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Numero do processo: 10880.691699/2009-45
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
Numero da decisão: 3002-000.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 16 99 /2 00 9- 45 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.691699/200945 Acórdão n.º 3002000.248 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de declaração de compensação na qual o contribuinte informa a ocorrência de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao período de apuração dezembro/2004, e requer a compensação de R$ 18.960,72 com débitos também de Cofins (fls. 2 a 4). Por meio de despacho decisório à fl. 7, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo decidiu pela não homologação da compensação por concluir que o crédito relativo ao Darf discriminado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito para a realização de compensação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual esclareceu que, em decorrência de fiscalização realizada pela Receita Federal na sede da empresa em meados de 2007, foi orientada a não recolher os valores das contribuições dos regimes cumulativo e não cumulativo no mesmo Darf, como vinha fazendo, e que o erro deveria ser corrigido por meio de declaração de compensação, uma vez que não era possível desmembrar o Darf. O contribuinte informou, ainda, que apresentou a Per/Dcomp, mas se esqueceu de retificar a DCTF do período, o que gerou um débito que não existiria. Com a retificação da DCTF, a incorreção foi sanada, surgindo o crédito a ser utilizado na compensação (fls. 10 a 12). Instruiu sua manifestação de inconformidade com procuração e contrato social (fls. 13 a 32), cópia do Darf (fl. 33), cópia da Dcomp (fls. 34 a 39), cópia da DCTF retificadora (fls. 40 a 44) e cópia do Despacho Decisório (fl. 45). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1634.476 (fls. 84 a 91), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação, uma vez não carreado aos autos documentação hábil, idônea e suficiente para provar o que foi alegado, somado à comprovada incoerência entre as informações prestadas pelo contribuinte em Dacon e DCTF retificadora, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/01/2005 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de defeito creditório disponível para fins de compensação. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. ALTERAÇÃO IMOTIVADA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.691699/200945 Acórdão n.º 3002000.248 S3C0T2 Fl. 4 3 preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento e apresentação de DCTF Retificadora desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF anterior. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) ativa na data da transmissão do PER/DCOMP, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 12/12/2011, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 93, e protocolizou seu recurso voluntário em 20/12/2011, conforme carimbo no Recurso Voluntário, à fl. 94. O recurso voluntário é uma cópia da manifestação de conformidade, à qual se soma o argumento de que sua razão de pedir será comprovada pelo Dacon original anexado ao processo, concluindo com o protesto pela juntada de novos documentos e de nova manifestação, se necessário para a comprovação do alegado (fls. 94 a 114). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão que chega a este Colegiado diz respeito à matéria de prova. Nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, o ônus probatório pertence ao requerente, conforme definido nas normas que regem o processo administrativo e o processo civil. Segundo o Código de Processo Civil em seu artigo 373, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, de maneira similar, dispõe o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.691699/200945 Acórdão n.º 3002000.248 S3C0T2 Fl. 5 4 Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) Assim, não resta dúvida de que o ônus probatório recai sobre a recorrente, que jamais alegou o contrário e vem tentando se desincumbir de sua obrigação. A discussão tem se resumido a definir se os elementos apresentados seriam suficientes para demonstrar o que se pleiteia. Relembrando o histórico destes autos, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade acompanhada apenas da DCTF, retificada após o Despacho Decisório. Por sua vez, a DRJ decidiu analisar o Dacon original, transmitido antes do pedido de compensação, e concluiu que ele contradizia a DCTF retificadora e as alegações do sujeito passivo. Na ausência de quaisquer outros documentos probatórios, decidiuse pelo não provimento da manifestação de inconformidade. Por fim, o contribuinte juntou a seu recurso voluntário esse mesmo Dacon analisado pela DRJ, afirmando tratarse de prova suficiente. Contudo, este processo possui uma particularidade que é a natureza da alegação quanto aos motivos de direito: a compensação visaria apenas a fazer um acerto contábil entre a Cofins cumulativa e a nãocumulativa. Não haveria de fato nenhum pagamento a maior ou indevido, mas a alocação equivocada da parcela relativa ao regime cumulativo no código da nãocumulativo no momento do pagamento, um erro de preenchimento de Darf que, aparentemente, estaria presente também na DCTF original. Diante dessa peculiaridade, o relator considerou que, neste caso específico, consideraria suficiente para a demonstração do direito a existência de Dacon original, anterior à transmissão do PER/Dcomp, que confirmasse as retificações promovidas na DCTF. Frisese que o Dacon não foi apresentado pelo contribuinte, mas consultado pelo relator diretamente nos sistemas da Receita Federal, dentro da liberdade relativa da qual dispõe um julgador para definir os documentos necessários para a formação de sua convicção. 7. Neste ponto, importante destacar que o Contribuinte não apresentou em sua Manifestação de Inconformidade quaisquer documentos que pudessem demonstrar a pertinência das alterações efetuadas por meio da DCTF retificadora entregue após o Despacho Decisório. Para os fins pretendidos pela Requerente, permaneceria a necessidade de comprovar, por meio de documentos contábeisfiscais idôneos, a origem dos valores declarados e a composição da base de cálculo dos tributos confessados. 7.1. No entanto, considerando as informações constantes do processo administrativo, há que se ressaltar a característica peculiar do pretendido pelo Contribuinte com a apresentação da presente declaração de compensação: (...) 7.2. Nesses termos, considerando a alegada intenção do Contribuinte em regularizar as declarações entregues à RFB, adotase como suficiente, no presente caso, que a DCTF Retificadora se apresente em consonância com outras Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.691699/200945 Acórdão n.º 3002000.248 S3C0T2 Fl. 6 5 declarações entregues pelo Sujeito Passivo antes da transmissão do PER/DCOMP sob análise, o que demonstraria uma coerência das informações prestadas ao Fisco. 7.3. Nesta linha de raciocínio, uma vez que a apuração do tributo em discussão (Cofins) é demonstrada mensalmente por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), a comparação entre a DCTF Retificadora e o citado demonstrativo forneceriam elementos para a formação de convicção sobre a procedência do quanto solicitado, neste caso específico no qual o Contribuinte pretende a redistribuição entre as sistemáticas cumulativa e nãocumulativa da Cofins. Neste ponto, é importante lembrar que uma declaração, genericamente falando, é um conjunto de informações que espelham – ou deveriam espelhar – fatos reais que, uma vez ocorridos, ensejam o pagamento de tributos. A declaração expressa a visão do declarante sobre um fato. Não é o fato em si, não gera o fato e, por isso, não faz prova inequívoca de sua existência quando apresentada isoladamente, sem documentos idôneos que a sustentem. Igualmente, a constatação de informações idênticas em duas declarações não faz prova irrefutável do fato que elas representam, mas apenas demonstra a existência de coerência entre elas, como apontado pelo relator. Coerência entre declarações não implica necessariamente fidedignidade no seu conteúdo. Significa com certeza um bom indício de correção, pode até ser um indício forte do direito, mas que resta a ser demonstrado, regra geral por meio de documentação contábilfiscal, pois a certeza do crédito é imprescindível para fins de autorização da compensação, assim como a certeza do erro é imprescindível para fins de reconhecimento da alteração em uma confissão de dívida com vistas a reduzir tributo. Por esse motivo, embora compreenda a lógica adotada no julgamento de primeira instância e concorde que ela possa ser utilizada, ouso discordar de sua aplicação neste caso em virtude das inúmeras inconsistências apuradas, sobre as quais discorro a seguir. O contribuinte justifica seu pedido de compensação como decorrente de uma exigência da Fiscalização, mas em nenhum momento comprova que de fato existiu essa demanda. Juntou à manifestação de inconformidade um Darf pago, com anotações à mão do valor a ser transferido de um código de receita para outro, que nada prova. Se o problema era apenas o recolhimento da Cofins no código de receita errado, porque agrupado o valor de dois códigos em apenas um, era de se esperar que a DCTF estivesse correta – o cálculo da contribuição devida em cada regime deveria estar correto. Se não está, então o problema pode ser outro que não a simples alocação de tributo em código errado no Darf. No caso em tela, temos inicialmente divergência entre a DCTF original e o Per/Dcomp, com posterior retificação da DCTF para adequála às informações constantes na compensação. Neste cenário, cabe ao contribuinte submeter à apreciação da Administração Tributária documentos que mostrem quais receitas e despesas o autorizam a afirmar que o débito é menor do que aquele declarado. A DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984. Sua alteração visando a diminuir o tributo deve estar amparada em documentação, como previsto no CTN: Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.691699/200945 Acórdão n.º 3002000.248 S3C0T2 Fl. 7 6 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Além da divergência entre a DCTF original e o Per/Dcomp, o relator do acórdão da DRJ constata que existe também divergência entre a DCTF retificadora e o Dacon. No Demonstrativo, o débito total de Cofins é superior ao que consta na retificadora, o que atesta a incoerência entre as informações prestadas pelo contribuinte. Como não há nenhum outro documento para amparar as alegações do contribuinte, conclui o relator que não pode ser acatada a retificação nem homologada a compensação. Transcrevese o resultado da análise: (a) O DACON foi entregue e recepcionado pelos sistemas à disposição da RFB em 29/10/2004, antes da data de transmissão do presente PER/DCOMP; (b) O Contribuinte apurou, no DACON, um débito de Cofins nãocumulativo no valor de R$ 347.256,36, enquanto declarou na DCTF retificadora (entregue em 04/12/2009) um débito de R$ 74.629,42; (c) O Contribuinte apurou, no DACON, um débito de Cofins cumulativo no valor de R$ 18.960,72, enquanto declarou na DCTF retificadora (entregue em 04/12/2009) um débito de R$ 18.960,72; 7.6. Do exposto, constatase que as informações apresentadas pelo Contribuinte na DCTF retificadora do período de apuração 07/2004 estão em desacordo com o respectivo Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais. 7.7. Assim, considerando as características específicas do presente PER/DCOMP (redistribuição dos valores apurados entre as sistemáticas cumulativa e nãocumulativa da Cofins), comprovada a incoerência entre as informações prestadas pelo Contribuinte em DACON e DCTF Retificadora, e não tendo justificado as alterações produzidas por esta última com documentação hábil, idônea e suficiente, a retificação dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém correta a não homologação da compensação pretendida. (grifado) Considerando o argumento do contribuinte de que a compensação teria sido efetuada apenas para transferir valores entre diferentes códigos de Cofins, o valor total dos débitos de Cofins deveria ser o mesmo, seja na DCTF original, seja na retificadora, seja no Dacon. Em não sendo, deduzimos que a inconsistência já existia desde a transmissão da DCTF original, o que nos impede de saber qual das declarações reflete a realidade. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.691699/200945 Acórdão n.º 3002000.248 S3C0T2 Fl. 8 7 A isso se some que foram distribuídos a esta relatora não apenas este, mas um lote de 10 processos, idênticos, alterandose apenas o período considerado. Na análise do processo nº 10880.691705/200964, vêse que o Dacon foi transmitido apesar de o sistema apontar 12 erros no seu preenchimento, erros não impeditivos da transmissão, mas relevantes quanto ao conteúdo. Nesse Dacon, alocouse a quase totalidade das receitas no regime cumulativo, em contradição com os demais 9 processos, nos quais predominam receitas no regime nãocumulativo, e em contradição com a base de cálculo do PIS/Pasep do mesmo mês, entre outros problemas. É sabido que a base de cálculo das contribuições se compõem das mesmas receitas, não sendo razoável persistir divergência dessa natureza após o aviso de erro dado pelo sistema. Tal constatação sugere um certo desmazelo na prestação de informações para a Receita Federal e acentua a incerteza quanto à fidedignidade do conteúdo das declarações juntadas a estes processos. Do conjunto de inconsistências encontradas nas diversas declarações e processos do sujeito passivo, fica a convicção de que qualquer alegação desprovida de prova documental não pode ter guarida neste julgamento. Surpreendentemente, no recurso voluntário é exatamente o Dacon analisado pelo relator, fundamento para a negativa de provimento, que a recorrente junta a título de prova. Os valores ali constantes demonstram a improcedência das suas alegações, bem como a incoerência entre a retificação da DCTF e o cálculo da contribuição, como apontado pela DRJ. Entretanto, devo frisar que, mesmo que seu conteúdo estivesse em perfeita harmonia com a DCTF retificadora, em meu entendimento não estaria demonstrado o direito, tendo em vista tudo o que se explanou anteriormente. Considerando que nem a DCTF e nem o Dacon respaldam o pedido de compensação e que nenhum outro documento foi trazido a título de prova, não há como autorizála. Quanto ao pedido para a juntada posterior de novos documentos e de nova manifestação, não há previsão legal para tal procedimento. Regra geral, o contribuinte deve demonstrar o seu direito na manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235, de 1972, que assim institui: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.691699/200945 Acórdão n.º 3002000.248 S3C0T2 Fl. 9 8 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (grifado) A recorrente instruiu seu recurso voluntário com o Dacon, que foi conhecido e analisado, já que em primeira instância seu conteúdo havia sido utilizado como fundamento de decidir – alínea “c” do § 4º do art. 16 do PAF. Contudo, não há previsão legal para a produção futura de provas. Uma vez não comprovada a ocorrência de alocação indevida de parcela da Cofins cumulativa no código da nãocumulativa e não justificadas as alterações promovidas na DCTF, não reconheço o direito à compensação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.904974/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-003.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
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PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 49 74 /2 01 0- 14 Fl. 141DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 122 em face da decisão de primeira instância da DRJ/MG de fls. 103 que manteve o despacho decisório de fls. 2, que reconheceu parcialmente os créditos básicos e presumidos de IPI. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "A contribuinte interessada protocolou declaração de compensação –DCOMP – por meio da qual pretendeu a extinção de débito próprio, tendo por lastro creditório parcela do crédito ressarcível atinente ao 3º trimestre calendário de 2003, conforme indicado na DCOMP nº 06348.58033.290905.1.3.013922 (fls. 94/961). A análise de legitimidade e materialidade do lastro creditório das compensações declaradas encontrase consolidada nos demonstrativos de fls. 81/82 e 93, bem como no termo de verificação fiscal, intitulado "auto de infração", de fls. 83/88, os quais compõem e integram o despacho decisório nº 863951154 (fl. 02, repetido à fl. 80), que reconheceu em parte o lastro creditório e, consequentemente, homologou parcialmente a compensação declarada, conforme abaixo. "Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$126.510,18 Valor do crédito reconhecido: R$4.152,32 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11065.904974/201014 Acórdão n.º 3201003.772 S3C2T1 Fl. 142 3 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado". Cientificada do despacho decisório pela via postal em 14/06/2010 (fls. 97/98), a interessada, por meio de procurador legalmente constituído (fls. 45/46 e 91/92), protocolou em 14/07/2010 sua manifestação de inconformidade de fls. 03/44, alegando que: "Normas legais tidas como infringidas 2. Como enquadramento legal, para não homologar referidos pedidos de compensação, a Administração elencou os seguintes fundamentos: Lei nº 9.779/99 art. 11 (...) Lei nº 9.430/96 art. 74 (...) Lei nº 9.363/96 (...) Lei nº 10.276/01 (...) Das presunções 3. Os fundamentos legais do auto de infração anteriormente reproduzidos, não mantêm correlação lógica com a matéria objeto do lançamento tributário. 3.1 Da lavratura do Auto de Infração, merecem ser transcritos os seguintes pontos: '(...) 3.2 Fornecedores com indícios de irregularidades. Durante a análise foi detectado que uma série de fornecedor possuía indícios de irregularidades, conforme relacionados na tabela a seguir. Estes fornecedores possuem movimentação financeira nula ou de no máximo 70% do valor das compras, no período analisado'. (destaques da Peticionária) 3.2 No auto de infração, encontrase rol de fornecedores, cujos nomes não serão reproduzidos por absoluta desnecessidade, por se referirem ao evento que ocasionou a glosa. 3.3 Quanto à idoneidade dos fornecedores, por conseqüência das notasfiscais objeto da glosa, há que ser Fl. 143DF CARF MF 4 examinada decisão prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n. 1.148.444 (...): (...) 4. Desta forma, o primeiro ponto atacado se refere aos indícios e presunção sem motivação, em decorrência da baixa movimentação financeira dos fornecedores, o que não se revela instrumento adequado e capaz de glosar os créditos utilizados. 5. No que se refere a exigência do crédito tributário, se revela ônus do fisco provar o fato constitutivo do seu direito, conforme determina o art. 9 ° do Decreto n. 70.235/72 (...): (...) 6. Nessa linha de argumentação, há que ser examinada manifestação de Marcos Vinicius Neder (...): (...) 7. Portanto, a presunção da qual se utilizou a Administração para embasar o lançamento não tem o condão de mantêlo hígido, por não ter provado o alegado quanto a ausência ou baixa movimentação financeira dos fornecedores, bem como no pertinente à inidoneidade dos mesmos. (...) 8. Igualmente, na fundamentação para glosar a compensação, a Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo se manifestou no seguinte sentido quanto a não homologação da compensação proposta, estando a mesma assim redigida: '(...) O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado'. 9. A manifestação, anteriormente reproduzida, confirma ter havido o exame do lançamento, na modalidade por homologação, onde a autoridade administrativa, de forma expressa, realizou a homologação parcial da extinção do crédito tributário. Mesmo que parcialmente, ocorreu a homologação. Esse ponto revelase sobremaneira importante pelo simples fato dos reflexos que trará quanto a (in)exigibilidade do crédito tributário. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11065.904974/201014 Acórdão n.º 3201003.772 S3C2T1 Fl. 143 5 10. Tendo havido homologação parcial, isto é, extinção parcial do crédito tributário passase a examinar sua exigibilidade quanto ao montante não homologado sob o aspecto da decadência. Da decadência 11. O crédito tributário objeto do auto de infração ora hostilizado corresponde ao primeiro trimestre de 2002 até o primeiro trimestre de 2004, restando referido crédito tributário inexigível, por ter sido atingido pela decadência. 11.1 Igualmente, quanto à materialização do instituto da decadência, o próprio órgão julgador representante da Administração Tributária, tem decidido na mesma linha de entendimento defendida na presente Manifestação de Inconformidade, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada na decisão do processo n. 11610.003223/0011 (...) (...) 12. Tanto é verdadeiro que o crédito tributário foi atingido pela decadência que a Administração, mediante sua fundamentação no auto de infração, se preocupa em buscar o afastamento do instituto, como pode ser comprovado, a fls. 4 dos autos, utilizando a seguinte argumentação: O prazo para que a Administração verifique a legitimidade do crédito utilizado não é de 5 (cinco) anos contados a partir da emissão da nota fiscal, pois se assim fosse, o contribuinte poderia, por exemplo, utilizar o crédito no último dia antes da decadência e a Receita Federal não teria como verificar a legitimidade deste crédito. O prazo legal é de 5 (cinco) contados a partir da utilização do direito creditório que no presente caso encerrarseia apenas no final de 2010, 5 anos após a transmissão do PER/DECOMP , conforme estipula § 5º do art. 74 da Lei n ° 9.430/1996 (todos grifos são nossos) (...) 13. A partir do julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, ficou assentado ser o prazo de cinco anos para constituir, mediante a previsão em lei complementar, quanto para cobrar o crédito tributário, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada no referido julgado (...) Das antinomias 14. Não cabe à lei ordinária legislar sobre matéria reservada à lei complementar, como ficou Fl. 145DF CARF MF 6 demonstrado ao ser reproduzida a ementa da decisão prolatada no julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, por afrontarem as normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre prescrição e decadência. 14.1 As leis ordinárias utilizadas como fundamento pela Requerida, que tratam sobre prazo para constituição do crédito tributário, se revelam em perfeita antinomia, por desbordar de sua área de competência, uma vez que o instituto da decadência em direito tributário é reservado à lei complementar. (...) 16. Portanto, demonstradas as antinomias, não poderá ser mantido o crédito tributário, por estar totalmente desamparado quanto ao veículo legislativo adequado, isto é, lei complementar, mesmo porque pelo critério da hierarquia das leis, tal instituto não poderá ser aplicado. 17. Ainda, no que se refere a preclusão da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário, importante trazer para apreciação manifestação doutrinária sobre o tema (...). (...) 18. Igualmente, há que ser examinado o montante da pretensão objeto do auto de infração, uma vez que os mesmos não guardam correlação entre si, exigindose portanto a realização de perícia contábil para elucidar o referido montante. (...) 19. Diante do exposto, requer: a) seja recebida, conhecida e provida a presente manifestação de inconformidade, para assegurar à Requerente o aproveitamento dos créditos glosados, determinando a baixa e arquivamento do Auto de Infração; b) seja apreciado, explicitamente sob o ângulo do pré questionamento a compensação do crédito tributário previsto no art. 156, II; bem como, de sua extinção, inserta no art. 173, ambos da Lei n. 5.172/66." É o relatório." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/MG foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11065.904974/201014 Acórdão n.º 3201003.772 S3C2T1 Fl. 144 7 Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENEGAÇÃO FISCAL DO LASTRO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DA RECLAMANTE. Havendo denegação fundamentada pelo Fisco ao lastro creditório de compensações declaradas em DCOMP, incumbe à interessada transmitente da DCOMP o ônus de demonstrar, na reclamação por ela interposta, por meio de prova material cabal, que aquele lastro creditório revestia se de certeza e liquidez. Em não o fazendo, impossível afastar a denegação fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de constitucionalidade e legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. IPI. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Em pedidos de ressarcimento de IPI cuja discussão se refere a direito de crédito a favor do sujeito passivo e não à constituição de crédito tributário, não se aplicam os prazos decadenciais dos artigos 150, § 4º, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. De outro lado, o prazo para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da transmissão da declaração de compensação a que se refere. Assim, somente depois de transcorridos cinco anos da transmissão da DCOMP, a compensação está homologada tacitamente por decurso de prazo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia quando os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 147DF CARF MF 8 Direito Creditório Não Reconhecido." Após o protocolo do Recurso Voluntário, que reforçou as argumentações da Manifestação de Inconformidade, os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento nos moldes estabelecidos no regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário. Sobre o pedido de homologação tácita, verificase que esta não ocorreu, considerando que não se passaram mais de cinco anos do pedido administrativo (29/09/05) até a data do Despacho Decisório de fls 2 (07/06/10), que configura a devida manifestação da União sobre os tributos em controvérsia. Verificase nos autos que o contribuinte solicitou a restituição e compensação de suposto crédito básico de IPI e crédito presumido de IPI e teve parte de seu pedido administrativo homologado. Em defesa da reversão da não homologação parcial, o contribuinte apresentou seus recursos e apresentou suas argumentações, contudo, os documentos comprobatórios dos créditos básicos e crédito presumido de IPI, da parte glosada, deveriam ter sido juntados no autos, mas não foram. Nem mesmo as memórias de cálculo ou NFs. Além disso, a fiscalização apontou que os fornecedores não possuíam movimentação financeira à época das operações, o que leva a crer que as operações não ocorreram. Neste ponto não houve comprovação do contrário, por parte do contribuinte. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11065.904974/201014 Acórdão n.º 3201003.772 S3C2T1 Fl. 145 9 Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910497/2008-27
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1734; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 89 1 88 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.910497/200827 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.598 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 07 de junho de 2018 Matéria PERDCOMP Recorrente DINHEIRO VIVO CONSULTORIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 04 97 /2 00 8- 27 Fl. 89DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 07/11, de n. 20961.78370.150207.1.7.041258, de 15/02/2007, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ (3° trimestre de 2003). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório (efl. 02), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizados. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 1454.130 6ª Turma da DRJ/RPO, efl. 58/63). Pela precisão na descrição dos fatos seguintes, reproduzo a seguir o Relatório constante do Acórdão da DRJ Ribeirão Preto: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) 20961.78370.150207.1.7.04 1258, por intermédio da qual o contribuinte, que apura os tributos devidos com base no lucro presumido, pretende compensar débito de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (cód. 2089), efetuado em 29/10/2003. Em decisão proferida pela DERAT São Paulo em 12/08/2008 (ciência em 21/08/2008), não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não foi homologada a compensação declarada no presente processo, em razão da constatação de que o valor pago foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DComp. Em 11/09/2008, irresignado, interpôs o contribuinte Manifestação de Inconformidade, na qual alega que: Entramos com pedido de Per/DComp, por pagamento a maior de IRPJExcesso, do 3° Trim./ 2003 conforme n° 20961.78370.150207.1.7.041258, e n° do processo 10880 910.497/200827, pleiteando o crédito decorrente desse pagamento. A Empresa foi notificada de despacho decisório n° 781216255 de 12/08/2008, de que o valor pleiteado, era indevido como consta no despacho decisório. Utilizamos o Per/DComp, no valor de R$ 4.685,22 (Quatro mil seiscentos e oitenta e cinco reais e vinte e dois centavos), cujo o protocolo de entrega de no 38.50.80.15.91, e n° da declaração 35139.52575.290104.1.3.048682 de 29/01/2004, e posterior retificação pedida pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, de n° 3271023572 e declaração retificadora n° 20961.78370.150.207.1.7.04.1258 de 15/02/2007, como crédito Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.910497/200827 Acórdão n.º 1001000.598 S1C0T1 Fl. 90 3 para pagamento do IRPJ 4° Trim./ 2003, no valor de R$ 7.001,31 (Sete mil e um reais e trinta e um centavos), informado na DCTF/ 4° Trim./2003 retificadora de 26/10/2004, e recibo de n° 36.82.88.77.94, e assim recolhido conforme o exposto abaixo: Imposto apurado IRPJ 4° Trim./2003 R$ 7.001,31 Per/DComp R$ 4.685,22 Diferença recolhida conforme recibo anexo R$ 2.316,09 Segue anexo xerox de todos os passos dessa solicitação desde, a apuração do IRPJ ate o despacho decisório, comprovando a veracidade do nosso pedido. Orientado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, que o saldo do pagamento, já foi liberado no SIEF, e o despacho decisório já tinha sido emitido, estamos ingressando com MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, e solicitado de V.S. se digne mandar seja acolhido o nosso pedido de crédito, e seu deferimento. É o relatório.. A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas contábeis sobre a inexigibilidade do crédito: De posse das informações evidenciadas pelo próprio manifestante em sua DCTF original, a decisão administrativa certificou razões que ensejaram não homologar a compensação declarada, frente à caracterização da inexistência de disponibilidade em relação ao pagamento consignado na DCOMP, porquanto restou configurado sua vinculação integral com o débito confessado em DCTF. O contribuinte retificou a DCTF do período de modo a delinear o crédito pleiteado, portanto, pretende que o indébito fiscal se exteriorize tão somente com os dados declarados em sua DCTF. Malgrado o intento do contribuinte, cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. (...) Cientificada da decisão de primeira instância em 10/11/2015 (efl. 66) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 11/12/2015 (efl. 68), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade sem anexar qualquer documento que já não constasse dos autos. Fl. 91DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Nesse sentido o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (quando da apresentação da manifestação de inconformidade, efl. 12) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que no caso em apreciação nesta segunda instância o recorrente pretende trazer pela primeira vez documentos que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram do conhecimento do contribuinte, visto que este alega na manifestação de inconformidade dirigida à DRJ que retificou suas DCTFs. Mas não anexou àquele recurso qualquer documentação contábil que corroborasse suas alegações. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.910497/200827 Acórdão n.º 1001000.598 S1C0T1 Fl. 91 5 O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 93DF CARF MF 6 Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Declaração de Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Na sessão de julgamento do processo em epígrafe, o D. Relator rejeitou em seu voto os documentos apresentados pela Contribuinte por ocasião de seu Recurso Voluntário sob o argumento de que o direito à produção probatória estaria precluído, em estrita aplicação do art. 16, §4º e §5º, do Decreto 70.235/72. Com a devida vênia, discordo do Voto do Relator. Razão pela qual, entendi por bem declarar meu voto, especificando as razões que me levaram a divergir do posicionamento do ilustre Relator. Pois bem, conforme cediço, em nosso sistema jurídico pátrio nenhuma norma paira sozinha no universo, mas, sim, se concilia com todas as demais perfazendo um ordenamento uno, coeso e harmônico. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.910497/200827 Acórdão n.º 1001000.598 S1C0T1 Fl. 92 7 Quer isto dizer que nenhuma norma pode ser interpretada apenas de forma isolada, devendo o hermeneuta, em seu trabalho, extrair de todas as acepções possíveis de determinado texto legal aquelas que permitam aplicação harmoniosa com as demais disposições pertinentes à mesma matéria. Em outras palavras, dentre as várias interpretações possíveis de um dispositivo legal, devese buscar aquela que não entre em conflito com outra norma igualmente válida, sob pena de subversão da ordem jurídica. Fixada essas premissas, cabe voltar a análise as normas vigentes relacionadas à questão da produção probatória. O permissivo legal que fundamentou o Voto do Relator, art. 16 do Decreto 70.235/72, possui a seguinte redação: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 95DF CARF MF 8 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (grifouse) Uma analise literal e isolada deste dispositivo permitiria concluir rigidamente que haveria a preclusão do direito à produção probatória após a apresentação da Impugnação, salvo nas hipóteses taxativas do §5º. Contudo, tal interpretação não deve ocorrer desta forma, vez que há outros elementos normativos atinentes a matéria que também devem ser considerados. A Constituição Federal, norma de maior hierarquia em nosso ordenamento, estabelece no inciso LV de ser art. 5º os princípios do contraditório e da ampla defesa, nos seguintes termos: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Ao incluir o direito ao contraditório e a ampla defesa "com os meios e recursos a ela inerentes" no rol de direitos e garantias fundamentais, o legislador constituinte elevaos ao mais alto grau de importância dentro de nosso ordenamento, restando claro a preponderância que tais direitos devem ter. E, assim, devem ser observados e operacionalizados pelas demais normas infraconstitucionais. Não por acaso, tais princípios foram observados pela Lei 9.784/99, responsável por regular o Processo Administrativo Federal, que trouxe no bojo de seu art. 2º as seguintes disposições: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.910497/200827 Acórdão n.