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Numero do processo: 10860.903568/2012-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2010
AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS.
A interessada buscou a via judicial para resguardar sua pretensão de que fosse proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos, abstendo de discutir qualquer assunto referente ao direito creditório postulado.
A decisão da Delegacia Regional de Julgamento deve ser REFORMADA, devendo os autos retornarem à 1a instância de julgamento, serão observados os argumentos trazidos pela Manifestação de Inconformidade.
Numero da decisão: 3302-012.405
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.395, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10860.902472/2012-74, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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EFEITOS. A interessada buscou a via judicial para resguardar sua pretensão de que fosse proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos, abstendo de discutir qualquer assunto referente ao direito creditório postulado. A decisão da Delegacia Regional de Julgamento deve ser REFORMADA, devendo os autos retornarem à 1a instância de julgamento, serão observados os argumentos trazidos pela Manifestação de Inconformidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302- 012.395, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10860.902472/2012- 74, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 35 68 /2 01 2- 50 Fl. 262DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-012.405 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10860.903568/2012-50 Trata o presente processo de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), cujo crédito provém do saldo credor do Pis- Pasep/Cofins, relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência não- cumulativa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, por meio do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório. Cientificada do despacho decisório e inconformada com o deferimento parcial de seu pedido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando, em resumo, que apresentou os arquivos digitais, como solicitado, e requer a homologação da compensação. De acordo com documentos acostados, a interessada ingressou na Justiça para obter os valores indeferidos administrativamente, com pedido de antecipação de tutela. Conforme pesquisa no sítio da Justiça Federal na internet, o pedido de antecipação de tutela foi indeferido. Quando do julgamento da Manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pelo seu não conhecimento. A empresa foi intimada do Acórdão e ingressou com Recurso Voluntário alegando que: A Empresa, então ativa, com o passar do tempo, devido ao sucesso alcançado no mercado brasileiro, expandiu as suas atividades comerciais, passando a exportar as mais variadas espécies de produtos à América do Norte. Em decorrência das exportações de produtos alimentícios para a América do Norte, houve geração em benefício da empresa do Autor, com substancioso crédito acumulado dos tributos "PIS/COFINS.", decorrentes destas exportações de mercadorias. Contudo, com a crise que assolou os Estados Unidos da América, repercutindo em nosso País, aumentou as dificuldades financeiras da Empresa do Autor, não lhe restando alternativa, senão paralisar as suas atividades industriais/comerciais e, com isso necessitando arcar com o ônus de empregados, impostos e financiamentos efetuados em instituições bancárias para suprir os encargos do encerramento da empresa, estando passando por dificuldades face ao seu trabalho assalariado. Deste modo, o processo administrativo em pauta trata de pedido de ressarcimento de crédito tributário (PERD/COMP) devidamente requerido, conforme o decorrer de todo processo até aqui. Destarte, restou que, mesmo após requerimento (pedido) de restituição, docs., a Receita Federal do Brasil não prestou a obrigação que lhe cabia, no prazo legal de devolver os créditos acumulados dos tributos “PIS/COFINS” os quais tem o Autor direito à restituição. Foi postulado perante o poder judiciário um novo pedido face à RECEITA FEDERAL DO BRASIL no sentido de CUMPRIR com o pagamento dos valores correspondentes ao aludido crédito acumulado, referente aos tributos PIS/COFINS indevidamente retidos, até o presente momento, visto que deixou de adimplir a maior parte desses créditos, numa flagrante violação ao disposto no art. 24, da Lei Federal n° 11.457/2007. Assim, é absurda a alegação da Receita Federal do Brasil proferida no acordão em questão de que a ação existência de ação judicial, em nome da interessada, importa em renúncia às instâncias administrativas quanto à matéria objeto da ação, visto que a EXCLUSIVA Fl. 263DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-012.405 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10860.903568/2012-50 intenção da contribuinte foi utilizar vias judiciais para movimentar o processo administrativo que há mais de 360 (trezentos e sessenta) dias estava em ABSOLUTA PARALIZAÇÃO. A ação judicial não trata do mérito da questão em pauta, basta uma análise aprofundada na petição, no pedido da ação, e no seu objeto. Nessa ação, esse tipo de obrigação se materializa no dever de exercer determinada conduta, ou seja, desenvolver determinado trabalho físico ou intelectual, prestar um tipo de serviço, etc. - DO REQUERIMENTO Por todo o exposto, por tudo mais que dos autos constam e ainda demonstrada a insubsistência e improcedência da decisão proferida, pelos doutos e valiosos subsídios que V. Ex a s, certamente trarão à espécie, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelando-se a decisão proferida, oferecer resposta ao feito, para, finalmente, provado o alegado, julgados procedentes os pedidos, ser compelida a proceder ao Ressarcimento dos valores apontados do crédito acumulado dos tributos "PIS/COFINS", decorrente da exportação de mercadorias. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3 a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. A empresa foi intimada do Acórdão, via Aviso de Recebimento, em 11 de janeiro de 2019, às e-folhas 241. A empresa ingressou com Recurso Voluntário, em 12 de fevereiro de 2019, e-folhas 242. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da Controvérsia. Foram alegados os seguintes pontos no Recurso Voluntário: A insubsistência e improcedência da decisão proferida no âmbito da Delegacia Regional de Julgamento. Passa-se à análise. Trata o presente processo de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), cujo crédito provém do saldo credor da Cofins, relativo a receitas de exportação, Fl. 264DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-012.405 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10860.903568/2012-50 apurado no regime de incidência não- cumulativa, referente ao 2° trimestre/2008. Em resposta à Resolução n° 3202-001.720 (e-folhas 462 e 463), a autoridade preparadora informou a existência de 3 (três) ações: 1) AÇÃO ORDINÁRIA N° 0003067-30.2014.4.03.6121 (fls. 335/347) De acordo com o despacho judicial proferido por ocasião da análise da tutela antecipada, trata-se de Ação Ordinária proposta pela pessoa jurídica “... objetivando a compensação imediata entre crédito e débito tributários, com o depósito do saldo restante em conta judicial vinculada ao presente feito.” A autora alegou a existência de crédito apurado pela Receita Federal mas que ainda não tinha havido a devida compensação e, devido às dificuldades financeiras enfrentadas, requereu a imediata compensação. A tutela de urgência foi indeferida em razão de a Receita Federal já ter iniciado a análise das DCOMP (fls. 340/341). Posteriormente, a Ação foi extinta sem apreciação do mérito por perda superveniente de objeto, pois, segundo o Juiz Federal, “... houve informação de que houve o reconhecimento do direito pleiteado nesta ação administrativamente pela Fazenda Nacional” (fls. 345). Com o trânsito em julgado da decisão em 30/11/2017, a Ação foi arquivada (fls. 346/347). 2) AÇÃO ORDINÁRIA N° 5000936-55.2018.4.03.6121 (fls. 348/408) Trata-se de uma Ação de Obrigação de Fazer, cumulada com pedido de antecipação de tutela, proposta por Fábio Correa Goffi na condição de sócio- proprietário e responsável legal pela pessoa jurídica Comercial Prima Donna Ltda - EPP, já encerrada. Através desta Ação, o autor informou a existência de crédito acumulado de PIS/COFINS decorrente de exportações de mercadorias, objeto de pedidos de restituição formalizados pela pessoa jurídica e não analisados pela RFB no prazo legal. Argumentou, ainda, que a própria RFB reconheceu expressamente a existência desses créditos no período de 2008 a 2013, no valor de R$ 402.549,07, o que motivou o ajuizamento da Ação n° 0003067-30.2014.4.03.6121, da qual posteriormente desistiu em face do suposto acordo para pagamento total do crédito. Alegou o ressarcimento do equivalente a R$ 136.899,43 e que o crédito restante (R$ 265.649,64) ainda não foi restituído, razão pela qual impetrou esta nova Ação. Informou, também, que, após novo levantamento realizado em 2017, quando já havia recebido parte dos créditos, restou a ser ressarcido o montante de R$ 568.039,27, o qual corresponde aos valores principais pleiteados acrescidos da Selic calculada a partir do vencimento do prazo de 360 dias. Listou os PER/DCOMPs protocolizados e, entre eles, inclui-se este sob controle do presente processo administrativo. Em decorrência da demora da Administração em adimplir a maior parte dos seus créditos, a autora interpôs a mencionada Ação objetivando que a Ré seja “... compelida a proceder ao Ressarcimento dos valores apontados do crédito acumulado dos tributos “PIS/COFINS”, decorrente da exportação de mercadorias.” Pleiteou, também, tutela antecipada para que a União deposite em juízo o valor do crédito que, segundo alega, já foi expressamente reconhecido, no montante de R$ 263.139,31, e o benefício da assistência judiciária gratuita (fls. 351/358). Fl. 265DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-012.405 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10860.903568/2012-50 A justiça gratuita foi indeferida (fls. 359/365). Em seguida, a tutela de urgência também restou indeferida (fls. 375/376). Após a contestação da União e a réplica (fls. 378/402), por determinação do Juiz do feito a autora informou que também está pleiteando a atualização dos créditos objetos dos pedidos de restituição/ressarcimento a partir do dia em que se esgotou o prazo legal de 360 dias previstos na Lei n° 11.457/2007 (fls. 403/406). A Ação permanece aguardando a prolação de sentença (fls. 407/408). Em complemento, em relação à AÇÃO ORDINÁRIA N° 5000936- 55.2018.4.03.6121: A exordial da AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER, COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DA TUTELA, consta de e-folhas 40 à 49. No corpo da exordial, e-folhas 46, é assim assinalado: Pois bem, em que pese o Autor haver, entre 28 de outubro de 2008 e 10 de janeiro de 2013, figurado como responsável legal por sua empresa, postulado administrativamente o pagamento dos valores correspondentes ao aludido crédito acumulado, referente aos tributos PIS/COFINS indevidamente retidos, até o presente momento, a Ré deixou de adimplir a maior parte desses créditos, conforme demonstra na planilha acima, numa flagrante violação ao disposto no art. 24, da Lei Federal n° 11.457/2007, que preconiza, expressamente, que: (...) E esse procedimento, é óbvio, somente pode ser interpretado como injusta e ilegal "recusa" de devolução ao Autor do crédito, a que faz jus, em razão da extinção da empresa (vide documento em anexo). (negrito próprio do original) Portanto, como alegado no Recurso Voluntário, a interessada buscou a via judicial para resguardar sua pretensão de que fosse proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos, na forma do artigo 24 da Lei n° 11.457/2007, se abstendo de discutir qualquer assunto referente ao direito creditório postulado. 3) AÇÃO ORDINÁRIA N° 5001568-81.2018.4.03.6121 (fls. 409/460) Trata-se de uma Ação Cominatória de Obrigação de Fazer proposta por Fábio Correa Goffi, na condição de sócio-proprietário e responsável legal pela pessoa jurídica Comercial Prima Donna Ltda - EPP, já encerrada. A princípio, os fatos narrados são semelhantes aos arguidos na Ação Ordinária n° 5000936-55.2018.4.03.6121, todavia, o pedido diz respeito ao pagamento dos juros e correção incidentes sobre o crédito já ressarcido, em virtude de a análise administrativa e a restituição terem ocorrido após 360 dias da protocolização dos PER/DCOMP, em desacordo, portanto, com o disposto na Lei n° 11.457/2007. Na oportunidade, listou os PER/DCOMP objeto da Ação e, entre eles, não se inclui o PER/DCOMP em questão, a saber, 10828.45028.101208.1.15.09-6373 (fls. 411/419). O Juiz Federal não reconheceu a litispendência entre esta Ação e a Ação n° 5000936-55.2018.4.03.6121, uma vez que ambas tratam de PERD/DCOMPs diversos (fls. 420/421). Após a contestação da União e a réplica do Autor, a Ação foi sobrestada por veicular matéria objeto do Tema Repetitivo n° 1003, a ser apreciado pelo STJ (fls. 427/460). Fl. 266DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-012.405 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10860.903568/2012-50 (Grifo e negrito nossos) A autoridade preparadora assim conclui seu parecer: Dessa forma, s.m.j., o único feito judicial que pode vir a repercutir neste procedimento administrativo é a Ação Ordinária n° 5000936- 55.2018.4.03.6121, acima relatada. Após transcrever o Parecer Normativo Cosit/RFB n° 7, de 2014, que trata da concomitância entre o processo administrativo fiscal e o judicial com o mesmo objeto, da prevalência do processo judicial e da renúncia às instâncias administrativas, o Acórdão de Manifestação de Inconformidade assim conclui, às folhas 03 daquele documento: Tal dispositivo encontra-se em consonância com o princípio constitucional da unidade de jurisdição, consagrado no art. 5°, XXXV da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988, segundo o qual a decisão judicial sempre prevalece sobre a administrativa. Desse modo, a ação judicial tratando de determinada matéria infirma a competência administrativa para decidir de modo diverso, uma vez que, se todas as questões podem ser levadas ao Poder Judiciário, a ele é conferida a capacidade de examiná-las de forma definitiva e com o efeito de coisa julgada. A propositura de ação judicial pela contribuinte, em razão disso, nos pontos em que haja idêntico questionamento, torna ineficaz o processo administrativo. De fato, havendo o deslocamento da lide para o Poder Judiciário, perde o sentido a apreciação da mesma matéria na via administrativa. Do contrário, ter-se-ia a absurda hipótese de modificação de decisão judicial transitada em julgado e, portanto, definitiva, pela autoridade administrativa. Destarte, tendo a interessada buscado a via judicial para resguardar sua pretensão, renunciando à instância administrativa, não se toma conhecimento da manifestação de inconformidade quanto à matéria objeto da ação judicial, declarando-se a definitividade da decisão recorrida. Portanto, como alegado no Recurso Voluntário, a interessada buscou a via judicial para resguardar sua pretensão de que fosse proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos, na forma do artigo 24 da Lei n° 11.457/2007, se abstendo de discutir qualquer assunto referente ao direito creditório postulado. Portanto, DOU PROVIMENTO PARCIAL para que a decisão referente ao Acórdão de Manifestação de Inconformidade n° 14- 89.656, a 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, Sessão de 27 de dezembro de 2018 (e-folhas 235) SEJA REFORMADA, devendo os autos retornarem à 1a instância de julgamento, onde serão observados os argumentos trazidos pela Manifestação de Inconformidade. É como voto. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Fl. 267DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-012.405 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10860.903568/2012-50 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Fl. 268DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10580.011376/2007-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 03 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/03/2007
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
O fato de a decisão recorrida haver decidido de forma ampla e genérica a respeito da tributação das contribuições devidas ao Salário-Educação. INCRA, SEBRAE e SEST/SENAT não é motivo para sua anulação, sobretudo porque as razões da impugnação limitaram-se a questionar a constitucionalidade e legalidade das exações e a autoridade julgadora de primeira instância ter reconhecido sua incompetência em apreciar estas matérias.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS SAT/RAT. GRAU DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. AFERIÇÃO POR ESTABELECIMENTO.
A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA E AO SEBRAE. LEGITIMIDADE.
É legítima a contribuição de intervenção no domínio econômico destinada ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE).
MESMAS RAZÕES DE DEFESA. ACÓRDÃO RECORRIDO. ADOÇÃO DAS RAZOES DE DECIDIR.
Por não haverem sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância e estando a conclusão alcançada pelo órgão julgador de primeira instância em consonância com o melhor entendimento da legislação que rege a matéria, adotam-se os fundamentos da decisão recorrida, através da transcrição do inteiro teor do voto condutor, nos termos do art. 57, § 3º, do Anexo II do da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF).
