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Numero do processo: 12571.000007/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/2010-00, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/2010-00, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de COFINS mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 00 7/ 20 10 -1 6 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 12571.000007/201016 Resolução nº 3301000.708 S3C3T1 Fl. 184 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.521 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000006/2010 71, 12571.000007/201016, 12571.000008/201061, 12571.000009/201013, 12571.000010/201030, 12571.000011/201084, 12571.000012/201029, 12571.000013/201073, 12571.000014/201018, 12571.000015/201062, 12571.000016/201015, 12571.000017/201051, 12571.000018/201004, 12571.000019/201041, 12571.000020/201075, 12571.000021/201010, 12571.000022/201064, 12571.000023/201017, 13931.000367/200820, 13931.000936/200837, 13931.000938/200826, 13931.000941/200840, 13931.000943/200839, 13931.000944/200883, 13931.000945/200828, e 13931.000947/200817, que tratam da análise de créditos de Cofins (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.521, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins Exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 12571.000007/201016 Resolução nº 3301000.708 S3C3T1 Fl. 185 3 Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.720398/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Os embargos de declaração são cabíveis quando houver omissão no acórdão.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ERRO MATERIAL. ART. 19 DA LEI Nº 10.522/2007.
É nula a decisão de primeira instância que revisa o ato administrativo de lançamento, com o objetivo de sanar erro material existente na constituição do crédito tributário. O artigo 19 da Lei nº 10.522/2007 é inaplicável à hipótese dos autos.
Numero da decisão: 1201-002.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Ausentes justificadamente a conselheira Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado, substituídos respectivamente pelos conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Breno do Carmo Moreira Vieira.
(assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado). Ausentes justificadamente a conselheira Ester Marques Lins de Sousa e o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando houver omissão no acórdão. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ERRO MATERIAL. ART. 19 DA LEI Nº 10.522/2007. É nula a decisão de primeira instância que revisa o ato administrativo de lançamento, com o objetivo de sanar erro material existente na constituição do crédito tributário. O artigo 19 da Lei nº 10.522/2007 é inaplicável à hipótese dos autos.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando houver omissão no acórdão. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ERRO MATERIAL. ART. 19 DA LEI Nº 10.522/2007. É nula a decisão de primeira instância que revisa o ato administrativo de lançamento, com o objetivo de sanar erro material existente na constituição do crédito tributário. O artigo 19 da Lei nº 10.522/2007 é inaplicável à hipótese dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Ausentes justificadamente a conselheira Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado, substituídos respectivamente pelos conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Presidente em exercício. (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 03 98 /2 01 2- 51 Fl. 22029DF CARF MF 2 convocado). Ausentes justificadamente a conselheira Ester Marques Lins de Sousa e o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Embargos de Declaração, argumentando a Fazenda Nacional, ora Embargante, uma omissão no acórdão nº 1103001.139, ementado abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ERRO MATERIAL. É nula a decisão de primeira instância que revisa o ato administrativo de lançamento, com o objetivo de sanar erro material existente na constituição do crédito tributário. A Embargante expõe que o acórdão proferido pela outrora 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, resumidamente, concluiu que "a autoridade julgadora não poderia de ofício, modificar o trabalho fiscal", incorrendo em omissão, quando não justificado o afastamento do artigo 19, § 7º, da Lei nº 10.522/2002. Ressalta a Fazenda Nacional "que não se pretende aqui, com a presente peça, alterar o entendimento do acórdão ora embargado. O que se busca é a manifestação do C. Colegiado sobre esse ponto." Por fim, a Embargante requer "o conhecimento e o provimento do presente recurso, para que esta e. Câmara justifique o afastamento do art. 19, § 7º da Lei nº 10.522/2002, fato que correspondeu à verdadeira declaração de inconstitucionalidade por meio indireto." Considerando a modificação da composição desta Turma, mediante novo sorteio, fui designado relator. A admissibilidade dos Embargos de Declaração foi proferida em despacho nos autos, neste momento, sobrevindo a sua apreciação pelo presente colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator Os Embargos de Declaração são tempestivos, com admissibilidade reconhecida, portanto, deles tomo conhecimento. Inicialmente, ressalvase que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Entretanto, o acórdão recorrido não declarou a inconstitucionalidade do artigo 19, § 7º, da Lei nº 10.522/2002, ainda que pela via indireta, como sugere a Embargante. Fl. 22030DF CARF MF Processo nº 12571.720398/201251 Acórdão n.º 1201002.317 S1C2T1 Fl. 22.030 3 O artigo 19, § 7º, da Lei nº 10.522/2002, viabiliza a revisão de ofício do crédito tributário pela autoridade lançadora, quando houver declaração de inconstitucionalidade pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal (artigo 19, inciso IV, da Lei nº 10.522/2002) ou de ilegalidade pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça (artigo 19, inciso V, da Lei nº 10.522/2002): Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (...) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (...) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. Primeiramente, esclarecese que tal dispositivo normativo não admitiu a "reformatio in pejus", quando da revisão do lançamento. Diversamente, o artigo 19, § 7º, da Lei nº 10.522/2007, impõe a revisão do lançamento favorável ao contribuinte, anulando o ato administrativo de constituição do crédito tributário em virtude do posicionamento contrário do Supremo Tribunal Federal com efeito de repercussão geral (artigo 543B do Código de Processo Civil/1973) ou do Superior Tribunal de Justiça geral com efeito repetitivo (artigo 543C do Código de Processo Civil/1973). Logo, o artigo 19, § 7º, da Lei nº 10.522/2002, corresponde a um instrumento eficaz de autotutela do Estado, evitando o ônus de um prescindível contencioso administrativo ou judicial. O artigo 145 do Código Tributário Nacional, excepcionalmente, autoriza modificação do lançamento tributário de ofício, enquanto o artigo 149 do mesmo Estatuto limita as hipóteses suscetíveis da revisão: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: (...) III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Fl. 22031DF CARF MF 4 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. O acórdão embargado, explicitamente, concluiu pela existência erro material no lançamento tributário, sendo assim, insanável, consoante a seguinte exposição: Decidiu o v. acórdão recorrido ser possível, juridicamente, a apurar omissão de receitas praticadas por empresas comerciais, mediante levantamento por espécie das quantidades das mercadorias adquiridas para revenda. Restou ainda consignado que, na dicção do art. 3º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966, o tributo há que ser cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Significa dizer que, o servidor fiscal não dispõe do poder discricionário de estabelecer critérios alternativos àqueles expressamente previstos na lei. Com efeito, existindo um critério fixado expressamente no texto legal – multiplicação do quantitativo da diferença pelo preço médio de custo ou de venda – não lhe é dado criar critério distinto, ainda que, em um primeiro momento, conte com a aquiescência do contribuinte. Fl. 22032DF CARF MF Processo nº 12571.720398/201251 Acórdão n.º 1201002.317 S1C2T1 Fl. 22.031 5 Porém, por não entender justo o critério material adotado para a apuração do crédito tributário, a autoridade julgadora modificou o lançamento de ofício firmado pela autoridade fiscal: “Ocorre que o contencioso administrativo constitui mecanismo de controle da legalidade do lançamento. E em assim sendo, o provimento a ser dado consiste em dizer se o lançamento se harmoniza – ou não – à norma legal. E neste caso concreto, com respeito aos valores lançados quando desconhecidos o preço médio de custo ou de venda, não vejo como declarar que o critério criado pela fiscalização presta vassalagem à norma legal. Em virtude desse entendimento, foi exarado o despacho de diligência de fls. 20.958, determinando a feitura de planilhas contendo apenas as omissões de compras e as omissões de vendas cujos custo médio e preço médio de venda foi possível apurar, respectivamente. Em atendimento, foi elaborada a planilha de fls. 20.96021.250denominada ‘Levantamento Quantitativo de Estoques em 31/12/2007 – Omissão de Receitas por Omissão de Compras – Valoração pelo Custo Médio de Aquisição’, que totaliza a importância de R$ 1.453.308,39, e a planilha de fls. 21.42821.860 denominada ‘Levantamento Quantitativo de Estoques em 31/12/2007 – Omissão de Receitas por Omissão de Vendas – Valoradas pelo Preço Médio de Venda’, que totaliza a importância de R$ 12.899.209,02. As omissões de receitas correspondentes ao somatório das diferenças nas entradas e nas saídas apuradas nessas novas planilhas, que observam o critério legal ao considerar apenas os preços médios determinam a redução da base imponível conforme cálculo adiante demonstrado: (...)” Destacamos. Assim, a autoridade julgadora, reconhecendo o erro de direito do ato administrativo de lançamento, modificou, de ofício, o trabalho fiscal. (...) Presente, portanto, o erro de direito no lançamento administrativo, era vedado ao v. acórdão recorrido revisálo, com a finalidade de sanarlhe o vício. Manoel Antonio Gadelha Dias, expresidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, explana que o vício substancial compreende a determinação da matéria tributável e o cálculo do tributo: “À luz do Código Tributário Nacional, fonte de direito material nacional, e do Decreto nº 70.235/1972, fonte de direito formal de Fl. 22033DF CARF MF 6 âmbito restrito à União, entendemos que os requisitos do lançamento podem ser divididos em dois grandes grupos: 1º) o dos requisitos fundamentais ou estruturais; e 2º) o dos requisitos complementares ou formais. Se o defeito no lançamento disser respeito a requisito fundamental, estaremos diante de vício substancial ou vício essencial, que macula o lançamento, ferindo o de morte, pois impede a concretização da formalização do vínculo obrigacional entre o sujeito ativo e o sujeito passivo. Os requisitos fundamentais são aqueles intrínsecos ao lançamento e dizem respeito à própria conceituação do lançamento insculpida no art. 142 do CTN, qual seja a valoração jurídica do fato jurídico tributário pela autoridade competente, mediante a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do tributo e a identificação do sujeito passivo. (....) Já se o vício estiver presente no que denominamos de requisitos complementares do lançamento, ou seja, naqueles que devem compor a linguagem para a comunicação jurídica, consistente na notificação ao sujeito passivo, estaremos falando de vício formal. Os requisitos complementares ou formais são aqueles exigidos por lei para o momento da edição do ato, por isso são denominados requisitos extrínsecos ao lançamento. O vício formal no lançamento tributário. in Direito Tributário e processo administrativo aplicados. TÔRRES, Heleno Taveira, QUEIROZ, Mary Elbe, FEITOSA, Raymundo Juliano (Coords.). São Paulo: Quartier Latin, 2005. pp. 345346. (grifei) O acórdão nº 3202000.633, relatado pelo Ilmo. Conselheiro, Luís Eduardo Garrossini Barbieri, distingue o vício formal e o vício material, opinando que o erro no critério quantitativo é substancial: Questão relevante que precisa ser enfrentada, neste ponto, consiste em saber se o lançamento deve ser declarado nulo por vício formal ou material. O ato administrativo tem a seguinte estrutura lógica (a partir da linha preconizada por Celso Antônio Bandeira de Mello e Fabiana Del Padre Tomé): (i) elementos: forma, motivação e conteúdo; (ii) pressupostos: agente competente, motivo, formalidades procedimentais, finalidade e causa. Nesse momento, para o deslinde do presente litígio, interessados analisar os elementos que compõem o ato de lançamento. A “forma” referese ao suporte físico. Os atos administrativos devem revestirse de formas próprias para se expressarem validamente (Hely Lopes Meirelles). Na esfera federal, os requisitos formais que devem ser observados estão prescritos nos artigos 10º e 11 do Decreto nº 70.235/72 (denominados “auto de infração” e “notificação de lançamento”, respectivamente). Fl. 22034DF CARF MF Processo nº 12571.720398/201251 Acórdão n.º 1201002.317 S1C2T1 Fl. 22.032 7 A “motivação” está relacionada com a descrição dos pressupostos de fato (“motivo”). O Fisco deve demonstrar (e provar!) que a situação fática enquadrouse perfeitamente no pressuposto de direito (dispositivo legal) que serve de fundamento ao ato administrativo. Em outras palavras, devese demonstrar que houve a subsunção do fato à norma, que o evento do mundo fenomênico, relatado na linguagem competente – fato jurídico, enquadrase na situação na hipótese de incidência tributária (antecedente da norma), dando ensejo ao fato jurídicotributário (consequente da norma). Por fim, o “conteúdo” tem relação com o efeito imediato produzido pelo ato administrativo do lançamento, qual seja fazer “nascer” a obrigação tributária, de modo a estabelecer vínculo jurídico entre o Fisco e o particular, onde o primeiro (sujeito ativo) tem o direito subjetivo de receber o tributo (prestação pecuniária) e o segundo (sujeito passivo) o dever de pagálo. Desse modo, podemos dizer que o lançamento introduz (daí afirmarse tratar de “veículo introdutor”) uma norma individual e concreta no ordenamento jurídico, instaurando relação jurídicotributária prevista no consequente da norma geral e abstrata (a regramatriz de incidência tributária). Muito bem. A anulação de um lançamento, por vício formal, decorre do descumprimento de alguma formalidade necessária para a exteriorização ao ato (requisitos do artigo 10º do PAF, por exemplo), ou de irregularidade observadas durante o seu processo de formação (fase do procedimento fiscal), ou até mesmo, o não atendimento aos requisitos concernentes à publicidade do ato (ciência). De outro lado, a nulidade de um lançamento, por vício material, decorre de um descompasso na aplicação da regramatriz de incidência tributária, seja no antecedente da norma (“motivação”), seja em seu consequente (“conteúdo”).Na linha preconizada por Paulo de Barros Carvalho (Direito Tributário, Linguagem e Método, 1ª edição, p. 585), a regramatriz de incidência pode ser explicada com base no seguinte esquema lógico: na hipótese/antecedente “haveremos de encontrar um critério material (comportamento de uma pessoa), condicionado no tempo (critério pessoal) e no espaço (critério espacial)”. No consequente “depararemos com um critério pessoal (sujeito ativo e sujeito passivo) e um critério quantitativo (base de cálculo e alíquota)”. (...) Assim, há vício material sempre que na formação ou declaração da vontade, traduzida no ato administrativo, for detectada uma desconformidade entre os critérios prescritos na regramatriz de incidência e aqueles informados na aplicação da norma individual e concreta inserida pelo Fisco. Em síntese, vêse nulidade do lançamento administrativo original, configurando hipótese diversa do artigo 19, § 7º, da Lei nº 10.522/2007, impossibilitando o saneamento pelo acórdão nº 0639.869, prolatado pela Colenda 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA). Fl. 22035DF CARF MF 8 Por fim, o crédito tributário data do anocalendário de 2007, no entanto, o parágrafo sétimo foi introduzido no artigo 19 da Lei nº 10.522/2007, quando da promulgação da Lei nº 12.844, publicada em 19 de julho de 2013. Isto posto, REJEITO os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 22036DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900615/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF.
