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Numero do processo: 11522.001471/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998
DECISÕES PROLATADAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. FUNDAMENTAÇÃO EM SÚMULA VINCULANTE DO STF. RECUSO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO.
Não cabe recurso de ofício contra decisão da Secretaria da Receita Federal do Brasil fundamentada em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal.
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998 DECISÕES PROLATADAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. FUNDAMENTAÇÃO EM SÚMULA VINCULANTE DO STF. RECUSO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Não cabe recurso de ofício contra decisão da Secretaria da Receita Federal do Brasil fundamentada em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal. RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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FUNDAMENTAÇÃO EM SÚMULA VINCULANTE DO STF. RECUSO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Não cabe recurso de ofício contra decisão da Secretaria da Receita Federal do Brasil fundamentada em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal. RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 14 71 /2 00 7- 47 Fl. 341DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA (DRJ/BEL), relativo a impugnação apresentada pelo sujeito passivo (134/161) em face da Notificação Fiscal de fls. 3 e seguintes. A DRJ/BEL considerou o lançamento improcedente, conforme se depreende da ementa da decisão recorrida: Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998 NFLD n° 35.818.1216. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE. STF. Prescreve a Súmula Vinculante n 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual, em se tratando de lançamento de oficio, devese aplicar o prazo decadencial de cinco anos. DECADÊNCIA. NULIDADE POR VICIO FORMAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO II DO CTN. No lançamento substitutivo, em que o anterior foi anulado por vicio formal, aplicase o prazo previsto no artigo 173, inciso II, do CTN. O direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário substitutivo com fundamento no artigo 173, inciso II, do CTN não abrange o direito de lançar contribuições relativas a obrigações tributárias já extintas, quando da lavratura do lançamento substituído, pela ocorrência da decadência. O recurso de ofício foi motivado em razão do valor exonerado ultrapassar o valor de alçada estabelecido à época da decisão de primeira instância. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 11522.001471/200747 Acórdão n.º 2402006.426 S2C4T2 Fl. 3 3 Em razão de os fatos até aqui narrados serem suficientes para a resolução da lide, deixo fazer referências a outras informações relativas ao lançamento, inclusive no que se refere a questões de mérito. É o relatório. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator De início há que se esclarecer que a decisão recorrida considerou o lançamento improcedente com fundamento na Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal a qual estabeleceu que “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário”. A esse respeito, dispõe o inciso VI do art. 27 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002: Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: (Redação dada pela Lei nº 12.788, de 2013) [...] VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6º do art. 19. Os dispositivos acima reproduzidos, por si só, mostramse suficientes ao não conhecimento do recurso de ofício. Ainda que não o fossem, de acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão (...) exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda”. Atualmente, a matéria é tratada na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, cujo art. 1º estabelece: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 343DF CARF MF 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. A respeito do valor a ser considerado para fins de conhecimento de recurso de ofício, a Súmula CARF nº 103 esclarece ser aplicável o limite de alçada vigente na data de sua apreciação pela segunda instância administrativa. Vejamos: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Desse modo, tendo em vista que os valores lançado a título de tributo e encargos de multa são inferiores ao estabelecido na Portaria MF nº 63/2017 (vide documento de fl 3), mesmo que não se aplicasse ao presente caso o inciso VI do art. 27 da Lei nº 10.522/2002, não haveria como se conhecer do apelo. Conclusão Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.002366/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005, 2006
TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS DE PESSOA JURÍDICA PARA PESSOA FÍSICA. LIBERALIDADE DO DOADOR.
Doação feita por uma empresa a uma pessoa física, com a devida declaração e pagamento do tributo devido ao Estado, não pode ser tributado pelo Imposto de Renda da Pessoa Física de modo que não há que se falar em omissão de rendimento.
Numero da decisão: 2201-004.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Daniel Mendes Bezerra e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negaram provimento.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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LIBERALIDADE DO DOADOR. Doação feita por uma empresa a uma pessoa física, com a devida declaração e pagamento do tributo devido ao Estado, não pode ser tributado pelo Imposto de Renda da Pessoa Física de modo que não há que se falar em omissão de rendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Daniel Mendes Bezerra e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negaram provimento. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Presidente. (assinado digitalmente) DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 23 66 /2 00 9- 91 Fl. 419DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls. 337/373, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), de fls. 320/330, a qual julgou procedente lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, por transferência de recursos de pessoa jurídica a pessoa física, referentes aos exercícios de 2005 (ano 2004) e 2006 (ano 2005). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 2.093.608,98 (dois milhões, noventa e três mil, seiscentos e oito reais e noventa e oito centavos), já incluídos os juros e a multa. Conforme o Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 181/184: Os esclarecimentos, documentos e comprovações, apresentados pelo contribuinte, foram em sua maioria aceitos por esta Eqfis, exceto no que diz respeito aos seguintes itens: Ações recebidas como bonificações no anocalendário de 2005 e Transferência Patrimonial — doações recebidas em espécie, nos anos calendário de 2004 e 2005, sobre os quais tecemos, a seguir, algumas considerações: Ações recebidas em bonificações no anocalendário de 2005: Embora a correção do valor da avaliação, declarada inicialmente pelo contribuinte, esteja adequada, a sua classificação, como rendimentos sujeito à tributação exclusiva, é indevida. A classificação adequada seria de rendimentos isentos e não tributáveis, embora a classificação utilizada pelo contribuinte não interfira na apuração do imposto do exercício de 2006 sob fiscalização; Transferência Patrimonial — doações recebidas em espécie nos anoscalendário de 2004 e 2005: Embora o contribuinte identifique e faça prova da origem dos recursos recebidos e declarados, os esclarecimentos e documentos apresentados são insuficientes para que esta fiscalização firme convicção quanto à natureza dos rendimentos recebidos, ou seja, de que se tratem, de fato e de direito, de doações e, portanto, isentos e não tributáveis; Sobre "doação", identificamos no Novo Código Civil, Lei n° 10.406/2002, as seguintes referências: Art. 538 — "Considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra"; Art. 541 — "A doação farseá por escritura pública, ou instrumento particular"; Art. 221 — 0 instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e da administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público; Fl. 420DF CARF MF Processo nº 12898.002366/200991 Acórdão n.º 2201004.612 S2C2T1 Fl. 420 3 Art. 288 — É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do parágrafo 1° do art. 654; Sobre Registros Públicos dispõe a Lei n° 6.015/1973: Art. 128 — No Registro de Títulos e Documentos será feita à transcrição: I — dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais de qualquer valor; Da legislação apresentada, observase que há necessidade de tratamento formal, ou seja, obrigatoriedade de instrumento público ou contrato particular, neste caso, com registro público obrigatório, para surtir efeitos em relação a terceiros, com transcrição obrigatória no Registro de Títulos e Documentos, nos termos do inciso I, art. 128, da Lei n° 6.015/1973 acima transcrita, de forma que seja possível identificar às partes á(doador, donatário e respectivas testemunhas), evidenciando, ainda, a natureza da doação e o seu respectivo fator de motivação. Há que se ressaltar, ainda, que, quanto mais significativo for o valor da doação, maior deverá ser o rigor na sua formalização. No caso em questão, inexiste qualquer evidência documental formal que sustente, ampare e comprove que os créditos, efetuados pela pessoa jurídica, na contacorrente do contribuinte, se deram por doação. Na verdade, uma, das poucas, evidências documentais apresentadas pelo contribuinte diz respeito à cópia xerox de ata de reunido de diretoria da Parth Investment Conpany, inclusive sem evidência de qualquer registro público, na qual Sra. Daisy Ruth Igel, como diretora e acionista, é autorizada a transferir recursos da empresa para seus dois filhos, diretores da UltraDi Participações S/A, Pedro Igel de Barros Salles e Jennings Igel Hoffember (contribuinte sob fiscalização) sem, entretanto, apresentação de demais detalhes, bem como, sem apresentação do fator de motivação para as respectivas transferências de recursos tão significativos; Analisando os esclarecimentos e documentos apresentados e para fins de reconhecimento do direito isenção, prevista na Lei 7.713, de 1988, art. 6°, inciso XVI, esta Eqfis entende que uma transferência patrimonial por doação deve ser exaustivamente comprovada perante o Fisco, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, de modo a não pairar qualquer sombra de dúvida quanto i natureza dos rendimentos recebidos. Não basta a prova da identificação da origem dos recursos, da transferência do valor e do correspondente crédito na conta corrente do contribuinte sob fiscalização, fazse necessário, também, à apresentação de documentação hábil e idônea da doação realizada, nos termos da legislação pertinente acima referenciada e, neste caso, atender plenamente As exigências Fl. 421DF CARF MF 4 contidas no Código Civil e, por extensão, a Lei dos Registros Públicos; Portanto, a luz dos dispositivos legais transcritos, os elementos apresentados pelo contribuinte, sob o aspecto formal, não atendem As exigências contidas no Código Civil, em especial o artigo 541, acima transcrito, bem como, o art 128, inciso I, da Lei n° 6.015/73, o qual estabelece que, para surtir efeito em relação a terceiros (Secretaria da Receita Federal do Brasil), os instrumentos particulares devem ser transcritos no Registro de Títulos e Documentos; Assim, muito embora se constate a transferência dos valores para sua contacorrente, através dos créditos por TED, nos valores de R$1.539.747,15 e R$ 1.904.917,17, nos anos calendário de 2004 e 2005, respectivamente, o contribuinte não comprovou plenamente a efetividade das doações recebidas diretamente da Pessoa Jurídica UltraDi Participações S/A, CNPJ n° 32.245.821/000184, empresa na qual o contribuinte exercia o cargo de diretor desde 18/05/2004, conforme extrato CONSULTA CNPJ, em anexo. Ressaltese, ainda, que o contribuinte, também, não conseguiu esclarecer e comprovar como não remuneratôria a natureza dos créditos recebidos. Logo, não restou outra alternativa a esta Eqfis, a não ser considerar como tributáveis os créditos recebidos e declarados indevidamente pelo contribuinte como "transferência patrimonial por doações recebidas", portanto, tributáveis, nos termos da legislação vigente, porquanto, como já dito e não é demais repetir, o contribuinte não logrou comprovar plenamente, com a apresentação de documentação hábil e idônea, trataremse os referidos créditos, efetivamente, de doações recebidas de pessoa jurídica, de acordo com as regras jurídicas pertinentes. Considerando tudo o mais, concluímos que os fatos acima expostos, que resultaram em rendimentos declarados pelo contribuinte indevidamente a titulo de transferência patrimonial por doações recebidas rendimentos isentos e não tributáveis, no valor originário de R$ 1.539.747,15 no anocalendário de 2004, e de R$ 1.904.914,17 no anocalendário de 2005, ensejam a constituição do lançamento por "rendimentos classificados indevidamente na DIRPF". Tal lançamento deu origem a lavratura de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, relativo aos exercícios de 2005 e 2006, anosbase 2004 e 2005, nos termos da legislação em vigor, devidamente capitulada no referido Auto de Infração em anexo, com crédito tributário constituído e consolidado, em 09/12/2009, no valor de R$ 2.093.608.98, encerrando, dessa forma, a apreciação do presente MPF; Da Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 230/252 em 13/01/2010. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela Fl. 422DF CARF MF Processo nº 12898.002366/200991 Acórdão n.º 2201004.612 S2C2T1 Fl. 421 5 Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), adotase, literalmente, tal trecho para compor parte do presente relatório: Inicialmente, é repisado o histórico das empresas envolvidas, sendo acrescido que, não tendo os investimentos da Parth na Ultrapar decorrido de ingresso de divisas no País, e não sendo possível registrálo no Banco Central do Brasil como investimento externo na forma da lei no 4.131/62, os dividendos e os juros sobre o capital próprio distribuídos pela Ultrapar deveriam ser pagos ou creditados no Brasil (fl. 235). Para tal fim, foram firmados o Agency Agreement entre a Parth e a UltraDi em 2001 (doc 1 – fls. 255/258), e a deliberação dos sócios da Parth (doc 2 – fls. 260/263), ambos registrados no Registro de Títulos e Documentos com traduções juramentadas por tradutor público. O Sr. Renato Ochman também foi autorizado a representar a Parth perante a Ultrapar, como fazem prova as traduções juramentadas das procurações por instrumento público (doc 3 – fls. 265/273), que autorizou a transferência dos dividendos da Parth (fls. 36, 199). Nesse contexto, a UltraDi entregou os valores ao autuado a título de doação, em cumprimento das determinações expressas da Parth manifestadas em suas correspondências (fls. 32/33, 35/36, 185/186) e no instrumento particular (fl. 184), inteiramente desprezado pela Fiscalização, tendo inclusive pago o ITD. Ressalta que os recursos da Parth não se confundem com os da UltraDi, sendo certo que os recursos recebidos pelo Impugnante tiveram origem na Parth, conforme fiscalização da UltraDi encerrada sem resultado (doc 4 – fls. 274/278) e diligência realizada na Ultrapar (doc 5 – fls. 279/282). Alega que, sendo a fonte pagadora dos recursos a Parth (pessoa jurídica domiciliada no exterior), e não a UltraDi como indicado na infração, e o lançamento se fundamentar nas normas aplicáveis aos rendimentos pagos por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, foi violado o art. 845, §1º, do RIR/99, que determina que os esclarecimentos prestados somente poderão ser impugnados pelos lançadores com prova ou indício de falsidade ou inexatidão. Que nem a UltraDi ou o outro procurador da Parth no Brasil foram intimados a esclarecer a natureza dos pagamentos e a contabilização dos valores. Alega a nítida tentativa de inverter o ônus da prova sem amparo em qualquer indício ou norma autorizadora, haja vista que a Fiscalização considerou insuficiente a comprovação de que se tratassem de rendimentos isentos, sem invocar qualquer indício de que tivessem a natureza tributável, e que se desrespeitam os princípios constitucionais da presunção de inocência e da legalidade, e as garantias à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal. Reproduz ementas do Conselho de Contribuintes. Afirma que constatar que as transferências se deram por mera liberalidade, por não existir o “fator de motivação para as Fl. 423DF CARF MF 6 respectivas transferências”, estarseia diante de doação não passível de tributação. Alega que as doações estão sobejamente comprovadas por instrumentos particulares que atendem aos requisitos formais do Código Civil (arts. 538 a 541) necessários à sua caracterização, quais sejam a da contratualidade, a liberalidade do doador, a transferência dos direitos do patrimônio, e a aceitação do donatário. Apresenta os docs. 6 (fl. 284/286, 288/289), 7 e 8 (fl. 291/296, 298/303). Reproduz vasta doutrina sobre o assunto, observando a existência daquela que defende que a doação prescinde até mesmo da formalização de contrato. Destaca ter espontaneamente recolhido o ITD. Observa que o apontamento de que o instrumento particular demandaria a assinatura de testemunhas decorreria da desatualização da Autoridade Fiscal, pois a atual redação do art. 221 do Código Civil não mais o exige. Quanto ao descumprimento do art. 128, inc. I, da lei no 6.015/73, quanto ao registro dos instrumentos de doação em cartório de Registro de Títulos e Documentos, opta por realizálos nos docs. 6 a 8, embora convicto da inaplicabilidade deste dispositivo ao caso concreto. Reproduz ementas no sentido de que a ausência do registro não teria o condão de atingir a substância do ato. Da Decisão da Delegacia Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls.320/330): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS DE PESSOA JURÍDICA PARA PESSOA FÍSICA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DO MOTIVO DA DOAÇÃO. NECESSIDADE DE O DONATÁRIO DEMONSTRAR A LIBERALIDADE DO DOADOR. Na doação, o donatário fiscalizado tem de demonstrar a razão que a justifique, especialmente diante da não plausibilidade de uma empresa doar valor expressivo a uma pessoa física, na falta de uma razão negocial para isso. O fato de o dirigente da empresa doadora ser parente do donatário não justifica uma doação, em face do princípio da entidade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Uma vez apurada a omissão de rendimentos pela autoridade fiscal, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do IRPF, com o lançamento de ofício do imposto correspondente, acompanhado da multa de 75% e dos juros de mora devidos. PROVA DA DOAÇÃO. REQUISITOS EXTRÍNSECOS E INTRÍNSECOS. OPOSIÇÃO À FAZENDA PÚBLICA. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 12898.002366/200991 Acórdão n.º 2201004.612 S2C2T1 Fl. 422 7 A doação feita por uma empresa a uma pessoa física por meio de instrumento particular deve ser previamente registrada no cartório de títulos e documentos para ser oponível ao Fisco. Além disso, não basta a mera formalização da transferência dos recursos como doação, devendo também ser demonstrada pelo donatário a razão da liberalidade, plausível e compatível com a atividade empresarial. Os julgadores de primeira instância decidiram que a autuação estava correta, sendo que o contribuinte não logrou êxito em comprovar a legitimidade das operações. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 29/4/2013, conforme aviso de fls. 334, apresentou o recurso voluntário de fls. 337/373 em 29/5/20013. Em sede de Recurso Voluntário, reafirmou os argumentos da impugnação, rebatendo os argumentos postos na decisão de primeira instância, alegando em apertada sínteses: a) Os fatos relacionados à autuação e a prova da origem e da titularidade dos recursos financeiros doados ao recorrente; b) A fonte pagadora dos valores é residente no Exterior. A agressão flagrante ao § 1º do artigo 845 do RIR/99 e o Erro na capitulação legal do lançamento; c) A nítida tentativa de inverter o ônus da prova sem amparo em qualquer indício ou norma autorizadora; d) A decisão recorrida nega a realidade dos fatos e reputa falsos documentos públicos para criar um cenário imaginário de fraude; d.1) para tanto, demonstra quem seria a Sra. Daisy Igel; d.2) afirma que a gestão da Parth é exclusiva da Sra. Daisy Igel; d.3) não existe o cenário de fraude vislumbrado na decisão recorrida; e) as doações estão sobejamente comprovadas por instrumentos particulares que atendem aos requisitos formais necessários à sua caracterização; e.1) preenchimento dos requisitos de um contrato de doação: animus donandi; e.2) transferência dos bens do patrimônio do doador para o do donatário; e.3) aceitação do donatário; e.4) a exigência de prova da "razão da liberalidade" contraria a natureza da própria doação; e f) alegada ausência de registro dos atos. Estes recursos compuseram lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Diante das alegações e das provas juntadas aos autos, verifico que o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, ora Recorrente, merece ser provido, sendo que o Auto de Infração deve ser cancelado, pois o Recorrente logrou êxito em comprovar a origem do recurso, de modo que não há que se falar em omissão de rendimentos, explico. Apesar do esforço do AFR autuante e da decisão de piso, não é possível concluir pela plausibilidade do lançamento efetuado, sendo desconsiderados os fatos Fl. 425DF CARF MF 8 entabulados, desde a declaração de IRPF feita pelo contribuinte, até a propositura do Recurso Voluntário que ora se analisa. Intimado do Termo de Início da Ação Fiscal, o Recorrente apresentou informações e documentos sobre a origem dos valores declarados como doação nos anos de 2005 e 2006. Em resposta ao termo de início de fiscalização (fl. 16), foi declarado que o valor foi recebido a título de doação da empresa norte americana Parth Investments Company, L.L.C., em duas parcelas de R$ 1.881.189,68 e R$ 30.846,12, conforme: 1) correspondências enviadas pela doadora à empresa UltraDi Participações SA, sua mandatária no Brasil, com instruções para utilizar nesse fim (doação) recursos de sua propriedade mantidos na mandatária (fls. 29/39); 2) extratos da conta corrente da UltraDi com lançamentos de transferências de recursos para as contas do donatário nos valores de R$ 30.846,12 e R$ 1.874.068,05 (fls. 40, 43/44, 101, 109, 167); 3) comprovantes de recolhimento do imposto sobre transmissão causa mortis e doação (ITD) pelo donatário (fls. 41/42, 45/46). Verificase no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 181 a 184), cujo trecho, peço vênia para transcrever: (...) Embora o contribuinte identifique e faça prova da origem dos recursos recebidos e declarados, os esclarecimentos e documentos apresentados são insuficientes para que esta fiscalização firme convicção quanto à natureza dos rendimentos recebidos, ou seja, de que se tratem, de fato e de direito, de doações e, portanto, isentos e não tributáveis; Sobre "doação", identificamos no Novo Código Civil, Lei n° 10.406/2002, as seguintes referências: Art. 538 — "Considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra"; Art. 541 — "A doação farseá por escritura pública, ou instrumento particular"; Art. 221 — O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e da administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público; Art. 288 — É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do parágrafo 1° do art. 654; Sobre Registros Públicos dispõe a Lei n° 6.015/1973: Art. 128 — No Registro de Títulos e Documentos será feita à transcrição: Fl. 426DF CARF MF Processo nº 12898.002366/200991 Acórdão n.º 2201004.612 S2C2T1 Fl. 423 9 I — dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais de qualquer valor; Da legislação apresentada, observase que há necessidade de tratamento formal, ou seja, obrigatoriedade de instrumento público ou contrato particular, neste caso, com registro público obrigatório, para surtir efeitos em relação a terceiros, com transcrição obrigatória no Registro de Títulos e Documentos, nos termos do inciso I, art. 128, da Lei n° 6.015/1973 acima transcrita, de forma que seja possível identificar às partes á(doador, donatário e respectivas testemunhas), evidenciando, ainda, a natureza da doação e o seu respectivo fator de motivação. Há que se ressaltar, ainda, que, quanto mais significativo for o valor da doação, maior deverá ser o rigor na sua formalização. Da legislação apresentada, observase que há necessidade de tratamento formal, ou seja, obrigatoriedade de instrumento público ou contrato particular, neste caso, com registro público obrigatório, para surtir efeitos em relação a terceiros, com transcrição obrigatória no Registro de Títulos e Documentos, nos termos do inciso I, art. 128, da Lei n° 6.015/1973 acima transcrita, de forma que seja possível identificar As partes (doador, donatário e respectivas testemunhas), evidenciando, ainda, a natureza da doação e o seu respectivo fator de motivação. Há que se ressaltar, ainda, que, quanto mais significativo for o valor da doação, maior deverá ser o rigor na sua formalização. No caso em questão, inexiste qualquer evidência documental formal que sustente, ampare e comprove que os créditos, efetuados pela pessoa jurídica, na contacorrente do contribuinte, se deram por doação. Na verdade, uma, das poucas, evidências documentais apresentadas pelo contribuinte diz respeito à cópia xerox de ata de reunido de diretoria da Parth Investment Conpany, inclusive sem evidência de qualquer registro público, na qual Sra. Daisy Ruth Igel, como diretora e acionista, é autorizada a transferir recursos da empresa para seus dois filhos, diretores da UltraDi Participações S/A, Pedro Igel de Barros Salles e Jennings Igel Hoffember (contribuinte sob fiscalização) sem, entretanto, apresentação de demais detalhes, bem como, sem apresentação do fator de motivação para as respectivas transferências de recursos tão significativos; Analisando os esclarecimentos e documentos apresentados e para fins de reconhecimento do direito isenção, prevista na Lei 7.713, de 1988, art. 6°, inciso XVI, esta Eqfis entende que uma transferência patrimonial por doação deve ser exaustivamente comprovada perante o Fisco, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, de modo a não pairar qualquer sombra de dúvida quanto à natureza dos rendimentos recebidos. Não basta a prova da identificação da origem dos recursos, da transferência do valor e do correspondente crédito na conta corrente do contribuinte sob fiscalização, fazse necessário, também, à apresentação de documentação hábil e idônea da Fl. 427DF CARF MF 10 doação realizada, nos termos da legislação pertinente acima referenciada e, neste caso, atender plenamente As exigências contidas no Código Civil e, por extensão, a Lei dos Registros Públicos; Portanto, a luz dos dispositivos legais transcritos, os elementos apresentados pelo contribuinte, sob o aspecto formal, não atendem As exigências contidas no Código Civil, em especial o artigo 541, acima transcrito, bem como, o art 128, inciso I, da Lei n° 6.015/73, o qual estabelece que, para surtir efeito em relação a terceiros (Secretaria da Receita Federal do Brasil), os instrumentos particulares devem ser transcritos no Registro de Títulos e Documentos; Assim, muito embora se constate a transferência dos valores para sua contacorrente, através dos créditos por TED, nos valores de R$1.539.747,15 e R$ 1.904.917,17, nos anos calendário de 2004 e 2005, respectivamente, o contribuinte não comprovou plenamente a efetividade das doações recebidas diretamente da Pessoa Jurídica UltraDi Participações S/A, CNPJ n° 32.245.821/000184, empresa na qual o contribuinte exercia o cargo de diretor desde 18/05/2004, conforme extrato CONSULTA CNPJ, em anexo. Ressaltese, ainda, que o contribuinte, também, não conseguiu esclarecer e comprovar como não remuneratôria a natureza dos créditos recebidos. Logo, não restou outra alternativa a esta Eqfis, a não ser considerar como tributáveis os créditos recebidos e declarados indevidamente pelo contribuinte como "transferência patrimonial por doações recebidas", portanto, tributáveis, nos termos da legislação vigente, porquanto, como já dito e não é demais repetir, o contribuinte não logrou comprovar plenamente, com a apresentação de documentação hábil e idônea, trataremse os referidos créditos, efetivamente, de doações recebidas de pessoa jurídica, de acordo com as regras jurídicas pertinentes. Considerando tudo o mais, concluímos que os fatos acima expostos, que resultaram em rendimentos declarados pelo contribuinte indevidamente a titulo de transferência patrimonial por doações recebidas rendimentos isentos e não tributáveis, no valor originário de R$ 1.539.747,15 no anocalendário de 2004, e de R$ 1.904.914,17 no anocalendário de 2005, ensejam a constituição do lançamento por "rendimentos classificados indevidamente na DIRPF". Tal lançamento deu origem a lavratura de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, relativo aos exercícios de 2005 e 2006, anosbase 2004 e 2005, nos termos da legislação em vigor, devidamente capitulada no referido Auto de Infração em anexo, com crédito tributário constituído e consolidado, em 09/12/2009, no valor de R$ 2.093.608.98, encerrando, dessa forma, a apreciação do presente MPF; (...) Como visto acima, a autuação se deu por dúvida do Auditor Fiscal e por não preenchimento de requisitos previstos no Código Civil que dessem fundamento de validade à doação efetuada no caso em questão. Ressaltese que a decisão de piso também acatou este Fl. 428DF CARF MF Processo nº 12898.002366/200991 Acórdão n.