Numero da decisão: 2402-010.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a alíquota SAT/RAT de 2% para 1% em relação ao estabelecimento CNPJ 15.171.093/0002-75.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Augusto Sekeff Sallem - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Renata Toratti Cassini, Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
Nome do relator: MARCIO AUGUSTO SEKEFF SALLEM
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INOCORRÊNCIA. O fato de a decisão recorrida haver decidido de forma ampla e genérica a respeito da tributação das contribuições devidas ao Salário-Educação. INCRA, SEBRAE e SEST/SENAT não é motivo para sua anulação, sobretudo porque as razões da impugnação limitaram-se a questionar a constitucionalidade e legalidade das exações e a autoridade julgadora de primeira instância ter reconhecido sua incompetência em apreciar estas matérias. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS SAT/RAT. GRAU DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. AFERIÇÃO POR ESTABELECIMENTO. A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA E AO SEBRAE. LEGITIMIDADE. É legítima a contribuição de intervenção no domínio econômico destinada ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). MESMAS RAZÕES DE DEFESA. ACÓRDÃO RECORRIDO. ADOÇÃO DAS RAZOES DE DECIDIR. Por não haverem sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância e estando a conclusão alcançada pelo órgão julgador de primeira instância em consonância com o melhor entendimento da legislação que rege a matéria, adotam-se os fundamentos da decisão recorrida, através da transcrição do inteiro teor do voto condutor, nos termos do art. 57, § 3º, do Anexo II do da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 13 76 /2 00 7- 02 Fl. 249DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.667 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.011376/2007-02 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a alíquota SAT/RAT de 2% para 1% em relação ao estabelecimento CNPJ 15.171.093/0002-75. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Augusto Sekeff Sallem - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Renata Toratti Cassini, Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente). Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lavrada em face ao contribuinte acima identificado no valor principal de R$ 1.509.790,33, alusiva a contribuições previdenciárias da empresa, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GIIL-RAT) e devidas a entidades e fundos terceiros, no período de 10/2005 a 3/2007. Lançamento cientificado pessoalmente ao contribuinte em 16/10/2007 (fls. 2). Relatório da Notificação Fiscal do Lançamento do Débito (fls. 39 a 47) A autoridade lançadora, em razão da perda da qualidade de entidade imune pelo descumprimento do art. 55, II, da Lei nº 8.212/91, identificou a falta de recolhimento das contribuições previdenciárias incidente sobre os valores pagos nos levantamentos: DAL – Diferença de acréscimos legais; e FPG – Folha conforme GFIP. Impugnação (fls. 99 a 147) Impugnação formalizada em 14/11/2007, em que o contribuinte relatou haver impetrado o Mandado de Segurança nº 2005.33.00.025931-1 contrário à Decisão-Notificação nº 04.401.4/0002/2005, que emitiu Ato Cancelatório da Isenção a partir de 12/1996. Abriu tópico para discutir os valores devidos a cooperativas, as retenções dos contribuintes individuais e do Serviço Auxiliar Diagnóstico e Terapia, a desconsideração da relação de trabalho para enquadrá-la como relação de emprego, o SAT/RAT, o Salário Educação, as contribuições devidas ao INCRA, ao SEBRAE e ao SEST/SENAT, além de haver requerido revisão fiscal para exclusão dos valores lançados em duplicidade nas GFIPs. Fl. 250DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.667 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.011376/2007-02 Acórdão de Impugnação (fls. 180 a 191) A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento e destacou que, apesar de o contribuinte haver alegado duplicidade de informações nas GFIPs, não indicou quais estas seriam, nem apresentou provas do alegado. Decisão cientificada, por via postal, em 28/4/2010 (fls. 195). Recurso Voluntário (fls. 199 a 245) Recurso voluntário formalizado em 27/5/2010, tendo o contribuinte arguido a nulidade da decisão por não haver esgotado a análise das questões trazidas aos autos, além de haver reiterado os pontos antes deduzidos. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Augusto Sekeff Sallem, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e cumpre os pressupostos de admissibilidade, pois dele tomo conhecimento. Nulidade do Acórdão Recorrido O contribuinte afirmou que a autoridade julgadora de primeira instância não se manifestou a respeito das alegações relativas ao dever de pagamento de valores a título de Salário-Educação e as contribuições relativas ao INCRA, SEBRAE e SEST/SENAT e também não apreciou as provas carreadas aos autos. Sem razão o contribuinte. A impugnação contrária às contribuições exigidas, devidas ao Salário-Educação, INCRA, SEBRAE e SEST/SENAT cuidou de questionar a inconstitucionalidade e/ou ilegalidade a partir do arrazoado legislativo apresentado, tendo a autoridade julgadora de primeira instância rebatido tudo quanto apresentado no item 9.3 do acórdão recorrido. 9.3. Argúi o contribuinte a inconstitucionalidade do SAT e das contribuições para outras entidades e fundos. Deve-se ressaltar, entretanto, que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não se pode, em sede administrativa, declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de ato normativo em vigor, visto que à Administração Pública cabe tão-somente dar aplicação aos comandos legais. À instância administrativa é limitado verificar se o lançamento aplica-se ao caso, analisar os argumentos e as provas apresentados pelo sujeito passivo, verificar se houve realmente o fato gerador que gerou a obrigação tributária e se a lei foi corretamente aplicada ao caso; o Poder Judiciário é o órgão competente para declarar qualquer irregularidade ou inconstitucionalidade existente no ordenamento jurídico. Nesse sentido é vasta a jurisprudência dos colegiados administrativos: Fl. 251DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.667 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.011376/2007-02 ... As alegações de inconstitucionalidade quanto à aplicação da legislação tributária não podem ser oponíveis na esfera administrativa, por ultrapassar os limites da sua competência legal, conforme orientação contida no Parecer Normativo CST n° 329/1970, que assim está ementado: ... Nesse contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitar-se a aplica- la, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Reforçando esse entendimento, leia-se disposição trazida pela Medida Provisória - MP n°449, de 3 de dezembro de 2008, transformada na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, que, acrescentando o art. 26-A ao Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, assim determinou: ... Dessa forma, esta autoridade deixa de examinar a questão da ilegalidade e inconstitucionalidade suscitada pela impugnante, por extrapolar os limites de sua competência. Repita-se, trata de matéria que escapa à apreciação deste julgador administrativo. (grifei) A autoridade julgadora de primeira instância rebateu as alegações genericamente, mas porque o caso concreto autorizava, não havendo a necessidade de abrir um tópico para cada uma das contribuições a fim de repetir o mesmo fato: a incompetência para apreciar questões de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de norma tributária, conforme enuncia a Súmula CARF nº 2 e as normas colacionadas no acórdão recorrido. Nestes termos, rejeito a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Imunidade Tributária O recorrente relatou ter impetrado Mandado de Segurança 2005.33.00.005931-1, a fim de resguardar o direito líquido e certo de interpor recurso contra a decisão que cancelou a imunidade tributária, formalizado no Processo Administrativo nº 35013.004320/2005-97. Mister, portanto, conhecer o conteúdo do decidido naqueles autos. O Acórdão nº 2402-00.321, de 1º de dezembro de 2009, negou provimento ao recurso voluntário nos termos abaixo ementados e ratificou o Ato Cancelatório da Isenção. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/2006 ISENÇÃO. ATO CANCELATÓRIO. EFEITOS. São devidas as contribuições previdenciárias a partir da decisão definitiva quanto ao Ato Cancelatório de Isenção. ISENÇÃO. REQUISITOS. São isentas das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, a entidade beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, os requisitos previstos em seu Art. 55. Fl. 252DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.667 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.011376/2007-02 RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. O Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira confirmou que a recorrente não cumpria um requisito para o usufruto da imunidade, possuir o Cebas, e concluiu que o procedimento de cancelamento aderiu à estrita legalidade. Contra a decisão de segunda instância, o recorrente manejou recurso especial, cuja admissibilidade fora objeto de análise em 30 de dezembro de 2015, para a conclusão: 4. CONCLUSÃO Nesse contexto, não estando vistosos, no caso em espécie, os pressupostos regimentais do Recurso Especial previstos no caput do art. 67 do Regimento Interno do CARF, e em razão da pretensão do Recorrente fugir ao escopo do recurso ora em apreço, pugnamos pela NEGATIVA DE SEGUIMENTO ao recurso interposto, em virtude da carência de requisito essencial de admissibilidade. Procedida à análise com fundamento na Portaria CARF nº 24, de 25 de maio de 2015, submeto este exame de admissibilidade à Presidente da 4a Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF. O reexame de admissibilidade alcançou a mesma conclusão, em 18 de março de 2016, veja: Com efeito, compulsando os fundamentos jurídicos permeados nas decisões veiculadas nos Acórdãos Recorrido e Paradigma percebemos a consonância do conteúdo e alcance extraído das normas jurídicas de regência, não restando configurado qualquer conflito interpretativo entre os casos concretos em contraposição a dar indispensável sustentabilidade ao Recurso interposto. De fato, tanto o Acórdão Recorrido quanto o Acórdão Paradigma se aprumam no sentido de reconhecer que a Entidade Beneficente de Assistência Social, mesmo aquela que tenha direito adquirido à isenção de Contribuições Previdenciárias, tem que atender aos requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91, e que tal benefício fiscal pode ser cancelado mediante procedimento regular de emissão de ato cancelatório. Não obteve êxito o Recorrente em demonstrar Dissídio Jurisprudencial existente entre colegiados distintos deste Conselho a dar amparo à sua pretensão recursal, sendo imperioso ressaltar que o manejo do Recurso Especial visa, justamente, a uniformizar o entendimento da Segunda Instância Administrativa. Nesse contexto, não restando atendidos os pressupostos legais do Recurso Especial previstos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, decido MANTER, na íntegra, o despacho da Sra. Presidente da 4ª Câmara/2ª SEJUL/CARF, que NEGOU SEGUIMENTO ao pedido formulado pelo Hospital Evangélico da Bahia. Inconformado, o recorrente interpôs agravo, não conhecido em despacho de 17 de agosto de 2017. NEGO CONHECIMENTO ao requerimento de fls. 252 a 256 como agravo e INDEFIRO o pedido de retificação do exame de admissibilidade por não restar demonstrado lapso manifesto ou inexatidão material a ser saneado. Em consequência devem ser adotadas as seguintes providências: Fl. 253DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-010.667 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.011376/2007-02 1º - Encaminhamento dos autos para ciência ao sujeito passivo do indeferimento de sua petição, reiterando-se o esgotamento de todas as possibilidades de recurso e a consequente definitividade do crédito tributário mantido com a negativa de provimento ao recurso voluntário aqui interposto; e 2º - Adoção das demais providências de competência da Unidade de Origem da RFB, ressaltando-se que este Conselho foi informado, por meio do Ofício 594/R, de 07/03/2017, acerca da decisão do STF, relativamente ao RE 566.622/RS, julgado em 27/06/2017 (www.stf.jus.br), em que consta “Implemento a medida acauteladora, suspendendo, nos termos do artigo 1.035, § 5º, do Código de Processo Civil, o curso de processos que veiculem o tema, obstaculizando o acionamento, pela Administração Pública, do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991”. (Grifei) Portanto, em que pese a interpretação individual deste Conselheiro a respeito da matéria, a decisão definitiva que ratificou o Ato Cancelatório de Isenção deve ser observado por este Colegiado com a inarredável conclusão de que a entidade não atendia os requisitos para o gozo da imunidade tributária prevista no art. 195, § 7º, Constituição Federal. Pedido de Revisão Fiscal O contribuinte mencionou haver efetuado lançamentos em duplicidade em suas GFIPs e que a autoridade julgadora de primeira instância decidiu de modo equivocado em não as considerar. Na impugnação, fls. 145, o contribuinte requer a Revisão Fiscal nestes termos: Assim, a toda evidência, resta equivocado o levantamento fiscal procedido, em razão de terem os Agentes Fiscais desconsiderado a verdade material dos fatos. Face a todo o exposto é a presente para requerer expressamente uma REVISÃO FISCAL para que sejam revistos os dados em confrontação documental, expurgando dos levantamentos os valores cobrados indevidamente, sobretudo aqueles decorrentes da declaração em duplicidade na GFIP, conforme documentos anexos. (grifo do original) A decisão recorrida, no item 9.4, rejeitou a juntada de novos documentos nos termos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e indeferiu o pedido de perícia e diligência, formulado ao arrepio do inc. IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, por ser desnecessário à solução da controvérsia, pois prescinde de conhecimento técnico especializado e em razão da produção probatória ser ônus do contribuinte. Assim, concluiu: Do mesmo modo, quanto à solicitação de revisão fiscal, embora alegue duplicidade de declaração de valores em GFIP, o impugnante não indica quais os valores supostamente declarados em duplicidade, nem apresenta provas dessa alegação, razão pela qual deixo de acolher o pedido. (grifei) A decisão é irretocável. O juízo de necessariedade da realização de diligência é da autoridade julgadora a quem é dirigida a produção probatória, cabendo indeferir aquelas consideradas prescindíveis ou impraticáveis, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, não havendo previsão para Fl. 254DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-010.667 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.011376/2007-02 conversão do julgamento em diligência a fim de a parte, a quem competia a produção probatória, apresentassee esclarecimentos ou documentos que não havia trazido no momento oportuno. Além do mais, a perícia técnica é medida prescindível, pois quem melhor para aferir se houve ou não o lançamento em duplicidade nas GFIPs do que a própria autoridade julgadora de primeira instância por seu mister? A propósito, nem na impugnação, nem no recurso voluntário, o contribuinte indicou quais seriam os lançamentos realizados em duplicidades e as provas que corroborassem sua alegação, quando deveria tê-lo feito, razão por que deve ser rejeitado esse pedido. Contribuição para o SAT O contribuinte defendeu a inconstitucionalidade do SAT até sobrevir legislação a fim de determinar o conceito de atividade preponderante. Mesmo que a exação seja considerada legal, deveria a fiscalização ter considerado a atividade preponderante por estabelecimento. Decido. No tocante à inconstitucionalidade ou ilegalidade na determinação, para fins da alíquota de SAT/RAT, do conceito de risco leve, médio e grave via Decreto, não Lei, este Conselho não é competente para apreciar esta matéria nos termos da Súmula CARF nº 2. Com relação à apuração da atividade preponderante por estabelecimento, não por empresa, o contribuinte tem razão. Através da Súmula nº 351 1 , o Superior Tribunal de Justiça não deixa margem à dúvida de que a alíquota da contribuição para o SAT deve ser aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, no caso de uma empresa com mais de um estabelecimento. No caso concreto, a autuação considerou risco médio para os dois estabelecimentos da empresa apesar de estes informarem CNAEs fiscais diferentes nas GFIPs respectivas, obtidas por empréstimo do Processo 10580.011383/2007-04 julgado nesta sessão: 8511-1/00 (CNPJ 15.171.093/0001-94) e 8096-9/00 (CNPJ 15.171.093/0002-75). O Anexo V do Decreto nº 3.048/99 correlaciona as atividades preponderantes aos correspondentes graus de risco e sofreu modificações com a edição dos Decretos nº 6.042/2007, 6.957/2009 e 10.410/2020. Pois bem. O CNAE Fiscal 85.11-1 (Atividades de Atendimento Hospitalar) está relacionado à risco médio e alíquota de 2%. Já o CNAE Fiscal 80.96-9 (Educação Profissional de Nível Técnico) está relacionado à risco leve e alíquota de 1%. 1 A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Fl. 255DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-010.667 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.011376/2007-02 Portanto, a alíquota SAT/RAT para as contribuições previdenciárias exigidas do estabelecimento CNPJ 15.171.093/0002-75 devem ser reduzidas de 2% para 1%, em obediência ao entendimento jurisprudencial emanado do STJ. INCRA O contribuinte defendeu a inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA, que entende não haver sido recepcionada pela Constituição Federal. Caso rejeitado este argumento, o contribuinte sustentou a impossibilidade de cobrança nas competências de 1/1995 a 3/2005, pois extinta. Sem razão o recorrente. A base legal da contribuição ao INCRA advém da Lei nº 2.613/65 c/c o Decreto- Lei nº 1.146/70 e Lei Complementar nº 11/71, recepcionada pelo art. 149 da CF/1988. Além do mais, o Superior Tribunal de Justiça enunciou a Súmula nº 516, publicada no Diário da Justiça em 2/3/2015, que revela o entendimento novel do Egrégio em relação à matéria: “A contribuição de intervenção no domínio econômico para o Incra (Decreto- Lei n. 1.110/1970), devida por empregadores rurais e urbanos, não foi extinta pelas Leis ns. 7.787/1989, 8.212/1991 e 8.213/1991, não podendo ser compensada com a contribuição ao INSS”. Como se observa, o STJ referendou o entendimento quanto à exigibilidade da contribuição devida ao INCRA, também devendo ser desconsiderado o argumento eventual quanto às competências 1/95 a 3/2005, pois não estão sendo exigidas na corrente NFLD. Assim, havendo expressa previsão legislativa para a cobrança da contribuição para o INCRA, não é possível a este colegiado deixar de aplicar a legislação citada por supostas inconstitucionalidade ou ilegalidade. SEBRAE E SEST/SENAT O contribuinte também defendeu a inconstitucionalidade das contribuições ao SEBRAE e SEST/SENAT. Também sem razão o recorrente. Quanto à contribuição devida ao SEBRAE, prevista no art. 8º, § 3º, da Lei nº 8.029/90, o Supremo Tribunal Federal pacificou entendimento quanto à constitucionalidade da exação e à desnecessidade de referibilidade direta entre a exação e a contraprestação direta em favor do contribuinte, conforme decidido no julgamento do RE-RG 635.682, com repercussão geral, a definir o Tema 227: TEMA 227 Direito Tributário; Tributos A contribuição destinada ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - Sebrae possui natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico e não necessita de edição de lei complementar para ser instituída. Fl. 256DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-010.667 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.011376/2007-02 Discutia-se a constitucionalidade do § 3° do art. 8° da Lei 8.029/90, que instituiu essa exação. O Tribunal afirmou que, embora as contribuições de intervenção no domínio econômico se sujeitassem às normas gerais estabelecidas por legislação complementar em matéria tributária (CF, art. 146, III, a), isso não significaria a exigência de sua criação por meio de lei complementar. “EMENTA: Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Contribuição para o SEBRAE. Desnecessidade de lei complementar. 4. Contribuição para o SEBRAE. Tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Natureza jurídica: contribuição de intervenção no domínio econômico. 5. Desnecessidade de instituição por lei complementar. Inexistência de vício formal na instituição da contribuição para o SEBRAE mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. 7. Recurso extraordinário não provido. 8. Acórdão recorrido mantido quanto aos honorários fixados.” (RE 635.682/RJ, rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 25/4/2013, acórdão publicado no DJe de 24/5/2013) Assim, havendo expressa previsão legislativa para a cobrança da contribuição para o SEBRAE não é possível a este colegiado deixar de aplicar a legislação citada por supostas inconstitucionalidade ou ilegalidade. Em relação às contribuições ao SEST/SENAT, instituídas pela Lei nº 8.706/93, estas incidem sobre a folha de pagamentos de empresas de transporte rodoviário, de transporte de valores e de locação de veículos e não foram exigidas na NFLD, conforme a Fundamentação Legal do Débito (fls. 20 a 22). Aplicação da Multa Mais Benéfica O contribuinte requereu a aplicação da multa mais benéfica, tendo a autoridade julgadora deduzido que: 9.5. Quanto à multa aplicada, considerando a alteração da legislação no tocante às multas de mora em decorrência de lançamento de oficio, efetuada pela MP n° 449, de 2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, deve ser aplicada a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), comparando-se a penalidade imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador com a imposta pela legislação superveniente. Como a multa de mora prevista no art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, na redação anterior à MP n° 449, de 2008, era definida conforme a fase processual do lançamento tributário em que o pagamento era realizado, somente no momento do pagamento é que a multa mais benéfica poderá ser quantificada. Durante a fase do contencioso administrativo, de primeira instância, não há como se calcular a multa mais benéfica, haja vista que o pagamento ainda não foi postulado pelo contribuinte. Esta é uma interpretação literal do art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, na redação anterior à MP n° 449, de 2008, que estabelece que as multas de mora valem para o momento do pagamento. Portanto, somente neste momento o percentual da multa de mora estará definido. Não há retoques a serem realizados nesta decisão com que concordo, devendo ser esclarecido que a comparação entre as multas de mora e a aplicação daquela mais benéfica ao contribuinte será realizada quando da execução do decidido na unidade preparadora, nos termos da Portaria Conjunta PGFN / RFB Nº 14/2009. Fl. 257DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-010.667 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.011376/2007-02 CONCLUSÃO Voto em dar parcial provimento ao recurso voluntário para: a) Reduzir a alíquota SAT/RAT de 2% para 1% em relação ao estabelecimento CNPJ 15.171.093/0002-75. (documento assinado digitalmente) Márcio Augusto Sekeff Sallem Fl. 258DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16561.720002/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, vincular os autos ao processo principal (n. 19515.003129/2006-00) e sobrestá-los, para que aguardem na Secretaria desta Câmara a decisão a ser proferida naquele feito.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum.