À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide.
Numero da decisão: 3802-003.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide.
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CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 06 15 /2 00 9- 31 Fl. 88DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I – SP (fls. 32/35), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 23/02/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa haja vista que o despacho decisório consigna de forma clara e concisa o motivo da não homologação da compensação. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.PAGAMENTO UTILIZADO PARA QUITAR DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Considerase confissão de dívida o débito declarado em DCTF, descabendo à autoridade administrativa a sua retificação de ofício mormente se o contribuinte não comprova a existência do erro material alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 15/12/2012, o Recorrente foi cientificada da decisão (ciência eletrônica fl. 39). Nas razões apresentadas em seu recurso voluntário protocolado em 10/01/2013 (fls. 41/46), alega ter recolhido indevidamente valores referente a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), nos pagamentos efetuados a outras pessoas jurídicas prestadoras de serviços, argumentando que, na época, existiam algumas situações em que dos prestadores de serviços eram dispensados ou não exigida a referida retenção. Pelo que se vê, o recorrente supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 15/20 (PER/DCOMP nº 38530.28345.090605.1.7.04 0364), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de RETENÇÃO de CONTRIBUIÇÕES PAGAMENTO DE PJ a PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS CSRF (cód. receita 5952), relativo ao período de apuração encerrado em 03/04/2004. É o que basta, no presente momento, para a análise restrita a ser feita por este colegiado. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.900615/200931 Acórdão n.º 3802003.422 S3TE02 Fl. 89 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Conforme relatado, constatase que o processo em epígrafe diz respeito a pedido de compensação cujo crédito em que se alicerça a interessada é relativo a alegado recolhimento a maior de RETENÇÃO de CONTRIBUIÇÕES sobre PAGAMENTO DE PJ a PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS, denominada CSRF (cód. receita 5952), relativo ao período de apuração encerrado em 03/04/2004. De acordo com o artigo 7°, § 1º e § 3º, Inciso I, combinado com o art. 2º, inciso II e VII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009) – RICARF, temos que: Art. 7º... § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção” (grifei). § 3º Na hipótese do § 1º, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ). I Da Primeira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ). No caso presente, o assunto em debate se enquadra na hipótese de que trata o inciso II e VII do artigo 2o do Anexo II do RICARF: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I – ...; II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Esta Terceira Seção do CARF, portanto, não pode se manifestar sobre o mérito do litígio, uma vez que a competência para o seu exame é da Primeira Seção deste Conselho, como demonstrado. Da Conclusão Fl. 90DF CARF MF 4 Por todo o exposto, e considerando a falta de competência material desta Terceira Seção do CARF para o exame da contenda, voto para não conhecer do recurso voluntário interposto pela interessada, devendo os autos ser encaminhados à Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. Sala de Sessões, em 20/08/2014. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.722965/2009-58
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004,2005
MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS.
O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, b, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário.
Numero da decisão: 9101-003.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator) e Cristiane Silva Costa, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fla´vio Franco Corre^a, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Fla´vio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio). Ausente, justificadamente, o conselheiro Andre´ Mendes Moura, substitui´do pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator) e Cristiane Silva Costa, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto - Relator. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fla´vio Franco Corre^a, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Fla´vio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio). Ausente, justificadamente, o conselheiro Andre´ Mendes Moura, substitui´do pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator) e Cristiane Silva Costa, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 29 65 /2 00 9- 58 Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10280.722965/200958 Acórdão n.º 9101003.642 CSRFT1 Fl. 435 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10280.722965/200958 Acórdão n.º 9101003.642 CSRFT1 Fl. 436 3 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é parte COMPANHIA DE HABITACAO DO ESTADO DO PARÁ (doravante “contribuinte” ou “recorrida”), em face do acórdão nº 1301001.308 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Turma Ordinária, 3a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O recurso especial versa sobre a aplicação da multa isolada decorrente de suposta insuficiência de recolhimento da estimativa mensal, em que a autuação fiscal ocorreu após o encerramento do respectivo anocalendário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL. DESCABIMENTO. Entendendose o recolhimento de estimativas mensais no caso das empresas tributadas com base no lucro real , como simples antecipação do montante devido ao final do exercício, a ausência do seu recolhimento somente importa em atuação sancionável quando verificada ainda dentro do exercício correspondente. Encerrado este, deve então ser apurada a existência de lucro e/ou prejuízo, nascendo aí obrigação nova que substitui, por completo, aquela anteriormente existente. Sendo assim, após o encerramento do exercício, descabe falar em lançamento pelo não recolhimento do principal ou mesmo da apontada multa de ofício, sobretudo ante a verificação de que, naquele exercício, a contribuinte sequer apurou lucro. A PFN interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação, requerendo o restabelecimento da multa isolada (efls. 400 e seg.). O referido recurso especial foi admitido por despacho (efls. 415 e seg.). O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial, em que alega que o acórdão recorrido teria aplicado Súmulas do CARF, razão pela qual seria insubsistente, bem como deveria ser julgado improvido em seu mérito (efls. 428 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10280.722965/200958 Acórdão n.º 9101003.642 CSRFT1 Fl. 437 4 Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto, razão pela qual não merece reparo, adotandose neste voto os seus fundamentos. Conhecimento. Em sede de contrarrazões, alega o contribuinte que o acórdão recorrido teria aplicado as Súmulas CARF n. 14 e 25, razão pela qual não poderia ser objeto de recurso especial. Não obstante, as referidas súmulas tratam da qualificação de multa de ofício em 150%, o que é matéria diversa e estranha àquela decidida no acórdão a quo e objeto do recurso especial interposto pela PFN. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto, razão pela qual não merece reparo, adotandose neste voto os seus fundamentos. Mérito. O presente caso exige que se compreenda a hipótese de incidência da multa isolada por ausência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSL. Compreendo que o acórdão recorrido não merece reparos. É importante observar o quanto disposto pela Súmula CARF n. 82: “Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.” Ocorre que a multa (acessório) segue por esse mesmo caminho do tributo (principal). Após o fim do exercício fiscal sem o recolhimento da referida estimativa mensal, nem esta e nem a corresponde penalidade seriam cabíveis, devendo a fiscalização exigir o recolhimento do efetivo tributo (IRPJ e CSL) por ventura devido e não recolhido a seu tempo, com a multa cabível em razão desse atraso (qualificada, se for o caso). Após esse marco temporal, o bem jurídico em questão (estimativas mensais) deixa de ser exigível, bem como a corresponde penalidade que busca garantir a seu cumprimento espontâneo pelo contribuinte também não é mais exigida pelo legislador. Assim como os respectivos tributos, as regras que impõem sanções pelo não recolhimento destes apresentam em suas hipóteses de incidência critérios materiais, espaciais e temporais. No caso da multa isolada ora em exame, o seu critério temporal está adstrito ao exercício fiscal em que uma determinada estimativa deveria ser apurada e recolhida pelo contribuinte e não o tenha sido. Apenas na hipótese da fiscalização exigir estimativas não apuradas e recolhidas no curso do exercício fiscal (até o dia 31.12) é que seria cabível a imposição da correspondente multa isolada. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10280.722965/200958 Acórdão n.º 9101003.642 CSRFT1 Fl. 438 5 Merecem destaque algumas decisões proferidas por esta CSRF, que igualmente compreenderam inaplicável aludida multa isolada após o encerramento do ano calendário: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão n. 0105.875, de 25.06.2008) Recurso especial negado. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 2001 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei IV 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor e estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. (Acórdão n. 9101000.575, de 18.05.2010) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sobre base estimada ao longo do ano. A jurisprudência da CSRF consolidouse no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas. (Acórdão n. 9101001.547, de 22.01.2013) Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10280.722965/200958 Acórdão n.º 9101003.642 CSRFT1 Fl. 439 6 Por todo o exposto, voto por conhecer o recurso especial interposto pela PFN e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10280.722965/200958 Acórdão n.º 9101003.642 CSRFT1 Fl. 440 7 Voto Vencedor Conselheiro Demetrius Nichele Macei Redator designado Com a devida vênia, ouso discordar do i. Conselheiro Relator somente no tocante à exigência de multa isolada em razão da falta de recolhimento de estimativas. O i. Conselheiro Relator consignou em seu voto que a cobrança das estimativas, bem como a imposição da multa isolada pelo não recolhimento de estimativas deve respeitar o critério temporal do exercício fiscal em que as estimativas não foram apuradas e recolhidas, ou seja, até o dia 31 de dezembro seria possível autuar o contribuinte pela ausência de recolhimento das estimativas mensais; ultrapassado tal marco temporal, a cobrança tornarseia inválida, tanto do principal (tributo devido), quanto do acessório (penalidade). Deixo consignado que, em meu ver, seja antes ou após o ano de 2007, o entendimento da Súmula CARF 105 deve prevalecer, ou seja: mesmo com a alteração legislativa perpetrada por meio da lei 11.488/2007 (abaixo detalhada) Ocorre que na discussão do julgamento deste caso concreto, surgiu o tema da aplicação da Súmula 82, que não entendo ser aplicável, no presente caso, que se refere a proibição do lançamento de ofício de IRPJ e CSLL para exigir estimativas não recolhidas após o encerramento do anocalendário, posto que tal súmula se destina a tolher o lançamento de ofício da estimativa em si, e não a penalidade pelo descumprimento desta obrigação, qual seja, deixar de efetuar o recolhimento mensal das estimativas. Portanto, em virtude dessa discussão, e apenas por isso, entendi por bem me curvar ao entendimento desta Turma Superior para acolher os argumentos da PGFN. A obrigação tributária inserese na teoria geral das obrigações e contém seus principais elementos: Credor (Sujeito Ativo), Devedor (Sujeito Passivo), Objeto (prestação de dar pagar tributo, fazer..., não fazer...) etc. Ocorre que o nascimento da obrigação tributária se dá de forma distinta. Enquanto a civil nasce pela vontade das partes, a tributária é ex lege, nasce do fenômeno da subsunção. Também a formalização da obrigação é diferente daquela do direito civil: enquanto uma decorre, substancialmente, do contrato a tributária decorre do lançamento. Por fim, aproximando agora do caso concreto, também não me parece acertado comparar a obrigação acessória do direito civil à "acessória" do direito tributário. A expressão legislativa não foi a mais feliz neste caso, pois enquanto a obrigação acessória do direito privado extinguese juntamente com a principal, o mesmo não ocorre com a tributária. A locução do Código Tributário Nacional aclara que as obrigações principal e acessória têm fatos geradores diversos. Enquanto a primeira é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, a segunda é qualquer situação que, na forma da Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10280.722965/200958 Acórdão n.