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Numero do processo: 10166.727865/2011-49
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL. SALÁRIO UTILIDADE - ALIMENTAÇÃO.
A remuneração paga a título de auxílio de alimentação in natura não caracteriza salário-de-contribuição independentemente se a sociedade empresária é ou não é participante do Programa de Alimentação ao Trabalhador instituído pela Lei nº 6.321/76.
REMUNERAÇÃO PAGA OU CREDITADA AOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PELA SOCIEDADE EMPRESÁRIA INTEGRA O SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO - NÃO DECLARADA EM GFIP.
Integra o salário-de-contribuição a remuneração paga ou creditada aos empregados e contribuintes individuais pela sociedade empresária, quando não declarado na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social - GFIP.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - LEGITIMIDADES PASSIVAS DAS SOCIEDADES EMPRESÁRIAS INTEGRANTES DO GRUPO ECONÔMICO. Há responsabilidade solidária das sociedades empresárias, quando há caracterização de grupo econômico entre esses legitimados passivos, consoante o inciso IX, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o artigo 124, do Código Tributário Nacional
Numero da decisão: 2803-004.031
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral Advogado Dr Bruno Bertholdo Cavalheiro, OAB/DF nº 36.105.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL. SALÁRIO UTILIDADE - ALIMENTAÇÃO. A remuneração paga a título de auxílio de alimentação in natura não caracteriza salário-de-contribuição independentemente se a sociedade empresária é ou não é participante do Programa de Alimentação ao Trabalhador instituído pela Lei nº 6.321/76. REMUNERAÇÃO PAGA OU CREDITADA AOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PELA SOCIEDADE EMPRESÁRIA INTEGRA O SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO - NÃO DECLARADA EM GFIP. Integra o salário-de-contribuição a remuneração paga ou creditada aos empregados e contribuintes individuais pela sociedade empresária, quando não declarado na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social - GFIP. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - LEGITIMIDADES PASSIVAS DAS SOCIEDADES EMPRESÁRIAS INTEGRANTES DO GRUPO ECONÔMICO. Há responsabilidade solidária das sociedades empresárias, quando há caracterização de grupo econômico entre esses legitimados passivos, consoante o inciso IX, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o artigo 124, do Código Tributário Nacional
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SALÁRIO UTILIDADE ALIMENTAÇÃO. A remuneração paga a título de auxílio de alimentação in natura não caracteriza saláriodecontribuição independentemente se a sociedade empresária é ou não é participante do Programa de Alimentação ao Trabalhador instituído pela Lei nº 6.321/76. REMUNERAÇÃO PAGA OU CREDITADA AOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PELA SOCIEDADE EMPRESÁRIA INTEGRA O SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO NÃO DECLARADA EM GFIP. Integra o saláriodecontribuição a remuneração paga ou creditada aos empregados e contribuintes individuais pela sociedade empresária, quando não declarado na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA LEGITIMIDADES PASSIVAS DAS SOCIEDADES EMPRESÁRIAS INTEGRANTES DO GRUPO ECONÔMICO. Há responsabilidade solidária das sociedades empresárias, quando há caracterização de grupo econômico entre esses legitimados passivos, consoante o inciso IX, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o artigo 124, do Código Tributário Nacional AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 78 65 /2 01 1- 49 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.727865/201149 Acórdão n.º 2803004.031 S2TE03 Fl. 359 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral Advogado Dr Bruno Bertholdo Cavalheiro, OAB/DF nº 36.105. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.727865/201149 Acórdão n.º 2803004.031 S2TE03 Fl. 360 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de Recurso Voluntário que julgou os Autos de Infração de Obrigação Principal, mantendo parcialmente o crédito lançado referente à incidência de contribuições à terceiras entidades devidas pela empresa e pelos segurados empregados e contribuintes individuais para a SEGURIDADE SOCIAL incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a título de salário utilidade – alimentação (cancelada) e as remunerações não constantes na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP, no período de 01/02/2008 a 31/12/2008. O Recurso Voluntário alega ser improcedente o lançamento em razão dos seguintes motivos: que a decisão recorrida não teria cancelado diferenças de valores oriundas da incidência das contribuições sobre alimentação in natura, que as diferenças apontadas pela fiscalização como valores diferenças de pagamentos eram fruto de erro material da contabilidade tratandose de verbas sobre as quais não há incidência, ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição cobrada, que é ilegal a atribuição de responsabilidade de terceiros, que não cabe representação fiscal para fins penais. Vieram os autos para apreciação nesta turma especial. É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.727865/201149 Acórdão n.º 2803004.031 S2TE03 Fl. 361 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Quanto aos lançamentos referentes à diferenças apuradas em na folha de pagamento não declaradas não poderiam ser lavrados os créditos por se tratarem de valores pagos a título de verbas de natureza nãoremureratórias, não merece acolhimento. Da mesma forma, quanto às diferenças de folha de pagamento, não houve demonstração da natureza dos pagamentos com qualquer elemento probatório, a exemplo “sentenças trabalhistas” que alegam ser as causas dos pagamentos. Os elementos acima, foram bem especificados e demonstrados pelo lançamento, respeitando o disposto no art. 142, do CTN, e direito de defesa. O art. 16, do Dec. 70235, é claro em possibilitar que tais documentos poderiam ser juntados aos autos, mas a parte não realizou, assim não há como acolher os pedidos por ausência de provas. III –Quanto aos questionamentos referentes à Representação Fiscal para Fins Penais, não merece reparo a decisão a quo. A apreciação da representação não é competência do CARF/MF, situação consolidada na Súmula 28 do mesmo conselho. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.727865/201149 Acórdão n.º 2803004.031 S2TE03 Fl. 362 5 IV – Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 231DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720060/2006-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS DECLARADOS COM TÍTULO ADMINISTRATIVO QUE, NA OCASIÃO, NÃO AMPARAVA A COMPENSAÇÃO VISLUMBRADA. LANÇAMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGITIMIDADE.
Legítima a lavratura de auto de infração para exigência de débitos declarados em DCTF vinculados a créditos pleiteados em processo administrativo ainda não julgado e que, portanto, não amparava a compensação vislumbrada pelo sujeito passivo.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3301-002.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS DECLARADOS COM TÍTULO ADMINISTRATIVO QUE, NA OCASIÃO, NÃO AMPARAVA A COMPENSAÇÃO VISLUMBRADA. LANÇAMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGITIMIDADE. Legítima a lavratura de auto de infração para exigência de débitos declarados em DCTF vinculados a créditos pleiteados em processo administrativo ainda não julgado e que, portanto, não amparava a compensação vislumbrada pelo sujeito passivo. Recurso a que se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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M. Souza S.A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS DECLARADOS COM TÍTULO ADMINISTRATIVO QUE, NA OCASIÃO, NÃO AMPARAVA A COMPENSAÇÃO VISLUMBRADA. LANÇAMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGITIMIDADE. Legítima a lavratura de auto de infração para exigência de débitos declarados em DCTF vinculados a créditos pleiteados em processo administrativo ainda não julgado e que, portanto, não amparava a compensação vislumbrada pelo sujeito passivo. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 00 60 /2 00 6- 10 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 5ª Turma da DRJ Porto Alegre (fls. 107/113 da cópia digitalizada do processo doravante utilizada como padrão de referência), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento para cancelar a multa de ofício e declarar a definitividade, na esfera administrativa, do restante do crédito tributário lançado. O acórdão em tela foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE DE NORMA MAIS BENIGNA. Cancelase a multa de ofício vinculada, uma vez que seu fundamento legal foi derrogado por legislação superveniente ao lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 FALTA DE CONFIRMAÇÃO DE PAGAMENTO, COMPENSAÇÃO OU PARCELAMENTO INFORMADO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A legislação tributária previa, no período de apuração, em questão o lançamento de ofício dos créditos tributários cujo pagamento, compensação ou parcelamento informados em DCTF não fossem confirmados. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO, COMPENSAÇÃO OU PARCELAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO EM DCTF. DEFINITIVIDADE. Tornase definitivo, no âmbito administrativo, o lançamento do crédito tributário cuja existência não é contestada, limitandose a impugnação a alegar que já ele já foi pago, compensado ou parcelado; os valores eventualmente pagos, compensados ou parcelados devem ser levados em conta para apuração do saldo devido, inclusive dos acréscimos legais. Lançamento Procedente em Parte O sucinto relatório da decisão recorrida segue abaixo transcrito: Tratase de auto de infração, lavrado para exigir o pagamento de débitos de IPI cuja compensação, informada em DCTF, não foi confirmada. A autuada impugnou, alegando que os débitos foram compensados no processo nº 11080.007979/9716. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 15/10/2008 (fls. 117). Inconformada, a mesma apresentou, em 13/11/2008 (fls. 119), o recurso voluntário de fls. 119/125, onde aduz que o pedido de compensação objeto do processo nº 11080.007979/9716 foi objeto de recurso voluntário, tendo o mesmo sido provido mediante acórdão nº 30236.039, da então Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Assevera ainda que a Fazenda Pública interpôs recurso especial contra aludida decisão, tendo sido o mesmo negado mediante acórdão CSRF/03.04.775. Diante das decisões transitadas em julgado seria improcedente o crédito tributário, "lançado que foi de Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 11080.720060/200610 Acórdão n.º 3301002.676 S3C3T1 Fl. 163 3 ofício com base na decisão que restou reformada com o provimento do Recurso Voluntário noticiado na Impugnação". Ressalta também a recorrente que a empresa optou por ingressar no parcelamento PAEX. Assim, Os débito[s] ora pretendidos cobrar, consolidados naquele programa, razão pela qual, quando do julgamento final dos pedidos de compensação, entre os quais o constante do processo n° 11080.007979/9716, se procedentes ou não, deverão ser os débitos apontados excluídos ou não do débito consolidado e não, data vênia, conforme equivocadamente pretendido, serem cobrados. No tocante ao mérito ressalta que o auto de infração fora lavrado para exigir o pagamento de débitos de IPI cuja compensação, informada em DCTF, não fora confirmada. Assevera que, "contrariamente do que constou do Relatório, em nenhum momento alegou a Recorrente de que os débitos foram compensados mas, isto sim, de que os mesmos foram objeto do pedido de compensação no processo n° 11080.007979/9716, até a presente data ainda em tramitação, razão pela qual, impossível afirmar não ter sido referida compensação confirmada ou indeferida". A não confirmação da compensação, no entender do sujeito passivo, levaria à improcedência do auto de infração. Afirma também que a informação acerca da existência de pedido de compensação não representaria desistência do processo e, muito menos, a aplicabilidade do artigo 26 da Portaria MF nº 58, de 17/03/2006. Diante do exposto requer seja reformada a decisão de primeira instância e julgado improcedente o lançamento objeto do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. O lançamento objeto dos autos decorreu da não confirmação de créditos vinculados a DCTF do primeiro trimestre de 1997, créditos esses que seriam advindos do processo administrativo nº 11080.007979/9716 (ver fls. 17). O próprio sujeito passivo informa que, na ocasião, aduzido processo ainda não tinha sido julgado, o que só ocorreu com o julgamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra a decisão que reconhecera o crédito reclamado no processo em evidência. O acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nº 0304.775, foi proferido em 21/02/2006 (v. fls. 147). Quanto ao lançamento, o mesmo foi formalizado em 06/12/2001 (fls. 103). Logo, quando da lavratura do auto de infração, ainda não existia direito líquido e certo que alicerçasse a compensação pleiteada pelo sujeito passivo via DCTF. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 4 O lançamento, portanto, foi medida necessária para evitar a decadência do direito de constituição do credito tributário, já que o período exigido é anterior à edição da MP 135/2003 (que restabeleceu a sistemática de débitos confessados, não sendo mais necessária, a partir de então, a constituição dos débitos declarados em DCTF). Com efeito, o artigo 90 da Medida Provisória no 2.15835 prescreve o lançamento de ofício das diferenças apuradas em declarações prestadas pelo sujeito passivo, “[...] decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Posteriormente, o artigo 18 da Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833, de 2003), restringiu o lançamento de ofício à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida. Com a edição da Lei nº 11.488, de 2007, a redação do dispositivo em tela foi alterada para restringir a aplicação da multa unicamente diante de comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Justamente por isso é que a primeira instância afastou a multa de ofício vinculada ao tributo (aplicação retroativa da Lei com base no artigo 106, inciso II, alínea "a", do CTN). Correto, portanto, o entendimento da unidade de origem ao constituir o crédito tributário mediante o lançamento, já que não era possível a realização de qualquer compensação em vista da inexistência de créditos líquidos e certos em favor da interessada, posto que ainda não julgado o processo administrativo em que se discutia o crédito. Tal entendimento está em sintonia com o artigo 170 do CTN, que, para fins de compensação, exige que os créditos em favor da interessada sejam "líquidos e certos". Em sintonia com o entendimento em tela, segundo o qual é necessária a formalização do crédito tributário para se prevenir a decadência, transcrevo, abaixo, a lição de James Marins, que, não obstante seja específica para os casos em que se discute a exigibilidade do crédito tributário em ação judicial, é perfeitamente aplicável ao caso presente: O poderdever que imprime aos órgãos administrativos tributários a obrigação de realizar o lançamento através da autuação tem como motor a necessidade de paralisação da fluência do prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional e em outras leis esparsas, que corre contra o espaço de tempo hábil conferido à autoridade fazendária para que exerça seu poderdever de formalizar a obrigação tributária com seu correspectivo crédito. Ademais disso, se se tratar de discussão judicial de crédito já formalizado (lançado) apontase o risco de prescrição que milita contra o direito da Fazenda Pública em lançar mão dos instrumentos processuais previstos para o exercício judicial do crédito tributário exeqüível. Nesse tema são de ser adequadamente relevadas as lições clássicas do grande mestre Aliomar Baleeiro: “corre prazo de decadência da obrigação tributária, insuscetível de interrupção, desde qualquer das duas hipóteses do art. 173, mas, se for constituído o crédito tributário correspondente a tal obrigação, passa a correr, daí por diante, o prazo de prescrição, já agora desse crédito. Desde sua constituição definitiva (art. 141) é que passará a marcar os dias contra o fisco, salvo se for interrompido por uma das quatro causas eficientes e taxativas, já vistas no parágrafo único do mesmo art. 174. [Suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Revista de Direito Tributário. 910/924, São Paulo, RT, 1979] Com efeito, no nosso regime de Direito positivo consubstanciado no Código Tributário Nacional fazse impostergável o poderdever da Fl. 165DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 11080.720060/200610 Acórdão n.º 3301002.676 S3C3T1 Fl. 164 5 Administração Fazendária em formalizar o crédito tributário, impondo imperativamente à autoridade fiscal (sob pena de responsabilidade funcional) a obrigação de observar o prazo decadencial previsto em lei para a realização do lançamento (dever de não perpetuar dúvidas ou inseguranças), sob pena de que venha a não mais poder realizálo validamente por padecer de caducidade. Assim, não só a Administração Fazendária pode como deve formalizar o crédito em discussão (lançar), sob pena de decadência do direito de fazê lo, mesmo estando em curso a ação judicial de natureza preventiva (anterior ao lançamento) com o condão de suspender a exigibilidade do crédito (seja por depósito, caução, ou por qualquer decisão judicial para tanto eficiente, liminar, sentença ou acórdão). Deve formalizálo, porém, apenas e unicamente para a precípua finalidade de obstar a decadência. Não é lícito ao Fisco, indo além da mera formalização do crédito, registrar eventuais penalidades ou intentar cobrá lo promovendo a inscrição em dívida ativa e aforando a respectiva execução judicial, pois o crédito encontrase em estado de suspensão de sua exigibilidade. Ademais disso, se a suspensão decorrer de ordem judicial, caracterizado estaria seu descumprimento com as penalidades daí decorrentes. (MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro: (administrativo e judicial). São Paulo: Dialética. 2005. p. 221223) Evidentemente, considerando o exemplo supra, o que vier a ser decidido em ação judicial há que ser cumprido por parte da autoridade administrativa, momento em que o crédito tributário constituído poderá, inclusive, ser integralmente quitado acaso seja demonstrado que o crédito decorrente de eventual provimento jurisdicional seja equivalente ou superior ao débito tributário. O mesmo vale para o caso presente, em que o crédito discutido já foi reconhecido no processo administrativo nº 11080.007979/9716. Essa questão, contudo, não é objeto de discussão nesta seara, que se restringe à análise da legitimidade do lançamento em vista da não comprovação da vinculação indicada na DCTF pelo sujeito passivo à época. Portanto, correto o entendimento da unidade de origem ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, já que não era possível a realização de nenhuma "compensação" em vista da inexistência de créditos líquidos e certos em favor da interessada. É o que se extrai do artigo 170 do CTN, c/c o artigo 66 da Lei nº 8.383/91, que exige seja demonstrada a liquidez e a certeza do crédito, eis que tal está implícito nos conceitos de “pagamento indevido ou a maior de tributos”. No mais, vale lembrar o disposto na Súmula CARF nº 52: Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de Dctf, ensejam o lançamento de ofício. Enfim, legítimo o direito de o Fisco exigir os débitos em aberto. Os créditos reconhecidos em favor do sujeito passivo por força de decisão nos autos do processo administrativo nº 11080.007979/9716 poderão ser compensados com os débitos tributários legitimamente constituídos por meio do lançamento de ofício, conforme já ressaltado. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 6 Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 08 de dezembro de 2015 . (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10315.900429/2011-70
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado.
Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa.
Decisão de primeira instância anulada.
Numero da decisão: 3802-004.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada.
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PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 90 04 29 /2 01 1- 70 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 337), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte SÃO GERALDO ÁGUAS MINERAIS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1442.420, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP, que não acolheu sua Manifestação de Inconformidade, na qual afirma ter direito a ressarcimento de IPI nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Por bem explicitar as questões de fato pertinentes ao caso, adotase o quanto consta da Informação Fiscal apresentada pela SARAC de Fortaleza/CE (fls. 4/16): (...) 2 – DO OBJETO SOCIAL No ato constitutivo original da São Geraldo Águas Minerais Ltda, datado de 13/01/1995, consta como objetivo social a extração, beneficiamento e comercialização de bens minerais. Através do 6.° Aditivo contratual datado de 01/06/2009, o objeto social foi alterado para: Extração, Engarrafamento e Gaseificação de Águas Minerais. 3 – DOS PRODUTOS FABRICADOS No item 2 da Descrição do Processo Produtivo apresentado a fiscalização, a São Geraldo Águas Minerais Ltda indica a fabricação dos seguintes produtos:ProdutoRegistro MS Código de Barra Garrafão 20L6.0980.000200137898193940202 Garrafão 10L6.0980.000200137898193940103 Garrafas 500 ML6.0980.000200137898193940226 Garrafas 1.500 ML 6.0980.000200137898193940219 No subitem 2.1, a fiscalizada enquadra os produtos por ela fabricados no Código NCM 2201.10.00 EX 01 e EX 02, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI. Os rótulos dos produtos fabricados pela São Geraldo Águas Minerais Ltda, as cópias das Notas Fiscais de Vendas mais relevantes dos meses de outubro, novembro e dezembro do ano de 2006, bem como as informações colhidas nos livros fiscais e nos arquivos digitais de notas fiscais (Convênio 57/95 – SINTEGRA) apresentados mediante autenticação através do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, referentes aos anos de 2007, 2008, 2009, demonstram que a citada empresa atua na fabricação e comercialização de ÁGUA Fl. 339DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10315.900429/201170 Acórdão n.º 3802004.085 S3TE02 Fl. 339 3 MINERAL NATURAL (SEM GÁS), conforme definido no item 2.1 do Anexo do Regulamento Técnico para Águas Envasadas e Gelo, aprovado pela Resolução RDC N.° 274, de 22 de setembro de 2005, da ANVISA. (...)Temos, portanto, que a São Geraldo Águas Minerais Ltda não pode se creditar do IPI referente a aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem empregados na industrialização de ÁGUA MINERAL NATURAL (SEM GÁS), tendo em vista que tal produto além de ser classificado como nãotributável (NT) impede o enquadramento da fiscalizada como “estabelecimento industrial” para estas operações, ficando impossibilitada de utilizar eventual saldo credor do IPI nas formas previstas no Art.73 e Art.74 da Lei N.° 9.430/96. (...) (grifo nosso). Referida Informação Fiscal embasou o Despacho Decisório, nos termos abaixo (fls. 241/242): "(...) 1. Em ação fiscal realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n.° 03.1.02.002011003620, deuse reclassificação e glosa de diversos créditos apresentados para ressarcimento, tendo como fundamento a utilização de matéria prima. Produto intermediário e material de embalagem, que geraram os supostos créditos de IPI, na fabricação de produtos não tributáveis. 2. Como os produtos classificados como nãotributáveis (NT) não podem gerar créditos do IPI, por força do Art.164, inciso I e Art.190, § 1.° do Decreto n.° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 e do Art.226, inciso I e Art.251, § 1.° do Decreto n.° 7.212, de 15 de junho de 2010, a fabricação de ÁGUA MINERAL NATURAL (SEM GÁS) impede a utilização de eventual saldo credor do IPI nas formas previstas no Art.73 e Art.74 da Lei N.° 9.430/96, conforme Art.2.°, inciso I do Ato Dec laratório Interpretativo SRF N.° 5, de 17 de abril de 2006. 3. Verificouse também que os insumos adquiridos e os produtos fabricados são os mesmos durante os anos de 2006, 2007, 2008 e 2009, conforme Livro de Registro de Inventário, cópias das Notas Fiscais e planilhas, ANEXO I E ANEXO II, confeccionadas com base nos Arquivos Digitais de Notas Fiscais(Convênio 57/95 – SINTEGRA). 4. Assim, lavrouse representação propondo o não reconhecimento da legitimidade dos créditos básicos de IPI e a nãohomologação das compensações realizadas com respaldo nestes créditos. 5. Em face do exposto, proponho seja indeferido o pedido de ressarcimento 26213.26671.230910.1.1.017500 e considerando nãohomologada a compensação declarada no documento 27753.95425.170211.1.7.015123. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – DRJ/RPO, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual requer (i) o processamento do recurso sem efetivação de depósito recursal ou arrolamento de bens; (ii) da adequada interpretação ao art. 11, da Lei nº 9.779/99, diante do princípio da não cumulatividade do IPI; (iii) da contrariedade da dita norma regulamentar aos princípios da isonomia e da seletividade; ilegalidade e inconstitucionalidade do art. 254 do RIPI/2.010, da IN SRF 33/99 e do ADI 05/2006; e, por fim, (iv) o consequente reconhecimento do direito creditório pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 337), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise de apenas parte das razões recursais. De início friso que o relatório da DRJ contém erro quanto às premissas fáticas, pois aduz serem os produtos finais do Recorrente tratarse de livros. Segue transcrito abaixo o sucinto relatório: "(...) O interessado em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, para ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10315.900429/201170 Acórdão n.º 3802004.085 S3TE02 Fl. 340 5 A autoridade competente indeferiu o pedido em razão dos produtos, que a empresa produz e comercializa, serem livros classificados como NT (não tributado) na TIPI. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual alegou, em suma, que tem direito ao ressarcimento por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§3º, II, da Constituição Federal e que o direito pleiteado encontra amparo na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, conforme doutrina e julgados que cita. (grifei) O Recurso Voluntário não suscita esse vício, e a rigor a questão de mérito poderia ser facilmente resolvível ante a Súmula CARF nº 20. Veja se: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Contudo, como se trata de questão de fato, a premissa inicial da DRJ pode ser considerada como tendente a promover cerceamento de defesa – causa de nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Esse vício pode levar, portanto, a uma anulação de todo o processo administrativo, desde o julgamento pela DRJ, estendendose todos os demais atos posteriores. E tal pode ser suscitado inclusive judicialmente, nada obstante a conclusão me parecer ser a mesma – pois tanto o livro quanto a água mineral são considerados produtos NT pela legislação. Conclusão Dessa forma, para assegurar a higidez processual e, em última análise, o próprio crédito tributário em si, conheço do Recurso Voluntário e, de ofício, voto pela anulação da decisão recorrida, a fim de que profira novo julgamento considerando o efetivo produto final do Recorrente – água mineral natural (sem gás). Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 19515.001576/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2006, 2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF.
O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, portanto eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento, não implica nulidade do procedimento fiscal.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos exatos termos da Súmula CARF nº 2, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
NORMAS GERAIS. DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO.
Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia que entender desnecessário.
PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.
Estão sujeitos à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
PAGAMENTO SEM CAUSA. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA.
Para a caracterização da multa qualificada, há que estar presente a figura do dolo específico caracterizado pela intenção manifesta do agente de omitir dados, informações ou procedimentos que resultam na diminuição ou retardamento da obrigação tributária. O registro das operações nos livros fiscais, inclusive com o cumprimento das formalidades acessórias, não evidencia má-fé, inerente à prática de atos fraudulentos.
SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-002.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2006, 2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, portanto eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento, não implica nulidade do procedimento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2. Nos exatos termos da Súmula CARF nº 2, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NORMAS GERAIS. DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia que entender desnecessário. PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Estão sujeitos à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. PAGAMENTO SEM CAUSA. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA. Para a caracterização da multa qualificada, há que estar presente a figura do dolo específico caracterizado pela intenção manifesta do agente de omitir dados, informações ou procedimentos que resultam na diminuição ou retardamento da obrigação tributária. O registro das operações nos livros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 76 /2 00 8- 88 Fl. 612DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 fiscais, inclusive com o cumprimento das formalidades acessórias, não evidencia máfé, inerente à prática de atos fraudulentos. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), anoscalendário 2005 e 2006, consubstanciado no Auto de Infração, fl. 338, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 18.268.647,31, calculados até 30/05/2008. A fiscalização apurou falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. A autoridade fiscal aplicou a multa de ofício de 150%. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: insurgese inicialmente contra a Representação Fiscal para fins penais formalizadas nos autos de outro processo e afirma que não vislumbraria motivos plausíveis para essa instauração e tampouco a sua remessa ao Ministério Público ao arrepio do que dispõe o art. 83 da Lei nº 9.430/1996, pois o citado processo estaria em tese relacionado com suposta prática de crime contra a ordem tributária, e segundo a posição majoritária do STF, Fl. 613DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001576/200888 Acórdão n.º 2201002.713 S2C2T1 Fl. 3 3 eventual conduta delituosa apenas e tãosomente poderia ser iniciada após o esgotamento de toda a via administrativa. o Mandado de Procedimento Fiscal já se encontraria com o seu prazo de validade esgotados ao tempo da autuação o que macularia o ato administrativo do lançamento. O fato de ter o contribuinte apresentado documentos ao longo das intimações e estes não terem sido colacionados aos autos pela fiscalização cercearia o direito de defesa do contribuinte. Na aplicação da multa teria ocorrido o confisco, a quebra da proporcionalidade e razoabilidade e da capacidade contributiva. A utilização da TAXA SELIC não seria adequada para o cômputo dos juros de mora. Os serviços tomados pelo impugnante da empresa Show Ball Informática, no período de 17/08/2005 a 29/12/2006, teriam sido desclassificados indevidamente pela fiscalização sem qualquer base ou comprovação, sob a argumentação de que o impugnante e o prestador de serviços teriam em comum a mesma composição acionária. O beneficiário dos valores relacionados pela fiscalização como pagamentos sem causa seria pessoa jurídica idônea cujo quadro societário seria absolutamente alheio e totalmente diferente daquele mantido pelo impugnante (tomador dos serviços), pois o Sr. Carlos de Carvalho Crespo, não fazia parte alguma do quadro societário da Impugnante pelo período de 10/02/2005 a 20/07/2006, espancando de toda maneira possível a indevida conclusão do Sr. Fiscal, portanto postula pela desqualificação do presente lançamento, pois se não fosse por esta incabível conclusão, com a devida vênia não teria o Sr. Fiscal nada a tributar. A fiscalização teria desconsiderado o contrato firmado entre as partes, tomando como ato simulado, com fulcro no art. 1º da LC 104/2001, que requereria em seu texto para a sua aplicação a criação de procedimentos a serem estabelecidos por lei ordinária que ainda não foi editada, o que feriria o princípio da estrita legalidade. A conclusão do fiscal de que teria havido pagamento sem causa padeceria de atipicidade nos termos em que o art. 61 da Lei nº 8.981/1995, imporia uma premissa a de que a operação ou causa haveria de inexistir para fins de geração de despesa dedutível para o seu tomador, exigência que somente seria aplicável para empresas sujeitas ao lucro real, e o impugnante é optante pelo Lucro Presumido, não se aproveitando do volume e qualidade de suas despesas. Caberia salientar que em toda atividade econômica, qualquer empresa pode ter um ou mais clientes, no caso em tela, o fato de a impugnante seria a única cliente da empresa Show Ball, não poderia e nem deveria ser prova factual para caracterizar Fl. 614DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 “operação não comprovada, serviços tomados de sociedade civil vinculada, ou qualquer outro ato que vicie em ilicitude, além do que o quadro societário seria divergente entre os referidos CNPJs. O agente fiscal teria aduzido que a impugnante apresentou Contrato de Licença de Uso de Software, sem registro e sem firma reconhecida, o que ensejaria a descaracterização destes instrumentos, e agindo assim a fiscalização descumpriria a legislação civil vigente que disporia sobre a desnecessidade de autenticação de documentos reconhecimentos de firma, de forma a não anular os atos ali praticados. A fiscalização novamente teria se equivocado quando ressaltou que o Sr. Carlos de Carvalho Crespo teria voltado a ser cotista da fiscalizada e que a Show Ball Ltda teria continuado a prestar serviços para a fiscalizada, pois esta alegação viria ao encontro de suas convicções para fundamentar o auto de infração, visto que se a fiscalização aduz que ele (Sr. Carlos de Carvalho Crespo) teria voltado significa dizer que ele não estava mais no quadro da empresa. Temos aqui a prova cabal de que o agente fiscal não observou, entendeu, admitiu ou considerou o fato real que o quadro societário entre 2005 e 2006 era divergente entre a impugnante e a empresa Show Ball, portanto, não existe pagamento sem causa (comprovação real, porque existe o nome de quem emitiu e recebeu pelos serviços prestados), operação não comprovada (extremamente comprovada pelas notas fiscais e contabilização das mesmas), serviços tomados de sociedade civil vinculada e/ou ligada (nunca foram vinculadas, quadro societário divergente), mesmo porque a forma de tributação da impugnante é o lucro presumido. Não haveria fundamento jurídico para a aplicação de penalidade no percentual de 150%. Requer, subsidiariamente, que na remota hipótese de ser mantido o auto de infração seja ao menos afastada a incidência da multa qualificada, por força da ausência de elementos que possibilitem a sua aplicação ao caso concreto, e afastada a correção pela taxa SELIC, por sua contrariedade à CF/88 e à jurisprudência do STJ. Reitera, pela realização de diligência administrativa com fulcro da verificação de suporte, documentos não analisados pela Fiscalização, sob pena de cerceamento de defesa, bem como ofensa ao princípio do devido processo legal. A 5ª Turma da DRJ em São Paulo SPI julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementas abaixo transcritas: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindose o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais Fl. 615DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001576/200888 Acórdão n.º 2201002.713 S2C2T1 Fl. 4 5 lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O auto de infração foi lavrado com observância das disposições do artigo 10 do Decreto nº. 70.235/72, especialmente quanto à descrição dos fatos e enquadramento legal. Constatado que inexistiu qualquer ato e/ou omissão da autoridade Fiscal que implicasse em prejuízo ou preterição do direito de defesa e estando o contribuinte ciente de todos os elementos de que necessitava para elaborar suas contrarazões de mérito, fica de todo afastada a hipótese de nulidade do procedimento fiscal. PAGAMENTO SEM CAUSA. LUCRO PRESUMIDO. Os pagamentos efetuados pela interessada cuja operação ou causa não restar comprovada, enseja a tributação, conforme dispõe o art. 61 da Lei 8.981/95. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. RAZOABILIDADE. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário MULTA QUALIFICADA. EXIGIBILIDADE. Mantémse a multa qualificada de 150%, estando configurado o intuito de fraude para redução de tributos devidos. Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 22/01/2009 (fl. 469) e, em 19/02/2009, interpôs o recurso de fls. 472 e seguintes, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. O processo em apreço foi julgado em 17 de abril de 2012 e os membros da 2ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio do Acórdão nº 210201.944, reconheceram a incompetência da Turma para processar e julgar o recurso voluntário, já que se trata de matéria de competência das Turmas da Primeira Seção do CARF. Por sua vez, o processo foi novamente incluído em pauta no dia 07 de maio de 2014 e os membros da 2ª Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio da Resolução nº 1402000.254, resolvem declinar da competência do julgamento à 2ª Seção do CARF, já que “... a exigência de IRRF não está lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, são processos autônomos, com infrações peculiares a cada imposto em questão. O processo de IRRF é um processo típico de fonte, lançado em fato gerador próprio de fonte, não foi baseado em nenhuma infração de IRPJ. reconheceram a incompetência da Turma para processar e julgar o recurso voluntário, já que se trata de matéria de competência das Turmas da Primeira Seção do CARF”. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, tratase de lançamento relativo a imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada, atinente aos anos calendário 2005 e 2006. A autoridade fiscal aplicou a multa de ofício de 150%. Antes de se entrar no mérito da questão, insta enfrentar, de antemão, as inúmeras preliminares suscitadas pela defesa. Sobre a alegação de nulidades no MPF, a jurisprudência deste Órgão é no sentido de que o citado documento é mero instrumento de controle administrativo e que não têm o condão de eivar de nulidade o auto de infração, consoante se extrai da ementa transcrita: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A inexistência de MPF ou erros na elaboração, emissão ou cumprimento de Mandado de Procedimento Fiscal não provocam nulidade do Lançamento de Ofício e da Autuação, pois o art. 142 do CTN não pode ter sua validade ou aplicação condicionada por normas infralegais. (Processo n°: 16327.003401/200249 – Acórdão nº 0707.532) Não obstante a irregularidade apontada pelo interessado não tenha sido confirmada, cumpre esclarecer que a fixação do prazo de validade do MPF para execução dos procedimentos por ele instaurados, não tem o condão de restringir a competência do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil designado para fins de constituição do crédito tributário. A natureza indisponível deste sobrepõese, indubitavelmente, àquela norma de caráter meramente administrativo. Quanto à preliminar de cerceamento de direito de defesa, entendo que não assiste razão à recorrente. Da análise dos autos, não identifiquei qualquer vício que lhe cerceasse o direito de defesa. O auto de infração em apreço se revestiu de todas as formalidades legais previstas, bem como não houve qualquer violação aos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), assim como ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. No que toca à alegação de cerceamento do direito de defesa, relativamente ao julgamento da DRJ, verifico, pois, que a tese não merece acolhimento. Na verdade, constatase do acórdão exarado pela 5ª Turma da DRJ em São Paulo SPI que o julgado analisou a integralidade dos elementos processuais e apreciou todos os argumentos impugnatórios, conforme se extrai das fls. 448/451. Em verdade, o inconformismo do recorrente tem a ver com o entendimento do julgador na análise das provas constantes dos autos. Com efeito, na apreciação das provas, o julgador pode interpretála da forma que melhor entender, refutálas ou desconsiderálas, de acordo com sua convicção, conquanto que de forma fundamentada. O que de fato ocorreu. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001576/200888 Acórdão n.º 2201002.713 S2C2T1 Fl. 5 7 Rejeitase, pois, a suscitada preliminar. Quanto à alegação de afronta ao princípio da legalidade, previsto no art. 37 da CF, penso que o argumento é estéril e não tem passagem. Compulsandose os autos, verificase que o agente público vinculouse ao enunciado da lei, no momento em que identificou a ocorrência do fato gerador e, consequentemente, constituiu a exigência. Não se pode perder de vista que tendo a lei passado pelo crivo do Presidente da República, chefe máximo do Poder Executivo, por meio de sanção, reconhecendo a constitucionalidade do seu teor, não cabe aos órgãos hierarquicamente subordinados contestar este ato. É essa a lição de Ruy Barbosa Nogueira, em trecho extraído de “Da Interpretação e da Aplicação das Leis Tributárias” (1965, pág. 32): Devemos distinguir o exercício da administração ativa, da judicante. No exercício da administração ativa o funcionário não pode negar aplicação à lei, sob mera alegação de sua inconstitucionalidade, em primeiro lugar porque não cabe a função de julgar, mas de cumprir e, em segundo, porque a sanção presidencial afastou do funcionário de administração ativa o exercício do poder executivo. Portanto, não identifiquei no lançamento qualquer vício. No que tange à alegação de ofensa aos princípios constitucionais, tais como: vedação ao confisco, quebra da proporcionalidade, razoabilidade e capacidade contributiva e outros, cabe esclarecer que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei, conforme ficou assentando na Súmula CARF nº 02, cujo entendimento é de adoção obrigatória por este Órgão nos termos regimentais: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que toca à alegação de nulidade, por conta do indeferimento do pedido de diligência, impende registrar que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235/1972). Na verdade, os procedimentos de perícia não podem ter por objetivo a complementação do conjunto probatório, suprindo, a destempo, eventuais lacunas do trabalho do fisco ao lançar o crédito ou da impugnação apresentada pelo interessado. Tais instrumentos se prestam tão somente a esclarecer dúvidas técnicas ou fáticas surgidas ao julgador no exame do litígio. No presente caso, houve a devida apreciação pela turma julgadora do pedido de perícia e foi bem explicitado o motivo pelo qual foi indeferida. Transcrevese o art. 29 do Decreto 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formar livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessária. Ante a esses argumentos, rejeitamse, pois, as preliminares suscitadas pela recorrente. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 No mérito, alega a suplicante que contratou a empresa Show Ball Informática Ltda para o fornecimento de software para suas máquinas. Entretanto, a fiscalização desconsiderou o contrato de prestação de serviços e sem qualquer base ou comprovação considerou os pagamentos efetuados como sem causa ou de operação não comprovada. Assevera ainda que o Sr. Carlos de Carvalho Crespo não fazia parte do quadro societário da Recorrente no período de 10/02/2005 a 20/07/2006. Por fim, constesta a multa aplicada de 150%. De pronto, cumpre transcrever trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl. 315/316): Em 13/05/2005, é constituída a empresa SHOW BALL INFORMATICA LTDA, CNPJ nº 07.470.184/000100 (Doc. E), após a saída do Sr. Carlos de Carvalho Crespo, CPF nº 575.023.74862 da empresa SHOCK MACHINE LTDA (sob fiscalização) e sua esposa, Sra. Regina Abdalla Kalil Crespo, CPF no. 074.365.12862, "com valor de participação na sociedade de R$ 25.000,00(Vinte e Cinco Mil Reais) cada um". Valor este, que representa 100% do Capital da empresa, sendo que a mesma presta serviços exclusivamente a SHOCK MACHINE LTDA (sob fiscalização). A empresa SHOW BALL INFORMÁTICA, CNPJ nº. 07.470.184/000100, tem como atividade à "Consultoria em Tecnologia da Informação", sendo, portanto uma prestadora dos serviços, prestando serviços exclusivamente a SHOK MACHINE LTDA (sob fiscalização). Foi solicitado através de Intimação e reintimações para que a mesma fornecesse/apresentasse cópias dos Estatutos / Contrato Social da empresa Prestadora de Serviços, denominada Show Ball Informática Ltda, CNPJ nº. 07.470.184/000100, bem como as Notas Fiscais de Prestação de Serviços relativas aos Exercícios de 2006 e 2007, AnosCalendários de 2005 e 2006. Cujo faturamento é idêntico às despesas contabilizadas pelo contribuinte, pelos serviços prestados. Depois das diversas reintimações, a empresa sob fiscalização, apresentou um "CONTRATO DE LICENÇA DE USO DE SOFTWARE" datado de 15 de agosto de 2005, sem registro e sem firma reconhecida, documento não aceito por esta fiscalização por considerálo inidôneo e um "ADENDO AO CONTRATO DE LICENÇA DE USO DE SOFTWARE", datado de 30 de Agosto de 2006, sem registro e sem firma reconhecida. A fiscalizada não apresentou mais nenhum elemento para validar os serviços prestados, caracterizando o ato simulado, verificado por esta fiscalização. Ressalte se o fato que o Sr. Carlos de Carvalho Crespo, voltou a ser cotista da empresa sob fiscalização e a Show Ball Informática Ltda, CNPJ nº. 07.470.1841000100, continuou a prestar serviços para a fiscalizada. A empresa sob fiscalização, após diversas reintimações, apresentou as Notas Fiscais de Serviço (Doc. K), solicitadas por esta fiscalização, porem apresentou o talonário completo, demonstrando que a Show Ball Informática foi montada apenas para fornecer as Notas Fiscais de Serviços, visto que a Fl. 619DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001576/200888 Acórdão n.º 2201002.713 S2C2T1 Fl. 6 9 empresa sob fiscalização não poderia estar com o talonário de tas Fiscais da Prestadora de Serviço. Esta fiscalização reteve cópias originais do Talonário, como prova e cópias autenticadas por esta fiscalização das Notas de Prestação de Serviços, devolvendo parte do Talonário (sem validade) a empresa sob fiscalização (DOC. K). Foi também solicitado através de Intimação, que a fiscalizada apresentasse os recolhimentos do IRRF, da Prestação de Serviço, visto que o mesmo não esta lançado em suas DCTFs entregues e nem recolhidos, conforme o disposto no artigo 648 do RIR/99. Os valores constantes no Auto de Infração anexo, relativos às Notas de Prestação de Serviços, podem ser verificados em relação ao Exercício de 2006 e 2007 AnosCalendários de 2005 e 2006, com base nas despesas contabilizadas pelo contribuinte, pelos serviços prestados no período de 17/08/2005 a 30112/2005, no valor total de R$ 4.319.000,00, contabilizados à conta nº. 601, NACIONAIS (259 SHOW BALL INFORMATICA LTDA) no Razão Contábil n o 08, para o Ano calendário de 2005 (Doc. L) e nas despesas contabilizadas pelo contribuinte, pelos serviços prestados no período de 05/0112006 a 29/12/2006 no valor total de R$ 8.001.100,00, contabilizados à conta n 0. 601, NACIONAIS (259 SHOW BALL INFORMATICA LTDA) no Razão Contábil n o 09, para o Ano calendário de 2006(Doc. M). Tais despesas pagas pela Shock Machine Ltda, CNP) nº. 67.888.834/000158 (empresa sob fiscalização) são em sua totalidade o Faturamento por Serviços Prestados pela Show Ball Informática, CNP) n°. 07.479.184/000100(Doc. D). Após analise, do descrito acima, podemos concluir que a empresa foi criada apenas para a geração de Receitas Operacionais, para que a mesma, SHOW BALL INFORMÁTICA, CNP) no. 07.470.184/000100, pudesse distribuir rendimentos Isentos e Não Tributáveis, para a pessoa física do Sr. Carlos de Carvalho Crespo e Sra. (Doc. ), por serem os seus proprietários. Em 21/0712006, o Sr. Carlos de Carvalho Crespo, voltou a ser cotista da SHOCK MACHINE LTDA, empresa sob fiscalização, conforme descrito neste Termo de Verificação e continuou a pagar os serviços para a sua própria empresa e lançando os rendimentos não tributáveis em sua Declaração de Ajuste Anual 2007, do mesmo modo que fez na Declaração de Ajuste de 2006. (grifei) Depreende do excerto supra que os lançamentos não têm claramente suas causas identificadas, ou seja, as causas dos pagamentos não seriam aqueles constantes dos registros contábeis. Em seu recurso a recorrente vagamente tenta invalidar a linha de argumentação esboçada pela autoridade recorrida; contudo não traz outros elementos, além daqueles que já foram questionados pela autoridade lançadora. Sem requer ser repetitivo, Fl. 620DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 valhome das bem lançadas conclusões da decisão de primeira instância, que considero bastantes para afastar a pretensão do recorrente, pedindo venia para a transcrição: A empresa SHOW BALL INFORMÁTICA, CNPJ n°. 07.470.184/000100, tem como atividade à "Consultoria em Tecnologia da Informação", sendo, portanto uma prestadora dos serviços, prestando serviços exclusivamente a SHOK MACHINE LTDA (sob fiscalização). Durante o curso da fiscalização, a interessada foi intimada reiteradas vezes a apresentar a comprovação da efetiva prestação dos serviços. Assim, a fiscalização concluiu pela infração nos termos da legislação do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, sem comprovação da operação ou da sua causa, cabendo o reajustamento de sua base de cálculo. Não há nos autos a causa econômicofinanceira ou comercial capaz de fundamentar os pagamentos efetuados pela interessada. A caracterização da causa demanda outros elementos de prova, tais como contratos de demanda de serviços, relatórios da efetiva prestação, etc., que foram solicitados no curso da fiscalização. A prova é a própria convicção acerca da existência ou não existência dos fatos alegados, no caso, a interessada alega que apresentou a documentação durante a fiscalização, o que em momento algum sobressai das respostas às intimações. Não basta o registro na contabilidade, se não são apresentados os documentos “hábeis”, idôneos e comprobatórios que deveriam suportar cada lançamento, visto que as notas apresentadas descrevem de forma genérica referiremse ora à manutenção, ora à licença de uso de software. Com relação à sua opção pelo lucro presumido, e alegação de que a redução do lucro não traz nenhuma redução de tributo ou vantagem, cabe observar que a situação fática que aqui se apresenta se subsume perfeitamente à norma citada transcrita, com validade vinculante para a Administração Pública, razão pela qual o ato da fiscalização se mostra absolutamente legal. Além disso, a presunção implícita no dispositivo é de que os pagamentos efetuados, nos termos ali mencionados, prestamse a remunerar terceiros ou sócios à margem de incidência tributária por aqueles, razão pela qual se impôs a tributação exclusivamente na fonte. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001576/200888 Acórdão n.º 2201002.713 S2C2T1 Fl. 7 11 Justificase, desta feita, a incidência tributária do mencionado imposto, independentemente da modalidade do lucro escolhida pela respectiva fonte pagadora. Assim, verifico que não ficou comprovada a operação ou a causa dos pagamentos efetuados ou dos recursos transferidos da conta bancária da interessada, pela falta de documentação hábil e idônea, caracterizando a hipótese prevista no §1º do art. 61 da Lei 8981/95, sendo procedente o lançamento. Por fim, todas as alegações apresentadas pela impugnante sobre a Lei Complementar 104, (art. 116 parágrafo único do CTN), não devem prevalecer, pois a autoridade fiscal não pautou seu procedimento com base na referida lei. (grifei) Assim como a autoridade fiscal e recorrida, penso que os documentos constantes dos autos, mormente o razão analítico, fls. 223/310, e as notas fiscais, fls. 163/222, não comprovam a operação que deu causa aos pagamentos, razão pela qual deve ser aplicado ao caso o disposto no art. 61 da Lei n° 8.981/1995. Sobre a alegação de que a exigência somente seria aplicável para as empresas sujeitas ao lucro real, já que a suplicante é pessoa jurídica optante pelo Lucro Presumido, cumpre esclarecer que a lei, em momento algum, faz tal distinção, basta apenas a ocorrência de pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. Quanto à alegação de impossibilidade da desconsideração da pessoa jurídica, já que os valores repassados se referem à prestação dos serviços contratados, entendo que o caso dos autos não se trata de desconsideração de pessoa jurídica, mas, essencialmente, de que os documentos juntados não são hábeis à comprovar a efetiva prestação de serviço e/ou causa da operação. Em relação à multa qualificada, entendeu a autoridade lançadora que a contribuinte praticou ato simulado, passível de enquadramento na Lei nº 4.729/1965 e Lei nº 8.137/1990. Ora, para a caracterização da fraude, há que estar presente a figura do dolo específico caracterizado pela intenção manifesta do agente de omitir dados, informações ou procedimentos que resultam na diminuição ou retardamento da obrigação tributária. Em verdade, quem age com intuito de fraude não escritura as operações em seus registros comerciais e fiscais e, tampouco, declara essas operações nos formulários de entrega obrigatória. Com efeito, a exigência fiscal só foi constituída em razão da análise da escrituração contábil da autuada colocada à disposição do fisco. Portanto, penso que os registros de pagamentos para a empresa Show Ball Informática Ltda foram determinantes para a incidência do Imposto de Renda na Fonte sobre Pagamentos sem Causa ou de Operação não Comprovada, conforme art. 674 do RIR/1999, contudo, entendo que não pode ser indicativo de evidente intuito de fraude. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Incomprovada a fraude ensejadora da multa qualificada, esta não pode subsistir. Dessa forma, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%. Ressaltese que não há qualquer base legal para aplicação da penalidade máxima de 20%. Sobre o pedido de diligência, penso que deve ser indeferido, já que não se demonstrou qualquer necessidade desse procedimento e, especificamente, à comprovação da prestação de serviço, como bem ponderou a autoridade recorrida, era ônus da contribuinte a produção probatória de seu direito. Frisese que o art. 31 do Decreto n° 70. 235, de 1972, ao dispor que a decisão deve referirse às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências, não tem a extensão de exigir que o julgador deva referirse, expressamente, ponto por ponto, a todas as alegações do contribuinte que, se irrelevantes, podem ser repelidas implicitamente, como pacificamente entende o STJ (Quinta Turma Rd MM. Edson Vidigal Recurso Especial nº 260.803/SP DJ 11/12/2000). Por fim, consoante determina a Súmula n° 4 do CARF, sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos os juros com base na taxa Selic: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 623DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 12466.002155/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/03/2004 a 06/09/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. ADEQUADA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. PLENO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
1. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais, incluindo correta capitulação legal da infração e adequada descrição dos fatos.
2. Se o contribuinte revela conhecer plenamente as infrações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo as questões preliminares e as de mérito, não cabe a nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa e ofensa aos princípios do contraditório e do amplo direito de defesa.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE.
Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado.
Recursos Voluntários Negado.
Numero da decisão: 3302-002.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/03/2004 a 06/09/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. ADEQUADA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. PLENO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais, incluindo correta capitulação legal da infração e adequada descrição dos fatos. 2. Se o contribuinte revela conhecer plenamente as infrações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo as questões preliminares e as de mérito, não cabe a nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa e ofensa aos princípios do contraditório e do amplo direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. Recursos Voluntários Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/03/2004 a 06/09/2004 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. INFRAÇÃO POR DANO ERÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA PENA PERDIMENTO. APLICAÇÃO DA MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. CABIMENTO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação, configura interposição fraudulenta presumida na importação, infração por dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. INFRAÇÃO DE DANO AO ERÁRIO. DOCUMENTO FALSIFICADO NECESSÁRIO AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. PENA DE PERDIMENTO. CABIMENTO. O uso de documentos falsificado ou adulterado, necessário ao desembaraço, é considerado dano ao Erário, infração punível com a pena de perdimento das mercadorias. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. FRAUDE NO PREÇO DA MERCADORIA. ARBITRAMENTO COM BASE NO PREÇO DE COTAÇÃO EM BOLSA DE MERCADORIA. POSSIBILIDADE. No caso de fraude preço de modo que não seja possível a apuração do valor de transação efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria apurado em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/03/2004 a 06/09/2004 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 21 55 /2 00 8- 58 Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 2 AUTO DE INFRAÇÃO. ADEQUADA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. PLENO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais, incluindo correta capitulação legal da infração e adequada descrição dos fatos. 2. Se o contribuinte revela conhecer plenamente as infrações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo as questões preliminares e as de mérito, não cabe a nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa e ofensa aos princípios do contraditório e do amplo direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. Recursos Voluntários Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra a decisão de primeiro grau, que segue integralmente transcrito: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para a exigência de crédito tributário no valor de R$ 1.658.192,10, referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no parágrafo 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração: Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002155/200858 Acórdão n.º 3302002.933 S3C3T2 Fl. 1.107 3 Que a interessada promoveu importações de mercadorias, nos anos de 2004 e 2005, amparadas por Declarações de Importação nas quais se declarava como importadora e adquirente das mercadorias. Submetida a procedimento especial de fiscalização, previsto na Instrução Normativa SRF nº 228/2002, se constatou que a interessada foi interposta pessoa nas operações de importação, ocultando as reais adquirentes das mercadorias, as quais repassavam recursos para o pagamento dos custos das importações e figuravam como destinatárias das mercadorias nas Licenças de Importação. As mercadorias importadas se tratavam de “naftas”, classificadas na NCM 2710.11.49, sujeitas a licenciamento não automático, consideradas como “solventes” pela ANP. Da análise dos documentos da interessada se concluiu que essa não possuía capacidade financeira para realizar as operações de comércio exterior, cujas importações no período remontaram a U$ 10.449.759,00, declaradas como “em nome próprio”, ou seja, como se fosse a real adquirente das mercadorias. Alterações do capital social declaradas pela interessada, nunca foram comprovadas e sua sede foi transferida de Vitória/ES para São Paulo/SP, no curso da ação fiscal. Correspondências entre a interessada e a exportadora estrangeira deixam clara a ocultação das reais adquirentes das mercadorias. Nessas correspondências a interessada orienta a exportadora estrangeira em relação à emissão de documentos fiscais e de transporte, de forma a burlar os controles da Aduana, seja no aspecto relativo à identificação da adquirente das mercadorias, seja relativo aos preços declarados. Com relação aos preços declarados ficou comprovada a prática de subfaturamento, com a emissão de faturas com valores aproximados de 50% do valor efetivamente pago. As faturas eram emitidas por empresa situada nas Ilhas Virgens, considerada paraíso fiscal. Em diversas Declarações de Importação o modus operandi era o de declarar a diferença de valores como “frete no mercado interno”, fato que distorcia os valores pagos de tal modo que o frete interno chegava ao absurdo de ser equivalente ao valor das mercadorias mais o frete internacional. Essa prática reduziu substancialmente a base de cálculo e conseqüente recolhimento dos tributos devidos nas importações. Configurouse, assim, a utilização, na importação, de documentos ideologicamente falsos. A comparação dos preços declarados com os preços praticados nas bolsas internacionais de mercadorias, considerando que se tratava de mercadoria dita “comodity”, ou seja, negociada com base em cotações diárias de preços, revelou diferenças substanciais entre os mesmos. Da mesma forma, o confronto dos valores declarados nas importações pela interessada com os declarados nas exportações da Argentina, país exportador, Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 4 evidenciaram a prática de fraude no valor aduaneiro. Também a comparação com outras importações realizadas por outros importadores nacionais, do mesmo produto e exportador estrangeiros, demonstra as diferenças entre os preços declarados. Assim, com base no artigo 88 da Medida Provisória nº 2.158/35/2001, os valores praticados nas importações foram arbitrados. Em razão da caracterização de dano ao Erário, prevista nos incisos IV e V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002, e considerando a não localização ou consumo das mercadorias, foi lavrado o auto de infração do presente processo para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro, conforme previsto nos parágrafos 1º e 3º do mesmo artigo 23 do Decreto lei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Registra ainda o auto de infração, a constatação das seguintes irregularidades: Triangulação comercial ilícita, com o fim de fraudar o valor praticado ou declarado, refaturando indevidamente as mercadorias por preço inferior ao real. Não apresentação de documentação comprobatória da regularidade das operações realizadas. Não comprovação da origem lícita dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Envolvimento da empresa “Petrosilva Indústria e Comércio de Exportação e Importação Ltda”, identificada nas licenças de importação como distribuidora da nafta, que deveria ser utilizada para fins não energéticos, em denúncias de adulteração de combustíveis. A empresa “Braspontex Comércio Exterior Ltda” foi autuada na condição de “contribuinte” e a empresa “Petrosilva Indústria e Comércio de Exportação e Importação Ltda” na condição de “responsável solidário”, com base no artigo 124 do Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172/1966, e nos artigos 32 e 95 do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001. A Braspontex foi cientificada pela via pessoal (ciência fl. 01) e apresentou a impugnação tempestiva de folhas 332 a 364, com os documentos de folhas 365 a 394, 397 a 594 e 597 a 675, anexados. A impugnante alega preliminar de nulidade, por entender que no auto de infração não se cumpriu formalidade essencial, “eis que não apresenta em seu corpo a descrição dos fatos que pretendeu alcançar” e que “no campo reservado à descrição dos fatos, não há qualquer informação dos fatos alcançados, remetendo sempre aos famigerados ‘anexos’ para fugir da narrativa minuciosa dos eventos.” (sic) Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002155/200858 Acórdão n.º 3302002.933 S3C3T2 Fl. 1.108 5 Alega que houve cerceamento de seu direito de defesa, pois, na forma como procedido, não sabe exatamente do que é acusada. Defende a nulidade do auto de infração pois a fiscalização foi realizada no prazo superior a 3 anos, quando a norma, Instrução Normativa SRF nº 228/2002, determina que o procedimento deve ser encerrado em, no máximo, 180 dias do seu início. Alega irregularidades nas intimações pelo fato de a pessoa cientificada não possuir poderes de representação e porque a mudança de endereço da sede para São Paulo ocorreu em 03/11/2005, conforme cópia cartão do CNPJ anexada, e não em janeiro de 2007 como alega a fiscalização, não podendo ser responsabilizada por falta de atendimento a intimação. Defende que não houve ocultação do real importador, porque as importações foram realizadas sob sua responsabilidade e risco, pois a mercadoria em questão foi importada para revenda a encomendante predeterminado. Afirma que “depois de confirmado o pedido de compra pelo encomendante, esse pagava antecipadamente parte do valor da compra”, de forma a se garantir a venda, prática comum no comércio. Alega que não se caracterizou importação por conta e ordem de terceiros que é operação realizada com recursos do adquirente/terceiro, responsável, inclusive, pelo fechamento de câmbio. Defende que os demais requisitos para se realizar operação por conta e ordem de terceiro, conforme artigos 86 e 87 da IN SRF nº 247/2002, não foram atendidos e, portanto, não podem ser entendidas como operações desse gênero. Alega que, exemplificadamente, atendendo ao disposto no artigo 3º da IN SRF nº 634/2006, que estabelece requisitos e condições para atuação em operações procedidas para revenda a encomendante predeterminado, na DI nº 04/07199866 foi cadastrada a empresa Petrosilva como adquirente final da carga – encomendante, como se vê ás fls. 256/260. Defende que as conclusões da fiscalização também foram no sentido de que as operações foram realizadas por encomenda. Discorda da conclusão da fiscalização sobre ausência de capacidade financeira baseada nas Declarações de Imposto de Renda – DIPJ, anos 2002, 2003 e 2004, com movimentação financeira igual a zero. Argumenta que o simples fato de uma empresa declarar receita zero, não quer dizer que a mesma não tenha capacidade econômica e financeira para o comércio, pois essa deve ser analisada em relação a sua movimentação bancária. Defende que utilizou recursos próprios e de financeiras, nas operações de importação, e que durante muito tempo foi considerada um dos maiores contribuintes do ICMS do Estado do Espírito Santo. Alega que, em 09/06/2005, antes do encerramento do MPF, retificou as DIPJ dos exercícios de 2003 e 2004. Alega que não há legislação que obrigue a utilização de preços cotados em bolsa de mercadoria e que os preços praticados são condizentes com os levantados pela fiscalização. Com relação a Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 6 essas inconformidades de preço de que é acusada, alega que as Declarações de Importação foram desembaraçadas, inclusive no canal amarelo, e, portanto, foram verificadas e consideradas corretas, não se podendo alegar, posteriormente, que os preços estavam subfaturados. Requer a produção de provas periciais para fins de prova dos fatos impugnados. Anexa cópias de Resoluções Ministeriais do Governo da Bolívia que autorizam a exportação de nafta ao preço de U$ 180,00 o metro cúbico, ou U$ 0,18/l ou kg. Requer diligência ao Governo da Bolívia a fim de se confirmar a veracidade de referidas Resoluções. Anexa cópia de contrato no qual o preço da nafta foi negociado ao preço de U$ 0,18/litro. Contesta a alegação da fiscalização de falta de “marcador” na mercadoria importada, argumentando que sua presença é obrigatória na nafta solvente, condição para o desembaraço ou liberação na alfândega. Alega que a fiscalização a acusa de falsificação e adulteração de documentos, baseandose em indícios e presunções. Requer a produção de prova pericial e documental. Em razão da alteração de endereço de sua sede, entende que deveria ser fiscalizada pela unidade da Receita Federal de sua jurisdição. Assim, requer que o julgamento de sua defesa seja realizado por aquela unidade. Requer a anulação do auto de infração. Em caso contrário, requer a produção de prova pericial, documental e diligencial. Requer seja declarado insubsistente o auto de infração e improcedente a ação fiscal. Requer sejam remetidos os autos para julgamento na jurisdição fiscal da impugnante. Requer ainda sejam as intimações e/ou informações de estilo realizadas em nome do patrono, que denomina e registra o endereço. A responsável solidária, Petrosilva Indústria e Comércio de Exportação e Importação Ltda, foi cientificada por via postal em12/08/2008 (AR fls.331v). Decorrido o prazo legal sem apresentação de impugnação foi lavrado o termo de revelia de folhas 677. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 980/1012), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi considerado procedente e o crédito tributário integralmente mantido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 30/03/2004 a 06/09/2004 OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO OU DO RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA OU CONSUMIDA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo ou do responsável pela importação, infração punível com a pena de Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002155/200858 Acórdão n.º 3302002.933 S3C3T2 Fl. 1.109 7 perdimento, que é convertida em multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada. USO DE DOCUMENTO FALSIFICADO NECESSÁRIO AO DESEMBARAÇO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. O uso de documentos falsificado ou adulterado, necessário ao desembaraço, é considerado dano ao Erário, infração punível com a pena de perdimento das mercadorias. FRAUDE. SONEGAÇÃO. CONLUIO. TRIBUTOS. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria.Em 8/4/2013 (fl. 8.139), a autuada foi cientificada da referida decisão. Em 26/4/2013, apresentou o recurso voluntário de fls. 8.141/8.202. em que reformou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. A responsável solidária Petrosilva Indústria e Comércio de Exportacão e Importacão Ltda. foi cientificada da referida decisão em 23/6/2009 (fls. 1026/1027), porém, não apresentou recurso voluntário. Por sua vez, a autuada Braspontex Comércio Exterior Ltda. foi cientificada da decisão de primeira instância em 22/6/2009 (fls. 1020/1021). Em 21/7/2009 (fl. 1028) postou o recurso voluntário de fls. 1030/1076, em que (i) reafirmou parte das razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e (ii) reiterou o pedido de realização de diligência e perícia. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preliminar de nulidade da autuação. A recorrente alegou nulidade do auto de infração por descumprimento de formalidades essenciais e cerceamento do direito de defesa, com base no argumento de que não havia no campo reservado à descrição dos fatos qualquer informação "minuciosa dos fatos alcançados, nem das penalidades aplicadas, remetendo sempre aos famigerados 'anexos'". Sem procedência a alegação da recorrente, pois, no caso em tela, não houve a irregularidade por ela alegada, embora seja habitual e normal, no âmbito das autuações realizadas pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a autoridade Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 8 fiscal não apresentar a descrição dos fatos no espaço próprio do formulário modelo do auto de infração, mas em relatório a parte, com referência expressa que ele integra o respectivo auto de infração. Com efeito, compulsando o auto de auto de infração de fls. 2/67, verificase que, ao contrário do alegado, a descrição dos fatos consta do campo específico do formulário padrão reservado para tal descrição. No entanto, cabe ressaltar que a referida descrição dos fatos realizada em relatório fiscal a parte consiste em procedimento geralmente adotado pela fiscalização e admitido pela jurisprudência mansa e pacífica deste Conselho, por não acarretar qualquer prejuízo ao contraditório e ao direito de defesa do autuada. A recorrente alegou ainda nulidade da autuação, com base no argumento de que o procedimento fiscal fora concluído após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal, pois, no caso em apreço, o prazo inicial de120 (cento e vinte) dias expirarase em 21/7/2005 enquanto a sua prorrogação somente ocorrera em 19/9/2005. Mais uma vez, não procede a alegação da recorrente. A uma, porque não é verdade que o citado MPF tenha expirado a sua validade em 27/7/2005, como alegado pela recorrente, posto que, de acordo com as informações contidas no extrato de fls. 387/388, apresentado pela própria recorrente, no dia 19/9/2005, o referido documento ainda estava válido, em decorrência da primeira prorrogação. A duas, porque a prorrogação da validade do referido MPF fora feita com estrita observância ao disposto nos preceitos normativos vigentes, que disciplinavam a emissão e a prorrogação do citado documento (os arts. 12 e 13 da Portaria RFB n.º 4.328/2005, reproduzidos com pequenas alterações pela portarias subseqüentes, e nos artigos 9º, 11 e 12 da Portaria RFB 11.371/2007). Além disso, a simples perda de validade do MPF não constitui causa de nulidade da autuação, haja vista que o referido documento, quando ainda exigida a sua emissão, tinha por finalidade o controle e a transparência da atividade de fiscalização. E os pressupostos de validade do auto de infração de infração, sabidamente, tratamse de requisitos legais que se encontram estabelecidos no art. 142 do CTN, combinado com o disposto no art. 10 do Decreto 70.235/1972, os quais foram integralmente cumpridos no presente procedimento fiscal. Com base nessas considerações, rejeitase as referidas alegações de nulidade do auto de infração suscitadas pela recorrente. Do pedido de realização de diligência e perícia. A recorrente alegou que o pedido de diligencia e perícia, formulado na peça impugnatória, fora indeferido, sem qualquer fundamentação, o que afrontava o disposto no art. 28 do Decreto 70.235/1972. Não procede a alegação da recorrente. Com efeito, compulsando o voto condutor do julgado recorrido, verificase que foram apresentadas as razões para o indeferimento do citado pedido, com base no argumento de que era desnecessária a diligência proposta pela impugnante, por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento, pois a realização de perícia pressupunha que o fato a ser provado necessitasse de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não era o caso dos presentes autos. Assim, fica demonstrada que a fundamentação exigida no citado art. 28 foi devidamente apresentada no julgado recorrido e está em consonância com natureza da lide em Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002155/200858 Acórdão n.º 3302002.933 S3C3T2 Fl. 1.110 9 apreço. Além disso, extraise do caput do art. 18 do PAF que a decisão acerca do pedido de realização de perícia ou diligência depende do livre convencimento da autoridade julgadora, portanto, não cabe a este Colegiado adentrar no mérito dessa questão, sob pena de invasão indevida ao poder discricionário da autoridade julgadora de primeiro grau. No recurso em apreço, a recorrente reafirmou o referido pedido de diligência e perícia apresentado na peça impugnatória, com base no argumento de que ele era imprescindível para provar que a aplicação da multa de pena de perdimento era indevida. Para a recorrente, a referida diligencia visava intimar o Governo da Bolívia ("Ministério de Mineria e Hidrocarburos"), para confirmar a veracidade das Resoluções Ministeriais nºs 227/2004, de 14/12/2004 e 017/2005, de 25/02/2005, emitidas pelo Governo da Bolívia, que autorizavam a exportação de NAFTA ao preço de US$ 180,00 o metro cúbico, que em litros/quilos correspondia a US$ 0,18. Pelas mesmas razões aduzidas no voto condutor da decisão recorrida, este Relator também entende ser completamente dispensável para o deslinde da presente controvérsia a realização da diligência e a produção de pericial requerida pela recorrente, pois se trata de mera apresentação de prova documental que, se existente, a recorrente poderia ter colacionado aos autos na fase processual adequada. Ademais, a referida informação revelase de todo desnecessário para o deslinde da controvérsia. Não se pode olvidar que a previsão de realização de diligência ou perícia não pode ser usada indevidamente como instrumento de produção de prova em favor de qualquer das partes, assumindo a autoridade julgadora o ônus da prova que cabia à parte interessada produzir na fase processual pertinente. Se a autoridade julgadora assim proceder, certamente, por via indireta, restará violada a regra legal estabelecida no art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235, de 1972, segundo a qual a prova documental será apresentada na fase de impugnação, precluindo o direito de a manifestante fazêlo em outro momento processual. Enfim, diante dos robustos elementos probatórios coligidos aos pela fiscalização, a obtenção da referida informação não teria qualquer relevância para o deslinde da controvérsia. Com base nessas considerações, deve ser indeferido o pedido de diligência e perícia formulado pela recorrente. Da análise das questões de mérito. Com base na descrição dos fatos do questionado auto de infração (fls. 3/67), cabe esclarecer que o produto importado pela recorrente foi descrito nas DI como " NAFTA PARA PROCESSAMENTO INDUSTRIAL" e classificado no código NCM 2710.11.49. Tratase de um produto derivado de petróleo normalmente utilizado para fins não energéticos. Entretanto, esses derivados de petróleo não energéticos podem vir a ser utilizados para formulação de gasolina e diesel, desde que atendidos os requisitos estabelecidos na legislação pertinente. O citado produto é uma commodity com preços cotados diariamente no mercado internacional e divulgados pela agência de notícia PLATTS. A importação do produto nafta (solvente) em geral está sujeita a Licenciamento NãoAutomático pela Agencia Nacional de Petróleo (ANP), nos termos da legislação especifica. No caso, as operações de importação realizadas pela foram acobertadas por Licenças de Importação emitidas pela ANP. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 10 Ainda segundo a referida descrição dos fatos, o motivo da imposição da multa em apreço foi a atribuição à importadora da prática de duas infrações, a interposição fraudulenta (presumida) na operação de importação e apresentação de documento falso necessário ao processamento do despacho aduaneiro de importação, consideradas dano ao Erário nos termos do art. 23, IV e V, e §§ 1º a 3º, do Decretolei nº 1.455, de 1976, com redação dada pela Lei 10.637/2002, a seguir transcritos: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. [...] (grifos não originais) A específica infração atribuída à recorrente, capitulada no inciso IV do referido preceito legal, encontrase definida no inciso VI do art. 105 do Decretolei 37/1966, com os seguintes termos, in verbis: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] (grifos não originais) Em relação a primeira infração, a fiscalização apurou que, embora a recorrente tenha se identificado, nos respectivos despachos aduaneiros de importação, como importadora e adquirente das mercadorias importadas, inclusive na condição de distribuidora e compradora das referidas mercadorias, de fato ela atuara como interposta pessoa, ocultando os reais adquirentes das mercadorias, pois, com base na análise dos extratos bancários fora comprovada a realização de vários depósitos nas contascorrentes da recorrente sem a comprovação da origem lícita dos recursos. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002155/200858 Acórdão n.º 3302002.933 S3C3T2 Fl. 1.111 11 E instada a comprovar a origem dos citados recursos, a recorrente não atendeu as intimações da fiscalização e ainda, na parca documentação apresentada, não foram apurados negócios lícitos com quaisquer das pessoas depositantes dos valores que justificassem a origem legítima dos recursos financeiros depositados. Assim, com base nos elementos probatórios colacionados aos autos, a fiscalização firmou o entendimento de que estava devidamente comprovado que a recorrente não tinha condições financeiras para realizar as correspondentes operações de importação, uma vez que não comprovara a origem lícita dos recursos financeiros utilizados no pagamento dos encargos assumidos nas referidas operações de importação. Ante tais fatos, devidamente corroborado com documentação adequada, chegase a conclusão de que a conduta atribuída à recorrente enquadrase perfeitamente na descrição da infração por interposição fraudulenta presumida, estabelecida no inciso V, combinado com disposto no § 2º, do art. 23 anteriormente transcrito. E com vistas a contraditar as imputações que lhe foram feitas pela fiscalização quanto ao cometimento da infração por interposição fraudulenta, no recurso em apreço, a recorrente alegou que as referidas operações de importação foram realizada sob a sua inteira responsabilidade para revenda a encomendante predeterminado. Sem razão a recorrente. A operação de importação por encomenda é aquela em que o importador adquire mercadorias no exterior com recursos próprios, promove o despacho aduaneiro em seu próprio nome e em seguida revende as mercadorias desembaraçadas ao encomendante previamente determinado em contrato (encomendante predeterminado). Por força dessa característica, não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. No caso em tela, além de não comprovar, com documentação adequada, a alegada operação de importação por encomenda, a recorrente confessa na peça recursal que os valores depositados em sua contacorrente bancária, pelos supostos "encomendantes" representavam "uma parte do valor da operação (compra)", o que infirma o que alegara. Em relação a falta de capacidade econômicofinanceira para realização das operações de importação em referência, a recorrente alegou que o simples fato de uma empresa declarar receita zero na Declaração de Informação da Pessoa Jurídica (DIPJ) não era suficiente para confirmar que a mesma não tivesse capacidade econômica e financeira para participar do comércio, seja nacional ou internacional, "pois para medir a capacidade econômica e financeira de uma empresa devemos levar em conta a sua movimentação bancária, que a princípio deve ser considerável". Mais uma vez não procede a alegação da recorrente, porque a movimentação bancária que, sob ponto vista jurídicotributário, serve de meio de prova da capacidade econômicofinanceira da respectiva pessoa jurídica é somente aquela proveniente de origem lícita, ou seja, decorrentes dos recursos financeiros da sua atividade econômica legítima, devidamente comprovada com documentação contábil e fiscal hábil e idônea. No caso em tela, se a recorrente declarou nas respectivas DIPJ que não auferira receita nos correspondentes anos, obviamente, os recursos que foram depositados em suas contascorrentes não eram de origem lícita, até prova em contrário. No entanto, para justificar a referida movimentação financeira e, desta forma, tentar comprovar que custeamento das operações de importação foram realizadas com recursos Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 12 próprios lícitos, a recorrente alegou que muitas vezes precisou recorrer às instituições financeiras, que hoje "estão atentas as altas movimentações bancárias de seus clientes e oferecem a esses elevadíssimos valores como capital de giro." Tratase de alegação sem qualquer relevância para o deslinde da controvérsia, porque desprovida de provas de que alegada parte dos recursos financeiros movimentados nas respectivas contascorrentes bancárias foram provenientes de supostos empréstimos bancários. Nesse sentido, cabe ressaltar que, durante o procedimento fiscal, a recorrente foi intimada pela fiscalização a comprovar a origem dos depósitos realizados nas referidas contas, porém, não dignou a apresentar qualquer documento que comprovasse a origem lícita dos elevados valores depositados, o que seria facilmente feito mediante a apresentação dos correspondentes contratos de empréstimos, se existentes. Em relação à segunda infração, ou seja, utilização de documentos falsos nos respectivos despachos aduaneiros de importação, com base em fartos elementos probatórios colacionados aos autos, a fiscalização atribuiu à recorrente as seguintes condutas infracionais: a) simulação e falsidade ideológica nas Declarações de Importação (DI), ao se declarar como importadora por conta e risco próprio, omitindo os reais adquirentes e importadores de fato das mercadorias; b) simulação e falsidade ideológica nas Licenças de Importação (LI), ao se declarar como importadora por conta e risco próprio, informar a pessoa jurídica Petrosilva Indústria e Comércio de Exportacão e Importacão Ltda. como destinatária das mercadorias e declarar os valores das mercadorias muito aquém daqueles praticados nas operações de venda no mercado internacional; c) falsidade material e ideológica nas faturas comerciais (Invoices), ao se declarar como importadora por conta e risco próprio e declarar valores artificialmente reduzidos para as mercadorias, com o intuito de reduzir a base de cálculo dos direitos aduaneiros sobre elas incidentes; e d) falsidade ideológica nos conhecimentos internacionais de cargas (BL's e CRT's), ao se declarar como importadora por conta e risco próprio. Além disso, diante da constatação da prática de subfaturamento no preço da mercadoria, a fiscalização desconsiderou o valor da transação declarado nas DI e definido no art. 1º do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), internalizado pelo Decreto 1.355/1994, e, com respaldo no art. 881 da Medida Provisória 2.15835/2001, combinado com o disposto no § 1º do art. 144 do CTN, arbitrou o preço FOB do produto, com base no valor diário da sua cotação em bolsa, na data do embarque da mercadoria no exterior, divulgado pela agência de notícias PLATTS. 1 "Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado." Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002155/200858 Acórdão n.º 3302002.933 S3C3T2 Fl. 1.112 13 Segundo a fiscalização, no caso especifico das importações objeto do auto de infração em questão, a recorrente declarou nas suas importações de nafta o valor (FOB) de cerca de US$ 0,20 a 0,18 por kg, ou de US$ 170,00 por m3, o que representava uma variação de 33% a 55%, a menor, se levado em consideração os preços indicados na cotação da bolsa, nos dia 16/08/2004 e 14/10/2004, foram de US$ 0,43 o kg e US$ 0,48 o kg, respectivamente. A fiscalização informou ainda que a nafta importada pela recorrente podia ser utilizada na formulação ou adulteração de combustíveis (conforme inúmeras ocorrências noticiadas na imprensa), por essa razão, para fim de controle era obrigatória a marcação do produto, procedimento que visava impedir que o solvente fosse utilizado como combustível. No caso vertente, todas as naftas importadas pela recorrente eram classificadas na NCM 2710.11.49, sinalizando aos órgãos governamentais de controle (ANP e RFB) que o produto não seria utilizados como combustível, em decorrência, as transações foram efetuadas sem o pagamento da CIDE. Diante de tão graves acusações, a recorrente limitouse em contestar apenas o subfaturamento no preço do produto indicado pela fiscalização, sob argumento de que os preços do produto divulgados pela agência de notícia PLATTS serviam apenas como referência e não existia nenhuma legislação ou norma de comércio exterior que obrigasse a aplicação dos preços divulgados pela referida agência. Ademais, se comparar a diferença do preço de cotação do produto no mercado internacional no dia 14/2/2004 (US$ 0,30) e o preço praticado pela recorrente (US$ 0,24), praticamente no mesmo período, a diferença era insignificante, o que era perfeitamente comum no mercado nacional ou internacional. Sem razão a recorrente. Em relação a primeira alegação, cabe ressaltar que, diferentemente do alegado, há preceito legal sim no direito positivo do País, que, diante de comprovada fraude no preço declarado, autoriza a fiscalização a arbitrar o preço da mercadoria com base em cotação do produto em bolsa de mercadoria ou em publicação especializada. Tratase do artigo 88 da Medida Provisória 2.15835/2001. No caso, se comparado os preços declarados nas DI com aqueles cotados em bolsa de mercadoria (fls. 43/47), constatase diferença superior a 50% deste em relação àquele preço. Ainda do confronto dos valores declarados nas importações realizadas pela interessada com os declarados nas exportações da Argentina, país exportador, também fica evidenciada a prática de fraude no preço declarado (fls. 51/53). Da mesma forma, chegase a mesma conclusão a partir da comparação com outras importações realizadas por outros importadores nacionais, do mesmo produto e exportador estrangeiros, o que demonstra, de forma congruente, a diferença preço apurada pela fiscalização (fls. 48/50). Logo, não procede o argumento de que a diferença de preços era insignificante, o que era perfeitamente comum no mercado nacional ou internacional do produto. Além disso, a recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento probatório que refutasse as robustas provas coligidas aos autos pela fiscalização, que comprovam que, no período de aquisição e embarque das mercadorias importadas, o valor FOB cotado no mercado internacional do produto estava acima de US$ 0,41 o kg, enquanto que a recorrente declarou nas DI o valor FOB de US$ 0,18 a 0,20 por kg. Além das irregularidades anteriormente mencionadas, a fiscalização ainda apurou que a recorrente praticou operação de triangulação comercial, com o fim de fraudar o valor praticado ou declarado nas DI, mediante refaturamento das mercadorias por preço inferior ao real praticado no mercado internacional do produto. Segundo a fiscalização a Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A 14 recorrente procedeu às importações de naftas solventes produzidos por empresa sediada na Argentina, embarcadas deste país com destino ao Brasil e faturadas por uma empresa chamada PETROIL TRADING CONPANY LTD, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas (Paraíso Fiscal). Na operação triangular comercial, a recorrente declara adquirir nafta da citada empresa situada por valores médios (FOB) de 0,21 US$/kg, quando a mesma mercadoria estava cotada em bolsa e comercializada por outros grandes importadores brasileiros a 0,40 US$/kg. Envolvimento da pessoa jurídica Braspontex Comércio Exterior Ltda., identificada nas LI como distribuidora do produto imporado, que deveria ser utilizada para fins não energéticos, em denúncias de adulteração de combustíveis, o que motivou a sua inclusão no polo passivo da autuação como responsável solidário por interesse comum, com base no art. 124 do CTN, combinado com o disposto nos artigos 32 e 95 do Decretolei 37/1966, com a redação dada pela Medida Provisória 2.15835/2001. Em suma, com base nessas considerações, chegase a conclusão que a recorrente cometeu as infrações que lhe foram imputadas pela fiscalização, portanto, é devida a cobrança da multa aplicada no presente auto de infração. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /12/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10730.009357/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: null
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Numero da decisão: 2402-005.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Natanael Vieira dos Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS NA FASE RECURSAL. A não apreciação de provas trazidas na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade e processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 93 57 /2 01 0- 42 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Natanael Vieira dos Santos Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10730.009357/201042 Acórdão n.º 2402005.004 S2C4T2 Fl. 250 3 Relatório 1. Os autos retornam de diligência solicitada por este relator. Desse modo, trago o relatório produzido em assentada anterior. “1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa LONG LIFE CONSULTORIA PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO LTDA. EPP em face da decisão que indeferiu, por unanimidade de votos, o pedido de restituição da contribuinte, referente às competências de 01/2008 a 11/2008. 2. A restituição pleiteada pela contribuinte se refere aos valores excedentes ao devido sobre a folha de pagamento, relativamente às retenções previstas no art. 31 da Lei nº 8.212 de 1991, no percentual de 11% (onze por cento), incidentes sobre notas fiscais de prestação de serviço emitidas pela empresa. 3. A contribuinte transmitiu os pedidos eletrônicos, por competência, no sistema da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 3º, parágrafo primeiro da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008. 4. O acórdão recorrido (fl. 96) restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DOS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS. INDEFERIMENTO. Somente será devida a restituição de contribuição previdenciária na hipótese de recolhimento indevido ou a maior que o devido. Cabe à empresa apresentar os documentos comprobatórios do direito creditório pleiteado, conforme especificado na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 5. Inconformada com a decisão proferida a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo as fls. 106/109, no qual aduz em síntese que: a) os documentos exigidos não foram entregues em razão da não intimação pessoal da empresa recorrente, que ocorreu através de Edital, não possuindo tempo hábil para apresentação destes; Fl. 251DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S 4 b) a recorrente em sede de recurso voluntário anexou cópia integral do Livro Diário de competência do ano de 2008, juntamente com planilha referente aos valores de contribuição previdenciária compensada, bem como apresentou a guia de recolhimento do valor retido da competência 11/2008; c) os documentos ora juntados, possuem a finalidade de possibilitar e consequentemente comprovar junto ao Fisco os lançamentos referentes ao faturamento das notas fiscais e à mão de obra empregada nos serviços objeto dessas notas, bem como os lançamentos referentes à compensação efetuada pela empresa, confirmando assim, a origem dos créditos utilizados, que, após análise do Conselho, ficará comprovado que ainda não foi objeto de compensação; d) quanto ao pedido de apresentação de guias das competências 01/2008 a 11/2008 referente a outras entidades e fundos, afirma que é inscrita no Sistema Simples, portanto, possui recolhimento único; e) por fim, requer seja acolhido o presente recurso e que seja reconhecido o pedido de restituição pleiteado. 6. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório.” 2. Os autos foram levados a julgamento, tendo o Colegiado decidido por converter o julgamento em diligência para que o Fisco analisasse os documentos apresentados pelo contribuinte e trouxesse informações que possibilitassem a averiguação da existência ou não do direito creditório recorrente. Em resposta à Resolução n° 2803000.251 (fls. 199/203), verificase que o Fisco apresentou informativo fiscal (fls.243/244) com as informações solicitadas. É o relatório. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10730.009357/201042 Acórdão n.º 2402005.004 S2C4T2 Fl. 251 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO 2. No presente recurso, a recorrente pleiteia a restituição dos valores excedentes ao devido sobre a folha de pagamento, relativamente às retenções previstas no art. 31 da Lei nº 8.212/91, das competências 01/2008 a 11/2008. Tal restituição lhe foi negada por falta de apresentação dos documentos requeridos no Termo de Intimação n° 631/2011. 3. Em peça de Manifestação de Inconformidade, a recorrente esclarece que não apresentou os documentos exigidos por não ter sido devidamente citada, em virtude da mudança de endereço da empresa. Apesar do ônus de manter atualizado o cadastro na Secretaria da Receita Federal do Brasil ser da recorrente, sob a luz do princípio da verdade material, não seria justo a recorrente sofrer tamanho prejuízo por inobservância de uma regularidade formal. 4. Ou seja, pelo princípio da verdade material, um dos pilares que regem o processo administrativo, uma simples regularidade de forma não poderia, a despeito da verdade que se almeja alcançar, acarretar demasiado prejuízo a uma das partes. 5. A respeito da possibilidade da apresentação de documentos a posteriori, em virtude do princípio da verdade material, leciona Hely Lopes Meirelles: “O princípio da verdade material, também denominado de liberdade na prova, autoriza a Administração a valerse de qualquer prova que a autoridade processante ou julgadora tenha conhecimento, desde que a faça trasladar para o processo. É a busca da verdade material em contraste com a verdade formal. Enquanto nos processos judiciais o Juiz devese cingir ás provas indicadas no devido tempo pelas partes, no processo administrativo a autoridade processante ou julgadora pode, até final julgamento, conhecer de novas provas, ainda que produzidas em outro processo ou decorrentes de fatos supervenientes que comprovem as alegações em tela. Este princípio é que Fl. 253DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S 6 autoriza a reformatio in pejus, ou a nova prova conduz o julgador de segunda instância a uma verdade material desfavorável ao próprio recorrente.”(MEIRELLES, 2011, P.581). 6. Esse mesmo entendimento já foi adotado pela Câmara Superior desse Conselho, no Acórdão nº 9303001.842 – 3ª Turma da CSRF. Vejamos: "PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. POSSIBILIDADE PARA CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A não apreciação de provas trazidas na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade e processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário, mormente quando sua tese de defesa não é acolhida e destinase a refutar entendimento da decisão de primeira instância. Recurso Especial do Contribuinte Provido." 7. Outrossim, a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo em geral, em seu art. 3°, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Portanto, diante de todo o exposto, não há nenhuma irregularidade em analisar os documentos trazidos pela recorrente em sede de recurso. 8. Ademais, em cumprimento à Resolução n° 2803000.251 (fls. 199/203), a Delegacia de origem apresentou informativo fiscal (fls. 243/244), onde reconhece a confirmação da retenção relativa à competência 11/2008 e a existência de crédito tributário a restituir relativo às demais competências analisadas. Vejamos: “Em atendimento à Resolução nº 2803000.251 – 3ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 199 a 203), informo: (...) 3 Que sim quanto à existência de crédito tributário a restituir, visto que: a) As retenções sofridas nas competências 01 a 10/2008 foram COMPROVADAS através de nossos sistemas (fls. 67 a 76). Na competência 11/2008 a retenção foi COMPROVADA através de Notas Fiscais (fls. 168, 169, 238 e 239). b) Verificouse que o valor devido à Previdência Social nas competências 01 a 11/2008, é menor do que o valor da retenção em cada competência (fls. 56 a 66). c) As GFIP foram entregues, corretamente, com o código 150. d) A empresa comprovou, através de documentos que não fez compensações com os créditos pleiteados neste processo como restituição, de acordo com a Resposta à intimação (fls. 237). Fl. 254DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 10730.009357/201042 Acórdão n.º 2402005.004 S2C4T2 Fl. 252 7 e) Consta em nossos sistemas que a empresa é optante pelo SIMPLES NACIONAL desde 01/01/2008, o que condiz com as GFIP apresentadas. 4 Abaixo quadro demonstrativo da restituição: COMP RESTITUIÇÃO PEDIDA RESTITUIÇÃO A SER CONCEDIDA 01/2008 R$ 2.370,59 R$ 2.370,59 02/2008 R$ 2.632,69 R$ 2.632,69 03/2008 R$ 2.467,96 R$ 2.467,96 04/2008 R$ 3.394,31 R$ 3.394,31 05/2008 R$ 3.103,48 R$ 3.103,48 06/2008 R$ 2.238,15 R$ 2.238,15 07/2008 R$ 1.377,44 R$ 1.377,44 08/2008 R$1.927,46 R$1.927,46 09/2008 R$ 2.099,19 R$ 2.099,19 10/2008 R$ 1.640,07 R$ 1.640,07 11/2008 R$ 3.056,60 R$ 3.056,60 TOTAL R$ 26.307,94 R$ 26.307,94 9. Assim, considerando que a prova apresentada pela recorrente, ainda que em momento posterior à impugnação, deixou clara a existência de créditos a restituir, conforme informação fornecida pela própria autoridade fiscal, deve ser aplicado ao caso o princípio da busca pela verdade material, que norteia o processo administrativo, com a consequente restituição dos valores pleiteados. 10. Por fim, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, ressaltese que há uma tendência em se atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, assegurando o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material para a consecução dos fins processuais (A Prova no Processo Tributário, Coord. NEDER, Marcos Vinícius e outros, São Paulo: Dialética, 2010, p. 34 a 51). 11. Ultrapassadas essas questões, diante da confirmação pela própria Delegacia da existência de créditos a restituir, percebese que assiste razão à contribuinte. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S 8 CONCLUSÃO 12. Pelo exposto, conheço do presente recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, para deferir o pedido de restituição apresentado pela recorrente, na forma da tabela apresentada no informativo fiscal supracitado. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 11/0 3/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001068/2004-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3301-000.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A empresa transmitiu, em 15/03/2004, PER/DCOMP n° 14983.36011.150304.1.3.01.8450, pedindo ressarcimento de IPI, relativos aos saldos credores de créditos básicos existentes, no 2° trimestre/2003 no valor de R$ 1.425.298,70 (Um milhão quatrocentos e vinte e cinco mil, duzentos e noventa e oito reais e setenta centavos) e declarando a compensação destes créditos com débitos de outros tributos. O seu pedido foi integralmente indeferido pela DRF de origem em face de que a fiscalização constatou a inexistência de saldo credor no período solicitado, efetuando a lavratura de auto de infração para exigência de débitos de IPI nos anoscalendários 2000 a 2003. A exigência tributária está consubstanciada no processo administrativo nº 10840.002170/200422. Em resumo, o contribuinte tinha escriturado saldo credor de IPI que foi revertido pelo citado auto de infração, fato que inviabilizou o seu pedido de ressarcimento/compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 01 06 8/ 20 04 -1 8 Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.224 S3C3T1 Fl. 11 2 O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade defendendo o seu direito à compensação, alegando entre outras coisas que o auto de infração do IPI não é definitivo, pois teria apresentado impugnação, estando suspensa aquela exigência. Ao julgar a manifestação de inconformidade a DRJ entendeu que não era possível o deferimento do ressarcimento e a homologação das compensações em face dos art. 170 e 170A do CTN, uma vez que faltava ao crédito os atributos de certeza e liquidez. O contribuinte apresentou recurso voluntário repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade e discorrendo sobre os seguintes pontos: Do direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos Concentrado adquiridos da RECOFARMA na Amazônia Ocidental (art. 82, III do RIPI/2002); Que o recorrente tem direito a referidos créditos de IPI em face da coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 em favor da AFBCC, instituição da qual seria integrante; Do direito ao crédito do IPI relativo à aquisição de matériaprima isenta oriunda de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus (art. 62, II, do RIPI/2002); Do direito à compensação com quaisquer débitos de tributos e contribuições administrados pela RFB; e Da impossibilidade de exigência de multa no presente caso em obediência ao art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64. Voto A discussão do direito ao crédito de IPI na aquisição de produtos isentos, não é matéria que está sob análise no presente processo. De fato, o ressarcimento foi indeferido e a compensação não homologada com o fundamento de que não existia saldo credor de IPI, uma vez que foi efetuado lançamento do imposto por meio de auto de infração de que é objeto o processo administrativo nº 10840.002170/200422. Consta que no referido processo houve a glosa de créditos e lançamento de débitos, com reconstituição da escrita fiscal do IPI, sendo que o contribuinte teria apresentado impugnação, estando suspensa a exigência do crédito tributário lançado. Consta informação às fls. 843 e seguintes, de que o crédito lançado foi apartado em mais dois processos administrativos distintos, cujos andamentos processuais seriam diferentes. Concluo que o deferimento ou não de créditos no presente processo está umbilicalmente ligado à manutenção ou não dos créditos tributários constituídos originalmente no processo administrativo nº 10840.002170/200422. Não se tem qualquer notícia da definitividade da constituição dos referidos créditos tributários. Portanto, proponho converter o presente julgamento em diligência, retornando o processo à unidade de origem para aguardar o trânsito em julgado das exigências constantes originalmente no processo nº 10840.002170/200422. Caso já sejam definitivas, juntar cópias Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.224 S3C3T1 Fl. 12 3 das respectivas decisões e elaborar relatório consolidado, manifestandose a respeito da existência de eventual saldo credor no período a que se refere o presente processo. Intimar o contribuinte a respeito do resultado da diligência para que, se interessar, manifestese sobre ele no prazo de 30 dias. Após o encerramento da diligência, os autos devem retornar a este Conselho, para seu adequado julgamento. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 15586.001093/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Presume-se ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação no qual os depósitos bancários indicando a movimentação financeira do contribuinte não tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante apresentação tempestiva de documentação hábil e idônea.
MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ESCRITURAÇÃO. DEFICIÊNCIAS. ARBITRAMENTO. Livro Razão cujos registros contábeis nas contas CAIXA e CONTA BANCOS MOVIMENTO não refletem a efetiva ocorrência de depósitos bancários, de diversas contas correntes mantidas pela empresa, constitui situação no qual a escrituração contem erros e deficiências que a tomam imprestável para identificar a movimentação financeira, inclusive bancária, hipótese no qual cabe o arbitramento do lucro, conforme previsão do artigo 530, do RIR/99.
Numero da decisão: 1301-001.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier, que afastavam o vínculo de solidariedade de quatro sujeitos passivos. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Presume-se ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação no qual os depósitos bancários indicando a movimentação financeira do contribuinte não tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante apresentação tempestiva de documentação hábil e idônea. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ESCRITURAÇÃO. DEFICIÊNCIAS. ARBITRAMENTO. Livro Razão cujos registros contábeis nas contas CAIXA e CONTA BANCOS MOVIMENTO não refletem a efetiva ocorrência de depósitos bancários, de diversas contas correntes mantidas pela empresa, constitui situação no qual a escrituração contem erros e deficiências que a tomam imprestável para identificar a movimentação financeira, inclusive bancária, hipótese no qual cabe o arbitramento do lucro, conforme previsão do artigo 530, do RIR/99.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier, que afastavam o vínculo de solidariedade de quatro sujeitos passivos. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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DE PAULO & CIA. LTDA. e Outros Recorrida FAZENDA NACIONAL e A.A. DE PAULO & CIA. LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Presumese ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação no qual os depósitos bancários indicando a movimentação financeira do contribuinte não tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante apresentação tempestiva de documentação hábil e idônea. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ESCRITURAÇÃO. DEFICIÊNCIAS. ARBITRAMENTO. Livro Razão cujos registros contábeis nas contas CAIXA e CONTA BANCOS MOVIMENTO não refletem a efetiva ocorrência de depósitos bancários, de diversas contas correntes mantidas pela empresa, constitui situação no qual a escrituração contem erros e deficiências que a tomam imprestável para identificar a movimentação financeira, inclusive bancária, hipótese no qual cabe o arbitramento do lucro, conforme previsão do artigo 530, do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier, que afastavam o vínculo de solidariedade de quatro sujeitos passivos. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 10 93 /2 00 7- 16 Fl. 8973DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 2 Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recursos Voluntários, interpostos por: A. A DE PAULO & CIA LTDA. (fls. 8.303 – 8.421); MARCELO LUIZ NASCIMENTO BARBOSA (fls. 8.110 – 8.153); JOÃO THOMAZ (fls. 8.156 – 8.169); JOSE TARCISIO MALACARNE (fls. 8.177 – 8.343); MARCIO ALEXANDRE SARNAGLIA (fls. 8.344 8.360). Foi apresentado ainda, Recurso de Oficio ante a decisão proferida pela 9ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, que julgou parcialmente procedente os lançamentos constantes no presente processo. Segundo depreendese do presente processo administrativo, foram lavrados Auto de Infração do IRPJ (fls. 6.896 a 6.908) e dos deles decorrentes, PIS (fls. 6.909 a 6.920), Cofins (6.921 a 6.932) e CSLL (fls. 6.933 a 6.945), lavrados pela DRF VITÓRIA/ES em 14/12/2007, com ciência da Interessada em 18/12/2007 (fl. 6.948), tendo sido apurado, para fatos geradores que teriam ocorrido durante o anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, acrescidos de juros de mora e multa de 150%. No Auto de Infração do IRPJ, a Fiscal Autuante, para a infração apurada, intitulada Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada, informou os valores totais desses depósitos em contas correntes da Interessada, para cada um dos meses dos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, bem como o seu enquadramento legal nos artigos 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.43011996 e artigos 532 e 537 do RIR/1999, sendo que em todos os trimestres desses anos arbitrou o lucro do Interessado, com fulcro no que dispõe o artigo 530, inciso III, do RIR/1999, tendo em vista que intimado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termos de intimação, ela deixou de apresentálos. No item VI do Relatório Fiscal de fls. 6.872 a 6.895, intitulado Infrações, a Fiscal Autuante assim descreveu os fatos, em síntese: Fl. 8974DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 3 3 que, nas Declarações de Pessoa Jurídica entregues pela Interessada, fls. 43 a 101, os valores das Receitas informadas nos anoscalendário de 2001 (forma de tributação com base no Lucro Presumido), 2002 (forma de tributação com base no Lucro Presumido) e 2003 (a Interessada declarouse Inativa) foram iguais a zero, enquanto que o exame das contas bancárias da Interessada revelou que lhes foram creditadas nesses mesmos anoscalendário, respectivamente, os valores de R$ 22.602.451,90, R$ 28.692.563,46 e R$ 2.732.547,56; que o sócio da Interessada, o Sr. Aídes Angelo de Paulo, intimado a se pronunciar sobre a origem dos valores creditados nas contascorrentes da mesma, respondeu que, como não teve gerência sobre ela, não sabia informar a origem dos créditos; que, por meio do exame dos documentos enviados pelos bancos em que a Interessada mantinha contascorrentes, constatouse que a grande maioria dos depósitos foi proveniente da venda de café e foi depositada pelos vários clientes da Interessada; que, como a Interessada não apresentou livros contábeis e fiscais, ficou inviabilizada a possibilidade da fiscalização apurar o IRPJ com base no Lucro Real, só restando a opção de apurálo pelo Lucro Arbitrado, nos termos do artigo 530 do RIR/1999; que, em face da não justificativa da origem dos depósitos ocorridos nas contas correntes da Interessada, só restou à fiscalização considerálos como receitas omitidas de acordo com o disposto no artigo 287 do RIR/1999 (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42); que o quadro abaixo mostra o resumo dos valores creditados nas contas bancárias da fiscalizada: [...] que, diante do exposto, foi lavrado, nos termos do artigo 841, inciso III, do RIR/1999, o Auto de Infração do IRPJ e Reflexos sobre as receitas omitidas pela Interessada, utilizandose da modalidade de Lucro Arbitrado; Nos itens I, II, III, IV e VII do Relatório Fiscal de fls. 6,872 a 6.895, a Fiscal Autuante apresentou descrição detalhada da auditoria fiscal por ela realizada, aqui relatada, em síntese: que, em cumprimento ao MPF n° 0720100.2006.000088, foi realizada auditoria na empresa A. A. de Paulo & Cia Ltda.; que a fiscalização foi motivada pelo Oficio/MPF/PRES/N° 1535/2004 da Procuradoria da República no Estado do Espírito Santo (fl. 4); que, segundo a última alteração contratual da Interessada, a composição do seu Capital Social era de 50% para Aídes Ângelo de Paulo e de 50% para sua esposa, Diva Lopes Valadares de Paulo; que, por meio do Oficio/MPF/PRES/N° 1535/2004, a Procuradoria da República enviou à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES o Processo Administrativo n° 1.17.000.000725/200487, instaurado a partir de termo de declaração prestado por Aídes Ângelo de Paulo (sócio da empresa), no qual ele declarou que seu nome e seu CPF teriam sido utilizados indevidamente para a abertura de 17 empresas e três contas correntes em diferentes instituições financeiras, as quais apresentaram vultosas movimentações de recursos; Fl. 8975DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 4 que, no depoimento prestado à Procuradoria da República (fls. 6/7), o Sr. Aídes Ângelo de Paulo declarou que Décio Perim, Dalto Perim e Deoclécio Perim o teriam, influenciado a abrir empresas em seu nome para compra e venda de café, mas que ele não teria gerido nenhuma delas; que ao comparecer à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES em virtude do Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 208/214, o Sr. Aídes prestou depoimento (Termo de Depoimento de fls. 232/233); que, em outro depoimento prestado ao Ministério Público do Estado do Espírito Santo, no Grupo de Repressão ao Crime Organizado, fls. 0236 a 0239, o Sr. Aídes descreveu com mais detalhes o modo como o esquema de abertura e fechamento de empresas ocorria; que o Inquérito Policial n° 025/2004 traz ainda, às fls. 102 a 207, depoimentos de diversas outras pessoas envolvidas ou citadas no caso; que, apesar de o referido inquérito policial ser relativo à empresa São Jorge Comércio Importação e Exportação Ltda., a qual também tinha como sócios o Sr. Aídes Angelo de Paulo e sua esposa Sra. Diva Lopes Valadares de Paulo, o caso tem semelhança com a empresa A A de Paulo & Cia Ltda., objeto da fiscalização em questão; que, em 29 de abril de 2005, em seu depoimento (fls. 188 a 190) à Delegacia de Crimes Fazendários — DCF da Superintendência da Polícia Especializada — SPE da Secretaria de Estado da Segurança Pública, Polícia Civil, do Estado do Espírito Santo, no Inquérito Policial n° 025/2004, Renato Coelho Rigamonte declarou o seguinte: [...] que, apesar de o Sr. Renato Coelho Rigamonte alegar que não fez negócios com a São Jorge Comércio Importação e Exportação Ltda., cabe ressaltar que ele consta como procurador da empresa AA de Paulo & Cia, de mesmos sócios, com poderes para movimentar contas bancárias, conforme documentos de fls. 341 a 342; que, com vistas a promover a auditoria e investigar os fatos da melhor maneira possível, e como o responsável pela empresa não possuía todos os documentos necessários, solicitou a emissão de Requisição de Movimentação Financeira — RMF, a fim de obter das Instituições Bancárias os extratos bancários e demais documentos referentes à movimentação financeira de A A de Paulo & Cia Ltda.; que, após examinar os documentos fornecidos pelos Bancos, constatou que grande parte das contas bancárias era movimentada por procuradores que possuíam amplos poderes; que, na tabela abaixo, estão listados os referidos procuradores: Fl. 8976DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 4 5 que enviou Intimação a estes procuradores para que comparecessem à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES; que as Intimações, os depoimentos desses procuradores, bem como demais documentos relacionados a eles encontramse às fls. 386 a 1261; que, pelo exame das declarações desses procuradores, concluiu que: a) todos ou quase todos os procuradores são ligados ou sócios de alguma empresa do ramo de café; b) que as procurações lhes dão amplos poderes de abrir e movimentar livremente as contas bancárias, cujas movimentações se encontram resumidas na planilha abaixo: [...] c) que a grande maioria dos procuradores declarou que os depósitos nas contas bancárias da empresa A A de Paulo & Cia eram feitos pela própria empresa para que fossem feitos pelos procuradores os pagamentos aos fornecedores de café, mas que, pelo exame dos documentos enviados pelos bancos, verificou que a maioria dos depósitos e transferências foram feitos por empresas clientes compradoras de café da A A de Paulo & Cia Ltda.; d) que, intimado mais uma vez a comparecer à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, o Sr. Aídes Ângelo de Paulo, por meio da Declaração de fls. 328 a 330, declarou "que não conhece nem promoveu contato comercial com JULIANA AGRIZZI CPI' 086.843.45746, NARCISO AGRIZZI ou TARCÍSIO M.ALACARIVE. Também alegou não conhecer os Srs. MARCELO LUIZ NASCIMENTO, MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA e JOÃO THOMAZ. Informou também não conhecer JURLEIA ENGELHIIRDT DO NASCIMENTO, nem JOSÉ ANTÔNIO RINDA, nem NILDA MARIA FERNANDES. Quanto aos Fl. 8977DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 6 Srs. AMItWAS GOMES DE MATOS e JORGE ANTONIO DE MATOS informa que tinha conhecimento circunstancial deles, pois eram de Ibatiba, mas nunca fez nenhuma transação comercial com eles. Nega que tenha dado procuração para MÁXIMO BICALHO THEZOLIN, para VERA LÚCIA KROLING ou para GABRIEL FRANCISCO KRO.LING. Nega também ter passado procuração para ELISETE BARBOSA SCHU.AB ou para JÚLIO SCHUAB. Quanto ao Sr. RENATO COELHO RIGAMONTE declara nunca lhe passou procuração nem lhe autorizou a movimentar nenhuma contacorrente em seu nome ou de sua empresa e que só o conheceu no escritório do Sr. EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA. Quanto a este último, o Sr. EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA, o Sr. AIDES informa que era o contador da AA de Paulo e lhe fora apresentado por DECIO PERIM. Na condição de contador o Sr. EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA entrou em contato com ele várias vezes e lhe orientava sempre a assinar documentos diversos da empresa. Informa que por diversas vezes o Sr. EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA esteve em Ibatiba e lhe entregava documentos para assinar o que ele fazia sem contestação. Informa ainda que apresentou em final de 2004 ou início de 2005 notícia crime contra o Sr. EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA, pois estava sendo alvo de ameaças por telefone." e) que, por meio de diligências em cartórios, foram descobertas procurações outorgadas por AA de Paulo & Cia, representada por Aídes Ângelo de Paulo, ao Sr. Renato Coelho Rigamonte, uma no Cartório do 4° Oficio de Notas em Vitória, datada de 22/02/2001, fls. 0341 e 0342, e outra no Cartório de Registro Civil e Tabelionato de Ibatiba, datada de 28/08/2001, fl. 0367, sendo que chama a atenção as várias procurações substabelecidas para terceiros, feitas pelo Sr. Renato Coelho Rigamonte, em nome da AA de Paulo & Cia; no Cartório do 4° Oficio de Notas em Vitória, foram pelo menos 8 (oito) substabelecimentos, fls. 0343 a 0358; relativamente à auditoria Bancária que observandose atentamente os documentos obtidos junto aos bancos através de RMF: 1 No BANCO DO BRASIL há três contas em nome da A A DE PAULO & CIA LTDA, as de número 12.2769, 10.3446 e 6.0364. O banco nos enviou as procurações de fls. 1272 a 1273, apresentando o Sr. JOSÉ TARCÍSIO MALACARNE, CPF 578.381.35753, como procurador. As duas cópias das procurações apresentadas pelo Banco são translades emitidos pelos cartórios em 1310212006 e 2210212006 e o RMF solicitando os documentos é de 0310212006, ou seja, aparentemente a agência bancária não dispunha de cópia desta procuração em seus arquivos antes do RMF, fato muito estranho. Examinandose os cheques e demais documentos do Banco constatase que o Sr. JOSÉ TARCÍSIO MALACARNE abriu a conta, assinou os cheques em nome da AA DE PAULO e encerrou a conta, ou seja, movimentoua livremente. Constatamos também que as Sras. JULIANA AGRIZZI, CPF 086.843.45746, também com poderes junto ao Banco do Brasil, (17s. 0750) e JOSIANA AGRIZZI foram duas grandes beneficiárias (conforme planilhas de fIs.0752 a 0754) dos cheques emitidos neste banco, totalizando R$ 1.515.830, 00, todos cheques assinados por JOSÉ TARCÍSIO MALACARNE, fls. 0755 a 0924. Estas senhoras são filhas de NARCISO AGRIZZI, CPF 215.572.84768, empresário da área de café e sócio proprietário da AGRIMAL ARMAZÉNS GERAIS LTDA, CNPJ 03.605.0341000106 em sociedade com JOSÉ TARCÍSIO MALACARNE. Em seu depoimento de fls. 0742 a Sra, JULIANA AGRIZZI relata que fazia serviços de banco apedido de seu pai NARCISO AGRIZZI e do Sr JOSÉ TARCÍSIO MALACARNE e que recebia os cheques assinados por ele. Entre as notas fiscais recebidas dos clientes da A A DE PAULO & CIA LTDA Fl. 8978DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 5 7 encontramos notas que citam como origem do café a empresa AGRIMAL ARMAZÉNS GERAIS LTDA, fls. 5619 a 5630. 2 O BANCO ITAÚ apresentou na sua documentação, procurações para RENATO COELHO RIGAMONTE CPF 155.557.98687, RENATO COELHO RIGAMONTE JÚNIOR, CPF 101.040.49707(substabelecida pelo pai) e para EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA, o contador, fls. 2645 a 2651. Há duas contas no Itaú, uma em Cariacica e outra em Vila Velha. Temos cópia de vários cheques assinados pelo Sr. EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA, na agência Cariacica. Há também cheques assinados por RENATO COELHO RIGAMONTE JÚNIOR, na agência Vila Velha. Entre os cheques por nós obtidos há pagamentos tendo como beneficiário o Sr. EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA, fls.2662, 2670 e para ANDRÉ ARAÚJO DE OLIVEIRA, fls. 2664, 2666, 267212678, assinados por EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA. Encontramos também um cheque assinado por EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA tendo como beneficiário o Banco Volkswagem S/A, fls. 2668 a 2669, datado de 20/12/2002. No verso de um dos cheques há uma observação "confirmado c/Eduardo", fls. 2675. Em seu depoimento a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil, de fls. 0981 a 0982, o Sr. EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA negou que tenha movimentado contas em nome da AA DE PAULO & CIA LTDA e que usava a procuração apenas para promover atualizações na Junta Comercial, já que era seu contador. Vêse, pois, que ele faltou com a verdade. Encontramos entre os documentos obtidas por esta fiscalização nos certificados de aproveitamento de ICMS da AA DE PAULO & CIA LTDA, a assinatura do Sr. EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA, fls. 5633 e 5636, mostrando que ele exercia funções que extrapolavam as de um contador. Há ainda no Banco Itaú, agência Vila Velha, cheques para despesas de aluguel nos Shopping da Terra, fls. 268, 2692, 2709, assinados por RENATO COELHO RIGAMONTE JÚNIOR. Ver também observação nos versos dos cheques de fls. 2675, 2683, 2691, 2697, 2701, 2703, 2705. O sr. RENATO COELHO RIGAMONTE substabeleceu a procuração em seu poder para várias pessoas, fls. 0343 a 0358, conforme já citado acima e explicitado mais abaixo. A procuração passada para o Sr. RENATO COELHO RIGAMONTE lavrada no Cartório de IBATIBA lhe confere poderes amplos, gerais e ilimitados para gerir e administrar a firma outorgante podendo fazer qualquer negócio, inclusive representála em qualquer instituição bancária ou financeira e até constituir advogados com poderes "AD JUDICIA ET EXTRA". Existe outra procuração para o Sr. RENATO COELHO RIGAMONTE lavrada no CARTÓRIO DE VITÓRIA. Em seu depoimento à Delegacia de Crimes Fazendários o Sr. RENATO COELHO RIGAMONTE, fls. 0188 a 0190, ele declara que "conhece AIDESANGELO DE PAULO, porque ele foi proprietário da empresa A A de PAULO LTDA, empresa essa que o declarante, como corretor de café, prestava serviço para ela vendendo o seu café para outras empresas; que o declarante sabe dizer que AIDES ANGELO DE PAULO também era proprietário da empresa SÃO JORGE COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, entretanto não realizou nenhuma operação de café dessa empresa; que o declarante conhece os irmãos DECIO PERIM, DALTO PERIM E DEOCLÉSÍO PÊRIM, porque eles possuem empresa no ramo de café e cereais, tendo realizado vendas de café e cereais para eles; que o declarante conheceu o Contador EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA através de um amigo e desde então ficaram amigos; que o declarante realmente apresentou DECIO PERIM ao Contador EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA, que durante a conversa que teve com ele, foi dito que caso necessitasse de constituir uma empresa, iriam procurálo para que ele fosse o contador dela". Declara também que "que com relação aos fatos constantes dos autos o declarante nada sabe dizer, pois apenas apresentou DECIO PERIM para EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA e o que aconteceu após esse encontro cabe a eles (DECIO, EDUARDO ARAÚJO E AÍDES DE PAULO) dar as explicações que o caso requer; que de fato o declarante alugou o imóvel no Fl. 8979DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 8 Município da Serra, onde funcionou a filial da empresa A A DE PAULO LTDA, a pedido de AÍDES ANGELO DE PAULO; que o declarante não sabe dizer o endereço desse imóvel, podendo afirmar ele fica próximo ao Clube dos Trinta na Rodovia Norte Sul; que o imóvel alugado para a filial da empresa A A DE PAULO LTDA era propriedade de ARNALDO DONA, este morador ao Bairro Jardim Limoeiro no Município da Serra, próximo ao Motel Status!". Depreendese pelo exame das declarações dadas pelo Sr. RENATO COELHO RIGAMONTE que ele tinha fortes relações com EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA, que foi apresentado por ele para os irmãos PERIM e que apesar dele se declarar apenas prestador de serviço na área de corretagem de café, alugou imóvel para a filial da A A DE PAULO & CIA LTDA. Constatase também que ele omitiu da Policia Fazendária o fato de ter sido procurador da A A DE PAULO & CIA LTDA e de ter movimentado contascorrentes da empresa. Omitiu também tanto lá como no depoimento prestado a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil que substabeleceu a procuração que possuía da AA de PAULO & CIA LTDA para várias para outras pessoas que conforme relataremos movimentaram outras contas da empresa. 3 O SICOOB SANTA MARIA DE JETIBÁ nos enviou os documentos de fls. 5009 a 5574. Neles se encontram a Ficha Proposta/Abertura de conta em nome da fiscalizada assinada por MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA, fls. 5013 e verso e fls. 5015 e cartão de autógrafos, fls. 5262, todos assinados por ele. A procuração, fls. 5016, tratase de substabelecimento feito por RENATO COELHO RIGAMONTE o "corretor de café". O Sr. MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA é sócio das empresas ITACOCAL ARMAZÉNS GERAIS LTDAME e ITAGUAÇU COMÉRCIO DE CAFÉ LTDAME juntamente com JOSÉ ANTÓNIO BINDA. O Sr. MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA foi beneficiário de vários cheques da AA DE PAULO & CIA LTDA, cheques estes assinados por ele mesmo, fls. 0402 a 0459. O Sr. JOSÉ ANTÓNIO BINDA também aparece como beneficiário de vários cheques, fls. 0598 a 0732. Encontramos também notas fiscais de venda da AA DE PAULO & CIA LTDA indicando como local de origem do café a ITACOCAL ARMAZÉNS GERAIS LTDA, fls. 5641 a 5647. 4 O SICOOB de SÃO GABRIEL DA PALHA apresentou os documentos de fls. 3372 a 3790, onde se observa que quem abriu a conta em nome da AA DE PAULO & CIA LTDA foi o Sr. MARCELO LUIZ NASCIMENTO BARBOSA, CPF 024.582.48713, com procuração substabelecida por RENATO COELHO RIGAMONTE, fls. 3373, 3374 e 3377 a 3378. O Sr. MARCELO LUIZ NASCIMENTO BARBOSA é sócio da empresa BLEND CORRETORA DE CAFÉ, CNPJ 02.112.5821000123, fls. 3379. Nos cartões de assinaturas enviados pelo banco constam os nomes de MARCELO LUIZ NASCIMENTO BARBOSA e JURLEIA ENGELHARDT DO NASCIMENTO como responsáveis pela empresa e pela conta corrente, fls. 3790. Tanto o Sr. MARCELO LUIZ NASCIMENTO BARBOSA quanto a Sra. JURLEIA ENGELHARDT DO NASCIMENTO assinaram vários cheques da AA DE PAULO nesta agência bancária, da conta 059650, sendo eles próprios beneficiários de vários cheques, fls. 3449 a 3758. O banco não enviou procuração em nome da Sra. JURLEIA ENGELHARDT DO NASCIMENTO, no entanto, ela assinou cheques. Em seu depoimento, fls. 0926 a 0927, o Sr. MARCELO LUIZ NASCIMENTO BARBOSA informa que conheceu a AA DE PAULO & CIA através do Sr. EDSON DANADIA e que apenas assinou documentos e não tinha conhecimento do teor da Procuração a ele dada nem conhecia a pessoa que lhe passou a procuração o Sr. RENATO COELHO RIGAMONTE, o que é estranho. Apesar de alegar que não conhecia o teor da procuração informa que movimentou a contacorrente da AA DE PAULO de n° 059650 em Governador Lindemberg e assinava cheques. Ele próprio promoveu a abertura da contacorrente, conforme documentos de fls. 0944 e 0945 enviado pelo SICCOB de São Gabriel da Palha. Informa também que trabalhava com a Sra. JURLEIA ENGELHARDT DO NASCIMENTO. A Sra. JURLEIA ENGELHARDT DO NASCIMENTO que também assinou vários cheques da conta de Governador Lindenberg aparece no cadastro Fl. 8980DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 6 9 CNPJ como sócia da empresa D. & N. COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA ME. Em seu depoimento declara que trabalhou para o Sr. EDSON JOSÉ DONADIA, Edinho, seu cunhado, no escritório dele de 2001 a meados de 2004. Informa, fls.0546, que assinava cheques a pedido dele, mas nunca viu a procuração que lhe autorizava a assinar os cheques. Declara que a empresa da família ligada a café foi aberta pelo Sr. Edson e apesar do seu nome constar como responsável nada sabe sobre a empresa. Declara que sua participação no escritório de Edson se limitava a serviço de escritório não sabendo informar com quem o escritório comercializava e declara não conhecer a empresa AA de PAULO. Ela informou que o Sr. EDSON JOSÉ DONADIA já faleceu. 5 O SICOOB DE LINHARES nos enviou documentos de fls. 4528 a 4949. Pelos documentos enviados depreendese que a contacorrente de número 29386 foi aberta, fls. 4535 a 4544, 4622 e movimentada por JOÃO THOMAZ, CPF 838.760.81734. Ele assinou todos os cheques e foi beneficiário de boa parte deles, fls. 4627 a 4941. No cadastro CNPJ da Receita Federal do Brasil o Sr. JOÃO THOMAZ aparece como sócio da empresa COMÉRCIO DE CARVÃO THOMAZ em Itamaraju na Bahia. 6 O SICOOB CACHOEIRO enviou os documentos de fls. 4322 a 4525. 7 O Banco BANESTES enviou os documentos de fls. 2746 a 3366 / onde não aparece nenhuma procuração. 8 O Banco BRADESCO enviou os documentos de fls. 1487 a 2634. Identificamos três contascorrentes da AA DE PAULO E CIA LTDA. As de número 48410 da Agência Venda Nova do Imigrante (4885), conta 65072 da Agência Castelo(1710) e conta 70777 da agência Castelo (7108). Este banco também nos enviou as procurações de fls. 2152 a 2160, para RENATO COELHO RIGAMONTE, CPF 155.557.98687, EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA, CPF 073.612.66789, JOSÉ GERALDO CAMPANA JÚNIOR, CPF 019.780,827111,(que aparece como responsável pela AA DE PAULO em Castelo fls. 1759 e 1761) substabelecida por RENATO COELHO RIGAMONTE, L UIZ HELVÉCIO SANTANA PIRES, CPF 947.140.29720 e ALEXANDRA CARARI, CPF 076.808.19718 outorgada por LUIZ HELVÉCIO SANTANA PIRES. As fichas cadastrais apresentadas pelo Bradesco, além dos dados dos sócios da empresa, contém também os dados e fichas proposta de abertura de conta com assinaturas de EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA fls. 2217 a 2218 e de ALEXANDRA CARARI, fls. 2212 a 2213. Além disto, entre os documentos enviados pelo BRADESCO encontramse vários cheques e recibos de retirada assinados por ALEXANDRA CARARI fls. 1980 a 1982, 2165 a 2191, 2222 a 2234, e por EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA, fls. 2236 a 2295. Além de todo o exposto, somese o fato de que as assinaturas apostas nos cheques de fls. 2341 a 2399 parecem ter sido feitas por outra pessoa e não por AIDES ANGELO DE PAULO. Encontramos também cheque aparentemente assinado por AIDES ANGELO DE PAULO com uma observação no verso dizendo "confirmado com Décio Perim ", fls. 1838 a 1839. Relativamente à multa qualificada entendeu a Fiscalização: que de todas as formas todos os envolvidos agiram para que se ocultasse da Administração Tributária a identidade das pessoas que estavam por trás dos negócios da empresa. Os depósitos foram em sua esmagadora maioria feitos por clientes da AA DE PAULO & CIA LTDA. Os saques eram em sua maioria feitos em dinheiro. Vários Fl. 8981DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 10 funcionários das agências bancárias envolvidos além de agirem muitas vezes contra as normas bancárias durante a ocorrência dos fatos narrados, ao serem indagados tanto pela Polícia Fazendária quanto por esta fiscalização apresentam respostas vagas e pouco esclarecedoras. Estes fatos permitem concluir que os envolvidos nos negócios da fiscalizada concorreram para omitir da administração tributária todos os verdadeiros responsáveis pela empresa. À fl. 6.947, a Auditora Fiscal autuante informa que em decorrência dos fatos apurados foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais contra o contribuinte, protocolada por meio do processo n° 15586.001097/200796. Devidamente cientificada, a recorrente (AA de Paulo) apresentou Impugnação (fls. 6.959/6.976), com anexos de fls. 6.977/7.134, na qual alega, em síntese: que a Impugante é uma empresa que atuava no comércio de café em grãos e que tem como sócios o Sr. Aídes Ângelo de Paulo e sua esposa Sra. Diva Lopes Valadares de Paulo; que, em meados do ano de 2004, o Sr. Aídes Ângelo de Paulo tomou conhecimento de que diversas pessoas, através de procurações falsas e falsificação de assinatura, se fizeram passar por sócios da empresa AA de Paulo & Cia Ltda. ou se apresentaram como seus procuradores, sem sêlo; que, diante dessa descoberta, o Sr. Aídes, já no ano de 2004, procurou imediatamente o Procurador da República responsável; a Delegacia de Crimes Fazendários, além do Grupo de Repressão ao Crime Organizado, na pessoa do Ministério Público Estadual, e apresentou "denúncia" de todos os fatos que ele houvera tomado conhecimento, apresentando os documentos e circunstâncias que possuía na oportunidade; que o Procurador da República, por sua vez, ante as declarações prestadas por iniciativa do Sr. Aídes Ângelo de Paulo, encaminhou oficio à Delegacia da Receita Federal do Estado do Espírito Santo a fim de que houvesse a devida investigação da alegada sonegação, como se depreende da introdução do Relatório Final da Auditora da Receita Federal (fl. 6.872); que, ao longo do processo administrativo fiscal, como deixou muito claro a auditora fiscal da Receita Federal, ficou provado que a vultuosa movimentação financeira foi realizada em contas abertas criminosamente por terceiras pessoas, à revelia dos sócios da pessoa jurídica autuada; que, seja pela utilização de procurações falsas ou mesmo pela prática de falsidade ideológica, os verdadeiros responsáveis pela movimentação financeira nessas contas abertas criminosamente (que não os sócios da Impugnante) obtiveram lucro com a compra e venda de café e não recolheram os tributos; que, inobstante tenha sido cabalmente comprovado nos autos deste processo que a pessoa jurídica autuada não foi responsável pela movimentação financeira, mas, sim, terceiras pessoas utilizando indevidamente a razão social da Impugnante sem autorização e conhecimento dos sócios, a auditora fiscal lavrou os autos de infração em face da pessoa jurídica AA de Paulo & Cia Ltda., e de seus sócios, sendo que os terceiros identificados como aqueles que efetivamente movimentaram as contas bancárias foram colocados na condição de responsáveis solidários; Fl. 8982DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 7 11 que, assim sendo, a pessoa jurídica autuada e seus