Relatório
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, vincular os autos ao processo principal (n. 19515.003129/200600) e sobrestálos, para que aguardem na Secretaria desta Câmara a decisão a ser proferida naquele feito. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 13/10/2011 (fls. 324 e 331), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ e à CSLL, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 00 2/ 20 11 -6 4 Fl. 616DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Resolução nº 1201000.218 S1C2T1 Fl. 3 2 em 31/12/2006, em decorrência compensação indevida de prejuízo operacional de IRPJ e base de cálculo negativa da CSLL. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 2.1. IRPJ (fls. 323 a 329): 2.1.1. Saldo Insuficiente – Compensação Indevida de Prejuízo Operacional com Resultado da Atividade Geral com base nos artigos 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 247, 250, inciso III, 251, 509, e 510 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999). 2.1.2. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 09/2011, totalizou o montante de R$ 9.382.982,02. 2.2. CSLL (fls. 330 a 335): 2.2.1. Saldo Insuficiente – Compensação Indevida de Base de Cálculo Negativa da Atividade Geral com Resultado da Atividade Geral com base no artigo 2º da Lei nº 7.689, de 15/12/1988 (com as alterações introduzidas pelo artigo 2º da Lei nº 8.034, de 12/04/1990), e artigo 37 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002. 2.2.2. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 09/2011, totalizou o montante de R$ 3.397.253,91. 3. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada no percentual de 75% é o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, e o dos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) é o artigo 61, § 3º, da mesma Lei nº 9.430/1996 (fls. 329 e 335). 4. A contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Início da Ação Fiscal (fls. 256 a 258 – ciência pessoal em 01/02/2011 – fl. 258), a esclarecer e apresentar documentos à fiscalização, no prazo de 10 (dez) dias, nos seguintes termos: 4.1. Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) – cópia simples, com abrangência dos períodos disponíveis até o anocalendário 2007, com inclusão da conta Prejuízos Fiscais da empresa Procomp Comércio e Serviços Ltda (CNPJ 57.449.522/000192), incorporada pela autuada em 2007. 4.2. Ágio em Investimentos – anocalendário 2006: 4.2.1. Indicação do fundamento econômico para os valores declarados na DIPJ Ficha 36A Linha 27 (fl. 148), consoante disposição do artigo 385, § 2º, do RIR/1999. 4.2.2. Cópia simples de toda a documentação suporte dos valores consignados, com inclusão de contratos, laudos de avaliação, protocolos de justificativa e comprovantes de eventuais pagamentos efetuados no bojo da reorganização societária que originou a mencionada mais valia. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Resolução nº 1201000.218 S1C2T1 Fl. 4 3 4.2.3. Cópia simples do Razão Analítico das contas contábeis que compõem os valores lançados na Ficha 05A (Despesas Operacionais) Linha 20 (Encargos de Depreciação e Amortização – fl. 22), Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real) Linha 24 (Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis – fl. 24) e Ficha 036A Linha 27 (Ágio em Investimentos – fl. 148). 4.2.4. Cópia simples do Contrato Social e Alterações ocorridas a partir do anocalendário 2006. 5. Solicitação de prorrogação de prazo para atendimento foi requerido via email (fls. 259 e 260) em 10/02/2011, tendo a fiscalização deferido o pedido com data limite para 02/03/2011 (Termo de Prorrogação de Prazo à fl. 261). Carta de apresentação de documentos, protocolizada em 02/03/2011, foi acostada às fls. 262 e 263. 78ª Alteração e Consolidação de Contrato Social, de 08/05/2007, encontrase às fls. 264 a 282, acompanhada de Protocolo e Justificação dos Motivos de Incorporação, de 08/05/2007 (fls. 283 a 290), e Laudo de Avaliação produzido pela empresa Ernst & Young, de 08/05/2007 (fls. 291 a 294, com anexo à fl. 295). 6. Termo de Intimação Fiscal nº 02 foi exarado (fls. 296 e 297 – ciência por Aviso de Recebimento em 05/04/2011 – fl. 298) para intimar a interessada a apresentar/esclarecer: 6.1. Cópia simples do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), relativamente à conta de Prejuízos Fiscais e do controle da base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), dos anos 2004, 2005 e 2006, da empresa Procomp Comércio e Serviços Ltda (CNPJ 57.449.522/000192), incorporada pela autuada em 2007. 6.2. Cópia simples da 77ª Alteração do Contrato Social. 6.3. Demonstrar, analiticamente, como foram apurados cada um dos valores lançados a título de ágio no Balanço da Diebold Brasil Serviços e Participações Ltda (CNPJ 08.496.922/000143) levantado em 31/03/2007, posteriormente carreados para a Procomp Indústria Eletrônica Ltda. 6.4. Fornecer os valores que foram amortizados nos anos de 2008 e 2009, com a entrega de cópia simples dos Razões Analíticos de todas as contas contábeis envolvidas, bem como indicação do embasamento legal que, no entendimento da empresa, respalda as deduções. 6.5. Consta, no Balanço Patrimonial da contribuinte (anocalendário 2005), em conta de Ativo, representativa de ágio em investimentos, o valor de R$ 43.654,12, que teria sido amortizado em 2006: 6.5.1. Indicar o fundamento econômico da mencionada mais valia, nos termos do artigo 385, § 2º, do RIR/1999. 6.5.2. Fornecer cópia simples de toda a documentação suporte dos valores registrados, com inclusão de contratos, laudos de avaliação, protocolos de justificativa e comprovantes de eventuais pagamentos efetuados no bojo da reorganização societária. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Resolução nº 1201000.218 S1C2T1 Fl. 5 4 7. Solicitação de prorrogação de prazo para atendimento foi requerido via email (fl. 299) em 06/04/2011, tendo a fiscalização deferido o pedido com data limite para 06/05/2011 (Termo de Prorrogação de Prazo à fl. 300). Carta de apresentação de documentos e esclarecimentos, protocolizada em 06/05/2011, foi acostada às fls. 301 a 306, acompanhada de Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) da empresa Procomp Comércio e Serviços Ltda (CNPJ 57.449.522/000192) para os anoscalendário 2004 (fls. 307 a 310), 2005 (fls. 311 a 314) e 2006 (fls. 315 a 317). Planilha do Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Cálculo da Base Negativa da CSLL (SAPLI), da retrocitada empresa, encontrase às fls. 318 e 319. 8. Termo de Constatação e Encerramento Parcial foi prolatado às fls. 320 a 322, com registro e esclarecimento acerca da infração fiscal constatada e fundamento legal pertinente. 9. Irresignada com os lançamentos, a empresa apresentou, representada por procuradores (Procuração às fls. 375 a 378), a impugnação às fls. 360 a 374, protocolizada em 11/11/2011, acompanhada dos documentos às fls. 375 a 416, na qual alega, em síntese, o seguinte: I Processo 19515.003129/200600 9.1. O processo 19515.003129/200600 encontrase na Divisão de Controle a Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo desde 03/07/2009, no aguardo de análise da defesa apresentada e julgamento de primeira instância (acostou tela de consulta à fl. 415). 9.2. Certa da validade dos argumentos apresentados no referido processo, nenhum ajuste foi realizado no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) da requerente, e os valores de prejuízos declarados para o anocalendário 2006 são válidos até que, e se, o resultado do processo administrativo n° 19515.003129/200600 for desfavorável, o que se admite apenas a título de argumentação. 9.3. Portanto, independente de quaisquer outras alegações, a defendente desde já requer o sobrestamento do presente processo administrativo, até o encerramento do processo administrativo n° 19515.003129/200600, momento em que estará encerrada a discussão sobre os valores de créditos aos quais a recorrente terá direito, tanto para o ano de 2001 como para o ano de 2006, que é objeto de discussão na presente exação. II Auto de Infração 9.4. No presente processo administrativo a fiscalização glosou compensação realizada pela contribuinte no ano calendário 2006, em razão de ajustes realizados de ofício pela fiscalização em seus saldos de prejuízo fiscal de IRPJ e base de cálculo negativa de CSLL, nos autos do processo administrativo n° 19515.003129/200600. 9.5. Entretanto, referida glosa somente pode ser considerada procedente se houver decisão administrativa definitiva e desfavorável no mencionado processo, conforme jurisprudência administrativa do Fl. 619DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Resolução nº 1201000.218 S1C2T1 Fl. 6 5 Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 9.6. Assim, requerse o reconhecimento da improcedência da glosa da compensação concretizada pela defendente no anocalendário 2006. 9.7. E ainda que assim não fosse, o que se admite somente para fins de argumentação, a interessada ressalta que o presente processo deverá ser apreciado apenas e tão somente após o julgamento do processo 19515.003129/200600, ou ao menos em conjunto com ele. Isso porque o julgamento do processo principal faz coisa julgada no processo reflexo, em razão da estreita relação de causa e efeito existente. III Dedutibilidade do PAT 9.10. Não obstante, ainda que se mantenha a exigência corroborada no presente processo, o que se admite apenas a título de argumentação, notase que os autuantes não deduziram da base de cálculo do IRPJ os valores decorrentes do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), o que viola claramente a legislação tributária, com fulcro no art. 1º da Lei nº 6.321, de 14/04/1976. 9.11. Conforme está demonstrado em cálculo realizado pelos auditores da defendente (acostou documento à fl. 416), a fiscalização constituiu débito com uma diferença em excesso de R$ 226.483,57. Assim, independente de qualquer outro argumento, o débito da presente exação deve ser, de plano, reduzido, aplicadose a dedução legal. IV Multa e juros de mora 9.12. Ainda que, por absurdo, se admitisse a manutenção da exação em questão, a glosa da compensação pretendida pela fiscalização não poderia ser acompanhada da cobrança de multa e juros moratórios, em razão da comprovada suspensão da exigibilidade dos créditos tributários do presente processo. 9.13. “O Despacho Decisório exige da Requerente débitos de IRPJ e CSL não recolhidos em decorrência de compensação parcialmente homologada, acompanhado dos acréscimos legais cabíveis, isto é, multa e juros de mora.” 9.14. A contribuinte deve estar em atraso no pagamento do crédito tributário para que se exija multa e juros de mora, o que não se verifica no caso em exame. V Impossibilidade de exigência de multa da sucessora 9.15. A multa aplicada não pode ser exigida da recorrente, que incorporou a empresa Procomp Comércio e Serviços Ltda. (CNPJ 57.449.522/000192), sociedade que, no anocalendário 2001, teria supostamente apurado prejuízo fiscal e base negativa da CSLL inexistentes e, conseqüentemente, teria utilizado indevidamente este valor no anocalendário 2006, ao realizar compensação com débitos de IRPJ e CSLL. 9.16. Nos termos do art. 128 do CTN somente a lei pode atribuir responsabilidade pelo pagamento de crédito tributário na condição de contribuinte ou de responsável. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Resolução nº 1201000.218 S1C2T1 Fl. 7 6 9.17. Como regra geral, o art. 129 do CTN estabelece que o disposto na Seção II Responsabilidade dos Sucessores “aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data.” 9.18. Entretanto, em relação às hipóteses de incorporação de sociedades, existe norma específica consignada no art. 132 do CTN, que determina que “a pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.” 9.19. Cabe ressaltar que o referido artigo menciona apenas o termo tributo, e considera como devido pela sucessora apenas os créditos formalizados até a sucessão. 9.20. Neste sentido, o art. 3º do CTN estabelece que “tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.” Assim, a definição de tributo não inclui as multas impostas pelas Autoridades Fiscais, uma vez que tais exigências constituem sanção de ato ilícito. 9.21. Portanto, a correta interpretação do art. 132 do CTN, norma específica aplicável à incorporação de sociedades, determina que as sociedades incorporadoras não respondem pelas multas que seriam aplicáveis às sociedades incorporadas quando o lançamento ocorrer após a data da incorporação, conforme jurisprudência citada e transcrita. 10. Em 30/11/2011 a contribuinte juntou aos autos petição (fls. 417 e 418, acompanhada de documentos às fls. 419 a 439) nos seguintes termos: 10.1. A requerente, ao consultar a situação fiscal da empresa junto à RFB, verificou que o presente processo consta “em cobrança” (acostou documento “Informações Fiscais do Contribuinte” à fl. 438, emitido em 25/11/11), o que gera impedimento para emissão da Certidão Negativa de Débitos Federais, podendo ocasionar transtornos irreparáveis à empresa, uma vez que a mesma participa de licitações públicas. 10.2. O processo deve ser alocado na condição de exigibilidade suspensa, em razão da defesa apresentada pela recorrente. 10.3. Requer a baixa imediata da mencionada pendência. Em sessão de 04 de abril de 2012 a 1a Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Resolução nº 1201000.218 S1C2T1 Fl. 8 7 Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. De plano, ressaltese que a Recorrente inicia sua defesa com o argumento de vinculação entre este processo e o que ensejou a redução do prejuízo acumulado e da base de cálculo negativa da CSLL, fundamentos para a glosa aqui discutida, nos seguintes termos: (i) a glosa das compensações não encontra respaldo no ordenamento jurídico vigente, pois se apoia em matéria sob exame no Processo Administrativo n° 19515.003129/200600, pendente de decisão definitiva, cujos débitos em discussão estão com sua exigibilidade suspensa nos termos do artigo 151,incisos III e IV do CTN; (ii) o presente processo deve ser apreciado somente após o julgamento do Processo n° 19515.003129/200600, do qual é reflexo, ou, ao menos, no mesmo instante processual. Se constatada a inexistência de infração no processo principal, decorrerá a total improcedência da presente exação; (...) Com efeito, a autoridade fiscal fundamentou a autuação no excesso de compensação efetuado pelo Contribuinte, conforme descrito de Termo de Constatação (fls. 321): No procedimento de fiscalização levado a efeito na empresa incorporada, mencionada no item anterior, a RECEITA FEDERAL efetuou o lançamento tributário constante no processo administrativo n° 19515.003129/200600. Na ocasião, foram adicionados à base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica e à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, o montante de R$ 20.452.655,40 e R$ 20.305.578,24, respectivamente, referentes a fatos ocorridos no ano base de 2001. No ano calendário de 2001, a PROCOMP COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA apurou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL no valor de R$ 22.505.971,72, que foi reduzido pelas infrações verificadas pela fiscalização, conforme se verifica no histórico do Fl. 622DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Resolução nº 1201000.218 S1C2T1 Fl. 9 8 Sistema de Controle do Prejuízo Fiscal de Base de Cálculo Negativa da CSLL da RECEITA FEDERAL. No entanto, no Livro de Apuração do Lucro Real, que contém contas de controle dos saldos dos prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL, os valores apurados pela contribuinte no ano base de 2001 não foram alterados de forma a refletir o lançamento tributário e restaram integrais até serem consumidos por abatimento com os lucros contabilizados nos anos de 2005 e 2006. Dessa forma, a compensação produzida pela pessoa jurídica no ano de 2006 não contava com saldo que lhe desse suporte, gerando excesso de compensação de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL no valor de R$ 16.828.168,94, que está sendo glosado neste lançamento. (grifamos) Percebese, portanto, que o excesso de compensação glosado nos autos decorre da redução promovida pela fiscalização em razão da autuação no processo n. 19515.003129/200600. Mediante consulta efetuada em julho de 2016 nos sistemas de controle processual, constatamos que o processo n. 19515.003129/200600 encontrase no CARF, pendente de sorteio e distribuição na 1a Turma da 3a Câmara desta Seção. Tendo em vista que o resultado a ser proferido naquele processo afeta diretamente a glosa em discussão nos presentes autos, entendo configurada a figura da vinculação por decorrência, nos termos do artigo 6o do atual Regimento: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: (...) II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; Na esteira do que foi constatado pela fiscalização, entendo que os presentes autos são decorrentes do processo principal (n. 19515.003129/200600), que discute o ágio deduzido pela interessada em 2001. Ante a natural relação de causa e efeito entre os dois processos, sendo certo que a decisão naquele feito terá consequências diretas na autuação aqui discutida, acolho o pedido da Recorrente para que o julgamento deste processo seja realizado somente depois de proferida decisão no processo principal, com a sugestão de que seja aplicada a inteligência do artigo 6o, § 5º, do atual RICARF: § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. (grifamos) Fl. 623DF CARF MF Processo nº 16561.720002/201164 Resolução nº 1201000.218 S1C2T1 Fl. 10 9 Conduzo meu voto no sentido de que o presente processo seja vinculado ao principal e sobrestado, para aguardar na Secretaria desta Câmara a decisão a ser proferida nos autos n. 19515.003129/200600, que deverá ser aqui anexada, para posterior julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 624DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723631/2008-16
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2003
DECLARAÇÃO DE SAÍDA DEFINITIVA DO PAÍS. ENTREGA FORA DO PRAZO. MULTA POR ATRASO DEVIDA.
A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. (Súmula CARF n° 69).
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO FISCAL. INDEPENDÊNCIA DA VONTADE DO AGENTE OU RESPONSÁVEL,
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO
A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde e antes de notificado o lançamento.
Numero da decisão: 2003-003.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator).
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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ENTREGA FORA DO PRAZO. MULTA POR ATRASO DEVIDA. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. (Súmula CARF n° 69). RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO FISCAL. INDEPENDÊNCIA DA VONTADE DO AGENTE OU RESPONSÁVEL, Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde e antes de notificado o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 36 31 /2 00 8- 16 Fl. 239DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-003.496 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.723631/2008-16 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 160/167), interposto contra o Acórdão 02- 32.795 da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG - DRJ/BHE (e-fls. 144/148) que considerou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação do contribuinte (e-fls. 2/9), apresentada diante de Notificação de Lançamento (e-fl. 12) relativa a Multa Por Atraso na Entrega da Declaração 06/90.001.370, no valor de R$ 3.552,86, Exercício e Ano Calendário 2003, com data de lavratura 31/10/2008. 2. Adoto o Relatório do Acórdão da DRJ/BHE, aqui exposto em sua síntese por esclarecer os fatos ocorridos: Relatório Em desfavor de RICARDO MARTINS ANDRADE, CPF n° 939.625.766-49 foi emitida a Notificação dc Lançamento n° 601/0.001-061 juntada nas fls. 12, destes autos, no valor de RS3.552,86 cujo fato gerador é multa por atraso na entrega de Declaração de Ajuste relativa ao ano calendário de 2003. (...). Depois de identificar-se, diz que em 23.03.2004 entregou Declaração de Saída Definitiva do País com data de caracterização de não residente em 31.12.2003, vindo, depois, a receber a Notificação de Lançamento de multa por atraso na entrega da Declaração, afirmando não concordar com a base de cálculo da multa aplicada. Esclarece que declarou como rendimento tributável recebido no exterior o valor de R$658.729,77 e compensou o imposto, também pago no exterior, no total de R$177.643,06. Diz que a Declaração de Saída Definitiva do País- 2003 foi constituída dos rendimentos auferidos no Brasil, que importou em R$10.752,59 e no exterior no montante de R$658.729,67 totalizando um rendimento de R$669.455,36. Informa que os rendimentos recebidos no exterior são provenientes da Itália, país com o qual Brasil mantém acordo internacional para evitar dupla tributação, conforme Decreto n° 85.095, de 06.05.1981. Argui que o rendimento recebido no exterior foi demonstrado nos informes mensais importando em R$658.729,77, que foi pago imposto federal no exterior no valor de R$244.773,99 e que na Declaração de Saída Definitiva 2003 o rendimento foi indevidamente tributado e compensado. Afirma que a Receita Federal reconheceu o montante do imposto devido sobre o rendimento auferido no exterior e o utilizou como base para o cálculo da multa por atraso na entrega da declaração, ocasião em que era "residente fiscal na Itália" porque ali mantinha seus interesses vitais e onde seus rendimentos foram corretamente tributados. Junta à defesa cópia do Decreto n° 85.985, de 1981 afirmando que este instrumento legal comprova a regularidade do acordo firmado entre Brasil e Itália para evitar a bi- tributação e afirma que os rendimentos recebidos em países que mantém acordo com o Brasil para evitar a bi-tributação, são informados na declaração de ajuste no quadro destinado aos rendimentos isentos. Ao final, requer que seja aceita a alteração dos rendimentos erroneamente considerados tributáveis, para tê-los como isentos, passando a base de cálculo do imposto para R$ Fl. 240DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-003.496 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.723631/2008-16 10.725,59, quando, então, não se apurará imposto a pagar, restando para recolher somente a multa por atraso na entrega da Declaração, que importa em R$165,74. 3. Diante de tais argumentos impugnatórios, a DRJ proferiu o Acórdão que manteve o lançamento e restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE SAÍDA DEFINITIVA. ENTREGA FORA DO PRAZO. MULTA. CABIMENTO. A entrega de Declaração de Saída Definitiva do País fora do prazo determinado na legislação tributária enseja multa de mora. SAÍDA DEFINITIVA DO PAÍS. AUSÊNCIA DE PREENCHIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS PERANTE A LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EFEITOS. A falta de apresentação de certidão negativa de tributos quando da saída definitiva do país, enseja que a tributação dos rendimentos auferidos durante os primeiros doze meses da ausência sejam considerados, para fins de tributação, como que recebidos por residentes no Brasil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário 4. Inconformado após cientificado por via Postal da Decisão a quo, em 25/01/2012 (Aviso de Recebimento – AR de e-fls. 154/155), o ora Recorrente apresentou seu Recurso em 16/02/2012 (protocolo de e-fl. 160), de onde se extraem seus argumentos, apresentados em sua essência a seguir: - traz apertada síntese dos fatos e defende a inconsistência dos fundamentos da notificação; - entende que, de acordo com o Art. 17 da lei 3.470/58, e o caput do artigo 16 do Decreto 3.000/99, a Declaração de Saída Definitiva deve ser entregue de forma imediata reportando os rendimentos de 1º de janeiro até a data em que for requerida a Certidão Negativa de Débitos para o interessado; - entende ainda que o posicionamento formal da Receita Federal foi interpretar os dispositivos legais acima para entrega da declaração em pauta como a data de requerimento da então Certidão Negativa de Débitos de Tributos e Contribuições Federais; - ressalta que apresentou sua Declaração de Saída Definitiva em 23/03/2004, mesma data de requisição da Certidão competente, e que seu único equívoco foi não reportar a mesma data no campo “data da caracterização da condição de não residente” da Declaração, por lapso e sem má-fé; - requer que tal erro material seja corrigido pela Receita Federal, desconstituído o lançamento e realizado um novo; - subsidiariamente, solicita a alteração da base de cálculo, uma vez entender que a multa recai sobre o imposto realmente devido no momento em que deveria ter entregue a declaração, considerando diversas antecipações do imposto realizadas durante o ano; e - anexa cópia da sua Declaração de Saída Definitiva do País 2003/2003, acompanhada dos documentos utilizados para preenche-la e cita jurisprudência que entende ser- lhe favorável. Fl. 241DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-003.496 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.723631/2008-16 5. Seu pedido final é pelo provimento de seu Recurso, para “... efeito de (I) anular a ... penalidade imposta ..., ou, subsidiariamente, ... (II) cancelar o atual lançamento e efetuar um novo alterando a base de cálculo da penalidade imposta tendo em vista ... entendimento do Conselho...”. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator. 7. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Portanto dele tomo conhecimento. 8. Pode-se ainda verificar que não há argumentos preliminares arguidos pelo interessado ou mesmo de ofício a serem apreciados na lide. 9. De pronto indique-se que no Direito Tributário, via de regra, a responsabilidade por infrações à legislação fiscal é de ordem objetiva, pois independe da vontade do agente ou responsável, e desnecessária a prova contundente pelo Fisco para seu afastamento. Nesse sentido, cite-se o Código Tributário Nacional, que ao tratar da responsabilidade por infrações, determina em seu artigo 136: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (...) 10. E entenda o contribuinte que a retificação de sua Declaração, é plenamente descabida após o início da ação fiscal. Os fundamentos de tal impossibilidade são o Artigo 147, parágrafo primeiro do Código Tributário Nacional e o Artigo 832 do Decreto 3.000/99 o Regulamento do Imposto de Renda. 11. Da leitura dos dispositivos citados, constata-se que ao sujeito passivo é permitido apresentar declaração retificadora, desde que não iniciado o procedimento de lançamento de ofício pela autoridade lançadora, ou seja, a retificação deve ser um ato espontâneo e não motivado pela ação do Fisco no sentido de cobrar o imposto devido. 12. No mesmo sentido impera a Súmula CARF 33 (Vinculante, conforme Portaria MF 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF n. 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. 13. Em recente Jurisprudência Precedente deste Conselho pode ser claramente verificado que o entendimento do interessado em relação ao posicionamento desta Segunda Instância Administrativa é plenamente oposta à sua pretensão. 14. Senão, veja-se o Acórdão n. 2402-008.831, da 2ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, de 07 de agosto de 2020, de relatoria da Ilustre Conselheira Dra. Ana Claudia Borges de Oliveira, onde o Colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário por unanimidade. 15. Com a devida vênia, aqui transcreve-se o citado Acórdão, em sua essência, uma vez que os fundamentos recursais coincidem fundamentalmente com os argumentos da presente lide. Fl. 242DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-003.496 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.723631/2008-16 Relatório (...). Trata-se de recurso voluntário interposto da decisão ... que julgou improcedente a impugnação apresentada contra a Notificação de Lançamento ... decorrente da revisão da Declaração de saída definitiva do país, ano-calendário 2003, que lançou a multa por atraso na entrega da declaração de saída definitiva do país.| (...) O contribuinte foi cientificado da decisão ... e apresentou recurso voluntário em ... sustentando que a entrega "imediata" da Declaração de Saída Definitiva significa a entrega da mesma na data em que é requerida a Certidão Negativa de Débitos de Tributos e Contribuições Federais e, que, assim procedeu. E, caso não seja esse o entendimento, que seja refeito o cálculo para considerar como base de cálculo da multa o valor do imposto efetivamente devido (multa mínima de RS 165,74) e não o valor do imposto apurado (que desconsidera eventuais recolhimentos feitos ao longo do ano- calendário). (...) Voto Conselheiro Ana Claudia Borges de Oliveira, Relatora. Da admissibilidade (...) Das alegações recursais No tocante as alegações de improcedência da multa aplicada e, subsidiariamente, de aplicação da multa mínima, o recorrente limitou-se a reiterar os termos da impugnação, deixando de refutar os fundamentos da decisão recorrida. Assim, em vista do disposto no § 3 o do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015 — RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa e estando a conclusão alcançada pelo órgão julgador de primeira instância em consonância com o entendimento desta Relatora, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor (fls. 64 a 67): Em análise da legislação pertinente a matéria, verifico a conveniência de se transcrever os seguintes artigos: l)Artigo 9o da Instrução Normativa SRF n° 208. de 27/09/02 (com a redação da época do EX2003/AC2003): "Saída definitiva do Pais Art. 9a. A pessoa física residente no Brasil que se retirar em caráter permanente do território nacional no curso do ano-calendário deve: I - apresentar, até a data da saída do Brasil, a Declaração de Saída Definitiva do Pais, relativa ao período em que tenha permanecido na condição de residente no Brasil no ano-calendário da saída, bem assim as declarações correspondentes a anos-calendário anteriores, se obrigatórias e ainda não entregues; II - recolher em quota única, até a data prevista para a entrega das declarações de que trata o inciso I, o imposto nelas apurado e os demais créditos tributários ainda não quitados, cujos prazos para pagamento são considerados vencidos nesta data, se prazo menor não estiver estipulado na legislação tributária. § 1º (...) §2° As declarações de que trata o inciso I do caput devem ser transmitidas pela internet, ou entregues em disquete ou em formulário nas unidades da SRF. §3o e §4o (...)" Fl. 243DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-003.496 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.723631/2008-16 2)Artigo 9o da Instrução Normativa SRF n° 73 de 23/07/1998 (com a redação da época do EX2001/AC2001) — revogada pela IN/SRF n° 208/02 (acima): "Art. 9o A pessoa física residente no Brasil que se retirar em caráter permanente do território nacional no curso do ano-calendário fica obrigada a apresentar, na data em que for requerida a Certidão Negativa de Débitos de Tributos e Contribuições Federais, a Declaração de Saída Definitiva do Pais a que se refere o Anexo II, em relação ao período de 1º de janeiro até essa data, bem como as relativas aos anos-calendário anteriores, se obrigatórias e ainda não entregues. (Redação dada pela IN SRFn2 167/99, de 23/12/1999) §1°A declaração de que trata o caput pode ser apresentada em formulário ou em meio magnético e entregue nas unidades da Receita Federal ou por meio da Internet. §§(...)" A partir da superveniencia da Instrução Normativa n° 208/02, não se aplica mais o disposto na Instrução Normativa n° 73/98. Não cabe discutir o alcance da palavra "imediata" presente nos artigos 17 da Lei n°3.470 de 28/11/1958 e 16 do Decreto n° 3.000/99, pois a Instrução Normativa n° 208/02 explicita que, para o EX2003/AC20O3, a Declaração de Saída Definitiva deve ser apresentada "até a data da saída do Brasil". À fl. 11 consta que o contribuinte passou à condição de não-residente em 15/04/2003 e que a Declaração de Saída Definitiva do Pais foi entregue em 25/08;2003, nao atendendo ao disposto no art. 9o da IN/SRP n° 208/02. Não há como aceitar que o contribuinte, após declarar a data de saída como sendo em 15/04/2003, altere a mesma sem qualquer prova do ocorrido. Ademais, em consulta ao sistema (HOD-DIRF) verifico que a DIRF do contribuinte registra rendimentos mensais até o mês 03/2003. Indiciando que, de fato, o contribuinte passou á condição de não-residente em 15/04/2003; conforme declarado na Declaração de Saída Definitiva (fl.ll). Tipificação da Multa e sua aplicação. A Instrução Normativa SRF n° 208/02, que dispõe, dentre outras, sobre a tributação das pessoas físicas, pelo imposto de renda, dos rendimentos e ganhos de capital auferidos no Brasil por não-residente no Pais, em seu art. 13 que trata da falta da apresentação da Declaração, assim determinava à. época do fato gerador deste lançamento: "Art. 13. A falta de apresentação das declarações a que se referem os arts. 90 e 11 ou a sua apresentação após o prazo fixado sujeita o contribuinte ás seguintes penalidades: I - existindo imposto devido, multa de um por cento ao mês ou fração de atraso calculada sobre o valor do imposto detido, observados os limites mínimo de RS 165,74 (cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos) e máximo de vinte por cento do valor do imposto devido; ou II - não existindo imposto devido, multa de RS 165,74 (cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos)." Da leitura do artigo verifica-se que a multa deve ser aplicada sobre o valor do "Imposto Devido" na Declaração de Saída Definitiva e não sobre o "Saldo do Imposto a Pagar", como pretendido pelo sujeito passivo do lançamento, ou seja, antes de feita a compensação com o imposto já pago, seja por meio de carnê-leão, retenções na fonte e/ou outros. Dessa forma, a aplicação da multa independe do resultado da declaração e se há ou não imposto a pagar. À fl. 16 da Declaração de Saída Definitiva encontra-se o valor de "imposto devido" de R$1.689.496,32 que é a base de cálculo que consta no lançamento da multa à fl.09. Portanto, está correta a aplicação da multa por atraso na entrega da Declaração de Saída Definitiva do Pais por encontrar-se fundamentada em legislação federal especifica e vigente. Fl. 244DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-003.496 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.723631/2008-16 Observa-se, enfim, que a aplicação é de natureza vinculada nos termos do art. 142 do CTN e este juízo administrativo não possui ingerência sobre a aplicação da mesma e que o art.88,1 da Lei 8.981/95 também fundamenta a questão. Extensão das Decisões Administrativas e Judiciais. No que concerne aos acórdãos invocados pelo sujeito passivo do lançamento, há que ser esclarecido que as decisões administrativas, mesmo que proferidas pelos órgãos colegiados, sem que uma lei lhes atribua eficácia normativa, não se constituem como normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicam-se sobre a questão analisada e vinculam as apenas as partes envolvidas naqueles litígios. Assim determina o inciso II do art. 100 do CTN. Com relação ao acórdão n°17-25.632 da 10' Turma da DRJ/SPOII, observa-se que o mesmo foi emitido para julgar acontecimento ocorrido no EX2001/AC2001, época anterior a publicação da Instrução Normativa SRF n° 208, de 27/09/02, que passou a reger a matéria. Restringindo-se; portanto, seus efeitos, ao caso julgado. Dos meios de prova. No processo administrativo fiscal, a produção de provas deve observar o que disciplina o art. 16 do Decreto n.° 70.235/72 (e alterações). A impugnação deve, portanto, trazer todas as provas das suas alegações. Ademais, nesse mesmo sentido é a jurisprudência desse Tribunal Administrativo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício: 2003. DECLARAÇÃO DE SAÍDA DEFINITIVA DO PAÍS. ENTREGA FORA DO PRAZO. MULTA POR ATRASO. DEVIDA. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. (Súmula CARF n° 69). (...) (Acórdão n° 2201-002.373, Relator Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira, Sessão de 15/04/2014) Portanto, sem razão o recorrente. 16. Ao final desta apreciação, restam refutados todos os argumentos levantados pelo interessado, e tendo em vista os precedentes deste Conselho, cujas análises e Decisões proferidas levam a entendimento comungado por este Conselheiro, não há que ser tornada a Notificação de Lançamento improcedente, e irretocada deve remanescer a Decisão a quo. Dispositivo 17. Isso posto, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 245DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2003-003.496 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.723631/2008-16 Fl. 246DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.725977/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dílson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dílson Jatahy Fonseca Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10980.725977/201081, em face do acórdão nº 0427.759, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do ilustre Conselheiro Rafael Pandolfo, quando da Resolução nº 2202000.475, pois estava ele como Relator deste processo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 25 97 7/ 20 10 -8 1 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10980.725977/201081 Resolução nº 2202000.741 S2C2T2 Fl. 224 2 1 Procedimento de Fiscalização Em 25/11/10, o recorrente recebeu intimação (fls. 3/5 do eprocesso) requisitando os seguintes documentos ligados ao imóvel “RIO VERDE I”, relativos aos exercícios de 2006, 2007 e 2008: a) matrícula atualizada do registro imobiliário, com averbação da área de reserva legal b) comprovação da existência da ARL — Área de Reserva Legal; c) ADA — Ato Declaratório Ambiental –, requerido tempestivamente junto ao IBAMA; d) documentos comprobatórios das APP — Áreas de Preservação Permanente , como laudos técnicos acompanhados de ART Anotação de Responsabilidade Técnica; e) no caso de APP constituída pelo poder público, apresentar o ato normativo que constituiu a área; f) laudo de avaliação técnica de acordo com a NBR 14.653 da ABNT, com grau de precisão e fundamentação II, acompanhado de ART; A intimação continha relação dos valores a serem utilizados para o arbitramento do VTN — Valor da Terra Nua — em caso de não apresentação de laudo técnico, de acordo com a aptidão agrícola. Esta intimação não foi respondida. 2 Auto de Infração Em face da inércia do representante do espólio em atender à intimação, o Fisco lavrou auto de infração de ITR para os anos de 2006 a 2008, constituindo um crédito tributário total de R$ 597.069,11, incluídos imposto, multa de ofício de 75% e juros de mora. O fundamento do auto de infração foi a reconstituição do lançamento, com a desconsideração das áreas de preservação permanente e área de reserva legal declaradas, incluindoas na base de cálculo do tributo, em virtude da falta de comprovação das áreas isentas. Ainda, devido à discrepância entre o valor de VTN registrado no SIPT para a região e o declarado pelo recorrente, foi considerada existente subavaliação do valor da terra, que ensejou arbitramento da VTN. O arbitramento foi realizado da seguinte forma: as áreas declaradas como de BENFEITORIAS foram consideradas de aptidão “Terra mista mecanizada”, as com áreas declaradas como de PRODUTOS VEGETAIS foram consideradas de aptidão “Terra mista mecanizável”, e as DEMAIS ÁREAS foram consideradas “Terra mista não mecanizável”. O arbitramento levou em consideração o município Guaraqueçaba/PR e a data de cada fato gerador para estipular os valores. Por fim, a mudança nas áreas tributáveis modificou o grau de utilização de 100% para 30,9%, implicando a modificação da alíquota aplicável para a de 6%. O recorrente foi intimado do lançamento em 28/12/10. 3 Impugnação Inconformado com o lançamento, o espólio do contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração, por meio de sua inventariante judicialmente constituída. Os argumentos esgrimidos foram: a) não foram atendidas as solicitações devido à extensa lista de documentos requisitados ao recorrente, que recebeu, ao mesmo tempo, intimação semelhante em relação a outros três imóveis de propriedade Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10980.725977/201081 Resolução nº 2202000.741 S2C2T2 Fl. 225 3 do espólio. O prazo exíguo de 30 dias estendido pela fiscalização inviabilizou a juntada de toda a documentação. b) existe Área de Preservação Ambiental constituída pelo poder público Na área onde está situado o imóvel autuado. Essa APA existe pelo fato de a propriedade estar inserta no ecossistema da Mata Atlântica. O Decreto Federal nº 90.883/85 e o Decreto Estadual PR nº 1.228/92 comprovam que estas áreas foram declaradas como de Preservação Ambiental pelo poder público; c) as Áreas de Preservação Ambiental são isentas de ITR, vez que são áreas de interesse ecológico para proteção de ecossistemas, e se encaixam na isenção prevista no art. 10, II, b, da Lei 9.393/97; d) além disso, a área é de topografia acidentada, coberta por topos, encostas de morros, serras, montanhas, rios, riachos, córregos, etc, sendo imprópria para qualquer exploração que não a ecológica. A título exemplificativo, o acesso é tão limitado que somente pode ser realizado através de barcos, utilizando os diversos braços de mar que circundam a área, já que não existe qualquer estrada ou caminho pela via terrestre; e) o ADA nº 11041410496877 demonstra que toda a área da Fazenda está inserta em APA, motivo que levou o contribuinte a, em anos anteriores, declarar a totalidade da área como de interesse ecológico, embora nos últimos anos a prática fosse declarar 573,1 ha a título de APP e 233,8 ha como ARL. Ainda, em decorrência das exigências legais atuais, foram protocolados pedidos de regularização ambiental juntos ao IAP/ERCBA, conforme documentos anexos à impugnação; f) mais de 50% da propriedade são florestas em manejo e/ou matas naturais existentes, averbadas nas matrículas e identificadas em mapa anexo às matrículas; g) o contribuinte, quando vivo, era criador de gado em outras propriedades, mas desde a aquisição das terras objeto deste auto de infração não exerceu qualquer atividade econômica em sua extensão devido à impossibilidade de exploração do terreno, seja pelo fato de ser área de preservação ambiental, seja pela dificuldade de desenvolver qualquer cultura no terreno; h) é considerada como área de relevante interesse ecológico a área de Mata Atlânica, havendo, inclusive, jurisprudência do CARF nesse sentido, reconhecendo a isenção de áreas análogas; i) o laudo técnico ambiental reconhece que as áreas da propriedade são tanto de interesse ecológico como de preservação permanente; j) não procede o argumento do fiscal de que é possível a cultura da terra em casos específicos, motivo pelo qual não pode ser considerada isenta a área, pois a regra é a limitação, e a exploração só pode ser realizada mediante autorização e nos moldes definidos pelo IBAMA; k) o tributo é obrigação pecuniária decorrente de lei, mediante a constatação da ocorrência do fato jurídico tributário. Desse modo, a falta de declaração do contribuinte não é capaz de fazer surgir tributo. Ainda, o arbitramento ignora totalmente os documentos apresentados à Fiscalização em procedimento de fiscalização em relação aos anos anteriores, pois toma como áreas não mecanizáveis áreas que são de preservação permanente, composta de manguezais, banhados, morros, serras, montanhas, dentre outras formações geográficas consideradas APP; l) O VTN da terra, de acordo com o valor da compra atualizado monetariamente à época do fato gerador é de R$ 3,11 por hectare, devendo ser utilizado este valor para fins de base de cálculo do lançamento. É impossível avaliar o valor das terras de outra forma, pois não se encaixam nas aptidões agrícolas disponíveis, e, ainda por cima, são áreas que não contém Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10980.725977/201081 Resolução nº 2202000.741 S2C2T2 Fl. 226 4 propriedade semelhante comerciada recentemente, o que inviabiliza a comparação para fins de apuração de valor. Inclusive, tal imóvel seria incomerciável, pois seu valor não é comercial, mas sim ambiental. Em anexo à impugnação, o recorrente apresentou os seguintes documentos: a) matrículas atualizadas dos imóveis, acompanhadas de plantas e memoriais descritivos das propriedades (fls. 77/89 do e processo); b) laudo técnico (fls. 90/99 do eprocesso); c) Decreto nº 90.883/85 (fls. 102/105 do eprocesso); d) Decreto Estadual PR nº 1.228/92(fls. 106/109 do eprocesso); e) ADA’s relativos aos exercícios de 2010 (fls. 111); f) Tabela de cálculo da atualização monetária do preço da terra desde a aquisição (fls. 112/115 do e processo) ; g) Protocolos junto ao IAP do PR, requisitando a regularização das áreas ambientais (fls. 117/120). 4 Acórdão de Impugnação A 1ª Turma da DRJ/CGE julgou, por unanimidade, improcedente a impugnação do recorrente, com base nos seguintes fundamentos: a) não há nulidade por cerceamento de defesa, posto que o recorrente foi intimado previamente ao lançamento para apresentar comprovação dos fatos registrados em sua DITR, e não o fez no prazo estendido, o que levou a Fiscalização a lavrar auto de infração; b) o laudo técnico apresentado não consegue retratar com a exatidão necessária a natureza das APP’s, somente listando o tamanho das APA’s, que não são isentas de ITR, por falta de disposição legal. As APA’s não podem ser compreendidas como APP’s, pois não impedem a exploração da área, apenas a limitam, e a prova disso é que há exploração agrícola em parte da propriedade, conforme declarado na DITR; c) as averbações constantes na matrícula são referentes a uma espécie de áreas de preservação permanente e áreas de manejo florestal para fins de exploração. Sendo assim, a área de reserva legal carece de averbação, motivo pelo qual não deve ser reconhecida; d) foram apresentados três ADA’s, um anterior a 2007, outro de 2009 e outro de 2010. Desde 2007 é necessária a protocolização anual de ADA no prazo de até seis meses após a entrega da DITR. Desse modo, somente estaria preenchido este requisito formal em relação ao exercício de 2006. De qualquer sorte, devido à falta de comprovação nenhuma das APP’s foi acolhida; e) frente à falta de laudo de avaliação do valor do imóvel, deve prevalecer o arbitramento realizado; Assim, tendo a DRJ de origem compreendido pela improcedência da impugnação, o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário às fls. 169/190, onde são reiterados os argumentos já lançados em impugnação, bem como acrescentados novos, que foram assim sintetizados pelo Conselheiro Rafael Pandolfo, quando da Resolução nº 2202000.475: 5 Recurso Voluntário Ciente do resultado do julgamento, em 18/04/12, o recorrente apresentou recurso voluntário tempestivo, em 11/05/12, reiterando os argumentos da impugnação, adicionando que a falta de averbação da área de reserva legal implica multa, de acordo com a legislação regente da matéria, mas nunca a sua desconsideração para fins de isenção do ITR. Nenhum documento novo foi apresentado junto ao recurso voluntário. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10980.725977/201081 Resolução nº 2202000.741 S2C2T2 Fl. 227 5 Com a chegada deste processo ao CARF, foi ele colocado em pauta de julgamento, sendo em 18/04/2013 resolvido pelos Conselheiros membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, que segue abaixo parcialmente transcrito: O deslinde do presente processo depende da resolução de três pontos: a) glosa de Áreas de Preservação Permanente; b) glosa da Área de Reserva Legal; c) arbitramento da base de cálculo do tributo. Contudo, ao compulsar os autos é possível verificar que os mapas anexos à impugnação (fl. 97/99 do eprocesso) estão incompleto (sic), com observação manuscrita apócrifa, a qual indica que o mapa completo encontrase disponível no processo nº 14486.000072/2011 17, o qual se encontrava “nesta EQCOF/SECAT”. Entendo que a resolução do caso demanda a obtenção do mapa completo, posto que há averbação de área de reserva legal, mas não existe prova além do mapa de que ela exista. Ainda, o mapa é necessário à verificação da correção dos critérios utilizados no arbitramento, posto que o próprio recorrente alega que as áreas caracterizadas como “mecanizáveis” pelo Fisco são, em verdade, áreas acidentadas, manguezais, declives, que são impassíveis de serem cultivadas. Sendo assim, entendo por bem converter este julgamento em diligência, solicitando à “EQCOF CONTENCIOSO FISCALEACDRFCTAPR” — unidade na qual, de acordo com o COMPROT, se encontra o referido processo — que envie cópia integral do mapa existente no Processo nº 14486.000072/201117, para ser juntado a este processo, e para que seja dado seguimento à resolução da lide. Foi cumprida a diligência, tendo sido juntados aos autos cópia integral dos mapas existentes nos autos físicos deste processo. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tratase de lançamento envolvendo glosa de área de preservação permanente e arbitramento do VTN declarado pela Recorrente. O VTN foi arbitrado pela autoridade lançadora com base nos dados constantes no SIPT. Ocorre, todavia, que o extrato onde constam as informações que a autoridade lançadora se baseou para arbitrar o valor, não constam nos autos Tratase de documento e informação essencial, para podermos analisar e julgar o presente lançamento. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10980.725977/201081 Resolução nº 2202000.741 S2C2T2 Fl. 228 6 Ante o exposto, encaminho o voto para converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora, junte aos autos o extrato onde constam as informações que a autoridade lançadora se baseou para arbitrar o valor. Após a juntada do documento, o contribuinte deve ser intimado para no prazo de 15 (quinze) dias se manifestar. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.724821/2013-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.487
