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Numero do processo: 18050.010563/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/11/2003 FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
Reconhecido pela Administração Tributária que a instituição financeira tem crédito suficiente para homologar as compensações declaradas neste processo administrativo, finda a lide por perda de seu objeto.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3402-003.112
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. Sustentou pela recorrente o Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP nº 138.192.
Nome do relator: Jorge Olmiro Lock Freire
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1999 a 30/11/2003 FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO Reconhecido pela Administração Tributária que a instituição financeira tem crédito suficiente para homologar as compensações declaradas neste processo administrativo, finda a lide por perda de seu objeto. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. Sustentou pela recorrente o Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP nº 138.192 Antônio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 05 63 /2 00 8- 41 Processo nº 10580.010563/200841 Acórdão n.º 3402003.112 S3C4T2 Fl. 544 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação em formulário (fls. 03 a 04) e Declaração Eletrônica de Compensação (fls. 23 a 26) apresentadas pela recorrente, por meio das quais pretende compensar crédito de FINSOCIAL oriundo de ação judicial transitada em julgado em 02/12/2002 (Ação Ordinária nº 93.00128973 da 11ª Vara da Justiça Federal da Bahia, ajuizada pela empresa incorporada Banco do Estado da Bahia S.A, CNPJ nº 15.142.490/000138), cujo Pedido de Habilitação, objeto do processo administrativo nº 10580.002819/200766, foi deferido pelo Despacho Decisório SECAT/DRF/SDR nº 0111, de 21/10/2008 (cópias às folhas 05 a 06). Por meio do Despacho Decisório nº 0135/2009 (fls. 28 a 30), a autoridade fiscal não homologou as compensações em face de as Declarações de Compensação terem sido formalizadas após o prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão judicial, ressaltando a inexistência de norma que atribua ao pedido de habilitação qualquer efeito sobre a contagem de quaisquer prazos. Regularmente cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, contestando os argumentos apresentados pela autoridade fiscal e reiterando seus argumentos quanto ao seu direito creditório e compensações efetuadas. Apensado a este, encontrase o processo nº 10580.721182/200972, que trata de outras duas declarações de compensação em formulário de crédito oriundo de ação judicial, considerada não declarada pelo Despacho Decisório DRF/SDR nº 0942/2009, cuja Manifestação de Inconformidade contra a não homologação daquelas compensações encontra se pendente de apreciação. À folha 198 consta fotocópia de decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.33.00.0039631 determinando à autoridade impetrada que “reverta os efeitos da decisão exarada quanto à declaração de compensação do Processo Administrativo nº 10580.721182/200972, o presente, desconsiderando os efeitos prescricionais que foram afastados pela liminar deferida no presente processo, sob pena de configuração da hipótese legal de descumprimento de ordem judicial”, a qual foi atendida conforme informado à folha 190. Foi exarado novo Despacho Decisório de nº 1528/2009 (fls. 210 a 211), que admitiu a declaração de compensação retificadora em formulário e ratificou os termos do Despacho Decisório nº 0135/2009. Cientificada do Despacho Decisório nº 1528/2009, a contribuinte ratifica integralmente os termos da Manifestação de Inconformidade anteriormente apresentada. Por meio do referido Acórdão DRJ/SDR nº 1529.835/2012, a Manifestação de Inconformidade foi julgada procedente, determinando à unidade de origem a verificação do quantum a restituir decorrente de recolhimentos a maior do FINSOCIAL relativos a períodos de apuração compreendidos entre outubro/1989 e março/1992. Processo nº 10580.010563/200841 Acórdão n.º 3402003.112 S3C4T2 Fl. 545 3 Em 05 de dezembro de 2012, foi proferido o Despacho Decisório nº 0916/2012 deferindo em parte a solicitação da interessada, reconhecendose o FINSOCIAL a restituir/compensar no valor de R$ 3.892.672,45, atualizado até 12/2008. A contribuinte apresenta em 17/01/2013 Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº 0916/2012, sendo essas as suas alegações, em síntese: (i) que o valor de R$ 3.892.672,45 indicado como "Valor a restituir e/ou compensar atualizado até 12/2008" na Tabela II elaborada pelo agente do Fisco corresponde, na realidade, à própria variação decorrente da SELIC no período de 31/12/1995 a 31/12/2008, devendo, portanto, ser somado a este o valor em 31/12/1995 de R$ 1.646.576,90 para se chegar ao saldo atualizado do crédito. Assim, o valor a restituir deve ser retificado para que passe a constar como "Valor a restituir e/ou compensar atualizado até 12/2008" a soma de R$ 3.892.672,45 com o montante de R$ 1.646.576,90; (ii) que ao identificar as declarações de compensação objeto dos presentes autos, o Despacho Decisório, por um equívoco, mencionou na planilha de folha 359 a compensação de débito no valor de R$ 3.908.195,12, sem considerar, contudo, a declaração retificadora que alterou o valor do referido débito para R$ 3.100.302,19, conforme expressamente reconhecido pelo Despacho Decisório DRF/SDR n° 1528/2009 às folhas 210/211; (iii) quanto ao valor em si do crédito apurado em 31/12/1995, R$1.646.576,90, muito embora a Autoridade Administrativa tenha expressamente reconhecido a prevalência da "decisão judicial definitiva, prolatada nos autos da Ação Ordinária de nº 1993.33.00.128973, a qual foi sendo moldada através de decisões colegiadas que se seguiram à sentença a quo, reconheceu, em favor do contribuinte interessado, o direito de ver restituído e compensado, os valores pagos a maior a título de F1NSOCIAL" (fl. 361), e expressamente mencionado que nos autos deste processo judicial foi elaborado Laudo Pericial contendo "várias planilhas demonstrando a autocompensação realizada e o saldo de crédito fiscal daí resultante, a viabilizar o encontro de contas objeto da pretensão posta nestes autos", ao calcular o valor atualizado daquele crédito em 31/12/1995 acabou não observando o inteiro teor das decisões judiciais. Assim, em consonância à própria fundamentação do despacho decisório, e sob pena de desobediência à decisão judicial transitada em julgado, impõese o reconhecimento do crédito a favor do Impugnante correspondente a R$ 9.435.207,89 em 01/01/1996, e conseqüente homologação das compensações realizadas. A 4ªTurma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, em sessão de julgamento ocorrida em 8 de maio de 2013, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada, para reconhecer parcialmente o direito creditório e homologar as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. O Acórdão DRJ/SDR nº 1532.428 foi assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 16/11/1989 a 07/11/1991 FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO. ÍNDICES DE CORREÇÃO. Uma vez contemplados no Despacho Decisório os índices de correção utilizados pela Justiça Federal e determinados por sentença judicial, inexiste reparo a se fazer no cálculo do crédito do FINSOCIAL pleiteado pela contribuinte e utilizado na compensação de débitos próprios. Processo nº 10580.010563/200841 Acórdão n.º 3402003.112 S3C4T2 Fl. 546 4 Porém, reconhecese parte do direito creditório quando restar comprovada a existência de erro no cálculo dos juros com base na taxa Selic. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A interessada, regularmente cientificada do Acórdão da DRJ Florianópolis, interpôs o Recurso Voluntário, onde reprisa parte das alegações trazidas em sua manifestação de inconformidade. Alegou, em síntese: Quanto ao valor em si do crédito apurado em 31/12/1995, R$1.646.576,90, muito embora a Autoridade Administrativa tenha expressamente reconhecido a prevalência da "decisão judicial definitiva, prolatada nos autos da Ação Ordinária de nº 1993.33.00.128973, a qual foi sendo moldada através de decisões colegiadas que se seguiram à sentença a quo, reconheceu, em favor do contribuinte interessado, o direito de ver restituído, e compensado, os valores pagos a maior a título de F1NSOCIAL" (fls. 361), e expressamente mencionado que nos autos deste processo judicial foi elaborado Laudo Pericial contendo "várias planilhas demonstrando a autocompensação realizada e o saldo de crédito fiscal daí resultante, a viabilizar o encontro de contas objeto da pretensão posta nestes autos", ao calcular o valor atualizado daquele crédito em 31/12/1995 acabou não observando o inteiro teor das decisões judiciais. Assim, em consonância à própria fundamentação do despacho decisório, e sob pena de desobediência à decisão judicial transitada em julgado, impõese o reconhecimento do crédito a favor do Impugnante correspondente a R$9.435.207,89 em 01/01/1996, e conseqüente homologação das compensações realizadas. Em 2 de junho de 2014, a recorrente protocolizou requerimento às fls. 478 a 479, através do qual alega que, após ter efetuado os cálculos necessários relativos à compensação efetuada, com base no decidido pelo acórdão nº 1532.428, concluiu que o crédito já reconhecido seria suficiente à homologação integral das DCOMPs objeto dos presentes autos, apresentando planilha anexa. Em 20/04/2014, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução 3101000.376 (fls. 502/506) pela 1ª TO da 1ª Câmara da 3ª Seção, nos seguintes termos: Dessa forma, não se tratando no caso de pedido de restituição, mas apenas de DCOMPs, entende o Recorrente que, com o reconhecimento de crédito pela r. decisão recorrida suficiente à homologação integral destas compensações, esgotouse o objeto do presente recurso. Sendo assim, converto o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem efetue os cálculos cabíveis com base na decisão definitiva da DRJ, conforme Acórdão DRJ/FNS nª 1532.428, para verificar a suficiência dos créditos da recorrente para efetuar as compensações pleiteadas no presente processo. Processo nº 10580.010563/200841 Acórdão n.º 3402003.112 S3C4T2 Fl. 547 5 Após a conclusão da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para pronunciar se sobre o feito. Após todos os procedimentos, os autos devem ser devolvidos ao CARF para prosseguimento do rito processual. A informação fiscal (fls. 511/514), de 31/03/2015, concluiu o seguinte: Manifestação da recorrente em relação a essa informação fiscal (530/531), discorda do valor do saldo devedor na tabela acima em relação às duas últimas compensações, as quais controverte no processo em apenso, 10580.721182/200972, salientando, no entanto, o esgotamento do objeto dos presentes autos, uma vez homologadas as compensações neles insertas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Emerge do relatado que a questão posta ao conhecimento deste colegiado cingese à contestação do valor da restituição do Finsocial, mais especificamente quanto à sua atualização monetária, cujo título a ensejar a mesma é a decisão nos autos da ação ordinária 1993.00128973, transitada em julgado em 02/12/2002. Certo que a empresa poderia ter feito a execução do julgado em sede judicial, mas optou por fazêlo em sede administrativa somente em 20/04/2007, quando protocolou o pedido de habilitação. Essa mora, inclusive, deu azo, inicialmente, a despacho decisório, já nestes autos, entendendo que teria decaído o direito da empresa, questão já superada. Contudo, após idas e vindas, o que restou decidido no Acórdão 1529.835, da 4ª Turma da DRJ/SDR (fls. 218/225), de 15/02/2012, foi o seguinte: Processo nº 10580.010563/200841 Acórdão n.º 3402003.112 S3C4T2 Fl. 548 6 Em face dessa decisão, foi editado o laborioso e criterioso despacho decisório nº 0916/2012 (fls. 358/365), de 05/12/2012, pela DRF Salvador, que tratou de liquidar os valores do Finsocial a ser restituído em consonância com o determinado pela DRJ Salvador. Os cálculos efetuados nesse despacho foram levados a efeito considerando o laudo pericial (fls. 249/259) acostado à ação judicial, o qual, explica o referido despacho, foi elaborado pelo perito nomeado pelo juiz do feito, após diligências e auditoria documental, essas promovidas com a presença de assistentes técnicos representando a Fazenda Nacional e o autor da ação. O referido Laudo apurou um indébito de 690.285,71 UFIR, consoante demonstra a tabela 1 (fl. 333), anexa àquela decisão. Essa decisão, confrontada, cometeu dois equívocos que foram sanados pela nova decisão da DRJ Salvador (fls. 426/433), a qual reconheceu que o montante total do indébito é de R$ 5.539.249,3 (em valores atualizados até dezembro de 2008) e que o débito referente ao código de receita 7987, relativo ao período de apuração 30/11/2008, fora retificado para R$ 3.100.302,19. Contudo, esse acórdão afastou a pretensão da recorrente de rever os cálculos, uma vez os mesmos terem sido feitos em observação ao laudo pericial. Contudo, o núcleo do presente processo são as quatro compensações ( 2 de PIS e 2 de COFINS) dos períodos novembro e dezembro de 2008, não se tratando, assim, de pedido de restituição. E, como relatado, de acordo com a informação fiscal de fls. 511/514, o valor de crédito da recorrente reconhecido pela RFB foi suficiente para a homologação das compensações dos débitos constante das DCOMP nestes autos. Em consequência, o presente recurso perdeu seu objeto, pois as mesmas restaram homologadas. Ante o exposto, não conheço do recurso por perda de seu objeto. Porém, deve o órgão local desapensar destes autos, o processo 10580.721182/200972, o qual deve seguir seu curso, pois pendente de julgamento a manifestação de inconformidade, uma vez que o contribuinte ainda se insurge contra os cálculos feitos, os quais repercutirão, eventualmente, na homologação ou não das compensações sob análise naqueles autos. É de todo conveniente que cópia deste processo, no qual consta a liquidação dos valores controvertidos e seus incidentes, seja anexada aquele. É como voto. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Processo nº 10580.010563/200841 Acórdão n.º 3402003.112 S3C4T2 Fl. 549 7
score : 1.0
Numero do processo: 11968.000861/2008-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/10/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.638
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 08 61 /2 00 8- 41 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000861/200841 Acórdão n.º 9303003.638 CSRF‐T3 Fl. 201 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801003.292, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000861/200841 Acórdão n.º 9303003.638 CSRF‐T3 Fl. 202 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000861/200841 Acórdão n.º 9303003.638 CSRF‐T3 Fl. 203 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000861/200841 Acórdão n.º 9303003.638 CSRF‐T3 Fl. 204 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000861/200841 Acórdão n.º 9303003.638 CSRF‐T3 Fl. 205 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000861/200841 Acórdão n.º 9303003.638 CSRF‐T3 Fl. 206 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000861/200841 Acórdão n.º 9303003.638 CSRF‐T3 Fl. 207 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000861/200841 Acórdão n.º 9303003.638 CSRF‐T3 Fl. 208 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13657.000618/2002-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPJ.
Período de apuração: 01/10/1992 a 29/02/2000.
Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO EXTEMPORÂNEO
DECLARAÇÃO EM DCTF.
A prévia declaração em DCTF, seguida de desnatura a caracterização da denúncia restituição da multa de mora recolhida.
