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Numero do processo: 10880.691699/2009-45
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
Numero da decisão: 3002-000.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD

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3002­000.248  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  14 de junho de 2018  Matéria  PER/DCOMP  Recorrente  NIPLAN ENGENHARIA S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004  COMPENSAÇÃO.  RETIFICAÇÃO  DE  DCTF  APÓS  O  DESPACHO  DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE.  A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da  compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez  do  crédito  tributário  que  se  pretende  compensar.  É  indispensável  a  comprovação da ocorrência de erro na DCTF original.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004  COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.  Pertence  ao  contribuinte  o  ônus  de  comprovar  a  certeza  e  a  liquidez  do  crédito para o qual pleiteia compensação.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Larissa Nunes Girard ­ Presidente e Relatora   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard  (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan  Tavora Nem.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 16 99 /2 00 9- 45 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.691699/2009­45  Acórdão n.º 3002­000.248  S3­C0T2  Fl. 3          2 Relatório  Trata  o  processo  de  declaração  de  compensação  na  qual  o  contribuinte  informa  a  ocorrência  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  Cofins,  relativo  ao  período  de  apuração dezembro/2004,  e  requer  a  compensação de R$ 18.960,72 com débitos  também de  Cofins (fls. 2 a 4).  Por meio  de  despacho  decisório  à  fl.  7,  a Delegacia  da Receita  Federal  de  Administração Tributária  em São  Paulo  decidiu  pela  não  homologação  da  compensação  por  concluir  que  o  crédito  relativo  ao  Darf  discriminado  havia  sido  utilizado  integralmente  na  quitação  de  outros  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  para  a  realização  de  compensação.  A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual esclareceu  que,  em  decorrência  de  fiscalização  realizada  pela  Receita  Federal  na  sede  da  empresa  em  meados  de  2007,  foi  orientada  a  não  recolher  os  valores  das  contribuições  dos  regimes  cumulativo e não cumulativo no mesmo Darf,  como vinha fazendo, e que o  erro deveria  ser  corrigido por meio de declaração de compensação, uma vez que não era possível desmembrar o  Darf.  O  contribuinte  informou,  ainda,  que  apresentou  a  Per/Dcomp,  mas  se  esqueceu  de  retificar  a DCTF do período, o que gerou um débito que não existiria. Com a  retificação da  DCTF,  a  incorreção  foi  sanada,  surgindo o  crédito  a  ser utilizado na  compensação  (fls.  10  a  12).  Instruiu  sua  manifestação  de  inconformidade  com  procuração  e  contrato  social  (fls.  13  a 32),  cópia do Darf  (fl.  33),  cópia  da Dcomp  (fls.  34  a  39),  cópia  da DCTF  retificadora (fls. 40 a 44) e cópia do Despacho Decisório (fl. 45).  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  São  Paulo  proferiu  o  Acórdão  nº  16­34.476  (fls.  84  a  91),  por  meio  do  qual  decidiu  pela  improcedência  da  manifestação,  uma vez  não  carreado  aos  autos  documentação  hábil,  idônea  e  suficiente para  provar  o  que  foi  alegado,  somado  à  comprovada  incoerência  entre  as  informações  prestadas  pelo contribuinte em Dacon e DCTF retificadora, nos termos da ementa a seguir:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 14/01/2005  DESPACHO  DECISÓRIO.  AUSÊNCIA  DE  SALDO  DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO.  Motivada  é  a  decisão  que,  por  conta  da  vinculação  total  de  pagamento  a  débito  do  próprio  interessado,  expressa  a  inexistência  de  defeito  creditório  disponível  para  fins  de  compensação.  DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. ALTERAÇÃO IMOTIVADA.  Considera­se  confissão  de  dívida  os  débitos  declarados  em  DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais),  motivo  pelo  qual  qualquer  alegação  de  erro  no  seu  Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.691699/2009­45  Acórdão n.º 3002­000.248  S3­C0T2  Fl. 4          3 preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora  munida  de  documentos  idôneos  para  justificar  as  alterações  realizadas no cálculo dos tributos devidos.  Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de  preenchimento  e  apresentação  de  DCTF  Retificadora  desacompanhada  de  elementos  de  prova  que  justifique  a  alteração dos valores registrados em DCTF anterior.   DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF.  INEXISTÊNCIA  DE PAGAMENTO INDEVIDO.  Considerando  que  o DARF  indicado  no  PER/DCOMP  (Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declaração  de Compensação)  como  origem  do  crédito  foi  utilizado  para  quitar  débito  confessado  em  DCTF  (Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais)  ativa  na  data  da  transmissão  do  PER/DCOMP, e que o Contribuinte não logra comprovar que a  verdade  material  é  outra,  não  há  que  se  falar  em  pagamento  indevido.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 12/12/2011,  conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 93, e protocolizou seu recurso voluntário em  20/12/2011, conforme carimbo no Recurso Voluntário, à fl. 94.  O recurso voluntário é uma cópia da manifestação de conformidade, à qual se  soma o argumento de que sua razão de pedir será comprovada pelo Dacon original anexado ao  processo,  concluindo  com  o  protesto  pela  juntada  de  novos  documentos  e  de  nova  manifestação, se necessário para a comprovação do alegado (fls. 94 a 114).  É o relatório.  Voto             Conselheira Larissa Nunes Girard ­ Relatora  O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  preenche  os  requisitos  formais  de  admissibilidade,  inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele  tomo conhecimento.  A discussão que chega a este Colegiado diz respeito à matéria de prova.   Nos  casos  de  solicitação  de  restituição,  compensação  e  ressarcimento  de  crédito  contra  a  Fazenda  Nacional,  o  ônus  probatório  pertence  ao  requerente,  conforme  definido nas normas que regem o processo administrativo e o processo civil. Segundo o Código  de Processo Civil em seu artigo 373, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova  incumbe ao autor. E, de maneira similar, dispõe o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta  o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União:  Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.691699/2009­45  Acórdão n.º 3002­000.248  S3­C0T2  Fl. 5          4 Art.  28.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para  a  instrução  e  sem prejuízo  do  disposto  no  art.  29  (Lei  nº  9.784, de 1999, art. 36). (grifado)  Assim,  não  resta  dúvida de  que  o  ônus  probatório  recai  sobre  a  recorrente,  que  jamais alegou o contrário e vem  tentando se desincumbir de sua obrigação. A discussão  tem se resumido a definir se os elementos apresentados seriam suficientes para demonstrar o  que se pleiteia.  Relembrando o histórico destes autos, o contribuinte apresentou manifestação  de inconformidade acompanhada apenas da DCTF, retificada após o Despacho Decisório. Por  sua vez, a DRJ decidiu analisar o Dacon original, transmitido antes do pedido de compensação,  e  concluiu  que  ele  contradizia  a  DCTF  retificadora  e  as  alegações  do  sujeito  passivo.  Na  ausência  de  quaisquer  outros  documentos  probatórios,  decidiu­se  pelo  não  provimento  da  manifestação de inconformidade. Por fim, o contribuinte juntou a seu recurso voluntário esse  mesmo Dacon analisado pela DRJ, afirmando tratar­se de prova suficiente.  Contudo,  este  processo  possui  uma  particularidade  que  é  a  natureza  da  alegação  quanto  aos  motivos  de  direito:  a  compensação  visaria  apenas  a  fazer  um  acerto  contábil entre a Cofins cumulativa e a não­cumulativa. Não haveria de fato nenhum pagamento  a maior ou indevido, mas a alocação equivocada da parcela relativa ao regime cumulativo no  código da não­cumulativo no momento do pagamento, um erro de preenchimento de Darf que,  aparentemente, estaria presente também na DCTF original.   Diante dessa  peculiaridade,  o  relator  considerou  que,  neste  caso  específico,  consideraria suficiente para a demonstração do direito a existência de Dacon original, anterior à  transmissão  do  PER/Dcomp,  que  confirmasse  as  retificações  promovidas  na DCTF.  Frise­se  que  o Dacon não  foi  apresentado  pelo  contribuinte, mas  consultado  pelo  relator  diretamente  nos sistemas da Receita Federal, dentro da liberdade relativa da qual dispõe um julgador para  definir os documentos necessários para a formação de sua convicção.   7.  Neste  ponto,  importante  destacar  que  o  Contribuinte  não  apresentou em sua Manifestação de Inconformidade quaisquer  documentos  que  pudessem  demonstrar  a  pertinência  das  alterações  efetuadas  por meio  da DCTF  retificadora  entregue  após  o  Despacho  Decisório.  Para  os  fins  pretendidos  pela  Requerente,  permaneceria  a  necessidade  de  comprovar,  por  meio  de  documentos  contábeis­fiscais  idôneos,  a  origem  dos  valores  declarados  e  a  composição  da  base  de  cálculo  dos  tributos confessados.  7.1.  No  entanto,  considerando  as  informações  constantes  do  processo  administrativo,  há  que  se  ressaltar  a  característica  peculiar  do  pretendido  pelo  Contribuinte  com  a  apresentação  da presente declaração de compensação:  (...)  7.2.  Nesses  termos,  considerando  a  alegada  intenção  do  Contribuinte  em  regularizar  as  declarações  entregues  à RFB,  adota­se  como  suficiente,  no  presente  caso,  que  a  DCTF  Retificadora  se  apresente  em  consonância  com  outras  Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.691699/2009­45  Acórdão n.º 3002­000.248  S3­C0T2  Fl. 6          5 declarações  entregues  pelo  Sujeito  Passivo  antes  da  transmissão do PER/DCOMP sob análise, o que demonstraria  uma coerência das informações prestadas ao Fisco.  7.3.  Nesta  linha  de  raciocínio,  uma  vez  que  a  apuração  do  tributo  em  discussão  (Cofins)  é  demonstrada  mensalmente  por  meio  do  Demonstrativo  de  Apuração  de  Contribuições  Sociais  (DACON), a comparação entre a DCTF Retificadora e o citado  demonstrativo  forneceriam  elementos  para  a  formação  de  convicção sobre a procedência do quanto solicitado, neste caso  específico no qual o Contribuinte pretende a redistribuição entre  as sistemáticas cumulativa e não­cumulativa da Cofins.  Neste  ponto,  é  importante  lembrar  que  uma  declaração,  genericamente  falando, é um conjunto de informações que espelham – ou deveriam espelhar – fatos reais que,  uma  vez  ocorridos,  ensejam  o  pagamento  de  tributos.  A  declaração  expressa  a  visão  do  declarante  sobre  um  fato.  Não  é  o  fato  em  si,  não  gera  o  fato  e,  por  isso,  não  faz  prova  inequívoca de sua existência quando apresentada isoladamente, sem documentos idôneos que a  sustentem.   Igualmente, a constatação de informações idênticas em duas declarações não  faz  prova  irrefutável  do  fato  que  elas  representam,  mas  apenas  demonstra  a  existência  de  coerência  entre  elas,  como  apontado  pelo  relator.  Coerência  entre  declarações  não  implica  necessariamente  fidedignidade  no  seu  conteúdo.  Significa  com  certeza  um  bom  indício  de  correção, pode até ser um indício forte do direito, mas que resta a ser demonstrado, regra geral  por meio de documentação contábil­fiscal, pois a certeza do crédito é imprescindível para fins  de  autorização da  compensação,  assim como a  certeza do  erro  é  imprescindível para  fins de  reconhecimento da alteração em uma confissão de dívida com vistas a reduzir tributo.  Por  esse  motivo,  embora  compreenda  a  lógica  adotada  no  julgamento  de  primeira instância e concorde que ela possa ser utilizada, ouso discordar de sua aplicação neste  caso em virtude das inúmeras inconsistências apuradas, sobre as quais discorro a seguir.  O contribuinte justifica seu pedido de compensação como decorrente de uma  exigência  da  Fiscalização,  mas  em  nenhum  momento  comprova  que  de  fato  existiu  essa  demanda.  Juntou à manifestação de  inconformidade um Darf pago, com anotações à mão do  valor a ser transferido de um código de receita para outro, que nada prova.  Se  o  problema  era  apenas  o  recolhimento  da  Cofins  no  código  de  receita  errado, porque agrupado o valor de dois códigos em apenas um, era de se esperar que a DCTF  estivesse correta – o cálculo da contribuição devida em cada regime deveria estar correto. Se  não está,  então o problema pode  ser outro que não a  simples  alocação  de  tributo  em código  errado no Darf.  No caso em tela,  temos  inicialmente divergência entre a DCTF original e o  Per/Dcomp, com posterior  retificação da DCTF para adequá­la  às  informações constantes na  compensação.  Neste  cenário,  cabe  ao  contribuinte  submeter  à  apreciação  da  Administração  Tributária  documentos  que  mostrem  quais  receitas  e  despesas  o  autorizam  a  afirmar  que  o  débito é menor do que aquele declarado. A DCTF constitui confissão de dívida e instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  do  crédito,  conforme  dispõe  o  Decreto­Lei  nº  2.124,  de  1984. Sua alteração visando a diminuir o tributo deve estar amparada em documentação, como  previsto no CTN:  Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.691699/2009­45  Acórdão n.º 3002­000.248  S3­C0T2  Fl. 7          6 Art.  147. O  lançamento  é  efetuado com base na declaração do  sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da  legislação  tributária,  presta  à  autoridade  administrativa  informações  sobre  matéria  de  fato,  indispensáveis  à  sua  efetivação.  §  1º  A  retificação  da  declaração  por  iniciativa  do  próprio  declarante,  quando  vise  a  reduzir  ou  a  excluir  tributo,  só  é  admissível mediante  comprovação do erro  em que  se  funde,  e  antes de notificado o lançamento. (grifado)  Além  da  divergência  entre  a  DCTF  original  e  o  Per/Dcomp,  o  relator  do  acórdão da DRJ constata que existe também divergência entre a DCTF retificadora e o Dacon.  No Demonstrativo,  o  débito  total  de Cofins  é  superior  ao  que  consta  na  retificadora,  o  que  atesta  a  incoerência  entre  as  informações  prestadas  pelo  contribuinte. Como não  há  nenhum  outro documento para amparar as alegações do contribuinte, conclui o relator que não pode ser  acatada a retificação nem homologada a compensação. Transcreve­se o resultado da análise:   (a)  O  DACON  foi  entregue  e  recepcionado  pelos  sistemas  à  disposição da RFB em 29/10/2004, antes da data de transmissão  do presente PER/DCOMP;   (b)  O  Contribuinte  apurou,  no  DACON,  um  débito  de  Cofins  não­cumulativo no valor de R$ 347.256,36, enquanto declarou  na DCTF retificadora  (entregue em 04/12/2009) um débito de  R$ 74.629,42;   (c)  O  Contribuinte  apurou,  no  DACON,  um  débito  de  Cofins  cumulativo  no  valor  de  R$  18.960,72,  enquanto  declarou  na  DCTF retificadora (entregue em 04/12/2009) um débito de R$  18.960,72;   7.6. Do  exposto,  constata­se  que  as  informações  apresentadas  pelo Contribuinte na DCTF retificadora do período de apuração  07/2004 estão em desacordo com o respectivo Demonstrativo de  Apuração de Contribuições Sociais.  7.7.  Assim,  considerando  as  características  específicas  do  presente  PER/DCOMP  (redistribuição  dos  valores  apurados  entre  as  sistemáticas  cumulativa  e  não­cumulativa  da  Cofins),  comprovada a incoerência entre as informações prestadas pelo  Contribuinte  em  DACON  e  DCTF  Retificadora,  e  não  tendo  justificado  as  alterações  produzidas  por  esta  última  com  documentação  hábil,  idônea  e  suficiente,  a  retificação  dos  valores  declarados  anteriormente  não  pode  ser  acatada,  pelo  que  se  mantém  correta  a  não  homologação  da  compensação  pretendida. (grifado)  Considerando o argumento do contribuinte de que a compensação teria sido  efetuada  apenas  para  transferir  valores  entre  diferentes  códigos  de Cofins,  o  valor  total  dos  débitos  de Cofins  deveria  ser o mesmo,  seja  na DCTF original,  seja  na  retificadora,  seja  no  Dacon. Em não sendo, deduzimos que a inconsistência já existia desde a transmissão da DCTF  original, o que nos impede de saber qual das declarações reflete a realidade.  Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.691699/2009­45  Acórdão n.º 3002­000.248  S3­C0T2  Fl. 8          7 A isso se some que foram distribuídos a esta relatora não apenas este, mas um  lote  de  10  processos,  idênticos,  alterando­se  apenas  o  período  considerado.  Na  análise  do  processo  nº  10880.691705/2009­64,  vê­se  que  o  Dacon  foi  transmitido  apesar  de  o  sistema  apontar 12 erros no seu preenchimento, erros não impeditivos da transmissão, mas relevantes  quanto  ao  conteúdo.  Nesse  Dacon,  alocou­se  a  quase  totalidade  das  receitas  no  regime  cumulativo,  em  contradição  com  os  demais  9  processos,  nos  quais  predominam  receitas  no  regime não­cumulativo, e em contradição com a base de cálculo do PIS/Pasep do mesmo mês,  entre  outros  problemas.  É  sabido  que  a  base  de  cálculo  das  contribuições  se  compõem  das  mesmas receitas, não sendo razoável persistir divergência dessa natureza após o aviso de erro  dado  pelo  sistema.  Tal  constatação  sugere  um  certo  desmazelo  na  prestação  de  informações  para  a  Receita  Federal  e  acentua  a  incerteza  quanto  à  fidedignidade  do  conteúdo  das  declarações juntadas a estes processos.  Do  conjunto  de  inconsistências  encontradas  nas  diversas  declarações  e  processos do sujeito passivo, fica a convicção de que qualquer alegação desprovida de prova  documental não pode ter guarida neste julgamento.   Surpreendentemente, no  recurso voluntário é exatamente o Dacon analisado  pelo  relator,  fundamento  para  a  negativa  de  provimento,  que  a  recorrente  junta  a  título  de  prova. Os valores ali constantes demonstram a improcedência das suas alegações, bem como a  incoerência entre a retificação da DCTF e o cálculo da contribuição, como apontado pela DRJ.   Entretanto,  devo  frisar  que, mesmo  que  seu  conteúdo  estivesse  em  perfeita  harmonia com a DCTF retificadora, em meu entendimento não estaria demonstrado o direito,  tendo em vista tudo o que se explanou anteriormente.  Considerando  que  nem  a  DCTF  e  nem  o  Dacon  respaldam  o  pedido  de  compensação  e  que  nenhum  outro  documento  foi  trazido  a  título  de  prova,  não  há  como  autorizá­la.   Quanto  ao pedido para a  juntada posterior de novos documentos  e de nova  manifestação, não há previsão legal para tal procedimento.   Regra geral, o contribuinte deve demonstrar o seu direito na manifestação de  inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235, de 1972, que assim institui:  Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.  Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  ­ os motivos de  fato e de direito em que se fundamentar, os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir;   (...)  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento processual, a menos que:  Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.691699/2009­45  Acórdão n.º 3002­000.248  S3­C0T2  Fl. 9          8 a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos  aos autos. (grifado)  A recorrente instruiu seu recurso voluntário com o Dacon, que foi conhecido  e analisado, já que em primeira instância seu conteúdo havia sido utilizado como fundamento  de  decidir  –  alínea  “c”  do  §  4º  do  art.  16  do  PAF.  Contudo,  não  há  previsão  legal  para  a  produção futura de provas.  Uma vez  não  comprovada  a ocorrência  de  alocação  indevida  de  parcela  da  Cofins cumulativa no código da não­cumulativa e não justificadas as alterações promovidas na  DCTF, não reconheço o direito à compensação.   Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Larissa Nunes Girard                                Fl. 123DF CARF MF

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Numero do processo: 11065.904974/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-003.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA

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3201­003.772  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de junho de 2018  Matéria  Restituição/Compensação  Recorrente  ZZSAP INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PRAZO  DE  CINCO  ANOS  PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.  Será  considerada  tacitamente  homologada  a  compensação  objeto  de  declaração  de  compensação,  que  não  seja  objeto  de  despacho  decisório  proferido e cientificado o  sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados  da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei  nº 9.430/96, com a  redação dada,  respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº  10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.  CRÉDITO  NÃO  RECONHECIDO.  ÔNUS  DA  PROVA  DO  CONTRIBUINTE.   O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam  ser  comprovados  pelo  contribuinte nos  casos  de  solicitações  de  restituições  e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e  Art. 16 do Decreto 70.235/72.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso.  (assinatura digital)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente.   (assinatura digital)  Pedro Rinaldi de Oliveira Lima ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 49 74 /2 01 0- 14 Fl. 141DF CARF MF     2   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz  Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).   Relatório    Trata­se  de Recurso Voluntário  de  fls.  122  em  face  da  decisão  de  primeira  instância da DRJ/MG de fls. 103 que manteve o despacho decisório de fls. 2, que reconheceu  parcialmente os créditos básicos e presumidos de IPI.     Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do  Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima:    "A  contribuinte  interessada  protocolou  declaração  de  compensação  –DCOMP  –  por  meio  da  qual  pretendeu  a  extinção  de  débito  próprio,  tendo  por  lastro  creditório  parcela  do  crédito  ressarcível  atinente  ao  3º  trimestre  calendário  de  2003,  conforme  indicado  na  DCOMP  nº  06348.58033.290905.1.3.01­3922 (fls. 94/961).  A  análise  de  legitimidade  e  materialidade  do  lastro  creditório  das  compensações  declaradas  encontra­se  consolidada nos demonstrativos de fls. 81/82 e 93, bem  como  no  termo  de  verificação  fiscal,  intitulado  "auto  de  infração",  de  fls.  83/88,  os  quais  compõem  e  integram  o  despacho decisório nº 863951154 (fl. 02, repetido à fl. 80),  que  reconheceu  em  parte  o  lastro  creditório  e,  consequentemente,  homologou  parcialmente  a  compensação declarada, conforme abaixo.  "Analisadas  as  informações  prestadas  no  PER/DCOMP  e  período  de  apuração  acima  identificados,  constatou­se  o  seguinte:  ­  Valor  do  crédito  solicitado/utilizado:  R$126.510,18  ­  Valor  do  crédito  reconhecido:  R$4.152,32  O  valor  do  crédito  reconhecido  foi  inferior  ao  solicitado/utilizado  em  razão do(s) seguinte(s) motivo(s):  ­  Constatação  de  que  o  saldo  credor  passível  de  ressarcimento é inferior ao valor pleiteado.  ­ Ocorrência de glosa de créditos considerados  indevidos,  em procedimento fiscal.  ­  Ocorrência  de  glosa  de  crédito  presumido  considerado  indevido, em procedimento fiscal.  Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11065.904974/2010­14  Acórdão n.º 3201­003.772  S3­C2T1  Fl. 142          3 O  crédito  reconhecido  foi  insuficiente  para  compensar  integralmente  os  débitos  informados  no  PER/DCOMP,  razão  pela  qual  HOMOLOGO  PARCIALMENTE  a  compensação  declarada  no  PER/DCOMP  acima  identificado".  Cientificada  do  despacho  decisório  pela  via  postal  em  14/06/2010 (fls.  97/98),  a  interessada, por meio de procurador  legalmente  constituído (fls. 45/46 e 91/92),  protocolou  em  14/07/2010  sua  manifestação  de  inconformidade de fls. 03/44, alegando que:  "Normas  legais  tidas  como  infringidas  2.  Como  enquadramento  legal,  para  não  homologar  referidos  pedidos  de  compensação,  a  Administração  elencou  os  seguintes fundamentos:  Lei nº 9.779/99 ­ art. 11 (...)  Lei nº 9.430/96 ­ art. 74 (...)  Lei nº 9.363/96 (...)  Lei nº 10.276/01 (...)  Das  presunções  3.  Os  fundamentos  legais  do  auto  de  infração  anteriormente  reproduzidos,  não  mantêm  correlação  lógica  com  a  matéria  objeto  do  lançamento  tributário.  3.1  Da  lavratura  do  Auto  de  Infração,  merecem  ser  transcritos os seguintes pontos:  '(...)  3.2 Fornecedores com indícios de irregularidades.  Durante  a  análise  foi  detectado  que  uma  série  de  fornecedor  possuía  indícios  de  irregularidades,  conforme  relacionados  na  tabela  a  seguir.  Estes  fornecedores  possuem movimentação  financeira  nula  ou  de  no máximo  70%  do  valor  das  compras,  no  período  analisado'.  (destaques da Peticionária)  3.2 No auto  de  infração,  encontra­se  rol  de  fornecedores,  cujos  nomes  não  serão  reproduzidos  por  absoluta  desnecessidade, por se referirem ao evento que ocasionou a  glosa.  3.3  Quanto  à  idoneidade  dos  fornecedores,  por  conseqüência das notasfiscais objeto da glosa, há que  ser  Fl. 143DF CARF MF     4 examinada  decisão  prolatada  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  no  julgamento  do  Recurso  Especial  n.  1.148.444  (...):  (...)  4.  Desta  forma,  o  primeiro  ponto  atacado  se  refere  aos  indícios  e  presunção  sem  motivação,  em  decorrência  da  baixa  movimentação  financeira  dos  fornecedores,  o  que  não  se  revela  instrumento  adequado  e  capaz  de glosar  os  créditos utilizados.  5.  No  que  se  refere  a  exigência  do  crédito  tributário,  se  revela  ônus  do  fisco  provar  o  fato  constitutivo  do  seu  direito,  conforme  determina  o  art.  9  °  do  Decreto  n.  70.235/72 (...):  (...)  6.  Nessa  linha  de  argumentação,  há  que  ser  examinada  manifestação de Marcos Vinicius Neder (...):  (...)  7.  Portanto,  a  presunção  da  qual  se  utilizou  a  Administração  para  embasar  o  lançamento  não  tem  o  condão de mantê­lo hígido, por não ter provado o alegado  quanto  a  ausência  ou  baixa movimentação  financeira  dos  fornecedores,  bem como no  pertinente  à  inidoneidade  dos  mesmos.  (...)  8.  Igualmente,  na  fundamentação  para  glosar  a  compensação,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Novo  Hamburgo se manifestou no seguinte sentido quanto a não  homologação da compensação proposta, estando a mesma  assim redigida:  '(...)  O  crédito  reconhecido  foi  insuficiente  para  compensar  os  débitos  informados  no  PER/DCOMP,  razão  pela  qual  HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada  no PER/DCOMP acima identificado'.  9. A manifestação, anteriormente reproduzida, confirma ter  havido  o  exame  do  lançamento,  na  modalidade  por  homologação, onde a autoridade administrativa, de  forma  expressa,  realizou  a  homologação  parcial  da  extinção  do  crédito  tributário.  Mesmo  que  parcialmente,  ocorreu  a  homologação.  Esse  ponto  revela­se  sobremaneira  importante pelo simples fato dos reflexos que trará quanto  a (in)exigibilidade do crédito tributário.  Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11065.904974/2010­14  Acórdão n.º 3201­003.772  S3­C2T1  Fl. 143          5 10.  Tendo  havido  homologação  parcial,  isto  é,  extinção  parcial  do  crédito  tributário  passa­se  a  examinar  sua  exigibilidade  quanto  ao  montante  não  homologado  sob  o  aspecto da decadência.  Da decadência  11. O  crédito  tributário  objeto  do  auto  de  infração ora hostilizado corresponde ao primeiro trimestre  de 2002 até o primeiro trimestre de 2004, restando referido  crédito  tributário  inexigível,  por  ter  sido  atingido  pela  decadência.  11.1  Igualmente,  quanto  à  materialização  do  instituto  da  decadência,  o  próprio  órgão  julgador  representante  da  Administração Tributária, tem decidido na mesma linha de  entendimento  defendida  na  presente  Manifestação  de  Inconformidade, como pode ser comprovado pelo exame da  ementa  lançada  na  decisão  do  processo  n.  11610.003223/00­11 (...)  (...)  12. Tanto é verdadeiro que o crédito tributário foi atingido  pela  decadência  que  a  Administração,  mediante  sua  fundamentação no auto de infração, se preocupa em buscar  o  afastamento  do  instituto,  como  pode  ser  comprovado,  a  fls.  4 dos autos, utilizando a seguinte argumentação:  O prazo para que a Administração verifique a legitimidade  do  crédito  utilizado  não  é  de  5  (cinco)  anos  contados  a  partir  da  emissão  da  nota  fiscal,  pois  se  assim  fosse,  o  contribuinte  poderia,  por  exemplo,  utilizar  o  crédito  no  último  dia  antes  da  decadência  e  a  Receita  Federal  não  teria  como verificar a  legitimidade deste  crédito. O prazo  legal  é  de  5  (cinco)  contados  a  partir  da  utilização  do  direito  creditório  ­  que  no  presente  caso  encerrar­se­ia  apenas  no  final  de  2010,  5  anos  após  a  transmissão  do  PER/DECOMP ­, conforme estipula § 5º do art. 74 da Lei n  ° 9.430/1996 (todos grifos são nossos)  (...)  13.  A  partir  do  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  n.  559.943,  ficou  assentado  ser  o  prazo  de  cinco  anos  para  constituir,  mediante  a  previsão  em  lei  complementar,  quanto  para  cobrar  o  crédito  tributário,  como  pode  ser  comprovado  pelo  exame  da  ementa  lançada  no  referido  julgado (...)  Das antinomias 14. Não cabe à lei ordinária legislar sobre  matéria  reservada  à  lei  complementar,  como  ficou  Fl. 145DF CARF MF     6 demonstrado  ao  ser  reproduzida  a  ementa  da  decisão  prolatada  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  n.  559.943,  por  afrontarem  as  normas  gerais  em  matéria  tributária, especialmente sobre prescrição e decadência.  14.1  As  leis  ordinárias  utilizadas  como  fundamento  pela  Requerida,  que  tratam  sobre  prazo  para  constituição  do  crédito  tributário,  se  revelam  em  perfeita  antinomia,  por  desbordar  de  sua  área  de  competência,  uma  vez  que  o  instituto da decadência em direito tributário é reservado à  lei complementar.  (...)  16. Portanto, demonstradas as antinomias, não poderá ser  mantido  o  crédito  tributário,  por  estar  totalmente  desamparado quanto ao veículo  legislativo adequado,  isto  é,  lei  complementar,  mesmo  porque  pelo  critério  da  hierarquia das leis, tal instituto não poderá ser aplicado.  17. Ainda, no que se refere a preclusão da Fazenda Pública  em  constituir  o  crédito  tributário,  importante  trazer  para  apreciação manifestação doutrinária sobre o tema (...).  (...)  18.  Igualmente,  há  que  ser  examinado  o  montante  da  pretensão  objeto  do  auto  de  infração,  uma  vez  que  os  mesmos  não  guardam  correlação  entre  si,  exigindo­se  portanto  a  realização  de  perícia  contábil  para  elucidar  o  referido montante.  (...)  19. Diante do exposto, requer:  a)  seja  recebida,  conhecida  e  provida  a  presente  manifestação  de  inconformidade,  para  assegurar  à  Requerente  o  aproveitamento  dos  créditos  glosados,  determinando a baixa e arquivamento do Auto de Infração;  b)  seja  apreciado,  explicitamente  sob  o  ângulo  do  pré­ questionamento  a  compensação  do  crédito  tributário  previsto no art. 156, II; bem como, de sua extinção, inserta  no art. 173, ambos da Lei n. 5.172/66."  É o relatório."    Este Acórdão de primeira instância da DRJ/MG foi publicado com a seguinte  Ementa:   "ASSUNTO:  NORMAS  DE  ADMINISTRAÇÃO  TRIBUTÁRIA   Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11065.904974/2010­14  Acórdão n.º 3201­003.772  S3­C2T1  Fl. 144          7 Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  DENEGAÇÃO  FISCAL  DO  LASTRO  CREDITÓRIO.  ÔNUS  PROBATÓRIO DA RECLAMANTE.  Havendo  denegação  fundamentada  pelo  Fisco  ao  lastro  creditório  de  compensações  declaradas  em  DCOMP,  incumbe à interessada transmitente da DCOMP o ônus de  demonstrar, na reclamação por ela interposta, por meio de  prova material cabal, que aquele lastro creditório revestia­ se  de  certeza  e  liquidez.  Em  não  o  fazendo,  impossível  afastar a denegação fiscal.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003  LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE.  As  normas  e  determinações  previstas  na  legislação  tributária  presumem­se  revestidas  do  caráter  de  constitucionalidade e legalidade, contando com validade e  eficácia, não cabendo à esfera administrativa questioná­las  ou negar­lhes aplicação.  IPI.  RESSARCIMENTO.  DECADÊNCIA.  INAPLICABILIDADE.  Em  pedidos  de  ressarcimento  de  IPI  cuja  discussão  se  refere a direito de crédito a favor do sujeito passivo e não à  constituição de crédito tributário, não se aplicam os prazos  decadenciais  dos  artigos  150,  §  4º,  e  173,  inciso  I,  do  Código Tributário Nacional.  De outro lado, o prazo para homologação de compensação  declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da  data da transmissão da declaração de compensação a que  se  refere.  Assim,  somente  depois  de  transcorridos  cinco  anos  da  transmissão  da  DCOMP,  a  compensação  está  homologada tacitamente por decurso de prazo.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003  PERÍCIA  TÉCNICA.  INDEFERIMENTO.  PRESCINDIBILIDADE.  Indefere­se  o  pedido  de  perícia  quando  os  elementos  constantes  dos  autos  são  suficientes  para  o  deslinde  do  litígio.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Fl. 147DF CARF MF     8 Direito Creditório Não Reconhecido."  Após o protocolo do Recurso Voluntário, que reforçou as argumentações da  Manifestação de Inconformidade, os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados  para julgamento nos moldes estabelecidos no regimento interno.  Relatório proferido.  Voto             Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima ­ Relator.  Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos  e  petições  apresentados  aos  autos  deste  procedimento  administrativo  e,  no  exercício  dos  trabalhos  e  atribuições  profissionais  concedidas  aos  Conselheiros,  conforme  Portaria  de  condução e Regimento Interno, apresenta­se este Voto.  Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário.  Sobre  o  pedido  de  homologação  tácita,  verifica­se  que  esta  não  ocorreu,  considerando que não se passaram mais de cinco anos do pedido administrativo (29/09/05) até  a  data  do  Despacho  Decisório  de  fls  2  (07/06/10),  que  configura  a  devida manifestação  da  União sobre os tributos em controvérsia.  Verifica­se nos autos que o contribuinte solicitou a restituição e compensação  de  suposto  crédito  básico  de  IPI  e  crédito  presumido  de  IPI  e  teve  parte  de  seu  pedido  administrativo homologado.  Em defesa da reversão da não homologação parcial, o contribuinte apresentou  seus  recursos e  apresentou suas argumentações,  contudo, os documentos comprobatórios dos  créditos básicos  e  crédito presumido de  IPI,  da parte  glosada, deveriam  ter  sido  juntados no  autos, mas não foram. Nem mesmo as memórias de cálculo ou NFs.  Além  disso,  a  fiscalização  apontou  que  os  fornecedores  não  possuíam  movimentação  financeira  à  época  das  operações,  o  que  leva  a  crer  que  as  operações  não  ocorreram. Neste ponto não houve comprovação do contrário, por parte do contribuinte.    CONCLUSÃO    Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 170 do Código Tributário  Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72, vota­se para que seja NEGADO PROVIMENTO ao  Recurso Voluntário.  Voto proferido.  (assinatura digital)  Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.  Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11065.904974/2010­14  Acórdão n.º 3201­003.772  S3­C2T1  Fl. 145          9                                 Fl. 149DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.910497/2008-27
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA

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1001­000.598  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  07 de junho de 2018  Matéria  PERDCOMP  Recorrente  DINHEIRO VIVO CONSULTORIA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2003  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  POSSIBILIDADE  DE  ANÁLISE  DE  NOVOS  ARGUMENTOS  E  PROVAS  EM  SEDE  RECURSAL. PRECLUSÃO.  A manifestação  de  inconformidade  e  os  recursos  dirigidos  a  este Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no  Decreto nº 70.235/72.   Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação  de  inconformidade  interposta  em  face  do  despacho  decisório  de  não  homologação  do  pedido  de  compensação,  precluindo  o  direito  do  Sujeito  Passivo  fazê­lo  posteriormente,  salvo  se  demonstrada  alguma  das  exceções  previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por  maioria  de  votos,  em  rejeitar  a  proposta  de  diligência  suscitada  pelo  conselheiro  Eduardo  Morgado Rodrigues. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso  Voluntário,  vencidos  os  conselheiros  José  Roberto  Adelino  da  Silva  e  Eduardo  Morgado  Rodrigues que lhe deram provimento Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o  conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.   (Assinado Digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa ­ Presidente e Relator.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 04 97 /2 00 8- 27 Fl. 89DF CARF MF     2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de  Sousa  (presidente),  Edgar  Bragança  Bazhuni,  José  Roberto  Adelino  da  Silva  e  Eduardo  Morgado Rodrigues.    Relatório  Trata­se de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), e­fls. 07/11, de n.  20961.78370.150207.1.7.04­1258,  de  15/02/2007,  através  da  qual  o  contribuinte  pretende  compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos  de  IRPJ (3°  trimestre de 2003). O pedido foi  indeferido, conforme Despacho Decisório  (e­fl.  02), que analisou as  informações  e concluiu que o crédito estava  integralmente utilizados. O  contribuinte  apresentou manifestação de  inconformidade,  a qual  foi  analisada pela Delegacia  de  Julgamento  (Acórdão  14­54.130­  6ª  Turma  da  DRJ/RPO,  e­fl.  58/63).  Pela  precisão  na  descrição  dos  fatos  seguintes,  reproduzo  a  seguir  o Relatório  constante  do Acórdão  da DRJ  Ribeirão Preto:  Trata­se de Manifestação de Inconformidade interposta em face  do Despacho Decisório  em que  foi  apreciada  a Declaração de  Compensação  (PER/DCOMP)  20961.78370.150207.1.7.04­ 1258,  por  intermédio  da  qual  o  contribuinte,  que  apura  os  tributos  devidos  com  base  no  lucro  presumido,  pretende  compensar  débito  de  sua  responsabilidade  com  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a maior  de  tributo  (cód.  2089), efetuado em 29/10/2003.  Em  decisão  proferida  pela  DERAT  São  Paulo  em  12/08/2008  (ciência  em  21/08/2008),  não  foi  reconhecido  qualquer  direito  creditório  a  favor  do  contribuinte  e,  por  conseguinte,  não  foi  homologada a compensação declarada no presente processo, em  razão  da  constatação  de  que  o  valor  pago  foi  integralmente  utilizado  para  a  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  a  compensação  dos  débitos  informados no PER/DComp.  Em  11/09/2008,  irresignado,  interpôs  o  contribuinte  Manifestação de Inconformidade, na qual alega que:  Entramos com pedido de Per/DComp, por pagamento a maior de  IRPJExcesso,  do  3°  Trim./  2003  conforme  n°  20961.78370.150207.1.7.04­1258,  e  n°  do  processo  10880­ 910.497/2008­27,  pleiteando  o  crédito  decorrente  desse  pagamento.  A Empresa  foi  notificada  de  despacho  decisório  n°  781216255  de  12/08/2008,  de  que  o  valor  pleiteado,  era  indevido  como  consta no despacho decisório.  Utilizamos o Per/DComp, no valor de R$ 4.685,22  (Quatro mil  seiscentos e oitenta e cinco reais e vinte e dois centavos), cujo o  protocolo  de  entrega  de  no 38.50.80.15.91,  e  n°  da  declaração  35139.52575.290104.1.3.04­8682  de  29/01/2004,  e  posterior  retificação pedida pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, de n°  3271023572  e  declaração  retificadora  n°  20961.78370.150.207.1.7.04.1258  de  15/02/2007,  como  crédito  Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.910497/2008­27  Acórdão n.º 1001­000.598  S1­C0T1  Fl. 90          3 para  pagamento  do  IRPJ­  4°  Trim./  2003,  no  valor  de  R$  7.001,31 (Sete mil e um reais e trinta e um centavos), informado  na DCTF/ 4° Trim./2003­ retificadora de 26/10/2004, e recibo de  n° 36.82.88.77.94, e assim recolhido conforme o exposto abaixo:  Imposto apurado  IRPJ­ 4° Trim./2003 R$ 7.001,31 Per/DComp  R$  4.685,22  Diferença  recolhida  conforme  recibo  anexo  R$  2.316,09 Segue anexo xerox de todos os passos dessa solicitação  desde,  a  apuração  do  IRPJ  ate  o  despacho  decisório,  comprovando a veracidade do nosso pedido.  Orientado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal,  que o  saldo  do pagamento, já foi liberado no SIEF, e o despacho decisório já  tinha  sido emitido,  estamos  ingressando com MANIFESTAÇÃO  DE INCONFORMIDADE, e solicitado de V.S. se digne mandar  seja acolhido o nosso pedido de crédito, e seu deferimento.  É o relatório..  A  decisão  de  primeira  instância  julgou  a  manifestação  de  inconformidade  improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas contábeis sobre a  inexigibilidade do crédito:  De  posse  das  informações  evidenciadas  pelo  próprio  manifestante  em  sua  DCTF  original,  a  decisão  administrativa  certificou  razões  que  ensejaram  não  homologar  a  compensação  declarada,  frente  à  caracterização  da  inexistência  de  disponibilidade  em  relação ao pagamento consignado na DCOMP, porquanto  restou  configurado  sua  vinculação  integral  com  o  débito  confessado em DCTF.  O  contribuinte  retificou  a  DCTF  do  período  de  modo  a  delinear  o  crédito  pleiteado,  portanto,  pretende  que  o  indébito  fiscal  se  exteriorize  tão  somente  com  os  dados  declarados em sua DCTF.  Malgrado  o  intento  do  contribuinte,  cabe  assinalar  que  o  reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional  exige  a  apuração  da  liquidez  e  certeza  do  suposto  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  tributo,  verificando­se  a  exatidão  das  informações  a  ele  referentes,  confrontando­as  com os  registros  contábeis  e  fiscais,  de modo a  se  conhecer qual  seria o  tributo  devido e compará­lo ao pagamento efetuado.  (...)  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  10/11/2015  (e­fl.  66)  a  Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 11/12/2015 (e­fl. 68), em que repete os  argumentos  da manifestação  de  inconformidade  sem  anexar  qualquer  documento  que  já  não  constasse dos autos.    Fl. 91DF CARF MF     4   Voto             Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa ­ Relator  O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço.  Cabe assinalar que o  reconhecimento de direito  creditório contra a Fazenda  Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74  da  lei  9.430/96  c/c  art.  170  do  CTN),  fazendo­se  necessário  verificar  a  exatidão  das  informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo  a  se  conhecer  qual  o  tributo  devido  no  período  de  apuração  e  compará­lo  ao  pagamento  declarado e comprovado.  Nesse  sentido  o  pedido  de  restituição  de  crédito  não  foi  acompanhado  (quando  da  apresentação  da  manifestação  de  inconformidade,  e­fl.  12)  dos  atributos  necessários  de  liquidez  e  certeza,  os  quais  são  imprescindíveis  para  reconhecimento  pela  autoridade  administrativa  de  crédito  junto  à  Fazenda  Pública,  sob  pena  de  haver  reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do  Código Tributário Nacional (CTN).   Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos,  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda  pública. (Destaquei)  Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o  pedido de  restituição/compensação  cujo  crédito  não  foi  comprovado deve  ser  indeferido. No  mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015:  As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora  –  que  confirmam disponibilidade  de  direito  creditório  utilizado  em PER/DCOMP, podem  tornar o crédito apto a  ser objeto de  PER/DCOMP  desde  que  não  sejam  diferentes  das  informações  prestadas  à  RFB  em  outras  declarações,  tais  como  DIPJ  e  Dacon,  por  força  do  disposto  no§  6º  do  art.  9º  da  IN  RFB  nº  1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência  da  autoridade  fiscal  para  analisar  outras  questões  ou  documentos  com  o  fim  de  decidir  sobre  o  indébito  tributário.(Destaquei)  Observo  que  no  caso  em  apreciação  nesta  segunda  instância  o  recorrente  pretende trazer pela primeira vez documentos que comprovariam, segundo alega, seu crédito.   Conforme  disposto  nos  artigos  16  (em  especial  seus  §§  4º  e  5º)  e  17  do  Decreto  nº  70.235/1972,  não  se  pode  apreciar  as  provas  que  no  processo  administrativo  o  contribuinte  se  absteve  de  apresentar  na  impugnação/manifestação  de  inconformidade,  pois  opera­se o fenômeno da preclusão. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram  do  conhecimento  do  contribuinte,  visto  que  este  alega  na  manifestação  de  inconformidade  dirigida  à  DRJ  que  retificou  suas  DCTFs.  Mas  não  anexou  àquele  recurso  qualquer  documentação contábil que corroborasse suas alegações.  Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.910497/2008­27  Acórdão n.º 1001­000.598  S1­C0T1  Fl. 91          5 O texto legal está assim redigido:  Art. 16. A impugnação mencionará:  I a autoridade julgadora a quem é dirigida;  II a qualificação do impugnante;  III  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir;  IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito.  V se a matéria  impugnada  foi submetida à apreciação  judicial,  devendo ser juntada cópia da petição.  §  1º  Considerar­se­á  não  formulado  o  pedido  de  diligência  ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16.  §  2º  É  defeso  ao  impugnante,  ou  a  seu  representante  legal,  empregar  expressões  injuriosas  nos  escritos  apresentados  no  processo, cabendo ao  julgador, de ofício ou a  requerimento do  ofendido, mandar riscá­las.  § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou  estrangeiro,  provar­lhe­á  o  teor  e  a  vigência,  se  assim  o  determinar o julgador.  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.  §  5º  A  juntada  de  documentos  após  a  impugnação  deverá  ser  requerida  à  autoridade  julgadora,  mediante  petição  em  que  se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.  §  6º  Caso  já  tenha  sido  proferida  a  decisão,  os  documentos  apresentados  permanecerão  nos  autos  para,  se  for  interposto  recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda  instância.  Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.  Fl. 93DF CARF MF     6 Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação,  assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241:  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE  ANÁLISE  DE  NOVOS  ARGUMENTOS  E  PROVAS  EM  SEDE  RECURSAL. PRECLUSÃO.  A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  seguem  o  rito  processual  estabelecido  no  Decreto  nº  70.235/72,  além  de  suspenderem  a  exigibilidade  do  crédito  tributário,  conforme  dispõem  os  §§  4º  e  5º  da  Instrução  Normativa  da  RFB  nº  1.300/2012.   Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na  manifestação de inconformidade interposta em face do despacho  decisório  de  não  homologação  do  pedido  de  compensação,  precluindo  o  direito  do  Sujeito  Passivo  fazê­lo  posteriormente,  salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16,  §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.  Assim,  no  caso  em  tela,  o  efeito  legal  da  omissão  do  Sujeito  Passivo  em  trazer  na  manifestação  de  inconformidade  e/ou  antes  da  decisão  de  primeiro  grau  todos  os  argumentos  contra  a  não  homologação  do  pedido  de  compensação  e  juntar  os  documentos  hábeis  a  comprovar  a  liquidez  e  certeza  do  crédito  pretendido  compensar,  é  a  preclusão,  impossibilidade de o fazer em outro momento.  Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso.   (Assinado Digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa                 Declaração de Voto  Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues  Na sessão de julgamento do processo em epígrafe, o D. Relator rejeitou em  seu voto os documentos apresentados pela Contribuinte por ocasião de seu Recurso Voluntário  sob o argumento de que o direito à produção probatória estaria precluído, em estrita aplicação  do art. 16, §4º e §5º, do Decreto 70.235/72.  Com a devida vênia, discordo do Voto do Relator. Razão pela qual, entendi  por  bem  declarar  meu  voto,  especificando  as  razões  que  me  levaram  a  divergir  do  posicionamento do ilustre Relator.  Pois bem, conforme cediço, em nosso sistema jurídico pátrio nenhuma norma  paira  sozinha  no  universo,  mas,  sim,  se  concilia  com  todas  as  demais  perfazendo  um  ordenamento uno, coeso e harmônico.  Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.910497/2008­27  Acórdão n.º 1001­000.598  S1­C0T1  Fl. 92          7 Quer  isto  dizer que  nenhuma norma pode  ser  interpretada  apenas  de  forma  isolada,  devendo  o  hermeneuta,  em  seu  trabalho,  extrair  de  todas  as  acepções  possíveis  de  determinado  texto  legal  aquelas  que  permitam  aplicação  harmoniosa  com  as  demais  disposições pertinentes à mesma matéria.  Em  outras  palavras,  dentre  as  várias  interpretações  possíveis  de  um  dispositivo legal, deve­se buscar aquela que não entre em conflito com outra norma igualmente  válida, sob pena de subversão da ordem jurídica.  Fixada essas premissas, cabe voltar a análise as normas vigentes relacionadas  à questão da produção probatória.  O permissivo  legal que  fundamentou o Voto do Relator, art. 16 do Decreto  70.235/72, possui a seguinte redação:  Art. 16. A impugnação mencionará:  I ­ a autoridade julgadora a quem é dirigida;  II ­ a qualificação do impugnante;  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir;   IV ­ as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito.   V ­ se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial,  devendo ser juntada cópia da petição.   §  1º  Considerar­se­á  não  formulado  o  pedido  de  diligência  ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16.   §  2º  É  defeso  ao  impugnante,  ou  a  seu  representante  legal,  empregar  expressões  injuriosas  nos  escritos  apresentados  no  processo, cabendo ao  julgador, de ofício ou a  requerimento do  ofendido, mandar riscá­las.   § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou  estrangeiro,  provar­lhe­á  o  teor  e  a  vigência,  se  assim  o  determinar o julgador.   §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:    a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;   b) refira­se a fato ou a direito superveniente;   Fl. 95DF CARF MF     8 c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.  §  5º  A  juntada  de  documentos  após  a  impugnação  deverá  ser  requerida  à  autoridade  julgadora,  mediante  petição  em  que  se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.   §  6º  Caso  já  tenha  sido  proferida  a  decisão,  os  documentos  apresentados  permanecerão  nos  autos  para,  se  for  interposto  recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda  instância. (grifou­se)     Uma analise literal e isolada deste dispositivo permitiria concluir rigidamente  que haveria a preclusão do direito à produção probatória após a apresentação da Impugnação,  salvo nas hipóteses taxativas do §5º. Contudo, tal interpretação não deve ocorrer desta forma,  vez  que  há  outros  elementos  normativos  atinentes  a  matéria  que  também  devem  ser  considerados.  A Constituição Federal,  norma de maior hierarquia  em nosso ordenamento,  estabelece no  inciso LV de  ser  art.  5º  os  princípios  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  nos  seguintes termos:  LV ­ aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos  acusados  em  geral  são  assegurados  o  contraditório  e  ampla  defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;  Ao  incluir  o  direito  ao  contraditório  e  a  ampla  defesa  "com  os  meios  e  recursos a ela inerentes" no rol de direitos e garantias fundamentais, o legislador constituinte  eleva­os  ao  mais  alto  grau  de  importância  dentro  de  nosso  ordenamento,  restando  claro  a  preponderância  que  tais  direitos  devem  ter.  E,  assim,  devem  ser  observados  e  operacionalizados pelas demais normas infraconstitucionais.  Não  por  acaso,  tais  princípios  foram  observados  pela  Lei  9.784/99,  responsável por regular o Processo Administrativo Federal, que trouxe no bojo de seu art. 2º as  seguintes disposições:  Art.  2o A  Administração  Pública  obedecerá,  dentre  outros,  aos  princípios  da  legalidade,  finalidade,  motivação,  razoabilidade,  proporcionalidade,  moralidade,  ampla  defesa,  contraditório,  segurança jurídica, interesse público e eficiência.  Parágrafo  único.  Nos  processos  administrativos  serão  observados, entre outros, os critérios de:  I ­ atuação conforme a lei e o Direito;  (...)  VI  ­  adequação  entre  meios  e  fins,  vedada  a  imposição  de  obrigações,  restrições  e  sanções  em  medida  superior  àquelas  estritamente necessárias ao atendimento do interesse público;  VII  ­  indicação  dos  pressupostos  de  fato  e  de  direito  que  determinarem a decisão;  Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.910497/2008­27  Acórdão n.º 1001­000.598  S1­C0T1  Fl. 93          9 VIII  –  observância  das  formalidades  essenciais  à  garantia  dos  direitos dos administrados;  IX  ­  adoção  de  formas  simples,  suficientes  para  propiciar  adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos  administrados;  X  ­  garantia  dos  direitos  à  comunicação,  à  apresentação  de  alegações  finais,  e  à  produção  de  provas  à  interposição  de  recursos,  nos  processos  de  que  possam  resultar  sanções  e  nas  situações de litígio; (...)(grifou­se)    Conforme  se  extrai,  o  legislador  infraconstitucional  não  só  incorporou  expressamente os princípios constitucionais da legalidade, ampla defesa, contraditório e ouros,  como elencou uma  série de  critérios  a  serem observados na  regulamentação e  condução dos  processos administrativos.  Desses  critérios  expressos  acima,  tem­se  de  forma  bastante  clara  que  as  formalidades e restrições devem ser limitados ao estrito necessário para garantir a efetividade  do processo em atender a finalidade pública.  Ora, as regras processuais formais visam dar ordem ao processo, permitindo  que  este  cumpra  com  seus  objetivos  de  forma  eficiente,  isto  é,  dentro  da  moralidade  e  proporcionando segurança jurídica no cumprimento do interesse público.   Contudo,  a  norma  processual  não  pode  se  sobrepor  ao  próprio  objetivo  do  processo,  qual  seja,  a  promoção  da  legalidade.  Por  oportuno  esclarece­se  que  não  se  está  a  sugerir  que  as  regras  formais  postas  sejam mitigadas, mas  sim  que  a  interpretação  do  texto  legal  seja  feita  de  forma  a  considerar  a  finalidade maior  do  processo,  as  regras  formais  não  devem ser interpretadas de forma rigorosa a ponto de prejudicar o cumprimento de seu escopo.  Ainda, cumpre trazer a colação os termos do art. 38 da mesma Lei 9.784/99,  que trata especificamente da produção probatória nos Processos Administrativos Federais:  Art.  38.  O  interessado  poderá,  na  fase  instrutória  e  antes  da  tomada  da  decisão,  juntar  documentos  e  pareceres,  requerer  diligências  e  perícias,  bem  como aduzir  alegações  referentes  à  matéria objeto do processo.  §  1o Os  elementos  probatórios  deverão  ser  considerados  na  motivação do relatório e da decisão.  §  2o Somente  poderão  ser  recusadas,  mediante  decisão  fundamentada,  as  provas  propostas  pelos  interessados  quando  sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.  Note­se que o  texto  legal diz expressamente que é permitido ao  interessado  apresentar  ou  requerer  a  produção  de  material  probatório  não  só  na  fase  instrutória,  mas  também antes da tomada da decisão.  Outrossim  estabelece  taxativamente  que  a  prova  só  poderá  ser  recusadas  quando ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.  Fl. 97DF CARF MF     10 Pois  bem,  retornando  a  ideia  inicialmente  tratada  neste  Voto  de  que  as  normas jurídicas devem ser interpretadas da forma mais harmônica possível, me parece que a  interpretação restritiva do art. 16 do Decreto 70.235/72, para recusar de plano toda e qualquer  prova  apresentada  pelo  contribuinte  após  o  protocolo  da  Impugnação/Manifestação  de  Inconformidade não se coaduna com as demais normativas já expostas.  Em  verdade,  a  aplicação  tão  restrita  assim  da  norma,  não  só  implica  na  frontal  negativa  de  vigência  aos  disposto  da  mais  moderna  Lei  9.784/99,  como  destoa  até  mesmo  dos  objetivos  maiores  do  Processo  Administrativo  Federal  que  é  a  revisão  do  ato  administrativo fiscal e a garantia de que este se encontra dentro da legalidade.   Alias, faz­se oportuno lembrar que o Processo Administrativo Fiscal também  se rege pelo princípio da busca pela verdade material, ou seja,  a preponderância no  interesse  público é a solução jurídica mais adequada ao caso, independente dos excessos de formalidade.  Assim,  ao  meu  ver,  a  melhor  interpretação  extraída  da  conjugação  dos  disposto quanto ao tema na Constituição Federal, Lei. 9.784/99 e Decreto 70.235/702 é aquela  que não impõe óbice na apresentação de provas junto ao Recurso Voluntário, ou até mesmo em  momento posterior prévio ao julgamento, desde que as provas não sejam ilícitas ou manejadas  de má fé.  De forma semelhante tem decidido a 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais,  em recentes julgados, conforme se colaciona:  PROVAS.  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  APRESENTAÇÃO.  POSSIBILIDADE.  SEM  INOVAÇÃO  E  DENTRO  DO  PRAZO  LEGAL.  Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso  administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º  da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo  federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidencia­se que não há óbice  para  apresentação  de  provas  em  sede  de  recurso  voluntário,  desde  que  sejam  documentos  probatórios  que  estejam  no  contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação,  e  dentro  do  prazo  temporal  de  trinta  dias  a  contar  da  data  da  ciência da decisão recorrida.  (Processo:  10880.004637/99­29.  Rel.  ANDRE  MENDES  DE  MOURA. Data da Sessão: 14/09/2017)    PROVAS.  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  APRESENTAÇÃO.  POSSIBILIDADE.  SEM  INOVAÇÃO  E  DENTRO  DO  PRAZO  LEGAL.  Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso  administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º  da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo  federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidencia­se que não há óbice  para  apresentação  de  provas  em  sede  de  recurso  voluntário,  desde  que  sejam  documentos  probatórios  que  estejam  no  contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação,  e  dentro  do  prazo  temporal  de  trinta  dias  a  contar  da  data  da  ciência da decisão recorrida.  (Processo:  16327.001227/2005­42.  Rel.  ADRIANA  GOMES  REGO. Data da Sessão: 08/08/2017)  Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.910497/2008­27  Acórdão n.º 1001­000.598  S1­C0T1  Fl. 94          11   RECURSO  VOLUNTÁRIO.  JUNTADA  DE  DOCUMENTOS.  POSSIBILIDADE.  DECRETO  70.235/1972,  ART.  16,  §4º.  LEI  9.784/1999, ART. 38.  É  possível  a  juntada  de  documentos  posteriormente  à  apresentação de impugnação administrativa, em observância ao  princípio  da  formalidade  moderada  e  ao  artigo  38,  da  Lei  nº  9.784/1999.  (Processo:  14098.000308/2009­74.  Rel.  GERSON  MACEDO  GUERRA. Data da Sessão: 19/06/2017 )    Para  melhor  ilustrar,  peço  vênia  para  transcrever  a  parte  final  da  fundamentação  do Voto  deste  último  julgado  colacionado,  de  autoria  da  ilustre  Conselheira  Cristiane Silva Costa, designada Redatora para o Voto Vencedor:  "Os  processos  administrativos,  portanto,  devem  atender  a  formalidade  moderada,  com  a  adequação  entre  meios  e  fins,  assegurando­se  aos  contribuintes  a  produção  de  provas  e,  principalmente,  resguardando­se o cumprimento à estrita  legalidade,  para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente  atendam à exigência legal.  (...)  Ao  tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972,  são as  pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa  Martínez López:  Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes  para o Decreto nº 70.235/72, estar­sei­a mitigando a aplicação de um dos  princípios  mais  caros  ao  processo  administrativo  que  é  o  da  verdade  material. (...)  Assim,  revela  destacar  que  a  depender  da  situação  é  possível  flexibilizar  a  norma,  desde  que  evidentemente,  a  prova  apresentada  seja  inconteste e nesse sentido  independa da análise de uma instância  inferior,  eis que a preclusão liga­se ao princípio do impulso processual. (...)  Na  prática,  quer  nos  parecer  que,  o  direito  à  parte  à  produção  de  provas  comporta  graduação  a  critério  da  autoridade  julgadora,  com  fulcro  em  seu  juízo  de  valor  acerca  da  utilidade  e  necessidade,  de  modo  a  assegurar  o  equilíbrio  entre  a  celeridade  desejável  e  a  segurança  indispensável na realização da justiça.  (Processo  Administrativo  Fiscal  Federal  Comentado,  3ª  edição,  Dialética, 2010, fls. 305 e 306.)  Diante  de  tais  razões,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que  Fl. 99DF CARF MF     12 a  Turma  a  quo  aprecie  os  documentos  apresentados  pelo  contribuinte."     Destarte, diante de todos os argumentos expedindos, entendo que as provas  apresentadas  em  momento  posterior  ao  da  Impugnação/Manifestação  de  Inconformidade,  podem,  e  devem,  ser  conhecidas,  desde  que  não  acarretem  qualquer  prejuízo  processual  as  partes ou ao bom trâmite processual.  Ressalva­se  que  o  Julgador  ao  analisar  o  recebimento  de  provas  que  eventualmente entenda serem ilícitas, meramente protelatórias, ou que sejam manejadas com o  intuito  de  lesar  a  parte  adversa  tem  o  poder  ­  e  o  dever  ­  de  recusá­las. Ou,  ainda  que  não  vislumbre  qualquer  má  fé,  mas  tema  por  eventual  supressão  de  instância  ou  direito  ao  contraditório,  sempre pode  recorrer a prerrogativa de baixar os  autos  em diligência para que  seja oportunizada as providências necessárias para o resguardo do direito.  Nesta  linha,  considerando  que  no  caso  em  tela  as  provas  oferecidas  pela  Recorrente por ocasião do Recurso Voluntário não foram sequer analisadas pelo digno Relator,  tampouco pela DRJ de origem, entendo por bem que seja os autos baixados em diligência para  que a d. Autoridade Fiscal se pronuncie a respeito.  Superada  esta  questão,  cumpre  tratar  de  um  segundo  ponto  que  entendo  igualmente relevante.  No Voto do i. Relator ficou consignado que a consequência da não aceitação  de  novos  documentos  seria  a  presunção  de  verdade  das  alegações,  o  que  supostamente  impediria o julgador de adentrar nas discussões de mérito.  Com a devida vênia, entendo que não cabe esta presunção no presente caso,  vez que não está se tratando de matéria não contestada.  Neste ponto é bom estabelecer que existe grande diferença entre matéria não  impugnada e não comprovação das alegações feitas.  Quanto  a  matéria  impugnada  o  Decreto  70.235,  responsável  por  regular  o  Processo Administrativo Fiscal, estabelece o seguinte:  Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.  (...)  Art.  17. Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.  Note­se que conforme disposto acima, é a apenas ausência de contestação  que leva a matéria a ser considerada não impugnada e, portanto, fora dos limites do processo,  prejudicando o seu conhecimento e apreciação.  Por  sua  vez  a  comprovação  da  veracidade  e  procedência  das  alegações  é  justamente o que será verificado pela autoridade julgadora competente no desenvolvimento de  sua função judicante.  Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.910497/2008­27  Acórdão n.º 1001­000.598  S1­C0T1  Fl. 95          13 Ou  seja,  ainda  que  o  resultado  do  julgamento  seja  por  entender  que  as  alegações feitas pela Recorrente não foram devidamente comprovadas e, portanto, não devem  ser acolhidas, ainda assim elas foram apresentadas, houve efetiva impugnação da matéria.  Desta forma, quando determinada prova é recusada o único efeito processual  cabível é o não conhecimento do próprio elemento probatório, jamais podendo descaracterizar  todas  as  demais  alegações,  impugnações  e  provas  já  regularmente  apresentadas  até  então  no  processo.  Perceba­se  que  mesmo  sem  considerar  as  provas  recusadas  por  conta  de  eventual preclusão, ainda assim é possível que se decida pela revisão da decisão de piso apenas  analisando as razões constantes do Recurso Voluntário, os fundamentos da própria decisão e os  demais elementos já constantes dos autos.  Apenas  para  ilustrar,  é  oportuno  observar  que,  conforme  ampla  jurisprudência não só desta 1ª Turma Extraordinária, mas de  todas as demais desta 1ª Seção,  quando são realizadas alegações sem apresentação de qualquer comprovação, o resultado típico  é a análise e indeferimento por falta de comprovação.  Ora,  tal  situação  não  é  diferente  do  caso  em  que  as mesmas  alegações  são  feitas,  porém  o  documento  comprobatório  que  se  pretendeu  juntar  foi  recusado,  restando  apenas as alegações.   Assim,  não  vejo  razão  para  que  neste  segundo  caso  as  próprias  alegações  sejam igualmente desconsideradas e o julgamento se realize por "presunção".  Destarte, com o máximo respeito ao entendimento do i. Relator, entendo que  no  caso  em  tela,  mesmo  com  o  indeferimento  das  novas  provas  apresentadas,  as  razões  apresentadas pela Recorrente deveriam ser diretamente enfrentadas, não cabendo a "presunção  de veracidade" da decisão de primeira instância conforme foi proposta.  Desta  feita,  diante  de  tudo  o  que  foi  exposto,  peço  vênia  ao  Ilustre  Conselheiro Relator para discordar de suas  razões e encaminhar o meu VOTO no sentido de  converter o presente  julgamento em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem proceda ao  exame  dos  argumentos  e  da  documentação  apresentada  junto  com  o  Recurso  Voluntário,  confrontando­a com os demais já constante dos autos e, ainda, com outros dados disponíveis.  Para efetividade desse exame, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar  livros e documentos, sem prejuízo de outras providências, a juízo da autoridade diligenciante,  assim como consultas a dados e sistemas disponíveis à fiscalização.  Ao  final,  deverá  ser  elaborado  relatório  circunstanciado  explicitando  suas  conclusões a respeito da matéria em litígio, do qual se dará ciência à contribuinte para que no  prazo de trinta dias, querendo, se manifeste.  Decorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, os autos devem  retornar ao CARF para julgamento.    (assinado digitalmente)  Fl. 101DF CARF MF     14 Eduardo Morgado Rodrigues.    Fl. 102DF CARF MF

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7371983 #
Numero do processo: 13971.720672/2012-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 INDEFERIMENTO. DÉBITO. RFB. PRAZO LEGAL. INOBSERVÂNCIA. Mantém-se o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se o fato que lhe deu causa não foi elidido dentro do prazo legal.
Numero da decisão: 1001-000.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva, Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES

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1001­000.586  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  06 de junho de 2018  Matéria  Indeferimento de Opção ­ SIMPLES  Recorrente  FRIO 10 MOVEIS SOB MEDIDA E REFRIGERACAO LTDA ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2012  INDEFERIMENTO.  DÉBITO.  RFB.  PRAZO  LEGAL.  INOBSERVÂNCIA.  Mantém­se  o  Termo  de  Indeferimento  da  Opção  pelo  Simples  Nacional se o fato que lhe deu causa não foi elidido dentro do prazo  legal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.    (assinado digitalmente)  LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  EDUARDO MORGADO RODRIGUES ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Edgar  Bragança  Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva, Lizandro Rodrigues de  Sousa (Presidente)       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 06 72 /2 01 2- 41 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13971.720672/2012­41  Acórdão n.º 1001­000.586  S1­C0T1  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário (fls. 44 a 66) interposto contra o Acórdão nº  12­60.967, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento  em Rio de Janeiro/RJ (fls. 37 a 38), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação  de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte  ementa:  "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2012  INDEFERIMENTO.  DÉBITO.  RFB.  PRAZO  LEGAL.  INOBSERVÂNCIA.  Mantém­se  o  Termo  de  Indeferimento  da  Opção  pelo  Simples  Nacional se o fato que lhe deu causa não foi elidido dentro do prazo  legal.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Sem Crédito em Litígio"    Por  sua  precisão  na  descrição  dos  fatos  que  desembocaram  no  presente  processo, peço  licença para adotar e  reproduzir os  termos do  relatório da decisão da DRJ de  origem:  "Trata­se  do  Termo  de  Indeferimento  da  Opção  pelo  Simples  Nacional  nº  00.04.91.82.22,  às  fls.16,  em  face  de  débito  cuja  exigibilidade  não  estava  suspensa, a saber: PIS (8109): R$ 418,33 (03/2011).    Em Manifestação  de  Inconformidade­MI,  às  fls.2,  o  interessado  alega,  em  síntese,  que  "o  débito  foi  quitado  no  dia  02.02.2012,  com  os  devidos  acréscimos legais". Pede o enquadramento no Simples Nacional. Com a MI,  vieram  os  documentos  de  fls.3/31.  A  autoridade  lançadora  proferiu  o  despacho às fls.32/33. Relatados."  Inconformada  com  a  decisão  de  primeiro  grau  que  indeferiu  a  sua  Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sustentando,  em  breve  síntese,  que  não    realizou  o  pagamento  de  seu  débito  no  prazo  devido  única  e  exclusivamente  por  conta  de  um  suposto  erro  de  sistema  da  administração  fazendária,  mas  providenciou  a  quitação  assim  que  o  sistema  voltou  a  normalidade,  portanto,  faria  jus  ao  enquadramento no Simples em virtude do princípio da boa fé e razoabilidade.   É o relatório.      Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13971.720672/2012­41  Acórdão n.º 1001­000.586  S1­C0T1  Fl. 4          3 Voto             Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues  O presente Recurso Voluntário é  tempestivo e atende aos demais  requisitos  de admissibilidade, portanto, dele conheço.  Primeiramente, deve­se estabelecer que é responsabilidade exclusiva de cada  contribuinte  o  controle  de  seus  negócios  e  o  cuidado  com  o  fiel  cumprimento  de  todas  as  normas tributárias em suas atividades cotidianas.  Outrossim, ainda que se acredite na boa fé da Recorrente, é obrigação, deste  julgador zelar pela aplicação das normas vigentes, não cabendo a ele abertura de exceções não  previstas pela lei, sob pena de descumprimento do princípio maior da legalidade.  Em  outras  palavras,  não  cabe  aos  julgadores  deste  Conselho  fazerem  considerações de ordem política ou social e pretenderem dizer como a norma "deveria ser", e  sim interpretar as normas postas pelas autoridades com competência para tanto, e aplicá­las aos  casos que lhes são postos à análise.  Isto posto, uma vez que não há nos autos qualquer elemento que demonstre a  efetiva existência de erro por parte dos sistemas da administração fazendária, não há subsídio  para que seja afasta a obrigação de quitar seus débitos até o último dia útil do mês de janeiro,  como condição para que a Recorrente realizasse a opção pelo Simples.  Destarte, como a própria Recorrente reconhece que só quitou seus débitos no  dia 02/02/2012, quando o prazo para regularização já estaria esgotado, não há que se falar em  direito à opção.   Assim, por  economia processual,  peço  licença para  adotar  e  transcrever  os  fundamentos já exarados na decisão de primeira instância:  "(...)  O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, que enumera os  débitos que lhe deram causa, tem como fundamento legal o art. 17, inciso V, da Lei  Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que determina:  Art.  17. Não poderão  recolher os  impostos e  contribuições na  forma  do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...]  V – que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS  ou  com  as  Fazendas  Públicas  Federal,  Estadual  ou  Municipal,  cuja  exigibilidade não esteja suspensa; (...)  A opção pelo Simples Nacional pôde ser feita até o último dia útil de janeiro  31.01.2012,  prazo  no  qual  os  débitos  com  esta  RFB  deveriam  ser  regularizados  (Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, art.6º e § §).  Conforme  o  próprio  interessado  afirma,  e  tal  como  confirmado  pela  autoridade  lançadora  (fls.32/33),  o  débito  que  deu  causa  ao  indeferimento  só  foi  pago  em  02.02.2012,  e,  portanto,  após  o  prazo  para  regularização  de  pendências  Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13971.720672/2012­41  Acórdão n.º 1001­000.586  S1­C0T1  Fl. 5          4 impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. Assim, não elidido o fato que lhe deu  causa, o indeferimento deve ser mantido.   (...)"  Conforme apontando, havia débitos  sem exigibilidade suspensa, ao  final do  prazo  legal,  que  justificaram o  Indeferimento da Opção pelo Simples. Desta  forma, deve ser  confirmado o ato praticado pela autoridade administrativa.  Em  face  a  todo  o  exposto,  VOTO  pelo  NÃO  PROVIMENTO  do  Recurso  Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem.    (assinado digitalmente)  Eduardo Morgado Rodrigues ­ Relator                                Fl. 72DF CARF MF

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7403182 #
Numero do processo: 10580.725157/2009-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. NATUREZA SALARIAL. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
Numero da decisão: 9202-007.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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9202­007.002  –  2ª Turma   Sessão de  21 de junho de 2018  Matéria  IRPF ­ RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE  Recorrente  JOSE CARLOS RODRIGUES DO NASCIMENTO  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2005, 2006, 2007  IMPOSTO  DE  RENDA.  DIFERENÇAS  SALARIAIS.  URV.  PARCELAS  ATRASADAS  RECEBIDAS  ACUMULADAMENTE.  NATUREZA  SALARIAL.  Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas  na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são  de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de  Renda nos termos do art. 43 do CTN.  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  NULIDADE. INOCORRÊNCIA.   Consoante  decidido  pelo  STF  através  da  sistemática  estabelecida  pelo  art.  543­B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o  IRPF sobre os rendimentos  recebidos  acumuladamente  deve  ser  calculado  utilizando­se  as  tabelas  e  alíquotas  do  imposto  vigentes  a  cada  mês  de  referência  (regime  de  competência),  não  constituindo  nulidade  o  fato  de  ter  sido  anteriormente  calculado com base no regime de caixa.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar­lhe provimento, vencidas as  conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que  lhe deram provimento.    (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 51 57 /2 00 9- 68 Fl. 369DF CARF MF     2 Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora    Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena  Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira  Barbosa,  Ana  Paula  Fernandes,  Mário  Pereira  de  Pinho  Filho  (suplente  convocado),  Ana  Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.   Relatório  Trata­se de Auto de Infração, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física –  IRPF  correspondente  aos  exercícios 2005, 2006  e 2007,  anos­calendário  2004, 2005 e 2006,  para  exigência  do  seguinte  crédito  tributário:  IRPF  –  R$  65.173,62;  multa  proporcional  (passível  de  redução)  –  R$  48.880,20;  juros  de  mora  (calculados  até  31/08/2009)  –  R$  26.212,82,  totalizando  um  crédito  tributário  apurado  no  valor  de  R$  140.266,64  (cento  e  quarenta mil, duzentos e sessenta e seis reais, sessenta e quatro centavos).  Conforme descrição dos  fatos  e enquadramento  legal constantes no  auto de  infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida  de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e  não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a  título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro  de  2004  a  dezembro  de  2006,  em  decorrência  da  Lei  Estadual  da Bahia  nº  8.730,  de  08  de  setembro de 2003.  As  diferenças  recebidas  teriam  natureza  eminentemente  salarial,  pois  decorreram  de  diferenças  de  remuneração  ocorridas  quando  da  conversão  de  Cruzeiro  Real  para URV  em  1994,  conseqüentemente,  estariam  sujeitas  à  incidência  do  imposto  de  renda,  sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento.  Na  apuração  do  imposto  devido  não  foram  consideradas  as  diferenças  salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação  exclusiva  na  fonte,  nem  as  que  tinham  como  origem  o  abono  de  férias,  em  atendimento  ao  despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou  o  Parecer  PGFN/CRJ  nº  2.140/2006.  Foi  atendido,  também,  o  despacho  do  Ministro  da  Fazenda  publicado  no DOU  de  11  de maio  de  2009,  que  aprovou  o  Parecer  PGFN/CRJ  nº  287/2009,  que  dispõe  sobre  a  forma  de  apuração  do  imposto  de  renda  incidente  sobre  rendimentos pagos acumuladamente.  O  autuado  apresentou  impugnação,  tendo Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento em Salvador/BA julgado a impugnação procedente, mantendo o crédito tributário  em sua totalidade.  Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados  ao CARF  para  julgamento  do mesmo. Em  sessão  plenária  de  20/11/2013,  foi  sobrestado  “o  julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012”, de acordo com a Resolução  nº 2201­000.173 (fls. 188/192), da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento.  Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10580.725157/2009­68  Acórdão n.º 9202­007.002  CSRF­T2  Fl. 3          3 Encerrado  o  sobrestamento,  em  sessão  plenária  de  10/09/2014,  foi  dado  provimento  parcial  ao  Recurso  Voluntário,  prolatando­se  o  Acórdão  nº  2201­002.522  (fls.  193/201), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de  votos,  rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam  aplicadas  aos  rendimentos  recebidos  acumuladamente  as  tabelas  progressivas  vigentes  à  época  em  que  os  valores  deveriam  ter  sido  pagos  ao  Contribuinte,  bem  como  excluir  da  exigência a multa de ofício”. O acórdão encontra­se assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Exercício: 2005, 2006, 2007  INCONSTITUCIONALIDADE.  APRECIAÇÃO.  INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.  Falece  competência  a  este  órgão  julgador  para  se  pronunciar  sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE.  RESPONSABILIDADE.  SÚMULA CARF Nº 12.  “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do  imposto  de  renda  na  declaração  de  ajuste  anual,  é  legítima  a  constituição  do  crédito  tributário  na  pessoa  física  do  beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à  respectiva retenção”.  IRRF. COMPETÊNCIA.  A  repartição  do  produto  da  arrecadação  entre  os  entes  federados  não  altera  a  competência  tributária  da  União  para  instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.  IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.  Os  valores  recebidos  por  servidores  públicos  a  título  de  diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando  da  implantação do Plano Real,  são de natureza  salarial,  razão  pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.  ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.  Inexistindo  lei  federal  reconhecendo  a  alegada  isenção,  incabível  a  exclusão  dos  rendimentos  da  base  de  cálculo  do  Imposto de Renda.  IRPF.  PARCELAS  ATRASADAS  RECEBIDAS  ACUMULADAMENTE.  TABELA  MENSAL.  APLICAÇÃO  DO  ART. 62­A DO RICARF.  O  imposto  de  renda  incidente  sobre  os  rendimentos  tributáveis  recebidos  acumuladamente  deve  ser  calculado  com  base  nas  tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam  ter  sido  adimplidos,  conforme  dispõe  o  Recurso  Especial  nº  1.118.429/SP,  julgado  na  forma  do  art.  543­C  do  CPC.  Aplicação do art. 62­A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).  IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73.  Fl. 371DF CARF MF     4 “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de  renda,  causado  por  informações  erradas,  prestadas  pela  fonte  pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”.  IRPF.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  VERBAS  TRIBUTADAS.  INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.  No  julgamento do REsp 1.227.133/RS,  sob o  rito do art. 543­C  do  CPC,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  decidiu  que  apenas  os  juros  de mora  pagos  em  virtude  de  decisão  judicial  proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba  indenizatória  paga  na  forma  da  lei,  são  isentos  do  imposto  de  renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988.  O  processo  foi  encaminhado  para  ciência  da  Fazenda  Nacional,  em  07/10/2014  para  cientificação  em  até  30  dias,  nos  termos  da  Portaria  MF  nº  527/2010.  A  Fazenda Nacional  interpôs em 08/10/2014, portanto,  tempestivamente, Recurso Especial  (fls.  203/210).  Ao  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  foi  negado  seguimento,  conforme  Despachos  s/nº  da  2ª  Câmara,  de  14/11/2014  (fls.  220/222)  e  s/nº  da  CSRF,  de  17/11/2014  (fl.  223),  respectivamente,  Exame  e  Reexame  de  Admissibilidade  de  Recurso  Especial.  A  Fazenda  Nacional  tomou  ciência  desses  despachos  em  09/12/2014  sem  manifestação.  Cientificado  do  Acórdão  nº  2201­002.522  em  23/03/2016,  o  contribuinte  opôs  em 29/03/2016,  portanto,  tempestivamente, Embargos de Declaração  (fls.  233/237)  alegando  que  o  aresto  proferido  incorre  em  omissão/contradição,  já  que  não  decretou  a  nulidade da exigência, em razão do cálculo do imposto ter sido efetuado com base no montante  global,  em  afronta  ao Parecer PGFN/CRJ nº  287/2009. Tais  embargos  foram  rejeitados  pelo  Despacho de Admissibilidade de Embargos, da 2ª Câmara, de 08/06/2016 (fls. 240/241).  Cientificado  da  rejeição  dos  embargos  em  04/07/2016  (AR  à  fl.  341),  o  sujeito passivo  interpôs o Recurso Especial  (fls. 250/284) em 19/07/2016, conforme  indica o  documento à fl. 248. Constata­se que a peça recursal foi protocolada tempestivamente, porém  dotada de erro quanto ao número do processo, posto que indicado o de nº 10580.727295/2009­ 81, que se refere a outro contribuinte (fl. 249). Tal erro foi comunicado pelo sujeito passivo em  21/07/2016 (fl. 246).  Em seu recurso visava rediscutir as seguintes matérias: a) violação à Súmula  n° 2 do CARF e ao art. 62, do Anexo II, de seu Regimento Interno, em face do afastamento de  legislação  tributária  fundada  em  incompatibilidade  com  artigo  da  Constituição  Federal;  b)  ilegitimidade ativa da União; c) nulidade do lançamento por erro na sua construção, ao invés da  sua revisão após notificado ao sujeito passivo; d) “URV” – parcelas de natureza indenizatória;  e e) não incidência de juros de mora sobre o Imposto de Renda cobrado.  Ao  Recurso  Especial  do  Contribuinte  foi  dado  seguimento  parcial  em  relação às matérias dos itens “c” ­ nulidade do lançamento por erro na sua construção, ao  invés  da  sua  revisão  após  notificado  ao  sujeito  passivo  e  “d”  ­  “URV”  –  parcelas  de  natureza indenizatória, conforme Despacho s/nº, da 2ª Câmara, de 07/10/2016 (fls.).  Em  relação  ao  item  “c”  ­  nulidade  do  lançamento  por  erro  na  sua  construção, ao invés da sua revisão após notificado ao sujeito passivo,, argumenta:  · o  contribuinte  alega  que  o  lançamento  foi  feito  em  uma  base  de  cálculo  completamente  inadequada,  uma  vez  que  a  fiscalização,  ao  invés  de  ter  feito  lançamentos  isolados  em  cada  valor  de  “URV”  recebido,  deveria  ter  refeito  as  três  DIRFs  (2005,  2006  e  2007)  do  Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10580.725157/2009­68  Acórdão n.º 9202­007.002  CSRF­T2  Fl. 4          5 contribuinte,  a  fim  de  apurar, mês  a mês,  os  valores  de  imposto  de  renda  supostamente devidos  em  conjunto  com os  salários  auferidos,  pois é sabido que a legislação de imposto de renda prevê a declaração  de ajuste anual, onde o contribuinte tem a possibilidade de excluir da  base  de  cálculo  do  tributo,  por  exemplo,  determinadas  parcelas  isentas,  passando normalmente a  ter  imposto  a  restituir  no  exercício  seguinte.  · Salienta  que,  conquanto  o  modo  de  proceder  da  fiscalização  tenha  sido ajustado no sentido de que o cálculo do imposto de renda devido  não deveria ser sobre a  totalidade dos valores  recebidos nos anos de  2005,  2006  e  2007,  mas  sim  sobre  os  valores  mensais  em  que  o  pagamento seria realizado (1994 a 2001), permanece induvidoso que  a  forma  de  constituição  do  crédito  tributário  ainda  não  se  mostra  adequada  posto  que  desconsiderados  os  demais  rendimentos  que  foram auferidos naquele período.  · Traz várias ementas do STJ no sentido de que o cálculo do imposto de  renda  deve  ser  feito  com  base  nas  tabelas  e  alíquotas  das  épocas  próprias da percepção dos rendimentos e acrescenta que não bastaria  os  lançamentos  levarem  em  consideração  apenas  os  valores  que  deveriam  ter  sido  recebidos  a  título  de  “URV”  nos  anos  de  1994  a  2001, como foi  feito, mas  também a  totalidade da receita mensal do  contribuinte, até para que se revelasse que a incidência do imposto era  devida ou não;  isto porque se  for considerado  tão somente a parcela  de  “URV”  que  deveria  ter  sido  recebida  em  janeiro  de  1995,  por  exemplo,  verificar­se­ia  que  a  fonte  pagadora  não  deveria  ter  feito  retenção, ao menos que fosse levada em consideração a totalidade do  recebimento  mensal,  uma  vez  que  o  essa  parcela  de  “URV”,  individualmente considerada, estaria isenta conforme tabela da época.  Já em relação ao  item “d”  ­ “URV” – parcelas de natureza  indenizatória,  argumenta:  · o contribuinte alega que o Acórdão recorrido apenas excluiu a multa  de  ofício  do  lançamento  realizado  para  os  exercícios  de  2005/2007,  mantendo  integralmente  a  exigência  do  imposto  de  renda,  desconsiderando  os  argumentos  defensivos,  em  especial  aquele  relativo à natureza indenizatória de tal parcela.  · Traz trechos do Parecer do Procurador de Estado da Bahia, Dr. Jorge  Salomão  Oliveira  dos  Santos,  que,  segundo  o  contribuinte,  “muito  bem  analisou  os  contornos  do  assunto  em  exame”,  e  afirma  que  a  origem  dos  pagamentos  da  Lei  Estadual  nº  8.730/2003  e  da  Lei  Complementar  nº  20/2003  foi  o  desfecho  desfavorável  à  Fazenda  Pública  Baiana  nos  autos  da  AO  613­BA  e  614­BA  julgadas  pelo  STF, de forma que o Estado da Bahia utilizou de sua própria receita  originária  para  compensar  seus  servidores  públicos  em  razão  das  diferenças havidas por conta da URV.   · Destaca  também  as  conclusões  fornecidas  pelo  Parecer  do  Jurista  Marco Aurélio Greco, tendo tal estudo sido empreendido em resposta  Fl. 373DF CARF MF     6 à  consulta  formulada  pelas Associações  de Classe  dos Membros  do  Ministério  Público,  dos  Tribunais  de  Contas  e  da  Magistratura  do  Estado  da  Bahia,  onde  concluiu  pela  Constitucionalidade  da  Lei  Estadual nº 8.730/2003, ou pela ilegitimidade da União para cobrar e  autuar  os  agentes  estaduais  pelo  não  recolhimento  do  Imposto  de  Renda, renda esta de titularidade exclusiva do Estado da Bahia.  O  processo  foi  encaminhado  para  ciência  da  Fazenda  Nacional,  em  01/02/2017  para  cientificação  em  até  30  dias,  nos  termos  da  Portaria  MF  nº  527/2010.  A  Fazenda  Nacional  apresentou  no  mesmo  dia,  portanto,  tempestivamente,  Contrarrazões  (fls.  360/366).  · Em  relação  à  incidência  do  IR  sobre  as  verbas  pagas,  a  Fazenda  Nacional  traz  todo  um  histórico  em  relação  ao  tratamento  dado  ao  abono variável instituído, inicialmente, para a Magistratura Federal e  estendido  aos  Membros  do  Ministério  Público  da  União,  reconhecendo a não incidência tributária sobre os mesmos.   · Argumenta que foi reconhecida a não incidência tributária apenas aos  membros dessas carreiras e que a contribuinte, no presente caso, não  integra o quadro de nenhuma delas.  · Diz  que  não  há  que  se  falar  em  ofensa  ao  princípio  da  isonomia.  Salienta que seria possível cogitar tal hipótese se, por exemplo, uma  vez  reconhecida  a  não  incidência  para  os  membros  da  carreira  do  Ministério  Público  Federal,  algum  Procurador  da  República  porventura fosse excluído do benefício sem motivo aparente; e aí sim  seria  cabível  discutir  ofensa  ao  princípio  da  igualdade,  pois  estaríamos diante de situações iguais sendo tratadas de forma distinta;  mas que não é esse o caso dos autos, pois a contribuinte é integrante  da Magistratura Estadual (BA).   · Cita  o  artigo  150,  §6º  da CF  e  os  artigos  97  e  111  do  CTN  –  que  trazemos abaixo in verbis, que tratam do tema da isenção e diz que a  pretensão  do  contribuinte  implica  em  evidente  ofensa  aos  artigos  citados.  · Afirma que nenhuma das leis que dispõem sobre o tema tratado (Leis  nºs 9.655/98, 10.474/02 e 10.477/02)  exime a  tributação de  imposto  de renda sobre a parcela discutida, pois  tratam­se de  leis  limitadas a  instituir o abono variável e sua forma de cálculo.  · Ressalta que, ainda que essas leis dispusessem sobre a não incidência  de IRPF sobre o abono variável, deve­se guardar obediência ao artigo  111  do  Código  Tributário  Nacional,  no  sentido  de  que  todo  dispositivo legal que disponha sobre isenção, suspensão, exclusão de  crédito  tributário  deve  receber  interpretação  restritiva;  e,  portanto,  descabido, conferir às leis mencionadas alcance que não contêm.   · Lembra que não há impedimento a que a lei estadual faça referência à  lei  federal,  desde  que  não  haja  invasão  das  esferas  de  competência  constitucionalmente  delimitadas;  e  salienta  que  se  a  lei  estadual  dispusesse  sobre a  incidência de  IRPF,  estaria disciplinando matéria  afeta à União, o que viola o artigo 153, III da Constituição Federal.   Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10580.725157/2009­68  Acórdão n.º 9202­007.002  CSRF­T2  Fl. 5          7 · Registra que a pretensão da contribuinte também viola a lei tributária,  sobretudo se considerado o artigo 3º da Lei 7.713/88:   Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução,  ressalvado  o  disposto  nos  arts.  9º  a  14  desta  Lei.  (Vide  Lei  8.023,  de  12.4.90)   (...)   §  4º  A  tributação  independe  da  denominação  dos  rendimentos,  títulos  ou  direitos,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade  da  fonte,  da  origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas  ou  proventos,  bastando,  para  a  incidência  do  imposto,  o  benefício  do  contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.  · Conclui que o legislador foi claro ao determinar a incidência de IRPF  sobre  o  rendimento  bruto,  ressalvado  o  teor  dos  artigos  9º  a  14  da  mesma Lei, onde não consta qualquer  referência  ao abono discutido  no  caso  em  apreço;  e  acrescenta:  “Ademais,  pouco  importa  a  denominação  da  parcela  tributada,  se  títulos,  direitos,  origem,  bastando  que  haja  benefício  do  contribuinte  de qualquer  forma  e  a  qualquer título”.  É o relatório.  Fl. 375DF CARF MF     8 Voto             Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira ­ Relatora.  Pressupostos de Admissibilidade  O Recurso Especial  interposto  pelo Contribuinte  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos  de  admissibilidade,  conforme  despacho  de  Admissibilidade,  fls.  343.  Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os  termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão.  Do Mérito  Em  face  dos  pontos  trazidos  no  Recurso  especial  do  Contribuinte  e  do  conteúdo  do  acórdão  recorrido  entendo  que  a  apreciação  do  presente  recurso  cingi­se  a  discussão  em  relação  a  forma  de  cálculo  do  tributo  devido,  em  que  pleiteia  o  recorrente  a  nulidade,  bem  como  em  relação  a  natureza  dos  valores  pagos  à  título  de  URV,  frente  a  aplicação de decisão do STJ na  sistemática de  recurso  repetitivo sobre  rendimentos  relativos  aos pagamentos recebidos pelos membros da Magistraturas da Bahia.  A base do fundamento do acórdão recorrido encontra­se na própria ementa do  acórdão, fls. 193 e seguintes, assim descrita:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF   Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa:  INCONSTITUCIONALIDADE.  APRECIAÇÃO.  INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.  Falece  competência  a  este  órgão  julgador  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE.  RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12.  “Constatada  a  omissão  de  rendimentos  sujeitos  à  incidência  do  imposto  de  renda  na  declaração  de  ajuste  anual,  é  legítima  a  constituição  do  crédito  tributário  na  pessoa  física  do  beneficiário,  ainda  que a  fonte  pagadora  não tenha procedido à respectiva retenção”.  IRRF. COMPETÊNCIA.  A  repartição  do  produto  da  arrecadação  entre  os  entes  federados  não  altera  a  competência  tributária  da  União  para  instituir,  arrecadar  e  fiscalizar  o  Imposto  sobre  a  Renda.  IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.  Os  valores  recebidos  por  servidores  públicos  a  título  de  diferenças  ocorridas  na  conversão  de  sua  remuneração,  Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10580.725157/2009­68  Acórdão n.º 9202­007.002  CSRF­T2  Fl. 6          9 quando  da  implantação  do  Plano  Real,  são  de  natureza  salarial,  razão  pela  qual  estão  sujeitos  aos  descontos  de  Imposto de Renda.  ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.  Inexistindo  lei  federal  reconhecendo  a  alegada  isenção,  incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do  Imposto de Renda.  IRPF.  PARCELAS  ATRASADAS  RECEBIDAS  ACUMULADAMENTE.  TABELA  MENSAL.  APLICAÇÃO  DO  ART. 62A DO RICARF.  O  imposto  de  renda  incidente  sobre  os  rendimentos  tributáveis  recebidos  acumuladamente  deve  ser  calculado  com  base  nas  tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam  ter  sido  adimplidos,  conforme  dispõe  o  Recurso  Especial  nº  1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação  do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).  IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73.  “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de  renda,  causado  por  informações  erradas,  prestadas  pela  fonte  pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”.  IRPF.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  VERBAS  TRIBUTADAS.  INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.  No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do  CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os  juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em  ação  de  natureza  trabalhista,  por  se  tratar  de  verba  indenizatória  paga  na  forma  da  lei,  são  isentos  do  imposto  de  renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988.  Considerando os tópicos apresentados pelo recorrente e os termos do acórdão  recorrido, passemos a analisar cada um dos pontos apresentados pelo recorrente:   c” ­ nulidade do lançamento por erro na sua construção, ao invés da sua  revisão após notificado ao sujeito passivo,,  · o  contribuinte  alega  que  o  lançamento  foi  feito  em  uma  base  de  cálculo  completamente  inadequada,  uma  vez  que  a  fiscalização,  ao  invés  de  ter  feito  lançamentos  isolados  em  cada  valor  de  “URV”  recebido,  deveria  ter  refeito  as  três  DIRFs  (2005,  2006  e  2007)  do  contribuinte,  a  fim  de  apurar, mês  a mês,  os  valores  de  imposto  de  renda  supostamente devidos  em  conjunto  com os  salários  auferidos,  pois é sabido que a legislação de imposto de renda prevê a declaração  de ajuste anual, onde o contribuinte tem a possibilidade de excluir da  base  de  cálculo  do  tributo,  por  exemplo,  determinadas  parcelas  isentas,  passando normalmente a  ter  imposto  a  restituir  no  exercício  seguinte.  Fl. 377DF CARF MF     10 · Salienta  que,  conquanto  o  modo  de  proceder  da  fiscalização  tenha  sido ajustado no sentido de que o cálculo do imposto de renda devido  não deveria ser sobre a  totalidade dos valores  recebidos nos anos de  2005,  2006  e  2007,  mas  sim  sobre  os  valores  mensais  em  que  o  pagamento seria realizado (1994 a 2001), permanece induvidoso que  a  forma  de  constituição  do  crédito  tributário  ainda  não  se  mostra  adequada  posto  que  desconsiderados  os  demais  rendimentos  que  foram auferidos naquele período.  · Traz várias ementas do STJ no sentido de que o cálculo do imposto de  renda  deve  ser  feito  com  base  nas  tabelas  e  alíquotas  das  épocas  próprias da percepção dos rendimentos e acrescenta que não bastaria  os  lançamentos  levarem  em  consideração  apenas  os  valores  que  deveriam  ter  sido  recebidos  a  título  de  “URV”  nos  anos  de  1994  a  2001, como foi  feito, mas  também a  totalidade da receita mensal do  contribuinte, até para que se revelasse que a incidência do imposto era  devida ou não;  isto porque se  for considerado  tão somente a parcela  de  “URV”  que  deveria  ter  sido  recebida  em  janeiro  de  1995,  por  exemplo,  verificar­se­ia  que  a  fonte  pagadora  não  deveria  ter  feito  retenção, ao menos que fosse levada em consideração a totalidade do  recebimento  mensal,  uma  vez  que  o  essa  parcela  de  “URV”,  individualmente considerada, estaria isenta conforme tabela da época.  Nesse ponto, entendo que não há reparos no acórdão recorrido.  Forma de Cálculo  No  que  tange  à  tributação  dos  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  verifica­se que a autoridade lançadora aplicou sobre o total do crédito, a tabela do imposto de  renda  vigente  no  mês  do  recebimento,  contudo,  essa  forma  de  cálculo  foi  modificado  pelo  acórdão recorrido, de forma, a que não merece qualquer reparo a decisão, afastando qualquer  espécie de nulidade arguida pelo recorrente  De  acordo  com  o  art.  62­A  do RICARF  (Portaria MF  nº  256/2009),  assim  como feito pela turma a quo, deve­se aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob  o rito do art. 543­C do CPC. Na ocasião, o Superior Tribunal de Justiça  (STJ) decidiu que o  Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de  acordo  com  as  tabelas  e  alíquotas  vigentes  à  época  em  que  os  valores  deveriam  ter  sido  adimplidos. Veja­se:  TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA.  AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO.  PARCELAS  ATRASADAS  RECEBIDAS  DE  FORMA  ACUMULADA.  1.  O  Imposto  de  Renda  incidente  sobre  os  benefícios  pagos  acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e  alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido  adimplidos,  observando  a  renda  auferida  mês  a  mês  pelo  segurado. Não  é  legítima a  cobrança  de  IR  com parâmetro  no  montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ.  Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10580.725157/2009­68  Acórdão n.º 9202­007.002  CSRF­T2  Fl. 7          11 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do  art.  543C do CPC e do art.  8º  da Resolução STJ 8/2008. Resp  1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei)  Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos  autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Assim, deve­se aplicar sobre os  rendimentos  recebidos  acumuladamente  as  tabelas  e  alíquotas  vigentes  à  época  em  que  os  valores deveriam ter sido pagos.  Aliás a leitura do art. 12­A da lei 7.713/88, é esclarecedora quanto a forma de  cálculo desses rendimentos.  Art.  12­A.  Os  rendimentos  recebidos  acumuladamente  e  submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na   tabela  progressiva,  quando  correspondentes  a  anos­calendário  anteriores  ao  do  recebimento,  serão  tributados  exclusivamente  na  fonte,  no  mês  do  recebimento  ou  crédito,  em  separado  dos  demais rendimentos recebidos no mês.  Assim,  como  feito  pelo  acórdão  recorrido  ao  apreciarmos  o  inteiro  teor  da  decisão do STF,  e mais,  baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela  corte máxima, observamos que toda a discussão cinge­e sobre o regime de tributação aplicável  aos  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE  ­  RRA,  se  regime  de  caixa  (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada  posteriormente  pela  própria  Receita  Federal  calcada  em  pareceres,  decisões  do  STJ  que  ensejaram  inclusive  alteração  legislativa  ­  art.  12­A  da  lei  7.713/88  e  no  próprio  acordão  recorrido.  Entendo  que  a  decisão  do  STJ  descrita  no  Resp  1.118.429/SP,  se  coaduna  com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discuti­se a sistemática de cálculo aplicável na  apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do  repetitivo  se  amolda  a  questão  trazida  nos  autos,  já  que  a  mesma  apresenta­se  em  estrita  consonância  com  a  matéria  objeto  de  repercussão  geral  no  RE  614.406/RS.  Na  verdade  a  posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo  STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres.  Vale destacar que no  âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa  questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN ­ processo nº  11040.001165/2005­61,  julgado  na  2ª  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  ­  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  ­  CSRF,  encontramos  situação  similar,  cujo  voto  vencedor,  do  ilustre  Conselheiro  Heitor  de  Souza  Lima  Junior  trata  da  matéria  ora  sob  apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202­003.695:  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF   Exercício: 2003   NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Não  há  que  se  cogitar  de  nulidade  de  lançamento,  quando  plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do  art. 142, do CTN e a lei tributária vigente.  IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.  Fl. 379DF CARF MF     12 Consoante  decidido  pelo  STF  através  da  sistemática  estabelecida  pelo  art.  543B  do  CPC  no  âmbito  do  RE  614.406/RS,  o  IRPF  sobre  os  rendimentos  recebidos  acumuladamente  deve  ser  calculado  utilizando­se  as  tabelas  e  alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime  de competência).  Ainda,  como  o  objetivo  de  esclarecer  a  tese  esposada  no  referido  acórdão,  transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema:  Verifico,  a  propósito,  que  a  matéria  em  questão  foi  tratada  recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de  trânsito  em  julgado  em  11/12/2014,  feito  que  teve  sua  repercussão  geral  previamente  reconhecida  (em  20  de  outubro  de 2010),  obedecida assim a  sistemática prevista no art.  543­B  do  Código  de  Processo  Civil  vigente.  Obrigatória,  assim,  a  observância,  por  parte  dos  Conselheiros  deste  CARF  dos  ditames  do  Acórdão  prolatado  por  aquela  Suprema  Corte  em  23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62,  §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado  pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015.  Reportando­me ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou,  por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca  da  inconstitucionalidade  do  art.  12  da  Lei  no.  7.713,  de  1988,  devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto  de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período  mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime  de competência (...)", afastando­se assim o regime de caixa.  Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento  se  cogita,  no  Acórdão,  de  eventual  cancelamento  integral  de  lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita  obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, note­se,  diploma  plenamente  vigente  na  época  em  que  efetuado  o  lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento,  guarda,  assim,  plena  observância  ao  disposto  no  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional.  A  propósito,  de  se  notar  que  os  dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de  e­fl.  12,  em nenhum momento  foram  objeto  de  declaração  de  inconstitucionalidade  ou  de  decisão  em  sede  de  recurso  repetitivo  de  caráter  definitivo  que  pudesse  lhes  afastar  a  aplicação ao caso in concretu.  Deflui  daquela  decisão  da  Suprema  Corte,  em  meu  entendimento,  inclusive,  o  pleno  reconhecimento  do  surgimento da obrigação  tributária que aqui  se discute, ainda  que  em  montante  diverso  daquele  apurado  quando  do  lançamento, o qual,  repita­se,  obedeceu os  estritos ditames da  legalidade  à  época  da  ação  fiscal  realizada.  Da  leitura  do  inteiro  teor  do decisum  do  STF,  é  notório  que,  ainda  que  se  tenha  rejeitado  o  surgimento  da  obrigação  tributária  somente  no  momento  do  recebimento  financeiro  pela  pessoa  física,  o  que a faria mais gravosa, entende­se, ali, inequivocamente, que  se  mantém  incólume  a  obrigação  tributária  oriunda  do  recebimento  dos  valores  acumulados  pelo  contribuinte  pessoa  física,  mas  agora  a  ser  calculada  em  momento  pretérito,  quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de  Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10580.725157/2009­68  Acórdão n.º 9202­007.002  CSRF­T2  Fl. 8          13 forma,  assim,  a  restarem  respeitados  os  princípios  da  capacidade contributiva e isonomia.  Assim,  com  a  devida  vênia  ao  posicionamento  do  relator,  entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de  exoneração  integral  do  lançamento,  se  estaria,  inclusive,  a  contrariar  as  razões  de  decidir  que  embasam  o  decisum  vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note­se, se  cogita  da  inexistência  da  obrigação  tributária/incidência  do  Imposto  sobre  a  Renda  decorrente  da  percepção  de  rendimentos tributáveis de forma acumulada.  Se, por um lado, manter­se a tributação na forma do referido art.  12  da  Lei  nº  7.713,  de  1988,  conforme  decidido  de  forma  definitiva  pelo  STF,  violaria  a  isonomia  no  que  tange  aos  que  receberam  as  verbas  devidas  "em  dia"  e  ali  recolheram  os  tributos  devidos,  exonerar  o  lançamento  por  completo  a  esta  altura  significaria  estabelecer  tratamento  anti­isonômico  (também  em  relação  aos  que  também  receberam  em  dia  e  recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles  que  foram  autuados  e  nada  recolheram  ou  recolheram  valores  muito  inferiores  aos  devidos,  ao  serem  agora  consideradas  as  tabelas/alíquotas  vigentes  à  época,  o  que  deve,  em  meu  entendimento, também se rechaçar.  Com base nas questões  levantadas pelo  ilustre conselheiro Heitor de Souza  Lima Junior aqui transcritas, e as quais uso como fundamento de razões para decidir, entendo  que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi  no sentido de  inexistência ou  inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos  rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido  de que a  apuração da base de cálculo do  imposto devido não seria pelo  regime de caixa (na  forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento  diferenciado  e  prejudicial  ao  contribuinte,  já  definindo  o  novo  regime  a  ser  aplicável  para  apuração do montante devido. Não se trata de alteração de critério jurídico aplicado pela  fiscalização, mas de aplicação dos termos de lei, que posteriormente por decisão judicial  deixa claro qual a melhor interpretação acerca do regime aplicável.  Incidência sobre Valores de Diferenças de URV ­ Natureza da verba  Quanto  ao  mérito,  é  sabido  que  as  verbas  recebidas  a  título  de  “Valores  Indenizatórios  de  URV”  advêm  de  diferenças  salariais  decorrentes  da  conversão  da  remuneração dos  servidores  beneficiados,  quando da  implantação do Plano Real. Em  função  disso, constata­se que tais valores tem ligação direta com a remuneração, ou seja, se referem a  remuneração (vencimentos) não percebidos anteriormente e acabam por importar diferenças ao  longo dos anos subseqüentes.   Nesse  sentido, podemos concluir que o objetivo de ações  judiciais  sob esse  fundamento ou mesmo da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, da Bahia  (que  apenas  reconheceu  esse  direito)  foi  simplesmente  pagar  ao  recorrente  aquilo  que  antes  deixou de ser pago, ou seja, diferença de salários.   Considerando o nítido caráter salarial  ­ diferenças pagas a posteriori, penso  que a verba trazida à discussão encontra­se sujeita à incidência do IR, conforme dispõe o art.  43 do CTN:  Fl. 381DF CARF MF     14 Art.  43. O  imposto,  de  competência da União,  sobre a  renda e  proventos  de  qualquer  natureza  tem  como  fato  gerador  a  aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:  I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou  da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza,  assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos  no inciso anterior.  §  1o  A  incidência  do  imposto  independe  da  denominação  da  receita  ou  do  rendimento,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção.  (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)  Nesse  sentido,  está­se  diante  de  acréscimo  patrimonial  tributável  pelo  Imposto  de  Renda,  entendimento  que  fora  inclusive  salientado  pelo  acórdão  proferido  pela  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA).  Frente as considerações acima, concordo com os fundamentos adotados pelo  julgador da  turma a quo  para definir  a natureza das diferenças de URV. Segundo o  acórdão  recorrido  a  verba  recebida  pelos  servidores  estaduais  possui  a  mesma  natureza  daquela  percebida  pelos  seus  pares  da  União  e,  portanto,  não  se  poderia  dispensar  tratamento  diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação.  Entendo, que não há como  igualar  as  situações dos membros do Ministério  Público Federal e Magistratura Federal com os pertencentes aos quadros do Estado da Bahia,  haja vista inexistir  lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que  concede  isenção deve ser  interpretada sempre literalmente, conforme inciso  II do art. 111 do  CTN.   Com efeito, o Código Tributário Nacional veda o emprego da analogia ou de  interpretações  extensivas  para  alcançar  sujeitos  passivos  em  situação  semelhantes.  Pensar  diferente implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art.  150  da CF  e  o  art.  176  do CTN. Dessa  forma,  ao  contrário  do  exposto  pelo  julgador  a  quo  entendo  que  ao  adotar  mesmo  tratamento  tributário,  alterando  a  natureza  dos  pagamentos,  estaria sim, me valendo da analogia para definir fato gerador e base de cálculo de imposto sob  a competência da União.   A  Resolução  do  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  nº  245/2002  conferiu  natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário  Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e  Lei nº 10.474/2002). No mesmo  sentido,  a PGFN, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003,  aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para  a Magistratura Federal e MP Federal,  respeitando a  interpretação do STF, contudo,  tal verba  não pode ser confundida com as diferenças decorrentes de URV ora sob análise.  Por  fim,  cumpre  salientar  que  a  dita  resolução  dispôs  acerca  da  forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata  o  art.  2º  e  parágrafos  da Lei  n.º 10.474/2002,  considerando­o  como  de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a  forma de cálculo deste abono: “I ­ apuração, mês a mês, de janeiro/98  a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº  10.474,  de  2002  (Resolução  STF  nº  235,  de  2002),  acrescidos  das  vantagens  pessoais,  e  a  remuneração mensal  efetivamente  percebida  Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10580.725157/2009­68  Acórdão n.º 9202­007.002  CSRF­T2  Fl. 9          15 pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente,  as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da  representação (194%)”.  A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono  as  verbas  referentes  à  diferença  de URV,  de  onde  se  interpreta  que  esta  não  tem  natureza  indenizatória, mas  de  recomposição  salarial.  Tal  tema  inclusive  já  foi  enfrentado  pelo Egrégio  Superior Tribunal  de  Justiça,  tendo  este  reconhecido  as  diferenças  entre  o  abono  salarial  tratado  pela  norma  e  a  diferença  da  URV,  conforme  se  verifica de voto da Ministra Eliana Calmon:  “Na  jurisprudência desta Casa,  colho os  seguintes precedentes,  que  sempre  distinguiram  as  hipóteses  de  percepção  das  diferenças  remuneratórias  da  URV  do  abono  identificado  na  Resolução  245/STF:  (...)”  (STJ,  Recurso  Especial  n.º  1.187.109/MA,  Segunda  Turma,  Ministra  Relatora  Eliana  Calmon, julgado em 17/08/2010)  E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo  Tribunal  Federal,  em  decisão  monocrática  proferida  nos  autos  do  Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte  excerto:  “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação  pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da  implantação  da  URV  e,  assim,  constituem  parte  integrante  de  seus  vencimentos.  As  parcelas  representativas  do montante que deixou de  ser pago,  no  momento  oportuno,  são  dotadas  dessa  mesma  natureza  jurídica  e,  assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento.  No  que  concerne  à  Resolução  no.  245/02,  deste  Supremo  Tribunal  Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem­se que  suas  normas  a  tanto  não  se  aplicam,  para  o  fim  pretendido  pelo  recorrido  (...)”  (STF,  Recurso  Extraordinário  n.º  471.115,  Ministro  Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)  Conclui­se,  portanto,  pelo  caráter  salarial  dos  valores  recebidos  acumuladamente  pelo  Recorrente,  razão  pela  qual  deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de  Pessoa  Física,  nos  termos  do  art.  43  do  Código  Tributário  Nacional.  Pelos  fundamentos  expostos,  entendo  que  a  verba  em  exame  deve  ser  tributada.  Em relação ao nítido caráter salarial das verbas pagas a título de URV, já se  pronunciou  este  conselho  em  outras  ocasiões  acerca  do  tema,  ao  qual  cito  julgados  que  corroboram com o encaminhamento aqui formulado:  Fl. 383DF CARF MF     16 ACÓRDÃO 9202­003.659  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF   Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF.   VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS  A  PARTIR  DE  INFORMAÇÕES  PRESTADAS  PELA  FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.  Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em  virtude de sua natureza remuneratória.  Recurso especial provido.  ACÓRDÃO 9202.003.585   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF   Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF.   VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS  A  PARTIR  DE  INFORMAÇÕES  PRESTADAS  PELA  FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.  Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em  virtude de sua natureza remuneratória.  Precedentes do STF e do STJ.  Recurso especial provido.  ACÓRDÃO 2201­002.491   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF   Exercício: 2005, 2006, 2007   PAF.  NULIDADE  DA  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.  O  julgador  administrativo  não  está  obrigado  a  rebater  todas as questões levantadas pela parte, mormente quando  os  fundamentos  utilizados  tenham  sido  suficientes  para  embasar a decisão.  INCONSTITUCIONALIDADE.  APRECIAÇÃO.  INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.  Falece  competência  a  este  órgão  julgador  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE.  RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12.  Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10580.725157/2009­68  Acórdão n.º 9202­007.002  CSRF­T2  Fl. 10          17 “Constatada  a  omissão  de  rendimentos  sujeitos  à  incidência  do  imposto  de  renda  na  declaração  de  ajuste  anual,  é  legítima  a  constituição  do  crédito  tributário  na  pessoa  física  do  beneficiário,  ainda  que a  fonte  pagadora  não tenha procedido à respectiva retenção”.  IRRF. COMPETÊNCIA.  A  repartição  do  produto  da  arrecadação  entre  os  entes  federados  não  altera  a  competência  tributária  da  União  para  instituir,  arrecadar  e  fiscalizar  o  Imposto  sobre  a  Renda.  IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.  Os  valores  recebidos  por  servidores  públicos  a  título  de  diferenças  ocorridas  na  conversão  de  sua  remuneração,  quando  da  implantação  do  Plano  Real,  são  de  natureza  salarial,  razão  pela  qual  estão  sujeitos  aos  descontos  de  Imposto de Renda.  ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.  Inexistindo  lei  federal  reconhecendo  a  isenção,  incabível  a  exclusão  dos  rendimentos  da  base  de  cálculo  do  Imposto  de  Renda.  IRPF.  PARCELAS  ATRASADAS  RECEBIDAS  ACUMULADAMENTE.  TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF.  O  imposto  de  renda  incidente  sobre  os  rendimentos  tributáveis  recebidos  acumuladamente  deve  ser  calculado  com  base  nas  tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam  ter  sido  adimplidos,  conforme  dispõe  o  Recurso  Especial  nº  1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC.  Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).  IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73.  “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de  renda,  causado  por  informações  erradas,  prestadas  pela  fonte  pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”.  IRPF.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  VERBAS  TRIBUTADAS.  INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.  No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do  CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os  juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em  ação  de  natureza  trabalhista,  por  se  tratar  de  verba  indenizatória  paga  na  forma  da  lei,  são  isentos  do  imposto  de  renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988.  Fl. 385DF CARF MF     18 Frente as questões colocadas acima, entendo que as verbas recebidas a título  de “Valores Indenizatórios de URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de  IR,  sendo  incabível  acatar  a  argumentação  de  que  a  natureza  salarial  da  referida  verba  seja  alterada por legislação estadual, qual seja, a Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro  de  2003,  ou mesmo que Resolução  nº  245  do STF  lastreada  em Lei  federal  com destinação  específica  possa  ser  aplicada  por  analogia  a  outros  casos  que  não  os  expressamente  nela  descritos.  Bem, conforme foi apreciado acima, entendo correto o procedimento adotado  pela autoridade fiscal ao lançar as contribuições, posto que os valores recebidos, pela análise da  legislação aplicável  ao  caso  concreto,  quais  sejam, CF/88, CTN e  legislação do  IR  incorreto  considerar os rendimentos como isentos ou não tributáveis. Assim, esse julgador em momento  algum  descumpri  ou  fere  dispositivo  regimental,  pelo  contrário,  entendo  que  acatar  os  argumentos  do  recorrente  pela  aplicabilidade  da  legislação  estadual  e  resolução  245/STF,  aí  sim, estaria afastando dispositivo legal.   Conclusão  Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte,  para no mérito NEGAR­LHE PROVIMENTO .    É como voto.    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.                              Fl. 386DF CARF MF

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Numero do processo: 10166.720756/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES. APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTOS. A exclusão do sujeito passivo da sistemática do SIMPLES, com efeitos retroativos, implica em apuração das contribuições de terceiros sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados com base na legislação de regência. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO GFIP. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. A omissão de documentos que permitam a apuração do valor do tributo devido à época do suposto recolhimento indevido impossibilita a confirmação dos requisitos de certeza e liquidez do crédito do contribuinte objeto de compensação. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe-se a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEVEDORES SOLIDÁRIOS. FALTA DE IMPUGNAÇÃO. Não havendo impugnação não se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal. No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEVIDO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor da acusação fiscal formulada no auto de infração, considerando ainda que todos os termos, no curso da ação fiscal, foram-lhe devidamente cientifIcados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa dentro dos prazos regulamentares, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa bem assim não há que se falar em nulidade do lançamento. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza cerceamento de direito de defesa, o indeferimento de pedido de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. A realização de diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO. Afasta-se a qualificadora da multa de ofício quando a fiscalização não descreve a conduta que autoriza a sua imposição ao lançamento, nos termos da legislação tributária. MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. A multa agravada aplica-se aos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 2401-005.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a qualificadora da multa, passando esta ao percentual de 112,5%. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho (relator) e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite que davam provimento parcial em maior extensão para excluir também a multa isolada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO

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2401­005.591  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  3 de julho de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÃO SOCIAIS DE TERCEIROS E MULTA COMPENSAÇÃO  INDEVIDA  Recorrente  CENTRO SUL ADMINISTRADORA DE CONDOMINIOS E SERVIÇOS  GERAIS LTDA ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012  EXCLUSÃO  DO  SIMPLES.  APURAÇÃO  DAS  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTOS.  A  exclusão  do  sujeito  passivo  da  sistemática  do  SIMPLES,  com  efeitos  retroativos,  implica  em  apuração  das  contribuições  de  terceiros  sobre  a  remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados com base  na legislação de regência.   MULTA  ISOLADA.  COMPENSAÇÃO  GFIP.  FALTA  DE  DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA.   A  omissão  de  documentos  que  permitam  a  apuração  do  valor  do  tributo  devido à época do suposto recolhimento indevido impossibilita a confirmação  dos  requisitos  de  certeza  e  liquidez  do  crédito  do  contribuinte  objeto  de  compensação.  Na  hipótese  de  compensação  indevida,  e  uma  vez  presente  a  falsidade  da  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo,  impõe­se  a  aplicação  da multa  isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com  base no valor total do débito indevidamente compensado.   CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  DEVEDORES  SOLIDÁRIOS.  FALTA  DE  IMPUGNAÇÃO.  Não  havendo  impugnação  não  se  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento  administrativo  fiscal.  No  caso  de  pluralidade  de  sujeitos  passivos,  caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados  do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo  para que cada um deles apresente impugnação.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 07 56 /2 01 4- 43 Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.258          2 CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  DEVIDO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.  Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor  da  acusação  fiscal  formulada  no  auto  de  infração,  considerando  ainda  que  todos  os  termos,  no  curso  da  ação  fiscal,  foram­lhe  devidamente  cientifIcados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa  dentro  dos  prazos  regulamentares,  não  há  que  se  falar  em  cerceamento  ao  direito de defesa bem assim não há que se falar em nulidade do lançamento.   DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE  DEFESA.  Não caracteriza cerceamento de direito de defesa, o indeferimento de pedido  de  diligência,  nos  termos  do  art.  18  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972.  A  realização de diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de  prova  a  ser  elucidada,  a  critério  da  autoridade  administrativa  que  realiza  o  julgamento do processo.  MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO.  Afasta­se  a  qualificadora  da  multa  de  ofício  quando  a  fiscalização  não  descreve a conduta que autoriza a sua imposição ao lançamento, nos termos  da legislação tributária.  MULTA AGRAVADA. CABIMENTO.  A  multa  agravada  aplica­se  aos  casos  de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos.  REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS  O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes  a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento  parcial ao recurso voluntário, para excluir a qualificadora da multa, passando esta ao percentual  de  112,5%.  Vencidos  em  primeira  votação  os  conselheiros  Francisco  Ricardo  Gouveia  Coutinho (relator) e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Vencidos os  conselheiros  Andréa  Viana  Arrais  Egypto,  Rayd  Santana  Ferreira,  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa e Matheus Soares Leite que davam provimento parcial em maior extensão para excluir  também a multa isolada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex  Friess.    (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier ­ Presidente    Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.259          3 (assinado digitalmente)  Francisco Ricardo Gouveia Coutinho ­ Relator    (assinado digitalmente)  Cleberson Alex Friess ­ Redator Designado    Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess,  Andrea  Viana Arrais  Egypto,  Francisco  Ricardo  Gouveia  Coutinho,  Rayd  Santana  Ferreira,  Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e  Miriam Denise Xavier  Relatório  Cuidam­se  de  recursos  voluntários  (fls.  289/1212)  interpostos  em  face  do  Acórdão  nº.  07­35.372  (fls.  257/285),  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Florianópolis.  Nos autos, consta a exigência de crédito  tributário das contribuições sociais  devidas às Terceiras Entidades ou Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas  ou  creditadas  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados  empregados,  e  a  Multa  Isolada  por  compensação  de  contribuições  previdenciárias  com  falsidade,  relativamente  às  competências  01/2010 a 12/2012.  REFISC (RELATÓRIO FISCAL)  Por bem circunstanciar os  fatos do procedimento fiscal, adota­se o  relatório  da decisão de piso que assim resumiu o REFISC (Relatório Fiscal):  [...]  I ­ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO   Informa  a  autoridade  lançadora  que  a  Autuada,  optante  pelo  Regime  Simplificado  de  Tributação  –  SIMPLES  NACIONAL  desde  01/01/2009,  incorreu  em  diversas  hipóteses  de  exclusão  do  referido  programa,  que  restou na lavratura, em 26/09/2013, da Representação Fiscal Administrativa  ao  Delegado  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Brasília­DF  e,  por  conseqüência,  na  sua  exclusão  do  SIMPLES  NACIONAL,  nos  termos  do  disposto no artigo 29,  incisos II, III, IV, VIII e IX da Lei Complementar nº  123/2006,  com  efeito  retroativo  a  01/01/2007,  conforme  determinado  pelo  Ato  Declaratório  Executivo  –  ADE  nº  71,  de  21/10/2013  (D.O.U  de  23/10/2013, Seção I).  Prossegue relatando os procedimentos adotados para apuração do crédito  tributário, ora lançado, conforme a seguir:  Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.260          4 a) Da Remuneração Dos Segurados Empregados   Durante a ação fiscal foram emitidos 4 (quatro) Termos de Intimação Fiscal  para  que  a  Fiscalizada  apresentasse  os  documentos  lá  solicitados,  não  tendo havido nenhuma manifestação de sua parte. Não foram apresentadas  as folhas de pagamento dos meses de 01 a 03/2010 e 12/2011, inclusive as  relativas  ao  pagamento  do  décimo  terceiro  salário  dos  segurados  empregados  para  os  anos  de  2010,  2011  e  2012;  os  registros  contábeis  (Livro Caixa, ou Livro Diário e Razão); nem as Notas Fiscais de prestação  de serviço emitidas no período sob ação fiscal.  Esclarece que, em razão da ausência da documentação exigida, a apuração  mensal  da  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  devidas,  composta  pela  remuneração  auferida  por  seus  segurados  empregados,  tomou como base as informações prestadas pela empresa em suas Guias de  Recolhimento  do FGTS  e  de  Informações  à Previdência  Social  – GFIP,  e  que para a obtenção dos valores relativos ao décimo terceiro salário foram  utilizadas as informações prestadas na RAIS dos anos de 2010, 2012 e 2013.  Esclarece­se que, além da Planilha contendo os valores mensais apurados,  consta do conjunto de provas, anexo aos autos, em formato digital  (Anexo  I),  os  comprovantes  de  entrega  da  GFIP  com  protocolo  de  envio;  os  Relatórios “Totais de Vínculos e Massa Salarial ­ RAIS” obtidos no Sistema  Cadastro Nacional de  Informações Sociais – CNIS; e a  listagem contendo  todas  as  GFIP´s,  utilizadas  pela  fiscalização  na  apuração  da  base  de  cálculo  deste  levantamento,  por  tomador  de  serviço  informado,  com  respectivo código de controle.  b) Da Compensação Indevida  Alega  que  a  Autuada,  no  período  fiscalizado,  informou  em  GFIP  valores  referentes à compensação de retenção para a Previdência Social realizadas  por  seus  tomadores  de  serviço,  relativamente  ao  fornecimento  de mão­de­ obra,  principalmente,  para  as  atividades  de  limpeza,  conservação,  higienização, portaria diurna e noturna, entre outros.  Diz que intimada, por meio dos Termos de Intimação Fiscal nº 02 e 03, este  reiterado  com  envio  para a  residência  do  sócio­gerente  da  empresa,  para  apresentar  todas  as  Notas  Fiscais  de  prestação  de  serviço  emitidas  no  período  de  01/2010  a  12/2012,  assim  como  sua  contabilidade,  para  que  fosse verificada a correção dos valores compensados, a Fiscalizada não se  manifestou. Por essa razão, promoveu a abertura de Diligências Fiscais em  7  (sete)  tomadores  de  serviço  da  empresa CENTRO  SUL,  os  quais  foram  selecionados com base nas informações prestadas, pela mesma, em GFIP, a  partir  das  quais  obteve  cópias  de  Contratos  de  Prestação  de  Serviço;  relação  de  empregados  cedidos;  Notas  Fiscais  de  Prestação  de  Serviço  emitidas pela empresa; e Guias da Previdência Social recolhidas.  