º 2201004.612 S2C2T1 Fl. 424 11 mesmo entendimento, afirmando, inclusive que não demonstrou o motivo da doação, além de o ora Recorrente não cumprir requisitos formais, que no entender da decisão de piso e do Auditor Fiscal, seriam imprescindíveis à comprovação da doação. É fato que o Imposto sobre a Renda obedece aos critério da generalidade, da universalidade e da progressividade na forma da lei (artigo 153, III, § 2º, I, da Constituição Federal). O Auditor Fiscal autuante, afirma que: A regra geral da incidência do imposto de renda da pessoa física é a generalidade. As isenções, que decorrem sempre de lei (lei nº 7.713/88 e alterações posteriores) e devem ser interpretadas literalmente (art. 111, inc. II, do CTN), constituem exceções à regra da generalidade. E continua a afirmar, nos termo do art. 6°, inciso XVI, da Lei 7.713, de 1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XVI o valor dos bens adquiridos por doação ou herança; Em outros termos, estariase diante de uma isenção e por isso, deveria ter uma interpretação literal nos termos do disposto no artigo 111, II, do Código Tributário Nacional (CTN). Ocorre que a tributação por meio de Imposto sobre a Renda deve obedecer à generalidade, mas isso não quer significar que tudo pode ser objeto de tributação por ela. Em outros termos, a doação para fins de tributação não é res nullius, ou seja, coisa de ninguém, sujeita àquele que quiser atribuir um tributo a ela. A doação recebeu tratamento especial e foi prestigiada pelo Constituinte originário, outorgando a competência tributária para a instituição de um tributo específico a ela, que é o Imposto sobre Doações, previsto no artigo 155, I, da Constituição Federal, competindo aos Estados membros a tributação deste instituto. não ocorre. Por outro lado, não procedem os argumentos e fundamentos utilizados para não reconhecer as doações entabuladas e que estão sendo objeto de autuação por meio do Imposto de Renda, exatamente nos termos disciplinados pelo Código Civil, conforme ressaltado pelo fiscal autuante em trecho que pedimos a vênia para transcrever: Embora o contribuinte identifique e faça prova da origem dos recursos recebidos e declarados, os esclarecimentos e documentos apresentados são insuficientes para que esta fiscalização firme convicção quanto à natureza dos rendimentos recebidos, ou seja, de que se tratem, de fato e de direito, de doações e, portanto, isentos e não tributáveis; Sobre "doação", identificamos no Novo Código Civil, Lei n° 10.406/2002, as seguintes referências: Fl. 429DF CARF MF 12 Art. 538 — "Considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra"; Art. 541 — "A doação farseá por escritura pública, ou instrumento particular"; (...) Art. 288 — É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do parágrafo 1° do art. 654; Observemos o disposto no artigo 288 do Código Civil acima transcrito e que fala sobre a ineficácia, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do artigo 654, parágrafo 1º, também do Código Civil: Art. 654. Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. § 1º O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. Apesar deste artigo tratar especificamente da outorga de procuração, nos termos do disposto no artigo 288 do Código Civil, para que seja oponível a terceiros, o contrato de doação ou transmissão de crédito quando celebrado por instrumento particular deve conter (1) a indicação do lugar onde foi passado; (2) a qualificação do outorgante e do outorgado; (3) a data e o (4) objetivo, seria um requisito intrínseco à outorga de procuração. Ainda da leitura dos dispositivos do Código Civil, a afirmação do relator da decisão de piso acaba por adotar premissa equivocada quando afirma: O art. 541 deixa claro que a doação deve ser feita por meio de escritura pública ou instrumento particular, podendo mesmo ser verbal apenas se versar sobre bens móveis e de pequeno valor. Verificase, assim, a existência de previsão legal para que a doação prescinda da formalização de contrato, como observado em sua impugnação. Porém, consideramos não ser possível sua aplicação ao caso em tela, haja vista os vultosos valores envolvidos. Esta interpretação está equivocada, pois se a doação, pode ser feita por meio de escritura pública ou instrumento particular e se for verbal, só se versar sobre bens móveis e de pequenos valor (artigo 541, parágrafo único, do Código Civil). Além disso, no caso em tela, feita a doação, o Recorrente tomou todas as providências com relação ao tributo Estadual competente, fazendo a declaração necessária e pagando o tributo devido, conforme documentos juntados às fls. 41/42, 45/46, 191/192. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 12898.002366/200991 Acórdão n.º 2201004.612 S2C2T1 Fl. 425 13 Também merece destaque o fato que está devidamente comprovado por meio de documentos que foram ignorados, seja pela fiscalização, seja pelo relator da decisão de piso (fls. 37, 44 e 161, 162, 157, 287, 294/296 e 301) Sendo assim, voto no sentido de cancelar os valores cobrados nos presentes autos. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento, ao recurso voluntário, cancelando integralmente o crédito tributário lançado no auto de infração objeto da presente lide. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 431DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.723902/2010-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2006 a 30/09/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 39 02 /2 01 0- 71 Fl. 396DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 403DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 404DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722727/2009-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. GASTOS COM TRANSPORTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AGREGAÇÃO. POSSIBILIDADE. INSUMO TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
Conforme Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, assim como legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o custo de aquisição dos estoques compreende os gastos com o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros.
Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições.
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. ARMAZENAGEM E TRANSPORTE. GASTOS GENÉRICOS ASSOCIADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados com o transporte e a armazenagem de produtos diversos (matéria-prima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende dos serviços correspondentes.
É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadram-se em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou, então, que tratam-se de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques.
Numero da decisão: 9303-006.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. GASTOS COM TRANSPORTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AGREGAÇÃO. POSSIBILIDADE. INSUMO TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Conforme Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, assim como legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o custo de aquisição dos estoques compreende os gastos com o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros. Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. ARMAZENAGEM E TRANSPORTE. GASTOS GENÉRICOS ASSOCIADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados com o transporte e a armazenagem de produtos diversos (matériaprima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende dos serviços correspondentes. É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadramse em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 27 /2 00 9- 61 Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 3 2 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou, então, que tratamse de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 3402002.525, de 15 de outubro de 2014 (efolhas 251e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A simples contrariedade do recorrente com a motivação esposada na decisão de primeira instância não constitui vício Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 4 3 capaz de incorrer em sua desconsideração, mormente quando o julgado a quo abordou todos os argumentos da impugnação e expôs seus motivos para acatar ou não as alegações da defesa. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado à relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das IN’s 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ. PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ABRANGÊNCIA E LIMITES. Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a estes inerentes os serviços portuários que compreendem dispêndios com serviços de carregamento, armazenagem na venda, emissão notas fiscais de armazenamento/importação e serviços de medição de equipamentos portuários. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 5 4 índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 271 segs) diz respeito ao conceito válido do vernáculo insumo empregado pelo legislador nas normas que regulamentam o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Requer a manutenção das glosas revertidas pela decisão recorrida em relação (i) às despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a fábrica e (ii) às despesas com fretes e armazenagem. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 294 e segs. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Antes de mais nada, no caso do presente litígio, pareceme prudente identificar com clareza qual a matéria recorrida. O excerto que segue, extraído do voto condutor da decisão a quo, esclarece quais glosas foram revertidas em relação aos dispêndios com o transporte da mercadoria até a empresa. Cabe, no entanto, uma ressalva, pois que entendo que com relação aos itens glosados (produto descarregado no porto e transportado até a fábrica por TUBOVIA, montagem de andaimes, instalação de cano condutor de água na granulação, recuperação e modificação de rampa de entrada de caminhões, separação e construção de rede de esgotos, andaime tubular para manutenção de ponte aérea), os únicos que efetivamente restaram comprovadas sua pertinência à produção são os serviços de descarregamento do produto importado e seu Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 6 5 transporte, por “tubovias”, do porto até a fábrica, transporte, por “tubovias”, do porto até a fábrica. Os demais serviços arrolados foram empregados em reparos e manutenções das próprias “tubovias”, o que, a meu sentir, até poderiam gerar o direito ao desconto de créditos, mas através de depreciação, mas, para tanto, deverseia comprovar se seria o caso de serem levados ao ativo permanente e posteriormente depreciados, o que, a toda evidência, prescindiria de prova relativa ao tempo de vida útil que referidos dispêndios agregariam ao ativo sobre os quais foram empregados. Tratandose de pedido de ressarcimento, referida prova assistiria à Recorrente, e, a míngua do cumprimento de tal ônus, não é possível aferir o direito ao crédito em questão. Em relação ao tópico Armazenagem e Fretes na Operação de Venda do acórdão recorrido, decidiuse, conforme ementa correspondente, que Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a estes inerentes os serviços portuários que compreendem dispêndios com serviços de carregamento, armazenagem na venda, emissão notas fiscais de armazenamento/importação e serviços de medição de equipamentos portuários. Mérito Como já tive a oportunidade de expressar em outras ocasiões, entendo que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. Feito o necessário intróito acerca da matéria controvertida nos autos, releva destacar que, no vertente litígio, ainda que a divergência a respeito do conceito válido de Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 7 6 insumos permeie toda a discussão travada nos autos e seja o principal fundamento da decisão ora contraditada, pareceme que a questão nuclear que se apresenta pouco tem a ver com esse assunto. Tal como espero, isso ficará claro na análise de cada um dos dois tópicos nos quais são identificadas as glosas revertidas em segunda instância de julgamento. Passo a eles. 1 Dispêndios com o transporte do insumo até a fábrica por Tubovia As notas fiscais carreadas aos autos (efolhas 63 segs) identificam a mercadoria importada pela empresa para fabricação de adubos e fertilizantes como ácido sulfúrico e ácido fosfórico. A efetiva aplicação dessas mercadorias no processo produtivo da recorrente para obtenção do produto final é matéria incontroversa nos autos. Com efeito, o que se discute, desde o início, é a agregação de determinados gastos ao custo de aquisição desses insumos, assunto que, concessa venia, como já antecipei, passa ao largo da discussão acerca da abrangência do conceito de insumos na aplicação da legislação das contribuições1. O gasto que a empresa considerou passível de ser agregado ao custo do insumo empregado em seu processo produtivo está identificado na decisão recorrida, tal como já foi explicitado no preâmbulo do vertente acórdão, como transporte, por “tubovias”, do porto até a fábrica. Na Informação Fiscal, efolhas 04 e segs, a Fiscalização Federal fundamenta a decisão de glosar os créditos correspondentes a esses gastos. 0.2 Cálculo indevido de crédito com Bens e Serviços Utilizados como insumos 6. O contribuinte foi intimado (fls.83/84) a apresentar alguns documentos classificados como código CFOP 1.949 e 2.949 que foram incluídos na base de cálculo dos créditos apresentados em meio magnético. Na análise desses documentos restou comprovado que o contribuinte incluiu despesas com bens e serviços a título de Insumos que não são assim considerados. Para serem considerados como insumos os serviços consumidos tem que ser utilizados na elaboração de produtos ou na 1 Releva destacar que, embora isso, o recurso deve ser admitido, pois, a despeito da precisão na abordagem feita pelo recorrido, a amplitude do conceito de insumo foi, inegavelmente, fundamento da decisão tomada, como demonstra a exaustiva abordagem do assunto encontrada no voto condutor da decisão recorrida. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 8 7 prestação de serviços que serão vendidos, conforme artigo 3 o da Lei 10.833/2003 e IN 404/2004. (...) Os serviços não aceitos estão no quadro abaixo, bem como uma descrição sumária dos serviços prestados fornecida pelo contribuinte. Cópias dos documentos entregues encontramse às fls. 187/206. Ainda na Informação, o dispêndio que deu origem à glosa revertida pela instância a quo, está descrito na tabela à efolhas 7 (no texto acima, "quadro abaixo"), nos seguintes termos. Fornecedor: Macra Adm E Serviços Sc Ltda Aplicação dos serviços: Produto descarregado no porto transportado até a fábrica por TUBOVIA. Tratase, portanto, de um gasto com serviços realizados pela empresa Macra Adm e Serviços Ltda vinculados ao transporte, por Tubovia, da matériaprima importada até as dependências da empresa. O Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, especifica quais gastos estão compreendidos no custo de aquisição de estoques. Segue o texto. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. A regra não destoa da legislação do Imposto de Renda. Observese (Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto). Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 9 8 permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Ou seja, não é difícil perceber que o custo com o transporte dos insumos até o estabelecimento do contribuinte está, sem dúvida, compreendido no custo de aquisição desses insumos. Levandose em conta os critérios contábeis aceitos e a própria legislação tributária aplicável, tomando por base as informações disponíveis nos autos, não vejo razão para que esse dispêndio, com o pagamento de serviços prestados por terceiros para o transporte até a fábrica, por Tubovia, de insumos importados e efetivamente empregados no processo produtivo da indústria, seja desconsiderado para efeito de apuração do custo de aquisição desses insumos. Assim, uma vez que essa instância recursal tenha por competência dirimir dúvidas acerca da correta interpretação da legislação tributária, entendo que a decisão deve ser pelo reconhecimento do direito à agregação de gastos da natureza dos que aqui se trata ao custo final de aquisição dos insumos empregados no processo produtivo da empresa. Isto posto, necessário, contudo, destacar uma questão que parece ter passado à margem da decisão recorrida. Conforme a própria recorrente já afirmava em sede de manifestação de inconformidade (efolhas 39 e segs), o produto importado é contemplado por benefício fiscal que reduziu a zero a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Observese.. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 10 9 Na qualidade de empresa produtora, importadora, comercializadora e exportadora de adubos e fertilizantes, a Requerente usufrui o benefício fiscal da alíquota zero das citadas contribuições na importação e também, sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno dos citados produtos, conforme estabelece o art. I o da Lei n. 10.925/2004, in verbis1: Observe que esta foi uma das razões do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, conforme excerto abaixo transcrito do voto da DRJ: (...) Além disso, como os insumos são adquiridos à alíquota zero (art.l" da Lei 10.925/2004), mesmo que fossem adquiridos no mercado interno, não poderiam ter direito de crédito sobre bens e serviços agregados ao custo de aquisição ao custo da matériaprima. Isto porque se não há tributação sobre os insumos, não gerando direito de desconto de crédito da contribuição, também não pode haver sobre bens e insumos que se agregam a matériaprima, como o frete ou seguro, pois a natureza da tributação incidente sobre o principal (insumos) não pode ser descaracterizada por elementos secundários que se agregam ao principal. (...) Ora, como é de sabença, os insumos que não são onerados pelas Contribuições não dão direito ao crédito no sistema de apuração não cumulativo instituído pelas Leis 10.833/03 e 10.637/022. Como pretendo ter deixado claro até aqui, o que se debate nos autos não é se os gastos com transporte, por Tubovia, da matériaprima importada até as dependências da empresa tratase ou não de um insumo aplicado no processo produtivo de fabricação de adubos e fertilizantes, mas se esses dispêndios podem ser agregados ao custo de aquisição do ácido sulfúrico e do ácido fosfórico (e outros quaisquer que sejam pelo mesmo meio de transporte conduzidos), esses, sim, insumos utilizados na fabricação do produto final. Como se viu, a 2 Art.3º § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 11 10 priori, com base nas informações disponíveis, podem, contudo, no caso concreto, essa decisão, de cunho eminentemente jurídico, não tem qualquer repercussão na solução da lide, pois os valores correspondentes terminam por ser acrescidos ao custo de um insumo que não dá direito ao crédito. 2 Armazenagem e Fretes na Operação de Venda A teor da decisão recorrida, a glosa diz respeito aos créditos decorrentes de gastos com (i) serviços de emissão de notas fiscais de armazenagem e de importação; (ii) serviço de medição de equipamentos armazéns portuários; (iii) serviços de transporte de produto a granel de inflável – diárias e (iv) serviços de carregamento no Porto de Rio Grande. Inicialmente, cumpre destacar que os gastos de que ora se trata, acima descritos tal qual descrevera a própria empresa em sua contabilidade, representam uma gama de serviços que não parecem estar relacionados única e exclusivamente com as operações de venda, como sugere o título utilizado no acórdão recorrido para este tópico. Conforme Informação Fiscal, a razão pela qual a Fiscalização Federal não reconheceu o direito de crédito para esses gastos foi a seguinte. Na análise dos valores apurados pelo contribuinte a título de Fretes e Armazenagem nas Operações de Vendas em conjunto com explicações apresentadas (fls.79/82, 138/139), que correspondem aos valores da linha 7 dos Dacon, foi constatado que alguns não são efetivamente de frete ou armazenagem nas operações de venda, conforme o disposto no art.3° da Lei 10.833/2003. (...) 5. Os valores não aceitos são os das rubricas contábeis 1.1.06.04.0002 Armazenagem Exterior e 3.1.04.46.4602 Gastos c/Exportação relativos a movimentações em armazéns portuários, serviços de emissão de notas fiscais e serviços de transporte dentro das dependências da empresa ou de Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 12 11 armazenagem temporária de matérias primas, conforme quadro demonstrativo abaixo e as cópias dos documentos entregues pelo contribuinte a fls.140/186. Por seu turno, o acórdão recorrido decidiu pela reversão da glosa, em síntese, sob o seguinte fundamento. Analisando referida descrição, temse que a glosa não procede com relação aos itens “b”, “c” e “d”, acima listados, [ (ii), (iii) e iv neste voto] pois que efetivamente tratam de transportes de produtos acabados destinados a exportação (ou de transporte destinado a produção, o que redundaria no crédito por força do conceito de insumo), ou ainda, pertinentes aos serviços de armazenagem como no caso de medição dos equipamentos dentro dos armazéns o que é inerente a própria armazenagem, e, finalmente, a parte final do transporte e armazenagem, que é o carregamento do produto para embarque de exportação. Visivelmente, duas razões bem distintas motivaram a reversão da glosa. A primeira, diz respeito, agora sim, ao conceito de insumos na legislação das Contribuições. A segunda, referese à possibilidade de apropriação de créditos nos gastos com o transporte do produto acabado ou gastos pertinentes à armazenagem e transporte desse. Como se vê, tratamse de matérias bem distintas. Quanto a elas, de plano, cabe esclarecer que inexiste qualquer previsão legal que conceda direito à apropriação de créditos para gastos genéricos com a armazenagem e o transporte do produto acabado, apenas para os gastos com frete e armazenagem na operação de venda e quando o ônus for suportado pelo vendedor. Já em relação aos gastos associados ao "transporte destinado a produção, o que redundaria no crédito por força do conceito de insumo", o que se percebe a mais absoluta falta de clareza sobre a natureza desses gastos e a ausência de qualquer evidência de sua necessária segregação contábil. Muito pelo contrário, ao que parece, todos os dispêndios foram Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 13 12 misturados uns com os outros, tanto que terminaram por ser reunidos em um único tópico, como se fossem todos iguais ou muito semelhantes. Como se viu, não são. São gastos distintos, cujas alegações destinadas ao reconhecimento do direito ao crédito estão fundamentadas em pressupostos igualmente distintos. É verdade que, de lado a lado, há parcas informações na identificação desses gastos; contudo, uma vez que nos processos de reconhecimento de direito de crédito o ônus da prova recaia sobre quem o alega, ou seja, sobre o administrado, os fundamentos e provas que justificariam a reversão da glosa determinada pelo Fisco haveriam de ser encontradas no contraditório. À luz desse pressuposto, buscase no recurso voluntário apresentado pela então recorrente a defesa e a comprovação de seu direito à apropriação de créditos em relação a esses gastos. O excerto que segue retrata com inteireza os fundamentos nos quais baseouse o pedido (efolhas 192 e segs). Visando apresentar uma melhor compreensão sobre a importância desses serviços na atividade produtiva da Recorrente, imperioso esclarecer que tais custos são indispensáveis à sua atividade produtiva, vale dizer: sem a utilização de tais serviços, não seria possível à Recorrente produzir os bens comercializados que geram as receitas tributadas para o fins do PIS e da COFINS. A toda evidência, essa não é uma motivação que possa ser acolhida por este Colegiado. A jurisprudência predominante deste Conselho, à qual esse Relator se filia, consagra o entendimento de que somente os insumos empregados no processo produtivo e os demais gastos relacionados no art 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02 dão direito ao crédito. Uma vez que o contribuinte não tenha demonstrado que os gastos que deram origem aos créditos glosados pelo Fisco enquadramse em quaisquer das duas hipóteses Fl. 316DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 14 13 previstas no inciso IX do art. 3º3 e tampouco que foram gastos com o transporte da mercadoria até a fábrica, a glosa deve ser mantida. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. 3 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 317DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.002159/2009-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2006
INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento.
CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. DEIXAR DE DESCONTAR.
Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, caracteriza infração à legislação previdenciária.
Numero da decisão: 2402-006.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmetne)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fáticojurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. DEIXAR DE DESCONTAR. Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, caracteriza infração à legislação previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 21 59 /2 00 9- 76 Fl. 157DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmetne) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10670.002159/200976 Acórdão n.º 2402006.285 S2C4T2 Fl. 158 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, de fls. 146/152, voltado contra Acórdão da 6ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, de fls. 134/138, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendo, in totum, o crédito tributário exigido no DEBCAD 37.228.4817. Está assim lançado o relatório da r. decisão em testilha: Conforme Relatório Fiscal, tratase de débito no valor de R$ 1.329,18(um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), art. 30, inciso I, alínea "a" da Lei 8.212/91 e alterações posteriores, ao art. 4° da Lei 10.666/2003 e ao art. 216, inciso I alínea "a" do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, pelo fato do sujeito passivo não ter arrecadado, mediante desconto, as contribuições dos segurados discriminados no anexo de fls. 27/46. Notificado da autuação em 18/11/2009, o Município autuado apresentou impugnação em 18/12/2009, alegando que, ao contrário do alegado pela autoridade fiscal, o Município procedeu ao respectivo desconto das contribuições incidentes sobre a remuneração dos seus trabalhadores de acordo com o que determina a legislação." Em seu recurso, a procuradoria da municipalidade apresenta matéria nova, a saber, a responsabilidade pessoal do exchefe do poder executivo, Sr. João Ferreira Lima, uma vez que seu mandato teria se iniciado em janeiro de 2005. No apelo aponta que a gestão do exprefeito foi feita de modo totalmente improbo, não podendo o município arcar com tais obrigações. Desse modo, e com arrimo no art. 137, incs. I e II do Código Tributário Nacional, aponta no sentido de que há a necessidade de confirmação da responsabilidade do exdirigente da prefeitura. Afia, às fls. 150: "Em análise ao disposto, numa interpretação literal dos enunciados, fica a ponderação de que o agente é excluído da responsabilidade pessoal, somente e só, quando em exercício regular da administração. Ora, impróprio e até mesmo imoral seria admitir que um atuante de governo, ao agir de modo negligente, quando sabia estar agindo; uma vez que não pode arguir o contrário, pois os atos são dirimidos por lei, estaria atuando em exercício regular!" Assim, requer a declaração de responsabilidade do Sr. João Ferreira Lima para responder pelo pagamento do crédito ora perseguido. Fl. 159DF CARF MF 4 No mérito, alega que a ausência de descrição do fato e da fundamentação legal impossibilita o trabalho do Contribuinte, eis que ao relatório faltaria elemento concreto para a elucidação da multa aplicada. Aponta que, conforme já afirmado na Impugnação apresentada, o município teria procedido aos devidos descontos, referente ao subsídio do Prefeito e VicePrefeito, postos no Relatório Fiscal, na forma da legislação vigente. Assim, a seu ver, por estar a multa carente de motivação, requer que sejam acolhidos os argumentos apresentados para que seja declarada a improcedência da ação fiscal e seja cancelado o débito reclamado. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10670.002159/200976 Acórdão n.º 2402006.285 S2C4T2 Fl. 159 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Quando da análise de admissibilidade do Recurso Voluntário, verificamos estarem presentes os pressupostos os intrínsecos (legitimidade, cabimento, interesse e inexistência de fato impeditivo ou extintivo), entretanto, quantos aos elementos extrínsecos restam atendidos apenas parcialmente, eis que, apesar da regularidade formal, verificamos a articulação de novas razões preliminares, erigidas apenas em sede recursal, portanto, em momento onde a preclusão já havia se operado. Assim, antes de adentrar nas questões intrínsecas da lide será necessário delimitar seu âmbito de conhecimento, uma vez que, conforme se demonstrará a seguir, parte dos fundamentos erigidos pelo Recorrente só foram desenvolvidos em âmbito recursal. Ao proceder à uma comparação entre a peça impugnatória e a peça recursal é possível concluir que o recorrente inova em suas fundamentos preliminares. Na impugnação verificamos que o Recorrente apresenta como preliminar a "Nulidade do Auto de Infração alegando em essência que na "ao contrário do que afirmado, o Município de Januária procedeu ao devido desconto dessas remunerações, exatamente, na conformidade do que determina a legislação em vigor, N;k0 havendo que se atribuir penalidade de multa, tendo em vista a adoção de devido e correto procedimento para o devido desconto".(fls. 124) A peça Recursal, por seu turno, apresenta como preliminar a "Responsabilidade pessoal do exchefe do executivo" alegando que "ante a narrativa dos fatos e em vista ao período de apuração das supostas infrações, resta notório que a data consta de negligências remanescentes à outra gestão administrativa, no qual tinha por seu chefe do executivo o Sr. João Ferreira Lima, uma vez que seu mandato iniciou em janeiro de 2005." (fls. 148) Como tais fundamentos não têm natureza jurídica afeta a ordem pública [não sujeitas a preclusão e passíveis de cognição oficiosa por esta instância julgadora ordinária] e não decorrem de pontos trazidos pela Decisão objurgada, não há razão para o seu conhecimento. Os Recursos, regra geral, devolvem ao órgão ad quem o conhecimento daquilo que tenha sido expressamente impugnado no órgão a quo dado o seu efeito tantum devolutum quantum appellatumm, estando o conhecimento de seus termos, salvo pelas matérias de ordem publica ou alegadas em decorrência direta da própria decisão, limitados aquilo que expressamente constou da impugnação. Fl. 161DF CARF MF 6 Tal entendimento, no âmbito do PAF, tem assento normativo no que prevê o art. 161, inciso III do Decreto nº 70.235/71 que impõem ao contribuinte o ônus de, em sua impugnação, trazer todos os fundamentos relevantes para o julgamento da lide administrativa. Logo, não tendo sido aventada tal matéria em sede de impugnação e não se tratando de questão de ordem pública ou decorrência lógica das articulações da própria decisão recorrida, restaria precluso tal direito sendo vedado seu conhecimento por este colegiado, sob pena de haver a inoportuna supressão de instância conforme se extrai do Art. 172 do mesmo Decreto sobredito. Ante ao exposto, voto por não conhecer das preliminares erigidas de modo inovador por ocasião do Recurso, entretanto, o mérito deve ser conhecido. 2. Mérito No mérito a Recorrente se limita a fazer referência aos argumentos da impugnação sem articular as razões recursais propriamente ditas e naquilo que esboçou o fez de modo extremamente superficial e genérico. Não há questões de direito a desafiar aquilo que foi posto por ordem do Acórdão recorrido e, nas questões de fato apresenta alegação genérica de que procedeu aos descontos das contribuições de seus trabalhadores de acordo com a legislação. Com relação as provas do alegado nada foi juntado de modo a ilidir a presunção formada pelo lançamento. O lançamento, por outro lado, segue bem instruído e 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 2 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10670.002159/200976 Acórdão n.º 2402006.285 S2C4T2 Fl. 160 7 demonstra solidez que lhe confere legitimidade aos olhos deste relator. Isto posto, voto por negar provimento ao Recurso. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.726566/2016-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO - DECISÃO PROFERIDA EM PROCESSO VINCULADO - EFEITOS
Uma vez que a não homologação do pleito compensatório se dera em função de auto de infração em que os saldos negativos de IRPJ e de CSLL foram recalculados, havendo, ali, decisão que afete tal cálculo, ainda que parcialmente, esta tem imediato impacto sobre este feito.
COMPENSAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR
Refeito o cálculo da contribuição devida no ano-calendário de 2011 a partir de decisão parcialmente favorável ao contribuinte, ainda assim, não se observa saldo de crédito passível de utilização de compensação.
Numero da decisão: 1302-002.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do feito e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO - DECISÃO PROFERIDA EM PROCESSO VINCULADO - EFEITOS Uma vez que a não homologação do pleito compensatório se dera em função de auto de infração em que os saldos negativos de IRPJ e de CSLL foram recalculados, havendo, ali, decisão que afete tal cálculo, ainda que parcialmente, esta tem imediato impacto sobre este feito. COMPENSAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR Refeito o cálculo da contribuição devida no ano-calendário de 2011 a partir de decisão parcialmente favorável ao contribuinte, ainda assim, não se observa saldo de crédito passível de utilização de compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do feito e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO DECISÃO PROFERIDA EM PROCESSO VINCULADO EFEITOS Uma vez que a não homologação do pleito compensatório se dera em função de auto de infração em que os saldos negativos de IRPJ e de CSLL foram recalculados, havendo, ali, decisão que afete tal cálculo, ainda que parcialmente, esta tem imediato impacto sobre este feito. COMPENSAÇÃO INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR Refeito o cálculo da contribuição devida no anocalendário de 2011 a partir de decisão parcialmente favorável ao contribuinte, ainda assim, não se observa saldo de crédito passível de utilização de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do feito e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 65 66 /2 01 6- 75 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 18186.726566/201675 Acórdão n.º 1302002.956 S1C3T2 Fl. 263 2 Feitosa, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o feito de pedido de compensação (PERDCOMP de nº 32636.32283.170616.1.3.035026) transmitido pelo recorrente, objetivando a compensação de débitos tributários, no importe de R$ 931.152,26, com créditos decorrentes de saldo negativo de CSLL, apurado no anocalendário de 2011 e, originariamente, demonstrado em pedido de compensação anterior (PERDCOMP de nº 07566.92802.120615.1.3.030093). Num primeiro momento, este pedido havia sido considerado nãodeclarado pela Autoridade Lançadora, decisão esta, contudo, revista de ofício pela própria Unidade de Origem. Nada obstante, já no segundo despacho decisório, digase, considerouse não homologada a compensação pleiteada. Neste particular, e tendo em conta os documentos acostados à manifestação de inconformidade do contribuinte, a nãohomologação de seu pleito se dera com base nos mesmos fundamentos da decisão proferida nos autos do PA de nº 13116.720670/201666 (PERDCOMP nº 07566.92802.120615.1.3.030093), ou seja, o saldo negativo pleiteado no anocalendário de 2011 foi integralmente abatido do valor apurado pela Fiscalização Federal nos autos do PA de nº 13116.722236/201459, em que, após a lavratura de autos infração, exigiuse do contribuinte o pagamento da CSLL no importe de R$ 140.558.617,69. Em outras palavras, ao invés de saldo negativo, no anocalendário de 2011, apurouse CSLL à pagar, inexistindo, pois, crédito compensável com exercícios futuros. Em sua defesa, o contribuinte sustenta que, um vez que o PA de nº 13116.722236/201459 não havia sido, à época, julgado definitivamente (pelo contrário, haveria, inclusive, decisão parcialmente favorável à seus interesses, proferida ela DRJ/BSB), os créditos tributários resultantes da nãohomologação do seu pleito compensatório seriam indevidos, mormente à míngua de sua liquidez e certeza. De outra sorte, e justamente por não se ter verificado o julgamento definitivo do PA 13116.722236/201459, supra, pleiteia o apensamento deste feito àquele e, ainda, o seu sobrestamento. A DRJ/BSB, em julgamento conjunto proferido nos autos em apenso (13116.722116/201613), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sustentando, exclusivamente, a inexistência de previsão legal que autorizasse o sobrestamento dos feitos que tramitassem naquela instância, haja vista que os autos do PA de nº 13116.722236/201459 já se encontravam neste CARF (segundo a DRJ o recurso administrativo não teria efeito suspensivo, uma vez que inexistente previsão explícita no Decreto 70.235/72) O contribuinte tomou ciência do conteúdo do predito acórdão em 13/10/2017 (conforme documento de efls 219 constante do processo em apenso), tendo interposto o seu recurso voluntário em 10/11/2017 (termo de ciência de efls. 204 destes autos), por meio do qual reprisou os argumentos já declinados sem sua manifestação de inconformidade. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 18186.726566/201675 Acórdão n.º 1302002.956 S1C3T2 Fl. 264 3 Cumpre, apenas, destacar, que o processo de nº 13116.722236/201459 foi distribuído à este Colegiado, tendo sido julgado na sessão do mês de junho, sendo certo que, naquela ocasião, foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte a fim de que cancelar as exigências concernentes ao IRPJ e CSLL incidentes sobre as subvenções concedidas pelo Estado de Goiás, com base nos preceitos da Lei Complementar 160/17. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, motivo pelo qual dele conheço. Desde logo, impende destacar que toda discussão relativa ao apensamento/sobrestamento deste feito, até o julgamento definitivo do PA de nº 13116.722236/201459, restou prejudicada já que o citado processo foi analisado e julgado por este Colegiado, ocasião em que parte considerável do auto de infração foi derrubada por esta Turma. E, mesmo havendo uma reversão deste julgado, o resultado final não será suficiente para permitir a apuração de crédito compensável, conforme cálculos abaixo. De fato, o citado feito tratava de 4 (quatro) infrações distintas, sendo elas: a) omissão de receitas, consistente no destaque, indevido, do IPI em notas fiscais de venda, ao mercado interno, de veículos importados; b) omissão de receitas decorrentes da escrituração indevida, como subvenções para custeio ou operação, decorrentes do gozo, pelo contribuinte, de crédito presumido de IPI; c) omissão de receitas decorrentes da escrituração indevida de subvenções concedidas pelo Estado de Goiás aos contribuintes lá instalados; d) glosa de despesas concernentes à bônus sobre vendas. O recorrente noticia aqui (assim como já havia feito naqueles autos) a desistência das suas pretensões concernentes às infrações descritas em "b" e "d"1, mantendo, apenas, a discussão afeita ao IPI destacado nas notas fiscais de venda de veículos importados e à subvenção (benefício fiscal ICMS) concedida pelo Estado de Goiás. A vista disso, este Colegiado decidiu por dar parcial provimento apenas quanto ao questionamento tratado no item "c" supra, mantendose o restante da autuação. Pois bem. Como já alertado no relatório acima, o fundamento utilizado pela Unidade de Origem para considerar não homologada a compensação foi, justamente, o fato de que o saldo negativo originariamente apurado no anocalendário de 2011 teria sido revisto por ocasião da lavratura do auto de infração autuado no PA de nº 13116.722236/201459; e, pelo 1 V. petição juntada à efls. 256/261. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 18186.726566/201675 Acórdão n.º 1302002.956 S1C3T2 Fl. 265 4 que afirma o próprio recorrente, com a autuação retro, ao invés de saldo negativo, apontouse a existência de saldo a pagar da predita contribuição, no importe de R$ R$ 140.558.617,69. O montante de saldo negativo indicado pelo Contribuinte foi, então, utilizado para reduzir o valor acima descrito, restando, em desfavor da empresa, um montante a pagar de R$ 114.647.669,07. Com a decisão proferida por este Colegiado, e considerando as receitas omitidas, descritas para cada uma das infrações apontadas no auto de infração (documento de efls. 125 a 129), bem como o montante total de despesas glosadas, terseia a seguinte realidade: a) infração descrita em "a" R$ 472.626.360,46; b) infração descrita em "b" R$ 27.363.463,77; c) infração descrita em "c" R$ 767.585.183,90; d) infração descrita em "d" R$ 276.802.781,40 O valor somado das parcelas acima perfazem R$ 1.561.762.418,72 (tal qual apontado no auto de infração). Suprimido o valor concernente à infração descrita em "c", teríamos um saldo de receita tributável no importe de R$ 794.177.234,82 que, incidindo sobre este a respectiva alíquota de 9%, terseia um valor de contribuição a recolher de R$ 71.475.951,13. Compensandose o valor anterior com o saldo negativo originariamente apurado pelo Recorrente, teríamos um valor a pagar de R$ 45.565.002,51. Em outras palavras, mesmo com o provimento parcial do Recurso Voluntário manejado nos autos do PA de nº 13116.722236/201459, ainda assim o contribuinte não conseguiria apurar saldo negativo no anocalendário 2011, não dispondo, pois, de qualquer direito creditório concernente ao período em testilha. Impende destacar, como já dito linhas acima, que mesmo que a decisão final do PA de º 13116.722236/201459 seja revertida e, portanto, seja decotado da receita bruta tributável o valor descrito no item "a", supra, ainda assim apurarseá valor a pagar de CSLL no importe de aproximadamente R$ 3.000.000,00. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 265DF CARF MF Processo nº 18186.726566/201675 Acórdão n.º 1302002.956 S1C3T2 Fl. 266 5 Fl. 266DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.919587/2009-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-006.823
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que conheceu do recurso. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que conheceu do recurso. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2022; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.919587/200926 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.823 – 3ª Turma Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria CPMF. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. Recorrente ITAÚ UNIBANCO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que conheceu do recurso. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 95 87 /2 00 9- 26 Fl. 2266DF CARF MF Processo nº 16327.919587/200926 Acórdão n.º 9303006.823 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Sujeito Passivo ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão CARF nº 3802003.698, que negou provimento ao recurso voluntário. O acórdão recorrido possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: CPMF. PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. (...) Cientificada do referido acórdão a Contribuinte interpõe Recurso Especial apontando dissídio interpretativo em relação aos acórdãos nºs 1102001.125 e 10808.805. Em seguida, o então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF deu seguimento ao recurso. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.827, de 17/05/2018, proferido no julgamento do processo 16327.915399/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 2267DF CARF MF Processo nº 16327.919587/200926 Acórdão n.º 9303006.823 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.827): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Passo ao julgamento. A controvérsia suscitada pela Contribuinte referese a ocorrência de erro de preenchimento de PER/COMP e a possibilidade de retificação do direito creditório pleiteado em razão das provas trazidas aos autos. In caso, a decisão recorrida decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, sob o entendimento de que a declaração de compensação só poderia ser retificada até a data da expedição do respectivo despacho decisório que decidiu acerca da homologação ou não da compensação. Vejamos fragmentos do aresto: Consta dos autos que em 14/10/2009 fora transmitida pela internet DCTF retificadora, portanto em data posterior à emissão do Despacho Decisório, ocorrido em 07/10/2009. Na mencionada retificadora foi declarado débito no valor total de R$ 10.467.312,78, constando como créditos o pagamento através de DARF no valor de R$ 3.386.779,85 e, como compensação de pagamento indevido ou a maior R$ 7.080.532,93. Analisando todo o acima exposto, o CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, decidindo no sentido de que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido que a apresentação da DCTF retificadora, alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Nesse contexto, assim se posicionou a decisão a quo, a respeito da compensação tratada na DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833: (...) Como relatado, os autos retornam a esta Delegacia de Julgamento por força de acórdão prolatado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que determinou novo exame da compensação declarada pela contribuinte. Entendeu aquele colegiado que a apresentação de DCTF retificadora teria alterado a situação jurídica na qual se baseara o Fl. 2268DF CARF MF Processo nº 16327.919587/200926 Acórdão n.º 9303006.823 CSRFT3 Fl. 5 4 despacho decisório de não homologação, devendose reexaminar a existência do direito creditório. Em novo despacho decisório, a unidade de origem reconheceu a existência de pagamento a maior. Porém, não haveria como homologar a presente declaração de compensação já que o direito de crédito estaria integralmente comprometido na absorção de débito declarado em outra DCOMP. Ressaltese que no recurso apresentado pelo Recorrente na época, bem como no Acórdão proferido pelo CARF, em nenhum momento foi noticiado a questão do alegado equívoco no preenchimento do PER/DECOMP. Naquela oportunidade, restringiase ao erro no preenchimento da DCTF e da retificadora. O Recorrente, em seu recurso, reafirma a existência de pagamento a maior e admite equívoco no preenchimento do PER/DCOMP nº 18652.39612.120406.1.7.04.3183 e da DCTF, havendo erro na indicação nas características do documento de arrecadação pelo qual teria sido feito o pagamento a maior. Notese que o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, com respeito ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Instaurado o litígio, não pode a recorrente afirmar que seu crédito seria outro, referente a uma outra compensação, questão completamente alheia ao objeto do litígio, cuja aceitação representaria, também, violação aos princípios do contraditório e da estabilidade da demanda. Com efeito, como é cediço, a compensação que, nos termos do art. 170 do CTN, pressupõe liquidez e certeza dos créditos, é levada a efeito por meio de declaração capaz de extinguir o débito tributário sob condição da sua ulterior homologação, nos termos dos parágrafos 1º e 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação que lhes foi fornecida pela Lei nº 10.637, de 2002. Portanto, cabe ao Fisco analisar se cabe ou não homologar uma compensação declarada. Noutro giro, os parágrafos sétimo a nono do mesmo art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 20033, indicam as conseqüências da não homologação da DCOMP, bem assim o objeto do litígio instaurado em razão da apresentação de manifestação de inconformidade. Focado nesses parâmetros, entendo que o pleito do sujeito passivo não merece acolhida, pois não cabe a este Colegiado ir além da análise do ato de não homologação da Declaração de Compensação e tal ato, como decidido pelo acórdão recorrido, não merece reparo. Observase vários julgados desta Corte que no caso do preenchimento dos dados do PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro material. Para comprovar a divergência jurisprudencial, a Contribuinte apresentou os acórdãos paradigmas de nºs 1102001.125 e 10808.805. Transcrevese parte do trecho da parte que interessa do Acórdão nº 1102001.125: Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 16327.919587/200926 Acórdão n.º 9303006.823 CSRFT3 Fl. 6 5 Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e a ementa e excerto do voto condutor do primeiro paradigma, não se comprova divergência. Como visto, os autos foram remetidos a unidade de jurisdição da Contribuinte, em comprimento ao Acórdão nº 330201.504 (fls. 58/63), o qual foi emitido um novo despacho decisório onde relata: "o interessado não comprovou crédito de pagamento indevido ou a maior [...]mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 109.726,28 [...]Na PER/DCOMP nº 28883.84622.220206.1.3.049350, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833, objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 18,08, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Não havendo crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833". Do retorno dos autos, sobreveio o acórdão nº 3802003.658, ora guerreado, com a negativa de provimento ao Recurso, no esteio de que o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Por sua vez, o acórdão paradigma entendeu que em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado. Não existe qualquer divergência, a decisão recorrida remeteu os autos para análise do direito creditório, emitindo um novo despacho decisório, o qual restou comprovado a inexistência de crédito, por sua vez, o acórdão paradigma firmou entendimento do retorno dos autos para que abertura de um novo contencioso administrativo. A Contribuinte não pretende a uniformização de teses jurídicas, objetivo primordial do Recurso Especial. A ampla defesa foi exercida em sua plenitude. Nestes autos, não existe direito creditório Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso Interposto, esta E. Câmara Superior não há espaço para rediscussão de matéria fáticoprobatória, exaustivamente discutida na 1º Instância Administrativa. Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 16327.919587/200926 Acórdão n.º 9303006.823 CSRFT3 Fl. 7 6 Quanto ao acórdão nº 10808.805, pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e a ementa e excerto do voto condutor, também não se comprova divergência. Transcrevo fragmentos do aresto: Exercício: 1998 Ementa: IRPJ – PREJUÍZO FISCAL – COMPENSAÇÃO – ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Com efeito, a decisão recorrida consignou que: "o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, com respeito ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Instaurado o litígio, não pode a recorrente afirmar que seu crédito seria outro, referente a uma outra compensação, questão completamente alheia ao objeto do litígio, cuja aceitação representaria, também, violação aos princípios do contraditório e da estabilidade da demanda". Por sua vez, o acórdão paradigma fixou o seguinte entendimento: "não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material". Como se vê, a Contribuinte insiste na rediscussão fática, o acórdão paradigma entende que caso ocorra erro no preenchimento da declaração, não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Ora, o Contencioso foi estendido a Contribuinte, não foi invalidado o procedimento de um suposto erro, foi proferido um novo despacho decisório, o qual foi confirmada a inexistência de crédito. Deste modo, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Diante de tudo que foi exposto, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte." Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 16327.919587/200926 Acórdão n.º 9303006.823 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720422/2012-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INDÚSTRIA. INSUMOS. CRITÉRIO. PROCESSO PRODUTIVO. PERTINÊNCIA.
No sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins são admitidos créditos decorrentes dos gastos com a aquisição de bens e serviços empregados como insumos nas atividades industriais, somente se utilizados especificamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Numero da decisão: 9303-007.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, para restabelecer a glosa dos créditos vinculados aos serviços de geologia, prospecção e sondagem, além daquelas relacionadas a estudos e pesquisas, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, somente em relação ao frete/transporte na operação realizada entre estabelecimentos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que negavam provimento e vencidos Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito, que lhe deram provimento integral, para incluir também os serviços portuários (capatazia). Designada para fazer o voto vencedor em relação ao frete na operação realizada entre estabelecimentos a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INDÚSTRIA. INSUMOS. CRITÉRIO. PROCESSO PRODUTIVO. PERTINÊNCIA. No sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins são admitidos créditos decorrentes dos gastos com a aquisição de bens e serviços empregados como insumos nas atividades industriais, somente se utilizados especificamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 04 22 /2 01 2- 55 Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 3 2 intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, para restabelecer a glosa dos créditos vinculados aos serviços de geologia, prospecção e sondagem, além daquelas relacionadas a estudos e pesquisas, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar lhe provimento parcial, somente em relação ao frete/transporte na operação realizada entre estabelecimentos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que negavam provimento e vencidos Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito, que lhe deram provimento integral, para incluir também os serviços portuários (capatazia). Designada para fazer o voto vencedor em relação ao frete na operação realizada entre estabelecimentos a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 4 3 Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte contra decisão tomada no acórdão nº 3403003.492 de 27 de janeiro de 2015 (efolhas 1.005 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 Ementa: PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado: estudos e pesquisas; prospecção e sondagem; e serviços de geologia. A divergência suscitada no recurso especial da Fazenda Nacional (efolhas 1.074 e segs) ) diz respeito a abrangência do conceito de insumo, terminologia empregada pelo legislador na regulamentação do sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 5 4 Conclui que, Logo, merece ser reformado o acórdão recorrido, a fim de que sejam restabelecidas as glosas relativas aos serviços de geologia, prospecção e sondagem, além daquelas relacionadas a estudos e pesquisas, eis que se tratam de serviços que antecedem o processo produtivo e, consequentemente, não geram direito a crédito de PIS/COFINS. A divergência suscitada no recurso especial do contribuinte (efolhas 1.201 e segs) referese (i) à negativa da realização da prova pericial ou de diligências; (ii) à glosa relativa aos créditos derivados de serviços portuários (capatazia); (iii) à glosa de créditos decorrentes de frete/transporte na operação realizado entre estabelecimentos; e (iv) à glosa de créditos derivados de matérias que compõem linhas férreas da Recorrente – serviço de carga de terceiros. O Recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido conforme despacho de admissibilidade de efolhas 1.081 e segs. O Recurso especial do contribuinte foi parcialmente admitido conforme despacho de admissibilidade de efolhas 1.497 e segs e despacho de agravo, às efolhas 1.551 e segs, apenas em relação (i) à glosa relativa aos créditos derivados de serviços portuários (capatazia) e (ii) à glosa de créditos decorrentes de frete/transporte na operação realizado entre estabelecimentos. Contrarrazões do contribuinte às efolhas 1.140 e segs. Pede não seja admitido o recurso especial da Fazenda e, no mérito, que lhe seja negado provimento. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 1.564 e segs. Defende que se rejeitem as pretensões do contribuinte. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial O contribuinte, em sede de contrarrazões, assevera que o acórdão nº 9303 002.659, utilizado como paradigma pela Fazenda Nacional, na verdade, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda na ocasião. Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 6 5 Esclarece: Cumpre destacar que, naquele caso, postulava a Fazenda Nacional pela reforma do acórdão anterior que teria reconhecido o direito de crédito do contribuinte relativo aos serviços de decapeamento, de lavra e os denominados serviços de locação, bem como do óleo tipo ABPF. Entretanto, a negativa de provimento ao seu Recurso Especial denota que a C. 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais reconheceu o direito ao creditamento, pelo contribuinte, com tais dispêndios. No mesmo sentido, que o outro paradigma invocado pela Fazenda Nacional, acórdão nº 330200.175, adotou a essencialidade como critério para reconhecimento do direito ao crédito. Sem razão a contrarrazoante. É incontroversa a divergência de interpretação da legislação tributária retratada nos acórdãos paradigma escolhidos pela Fazenda Nacional. O próprio texto extraído do exame de admissibilidade e reproduzido no corpo das contrarrazões opostas pelo contribuinte deixa isso claro. Observese: Quanto à despesa com serviço de assessoria técnica prestado pela empresa Fioretek Consultoria Empresarial Ltda concordo com a DRF em Caxias do Sul, posto que o serviço de assessoria não é empregado na fabricação de produtos e, portanto, não é insumo. O fato do serviço contribuir para melhorar, ampliar ou aperfeiçoar o processo produtivo da recorrente não significa que seja empregado na fabricação de bens pela recorrente, razão pela qual mantenho a decisão recorrida, neste particular. (grifos no original) O argumento de que, para chegar ao entendimento de "que aquele serviço de consultoria não é empregado diretamente na fabricação dos bens (....)" o acórdão teve que partir da premissa de que o conceito de insumos é mais amplo do que o proposto pela Fazenda Nacional é um sofisma. A divergência de interpretação da legislação tributária encontrase entre a decisão tomada no recorrido e a decisão tomada no paradigma e não entre essa e o entendimento proposto por quaisquer das recorrentes. Dáse seguimento aos recursos. Mérito Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 7 6 Para todos os dispêndios que serão a seguir examinados, partese do pressuposto de que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Vejamos o que dispõe o art. 3º da Lei 10,833/2003, que cuida dos créditos da nãocumulatividade, e tem basicamente a mesma redação do art. 3º da Lei 10637/2002 que é relativa ao PIS. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 8 7 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 9 8 I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. Recurso Especial da Fazenda Nacional 1 Serviços de Geologia; Prospecção e Sondagem; e Estudos e Pesquisas, Não é difícil concluir que as razões para reversão da glosa determinada pelo Fisco para os serviços epigrafados destoa completamente dos fundamentos delineados nas considerações de mérito acima enunciadas. Observese Não há dúvida de que tratam de serviços decisivos as atividades de pesquisa, prospecção, sondagem e serviços de geologia, e essa afirmação decorre do próprio negócio da Vale, que é exploração de minério de ferro. Não é difícil concluir que os dispêndios invalidariam todos os esforços de se produzir minério, sem conhecer a capacidade da mina, qualidade, estabilidade do terreno a ser explorado. Além do que, esses mesmos serviços continuam sendo necessários ao longo da vida útil da mina. Fl. 1585DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 10 9 De modo que, tenho que esses custos autorizam a empresa recorrente a tomar crédito sobre os serviços de pesquisa, prospecção, sondagem e serviços de geologia. Como é de amplo conhecimento, este Relator não acolhe a tese da essencialidade, mas sim a da pertinência. Tal como me posicionou nas decisões proferidas por meio dos acórdãos nºs 9303006.100, 9303006.099 , 9303006.098, 9303006.101 e outros, nos quais fui vencido, entendo que encargos dessa natureza, ligados a atividades realizadas em fase anterior ao início da fabricação do produto acabado não dão direito à apropriação de crédito por parte do contribuinte. Recurso Especial do Contribuinte 1 Serviços portuários (Capatazia) Há uma certa imprecisão em relação ao tipo de serviço portuário do qual a recorrente pretende tomar crédito. À efolha 1.013, no corpo do voto vencido, o Relator original do processo parece fazer referência a serviços vinculados aos insumos importados e empregados no processo produtivo. Observese. Glosa das despesas de capatazia. Os serviços incluídos em operação portuária, como, capatazia: movimentação de mercadorias nas instalações portuárias, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega são serviços a permitir a tomada de crédito. Diferentemente das despesas relacionadas praticagem e rebocagem (serviços de rebocador). Os serviços de armazenagem e capatazia são essenciais no manuseio dos produtos, e nenhuma empresa exportadora consegue carregar navio sem se utilizar dessa prestação de serviços. Ao contrário dos serviços de rebocador, que para mim são custo do transportador, nestes autos não há evidência de que a venda e a entrega do produto seja de responsabilidade da vendedora. Assim, tenho como certo que os custos de capatazia glosados devem ser incluídos no cálculo da tomada de crédito. Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 11 10 Mas o pleito veiculado em sede de recurso especial dá conta de serviços de outra natureza, se não vejamos. Com efeito, para atingir esta finalidade não é possível adotar uma concepção restrita dos conceitos postos pela lei, mas sim em uma interpretação sistêmica de todos os incisos do artigo 3º da Lei n.º 10.637; assim, os termos armazenagem e transporte (frete na venda) devem ser compreendidos dentro de uma operação complexa em que estes fazem parte indissociável de uma cadeia logística que pressupõe, para que aqueles atinjam sua finalidade precípua, a prática de serviços portuários, dentre eles os de capatazia, cuja despesa, portanto, faz parte intrínseca daquelas (atividades). (sublinhado por este Relator) Na etapa posterior ao processo de produção, o únicos dispêndios para o qual o legislador previu direito de crédito foi para o frete e armazenagem na operação de venda, quando o ônus é suportado pelo vendedor. Não há esforço de hermenêutica que autorize, por analogia, a apropriação de créditos com gastos genéricos com o transporte do produto acabado. 2 Frete/Transporte entre Estabelecimentos Firme nos mesmos pressupostos, deve ser rejeitada a pretensão da recorrente em relação aos créditos associados ao frete/transporte de produtos acabados e outros entre estabelecimentos. Naquilo em que melhor se ajusta à jurisprudência deste Colegiado, o recurso especial sustenta o direito ao crédito com base nos seguintes fundamentos. Não é demais destacar que, in casu, não se trata de mero transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente, o que por si só já geraria o direito de crédito, a teor dos precedentes acima, mas de transporte integrado que compreende o trânsito das mercadorias até a exportação e seu destino final, aperfeiçoando a venda, seja enquanto realizado entre estabelecimentos (mina para mina), seja enquanto efetivado do estabelecimento ao Porto pela empresa MRS LOGÍSTICA, seja enquanto realizado via marítima pela empresa LOGIN, todos integralmente arcados pela Recorrente. Contudo, como já foi dito, apenas o gasto específico com o frete na operação de venda dá direito ao crédito. Não há previsão legal para concessão de créditos decorrentes de Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 12 11 gastos com transporte integrado de produtos acabados, entre estabelecimentos ou não, sob o argumento de que estes aperfeiçoam a venda. Voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte e por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Voto Vencedor Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Redatora designada. Peço vênia ao ilustre relator, que tanto admiro, para trazer o entendimento dado pela maioria desse Colegiado, acerca da possibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias. Para tanto, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição de crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 13 12 conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 14 13 Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que a decisão do STJ não tenha transitado em julgado, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, o meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 15 14 Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 16 15 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 17 16 §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 18 17 processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 19 18 determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 20 19 a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 21 20 Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 22 21 II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Fl. 1598DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 23 22 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 24 23 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o trânsito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, ressurgindo ao caso vertente, considerando a atividade e objeto do sujeito passivo, é de se entender que os custos de fretes de mercadorias até os estabelecimentos para a distribuição são considerados insumos, vez que essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Não obstante a esse entendimento, é de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 25 24 dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre os quais, o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, votamos, nessa parte, por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1601DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.907666/2013-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007
NULIDADE. AUSÊNCIA.
Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 1302-002.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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AUSÊNCIA. Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 76 66 /2 01 3- 43 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 12448.907666/201343 Acórdão n.º 1302002.823 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 1149.829, de 16 de abril de 2015, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Não são passíveis de restituição nem compensação os créditos sobre os quais não resta comprovada sua liquidez e certeza." O presente processo cuida de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), por meio da qual a contribuinte pleiteou a restituição de crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), referente ao mês de janeiro de 2007. O crédito em questão, no valor de R$ 11.876,02, originarseia de pagamento efetuado em 28/02/2007, e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a restituição foi indeferida. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual sustentou a nulidade do Despacho Decisório, por haver sido proferido em desobediência a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0135980, que determinou o recebimento em formulário de papel do pedido de restituição em questão, com as razões e fundamentações legais da causa de pedir, pelo que haveria, ainda, cerceamento do direito de defesa. Ressaltou que, até aquela data, permaneceria sem apreciação os pedidos de restituição realizados em formulário de papel pela Recorrente, no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão de primeira instância, após examinar o teor da ação judicial invocada, concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do crédito, tendo em vista que: a) o que foi determinado na decisão judicial proferida foi o recebimento e apreciação de pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulários de papel; b) por meio do processo administrativo nº 12448.732735/201278, a Recorrente solicitou a restituição de tributos incidentes na importação de mercadorias sobre as quais foi aplicada pena de perdimento, de períodos de pagamentos de 17/11/2008 ou de 24/11/2008; Fl. 67DF CARF MF Processo nº 12448.907666/201343 Acórdão n.º 1302002.823 S1C3T2 Fl. 4 3 c) em adição, por meio do processo administrativo nº 12448.732736/201212, pleiteou a restituição de 372 supostos pagamentos indevidos ou a maior, dentre os quais aquele objeto do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) tratado nos presentes autos; d) não há que se falar em nulidade por descumprimento de decisão judicial, posto que a decisão determinava apenas que os pedidos de restituição formulados em papel fosse conhecidos e apreciados; e) a análise do crédito tratado neste processo, e também incluído no processo nº 12448.732736/201212, será realizada nos presentes autos; f) as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732735/201278, de que se trataria de crédito pago em importação para a qual foi dada pena de perdimento, simplesmente não se aplicam ao caso em apreço, posto não se tratar de tributo incidente sobre a importação; g) considerando as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732736/201212 ("que teve suas atividades de importador direto desclassificadas, e que por decorrência de tal tratamento nos lançamentos efetuados nos PAF 10074.000924/200942 e 10074.000926/200931 as importações realizadas pela requerente estariam sendo imputadas a terceiro, o que justificaria, no seu entender, a restituição dos tributos pagos em seu nome"), uma vez que os lançamentos referidos foram realizados contra a própria Recorrente, e não contra terceiros, não procede a alegação de afastamento da sujeição passivo, quanto mais em relação a tributos não incidentes sobre a importação, como no presente caso; h) o pagamento cuja restituição se pleiteia está vinculado a valor de débito confessado por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a qual é meio hábil de confissão de dívida. A autoridade julgadora de primeira instância determinou, ainda, que o resultado do julgamento fosse informado no processo administrativo nº 12448.732736/2012 12, onde foi solicitada, por meio de formulário de papel, a restituição do mesmo crédito analisado nestes autos. Cientificado por meio eletrônico, em 12/05/2016, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 27/05/2016, no qual alegou que: a) o crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) decorre de pagamento indevido, em vista da desclassificação, pelas autoridades tributárias, de todas as operações de comércio exterior realizadas pela Recorrente entre 2002 e 2008; b) sempre se considerou importadora por conta própria, tendo um único cliente, por opção negocial e por atuar no limite de sua capacidade operacional, todavia, "a Receita Federal do Brasil, depois de rumorosa operação policial, depois de fiscalizar as atividades da Recorrente, reclassificoua como importadora por conta e ordem de terceiros" (Mobilitá Ltda, CNPJ nº 32.121.766/007557); c) em virtude da referida conclusão, teriam sido lavrados autos de infração, para cobrança de multas e diferenças de tributos aduaneiros, em relação às mercadorias que já haviam entrado em circulação comercial e não foram localizadas; Fl. 68DF CARF MF Processo nº 12448.907666/201343 Acórdão n.º 1302002.823 S1C3T2 Fl. 5 4 d) foi, ainda, decretado o perdimentos de mercadorias, por suposta interposição fraudulenta, mesmo após o pagamento dos tributos aduaneiros, de modo que tais tributos seriam indevidos; e) "houve por bem solicitar a restituição de tributos que se revelaram indevidos ou pagos a maior em razão da reclassificação jurídica de suas operações"; f) teve, consequentemente, desconsiderado o valor agregado ou margem de lucro na comercialização das mercadorias importadas, quando às mesmas remetia à MOBILITA, o que teria afetado "para mais os tributos que incidiam na transferência das mercadorias da Recorrente para o adquirente, pois eram cobrados preços além do custo de importação e despesas de frete etc., a margem de comercialização"; g) por esta razão efetuou os pedidos de restituição de valores pagos a mais a título de IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto sobre Produtos Importados (IPI), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), os quais também incidiam "sobre essa verba relativa à margem de comercialização das mercadorias importadas"; h) após haver transmitidos 74 Pedidos Eletrônicos de Restituição (PER), e diante da impossibilidade de pleitear por tal via créditos recolhidos a mais de cinco anos, impetrou Mandado de Segurança, visando ao recebimento dos pedidos (apenas dois), por meio de fomulários em papel; i) o seu direito ao recebimento e processamento dos pedidos efetuados de tal forma foi reconhecido judicialmente, por decisão que teria transitado em julgado; j) o acórdão recorrido incorreria em equívoco, "quando alega que a Recorrente considera que a decisão da 14ª VRRJ teria mandado prover os pedidos de restituição no mérito, e que, por isso haveria descumprimento da sentença. Não se trata disso."; k) o que sustenta é que os processos administrativos nº 12448.732735/2012 78 e 12448.732736/201212 "suplantam os PER/DECOMP originalmente apresentados e que não podia, como não pode, haver pedidos paralelos a correr perante a administração"; l) os PER deveriam haver sido cancelados, posto que os processos administrativos os teriam substituído; m) ao contrário, os PER teriam sido processados, deixando de lado os pedidos formulados em papel, que se encontraria paralisados desde fevereiro de 2012; n) haveria ineficiência, irrazoabilidade, ilegalidade em se exigir a apresentação, para cada recolhimento a maior ou indevido, de um PER; o) não se estaria discutindo, nestes autos, o mérito, mas sim a forma dos pedidos de restituição, posto que o PER ora analisado estaria prejudicado, como todos dos demais relativos ao mesmo fato, por força da decisão judicial exarada nos autos do citado Mandado de Segurança. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12448.907666/201343 Acórdão n.º 1302002.823 S1C3T2 Fl. 6 5 Pleiteou, ao fim, a anulação de todo o procedimento, de modo que a discussão referente ao direito creditório pleiteado no PER sob análise fique vinculada unicamente aos pedidos de restituição formulados nos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.818, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 12448.907672/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.818): "I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 12 de maio de 2016, tendo apresentado seu Recurso em 27 de maio de 2016, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DA NULIDADE Conforme relatado, o Recurso apresentado não trata do mérito do PER analisado nestes autos, mas tãosomente pugna pela declaração de nulidade de todo o procedimento de análise do direito creditório pleiteado no referido Pedido. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 12448.907666/201343 Acórdão n.º 1302002.823 S1C3T2 Fl. 7 6 A apreciação do Recurso deve ser realizada observando se o disposto nos arts. 12 a 14 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: "Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art.13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Art.14. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 61)." Segundo a Recorrente, a nulidade se originaria no fato de que a análise do PER estaria em desacordo com a decisão judicial proferida nos autos de Mandado de Segurança por ele impetrado, e que o PER em questão se encontraria prejudicado pelos pedidos de restituição formulados em papel no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão recorrida, contudo, esclarece, detalhadamente, a questão e demonstra a improcedência dos argumentos da Recorrente. O conteúdo do Recurso, por outro lado, apenas revela o acerto da decisão guerreada e põe luz sobre o equívoco do raciocínio formulado pelo sujeito passivo. A Recorrente, pelas razões que esclarece em seu recurso, apresentou o PER que deu origem aos presentes autos. Posteriormente, ingressou com Mandado de Segurança "objetivando ordem no sentido de que a autoridade impetrada Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12448.907666/201343 Acórdão n.º 1302002.823 S1C3T2 Fl. 8 7 receba e processe o pedido de restituição de tributos" supostamente recolhidos por ela, de forma indevida. Importa destacar trecho da sentença exarada no processo judicial, que esclarece bem o seu escopo: "Como causa de pedir, sustenta, em síntese, que, na qualidade de importadora, recolheu diversos impostos e contribuições no período de 19/07/2002 a 19/11/2008; que alguns recolhimentos foram indevidos, tendo direito à restituição, nos termos do art. 165 do CTN. Alega que, apesar de ter preenchido o formulário aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 900/2008, para obter a restituição, as autoridades fiscais se negam a recebêlo, por se encontrar disponível no site da Receita Federal do Brasil formulário eletrônico para tal finalidade. Aduz, contudo, que o formulário eletrônico não aceita pedidos de restituição de tributos recolhidos há mais de cinco anos, contados da data do preenchimento do formulário; que o prazo para pleitear a restituição dos tributos sujeitos ao lançamento pelo regime de homologação é de dez anos e não de cinco anos, como aceito no formulário eletrônico." O conteúdo da citada decisão judicial, de outra parte, foi no sentido de "que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição da Impetrante, formulado em papel". Ou seja, como bem esclarecido pelo acórdão recorrido, não há, em absoluto, qualquer violação à referida decisão judicial no fato de que o pedido de restituição da Recorrente formulado por meio de PER seja analisado nos presentes autos. Ora, tal pedido foi apresentado, em meio eletrônico, em estrita obediência à legislação de regência dos pedidos de restituição e declaração de compensação, inexistindo qualquer vício que o invalide. A decisão judicial que favoreceu a Recorrente se limitou a determinar o recebimento e processamento dos pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulário de papel. E isto foi feito no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. O fato de o pedido formulado em papel abranger o crédito já pleiteado anteriormente em meio eletrônico será apenas mais um elemento a ser considerado pela autoridade administrativa quanto da análise daquele pedido. Jamais, há qualquer tipo de substituição, ou implicaria o cancelamento do PER. Tratamse de pedidos autônomos, com análises próprias. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 12448.907666/201343 Acórdão n.º 1302002.823 S1C3T2 Fl. 9 8 No caso, não há qualquer incompetência ou cerceamento do direito de defesa a atrair a incidência do art. 12 do Decreto nº 7.574, de 2011. Sequer se observa qualquer vício ou outro tipo de irregularidade nos presentes autos, razão pela qual deve ser rejeitada a alegação de nulidade formulada pela Recorrente. III DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO Não tendo sido deduzido no Recurso apresentado qualquer argumento ou pedido relacionado com o mérito do PER analisado nos presentes autos, devese considerar que a matéria não foi objeto de questionamento, mantendose incólume a decisão de primeira instância que não reconheceu o direito creditório. IV CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar a alegação de nulidade e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção do indeferimento da restituição do crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição de que tratam os presentes autos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.011920/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. TICKET. INCIDÊNCIA.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação sob a forma de ticket alimentação/refeição, por não configurar hipótese de fornecimento de alimentação in natura.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ASSISTÊNCIA MÉDICA. ABRANGÊNCIA.
O art. 28, § 9º, 'q', da Lei nº 8.212/1991, estabelece como requisito para a não incidência da Contribuição Social Previdência que a assistência médica seja oferecida a todos os empregados e dirigentes.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALE-TRANSPORTE. AUSÊNCIA DE DEDUÇÃO.