º 9101003.642 CSRFT1 Fl. 441 8 legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Não é a toa, aliás, que a melhor doutrina ao tratar das "obrigações acessórias" prefere referirse à "obrigações instrumentais" visto que estas tem como objetivo o controle da fiscalização quanto aos cumprimento da principal. É bem verdade que, ao definir o sujeito passivo como contribuinte ou responsável o legislador não previu, por exemplo, as situações de mera retenção, o que causa certa confusão no aplicador da lei ao definir a sujeição passiva nos casos de ausência de retenção na fonte em nome de terceiro. A mesma confusão se dá, no meu entendimento, na multa pela falta de recolhimento da estimativa mensal, quanto ao aspecto da mera antecipação do tributo IRPJ/CSSL, que neste particular tem natureza acessória na sua acepção mais estrita, ou seja: o fato de não antecipar é que está sob discussão, posto que a obrigação de pagar será objeto de lançamento de ofício (quando o mesmo ocorra após o final do exercício) com base no ajuste anual do imposto, e não com base no valor da estimativa. Em outras palavras: mesmo que não haja imposto a pagar relativamente ao ano calendário, o contribuinte submetese ao regime de estimativas, que prevê sua antecipação independentemente de, no futuro, haver tributo ou saldo negativo do imposto. Nesta medida, entendo devida a multa isolada pelo descumprimento desta obrigação de antecipação, não se confundindo com a exigência da estimativa em si que, no caso concreto, não faria sentido, posto que já encerrado o ano calendário respectivo. Obviamente que, se a estimativa em si não era devida ao tempo dos fatos, não será devida a multa, o que não me parece ser o caso. Ademais, quando o sujeito passivo escolhe aderir ao regime das estimativas acaba indiretamente se comprometendo a auxiliar a União quanto às suas despesas incorridas no curso do exercício fiscal correspondente ao pagamento das estimativas, como apontou a PGFN, nas suas contrarrazões. Ademais, quando o sujeito passivo escolhe aderir ao regime das estimativas acaba indiretamente se comprometendo a auxiliar a União quanto às despesas incorridas no curso do exercício fiscal correspondente ao pagamento das estimativas, como apontou a PGFN, nas suas razões. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Procuradoria. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 441DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910741/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/11/1999
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.112
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/11/1999 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/11/1999 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 41 /2 00 8- 51 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.910741/200851 Acórdão n.º 3201004.112 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) relativa a pagamento a maior da contribuição (Cofins/PIS), declaração essa que restou não homologada pela repartição de origem. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, ou sua reforma, bem como a realização de diligência para se comprovar o direito creditório, alegando que recolhera aos cofres públicos valores superiores aos efetivamente devidos, pois desconsiderara os termos do art. 3º, inciso III, § 2º da Lei nº 9.718/1998. Arguiu, também, que o Fisco concluíra pela inexistência do crédito sem ao menos solicitar qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do valor compensado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 031.902, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da não comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, afastandose o pedido de realização de diligência por falta de apresentação de qualquer documento indicativo do direito alegado. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de forma hábil e tempestiva, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacandose os seguintes argumentos: (i) a Delegacia de Julgamento invocou a ausência da prova de liquidez e certeza dos créditos para rejeitar a manifestação de inconformidade, sendo que, se tivesse ocorrido a intimação para se demonstrar o crédito, o Fisco teria tido acesso às planilhas de apuração e poderia ter verificado a regularidade do encontro de contas efetuado; (ii) enquanto não for realizada a efetiva mensuração dos créditos utilizados é precipitada qualquer consideração a respeito da existência ou não de créditos passíveis de compensação; (iii) se a autoridade responsável pelo exame da declaração de compensação tivesse cumprido o dever de fiscalizar a existência do crédito declarado e não simplesmente glosado mecanicamente o encontro de contas teria verificado que o Requerente é legitimo credor da União Federal; e (iv) não se permitiu a produção de provas necessárias e, com base nessa decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.910741/200851 Acórdão n.º 3201004.112 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.096, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.910725/200869, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.096): No caso em apreço há a imperiosa necessidade de se comprovar a existência do direito creditório de modo inconteste, o que, pela análise dos elementos probatórios não ocorreu. Da decisão recorrida temse: "No caso em apreço, o Contribuinte declarou em débito de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito. De fato, tal constatação decorre da não localização do DARF indicado pelo Contribuinte no PER/DCOMP nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Observase que antes do Despacho Decisório, de 12/08/2008, o Contribuinte foi informado da não localização do DARF e intimado, em 15/12/2006 conforme A.R., às fls. 07, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado na mesma oportunidade que a consequência da falta de saneamento no prazo poderia acarretar o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP em análise. Portanto, ao contrário do alega a Manifestante, foi lhe dado a oportunidade para comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. No entanto, antes da ciência do despacho decisório, o interessado conservouse silente e inerte no tocante à integralidade das informações declaradas perante a RFB, as quais acabaram servindo de parâmetro para a continuidade da análise da matéria e respaldando a referida decisão administrativa. Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que não procede o argumento da requerente de que recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos por não ter considerado os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da lei 9.718/98, quando apurou a base de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.910741/200851 Acórdão n.º 3201004.112 S3C2T1 Fl. 5 4 cálculo das contribuições do PIS/COFINS, para o período de apuração constante neste PER/DCOMP, pois o contribuinte não conseguiu comprovar a existência do alegado indébito neste período, ou seja, o DARF supra mencionado que poderia demonstrar que de fato teria ocorrido "o pagamento indevido ou a maior" gerandolhe crédito, não foi localizado, e a empresa quando intimada a sanar tal irregularidade não se manifestou, e consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Cabe observar ainda que, mesmo se o referido DARF tivesse sido localizado, o art. 170 do CTN fixa como pressuposto para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional: que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. No entanto, a interessada não trouxe aos autos documentos que pudessem vir a comprovar a apuração incorreta nas bases de cálculo do COFINS, para o período em que alega o direito creditório, motivo pelo qual não se operaria, mesmo nesta hipótese, a liquidez e certeza desses pretensos créditos." Temse, então, que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em face de a recorrente, não ter comprovado a existência e liquidez do crédito apontado, mesmo tendo sido oportunizada a produção de prova. Não logrou êxito a recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto. Mesmo em sede recursal não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova válido a confirmar suas alegações. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a autorização de compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.910741/200851 Acórdão n.º 3201004.112 S3C2T1 Fl. 6 5 dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) A própria recorrente confessa que não trouxe elementos probatórios aos autos para confirmar sua pretensão, tanto que, solicita a realização de diligências. Ocorre que, conforme já referido, sequer indícios do seu direito foram colacionados ao processo administrativo, razão pela qual não há como se converter o julgamento em diligência. Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.910741/200851 Acórdão n.º 3201004.112 S3C2T1 Fl. 7 6 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Ademais, a Recorrente, em casos análogos, teve seus recursos julgados improcedentes conforme decisões a seguir transcritas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.910741/200851 Acórdão n.º 3201004.112 S3C2T1 Fl. 8 7 nº 10880.950624/200821; Acórdão 3803003.786; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950622/200831; Acórdão 3803003.785; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 84DF CARF MF
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Numero do processo: 10970.000335/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Constatada a identidade de objeto, não pode a autoridade administrativa manifestar-se acerca de matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário.
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Descabe a apreciação, no julgamento administrativo, de aspectos relacionados à inconstitucionalidade da multa de oficio exigida com amparo em lei vigente.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
FALTA DE LANÇAMENTO.AÇÃO JUDICIAL.
Devem ser objeto de lançamento de oficio os valores do IPI apurados pela fiscalização relativos às vendas de emulsões asfálticas (produto tributado), que não foram destacados nas notas fiscais de saídas nem declarados, deduzidos os créditos básicos cuja legitimidade foi comprovada. E, na ausência de medida judicial que implique a suspensão da exigibilidade, nos termos do artigo 151 do CTN, exigível a multa de oficio.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
DECADÊNCIA.
Se a contribuinte não promoveu o confronto de débitos com os créditos do imposto, por não haver escriturado nem débitos nem créditos, não há que se falar em recolhimento ("pagamento antecipado"), o que implica a aplicação do prazo estabelecido pelo art. 173, I, do CTN, em detrimento daquele disposto no art. 150, § 4°, do mesmo diploma legal.