Numero da decisão: 9101-000.704
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Os Conselheiros Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto votaram pelas conclusões, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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DO TRIBUTO. PRÉVIA pagamento, em atraso, do tributo, espontânea. Impossibilidade de CSRF-Tl Fl. 1 Processo n° Recurso n° Acórdão n° Sessão de Matéria Recorrente Interessado MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS 13657.000618/2002-77 137.769 Especial do Procurador 9101-00.704 – 1" Turma 08 de novembro de 2010 IRPJ FAZENDA NACIONAL IRMÃOS FONSECA LTDA. Assunto: IRPJ. Período de apuração: 01/10/1992 a 29/02/2000. Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO EXTEMPORÂNEO DECLARAÇÃO EM DCTF. A prévia declaração em DCTF, seguida de desnatura a caracterização da denúncia restituição da multa de mora recolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Os Conselheiros Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto votaram pelas conclusões, nos ermos do relatório e voto que integram o presente julgado. (41,/ vv- CARLOS ALBERUO ÉREITAS BARRETO - Presidente. SUSY GOME HOFFMANN - elatora. EDITADO EM: 3 DE 7 2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. 2 Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O processo originou-se de pedido de restituição/compensação relativo a multas moratórias, juros moratórios, diferença de UFIR, e recolhimentos a maior de IRPJ, ILL, CSLL, COFINS e PIS, dos períodos de apuração compreendidos entre 10/1992 a 02/2000, no valor de R$ 79.388,41. A Delegacia da Receita Federal em Varginha-MG indeferiu o pedido (fls. 326/331). O contribuinte, então, apresentou impugnação (fls. 346/361) A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora manteve o indeferimento do pedido, às fls. 363/369 dos autos. Eis a ementa do julgado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Período de Apuração: 01/10/1992 a 29/02/2000. Ementa: Nulidade. Inexistindo incompetência da DRF, não como cogitar-se de nulidade do Despacho Decisório que apreciou pedido de restituição/ compensação do contribuinte. Perícia. Diligência. É prescindível a realização de diligência e/ou perícia quanto a elementos que poderiam ser trazidos aos autos, mormente quando os ali constantes são suficientes para a solução da lide. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Período de Apuração: 01/10/1992 a 29/02/2000. Ementa: Decadência do Direito à Repetição do Indébito. Decai em cinco anos da data do pagamento o direito à repetição do indébito. Denúncia espontânea. Não deve ser considerada como denúncia espontânea o pagamento de multa e juros morató rios, após decorrido o prazo legal para o pagamento do tributo/contribuição, sendo a multa e os juros de mora aplicados em decorrência da impontualidade do contribuinte. Solicitação indeferida. O contribuinte, então, interpôs recurso voluntário (fls. 372/393). Às fls. 398/412 dos autos, a antiga Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu parcial provimento ao recurso do contribuinte, com base nos fundamentos condensados na seguinte ementa: DECADÊNCIA- PEDIDO DE RESTITUIÇÃO- TERMO INICIAL- RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DO INDÉBITO- Processo n° 13657.000618/2002-77 Acórdão n.° 9101-00.704 CSRF-T1 Fl. 2 CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA- INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 168 DO CTN. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo, de cinco anos, para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Esse termo não se altera em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, eis que nesse caso, o pagamento extingue o crédito sob condição resolutória (Ac. 101-94.745). MULTA DE MORA- DENÚNCIA ESPONTÂNEA- ART. 138 DO CTN- O recolhimento de multa de mora em denúncia espontânea caracteriza indébito, devendo, portanto, ser reconhecido o direito de sua restituição. Assim, tendo em vista que o pedido do contribuinte foi protocolizado em 04 de julho de 2002, reconheceu a decadência em relação aos pagamentos efetuados até 04 de julho de 1997. Em relação à denúncia espontânea, cuja aplicabilidade se discute nos casos de recolhimento extemporâneo e espontâneo de tributos, tendo o contribuinte como encargos a multa e os juros de mora, no que tange aos períodos posteriores a julho de 1997, entendeu-se que: "No presente processo não se dá conta de ter havido quebra de espontaneidade do contribuinte, que efetuou os recolhimentos sem qualquer ação da autoridade administrativa tributária, portanto procedeu espontaneamente, apesar de a destempo, os recolhimentos. Isso não é questionado pela Fazenda, aceitando- se pacificamente. Nesse entendimento, trilhamos pelo caminho já firmado neste Colegiado, que na maioria das Câmaras vem entendendo ser afastável o pagamento da multa moratória quando do pagamento espontâneo da obrigação tributária, mesmo a destempo, mas antes de qualquer ação da administração tributária que represente qualquer forma, desde que escrita, de compelir o contribuinte ao recolhimento, com conseqüente quebra de sua espontaneidade. (..) Diante de tudo isso, reitero minha posição anterior, mantendo meu voto no sentido de que, tendo o contribuinte espontaneamente efetuado o recolhimento, mesmo fora do prazo, são devidos como encargos apenas os juros moratórios, já que a multa moratória, por típica função punitiva deve ser afastada ao teor do art. 138 do CTN". 3 A Procuradoria da Fazenda Nacional, desta forma, interpôs o presente recurso especial (fls. 414/420). Combateu o entendimento de que, para a caracterização da denúncia espontânea, basta o pagamento indevido. Sustentou que, além do adimplemento da obrigação tributária, a denúncia espontânea demanda que haja representação à autoridade competente, bem como que o Fisco não possua conhecimento prévio da ocorrência do fato gerador do tributo ("início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização"). Destarte, alegou que o fisco não foi surpreendido pela "denúncia espontânea", tendo em vista que, a partir da Lei n° 8.383, o lançamento do IRPJ deixou de ser por declaração para ser por homologação. De modo que, sendo as operações de apuração e de recolhimento antecipado sujeitas a controle posterior do Fisco, e tendo em vista que os tributos sujeitos a lançamento por homologação devem ser trimestralmente confessados por meio de DCTF, impossível falar-se em denúncia espontânea, conforme defendido pelo contribuinte. Trouxe à tona decisões do STJ em tal sentido. Negou-se, num primeiro momento, seguimento ao recurso da Fazenda, por considerar-se que não houve demonstração da contrariedade à legislação tributária (fls. 421/422). A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs agravo (fls. 423/427), o qual restou acolhido, dando-se seguimento ao seu recurso especial (fls. 431/433). O contribuinte apresentou suas contra-razões às fls. 436/439 dos autos. 4 Processo n° 13657.000618/2002-77 Acórdão n.° 9101-00.704 CSRF-T1 Fl. 3 Voto Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN O presente recurso especial é tempestivo e deve ser conhecido. Admito para estes casos que de fato houve a prévia declaração do tributo em DCTF, e que o pagamento, em atraso, deu-se posteriormente à declaração; nesse caso, sou pelo provimento do recurso especial. O artigo 138 do CTN tem o seguinte teor: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Quando o contribuinte faz a declaração e não efetua o pagamento simultaneamente, é dizer, dentro do tempo certo, vindo a fazê-lo posteriormente, de forma extemporânea, a denúncia espontânea não se caracteriza, não havendo que se falar em restituição dos valores pagos a título de multa de mora. Com efeito, a denúncia espontânea constitui-se num instituto que possibilita ao contribuinte confessar, espontaneamente, a infração, com o respectivo pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Se o contribuinte já tiver praticado a atividade de apuração do tributo, com a respectiva declaração em DCTF, sem que tenha efetuado o pagamento devido, a confissão espontânea já não mais pode concretizar-se, pois que o Fisco já tem o conhecimento da ocorrência do fato gerador e da constituição mesmo do crédito tributário. É neste sentido que o Superior Tribunal de Justiça consolidou o seu entendimento a respeito da matéria, em julgamento de recurso especial, processado sob o rito dos recursos repetitivos, nos termos da seguinte ementa: "TRIBUTÁRIO. ICMS. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E NÃO PAGO NO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/ST1 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Guia de Informação e Apuração do ICMS- GIA, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais —DCTF, ou de outra declaração dessa natureza, 5 prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, no ponto, improvido. Recurso sujeito ao regime do art. 543-C do ('PC e da Resolução STJ 08/08(Resp. 886.462-RS. Rel. min. Teori Albino Zavascla). Ressaltou-se, de fato, no bojo do acórdão: "Realmente, a jurisprudência sedimentada na 1° Seção é no sentido de que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais- DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS-GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, que dispensa, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito tributário foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido". Outro seria o panorama se o pagamento ocorresse simultaneamente com a declaração, ainda que ambos tivessem ocorrido extemporaneamente, pois que aí realmente se caracterizaria a denúncia espontânea, apta a elidir a responsabilidade do contribuinte pela infração cometida. Isto porque, é de destacar, a prévia apuração e declaração do tributo em DCTF, desacompanhada do respectivo pagamento, desnatura a alegada denúncia espontânea, na hipótese de pagamento posterior, ainda que não tenha ocorrido nenhuma ação do Fisco a respeito. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda, pois que descaracterizada a ocorrência da denúncia espontânea, ao contrário do que se entendeu no acórdão recorrido. Sala das Sessões, 08 de novembro de 2010. SUSY GOivr / l II ANN - Relatora 6
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000557/95-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1994
VÍCIO. DESCRIÇÃO DEFICIENTE DA INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA
Inexiste nulidade do auto de infração em virtude de descrição sumária da infração, quando os fatos foram devidamente compreendidos pelo sujeito passivo, possibilitando-lhe o exercício da defesa.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1994 VÍCIO. DESCRIÇÃO DEFICIENTE DA INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Inexiste nulidade do auto de infração em virtude de descrição sumária da infração, quando os fatos foram devidamente compreendidos pelo sujeito passivo, possibilitando-lhe o exercício da defesa. Recurso especial provido.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1994 VÍCIO. DESCRIÇÃO DEFICIENTE DA INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Inexiste nulidade do auto de infração em virtude de descrição sumária da infração, quando os fatos foram devidamente compreendidos pelo sujeito passivo, possibilitandolhe o exercício da defesa. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 20/05/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 05 57 /9 5- 61 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10835.000557/9561 Acórdão n.º 9202003.963 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Do Processo, até a Decisão Recorrida Trata o presente processo de exigência de Imposto sobre a propriedade Territorial Rural – ITR, contribuição à Contag, contribuição ao CNA e contribuição ao Senar, tendo em vista a divergência entre o valor da terra nua – VTN fixado pela IN SRF n° 16 de 27/03/1995 e o declarado pela contribuinte em sua DITR/1994, conforme notificação de lançamento – NL à efl. 07. A contribuinte impugnou (efl. 03) os valores lançados afirmando que estariam incorretos em cotejo com Nota INCRA/SR (16) n° 01/95 (efls. 16 a 18) e com Ofício n°714/95GP da Prefeitura de Corumbá (efl. 19), em resposta ao sindicato rural daquele município. A impugnação foi encaminhada à DRJ em Ribeirão Preto, que não aceitou a documentação probatória acima juntada, por se tratar, inclusive, de material relativo a outro município que não o da localização da propriedade tributada, oportunizando diligência (efl. 29) para que a contribuinte apresentasse: a) Laudo Técnico de Avaliação de sua propriedade, cujo ITR está sendo contestado, informando o Valor da Terra Nua, em 31/12/93, efetuado por perito (Engenheiro Civil, Engenheiro Agrônomo ou Engenheiro Florestal), devidamente habilitado, com os requisitos das Normas da ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR 8.799) demonstrando os métodos avaliatórios e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, acompanhado de cópia da Anotação de Responsabilidade Técnica ART, devidamente registrada no CREA; ou b) avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (Exatorias) ou Municipais, bem como aquelas efetuadas pela EMATER, com as características mencionadas na alínea “a". Atendida a diligência, houve decisão monocrática da Delegada de Julgamento de Ribeirão Preto, às efls. 48 a 50, que considerou os laudos trazidos às efls. 36 a 39, e, com base no § 3° do art. 4° da Lei n° 8.847/94, deferiu parcialmente a impugnação para retificar o lançamento notificado, utilizando como VTN Tributado 2.405.670,00 UFIR (dois milhões, quatrocentos e cinco mil, seiscentos e setenta UFIR), e a partir dele apurarse novo crédito tributário. Contudo, como se pode observar na intimação n° 0743/98, à efl. 59, não foi emitida nova NL pois: Fl. 182DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10835.000557/9561 Acórdão n.º 9202003.963 CSRFT2 Fl. 4 3 A Notificação de Lançamento com a(s) alteração(s) determinada(s) pela Decisão acima, não foi emitida em decorrência da Liminar Judicial em Ação Civil Pública, impetrada pelo Ministério público Federal contra os lançamentos de ITR/94, para os proprietários de imóveis no Estado do Mato Grosso do Sul. ... Assim, a decisão de quitar, imediatamente, o crédito tributário retificado, recorrer ao Segundo Conselho de Contribuinte, ou aguardar o julgamento do mérito pela Justiça Federal de Ação Civil Pública, é do contribuinte. A contribuinte, em 15/12/1998, apresentou recurso voluntário, às efls. 62 a 64, no qual sustentou, em resumo, a necessidade de exclusão da área de reserva legal dos cálculos, bem como dos encargos de multas e juros, que seria praxe quando da emissão de novo lançamento. A DRF em Ribeirão Preto, à efl. 65, negou seguimento ao recurso proposto, em face da falta do depósito no valor correspondente a 30% da exigência fiscal definida na Decisão de primeira instância, nos termos da legislação vigente à época. A 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF julgou o recurso voluntário em 11/07/2012, resultando no acórdão n° 210101.758, às e fls. 103 a 107, que deu a ele provimento, por unanimidade. Foi afastada a denegação de prosseguimento do recurso voluntário em face da Súmula Vinculante 21 do STF. Aquele acórdão recebeu a seguinte ementa: LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIOS FORMAL E MATERIAL. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Reconhecese a nulidade formal do lançamento quando inexiste identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, assim como a nulidade material decorrente da falta de descrição da infração, que ofende o direito à ampla defesa e ao contraditório pelo contribuinte. Recurso provido. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, às efls. 142 a 154, em 06/11/2012, alegando que vícios na descrição do fato gerador no auto de infração não geram a nulidade do lançamento, mas permitem sim o seu saneamento. O acórdão recorrido merece ser reformado, tendo em vista que a concepção aludida diverge da interpretação proferida no Acórdão nº 10422.759 (acórdão paradigma), da 4ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Em 08/08/2014, o atual relator, na competência de Presidente da 1ª Câmara, da 2ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso, no despacho às efls. 157 a 159, por entender que as interpretações dadas à lei tributária nos acórdãos recorrido e paradigma são divergentes, na forma dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Cientificado, em 22/09/2014, do provimento de seu recurso voluntário e da interposição do recurso especial da Procuradoria da Fazenda, a contribuinte apresentou contrarrazões a ele em 30/09/2014, às efls. 170 a 175. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10835.000557/9561 Acórdão n.º 9202003.963 CSRFT2 Fl. 5 4 Em seu contraarrazoado, ela afirma a correção do acórdão recorrido, por seus próprios méritos, e aponta existência de outro vício que seria insanável: violação do princípio da anterioridade no tocante à exação de ITR em 1994. As tabelas de alíquotas do ITR constantes do Anexo I, do art. 5° da Lei n° 8.847/94, que converteu a MP n° 399/93, não foram publicadas em 1993, mas em 07/01/1994 no mesmo exercício da ocorrência do fato gerador questionado. Esse entendimento foi também acolhido em RE n° 448.5533/PR, julgado na Segunda Turma do STF em 29/11/2009. Tendo a MP 399/93 revogado expressamente os artigos do Estatuto da Terra que dispunham sobre o ITR, não haveria possibilidade jurídica de novo lançamento desse tributo para o ano de 1994, sob qualquer pretexto. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso a ser analisado é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Discutese aqui apenas a existência de vício material, por ausência de descrição da infração imputada ao sujeito passivo. Esclareçase que o vício formal, por falta da identificação da autoridade lançadora não é objeto do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Com efeito, o reconhecimento desse vício formal é decorrência da aplicação da Súmula CARF n° 21 e, portanto, nos termos do Regimento Interno do órgão, a acórdão ora recorrido não estaria sequer sujeito a Recurso Especial, quanto a esse ponto. Delimitado o tema do recurso analisado, saliento que participei do colegiado recorrido e que, com base na afirmação do conselheiro relator, de que não havia qualquer descrição da infração e que isso impossibilitaria o exercício do direito de defesa, à época, juntamente com o restante do colegiado, o acompanhei. Entretanto, neste momento, na qualidade de relator, e em face do cotejo aos elementos dos autos, verifico, que esta não é a situação ocorrida: (a) a infração imputada ao sujeito passivo está claramente apresentada, pois, no documento de fl. 03 (Notificação de lançamento) é possível verificar o motivo do lançamento diferença entre o valor declarado da terra nua (996.151,47 UFIR) e o valor tributado dessa terra nua (3.392.051,30 UFIR); e (b) o sujeito passivo compreendeu perfeitamente a infração, tendo dela se defendido, pois, no documento de fl. 01 (impugnação), consta "não está correto o valor da terra nua de 299,63 UFIRs por ha. que serviu para o lançamento impugnado". Ora, com a descrição da infração constante dos autos e sem prejuízo do exercício do direito de defesa, a formalidade acima não é suficiente para inquinar o lançamento de nulidade, formal ou material. Por fim, cumpre referir que o acórdão RE 448.5533/PR, citado em contrarrazões não tem o contribuinte como parte e, em pesquisa ao site do Supremo Tribunal Federal, não se identifica a decisão com Repercussão Geral, conforme abaixo: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10835.000557/9561 Acórdão n.º 9202003.963 CSRFT2 Fl. 6 5 RE 448553 RECURSO EXTRAORDINÁRIO (Processo físico) Origem: MG MINAS GERAIS Relator atual: MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE RECTE.(S) MINERAÇÃO J. MENDES LTDA E OUTRO(A/S) ADV.(A/S) EDUARDO HALLEY DOS SANTOS E OUTRO(A/S) RECDO.(A/S) INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS IBAMA ADV.(A/S) THAÍS L. NOGUEIRA COSTA Andamentos DJ/DJe Jurisprudência Deslocamentos Detalhes Petições Recursos Data Andamento Órgão Julgador Observação Documento 06/10/2005 BAIXA DEFINITIVA DOS AUTOS, GUIA NRO.: 2432 TRF 1ª R/DF 04/10/2005 TRANSITADO EM JULGADO EM 30/09/2005. 20/09/2005 JUNTADA DA CÓPIA DO MANDADO DE INTIMAÇÃO, IBAMA. 09/09/2005 INTIMACAO DO IBAMA REF. AO DESPACHO PUBLICADO NO DJ DE 6/9/2005. 06/09/2005 PUBLICACAO, DJ: 30/08/2005 DECISÃO DO(A) RELATOR(A) NEGADO SEGUIMENTO EM 23/08/2005. 13/04/2005 CONCLUSOS AO RELATOR 12/04/2005 DISTRIBUIDO MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE Portanto, entendo inaplicável ao casos dos autos o reconhecimento de inconstitucionalidade por este tribunal administrativo, conforme Súmula CARF n° 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Dessarte, voto no sentido de conhecer do recurso especial de divergência da Procuradora da Fazenda Nacional para darlhe provimento e afastar a nulidade material apontada pela decisão recorrida. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10835.000557/9561 Acórdão n.º 9202003.963 CSRFT2 Fl. 7 6 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS
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Numero do processo: 12448.728730/2013-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2009, 2010
PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF é ato processual feito fora do tempo legal, não devendo ser conhecida.