º 1001000.598 S1C0T1 Fl. 93 9 VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, e à produção de provas à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...)(grifouse) Conforme se extrai, o legislador infraconstitucional não só incorporou expressamente os princípios constitucionais da legalidade, ampla defesa, contraditório e ouros, como elencou uma série de critérios a serem observados na regulamentação e condução dos processos administrativos. Desses critérios expressos acima, temse de forma bastante clara que as formalidades e restrições devem ser limitados ao estrito necessário para garantir a efetividade do processo em atender a finalidade pública. Ora, as regras processuais formais visam dar ordem ao processo, permitindo que este cumpra com seus objetivos de forma eficiente, isto é, dentro da moralidade e proporcionando segurança jurídica no cumprimento do interesse público. Contudo, a norma processual não pode se sobrepor ao próprio objetivo do processo, qual seja, a promoção da legalidade. Por oportuno esclarecese que não se está a sugerir que as regras formais postas sejam mitigadas, mas sim que a interpretação do texto legal seja feita de forma a considerar a finalidade maior do processo, as regras formais não devem ser interpretadas de forma rigorosa a ponto de prejudicar o cumprimento de seu escopo. Ainda, cumpre trazer a colação os termos do art. 38 da mesma Lei 9.784/99, que trata especificamente da produção probatória nos Processos Administrativos Federais: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Notese que o texto legal diz expressamente que é permitido ao interessado apresentar ou requerer a produção de material probatório não só na fase instrutória, mas também antes da tomada da decisão. Outrossim estabelece taxativamente que a prova só poderá ser recusadas quando ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Fl. 97DF CARF MF 10 Pois bem, retornando a ideia inicialmente tratada neste Voto de que as normas jurídicas devem ser interpretadas da forma mais harmônica possível, me parece que a interpretação restritiva do art. 16 do Decreto 70.235/72, para recusar de plano toda e qualquer prova apresentada pelo contribuinte após o protocolo da Impugnação/Manifestação de Inconformidade não se coaduna com as demais normativas já expostas. Em verdade, a aplicação tão restrita assim da norma, não só implica na frontal negativa de vigência aos disposto da mais moderna Lei 9.784/99, como destoa até mesmo dos objetivos maiores do Processo Administrativo Federal que é a revisão do ato administrativo fiscal e a garantia de que este se encontra dentro da legalidade. Alias, fazse oportuno lembrar que o Processo Administrativo Fiscal também se rege pelo princípio da busca pela verdade material, ou seja, a preponderância no interesse público é a solução jurídica mais adequada ao caso, independente dos excessos de formalidade. Assim, ao meu ver, a melhor interpretação extraída da conjugação dos disposto quanto ao tema na Constituição Federal, Lei. 9.784/99 e Decreto 70.235/702 é aquela que não impõe óbice na apresentação de provas junto ao Recurso Voluntário, ou até mesmo em momento posterior prévio ao julgamento, desde que as provas não sejam ilícitas ou manejadas de má fé. De forma semelhante tem decidido a 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentes julgados, conforme se colaciona: PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 10880.004637/9929. Rel. ANDRE MENDES DE MOURA. Data da Sessão: 14/09/2017) PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 16327.001227/200542. Rel. ADRIANA GOMES REGO. Data da Sessão: 08/08/2017) Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.910497/200827 Acórdão n.º 1001000.598 S1C0T1 Fl. 94 11 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. (Processo: 14098.000308/200974. Rel. GERSON MACEDO GUERRA. Data da Sessão: 19/06/2017 ) Para melhor ilustrar, peço vênia para transcrever a parte final da fundamentação do Voto deste último julgado colacionado, de autoria da ilustre Conselheira Cristiane Silva Costa, designada Redatora para o Voto Vencedor: "Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. (...) Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que Fl. 99DF CARF MF 12 a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte." Destarte, diante de todos os argumentos expedindos, entendo que as provas apresentadas em momento posterior ao da Impugnação/Manifestação de Inconformidade, podem, e devem, ser conhecidas, desde que não acarretem qualquer prejuízo processual as partes ou ao bom trâmite processual. Ressalvase que o Julgador ao analisar o recebimento de provas que eventualmente entenda serem ilícitas, meramente protelatórias, ou que sejam manejadas com o intuito de lesar a parte adversa tem o poder e o dever de recusálas. Ou, ainda que não vislumbre qualquer má fé, mas tema por eventual supressão de instância ou direito ao contraditório, sempre pode recorrer a prerrogativa de baixar os autos em diligência para que seja oportunizada as providências necessárias para o resguardo do direito. Nesta linha, considerando que no caso em tela as provas oferecidas pela Recorrente por ocasião do Recurso Voluntário não foram sequer analisadas pelo digno Relator, tampouco pela DRJ de origem, entendo por bem que seja os autos baixados em diligência para que a d. Autoridade Fiscal se pronuncie a respeito. Superada esta questão, cumpre tratar de um segundo ponto que entendo igualmente relevante. No Voto do i. Relator ficou consignado que a consequência da não aceitação de novos documentos seria a presunção de verdade das alegações, o que supostamente impediria o julgador de adentrar nas discussões de mérito. Com a devida vênia, entendo que não cabe esta presunção no presente caso, vez que não está se tratando de matéria não contestada. Neste ponto é bom estabelecer que existe grande diferença entre matéria não impugnada e não comprovação das alegações feitas. Quanto a matéria impugnada o Decreto 70.235, responsável por regular o Processo Administrativo Fiscal, estabelece o seguinte: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Notese que conforme disposto acima, é a apenas ausência de contestação que leva a matéria a ser considerada não impugnada e, portanto, fora dos limites do processo, prejudicando o seu conhecimento e apreciação. Por sua vez a comprovação da veracidade e procedência das alegações é justamente o que será verificado pela autoridade julgadora competente no desenvolvimento de sua função judicante. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.910497/200827 Acórdão n.º 1001000.598 S1C0T1 Fl. 95 13 Ou seja, ainda que o resultado do julgamento seja por entender que as alegações feitas pela Recorrente não foram devidamente comprovadas e, portanto, não devem ser acolhidas, ainda assim elas foram apresentadas, houve efetiva impugnação da matéria. Desta forma, quando determinada prova é recusada o único efeito processual cabível é o não conhecimento do próprio elemento probatório, jamais podendo descaracterizar todas as demais alegações, impugnações e provas já regularmente apresentadas até então no processo. Percebase que mesmo sem considerar as provas recusadas por conta de eventual preclusão, ainda assim é possível que se decida pela revisão da decisão de piso apenas analisando as razões constantes do Recurso Voluntário, os fundamentos da própria decisão e os demais elementos já constantes dos autos. Apenas para ilustrar, é oportuno observar que, conforme ampla jurisprudência não só desta 1ª Turma Extraordinária, mas de todas as demais desta 1ª Seção, quando são realizadas alegações sem apresentação de qualquer comprovação, o resultado típico é a análise e indeferimento por falta de comprovação. Ora, tal situação não é diferente do caso em que as mesmas alegações são feitas, porém o documento comprobatório que se pretendeu juntar foi recusado, restando apenas as alegações. Assim, não vejo razão para que neste segundo caso as próprias alegações sejam igualmente desconsideradas e o julgamento se realize por "presunção". Destarte, com o máximo respeito ao entendimento do i. Relator, entendo que no caso em tela, mesmo com o indeferimento das novas provas apresentadas, as razões apresentadas pela Recorrente deveriam ser diretamente enfrentadas, não cabendo a "presunção de veracidade" da decisão de primeira instância conforme foi proposta. Desta feita, diante de tudo o que foi exposto, peço vênia ao Ilustre Conselheiro Relator para discordar de suas razões e encaminhar o meu VOTO no sentido de converter o presente julgamento em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem proceda ao exame dos argumentos e da documentação apresentada junto com o Recurso Voluntário, confrontandoa com os demais já constante dos autos e, ainda, com outros dados disponíveis. Para efetividade desse exame, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos, sem prejuízo de outras providências, a juízo da autoridade diligenciante, assim como consultas a dados e sistemas disponíveis à fiscalização. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado explicitando suas conclusões a respeito da matéria em litígio, do qual se dará ciência à contribuinte para que no prazo de trinta dias, querendo, se manifeste. Decorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, os autos devem retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Fl. 101DF CARF MF 14 Eduardo Morgado Rodrigues. Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720672/2012-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
INDEFERIMENTO. DÉBITO. RFB. PRAZO LEGAL. INOBSERVÂNCIA.
Mantém-se o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se o fato que lhe deu causa não foi elidido dentro do prazo legal.
Numero da decisão: 1001-000.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva, Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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DÉBITO. RFB. PRAZO LEGAL. INOBSERVÂNCIA. Mantémse o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se o fato que lhe deu causa não foi elidido dentro do prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva, Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 06 72 /2 01 2- 41 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13971.720672/201241 Acórdão n.º 1001000.586 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 44 a 66) interposto contra o Acórdão nº 1260.967, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ (fls. 37 a 38), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 INDEFERIMENTO. DÉBITO. RFB. PRAZO LEGAL. INOBSERVÂNCIA. Mantémse o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se o fato que lhe deu causa não foi elidido dentro do prazo legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional nº 00.04.91.82.22, às fls.16, em face de débito cuja exigibilidade não estava suspensa, a saber: PIS (8109): R$ 418,33 (03/2011). Em Manifestação de InconformidadeMI, às fls.2, o interessado alega, em síntese, que "o débito foi quitado no dia 02.02.2012, com os devidos acréscimos legais". Pede o enquadramento no Simples Nacional. Com a MI, vieram os documentos de fls.3/31. A autoridade lançadora proferiu o despacho às fls.32/33. Relatados." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sustentando, em breve síntese, que não realizou o pagamento de seu débito no prazo devido única e exclusivamente por conta de um suposto erro de sistema da administração fazendária, mas providenciou a quitação assim que o sistema voltou a normalidade, portanto, faria jus ao enquadramento no Simples em virtude do princípio da boa fé e razoabilidade. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13971.720672/201241 Acórdão n.º 1001000.586 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, devese estabelecer que é responsabilidade exclusiva de cada contribuinte o controle de seus negócios e o cuidado com o fiel cumprimento de todas as normas tributárias em suas atividades cotidianas. Outrossim, ainda que se acredite na boa fé da Recorrente, é obrigação, deste julgador zelar pela aplicação das normas vigentes, não cabendo a ele abertura de exceções não previstas pela lei, sob pena de descumprimento do princípio maior da legalidade. Em outras palavras, não cabe aos julgadores deste Conselho fazerem considerações de ordem política ou social e pretenderem dizer como a norma "deveria ser", e sim interpretar as normas postas pelas autoridades com competência para tanto, e aplicálas aos casos que lhes são postos à análise. Isto posto, uma vez que não há nos autos qualquer elemento que demonstre a efetiva existência de erro por parte dos sistemas da administração fazendária, não há subsídio para que seja afasta a obrigação de quitar seus débitos até o último dia útil do mês de janeiro, como condição para que a Recorrente realizasse a opção pelo Simples. Destarte, como a própria Recorrente reconhece que só quitou seus débitos no dia 02/02/2012, quando o prazo para regularização já estaria esgotado, não há que se falar em direito à opção. Assim, por economia processual, peço licença para adotar e transcrever os fundamentos já exarados na decisão de primeira instância: "(...) O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, que enumera os débitos que lhe deram causa, tem como fundamento legal o art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que determina: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V – que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) A opção pelo Simples Nacional pôde ser feita até o último dia útil de janeiro 31.01.2012, prazo no qual os débitos com esta RFB deveriam ser regularizados (Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, art.6º e § §). Conforme o próprio interessado afirma, e tal como confirmado pela autoridade lançadora (fls.32/33), o débito que deu causa ao indeferimento só foi pago em 02.02.2012, e, portanto, após o prazo para regularização de pendências Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13971.720672/201241 Acórdão n.º 1001000.586 S1C0T1 Fl. 5 4 impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. Assim, não elidido o fato que lhe deu causa, o indeferimento deve ser mantido. (...)" Conforme apontando, havia débitos sem exigibilidade suspensa, ao final do prazo legal, que justificaram o Indeferimento da Opção pelo Simples. Desta forma, deve ser confirmado o ato praticado pela autoridade administrativa. Em face a todo o exposto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725157/2009-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. NATUREZA SALARIAL.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
Numero da decisão: 9202-007.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. NATUREZA SALARIAL. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
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DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. NATUREZA SALARIAL. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 51 57 /2 00 9- 68 Fl. 369DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005 e 2006, para exigência do seguinte crédito tributário: IRPF – R$ 65.173,62; multa proporcional (passível de redução) – R$ 48.880,20; juros de mora (calculados até 31/08/2009) – R$ 26.212,82, totalizando um crédito tributário apurado no valor de R$ 140.266,64 (cento e quarenta mil, duzentos e sessenta e seis reais, sessenta e quatro centavos). Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O autuado apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA julgado a impugnação procedente, mantendo o crédito tributário em sua totalidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 20/11/2013, foi sobrestado “o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012”, de acordo com a Resolução nº 2201000.173 (fls. 188/192), da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10580.725157/200968 Acórdão n.º 9202007.002 CSRFT2 Fl. 3 3 Encerrado o sobrestamento, em sessão plenária de 10/09/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2201002.522 (fls. 193/201), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, bem como excluir da exigência a multa de ofício”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. Fl. 371DF CARF MF 4 “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 07/10/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs em 08/10/2014, portanto, tempestivamente, Recurso Especial (fls. 203/210). Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi negado seguimento, conforme Despachos s/nº da 2ª Câmara, de 14/11/2014 (fls. 220/222) e s/nº da CSRF, de 17/11/2014 (fl. 223), respectivamente, Exame e Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial. A Fazenda Nacional tomou ciência desses despachos em 09/12/2014 sem manifestação. Cientificado do Acórdão nº 2201002.522 em 23/03/2016, o contribuinte opôs em 29/03/2016, portanto, tempestivamente, Embargos de Declaração (fls. 233/237) alegando que o aresto proferido incorre em omissão/contradição, já que não decretou a nulidade da exigência, em razão do cálculo do imposto ter sido efetuado com base no montante global, em afronta ao Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009. Tais embargos foram rejeitados pelo Despacho de Admissibilidade de Embargos, da 2ª Câmara, de 08/06/2016 (fls. 240/241). Cientificado da rejeição dos embargos em 04/07/2016 (AR à fl. 341), o sujeito passivo interpôs o Recurso Especial (fls. 250/284) em 19/07/2016, conforme indica o documento à fl. 248. Constatase que a peça recursal foi protocolada tempestivamente, porém dotada de erro quanto ao número do processo, posto que indicado o de nº 10580.727295/2009 81, que se refere a outro contribuinte (fl. 249). Tal erro foi comunicado pelo sujeito passivo em 21/07/2016 (fl. 246). Em seu recurso visava rediscutir as seguintes matérias: a) violação à Súmula n° 2 do CARF e ao art. 62, do Anexo II, de seu Regimento Interno, em face do afastamento de legislação tributária fundada em incompatibilidade com artigo da Constituição Federal; b) ilegitimidade ativa da União; c) nulidade do lançamento por erro na sua construção, ao invés da sua revisão após notificado ao sujeito passivo; d) “URV” – parcelas de natureza indenizatória; e e) não incidência de juros de mora sobre o Imposto de Renda cobrado. Ao Recurso Especial do Contribuinte foi dado seguimento parcial em relação às matérias dos itens “c” nulidade do lançamento por erro na sua construção, ao invés da sua revisão após notificado ao sujeito passivo e “d” “URV” – parcelas de natureza indenizatória, conforme Despacho s/nº, da 2ª Câmara, de 07/10/2016 (fls.). Em relação ao item “c” nulidade do lançamento por erro na sua construção, ao invés da sua revisão após notificado ao sujeito passivo,, argumenta: · o contribuinte alega que o lançamento foi feito em uma base de cálculo completamente inadequada, uma vez que a fiscalização, ao invés de ter feito lançamentos isolados em cada valor de “URV” recebido, deveria ter refeito as três DIRFs (2005, 2006 e 2007) do Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10580.725157/200968 Acórdão n.º 9202007.002 CSRFT2 Fl. 4 5 contribuinte, a fim de apurar, mês a mês, os valores de imposto de renda supostamente devidos em conjunto com os salários auferidos, pois é sabido que a legislação de imposto de renda prevê a declaração de ajuste anual, onde o contribuinte tem a possibilidade de excluir da base de cálculo do tributo, por exemplo, determinadas parcelas isentas, passando normalmente a ter imposto a restituir no exercício seguinte. · Salienta que, conquanto o modo de proceder da fiscalização tenha sido ajustado no sentido de que o cálculo do imposto de renda devido não deveria ser sobre a totalidade dos valores recebidos nos anos de 2005, 2006 e 2007, mas sim sobre os valores mensais em que o pagamento seria realizado (1994 a 2001), permanece induvidoso que a forma de constituição do crédito tributário ainda não se mostra adequada posto que desconsiderados os demais rendimentos que foram auferidos naquele período. · Traz várias ementas do STJ no sentido de que o cálculo do imposto de renda deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias da percepção dos rendimentos e acrescenta que não bastaria os lançamentos levarem em consideração apenas os valores que deveriam ter sido recebidos a título de “URV” nos anos de 1994 a 2001, como foi feito, mas também a totalidade da receita mensal do contribuinte, até para que se revelasse que a incidência do imposto era devida ou não; isto porque se for considerado tão somente a parcela de “URV” que deveria ter sido recebida em janeiro de 1995, por exemplo, verificarseia que a fonte pagadora não deveria ter feito retenção, ao menos que fosse levada em consideração a totalidade do recebimento mensal, uma vez que o essa parcela de “URV”, individualmente considerada, estaria isenta conforme tabela da época. Já em relação ao item “d” “URV” – parcelas de natureza indenizatória, argumenta: · o contribuinte alega que o Acórdão recorrido apenas excluiu a multa de ofício do lançamento realizado para os exercícios de 2005/2007, mantendo integralmente a exigência do imposto de renda, desconsiderando os argumentos defensivos, em especial aquele relativo à natureza indenizatória de tal parcela. · Traz trechos do Parecer do Procurador de Estado da Bahia, Dr. Jorge Salomão Oliveira dos Santos, que, segundo o contribuinte, “muito bem analisou os contornos do assunto em exame”, e afirma que a origem dos pagamentos da Lei Estadual nº 8.730/2003 e da Lei Complementar nº 20/2003 foi o desfecho desfavorável à Fazenda Pública Baiana nos autos da AO 613BA e 614BA julgadas pelo STF, de forma que o Estado da Bahia utilizou de sua própria receita originária para compensar seus servidores públicos em razão das diferenças havidas por conta da URV. · Destaca também as conclusões fornecidas pelo Parecer do Jurista Marco Aurélio Greco, tendo tal estudo sido empreendido em resposta Fl. 373DF CARF MF 6 à consulta formulada pelas Associações de Classe dos Membros do Ministério Público, dos Tribunais de Contas e da Magistratura do Estado da Bahia, onde concluiu pela Constitucionalidade da Lei Estadual nº 8.730/2003, ou pela ilegitimidade da União para cobrar e autuar os agentes estaduais pelo não recolhimento do Imposto de Renda, renda esta de titularidade exclusiva do Estado da Bahia. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 01/02/2017 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional apresentou no mesmo dia, portanto, tempestivamente, Contrarrazões (fls. 360/366). · Em relação à incidência do IR sobre as verbas pagas, a Fazenda Nacional traz todo um histórico em relação ao tratamento dado ao abono variável instituído, inicialmente, para a Magistratura Federal e estendido aos Membros do Ministério Público da União, reconhecendo a não incidência tributária sobre os mesmos. · Argumenta que foi reconhecida a não incidência tributária apenas aos membros dessas carreiras e que a contribuinte, no presente caso, não integra o quadro de nenhuma delas. · Diz que não há que se falar em ofensa ao princípio da isonomia. Salienta que seria possível cogitar tal hipótese se, por exemplo, uma vez reconhecida a não incidência para os membros da carreira do Ministério Público Federal, algum Procurador da República porventura fosse excluído do benefício sem motivo aparente; e aí sim seria cabível discutir ofensa ao princípio da igualdade, pois estaríamos diante de situações iguais sendo tratadas de forma distinta; mas que não é esse o caso dos autos, pois a contribuinte é integrante da Magistratura Estadual (BA). · Cita o artigo 150, §6º da CF e os artigos 97 e 111 do CTN – que trazemos abaixo in verbis, que tratam do tema da isenção e diz que a pretensão do contribuinte implica em evidente ofensa aos artigos citados. · Afirma que nenhuma das leis que dispõem sobre o tema tratado (Leis nºs 9.655/98, 10.474/02 e 10.477/02) exime a tributação de imposto de renda sobre a parcela discutida, pois tratamse de leis limitadas a instituir o abono variável e sua forma de cálculo. · Ressalta que, ainda que essas leis dispusessem sobre a não incidência de IRPF sobre o abono variável, devese guardar obediência ao artigo 111 do Código Tributário Nacional, no sentido de que todo dispositivo legal que disponha sobre isenção, suspensão, exclusão de crédito tributário deve receber interpretação restritiva; e, portanto, descabido, conferir às leis mencionadas alcance que não contêm. · Lembra que não há impedimento a que a lei estadual faça referência à lei federal, desde que não haja invasão das esferas de competência constitucionalmente delimitadas; e salienta que se a lei estadual dispusesse sobre a incidência de IRPF, estaria disciplinando matéria afeta à União, o que viola o artigo 153, III da Constituição Federal. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10580.725157/200968 Acórdão n.º 9202007.002 CSRFT2 Fl. 5 7 · Registra que a pretensão da contribuinte também viola a lei tributária, sobretudo se considerado o artigo 3º da Lei 7.713/88: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. · Conclui que o legislador foi claro ao determinar a incidência de IRPF sobre o rendimento bruto, ressalvado o teor dos artigos 9º a 14 da mesma Lei, onde não consta qualquer referência ao abono discutido no caso em apreço; e acrescenta: “Ademais, pouco importa a denominação da parcela tributada, se títulos, direitos, origem, bastando que haja benefício do contribuinte de qualquer forma e a qualquer título”. É o relatório. Fl. 375DF CARF MF 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 343. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito Em face dos pontos trazidos no Recurso especial do Contribuinte e do conteúdo do acórdão recorrido entendo que a apreciação do presente recurso cingise a discussão em relação a forma de cálculo do tributo devido, em que pleiteia o recorrente a nulidade, bem como em relação a natureza dos valores pagos à título de URV, frente a aplicação de decisão do STJ na sistemática de recurso repetitivo sobre rendimentos relativos aos pagamentos recebidos pelos membros da Magistraturas da Bahia. A base do fundamento do acórdão recorrido encontrase na própria ementa do acórdão, fls. 193 e seguintes, assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10580.725157/200968 Acórdão n.º 9202007.002 CSRFT2 Fl. 6 9 quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Considerando os tópicos apresentados pelo recorrente e os termos do acórdão recorrido, passemos a analisar cada um dos pontos apresentados pelo recorrente: c” nulidade do lançamento por erro na sua construção, ao invés da sua revisão após notificado ao sujeito passivo,, · o contribuinte alega que o lançamento foi feito em uma base de cálculo completamente inadequada, uma vez que a fiscalização, ao invés de ter feito lançamentos isolados em cada valor de “URV” recebido, deveria ter refeito as três DIRFs (2005, 2006 e 2007) do contribuinte, a fim de apurar, mês a mês, os valores de imposto de renda supostamente devidos em conjunto com os salários auferidos, pois é sabido que a legislação de imposto de renda prevê a declaração de ajuste anual, onde o contribuinte tem a possibilidade de excluir da base de cálculo do tributo, por exemplo, determinadas parcelas isentas, passando normalmente a ter imposto a restituir no exercício seguinte. Fl. 377DF CARF MF 10 · Salienta que, conquanto o modo de proceder da fiscalização tenha sido ajustado no sentido de que o cálculo do imposto de renda devido não deveria ser sobre a totalidade dos valores recebidos nos anos de 2005, 2006 e 2007, mas sim sobre os valores mensais em que o pagamento seria realizado (1994 a 2001), permanece induvidoso que a forma de constituição do crédito tributário ainda não se mostra adequada posto que desconsiderados os demais rendimentos que foram auferidos naquele período. · Traz várias ementas do STJ no sentido de que o cálculo do imposto de renda deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias da percepção dos rendimentos e acrescenta que não bastaria os lançamentos levarem em consideração apenas os valores que deveriam ter sido recebidos a título de “URV” nos anos de 1994 a 2001, como foi feito, mas também a totalidade da receita mensal do contribuinte, até para que se revelasse que a incidência do imposto era devida ou não; isto porque se for considerado tão somente a parcela de “URV” que deveria ter sido recebida em janeiro de 1995, por exemplo, verificarseia que a fonte pagadora não deveria ter feito retenção, ao menos que fosse levada em consideração a totalidade do recebimento mensal, uma vez que o essa parcela de “URV”, individualmente considerada, estaria isenta conforme tabela da época. Nesse ponto, entendo que não há reparos no acórdão recorrido. Forma de Cálculo No que tange à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a autoridade lançadora aplicou sobre o total do crédito, a tabela do imposto de renda vigente no mês do recebimento, contudo, essa forma de cálculo foi modificado pelo acórdão recorrido, de forma, a que não merece qualquer reparo a decisão, afastando qualquer espécie de nulidade arguida pelo recorrente De acordo com o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), assim como feito pela turma a quo, devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10580.725157/200968 Acórdão n.º 9202007.002 CSRFT2 Fl. 7 11 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Assim, devese aplicar sobre os rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Aliás a leitura do art. 12A da lei 7.713/88, é esclarecedora quanto a forma de cálculo desses rendimentos. Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Assim, como feito pelo acórdão recorrido ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais, baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da lei 7.713/88 e no próprio acordão recorrido. Entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutise a sistemática de cálculo aplicável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Vale destacar que no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Fl. 379DF CARF MF 12 Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10580.725157/200968 Acórdão n.º 9202007.002 CSRFT2 Fl. 8 13 forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Com base nas questões levantadas pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior aqui transcritas, e as quais uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo o novo regime a ser aplicável para apuração do montante devido. Não se trata de alteração de critério jurídico aplicado pela fiscalização, mas de aplicação dos termos de lei, que posteriormente por decisão judicial deixa claro qual a melhor interpretação acerca do regime aplicável. Incidência sobre Valores de Diferenças de URV Natureza da verba Quanto ao mérito, é sabido que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais decorrentes da conversão da remuneração dos servidores beneficiados, quando da implantação do Plano Real. Em função disso, constatase que tais valores tem ligação direta com a remuneração, ou seja, se referem a remuneração (vencimentos) não percebidos anteriormente e acabam por importar diferenças ao longo dos anos subseqüentes. Nesse sentido, podemos concluir que o objetivo de ações judiciais sob esse fundamento ou mesmo da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, da Bahia (que apenas reconheceu esse direito) foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou de ser pago, ou seja, diferença de salários. Considerando o nítido caráter salarial diferenças pagas a posteriori, penso que a verba trazida à discussão encontrase sujeita à incidência do IR, conforme dispõe o art. 43 do CTN: Fl. 381DF CARF MF 14 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Nesse sentido, estáse diante de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Frente as considerações acima, concordo com os fundamentos adotados pelo julgador da turma a quo para definir a natureza das diferenças de URV. Segundo o acórdão recorrido a verba recebida pelos servidores estaduais possui a mesma natureza daquela percebida pelos seus pares da União e, portanto, não se poderia dispensar tratamento diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação. Entendo, que não há como igualar as situações dos membros do Ministério Público Federal e Magistratura Federal com os pertencentes aos quadros do Estado da Bahia, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II do art. 111 do CTN. Com efeito, o Código Tributário Nacional veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação semelhantes. Pensar diferente implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e o art. 176 do CTN. Dessa forma, ao contrário do exposto pelo julgador a quo entendo que ao adotar mesmo tratamento tributário, alterando a natureza dos pagamentos, estaria sim, me valendo da analogia para definir fato gerador e base de cálculo de imposto sob a competência da União. A Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245/2002 conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). No mesmo sentido, a PGFN, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para a Magistratura Federal e MP Federal, respeitando a interpretação do STF, contudo, tal verba não pode ser confundida com as diferenças decorrentes de URV ora sob análise. Por fim, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10580.725157/200968 Acórdão n.º 9202007.002 CSRFT2 Fl. 9 15 pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. Em relação ao nítido caráter salarial das verbas pagas a título de URV, já se pronunciou este conselho em outras ocasiões acerca do tema, ao qual cito julgados que corroboram com o encaminhamento aqui formulado: Fl. 383DF CARF MF 16 ACÓRDÃO 9202003.659 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 9202.003.585 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 2201002.491 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10580.725157/200968 Acórdão n.º 9202007.002 CSRFT2 Fl. 10 17 “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Fl. 385DF CARF MF 18 Frente as questões colocadas acima, entendo que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de IR, sendo incabível acatar a argumentação de que a natureza salarial da referida verba seja alterada por legislação estadual, qual seja, a Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, ou mesmo que Resolução nº 245 do STF lastreada em Lei federal com destinação específica possa ser aplicada por analogia a outros casos que não os expressamente nela descritos. Bem, conforme foi apreciado acima, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao lançar as contribuições, posto que os valores recebidos, pela análise da legislação aplicável ao caso concreto, quais sejam, CF/88, CTN e legislação do IR incorreto considerar os rendimentos como isentos ou não tributáveis. Assim, esse julgador em momento algum descumpri ou fere dispositivo regimental, pelo contrário, entendo que acatar os argumentos do recorrente pela aplicabilidade da legislação estadual e resolução 245/STF, aí sim, estaria afastando dispositivo legal. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO . É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 386DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720756/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
EXCLUSÃO DO SIMPLES. APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTOS.