Numero da decisão: 3301-004.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Winderley Morais Pereira, substituído pelo conselheiro Vinicius Guimarães. Presidiu a turma durante o julgamento o conselheiro Antônio Carlos da Costa Cavalcanti FIlho.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho (presidente substituto)
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Vinicius Guimarães .Winderley Morais Pereira declarou impedimento.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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CONCOMITÂNCIA. Constatada a identidade de objeto, não pode a autoridade administrativa manifestarse acerca de matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. Descabe a apreciação, no julgamento administrativo, de aspectos relacionados à inconstitucionalidade da multa de oficio exigida com amparo em lei vigente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 FALTA DE LANÇAMENTO.AÇÃO JUDICIAL. Devem ser objeto de lançamento de oficio os valores do IPI apurados pela fiscalização relativos às vendas de emulsões asfálticas (produto tributado), que não foram destacados nas notas fiscais de saídas nem declarados, deduzidos os créditos básicos cuja legitimidade foi comprovada. E, na ausência de medida judicial que implique a suspensão da exigibilidade, nos termos do artigo 151 do CTN, exigível a multa de oficio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. Se a contribuinte não promoveu o confronto de débitos com os créditos do imposto, por não haver escriturado nem débitos nem créditos, não há que se falar em recolhimento ("pagamento antecipado"), o que implica a aplicação do prazo estabelecido pelo art. 173, I, do CTN, em detrimento daquele disposto no art. 150, § 4°, do mesmo diploma legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 03 35 /2 00 8- 70 Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10970.000335/200870 Acórdão n.º 3301004.871 S3C3T1 Fl. 547 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Winderley Morais Pereira, substituído pelo conselheiro Vinicius Guimarães. Presidiu a turma durante o julgamento o conselheiro Antônio Carlos da Costa Cavalcanti FIlho. (assinado digitalmente) Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho (presidente substituto) (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Vinicius Guimarães .Winderley Morais Pereira declarou impedimento. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 448/454), abaixo transcrito: Tratase de Auto de Infração lavrado em decorrência da constatação de falta de recolhimento do IPI, por ter a empresa deixado de destacar o imposto nas vendas de emulsões asfálticas, produto classificado sob o código 2715.0000, sujeito à alíquota da 5% na TIPI, conforme relatado pelos auditores no Termo de Verificação Fiscal de fls. 28 a 34. Os valores do IPI que deixaram de ser destacados foram levantados segundo relação de notas fiscais de fls. 38 a 54, que, após reconstituição da escrita fiscal (fls. 55/56), resultaram nos valores exigidos na presente autuação (11s. 15 a 19). A empresa ajuizou a Ação Declaratória Ordinária, processo 2006.34.00.01192504, com pedido de antecipação de tutela, visando obter a declaração de que os produtos asfálticos que industrializa, dentre eles as emulsões asfálticas objeto desta autuação, não se sujeitam ao IPI em virtude de seu enquadramento no conceito de derivados de petróleo, o que os tomaria abrangidos pela imunidade de que trata o art. 155, § 3°, da Constituição Federal de 1988. A mencionada ação ordinária Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10970.000335/200870 Acórdão n.º 3301004.871 S3C3T1 Fl. 548 3 tramita perante a Justiça Federal, Seção Judiciária do Distrito Federal (cópias de peças às fls. 77 a 81), sem sentença de primeiro grau até a presente data, segundo consulta processual de fls. 432/434. Quanto à antecipação da tutela pretendida pela autora, o pedido foi denegado em juízo de primeiro e de segundo graus (a autora interpôs agravo contra a decisão singular que denegou a antecipação da tutela, denegação confirmada pelo Tribunal da 1a Região — fl. 435). Em 03/10/2008 a requerente protocolou a impugnação de fls. 265 a 294 discordando do lançamento efetuado nos seguintes termos, resumidamente: 1. os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos antes de setembro de 2003 foram atingidos pela decadência, no termos do art. 150, § 40, do CTN; 2. os produtos que industrializa conceituamse como derivados de petróleo, estando albergados pela imunidade conferida pelo art. 155, § 3°, da Constituição Federal; 3. diante da equivocada constatação dos débitos do imposto, a fiscalização desconsiderou os créditos apurados quando das aquisições de insumos; 4. requereu a realização de perícia para comprovação de que as emulsões asfálticas produzidas são derivados de petróleo, nomeando perito e apresentando quesitos; 5. finalizou sua defesa alegando que a multa de oficio aplicada possui caráter confiscatório. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 09 26.131 3a Turma da DRJ/JFA (fls . 448/454), com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Constatada a identidade de objeto, não pode a autoridade administrativa manifestarse acerca de matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. Descabe a apreciação, no julgamento administrativo, de aspectos relacionados à inconstitucionalidade da multa de oficio exigida com amparo em lei vigente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 FALTA DE LANÇAMENTO.AÇÃO JUDICIAL. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10970.000335/200870 Acórdão n.º 3301004.871 S3C3T1 Fl. 549 4 Devem ser objeto de lançamento de oficio os valores do IPI apurados pela fiscalização relativos às vendas de emulsões asfálticas (produto tributado), que não foram destacados nas notas fiscais de saídas nem declarados, deduzidos os créditos básicos cuja legitimidade foi comprovada. E, na ausência de medida judicial que implique a suspensão da exigibilidade, nos termos do artigo 151 do CTN, exigível a multa de oficio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2003 DECADÊNCIA. Se a contribuinte não promoveu o confronto de débitos com os créditos do imposto, por não haver escriturado nem débitos nem créditos, não há que se falar em recolhimento ("pagamento antecipado"), o que implica a aplicação do prazo estabelecido pelo art. 173, I, do CTN, em detrimento daquele disposto no art. 150, § 4°, do mesmo diploma legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. 462/507, no qual se alegou, em síntese: · nulidade do auto de infração por desconsideração das vendas para entrega futura e por cobrança em duplicidade; · decadência dos períodos anteriores a setembro de 2003; · imunidade do derivado de petróleo e defende que essa matéria, apesar de estar no Judiciário, também deve ser conhecida pela Corte Administrativa, com base nos princípios do contraditório e da ampla defesa; · a necessidade da manutenção do crédito apurado decorrente da aquisição de insumo; · a possibilidade de acúmulo e compensação de créditos de IPI surgidos na aquisição de insumos desonerados; · a não aplicação da multa de ofício ao presente caso e também o caráter confiscatório desssa multa; A Recorrente solicitou ainda perícia para comprovar o enquadramento dos produtos asfálticos como derivados de petróleo. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10970.000335/200870 Acórdão n.º 3301004.871 S3C3T1 Fl. 550 5 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A Recorrente alegou nulidade do auto de infração por desconsideração das vendas para entrega futura e por cobrança em duplicidade. No entanto, conforme se verificou na decisão recorrida, a alegação não deve prosperar. Vejamos os itens 4.2, 5 e 5.1 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 35 e seguintes): 4.2. GLOSA DE CRÉDITOS UTILIZADOS EM DUPLICIDADE Em relação às notas fiscais de saída de emulsões asfálticas emitidas, pelo estabelecimento fiscalizado em 2000, 2001 e 2002, foi lavrado pelo fisco, em 30/06/2004, o auto de infração constante do processo administrativo fiscal n° 10675.002281/200498. Conforme a planilha "Demonstrativo de reconstituição da escrita fiscal" que subsidiou a lavratura daquele auto de infração (fls. 258 a 262), foram apropriados os créditos de IPI constantes nas notas fiscais de entrada de insumos (emulsificantes), reduzindo os valores dos débitos apurados pelo fisco. Tais notas fiscais deram entrada no estabelecimento de janeiro de 2000 a dezembro de 2002. Entretanto, conforme consta no Anexo I deste Termo, a fiscalizada apropriou extemporaneamente em sua escrita fiscal, no 3° decêndio de setembro de 2003, valores referentes aos créditos do período de 01/04/1999 a 29/08/2003 no valor de R$ 81.778,53. Deste valor, R$ 48.246,45 referemse a notas fiscais cujos insumos ingressaram no estabelecimento nos anos 2002 a 2003. Verificamos que tais notas fiscais são as mesmas notas fiscais apropriadas no auto de infração acima referido. Assim, configurase apropriação de créditos em duplicidade, devendo ser glosada a apropriação extemporânea no 3° decêndio de setembro de 2003, no valor de R$ 48.246,45. O valor glosado foi transposto para a planilha "Demonstrativo de reconstituição da escrita fiscal" e depois para o Auto de Infração, conforme será detalhado nos itens a seguir. (...) 5. DA RECOMPOSIÇÃO DA ESCRITA DO CONTRIBUINTE Quando verificadas infrações durante a fiscalização (no caso, notas fiscais sem lançamento de IPI e glosas de créditos) é necessária, para cálculo do valor a ser lançado, a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, de forma a apurar/confrontar corretamente os créditos e débitos e verificar a existência de saldos devedores a serem exigidos em Auto de Infração. A recomposição da escrita fiscal, decêndio a decêndio, consta na planilha "Demonstrativo da reconstituição da escrita fiscal", fls. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10970.000335/200870 Acórdão n.º 3301004.871 S3C3T1 Fl. 551 6 55 a 56. São esclarecidos a seguir os procedimentos adotados para elaboração de tal planilha. Os créditos, débitos e saldos da escrita fiscal foram transcritos do LAIPI da fiscalizada (cópias nas fls. 102 a 211) para a planilha "Demonstrativo dos saldos da escrita fiscal (antes da reconstituição)", fls. 51 a 59, . Os débitos e créditos foram transpostos para as colunas "Dados do Livro do IPI — Créditos e Débitos escriturados", da planilha de reconstituição. Ressaltese que não foram transpostos para tais planilhas o valor do estorno de créditos referente à PERDCOMP transmitida em 14/10/2003, pois o deferimento ou indeferimento do ressarcimento pleiteado depende da reconstituição e, portanto, não deve nela interferir. Caso seja apurado valor a ser ressarcido, deve ser feita nova recomposição com a inserção do respectivo valor (o que, como se verá em item abaixo, não é o caso do presente processo). Os valores das infrações apuradas (itens 4.1 e 4.2, acima) foram transcritos, decêndio a decêndio, para a coluna "Dados da fiscalização — soma demonstr. débitos apurados". Notese que o valor total dos débitos apurados pelo fisco é R$ 418.287,37, sendo R$ 370.040,92 referentes ao IPI não lançado em notas fiscais e R$ 48.246,45 referentes à glosa de créditos apropriados em duplicidade. Na coluna "Outros créditos/outros débitos" foram transcritos os dados informados pelo fisco na planilha "Demonstrativo de dados apurados", fls. 59 a 60 . Tais valores referemse à realocação, para o decêndio apropriado, dos créditos de IPI a que a fiscalizada faz jus no período de janeiro a agosto de 2003 e foram lançados como créditos extemporâneos no 3° decêndio de setembro de 2003. Tais créditos, no valor total de R$ 14.841,03, constam nas notas fiscais listadas no anexo I deste Termo, com data de entrada entre janeiro e agosto de 2003. Assim, em procedimento benéfico ao sujeito passivo por evitar incidência de juros de mora, o crédito constante do 3° decêndio de agosto de 2003 foi subtraído em R$ 14.841,03. e o mesmo valor foi distribuído nos decêndios anteriores em que foram registradas na escrituração da empresa as entradas das notas fiscais. Efetuada a reconstituição da escrita fiscal, foram apurados os saldos constantes na coluna "Saldo de escrita reconstituído do PA", cuja análise subsidiará o lançamento de IPI e o indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme itens 6 e 7, a seguir. 5.1. DO CRÉDITO EXTEMPORÂNEO LANÇADO NO LAIPI NO 3° DECÊNDIO DE SETEMBRO DE 2003 Tornase interessante, para garantir a clareza do lançamento fiscal, sintetizar que o valor de R$ 81.778,53 creditado extemporaneamente pela fiscalizada, constante nas notas fiscais listadas no Anexo I deste Termo, teve o seguinte tratamento na reconstituição da escrita fiscal: Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10970.000335/200870 Acórdão n.º 3301004.871 S3C3T1 Fl. 552 7 notas fiscais com data de entrada em 1999, IPI no valor de R$ 18.691,05: mantidas como crédito extemporâneo, no próprio 3° decêndio de setembro de 2003; notas fiscais com data de entrada entre 2000 e 2002, IPI no valor de R$ 48.246,45: glosadas pelo fisco, em razão de aproveitamento em duplicidade, conforme item 4.2, acima; notas fiscais com data de entrada em 2003, IPI no valor de R$ 14.841,03: redistribuídas para os decêndios em que ocorreu a efetiva entrada, conforme planilha "Demonstrativo de dados apurados", fls. 59 a 60 . Portanto, verificase do que consta dos itens 4.2, 5 e 5.1 do Termo de Verificação Fiscal e do Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal que os auditores tiveram o cuidado de apurar os créditos a que a contribuinte fazia jus. A única desconsideração de créditos neste lançamento foi abordada no item 4.2 do Termo de Verificação, a qual decorreu de utilização em duplicidade de uma parcela do montante escriturado no terceiro decêndio de setembro de 2003, parcela que já havia sido utilizada pela fiscalização para amortizar débitos do imposto no lançamento formalizado por intermédio do processo 10675.002281/200498 (Auto de Infração). Dessa forma, concluise que houve um ajuste para evitar a utilização em duplicidade, e, consequentemente, deve ser mantida a decisão recorrida neste aspecto. Assevera, a Recorrente, que os períodos compreendidos entre janeiro de 2003 e o primeiro decêndio de setembro de 2003 não podem ser objeto de lançamento de oficio, pois foram atingidos pela decadência, de acordo com a disposição do artigo 150, § 4°, do CTN. Contudo, o pagamento antecipado é fundamental para caracterizar a modalidade do lançamento por homologação. No presente caso, não houve destaque nem escrituração das vendas promovidas pela Recorrente, não houve, consequentemente, recolhimento do imposto, o que, conforme concluiuse na decisão recorrida, tornou inaplicável o prazo estabelecido pelo art. 150 § 4°, do CTN. Dessa forma, na mesma esteira da decisão recorrida, concluise que ao presente caso aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN e, consequentemente, não se caracterizou a decadência alegada pela Recorrente. Em relação à defendida imunidade do derivado de petróleo, corroborase o entendimento da decisão recorrida de que há identidade de objeto nos processos administrativo e judicial . Assim, não se pode tratar aqui do mérito levado ao Judiciário, pois, conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No que concerne à invocada necessidade da manutenção do crédito apurado decorrente da aquisição de insumo, cabe retomar os itens do Termo de Verificação Fiscal e do Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal. Verificouse que a Fiscalização teve o cuidado de apurar os créditos a que a contribuinte fazia jus. A única desconsideração de Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10970.000335/200870 Acórdão n.º 3301004.871 S3C3T1 Fl. 553 8 créditos neste lançamento foi abordada no item 4.2 do Termo de Verificação (fl. 32), desconsideração essa que decorreu de utilização em duplicidade de uma parcela do montante escriturado no terceiro decêndio de setembro de 2003, parcela que já havia sido utilizada pela fiscalização para amortizar débitos do imposto no lançamento formalizado por intermédio do processo 10675.002281/200498 (Auto de Infração). Dessarte, conforme concluise na decisão recorrida, não houve glosa de qualquer montante dos créditos escriturados pela empresa, apenas um ajuste para evitar a utilização em duplicidade. Sobre a alegada possibilidade de acúmulo e compensação de créditos de IPI surgidos na aquisição de insumos desonerados, mister consignar que essa matéria concerne à própria legitimidade da desoneraçãoimunidade, matéria submetida ao Poder Judiciário e que, portanto, não pode ser analisada neste Tribunal. Sobre a multa de ofício, conforme consta da decisão recorrida, a Recorrente não obteve antecipação da tutela para o pedido formulado por intermédio da Ação Declaratória ajuizada (processo 2006.34.00.0192504), o que significa dizer que a falta de destaque do IPI nas vendas de emulsões asfálticas promovidas pela fiscalizada não estava amparada por medida judicial. Em consequência, o lançamento do imposto não destacado foi efetuado, corretamente, com a imposição da multa de oficio, diante da inexistência de qualquer das condições suspensivas da exigibilidade do crédito tributário previstas no art. 151 do CTN. Sobre o caráter confiscatório da multa de ofício, cumpre destacar que a multa foi aplicada na forma e nos percentual previsto na Lei e, conforme a Súmula no 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessarte, mantémse, por seus próprios fundamentos, o entendimento constante da decisão recorrida. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por não conhecer em parte e na parte conhecida negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 553DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000384/2006-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. ANO-CALENDÁRIO DE 2002. MATÉRIA SUMULADA.