Do exame da referida documentação, constatou que, apesar de a CENTRO  SUL  EMPREENDIMENTOS  E  SERVIÇOS  LTDA.  –  ME  (CNPJ  nº  05.241.315/0001­44)  constar  em  GFIP  como  empresa  contratada,  alguns  dos  contratos  foram  firmados,  na  verdade,  pela  empresa  CS  ADMINISTRAÇÃO  E  SERVIÇOS  GERAIS  LTDA.  –  EPP  (CNPJ  nº  01.726.963/0001­30), pertencente ao mesmo grupo econômico da primeira,  que  também  emitiu  as  Notas  Fiscais  de  prestação  de  serviço.  Também,  restou  identificado  que  as Guias  de Recolhimento  da Previdência Social  ­  Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.261          5 GPS, de código 2631, eram emitidas alternadamente para CNPJ´s distintos,  sem haver vinculação direta com o efetivo prestador de serviços.  Concluiu  que  a  empresa CENTRO SUL atua,  com outras  empresas,  como  um conjunto de sociedades,  formando um grupo econômico “de  fato”, que  por  sua  vez  adota  procedimentos  internos  de  controle  de  faturamento  e  consequentes  compensações  de  contribuições  previdenciárias  em  descompasso  com  as  normas  legais  e  infra­legais  existentes,  tudo  isso  aliado  à  negativa  da  empresa  Fiscalizada,  de  forma  reiterada  e  não  justificada, de exibição de livros e documentos à fiscalização.  Desse modo, por falta de comprovação hábil, regular e inequívoca por parte  da empresa Autuada, conforme mandamento contido no art. 89, §§ 9º e 10º  da  Lei  nº  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  os  valores  de  contribuição  previdenciária  foram  considerados  indevidamente  compensados,  inclusive  com falsidade, tendo sido glosados e cobrados os valores não recolhidos á  época da compensação.  II ­ DO GRUPO ECONÔMICO   Nesse tópico, a fiscalização aponta, do item 50 ao 79 do REFISC, todos as  situações apuradas que indicam a formação do grupo econômico “de fato”,  denominado,  de  forma  genérica,  como  “Grupo  CS”,  o  qual  é  composto  pelas seguintes empresas:    CNPJ  RAZÃO SOCIAL  01.726.963/0001­30  CS  ADMINISTRAÇÃO  E  SERVIÇOS  GERAIS  LTDA  ­ EPP  02.977.647/0001­01  CS  COMÉRCIO  DE  MATERIAIS  DE  LIMPEZA  LTDA  ME   03.614.621/0001­53  VALQUEL  COMÉRCIO  DE  FIBRA  DE  VIDRO  E  CONSTRUÇÃO LTDA  05.241.315/0001­44  CENTRO  SUL  EMPREENDIMENTOS  E  SERVIÇOS  LTDA ­ ME  12.523.206/0001­85  CENTRO  EMPREENDIMENTOS,  ADMINISTRAÇÃO  E  SERVIÇOS GERAIS LTDA   38.020.806/0001­14  CS CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA ­ ME  72.651.813/0001­52  AOS ADMINISTRAÇÃO, COMÉRCIO, CONSTRUÇÃO E  SERVIÇOS LTDA ­ ME    Colhe­se, ainda, as seguintes evidencias:  a) a outorga de poderes de gerência e administração feita em favor do Sr.  Avelar Oliveira Silva pelas empresas CS Empreendimentos, Administração e  Serviços Gerais Ltda.  (CNPJ nº 12.523.206/0001­85), AOS Administração,  Comercio,  Construção  E  Serviços  Gerais  Ltda.  –  ME  (CNPJ  nº  72.651.813/0001­52) e Valquel Comercio  de Fibra de Vidro  e Construção  Ltda. (CNPJ nº 03.614.621/0001­53), deixa claro a existência comprovada  de sócio oculto ou “de fato” no comando das diversas empresas;  b) a utilização de um mesmo endereço de  funcionamento para as diversas  empresas  do  grupo  evidencia  a  utilização  de  uma mesma  estrutura  física  para seu funcionamento, configura a confusão patrimonial e gerencial; e   c) a utilização de força de trabalho comum a todas as empresas.  Em  resumo,  esclarece  que  os  fatos  apontados  nesse  relatório  demonstram  caracterizada  a  confusão  patrimonial  com  vinculação  gerencial  por  Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.262          6 coincidência de sócios e administradores, havendo abuso de forma entre as  empresas  integrantes do agrupamento. Toda documentação, que  formam o  conjunto de provas para a caracterização do grupo econômico, encontra­se  anexa aos autos, em formato digital.  III ­ DA SUJEIÇÃO PASSIVA   Explica que restou configurada, à luz da legislação e dos fatos apontados no  REFISC, a constituição e atuação do grupo de empresas, na forma de grupo  econômico  “de  fato”,  razão  pelo  qual  todas  elas  foram  incluídas  no  pólo  passivo da relação tributária referente às contribuições previdenciárias, nos  termos do art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212, de 1991; do art. 222 do Decreto  3.48/99;  do  art.  179,  inciso  I  da  Instrução  Normativa MPS/SRP  nº  3,  de  14/07/2005, mesma disposição repetida no art. 152 da Instrução Normativa  RFB  nº  971,  de  13/11/2009.  Assim,  também,  restou  responsabilizado  o  sócio­administrador  “de  fato”  ou  oculto  da  empresa  Autuada  e  das  integrantes  do  “Grupo CS”,  na  pessoa  do  Sr.  Avelar Oliveira  Silva, CPF  394.993.673­49,  em  decorrência  da  prática  dos  atos  de  excesso  de  poder,  infração à Lei e ao contrato social.  Esclarece  que  as  empresas  serão  cientificadas  dos  créditos  tributários,  constituídos  na  presente  ação  fiscal,  por  meio  da  lavratura  do  Termo  de  Sujeição Passiva Solidária,  em conformidade com o art.  495 da  Instrução  Normativa RFB nº 971/2009.  Devendo,  portanto,  serem  responsabilizados  tanto  o  sócio­administrador  “de  fato”  ou  oculto  quanto  as  empresas  integrantes  do  “Grupo  CS”,  na  pessoa do Sr. Avelar Oliveira Silva.  IV ­ DA MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA  Por fim, esclarece que em face dos fatos apurados no curso da ação fiscal  foi aplicada, concomitantemente, a multa qualificada e agravada de 225%  (duzentos e vinte e cinco por cento), consoante art. 44, §§1º e 2º da Lei nº  9.430/1996.  No caso da compensação indevida, aplica­se o disposto no art. 89, § 9º da  Lei nº 8.212/91 (Lei de Custeio da Previdência Social).  EMENTA DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA  Cientificado dos Autos de Infração, o sujeito passivo apresentou impugnação,  através  de  seu  procurador  legalmente  constituído,  cujo  Acórdão  nº  07­35.372  restou  assim  ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012   DEBCAD nº 51.038.413­7   COMPENSAÇÃO  DE  RECOLHIMENTOS.  PAGAMENTOS  INDEVIDOS  PARA O SIMPLES.  É  vedada  a  compensação  de  contribuições  previdenciárias  com  valor  recolhido indevidamente para o SIMPLES.  MULTA DE OFÍCIO   Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.263          7 Sempre que restar configurada uma das situações descritas nos artigos 71,  72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa  de  que  trata  o  inciso  I,  do  artigo  44,  da  Lei  nº  9.430/1996  deverá  ser  duplicado.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  As  contribuições  em  atraso  estão  sujeitas  aos  juros  equivalentes  à  Taxa  Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC.  DEBCAD nº 51.038.414­5  MULTA  ISOLADA.  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA.  FALSIDADE  NA  DECLARAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO.  PERCENTUAL  EM  DOBRO.  APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE.  Na  hipótese  de  compensação  indevida,  e  uma  vez  presente  a  falsidade  da  declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe­se a aplicação da multa  isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com  base no valor total do débito indevidamente compensado.   MULTA DE OFÍCIO   Sempre que restar configurada uma das situações descritas nos artigos 71,  72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa  de  que  trata  o  inciso  I,  do  artigo  44,  da  Lei  nº  9.430/1996  deverá  ser  duplicado.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  As  contribuições  em  atraso  estão  sujeitas  aos  juros  equivalentes  à  Taxa  Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC).  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012   GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.  As  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  são  responsáveis solidárias pelas contribuições previdenciárias.  PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO.  O  prazo  para  apresentação  de  provas  no  processo  administrativo  fiscal  coincide  com  o  prazo  de  que  o  contribuinte  dispõe  para  impugnar  o  lançamento,  sob  pena  de  preclusão,  salvo  se  comprovada  alguma  das  hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo.  MULTA.  PRINCÍPIO  DA  BOA­FÉ.  INAPLICABILIDADE  EM  FUNÇÃO  DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA.  O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multa por  infração à  legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde  da pesquisa de elementos subjetivos.  ARGÜIÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  INCOMPETÊNCIA  DAS  INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.  As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação  vigente  no  País,  sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de  argüições  de  inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados.  Devidamente  cientificados  do  Acórdão  nº  07­35.372,  a  devedora  principal  (Centro  Sul  Empreendimento  e  Serviços  Ltda/Centro  Sul Administradora  de Condomínios  e  Serviços Gerais  Ltda)  e os  07  (sete)  devedores  solidários  apresentaram  recursos  voluntários,  conforme documentos às fls. 289/1212.  Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.264          8 RECURSO VOLUNTÁRIO DA DEVEDORA PRINCIPAL  1) Em seu recurso, a devedora principal primeiramente faz um abordagem do relatório da ação  fiscal e do auto de infração, resumindo nos seguintes pontos:  1. a  empresa CENTRO SUL Administradora de Condomínio  e Serviços Gerais  Ltda.  ­  ME,  ora  autuada,  tem  o  nome  de  fantasia  CS  Administradora  de  Condomínio  e  Serviços  Gerais,  enquanto  que  a  empresa  CS  Administração  e  Serviços Ltda.  ­ EPP  tem como nome  fantasia CENTRO SUL Serviços Gerais.  Registra,  inclusive,  que  o  próprio  auditor  ora  refere  a  Autuada  como  sendo  CENTRO SUL Administradora de Condomínio e Serviços Gerais Ltda. ­ ME, ora  CENTRO SUL Empreendimentos e Serviços Ltda. ­ ME.  2.  O  fato  de  o  Sr.  Avelar  Oliveira  Silva,  sócio  majoritário  das  referidas  empresas,  assinar  os  documentos  e  gerenciar  as  empresas  não  implica  em  nenhum problema.   3.  Prossegue  alegando  que  a  multa  aplicada  de  225%,  sobre  o  valor  da  cobrança  do  suposto  crédito  tributário,  é  desproporcional  e  desmedida,  porquanto todo montante lançado já está pago e quitado.  4. Aduz que houve um desencontro entre as informações contábeis da empresa e  as intimações da fiscalização, uma vez que não foram recebidas pelo responsável  apto a prestar esclarecimentos.  5.  Os montantes  devidos  a  título  de  contribuições  sobre  as  remunerações  dos  segurados  empregados,  em  todo  o  período  fiscalizado,  encontram­se  pagos,  mostrando­se incorreta e indevida a apuração da base de cálculo feita por mera  estimativa, com base em GFIP's e RAIS.   6.  requer  que  os  recolhimentos  até  então  efetuados  sejam  considerados  para  efeito de quitação integral do tributo devido.  7. Do descabimento do enquadramento da empresa no Grau de Risco 3 (Grave)  para Fins de Apuração da Contribuição Previdenciária devida ao SAT, uma vez  que existe ATIVIDADE COM risco 01.  8. Da Glosa de Compensações Realizadas. Diz constar do relatório fiscal que as  Notas Fiscais  de  prestação  de  serviços  não  foram  apresentadas  à  fiscalização  para que fossem verificados se, efetivamente, os valores compensados referem­se  aos  créditos  decorrentes  do  recolhimento  de  contribuições  previdenciárias  devidas quando da retenção na Nota Fiscal ou na Fatura, mediante aplicação da  alíquota de 11% sobre o valor pago pela tomadoras de serviços. As notas fiscais  já forma entregues à fiscalização.  9.  Notas  Fiscais  se  encontram  disponibilizadas  à  fiscalização  no  termo  de  atendimento ao CAC.  10. O fato de ser a empresa cedente de mão de obra e ter declarado na GFIP e  GPS o valor da contribuição previdenciária retida em Nota Fiscal emitida pela  contratada,  indiscutivelmente,  preencheu  os  requisitos  para  compensação  prevista no art. 31,§1º, da Lei nº 8.212/91.  11. Da Ausência de Grupo Econômico. CS Construções e Serviços Ltda. (CNPJ  38.020.806/0001­14) sequer estão em nome do Sr. Avelar Oliveira Silva, que se  Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.265          9 retirou  da  sociedade  em  março/2010,  conforme  cópia  das  Certidões  Simplificadas anexas.  12. as empresas trabalham em ramos distintos, sendo a sua atividade a de gestão  condominial, com limpezas, administração e atividade de vigia de portaria para  condomínio  residenciais,  e  as  demais  empresas  atuam  com  serviços  gerais,  comércio de fibra de vidros, construção, entre outros ramos.  13.  Salienta  que  o  Sr.  Avelar  responde  pelas  empresas  que  criou,  assinando  como  representante  legal  apenas  nas  empresas  que  consta  como  sócio  diretor  com função de gerencia, não existindo, portanto, a figura do "sócio­oculto".  14. Da Nulidade do Auto de Infração. a) Afirma que ao Auto de Infração deve  ser anulado por  total desobediência ao comando do art. 142 do CTN, em face  dos seguintes motivos: a)o demonstrativo elaborado pelo auditor não relacionou  as  notas  fiscais,  os  fornecedores  e  os  respectivos  valores  indevidos  no  levantamento  das  notas  fiscais  retiradas  dos  tomadores  do  serviço.  (As  notas  fiscais,  corretamente  emitidas,  não  foram  consideradas,  tendo  sido  auferido  valores aleatórios e genéricos; e b) não foi discriminada a legislação aplicável  aos juros e a correção monetária utilizados para cálculo das multas, cerceando  o seu direito de defesa.  15.  Todos  os  documentos  comprobatórios  dos  recolhimentos  das  contribuições  previdenciárias exigida no termo de fiscalização estão e estiveram à disposição  da fiscalização.  2) Em seguida, prossegue argumentando sobre pontos da decisão recorrida, quanto à exclusão  do  SIMPLES  e  a  nulidade  do  lançamento  do  auto  de  infração.  Ainda  que  o  auditor  não  relacionou as notas fiscais, os fornecedores e os respectivos valores, o que acabou por originar  a apuração de valores indevidos.  3)  Cita  decisões  do  CARF,  para  enfatizar  o  direito  à  dedução  dos  valores  recolhidos  na  sistemática  do  SIMPLES.  Neste  contexto,  diz  que  se  não  for  o  caso  de  anular  o  auto  de  infração que seja baixado em diligência para ser verificado o quanto foi pago.   4)  Declara  que  o  processo  chega  à  segunda  instância  administrativa  sem  que  a  autoridade  competente  tenha  apreciado  as  notas  fiscais  corretamente  emitidas,  os  fornecedores  e  os  respectivos  valores,  sendo  que  a  sua  consideração  poderia  alterar  substancialmente  o  lançamento efetuado.  5)  Informa  que  exerce  atividade  de  administração  e  gestão  de  condomínios  (contabilidade,  gestão de pessoal, limpeza, portaria e higienização). Não bastaria a mera exclusão da recorrente  do  SIMPLES  e,  ato  contínuo,  autuá­la  para  pagamento  da  contribuição  SAT/RAT,  sem  que  tenha  se  provado que,  de  fato,  a  sua  atividade  preponderante  seria  de  "Serviços  combinados  para apoio a edifícios, exceto condomínios prediais".  6) Aduz que no acórdão recorrido consta que o motivo da glosa das compensações efetuadas  "não foi o fato de as mesmas terem sido efetuadas mediante GFIP, mas sim de a Autuada não  comprovar a liquidez e certeza dos créditos compensáveis nelas declarados.  7) Sobre o "Grupo Econômico", afirma que a existência do grupo não passa de ficção criada  pela autoridade fiscal, portanto, é vazia e carece de provas robustas. Cita decisões do CARF.  Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.266          10 Prossegue afirmando que inexiste elementos nos autos que apontem colaboração dos pretensos  responsáveis solidários para a ocorrência do fato gerador.  8) Impossibilidade de qualificação das multas. Diz que não se pode deixar que interpretações  determinem multas que levam a percentuais abusivos e a conduta criminosas inexistentes. Cita  decisões do CARF, para concluir que a multa deve ser reduzida ao percentual de 75%.   9) Não pode a Secretaria da Receita Federal lançar novamente valores declarados. Entende que  o  recurso  deve  ser  provido  para  anular  o  auto  de  infração  e  determinar  que  os  valores  já  declarados e confessados pelo contribuinte sejam excluídos do lançamento.  10)  Insiste  no  aspecto  de  que  o  Auto  de  Infração  é  nulo  por  vício material.  Assim,  no  seu  entender estamos diante de um vício quanto ao motivo e o objeto. Foi lançado um débito que  "NÃO CONSIDEROU QUE OS  DÉBITOS  JÁ  FORAM  PAGOS.  POR  ISSO,  O  VÍCIO  É  MATERIAL E TODO O AUTO DE INFRAÇÃO DEVE SER DECLARADO NULO".  11)  Solidariedade  por  interesse  comum  na  situação  que  constitui  fato  gerador  da  obrigação  tributária principal. Entende que em uma empresa todos os sócios têm como interesse comum o  lucro, mas não se pode imputar grupo econômico e solidariedade por vontade do auditor. Cita  decisões do CARF.  12) Representação Fiscal para Fins Penais. Aduz ser abusiva o motivo para caracterização de  tal medida, não tem fundamento ou qualquer base para que seja indicada a existência de crime  contra a ordem tributária.  13) Ao final, requer:  a) Que seja anulado o auto de  infração por vício material consubstanciado  no  fato  de  o  auditor  fiscal  não  ter  considerado  OS  VALORES  DEVIDAMENTE  PAGOS,  ensejando  que  o  lançamento  não  pode  ser  retificado  no  seu  aspecto  quantitativo,  sem  que  isso  afete  a  higidez  do  seu  objeto;  b) Que seja anulado o auto de infração por vício formal, determinando que o  lançamento  seja  feito  excluindo­se  todos  os  valores  pagos  ou  retidos  pelos  tomadores de serviço, determinando a incidência de multa de 20% (vinte por  cento);  c) Que seja anulado o auto de infração quanto à retroatividade da exclusão  do simples;  d) Que seja anulado o auto de infração quanto à aplicação de alíquota de 3%  para o RAT/SAT;  e) Que seja julgado procedente o pedido para que o lançamento exclua todos  os valores pagos, RETIDOS, declarados, confessados coma redução da multa  para 20%  (vinte por  cento),  tendo em vista que os  valores  foram pagos ao  Fisco;  f) Que  seja  julgado procedente o pedido para  exclusão da multa,  tendo em  vista  que  os  elementos  apontam  pela  inexistência  de  motivos  para  a  qualificação ou agravamento da multa;  g) Que seja julgado procedente o pedido para excluir a solidariedade;  Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.267          11 h)  Que  seja  julgado  procedente  o  pedido  para  excluir  a  FORMAÇÃO  DE  GRUPO ECONÔMICO;  i)  Que  seja  julgado  procedente  o  pedido  para  EXCLUIR  a  CS  CONSTRUÇÕES  E  SERVIÇOS  LTDA  ­  CNPJ  38.020.806/0001­14  da  responsabilidade  solidária  e  do  grupo  econômico,  tendo  em  vista  que  o  senhor Avelar saiu da empresa em 2010 e a procuração que funda a relação  entre a empresa e o grupo econômico é para assunto específico de uma venda  de automóvel, ensejando que os proprietários da empresa não são "laranjas"  do senhor Avelar;  j) Que seja  julgado procedente o pedido para excluir elementos de dolo no  presente caso.  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Esta turma, por meio da Resolução nº 2401­000.601, de 05 de julho de 2017,  converteu o julgamento em diligência, para:  a) Por qual motivo o AR de  fls.  92/93  foi  considerado como  intimação da  devedora  principal  CENTRO  SUL  ADMINISTRADORA  DE  CONDOMÍNIOS E SERVIÇOS GERAIS CNPJ 05.241.315/000144?  b) Apesar da descrição do nome do destinatário e o endereço não serem os  mesmos dos constantes na qualificação do sujeito passivo devedor principal  do auto de  infração à  fl. 3, por qual motivo o AR de  fls. 92/93 está  sendo  considerado como a intimação da devedora principal?  c)  Após,  que  seja  a  contribuinte  intimada  para  se  manifestar  acerca  das  informações  apresentadas  pela  Receita  Federal  do  Brasil  na  presente  diligência.  A  informação  fiscal  em  atendimento  ao  pedido  de  diligência, Resolução  nº  2401­000.601,  de  05/07/2017,  consta  do  processo  principal.  Cientificado  dos  termos  da  informação, não houve manifestação do sujeito passivo.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho ­ Relator  Admissibilidade dos recursos   Constam  do  presente  processo  a  apresentação  de  08(sete)  recursos  voluntários (fls. 289/1212), sendo 01(um) da devedora principal (Centro Sul Administradora de  Condomínios  e Serviços Gerais  Ltda)  e  dos  07  (sete)  sujeitos  passivos  solidários,  conforme  abaixo:  1) CS CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA. – fl. 289/302;   2)  CS  ADMINISTRAÇÃO  E  SERVIÇOS  GERAIS  LTDA.  –  fls.  303/432;   Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.268          12 3) AVELAR OLIVEIRA SILVA – fls. 433/562;   4)  VALQUEL  COMÉRCIO  DE  FIBRA  DE  VIDRO  E  CONSTRUÇÕES LTDA. – fls. 563/692;   5) CS EMPREENDIMENTOS, ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS  GERAIS –fls. 823/952;   6)  AOS  ADMINISTRAÇÃO,  COMÉRCIO,  CONSTRUÇÃO  E  SERVIÇOS GERAIS LTDA. – fls. 953/1082;   7)  CS  COMERCIO  DE MATERIAIS  DE  LIMPEZA  LTDA.  fls.  1083/1212.  Compulsando  os  autos,  verifica­se  que  nenhum  dos  devedores  solidários  impugnaram o auto de infração, desta forma, conclui­se que, nos termos do que dispõe o art. 14  do Decreto nº 70.235, de 1972: "Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa  do procedimento", precluiu o seu direito de discutir o crédito tributário que lhes fora atribuído.  Também, são essas as disposições do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de  2011, que regulamenta, além de outros assuntos, o processo de determinação e de exigência de  créditos tributários:  CAPÍTULO III  DA FASE LITIGIOSA  Seção I  Da Impugnação  Art.56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os  documentos  em que  se  fundamentar  e  apresentada  em  unidade  da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre  o  domicílio  tributário  do  sujeito  passivo,  bem  como,  remetida  por  via  postal,  no  prazo  de  trinta  dias,  contados  da  data  da  ciência  da  intimação  da  exigência,  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15).  [...]  §3oNo  caso  de  pluralidade  de  sujeitos  passivos,  caracterizados  na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do  auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura  de prazo para que cada um deles apresente impugnação.  §4oNa  hipótese  do  §  3o,  o  prazo  para  impugnação  é  contado,  para cada sujeito passivo, a partir da data em que cada um deles  tiver sido cientificado do lançamento.  [...](grifou­se)  Neste contexto, não tendo os sujeitos passivos solidários acima relacionados  impugnado  o  lançamento,  não  instauraram  o  contencioso  administrativo  e,  portanto,  não  figuram  no  presente  processo  administrativo  fiscal.  Desse modo,  não  conheço  dos  referidos  recursos voluntários.  Quanto à devedora principal o  recurso voluntário é  tempestivo e atende aos  demais requisitos.   Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.269          13 Preliminares  Resolução  nº  2401­000.601  ­  Esclarecimentos  sobre  a  devedora  principal  (Centro  Sul  Empreendimento e Serviços Ltda/Centro Sul Administradora de Condomínios e Serviços  Gerais Ltda)  Em deliberação deste colegiado, com vistas a esclarecimentos sobre a ciência  do auto de infração à devedora principal, foi  instaurado o procedimento fiscal de diligência  ­  MPF nº 01.1.01.00­2013­00502­0, conforme termos anexos, além de outros pontos, para:  a) Por qual motivo o AR de  fls. anexa foi considerado como intimação da  devedora  principal  CENTRO  SUL  ADMINISTRADORA  DE  CONDOMÍNIOS E SERVIÇOS GERAIS CNPJ 05.241.315/000144?  [...]  No  início  do  procedimento  fiscal  (fiscalização)  em  01/03/2013,  a  autuada  (CENTRO SUL ADMINISTRADORA DE CONDOMÍNIOS E SERVIÇOS GERAIS LTDA)  utilizava o nome empresarial CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS.   A alteração da  razão  social  para CENTRO SUL ADMINISTRADORA DE  CONDOMÍNIOS  E  SERVIÇOS  GERAIS  LTDA,  ocorreu  em  16/07/2013,  no  curso  do  procedimento  fiscal,  conforme  tela  do  sistema  CNPJ,  abaixo  reproduzida.  Salienta­se  que  o  cadastro único manteve­se inalterado, ou seja, o mesmo CNPJ: 05.241.315/0001­44.    Conforme  ressaltou  a  auditoria  fiscal,  no  relatório  da  diligência,  a  identificação  da  empresa  com  o  nome  de  CENTRO  SUL  EMPREENDIMENTOS  E  SERVIÇOS  consta  em  vários  documentos,  a  exemplo  da  Procuração  lavrada  pela  sócia  em  25/08/2010 (fls.68), ­ Das Declarações Anuais do Simples Nacional­ DASN e de Informações  Socioeconômicas e Fiscais­ DEFIS (fls.70 a 92), ­ Das Notas Fiscais de prestação de serviço  (às fls. 556 a 591) e outros (documentos do processo principal 10166.720755/2014­07).  Como  se  observa,  em  todos  os  documentos  transcritos  consta  o  CNPJ  nº  05.214.315/0001­44,  cadastro  identificador  da  empresa  autuada,  CENTRO  SUL  ADMINISTRADORA DE CONDOMÍNIOS E SERVIÇOS GERAIS LTDA.   Portanto,  está  claro  que  seja  uma  ou  outra  Razão  Social,  na  realidade,  corresponde a mesma empresa. Entendo que está  respondido o questionamento da resolução:  "a)  Por  qual  motivo  o  AR  de  fls.  1022/1023  foi  considerado  como  intimação  da  devedora  Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.270          14 principal  CENTRO  SUL  ADMINISTRADORA  DE  CONDOMÍNIOS  E  SERVIÇOS  GERAIS  CNPJ 05.241.315/0001­44?" (Documentos do processo principal).  Do Pedido de Diligência  No âmbito do Processo Administrativo Fiscal,  a  realização de diligência  só  tem razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério do colegiado  que realiza o julgamento do processo.  Neste sentido, é o teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade  julgadora de primeira  instância determinará, de ofício ou a  requerimento do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar prescindíveis ou impraticáveis”.   Também, são essas as disposições do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de  2001, que regula, entre outras matérias, o processo de determinação e de exigência de crédito  tributário, in verbis:   Seção IV Das Diligências e das Perícias   Art.  35.  A  realização  de  diligências  e  de  perícias  será  determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de  ofício  ou  a  pedido  do  impugnante,  quando  entendê­las  necessárias  para  a  apreciação  da  matéria  litigada  (Decreto  no  70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de  9 de dezembro de 1993, art. 1o). (grifou­se)  Da  peça  recursal,  percebe­se,  basicamente,  que  o  sujeito  passivo  faz  referência ao pedido de diligência referente aos seguintes fatos:  se não for o caso de ANULAR O AUTO DE INFRAÇÃO deve ser baixado  em diligência para se QUANTIFICAR O QUANTO JÁ FOI PAGO.  [...]  Assim, uma vez que o demonstrativo elaborado pelo auditor, no caso, não  relacionou as notas fiscais, os fornecedores e os respectivos valores, o que  originou  a  apuração  de  valores  indevidos,  e  bem  como  porque  foram  consideradas notas fiscais retiradas dos tomadores do serviço, desprezando­ se as corretamente emitidas, chegando­se a valores aleatórios e genéricos, é  que  espera  a  recorrente  seja  convertido  o  presente  julgamento  em  diligência,  instando  a  autoridade  de  piso  a  proceder  à  apreciação  dos  referidos  documentos,  que  alterarão  substancialmente  o  conteúdo  do  lançamento,  sob  pena  de  nulidade,  nos  termos  do  art.  29  do  decreto  n.  70.235/72.  Ao que se observa, o pedido de diligência tem na sua essência elementos de  prova, comprovação de recolhimento de pagamentos (retenção pelos tomadores dos serviços) e  análise  de  documentos  apresentados.  Neste  sentido,  entendo  desnecessário  o  pedido  de  diligência,  considerando que os elementos  contidos nos autos  são suficientes para  análise do  feito.  Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.271          15 Nulidade do lançamento por ausência de formalidades legais e erro material  Repisa  a  recorrente,  assim  com  defendeu  na  impugnação,  que  o  auto  de  infração  deve  ser  anulado  porquanto  deixou  de  relacionar  as  Notas  Fiscais  de  prestação  de  serviços, o seu emitente e os respectivos valores.   Conclui ainda pela nulidade do ato administrativo por entender que a  razão  última do processo administrativo fiscal é a busca da verdade material, o que significa verificar  se a hipótese legal (norma abstrata) se adequa rigorosamente ao fato constatado pela autoridade  lançadora.  Para compreensão do alegado pelo sujeito passivo, necessário situarmos em  que contexto ocorreu a ação fiscal. Assim procedeu a auditoria fiscal:  1)  A  ação  fiscal  foi  instaurada  por  meio  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  ­  MPF­F  01.1.01.00­2013­00502­0 com início em 01/03/2013, data em que o recorrente tomou ciência  do  Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal  ­  TIPF,  por  via  Postal.  Outros  termos  foram  emitidos,  a  exemplos  dos  termos  de  intimações  e  reintimações,  anexos  as  autos  do  processo  principal, todos com ciência ao sujeito passivo;  2) A pessoa jurídica autuada era optante pelo SIMPLES NACIONAL. No curso da ação fiscal,  constatou­se  que  o  recorrente  incorrera  em  diversas  hipóteses  de  exclusão  do  referido  programa, o que gerou em 26/09/2013 a Representação Fiscal Administrativa do Delegado da  Receita Federal em Brasília ­ DF (PAF nº 10166.728329/2013­22), e que por consequência a  mesma foi excluída do SIMPLES NACIONAL, com efeitos retroativo a 01/01/2007, conforme  determinado pelo Ato Declaratório Executivo nº 71, de 21/10/2013 ( D.O.U. de 23/10/2013 ­  fls. 202);   3) Na análise dos documentos apresentados pelo sujeito passivo, registra a auditoria fiscal que  analisou as folhas de pagamento do sujeito passivo, em meio papel, as Guias de Recolhimento  do FGTS e de Informações à Previdência Social ­ GFIP informadas, bem assim as Declarações  Anuais, anos calendário 2010 e 2011, e Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais  ­ DEFIS, ano calendário 2012;  4)  Quanto  às  folhas  de  pagamento,  relata  que  a  empresa  CENTRO  SUL  apresentou  a  documentação  de  forma  deficiente  no  período  compreendido  entre  01/2010  a  12/2012,  especifica  que  não  foram  entregues  os  meses  de  01  a  03/2010  e  12/2011,  assim  como  as  relativas ao décimo terceiro salário para os anos de 2010, 2011 e 2012. Tais itens constam do  termo de intimação fiscal nº 01, do qual o sujeito passivo tomou ciência em 15/04/2013;  5) Também, cabe esclarecer que os livros contábeis (Livro Caixa ou Livro Diário e Razão) não  foram apresentados pelo contribuinte, apesar de reiteradamente ser intimado para tanto, assim  como  também não  foram apresentadas  todas  as notas  fiscais de prestação de  serviço por  ela  emitidas no período da ação fiscal;  6) Em vista da falta de apresentação de alguns documentos contábeis, a fiscalização promoveu  a abertura de Diligências Fiscais em 7 (sete) tomadores de serviço da empresa CENTRO SUL,  sendo colhidas junto a essas empresas cópias de Contratos de Prestação de Serviço, relação de  empregados  cedidos,  Notas  Fiscais  emitidas  pela  empresa  e  Guias  de  Previdência  Social  recolhidas.  Constatou­se  a  apresentação  de  alguns  dos  contratos  em  nome  da  empresa  CS  ADMINISTRAÇÃO E  SERVIÇO GERAIS LTDA, CNPJ  12.523.206/0001­85,  que  também  Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.272          16 emitiu  as Notas  Fiscais  de  prestação  de  serviço. O mesmo procedimento  foi  verificado  com  relação  à  geração  das GPS  de  código  2631,  que  eram  emitidas  alternadamente  para CNPJ's  distintos sem haver vinculação direta com o efetivo prestador de serviços (documentos anexos  aos autos);   7)  Considerando  a  exclusão  da  empresa  da  sistemática  do  SIMPLES,  e  devido  a  falta  de  documentos,  a  auditoria  fiscal  procedeu  à  apuração  dos  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária  provenientes  de  valores  pagos,  devidos  ou  creditados  pela  mesma  a  seus  empregados,  conforme  remuneração  informada  na  GFIP  e  na  RAIS  e  efetuou  a  glosa  de  valores de contribuições previdenciárias compensados indevidamente pela empresa;  8) Ainda, a fiscalização usou os valores informados pela autuada em suas GFIP, com vistas a  apurar, mensalmente as bases de cálculo das contribuições previdenciárias devidas, compostas  pela  remuneração  auferida  por  seus  segurados  empregados.  Quanto  aos  valores  relativos  ao  décimo terceiro salário foram obtidos com a utilização das informações prestadas pela empresa  na RAIS dos anos 2010, 2011 e 2012;  9) Referente à  remuneração dos  segurados empregados da autuada, a  fiscalização utilizou os  levantamentos  "RE"  e  "DT". Os  valores  estão  discriminados,  por mês,  constante da  planilha  (Anexo I), assim como os demais documentos utilizados;  10)  No  que  toca  à  compensação  indevida,  relata  a  auditoria  que  a  empresa CENTRO  SUL  atuou,  no  período  fiscalizado,  como  prestadora  de  serviço  na  área  de  administração  de  condomínios residenciais no Distrito Federal, fornecendo mão de obra principalmente para as  atividades de limpeza, conservação, higienização, portaria diurna e noturna;  11)  Registre  que  mediante  termos  de  intimações  nºs  2  e  3,  foi  solicitado  a  empresa  a  apresentação de todas as notas fiscais de prestação de serviço emitidas no período de 01/2010 a  12/2012. Todavia, conforme salienta a auditoria, o sujeito passivo permaneceu não atendendo  as intimações fiscais, deixando de apresentar a documentação solicitada;  12)  Por  esse motivo,  a  fiscalização  considerou  como  indevidamente  compensados,  inclusive  com falsidade, os valores de contribuição previdenciária por ela compensados, informados em  GFIP.  Ficando  glosados  por  falta  de  comprovação  hábil,  regular  e  inequívoca  por  parte  da  empresa, conforme mandamento contido nos §§9º e 10º do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. Os  valores  referentes  à  compensação  glosada  considerados  pela  fiscalização  no  presente  lançamento fiscal foram identificados pelo código de levantamento “GC”.  Pois  bem.  Entendo  que  deve  ser  rechaçado  o  argumento  de  que  houve  violação  às  formalidades  legais  de  constituição  do  crédito  tributário.  Percebe­se  que  o  ato  administrativo de lançamento foi devidamente motivado (devido processo legal), não havendo  que  se  falar  em  vício  material,  nos  termos  dos  fundamentos  e  fatos  descritos  no  Auto  de  Infração, relatório fiscal das infrações e anexos.   A  empresa  recorrente  demonstrou  conhecer  perfeitamente  o  teor  do  ato  administrativo  formulado  no  auto  de  infração,  pelo  que  logrou  apresentar  suas  razões  de  impugnação  dentro  do  prazo  legal  e  com  especial  profundidade,  a  demonstrar  o  perfeito  entendimento às matérias que compunham o lançamento, em obediência aos art. 142 do CTN,  arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, e a Constituição  Federal.  Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.273          17 Desta forma, afasta­se qualquer pretensão de nulidade do procedimento fiscal  prévio ao lançamento, e deste propriamente, porquanto não se vislumbra nenhuma evidência de  cerceamento ao direito de defesa, em face da ausência de formalidades legais e erro material no  lançamento.  Mérito  Auto de Infração ­ AI/DEBCAD Nº 51.038.413­7  No debcad  nº  51.038.413­7  estão  os  valores  das  contribuições  destinadas  a  outras  entidades  e  fundos  apuradas  a  partir  da  GFIP  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados,  considerando  que  a  autuada  apresentou,  de  forma  incompleta,  as  folhas  de  pagamento da empresa para o período de 01/2010 a 12/2012. Com relação ao décimo terceiro,  os valores foram obtidos coma utilização das informações prestadas pela empresa na RAIS dos  anos 2010, 2011 e 2012. (anexo I ­ Remuneração Mensal segurados Empregados).  Alega a  recorrente, como defendeu na impugnação, que as contribuições de  todo  o  período  fiscalizado  já  teriam  sido  recolhidas. Discorda  ainda  da  apuração  da  base  de  cálculo a partir da GFIP e RAIS.  Nesse  ponto,  deve  ser  esclarecido  que  a  exclusão  do  sujeito  passivo  da  sistemática  do  SIMPLES,  com  efeitos  retroativos  a  01/01/2007,  implica  em  apuração  das  contribuições  de  terceiros  sobre  a  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  aos  segurados  empregados com base no novo regime de tributação.  Quanto aos valores recolhidos com base no SIMPLES, entendo que ao caso  deve­se aplicar o enunciado da Súmula CARF nº 76, in verbis:   Súmula CARF nº 76   Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada  tributo,  após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da  mesma  natureza  efetuados  nessa  sistemática,  observando­se  os  percentuais  previstos  em  lei  sobre  o  montante  pago  de  forma  unificada.  (Vinculante,  conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).  Pois bem. Observa­se que podem ser compensados os valores recolhidos na  sistemática  do  SIMPLES  de  Contribuição  Previdenciária  Patronal  ­  CPP  com  os  valores  lançados a esse título (mesma natureza).   Compulsando  os  autos,  verifica­se,  por  meio  das  Declarações  Anuais  do  Simples Nacional  (fls.  70/92  ­ Processo nº 10166720755201407),  que não há  informação de  valor devido à título de contribuições sociais de terceiros, bem assim não foram juntados aos  autos comprovantes de valores recolhidos à título destas contribuições.   Ademais,  cabe  esclarecer  que  as  empresas  que  exercem  atividade  de  prestação de serviços, prevista no § 5º­C do artigo 18 da Lei Complementar nº 123/2006, estão  legalmente obrigadas  à  tributação prevista no Anexo  IV da  referida Lei Complementar,  cuja  alíquota comum do Simples Nacional não contempla a Contribuição Previdenciária Patronal –  CPP, que deverá ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes.  Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.274          18 Em  relação  ao  lançamento  com  base  na GFIP  e  RAIS,  impende  esclarecer  que é possível, nos termos do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, a Secretaria da Receita Federal  lançar  de  ofício  quando  houver,  inclusive,  a  apresentação  de  documentos  com  dados  incompletos,  o  que  ocorreu  no  caso  concreto.  Ainda  mais,  quando  a  GFIP,  constitui­se  instrumento de confissão de dívida.  Portanto, sem razão a recorrente. Mantém­se a decisão de primeira instância.   Auto de Infração ­ AI/DEBCAD Nº 51.038.414­5  O  debcad  nº  51.038.414­5  refere­se  à  multa  sobre  glosa  de  compensação  efetuada indevidamente. Conforme já relatado a autuada, como prestadora de serviços na área  de  condomínios  residenciais  no  Distrito  Federal,  informou  em  GFIP  valores  referentes  à  compensação de  retenção para  a Previdência Social,  nos  termos do  artigo 31, §1º,  da Lei nº  8.212, de 1991 (anexo II ­ Glosa de Compensação ­ fls. 493/539).  Acontece que após diligências nos tomadores de serviços, considerando que a  empresa  autuada,  regularmente  intimada,  deixou  de  apresentar  a  documentação  solicitada,  constatou­se que valores foram indevidamente compensados. De fato, observa­se, por exemplo,  que contratos  foram firmados por outras empresas do mesmo grupo econômico bem como a  emissão de notas fiscais (documentos anexos aos autos).  Os fundamentos  legais do crédito  tributário  lançado encontram­se na Lei nº  8.212, de 1991, art. 89  , parágrafos 9º e 10(com a redação dada pela Lei n. 11.941, de 27 de  maio de 2009) e art. 31, parágrafo 1(com a redação dada pela Lei n. 11.933, de 28 de abril de  2009);  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  n.  3.048,  de  06.05.99,  artigos 247 a 249, 251 caput, §2º ao 5º, 253 e art. 219, parágrafos 4. e 9.  Lei nº 8.212, de 1991.  Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo  único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição  e  as  contribuições  devidas  a  terceiros  somente  poderão  ser  restituídas  ou  compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior  que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita  Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  [...]  § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos  moratórios de que  trata o art. 35 desta Lei.  (Incluído pela Lei nº 11.941, de  2009).  § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo,  o  contribuinte  estará  sujeito  à  multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44  da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como  base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009).  Portanto, à vista da documentação carreada aos autos, sem razão a empresa  recorrente. Mantém­se a decisão de primeira instância.  Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.275          19 Do Grupo Econômico de fato  No que  toca  à  responsabilidade  solidária,  a  análise do  grupo econômico de  fato  resta  prejudicada  considerando  que  os  Recursos  Voluntários  dos  solidários  não  foram  conhecidos, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c o art. 56 do Decreto nº  7574, de 2011. Entretanto, entendo como necessária referida análise para fins de definição da  qualificadora da multa de ofício.  Durante  a  ação  fiscal,  a  auditoria  em  face dos  elementos  colhidos  junto  ao  sujeito passivo autuado bem assim de outras pessoas jurídicas concluiu pela caracterização de  Grupo Econômico.   Relata a auditoria que não houve a constituição formal do grupo econômico,  nos moldes do que dispõe o art. 265 da Lei nº 6.404, de 1976, in verbis:  CAPÍTULO XXI  Grupo de Sociedades  SEÇÃO I   Características e Natureza Características  Art.  265.  A  sociedade  controladora  e  suas  controladas  podem  constituir,  nos  termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se  obriguem a  combinar  recursos  ou  esforços  para a  realização dos  respectivos  objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns.  § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e  exercer,  direta  ou  indiretamente,  e  de  modo  permanente,  o  controle  das  sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante  acordo com outros sócios ou acionistas.  § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto  no artigo 244.  Natureza  Art. 266. As relações entre as sociedades, a estrutura administrativa do grupo e  a  coordenação  ou  subordinação  dos  administradores  das  sociedades  filiadas  serão  estabelecidas  na  convenção  do  grupo,  mas  cada  sociedade  conservará  personalidade e patrimônios distintos.  Designação  Art. 267. O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras  "grupo de sociedades" ou "grupo".  Parágrafo único. Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo  poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade".  Discorrendo sobre a formação de grupos econômicos de fato, peco vênia a i.  Conselheira Miriam Denise Xavier para transcrever parte de seu voto vencedor no Acórdão nº  2401004.470, que de forma precisa e clara, assim resumiu:  Sobre os "grupos econômicos", têm­se os constituídos formalmente (de acordo  com a Lei 6.404/76) e os denominados "grupos econômicos de fato", que podem  ser regulares ou irregulares.  Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.276          20 A Lei 6.404/76, denominada "Lei das Sociedades Anônimas", cuida do "grupo  econômico"  (que  denomina  "grupo  de  sociedade"),  legalmente  constituído,  limitando­se  a  estabelecer  as  normas  aplicáveis  nos  casos  em  que  uma  sociedade  controladora  e  suas  controladas  deliberada  e  formalmente  constituem  um  grupo,  que  se  sujeita,  portanto,  às  devidas  exigências  legais,  inclusive registro público.  Além  dos  grupos  econômicos  formalmente  constituídos,  são  frequentemente  encontrados os "grupos de empresas" com direção, controle ou administração  exercida direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. Esses "grupos  de empresas"  são os denominados grupos econômicos de  fato, que podem ser  regulares ou irregulares.  Os grupos econômicos de fato regulares são aqueles que, apesar de não serem  dotados  de  formalização  legal,  não  realizam práticas  dissuasivas  irregulares,  ao serem constituídos.  