Dependente conforme consta no Decreto 3.000/99, Art. 77. Parágrafo 2° "Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte o quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1°)" Devo salientar que devido a Legislação não prever o cálculo de proporção para dedução de dependente a situação se torna passível de entendimento que no ano de 2011 em que a mesma completa 25 anos ainda é possível que o titular se beneficie integralmente da dedução como dependente. II A dependente Liana Guimarães Sachett, nascida em 07/04/1984, (Anexo XI) e estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (LTRGS) (Anexo XII) conforme a comprovação pode ser considerada dependente legal, sendo assim a mesma foi legalmente declarada nos anos de 2008 e 2009 conforme consta no Decreto 3.000/99, Art. 77. Parágrafo 2o "Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º)” Devo reforçar que o mesmo ocorre com esta dependente devido a Legislação não prever o cálculo de proporção para dedução de dependente e que se subtende que no ano de 2009 em que a mesma completa 25 anos, o titular ainda se beneficia integralmente da dedução. III Acredito que pelo fato de a filha Liana Guimarães Sachett, não ter sido considerada dependente nos anos de 2008 e 2009 é que também não foi considerado as despesas com o Plano de Saúde em seu nome. O que após ser demonstrado e comprovado a legalidade da inclusão da mesma como dependente, entendese que as despesas também deverão ser acolhidas, conforme comprovação. (Anexo XIII) IV O mesmo ocorreu com a dependente Letícia Guimarães Sachett, pelo fato de que no primeiro momento não foi comprovado a situação de Universitária, assim sendo glosado também as despesa com Plano de Saúde, portanto, com toda a demonstração pedese o acolhimento das despesas médicas nos anos de 2009, 2010 e 2011, conforme demonstra os comprovantes. (Anexo XIV). V A Sra. Gemma Etelvina Tartari, nascida em 09 de fevereiro de 1925, aos quinze (15) dias do mês de Abril de dois mil e quatro (2004) estando nesta data com setenta e nove (79) anos, foi INTERDITADA por ser portadora do "Mal de Fl. 363DF CARF MF 10 Alzheimer", tendo como seu curador a partir deste momento o Sr. Oscar Paulo Sachett (Anexo XV). Foi declarada como dependente e suas despesas correspondente a Assistência Gerontológica como despesas médicas conforme as notas fiscais já demonstradas nesta Contestação baseado nas LEIS e Decretos que seguem abaixo especificadas. VI A dependente foi internada para tratamento intensivo e contínuo conforme comprovado nos anos de 2008 a 2011 na Instituição denominada com o nome fantasia de '"Dedicação casa Geriátrica". A qual conforme Notas Fiscais demonstrada foi com o tempo alterando sua nomenclatura, permanecendo fixo o nome fantasia "DEDICAÇÃO"'. Por manter o tratamento esperado para com a dependente Sra. Gemma, é que não se fez uma pesquisa detalhada da empresa, até por que em nenhum momento qualquer cidadão comum sai fazendo pesquisa antes de tomar qualquer decisão, apenas se confia nos órgãos Federais, Estaduais e Municipais responsável pela inscrição e funcionamento das empresas. Entendese que se uma empresa está em funcionamento é porque obteve o aval dos órgãos responsáveis, ainda mais se tratando de saúde. Os valores destinados a embelezamento acrescentado a lápis nas notas fiscais não foram consideradas para dedução, por entender que este serviço é de interesse apenas do contribuinte. Quando a descrição do serviço mencionado no Auto de Infração como '"Hospedagem", devo dizer que o contribuinte sendo leigo a estes assuntos por não se tratar de sua formação, entendeu que Hospedagem e Assistência Gerontológica teria o mesmo sentido, até por se tratar da mesma empresa e não ter sido solicitado troca de serviço. Em 2011/2, mais precisamente de Julho a Dezembro de 2011 a empresa passou para a Sra. Denise Tatiane da Silva que forneceu recibo como comprovante de pagamento pela Assistência de Gerontologia para com a Sra. Gemma. (Anexo XVI). A LEI 10.471/2003 que dispõe sobre o Estatuto do Idoso, Art.3°, diz; "É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. ", Conforme este Artigo é passível de entendimento que independente de qualquer circunstância é obrigação da família amparar o (a) ancião. Ainda temos o Art.9° que vem acrescentar; "É obrigação do Estado, garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de política social pública que permitam um envelhecimento saudável e em condições de dignidade. " Este Artigo é bem claro quando diz que a obrigação não é apenas da família, mas divide esta obrigação com o Estado mediante a política social pública, então pergunto, e quando esta "política social pública" não funciona, o que fazer? Quais Leis devem ser cumpridas? Ou também, quem deve cumprir e o que? Podemos também acrescentar a esta análise o Art. 15° ainda da Lei 10.741/03, que fala sobre o direito a saúde do idoso e assegura que o mesmo deve ter atenção integral à saúde por intermédio do Sistema Único de Saúde (SUS), mas o que quero ressaltar esta no Parágrafo 1°: "§ 1º A prevenção e a manutenção da saúde do idoso serão efetivadas por meio de: II atendimento geriátrico e gerontológico em ambulatórios; III unidades Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13005.721328/201398 Acórdão n.º 2402006.539 S2C4T2 Fl. 7 11 geriátricas de referência, com pessoal especializado nas áreas de geriatria e gerontologia social." Excelência esta doença "Mal de Alzheimer" é degenerativa e atrofia cérebro fazendo com que o portador necessite de tratamento c cuidados contínuos, se formos analisar friamente as fases da doença podemos afirmar que a dependente encontrase entre a fase intermediária / final, necessitando de acompanhamento vinte quatro (24) horas por dia, por não ter mais controle de suas necessidades fisiológicas, nem mesmo reconhecer as pessoas ao seu redor mesmo quando se trata dos familiares mais próximos, a mesma encontrase em um leito sem condições físicas ou psíquicas de se locomover. Em um País evoluído com tantas Leis, Decretos e Normativas criadas para proteger o idoso/incapaz ainda não conseguimos encontrar no Sistema Único de Saúde a disponibilidade deste tratamento e cuidados adequados necessários a um idoso portador desta moléstia ou até mesmo de outra qualquer que necessite de um cuidado mais específico. É baseado em todos estes fatos aqui demonstrados e comprovados por LEI que se buscou o tratamento e os cuidados em uma casa Geriátrica. onde se entende que tenha profissionais de saúde qualificados para prestar o serviço de gerontologia conforme prevista em Lei. A opção por pagar uma casa de Geriatria não se deu tão somente pelo tratamento e cuidados que se propunha a oferecer a Sra. Gemma, mas sim por não ter este serviço disponibilizado conforme previsto na LEI acima citada. Se o caso fosse de não ter contratado os serviços de uma clínica geriátrica, o curador seria punido como "Abandono de Incapaz". A Lei é bem clara quando se trata do "Abandono de Incapaz", no Decreto Lei 2.848/40 Código Penal Capítulo III. Art. 133: "Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defenderse dos riscos resultantes do abandono:" e as penas aplicadas neste caso acrescentado pelo, " 3° As penas cominadas neste artigo aumentamse de um terço: III Se a vitima é maior de 60(sessenta)anos (Acrescentado pela lei n°I0.741/03). Neste caso vossa Excelência há de concordar que se o curador for esperar que o Sistema Único de Saúde (SUS) venha cumprir com o que manda a lei, o mesmo poderá ser enquadrado neste artigo, tendo que cumprir pena por esperar que a lei se cumpra. Estamos falando de um ser Humano, que mesmo fora de suas condições físicas e psicológicas, continua sendo um ser Humano com todos os direitos que a Lei possa prever, sendo que a principal é a DIGNIDADE de um ser. 4 DO MÉRITO VI Apresentamos abaixo a demonstração dos valores finais da dedução com dependentes a qual fica desta forma: Fl. 365DF CARF MF 12 Conforme demonstrado acima, podemos verificar que há uma grande diferença entre os valores total aplicado de glosa com dependentes e o valor que realmente deveria ser glosado. O valor devido em 2008 é zero, uma vez que há comprovação de dedução legal de todos os dependentes, conforme já demonstrado neste processo, já no ano de 2009 se admite a glosa no valor de R$ 1.730,40, por ter sido declarado a Sra. Theresinha Ambelina Tartari a qual não possui documento que comprove sua curatela, no ano de 2010 aceita a glosa de R$ 3.616,56 uma vez que a dependente Liana Guimarães Sachett tem por completo seus 25 anos, assim não podendo mais ser dependente, mesmo ainda sendo comprovado que é estudante Universitária e a Sra. Theresinha, pelo mesmo motivo declarado anteriormente e em 2011 a glosa aceitável é de R$ 1.889,64 que se refere apenas a Sra. Theresinha por ter sido lançado indevidamente. VII Apresentamos abaixo a demonstração dos valores com dedução de despesas médicas, estas já comprovadas e documentadas neste processo: Nesta demonstração fica claro que na declaração do contribuinte foi deixado de lançar valores que conforme já comprovado são legalmente dedutíveis, talvez até por não obtiver acesso a estes documentos no momento da declaração. VIII O cálculo da nova apuração detalhada ficaria conforme demonstrado abaixo: Visto toda esta demonstração, passamos para as devidas declarações e suas ratificações. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13005.721328/201398 Acórdão n.º 2402006.539 S2C4T2 Fl. 8 13 IX Em 2010 exercício 2011, ficou faltando a informação da fonte pagadora Metalúrgica Mor S/A, inscrita no CNPJ 95.422.218/00140 a qual, até o momento não se tinha esta informação. Por estarmos regularizando as declarações não temos motivos para deixarmos passar informações mesmo que esta não venha beneficiar o contribuinte no resultado final. X Após todos os ajustes e correções necessárias as declarações ficaram da seguinte forma: XI Para comprovação da demonstração acima, segue em anexo as declarações com as devidas adequações. Anexo XVII Declaração de 2009/2008, Anexo XVIII Declaração de 2010/2009, Anexo XIX Declaração de 2011 /2010, Anexo XX Declaração de 2012/2011. XIl Para finalizar, quero lembrar que o direito e a garantia de vida está inclusa nas Cláusulas Pétreas, sendo assim elas não podem ser alteradas por qualquer outra Lei, Emenda ou Normativa. A vista de todo exposta, demonstrada a insubsistência e improcedência do Auto de Infração, espera e requer o contestante que seja acolhida a presente contestação para o fim de ser decidido, cancelandose o débito fiscal declarado.” Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013), e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013), e conforme definição da CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, encaminhouse o presente eprocesso para apreciação pela DRJB/Fortaleza (fls. 248). A DRJ jugou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo, nos seguintes termos, em síntese: Ø DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE: O contribuinte em sua declaração pleiteou a dedução dos seguintes dependentes: Fl. 367DF CARF MF 14 O administrado colacionou às fls. 190 a 197, documentação de suas filhas, emitidas pela UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL comprovando serem UNIVERSITÁRIAS nos seguintes períodos: Mantémse, pois, parcialmente a glosa em exame. THEREZINHA AMBELINA TARTARI (AC 2009 a 2011) e LIANA GUIMARÃES SACHETT (AC 2010). Ø DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS: Despesas com Internação em Casas Geriátricas: Para que as despesas com estabelecimentos geriátricos possam ser aceitas, é necessário o registro e o funcionamento como estabelecimento hospitalar. As instituições MICHELINE SCHUNKE – DAFENAS ASSISTÊNCIA E ACOLHIMENTO LTDA – ME (CNPJ 05.201.125/000101) e M. SCHUNKE & CIA LTDA – ME (CNPJ 07.829.077/000118) não se encontram nessa situação. Em pesquisa feita junto ao sítio da Receita Federal do Brasil, verificase que a pessoa jurídica está registrada na Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE) sob os códigos 8711502 Instituições de longa permanência para idosos e 5510801 Hotéis. Muito embora as casas geriátricas acima referenciadas possam contar com uma equipe técnica multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros etc, nos autos não constam documentos que possam comprovar a sua natureza de estabelecimento hospitalar, motivo pelo qual deve permanecer a glosa da despesa a este título. O impugnante, ainda a título de despesas médicas pleiteia a dedução do plano de saúde UNIMED das filhas LIANA GUIMARÃES SACHETT e LETÍCIA GUIMARÃES SACHETT, a primeira nos anoscalendário de 2008 e 2009 e a segunda no AC’s 2009 a 2011. Conforme já explicitado as intervenientes foram consideradas dependentes nos anoscalendário em questão, razão pela qual acatase a pretensão do administrado neste sentido. Ø DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO O contribuinte silenciou quanto a infração em comento. Ø RESUMO Após as alterações implementadas no presente Acórdão, o auto de infração toma a seguinte configuração: Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13005.721328/201398 Acórdão n.º 2402006.539 S2C4T2 Fl. 9 15 Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 274 a 280, por meio do qual reiterou, inclusive textualmente, os argumentos expostos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Inicialmente, conforme sinalizado no relatório supra, cumpre destacar que as razões trazidas no recurso voluntário são absolutamente idênticas àquelas que constam da peça impugnatória, inclusive textualmente. Tanto que, por meio do recurso ora em análise, o contribuinte reiterou tese defensiva já acatada pela DRJ no que tange à “Dedução Indevida de Dependente”. É o que se infere, pois, do cotejo entre a conclusão do Recurso Voluntário em relação a esta matéria e o Quadro Resumo do Acórdão recorrido: Conclusão do Recurso Voluntário (página 05 do Recurso, fls. 278 do eprocesso): O valor devido em 2008 é zero, urna vez que há comprovação de dedução legal de todos os dependentes, conforme já demonstrado neste processo, já no ano de 2009 se admite a glosa no valor de R$ 1.730,40, por ter sido declarado a Sra. Theresinha Ambelina Tartari a qual não possui documento que comprove sua curatela, no ano de 2010 aceita a glosa de R$ 3.616,56 uma vez que a dependente Liana Guimarães Sachett tem por completo seus 25 anos, assim não podendo mais ser dependente, mesmo ainda sendo comprovado que é estudante Universitária e a Sra. Theresinha, pelo mesmo motivo declarado anteriormente e Fl. 369DF CARF MF 16 em 2011 a glosa aceitável é de R$ 1.889,64 que se refere apenas a Sra. Theresinha por ter sido lançado indevidamente. Quadro Resumo do Acórdão da DRJ (fls. 263 do eprocesso): Neste contexto, em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida com os quais corroboro, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor: Da análise da matéria consubstanciada no Auto de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF e seus anexos, na peça impugnatória e nos demais documentos acostados ao processo, fundamento, na qualidade de autoridade julgadora, esta decisão nas verificações a seguir descritas. 0001 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (AJUSTE ANUAL) – DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE: O contribuinte em sua declaração pleiteou a dedução dos seguintes dependentes: Acerca da dedução de dependentes, o art. 77, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR/99, assim dispõe: “Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13005.721328/201398 Acórdão n.º 2402006.539 S2C4T2 Fl. 10 17 § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 2º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º). § 3º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 2º). § 4º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 3º). § 5º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 4º).” (destaquei)” No livro “Perguntas e Respostas”, elaborado pela Receita Federal do Brasil, consta o esclarecimento de que o fato de o filho ter completado 25 anos durante o anocalendário não ocasiona a perda da condição de dependência. Confirase o conteúdo da resposta à pergunta nº 326 daquele livro, relativo ao exercício 2009, anocalendário 2008. “FILHO UNIVERSITÁRIO QUE FAZ 25 ANOS NO INÍCIO DO ANO 326 — Filho universitário que completou 25 anos durante o ano de 2008 pode ser considerado dependente? Sim. De acordo com a legislação tributária pode ser considerado dependente a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho. Podem ainda ser assim considerados, quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. O fato de Fl. 371DF CARF MF 18 ter completado 25 anos durante o ano não ocasiona a perda a condição de dependência. (Lei n º 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 35, III, § 1 º; Decreto n º 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), art. 77, §§ 1º, III, e 2º)” O administrado colacionou às fls. 190 a 197, documentação de suas filhas, emitidas pela UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL comprovando serem UNIVERSITÁRIAS nos seguintes períodos: Mantémse, pois, parcialmente a glosa em exame. THEREZINHA AMBELINA TARTARI (AC 2009 a 2011) e LIANA GUIMARÃES SACHETT (AC 2010). 0002 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (AJUSTE ANUAL) – DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS: Despesas com Internação em Casas Geriátricas: O artigo 73 e § 1º do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999, com a correspondente matriz legal indicada, estabelece o seguinte: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). No tocante ao pagamento da alegada despesa médica, oportuno transcrever o art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (Grifei) Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13005.721328/201398 Acórdão n.º 2402006.539 S2C4T2 Fl. 11 19 Nesse mesmo sentido, o previsto no Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) aponta que: “Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). (...) § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica.” (Grifei) Isso também consta no esclarecimento prestado pela publicação do Perguntas e Respostas do IRPF, exercício 2011, na pergunta 343: “343 Quais são as despesas médicas dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual? (...) Despesas de internação em estabelecimento geriátrico são dedutíveis a título de hospitalização apenas se o referido estabelecimento se enquadrar nas normas relativas a estabelecimentos hospitalares editadas pelo Ministério da Saúde e tiver a licença de funcionamento aprovada pelas autoridades competentes (municipais, estaduais ou federais). (...)”. Assim, para que as despesas com estabelecimentos geriátricos possam ser aceitas, é necessário o registro e o funcionamento como estabelecimento hospitalar. As instituições MICHELINE SCHUNKE – DAFENAS ASSISTÊNCIA E ACOLHIMENTO LTDA – ME (CNPJ 05.201.125/000101) e M. SCHUNKE & CIA LTDA – ME (CNPJ 07.829.077/000118) não se encontram nessa situação. Em pesquisa feita junto ao sítio da Receita Federal do Brasil, verificase que a pessoa jurídica está registrada na Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE) sob os códigos 8711502 Instituições de longa permanência para idosos e 5510801 Hotéis. Fl. 373DF CARF MF 20 Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13005.721328/201398 Acórdão n.º 2402006.539 S2C4T2 Fl. 12 21 Muito embora as casas geriátricas acima referenciadas possam contar com uma equipe técnica multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros etc, nos autos não constam documentos que possam comprovar a sua natureza de estabelecimento hospitalar, motivo pelo qual deve permanecer a glosa da despesa a este título. O impugnante, ainda a título de despesas médicas pleiteia a dedução do plano de saúde UNIMED das filhas LIANA GUIMARÃES SACHETT e LETÍCIA GUIMARÃES SACHETT, a primeira nos anoscalendário de 2008 e 2009 e a segunda no AC’s 2009 a 2011. Conforme já explicitado as intervenientes foram consideradas dependentes nos anoscalendário em questão, razão pela qual acatase a pretensão do administrado neste sentido. Fl. 375DF CARF MF 22 0003 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (AJUSTE ANUAL) – DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO: O contribuinte silenciou quanto a infração em comento. Após as alterações implementadas no presente Acórdão, o auto de infração toma a seguinte configuração: Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 376DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.721878/2011-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
PRELIMINAR DE NULIDADE. SUPERFICIALIDADE DA ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES
Não há que se decretar a nulidade de ato administrativo, no qual constam todos os fatos, documentos e fundamentos legais nos quais se baseou a autoridade fiscalizadora.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
INSUMOS. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO
Para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devem ser admitidos como insumos os custos essenciais ao desenvolvimento do processo produtivo. A prova de tal condição deve ser construída a partir de notas e livros fiscais, bem como de evidências documentais da participação do produto na atividade fabril (ex: descrição do processo fabril, validada por laudo técnico).
CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO
Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o §10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôs-se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos adquiridos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com o enquadramento do produto em que o insumo é aplicado.
Numero da decisão: 3301-004.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Antônio Carlos da Costa Calcanti Filho, que negou provimento ao frete em movimentação de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa, e Valcir Gassen, que dava provimento para os bens com alíquota concentrada em etapas anteriores.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PRELIMINAR DE NULIDADE. SUPERFICIALIDADE DA ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES Não há que se decretar a nulidade de ato administrativo, no qual constam todos os fatos, documentos e fundamentos legais nos quais se baseou a autoridade fiscalizadora. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 INSUMOS. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO Para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devem ser admitidos como insumos os custos essenciais ao desenvolvimento do processo produtivo. A prova de tal condição deve ser construída a partir de notas e livros fiscais, bem como de evidências documentais da participação do produto na atividade fabril (ex: descrição do processo fabril, validada por laudo técnico). CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o §10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôs-se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos adquiridos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com o enquadramento do produto em que o insumo é aplicado.