Imputação de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, e lançamento de multa de ofício, para o ano-calendário de 2002. Sendo os fatos geradores anteriores ao ano de 2007, aplica-se a Súmula nº 105 do CARF, sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, para afastar a multa isolada.
Numero da decisão: 9101-003.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. ANOCALENDÁRIO DE 2002. MATÉRIA SUMULADA. Imputação de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, e lançamento de multa de ofício, para o anocalendário de 2002. Sendo os fatos geradores anteriores ao ano de 2007, aplicase a Súmula nº 105 do CARF, sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, para afastar a multa isolada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 03 84 /2 00 6- 15 Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 10508.000384/200615 Acórdão n.º 9101003.762 CSRFT1 Fl. 1.568 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face de decisão recorrida, para devolver a apreciação da matéria "afastamento da multa isolada de estimativas mensais aplicada ao mesmo tempo que a multa de ofício". Aduziu que a decisão recorrida teria ofendido a legislação em vigor (art. 44, inciso II do Lei nº 9.430, de 1996), sendo o recurso cabível em face da regra de transição do art. 4º, da Portaria MF nº 256, de 2009 (RICARF vigente à época da interposição do recurso), que permitia recurso decisão nãounânime em razão de contrariedade à lei ou à evidência de provas. Ainda, discorre que a decisão recorrida teria adotado interpretação divergente da legislação tributária, tendo apresentado acórdão paradigma. No mérito, requer pelo provimento do recurso e restabelecimento da multa isolada. Despacho de exame de admissibilidade deu seguimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Sobre o conhecimento, o recurso especial da PGFN foi interposto tanto como um recurso especial de divergência, quanto como um recurso à contrariedade à lei, conforme descrito pelo despacho de exame de admissibilidade: Visando justificar a dissensão, argui: i) que existe decisão divergente sobre o tema, juntando cópia de inteiro teor de ementa de Acórdão paradigma; e, ii) que a decisão recorrida foi não unânime e ofendeu legislação em plena vigência. Caso fosse o recurso especial da PGFN amparado apenas na divergência, não deveria ser conhecido. Isso porque o atual Regimento Interno do CARF, no art. 67 do Anexo II, prevê o seguinte: § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 10508.000384/200615 Acórdão n.º 9101003.762 CSRFT1 Fl. 1.569 3 Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Tratase da situação do caso concreto, que trata de imposição de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, ao mesmo tempo em que foi lançada a multa de ofício, no anocalendário de 2002, anterior às alterações legislativas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007) que passaram a vigorar para os fatos geradores ocorridos a partir do ano calendário de 2007. Assim, cabe a aplicação da Súmula nº 105, do CARF. Por isso, a divergência, tendo apresentado entendimento superado pela súmula, não se presta para devolver a matéria ao Colegiado. Ocorre que a recorrente também se valeu do disposto na regra de transição do art. 4º da Portaria MF nº 256 (RICARF vigente à época), de 2009, que permitia a interposição de recurso em face de decisão nãounânime quando contrária à lei ou à evidência da prova, para sessões de julgamento ocorridas anteriormente à vigência do RICARF: Os recursos com base no inciso I do art. 7º e do art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. O art. 7º da Portaria MF nº 147, de 2007, predicava: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e (...) No caso, os requisitos de admissibilidade eram a decisão recorrida ser não unânime, e contrária à lei ou evidência da prova, precisamente a situação tratada nos presentes autos. Nesse sentido, em face no disposto no art. 4º da Portaria MF nº 256, de 2009, voto no sentido de conhecer do recurso especial da PGFN. Quanto ao mérito, como já dito, a matéria devolvida, multa isolada por insuficiência de recolhimento estimativa mensal com imputação ao mesmo tempo que a multa de ofício, em anocalendário anterior a 2007, encontrase resolvida pela Súmula nº 105 do CARF: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 10508.000384/200615 Acórdão n.º 9101003.762 CSRFT1 Fl. 1.570 4 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinatura digital) André Mendes de Moura Fl. 1570DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721067/2009-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMI-ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
A transferência de matérias-primas extraídas das minas para as fábricas constitui-se em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostra-se imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa - frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindo-se no conceito de insumo.
Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias-primas), produtos semi-elaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização.
Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS não-cumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria.
Numero da decisão: 9303-007.080
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE NO TRANSPORTE DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GALVANI INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMIELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 67 /2 00 9- 17 Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10830.721067/200917 Acórdão n.º 9303007.080 CSRFT3 Fl. 3 2 estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10830.721067/200917 Acórdão n.º 9303007.080 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.971 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo reconheceu o direito de crédito da contribuição sobre o frete pago no transporte de insumos entre estabelecimentos da empresa. A Fazenda Nacional alega divergência com relação ao entendimento adotado no acórdão recorrido de que existe previsão legal para crédito de PIS e COFINS nãocumulativos sobre valores de fretes pagos, pelo transporte entre estabelecimentos do mesmo proprietário, de insumos minérios extraídos de minas e enviados a complexos industriais. Sustenta existir direito ao crédito somente com relação ao frete na operação de venda, e quando o ônus for suportado pelo vendedor. Foi dado seguimento ao recurso especial mediante despacho de admissibilidade proferido pelo Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial postulando a negativa de provimento. É o Relatório. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10830.721067/200917 Acórdão n.º 9303007.080 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.071, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10830.721056/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.071): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS e COFINS não cumulativos os gastos incorridos com o pagamento de frete de insumos (minério e matéria prima) entre seus estabelecimentos industriais. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10830.721067/200917 Acórdão n.º 9303007.080 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10830.721067/200917 Acórdão n.º 9303007.080 CSRFT3 Fl. 7 6 de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10830.721067/200917 Acórdão n.º 9303007.080 CSRFT3 Fl. 8 7 tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10830.721067/200917 Acórdão n.º 9303007.080 CSRFT3 Fl. 9 8 se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. A controvérsia em exame gravita em torno da possibilidade de ser considerados como insumos os gastos decorrentes da contratação de fretes de matériasprimas entre estabelecimentos da mesma empresa, de fretes de insumos e de produtos em elaboração para transferência entre estabelecimentos da Contribuinte. Os minerais, principal insumo da produção dos fertilizantes, são extraídos pela Recorrida de minas distantes do complexo industrial, havendo a necessidade de seu transporte, por meio de frete pago a terceira pessoa jurídica, até o local da produção do fertilizante. A Contribuinte sustenta desenvolver atividade econômica em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não só pela fabricação do mesmo, como também pela extração dos minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Por isso, defende que as despesas com frete contratado na aquisição dos insumos, bem como para a realização das transferências de matériasprimas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais para o processo produtivo e confecção do produto fertilizantes. No caso dos autos, temse que a extração dos minerais ocorre em minas da própria Contribuinte que é a produtora dos fertilizantes, sendo que o principal insumo para a fabricação do seu produto são os minerais, portanto, necessários e essenciais à atividade da empresa. Para a movimentação da matériaprima até o estabelecimento onde é produzido o fertilizante, é preciso contratar frete pago a terceira pessoa jurídica. Tal frete, por estar diretamente ligado ao processo produtivo/fabril, deve ser considerado como insumo. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10830.721067/200917 Acórdão n.º 9303007.080 CSRFT3 Fl. 10 9 Conforme se verifica da descrição do processo produtivo efetuada pela Recorrida, a mesma atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável pela fabricação do mesmo e também pela extração e beneficiamento de parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Traz como exemplo, o concentrado de fosfático pó, que [...] é gerado e encaminhado de sua unidade de Lagamar, em Minas Gerais, para o Complexo Industrial da Paulínia, em São Paulo, onde, agregado a outros insumos, alguns dos quais adquiridos de terceiros, dá origem ao fertilizante, produto final daquela. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. No mesmo sentido, já se pronunciou essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento que resultou no Acórdão n.º 9303005.156, de relatoria da nobre conselheira Tatiana Midori Migiyama: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10830.721067/200917 Acórdão n.º 9303007.080 CSRFT3 Fl. 11 10 Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Por fim, nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 263DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.674254/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/04/2002
PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços (ICMS) não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins.