ÔNUS DA PROVA. LIVROS COMERCIAIS. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
Em se tratando de processo de auto de infração, cabe à fiscalização o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fiscal e cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária.
IOF. SUBSCRIÇÃO E INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL SOCIAL COM AÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA.
Tendo sido demonstrado por documentos hábeis e idôneos que montantes indevidamente contabilizados no Livro Razão como ativo circulante em conta com empresas ligadas, levando à fiscalização ao entendimento de se tratar de AFAC não capitalizados, na realidade configuram o próprio capital social da empresa, que fora subscrito e integralizado mediante ações de companhia ligada, há de se afastar a tributação pelo IOF, uma vez que inexiste operação de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre as pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 3402-003.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não se tomar conhecimento do recurso voluntário quanto às questões preclusas e, na parte conhecida, dar provimento para cancelar a exigência de IOF e respectivos juros e multa sobre os montantes lançadas na Conta 11304000151 - Delta Construções S/A. Sustentou pela recorrente o Dr. Tomás Almeida, OAB/RJ 165.913.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF é ato processual feito fora do tempo legal, não devendo ser conhecida. ÔNUS DA PROVA. LIVROS COMERCIAIS. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. Em se tratando de processo de auto de infração, cabe à fiscalização o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fiscal e cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. IOF. SUBSCRIÇÃO E INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL SOCIAL COM AÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. Tendo sido demonstrado por documentos hábeis e idôneos que montantes indevidamente contabilizados no Livro Razão como ativo circulante em conta com empresas ligadas, levando à fiscalização ao entendimento de se tratar de AFAC não capitalizados, na realidade configuram o próprio capital social da empresa, que fora subscrito e integralizado mediante ações de companhia ligada, há de se afastar a tributação pelo IOF, uma vez que inexiste operação de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre as pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 87 30 /2 01 3- 21 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 5/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não se tomar conhecimento do recurso voluntário quanto às questões preclusas e, na parte conhecida, dar provimento para cancelar a exigência de IOF e respectivos juros e multa sobre os montantes lançadas na Conta 11304000151 Delta Construções S/A. Sustentou pela recorrente o Dr. Tomás Almeida, OAB/RJ 165.913. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) do Rio de Janeiro/RJ, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativa a Títulos ou Valores Mobiliários (“IOF”), consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em suma, sobre concessão de empréstimos entre empresas do mesmo grupo, sem o respectivo recolhimento do IOF, no importe de R$ 7.565.645,22, sobre os quais ainda incidem juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%. Proponho a seguinte resumo do caso, de acordo com os principais atos praticados no decorrer do processo: A Fiscalização informou no TVF de fls 141/170 que a empresa autuada mantinha créditos com diversas empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, sem prazo especifico de resgate, conforme demonstrativo entregue e o livro razão dos anos calendários de 2009 e 2010, contabilizados nas seguintes contas contábeis: i) Conta 113030002118 Delta Incorporação Emp Imobiliário Ltda; ii) Conta 11304000151 Delta Construções S/A; iii) Conta 113030003119Delta Energia Ltda. Com relação aos lançamentos na Conta 113030002118 Delta Incorporação Emp Imobiliário Ltda, no entender da autoridade fiscal, estes representam Adiantamento para futuro aumento de capital (AFAC), que passaram a ter natureza de mútuo, uma vez que não houve a capitalização no prazo de 120 dias, conforme os atos normativos transcritos às fls.142/143. Já sobre a Conta 11304000151 Delta Construções S/A e Conta 113030003119 Delta Energia Ltda, o TVF somente afirma que os valores que ali constavam eram créditos da autuada com pessoas jurídicas ligadas. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 5/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 12448.728730/201321 Acórdão n.º 3402003.065 S3C4T2 Fl. 112 3 Diante do lançamento tributário, a Contribuinte apresentou impugnação com relação Conta 11304000151 Delta Construções S/A. Em apertada síntese, alega que os supostos créditos com empresa ligada nada mais eram do que o registro contábil equivocado da integralização de seu próprio capital social, realizada por meio de entrega de ações da DELTA detidas por seus acionistas (Fernando Cavendish, Fort Investimentos e Carlos Pacheco) e restituído posteriormente a estes acionistas, na mesma forma, em decorrência de redução do capital social da Impugnante. Ressalto que o Contribuinte não contestou os valores imputados como mútuo em favor das empresas Delta Incorporação Empreendimento Imobiliário Ltda. (R$712.097,36) e Delta Energia Ltda., (R$76.010,01), conforme fls 231. Sobreveio então o Acórdão 1265.987, da 8ª Turma da DRJ/RJ, negando provimento à impugnação do contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: DEVER DO ADMINISTRADO. É dever do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo, proceder com urbanidade, sendo defeso empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados em processo administrativo. Artigo 4º., da Lei nº.9.784, de 1999, c/c artigo 16, parágrafo 2º., do Decreto nº.70.235, de 1972, com a redação da Lei nº.8.748, de 1993. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. Se a pessoa jurídica revelar conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo todas as questões levantadas, descabe a proposição de cerceamento à defesa. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. NORMAS APLICÁVEIS. As pessoas jurídicas submetidas a regime de recuperação judicial sujeitamse às mesmas normas da legislação tributária aplicáveis às demais pessoas jurídicas, relativamente aos impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. IOF. ADIANTAMENTO DE RECURSOS. NATUREZA DE MÚTUO. O adiantamento de recursos passa a ter natureza de mútuo, caso não haja a capitalização no prazo de 120 dias. INSRF 127/88. IOF. FATO GERADOR. A incidência do IOF não exige que tenha havido movimentação financeira, bastando que tenha havido disponibilidade jurídica de um crédito, conforme determina o artigo 1º., inciso I, do Regulamento do IOF, Decreto n° 6.306/2007. ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE. A escrituração contábil mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se forem comprovados por documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 5/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 4 Os documentos hábeis segundo sua natureza são aqueles que já contêm uma prova direta acerca do fato alegado cuja existência ali se materializa. Devem ter autenticidade, legitimidade e o seu conteúdo conduzir à convicção da efetiva ocorrência do fato, devendo, preferencialmente, serem subscritos por terceiros que tenham participado das respectivas operações. IMPUGNAÇÃO. DOCUMENTOS. A apresentação de alegações visando desconstituir as provas apresentadas pela Fiscalização devem vir acompanhadas de documentos hábeis e idôneos. Art. 16, inciso III, do Decreto 70.235 de 1972. IMPUGNAÇÃO. INEFICÁCIA. Não há como abrigar alegações que não logram desconstituir os fundamentos da autuação. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, por meio de peça recursal de fls 390/415, cujo conteúdo abarca os seguintes argumentos: i) A Fiscalização considerou a Recorrente como mutuante das empresas Delta Incorporação Empreendimento Imobiliário Ltda, Delta Energia Ltda e Delta Construções S.A; ii) porém, essas operações constituíam contratos de conta corrente (com a Delta Incorporação e Delta Energia); iii) e participação societária detida na empresa Delta Construções S.A., que foram erroneamente contabilizadas em seu livro razão. Tais fatos teriam sido provados em sede de impugnação, mas a DRJ desconsiderou tais provas, fazendo prevalecer a forma (contabilização equivocada) do que os fatos confirmados por meios de prova legítimos. Apresenta então todo o histórico e respectivos documentos acerca da citada participação societária; iv) coloca, a título de subsidiariedade, que mesmo que se entenda que houve “AFAC em ações”, o IOF somente pode incidir sobre o mútuo de recursos financeiros (dinheiro, pecúnia), nos moldes do artigo 586 do Código Civil, de modo que o empréstimo de ações do capital de determinada sociedade não pode ser fazer incidir o IOF; v) ainda, afirma que a autuação foi feita com base em presunção (desconsiderando todas as informações prestadas durante a fiscalização) e desacompanhada de relato detalhado da suposta infração, culminando em cerceamento de defesa. Conclui pela nulidade do ato administrativo, uma vez que não foi devidamente motivado (artigo 142 do CTN; artigo 59, inciso II do Decreto 70.235/72); vi) Desde junho de 2012 as empresas do Grupo Delta, incluindo a Recorrente, encontramse em Recuperação Judicial (Processo v. 0214515 34.2012.8.19.0001), de modo que a presente autuação iria de encontro com o objetivo deste instituto, traçado no artigo 47 da Lei n. 11.101/2005, vale dizer, permitir a superação da crise e manutenção da função social da empresa. É o relatório. Voto Fl. 426DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 5/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 12448.728730/201321 Acórdão n.º 3402003.065 S3C4T2 Fl. 113 5 Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 24/06/2014, conforme AR de fls. 387 e apresentou em 24/07/2014 o recurso voluntário de fls. 390/415, conforme artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Passo então à análise das questões apresentadas pela Recorrente, na mesma ordem em que elencados em sua peça dirigida ao CARF. 1. CONTA CORRENTE COM AS EMPRESAS DELTA INCORPORAÇÃO EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA E DELTA ENERGIA LTDA Com relação ao argumento apresentado pela Recorrente de que os valores lançados nas Contas 113030002118 Delta Incorporação Emp Imobiliário Ltda e 113030003119Delta Energia Ltda seriam operações de conta corrente entre empresas do mesmo grupo, de forma que não podem ser equiparadas ao mútuo para fins de tributação do IOF, tratase de contestação que não consta da Impugnação de fls 229 e seguintes. Pelo contrário, em sua impugnação ao lançamento tributário a Contribuinte expressamente coloca que (fls 229): Dessarte, tal argumento de defesa encontrase precluso, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72,1 razão pela qual não o conheço. 2. PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL DA DELTA CONSTRUÇÕES Colaciono abaixo trecho do relatório do acórdão Recorrido, que bem sintetiza o histórico apresentado pelo contribuinte como sua defesa: (...) em 26.05.2008, quando foi constituída, sob a denominação social de Deltapar Delta Participações e Investimentos Ltda., (doc.2), seus sócios quotistas: Fernando Antônio Cavendish Soares, Fort Investimentos S.A. e Carlos Roberto Duque Pacheco, subscreveram e integralizaram o capital social total de R$362.299.333,00, na forma disposta do art. 6º do Contrato Social, mediante a transferência de ações ordinárias representativas do capital social da empresa Delta Construções S/A (doc. 3), conforme quadro de fls.233; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 5/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 6 como consequência, a Impugnante passou à condição de acionista da Delta Construções S/A, que, por sua vez, passou a ser controlada apenas indiretamente por seus antigos acionistas, conforme comprovam os "Termos de Transferência de Ações" da DELTA, na qual se verifica a transferência à DELTAPAR (denominação social da Impugnante à época) das ações então detidas por Fernando Cavendish, Fort Investimentos e Carlos Pacheco (doc. 4); uma vez realizada a transação societária, a Impugnante procedeu à contabilização das ações da DELTA que agora integravam seu capital social (passivo), bem como da contrapartida no ativo referente a esse investimento; surge, então, o equívoco acima mencionado, uma vez que, a contrapartida no Ativo foi equivocadamente registrada na Conta Contábil n° 1.1.3.04.0001.51: Ativo CIRCULANTE Créditos a receber Outros devedores e credores Delta Construções S.A (vide doc. 5), quando deveria ter sido no Ativo Permanente (Não Circulante), sob a rubrica Investimentos, como determina o artigo 179 da Lei n°.6.404/76 e o Pronunciamento Técnico CPC 18, que trata de investimento em coligada, em controlada e em empreendimento controlado em conjunto; além disto, não há que se falar em "manutenção para venda" das ações da DELTA, vez que representavam o próprio capital social da Impugnante, revelandose evidente, portanto, a obrigatoriedade desta participação societária ser reconhecida como um ativo não circulante (permanente); o seu Livro Diário, (doc.5) comprova o registro de seu capital social na Conta Contábil n°2.4.1.01.0003: Passivo Patrimônio Liquido Capital Social integralizado, em perfeita harmonia com as normas contábeis; o mesmo equívoco se repetiu no preenchimento das DIPJs 2009, 2010 e 2011 (doc. 6), nas quais a Impugnante informou as ações da DELTA que integralizaram seu capital social inicialmente como "Contas a receber" (2009) e depois nas fichas referentes ao Ativo Circulante, nas linhas "20. Outros Valores e Bens" (2010) e "16. Créditos com Pessoas Ligadas" (2011), quando deveriam desde a origem estar lançadas nas fichas correspondentes ao Ativo Não Circulante Investimentos Participações em Coligadas e Controladas; em Assembleia Geral Extraordinária realizada em 28.11.2008, cuja ata foi levada a registro na JUCERJA em 06.02.2009 (doc.7), deliberouse a alteração da denominação social da Impugnante e sua transformação para o tipo sociedade anônima, bem como acerca da integralização do capital social subscrito, onde se pode verificar a confirmação da integralização do capital pelos então quotistas da DELTAPAR (LTDA.), nos mesmos termos já mencionados; posteriormente, em 05.05.2010, os acionistas da Impugnante deliberaram, em Assembleia Geral Extraordinária, "reduzir o Capital Social da Sociedade de R$362.299.333,00 para R$285.506,00 por meio da devolução aos acionistas Fernando Cavendish e Fort Investimentos das mesmas ações da DELTA Fl. 428DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 5/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 12448.728730/201321 Acórdão n.