sócios foram penalizados em razão da denúncia que fizeram, permanecendo como autuados/devedores principais, mesmo tendo sido provado que a referida movimentação financeira foi feita à sua revelia; que, por isso mesmo, em razão do princípio da concentração de defesa, esta Impugnante aproveitará a oportunidade para também combater o lançamento efetuado, com argumentos preliminares e de mérito, mesmo não tendo elementos — senão aqueles dos autos do processo — de como aconteceram as movimentações, já que não tinha conhecimento delas; que os autos de infração são nulos, pois ficou comprovado que os depósitos pertenciam a terceiros, evidenciando interposição de pessoa; que, portanto, como estabelece o § 5° do art. 42 da Lei 9.430/1996, a determinação dos rendimentos ou receitas deveria ter sido efetuada em nome dos terceiros na condição de efetivos titulares dessas contas; que, dessa forma, por não terem sido lavrados de acordo com a previsão legal expressa para o caso, § 5° do art. 42 da Lei 9.430/1996, isto é, o contribuinte autuado não foi o responsável/titular dos valores movimentados, não é necessário mais argumentações para se constatar que os autos de infração são nulos; que, conforme se pode verificar no Termo de Intimação Fiscal datado de 14/12/2006 (fls. 280 a 323), não foram relacionados para efeito de determinação da receita omitida diversos depósitos que serviram de base para a composição da base de cálculo dos autos; que, todavia se vê na tabela de fl. 6.879 do auto de infração, a existência de um somatório mensal de depósitos não constantes do referido termo de intimação fiscal, mas que integraram a base de cálculo para apuração dos tributos supostamente devidos, que isso quer dizer, no que tange aos depósitos não relacionados na intimação, que não foi dado ao contribuinte o direito de se manifestar sobre eles, sendo —lhe simplesmente imputado o ônus dos referidos depósitos, em total ofensa aos princípios constitucionais da legalidade, do contraditório e da ampla defesa; que o art. 42 da Lei n° 9.430/1996 determina que ficará caracterizada omissão de receita quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovar a origem dos recursos; que, não fora isso, o § 3° do mesmo art. 42 determina que os créditos deverão o ser analisados individualizadamente para determinação da receita omitida; que, dessa forma, a não discriminação dos depósitos no termo de intimação fiscal torna irregular a presunção de omissão de receita utilizada para a constituição do auto de infração; que requer, pois, o reconhecimento do vício nulificador, com a consequente declaração de nulidade do auto de infração; que para demonstrar os prejuízos da falta de intimação basta citar o exemplo dos valores considerados como omissão de receita da conta SICOOB Venda Novo do Fl. 8983DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 12 Imigrante, no montante de R$ 7.915.489,80, que serviram de base de cálculo para a determinação dos valores supostamente devidos, os quais não constam do terno de intimação fiscal para a comprovação da origem dos créditos (Anexo 2, fls. 6.998/7.001); que, além do exemplo acima, várias foram as ocasiões em que a auditora fiscal presumiu uma omissão de receita, no auto de infração, muito superior aos valores dos depósitos listados no termo de intimação, como exemplificado no Anexo 3 (fls. 7.002/7.008); que isso quer dizer que compuseram o montante da base de cálculo do auto de infração valores creditados que o Impugnante não foi intimado para comprovar, sendo que este fato ocorreu em todos os meses e contas abrangidas pelo auto de infração; que, dessa forma, a não discriminação da conta SICOOB Venda Nova do Imigrante e dos depósitos no termo de intimação fiscal torna irregular a presunção da omissão de receita utilizada para a constituição do auto de infração, pelo que requer o reconhecimento do vício nulificador, com a consequente declaração de nulidade do auto de infração; que a autoridade administrativa lavrou o Auto de Infração, ora impugnado, referente aos tributos supostamente devidos pela empresa à Receita Federal, relativos ao período de 01/01/2001 a 31/12/2003; que o crédito tributário de IRPJ, PIS, Cofins e CSLL do período de 01/01/2001 a 31/12/2003 foi constituído em 18/12/2007 (data da ciência do contribuinte), que, dessa maneira, chegase à inevitável conclusão jurídica de que o crédito tributário constituído, ou grande parte dele, estava extinto pela decadência, uma vez que a autoridade administrativa tem o prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador para constituir o crédito tributário através do lançamento, sob pena de extinção do crédito tributário, nos termos do que dispõem os artigos 142 e 150, § 4º do CTN; que, no presente caso, os tributos são sujeitos ao lançamento por homologação, onde o prazo decadencial começa a contar da data da ocorrência do fato gerador, o que implica que o fisco não poderia, em dezembro de 2007, efetuar o lançamento de tributos para fatos geradores anteriores a dezembro de 2002, conforme demonstram as ementas do Conselho de Contribuintes trazidas à colação; que, dessa forma, o auto de infração é totalmente nulo, visto ter constituído crédito tributário que se encontrava extinto pela decadência; que, para obtenção da base de cálculo do tributo devido, a auditora fiscal somou todos os valores creditados nas contas correntes fiscalizadas da empresa AA de Paulo & Cia Ltda., considerando auferidos ou recebidos tais valores no respectivo mês do crédito; que a fiscalização equivocouse substancialmente na obtenção dos valores da suposta receita omitida, uma vez que nesta também estão considerados os valores dos créditos oriundos de transferências entre as contas da própria pessoa jurídica autuada, conforme Anexo 4 (fls. 7.009/7.134); que, dessa maneira, não resta dúvida que os valores obtidos a título de receita estão indevidamente majorados, o que fere frontalmente o inciso I do § 3° do artigo 42 da Lei 9.430/1996 e o artigo 142 do CTN, que, ademais, vêse uma total incongruência entre os valores constantes do quadro resumo dos valores creditados (fl. 6.891) e os valores lançados como base de cálculo no auto de infração dos tributos, bastando tomar como exemplo o resumo Fl. 8984DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 8 13 dos valores creditados mês a mês (fl. 6.891) e os valores da base de cálculo do PIS nos mesmos períodos; que, desta feita, o auto de infração lavrado está eivado de vícios e ilegalidades, o tornandoo totalmente nulo; que, em razão do princípio da concentração de defesa e por simples eventualidade dos argumentos anteriores serem ultrapassados, a Impugnante passou a tecer defesa quanto à ilegal onerosidade da multa e dos juros aplicados; que, para a aplicação da multa qualificada argumentou a Fiscal (fl. 6.893) que "Concluise ainda, que de todas as formas todos os envolvidos agiram para que se ocultasse da Administração Tributária a identidade das pessoas que estavam por trás dos negócios da empresa”. que tal alegação da Fiscal quando dirigida para a pessoa jurídica autuada e seus sócios é totalmente contraditória, uma vez que este processo fiscal teve início na "denúncia" voluntária prestada pelo sócio Aídes Ângelo de Paulo à Procuradoria da República, quando descobriu que seu nome e o nome da empresa estavam sendo utilizados com o objetivo de lesar o fisco; que, segundo ficou provado ao longo do processo, os sócios da empresa AA de Paulo & Cia Ltda. não tinham conhecimento da movimentação financeira em questão e não se beneficiaram dela; que, desta feita, equivocada a aplicação da multa qualificada em face da empresa e dos sócios, vez que foram estes que buscaram os poderes constituídos a fim de revelar que seus nomes estavam sendo utilizados indevidamente com o objetivo de lesar o fisco; que se não houve o intuito de fraude por parte dos autuados não poderá haver a aplicação da multa qualificada; que há que se asseverar que a aplicação da multa qualificada não se pode dar com base em mera presunção, pois tem que ser cabalmente comprovada a máfé e o intuito de fraudar, e que esse é o entendimento firmado no Egrégio Conselho de Contribuinte, conforme pode ser visto nas ementas trazidas à colação; que, dessa forma, a aplicação da multa de oficio qualificada é totalmente descabida; que se é vedado o confisco por via de instituição de tributos (art. 150, V, da Constituição Federal), é lógico afirmarse que não se pode fazêlo por meio de instituição de penalidades, já que decorrentes do mesmo fenômeno jurídico, tributação; que não resta dúvida que a multa aplicada no percentual utilizado configura confisco, prática vedada pela Constituição Federal e coibida, por diversas vezes, pelo Supremo Tribuna Federal, entre elas, podese destacar a ADIN 5511, cuja ementa trouxe à colação; Fl. 8985DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 14 que, dessa forma, não resta dúvida, que no montante em que foi aplicada, a referida multa adquire feição confiscatória, prática que viola o princípio constitucional do não confisco; que a aplicação da taxa Selic que é estipulada pelo Banco Central, por meio de seus atos normativos infralegais, está em completa desconformidade com o sistema jurídico constitucional, sendo, portanto, inadmissível admitir a sua utilização para a atualização ou correção de débitos tributários; que requer e espera seja recebida e acolhida a presente impugnação, a fim de declarar a insubsistência do auto de infração. Registrese ainda que no item V do Relatório Fiscal (fls. 6.889/6.890), a Fiscal Autuante tratou da questão da responsabilidade solidária nos seguintes termos: através do exame de toda a documentação e diligências efetuadas conclui se, conforme citado nos itens anteriores, que os sócios formais da A A DE PAULO & CIA LIDA, os senhores AIDES ANGELO DE PAULO E DIVA LOPES VALADARES DE PAULO, apesar de sócio da fiscalizadas não tiveram controle sobre a totalidade da movimentação financeira da empresa, movimentação esta proveniente da venda de café. Não tiveram, portanto, gerência sobre a totalidade dos negócios da mesma. Concluise também que JOSÉ TARCÍSIO MALACARNE, CPF 578.381.35753, JULIANA AGRIZZI, CPF 086.843.45746 e JOSIANA AGRIZZI, CPF 086.960.93780, RENATO COELHO RIGAMONTE, CPF 155.557.98687, RENATO COELHO RIGAMONTE JÚNIOR, CPF 101.040.49707, EDUARDO ARAÚJO DE OLIVEIRA, CPF 073.612.66789, MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA, CPF 008.228.85778, JOSÉ ANTÓNIO BINDA, CPF 252.411.50706, MARCELO LUIZ NASCIMENTO BARBOSA, CPF 024.582.48713, JURLEIA ENGELHARDT DO NASCIMENTO, CPF 022.546.28771, JOÃO THOMAZ, CPF 838.760.81734 e ALEXANDRA CARARI, CPF 076.808.19718, tiveram de alguma forma participação na fiscalizada e tinham interesse na mesma. O ato de gerir ficou caracterizado em virtude de possuírem procuração para negociar em nome da fiscalizada com total liberdade para comprar, vender, pagar, abrir movimentar as contascorrentes da AA DE PAULO & CIA LTDA. Movimentaram contas da empresa sob a alegação de serem corretores. Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária das pessoas acima citadas, nos termos do art. 124 inciso Ida Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Sendo assim, as intimações, constantes dos autos de infração, para recolher ou impugnar os débitos para com a Fazenda Nacional constituídos, foram extensivas a: a) José Tarcísio Malacame, CPF 578.381.35753; b) Juliana Agrizzi. CPF 086.843.45746; c) Josiana Agrizzi, CPF 086.960.93780; d) Renato Coelho Rigamonte, CPF 155.557.98687; e) Renato Coelho Rigamonte Junior, CPF 101.040.49707; f) Eduardo Araujo de Oliveira, CPF 073.612.66789; g) Márcio Alexandre Sarnáglia, CPF 008.228.85778; h) José Antonio Binda, CPF 252.411.50706; Fl. 8986DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 9 15 i) Marcelo Luiz Nascimento Barbosa, CPF 024.582.48713; j) Jurleia Engelhardt do Nascimento, CPF 022.546.28771; l) João Thomaz, CPF 838.760.81734; m) Alexandre Caran, CPF 076.808.19718. Para cada uma dessas pessoas preparouse um Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 6.848/6.871), no qual basicamente se repete o que está dito no item V do Relatório Fiscal. Segue abaixo síntese dos responsáveis solidários que apresentaram Impugnação: Impugnação de fls. 7.135/7.166 com anexos de fls. 7.167/7.197 de José Antonio Binda, CPF 252.411.50706 que é imperioso destacar e abordar as circunstâncias relevantes da questão tributária tratada nesses autos para que a elas se dê a atenção devida, uma vez que, curiosa e estranhamente, com todo o respeito possível, o relatório da fiscalização e as conclusões nele indicadas descuraram de apontálas; que certo é que prova em poder do Impugnante faz inequívoca a sua posição de corretor de café, isto é, de intermediador de operações realizadas com tal produto na região formada pelas cidades capixabas de Itaguaçu, de Itarana e de Santa Maria de Jetibá; que isto porque a situação pessoal do Impugnante já foi objeto de exame pormenorizado pela auditoria fazendária federal, a qual concluiu, por força de provas que lhe foram apresentadas, que ele é expoente da corretagem de café (cópia do pertinente relatório de fiscalização não deixa dúvidas a respeito, Doc. 2, fls. 7.171/7.197); que, em que tal pese, certo é que o relatório da fiscalização anexado aos presentes autos de infração revela, conforme anteriormente exposto, a prédisposição do fisco o de não admitir esta qualificação para o Impugnante; que, conforme assinalado no relatório da fiscalização, O Impugnante não teria intermediado negócios que interessavam à empresa A A de Paul & Cia Ltda., já que outras corretoras se apresentaram em tal posição nas respectivas situações (página 15 do referido relatório); que a superficialidade da averiguação da fiscalização sobressai nesta passagem do seu relatório, exatamente porque, via de regra, nas operações com café atuam dois intermediadores, ou seja, um à frente das empresas adquirentes e outro que negocia diretamente com os produtores rurais; que a fiscalização foi informada acerca de corretoras que trataram com a A A de Paulo & Cia Ltda., isto é, com a adquirente do café, todavia, não se inclinou à pesquisa dos corretores que negociaram com os produtores rurais, dos quais o Impugnante é exemplo; que para que a fiscalização pudesse afirmar, sem erro, que o Impugnante não atuou como corretor de café em aquisições de tal produto feitas pela A A de Paulo & Cia. Fl. 8987DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 16 Ltda., deveria ter averiguado, e concluído, com base em provas, que o Impugnante não se inscrevia entre os corretores que negociaram o referido item agrícola com os respectivos produtores rurais, que, entretanto, a fiscalização descuidou completamente desta pesquisa, como se pudesse afirmar que a A A de Paulo & Cia Ltda. vendeu café para terceiros (terceiros estes que foram questionados pela fiscalização a informarem se haviam comprado o café da empresa, e também a indicarem os intermediadores das respectivas operações), sem saber de quem ela anteriormente havia comprado o produto, isto é, sem poder dizer com firmeza quem o teria fornecido para a empresa; que, afinal, qual café a A A de Paulo & Cia Ltda. poderia vender, se indispusesse do produto em seus estoques?; que a circularização das operações da empresa procedida pela fiscalização somente teria sido efetivada, válida e legitimamente, se ela houvesse também se ocupado com diligências junto de produtores rurais que forneceram café para A A de Paulo & Cia. Ltda, o que, contudo, não foi feito; que uma das pontas das operações que envolveram a A A de Paulo & Cia. Ltda. não foi pesquisada; que não é demais dizer que a conclusão da fiscalização, do modo como posto no relatório da fiscalização em comento, não mostra consistência, e de conseguinte coerência ou explicação lógica, bastando ter em vista a seguinte indagação: se o Impugnante não era intermediador de operações realizadas com café, e se o nome dele não foi apontado como gestor da A A de Paulo & Cia. Ltda. por qualquer dos parceiros desta empresa, qual era, finalmente, a sua posição?; que se a resposta for: (i) vendedor de café, inevitavelmente não se pode admitir a alternativa, pois não há prova disso, tampouco indício; (ii) gestor da empresa, a opção se revela inconsistente, pois conforme antecipado não foi comprovada a mínima gestão de sua parte; que, neste último caso (gestor da empresa), convém dizer que a mera outorga de procuração para assinar cheques de uma das dezenove contascorrentes mantidas pela empresa A A de Paulo & cia. Ltda. não é suficiente pra caracterizar a gestão de TODA uma sociedade; que, demais disso, é consabido que a administração de uma sociedade não se resume à assinatura de cheques, mas a uma infinidade de medidas (monitoramento de negócios da empresa e direcionamento de suas operações, definições de suas metas, planejamento, coordenação de pessoal e distribuição de tarefas, execução de providências relacionadas com as finanças da pessoa jurídica, marketing, etc.); que a falha denunciada deflagra defeito insuperável na apuração tributária evidenciada no relatório de fiscalização e no auto de infração que instruem este processo, deixando, no mínimo, sem justificativa a afirmação disparada no relatório de fiscalização de que o Impugnante não intermediou operações realizadas com café que beneficiaram a A A de Paulo & Cia Ltda., isto é, que proporcionaram a composição do estoque deste produto por parte da citada empresa; que justamente em razão de intermediar aquisições de café para a A A de Paulo & Cia Ltda junto de produtores rurais estabelecidos nos municípios capixabas de Fl. 8988DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 10 17 Itaguaçu, de Itarana e de Santa Maria de Jetibá, é que o Impugnante recebeu procuração para expedir cheques da referida empresa relativos a uma contacorrente mantida em Santa Maria de Jetibá, embora não tenha feito uso dos poderes que lhe foram adjudicados pela citada empresa; que preferiu que seu sócio, de nome Marcio Alexandre Sarnaglia, coordenasse o pagamento dos produtores rurais com que o Impugnante transacionava; que a referida dinâmica facilitava os encaminhamentos e as conclusões das operações pelo corretor que as encabeçava, e, por outro lado, era de interesse da empresa, pois a resguardava de custos de instalações e de disponibilização de pessoal para realizar pagamentos aos produtores rurais frente aos quais comprava café, nas localidades em que eles se encontravam estabelecidos; que o fato de o Impugnante constar como beneficiário de diversos cheques emitidos pela A A de Paulo & Cia, Ltda. é devido à circunstância da maioria dos produtores rurais indisporem de contas bancárias, além de venderem pequenas quantidades de café, demandando pagamentos de valores abaixo de R$ 1.000,00; que, deste modo, para pagar os fornecedores o Impugnante sacava os valores (aproveitandose de auxílio prestado por Marcio Alexandre Sarnaglia) referentes aos pagamentos que tinha de realizar no dia, ou condizentes com os lotes de café formados a partir de aquisições feitas a diversos pequenos produtores, para efetivar as entregas das quantias aos respectivos beneficiários; que interessante contextualizar que tais movimentos se passaram em ambientes de extrema informalidade, até porque se deram em localidades nas quais a coloquialidade marca os negócios nelas realizados, nada estranho ao cenário das negociações centradas em café promovidas no Espírito Santo; que os fundamentos da solidariedade tributária atribuída ao Impugnante caem abaixo do que se dessume das colocações feitas até agora, mas os comprometimentos da solidariedade não esbarram apenas nas considerações já formuladas; que a doutrina enfatiza que a solidariedade é configurada a partir da participação comum de indivíduos no fato que a lei destaca como desencadeador da obrigação tributária; que, por aí, se vê a impropriedade da solidariedade atribuída ao Impugnante, a uma, porque o Impugnante não incorreu concomitantemente nos fatos jurídicos que desencadearam efeitos tributários para a A A de Paulo & Cia Ltda (pois o próprio relatório da fiscalização afirmou que a empresa foi quem se ocupou das suas realizações, liberando o, Impugnante das respectivas ocorrências — vendas de café para terceiros), a duas, porque o mpugnante não pode ser confundido com a própria A A de Paulo & Cia Ltda, dado ter existência destacada da referida empresa, a três, porque no extremo da arbitrariedade somente caberia para o Impugnante a qualificação de parceiro negocial da empresa, ficando evidente daí que ela teria se colocado em tal situação como pessoa que manteve relação com a A A de Paulo& Cia Ltda (circunstância impeditiva da caracterização da solidariedade, na confrmidade do julgado do STJ anteriormente); Fl. 8989DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 18 que, diante destas considerações insuplantáveis, vêse que o fisco indevidamente imputou solidariedade tributária ao impugnante, por débito incutido à empresa A A de Paulo & Cia Ltda.; que, com o devido respeito, tal solidariedade merece ser cancelada por este colegiado julgador; que se observe que a solidariedade atribuída ao Impugnante teve por fundamento o entendimento da fiscalização de que ele procedeu a atos de gestão da A A de Paulo & Cia Ltda., conforme o relatório da fiscalização patenteou esta circunstância aduzindo que o Impugnante, entre outros, "tiveram de alguma forma participação na fiscalizada e tinham interesse na mesma. O ato de gerir ficou caracterizado em virtude de possuírem procuração para negociar em nome da fiscalizada com total liberdade para comprar, vender, pagar, abrirem e movimentarem as contas correntes da A A DE PAULO & CIA LTDA" (páginas 1, 2 e 18 do relatório da fiscalização); que, entretanto, a suposta gestão não atrai a solidariedade (artigo 124 do CTN), pois a solidariedade é indiferente à realização de atos de gestão, conforme já alinhavado nesta peça, inclusive com base em excertos jurisprudenciais do Superior Tribunal de Justiça; que, portanto, o mínimo que se pode pensar sobre o remate dado à fiscalização aqui focalizada é que ela incorreu em confusão ao atribuir consequência incompatível com a execução de atos de gestão, qual seja, a solidariedade tributária; que isso se explicaria até pela fiscalização haver se deparado com contexto que lhe vedava imputar responsabilidade tributária ao Impugnante, posto tal medida se encontrar reservada pelo artigo 135, III, do CTN àqueles que executam atos de gestão e que se enquadram nas posições de gerentes, de administradores ou de sócios de pessoas jurídicas; que se este órgão revisor não entender por perfilhar o traçado das colocações anteriormente formuladas, e bem assim a orientação da jurisprudência do STJ, ainda assim é imperativa, com todo o respeito possível, a limitação da solidariedade atribuída ao Impugnante; que se observe que o relatório da fiscalização debalde tenha enfatizado, ainda que veladamente, que Aídes Ângelo de Paulo participou decisivamente da abertura da A A de Paulo & Cia Ltda e que comungou dos negócios da citada empresa, rematou suas palavras dizendo que tal indivíduo, e sua esposa, "não tiveram controle sobre a totalidade da movimentação financeira da empresa, movimentação esta proveniente da venda de café. Não tiveram, portanto, gerência sobre a totalidade dos negócios da mesma " (página 18 do relatório da fiscalização); que, ora, se a gestão da A A de Paulo & Cia Ltda por parte de Aídes Ângelo de Paulo foi reconhecida de forma restrita, o que se pode dizer da suposta gestão do Impugnante relacionada com a citada empresa?; que logo, ad argumentandum, se este colegiado julgador entender por manter a solidariedade passiva tributária do Impugnante — embora figure improcedente de acordo com os argumentos já lançados nesta peça , que a estabeleça no condizente ao somatório dos cheques que supostamente lhe beneficiaram, referentes à conta corrente do SICOOB de Santa Maria de Jetibá/ES (páginas 7 e 12 do relatório de fiscalização); Síntese da Impugnação de Marcelo Luiz Nascimento Barbosa CPF 024.582.48713 Fl. 8990DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 11 19 ciência em 20/12/2007 (fl. 7.200) e a Impugnação (fls. 7.201 a 7.245, com anexos de fls. 7.246 a 7.310). A mesma impugnação foi repetida para a CSLL (fls. 7.311 a 7.422), Cofins (fls. 7.423 a 7.532), PIS (fls. 7.533 a 7.644): que consta deste processo a lavratura de 4 (quatro) autos de infração contra a empresa A A de Paulo & Cia Ltda., atribuindose a condição de responsáveis solidários, nos termos do art. 124, I, do CTN, a diversas pessoas, a quem foram outorgadas procurações por instrumento público para, supostamente, administrar e gerir a citada empresa; que não obstante o fato de nunca lhe ter sido outorgado qualquer poder de administração e gestão da autuada, ao ora Impugnante foi atribuída, equivocadamente, a condição responsável (por solidariedade), pelo simples fato de lhe ter sido outorgada um substabelecimento com finalidade específica, conforme se verá doravante; que, sendo assim, cabe ao ora Impugnante, que nunca tomou conhecimento de qualquer exigência feita à empresa autuada no curso da fiscalização, a apresentação desta defesa, a partir da qual restará comprovada a total ausência de responsabilidade sua pelo crédito tributário constituído pelos autos de infração; que, do termo de substabelecimento outorgado ao ora Impugnante (fl. 3.377), concluise, desde já, que não é verdadeira afirmação da Fiscal Autuante no Relatório Fiscal de que todos os mandatários receberam poderes amplos e irrestritos para gerirem a empresa fiscalizada, pois do referido termo consta que o Sr. Renato Coelho Rigamonte, enquanto mandatário da empresa fiscalizada, outorgou "parte dos poderes que lhes foram conferdiso por A A DE PAULO & CIA LTDA" (sic), poderes estes para representar a empresa na venda de café e junto a instituições bancárias; que, por tal substabelecimento, cujos poderes outorgados eram restritos, ao ora Impugnante não foram outorgados poderes de gestão da empresa fiscalizada, diferentemente do que se observa de outras procurações constantes do processo administrativo fiscal, outorgadas a outros mandatários e cujos poderes eram amplos e irrestritos; que, fato importante, outrossim, é o reconhecimento pela própria Fiscal Autuante de que o ora Impugnante apenas abriu a contacorrente de n° 059650 (junto ao SICOOB de São Gabriel da Palha) e assinou cheques emitidos contra tal conta, nada restando provado quanto à participação deste Impugnante na efetiva gestão da empresa, o que não pode ser presumido; que, ora, o que fez este Impugnante senão apenas ter cedido seu nome e ter assinado cheques, conforme relatou no item II, parágrafo 4, do Relatório Final de Fiscalização, a auditora fiscal?; que nenhum dos clientes da A A de Paulo & Cia Ltda., quando lhes foi solicitado esclarecimentos sobre as operações que realizaram (item IV do Relatório Final de Fiscalização), disse ter realizado operações com o ora Impugnante, mas sim com terceiras pessoas, fato que somente vem corroborar a total ausência de poder de gestão pelo ora Impugnante sobre as atividades da empresa fiscalizada, não havendo em momento algum, no curso da fiscalização, prova de que o ora Impugnante exerceu poderes de gestão na empresa fiscalizada; Fl. 8991DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 20 que, na constituição do crédito tributário pelo lançamento, a teor do que dispõe o artigo 142 do CTN, há que se identificar o sujeito passivo e não presumir quem seja o sujeito passivo; que outra razão para se reconhecer a total ausência de responsabilidade do ora Impugnante pelo crédito constituído em face da empresa fiscalizada é o próprio teor do § 5° do art. 42 da Lei 9.430/1996 (parágrafo acrescentado pela Lei n° 10.637/2002) "Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento "; que, ora, se a fiscal autuante presumiu (de forma flagrantemente equivocada) que os valores creditados na conta corrente supostamente movimentada pelo ora Impugnante pertenceriam a este, ele não poderia ter sido atingido na condição de co responsável, pois deveria ter sido o próprio autuado pelos créditos realizados naquela conta corrente específica; que, contudo, se assim não agiu a auditora fiscal, como de fato não agiu, é porque entendeu que ao ora Impugnante não pertencem os valores creditados em tal conta corrente, razão pela qual não o autuou e, por consequência, não poderia terlhe infligido a condição de coresponsável; que a determinação expressa no § 5° do art. 42 da Lei 9.430/1996 tem por razão lógica o fato de que a responsabilidade deve recair sobre o efetivo titular dos rendimentos ou receitas omitidas, qual seja, o verdadeiro beneficiário da riqueza decorrente dos rendimentos ou receitas; que não é por outra razão que já se consolidou o entendimento, no âmbito do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, de que o lançamento do imposto de renda não pode ser feito apenas em razão da existência de depósitos bancários sem comprovação de sua origem, pois "é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, bem como seja comprovada a utilização dos valores em aplicações no mercado financeiro, evidenciando sinais exteriores de riqueza ", nos termos da ementa de Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais/0104.663, do processo n° 13805.002862/9713, trazida à colação; que disso tem pleno conhecimento a auditora fiscal que subscreveu o Relatório Final de Fiscalização, que no item/títuo V — Da Responsabilidade Solidária afirmou que `A situação configurada na lei (art. 124, 1) é aquela em que todos os envolvidos ganham simultaneamente com o fato econômico tornado fato gerador pela lei tributária. Aquela em que todos os envolvidos estão do mesmo lado, pretendendo o maior beneficio possível do a mesmo referido fato econômico "; que, pois bem, ante a total ausência de investigação, no curso da fiscalização, sobre as condições financeiras vividas pelo ora Impugnante, este apresenta alguns documentos que provam, inequivocamente, que nada ganhou pelo fato de ter emprestado o seu nome para ser mandatário por meio do substabelecimento lhe outorgado pelo tal Renato Coelho Rigamonte, a pedido de Edson José Danadia (este, cunhado da Sra. Jurleia Engelhardt que também assinava cheques emitidos contra a mesma conta corrente a partir da qual eram emitidos os cheques assinados pelo ora Impugnante (fl. 546); Fl. 8992DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 12 21 que, sendo assim, apresenta, em anexo, os seguintes documentos: extratos bancários de suas contas pessoais no ano de 2001 (mesmo ano da movimentação da conta corrente da empresa fiscalizada cuja coresponsabilidade lhe foi infligida), declaração do IRPF do anocalendário de 2001, declaração do IRPF do anocalendário de 2006, algumas contas de água e luz e fotografias do seu endereço residencial (não possui imóvel residencial próprio); que, pelos documentos acima, constatase que sempre foi e ainda é pessoa de parcos recursos, demonstrando, à