O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-004.131
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/04/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços (ICMS) não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins. O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 42 54 /2 01 1- 15 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição para o PIS, decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera da inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição, uma vez que referido imposto não se consubstancia em receita própria, tratandose de valor alheio aos limites constitucionais da incidência da contribuição, já tendo o Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizado exatamente nesse sentido, conforme se verifica no julgamento do RE 240.7852/MG. Solicitou, ainda, a realização de perícia capaz de atestar que os valores devidos a título de ICMS compuseram indevidamente a base de cálculo das contribuições, bem como a exatidão do montante a ser restituído. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 06051.824, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por ser, segundo ela, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, valor esse integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo o seguinte: (i) a base de cálculo da contribuição é a receita bruta, sendo que apenas os valores correspondentes ao resultado das atividades devem integrála, não alcançando, portanto, o ICMS; (ii) nem sempre o ingresso de capitais ou recursos financeiros na sociedade representa a entrada de receitas, mormente quando apartadas da aquisição do direito patrimonial sobre eles, como ocorre no caso do ICMS, haja vista sua absoluta incapacidade de alterar o patrimônio líquido da sociedade, dado constituirse de um direito do Estado; (iii) o conceito de receita, qualquer que seja a sua fonte de origem (de venda de bens ou serviços, financeiras, etc.), decorre sempre e necessariamente do exercício da atividade empresarial, representando, também, sempre e necessariamente, riqueza nova ingressando ao patrimônio da sociedade empresarial; (iv) o ICMS destacado nas notas fiscais de venda de mercadorias pela Recorrente não consubstancia receita própria, razão pela qual se trata de valor alheio aos Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 4 3 limites constitucionais da incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins, seja de seu critério material, seja de seu critério subjetivo; (v) o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo da Cofins; (vi) ao caso se aplica o contido no art. 26A do Decreto 70.235/1972; (vii) a inconstitucionalidade arguida pode ser enfrentada em âmbito administrativo, em razão da decisão definitiva plenária proferida pelo Supremo Tribunal Federal; (viii) cita jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais em seu favor; (ix) a Lei 9.718/1998 e as que lhe sucederam jamais determinaram a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins; (x) uma vez demonstrado ser indevida a inclusão dos valores do ICMS na base de cálculo da Contribuição ao PIS e da Cofins, temse o direito de pleitear a restituição do quantum recolhido indevidamente a este título, respeitado o prazo de 5 (cinco) anos; (xi) necessidade de realização de prova pericial. É o relatório. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.124, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo nº 10880.674237/201188, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.124): Assiste razão à Recorrente. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Referida decisão possui a seguinte ementa: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) O Supremo Tribunal Federal STF já está a aplicar o entendimento firmado em outros processos, conforme se depreende do julgado adiante colacionado: Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 6 5 "COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. Precedentes: recurso extraordinário nº 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça de 8 de outubro de 2014 e recurso extraordinário nº 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, Pleno, acórdão veiculado no Diário da Justiça de 2 de outubro de 2017. REPERCUSSÃO GERAL – ACÓRDÃO – PUBLICAÇÃO – EFEITOS – ARTIGO 1.040 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Descabe a fixação dos honorários recursais previstos no artigo 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, quando se tratar de recurso formalizado em processo cujo rito os exclua. AGRAVO – MULTA – ARTIGO 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. Se o agravo é manifestamente inadmissível ou improcedente, impõese a aplicação da multa prevista no § 4º do artigo 1.021 do Código de Processo Civil de 2015, arcando a parte com o ônus decorrente da litigância protelatória."(RE 440787 AgRsegundo, Relator(a):Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe098 DIVULG 18052018 PUBLIC 21052018) Com a decisão proferida pela Corte Suprema, não mais prevalece o contido no REsp 1.144.469/PR do Superior Tribunal de Justiça STJ. O entendimento ora esposado encontra amparo no fato de o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ não mais estar aplicando o seu antigo posicionamento. A Corte Superior de Justiça, de modo reiterado, está decidindo de acordo com o julgado no RE 574.706. A título ilustrativo, colacionase recentes decisões em tal sentido, verbis: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC/2015. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). 1. O recurso especial foi interposto na vigência do CPC/1973. Dessa forma, sujeitamse aos requisitos de admissibilidade nele previstos, conforme diretriz contida no Enunciado Administrativo n. 2 do Plenário do STJ. 2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra Cármen Lúcia, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para realizar a adequação prevista no art. 1.030, II do CPC/2015." (EDcl no AgRg no REsp 1276424/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2018, DJe 21/05/2018) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. JULGAMENTO DO TEMA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO PELO PRÓPRIO STJ. ADEQUAÇÃO AO DECIDIDO PELO STF. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 7 6 1. A Jurisprudência pacífica desta Corte de Justiça possuía o entendimento de considerar legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ. Posicionamento este ratificado pela Primeira Seção do STJ no julgamento do Resp 1.144.469/PR, processado e julgado como representativo de controvérsia. 2. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, por ocasião da apreciação do RE 574.706RG/PR, com repercussão geral reconhecida, firmou tese contrária à fixada pela Primeira Seção do STJ. 3. Juízo de retratação exercido nestes autos (art. 1.040, II, do CPC/2015), para negar provimento ao apelo nobre da Fazenda Nacional." (REsp 1496603/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/04/2018, DJe 25/04/2018) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. INCIDÊNCIA DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA, PREVISTA NA LEI 12.546/2011. JULGAMENTO PELO STF, EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. RE 574.706/PR. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO PROVIDO, EM JUÍZO DE RETRATAÇÃO, PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, QUANTO AO TEMA OBJETO DA REPERCUSSÃO GERAL. I. Agravo interno aviado contra decisão que deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão que, negando provimento à Apelação e à Remessa Oficial, havia mantido a sentença que concedera o Mandado de Segurança. II. A Segunda Turma do STJ, considerando a jurisprudência pacífica da Corte, quando do julgamento do Recurso Especial interposto, no sentido da incidência do ICMS na base de cálculo da contribuição previdenciária substitutiva, prevista na Lei 12.546/2011, negou provimento ao Agravo interno do contribuinte. III. Entretanto, posteriormente, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 574.706/PR, sob o regime da repercussão geral, firmou a tese de que "o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS" (STF, RE 574.706/PR, Rel. Ministra CÁRMEN LÚCIA, TRIBUNAL PLENO, DJe de 02/10/2017), porquanto o valor arrecadado, a título de ICMS, não se incorpora ao patrimônio do contribuinte, e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social. Diante da nova orientação da Suprema Corte, o STJ realinhou o seu posicionamento (STJ, REsp 1.100.739/DF, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 08/03/2018; AgInt no AgInt no AgRg no AREsp 392.924/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 06/03/2018). Mutatis mutandis, a mesma lógica deve ser aplicada para a contribuição previdenciária substitutiva, prevista nos arts. 7º e 8º da Lei 12.546/2011, em razão da identidade do fato gerador (receita bruta). Com efeito, "os valores relativos ao ICMS não integram a base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta CPRB, prevista na Lei n. 12.546/11, porquanto não se incorporam ao patrimônio do contribuinte, é dizer, não caracterizam receita bruta, em observância à axiologia das razões de decidir do RE n. 574.706/PR, julgado em repercussão geral pelo STF, no qual foi proclamada a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS" Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 8 7 (STJ, REsp 1.568.493/RS, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 23/03/2018). Em igual sentido: STJ, REsp 1.694.357/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 01/12/2017. IV. Nesse contexto, retornaram os autos por determinação da Vice Presidência do STJ, para fins do disposto no art. 1.040, II, do CPC/2015 , em face do aludido julgado do Supremo Tribunal Federal, em regime de repercussão geral. V. Agravo interno provido, para, em juízo de retratação, previsto no art. 1.040, II, do CPC/2015, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional." (AgInt no REsp 1592338/SC, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/04/2018, DJe 23/04/2018) Neste contexto, não há como negar plena efetividade ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, já que o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ não mais aplica o entendimento firmado no REsp 1.144.469/PR. O mesmo posicionamento tem sido adotado pelos Tribunais Regionais Federais. Neste sentido: "EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. ENTENDIMENTO DO STF. RE 574.706/PR, SOB O RITO DA REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 69 STF. Conforme estabelecido pelo STF, no Tema 69, "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins" (Recurso Extraordinário com repercussão geral nº 574.706)." (TRF4, AC 5004059 55.2015.4.04.7215, SEGUNDA TURMA, Relatora LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, juntado aos autos em 09/07/2018) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS INFRINGENTES. RETRATAÇÃO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. ENTENDIMENTO DO STF. RE 574706/PR. TEMA 69 STF. Conforme estabelecido pelo STF, no Tema 69, "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins" (Recurso Extraordinário com repercussão geral nº 574.706)." (TRF4, EINF 2006.70.00.0284961, PRIMEIRA SEÇÃO, Relator ROGER RAUPP RIOS, D.E. 10/07/2018) "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ICMS. EXCLUSÃO BASE CÁLCULO. PIS E COFINS. SUSPENSÃO. RE 574.706. VINCULAÇÃO. AGRAVO IMPROVIDO. No caso, foram abordadas todas as questões debatidas pela Agravante, tendo sido apreciada a tese de repercussão geral, julgada em definitivo pelo Plenário do STF, que decidiu que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". Cabe destacar que foi reconhecida a repercussão geral do RE 574.706/PR, e julgado o mérito do recurso pelo Plenário do STF, devendo os tribunais decidir no mesmo sentido do entendimento adotado, nos termos do art. 1.040, II do CPC, e incumbindo ao Relator decidir de forma monocrática, como prevê o art. 932 do CPC. Anotese que a diretriz jurisprudencial firmada deve ser observada pelos demais Tribunais, como tem reiteradamente decidido o próprio STF, que, inclusive, tem aplicado a orientação firmada a casos similares. Precedentes. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 9 8 Quanto à alegação de que o feito deve ser sobrestado até a publicação do acordão, resultante do julgamento dos embargos de declaração a serem opostos pela Fazenda Nacional, cabe salientar o que restou consignado na r. decisão combatida de que a decisão proferida pelo STF no RE 574.706, independentemente da pendência de julgamento dos aclaratórios, já tem o condão de refletir sobre as demais ações com fundamento na mesma controvérsia, como no presente caso, devendo, portanto, prevalecer a orientação firmada pela Suprema Corte. Ademais, quanto à eventual insurgência relativa à possibilidade de modulação dos efeitos do julgado, ressaltase não ser possível, nesta fase processual, interromper o curso do feito apenas com base numa expectativa que até o momento não deu sinais de confirmação, dada a longevidade da ação e os efeitos impactantes que o paradigma ocasiona. A regra geral relativa aos recursos extraordinários, julgados com repercussão geral, é a de vinculação dos demais casos ao julgado, sendo que a inobservância da regra deve ser pautada em razões concretas. A tese de repercussão geral fixada foi a de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". A motivação dos embargos de declaração, embora não tenha sido acolhida, não permite a conclusão de que foram opostos em litigância de máfé ou com manifesto caráter protelatório. As razões recursais não contrapõem os fundamentos do r. decisum a ponto de demonstrar qualquer desacerto, limitandose a reproduzir argumentos os quais visam à rediscussão da matéria nele contida. Negado provimento ao agravo interno." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap APELAÇÃO CÍVEL 369987 000198616.2017.4.03.6000, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MÔNICA NOBRE, julgado em 04/07/2018, eDJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2018 ) "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS. ILEGALIDADE. STF. RE 574.706/PR. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 069. COMPENSAÇÃO. SÚMULA Nº 213 DO STJ. SUFICIÊNCIA DA PROVA DA CONDIÇÃO DE CREDORA TRIBUTÁRIA. 1. Ao apreciar o tema no âmbito do RE 574.706/PRRG (Rel. Min. Cármen Lúcia), o E. STF firmou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS." 2. Quanto à análise da compensação tributária em sede mandamental, o próprio C. STJ tem reiterado a aplicação do seu Enunciado 213, limitando, in casu, a prova à simples condição de credora tributária, por não se confundir com os fundamentos adotados no REsp 1.111.164/BA. 3. Apelação a que se dá parcial provimento, concedendose a segurança para determinar a exclusão, relativa à base de cálculo da COFINS e do PIS, da parcela relativa ao ICMS, autorizando a respectiva compensação, observado, contudo, o lustro prescricional (RE 566.621/RS, Rel. Min. Ellen Gracie), na forma da legislação de regência, notadamente com respeito ao disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe conferiu a Lei nº 10.637/02, artigo 170A do CTN e correção monetária com a incidência da Taxa SELIC, considerando que a presente ação mandamental foi ajuizada em 08/07/2008. 4. Acresçase, por oportuno, que a pendência de análise de modulação dos efeitos, pelo eventual acolhimento dos aclaratórios opostos no referido RE Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 10 9 574.706/PR, não tem o condão de atrair o efeito suspensivo aqui perseguido, não merecendo, nesse viés, prosperar o argumento alinhavado pela União Federal nesse exato sentido, AC 2015.61.10.0085860/SP, Relator Desembargador Federal ANDRÉ NABARRETE, decisão de 08/03/2018, D.E. 23/03/2018; EDcl na AMS 2007.61.12.0077639/SP, Relator Desembargador Federal MARCELO SARAIVA, decisão de 26/03/2018, D.E. 05/04/2018, e AMS 2014.61.05.0105413/SP, Relatora Desembargadora Federal MÔNICA NOBRE, Quarta Turma, j. 21/02/2018, D.E. 22/03/2018. 5. Matéria reapreciada, em sede de juízo de retratação, por força do artigo 543B, § 3º, do CPC/73, aplicável à espécie." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap APELAÇÃO CÍVEL 333152 001626088.2008.4.03.6100, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA, julgado em 20/06/2018, eDJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2018 ) Pertinentes são as palavras da Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, em voto proferido no processo 10580.721226/200701 (Acórdão 3301004.355): "Venho sustentando que, para fins de interpretação do § 2° do art. 62 do RICARF, negar a aplicação da decisão do RE n° 574.706 RG, com base no REsp n° 1.144.469/PR (julgado como recurso repetitivo e já transitado em julgado), é uma falácia. É uma falácia, porquanto o próprio STJ já alterou seu posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS, afastando a aplicação do REsp 1.144.469/PR, em virtude da decisão do STF, como se observa nas decisões citadas abaixo: (...) Por conseguinte, estando o acórdão do RE n° 574.706 RG desprovido de causa suspensiva, deve ser imediatamente aplicado. Defendo que tal situação se coaduna com a condição de “decisão definitiva de mérito”, para fins de aplicação do art. 62, § 2° do RICARF." Cito, ainda: "Os órgãos do Estado são entes sem vida, sem inteligência e sem sentimento; são dirigidos por gestores que assumem o compromisso constitucional de respeitar os princípios democráticos, dentre os quais o efetivo cumprimento das decisões judiciais. De outra forma, não faz sentido o próprio governo, integrante do sistema, desrespeitar as leis. A Fazenda Pública e os órgãos públicos de maneira geral, por não terem vida, não se sensibilizam com os fatos que ocorrem em seu derredor, diferentemente do que acontece com seus agentes políticos ou administrativos." (CARDOSO, Antonio Pessoa. Cumprimento das leis Estado deve ser referência de valores do Direito. Revista Consultor Jurídico, 25 de junho de 2011, 7h41) Um órgão administrativo de julgamento não aplicar o decidido em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal STF quando até mesmo o Superior Tribunal de Justiça STJ já não mais aplica o seu entendimento em sentido diverso é verdadeira afronta ao julgado pela mais Alta Corte do país. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 11 10 Sobre a inteira e imediata aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, o Superior Tribunal de Justiça STJ assim decidiu: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido." (AgInt no AREsp 282.685/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/02/2018, DJe 27/02/2018) (nosso destaque) Do voto, destaco: "3. No mais, o Supremo Tribunal Federal fixou entendimento de que a existência de precedente sob o regime de repercussão geral firmado pelo Plenário daquela Corte autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma (RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016.)" Por fim, ressalto que esta Turma, em sua atual composição, decidiu por maioria de votos, em dar provimento a recurso do contribuinte, em processo no qual este relator foi designado para redigir o voto vencedor. Aludida decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005, 01/06/2005 a 30/11/2005, 01/03/2006 a 30/11/2006 MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Rejeitase a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que a fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao MPF, não tendo o contribuinte demonstrado nenhuma irregularidade capaz de invalidar o lançamento. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS. GLOSA. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 12 11 Correta a glosa de valores indevidamente incluídos no cômputo da base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade, ressalvandose os valores glosados não comprovados pela fiscalização e os lançados com evidente lapso material. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. OPÇÃO A apropriação de crédito das contribuições mediante despesas com depreciação de bens calculadas de forma acelerada, na razão 1/48, nos termos do § 14, art. 3º da Lei 10.637/02 é opcional, o que significava impossibilidade de apropriação concomitante à regra do inciso III, do § 1ª do indigitado artigo. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. LEI Nº 11.051/2004 Imprescindível a comprovação do atendimento aos requisitos legais para o benefício fiscal da apuração da depreciação acelerada de que trata da Lei nº 11.051/2004. COFINS E PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 2 COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para a Cofins o decidido em relação ao PIS lançado a partir da mesma matéria fática." (Processo nº 10530.004513/200811; Acórdão nº 3201003.725; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira; sessão de 24/05/2018) Cito, ainda, decisão proferida por voto de desempate, que acolheu o pedido de restituição formulado pelo contribuinte: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. Comprovado tratarse de crédito tributário restrito ao PIS/Pasep apurado e recolhido sobre base de cálculo sem a exclusão do ICMS é de se reconhecer o direito à restituição do crédito pleiteado." (Processo nº Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 13 12 10935.906300/201259; Acórdão nº 3001000.113; Relator Conselheiro Cássio Schappo; sessão de 24/01/2018) Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, no Recurso Extraordinário nº 574.706 e em conformidade com o que tem adotado o Superior Tribunal de Justiça STJ, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pela Recorrente em seus pedidos. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, no Recurso Extraordinário nº 574.706, e em conformidade com o que tem adotado o Superior Tribunal de Justiça STJ, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pela Recorrente em seus pedidos. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 164DF CARF MF
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Numero do processo: 13601.000558/2002-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
IPI. REDUC¸A~O DE ALI´QUOTA DE REFRIGERANTES ESTABELECIDA PELA NOTA COMPLEMENTAR N° 22-1 DA TIPI/98,
A reduc¸a~o da ali´quota do IPI incidente na venda de refrigerantes, estabelecida pela NC n° 224 da TIPI198, na~o e´ auto-aplica´vel. Para que a contribuinte tenha direito a reduc¸a~o e´ necessa´rio o cumprimento de alguns requisitos e a autorizac¸a~o expedida por declarac¸a~o da Secretaria da Receita Federal.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3301-005.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1521; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 375 1 374 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13601.000558/200238 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.221 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2018 Matéria IPI Recorrente AGUAS MINERAIS IGARAPE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DE REFRIGERANTES ESTABELECIDA PELA NOTA COMPLEMENTAR N° 221 DA TIPI/98, A redução da alíquota do IPI incidente na venda de refrigerantes, estabelecida pela NC n° 224 da TIPI198, não é autoaplicável. Para que a contribuinte tenha direito a redução é necessário o cumprimento de alguns requisitos e a autorização expedida por declaração da Secretaria da Receita Federal. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 1. 00 05 58 /2 00 2- 38 Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13601.000558/200238 Acórdão n.º 3301005.221 S3C3T1 Fl. 376 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 300 a 303) interposto pelo Contribuinte, em 2 de abril de 2007, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0915.532 (fls. 281 a 295), de 14 de fevereiro de 2007, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora (MG), que decidiu, por unanimidade de votos, indeferir a manifestação de inconformidade. No julgamento do Recurso Voluntário do Contribuinte foi proferido o Acórdão nº 20218.435, em 18 de outubro de 2007. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão nº 20218.435 (fls. 316 e 317): Cuidase de recurso da interessada ÁGUAS MINERAIS IGARAPÉ LTDA. (CNPJ nº 66.345.208/000150) em face do Acórdão n º 0915.532/3ª Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 172/179), que manteve o indeferimento à solicitaca̧õ de ressarcimento de IPI, apurado no período de 01/04/2002 a 30/06/2002, conforme o teor da seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 IPL RESSARCIMENTO. Indeferese o pedido de ressarcimento quando evidente a ausência de saldo credor de IPI favorável à contribuinte, porquanto todos os créditos passíveis de creditamento, sejam em razão da decisão judicial, sejam por decorren̂cia de normas legais a que se submete a Administração Fiscal, já foram contabilizados no confronto com os respectivos débitos. Solicitação Indeferida." A conclusão do acórdão é a seguinte: "I em relacã̧o à apuração de que decorreu o processo administrativo fiscal n° 13603.000976/200639 ficou evidente a ausência de saldo credor favorável à contribuinte, além dos já deferidos R$3.249,20, porquanto todos os créditos passíveis de creditamento, sejam em razão da decisão judicial, sejam por decorren̂cia de normas legais a que se submete à Administracã̧o Fiscal, já foram contabilizados; 1 quanto à apuracã̧o de que decorreu o processo administrativo fiscal n° 13603.000977/200683 não houve glosa que pudesse redundar em desobediência à decisão judicial proferida no processo n" 2003.38.00.0002840; 3 no tocante aos créditos reclamados judicialmente foram tomadas todas as medidas administrativas no sentido de proteger o interesse da Fazenda Nacional, bem como de atenderás ordens judiciais; 4 embora já considerados todos os créditos favoráveis à contribuinte, não remanesceu saldo credor, além do já deferido." Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13601.000558/200238 Acórdão n.