A exclusão do sujeito passivo da sistemática do SIMPLES, com efeitos retroativos, implica em apuração das contribuições de terceiros sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados com base na legislação de regência.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO GFIP. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA.
A omissão de documentos que permitam a apuração do valor do tributo devido à época do suposto recolhimento indevido impossibilita a confirmação dos requisitos de certeza e liquidez do crédito do contribuinte objeto de compensação.
Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe-se a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEVEDORES SOLIDÁRIOS. FALTA DE IMPUGNAÇÃO.
Não havendo impugnação não se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal. No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEVIDO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor da acusação fiscal formulada no auto de infração, considerando ainda que todos os termos, no curso da ação fiscal, foram-lhe devidamente cientifIcados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa dentro dos prazos regulamentares, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa bem assim não há que se falar em nulidade do lançamento.
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Não caracteriza cerceamento de direito de defesa, o indeferimento de pedido de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. A realização de diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo.
MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO.
Afasta-se a qualificadora da multa de ofício quando a fiscalização não descreve a conduta que autoriza a sua imposição ao lançamento, nos termos da legislação tributária.
MULTA AGRAVADA. CABIMENTO.
A multa agravada aplica-se aos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 2401-005.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a qualificadora da multa, passando esta ao percentual de 112,5%. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho (relator) e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite que davam provimento parcial em maior extensão para excluir também a multa isolada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTOS. A exclusão do sujeito passivo da sistemática do SIMPLES, com efeitos retroativos, implica em apuração das contribuições de terceiros sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados com base na legislação de regência. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO GFIP. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. A omissão de documentos que permitam a apuração do valor do tributo devido à época do suposto recolhimento indevido impossibilita a confirmação dos requisitos de certeza e liquidez do crédito do contribuinte objeto de compensação. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEVEDORES SOLIDÁRIOS. FALTA DE IMPUGNAÇÃO. Não havendo impugnação não se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal. No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 07 56 /2 01 4- 43 Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.258 2 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEVIDO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor da acusação fiscal formulada no auto de infração, considerando ainda que todos os termos, no curso da ação fiscal, foramlhe devidamente cientifIcados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa dentro dos prazos regulamentares, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa bem assim não há que se falar em nulidade do lançamento. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza cerceamento de direito de defesa, o indeferimento de pedido de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. A realização de diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO. Afastase a qualificadora da multa de ofício quando a fiscalização não descreve a conduta que autoriza a sua imposição ao lançamento, nos termos da legislação tributária. MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. A multa agravada aplicase aos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a qualificadora da multa, passando esta ao percentual de 112,5%. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho (relator) e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite que davam provimento parcial em maior extensão para excluir também a multa isolada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.259 3 (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier Relatório Cuidamse de recursos voluntários (fls. 289/1212) interpostos em face do Acórdão nº. 0735.372 (fls. 257/285), da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis. Nos autos, consta a exigência de crédito tributário das contribuições sociais devidas às Terceiras Entidades ou Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas no decorrer do mês, aos segurados empregados, e a Multa Isolada por compensação de contribuições previdenciárias com falsidade, relativamente às competências 01/2010 a 12/2012. REFISC (RELATÓRIO FISCAL) Por bem circunstanciar os fatos do procedimento fiscal, adotase o relatório da decisão de piso que assim resumiu o REFISC (Relatório Fiscal): [...] I DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Informa a autoridade lançadora que a Autuada, optante pelo Regime Simplificado de Tributação – SIMPLES NACIONAL desde 01/01/2009, incorreu em diversas hipóteses de exclusão do referido programa, que restou na lavratura, em 26/09/2013, da Representação Fiscal Administrativa ao Delegado da Receita Federal do Brasil em BrasíliaDF e, por conseqüência, na sua exclusão do SIMPLES NACIONAL, nos termos do disposto no artigo 29, incisos II, III, IV, VIII e IX da Lei Complementar nº 123/2006, com efeito retroativo a 01/01/2007, conforme determinado pelo Ato Declaratório Executivo – ADE nº 71, de 21/10/2013 (D.O.U de 23/10/2013, Seção I). Prossegue relatando os procedimentos adotados para apuração do crédito tributário, ora lançado, conforme a seguir: Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.260 4 a) Da Remuneração Dos Segurados Empregados Durante a ação fiscal foram emitidos 4 (quatro) Termos de Intimação Fiscal para que a Fiscalizada apresentasse os documentos lá solicitados, não tendo havido nenhuma manifestação de sua parte. Não foram apresentadas as folhas de pagamento dos meses de 01 a 03/2010 e 12/2011, inclusive as relativas ao pagamento do décimo terceiro salário dos segurados empregados para os anos de 2010, 2011 e 2012; os registros contábeis (Livro Caixa, ou Livro Diário e Razão); nem as Notas Fiscais de prestação de serviço emitidas no período sob ação fiscal. Esclarece que, em razão da ausência da documentação exigida, a apuração mensal da base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas, composta pela remuneração auferida por seus segurados empregados, tomou como base as informações prestadas pela empresa em suas Guias de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social – GFIP, e que para a obtenção dos valores relativos ao décimo terceiro salário foram utilizadas as informações prestadas na RAIS dos anos de 2010, 2012 e 2013. Esclarecese que, além da Planilha contendo os valores mensais apurados, consta do conjunto de provas, anexo aos autos, em formato digital (Anexo I), os comprovantes de entrega da GFIP com protocolo de envio; os Relatórios “Totais de Vínculos e Massa Salarial RAIS” obtidos no Sistema Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS; e a listagem contendo todas as GFIP´s, utilizadas pela fiscalização na apuração da base de cálculo deste levantamento, por tomador de serviço informado, com respectivo código de controle. b) Da Compensação Indevida Alega que a Autuada, no período fiscalizado, informou em GFIP valores referentes à compensação de retenção para a Previdência Social realizadas por seus tomadores de serviço, relativamente ao fornecimento de mãode obra, principalmente, para as atividades de limpeza, conservação, higienização, portaria diurna e noturna, entre outros. Diz que intimada, por meio dos Termos de Intimação Fiscal nº 02 e 03, este reiterado com envio para a residência do sóciogerente da empresa, para apresentar todas as Notas Fiscais de prestação de serviço emitidas no período de 01/2010 a 12/2012, assim como sua contabilidade, para que fosse verificada a correção dos valores compensados, a Fiscalizada não se manifestou. Por essa razão, promoveu a abertura de Diligências Fiscais em 7 (sete) tomadores de serviço da empresa CENTRO SUL, os quais foram selecionados com base nas informações prestadas, pela mesma, em GFIP, a partir das quais obteve cópias de Contratos de Prestação de Serviço; relação de empregados cedidos; Notas Fiscais de Prestação de Serviço emitidas pela empresa; e Guias da Previdência Social recolhidas. Do exame da referida documentação, constatou que, apesar de a CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA. – ME (CNPJ nº 05.241.315/000144) constar em GFIP como empresa contratada, alguns dos contratos foram firmados, na verdade, pela empresa CS ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS GERAIS LTDA. – EPP (CNPJ nº 01.726.963/000130), pertencente ao mesmo grupo econômico da primeira, que também emitiu as Notas Fiscais de prestação de serviço. Também, restou identificado que as Guias de Recolhimento da Previdência Social Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.261 5 GPS, de código 2631, eram emitidas alternadamente para CNPJ´s distintos, sem haver vinculação direta com o efetivo prestador de serviços. Concluiu que a empresa CENTRO SUL atua, com outras empresas, como um conjunto de sociedades, formando um grupo econômico “de fato”, que por sua vez adota procedimentos internos de controle de faturamento e consequentes compensações de contribuições previdenciárias em descompasso com as normas legais e infralegais existentes, tudo isso aliado à negativa da empresa Fiscalizada, de forma reiterada e não justificada, de exibição de livros e documentos à fiscalização. Desse modo, por falta de comprovação hábil, regular e inequívoca por parte da empresa Autuada, conforme mandamento contido no art. 89, §§ 9º e 10º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, os valores de contribuição previdenciária foram considerados indevidamente compensados, inclusive com falsidade, tendo sido glosados e cobrados os valores não recolhidos á época da compensação. II DO GRUPO ECONÔMICO Nesse tópico, a fiscalização aponta, do item 50 ao 79 do REFISC, todos as situações apuradas que indicam a formação do grupo econômico “de fato”, denominado, de forma genérica, como “Grupo CS”, o qual é composto pelas seguintes empresas: CNPJ RAZÃO SOCIAL 01.726.963/000130 CS ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS GERAIS LTDA EPP 02.977.647/000101 CS COMÉRCIO DE MATERIAIS DE LIMPEZA LTDA ME 03.614.621/000153 VALQUEL COMÉRCIO DE FIBRA DE VIDRO E CONSTRUÇÃO LTDA 05.241.315/000144 CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA ME 12.523.206/000185 CENTRO EMPREENDIMENTOS, ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS GERAIS LTDA 38.020.806/000114 CS CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA ME 72.651.813/000152 AOS ADMINISTRAÇÃO, COMÉRCIO, CONSTRUÇÃO E SERVIÇOS LTDA ME Colhese, ainda, as seguintes evidencias: a) a outorga de poderes de gerência e administração feita em favor do Sr. Avelar Oliveira Silva pelas empresas CS Empreendimentos, Administração e Serviços Gerais Ltda. (CNPJ nº 12.523.206/000185), AOS Administração, Comercio, Construção E Serviços Gerais Ltda. – ME (CNPJ nº 72.651.813/000152) e Valquel Comercio de Fibra de Vidro e Construção Ltda. (CNPJ nº 03.614.621/000153), deixa claro a existência comprovada de sócio oculto ou “de fato” no comando das diversas empresas; b) a utilização de um mesmo endereço de funcionamento para as diversas empresas do grupo evidencia a utilização de uma mesma estrutura física para seu funcionamento, configura a confusão patrimonial e gerencial; e c) a utilização de força de trabalho comum a todas as empresas. Em resumo, esclarece que os fatos apontados nesse relatório demonstram caracterizada a confusão patrimonial com vinculação gerencial por Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.262 6 coincidência de sócios e administradores, havendo abuso de forma entre as empresas integrantes do agrupamento. Toda documentação, que formam o conjunto de provas para a caracterização do grupo econômico, encontrase anexa aos autos, em formato digital. III DA SUJEIÇÃO PASSIVA Explica que restou configurada, à luz da legislação e dos fatos apontados no REFISC, a constituição e atuação do grupo de empresas, na forma de grupo econômico “de fato”, razão pelo qual todas elas foram incluídas no pólo passivo da relação tributária referente às contribuições previdenciárias, nos termos do art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212, de 1991; do art. 222 do Decreto 3.48/99; do art. 179, inciso I da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14/07/2005, mesma disposição repetida no art. 152 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009. Assim, também, restou responsabilizado o sócioadministrador “de fato” ou oculto da empresa Autuada e das integrantes do “Grupo CS”, na pessoa do Sr. Avelar Oliveira Silva, CPF 394.993.67349, em decorrência da prática dos atos de excesso de poder, infração à Lei e ao contrato social. Esclarece que as empresas serão cientificadas dos créditos tributários, constituídos na presente ação fiscal, por meio da lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária, em conformidade com o art. 495 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. Devendo, portanto, serem responsabilizados tanto o sócioadministrador “de fato” ou oculto quanto as empresas integrantes do “Grupo CS”, na pessoa do Sr. Avelar Oliveira Silva. IV DA MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA Por fim, esclarece que em face dos fatos apurados no curso da ação fiscal foi aplicada, concomitantemente, a multa qualificada e agravada de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), consoante art. 44, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/1996. No caso da compensação indevida, aplicase o disposto no art. 89, § 9º da Lei nº 8.212/91 (Lei de Custeio da Previdência Social). EMENTA DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Cientificado dos Autos de Infração, o sujeito passivo apresentou impugnação, através de seu procurador legalmente constituído, cujo Acórdão nº 0735.372 restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 DEBCAD nº 51.038.4137 COMPENSAÇÃO DE RECOLHIMENTOS. PAGAMENTOS INDEVIDOS PARA O SIMPLES. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com valor recolhido indevidamente para o SIMPLES. MULTA DE OFÍCIO Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.263 7 Sempre que restar configurada uma das situações descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I, do artigo 44, da Lei nº 9.430/1996 deverá ser duplicado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. As contribuições em atraso estão sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC. DEBCAD nº 51.038.4145 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. MULTA DE OFÍCIO Sempre que restar configurada uma das situações descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I, do artigo 44, da Lei nº 9.430/1996 deverá ser duplicado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. As contribuições em atraso estão sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza são responsáveis solidárias pelas contribuições previdenciárias. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, sob pena de preclusão, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. MULTA. PRINCÍPIO DA BOAFÉ. INAPLICABILIDADE EM FUNÇÃO DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multa por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. Devidamente cientificados do Acórdão nº 0735.372, a devedora principal (Centro Sul Empreendimento e Serviços Ltda/Centro Sul Administradora de Condomínios e Serviços Gerais Ltda) e os 07 (sete) devedores solidários apresentaram recursos voluntários, conforme documentos às fls. 289/1212. Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.264 8 RECURSO VOLUNTÁRIO DA DEVEDORA PRINCIPAL 1) Em seu recurso, a devedora principal primeiramente faz um abordagem do relatório da ação fiscal e do auto de infração, resumindo nos seguintes pontos: 1. a empresa CENTRO SUL Administradora de Condomínio e Serviços Gerais Ltda. ME, ora autuada, tem o nome de fantasia CS Administradora de Condomínio e Serviços Gerais, enquanto que a empresa CS Administração e Serviços Ltda. EPP tem como nome fantasia CENTRO SUL Serviços Gerais. Registra, inclusive, que o próprio auditor ora refere a Autuada como sendo CENTRO SUL Administradora de Condomínio e Serviços Gerais Ltda. ME, ora CENTRO SUL Empreendimentos e Serviços Ltda. ME. 2. O fato de o Sr. Avelar Oliveira Silva, sócio majoritário das referidas empresas, assinar os documentos e gerenciar as empresas não implica em nenhum problema. 3. Prossegue alegando que a multa aplicada de 225%, sobre o valor da cobrança do suposto crédito tributário, é desproporcional e desmedida, porquanto todo montante lançado já está pago e quitado. 4. Aduz que houve um desencontro entre as informações contábeis da empresa e as intimações da fiscalização, uma vez que não foram recebidas pelo responsável apto a prestar esclarecimentos. 5. Os montantes devidos a título de contribuições sobre as remunerações dos segurados empregados, em todo o período fiscalizado, encontramse pagos, mostrandose incorreta e indevida a apuração da base de cálculo feita por mera estimativa, com base em GFIP's e RAIS. 6. requer que os recolhimentos até então efetuados sejam considerados para efeito de quitação integral do tributo devido. 7. Do descabimento do enquadramento da empresa no Grau de Risco 3 (Grave) para Fins de Apuração da Contribuição Previdenciária devida ao SAT, uma vez que existe ATIVIDADE COM risco 01. 8. Da Glosa de Compensações Realizadas. Diz constar do relatório fiscal que as Notas Fiscais de prestação de serviços não foram apresentadas à fiscalização para que fossem verificados se, efetivamente, os valores compensados referemse aos créditos decorrentes do recolhimento de contribuições previdenciárias devidas quando da retenção na Nota Fiscal ou na Fatura, mediante aplicação da alíquota de 11% sobre o valor pago pela tomadoras de serviços. As notas fiscais já forma entregues à fiscalização. 9. Notas Fiscais se encontram disponibilizadas à fiscalização no termo de atendimento ao CAC. 10. O fato de ser a empresa cedente de mão de obra e ter declarado na GFIP e GPS o valor da contribuição previdenciária retida em Nota Fiscal emitida pela contratada, indiscutivelmente, preencheu os requisitos para compensação prevista no art. 31,§1º, da Lei nº 8.212/91. 11. Da Ausência de Grupo Econômico. CS Construções e Serviços Ltda. (CNPJ 38.020.806/000114) sequer estão em nome do Sr. Avelar Oliveira Silva, que se Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.265 9 retirou da sociedade em março/2010, conforme cópia das Certidões Simplificadas anexas. 12. as empresas trabalham em ramos distintos, sendo a sua atividade a de gestão condominial, com limpezas, administração e atividade de vigia de portaria para condomínio residenciais, e as demais empresas atuam com serviços gerais, comércio de fibra de vidros, construção, entre outros ramos. 13. Salienta que o Sr. Avelar responde pelas empresas que criou, assinando como representante legal apenas nas empresas que consta como sócio diretor com função de gerencia, não existindo, portanto, a figura do "sóciooculto". 14. Da Nulidade do Auto de Infração. a) Afirma que ao Auto de Infração deve ser anulado por total desobediência ao comando do art. 142 do CTN, em face dos seguintes motivos: a)o demonstrativo elaborado pelo auditor não relacionou as notas fiscais, os fornecedores e os respectivos valores indevidos no levantamento das notas fiscais retiradas dos tomadores do serviço. (As notas fiscais, corretamente emitidas, não foram consideradas, tendo sido auferido valores aleatórios e genéricos; e b) não foi discriminada a legislação aplicável aos juros e a correção monetária utilizados para cálculo das multas, cerceando o seu direito de defesa. 15. Todos os documentos comprobatórios dos recolhimentos das contribuições previdenciárias exigida no termo de fiscalização estão e estiveram à disposição da fiscalização. 2) Em seguida, prossegue argumentando sobre pontos da decisão recorrida, quanto à exclusão do SIMPLES e a nulidade do lançamento do auto de infração. Ainda que o auditor não relacionou as notas fiscais, os fornecedores e os respectivos valores, o que acabou por originar a apuração de valores indevidos. 3) Cita decisões do CARF, para enfatizar o direito à dedução dos valores recolhidos na sistemática do SIMPLES. Neste contexto, diz que se não for o caso de anular o auto de infração que seja baixado em diligência para ser verificado o quanto foi pago. 4) Declara que o processo chega à segunda instância administrativa sem que a autoridade competente tenha apreciado as notas fiscais corretamente emitidas, os fornecedores e os respectivos valores, sendo que a sua consideração poderia alterar substancialmente o lançamento efetuado. 5) Informa que exerce atividade de administração e gestão de condomínios (contabilidade, gestão de pessoal, limpeza, portaria e higienização). Não bastaria a mera exclusão da recorrente do SIMPLES e, ato contínuo, autuála para pagamento da contribuição SAT/RAT, sem que tenha se provado que, de fato, a sua atividade preponderante seria de "Serviços combinados para apoio a edifícios, exceto condomínios prediais". 6) Aduz que no acórdão recorrido consta que o motivo da glosa das compensações efetuadas "não foi o fato de as mesmas terem sido efetuadas mediante GFIP, mas sim de a Autuada não comprovar a liquidez e certeza dos créditos compensáveis nelas declarados. 7) Sobre o "Grupo Econômico", afirma que a existência do grupo não passa de ficção criada pela autoridade fiscal, portanto, é vazia e carece de provas robustas. Cita decisões do CARF. Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.266 10 Prossegue afirmando que inexiste elementos nos autos que apontem colaboração dos pretensos responsáveis solidários para a ocorrência do fato gerador. 8) Impossibilidade de qualificação das multas. Diz que não se pode deixar que interpretações determinem multas que levam a percentuais abusivos e a conduta criminosas inexistentes. Cita decisões do CARF, para concluir que a multa deve ser reduzida ao percentual de 75%. 9) Não pode a Secretaria da Receita Federal lançar novamente valores declarados. Entende que o recurso deve ser provido para anular o auto de infração e determinar que os valores já declarados e confessados pelo contribuinte sejam excluídos do lançamento. 10) Insiste no aspecto de que o Auto de Infração é nulo por vício material. Assim, no seu entender estamos diante de um vício quanto ao motivo e o objeto. Foi lançado um débito que "NÃO CONSIDEROU QUE OS DÉBITOS JÁ FORAM PAGOS. POR ISSO, O VÍCIO É MATERIAL E TODO O AUTO DE INFRAÇÃO DEVE SER DECLARADO NULO". 11) Solidariedade por interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação tributária principal. Entende que em uma empresa todos os sócios têm como interesse comum o lucro, mas não se pode imputar grupo econômico e solidariedade por vontade do auditor. Cita decisões do CARF. 12) Representação Fiscal para Fins Penais. Aduz ser abusiva o motivo para caracterização de tal medida, não tem fundamento ou qualquer base para que seja indicada a existência de crime contra a ordem tributária. 13) Ao final, requer: a) Que seja anulado o auto de infração por vício material consubstanciado no fato de o auditor fiscal não ter considerado OS VALORES DEVIDAMENTE PAGOS, ensejando que o lançamento não pode ser retificado no seu aspecto quantitativo, sem que isso afete a higidez do seu objeto; b) Que seja anulado o auto de infração por vício formal, determinando que o lançamento seja feito excluindose todos os valores pagos ou retidos pelos tomadores de serviço, determinando a incidência de multa de 20% (vinte por cento); c) Que seja anulado o auto de infração quanto à retroatividade da exclusão do simples; d) Que seja anulado o auto de infração quanto à aplicação de alíquota de 3% para o RAT/SAT; e) Que seja julgado procedente o pedido para que o lançamento exclua todos os valores pagos, RETIDOS, declarados, confessados coma redução da multa para 20% (vinte por cento), tendo em vista que os valores foram pagos ao Fisco; f) Que seja julgado procedente o pedido para exclusão da multa, tendo em vista que os elementos apontam pela inexistência de motivos para a qualificação ou agravamento da multa; g) Que seja julgado procedente o pedido para excluir a solidariedade; Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.267 11 h) Que seja julgado procedente o pedido para excluir a FORMAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO; i) Que seja julgado procedente o pedido para EXCLUIR a CS CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA CNPJ 38.020.806/000114 da responsabilidade solidária e do grupo econômico, tendo em vista que o senhor Avelar saiu da empresa em 2010 e a procuração que funda a relação entre a empresa e o grupo econômico é para assunto específico de uma venda de automóvel, ensejando que os proprietários da empresa não são "laranjas" do senhor Avelar; j) Que seja julgado procedente o pedido para excluir elementos de dolo no presente caso. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Esta turma, por meio da Resolução nº 2401000.601, de 05 de julho de 2017, converteu o julgamento em diligência, para: a) Por qual motivo o AR de fls. 92/93 foi considerado como intimação da devedora principal CENTRO SUL ADMINISTRADORA DE CONDOMÍNIOS E SERVIÇOS GERAIS CNPJ 05.241.315/000144? b) Apesar da descrição do nome do destinatário e o endereço não serem os mesmos dos constantes na qualificação do sujeito passivo devedor principal do auto de infração à fl. 3, por qual motivo o AR de fls. 92/93 está sendo considerado como a intimação da devedora principal? c) Após, que seja a contribuinte intimada para se manifestar acerca das informações apresentadas pela Receita Federal do Brasil na presente diligência. A informação fiscal em atendimento ao pedido de diligência, Resolução nº 2401000.601, de 05/07/2017, consta do processo principal. Cientificado dos termos da informação, não houve manifestação do sujeito passivo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Admissibilidade dos recursos Constam do presente processo a apresentação de 08(sete) recursos voluntários (fls. 289/1212), sendo 01(um) da devedora principal (Centro Sul Administradora de Condomínios e Serviços Gerais Ltda) e dos 07 (sete) sujeitos passivos solidários, conforme abaixo: 1) CS CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA. – fl. 289/302; 2) CS ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS GERAIS LTDA. – fls. 303/432; Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.268 12 3) AVELAR OLIVEIRA SILVA – fls. 433/562; 4) VALQUEL COMÉRCIO DE FIBRA DE VIDRO E CONSTRUÇÕES LTDA. – fls. 563/692; 5) CS EMPREENDIMENTOS, ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS GERAIS –fls. 823/952; 6) AOS ADMINISTRAÇÃO, COMÉRCIO, CONSTRUÇÃO E SERVIÇOS GERAIS LTDA. – fls. 953/1082; 7) CS COMERCIO DE MATERIAIS DE LIMPEZA LTDA. fls. 1083/1212. Compulsando os autos, verificase que nenhum dos devedores solidários impugnaram o auto de infração, desta forma, concluise que, nos termos do que dispõe o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972: "Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento", precluiu o seu direito de discutir o crédito tributário que lhes fora atribuído. Também, são essas as disposições do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta, além de outros assuntos, o processo de determinação e de exigência de créditos tributários: CAPÍTULO III DA FASE LITIGIOSA Seção I Da Impugnação Art.56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). [...] §3oNo caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. §4oNa hipótese do § 3o, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que cada um deles tiver sido cientificado do lançamento. [...](grifouse) Neste contexto, não tendo os sujeitos passivos solidários acima relacionados impugnado o lançamento, não instauraram o contencioso administrativo e, portanto, não figuram no presente processo administrativo fiscal. Desse modo, não conheço dos referidos recursos voluntários. Quanto à devedora principal o recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos. Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.269 13 Preliminares Resolução nº 2401000.601 Esclarecimentos sobre a devedora principal (Centro Sul Empreendimento e Serviços Ltda/Centro Sul Administradora de Condomínios e Serviços Gerais Ltda) Em deliberação deste colegiado, com vistas a esclarecimentos sobre a ciência do auto de infração à devedora principal, foi instaurado o procedimento fiscal de diligência MPF nº 01.1.01.002013005020, conforme termos anexos, além de outros pontos, para: a) Por qual motivo o AR de fls. anexa foi considerado como intimação da devedora principal CENTRO SUL ADMINISTRADORA DE CONDOMÍNIOS E SERVIÇOS GERAIS CNPJ 05.241.315/000144? [...] No início do procedimento fiscal (fiscalização) em 01/03/2013, a autuada (CENTRO SUL ADMINISTRADORA DE CONDOMÍNIOS E SERVIÇOS GERAIS LTDA) utilizava o nome empresarial CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS. A alteração da razão social para CENTRO SUL ADMINISTRADORA DE CONDOMÍNIOS E SERVIÇOS GERAIS LTDA, ocorreu em 16/07/2013, no curso do procedimento fiscal, conforme tela do sistema CNPJ, abaixo reproduzida. Salientase que o cadastro único mantevese inalterado, ou seja, o mesmo CNPJ: 05.241.315/000144. Conforme ressaltou a auditoria fiscal, no relatório da diligência, a identificação da empresa com o nome de CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS consta em vários documentos, a exemplo da Procuração lavrada pela sócia em 25/08/2010 (fls.68), Das Declarações Anuais do Simples Nacional DASN e de Informações Socioeconômicas e Fiscais DEFIS (fls.70 a 92), Das Notas Fiscais de prestação de serviço (às fls. 556 a 591) e outros (documentos do processo principal 10166.720755/201407). Como se observa, em todos os documentos transcritos consta o CNPJ nº 05.214.315/000144, cadastro identificador da empresa autuada, CENTRO SUL ADMINISTRADORA DE CONDOMÍNIOS E SERVIÇOS GERAIS LTDA. Portanto, está claro que seja uma ou outra Razão Social, na realidade, corresponde a mesma empresa. Entendo que está respondido o questionamento da resolução: "a) Por qual motivo o AR de fls. 1022/1023 foi considerado como intimação da devedora Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.270 14 principal CENTRO SUL ADMINISTRADORA DE CONDOMÍNIOS E SERVIÇOS GERAIS CNPJ 05.241.315/000144?" (Documentos do processo principal). Do Pedido de Diligência No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a realização de diligência só tem razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério do colegiado que realiza o julgamento do processo. Neste sentido, é o teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. Também, são essas as disposições do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2001, que regula, entre outras matérias, o processo de determinação e de exigência de crédito tributário, in verbis: Seção IV Das Diligências e das Perícias Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1o). (grifouse) Da peça recursal, percebese, basicamente, que o sujeito passivo faz referência ao pedido de diligência referente aos seguintes fatos: se não for o caso de ANULAR O AUTO DE INFRAÇÃO deve ser baixado em diligência para se QUANTIFICAR O QUANTO JÁ FOI PAGO. [...] Assim, uma vez que o demonstrativo elaborado pelo auditor, no caso, não relacionou as notas fiscais, os fornecedores e os respectivos valores, o que originou a apuração de valores indevidos, e bem como porque foram consideradas notas fiscais retiradas dos tomadores do serviço, desprezando se as corretamente emitidas, chegandose a valores aleatórios e genéricos, é que espera a recorrente seja convertido o presente julgamento em diligência, instando a autoridade de piso a proceder à apreciação dos referidos documentos, que alterarão substancialmente o conteúdo do lançamento, sob pena de nulidade, nos termos do art. 29 do decreto n. 70.235/72. Ao que se observa, o pedido de diligência tem na sua essência elementos de prova, comprovação de recolhimento de pagamentos (retenção pelos tomadores dos serviços) e análise de documentos apresentados. Neste sentido, entendo desnecessário o pedido de diligência, considerando que os elementos contidos nos autos são suficientes para análise do feito. Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.271 15 Nulidade do lançamento por ausência de formalidades legais e erro material Repisa a recorrente, assim com defendeu na impugnação, que o auto de infração deve ser anulado porquanto deixou de relacionar as Notas Fiscais de prestação de serviços, o seu emitente e os respectivos valores. Conclui ainda pela nulidade do ato administrativo por entender que a razão última do processo administrativo fiscal é a busca da verdade material, o que significa verificar se a hipótese legal (norma abstrata) se adequa rigorosamente ao fato constatado pela autoridade lançadora. Para compreensão do alegado pelo sujeito passivo, necessário situarmos em que contexto ocorreu a ação fiscal. Assim procedeu a auditoria fiscal: 1) A ação fiscal foi instaurada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal MPFF 01.1.01.002013005020 com início em 01/03/2013, data em que o recorrente tomou ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, por via Postal. Outros termos foram emitidos, a exemplos dos termos de intimações e reintimações, anexos as autos do processo principal, todos com ciência ao sujeito passivo; 2) A pessoa jurídica autuada era optante pelo SIMPLES NACIONAL. No curso da ação fiscal, constatouse que o recorrente incorrera em diversas hipóteses de exclusão do referido programa, o que gerou em 26/09/2013 a Representação Fiscal Administrativa do Delegado da Receita Federal em Brasília DF (PAF nº 10166.728329/201322), e que por consequência a mesma foi excluída do SIMPLES NACIONAL, com efeitos retroativo a 01/01/2007, conforme determinado pelo Ato Declaratório Executivo nº 71, de 21/10/2013 ( D.O.U. de 23/10/2013 fls. 202); 3) Na análise dos documentos apresentados pelo sujeito passivo, registra a auditoria fiscal que analisou as folhas de pagamento do sujeito passivo, em meio papel, as Guias de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social GFIP informadas, bem assim as Declarações Anuais, anos calendário 2010 e 2011, e Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais DEFIS, ano calendário 2012; 4) Quanto às folhas de pagamento, relata que a empresa CENTRO SUL apresentou a documentação de forma deficiente no período compreendido entre 01/2010 a 12/2012, especifica que não foram entregues os meses de 01 a 03/2010 e 12/2011, assim como as relativas ao décimo terceiro salário para os anos de 2010, 2011 e 2012. Tais itens constam do termo de intimação fiscal nº 01, do qual o sujeito passivo tomou ciência em 15/04/2013; 5) Também, cabe esclarecer que os livros contábeis (Livro Caixa ou Livro Diário e Razão) não foram apresentados pelo contribuinte, apesar de reiteradamente ser intimado para tanto, assim como também não foram apresentadas todas as notas fiscais de prestação de serviço por ela emitidas no período da ação fiscal; 6) Em vista da falta de apresentação de alguns documentos contábeis, a fiscalização promoveu a abertura de Diligências Fiscais em 7 (sete) tomadores de serviço da empresa CENTRO SUL, sendo colhidas junto a essas empresas cópias de Contratos de Prestação de Serviço, relação de empregados cedidos, Notas Fiscais emitidas pela empresa e Guias de Previdência Social recolhidas. Constatouse a apresentação de alguns dos contratos em nome da empresa CS ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO GERAIS LTDA, CNPJ 12.523.206/000185, que também Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.272 16 emitiu as Notas Fiscais de prestação de serviço. O mesmo procedimento foi verificado com relação à geração das GPS de código 2631, que eram emitidas alternadamente para CNPJ's distintos sem haver vinculação direta com o efetivo prestador de serviços (documentos anexos aos autos); 7) Considerando a exclusão da empresa da sistemática do SIMPLES, e devido a falta de documentos, a auditoria fiscal procedeu à apuração dos fatos geradores de contribuição previdenciária provenientes de valores pagos, devidos ou creditados pela mesma a seus empregados, conforme remuneração informada na GFIP e na RAIS e efetuou a glosa de valores de contribuições previdenciárias compensados indevidamente pela empresa; 8) Ainda, a fiscalização usou os valores informados pela autuada em suas GFIP, com vistas a apurar, mensalmente as bases de cálculo das contribuições previdenciárias devidas, compostas pela remuneração auferida por seus segurados empregados. Quanto aos valores relativos ao décimo terceiro salário foram obtidos com a utilização das informações prestadas pela empresa na RAIS dos anos 2010, 2011 e 2012; 9) Referente à remuneração dos segurados empregados da autuada, a fiscalização utilizou os levantamentos "RE" e "DT". Os valores estão discriminados, por mês, constante da planilha (Anexo I), assim como os demais documentos utilizados; 10) No que toca à compensação indevida, relata a auditoria que a empresa CENTRO SUL atuou, no período fiscalizado, como prestadora de serviço na área de administração de condomínios residenciais no Distrito Federal, fornecendo mão de obra principalmente para as atividades de limpeza, conservação, higienização, portaria diurna e noturna; 11) Registre que mediante termos de intimações nºs 2 e 3, foi solicitado a empresa a apresentação de todas as notas fiscais de prestação de serviço emitidas no período de 01/2010 a 12/2012. Todavia, conforme salienta a auditoria, o sujeito passivo permaneceu não atendendo as intimações fiscais, deixando de apresentar a documentação solicitada; 12) Por esse motivo, a fiscalização considerou como indevidamente compensados, inclusive com falsidade, os valores de contribuição previdenciária por ela compensados, informados em GFIP. Ficando glosados por falta de comprovação hábil, regular e inequívoca por parte da empresa, conforme mandamento contido nos §§9º e 10º do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. Os valores referentes à compensação glosada considerados pela fiscalização no presente lançamento fiscal foram identificados pelo código de levantamento “GC”. Pois bem. Entendo que deve ser rechaçado o argumento de que houve violação às formalidades legais de constituição do crédito tributário. Percebese que o ato administrativo de lançamento foi devidamente motivado (devido processo legal), não havendo que se falar em vício material, nos termos dos fundamentos e fatos descritos no Auto de Infração, relatório fiscal das infrações e anexos. A empresa recorrente demonstrou conhecer perfeitamente o teor do ato administrativo formulado no auto de infração, pelo que logrou apresentar suas razões de impugnação dentro do prazo legal e com especial profundidade, a demonstrar o perfeito entendimento às matérias que compunham o lançamento, em obediência aos art. 142 do CTN, arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, e a Constituição Federal. Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.273 17 Desta forma, afastase qualquer pretensão de nulidade do procedimento fiscal prévio ao lançamento, e deste propriamente, porquanto não se vislumbra nenhuma evidência de cerceamento ao direito de defesa, em face da ausência de formalidades legais e erro material no lançamento. Mérito Auto de Infração AI/DEBCAD Nº 51.038.4137 No debcad nº 51.038.4137 estão os valores das contribuições destinadas a outras entidades e fundos apuradas a partir da GFIP sobre a remuneração dos segurados empregados, considerando que a autuada apresentou, de forma incompleta, as folhas de pagamento da empresa para o período de 01/2010 a 12/2012. Com relação ao décimo terceiro, os valores foram obtidos coma utilização das informações prestadas pela empresa na RAIS dos anos 2010, 2011 e 2012. (anexo I Remuneração Mensal segurados Empregados). Alega a recorrente, como defendeu na impugnação, que as contribuições de todo o período fiscalizado já teriam sido recolhidas. Discorda ainda da apuração da base de cálculo a partir da GFIP e RAIS. Nesse ponto, deve ser esclarecido que a exclusão do sujeito passivo da sistemática do SIMPLES, com efeitos retroativos a 01/01/2007, implica em apuração das contribuições de terceiros sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados com base no novo regime de tributação. Quanto aos valores recolhidos com base no SIMPLES, entendo que ao caso devese aplicar o enunciado da Súmula CARF nº 76, in verbis: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Pois bem. Observase que podem ser compensados os valores recolhidos na sistemática do SIMPLES de Contribuição Previdenciária Patronal CPP com os valores lançados a esse título (mesma natureza). Compulsando os autos, verificase, por meio das Declarações Anuais do Simples Nacional (fls. 70/92 Processo nº 10166720755201407), que não há informação de valor devido à título de contribuições sociais de terceiros, bem assim não foram juntados aos autos comprovantes de valores recolhidos à título destas contribuições. Ademais, cabe esclarecer que as empresas que exercem atividade de prestação de serviços, prevista no § 5ºC do artigo 18 da Lei Complementar nº 123/2006, estão legalmente obrigadas à tributação prevista no Anexo IV da referida Lei Complementar, cuja alíquota comum do Simples Nacional não contempla a Contribuição Previdenciária Patronal – CPP, que deverá ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes. Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.274 18 Em relação ao lançamento com base na GFIP e RAIS, impende esclarecer que é possível, nos termos do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, a Secretaria da Receita Federal lançar de ofício quando houver, inclusive, a apresentação de documentos com dados incompletos, o que ocorreu no caso concreto. Ainda mais, quando a GFIP, constituise instrumento de confissão de dívida. Portanto, sem razão a recorrente. Mantémse a decisão de primeira instância. Auto de Infração AI/DEBCAD Nº 51.038.4145 O debcad nº 51.038.4145 referese à multa sobre glosa de compensação efetuada indevidamente. Conforme já relatado a autuada, como prestadora de serviços na área de condomínios residenciais no Distrito Federal, informou em GFIP valores referentes à compensação de retenção para a Previdência Social, nos termos do artigo 31, §1º, da Lei nº 8.212, de 1991 (anexo II Glosa de Compensação fls. 493/539). Acontece que após diligências nos tomadores de serviços, considerando que a empresa autuada, regularmente intimada, deixou de apresentar a documentação solicitada, constatouse que valores foram indevidamente compensados. De fato, observase, por exemplo, que contratos foram firmados por outras empresas do mesmo grupo econômico bem como a emissão de notas fiscais (documentos anexos aos autos). Os fundamentos legais do crédito tributário lançado encontramse na Lei nº 8.212, de 1991, art. 89 , parágrafos 9º e 10(com a redação dada pela Lei n. 11.941, de 27 de maio de 2009) e art. 31, parágrafo 1(com a redação dada pela Lei n. 11.933, de 28 de abril de 2009); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 247 a 249, 251 caput, §2º ao 5º, 253 e art. 219, parágrafos 4. e 9. Lei nº 8.212, de 1991. Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Portanto, à vista da documentação carreada aos autos, sem razão a empresa recorrente. Mantémse a decisão de primeira instância. Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.275 19 Do Grupo Econômico de fato No que toca à responsabilidade solidária, a análise do grupo econômico de fato resta prejudicada considerando que os Recursos Voluntários dos solidários não foram conhecidos, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c o art. 56 do Decreto nº 7574, de 2011. Entretanto, entendo como necessária referida análise para fins de definição da qualificadora da multa de ofício. Durante a ação fiscal, a auditoria em face dos elementos colhidos junto ao sujeito passivo autuado bem assim de outras pessoas jurídicas concluiu pela caracterização de Grupo Econômico. Relata a auditoria que não houve a constituição formal do grupo econômico, nos moldes do que dispõe o art. 265 da Lei nº 6.404, de 1976, in verbis: CAPÍTULO XXI Grupo de Sociedades SEÇÃO I Características e Natureza Características Art. 265. A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Natureza Art. 266. As relações entre as sociedades, a estrutura administrativa do grupo e a coordenação ou subordinação dos administradores das sociedades filiadas serão estabelecidas na convenção do grupo, mas cada sociedade conservará personalidade e patrimônios distintos. Designação Art. 267. O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo único. Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade". Discorrendo sobre a formação de grupos econômicos de fato, peco vênia a i. Conselheira Miriam Denise Xavier para transcrever parte de seu voto vencedor no Acórdão nº 2401004.470, que de forma precisa e clara, assim resumiu: Sobre os "grupos econômicos", têmse os constituídos formalmente (de acordo com a Lei 6.404/76) e os denominados "grupos econômicos de fato", que podem ser regulares ou irregulares. Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.276 20 A Lei 6.404/76, denominada "Lei das Sociedades Anônimas", cuida do "grupo econômico" (que denomina "grupo de sociedade"), legalmente constituído, limitandose a estabelecer as normas aplicáveis nos casos em que uma sociedade controladora e suas controladas deliberada e formalmente constituem um grupo, que se sujeita, portanto, às devidas exigências legais, inclusive registro público. Além dos grupos econômicos formalmente constituídos, são frequentemente encontrados os "grupos de empresas" com direção, controle ou administração exercida direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. Esses "grupos de empresas" são os denominados grupos econômicos de fato, que podem ser regulares ou irregulares. Os grupos econômicos de fato regulares são aqueles que, apesar de não serem dotados de formalização legal, não realizam práticas dissuasivas irregulares, ao serem constituídos. Os grupos econômicos de fato e irregulares também não são dotados de formalização legal, mas apresentam irregularidades ou mesmo ilegalidades na sua constituição, com o objetivo, dentro outros, de se eximir ilegalmente do pagamento de tributos ou de suprimir os meios legais de cobrança. Do Relatório Fiscal das Infrações, extraemse os fatos que motivaram o enquadramento da situação como grupo econômico de fato, conforme excertos transcritos dos autos. 47. A fiscalização constatou a existência de um grupo econômico de fato atuando na área de prestação de serviços e sendo composto por 7 (sete) empresas, incluindo a aqui autuada, todas sob a gerência de um único administrador, o sr. AVELAR OLIVEIRA SILVA, CPF 394.993.67349. [...] 49. Tal grupo é denominado de forma genérica como “Grupo CS”, sendo composto pelas empresas a seguir: 01.726.963/000130 CS ADMINISTRACAO E SERVICOS GERAIS LTDA 02.977.647/000101 CS COMERCIO DE MATERIAIS DE LIMPEZA LTDA 03.614.621/000153 VALQUEL COMERCIO DE FIBRA DE VIDRO E CONSTRUCAO LTDA 05.241.315/000144 CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA 12.523.206/000185 CS EMPREENDIMENTOS, ADMINISTRACAO E SERVICOS GERAIS LTD 38.020.806/000114 CS CONSTRUCOES E SERVICOS LTDA ME 72.651.813/000152 AOS ADMINISTRACAO, COMERCIO, CONSTRUCAO E SERVICOS GERAIS LTDA ME Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.277 21 50. O sr. AVELAR OLIVEIRA SILVA atua ostensivamente como sócio administrador da empresa CS ADMINISTRACAO E SERVICOS GERAIS LTDA – EPP, CNPJ 01.726.963/000130, com 98% de participação de seu capital, porém possui também pequenas participações nas outras empresas, conforme a seguir: [...] 52. A fiscalização teve acesso a documentos que comprovam o afirmado, obtidos em diligências efetuadas em 7 (sete) tomadores de serviço selecionados da empresa CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA – ME, CNPJ 05.241.315/000144 a partir das informações prestadas pela mesma em GFIP e, ainda, em solicitações feitas a diversos Cartórios de Ofícios de Notas situados no Distrito Federal. [...] 54. Apesar de informados em GFIP como contratantes pela empresa CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA – ME, CNPJ 05.241.315/000144, os contratos firmados, as notas fiscais emitidas e as GPS geradas, no período fiscalizado, se referiam a CNPJs diversos, todos referentes a empresas pertencentes ao grupo econômico criado “Grupo CS”, conforme já relatado nos itens 25 a 33 deste relatório. 55. Assim, a partir destes fatos, a fiscalização constatou que a empresa objeto da fiscalização, CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA – ME, CNPJ 05.241.315/000144, foi na verdade constituída de forma simulada com a utilização de interpostas pessoas. 56. A abertura da empresa se deu na data de 11/07/2002, constando de seu Contrato Social (registro JCDF n. 53201151182) os sócios pessoas físicas JOÃO ANTÔNIO FONTENELE DE SOUSA FILHO, CPF 725.662.30110, com 90% de participação no capital social, e JANES CARVALHO SILVA SOUSA, CPF 802.501.06353, com 10% de participação. Ao primeiro sócio foi designada a função de gerência. Tal quadro social se manteve inalterado até a presente data. 57. Ocorre no entanto que, de acordo com informações apuradas pela fiscalização no banco de dados do sistema CNISA, o sr. JOÃO ANTÔNIO FONTENELE DE SOUSA FILHO possuía, na data de constituição da empresa, vínculo formal na condição de segurado empregado com a empresa CS COMERCIO DE MATERIAIS DE LIMPEZA LTDA – ME CNPJ 02.977.647/000101, participante do “Grupo CS”, na ocupação de auxiliar administrativo, Código 4110 da Classificação Brasileira de OcupaçõesCBO, assim permanecendo até a competência 09/2004. A partir de 01/04/2005, transferese como empregado para a mesma empresa em que atua como sócio gerente, CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA –ME, CNPJ 05.241.315/000144 nas ocupações de auxiliar administrativo, até 01/08/2006, e motorista (CBO 7823/7825). 58. De fato, analisandose as folhas de pagamento da empresa CENTRO SUL no período de 01/2010 a 12/2012 corroborase o afirmado, posto que o sr. JOÃO ANTÔNIO FONTENELE DE SOUSA FILHO consta nestes documentos registrado como segurado empregado, matrícula n. 1516, na função de motorista. Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.278 22 59. Mesma situação ocorreu com a sócia minoritária sra. JANES CARVALHO SILVA SOUSA que, na data de constituição da empresa também mantinha vínculo como segurada empregada na mesma empresa em que trabalhava o outro sócio, CS COMERCIO DE MATERIAIS DE LIMPEZA LTDA – ME CNPJ 02.977.647/000101, na ocupação de zeladora de edifícios (CBO 5141), até 03/2005. A partir de 31/07/2006, transferiuse para a empresa CS ADMINISTRACAO E SERVICOS GERAIS LTDA – EPP, CNPJ 01.726.963/000130, também integrante do grupo, onde exerceu as funções de servente e de administradora de edifícios (CBO 7170 e 5101), sendo neste empregador onde mantém seu vínculo atual. [...] 64. Atestouse também a constituição formal feita em favor do sr. AVELAR OLIVEIRA SILVA, como procurador com outorga de poderes de gerência e administração, pelas empresas CS EMPREENDIMENTOS, ADMINISTRACAO E SERVICOS GERAIS LTD, CNPJ 12.523.206/000185, AOS ADMINISTRACAO, COMERCIO, CONSTRUCAO E SERVICOS GERAIS LTDA – ME, CNPJ 72.651.813/000152 e VALQUEL COMERCIO DE FIBRA DE VIDRO E CONSTRUCAO LTDA, CNPJ 03.614.621/000153, conforme cópias de procurações fornecidas pelo Cartório do 5o. Ofício de Notas do Distrito Federal, em anexo. 65. A utilização de um mesmo endereço de funcionamento para as diversas empresas do grupo também ficou evidenciada. O endereço mantido pela empresa CENTRO SUL no cadastro da Receita Federal (ST C 11, LOTE 08, SALA 203 TAGUATINGA CENTRO, CEP 72.010110), quando do início do procedimento fiscal, não correspondia ao local onde a mesma mantinha suas atividades. 66. O contribuinte somente tomou ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal após a correspondência ter sido enviada para endereço diferente do contido no banco de dados da Receita Federal, que foi encontrado em pesquisa efetuada na internet através do site do chamado “Grupo CS” (http://www.centrosulservicos.com.br/cs/). Neste endereço virtual é indicado como local de funcionamento das empresas do grupo o seguinte logradouro: SCIA QUADRA 14 CONJUNTO 07 LOTE 1 SETOR DE INDÚSTRIAS BRASILIA – DF CEP 71250135 67. Este é o mesmo endereço registrado no cadastro da Receita Federal para as empresas CS EMPREENDIMENTOS, ADMINISTRACAO E SERVICOS GERAIS LTD, CNPJ 12.523.206/000185 e CS CONSTRUCOES E SERVICOS LTDA – ME, CNPJ 38.020.806/000114. 68. Diante disso, a fiscalização realizou visita pessoal, na data de 20/06/2013, no endereço então fornecido pela CENTRO SUL, oportunidade em que verificou, mediante lavratura de competente Termo de Constatação, que referido logradouro na realidade é local de funcionamento da empresa POLOCAL SERVIÇOS, CNPJ 11.842.469/000194, desde o mês 09/2011; que a empresa CENTRO SUL não é conhecida por nenhum funcionário da empresa que atualmente funciona no local. Tais informações foram fornecidas e atestadas pelo sr. Edel Cristiani Martins Ferreira, CPF 534.428.81153. Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.279 23 69. Após a constatação feita pela fiscalização, contudo, a empresa CENTRO SUL promoveu alteração de seu endereço junto à Receita Federal, na data de 16/07/2013, fornecendo o seguinte endereço: SCIA QUADRA 08, CONJUNTO 11, LOTE 13, ZONA INDUSTRIAL( GUARÁ) CEP: 71250725. 70. Tratase, porém, do mesmo endereço constante do cadastro da empresa VALQUEL COMERCIO DE FIBRA DE VIDRO E CONSTRUCAO LTDA, CNPJ 03.614.621/000153, aqui já citada e também integrante do mesmo grupo econômico. 71.A identidade de endereço das empresas evidencia a utilização de uma mesma estrutura física para seu funcionamento, configurando sua confusão patrimonial e gerencial. [...] 75. Também conforme informação coletada pela fiscalização junto às empresas diligenciadas, apurouse que o responsável pela contabilidade dos condomínios prediais, contratantes de empresas do Grupo CS, é o mesmo, qual seja, a empresa INNOVE ADMINSTRADORA DE CONDOMÍNIOS LTDA, CNPJ 14.511.821/0001 05, contadora responsável ZELINA OLIVEIRA SILVA, CRC 550TO/DF. 76. O cadastro da empresa INNOVE junto à Receita Federal do Brasil indica que seu quadro societário é o mesmo da empresa CS EMPREENDIMENTOS, ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS GERAIS LTD, CNPJ 12.523.206/000185, que possui como sócios HOSANA DOURADO SILVA e CAMILA CAROLINE FERREIRA DE AQUINO. 77. A fiscalização também obteve cópias de documentos que indicam que o Grupo CS repassou à INNOVE os serviços contábeis referentes a seus contratos de prestação de serviços e que a mesma funciona com uma “filial” no endereço do Grupo (não há filiais cadastradas para a INNOVE no cadastro da RFB). Outrossim, a contadora responsável indicada, ZELINA OLIVEIRA SILVA, CPF 412.035.69300, foi empregada da empresa CS COMERCIO DE MATERIAIS DE LIMPEZA LTDA – ME CNPJ 02.977.647/000101 até a competência 07/2011, além de ser irmã de AVELAR OLIVEIRA SILVA. Verificase, a partir das situações relatadas nos autos e sintetizadas no Relatório Fiscal das Infrações, uma unidade de interesse jurídico das várias pessoas jurídicas (Grupo CS) envolvidas, configurandose evidente interesse comum nos atos negociais de propriedade e de prestação de serviços. Portanto, entendo como caracterizada a formação do grupo econômico de fato com intuito de se eximir do pagamento de tributos ou de suprimir os meios legais de cobrança. Da multa qualificada de 150% e agravada Dispõe o art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, c/c o §§1º e 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, nos seguintes termos: Lei nº 8.212/91 Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.280 24 ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010). Por seu turno, os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, definem os tipos penais, nos seguintes termos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.281 25 Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Relata a auditoria fiscal que diante dos fatos apurados pela fiscalização aplicouse concomitantemente, o disposto nos art. §§1º e 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, resultando na imposição da multa de ofício como percentual de 225%. Para o enquadramento do ilícito fiscal nos tipos penais previsto dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, imprescindível a presença de dolo na conduta do sujeito passivo, devendo o mesmo praticar intencionalmente a conduta com o propósito de obter o resultado de suprimir ou reduzir o pagamento do tributo devido. Além dos elementos que dão suporte a aplicação da multa agravada (deixar a empresa de apresentar os devidos esclarecimentos), entendo que está caracterizada a qualificadora da multa de ofício (dolo), considerando o conjunto probatório dos autos, especificamente em relação à formação do grupo econômico de fato. Portanto, sem reforma a decisão de piso. Representação Fiscal para Fins Penais Quanto à Representação Fiscal para Fins Penais, impende esclarecer o seguinte: " Súmula nº 28: o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais ". Conclusão Voto no sentido de NÃO CONHECER dos recursos voluntários em relação aos sujeitos passivos solidários. Quanto à devedora principal, CONHECER do recurso, para, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para divergir do seu voto, especificamente quanto à qualificação da multa de ofício. Segundo o agente fazendário, a empresa apresentou de forma deficiente as folhas de pagamento do período de 01/2010 a 12/2012, lançandose de ofício, por meio do Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.282 26 Auto de Infração (AI) nº 51.038.4137, os valores referentes às contribuições devidas a entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações pagas/creditadas aos segurados empregados, com base nos dados da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP (fls. 03/14 e 26/29). Sobre o crédito tributário lançado, a fiscalização fez incidir a multa qualificada e a multa agravada, no total de 225% (fls. 34/37) O agente fiscal justificou o agravamento do percentual da multa, aumentado de metade, dado que o sujeito passivo não cumpriu, no prazo marcado, a intimação para prestar esclarecimentos. Porém, com relação à duplicação do patamar da penalidade, até o importe de 150%, a fiscalização é omissa na descrição dos fatos. Evidentemente, a apresentação deficiente de documentação, por si só, não é de molde a justificar a exarcebação da penalidade, que exige a comprovação de sonegação, fraude ou conluio. Do mesmo modo, é insuficiente a constatação da existência de grupo econômico, sem explicar a conexão com a falta de pagamento do tributo lançado. Não é demais recordar que o inadimplemento não autoriza a qualificação da multa de ofício, na linha de entendimento do verbete sumulado nº 14 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Logo, cabe afastar a qualificadora da multa de ofício, reduzindo ao patamar básico de 75%, observado, no entanto, o aumento de metade, em razão do agravamento da penalidade, o que totaliza o percentual de 112,5% (AI nº 51.038.4137). Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, para excluir a qualificadora da penalidade, passando o percentual da multa de ofício para 112,5%. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1282DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720454/2015-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010
PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA
Quando comprovado todo histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS.