º 3402003.065 S3C4T2 Fl. 114 7 que haviam utilizado para integralizar o capital social da Impugnante, (doc.8); desta forma, dos R$ 304.947.688,00 correspondentes a 1.371.970 ações da DELTA de titularidade de Fernando Cavendish que integralizou no capital social da Impugnante em 26.05.2008, R$304.707.038,00 lhe foram devolvidos em decorrência do cancelamento de 304.707.038 ações da Impugnante que eram de sua titularidade; no mesmo sentido, dos R$57.351.423,00 correspondentes a 258.026 ações da DELTA de titularidade de Fort Investimentos, integralizadas no capital social da Impugnante em 26.05.2008, R$57.306.789,00 lhe foram devolvidos em decorrência do cancelamento de 57.306.789 ações da Impugnante que eram de sua titularidade; (...) assim, como não ocorreu mútuo de recursos financeiros não há que se falar em fato gerador do IOF; do exposto, não houve mútuo decorrente de AFAC não capitalizado em até 120 dias, como sustentado pela Fiscalização, no que se refere aos R$362.013.827,00 indicados como "Saldo Inicial do mútuo" em 2009, vez que se trata do próprio capital social da IMPUGNANTE, integralizado por meio de aporte das ações da DELTA por seus acionistas; Pois bem. Os adiantamentos para futuro aumento de capital (“AFAC”) são recursos recebidos pela empresa, de seus acionistas ou quotistas, a serem utilizados com a finalidade de aumentar o capital social. No recebimento de tais recursos, a empresa os registrará normalmente no Ativo Circulante, e a crédito dessa conta específica “Adiantamento para Futuro Aumento de Capital”. Diferente é a situação descrita pela Recorrente, em que os valores representam o próprio capital social da empresa subscrito e integralizado pelos seus sócios – e não adiantamento para futuro aumento do capital , sendo este composto por ações de outra companhia, o qual deve ser contabilizado no Ativo Não Circulante, sob a rubrica Investimentos, como determina o artigo 179 da Lei n° 6.404/76: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; (grifei) No caso, constatase, o valor visualizado pela Fiscalização no Livro Razão da empresa (Conta 11304000151 Delta Construções S/A), muito embora classificado no “Ativo CIRCULANTE Créditos a receber Outros devedores e credores Delta Construções S.A”, não se tratava de mútuo ou AFAC com sociedade coligada, mas sim do próprio capital social da empresa, representado por ações da Delta Construções S/A. Vejamos. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 5/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 8 Em primeiro lugar, saliento que o Código Civil estabelece que bens de qualquer espécie podem servir como meio de integralização de capital subscrito (móveis e imóveis, corpóreos e incorpóreos), desde que suscetíveis de avaliação em dinheiro (artigo 997, inciso III do Código Civil). 2 Ou seja, a subscrição e integralização do capital social de uma sociedade com ações de uma outra companhia, como ocorreu in casu, é legítima. Ocorre que, no momento efetuar seus lançamentos contábeis no livro Razão, não foi essa a realidade apresentada pela Contribuinte. Isto porque, ao colocar os valores correspondentes ao seu próprio capital social como “Ativo CIRCULANTE Créditos a receber Outros devedores e credores Delta Construções S.A”, acabou por “alterar formalmente” a sua natureza. Afinal, para que a contabilidade correspondesse à realidade, estes montantes deveriam compor conta do ativo não circulante, como determina o artigo 179 da Lei n. 6.404/60 e o Pronunciamento Técnico CPC 18. Nesse ponto é preciso lembrar a força probatória que possuem os livros e a escrituração contábil das empresas, conforme dispõem os artigos 417 e 419 do Novo Código do Processo Civil (NCPC). Art. 417. Os livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao empresário, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. (...) Art. 419. A escrituração contábil é indivisível, e, se dos fatos que resultam dos lançamentos, uns são favoráveis ao interesse de seu autor e outros lhe são contrários, ambos serão considerados em conjunto, como unidade. É no mesmo sentido que dispõe o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99): Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º ) Estes elementos que propiciaram ao Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402002.862, identificar o relacionamento de tal força probatória dos livros com a distribuição do ônus da prova no processo administrativo fiscal, in verbis “Não é demais lembrar que a escrituração contábil goza da presunção de veracidade e legitimidade, a teor do que dispõe o art. 9º, §§ 1º e 2º do DecretoLei nº 1.598/77. A presunção de veracidade e legitimidade dos registros contábeis opera em dois sentidos. Por um lado, cabe ao fisco o ônus de provar que os lançamentos efetuados não correspondem à realidade, caso pretenda decretar a imprestabilidade da escrituração para fins fiscais. E, de outro 2 Art. 997. A sociedade constituise mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: (...) III capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária; Fl. 430DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 5/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 12448.728730/201321 Acórdão n.º 3402003.065 S3C4T2 Fl. 115 9 lado, cabe ao contribuinte, em caso de inexatidões ou erros eventualmente cometidos, produzir a prova do fato.” No caso sub judice, portanto, cabe à Recorrente demonstrar que a sua contabilidade não corresponde à realidade, pelos meios de prova permitidos no direito (documentos hábeis). É precisamente nesse sentido que vem sendo feita a defesa neste processo: a Recorrente apresentou diversas provas para demonstrar o equívoco que teria cometido ao lançar o capital social da empresa em conta do ativo circulante em seu livro razão. Os principais documentos em favor das alegações da defesa, são: i) o Livro Diário Auxiliar nº. 01; ii) as atas dos eventos societários descritas no início deste tópico; iii) contrato social de constituição da empresa. No Livro Diário (fls 298) está claramente destacado o valor de R$ 362.299.333,00 na Conta 2.4.1.01 Capital Social, Subconta 2.4.1.01.0003 Capital Social Integralizado (fls 303; 308). Também no Livro Diário de 2010 (fls 312) consta a redução do capital social para R$ 304.707.038,00 (fls 312). No contrato social de constituição da sociedade consta – devidamente registrado na Junta Comercial do Rio de Janeiro em 13/06/2008 (fls 279) , cujo objeto social é justamente a participação no capital de outras sociedades, a Cláusula 5 determina que o capital social é de R$ 362.299.333,00, em 26.05.2008, quando foi constituída, sob a denominação social de Deltapar Delta Participações e Investimentos Ltda., (doc.2), sendo seus sócios quotistas Fernando Antônio Cavendish Soares, Fort Investimentos S.A. e Carlos Roberto Duque Pacheco, que subscreveram e integralizaram o capital social total (6º do Contrato Social), mediante a transferência de ações ordinárias representativas do capital social da empresa Delta Construções S/A. Sobre a ata publicada no Diário Oficial do Rio de Janeiro de 30/11/2007, tratase de ata de assembleia geral ordinária e extraordinária da Delta Construções S.A., na qual se deliberou o aumento do capital social da companhia para R$ 362.300.000,00 (fls 291). O mesmo se diga com relação às Atas de fls 327 e seguintes,3 que confirmam a integralização e subscrição do capital social da Recorrente, conforme seu relato, tendo sido devidamente registrada na Junta Comercial do Rio de Janeiro em 19/03/2009, com todas as firmas reconhecidas em cartório. O mesmo se diga sobre a Ata de fls 347 e seguintes. 4 Ou seja, todos os documentos corroboram a defesa apresentada pela Recorrente. De acordo com a legislação brasileira, em especial o Novo Código de Processo Civil, conjuntamente com a distribuição do ônus da prova no processo administrativo 3 Doc.07 da Impugnação, em que consta, dentre outros, a deliberação pela integralização do capital social subscrito e que houve a integralização do capital pelos então quotistas da Deltapar Delta Participações & Investimentos Ltda, sendo que a parte relativa ao Sr.Fernando Cavendish foi integralizada com 1.371.970 ações da Delta Construções S/A. 4 Doc.08 da Impugnação, consta que, dentre outros, deliberouse pela redução do capital social de R$362.299.333,00 para R$285.506,00 por meio da devolução aos acionistas Fernando Cavendish e Fort Investimentos das mesmas ações da DELTA que haviam utilizado para integralizar o capital social. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 5/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 10 fiscal, deve ser resguardado o direito da Contribuinte, rechaçandose as colocações do acórdão recorrido. Explico. A principal finalidade dos Registros Públicos é garantir a publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos (conforme artigo 1º da Lei nº 6.015/73 Lei dos Registros Públicos), na função de regulamentar o artigo 236 da Constituição Federal,5 dispondo sobre serviços notariais e de registro. O registro de documentos é importantíssimo para fazer prova, seja contra, seja a favor dos particulares, nos moldes estabelecidos na Seção VII Da Prova Documental, Subseção I Da Força Probante dos Documentos do NCPC, cujos dispositivos que interessam a presente controvérsia seguem destacados abaixo: Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. Art. 409. A data do documento particular, quando a seu respeito surgir dúvida ou impugnação entre os litigantes, provarseá por todos os meios de direito. Parágrafo único. Em relação a terceiros, considerarseá datado o documento particular: I no dia em que foi registrado; (...) Art. 410. Considerase autor do documento particular: I aquele que o fez e o assinou; (...) Art. 411. Considerase autêntico o documento quando: I o tabelião reconhecer a firma do signatário; II a autoria estiver identificada por qualquer outro meio legal de certificação, inclusive eletrônico, nos termos da lei; III não houver impugnação da parte contra quem foi produzido o documento. (...) Art. 412. O documento particular de cuja autenticidade não se duvida prova que o seu autor fez a declaração que lhe é atribuída. (...) 5 Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 5/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 12448.728730/201321 Acórdão n.º 3402003.065 S3C4T2 Fl. 116 11 Art. 428. Cessa a fé do documento particular quando: I for impugnada sua autenticidade e enquanto não se comprovar sua veracidade; II assinado em branco, for impugnado seu conteúdo, por preenchimento abusivo. Parágrafo único. Darseá abuso quando aquele que recebeu documento assinado com texto não escrito no todo ou em parte formálo ou completálo por si ou por meio de outrem, violando o pacto feito com o signatário. Art. 429. Incumbe o ônus da prova quando: I se tratar de falsidade de documento ou de preenchimento abusivo, à parte que a arguir; II se tratar de impugnação da autenticidade, à parte que produziu o documento. Neste ponto, incumbe destacar que a Fiscalização teve acesso às informações sobre o histórico de constituição e dos atos societários da Contribuinte em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal n. 07.1.08.002013000476 (fls 351), que são exatamente os mesmos trazidos à apreciação deste Conselho. Tal informação é relevante pois se a autoridade fiscal, no ínterim do procedimento de fiscalização (2013), entendesse que os diversos, verossímeis e antigos (pois cuidavam de atos ocorridos em 2007, 2008 e 2010) atos praticados pela empresa fiscalizada não eram merecedores de fé, deveria ter se desincumbido do ônus da prova (artigo 429 do NCPC) de demonstrar eventual abuso na composição destes documentos. Não tendo ocorrido qualquer movimento nesse sentido, uma vez que a Fiscalização tão somente registrou no TVF o que viu e sua interpretação sobre o livro razão da Recorrente, sem mencionar os documentos que lhe foram apresentados, entendo que “o documento particular de cuja autenticidade não se duvida prova que o seu autor fez a declaração que lhe é atribuída” (artigo 428 do NCPC), uma vez que “as declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário (artigo 408 do NCPC). Ressalto ainda que as datas das etiquetas de registro na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro são todas compatíveis com os momentos em que os atos societários sucederam (2007, 2008 e 2010), todos muito anteriores ao início da fiscalização federal, o que me faz também afastar eventuais suspeitas de abuso por parte da Contribuinte (artigo 409, inciso I do NCPC). Ademais, em se tratando de operações pelas quais ações foram cedidas e depois devolvidas pelas partes, não há movimentação financeira a ser demonstrada. Por fim, imperioso lembrar que o Livro Diário corrobora irrefutavelmente a tese da Recorrente. Disto perguntase, por que maior valor foi dado ao livro razão do que ao livro diário? Segundo o artigo 419 do NCPC, anteriormente citado, “a escrituração contábil é Fl. 433DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 5/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 12 indivisível, e, se dos fatos que resultam dos lançamentos, uns são favoráveis ao interesse de seu autor e outros lhe são contrários, ambos serão considerados em conjunto, como unidade.” Assim, pareceme bastante claro que a Recorrente apresentou documentos plenamente capazes de demonstrar que os valores estampados na Conta 11304000151 Delta Construções S/A constituem seu próprio capital social (como pede o artigo 417 do NCPC), o que por nenhuma reviravolta lógica poderia corresponder à AFAC não capitalizada dentro de 120 dias ou mútuo para fins de incidência do IOF, argumentos utilizados pela Fiscalização na lavratura do auto de infração. Repisese que para a existência do mútuo é necessário “o empréstimo de coisas fungíveis” no qual “o mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade” (artigo 586 do Código Civil). In casu, todas as provas apresentadas convergem no sentido de que estamos diante de participação societária, subscrita e integralizada, que deveria ser mantida no ativo da sociedade investidora (Recorrente), e não de qualquer forma de empréstimo de valores entre sociedades ligadas. Houve, portanto, erro na contabilização desses valores no livro razão, que não devem ser submetidos à tributação pelo IOF nos termos pretendidos pela autoridade fiscal no presente auto de infração. Deixo de apreciar os demais argumentos apresentados pela Recorrente, uma vez que já se conclui pelo direito ao cancelamento do auto de infração na parte em que foi impugnado. CONCLUSÃO Por tudo quanto exposto, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário quanto às questões preclusas e, na parte conhecida, dar provimento para cancelar a exigência de IOF e respectivos juros e multa sobre os montantes lançadas na Conta 11304000151 Delta Construções S/A Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 434DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 5/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ
score : 1.0
Numero do processo: 10980.000639/2002-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1997 PAF - SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA - IMPOSSIBILIDADE O objeto que remanesceu na lide, após retificação de ofício, uma vez não apreciado pela Turma a quo e não sendo objeto de oposição de embargos, não pode ser analisado por esse colegiado, sob pena de supressão de instância. Necessidade de que outro acórdão seja proferido.