saciedade, que o Impugnante nada ganhou, ou seja, não foi beneficiário das receitas omitidas pela empresa fiscalizada, não sendo titular de nenhuma de suas contas correntes e, portanto, não se lhe aplicando as disposições do art. 124, I, do CTN; que, embora o Impugnado não tenha praticado qualquer ato de gestão, como exaustivamente demonstrado, em face do que sequer poderia ter sido indicado como responsável solidário, ainda que se admita a sua responsabilização apenas e tãosomente para efeitos de argumentação, a mesma deve ser restrita aos atos por ele praticados, isso porque, como procurador, só responde por atos que efetivamente praticou; que, ademais, os princípios de individualização da pena, da isonomia e da proporcionalidade, vigentes no ordenamento jurídico brasileiro, determinam que cada pessoa somente pode ser apenada pelos atos ilegais que pratica, na exata proporção de suas infrações; que a análise dos artigos 124 do CTN e 42 da Lei n° 9.430/1996 leva à conclusão de que o infrator deve der responsabilizado na medida de sua participação; que os procuradores somente podem ser responsabilizados pelos atos que o efetivamente praticaram e não por poderes que lhes foram outorgados e não exercidos; que, aliás, o próprio art. 134 do CTN é expresso no sentido de que as pessoas nele arroladas, tais como administradores de bens de terceiros, apenas respondem "nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis "; que, da mesma forma, as pessoas mencionadas no art. 135 do CTN somente podem ser responsabilizadas pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes dos próprios atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; que, ademais, segundo Leandro Paulsen (Direito tributário: Constituição e Código Tributária à luz da doutrina e da Jurisprudência, 2006, página 1006) "o art. 124 do CTN não autoriza a lei a colocar como solidário quem não tenha relação direta com o fato gerador'; que, de todo o exposto, concluise que os procuradores somente podem ser responsabilizados pelos atos que efetivamente praticam, ainda que tenham recebido mais poderes do que praticaram, conforme entendimento jurisprudencial trazido à colação; que, da ementa transcrita, vêse que o Poder Judiciário reconhece expressamente que a responsabilidade dos procuradores é limitada aos atos em que intervierem ou as omissões culposas de que forem efetivamente responsáveis; que, consequentemente, a fiscalização deveria ter limitado a responsabilidade de cada procurador ao ato efetivamente praticado pelo mesmo, seja porque o procurador não pode responder por atos nos quais não teve participação, seja porque o não Fl. 8993DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 22 exercício de alguns dos poderes outorgados equivale ao não uso da procuração para as finalidades cujos poderes, apesar de outorgados, não foram exercidos; que, nestes termos, a responsabilização do ora Impugnante, admitida aqui apenas para efeitos de argumentação, deveria ter sido adstrita aos atos por ele praticados na qualidade de procurador da empresa fiscalizada; que, entretanto, conforme Relatório Final de Fiscalização, O Impugnante foi indicado como responsável solidário pela totalidade do crédito lançado, decorrente da movimentação de recursos de diversas contas correntes, embora tenha sido acusado de movimentar unicamente a conta corrente n° 059650, mantida junto ao SICOOB de São Gabriel da Palha (vide título III, item 4, do Relatório Final de Fiscalização); que é por isso que, na remotíssima hipótese de subsistência da autuação quanto ao ora Impugnante, não poderá o mesmo responder pelos créditos decorrentes da movimentação de outras contas correntes que não movimentou, sob pena de vir a ser condenado por atos que não praticou; que, segundo Edmar Oliveira Andrade Filho (Limites Constitucionais da Responsabilidade Objetiva por Infrações Tributárias, 2002, página 17), "ao princípio da individualização da pena deve ser dada a interpretação mais ampla possível e, em decorrência, é extensível às leis que estipulam quaisquer espécies de penas (sanções), inclusive, portanto, as que são infligidas pelo descumprimento de obrigação tributária ou de deveres formais previstos em lei, e aplicados dentro ou fora da jurisdição "; que, pois bem, considerando o princípio da individualização da pena, concluise que não há previsão legal ou constitucional para a responsabilização solidária do ora Impugnante por todo o crédito lançado, decorrente não só da movimentação da conta corrente n° 059650 (mantida junto ao SICOOB de São Gabriel da Palha) pelo Impugnante, como também da movimentação de contas de terceiros e por terceiros, sem a menor participação sua; que, aliás, há que se lembrar que o mencionado princípio da individualização da pena é decorrência lógica dos princípios da isonomia e da proporcionalidade ou razoabilidade, não restando, pois quaisquer resquícios de dúvidas de que, ainda que se admita a responsabilização do Impugnante, esta não poderá ser em relação a todo o crédito lançado, mas apenas ao crédito decorrente dos recursos da conta corrente que supostamente teria movimentado; que, de acordo com o art. 124, I, do CTN, "são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal ", pelo quê o Impugnante só poderia vir a ser considerado responsável solidário pelo crédito decorrente da conta que supostamente teria movimentado, uma vez que, com relação às demais, que, segundo o próprio fisco, teriam sido abertas e movimentadas por terceiros, o Impugnante não tem qualquer relação com o fato gerador, que o § 6° do art. 42 da Lei n° 9.430/1996 estabelece que "Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares."; que, assim, com muito maior razão, se várias são as contas correntes cujos recursos deram origem à totalidade do crédito lançado, cada procurador não pode vir a ser Fl. 8994DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 13 23 responsabilizado pela totalidade do crédito, mas apenas nos limites de sua participação, isto é, pelo crédito decorrente da conta que supostamente movimentou; que, em face do exposto, requer: a exclusão do ora Impugnante da condição de responsável pelos créditos constituídos contra a empresa fiscalizada, já que não é responsável por tal crédito tributário, julgandose insubsistente a ação fiscal em relação a sua pessoa; Ad cautelam, não sendo acolhido o pedido já formulado, hipótese que se ventila apenas e tãosomente para efeito de argumentação, que sua responsabilidade seja limitada aos créditos tributários em razão dos depósitos de origem não identificada promovidos na conta corrente n° 059650, mantida junto ao SICOOB de São Gabriel da Palha, reconhecida pela própria Fiscal Autuante como tendo sido a única conta corrente supostamente movimentada pelo ora Impugnante. seja trazida aos autos a fotocópia integral do processo administrativo que deu origem ao auto de infração ora impugnado, onde se encontram todas as provas documentais que embasam os pedidos formulados anteriormente; que, por oportuno, consigna que poderá apresentar novos argumentos de defesa em momento oportuno, eis que não teve acesso a todo processo administrativo fiscal, o que, por si só, caracteriza cerceamento do direito de defesa, já que, ao tentar obter fotocópia das partes do processo administrativo fiscal que lhe interessam, o Impugnante foi informado pelo funcionário público da Agência da Receita Federal do Brasil de Cachoeiro de Itapemirim, que lhe atendeu muito educadamente e solicitamente, que, por falta de recursos humanos, não teria o como fornecer cópia do que pretendia em prazo inferior a 30 (trinta) dias. Síntese da Impugnação de fls. 7.646/7.674, com anexos de fls. 7.675/7.707, de Márcio Alexandre Sarnaglia, CPF 008.228.85778 que é imperioso destacar e abordar as circunstâncias relevantes da questão tributária tratada nesses autos para que a elas se dê atenção devida, uma vez que curiosa e estranhamente, com todo o respeito possível, o relatório da fiscalização e as conclusões nele indicadas descuraram de apontálas; que certo é que prova em poder do Impugnante faz inequívoca a sua posição de corretor de café, isto é, de intermediador de operações realizadas com tal produto na região formada pelas cidades capixabas de Itaguaçu, de Itarana e de Santa Maria de Jetibá; que isto porque a situação pessoal do Impugnante já foi objeto de exame pormenorizado pela auditoria fazendária federal, a qual concluiu, por força de provas que lhe foram apresentadas, que ele é expoente da corretagem de café (cópia do pertinente relatório de fiscalização não deixa dúvidas a respeito, Doc. 2, fls. 7.171/7.197); que, em que tal pese, certo é que o relatório da fiscalização anexado aos presentes autos de infração revela, conforme anteriormente exposto, a prédisposição do fisco de não admitir esta qualificação para o Impugnante; que, conforme assinalado no relatório da fiscalização, o Impugnante não teria intermediado negócios que interessavam á empresa A A de Paul & Cia Ltda., já que Fl. 8995DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 24 outras corretoras se apresentaram em tal posição nas respectivas situações (página 15 do referido relatório); que a superficialidade da averiguação da fiscalização sobressai nesta passagem do seu relatório, exatamente porque, via de regra, nas operações com café atuam dois intermediadores, ou seja, um à frente das empresa adquirentes e outro que negocia diretamente com os produtores rurais; que a fiscalização foi informada acerca de corretoras que trataram com a A A de Paulo & Cia Ltda., isto é, com a adquirente do café, todavia, não se inclinou à pesquisa dos corretores que negociaram com os produtores rurais, dos quais o Impugnante é exemplo; que para que a fiscalização pudesse afirmar, sem erro, que o Impugnante não atuou como corretor de café em aquisições de tal produto feitas pela A A de Paulo & Cia. Ltda., deveria ter averiguado, e concluído, com base em provas, que o Impugnante não se inscrevia entre os corretores que negociaram o referido item agrícola com os respectivos produtores rurais; que, entretanto, a fiscalização descuidou completamente desta pesquisa, como se pudesse afirmar que a A A de Paulo & Cia Ltda. vendeu café para terceiros (terceiros estes que foram questionados pela fiscalização a informarem se haviam comprado o café da empresa, e também a indicarem os intermediadores das respectivas operações), sem saber de quem ela anteriormente havia comprado o produto, isto é, sem poder dizer com firmeza quem o teria fornecido para a empresa; que, afinal, qual café a A A de Paulo & Cia Ltda. poderia vender, se indispusesse do produto em seus estoques?; que a circularização das operações da empresa procedida pela fiscalização somente teria sido efetivada, válida e legitimamente, se ela houvesse também se ocupado com diligências junto de produtores rurais que forneceram café para A A de Paulo & Cia. Ltda, o que, contudo, não foi feito; que uma das pontas das operações que envolveram a A A de Paulo & Cia. Ltda. não foi pesquisada; que não é demais dizer que a conclusão da fiscalização, do modo como posto no relatório da fiscalização em comento, não mostra consistência, e de conseguinte coerência ou explicação lógica, bastando ter em vista a seguinte indagação: se o Impugnante não era intermediador de operações realizadas com café, e se o nome dele não foi apontado como gestor da A A de Paulo & Cia. Ltda. por qualquer dos parceiros desta empresa, qual era, finalmente, a sua posição?; que se a resposta for: (i) vendedor de café, inevitavelmente não se pode admitir a alternativa, pois não há prova disso, tampouco indício;(ii) gestor da empresa, a opção se revela inconsistente, pois conforme antecipado não foi comprovada a mínima gestão de sua parte; que, neste último caso (gestor da empresa), convém dizer que a mera outorga de procuração para assinar cheques de uma das dezenove contascorrentes mantidas pela empresa A A de Paulo & Cia. Ltda. não é suficiente para caracterizar a gestão de TODA uma sociedade; Fl. 8996DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 14 25 que, demais disso, é consabido que a administração de uma sociedade não se resume à assinatura de cheques, mas a uma infinidade de medidas (monitoramento de negócios da empresa e direcionamento de suas operações, definições de suas metas, planejamento, coordenação de pessoal e distribuição de tarefas, execução de providências relacionadas com as finanças da pessoa jurídica, marketing, etc.); que a falha denunciada deflagra defeito insuperável na apuração tributária evidenciada no relatório de fiscalização e no auto de infração que instruem este processo, deixando, no mínimo, sem justificativa a afirmação disparada no relatório de fiscalização de que o Impugnante não intermediou operações realizadas com café que beneficiaram a A A de Paulo & Cia Ltda., isto é, que proporcionaram a composição do estoque deste produto por parte da citada empresa; II. 2. Justificativa da movimentação de uma contacorrente da A A de Paulo & Cia Ltda. pelo Impugnante; que justamente em razão de intermediar aquisições de café para a A A de Paulo & Cia Ltda junto de produtores rurais estabelecidos nos municípios capixabas de Itaguaçu, de Itarana e de Santa Maria de Jetibá, é que o Impugnante recebeu procuração para expedir cheques da referida empresa relativos a uma contacorrente mantida em Santa Maria de Jetibá (página 7 do relatório da fiscalização); que isso facilitava os encaminhamentos e as conclusões das operações pelo corretor que as encabeçava, e, por outro lado, era de interesse da empresa, pois a resguardava de custos de instalações e de disponibilização de pessoal para realizar pagamentos aos produtores rurais frente aos quais comprava café, nas localidades em que eles se encontravam estabelecidos; que o fato de o Impugnante constar como beneficiário de diversos cheques emitidos pela A A de Paulo & Cia, Ltda. é devido à circunstância da maioria dos produtores rurais indisporem de contas bancárias, além de venderem pequenas quantidades de café, demandando pagamentos de valores abaixo de R$ 1.000,00; que, deste modo, para pagar os fornecedores o Impugnante sacava os valores referentes aos pagamentos que tinha de realizar no dia, ou condizentes com os lotes de café formados a partir de aquisições feitas a diversos pequenos produtores, para efetivar as entregas das quantias aos respectivos beneficiários, nada estranho ao cenário das negociações centradas em café promovidas no Espírito Santo; que os fundamentos da solidariedade tributária atribuída ao Impugnante caem abaixo do que se dessume das colocações feitas até agora, mas os comprometimentos da solidariedade não esbarram apenas nas considerações já formuladas; que a doutrina enfatiza que a solidariedade é configurada a partir da participação comum de indivíduos no fato que a lei destaca como desencadeador da obrigação tributária; que, por aí, se vê a impropriedade da solidariedade atribuída ao Impugnante, a uma, porque o Impugnante não incorreu concomitantemente nos fatos jurídicos que desencadearam efeitos tributários para a A A de Paulo & Cia Ltda (pois o próprio relatório da fiscalização afirmou que a empresa foi quem se ocupou das suas realizações, liberando o Impugnante das respectivas ocorrências — vendas de café para terceiros), a duas, porque o Impugnante não pode ser confundido com a própria A A de Paulo & Cia Ltda, dado ter Fl. 8997DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 26 existência destacada da referida empresa, a três, porque no extremo da arbitrariedade somente caberia para o Impugnante a qualificação de parceiro negocial da empresa, ficando evidente daí que ela teria se colocado em tal situação como pessoa que manteve relação com a A A de Paulo & Cia Ltda (circunstância impeditiva da caracterização da solidariedade, na conformidade do julgado do STJ anteriormente transcrito); que, diante destas considerações insuplantáveis, vêse que o fisco indevidamente imputou solidariedade tributária ao impugnante, por débito incutido à empresa A A de Paulo & Cia Ltda.; que, com o devido respeito, tal solidariedade merece ser cancelada por este colegiado julgador; que se observe que a solidariedade atribuída ao Impugnante teve por fundamento o entendimento da fiscalização de que ele procedeu a atos de gestão da A A de Paulo & Cia Ltda., conforme o relatório da fiscalização patenteou esta circunstância aduzindo que o Impugnante, entre outros, "tiveram de alguma forma participação na fiscalizada e tinham interesse na mesma. O ato de gerir ficou caracterizado em virtude de possuírem procuração para negociar em nome da fiscalizada com total liberdade para comprar, vender, pagar, abrirem e movimentarem as contas correntes da A A DE PAULO & CIA LTDA" (páginas 1, 2 e 18 do relatório da fiscalização); que, entretanto, a suposta gestão não atrai a solidariedade (artigo 124 do CTN), pois a solidariedade é indiferente à realização de atos de gestão, conforme já alinhavado nesta peça, inclusive com base em excertos jurisprudenciais do Superior Tribunal de Justiça; que, portanto, o mínimo que se pode pensar sobre o remate dado à fiscalização aqui focalizada é que ela incorreu em confusão ao atribuir consequência incompatível com a execução de atos de gestão, qual seja, a solidariedade tributária; que isso se explicaria até pela fiscalização haver se deparado com contexto que lhe vedava imputar responsabilidade tributária ao Impugnante, posto tal medida se encontrar reservada pelo artigo 135, III, do CTN àqueles que executam atos de gestão e que se enquadram nas posições de gerentes, de administradores ou de sócios de pessoas jurídicas; que se este órgão revisor não entender por perfilhar o traçado das colocações anteriormente formuladas, e bem assim a orientação da jurisprudência do STJ, ainda assim é imperativa, com todo o respeito possível, a limitação da solidariedade atribuída ao Impugnante; que se observe que o relatório da fiscalização debalde tenha enfatizado, ainda que veladamente, que Aídes Ângelo de Paulo participou decisivamente da abertura da A A de Paulo & Cia Ltda e que comungou dos negócios da citada empresa, rematou suas palavras dizendo que tal indivíduo, e sua esposa, "não tiveram controle sobre a totalidade da movimentação financeira da empresa, movimentação esta proveniente da venda de café. Não tiveram, portanto, gerência sobre a totalidade dos negócios da mesma " (página 18 do relatório da fiscalização); que, ora, se a gestão da A A de Paulo & Cia Ltda por parte de Aídes Ângelo de Paulo foi reconhecida de forma restrita, o que se pode dizer da suposta gestão do Impugnante relacionada com a citada empresa?; que logo, ad argumentandum, se este colegiado julgador entender por manter a solidariedade passiva tributária do Impugnante — embora figure improcedente de Fl. 8998DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 15 27 acordo com os argumentos já lançados nesta peça , que a estabeleça no condizente ao somatório dos cheques que supostamente lhe beneficiaram, referentes à conta corrente do SICOOB de Santa Maria de Jetibá/ES (páginas 7 e 12 do relatório de fiscalização); Síntese da Impugnação de fls. 7.709/7.716, com anexo de fl. 7.7.717, de João Thomaz, CPF 838.760.81734 a ciência da autuação se deu em 20/12/2007 (fl. 7.708). inobstante ao longo arrazoado constante do relatório fiscal, resta clarividente que inexistem sequer indícios que autorizem ao impugnante estrelar no pólo passivo do presente auto de infração; ademais, denotase de plano que a maior parte dos valores lançados no AI ora impugnado já foram alcançados pela decadência, considerando o lapso decadencial de 05 (cinco) anos que o Fisco dispõe para proceder o lançamento; nesse contexto, veremos a seguir que inexiste suporte (fático ou jurídico de amparo a pretensão fiscal, bem como será devidamente demonstrada a total insubsistência do lançamento ora guerreado; como faz prova o comprovante de recebimento A. R. juntado aos autos, o impugnante fora cientificado da lavratura do presente AI em 21 de dezembro de 2007; tratando da decadência do direito de lançar, o art. 173 do Código Tributário Nacional assim aduz: [...]; pela dicção do artigo supra, surge incontroverso que o prazo para o fisco realizar o lançamento, ressaltese, atividade privativa deste, expira de forma clara após o decurso de 05 (cinco) anos do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido efetuado, e ainda, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadência! será contado da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN); que o impugnante não tem condições de afirmar ou comentar qualquer dos fatos narrados em relação à empresa e seus sócios, já que não possuiu e nem possui qualquer vínculo com a empresa autuada e seus proprietários, a não ser a simples prestação de serviços de corretagem que prestava na região de LinharesES; apenas por uma simples leitura do longo arrazoado produzido pelo i. agente fiscal (24 (vinte e quatro) laudas), vislumbrase que inexiste qualquer indício de interesse ou participação societária do impugnante na empresa autuada; na verdade, o i. agente fiscal associou o fato de o impugnante ter possuído uma procuração para movimentar uma conta corrente da empresa impugnada (para quem atuava na intermediação de compra e venda (corretagem) de café), com suposta gestão, interesse, participação ou sociedade na empresa autuada, o que inexistiu; no depoimento do Sr. Aides Angelo de Paulo, proprietário da empresa autuada, o mesmo foi enfático ao responder que não conhece o impugnante (fls. 09); também se depreende que nenhuma das pessoas ouvidas no procedimento fiscal sequer citou o nome do impugnante como sócio, gestor ou até mesmo como mero Fl. 8999DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 28 participante da empresa autuada, e tampouco houvera qualquer afirmação de que o impugnante era beneficiário dos valores movimentados na conta corrente em questão; a única menção ao nome do impugnante fora realizado pelo i. agente fiscal às fls. 14; que jamais negou possuir procuração da empresa autuada, já que atuava como corretor para a mesma, e a praxe no mercado é de outorgar procuração aos corretores para agilizar a comercialização; que não basta a mera existência de uma procuração para movimentar conta corrente (o que é praxe no mercado de café) para imputar ao impugnante qualquer responsabilidade acerca dos tributos devidos pela empresa autuada; que não se pode confundir um mero prestador de serviços com as pessoas que administravam a empresa, sob pena de extrapolar a lógica e ordenamento jurídico vigente; que é pessoa honesta e trabalhadora, e certamente se soubesse do menor indício que a empresa autuada estivesse envolvida em qualquer dos fatos narrados no presente AI (sendo tais fatos verídicos ou não), jamais lhe teria prestado qualquer serviço; que é incontroverso que inexiste no auto de infração ora guerreado qualquer prova que autorize ao impugnante estrelar em seu polo passivo, devendo o mesmo ser excluído do malsinado auto de infração. Síntese da Impugnação de fls. 7.720/7.755, com anexo de fls. 7.756/7.763, de Juliana Agrizzi, CPF 086.843.45746 e de Josiana Agrizzi, CPF 086.960.93780. que quanto à primeira defendente Sra. Juliana Agrizzi foi aduzido que teria controle sobre a referida conta bancária decorrente de documento juntados aos autos as fls. 750 que lhe autorizaria (teoricamente) a ter ciência dos saldos e extratos (se prestando para tal mero relatório mecanográfico, onde não consta qualquer assinatura), que quanto à segunda defendente, apenas o fato de ter sido portadora para o sócio de seu pai de alguns títulos, fora incluída como beneficiária e responsável pelo crédito. A fundamentação legal seria o artigo 124 do Código Tributário Nacional, verbis: [...] que os Senhores Auditores verificaram que as defendentes eram, no máximo, meros instrumentos, não praticaram qualquer ato que constitua fato gerador de obrigação tributária e, assim, incabível a capitulação a que se refere o auto de infração; que denotase de todo o auto de infração, que de natureza peculiar originou se de denúncias de crimes comuns, que a Autoridade Fiscal não procurou verificar quem realmente teve interesse, mormente quando os cheques (repetimos) eram preenchidos, assinados e (frisese), em conformidade como dito pelo próprio procurador, destinados ao pagamento de compras (letra "e"fls. 6749). que se os pagamentos por ele eram realizados, ele tinha em seu poder o numerário eventualmente sacado? Perguntase, quem movimentou? Nesta linha, TODOS OS OFFICE BOYS DAS EMPRESAS INVESTIGADAS SERIAM SOLIDÁRIOS DO CREDITO TRIBUTÁRIO? Fl. 9000DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 16 29 que rogando a mais alta "vénia" a interpretação dada pelos Srs., Auditores Fiscais, além de castrar o sagrado direito de defesa, fere frontalmente o disposto no artigo 112 do CTN; que depoimento prestado pela primeira defendente, em momento algum afirmou que ela seria beneficiária, não escondendo jamais sua filiação, nem tampouco que prestava favores ao sócio de seu pai. Se porventura tivessem as defendentes em algum momento se beneficiado ou guardado para si numerários recebidos, poderiam, hipoteticamente, serem atribuídos responsabilidades mas a verdade que se extrai (principalmente com a afirmação do procurador) é que foram meras portadoras; que requeriam a exclusão das ora defendentes do auto de infração, por completa e irrestrita falta de provas. Síntese da Impugnação de fls. 7.765/7.772, com anexo de fls. 7.773/7.789, de osé Tarcísio Malacarne, CPF 578.381.35753. A mesma Impugnação foi apresentada para os lançamentos decorrentes, CSLL (fls. 7.790/7.818), Cofins (fls. 7.819/7.842), PIS (fls. 7.843/7.866). Eis a síntese: que a auditora responsável pela autuação deixouse levar por alegações infundadas de algumas pessoas que parecem, pelos depoimentos que constam no auto de infração, ser as verdadeiras responsáveis pela gestão da empresa "A A De Paulo & CIA LTDA'. que a empresa responsável pelos fatos geradores "A A de Paulo & Cia LTDA", tem como sócios o Sr. Aides Angelo de Paulo e a Sra.Diva Lopes Valadares de Paulo, pessoas que este impugnante não conhece e com quem nunca manteve qualquer tipo de relação, o testemunho prestado pelo Sr. Aides Angelo de Paulo ao Ministério Público deixa claro quem são os responsáveis pela fraude que poderia estar ocorrendo: os Srs. Décio Perim, Dalto Perim e Deoclécio Perim, que, se aos depoimentos prestados ao Ministério Público forem atribuídas força probante, devem ser qualificados como os responsáveis pela gestão da tal "A A De Paulo & CL4 LTDA ". que o depoimento prestado pelo Sr. Aídes Angelo de Paulo foi considerado o bastante para.excluílo como responsável pela gestão da empresa. Então, natural seria que as pessoas apontadas por ele como responsáveis pela abertura e gestão da empresa "A A De Paulo & CIA LTDA ", é que fossem responsabilizadas pela solvência dos débitos gerados pela empresa. que ao que pese as conclusões da Auditora Fiscal, as pessoas que tinham procuração para movimentar as contas da empresa não poderiam sofrer a imputação de serem os gestores da empresa. Da mesma forma que a empresa foi aberta sem que os sócios formais tivessem conhecimento, também é possível que as contas tenham sido movimentadas pelos 'procuradores" sem que estes tivessem conhecimento. Pelo menos no caso deste impugnante, foi o que ocorreu. que o impugnante, José Tarcísio Malacarne é tão vítima quanto o Sr. Aídes Angelo de Paulo e a Sra. Diva Lopes Valadares de Paulo parecem ser; Fl. 9001DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 30 que foram confeccionadas procurações em seu nome sem que tivesse conhecimento e, através destas, parecem ter sido abertas e movimentadas contas sem que, também, tivesse conhecimento; Que afirma e desafia prova em contrário, que não abriu ou movimentou qualquer conta da "A A De Paulo & CIA LTD A" em bancos cujas agências se localizam nos municípios de Cariacica e Vargem Alta, conforme é afirmado às folhas 07 do Relatório Fiscal; que a mera existência dessas procurações, e o fato de que alguém, valendo se delas, movimentava as contas abertas em nome da empresa autuada, diante da gravidade dos fatos descobertos pelo Ministério Público, não podem gerar, sem a ocorrência de um exame pericial, a responsabilização deste impugnante; que em relação ao depoimento prestado pela Sra. Juliana Agrizzi. Cujo conteúdo só toma conhecimento após esta intimação da Receita Federal, o impugnante deixa claro que já está tomando as providências cabíveis para sua responsabilização nas esferas criminal e cível, pelas leviandades ditas por esta senhora em seu depoimento. que conforme afirma a auditora fiscal autora do relatório fiscal, as pessoas beneficiárias dos cheques assinados pelo impugnante foram as senhoras Juliana Agrizzi e Josiana Agrizzi. Elas é que demonstraram riqueza. que quem obteve receita com os cheques assinados pelo procurador da empresa foram as referidas senhoras. Elas é que de algum modo aferiram renda. O impugnante, na situação de procurador, apenas assinava os cheques a mando da pessoa que lhe conferiu os poderes; que não tinha o impugnante qualquer ingerência nos rumos da empresa autuada, "A A De Paulo & CIA LTDA ". Não tinha o impugnante controle sobre a atuação da empresa, nem sobre o pagamento de seus tributos, era mero procurador da empresa, aliás, a pessoa que mantinha contrato de Mandado com a empresa, era o senhor Renato Coelho Rigamonte, pessoa essa que substabeleceu alguns de seus poderes para o impugnante; que se alguém foi beneficiário de alguma fraude que pode ter sido realizada, conforme a própria auditora fiscal afirma, foram as senhoras Juliana Agrizzi e Josiana Agrizzi, as pessoas que recebiam os cheques que o impugnante, na qualidade de mandatário, assinava; que a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, que precedeu esse auto de infração, vai de encontro ao que estabelece nossa Constituição. Síntese da Impugnação de fls. 7.868/7.877, com anexo de fls. 7.878/7.881 de Alexandra Carari, CPF 076.808.19718. Eis a síntese: que trabalhava em um escritório que tinha como atividade principal a compra e venda de sacas de café. Em síntese, o negócio consistia na compra de café de pequenos produtores rurais no interior do município de Castelo (ES) e sua posterior venda para empresas sediadas no município de Vitória (ES); que para efetuar as vendas do café nas empresas da capital do estado, necessitava dos serviços de um corretor de café, que, na oportunidade, era o senhor LUÍS HELVÉCIO SANTANA PIRES, que fazia toda a negociação da venda e consequentemente recebia por seus serviços; Fl. 9002DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 17 31 que as vendas eram realizadas através da empresa A A DE PAULO & CIA LTDA., que prestava este serviço e recebia por ele (Doc. Anexo, fl, 7.880), o pagamento ocorria através da mesma, sendo feito depósitos em benefício da referida empresa, mas que na verdade tinha como destino a firma onde a impugnante trabalhava. Em