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Numero do processo: 10980.912289/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.817
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 89 /2 01 2- 11 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912289/201211 Acórdão n.º 3201003.817 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.662, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912289/201211 Acórdão n.º 3201003.817 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912289/201211 Acórdão n.º 3201003.817 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912289/201211 Acórdão n.º 3201003.817 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100167/2009-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-006.921
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PACIFIC SHOES INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 01 67 /2 00 9- 88 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11065.100167/200988 Acórdão n.º 9303006.921 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 380300.780, que, na parte de interesse, decidiu que os valores oriundos da cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo a reforma da decisão a quo. Argumenta, em síntese, que os valores recebidos pela transferência de créditos do ICMS a terceiros constituem receita da empresa, tributável pelas contribuições. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. Na sequência, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.890, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 11080.101559/200542, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.890): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015, vez que comprovada a divergência. Quanto ao cerne da lide, especificamente à discussão acerca da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, vêse que deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das r. receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros. Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11065.100167/200988 Acórdão n.º 9303006.921 CSRFT3 Fl. 4 3 I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11065.100167/200988 Acórdão n.º 9303006.921 CSRFT3 Fl. 5 4 exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Importante ressalvar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o acúmulo de créditos do ICMS também foi decorrente de exportações para o exterior. Todavia, neste processo a Recorrente foi a Fazenda, de sorte que a aplicação do decidido no paradigma quanto à matéria em foco implica a negativa de provimento ao especial fazendário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003234/2001-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
CRÉDITO FINANCEIRO. DIREITO RECONHECIDO. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO DO TÍTULO JUDICIAL.
Comprovada a desistência da execução do título judicial, o processo deve retornar à origem para verificação da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 9303-006.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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DIREITO RECONHECIDO. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO DO TÍTULO JUDICIAL. Comprovada a desistência da execução do título judicial, o processo deve retornar à origem para verificação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 32 34 /2 00 1- 09 Fl. 2426DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 1.746 a 1.772), interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 20217.143, proferido pela Segunda Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 1.723 a 1.727), sob a seguinte ementa: IPI. COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO DA DESISTÊNCIA. Na hipótese de titulo judicial, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser deferidos administrativamente se o requerente comprovar a homologação pelo Poder Judiciário da desistência do titulo judicial ou da renúncia a tal execução. Recurso negado. Antes, o contribuinte havia oposto Embargos de Declaração (fls. 1.733 a 1.738), que foram rejeitados (1.740 a 1.742). Ao Recurso Especial inicialmente não foi dado seguimento (fls. 1.816 e 1.817), por intempestividade, decisão contra a qual interpôs Agravo (fls. 1.824 a 1.833), por meio do qual não logrou êxito (fls. 1.840 e 1.841). Após “idas e vindas”, com trâmites em esferas judiciais (mas não por conta disto), foi dado seguimento ao Recurso, conforme Despacho de Admissibilidade às fls. 2.395 a 2.398. Na sua peça recursal, o contribuinte alega, em síntese, que havia desistido da ação judicial e nem sequer teria iniciado a sua execução, e, portanto, seu pleito deveria ter sido apreciado pela autoridade administrativa competente. A PGFN apresentou Contrarrazões (fls. 2.400 a 2.405), nas quais alega que “o contribuinte desistiu apenas da execução dos honorários, não tendo expressamente formulado pedido de desistência da execução do principal”. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidas as formalidades previstas no RICARF, conheço do Recurso Especial. A discussão aqui, então, restringese a algo, aparentemente, muito simples: caracterização ou não da desistência à execução de título judicial antes da propositura de Pedido de Compensação na esfera administrativa. Fl. 2427DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 4 3 Mas, ainda assim, há alguns detalhes a serem analisados: A interessada efetivamente desistiu da execução do título judicial, a ponto de isto ser considerado para a análise das compensações, na esfera administrativa?? Isto era exigido, na forma em que teria sido feito, pela legislação vigente à época do pedido (IN/SRF nº 21/97), ou só o passou a ser a partir da edição da IN/SRF nº 460/2004?? Para dirimir estas dúvidas, necessário se faz adentrar, ao menos em parte, no histórico dos trâmites judicial e administrativo: 1) Em 27/09/2001 (fl. 3), a interessada ingressou com Pedido de Compensação (vinculado a ressarcimento de créditos do IPI já reconhecido, e, inclusive, pago, mas sem correção monetária, como será visto adiante), com a seguinte motivação (fl. 14): “Para fins de compensação de impostos e contribuições federais com crédito decorrente da ação judicial n° 95.09013161, transitada em julgado em 09 de fevereiro de 2001, junto à lº Vara Federal da Seção Judiciária de Sorocaba/SP, esclarecemos o que segue: a) As empresas: Svedala Faço Ltda., CNPJ 16.622.284/000198 e Svedala Dynapac Ltda., CNPJ 60.869.062/000166, conseguiram através do processo supra citado o direito a correção monetária nos créditos decorrentes de ressarcimento de IPI no período de out/89 à nov/94, que atualizado até setembro de 2001 totaliza R$ 3.057.781,43. (...)” 2) Para procurar viabilizar o Pedido de Compensação, a interessada entrou com uma petição, no Judiciário, nos seguintes termos: “SVEDALA FAÇO LTDA. e SVEDALA DYNAPAC LTDA., por seus advogados que esta subscrevem, nos autos do processo em epígrafe, vêm, respeitosamente, à presença de V.Exa., desistir da execução da decisão transitada em julgado nos presentes autos, inclusive no tocante às verbas de sucumbência devidas pela União Federal, com a finalidade de que possam formular pedido de compensação dos valores relativos ao indébito tributário perante a Secretaria da Receita Federal, conforme disposto no artigo 17 da Instrução Normativa n° 21/97, requerendo, desde já, a homologação do presente pedido de desistência para que produza os regulares fins de direito”. 3) O Juiz, para decidir, ainda pede (fl. 461) que as partes “Esclareçam expressamente as partes autoras se estão renunciando ao crédito relativo aos honorários advocatícios, requeridos na petição de fls. 783/833, e se pretendem a extinção da execução, nos termos do artigo 94, III, do CPC”. 4) Em resposta, as autoras dizem o seguinte: Fl. 2428DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 5 4 “As Autoras através do petitório de fls. 925, desistiram da execução da decisão transitada em julgado nos presentes autos, inclusive no tocante aos honorários advocatícios devidos pela União Federal nos presentes autos, visto que pretendem formular pedido de compensação da quantia relativa ao indébito tributário perante a Secretaria da Receita Federal, na forma da Instrução Normativa n° 21/97. Ocorre que, nos termos do art. 17 da referida Instrução Normativa, para a formulação de tal pedido de compensação perante a Secretaria da Receita Federal, mostrase necessário que as Autoras comprovem “a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios” (§ 1º). Diante disso, as Autoras esclarecem que desistem da execução da decisão transitada em julgado nos presentes autos e renunciam somente ao direito ao crédito relativo às custas judiciais despendidas e aos honorários advocatícios devidos pela União Federal, uma vez que estarão pleiteando a compensação do crédito relativo ao indébito tributário perante a Secretaria da Receita Federal, nos termos da Instrução Normativa n° 21/97.” 5) A Sentença (fl. 472) foi proferida da seguinte forma: “Tendo em vista a renúncia das autoras quanto aos honorários devidos pela União e as custas por elas despendidas nesta ação (fls. 933/934), EXTINGO por sentença, somente com relação a tais créditos, a presente execução, com fulcro no artigo 794, inciso III, do Código de Processo Civil. Transitada em julgado, arquivemse, independentemente de novo despacho.” 6) Foram nestas premissas fáticas que se baseou a autoridade competente para decidir sobre a compensação, no Despacho Decisório DRF/SOROCABA/SAORT/Nº 288/05 (fls. 1.167 a 1.173), sendo que no Relatório é dito que “Analisandose as peças da ação judicial trazidas aos autos pelo contribuinte, verificase que o mesmo renunciou à execução dos honorários advocatícios e custas judiciais, mas recusouse expressamente a renunciar ao direito de execução do titulo judicial quanto ao valor principal do crédito”. 7) No voto condutor do acórdão recorrido (fls. 1.726), diz o ilustre Relator o seguinte: “Versa o recurso sobre dois aspectos: a suposta falta de desistência da execução do principal na ação judicial e a existência/quantum dos valores ressarcidos do IPI sobre os quais será calculada a correção monetária devida ao interessado por força da decisão judicial. Quanto ao primeiro aspecto, verifico que a Decisão ... ao afirmar que: (...) (já vimos isto, no Item 5) Fl. 2429DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 6 5 A Certidão de fl. 1.088 também é clara ao afirmar a mesma coisa. Assim, resta pendente a desistência de execução do principal, requisito sine qua non para o deferimento da compensação pleiteada. Entendo que poderia a interessada, no decorrer da instrução do presente processo, tomar duas providências: requerer, por certidão, a declaração da desistência da execução do principal, caso já a tivesse feito, ou, ao contrário, poderia requerer a referida desistência e solicitar a homologação judicial da mesma. Em qualquer caso, terseia conseguido elidir, a contento, a decisão que lhe é desfavorável. Inclusive, a interessada requereu o desarquivamento do feito em maio de 2005, retirando os autos do cartório e devolvendoos, sem no entanto efetuar nenhuma das hipóteses acima elencadas. Assim, entendo que, de fato, não foi requerida a desistência que obsta o deferimento de seu pedido, razão pela qual não vejo como modificar a decisão recorrida, pois, agindo de forma diversa, estarseia agindo de forma contrária ao que preceituavam tanto a IN/SRF nº 21/97 como a IN SRF nº 460/2004. Quanto ao segundo argumento, entendo que, a uma, não estão sendo discutidos os mesmos aqui, pois, inclusive, não é este o objeto do pedido administrativo; ...” Visto isto, vou agora às razões de decidir. Quanto ao Pedido de Ressarcimento, como já dito, foi totalmente deferido e pago, mas sem correção monetária, como reconhecido pelo próprio contribuinte em sua Petição Inicial (fl. 112), ao dizer que “Desta feita, valemse as Autoras da presente ação para que seja reconhecido o direito à correção monetária dos referidos créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, CRÉDITOS ESSES INCONTROVERSOS E RECONHECIDOS COMO SENDO LEGÍTIMOS PELA PRÓPRIA RÉ, que lhes foram ressarcidos (conforme recibos de pagamento anexos), porém pelos seus valores históricos”. A lide restringese então ao pleiteado jucialmente (correção monetária), em relação ao que, ao meu ver, não há o que se discutir no que tange aos fatos. A interessada não desistiu da execução do principal, dizendo que o pleitearia na via administrativa. Resta, então, somente ver se, por conta disto, a autoridade competente poderia ou não indeferir o pleito, à vista da legislação que rege as compensações. É cediço que o que vale é a legislação vigente à época do pedido, que era a IN/SRF nº 21/97. Vejamos o que ela prescrevia, no que interessa à discussão (não em sua redação original, mas aquela dada pela IN/SRF nº 73/97): Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido Fl. 2430DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 7 6 de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. Agora, o que prescrevia a IN/SRF nº 460/2004: Art. 50. São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. (...) § 2º Na hipótese de título judicial, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou da renúncia a sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. Então, a diferença entre as duas é clara: a primeira somente exige a comprovação da desistência da execução do título judicial; a segunda, a comprovação da homologação pelo Poder Judiciário desta desistência. O Poder Judiciário homologou a desistência em relação ao principal?? Não. Como esta exigência só figura na IN/SRF nº 460/2004, isto não se aplicaria a um pedido protocolado anteriormente à sua vigência. A questão que resta a discutir é a seguinte: o contribuinte seguiu os ditames da IN/SRF nº 21/97?? Para mim, está claro que não. Conforme já disto, em sua primeira petição, dá a autora a entender que tinha desistido de tudo, mas, instada pelo Juiz a prestar esclarecimentos, ela agora fala que “Diante disso, as Autoras esclarecem que desistem da execução da decisão transitada em julgado nos presentes autos e renunciam somente ao direito ao crédito relativo às custas judiciais despendidas e aos honorários advocatícios devidos pela União Federal, uma vez que estarão pleiteando a compensação do crédito relativo ao indébito tributário perante a Secretaria da Receita Federal ...” (fl. 1.156) Assim, caracterizado está que o contribuinte não comprovou junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial (no que tange ao valor principal, que é o objeto da compensação), conforme exigido no § 1º do art. 17 da IN/SRF nº 21/97, com a redação da IN/SRF nº 73/97, estando correta, portanto a confirmação, pelo Acórdão recorrido, da negativa do pleito. Fl. 2431DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 8 7 Em termos simples, o contribuinte fez o seguinte: "se garantiu" acerca do principal na via judicial, e aí tentou a via administrativa. Se não lograsse êxito, partiria para a execução judicial. E a IN/SRF nº 21/97 é absolutamente clara a respeito: ele não poderia tentar a via administrativa sem antes desistir da via judicial. Se fossemos admitir como válido o seu procedimento, seria também admitir que é absolutamente inútil e sem sentido o exigido na norma (albergada pela lei, dentro dos ditames do art. 170 do CTN). À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Redator designado Com todo respeito ao voto do ilustre Relator, discordo de suas conclusões quanto ao presente processo e me foi incubido de redigir o voto vencedor a esse respeito. Como pode se ver das decisões recorridas, desde a origem, o direito creditório foi indeferido ante à conclusão de que o contribuinte não havia renunciado à execução do título judicial. Da leitura do que consta nos elementos processuais estou convicto de que essa assertiva não corresponde à realidade dos fatos. Observe que no Despacho Decisório proferido pela DRF/Sorocaba, efls. 1167 e seg, a compensação foi indeferida com base no § 2º do art. 50 da IN SRF nº 460/2004, abaixo transcrito: § 2º Na hipótese de titulo judicial, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do titulo judicial ou da renúncia a sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocaticios. Aqui constato o primeiro equívoco do presente processo. O pedido de compensação do contribuinte foi apresentado em 27/09/2001, efl. 3, o qual foi efetuado com base na IN SRF nº 21/97, vigente à época do encontro de contas. Porém a autoridade administrativa aplicou exigências somente estabelecidas em período posterior ao pedido por meio da IN SRF nº 460/2004. Na IN SRF nº 21/97 não era exigido a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução, vejamos como dispunha o art. 17 da IN SRF nº 21/97: Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do Fl. 2432DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 9 8 processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou ressarcimento uma cópia da sentença e do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito. § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório."; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) Mas veremos a seguir que o contribuinte tentou obter a referida homologação judicial de sua desistência da execução. Antes porém é imperioso informar que referido Despacho Decisório negou também o pedido pelo fato de o contribuinte, devidamente intimado, deixou de apresentar o valor a ele ressarcido em espécie para fins de cálculo da correção monetária autorizada no processo judicial. Ora, quem pagou o ressarcimento foi a própria RFB, a qual certamente deve ter o controle dos valores ressarcidos. Nesse caso aplicável o disposto no art. 37 da Lei nº 9.784/99: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. O contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em relação ao Despacho Decisório, porém a DRJ/Ribeirão Preto, efls. 1658 e segs., negou lhe provimento, mantendo o mesmo entendimento exarado pela autoridade de origem. O acórdão recorrido, efls. 1723 e segs, manteve o entendimento de que não foi comprovada a desistência da execução judicial. Mas como já afirmado no início deste voto, não considero esta assertiva verdadeira. A desistência da execução judicial está devidamente comprovada nos autos, conforme veremos a seguir. Às efls. 1150, consta desistência expressa do contribuinte relativa à execução da decisão judicial transitada em julgado, datada de 02/08/2001, nos seguintes termos de lá transportados: Fl. 2433DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 10 9 Penso que a redação está claríssima e houve, inclusive, o pedido de homologação da desistência. Em ato seguinte, em 03/08/2001, o Juiz despachou para que a parte autora esclarecesse expressamente o objeto da renúncia, efl. 1151: Fl. 2434DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 11 10 Vejam o conteúdo do esclarecimento em resposta ao pedido do juízo, efls. 1155/1156: Em seguida, o Juíz homologa a desistência em despacho exarado no dia 29/08/2001, nos seguintes termos, efl. 1142: Em que pese, os esclarecimentos do contribuinte terem sidos claros a respeito da desistência da ação judicial, o juíz entendeu errado e homologou somente a desistência dos Fl. 2435DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 12 11 honorários advocatícios. Porém, os fatos demonstram e comprovam que houve a desistência da ação judicial e opção irretratável pela via administrativa. Portanto, demonstrado que houve a efetiva desistência da execução judicial por parte do contribuinte, voto por DAR provimento ao recurso especial do contribuinte, com o retorno dos autos à Unidade de Origem para verificação do mérito da compensação, e da certeza e liquidez do crédito financeiro pleiteado/compensado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 2436DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.736731/2012-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
IMUNIDADE. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. INOBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE E ISENÇÃO ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRIBUINÇÕES. NATUREZA MATERIAL DO VÍCIO.
