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Numero do processo: 10380.011346/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 13 46 /2 00 9- 14 Fl. 720DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ de Fortaleza/CE que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pela Fundação Ana Lima em face de Despacho Decisório a fl. 568, que declarou cancelada, a partir de 01/01/2004, a imunidade de contribuições previdenciárias de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei nº 8.212/91, e do Ato Declaratório Executivo nº 137, de 28/10/2009, a fl. 569. Irresignado com o cancelamento da imunidade tributária acima referida, o Contribuinte interpôs recurso administrativo a fls. 580/622, o qual foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, em razão da redistribuição de competências aviada na Lei nº 12.101/2009, conforme consignado a fl. 629. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0821.207 – 5ª Turma da DRJ/FOR, de 27 de junho de 2011, a fls. 632/649, julgando procedente em parte a impugnação apresentada pelo Contribuinte, e mantendo a sustação da intributabilidade da Fundação Ana Lima, conforme determinado no Ato Declaratório Executivo DRF/FOR nº 137/2009. O Contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 18/08/2011, conforme Notificação e Aviso de Recebimento a fls. 651 e 652, respectivamente. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, em 21 de setembro de 2011, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 653/695, requerendo ao fim o cancelamento do Ato Declaratório Executivo nº 137 e o retorno pleno do regime de imunidade tributária da Recorrente. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.011346/200914 Acórdão n.º 2302002.929 S2C3T2 Fl. 721 3 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 18 de agosto de 2011, quintafeira, dia útil, conforme Notificação nº 200914 e Aviso de Recebimento a fls. 651 e 652, respectivamente. Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada à Lei nº 8.213/91, a qual concedeu ao sujeito passivo o prazo de 30 dias para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de bloqueio em face de decisão de 1º grau que lhe tenha sido desfavorável. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.03/2007) §1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Cumpre trazer à baila que os processos administrativos fiscais relativos aos créditos em fase de constituição foram transferidos, por força do art. 4º da Lei nº 11.457/2007, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo iter procedimental passou a ser regido, Fl. 722DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 desde então, pelo rito fixado pelo Decreto nº 70.235/72, em atenção às disposições insculpidas no art. 25 daquele Diploma Legal. Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...) Art. 4º São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no §1º do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei; II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2º desta Lei. §1º O Poder Executivo poderá antecipar ou postergar a data a que se refere o inciso I do caput deste artigo, relativamente a: I procedimentos fiscais, instrumentos de formalização do crédito tributário e prazos processuais; II competência para julgamento em 1a (primeira) instância pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada. §2º O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica aos processos de restituição, compensação, reembolso, imunidade e isenção das contribuições ali referidas. §3º Aplicamse, ainda, aos processos a que se refere o inciso II do caput deste artigo os arts. 48 e 49 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.011346/200914 Acórdão n.º 2302002.929 S2C3T2 Fl. 722 5 Ao dispor sobre prazos, o antecitado Decreto nº 70.235/72 determinou que os prazos recursais devem ser contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Estatuiu, igualmente, que os prazos recursais só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. É mister salientar, por relevante, que o art. 6º do referido Decreto concedia à autoridade preparadora, em circunstâncias especiais, a faculdade de acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência. Tal prerrogativa, contudo, lhe foi excluída pela lei nº 8.748/1993, que expressamente revogou o mencionado art. 6º, em sua integralidade, de molde que, a contar de então, não mais dispõe a referida autoridade de poder discricionário para prorrogar os prazos recursais. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 6º A autoridade preparadora, atendendo a circunstâncias especiais, poderá, em despacho fundamentado: (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) I acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência; (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) II prorrogar, pelo tempo necessário, o prazo para a realização de diligência. (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) No presente caso, o sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da Decisão de Primeira Instância Administrativa no dia 18 de agosto de 2011, quintafeira, dia útil, iniciandose, por conseguinte, a fluência do trintídio recursal na sextafeira imediatamente seguinte, digase, no dia 19/08/2011, dia útil. Sendo de 30 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria aos 17 dias do mês de setembro do mesmo ano, sábado, que por não haver expediente normal no órgão fazendário competente, provocou o elastecimento do prazo em tela para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, in casu, o dia 19/09/2011, segundafeira, em atenção às disposições inscritas no Parágrafo Único do art. 5º do Decreto nº 70.235/72. Salientese, de maneira a nocautear qualquer dúvida, que o prazo recursal é contínuo, não sendo suspenso ou interrompido por fins de semana ou feriados nacional, estadual ou municipal, salvo se estes coincidirem com a data de início ou de término do referido prazo, o que não ocorre no caso em apreço. Nesse contexto, o dies a quo do aludido prazo recursal recaiu, para todos os efeitos jurídicos, exatamente no dia 19/08/2011, o que implica na fixação do dia 19 de setembro do mesmo ano como o dies ad quem para a protocolização do competente Recurso Voluntário. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 No caso vertente, havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 21 de setembro de 2011, como assim denuncia o carimbo de protocolo da DRFFortaleza CE aposto no canto superior direito da folha de rosto do Recurso Voluntário a fl. 653, há que se reconhecer, portanto, a intempestividade do recurso interposto, fato que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. Registrese que o próprio instrumento de Recurso Voluntário, o substabelecimento e a autenticação das cópias das Carteiras da OAB são datados de 20 de setembro de 2011, ou seja, dia seguinte ao dead line para sua protocolização no órgão fazendário competente. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 63, I da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Nas circunstâncias do caso em apreciação, o não oferecimento de Recurso no prazo normativo implica o trânsito em julgado da decisão de 1ª instância, tornandoa definitiva no âmbito administrativo, a teor dos artigos 22 e 26, I, ‘a’ da Portaria RFB nº 10.875/2007, sob cuja égide sucederam os fatos jurídicos em realce. Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007 Art. 22. Decorrido o prazo sem que o recurso tenha sido interposto, será o sujeito passivo cientificado do trânsito em julgado administrativo e intimado a regularizar sua situação no prazo de trinta dias, contados da ciência da intimação. (grifos nossos) Parágrafo único. Esgotados os meios de cobrança amigável, o processo será encaminhado ao órgão competente para inscrição em DAU. Art. 26. São definitivas as decisões: I de primeira instância: a) depois de esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) Fl. 725DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.011346/200914 Acórdão n.º 2302002.929 S2C3T2 Fl. 723 7 b) na parte que não foi objeto de recurso voluntário e não estiver sujeita a recurso de ofício; c) quando não couber mais recurso; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §1º Na hipótese da alínea "a" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. (grifos nossos) §2º Na hipótese da alínea "b" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo, relativamente à parte não recorrida, darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. §3º Nos julgamentos em que não couber mais recurso, o trânsito em julgado ocorre com a ciência da decisão ao sujeito passivo. §4º Nos casos de interposição dos recursos previstos no art. 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, o trânsito em julgado da decisão somente ocorrerá após a ciência da nova decisão ao sujeito passivo. Óbvio está que os selecionados dispositivos da Portaria MPS em realce não ousaram ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, sendo, antes, desta, mero reflexo, conforme se vos segue: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do presente Recurso Voluntário, por falta de requisito essencial para a sua admissibilidade. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude de sua apresentação intempestiva. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 É como voto. Arlindo da Costa e Silva; Relator. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10940.903130/2009-86
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2001
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98.
As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol.
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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(NOVA DENOMINAÇÃO DE CARNELOS COMÉRCIO DE FERRAMENTAS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2001 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 31 30 /2 00 9- 86 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903130/200986 Acórdão n.º 3801002.560 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto parcialmente o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF em Ponta Grossa/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 39606.69305.290806.1.7.041974, devido à inexistência de crédito de R$ 614,96 para efetuar a compensação pretendida de R$ 955,21, uma vez que o pagamento PIS/PASEP (código 8109) teria sido integralmente utilizado para quitação de débito próprio. Cientificada em 01/06/2009, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando, em síntese, que pela nova sistemática do PIS e da Cofins, trazida pelas Leis nºs 9.718, de 1998, e 10.637, de 2002, qualquer receita ingressada na contabilidade da pessoa jurídica incide as contribuições, independentemente da atividade por ela exercida. No entanto, quando das exclusões da base de cálculo, há distinção entre as deduções para as pessoas jurídicas em geral e para as instituições financeiras. Pois, enquanto estas gozam do benefício da exclusão/compensação plena e irrestrita de suas despesas operacionais, os demais contribuintes se sujeitam à cobrança das contribuições sobre uma base muito maior, já que podem apenas deduzir o custo da compra de mercadorias adquiridas para revenda, desequilibrando uma relação que não encontra nenhuma razão de ordem material, ou até mesmo qualquer justificativa de ordem econômica ou social, para que se estabeleça. Assim, as instituições financeiras vêm recolhendo a Cofins e o PIS com base no chamado ‘lucro bruto’, uma vez que são deduzidas todas as despesas operacionais relacionadas a sua atividade, sendo tributada tãosomente pela diferença entre o custo de sua atividade e o valor cobrado por ela. Já os demais contribuintes pagam os tributos com base em sua receita, independentemente da classificação contábil, sem que possam deduzir/compensar integralmente suas despesas operacionais. Destarte, por força do que dispõe expressamente o art. 150, inciso II, da Carta Magna, impõese a extensão deste benefício às demais empresas privadas, como é o seu caso. A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CRÉDITOS NO SISTEMA DE NÃOCUMULATIVIDADE. EQUIPARAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS EM GERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903130/200986 Acórdão n.