Os  grupos  econômicos  de  fato  e  irregulares  também  não  são  dotados  de  formalização legal, mas apresentam irregularidades ou mesmo ilegalidades na  sua  constituição,  com  o  objetivo,  dentro  outros,  de  se  eximir  ilegalmente  do  pagamento de tributos ou de suprimir os meios legais de cobrança.  Do  Relatório  Fiscal  das  Infrações,  extraem­se  os  fatos  que  motivaram  o  enquadramento da situação como grupo econômico de fato, conforme excertos transcritos dos  autos.   47.  A  fiscalização  constatou  a  existência  de  um  grupo  econômico  de  fato  atuando  na  área  de  prestação  de  serviços  e  sendo  composto  por  7  (sete)  empresas,  incluindo  a  aqui  autuada,  todas  sob  a  gerência  de  um  único  administrador, o sr. AVELAR OLIVEIRA SILVA, CPF 394.993.673­49.  [...]  49.  Tal  grupo  é  denominado  de  forma  genérica  como  “Grupo  CS”,  sendo  composto pelas empresas a seguir:   01.726.963/0001­30  CS ADMINISTRACAO E SERVICOS  GERAIS LTDA   02.977.647/0001­01  CS COMERCIO DE MATERIAIS DE  LIMPEZA LTDA   03.614.621/0001­53  VALQUEL COMERCIO DE FIBRA DE  VIDRO E CONSTRUCAO  LTDA  05.241.315/0001­44  CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E  SERVICOS LTDA   12.523.206/0001­85  CS EMPREENDIMENTOS,  ADMINISTRACAO E SERVICOS  GERAIS LTD  38.020.806/0001­14  CS CONSTRUCOES E SERVICOS LTDA ­  ME  72.651.813/0001­52  AOS ADMINISTRACAO, COMERCIO,  CONSTRUCAO E SERVICOS  GERAIS LTDA ­ ME  Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.277          21 50.  O  sr.  AVELAR  OLIVEIRA  SILVA  atua  ostensivamente  como  sócio­ administrador  da  empresa  CS  ADMINISTRACAO  E  SERVICOS  GERAIS  LTDA  –  EPP,  CNPJ  01.726.963/0001­30,  com  98%  de  participação  de  seu  capital,  porém  possui  também  pequenas  participações  nas  outras  empresas,  conforme a seguir:  [...]  52.  A  fiscalização  teve  acesso  a  documentos  que  comprovam  o  afirmado,  obtidos  em  diligências  efetuadas  em  7  (sete)  tomadores  de  serviço  selecionados da empresa CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVICOS  LTDA  – ME,  CNPJ  05.241.315/0001­44  a  partir  das  informações  prestadas  pela mesma em GFIP e, ainda, em solicitações feitas a diversos Cartórios de  Ofícios de Notas situados no Distrito Federal.  [...]  54. Apesar de informados em GFIP como contratantes pela empresa CENTRO  SUL  EMPREENDIMENTOS  E  SERVICOS  LTDA  –  ME,  CNPJ  05.241.315/0001­44, os contratos firmados, as notas fiscais emitidas e as GPS  geradas,  no  período  fiscalizado,  se  referiam  a  CNPJs  diversos,  todos  referentes a empresas pertencentes ao grupo econômico criado ­ “Grupo CS”,  conforme já relatado nos itens 25 a 33 deste relatório.  55. Assim, a partir destes fatos, a fiscalização constatou que a empresa objeto  da fiscalização, CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA –  ME, CNPJ 05.241.315/0001­44, foi na verdade constituída de forma simulada  com a utilização de interpostas pessoas.  56. A abertura da  empresa  se deu na data de 11/07/2002,  constando de  seu  Contrato  Social  (registro  JCDF  n.  53201151182)  os  sócios  pessoas  físicas  JOÃO  ANTÔNIO  FONTENELE  DE  SOUSA  FILHO,  CPF  725.662.301­10,  com  90%  de  participação  no  capital  social,  e  JANES  CARVALHO  SILVA  SOUSA, CPF  802.501.063­53,  com  10%  de  participação.  Ao  primeiro  sócio  foi designada a  função de gerência. Tal quadro social se manteve inalterado  até a presente data.  57.  Ocorre  no  entanto  que,  de  acordo  com  informações  apuradas  pela  fiscalização  no  banco  de  dados  do  sistema  CNISA,  o  sr.  JOÃO  ANTÔNIO  FONTENELE  DE  SOUSA  FILHO  possuía,  na  data  de  constituição  da  empresa, vínculo formal na condição de segurado empregado com a empresa  CS  COMERCIO  DE  MATERIAIS  DE  LIMPEZA  LTDA  –  ME  CNPJ  02.977.647/0001­01,  participante  do  “Grupo  CS”,  na  ocupação  de  auxiliar  administrativo, Código 4110 da Classificação Brasileira de Ocupações­CBO,  assim  permanecendo  até  a  competência  09/2004.  A  partir  de  01/04/2005,  transfere­se como empregado para a mesma empresa em que atua como sócio­ gerente,  CENTRO  SUL  EMPREENDIMENTOS  E  SERVICOS  LTDA  –ME,  CNPJ  05.241.315/0001­44  nas  ocupações  de  auxiliar  administrativo,  até  01/08/2006, e motorista (CBO 7823/7825).  58. De fato, analisando­se as folhas de pagamento da empresa CENTRO SUL  no  período  de  01/2010  a  12/2012  corrobora­se  o  afirmado,  posto  que  o  sr.  JOÃO ANTÔNIO FONTENELE DE SOUSA FILHO consta nestes documentos  registrado  como  segurado  empregado,  matrícula  n.  1516,  na  função  de  motorista.  Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.278          22 59. Mesma situação ocorreu com a sócia minoritária sra. JANES CARVALHO  SILVA  SOUSA  que,  na  data  de  constituição  da  empresa  também  mantinha  vínculo  como  segurada empregada na mesma  empresa  em que  trabalhava o  outro  sócio,  CS  COMERCIO  DE  MATERIAIS  DE  LIMPEZA  LTDA  –  ME  CNPJ 02.977.647/0001­01, na ocupação de zeladora de edifícios (CBO 5141),  até  03/2005.  A  partir  de  31/07/2006,  transferiu­se  para  a  empresa  CS  ADMINISTRACAO  E  SERVICOS  GERAIS  LTDA  –  EPP,  CNPJ  01.726.963/0001­30, também integrante do grupo, onde exerceu as funções de  servente  e  de  administradora  de  edifícios  (CBO  7170  e  5101),  sendo  neste  empregador onde mantém seu vínculo atual.  [...]  64.  Atestou­se  também  a  constituição  formal  feita  em  favor  do  sr.  AVELAR  OLIVEIRA  SILVA,  como  procurador  com outorga  de  poderes  de  gerência  e  administração,  pelas  empresas  CS  EMPREENDIMENTOS,  ADMINISTRACAO  E  SERVICOS  GERAIS  LTD,  CNPJ  12.523.206/0001­85,  AOS ADMINISTRACAO, COMERCIO, CONSTRUCAO E SERVICOS GERAIS  LTDA – ME, CNPJ 72.651.813/0001­52 e VALQUEL COMERCIO DE FIBRA  DE  VIDRO  E  CONSTRUCAO  LTDA,  CNPJ  03.614.621/0001­53,  conforme  cópias  de  procurações  fornecidas  pelo  Cartório  do  5o.  Ofício  de  Notas  do  Distrito Federal, em anexo.  65.  A  utilização  de  um mesmo  endereço  de  funcionamento  para  as  diversas  empresas  do  grupo  também  ficou  evidenciada.  O  endereço  mantido  pela  empresa CENTRO SUL no cadastro da Receita Federal  (ST C 11, LOTE 08,  SALA  203  TAGUATINGA CENTRO, CEP  72.010­110),  quando  do  início  do  procedimento fiscal, não correspondia ao local onde a mesma mantinha suas  atividades.  66. O contribuinte somente tomou ciência do Termo de Início de Procedimento  Fiscal  após  a  correspondência  ter  sido  enviada  para  endereço  diferente  do  contido  no  banco  de  dados  da  Receita  Federal,  que  foi  encontrado  em  pesquisa  efetuada  na  internet  através  do  site  do  chamado  “Grupo  CS”  (http://www.centrosulservicos.com.br/cs/).  Neste  endereço  virtual  é  indicado  como local de funcionamento das empresas do grupo o seguinte logradouro:  SCIA QUADRA 14 CONJUNTO 07 LOTE 1  SETOR DE INDÚSTRIAS  BRASILIA – DF CEP 71250­135  67. Este é o mesmo endereço registrado no cadastro da Receita Federal para  as  empresas  CS  EMPREENDIMENTOS,  ADMINISTRACAO  E  SERVICOS  GERAIS LTD, CNPJ 12.523.206/0001­85 e CS CONSTRUCOES E SERVICOS  LTDA – ME, CNPJ 38.020.806/0001­14.  68. Diante disso, a fiscalização realizou visita pessoal, na data de 20/06/2013,  no  endereço  então  fornecido  pela  CENTRO  SUL,  oportunidade  em  que  verificou,  mediante  lavratura  de  competente  Termo  de  Constatação,  que  referido  logradouro  na  realidade  é  local  de  funcionamento  da  empresa  POLOCAL SERVIÇOS, CNPJ 11.842.469/0001­94, desde o mês 09/2011; que  a  empresa  CENTRO  SUL  não  é  conhecida  por  nenhum  funcionário  da  empresa que atualmente funciona no local. Tais informações foram fornecidas  e atestadas pelo sr. Edel Cristiani Martins Ferreira, CPF 534.428.811­53.  Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.279          23 69. Após a constatação  feita pela  fiscalização, contudo, a empresa CENTRO  SUL promoveu alteração de seu endereço junto à Receita Federal, na data de  16/07/2013, fornecendo o seguinte endereço:  SCIA QUADRA 08, CONJUNTO 11, LOTE 13, ZONA  INDUSTRIAL( GUARÁ) CEP: 71250­725.  70.  Trata­se,  porém,  do mesmo  endereço  constante  do  cadastro  da  empresa  VALQUEL  COMERCIO  DE  FIBRA  DE  VIDRO  E  CONSTRUCAO  LTDA,  CNPJ  03.614.621/0001­53,  aqui  já  citada  e  também  integrante  do  mesmo  grupo econômico.  71.A  identidade  de  endereço  das  empresas  evidencia  a  utilização  de  uma  mesma  estrutura  física  para  seu  funcionamento,  configurando  sua  confusão  patrimonial e gerencial.  [...]  75.  Também  conforme  informação  coletada  pela  fiscalização  junto  às  empresas  diligenciadas,  apurou­se  que  o  responsável  pela  contabilidade  dos  condomínios  prediais,  contratantes  de  empresas  do  Grupo  CS,  é  o  mesmo,  qual  seja,  a  empresa  INNOVE  ADMINSTRADORA  DE  CONDOMÍNIOS  LTDA, CNPJ 14.511.821/0001­ 05, contadora responsável ZELINA OLIVEIRA  SILVA, CRC 550­TO/DF.  76. O cadastro da empresa INNOVE junto à Receita Federal do Brasil indica  que seu quadro societário é o mesmo da empresa CS EMPREENDIMENTOS,  ADMINISTRAÇÃO  E  SERVIÇOS  GERAIS  LTD,  CNPJ  12.523.206/0001­85,  que possui como sócios HOSANA DOURADO SILVA e CAMILA CAROLINE  FERREIRA DE AQUINO.  77.  A  fiscalização  também  obteve  cópias  de  documentos  que  indicam  que  o  Grupo  CS  repassou  à  INNOVE  os  serviços  contábeis  referentes  a  seus  contratos de prestação de serviços e que a mesma funciona com uma “filial”  no endereço do Grupo (não há filiais cadastradas para a INNOVE no cadastro  da RFB). Outrossim,  a  contadora  responsável  indicada,  ZELINA OLIVEIRA  SILVA, CPF 412.035.693­00, foi empregada da empresa CS COMERCIO DE  MATERIAIS  DE  LIMPEZA  LTDA  –  ME  CNPJ  02.977.647/0001­01  até  a  competência 07/2011, além de ser irmã de AVELAR OLIVEIRA SILVA.  Verifica­se,  a  partir  das  situações  relatadas  nos  autos  e  sintetizadas  no  Relatório Fiscal das  Infrações, uma unidade de  interesse  jurídico das várias pessoas  jurídicas  (Grupo  CS)  envolvidas,  configurando­se  evidente  interesse  comum  nos  atos  negociais  de  propriedade e de prestação de serviços.  Portanto,  entendo  como  caracterizada  a  formação  do  grupo  econômico  de  fato  com  intuito  de  se  eximir  do  pagamento  de  tributos  ou  de  suprimir  os  meios  legais  de  cobrança.  Da multa qualificada de 150% e agravada  Dispõe o art. 35­A da Lei nº 8.212, de 1991, c/c o §§1º e 2º do art. 44 da Lei  nº 9.430, de 1996, nos seguintes termos:  Lei nº 8.212/91  Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.280          24 ...  Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  (Vide Lei nº 10.892, de 2004)  (Redação dada  pela Lei nº 11.488, de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata;  (Vide  Lei  nº  10.892,  de  2004)  (Redação  dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  [...]  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e  o  §  1o  deste  artigo  serão  aumentados  de metade,  nos  casos  de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I  ­  prestar  esclarecimentos;  (Redação dada pela Lei nº 11.488,  de 2007)  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11  a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada  pela Lei nº 11.488, de 2007)  III  ­  apresentar  a  documentação  técnica  de  que  trata  o  art. 38  desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  §3º  Aplicam­se  às  multas  de  que  trata  este  artigo  as  reduções  previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e  no  art.  60  da  Lei  nº  8.383,  de  30  de  dezembro  de  1991.  (Vide  Decreto nº 7.212, de 2010).  Por seu turno, os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de  1964, definem os tipos penais, nos seguintes termos:   Art  .  71.  Sonegação é  toda ação ou omissão dolosa  tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:   I  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;   II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.   Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.281          25 Art  .  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.   Art  . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.  Relata  a  auditoria  fiscal  que  diante  dos  fatos  apurados  pela  fiscalização  aplicou­se concomitantemente, o disposto nos art. §§1º e 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996,  resultando na imposição da multa de ofício como percentual de 225%.  Para o enquadramento do ilícito fiscal nos tipos penais previsto dos arts. 71,  72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, imprescindível a presença de dolo na conduta do sujeito passivo,  devendo o mesmo praticar intencionalmente a conduta com o propósito de obter o resultado de  suprimir ou reduzir o pagamento do tributo devido.   Além dos elementos que dão suporte a aplicação da multa agravada (deixar a  empresa  de  apresentar  os  devidos  esclarecimentos),  entendo  que  está  caracterizada  a  qualificadora  da  multa  de  ofício  (dolo),  considerando  o  conjunto  probatório  dos  autos,  especificamente em relação à formação do grupo econômico de fato.  Portanto, sem reforma a decisão de piso.  Representação Fiscal para Fins Penais  Quanto  à  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais,  impende  esclarecer  o  seguinte: " Súmula nº 28: o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias  referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais ".  Conclusão  Voto no sentido de NÃO CONHECER dos recursos voluntários em relação  aos  sujeitos passivos  solidários. Quanto à devedora principal, CONHECER do  recurso, para,  no mérito, NEGAR­LHE provimento.      (assinado digitalmente)  Francisco Ricardo Gouveia Coutinho  Voto Vencedor  Conselheiro Cleberson Alex Friess ­ Redator Designado  Peço vênia ao I. Relator para divergir do seu voto, especificamente quanto à  qualificação da multa de ofício.  Segundo  o  agente  fazendário,  a  empresa  apresentou  de  forma  deficiente  as  folhas  de  pagamento  do  período  de  01/2010  a  12/2012,  lançando­se  de  ofício,  por meio  do  Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10166.720756/2014­43  Acórdão n.º 2401­005.591  S2­C4T1  Fl. 1.282          26 Auto  de  Infração  (AI)  nº  51.038.413­7,  os  valores  referentes  às  contribuições  devidas  a  entidades  e  fundos,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas/creditadas  aos  segurados  empregados, com base nos dados da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo  de Serviço e Informações à Previdência Social ­ GFIP (fls. 03/14 e 26/29).  Sobre  o  crédito  tributário  lançado,  a  fiscalização  fez  incidir  a  multa  qualificada e a multa agravada, no total de 225% (fls. 34/37)  O agente fiscal justificou o agravamento do percentual da multa, aumentado  de metade, dado que o sujeito passivo não cumpriu, no prazo marcado, a intimação para prestar  esclarecimentos. Porém, com relação à duplicação do patamar da penalidade, até o importe de  150%, a fiscalização é omissa na descrição dos fatos.   Evidentemente, a apresentação deficiente de documentação, por si só, não é  de molde  a  justificar  a  exarcebação  da  penalidade,  que  exige  a  comprovação  de  sonegação,  fraude  ou  conluio.  Do  mesmo  modo,  é  insuficiente  a  constatação  da  existência  de  grupo  econômico, sem explicar a conexão com a falta de pagamento do tributo lançado.  Não é demais recordar que o inadimplemento não autoriza a qualificação da  multa  de  ofício,  na  linha  de  entendimento  do  verbete  sumulado  nº  14  deste  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais:  Súmula  CARF  nº  14:  A  simples  apuração  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.  Logo, cabe afastar a qualificadora da multa de ofício, reduzindo ao patamar  básico  de  75%,  observado,  no  entanto,  o  aumento  de metade,  em  razão  do  agravamento  da  penalidade, o que totaliza o percentual de 112,5% (AI nº 51.038.413­7).  Conclusão  Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário apresentado pelo contribuinte, para excluir a qualificadora da penalidade, passando  o percentual da multa de ofício para 112,5%.    (assinado digitalmente)  Cleberson Alex Friess                  Fl. 1282DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.720454/2015-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Quando comprovado todo histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. COFINS NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição à COFINS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 PIS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição ao PIS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­005.384  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de junho de 2018  Matéria  PIS/COFINS ­ AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrente  MANETONI DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS SIDERÚRGICOS  IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010  PRELIMINAR  DE  NULIDADE  DA  DECISÃO.  CERCEAMENTO  DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA  Quando comprovado todo histórico de discussão administrativa, não se pode  falar  em  cerceamento  de  direito  de  defesa  ou  quaisquer  outros  vícios  no  lançamento  ou  no  julgamento  da  primeira  instância,  uma  vez  que  todo  o  procedimento  previsto  no  Decreto  nº  70.235/72  foi  observado,  tanto  o  lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal.  COFINS  NÃO­CUMULATIVA.  BASE  DE  CÁLCULO.  EXCLUSÃO.  VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS.  A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da  base  de  cálculo  da  Contribuição  à  COFINS,  depende  da  comprovação,  mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas  decorreram  de  vendas  mercadorias  para  empresas  exportadoras  com  o  fim  específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à  industrialização  na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010  PIS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS  EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS.  A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da  base de cálculo da Contribuição ao PIS, depende da comprovação, mediante  apresentação  de  documentos  contábeis  e  fiscais,  de  que  tais  receitas  decorreram  de  vendas  mercadorias  para  empresas  exportadoras  com  o  fim     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 54 /2 01 5- 13 Fl. 456DF CARF MF Processo nº 19515.720454/2015­13  Acórdão n.º 3402­005.384  S3­C4T2  Fl. 457          2 específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à  industrialização  na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio.   Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do  recurso  voluntário  para  negar­lhe  provimento,  nos  termos  do  relatório  e  do  voto  que  integram o presente julgado.      (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  seguintes  Conselheiros:  Waldir  Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins  de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e  Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).  Relatório  Por bem relatar os  fatos e de  forma concisa,  adoto o  relatório da r. decisão  vazado nos seguintes termos:  Trata­se de impugnação apresentada contra os lançamentos das  Contribuições  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS)  e  para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas sob  o regime não cumulativo, referentes às competências de julho a  dezembro de 2010.  Os  lançamentos  decorreram  de  diferenças  apuradas  entre  os  valores  das  contribuições,  declarados  nas  respectivas  Declarações  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  (DCTFs) e os efetivamente devidos, pelo fato de o interessado ter  excluído de suas bases de cálculo as receitas contabilizadas sob  a  rubrica  "Vendas  Equiparadas  à  Exportação",  conta  nº  6101011300611113,  sem,  contudo,  comprovar  a  efetiva  exportação e/ ou vendas para empresas exportadoras com o fim  especifico  de  exportação,  conforme  consta  do  Termo  de  Verificação  e  de  Constatação  Fiscal  às  fls.  321/328,  parte  integrante de ambos os autos de infração.  Intimado  dos  lançamentos,  o  interessado  impugnou­os,  alegando, em síntese:  Fl. 457DF CARF MF Processo nº 19515.720454/2015­13  Acórdão n.º 3402­005.384  S3­C4T2  Fl. 458          3 i)  em  preliminar,  a  nulidade  dos  autos  de  infração,  sob  o  argumento  de  que  a Agente Fiscal  fez  a  entrega,  em  um  único  envelope, dos autos e seus anexos, do Termo de Verificação e de  Constatação  Fiscal  e  do  Termo  de  Ciência  de  Lançamento  e  Encerramento  Parcial  do  Procedimento  Fiscal,  contudo,  era  indispensável  que  todos  os  atos  praticados  por  aquele  Agente  fossem  cientificados  ao  contribuinte  ou  a  seu  preposto;  a  ausência  da  devida  ciência,  por  escrito,  está  eivada  de  vício  formal, sendo passível de nulidade processual; e, (ii) no mérito,  erro na base de cálculo das contribuições,  sob o argumento de  que  a  autuante  não  levou  em  conta  que  vendas  equiparadas  à  exportação podem ser feitas por "Trading Co." e por empresas  comerciais, com preponderância em exportações; com o advento  da  Lei  nº  10.996,  de  2004,  as  alíquotas  do  PIS  e  da  Cofins  incidentes  sobre  as  receitas  de  vendas  de  mercadorias  destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de  Manaus  (ZFM),  por  pessoa  jurídica  estabelecida  fora  daquela  zona,  foram  reduzidas  para  0,0  %  (zero  por  cento);  suscitou  ainda  a  existência  de  regimes  especiais  de  incentivos,  dentre  eles,  o de  Incentivos para o Desenvolvimento da  Infraestrutura  (Reidi),  instituído pela Lei nº 11.488, de 2007; de Aquisição de  Bens de Capital para Empresas Exportadoras (Recap), instituído  pelo  Decreto  nº  5.789,  de  2006;  e  de  Tributação  para  Plataforma  de  Exportação  de  Serviços  de  Tecnologia  da  Informação (Repes),  instituído pela Lei nº 11.196, de 2005, que  concedem  benefícios  fiscais,  em  relação  àquelas  contribuições,  suspendendo  suas  exigências  e/  ou  isentando  as  receitas  de  vendas  de  mercadorias  enquadradas  em  tais  regimes.  Alegou  também  que  os  lançamentos  foram  efetuados  com  base  nos  Dacons,  contudo  tais  demonstrativos  podem  conter  erros  sanáveis  e  que  todos  os  créditos  sobre  insumos,  passíveis  de  aproveitamentos,  não  foram  declarados,  e  que  a  autuante  fora  informada  de  que  aqueles  demonstrativos  seriam  retificados,  contudo esta informação não foi considerada por ele; por último  alegou  que  o  ônus  da  prova  é  de  quem  acusa,  neste  caso,  do  Fisco, e não dele interessado.  Para  fundamentar a  impugnação apresentou extenso arrazoado  sobre:  "I  ­  DOS  FATOS;  II  ­  DO  MÉRITO:  A)  DAS  PRELIMINARES:  1)  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA;  B)  DO  MÉRITO:  1)  DO  ERRO  NA  BASE  DE  CÁLCULO DO PIS E DA COFINS; 2) O ÔNUS DA PROVA É  DE  QUEM  ACUSA;  III)  DO  PEDIDO",  concluindo,  ao  final,  que  os  lançamentos  devem  ser  cancelados  e  o  processo  arquivado, protestando provar o alegado por todos os meios de  prova em direito admitidos.  É o relatório.  No  entanto,  os  argumentos  aduzidos  pela  Recorrente,  não  foram  acolhidos  pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRJ  em Ribeirão Preto (SP) nº 14­61.649, de 28/06/2016, abaixo reproduzida (fls. 406/412):  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Fl. 458DF CARF MF Processo nº 19515.720454/2015­13  Acórdão n.º 3402­005.384  S3­C4T2  Fl. 459          4 Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010   DIREITO  DE  DEFESA.  CERCEAMENTO.  AUTO  DE  INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  O auto de  infração  lavrado por Auditor Fiscal da Receita  Federal do Brasil com a indicação expressa da motivação e  das  infrações  imputadas  ao  sujeito  passivo  e  respectivas  fundamentações,  constitui  instrumento  legal  e  hábil  à  exigência  do  crédito  tributário  e  à  defesa  do  contribuinte  contra as infrações imputadas a ele.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010   BASE  DE  CÁLCULO.  EXCLUSÃO.  VENDAS  EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS.  A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas  a exportações, da base de cálculo da contribuição, depende  da  comprovação,  mediante  apresentação  de  documentos  contábeis  e  fiscais,  de  que  tais  receitas  decorreram  de  vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim  específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à  industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de  Livre Comércio.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010   BASE  DE  CÁLCULO.  EXCLUSÃO.  VENDAS  EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS.  A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas  a exportações, da base de cálculo da contribuição, depende  da  comprovação,  mediante  apresentação  de  documentos  contábeis  e  fiscais,  de  que  tais  receitas  decorreram  de  vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim  específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à  industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de  Livre Comércio.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Não  concordando  com  o  resultado  da  decisão  acima,  a  Recorrente  apresentou,  oportunamente,  o  Recurso  Voluntário  (fls.  424/451),  no  qual  sustenta,  em  preliminar,  a  nulidade  do  acórdão  da  DRJ,  por  cerceamento  do  seu  direito  de  defesa,  por  entender que o julgador de primeira Instância pretende verdadeira inversão do ônus da prova,  Fl. 459DF CARF MF Processo nº 19515.720454/2015­13  Acórdão n.º 3402­005.384  S3­C4T2  Fl. 460          5 em  desrespeito  ao  art.  142  do  CTN,  o  qual  exige  que  o  lançamento  esteja  devidamente  amparado na verdade material a respeito dos fatos. Veja­se principais trechos:  ­  Nulidade:  A  decisão  recorrida  não  examinou  pormenorizadamente  os  argumento  de  defesa  em  sede  de  impugnação,  a  qual  é  nula,  por  cerceamento  do  direito  de  defesa, nos  termos do artigo 59,  inciso  II, do Decreto nº 70.235/72, uma vez que a autuação  encontra­se  fundamentada  em  meras  suposições,  os  quais  provocaram  equívocos  de  interpretação  acerca  dos  fatos,  resultando  numa  autuação  duvidosa;  Cita  diversas  decisões  administrativas da DRJ e do CARF.   ­ Cerceamento do Direito de Defesa:  Importa  ressaltar que  a Fiscalização  fez  a  entrega,  em  um  único  envelope,  dos  Autos  de  Infração  e  seus  anexos,  do  “Termo  de  Verificação e de Constatação Fiscal” e do “Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento  Parcial  do  Procedimento  Fiscal”,  lavrados  em  28/05/2015,  cujos  autos  foram  recebidos  pelo  representante legal em 29/05/2015.  ­  Importa  ressaltar  que,  dentro  do  processo  administrativo,  é  indispensável  que  todos  os  atos  praticados  pelo  agente  fiscal  devem  ser  cientificados,  por  escrito,  à  contribuinte ou  seu preposto. A ausência da devida  ciência,  por  escrito,  está  eivada de vício  formal,  sendo passível de nulidade processual. Tal  situação obstou o pleno conhecimento da  impugnante sobre a autuação feita, o que implicou em afronta aos princípios constitucionais do  contraditório e da ampla defesa.  ­ Erro na Base de Cálculo do PIS e da COFINS: Em que pese o respeito a  Fiscalização,  a  afirmativa  relatada  no  item  22  ­  do  “TERMO  DE  VERIFICAÇÃO  E  CONSTATAÇÃO  FISCAL”,  merece  um  reparo,  pois,  as  VENDAS  EQUIPARADAS  À  EXPORTAÇÃO podem ser feitas por “Trading Co.”, como também, por empresas comerciais  com preponderância às exportações.  É  inegável  dizer  que  o  procedimento  fiscalizatório  foi  baseado  em  valores  declarados  nos  DACON’s,  sem  que  fossem  verificados  os  lançamentos  no  Livro  DIÁRIO,  exigência esta obrigatória e imprescindível nesses casos.   Com o  advento  da Lei  nº  10.996/2004,  que  reduziu  a  zero  as  alíquotas do  PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou  à  industrialização  na  Zona  Franca  de Manaus  –  ZFM,  por  pessoa  jurídica  estabelecida  fora  daquela área.   ­ Ônus da Prova é de quem acusa: O ônus da prova da existência material e  fática dos pressupostos exigidos no Código Tributário Nacional, que embasam a cobrança de  qualquer tributo, cabe única e exclusivamente ao Fisco. Não se pode transferir ao contribuinte  o dever de provar.    Diante  de  todo  o  exposto,  solicita  a  RECURSANTE,  que  seja  dado  provimento ao presente RECURSO, com vistas à reforma do acórdão recorrido, desobrigando­ a do recolhimento de quaisquer quantias.  É o relatório.  Voto             Fl. 460DF CARF MF Processo nº 19515.720454/2015­13  Acórdão n.º 3402­005.384  S3­C4T2  Fl. 461          6 Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator  1. Da admissibilidade do Recurso  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido pelo Colegiado.  2. Objeto da lide  A  discussão  confina­se  sobre  os  lançamentos  das  Contribuições  para  o  Programa de  Integração Social  (PIS)  e para o Financiamento da Seguridade Social  (Cofins),  ambas sob o regime não cumulativo, referentes às competências de julho a dezembro de 2010.   Tais  lançamentos  decorreram  de  diferenças  apuradas  entre  os  valores  das  contribuições,  declarados  nas  respectivas  DCTF's  e  os  efetivamente  devidos,  pelo  fato  de  o  interessado  ter  excluído  de  suas  bases  de  cálculo  as  receitas  contabilizadas  sob  a  rubrica  "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, sem, contudo, comprovar a  efetiva  exportação  e/  ou  vendas  para  empresas  exportadoras  com  o  fim  especifico  de  exportação.   3. Preliminar de nulidade do Acórdão  Antes  de  adentrar  no  mérito  do  caso,  a  Recorrente  aponta  nulidade  do  Acórdão da DRJ por não ter enfrentado os argumentos trazidos na Impugnação. Peço licença  para destacar alguns trechos do recurso da Recorrente nesse sentido:  "(...)  A  r.  decisão  recorrida  não  examinou  pormenorizadamente  os  argumento de defesa  em  sede de  impugnação, a qual  é nula,  por  cerceamento do direito de  defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, como veremos a seguir. A  autuação encontra­se fundamentada em meras suposições, os quais provocaram equívocos de  interpretação acerca dos fatos, resultando numa autuação duvidosa".  "(...)  Importa  ressaltar  que  o  ilustre  Auditor  Fiscal  fez  a  entrega,  em  um  único  envelope,  dos  Autos  de  Infração  e  seus  anexos,  do  “Termo  de  Verificação  e  de  Constatação  Fiscal”  e  do  “Termo  de  Ciência  de  Lançamento  e  Encerramento  Parcial  do  Procedimento  Fiscal”,  lavrados  em  28/05/2015,  cujos  autos  foram  recebidos  pelo  representante legal em 29/05/2015".  "(...)  Importa  ressaltar  que,  dentro  do  processo  administrativo,  é  indispensável  que  todos  os  atos  praticados  pelo  agente  fiscal  devem  ser  cientificados,  por  escrito, à contribuinte ou seu preposto. A ausência da devida ciência, por escrito, está eivada  de vício formal, sendo passível de nulidade processual.  Tal  situação  obstou  o  pleno  conhecimento  da  ora  impugnante  sobre  a  autuação feita, o que implicou em afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da  ampla defesa".  Em resumo, alega a Recorrente que suscitou a nulidade dos autos de infração  sob o argumento de que o Acórdão recorrido não examinou pormenorizadamente os argumento  de  defesa  em  sede  de  impugnação  e  que  não  foi  intimado,  por  escrito,  de  todos  os  atos  praticados pelo Fisco o que teria implicado cerceamento do seu direito de defesa.  Fl. 461DF CARF MF Processo nº 19515.720454/2015­13  Acórdão n.º 3402­005.384  S3­C4T2  Fl. 462          7 Pois bem. Primeiramente cabe resaltar que é certo que o julgador não tem a  obrigação  de  analisar  todos  os  argumentos  trazidos  pelas  partes  para  alcançar  a  convicção  necessária  para  julgamento  do  processo,  na  esteira  da  jurisprudência  do  STJ  (REsp  nº  874.793/CE e REsp 876.271). Todavia, ele não pode se eximir da análise de argumentos que  sejam decisivos para o deslinde do processo.   No entanto, discordo da Recorrente neste ponto e peço licença para destacar  alguns trechos do Acórdão recorrido (fls. 408 e seguintes):  "(...)  As  questões  se  restringem  à  alegação  de  erro  nas  bases  de  cálculo  das  contribuições lançadas e exigidas e ao ônus da prova.  "(...) No entanto, no presente caso, o  interessado, em momento algum, apresentou  documentos  fiscais  (notas  fiscais  de  vendas)  e/  ou  contábeis  (livro  Razão)  comprovando  que  as  vendas  contabilizadas  na  rubrica  "Vendas  Equiparadas  à  Exportação",  conta  nº  6101011300611113,  foram  efetuadas  para  empresas  comerciais exportadoras com o fim específico de exportação nem para consumo e/  ou  industrialização  na  ZFM,  e/  ou  para  empresas  beneficiárias  de  incentivos  tributários, em relação às contribuições em discussão.  É  imprescindível  ressaltar  que,  durante  o  procedimento  administrativo  fiscal,  o  interessado  foi  intimado  a  comprovar  a  natureza  das  receitas  contabilizadas  naquela  conta  e  a  apresentar  documentos  fiscais  comprovando  para  quem  foram  efetuadas tais vendas. Contudo, recebida a intimação, não a atendeu" (...). (Grifei)  Portanto, não há que se falar que "a autuação encontra­se  fundamentada em  meras suposições, os quais provocaram equívocos de interpretação acerca dos fatos, resultando  numa autuação duvidosa".  No  processo  administrativo  tributário,  não  pode  a  DRJ  ou  o  CARF  simplesmente  restarem  silentes  a  respeito  da  determinado  fundamento  da defesa  apresentada  pelo contribuinte que de fato pode culminar no cancelamento da autuação fiscal, sob pena de  evidente afronta ao princípio do contraditório e da ampla defesa, da justiça, da equidade, além  da busca da verdade material. No entanto, como pode ser visto nos trechos acima reproduzido,  não foi o que ocorreu no presente caso.  A  Recorrente  afirma  também  (em  resumo)  em  seu  recurso  que  não  foi  intimado,  por  escrito,  de  todos  os  atos  praticados  pela  autuante  o  que  teria  implicado  cerceamento do seu direito de defesa.  Observa­se que no que se refere à intimação dos Auto de Infração, a própria  Recorrente reconheceu expressamente, em seu Recurso, que recebeu os autos  Infração e seus  anexos,  bem como os Termos  de Verificação Fiscal  e  de Ciência  dos Lançamentos. Veja­se  trecho de fl. 429:  "(...)  Importa  ressaltar  que  o  ilustre  Auditor  Fiscal  fez  a  entrega,  em  um  único  envelope,  dos  Autos  de  Infração  e  seus  anexos,  do  “Termo  de  Verificação  e  de  Constatação  Fiscal”  e  do  “Termo  de  Ciência  de  Lançamento  e  Encerramento  Parcial  do  Procedimento  Fiscal”,  lavrados  em  28/05/2015,  cujos  autos  foram  recebidos  pelo  representante legal em 29/05/2015".  O  recebimento  pela  Recorrente  dos  Autos  de  Infração  e  dos  seus  anexos,  principalmente do Termo de Verificação e de Constatação Fiscal nos qual constam a motivação  Fl. 462DF CARF MF Processo nº 19515.720454/2015­13  Acórdão n.º 3402­005.384  S3­C4T2  Fl. 463          8 dos  lançamentos,  os  diplomas  legais  em  que  foram  fundamentados,  as  bases  de  cálculo  da  contribuição e a indicação dos documentos que foram utilizados para a obtenção das bases de  cálculo  das  contribuições  e,  consequentemente,  para  apuração  das  diferenças  lançadas  e  exigidas, permitiu ao interessado exercer seu direito de defesa, tanto é que o fez, por meio da  impugnação e agora no Recurso Voluntário em julgamento.    Ademais,  para  o  exercício  regular  do  direito  de  defesa  no  procedimento  administrativo, ao contribuinte lhe é facultado por Lei a vista dos autos a qualquer momento na  Unidade da RFB, podendo, incluísse requerer cópia do inteiro teor do processo.  Portanto,  os  Autos  de  Infração  em  discussão  foram  lavrados  por  servidor  competente  para  exercer  fiscalização  de  pessoas  jurídicas  e  a  empresa  foi  devidamente  intimada em 29/05/2015, conforme documentos de fls. 341/345.   Por isso, o pleito de nulidade é improcedente. Os arts. 59 e 60 do Decreto nº  70.235, de 1972, estatuem:  Art. 59. São nulos:  I­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente  ou  com  preterição do direito de defesa.  (...)  Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em  prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não  influírem na solução do litígio.” (Grifei)  Primeiramente,  porque  o  referido  Acórdão  recorrido  foi  proferido  por  autoridade competente, cujo nome, nº de matrícula e cargo: Auditor Fiscal da Receita Federal  estão ali identificados.  Em segundo lugar, porque o alegado cerceamento de defesa não ocorreu. O  julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar  exaustivamente  seu  raciocínio, bastando apenas decidir  fundamentadamente, entendimento  já  pacificado neste Conselho.  Hipótese  em  que  o  acórdão  recorrido  apreciou  de  forma  suficiente  os  argumentos  da  impugnação  e  as  provas  carreadas  aos  autos,  ausente  vício  de motivação  ou  omissão  quanto  à  matéria  suscitada  pelo  contribuinte,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  do  acórdão recorrido.  Assim, em que pesem as argumentações da Recorrente acima especificadas,  entende­se  que  os  argumentos  foram  enfrentados  pela  DRJ,  inexistindo  vício  de  nulidade  apontado e o cerceamento de defesa arguído. Portanto, respeitados pelo Fisco os princípios da  motivação,  do  devido  processo  legal,  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  inexiste  o  cerceamento do direito de defesa e improcedente é alegação nulidade do feito fiscal.  Fl. 463DF CARF MF Processo nº 19515.720454/2015­13  Acórdão n.º 3402­005.384  S3­C4T2  Fl. 464          9 Portanto, afastada a nulidade do Acórdão recorrido, segue­se para análise dos  demais argumentos de defesa.  4. Quanto ao Mérito dos lançamentos  Como  já  relatado,  as  questões  aqui  tratadas  se  restringem  à  alegação  de  ocorrência de  erro  nas  bases  de  cálculo  das Contribuições  para o PIS  e COFINS  lançadas  e  exigidas e no que se refere ao ônus da prova.  Aduz  a  Recorrente  em  seu  recurso  que,  "(...)  Em  que  pese  o  respeito  ao  zeloso Auditor Fiscal da Receita Federal, sua afirmativa relatada no item 22 – do “TERMO  DE  VERIFICAÇÃO  E  CONSTATAÇÃO  FISCAL”,  merece  um  reparo,  pois,  as  VENDAS  EQUIPARADAS À EXPORTAÇÃO podem  ser  feitas  por  “Trading Co.”,  como  também,  por  empresas comerciais com preponderância às exportações.  Com o  advento  da Lei  nº  10.996/2004,  que  reduziu  a  zero  as  alíquotas  do  PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou  à  industrialização na Zona Franca de Manaus ­ ZFM, por pessoa  jurídica estabelecida  fora  daquela área".  Em suma, a Recorrente alega que houve erro na apuração da base de cálculo  das  Contribuições  para  o  PIS  e  à  COFINS,  por  parte  da  Fiscalização,  sob  os  seguintes  argumentos:  (i)  que o Fisco não  levou  em conta:  as  vendas  equiparadas  a  exportações,  dentre elas as efetuadas para "Trading Company.";   (ii) as vendas para empresas comerciais com preponderância em exportações,  cujas  receitas  estão  sujeitas  às  alíquotas  de  0,0  %  (zero  por  cento);  e,  (iii)  mercadorias  destinadas  ao  consumo  ou  à  industrialização  na Zona  Franca  de Manaus  (ZFM),  por  pessoa  jurídica estabelecida fora daquela zona, cujas receitas são tributadas às alíquotas de 0,0 % (zero  por cento); e,   iii) vendas para empresas beneficiárias de regimes especiais, cujas vendas são  efetuadas com suspensão das contribuições e/ ou com isenção/redução de alíquotas.  Pois bem, vejamos, então, o que dispõe a legislação sobre esse tema, vigentes  na data do fato gerador: Lei nº 10.637, de 2002 (PIS, não cumulatividade), Lei nº 10.833, de  2003 (COFINS, não cumulatividade) e Lei nº 10.996, de 15 de dezembro de 2004:  ­ Lei nº 10.637, de 2002.  "Art.  1º  A  contribuição  para  o  PIS/Pasep  tem  como  fato  gerador  o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente de sua denominação ou classificação contábil.  § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita  bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas  as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.  § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento,  conforme definido no caput.  Fl. 464DF CARF MF Processo nº 19515.720454/2015­13  Acórdão n.º 3402­005.384  S3­C4T2  Fl. 465          10 § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas:  I ­ decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero;  (...).  Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes  das operações de:  I ­ exportação de mercadorias para o exterior;  (...).  III ­ vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação.  (...)."  Nesse mesmo sentido, dispõe os artigos 1º e 6º da Lei nº 10.833, de 2003, ao  tratar da Contribuição à COFINS.  Já a Lei nº 10.996, de 15 de dezembro de 2004, dispõe que:  "Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP  e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ COFINS incidentes  sobre  as  receitas  de  vendas  de  mercadorias  destinadas  ao  consumo  ou  à  industrialização  na  Zona  Franca  de  Manaus  ­  ZFM,  por  pessoa  jurídica  estabelecida fora da ZFM.  §  1º  Para  os  efeitos  deste  artigo,  entendem­se  como  vendas  de  mercadorias  de  consumo  na  Zona  Franca  de  Manaus  ­  ZFM  as  que  tenham  como  destinatárias  pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por  atacado ou a varejo. (...)."  Conforme pode ser observado dos dispositivos legais acima, resta claro que  as  receitas  decorrentes  de  vendas  para  comerciais  exportadoras  com  o  fim  específico  de  exportação, não estão sujeitas às contribuições para o PIS e COFINS. Já as receitas de vendas  de  mercadorias  destinadas  ao  consumo  ou  à  industrialização  na  ZFM,  por  pessoa  jurídica  estabelecida fora dessa zona, estão sujeitas às alíquotas de 0% (zero por cento) e, as  receitas  decorrentes  de  vendas  para  empresas  beneficiárias  de  regimes  especiais,  as  exigências  das  contribuições são suspensas e/ ou reduzidas às alíquotas de 0% (zero por cento).  Por  outro  lado,  consta  que  a  Fiscalização,  no  item  22  do  “Termo  de  Verificação e Constatação Fiscal”  ­  fl. 321/327 (anexo ao Auto de Infração), destaca que (fl.  325):  “(...)  22.  Da  análise  da  documentação  apresentada,  constatamos  que  a  empresa  mediante  lançamentos  contábeis  estava  estornando as  receitas  de  vendas,  alegando  serem  receitas  de  “VENDAS EQUIPARADAS À EXPORTAÇÃO”­  conta  contábil:  6101011300611113,  portanto  elas  seriam  tributadas  com  alíquota  zero  para  o  PIS  e  COFINS.  Porém  não  constatamos  quaisquer  documentos  que  sustentassem  esses  lançamentos,  quer  seja  nos  documentos  cadastrais  no  sistema  RADAR, quer seja no SISCOMEX, ou ainda, qualquer documento que evidenciasse alguma transação  de  venda  para  o  exterior  ou  para  “Trading  Company”  no  ano  de  2010.  Verifica­se  claramente  no  histórico  de  recolhimentos  dos  tributos,  a  expressiva  diminuição  de  recolhimentos  a  partir  de  Julho/2010, sem que houvesse uma diminuição correspondente das receitas totais de vendas.”  Fl. 465DF CARF MF Processo nº 19515.720454/2015­13  Acórdão n.º 3402­005.384  S3­C4T2  Fl. 466          11 Acrescenta a Fiscalização em seu Relatório que, para afastar qualquer dúvida,  foi lavrado em 25/02/2015 o Termo de Intimação Fiscal, intimando o contribuinte a informar  se houvera transações de vendas para o comércio exterior no ano calendário de 2010.  Posteriormente, lavrou­se em 06/03/2015, o Termo de Intimação Fiscal, onde  foi  relacionado  todos  os  lançamentos  contábeis  que  suscitaram  dúvidas,  para  que  a  Recorrente  apresentasse  os  documentos  hábeis  e  idôneos  que  justificassem os  referidos  lançamentos.  Ao final, a Fiscalização consigna que, "Decorrido o prazo concedido sem que  houvesse  manifestação  por  parte  do  sujeito  passivo,  restou  comprovado  que  as  alegadas  “Vendas  Equiparadas  à  Exportação”  não  existiram,  portanto  serão  recompostas  na  base  de  cálculos do PIS e da COFINS e objetos de lavratura do Auto de Infração".  E, conclui informando que, em relação ao PIS e a COFINS, constatou­se que  os lançamentos efetuados a débitos na conta “610101020061102: VENDAS A PRAZO” com  contrapartidas  a  créditos  na  conta:  “610101130061113:  VENDAS  EQUIPARADAS  A  EXPORTAÇÃO”, causaram diminuições das Bases Tributáveis das Contribuições e, portanto,  foram recompostas às respectivas Bases de Cálculos e tributadas de ofício com a lavratura dos  Autos de Infração, conforme reproduzido na Tabela de fl. 326.  