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SUPERFICIALIDADE DA ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES Não há que se decretar a nulidade de ato administrativo, no qual constam todos os fatos, documentos e fundamentos legais nos quais se baseou a autoridade fiscalizadora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 INSUMOS. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO Para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devem ser admitidos como insumos os custos essenciais ao desenvolvimento do processo produtivo. A prova de tal condição deve ser construída a partir de notas e livros fiscais, bem como de evidências documentais da participação do produto na atividade fabril (ex: descrição do processo fabril, validada por laudo técnico). CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o §10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôsse fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos adquiridos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com o enquadramento do produto em que o insumo é aplicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Antônio Carlos da Costa Calcanti AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 18 78 /2 01 1- 50 Fl. 9187DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.338 2 Filho, que negou provimento ao frete em movimentação de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa, e Valcir Gassen, que dava provimento para os bens com alíquota concentrada em etapas anteriores. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep de incidência não cumulativa, – PER/DCOMP nº 04212.99496.030909.1.1.089469, transmitido em 03/09/2009 vinculados à receita de exportação, apurados no 1º trimestre calendário de 2009, no valor de R$ 4.011.888,09. Do Despacho Decisório O Pedido de Ressarcimento foi parcialmente deferido, tendo sido reconhecido o crédito no valor de R$ 2.510.735,96. Foram homologadas as compensações vinculadas ao pedido, até o limite do crédito reconhecido. Tendo em vista a ocorrência de declarações de compensação não homologadas e transmitidas na vigência da Lei nº 12.249/2010 – tratadas nos processos números 11516.721887/201141, 10983.911361/201181, 10983.911354/201180 e 10983.911357/201113 , foram lavrados os autos de infração para exigência de multa isolada correspondentes, tratados nos processos números 11516.723929/201340, 11516.723931/2013 19, 11516.723930/201374, 11516.723933/201316. Sobre as verificações realizadas nos créditos do período a autoridade fiscal relata que: a contribuinte forneceu a conta contábil e o número do documento fiscal relativos a contabilização das notas fiscais listadas nas memórias de cálculo, sendo confirmadas por amostragem as contas informadas, através do número do documento fiscal e da data do lançamento; analisou cada uma das descrições dos itens das memórias de cálculo, de forma a determinar, com base na legislação vigente à época, quais os itens teriam direito a crédito, elaborando uma “matriz de glosas”; aplicou a “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo, identificando os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal utilizada na memória de cálculo. Fl. 9188DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.339 3 Explica que os procedimentos de glosa foram adotados na seguinte sequência: numa primeira etapa de verificação, as informações presentes nas memórias de cálculo (onde o contribuinte informa à fiscalização quais as notas fiscais utilizadas para apurar os créditos declarados em Dacon) foram cotejadas com as notas fiscais, obtidas do SPED Fiscal; a segunda etapa de verificação consistiu na elaboração de uma “matriz de glosas”, com os itens que, com base na legislação vigente à época, davam direito a crédito; a terceira etapa consistiu na aplicação da “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo, a fim de identificar os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal. A quarta etapa é a de glosa propriamente dita: foram somados os itens da memória de cálculo para cada linha do Dacon; em seguida, foi aplicada a “matriz de glosas” para excluir os itens que não tinham direito a crédito; subtraiuse o segundo do primeiro para chegar ao valor reconhecido; a diferença positiva entre o valor declarado no Dacon e o valor reconhecido é o valor glosado. Conclui que, ao final dos procedimentos descritos, apenas as notas fiscais cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido é que foram glosadas. Informa que todas as informações relativas às glosas estão disponíveis nos relatórios que descrimina, presentes nos autos nas folhas indicadas, onde constam, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado. Depois de descrever o procedimento fiscal, a autoridade fiscal passa a identificar as glosas realizadas conforme as linhas do Dacon, como segue. 1. Ficha 16A do Dacon Aquisições no Mercado Interno Da base de cálculo dos créditos apurados em Dacon, Ficha 16A –, foram glosados os valores que seguem: 1.1. Linha 01 – Bens para Revenda Foram glosados: 1.1.1. os valores das aquisições de bens sujeitos a alíquota zero, listadas no relatório NF Glosadas Alíquota zero; 1.1.2. os valores dos itens que se referem a revenda de gás liquefeito de petróleo, que tem alíquota concentrada, não gerando crédito ao revendedor. 1.2. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Da linha 02 foram glosados os valores referentes a: 1.2.1. aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo: a autoridade fiscal relata que glosou os valores das notas fiscais de aquisições de bens ou serviços indevidamente incluídos nesta linha, MATERIAIS MECANICOS GRUPO GERADOR STEMAC, PALLET MADEIRA 120X100X14CM EXPORT PL7, OUTROS SERVIÇOS; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Não Representam Aquisicao de Insumos; 1.2.2. aquisições de pessoas físicas sem direito a crédito na linha 2; cada uma das notas fiscais glosadas consta da listagem NF GLOSADAS – Aquisições de pessoas físicas; Fl. 9189DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.340 4 1.2.3. aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Alíquota zero; 1.2.4. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Operações sem direito a credito (CFOP); 1.2.5. notas fiscais que representam aquisições de insumos de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas – Aquisicao PJ – Suspensao obrigatória. Em relação a essas aquisições de insumos de pessoas jurídicas, a autoridade fiscal relata que excluiu os valores das aquisições de insumos com suspensão obrigatória de PIS/Cofins na operação de venda, que não geram crédito regular (linha 02), mas somente crédito presumido de atividades agroindustriais. Assim coloca: No período sob fiscalização, a contribuinte adquiria de pessoas jurídicas, de forma rotineira, Leite in Natura e outros produtos agropecuários. Estas mercadorias eram utilizadas no processo produtivo da contribuinte, na elaboração de seus produtos. A contribuinte apurou, sobre estes insumos, créditos básicos de PIS e COFINS. Todavia, conforme será demonstrado, este procedimento não estava correto. Na época, as aquisições de leite in natura e outros produtos agropecuários por agroindústrias já estavam reguladas pelos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004, verbis: Destaca que a BRF S/A preenchia condições para a aplicação da suspensão elencadas no art 4º da IN SRF 660/2006 e que, portanto, a suspensão na operação de venda determinada em lei se impunha. Menciona que caso o vendedor tenha apurado contribuição para o PIS/PASEP e Cofins sobre estas vendas, ocorreu pagamento indevido, o que não dá direito de creditamento para o comprador. 1.3. Linha 03 Serviços Utilizados como Insumo Dos montantes informados para linha 03 do Dacon foram glosados os valores das aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, tais como: DESINSETIZACAO E CONTROLE DE PRAGAS, SERVICO DE CONFECCAO E INSTALACAO ou SERVICO REFORMA PALLETS PBR. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas Não Representam Aquisicao de Insumos. 1.4. Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Foram glosadas as despesas com fretes em relação aos quais a interessada, apesar de intimada e reintimada para tanto, não logrou apresentar a vinculação com as vendas efetuadas, de modo a possibilitar a confirmação das exigências legais para o creditamento. 2. Ficha 16A – CRÉDITOS PRESUMIDOS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS Linha 25 – Calculados sobre Insumos de Origem Animal Fl. 9190DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.341 5 Linha 26 – Calculados sobre Insumos de Origem Vegetal A autoridade fiscal reduziu o valor do crédito apurado pela contribuinte ajustando a alíquota erroneamente utilizadas pela interessada, de 4,56% (60% de 7,6%) para insumos que não se enquadram nas condições da legislação; explica: tal alíquota era prevista no inciso I do §3º do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004 apenas para aquisições de insumos de origem animal e que se sejam classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; as aquisições de insumos que não se classifiquem nos capítulos e posições citados no inciso I recaem no inciso II (soja e derivados) ou no inciso III (demais) e devem ser apropriados créditos presumidos de 3,8% (50% de 7,6%) e 2,66% (35% de 7,6%), respectivamente. Da base de cálculo do crédito foram glosados os valores das aquisições cujos CFOP das notas fiscais não representam aquisições de insumos, perfeitamente identificados na listagem individualizada, e das notas fiscais das aquisições de bens para revenda. A autoridade fiscal traz em seu relatório a listagem dos insumos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa, totalizados por descrição em cada mês e informa que as notas fiscais cujos valores foram glosados estão devidamente individualizadas na listagem Credito presumido – detalhe. 3. Ficha 16B Aquisições de Insumos no Mercado Externo Da base de cálculo dos créditos apurados em Dacon, Ficha 16A –, foram glosados os valores que seguem. 3.1. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Da base de cálculo dos créditos informados na linha 02 das Ficha 16B, foram glosados os valores referentes a: 3.2. Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art.8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004; bens ou serviços indevidamente incluídos nesta linha, como MOTOR TRIF. 13,5 KM 380V 60HZ 261755 KS, MOTOR 4HP 4P B5 210400422350A3 MONDINI e PRECORTADOR 05 CORTES 62715801 MADO. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas – não representam aquisição de insumos. 3.3. Aquisições de bens cujo código fiscal da operação (CFOP) não representa aquisição de insumos. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NF Glosadas – operações sem direito a crédito (CFOP) Em relação à apuração do crédito, a autoridade fiscal que, ao examinar os Dacon apresentados pela contribuinte no período fiscalizado, constatou que a BRF S/A exclui parte significativa de sua receita da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e classifica essa receita a título de receita de exportação. Mas que, entretanto, conforme pesquisa no sistema DWAduaneiro, não houve exportações diretamente para o exterior razão pela qual todas as vendas contabilizadas como mercado externo referemse a vendas com fim específico de exportação. Além disso, verificou que significativa parcela das saídas com fim específico de exportação não cumpriu os requisitos do benefício. Por conta disso, para fins de recalculo do crédito a descontar no período e reconstituição do Dacon, ajustou a proporção das receitas de mercado interno Fl. 9191DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.342 6 tributado, mercado interno não tributado e de exportação, nos meses de janeiro e fevereiro, acolhendo os valores declarados pela interessada para o mês de março, como segue: 4. Do crédito gerado no trimestre recálculo da Ficha 15B Relata a autoridade fiscal que, tendo em vista as correções realizadas nas fichas 16A e 16B do Dacon, restaram alterados os valores dos créditos utilizados para desconto dos débitos, como segue: A Autoridade Fiscal também traz a planilha com os Créditos de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação gerados no trimestre, já diminuídos das glosas, que contempla os valores creditados no trimestre diminuídos das utilizações dos créditos no trimestre. Decide pelo deferimento parcial do Pedido de Ressarcimento, ante o reconhecimento parcial do direito creditório no valor de R$ 2.510.735,96 e a Fl. 9192DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.343 7 homologação parcial da Dcomp de nº 27595.55159.180909.1.3.102630, até o limite do crédito confirmado. Da manifestação de inconformidade Inicialmente, a recorrente defende a manifestação de inconformidade ora apresentada