º 3801002.560 S3TE01 Fl. 4 3 O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade. Por fim, requer que seja reconhecido o seu direito à compensação, referente aos indevidos pagamentos a título da contribuição, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903130/200986 Acórdão n.º 3801002.560 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. A interessada alega com fundamento no princípio constitucional da isonomia que tem o direito de deduzir da base de cálculo da contribuição, a totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência. Não assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. Para o período de apuração em discussão, aplicavamse os dispositivos da Lei da Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) Como apresentado nos recursos da recorrente, as exclusões e deduções da base cálculo estão discriminadas no §2º e seguintes do art. 3º da Lei 9.718/98: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas Fl. 90DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903130/200986 Acórdão n.º 3801002.560 S3TE01 Fl. 6 5 regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; .(Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008) (Produção de efeito) § 3º Nas operações realizadas em mercados futuros, considera se receita bruta o resultado positivo dos ajustes diários ocorridos no mês. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) deságio na colocação de títulos; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903130/200986 Acórdão n.º 3801002.560 S3TE01 Fl. 7 6 II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) § 7o As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 8o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I imobiliários, nos termos da Lei no 9.514, de 20 de novembro de 1997; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III agrícolas, conforme ato do Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903130/200986 Acórdão n.º 3801002.560 S3TE01 Fl. 8 7 (...) Grifouse Com efeito, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na lei e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não integram esse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre o faturamento a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Quanto às argumentações referentes à ofensa ao princípio da isonomia, é importante consignar que a autoridade julgadora tem que observar o princípio da legalidade, não podendo negar aplicação à norma, de sorte que a restituição/compensação postulada carece de previsão legal. Além disso, a esfera administrativa não pode apreciar eventual inconstitucionalidade de Lei, tendo em vista que o controle de constitucionalidade de normas é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle concentrado ou difuso. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1º e 2º CC Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Ademais, falece à autoridade julgadora administrativa competência para examinar eventual ofensa ao princípio da isonomia. No que tange ao pedido, assinalese desprovido de fundamentação, de não incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea, é importante assinalar, ainda, que, na legislação tributária, a multa de mora sempre esteve integrada para inibir o pagamento de tributos com atraso, conforme os seguintes dispositivos: art. 74 da Lei nº 7.799, de 1989; art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991; art. 59º da Lei nº 8.383, de 1991; art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995 e o vigente art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” (Grifouse) Como visto, o legislador ordinário estabeleceu como acréscimo legal a multa de mora para o recolhimento espontâneo após o vencimento do prazo legal. Não se tem notícia de que este dispositivo tenha sido declarado inconstitucional, ainda, que de forma parcial, ou mesmo, tenha ocorrido uma declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento em sede de recurso repetitivo de controvérsia de que se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido: Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903130/200986 Acórdão n.º 3801002.560 S3TE01 Fl. 9 8 TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360∕STJ. 1. Nos termos da Súmula 360∕STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08. (REsp 962379, DJe 28/10/2010) Além do mais, na situação em comento não há que se alegar o benefício da denúncia espontânea porque não há notícia do pagamento dos débitos compensados, assim, se não há pagamento a destempo não é possível aplicar o instituto da denúncia espontânea. Tenhase presente que de acordo com o § 6º do art. 74 da Lei nº 9430/1996 a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por tais razões, nos cálculos dos débitos pagos fora do prazo de vencimento devem incidir as multas de mora, como bem assentou a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10850.906256/2011-36