decorrência deste fato, o Sr. Luiz Helvécio e o Sr. Renato Coelho Rigamonte, enviaram para a impugnante toda a documentação necessária para a abertura de uma conta corrente de titularidade da empresa A A DE PAULO & CIA LTDA, para que a impugnante pudesse receber o dinheiro referente a venda do café realizada pela empresa que trabalhava e efetuar o pagamento dos produtores rurais que lhe vendiam o produto; que por este motivo, o senhor Luiz Helvécio Santana Pires substabeleceu procuração para a impugnante, para que esta pudesse receber o dinheiro que vinha no nome da empresa A A DE PAULO E CIA LTDA., que era quem realizava a venda de café para a empresa que a Impugnante trabalhava; que em momento algum a impugnante exerceu qualquer tipo de administração ou gerência sobre a empresa supracitada, nem tampouco tinha interesse pessoal na mesma, sendo sua relação com esta, de ordem puramente comercial; que é imaginária a infração que teria cometido a impugnante, posto que, a inclusão de seu nome como sujeito passivo solidário da obrigação tributária de responsabilidade da empresa A A DE PAULO E CIA LTDA., é totalmente descabida, assim como na mesma imaginação apoiouse a fiscalização ao concluir que a impugnante teve de "alguma forma participação na fiscalizada e tinha interesse na mesma, ficando caracterizado o ato de gerir em virtude de possuir procuração para negociar em nome da fiscalizada com total liberdade para comprar, vender, pagar... ". Os responsáveis solidários abaixo identificados foram cientificados do Termo de Sujeição Passiva Solidária, dos Autos de Infração e do Relatório Fiscal, mas não apresentaram Impugnação: Renato Coelho Rigamonte, por meio do Edital n° 18/2008 (fl. 7.889), e Renato Coelho Rigamonte Junior, por meio do Edital n° 15/2008 (fl. 7.892), foram Fl. 9003DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 32 considerados nos Editais como cientificados dos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária e dos Autos de Infração 15 dias após a data de afixação dos referidos editais, não tendo eles, ainda assim, apresentado Impugnação. No Edital n° 15/2008 está indicado que a data de afixação foi em 05/03/2008. Nesta Delegacia de Julgamento, em 16/04/2008, o Sr. Renato Coelho Rigamonte, por meio de seu procurador (procuração de fl. 7.888), apresentou a petição de fl. 7.887, na qual requereu a juntada de procuração de fl. 7.888 e informou seu novo endereço residencial, para o qual solicitou fossem encaminhadas notificações e intimações que se fizerem necessárias, servindo o mesmo, outrossim, para atualização junto ao cadastro de pessoas físicas. Nesta Delegacia de Julgamento, em 16/04/2008, o Sr. Renato Coelho Rigamonte Junior, por meio de seu procurador (procuração de fl. 7.891), apresentou a petição de fl. 7.890, na qual requereu a juntada de procuração de fl. 7.891 e informou seu novo endereço residencial, para o qual solicitou fossem encaminhadas notificações e intimações que se fizerem necessárias, servindo o mesmo, outrossim, para atualização junto ao cadastro de pessoas físicas. Em 24/04/2008, José Tarcísio Malacarne, por meio de sua procuradora (procuração de fl. 7.899), ingressou com 4(quatro) petições idênticas, relativamente aos autos de infração da CSLL (fls. 7.896/7.898), Cofins (fls. 7.900/7.902), PIS (7.904/7.906) e IRPJ (7.908/7.910). A 9ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 7.915 em diante, julgou o lançamento parcialmente procedente. Em resumo, a detalhada e bem fundamentada decisão recorrida afastou os valores dos depósitos bancários em relação aos quais a contribuinte não teria sido intimada comprovar a origem, e ainda assim compuseram a base de cálculo glosada, as meras transferências entre contas e alguns solidarizados foram excluídos, de sorte que fora mantido em parte o lançamento do IRPJ, no valor de R$ 422.813,00, da CSLL, de R$ 259.886,67, do PIS, de R$ 158.357,30, e da Cofins, de R$ 730.879,83, cada um deles acrescido da multa qualificada de 150%, devidamente mantida, além dos encargos moratórios até a data do efetivo pagamento. Foram mantidos como devedores solidários dos créditos tributários aqui descritos: José Tarcísio Malacarne (CPF 578.381.35753), Renato Coelho Rigamonte (CPF 155.557.98687), Renato Coelho Rigamonte Júnior (CPF 101.040.49707), Eduardo Araújo de Oliveira (CPF 073.612.66789), Márcio Alexandre Sarnáglia (CPF 008.238.85778), Marcelo Luiz Nascimento Barbosa (CPF 024.582.48713), Jurleia Engelhardt do Nascimento (CPF 022.546.28771), João Thomaz (CPF 838.760.81734) e Alexandra Carari (CPF 076.808.197 18). A contribuinte A. A DE PAULO & CIA LTDA., interpôs Recurso Voluntário (fls. 8.303 – 8.421), assim como os solidarizados: MARCELO LUIZ NASCIMENTO BARBOSA (fls. 8.110 – 8.153); JOÃO THOMAZ (fls. 8.156 – 8.169); JOSE TARCISIO MALACARNE (fls. 8.177 – 8.343); MARCIO ALEXANDRE SARNAGLIA (fls. 8.344 8.360), versando conteúdo já relatado e pugnando pela reforma parcial da decisão recorrida. Em vista da parcial decisão favorável ao contribuinte, exonerando parcela do crédito tributário, foi interposto Recurso de Ofício. Fl. 9004DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 18 33 É o relatório. Fl. 9005DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 34 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Os Recurso Voluntários são tempestivos e dotados dos pressupostos de recorribilidade. Bem assim o Recurso de Ofício atende aos pressupostos regimentais. Admito os para julgamento. Tratase, em resumo, de autuação versando omissão de receitas apuradas com base em depósitos bancários cuja origem, intimado a fazêlo, o contribuinte não teria comprovado, apurandose a base de cálculo mediante arbitramento do lucro. Considerando a pluralidade de recursos apresentados, tanto pelas pessoas físicas solidarizadas quanto pela contribuinte A A de Paulo, bem como levando em conta que a decisão recorrida já exonerou boa parte do lançamento (objeto de recurso de oficio adiante apreciado), por acatar a parcial decadência e excluir as meras transferências entre contas e os depósitos considerados, em relação aos quais a contribuinte não havia sido intimada, algumas premissas gerais precisam ser definidas antes da apreciação do cerne de cada um dos recursos. Refirome a verificar se os autos de infração padecem de alguma nulidade, se o lançamento fundado em presunção legal de omissão de receitas é válido, se ainda subsiste algum período atingido pela decadência. De igual modo, os limites objetivos de cada inconformismo precisam ser delineados, de sorte que cindirei a questão em dois enfretamentos, o primeiro afeto aos Recursos Voluntários, tópico no qual se vai analisar, conjuntamente, os cinco Recursos Voluntários, salvo é claro, as peculiaridades relacionadas à solidarização, para as quais, traçada também uma baliza geral, será necessário verificar a situação de cada recorrente. O segundo tópico, a seu turno, se encarregará de enfrentar a matéria submetida a Recurso de Ofício, atinente à parcial decadência que a decisão recorrida reconheceu e alguns depósitos bancários excluídos da base de cálculo, ou por representarem meras transferências entre contas, ou não terem sido arrolados na intimação apresentada no curso da fiscalização. I – RECURSOS VOLUNTÁRIOS – I.1 – Preliminares e mérito – omissão de receitas depósitos bancários Como dito acima, para cada pessoa física solidarizada preparouse um Termo de Sujeição Passiva (fls. 6.848/6.871), no qual basicamente se repete o que está dito no item V do Relatório Fiscal. Inicialmente, por ocasião da lavratura dos autos de infração, foram solidarizadas as seguintes pessoas: a) José Tarcísio Malacame, CPF 578.381.35753; b) Juliana Agrizzi. CPF 086.843.45746; c) Josiana Agrizzi, CPF 086.960.93780; d) Renato Coelho Rigamonte, CPF 155.557.98687; e) Renato Coelho Rigamonte Junior, CPF 101.040.49707; Fl. 9006DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 19 35 f) Eduardo Araujo de Oliveira, CPF 073.612.66789; g) Márcio Alexandre Sarnáglia, CPF 008.228.85778; h) José Antonio Binda, CPF 252.411.50706; i) Marcelo Luiz Nascimento Barbosa, CPF 024.582.48713; j) Jurleia Engelhardt do Nascimento, CPF 022.546.28771; l) João Thomaz, CPF 838.760.81734; m) Alexandre Caran, CPF 076.808.19718. Com o entendimento constante na decisão recorrida, foram mantidos como devedores solidários dos créditos tributários aqui descritos: José Tarcísio Malacarne, que apresentou Recurso Voluntário (fls. 8.177 – 8.341), Márcio Alexandre Sarnáglia, que apresentou Recurso Voluntário (fls. 8.344 – 8.360), Marcelo Luiz Nascimento Barbosa, que apresentou Recurso Voluntário (fls. 8.110 – 8.153), João Thomaz, que apresentou Recurso Voluntário (fls. 8.156 – 8.169) e Alexandra Carari, que não apresentou Recurso Voluntário, Renato Coelho Rigamonte, que não apresentou Recurso Voluntário, Renato Coelho Rigamonte Júnior, que não apresentou Recurso Voluntário, Eduardo Araújo de Oliveira que não apresentou Recurso Voluntário, Jurleia Engelhardt do Nascimento, que não apresentou Recurso Voluntário. Passo, destarte, a analisar as questões preliminares que entendo inarredáveis para o deslinde do caso concreto, e o faço a independer de qual recorrente a tenha aventado, porquanto se tratam de solidarizados e, portanto, tirante a questão da solidarização em si, a todos aproveitamse os fundamentos que tanto afirmem a higidez dos autos de infração, quanto lhes pronuncie eventual nulidade ou extinção por decadência. Segundo sustenta a recorrente A A de Paulo, os autos de infração seriam nulos na medida em não haveria regular intimação fiscal para a comprovação da origem dos recursos. Segundo reputa a recorrente, conquanto a decisão recorrida tenha reconhecido a ilegalidade no procedimento de autuação, consistente na ausência de intimação quanto a valores de depósito utilizados no auto de infração, o ilustre julgador não declarou a nulidade da autuação. Ao contrário, sem qualquer base legal, teria limitado o valor dos depósitos àqueles valores constantes da intimação do contribuinte, o que advoga ser contrário ao regramento legal aplicável à espécie. De pronto assinalo que o procedimento da decisão recorrida foi acertado, ao menos do ponto de vista formal e técnico. Aliás, nada mais lógico que numa autuação fundada em omissão de receitas apuradas mediante arbitramento que leva em conta depósitos bancários de origem não comprovada, que as instâncias julgadoras corrijam aqui e ali, fundamentadamente, determinados valores, sem que isso implique, por si só, em nulidade dos autos de infração. Aliás, quer me parecer que o argumento da contribuinte se esvazia nele mesmo, porquanto reconhece que os depósitos bancários em relação aos quais não haveria sido intimada a comprovar a origem foram afastados pela decisão recorrida, ou seja, não há espaço para sugerir a decretação da nulidade de todo o procedimento. Fl. 9007DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 36 Diante disso, não vejo fundamento para acatar o pedido de nulidade dos autos de infração apenas porque a Fiscalização majorou a base de cálculo com depósitos que numericamente foram identificados e afastados da base de cálculo, razão pela qual rejeito a preliminar. Quanto à decadência, discutem os recorrentes, em resumo, se seria aplicável a contagem na forma do artigo 150, § 4º do CTN, por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação, ou se a contagem se daria pela regra geral do artigo 173, do CTN. Ou seja, sustentam que os autos de infração seriam totalmente nulos, visto que os créditos tributários constituídos se encontrariam extintos pela decadência, uma vez que somente cientificados em 18/12/2007, os fatos geradores respectivos teriam que ser posteriores a 18/12/2002, por força do que dispõe o artigo 150, §4°, do CTN. Primeiro se deve registrar que a decadência, se reconhecida total ou parcialmente, não impõe a nulidade dos autos de infração, antes, porém, é fenômeno extintivo do crédito tributário. Para além disso, entendo que a decisão recorrida conferiu correta aplicação, tanto para afastar parcela da autuação, com tratarei no Recurso de Ofício, quanto para reputar que na espécie, ante a inegável ocorrência de fraude, devese contar o prazo decadencial a partir do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, pela regra geral do artigo 173, do CTN. Não bastasse a ocorrência de fraude, como se atestou nestes autos, a contribuinte nada antecipou, a título de pagamento, nos períodos em análise, circunstância que igualmente afasta a contagem do prazo decadencial pela regra do artigo 150, § 4º, do CTN. Tanto a fraude quanto a ausência de pagamento são verificáveis pela simples análise de que a contribuinte, para o anocalendário de 2001, na DIPJ 2002 (fls. 43/61), para o anocalendário de 2002, na DIPJ 2003 (fls. 62/96), e para o anocalendário de 2003, na DIPJ 2004 — INATIVIDADE (fls. 97/101), informou sistematicamente que suas receitas, custos e despesas foram iguais a zero, aparentando inatividade, quando se revelou que nos anos de 2001, 2002 e 2003, vendeu café para seus clientes, recebendo em conta corrente valores substanciais. Acertada a decisão recorrida, destarte, ao realizar o cômputo do prazo decadencial pela regra do artigo 173, do CTN, de sorte que ainda mais acertada resulta a análise por ela realizada, dando conta de que no caso do IRPJ e da CSLL, o lançamento se deu por meio de arbitramento trimestral do lucro nos anoscalendário 2001, 2002 e 2003, de sorte que para o 1º, 2° e 3° trimestres do anocalendário 2001, o 1° dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado era o dia 1° de janeiro de 2002, ou seja, operouse a decadência no dia 1° de janeiro de 2007. Como os autos de infração foram cientificados em 18/12/2007, estava de fato extinto o crédito tributário de IRPJ e CSLL relativos ao 1º, 2° e 3° trimestres do anocalendário de 2001. Por certo também, relativamente ao 4° trimestre de 2001, o 1° dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de oficio poderia ter sido efetuado foi o dia o 1° de janeiro de 2003 e, portanto, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguiuse em 1° de janeiro de 2008, revelando que não ocorreu a decadência para os lançamentos do IRPJ e da CSLL relativos ao 4° trimestre de 2001 e os seguintes. A análise da decadência relativa ao PIS e à Cofins, bem lembrou a decisão recorrida que o lançamento de oficio foi feito aplicandose as respectivas alíquotas sobre as receitas mensais omitidas, de sorte que no mesmo exercício de contagem, para os meses de Fl. 9008DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 20 37 janeiro a novembro do anocalendário de 2001, estavam extintos os créditos tributários ante a inegável decadência. Está irretocável o pronunciamento da decisão recorrida, tanto para aplicação do artigo 173 do CTN, quanto para reconhecer a parcial extinção, quanto para afastar em relação às demais. Rejeito, portanto, preliminar de decadência, e o faço tão somente para afastar a contagem pela regra do artigo 150, § 4º, do CTN, porquanto as parcelas já reconhecidas como decaídas, estão acertadamente exoneradas. O mérito da autuação, compreendido que todo o emaranhado fático descrito no relatório termina relevado pela natureza da obrigação tributária, precisa ser aferido diante da circunstância de que nos ocupamos de autuação versa omissão de receitas, apurada mediante arbitramento que se valeu de depósitos bancários cuja origem a não fora comprovada, ou seja, temse autuação fundada no artigo 42, da Lei nº 9.430/96. Bem registrouse nestes autos, como já descrevi no relatório acima, que em 03/02/2006 (fl. 210), a contribuinte foi cientificada do Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 208/209, no qual foi solicitado que ela apresentasse: Livro Razão dos anos de 2001 a 2003; Livro Diário do ano de 2001 a 2003 ou alternativamente o Livro Caixa; Balancetes mensais de 01/2001 a 12/2003; Extratos Bancários de todas as contascorrentes da empresa, inclusive das filiais, do período de 2001 a 2003; Arquivos magnéticos da Contabilidade dos anos de 2001 a 2003, conforme instruções anexas; Cópia completa do Contrato Social e todas as alterações contratuais; Informar se a empresa possui ação judicial relativa a tributos federais. Informar também se possui Processo de Compensação de tributos e/ou Processo de Consulta junto à Secretaria da Receita Federal, todos referentes aos anoscalendário a partir de 2003; Indicar por escrito, pessoa que em nome da empresa possa acompanhar a ação fiscal, prestar informações e esclarecimentos, além de fornecer, receber e assinar papéis, termos e atos fiscais em nome da empresa, inclusive receber e assinar o Relatório Final de Auditoria Fiscal e os respectivos Autos de Infração, caso ocorram; Devolver uma via do Mandado de Procedimento Fiscal assinada; Cópia deste Termo está sendo enviada ao endereço do sócio da empresa. Segundo descreve a Fiscalização, em 09/02/2006, o Sr. Aídes Ângelo de Paulo, sócio da Interessada, em depoimento prestado na Delegacia da Receita Federal de Vitória (fls. 232/233), dentre outras coisas, informou que ela estava desativada desde o final de 2003, que não possuía os seus livros e documentos e que dela nunca foi dono de fato, nem a gerenciou ou administrou, sendo que por meio de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira, a Auditora Fiscal Autuante teve acesso aos extratos bancários da contribuinte: Banco do Brasil (fls. 1.262 a 1.486); Bradesco (fls. 1.487 a 2.634); Itaú (fls. 2.635 a 2.745); Banestes (fls. 2.746 a 3.366); SICOOB São Gabriel (fls. 3.367 a 3.7901); SICOOB Venda Nova (fls. 3.796 a 4.316); SICOOB Cachoeiro (fls. 4.317 a 4.525); SICOOB Linhares (fls. 4.528 a 4.949); demais documentos e cheques do Banco do Brasil (fls. 4.950 a 5.004); SICOOB Santa Maria (fls. 5.005 a 5.574), sendo em 15/12/2006 (fl. 324), foi cientificada do Termo de Intimação Fiscal de fls. 280/281, com anexos de fls. 282/323, por meio do qual ela foi intimada a explicar a origem e apresentar comprovantes idôneos dos depósitos bancários ocorridos em suas contas bancárias nos bancos do Brasil, Bradesco, Banestes, Itaú, SICOOB de Cachoeiro, Linhares, Santa Maria e São Gabriel, conforme as planilhas anexadas. Tendo, em 26/12/2006, respondido ao Termo de Intimação Fiscal de fls. 280/281, com anexos de fls. 282/323, a Interessada, por meio de seu sócio, o Sr. Aídes Ângelo Fl. 9009DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 38 de Paulo, em correspondência assinada por sua procuradora (procuração de fl. 326), informou que, conforme por ele declarado na Delegacia da Receita Federal de Vitória em 09/02/2006, nunca foi proprietário ou gerente de fato da empresa A A de Paulo & Cia. Ltda. (a Interessada), de modo que não tinha a posse de qualquer documento relativo à contabilidade da referida empresa, não tendo condições de explicar a origem, bem como apresentar comprovantes de depósitos bancários realizados nas contas bancárias indicadas, sendo que sequer tinha conhecimento da existência de tais contas, não sendo o responsável pela abertura e movimentação das mesmas, tomando somente nesta oportunidade conhecimento da existência delas (fl. 325). Foi a partir deste cenário que a Fiscalização construiu a autuação, fundada, repito, em presunção legal de omissão de receitas, de sorte que a Fiscalização elaborou tabela (fls. 6.891/6.892), apresentando, por instituição financeira, para cada mês, o total dos valores creditados e por ela caracterizados como omissões de receitas, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Como já se viu, e se vai detalhar no enfretamento do Recurso de Ofício, parcela destes valores representaram meras transferências entre contas ou até mesmo não foram objetos de previa intimação da contribuinte para manifestação e esclarecimento acerca da origem, é fato contudo, que a base material da autuação está correta, havendo apenas de se aferir, como fez a decisão recorrida se quantitativamente procedente, mas materialmente procedente me parece inegável. De fato os depósitos bancários existiram, de fato não foram tributados, a revelar que subsiste a imputação de omissão de receitas. Diante das circunstâncias fáticas apontadas acima, torno a dizer que dada matriz sobre a qual repousa a autuação, consistente no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, permite a presunção de receita omitida, em relação aos valores mantidos em conta bancária cuja origem, intimado a fazêlo, o contribuinte não comprova. Portanto, convém registrar que não se desconhece que os depósitos bancários por natureza e de imediato, não se constituem em sinônimos de receita. Por outro turno, como já registrado acima, também não é lícito olvidar a expressa disposição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 consagrador de que caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Na espécie, a fiscalização intimou a recorrente a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contascorrentes, e os que não foram objetos de intimação foram exonerados, remanescendo ao fim não comprovada a origem e a necessária tributação dos valores, de rigor declarar que subsiste materialmente a glosa. Temse na espécie, portanto, perfeita subsunção das circunstâncias fáticas à abstrata previsão de presunção legal de omissão de receitas, de sorte que o fato relevante para autuação, não foi a simples existência dos depósitos, que como esquadrinhou a decisão recorrida de fato pertenceram à A A de Paulo, o critério legal se dá com a ausência de comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem da indigitada movimentação financeira, esta sim, a ensejar por disposição legal a presunção de que se omitiu receita. Para infirmar os trabalhos fiscalizatórios, portanto, cumpria afastar o motivo pelo qual se implementou a presunção, que como visto no parágrafo precedente, não era a existência dos depósitos ou sua natureza jurídica incompatível com a definição de receita, Fl. 9010DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 21 39 consistindo sim, na prova documental das origens de tais depósitos e a conseqüente demonstração de não se constituírem em parcela tributável. Ausente qualquer justificativa quanto à origem dos depósitos considerados pela Fiscalização, está incidir na espécie a presunção legal versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e consoante pacífico entendimento desse Conselho Administrativo Fiscal, observado, por exemplo, no verbete da Súmula CARF nº 26 abaixo reproduzida, o Fisco está dispensado até mesmo de comprovar o consumo da renda representada pelos aludidos depósitos, confira se: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. SÚMULAS VINCULANTES Acórdão nº CSRF/04 00.157, de 13/12/2005. Por essas razões, consideramse hígidas e suficientes as imputações realizadas pela Fiscalização, amparadas em presunção disposta na legislação de regência, considerandose suficientemente demonstrada a materialidade tributável apontada e reconhecida pela decisão recorrida. Por fim, relativamente à inconstitucionalidade das ditas “RMF”, tendo em conta o que foi alegado, importa apenas registrar que quando ainda vigiam as disposições regimentais dos §§ 1º e 2º, do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF, propus o sobrestamento deste feito até que sobreviesse decisão definitiva, do Supremo Tribunal Federal, em âmbito de Repercussão Geral, no RE representativo da controvérsia (RE 601314). Todavia, a determinação regimental de sobrestamento foi suprimida, de sorte que a questão relativa à alegada quebra de sigilo bancário, abusividade e outras acepções tratadas pela contribuinte, precisam ser enfrentadas tendo em conta a plena vigência do artigo 6º, da Lei Complementar nº 105/2001, bem como a adstrição das decisões administrativas à legalidade, vedandose a declaração de inconstitucionalidade na esfera administrativa, consoante pacificado na Súmula CARF nº 02. Dito isso, conquanto seja eloqüente e bem articuladas as razões trazidas pelos recorrentes, pouco resta senão reconhecer que o expediente das chamadas RMF, encontram suporte no ordenamento jurídico. Por fim, necessário aduzir que verificada prevalência dos autos de infração a multa qualificada se impõe. Registrese primeiramente que os argumentos relacionados à abusividade, confisco, e outras questões que envolvem ponderações acerca da constitucionalidade das normas que hospedam as multas em questão são acepções que escapam à competência do pronunciamento da esfera administrativa, consoante prescrito na Súmula CARF nº 02. Ademais, como bem ponderou a decisão recorrida, para os anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, conforme pode ser visto na DIPJ 2002 (fls. 43/64), DIPJ 2003 (fis. 65/96) e na DIPJ 2004 — INATIVIDADE (fls. 97/101), a contribuinte informou que suas receitas, custos e despesas teriam sido iguais a zero, todavia, ficou constatado que em contas bancárias da Interessada foram efetuados depósitos de R$ 22.602.451,90, em 2001, R$ Fl. 9011DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 40 28.692.563,45, em 2002 e R$ 2.732.547,56, em 2003, sendo que a grande maioria desses depósitos foi proveniente da venda de café e foi depositada pelos vários clientes. Além disso, os saques dessas contas foram feitos em sua grande maioria em dinheiro, o que evidencia à saciedade omissão sistemática de suas declarações de rendimentos a totalidade das receitas por ela auferidas nos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003. Além disso, intimada a apresentar seus livros contábeis e fiscais, não os apresentou. Temse, ao meu sentir, omissão dolosa, tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, de sorte que voto por manter integralmente a aplicação da multa qualificada de 150%. Sendo assim, tirante os ajustes promovidos na base de cálculo promovida pela decisão recorrida que serão enfrentados no tópico seguinte afeto ao Recurso de Ofício, entendo que a decisão recorrida não merece qualquer reforma no tocante à parcela do auto de infração que fora mantida, razão pela qual, quanto às preliminares e ao mérito da autuação, voto no sentido de NEGAR provimento aos Recursos Voluntários. I.2 – Solidarização Remanesce para discussão em sede de Recurso Voluntário, a questão individual da solidarização de: José Tarcísio Malacarne, que apresentou Recurso Voluntário (fls. 8.177 – 8.341), Márcio Alexandre Sarnáglia, que apresentou Recurso Voluntário (fls. 8.344 – 8.360), Marcelo Luiz Nascimento Barbosa, que apresentou Recurso Voluntário (fls. 8.110 – 8.153), João Thomaz, que apresentou Recurso Voluntário (fls. 8.156 – 8.169), pessoas físicas cuja solidarização foram mantidas pela decisão recorrida e que apresentaram Recurso Voluntário. Antes de analisar a situação individual dos quatro recorrentes, a exemplo do que fez a decisão recorrida, entendo que algumas premissas gerais, e outras específicas, precisam ser estabelecidas acerca da solidarização levada a efeito. Relativamente aos fatos, observase que do Relatório Fiscal (fls. 6889/6890), que a Fiscalização, concluiu que os sócios formais da Interessada, o Sr. Aídes Angelo de Paulo e Diva Lopes Valadares de Paulo, não teriam tido controle sobre a totalidade da movimentação financeira da empresa, movimentação esta proveniente da venda de café, e que, portanto, não teriam exercido gerência sobre a totalidade dos negócios da mesma. Além disso, ainda segundo ela, todos aqueles por ela considerados nos Autos de Infração como responsáveis solidários, teriam tido de alguma forma participação na Interessada e interesse na mesma, sendo que o fato de possuírem procuração para negociar em nome da Interessada, com total liberdade para comprar, vender, pagar, abrir e movimentar as contascorrentes da mesma, caracterizariam o ato de gerir a empresa, observandose que eles movimentaram livremente contas correntes da Interessada sob a alegação de dela serem corretores. Foi neste resumido contexto, que entendeu a Fiscalização que restaria caracterizada a sujeição passiva solidária das referidas pessoas, nos termos do disposto no artigo 124, I, do CTN. Como sugerido acima, portanto, antes de aferir a situação de cada um dos solidarizados, importa registrar que a questão deve ser brevemente analisada pelo viés da responsabilidade e da solidariedade tributária. Fl. 9012DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 22 41 Hugo de Brito Machado, em artigo intitulado “A Solidariedade na Relação Tributária e a Liberdade do Legislador no Art. 124, II, do CTN, cuidadosamente assentou que “para que seja cabível o lançamento com a conseqüente cobrança do tributo e da penalidade pecuniária correspondente, o sujeito passivo há de ter, além do dever de pagar o tributo, que não cumpriu, também a responsabilidade, assim compreendido como o estado de sujeição, de sorte que não se situará a discussão na esfera da liberdade, mas na esfera da coerção”. (Revista Dialética de Direito Tributário, edição 195, página 61). Ora, do raciocínio acima deduzido, vêse que para que se possa exigir a obrigação tributária de determinada pessoa, imperioso que se afira o estado de sujeição passiva para análise do conseqüente dever e responsabilidade. A questão que se põe, no entanto, dáse em panorama um tanto distinto, precisase aferir a sujeição passiva decorrente da solidarização, de sorte que alguns elementos extras, necessariamente, precisarão ser analisados. Como bem se sabe, tratandose de solidariedade no contexto da obrigação tributária, presente a unicidade da sujeição ativa do tributo, podese definila, falo da solidariedade, como vínculo estabelecido entre os sujeitos passivos da respectiva obrigação, que os une de tal forma que os aspectos matérias oponíveis a um (ou por um) aproveita os demais. Dito isso, não é despiciendo lembrar que o Código Tributário Nacional estabeleceu duas espécies de sujeição passiva, os ditos contribuintes, e os responsáveis tributários. Para os casos de solidarização, a exemplo do que aqui se analisa, interessa a modalidade de sujeição passiva “contribuinte”, também chamado de sujeito passivo por excelência. Tratando, portanto, de sujeição passiva por solidarização na modalidade contribuinte, de bom alvitre visitar o que dispõe o artigo 121 do CTN, consagrador de que é contribuinte, a pessoa que tenha relação direta e pessoal com o fato gerador do tributo, sendo este o liame que se terá de atingir para classificação de determinada pessoa como contribuinte, não sendo diferente para o contribuinte solidarizado. Verificado que o norte para caracterização do contribuinte é a sua relação direta e pessoal com o fato gerador, devese mencionar que o artigo 124 do CTN, dispõe em seu inciso I, que sãos solidariamente responsáveis, as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Comungando ambas as regras, podese dizer que a figura da solidariedade não se afasta daquela contida no Código Civil, Livro I, Título I, Capítulo VI, “Das Obrigações Solidárias”, ou seja, há solidariedade quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com um direito, ou obrigado, à dívida toda. Sendo assim, caso se tenha pluralidade de pessoas que tenham interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação, apresentase possibilidade de solidarização. Luiz Antonio Caldeira Miretti in Comentários ao Código Tributário Nacional, 6ª edição, editora Saraiva, pág. 242 em diante, assevera que o instituto da solidariedade em matéria tributária, assegura o interesse do Fisco para a busca de seu direito de exigir do sujeito passivo o cumprimento da obrigação tributária, ocorrendo a solidariedade, consoante afirma o indigitado autor, sempre que se der a presença de mais de um sujeito Fl. 9013DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 42 passivo na mesma relação tributária, destacandose como premissa a existência de “interesse comum” das pessoas que participam da situação fática geradora da obrigação. Importante registrar, na ordem daquilo que argumentaram os recorrentes responsabilizados, que a solidariedade advinda do interesse comum, tal como esquadrinhada acima e prevista no CTN, dispensa previsão específica na lei que regular o determinado tributo, para apontar os devedores solidários, porquanto a distinção do CTN é de caráter geral, aplicandose aos tributos contidos no sistema tributário nacional. Feitas essas ponderações de ordem conceitual, registro que para aferir a prevalência ou não da solidarização devese perquirir apenas se houve, por parte dos solidarizados, interesse na situação que constitua o fato gerador e se mantiveram relação direta e pessoal com tal situação. Pois bem, cumprindo o propósito de verificar se a Fiscalização comprovou as necessárias condicionantes para a solidarização, convém analisar a Sujeição Passiva Solidária dos ora recorrentes. Márcio Alexandre Sarnáglia: CPF 008.228.85778 – relativamente a este recorrente entendo que a decisão recorrida não merece qualquer reforma. Com efeito, tanto o interesse na ocorrência do fato gerador, quanto a sua relação direta e pessoal com tais fatos, resulta clara ao se verificar que detinha procuração mediante a qual dispunha de poderes para atuar como um dos gestores de fato da Interessada, representandoa em agências bancárias estabelecidas no estado do Espírito Santo, abrindo e movimentando contas correntes em nome dela, o que ele fez comprovadamente na conta n° 071498 da agência 30008 da Cooperativa de Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá, de sorte que entendo configurada a hipótese de sujeição passiva solidária. José Tarcísio Malacarne: CPF 578.381.35753 – relativamente a este recorrente, a exemplo do anterior, ficou demonstrado nos autos que detinha poderes para ser considerado um dos gestores de fato da Interessada, uma vez que podia livremente, dentre outras coisas, representar a mesma em todas e quaisquer agências bancárias estabelecidas no estado do Espírito Santo, abrir e movimentar contas correntes em nome dela, o que ele fez comprovadamente na conta do Banco do Brasil 12.2769 na agência 04782 (LinharesES), revelando assim, sua relação direta e pessoal, e seu interesse na ocorrência do fato gerador. Marcelo Luiz Nascimento Barbosa: CPF 024.582.48713 – relativamente a este recorrente temse que igualmente representava a contribuinte em agências bancárias estabelecidas no estado do Espírito Santo, abrir e movimentar contas correntes em nome dela, o que ela fez comprovadamente na conta do SICOOB São Gabriel da Palha n° 59650 da agência 3009 São Gabriel da Palha, podendo receber em nome da Interessada toda e qualquer quantia correspondente a venda de café, receber cheques e endossálos, fazer remessas de numerários, passar recibos e dar quitações, representar a Interessada em todas e quaisquer Agências Bancárias, para abrir e movimentar contas correntes em nome da Interessada, podendo, para tanto, efetuar depósitos e retiradas, etc., a revelar que o recorrente tinha poderes de gestão na Interessada, o qual foi comprovadamente exercido por ele quando livremente abriu e movimentou a conta corrente da Interessada no SICOOB de São Gabriel da Palha, de n° 059650 na agência 3009 de São Gabriel da Palha, de sorte que tanto seu interesse quanto sua relação direta e pessoal restam caracterizados. João Thomaz: CPF 838.760.81734 – relativamente a este recorrente não vejo como reformarse o conteúdo decisório, eis que igualmente seu interesse e sua relação direta e pessoal resultam do fato de que detinha poderes para representar a contribuinte em Fl. 9014DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 15586.001093/200716 Acórdão n.