Uma vez que a Lei não exige, mas meramente autoriza, a dedução do valor do vale-transporte da remuneração do segurado empregado até o limite de 6%, a ausência de dedução não desnatura o vale-transporte.
SALÁRIO INDIRETO. CARTÃO DE PREMIAÇÃO.
Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, a qualquer título, ao empregado e trabalhador avulso destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a forma. O pagamento de valores a título de prêmio de produtividade, por meio de cartão de premiação, integra o salário de contribuição.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLR. MOMENTO DA APROVAÇÃO.
Uma vez que a Lei não estabelece prazo para a aprovação do Programa de PLR, é indevida a glosa que se sustenta exclusivamente no fato de que o acordo foi firmado apenas no final do exercício.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLR. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS.
Nos termos do art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.101/2000, "Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, (...)". Nesse caminho, quando o Programa não indica nenhuma das regras, delegando integralmente à empresa o poder de defini-las, e esta não as apresenta à fiscalização, então o Programa não respeita a legislação de regência e compõe, portanto, o salário-de-contribuição.
O Programa de PLR deve conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas
Numero da decisão: 2202-004.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, excluir da base de cálculo do lançamento os valores associados às doações de leite em pó (Lev. SIL) e ao vale transporte (Lev. SIV). Acordam, ainda, por maioria de votos, quanto à PLR (Lev SIP), excluir da respectiva base de cálculo os valores vinculados à PLR dos empregados, mantendo-se os associados aos cargos de gestão e de confiança, vencidos os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias e Waltir de Carvalho, que lhe negaram provimento nesse aspecto. E acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à exclusão da base de cálculo do lançamento dos valores de alimentação (Lev. SIA) e os vinculados ao cartão benefício (Lev. SIB), vencidos nesses pontos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Martin da Silva Gesto e Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento em maior extensão. Designada a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias para redigir o voto vencedor no que diz respeito aos Levantamentos SIA e SIB.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane de Silva - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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EM RECUPERACAO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. TICKET. INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação sob a forma de ticket alimentação/refeição, por não configurar hipótese de fornecimento de alimentação in natura. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ASSISTÊNCIA MÉDICA. ABRANGÊNCIA. O art. 28, § 9º, 'q', da Lei nº 8.212/1991, estabelece como requisito para a não incidência da Contribuição Social Previdência que a assistência médica seja oferecida a todos os empregados e dirigentes. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALETRANSPORTE. AUSÊNCIA DE DEDUÇÃO. Uma vez que a Lei não exige, mas meramente autoriza, a dedução do valor do valetransporte da remuneração do segurado empregado até o limite de 6%, a ausência de dedução não desnatura o valetransporte. SALÁRIO INDIRETO. CARTÃO DE PREMIAÇÃO. Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, a qualquer título, ao empregado e trabalhador avulso destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a forma. O pagamento de valores a título de prêmio de produtividade, por meio de cartão de premiação, integra o salário de contribuição. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLR. MOMENTO DA APROVAÇÃO. Uma vez que a Lei não estabelece prazo para a aprovação do Programa de PLR, é indevida a glosa que se sustenta exclusivamente no fato de que o acordo foi firmado apenas no final do exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 19 20 /2 00 7- 16 Fl. 2184DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.185 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLR. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Nos termos do art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.101/2000, "Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, (...)". Nesse caminho, quando o Programa não indica nenhuma das regras, delegando integralmente à empresa o poder de definilas, e esta não as apresenta à fiscalização, então o Programa não respeita a legislação de regência e compõe, portanto, o saláriodecontribuição. O Programa de PLR deve conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, excluir da base de cálculo do lançamento os valores associados às doações de leite em pó (Lev. SIL) e ao vale transporte (Lev. SIV). Acordam, ainda, por maioria de votos, quanto à PLR (Lev SIP), excluir da respectiva base de cálculo os valores vinculados à PLR dos empregados, mantendo se os associados aos cargos de gestão e de confiança, vencidos os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias e Waltir de Carvalho, que lhe negaram provimento nesse aspecto. E acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à exclusão da base de cálculo do lançamento dos valores de alimentação (Lev. SIA) e os vinculados ao cartão benefício (Lev. SIB), vencidos nesses pontos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Martin da Silva Gesto e Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento em maior extensão. Designada a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias para redigir o voto vencedor no que diz respeito aos Levantamentos SIA e SIB. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. (assinado digitalmente) Rosy Adriane de Silva Redatora designada. Fl. 2185DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.186 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito de Contribuições Sociais Previdenciárias. Tendo sido protocolada impugnação, a DRJ deu provimento parcial à defesa. Ainda inconformada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário ora levado a julgamento. Feito o resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 19/10/2007 foi formalizado do Auto de Infração DEBCAD nº 37.054.8329 (fls. 2/161) para constituir crédito tributário referente a Contribuições Sociais Previdenciárias. Conforme o relatório fiscal (fls. 177/200 e docs. anexos fls. 201/585), "1. IDENTIFICAÇÃO DO DÉBITO: As contribuições previdenciárias apuradas no procedimento fiscal relativas às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a: a) Contribuição a cargo da empresa sobre a remuneração dos segurados empregados recebida habitualmente sob forma de utilidades; b) Contribuição dos segurados empregados, não descontadas, incidentes sobre a remuneração recebida habitualmente sob forma de utilidades; c) Financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT; d) Adicional de Risco para segurados empregados (mergulhadores) expostos aos riscos ambientais do trabalho; e) Contribuição para Outras Entidades (Terceiros) FNDE (salário educação), INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE. (...) 4.1 Os créditos previdenciários lançados nesta NFLD foram apurados com base no descumprimento da legislação com relação à concessão de benefícios como: Alimentação, Concessão de Latas de Leite em Pó, Assistência Médica concedida através de Planos de Saúde, Vale Transporte, Participação nos Lucros e Resultados PLR e Cartão Prêmio. Tais benefícios, quando concedidos em desacordo com a legislação, constituem parcela integrante do salário de contribuição. A empresa não considerou tais benefícios como base de cálculo para pagamento de contribuição previdenciária, não tendo os gastos com tais benefícios constado das folhas de Fl. 2186DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.187 4 pagamento apresentadas. A empresa incluía apenas os descontos das parcelas dos benefÍcios custeadas pelos empregados, quando cabível, nas folhas de pagamento. Isso ocorreu com os benefícios de alimentação, vale transporte e assistência médica. Nesta NFLD constam, ainda, lançamentos referentes à remuneração de trabalhadores que prestaram serviço fora do Brasil, em obras executadas na Bolívia e a contribuição adicional ao GILRAT (grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho) referente aos empregados que exercem atividade de mergulho. Intimada em 23/10/2007 (fl. 585), a Contribuinte protocolou impugnação em 22/11/2007 (fls. 592/700 e docs. anexos fls. 701/1.459). Foi formalizado o despacho nº 192 (fls. 1.465/1.468) determinando a realização de diligência. Foi apresentado o relatório de diligência (fls. 1.470/1.472) e a Contribuinte obteve vista dos autos em 04/05/2009 (fl. 1.473) e protocolou manifestação em 03/06/2009 (fls. 1.578/1.600 e docs. anexos fls. 1.601/1.743). A DRJ proferiu o acórdão nº 1519.956, de 16/07/2009 (fls. 1.475/1.503), que deu provimento parcial à defesa, mas que foi objeto de recurso de ofício. Intimada em 31/08/2009 (fl. 1.746), a Contribuinte protocolou recurso voluntário em 29/09/2009 (fls. 1.748/1.872 e docs. anexos fls. 1.876/1.906). Protocolou memoriais em 06/06/2014 (fls. 1.908/1.919 e docs. anexos fls. 1.920/1.937) e outros (fls. 1.937/1.938 e docs. anexos fls. 1.939/1.940). Chegando ao CARF, foi proferido o acórdão nº 2402004.493, de 20/01/2015 (fls. 1.952/1.62), que anulou a decisão da DRJ, determinando o retorno dos autos ao 1º grau. A Contribuinte foi intimada em 27/04/2015 (fl. 1.973/1.974). Retornando os autos à DRJ, esta proferiu o novo acórdão nº 1539.328, de 18/02/2016 (fls. 1.976/2.012), que deu provimento parcial à impugnação e que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006 HOMOLOGAÇÃO DE RECOLHIMENTO. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. CUSTEIO. SAT. HOMOLOGAÇÃO DE RECOLHIMENTO Nos casos de lançamento por homologação, se a lei não fixar prazo para sua efetivação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO Entendese por saláriode contribuição para o empregado e o trabalhador avulso a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos Fl. 2187DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.188 5 serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços. CUSTEIO A empresa é obrigada a arrecadar e recolher as contribuições sociais para a Seguridade Social incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. SAT É dever da empresa a contribuição para o financiamento do benefício previsto nos art. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados. APOSENTADORIA ESPECIAL. ALÍQUOTAS. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. O benefício da aposentadoria especial será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o Creditório Tributário, no valor original de R$ 11.427.127,75 (onze milhões, quatrocentos e vinte sete mil, cento e vinte sete reais e setenta e cinco centavos), ao qual serão acrescidos juros de mora e multa de ofício, nos termos do voto da Relatora. Conforme consta no art. 27 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, com redação dada pela Lei nº 12.788, de 14 de janeiro de 2013, não cabe interposição de recurso de ofício nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Intimada em 17/03/2016 (fl. 2.086), a Contribuinte interpôs recurso voluntário em 18/04/2016 (fls. 2.089/2.180) argumentando, em síntese, Fl. 2188DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.189 6 · Que é necessário ter cautela no reconhecimento de benefícios como salárioutilidade, haja vista que isso leva as empresas a deixar de oferecer tais benefícios. Dessa forma, que tais verbas devem ser reconhecidas como de caráter indenizatório; · Que não incide contribuições sociais previdenciárias sobre verbas que não se amoldam ao conceito constitucional de remuneração. Em outras palavras, não incide o tributo sobre as parcelas que não tem caráter de retribuição pelo trabalho, como aquelas de nítida feição indenizatória; · Que a legislação tributária não pode ampliar os conceitos do direito privado, considerando remuneração algo que não é assim visto pelo direito do trabalho nem pela CF. Da mesma forma, que não pode impor condições não previstas na legislação trabalhista; · Que inexiste divergência entre os conceitos de remuneração e de salário decontribuição, de sorte que se confundem; · Que nem tudo que o empregado recebe pode ser incluído no conceito de remuneração, sendo necessário identificar um caráter de contraprestação pelos serviços prestados; · Alimentos (fls. 2.107/2.118): Que o fato de a empresa não estar inscrita no PAT não é suficiente para que o auxílioalimentação seja considerado salárioutilidade passível de incidência da contribuição previdenciária. Esclarece que, na verdade, a empresa estava inscrita no PAT desde 1996, apenas entendia, por desconhecimento, que não era necessário fazer a renovação anual, razão pela qual não estava inscrita nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Ainda assim, afirma que preenchia todos os requisitos para estar inscrita, o que inclusive é ratificado pelo fato de que a autoridade lançadora não indicou qualquer descumprimento das normas materiais da legislação. Além disso, anota que o Decreto nº 3.048/1999 não criou essa condição formal, qual seja, estar inscrita no PAT para que tais parcelas sejam excluídas do conceito de saláriodecontribuição. De qualquer sorte, anota que os alimentos foram fornecidos em ticket alimentação, por meio de empresa especializada, esta sim inscrita no PAT, sendo que a inscrição dela torna supérflua a inscrição da contratante, ora recorrente. Enfim, conclui que o fornecimento de alimentação não tem caráter contraprestacional, mas sim que se trata de mera liberalidade do empregador; · Doação de leite em pó (fls. 2.118/2.120): Que também não pode ser incluída na base de cálculo a doação de leite em pó aos funcionários que têm filhos menores de 4 (quatro) anos de idade. Tratase de mera liberalidade, a qual se coaduna com a natureza da Contribuinte, que atua na manutenção e custeio de escola comunitária e de creches. A liberalidade foi feita em favor dos seus empregados como uma deferência, mas poderia ter sido feita muito bem a outras instituições, além daquelas que a Contribuinte já patrocinava. Prova disso é que a doação era feita a todos os seus empregados que tinham filhos nessa Fl. 2189DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.190 7 idade do obreiro ao diretor , independentemente de contraprestação ou de condições, como produtividade, desempenho ou qualificação. Mais, que o beneficiário da doação era o filho do trabalhador, e não este em si mesmo. Em suma, era mera liberalidade, desvinculada da prestação do serviço, de sorte que não pode ser configurada remuneração; · Assistência Médica (fls. 2.121/2.145): Que também não pode ser incluída na base de cálculo a assistência médica. Primeiro, porque essa verba não é remuneratória; segundo porque foi concedida a todos os empregados da empresa discorrendo sobre cada obra e anotando que esse fato já foi reconhecido pelo acórdão recorrido ; e terceiro porque a jurisprudência do CARF já se consolidou no sentido de que é possível a prestação de assistência médica diferenciada. De qualquer maneira, apontou que a Lei nº 10.243/2001 posterior à Lei nº 0.528/1997 alterou o § 2º do art. 458 da CLT para que ficasse claro não ser a assistência médica elemento integrante do salário. Ainda nesse contexto, registrou que foi inadequada a aferição indireta desenvolvida pela autoridade lançadora no lançamento SSA · Valetransporte (fls. 2.145/2.150): Que tampouco podem ser incluídos na base de cálculo os valores despendidos a título de valetransporte. Esclarece que o art. 2º, 'a' e 'b', da Lei nº 7.418/1985, é claro em estabelecer que o valetransporte não tem natureza salarial nem configura base de cálculo para as Contribuições Previdenciárias, no que é ratificada pelo art. 458, § 2º, III, da CLT. Outrossim, esclareceu que na Convenção Coletiva firmada com um Sindicato dos Trabalhadores estava obrigada a descontar valor inferior àquele determinado pela legislação. Enfim, registrou que o STF já reconheceu a inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciárias sobre o valetransporte, independente da sua forma; igualmente, indica a Súmula 89 do CARF, e a Súmula 60 da AGU. · Cartão benefício (fls. 2.150/2.156): Que os valores despendidos para a aquisição de cartão benefício não configuraram saláriodecontribuição. Esclarece que não adquiriu tais cartões com o objetivo de premiar ou de beneficiar seus empregados. Pelo contrário, tinha obras em diversas localidades do Brasil, de forma que era uma grande burocracia organizar as despesas de final de ano dessas obras. Buscando simplificar, adquiriu os cartões e entregouos aos gerentes das obras, para que os utilizasse no pagamento dessas despesas e, assim, desburocratizar o procedimento. Entretanto, exatamente por isso, não tem os recibos e notas de pagamento para comprovar a natureza das despesas. De qualquer sorte, ainda que se adotasse a natureza descrita pelo relatório fiscal, tal parcela não pode configurar saláriodecontribuição, uma vez que foi adquirida em curtíssimo período, entre 05/12/2003 e 31/01/2004, não configurando habitualidade. Pelo contrário, tratarseia de ganho eventual. Enfim, ainda que não fosse, registrou que a fiscalização não indicou quais foram os segurados empregados que auferiram o "prêmio", nem os valores individualmente percebidos e as respectivas competências, o que Fl. 2190DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.191 8 inviabiliza a integração desses valores aos saláriosdebenefício e a identificação da própria habitualidade do pagamento; · Participação nos lucros e resultados (fls. 2.156/2.176): Que é indevida a inclusão dos valores pagos a título de PLR na base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, primeiro porque se trata de uma imunidade, vez que a CF a desvincula da remuneração sem qualquer condição e segundo porque a Contribuinte cumpriu todas as regras da Lei nº 10.101/2000. Especificamente, anota que a Lei nº 10.101/2000 não estipula prazo mínimo entre a aprovação e a concessão do benefício, desde que não seja paga em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil (art. 3º, § 2º). O que é mais, ao estabelecer uma "finalidade motivacional" a autoridade lançadora adotou um critério subjetivo absolutamente condenável e afastado da Lei. Questionase qual seria o prazo mínimo para atingir essa "finalidade motivacional", se quatro meses, seis, dez, doze. Ainda que assim não fosse, aponta que a PLR começou a ser planejada no início do ano calendário, o que demonstra que os trabalhadores tinham ciência inequívoca da negociação, pelo menos desde quando foi constituída a comissão de negociação, em 08/07/2002. Em relação ao plano da PLR 2003, registrou que não apenas o plano de 2002 tinha renovação automática como o plano aprovado em 2003 utilizou os mesmos critérios do ano anterior. Ainda, anota que a Lei exige critério claros e objetivos, não impondo que sejam justos, convincentes, nem conhecidos no início do ano. Outrossim, anotou que apesar de haver dois programas, ambos utilizavam os mesmos critérios; · Dos trabalhadores expatriados (fl. 2.176): Que não podem ser incluídos na base de cálculo os trabalhadores que laboravam fora do Brasil, porquanto trabalhavam para outra empresa, não filial, agência nem sucursal da Recorrente, distinta da filial boliviana da GDK, esta só foi criada anos depois; · Adicional de risco (fls. 2.176/2.180): Que os Auditores da Receita Federal do Brasil não têm competência para verificar se os equipamentos de proteção individual oferecidos pela empresa eram ou não hábeis a atenuar as condições especiais de saúde e integridade dos trabalhadores. Pelo contrário, que essa competência é dos órgãos do Ministério do Trabalho e Emprego. No caso concreto, anotou que as autoridade lançadora aferiram a inadequação de maneira abstrata, sem qualquer laudo técnico fornecido por profissionais especializados em medicina e segurança do trabalho. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 2191DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.192 9 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. 1. Dos conceitos constitucionais e de direito privado e da legislação previdenciária Argumenta a Contribuinte, preliminarmente, quem nem todos os valores recebidos pelo trabalhador podem ser configurados remuneração ou saláriodecontribuição. Nesse sentido, inclusive, anota que os conceitos são coincidentes. Enfim, conclui pela impossibilidade de a Lei previdenciária ampliar conceitos ou impor condições não previstas no direito trabalhista nem na constituição. Em que pese seu argumento seja válido no poder judiciário, e mormente do ponto de vista acadêmicojurídico, deve ser tomado com o maior cuidado na aplicação por esse Conselho. A verdade é que o RICARF é claro em seus arts. 45, VI, e 62, que é vedado ao Conselheiro deixar de aplicar a Lei com base em argumentos de inconstitucionalidade. Essa posição, inclusive, já foi consolidada na Súmula CARF nº 02. Portanto, cabe efetivamente ao aplicador do direito, inclusive aos julgadores desse Conselho, interpretar a Lei. Ainda assim, no que for expressa, não pode este Conselheiro afastála ao argumento de que não se coaduna com a Constituição ou com os conceitos do direito privado, independente de concordar ou não com os seus fundamentos e determinações. Estabelecida essa premissa, passase à análise das matérias concretas suscitadas pela Recorrente. 2. Doação de leite em pó: A Contribuinte argumenta que não pode ser incluída na base de cálculo os valores referentes às doações de leite em pó. Isso porque, esclarece, tratase de mera liberalidade, doação feita em favor de todos os funcionários que têm filhos menores de 4 (quatro) anos de idade. Ratifica que se trata de liberalidade apontando que ela, Recorrente, tem costume de fazer ações sociais, atuando, por exemplo, na manutenção e custeio de escola comunitária e de creches. A liberalidade foi feita em favor dos seus empregados como uma deferência, mas poderia ter sido feita muito bem a outras instituições, além daquelas que a Contribuinte já patrocinava. Prova disso é que a doação era feita a todos os seus empregados que tinham filhos nessa idade do obreiro ao diretor , independentemente de contraprestação ou de condições, como produtividade, desempenho ou qualificação. Mais, que o beneficiário da doação era o filho do trabalhador, e não este em si mesmo. Retornando ao relatório fiscal, a autoridade lançadora fundamentou assim o auto de infração nesse ponto: "4.3.1 Foi verificado no Balanço Social (Anexo V) da empresa que esta efetua doação mensal de 4 (quatro) latas de leite em pó, por filho menor de 4 anos de idade, a cada trabalhador. Por outro lado, o contribuinte não considera essa doação como parcela integrante do salário de contribuição, não efetuando qualquer recolhimento de contribuições previdenciárias sobre essas parcelas. Por não haver previsão legal para isenção deste Fl. 2192DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.193 10 benefício, este foi considerado salário indireto (in natura) por esta fiscalização." fl. 180; Analisando a questão a DRJ, por sua vez, concluiu que deve ser mantido o lançamento uma vez que para a parcela in natura ser excluída do saláriodecontribuição, deve ser fornecida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. Pois bem. Registrase, ab ovo, que a autoridade lançadora não discute a natureza de liberalidade da parcela, ou seja, não discute nem contesta ser doação. Outrossim, tampouco contesta que é in natura, apontando as notas fiscais diretamente do fornecedor (anexo VI, fls. 238/242). Apenas, considerando que se tratar de um benefício em favor do trabalhador, e não tendo encontrado norma isentiva, concluiu ser salário indireto e, portanto, sujeito a tributação. No caso em tela, entretanto, é desnecessário adentrar na discussão se há ou não incidência de Contribuição Previdenciária sobre doação. Isso porque, como bem anotou a DRJ, a doação é feita em alimentos, especificamente leite em pó. De outro lado, contrariamente à conclusão alcançada no acórdão recorrido, a verdade é que o lançamento não pode subsistir exatamente pela natureza alimentícia da parcela que compõe a base de cálculo, independentemente de estar ou não a Contribuinte inscrita no PAT. Em 2011 foi emitido o Parecer PGFN/CRJ nº 2.117 no sentido de permitir que a Procuradoria desistisse dos recursos em processos judiciais que visam discutir a natureza remuneratória ou não das parcelas de alimentos in natura. O Parecer foi aprovado e foi publicado o Ato Declaratório nº 03/2011 exatamente para autorizar a dispensa de contestação e de interposição de recursos nesse contexto. Registrase que o próprio RICARF, no art. 62, § 1º, II, 'c', em conjunto com o art. 45, VI, do mesmo diploma, determina que esse entendimento deve ser repetido pelos conselheiros nos julgamentos dos processos administrativos. Nesse sentido, precedentes: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. (acórdão CSRF nº 9202006.278, de 30/11/2017) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. PARECER PGFN/CRJ N. 2.117/2011 APROVADO PELO MINISTRO DA FAZENDA. ATO DECLARATÓRIO N. 3. ART. 62, § 1º, II, ALÍNEA "C", DO RICARF. O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. (acórdão CARF nº 2402006.103, de 04/04/2018) Fl. 2193DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.194 11 Em suma, é necessário dar provimento ao recurso nesse ponto, para excluir da base de cálculo os valores referentes à doação de leite em pó. 3. Alimentos: A Contribuinte argumenta que, a despeito de não estar incluída no PAT, não é possível tributar os valores despendidos a título de auxílioalimentação. Argumenta, primeiramente, que estava inscrita no PAT desde 1996, e que preenchia todos os requisitos materiais e formais para a inscrição no PAT também durante o período autuado; apenas que, por não saber da exigência de renovação anual, deixou de formalizar o pedido nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006. Outrossim, anota que o Decreto nº 3.048/1999 não estabeleceu como requisito a inscrição no PAT, de forma que esse requisito não pode ser imposto. Enfim, conclui que o fornecimento de alimentos não tem caráter contraprestacional, não sendo remuneração, mas sim mera liberalidade do empregador para viabilizar o trabalho, de sorte que não se insere no conceito de saláriodecontribuição. Retornando ao relatório fiscal, a autoridade lançadora fundamentou assim o auto de infração nesse ponto: "4.2.1 _ A GDK S/A não esteve inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, nos anos de 2004, 2005 e 2006, desatendendo a exigência prevista no artigo 28, parágrafo 99, da Lei ng 8.212, de 1991. A empresa apresentou os comprovantes de inscrição no Plano de Alimentação do Trabalhador PAT, referente ao período de 2000 a 2003. Também, em consulta ao site do Ministério do Trabalho, foram confirmados os fatos acima citados, ratificando o fato da empresa não constar como inscrita no programa de 2004 até 2006, conforme documento Anexo ll. Não sendo a empresa inscrita no PAT, os valores gastos a título de alimentação devem ser considerados base de cálculo da contribuição previdenciária, conforme se aduz do art. 753, da Instrução Normativa O3/05, do INSS (...) 