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de determinar que o processo seja baixado em diligência para que a unidade de origem analise se o contribuinte possui direito ao crédito tributário indicado em seus pedidos de ressarcimento/compensação.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques dOliveira, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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DIREITO DE CRÉDITO. AÇÃO JUDICIAL. Recorrente EVIALIS DO BRASIL NUTRIÇÃO ANIMAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de determinar que o processo seja baixado em diligência para que a unidade de origem analise se o contribuinte possui direito ao crédito tributário indicado em seus pedidos de ressarcimento/compensação. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri. Relatório O presente processo trata de Pedido de Ressarcimento/Declarações de Compensação, apresentados pela empresa acima, sendo que em sua análise, a DRF/Recife indeferiu o pleito e considerou não homologada a compensação sob a justificativa de que a empresa questiona judicialmente a incidência do IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos, acondicionados em unidades com mais de dez quilogramas (atual posição TIPI 2309.10.00), que fabrica, sendo que eventual insucesso no pleito judicial iria alterar o valor a ser ressarcido, hipótese vedada pelos dispositivos legais que regem a matéria. Cientificada, a interessada apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade na qual apresenta as seguintes alegações, in suma: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 24 82 1/ 20 13 -6 6 Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10480.724821/201366 Resolução nº 3301000.487 S3C3T1 Fl. 3 2 Que o processo judicial em questão, ainda que, ao final, seja julgado improcedente, não tem o condão de alterar o valor do crédito solicitado. Com efeito, a Impugnante buscou tutela judicial para reconhecer seu direto a não incidência do IPI sobre a saída de produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg, face a flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação que o instituiu, qual seja, Decreto n.° 4.542/02 e posteriores alterações, em dissonância ao Decreto Lei n° 400/68. Em virtude da medida liminar proferida nos autos do processo judicial, que deferiu o pedido de antecipação de tutela, a Impugnante está autorizada a não recolher o IPI na saída de produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg. Que o objeto da discussão versada na ação judicial supracitada, qual seja, a nãoincidência do IPI na saída de embalagens com capacidade superior a 10Kg, em nada se relaciona com os créditos advindos da aquisição de insumos pela Impugnante. Assim, legitima é a compensação realizada pela Impugnante, nos termos autorizados pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo 74 da Lei n.°9.430/96 e artigo 34 e seguintes da Instrução Normativa SRF n.° 900/2008 vigente à época das compensações, atual redação do art. 41 e seguintes da IN SRF n.° 1.300/2012. Que o objeto da ação judicial é única e exclusivamente a questão da (não) incidência do IPI na saída dos produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados pela mesma, acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg. O aludido processo judicial, portanto, não trata da matéria referente a utilização dos créditos do imposto incidentes na aquisição de insumos para o processo produtivo da empresa. Portanto, diferentemente do que alegado pelo Sr. Auditor Fiscal no Despacho Decisório ora combatido, o processo judicial em questão, ainda que ao final seja julgado improcedente pelo Superior Tribunal de Justiça , não tem o condão de alterar o saldo credor de IPI apurado pela Impugnante, sendo, podendo, indubitavelmente inaplicável o disposto no art. 25 da Instrução Normativa SRF n.° 900/2008 (atual art. 25 da IN SRF n.° 1.300/2012). Que a Ação Ordinária em nada poderá alterar o valor pleiteado na presente compensação, vez que, conforme bem demonstrado, o crédito utilizado pela Impugnante foi derivado de aquisição de matériasprimas, produtos industrializados e materiais de embalagem, nos termos do artigo 11 da Lei n.° 9.779/99, não tendo nenhuma vinculação com a referida Ação. O crédito do IPI, oriundo da aquisição (entrada) de insumos e matériasprimas, possui natureza distinta dos débitos do tributo decorrentes da venda (saída) de produtos industrializados, não podendo a fiscalização confundilas a ponto de cercear o direito constitucional assegurado ao contribuinte pelo princípio da não cumulatividade. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10480.724821/201366 Resolução nº 3301000.487 S3C3T1 Fl. 4 3 Que, mesmo na remota hipótese da Ação Ordinária n.° 2003.61.00.0295233 ser julgada improcedente, a Secretaria da Receita Federal terá o direito de exigir os valores (débitos) de IPI não destacados nas Notas Fiscais de saída, o que não implicará, no entanto, no saldo credor de IPI apurado pela impugnante. Portanto, totalmente descabida a pretensão da Receita Federal no sentido de que a Impugnante não poderia utilizar os saldos credores apresentados ao final dos trimestres calendários, pois, se assim fosse, estaria desconsiderando a decisão judicial que lhe foi concedida. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, nos termos do Acórdão 01030.549. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão e, insatisfeito com o seu teor, interpôs Recurso Voluntário, através do qual pleiteou a reforma da decisão recorrida. Alegou, resumidamente, que: (a) o art. 25 das Instruções Normativas n. 900/08 e 1.300/12 está expressamente relacionado à coexistência de discussão judicial ou administrativa relacionada a crédito de IPI e que possa alterar o valor a ser ressarcido; (b) no presente caso, embora a existência de ação judicial em curso possa vir a afetar o saldo credor passível de ressarcimento ao final do trimestre, ela não se relaciona a qualquer discussão acerca de crédito pelos insumos adquiridos pela empresa; (c) logo, não restando presente um dos requisitos para aplicação do art. 25, não poderia a Administração Pública se valer de tal disposição para indeferir o pedido de ressarcimento realizado, em face da ausência de disposição legal nesse sentido, cabendo a ela tão somente a possibilidade de lavrar auto de infração sobre as saídas isentadas pela decisão judicial que se mantém provisória; (d) a decisão recorrida acaba por descumprir decisão judicial plenamente vigente (visto que o recurso pendente não é dotado de efeito suspensivo), a qual assegura à Recorrente o direito de não escriturar débitos na saída de razões de cães e gatos acima de 10kg, com todos os efeitos daí decorrentes; (e) ad argumetandum, devese (i) suspender o andamento do presente processo administrativo (inclusive o de cobrança), até o julgamento definitivo do processo judicial, não podendose imputar mora à Recorrente, visto que amparada por decisão plenamente vigente ou, no mínimo, (ii) segregar o montante "incontroverso" do saldo credor, relativo às saídas regularmente tributadas pelo imposto. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.478, de 30 de agosto de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.724814/201364, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3301000.478): Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10480.724821/201366 Resolução nº 3301000.487 S3C3T1 Fl. 5 4 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima relatado, tratase de pedidos de ressarcimento/compensação apresentados pelo contribuinte, os quais fora indeferidos pela DRJ sob o fundamento de que, com base no art. 25 da IN n. 900/08, é vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Estava a DRJ referindose ao Proc. 2003.61.00.0295233. O contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário interposto em 27/01/2015, resumidamente, que: (a) o art. 25 das Instruções Normativas n. 900/08 e 1.300/12 está expressamente relacionado à coexistência de discussão judicial ou administrativa relacionada a crédito de IPI e que possa alterar o valor a ser ressarcido; (b) no presente caso, embora a existência de ação judicial em curso possa vir a afetar o saldo credor passível de ressarcimento ao final do trimestre, ela não se relaciona a qualquer discussão acerca de crédito pelos insumos adquiridos pela empresa; (c) logo, não restando presente um dos requisitos para aplicação do art. 25, não poderia a Administração Pública se valer de tal disposição para indeferir o pedido de ressarcimento realizado, em face da ausência de disposição legal nesse sentido, cabendo a ela tão somente a possibilidade de lavrar auto de infração sobre as saídas isentadas pela decisão judicial que se mantém provisória; (d) a decisão recorrida acaba por descumprir decisão judicial plenamente vigente (visto que o recurso pendente não é dotado de efeito suspensivo), a qual assegura à Recorrente o direito de não escriturar débitos na saída de razões de cães e gatos acima de 10kg, com todos os efeitos daí decorrentes; (e) ad argumetandum, devese (i) suspender o andamento do presente processo administrativo (inclusive o de cobrança), até o julgamento definitivo do processo judicial, não podendose imputar mora à Recorrente, visto que amparada por decisão plenamente vigente ou, no mínimo, (ii) segregar o montante "incontroverso" do saldo credor, relativo às saídas regularmente tributadas pelo imposto (vide fl. 263). Ocorre que, neste ínterim, o processo em questão (Proc. 2003.61.00.0295233) transitou em julgado favoravelmente ao contribuinte, encontrandose atualmente em fase de execução do julgado, consoante se extrai do sítio da Justiça Federal de São Paulo. Sendo assim, considerando que o óbice apresentado pela DRJ para fins de análise do pleito de ressarcimento apresentado pelo contribuinte não mais existe, entendo que deverá a unidade de origem apreciar o mérito da presente contenda, para fins de validar ou não o montante do crédito indicado pelo contribuinte em seus pedidos de ressarcimento/compensação. Até porque, não houve até o momento apreciação acerca da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado e, por se tratar de requerimento da restituição/compensação, a análise dessas características apresentamse essenciais ao deferimento do pedido apresentado pelo contribuinte. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10480.724821/201366 Resolução nº 3301000.487 S3C3T1 Fl. 6 5 Por oportuno, entendo que não seria o caso de considerar nula a decisão da DRJ, visto que proferida em um momento processual em que havia processo judicial discutindo a incidência de IPI em determinadas operações realizadas pela Recorrente, o qual poderia impactar os valores a serem identificados na presente contenda. Nessa contexto, no momento em que foi proferida, encontravase em consonância com o que dispunha a legislação pátria. Contudo, uma vez que este fator adotado como óbice à análise meritória não mais existe, por razões supervenientes mas relevantes à solução da presente contenda, entendo que o direito creditório do contribuinte deva ser analisado nesta oportunidade, inclusive em atenção ao princípio da verdade material. Voto, portanto, no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para fins de determinar que o processo seja baixado à unidade de origem, para que esta, diante do trânsito em julgado do Proc. nº 002952366.2003.4.03.6100, analise se o contribuinte possui direito ao crédito tributário apontado. Após o levantamento realizado, o contribuinte deverá ser intimado acerca do seu teor, para, querendo, manifestarse no prazo legal. Em seguida, os autos deverão retornar a este Conselho, para fins de julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de origem, diante do trânsito em julgado do Proc. judicial nº 002952366.2003.4.03.6100, analise se o contribuinte possui direito ao crédito tributário apontado. Após o levantamento realizado, o contribuinte deverá ser intimado acerca do seu teor, para, querendo, manifestarse no prazo legal. Em seguida, os autos deverão retornar a este Conselho, para fins de julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 416DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901720/2013-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Oct 01 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3201-003.199
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para que a empresa seja intimada, novamente, a apresentar os livros contábeis que comprovem a correta escrituração e estorno da depreciação da planta industrial. Após a fiscalização deverá novamente analisar os documentos e apresentar relatório circunstanciado que permita a continuação do julgamento. Do resultado da diligência deverá ser dado vistas a empresa e possibilidade de apresentação de argumentações. Ao final retorne os autos ao CARF para prosseguir o julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.197, de 25 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 16682.901718/2013-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada). Ausente o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para que a empresa seja intimada, novamente, a apresentar os livros contábeis que comprovem a correta escrituração e estorno da depreciação da planta industrial. Após a fiscalização deverá novamente analisar os documentos e apresentar relatório circunstanciado que permita a continuação do julgamento. Do resultado da diligência deverá ser dado vistas a empresa e possibilidade de apresentação de argumentações. Ao final retorne os autos ao CARF para prosseguir o julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.197, de 25 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 16682.901718/2013-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada). Ausente o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-10-01T00:01:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-10-01T00:01:44Z; Last-Modified: 2021-10-01T00:01:44Z; dcterms:modified: 2021-10-01T00:01:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-10-01T00:01:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-10-01T00:01:44Z; meta:save-date: 2021-10-01T00:01:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-10-01T00:01:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-10-01T00:01:44Z; created: 2021-10-01T00:01:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2021-10-01T00:01:44Z; pdf:charsPerPage: 2358; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-10-01T00:01:44Z | Conteúdo => S3-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16682.901720/2013-25 Recurso Voluntário Resolução nº 3201-003.199 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de agosto de 2021 Assunto CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Recorrente WHITE MARTINS GASES INDUSTRIAIS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para que a empresa seja intimada, novamente, a apresentar os livros contábeis que comprovem a correta escrituração e estorno da depreciação da planta industrial. Após a fiscalização deverá novamente analisar os documentos e apresentar relatório circunstanciado que permita a continuação do julgamento. Do resultado da diligência deverá ser dado vistas a empresa e possibilidade de apresentação de argumentações. Ao final retorne os autos ao CARF para prosseguir o julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.197, de 25 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 16682.901718/2013-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada). Ausente o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Segundo consta nos autos, a empresa transmitiu PER/Dcomp com pedido de ressarcimento no valor de R$ 1.264.621,53, decorrente de Pagamento Indevido ou a maior referente a parte do DARF no valor de R$ 8.042.724,34, da COFINS, Período de Apuração: 30/11/2010. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 01 72 0/ 20 13 -2 5 Fl. 306DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3201-003.199 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.901720/2013-25 A Autoridade Fiscal apresentou Termo de Intimação para que a contribuinte no prazo de 20 (vinte) dias: a) - justificar as reduções dos valores devidos, declarados em DCTF (da original para a retificadora ativa); b) - apresentar cópias dos Balancetes Contábeis com Planilhas; c) - apresentar cópias dos Livros Diário e Razão e d) - Demais documentos e justificativas que julgar-se pertinentes. A Autoridade elaborou relatório fiscal onde conclui que "Assim, não há a presunção de certeza e liquidez, conforme o artigo 170 do CTN, que possa embasar a compensação realizada que não é homologada por inexistência de crédito". Por meio do Despacho Decisório, a DEMAC/Rio de Janeiro - RJ não reconheceu o Direito Creditório e não homologou a compensação declarada. Irresignada, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, julgada pela DRJ Recife improcedente. Cientificada a empresa apresentou Recurso Voluntário, onde alega, em síntese: - equivoco da turma julgadora quanto a suposta diferença entre a DCTF e a Dacon; - do aproveitamento do crédito de cofins na proporção de 1/12, conforme autorizado pela lei 11.774/2008; decorrente do desconto dos encargos de depreciação e amortização da sua planta industrial à razão de 1/12; - princípio da verdade material. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O presente recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. A recorrente esclarece que a diferença apurada no cálculo da Cofins, setembro/2010, refere-se a desconto de encargos de depreciação e amortização da planta industrial adquirida em 17/08/2010 (sic. na nota fiscal consta a data 27/08/2010), para produção de gases industriais e medicinais, sendo que referidos créditos vinham sendo descontados em 240 meses conforme previa legislação anterior. Apresenta Nota Fiscal nº 287 para comprovar a aquisição da planta industrial. Com advento da Lei nº 11.774/2008 foi autorizado o desconto dos encargos de depreciação e amortização dos bens em 12 meses. Nesse esteio procedeu o recálculo dos descontos ao qual faz jus e retificou a DCTF 09/2010. Transmitiu Dacon retificador em setembro de 2011. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito, diante da ausência de documentos que justificasse a retificação da DCTF Fl. 307DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3201-003.199 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.901720/2013-25 A conclusão sobre a não certeza e liquidez do crédito tributário, efetuada pela fiscalização, veio a partir da conferência dos documentos apresentados pela recorrente, após ter sido intimada, em que informou que o crédito originou-se da recuperação da Cofins na aquisição da planta industrial, o que levou a empresa a refazer sua contabilidade para considerar a depreciação acelerada em 12 meses, conforme Lei nº 11.774/2008. A recorrente responde ao Termo de Intimação informando a apresentação de Nota Fiscal, planilha com composição dos valores dos créditos de PIS e da Cofins, Demonstrativo dos valores apurados nas DCTF de setembro a dezembro de 2010, valores de pagamento e demonstrativo dos valores retificados, cópias de balancetes e memórias de cálculo da Cofins, com as respectivas contas dos balancetes Razão Contábil das contas nº RBF151.051326.093 - COFINS S/ Compra de Ativo a Compensar, RBF151.051326.094 – PIS S/ Compra de Ativo a Compensar, com o registro total do crédito e a sua utilização mensal, e os valores registrados nas páginas mensais do Livro Diário. Na informação fiscal consta que não houve o envio de balancetes, mas de um documento intitulado Demonstração de Resultado Detalhado, e as contas por serem patrimoniais não estão refletidas no demonstrativo. Também não houve a apresentação do Razão e nem do livro Diário, somente vieram alguns lançamentos, sem origem garantida. Ou seja, a conclusão da fiscalização sobre a falta de liquidez e certeza do crédito tributário, veio da não possibilidade de averiguação nos livros contábeis e fiscais sobre o fiel lançamento dos fatos contábeis e fiscais. Ademais havia incongruências entre o que foi apurado e o que restou afirmado pela recorrente. A análise dos documentos contábeis e fiscais é imprescindível para que possa ser averiguada a certeza e liquidez dos créditos. A empresa apresenta, junto as peças recursais, as declarações originais e retificadoras, DACON e DCTF. Apresenta a cópia da Nota Fiscal de aquisição da planta industrial. E alega ter apresentado os documentos contábeis que foram solicitados pela fiscalização. A fiscalização por sua vez não localizou os documentos, mas apenas planilha intitulada Demonstrativo do Resultado Detalhado, que não tem força probante. A empresa junta aos autos um comprovante de entrega de arquivos digitais, onde consta na relação o livro diário. Em busca da verdade material, como solicitado pela própria recorrente, é necessária a conversão do julgamento em diligência para que a empresa seja intimada, novamente, a apresentar os livros contábeis que comprovem a correta escrituração e estorno da depreciação da planta industrial. Após a fiscalização deverá novamente analisar os documentos e apresentar relatório circunstanciado que permita a continuação do julgamento. Fl. 308DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3201-003.199 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.901720/2013-25 Do resultado da diligência deverá ser dado vistas a empresa e possibilidade de apresentação de argumentações. Ao final retorne os autos ao CARF para prosseguir o julgamento. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do Recurso em diligência para que a empresa seja intimada, novamente, a apresentar os livros contábeis que comprovem a correta escrituração e estorno da depreciação da planta industrial. Após a fiscalização deverá novamente analisar os documentos e apresentar relatório circunstanciado que permita a continuação do julgamento. Do resultado da diligência deverá ser dado vistas a empresa e possibilidade de apresentação de argumentações. Ao final retorne os autos ao CARF para prosseguir o julgamento. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Fl. 309DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11080.915325/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. Participou do julgamento em substituição à Conselheira Lívia De Carli Germano o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira.
(assinado digitalmente).
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora
(assinado digitalmente).