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a este processo os resultados da diligência determinada em outro processo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a este processo os resultados da diligência determinada em outro processo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a este processo os resultados da diligência determinada em outro processo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não homologara a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 06 25 6/ 20 11 -3 6 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906256/201136 Resolução nº 3803000.399 S3TE03 Fl. 302 2 O crédito que se pretende compensar na declaração de compensação destes autos encontrase em discussão no processo administrativo nº 10850.907650/201191, que se encontra pautado para julgamento na mesma sessão deste processo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação da compensação, assim como a reunião dos processos ali identificados para julgamento em conjunto, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) no despacho decisório, a autoridade administrativa não homologara a compensação declarada, informando que não havia sido constatado valor algum a ser restituído, sem que fossem tecidas quaisquer outras considerações para embasar o indeferimento do crédito pleiteado; b) o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento, este consistente no resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; c) o CARF tem reconhecido o direito pleiteado, por força do contido na Lei nº 11.941, de 2009, que revogou o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assim como do disposto no Decreto nº 7.574, de 2011, no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, e no art. 62A do Regimento Interno do CARF; d) o despacho decisório fora emitido em desacordo com a legislação e a jurisprudência pacificada sobre o tema, não tendo a autoridade administrativa aprofundado na investigação dos fatos, dada a falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito, o que contrariaria o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de DARFs, de planilha de cálculo da contribuição e de partes do Livro Diário e do Balancete, acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento. A DRJ Ribeirão Preto/SP rejeitou a reunião dos processos para julgamento conjunto, por se referirem a fatos e provas distintos, e não reconheceu o direito creditório, considerando que a autoridade administrativa teria procedido corretamente ao indeferir o pleito do contribuinte, em razão do fato de que o débito confessado em DCTF seria do mesmo valor do montante recolhido, o que evidenciaria a inexistência de saldo credor, conclusão essa reforçada pela inocorrência de retificação da DCTF. Aduziu o relator do voto condutor da decisão recorrida que, no tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, no presente caso, não se discutiria o entendimento do STF, tampouco se questionaria a vinculação do CARF à decisão proferida no Recurso Extraordinário (RE) julgado na sistemática da repercussão geral, e que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pela Lei nº 11.941, de 2009, não alcançaria este processo por não se aplicar retroativamente. Destacou, ainda, o julgador de piso, que o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, vedaria o afastamento da aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as exceções previstas no § 6º, incisos I e II, do mesmo artigo, exceções essas não aplicáveis ao presente caso. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906256/201136 Resolução nº 3803000.399 S3TE03 Fl. 303 3 Segundo o relator, amparandose no Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 2011, as condições previstas no inciso II do § 6º do 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se verificariam em relação à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, sendo inaplicáveis ao presente caso; e, no que se refere ao inciso I do mesmo dispositivo, ele não abrangeria decisão proferida em controle difuso de constitucionalidade, a qual produziria efeitos somente em relação às partes da relação processual, mesmo que proferida em processo julgado pela sistemática da repercussão geral. Destacou, também, o julgador de primeira instância, que, ainda que os óbices à utilização integral do recolhimento não existissem, o contribuinte não teria se desincumbido de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior, tendo requerido a restituição de todo o valor da contribuição recolhido no período, o que só seria possível se não tivesse auferido nenhum faturamento, apenas receitas financeiras, o que não ficou comprovado. Finalmente, ressaltou o relator de piso, que a cópia parcial do livro Diário apresentada, constando apenas algumas folhas de lançamentos e parte do balancete do período em exame, permitiria vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa, em razão do que não haveria como se apurar o total da base de cálculo da contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse acerca de eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Cientificado da decisão em 22 de abril de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 21 de maio do mesmo ano, reiterou o pedido de julgamento em conjunto dos processos ali identificados e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, bem como a homologação da compensação declarada, repisando os mesmos argumentos de defesa apresentados na primeira instância, sendo acrescentadas as seguintes alegações: a) a DCTF não seria o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, devendose elucidar que nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo; b) “[a] exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei, tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público”; c) “a afirmação do acórdão recorrido está em total desconformidade com o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, e pelo qual o julgador deve buscar a verdade dos fatos, desconsiderando as formalidades, cabendolhe analisar todos os vieses da situação fática antes de lançar mão do ato administrativo, notadamente em casos em que a interpretação do contexto fático dependa, exclusivamente, da devida análise probatória”; d) “[o] princípio de que a contabilidade, lastreada em documentação idônea, faz prova a favor do contribuinte não é estranho ao direito tributário, estando expressamente previsto no Decretolei nº 1.598/77, fundamento legal do artigo 923 do RIR/99”, sendo de “manifesta obviedade que as autoridades administrativas almejam negar o reconhecimento ao crédito a todo custo, o que não tem mínimas condições de prevalecer, haja vista que, além dos Fl. 303DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906256/201136 Resolução nº 3803000.399 S3TE03 Fl. 304 4 argumentos expostos, a jurisprudência administrativa já se manifestou no sentido de que, quando em boa ordem, a escrituração contábil