Numero da decisão: 9101-001.906
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, anular os atos processuais a partir do Acórdão Recorrido, inclusive.
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 PAF SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA IMPOSSIBILIDADE O objeto que remanesceu na lide, após retificação de ofício, uma vez não apreciado pela Turma a quo e não sendo objeto de oposição de embargos, não pode ser analisado por esse colegiado, sob pena de supressão de instância. Necessidade de que outro acórdão seja proferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, anular os atos processuais a partir do Acórdão Recorrido, inclusive. (ASSINADO DIGITALMENTE) Henrique Pinheiro Torres – Presidente Substituto (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), André Mendes de Moura (Suplente Convocado), Meigan Sack AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 06 39 /2 00 2- 22 Processo nº 10980.000639/200222 Acórdão n.º 9101001.906 CSRFT1 Fl. 5 2 Rodrigues (Suplente Convocada), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Ausentes, momentaneamente, o Conselheiro Valmir Sandri, e justificadamente os Conselheiros João Carlos de Lima Junior, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em face do acórdão de n° 10323.590, proferido pela então Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão de 15 de outubro de 2008. Originalmente, o processo versa sobre auto de infração de fls. 13/22 para exigência de R$ 1.257,10 a título de IRPJ, e demais valores pagos à título de multa de oficio, multa isolada, em virtude de pagamento efetuado após o vencimento sem a devida multa de mora, e juros de mora pagos a menor ou não pagos no valor de R$ 122,61. O contribuinte apresentou impugnação alegando que realizou mudança de opção de lucro presumido para lucro real, e enquanto aguardava a definição do regime não realizou recolhimento por antecipação, continuando o cumprimento de suas obrigações nos moldes do regime de lucro presumido. No mais, defendeu a inaplicabilidade da multa de ofício, vez que efetuou a opção pelo regime de lucro real dentro do prazo legal e, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, recolheu integralmente o tributo. No tocante a multa isolada, advogou pela adoção da diferença a ser recolhida como base de cálculo da sanção. O lançamento foi objeto de revisão de ofício pela autoridade administrativa, que, conforme despacho decisório do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário SECAT da DRFCuritiba/PR (Revisão de Lançamento n. 30/2005, à fl. 32, e demonstrativos de consolidação e recálculo, às fls. 27/31), prevaleceu somente o débito da multa isolada no valor de R$ 5.441,09, e juros pago a menor ou não pagos no valor de R$ 122,61. Isto porque, conforme se verifica do despacho de revisão de lançamento 30/2005 houve um demonstrativo de consolidação e recálculo, para o prosseguimento da exigência dos créditos tributários procedentes e o cancelamento dos créditos tributários improcedentes. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba (PR), ao analisar a contenda, houve por bem manter o lançamento em sua integralidade, nos termos do acórdão 9.750 de 30 de agosto de 2005 (fls. 36/39), mantendo a cobrança de multa isolada e juros de mora, exatamente o que remanesceu após a revisão de ofício. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 43/58, alegando a impossibilidade de imputação de multa isolada, vez que realizou denúncia espontânea, bem como a não aplicação de Selic como taxa de juros, ocasião em que reiterou os termos da Impugnação. Sobreveio acórdão 10323.590 de fls. 72/78, da então Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, que deu parcial provimento ao expediente recursal, excluindo o lançamento da multa isolada, mantendo a multa de ofício e juros de mora, nos termos da ementa que segue transcrita: MULTA ISOLADA – Art. 44, I, da Lei 9430/96 – Inaplicabilidade. NÃO CUMULATIVIDADE. A multa isolada prevista no artigo 44 §1º, somente pode ser exigida uma vez não podendo portanto ser aplicada quando a base Processo nº 10980.000639/200222 Acórdão n.º 9101001.906 CSRFT1 Fl. 6 3 para seu lançamento já tiver sido parâmetro para exigência da mesma multa por falta de pagamento de tributo. O legislador, quando quer, determina a cumulatividade de multas, na ausência de previsão legal, sobre o mesmo fato somente pode ser lançada uma multa. A Fazenda Nacional, insurgindose contra a decisão supramencionada, alegando que a multa de ofício decorre do não pagamento de tributo pelo contribuinte, já a multa isolada decorre do descumprimento do regime de estimativa, podendo ser cobradas concomitantemente. O contribuinte apresentou contrarrazões, defendendo a impossibilidade de concomitância de multa. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Inicialmente o Auto de Infração tinha como objeto a falta de recolhimento de tributo, com a consequente imputação de multa de ofício e multa isolada pelo não recolhimento de estimativas. Após apresentar impugnação e esclarecer acerca de sua situação de transição do regime do lucro presumido para o lucro real, bem como o pagamento do IRPJ na sistemática do lucro presumido até que fosse efetivada a transição, a autoridade fiscal houve por bem rever de ofício o lançamento. Nesse contexto, afastouse a cobrança do principal e seus consectários e mantevese a exigência de multa isolada, com incidência de juros de mora com aplicação de Taxa Selic. A nova situação é bem esclarecida ao analisar a tabela constante à fl. 30 dos autos. Pois bem, a DRJ por sua vez, analisando o objeto remanescente (multa isolada e juros de mora) julgou no sentido de manter o lançamento, entendendo que o pagamento tempestivo, mesmo que espontâneo, não afasta a incidência de multa isolada e juros. O Recurso Voluntário, atendose ao objeto do processo, afirma que a denúncia espontânea afasta a possibilidade de imputação de multa isolada, e que os juros moratórios isolados devem ser de 1%, conforme determinações do Código Tributário Nacional. Ato contínuo, sobreveio acórdão de Recurso Voluntário que deveria se ater ao objeto processual em discussão, a exemplo do afastamento da multa isolada em virtude da denúncia espontânea, e da aplicação da Taxa Selic como juros de mora. Contudo, a fundamentação e decisão recaíram sobre a concomitância de multa isolada e multa de ofício. Todavia, muito embora o correto entendimento do colegiado a quo acerca da impossibilidade da concomitância, o que já desde a revisão de ofício não era objeto do processo administrativo, porquanto o lançamento foi retificado de ofício antes mesmo da decisão da DRJ. O que se observa é o erro de premissa quanto aos fatos em cognição. Com isso, o que se teve foi o provimento jurisdicional que tomou por base o lançamento antes e não após a retificação, o que não só o torna viciado em relação às premissas fáticas, como deficiente em relação ao provimento que deve ser dado vis a vis o argumento sustentado pelo contribuinte no próprio Recurso Voluntário. Processo nº 10980.000639/200222 Acórdão n.º 9101001.906 CSRFT1 Fl. 7 4 Isso porque, a revisão de lançamento exonerou a cobrança advinda da ausência de pagamento do principal, bem como a multa de ofício pelo não recolhimento. O que permaneceu em discussão foi restringido apenas ao débito remanescente fruto da multa de ofício isolada e dos juros de mora isolados. Posto isto, o que deveria ter sido feito no prazo legal é a oposição de Embargos de Declaração, contudo a d. Procuradoria sequer menciona a questão, interpondo Recurso Especial contra o acórdão recorrido, alegando a possibilidade de concomitância de multas. Nesse sentido, a discussão que realmente necessitava ser suplantada se perdeu no curso do processo, e como consequência sequer foi apreciada pelo então Conselho de Contribuintes. Não há, nesse contexto, como apreciar o objeto do presente processo, qual seja, o afastamento da multa de mora em virtude de denúncia espontânea e a taxa de juros SELIC no que tange à multa de mora, posto que seria evidente a supressão de instância. Diante da impossibilidade de julgamento dos autos, DOU SEGUIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e voto por ANULAR os atos processuais a partir do Acórdão recorrido, para que outro seja proferido. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de março de 2014. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726064/2009-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
Ementa: IRPF RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Constatada omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº
12). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária.
MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996
Numero da decisão: 2202-001.299
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Júnior (Relator) e Rafael Pandolfo, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 Ementa: IRPF RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Constatada omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2127; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.726064/200951 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 220201.299 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2011 Matéria IRPF Recorrente CICERO BRITO DE MAGALHAES Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 Ementa: IRPF RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Constatada omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Fl. 237DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Júnior (Relator) e Rafael Pandolfo, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez (Assinado Digitalmente) Nelson Mallman Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 238DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.726064/200951 Acórdão n.º 220201.299 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 145.338,27, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal elaborado pela autoridade lançadora, constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Segundo a autoridade lançadora as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera Fl. 239DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios. ; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; Fl. 240DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.726064/200951 Acórdão n.º 220201.299 S2C2T2 Fl. 3 5 n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia; A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – DRJ/SDR, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, através do acórdão DRJ/SDR n° 1523.117, de 24 de março de 2010 (fls. 129/136), cuja ementa segue abaixo transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Devidamente intimado em 27 de maio de 2010, a recorrente apresenta tempestivamente recurso em 02 de junho de 2010, onde reitera os argumentos da impugnação. Fl. 241DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 É o relatório Fl. 242DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.726064/200951 Acórdão n.º 220201.299 S2C2T2 Fl. 4 7 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior Relator Natureza Indenizatória Do Valor Recebido Antes de adentramos ao mérito da questão, gostaria de fazer um breve histórico de como originou a questão objeto de julgamento. Inicialmente devemos analisar as disposições do artigo 6º da Lei nº. 9.655/98, que tratou concedeu o abono variável a partir de 1 de janeiro de 1998 aos membros do Poder Judiciário: “Art. 6º: Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Referido dispositivo legal faz menção ao artigo 93, inciso V da Constituição Federal, condicionando a produção de efeitos do abono até a data de vigência de futura Emenda Constitucional alterando o comando constitucional mencionado. A Emenda Constitucional nº. 19, de 04 de Junho de 1998, alterou o dispositivo constitucional mencionado: “Art. 93: (...) V os vencimentos dos magistrados serão fixados com diferença não superior a dez por cento de uma para outra das categorias da carreira, não podendo, a título nenhum, exceder os dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. (redação anterior à EC 19/98) V o subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores corresponderá a noventa e cinco por cento do subsídio mensal fixado para os Ministros do Supremo Tribunal Federal e os subsídios dos demais magistrados serão fixados em lei e escalonados, em nível federal e estadual, conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária nacional, não podendo a diferença entre uma e outra ser superior a dez por cento ou inferior a cinco por cento, nem exceder a noventa e cinco por cento do subsídio mensal dos Ministros dos Tribunais Superiores, obedecido, em qualquer caso, o disposto nos arts. 37, XI, e 39, § 4º.” (redação dada pela EC 19/98) A forma de cálculo e de pagamento foi disciplinado pelo artigo 2º, da Lei nº. 10.474/2002: Fl. 243DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 “Art. 2º: O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº. 9.655, de 2 de junho de 1998, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida por Magistrado, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1º: Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos Magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº. 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2º: Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. § 3º: O valor do abono variável da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo.” O Supremo Tribunal Federal STF ao editar o artigo 1º da resolução n° 245, de 12 de dezembro de 2002 definiu a natureza jurídica indenizatória do abono previsto no artigo 2º da Lei nº. 10.474/2002, nos seguintes termos: “Art. 1º: É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº. 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal.” Assim a partir da edição da Resolução n° 245/02 do STF o abono variável de que trata o artigo 2° da Lei n° 10.474/02 tem natureza indenizatória, portanto não é passível de ser tributado pelo imposto de renda. O “abono variável” devido aos Magistrados do Estado do Bahia, objeto de discussão no presente caso tem como fundamento legal nos artigos 4º e 5º, da Lei 8.730 de 09 de setembro de 2003: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Nos termos da referida norma legal, entendo que foi pago aos membros do Poder Judiciário do Estado da Bahia abono variável nos mesmos moldes do que dispõe o artigo 2°, da Lei n° 10.747/02. Nesse sentido entendo que o “abono variável” concedido aos Magistrados Estaduais pela Lei n° 8.073 de 2003, tem natureza idêntica àqueles concedidos à Magistratura Federal e ao MPF, portanto tem natureza indenizatória nos termos do que dispõe a Resolução Fl. 244DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.726064/200951 Acórdão n.º 220201.299 S2C2T2 Fl. 5 9 do STF n° 245/02, não sendo portanto fato gerador do imposto de renda nos termos do que dispõe o artigo 43 do CTN. Neste sentido, conheço do recurso e no mérito dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 245DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Inobstante o respeitável entendimento desenvolvido pelo Ilustre Conselheiro Relator, no caso em análise e com sua vênia, a minha convicção não permite acompanhálo. Exponho a seguir as razões. O lançamento teve por base valores recebidos a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Vale ressaltar que não é a denominação que se dá aos rendimentos pagos que vai determinar sua natureza tributável (ou não), mas os efeitos que esses recebimentos têm sobre o patrimônio do Autuado. De acordo com o Parágrafo 3º, do artigo 43 da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), com redação dada pelo art. 1º. da Lei Complementar No. 104, de 10 de janeiro de 2001, a incidência do imposto de renda independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Conforme o mandamento previstos no parágrafo 6º. do art. 150 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), com redação da Emenda Constitucional No. 3, de 17 de março de 1993, notase que a determinação expressa de que a isenção somente poderá ser concedida mediante lei específica. No caso somente a legislação do imposto sobre a renda define, de forma expressa, os rendimentos percebidos por pessoas físicas que são isentos do imposto. Acrescentese, por pertinente, que o CTN dispõe no art. 111 que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de "indenização" ou "valores indenizatórios. No que toca a preliminar de ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do imposto de renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção. Urge registrar que a repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Em suma, o fato de o produto da arrecadação ficar para o Estado não altera a competência tributária definida na Constituição, que é da União, conforme de definido no art. 153, III. No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, pela quebra do princípio da capacidade contributiva e apropriação de vantagem, , acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. Fl. 246DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.726064/200951 Acórdão n.º 220201.299 S2C2T2 Fl. 6 11 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). No relativo a Lei n° 10.477, de 2002, cabe observar, que a mesma restringe se ao abono variável aplicável aos membros do Poder Judiciário Federal. Esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 529, de 2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda. Em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na referida Lei Estadual que criou a isenção. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável da Lei n° 10.474, de 2002, seria alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. Tal entendimento é expressamente corroborado pelo Parecer PGFN/CAT n° 2.158, de 2005, e pela Solução de Consulta n° 47, da Superintendência da 7" Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, estendendose os efeitos da Resolução STF n° 245, de 2002, tão somente ao Ministério Público Federal e à Magistratura Federal. Não se pode olvidar também que é defeso ao aplicador do Direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. Quanto à alegação de que, como a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora, é dela que deve ser exigido o imposto. Ocorre que, sem prejuízo da responsabilidade de reter e recolher o imposto, permanece o dever do beneficiário dos rendimentos de declarálos para fins de apuração do imposto devido, quando do ajuste anual. O Contribuinte é o beneficiário dos rendimentos, que não pode se furtar à tributação porque a fonte pagadora não procedeu à retenção do Imposto. É dizer, sendo a retenção do imposto pela fonte pagadora mera antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, não há falar em responsabilidade pelo imposto concentrada exclusivamente na fonte pagadora. Este Conselho já pacificou esse entendimento, conforme verificase da Súmula a seguir: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). No que referente ao uso de alíquotas incorretas pela autoridade fiscal, da revisão do lançamento, notase que não há qualquer reparo a ser realizado no mesmo. Para conferência das alíquotas mensais aplicadas recomendase a consulta do link a seguir: http://www.receita.fazenda.gov.br/pagamentos/pgtoatraso/tbcalcir.htm, e não aquele apontado no recurso. No que toca a natureza de rendimentos recebidos acumuladamente, e a solicitação de considerar o rendimento em conjunto com os outros rendimentos do recorrente, tendo em vista aspectos das decisões do STJ (julgamentos repetitivos), o lançamento está impecável, já que cumpriu o entendimento judicial de que devem ser consideradas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos tributados. Os demonstrativos de Fl. 247DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 12 fls. 8 e 19/21 são claros neste sentido que se referem a diferenças salariais de abril/94 a agosto/2001, pagas nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Enfim, não há qualquer prejuízo para o recorrente, já que os mesmos foram calculados pelo regime de competência que no geral é mais favorável aos contribuintes. O fisco adotou a forma mais benéfica no cálculo do imposto, recordandose que as decisões do CARF não podem agravar os lançamentos. No relativo a necessidade de exclusão das parcelas isentas e de tributação exclusiva, não há provas da falha apontada pelo recorrente. A alegação de que outros itens poderiam estar presentes no mesmo item de observação rendimentos isentos – deveria ser provada, confirmando uma eventual deficiência do lançamento. Cabe adicionalmente registrar, que as parcelas relativas à conversão da URV, de rendimentos tributáveis, os juros compensatórios ou moratórios pagos em decorrência do atraso no seu pagamento, também são tributáveis, conforme disposto no art. 55, inciso XIV, do Decreto No. 3000, de 26 de março de 1999, RIR/99. Art.55.São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): ... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Quanto à incidência da multa de ofício, esta tem previsão expressa em dispositivo de lei. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte ter oferecido os rendimentos à tributação e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto não pode se deixar de reconhecer que o recorrente teria sido induzido a erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora. Incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comportando multa de ofício. A inclusão de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, na parte relativa a rendimentos não tributáveis, seguindo a rubrica constante do comprovante de rendimento fornecido pela fonte pagadora, demonstra que o contribuinte fora induzido a erro. Nesses casos excluise a penalidade, pois houve erro escusável por parte do declarante. Nesse sentido este conselho já tem se pronunciado, tal como se depreende do Acórdão 10421.668 : Fl. 248DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.726064/200951 Acórdão n.º 220201.299 S2C2T2 Fl. 7 13 MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. No que toca ao juros de mora é de se manter o lançamento, tendo em vista que o mesmo não tem a intenção de penalizar, mas de compensar o sujeito passivo pelo atraso no pagamento. Em face do exposto e da pertinência da cobrança do imposto, é de se manter o juros de mora. Urge registrar que o STJ não declarou a inconstitucionalidade do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, restando pacificado no CARF que, com o advento da referida norma, teria aplicação a taxa Selic como índice de correção monetária e juros de mora, afastandose a aplicação do CTN, o que justifica a incidência de atualização do débito fiscal não recolhido, a partir do seu vencimento. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). No tocante a aplicação do tratamento prescrito na Instrução Normativa RFB No. 1.127/2011 relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Urge registrar que a norma citada disciplina a apuração e tributação dos rendimentos recebidos a partir de 28 de julho de 2010, não se aplicando portanto ao caso concreto. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 249DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.726064/200951 Recurso nº : _____________ TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220201.299 Brasília/DF, 22 de agosto de 2011. (Assinado Digitalmente) NELSON MALLMANN Presidente da 2ª Turma Ordinária Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 250DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 22/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 18471.002051/2007-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
PIS NÃO CUMULATIVO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO.