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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Resolvem os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. Participou do julgamento em substituição à Conselheira Lívia De Carli Germano o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente). Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora (assinado digitalmente). Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 15 32 5/ 20 12 -1 2 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11080.915325/201212 Resolução nº 1401000.567 S1C4T1 Fl. 198 2 Relatório Diante da análise do processo e das consultas efetuadas aos sistemas de controle da RFB, verificouse que em 29/04/2011, a empresa efetuou o pagamento do DARF no valor de R$ 446.174,97 Código de receita – 3373 – IRPJ , período de apuração 31/03/2011. Em 18/05//2011, a empresa transmitiu DCTF ORIGINAL MENSAL Março/2011 – com um Débito Apurado do IRPJ no valor de R$ 447.348,58, fls. 51 a 57. Em 21/08/2012, a empresa transmitiu o PER/DCOMP, objeto da lide do presente processo, utilizandose respectivamente dos valores apontados na tabela abaixo para quitação valor de R$ 446.174,97, citado acima, para compensação dos débitos nela indicados para o primeiro trimestre de 2011. Os Per/Decomps não homologados, seus respectivos valores e processos administrativos de cobrança, são os seguintes: processo Tributo período Per Dcomp valor originário 11080.915322/201271 IRPJ 31/03/2011 37274.19310.300512.1.3.048772 R$2.004,04 11080.915326/201259 IRPJ 31/03/2011 10626.20282.250912.1.3.043870 R$ 1.303,74 11080.915323/201215 IRPJ 31/03/2011 04554.76710.290612.1.3.048707 R$ 1330,98 11080.915321/201226 IRPJ 31/03/2011 11627.08751.070512.1.7.041105 R$ 16.871,14 11080.917014/201280 IRPJ 31/03/2011 15626.60096.231112.1.3.040942 R$ 1.314,55 11080.915324/201260 IRPJ 31/03/2011 32185.30771.170712.1.3.049931 R$ 1.216,81 11080.915327/201201 IRPJ 31/03/2011 11639.43635.171012.1.3.044604 R$ 1.004,78 11080.915320/201281 IRPJ 31/03/2011 15589.11951.070512.1.7.045401 R$ 2.832,83 11080.915325/201212 IRPJ 31/03/2011 30005.88638.210812.1.3.047058 R$ 1.290,11 Em 03/01/2013, a DRF/Porto Alegre – MG. emitiu Despachos Decisórios Eletrônicos não homologando a compensação declarada na PER/DCOMP, em cada um dos processos acima relacionados sob o argumento de que o pagamento fora totalmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP pleiteado. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11080.915325/201212 Resolução nº 1401000.567 S1C4T1 Fl. 199 3 Pretendendo obter a reforma do julgado, a Recorrente ingressou com as repectivas Manifestações de Inconformidade, todas julgadas improcedentes, mantendose todos os Despachos Decisórios integralmente, sob o argumento de que pedido de retificação de DCTF, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que as DRJs limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. Assim, mesmo o contribuinte tendo apresentando a DCTF RETIFICADORA, qualquer alegação de erro no preenchimento desta, deveria vir acompanhada dos livros e documentos que indicassem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior, ante a falta de liquidez e certeza do crédito pleiteado, a não homologação foi mantida. Inconformada, no dia 08 de julho de 2015, interpôs recurso voluntário com vistas a obter a reforma do julgado, reproduzindo em suma os argumentos trazidos na impugnação, acrescidos de pedido de acolhimento e apreciação de provas produzidas em momento posterior a elaboração do Despacho Decisório. Com o objetivo de apressar o julgamento de seus recursos impetrou Mandado de Segurança feito 18012318270609900000004193447, 4a Vara Federal Cível da SJDF, cuja liminar foi concedida em 19 de janeiro de 2018, com o seguinte teor: "Diante do exposto, DEFIRO LIMINARMENTE O PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA para determinar à autoridade coatora que pratique todos os atos de sua atribuição tendentes a apreciar e julgar imediatamente os recursos voluntários interpostos pela autora , no prazo de 90 (noventa) ) dias, desde que seja apenas caso de mora administrativa e não haja outras exigências técnicas". Intimação ao CARF registrada em 25/01/2018. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. VOTO: Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Relatora. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. No primeiro trimestre do ano de 2011, a Recorrente apurou o valor de R$ 447.348,58 relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), que restou declarado regularmente em DCTF. O crédito tributário em questão foi adimplido em parcela de R$ 1.173,61 mediante PER/DCOMP (nº. 02649.18284.290411.1.3.024381), e o restante através de guia DARF no montante de R$ 446.174,97. Ocorre que, após o recolhimento do IRPJ nos termos acima descritos, ela percebeu o cometimento de equívoco relativamente ao prejuízo compensável apontado na Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11080.915325/201212 Resolução nº 1401000.567 S1C4T1 Fl. 200 4 apuração do referido imposto. Assim, constatouse que o valor corretamente devido de IRPJ no primeiro trimestre de 2011 era de R$ 381.572,70, nos termos da DIPJ apresentada à época. Diante do pagamento a maior realizado, correspondente ao IRPJ equivocadamente apurado no primeiro trimestre de 2011, a recorrente formalizou, no ano seguinte – 2012, diversos pedidos de compensação (PER/DCOMP) perante a Receita Federal, objetivando a quitação de seus débitos. No bojo dos referidos pedidos de compensação encaminhados em 2012, sobrevieram Despachos Decisórios de não homologação contra a empresa impetrante. As referidas decisões adotaram como fundamento o fato de ter o referido DARF emitido para o pagamento do IRPJ apurado no primeiro trimestre de 2011 , contemplado a totalidade dos valores anteriormente declarados mediante DCTF, ou seja, o DARF estava em consonância com o valor originalmente declarado pela empresa, a qual ainda não havia procedido as retificações das aludidas declarações, a fim de reduzir o débito anteriormente declarado. Como consequência do não reconhecimento do crédito da recorrente, constituiuse saldo devedor correspondente aos débitos cuja compensação restou frustrada. Isto porque, segundo a decisão recorrida verificouse que o pagamento que daria origem ao crédito informado na PER/DCOMP pela interessada e apontado no Despacho Decisório, teria sido integralmente utilizado pela Receita Federal para quitação do Débito Declarado pelo contribuinte através da DCTF original do mês de março/2011 (entregue em 18/05/2011), correspondente ao mesmo período de apuração (31/03/2011). Em Voluntário, a Recorrente junta documentos indicativos da existência de saldo de prejuízo fiscal acumulado em valor aparentemente suficiente à compensação dos créditos exigidos nos autos, requer como pedido alternativo a realização de diligência para constatação pela autoridade fiscal para aferição da real composição do saldo negativo do ano de 2011, mediante a análise dos efetivos recolhimentos das estimativas e contabilização do prejuízo fiscal, sem prejuízo da constatação de existência de outro formato de utilização do aludido crédito, como maneira de evitar o perecimento de seu direito. Em prol da verdade material, o fato da prova não ter sido feita em momento oportuno, não impede que este órgão julgador a aprecie e lhe reconheça a validade. Este E. Conselho já decidiu: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2004 Ementa: COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração de compensação (DCOMP) e a existência do crédito, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, sendo o crédito reconhecido e a compensação homologada. Acórdão nº 1803000.751 – 3ª Turma Especial Sessão de 16/12/2010 Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11080.915325/201212 Resolução nº 1401000.567 S1C4T1 Fl. 201 5 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL – NULIDADE. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento.Preliminar acolhida. Recurso provido. Acórdão nº 103 19.789, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, prolatado em 08 de dezembro de 1998, relatora Conselheira Sandra Maria Dias Nunes. No mesmo sentido, Alberto Xavier : “afronta ao princípio da ampla defesa e da verdade material qualquer restrição ao exercício do direito à prova em função da fase do processo, desde que anterior à decisão final tomada na segunda instância”. (Princípios do Processo Administrativo e Judicial Tributário, 1ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p.160). Por se tratar de questão indispensável para o bom deslinde da causa, conforme art. 29 do Decreto 70.235/72 e para a apreciação dos documentos indicativos da existência de saldo de prejuízo fiscal acumulado em valor aparentemente suficiente à compensação dos créditos exigidos nos autos, voto pela conversão do processo em DILIGÊNCIA, nos seguintes termos: 1 Apurar, mediante análise da escrituração contábil e fiscal do contribuinte o real valor devido a título de IRPJ do 1º trimestre de 2011; 2 Realizar a comparação entre o valor devido e o montante pago por meio do DARF recolhido a título deste período no montante de R$ 446.174,97, informando, se e qual, valor foi pago a maior. 3 Existindo valor pago a maior, elaborar os cálculos de compensação com os débitos informados em todos os PER/DCOMP vinculados ao mesmo pagamento, indicando os valores compensados e os saldos a pagar, se houver, apurados. Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. É o meu voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 201DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.901103/2015-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 01 10 3/ 20 15 -3 1 Fl. 21703DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.704 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado em face de decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ/SP1, em sessão de 05 de agosto 2016 (fls. 21308/21326)1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada perante aquela Turma Julgadora, não reconhecendo o direito creditório remanescente (R$ 192.870.477,14) relativo ao Saldo Negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ apurado no anocalendário de 2011, valor que se compõe de: Ø R$ 182.360.535,26 referente a IR deduzido sobre receitas auferidas no exterior e não confirmado; e, Ø R$ 10.509.941,88 referente a retenções não confirmadas – valor remanescente de um total de R$ 87.579.677,57 – confirmadas R$ 77.069.735,69. Mencionados valores encontramse descritos no DD de 06/04/2015 – nº de rastreamento: 099639485 (fls. 1804, 1805 e 1812). Irresignado, o interessado acostou manifestação de inconformidade (fls. 2/58) na qual aduziu a correção do seu procedimento e o direito ao aproveitamento dos valores em discussão. Apreciando a MI, a DRJ pontuou (fls. 21312/21326): “DOS JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO Os JSCP encontram previsão no art.668 do RIR/99 (art.9º da Lei nº 9.249/95), o qual dispõe: (...) O IRRF, no presente caso, é considerado antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração. Em conseqüência, a contribuinte deve deduzir o imposto retido do imposto de renda devido com base no lucro real do períodobase. Só o saldo negativo de imposto a pagar que porventura decorra desse confronto na declaração constitui crédito passível de restituição ou compensação. Todo o saldo de imposto retido pode ser levado ao confronto, no campo próprio da declaração. Se, em vez disso, não for baixado todo o saldo disponível ao final do período de apuração, a contribuinte pode deduzir o remanescente em qualquer período subseqüente, desde que antes de decorrido o prazo decadencial (ADN CST n.º 88, de 20 de outubro de 1986). O exercício da livre escolha de como aproveitar o saldo disponível de IRRF é manifestado na declaração. A dedução assim efetuada não constitui erro, mas exercício de uma faculdade. Portanto, as retenções sofridas no anocalendário de 2004, poderiam ser utilizadas para a 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 21704DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.705 3 dedução do IR devido durante o período cujo resultado final seria conhecido quando da elaboração da declaração de rendimentos o que se daria no final do referido exercício. Outra possibilidade de aproveitamento da retenção de JSCP, no caso de beneficiária pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas, de acordo com a Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 6º. Ademais, ao montante de juros e outros encargos pagos ou creditados pela pessoa jurídica a seus sócios ou acionistas, calculados sobre os juros remuneratórios do capital próprio e sobre os lucros e dividendos por ela distribuídos, aplicam se as normas referentes aos rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, inclusive quanto ao informe de rendimentos a ser fornecido pela pessoa jurídica. A Lei nº 9.430/96 faculta, às empresas tributadas pelo regime do lucro real, a deduzir do valor devido do imposto o montante recolhido a título de imposto de renda na fonte (art.2º, parágrafo 4º, inciso III) e utilizálos para restituição ou compensação, caso se apure saldo negativo: (...) Inobstante tal fato, os valores relativos ao IRRF que integraram a base de cálculo do IRPJ podem ser usados como dedução do imposto a pagar e, dessa forma, provocar a redução do imposto a pagar e ou até mesmo o saldo negativo, situação em que os valores pagos somados aos valores retidos são superiores aos apurados no período. Nesse aspecto cumpre asseverar que é dever da contribuinte comprovar a existência do IRRF dedutível em sua contabilidade, devendo, inclusive, toda a escrituração determinados na legislação tributária. Nesse sentido, deve a requerente apresentar um demonstrativo da composição das receitas oferecidas à tributação respaldada na escrituração fiscal, a qual comprove a veracidade de suas alegações. Sem a prova, por meio de documentação hábil e idônea, da tributação dos rendimentos na declaração de rendimentos, incabível o reconhecimento da parcela de IRRF para a dedução do IR a pagar. A prova das retenções deve ser feita por meio da apresentação de comprovante de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras dos rendimentos, segundo determina o § 2º do art. 979 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º 1.041, de 11 de janeiro de 1994, assim dispõe: (...) Ademais, os ganhos de capital, rendimentos em aplicações financeiras e outros deverão ser adicionados para apuração do imposto de renda, conforme determinam os arts.521 e 526 do RIR/99 a seguir transcrito: Fl. 21705DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.706 4 (...) A autoridade fiscal reconheceu à pleiteante o IRRF dedutível correspondente ao exato montante oferecido à tributação, cabendo à reclamante comprovar a diferença a acredita fazer jus. Na DIPJ, Ficha 06B linha 37, a contribuinte declarou a título de Receita de JCP o valor de R$ 889.046.560,95 e nas Declarações de Compensação foi declarado o valor total de R$ 959.112.838,26. Verificouse, no entanto, que a contribuinte utilizou algumas das retenções de IR feitas pelas Pessoas Jurídicas: Santander Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários, CNPJ 51.014.223/000149, CRV Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, CNPJ n° 55.942.312/000106 e Santander Brasil Adm. de Consórcio LTDA, CNPJ n° 62.318.407/00019, em duplicidade, ou seja, indicou o IRRF tanto nas DCOMP autônomas de JCP transmitidas no decorrer do anocalendário de 2011, como também na DCOMP que tem como origem de crédito o Saldo Negativo de IRPJ apurado no fim do ano calendário. (...) Dessa forma, a autoridade fiscal concluiu que receita de JCP declarada nas três DCOMP está aumentada na ordem de R$ 7.202.678,00, relativo ao IRRF utilizado em duplicidade. O valor da Receita passaria a ser de R$ 951.910.160,26 sobre o qual poderia ser declarado o IRRF no valor de R$ 142.786.524,039. A Fiscalização ainda ressalta que conforme já decido nos autos do Processo Administrativo n° 16327.720.469/201420, a contribuinte só declarou na DIPJ o valor de R$ 889.046.560,95 a título de Receita de Juros sobre o Capital Próprio, o que limita o crédito a ser utilizado como antecipação do IR devido ao valor de R$ 133.356.984,14 (15%), conforme previsão contida no art. 2º, § 4º, III da Lei n° 9.430/96. Sobre esta questão é importante esclarecer que a contribuinte deve obrigatoriamente declarar a Receita de Juros sobre o Capital Próprio na linha 37 da Ficha 06B , exclusivamente destinada a representar essa conta contábil. Esse dever decorre da legislação que regula o pagamento e recebimento de juros sobre o capital próprio e tem como objetivo promover a sua correta auditoria. Como já foi concedido o crédito ao contribuinte no valor de R$ 84.017.625,27 (soma do crédito declarado nas DCOMP de JCP no valor de R$ 14.572.650,00 e de R$ 69.444.975,27), reconheceuse apenas o valor de R$ 49.339.358,87 como crédito líquido e certo passível de utilização como antecipação na apuração do Imposto de Renda. Os valores correspondentes a utilização em duplicidade, constantes da tabela n° 6 foram glosados pela autoridade fiscal na apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2011. Segundo a contribuinte, o valor remanescente de R$ 10.103.410,36 (doc.50 – fl.1.529) foi informado na linha 53 da Ficha 06 B da DIPJ/2012 (outras receitas operacionais). Na DIPJ de fl.1.207, a linha 53 da referida ficha da DIPJ informa o montante total de R$ 43.069.019.417,99, ou seja, um valor diferente do alegado pela Fl. 21706DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.707 5 contribuinte. A fl.1.529 faz referência apenas ao valor parcial de R$ 10.103.410,36, ou seja, não é possível averiguar se o citado valor está incluído no total informado na linha 53 da ficha 06 B, razão pela qual não há como deferir o crédito, por falta de comprovação. Quanto à PER/DCOMP nº 25803.64054.051011.1.3.063852 (doc.49), que segundo a contribuinte, apesar de ter sido informado o crédito de R$ 69.444.975,27, a soma dos débitos compensados na declaração é de apenas R$ 59.996.433,17, isto é, inferior ao montante informado não justifica o deferimento do direito creditório, pois o valor está atrelado ao PER/DCOMP e qualquer erro na declaração deveria ter sido retificada bem como comprovado o erro mediante a apresentação de documentação comprobatória, o que não ocorreu no presente caso. O fato de o crédito remanescente não utilizado no PER/DCOMP nº 25803.64054.051011.1.3.063852 (doc.49) ter sido informado posteriormente no PER/DCOMP nº 35086.88864.200114.1.7.02 8840, conforme afirma a impugnante, não supre o suposto erro cometido anteriormente, pois referido procedimento não poderia ser utilizado para sanar a duplicidade de utilização do IRRF sobre JSCP de R$ 1.628.501,63. As Per/Dcomp constituemse de instrumento de confissão de dívidas, e, por essa razão, os créditos bem como os débitos informados são tidos como corretos até prova em contrário. Caso as mesmas não sejam retificadas no momento oportuno mediante a comprovação por documentação hábil e idônea, os fatos declarados são considerados verdadeiros. Pelas razões expostas, as contestações da contribuinte a respeito dos JSCP não são procedentes. DOS LUCROS NO EXTERIOR Quanto ao IRRF decorrente de operações com o exterior no valor R$ 182.360.535,26 indicado como antecipação do imposto de renda devido na DIPJ e não confirmado pelos sistemas da RFB, alega a contribuinte que se refere à retenções incidentes nas operações de pagamento de juros à sua filial nas Ilhas Cayman, por clientes no Brasil, no valor de R$ 28.253.814,58 e pelo próprio Banco Santander S.A, no valor de R$ 154.106.720,68 (compensação respaldado no permissivo legal contido no artigo 9° da MP 2.15835/2001). A Fiscalização concluiu que do montante de R$ 182.360.535,26 apenas o valor de R$ 50.625.134,12 referese à retenção do IR decorrente de operações de pagamento de juros feita pelo Banco Santander à sua filial nas Ilhas Cayman. O valor de R$ 73.965.386,41 decorre do pagamento de juros feito pelo Banco Santander Brasil a Diversas Pessoas Jurídicas domiciliadas no exterior. E para o valor de R$ 29.516.200,15 não foram apresentados quaisquer documentos relacionados às operações. Quanto ao IRRF no montante de R$ 28.253.814,58 decorre de operações realizadas entre diversas Pessoas Jurídicas domiciliadas no Brasil e o Banco Santander Ilhas Cayman. Fl. 21707DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.708 6 (...) A incidência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica na fonte sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior, por fonte localizada no Brasil, a título de juros e comissões, inclusive em razão de compra de bens a prazo, tem sua previsão nos artigos 685, 702 e 703 do regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. Segundo a Fiscalização: “Em princípio, o regime de tributação das remessas de juros e comissões, nos termos do art. 685, II, “b” do RIR/99, seria exclusivo na fonte, como ocorre nas demais remessas de juros a pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior. No entanto, o art. 9° da Medida Provisória n° 1.8072, de 25/03/1999, base legal do § 8° do art. 395 do RIR/1999 permitiu a compensação do imposto retido com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, desde que os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, sejam computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil. Essa compensação só pode ser feita até o limite do imposto de renda incidente no Brasil.” De fato, a legislação citada permite que o IRRF, caso haja a comprovação da tributação das receitas de lucros auferidos no exterior, pode ser utilizado como dedução até o limite do imposto de renda incidente no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços. A contribuinte utilizou como antecipação do devido na DIPJ não só o Imposto de Renda Retido na Fonte decorrente das operações de remessa de juros feita por ele próprio à sua filial no exterior, como também o IRRF incidente sobre a remessa de juros feita por ele (Banco Santander S.A) para outras pessoas jurídicas não ligadas, e ainda, o IRRF decorrente do pagamento de juros feito por diversas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil à sua filial, nas ilhas Cayman. A autoridade fiscal faz importante observação quanto à interpretação da legislação levada a termo pela interessada, motivadora do procedimento adotado, o qual não condiz com o espírito da legislação a que fez referência o art. 395, § 8° do RIR. A dedução do IRRF de lucros sobre o exterior é de caráter excepcional, e o intento da legislação é não tributar duas vezes o mesmo fato gerador, qual seja, o lucro (O IRRF incide sobre receita que compõe o resultado da filial). Conforme entendimento da autoridade fiscal, o qual é endossado no presente voto, o lucro decorrente da citada operação é oferecido à tributação no ajuste anual da matriz . Se essa última condição ocorrer é permitido à contribuinte, utilizar o IRRF como antecipação pela matriz, e por isso permitiu, extraordinariamente, que a contribuinte pudesse utilizar o imposto de renda retido na fonte incidente sobre os juros por ele pago à sua filial no exterior (beneficiária). As demais operações, como por exemplo: o pagamento de juros feito pelo Banco Santander S.A a Pessoas Jurídicas com as quais não mantém ligação Fl. 21708DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.709 7 (filial, sucursal, coligada, controlada), ou operações de mútuo realizados entre clientes domiciliados no Brasil e sua filial nas Ilhas Cayman, subsumemse ao regime geral de tributação: o de exclusividade na fonte. A autoridade fiscal entendeu que, em tese, poderia utilizar como antecipação do devido a título de IRRF incidente sobre operações de mútuo o valor de R$ 50.625.134,12. No entanto, há de serem obedecidos outros requisitos estabelecidos