Constatada a falta do Ato Declaratório Executivo de Suspensão da imunidade/isenção antes da lavratura do auto de infração, deve ser cancelada a exigência fiscal. Somente após o ato formal de suspensão da imunidade/isenção pela autoridade competente é que se abre ao auditor fiscal, que detém a prerrogativa de constituição do lançamento tributário, a possibilidade de lavrar o auto de infração. Tudo isso se aplica às contribuintes. Essa espécie de vício possui natureza material.
Numero da decisão: 9101-003.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso (i) quanto à imunidade do IRPJ, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento e por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento (ii) quanto às contribuições, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em reconhecer o vício como material. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luís Flávio Neto e Adriana Gomes Rêgo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Redator Ad Hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. INOBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE E ISENÇÃO ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRIBUINÇÕES. NATUREZA MATERIAL DO VÍCIO. Constatada a falta do Ato Declaratório Executivo de Suspensão da imunidade/isenção antes da lavratura do auto de infração, deve ser cancelada a exigência fiscal. Somente após o ato formal de suspensão da imunidade/isenção pela autoridade competente é que se abre ao auditor fiscal, que detém a prerrogativa de constituição do lançamento tributário, a possibilidade de lavrar o auto de infração. Tudo isso se aplica às contribuintes. Essa espécie de vício possui natureza material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso (i) quanto à imunidade do IRPJ, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento e por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento (ii) quanto às contribuições, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em reconhecer o vício como material. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luís Flávio Neto e Adriana Gomes Rêgo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 67 31 /2 01 2- 69 Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.087 2 (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Redator Ad Hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura. Relatório Considerando que fui designado relator ad hoc para o presente processo, tendo em vista o pedido de exoneração realizado pela relatora original, após a sessão de julgamento, reproduzo, adinate, relatório e voto por ela trazidos na data do julgamento. Tratamse de autos de infração (Efls. 746 ss.) lavrados para a exigência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS, relativamente aos anos calendário 2007 a 2009, decorrente da acusação fiscal de que a entidade não gozaria de imunidade ou isenção, realizada a partir do arbitramento do lucro, como detalhado pelo Termo de Verificação Fiscal (Efls. 868 ss.), resumido pela decisão da DRJ: "Trata o processo dos autos de infração lavrados pela DRF/RJ1, referentes aos anoscalendário de 2007 a 2009, por meio dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 34.860.468,80 (fls. 746/787 e termo de verificação às fls. 868/891), a contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, no valor de R$ 10.479.740,63 (fls. 788/816), a contribuição para o Pis, no valor de R$ 2.365.219,19 (fls. 817/827), e a contribuição para o financiamento da seguridade social – Cofins, no valor de R$ 10.916.396,50 (fls. 828/838), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. 2 O interessado, nos termos dos arts. 2º e 3º do seu estatuto social (fls. 913/927), é um órgão da Ordem dos Advogados do Brasil OAB e é uma entidade sem fins lucrativos, com personalidade jurídica e patrimônio próprios. Na forma dos arts. 4º e 5º, tem por finalidade assistir os advogados e seus dependentes, com possibilidade de promover a seguridade complementar. Constituem fontes de receitas 27,5% das anuidades recebidas pelo Conselho Seccional, as contribuições obrigatórias, a participação nas custas judiciais, as rendas de seu patrimônio, as doações e legados, recebimentos por prestações de serviços, outras fontes eventuais e rendas de Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.088 3 serviços ambulatoriais, odontológicos, farmácia, livraria, plano de saúde e demais convênios (art. 19). 3 No início dos trabalhos de fiscalização, em 3/1/2011, o interessado foi intimado para, dentre outros, apresentar os livros contábeis e balancetes (fls. 840/842). Diante do não atendimento, o interessado foi reintimado em 2/3/2011 (fl. 843), 27/4/2011 (fl. 844), 22/6/2011 (fl. 845), 19/8/2011 (fl. 846), 18/10/2011 (fl. 847), 12/12/2011 (fls. 848/849). Em 19/10/2012 ao interessado solicitouse uma declaração se possuía a documentação de caixa pertinente à contabilidade (fl. 866). 3.1 De forma objetiva, o interessado respondeu que os livros diários dos anos de 2007 a 2009 “foram elaborados com base em informações recuperadas de nossos sistemas contábeis, uma vez que a documentação de caixa que deu suporte aos lançamentos não foi localizada” (fl 909). Também informou que “não possuía comprovantes de reconhecimento como entidade de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal nem certificação de entidade de assistência social vigentes” (fl. 910). 3.2 O interessado apresentou registro policial de ocorrência de furto de caixas de documentos, contendo contas médicas do período de janeiro de 2003 a março de 2007, ocorrido em 17/9/2007 em seu arquivo (fl. 934/936). O inquérito policial concluiu que funcionário do interessado participou do furto, com a finalidade de sumir com a documentação para inviabilizar a auditoria que se encontrava em andamento, sobre desvio de recursos no interessado, na ordem de R$ 60 milhões (937/938). 4 Baseada em julgados do Supremo Tribunal Federal – STF (RE 233843/MG, RE 662816 AgR/BA e RE 405267 ED/MG), que não reconheceram a imunidade do interessado, bem como na Súmula 730 deste tribunal e no estatuto social do interessado, concluiu a fiscalização que o interessado não goza da imunidade tributária constitucional. Adicionalmente, o interessado também não possui a certificação de entidade beneficente de assistência social. 4.1 Quanto à isenção tributária, o interessado não foi reconhecido como de utilidade pública federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, conforme disposto no art. 55, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, como também suas atividades não atendem o art. 12 da Lei 9.532/1997 e o art. 2º da Lei nº 12.101/2009. 5 Apesar de terem sido apresentados os livros contábeis, mas desacompanhados da respectiva documentação, impossibilitando a verificação das aplicações dos recursos, foram arbitrados os lucros dos anoscalendário de 2007 a 2009, com base nas receitas conhecidas, e lavrados os autos de infração de IRPJ e de CSLL (demonstrativos das receitas às fls. 890/891). O fundamento legal para tanto foi o art. 55, inciso V, da Lei nº 8.212/1991, c/c arts. 12, §2º, “c” e “d”, e 15, §3º, da Lei nº 9.532/1997, bem como art. 29, inciso VI, da Lei nº 12.101/2009. Também foram lavrados autos de infração do Pis e da Cofins, no regime cumulativo, por insuficiências nos recolhimentos." Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.089 4 Insurgindose, a contribuinte apresentou impugnações administrativas (Efls. 1014 ss.), com suas razões resumidas pela decisão recorrida, a qual se aproveita: " mesmo apresentando todos os livros contábeis, balancetes e declarações, seus lucros foram arbitrados. Estes documentos seriam suficientes para verificar a regularidade da apuração e recolhimento dos tributos; se faz necessária a presença de vícios previstos no dispositivo para aplicação do arbitramento previsto no art. 148 do CTN; de acordo com o art. 150, inciso VI, alíneas “a”, e “c”, da Constituição Federal, poderia desfrutar da imunidade tributária; a entidade não possui fins lucrativos, não distribuindo qualquer parcela de seu patrimônio ou de suar rendas, aplicando seus recursos de forma integral na manutenção dos objetivos institucionais; entende que a multa aplicada tem natureza confiscatória, sendo isto vedado pelo art. 150, inciso IV, da Constituição Federal; afirma que a base de cálculo do PIS seria a folha de pagamento. Já a base de cálculo da Cofins seria o resultado da venda de mercadorias e serviços, sendo que esta não se aplicaria à recorrente;" Passo seguinte, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I proferiu o acórdão n. 1256.368 (Efls. 1879 ss.), mantendo parcialmente o lançamento, com o afastamento da incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre receitas financeiras, retificação da base de cálculo dos tributos referentes ao mês de setembro de 2008 e, em decorrência, exclusão de montante do total do débito. Leiase a sua ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. A Caixa de Assistência dos Advogados não está amparada pelo art. 150, inciso VI, alínea “a”, da Constituição, por não se revestir da instrumentalidade estatal. Apesar de integrar a estrutura da Ordem dos Advogados do Brasil OAB, a imunidade não se estende, dada a dissociação entre as atividades de cada entidade. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. Para a entidade de assistência social gozar de imunidade tributária, conforme estabelecido no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição, precisa colocar seus serviços à disposição da população em geral. A Caixa de Assistência dos Advogados só promove seus benefícios aos seus associados e mediante contribuições regulares dos advogados. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. DOCUMENTAÇÃO DAS OPERAÇÕES. Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.090 5 Uma das condições para benefício da isenção tributária é a guarda da documentação comprobatória das atividades da entidade, de forma que se comprove as origens dos recursos recebidos e suas aplicações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DA DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. A ausência da documentação contábil de entidade sem fins lucrativos impõe o arbitramento do lucro, nos termos do alínea “d”, do §2º, do art. 12, da Lei nº 9.532/1997. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Falece competência aos órgãos da administração tributária para apreciar questões de naturezas constitucionais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, o decidido no lançamento matriz aplicase ao lançamento reflexo. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007, 2008, 2009 PIS E COFINS. LUCRO ARBITRADO. REGIME GERAL. O contribuinte que teve seu lucro arbitrado contribui para o Pis e a Cofins no regime geral da cumulatividade, tendo como bases de cálculos o faturamento, assim definido pela legislação do imposto de renda. PIS E COFINS BASE DE CÁLCULO ALTERAÇÃO LEI Nº 9.718/98 INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL Declarada a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/1998 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nos 2.346/1997 e 70.235/1972. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam os membros desta Turma, por unanimidade de votos e nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, dar provimento parcial à impugnação para que sejam exigidos o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, no valor de R$ 10.478.193,78, a contribuição para o Pis, no valor de R$ 2.303.890,11, e a contribuição para o financiamento da seguridade social – Cofins, no valor de R$ 10.633.338,85,acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios." A contribuinte interpôs recurso voluntário (Efls. 1926 ss.), à semelhança de sua impugnação administrativa, sustentando (i) a insubsistência do lançamento diante da Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.091 6 impossibilidade de arbitramento, uma vez que teria posto todos os seus registros contábeis à disposição do Fisco; (ii) sua imunidade tributário ao IRPJ, conforme o artigo 150, VI, a e c, da Constituição Federal e o preenchimento dos requsitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional; (iii) imunidade à CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS; (iv) isenção ao IRPJ e CSLL, nos termos do artigo 15 da Lei n. 9532/97; (v) não incidência da CSLL em razão de sua não lucratividade; (vi) insubsistência dos lançamentos de Contribuição ao PIS e COFINS, na medida em que, devido ao arbitramento, foram apurados de forma cumulativa, aplicandose as alíquotas de 3 e 0,65% sobre a receita bruta, enquanto deveriam submterse às regras dos artigos 13 e 14 da MP n. 2158/01; e (vii) desproporcionalidade da multa aplicada. Nesse sentido, formulou os seguintes pedidos: Do julgamento do recurso pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento resultou o acórdão n. 1102001.229 (Efls. 1981 ss.), em que, por unanimidade de votos, declarouse a nulidade dos autos de infração por inobservância do procedimento previsto no art. 32 da Lei n. 9.430/96, como refletido na ementa abaixo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 IMUNIDADE. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. INOBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE E ISENÇÃO ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Constatada a falta do Ato Declaratório Executivo de Suspensão da imunidade/isenção antes da lavratura do auto de infração, deve ser cancelada a exigência fiscal. Somente após o ato formal de suspensão da imunidade/isenção pela autoridade competente é que se abre ao auditor fiscal, que detém a prerrogativa de constituição do lançamento tributário, a possibilidade de lavrar o auto de infração." Em face da referida decisão, primeiramente, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (Efls. 1994 ss.), alegando omissão quanto (i) à necessidade de Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.092 7 realização do procedimento específico para a suspensão da imunidade previsto no art. 32 da Lei nº 9.430/96 abranger apenas o IRPJ ou também as demais contribuições lançadas no auto de infração (CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS) e (ii) ao vício no que tange à ausência de observância do procedimento específico para a suspensão da imunidade possuir natureza formal ou material. Os embargos foram recepcionados por despacho de admissibilidade (E fls. 2008 ss.) e acolhidos parcialmente pelo acórdão n. 1202001.563 (Efls. 2013 ss.), sem efeitos infringentes, por se compreender ausente a primeira omissão alegada, saneando a segunda, como resta claro nos seguintes trechos: "Quanto ao alcance da nulidade, não resta dúvida, pois, que abarca todos os lançamentos a que se refere o processo, ou seja, o IRPJ e as contribuições, não havendo omissão uma vez, no corpo do voto, o relator se referir a todos os tributos e, ao final deste e no acórdão, constar a declaração de nulidade dos autos de infração no plural." "Relativamente a que tipo de vício macula os lançamentos, de fato, não há no acórdão essa indicação. Todavia, é perceptível, no corpo do voto, que o relator, e por consequência a Turma, consideraram ser a nulidade decorrente de vício material." Na sequência, interpôs recurso especial (Efls. 2021 ss.) sustentando divergência com relação às seguintes matérias, com os respectivos paradigmas:(i) desnecessidade de ato de suspensão de imunidade quando o contribuinte não preenche os prérequisitos exigidos pela legislação tributária para usufruir desse benefício (acórdão n. 1302001.415); (ii) desnecessidade de ato de suspensão de imunidade em relação às contribuições (acórdãos n. 20310.664 e 3102002.224); e (iii) natureza do suposto vício no lançamento correspondente à inobservância do procedimento de suspensão de imunidade previsto no art. 32 da Lei nº 9.430/96 (acórdãos n. 9101000.877 e 10516.412); O recurso foi integralmente recepcionado por despacho de admissibilidade (Efls. 2052 ss.), que se debruçou sobre todos os paradigmas apresentados, chegandose à seguinte conclusão: "Com relação à primeira matéria, (1) “(des)necessidade de ato de suspensão de imunidade quando o contribuinte não preenche os prérequisitos exigidos pela legislação tributária para usufruir desse benefício”, ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes e à luz das mesmas normas jurídicas, chegouse a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida entendeu que, somente após o ato formal de suspensão da imunidade/isenção pela autoridade competente é que se abre ao auditorfiscal, que detém a prerrogativa de constituição do lançamento tributário, a Fl. 2092DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.093 8 possibilidade de lavrar o auto de infração, o acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1302001.415, de 2014) decidiu, de modo diametralmente oposto, que, restando claro que a Recorrente não atendeu aos requisitos estipulados pela legislação e, portanto, não é detentora do direito à imunidade, assim como entendeu a fiscalização em seu despacho de fls. 907/909, [...], não há que se falar em suspensão de imunidade no presente caso. Acrescentese que a exceção prevista na decisão recorrida — situação diferente seria, por exemplo, se uma fábrica de sapatos enviasse DIPJ na qual constasse isenção ou imunidade como forma de tributação sobre lucro. Nesse caso, frente à visível impossibilidade de a pessoa jurídica se enquadrar como imune ou isenta, entendo que não seria necessário o ADE — não alcança o acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1302 001.415, de 2014), uma vez que, nesse último caso, a conclusão da fiscalização de que o Colégio Sophos não tinha direito à imunidade se deu após detalhada análise, e não frente à visível impossibilidade de a pessoa jurídica se enquadrar como imune ou isenta. No que se refere à segunda matéria, (2) “(des)necessidade de ato de suspensão de imunidade em relação às contribuições”, também ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes e à luz das mesmas normas jurídicas, chegouse a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida (e respectivo Acórdão em Embargos) entendeu que, quanto ao alcance da nulidade, [...] abarca todos os lançamentos a que se refere o processo, ou seja, o IRPJ e as contribuições, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 20310.664, de 2006, e 3102002.224, de 2014) decidiram, de modo diametralmente oposto, que a submissão ao rito do art. 32 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não atinge a Cofins, por envolver apenas a imunidade tributária relativa a impostos (primeiro acórdão paradigma), ou seja, que o rito processual estabelecido no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicase apenas à imunidade tributária relativa aos impostos (segundo acórdão paradigma). Por fim, no tocante à terceira matéria, (3) “natureza do suposto vício no lançamento (inobservância do procedimento de suspensão de imunidade previsto no art. 32 da Lei nº 9.430/96)”, também ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes e à luz das mesmas normas jurídicas, chegouse a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida (e respectivo Acórdão em Embargos) entendeu ser a nulidade decorrente de vício material, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 9101 000.877, de 2011, e 10516.412, de 2007) decidiram, de modo diametralmente oposto, que a ausência da observância do procedimento específico para a suspensão da imunidade acarreta vício formal ao lançamento tributário (primeiro acórdão paradigma) e que é nulo, por vício formal, o Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.094 9 lançamento não precedido daquelas formalidades (segundo acórdão paradigma). Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, concluise pela caracterização das divergências de interpretação suscitadas." Por fim, a contribuinte apresentou contrarrazões (Efls. 2065 ss.) defendendo a assertividade da aplicação do artigo 32 da Lei n. 9.430/96 quanto aos dois primeiros pontos do recurso fazendário e a natureza material do vício em questão. Passase, assim, à apreciação do recurso especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra Redator Ad Hoc Lembrando que fui designado relator ad hoc para o presente processo, tendo em vista o pedido de exoneração realizado pela relatora original, após a sessão de julgamento, utilizome do relatório e voto por ela trazidos na data do julgamento, nos seguintes termos: CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Fl. 2094DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.095 10 Analisandose o caso concreto, VOTASE POR CONHECER o recurso fazendário nos termos do despacho de admissibilidade, o qual trasncrito no relatótio acima. MÉRITO De acordo com a anásile de conhecimento procedida, devolveuse para análise deste colegiado as seguintes questões: (i) desnecessidade de ato de suspensão de imunidade quando o contribuinte não preenche os prérequisitos exigidos pela legislação tributária para usufruir desse benefício; (ii) desnecessidade de ato de suspensão de imunidade em relação às contribuições; e (iii) natureza do suposto vício no lançamento correspondente à inobservância do procedimento de suspensão de imunidade previsto no art. 32 da Lei nº 9.430/96, sobre as quais passo a me manifestar, objetivamente. Com relação à primeira matéria, considero que somente após o ato formal de suspensão da imunidade/isenção pela autoridade competente é que se abre ao auditorfiscal, que detém a prerrogativa de constituição do lançamento tributário, a possibilidade de lavrar o auto de infração, ainda que o contribuinte não tenha atendido aprioristicamente os requisitos estipulados pela legislação para o gozo do direito à imunidade, sobretudo quando não se está diante de um caso em que, prontamente, se perceba a impossiblidade de sujeição aos benefícios, como o exemplo dado pela decisão recorrida de uma empresa de sapatos que se delcarasse imune ou isenta em sua DIPJ. No caso julgado, particularmente, vê que a entidade poderia ser imune ou isenta, mas foi acusada de não cumprir os requisitos para tanto, daí a necessidade certa de se obervar os passos legais para a sua exclusão. Ainda que se possa considerar que a imunidade ou isenção são concessões logicamente anteriores às regras do art. 32 da Lei n. 9.430, não se pode negar qua também fazem parte do sistema e represenata formalidade escolhida pelo legisaldor para a exclusão do benefício. Assim, não cabe à fiscalização, por seu entendimento, negálo, especialmente diante de sua vinculação legal. Por essas razões, também entendo nula a constituição do crédito tributário em questão, diante do não atendimento ao rito do Ato Declatarório de Exclusão, razão pela qual mantenho o acórdão recorrido, adotandose as sua raões de decidir: "III. DA NULIDADE Inicialmente, é importante esclarecer que é indiferente para o enfrentamento da nulidade o fato de a Recorrente ser imune ou isenta, pois, nos termos do art. 32, da 9.430, §§1º a 4º e 10, sendo a entidade imune ou isenta, antes da lavratura do auto de infração, impõese a expedição de ato declaratório suspensivo do benefício, denominado de Ato Declaratório Executivo (ADE): Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.096 11 § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. (...) § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. A despeito disso, é importante relatar, também, que a Recorrente se declara isenta na DIPJ 2008/2007 (fl. 03) bem como na DCTF de fl. 58. Todavia, tanto na impugnação (fls. 1014, 1039, 1062 e 1085) quanto no recurso voluntário (fls. 1926/1962), o pedido principal está pautado no argumento de imunidade. Isso, contudo, reiterese, para análise da nulidade, não traz prejuízo. Outro enfrentamento prévio consiste em saber se o art. 32 está com a eficácia suspensa em razão da Medida Cautelar na ADIN 1.802/DF. Lendo o ementário do julgado do e. STF, vemos que não: EMENTA: I. Ação direta de inconstitucionalidade: Confederação Nacional de Saúde: qualificação reconhecida, uma vez adaptados os seus estatutos ao molde legal das confederações sindicais; pertinência temática concorrente no caso, uma vez que a categoria econômica representada pela autora abrange entidades de fins não lucrativos, pois sua característica não é a ausência de atividade econômica, mas o fato de não destinarem os seus resultados positivos à distribuição de lucros. II. Imunidade tributária (CF, art. 150, VI, c, e 146, II): "instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei": Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.097 12 delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária: análise, a partir daí, dos preceitos impugnados (L. 9.532/97, arts. 12 a 14): cautelar parcialmente deferida. 1. Conforme precedente no STF (RE 93.770, Muñoz, RTJ 102/304) e na linha da melhor doutrina, o que a Constituição remete à lei ordinária, no tocante à imunidade tributária considerada, é a fixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune; não, o que diga respeito aos lindes da imunidade, que, quando susceptíveis de disciplina infraconstitucional, ficou reservado à lei complementar. 2. À luz desse critério distintivo, parece ficarem incólumes à eiva da inconstitucionalidade formal argüida os arts. 12 e §§ 2º (salvo a alínea f) e 3º, assim como o parág. único do art. 13; ao contrário, é densa a plausibilidade da alegação de invalidez dos arts. 12, § 2º, f; 13, caput, e 14 e, finalmente, se afigura chapada a inconstitucionalidade não só formal mas também material do § 1º do art. 12, da lei questionada. 3. Reserva à decisão definitiva de controvérsias acerca do conceito da entidade de assistência social, para o fim da declaração da imunidade discutida como as relativas à exigência ou não da gratuidade dos serviços prestados ou à compreensão ou não das instituições beneficentes de clientelas restritas e das organizações de previdência privada: matérias que, embora não suscitadas pela requerente, dizem com a validade do art. 12, caput, da L. 9.532/97 e, por isso, devem ser consideradas na decisão definitiva, mas cuja delibação não é necessária à decisão cautelar da ação direta. Entendimento semelhante tiveram outros d. julgadores deste e. CARF, como podemos ver no Acórdão nº 1101001.005, proferido na sessão de 07/11/2013 (fl. 36): “Com efeito, é preciso dizer que o próprio Supremo Tribunal já se manifestou no sentido de que a ADI 1802 não envolvia o art. 32 da Lei nº 9.430/96, circunstância essa apreendida com muito propriedade pela r. decisão recorrida, que dirimiu com perfeição a questão processual em testilha (...)”Feitos tais esclarecimentos, enfrentemos a nulidade. Lendo a impugnação (fls. 1014, 1039, 1062 e 1085) e o recurso voluntário (fls. 1926/1962), não encontramos nenhum pedido de nulidade por ausência de aplicação do rito previsto no art. 32, da Lei nº 9.430. Todavia, sendo “nulidade” matéria de ordem pública, pode (deve) ser conhecida de ofício por esta r. Turma, como vem entendendo outros d. julgadores deste e. Tribunal: “Assunto: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 1995 LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIOS FORMAL E MATERIAL. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Reconhecese a nulidade formal do lançamento quando inexistente identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF nº 21, assim como a nulidade material decorrente da falta de descrição da infração, que ofende o direito à ampla defesa e ao contraditório pelo contribuinte. Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.098 13 Recurso provido. Acórdão nº 2101002.428, proferido em sessão ocorrida em 20/03/2014”. Sendo assim, o procedimento padece de nulidade. Isso porque, o art. 32, transcrito acima, impõe que, quando a entidade se declarar imune ou isenta, a lavratura do auto de infração só pode ocorrer após a suspensão do benefício por meio do ADE. A tabela abaixo sistematiza o quanto previsto na citada lei: (...) Desse modo, como não foi respeitado o procedimento previsto em lei, deve ser declarada a nulidade dos autos de infração. Este e. Tribunal, em situação análoga, assim decidiu: “EMPRESA BENEFICIÁRIA DE ISENÇÃO. INOBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE ISENÇÃO ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Constatada a falta do Ato Declaratório Executivo de Suspensão da Isenção antes da lavratura do auto de infração deve ser cancelada a exigência fiscal. Somente após o ato formal de suspensão da imunidade pela autoridade competente é que se abre ao auditor fiscal, que detém a prerrogativa de constituição do lançamento tributário, a possibilidade de lavrar o auto de infração. Recurso Voluntário Provido. ACÓRDÃO 120200.444, sessão de 14.12.2010. Ademais, esta matéria já foi inclusive objeto de análise por esta Douta Turma, quando da análise do Processo nº 13808.000309/200226, da relatoria do Ilustre Conselheiro Francisco Linhares, no qual acordaram seus membros, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício da DRJ de Campinas – SP de acórdão que julgara pela nulidade de lançamento tributário decorrente de suspensão de imunidade tributária em desacordo com o procedimento do art. 32 da Lei nº 9.430/96: Processo nº 13808.000309/200226 Recurso de Ofício Acórdão nº 1102000901 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de agosto de 2013 Matéria – Auto de Infração – Cofins Recorrente DRJ EM CAMPINAS – SP Interessado Associação das Famílias para Unificação e Paz Mundial Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2000 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO DE ENTIDADE CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. INOBSERVANCIA DO ARTIGO 32, § 3°, DA LEI N° 9.430/1996. NULIDADE. A não observância, por parte do fisco, do artigo 32, § 3°, da Lei n° 9.430/1996, que determina que o Delegado deve decidir sobre as alegações e provas apresentadas pela entidade, dá ensejo a nulidade do Ato Declaratório Executivo emitido, por descumprimento de formalidade essencial e preterição de direito de defesa. LANÇAMENTOS DECORRENTES DA SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. NULIDADE. A anulação do Ato Declaratório que suspendeu a isenção da entidade é vicio insanável que contamina os autos de infração lavrados. Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.099 14 ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Por fim, é importante afastar eventual argumento que a CAARJ nunca foi imune ou isenta, razão pela qual não se fazia necessário adotar o procedimento do art. 32. Com o devido respeito, tal compreensão não se aplica, pois há, sim, dúvida se as caixas de assistências gozam de imunidade tributária, seja pela alínea “a”, do inciso VI, do art. 150, seja pela alínea “c” do mesmo dispositivo. Lembremonos que a matéria está afetada a repercussão geral no RE 600.010, desde 12/03/2010, mas ainda não julgado. Ademais, o art. 181, do RIR/99, dispõe que “As isenções de que trata esta Seção independem de prévio reconhecimento”. A seção à qual se refere o art. 181 é a IV, na qual está a subseção denominada “Sociedades Beneficentes, Fundações, Associações e Sindicatos”. Situação diferente seria, por exemplo, se uma fábrica de sapatos enviasse DIPJ na qual constasse isenção ou imunidade como forma de tributação sobre lucro. Nesse caso, frente à visível impossibilidade de a pessoa jurídica se enquadrar como imune ou isenta, entendo que não seria necessário o ADE. IV. CONCLUINDO Dado o exposto, conduzo meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a nulidade dos autos de infração por ofensa ao procedimento previsto no art. 32, da Lei nº 9.430. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso de ofício, e dar provimento integral ao recurso voluntário." Igualmente adoto as razões do acórdão que julgou os embargos de declaração (1201001.563) para também mantêlo, por compreender que o rito do artigo 32 se aplica às contribuições, ainda que a imunidade se refira a impostos, daí porque se exija que o seu lançamento seja antecedido pelo ato declaratório e por compreender que a nulidade do vício em questão possua natureza material, por macular a constituição do crédito trbiutário, não se tratando de mera formalidade. Eis a sua redação: "Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. Uma vez que os pressupostos de admissibilidade já foram avaliados no despacho próprio, passase à análise do vício apontado. Omissão. A embargante alega ter havido omissão no acórdão proferido pela então 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em 22 de outubro de 2014, em face da declaração de nulidade dos autos de infração sem ser explicitado se o vício que os macularia seria formal ou material e, ainda, se a nulidade Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.100 15 declarada alcança tãosomente o IRPJ ou também a CSLL, a contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins. O artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) dispõe expressamente que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Analisandose, por primeiro, a alegação de que haveria omissão quanto à falta de declaração de que a nulidade alcançaria as contribuições (CSLL, PIS/Pasep e Cofins), verificase que tal não ocorreu. O presente processo cuida de autos de infração de IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. A decisão de primeira instância (fls. 1.879 a 1.892) a eles se referiu de forma expressa. E a decisão de segunda instância (embargada) também faz referência a todos eles quando os cita em conjunto ou trazendo a expressão "autos de infração" no plural. Vejase o contido no dispositivo do acórdão, no relatório e no voto do relator (fls. 1981 a 1.983, 1.987, 1.990 e 1.991): Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade dos autos de infração por inobservância do procedimento previsto no art. 32 da Lei no. 9.430 de 1996, nos termos do voto do Relator. Em 17/12/2012, o Sr. Fiscal efetuou o lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, por arbitramento, e aplicou multa de 75% (fls. 746/838). Os lucros nos anoscalendários de 2007 a 2009 foram arbitrados de acordo com as receitas conhecidas, lavrandose os autos de infração de IRPJ e de CSLL (demonstrativos das receitas às fls. 890/891), além de PIS e COFINS no regime cumulativo, por insuficiência nos recolhimentos, tendo em vista que foram apresentados os livros contábeis, porém desacompanhados da respectiva documentação, impossibilitando a verificação das aplicações dos recursos. [...]d) Os lançamentos do PIS e da COFINS cumulativos estão de acordo com a legislação vigente? [...]Desse modo, como não foi respeitado o procedimento previsto em lei, deve ser declarada a nulidade dos autos de infração. [...]Dado o exposto, conduzo meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a nulidade dos autos de infração por ofensa ao procedimento previsto no art. 32, da Lei nº 9.430. (Grifos acrescidos) Quanto ao alcance da nulidade, não resta dúvida, pois, que abarca todos os lançamentos a que se refere o processo, ou seja, o IRPJ e as contribuições, não havendo omissão uma vez, no corpo do voto, o relator se referir a todos os tributos e, ao final deste e no acórdão, constar a declaração de nulidade dos autos de infração no plural. Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.101 16 Corrobora esse entendimento o fato de, ao final do voto (fl. 1.992), ter sido dado "provimento integral ao recurso voluntário" e neste (fl. 1.962) constar: 124. Diante do exposto, a Recorrente requer seja conhecido e provido o presente recurso voluntário para que, reformandose o acórdão recorrido: (i) sejam integralmente cancelados/desconstituídos os créditos tributários do IRPJ, da CSLL, da Contribuição ao PIS e da COFINS objeto dos autos de infração relativos ao processo administrativo em referência; Relativamente a que tipo de vício macula os lançamentos, de fato, não há no acórdão essa indicação. Todavia, é perceptível, no corpo do voto, que o relator, e por consequência a Turma, consideraram ser a nulidade decorrente de vício material. Consta do voto (fls. 1.990 e 1.991): Ademais, esta matéria já foi inclusive objeto de análise por esta Douta Turma, quando da análise do Processo nº 13808.000309/200226, da relatoria do Ilustre Conselheiro Francisco Linhares, no qual acordaram seus membros, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício da DRJ de Campinas – SP de acórdão que julgara pela nulidade de lançamento tributário decorrente de suspensão de imunidade tributária em desacordo com o procedimento do art. 32 da Lei nº 9.430/96: [...]NORMAS PROCESSUAIS. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO DE ENTIDADE CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. INOBSERVÂNCIA DO ARTIGO 32, § 3°, DA LEI N° 9.430/1996. NULIDADE. A não observância, por parte do fisco, do artigo 32, § 3°, da Lei n° 9.430/1996, que determina que o Delegado deve decidir sobre as alegações e provas apresentadas pela entidade, dá ensejo a nulidade do Ato Declaratório Executivo emitido, por descumprimento de formalidade essencial e preterição de direito de defesa. LANÇAMENTOS DECORRENTES DA SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. NULIDADE. A anulação do Ato Declaratório que suspendeu a isenção da entidade é vício insanável que contamina os autos de infração lavrados. Tendo o relator acolhido, para embasar sua decisão, acórdão daquela mesma turma, cuja ementa demonstra que em caso análogo foi declarada a nulidade de autos de infração por "descumprimento de formalidade essencial e preterição de direito de defesa" e que "a anulação do Ato Declaratório que suspendeu a isenção da entidade é vício insanável que contamina os autos de infração lavrados", está a indicar que o vício que macula os autos de infração é de cunho material. Em face de todo o exposto, voto por conhecer dos embargos para darlhe provimento parcial, sem efeitos infringentes, alterando o acórdão da decisão embargada para que passe a constar da seguinte forma: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade, por vício material, dos autos de infração Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.102 17 por inobservância do procedimento previsto no art. 32 da Lei nº. 9.430 de 1996, nos termos do voto do Relator. É como voto. (documento assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator" Por essas razões, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Redator Ad Hoc Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Como a Conselheira Relatora, julgo necessário prévio ato declaratório de suspensão da imunidade ou isenção nos termos do artigo 32, da Lei nº 9.430/1996. Assim, acompanho o seu voto negando provimento ao recurso especial da Procuradoria. No entanto, consigno pela presente declaração de voto que tal ato declaratório seria dispensável se o auditor fiscal houvesse lançado PIS sobre a folha no percentual de 1%, nos termos do artigo 13, da Medida Provisória nº 2.158/2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; Fl. 2102DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.103 18 VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Ocorre que, no caso dos autos, o lançamento não teve por fundamento o artigo 13, da Medida Provisória nº 2.158, tratandose de lançamento de contribuições de forma reflexa ao IRPJ (arbitrado). Assim, no caso dos autos, seria imprescindível o ato declaratório de suspensão de imunidade ou isenção, para lançamento sobre o valor de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL reflexos. Especificamente quanto à contribuição ao PIS, extraise do auto de infração: "arbitramento do lucro realizado com base receita bruta de prestação de serviços em geral", com fundamento dentre outros dispositivos no artigo 2º, da Lei nº 9.715/98 e 2º da Lei nº 9.718/1998. A tributação sobre a receita bruta, no lançamento, é confirmada pelo Termo de Verificação Fiscal, verbis: "5.3.9 No que se refere ao COFINS e PIS, dado o arbitramento, os mesmos foram apurados na forma cumulativa, aplicandose as alíquotas de 3% e 0,65%, respectivamente, sobre a receita bruta". Diante disso, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, acompanhando a Conselheira Relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 2103DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660397/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.798
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 97 /2 01 2- 21 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660397/201221 Acórdão n.º 3401004.798 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660397/201221 Acórdão n.º 3401004.798 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660397/201221 Acórdão n.º 3401004.798 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660397/201221 Acórdão n.º 3401004.798 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660397/201221 Acórdão n.º 3401004.798 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660397/201221 Acórdão n.º 3401004.798 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001425/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1984 a 31/12/1990
CRÉDITO-PRÊMIO. PRESCRIÇÃO.
A prescrição relativa ao pedido de ressarcimento do Crédito-Prêmio do IPI rege-se pelo Decreto nº 20.910/1932, prescrevendo o direito de postulá-lo em cinco anos entre a data do efetivo embarque da mercadoria e a do protocolo da requisição administrativa.
Numero da decisão: 3302-005.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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PRESCRIÇÃO. A prescrição relativa ao pedido de ressarcimento do CréditoPrêmio do IPI regese pelo Decreto nº 20.910/1932, prescrevendo o direito de postulálo em cinco anos entre a data do efetivo embarque da mercadoria e a do protocolo da requisição administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 14 25 /2 00 9- 18 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 13819.001425/200918 Acórdão n.º 3302005.690 S3C3T2 Fl. 3 2 Tratase de verificação de direito ao tomada de crédito objeto de pedido de ressarcimento de créditoprêmio de IPI, relativo ao período de apuração de janeiro 1984 a dezembro de 1990. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma completa, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: "Tratase de pedido de ressarcimento de créditoprêmio de IPI instituído pelo artigo 1° do DecretoLei nº 491/69, formulado em meio papel em 28/09/2009 (fls. 02/10), no valor corrigido de R$ 2.601.445.621,27, em face de exportações realizadas nos períodos de apuração de janeiro/1984 a dezembro/1990, A Delegacia da Receita Federal de São Bernardo do Campo indeferiu o pleito, mediante o Despacho Decisório de fls. 180/190, em razão do prazo prescricional de cinco anos para requerer o ressarcimento, contados a partir do embarque para as exportações, e porque o estímulo fiscal teria sido extinto em 30/06/1983. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 195/213, alegando que: em razão da natureza financeira do benefício fiscal, o prazo decadencial é de 20 anos, não estando sujeito à prescrição/decadência tributária de 5 anos; o créditoprêmio vigorou até 05/10/1990, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal. O Acórdão 1462.510, da 2ª Turma da DRJ/JFA, Sessão de 26 de agosto de 2016, do qual foi extraído o relatório alhures transcrito, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, não reconhecendo o crédito pleiteado, tendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1984 a 31/12/1990 CRÉDITOPRÊMIO. PRESCRIÇÃO. A prescrição relativa ao pedido de ressarcimento do CréditoPrêmio do IPI regese pelo Decreto nº 20.910/1932, prescrevendo o direito de postulálo em cinco anos entre a data do efetivo embarque da mercadoria e a do protocolo da requisição administrativa. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13819.001425/200918 Acórdão n.º 3302005.690 S3C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Não há na peça recursal alegação de matérias para discussão em sede de preliminares, razão pela qual passase a deliberar sobre o mérito do processo. Vale ressaltar que matéria idêntica foi objeto de análise pela 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária desse E. Conselho, no Acórdão nº 3402003.224, de relatoria do I. Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, de onde, com a devida vênia, adotei as minhas razões de decidir. I Da vigência do créditoprêmio de IPI à luz dos precedente do STF e do STJ O presente processo tem por objeto o pedido de ressarcimento de crédito prêmio de IPI, que teria por base as exportações realizadas pela contribuinte recorrente n período de janeiro de 1984 a dezembro de 1990. Pois bem. Se estivéssemos diante da simples análise se faria jus a recorrente ao créditoprêmio do IPI, de pronto teríamos a apontar que a os períodos de novembro de 1990 e dezembro de 1990, não garantiriam o famigerado crédito, conforme o entendimento exarado sobre o assunto pelo Supremo Tribunal Federal (RE nº 577.3485/RS Repercussão geral). Entretanto, a matéria cingise na ocorrência ou não de ocorrência de decadência quanto a possibilidade de se requerer o crédito. Os períodos de apuração indicados pela recorrente são os de janeiro de 1984 a dezembro de 1990, sendo certo que o pedido de ressarcimento, carreado com documentos que demonstrariam o crédito, foi protocolado em 28/09/2009, ou seja, se contarmos do último período de apuração, lá se foram 19 anos aproximadamente. Assim, entendo que a decadência do direito de se realizar o requerimento de ressarcimento encontrase presente e, por expressa disposição regimental (art. 62, II, d, do RICARF), devo acatar o disposto no Recurso Especial 1.111.148 do STJ, prolatado sob o rito dos recursos repetitivos, vejamos: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. Recurso Especial representativo de controvérsia (art. 543C, § 1º, do CPC). pedido de desistência.Indeferimento. violação ao art. 535, do CPC. INOCORRÊNCIA. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/69 (ART. 1º). VIGÊNCIA. PRAZO. EXTINÇÃO. PRESCRIÇÃO. (...). 3. Relativamente ao prazo de vigência do estímulo fiscal previsto no art. 1º do DL 491/69 (créditoprêmio de IPI), três orientações foram defendidas na Seção. A primeira, no sentido de que o referido benefício foi extinto em 30.06.83, por força do art. 1º do Fl. 287DF CARF MF Processo nº 13819.001425/200918 Acórdão n.º 3302005.690 S3C3T2 Fl. 5 4 Decretolei 1.658/79, modificado pelo Decretolei 1.722/79. Entendeuse que tal dispositivo, que estabeleceu prazo para a extinção do benefício, não foi revogado por norma posterior e nem foi atingido pela declaração de inconstitucionalidade, reconhecida pelo STF, do art. 1º do DL 1.724/79 e do art. 3º do DL 1.894/81, na parte em que conferiram ao Ministro da Fazenda poderes para alterar as condições e o prazo de vigência do incentivo fiscal. 4. A segunda orientação sustenta que o art. 1º do DL 491/69 continua em vigor, subsistindo incólume o benefício fiscal nele previsto. Entendeuse que tal incentivo, previsto para ser extinto em 30.06.83, foi restaurado sem prazo determinado pelo DL 1.894/81, e que, por não se caracterizar como incentivo de natureza setorial, não foi atingido pela norma de extinção do art. 41, § 1º do ADCT. 5. A terceira orientação é no sentido de que o benefício fiscal foi extinto em 04.10.1990, por força do art. 41 e § 1º do ADCT, segundo os quais "os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis", sendo que "considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei". Entendeuse que a Lei 8.402/92, destinada a restabelecer incentivos fiscais, confirmou, entre vários outros, o benefício do art. 5º do DecretoLei 491/69, mas não o do seu artigo 1º. Assim, tratandose de incentivo de natureza setorial (já que beneficia apenas o setor exportador e apenas determinados produtos de exportação) e não tendo sido confirmado por lei, o créditoprêmio em questão extinguiuse no prazo previsto no ADCT. 6. Prevalência do entendimento no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o crédito prêmio do IPI, previsto no art. 1º do DL 491/69, não se aplica às vendas para o exterior realizadas após 04.10.90. Precedente no STF com repercussão geral: RE nº. 577.3485/ RS, Tribunal Pleno, Relator Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 13.8.2009. Precedentes no STJ: REsp. Nº 652.379 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 8 de março de 2006; EREsp. Nº 396.836 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para o acórdão Min. Castro Meira, julgado em 8 de março de 2006; EREsp. Nº 738.689 PR, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 27 de junho de 2007. 7. O prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do créditoprêmio do IPI, nos termos do art. 1º do Decreto 20.910/32, é de cinco anos. Precedentes: EREsp. Nº 670.122 PR Primeira Seção, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 10 de setembro de 2008; AgRg nos EREsp. Nº 1.039.822 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 24 de setembro de 2008. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13819.001425/200918 Acórdão n.º 3302005.690 S3C3T2 Fl. 6 5 8. No caso concreto, tenho que o mandado de segurança foi impetrado em 27 de fevereiro de 2004, portanto, decorridos mais de cinco anos entre a data da extinção do benefício (5 de outubro de 1990) e a data do ajuizamento do writ, encontramse prescritos eventuais créditos de titularidade da recorrente. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (STJ; REsp 1111148/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/02/2010, DJe 08/03/2010) (g.n.). Desta forma, considerando que esta presente a decadência quanto a possibilidade de se requerer o créditoprêmio indicados nos períodos de janeiro de 1984 a dezembro de 1990, nos termos das decisões dos E. Tribunais Superiores, não há outra saída senão reconhecer a improcedência do pleito da contribuinte recorrente. II Conclusão Por todo o exposto, voto por reconhecer o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, no entanto negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13146.000061/2006-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. EMENTA
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar a contradição existente entre a ementa e as demais partes do acórdão embargado.