faz prova em favor do contribuinte”; e) a Planilha de cálculo, o DARF, o livro Diário,o balancete e os respectivos termos de abertura e encerramento apresentados, referentes ao período sob análise, foram considerados insuficientes na decisão recorrida, o que denotaria a ocorrência de uma análise superficial dos documentos acostados; f) o fato de ter alegado na Manifestação de Inconformidade apenas a ocorrência de receitas financeiras não pode suplantar os fatos devidamente demonstrados de que o direito creditório se refere ao somatório das receitas financeiras e dos valores de créditos recuperados, não tendo havido no período receita tributável pela contribuição; g) “ainda que a documentação juntada não fosse suficiente para comprovar o crédito, o que se admite apenas em caráter argumentativo, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsão do art. 18 do Decreto nº 70.235”; h) ao invocar a preclusão do direito de apresentação de novas provas após a manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora não se dera conta de que “uma das hipóteses que autoriza a apresentação posterior de prova documental se configura no momento em que se faz necessário contrapor fatos ou razões que, porventura, foram trazidos posteriormente aos autos”, conforme disciplina do art. 16, § 4o, "c", do Decreto nº 70.235, de 1972; i) no acórdão recorrido, afirmouse que os órgãos administrativos não estariam vinculados a decisões de inconstitucionalidade exaradas na esfera judicial em controle difuso de constitucionalidade, sendo que tal afirmação encontrarseia “em total desconformidade com o que vem decidindo a jurisprudência administrativa, que já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9.718/98, em razão de terem sido proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal e demonstrarem o entendimento pacífico e inequívoco daquela Corte sobre a matéria”; j) “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão do seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência. Ora, seria ilógico que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um artigo de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”; l) “o inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70.235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11.941, de 27.5.2009, "in verbis", determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação consoante o entendimento exarado na decisão:” Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia integral do livro Diário e dos balancetes relativos ao anocalendário 2000 e da Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados. É o relatório. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906256/201136 Resolução nº 3803000.399 S3TE03 Fl. 305 5 Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, a repartição de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, não homologara a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Consta da Declaração de Compensação o nº do Pedido de Restituição (PER) em que o crédito fora pleiteado, pedido esse em discussão no processo administrativo nº 10850.907650/201191, que se encontra pautado para julgamento na mesma sessão. Como o encaminhamento dado ao processo nº 10850.907650/201191 foi de conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para se confirmar o direito creditório pleiteado, a este processo deve ser dada a mesma destinação, pois que dependente do resultado que se apurar naqueles autos. Nesse contexto, voto por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que a este processo sejam juntados os resultados da diligência determinada no processo nº 10850.907650/201191, devendo ambos os autos serem reunidos para julgamento em conjunto. Após as providências ora requeridas, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo de 30 (trinta) para se pronunciar, devendo, ao final, os autos, devidamente reunidos, retornarem a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 305DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721246/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL-60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE.
A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrando-se diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos.
A IN SRF nº 243/2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo.
Numero da decisão: 1202-001.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, em: por unanimidade de votos, rejeitar os pedidos de alteração do método de cálculo do preço-parâmetro e da inaplicabilidade do método PRL 60 no cálculo do preço-parâmetro nas vendas exclusivas a pessoas jurídicas vinculadas domiciliadas no Brasil; e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para considerar ilegal o método de cálculo PRL 60 constante da IN SRF nº 243/2002. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner e Plínio Rodrigues Lima (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Redator designado.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Marcelo Baeta Ippolito, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Nereida de Miranda Finamore Horta.
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL-60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrando-se diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243/2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, em: por unanimidade de votos, rejeitar os pedidos de alteração do método de cálculo do preço-parâmetro e da inaplicabilidade do método PRL 60 no cálculo do preço-parâmetro nas vendas exclusivas a pessoas jurídicas vinculadas domiciliadas no Brasil; e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para considerar ilegal o método de cálculo PRL 60 constante da IN SRF nº 243/2002. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner e Plínio Rodrigues Lima (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Redator designado. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Marcelo Baeta Ippolito, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Nereida de Miranda Finamore Horta.