pela legislação como condições suficientes ao reconhecimento do direito creditório. Observouse que no anocalendário de 2011, a filial do Banco Santander domiciliada nas Ilhas Cayman apurou um lucro líquido no valor de R$ 1.520.501.932,77. O lucro foi, totalmente, disponibilizado na apuração do Imposto de Renda da matriz brasileira no ajuste anual, conforme pode ser observado em sua declaração de rendimentos. Ao apurar o Lucro Real, o resultado foi o de Prejuízo Fiscal (R$ 701.553.604,54), não restando assim Imposto Devido. A legislação tributária, impede a utilização do IRRF decorrentes de operações com o exterior, como antecipação do devido na DIPJ, quando a pessoa jurídica apurar prejuízo fiscal. Estabelece que o valor do crédito de IR poderá ser controlado na Parte “B” do Lalur, para utilização em exercícios seguintes, no qual se apure lucro (art.14 da IN SRF nº 213/2002). (...) Assim, muito embora se reconheça a existência do crédito no valor de R$ 50.625.134,12 favorável à contribuinte, não é possível sua utilização como antecipação do devido no ajuste anual do ano calendário de 2011, devendo o mesmo ser controlado em livros fiscais para futura utilização. A contribuinte anexa aos autos os contratos de câmbio (fls.535/1.200) referente ao valor de R$ 29.516.200,15, o qual foi glosado pela autoridade fiscal (docs.09/44). Nos contratos de câmbio apresentados o que se observa é que o recebedor no exterior é um banco estrangeiro como, por exemplo, o documento de fl.537 , o qual consta o Banco Mizuho Corporate Bank Ltd. Referidas operações, portanto ocorreram entre o Banco Santander Brasil S.A com Diversas Pessoas Jurídicas localizadas no exterior não domiciliadas em países com tributação diferenciada. Não há provas de que os valores recebidos pelos bancos estrangeiros retornaram a sua filial em Cayman e que estes valores foram devidamente tributados no Brasil. Os contratos de câmbio em que consta o recebedor o Banco Santander Brasil S/A não há comprovação da origem das operações mediante apresentação de documentação hábil e idônea. Os documentos apresentados pela contribuinte de fls.653/684, 738/751, 765/778, 792/807, 821/835, 849/862, 876/892, 906/921, 935/950, 976/993, 1.006/1.023, 1.036/1.053, 1.066/1.084, 1.100/1.107, 1.126/1.133, 1.148/1.155, 1.174/1.181, 1.186/1.187 não se prestam para fins de qualquer espécie de comprovação, pois estão redigidos em língua estrangeira. Para a validade de qualquer documento estrangeiro no Brasil é necessário a tradução juramentada bem como seu registro no Registro de Títulos e Fl. 21709DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.710 8 Documentos em conformidade com a Lei nº 6.015/73 (Lei de Registros Públicos). A contribuinte alega que o montante de R$ 73.965.386,41, glosadas pela autoridade fiscal em razão de as remessas terem sido efetuadas com pessoas jurídicas domiciliadas em países de tributação não favorecida, merece reparos, pois elas não são suas efetivas beneficiárias, mas meras agentes de pagamento detentoras dos valores em caráter fiduciário (os recursos são transferidos ao SantanderCayman, o real beneficiário dos rendimentos). Ressaltou que a requerente e a filial domiciliada no exterior são a mesma pessoa jurídica (matriz e filial), ou seja, os numerários repassados entre elas são apenas fluxos internos de riqueza. O valor de R$ 73.965.386,41, conforme já dito, decorre do pagamento de juros feito pelo Banco Santander Brasil a Diversas Pessoas Jurídicas domiciliadas no exterior. A questão de ser o destinatário das remessas serem meras agentes de pagamento não altera a natureza da operação de negociação com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior sem vínculo. Com a introdução da tributação em bases universais para as pessoas jurídicas (art.25 da Lei nº 9.249/95), a impugnante tem direito ao aproveitamento do IRRF para a composição do saldo negativo de IRPJ, pois os lucros auferidos no exterior foram adicionados ao lucro líquido para a determinação do lucro real. Como previsto no RIR/99 (art.395, § 8º), não cabe o argumento da contribuinte de que o imposto de renda pago no exterior (possui natureza antecipatória) poderia ser deduzido na DIPJ para a apuração de saldo negativo não sendo impeditivo a apuração de prejuízo fiscal para seu aproveitamento integral, conforme já exposto. Não procede o entendimento da contribuinte a respeito do IRRF exigido sobre a remessa dos juros por clientes não se subsumir ao regime de tributação exclusiva na fonte, pois a legislação de regência, conforme já explicitado anteriormente, dá este tratamento ao IR. A contribuinte defende a inaplicabilidade do art.14 da IN RFB nº 213/2002 no presente caso, pois os créditos de IRRF fogem à regra da compensação do imposto de renda pago no exterior. Ademais, como inexiste prejuízo ao Fisco, as compensações efetuadas pela requerente com o crédito de IRRF devem ser admitidas. Referido argumento não merece prosperar, pois o dispositivo legal, ora citado, dispõe exatamente do IRRF sobre rendimentos do exterior. Concluise que deve ser mantida a decisão administrativa nos moldes propostos pela autoridade fiscal. COBRANÇA DE ESTIMATIVAS Quanto à questão da cobrança das estimativas, pode a Fiscalização, após o encerramento do anocalendário exigir estimativas eventualmente não recolhidas durante o ano calendário, por expressa previsão legal. A falta de recolhimento do imposto sobre a Fl. 21710DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.711 9 renda devido por estimativa, inclusive, sujeita a pessoa jurídica à penalidade da multa isolada independentemente do anocalendário encerrado e da apuração de prejuízo fiscal. A Instrução Normativa SRF de nº 93/97 que, perfeitamente aplicável aos fatos geradores ocorridos assim dispõe em seu artigo 16: (...) Vêse, claramente, que são dois fatos geradores distintos (valores devidos por estimativa e não recolhidos e imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro caso não recolhido) pode ocorrer que durante o anocalendário, a contribuinte não recolha ou recolha a menor os tributos devidos por estimativa, o que enseja a aplicação de multa sobre os valores não recolhidos conforme artigo 15 da mesma IN SRF 93/97 cuja dicção é a seguinte: (...) Os dispositivos transcritos não deixam dúvidas de que a falta de pagamento do imposto por estimativa enseja a incidência da multa de ofício sobre os valores devidos também por estimativa e não recolhidos”. Na continuidade, afastou as arguições de ilegalidade e inconstitucionalidade, disse que a jurisprudência acostada não vincula o julgador administrativo e a respeito da juntada de documentos extemporâneos registrou a necessária obediência ao artigo 16, do PAF. Para concluir (fls. 21326): “Diante dos fatos acima expostos, VOTO no sentido de JULGAR IMPROCEDENTE a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE bem como NÃO HOMOLOGAR AS COMPENSAÇÕES correlatas ao crédito remanescente de IRPJ ora não reconhecido”. O Acórdão recorrido está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório vedase ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. LUCRO NO EXTERIOR. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente, computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente no Brasil sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Fl. 21711DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.712 10 Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de contribuição social apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Mais uma vez insatisfeito com o desfecho do pleito, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 21367/21434) no qual rebate ponto a ponto a decisão recorrida, reforça sua posição e pontua especificamente: 1. Cerceamento de Defesa: Em preliminar, suscita nulidade por “cerceamento de defesa”, aduzindo que a decisão recorrida não teria apreciado suas alegações, limitandose a reproduzir os fundamentos contidos no DesPacho Decisório, não tendo se atentado para as "peculariedades fáticas do caso". 2. Tradução Juramentada: Sobre o tema, alega sua desnecessidade conforme vem sendo reiteradamente decidido pelo CARF (acosta jurisprudência) e complementa que, ainda assim, nesta fase recursal, traz os documentos com a devida tradução. 3. Mérito – Crédito de IRRF sobre juros remetidos à filial em Cayman Faz longa dissertação buscando comprovar a regularidade de seu procedimento, elabora quadros e fluxogramas demonstrativos, refuta o DD e a decisão recorrida e conclui (RV – fls. 21392), ser a “efetiva beneficiária dos rendimentos”. 4. Aproveitamento do IRRF em caso de prejuízos fiscais Sustenta que o artigo 395, § 8º do RIR/1999 (art. 9º da MP 215835/01) lhe socorre e que, desse modo, resta evidente a improcedência do argumento construído no v. acórdão da DRJ/SP1, de que o Recorrente não faria jus ao crédito em razão da apuração de prejuízo fiscal no período, vez que todas as condições para o direito ao crédito do art. 9º da MP n° 2.15835/01, inclusive a observância do limite do art. 26 da Lei n° 9.249/95, foram atendidas. 5. Da indevida tributação patrimonial – Matriz e Filial são a mesma PJ Segue com o recurso voluntário (fls. 21405) e passa a tratar do tema em destaque, visando mostrar que eventuais transferências da matriz para a filial não modificam o patrimônio, pela unicidade que existe entre elas e que, assim, não se justificaria “negar o creditamento do IR/Fonte sobre as remessas de recursos realizadas pela matriz à sua filial no exterior. Pois, nessa hipótese, o imposto retido e recolhido nada mais é do que mera antecipação do IRPJ devido ao final do anocalendário”, isto é, “o IR/Fonte estará onerando um rendimento que, em verdade, permaneceu na mesma pessoa jurídica”. (RV – fls. 21410). Acerca das retenções relativas a pagamentos feitos por “outras” pessoas jurídicas (sem relação de dependência ou vinculação com o recorrente), assenta não haver vedação a que tais valores sejam igualmente compensados com o IR apurado no Brasil, sendo indevido o tratamento dado pelo DD e pela decisão combatida de que se estaria diante de tributação exclusiva de fonte (RV – fls. 21413 e 21416) Fl. 21712DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.713 11 Prossegue refutando a aplicação do artigo 14, da IN nº 213/2002 e expõe que não houve prejuízo ao Fisco com o tratamento que deu à matéria 6. Do IR/Fonte sobre as receitas de juros sobre o capital próprio Reclama ter direito ao aproveitamento do IR/Fonte calculado sobre os JCP recebidos já que, embora tenha indicado o valor de R$ 889.046.560,95 na linha 37, da Ficha 06B, da DIPJ (que prevê a informação das receitas de juros sobre o capital próprio), inseriu a outra parcela de tais receitas (R$ 10.103.410,36) na linha 53, Ficha 06B, o que levaria à tributação no importe total de R$ 899.149.971,31, regularizando, assim, a pendência apontada no DD. Combate ainda incisivamente a decisão recorrida neste tópico quando esta afirma que o recorrente “deveria ter informado toda a receita de JCP na Linha 37, da Ficha 06B, da DIPJ”, que, “simples equívoco no preenchimento de uma obrigação acessória não tolhe o direito ao crédito”, e ser “irrelevante que a receita não tenha sido informada na linha própria”. Assenta ainda que, “comprovado seu oferecimento à tributação, o direito creditório é irrefutável” (RV – fls. 21424) 7. Do não aproveitamento em duplicidade de créditos de IR/Fonte Refuta a decisão recorrida e o Despacho Decisório quando apontam possível aproveitamento em duplicidade de crédito no montante de R$ 1.628.501,63 (RV – fls. 21428). 8. Das estimativas exigidas no final do período Assenta ser “vedado ao Fisco a exigência de estimativas mensais após o encerramento do anocalendário”, que, encerrado o período, “o controle do crédito tributário passa a focarse apenas sobre o que deixou de ser pago do tributo efetivamente devido, não podendo mais ser exigidas as estimativas mensais”, e que, “por não serem tributos as estimativas, não podem ser cobradas”. (RV – fls. 21430 e 21432). Finaliza requerendo o provimento do recurso, com a reforma da decisão de 1º Piso e, alternativamente, seja reconhecida a nulidade do Acórdão recorrido, por cerceamento de defesa. DA PETIÇÃO SUBSEQUENTE E DO LAUDO TÉCNICO APRESENTADO No seu recurso voluntário (fls. 21392) o recorrente já fazia menção a um “laudo técnico” (“tão logo referido laudo esteja concluído, o Recorrente o apresentará, razão pela qual protesta por sua posterior juntada”) que viria a acostar aos autos como meio de prova. Pois bem, em 14/03/2017 o recorrente peticionou (fls. 21674/21685) fazendo uma breve síntese da lide e requereu a juntada de “Relatório de constatação relativo às remessas para pagamento de juros a pessoa ligada no exterior (anobase de 2011), elaborado pela KPMG Tax Advisors Ltda. (“Relatório” – Arq_nao_pag)”, visando a “produção de provas adicionais relevantes ao julgamento do Recurso Voluntário”. Tal “Relatório”, ou “laudo técnico” como nominado pelo recorrente em seu RV (fls. 21392), é composto de 1059 páginas, estando encartado no eprocesso como “arquivo não paginável” (entre as fls. 21124 e 21125 e identificado às fls. 21702) É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 21713DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.714 12 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 18/08/2015 – fls. 21435 – protocolização do RV em 16/09/2015 – fls. 21367), a representação do recorrente está corretamente formalizada (fls. 21437/21454), e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. Afasto, de plano, a nulidade arguida de “cerceamento de defesa”. A uma porque a minuciosa e profunda peça recursal acostada, a petição subsequente juntada com o laudo extemporaneamente apresentado e os milhares de documentos anexados já mostram, per si, que não só o recorrente teve amplo acesso aos autos como pleno conhecimento da acusação, podendo exercer integralmente seu constitucional direito de defesa; a duas porque, mesmo a se aceitar o argumento do recorrente de que “a Decisão recorrida limitouse a reproduzir os fundamentos contidos no Despacho Decisório”, não tendo se atentado “para as “peculariedades fáticas do caso” (RV – fls. 21378) tal procedimento não inquina de nulidade o ato administrativo, desde que as razões de decidir se baseiem no rol de informações, argumentos e documentos presentes nos autos, mesmo porque, assim fosse, milhares de decisões padeceriam do mesmo efeito anulatório, posto ser absolutamente corriqueiro e habitual que Acórdãos e votos adotem e sustentemse em outras decisões, outros acórdãos e outros pareceres e relatórios. Na verdade, o que importa é que o julgador tenha se debruçado sobre as provas e documentos – como provavelmente ocorreu no presente caso – e exare a sua decisão que pode ser – ou não – de sua lavra pessoal ou repetindo texto que tenha entendido cabível e inerente ao caso tratado; a três porque eventual equívoco na ementa do Acórdão a quo, que indevidamente fez referência a “contribuição social” e não a “imposto de renda” não é causa de vício ou nulidade, posto que – por óbvio tratouse de mero engano de digitação, sem qualquer interferência no teor da decisão. Preliminar de nulidade rejeitada. Passo ao mérito. Segundo “Relatório Fiscal” (fls. 21296/21305) que analisou manualmente o pedido e embasou o DD, a situação estampada foi a seguinte: “II – IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE NO EXTERIOR 4. Em resposta ao termo de intimação o contribuinte informou que o Imposto de Renda Retido na Fonte decorrente de operações com o exterior no valor R$ 182.360.535,26 indicado como antecipação do imposto de renda devido na DIPJ e não confirmado pelos sistemas da RFB, referese a retenções incidentes nas operações de pagamento de juros à sua filial nas Ilhas Cayman, por clientes diversos domiciliados no Brasil, no valor de R$ 28.253.814,58 e pelo próprio Banco Santander S.A, no valor de R$ Fl. 21714DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.715 13 154.106.720,68. Alega que realizou a compensação respaldado no permissivo legal contido no artigo 9° da MP 2.15835/2001. 5. Para comprovar a regularidade da operação apresentou cópia dos DARF, Contratos de Câmbio e outros documentos fiscais e contábeis, todos acostados aos autos. 6. Analisandose as informações do contribuinte, em especial, os contratos de câmbio e DARF, verificouse que do montante de R$ 182.360.535,26 apenas o valor de R$ 50.625.134,12 referese à retenção do IR decorrente de operações de pagamento de juros feita pelo Banco Santander Brasil S.A a sua Filial domiciliada nas Ilhas Cayman. O valor de R$ 73.965.386,41 decorre do pagamento de juros feito pelo Banco Santander Brasil a Diversas Pessoas Jurídicas domiciliadas no exterior. E para o valor de R$ 29.516.200,15 não foram apresentados quaisquer documentos relacionados às operações. Quanto ao IRRF no montante de R$ 28.253.814,58 decorre de operações realizadas entre diversas Pessoas Jurídicas domiciliadas no Brasil e o Banco Santander Ilhas Cayman. Vejamos o quadro resumo: 7. A incidência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica na fonte sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior, por fonte localizada no Brasil, a título de juros e comissões, inclusive em razão de compra de bens a prazo, tem sua previsão nos artigos 685, 702 e 703 do regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. O Ato Declaratório Executivo Corat n° 9, de 16 de janeiro de 2002 esclarece que o Imposto de Renda devido quando da ocorrência de qualquer desses fatos geradores deve ser recolhido sob o código 0481. 8. Em princípio, o regime de tributação das remessas de juros e comissões, nos termos do art. 685, II, “b” do RIR/99, seria exclusivo na fonte, como ocorre nas demais remessas de juros a pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior. No entanto, o art. 9° da Medida Provisória n° 1.8072, de 25/03/1999, base legal do § 8° do art. 395 do RIR/1999 permitiu a compensação do imposto retido com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, desde que os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, sejam computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil. Fl. 21715DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.716 14 Essa compensação só pode ser feita até o limite do imposto de renda incidente no Brasil. Vejamos: (...) 9. No caso sob análise o contribuinte utilizou como antecipação do devido na DIPJ não só o Imposto de Renda Retido na Fonte decorrente das operações de remessa de juros feita por ele próprio à sua filial no exterior, como também o IRRF incidente sobre a remessa de juros feita por ele (Banco Santander S.A) para outras pessoas jurídicas não ligadas, domiciliadas no exterior em países que tributam a renda, e ainda, o IRRF decorrente do pagamento de juros feito por diversas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil à sua filial, nas ilhas Cayman. 10. A interpretação da legislação levada a termo pelo interessado, motivadora do procedimento adotado, infelizmente, não condiz com o espírito da legislação a que fez referência o art. 395, § 8° do RIR. O legislador ao criar essa regra, excepcional, pretendeu não tributar duas vezes o mesmo fato gerador, qual seja, o lucro (O IRRF incide sobre receita que compõe o resultado da filial O lucro decorrente dessa operação é oferecido à tributação no ajuste anual da matriz . Se essa última condição ocorrer é permitido ao contribuinte, utilizar o IRRF incidente nas operações de mútuo realizadas entre Matriz e filial, como antecipação do devido), e por isso permitiu, extraordinariamente, que o contribuinte pudesse utilizar o imposto de renda retido na fonte incidente sobre os juros por ELE pago à sua filial no exterior (beneficiária) domiciliada em País com tributação favorecida. As demais operações, como por exemplo: o pagamento de juros feito pelo Banco Santander S.A a Pessoas Jurídicas com as quais não mantém ligação (filial, sucursal, coligada, controlada), ou ainda que mantenha essa ligação, mas que não esteja domiciliada em um país com tributação favorecida e, as operações de mútuo realizados entre clientes domiciliados no Brasil e sua filial nas Ilhas Cayman, subsumemse ao regime geral de tributação: o de exclusividade na fonte, que também deve ser recolhido sob o código 0481. 11. Assim, o contribuinte, em tese, poderia utilizar como antecipação do devido a título de IRRF incidente sobre operações de mútuo o valor de R$ R$ 50.625.134,12 (IRRF incidente sobre o pagamento de juros feito pelo Banco Santander Brasil a sua filial nas Ilhas Cayman). No entanto, devem ainda ser analisadas outras regras estabelecidas pela legislação como condições suficientes ao reconhecimento do direito creditório. 12. No anocalendário de 2011 a filial do Banco Santander domiciliada nas Ilhas Cayman apurou um lucro líquido no valor de R$ 1.520.501.932,77. Esse lucro foi totalmente, disponibilizado na apuração do Imposto de Renda da matriz brasileira no ajuste anual, conforme pode ser observado em sua declaração de rendimentos. 13. O Banco Santander Brasil S.A apurou no ajuste anual um de Prejuízo Fiscal no valor de R$ 701.553.604,54, não restando assim Imposto Devido. A legislação tributária veda a utilização do IRRF decorrentes de operações com o exterior, como antecipação do devido na DIPJ, quando a pessoa jurídica apurar prejuízo. Estabelece que o valor do crédito de IR poderá ser controlado na Parte “B” do LALUR, para utilização em exercícios seguintes, no qual se apure lucro (art. 14 da IN SRF 213/2002). Fl. 21716DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.717 15 14. Assim, muito embora se reconheça a existência do crédito no valor de R$ 50.625.134,12 favorável ao contribuinte, devese negar sua utilização como antecipação do devido no ajuste anual do anocalendário de 2011. Devendo o mesmo ser controlado em livros fiscais para futura utilização, nos termos do art. 14 da IN SRF 213/2002. II – IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE NA FONTE SOBRE RECEITA DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO – JCP 15. No anocalendário de 2011 o contribuinte transmitiu por meio da internet as Declarações de Compensação abaixo relacionadas, visando a extinção, por compensação, de débitos próprios, com crédito oriundo do pagamento de Imposto de Renda na Fonte incidente sobre o recebimento de Juros sobre o Capital Próprio. 16. Os valores de Imposto de Renda incidente sobre Receita de JCP indicados pelo contribuinte como passível de utilização nas Declarações de Compensação foram os seguintes: Fl. 21717DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.718 16 17. Segundo pesquisa efetuada na DIRF das pessoas jurídicas responsáveis pela retenção na fonte, o contribuinte recebeu a título de Receita de Juros sobre o Capital Próprio o valor de R$ 1.026.163.554,01 sobre o qual incidiu o IRRFJCP código 5706 no valor de R$ 154.025.033,09 conforme abaixo (Tabela 5). (...) 18. Na DIPJ, Ficha 06B linha 37, o contribuinte declarou a título de Receita de JCP o valor de R$ 889.046.560,95 e nas Declarações de Compensação foi declarado o valor total de R$ 959.112.838,26. 19. Verificouse, no entanto, que o contribuinte utilizou algumas das retenções de IR feitas pelas Pessoas Jurídicas: Santander Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários, CNPJ 51.014.223/000149, CRV Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, CNPJ n° 55.942.312/000106 e Santander Brasil Adm. de Consórcio LTDA, CNPJ n° 62.318.407/00019, em duplicidade, ou seja, indicou o IRRF tanto nas DCOMP autônomas de JCP transmitidas no decorrer do anocalendário de 2011, como também na DCOMP que tem como origem de crédito o Saldo Negativo de IRPJ apurado no fim do anocalendário. 