Os juros sobre o capital próprio compõe a base de cálculo das contribuições não cumulativas. Sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça em 29/02/2012, no REsp REsp 1.104.184, julgado nos ritos do art. 543-C do CPC.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima votaram pelas conclusões.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 COFINS NÃO CUMULATIVO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. Os juros sobre o capital próprio compõe a base de cálculo das contribuições não cumulativas. Sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça em 29/02/2012, no REsp REsp 1.104.184, julgado nos ritos do art. 543C do CPC. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 PIS NÃO CUMULATIVO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. Os juros sobre o capital próprio compõe a base de cálculo das contribuições não cumulativas. Sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça em 29/02/2012, no REsp REsp 1.104.184, julgado nos ritos do art. 543C do CPC. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima votaram pelas conclusões. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 20 51 /2 00 7- 70 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "TECHNOS RELÓGIO S.A. (fls. 94/112 e 161/179) aos autos de infração lavrados pela DEFIS/RJ, constituindo PIS/PASEP (fls. 75/80) e Cofins (fls. 69/74). O auto de infração de fls. 6974 constituiu Cofins separadamente: primeiro no valor de R$ 42.171,57, juros de mora no valor de R$ 23.147,97 e multa proporcional no valor de R$ 31.628,67; e, segundo, no valor de R$ 1.082.676,62, juros de mora no valor de R$ 333.829,23 e multa proporcional de R$ 812.007,46. A ciência deste auto pelo contribuinte deuse em 13/12/2007 (fl. 69). O auto de infração de fls. 7580 constituiu PIS no valor de R$ 240.660,64, juros de mora no valor R$ 75.460,19 e multa proporcional no valor de R$ 180.495,46. A ciência deste auto pelo contribuinte deuse em 15/12/2007 (fl. 75). Segundo o termo de constatação fiscal, que compõe os autos de infração, constatase, em síntese, que (fls. 6768): 1 Em relação à apuração mensal do PIS e da COFINS: Falta de apropriação na base de cálculo dos valores recebidos a título de juros sobre o capital próprio, da controlada TECHNOS DA AMAZÔNIA IND. E COM. LTDA, nos períodos de competência de dezembro de 2004 no valor de R$ 6.248.145,13 e dezembro de 2005 no valor de R$ 7.997.600,00, resultando insuficiência na apuração e declaração dos débitos respectivos, conforme demonstrativos de fls. 8/40, em atendimento à intimação de fl. 42. 2 Falta de apropriação na base de cálculo da COFINS, da importância de R$ 1.405.719,05 recebidos a título de juros sobre o capital próprio da CIA VALE DO RIO DOCE, competência janeiro de 2004, incidência cumulativa, equivocadamente, segundo o contribuinte, incluídos na apuração dos meses do recebimento, abril (R$ 695.641,40) e outubro/2004 (R$ 710.077,65), já na incidência não cumulativa, cujas apurações não resultaram em recolhimento da contribuição, restando Fl. 326DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 18471.002051/200770 Acórdão n.º 3201002.068 S3C2T1 Fl. 326 3 insuficiência na apuração de janeiro/2004 e declaração dos débitos respectivos, conforme demonstrativo de fl. 56, em atendimento à intimação de fl. 42. 3 Postergação da tributação do PIS dos valores recebidos a título de juros sobre o capital próprio das seguintes fontes pagadoras, nos seguintes períodos e valores, resultando insuficiência na apuração/declaração dos débitos respectivos, e em decorrência, recolhimento insuficiente, conforme demonstrativos de fls. 56/58, em atendimento à intimação de fl. 42. ... Em 23/12/2010, o contribuinte apresentou impugnação aos autos de infração citados, alegando, em síntese, que (fls. 94/112 e 161/179): • A fiscalização da Receita Federal incorreu em flagrante equívoco ao exigir o recolhimento do PIS e da Cofins sobre os juros remuneratórios do capital próprio recebidos de sua controlada TECHNOS DA AMAZÔNIA, competência de dezembro de 2004 no valor de R$ 6.248.145,13 e dezembro de 2005 no valor de R$ 7.997.600,00, porque os juros em questão têm, na verdade, natureza jurídica de dividendos de investimentos, avaliados pela equivalência patrimonial. • A lógica que orienta o pagamento dos juros remuneratórios do capital próprio decorre da presunção de que todo sacrifício financeiro necessário à consecução das atividades empresariais sempre estará acompanhado de um encargo para o investidor que dispôs de tais recursos, pois é o custo intrínseco ao próprio capital investido. • Conquanto a ideia de juros remuneratórios corresponda ao efetivo custo do capital aplicado tomandose por base parâmetros prédeterminados, a sua aplicabilidade no âmbito da legislação fiscal brasileira somente veio a ser regulamentada a partir da Lei n° 9.249, de 26.12.1995, a qual elegeu a Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP, como parâmetro para se aferir o custo financeiro do capital próprio. • A intenção do legislador ao instituir os juros sobre o capital próprio foi estabelecer um tratamento isonômico entre os rendimentos do capital próprio e de terceiros. Isto porque, a diferenciação no tratamento tributário do rendimento do capital de diversas origens incentivava os investidores, especialmente os estrangeiros, a aplicar seu capital na forma de empréstimos, o que se demonstrava prejudicial ao balanço de pagamentos do país. • Essa intenção fica clara a partir dos itens 10 e 11 da exposição de motivos 325/1995 do projeto de lei que resultou na Lei 9.249/95. • Reza tal exposição que "com vistas a equiparar a tributação dos diversos tipos de rendimentos de capital, o Projeto introduz a possibilidade de remuneração do capital próprio investido na atividade produtiva, permitindo a dedução dos juros pagos ao Fl. 327DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 acionista, até o limite da variação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP;” • Percebese que o tratamento então atribuído, sob o aspecto econômico, pretendia conferir aos recursos provenientes do capital próprio o mesmo estatuto atribuído ao capital de terceiros, promovendo, assim, o fortalecimento do capital nacional. • Assim, há de reconhecerse que os juros remuneratórios do capital próprio têm, na medida em que pago ou creditado ao sócio/acionista, natureza jurídica de lucro/dividendo. • Juros e dividendos são institutos jurídicos distintos. Com efeito, como sabido, o conceito de juro, consagrado, é reservado à remuneração direta ou indiretamente ligada à concessão de crédito. Os juros são, portanto, rendimentos decorrentes de empréstimo, de forma que o direito a seu recebimento a nada se condiciona, a não ser ao decurso do lapso temporal estipulado. • O direito ao recebimento dos juros, uma vez pactuado, não tem qualquer correlação com a atividade para qual os recursos foram emprestados. Sua causa está, única e exclusivamente, relacionada ao fato da disponibilização do montante contratado e, uma vez ocorrido o termo do contrato, serão devidos, além do principal disponibilizado, a mais valia do negócio, consubstanciada no pagamento dos juros. • Desta feita, por juros entendese a remuneração direta ou indireta decorrente da concessão de crédito, isto é, o montante pago pelo devedor para poder utilizar recursos do credor, sem que este sofra os riscos dos empreendimentos do tomador. Neste caso, a base do rendimento é o valor do capital. • Por esta razão é que o direito à remuneração dos juros sobre o capital próprio, ainda que indevidamente denominado pelo legislador como juros, constituise inequivocamente espécie de distribuição de lucros/dividendos. • O pressuposto para a dedução fiscal dos juros remuneratórios do capital próprio é a existência de lucros, o que implica em reconhecer a inarredável conexão com o sucesso ou não do empreendimento (empresa) no qual foi aportado o capital. • Ou seja, para o nascimento do direito ao recebimento dos juros sobre o capital próprio pelos investidores da pessoa jurídica, é imprescindível que a sociedade obtenha sucesso nas atividades empreendidas com o capital a ela destinado pelos sócios. • A fim de corroborar tal interpretação jurídica, traz o impugnante doutrina de Fram Martins, José Luiz Bulhões Pedreira e Alberto Xavier. • A diferenciação dos juros sobre o capital próprio da figura dos juros também está presente no artigo 178, parágrafo 2º, da Lei n° 6.404/76, que, ao classificar as contas das empresas segundo os elementos do patrimônio que registram, diferencia a conta patrimônio líquido, na qual, por determinação legal, devem ser lançados os juros sobre o capital próprio, do passivo exigível a longo prazo, no qual devem ser lançados os juros, por se tratarem de um débito da empresa. • Com efeito, o tratamento fiscal atribuído pela Lei n° 9.249/95, para efeito de apuração das bases imponíveis do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro CSL, é o de despesa financeira em relação à fonte pagadora e de receita financeira em relação ao beneficiário da remuneração. Todavia, frisese, este é um tratamento fiscal Fl. 328DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 18471.002051/200770 Acórdão n.º 3201002.068 S3C2T1 Fl. 327 5 específico para efeito do IRPJ e da CSL, e que não desnatura a essência desta remuneração enquanto dividendo, conquanto, os referidos juros correspondam a modalidade de pagamento de dividendos sujeitos a tratamento fiscal específico. • Ou seja, ainda que se considere o fato de que a norma legal autorizativa da dedutibilidade dos juros imponha o prévio registro contábil como despesa financeira (fonte pagadora) ou receita financeira (beneficiário), tal imposição não tem o condão de retirar a sua essência de dividendos, visto que o mero registro contábil como despesa não altera a natureza do evento patrimonial e, tampouco, é capaz de criar novas realidades jurídicas, de onde se conclui que a remuneração do capital próprio, quando imputada a dividendos, na forma do artigo 202, da Lei n° 6.404/76, dividendo é, e como tal deve ser tratado, seja em relação à fonte pagadora, seja em relação ao seu beneficiário. • De outro lado, a pessoa jurídica beneficiária do rendimento relacionado aos juros sobre o capital próprio deve reconhecêlo como os dividendos recebidos, ou seja, a crédito da própria conta que registre o investimento (quando avaliado pela equivalência patrimonial). • Portanto, é inadmissível afirmar que os juros sobre o capital próprio tenham natureza jurídica de receita financeira, mormente no caso das empresas de capital aberto que é o caso da Impugnante, haja vista que as normas contábeis da CVM a elas aplicáveis são de clareza meridiana. • Portanto, sendo a regra dos juros remuneratórios, uma norma especial, a eficácia dos seus dispositivos não pode ser mitigada pela vigência de uma norma de caráter geral tal como se verifica a partir da publicação da Lei n° 9.718/98. Neste caso, a melhor técnica de interpretação da norma legal conduz a prevalência da norma especial sobre a norma geral. • Outrossim, o próprio inciso I, do § 2º, do art. 3º, da Lei n° 9.718/98, determina, expressamente, a exclusão dos valores recebidos a título de dividendos que tenham sido registrados em conta de resultado, na hipótese de investimentos avaliados pelo custo de aquisição e do resultado positivo de equivalência patrimonial, onde na segunda hipótese, os dividendos sequer seriam registrados em conta de resultado e, portanto, definitivamente, fora do campo de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS. • Cabe ressaltar que a peça lançadora deve conter todas as informações necessárias a assegurar a ampla defesa do contribuinte autuado. Não é o que se depreende do lançamento ora atacado. • Com efeito, não pode o sujeito ativo constituir um crédito tributário sem todos os elementos necessários à sua perfeita validade, na esperança de que uma falha na defesa do sujeito passivo termine por tornar líquido e certo, pela omissão ou impossível prova negativa, a ilíquida, incerta e indeterminável matéria tributável lançada pela fiscalização. • De acordo com os ditames do art. 142, do Código Tributário Nacional, não cabe ao contribuinte, mas exclusivamente ao Fisco, a determinação da matéria tributável, sendo, Fl. 329DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 rigorosamente nulo de pleno direito a peça lançadora que não traduz essa determinação, por incúria ou desídia do Fisco. • De considerar, ainda, que o fiscal não poderia, jamais, alegar, ou melhor, presumir que a Impugnante teria postergado a apropriação das receitas recebidas a título de juros remuneratórios do capital próprio, sem analisar, veementemente, todas as informações necessárias que pudessem alicerçar a sua conclusão. • Se assim tivesse agido a Autoridade Fiscal, o que não ocorreu, chegaria a inevitável conclusão de que, em momento algum, a Impugnante postergou a apropriação das respectivas receitas de juros sobre o capital próprio nas bases imponíveis do PIS. • Quanto especificamente à Cofins, entendeu o fiscal que a impugnante teria deixado de apropriar à base de cálculo de janeiro de 2004, os juros sobre capital próprio da Companhia Vale do Rio Doce, pois tais valores teriam sido incluídos equivocadamente na apuração da Cofins relativa a abril (R$ 695.641,40) e outubro (R$ 710.077,65), ambos de 2004, já na incidência não cumulativa da contribuição. Isto porque, sem qualquer embasamento técnico, a fiscalização supôs que o contribuinte teria deixado de apropriar à base de cálculo da Cofins de janeiro de 2004 o valor de R$ 1.405.719,05 referentes aos juros remuneratórios do capital próprio recebidos da Vale do Rio Doce. A impugnante frisa desconhecer os fatos alegados pelo fiscal, além de afirmar que jamais prestou tal informação à fiscalização, motivo pelo qual não é possível presumir tais fatos. Pelo contrário, o impugnante, em resposta ao termo de intimação fiscal de 10/04/2004 anexou demonstrativo detalhado da contabilização da receita de juros sobre o capital próprio no dia 30/01/2004 no valor de R$ 1.420.155,30 e posterior ajuste contábil, em 30/04/2004 no valor de R$ 14.436,25), totalizando a importância de R$ 1.405.719,05 (doc. 07). Com efeito, a impugnante recebeu da Vale do Rio Doce receita apropriada corretamente ao resultado em 30 de janeiro de 2004 na rubrica 326.09.00808 (juros sobre o capital próprio) – doc. 03, tendo sido posteriormente ajustado em 30 de abril de 2004, totalizando a importância recebida de R$ 1.405.719,05, conforme detalhado a seguir. A impugnante anexa cópia da apuração da base de cálculo da Cofins de janeiro de 2004, onde consta a receita financeira relativa aos juros sobre o capital próprio no valor de R$ 1.405.719,05, oferecido à tributação (doc. 04), bem como a ficha 25 (janeiro de 2004) da DIPJ/05, além da DCTF relativa ao primeiro trimestre de 2004 (doc. 06), onde resta evidenciado o valor pago/compensado relativo à Cofins de janeiro de 2004, que inclui a receita de juros sobre o capital próprio. • Quanto especificamente ao PIS, entendeu o fiscal que o contribuinte teria postergado a tributação dos juros sobre o capital próprio das bases de cálculo de janeiro e outubro de 2004 e dezembro de 2005. Isto porque sem qualquer embasamento técnico ou jurídico que pudesse alicerçar tal afirmativa, a impugnante teria postergado a aproprriação na base do PIS dos juros remuneratórios do capital próprio recebidos de participações societárias avaliadas pelo custo de aquisição. Tal conclusão está equivocada, eis que tais valores foram classificados como receita e devidamente considerados nas bases de cálculo do PIS. Com efeito, a impugnante recebeu, a título de juros sobre o capital próprio os valores de R$ Fl. 330DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 18471.002051/200770 Acórdão n.