A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição à COFINS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010
PIS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS.
A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição ao PIS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Quando comprovado todo histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. COFINS NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição à COFINS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 PIS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição ao PIS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Quando comprovado todo histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. COFINS NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição à COFINS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 PIS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição ao PIS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 54 /2 01 5- 13 Fl. 456DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 457 2 específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Por bem relatar os fatos e de forma concisa, adoto o relatório da r. decisão vazado nos seguintes termos: Tratase de impugnação apresentada contra os lançamentos das Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas sob o regime não cumulativo, referentes às competências de julho a dezembro de 2010. Os lançamentos decorreram de diferenças apuradas entre os valores das contribuições, declarados nas respectivas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs) e os efetivamente devidos, pelo fato de o interessado ter excluído de suas bases de cálculo as receitas contabilizadas sob a rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, sem, contudo, comprovar a efetiva exportação e/ ou vendas para empresas exportadoras com o fim especifico de exportação, conforme consta do Termo de Verificação e de Constatação Fiscal às fls. 321/328, parte integrante de ambos os autos de infração. Intimado dos lançamentos, o interessado impugnouos, alegando, em síntese: Fl. 457DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 458 3 i) em preliminar, a nulidade dos autos de infração, sob o argumento de que a Agente Fiscal fez a entrega, em um único envelope, dos autos e seus anexos, do Termo de Verificação e de Constatação Fiscal e do Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal, contudo, era indispensável que todos os atos praticados por aquele Agente fossem cientificados ao contribuinte ou a seu preposto; a ausência da devida ciência, por escrito, está eivada de vício formal, sendo passível de nulidade processual; e, (ii) no mérito, erro na base de cálculo das contribuições, sob o argumento de que a autuante não levou em conta que vendas equiparadas à exportação podem ser feitas por "Trading Co." e por empresas comerciais, com preponderância em exportações; com o advento da Lei nº 10.996, de 2004, as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM), por pessoa jurídica estabelecida fora daquela zona, foram reduzidas para 0,0 % (zero por cento); suscitou ainda a existência de regimes especiais de incentivos, dentre eles, o de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), instituído pela Lei nº 11.488, de 2007; de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (Recap), instituído pelo Decreto nº 5.789, de 2006; e de Tributação para Plataforma de Exportação de Serviços de Tecnologia da Informação (Repes), instituído pela Lei nº 11.196, de 2005, que concedem benefícios fiscais, em relação àquelas contribuições, suspendendo suas exigências e/ ou isentando as receitas de vendas de mercadorias enquadradas em tais regimes. Alegou também que os lançamentos foram efetuados com base nos Dacons, contudo tais demonstrativos podem conter erros sanáveis e que todos os créditos sobre insumos, passíveis de aproveitamentos, não foram declarados, e que a autuante fora informada de que aqueles demonstrativos seriam retificados, contudo esta informação não foi considerada por ele; por último alegou que o ônus da prova é de quem acusa, neste caso, do Fisco, e não dele interessado. Para fundamentar a impugnação apresentou extenso arrazoado sobre: "I DOS FATOS; II DO MÉRITO: A) DAS PRELIMINARES: 1) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA; B) DO MÉRITO: 1) DO ERRO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS; 2) O ÔNUS DA PROVA É DE QUEM ACUSA; III) DO PEDIDO", concluindo, ao final, que os lançamentos devem ser cancelados e o processo arquivado, protestando provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. É o relatório. No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRJ em Ribeirão Preto (SP) nº 1461.649, de 28/06/2016, abaixo reproduzida (fls. 406/412): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 458DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 459 4 Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O auto de infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil com a indicação expressa da motivação e das infrações imputadas ao sujeito passivo e respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário e à defesa do contribuinte contra as infrações imputadas a ele. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da contribuição, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da contribuição, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com o resultado da decisão acima, a Recorrente apresentou, oportunamente, o Recurso Voluntário (fls. 424/451), no qual sustenta, em preliminar, a nulidade do acórdão da DRJ, por cerceamento do seu direito de defesa, por entender que o julgador de primeira Instância pretende verdadeira inversão do ônus da prova, Fl. 459DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 460 5 em desrespeito ao art. 142 do CTN, o qual exige que o lançamento esteja devidamente amparado na verdade material a respeito dos fatos. Vejase principais trechos: Nulidade: A decisão recorrida não examinou pormenorizadamente os argumento de defesa em sede de impugnação, a qual é nula, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, uma vez que a autuação encontrase fundamentada em meras suposições, os quais provocaram equívocos de interpretação acerca dos fatos, resultando numa autuação duvidosa; Cita diversas decisões administrativas da DRJ e do CARF. Cerceamento do Direito de Defesa: Importa ressaltar que a Fiscalização fez a entrega, em um único envelope, dos Autos de Infração e seus anexos, do “Termo de Verificação e de Constatação Fiscal” e do “Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal”, lavrados em 28/05/2015, cujos autos foram recebidos pelo representante legal em 29/05/2015. Importa ressaltar que, dentro do processo administrativo, é indispensável que todos os atos praticados pelo agente fiscal devem ser cientificados, por escrito, à contribuinte ou seu preposto. A ausência da devida ciência, por escrito, está eivada de vício formal, sendo passível de nulidade processual. Tal situação obstou o pleno conhecimento da impugnante sobre a autuação feita, o que implicou em afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Erro na Base de Cálculo do PIS e da COFINS: Em que pese o respeito a Fiscalização, a afirmativa relatada no item 22 do “TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL”, merece um reparo, pois, as VENDAS EQUIPARADAS À EXPORTAÇÃO podem ser feitas por “Trading Co.”, como também, por empresas comerciais com preponderância às exportações. É inegável dizer que o procedimento fiscalizatório foi baseado em valores declarados nos DACON’s, sem que fossem verificados os lançamentos no Livro DIÁRIO, exigência esta obrigatória e imprescindível nesses casos. Com o advento da Lei nº 10.996/2004, que reduziu a zero as alíquotas do PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora daquela área. Ônus da Prova é de quem acusa: O ônus da prova da existência material e fática dos pressupostos exigidos no Código Tributário Nacional, que embasam a cobrança de qualquer tributo, cabe única e exclusivamente ao Fisco. Não se pode transferir ao contribuinte o dever de provar. Diante de todo o exposto, solicita a RECURSANTE, que seja dado provimento ao presente RECURSO, com vistas à reforma do acórdão recorrido, desobrigando a do recolhimento de quaisquer quantias. É o relatório. Voto Fl. 460DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 461 6 Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido pelo Colegiado. 2. Objeto da lide A discussão confinase sobre os lançamentos das Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas sob o regime não cumulativo, referentes às competências de julho a dezembro de 2010. Tais lançamentos decorreram de diferenças apuradas entre os valores das contribuições, declarados nas respectivas DCTF's e os efetivamente devidos, pelo fato de o interessado ter excluído de suas bases de cálculo as receitas contabilizadas sob a rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, sem, contudo, comprovar a efetiva exportação e/ ou vendas para empresas exportadoras com o fim especifico de exportação. 3. Preliminar de nulidade do Acórdão Antes de adentrar no mérito do caso, a Recorrente aponta nulidade do Acórdão da DRJ por não ter enfrentado os argumentos trazidos na Impugnação. Peço licença para destacar alguns trechos do recurso da Recorrente nesse sentido: "(...) A r. decisão recorrida não examinou pormenorizadamente os argumento de defesa em sede de impugnação, a qual é nula, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, como veremos a seguir. A autuação encontrase fundamentada em meras suposições, os quais provocaram equívocos de interpretação acerca dos fatos, resultando numa autuação duvidosa". "(...) Importa ressaltar que o ilustre Auditor Fiscal fez a entrega, em um único envelope, dos Autos de Infração e seus anexos, do “Termo de Verificação e de Constatação Fiscal” e do “Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal”, lavrados em 28/05/2015, cujos autos foram recebidos pelo representante legal em 29/05/2015". "(...) Importa ressaltar que, dentro do processo administrativo, é indispensável que todos os atos praticados pelo agente fiscal devem ser cientificados, por escrito, à contribuinte ou seu preposto. A ausência da devida ciência, por escrito, está eivada de vício formal, sendo passível de nulidade processual. Tal situação obstou o pleno conhecimento da ora impugnante sobre a autuação feita, o que implicou em afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa". Em resumo, alega a Recorrente que suscitou a nulidade dos autos de infração sob o argumento de que o Acórdão recorrido não examinou pormenorizadamente os argumento de defesa em sede de impugnação e que não foi intimado, por escrito, de todos os atos praticados pelo Fisco o que teria implicado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 462 7 Pois bem. Primeiramente cabe resaltar que é certo que o julgador não tem a obrigação de analisar todos os argumentos trazidos pelas partes para alcançar a convicção necessária para julgamento do processo, na esteira da jurisprudência do STJ (REsp nº 874.793/CE e REsp 876.271). Todavia, ele não pode se eximir da análise de argumentos que sejam decisivos para o deslinde do processo. No entanto, discordo da Recorrente neste ponto e peço licença para destacar alguns trechos do Acórdão recorrido (fls. 408 e seguintes): "(...) As questões se restringem à alegação de erro nas bases de cálculo das contribuições lançadas e exigidas e ao ônus da prova. "(...) No entanto, no presente caso, o interessado, em momento algum, apresentou documentos fiscais (notas fiscais de vendas) e/ ou contábeis (livro Razão) comprovando que as vendas contabilizadas na rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, foram efetuadas para empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação nem para consumo e/ ou industrialização na ZFM, e/ ou para empresas beneficiárias de incentivos tributários, em relação às contribuições em discussão. É imprescindível ressaltar que, durante o procedimento administrativo fiscal, o interessado foi intimado a comprovar a natureza das receitas contabilizadas naquela conta e a apresentar documentos fiscais comprovando para quem foram efetuadas tais vendas. Contudo, recebida a intimação, não a atendeu" (...). (Grifei) Portanto, não há que se falar que "a autuação encontrase fundamentada em meras suposições, os quais provocaram equívocos de interpretação acerca dos fatos, resultando numa autuação duvidosa". No processo administrativo tributário, não pode a DRJ ou o CARF simplesmente restarem silentes a respeito da determinado fundamento da defesa apresentada pelo contribuinte que de fato pode culminar no cancelamento da autuação fiscal, sob pena de evidente afronta ao princípio do contraditório e da ampla defesa, da justiça, da equidade, além da busca da verdade material. No entanto, como pode ser visto nos trechos acima reproduzido, não foi o que ocorreu no presente caso. A Recorrente afirma também (em resumo) em seu recurso que não foi intimado, por escrito, de todos os atos praticados pela autuante o que teria implicado cerceamento do seu direito de defesa. Observase que no que se refere à intimação dos Auto de Infração, a própria Recorrente reconheceu expressamente, em seu Recurso, que recebeu os autos Infração e seus anexos, bem como os Termos de Verificação Fiscal e de Ciência dos Lançamentos. Vejase trecho de fl. 429: "(...) Importa ressaltar que o ilustre Auditor Fiscal fez a entrega, em um único envelope, dos Autos de Infração e seus anexos, do “Termo de Verificação e de Constatação Fiscal” e do “Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal”, lavrados em 28/05/2015, cujos autos foram recebidos pelo representante legal em 29/05/2015". O recebimento pela Recorrente dos Autos de Infração e dos seus anexos, principalmente do Termo de Verificação e de Constatação Fiscal nos qual constam a motivação Fl. 462DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 463 8 dos lançamentos, os diplomas legais em que foram fundamentados, as bases de cálculo da contribuição e a indicação dos documentos que foram utilizados para a obtenção das bases de cálculo das contribuições e, consequentemente, para apuração das diferenças lançadas e exigidas, permitiu ao interessado exercer seu direito de defesa, tanto é que o fez, por meio da impugnação e agora no Recurso Voluntário em julgamento. Ademais, para o exercício regular do direito de defesa no procedimento administrativo, ao contribuinte lhe é facultado por Lei a vista dos autos a qualquer momento na Unidade da RFB, podendo, incluísse requerer cópia do inteiro teor do processo. Portanto, os Autos de Infração em discussão foram lavrados por servidor competente para exercer fiscalização de pessoas jurídicas e a empresa foi devidamente intimada em 29/05/2015, conforme documentos de fls. 341/345. Por isso, o pleito de nulidade é improcedente. Os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, estatuem: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (Grifei) Primeiramente, porque o referido Acórdão recorrido foi proferido por autoridade competente, cujo nome, nº de matrícula e cargo: Auditor Fiscal da Receita Federal estão ali identificados. Em segundo lugar, porque o alegado cerceamento de defesa não ocorreu. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. Assim, em que pesem as argumentações da Recorrente acima especificadas, entendese que os argumentos foram enfrentados pela DRJ, inexistindo vício de nulidade apontado e o cerceamento de defesa arguído. Portanto, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa e improcedente é alegação nulidade do feito fiscal. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 464 9 Portanto, afastada a nulidade do Acórdão recorrido, seguese para análise dos demais argumentos de defesa. 4. Quanto ao Mérito dos lançamentos Como já relatado, as questões aqui tratadas se restringem à alegação de ocorrência de erro nas bases de cálculo das Contribuições para o PIS e COFINS lançadas e exigidas e no que se refere ao ônus da prova. Aduz a Recorrente em seu recurso que, "(...) Em que pese o respeito ao zeloso Auditor Fiscal da Receita Federal, sua afirmativa relatada no item 22 – do “TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL”, merece um reparo, pois, as VENDAS EQUIPARADAS À EXPORTAÇÃO podem ser feitas por “Trading Co.”, como também, por empresas comerciais com preponderância às exportações. Com o advento da Lei nº 10.996/2004, que reduziu a zero as alíquotas do PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora daquela área". Em suma, a Recorrente alega que houve erro na apuração da base de cálculo das Contribuições para o PIS e à COFINS, por parte da Fiscalização, sob os seguintes argumentos: (i) que o Fisco não levou em conta: as vendas equiparadas a exportações, dentre elas as efetuadas para "Trading Company."; (ii) as vendas para empresas comerciais com preponderância em exportações, cujas receitas estão sujeitas às alíquotas de 0,0 % (zero por cento); e, (iii) mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM), por pessoa jurídica estabelecida fora daquela zona, cujas receitas são tributadas às alíquotas de 0,0 % (zero por cento); e, iii) vendas para empresas beneficiárias de regimes especiais, cujas vendas são efetuadas com suspensão das contribuições e/ ou com isenção/redução de alíquotas. Pois bem, vejamos, então, o que dispõe a legislação sobre esse tema, vigentes na data do fato gerador: Lei nº 10.637, de 2002 (PIS, não cumulatividade), Lei nº 10.833, de 2003 (COFINS, não cumulatividade) e Lei nº 10.996, de 15 de dezembro de 2004: Lei nº 10.637, de 2002. "Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 465 10 § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; (...). Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...)." Nesse mesmo sentido, dispõe os artigos 1º e 6º da Lei nº 10.833, de 2003, ao tratar da Contribuição à COFINS. Já a Lei nº 10.996, de 15 de dezembro de 2004, dispõe que: "Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. (...)." Conforme pode ser observado dos dispositivos legais acima, resta claro que as receitas decorrentes de vendas para comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, não estão sujeitas às contribuições para o PIS e COFINS. Já as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora dessa zona, estão sujeitas às alíquotas de 0% (zero por cento) e, as receitas decorrentes de vendas para empresas beneficiárias de regimes especiais, as exigências das contribuições são suspensas e/ ou reduzidas às alíquotas de 0% (zero por cento). Por outro lado, consta que a Fiscalização, no item 22 do “Termo de Verificação e Constatação Fiscal” fl. 321/327 (anexo ao Auto de Infração), destaca que (fl. 325): “(...) 22. Da análise da documentação apresentada, constatamos que a empresa mediante lançamentos contábeis estava estornando as receitas de vendas, alegando serem receitas de “VENDAS EQUIPARADAS À EXPORTAÇÃO” conta contábil: 6101011300611113, portanto elas seriam tributadas com alíquota zero para o PIS e COFINS. Porém não constatamos quaisquer documentos que sustentassem esses lançamentos, quer seja nos documentos cadastrais no sistema RADAR, quer seja no SISCOMEX, ou ainda, qualquer documento que evidenciasse alguma transação de venda para o exterior ou para “Trading Company” no ano de 2010. Verificase claramente no histórico de recolhimentos dos tributos, a expressiva diminuição de recolhimentos a partir de Julho/2010, sem que houvesse uma diminuição correspondente das receitas totais de vendas.” Fl. 465DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 466 11 Acrescenta a Fiscalização em seu Relatório que, para afastar qualquer dúvida, foi lavrado em 25/02/2015 o Termo de Intimação Fiscal, intimando o contribuinte a informar se houvera transações de vendas para o comércio exterior no ano calendário de 2010. Posteriormente, lavrouse em 06/03/2015, o Termo de Intimação Fiscal, onde foi relacionado todos os lançamentos contábeis que suscitaram dúvidas, para que a Recorrente apresentasse os documentos hábeis e idôneos que justificassem os referidos lançamentos. Ao final, a Fiscalização consigna que, "Decorrido o prazo concedido sem que houvesse manifestação por parte do sujeito passivo, restou comprovado que as alegadas “Vendas Equiparadas à Exportação” não existiram, portanto serão recompostas na base de cálculos do PIS e da COFINS e objetos de lavratura do Auto de Infração". E, conclui informando que, em relação ao PIS e a COFINS, constatouse que os lançamentos efetuados a débitos na conta “610101020061102: VENDAS A PRAZO” com contrapartidas a créditos na conta: “610101130061113: VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO”, causaram diminuições das Bases Tributáveis das Contribuições e, portanto, foram recompostas às respectivas Bases de Cálculos e tributadas de ofício com a lavratura dos Autos de Infração, conforme reproduzido na Tabela de fl. 326. Como pode ser observado, a Recorrente, mesmo após ter sido Intimada (Termos de Intimação Fiscal fl. 292), consta dos autos que não apresentou os documentos fiscais necessários (notas fiscais de vendas) e/ ou contábeis (Livro Razão) comprovando que as vendas contabilizadas na rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, foram efetuadas para empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação nem para consumo e/ ou industrialização na ZFM, e/ ou para empresas beneficiárias de incentivos tributários, em relação às contribuições em discussão. Vejase os documentos e informações solicitadas: Consta do Termo de Verificação (fl. 324), em seu item 19, que: "Em 06/03/2015, lavramos o Termo de Intimação Fiscal, com ciência nessa mesma data, onde intimamos o contribuinte a esclarecer e comprovar com documentos hábeis e idôneos, os lançamentos contábeis havidos nos meses de Julho a Dezembro de 2010, onde transferia da conta Vendas a Prazo para conta Vendas Equiparadas Exportação, conforme abaixo: D Conta Debitada: 610101020061102 ‐ VENDAS A PRAZO C Conta Creditada: 610101130061113 ‐ VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO." Ou seja, a Fiscalização constatou que a MANETONI, mediante lançamentos contábeis, estava estornando as receitas de vendas, alegando serem receitas de “VENDAS EQUIPARADAS À EXPORTAÇÃO”, contabilizada na conta 6101011300611113, portanto elas seriam tributadas com alíquota zero para PIS e COFINS. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 467 12 No entanto, conforme relatado pelo Fisco, mesmo após ser Intimada (e não atender a Intimação), não restou constatado quaisquer documentos que sustentassem esses lançamentos, quer seja nos documentos cadastrais no sistema RADAR, quer seja no SISCOMEX, ou ainda, qualquer documento que evidenciasse alguma transação de venda para o exterior ou para “Trading Company” durante o ano de 2010. 5. Das Informações nos DACON's Aduz a Recorrente em seu recurso que o procedimento fiscalizatório foi baseado em valores declarados nos DACON’s, sem que fossem verificados os lançamentos no Livro DIÁRIO, exigência esta obrigatória e imprescindível nesses casos. Vale dizer que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) é uma declaração acessória em que as pessoas jurídicas informem à Receita Federal sobre a apuração do PIS e COFINS no regime cumulativo e não cumulativo. "(...) Embora os DACON’s sejam obrigatórios está sujeita a retificações em suas bases de cálculos e, consequentemente nos saldos a pagar de PIS e COFINS, de acordo com as informações oriundas da escrita fiscal e contábil, devidamente inseridas no Livro Diário, que nem sequer foram levadas em consideração pelo Fisco". Continua argumentando que no presente caso, os valores declarados nos DACONs, por conterem erros sanáveis, haja vista que não foram informados todos os créditos de insumos, de prestadores de serviços, fretes, energia elétrica e etc., que, sob a ótica da legislação tributária, a contribuinte teria direito de deduzilos e, por isto seriam retificados por uma empresa especializada que as apurou em levantamento. A informação de que seriam retificados os DACON’s, com a inclusão dessas deduções (créditos) foi informada a fiscalização que não a levou em consideração. Quanto essa matéria, restou bem analisada pela decisão recorrida, uma vez que às alegações de erro nos DACON's, mais especificamente, sobre o aproveitamento de créditos sobre custos com insumos, vale destacar que as autuações não decorreram de glosas de tais créditos. Nesse ponto valhome da decisão recorrida como razão de decidir, pois ela, a meu juízo, exauriu a questão. Afirma ela: "Conforme consta do Termo de Verificação e de Constatação, parte integrante de ambos os autos de infração, as contribuições lançadas e exigidas foram calculadas sobre as receitas contabilizadas sob a rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, na contabilidade do interessado. Também, conforme demonstrado, ao contrário do alegado pelo interessado, os lançamentos tiveram como base de cálculo as receitas contabilizadas naquela conta e não os valores lançados nos Dacon". Ou seja, a Fiscalização utilizou como base de cálculo das contribuições lançadas e exigidas apenas e tão somente as receitas operacionais contabilizadas sob a rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, registradas na própria contabilidade da Recorrente. Por fim, especificamente quanto aos alegados erros nos DACON e suas retificações, cabe ao interessado, observada a tempestividade do prazo para suas retificações, Fl. 467DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 468 13 providenciálas perante a RFB de sua circunscrição fiscal e se, apurados saldos credores trimestrais, transmitir os respectivos Pedidos de Ressarcimentos e/ ou Declarações de Compensação (PER/DCOMP). 6. Da alegação que "o ônus da prova é de quem acusa" Alega a Recorrente que, "(...) O ônus da prova da existência material e fática dos pressupostos exigidos no Código Tributário Nacional, que embasam a cobrança de qualquer tributo, cabe única e exclusivamente ao fisco. Não se pode transferir ao contribuinte o dever de prova". Discorre que o Fisco não pode exigir do contribuinte a produção de prova negativa. Só caberia a inversão do ônus probandi se a contribuinte admitindo, reconhecendo ou confessando a alegação do Fisco. Como se vê a Recorrente argui que o ônus da prova dos fatos motivadores do lançamento é de responsabilidade privativa e exclusiva do fisco. Contudo, tratandose de atestar a veracidade dos valores por ela escriturados e declarados, compete à contribuinte comprovar a regularidade de seus registros por meio de documentação idônea, que deve ser mantida obrigatoriamente sob sua guarda pelo prazo definido na legislação e apresentada ao fisco sempre que solicitada. Nesse contexto, impõese observar que não constam dos autos elementos, tais como termo ou outro ato administrativo (com a relação das notas fiscais), a convalidar a arguição acerca da disponibilização ao Fisco de toda a documentação que daria suporte aos lançamentos contábeis, como alega a defesa. Portanto, mesmo que alguns elementos de prova foram desconsiderados pela Fiscalização ou pelo Acórdão recorrido, o fato é que em momento algum houve qualquer tipo de obstaculização à defesa ou à produção de provas necessárias ao balizamento de seus argumentos. Pelo contrário, a Fiscalização intimou o contribuinte, mais de uma vez, para apresentar fatos/documentos que pudessem afastar as acusações, decorrentes de lei, digase, assumidas pela auditoria e que poderia ser apreciado pelo órgão julgador de primeira instância administrativa e também agora em sede de Recurso Voluntário. No entanto não o fez. E mais. Como bem pontuado pela decisão a quo, vejase que ao contrário do entendimento da Recorrente, em momento algum, se exigiu dele qualquer produção de prova negativa, quanto às infrações que lhe foram imputadas. As intimações que lhe foram feitas tiveram como objeto informar porque as receitas contabilizadas sob a rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, não foram oferecidas à tributação do PIS e da COFINS, bem como provar a natureza de tais receitas e para quem foram vendidas tais mercadorias. Assim, como já retratado neste voto, neste caso, a prova de que tais receitas decorreram de vendas para o mercado externo, para consumo ou industrialização na ZFM, e/ ou foram efetuadas para empresas beneficiárias de regimes tributários, deveria ter sido feita pela Recorrente e não pelo Fisco. Tal afirmação decorre da simples aplicação da regra geral, de que àquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 469 14 Como as intimações não foram atendidas e diante da falta de comprovação por parte da Recorrente, a Fiscalização lavrou os respectivos Autos de Infração para exigir as Contribuições nos termos das leis citadas e informadas nos respectivos autos e também neste voto. Portanto, encontrase hígido o lançamento fiscal. 7. Dispositivo Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 469DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660396/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.797
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 96 /2 01 2- 86 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.660396/201286 Acórdão n.º 3401004.797 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.660396/201286 Acórdão n.º 3401004.797 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.660396/201286 Acórdão n.º 3401004.797 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.660396/201286 Acórdão n.º 3401004.797 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.660396/201286 Acórdão n.º 3401004.797 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.660396/201286 Acórdão n.º 3401004.797 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720916/2013-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO.
A multa isolada de que trata o art. 74, § 17, da Lei nº 9430, de 1996, alterada pela Lei n° 12.249 de 11 de junho de 2010, é aplicável aos casos de compensação considerada não-homologada em que não apurada falsidade quanto à declaração apresentada pelo sujeito passivo.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010, 2011
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Pode Judiciário.