deverá, igualmente, ser julgada em conjunto com as manifestações de inconformidade apresentadas nos autos dos Processos Administrativos de números 11516.721878/201150, 11516.721887/201141, 10983.911351/201146, 10983.911350/2011 00, 10983.911361/201181, 10983.911354/201180, 10983.911357/201113 e 10983.911356/201179, bem como com as impugnações relativas aos Processos Administrativos de números 11516.723622/201349, 11516.723929/201340, 11516.723931/201319 e 11516.723933/201316. Suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando que a “superficialidade da análise das informações necessárias para a glosa dos créditos” fere o princípio da verdade material. Nesse sentido, aduz, em síntese, que “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” caberia à fiscalização “analisar todos esses fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado” e não somente “proceder à glosa com base em análises superficiais da documentação apresentada no curso do procedimento de fiscalização”. Reclama que, ao glosar os créditos com base em ilações genéricas de que os bens e serviços adquiridos não se enquadram no conceito de insumo ou sob a justificativa de que o Cfop referese à aquisição de bens que não gerariam direito a créditos, sem analisar a aplicação desses bens e serviços no processo produtivo, a fiscalização acabou por glosar indevidamente diversas despesas que caracterizamse como insumos. Conclui que, por não ter a Fiscalização buscado a verdade material e nem tampouco apresentado motivação para tanto, o presente despacho decisório não pode subsistir, devendo ser cancelado. No tópico III.2 Da Sistemática NãoCumulativa da Contribuição ao PIS e da Cofins / Da Legitimidade dos Créditos Apropriados pela Requerente, a fim de afastar o conceito de insumo adotado pela Fiscalização, tece considerações sobre a não cumulatividade das contribuições em tela estabelecendo o seu entendimento sobre o conceito de insumo aplicável ao caso, à luz da interpretação que faz da legislação, da jurisprudência e da doutrina. Diz, inicialmente, que, da combinação dos incisos e parágrafos do artigo 3º das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 com o artigo 195, inciso I, alínea V, e § 12, da Constituição Federal, temse que o critério de escolha legislativa dos custos e despesas que conferem direito de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é a relação de inerência de tais dispêndios com a formação da receita, critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. Defende, que o conceito de insumo, na sistemática não cumulativa dessa contribuições é muito mais abrangente do que o conceito de insumo adotado pela legislação do IPI, englobando todos e quaisquer dispêndios ligados ao processo produtivo e, assim, à obtenção de receita. Aduz, com base em jurisprudência do CARF, que o conceito de insumo aplicável ao caso deve ser o mesmo aplicável ao imposto de renda, já que a materialidade dessas contribuições (a receita) é muito mais próxima daquela estabelecida ao IRPJ, do que daquela prevista para o IPI. E, por fim, destaca que o conceito de insumo previsto na IN SRF n° 404/2004 não é o mesmo previsto na lei, o que implica em sua ilegalidade e menciona que os Tribunais Federais têm se firmado nesse sentido, exatamente em razão de a IN ultrapassar sua função de interpretação e exequibilidade da lei, ao pretender restringir o conceito de insumo. E na sequência, passa a discorrer especificamente sobre cada tipo de glosa. Fl. 9193DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.344 8 Bens para revenda, adquiridos a alíquota zero No item 111.2.2 — Dos Bens para Revenda, a recorrente inicialmente contesta a glosa das as aquisições de bens sujeitos à alíquota zero para revenda, realizada com base no art. 3º, § 2º, da Lei n.° 10.833/03, alegando que as aquisições cujos valores foram glosados não se subsumem a esta norma. Nesse sentido, argumenta que as aquisições em apreço, distintamente do que preleciona a mencionada norma, não se referem a bens cuja receita não se encontra sujeita à contribuições, mas a bens que se encontram no campo de incidência da contribuição e que tiveram a alíquota reduzida a zero pelo legislador; afirma que, portanto, o fato de não haver um efetivo dispêndio pelo contribuinte que forneceu os bens não implica que tal bem não está sujeito à contribuição. Conclui então que, tendo em vista que os insumos sujeitos à alíquota zero não se subsumem ao art. 3º parágrafo 2º, inciso II, da Lei n.° 10.833103, devem tais aquisições ser integralmente consideradas para fins de creditamento, tal como determinado pela regra disposta no art. 3º, inciso II, da Lei n.° 10.833/03. Entretanto, defende que, caso não se acolha o entendimento acima, é aplicável aos valores glosados a segunda parte do referido dispositivo legal. Isso por que, segundo alega, é possível afirmar que o tratamento fiscal do instituto da alíquota zero se confunde com o da isenção, devendo, portanto, aquele instituto estar sujeito à exceção que este comporta. Bens para revenda, com tributação concentrada No mais, a requerente informa que cometeu um equívoco ao classificar as aquisições de GLP sob o CFOP 1102 (Compra para comercialização), já que o GLP não foi adquirido para revenda, e sim, para ser utilizado com insumo em seu processo produtivo. Explica que o gás é utilizado: na (i) chamuscagem de suínos para retirar seus pêlos, que pertence ao processo produtivo dos suínos; no (ii) aquecimentos dos sistemas de incubação e das aves, que pertence ao processo produtivo das aves; e na (iii) fritura e cozimento de empanados e produtos industrializados, etc. Nesse sentido defende que, sendo certo que o GLP consiste de insumo, os valores de suas aquisições geram crédito da Cofins, independentemente do regime ao qual tal insumo está sujeito, no caso, o monofásico. Isso porque, como alega, a única vedação da legislação para tomada de crédito, ocorre nos casos de "aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição", o que afirma não ser o caso nos presentes autos, considerando que a receita do produtor auferida na venda de GLP foi oferecida a tributação. Bens e serviços utilizados como insumo No tópico 111.2.3 — Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos, a requerente passa a colocar os fatos e as razões de direito, pelos quais entende que faz jus aos créditos glosados. Inicialmente, em relação aos itens glosados por não consistirem de insumos, diz aterse aos “itens mais relevantes” dos presentes na planilha NF Glosadas — Não Representam Aquisições de Insumo. Assim segue. Em relação à Indumentária e Itens de Uso Obrigatório, a recorrente, em síntese, alega que a indumentária dos colaboradores que trabalham em suas plantas industriais, itens tais como botas, botinas e Luva, bem como os itens de proteção de uso obrigatório, são exigidos por norma emanada da autoridade reguladora, sendo Fl. 9194DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.345 9 essenciais ao processo produtivo, sem os quais ela nem ao menos poderá exercer a sua atividade. Corroborando esse entendimento cita acórdão do CARF. Quanto aos Pallets, explica que consistem em estruturas de madeira, cuja principal função é facilitar o transporte de insumos e mercadorias dentro do estabelecimento e que também servem para evitar o contato de tais materiais com qualquer superfície, impedindo contaminações que poderiam colocar em risco a integridade dos produtos industrializados. Adicionalmente, cita decisão do CARF que autorizou o creditamento sobre as despesas incorridas com os chamados "materiais para acondicionamento para transporte", por configuram despesas com armazenagem, expressamente prevista como apta para gerar crédito no inciso IX, do art. 3º, da Lei n.° 10.833/03. Conclui, então, que as glosas devem ser canceladas, por se tratarem, os pallets, de material indispensável no processo produtivo, além de configurar uma clara despesa com armazenagem, tal como já decidido pelo CARF. Nessa linha, defende o crédito em relação aos serviços de repaletização (também chamados de serviços de "reforma de pallets") face à sua essencialidade, devido à imprescindibilidade dos pallets no processo produtivo. A título de Materiais e Equipamentos, defende o direito a crédito em relação a itens que cita detergentes, lubrificantes, fusível, dentre outros – e outros tantos não mencionados que, segundo alega, teriam sido empregados no processo produtivo, estando diretamente relacionados à geração de receitas, caracterizando, assim, como insumos. Explica que: os detergentes industriais, por exemplo, são utilizados na higienização e limpeza das máquinas e pisos do estabelecimento industrial, atendendo, obviamente, às rigorosas regras emanadas pelas autoridades regulatórias; os lubrificantes e os fusíveis, são indispensáveis ao bom funcionamento das máquinas e equipamentos pertencentes ao processo produtivo. Aduz que, pelas breves descrições, é inegável que todos esses itens estão “intrinsecamente ligados ao processo produtivo”, pois seria impossível realizar a sua atividade sem tomar as precauções relativas à higienização ou preservação e bom funcionamento de suas máquinas. Em relação a estas, cita recente Acórdão proferido pelo CARF, em processo da própria requerente, por meio do qual restou reconhecido o direito ao crédito sobre as aquisições de ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos de sua atividade fabril. Contesta a glosa dos valores relacionados a Serviços Realizados por "Operador Logístico", alegando que a movimentação das mercadorias é inerente à sua atividade, pela impossibilidade de comercialização de seus produtos na ausência de tais serviços, que são intrinsecamente relacionados à armazenagem e ao frete das mercadorias produzidas. Transcreve ementa de Acórdão do CARF, abaixo reproduzida, que teria considerado que os “serviços relacionados à movimentação de mercadorias e ao frete deve ser tratada em conjunto e, consequente, o direito ao crédito ser a eles estendidos”. DESPESAS COM ARMAZENAGEM. CREDITAMENTO. Uma vez comprovado que os gastos com energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, lavagem e deslocamentos foram suportados pelo Recorrente no conjunto das operações de armazenagem e frete durante a venda, e que foram tributados pelas contribuições, eles darão direito a crédito. (Acórdão n.° 380303.152, de 28.06.2012, g.n.) E acrescenta que a própria RFB já considerou como insumo os gastos incorridos com a carga e descarga, e cita a Solução de Divergência n° 15/2007. Conclui, que dada à imprescindibilidade dos serviços relacionados à movimentação Fl. 9195DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.346 10 de mercadorias, associada ao fato de que estão diretamente relacionados com as despesas de frete de vendas, as glosas devem ser integralmente canceladas. Afirma que os serviços de Análise Laboratoriais consistem de insumo, tendo em vista que os produtos fabricados são destinados ao consumo humano e que, portanto, devem ser constantemente avaliados e testados, de modo a preservar sua qualidade e integridade. Traz decisão do CARF que, segundo alega, ao apreciar as despesas incorridas com "serviços de análise laboratorial de comidas" firmou o entendimento de que, aos contribuintes cujo objeto social é relacionado à produção de alimentos, os serviços de análise laboratorial devem ser considerados como insumo. Nesse mesmo sentido, também traz a Solução de Consulta n° 145, de 21/09/2012. Defende o direito ao crédito em relação à aquisições de bens utilizados como insumo adquiridos de pessoas físicas alegando que os bens e serviços adquiridos de pessoas físicas foram utilizados no processo produtivo e, portanto, guardam perfeita relação com as receitas geradas, caracterizandose com insumos. E segundo, CARF já decidiu pela possibilidade de aproveitamento dos créditos relativos a aquisições de insumos em casos análogos. No mais, defende que pelo menos faz jus ao crédito presumido na forma do art. 8º da Lei n° 10.925/2004. Reclama que, a teor do art. 142 do CTN, a Fiscalização possui o dever de apurar corretamente os valores supostamente devidos a título de tributo, o que significaria, no presente caso, glosar apenas parcialmente os créditos oriundos de aquisições de pessoas físicas, já que a legislação prevê a possibilidade de crédito presumido, conforme os percentuais estabelecidos no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. Defende o direito ao crédito em relação à aquisições de bens utilizados como insumo sujeitos a alíquota zero com base nos mesmos fundamentos expendidos acima em relação ao bens adquiridos para revenda sujeitos a alíquota zero. Já em relação às Aquisições sob CFOP que Não Geram Créditos, reclama da superficialidade da análise da autoridade fiscal que não cuidou de verificar se os bens adquiridos são insumos do