Como  pode  ser  observado,  a  Recorrente,  mesmo  após  ter  sido  Intimada  (Termos  de  Intimação  Fiscal  fl.  292),  consta  dos  autos  que  não  apresentou  os  documentos  fiscais necessários (notas fiscais de vendas) e/ ou contábeis (Livro Razão) comprovando que as  vendas  contabilizadas  na  rubrica  "Vendas  Equiparadas  à  Exportação",  conta  nº  6101011300611113,  foram  efetuadas  para  empresas  comerciais  exportadoras  com  o  fim  específico  de  exportação  nem  para  consumo  e/  ou  industrialização  na  ZFM,  e/  ou  para  empresas beneficiárias de incentivos tributários, em relação às contribuições em discussão.  Veja­se os documentos e informações solicitadas:    Consta  do  Termo  de  Verificação  (fl.  324),  em  seu  item  19,  que:  "Em  06/03/2015,  lavramos  o  Termo  de  Intimação  Fiscal,  com  ciência  nessa  mesma  data,  onde  intimamos  o  contribuinte  a  esclarecer  e  comprovar  com  documentos  hábeis  e  idôneos,  os  lançamentos  contábeis  havidos  nos meses  de  Julho  a Dezembro  de  2010,  onde  transferia  da  conta Vendas a Prazo para conta Vendas Equiparadas Exportação, conforme abaixo:  D Conta Debitada: 610101020061102 ‐ VENDAS A PRAZO  C Conta Creditada: 610101130061113 ‐ VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO."  Ou seja, a Fiscalização constatou que a MANETONI, mediante lançamentos  contábeis,  estava  estornando  as  receitas  de  vendas,  alegando  serem  receitas  de  “VENDAS  EQUIPARADAS  À  EXPORTAÇÃO”,  contabilizada  na  conta  6101011300611113,  portanto  elas seriam tributadas com alíquota zero para PIS e COFINS.  Fl. 466DF CARF MF Processo nº 19515.720454/2015­13  Acórdão n.º 3402­005.384  S3­C4T2  Fl. 467          12 No entanto, conforme  relatado pelo Fisco, mesmo após  ser  Intimada  (e não  atender  a  Intimação),  não  restou  constatado  quaisquer  documentos  que  sustentassem  esses  lançamentos,  quer  seja  nos  documentos  cadastrais  no  sistema  RADAR,  quer  seja  no  SISCOMEX, ou ainda, qualquer documento que evidenciasse alguma transação de venda para  o exterior ou para “Trading Company” durante o ano de 2010.  5. Das Informações nos DACON's  Aduz  a  Recorrente  em  seu  recurso  que  o  procedimento  fiscalizatório  foi  baseado em valores declarados nos DACON’s, sem que fossem verificados os lançamentos no  Livro  DIÁRIO,  exigência  esta  obrigatória  e  imprescindível  nesses  casos.  Vale  dizer  que  o  Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais  (DACON) é uma declaração acessória  em que as pessoas jurídicas informem à Receita Federal sobre a apuração do PIS e COFINS no  regime cumulativo e não cumulativo.  "(...) Embora os DACON’s sejam obrigatórios está sujeita a retificações em  suas bases de cálculos e, consequentemente nos saldos a pagar de PIS e COFINS, de acordo  com  as  informações  oriundas  da  escrita  fiscal  e  contábil,  devidamente  inseridas  no  Livro  Diário, que nem sequer foram levadas em consideração pelo Fisco".  Continua  argumentando  que  no  presente  caso,  os  valores  declarados  nos  DACONs, por conterem erros sanáveis, haja vista que não foram informados todos os créditos  de  insumos,  de  prestadores  de  serviços,  fretes,  energia  elétrica  e  etc.,  que,  sob  a  ótica  da  legislação tributária, a contribuinte teria direito de deduzi­los e, por isto seriam retificados por  uma  empresa  especializada  que  as  apurou  em  levantamento.  A  informação  de  que  seriam  retificados  os  DACON’s,  com  a  inclusão  dessas  deduções  (créditos)  foi  informada  a  fiscalização que não a levou em consideração.  Quanto  essa matéria,  restou  bem analisada pela  decisão  recorrida,  uma vez  que  às  alegações  de  erro  nos  DACON's,  mais  especificamente,  sobre  o  aproveitamento  de  créditos sobre custos com insumos, vale destacar que as autuações não decorreram de glosas de  tais créditos.   Nesse ponto valho­me da decisão recorrida como razão de decidir, pois ela, a  meu juízo, exauriu a questão. Afirma ela:  "Conforme consta do Termo de Verificação e de Constatação, parte  integrante de  ambos os autos de infração, as contribuições lançadas e exigidas foram calculadas  sobre  as  receitas  contabilizadas  sob  a  rubrica  "Vendas  Equiparadas  à  Exportação", conta nº 6101011300611113, na contabilidade do interessado.  Também,  conforme  demonstrado,  ao  contrário  do  alegado  pelo  interessado,  os  lançamentos tiveram como base de cálculo as receitas contabilizadas naquela conta  e não os valores lançados nos Dacon".  Ou  seja,  a  Fiscalização  utilizou  como  base  de  cálculo  das  contribuições  lançadas e exigidas apenas e tão somente as receitas operacionais contabilizadas sob a rubrica  "Vendas Equiparadas à Exportação",  conta nº  6101011300611113,  registradas  na  própria  contabilidade da Recorrente.  Por  fim,  especificamente  quanto  aos  alegados  erros  nos  DACON  e  suas  retificações, cabe ao  interessado, observada a  tempestividade do prazo para suas  retificações,  Fl. 467DF CARF MF Processo nº 19515.720454/2015­13  Acórdão n.º 3402­005.384  S3­C4T2  Fl. 468          13 providenciá­las  perante  a  RFB  de  sua  circunscrição  fiscal  e  se,  apurados  saldos  credores  trimestrais,  transmitir  os  respectivos  Pedidos  de  Ressarcimentos  e/  ou  Declarações  de  Compensação (PER/DCOMP).  6. Da alegação que "o ônus da prova é de quem acusa"  Alega a Recorrente que, "(...) O ônus da prova da existência material e fática  dos  pressupostos  exigidos  no  Código  Tributário  Nacional,  que  embasam  a  cobrança  de  qualquer tributo, cabe única e exclusivamente ao fisco. Não se pode transferir ao contribuinte  o dever de prova".  Discorre  que  o  Fisco  não  pode  exigir  do  contribuinte  a  produção  de  prova  negativa. Só caberia a inversão do ônus probandi se a contribuinte admitindo, reconhecendo ou  confessando a alegação do Fisco.  Como se vê a Recorrente argui que o ônus da prova dos fatos motivadores do  lançamento  é  de  responsabilidade  privativa  e  exclusiva  do  fisco.  Contudo,  tratando­se  de  atestar  a  veracidade  dos  valores  por  ela  escriturados  e  declarados,  compete  à  contribuinte  comprovar  a  regularidade de  seus  registros  por meio  de  documentação  idônea,  que deve  ser  mantida obrigatoriamente  sob  sua guarda pelo prazo definido na  legislação e apresentada  ao  fisco sempre que solicitada.  Nesse contexto, impõe­se observar que não constam dos autos elementos, tais  como  termo  ou  outro  ato  administrativo  (com  a  relação  das  notas  fiscais),  a  convalidar  a  arguição  acerca  da  disponibilização  ao  Fisco  de  toda  a  documentação  que  daria  suporte  aos  lançamentos contábeis, como alega a defesa.  Portanto, mesmo que alguns elementos de prova foram desconsiderados pela  Fiscalização ou pelo Acórdão recorrido, o fato é que em momento algum houve qualquer tipo  de  obstaculização  à  defesa  ou  à  produção  de  provas  necessárias  ao  balizamento  de  seus  argumentos.  Pelo  contrário,  a  Fiscalização  intimou  o  contribuinte,  mais  de  uma  vez,  para  apresentar  fatos/documentos  que  pudessem  afastar  as  acusações,  decorrentes  de  lei,  diga­se,  assumidas pela auditoria e que poderia ser apreciado pelo órgão julgador de primeira instância  administrativa e também agora em sede de Recurso Voluntário. No entanto não o fez.  E mais. Como bem pontuado pela decisão a quo, veja­se que ao contrário do  entendimento da Recorrente, em momento algum, se exigiu dele qualquer produção de prova  negativa,  quanto  às  infrações  que  lhe  foram  imputadas.  As  intimações  que  lhe  foram  feitas  tiveram  como  objeto  informar  porque  as  receitas  contabilizadas  sob  a  rubrica  "Vendas  Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, não foram oferecidas à tributação  do PIS e da COFINS, bem como provar a natureza de tais receitas e para quem foram vendidas  tais mercadorias.  Assim, como já retratado neste voto, neste caso, a prova de que tais receitas  decorreram de vendas para o mercado externo, para consumo ou industrialização na ZFM, e/  ou  foram  efetuadas  para  empresas  beneficiárias  de  regimes  tributários,  deveria  ter  sido  feita  pela Recorrente e não pelo Fisco.  Tal afirmação decorre da simples aplicação da regra geral, de que àquele que  pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito.  Fl. 468DF CARF MF Processo nº 19515.720454/2015­13  Acórdão n.º 3402­005.384  S3­C4T2  Fl. 469          14 Como as intimações não foram atendidas e diante da falta de comprovação  por parte da Recorrente, a Fiscalização lavrou os respectivos Autos de Infração para exigir as  Contribuições nos termos das leis citadas e  informadas nos respectivos autos e  também neste  voto.  Portanto, encontra­se hígido o lançamento fiscal.  7. Dispositivo  Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra                                Fl. 469DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.660396/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.797
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 2          1 1  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.660396/2012­86  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3401­004.797  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de maio de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO COFINS  Recorrente  ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 30/06/2012  DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.  Estando  demonstrados  os  cálculos  e  a  apuração  efetuada  e  possuindo  o  despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo  proferido  por  autoridade  competente,  contra  o  qual  o  contribuinte  pode  exercer  o  contraditório  e  a  ampla  defesa  e  onde  constam  os  requisitos  exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que  se falar em nulidade.  DESPACHO  DECISÓRIO  ELETRÔNICO.  FUNDAMENTAÇÃO.  CERCEAMENTO DE DEFESA.  Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida  teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações  do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.  COMPENSAÇÃO. CRÉDITO  INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto  o  despacho  decisório  que  não  homologou  a  compensação  declarada  pelo  contribuinte  por  inexistência  de  direito  creditório,  quando  o  recolhimento  alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de  débitos confessados.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.     Rosaldo Trevisan ­ Presidente e Relator  (assinado digitalmente)       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 96 /2 01 2- 86 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.660396/2012­86  Acórdão n.º 3401­004.797  S3­C4T1  Fl. 3          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rosaldo  Trevisan  (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco  (vice­presidente), Robson José Bayerl,  Cássio  Schappo,  Mara  Cristina  Sifuentes,  André  Henrique  Lemos,  Lázaro  Antônio  Souza  Soares, Tiago Guerra Machado.          Relatório  Trata  o  presente  processo  de  manifestação  de  inconformidade  contra  não  homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a  um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração.    O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido  de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao  suposto  crédito  original  de  pagamento  indevido  ou  a  maior,  o  mesmo  estava  à  época  do  encontro  de  contas  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte  não  restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados.    Notificada  da  decisão  a  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade.  A DRJ Ribeirão Preto  julgou  improcedente  a  impugnação por unanimidade  de votos, mantendo o crédito tributário devido.  A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de  ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho  decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem  ser motivados  para  não  ter  cerceado  seu  direito  de  defesa,  não  apresentando  provas  do  seu  direito.  É o relatório.  Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.660396/2012­86  Acórdão n.º 3401­004.797  S3­C4T1  Fl. 4          3 Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3401­004.681,  de  21  de  maio  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10880.660277/2012­23, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401­004.681):  "O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  as  demais  condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento.  A  recorrente  protesta  pela  falta  de  motivação  do  despacho  decisório que indeferiu o seu pedido de compensação.  Entendo  que  o  despacho  decisório  cumpre  os  requisitos  legais  e  possui  todo  o  escopo  necessário  ao  exercício  do  contraditório  e  da  ampla  defesa  pelo  contribuinte.  Nele  está  inscrito  o  enquadramento  legal  da  autuação:  Enquadramento  legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966  (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Também  nele  encontra­se  a  fundamentação  da  decisão,  ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia  sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte:  A  análise  do  direito  creditório  está  limitada  ao  valor  do  "crédito  original  na  data  de  transmissão"  informado  no  PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66.  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados no PER/DCOMP.  Entendo  que  o  prejuízo,  se  havido,  foi  provocado  pelo  próprio  contribuinte  que  deixou  de  apresentar  provas  que  indicassem que era portador do crédito alegado.  Ademais,  como  bem  demonstrado  no  acórdão  recorrido,  o  crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único  DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado  em  193  pedidos  de  compensação.  Esse  procedimento  utilizado  pelo  contribuinte,  de  alocar  o mesmo  crédito  a  várias Dcomps  enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já  Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.660396/2012­86  Acórdão n.º 3401­004.797  S3­C4T1  Fl. 5          4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele  crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte  respondeu “NÃO” em todas as declarações.  Por  ser  extremamente  didático,  reproduzo  o  acórdão  recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as  suas conclusões que acompanho:  Em preliminar,  não merece  acolhida  a  alegação  de  nulidade  do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma  clara  e  precisa  o  motivo  da  não  homologação  da  compensação, qual  seja,  a  inexistência  de  crédito  disponível  para a compensação dos débitos informados na DCOMP.  O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e  materiais  para  sua  validade,  contendo  todos  os  elementos  necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte,  trazendo  em  seu  bojo,  ainda  que  de  forma  sintética,  a  fundamentação  legal,  a  identificação  da  declaração  de  compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o  tipo  de  crédito,  as  características  do  DARF  apontado  pela  empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que  se refere.  Por outro lado, os motivos da não­homologação residem nas  próprias  declarações  e  documentos  produzidos  pela  contribuinte. Estas  são,  portanto,  a  prova  e  o motivo  do  ato  administrativo,  não  podendo  a  interessada  alegar  que  os  desconhecia.  Importante  fixar  que  a  DCOMP  se  presta  a  formalizar  o  encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública,  por  iniciativa  do  primeiro,  a  quem  cabe,  portanto,  a  responsabilidade  pelas  informações  sobre  os  créditos  e  os  débitos,  cabendo  à  autoridade  tributária  a  sua  necessária  verificação  e  validação.  Encontradas  conforme,  sobrevém  a  homologação  confirmando  a  extinção.  Não  confirmadas  as  informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica.  No  caso,  a  contribuinte  declarou  um  débito  e  apontou  um  documento  de  arrecadação  como  origem  do  crédito.  Em  se  tratando  de  declaração  eletrônica,  a  verificação  dos  dados  informados pela contribuinte  foi  realizada  também de  forma  eletrônica,  tendo  resultado  no  Despacho  Decisório  em  discussão.  O  ato  combatido  aponta  como  causa da não homologação  o  fato  de  que,  nos  sistemas  da  Receita  Federal,  embora  localizado  o  DARF  do  pagamento  apontado  na  DCOMP  como  origem  do  crédito,  o  valor  correspondente  foi  totalmente  utilizado  e  alocado  aos  débitos  informados  em  DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como  crédito.  Assim,  não  padece  de  nulidade  o  despacho  decisório  proferido  por  autoridade  competente,  contra  o  qual  o  Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.660396/2012­86  Acórdão n.º 3401­004.797  S3­C4T1  Fl. 6          5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e  onde  constam  os  requisitos  exigidos  nas  normas  pertinentes  ao processo administrativo fiscal.  O débito declarado e pago encontra­se em conformidade com  a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados  pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho  de  1984,  entre  eles  o  da  confissão  da  dívida  e  o  condão  de  constituir  o  crédito  tributário,  dispensada  qualquer  outra  providência por parte do Fisco.  Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela,  o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado  estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria  contribuinte em sua DCTF.  Assim  sendo,  na  data  da  transmissão  do  PER/  DCOMP  a  interessada  não  era  detentora  de  crédito  líquido  e  certo,  condição  sem  a  qual  não  há  direito  à  restituição  ou  compensação.  E  não  tendo  o  interessado  trazido  elementos  hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF,  inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório  relativo  a  pagamento  pretensamente maior  do que o devido,  referente ao período de apuração.  O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte,  referente  ao  tributo  e  período  em  análise.  Repare  que  a  contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012  no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento  de R$4.985,20.    No  quadro  abaixo,  podemos  verificar  que  o  referido  pagamento  vem  de  um DARF  de R$5.083,90,  composto  de  um  valor  principal  (R$4.985,20)  mais  multa  por  atraso  (R$98,70).  Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.660396/2012­86  Acórdão n.º 3401­004.797  S3­C4T1  Fl. 7          6   Por  sinal,  esse  foi  o  único DARF  de Cofins  pago  em  2012  pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo.    Impende  salientar  que,  sobre  esse  alegado  crédito  de  R$  5.083,90,  a  contribuinte  solicita  a  homologação  de  nada  menos  que  193  pedidos  de  compensação,  todos  do  mesmo  período  (2º  trimestre  de  2012),  com mesmo  vencimento  em  31/07/2012  que,  somados,  resultam  em  um  valor  de  R$  948.369,76,  conforme  relação  abaixo  dos  processos  de  PER/DCOMP para o mesmo DARF.  ....  Agrava  o  fato  de  tentar  utilizar mais  de  uma  vez  o  mesmo  crédito  a  prestação  de  informação  falsa,  pois  no  PER/DCOMP  há  um  campo  onde  é  perguntado  se  aquele  crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi  informado  em  outro  PER/DCOMP,  ao  que  o  contribuinte  respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao  inciso  II  do  §  1º  do  art.  45  da  IN/SRF  1.300,  de  20  de  novembro de 2012.  Pelo  exposto,  voto por conhecer do  recurso  voluntário  e no  mérito por negar­lhe provimento.  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado  Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.660396/2012­86  Acórdão n.º 3401­004.797  S3­C4T1  Fl. 8          7 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do Anexo  II  do RICARF,  o  colegiado  negou  provimento ao recurso voluntário.  (Assinado com certificado digital)  Rosaldo Trevisan                                Fl. 89DF CARF MF

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Numero do processo: 10805.720916/2013-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010, 2011 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO. A multa isolada de que trata o art. 74, § 17, da Lei nº 9430, de 1996, alterada pela Lei n° 12.249 de 11 de junho de 2010, é aplicável aos casos de compensação considerada não-homologada em que não apurada falsidade quanto à declaração apresentada pelo sujeito passivo. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2010, 2011 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Pode Judiciário.
Numero da decisão: 1402-003.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias de cunho constitucional e, no mérito, i) por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário no que tange à infração referente ao processo nº 10805.720225/2012-16; ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário referente ao processo nº 10805.720184/2012-68, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1834; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 1.485          1 1.484  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10805.720916/2013­09  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1402­003.257  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de junho de 2018  Matéria  PENALIDADES/DIVERSOS ­ COMPENSAÇÃO: CRÉDITO OU DÉBITO  OBJETO DE DCOMP NÃO HOMOLOGADA  Recorrente  PIRELLI PNEUS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2010, 2011  MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO.   A multa isolada de que trata o art. 74, § 17, da Lei nº 9430, de 1996, alterada  pela  Lei  n°  12.249  de  11  de  junho  de  2010,  é  aplicável  aos  casos  de  compensação  considerada  não­homologada  em  que  não  apurada  falsidade  quanto à declaração apresentada pelo sujeito passivo.   ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2010, 2011  ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.  A  apreciação  de  inconstitucionalidade  da  legislação  tributária  não  é  de  competência  da  autoridade  administrativa,  mas  sim  exclusiva  do  Pode  Judiciário.         Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer  do  recurso  voluntário  em  relação  às  matérias  de  cunho  constitucional  e,  no  mérito,  i)  por  unanimidade,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário  no  que  tange  à  infração  referente  ao  processo  nº  10805.720225/2012­16;  ii)  por  voto  de  qualidade,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário  referente  ao  processo  nº  10805.720184/2012­68,  divergindo  os Conselheiros Caio  Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira  que  davam  provimento.  Ausentes  momentaneamente  os  Conselheiros  Sérgio  Abelson  e  Eduardo Morgado Rodrigues.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 09 16 /2 01 3- 09 Fl. 1485DF CARF MF     2   (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Presidente.    (assinado digitalmente)  Marco Rogério Borges ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:   Marco  Rogério  Borges,  Caio  Cesar  Nader  Quintella,  Sergio  Abelson  (Suplente  Convocado)  ,  Leonardo  Luis  Pagano  Gonçalves,  Evandro  Correa  Dias,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira,  Eduardo  Morgado  Rodrigues  (Suplente  Convocado)  e  Paulo  Mateus Ciccone.    Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 10805.720916/2013­09  Acórdão n.º 1402­003.257  S1­C4T2  Fl. 1.486          3 Relatório  Trata  o  presente  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  decisão  proferida  pela  6a  Turma  de  Julgamento  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto  (SP),  que  julgou  IMPROCEDENTE,  na  sua  integralidade,  a  impugnação da agora recorrente.     Da autuação:  Trata­se o presente de uma notificação de  lançamento de multa  isolada,  no  valor  total  de  R$  4.241.663,33,  referente  a  não  homologação  de  compensações  tratadas  no  processos  administrativos  nºs  10805.720184/2012­68  e  10805.720225/2012­16,  com  base  na  fundamentação  legal do § 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com a  alteração promovida  pela Lei nº 12.249/2010.  O valor não homologado no processo administrativo nº 10805.720184/2012­ 68 foi de R$ 403.040,16, que vem a ser a base de cálculo da multa isolada ora aplicada (50%).  E  o  valor  não  homologado  no  processo  administrativo  nº  10805.720225/2012­16  foi  de  R$  8.080.286,49, que também veio a ser a base de cálculo da multa isolada ora aplicada (50%).  As Dcomps não homologadas e respectivos valores foram as que constam no  Termo de Verificação Fiscal (fls. 1018 a 1022).    Da Impugnação:  Por  bem  descrever  os  termos  da  peça  impugnatória  (fls.  1033  a  1064),  transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo:  3.  Inconformada  com  a  exigência  fiscal,  a  contribuinte,  por  meio  de  seus  representantes  legais,  apresentou  impugnação  em  29  de  maio  de  2013,  com  as  seguintes razões de defesa.  3.1. Refere­se à tempestividade da manifestação de inconformidade e faz uma  síntese dos fatos que resultaram na formalização do auto de infração.   3.2. Afirma que, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, os despachos  decisórios referentes aos processos administrativos números 10805.720184/2012­68  e  10805.720225/2012­16  são  no  sentido  de  que  o  crédito  objeto  de  compensação  seria  insuficiente,  resultando  na  homologação  apenas  parcial  das  declarações  de  compensação. E, na visão da Autoridade Fiscal, a não homologação das declarações  de compensação seria causa para a aplicação da multa calculada sobre o valor dos  débitos não compensados. Em suas palavras:  “8. A Impugnante demonstrará a seguir, entretanto, que a multa  de  50% prevista  no  artigo  74,  § nº 17,  da Lei  nº  9.430/96  não  Fl. 1487DF CARF MF     4 merece  prevalecer,  devendo  ser  cancelado  o  auto  de  infração  ora contestado, porque jamais existiu a situação prevista em lei  para a aplicação da multa isolada, uma vez que:  ∙  a  declaração  de  compensação  analisada  no  Processo  Administrativo  nº  10805.720184/2012­68  foi  totalmente  homologada pela Administração Pública;  ∙  após  apresentados  esclarecimentos,  bem  como  documentos  fiscais  e  extrafiscais  que  comprovam  a  argumentação  apresentada  em  manifestação  de  inconformidade  apresentada  nos autos do Processo Administrativo nº 10805.720225/2012­16,  certamente prevalecerá a homologação integral das declarações  de compensação apresentadas pela ora impugnante; e  ∙  ainda  está  pendente  de  apreciação  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  nos  autos  do  Processo  Administrativo nº 10805.720225/2012­16, não existindo decisão  definitiva  da  Administração  Pública  sobre  a  homologação  parcial das compensações.”  3.3. Alega que a regra do artigo 74, § 17, da Lei n° 9.430, de 1996, não está  em  conformidade  com  as  demais  normas  do  ordenamento  jurídico,  devendo  ser  aplicado, nos  casos de não homologação de compensação,  tão  somente a  regra do  artigo  61  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  mediante  exigência  de  multa  de  mora  no  percentual de 20% e  juros de mora,  em vista da não existência de pagamento dos  tributos devidos nos prazos previstos em lei.   3.4. Demonstrará também que devem ser afastados os juros de mora sobre as  multas isoladas.   3.5. Aduz que na edição da redação original do artigo 74, da Lei nº 9.430, de  1996,  não  existia  qualquer  norma  estabelecendo  a  aplicação  de multa  isolada  em  razão  da  não  homologação  de  declarações  de  compensações  apresentadas.  Nessa  hipótese, era aplicada a multa de mora no percentual de 20% E continua:  “16. Contudo, com a edição da Lei nº 12.249, de 11 de junho de  2010, novas normas foram introduzidas no ordenamento jurídico  em relação especificamente à compensação de que trata a Lei n.º  9.430/96.   17.  De  acordo  com  o  §  15,  do  artigo  74,  da  Lei  nº  9.430/96,  incluído pela Lei nº 12.249/10, aplica­se multa de 50% sobre o  valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou  indevido.  Do  mesmo  modo,  nos  termos  do  §  17  do  mesmo  dispositivo legal, aplica­se multa de 50% também sobre o valor  do  crédito  objeto  de  declaração  de  compensação  não  homologada;  Já  os  casos  de  falsidade  do  pedido  apresentado  pelo sujeito passivo, pode ser aplicada a multa de 100%:  (...)  19. O cenário estabelecido pela Lei nº 9.430/96 (antes e depois  das alterações da Lei nº 12.149/10), especificamente em relação  à  possibilidade  de  punir  os  contribuintes  que  tem  indeferidos  pedidos  de  ressarcimento  e  não  homologadas  declarações  de  compensação era e passou a ser o seguinte:  Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 10805.720916/2013­09  Acórdão n.º 1402­003.257  S1­C4T2  Fl. 1.487          5 Cenário  1  (antes  da  Lei  nº  12.249/10):  nos  casos  de  indeferimento  de  pedidos  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  o  contribuinte não era penalizado; nos casos de não homologação  da  declaração  de  compensação,  o  contribuinte  deveria  pagar  multa de 20% em razão do pagamento a destempo dos  tributos  ou  contribuições.  A  aplicação  de  multa  isolada  era  possível  apenas nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio (...).  Cenário  2  (depois  da  Lei  n.º  12.249/10):  nos  casos  de  indeferimento  de  pedido  de  restituição  ou  de  ressarcimento  e  também  nos  casos  de  não  homologação  da  declaração  de  compensação, o contribuinte deve pagar multa de 50% sobre o  valor  do  crédito  objeto  do  pedido  de  ressarcimento  ou  da  declaração  de  compensação  não  homologada,  independentemente de sonegação, fraude ou conluio.”  3.6.  Refere­se  à  Exposição  de  Motivos  da  Medida  Provisória  nº  472,  convertida na Lei n.º 12.249, de 2010. E acrescenta:  “22. Em outras palavras, a aplicação da multa foi criada com o  objetivo de punir os maus contribuintes, mas acabou, conforme  será mais  detalhadamente  observado  no  item  III.3  da  presente  Impugnação,  desestimulando  os  contribuintes  a  apresentarem  pedidos  de  ressarcimento  ou  compensação,  tendo  em  vista  a  possibilidade de aplicação da multa isolada de 50%, mesmo nas  hipóteses  em  que  não  existe  qualquer  indício  de  sonegação,  fraude ou conluio.”  3.7.  Diz  que  a  Administração  Tributária  tem  aplicado  tal  penalidade  indistintamente, em situações para as quais não há previsão e até mesmo antes do  término  do  processo  administrativo  que  discute  a  legitimidade  dos  pedidos  de  ressarcimento ou de compensação. E no caso sob apreciação foi exatamente o que  ocorreu: a aplicação de penalidade em situação não prevista em lei. E continua:  “24.  Independentemente  da  necessidade  de  afastamento  da  aplicação da multa isolada de 50% de que trata o artigo 74, § 17  da Lei nº 9.430/96 (...), a Impugnante demonstrará, inicialmente,  que essa norma não pode sequer ser aplicada ao caso concreto,  tendo  em  vista  que  não  restou  configurada  a  hipótese  prevista  em lei para a aplicação da multa isolada, por três motivos.   25. Primeiro, porque a declaração de compensação analisada no  Processo  Administrativo  nº  10805.720184/2012­68  foi  totalmente  homologada  pela  Administração  Pública,  Segundo,  porque,  quando  ao  Processo  Administrativo  nº  10805.720225/2012­16, após apresentados esclarecimentos, bem  como  documentos  fiscais  e  extrafiscais  que  comprovam  a  argumentação apresentada em manifestação de inconformidade,  certamente  deverá  prevalecer  a  homologação  integral  das  declarações de compensação apresentadas pela ora Impugnante.  Terceiro,  porque  o  despacho  decisório  proferido  nos  autos  do  Processo  Administrativo  nº  10805.720225/2012­16  não  poderá  ser considerado, para fins de aplicação de penalidade, tais como  a multa  isolada,  tendo  em  vista  a  pendência  de  julgamento  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  ora  Impugnante  naqueles  autos,  dotada  de  efeito  suspensivo,  de  Fl. 1489DF CARF MF     6 acordo com artigo 33, do Decreto nº 70.235/72, É o que se passa  a demonstrar.”  3.8. No que se refere ao PAF nº 10805.720184/2012­68, afirma que houve a  integral homologação das compensações declaradas,  isto é, houve a aceitação  total  dos  termos  e  critérios  fixados  pela  Interessada,  sem  qualquer  glosa.  Em  suas  palavras:  “30.  De  fato,  no  ano  de  2011,  a  Impugnante  apresentou  os  PER/DCOMPs  nº  34837.45994.220911.1.3.04­1968;  nº  23443.81358.2009911.1.7.04­9657;  nº  13907.95185.190911.1.7.04­3667, todas relacionadas ao crédito  de IRPJ recolhido a maior em julho de 2010.   31.  Em  janeiro  de  2010,  a  Autoridade  Fiscal,  analisando  as  declarações  de  compensação  apresentadas,  concluiu  pela  inexistência  de  crédito  objeto  dos  PER/DCOMP  nº  34837.45994.220911.1.3.04­1968;  nº  23443.81358.200911.1.7.04­9657;  e  nº  13907.95185.190911.1.7.04­3667.  32. Ocorre que, por equívoco da Autoridade Administrativa,  foi  incluído  no  relatório  do  despacho  decisório  a  referência  ao  PER/DCOMP Nº  38615.07809.211211.1.7.04­0215  (declaração  de  compensação  que  originou  a  aplicação  da  multa  ora  combatida e que se refere ao crédito de IRPJ recolhido em abril  de  2011).  Trata­se  de  claro  equívoco  da  Autoridade  Administrativa,  uma  vez  que  não  há  uma  única  linha  no  despacho  decisório  dedicada  ao  exame  do  crédito  objeto  de  compensação  desta  declaração.  Vale  ressaltar,  inclusive  que  o  crédito  objeto  de  compensação  do  PER/DCOMP  não  tem  qualquer  relação  com  o  crédito  analisado  pelo  despacho  decisório,  sendo que  um  se  refere  ao  crédito de  IRPJ pago  em  julho de 2010 (em relação aos demais PER/DCOMPs) e o outro,  referente ao crédito de IRPJ de abril de 2011.”  3.9. Diz que na manifestação de inconformidade apresentada em 05 de julho  de  2012,  esclareceu  que  o  despacho  decisório  restringiu­se  a  apreciar  os  PER/DCOMP’s  34837.45994,  23443.81358  e  13907.95185,  razão  pela  qual  apresentou  esclarecimentos  para  demonstrar  legitimidade  de  seus  procedimentos.  Continua sua explanação:  “34. No pedido formulado nessa defesa, a Impugnante requereu:  (1)  a  homologação  total  das  compensações  relativas  aos  PER/DCOMPs cujo crédito havia sido considerado inexistente; e  (2) o  reconhecimento de que o despacho decisório não  indicou  qualquer  irregularidade  em  relação  ao  PER/DCOMP  nº  38615.07809.211211.1.7.04­0215.   35.  Em  26  de  julho  de  2012,  tendo  verificado  um  equivoco  no  preenchimento do PER/DCOMP 38615.07809 (...) – declaração  essa  ainda  não  analisada  pelas  Autoridades  Fiscais  e  até  o  momento,  sem  que  nenhuma  irregularidade  tivesse  sido  apontada – a Impugnante apresentou PER/DCOMP retificador,  registrado  sob  o  nº  41766.34632.260712.1.7.04­8861,  com  ajustes  nos  valores  do  crédito  e  dos  débitos  objeto  de  compensação.   Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 10805.720916/2013­09  Acórdão n.º 1402­003.257  S1­C4T2  Fl. 1.488          7 36.  Isto  é,  a  Impugnante  se  valeu  do  artigo  88  da  Instrução  Normativa  nº  1.300/2012,  para  retificar  a  sua  declaração  de  compensação.  E  isso  antes  do  início  de  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização  relacionados  com  a  infração e antes da decisão administrativa sobre esse específico  PER/DCOMP.”  3.10. Alega que, conforme dispõe o artigo 88, da IN RFB nº 1.300, de 2012,  retificou o valor do crédito declarado e recolheu as diferenças dos débitos, com os  acréscimos  legais,  antes  de  qualquer  análise  da RFB quanto  a  este PER/DCOMP.  Acrescenta  que  a  referência  ao PER/DCOMP 38615.07809 no  despacho decisório  do  processo  administrativo  10805.720184/2012­68  se  deu  em  claro  equívoco.  Em  suas palavras:  “38.  Em  outros  termos,  não  há  dúvida  da  legitimidade  do  procedimento da Impugnante, resumido abaixo:        3.11.  Aduz  que  em  agosto  de  2012  apresentou  petição  informando  a  apresentação  do  PER/DCOMP  retificador.  E,  em  setembro  de  2012,  foi  proferido  novo  despacho  decisório,  que  tratou  de  todos  os  quatro  PER/DCOMPs  mencionados. E a própria Autoridade Fiscal reconheceu que no despacho decisório  anterior “não houve a análise do PER/DCOMP nº 38615.0789.211211.1.7.04­0215”,  conforme trecho que transcreve (item 40).   41.  Na  nova  decisão,  a  Autoridade  Fiscal  homologou  integralmente os PER/DCOMPs n° 34837.45994.220911.1.3.04­ 1968;  n°  23443.81358.200911.1.7.04­9657;  e  n°  13907.95185.190911.1.7.04­3667,  tendo  homologado  apenas  parcialmente  o  PER/DCOMP  n°  38615.  7809.211211.1.7.04­ 0215.  42. Ocorre que essa "homologação parcial" é mais um equivoco.  Isso porque, como a Impugnante já tinha a essa época, enviado  um  PER/DCOMP  retificador  (e  não  existia  qualquer  óbice  ao  envio  de  declaração  retificadora),  seria  essa  a  declaração  que  deveria ter sido examinada pela Autoridade Administrativa.  Fl. 1491DF CARF MF     8 43. Ademais, muito embora o novo despacho decisório não tenha  feito  referência  ao  PER/DCOMP  retificador  enviado  pela  Impugnante, quando se examina o teor da decisão e os critérios  indicados  na  retificadora,  percebe­se  claramente  que  a  Autoridade  Administrativa  reconheceu  o  crédito  objeto  de  compensação  no  exato  montante  indicado  na  declaração  retificadora,  configurando  HOMOLOGAÇÃO  TOTAL  da  compensação realizada.  44. Ou seja,  fica claro que a  situação da Impugnante não é de  homologação  parcial  da  compensação  realizada,  mas  sim  de  HOMOLOGAÇÃO  TOTAL  dos  valores  compensados.  A  Impugnante apresentou declaração retificadora antes da efetiva  análise dos procedimentos adotados pela Autoridade Fiscal e os  termos exatos da declaração retificadora, em valores e critérios,  foram  integralmente  reconhecidos  pela  Autoridade  Administrativa Fiscal.  45.  Para  que  não  restassem  quaisquer  dúvidas  sobre  a  HOMOLOGAÇÃO  TOTAL  da  compensação,  em  novembro  de  2012, a Autoridade Administrativa Fiscal, de oficio, reconheceu  expressamente  que  a  Impugnante  apresentou  PER/DCOMP  retificador  e  que  houve  o  recolhimento  da  diferença  entre  os  débitos das declarações original e retificadora.  46.  E  em  janeiro  de  2013,  a  Autoridade  Administrativa  reconheceu a homologação das declarações de compensações e  encerrou  o  processo  administrativo,  incluindo  nos  autos  um  Extrato  de  Encerramento  do  Processo  no  qual  é  possível  verificar  que  todos  os  valores  ali  indicados  estão  devidamente  quitados.  47.  Em  resumo,  portanto,  o  teor  da  decisão  proferido  pela  Administração  Tributária  é  de  reconhecimento  integral  das  declarações  de  compensação  apresentadas,  com  homologação  total.  Logo,  não  restou  configurada  a  situação  prevista  em  lei  que dá origem ao artigo 74, §17 da Lei n° 9.430/96.  48. Para melhor visualizar o cenário retratado, veja­se na tabela  abaixo as movimentações relevantes do processo administrativo  e as datas em que realizados cada um dos atos praticados pela  Impugnante e também pela Autoridade Fiscal.  Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 10805.720916/2013­09  Acórdão n.º 1402­003.257  S1­C4T2  Fl. 1.489          9   49. Desse modo,  fica demonstrado que o PER/DCOMP (que foi  objeto de retificação) foi TOTALMENTE HOMOLOGADO pela  Autoridade Administrativa.  50.  Assim,  considerando  que  não  restou  caracterizada  a  não  homologação  (ou  a  homologação  parcial)  das  declarações  de  compensação,  inexistindo  a  situação  prevista  em  lei  para  a  aplicação da multa isolada de que trata o artigo 74, § 17, da Lei  nº  9.430/96,  deve  ser  totalmente  cancelado  o Auto  de  Infração  ora  impugnando  com  relação  a  essa  parcela  da  suposta  infração.”  3.12.  A  contribuinte  apresenta  ainda  diversos  outros  argumentos  em  sua  manifestação de inconformidade, sob as seguintes denominações:  1. (B) Processo Administrativo nº 10805.720225/2012­16  (a) Homologação Integral das compensações  (b)  Impossibilidade  de  aplicação  da  multa  antes  do  encerramento  da  discussão  administrativa  sobre  as  compensações realizadas;  2. III.3 – Afastamento do artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, em  razão da injuridicidade da norma  (a) Artigo 74, § 17, da Lei n° 9.430/96 deve ser afastado  3.  III.4  –  Excesso  na  Constituição  do  Crédito  Tributário  –  Ilegalidade da Cobrança de Juros sobre a Multa  3.13. No que se refere aos itens acima delineados, tendo em conta a conclusão  efetuada  pela  própria  interessada,  que,  na  verdade,  se  trata de  um  resumo de  suas  Fl. 1493DF CARF MF     10 razões  de  fato  e  de  direito,  transcreve­  se  a  Conclusão  apresentada,  que  traz,  em  síntese, todos os argumentos elencados:  “IV ­ CONCLUSÃO  125. Diante do exposto, conclui­se que:  (a) A multa isolada de 50% prevista no artigo 74, § 17, da Lei nº  9.430/96 deve ser cancelada, porque a Impugnante não incorreu  na  situação  prevista  em  lei  para  a  aplicação  dessa  penalidade  (não homologação ou homologação parcial das compensações),  uma vez que:  ∙  a  declaração  de  compensação  analisada  no  Processo  Administrativo  nbº  10805.720184/2012­68  foi  TOTALMENTE  HOMOLOGADA  pela  Administração  Pública,  tendo  em  vista  que  a  Impugnante  tempestivamente  apresentou  PER/DCOMP  retificador,  antes  mesmo  da  decisão  da  Autoridade  Administrativa  e  a  decisão  proferida  foi  no  sentido  de  reconhecer todo o crédito e critérios indicados no PER/DCOMP  retificador;  ∙  após  apresentados  esclarecimentos  e  documentação  fiscal  e  extrajudicial  que  comprovam  a  argumentação  apresentada  em  manifestação  de  inconformidade  (Processo  Administrativo  nº  10805.720225/2012­16), deverá prevalecer a HOMOLOGAÇÃO  INTEGRAL das declarações de compensação apresentadas pela  ora impugnante; e,  ∙ não bastasse isso, a multa não deve ser aplicada porque ainda  está pendente de apreciação a manifestação de  inconformidade  apresentada no Processo Administrativo nº 10805.720225/2012­ 16,  dotada  de  efeito  suspensivo,  nos  termos  do  artigo  33,  do  Decreto nº 70.235/72, não havendo que se  falar em decisão da  esfera  administrativa  que  pode  ser  “executável”  para  fins  de  aplicação de penalidades;  (b) a multa isolada de 50% deve ser cancelada também porque a  regra  do  artigo  74,  §  17,  da  Lei  nº  9.430/96  não  está  em  conformidade com as demais normas existentes no ordenamento  jurídico, pois:  ∙  a  penalidade  não  tem  como  pressuposto  ato  ilícito  cometido  pelo contribuinte;  ∙  a  penalidade  viola  o  direito  de  petição  aos Poderes Públicos  em defesa de direitos, assegurado pela Constituição Federal em  seu artigo 5º, XXXIV;  ∙  não  pode  existir  aplicação  de  penalidade  em  razão  de  mero  indeferimento  do  pedido  de  ressarcimento  ou  de  compensação,  sem  que  tenha  existido  prejuízo  ao  Erário  e  má­fé  do  contribuinte;  ∙ acaba desestimulando o exercício do direito de reaver tributos  indevidamente  recolhidos,  tendo  em  vista  a  possibilidade  de  penalidade financeira em elevado montante;  ∙  a  penalidade  nada mais  é  que  sanção política  aplicada como  forma ilegal de coerção do contribuinte;  Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 10805.720916/2013­09  Acórdão n.º 1402­003.257  S1­C4T2  Fl. 1.490          11 ∙ existe violação ao princípio do não confisco previsto no artigo  150, IV da Constituição;  ∙ ao caso, deve ser aplicada apenas a regra do artigo 61, da Lei  nº 9.430/96,  com  imposição de multa de mora e  juros de mora  sobre os valores que não foram recolhidos nos prazos previstos  em lei;  (c) Subsidiariamente, deve ser afastada a incidência de juros de  mora  sobre  as  multas  isoladas,  tendo  em  vista  que  os  juros  devem  incidir  apenas  nas  hipóteses  em  que  deve  haver  remuneração de um credor pela privação do uso de seu capital,  devendo  incidir  somente sobre o que deveria  ter  sido recolhido  no prazo legal, mas não foi (o que não é o caso da Impugnante,  pois a multa isolada não se presta para isso).   V – PEDIDO  126.  Diante  do  exposto,  a  Impugnante  requer  seja  dado  provimento à presente  Impugnação, para determinar o  integral  cancelamento  das multas  isoladas  de  50%  aplicadas  em  razão  da  não  homologação  de  declarações  de  compensação  apresentadas pela impugnante, nos termos do artigo 74, § 17, da  Lei nº 9.430/96, de acordo com as razões apresentadas nos itens  III.2 e III.3 da presente Impugnação, cancelando­se a totalidade  do Auto de Infração.  