Numero da decisão: 2401-005.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer e acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição no Acórdão nº 2102-002.521, de 16/04/2013, mediante a retificação da sua ementa.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. EMENTA Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar a contradição existente entre a ementa e as demais partes do acórdão embargado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer e acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição no Acórdão nº 2102-002.521, de 16/04/2013, mediante a retificação da sua ementa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
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CONTRADIÇÃO. EMENTA Acolhemse os embargos declaratórios para sanar a contradição existente entre a ementa e as demais partes do acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer e acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição no Acórdão nº 2102002.521, de 16/04/2013, mediante a retificação da sua ementa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 14 6. 00 00 61 /2 00 6- 68 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13146.000061/200668 Acórdão n.º 2401005.558 S2C4T1 Fl. 103 2 Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, conforme fls. 97/98, contra o Acórdão nº 2102002.521, de 16/04/2013, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual está juntado às fls. 91/95. 2. Alega a embargante que o acórdão apresenta contradição entre a ementa, que negou provimento ao recurso voluntário, e o voto, o qual deu provimento ao recurso. 3. Os autos digitais foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 17/10/2014, que interpôs os embargos de declaração em 05/11/2014 (fls. 96 e 99). 4. Tendo em conta que os embargos foram opostos contra decisão de Turma extinta, assim como o redator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a sua admissibilidade foi analisada pelo Presidente da 2ª Seção, a qual o referido colegiado estava subordinado. 5. Recebidos os aclaratórios, determinouse a sua inclusão em pauta de julgamento, após novo sorteio de relatoria, com vistas à devida apreciação para saneamento do vício apontado pela Fazenda Nacional (fls. 100/101). É o relatório Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 6. Uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos declaratórios, passo à avaliação de mérito (art. 65, § 1º, e art. 66, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 1 7. Pois bem. O relator, conselheiro Rubens Maurício Carvalho, deu provimento ao recurso voluntário, o que foi acompanhado pela unanimidade do colegiado, segundo consta no resultado do julgamento. 7.1 Para melhor entendimento, reproduzo abaixo o resultado do julgamento e a conclusão do voto do relator, que mantém coerência com os fundamentos da sua decisão (fls. 91 e 94/95): 1 Tempestividade, conforme §§ 3º, 5º e 6º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13146.000061/200668 Acórdão n.º 2401005.558 S2C4T1 Fl. 104 3 (...) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator e Presidente em exercício (..) Voto (...) Assim, entendo que o recorrente fez a prova necessária, apresentando a homologação judicial de separação com a determinação do pagamento da pensão alimentícia e sendo os valores compatíveis considerandose as atualizações necessárias, correta a sua dedução na declaração de rendimentos apresentada pelo recorrente. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. 8. Por outro lado, de maneira contraditória, a redação da ementa do julgado nega provimento ao recurso voluntário (fls. 91): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Incabível para fins de dedução do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física a pensão alimentícia fixada em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, quando não comprovados, por meio de documentação hábil, os efetivos pagamentos. Recurso Voluntário Negado 9. Como se observa do julgado, há proposições inconciliáveis entre si no acórdão embargado, cujo saneamento deverá ocorrer através da alteração da redação da ementa, nos termos a seguir indicados, de tal modo a manter harmonia com o restante do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13146.000061/200668 Acórdão n.º 2401005.558 S2C4T1 Fl. 105 4 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Para fins de declaração anual de rendimentos, cabível a dedução de pensão alimentícia quando comprovados, por meio de documentação hábil e idônea, a fixação da pensão em decisão judicial ou acordo homologado e os efetivos pagamentos pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO dos embargos declaratórios e ACOLHO os aclaratórios, sem efeitos modificativos, para sanar a contradição no Acórdão nº 2102002.521, de 16/04/2013, mediante a retificação da sua ementa. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.001250/2007-39
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Ao optar pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, restou comprovado nos autos que o contribuinte incorreu em falta e/ou insuficiência de recolhimento. A sanção cabível é a aplicação das multas
isoladas. Irrelevante por expressa disposição legal se o contribuinte veio a apurar base negativa do tributo ou mesmo se o tributo devido foi integralmente quitado, ao final do período de apuração anual.
Numero da decisão: 1301-000.405
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar
provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ricardo Luiz Leal de Melo (relator), Andre Ricardo Lemes da Silva e Valmir Sandri. Designado o Conselheiro Waldir Veiga Rocha para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Ricardo Luiz Leal de Melo
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10120.001250/2007-39 Recurso n° 165.097 Voluntário Acórdão n° 1301-00.405 — 3' Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 10 de novembro de 2010 Matéria Multas Isoladas Recorrente HYPERMARCAS INDUSTRIAL LTDA. Recorrida 2' TURMA/DRJ-BRASILIA/DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Ao optar pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, restou comprovado nos autos que o contribuinte incorreu em falta e/ou insuficiência de recolhimento. A sanção cabível é a aplicação das multas isoladas. Irrelevante por expressa disposição legal se o contribuinte veio a apurar base negativa do tributo ou mesmo se o tributo devido foi integralmente quitado, ao final do período de apuração anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ricardo Luiz Leal de Melo (relator), Andre Ricardo Lemes da Silva e Valmir Sandri. Designado o Conselheiro Waldir Veiga Rocha para redigir o voto vencedor. Waldir Veiga Rocha Redator Designado i Processo ri° 10120.001250/2007-39 SI-C3T1 Acórao n.° 1301-00.405 Fl. 2 EDITA : Oa L20)2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jackson da Silva Lucas, André Ricardo Lemes da Silva e Leonardo de Andrade Couto. Relatório HYPERMARCAS INDUSTRIAL LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com parte do Acórdão n° 03-21.608, de 20 de julho de 2007, da 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasilia/DF, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata-se de autuação de IRPJ e CSLL decorrente de glosas de despesas com a contratação da empresa Incentive House para a administração de um programa de incentivo ao batimento de metas e estimulo à produtividade por meio de premiação via o fornecimento de cartões de débito Flexcard. Tais despesas foram consideradas pela Fiscalização como desnecessárias e com o único intuito de evitar o pagamento de IRRF e Contribuição Previdencidria, assim como de reduzir o IRPJ e CSLL devida. Por conta disso, a multa de oficio foi agravada. Ademais, houve a imposição de multas isoladas pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL. Intimada da autuação, a Contribuinte apresentou impugnação alegando basicamente o que segue 1. Preliminarmente — nulidade da autuação por cerceamento de defesa tendo em vista (i) o inadequado o enquadramento legal das infrações, bem como (ii) a insegurança jurídica por tipificação deficiente; e 2. No mérito — (i) as glosas de despesas não foram devidamente motivadas, (ii) o Fisco não pode interferir na administração do negócio, (iii) a multa isolada é descabida já que os tributos devidos já haviam sido recolhidos á. época da autuação, assim como (iv) o agravamento de multa não merece prosperar pois não houve intenção de fraude uma vez que todos os atos foram escriturados. A 2 Turma da DRJ em Brasilia/DF analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 03-21.608, de 20 de julho de 2007 (fls. 462/478), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA - IRPJ • Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 IRPJ E CSLL. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. ENQUADRAMENTO LEGAL INCOMPLETO DA INFRAÇÃO. REJEIÇÃO DA PRELIMINAR - 0 auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que RAI2' 2 Processo n° 10120.001250/2007-39 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-00.405 Fl. 3 implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a impugnante revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só questão preliminar como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. IRPJ E CSLL. PAGAMENTO DE COMISSÕES A EMPRESA CONTRATADA PARA GERIR PROGRAMA DE PREMIO PRODUTIVIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO, POR PARTE DO FISCO, DA DESNECESSIDADE DA DESPESA. AFASTAMENTO DA GLOSA. 0 Ato Administrativo de Lançamento requer seja produzida a prova da ocorrência de fato que, inequivocadamente, se subsuma à hipótese descrita na norma jurídica. A fundamentação da glosa de custos ou despesas operacionais realizadas c contabilmente apropriadas pelo sujeito passivo há de ser acompanhada de elemento probatório, produzido pela fiscalização, de que os gastos suportados não são necessários à atividade da empresa ou à. manutenção da fonte produtora dos rendimentos. MULTA ISOLADA - FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL SOBRE BASE DE CALCULO ESTIMADA. A falta de pagamento do 1RPJ e da CSLL, devidos por estimativa mensal, enseja a aplicação de multa isolada, conforme prevista na legislação de regência. Lançamento Procedente em Parte. Ciente da decisão de primeira instância em 20/11/2007, por meio de seu patrono à fl. 504, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/12/2007 conforme carimbo de recepção à folha 506. No recurso interposto (fls. 506/522), a recorrente reitera, mais ou menos corn as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de impugnação no que tange às multas isoladas. o Relatório. Voto Vencido Conselheiro RICARDO LUIZ LEAL DE MELO, Relator 0 recurso é tempestivo e dele conheço. Encerrado o período de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter razão de ser, urna vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real, revelando-se improcedentes as multas isoladas. Neste sentido transcrevo abaixo acórdão desta Corte. Número do Recurso: 156076 Camara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 13839.001168/2006-25 3 Processo n° 10120.001250/2007-39 S I-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.405 Fl. 4 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTRO Recorrente: LAFARGE ROOFING BRASIL LTDA. Recorrida/Interessado: 2 TURMA/DRJ-CAMPINAS/SP Data da Sessão: 24/05/2007 Relator: Antonio Carlos Guidoni Filho Decisão: Acórdão 103-23036 Resultado: DPM - DAR PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão: Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que o provia ern parte para reduzir a multa isolada para 50% (cinquenta por cento). A contribuinte foi defendida pelo Dr. Leonardo Mussi da Silva, inscrição OAB/RJ no 069.691. A Fazenda Nacional foi defendida por seu procurador Dr. Sérgio de Moura. Ementa: IRPJ e CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Conforme precedentes desta E. Camara (v.g., Recurso 124.946), a exigência da multa de lançamento de oficio isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente faz sentido se operada no curso do próprio ano-calendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o ano-calenddrio, de tributo devido a maior do que o recolhido por estimativa. Recurso voluntário provido para afastar a incidência de multa isolada, ante os prejuízos informados em DIPJ pela Recorrente. Publicado no D.O.U. no 230 de 30/11/2007. Ou seja, encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada, seja pela ausência de base imponivel, bem como pelo malferimento do principio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. Logo, embora a contribuinte não tenha antecipado ou tenha antecipado a menor o IRPJ e a CSL nos anos acima citados, conforme se depreende dos demonstrativos de apuração efetuado pela fiscalização, o fato é que a exigência da referida penalidade somente foi consubstanciada após o fim dos exercícios objetos da autuação, quando já conhecida a respectiva base de cálculo e o imposto efetivamente devido, porquanto, impossível coexistir na ocasião do lançamento duas bases de cálculo para uma mesma exação. Deixo de analisar o recurso de oficio, pois a decisão de primeira instancia foi retificada, por meio da decisão de fls. 491/492, tornando sem efeito a indicação ou menção nela contida quanto a reexame necessário, uma vez que o crédito tributário exonerado ficou bem abaixo do limite de alçada. 4 Por odo o exposto, voto por dar • o im-nts as recurso voluntário. ICARDO L ME 0 — Relator ÇA) Processo n° 10120.001250/2007-39 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.405 Fl. 5 5 Processo n° 10120.001250/2007-39 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.405 Fl. 6 Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa no que toca as multas exigidas isoladamente. Embora a matéria seja polémica, comportando interpretações divergentes, o entendimento do Colegiado foi de que a obrigação de recolher as estimativas não se confunde com a apuração do tributo ao final do período de apuração. E o que se extrai dos dispositivos legais aplicáveis, abaixo transcritos: Lei n°8.981/1995: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1° Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano-calendário. § 2 0 0 Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. § 2° Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do ano-calendário. (Redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995) § 3° 0 pagamento mensal, relativo ao me' s de janeiro do ano- calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei n° 9.065, de 1995) § 4° 0 Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei n° 9.065, de 1995) Lei n° 9.430/1996: 6 Processo n° 10120.001250/2007-39 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.405 Fl. 7 Art.1° A partir do ano-calendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1 0 e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1 o 0 imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da aliquota de quinze por cento. §2oA parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a KS 20.000,00 (vinte mil reais)ficard sujeita incidência de adicional de imposto de renda a aliquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1° e 2° do artigo anterior. §4° Para efeito de determinação do saldo de imposto apagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I - dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4° do art. 3° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II -dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III -do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV -do imposto de renda pago na forma deste artigo. 1...1 Art.28.Aplicam-se à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro liquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1° a 3°, 5° a 14, 17 a 24, 26, 55e 71, desta Lei. 7 Processo n° 10120.001250/2007-39 S 1 -C3TI Acórdão n.° 1301-00.405 Fl. 8 A regra é a da apuração trimestral do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Se o contribuinte opta pela apuração anual, deve se submeter às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente A. obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. Para que possa suspender ou reduzir esses recolhimentos, a lei impõe a elaboração de balanços ou balancetes de suspensão ou redução do imposto. Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual e pela suspensão/redução do imposto com base em balancetes, deixam de efetuar o recolhimento ou o fazem a menor, a sanção é aquela estabelecida pelo inciso IV do § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, em sua redação A. época dos fatos: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1-de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 11-cento e cinqüenta por cento, nos caws de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e,73_da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I -juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; IV -isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano- calendário correspondente; Esse artigo teve sua redação alterada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007, e o percentual aplicável passou a ser de 50%, conforme o inciso II, alínea "b". Eis a redação atual do art. 44 da Lei n° 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei V 11.488, de 2007) II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) Çii 8 Processo n° 10120.001250/2007-39 SI-C3T1 Acórddo n.° 1301-00.405 FL 9 b) na forma do art. 2' desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) No caso em tela, a fiscalização constatou a falta/insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, conforme demonstrativos acostados aos autos. Deve, então, a contribuinte se sujeitar A penalidade que lhe é exigida mediante este processo. Irrelevante se ao final do período de apuração veio a apurar base de cálculo negativa do tributo, como se infere da disposição expressa do texto legal acima transcrito, ou, ainda, se o tributo devido foi integralmente quitado ao final do período de apuração. Para fins da multa isolada, deve ser considerado o montante apurado em cada balanço/balancete de suspensão/redução ou, ainda, com base na receita bruta e acréscimos, e a sanção é aplicável diante do descumprimento do dever de antecipar o tributo, nos montantes determinados em lei. Pelo exposto, a decisão do colegiado é por negar provimento ao recurso voluntário. Waldir Veiga Rocha S- ator Designado P),) 9
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660392/2012-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.793
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 92 /2 01 2- 06 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660392/201206 Acórdão n.º 3401004.793 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660392/201206 Acórdão n.º 3401004.793 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660392/201206 Acórdão n.º 3401004.793 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660392/201206 Acórdão n.º 3401004.793 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660392/201206 Acórdão n.º 3401004.793 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660392/201206 Acórdão n.º 3401004.793 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.720365/2011-76
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO.
Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por onze meses do ano-calendário (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração possa ter sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o dolo do agente.