processo produtivo. Alega que uma simples análise da planilha elaborada pelo Fisco permite verificar que diversos bens glosados são produtos químicos (cita metionina, hexano GC, etc) que, evidentemente, são empregados no processo produtivo e que há diversos óleos que são utilizados nas máquinas pertencentes ao processo produtivo. Reclama ter sido arbitrário o procedimento adotado pela Fiscalização de glosar bens cujo CFOP diz respeito a mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária (CFOP 1407 e 2407), sem sequer analisar a natureza do insumo adquirido e o seu emprego no processo produtivo. E aponta como mais grave ainda a situação que se refere ao CFOP cuja descrição é outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada, ou mesmo de material de uso ou consumo (CFOP 1949), pois é impossível a Fiscalização saber de qual insumo se trata apenas com base na mera redação do CFOP. Conclui dizendo que o simples equívoco cometido pela Requerente na classificação do CFOP não pode ser utilizado pelas Autoridades Fiscais como justificativa para glosar os créditos, ainda mais nas hipóteses em que a característica do item como insumo, segundo alega, é evidente. Contra às glosas das aquisições de insumos com suspensão das contribuições, a recorrente alega que as alegações trazidas pela Fiscalização não merecem prosperar, pois o leite in natura e os insumos foram adquiridos sem a suspensão da Cofins. Defende que, em assim sendo, não há o que se falar em aplicação do mencionado art. 9º da Lei n° Lei n° 10.925/2004, mas sim do conceito de insumo Fl. 9196DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.347 11 previsto no já mencionado art. 3° da Lei n° 10.833/2003. Nesse sentido, ressaltar, ainda, que no período objeto de análise, vigia a Instrução Normativa RFB n° 660/2006, que dispunha sobre a suspensão da incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins nas aquisições de que trata o art. 9º da Lei n° 10.250/2004, sem, contudo, tecer quaisquer comentários quanto à obrigatoriedade da suspensão de tributos nas operações; alega que tal obrigação somente surgiu com a publicação da IN RFB n° 977/2009. Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda No item 111.2.4 — Das Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda, a recorrente inicia afirmando que a tomada de créditos apurados a partir das despesas com fretes, sejam este relacionadas ou não à operação de venda, está em consonância com a legislação vigente e com a mais recente jurisprudência administrativa. Explica que, diante das diversas etapas do processo produtivo, aliado à sua extensa quantidade de plantas industriais, é notório que o frete de matérias primas e produtos semiacabados é inerente à atividade da empresa e imprescindível ao mencionado processo produtivo, devendo os seus gastos serem considerados para fins de creditamento, vez que contribuem, indubitavelmente, para a geração de receita. Alega que a própria RFB e o CARF já se pronunciaram favoravelmente à essa pretensão; cita Acórdão do CARF. Pelos mesmo motivos e sendo, segundo alega, inegável a importância da existência de centros de distribuição responsáveis por escoar a produção de maneira mais eficiente, alega que os gastos incorridos com os fretes de produtos acabados são, igualmente, aptos ao creditamento da mencionada contribuição; cita Acórdãos do CARF. No mais, a fim de afastar a alegação de que "não ficou comprovado que os fretes em tela referemse a fretes na operação de venda", a Requerente diz ter trazido em anexo planilhas (Doc. 11), que, segundo alega, contêm todas as despesas com fretes ocorridas no período. Menciona, como exemplo, as planilhas referentes ao mês de maio de 2009, contendo, segundo diz, todas as despesas de armazenagem e frete nas operações de vendas incorridas no período, com as respectivas contas contábeis, bem como a abertura da Ficha 16A, Linha 7, do Dacon (doc. 12). Crédito presumido da agroindústria Inicialmente a recorrente coloca que o itens descritos como "milho granel", "óleo soja degomado p/ ração", "sui abate misto spl picdal pirâmide", "suíno fêmea reprodução terceiros", consistem de insumo. Explica que: o milho e o óleo de soja são elementos essenciais na produção da ração dos animais, que, por sua vez, são de extrema importância ao processo produtivo; os suínos abate misto ("sui abate misto spl picdal pirâmide") e os suínos fêmeas ("suíno femea reprodução terceiros") são adquiridos para o processo produtivo suíno, já que, a Requerente, como alega, não é totalmente autossuficiente na produção de suínos. No que se refere às glosas efetuadas em relação aos percentuais aplicados para cálculo do crédito presumido, alega que o método para o cálculo do crédito presumido está no próprio art. 8º da Lei n° 10.925/2004, em seu parágrafo 3º, o qual fazendo remissão ao caput, vincula, assim, o cálculo do crédito presumido ao produto produzido e, por outro lado, arrola como base de cálculo do crédito o valor da aquisição do insumo. Acrescenta que tal é o entendimento que se chega a partir Fl. 9197DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.348 12 de uma interpretação literal, lógica e finalística da legislação e que o CARF assim também vem decidindo. Por fim, afirma que o parágrafo 10, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, incluído pela Lei nº 2.865/2013, põe fim a qualquer dúvidas sobre a questão pois não dá margem à dúvida: o direito à aplicação do percentual de 60% decorre da natureza do produto resultante da atividade agroindustrial e não da natureza dos insumos empregados, pois, do contrário, não ditaria tal dispositivo que o direito ao crédito na alíquota de 60% abrange todos os insumos utilizados nos produtos em questão. Diz que a tal dispositivo, enquanto interpretativo, deve ser dada eficácia retroativa nos termos do art. 106 do CTN. Pedido de perícia e diligência A recorrente pugna pela realização de perícia, que se justificaria, segundo alega, pela necessidade de trazer ao conhecimento da autoridade julgadora os detalhes e particularidades dos seus processos produtivos, permitindolhe entender a específica natureza de cada despesa glosada pela Fiscalização e analisar sua pertinência e relação com o processo produtivo. Indica um perito a quem caberia: descrever de forma detalhada os seus processos produtivos; descrever de forma detalhada cada despesa glosada pela Fiscalização; esclarecer qual a relação das despesas glosadas pela Fiscalização com o processo produtivo; demonstrar quais despesas de frete são relacionadas à venda de mercadorias e produtos e quais são relacionadas à transferência entre estabelecimentos. Em razão de a auditoria fiscal, segundo alega, ter sido superficial na análise de seu processo produtivo, a recorrente também pugna pela realização de diligência fiscal para que o auditor fiscal esclareça se os bens e serviços caracterizados como insumos pela Requerente em sua Dacon são utilizados no processo produtivo e efetivamente guardam relação intrínseca com a geração de receitas, em conformidade com o disposto no art. 3º, inciso II, da Lei n° 10.833/03. Diante de todo o exposto, pede que seja dado provimento à sua manifestação de inconformidade. Da revisão do acórdão Verificada inexatidão material devido a erro no cálculo do crédito passível de ressarcimento, o processo retornou à DRJ para prolação de acórdão revisor, em substituição do Acórdão nº 0735.251, de 30 de julho de 2014. É o relatório." A DRJ em Florianópolis (SC) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte e o Acórdão n° 0736.185, de 10/12/14, foi assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. Fl. 9198DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.349 13 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2009 A 31/03/2009 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA.CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada pela com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. Fl. 9199DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.350 14 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÕES TRIBUTADAS. Somente geram créditos da Contribuição para o PIS/Pasep passíveis de desconto da contribuição devida os valores das aquisições de bens ou serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SERVIÇOS DE FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste permissivo legal para tomada de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep a partir de dispêndios com serviços de frete de mercadorias ou produtos entre estabelecimentos da empresa. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que repetiu as alegações contidas na manifestação de inconformidade e adicionou informações complementares acerca de determinados bens, custos e despesas que considerou como insumos para fins de creditamento de PIS e COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de glosa de créditos de PIS do 1° trimestre de 2009, que resultaram em parciais indeferimento de Pedido de Ressarcimento (PER) e não homologação dos Pedidos de Compensação (DCOMP) vinculados. Em preliminar,a recorrente lista processos administrativos que reputa que devem ser julgados em conjunto, pois são conexos. Está correta: todos estão nesta pauta para julgamento. Cumpre mencionar recorrente consignou em suas peças de defesa detalhadas descrições do seu processo produtivo, laudo do INT (doc. 09 da manifestação de inconformidade), comprovando a essencialidade de determinados bens, custos e despesas á atividade industrial e memorando prerado por engenheiro civil, com minudente explicação de sua operação (doc. 03 do recurso voluntário). O exame dos argumentos contidos no recurso voluntário será essencialmente instruído pelo conceito de insumos (art. 3° da Lei n° 10.637/02) que vem sendo Fl. 9200DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.351 15 majoritariamente adotado no CARF, qual seja, o de que assim devem ser considerados os custos e despesas essenciais à conclusão do processo de preparação dos produtos. Com efeito, tal posicionamento se alinha à recente decisão proferida pelo STJ, em sede do REsp 1.221.170/PR, sob a sistemática dos recursos repetitivos, publicada em 24/04/18, que, inclusive, considerou como ilegais os conceitos de insumos exarados pelas IN SRF n° 247/02 e 404/04: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 9201DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.352 16 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, após o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (votovista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR" Por fim, menciono ainda que adotei como balizadores de minhas conclusões: a premissa de que o ônus de comprovar o direito creditório é do contribuinte, nos termos do art. 373 do Código Processo Civil (Lei n° 13.105/15),; que, na busca da verdade material, há que se verificar se os argumentos da recorrente encontram respaldo nas descrições de seus processos produtivos, com as quais também trabalhou a auditoria fiscal, devidamente confirmadas pelos laudos técnicos carreados aos autos. "PRELIMINARMENTE 11.2 — Da Superficialidade do Trabalho Fiscal / Ofensa ao Princípio da Verdade Material" A recorrente requer a decretação da nulidade do despacho decisório, em suma, porque considera que o trabalho da fiscalização foi superficial, baseado em "ilações e leituras genéricas" e não em análise detalhada do processo produtivo. Aduz ainda que não produziu "provas documentais e cabais" de que as operações, tal como informadas e contabilizadas, não ocorreram. Como exemplos, cita o fato de ter chegado a conclusões com base, simplesmente, no Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP). Não obstante as divergências acerca de algumas conclusões a que chegou, entendo que não há motivos que possam eivar de nulidade o despacho decisório. E adoto a conclusão da DRJ como minha razão de decidir: "1 Nulidade do despacho decisório Fl. 9202DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.353 17 A recorrente suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando que a “superficialidade da análise das informações necessárias para a glosa dos créditos” fere o princípio da verdade material. Nesse sentido, aduz, em síntese, que “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” caberia à fiscalização “analisar todos esses fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado” e não somente “proceder à glosa com base em análises superficiais da documentação apresentada no curso do procedimento de fiscalização”. Reclama que, ao glosar os créditos com base em ilações genéricas de que os bens e serviços adquiridos não se enquadram no conceito de insumo ou sob a justificativa de que o Cfop referese à aquisição de bens que não gerariam direito a créditos, sem analisar a aplicação desses bens e serviços no processo produtivo, a fiscalização