º 3201002.068 S3C2T1 Fl. 328 7 1.405.719,05, R$ 333.384,45 e R$ 60.000,00, procedendo corretamente ao registro contábil da receita auferida, respectivamente, em 30 de janeiro de 2004, 29 de outubro de 2004 e 30 de dezembro de 2005, na rubrica contábil 326.09.00808 (juros sobre o capital próprio) – docs. 3 a 5. Para comprovar as afirmativas, a impugnante anexa cópia da apuração da base de cálculo do PIS de 2004 e 2005 (docs. 06 a 07), bem como das fichas 21 de janeiro a outubro da DIPJ/05 (doc. 08), do DACON relativo ao 4º trimestre de 2005 (doc. 12), além das DCTFs do 1º e 4º trimestre de 2004, bem como do 2º semestre de 2005 (docs. 09 a 11), onde restam evidenciados os valores devidos e pagos/compensados do PIS nos períodos de apuração em apreço. • Sendo assim, as provas e documentos acostados aos autos do processo falam por si só, não podendo, jamais, prevalecer os argumentos trazidos pela Autoridade Fiscal tendentes a constituir o crédito tributário em face da Impugnante, por meio de presunções. • O lançamento tem de conter todas as informações necessárias a assegurar a ampla defesa do contribuinte autuado. • De todo exposto, vem a Impugnante requerer que seja a presente julgada procedente, a fim de acolher as razões ora aduzidas, declarando a insubsistência do referido AI, com a consequente extinção da obrigação tributária exigida em face da Impugnante. • Outrossim, protesta por todos os meios de prova admitidos, mormente pela produção de prova documental, realização de prova pericial ou a conversão do julgamento da presente em diligência fiscal, para que seja apurada a veracidade dos fatos ora apontados, a fim de confirmar os aspectos apresentados pela ora Impugnante." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deu provimento parcial a impugnação excluindo débitos referentes ao PIS e a COFINS não cumulativos em razão de erros na apuração da base de cálculo, que foram assim detalhados no voto condutor do acórdão. Analisandose os demonstrativos de fls. 56/58 nos quais se baseou o auto de infração (informações do próprio contribuinte), realmente não se pode inferir a autuada postergação da apropriação às bases de cálculo do PIS descritas na planilha acima (constantes do auto de infração), razão suficiente para anularse o lançamento neste particular. De fato, como ressalta o impugnante, a peça lançadora deve conter as informações necessárias a assegurar a ampla defesa do contribuinte autuado. Compulsandose os autos, ademais, notase que o contribuinte trouxe o razão, bem como cópias da DIPJ, da DCTF. Comparandose os lançamentos no razão com a DCTF e a DIPJ, é possível identificar que as apropriações das receitas de forma consentânea com as DCTF e DIPJ. Notase que foi seguido o regime contábil de competência – adequado à tributação das receitas sujeitas ao PIS/Cofins em exame. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 Por estas razões, deve ser exonerado do lançamento da Cofins (tributo, juros e multa de mora) referente a janeiro de 2004, correspondentes às receitas de R$ 710.077,65 e R$ 695.641,40, totalizando a base de cálculo de R$ 1.405.719,05, constante do tópico 2 do termo de constatação fiscal (fl. 59) e do item 1 do auto de infração de Cofins (fl. 63). Pelas mesmas razões, deve ser exonerado o lançamento do PIS (tributo, juros e multa de mora) referente às receitas supostamente postergadas nos valores de R$ 132.642,53 e R$ 168.281,79 correspondentes a janeiro de 2004, no valor de R$ 32,767,27 correspondente a outubro de 2004 e; finalmente, no valor de R$ 6.057,71 correspondente a dezembro de 2005, todos constantes da planilha do tópico 3 do termo de constatação fiscal (fl. 60) e das 1ª, 2ª, 3ª e 5ª linhas do item 1 do auto de infração de PIS (fl. 68). A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os juros sobre o capital próprio auferidos pela sociedade empresarial decorrentes da participação no patrimônio liquido de outras sociedades constituem receita de natureza financeira, própria da entidade, distinguindose do interesse do seus sócios. No período em apreço, a Cofins incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, nelas se incluindo as advindas de juros sobre capital próprio, sendo incabível a exclusão, por falta de previsão legal. FALTA DE APROPRIAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS NA APURAÇÃO DA COFINS. Comprovandose o equívoco na fundamentação factual do auto de infração que constitui crédito tributário por ausência de recolhimento de obrigação tributária constante de auferimento de juros sobre o capital próprio e, ainda, tendo o contribuinte trazido elementos de prova idôneos a atestar a base de cálculo do respectivo período, devese exonerar o lançamento neste particular. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os juros sobre o capital próprio auferidos pela sociedade empresarial decorrentes da participação no patrimônio liquido de outras sociedades constituem receita de natureza financeira, própria da entidade, distinguindose do interesse do seus sócios. No período em apreço, o PIS incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, nelas se incluindo as advindas de juros sobre capital próprio, sendo incabível a exclusão, por falta de previsão legal. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 18471.002051/200770 Acórdão n.º 3201002.068 S3C2T1 Fl. 329 9 POSTERGAÇÃO DE APROPRIAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS NA APROPRIAÇÃO DO PIS. Comprovandose o equívoco na fundamentação factual do auto de infração que constitui crédito tributário por postergação de recolhimento de obrigação tributária constante de auferimento de juros sobre o capital próprio e, ainda, tendo o contribuinte trazido elementos de prova idôneos a atestar a base de cálculo do respectivo período, devese exonerar o lançamento neste particular. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificada da decisão a contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa alegações já trazidas na impugnação, discorrendo sobre a natureza jurídica dos juros sobre capital próprio e pede a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS não cumulativos. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A teor do relatado a lide gira em torno da inclusão dos valores recebidos a título de juros sobre capital próprio na base de cálculo do PIS e da COFINS não cumulativos. O matéria já foi enfrentada pelo STJ no REsp 1.104.184, submetido ao regime do art. 543C do CPC, de Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, quando foi decidido pela incidência das contribuição não cumulativas em relação ao juros sobre capital próprio. Transcrevo abaixo a ementa da decisão. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC c/c ART. 2o., § 1o. DA RES. STJ 8/2008). PROCESSUAL CIVIL.ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, II DO CPC. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA, TENDO EM VISTA A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE, PELO STF, DO ART. 3o., § 1o. DA LEI 9.718/98 (RE's 346.084/PR, 357.950/RS, 390.840/MG e 358.273/RS). POSSIBILIDADE QUE SOMENTE SE AFIGURA APÓS A EDIÇÃO DAS LEIS 10.637/02 E 10.833/03, JÁ NA VIGÊNCIA DA EC 20/98, QUE AMPLIOU A BASE DE Fl. 333DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 CÁLCULO DO PIS/CONFINS PARA INCLUIR A TOTALIDADE DAS RECEITAS AUFERIDAS PELA PESSOA JURÍDICA. PRECEDENTE: 1a. TURMA, RESP. 1.018.013/SC, REL. MIN. JOSÉ DELGADO, DJE 28.04.2008. PARECER DO MPF PELO IMPROVIMENTO DO RECURSO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. Inicialmente, sói destacar que a anunciada violação ao art. 535, II do CPC não ocorreu, tendo em vista o fato de que a lide foi resolvida nos limites necessários e com a devida fundamentação. Todas as questões postas a debate foram efetivamente decididas, não tendo havido qualquer vício que justificasse o manejo dos Embargos de Declaração. Observese, ademais, que o julgamento diverso do pretendido, como na espécie, não implica ofensa à norma ora invocada. 2. Destacase, ainda, que, tendo encontrado motivação suficiente para fundar a decisão, não fica o órgão julgador obrigado a responder, um a um, todos os questionamentos suscitados pelas partes, mormente se notório seu caráter de infringência do julgado. Precedente: 1a. Turma, AgRg no AREsp 12.346/RO, Rel. Min. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 26.08.2011. 3. A Lei 9.718/98 (regime cumulativo) estatui que a base de cálculo do PIS/CONFINS é o faturamento, sendo este equiparado à receita bruta da pessoa jurídica, tal como apregoam os arts. 2o. e 3o. Este último preceito normativo estava acompanhado do § 1o., que dizia: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Tal dispositivo legal fundamentava a inclusão, pelo Fisco, dos juros sobre capital próprio JCP no conceito de receita financeira, fato que permitiria a cobrança do PIS/COFINS sobre ele. 4. Todavia, a técnica adotada pelo legislador ordinário e posteriormente ratificada pelo Fisco foi definitivamente rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do alargamento do conceito de faturamento empreendido pelo art. 3o., § 1o. da Lei 9.718/98, tendo em vista o quanto disposto no art. 195 da CRFB, inconstitucionalidade essa que não foi afastada com as modificações efetuadas pela EC 20/98, a qual, grosso modo, constitucionalizou o conceito legal de faturamento ao incluir no Texto Magno, como base de cálculo do PIS/CONFINS, também, a receita (RE's 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG). 5. Sendo assim, antes da EC 20/98, a definição constitucional do conceito de faturamento envolvia somente a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, não abrangendo a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, tal como o legislador ordinário pretendeu. Somente após a edição da referida emenda constitucional é que se possibilitou a inclusão da totalidade das receitas incluindo o JCP como base de cálculo do PIS, circunstância materializada com a edição das Leis 10.637/02 e 10.833/03. 6. Em suma, temse que não incide PIS/COFINS sobre o JCP recebido durante a vigência da Lei 9.718/98 até a edição das Leis 10.637/02 (cujo art. 1o. entrou em vigor a partir de 01.12.2002) e 10.833/03, tal como no caso dos autos, que se refere apenas ao período compreendido entre 01.03.1999 e Fl. 334DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 18471.002051/200770 Acórdão n.º 3201002.068 S3C2T1 Fl. 330 11 30.09.2002. Precedente: 1a. Turma, REsp. 1.018.013/SC, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJe 28.04.2008. 7. Parecer do MPF pelo improvimento do recurso. 8. Negado provimento ao Recurso Especial. Feito submetido ao rito do art. 543C do CPC c/c art. 2o., § 1o. da Resolução STJ 8/2008.(grifo nosso) O art. 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 determina a reprodução das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ, julgados nos termos do art. 543B e do art. 543C, do CPC. Verbis: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Portanto, atendendo a determinação do Regimento Interno do CARF, adoto o entendimento prolatado no REsp 1.104.184, no sentido da procedência da inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS não cumulativos dos valores recebidos a título de juros sobre capital próprio. Diante do exposto e considerando que os valores referentes ao lançamento da COFINS cumulativa foram excluídos na decisão da primeira instância, restando em discussão nos autos somente valores lançados na sistemática de apuração não cumulativa, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 335DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 12 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 19515.000693/2004-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício:2000
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO COLEGIADO PARA CONHECER A MATÉRIA.
Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de matéria residual, não incluídas na competência julgadora das demais Seções.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2102-002.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, pois a matéria controvertida é de competência das Turmas de Julgamento da 1º Seção (processo de compensação com direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ e CSLL).
Fez sustentação oral: a Dra. Ana Paula Schincariol Lui Barreto, OABSP nº 157.658, patrona do recorrente.