Numero da decisão: 9101-003.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora Ad Hoc
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO. Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por onze meses do ano-calendário (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração possa ter sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o dolo do agente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Redatora Ad Hoc (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
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OMISSÃO DE RECEITAS. Recorrente C. H. M. DE OLIVEIRA CALÇADOS EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO. Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por onze meses do anocalendário (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração possa ter sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o dolo do agente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora Ad Hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 03 65 /2 01 1- 76 Fl. 616DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 614 2 (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Inicialmente esclareço que fui nomeada redatora ad hoc para formalização de acórdão relatado pela Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. O relatório a seguir reproduzido foi apresentado pela Relatora em sessão de julgamento: nTratamse de autos de infração (Efls. 03 ss.) para a exigência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS, COFINS e Contribuição para a Seguridade Social – INSS, relativos a 31.01.2007, decorrente da acusação fiscal de (i) omissão de receitas relacionada à diferença entre depósitos bancários e valores declarados na Declaração Anual Simplificada e (ii) insuficiência de valores recolhidos em função da mudança de faixa de incidência do SIMPLES com a alteração de alíquota, acrescidos de multa qualificada de 150%, porque se considerou reiterada a conduta que se repetiu dentro do ano de 2007. Também em função do que foi imputado como prática reiterada, ao lado fato de que o livrocaixa apresentado não registraria toda a movimentação financeira da empresa, foi formalizada Representação Fiscal para fins Penais sob o n. 15983.720368/201118 e proposta a exclusão da empresa do SIMPLES, o que pode ser melhor detalhado com a síntese do Termo de Verificação Fiscal (Efls. 37 ss.) procedida pelo relatório da decisão de primeira instância: “(…) Sustenta a fiscalização: 1) emissão de Termo de Início de Fiscalização encaminhado ao contribuinte em 25/03/2010; intimando o mesmo a apresentar livros e documentos de sua escrita contábil e fiscal; que, em 07/04/2010, a empresa, em atendimento parcial ao Termo de Início de Fiscalização, apresentou cópias da Declaração de Firma Individual e dos Requerimentos de Empresário; cópias dos comprovantes de retiradas de pro labore; e cópias dos extratos da conta corrente da empresa junto ao banco Itaú S/A, solicitando prazo adicional para apresentação dos demais documentos e livros exigidos; 2) em 19/04/2010, encaminhamento ao contribuinte de Termo de Reintimação Fiscal, reintimandoo a apresentar os livros e documentos que deixaram de serem apresentados, em relação ao Termo de Início de Fiscalização; ciência postal em 26/04/2010; em 11/05/2010, o contribuinte apresentou cópias dos Fl. 617DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 615 3 extratos da conta corrente da empresa junto ao banco Santander S/A e os livros: Caixa n° 08; Razão analítico anual n° 08; Razão analítico mensal n° 08; Registro de Entradas n° 08; e Registro de Saídas n° 08; 3) em 20/07/2011, encaminhamento ao contribuinte de Termo de Intimação Fiscal, intimando a empresa a apresentar esclarecimentos, mediante a apresentação de documentos, acerca da origem de valores creditados e/ou depositados em suas contas bancárias, de depósitos ou de investimentos, tendo sido estes relacionados em anexos do referido termo; ciência, pela via postal, em 28/07/2011; 4) em face da fiscalização ter constatado erros de informações nos anexos do termo encaminhado ao sujeito passivo em 20/07/2011, encaminhou ao mesmo, em 23/08/2011, Termo de Reintimação Fiscal, onde a empresa foi, novamente, instada a apresentar esclarecimentos, mediante a apresentação de documentos, acerca da origem de valores creditados e/ou depositados em suas contas bancárias, de depósitos ou de investimentos, tendo sido estes relacionados em anexos do referido termo; ciência, pela via postal, em 26/08/2011; em 09/09/2011, o contribuinte solicitou mais 20 dias de prazo para apresentar esclarecimentos, por escrito, e documentos comprobatórios às exigências do Termo de Reintimação Fiscal lavrado em 23/08/2011. 5) em 29/09/2011, o contribuinte, em atendimento ao Termo de Reintimação Fiscal lavrado em 23/08/2011, apresentou esclarecimentos, acompanhado de cópia de contrato de empréstimo firmado junto ao Banco Itaú S/A, a fim de justificar a origem do valor de R$ 450.000,00, creditado, em 27/09/2007, em sua conta corrente junto à referida instituição financeira, não tendo sido apresentados pelo contribuinte quaisquer outros esclarecimentos; 6) do cotejo entre os lançamentos correspondentes às entradas nos livros caixas apresentados (com correspondentes lançamentos de receitas de revendas de mercadorias nos livros razões analíticos e registros de saídas) e os decorrentes de créditos/depósitos efetuados nas contas correntes bancárias do contribuinte fiscalizado, verificouse substancial diferença a maior destes em relação àqueles; que, em razão disso, o contribuinte foi intimado a esclarecer, mediante a apresentação de documentos comprobatórios, a origem dos valores creditados e/ou depositados em suas contas bancárias, de depósito ou de investimentos; que o contribuinte esclareceu, mediante a apresentação de documento comprobatório, o crédito, no da 29/07/2007, no valor de R$ 450.000,00 junto ao banco Itaú S/A, como decorrente de empréstimo junto à referida instituição financeira; que, em relação aos demais depósitos e/ou créditos efetuados, não foram apresentados esclarecimentos e/ou documentos esclarecedores de suas origens; 7) que foi efetuada a conciliação bancária, onde foram expurgados esses R$ 450.000,00 (quatrocentos e cinqüenta mil reais), relativos ao empréstimo comprovado, bem assim, estornos, depósitos de mesma titularidade e outros créditos, em que não houve incidência tributária; que, após efetuada a conciliação, sobraram ainda créditos e/ou depósitos, nas contas correntes bancárias da empresa, que somados, totalizaram R$ 3.279.817,60; 8) que restou observado que, nos livros razões analíticos apresentados pela fiscalizada, poucas foram as contas que receberam lançamentos no ano de 2007, ou seja, que tiveram alguma movimentação contábil no período; que, entre essas contas, estão as únicas contas que receberam as contrapartidas dos lançamentos devedores efetuados na conta "CAIXA", representativos de entradas de recursos, a saber: a conta "EMPRÉSTIMOS & FINANCIAMENTOS" e a conta "VENDA DE MERCADORIAS"; que nesses Fl. 618DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 616 4 livros não há registros de contas representativas de movimentação junto a bancos; que, portanto, o contribuinte optou pelo registro de toda sua movimentação financeira na conta “CAIXA”; 9) que os suprimentos de numerários, lançados na conta "CAIXA", oriundos de lançamentos credores na conta "EMPRÉSTIMOS & FINANCIAMENTOS", totalizaram no ano R$ 480.000,00 (quatrocentos e oitenta mil reais), sendo este montante compatível com os R$ 450.000,00 (quatrocentos e cinqüenta mil reais), lançados em 29/07/2007, na conta corrente da fiscalizada junto ao banco Itaú S/A; que os demais suprimentos de numerários, lançados a débito na conta "CAIXA", tiveram como contrapartidas receitas de revenda de mercadorias, ou seja, foram efetuados lançamentos credores na conta "VENDA DE MERCADORIAS", cujo montante foi de R$ 1.485.062,51, enquanto que, no livro registros de saídas, foram assentadas receitas, cuja soma no ano foi de R$ 1.505.603,13; 10) que a vultosa diferença entre o montante anual de créditos/depósitos apurados em conta corrente bancária (R$ 3.279.817,60) e o lançado na escrita contábil da empresa, como decorrente de revenda de mercadorias (R$ 1.485.062,51), demonstra que não foi escriturada, no livrocaixa, toda a movimentação financeira da empresa, relativamente ao período sob fiscalização; que o contribuinte transmitiu à Receita Federal do Brasil RFB Declarações Anuais Simplificadas, referente ao anocalendário de 2007, onde foram informadas receitas que totalizaram, no período, R$ 1.505.603,13, sendo R$ 272.109,16, referente aos meses de janeiro a junho de 2007; e R$ 1.233.493,97, referente ao período de julho a dezembro de 2007, em virtude de opção, pelo contribuinte, no período de janeiro a junho de 2007, pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Federal, nos termos da Lei 9.317/96; e, a partir de 01/07/2007, pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, Lei Complementar n° 123/06; 11) que, com exceção do mês de dezembro, em todos os demais meses do ano de 2007, foram apuradas omissões de receitas, ou seja, infração à legislação tributária; que este comportamento habitual, frequente e repetido em omitir receitas por parte do contribuinte, consubstanciouse em costume e, consequentemente, em prática reiterada à legislação tributária; que, pelo fato de a empresa ter incidido em prática reiterada de infração à legislação tributária e de que o livrocaixa apresentado não permite identificar toda a movimentação financeira da fiscalizada, inclusive bancária, foram propostas, através de representações específicas, que a mesma fosse excluída de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, com fundamento no artigo 14, inciso V, da Lei 9.317/96 (processo n° 15983.720366/201111), e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional; com fundamento no artigo 29, incisos Vê VIII, da Lei Complementar n.° 123/2006 (processo n° 15983.720367/201165); com efeitos a partir de 01/02/2007 (inciso V do artigo 15 da Lei 9.317/96) e 01/07/2007 (§ Io do artigo 29 da Lei Complementar n.° 123/2006), respectivamente; 12) que foram apuradas as seguintes infrações: a) Omissão de receita Depósitos bancários não escriturados; e b) Insuficiência de recolhimento, essa verificada em função da mudança de faixa de incidência do SIMPLES quando se constatou que a receita mensal omitida somada à receita declarada implicaria na Fl. 619DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 617 5 mudança de alíquota; 13) que os créditos tributários apurados em procedimentos de lançamento de ofício estão sujeitos às multas previstas no art. 44 da Lei 9.430/96 (art. 957 do Decreto 3.000/99 RIR/ 99); que tendo em vista que os lançamentos dos impostos e contribuições foram efetuados em decorrência de omissões de receitas apuradas, nos termos acima descritos, restando, pois, devidamente caracterizada a conduta deliberada da empresa fiscalizada em ocultar a ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias e com isso eximirse dos pagamentos dos impostos e contribuições devidos, restou aplicada a multa de ofício no percentual de 150%, conforme § 1º do art. 44 da Lei n° 9.430/96, combinado com o art. 71 da Lei n° 4.502/64, no que se refere à tipificação da conduta dolosa; 14) que o conceito de dolo encontrase no inciso I do art. 18 do Código Penal; que, no caso dos autos, a qualificação da multa de ofício justificase pela vontade explícita do sujeito passivo em impedir que o fisco tomasse conhecimento da existência dos valores tributáveis, no decorrer do anocalendário de 2007; que ficou devidamente demonstrada, na ação fiscal, a existência de expressiva soma de depósitos e/ou créditos em contas correntes bancárias, sem origens justificadas, que foram considerados como omissões de receitas e, conseqüentemente, deixaram de ser oferecidos à tributação pela empresa fiscalizada; 15) que está devidamente caracterizada a conduta deliberada do contribuinte fiscalizado em ocultar do conhecimento do fisco parcela significativa de suas receitas mensais, obstando o fisco de ter informações acerca da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias e, com isso, eximirse, evitar ou diferir pagamentos de impostos e contribuições devidos; que a manutenção, sob controle paralelo, de fatos econômicos não devidamente contabilizados, levada a efeito por uma conduta reiterada, no transcorrer de quase todo o ano calendário de 2007, compõe um quadro no qual revela o intuito doloso do contribuinte, haja vista a existência de uma atitude com o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições; (…)” Insurgindose, a contribuinte apresentou impugnação (Efls. 391 ss.) sustentando que (i) a sua seleção para a fiscalização não teria observado as determinações das Portarias SRF n. 500/95 e 3.007/02, (ii) seriam nulos os lançamentos tributários realizados em face (ii.a) do cerceamento do seu direito de defesa, (ii.b) porque a receita bruta apontada em janeiro de 2007 pela fiscalização corresponderia a vendas tributadas nos últimos meses de 2006, caracterizando o erro na apuração da base de cálculo, (ii.c) em face da utilização de prova ilegítima, diante da impossibilidade de quebra de sigilo bancário e (iii) a aplicação indevida da multa qualifiada de 150%. Diante do trabalho detalhado de relato da decisão de primeira instância, também vale transcrever a síntese realizada sobre as alegações da contribuinte: “DA INVALIDADE DA AÇÃO FISCAL POR INOBSERVÂNCIA DO DISPOSTO NAS PORTARIAS N°S 500/95 E 3.007/02, DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL Fl. 620DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 618 6 1) transcreve as Portarias RFB n° 500/95 e nº 3.007/02; que a atividade administrativa de fiscalização exige, em face dos princípios constitucionais da isonomia, da impessoalidade e da imparcialidade, que seja ela dirigida uniformemente aos administrados, devendo ser cumprido rigorosamente o programa de fiscalização, sob pena de, revelando perseguição ou favorecimento, nele incluir contribuintes que não se enquadram nos parâmetros escolhidos, ou dele excluir pessoas que neles se enquadram, respectivamente; que em nenhum momento foi indicado pela fiscalização as razões, ou a origem da fiscalização procedida em relação ao sujeito passivo, restando caracterizados o mero capricho, a perseguição, a animosidade ou puro interesse político; que ocorreu completa inobservância das disposições constantes da Portaria n° 3.007/02; cita artigo doutrinário; DA NULIDADE DOS LANÇAMENTOS TRIBUTÁRIOS EFETUADOS POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. 