acabou por glosar indevidamente diversas despesas que caracterizamse como insumos. Conclui que, por não ter a Fiscalização buscado a verdade material e nem tampouco apresentado motivação para tanto, o presente despacho decisório não pode subsistir, devendo ser cancelado. Como veremos, entretanto, o procedimento fiscal foi regularmente realizado, tendo sido oferecido à contribuinte todas as condições e oportunidade, não só de demonstrar e comprovar o crédito pleiteado, como de exercer amplamente o seu direito à defesa. Vejamos. Inicialmente, firmese que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon é o instrumento através do qual a empresa deve demonstrar ao Fisco todas as operações que influenciam a apuração do valor devido da contribuição para o PIS e da Cofins, não cumulativas, e dos respectivos créditos. Esse demonstrativo possui fichas e linhas específicas que devem necessariamente refletir a real composição do valor da base de cálculo dos créditos apurados e utilizados pelo contribuinte (via desconto, compensação, pedido de ressarcimento ou de restituição), identificando corretamente os custos e despesas que o compõem, a fim viabilizar a oportuna e necessária análise e conferência do crédito pela Autoridade Administrativa Fazendária competente, no caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF da jurisdição fiscal do contribuinte/pleiteante, a quem cabe deferir ou não o pleito do contribuinte. Como relatado, a fim de proceder à análise do crédito pleiteado, conforme apurado e informado no Dacon apresentado para o período, a fiscalização intimou a contribuinte/pleiteante a demonstrar e comprovar a origem de todos os valores utilizados na base de cálculo do crédito objeto do pedido de ressarcimento. Em resposta às intimações fiscais, a interessada prestou os esclarecimentos que julgou necessários e suficientes para tanto e apresentou os documentos de que dispunha. A autoridade fiscal relata que: a contribuinte forneceu a conta contábil e o número do documento fiscal relativos a contabilização das notas fiscais listadas nas memórias de cálculo, sendo confirmadas por amostragem as contas informadas, através do número do documento fiscal e da data do lançamento; analisou cada uma das descrições dos itens das memórias de cálculo, de forma a determinar, com base na legislação vigente à época, quais os itens teriam direito a crédito, elaborando uma “matriz de glosas”; aplicou a “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo, identificando os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal utilizada na memória de cálculo. Como se vê, o Auditor Fiscal, a partir das informações, planilhas e documentos apresentados pela própria interessada durante o procedimento fiscal, tendo em conta a legislação de regência e o processo produtivo da empresa, ajustou o crédito a que a interessada tem direito, glosando os valores não comprovados e os Fl. 9203DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.354 18 valores para os quais a legislação não prevê direito de créditos. Não se verifica, portanto, que a fiscalização tenha sido superficial e nem tenha ocorrido a alegada apuração fiscal com base em ilações genéricas; compulsando os autos o que se verifica é que a Fiscalização, em sua análise, partiu das informações e dos elementos apresentados pela própria contribuinte, inclusive a descrição dos bens, a nomenclatura atribuída pela contribuinte a alguns bens na escrituração das notas fiscais e nos códigos Cfop nestas consignadas. Notese que, ao contrário do que defende a recorrente, “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” não caberia à fiscalização, mas à própria pleiteante demonstrar e comprovar todos os “fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado”; o que veremos no item que segue sobre repartição do ônus da prova no âmbito dos processos administrativos. É descabida, portanto, a intenção da recorrente de afastar as informações que prestou à fiscalização, inclusive dos Cfop contidos nas notas fiscais apresentadas, como meio de prova suficiente para demonstrar a natureza de suas operações. Isso porque todas as informações, planilhas e documentos apresentados pela própria interessada durante o procedimento fiscal a vinculam perante o Fisco, pelo menos até que esta logre comprovar qualquer equívoco cometido, obviamente, por meios hábeis para tanto, todavia em sede de análise do mérito e não enquanto preliminar. No que concerne ao Cfop, é importante ter em conta que a nota fiscal, por estar a sua emissão e utilização imbuída de formalismos e rigores estabelecidos legalmente, portanto de observação obrigatória pelos contribuintes, consiste, por excelência, do meio próprio para registrar e comprovar as operações comerciais das empresas, principalmente aquelas tributáveis e as capazes de gerar créditos, no âmbito de cada tributo. Assim é que no âmbito dos tributos federais não se pode prescindir do formalismo e oficialidade conferido pelas notas fiscais aos atos negociais praticados pelas pessoas jurídicas; destes as notas fiscais fazem prova perante o fisco na medida em que gozam de presunção (relativa) de veracidade, presunção esta somente afastada, por quem o pretenda, por meios hábeis e bastantes para tanto. Assim, à evidência, descabida é a intenção da recorrente de descaracterizar a análise e a decisão proferida pela DRF com base no argumento de que os elementos por ela fornecidos à fiscalização não seriam hábeis e suficientes para informar a realidade dos fatos. No mais, verificase que no relatório fiscal há a identificação de cada valor glosado da base de cálculo do crédito e a clara motivação da glosa. Compulsando o relatório vêse que este foi devidamente fundamentado, contendo as informações necessárias e suficientes para o conhecimento das irregularidades apuradas e a produção da defesa da contribuinte. De outro turno, em respeito ao devido processo legal, a contribuinte foi notificada da decisão, sendolhe conferido prazo para contestála, contestação que ora se analisa. Portanto, tendo em conta que no âmbito de processos de reconhecimento de direito creditório é do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar o direito que alega (matéria que será tratada no item seguinte), temse que o procedimento fiscal foi regularmente realizado, sendo improcedente a alegação de que a análise fiscal teria sido superficial em razão de se basear nos documentos e informações prestadas pela fiscalizada. Concluise que a decisão recorrida foi proferida por autoridade competente, tendo sido respeitados os princípios da motivação, do devido processo legal, do Fl. 9204DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.355 19 contraditório e da ampla defesa, razão pela qual é improcedente é alegação de nulidade do feito fiscal." Com base no acima exposto, nego provimento à preliminar. "III.2.3 — Dos Bens para Revenda (Ficha 16A e 16B— Linha 01 da DACON) a) Dos Bens Para Revenda Sujeitos à Alíquota Zero " A fiscalização glosou créditos sobre bens cujas compras era tributadas à alíquota zero, com fundamento nos incisos II dos § 2° dos art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03: "(. . .) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (. . .) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." A DRJ ratificou o procedimento fiscal. O contribuinte alega que citado dispositivo veda créditos tão somente quando a revenda do produto não estiver no campo de incidência das contribuições, o que não seria o caso, posto que sofrem tais imposições, porém à alíquota zero. Adicionalmente, alega que alíquota zero e isenção são institutos similares. Transcreve opiniões de doutrinadores neste sentido. E, assim entendido, poderia registrar os créditos, pois o citado dispositivo legal admite o registro de créditos relativos a produtos isentos, caso a saída seja tributada. Regra geral, as leis vedam o registro de créditos derivados da compra de produtos não tributados, a fim de preservar a sistemática da não cumulatividade. Não se pode registrar créditos, cujos valores não foram computados no preço e, por conseguinte, não foram pagos pelo adquirente. As leis, todavia, abriram uma exceção à isenção, desde que o bem seja aplicado em produto ou serviço cuja receita de venda seja tributada. Ao dispor que não gera direito a crédito a aquisição "de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção", o legislador não excluiu apenas os bens, cuja operação de compra estiver fora do campo de incidência do PIS e da COFINS, como aduziu a Recorrente. Se assim o fosse, não teria criado exceção à regra para as aquisições isentas das contribuições. Também excluiu os tributados à alíquota zero e os beneficiados pela suspensão. Fl. 9205DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.356 20 Também não acompanho a Recorrente, quando aduz que, por serem similares, a isenção e tributação à alíquota zero devem ser receber o mesmo tratamento, quando se trata de creditamento de PIS e COFINS. Não obstante o fato de o resultado final ser o mesmo desoneração tributária a isenção e a tributação reduzida a zero são institutos que se encontram previstos em dispositivos legais distintos, com existência própria. Não cabe conferir a um (alíquota zero) o mesmo tratamento dispensado ao outro (isenção), em razão de ambos representarem renúncias fiscais. Por fim, no sentido de não reconhecer o direito a créditos sobre aquisições de bens tributados à alíquota zero, vale mencionar as decisões do STF em sedes do RE n° 628.093/RS. Portanto, nego provimento às alegações contidas neste tópico. "b) Dos Bens Para Revenda que Possuem Aliquota Concentrada" Foram glosados os créditos derivados de compras de GLP, em razão de estar sujeito à tributação concentrada e, por conseguinte, não gerando crédito para o revendedor. A DRJ não considerou as alegações da recorrente de que, na verdade, tratavase de insumo industrial, pois entende que este argumento não foi apresentado e, por conseguinte, analisado pela fiscalização, uma vez que fora informado no DACON como bem para revenda. A defesa sustenta que, ao contrário do que espelhou no DACON, o GLP era utilizado na produção para "i) chamuscagem de suínos para retirar seus pêlos, que pertence ao processo produtivo dos suínos; (ii) aquecimentos dos sistemas de incubação e das aves, que pertence ao processo produtivo das aves; (iii) fritura e cozimento de empanados e produtos industrializados, etc.." E, como a receita com a venda dos respectivos produtos era tributada pelas contribuições, tem direito à tomada dos créditos. A recorrente argumentou, porém não comprovou que o GLP foi aplicado no processo industrial. E, da leitura das descrições das atividades industriais e laudos, tampouco se encontra respaldo para o que afirma. Assim, nego provimento. "III.2.4 — Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos (Ficha 16A — Linhas 02 e 03 da DACON) a) Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos" A fiscalização glosou créditos sobre as compras de diversos bens que concluiu não se enquadrarem no conceito de insumos, aplicando os restritivos conceitos das IN RFB n° 247/02 e 404/04. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou argumentos para sustentar o registro de créditos daqueles itens que julgou mais relevantes Fl. 9206DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.357 21 A DRJ ratificou o procedimento fiscal e ainda dispôs que não pôde avaliar se os demais itens eram realmente intrinsecamente ligados ao processo fabril, tão somente pelos conceitos gerais de insumos levados aos autos pela recorrente. No recurso voluntário, a recorrente repete os argumentos da primeira peça de defesa. E aduz não ter sido possível analisar "cada uma das 2 mil glosas registradas na planilha 'NF Glosadas Não representam Aquisições de Insumos'", tendo, assim, optado por tratar individualmente os considerados mais relevantes. Nos parágrafos seguintes, aprecio os argumentos apresentados pela recorrente, porém, antecipadamente, manifesto que concordo com a DRJ no sentido de que não é possível acatar alegações genéricas, devendo ser considerada como "(. . .) não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." (art. 17 do decreto n° 70.235/72). "(i) Indumentária e Itens de Uso Obrigatório" A recorrente apresentou os seguintes argumentos: Não há dúvida de que tratase de insumos. Depreendese das informações constantes nos autos que os itens acima listados são essenciais à manutenção da integridade e Fl. 9207DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.358 22 qualidade dos alimentos e, portanto, essenciais à produção. Corrobora com este entendimento, a seguinte decisão da CSRF: Acórdão n° 930301.740, da CSRF COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Dou provimento aos argumentos. "ii) Pallets" e "(iii) Repaletização" A recorrente informa que os pallets são insumos, pois utilizados para proteção das mercadorias, quando movimentadas nos estoques. E, em exportações, como material de embalagem. Traz excerto do laudo do INT e decisões do CARF que corroboram com seus argumentos. E, na mesma linha de raciocínio, devem ser admitidos como insumos os serviços de restauração de pallets. Mais uma vez, colacionou trecho do laudo do INT. Indubitavelmente, os pallets são imprescindíveis, essenciais ao processo industrial, como se depreende das informações constantes do autos. E os serviços de repalletização, por conseguinte, também; Ocorre que os créditos foram calculados sobre os valores das compras, como se pudessem ser integralmente e de pronto consumidos, sem que fossem identificados os valores relativos aos pallets: utilizados como embalagem e que, por conseguinte, integraram os custos dos estoques (insumo passível de creditamento de imediato, de acordo com os incisos II dos art. 3° das Lei n° 10.637/02 e 10.833/03); ou integrantes do ativo imobilizado (neste caso, o crédito seria albergado nos incisos VI dos art. 3° das Lei n° 10.637/02 e 10.833/03, e deveria ser calculado sobre os custos com depreciação). O serviço de repalletização é evidência clara de que havia reaproveitamento de pallets e que, portanto, nem todos eram utilizados como embalagens. Assim, dada a ausência das informações complementares acerca do emprego dos pallets objetos da defesa, nego provimento. Fl. 9208DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.359 23 "(iv) Materiais e Equipamentos" A recorrente sustenta que; I) detergentes, lubrificantes, anticorrosivos e fusíveis são aplicados na produção de ração animal e em equipamentos de corte de carnes; II) acoplamentos de borracha em ligações de eixos rotativos de máquinas; III) conectores e desengrachantes, para garantir o funcionamento eficaz de máquinas e evitar vazamento de óleo, graxa e combustível; IV) combustíveis (gasolina, óleo, GLP, gás acetileno, argônio e oxigênio industriais), como energia para funcionamento de máquinas; V) dicoflenato sódico, como medicamento para aves; VI) metionina, treonina e neomicina, na produção de ração; VII) serviços de manutenção, revisão, inspeção, regulagem e calibração de máquinas; Dada a atividade desenvolvida pela recorrente, detalhadamente descrita nas peças de defesa e corroborada pelos laudos técnicos, indubitavelmente, devemos admitir na base de cálculo dos créditos os custos citados nos itens "V" e "VI", posto que, inclusive, não se poderia imaginar uma outra destinação plausível. No tocante aos demais, todavia, não há na defesa informações detalhadas acerca das máquinas nas quais os listados produtos teriam sido aplicados. Com relação a peças e serviços de manutenção, revisão, inspeção, regulagem e calibração, além da ausência de identificação das máquinas, para fins de aceitação dos créditos, haveria ainda que definir se aumentaram a vida útil do bem. Caso positivo, deveriam ter sido contabilizadas no custo do bem do ativo imobilizado, para posterior depreciação (art. 346 do Regulamento do Imposto de Renda decreto n° 3.000/99)? Isto posto, dou provimento parcial, revertendo as glosas dos itens nos itens "V" e "VI", acima mencionadas. "(v) Serviços Realizados por "Operador Logístico" Não foram acatados serviços de carga e descarga, movimentação de saída de mercadorias e crossdoking (processo de recebimento de mercadoria e imediata preparação para carregamento e entrega ao cliente). Vejo os gastos com carga e descarga como, dependendo do caso, integrante dos de aquisição (incisos II dos art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03) ou armazenagem e frete sobre vendas (inc. IX do art. 3° e inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03). E, dada à sua natureza e clareza com que foram identificados nos registros contábeis, também não vejo necessidade de informações complementares para que sejam admitidos os créditos correspondentes. Fl. 9209DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.360 24 "(vi) Análises Laboratoriais" Não foram admitidos créditos sobre custos com análises laboratoriais de alimentos, para confirmar estarem aptos para o consumo humano. Voto pela reversão das glosas, posto que são essenciais á conclusão do processo de preparação para consumo de gêneros alimentícios. "b) Dos Bens Utilizados como Insumos — Aquisições de Pessoas Físicas" Os gastos com compras de pessoas físicas de lenha para caldeiras não foram admitidos nas bases de cálculo dos créditos. Na manifestação de inconformidade, sustenta que a lenha movimenta a caldeira de escaldagem de animais, consistindo em insumo. Não obstante, alternativamente, pleiteou o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04. A DRJ concordou com a fiscalização, alegando que aquisições de pessoas físicas não dão direito a créditos, nos termos dos incisos I dos §§ 3° dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, afastou a possibilidade de concessão de ofício de crédito presumido, pois não cabe à fiscalização investigar formas alternativas de concessão de crédito, diferente daquelas indicadas no DACON. No recurso, repete os argumentos e adiciona que o mero erro no preenchimento do DACON não tem o condão de impedir que, alternativamente, seja conferido crédito presumido. Voto por negar provimento, em linha com a decisão da DRJ. Por um lado, porque o crédito sobre compra de pessoa física é expressamente vedado (incisos I dos §§ 3° dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03). E, por outro, porque reputo que não cabe aos colegiados de primeira ou segunda instâncias conduzir processo investigativo, para concluir acerca da possibilidade de o contribuinte computar créditos alternativos àquele que foi efetiva e formalmente pleiteado. Com relação ao último argumento, vale mencionar que reconheço que há circunstâncias em que até é possível a redução de crédito tributário lançado de ofício, por exemplo, por meio da utilização de créditos a compensar ou de saldos de prejuízos fiscais (CSL ou IRPJ). Contudo, tais créditos devem então já constar em declarações ou livros fiscais, o que não seria o caso em tela, que requereria a busca por informações acerca do processo industrial do qual a caldeira tomou parte e dos produtos dele resultantes, para então verificar seu perfeito enquadramento no rol de produtos do caput do art. 8° da Lei n° 10.925/04. "c) Dos Bens Utilizados como Insumos — Bens Sujeitos à Alíquota Zero" Houve glosa de créditos cujas compras eram tributadas à alíquota zero. Para este caso, a fiscalização apresentou o seguinte resumo dos produtos e das fundamentações legais das glosas (fl. 574), integralmente ratificadas pela DRJ: Fl. 9210DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.361 25 Nas peças de defesa, a recorrente remetese às alegações contidas no tópico acima tratado "III.2.3 — Dos Bens para Revenda (Ficha 16A e 16B— Linha 01 da DACON) a) Dos Bens Para Revenda Sujeitos à Alíquota Zero ". Voto por negar provimento, tal qual o fiz para o tópico citado no parágrafo precedente. "d) Dos Bens Utilizados como Insumos — Aquisições sob CFOP que Não Geram Créditos" Consta na "Informação Fiscal" (4.334 a 4.369) que foram identificadas compras que de bens cujo CFOP indicava não se tratarem de operação com direito a crédito. Na respectiva planilha (fls. 571 a 573), constam aquisições sob os seguintes CFOP códigos confirmados com o Convênio ICMS s/n de 15/12/1970 : i) 3556, 2556 e 1556 (material de uso e consumo); ii) 1949 e 3949 (outras entradas não especificadas); eiii) 2407 e 1407 (material de uso e consumo sob regime de substituição tributária de ICMS). Na manifestação de inconformidade, a recorrente acusa a fiscalização de ter efetuado trabalho muito superficial, pois, tão somente com base nos CFOP, não seria possível concluir se eram ou não insumos, o que requereria exame do processo produtivo. no recurso voluntário, trouxe elementos de defesa para alguns bens. E que equívocos na determinação do CFOP não pode comprometer o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS. Adicionalmente, de forma genérica, informa que diversos produtos químicos constante da planilha de glosa são produtos químicos utilizados no processo industrial. A DRJ confirmou o trabalho da fiscalização. Lembrou que foi efetuado com base nas informações prestadas pelo contribuinte e que a nota fiscal "é, por excelência, o meio próprio para registrar e comprovar as operações comerciais das empresas". E que, oportunamente, deveria ter provido o auditor das provas de que se travam de insumos, pois o ônus de comprovar a existência do direito é de quem alega detêlo. Minha leitura da legislação fiscal, é a de que a comprovação plena das operações comerciais passa não somente pelas notas e livros contábeis e fiscais e contratos, Fl. 9211DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.362 26 porém, e notadamente, pelas evidências de elementos que comprovem cabalmente suas natureza, efetividade e emprego nos negócios. E, para tanto, no caso de serviços, há que se reunir relatórios técnicos, contendo pareceres e recomendações. Quanto a aquisições de bens, manuais e laudos técnicos que demonstrem a que se destinam e de que forma são utilizados na respectiva atividade empresarial. Não obstante, da leitura dos autos, confirmase o relatado pela DRJ. A recorrente tinha pleno conhecimento do propósito da auditoria fiscal e dos dados que deveria fornecer para a comprovação da legitimidade dos créditos. E o agente fiscal, com base nos elementos fornecidos, concluiu seu trabalho. Portanto, tal qual consignei na preliminar, não vejo defeito no trabalho fiscal, que o eive de nulidade. O recurso voluntário repete a manifestação de inconformidade, porém com mais detalhes acerca dos produtos cujos créditos foram glosados. Tal qual procedi em tópico anterior, para que eu vote pela reversão de glosas, em princípio, fazse necessária a conciliação dos argumentos com as descrições dos processos produtivos e laudos técnicos. Exceção, contudo, há que se fazer aos casos em que a descrição do produto, por si só, seja esclarecedora e dispense uma análise técnica de especialista. Ademais, consigno que supero eventuais erros na classificação fiscal em CFOP, em nome da verdade material. Dito isto, a única glosa que proponho que seja revertida é a da metionina, empregada na produção de ração animal, tal qual o fiz em tópico anterior, sob as mesmas alegações. "e) Dos Bens Utilizados como Insumos — Vendas com Suspensão de Contribuição ao PIS e de COFINS" Foram glosados os créditos integrais, calculados sobre as aquisições de produtos beneficiadas com suspensão do PIS e da COFINS (artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04): leite in natura e outros produtos agropecuários. A DRJ confirmou o entendimento da fiscalização. A Recorrente alega que os produtos são insumos e as respectivas compras realizadas sofreram tributação pelo PIS e COFINS, posto que a suspensão tornouse obrigatória tão somente após a edição da IN SRF n° 977/09 (1/11/2009). Até então, sob a IN SRF n° 660/2006, era opcional. Divirjo da Recorrente. Restou incontroverso que os produtos adquiridos encontramse no caput do art. 8° da Lei n° 10.925/04. E minha leitura do art. 9° da Lei n° 10.925/04 é a de que, desde sua instituição, a aplicação da suspensão era obrigatória e não opcional, a despeito do que se pudesse inferir da leitura da IN SRF n° 660/06. Ademais, não há evidência nos autos de que as compras tenham sido oneradas pelas contribuições. E o registro de créditos, em casos de Fl. 9212DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.363 27 suspensão, é vedado pelos inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Vejamos: "Lei n° 10.925/04 Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. [...] Art. 9° A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 9213DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.364 28 I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. Art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 § 2o Não dará direito a crédito o valor: (. . .) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." Portanto, nego provimento aos argumentos da Recorrente. "III.2.5 — Das Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Ficha 16A — Linha 07 da DACON)" Os créditos sobre as despesas com frete foram glosadas, porque a recorrente não as vinculou a operações de venda, circunstância única em que a fiscalização admitiria o creditamento (inc. IX do art. 3º das Leis nº 10.833/03, também aplicável ao PIS, em função do inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03). A DRJ ratificou tal posicionamento. Consultei a planilha de glosas de fretes (fls. 617 a 757) e percebi que a fiscalização conseguiu identificar, em diversos casos, por meio das notas fiscais, que o bem transportado era "produto lácteo" ou "laticínio". Nos demais, há descrição genérica de que tratavase de operação "fretes e carretos" ou mesmo de produto não vinculado pela recorrente ao processo produtivo. Assim, de pronto voto pela manutenção das glosas, quando não há identificação da natureza da operação (ex: compra de insumos, venda de produtos acabados etc.) ou vinculação do produto transportado à atividade industrial. Por outro lado, nas situações em que há descrição do produto transportado, constando "laticínios" ou "produtos lácteos", notoriamente relacionados à atividade industrial da recorrente, meu voto é pela reversão das glosas. E, conforme explicarei em seguida, não importa se em operação de compra, venda ou transporte entre estabelecimentos da recorrente. A meu ver, podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos os fretes incorridos na aquisição de insumos e produtos para revenda, nas venda e nos deslocamentos entre estabelecimentos do mesmo titular. Na compra de insumos ou de produtos para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo dos incisos II dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 9214DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.365 29 Nas vendas, nos termos do inc. IX do art. 3º das Leis nº 10.833/03, também aplicável ao PIS, em função do inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03. Em deslocamentos de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente, pois, como mencionei, o frete pago na aquisição de insumos compõe o custo de aquisição e, como tal, pode ser computado na base de cálculo dos créditos. E, neste custo com frete, incluiuse o incorrido para que o insumo percorra todo o caminho entre o fornecedor e o estabelecimento que o industrializará. Muitas vezes, por razões ligadas à logística de armazenamento e distribuição, no caminho, a mercadoria acaba passando por mais de um estabelecimento, até chegar ao seu destino final, o estabelecimento industrializador. Outrossim, semelhante raciocínio deve ser efetuado para produtos acabados, cujos fretes em operações de venda geram créditos de PIS e COFINS. Neste caso, devemos admitir créditos sobre a totalidade do gasto necessário para levar o produto final do armazém até o consumidor final. E, no curso deste trajeto, por motivos de ordem operacional, é possível que ele tenha de ser primeiro levado para outro estabelecimento do titular, para depois, então, ser entregue ao cliente. Em linha com meus posicionamentos, cito os Acórdãos nº 3402002.881, de 28/1/2016, e nº 340101.715, de 15/2/2012, de cujas ementas extraio excertos, a saber: "FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. Os fretes vinculados à aquisição de insumos geram créditos das contribuições não cumulativas, por se caracterizarem como custo de produção, a teor do art. 290, I, combinado com o art. 289, § 1º do RIR/99." (Acórdão nº 3402002.881) "FRETES. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. POSSIBILIDADE DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. A norma introduzida pelo art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, segundo a qual os fretes prestados por pessoas jurídicas residentes no Brasil e suportados pela vendedora de mercadorias geram créditos a partir de 1º de fevereiro de 2004, é ampliativa em relação aos créditos previstos no inc. II do mesmo artigo. Com base neste inciso os fretes entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, de insumos e mercadorias produzidas ou vendidas, também dão direito a créditos. Mas para tanto há necessidade de comprovação quanto aos bens transportados e aos percursos, sem a qual os créditos são negados." (Acórdão nº 340101.715) Com base no acima exposto, voto por reconhecer os direitos creditórios relacionados às despesas com fretes de "laticínios" ou "produtos lácteos. Por outro lado, voto por manter a glosa dos créditos sobre fretes nos demais casos. "III.2.6— Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais" A controvérsia gira em torno do cálculo do crédito presumido sobre insumos aplicados na produção de produtos de origem animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/04. Enquanto a fiscalização e DRJ entendem que o percentual a ser aplicado sobre o valor da Fl. 9215DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.366 30 compra deve ser determinado com base na classificação na TIPI do insumo adquirido, a Recorrente alega que seria a do produto no qual o insumo é aplicado. Transcrevo o art. 8º da Lei nº 10.925/04: "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de:(. . .) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1° deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; Fl. 9216DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.367 31 II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Posteriormente, a Lei n° 12.865/13 acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, a saber: "§ 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3°, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos." Realmente a redação original dos inciso I ao III do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 ensejava dúvidas. Mas, com a edição da Lei n° 12.865/13, a controvérsia terminou. O percentual deve ser determinado, de acordo com a classificação na TIPI do produto no qual o insumo é aplicado. E seus efeitos são efeitos são retroativos, abrangendo o caso em tela anocalendário de 2009 em razão do art. 106 do CTN: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (. . .)" Voto pelo provimento da alegação da Recorrente, qual seja, de que o percentual a ser aplicado sobre os insumos adquiridos é determinado pela classificação na TIPI do produto no qual foi aplicado. "IV Pedido de Perícia e de Diligência" A Recorrente protesta pela realização de perícia, para demonstrar a aplicação dos insumos glosados em seu processo de industrialização. A fase de produção de provas acerca da legitimidade dos créditos já se expirou. Ademais, uma diligência não se presta para produzir provas em favor ou contra qualquer uma das partes, porém para o provimento de esclarecimentos sobre os elementos que já se encontram nos autos. Assim, nego provimento. Conclusão Voto pelo provimento parcial, a saber: com reversão das glosas de créditos calculados sobre idumentárias, dicoflenato sódico, metionina, treonina, neomicina, fretes para transporte de "produtos lácteos" e "laticínios", serviços realizados por operador logístico e análises laboratoriais; reconhecendo que, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04, o percentual a ser aplicado sobre as alíquotas do PIS e da COFINS previstas nos artigos 2° das Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, deve ser determinado de acordo com a classificação na TIPI do produto em que o insumo adquirido foi aplicado. É como voto. Fl. 9217DF CARF MF Processo nº 11516.721878/201150 Acórdão n.º 3301004.899 S3C3T1 Fl. 5.368 32 (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 9218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.007435/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 01/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE QUNADO APRECIADO EM SEGUNDA INSTÂNCIA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Recurso de Ofício Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-005.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-002.898, de 20/06/2012, não conhecer do recurso de ofício. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-002.898, de 20/06/2012, não conhecer do recurso de ofício. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa.
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Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE QUNADO APRECIADO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Recurso de Ofício Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301 002.898, de 20/06/2012, não conhecer do recurso de ofício. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 74 35 /2 00 8- 57 Fl. 310DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração (fls. 303 e ss) opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 2301002.898, proferido em 20 de junho de 2012, pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2º Seção de Julgamento do CARF, cuja ementa recebeu a seguinte redação: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 01/12/2007 RECURSO DE OFÍCIO DE VALORES INFERIORES À DETERMINAÇÃO LEGAL. Recurso de Ofício aviado de Processo Administrativo cujos valores são inferiores a um milhão de reais configurase em equívoco da Autoridade Fiscal, haja vista que, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235/72, com alterações da Lei n o 10.522/02, e de acordo com o art. 1° da Portaria MF no 03/2008, o valor total do crédito tributário exonerado deve exceder a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), o que não é o caso em tela. Recurso de Ofício Negado”. Alega a Procuradora da Fazenda Nacional que o acórdão, ora guerreado, encontrase manchado pelo vício de contradição, uma vez que o voto condutor do Acórdão recorrido se baseou em um valor equivocado com relação ao crédito exonerado, conforme abaixo: “A Turma, por unanimidade de votos, entendeu que houve um equívoco da Autoridade Fiscal, pois deveria deixar de recorrer de oficio ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que o valor total do crédito tributário exonerado não excedeu a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). O voto condutor consignou: O fato é que a multa aplicada foi de R$ 1.028.288,23, e, com pagamento dela no curso da ação fiscal, houve redução de R$ R$ 514.144,11, correspondente a 50% da redução, conforme autoriza a legislação. Então, temos que está perfeita a decisão recorrida, mantendose incólume, bem como indevido o presente recurso aviado, porque o crédito discutido é inferior a um milhão. (grifos nossos) Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11516.007435/200857 Acórdão n.º 2301005.576 S2C3T1 Fl. 3 3 Contudo, constatase do demonstrativo da multa constante do Relatório Fiscal – Quadro I, que na verdade a multa totalizava um valor de R$ 2.056.576,47, e após a redução de 50% esta foi atenuada para o valor total de R$ 1.028.228,23, em razão do pagamento pela contribuinte no curso da ação fiscal (campo “j”). Ou seja, a redução da multa foi no valor de R$ 1.028.228,23, e não no valor de R$ 514.144,11, como afirmado no acórdão recorrido.”. Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) requer o conhecimento e o provimento do recurso de ofício, uma vez que o crédito exonerado era superior a R$ 1.000.000,00. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Os embargos são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. Vale lembrar que ao tempo do julgamento do recurso de ofício no âmbito do CARF (20/06/2012), vigia a Portaria MF nº 3/08, que assim disciplinava o recurso de ofício: "Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo". Todavia, a referida Portaria foi revogada pela Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que assim dispôs sobre o recurso de ofício da DRJ "Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 312DF CARF MF 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário." A Súmula CARF 103 estabelece que, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Considerando que o valor total do crédito tributário constante do processo nº 11516.007435/200857 é de R$ 1.028.228,23, valor este que é superior ao definido no artigo 1º da Portaria MF nº 3/08 e inferior ao definido no art. 1º da Portaria MF nº 63/17, o recurso de ofício deveria ter sido conhecido quando do julgamento do Acórdão nº 2301002.898, uma vez que tal recurso foi levado à sessão em 20 de junho de 2012, no entanto, não deve ser conhecido no presente momento, visto que estamos na vigência da Portaria MF nº 63/17. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado em seu art. 65, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Dessa forma, o artigo 65 do RICARF determina que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Diante da contradição no Acórdão embargado sobre a questão do limite de alçada e, ao mesmo tempo, ante o novo limite definido na Portaria MF nº 63/17, voto por acolher os embargos para, colmatando a contradição apontada, não conhecer do recurso de ofício uma vez que o crédito tributário discutido no presente processo administrativo é inferior ao limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, ficando a ementa assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 01/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE QUNADO APRECIADO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Recurso de Ofício Não Conhecido É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11516.007435/200857 Acórdão n.º 2301005.576 S2C3T1 Fl. 4 5 Fl. 314DF CARF MF
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