127. Subsidiariamente, deve ser afastada a incidência dos juros  de mora sobre as multa  isoladas, pelas  razões apresentadas no  item III.4.”    Da decisão da DRJ:  Ao analisar  a  impugnação,  a DRJ,  primeira  instância  administrativa,  houve  por bem NEGAR integralmente a impugnação da recorrente, por unanimidade.  A ementa da decisão é a seguinte:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2010, 2011  SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE.   A  Administração  Pública  tem  o  dever  de  impulsionar  o  processo  até  sua  decisão final (Princípio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência  de decisão definitiva no Poder Judiciário,  instância superior e autônoma em  relação  à  esfera  administrativa,  descabe  o  sobrestamento  do  processo  administrativo,  igual  conclusão  se  impõe  quando  há  pendência  de  decisão  administrativa, em diferente fase processual.   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2010, 2011  Fl. 1495DF CARF MF     12 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO.   A multa isolada de que trata o art. 74, § 17, da Lei nº 9430, de 1996, alterada  pela  Lei  n°  12.249  de  11  de  junho  de  2010,  é  aplicável  aos  casos  de  compensação  considerada  não­homologada  em  que  não  apurada  falsidade  quanto à declaração apresentada pelo sujeito passivo.   ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2010, 2011  ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.  A  apreciação  de  inconstitucionalidade  da  legislação  tributária  não  é  de  competência  da  autoridade  administrativa,  mas  sim  exclusiva  do  Pode  Judiciário.     Do voto  do  relator,  que  foi  acompanhado unanimemente  pelo  colegiado  de  primeira instância administrativa, extrai­se os seguintes excertos e destaques que entendo mais  importantes para dar guarida a sua decisão final:  ­  no  que  refere  à  alegação  da  recorrente  que  o  processo  administrativo  10805.720184/2012­68  teria  sido  integralmente  homologado,  e  em  relação  à  Dcomp  nº  38615.07809.211211.1.7.04­0215  (umas  das  motivadoras  da  presente  autuação  fiscal)  não  haveria nenhuma irregularidade, o julgador a quo analisou os despachos decisórios (original e  retificado após contestação) que informa que houve um reconhecimento parcial, confirmando  com trechos da decisão e tela de sistema sobre o status da Dcomp em análise. Salienta que a  Dcomp retificadora à retromencionada não foi admitida, sendo a decisão sobre tal assunto ser  definitiva;  ­  no  que  tange  às  alegações  pertinentes  ao  processo  administrativo  nº  10805.720225/2012­16,  o  qual  a  recorrente  diz  está  em  litígio  o  decidido,  a  autoridade  julgadora a quo entendeu que há o devido sobrestamento da exigibilidade (cobrança) do crédito  tributário  do  lançamento  ora  sob  litígio,  e  não  há  norma  no  art.  151  do  CTN  que  fale  em  suspensão do processo administrativo ou da sua apreciação;  ­  sobre  os  demais  questionamentos  da  multa  isolada,  a  lei  se  impõe  a  exposições de motivos que deu origem ao processo legislativo da mesma. Demais alegações de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade  fogem  do  alcance  dos  órgãos  administrativos,  e  são  exclusivos do Poder Judiciário, e enquanto não for declarada inconstitucional não é eliminada  do sistema normativo, tendo presunção de validade vinculante para a Administração Pública;    Do Recurso Voluntário:  Tomando ciência da decisão a quo  em 08/09/2016,  a  recorrente  apresentou  recurso voluntário em 06/10/2016, repisando praticamente os mesmos elementos e argumentos  da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese:  ­ apresenta no intróito da sua peça recursal uma análise do § 17 do art. 74 da  Lei nº 9.430/1996, evocado questões anteriores à lei e da sua fundamentação, baseando­se em  trechos da sua exposição de motivos. Alega que a multa em discussão foi criada para situações  de uso indevido doloso da Dcomp;  Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 10805.720916/2013­09  Acórdão n.º 1402­003.257  S1­C4T2  Fl. 1.491          13 ­  ao  caso  concreto,  há  inaplicabilidade  do  §  17  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430/1996,  em  que  expõe  análise  do  processo  administrativo  nº  10805.720184/2012­68,  reiterando  seus  argumentos  da  peça  impugnatória,  e  rebatendo  a  posição  da  autoridade  julgadora a quo. Entende que a Dcomp retificadora não foi analisada e essa que prevalece;  ­ quanto ao processo administrativo nº 10805.720225/2012­16, haveria ainda  discussão  a  respeito  do  litígio  envolvido  da  homologação  parcial  pertinente,  o  que  deve  prevalecer, devendo ser cancelada a multa isolada ora aplicada;  ­  insurge­se  contra  a  possibilidade  de  aplicação  da  multa  antes  do  encerramento da discussão administrativa sobre as compensações realizadas;  ­  insurge­se  contra  o  §  17  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430/1996,  pedindo  o  afastamento  da  sua  aplicação,  em  razão  da  injuridicidade  da  norma,  e  que  seja  aplicada  a  norma em conformidade com o ordenamento jurídico. Para tanto, evoca questões de violação  do direito de petição previsto na Constituição Federal, e que tal norma só se aplica aos casos  envolvendo má­fé na apresentação da Dcomp. Para tanto, cita excertos de decisões judiciais a  respeito, que corroboram com seu posicionamento na peça recursal;  ­ insurge­se contra a cobrança de juros sobre a multa, e seria algo ilegal.      É o relatório.        Fl. 1497DF CARF MF     14 Voto             Conselheiro Marco Rogério Borges ­ Relator    O  Recurso  foi  apresentado  tempestivamente,  e  atendeu  os  demais  pressupostos  para  sua  admissibilidade,  do  qual  conheço,  ressalvando  a  matéria  de  inconstitucionalidade alegada, conforme abaixo descrito.    Da síntese dos fatos:  O  caso  acima  relatado  versa  sobre  a  não  homologação  das  compensações  declaradas pela contribuinte, objeto dos processos administrativos n°s 10805.720225/2012­16 e  10805.720184/2012­68, que levou à lavratura da notificação de lançamento para imposição da  multa  isolada  prevista  no  §17  do  art.  74  da  Lei  n°  9.430/96,  com  a  redação  pela  Lei  nº  12.249/2010.  Na sua impugnação, a recorrente suscita que a multa prevista no §17 do art.  74  da  Lei  nº  9.430/1996  só  pode  ser  aplicada  nas  hipóteses  em  que  o  contribuinte  efetua  compensação que sabe indevida ou inviável, ou seja, agiu com má­fé, o que não seria o caso  concreto.  Ademais,  o  processo  nº  10805.720184/2012­68  houve  homologação  total,  pois  a  autoridade  administrativa  não  analisou  a  Dcomp  retificadora,  devendo  essa  prevalecer.  E  o  processo  nº  10805.720225/2012­16  estaria  ainda  em  litígio,  o  que  deve  prevalecer  seus  argumentos. Adicionalmente, insurge­se contra a cobrança de juros sobre a multa.  Na  decisão  a  quo,  houve  o  entendimento  em  relação  ao  processo  10805.720184/2012­68  que  realmente  houve  homologação  parcial,  e  a  Dcomp  retificadora  apresentada não foi admitida, sendo  tal decisão a  respeito definitiva. Em relação ao processo  10805.720225/2012­16, não há norma para suspender o rito processual administrativo, e sim a  exigibilidade  do  crédito  tributário  do  lançamento  ora  sob  litígio,  nos  termos  do  art.  151  do  CTN. Ademais, argumentos questionando constitucionalidade e legalidade de norma fogem da  competência dos órgãos administrativos.  No  seu  recurso  voluntário,  a  recorrente  ataca  a  decisão  recorrida,  se  manifestando  nos  mesmos  argumentos  da  sua  peça  impugnatória,  sem  nada  relevante  acrescentar.     Da questão da multa isolada aplicada e sua legalidade  Antes de adentrar no mérito da peça recursal apresentada, cabe uma análise  da multa isolada aplicada que está sob discussão no presente processo.  O  foco  da  questão  é  a  Lei  n  9.430,  de  1996,  em  seu  artigo  74,  §  17,  cuja  redação atual assim dispõe:    Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 10805.720916/2013­09  Acórdão n.º 1402­003.257  S1­C4T2  Fl. 1.492          15  Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições  administrados  por  aquele Órgão.  (Redação  dada  pela Lei nº 10.637, de 2002)   (...)  § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento)  sobre  o  valor  do  débito  objeto  de  declaração  de  compensação  não  homologada,  salvo  no  caso  de  falsidade  da  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  13.097, de 19 de janeiro de 2015, que, com exatamente o mesmo  texto legal, foi decorrente da Medida Provisória nº 656, de 07 de  outubro de 2014)  Aplicando a norma supra, autoridade fiscal exige do sujeito passivo a multa  de  50%,  no  caso  isolada,  sobre  o  valor  do  débito  de  compensação  que  deixou  de  ser  homologada. Atentar a ressalva aposta ao final do comando legal, para os casos de falsidade,  que leva para outro enquadramento legal.  A  redação  imediatamente  anterior,  com  a  redação  promovida  pela  Lei  nº  12.249, de 11 de junho de 2010 (convertida da MP nº 472, de 15 de dezembro de 2009), do §  17 (e suas remissões legais diretas) era o seguinte:  § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento)  sobre  o  valor  do  crédito  objeto  de  pedido  de  ressarcimento  indeferido ou indevido.  § 16. O percentual da multa de que  trata o § 15 será de 100%  (cem  por  cento)  na  hipótese  de  ressarcimento  obtido  com  falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo.  § 17. Aplica­se a multa prevista no § 15, também, sobre o valor  do  crédito  objeto  de  declaração  de  compensação  não  homologada,  salvo  no  caso  de  falsidade  da  declaração  apresentada pelo sujeito passivo.” (NR)    A Medida Provisória nº 656, de 07 de outubro de 2014 revogou os §§ 15 e 16  imediatamente acima citados, que na sua conversão na Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015  foi excluído da redação, sendo reiterada esta posição pela revogação na MP nº 668, de 20 de  janeiro de 2015, convertida na Lei nº 13.137, de 19 de junho de 2015.  Note­se  que  com  esta  alteração  ocorrida  no  §  17  com  a  MP  656/2014  (convertida na Lei nº 13.097/2015), mudou­se a apuração da base de cálculo da multa isolada ­  antes  era  sobre  o  crédito  pleiteado,  e  passou  para  o  débito  objeto  da  declaração  de  compensação.  Importante para o contexto da análise geral o teor do parágrafo seguinte, §18  do art. 74 da Lei n° 9.430/96, em que há uma vinculação do processo da exigência da multa  Fl. 1499DF CARF MF     16 isolada  do  processo  que  o  motivou,  o  de  objeto  de  declaração  de  compensação  não  homologada:  (...)   §  18.  No  caso  de  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade  contra  a  não  homologação  da  compensação,  fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o §  17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrando­se no  disposto  no  inciso  III  do  art.  151  da  Lei  no  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  ­  Código  Tributário  Nacional.  (Incluído  pela  Lei nº 12.844, de 2013)     Transposto  estes  momentos  de  alteração  legislativa,  e  já  adentrando  na  análise meritória  envolvida  e  necessária,  há  que  se  observar  que  o  §17  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430/1996, na redação da sua primeira parte, não estabelece condições especiais, baseadas na  má­fé por parte do contribuinte ou ilicitude do ato, como condições para imposição da multa,  bastando a não homologação da compensação declarada.   Na  sua  redação,  ao  excluir  a  declaração  não  homologada  em  virtude  de  falsidade (uma das espécies de fraude ou irregularidade dolosa), o legislador decidiu não deixar  impune  tal  hipótese,  mas  aplicar  sobre  ela  uma  sanção  mais  onerosa.  Com  efeito,  sendo  comprovada  falsidade,  a  multa  eleva­se  a  150%  do  valor  do  débito,  conforme  a  legislação  consolidada na Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, artigo 45, § 1º,  inciso II, legislação vigente à época dos fatos aqui discutidos1:  Art. 45. O tributo objeto de compensação não homologada será  exigido com os respectivos acréscimos legais.  § 1º Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito  passivo,  mediante  lançamento  de  ofício,  multa  isolada,  nos  seguintes percentuais:  I ­ de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do crédito objeto  de declaração de compensação não homologada; ou  I ­ de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do débito objeto  de declaração de compensação não homologada; (Redação dada  pelo(a)  Instrução  Normativa  RFB  nº  1573,  de  09  de  julho  de  2015)  II ­ de 150% (cento e cinquenta por cento), sobre o valor total do  débito  tributário  indevidamente  compensado,  quando  se                                                              1  Esta  Instrução  Normativa  foi  revogada  pela  Instrução  Normativa  RFB  nº  1717,  de  17  de  julho  de  2017,  publicada no DOU em 18/07/2017. Contudo, a redação desta matéria ficou praticamente inalterada:    Art.  74. O  tributo objeto de compensação  não homologada  será  exigido  com os  acréscimos  legais previstos  na  legislação.  § 1º Sem prejuízo  do disposto  no  caput,  será  exigida do  sujeito  passivo, mediante  lançamento de ofício, multa  isolada, nos seguintes percentuais:  I ­ de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada;  ou  II  ­ de 150% (cento e cinquenta por cento)  sobre o valor  total do débito  tributário  indevidamente compensado,  quando ficar comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.    Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10805.720916/2013­09  Acórdão n.º 1402­003.257  S1­C4T2  Fl. 1.493          17 comprove  falsidade  da  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo.  (...)  Ou  seja,  há  uma  previsão  legal  bem  clara  a  respeito  dos  fatos  inerentes  à  imposição  da multa  isolada  por  conta  da  declaração  de  compensação  não  homologada,  qual  seja, de 50% se o pleito de compensação foi indeferido, independente da má­fé do contribuinte,  e  150%  se  comprovada  a  má­fé,  no  caso,  ipsis  litteris,  falsidade  da  declaração  do  sujeito  passivo.  Analisando  todo  o  contexto  histórico  jurídico­administrativo  para  a  construção do comendo normativo do §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96  , há que se ressaltar  que o uso de uma Dcomp como meio extintivo do crédito tributário pode gerar outros efeitos  além da eventual  inadimplência envolvida do débito ao não ser aceito o  crédito pleiteado. A  sua apresentação, realizada pelo contribuinte, pressupõe a existência de um crédito apurado, e  tem efeitos constitutivos sob condição resolutiva de posterior homologação da compensação. A  decisão da autoridade administrativa fiscal que a homologa, ao reconhecer o direito creditório,  é  meramente  declaratória.  Não  ocorrendo  a  decisão  da  autoridade  administrativa,  ocorre  a  homologação tácita, por decurso do prazo decadencial de 5 anos.  Neste ínterim, entre a apresentação da Dcomp e a sua homologação, já passa  a ocorrer efeitos positivos ao contribuinte, pois os seus débitos ficam como extintos, podendo  ocorrer a retirada a certidão negativa, por exemplo. Ou seja, a Dcomp não é um mero pedido,  pois desde a sua apresentação já gera efeitos jurídicos. Então, falar em desrespeito ao direito de  petição envolvido é querer  limitar o seu alcance quando da apresentação, pois  isso extravasa  um mero pedido.  Ademais,  não  nenhuma  coibição  ao  direito  de  petição  envolvido,  pois  eventuais  erros  ocorridos  no  seu  pleito,  poderão  ser  sanados  no  transcorrer  da  discussão  do  processo administrativo da matéria que ensejou a multa isolada, o que há muito e comumente  ocorre no âmbito administrativo.  Assim,  a multa  isolada objetiva  penalizar  o  contribuinte por  ter  criado  esta  situação tributária benéfica a si, e ao ser melhor analisado pela autoridade administrativa fiscal  a sua declaração de compensação, verifica como indevido seu pleito.  Aqui não se confunde a multa isolada aplicada com o débito que passa a ficar  exigível,  cabendo  seu  pagamento  por  os  acréscimos  cabíveis  em  caso  de  procedimento  espontâneo do contribuinte: multa de mora e juros de mora, como previsto no art. 61 da Lei nº  9.430/1996. A multa  isolada  não  representa  exigência,  em  separado,  do  acréscimo  que  seria  aplicável  ao  débito,  como  se  ele  não  estivesse  declarado,  e  sim,  de  penalidade  específica,  e  decorrente do uso indevido da Dcomp como meio de extinção do crédito tributário.  Destarte,  a multa  isolada  por  compensação  indevida  é  uma  infração  que  o  legislador  entendeu  merecer  uma  penalidade  específica,  e  isolada,  na  medida  em  que  o  principal já está constituído e sujeito à cobrança com acréscimos moratórios.  Tal  tema  foi  brilhantemente  trabalho  pela  ilustre  Conselheira  Edeli  Pereira  Bessa,  no  acórdão 1101­001.261,  sessão de 03 de março de 2015,  apesar de  ser  em  redação  anterior do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, em que a previsão legal para a aplicação multa isolada  Fl. 1501DF CARF MF     18 cingia­se  mais  aos  casos  da  prática  das  infrações  previstas  nos  arts.  71  a  73  da  Lei  nº  4.502/1964 (redações anteriores à Lei nº 12.249/2010), mas qual aproveito o seguinte excerto,  em que analisa a materialidade da Dcomp e seus efeitos jurídicos:  E isto porque a DCOMP não é mera obrigação acessória, mas  sim  integra a essência da compensação, que somente  se efetiva  por meio dela (art. 74, § 1o da Lei nº 9.430/96, com a redação  dada  pela  Lei  nº  10.637/2002),  formalizando  a  extinção  do  crédito tributário, e não apenas sua constituição (art. 74, § 2o da  Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002).  Aliás, a evidenciar a distinção entre as hipóteses de aplicação da  multa  de  ofício  em  acréscimo  ao  principal  e  da multa  isolada,  destaque­se  ser  possível,  até  mesmo,  a  coexistência  das  duas  penalidades  em razão de uma mesma compensação que  resulte  indevida.  De  fato,  a  multa  isolada  por  compensação  indevida,  nas  hipóteses  de  não­declaração  criadas  com  a  Lei  nº  11.051/2004  (mediante  inclusão  do  §  12  no  art.  74  da  Lei  nº  9.430/96), pode conviver com o lançamento de ofício dos débitos  compensados, dado que a DCOMP, nestes casos, deixa de ter o  caráter de confissão de dívida (§ 13, incluído no art. 74 da Lei nº  9.430/96 pela Lei nº 11.051/2004),  e o  valor  compensado pode  não ter sido confessado em outra declaração.    Contudo, a partir de 2010, com a redação dada pela Lei nº 12.249/2010 ao §  17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, quis legislador aplicar outra tônica ao pleito do contribuinte  inerente às Dcomps apresentadas. Ao longo dos anos seguintes, apesar de algumas alterações  no texto, passou­se a ter uma mesma essência de a Dcomp apresentada não sendo homologada,  passar­se­ia  à  imposição  da  penalidade  da  multa  isolada,  pelo  conjunto  de  efeitos  jurídicos  envolvidos  na  sua  apresentação  além  de  meramente  ressuscitar  um  débito  que  se  presumia  extinto de quando da sua extinção.  Note­se, com importante relevância ao tema, a penalidade sobre o pedido de  ressarcimento  indeferido  ou  indevido,  apesar  de  ter  surgido  concomitante  ao  da  não  homologação da compensação, no teor da redação ao § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, pela  Lei nº 12.249/2010, foi  revogado a partir Medida Provisória nº 656/2014, com retroatividade  benigna,  dadas  as  discussões  e  decisões  judiciais  próprias  de  tipo  de  pleito  do  contribuinte,  acatando  a  jurisprudência  formada  a  respeito.  O  Pedido  Eletrônico  de  Restituição,  Ressarcimento, Reembolso ­ PER, como o próprio nome diz, é um pedido, sendo que o ato que  altera  sua  condição  jurídica  é  somente  o  despacho  que  o  defere  (este  que  terá  efeitos  constitutivos).   Até ocorrer uma decisão a respeito do PER, não há geração de nenhum efeito.  E ademais, com a revogação do § 15, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, todo o contribuinte tem o  direito  de  pleitear  o  ressarcimento.  Se  cumular  este  pedido  de  ressarcimento  com  uma  compensação é que poderão advir os efeitos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996.  Ou seja, são duas situações distintas, com efeitos jurídicos próprios.  Cabe, adicionalmente, em caráter informativo, pois até ocorrer a repercussão  geral  necessária  aos  julgamentos desta  corte  administrativa não geram efeitos,  tal  tema, qual  seja, da constitucionalidade dos §§ 15 (agora prejudicado pela sua revogação) e 17 do art. 74  da  Lei  nº  9.430/1996,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  12.249/2010  estão  sendo  objeto  de  Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 10805.720916/2013­09  Acórdão n.º 1402­003.257  S1­C4T2  Fl. 1.494          19 apreciação de sua constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, através dos ADI 4905 e  RE  796.936,  ambos  com  relatores  distintos,  mas  sem  posicionamento  ainda  a  respeito  da  matéria.  Por  conseguinte,  não  há  que  se  falar  em  efeitos  erga  omnes  perante  a  esta  Corte  Administrativa.  Exposto o acima, para contextualizar a legislação aplicável, vamos à análise  dos pontos suscitados na peça recursal.    Das questões suscitadas na peça recursal  Preliminarmente,  antes  de  adentrar  no  mérito  do  presente  processo  e  das  alegações da recorrente, cabe destacar que não é objeto rediscutir o que já está sendo discutido  ou  foi  discutido  nos  processos  administrativos  nºs  10805.720184/2012­68  e  10805.720225/2012­16.   O  processo  administrativo  nº  10805.720184/2012­68  foi  arquivado  em  29/04/2013,  não  tendo  ocorrido  o  contraditório  administrativo  após  ciência  do  despacho  decisório  em  que  não  reconheceu  parte  do  direito  creditório.  Contudo,  os  eventos  deste  processo serão melhor analisados abaixo.  O  processo  administrativo  nº  10805.720225/2012­16  encontra­se  no  momento em cumprimento de diligência, promovido por resolução desta turma ­ 1402­000.476  de  sessão  de  25  de  janeiro  de  2018.  Ou  seja,  ainda  em  julgamento  por  esta  instância  administrativa.  Entendo  que  tais  circunstâncias  não  prejudicam  o  presente  processo  e  seu  julgamento, pois nestes casos, apesar da dependência de um processo ao decidido no outro, há  uma discussão aqui no presente bem própria e específica.  A própria legislação protege os contribuintes na redação do § 18 do art. 74 da  Lei  nº  9.430/1996,  como  já  citado  anteriormente,  e  que  não  custa  repetir  para  reforçar  este  ponto:  (...)   §  18.  No  caso  de  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade  contra  a  não  homologação  da  compensação,  fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o §  17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrando­se no  disposto  no  inciso  III  do  art.  151  da  Lei  no  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  ­  Código  Tributário  Nacional.  (Incluído  pela  Lei nº 12.844, de 2013)   Ou seja, não  importa o decidido no presente processo de multa  isolada,  sua  exigibilidade  ficará  suspensa  até  a  decisão  definitiva  do  processo  que  não  homologou  compensação via Dcomp. Não haverá prejuízo algum ao recorrente nestas circunstâncias, pois  se numa eventualidade o presente processo foi decidido em definitivo na esfera administrativa,  ao retornar para iniciar os procedimentos de cobrança, ficará sobrestado aguardando o decidido  no processo principal, e se for o caso, até sofrer recálculo (no caso do presente processo ter seu  lançamento mantido) ou sofrer exoneração total  Fl. 1503DF CARF MF     20 Isto  posto,  parte  às  alegações  da  recorrente,  sendo  que  algumas  já  foram  tratadas incidentalmente quando discorri sobre a legislação aplicável ao caso.    ­ quanto às alegações de que a multa isolada em discussão foi criada para  uso indevido e de má­fé da Dcomp  Alega a recorrente que seria inaplicável a multa prevista no §17 do art. 74 da  Lei nº 9.430/1996, evocado questões da fundamentação da lei, baseando­se em trechos da sua  exposição  de  motivos.  Alega  que  a  multa  em  discussão  foi  criada  para  situações  de  uso  indevido e, concomitante, de má­fé da Dcomp, o que não acontece no caso concreto.  Como  já  frisei  anteriormente,  o  presente  processo  não  deve  ser  usado  para  rediscutir o que já está sendo ou foi discutido nos demais. A proteção já está dada a recorrente,  de haver somente a repercussão necessária neste do que for decidido no qual o lançamento da  multa isolada foi objeto.   No tocante às arguições de boa­fé pela recorrente, e a multa isolada só deve  ser  aplicada  em  casos  de  má­fé  quando  da  apresentação  da  Dcomp,  conforme  já  exposto  anteriormente,  na  análise  da  legislação  aplicável  ao  caso,  o  §  17  do  art.  74  da  Lei  n.°  9.430/1996  não  estabelece,  para  sua  aplicação,  a  má­fé,  bastando  a  não  homologação  da  compensação  declarada,  ressalvando  apenas  os  casos  de  falsidade,  que  remeteria  a  uma  penalidade maior.   Ou seja, considerando a taxatividade da imputação legal ao caso, não há esta  margem de consideração em prol ao alegado pela recorrente, como já discorrido anteriormente.  Dado  o  todo  acima  exposto,  NEGO  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  neste ponto.    ­ questão envolvendo base de cálculo decorrente do processo administrativo  nº 10805.720184/2012­68  Alega a recorrente que, ao caso concreto, há inaplicabilidade do § 17 do art.  74  da  Lei  nº  9.430/1996,  em  que  expõe  análise  do  processo  administrativo  nº  10805.720184/2012­68,  reiterando  seus  argumentos  da  peça  impugnatória,  e  rebatendo  a  posição  da  autoridade  julgadora  a  quo,  e  que  esta  decisão  teria  se  limitado  sua  análise  ao  aspecto formal do caso.  O PER­DCOMP que é objeto da divergência de opinião da recorrente é a de  n°  38615.07809.211211.1.7.04­0215,  que  nas  suas  próprias  palavras,  em  janeiro  de  2012,  a  autoridade  fiscal  a  cita  em  análise,  conjuntamente  com  demais  PER­DCOMPs,  mas  não  analisou  especificamente  esta.  As  demais,  não  reconheceu  o  crédito  pleiteado.  Assim,  teria  apresentado manifestação de inconformidade para reconhecimento expresso de que o despacho  decisório  mencione  que  não  encontrou  nenhuma  irregularidade  em  relação  a  este  PER­ DCOMP, e apresentado elementos probatórios das demais.   E, ipsis litteris, da recorrente:  32.  Ato contínuo, em julho de 2012, ao verificar um equívoco no  preenchimento da PER/DCOMP n° 38615.07809.211211.1.7.04­ Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 10805.720916/2013­09  Acórdão n.º 1402­003.257  S1­C4T2  Fl. 1.495          21 0215,  apresentou  o  PER/DCOMP  retificador,  registrado  sob  o  n°  41766.34632.260712.1.7.04­8861,  ajustando  os  valores  do  crédito e os valores dos débitos a serem compensados.  No seu entender, o PER­DCOMP retificador foi apresentado dentro do prazo  legal, uma vez que o retificado não havia sido objeto de análise pela autoridade fiscal. No PER­ DCOMP retificador ajusta o crédito original utilizado,  reduzindo­o de R$ 2.073.817,59, para  R$ 1.689.933,26, o que com as atualizações pertinentes, daria a diferença de R$ 403.040,16,  uma das parcelas objeto do presente lançamento.  Em  novo  despacho  decisório  proferido  em  setembro  de  2012,  após  apresentação dos elementos pertinentes pela recorrente, haveria o reconhecimento expresso que  não  houve  a  análise  do  PER­DCOMP  nº  38615.07809.211211.1.7.04­0215.  Contudo,  em  relação  a  esta,  continuou  homologando  parcialmente,  sem  considerar  o  PER­DCOMP  retificador  nº  41766.34632.260712.1.7.04­8861,  que  haveria  alterado  o  crédito  pleiteado  exatamente nos mesmo limite de valor da decisão de homologação parcial.  Após,  expõe  elementos  decididos  no  processo  administrativo  após  segundo  despacho decisório, que a autoridade fiscal ao analisar o processo,  identificou o alegado pela  recorrente, citando excertos destas observações.   A decisão a quo analisa os elementos arguidos pela recorrente na sua, então,  peça  impugnatória,  e  após  contextualizá­los,  traz  a  tona  que  houve  um Despacho  em  09  de  novembro de 2012, às fls. 213/214 do processo 10805.720184/2012­68, em que demonstra os  procedimentos  adotados  em  relação  ao  PER­DCOMP  38615.07809.211211.1.7.04­0215,  e  comentando do seu retificador.  Ali consta o seguinte:  No  dia  21/12/2011  o  contribuinte  havia  transmitido  a  PER/DCOMP  38615.07809.211211.1.7­04­0215,  mas  no  dia  26/07/2012 o mesmo  transmitiu uma PER/DCOMP retificadora  de  número  41766.34632.260712.1.7.04­8861,  antes  da  ciência  do  despacho  decisório.  Esse  declaração  retificadora  reduzia  o  valor do crédito e consequentemente os valores dos débitos.  Para  quitar  a  diferença  entre  os  débitos  da  PER/DCOMP  vigente  e  a  retificadora  o  contribuinte  efetuou  pagamentos  via  DARF,  cujas  cópias  foram  anexadas  nos  autos  do  processo.  Além disso o contribuinte também retificou a DCTF informando  novo  número  de  PER/DCOMP  e  os  novos  pagamentos  realizados, conforme cópias anexas.  Esse PER/DCOMP retificadora não  foi  admitida, pois  já havia  despacho  decisório,  mesmo  o  contribuinte  ainda  não  tendo  a  ciência  do  mesmo.  Portanto  o  sistema  SIEF­PER/DCOMP  considerou  a  PER/DCOMP  38615.07809.211211.1.7­04­0215  como sendo a válida.  Para  evitar  novas  retificações  por  parte  do  contribuinte  proponho a mudança nos valores dos débitos no cadastramento  no  SIEF  –  Processo  conforme  tabela  abaixo,  visto  que  as  diferenças abaixo listadas já foram quitadas via DARF, e que o  Fl. 1505DF CARF MF     22 sistema  Fiscalização  Eletrônica  –  SIEF  já  validou  a  DCTF  retificadora transmitida.    DE:  PARA:  1840  R$ 6.676,53  ZERO  1921  R$ 26.330,69  ZERO  6912  R$ 2.055.651,85  R$ 1.685.618,91    Tais  elementos  do  despacho  acima  foram  cientificados  a  recorrente,  no  comunicado  Seort  nº  34/2013  (fl.  224  do  processo  10805.720184/2012­68),  proferido  pela  DRF/Santo André, do qual tomou ciência de todos em 24/01/2013. Como se não se insurgiu a  respeito, o processo foi dado como encerrado.  Ademais,  a própria decisão  aqui  traz no  seu  teor,  com  cópia de  tela,  que o  PER/DCOMP  retificador  nº  41766.34632.260712.1.7.04­8861  não  foi  admitida  e  nem  processada, conforme Despacho Decisório emitido, número de rastreamento 030435099, o qual  a recorrente tomou ciência em 21/08/2012 e não arguiu nenhum elemento em sentido contrário  ao posicionamento ali esboçado.  Apesar  de  ser  agora,  em  discussão  em  outro  processo,  de  outra matéria,  o  local  e  momento  competente  da  discussão  para  o  acolhimento  ou  não  da  PER/DCOMP  retificadora.  Como já exposto anteriormente neste voto, a Dcomp não é um mero pedido, e  sim  tem  efeitos  jurídicos  outros  já  na  sua  apresentação,  como  extinção  do  débito  tributário  através da compensação do crédito pleiteado constante na PER.  Contudo,  valho­me  agora  de  uma  análise  detalhada  do  processo  administrativo 10805.720184/2012­68, na tentativa de elucidar qual lado pende a razão.   Valho­me de todos os eventos ocorridos neste processo a partir de agora:  1)  Dia  21/12/2011  ­  data  da  transmissão  do  PER/DCOMP  38615.07809.211211.1.7.04­0215 (e­fls. 2 a 7) e demais (em outras datas), conforme listagem  abaixo. O total do direito creditório pleiteado, em valores originais, nos 4 PER/DCOMPs é de  R$ 10.705.576,75.   PER/DCOMP  total do crédito pleiteado  valor original  data transmissão  13097.95185.190911.1.7.04­3667  53.663,68  19/09/2011  23443.81358.200911.1.7.04­9657  1.957.739,62  20/09/2011  34837.45994.220911.1.3.04­1968  6.620.355,86  22/09/2011  subtotal  8.631.759,16          38615.07809.211211.1.7.04­0215  2.073.817,59  21/12/2011    10.705.576,75      2)  30/01/2012  ­  despacho  decisório  (e­fls.  30  a  31)  ­  analisa,  nas  suas  palavras,  que  os  PER/DCOMPs  supra  (todas  as  quatro),  no  conjunto  do  direito  creditório  Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 10805.720916/2013­09  Acórdão n.º 1402­003.257  S1­C4T2  Fl. 1.496          23 pretendido  de R$  8.631.759,16  se  referia  a  pagamento  efetuado  em  30/07/2010  (IRPJ  do  2º  trimestre  de  2010)  no  valor  de  R$  10.071.178,70,  que  estava  declarado  em  DCTF  como  extintivo de um débito de R$ 10.527.482,81  (o valor  remanescente de R$ 456.304,11 estava  como compensação). Assim, o pagamento a maior do item 1 estava integralmente aplicado na  extinção do débito, não haveria pagamento a maior;    Nota  1:  Realmente,  que  no  total  de R$  8.631.759,16  corresponde  as  3  primeiros PER/DCOMPs da listagem do item 1. Em tese, não houve análise do PER/DCOMP  38615.07809.211211.1.7.04­0215. Contudo, haveria diferença de valores, pois o valor original  do direito creditório pleiteado é de R$ 10.071.178,70, remanesceriam apenas R$ 1.439.419,54  (R$ 10.071.178,70 ­ R$ 8.631.759,16), e não o total de R$ 2.073.817,59 pleiteado.   3) 24/05/2012 ­ tomada da ciência da recorrente do despacho do item 2;  4) 05/07/2012 ­ apresentação de manifestação de inconformidade (e­fls. 166 a  169), em que consta o seguinte:    a) os 3 primeiros PER/DCOMPs da listagem do item 1, no montante de  R$ 8.631.759,16) se referem a direito creditório referente a pagamento a maior de IRPJ ao 2º  trimestre de 2010, no total de R$ 8.631.759,16;    b)  o  4º  PER/DCOMP  da  listagem,  final  0215,  se  refere  a  direito  creditório referente a pagamento a maior de IRPJ do 1º trimestre de 2011, no montante de R$  2.341.618,29;    c) o despacho decisório não reconheceu o direito creditório referente ao  IRPJ  pago maior  do  2º  trimestre  de  2010, mas  nada  se  referiu  ao  IRPJ  pago  a maior  do  1º  trimestre de 2011;    d) no seu entender, o PER/DCOMP de final 0215 foi citado no despacho  erroneamente;    e) no caso dos 3 primeiros PER/DCOMPs da listagem do item 1, houve  retificação da DCTF relativa ao débito de  IRPJ do 2º  trimestre de 2010 antes da emissão do  despacho decisório;    f)  o  débito  de  IRPJ  de  R$  10.527.482,81  foi  alterado,  pois  constatou  posteriormente que era bem menor, e retificou, em 21/03/2012, a DCTF deste período para o  valor de R$ 1.895.723,65 (referente ao débito de IRPJ do 2º trimestre de 2010). A DIPJ sempre  esteve correta, e o erro foi na DCTF original entregue;    Nota  1:  O  débito  retificado  de  R$  1.895,723,65,  menos  o  valor  compensado  já  na  DCTF  original  (de  R$  456.304,11)  dará  o  saldo  de  R$  1.439.419,54,  conforme identificado como divergência na nota 1 do item 2 acima;    g) ao final, requer que o PER/DCOMP de final 0215 seja integralmente  homologada;  5) No dia 25/09/2012,  a partir da  e­fl.  174 até  e­fl.  184, há uma análise da  unidade da RFB dos valores de crédito, remanescendo analisar e justificar o direito creditório  pleiteado referente a pagamento a maior no 1º trimestre de 2011, em que se observa o seguinte:  Fl. 1507DF CARF MF     24   a)  valor  declarado  em  DCTF  retificadora  de  débito  de  IRPJ  ­  1º  Trim/2011  de  R$  22.496.379,26,  extinto  com  pagamento  de  R$  21.119.629,69  e  outras  compensações de R$ 1.376.749,57 (e­fl. 174);    b)  na  e­fl.  175  encontramos  a  listagem  de  pagamentos  efetuados  pela  recorrente, referente ao IRPJ do 1º trim/2011. Consta um DARF recolhido em 29/04/2011 no  total de R$ 22.809.562,95;    c)  na  e­fls.  176/177  consta  que  o  alocado  deste  DARF  era  de  R$  20.467.944,66, sendo R$ R$ 2.341.618,29 estariam reservados para PER/DCOMP do processo  10805.720184/2012­68;    d) nas e­fls. 178 a 183, há análises de valores pertinentes ao processo de  final 68 e os três primeiros PER/DCOMPs da listagem do item 1;    e) na e­fl. 184, há uma planilha sintetizando a análise em que reconhece  integralmente o direito creditório dos três primeiros PER/DCOMPs da listagem do item 1, e em  relação  ao  PER/DCOMP  de  final  0215  reconhece  R$  1.689.933,26  ante  o  pleiteado  de  R$  2.341.618,29;  6) Dia 25/09/2015 ­ o item 5 culmina com despacho decisório a e­fls. 195 e  197,  que  refaz  o  despacho  decisório  anterior  (citado  no  item  2),  e  neste  menciona  explicitamente análise do PER/DCOMP final 0215, em que se posiciona no sentido de que em  relação o valor pago a maior de IRPJ referente ao 1º trimestre de 2011, restaria um saldo de R$  1.689.933,26. Este valor seria o direito creditório disponível para compensar o PER/DCOMP  de  final  0215,  no  qual  se  pleiteia  o  valor  de  R$  2.341.618,29.  Por  conseguinte,  declara  reconhecimento parcial deste direito creditório;  7)  Contudo,  em  26/07/2012,  houve  um  PER/DCOMP  apresentado  pela  recorrente  (41766.34632.260712.1.7.04­8861)  retificando  o  de  final  0215,  em  que  altera  o  direito creditório pleiteado para R$ 1.689.933,26 (e­fls. 199 a 203);  8) Em 09/11/2012 procede­se a análise dos valores da recorrente, conforme  e­fls. 204 a 212, culminando no despacho a e­fls. 213 a 214, em que conclui o seguinte:    a) informa da transmissão do PER/DCOMP retificador citada no item 7,  na qual  reduzia o valor de crédito e por consequência os valores dos débitos. A diferença de  valor  foram  quitados  via  pagamento  (DARFs),  conforme  anexado  nos  autos  do  processo,  ocorrido em 31/07/2012 (e­fls. 204 a 206);    b)  ali  comenta  que  PER/DCOMP  final  0215  foi  retificado  antes  da  ciência do despacho decisório;    c)  considera  o  PER/DCOMP  de  final  0215  como  ainda  vigente,  e  o  retificador não foi admitido, pois já havia despacho decisório, mesmo o contribuinte ainda não  tendo ciência do mesmo;    d)  para  evitar  novas  retificações,  ocorreram mudanças  nos  valores  dos  débitos cadastrados nos controles da Receita Federal do Brasil, considerando os DARF pagos  da diferença dos PER/DCOMPS (a original e ainda vigente e a tentativa de retificadora);    e)  com  isso,  os  débitos  vinculados  ao  PER/DCOMP  retificador  foram  alterados de R$ 2.088.659,07 para R$ 1.685.618,91 (diferença ajustada de R$ 403.040,16);  Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 10805.720916/2013­09  Acórdão n.º 1402­003.257  S1­C4T2  Fl. 1.497          25   e) nas folhas seguintes há demonstrativos da nova situação, para fins de  controle dos débitos e créditos (e­fls. 215 a 220);    Nota  1:  aqui  entendo  que  houve  emprego  errôneo  de  certas  palavras  neste despacho. O que se quis dizer é que haveria um novo despacho decisório a ser dado sobre  a matéria. Mesmo porque a ciência do primeiro despacho ocorreu em 24/05/2012, e apesar de  obscura a situação, já sabia que estava trabalhada seu PER/DCOMP de final 0215. Tanto que  tentou retificá­lo e pagar a diferença.  9)  em  07/02/2013,  por  decurso  de  prazo  de  disponibilização  na  sua  caixa  postal (e­cac) toma ciência do comunicado Seort nº 34/2013, datado de 23/01/2013 (e­fl. 224),  em que comunica do despachado no processo e encerra a análise no processo.    Isto  tudo  posto,  entendo  que  a  ciência  do  despacho  de  item  8  empregou  erroneamente  as  palavras  a  se  posicionar  daquela  forma  naquele  momento,  o  que  não  se  invalida o contexto processual envolvido, conforme destaco abaixo.  O  fato é que a  recorrente  já estava ciente da análise processual que ocorria  sobre  o  PER/DCOMP  final  0215,  inclusive  tendo  se  manifestado  sobre  o  mesmo  na  sua  manifestação de inconformidade em 05/07/2012, em que rebate o despacho decisório datado de  30/01/2012, e que fora cientificada em 24/05/2012 , em que a cita expressamente.  Em  26/07/2012,  por  sua  conta,  tenta  apresentar  PER/DCOMP  retificador  referente aos valores envolvidos no PER/DCOMP final 0215, inclusive tendo pago a diferença  que surgiria em 31/07/2012.  A intenção da norma de inibir o PER/DCOMP retificador após a ciência do  despacho decisório é evitar manifestações e ajustes posteriores, o que no caso ocorreu sobre os  valores  envolvidos  no  PER/DCOMP  final  0215.  Houve  análise  do  mesmo  já  no  despacho  decisório cientificado em 24/05/2012 (item 2 e 3 acima). Tanto isto é válido que é apontado no  v. acórdão recorrido do presente processo que o PER/DCOMP retificador não foi aceito.  E  não  foram  só  ajustes,  houve  inclusive,  pagamento  da  diferença,  reconhecendo que havia pendências neste PER/DCOMP originalmente entregue.  Assim,  entendo  que  a  posição  das  autoridades  fiscais,  no  despacho  de  09/11/2012, que analisaram os créditos e resolveram ajustar os débitos da mesma em virtude  dos  pagamentos  ocorridos  em  31/07/2012,  para  evitar  novas  retificadoras,  e  considerando  como paga a diferença, era o aplicável naquele momento.   O  despacho  decisório  vigente  naquele  momento  da  análise  era  o  de  25/09/2012  (item  6  supra),  que,  explicitamente,  homologava  parcialmente  o  PER/DCOMP  final 0215. Este despacho decisório viera em alteração ao proferido em 30/01/2012, e em todos  os  dois,  foram  abordados  e  analisados  os  quatro  PER/DCOMPs,  incluindo  a  de  final  0215,  como já analisado.  Com  isso  tudo,  houve  definitividade  da  decisão  que  não  admitiu  o  PER/DCOMP  retificador  no  caso,  e  manteve  como  válido  e  ativo  o  PER/DCOMP  38615.07809.211211.1.7.04­0215.   Fl. 1509DF CARF MF     26 Não  cabe  agora,  num  julgamento  incidental  dos  fatos  acima  elencados,  rediscutir esta matéria e reabrir o litígio do processo.   A recorrente se vale do princípio da busca da verdade material para mudança  do entendimento em relação a situação, que é basilar no julgamento administrativo. Contudo,  no caso, seria reformar uma decisão já transitada, e sem ter a plena certeza das circunstâncias  envolvidas,  transcorridos  vários  anos.  Deveria  ter  agido  então,  mas,  aparentemente,  se  deu  satisfeito  com  a  solução  aplicada  pela  autoridade  para  resolver  o  problema  dos  valores  envolvidos no PER/DCOMP 38615.07809.211211.1.7.04­0215, e não mais agiu ou discordou.  Dado  o  todo  acima  exposto,  NEGO  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  neste ponto.    ­ questão envolvendo o processo administrativo nº 10805.720225/2012­16, e  também da sua aplicação antes do encerramento da discussão administrativa  Alega a  recorrente que o processo administrativo nº 10805.720225/2012­16  estaria  ainda  em  aberta  a  discussão  a  respeito  do  litígio  envolvido  da  homologação  parcial  pertinente,  o  que  deve  prevalecer,  devendo  ser  cancelada  a  multa  isolada  ora  aplicada.  Igualmente, insurge­se contra a possibilidade de aplicação da multa antes do encerramento da  discussão administrativa sobre as compensações realizadas.  Contudo,  como  já  exposto  anteriormente,  a  própria  legislação  protege  os  contribuintes na redação do parágrafo seguinte ­ § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, como já  citado anteriormente, e que não custa repetir para reforçar este ponto:  (...)   §  18.  No  caso  de  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade  contra  a  não  homologação  da  compensação,  fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o §  17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrando­se no  disposto  no  inciso  III  do  art.  151  da  Lei  no  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  ­  Código  Tributário  Nacional.  (Incluído  pela  Lei nº 12.844, de 2013)   Ou  seja,  como  já  dito  anteriormente,  não  importa  o  decidido  no  presente  processo  de  multa  isolada,  sua  exigibilidade  ficará  suspensa  até  a  decisão  definitiva  do  processo  que  não  homologou  compensação  via  Dcomp.  Não  haverá  prejuízo  algum  ao  recorrente nestas circunstâncias, pois se numa eventualidade o presente processo foi decidido  em definitivo na esfera administrativa, ao retornar para iniciar os procedimentos de cobrança,  ficará  sobrestado  aguardando  o  decidido  no  processo  principal,  e  se  for  o  caso,  até  sofrer  recálculo (no caso do presente processo ter seu lançamento mantido).  Dado  o  todo  acima  exposto,  NEGO  PROVIMENTO  ao  pleito  de  apensamento dos processos da recorrente.        Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 10805.720916/2013­09  Acórdão n.º 1402­003.257  S1­C4T2  Fl. 1.498          27 ­ das alegações de injuridicidade da norma contida no § 17 do art. 74 da Lei  nº 9.430/1996  A  recorrente  insurge­se  contra  o  §  17  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430/1996,  pedindo  o  afastamento  da  sua  aplicação,  em  razão  da  injuridicidade  da  norma,  e  que  seja  aplicada a norma em conformidade com o ordenamento jurídico. Para tanto, evoca questões de  violação do direito de petição previsto na Constituição Federal, e que tal norma só se aplica aos  casos  envolvendo  má­fé  na  apresentação  da  Dcomp.  Para  tanto,  cita  excertos  de  decisões  judiciais a respeito, que corroborariam com seu posicionamento na peça recursal.  Contudo,  compreendo  que  tal  questão  afasta­se  das  possibilidades  de  manifestação  deste  colegiado.  Em  verdade,  há  vedação  expressa  no  art.  26­A  do  Decreto  70.235/1972 que se adentre ao mérito de validade constitucional de normas legais no âmbito da  do processo administrativo fiscal:  Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade  Para  tanto  foi  editada  a  Súmula  CARF  nº  2,  a  qual  tão  somente  vem  a  espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Destarte, NÃO CONHEÇO desta matéria do recurso voluntário.    ­ das alegações de ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa   O  presente  tema  da  incidência  de  juros  sobre  a  multa  de  ofício,  que  não  deveria prosperar por falta de previsão legal não é novo no CARF.  Ocorre  que  uma  análise mais  sistemática  do CTN,  percebe­se  que  os  juros  são devidos  sobre o valor da multa, uma vez que o crédito  tributário  engloba  tanto o  tributo  quanto a multa.  Como dispõe o art. 161 do CTN:  Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  e  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.  § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são  calculados a taxa de um por cento ao mês.  O art. 113, § 1o do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o  pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo  Código  Tributário  Nacional  para  distinguir  obrigação  acessória  de  obrigação  principal  e  o  Fl. 1511DF CARF MF     28 conteúdo pecuniário. A obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a  obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro.  Neste passo, resta evidente que a multa tem natureza de obrigação principal,  visto é que incontestável o seu conteúdo pecuniário.  O  conceito  de  credito  tributário  esta  esculpido  no  art.  139  do  CTN,  nos  seguintes termos: o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza  desta. Desta forma, por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a  outra conclusão senão a de que o credito tributário engloba o tributo e a multa.  Logo,  tanto  sobre  o  tributo  (principal)  quanto  sobre  a multa  devem  incidir  juros, como determina o § 1o do art. 161 do Código Tributário Nacional.  Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas os juros sobre a multa  de ofício imposta e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto.    Conclusão:  Destacando­se a previsão legal do §18 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, voto  por conhecer parcialmente, e NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL aos demais elementos do  recurso voluntário.       (assinado digitalmente)  Marco Rogério Borges                               Fl. 1512DF CARF MF