º 1301001.827 S1C3T1 Fl. 23 43 quaisquer agências bancárias estabelecidas no estado do Espírito Santo, abrir e movimentar contas correntes em nome dela, o que ele fez comprovadamente na conta do SICOOB Linhares n° 29386 da agência 3006 de Linhares. Considerando que os demais solidarizados não apresentaram Recurso Voluntário, entendo que definitivamente devem ser considerados solidarizados, de sorte que em relação aos que apresentaram, pelos fundamentos expostos acima, voto por NEGAR provimento aos Recursos Voluntários, mantendo a decisão recorrida. II – DO RECURSO DE OFÍCIO Seguramente o Recurso de Ofício não merece trânsito. Com efeito, as exonerações promovidas pela decisão recorrida se deram sob três enfoques, todos ao meu sentir inafastáveis: parcial decadência; depósitos bancários considerados sem que houvesse prévia intimação para comprovação da origem; meras transferências entre contas. A rigor, não há como afastar a parcela da autuação considera extinta pela decadência. Ao realizar o cômputo do prazo decadencial pela regra do artigo 173, do CTN, de sorte que ainda mais acertada resulta a análise por ela realizada, dando conta de que no caso do IRPJ e da CSLL, o lançamento se deu por meio de arbitramento trimestral do lucro nos anos calendário 2001, 2002 e 2003, de sorte que para o 1º, 2° e 3° trimestres do anocalendário 2001, o 1° dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado era o dia 1° de janeiro de 2002, ou seja, operouse a decadência no dia 1° de janeiro de 2007. Como os autos de infração foram cientificados em 18/12/2007, estava de fato extinto o crédito tributário de IRPJ e CSLL relativos ao 1º, 2° e 3° trimestres do anocalendário de 2001. Por certo também, relativamente ao 4° trimestre de 2001, o 1° dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de oficio poderia ter sido efetuado foi o dia o 1° de janeiro de 2003 e, portanto, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguiuse em 1° de janeiro de 2008, revelando que não ocorreu a decadência para os lançamentos do IRPJ e da CSLL relativos ao 4° trimestre de 2001 e os seguintes. A análise da decadência relativa ao PIS e à Cofins, bem lembrou a decisão recorrida que o lançamento de oficio foi feito aplicandose as respectivas alíquotas sobre as receitas mensais omitidas, de sorte que no mesmo exercício de contagem, para os meses de janeiro a novembro do anocalendário de 2001, estavam extintos os créditos tributários ante a inegável decadência. Portanto, voto por manter o entendimento da decisão recorrida quanto ao reconhecimento da decadência relativa aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2001, relativos ao IRPJ e à CSLL, bem como de janeiro a novembro de 2001, relativamente ao PIS e à COFINS. Quanto às demais exonerações, igualmente subiste o entendimento da decisão recorrida, não era mesmo viável manterse as meras transferências entre contas, tampouco valores que não foram objetos de prévia intimação, de sorte que igualmente NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Oficio. Por todo exposto, voto no sentido de Negar provimento aos Recursos de Ofício e Voluntários. Fl. 9015DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 44 Sala das Sessões, 24 de março de 2015 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 9016DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/04/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2015 p or ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 10840.004883/99-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EXISTÊNCIA DE AUTUAÇÃO REFERENTE AO MESMO ANO-CALENDÁRIO JÁ CONSOLIDADA ADMINISTRATIVAMENTE.
Não prospera recurso voluntário visando a modificação da Declaração de Ajuste Anual com fim de restituição de carnê-leão pago, após autuação relativa ao mesmo ano-calendário levada a efeito em procedimento fiscal anterior ao pedido, envolvendo os valores sob exame, já consolidada em sede administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EXISTÊNCIA DE AUTUAÇÃO REFERENTE AO MESMO ANO-CALENDÁRIO JÁ CONSOLIDADA ADMINISTRATIVAMENTE. Não prospera recurso voluntário visando a modificação da Declaração de Ajuste Anual com fim de restituição de carnê-leão pago, após autuação relativa ao mesmo ano-calendário levada a efeito em procedimento fiscal anterior ao pedido, envolvendo os valores sob exame, já consolidada em sede administrativa. Recurso Voluntário Negado.
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EXISTÊNCIA DE AUTUAÇÃO REFERENTE AO MESMO ANOCALENDÁRIO JÁ CONSOLIDADA ADMINISTRATIVAMENTE. Não prospera recurso voluntário visando a modificação da Declaração de Ajuste Anual com fim de restituição de carnêleão pago, após autuação relativa ao mesmo anocalendário levada a efeito em procedimento fiscal anterior ao pedido, envolvendo os valores sob exame, já consolidada em sede administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 48 83 /9 9- 39 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10840.004883/9939 Acórdão n.º 2402004.715 S2C4T2 Fl. 309 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SPOII, que indeferiu manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório da DRF/Ribeirão Preto/SP, o qual não acatou pedido de restituição relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física do anocalendário 1995. O contribuinte postulou, em 16/12/1999 a restituição de R$ 100.046,93 sob a alegação de ter informado equivocadamente em sua DIRPF/1996 R$ 175.102,39 como rendimentos tributáveis recebidos da pessoa jurídica, enquanto na verdade esses valores, relativos a atualização e juros correlatos a mútuo ativo firmado com a Atri Comercial Ltda., empresa da qual é sócio, sequer foram recebidos nesse anocalendário. Consequentemente, as quantias recolhidas decorrentes de tal erro na declaração são pagamentos indevidos, sujeitos à devolução (fls. 1/9). Cumpre registrar que a Declaração de Ajuste do anocalendário em questão foi objeto de exame por parte do Fisco no bojo do processo administrativo nº 10840.002744/9808, no qual foi apurado acréscimo patrimonial a descoberto de R$ 159.438,29 no mês de junho de 1995 (fls. 215/226), sendo o crédito tributário mantido no julgamento de primeira instância (fls. 227/237) e, posteriormente, pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (238/247). Por sua vez, o pleito de restituição foi analisado pela Seção de Tributação da DRF/Ribeirão Preto, a qual, em seu Despacho Decisório às fls. 248/250, indeferiu o pedido devido às seguintes razões, em síntese: por pretender o contribuinte restituição de parte do imposto de renda apurado em sua Declaração de Ajuste Anual sem individualizar a parcela do imposto alegadamente pago de forma incorreta; porque o valor total do IRPF apurado e pago no anocalendário de 1995 ainda foi insuficiente para pagar o valor correto devido, haja vista o lançamento de oficio contido no processo n° 10840.002744/9708, referente ao mesmo ano calendário; e porque o valor que pretende o impugnante que seja excluído da tributação foi computado como recurso para justificar parte da variação patrimonial no Auto de Infração contido naquele processo. Irresignado, o contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade, afirmando que, conforme informação da fiscalização de fls. 205/207, ele efetivamente não recebeu o valor de R$ 175.102,39 no ano de 1995, sendo inconteste o pagamento indevido. Acrescenta que a omissão apurada no Auto de Infração referese somente ao mês de junho de 1995, enquanto os rendimentos não percebidos e oferecidos à tributação referemse aos meses de maio a dezembro. A instância de primeiro grau indeferiu a solicitação, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ANTERIOR AO PEDIDO. Não tendo o contribuinte cumprido a incumbência de trazer aos autos a comprovação documental do erro alegadamente cometido no preenchimento de sua Declaração de Ajuste Anual, Fl. 310DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 indeferese a solicitação de restituição de imposto de renda pago. Inadmissível a modificação da Declaração de Ajuste Anual por iniciativa do contribuinte, com fim de restituição de imposto de renda pago, após notificação de lançamento levado a efeito em procedimento fiscal anterior à solicitação. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 11/3/2008, aduzindo, em resumo, que, quando do Auto de Infração, o imposto de renda foi calculado sobre a base de cálculo de R$ 159.438,29, omissão apurada para o mês de junho de 1995, simplesmente ignorando os valores pagos a título de carnêleão ou mesmo retido na fonte no valor de R$ 132.188,46, concluindo ao pedir o provimento do recurso: 05. Portanto, os recebimentos posteriores ao mês de junho não foram apropriados no cálculo do Auto de Infração, o que assim implica no evidentemente recolhimento indevido do imposto de renda na fonte sobre os recebimentos de mútuo no valor de R$ 147.499,25 (cento e quarenta e sete mil, quatrocentos e noventa e nove reais e cinco centavos). É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10840.004883/9939 Acórdão n.º 2402004.715 S2C4T2 Fl. 310 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Conforme narrado, o contribuinte busca a restituição de valores pagos a título de carnêleão no montante total de R$ 53.213,62, sob a alegação de ter informado por equívoco rendimentos não recebidos em razão mútuo, no valor de R$ 175.102,39 (fls. 1/9), quando do preenchimento da Declaração de Ajuste Anual do Exercício 1996. Ocorre que essa declaração já foi objeto de exame pela fiscalização lançamento de oficio contido no processo n° 10840.002744/9708, havendo sido apurado acréscimo patrimonial a descoberto no valor de R$ 159.438,29. À ocasião, o contribuinte sustentou expressamente o recebimento dos R$ 175.102,39 declarados na DIRPF/1996 no decorrer dos meses de maio a dezembro de 1995. Trouxe então, inclusive, minuciosa planilha "Demonstrativo de Recursos e Aplicações Mensais" nas quais os componentes de tal valor constam lançados como "Rendimento de Contrato de Mútuo" (fls. 211/214). Com efeito, naquele litígio lhe interessava dar respaldo à existência de tais ingressos, por se constituírem eles em receitas para fins de apuração de variação patrimonial, como bem observado pela DRJ/SPOII. Tal planilha foi juntada, vejase, em 8/5/2002 (fl. 208), posteriormente à formulação do pedido de restituição datado de 16/12/1999. Nesse foi defendida argumentação diversa, como visto, no sentido de que os R$ 175.102,39 sequer haviam sido percebidos no anocalendário focado, verbis: "os valores referentes a atualização monetária e juros da operação de mútuo, não foram repassados no anobase 1995, da pessoa jurídica..."(fl. 4). À evidência, o interessado muda constantemente sua versão dos fatos, denotando, de maneira transversa ou mesmo direta, consoante revela a leitura dos itens 04 e 05 de seu recurso voluntário sua inconformidade com anterior lançamento atinente ao ano calendário em evidência, que já resta definitivamente consolidado nas vias administrativas, não sendo o recurso ora interposto meio hábil para eventual reforma nos termos daquele. Vale trazer à baila, nesse sentido, as ponderadas razões expendidas pela instância de primeiro grau: 20. Por fim, há de se registrar que, no fundo, o que o impugnante solicita em sua manifestação é que sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 1995 seja modificada, com a exclusão dos rendimentos tributáveis declarados como recebidos de Atri Comercial Ltda., no valor de R$ 175.102,39. A exclusão destes rendimentos acarretaria no direito pleiteado de restituição do imposto de renda alegadamente recolhido a maior. 21. Entretanto, tal providência é incabível, à luz do art, 147, § 1°, do Código Tributário Nacional, abaixo reproduzido: "Art. 147. 0 lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à Fl. 312DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde e antes de notificado o lançamento.(..)" 22. No caso em tela, o impugnante protocolizou seu pedido de restituição em 16/12/1999 (à fl 01). mais de dois anos após ser notificado de lançamento — contido no já citado processo n° 10840.002744/9708 — referente ao ano calendário cuja Declaração de Rendimentos desejaria ver modificada. 23. Em vista do mandamento veiculado na norma acima, o impugnante deveria ter solicitado o pedido de restituição antes de iniciado o referido procedimento fiscal. Tal situação fulmina a sua pretensão de ver alterada a Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 1995, e, por conseguinte, sua pretensão de restituição do alegado imposto de renda recolhido indevidamente a maior. Salientese, como remate, que o contribuinte poderia ter perfeitamente carreado, no decorrer da contestação do Auto de Infração, as provas que entendesse necessárias para esclarecer o quanto efetivamente recebeu da empresa da qual é sócio no anocalendário 1995, e a natureza de tais rendimentos. Contudo, não o fez naquele contencioso, sendo descabido daí, repitase, buscar a reforma indireta daquele lançamento neste processo. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 11516.002966/2007-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004
COFINS. ENTIDADES FILANTRÓPICAS. ISENÇÃO.
São consideradas como receitas oriundas de atividades próprias de entidade filantrópica, para fins da isenção prevista no inciso X, do artigo 14, da MP nº 2158-35/ 01, aquelas receitas percebidas com atividades próprias, entendidas estas como aquelas referentes as atividades que a entidade foi constituída para exercer.
Numero da decisão: 3201-001.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ENTIDADES FILANTRÓPICAS. ISENÇÃO. São consideradas como receitas oriundas de atividades próprias de entidade filantrópica, para fins da isenção prevista no inciso X, do artigo 14, da MP nº 215835/ 01, aquelas receitas percebidas com atividades próprias, entendidas estas como aquelas referentes as atividades que a entidade foi constituída para exercer. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 29 66 /2 00 7- 72 Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11516.002966/200772 Acórdão n.º 3201001.945 S3C2T1 Fl. 1.226 2 Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo de auto de infração por falta/insuficiência das Contribuições para o financiamento da seguridade social Cofins, no período de 01/2002 a 12/2004, no valor de R$376.866,77, acrescido de juros de mora e multa proporcional. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, a fiscalizada é reconhecida como sendo uma entidade de utilidade pública, possui certificados de filantropia e usufrui de imunidade tributária (art. 150, VI, “c”, e inciso III, artigo 203 da CF). No entanto, para efeitos de contribuições sociais, não pode ser considerada isenta. A falta de contribuição para a Cofins apurada nos autos é devida às receitas de contraprestação pelos serviços prestados de agenciamento entre estudantes e empresas. A base legal para o lançamento encontrase no artigo 14 da MP 2.158/2001, pela qual somente são isentas da Cofins as receitas relativas às atividades próprias das entidades sem fins lucrativos, imunes ou isentas, citadas no art. 13 do mesmo texto legal. Considerando os termos da Instrução Normativa nº. 247/2002, em seu art. 47, esta determina que as receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades, fixadas por lei, assembléia ou estatuto, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Em sua defesa, a impugnante alega que preenche todos os requisitos constantes na Constituição, na Lei Complementar (CTN) e nas leis ordinárias para fazer jus à imunidade constitucional: possui Certificados de Utilidade Pública Federal Estadual e Municipal, bem como o CEBAS – Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social conforme documentos em anexo, bem como o Ato Declaratório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais e outros certificados de entidade assistencial. Segundo a impugnante, ao remeter aos dispositivos legais que fundamentam o lançamento, a fiscalização reconhece que o CIEE/SC se enquadra como entidade imune ao pagamento dos impostos, conforme previsto no art. 150, item VI, letra “C”, a ao pagamento das contribuições sociais, conforme artigo 195, §7° e artigo 203, item III, da Constituição Federal; porém, com base em norma administrativa — Instrução Normativa 247/2002 — pretende, através de equivocado raciocínio, cobrar a COFINS sobre as receitas derivadas das atividades próprias do CIEE/SC, sob a alegação de que referidas receitas só seriam isentas se não Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11516.002966/200772 Acórdão n.º 3201001.945 S3C2T1 Fl. 1.227 3 tivessem caráter contraprestacional direto, o que não ocorreria no caso presente. Sob o tópico “Do Direito”, a contribuinte alega que a expressão “sem carater contraprestacional direto” foi inserida na Instrução Normativa, que é norma complementar da legislação tributária, que não pode criar obrigações não previstas em lei, ou seja, “restringir” o alcance da definição prevista na citada Medida Provisória. Na verdade, segue a impugnante, não poderia a Lei Ordinária, a Medida Provisória, e muito menos uma Instrução Normativa, restringir o alcance da imunidade constitucional, matéria reservada à Lei Complementar, nos termos do artigo 146, inciso II, da Constituição Federal. Aduz a contribuinte que, ao contrário das isenções e outras formas desonerativas, que são sempre interpretadas de maneira restritiva, por força do art. 111 do CTN, as imunidades comportam interpretação extensiva, posto que fora da competência impositiva do poder tributante. Em síntese, alega que não cabe a aplicação do artigo 111 do CTN, que trata de isenções fiscais, quando, no presente caso, tratase de imunidade constitucional E sustenta que, para situações onde ocorre o instituto da imunidade, tem sido sistematicamente aplicado o art. 146 da Constituição Federal, o qual determina caber somente à Lei Complementar, regular as limitações constitucionais ao poder de tributar, conforme consta inclusive no Capítulo II do CTN – artigos 9ª a 15º “ Limitações da Competência Tributária”. Ainda, que os dispositivos legais e regulamentares mencionados pela fiscalização, preliminarmente, são inaplicáveis, pois não se enquadram como Leis Complementares, único dispositivo com previsão constitucional para fixar restrições à imunidade. Porém, mesmo utilizando os dispositivos trazidos pela fiscalização, concluise que as receitas do CIEE/SC, sendo próprias de seus objetivos sociais constantes de seus estatutos— administração de programas de estágios e promoção e integração do jovem ao mercado de trabalho — jamais poderiam sofrer a tributação da COFINS, inclusive as receitas financeiras delas derivadas. Por fim, reitera a impugnante, o auto de infração não poderia ser lavrado em função da inconstitucionalidade do fundamento legal, tendo em vista que foi baseado em Medida Provisória (que possui força de lei ordinária), quando no caso — imunidade tributária deveria fundarse em lei complementar. Segundo a impugnante, o trabalho fiscal padece de outra inconstitucionalidade, em função da inovação do termo "sem caráter contraprestacional direto" ter sido introduzido por Instrução Normativa, ou seja, ato de natureza administrativa e que restringiu o alcance da imunidade tributária, situação reservada exclusivamente à lei complementar. A contribuinte remete, ainda, ao processo nº. 13805.008.891/98 15 do CIEE/SP, onde foi obtido o cancelamento dos débitos Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11516.002966/200772 Acórdão n.º 3201001.945 S3C2T1 Fl. 1.228 4 fiscais exigidos, bem como restabelecimento do benefício da imunidade, para alegar que as situações são idênticas, sendo que a única diferença é que, àquele processo, a fiscalização tentou descaracterizar a isenção (imunidade) também porque a entidade teria remunerado o dirigente contratado, o que restou provado ser improcedente. Considerando que o CIEE/SC nasceu de uma cisão do CIEE/SP, e que na cisão existe solidariedade quanto às obrigações e passivos, conclui que deve se aplicar o mesmo entendimento esposado àquele processo, de maneira a garantir o mesmo critério de jurisprudência. Sobreveio decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ALCANCE. A imunidade prevista na Constituição Federal não abrange as contribuições sociais mas apenas os impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços das entidades beneficiadas, espécie tributária distinta das contribuições para a seguridade social, entre as quais se insere a Cofins ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. ISENÇÕES. A partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins as receitas das associações civis sem fins lucrativos a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.532 de 10/12/1997, relativas a suas atividades próprias, assim entendidas suas receitas típicas, como as contribuições, doações e anuidades ou mensalidades de seus associados e mantenedores, destinadas ao custeio e manutenção da instituição e execução de seus objetivos estatutários, mas que não tenham cunho contraprestacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11516.002966/200772 Acórdão n.º 3201001.945 S3C2T1 Fl. 1.229 5 Inconformada com a decisão, apresentou a Recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração que tem por objeto a exigência da Cofins incidente sobre receitas decorrentes da prestação de serviços de agenciamento entre estudantes e empresas. Conforme convênios e contratos anexados aos autos, constatase que a Recorrente, entidade filantrópica que promove a integração de estudantes ao mercado de trabalho, por meio de busca e intermediação de estágio remunerado com empresas, exige de seus conveniados "concedentes" (contratantes, pessoas jurídicas) uma contribuição compulsória sobre cada estagiário contratado. A Recorrente entende que tais receitas são isentas em relação à Cofins. A fiscalização, contudo, autuou a Recorrente por entender que tais receitas correspondem a uma contraprestação pelos serviços prestados pela Recorrente e, desta forma, não se enquadrariam no conceito previsto no artigo 14, inciso X, da MP 2.158/01, que estabelece, para entidades filantrópicas, a isenção da Cofins em relação a receitas decorrentes de suas atividades próprias. Esclarecido os fatos em julgamento, podese restringir a lide entre o Fisco e a Recorrente ao conceito de atividades próprias estabelecido pelo citado artigo 14, inciso X, da MP 2.158/01. Pois bem, o dispositivo legal em comento assim estabelece: Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] X – relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. (grifo nosso) O artigo 13 citado, por sua vez, em seu inciso IV, inclui as instituições de caráter filantrópico, como a Recorrente, entre as beneficiadas pela isenção: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11516.002966/200772 Acórdão n.º 3201001.945 S3C2T1 Fl. 1.230 6 [...] IV – instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997;(grifo nosso) O Fisco justifica o lançamento por entender de que a isenção de Cofins restringese a receitas de atividades próprias, entendidas por aquelas derivadas de contribuição, anuidade ou mensalidade fixada por lei, assembléia ou estatuto social e destinadas ao custeio de suas atividades essenciais, e que, no caso, as receitas foram de atividades contraprestacionais, sujeitas à incidência da contribuição. Entendo, contudo, que o conceito de atividades próprias, a que o inciso X, do artigo 14, da MP 2.15835/ 01, faz referência, corresponde àquelas atividades que a entidade sem fins lucrativos foi constituída para exercer. Não se restringem, desta forma, apenas aquelas derivadas de contribuição, anuidade ou mensalidade fixada por lei, assembléia ou estatuto social. E isto porque a lei não fez esta restrição, não havendo razões para o Fisco restringir o benefício estabelecido pelo legislador. Assim, mesmo em se tratando de receita decorrente de contraprestação de serviços prestados, as mesmas podem ser isentas da Cofins, isto caso tenham relação com as atividades exercidas pela entidade em cumprimento de seus objetivos, estabelecidos estes em seus documentos constitutivos. A Recorrente possui como objetivos filantrópicos os previstos no artigo 3º de seu Estatuto: Art. 3º A Entidade tem objetivos filantrópicos e assistenciais de ordem social, dos quais se destacam: I. A promoção da integração ao mercado de trabalho; II. A atuação como Agente de Integração, administrando programas de estágios a estudantes de cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial, em empresas privadas, órgãos públicos, capazes de ampliar o processo formativo do ensino — aprendizagem, principalmente nas áreas de profissionalização; III. entrosamento entre Escola e Empresa ou entes públicos; IV. intercâmbio das instituições de ensino e pesquisa; V. desenvolvimento do processo educativo de formação escolar; VI. A prestação de assistência social e educacional a pessoas carentes, inclusive mediante cursos gratuitos de alfabetização e educação; VII. desenvolvimento da cultura; Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11516.002966/200772 Acórdão n.º 3201001.945 S3C2T1 Fl. 1.231 7 VIII. A defesa da ética, da cidadania, dos direitos humanos e de outros valores universais; O artigo 5º desta estatuto estabelece ainda que a Entidade, para realizar seus objetivos, pode celebrar convênios, contratos e acordos com empresas privadas e órgãos públicos: Art. 5° Na realização de seus objetivos, a Entidade poderá celebrar convênios, contratos e acordos de qualquer espécie com empresas privadas e órgãos públicos, estabelecimentos de ensino de qualquer grau, instituições financeiras, entidades de classe e. quaisquer entes privados ou públicos, entre os quais: I. Convênios operacionais ou financeiros com escolas, tendo em vista a criação, manutenção e ampliação de cursos especiais de interesse das empresas; II. Convênios técnicos, científicos e culturais, para desenvolvimento de programas ou projetos de interesse dos múltiplos componentes da educaç4o, do trabalho e da comunidade. Pois bem, do exposto, resta claro que as receitas ora tributadas decorrem justamente dos contratos e convênios firmados com empresas privadas, decorrentes do exercício de atividades praticadas com a finalidade de cumprir seus objetivos filantrópicos. Assim sendo, encontramse abrangidas pela isenção prevista no artigo 14, inciso X, da MP 2.158/01, mostrandose incorreto o lançamento ora em julgamento. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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