º 3301005.221 S3C3T1 Fl. 377 3 A Delegacia da Receita Federal (atual Receita Federal do Brasil) em Contagem MG (fls. 83/85) deferiu em parte o pedido de ressarcimento, aduzindo, para tanto, que ao final de cada trimestrecalendário, remanescendo os créditos de IPI passíveis de ressarcimento, após efetuadas as deduções pertinentes, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer o ressarcimento em nome do estabelecimento que os tiver apurado, bem como utilizálos na compensação de débitos próprios relativos aos tributos administrados pela SRF (a contribuinte solicitou R$19.459,39 e obteve o ressarcimento de R$3.249,20). No Recurso de fls. 182/185, a recorrente alega, em síntese, que em virtude da reformulação de sua conta gráfica nos autos do Processo nº 13603.000976/200639, ainda pendente de decisão final, resultou na redução do crédito almejado para R$3.249,20, evidenciando tratarse de novo fundamento sobre o qual não teve oportunidade de se manifestar, caracterizando cerceamento de defesa, pela supressão de instância, razão pela qual a decisão recorrida deve ser anulada. Não sendo este o entendimento predominante, requer alternativamente que o feito seja suspenso até a análise final e irrecorrivel do Processo nº 13603.000976/200639 (em tram̂ite neste colendo Segundo Conselho de Contribuintes). No julgamento do recurso a decisão proferida no Acórdão nº 20218.435 ficou assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 Ementa: O direito creditório, em si, há de ser discutido no processo próprio, interposto pelo contribuinte, relativo ao pedido de ressarcimento de créditos do IPI decorrente da aquisição de insumos tributados à alíquota zero. Recurso negado. Diante de tal decisão o Contribuinte ingressou com Embargos de Declaração (fls. 325 a 327) em 7 de janeiro de 2008. Na apreciação dos Embargos de Declaração, a Segunda Câmara, do Segundo Conselho de Contribuintes, proferiu a Resolução nº 20201.227 (fls. 341 a 345), em 8 de maio de 2008, em que se acolheu os embargos com efeitos infringentes para anular o Acórdão nº 20218.435, convertendo o julgamento em diligência a fim de que se aguarde o desfecho do Processo nº 13603.000976/200639. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Tratase do cumprimento do estabelecido na Resolução nº 20201.227, de 8 de maio de 2008, que converteu o julgamento em diligência para que se aguardasse o desfecho do Processo nº 13603.000976/200639. Com o objetivo de esclarecer a matéria citase o relatório e o voto proferido na referida resolução (fls. 341 a 345): Fl. 377DF CARF MF Processo nº 13601.000558/200238 Acórdão n.º 3301005.221 S3C3T1 Fl. 378 4 (...) Como estabelecido na Resolução nº 20201.227, que converteu o julgamento em diligência para que se aguardasse o desfecho do Processo nº 13603.000976/200639, verificase que a Saort – Seção de Orientação e Análise Tributária por intermédio de despacho assim se manifestou (fls. 369): Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13601.000558/200238 Acórdão n.º 3301005.221 S3C3T1 Fl. 379 5 Portanto, em atendimento ao disposto na resolução, foi juntada aos autos às fls. 363 a 367 a decisão proferida no Processo nº 13603.000976/200639, Acórdão nº 3401 00.979, de 29 de setembro de 2010, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Esta decisão, que por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso do Contribuinte, ficou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/07/2001 a 30/11/2001 IPI. REDUÇAÕ DE ALÍQUOTA DE REFRIGERANTES ESTABELECIDA PELA NOTA COMPLEMENTAR N° 221 DA TIPI/98, A redução da alíquota do IPI incidente na venda de refrigerantes, estabelecida pela NC n° 224 da TIPI198, não é autoaplicável. Para que a contribuinte tenha direito a reduçaõ é necessário o cumprimento de alguns requisitos e a autorização expedida por declaracã̧o da Secretaria da Receita Federal. Recurso provido em parte. Como a resolução anulou o Acórdão nº 20218.435 e estabeleceu que se aguardasse o desfecho do Processo nº 13603.000976/200639, para que se julgasse novamente o presente processo, cito na integra o relatório e voto do Acórdão nº 340100.979, referente ao Processo nº 13603.000976/200639, para que possa balizar o entendimento: Relatório Trata o presente processo de auto de infracã̧o lavrado em 03/07/2006 (fis.03/07), em decorren̂cia de recolhimento insuficiente do IPI, no período entre 20/07/2001 e 30/11/2001. Conforme descrição dos fatos contida no auto de infraçaõ (fls.05), o recolhimento a menor ocorreu em razão de aproveitamento de crédito indevido e aplicação errônea de aliquota reduzida nas vendas de alguns refrigerantes efetuadas até 08/10/2001 Conforme o termo de verificação fiscal, os créditos são indevidos pelas seguintes razões : 1 Parte do crédito aproveitado são de revenda de produtos dos quais a autuada não operou qualquer operaca̧õ industrial e, portanto, não teria direito ao aproveitamento do crédito; 2 Aproveitamento de crédito oriundo da compra de bem ativo, o qual, segundo a autoridade fiscal, não teve a compra comprovada, e, mesmo que tivesse, não gera crédito do IPI, A contribuinte impugnou o auto de infracã̧o (fls202/213), porém somente parte o lanca̧mento foi cancelada. O acórdão da DRJ em Juiz de Fora/MG (fis.261/274) foi prolatado com a seguinte ementa: "IPI REDUÇÃO DO IMPOSTO, REFRIGERANTES. A redução do imposto prevista na NC (221) da TIPI para os refrigerantes não é autoaplicável, porquanto é exigível para sua fruicã̧o prévia concessão Fl. 379DF CARF MF Processo nº 13601.000558/200238 Acórdão n.º 3301005.221 S3C3T1 Fl. 380 6 do benefício pela Secretaria da Receita Federal, através de Ato Declaratório, reconhecendo que o produto satisfaz os pressupostos para a redução, IPI RECOLHIMENTO A MENOR. LANÇAMENTO DE OFICIO, Constatado que o estabelecimento industrial promoveu a saída de produtos tributados com insuficiência de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados, impõese a constituição do crédito tributário em procedimento de oficio, por ser o lançamento ato vinculado e obrigatório. CONFISSÃO DE DÍVIDA. PAES Os débitos incluídos no PAES, antes do único (sic) da ação fiscal, devem ser excluídos da autuação uma vez que o procedimento da contribuinte se constitui confissão irretratável e irrevogável de dívida perante a Fazenda. (artigo 1º §2°, da Lei n° 10,684, de 30/05/2003) Lançamento Procedente em Parte" A contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 21/05/2007 (fl. 290) e interpôs Recurso Voluntário em 06/06/2010 (fls297/306) alegando, em resumo, o seguinte: 1. O Ato Declaratório nº 30, expedido pelo Delegado local da Receita Federal em 30/05/2003, apenas reconheceu o desconto de 50% no IPI incidente sobre os refrigerantes de laranja, limão e guaraná, pois tal reducã̧o já havia sido concedida pela Nota Complementar n° 221 da TIPI. Corno o ato declaratório tem natureza declaratória, e não constitutiva, seus efeitos retro agem, portanto, não houve recolhimento a menor no período autuado; 2. Também não houve recolhimento a menor relativo à venda dos refrigerantes sabor cola, pois no cálculo do IPI devese abater o que foi recolhido a maior. No período autuado, em razão da diminuica̧õ da alíquota, o IPI dos refrigerantes de sabor laranja, limão e guaraná foram recolhidos a maior, podendo esse montante abater o débito do IPI do refrigerante de cola. Por fim, a recorrente pediu o cancelamento total do auto de infração. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Relator. O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente foi autuada em decorrência do recolhimento a menor do IPI e aproveitamento indevido de crédito. O lançamento relativo ao aproveitamento indevido de crédito foi cancelado pela DRJ em decorrência da inscriçaõ no PAES, restando a ser apreciada por este Conselho somente a matéria pertinente ao recolhimento a menor. O cerne da questão reside no efeito da eficácia do Ato Declaratório nº 30, de 30 de maio de 2003, que reconheceu a possibilidade da recorrente recolher o IPI com 50% de desconto para os refrigerantes de limão, laranja e guaraná, em conformidade com a Nota Complementar n° 224 da TIPI. O período lançado foi de julho a novembro de 2001. Para melhor esclarecer o assunto, tornase necessário transcrever as norma em foco. A Nota Complementar nº 221 da TIPI/98 assim dispõe: Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13601.000558/200238 Acórdão n.º 3301005.221 S3C3T1 Fl. 381 7 "NC (221) Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as aliquotas do IPI relativas aos refrigerantes, refrescos e néctares, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00 que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério". O Ato Declaratório Executivo n° 30, de 30 de outubro de 2001, expedido pelo Delegado da Receita Federal em Contagem/MG, foi juntado à fl. 158 e assim dispõe em seu art. 1°: "Art. 1º Fica concedida à empresa Águas Minerais Igarapé Ltda., CNPJ 66345.208/000150, a reducã̧o das aliquotas de que trata a Nota Complementar (NC) 221 da TIPI, para os produtos 'Refrigerante de Limão', 'Refrigerante de Laranja' e 'Refrigerante de Guaraná', registrados no Ministério da Agricultura sob os números MG09727 000046, MG 09727 000097 e MG09727000011, respectivamente, com vigen̂cia a partir de 8 de outubro de 2001". (grifo nosso) A recorrente alega em sua defesa que o Ato Declaratório apenas reconheceu direito já outorgado pela TIPI, sendo seus efeitos, portanto, ex tunc. Contudo a recorrente não tem razão, pois o direito outorgado pela Nota Complementar n° 221 da TIPI/98 não tinha eficácia plena, dependendo de alguns requisitos a serem preenchidos e somente após o reconhecimento, pela autoridade administrativa, do cumprimento desses pressupostos, é que a contribuinte passa a ter direito a tal redução. Esse entendimento se infere da leitura do art. 57, inciso I, do Decreto n° 2.637, de 26 de junho de 1998 (RIPI/98), in verbis: "Art. .57. Haverá redução.' I das aliquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão' o declaradas, em cada caso, pela Secretaria da Receita Federal, após audien̂cia do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do beneficio". (grifo nosso) Pelo que se conclui do dispositivo acima, na verdade o que houve foi a autorização para a redução de alíquota, a qual dependia de autorização da Secretaria da Receita Federal, a ser analisado em cada caso. Sendo reconhecido o cumprimento dos requisitos, a SRF autorizaria Percebase que o verbo está no futuro: "serão declaradas", logo, a eficácia da redução da alíquota depende do ato declaratório da Secretaria da Receita Federal. Sendo assim, a recorrente tem direito à redução da alíquota somente a partir do período reconhecido pelo Ato Declaratório, ou seja, a partir de 8 de outubro de 2001. Portanto, em relação à reduçaõ da alíquota, devem ser mantidos todos os lanca̧mentos referentes aos fatos geradores ocorridos antes de 08/10/2001 e cancelados os ocorridos após essa data. Concernentemente ao lançamento referente às vendas dos refrigerantes de sabor cola, a recorrente não refutou o recolhimento a menor, pelo contrário, até confessou que recolheu o tributo a menor do devido, e limitouse a alegar que como tinha direito a redução de alíquota na venda dos refrigerantes de limão, laranja e guaraná, efetuou o recolhimento do IPI desses refrigerantes a maior restando saldo, o qual serviria para abater o IPI do refrigerante de cola. Ocorre que como ficou demonstrado a inexistência de direito de reduçaõ no período lançado, naõ há saldo a Fl. 381DF CARF MF Processo nº 13601.000558/200238 Acórdão n.º 3301005.221 S3C3T1 Fl. 382 8 ser abatido. Desse modo, deve ser mantido, integralmente, o lançamento relativo as̀ vendas dos refrigerantes de sabor cola. Ex positis, dou provimento parcial para cancelar os lançamentos posteriores a 8 de outubro de 2001. Isto posto, cabe a luz da decisão proferida acima, no Acórdão nº 3401 00.979, referente ao Processo nº 13603.000976/200639, julgar o presente processo, visto que a Resolução nº 20201.227 anulou o Acórdão nº 20218.435. No Recurso Voluntário o Contribuinte aduz (fls. 300 e seguintes): (...) (...) No voto do Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, proferida no Acórdão nº 20218.435, se depreende a questão central objeto do presente processo e que cito como razões para decidir (fls. 318): Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13601.000558/200238 Acórdão n.º 3301005.221 S3C3T1 Fl. 383 9 (...) Assim, a questão central no presente processo é de se saber qual o saldo credor do IPI e, conforme o entendimento exposto na resolução, dependia da decisão proferida no Processo nº 13603.000976/200639, que decidiu o seguinte: o Contribuinte tem direito à redução da alíquota somente a partir do período reconhecido pelo Ato Declaratório Executivo n° 30, de 30 de outubro de 2001, expedido pelo Delegado da Receita Federal em Contagem/MG. Portanto, voto por dar provimento parcial ao recurso do Contribuinte, para que seja reformulado o saldo credor do IPI de acordo com a decisão proferida no Acórdão nº 340100.979 que estabeleceu: 1) em relação à redução da alíquota, devem ser mantidos todos os lançamentos referentes aos fatos geradores ocorridos antes de 8 de outubro de 2001 e cancelado os lançamentos posteriores a esta data, 2) em relação às vendas dos refrigerantes de sabor cola deve ser mantido o lançamento. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 383DF CARF MF Processo nº 13601.000558/200238 Acórdão n.º 3301005.221 S3C3T1 Fl. 384 10 Fl. 384DF CARF MF
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