20. Logo a Receita de JCP declarada nas três DCOMP está aumentada na ordem de R$ 7.202.678,00, relativo ao IRRF utilizado em duplicidade. O valor da Receita passaria a ser de R$ 951.910.160,26 sobre o qual poderia ser declarado o IRRF no valor de R$ 142.786.524,039. Fl. 21718DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.719 17 21. Ocorre que, conforme já decido nos autos do Processo Administrativo n° 16327.720.469/201420, o contribuinte só declarou na DIPJ o valor de R$ 889.046.560,95 a título de Receita de Juros sobre o Capital Próprio, o que limita o crédito a ser utilizado como antecipação do IR devido ao valor de R$ 133.356.984,14 (15%), conforme previsão contida no art. 2º, § 4º, III da Lei n° 9.430/96. É sempre importante esclarecer que o contribuinte deve obrigatoriamente declarar a Receita de Juros sobre o Capital Próprio na linha 37 da Ficha 06B , exclusivamente destinada a representar essa conta contábil. Esse dever ser imposto pelo Fisco decorre da legislação que regula o pagamento e recebimento de juros sobre o capital próprio e tem como objetivo promover a sua correta auditoria. 22. Assim, como já foi concedido o crédito ao contribuinte no valor de R$ 84.017.625,27 (soma do crédito declarado nas DCOMP de JCP no valor de R$ 14.572.650,00 e de R$ 69.444.975,27), podese reconhecer apenas o valor de R$ 49.339.358,87 como crédito líquido e certo passível de utilização como antecipação na apuração do Imposto de Renda. 23. Os valores correspondentes a utilização em duplicidade, constantes da tabela n° 6 serão glosados. 24. Lembramos que as Declarações de Compensações relativas a JCP foram analisadas nos autos do Processo Administrativo n° 16327.720.469/2014 20, cuja cópia do Despacho Decisório segue nos autos do presente dossiê. CONCLUSÃO/PROPOSTA 25. Desta forma, concluise que o crédito decorrente de IRRF nas operações com exterior na ordem de R$ 50.625.134,12 goza dos pressupostos de liquidez e certeza e poderá ser utilizado como antecipação do devido em anoscalendários posteriores a 2011, em que haja apuração de lucro real, conforme disciplina a legislação, devendo ser glosado da composição da apuração do Saldo Negativo AC 2011, que ora se analisa. 26. Em relação ao IRRF decorrente da Receita de Juros sobre o Capital Próprio deve ser reconhecido como líquida e certa a parcela de R$ 49.339.358,87, tendo em vista a limitação estabelecida pela Lei 9.430/96 à utilização proporcional do IR à receita correspondente oferecida à tributação”. Em síntese, pelo entendimento do Fisco, posição assumida pela decisão recorrida, ficou claro que: 1. em princípio, valores retidos na fonte relativas a remessas para o exterior a título de pagamentos de juros e comissões (código DARF 0481) subsumemse à tributação exclusiva (artigo 685, II, “b” do RIR/99); 2. todavia, excepcionalmente, o legislador permitiu sua utilização para compensar o imposto que seria devido sobre o lucro da matriz (§ 8° do art. 395 do RIR/1999), desde que os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, sejam computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil, com a Fl. 21719DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.720 18 ressalva de que essa compensação só pode ser feita até o limite do imposto de renda incidente no Brasil; 3. nesse contexto e ainda de acordo com o RF, do valor de R$ 182.360.535,26, decorrente de operações com o exterior e indicado pelo recorrente como retenções na fonte, por isso, no seu entendimento, passíveis de comporem o saldo negativo, i) R$ 28.253.814,58 seria fruto de pagamentos feitos por clientes do Banco, sem ligação de dependência com este (ou seja, “outras” pessoas jurídicas) à sua filial em Cayman, por isso, sujeitos à retenção na fonte e não à composição do saldo negativo pleiteado; ii) R$ 73.965.386,41 seria resultante de operações realizadas entre o Banco Santander e outras pessoas jurídicas localizadas no exterior, não domiciliadas em países com tributação diferenciada, por isso, igualmente, retenções exclusivas de fonte; iii) R$ 29.516.200,15 estaria incomprovado pela não apresentação de contratos de câmbio; e, iv) 50.625.134,12, devidamente comprovado, referirseia a operações entre matriz e filial em Cayman, por isso, a princípio, abrigadas pelo artigo 395, do RIR/1999; 4. todavia, ainda de acordo com a manifestação fiscal, endossada pela decisão a quo, mesmo que “em tese”, tal valor pudesse ser utilizado como antecipação do devido a título de IRRF, fato é que no anocalendário de 2011 a filial do Banco Santander domiciliada nas Ilhas Cayman apurou um lucro líquido no valor de R$ 1.520.501.932,77 que foi totalmente disponibilizado na apuração do Imposto de Renda da matriz brasileira no ajuste anual e, conforme pode ser observado em sua declaração de rendimentos, o resultado foi de Prejuízo Fiscal (R$ 701.553.604,54), não restando assim imposto devido. Ainda conforme expresso pela decisão recorrida (fls. 21319), “a legislação tributária, impede a utilização do IRRF decorrentes de operações com o exterior, como antecipação do devido na DIPJ, quando a pessoa jurídica apurar prejuízo fiscal”, estabelecendo que “o valor do crédito de IR poderá ser controlado na Parte “B” do Lalur”. Mesma posição do RF (fls. 21300): “assim, muito embora se reconheça a existência do crédito no valor de R$ 50.625.134,12 favorável ao contribuinte, devese negar sua utilização como antecipação do devido no ajuste anual do ano calendário de 2011. Devendo o mesmo ser controlado em livros fiscais para futura utilização, nos termos do art. 14 da IN SRF 213/2002”; 5. relativamente ao valor de R$ 10.509.941,88, o indeferimento deuse em razão do entendimento fiscal de que o contribuinte teria informado na DIPJ – Linha 37 – Ficha 06B (que controla as receitas de JCP), o montante de R$ 889.046.560,95 e nas Declarações de Compensação declarouse o valor total de R$ 959.112.838,26. Com isso, haveria uma diferença de R$ Fl. 21720DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.721 19 70.066.277,31 (receita apontada a maior). Aplicandose a alíquota de 15% sobre este valor, chegase a R$ 10.509.941,88. Além disso, diz a decisão recorrida, apoiada no Relatório Fiscal que deu tratamento manual ao pedido de compensação, haveria duplicidade no aproveitamento de valores retidos (R$ 1.628.501,63); 6. a esta posição fiscal, contrapõese o recorrente asseverando que “apesar de ter informado os créditos em dois momentos distintos, referidos créditos foram compensados uma única vez” (RV – flsa. 21428); 7. mais ainda, sustenta ter direito ao aproveitamento do IR/Fonte calculado sobre os JCP recebidos, já que, embora tenha indicado o valor de R$ 889.046.560,95 na linha 37, da Ficha 06B, da DIPJ, inseriu a outra parcela de tais receitas (R$ 10.103.410,36) na linha 53, Ficha 06B, regularizando a pendência apontada no DD. Pois bem, resumida a refrega e antes de quaisquer outras colocações, entendo devam ser aceitos nesta fase recursal, analisadas as peculariedades de cada fato concreto, documentos, provas, pareceres e laudos apostos pelas partes demandantes, contribuinte, Fazenda Pública ou coobrigados, ainda que após o decurso do prazo previsto no artigo 16, do PAF2, mais não fosse, até pelo princípio da busca da verdade material, escopo que deve ser sempre perseguido pelo julgador administrativo, posição que perfila com jurisprudência deste Colegiado: “Não obstante o disposto nos artigos 15 e 16 da norma que rege o Processo Administrativo Fiscal (Decreto no 70.235/72), a tendência 2 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 21721DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.722 20 moderna é a de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no PAF, e isso diante do princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, mais participativo e mais orientado a um escopo social, viés, aliás, retratado na Lei no 9.784/99”. (Ac. 3802001.728 – sessão de 21 de março de 2013). Feitas estas observações preliminares, é inegável que os autos revestemse de nuances as mais variadas envolvendo operações internacionais complexas e que exigem maior e amplo aprofundamento e análise, mais ainda em face do extenso e detalhado laudo elaborado pela KPMG e acostado em 14/03/2017 pelo recorrente (arquivo não paginável – 1059 páginas) após as fases anteriores deste procedimento, material obviamente de difícil ou quase impossível apreciação nesta fase recursal, inclusive pelas restrições impostas aos conselheiros do CARF para acesso ao banco de dados da RFB onde se poderiam cruzar informações ou cotejar elementos relevantes ao deslinde do que aqui se discute. Ademais, evidente ser impossível que este Relator ou qualquer conselheiro do CARF possa realizar diligências, circularizações ou intimar terceiros envolvidos ou citados nos autos, procedimento só cabível aos auditores da Receita Federal, nos termos dos artigos 927 e 928, do RIR/19993. Mas não é só isso. Como exaustivamente se vê nos autos, o recorrente, além do “laudo” da KPMG juntou centenas ou milhares de documentos e informações que exigem cotejamento com os dados existentes internamente no Órgão Tributário ou sua confirmação perante terceiros, via circularização, procedimento que foge da alçada deste Colegiado. Há mais, porém. Segundo o Relatório Fiscal e a decisão recorrida, teria sido aproveitado pelo recorrente, em duplicidade, o montante de R$ 1.628.501,63 (fato já relatado alhures – item 5, acima), fruto da seguinte composição elaborada pelo Fisco e reproduzida no Acórdão a quo: Ø Tabela 6 – RF (fls. 21304) Acórdão DRJ (fls. 21315): Em suas argumentações, o autor do Relatório Fiscal aduziu (com negritos acrescentados por este Relator) que “na DIPJ, Ficha 06B linha 37, o contribuinte declarou a título de Receita de JCP o valor de R$ 889.046.560,95 e nas Declarações de Compensação foi declarado o valor total de R$ 959.112.838,26. Verificouse, no entanto, que o contribuinte utilizou algumas das 3 Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). Fl. 21722DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.723 21 retenções de IR feitas pelas Pessoas Jurídicas: Santander Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários, CNPJ 51.014.223/000149, CRV Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, CNPJ n° 55.942.312/000106 e Santander Brasil Adm. de Consórcio LTDA, CNPJ n° 62.318.407/00019, em duplicidade, ou seja, indicou o IRRF tanto nas DCOMP autônomas de JCP transmitidas no decorrer do anocalendário de 2011, como também na DCOMP que tem como origem de crédito o Saldo Negativo de IRPJ apurado no fim do anocalendário. Logo a Receita de JCP declarada nas três DCOMP está aumentada na ordem de R$ 7.202.678,00, relativo ao IRRF utilizado em duplicidade. O valor da Receita passaria a ser de R$ 951.910.160,26 sobre o qual poderia ser declarado o IRRF no valor de R$ 142.786.524,039.” Ocorre que a soma dos valores constantes na “Tabela 6”, penúltima coluna (IRRF em duplicidade), estampa R$ 1.080.401,60 e não R$ 1.628.501,63 (que seria, segundo o Fisco, o valor utilizado em duplicidade). Mais ainda, embora a coluna citada mostre o resultado de R$ 1.080.401,60 e não R$ 1.628.501,63, se forem somados os quatro itens individualmente (R$ 548.100,00 + R$ 449.400,00 + R$ 513.000,00 + R$ 118.001,63) o resultado será R$ 1.628.501,63! e não R$ 1.080.401,60!! Ou seja, inconsistência nos números. Na sequência, em razão deste engano na soma, o resultado da apuração da “receita” sobre a qual incidiu a retenção, igualmente se mostra prejudicado. Vejase a partir da solução do Fisco para chegar ao valor da receita, com utilização de “regra de três”: 1. Soma assumida pelo Fisco R$ 1.080.401,60 2. Alíquota dos JCP (15%) 3. Receita (Base de Cálculo) – (Linha 1/15%*100) R$ 7.202.678,00 Tomandose o valor que o Fisco acusou de ter sido utilizado em duplicidade pelo recorrente – R$ 1.628.501,63 (R$ 548.100,00 + R$ 449.400,00 + 513.000,00 + R$ 118.001,63) e usando a mesma fórmula matemática, chegase a outro resultado: R$ 1.628.501,63/15%*100 (=) R$ 10.856.677,53 Ou seja, nova inconsistência: a) R$ 7.202.678,00; b) R$ 10.856.677,53. Inconsistência que se repete quando se soma a coluna “receita em duplicidade” (que aponta exatamente o valor acima R$ 10.856.677,53), com uma diferença residual de R$ 9.000,00(*), e não o que consta na “Tabela 6”, de lavra do Fisco: Confirase: 3.654.000,00 2.996.000,00 3.429.000,00 786.677,53 10.865.677,53 Fl. 21723DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.724 22 (*) a diferença de R$ 9.000,00 referese a equívoco do Fisco na tomada do valor da fonte pagadora CRV Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, CNPJ n° 55.942.312/000106 – Tabela 5 (fls. 21303), que registra receita de R$ 3.420.000,00 e não R$ 3.429.000,00 como presente na “Tabela 6”: Em suma, a se aceitar o que consta no Relatório Fiscal e na “Tabela 6”, o valor utilizado em duplicidade seria R$ 1.080.401,60 ao invés de R$ 1.628.501,63. Divergências e inconsistências que necessitam ser esclarecidas. Neste cenário, por tudo o que consta nos autos, especificamente i) as alegações do recorrente suportadas por documentos encartados em anexo, ii) as inconsistências atrás relatadas, iii) os novos documentos e informações trazidas no recurso voluntário e, iv) o laudo da KPMG no qual se busca demonstrar detalhadamente a operação nominada de “emissão de Notes/Bonds no exterior”, encaminho meu voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de origem, no caso a DEINF/SP, providencie e esclareça: l. se o recorrente extrapolou o limite para compensação do IRRF relativo a operações externas em face do prejuízo apurado no anocalendário/2011, impedindo o aproveitamento no mesmo período do montante de R$ 50.625.134,12, impondo seu controle no LALUR, parte “B”; 2. analise minuciosamente o laudo acostado pelo recorrente e compare os elementos ali inseridos com os dados presentes nos arquivos da RFB,buscando aferir as consistências ou inconsistências existentes e a arguição de que o valor de R$ 73.965.386,41 referirseiam a operações que tiveram como beneficiária a filial do contribuinte em Cayman, ainda que tais remessas tenham sido feitas através intermediários, como sustentado no Recurso voluntário (fls. 21392); 3. se os documentos apresentados pelo recorrente em sede de recurso voluntário dariam suporte ao montante de R$ 29.516.200,15 indeferido por “não apresentação de contratos de câmbio”, conforme Despacho Decisório; 4. caso entendido necessário, seja intimado o recorrente para apresentar esclarecimentos e documentos complementares e adicionais julgado devidos; 5. igualmente se necessário e julgado pertinente, intime terceiros que possam, direta ou indiretamente, estarem relacionados com os fatos articulados nos autos, de modo a obter informações e esclarecimentos relevantes à solução da lide; Fl. 21724DF CARF MF Processo nº 16327.901103/201531 Resolução nº 1402000.452 S1C4T2 Fl. 21.725 23 6. identifique e esclareça as inconsistências/incorreções presentes na “Tabela 6”, identificadas e descritas neste voto; 7. após estas providências, elabore relatório DETALHADO circunstanciando todas as informações possíveis e juntando documentos comprobatórios de forma a esclarecer qualquer alteração em relação ao que foi decidido no Despacho Decisório e ratificado pela decisão de 1ª Instância, ou seja, se foram aceitos alguns dos argumentos expendidos pelo recorrente no sentido de reconhecer direito creditório. Em caso positivo, discriminar individualizadamente tais valores e correlacionálos com os documentos presentes nos autos; 8. do procedimento de diligência, inclusive do relatório referido no item “7” (anterior), cientificar o contribuinte, com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para que, querendo, venha a se manifestar exclusivamente sobre os fatos articulados e narrados na referida diligência, sendo desconsideradas manifestações de outra espécie. Transcorrido o prazo de trinta dias da ciência, com ou sem nova intervenção do contribuinte, o presente processo deverá retornar a esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Sejul para prosseguimento de seu julgamento. É como voto. Brasília (DF), 17 de agosto de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 21725DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.900323/2012-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI. (Súmula CARF nº 124)
TAXA SELIC.
É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar na concessão de um plus, sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto.
Numero da decisão: 3302-011.440
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.438, de 29 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10140.900321/2012-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Larissa Nunes Girard, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI. (Súmula CARF nº 124) TAXA SELIC. É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar na concessão de um “plus”, sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.438, de 29 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10140.900321/2012-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Larissa Nunes Girard, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 03 23 /2 01 2- 04 Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.440 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10140.900323/2012-04 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação do débito declarado porque o crédito presumido apresentado como direito creditório foi calculado sobre a exportação de produtos (Sementes, frutos e esporos) classificados na TIPI como NT, ou seja, produtos não industrializados, portanto sem direito ao benefício. Tempestivamente o interessado manifestou sua inconformidade alegando, basicamente, que, sendo empresa produtora e exportadora, inclusive industrializando o produto em questão, conforme descreve, seriam ilegais e inconstitucionais os atos administrativos que restringem o benefício concedido pela lei, sendo que não importaria a origem dos insumos utilizados, pois todos que ingressassem na empresa com fins de exportação serviriam de base de cálculo do crédito presumido, sobre o qual inclusive incidiria a correção monetária, de acordo com os julgados administrativos e judiciais que cita. A 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins. Não se consideram produtores, para efeitos fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC É incabível, por falta de previsão legal, a atualização, pela taxa SELIC, dos valores objeto de pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão da DRJ, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual repisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.440 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10140.900323/2012-04 Conforme já relatado, a interessada se insurge contra a decisão recorrida que afastou a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido do IPI por ela exportar produtos classificados na TIPI como não-tributados “NT”. Reclama, outrossim, pela aplicação da taxa Selic em valores a serem ressarcidos. Exportação de produtos “NT” A exportação de produtos classificados na TIPI como NT não geram crédito presumido do IPI, nos termos do Enunciado de Súmula CARF vinculante nº 124. Súmula CARF nº 124 A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Sendo assim, nego provimento a esse capítulo recursal. Taxa Selic O outro capítulo recursal diz respeito a aplicação da taxa Selic nos valores a serem ressarcidos. Ocorre que nenhum valor foi ressarcido à interessada, fato suficiente para declarar que o capítulo encontra-se prejudicado. Contudo, para evita embargos, enfrento a questão. Importante ressaltar que não houve oposição ilegal do fisco ao pedido de ressarcimento. Em outras palavras, não houve modificação da decisão do despacho decisório por nenhuma instância administrativa. Faço essa ressalva para afastar a aplicação do entendimento do STJ que reconheceu o direito à correção dos créditos do IPI, no acórdão proferido no Recurso Especial nº 993.164MG, de 13/12/2010. Partindo da premissa acima, a pacificação deste conflito de perspectiva passa necessariamente pela distinção entre os institutos do ressarcimento e da restituição. A restituição é a repetição de um indébito. Decorre de pagamento indevido ou a maior que o devido. Já o ressarcimento não está vinculado a qualquer pagamento indevido, mas decorre de concessão legal. Sobretudo, não se pode olvidar que o direito subjetivo ao ressarcimento somente é constituído com o advento do despacho da autoridade competente, em oposição ao que ocorre com a repetição do indébito, em que o direito de repetir já nasce imediatamente com o pagamento indevido ou a maior, independentemente de qualquer ato da autoridade administrativa. Nesta linha, fica evidente existir duas figuras que não se confundem: a) restituição por pagamento indevido ou a maior do que o devido (repetição de indébito); e b) ressarcimento, previsto em lei concessiva. É certo que restituição e ressarcimento compartilham alguns aspectos, como o de ser ambos passíveis de satisfação em dinheiro ou mediante compensação, mas de nenhum modo ressarcimento é espécie do gênero restituição. Noutro giro, não há que se falar em desvalorização do valor a ser ressarcido, mesmo porque o ambiente de ampla correção monetária que vigia no passado Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-011.440 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10140.900323/2012-04 foi abolido pelo Legislador. Com efeito, o Legislador aboliu e repudiou o sistema geral de indexação da economia através da aprovação das normas legais que consolidaram o Plano Real, inexistindo atualmente previsão de atualização monetária tanto para caso de ressarcimento como para caso de restituição. Nesse contexto, inadmissível pensar na aplicação da Taxa Selic como um meio de reposição do valor real da moeda. A Taxa Selic é, isto sim, a expressão numérica dos juros. Não se trata de atualização monetária. Juros, por sua vez, é um acréscimo ao principal, é um plus que inclusive se caracteriza como renda para aquele que o aufere. Ora, o Estado não pode pagar rendimentos – na forma de Taxa Selic, vale dizer, de juros – sem previsão legal, mormente quando o que seria o valor principal (ressarcimento) é, ele próprio, dependente de lei concessiva. A previsão legal para a incidência de juros Selic, por sua vez, somente se refere aos casos de restituição. Ao mencionar a compensação (art. 39, § 4º), é claro que o dispositivo refere-se aos valores que poderiam ser restituídos, não permitindo interpretação extensiva. O texto da Lei nº 9.250, de 1995, é claro, não havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo ao caso do ressarcimento. Neste sentido deve-se dizer que o art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, inclusive não estabeleceu a atualização de valores restituídos ao contribuinte com base na Taxa Selic. Isto porque, simplesmente, tal taxa expressa juros, não correção ou atualização monetária. O que foi previsto para casos de restituição foi a aplicação de juros, calculados com base na Taxa Selic. Depois, o dispositivo trata de restituição, nada falando de ressarcimento. Se a lei não prevê a aplicação da taxa Selic no ressarcimento, não cabe ao aplicador da lei estender a previsão com base em princípios, pois há um princípio que predomina no direito tributário que é o da legalidade. Por fim, a data prevista para o início da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data essa que somente pode ser identificada se se tratar de pedido de restituição. A incidência dos juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido de ressarcimento é critério que não consta da legislação, o que reforça a tese de que os juros não podem incidir, nesse caso. Forte nestes argumentos, não vejo motivos para alterar o modo que a decisão recorrida tratou da questão, de forma que a mantenho in totum. Diante de todo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-011.440 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10140.900323/2012-04 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital
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