4.2.2 Para apuração desta base de cálculo foram selecionadas as despesas com Alimentação lançadas entre 01/2004 e 12/2006 na conta 3.1 .1 .01.009 (despesa com alimentação conta reduzida 856) referentes apenas aos fornecedores “Ticket Serviços S/A" e Trapiche Adelaide e reembolsos destinados à administração. Estes lançamentos estão demonstrados no Anexo lll.a. Entre 03/2004 a 03/2005 foram encontrados outros lançamentos na conta de fornecedor "Ticket Serviços S/A", conta 2.1.1.01.889 (Ticket Serviços S/A conta reduzida 21090) que não foram registrados os respectivos débitos na conta de despesa com alimentação, conforme Anexo lll.b. Ressaltese ainda que nessa conta de despesa com alimentação existem outros registros de despesas não considerados na apuração deste item. 4.2.3 A alimentação fornecida pela empresa administradora "Ticket Serviços S/A”, através de cupons em meio papel, no período de janeiro/2004 a dezembro/2006, foram destinados aos Fl. 2194DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.195 12 segurados empregados na Administração, assim denominados OS 100 Salvador, OS 101 São Paulo e OS 102 Rio de Janeiro. Foram incluídas no salário de contribuição, as despesas lançadas a título de reembolso com alimentação pagas aos setores de administração acima mencionados, pois segundo justificativa da empresa, tratase de alimentação fornecida nos dias em que era destinada a folga." fls. 179/180 Analisando a questão a DRJ, por sua vez, concluiu que deve ser mantido o lançamento, uma vez que a Contribuinte não estava inscrita no PAT nos anoscalendário objeto do lançamento. Anotou ainda que não pode prevalecer o argumento de que bastava a empresa gestora dos ticket estar inscrita no PAT, uma vez que só será isenta essa parcela se ambas a Contribuinte e a gestora dos tickets estiverem devidamente inscritas. Pois bem. Em primeiro lugar, não há discussão em relação ao fato de que a Contribuinte não estava inscrita no PAT no período objeto do lançamento. Seu argumento de que preenchia os requisitos para estar inscrito, inclusive que este inscrito desde 1996, apenas que, por desconhecimento, não fez as renovações anuais, não pode prevalecer. É máxima do direito, insculpida no DecretoLei nº 4.657/1942, denominada Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro: Art. 3º. Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Ainda assim, como já foi esclarecido no item anterior, as parcelas de alimentos in natura não compõem a base de cálculo das Contribuições Sociais Previdenciárias, independentemente de estar ou não a Contribuinte inscrita no PAT. Mais relevante para o presente julgamento é, isso sim, o fato de que a autoridade lançadora incluiu nessa essa rubrica não apenas valores pagos por meio de tickets alimentação como também em pecúnia. É necessário apartar as hipóteses, vez que não são iguais. De um lado, a despeito dos argumentos suscitados pela Contribuinte, a Lei é clara em estabelecer isenção em relação às parcelas de alimentos in natura (art. 28, § 9º, 'c', da Lei nº 8.212/1991). Nesse caminho, a isenção não abarca os valores pagos em pecúnia. No presente caso, a autoridade lançadora constatou que os valores despendidos em dinheiro o foram para pagar restaurantes em dias de folga, o que apenas reforça o entendimento de que o salário indireto tem natureza remuneratória nesse caso. Consultando o anexo III.a Planilha de Salário de Contribuição Ref. Alimentação (fls. 212/226) por amostragem, percebese que muitos dos reembolsos são em dias de semana. Ainda assim, há valores consideráveis de reembolso, chegando ao patamar de um lançamento de R$ 3.206,31 em 25/11/2005 e outra de R$ 4.412,00 em 30/12/2005 (fl. 220), ou de R$ 3.201,50 em 19/12/2006 (fl. 225), por exemplo. De outro lado, não se pode equiparar os tickets à pecúnia. São coisas diversas e inconfundíveis. Inclusive, esse entendimento é extraído do próprio o Parecer PGFN nº 2.117/2011, citado acima: 4. O entendimento sustentado pela União em juízo é o de que o auxílioalimentação pago in natura ostenta natureza salarial e, Fl. 2195DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.196 13 portanto, integra a remuneração do trabalhador, razão pela qual deve haver incidência da contribuição previdenciária. 5. Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tão somente proporcionar um incremento à produtividade e eficiência funcionais. 6. Por outro lado, quando o auxílioalimentação for pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. (grifamos) De um lado, por força das decisões judiciais, admite a não incidência quando o pagamento é in natura; de outro, reforça a incidência quando o pagamento é feito "em espécie ou creditado em contacorrente". Uma vez que não menciona expressamente os tickets refeição/alimentação como uma terceira alternativa, então é necessário enquadrálos em uma ou em outra categoria. Percebese, já na primeira análise, que tickets não podem ser equiparados a pagamento em espécie nem a creditamentos em contacorrente. Efetivamente, o papelmoeda do real tem curso forçado no Brasil. Isso significa que não pode ser recusado como forma de pagamento do preço. Logo, recebendo pagamento feito em dinheiro, o trabalhador poderia "tredestinar" tais recursos para outras despesas suas. Em sentido similar, o depósito bancário configura moedacontábil, garantindo ao seu titular o direito de sacálo e utilizálo como bem entender. Então, mesmo que o fornecedor não aceite uma transferência bancária ou cartão de débito, cheque etc. , o consumidor pode sacar os recursos para a seguir utilizálos. Diferentemente, o ticket refeição/alimentação não pode ser utilizado como bem entender o seu titular. Não tem curso forçado no país e o fornecedor não é obrigado a aceitálo. Pelo contrário, o fornecedor deve se cadastrar para poder aceitálo. Mais, o cadastro está sujeito ao preenchimento de determinados requisitos por parte do fornecedor. Especificamente, o ticket refeição/alimentação deve ser utilizado para a aquisição de gêneros alimentícios. Em outras palavras, o ticket não pode ser equiparado ao pagamento em espécie nem ao creditamento em contacorrente. Assim, a Contribuinte poderia montar ela própria um refeitório em seu estabelecimento, onde fornecesse diretamente o gênero alimentício. Contudo, esse tipo de empreendimento envolve gastos de pessoal e logística, vez que será necessário separar um espaço para tanto, pessoas que comprem e administrem o estoque etc. Além disso, envolve riscos, como alimentos estragados. De outro lado, fornecendo o ticket, o Contribuinte isentase desses inconvenientes ao mesmo tempo em que garante o fornecimento do alimento, apenas o Fl. 2196DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.197 14 faz por meio de um fornecedor intermediário. Frisase que o ticket refeição/alimentação só é (ou só deveria ser) aceito por estabelecimentos que produzam ou vendam alimentos. Diante desse confrontamento, uma vez que não é dinheiro, concluise que os tickets refeição/alimentação por exclusão que são alimentos in natura. Efetivamente, pela própria análise da fattispecie, percebese se aproximam muito mais da noção de alimentos in natura do que da noção de pagamento em espécie. O que é mais, a questão já foi analisada pelo CARF em mais de uma oportunidade. Admitese que há precedentes em ambos os sentidos tanto os tickets serem pecúnia quanto serem in natura. Apontamse, a seguir, casos em que as turmas adotaram a mesma conclusão ora alcançada: ALIMENTAÇÃO NA FORMA DE TICKET. PAGAMENTO IN NATURA. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O ticketrefeição (ou valealimentação) se aproxima muito mais do fornecimento de alimentação in natura do que propriamente do pagamento em dinheiro, não havendo diferença relevante entre a empresa fornecer os alimentos aos empregados diretamente nas suas instalações ou entregarlhes ticketrefeição para que possam se alimentar nos restaurantes conveniados. // Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação in natura. (acórdão CARF nº 2201003.600, de 09/05/2017) CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIROS (INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE, SALÁRIOEDUCAÇÃO). BASE DE CÁLCULO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT). FALTA DE INSCRIÇÃO. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. FORNECIMENTO DE TICKET. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SALÁRIO IN NATURA. CARACTERIZAÇÃO DE ALIMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. ALINHAMENTO COM ENTENDIMENTO DO STJ, CARF E PGFN. RESP Nº 1.119.787SP, DJE 13/05/10, ADE Nº 03/11, PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117/11, IN RFB Nº 1.456/14, REGIMENTO INTERNO CARF (PORT. MF Nº 343/15 ART. 62, PAR ÚN., II, “A”), PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117/11 Na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado “salário utilidade” ou “prestação in natura”. Nesse contexto, se a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação abrange todas as distribuições e prestações in natura, ou seja, que não em dinheiro, tanto a alimentação propriamente dita como aquela fornecida via ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT, deixam de sofrer a incidência da contribuição previdenciária. (acórdão CARF nº 2201003.549, de 06/04/2017) Em suma, é necessário dar provimento parcial ao recurso nesse ponto para excluir da base de cálculo os valores referentes à aquisição de tickets alimentação, mantendo apenas os valores pagos em dinheiro ou em reembolso. Fl. 2197DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.198 15 4. Assistência Médica: A Contribuinte argumenta que tampouco pode ser incluída na base de cálculo a assistência médica. Argumenta, em primeiro lugar, que essa verba não é remuneratória. Para tanto, afirma que a Lei nº 10.243/2001 posterior à Lei nº 9.528/1997 alterou o § 2º do art. 458 da CLT para que ficasse claro não ser a assistência médica elemento integrante do salário. Em segundo lugar, afirma que o benefício foi concedido a todos os empregados da empresa. Para tanto, descreve de forma individualizada as obras. Ainda aponta que esse fato já foi reconhecido pela DRJ. Em terceiro lugar, aponta que a jurisprudência do CARF já se consolidou no sentido de ser possível oferecer assistência médica diferenciada. Enfim, contesta a aferição indireta desenvolvida no lançamento SSA. Retornando ao relatório fiscal, a autoridade lançadora fundamentou assim o auto de infração nesse ponto: "4.4.1 A GDK S/A concede assistência médica em desacordo com o disposto no art. 28, § 99, da Lei 8.212, de 1991, pois este benefício não é extensível a todos os seus empregados, conforme exige a citada Lei. (...) 4.4.2 A empresa declarou que o plano de saúde é disponibilizado apenas para a Administração e para algumas obras, conforme planilha digital apresentada pela empresa, juntamente com outros arquivos digitais, mencionado no item 3.3, sob a denominação de Arquivo Recorte.shs (...)" fl. 181. Analisando a questão a DRJ, por sua vez, concluiu que não apenas haviam segurados empregados que não estavam incluídos nos planos de assistência médica como, dentre aqueles incluídos, havia grande divergência entre as coberturas. Pois bem. 4.1. Da abrangência do benefício: A questão se resume a identificar se o Contribuinte estende o benefício a todos os seus empregados. Este é o único fundamento adotado pela autoridade lançadora para incluir essa rubrica no lançamento. É verdade que a DRJ inova ao utilizar outro argumento como fundamento para manter o lançamento. Ao julgar essa questão, a DRJ argumenta que foram oferecidas assistências médicas diferenciadas para os trabalhadores. Anota que alguns tiveram um plano de saúde, outros tiveram outro plano de saúde, e que haviam ainda segurados empregados que não tinham acesso a plano de saúde, mas sim a médicos ou clínicas contratadas diretamente pela Contribuinte. Registrase que no lançamento e no próprio relatório fiscal foi identificada e pormenorizada expressamente a existência de diversos planos de saúde diferentes para os muitos segurados empregados que receberam o benefício. Também foi indicado que foram contratadas clínicas e médicos diretamente pela empresa para oferecer a assistência médica. Porém, a autoridade lançadora não suscitou a questão de que a cobertura é diferenciada nem Fl. 2198DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.199 16 discorreu uma única linha sobre a exigência de que a cobertura seja idêntica. Limitouse a afirmar que a própria contribuinte "declarou que o plano de saúde é disponibilizado apenas para a Administração e para algumas obras", indicando a seguir as que tinham (e qual o plano que tinham) e as que não tinham (fls. 181/182). Tanto isso é verdade que a Contribuinte se limita, em sua impugnação, a tentar comprovar que todos estavam acobertados pela assistência médica. Por exemplo: "6.1 Em outro levantamento, cobra a Fiscalização contribuição previdenciária sobre as despesas correspondentes ao pagamento de assistência médica aos funcionários. Alegam os autuantes que a impugnante concedeu o benefício em desacordo com o disposto no art. 28, §9°, "q", da Lei n° 8.212/91, pois, segundo seu entender, este benefício não seria extensível a todos os empregados." fl. 639; (...) 6,4 Com o devido respeito, a cobrança da contribuição previdenciária sobre as despesas com assistência médica não pode prosperar pelos seguintes motivos: a) a assistência médica não é verba remuneratória, não integrando, portanto, o salário de contribuição; b) ao revés do que alega a Fiscalização, a assistência médica é concedida a todos os empregados da empresa, por meio de convênios médicos ou pelo serviço médico próprio da empresa. Sendo assim, está respeitado o art. 28, §9°, "q", da Lei n°. 8.212/91 em todos os seus termos;" fl. 640; (...) "6.14 Não bastasse a revogação tácita da condição estabelecida pela Lei n°. 9.528/97 para não integração da assistência médica ao saláriodecontribuição, passará a impugnante a demonstrar que cumpriu a parte final do inciso "q" do §9° do art. 28 da Lei n°. 8.212/91, é dizer, estendeu a todos os seus funcionários o beneficio da assistência médica, ao revés do que alegam os autuantes." fl. 645; (...) "6.65 Deste modo, examinadas, especificamente, todas as obras nas quais os auditores afirmaram que não houve a contratação de plano de saúde pela empresa impugnante para os funcionários, foi devidamente comprovado que a assistência médica foi efetivamente prestada a todos os seus empregados, indistintamente, seja por meio de plano de saúde, seja diretamente pela contratação de médicos e clínicas especializadas, não assistindo qualquer razão à Fiscalização, no sentido de que essa assistência era prestada apenas a alguns empregados." fl. 661. É a DRJ que acrescenta e foca nesse novo argumento da disparidade entre as coberturas. É em relação a esse ponto que se alonga, argumentando que a contratação de Fl. 2199DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.200 17 médicos ou clínicas para alguns funcionários, e planos de saúde (múltiplos e com serviços diversos) é hipótese que de cobertura diferenciada e, por isso, não cumpre os requisitos legais. Tratase de inovação em relação ao lançamento, porém não vicia a decisão porquanto a DRJ manteve o fundamento original, apenas acrescentando novos. Especificamente, indicou que na obra 706 alguns segurados estavam tinham plano de saúde, enquanto outros não tinham. Vício haveria, apenas, se esse novo fundamento fosse exclusivo para manter o lançamento. De qualquer sorte, uma vez que é argumento inovador, que não consta do lançamento, deixarseá de analisálo porquanto não pode ser fundamento para a manutenção do lançamento. O julgamento se limitará ao fundamento utilizado pela autoridade lançadora: a não oferta de assistência médica a todos os empregados e dirigentes. Ante a impugnação individualizada a Contribuinte, a DRJ discorreu pontualmente sobre cada obras. Como já anotado dois parágrafos acima, apenas em relação à obra 706 identificou falha na oferta do benefício à integralidade dos trabalhadores. Especificamente em relação a esta, escreveu: "Em relação à documentação anexa às folhas 986 a 1.169 (doc 11), relativo à obra 706 (onde o contribuinte informa que contratou 1.022 empregados para esta obra), observamos que nem todas os empregados constantes da GFIP foram incluídos no Plano de Saúde. Na documentação acostada pela empresa (fls. 1050) informa 1.007 trabalhadores, enquanto que na relação do plano de saúde, competência 09/2005, constam como beneficiários do plano de saúde 924 (novecentos e vinte quatro) segurados empregados (fls. 1.137). Também, foi juntado fatura da competência 06/2005 contendo 580 beneficiados do plano de saúde, acompanhado das relações nominais (fls.1.102/1.111). Assim fica provado que o seguro de saúde não é extensivo a todos os segurados da empresa. Observase que não foram apenas três empregados que não se encontravam com cobertura do plano de saúde." fl. 1.998 Portanto, não assiste razão à Contribuinte quando afirma que a decisão recorrida reconhece a abrangência total dos empregados. Entretanto, como a DRJ analisa individualmente cada estabelecimento, mas contesta apenas essa obra, não pode o recurso da Contribuinte piorarlhe a situação, de sorte que o julgamento se limita a ela. Voltando ao recurso voluntário, a Contribuinte transcreve o conteúdo da impugnação, afirmando que em 19/12/2003 foi contratada a assistência médica por meio da empresa Micromed Assistência Médica S.A. Ltda. pelo plano Albert Sabin S.A.S., para atender todos os seus 1.022 empregados da obra 706, localizada no município de Campinas SP, com cobertura ambulatorial e hospitalar abrangendo diversos municípios adjacentes à obra. Indica como prova o doc. 11 anexo à impugnação (fls. 985/1.169). Nas provas apresentadas, apresenta a seguir o contrato com a Micromed (fls. 1.066/1.080), do qual se extrai o seguinte: CLÁUSULA SEXTA A forma de contratação do plano de assistência à saúde, ora contratado, é COLETIVO EMPRESARIAL onde a Fl. 2200DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.201 18 CONTRATANTE pode incluir seus diretores e funcionários e seus dependentes. § 1° A CONTRATANTE deverá fornecer no ato da assinatura desse contrato uma declaração dos diretores e funcionários, com vínculo empregatício, e de seus dependentes que serão incluídos no plano. (...) CLÁUSULA DEZOITO A CONTRATANTE . obrigase a pagar as mensalidadeS indicadas em, faturas/duplicatas emitidas pela CONTRATADA. O vencimento das mensalidades estará registrado em cada uma das faturas/duplicatas. CLÁUSULA DEZENOVE A primeira mensalidade deverá ser paga no ato da assinatura do contrato. CLAUSULA VINTE Os valores das mensalidades serão fixados em Real, de acordo com a faixa etária dos diretores e funcionários da CONTRATANTE, e seus dependentes, levando em conta os preços fixados no presente contrato (Resolução n° 6/98, Art. 45. (...) CLÁUSULA QUARENTA O valor mensal da contraprestação a ser pago pela CONTRATANTE será o seguinte: PLANO S.A.S B1 (1/2 APARTAMENTO SEMACOMPANHANTE) • Valor por usuário: R$ 36,00 (Trinta e seis reais) • Cartão de identificação: R$ 5,00 (por usuário). . PLANO S.A.S B2 (APARTAMENTO COM ACOMPANHANTE) 0 a 17 18 a 29 30 a 39 40 a 49 50 a 59 60 a 69 Acima 70 R$ 80,95 R$ 93,09 R$ 111,71 R$ 139,63 R$ 201,07 R$ 303,61 R$ 579,70 • Cartão de identificação: R$ 5,00 (por usuário). Em outras palavras, o plano é coletivo e empresarial, podendo incluir os funcionários. Logo, em tese, poderiam estar todos abrangidos. Entretanto, a Contribuinte declara ter 1.022 trabalhadores na competência 09/2005 (1.007 nas fls. 986/1.054 e 15 nas fls. 1.055/1.065), mas na faturas de prestação de plano de saúde referente a este mês (fls. 1.137/1.149) constam 924 beneficiários. Faltam 83, as quais poderiam, em tese, ter recusado o plano, porém cujo motivo de não estarem incluídos a Contribuinte não esclarece. Fl. 2201DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.202 19 Causa estranheza, outrossim, o fato de que no mês subsequente o plano identifica apenas 263 beneficiários (fl. 1.150) enquanto no mês anterior identifica 526 (fl. 1.123). Seja como for, a Contribuinte não comprovou ter oferecido o plano à integralidade dos seus empregados, razão pela qual não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. 4.2. Aferição indireta: Enfim, contesta a aferição indireta desenvolvida no lançamento SSA. Segundo argumenta, o salárioutilidade é aquele há um benefício ao trabalhador. Se a empresa descontou mais do que gastou, então não houve benefício, não houve incremento remuneratório que justifique tributação. Ressalta que as competências são independentes, não sendo possível utilizar a anterior e a posterior como referência para determinada competência. Ainda, que a apuração indireta é hipótese excepcional, tendo com requisito a recusa, sonegação ou a deficiência na apresentação de documentos, o que não ocorreu no caso concreto. Efetivamente, a autoridade lançadora realizou lançamento por aferição indireta em diversas competências exatamente por esse fundamento: os valores descontados dos segurados superavam os valores despendidos. Fundamentouse no art. 33, §§ 1º a 3º e 6º da Lei nº 8.212/1991 e na IN SRP nº 03/2005. Novamente sem razão a Contribuinte. A verdade é que não há sentido lógico em a empresa descontar dos segurados valores superiores àqueles pagos para os serviços de assistência médica. Tratarseia de apropriação indébita. Pelo contrário, é de se imaginar que se o desconto é superior ao valor despendido isso se deve a incorreção nos dados identificados. Efetivamente, é possível que a empresa tenha omitido algum registro na sua contabilidade, ainda que erro, sem dolo. Também é possível que os registros contábeis estejam corretos, mas que a empresa efetuou a despesa em outra competência, de sorte que os dados coletados pela fiscalização é que estariam equivocados. Seja como for, antes a ausência de lógica nos dados coletados, tem fundamento o entendimento da autoridade lançadora de que a hipótese se enquadra no art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/1991: é factível que a contabilidade não registrou o movimento real das despesas, em função de recusa, sonegação ou apresentação deficiente, permitindo que a autoridade lançadora apure, por aferição indireta. Outrossim, não se observa ausência de lógica no método utilizado, uma vez que apesar de ser possível grande variação de mês a mês é provável haver constância em benefício dessa natureza. Registrase que a aferição indireta gerou mera inversão do ônus da prova. Nesse caminho, tivesse a Contribuinte comprovado a correção dos dados, ou indicado o valor correto a ser considerado, então o lançamento poderia ter sido alterado. Não o fazendo, não há razão para revêlo. 5. Valetransporte: A Contribuinte argumenta que não podem ser incluídos na base de cálculo os valores despendidos a título de valetransporte. Segundo seu recurso, o art. 2º, 'a' e 'b', da Lei nº Fl. 2202DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.203 20 7.418/1985, é claro em estabelecer que o valetransporte não tem natureza salarial nem configura base de cálculo para as Contribuições Previdenciárias, no que é ratificada pelo art. 458, § 2º, III, da CLT. Outrossim, esclareceu que na Convenção Coletiva firmada com um Sindicato dos Trabalhadores estava obrigada a descontar valor inferior àquele determinado pela legislação. Enfim, registrou que o STF já reconheceu a inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciárias sobre o valetransporte, independente da sua forma; igualmente, indica a Súmula 89 do CARF, e a Súmula 60 da AGU. Retornando ao relatório fiscal, a autoridade lançadora fundamentou assim o auto de infração nesse ponto: "4.5.1 A GDK S/A concede valetransporte a seus empregados com desconto de R$ 1,00 mensal por cada trabalhador. Este procedimento está em desacordo com o previsto no artigo 4°, parágrafo único, da Lei 7.418, de 1985 (...) (...) 