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7374684 #
Numero do processo: 17437.720221/2015-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad rejeitavam as preliminares arguidas e, no mérito, davam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araújo - Relator. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida – Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo (Relator), Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: WALKER ARAUJO

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3302­000.772  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  21 de junho de 2018  Assunto  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Recorrente  TECON RIO GRANDE S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  voto  de  qualidade,  em  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Os Conselheiros Walker  Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad rejeitavam  as preliminares arguidas e, no mérito, davam provimento ao recurso voluntário. Designado o  Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Walker Araújo ­ Relator.  (assinado digitalmente)  Fenelon Moscoso de Almeida – Redator designado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Paulo  Guilherme  Déroulède  (Presidente),  Fenelon  Moscoso  de  Almeida,  Walker  Araújo  (Relator),  Vinicius  Guimarães  (Suplente),  José Renato  Pereira  de Deus,  Jorge  Lima Abud,  Diego Weis  Júnior,  Raphael Madeira Abad.        RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 74 37 .7 20 22 1/ 20 15 -6 5 Fl. 10701DF CARF MF Processo nº 17437.720221/2015­65  Resolução nº  3302­000.772  S3­C3T2  Fl. 10.702          2 Relatório  Por  bem  descrever  a  realidade  dos  fatos,  adoto  e  transcrevo  o  relatório  da  decisão de piso de fls. 2.693­2.704:  Trata o presente processo de Autos de Infração da COFINS e da contribuição ao  PIS,  lavrados  em  nome  do  contribuinte  em  epígrafe  pertinente  à  insuficiência  do  recolhimento  nos  períodos  de  apuração  de  01/2011  a  12/2012,  conforme  abaixo  discriminado:  COFINS  R$ 17.342.401,18  JUROS DE MORA (calculados até 07/2015)  R$ 5.628.652,77  MULTA PROPORCIONAL  R$ 13.006.800,92  TOTAL  R$ 35.977.854,87  PIS  R$ 3.765.126,57  JUROS DE MORA (calculados até 07/2015)  R$ 1.222.010,12  MULTA PROPORCIONAL  R$ 2.823.844,96  TOTAL  R$ 7.810.981,65  Integra  o  auto  de  infração  o  “Relatório  do  Procedimento  Fiscal”  de  fls.  02/5,  onde foi exposta a  legislação da Cofins e do PIS aplicável, relacionando os  seguintes  pontos motivadores do lançamento:  1.  A  contribuinte  classificou  indevidamente  receitas  como  isentas  na  apuração  das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS;  2.  Foi  lavrado  Termo  de  Intimação  onde  foi  solicitado  para  a  pessoa  jurídica  “apresentar documentação, hábil e idônea, que comprove que a prestação dos serviços  foi  efetuada  a  pessoa  jurídica  situada  no  exterior,  bem  como  que  os  pagamentos  recebidos pelos serviços representam ingressos de divisas, nos termos do art 5o, inciso  II, da Lei n° 10.637/02 e art 6o, inciso II, da Lei n° 10.833/03”;  3.  Tempestivamente,  encaminhou  notas  fiscais,  contratos  com  armadores  estrangeiros  e  tabelas  de  preços  praticados. Apresentou  também cópia  da Solução  de  Consulta  nº  58,  de  7  de  abril  de  2006.  Com  relação  à  comprovação  do  ingresso  de  divisas,  declara  que  “esta  tem  origem  na  própria  natureza  dos  serviços  portuários  prestados  a  Armadores  Estrangeiros,  ou  seja,  navios  de  transporte  de  carga  na  modalidade longo curso que atracam no terminal”;  4.  Mediante  análise  da  documentação  apresentada  constata­se  a  falta  de  comprovação do efetivo  ingresso de divisas  no País, segundo as normas previstas no  Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI), estabelecidas  pelo Banco Central do Brasil;  5.  A  contribuinte  limita­se  a  apresentar  argumentos  sobre  a  operacionalização  entre ele, o transportador estrangeiro e o agente marítimo no País, sob o ponto de vista  fiscal e cambial;  Fl. 10702DF CARF MF Processo nº 17437.720221/2015­65  Resolução nº  3302­000.772  S3­C3T2  Fl. 10.703          3 6.  O  fato  de  existir  a  intermediação  de  agente  ou  representante,  no  Brasil,  de  empresa  estrangeira  tomadora  de  serviços  portuários,  por  si  só,  não  é  suficiente  para  descaracterizar  a  situação,  conforme  determina  a  Solução  de  Consulta  nº  58,  de  07/04/2006, da 10ª SRRF, contida no processo administrativo 11050.003099/2005­45,  de solicitação da própria contribuinte;  7.  No  entanto,  cabe  à  pessoa  jurídica  comprovar  a  prestação  de  serviços  para  pessoa  situada  no  exterior,  como  também  comprovar  que  os  pagamentos  recebidos  representam ingresso de divisas;  8.  No  presente  caso,  embora  a  interessada  tenha  comprovado  a  prestação  de  serviços para pessoas jurídicas situadas no exterior, nos casos em que foi intimada, não  comprovou o efetivo ingresso de divisas, e tampouco nexo causal com as operações de  prestação de serviços ao exterior, segundo as normas determinadas pelo Banco Central  através do Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais – RMCCI;  9. A prova do efetivo ingresso de divisas, e a demonstração do nexo causal com  as operações de exportação de serviços, são elementos essenciais para que se afaste a  hipótese,  não  coberta  pela  isenção,  da  utilização  de  recursos  que  o  representante  do  transportador  estrangeiro  detenha  sob  sua  guarda,  mas  que  tenham  origem  em  pagamentos, por empresas nacionais, de serviços de transporte internacional prestados  pelo armador sediado no exterior, situação que não representaria o necessário ingresso  de divisas;  10. Sobre essa questão, o próprio contribuinte, em sua consulta  formulada, que  deu origem à Solução de Consulta nº 58, de 7 de abril de 2006, admite a utilização de  recursos  provenientes  de  receitas  auferidas  no  país,  pelo  armador  estrangeiro,  no  pagamento de despesas, inclusive as portuárias;  11.  Logo,  não  tendo  a  pessoa  jurídica  comprovado  o  ingresso  de  divisas  nas  operações  de  exportação  de  serviços  registradas  na  contabilidade  e  relacionadas  na  planilha  "Comparativo  contabilidade  x  DACON­  exportações",  essas  receitas,  que  foram  informadas  como  isentas  no  DACON,  serão  consideradas  tributáveis  neste  procedimento, por não ter sido cumprido o requisito previsto no art do art 5o, inciso II,  da Lei n° 10.637/02 e art 6o, inciso II, da Lei n° 10.833/03.  Devidamente  cientificada em 23/07/2015  ­  fl.928,  a  interessada  apresentou,  em  21/08/2015 ­ fl. 942 e ss., impugnação alegando em resumo que:  1.  A  impugnante  presta  serviços  portuários  às  empresas  transportadoras  marítimas (armadores) sediadas e domiciliadas no exterior, cujas embarcações atracam  em  seu  porto  para  as  operações,  dentre  outras,  de  embarque  e  desembarque  de  mercadorias/contêineres.  Ocorre  que  a  fiscalização  entendeu  que  o  único  documento  hábil para comprovar o ingresso de divisas seria o Contrato de Câmbio de forma direta,  segundo  as  normas  previstas  no  Regulamento  do  Mercado  de  Câmbio  e  Capitais  Internacionais (RMCCI), estabelecidas pelo Banco Central;  2.  Cabe  salientar  que  a  origem  do  crédito  decorre  de  receitas  auferidas  na  prestação  de  serviços  para  pessoa  jurídica  domiciliada  no  exterior. Assim,  consoante  inciso II, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03 e inciso II do art. 5º, da Lei nº 10.637/02, na  redação  dada  pelo  art.  21º  da  Lei  10.865/04  e  ainda  pela  IN  SRF  nº  247,  de  21  de  novembro de 2002, não  incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS  sobre  as  receitas  oriundas  de  serviços  prestados  a  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  exterior,  no  caso  em  tela  transportadores  estrangeiros  e,  por  conseguinte,  tem  a  contribuinte direito ao crédito de PIS/PASEP e COFINS sobre referidas receitas;  Fl. 10703DF CARF MF Processo nº 17437.720221/2015­65  Resolução nº  3302­000.772  S3­C3T2  Fl. 10.704          4 3.  Nesse  passo,  para  configurar  o  ingresso  de  divisas,  necessário  se  faz  a  comprovação do nexo causal, comprovação esta que a impugnante efetuou por ocasião  da  fiscalização  em  suas  operações,  e  o  faz  novamente mediante  a  juntada  de  alguns  exemplares  de  contratos  celebrados  com  os  transportadores  estrangeiros  e  pela  amostragem  de  Notas  Fiscais  emitidas  contra  tais  transportadores  estrangeiros  aos  cuidados de sua agência marítima ou de seu representante no país;  4. Contudo, a existência de uma terceira pessoa não desfigura o efetivo ingresso  de divisas, uma vez que esta  terceira pessoa, neste caso a agência de navegação, atua  apenas como intermediário na relação entre o transportador estrangeiro e a contribuinte.  Essa  intermediação  só  ocorre  por  força  da  legislação,  assim,  o  agente  apenas  faz  a  intermediação  dos  pagamentos,  cujo  recurso  é  proveniente  indubitavelmente  do  estrangeiro;  5.  Assim,  as  agências  de  navegação  atuam  como  meros  mandatários  dos  transportadores  estrangeiros,  que  são  os  verdadeiros  clientes  da  impugnante,  atuando  conforme requerido pelos transportadores estrangeiros que, por não terem domicílio no  Brasil,  utilizam,  obrigatoriamente,  as  agências  de  navegação  para  contratar  serviços,  pagando nestes casos, através destas agências marítimas, em moeda corrente nacional,  os  prestadores  que  lhes  prestam  serviços,  não  afetando,  por  conseguinte,  a  relação  jurídica  para  fins  de  reconhecimento  da  não­incidência  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP e COFINS sobre as receitas auferidas pelos prestadores de serviços, como é  o caso da impugnante;  6.  Para  efetivar  os  pagamentos,  após  firmar  contratos  formais  ou  tácitos  para  operar  seus  navios  de  longo  curso,  uma  vez  que  não  podem  atuar  de  forma  independente  no  Brasil,  os  transportadores  estrangeiros  utilizam  das  hipóteses  de  transferências de recursos na seguinte forma:  a) o transportador estrangeiro remete para seu agente/representante marítimo no  Brasil um valor em moeda conversível para custeio das despesas, incluídas as despesas  com serviços portuários, que é convertido em reais através de um Contrato de Câmbio  de  Compra  Tipo  3  ­  Transferência  Financeira  do  Exterior.  No  pagamento  ao  transportador estrangeiro do  transporte  internacional de cargas é feito um Contrato de  Câmbio de Venda Tipo 4 ­ Transferências Financeiras para o Exterior ­ pelo valor total  do (s) conhecimento(s) de transporte;  b) o agente/representante no Brasil faz uma estimativa das despesas, dentre elas  as despesas portuárias, e é autorizado a deduzi­las quando da remessa para pagamento  do  transporte  internacional,  ou  seja,  a  remessa  de  divisas  é  feita  pelo  valor  líquido.  Contudo, é realizado um Contrato de Venda Tipo 4 ­ Transferências Financeiras para o  exterior ­ pelo valor bruto do(s) conhecimento(s) de transporte e, também, um Contrato  de  Câmbio  de  Compra  tipo  3  ­  Transferências  Financeiras  do  Exterior  ­  da  parte  inerente às despesas incorridas no Brasil, cuja estimativa consta no Contrato de Câmbio  de Venda tipo 4 já mencionado;  7. Logo, seja utilizando o Contrato de Câmbio Tipo 3 ou Tipo 4 o  ingresso de  divisas  é  efetivado. Cabe  salientar  que,  o  contrato  não  é  fechado  tão  somente para o  pagamento dos custos com o  terminal, mas para  todo e qualquer despesa vinculada a  essa atracação do navio, devendo o agente, pela posição de mandatário distribuir essa  receita advinda do estrangeiro para cada fornecedor, dentre eles a impugnante;  8. Vale salientar que os contratos de câmbio celebrados entre os transportadores  estrangeiros  e  as  agencias  marítimas  são  de  propriedade  destas,  que  são  empresas  brasileiras que, a teor da norma do Banco Central do Brasil, Circular nº 3.280/2005, são  as responsáveis pelo fechamento do contrato de câmbio;  Fl. 10704DF CARF MF Processo nº 17437.720221/2015­65  Resolução nº  3302­000.772  S3­C3T2  Fl. 10.705          5 9. Por ser de propriedade das agências de navegação, os contratos de câmbio não  podem  ser  exigidos  da  impugnante,  uma  vez  que  esta  é  exclusivamente  operadora  portuária  e,  assim,  não  pode  ser  exigido  apresentar  qualquer  documento  que  não  lhe  pertença.  Por esta razão, torna­se inviável a apresentação de contrato de câmbio, pois esta  não figura como agente/representante do transportador estrangeiro;  10.  Tendo  em  vista  que  os  contratos  de  câmbio  estão  disponíveis  aos  entes  públicos  no  Banco  Central,  requer  que  a  RFB  solicite  junto  ao  Banco  Central  os  Contratos de Câmbios que subsidiam os recursos recebidos;  11.  Assim,  esta  intermediação,  como  já  amplamente  demonstrado,  não  desconfígura a não incidência do PIS/PASEP e da COFINS para o caso em tela, já que  as  receitas  auferidas  decorrem  de  serviços  portuários  prestados  a  transportadores  estrangeiros,  cujo  ingresso  de  divisas  no  País,  para  pagamentos  destes  serviços,  está  comprovado com toda a documentação acostada aos autos;  12.  Caso  deseje,  a  RFB  poderia  fiscalizar  as  agências  de  navegação  intervenientes  destes  serviços,  cujas  Razões  Sociais,  CNPJ  e  data  da  prestação  de  serviços a contribuinte poderia informar. Não há, todavia, possibilidade jurídica de lhe  ser exigido um documento que não lhe pertence;  13.  Com  a  presente  impugnação,  apresenta  declaração  fornecida  por  um  transportador  estrangeiro  no  sentido  de  que  o  pagamento  para  satisfazer  as  despesas  portuárias  contraídas  no  Brasil  decorre  de  numerário  remetido  do  exterior  e  que  configura indubitavelmente ingresso de divisas;  14. A pessoa jurídica efetuou consulta onde, mediante a Solução de Consulta nº  58, de 07/04/2006, fica claro que a ausência de contrato de câmbio não descaracteriza a  não  incidência  do  PIS  e  COFINS,  sendo  necessário,  somente  que  o  contribuinte  demonstre  com  outros  documentos  que  o  serviço  foi  prestado  para  a  pessoa  jurídica  domiciliada no exterior e, conseqüentemente, o ingresso de divisas;  15.  Todos  os  documentos  apresentados  nesta  peça  formam  o  nexo  causal  que  demonstram o ingresso de divisas e a prestação de serviços para residente e domiciliado  ao exterior;  16. Objetivando  ratificar  ainda mais  a  argumentação,  bem  como  demonstrar  o  nexo causal, a contribuinte requereu junto à Superintendência dos Portos de Rio Grande  ­  SUPRG  a  relação  de  todos  os  navios  acostados  no  Terminal  Portuário  no  período  autuado,  qual  seja,  janeiro  de  2011  a  dezembro  de  2012. A  relação  dos  navios,  bem  como a bandeira dos mesmos e a data de atracação/desatracação foi fornecido por essa  autarquia,  sendo  juntado  a  presente  (documento  01),  juntando  ainda  planilha  para  melhor  entendimento  dessa  Turma  de  Julgamento,  onde  utilizando  desse  relatório  emitido  pela  autarquia  estadual,  lista  todas  as  notas  fiscais  vinculadas  a  cada  navio  atracado  objetivando  comprovar  o  serviço  prestado  a  transportador  estrangeiro  e  o  ingresso de divisas (documento 06);  17. Assim,  resta  comprovado o  direito  ao  crédito  decorrente  da  não  incidência  sobre a receita oriunda da prestação de serviços de operação portuária ao transportador  estrangeiro,  pessoa  jurídica  domiciliada  ou  com  sede  no  exterior,  cujo  pagamento  configura o ingresso de divisas no País, ainda que realizado mediante intermediação de  agente/representante do transportador estrangeiro no Brasil;  Fl. 10705DF CARF MF Processo nº 17437.720221/2015­65  Resolução nº  3302­000.772  S3­C3T2  Fl. 10.706          6 18.  Cabe  ainda  esclarecer  que  por  ser  um  Terminal  Portuário,  recebe  em  sua  estrutura  diariamente navios  do mundo  inteiro,  e não  há dúvidas  de  que  um  terminal  portuário  no  Brasil  presta  serviços  na  sua  grande  maioria  para  transportadores  estrangeiros, uma vez que a navegação de cabotagem é utilizada de forma minoritária  nos portos brasileiros, tendo em vista a grande utilização das rodovias pelo Brasil. Tal  fato  é  notório  e  os  Terminais  do  Brasil  recebem  de  forma  majoritária  navios  com  bandeiras estrangeiras que realizam a importação ou exportação;  19. Para melhor deslinde da questão em decorrência de sua natural complexidade  e  a  quantidade  de  documentos,  a  impugnante  requer  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  a  ser  realizada  por  servidor  estranho  aos  autos,  a  fim  de  que  fique  comprovado o pagamento a maior de PIS e COFINS em face dos serviços prestados aos  transportadores estrangeiros, apresentando desde já os quesitos:  a) Diga o servidor, na condição de perito, qual a atividade principal exercida pela  impugnante e se nessa atividade presta regularmente serviços a armadores estrangeiros,  ou seja, a navios de bandeira estrangeira;  b) Diga ainda diante da atividade da empresa e da documentação acostada tanto  nos  autos,  como  à  disposição  da  fiscalização  no  seu  estabelecimento  localizado  na  cidade do Rio Grande ­ RS, se o agente marítimo atua em nome próprio, ou se age na  condição  de  mandatário  da  pessoa  no  exterior,  ou  seja,  do  transportador/armador  estrangeiro;  c) Diga, ainda, se os documentos fiscais emitidos onde possa constar o nome do  agente marítimo se prestam ou não para descaracterizar ou não a relação jurídica a que  alude o art. 6º,  II da Lei nº 10.833/2003 e o artigo 14º,  III, da MP 2.158­35 de 2001,  para fins de reconhecimento ou não da não incidência do PIS/COFINS sobre as receitas  auferidas  pela  contribuinte  em  virtude  da  prestação  de  serviços  a  armadores  estrangeiros;  d)  Nessa  sequência,  esclareça  o  servidor/perito  se  os  serviços  prestados  aos  navios de bandeira estrangeira atracados em seu Terminal, foram prestados às agências  marítimas ou se de fato foram prestados aos transportadores/armadores estrangeiros;  e)  Esclarecer  se  na  peculiaridade  do  serviço  portuário  prestado  a  navio  de  bandeira  estrangeira,  após  conhecer  a  atividade  da  impugnante,  se  é  o  contrato  de  câmbio  celebrado  com  o  armador  estrangeiro  fechado  pela  agência marítima  ou  pela  contribuinte em tela, operador portuário;  f) Finalmente,  informe o servidor/perito,  também após estar ciente da atividade  da impugnante, se caso o agente marítimo tenha sob sua guarda recursos de titularidade  do seu representado (armador estrangeiro), oriundo de receitas auferidas no Brasil em  razão  do  transporte  internacional,  se  o  pagamento  efetuado  à  impugnante,  em moeda  nacional,  utilizando  tais  recursos,  nos  termos  da  Circular  BACEN  nº  3.280/2005,  caracteriza ou não o ingresso de divisas consoante a legislação de regência;  22. Requer ainda, caso a fiscalização entenda que a documentação acostada não  seja suficiente, que seja realizada diligência nas Agências de Navegação apontadas pela  impugnante,  objetivando  a  obtenção  dos  contratos  de  câmbio,  bem  como  esclarecimentos  adicionais  sobre  o  ingresso  de  divisas,  ou  ainda  que  seja  solicitado  junto ao Banco Central do Brasil as cópias dos contratos de câmbio;  23. Ante o exposto, requer seja julgado improcedente o Auto de Infração.  Fl. 10706DF CARF MF Processo nº 17437.720221/2015­65  Resolução nº  3302­000.772  S3­C3T2  Fl. 10.707          7 Em  18  de maio  de  2016,  a  Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento,  por  unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  ­  COFINS  Período  de  apuração:  01/01/2011  a  31/12/2012  EXPORTAÇÃO  DE  SERVIÇOS.  COMPROVAÇÃO  DOS  SERVIÇOS PRESTADOS AO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. A mera  demonstração de que o serviço foi prestado em navio estrangeiro não é capaz de  demonstrar  que  houve  uma  relação  negocial  entre  a  empresa  prestadora  de  serviços  e  o  transportador  estrangeiro,  uma  vez  que  as  Notas  Fiscais  de  prestação de serviços foram emitidas em nome de pessoas jurídicas residentes e  domiciliadas no país que tanto podem atuar em nome próprio quanto em nome  de terceiros, residentes e domiciliados no país ou no exterior.  EXPORTAÇÃO  DE  SERVIÇOS.  COMPROVAÇÃO  DO  EFETIVO  INGRESSO DE DIVISAS. A não incidência aplicada às receitas de prestação de  serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à  comprovação do efetivo ingresso de divisas no país.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP  Período  de  apuração:  01/01/2011 a 31/12/2012 EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO  DOS SERVIÇOS PRESTADOS AO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. A  mera  demonstração  de  que  o  serviço  foi  prestado  em  navio  estrangeiro  não  é  capaz de demonstrar que houve uma relação negocial entre a empresa prestadora  de  serviços  e  o  transportador  estrangeiro,  uma  vez  que  as  Notas  Fiscais  de  prestação de serviços foram emitidas em nome de pessoas jurídicas residentes e  domiciliadas no país que tanto podem atuar em nome próprio quanto em nome  de terceiros, residentes e domiciliados no país ou no exterior.  EXPORTAÇÃO  DE  SERVIÇOS.  COMPROVAÇÃO  DO  EFETIVO  INGRESSO DE DIVISAS. A não incidência aplicada às receitas de prestação de  serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à  comprovação do efetivo ingresso de divisas no país.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração:  01/01/2011 a 31/12/2012 PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS A perícia e a  diligência  se  reservam  à  elucidação  de  pontos  duvidosos  que  requerem  conhecimentos  especializados  para  o  deslinde  de  litígio,  não  se  justificando  a  sua  realização quando o  fato probando puder  ser demonstrado pela  juntada de  documentos.  Intimada  de  decisão  em  23.05.2016  (fls.2.712),  a  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário  em  21.06.2016  (fls.  2.715­2.741),  reproduzindo  meritoriamente  os  argumentos  apresentados  em  sede  de  impugnação.  Adicionalmente,  pleiteou  a  nulidade  da  decisão  recorrida por (i) mudança de critério jurídico; e (ii) cerceamento de defesa.  É o relatório.      Fl. 10707DF CARF MF Processo nº 17437.720221/2015­65  Resolução nº  3302­000.772  S3­C3T2  Fl. 10.708          8   Voto Vencido  Conselheiro Walker Araújo ­ Relator.  I ­ Tempestividade   A  Recorrente  foi  intimada  da  decisão  de  piso  em  23.05.2016  (fls.2.712)  e  protocolou Recurso Voluntário em 21.06.2016 (fls. 2.715­2.741) dentro do prazo de 30 (trinta)  dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721.  Desta  forma,  considerando  que  o  recurso  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade, dele tomo conhecimento.  II ­ Preliminares  II.1 ­ Mudança de Critério Jurídico   Alega a Recorrente que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento incorreu  em  manifesta  alteração  de  critério  jurídico  ao  incluir  no  fundamento  da  decisão  a  questão  concernente  a  ausência  de  prova  da  prestação  de  serviços  ocorrida  entre  a  Recorrente  e  os  Armadores  Estrangeiros,  ao  passo  que  o  lançamento  fiscal  foi  realizado  tão  somente  pela  suposta falta de comprovação de efetivo ingresso de divisas no país, mesmo que comprovada a  relação negocial com as empresas domiciliadas no exterior.   Com  todo  respeito  aos  argumentos  explicitados  pela Recorrente,  entendo  que  não  houve  alteração  de  critério  jurídico  por  parte  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento,  posto  que  o  fundamento  principal  para  manutenção  do  lançamento  fiscal  foi  a  inexistência de documentos capazes de comprovar o efetivo ingresso de divisas, conforme se  verifica no trecho do voto abaixo destacado:  Como  é  cediço,  entrada  de  divisas  nada  mais  é  do  que  o  fluxo  de  dinheiro  estrangeiro  que  entra  no  país,  possibilitando  a  geração  de  recursos  para  gastos  e  investimentos, com geração de emprego e renda.  A prova do efetivo ingresso de divisas, como mencionado é essencial para que se  afira  o  cumprimento  do  requisito  legal.  Essa  comprovação  do  ingresso  de  divisas  é  necessária para que se afaste a hipótese, não coberta pela lei, da utilização de recursos  que  o  representante  do  transportador  estrangeiro  detenha  sob  sua  guarda,  mas  que  tenham  origem  em  pagamento,  por  empresa  nacional,  de  serviços  de  transporte  internacional prestados pelo armador sediado no exterior, situação que não representaria  o necessário ingresso de divisas.  Em outras palavras, temos que nenhum documento foi apresentado em relação ao  ingresso  de  divisas  pelo  pagamento  dos  serviços  que,  supostamente,  teriam  sido  prestados  ao  transportador  sediado  no  exterior.  Não  foram  anexados  os  necessários  contratos de câmbio em valores e datas compatíveis com as ditas operações, nas quais  figurassem  como  vendedores  de  moeda  estrangeira  os  próprios  agentes  marítimos  recebedores dos alegados pagamentos do exterior oriundos do transportador agenciado.                                                              1  Art.  33. Da  decisão  caberá  recurso  voluntário,  total  ou  parcial,  com  efeito  suspensivo,  dentro  dos  trinta  dias  seguintes à ciência da decisão.  Fl. 10708DF CARF MF Processo nº 17437.720221/2015­65  Resolução nº  3302­000.772  S3­C3T2  Fl. 10.709          9 Ou  seja,  tanto  o  lançamento  fiscal  como  sua  manutenção  se  deram  pelos  mesmos fundamentos, qual seja, a ausência de documentos para comprovar o efetivo ingresso  de divisas.  É  de  se  ver,  que  a  unidade  julgadora  convalidou  integralmente  o  trabalho  realizado  pela  fiscalização,  utilizando­se,  para  tanto,  os  mesmos  fundamentos  e  suporte  documental. Não houve inovação ou alteração de fundamento para manter o lançamento fiscal.  Sobre  mudança  de  critério  jurídico,  vale  transcrever  os  ensinamentos  do  i.  professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe  seu entendimento sobre o tema:  Há  mudança  de  critério  jurídico  quando  a  autoridade  administrativa  simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se  possa  dizer  que  qualquer  das  duas  seja  incorreta.  Também  há  mudança  de  critério  jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas  expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse  lançamento,  mediante  a  escolha  de  outra  das  alternativas  admitidas  e  que  enseja  a  determinação  de  um  crédito  tributário  em  valor  diverso,  geralmente  mais  elevado  (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p  123)  Neste  cenário,  entendo  que  a  decisão  de  piso  não  alterou  os  fundamentos  do  lançamento, pelo contrário, convalidou integralmente o trabalho da autoridade fiscal.  II.2 ­ Cerceamento de Defesa   Neste ponto, pleiteia a Recorrente a decretação de nulidade de decisão recorrida  com fulcro no artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, por entender que o indeferimento  do pedido de perícia acarretou­lhe preterição do direito de defesa.  No  entendimento  da  Recorrente,  se  a  Delegacia  da  Receita  Federal  entende  como essencial a apresentação de contratos de câmbio para demonstrar o efetivo  ingresso de  divisas  e,  que  tais  documentos  não  pertencem  a Recorrente  e  sim  aos Agentes Marítimos,  a  perícia/diligência deveria ter sido deferida para apuração de tais fatos.  Contudo, entendo que o indeferimento da perícia/diligência quando devidamente  fundamentada  não  acarreta  cerceamento  defesa,  posto  que  cabe  a  autoridade  julgadora  considerar necessária ou não o pedido feito pela parte contrária.  No  presente  caso,  a  autoridade  julgadora  indeferiu  o  pedido  de  realização  diligência, por entender que os documentos comprobatórios do ingresso de divisa poderiam ter  sido  obtidos  pela  própria  Recorrente,  sendo,  assim,  desnecessária  a  diligência  proposta  pelo  contribuinte para essa finalidade.  Assim,  considerando  que  a  autoridade  julgadora  motivou  seu  entendimento,  entendo que o pedido de nulidade da decisão por cerceamento de defesa deve ser afastado.  III. Mérito   Fl. 10709DF CARF MF Processo nº 17437.720221/2015­65  Resolução nº  3302­000.772  S3­C3T2  Fl. 10.710          10 O cerne da questão visa analisar se os serviços prestados pela Recorrente estão  abarcadas pelos benefícios da isenção previstas no artigo 5º, da Lei nº 10.637/2002 e, artigo 6º,  da Lei nº 10.833/2003, a saber:  Lei nº 10.637/2002 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as  receitas decorrentes das operações de:  (...)  II ­ prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada  no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)  ***  Lei  nº  10.833/2003  Art.  6o  A  COFINS  não  incidirá  sobre  as  receitas  decorrentes das operações de:  (...)  II ­ prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada  no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)  Nos termos da legislação anteriormente citada, para que o contribuinte goze do  benefícios da  isenção, é necessário que o  tomador de serviço esteja  localizado no exterior e,  que o pagamento correspondente represente ingresso de divisas.  No presente caso, não obstante a Recorrente  tenha comprovado a prestação de  serviços para pessoas jurídicas situadas no exterior, a fiscalização realizou o lançamento fiscal  por entender ausente a comprovação do efetivo ingresso de divisas e, do nexo causal com as  operações de prestação de  serviços ao  exterior,  segundo as normas determinadas pelo Banco  Central através do Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais  Internacionais  ­ RMCCI,  senão vejamos:  2.1.20 No  presente  caso,  embora  o  TECON  tenha  comprovado  a  prestação  de  serviços para pessoas jurídicas situadas no exterior, nos casos em que foi intimado, não  comprovou o efetivo ingresso de divisas, e tampouco nexo causal com as operações de  prestação de serviços ao exterior, segundo as normas determinadas pelo Banco Central  através do Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais ­ RMCCI.  2.1.21  Cientificado  dessa  situação,  e  tendo  sido  concedida  nova  oportunidade  para apresentação da documentação comprobatória, nessa vez sobre todas as operações,  limitou­se  a  informar  que  suas  operações  estariam  embasadas  na  solução  de  consulta  mencionada no item 2.1.14.  2.1.22 A prova do efetivo ingresso de divisas, e a demonstração do nexo causal  com  as  operações  de  exportação  de  serviços,  são  elementos  essenciais  para  que  se  afaste a hipótese, não coberta pela isenção, da utilização de recursos que o representante  do  transportador  estrangeiro  detenha  sob  sua  guarda,  mas  que  tenham  origem  em  pagamentos, por empresas nacionais, de serviços de transporte internacional prestados  pelo armador sediado no exterior, situação que não representaria o necessário ingresso  de divisas.  2.1.23  Sobre  essa  questão,  o  próprio TECON,  em  sua  consulta  formulada,  que  deu origem à Solução de Consulta n° 58 de 7 de abril de 2006, admite a utilização de  Fl. 10710DF CARF MF Processo nº 17437.720221/2015­65  Resolução nº  3302­000.772  S3­C3T2  Fl. 10.711          11 recursos  provenientes  de  receitas  auferidas  no  país,  pelo  armador  estrangeiro,  no  pagamento de despesas, inclusive as portuárias.  2.1.24 Não tendo o TECON comprovado o ingresso de divisas nas operações de  exportação  de  serviços  registradas  na  contabilidade  e  relacionadas  na  planilha  "Comparativo  contabilidade  x  DACON  ­  exportações",  essas  receitas,  que  foram  informadas  como  isentas  no  DACON,  serão  consideradas  tributáveis  neste  procedimento, por não ter sido cumprido o requisito previsto no art do art 5°, inciso II,  da Lei n° 10.637/02 e art 6°, inciso II, da Lei n° 10.833/03.  A autoridade julgadora, por sua vez, manteve o lançamento fiscal com base nos  mesmos fundamentos:   Com  efeito,  podemos  salientar  que  não  foi  reconhecido  na  referida  consulta  o  direito  incondicional  do  contribuinte  à  não  incidência  do  PIS  e  da  Cofins,  mas  sim,  evidenciadas  as premissas para o  reconhecimento dessa  situação,  já que  a  atuação do  agente  e/ou  representante  não  descaracteriza  tal  operação,  no  entanto,  para  que  o  pagamento  recebido  pela  prestação  de  seus  serviços  represente  ingresso  de  divisas,  torna­se necessária o cumprimento de outras condições como as citadas acima, ou  seja: que a contribuinte seja signatária de contrato de direito privado com pessoa  física ou jurídica domiciliada no exterior; que totalize, em separado, tais operações  de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de  câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.  Do que se extrai dos fatos narrados anteriormente é que, tanto para fiscalização  quanto  para  autoridade  julgadora,  o  contrato  de  câmbio  seria  o  único  documento  hábil  à  comprovar  a  origem  dos  valores  registros  na  contabilidade  da Recorrente,  desconsiderando,  assim, todos os documentos juntados pelo contribuinte.  Por  outra  lado,  a  Recorrente  entende  que  os  documentos  carreados  autos  se  prestam a comprovar a origem dos registros contábeis relacionadas as operações sob análise.  Com razão à Recorrente.  Isto porque, entendo que o documentos carreados autos, tais como notas fiscais,  contratos com armadores estrangeiros e tabelas de preços praticados, se prestam a demonstrar a  origem dos lançamentos contábeis realizados pela Recorrente, da efetiva prestação de serviços  (fato incontroverso) e, consequentemente do ingresso de divisa.  O fato da Recorrente não ter apresentado cópia dos contratos de câmbio ­ diga­ se, documentos que não pertencem è ela, logo não poderia haver exigência nesse sentido ­, não  pode servir único fundamento/justificativa para fiscalização afastar o direito do contribuinte e,  desconsiderar os demais documentos hábeis à comprovar a origem dos registros contábeis.   Com  efeito,  restou  comprovado  nos  autos  que  a  Recorrente  firmou  contratos  com diversos transportadores estrangeiros (fls.1.007­1.615) para prestar serviços de embarque,  descarga,  movimentação  e  armazenagem  de  mercadorias  em  embarcações  utilizadas  para  navegações de longo curso.  Referidos  transportadores  estrangeiros  nomeiam  agentes  marítimos  para  intermediar os negócios objeto dos contratos firmados entre as partes e, realizar os pagamentos  à Recorrente  pela  prestação  dos  serviços  anteriormente  citados,  na  condição  de mandatários  dos  transportadores  estrangeiros.  A  Recorrente,  por  sua  vez,  emite  nota  fiscal  de  serviços  Fl. 10711DF CARF MF Processo nº 17437.720221/2015­65  Resolução nº  3302­000.772  S3­C3T2  Fl. 10.712          12 (fls.1.616­2.604) em nome dos transportadores estrangeiros, mas aos cuidados de seus agentes  marítimos.  Tais fatos operacionais estão totalmente de acordo com o artigo 4º, da Instrução  Normativa  800/2007  que,  obriga  aos  transportes  estrangeiros  utilizarem  agentes  marítimos,  senão vejamos:  Art.  4o  A  empresa  de  navegação  é  representada  no  País  por  agência  de  navegação, também denominada agência marítima.  §  1o  Entende­se  por  agência  de  navegação  a  pessoa  jurídica  nacional  que  represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País.  § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro.  §  3o  Um  transportador  poderá  ser  representado  por  mais  de  uma  agência  de  navegação, a qual poderá representar mais de um transportador.  Nestes termos, o argumento utilizado pela RFB no sentido de que a Recorrente  não  teria  comprovado  o  ingresso  de  divisa  no  país  por meio  de  contratos  câmbio,  deve  ser  totalmente  rechaçado,  posto  que  os  documentos  colacionados  aos  autos  comprovam  que  as  receitas  registradas  em  sua  contabilidade  decorrem  de  operações  de  prestação  de  serviços  à  pessoas jurídicas domiciliadas no exterior.   Portanto,  entendo que não deve haver  a  incidência das  contribuições  ao PIS e  COFINS, porque (i) os documentos carreados autos confirmam a efetiva prestação de serviços  à pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, consequentente o ingresso de divisa; e (ii) o fato  de haver um terceiro mandatário  intermediando o pagamento não desconfigura o  ingresso de  divisas necessário para que tal pagamento chegue ao prestador brasileiro.  Reforça o direito da Recorrente, a Solução de Consulta nº 58, de 07/04/2006, da  10ª  SRRF,  contida  no  processo  administrativo  11050.003099/2005­45,  de  solicitação  da  própria  contribuinte,  no  sentido  de  que  o  pagamento  por  Agente  Marítimo  em  nome  de  Transportador Estrangeiro denota ingresso de divisas, conforme se verifica na ementa abaixo:  “ Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins   Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA.  A  Cofins  não  incide  sobre  as  receitas  decorrentes  das  operações  de  prestação  de  serviços  para  pessoa  física  ou  jurídica  residente  ou  domiciliada  no  exterior,  cujo  pagamento represente ingresso de divisas. A intermediação de agente ou representante,  no  Brasil,  de  empresa  estrangeira  tomadora  de  serviços  portuários,  por  si  só,  não  é  suficiente para descaracterizar a situação. Dispositivos  legais: Lei nº 10.833, de 2003,  art.6º, II com redação dada pela Lei 10.865, de 2004; Circular Bacen nº 3.280, de 2005.  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA.  A contribuição para o PIS/Pasep não incide sobre as receitas decorrentes das operações  de  prestação  de  serviços  para  pessoa  física  ou  jurídica  residente  ou  domiciliada  no  exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. A intermediação de agente ou  representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si  só, não é suficiente para descaracterizar a situação. Dispositivos legais: Lei nº 10.637,  Fl. 10712DF CARF MF Processo nº 17437.720221/2015­65  Resolução nº  3302­000.772  S3­C3T2  Fl. 10.713          13 de 2002, art.5º, II com redação dada pela Lei 10.865, de 2004; Circular Bacen nº 3.280,  de 2005.”  Por  fim,  deixo  de  considerar  como  prova  os  documentos  juntados  pela  Recorrente em seu recurso voluntário, posto que em total desrespeito ao §4º, do artigo 16, do  Decreto nº 70.235/72.  IV. Conclusão   Diante  do  exposto,  afasto  as  preliminares  de  nulidade  e,  no  mérito,  dou  provimento ao recurso voluntário.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Walker Araujo     Voto Vencedor  Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida – Redator designado   Com  as  vênias  de  praxe,  dissinto  do  posicionamento  do  eminente  Relator  no  sentido de entender que os documentos carreados aos autos, tais como notas fiscais, contratos  com armadores  estrangeiros  e  tabelas de preços  praticados,  sejam suficientes  à demonstrar  a  origem dos lançamentos contábeis da efetiva prestação de serviços e do ingresso de divisas.  Mesmo entendendo necessário o contrato de câmbio como prova do ingresso de  divisas, por outro lado, como bem ressaltado, o fato da Recorrente não ter apresentado cópias  desses  contratos,  documentos  que  não  pertencem  diretamente  à  ela,  também  não  é  motivo  suficiente para decidir o feito contrário às suas pretensões.  No  sentido  do  contrato  de  câmbio  como  prova  do  ingresso  de  divisas,  precedente,  de  cujo  julgamento  participei,  no  Acórdão  nº  3403­003.508,  de  28/01/2015,  da  relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS   Ano­calendário: 2005, 2006, 2007   PIS.  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  ISENÇÃO.  SERVIÇOS  PRESTADOS  A  PESSOAS  JURÍDICAS  DOMICILIADAS  NO  EXTERIOR.  As  receitas  decorrentes  de  serviços  prestados  a  pessoas  jurídicas  domiciliadas no exterior só podem ser excluídas das bases de cálculo  das  contribuições  ao  PIS  e  COFINS  quando  restar  comprovado  o  ingresso de divisas por meio da apresentação dos contratos de câmbio,  requisito que a teor do art. 26­A do Decreto nº 70.235/72, não pode ser  afastado  pelo  CARF  por  estar  previsto  no  art.  45  do  Decreto  nº  4.524/2002.  Fl. 10713DF CARF MF Processo nº 17437.720221/2015­65  Resolução nº  3302­000.772  S3­C3T2  Fl. 10.714          14 Assim,  diante  da  dúvida  estabelecida  quanto  ao  ingresso  de  divisas,  considerando que tal exigência é requisito estabelecido em decreto (inciso III, do artigo 45, do  Decreto nº 4.524/02), cuja aplicação não pode ser afastada por este Colegiado, uma vez que o  art. 26­A, do Decreto nº 70.235/72 e o art. 62, do Regimento Interno do CARF, vedam negar  vigência  a  dispositivo  legal  de  hierarquia  igual  ou  superior  a  decreto,  entendo  deva  ser  convertido o julgamento em diligência para suprir deficiências relevantes na presente instrução  processual.  Com  essas  considerações,  proponho  a  conversão  do  presente  julgamento  em  diligência para que sejam trazidos aos autos os indigitados contratos de câmbios, seja por meio  de  intimação direta  ao  interessado,  seja por meio de circularização  e  intimação aos  terceiros  envolvidos.  Concluído os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo,  do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para  manifestação, nos termos do parágrafo único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11.  Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento.  (assinado digitalmente)  Fenelon Moscoso de Almeida   Fl. 10714DF CARF MF

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