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MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243/2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, em: por unanimidade de votos, rejeitar os pedidos de alteração do método de cálculo do preçoparâmetro e da inaplicabilidade do método PRL 60 no cálculo do preçoparâmetro nas vendas exclusivas a pessoas jurídicas vinculadas domiciliadas no Brasil; e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para considerar ilegal o método de cálculo PRL 60 constante da IN SRF nº 243/2002. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner e Plínio Rodrigues Lima (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício e Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 12 46 /2 00 8- 17 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Marcelo Baeta Ippolito, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Nereida de Miranda Finamore Horta. Relatório Consta do Acórdão da 1ª Turma da DRJ/BEL proferido em 09/06/2011 (Fls. 230 a 233): Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 0821, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, ano(s)calendário 2003, com crédito total apurado no valor de R$ 7.361.896,06, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 28/11/2008. De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Falta de adição ao lucro líquido da parcela dos custos que excede ao preço parâmetro de transferência. Extraise ainda dos autos que o sujeito passivo apurou seu preço parâmetro de transferência pelo método do Custo de Produção mais Lucro — CPL, todavia não apresentou a documentação de suporte do cálculo. Razão pela qual a fiscalização desconsiderou o cálculo do contribuinte e apurou o preço parâmetro pelo método Preço de Revenda menos Lucro PRL. Fato que resultou nos ajustes efetuados de ofício de que tratam os Autos de Infração. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício de 75 %. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 16/12/2008 (fls. 09 e 16) e apresentou sua impugnação em 14/01/2009 (fls. 151195), na qual alegou em síntese que: Do vinculo nas operações 1 A fiscalização não poderia ter apurado o preço sob a sistemática do PRL porque as operações que serviram de base de cálculo do preço parâmetro foram efetuadas com pessoas jurídicas vinculadas na forma do art. 23, V, da Lei n° 9.430/96; Fl. 316DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 4 3 2 O vínculo está comprovado por meio do Contrato Social, na qual consta como sócia da impugnante a empresa MOTO HONDA DA AMAZÔNIA LTDA localizada em Manaus e que possui aproximadamente 30% do capital social com quem são realizadas a quase totalidade das operações de venda dos produtos fabricados; O vinculo também resta comprovado pelo fato das empresas estarem sob controle do mesmo grupo econômico, bem como pelo fato da recorrente ter relação de exclusividade com a MOTO HONDA DA AMAZÔNIA LTDA; Da ilegalidade da IN 4 A apuração do preço PRL60 sob critérios da IN SRF n° 243/2002 é ilegal e inconstitucional porque esta instrução normativa criou uma sistemática de cálculo do preço parâmetro não prevista em lei; 5 Ainda que não seja possível ser declarada a inconstitucionalidade da IN SRF n° 243/2002, devese afastar a aplicação da legislação contrária à Carta Maior; Da multa de oficio 6 A multa de 75 % tem caráter de confisco; 7 A multa de 75% é indevida porque a impugnante não praticou nenhum ilícito tributário, ao contrário, recolhera nos prazos legais os tributos devidos, calculados nos termos expostos na impugnação. A DRJ /BEL assim fundamentou o referido Acórdão: Da tempestividade e da admissibilidade O Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que regulamentou o Processo Administrativo Fiscal, em seu artigo 15, limitou o prazo para apresentação da impugnação em 30 (trinta) dias contados da data de intimação da exigência fiscal. Como a impugnação foi apresentada no prazo tempestivo, e preencheu os requisitos de admissibilidade do artigo 16 do Decreto n.° 70.235/1972, dela tomo conhecimento. Da ilegalidade e da aplicabilidade da Instrução Normativa A recorrente suscita a ilegalidade e inaplicabilidade dos dispositivos da Instrução Normativa n° 243/2002, que dispõem sobre a metodologia de cálculo do PRL60. O argumento não pode ser oponível a esta instância de julgamento. As Instruções Normativas são atos normativos expedidos por autoridades administrativas, complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, que visam regulamentar ou implementar o que já está previsto. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 5 4 Tratase de normas infralegais que gozam da presunção de legalidade perante a administração pública. Nesse sentido, a autoridade administrativa se encontra totalmente vinculada aos preceitos estabelecidos pela norma regulamentar (art. 116, inc. III, da Lei n° 8.112/1990). Àquela não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia de tais preceitos normativos considerados, pelo sujeito passivo, como ilegais. No caso específico da administração tributária federal, o art. 7.