4.5.4 Como se vê, só é possível considerar isentos de pagamento de contribuição previdenciária os valores gastos com o fornecimento do valetransporte, se as determinações da Lei e do respectivo Decreto regulamentar forem observadas. Entre elas, o desconto integral no percentual de 6% do salário base, para custeio do vale, a cargo do beneficiário, conforme disposição fixada no inciso I, do artigo 99, do referido Decreto. O descumprimento da norma acima citada, transforma em parcela integrante do salário de contribuição a diferença entre o desconto que deveria ser efetuado, conforme disposição legal (6%), e o efetivamente descontado (1,00 Real). (...) 4.5.4 Foi solicitado da empresa mediante Termo de Intimação para Apresentação de Documentos › TIAD de 17/09/2007, uma relação mensal dos trabalhadores administrativos que receberam vales transportes entre 01/2000 e 12/2006 e o controle mensal da quantidade de vales transportes distribuídos a cada trabalhador. A empresa informou mediante DECLARAÇAO, (Anexo X), que possuía apenas o controle mensal da quantidade de vales transportes distribuídos aos funcionários do setor administrativos lotados na OS 100 Administração Salvador, conforme relação Anexa (Anexo Xl), e somente, apenas, no período de 03/2005 a 12/2006. (...) 4.5.7 Neste levantamento não foram incluídos os valores despendidos com o transporte dos trabalhadores lotados em canteiros de obras, uma vez que não integram o salário de contribuição, conforme dispõe o art. 28, § 9°, m, da Lei 8.212/91. " fls. 183/185. Analisando a questão a DRJ, por sua vez, concluiu que deve ser mantido o lançamento, uma vez que a Contribuinte não cumpriu o requisito legal de descontar o valor do vale transporte do trabalhador até 6% do seu salário básico. Ainda, que não comprovou quais Fl. 2203DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.204 21 eram os segurados empregados que estavam acobertados por acordos coletivos que permitiam/estabeleciam uma dedução menor. Com razão a Contribuinte. A verdade é que a Lei nº 7.418/1985, no parágrafo único do art. 4º, citada pela autoridade lançadora, estabelece que o empregador deve arcar com os custos do transporte do empregado quando este exceder a 6% do salário base. Essa determinação tem o objetivo de garantir que o trabalhador possa ir trabalhar e, ao mesmo tempo, limitar os seus gastos com isso. Repetese: a norma em comento tem o objetivo de limitar os gastos do trabalhador. Tanto assim que o Decreto nº 95.247/1987 estabelece: Art. 9° O ValeTransporte será custeado: I pelo beneficiário, na parcela equivalente a 6% (seis por cento) de seu salário básico ou vencimento, excluídos quaisquer adicionais ou vantagens; II pelo empregador, no que exceder à parcela referida no item anterior. Parágrafo único. A concessão do ValeTransporte autorizará o empregador a descontar, mensalmente, do beneficiário que exercer o respectivo direito, o valor da parcela de que trata o item I deste artigo. Art. 10. O valor da parcela a ser suportada pelo beneficiário será descontada proporcionalmente à quantidade de Vale Transporte concedida para o período a que se refere o salário ou vencimento e por ocasião de seu pagamento, salvo estipulação em contrário, em convenção ou acordo coletivo de trabalho, que favoreça o beneficiário. Frisa o parágrafo único: "A concessão do ValeTransporte AUTORIZARÁ o empregador a descontar (...) o valor da parcela de que trata o item I deste artigo." Ora, não se pode confundir uma autorização com uma obrigação. A Contribuitne está autorizada a descontar a parte do empregado. Não está obrigada a fazêlo. Nesse sentido o seguinte precedentes do CARF: SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO UTILIDADE. VALE TRANSPORTE. DESCONTO MENOR DO QUE O AUTORIZADO PELA LEI. Não incide contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de valetransporte. A lei autoriza, mas não obriga, o desconto de até 6% da remuneração do empregado para custeio do valetransporte. A ausência de desconto ou o desconto menor do que o autorizado não implicam descaracterização do benefício. (acórdão CARF nº 2301005.197, de 07/03/2018) Portanto, uma vez que não existe a obrigação de a empresa efetuar o desconto, não pode subsistir o lançamento. Fl. 2204DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.205 22 6. Cartão Benefício: Argumenta a Contribuinte contra a inclusão na base de cálculo dos valores despendidos para a aquisição de cartão benefício. Em primeiro lugar, afirma que não adquiriu tais cartões com o objetivo de premiar ou de beneficiar seus empregados, mas sim como forma de desburocratizar seu controle dos gastos de final de ano nas obras. Entretanto, admite que não tem provas de suas alegações. Em segundo lugar, ressalta que mesmo que se admita a natureza adotada pela autoridade fiscal, o lançamento não pode subsistir porquanto não configura saláriode contribuição. Esclarece que os cartões de benefício foram adquiridos em curtíssimo período, entre 05/12/2003 e 31/01/2004, não configurando habitualidade mas sim, no pior dos casos, ganho eventual. Enfim, aponta haver vício no lançamento. Especificamente, registra que a autoridade lançadora não identificou quais foram os segurados empregados que auferiram o "prêmio", nem os valores individualmente percebidos e as competências. Retornando ao relatório fiscal, a autoridade lançadora fundamentou assim o auto de infração nesse ponto: "4.6.1. A empresa forneceu aos seus empregados cartão de benefícios adquiridos da empresa Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda., CNPJ ..., no período de 05/12/2003 a 31/01/2004. Este cartão prêmio, concede créditos para que o segurado empregado utilizeos da forma que lhe for conveniente, em diversos estabelecimentos comerciais. Esses valores não foram incluídos no saláriodecontribuição mensal apesar de constituírem uma forma indireta de remuneração. 4.6.2 Ratificando tratarse de premiação, espécie remuneratória, nas notas fiscais de prestação de serviço da empresa Salles Adan, constam na descrição “reembolso referente campanha para aumento de desempenho e produtividade", conforme constam nas Notas Fiscais ng. 008795 e 008827, anexadas por cópia e denominadas como Anexo XIV. (...) 4.6.5 As contribuições previdenciárias dos segurados empregados incidentes sobre estas remunerações foram calculadas pela alíquota mínima (8,0 %), uma vez que a empresa não forneceu a relação individualizada dos beneficiários e os respectivos valores desta premiação." fls. 185/186. Analisando a questão a DRJ, por sua vez, concluiu que deve ser mantido o lançamento nesse ponto uma vez que são taxativos os valores que não integram o saláriode contribuição descritos no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/1991. Nesse sentido, se não há exclusão pela Lei de determinada parcela remuneratória, então deve ser tributada. Quanto à natureza remuneratória, aponta que as próprias notas fiscais descreviam o serviço como uma campanha de aumento de desempenho e produtividade. Fl. 2205DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.206 23 Pois bem. Como discorreu a Contribuinte no início da sua peça recursal, para que haja incidência das Contribuições Sociais Previdenciárias não basta que seja um pagamento efetuado pela empresa em favor de empregado; é necessário que seja remuneração, contraprestação pelo serviço. Efetivamente, é o que estabelece a própria Lei nº 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos HABITUAIS sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (grifamos) Não há dúvidas de que o parágrafo está contido pelo caput. Em outras palavras, para que seja necessário analisar se o caso concreto se encaixa na hipótese de não incidência da alínea "q" do §9º, antes é necessário identificar que o caso é hipótese de incidência do tributo, a qual está descrita no caput. Ora, para que se possa falar em saláriodecontribuição é necessário que os "ganhos" "sob a forma de utilidades" sejam "habituais". Assim, não há dúvidas de que é hipótese de ganho habitual o fornecimento de plano de saúde ou assistência médica contínua. No mesmo sentido, o pagamento de aluguel de imóvel em favor de determinado empregado ou a oferta de valealimentação. Nesses casos, há "ganhos habituais sob a forma de utilidades". Identificada a hipótese de incidência, então se observa se a utilidade se encaixará em alguma das hipótese de exclusão contida no §9º desse art. 28. De outro lado, não havendo habitualidade, então o caso não se enquadra na definição de saláriodecontribuição, insculpida no caput e, consequentemente, não há que se falar em incidência de contribuições previdenciárias. Em outras palavras, os pagamentos efetuados de formas eventuais, pontuais, sem qualquer constância, não podem ser considerados base de cálculo para o tributo. Ainda que assim não fosse, é importante registrar que esse mesmo art. 28, em seus § 9º, 'e', 7, estabelece a não incidência sobre as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e abonos desvinculados do salário. Esse entendimento é consubstanciado pela jurisprudência desse Conselho: ABONOS EVENTUAIS. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. As importâncias pagas a título de abono foram se deram sem habitualidade o que revela a sua eventualidade e estavam desvinculadas do salário, não constituindo, por isso, base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social. (acórdão CARF nº 2401004.986, de 08.08.2017) CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ABONOS EVENTUAIS. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. As Fl. 2206DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.207 24 importâncias foram pagas sem habitualidade o que revela a sua eventualidade e estavam desvinculadas do salário, não constituindo, por isso, base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social. (acórdão CARF nº 2402005.813, de 09.05.2017) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GRATIFICAÇÕES EVENTUAIS. NÃO INCIDÊNCIA As gratificações eventuais representam ganhos eventuais podem serpecúnia ou em utilidade, não sofrendo a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do art. 28 §9º, alínea "e", item 8, da Lei nº 8.212/91. (acórdão CARF nº 2202003.379, de 10.05.2016) EVENTUALIDADE. BÔNUS GERENCIAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. É eventual o pagamento efetuado pela empresa a título de bônus gerencial quando não caracterizado periodicidade ou habitualidade anual nos pagamentos. // No caso concreto, a ocorrência de três pagamentos mensais a título de bônus gerencial em um período de cinco anos evidencia a eventualidade de tais ganhos, razão pela qual não há que se falar de sua integração ao salário de contribuição e consequente incidência de contribuição previdenciária. (acórdão CARF nº 2403002.243, de 15/08/2013) Ora, é possível falar em habitualidade quando só foram fiscalizados 7 (sete) anos inteiros, mas só se identificou a despesa em duas competências, e essa seguidas seguidas? Pior, quando a despesa é descrita pela própria autoridade lançadora como prêmio, sem nenhuma indicação de habitualidade ou vinculação a contraprestação ou a trabalho dos segurados empregados? Certamente que não. Por tudo isso é necessário dar provimento ao recurso nesse ponto. 7. Participação nos Lucros ou Resultados (PLR): A Contribuinte argumenta ser indevida a inclusão dos valores pagos a título de PLR na base de cálculo das Contribuições Previdenciárias. Em primeiro lugar, aponta que se trata de uma imunidade, vez que a CF a desvincula da remuneração sem qualquer condição. Segundo, porque cumpriu todas as regras da Lei nº 10.101/2000. Especificamente, anota que a Lei nº 10.101/2000 não estipula prazo mínimo entre a aprovação e a concessão do benefício. Veda, apenas, o pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil (art. 3º, § 2º). Outrossim, defende que a autoridade lançadora, ao exigir uma "finalidade motivacional", adotou um critério subjetivo absolutamente condenável e afastado da Lei. Questionase qual seria o prazo mínimo para atingir essa "finalidade motivacional", se quatro meses, seis, dez, doze. Ainda que assim não fosse, aponta que o plano de PLR começou a ser planejada no início do anocalendário. Nessa trilha, sustenta que os trabalhadores tinham ciência inequívoca da negociação, pelo menos desde quando foi constituída a comissão de negociação, em 08/07/2002. Fl. 2207DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.208 25 De toda forma, em relação ao anocalendário 2003, argumenta que o plano de 2002 tinha renovação automática. Também, que o plano de PLR aprovado em 2003 apenas utilizou os mesmos critérios do ano anterior. Ainda, anota que a Lei exige critério claros e objetivos, não impondo que sejam justos, convincentes, nem conhecidos no início do ano. Enfim, afirmou que apesar de haver dois programas, ambos utilizavam os mesmos critérios. Dessa forma, busca contestar também o plano referente aos dirigentes, defendendo que devem ter a mesma sorte do plano geral. Retornando ao relatório fiscal, a autoridade lançadora fundamentou assim o auto de infração nesse ponto: "4.8.1 A empresa pagou aos empregados e dirigentes valores decorrentes de Programa de Participação nos Lucros em 2002, 2003 e 2004. A Cláusula Primeira destes programas prevêem a existência de dois componentes distintos para o pagamento da PLR: a) Pagamento de acordo com um percentual do lucro, conforme regra fixada nos programas anuais; b) Programa complementar para cargos de gestão e confiança, baseado na avaliação de resultados financeiros obtidos e atingimento de índices e metas estabelecidas pela administração, também referentes à lucratividade dos empreendimentos. 4.8.2 A regra constante do item "a" acima foi definida nos respectivos Programas de Participação nos Lucros ou Resultados anuais, porém, o PLR referente ao ano de 2002 foi assinado em 02 de dezembro de 2002, não possibilitando aos empregados terem acesso antecipadamente às regras que ensejariam o pagamento da referida parcela durante o exercício corrente, desvirtuando, portanto, a finalidade motivacional do PLR. Como o § 1°, do art. 2°, da Lei 10.101/2000, exige que dos instrumentos decorrentes da negociação devam constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, foi considerado que a sistemática adotada, não atende aos requisitos desta Lei. Salientese que para não incidir contribuição previdenciária sobre esta parcela, fazse mister que ela seja paga de acordo com as regras da Lei 10.101/2000, conforme dicção da alínea j, do § 9°, do artigo 28, da Lei 8.212/91. 4.8.3 Observese que no programa de 2002 havia previsão de renovação automática para os anos seguintes. Ocorre que em 12 de dezembro de 2003, a GDK assinou novo Programa de Participação nos Lucros ou Resultados para vigorar nos anos de 2003 e 2004, descartando o anterior. Com isso, as regras foram novamente definidas no final no exercício, impossibilitando aos empregados o prévio acesso ao regulamento. Já em 2004, não há qualquer irregularidade em relação ao item "a" retro mencionado. Fl. 2208DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.209 26 4.8.4 Já o programa aplicável aos cargos de gestão e confiança, definido no item "b" acima, não possui qualquer regra que torne possível a demonstração da correlação dos valores pagos referentes à PLR acordada, infringindo novamente o disposto no § 1°, do art. 2°, da Lei 10.101/2000. Notese que o citado item “b” menciona que as regras deverão ser estabelecidas pela administração, não prevendo qualquer possibilidade de negociação, com a participação do sindicato. Ademais, a empresa não apresentou à auditoria as regras estabelecidas para o pagamento do item “b” do acordo, embora este documento tivesse sido solicitado através dos Termos emitidos em 01/08/2007, 20/08/2007 e 03/09/2007. 4.8.5 Cabe sintetizar, apenas, que para os cargos de gestão e confiança a irregularidade ocorreu entre 2002 e 2004, enquanto que para os demais empregados a discordância ocorreu entre 2002 e 2003, conforme descrito acima." fls. 187/188. Analisando a questão a DRJ, por sua vez, concluiu que deve ser mantido o lançamento nesse ponto. Isso porque, esclareceu, os segurados empregados não tiveram acesso antecipadamente às regras que ensejaram o pagamento da PLR, uma vez que o programa só foi implementado em 13/12/2002, não sendo suficiente a mera constituição de uma Comissão de Representantes. Isso tudo, esclarece, desrespeita o art. 2º, § 1º, da lei nº 10.101/2000. O mesmo se repetiu em 2003, vez que nesse ano foi aprovado um novo plano, que substituiu o anterior. Também houve irregularidade em relação ao plano referente aos cargos de gestão e de confiança uma vez que as regras deveriam ser estabelecidas apenas pela administração, sem qualquer possibilidade de negociação entre as partes. Pois bem. A lide se resume, portanto, a duas controvérsias: (1) definir se a aprovação do plano de PLR no final do período ofende a Lei e (2) a identificar se haviam regras claras para os cargos de gestão e confiança. 7.1. Do momento da aprovação do PLR Lendo o art. 2º, § 1º, da referida Lei nº 10.101/2000, a autoridade lançadora entendeu que o fato de o Programa de PLR ter sido assinado apenas em dezembro dos respectivos exercícios impossibilitou os empregados de ter acesso às regras que ensejariam o pagamento da referida parcela. Efetivamente, teria desvirtuado a "finalidade motivacional" da verba. Convém a leitura do comando legal: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos Fl. 2209DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.210 27 substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. São requisitos, em outras palavras, 1. Que a negociação seja feita por comissão escolhida entre as partes ou por convenção coletiva; 2. Que tenha regras claras e objetivas: 2.1. quanto à fixação dos direitos, inclusive em relação aos mecanismos de aferição das informações pertinentes, à periodicidade da distribuição, da vigência e dos prazos para revisão; 2.2. que podem tomar como critérios os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, bem como programas de metas, resultados e prazos; e 3. Que o acordo seja arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Não há, na leitura desse comando legal, nenhuma referência ao prazo para a aprovação nem para o arquivamento do plano. Fl. 2210DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.211 28 Com a devida vênia em relação àqueles que exigem o depósito prévio, entendo não ser possível impor ao sujeito passivo o adimplemento de um requisito que não consta na Lei. Registrase que há, também nesse sentido, diversos precedentes desse conselho: Acórdão CSRF nº 9202003.370, de 17/09/2014 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Acórdão CSRF nº 9202003.192, de 06/05/2014 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). ANTERIORIDADE DE CONVENÇÃO COLETIVA, ACORDO COLETIVO OU NEGOCIAÇÃO COLETIVA. NECESSIDADE. INEXISTENCIA DE PRAZO FIXADO EM LEI. ACORDO FIRMADO DURANTE O PERÍODO DE AFERIÇÃO DAS METAS ATENDE AOS REQUISITOS LEGAIS. A Lei 10.101/2000 exige que o fechamento do acordo para o pagamento da PLR ocorra antes do pagamento e ao menos durante o período de aferição dos critérios adotados para fixação do direito subjetivo dos trabalhadores. Referida lei não estabelece, contudo, prazo mínimo necessário entre o fechamento do acordo e o pagamento da PLR, não cabendo ao interprete fazêlo. Acórdão CSRF nº 9202003.485, de 29/01/2013 Fl. 2211DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.212 29 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2006 CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. AUTODE INFRAÇÃO. SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. METAS. PRESCINDIBILIDADE. LUCROS. NEGOCIAÇÃO POSTERIOR AO SEU ADVENTO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. (...) VI A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagçamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido. Recurso especial negado. Acórdão CARF nº 2301003.572, de 19/06/2013 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS Não constitui desrespeito à Lei nº 10.101/00 a celebração de acordos de PLR na metade ou no final do período a que se referiam acima descritos, já que legislação não estipula prazo para a sua assinatura, tampouco exige que seja veiculado no ano imediatamente anterior ao exercício no qual serão apuradas as metas. Rege o princípio do “ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus”, ou seja, onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir, de modo a inserir na norma requisito nela não previsto. A legislação privilegia a livre negociação entre as partes, ressaltando apenas pontos que devem reger todos os acordos. É muito comum e normal que no curso das negociações para entabular o acordo final sejam definidas as metas primordiais que se buscam alcançar, não se podendo afirmar que os empregados, quando da assinatura do acordo, desconheciam os objetivos a serem perseguidos. Em suma, porquanto o fundamento do lançamento não tem embasamento legal, não pode subsistir a cobrança do tributo nesse ponto. 7.2. Dos cargos gerenciais e de confiança Outrossim, a autoridade lançadora também glosa os pagamentos de PLR feitos em função do programa especial referentes aos cargos gerenciais e de confiança. Funda se no fato de que neste caso o programa estabelecia que as regras eram estabelecidas pela administração, de forma unilateral e sem a participação do sindicato e que a empresa não apresentou o documento mesmo sendo intimada e reintimada. Fl. 2212DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.213 30 A recorrente argumenta que o programa complementar foi sim aprovado por negociação coletiva, incluindo a empresa, os empregados e a Federação dos Trabalhadores da Indústria do Estado da Bahia. Dessa forma, como as próprias partes envolvidas entenderam que as regras eram claras e objetivas, não tem sentido a autoridade fiscalizadora glosar por esse argumento. A verdade é que cabe à autoridade lançadora fiscalizar a adequação do Plano de PLR à Lei. Deve, portanto, observar se o programa cumpre os requisitos legais, inclusive com relação à existência de regras claras e objetivos. Neste último ponto reside o dilema: à autoridade lançadora não cabe realizar juízo de valor co relação à clareza e à objetividade das normas, mas apenas identificar se existem. Em melhores palavras: não se admite que a autoridade fiscalizadora glose o lançamento ao argumento de que as regras são complicadas,de difícil cálculo ou apuração. Pode, apenas, apurar se existem ou não as regras. Passando ao caso em tela, convém a leitura direta do Regimento Interno do Programa (fls. 1.358/...): CLÁUSULA PRIMEIRA DIRETRIZES (...) a) O PPLR para o exercício de 2002 se constituirá de dois componentes distintos: a1 Existência de Lucro Líquido Contábil no exercício de 2002, apresentado no Demonstrativo de Resultados, contido nas Demonstrações Financeiras elaboradas e divulgadas pela Empresa. a.2 Programa complementar para cargos de gestão e confiança baseado na avaliação de resultados e atingimento de índices e metas estabelecidos pela Administração. (...) CLÁUSULA TERCEIRA CRITÉRIOS DE CÁLCULO DA PARTICIPAÇÃO: (...) Para o cálculo da Participação, será relacionado o Lucro Líquido Contábil apurado, previsto no item a.1 da Cláusula primeira, com o valor do Patrimônio Líquido Contábil do início do exercício de 2002 (...) Para os empregados que exercem cargos de gestão e confiança, haverá pagamento adicional, baseado na avaliação de resultados, estabelecidos pela Administração, conforme programa complementar previsto no item a.2 da Cláusula primeira. (grifamos) (...) Fl. 2213DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.214 31 CLÁUSULA SEXTA PAGAMENTO COMPLEMENTAR EXECUTIVOS: O presente Programa contempla a GDK Engenharia S.A. elaborar e adotar, isolada e exclusivamente, um programa complementar de participação específico para os empregados ligue exercem cargos de gestão ou de confiança. Ou seja, é realmente dividido dois: um está bem delineado e descrito no Regimento Interno e o outro apenas é mencionado, não havendo indicação de quais as regras de apuração. Portanto, não se discute se as regras são claras e objetivas, mas sim se existem ou não. Frisase: esse programa contempla pagamentos adicionais, que serão feitos com base em índices não identificados, por avaliações não descritas, e em proporções não apontadas. Ou seja, a Contribuinte pode efetuar pagamentos de quaisquer valores aos executivos, inclusive para alguns e não para outros, vez que as regras podem ser as que ela quiser. Registrase que a Contribuinte teve oportunidade durante a fiscalização e durante o processo administrativo para apresentar quais foram as regras utilizadas para o pagamento adicional. Não o fez. Nesse caminho, correto o lançamento em relação às verbas adicionais, não decorrentes do plano geral, mas sim do plano complementar. 8. Trabalhadores expatriados: Argumenta a Contribuinte que os trabalhadores que laboravam fora do país não podem ser incluídos na base de cálculo das suas Contribuições Sociais Previdenciárias porquanto trabalhavam para outra empresa. Esclarece que essa outra empresa não era filial, agência nem sucursal da Recorrente. Especifica, ainda, que a filial boliviana da GDK só foi criada anos depois. Retornando ao relatório fiscal, a autoridade lançadora fundamentou assim o auto de infração nesse ponto: "4.7.1 A empresa utilizou mãodeobra de empregados brasileiros que trabalharam na filial da Bolívia, prestando serviços de engenharia, obras e montagens, nos denominados Projetos GASYRG e SABALO, na localidade de Santa Cruz. Alguns destes empregados prestaram serviços na Bolívia por mais de 90 (noventa) dias, recebendo parte da remuneração no Brasil e outra parte paga diretamente na Bolívia. Nestes casos, a empresa somente ofereceu à tributação a parcela remuneratória paga no Brasil. 