2) que a fiscalização encaminhou envelope ao sujeito passivo em 14/10/2011 e recebido em 17/10/2011, com um conjunto de documentos, quais sejam: cópia do Termo de Verificação Fiscal, Auto de Infração: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples; Contribuição Para o PIS/PASEP Simples; Contribuição Para Financiamento da Seguridade Social Simples; Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido Simples e Contribuição Para Seguridade Social INSS – Simples, todos acompanhados dos respectivos demonstrativos de multa e juros de mora, demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta, demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos, demonstrativo de apuração do imposto/contribuição sobre diferenças apuradas e termo de encerramento; que, contudo, não foi encaminhada a relação dos depósitos ou créditos que, somados, levaram aos valores tributados, de modo que pudesse identificarlhes a origem, vendose, assim, o contribuinte, completamente cerceado no seu direito de defesa, já que não tem a menor idéia em que se baseou a autoridade administrativa para tributálo; que nenhuma cópia das provas em que dizem estar apoiada a autuação lhe foi fornecida, de modo a permitirlhe verificar a efetiva base de cálculo tributada, cuja falta, em face da sua flagrante importância, cerceou por completo o seu direito de defesa, caracterizando a nulidade de que trata o artigo 12, inciso II do Decreto n° 7.574/11; 3) que, se a impugnante não possuía os extratos bancários em que se fundamenta a autuação, ainda que os tivesse reiteradamente solicitado às aludidas instituições financeiras, o certo é que não os obteve em tempo hábil; que cabe à autoridade administrativa fornecer ao administrado cópias de todos os elementos de prova que derem esteio à exigência (documentos, termos das verificações, resultados de diligências e comprovantes indispensáveis à formação da convicção do julgador); 4) que, para que o contribuinte possa avalizar a licitude na obtenção das provas anexadas ao processo, cumpre seja cientificado da forma como foram obtidos, pela autoridade administrativa, os mencionados extratos bancários, fatos esses que também não foram levados ao conhecimento da impugnante no momento da autuação, porque não lhe foram encaminhadas cópias dessas requisições e subseqüentes respostas, o que o impediu de analisar a licitude dos comprovantes; 5) que a prova de requisição e de seu atendimento pela instituição financeira deve estar obrigatoriamente documentada nos autos; transcreve decisões administrativas; que a ausência de tais elementos implica cerceamento de defesa; que resta caracterizado o cerceamento de defesa previsto no artigo 12, II, do Decreto n° 7.574/11, e no artigo 5º , incisos LIV e LV, da Constituição Fl. 621DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 619 7 Federal de 1988; cita doutrina e decisões administrativas em favor da tese; DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO. POR INCIDIR SOBRE RECEITA BRUTA NÃO AUFERIDA NO MÊS DE JANEIRO DE 2007 6) que, considerando os termos do artigo 334 do Código de Processo Civil, não dependem de prova os fatos notórios, sendo do conhecimento geral que o comércio de calçados no varejo implica, necessariamente, a venda a prazo, geralmente em 06 (seis) parcelas, mediante cheque prédatado, cartão de crédito ou débito, circunstância essa pública e notória, que dispensa o impugnante de provála, e considerando que registra as vendas que efetua com base no regime de competência, isto é, em face das vendas realizadas no mês (independentemente do respectivo recebimento), resta evidente que os valores depositados em suas contascorrentes, no mês de Janeiro/2007, correspondem ao recebimento, na sua maior parte, de vendas realizadas em meses anteriores; que a exigência de tributos com errônea base de cálculo acarreta a nulidade dos autos de infração lavrados; 7) que consoante consta do anexo “extrato para simples conferência", verifica se que parte das vendas realizadas em Dezembro/2006, mediante cartão de crédito, no montante de R$ 205.168,94. foram creditadas pelo Banco ITAÚ, no importe de R$ 194.910.49, apenas em Janeiro/2007; que, por extrato anexo à impugnação, constatase que, em Dezembro/2006, foram efetuadas, via cartão de débito, vendas no importe de R$ 49.871.30, tendo sido creditado em sua contacorrente, no mesmo banco, em Janeiro/2007, o montante de R$ 48.367.02; que a fiscalização, ao apurar como base de cálculo dos tributos exigidos os depósitos bancários realizados, em Janeiro/2007, nas contascorrentes da impugnante, esqueceuse, de que tais valores tinham origem em vendas realizadas em Dezembro/2006, o que acarreta a nulidade da autuação efetivada; DA IMPOSSIBILIDADE DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO DO IMPUGNANTE SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DA PROVA ILEGAL. 8) que, conforme jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, o sigilo bancário é espécie de direito à privacidade, consagrado pelo artigo 5º , incisos X e XII, da Constituição Federal de 1988; que é certo que, ainda que diretamente derivado do texto constitucional, não é um direito absoluto, eis que encontra limites no interesse público da obtenção da prova (princípios da proporcionalidade ou razoabilidade); que, contudo, também é certo que, com o advento da Lei Complementar n° 105/01, não restou afastada a necessidade da prévia autorização judicial para a quebra do sigilo bancário do contribuinte; transcreve excertos do ato normativo complementar; que a quebra do sigilo bancário somente pode partir do Poder Judiciário; cita julgado; 9) que a utilização dos extratos bancários do impugnante resta caracterizada como prova ilícita, porque derivados de ilegal quebra do seu sigilo bancário, insuscetível, portanto, de permitir a constituição de crédito tributário válido; cita doutrina e julgados; cita o artigo 5º, inciso LVI da Constituição Federal de 1988, o artigo 30 da Lei nº 9.784/99, o artigo 24, § único, do Decreto n° 7.574/11 e decisão administrativa; DA INDEVIDA APLICAÇÃO DA MULTA DE 150%. 10) cita a Lei n° 9.430/96, artigo 44; que é requisito essencial à validade do lançamento tributário onde sejam aplicadas multas por fraude, que esta fique cabalmente provada, já que a fraude, como crime, não se presume; cita várias decisões administrativas e decisão judicial; cita trecho do Termo de Verificação Fiscal; que, ainda que a fiscalização tenha arguido, no item 34, para caracterizar a existência do dolo no comportamento do impugnante, a teoria da Fl. 622DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 620 8 vontade, deixou de demonstrar a ‘vontade explícita do sujeito passivo em impedir que o fisco tomasse conhecimento da existência de valores tributáveis’, que não ficou comprovado o ‘evidente intuito de fraude’, sendolhe imputada a pura responsabilidade objetiva; 11) que, se tivesse ocorrido, efetivamente, a omissão de receita, isto é, o pagamento de tributos com base em faturamento inferior ao obtido, tal fato, na medida em que a fiscalização deixou de apontar os elementos demonstrativos da intenção do impugnante em induzir em erro o Fisco, poderia ser atribuído à desconsideração, por parte do contador, de todas as receitas auferidas, ou seja, a erro atribuível ao responsável pela contabilidade; cita decisão administrativa; cita o verbete sumular nº 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, bem assim, a súmula nº 25 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF.” Na sequência, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o acórdão n. 0537.924 (Efls. 434 ss.), mantendo integralmente o lançamento em questão, pelas razões resumidas na seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2007 LANÇAMENTO. PLANEJAMENTO FISCAL. IRRELEVÂNCIA. É irrelevante ao lançamento fiscal, quanto à sua validade, a atividade de planejamento administrativo efetuada pelos órgãos da Administração Fazendária. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. DOCUMENTOS ENVIADOS AO CONTRIBUINTE E DOCUMENTOS POR ELE TITULARIZADOS. Não configura hipótese de nulidade o não envio, ao sujeito passivo, de documentos e informações por ele mesmo prestadas e/ou constantes de documentos por ele mesmo titularizados, mantidos em sua guarda. PROCEDIMENTO FISCAL. SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO PELO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. No âmbito do procedimento fiscal, não configura indevida violação do sigilo bancário do contribuinte o regular atendimento por parte deste em relação às intimações fiscais formalizadas, não havendo hipótese de nulidade. LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTOS BANCÁRIOS. Configura presunção de omissão de receita a não comprovação idônea da origem de depósitos/créditos mantidos pelo contribuinte em conta bancária junto a instituição financeira. LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Na formação da base de cálculo, ocorrendo a presunção legal de omissão de receita, descabe falarse no regime de competência, adotandose como momento de auferimento da receita presumidamente omitida, a competência na qual houve o crédito, pela instituição financeira, do ingresso financeiro. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SONEGAÇÃO. A conduta de não declarar a receita bruta ao Fisco configura a figura típica da sonegação, ensejando a qualificação da multa de ofício. Impugnação Improcedente Fl. 623DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 621 9 Crédito Tributário Mantido” Em face de referida decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário (Efls. 458 ss.) basicamente na mesma linha apresentada em sua impugnação administrativa, acrescentando tópico a respeito da incompetência da DRJ Campinas para o julgamento, uma vez que não abrange o seu domicílio fiscal e não poderia ter havido a delegação realizada pela DRJ de São Paulo. Do julgamento do recurso pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção resultou o acórdão n. 1801002.051 (Efls. 489 ss.), em que se manteve o lançamento. Leiase a sua ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 COMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO (DRJ) A competência, territorial e por matéria, das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) foi estabelecida pela Portaria RFB nº 1.916, de 13 de outubro de 2010, em conformidade com o preconizado nos incisos XV e XXVII do art. 261 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 125, de 04 de março de 2009 e o disposto no Art. 25, I do Decreto 70.235/1972, considerando a redação que lhe foi imprimida pela Lei nº 11.941, de 2009. PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES FISCAIS. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO À INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTOS FISCALIZATÓRIOS. A atividade de planejamento das ações fiscais, ato interna corporis, não é obstativa à instauração de procedimentos fiscalizatórios, desde que haja emissão de MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) pela autoridade competente. LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Na formação da base de cálculo, ocorrendo a presunção legal de omissão de receita, descabe falarse no regime de competência, adotandose como momento de auferimento da receita presumidamente omitida, a competência na qual houve o crédito, pela instituição financeira, do ingresso financeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Mendonça Marques e Fernando Daniel de Moura Fonseca que deram provimento em parte para exonerar a multa de ofício aplicada na forma qualificada. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator.” Fl. 624DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 622 10 Contra o referido acórdão, primeiramente a contribuinte opôs embargos de declaração (Efls. 507 ss.) visando fosse sanada contradição e erro manifesto quanto ao reconhecimento da copetência da DRJ/Campinas para julgamento do recurso voluntário, que foram rejeitados por despacho às Efls. 528 ss. Adiante, a contribuinte interpôs então recurso especial (Efls. 538 ss.), pretendendo fosse desqualificada a multa aplicada no percentual de 150% diante da inexistência da prova do intuito fraudulento, para o que apresentou os acórdãos n. 9101 001.851 e n. 10808591 como paradigmas da divergência. O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade (Efls. 598 ss.) e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (Efls. 604 ss.). Passase, assim, à apreciação do recurso. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora ad hoc Conforme exposto no relatório supra, fui designada redatora ad hoc para formalizar o presente acórdão, utilizando relatório e voto apresentados pela Relatora em sessão de julgamento. Nestes termos, o conteúdo do voto a seguir transcrito corresponde ao voto proferido pela Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio: CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 623 11 Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose então ao caso sob exame, consideramse preenchidos tais requisitos, com a presença de divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados, de modo que se VOTA POR CONHECER o recurso especial contribuinte. MÉRITO De acordo com a análise de conhecimento procedida, devolvese ao julgamento desta instância o pedido de redução da multa qualificada, sustentada pela recorrente com base na ausência de prova do intuito fraudulento. Objetivamente, anúise com a desqualificação da multa uma vez que, debruçandose sobre o Termo de Verificação Fiscal, apenas se recohece a presença de elementos sufientes a caracterizar a presunção da omissão de receitas, mas não a prova necessária ao agravamento, que precisa demonstrar cabalmente o intuito do sujeito de praticar uma das condutas descrritas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei n. 4502/64. Isso porque sustenta a qualificação no fato de haver “vultosa diferença entre o montante anual de créditos/depósitos apurados em conta corrente bancária (R$ 3.279.817,60) e o lançado na escrita contábil da empresa, como decorrente de revenda de mercadorias (R$ 1.485.062,51), demonstra que não foi escriturada, no livro caixa, toda a movimentação financeira da empresa, relativamente ao período sob fiscalização”. Pessoalmente, acredito não bastarem alegações de que não se ofereceu à tributação parte dos valores entendidos devidos ou que todas as movimentações não foram declaradas; me sensibiliza, menos ainda, pelo contrário, até me surpreende, a alegação de fraude com base na conduta reiterada ocorrida durante alguns meses dentro do período de um ano, e também me é relevante o fato de o contribuinte ter respondido a diversas intimações, apresentando documentos e informações à fiscalização, infirmando o seu intuito de ocultar. De todo modo, revelase bastante significativa a inferência de, no caso concreto, a qualificação ter partido de elementos que levam tão somente à presunção da omissão de receitas, mas não a uma efetiva causa de agravamento, razão pela qual penso ser o caso de aplicação das Súmulas 14 e 25 do CARF, transcritas as seguir: Fl. 626DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 624 12 “Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Por essas razões, votase por DAR PROVIMENTO ao recurso da contribuinte. É o que se reproduz do voto da Relatora original. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 627DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 625 13 Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Redator designado. Segue a síntese do trabalho da Fiscalização: "DEMONSTRATIVO O AS INFRAÇÕES APURADAS 13. Conforme informado acima, a empresa foi intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrita contábil e fiscal, referente ao período de 01/01/2007 a 31/12/2007, bem como os extratos bancários de suas contas correntes, de depósitos e/ou investimentos. 14. Em atendimento aos nossos termos, a empresa apresentou: livro caixa; livros razões analíticos; livro registros de saídas, com assentamentos do período de 01/01/2007 a 31/12/2007; e cópias extratos de suas contas correntes mantidos junto aos bancos Itaú S/A e Santander S/A. 15. Do cotejo entre os lançamentos correspondentes às entradas nos livros caixas apresentados (com correspondentes lançamentos de receitas de revendas de mercadorias nos livros razões analíticos e registros de saídas) e os decorrentes de créditos/depósitos efetuados nas contas correntes bancárias da empresa fiscalizada, verificouse substancial diferença a maior destes em relação àqueles. Em razão disso, a empresa foi intimada a esclarecer, mediante a apresentação de documentos comprobatórios, a origem dos valores creditados e/ou depositados em suas contas bancárias, de depósito ou de investimentos. 16. Em atendimento ao nosso termo, a empresa esclareceu, mediante a apresentação de documento comprobatório, o crédito, no da 29/07/2007, no valor de R$ 450.000,00 (quatrocentos mil reais) junto ao banco Itaú S/A, como decorrente de empréstimo junto à referida instituição financeira. Em relação aos demais depósitos e/ou créditos efetuados, não foram apresentados esclarecimentos e/ou documentos esclarecedores de suas origens. 17. Foi efetuada a conciliação bancária, onde foram expurgados esses R$ 450.000,00 (quatrocentos e cinqüenta mil reais), relativos ao empréstimo acima citado, estornos, depósitos de mesma titularidade e outros créditos, em qud não houve incidência tributária. Depois de efetuada a conciliação, sobraram ainda crédids e/ou depósitos, nas contas correntes bancárias da empresa, que somados, totalizaram R$ 3.279.817,60 (três milhões, duzentos e setenta e nove mil, oitocentos e dezessete reais e sessenta centavos). 18. Observamos que, nos livros razões analíticos apresentados pela fiscalizada, poucas foram as contas que receberam lançamentos no ano de 2007, ou seja, que tiveram alguma movimentação contábil no período. Entre essas contas, estão as únicas contas que receberam as contrapartidas dos lançamentos devedores efetuados na conta "CAIXA", representativos de entradas de recursos, a saber: a conta "EMPRÉSTIMOS & FINANCIAMENTOS" e a conta "VENDA DE MERCADORIAS". Nesses livros, não há registros de contas representativas de movimentação junto a bancos. 19. Portanto, a empresa optou que toda sua movimentação financeira fosse registrada na conta "CAIXA". Fl. 628DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 626 14 20. Os suprimentos de numerários, lançados na conta "CAIXA", oriundos de lançamentos credores na conta "EMPRÉSTIMOS & FINANCIAMENTOS", totalizaram no ano R$ 480.000,00 (quatrocentos e oitenta mil reais). Esse montante é compatível com os R$ 450.000,00 (quatrocentos e cinqüenta mil reais), lançados em 29/07/2007, na conta corrente da fiscalizada junto ao banco Itaú S/A. 21. Os demais suprimentos de numerários, lançados a débito na conta "CAIXA", tiveram como contrapartidas receitas de revenda de mercadorias, ou seja, foram efetuados lançamentos credores na conta "VENDA DE MERCADORIAS", cujo montante foi de R$ 1.485.062,51 (um milhão, quatrocentos e oitenta e cinco mil, sessenta e dois reais e cinqüenta e um centavos). Enquanto que, no livro registros de saídas, foram assentadas receitas, cuja soma no ano foi de R$ 1.505.603,13 (um milhão, quinhentos e cinqüenta e cinco mil, seiscentos e três reais e treze centavos). 