° da Portaria MF n° 58/2006 determina que a autoridade julgadora de 1a instância deve observar o conteúdo das disposições legais, bem como o entendimento da Receita Federal expresso em atos tributários, como é o caso das Instruções Normativas. Falta, assim, competência para apreciar a arguição de ilegalidade das Instruções Normativas observadas no procedimento fiscal, vez que editadas por autoridade hierárquica superior. Outrossim, como as Instruções Normativas gozam da presunção de legalidade, são de observância obrigatória a todos os servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. Por essa razão, a autoridade lançadora não poderia deixar de aplicar as orientações da Instrução Normativa, pois, além de serem de observância obrigatória, gozam da presunção de legalidade frente à Lei regulamentada. Presunção essa que não pode ser oponível àquela autoridade, nem à autoridade julgadora de 1a instância. Das operações com vinculadas No mérito de sua impugnação, a recorrente suscita a impossibilidade de utilização do método PRL60 pois as vendas que serviram de base para o cálculo do preço parâmetro teriam sido efetuadas com pessoa jurídica vinculada, a saber, a MOTO HONDA DA AMAZÔNIA LTDA, domiciliada no Brasil, que possui aproximadamente 30% de seu capital social. Ocorre que o conceito de pessoa vinculada, para efeito do cálculo do preço parâmetro, restringese às pessoas domiciliadas no exterior. Nos termos do § 3o do art. 18 da Lei n° 9.430/96, o cálculo do preço parâmetro pelo método Preço de Revenda menos Lucro PRL deve levar em consideração somente os preços praticados com compradores não vinculados. As pessoas não vinculadas de que trata o art. 18 da Lei n° 9.430/96, por sua vez, são aquelas que não estão enquadradas nas hipóteses taxativamente definidas pelo art. 23 do mesmo diploma legal, ipsis litteris: Fl. 318DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 6 5 Art. 23. Para efeito dos arts. 18 a 22, será considerada vinculada à pessoa jurídica domiciliada no Brasil: I a matriz desta, quando domiciliada no exterior; II a sua filial ou sucursal, domiciliada no exterior; III a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, cuja participação societária no seu capital social a caracterize como sua controladora ou coligada, na forma definida nos §§ 1° e 2° do art 243 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976; IV a pessoa jurídica domiciliada no exterior que seja caracterizada como sua controlada ou coligada, na forma definida nos §§ 1° e 2° do art. 243 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976; V a pessoa jurídica domiciliada no exterior, quando esta e a empresa domiciliada no Brasil estiverem sob controle societário ou administrativo comum ou quando pelo menos dez por cento do capital social de cada uma pertencer a uma mesma pessoa física ou jurídica; VI a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que, em conjunto com a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, tiver participação societária no capital social de uma terceira pessoa jurídica, cuja soma as caracterizem como controladoras ou coligadas desta, na forma definida nos §§ 1° e 2° do art. 243 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976; VII a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que seja sua associada, na forma de consórcio ou condomínio, conforme definido na legislação brasileira, em qualquer empreendimento; VIII a pessoa física residente no exterior que for parente ou afim até o terceiro grau, cônjuge ou companheiro de qualquer de seus diretores ou de seu sócio ou acionista controlador em participação direta ou indireta; IX a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que goze de exclusividade, como seu agente, distribuidor ou concessionário, para a compra e venda de bens, serviços ou direitos; X a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, em relação à qual a pessoa jurídica domiciliada no Brasil goze de exclusividade, como agente, distribuidora ou concessionária, para a compra e venda de bens, serviços ou direitos. Notese, pelo teor de todos os incisos acima, que o conceito de entidade vinculada, para efeito de preço de transferência, restringese às pessoas domiciliadas no exterior. Logo, qualquer venda efetuada ao mercado interno pode ser considerada no cálculo do preço parâmetro pelo método PRL. De efeito, deve ser rechaçada a interpretação segundo a qual, para atender ao princípio do arm 's lenght, a proibição da utilização do preço de revenda entre vinculadas, determinada Fl. 319DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 7 6 pelo art. 18, § 3o, da Lei n° 9.430/96, deve ser estendida às pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. A uma, porque desprovida de qualquer amparo legal. A duas, porque a tese, se aplicada, poderia servir como margem de manobra para impedir a utilização do método PRL, caso a empresa produtora utilizasse como entreposto, na venda de seus produtos ao mercado interno, uma pessoa "vinculada". Da multa de ofício É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 145, § 1o, determina que os impostos serão graduados em função da capacidade contributiva do contribuinte. E mais, em seu artigo 150, inciso IV, veda a utilização de tributo com efeito de confisco. Ocorre que tributo não deve ser confundido com penalidade. O princípio que norteia a imputação penal, cujo caráter é agressivo, tem o condão de compelir o contribuinte a se afastar de cometer atos ou atitudes lesivos à coletividade. Nesse linha, temse orientado o Conselho de Contribuintes: "CONFISCO A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal". (Ac. 10242741, sessão de 20/02/1998). "MULTA DE OFICIO A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei n.° 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN". (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997). Outrossim, a aplicação de multa de ofício (regulamentar, qualificada ou agravada) está devidamente fundamentada na legislação tributária (art. 44 da Lei n° 9.430/96). Pelo que, as alegações de ofensa aos princípios da vedação ao confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade não podem ser oponíveis às autoridades administrativas, posto que estas se encontram totalmente vinculadas aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.