4.7.2 Salientese que o estabelecimento da Bolívia é uma filial da GDK SA, constituída conforme disposto na ata da AGE Assembléia Geral Extraordinária de O2 de janeiro de 2002, registrado na Juceb Junta Comercial do estado da Bahia sob n° 96356192 em 25/01/2002. As AGE Assembléia Geral Extraordinária de 05 de fevereiro e 20 de abril de 2002, Fl. 2214DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.215 32 aumentaram o capital social desta filial e a AGE de 31 de outubro de 2003 reduziu o capital social. Cópias dessas atas foram anexadas ao presente relatório. (Anexo XV). 4.7.3 A data de admissão bem como os valores dos salários desses segurados expatriados foi obtida nas folhas constantes na PLANILHA MENSAL DE VALORES PAGOS que foram apresentados pela Empresa, por fotocópia, Anexo XVI. (...)" fl. 186/187. Ao tratar desse tema, o relatório fiscal faz referência aos anexos XVI, XVI e XVII. Analisando a questão a DRJ, por sua vez, concluiu que deve ser mantido o lançamento uma vez que é segurado obrigatório a pessoa domiciliada e contratada no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, mas cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional (art. 12, I, 'f', da Lei nº 8.212/1991). Pois bem. A defesa da Contribuinte se pauta na tese de que a empresa contratante não era filial sua, mas sim uma terceira pessoa. Não contesta os valores nem a existência do contrato trabalhista. Eis a delimitação da lide. A autoridade lançadora junta aos autos ata da AGE da Geral Damulakis Engenharia S.A. (fls. 371/373), de 02/01/2002, da qual se extrai o seguinte: "Vimos pela presente, convidálo a comparecer a Assembléia Geral Extraordinária a ser realizada no dia 02 de janeiro de 2002, às 10 horas em nossa sede social, a fim de tratar da seguinte ordem do dia: PRIMEIRO: A Constituição de uma filial da GERAL DAMULAKIS ENGENHARIA S.A., na República da Bolívia, a qual terá a denominação de GERAL DAMULAKIS BOLÍVIA e terá capital social próprio inicial de (...) e providenciar a inscrição da mesma, nos termos da legislação vigente. SEGUNDO: Fixação da sede da Filial no Estado de Santa Cruz de La Sierra, na REpública da Bolícia, no seguinte endereço (...). TERCEIRO: Designar como representante legal da Filial o Sr. (...). (...). Após deliberarem e discutirem sobre a proposta apresentada, para a abertura e instalação das Filiais, foi por unanimidade aprovada a proposta, (...)." fls. 372/373. Juntou ainda outras Atas de AGE nas quais: · Os acionistas da GeralDamulakis Engenharia S.A. discorrem sobre o aumento de capital da Geral Damulakis Bolívia S.A. (fls. 374/377); · Os acionistas da GeralDamulakis Engenharia S.A. deliberam pela alteração da denominação social para GDK Engenharia S.A. (fl. 529); Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.216 33 · Os acionistas da GDK Engenharia S.A., em 31/10/2003, aprovam a redução do capital social da empresa GDK Engenharia Bolívia S.A., esta criada em 01/02/2002 (fls. 378). · Os acionistas da GDK Engenharia, em 25/03/2003, decidem alterar a denominação da Geral Damulakis Bolívia S.A. para GDK Engenharia Bolícia S.A. (fl. 379). Por sua vez, a única prova em relação a esse tema que a Contribuinte traz é o Doc. 22, "Comprovante de inscrição da empresa Geral Damulakis Bolívia S.A. no Servicio de Impuestos Nacionales, da Bolívia", i.e., o "Certificado de Inscripción" (fls. 1.458/1.459). Deste documento se extrai que a empresa foi registrada em 08/02/2002 pela mesma pessoa que ficou designada representante legal da filial na Ata da AGE supra mencionada. De volta ao relatório fiscal e às provas juntadas pela autoridade lançadora, anotase que os valores dos pagamentos foram apurados com base em Planilha Mensal de Valores Pagos apresentada pela própria Contribuinte. O que é mais, analisando diretamente essas (fls. 390/441), constatase que elas foram elaboradas pela GDK Bolívia S.A., algumas datadas, inclusive, de final de 2002 e começo de 2003. As provas apresentadas pela autoridade lançadora são robuscas principalmente a última Ata de AGE no sentido de provar que se trata de uma única empresa, inicialmente criada como Geral Damulakis Bolívia, mas que logo mudou de nome para GDK Bolívia. Nesse caminho, não teria havido criação de nova empresa filial, mas sim alteração da denominação da empresa já existente, filial da Contribuinte ab ovo. Registrase que a Contribuinte afirma serem empresas diversas. Contudo, traz prova apenas da criação de uma, a Geral Damulakis Bolívia S.A. Não traz nenhuma prova no sentido da criação da GDK Bolívia como empresa nova e independente, nem esclarece porque ela, GDK, elaborou e apresentou as planilhas com os pagamentos em seu próprio nome. Por esse motivo, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. 9. Adicional de risco: Por fim, a Contribuinte se insurge, também, contra o lançamento referente ao adicional de aposentadoria especial. Argumenta que a autoridade lançadora não tem competência para verificar se os equipamentos de proteção individual oferecidos pela empresa eram ou não hábeis a atenuar as condições especiais de saúde e integridade dos trabalhadores. Pelo contrário, defende que essa competência é dos órgãos do Ministério do Trabalho e Emprego. No caso concreto, anotou que as autoridade lançadora aferiram a inadequação de maneira abstrata, sem qualquer laudo técnico fornecido por profissionais especializados em medicina e segurança do trabalho. Retornando ao relatório fiscal, a autoridade lançadora fundamentou assim o auto de infração nesse ponto: "4.9.1 Foram analisadas na fase de Diagnostico os documentos referentes aos riscos ocupacionais. Foram efetuados testes de amostragem de entrega de EPI Equipamento de Proteção Individual, que eliminaram os riscos ambientais. No entanto Fl. 2216DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.217 34 para a categoria dos mergulhadores, os EPI não minimizaram as condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. Para esta categoria exposta a agentes nocivos, a legislação prevê a aposentadoria especial aos 25 anos de contribuição, devendo a empresa pagar uma contribuição adicional de 6% do valor da remuneração para financiamento do benefício. 4.9.2 A empresa declarou em GFIP todos os mergulhadores sem, contudo, declarar no campo ocorrência o código relacionado à aposentadoria especial de 25 anos de contribuição. Até o ano de 2005, nenhum mergulhador foi declarado como exposto aos agentes nocivos. Em 2006, todavia, apenas uma parte dos mergulhadores foi declarada em GFIP com a informação. Neste débito, no entanto, foram lançados o adicional de exposição a agentes nocivos incidentes apenas sobre a remuneração dos mergulhadores declarados em GFIP sem a indicação desta ocorrência, conforme Anexo XIX.a 4.9.2 E importante frisar que as remuneração dos mergulhadores declarados em GFIP no ano de 2006 com exposição a agentes nocivos (Anexo XlX.b) não foram lançadas nesse débito." fl. 189/190. Analisando a questão a DRJ, por sua vez, repetiu o exposto no relatório fiscal de que a auditoria identificou que os equipamentos não minimizaram as condições prejudiciais à saúde. Ato contínuo, repetiu a legislação, citando o art. 57 da Lei nº 8.212/1991, o art. 68 do Decreto nº 3.048/1999, e a IN INSS/DC nº 100/2003 e IN SRP nº 3/2005. Enfim, concluiu que o lançamento deve ser mantido. Pois bem. A Recorrente não contesta os fatos propriamente ditos, mas apenas a competência da autoridade lançadora para investigálos e a ausência de laudo técnico comprovando a inadequação dos EPI's. A legislação de regência da matéria estabelece que Lei nº 8.213/1991: Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. (...) § 6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, Fl. 2217DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.218 35 respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) (Vide Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 7º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais referidas no caput. (...) Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) § 1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) § 4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) Decreto nº 3.048/1999(redação vigente à época dos fatos): Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.219 36 aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: I arrecadar e fiscalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nos incisos I, II, III, IV e V do parágrafo único do art. 195, bem como as contribuições incidentes a título de substituição;(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) Percebese, portanto, a patente competência da autoridade lançadora para fiscalizar o recolhimento das Contribuições Sociais Previdenciárias. Fiscalizar, nesse contexto, não se limita a analisar o preenchimento das declarações, mas também a veracidade dos fatos declarados e a ocorrência de fato gerador omitido. Nesse contexto, pode e deve investigar a verdade real dos fatos, incluindo, por exemplo, a natureza das relações jurídicas (quando reenquadra o segurado autônomo como empregado, por exemplo), e, como no caso em tela, a ocorrência ou não de fato que leve ao enquadramento do segurado nas hipóteses de aposentadoria especial. Não assiste razão à Contribuinte, ainda nessa senda, quando afirma que a competência para fiscalizar esse fato seria exclusiva do Ministério do Trabalho e Emprego. Efetivamente, as Normas Regulamentadoras nº 1 e 15, citadas no recurso, têm validade no âmbito da relação trabalhista, mas não são excludentes da competência da autoridade lançadora de fiscalizar a arrecadação das Contribuições Previdenciárias. No tocante ao argumento de que o lançamento não foi acompanhado de nenhum laudo técnico, tampouco assiste razão à Contribuinte. A verdade é que o procedimento de fiscalização é eminentemente inquisitorial, tendo a autoridade lançadora liberdade para efetuar o lançamento com base nos elementos de fato e de prova que entender suficientes. É com a impugnação que se instauração o processo administrativo e a verificação da adequação e suficiência das provas reunidas para comprovar a ocorrência do fato gerador. A autoridade lançadora identificou que a Contribuinte tinha entre seus segurados empregados, especificamente os mergulhadores, pessoas sujeitas a "condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física". Esse fato foi constatado com base em informações disponibilizadas pela própria Contribuinte, é o que se extrai do relatório fiscal quando relata que foram declarados os mergulhadores na GFIP, parte com a informação de aposentadoria especial e outra parte sem a informação e do TIAD de 24/08/2007 (fl. 171), no qual a autoridade lançadora solicita: "Relacionar os trabalhadores expostos a agentes nocivos que ensejam aposentadoria especial entre 2000 e 2006, com as seguintes informações: NIT, Nome, Salário de Contribuição; Desconto do INSS; Lotação; Cargo; Informação foi Declarada em GFIP (S/N)." Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.220 37 Esse fato jamais foi contestado pela Contribuinte. Em seu recurso, não afirma que não haviam pessoas sujeitas a condições prejudiciais à sua saúde. Tampouco alega que fornecia EPI's adequadamente a minimizar essas condições. Registrase que é ônus da Contribuinte, nos termos do art. 58, caput e principalmente §§, da Lei nº 8.213/1991, elaborar os formulários estabelecidos pelo INSS, e que estes devem estar fundados em laudo técnico descrevendo as condições ambientais do trabalho e informações sobre a existência e disponibilidade de EPI's. A recorrente não apresentou nenhuma dessas provas em relação a nenhuma das pessoas individualmente indentificadas no lançamento. Em suma, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores referentes a (1) leite em pó; (2) nos alimentos, as despesas com aquisição de tickets; (3) vale transporte; (4) cartão benefício; e (5) PLR, referente ao plano geral. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora Designada Congratulo o i. Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, pelo brilhantismo com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento, no que toca aos lançamentos relativos à alimentação (Levantamento SIA) e os vinculados ao cartão benefício (Levantamento SIB). Em relação à alimentação anotou o i. Relator que o ticket alimentação se aproxima mais de alimentos in natura que pagamento em espécie, e por isso, não há incidência de contribuição previdência, uma vez se tratar de alimentação fornecida in natura. Entendo de forma diversa, alimentação in natura engloba o fornecimento de gêneros alimentícios, ou a refeição fornecida ao trabalhador no ambiente de trabalho, não se confundindo com ticket, que ao contrário do que entende o i. Relator, tem valor econômico, podendo ser trocado não apenas por alimentos, mas por dinheiro em espécie. É de conhecimento notório que os tickets refeição/alimentação têm valor de face, e podem ser vendidos, ou trocados por qualquer outro produto que não se caracterizem como alimentos. Portanto, não se enquadram no Parecer PGFN nº 2.117/2011, não havendo dispensa para contestação. Aliás esse foi o entendimento exarado no Acórdão 9202006.488, cujos trechos abaixo transcritos, peço vênia para adotar como razões de decidir: Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.221 38 A Lei nº 6.321/1976 em seu artigo 3o dispõe que " não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho." Por sua vez o Decreto nº 05/1991 que regulamentou a Lei nº 6.321/1976, define com precisão como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do Trabalho, conforme de verifica no § do art. 1º, in verbis: "§ 4º Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde " Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de rejeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas, (alterado pelo Dec. 2.101, de 23.12.96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Portanto, ao fazer o pagamento em tickets, sem nem mesmo comprovar a adesão ao PAT, não se pode dizer que seu programa de alimentação está aprovado pelo Ministério do Trabalho, para fins de não incidência da contribuição previdenciária. Contudo, entendo que outra questão deve ser trazida a julgamento, além desses outros pontos. Apenas para esclarecer o entendimento adotado em relação a mesma matéria em outras oportunidades, acredito que o lançamento ora sob enfoque, não se enquadra na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna apenas com a fornecida "in natura", ou seja, sob a forma de utilidades. Transcrevo abaixo, o referido parecer para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso lido art. 19 da Lei n? 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5do Decreto n 2.346, de 10 de outubro de ¡997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/N 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de Fl. 2221DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.222 39 apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxilio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDENCIA: Resp 1.II9.787SP (DJe 13/05/2010), Resp ns 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp n*476.I94/PR (DJ 01.08.2005), Resp n? 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp n° 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Da leitura do texto do Ato Declaratório não há dúvida, que a questão ali abordada referese apenas aos casos de fornecimento in natura. Por isso, devemos investigar se o pagamento efetuado na sistemática acima relatada, poderia ser considerado prestação in natura. Verifiquemos a jurisprudência em que se baseou a PGFN para exarar o Ato Declaratório em questão: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE PRE QUESTIONAMENTO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE AOS EMPREGADOS. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO DO FGTS. LEI N" 6.321/76. LIMITAÇÃO. PORTARIA N" 326/77. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS MORATÓRIOS PELA TR/TRD. APLICABILIDADE.(...)3. O STJ em inúmeros julgados, assentou o entendimento de que o pagamento in natura do auxilio alimentação não tem natureza salarial e, como tal, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Pela mesma razão, não integra a base de cálculo das contribuições para o FGTS, igualmente assentado no conceito de "remuneração" (Lei 8.036/90, art. 15). O auxílio alimentação pago em espécie e com habitualidade integra o salário e como tal sofre a incidência da contribuição previdenciária. Precedentes do STJ (REsp 674.999/CE, Rel. Min. Luiz Fux, Ia Turma, DJ de 30.05.2005; REsp 611.406/CE, Rel. Min. Franciulli Netto, 2a Turma, DJ de 02.05.2005;EREsp 603.509/CE, Rei. Min. Castro Meira, Ia Seção, DJ de 08.11.2004; REsp 643.820/CE, Rei. Min. José Delgado, 1a Turma, DJ de 18.10.2004; REsp 510.070/DF, Rel. Min. Luiz Fux, 1a Turma, DJ de 31.05.2004). Por tal razão, o auxilio alimentação pago em espécie com habitualidade também sofrerá a incidência do FGTS.4. "O pagamento in natura do auxílio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT" (EREsp 603.509/CE, Rei. Min. Castro Meira, 1a Seção, DJ de 08.11.2004). (...)Ex positis, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.Publiquese. Fl. 2222DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.223 40 Intimações necessárias.Brasília (DF), 07 de maio de 2010. (REsp n° 1.119.787SP, Rei. Min. Luiz Fia, DJe 13/05/2010). *** EMENTA: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL RECURSO ESPECIAL EXECUÇÃO FISCAL REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4a Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2°f § 5 o, I e IV, 3o da Lei 6.830/80, 28, § 9o, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílio alimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílio alimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PA T. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rei. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rei. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. (grifouse)(...) 5. Recurso especial parcialmente provido.(STJ, REsp 977.238/RS, Ia Turma, Rei. Min. José Delgado, DJ 29/11/2007). *** DECISAO(...) É pacífica neste Superior Tribunal de Justiça a orientação no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT( STJ, REsp 333.001/RS, 2a Turma, Rei Min. Herman Benjamin, DJ 17/11/2008) Fl. 2223DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.224 41 * * * TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. 1. O pagamento in natura do auxilio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho.2. Ao revés, quando o auxilio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em conta corrente, em caráter habitual e remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. Precedentes da Seção. 4. Embargos de divergência providos. (grifouse)( EREsp 476.194/PR, Ia Seção, Rei. Min. Castro Meira, DJ 01.08.2005). Percebese, que os quatro julgados acima manifestam, claramente, o entendimento de que somente se considera o fornecimento in natura, quando a alimentação é fornecida diretamente pelo próprio empregador, o que nos leva a concluir que o fornecimento de cartões ou tickets, para aquisição de produtos em estabelecimentos comerciais, não representa fornecimento in natura. Concluise, portanto, que o Ato Declaratório mencionado não se aplica ao caso em tela. Observese que a motivação da DRJ para excluir da apuração a verba paga a título de alimentação foi exatamente a aplicação do Ato Declaratório da PGFN acima referido. Entendo, assim, que não tendo a empresa comprovado a sua adesão ao PAT, é cabível a incidência de contribuições sobre essa parcela, posto que disponibilizada em desacordo com a Lei n. 8.212/1991, conforme se verifica do dispositivo: $ 9 o Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.32J, de 14 de abril de 1976; (...) Observese do dispositivo transcrito que a previsão de exclusão do benefício fornecido (alimentação) do conceito de salário de contribuição condiciona a desoneração a dois requisitos: que a alimentação seja fornecida "in natura" e que a sua disponibilização esteja em conformidade com as normas do PAT. Portanto, considerando que o fornecimento de ticket alimentação não se enquadra como alimentação in natura, é passível de incidência de contribuição previdenciária, devendo ser mantida essa rubrica no lançamento fiscal. Fl. 2224DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.225 42 Cartão Benefício Arrazoa o i. Relator que esses benefícios não foram pagos com habitualidade o que configura sua eventualidade e que a autoridade fiscal não indicou que houvesse vinculação dessa verba à contraprestação ou a trabalho dos segurados empregados. Nesse ponto tenho que discordar, pois a descrição da auditoria, no próprio trecho transcrito pelo i.. Relator, é clara ao afirmar que a premiação se trata de espécie remuneratória, em cujas notas fiscais emitidas pela empresa Salles Adan, consta a descrição “reembolso referente campanha para aumento de desempenho e produtividade". Ora, resta claro que referida verba foi paga aos segurados empregados, em função de sua relação de emprego com a recorrente, e como incentivo ao desempenho e produtividade. Quanto à questão de não ter sido paga com habitualidade e por isso ser eventual, peço vênia para transcrever trecho do voto condutor do Acórdão nº 9202003.044, que explica com acerto, a confusão que tem sido feita entre os conceitos de não eventualidade e habitualidade para fundamentar, a meu ver erroneamente, a não incidência de contribuição previdenciária: Como se vê, da leitura do art. 22, I e do art, 28,1 da Lei n° 8.212/91 e do art. 201, § 1o do RPS, que somente é exigido o requisito da habitualidade no que diz respeito ao "salário in natura", por incluir, expressamente, no conceito de remuneração os "ganhos habituais sob a forma de utilidades", sem fazer menção ao requisito habitualidade para os pagamentos em espécie. Ou seja, no campo de incidência das contribuições previdenciárias encontramse: a) a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, inclusive gorjetas (salário em espécie); e b) os ganhos habituais sob a forma de utilidades (salário in natura/ Podese, então, concluir que a lei, ao definir a hipótese de incidência da contribuição previdenciária, exige o requisito da habitualidade tão somente para o salário in natura. Por seu turno, o art. 28, § 9o , alínea "e", item "7" prevê expressamente que as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais são isentas de contribuições sociais previdenciárias: "Não integram o saláriodecontribuição (remuneração) para os fins desta Lei, exclusivamente: (...)as importâncias: (...)recebidas a título de ganhos eventuais (...)" Assim sendo, podese afirmar que "a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho ", independentemente de serem ou não habituais, encontramse no campo de incidência das contribuições previdenciárias. Fl. 2225DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.226 43 Entretanto, "as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais " encontramse excluídas da sua base de cálculo por se tratarem de importâncias atingidas pela isenção. Entendo que está sendo criada uma grande confusão ao tentarem comparar os conceitos de "habitualidade com o de não eventualidade" ou o "não habitualidade com o de eventualidade". Para o Dicionário Michaelis, as definições são: Habitual 1 Que acontece ou se faz por hábito. 2 Frequente, comum, vulgar. 3 Usual. Eventual 1 Dependente de acontecimento incerto. 2 Casual, fortuito. 3 Variável. De acordo com o Vocabuário Jurídico de Plácido e Silva: Habitualidade De habitual, entendese a repetição, a sucessividade, a constância, a iteração, na prática ou no exercício de certos e determinados atos, em regra da mesma espécie ou natureza, com a preconcebida intenção de fruir resultados materiais ou de gozo. Eventualidade De evento, significa o caráter e a condição do que é eventual, mostrando assim a possibilidade e a probabilidade do fato, cuja realização é esperada ou aguardada. A habitualidade, como requisito para que a prestação in natura, integre o saláriodecontrihuição, diz respeito a freqüência da concessão da referida prestação. Já a eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no art. 28, § 9o , alínea "e", item "7", ou seja, que decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, dizem respeito a ocorrência de caso fortuito. No presente caso há de se assinalar, primeiramente, que foram realizados pagamentos em pecúnia, o que afasta a necessidade de se indagar a habitualidade com que o pagamento foi realizado. Portanto, por entender que o requisito da habitualidade não se aplica a pagamentos ocorridos em razão do trabalho, e/ou não efetuados in natura, como no caso da verba em discussão, não há que se discutir se houve ou não habitualidade. Assim, o lançamento deve ser mantido nessa parte. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso quanto à exclusão da base de cálculo do lançamento dos valores de alimentação (Lev. SIA) e os vinculados ao cartão benefício (Lev. SIB). Fl. 2226DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.227 44 (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 2227DF CARF MF
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