Numero da decisão: 1402-003.257
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias de cunho constitucional e, no mérito, i) por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário no que tange à infração referente ao processo nº 10805.720225/2012-16; ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário referente ao processo nº 10805.720184/2012-68, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010, 2011 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO. A multa isolada de que trata o art. 74, § 17, da Lei nº 9430, de 1996, alterada pela Lei n° 12.249 de 11 de junho de 2010, é aplicável aos casos de compensação considerada não-homologada em que não apurada falsidade quanto à declaração apresentada pelo sujeito passivo. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2010, 2011 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Pode Judiciário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias de cunho constitucional e, no mérito, i) por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário no que tange à infração referente ao processo nº 10805.720225/2012-16; ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário referente ao processo nº 10805.720184/2012-68, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1834; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.485 1 1.484 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.720916/201309 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.257 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria PENALIDADES/DIVERSOS COMPENSAÇÃO: CRÉDITO OU DÉBITO OBJETO DE DCOMP NÃO HOMOLOGADA Recorrente PIRELLI PNEUS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO. A multa isolada de que trata o art. 74, § 17, da Lei nº 9430, de 1996, alterada pela Lei n° 12.249 de 11 de junho de 2010, é aplicável aos casos de compensação considerada nãohomologada em que não apurada falsidade quanto à declaração apresentada pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010, 2011 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Pode Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias de cunho constitucional e, no mérito, i) por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário no que tange à infração referente ao processo nº 10805.720225/201216; ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário referente ao processo nº 10805.720184/201268, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 09 16 /2 01 3- 09 Fl. 1485DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.486 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a impugnação da agora recorrente. Da autuação: Tratase o presente de uma notificação de lançamento de multa isolada, no valor total de R$ 4.241.663,33, referente a não homologação de compensações tratadas no processos administrativos nºs 10805.720184/201268 e 10805.720225/201216, com base na fundamentação legal do § 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com a alteração promovida pela Lei nº 12.249/2010. O valor não homologado no processo administrativo nº 10805.720184/2012 68 foi de R$ 403.040,16, que vem a ser a base de cálculo da multa isolada ora aplicada (50%). E o valor não homologado no processo administrativo nº 10805.720225/201216 foi de R$ 8.080.286,49, que também veio a ser a base de cálculo da multa isolada ora aplicada (50%). As Dcomps não homologadas e respectivos valores foram as que constam no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1018 a 1022). Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória (fls. 1033 a 1064), transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: 3. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou impugnação em 29 de maio de 2013, com as seguintes razões de defesa. 3.1. Referese à tempestividade da manifestação de inconformidade e faz uma síntese dos fatos que resultaram na formalização do auto de infração. 3.2. Afirma que, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, os despachos decisórios referentes aos processos administrativos números 10805.720184/201268 e 10805.720225/201216 são no sentido de que o crédito objeto de compensação seria insuficiente, resultando na homologação apenas parcial das declarações de compensação. E, na visão da Autoridade Fiscal, a não homologação das declarações de compensação seria causa para a aplicação da multa calculada sobre o valor dos débitos não compensados. Em suas palavras: “8. A Impugnante demonstrará a seguir, entretanto, que a multa de 50% prevista no artigo 74, § nº 17, da Lei nº 9.430/96 não Fl. 1487DF CARF MF 4 merece prevalecer, devendo ser cancelado o auto de infração ora contestado, porque jamais existiu a situação prevista em lei para a aplicação da multa isolada, uma vez que: ∙ a declaração de compensação analisada no Processo Administrativo nº 10805.720184/201268 foi totalmente homologada pela Administração Pública; ∙ após apresentados esclarecimentos, bem como documentos fiscais e extrafiscais que comprovam a argumentação apresentada em manifestação de inconformidade apresentada nos autos do Processo Administrativo nº 10805.720225/201216, certamente prevalecerá a homologação integral das declarações de compensação apresentadas pela ora impugnante; e ∙ ainda está pendente de apreciação a manifestação de inconformidade apresentada nos autos do Processo Administrativo nº 10805.720225/201216, não existindo decisão definitiva da Administração Pública sobre a homologação parcial das compensações.” 3.3. Alega que a regra do artigo 74, § 17, da Lei n° 9.430, de 1996, não está em conformidade com as demais normas do ordenamento jurídico, devendo ser aplicado, nos casos de não homologação de compensação, tão somente a regra do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, mediante exigência de multa de mora no percentual de 20% e juros de mora, em vista da não existência de pagamento dos tributos devidos nos prazos previstos em lei. 3.4. Demonstrará também que devem ser afastados os juros de mora sobre as multas isoladas. 3.5. Aduz que na edição da redação original do artigo 74, da Lei nº 9.430, de 1996, não existia qualquer norma estabelecendo a aplicação de multa isolada em razão da não homologação de declarações de compensações apresentadas. Nessa hipótese, era aplicada a multa de mora no percentual de 20% E continua: “16. Contudo, com a edição da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, novas normas foram introduzidas no ordenamento jurídico em relação especificamente à compensação de que trata a Lei n.º 9.430/96. 17. De acordo com o § 15, do artigo 74, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 12.249/10, aplicase multa de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. Do mesmo modo, nos termos do § 17 do mesmo dispositivo legal, aplicase multa de 50% também sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada; Já os casos de falsidade do pedido apresentado pelo sujeito passivo, pode ser aplicada a multa de 100%: (...) 19. O cenário estabelecido pela Lei nº 9.430/96 (antes e depois das alterações da Lei nº 12.149/10), especificamente em relação à possibilidade de punir os contribuintes que tem indeferidos pedidos de ressarcimento e não homologadas declarações de compensação era e passou a ser o seguinte: Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.487 5 Cenário 1 (antes da Lei nº 12.249/10): nos casos de indeferimento de pedidos de restituição ou de ressarcimento, o contribuinte não era penalizado; nos casos de não homologação da declaração de compensação, o contribuinte deveria pagar multa de 20% em razão do pagamento a destempo dos tributos ou contribuições. A aplicação de multa isolada era possível apenas nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio (...). Cenário 2 (depois da Lei n.º 12.249/10): nos casos de indeferimento de pedido de restituição ou de ressarcimento e também nos casos de não homologação da declaração de compensação, o contribuinte deve pagar multa de 50% sobre o valor do crédito objeto do pedido de ressarcimento ou da declaração de compensação não homologada, independentemente de sonegação, fraude ou conluio.” 3.6. Referese à Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 472, convertida na Lei n.º 12.249, de 2010. E acrescenta: “22. Em outras palavras, a aplicação da multa foi criada com o objetivo de punir os maus contribuintes, mas acabou, conforme será mais detalhadamente observado no item III.3 da presente Impugnação, desestimulando os contribuintes a apresentarem pedidos de ressarcimento ou compensação, tendo em vista a possibilidade de aplicação da multa isolada de 50%, mesmo nas hipóteses em que não existe qualquer indício de sonegação, fraude ou conluio.” 3.7. Diz que a Administração Tributária tem aplicado tal penalidade indistintamente, em situações para as quais não há previsão e até mesmo antes do término do processo administrativo que discute a legitimidade dos pedidos de ressarcimento ou de compensação. E no caso sob apreciação foi exatamente o que ocorreu: a aplicação de penalidade em situação não prevista em lei. E continua: “24. Independentemente da necessidade de afastamento da aplicação da multa isolada de 50% de que trata o artigo 74, § 17 da Lei nº 9.430/96 (...), a Impugnante demonstrará, inicialmente, que essa norma não pode sequer ser aplicada ao caso concreto, tendo em vista que não restou configurada a hipótese prevista em lei para a aplicação da multa isolada, por três motivos. 25. Primeiro, porque a declaração de compensação analisada no Processo Administrativo nº 10805.720184/201268 foi totalmente homologada pela Administração Pública, Segundo, porque, quando ao Processo Administrativo nº 10805.720225/201216, após apresentados esclarecimentos, bem como documentos fiscais e extrafiscais que comprovam a argumentação apresentada em manifestação de inconformidade, certamente deverá prevalecer a homologação integral das declarações de compensação apresentadas pela ora Impugnante. Terceiro, porque o despacho decisório proferido nos autos do Processo Administrativo nº 10805.720225/201216 não poderá ser considerado, para fins de aplicação de penalidade, tais como a multa isolada, tendo em vista a pendência de julgamento da manifestação de inconformidade apresentada pela ora Impugnante naqueles autos, dotada de efeito suspensivo, de Fl. 1489DF CARF MF 6 acordo com artigo 33, do Decreto nº 70.235/72, É o que se passa a demonstrar.” 3.8. No que se refere ao PAF nº 10805.720184/201268, afirma que houve a integral homologação das compensações declaradas, isto é, houve a aceitação total dos termos e critérios fixados pela Interessada, sem qualquer glosa. Em suas palavras: “30. De fato, no ano de 2011, a Impugnante apresentou os PER/DCOMPs nº 34837.45994.220911.1.3.041968; nº 23443.81358.2009911.1.7.049657; nº 13907.95185.190911.1.7.043667, todas relacionadas ao crédito de IRPJ recolhido a maior em julho de 2010. 31. Em janeiro de 2010, a Autoridade Fiscal, analisando as declarações de compensação apresentadas, concluiu pela inexistência de crédito objeto dos PER/DCOMP nº 34837.45994.220911.1.3.041968; nº 23443.81358.200911.1.7.049657; e nº 13907.95185.190911.1.7.043667. 32. Ocorre que, por equívoco da Autoridade Administrativa, foi incluído no relatório do despacho decisório a referência ao PER/DCOMP Nº 38615.07809.211211.1.7.040215 (declaração de compensação que originou a aplicação da multa ora combatida e que se refere ao crédito de IRPJ recolhido em abril de 2011). Tratase de claro equívoco da Autoridade Administrativa, uma vez que não há uma única linha no despacho decisório dedicada ao exame do crédito objeto de compensação desta declaração. Vale ressaltar, inclusive que o crédito objeto de compensação do PER/DCOMP não tem qualquer relação com o crédito analisado pelo despacho decisório, sendo que um se refere ao crédito de IRPJ pago em julho de 2010 (em relação aos demais PER/DCOMPs) e o outro, referente ao crédito de IRPJ de abril de 2011.” 3.9. Diz que na manifestação de inconformidade apresentada em 05 de julho de 2012, esclareceu que o despacho decisório restringiuse a apreciar os PER/DCOMP’s 34837.45994, 23443.81358 e 13907.95185, razão pela qual apresentou esclarecimentos para demonstrar legitimidade de seus procedimentos. Continua sua explanação: “34. No pedido formulado nessa defesa, a Impugnante requereu: (1) a homologação total das compensações relativas aos PER/DCOMPs cujo crédito havia sido considerado inexistente; e (2) o reconhecimento de que o despacho decisório não indicou qualquer irregularidade em relação ao PER/DCOMP nº 38615.07809.211211.1.7.040215. 35. Em 26 de julho de 2012, tendo verificado um equivoco no preenchimento do PER/DCOMP 38615.07809 (...) – declaração essa ainda não analisada pelas Autoridades Fiscais e até o momento, sem que nenhuma irregularidade tivesse sido apontada – a Impugnante apresentou PER/DCOMP retificador, registrado sob o nº 41766.34632.260712.1.7.048861, com ajustes nos valores do crédito e dos débitos objeto de compensação. Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.488 7 36. Isto é, a Impugnante se valeu do artigo 88 da Instrução Normativa nº 1.300/2012, para retificar a sua declaração de compensação. E isso antes do início de procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração e antes da decisão administrativa sobre esse específico PER/DCOMP.” 3.10. Alega que, conforme dispõe o artigo 88, da IN RFB nº 1.300, de 2012, retificou o valor do crédito declarado e recolheu as diferenças dos débitos, com os acréscimos legais, antes de qualquer análise da RFB quanto a este PER/DCOMP. Acrescenta que a referência ao PER/DCOMP 38615.07809 no despacho decisório do processo administrativo 10805.720184/201268 se deu em claro equívoco. Em suas palavras: “38. Em outros termos, não há dúvida da legitimidade do procedimento da Impugnante, resumido abaixo: 3.11. Aduz que em agosto de 2012 apresentou petição informando a apresentação do PER/DCOMP retificador. E, em setembro de 2012, foi proferido novo despacho decisório, que tratou de todos os quatro PER/DCOMPs mencionados. E a própria Autoridade Fiscal reconheceu que no despacho decisório anterior “não houve a análise do PER/DCOMP nº 38615.0789.211211.1.7.040215”, conforme trecho que transcreve (item 40). 41. Na nova decisão, a Autoridade Fiscal homologou integralmente os PER/DCOMPs n° 34837.45994.220911.1.3.04 1968; n° 23443.81358.200911.1.7.049657; e n° 13907.95185.190911.1.7.043667, tendo homologado apenas parcialmente o PER/DCOMP n° 38615. 7809.211211.1.7.04 0215. 42. Ocorre que essa "homologação parcial" é mais um equivoco. Isso porque, como a Impugnante já tinha a essa época, enviado um PER/DCOMP retificador (e não existia qualquer óbice ao envio de declaração retificadora), seria essa a declaração que deveria ter sido examinada pela Autoridade Administrativa. Fl. 1491DF CARF MF 8 43. Ademais, muito embora o novo despacho decisório não tenha feito referência ao PER/DCOMP retificador enviado pela Impugnante, quando se examina o teor da decisão e os critérios indicados na retificadora, percebese claramente que a Autoridade Administrativa reconheceu o crédito objeto de compensação no exato montante indicado na declaração retificadora, configurando HOMOLOGAÇÃO TOTAL da compensação realizada. 44. Ou seja, fica claro que a situação da Impugnante não é de homologação parcial da compensação realizada, mas sim de HOMOLOGAÇÃO TOTAL dos valores compensados. A Impugnante apresentou declaração retificadora antes da efetiva análise dos procedimentos adotados pela Autoridade Fiscal e os termos exatos da declaração retificadora, em valores e critérios, foram integralmente reconhecidos pela Autoridade Administrativa Fiscal. 45. Para que não restassem quaisquer dúvidas sobre a HOMOLOGAÇÃO TOTAL da compensação, em novembro de 2012, a Autoridade Administrativa Fiscal, de oficio, reconheceu expressamente que a Impugnante apresentou PER/DCOMP retificador e que houve o recolhimento da diferença entre os débitos das declarações original e retificadora. 46. E em janeiro de 2013, a Autoridade Administrativa reconheceu a homologação das declarações de compensações e encerrou o processo administrativo, incluindo nos autos um Extrato de Encerramento do Processo no qual é possível verificar que todos os valores ali indicados estão devidamente quitados. 47. Em resumo, portanto, o teor da decisão proferido pela Administração Tributária é de reconhecimento integral das declarações de compensação apresentadas, com homologação total. Logo, não restou configurada a situação prevista em lei que dá origem ao artigo 74, §17 da Lei n° 9.430/96. 48. Para melhor visualizar o cenário retratado, vejase na tabela abaixo as movimentações relevantes do processo administrativo e as datas em que realizados cada um dos atos praticados pela Impugnante e também pela Autoridade Fiscal. Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.489 9 49. Desse modo, fica demonstrado que o PER/DCOMP (que foi objeto de retificação) foi TOTALMENTE HOMOLOGADO pela Autoridade Administrativa. 50. Assim, considerando que não restou caracterizada a não homologação (ou a homologação parcial) das declarações de compensação, inexistindo a situação prevista em lei para a aplicação da multa isolada de que trata o artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, deve ser totalmente cancelado o Auto de Infração ora impugnando com relação a essa parcela da suposta infração.” 3.12. A contribuinte apresenta ainda diversos outros argumentos em sua manifestação de inconformidade, sob as seguintes denominações: 1. (B) Processo Administrativo nº 10805.720225/201216 (a) Homologação Integral das compensações (b) Impossibilidade de aplicação da multa antes do encerramento da discussão administrativa sobre as compensações realizadas; 2. III.3 – Afastamento do artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, em razão da injuridicidade da norma (a) Artigo 74, § 17, da Lei n° 9.430/96 deve ser afastado 3. III.4 – Excesso na Constituição do Crédito Tributário – Ilegalidade da Cobrança de Juros sobre a Multa 3.13. No que se refere aos itens acima delineados, tendo em conta a conclusão efetuada pela própria interessada, que, na verdade, se trata de um resumo de suas Fl. 1493DF CARF MF 10 razões de fato e de direito, transcreve se a Conclusão apresentada, que traz, em síntese, todos os argumentos elencados: “IV CONCLUSÃO 125. Diante do exposto, concluise que: (a) A multa isolada de 50% prevista no artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96 deve ser cancelada, porque a Impugnante não incorreu na situação prevista em lei para a aplicação dessa penalidade (não homologação ou homologação parcial das compensações), uma vez que: ∙ a declaração de compensação analisada no Processo Administrativo nbº 10805.720184/201268 foi TOTALMENTE HOMOLOGADA pela Administração Pública, tendo em vista que a Impugnante tempestivamente apresentou PER/DCOMP retificador, antes mesmo da decisão da Autoridade Administrativa e a decisão proferida foi no sentido de reconhecer todo o crédito e critérios indicados no PER/DCOMP retificador; ∙ após apresentados esclarecimentos e documentação fiscal e extrajudicial que comprovam a argumentação apresentada em manifestação de inconformidade (Processo Administrativo nº 10805.720225/201216), deverá prevalecer a HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL das declarações de compensação apresentadas pela ora impugnante; e, ∙ não bastasse isso, a multa não deve ser aplicada porque ainda está pendente de apreciação a manifestação de inconformidade apresentada no Processo Administrativo nº 10805.720225/2012 16, dotada de efeito suspensivo, nos termos do artigo 33, do Decreto nº 70.235/72, não havendo que se falar em decisão da esfera administrativa que pode ser “executável” para fins de aplicação de penalidades; (b) a multa isolada de 50% deve ser cancelada também porque a regra do artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96 não está em conformidade com as demais normas existentes no ordenamento jurídico, pois: ∙ a penalidade não tem como pressuposto ato ilícito cometido pelo contribuinte; ∙ a penalidade viola o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos, assegurado pela Constituição Federal em seu artigo 5º, XXXIV; ∙ não pode existir aplicação de penalidade em razão de mero indeferimento do pedido de ressarcimento ou de compensação, sem que tenha existido prejuízo ao Erário e máfé do contribuinte; ∙ acaba desestimulando o exercício do direito de reaver tributos indevidamente recolhidos, tendo em vista a possibilidade de penalidade financeira em elevado montante; ∙ a penalidade nada mais é que sanção política aplicada como forma ilegal de coerção do contribuinte; Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.490 11 ∙ existe violação ao princípio do não confisco previsto no artigo 150, IV da Constituição; ∙ ao caso, deve ser aplicada apenas a regra do artigo 61, da Lei nº 9.430/96, com imposição de multa de mora e juros de mora sobre os valores que não foram recolhidos nos prazos previstos em lei; (c) Subsidiariamente, deve ser afastada a incidência de juros de mora sobre as multas isoladas, tendo em vista que os juros devem incidir apenas nas hipóteses em que deve haver remuneração de um credor pela privação do uso de seu capital, devendo incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, mas não foi (o que não é o caso da Impugnante, pois a multa isolada não se presta para isso). V – PEDIDO 126. Diante do exposto, a Impugnante requer seja dado provimento à presente Impugnação, para determinar o integral cancelamento das multas isoladas de 50% aplicadas em razão da não homologação de declarações de compensação apresentadas pela impugnante, nos termos do artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, de acordo com as razões apresentadas nos itens III.2 e III.3 da presente Impugnação, cancelandose a totalidade do Auto de Infração. 127. Subsidiariamente, deve ser afastada a incidência dos juros de mora sobre as multa isoladas, pelas razões apresentadas no item III.4.” Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, houve por bem NEGAR integralmente a impugnação da recorrente, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011 SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência de decisão definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à esfera administrativa, descabe o sobrestamento do processo administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa, em diferente fase processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 Fl. 1495DF CARF MF 12 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO. A multa isolada de que trata o art. 74, § 17, da Lei nº 9430, de 1996, alterada pela Lei n° 12.249 de 11 de junho de 2010, é aplicável aos casos de compensação considerada nãohomologada em que não apurada falsidade quanto à declaração apresentada pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010, 2011 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Pode Judiciário. Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: no que refere à alegação da recorrente que o processo administrativo 10805.720184/201268 teria sido integralmente homologado, e em relação à Dcomp nº 38615.07809.211211.1.7.040215 (umas das motivadoras da presente autuação fiscal) não haveria nenhuma irregularidade, o julgador a quo analisou os despachos decisórios (original e retificado após contestação) que informa que houve um reconhecimento parcial, confirmando com trechos da decisão e tela de sistema sobre o status da Dcomp em análise. Salienta que a Dcomp retificadora à retromencionada não foi admitida, sendo a decisão sobre tal assunto ser definitiva; no que tange às alegações pertinentes ao processo administrativo nº 10805.720225/201216, o qual a recorrente diz está em litígio o decidido, a autoridade julgadora a quo entendeu que há o devido sobrestamento da exigibilidade (cobrança) do crédito tributário do lançamento ora sob litígio, e não há norma no art. 151 do CTN que fale em suspensão do processo administrativo ou da sua apreciação; sobre os demais questionamentos da multa isolada, a lei se impõe a exposições de motivos que deu origem ao processo legislativo da mesma. Demais alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade fogem do alcance dos órgãos administrativos, e são exclusivos do Poder Judiciário, e enquanto não for declarada inconstitucional não é eliminada do sistema normativo, tendo presunção de validade vinculante para a Administração Pública; Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 08/09/2016, a recorrente apresentou recurso voluntário em 06/10/2016, repisando praticamente os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese: apresenta no intróito da sua peça recursal uma análise do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, evocado questões anteriores à lei e da sua fundamentação, baseandose em trechos da sua exposição de motivos. Alega que a multa em discussão foi criada para situações de uso indevido doloso da Dcomp; Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.491 13 ao caso concreto, há inaplicabilidade do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, em que expõe análise do processo administrativo nº 10805.720184/201268, reiterando seus argumentos da peça impugnatória, e rebatendo a posição da autoridade julgadora a quo. Entende que a Dcomp retificadora não foi analisada e essa que prevalece; quanto ao processo administrativo nº 10805.720225/201216, haveria ainda discussão a respeito do litígio envolvido da homologação parcial pertinente, o que deve prevalecer, devendo ser cancelada a multa isolada ora aplicada; insurgese contra a possibilidade de aplicação da multa antes do encerramento da discussão administrativa sobre as compensações realizadas; insurgese contra o § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, pedindo o afastamento da sua aplicação, em razão da injuridicidade da norma, e que seja aplicada a norma em conformidade com o ordenamento jurídico. Para tanto, evoca questões de violação do direito de petição previsto na Constituição Federal, e que tal norma só se aplica aos casos envolvendo máfé na apresentação da Dcomp. Para tanto, cita excertos de decisões judiciais a respeito, que corroboram com seu posicionamento na peça recursal; insurgese contra a cobrança de juros sobre a multa, e seria algo ilegal. É o relatório. Fl. 1497DF CARF MF 14 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso foi apresentado tempestivamente, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço, ressalvando a matéria de inconstitucionalidade alegada, conforme abaixo descrito. Da síntese dos fatos: O caso acima relatado versa sobre a não homologação das compensações declaradas pela contribuinte, objeto dos processos administrativos n°s 10805.720225/201216 e 10805.720184/201268, que levou à lavratura da notificação de lançamento para imposição da multa isolada prevista no §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação pela Lei nº 12.249/2010. Na sua impugnação, a recorrente suscita que a multa prevista no §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 só pode ser aplicada nas hipóteses em que o contribuinte efetua compensação que sabe indevida ou inviável, ou seja, agiu com máfé, o que não seria o caso concreto. Ademais, o processo nº 10805.720184/201268 houve homologação total, pois a autoridade administrativa não analisou a Dcomp retificadora, devendo essa prevalecer. E o processo nº 10805.720225/201216 estaria ainda em litígio, o que deve prevalecer seus argumentos. Adicionalmente, insurgese contra a cobrança de juros sobre a multa. Na decisão a quo, houve o entendimento em relação ao processo 10805.720184/201268 que realmente houve homologação parcial, e a Dcomp retificadora apresentada não foi admitida, sendo tal decisão a respeito definitiva. Em relação ao processo 10805.720225/201216, não há norma para suspender o rito processual administrativo, e sim a exigibilidade do crédito tributário do lançamento ora sob litígio, nos termos do art. 151 do CTN. Ademais, argumentos questionando constitucionalidade e legalidade de norma fogem da competência dos órgãos administrativos. No seu recurso voluntário, a recorrente ataca a decisão recorrida, se manifestando nos mesmos argumentos da sua peça impugnatória, sem nada relevante acrescentar. Da questão da multa isolada aplicada e sua legalidade Antes de adentrar no mérito da peça recursal apresentada, cabe uma análise da multa isolada aplicada que está sob discussão no presente processo. O foco da questão é a Lei n 9.430, de 1996, em seu artigo 74, § 17, cuja redação atual assim dispõe: Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.492 15 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015, que, com exatamente o mesmo texto legal, foi decorrente da Medida Provisória nº 656, de 07 de outubro de 2014) Aplicando a norma supra, autoridade fiscal exige do sujeito passivo a multa de 50%, no caso isolada, sobre o valor do débito de compensação que deixou de ser homologada. Atentar a ressalva aposta ao final do comando legal, para os casos de falsidade, que leva para outro enquadramento legal. A redação imediatamente anterior, com a redação promovida pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010 (convertida da MP nº 472, de 15 de dezembro de 2009), do § 17 (e suas remissões legais diretas) era o seguinte: § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” (NR) A Medida Provisória nº 656, de 07 de outubro de 2014 revogou os §§ 15 e 16 imediatamente acima citados, que na sua conversão na Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015 foi excluído da redação, sendo reiterada esta posição pela revogação na MP nº 668, de 20 de janeiro de 2015, convertida na Lei nº 13.137, de 19 de junho de 2015. Notese que com esta alteração ocorrida no § 17 com a MP 656/2014 (convertida na Lei nº 13.097/2015), mudouse a apuração da base de cálculo da multa isolada antes era sobre o crédito pleiteado, e passou para o débito objeto da declaração de compensação. Importante para o contexto da análise geral o teor do parágrafo seguinte, §18 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, em que há uma vinculação do processo da exigência da multa Fl. 1499DF CARF MF 16 isolada do processo que o motivou, o de objeto de declaração de compensação não homologada: (...) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Transposto estes momentos de alteração legislativa, e já adentrando na análise meritória envolvida e necessária, há que se observar que o §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, na redação da sua primeira parte, não estabelece condições especiais, baseadas na máfé por parte do contribuinte ou ilicitude do ato, como condições para imposição da multa, bastando a não homologação da compensação declarada. Na sua redação, ao excluir a declaração não homologada em virtude de falsidade (uma das espécies de fraude ou irregularidade dolosa), o legislador decidiu não deixar impune tal hipótese, mas aplicar sobre ela uma sanção mais onerosa. Com efeito, sendo comprovada falsidade, a multa elevase a 150% do valor do débito, conforme a legislação consolidada na Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, artigo 45, § 1º, inciso II, legislação vigente à época dos fatos aqui discutidos1: Art. 45. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. § 1º Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito passivo, mediante lançamento de ofício, multa isolada, nos seguintes percentuais: I de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada; ou I de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1573, de 09 de julho de 2015) II de 150% (cento e cinquenta por cento), sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado, quando se 1 Esta Instrução Normativa foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1717, de 17 de julho de 2017, publicada no DOU em 18/07/2017. Contudo, a redação desta matéria ficou praticamente inalterada: Art. 74. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os acréscimos legais previstos na legislação. § 1º Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito passivo, mediante lançamento de ofício, multa isolada, nos seguintes percentuais: I de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; ou II de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado, quando ficar comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.493 17 comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...) Ou seja, há uma previsão legal bem clara a respeito dos fatos inerentes à imposição da multa isolada por conta da declaração de compensação não homologada, qual seja, de 50% se o pleito de compensação foi indeferido, independente da máfé do contribuinte, e 150% se comprovada a máfé, no caso, ipsis litteris, falsidade da declaração do sujeito passivo. Analisando todo o contexto histórico jurídicoadministrativo para a construção do comendo normativo do §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 , há que se ressaltar que o uso de uma Dcomp como meio extintivo do crédito tributário pode gerar outros efeitos além da eventual inadimplência envolvida do débito ao não ser aceito o crédito pleiteado. A sua apresentação, realizada pelo contribuinte, pressupõe a existência de um crédito apurado, e tem efeitos constitutivos sob condição resolutiva de posterior homologação da compensação. A decisão da autoridade administrativa fiscal que a homologa, ao reconhecer o direito creditório, é meramente declaratória. Não ocorrendo a decisão da autoridade administrativa, ocorre a homologação tácita, por decurso do prazo decadencial de 5 anos. Neste ínterim, entre a apresentação da Dcomp e a sua homologação, já passa a ocorrer efeitos positivos ao contribuinte, pois os seus débitos ficam como extintos, podendo ocorrer a retirada a certidão negativa, por exemplo. Ou seja, a Dcomp não é um mero pedido, pois desde a sua apresentação já gera efeitos jurídicos. Então, falar em desrespeito ao direito de petição envolvido é querer limitar o seu alcance quando da apresentação, pois isso extravasa um mero pedido. Ademais, não nenhuma coibição ao direito de petição envolvido, pois eventuais erros ocorridos no seu pleito, poderão ser sanados no transcorrer da discussão do processo administrativo da matéria que ensejou a multa isolada, o que há muito e comumente ocorre no âmbito administrativo. Assim, a multa isolada objetiva penalizar o contribuinte por ter criado esta situação tributária benéfica a si, e ao ser melhor analisado pela autoridade administrativa fiscal a sua declaração de compensação, verifica como indevido seu pleito. Aqui não se confunde a multa isolada aplicada com o débito que passa a ficar exigível, cabendo seu pagamento por os acréscimos cabíveis em caso de procedimento espontâneo do contribuinte: multa de mora e juros de mora, como previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. A multa isolada não representa exigência, em separado, do acréscimo que seria aplicável ao débito, como se ele não estivesse declarado, e sim, de penalidade específica, e decorrente do uso indevido da Dcomp como meio de extinção do crédito tributário. Destarte, a multa isolada por compensação indevida é uma infração que o legislador entendeu merecer uma penalidade específica, e isolada, na medida em que o principal já está constituído e sujeito à cobrança com acréscimos moratórios. Tal tema foi brilhantemente trabalho pela ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, no acórdão 1101001.261, sessão de 03 de março de 2015, apesar de ser em redação anterior do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, em que a previsão legal para a aplicação multa isolada Fl. 1501DF CARF MF 18 cingiase mais aos casos da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964 (redações anteriores à Lei nº 12.249/2010), mas qual aproveito o seguinte excerto, em que analisa a materialidade da Dcomp e seus efeitos jurídicos: E isto porque a DCOMP não é mera obrigação acessória, mas sim integra a essência da compensação, que somente se efetiva por meio dela (art. 74, § 1o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002), formalizando a extinção do crédito tributário, e não apenas sua constituição (art. 74, § 2o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Aliás, a evidenciar a distinção entre as hipóteses de aplicação da multa de ofício em acréscimo ao principal e da multa isolada, destaquese ser possível, até mesmo, a coexistência das duas penalidades em razão de uma mesma compensação que resulte indevida. De fato, a multa isolada por compensação indevida, nas hipóteses de nãodeclaração criadas com a Lei nº 11.051/2004 (mediante inclusão do § 12 no art. 74 da Lei nº 9.430/96), pode conviver com o lançamento de ofício dos débitos compensados, dado que a DCOMP, nestes casos, deixa de ter o caráter de confissão de dívida (§ 13, incluído no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 11.051/2004), e o valor compensado pode não ter sido confessado em outra declaração. Contudo, a partir de 2010, com a redação dada pela Lei nº 12.249/2010 ao § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, quis legislador aplicar outra tônica ao pleito do contribuinte inerente às Dcomps apresentadas. Ao longo dos anos seguintes, apesar de algumas alterações no texto, passouse a ter uma mesma essência de a Dcomp apresentada não sendo homologada, passarseia à imposição da penalidade da multa isolada, pelo conjunto de efeitos jurídicos envolvidos na sua apresentação além de meramente ressuscitar um débito que se presumia extinto de quando da sua extinção. Notese, com importante relevância ao tema, a penalidade sobre o pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, apesar de ter surgido concomitante ao da não homologação da compensação, no teor da redação ao § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, pela Lei nº 12.249/2010, foi revogado a partir Medida Provisória nº 656/2014, com retroatividade benigna, dadas as discussões e decisões judiciais próprias de tipo de pleito do contribuinte, acatando a jurisprudência formada a respeito. O Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento, Reembolso PER, como o próprio nome diz, é um pedido, sendo que o ato que altera sua condição jurídica é somente o despacho que o defere (este que terá efeitos constitutivos). Até ocorrer uma decisão a respeito do PER, não há geração de nenhum efeito. E ademais, com a revogação do § 15, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, todo o contribuinte tem o direito de pleitear o ressarcimento. Se cumular este pedido de ressarcimento com uma compensação é que poderão advir os efeitos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Ou seja, são duas situações distintas, com efeitos jurídicos próprios. Cabe, adicionalmente, em caráter informativo, pois até ocorrer a repercussão geral necessária aos julgamentos desta corte administrativa não geram efeitos, tal tema, qual seja, da constitucionalidade dos §§ 15 (agora prejudicado pela sua revogação) e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 12.249/2010 estão sendo objeto de Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.494 19 apreciação de sua constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, através dos ADI 4905 e RE 796.936, ambos com relatores distintos, mas sem posicionamento ainda a respeito da matéria. Por conseguinte, não há que se falar em efeitos erga omnes perante a esta Corte Administrativa. Exposto o acima, para contextualizar a legislação aplicável, vamos à análise dos pontos suscitados na peça recursal. Das questões suscitadas na peça recursal Preliminarmente, antes de adentrar no mérito do presente processo e das alegações da recorrente, cabe destacar que não é objeto rediscutir o que já está sendo discutido ou foi discutido nos processos administrativos nºs 10805.720184/201268 e 10805.720225/201216. O processo administrativo nº 10805.720184/201268 foi arquivado em 29/04/2013, não tendo ocorrido o contraditório administrativo após ciência do despacho decisório em que não reconheceu parte do direito creditório. Contudo, os eventos deste processo serão melhor analisados abaixo. O processo administrativo nº 10805.720225/201216 encontrase no momento em cumprimento de diligência, promovido por resolução desta turma 1402000.476 de sessão de 25 de janeiro de 2018. Ou seja, ainda em julgamento por esta instância administrativa. Entendo que tais circunstâncias não prejudicam o presente processo e seu julgamento, pois nestes casos, apesar da dependência de um processo ao decidido no outro, há uma discussão aqui no presente bem própria e específica. A própria legislação protege os contribuintes na redação do § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, como já citado anteriormente, e que não custa repetir para reforçar este ponto: (...) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Ou seja, não importa o decidido no presente processo de multa isolada, sua exigibilidade ficará suspensa até a decisão definitiva do processo que não homologou compensação via Dcomp. Não haverá prejuízo algum ao recorrente nestas circunstâncias, pois se numa eventualidade o presente processo foi decidido em definitivo na esfera administrativa, ao retornar para iniciar os procedimentos de cobrança, ficará sobrestado aguardando o decidido no processo principal, e se for o caso, até sofrer recálculo (no caso do presente processo ter seu lançamento mantido) ou sofrer exoneração total Fl. 1503DF CARF MF 20 Isto posto, parte às alegações da recorrente, sendo que algumas já foram tratadas incidentalmente quando discorri sobre a legislação aplicável ao caso. quanto às alegações de que a multa isolada em discussão foi criada para uso indevido e de máfé da Dcomp Alega a recorrente que seria inaplicável a multa prevista no §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, evocado questões da fundamentação da lei, baseandose em trechos da sua exposição de motivos. Alega que a multa em discussão foi criada para situações de uso indevido e, concomitante, de máfé da Dcomp, o que não acontece no caso concreto. Como já frisei anteriormente, o presente processo não deve ser usado para rediscutir o que já está sendo ou foi discutido nos demais. A proteção já está dada a recorrente, de haver somente a repercussão necessária neste do que for decidido no qual o lançamento da multa isolada foi objeto. No tocante às arguições de boafé pela recorrente, e a multa isolada só deve ser aplicada em casos de máfé quando da apresentação da Dcomp, conforme já exposto anteriormente, na análise da legislação aplicável ao caso, o § 17 do art. 74 da Lei n.° 9.430/1996 não estabelece, para sua aplicação, a máfé, bastando a não homologação da compensação declarada, ressalvando apenas os casos de falsidade, que remeteria a uma penalidade maior. Ou seja, considerando a taxatividade da imputação legal ao caso, não há esta margem de consideração em prol ao alegado pela recorrente, como já discorrido anteriormente. Dado o todo acima exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste ponto. questão envolvendo base de cálculo decorrente do processo administrativo nº 10805.720184/201268 Alega a recorrente que, ao caso concreto, há inaplicabilidade do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, em que expõe análise do processo administrativo nº 10805.720184/201268, reiterando seus argumentos da peça impugnatória, e rebatendo a posição da autoridade julgadora a quo, e que esta decisão teria se limitado sua análise ao aspecto formal do caso. O PERDCOMP que é objeto da divergência de opinião da recorrente é a de n° 38615.07809.211211.1.7.040215, que nas suas próprias palavras, em janeiro de 2012, a autoridade fiscal a cita em análise, conjuntamente com demais PERDCOMPs, mas não analisou especificamente esta. As demais, não reconheceu o crédito pleiteado. Assim, teria apresentado manifestação de inconformidade para reconhecimento expresso de que o despacho decisório mencione que não encontrou nenhuma irregularidade em relação a este PER DCOMP, e apresentado elementos probatórios das demais. E, ipsis litteris, da recorrente: 32. Ato contínuo, em julho de 2012, ao verificar um equívoco no preenchimento da PER/DCOMP n° 38615.07809.211211.1.7.04 Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.495 21 0215, apresentou o PER/DCOMP retificador, registrado sob o n° 41766.34632.260712.1.7.048861, ajustando os valores do crédito e os valores dos débitos a serem compensados. No seu entender, o PERDCOMP retificador foi apresentado dentro do prazo legal, uma vez que o retificado não havia sido objeto de análise pela autoridade fiscal. No PER DCOMP retificador ajusta o crédito original utilizado, reduzindoo de R$ 2.073.817,59, para R$ 1.689.933,26, o que com as atualizações pertinentes, daria a diferença de R$ 403.040,16, uma das parcelas objeto do presente lançamento. Em novo despacho decisório proferido em setembro de 2012, após apresentação dos elementos pertinentes pela recorrente, haveria o reconhecimento expresso que não houve a análise do PERDCOMP nº 38615.07809.211211.1.7.040215. Contudo, em relação a esta, continuou homologando parcialmente, sem considerar o PERDCOMP retificador nº 41766.34632.260712.1.7.048861, que haveria alterado o crédito pleiteado exatamente nos mesmo limite de valor da decisão de homologação parcial. Após, expõe elementos decididos no processo administrativo após segundo despacho decisório, que a autoridade fiscal ao analisar o processo, identificou o alegado pela recorrente, citando excertos destas observações. A decisão a quo analisa os elementos arguidos pela recorrente na sua, então, peça impugnatória, e após contextualizálos, traz a tona que houve um Despacho em 09 de novembro de 2012, às fls. 213/214 do processo 10805.720184/201268, em que demonstra os procedimentos adotados em relação ao PERDCOMP 38615.07809.211211.1.7.040215, e comentando do seu retificador. Ali consta o seguinte: No dia 21/12/2011 o contribuinte havia transmitido a PER/DCOMP 38615.07809.211211.1.7040215, mas no dia 26/07/2012 o mesmo transmitiu uma PER/DCOMP retificadora de número 41766.34632.260712.1.7.048861, antes da ciência do despacho decisório. Esse declaração retificadora reduzia o valor do crédito e consequentemente os valores dos débitos. Para quitar a diferença entre os débitos da PER/DCOMP vigente e a retificadora o contribuinte efetuou pagamentos via DARF, cujas cópias foram anexadas nos autos do processo. Além disso o contribuinte também retificou a DCTF informando novo número de PER/DCOMP e os novos pagamentos realizados, conforme cópias anexas. Esse PER/DCOMP retificadora não foi admitida, pois já havia despacho decisório, mesmo o contribuinte ainda não tendo a ciência do mesmo. Portanto o sistema SIEFPER/DCOMP considerou a PER/DCOMP 38615.07809.211211.1.7040215 como sendo a válida. Para evitar novas retificações por parte do contribuinte proponho a mudança nos valores dos débitos no cadastramento no SIEF – Processo conforme tabela abaixo, visto que as diferenças abaixo listadas já foram quitadas via DARF, e que o Fl. 1505DF CARF MF 22 sistema Fiscalização Eletrônica – SIEF já validou a DCTF retificadora transmitida. DE: PARA: 1840 R$ 6.676,53 ZERO 1921 R$ 26.330,69 ZERO 6912 R$ 2.055.651,85 R$ 1.685.618,91 Tais elementos do despacho acima foram cientificados a recorrente, no comunicado Seort nº 34/2013 (fl. 224 do processo 10805.720184/201268), proferido pela DRF/Santo André, do qual tomou ciência de todos em 24/01/2013. Como se não se insurgiu a respeito, o processo foi dado como encerrado. Ademais, a própria decisão aqui traz no seu teor, com cópia de tela, que o PER/DCOMP retificador nº 41766.34632.260712.1.7.048861 não foi admitida e nem processada, conforme Despacho Decisório emitido, número de rastreamento 030435099, o qual a recorrente tomou ciência em 21/08/2012 e não arguiu nenhum elemento em sentido contrário ao posicionamento ali esboçado. Apesar de ser agora, em discussão em outro processo, de outra matéria, o local e momento competente da discussão para o acolhimento ou não da PER/DCOMP retificadora. Como já exposto anteriormente neste voto, a Dcomp não é um mero pedido, e sim tem efeitos jurídicos outros já na sua apresentação, como extinção do débito tributário através da compensação do crédito pleiteado constante na PER. Contudo, valhome agora de uma análise detalhada do processo administrativo 10805.720184/201268, na tentativa de elucidar qual lado pende a razão. Valhome de todos os eventos ocorridos neste processo a partir de agora: 1) Dia 21/12/2011 data da transmissão do PER/DCOMP 38615.07809.211211.1.7.040215 (efls. 2 a 7) e demais (em outras datas), conforme listagem abaixo. O total do direito creditório pleiteado, em valores originais, nos 4 PER/DCOMPs é de R$ 10.705.576,75. PER/DCOMP total do crédito pleiteado valor original data transmissão 13097.95185.190911.1.7.043667 53.663,68 19/09/2011 23443.81358.200911.1.7.049657 1.957.739,62 20/09/2011 34837.45994.220911.1.3.041968 6.620.355,86 22/09/2011 subtotal 8.631.759,16 38615.07809.211211.1.7.040215 2.073.817,59 21/12/2011 10.705.576,75 2) 30/01/2012 despacho decisório (efls. 30 a 31) analisa, nas suas palavras, que os PER/DCOMPs supra (todas as quatro), no conjunto do direito creditório Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.496 23 pretendido de R$ 8.631.759,16 se referia a pagamento efetuado em 30/07/2010 (IRPJ do 2º trimestre de 2010) no valor de R$ 10.071.178,70, que estava declarado em DCTF como extintivo de um débito de R$ 10.527.482,81 (o valor remanescente de R$ 456.304,11 estava como compensação). Assim, o pagamento a maior do item 1 estava integralmente aplicado na extinção do débito, não haveria pagamento a maior; Nota 1: Realmente, que no total de R$ 8.631.759,16 corresponde as 3 primeiros PER/DCOMPs da listagem do item 1. Em tese, não houve análise do PER/DCOMP 38615.07809.211211.1.7.040215. Contudo, haveria diferença de valores, pois o valor original do direito creditório pleiteado é de R$ 10.071.178,70, remanesceriam apenas R$ 1.439.419,54 (R$ 10.071.178,70 R$ 8.631.759,16), e não o total de R$ 2.073.817,59 pleiteado. 3) 24/05/2012 tomada da ciência da recorrente do despacho do item 2; 4) 05/07/2012 apresentação de manifestação de inconformidade (efls. 166 a 169), em que consta o seguinte: a) os 3 primeiros PER/DCOMPs da listagem do item 1, no montante de R$ 8.631.759,16) se referem a direito creditório referente a pagamento a maior de IRPJ ao 2º trimestre de 2010, no total de R$ 8.631.759,16; b) o 4º PER/DCOMP da listagem, final 0215, se refere a direito creditório referente a pagamento a maior de IRPJ do 1º trimestre de 2011, no montante de R$ 2.341.618,29; c) o despacho decisório não reconheceu o direito creditório referente ao IRPJ pago maior do 2º trimestre de 2010, mas nada se referiu ao IRPJ pago a maior do 1º trimestre de 2011; d) no seu entender, o PER/DCOMP de final 0215 foi citado no despacho erroneamente; e) no caso dos 3 primeiros PER/DCOMPs da listagem do item 1, houve retificação da DCTF relativa ao débito de IRPJ do 2º trimestre de 2010 antes da emissão do despacho decisório; f) o débito de IRPJ de R$ 10.527.482,81 foi alterado, pois constatou posteriormente que era bem menor, e retificou, em 21/03/2012, a DCTF deste período para o valor de R$ 1.895.723,65 (referente ao débito de IRPJ do 2º trimestre de 2010). A DIPJ sempre esteve correta, e o erro foi na DCTF original entregue; Nota 1: O débito retificado de R$ 1.895,723,65, menos o valor compensado já na DCTF original (de R$ 456.304,11) dará o saldo de R$ 1.439.419,54, conforme identificado como divergência na nota 1 do item 2 acima; g) ao final, requer que o PER/DCOMP de final 0215 seja integralmente homologada; 5) No dia 25/09/2012, a partir da efl. 174 até efl. 184, há uma análise da unidade da RFB dos valores de crédito, remanescendo analisar e justificar o direito creditório pleiteado referente a pagamento a maior no 1º trimestre de 2011, em que se observa o seguinte: Fl. 1507DF CARF MF 24 a) valor declarado em DCTF retificadora de débito de IRPJ 1º Trim/2011 de R$ 22.496.379,26, extinto com pagamento de R$ 21.119.629,69 e outras compensações de R$ 1.376.749,57 (efl. 174); b) na efl. 175 encontramos a listagem de pagamentos efetuados pela recorrente, referente ao IRPJ do 1º trim/2011. Consta um DARF recolhido em 29/04/2011 no total de R$ 22.809.562,95; c) na efls. 176/177 consta que o alocado deste DARF era de R$ 20.467.944,66, sendo R$ R$ 2.341.618,29 estariam reservados para PER/DCOMP do processo 10805.720184/201268; d) nas efls. 178 a 183, há análises de valores pertinentes ao processo de final 68 e os três primeiros PER/DCOMPs da listagem do item 1; e) na efl. 184, há uma planilha sintetizando a análise em que reconhece integralmente o direito creditório dos três primeiros PER/DCOMPs da listagem do item 1, e em relação ao PER/DCOMP de final 0215 reconhece R$ 1.689.933,26 ante o pleiteado de R$ 2.341.618,29; 6) Dia 25/09/2015 o item 5 culmina com despacho decisório a efls. 195 e 197, que refaz o despacho decisório anterior (citado no item 2), e neste menciona explicitamente análise do PER/DCOMP final 0215, em que se posiciona no sentido de que em relação o valor pago a maior de IRPJ referente ao 1º trimestre de 2011, restaria um saldo de R$ 1.689.933,26. Este valor seria o direito creditório disponível para compensar o PER/DCOMP de final 0215, no qual se pleiteia o valor de R$ 2.341.618,29. Por conseguinte, declara reconhecimento parcial deste direito creditório; 7) Contudo, em 26/07/2012, houve um PER/DCOMP apresentado pela recorrente (41766.34632.260712.1.7.048861) retificando o de final 0215, em que altera o direito creditório pleiteado para R$ 1.689.933,26 (efls. 199 a 203); 8) Em 09/11/2012 procedese a análise dos valores da recorrente, conforme efls. 204 a 212, culminando no despacho a efls. 213 a 214, em que conclui o seguinte: a) informa da transmissão do PER/DCOMP retificador citada no item 7, na qual reduzia o valor de crédito e por consequência os valores dos débitos. A diferença de valor foram quitados via pagamento (DARFs), conforme anexado nos autos do processo, ocorrido em 31/07/2012 (efls. 204 a 206); b) ali comenta que PER/DCOMP final 0215 foi retificado antes da ciência do despacho decisório; c) considera o PER/DCOMP de final 0215 como ainda vigente, e o retificador não foi admitido, pois já havia despacho decisório, mesmo o contribuinte ainda não tendo ciência do mesmo; d) para evitar novas retificações, ocorreram mudanças nos valores dos débitos cadastrados nos controles da Receita Federal do Brasil, considerando os DARF pagos da diferença dos PER/DCOMPS (a original e ainda vigente e a tentativa de retificadora); e) com isso, os débitos vinculados ao PER/DCOMP retificador foram alterados de R$ 2.088.659,07 para R$ 1.685.618,91 (diferença ajustada de R$ 403.040,16); Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.497 25 e) nas folhas seguintes há demonstrativos da nova situação, para fins de controle dos débitos e créditos (efls. 215 a 220); Nota 1: aqui entendo que houve emprego errôneo de certas palavras neste despacho. O que se quis dizer é que haveria um novo despacho decisório a ser dado sobre a matéria. Mesmo porque a ciência do primeiro despacho ocorreu em 24/05/2012, e apesar de obscura a situação, já sabia que estava trabalhada seu PER/DCOMP de final 0215. Tanto que tentou retificálo e pagar a diferença. 9) em 07/02/2013, por decurso de prazo de disponibilização na sua caixa postal (ecac) toma ciência do comunicado Seort nº 34/2013, datado de 23/01/2013 (efl. 224), em que comunica do despachado no processo e encerra a análise no processo. Isto tudo posto, entendo que a ciência do despacho de item 8 empregou erroneamente as palavras a se posicionar daquela forma naquele momento, o que não se invalida o contexto processual envolvido, conforme destaco abaixo. O fato é que a recorrente já estava ciente da análise processual que ocorria sobre o PER/DCOMP final 0215, inclusive tendo se manifestado sobre o mesmo na sua manifestação de inconformidade em 05/07/2012, em que rebate o despacho decisório datado de 30/01/2012, e que fora cientificada em 24/05/2012 , em que a cita expressamente. Em 26/07/2012, por sua conta, tenta apresentar PER/DCOMP retificador referente aos valores envolvidos no PER/DCOMP final 0215, inclusive tendo pago a diferença que surgiria em 31/07/2012. A intenção da norma de inibir o PER/DCOMP retificador após a ciência do despacho decisório é evitar manifestações e ajustes posteriores, o que no caso ocorreu sobre os valores envolvidos no PER/DCOMP final 0215. Houve análise do mesmo já no despacho decisório cientificado em 24/05/2012 (item 2 e 3 acima). Tanto isto é válido que é apontado no v. acórdão recorrido do presente processo que o PER/DCOMP retificador não foi aceito. E não foram só ajustes, houve inclusive, pagamento da diferença, reconhecendo que havia pendências neste PER/DCOMP originalmente entregue. Assim, entendo que a posição das autoridades fiscais, no despacho de 09/11/2012, que analisaram os créditos e resolveram ajustar os débitos da mesma em virtude dos pagamentos ocorridos em 31/07/2012, para evitar novas retificadoras, e considerando como paga a diferença, era o aplicável naquele momento. O despacho decisório vigente naquele momento da análise era o de 25/09/2012 (item 6 supra), que, explicitamente, homologava parcialmente o PER/DCOMP final 0215. Este despacho decisório viera em alteração ao proferido em 30/01/2012, e em todos os dois, foram abordados e analisados os quatro PER/DCOMPs, incluindo a de final 0215, como já analisado. Com isso tudo, houve definitividade da decisão que não admitiu o PER/DCOMP retificador no caso, e manteve como válido e ativo o PER/DCOMP 38615.07809.211211.1.7.040215. Fl. 1509DF CARF MF 26 Não cabe agora, num julgamento incidental dos fatos acima elencados, rediscutir esta matéria e reabrir o litígio do processo. A recorrente se vale do princípio da busca da verdade material para mudança do entendimento em relação a situação, que é basilar no julgamento administrativo. Contudo, no caso, seria reformar uma decisão já transitada, e sem ter a plena certeza das circunstâncias envolvidas, transcorridos vários anos. Deveria ter agido então, mas, aparentemente, se deu satisfeito com a solução aplicada pela autoridade para resolver o problema dos valores envolvidos no PER/DCOMP 38615.07809.211211.1.7.040215, e não mais agiu ou discordou. Dado o todo acima exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste ponto. questão envolvendo o processo administrativo nº 10805.720225/201216, e também da sua aplicação antes do encerramento da discussão administrativa Alega a recorrente que o processo administrativo nº 10805.720225/201216 estaria ainda em aberta a discussão a respeito do litígio envolvido da homologação parcial pertinente, o que deve prevalecer, devendo ser cancelada a multa isolada ora aplicada. Igualmente, insurgese contra a possibilidade de aplicação da multa antes do encerramento da discussão administrativa sobre as compensações realizadas. Contudo, como já exposto anteriormente, a própria legislação protege os contribuintes na redação do parágrafo seguinte § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, como já citado anteriormente, e que não custa repetir para reforçar este ponto: (...) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Ou seja, como já dito anteriormente, não importa o decidido no presente processo de multa isolada, sua exigibilidade ficará suspensa até a decisão definitiva do processo que não homologou compensação via Dcomp. Não haverá prejuízo algum ao recorrente nestas circunstâncias, pois se numa eventualidade o presente processo foi decidido em definitivo na esfera administrativa, ao retornar para iniciar os procedimentos de cobrança, ficará sobrestado aguardando o decidido no processo principal, e se for o caso, até sofrer recálculo (no caso do presente processo ter seu lançamento mantido). Dado o todo acima exposto, NEGO PROVIMENTO ao pleito de apensamento dos processos da recorrente. Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.498 27 das alegações de injuridicidade da norma contida no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 A recorrente insurgese contra o § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, pedindo o afastamento da sua aplicação, em razão da injuridicidade da norma, e que seja aplicada a norma em conformidade com o ordenamento jurídico. Para tanto, evoca questões de violação do direito de petição previsto na Constituição Federal, e que tal norma só se aplica aos casos envolvendo máfé na apresentação da Dcomp. Para tanto, cita excertos de decisões judiciais a respeito, que corroborariam com seu posicionamento na peça recursal. Contudo, compreendo que tal questão afastase das possibilidades de manifestação deste colegiado. Em verdade, há vedação expressa no art. 26A do Decreto 70.235/1972 que se adentre ao mérito de validade constitucional de normas legais no âmbito da do processo administrativo fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Para tanto foi editada a Súmula CARF nº 2, a qual tão somente vem a espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, NÃO CONHEÇO desta matéria do recurso voluntário. das alegações de ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa O presente tema da incidência de juros sobre a multa de ofício, que não deveria prosperar por falta de previsão legal não é novo no CARF. Ocorre que uma análise mais sistemática do CTN, percebese que os juros são devidos sobre o valor da multa, uma vez que o crédito tributário engloba tanto o tributo quanto a multa. Como dispõe o art. 161 do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento e acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados a taxa de um por cento ao mês. O art. 113, § 1o do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo Código Tributário Nacional para distinguir obrigação acessória de obrigação principal e o Fl. 1511DF CARF MF 28 conteúdo pecuniário. A obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro. Neste passo, resta evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto é que incontestável o seu conteúdo pecuniário. O conceito de credito tributário esta esculpido no art. 139 do CTN, nos seguintes termos: o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Desta forma, por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão senão a de que o credito tributário engloba o tributo e a multa. Logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa devem incidir juros, como determina o § 1o do art. 161 do Código Tributário Nacional. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas os juros sobre a multa de ofício imposta e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. Conclusão: Destacandose a previsão legal do §18 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, voto por conhecer parcialmente, e NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL aos demais elementos do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 1512DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17437.720221/2015-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad rejeitavam as preliminares arguidas e, no mérito, davam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araújo - Relator.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo (Relator), Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Resolvem os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad rejeitavam as preliminares arguidas e, no mérito, davam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araújo Relator. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida – Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo (Relator), Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 74 37 .7 20 22 1/ 20 15 -6 5 Fl. 10701DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.702 2 Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 2.6932.704: Trata o presente processo de Autos de Infração da COFINS e da contribuição ao PIS, lavrados em nome do contribuinte em epígrafe pertinente à insuficiência do recolhimento nos períodos de apuração de 01/2011 a 12/2012, conforme abaixo discriminado: COFINS R$ 17.342.401,18 JUROS DE MORA (calculados até 07/2015) R$ 5.628.652,77 MULTA PROPORCIONAL R$ 13.006.800,92 TOTAL R$ 35.977.854,87 PIS R$ 3.765.126,57 JUROS DE MORA (calculados até 07/2015) R$ 1.222.010,12 MULTA PROPORCIONAL R$ 2.823.844,96 TOTAL R$ 7.810.981,65 Integra o auto de infração o “Relatório do Procedimento Fiscal” de fls. 02/5, onde foi exposta a legislação da Cofins e do PIS aplicável, relacionando os seguintes pontos motivadores do lançamento: 1. A contribuinte classificou indevidamente receitas como isentas na apuração das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS; 2. Foi lavrado Termo de Intimação onde foi solicitado para a pessoa jurídica “apresentar documentação, hábil e idônea, que comprove que a prestação dos serviços foi efetuada a pessoa jurídica situada no exterior, bem como que os pagamentos recebidos pelos serviços representam ingressos de divisas, nos termos do art 5o, inciso II, da Lei n° 10.637/02 e art 6o, inciso II, da Lei n° 10.833/03”; 3. Tempestivamente, encaminhou notas fiscais, contratos com armadores estrangeiros e tabelas de preços praticados. Apresentou também cópia da Solução de Consulta nº 58, de 7 de abril de 2006. Com relação à comprovação do ingresso de divisas, declara que “esta tem origem na própria natureza dos serviços portuários prestados a Armadores Estrangeiros, ou seja, navios de transporte de carga na modalidade longo curso que atracam no terminal”; 4. Mediante análise da documentação apresentada constatase a falta de comprovação do efetivo ingresso de divisas no País, segundo as normas previstas no Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI), estabelecidas pelo Banco Central do Brasil; 5. A contribuinte limitase a apresentar argumentos sobre a operacionalização entre ele, o transportador estrangeiro e o agente marítimo no País, sob o ponto de vista fiscal e cambial; Fl. 10702DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.703 3 6. O fato de existir a intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação, conforme determina a Solução de Consulta nº 58, de 07/04/2006, da 10ª SRRF, contida no processo administrativo 11050.003099/200545, de solicitação da própria contribuinte; 7. No entanto, cabe à pessoa jurídica comprovar a prestação de serviços para pessoa situada no exterior, como também comprovar que os pagamentos recebidos representam ingresso de divisas; 8. No presente caso, embora a interessada tenha comprovado a prestação de serviços para pessoas jurídicas situadas no exterior, nos casos em que foi intimada, não comprovou o efetivo ingresso de divisas, e tampouco nexo causal com as operações de prestação de serviços ao exterior, segundo as normas determinadas pelo Banco Central através do Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais – RMCCI; 9. A prova do efetivo ingresso de divisas, e a demonstração do nexo causal com as operações de exportação de serviços, são elementos essenciais para que se afaste a hipótese, não coberta pela isenção, da utilização de recursos que o representante do transportador estrangeiro detenha sob sua guarda, mas que tenham origem em pagamentos, por empresas nacionais, de serviços de transporte internacional prestados pelo armador sediado no exterior, situação que não representaria o necessário ingresso de divisas; 10. Sobre essa questão, o próprio contribuinte, em sua consulta formulada, que deu origem à Solução de Consulta nº 58, de 7 de abril de 2006, admite a utilização de recursos provenientes de receitas auferidas no país, pelo armador estrangeiro, no pagamento de despesas, inclusive as portuárias; 11. Logo, não tendo a pessoa jurídica comprovado o ingresso de divisas nas operações de exportação de serviços registradas na contabilidade e relacionadas na planilha "Comparativo contabilidade x DACON exportações", essas receitas, que foram informadas como isentas no DACON, serão consideradas tributáveis neste procedimento, por não ter sido cumprido o requisito previsto no art do art 5o, inciso II, da Lei n° 10.637/02 e art 6o, inciso II, da Lei n° 10.833/03. Devidamente cientificada em 23/07/2015 fl.928, a interessada apresentou, em 21/08/2015 fl. 942 e ss., impugnação alegando em resumo que: 1. A impugnante presta serviços portuários às empresas transportadoras marítimas (armadores) sediadas e domiciliadas no exterior, cujas embarcações atracam em seu porto para as operações, dentre outras, de embarque e desembarque de mercadorias/contêineres. Ocorre que a fiscalização entendeu que o único documento hábil para comprovar o ingresso de divisas seria o Contrato de Câmbio de forma direta, segundo as normas previstas no Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI), estabelecidas pelo Banco Central; 2. Cabe salientar que a origem do crédito decorre de receitas auferidas na prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior. Assim, consoante inciso II, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03 e inciso II do art. 5º, da Lei nº 10.637/02, na redação dada pelo art. 21º da Lei 10.865/04 e ainda pela IN SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS sobre as receitas oriundas de serviços prestados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, no caso em tela transportadores estrangeiros e, por conseguinte, tem a contribuinte direito ao crédito de PIS/PASEP e COFINS sobre referidas receitas; Fl. 10703DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.704 4 3. Nesse passo, para configurar o ingresso de divisas, necessário se faz a comprovação do nexo causal, comprovação esta que a impugnante efetuou por ocasião da fiscalização em suas operações, e o faz novamente mediante a juntada de alguns exemplares de contratos celebrados com os transportadores estrangeiros e pela amostragem de Notas Fiscais emitidas contra tais transportadores estrangeiros aos cuidados de sua agência marítima ou de seu representante no país; 4. Contudo, a existência de uma terceira pessoa não desfigura o efetivo ingresso de divisas, uma vez que esta terceira pessoa, neste caso a agência de navegação, atua apenas como intermediário na relação entre o transportador estrangeiro e a contribuinte. Essa intermediação só ocorre por força da legislação, assim, o agente apenas faz a intermediação dos pagamentos, cujo recurso é proveniente indubitavelmente do estrangeiro; 5. Assim, as agências de navegação atuam como meros mandatários dos transportadores estrangeiros, que são os verdadeiros clientes da impugnante, atuando conforme requerido pelos transportadores estrangeiros que, por não terem domicílio no Brasil, utilizam, obrigatoriamente, as agências de navegação para contratar serviços, pagando nestes casos, através destas agências marítimas, em moeda corrente nacional, os prestadores que lhes prestam serviços, não afetando, por conseguinte, a relação jurídica para fins de reconhecimento da nãoincidência da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS sobre as receitas auferidas pelos prestadores de serviços, como é o caso da impugnante; 6. Para efetivar os pagamentos, após firmar contratos formais ou tácitos para operar seus navios de longo curso, uma vez que não podem atuar de forma independente no Brasil, os transportadores estrangeiros utilizam das hipóteses de transferências de recursos na seguinte forma: a) o transportador estrangeiro remete para seu agente/representante marítimo no Brasil um valor em moeda conversível para custeio das despesas, incluídas as despesas com serviços portuários, que é convertido em reais através de um Contrato de Câmbio de Compra Tipo 3 Transferência Financeira do Exterior. No pagamento ao transportador estrangeiro do transporte internacional de cargas é feito um Contrato de Câmbio de Venda Tipo 4 Transferências Financeiras para o Exterior pelo valor total do (s) conhecimento(s) de transporte; b) o agente/representante no Brasil faz uma estimativa das despesas, dentre elas as despesas portuárias, e é autorizado a deduzilas quando da remessa para pagamento do transporte internacional, ou seja, a remessa de divisas é feita pelo valor líquido. Contudo, é realizado um Contrato de Venda Tipo 4 Transferências Financeiras para o exterior pelo valor bruto do(s) conhecimento(s) de transporte e, também, um Contrato de Câmbio de Compra tipo 3 Transferências Financeiras do Exterior da parte inerente às despesas incorridas no Brasil, cuja estimativa consta no Contrato de Câmbio de Venda tipo 4 já mencionado; 7. Logo, seja utilizando o Contrato de Câmbio Tipo 3 ou Tipo 4 o ingresso de divisas é efetivado. Cabe salientar que, o contrato não é fechado tão somente para o pagamento dos custos com o terminal, mas para todo e qualquer despesa vinculada a essa atracação do navio, devendo o agente, pela posição de mandatário distribuir essa receita advinda do estrangeiro para cada fornecedor, dentre eles a impugnante; 8. Vale salientar que os contratos de câmbio celebrados entre os transportadores estrangeiros e as agencias marítimas são de propriedade destas, que são empresas brasileiras que, a teor da norma do Banco Central do Brasil, Circular nº 3.280/2005, são as responsáveis pelo fechamento do contrato de câmbio; Fl. 10704DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.705 5 9. Por ser de propriedade das agências de navegação, os contratos de câmbio não podem ser exigidos da impugnante, uma vez que esta é exclusivamente operadora portuária e, assim, não pode ser exigido apresentar qualquer documento que não lhe pertença. Por esta razão, tornase inviável a apresentação de contrato de câmbio, pois esta não figura como agente/representante do transportador estrangeiro; 10. Tendo em vista que os contratos de câmbio estão disponíveis aos entes públicos no Banco Central, requer que a RFB solicite junto ao Banco Central os Contratos de Câmbios que subsidiam os recursos recebidos; 11. Assim, esta intermediação, como já amplamente demonstrado, não desconfígura a não incidência do PIS/PASEP e da COFINS para o caso em tela, já que as receitas auferidas decorrem de serviços portuários prestados a transportadores estrangeiros, cujo ingresso de divisas no País, para pagamentos destes serviços, está comprovado com toda a documentação acostada aos autos; 12. Caso deseje, a RFB poderia fiscalizar as agências de navegação intervenientes destes serviços, cujas Razões Sociais, CNPJ e data da prestação de serviços a contribuinte poderia informar. Não há, todavia, possibilidade jurídica de lhe ser exigido um documento que não lhe pertence; 13. Com a presente impugnação, apresenta declaração fornecida por um transportador estrangeiro no sentido de que o pagamento para satisfazer as despesas portuárias contraídas no Brasil decorre de numerário remetido do exterior e que configura indubitavelmente ingresso de divisas; 14. A pessoa jurídica efetuou consulta onde, mediante a Solução de Consulta nº 58, de 07/04/2006, fica claro que a ausência de contrato de câmbio não descaracteriza a não incidência do PIS e COFINS, sendo necessário, somente que o contribuinte demonstre com outros documentos que o serviço foi prestado para a pessoa jurídica domiciliada no exterior e, conseqüentemente, o ingresso de divisas; 15. Todos os documentos apresentados nesta peça formam o nexo causal que demonstram o ingresso de divisas e a prestação de serviços para residente e domiciliado ao exterior; 16. Objetivando ratificar ainda mais a argumentação, bem como demonstrar o nexo causal, a contribuinte requereu junto à Superintendência dos Portos de Rio Grande SUPRG a relação de todos os navios acostados no Terminal Portuário no período autuado, qual seja, janeiro de 2011 a dezembro de 2012. A relação dos navios, bem como a bandeira dos mesmos e a data de atracação/desatracação foi fornecido por essa autarquia, sendo juntado a presente (documento 01), juntando ainda planilha para melhor entendimento dessa Turma de Julgamento, onde utilizando desse relatório emitido pela autarquia estadual, lista todas as notas fiscais vinculadas a cada navio atracado objetivando comprovar o serviço prestado a transportador estrangeiro e o ingresso de divisas (documento 06); 17. Assim, resta comprovado o direito ao crédito decorrente da não incidência sobre a receita oriunda da prestação de serviços de operação portuária ao transportador estrangeiro, pessoa jurídica domiciliada ou com sede no exterior, cujo pagamento configura o ingresso de divisas no País, ainda que realizado mediante intermediação de agente/representante do transportador estrangeiro no Brasil; Fl. 10705DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.706 6 18. Cabe ainda esclarecer que por ser um Terminal Portuário, recebe em sua estrutura diariamente navios do mundo inteiro, e não há dúvidas de que um terminal portuário no Brasil presta serviços na sua grande maioria para transportadores estrangeiros, uma vez que a navegação de cabotagem é utilizada de forma minoritária nos portos brasileiros, tendo em vista a grande utilização das rodovias pelo Brasil. Tal fato é notório e os Terminais do Brasil recebem de forma majoritária navios com bandeiras estrangeiras que realizam a importação ou exportação; 19. Para melhor deslinde da questão em decorrência de sua natural complexidade e a quantidade de documentos, a impugnante requer a conversão do julgamento em diligência a ser realizada por servidor estranho aos autos, a fim de que fique comprovado o pagamento a maior de PIS e COFINS em face dos serviços prestados aos transportadores estrangeiros, apresentando desde já os quesitos: a) Diga o servidor, na condição de perito, qual a atividade principal exercida pela impugnante e se nessa atividade presta regularmente serviços a armadores estrangeiros, ou seja, a navios de bandeira estrangeira; b) Diga ainda diante da atividade da empresa e da documentação acostada tanto nos autos, como à disposição da fiscalização no seu estabelecimento localizado na cidade do Rio Grande RS, se o agente marítimo atua em nome próprio, ou se age na condição de mandatário da pessoa no exterior, ou seja, do transportador/armador estrangeiro; c) Diga, ainda, se os documentos fiscais emitidos onde possa constar o nome do agente marítimo se prestam ou não para descaracterizar ou não a relação jurídica a que alude o art. 6º, II da Lei nº 10.833/2003 e o artigo 14º, III, da MP 2.15835 de 2001, para fins de reconhecimento ou não da não incidência do PIS/COFINS sobre as receitas auferidas pela contribuinte em virtude da prestação de serviços a armadores estrangeiros; d) Nessa sequência, esclareça o servidor/perito se os serviços prestados aos navios de bandeira estrangeira atracados em seu Terminal, foram prestados às agências marítimas ou se de fato foram prestados aos transportadores/armadores estrangeiros; e) Esclarecer se na peculiaridade do serviço portuário prestado a navio de bandeira estrangeira, após conhecer a atividade da impugnante, se é o contrato de câmbio celebrado com o armador estrangeiro fechado pela agência marítima ou pela contribuinte em tela, operador portuário; f) Finalmente, informe o servidor/perito, também após estar ciente da atividade da impugnante, se caso o agente marítimo tenha sob sua guarda recursos de titularidade do seu representado (armador estrangeiro), oriundo de receitas auferidas no Brasil em razão do transporte internacional, se o pagamento efetuado à impugnante, em moeda nacional, utilizando tais recursos, nos termos da Circular BACEN nº 3.280/2005, caracteriza ou não o ingresso de divisas consoante a legislação de regência; 22. Requer ainda, caso a fiscalização entenda que a documentação acostada não seja suficiente, que seja realizada diligência nas Agências de Navegação apontadas pela impugnante, objetivando a obtenção dos contratos de câmbio, bem como esclarecimentos adicionais sobre o ingresso de divisas, ou ainda que seja solicitado junto ao Banco Central do Brasil as cópias dos contratos de câmbio; 23. Ante o exposto, requer seja julgado improcedente o Auto de Infração. Fl. 10706DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.707 7 Em 18 de maio de 2016, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DOS SERVIÇOS PRESTADOS AO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. A mera demonstração de que o serviço foi prestado em navio estrangeiro não é capaz de demonstrar que houve uma relação negocial entre a empresa prestadora de serviços e o transportador estrangeiro, uma vez que as Notas Fiscais de prestação de serviços foram emitidas em nome de pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no país que tanto podem atuar em nome próprio quanto em nome de terceiros, residentes e domiciliados no país ou no exterior. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DO EFETIVO INGRESSO DE DIVISAS. A não incidência aplicada às receitas de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação do efetivo ingresso de divisas no país. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DOS SERVIÇOS PRESTADOS AO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. A mera demonstração de que o serviço foi prestado em navio estrangeiro não é capaz de demonstrar que houve uma relação negocial entre a empresa prestadora de serviços e o transportador estrangeiro, uma vez que as Notas Fiscais de prestação de serviços foram emitidas em nome de pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no país que tanto podem atuar em nome próprio quanto em nome de terceiros, residentes e domiciliados no país ou no exterior. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DO EFETIVO INGRESSO DE DIVISAS. A não incidência aplicada às receitas de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação do efetivo ingresso de divisas no país. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS A perícia e a diligência se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Intimada de decisão em 23.05.2016 (fls.2.712), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 21.06.2016 (fls. 2.7152.741), reproduzindo meritoriamente os argumentos apresentados em sede de impugnação. Adicionalmente, pleiteou a nulidade da decisão recorrida por (i) mudança de critério jurídico; e (ii) cerceamento de defesa. É o relatório. Fl. 10707DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.708 8 Voto Vencido Conselheiro Walker Araújo Relator. I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 23.05.2016 (fls.2.712) e protocolou Recurso Voluntário em 21.06.2016 (fls. 2.7152.741) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminares II.1 Mudança de Critério Jurídico Alega a Recorrente que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento incorreu em manifesta alteração de critério jurídico ao incluir no fundamento da decisão a questão concernente a ausência de prova da prestação de serviços ocorrida entre a Recorrente e os Armadores Estrangeiros, ao passo que o lançamento fiscal foi realizado tão somente pela suposta falta de comprovação de efetivo ingresso de divisas no país, mesmo que comprovada a relação negocial com as empresas domiciliadas no exterior. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, entendo que não houve alteração de critério jurídico por parte da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, posto que o fundamento principal para manutenção do lançamento fiscal foi a inexistência de documentos capazes de comprovar o efetivo ingresso de divisas, conforme se verifica no trecho do voto abaixo destacado: Como é cediço, entrada de divisas nada mais é do que o fluxo de dinheiro estrangeiro que entra no país, possibilitando a geração de recursos para gastos e investimentos, com geração de emprego e renda. A prova do efetivo ingresso de divisas, como mencionado é essencial para que se afira o cumprimento do requisito legal. Essa comprovação do ingresso de divisas é necessária para que se afaste a hipótese, não coberta pela lei, da utilização de recursos que o representante do transportador estrangeiro detenha sob sua guarda, mas que tenham origem em pagamento, por empresa nacional, de serviços de transporte internacional prestados pelo armador sediado no exterior, situação que não representaria o necessário ingresso de divisas. Em outras palavras, temos que nenhum documento foi apresentado em relação ao ingresso de divisas pelo pagamento dos serviços que, supostamente, teriam sido prestados ao transportador sediado no exterior. Não foram anexados os necessários contratos de câmbio em valores e datas compatíveis com as ditas operações, nas quais figurassem como vendedores de moeda estrangeira os próprios agentes marítimos recebedores dos alegados pagamentos do exterior oriundos do transportador agenciado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 10708DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.709 9 Ou seja, tanto o lançamento fiscal como sua manutenção se deram pelos mesmos fundamentos, qual seja, a ausência de documentos para comprovar o efetivo ingresso de divisas. É de se ver, que a unidade julgadora convalidou integralmente o trabalho realizado pela fiscalização, utilizandose, para tanto, os mesmos fundamentos e suporte documental. Não houve inovação ou alteração de fundamento para manter o lançamento fiscal. Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) Neste cenário, entendo que a decisão de piso não alterou os fundamentos do lançamento, pelo contrário, convalidou integralmente o trabalho da autoridade fiscal. II.2 Cerceamento de Defesa Neste ponto, pleiteia a Recorrente a decretação de nulidade de decisão recorrida com fulcro no artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, por entender que o indeferimento do pedido de perícia acarretoulhe preterição do direito de defesa. No entendimento da Recorrente, se a Delegacia da Receita Federal entende como essencial a apresentação de contratos de câmbio para demonstrar o efetivo ingresso de divisas e, que tais documentos não pertencem a Recorrente e sim aos Agentes Marítimos, a perícia/diligência deveria ter sido deferida para apuração de tais fatos. Contudo, entendo que o indeferimento da perícia/diligência quando devidamente fundamentada não acarreta cerceamento defesa, posto que cabe a autoridade julgadora considerar necessária ou não o pedido feito pela parte contrária. No presente caso, a autoridade julgadora indeferiu o pedido de realização diligência, por entender que os documentos comprobatórios do ingresso de divisa poderiam ter sido obtidos pela própria Recorrente, sendo, assim, desnecessária a diligência proposta pelo contribuinte para essa finalidade. Assim, considerando que a autoridade julgadora motivou seu entendimento, entendo que o pedido de nulidade da decisão por cerceamento de defesa deve ser afastado. III. Mérito Fl. 10709DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.710 10 O cerne da questão visa analisar se os serviços prestados pela Recorrente estão abarcadas pelos benefícios da isenção previstas no artigo 5º, da Lei nº 10.637/2002 e, artigo 6º, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Lei nº 10.637/2002 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) *** Lei nº 10.833/2003 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Nos termos da legislação anteriormente citada, para que o contribuinte goze do benefícios da isenção, é necessário que o tomador de serviço esteja localizado no exterior e, que o pagamento correspondente represente ingresso de divisas. No presente caso, não obstante a Recorrente tenha comprovado a prestação de serviços para pessoas jurídicas situadas no exterior, a fiscalização realizou o lançamento fiscal por entender ausente a comprovação do efetivo ingresso de divisas e, do nexo causal com as operações de prestação de serviços ao exterior, segundo as normas determinadas pelo Banco Central através do Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais RMCCI, senão vejamos: 2.1.20 No presente caso, embora o TECON tenha comprovado a prestação de serviços para pessoas jurídicas situadas no exterior, nos casos em que foi intimado, não comprovou o efetivo ingresso de divisas, e tampouco nexo causal com as operações de prestação de serviços ao exterior, segundo as normas determinadas pelo Banco Central através do Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais RMCCI. 2.1.21 Cientificado dessa situação, e tendo sido concedida nova oportunidade para apresentação da documentação comprobatória, nessa vez sobre todas as operações, limitouse a informar que suas operações estariam embasadas na solução de consulta mencionada no item 2.1.14. 2.1.22 A prova do efetivo ingresso de divisas, e a demonstração do nexo causal com as operações de exportação de serviços, são elementos essenciais para que se afaste a hipótese, não coberta pela isenção, da utilização de recursos que o representante do transportador estrangeiro detenha sob sua guarda, mas que tenham origem em pagamentos, por empresas nacionais, de serviços de transporte internacional prestados pelo armador sediado no exterior, situação que não representaria o necessário ingresso de divisas. 2.1.23 Sobre essa questão, o próprio TECON, em sua consulta formulada, que deu origem à Solução de Consulta n° 58 de 7 de abril de 2006, admite a utilização de Fl. 10710DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.711 11 recursos provenientes de receitas auferidas no país, pelo armador estrangeiro, no pagamento de despesas, inclusive as portuárias. 2.1.24 Não tendo o TECON comprovado o ingresso de divisas nas operações de exportação de serviços registradas na contabilidade e relacionadas na planilha "Comparativo contabilidade x DACON exportações", essas receitas, que foram informadas como isentas no DACON, serão consideradas tributáveis neste procedimento, por não ter sido cumprido o requisito previsto no art do art 5°, inciso II, da Lei n° 10.637/02 e art 6°, inciso II, da Lei n° 10.833/03. A autoridade julgadora, por sua vez, manteve o lançamento fiscal com base nos mesmos fundamentos: Com efeito, podemos salientar que não foi reconhecido na referida consulta o direito incondicional do contribuinte à não incidência do PIS e da Cofins, mas sim, evidenciadas as premissas para o reconhecimento dessa situação, já que a atuação do agente e/ou representante não descaracteriza tal operação, no entanto, para que o pagamento recebido pela prestação de seus serviços represente ingresso de divisas, tornase necessária o cumprimento de outras condições como as citadas acima, ou seja: que a contribuinte seja signatária de contrato de direito privado com pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior; que totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior. Do que se extrai dos fatos narrados anteriormente é que, tanto para fiscalização quanto para autoridade julgadora, o contrato de câmbio seria o único documento hábil à comprovar a origem dos valores registros na contabilidade da Recorrente, desconsiderando, assim, todos os documentos juntados pelo contribuinte. Por outra lado, a Recorrente entende que os documentos carreados autos se prestam a comprovar a origem dos registros contábeis relacionadas as operações sob análise. Com razão à Recorrente. Isto porque, entendo que o documentos carreados autos, tais como notas fiscais, contratos com armadores estrangeiros e tabelas de preços praticados, se prestam a demonstrar a origem dos lançamentos contábeis realizados pela Recorrente, da efetiva prestação de serviços (fato incontroverso) e, consequentemente do ingresso de divisa. O fato da Recorrente não ter apresentado cópia dos contratos de câmbio diga se, documentos que não pertencem è ela, logo não poderia haver exigência nesse sentido , não pode servir único fundamento/justificativa para fiscalização afastar o direito do contribuinte e, desconsiderar os demais documentos hábeis à comprovar a origem dos registros contábeis. Com efeito, restou comprovado nos autos que a Recorrente firmou contratos com diversos transportadores estrangeiros (fls.1.0071.615) para prestar serviços de embarque, descarga, movimentação e armazenagem de mercadorias em embarcações utilizadas para navegações de longo curso. Referidos transportadores estrangeiros nomeiam agentes marítimos para intermediar os negócios objeto dos contratos firmados entre as partes e, realizar os pagamentos à Recorrente pela prestação dos serviços anteriormente citados, na condição de mandatários dos transportadores estrangeiros. A Recorrente, por sua vez, emite nota fiscal de serviços Fl. 10711DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.712 12 (fls.1.6162.604) em nome dos transportadores estrangeiros, mas aos cuidados de seus agentes marítimos. Tais fatos operacionais estão totalmente de acordo com o artigo 4º, da Instrução Normativa 800/2007 que, obriga aos transportes estrangeiros utilizarem agentes marítimos, senão vejamos: Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Nestes termos, o argumento utilizado pela RFB no sentido de que a Recorrente não teria comprovado o ingresso de divisa no país por meio de contratos câmbio, deve ser totalmente rechaçado, posto que os documentos colacionados aos autos comprovam que as receitas registradas em sua contabilidade decorrem de operações de prestação de serviços à pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. Portanto, entendo que não deve haver a incidência das contribuições ao PIS e COFINS, porque (i) os documentos carreados autos confirmam a efetiva prestação de serviços à pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, consequentente o ingresso de divisa; e (ii) o fato de haver um terceiro mandatário intermediando o pagamento não desconfigura o ingresso de divisas necessário para que tal pagamento chegue ao prestador brasileiro. Reforça o direito da Recorrente, a Solução de Consulta nº 58, de 07/04/2006, da 10ª SRRF, contida no processo administrativo 11050.003099/200545, de solicitação da própria contribuinte, no sentido de que o pagamento por Agente Marítimo em nome de Transportador Estrangeiro denota ingresso de divisas, conforme se verifica na ementa abaixo: “ Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. A Cofins não incide sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. A intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação. Dispositivos legais: Lei nº 10.833, de 2003, art.6º, II com redação dada pela Lei 10.865, de 2004; Circular Bacen nº 3.280, de 2005. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. A contribuição para o PIS/Pasep não incide sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. A intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação. Dispositivos legais: Lei nº 10.637, Fl. 10712DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.713 13 de 2002, art.5º, II com redação dada pela Lei 10.865, de 2004; Circular Bacen nº 3.280, de 2005.” Por fim, deixo de considerar como prova os documentos juntados pela Recorrente em seu recurso voluntário, posto que em total desrespeito ao §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. IV. Conclusão Diante do exposto, afasto as preliminares de nulidade e, no mérito, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Voto Vencedor Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida – Redator designado Com as vênias de praxe, dissinto do posicionamento do eminente Relator no sentido de entender que os documentos carreados aos autos, tais como notas fiscais, contratos com armadores estrangeiros e tabelas de preços praticados, sejam suficientes à demonstrar a origem dos lançamentos contábeis da efetiva prestação de serviços e do ingresso de divisas. Mesmo entendendo necessário o contrato de câmbio como prova do ingresso de divisas, por outro lado, como bem ressaltado, o fato da Recorrente não ter apresentado cópias desses contratos, documentos que não pertencem diretamente à ela, também não é motivo suficiente para decidir o feito contrário às suas pretensões. No sentido do contrato de câmbio como prova do ingresso de divisas, precedente, de cujo julgamento participei, no Acórdão nº 3403003.508, de 28/01/2015, da relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOAS JURÍDICAS DOMICILIADAS NO EXTERIOR. As receitas decorrentes de serviços prestados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior só podem ser excluídas das bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS quando restar comprovado o ingresso de divisas por meio da apresentação dos contratos de câmbio, requisito que a teor do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, não pode ser afastado pelo CARF por estar previsto no art. 45 do Decreto nº 4.524/2002. Fl. 10713DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.714 14 Assim, diante da dúvida estabelecida quanto ao ingresso de divisas, considerando que tal exigência é requisito estabelecido em decreto (inciso III, do artigo 45, do Decreto nº 4.524/02), cuja aplicação não pode ser afastada por este Colegiado, uma vez que o art. 26A, do Decreto nº 70.235/72 e o art. 62, do Regimento Interno do CARF, vedam negar vigência a dispositivo legal de hierarquia igual ou superior a decreto, entendo deva ser convertido o julgamento em diligência para suprir deficiências relevantes na presente instrução processual. Com essas considerações, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que sejam trazidos aos autos os indigitados contratos de câmbios, seja por meio de intimação direta ao interessado, seja por meio de circularização e intimação aos terceiros envolvidos. Concluído os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Fl. 10714DF CARF MF
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