22. A vultosa diferença entre o montante anual de créditos/depósitos apurados em conta corrente bancária (R$ 3.279.817,60) e o lançado na escrita contábil da empresa, como decorrente de revenda de mercadorias (R$ 1.485.062,51), demonstra que não foi escriturada, no livrocaixa, toda a movimentação financeira da empresa, relativamente ao período sob fiscalização. 23. Por sua vez a empresa, transmitiu à Receita Federal do Brasil RFB Declarações Anuais Simplificadas, referente ao anocalendário de 2007, onde foram informadas receitas que totalizaram, no período, R$ 1.505.603,13 (um milhão, quinhentos e cinco mil, seiscentos e três reais e treze centavos), sendo R$ 272.109,16 (duzentos e setenta e dois mil, cento e nove reais e dezesseis centavos), referente aos meses de janeiro a junho de 2007; e R$ 1.233.493,97 (um milhão, duzentos e trinta e três mil, quatrocentos e noventa e três reais e noventa e sete centavos), referente ao período de julho a dezembro de 2007. Isso porque a empresa optou, no período de janeiro a junho de 2007, pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Federal, nos termos da Lei 9.317/96; e, a partir de 01/07/2007, optou pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, Lei Complementar n° 123/06. 24. As diferenças apuradas positivas entre os valores mensais de depósitos/créditos em contas correntes bancárias e os declarados pela empresa nas Declarações Anuais Simplificadas, transmitidas pela empresa à R.F.B, constituem omissões de receitas da empresa, cujos valores encontram se detalhados na planilha a seguir: MÊS RECEITAS INFORMADAS EM DECLAÇÃO SIMPLIFICADA DEPÓSITOS/CRÉDITOS APURADOS EM EXTRATOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE JAN 34.805,12 467.279,61 432.474,49 FEV 56.766,48 268.211,13 211.444,65 MAR 38.998,12 200.029,20 161.031,08 ABR 33.291,90 178.096,66 144.804,76 MAI 58.056,62 165.234,53 107.177,91 Fl. 629DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 627 15 JUN 50.190,92 159.795,00 109.604,08 JUL 53.156,15 212.593,02 159.436,87 AGO 69.895,50 279.410,96 209.515,46 SET 98.986,72 225.489,84 126.503,12 OUT 203.087,60 344.667,16 141.579,56 NOV 237.417,00 286.051,91 48.634,91 DEZ 570.951,00 492.958,58 0,00 TOTAL 1.505.603,13 3.279.817,60 1.774.214,47 25. Verificase, pois, que, com exceção do mês de dezembro, em todos os demais meses do ano de 2007, foram apuradas omissões de receitas, ou seja, infração à legislação tributária. 26. Esse comportamento habitual, freqüente e repetido em omitir receitas por parte da fiscalizada, consubstanciouse em costume e, conseqüentemente, em prática reiterada à legislação tributária. 27. Pelo fato de a empresa ter incidido em prática reiterada de infração à legislação tributária e de que o livrocaixa apresentado não permite identificar toda a movimentação financeira da fiscalizada, inclusive bancária, foram propostas, através de representações específicas, que a mesma fosse excluída de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, com fundamento no artigo 14, inciso V, da Lei 9.317/96 (processo n.° 15983.720366/201111); e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional; com fundamento no artigo 29, incisos Vê VIII, da Lei Complementar n.° 123/2006 (processo n.° 15983.720367/201165); com efeitos a partir de 01/02/2007 (inciso V do artigo 15 da Lei 9.317/96) e 01/07/2007 (§ Io do artigo 29 da Lei Complementar n.° 123/2006), respectivamente. 28. Do exposto acima foram apuradas as seguintes infrações: a) Omissão de receita Depósitos bancários não escriturados; e b) Insuficiência de recolhimento, essa verificada em função da mudança de faixa de incidência do SIMPLES quando se constatou que a receita mensal omitida somada à receita declarada implicaria na mudança de alíquota. 29. Os valores considerados, os cálculos realizados, e os créditos apurados e constituídos encontramse especificados nos autos de infração de IRPj, CSLL, PIS e COFINS, nos Demonstrativos Apuração e em planilhas. [...] 31. Tendo em vista que os lançamentos dos impostos e contribuições foram efetuados em decorrência de omissões de receitas apuradas, nos termos acima descritos, restando, pois, devidamente caracterizada a conduta deliberada da empresa fiscalizada em ocultar a ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias e com isso eximirse dos pagamentos dos impostos e contribuições devidos, aplicamos a multa de ofício de 150%. 32. A multa de ofício de 150% foi aplicada em função da ocorrência, no plano fático, do previsto na hipótese normativa do § 1º do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. 33. De se destacar, o art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, no que se refere à tipificação da conduta dolosa, que assim dispõem: Fl. 630DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 628 16 "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou crédito tributário correspondente." [...] 35. No caso que se apresenta, a qualificação da multa de ofício justificase pela vontade explícita do sujeito passivo em impedir que o fisco tomasse conhecimento da existência de valores tributáveis, no decorrer do anocalendário de 2007. Conforme se verificou, quando da apuração das infrações acima relatadas, ficou devidamente demonstrada, nesta ação fiscal, a existência de expressiva soma de depósitos e/ou créditos em contas correntes bancárias, sem origens justificadas, que foram considerados como omissões de receitas e, conseqüentemente, deixaram de ser oferecidos à tributação pela empresa fiscalizada. 36. Diante das apurações e dos fatos descritos, entendemos que está devidamente caracterizada a conduta deliberada da empresa fiscalizada em ocultar do conhecimento do fisco parcela significativa de suas receitas mensais, ou seja, obstar o fisco de ter informações acerca da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias e, com isso, eximirse, evitar ou diferir pagamentos de impostos e contribuições devidos. Por conta disso, aplicamos a multa de ofício de 150%, nesta fiscalização, sobre os valores apurados de impostos e de contribuições que tiverem como base as omissões receitas apuradas. 37. A manutenção, sob controle paralelo, de fatos econômicos não devidamente contabilizados, levada a efeito por uma conduta reiterada, no transcorrer de quase todo o anocalendário de 2007, compõe um quadro no qual revela o intuito doloso da contribuinte, haja vista a existência de uma atitude com o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições." 38. Dessa forma, tanto do ponto de vista do direito quanto do ponto de vista das circunstâncias de fato constatadas nesta fiscalização, mostrase justificável a imposição da multa qualificada de 150%." Assim exposta a acusação, intentase apurar se tal descrição fática tem suporte probatório suficiente para sustentar a imputação de prática de sonegação para além da mera presunção, tendo em conta que a ilustre Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio não anteviu força bastante, nos elementos reunidos nos autos, para superar o caráter simplesmente presuntivo da conclusão fiscal. Nessa ordem de ideias, se o que levou a Fisco a inferir a existência de omissão de receitas derivouse de uma presunção determinada pela lei, parece desarrazoado afirmar que a mesma omissão decorrera de conduta dolosa. Mas, como se pretende mostrar, os fatos colhidos nos autos revelam, sim, que houve omissão dolosa de receitas tributáveis. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 629 17 Convém enfatizar, antes de tudo, que vigora o sistema de persuasão racional, no ordenamento jurídico atual. Nesse sistema, com frequência se questiona se as provas disponíveis, valoradas racionalmente, são suficientes para lastrear uma determinada proposição sobre fatos. Esse patamar de suficiência pode ser fixado de diversos modos, a exemplo daquele que funda a acusação "para além de qualquer dúvida razoável." O que se pode chamar de valoração se refere ao grau de apoio que os elementos de prova acostados proporcionam para os fatos da causa. Tratandose de uma valoração que se assume como livre e, ao mesmo tempo, racional, o julgador põese avaliar, no primeiro momento, as relações de corroboração ou de confirmação entre as evidências carreadas aos autos e as afirmações sobre os fatos do caso que é o objeto do processo, escorandose, para tanto, nos conhecimentos cientificos e nas generalizações empíricas comumente aceitas (máximas da experiência). Vale anotar que o grau de corroboração se expressa como indução probabilística, que não chega a demonstrar a verdade de uma hipótese, mas que pode confirmá la como resultado de uma explicação razoável, sem negar a possibilidade de outras hipóteses factuais. Por isso, costumase dizer que os juízos sobre fatos em um processo se dão em condições de incerteza, que é própria do raciocínio indutivo, em geral, mesmo para o campo das hipóteses científicas ou históricas. A valoração consiste na individualização das provas que corroboram as proposições sobre os fatos do caso e na identificação dos fatores que incidem, com maior ou menor força probatória, como a credibilidade do elemento de prova, seu caráter de prova direta ou indireta, a validade do fundamento empírico das generalizações em que se baseiam as inferências probatórias, e outros. Sabendose que, diante da forma indutiva do raciocínio probatório, as provas, como já dito, podem não demonstrar a verdade das proposições fáticas que são objeto do processo, mas apenas corroborálas, em maior ou menor medida, impõese, num segundo momento, estabelecer se o grau de corroboração que essas provas aportam às proposições fáticas é suficiente para considerálas provadas. No sistema de livre valoração, a questão do grau de convicção necessário para se admitir a ocorrência de um fato suscita discussões sobre o que se pode considerar suficientemente provado. Ou seja, o termo "suficiente" traduz que o convencimento ao qual se deve chegar não é absoluto, pois, embora se saiba que não se pode descartar por completo que as coisas tenham acontecido de outro modo, também não se desconhece que não é possível reconstruir todos os detalhes dos fatos que se passaram. Por isso, não se pode pretender que o aparato probatório tenha a aptidão de fornecer a "certeza absoluta" acerca dos fatos investigados. Isso porque do raciocínio indutivo empreendido pelo julgador podem ser obtidas, quando muito, respostas prováveis, jamais conclusões absolutamente certas, tanto em razão das limitações de acesso a uma verdade totalmente cognoscível quanto em função das limitações do sujeito que quer conhecêla. Já que não se pode contar sempre com provas diretas, o direito propicia as provas indiretas, as quais, associadas umas às outras ou mesmo isoladas, podem levar ao fato que se quer provar. As provas indiciárias conduzem a fatos secundários por meio de inferências baseadas em conhecimentos anteriores à investigação, informações já sabidas de antemão. A passagem de fatos secundários, irrelevantes ao Direito, para o fato principal se dá por força das máximas da experiência, regras que obedecem à estrutura "se A, normalmente B". O vocábulo "normalmente" implica reconhecer que "nem sempre" as coisas se passam do modo suposto, isto é, há exceções. Para os fins deste voto, são agrupadas entre as máximas da experiência as Fl. 632DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 630 18 ideias correntes que advêm do senso comum e aquelas que são oriundas das descobertas das ciências, já incorporadas ao patrimônio antropológico e cultural. Contudo, como já assinalado, as máximas suportam exceções, motivo por que se requer certa prudência para seu emprego, cabendo verificar se é o caso de incidência regular da regra ou se a situação deve ser ressalvada para fora da regularidade habitual. Claro que há generalizações mais ou menos prováveis, a depender da base empírica que lhe dá suporte e de sua regularidade: quanto maior a regularidade, num espectro mais amplo de casos, maior também a probabilidade. Ultrapassada a valoração racional dos elementos de prova coligidos, ingressa se na fase decisória, propriamente dita. Agora, o julgador está apto para decidir sobre dado litígio, já inteirado das especificades fáticas do caso, podendo chegar às conclusões cabíveis por meio da avaliação das provas. Até então pôde anotar quais enunciados fáticos trazidos pelas partes guardam maior ou menor probabilidade de correspondência com a realidade, discernindoos daqueles que resultavam do intento de lhe persuadir sem o suporte fático pertinente. Assim, aplicando operações indutivas, assomalhe a hipótese mais provável. O resultado da valoração da prova que se obtenha nada significa, por si só, a respeito da decisão a ser tomada. Para tal mister, requerse a intermediação de algum standard de prova com aptidão bastante para fixar o grau de probabilidade necessário para se considerar provada uma hipótese, concedendolhe, ao cabo, os efeitos jurídicos previstos nos ordenamento jurídico. Tratandose de litígios no âmbito do direito penal, não se pode admitir decisão que não tenha afastado todas as dúvidas razoáveis Desse modo, chegado o momento da decisão, o julgador deverá aplicar o standard de acordo com o qual o acusado deve ser absolvido, enquanto existirem dúvidas razoáveis sobre a ilicitude de sua conduta. Essa mesma linha de exigência "para além de qualquer dúvida razoável" pode e deve ser estendida à comprovação do dolo, no que toca à qualificação da sanção, em processo administrativo fiscal, como garantia do fiscalizado. Essa Turma tem adotado os critérios de relevância (magnitude do que está em jogo) e da reiteração/recorrência (repetição ao longo do tempo) para se chegar ao convencimento da intenção de agir "para além de qualquer dúvida razoável", como explica o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, no acórdão nº 9101003.477: "Portanto, a discussão deslocase para a aferição do que é aceitável/razoável, para fins de convencimento da intenção de agir. E, nesta aferição, são muito importantes critérios de relevância (magnitude do que está em jogo) e de recorrência/reiteração (repetição ao longo do tempo) da conduta. Por que esses critérios? Certamente é natural que se cometam erros até certo ponto e mesmo erros de razoável magnitude e, da mesma forma, é natural que se cometam erros durante um certo lapso de tempo. Não obstante, a medida que crescem a relevância e a duração da prática no tempo; decresce, na mesma medida, a probabilidade de algo ter sido fruto de mero erro (é o que se denomina de inversamente proporcional) e aumenta a probabilidade de ter sido premeditado ou intencional. São duas faces da mesma moeda: num lado está o erro, o equívoco; no outro a intenção (de fazer algo errado ou de deixar de fazer algo certo a que se estava obrigado), a vontade de obtenção de um fim ao se praticar uma conduta. A combinação desses critérios também pode ser determinante: podese errar pouco durante muito tempo, assim como errar muito num curto espaço de tempo; agora errar muito durante muito tempo é algo que desafia o bom senso do homem comum (e porque não dizer até do homem um pouco fora do desvio padrão)." Fl. 633DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 631 19 Reparese que os créditos/depósitos mensais em conta bancária, sem origem justificada, superaram, em muito, as receitas mensalmente declaradas, em onze dos doze meses do anocalendário de 2007. No global, o total anual desses créditos/depósitos é superior ao dobro do total anual das receitas declaradas, afora o fato de que a pessoa jurídica era optante pelo regime do SIMPLES. Como realçou a Fiscalização, restou comprovada a conduta deliberada de ocultar do conhecimento do Fisco parcela significativa das receitas mensalmente auferidas, assim obstando o acesso, por parte da Administração Tributária, às informações sobre os aspectos materiais dos fatos geradores, bem como das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal, tudo de tal modo a se subsumir ao tipo legal dos incisos I e II do artigo 71 da Lei nº 4.502/1964, a ensejar a aplicação da multa qualificada de 150%, estipulada pelo artgo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. Como se pode ver, a planilha elaborada pelo agente fiscal fornece informações com aptidão suficiente a superar as Súmulas CARF nº 14 e 25, pois os dados coligidos da movimentação financeira visà vis as receitas declaradas evidenciam relevância e reiteração consistentes com o dolo de ocultar do Fisco a percepção de significativa parcela de receitas tributáveis. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 634DF CARF MF
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