Assinado digitalmente.
José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 31/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli.
Nome do relator: Rubens Maurício Carvalho
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício:2000 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO COLEGIADO PARA CONHECER A MATÉRIA. Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de matéria residual, não incluídas na competência julgadora das demais Seções. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, pois a matéria controvertida é de competência das Turmas de Julgamento da 1 Seção (processo de compensação com direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ e CSLL). Fez sustentação oral: a Dra. Ana Paula Schincariol Lui Barreto, OABSP nº 157.658, patrona do recorrente. Assinado digitalmente. José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 31/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 93 /2 00 4- 09 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000693/200409 Acórdão n.º 2102002.038 S2C1T2 Fl. 621 2 Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 267 a 281: A empresa em referência foi autuada, em ação fiscal realizada em seu estabelecimento, resultando a exigência do crédito tributário no valor de R$ 11.661.763,71 (onze milhões, seiscentos e sessenta e um mil, setecentos e sessenta e três reais e setenta e um centavos), referente ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), acrescido da multa e dos juros moratórios, estes calculados até 27/02/2004. No TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (fls. 113 a 115), consta que o trabalho fiscal decorreu de diligência efetuada mediante o MPFD 2003.027456, a partir das verificações efetuadas pela Divisão de Orientação e Análise Tributária — EQPIR no processo MF 13807.007542/200240, e estão relatados os seguintes fatos: No anocalendário de 1997 a contribuinte contratou empréstimo em moeda, mediante lançamento de "FIXED RATE NOTES", no mercado externo, a titulo de capital de giro, junto a MERRILL LYNCH CAPITAL CORPORATION, cujo prazo de amortização previsto permitiria o gozo do beneficio fiscal previsto pela Lei n° 9.481/1997, de não recolhimento do IRRF referente aos juros e outros dispêndios decorrentes da operação, remetidos ao exterior. Verificouse que a contribuinte efetuou a amortização do empréstimo obtido, no anocalendário de 2.002, em prazo menor que o preconizado pela legislação para fins de gozo do beneficio concedido, sujeitandose, por conseqüência, ao recolhimento do IRRF. Examinando os pedidos de restituição apresentados pela contribuinte (Processos n's 13807.007541/200203 e 13807.007542/200240) e de compensação do crédito restituído com os débitos de IRRF acima referidos, e confrontando as informações colhidas, relativas ao recolhimento daquele IRRF com as constantes do Sistema Eletrônico de Informações da Secretaria da Receita Federal, e com as informadas na DCTF, constatouse falta de recolhimento do referido tributo. Em consonância com os documentos acima mencionados, e verificada a falta de declaração dos valores devidos, a titulo de IRRF (código 0481), tais valores, apurados pela fiscalização, não declarados e não recolhidos, demonstrados sinteticamente abaixo, são exigidos mediante auto de infração: Fl. 387DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000693/200409 Acórdão n.º 2102002.038 S2C1T2 Fl. 622 3 Diante das irregularidades verificadas, foi lavrado o auto de infração referente a IRRF (fls. 116 a 119), no valor de R$ 11.661.763,71, sendo R$ 4.549.041,17 de imposto, R$ 3.411.780,86 de multa de oficio (75% sobre o valor do imposto) e R$ 3.700.941,68 de juros de mora calculados até 27/02/2004, tendo como enquadramento legal os arts. 18 e 28 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 12 da Lei n° 9.718, de 1998; e arts. 682, inciso II, 683, 684 e 713, do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda, de 1999). Impugnado o lançamento, a DRJ julgo pela procedência parcial e inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 290 a 329, e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É o Relatório. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. PRELIMINAR DE COMPETÊNCIA Inicialmente, cumpre analisar a competência dessa Turma para a matéria que encerra q questão que ora deverá ser apreciada. Trata o presente processo de Auto de Infração decorrente de compensação indevida de créditos de saldo negativo de IRPJ, fls 95 e 102 com IRRF. Sobre a competência no caso de compensação tributária, o RICARF, diz o seguinte: Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000693/200409 Acórdão n.º 2102002.038 S2C1T2 Fl. 623 4 § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. § 2° Os recursos interpostos em processos administrativos de cancelamento ou de suspensão de isenção ou de imunidade tributária, dos quais não tenha decorrido a lavratura de auto de infração, incluise na competência da Segunda Seção. § 3° Na hipótese do § 1°, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: {2} I Da Primeira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; {2} II Da Segunda Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e da Terceira Seção; {2} III Da Terceira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado unicamente de competência dessa Seção. {2} Assim, pelo Regimento, a competência para julgar recursos que versam sobre compensação é da Seção do CARF responsável pelo pólo do crédito, no caso em tela, créditos de saldo negativo de IRPJ, conforme fl. 114 do Termo de Verificação Fiscal (TVF) c/c Despacho de fl. 187, verbis: TVF, fl. 114: Despacho, fl. 187: Fl. 389DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000693/200409 Acórdão n.º 2102002.038 S2C1T2 Fl. 624 5 No caso em apreço, o crédito é de competência da Primeira Seção do CARF, nos termos do artigo 2º, inciso I, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Em face ao exposto, voto por DECLINAR da competência para julgamento deste recurso, em favor da Primeira Seção do CARF. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 13849.720016/2013-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Relator) e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), que deram provimento ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Foi designado o Conselheiro Martin da Silva Gesto para redigir o voto vencedor.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Assinado digitalmente
Martin da Silva Gesto Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Relator) e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), que deram provimento ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Foi designado o Conselheiro Martin da Silva Gesto para redigir o voto vencedor. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Assinado digitalmente Martin da Silva Gesto – Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 9. 72 00 16 /2 01 3- 35 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13849.720016/201335 Acórdão n.º 2202003.385 S2C2T2 Fl. 154 2 Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento em face da omissão de rendimentos recebidos da Prefeitura Municipal de Presidente Venceslau, no valor de R$ 61.802,16, proveniente de decisão judicial que versava sobre o direito do autor à percepção de adicional de insalubridade, relativo ao período de cinco anos que antecederam a data da distribuição da aludida demanda judicial, ocorrida em 31.08.95, resultando em uma exigência de crédito tributário de R$ 9.174,31 de imposto suplementar, mais multa de ofício e juros de mora. O contribuinte impugnou a autuação alegando que é portador de moléstia grave e, portanto, o valor recebido de R$ 61.802,16 deveria ter sido declarado como isento na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2010 (DIRPF 2010), e que, além desse equívoco, ainda deixou de considerar o gasto com advogado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou procedente em parte a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda apenas os proventos de aposentadoria ou pensão recebidos pelos portadores das doenças relacionadas no inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713, de 1988; não estando, portanto, albergados pela isenção os rendimentos do trabalho assalariado percebidos por servidor ativo. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. PROPORCIONALIDADE. As despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização, observada a proporcionalidade entre os rendimentos tributáveis, isentos e de tributação exclusiva, podem ser excluídos da base de cálculo desde que pagas no ano em questão. A conclusão da DRJ foi no sentido de não acatar a isenção pleiteada, em virtude de que se trata de rendimentos relativos ao período de plena atividade laboral do Contribuinte, quando ele não havia se aposentado, assim como não aceitar a dedução dos Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13849.720016/201335 Acórdão n.º 2202003.385 S2C2T2 Fl. 155 3 honorários advocatícios, posto que foram pagos em outro anocalendário (2008), já tendo sido deduzidos da base de cálculo daquele ano. Cientificado dessa decisão em 19/11/2013, por via postal (A.R. de fl. 91), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 12/12/2013 (fls. 92 a 97), com as seguintes alegações, em síntese: embora estivesse em plena atividade laboral na época da propositura da ação, o recebimento dos valores deuse somente em 2008, quando já estava aposentado e já havia sido reconhecida a sua moléstia grave; o valor a ser recebido foi parcelado em 24 parcelas; a data a ser considerada para fins de tributação não é a da propositura da demanda, mas a do recebimento do crédito; em tese subsidiária, o valor a ser tributado não pode ser o total dos rendimentos apurados, pois nele estão incluídos juros de mora e correção monetária, sobre os quais não incide imposto de renda, conforme jurisprudência do STJ. Ao final, requer que seja reconhecida a isenção sobre os valores recebidos, por ser portador de moléstia grave na data de recebimento do crédito, e subsidiariamente sejam excluídos da tributação os juros de mora e a correção monetária. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Inicialmente cabe ressaltar que o Recorrente não se pronunciou sobre a negativa da dedução dos honorários advocatícios, o que faz com que essa matéria seja excluída do presente litígio, restando em discussão as questões da isenção por moléstia grave e a não tributação dos juros de mora e da correção monetária. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13849.720016/201335 Acórdão n.º 2202003.385 S2C2T2 Fl. 156 4 XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (destaquei) A Súmula CARF Nº 63 assim dispõe sobre as condições para gozo da isenção do imposto de renda: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Observase pelos documentos acostados aos autos, mais especificamente a sentença judicial de fls. 31 a 35, que o valor recebido pelo Contribuinte da Prefeitura Municipal de Presidente Venceslau é referente ao pagamento de valores atrasados a título de adicional de insalubridade, relativos ao período de cinco anos a contar da data da distribuição da ação para trás, ou seja, de 01/09/90 a 01/09/95. O presente lançamento referese aos valores pagos no anocalendário 2009. Entendo que o Contribuinte não faz jus à isenção pleiteada por não atender a um dos requisitos da legislação, qual seja, os rendimentos tributados no lançamento não são provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. Conforme já explicado, tratase de rendimentos do trabalho assalariado, recebidos acumuladamente em face de ação judicial, os quais devem ser tributados, não se lhe aplicando a isenção por moléstia grave. No entanto, como se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em recurso repetitivo representativo da controvérsia, submetido ao regime do art. 543C do CPC, no REsp n° 1.118.429SP, decidiu: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13849.720016/201335 Acórdão n.º 2202003.385 S2C2T2 Fl. 157 5 PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (STJ, 1ª Seção, REsp 1.118.429/SP,rel. Min. Herman Benjamin, j., em 24.03.2010) (grifo nosso) . O artigo 62A do RICARF determina que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil (CPC). Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, deve ser aplicado o entendimento do STJ no sentido de que o Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, não sendo legítima a cobrança com base no montante global pago extemporaneamente. Seguem alguns julgados recentes deste Conselho nesse sentido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 [...] IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). (Acórdão nº 9202003.695 2ª Turma de 27/01/2016. Relator originário: José Cheffe Rahal. Redator designado: Heitor de Souza Lima Junior). IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13849.720016/201335 Acórdão n.º 2202003.385 S2C2T2 Fl. 158 6 O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC (art. 62A do RICARF). (Acórdão nº 2202002.785, de 09/09/2014. Rel. Antonio Lopo Martinez). RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. Seguindose a decisão do Superior Tribunal de Justiça, o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 2802003.160, de 07/10/2014. Rel. Ronnie Soares Anderson). O Recorrente alega, de forma subsidiária, ser indevida a tributação sobre os juros demora e a correção monetária, de acordo com entendimento do STJ. Não assiste razão ao Recorrente, pois as verbas por ele recebidas não decorrem de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, mas sim de diferenças salariais referentes a seu vínculo empregatício com a Prefeitura Municipal de Presidente Venceslau. Assim, não se aplica à hipótese o Recurso Repetitivo RESP nº 1.227.133 , no qual a Primeira Seção do STJ decidiu que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Ao julgar o RESP nº 1.089.720, a Primeira Seção do STJ definiu o entendimento sobre a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora, inclusive aqueles pagos em reclamação trabalhista. Os juros somente são isentos da tributação nas situações em que o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora do campo de incidência do imposto de renda (regra do acessório segue o principal). Em seu voto, o relator, Ministro Mauro Campbell Marques, destacou que a regra geral é a incidência do IR sobre os juros de mora, existindo, porém duas exceções: são isentos os juros de mora pagos no contexto da despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não; e quando incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto da despedida ou rescisão do contrato de trabalho. O entendimento da Primeira Seção do STJ ficou claro nesse sentido, conforme podemos observar da ementa dos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no RESP nº 1.420.166/SC (Rel. Min. Mauro Campbell Marques), abaixo. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA, MESMO EM SE TRATANDO DE VERBA INDENIZATÓRIA. ART. 16, CAPUT E PARÁGRAFO ÚNICO Fl. 158DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13849.720016/201335 Acórdão n.º 2202003.385 S2C2T2 Fl. 159 7 DA LEI N. 4.506/64. CASO DE JUROS DE MORA DECORRENTES DE VERBAS REMUNERATÓRIAS DE SERVIDOR PÚBLICO PAGAS EM ATRASO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, OMISSÃO E ERRO MATERIAL NO ACÓRDÃO EMBARGADO. REJEIÇÃO DOS EMBARGOS. 1. Regrageral, incide imposto de renda sobre juros de mora a teor do art. 16, parágrafo único, da Lei n. 4.506/64: "Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariados os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações prevista neste artigo". Jurisprudência uniformizada no REsp 1.089.720/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbel Marques, julgado em 10.2012. 2. Primeira exceção: não incide imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes de verbas trabalhistas pagas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho consoante o art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88. Jurisprudência uniformizada no recurso representativo da controvérsia Resp 1.127.133/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavscki, Rel. p/ acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011. 3. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, conforme a regra do “acessorium sequitur suum principale ”. Jurisprudência uniformizada no REsp 1.089.720/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbel Marques, julgado em 10.10.2012. 4. Caso concreto em que se discute a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes de verbas remuneratórias de servidor público pagas em atraso. Incidência da regrageral constante do art. 16, parágrafo único, da Lei n. 4.506/64. Para se afastar a regra geral de incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios com base no entendimento de que tais juros estariam fora do campo de incidência delimitado pelo art. 153, I, da Constituição da República, farseia necessário declarar inconstitucionais o parágrafo único do art. 16 da Lei Federal 4.506/4 e o § 3º do art. 43 do Decreto 3.000/99, o que somente poderia ser feito com observância do disposto no art. 97 da Constituição, consoante enuncia Súmula Vinculante 10/STF. Mas não é o caso, dada a compatibilidade do parágrafo único do art. 16 da Lei 4.506/64 e do § 3º do art. 43 do Decreto 3.000/99 com os arts. 43 do CTN, 153, III, da Constituição, e 404 do Código Civil. 5. Embargos declaração rejeitados. (grifos do original). Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Assinado digitalmente Fl. 159DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13849.720016/201335 Acórdão n.º 2202003.385 S2C2T2 Fl. 160 8 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Voto Vencedor Conselheiro Martin da Silva Gesto Redator designado. Data venia, venho divergir quanto ao entendimento do ilustre Relator pela aplicação aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, pois entendo que deve ser cancelada a exigência fiscal por vício material. Ocorre que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Todavia, o lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) Entendo que o lançamento foi amparado no art. 12 da Lei nº 7.713/88, que foi declarado inconstitucional pelo STF, devendose, portanto, reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Logo, não deve ser aplicado aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme o voto do ilustre Relator, mas sim, cancelada a exigência fiscal por vício material. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13849.720016/201335 Acórdão n.º 2202003.385 S2C2T2 Fl. 161 9 Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal por vício material. Assinado digitalmente Martin da Silva Gesto Redator designado. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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