° 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Em verdade, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a autoridade fiscal encontrase limitada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais restrições para examinar questões outras como as suscitadas na impugnação em exame. Cabe ao julgador Fl. 320DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 8 7 administrativo simplesmente seguir a lei e obrigar seu cumprimento. Assinalese que tal é a determinação do Parecer Normativo da COSIT/SRF n° 329/1970: Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Por fim, o art. 7.° da Portaria MF n° 58/2006 determina que a autoridade julgadora administrativa deve observar o conteúdo das disposições legais, bem como o entendimento da Receita Federal expresso em atos tributários. A recorrente ainda alega que multa aplicada é indevida pois não teria praticado nenhum ilícito tributário. Equivocase a recorrente. A falta de adição, ao lucro líquido, da parcela dos custos que excede ao preço parâmetro de transferência importou numa infração ao §7° do art. 18 da Lei n° 9.430/96 e, por conseguinte, uma insuficiência de recolhimento de tributo (IRPJ e CSLL), infração esta suscetível de aplicação da penalidade de que trata o art. 44, inciso I, da mesma lei. Da conclusão Ante tudo exposto, voto no sentido de julgar a IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE, mantendo os créditos tributários deste processo. Intimada desse Acórdão em 18/07/2011 (Fls. 236), a Recorrente interpôs o presente recurso em 15/08/2011(Fls. 249 a 293) com os seguintes argumentos: 1. Tempestividade deste Recurso Voluntário. 1.1. A Recorrente tomou ciência do acórdão n° 0122.0511ª Turma da DRJ/BEL, pela via postal, em data de 18 de Julho de 2.011. O prazo de 30 dias, fixado no artigo 33 do Decreto 70.235/72 teve inicio no dia seguinte e, seu término, portanto, ocorrerá em 18/08/2011. Acompanhando a data de protocolo deste recurso, temse a sua tempestividade, condição para que o mesmo seja admitido e dado seguimento até ao CARF. (...) 3. Fundamentos do Acórdão n° 0122.051 1a Turma da DRJ/BEL. 3.1. Para decidir pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte e manter a autuação, o Sr. Delegado de Julgamento deixou de analisar os Fl. 321DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 9 8 argumentos de defesa, alegando que a matéria não pode ser apreciada na esfera administrativa, o que consta na ementa do acórdão da seguinte forma: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Ano Calendário: 2003 INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. As autoridades julgadoras de 1 a instância não possuem competência para apreciar a ilegalidade da Instrução Normativa expedida por autoridade hierárquica superior. INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PESSOAS VINCULADAS. O conceito de pessoas vinculadas, para efeitos de preço de transferência, se restringe àquelas domiciliadas no exterior. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." 3.2. Pelo texto do acórdão constatase que o ilustre julgador administrativo não se aprofundou nas questões levadas ao seu conhecimento como argumento de defesa, mas apenas reafirmou o entendimento no sentido de serem observadas as instruções normativas editadas por autoridade hierarquicamente superior, visto que tais normas são de observância dos servidores da administração federal. 3.3. Por outro lado, no relatório do acórdão constatase a afirmativa da majoração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL decorrente do método de cálculo apurado pelos auditores federais, quando da fiscalização que resultara na autuação, ao sustentar o seguinte: "Extraise ainda dos atos que o sujeito passivo apurou seu preço parâmetro de transferência pelo método do Custo de Produção mais Lucro CPL, todavia não apresentou a documentação de suporte do cálculo. Razão pela qual a fiscalização desconsiderou o cálculo do contribuinte e apurou o preço parâmetro pelo método Preço de Revenda menos Lucro PRL. Fato que resultou nos ajustes efetuados de oficio de que tratam os Autos de Infração." 3.4. Esse trecho do relatório é a confirmação de que a base do cálculo dos tributos em questão IRPJ e CSLL foi majorada indevidamente, ato que vai de encontro à Constituição da Fl. 322DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 10 9 República Federativa do Brasil e ao Código Tributário Nacional, por agredir o princípio da legalidade. 3.5. Ainda que não se trate de matéria a ser analisada no âmbito da Delegacia de Julgamento (1a Turma da DRJ/BEL), está evidente a ilegalidade da Instrução Normativa 243/2002 por comportar inovações que não fazem parte da Lei 9.430/96, com aumento dos tributos. Tais inovações da IN SRF 243/02 resultaram em critérios; fórmulas; e, uso de parcelas no cálculo do preço parâmetro na aplicação do método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, diferentes da Lei 9430/96, o que aumentou a base de cálculo para a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL com o conseqüente aumento dos tributos devidos, pela média presumida do valor de suposta venda dos insumos importados. 3.6. Daí a necessidade inarredável da matéria ser objeto deste Recurso Voluntário para que o CARF se pronuncie a cerca das alterações ocorridas no âmbito da apuração do preço parâmetro. 4.0 Cálculo do Preço de Transferência pela Lei n. 9.430/96 4.1. Diante dos julgamentos levados a efeito no âmbito do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, ainda, perante o Tribunal Regional Federal da 3a Região, ficou demonstrado que há gritante diferença de cálculo na forma prevista pela Lei n° 9.430/96 e a Instrução Normativa n° 243/2002, sendo que por esta última ocorre a majoração excessiva da base de cálculo dos tributos antes elencados. 4.2. Apesar do auto de infração mencionar por diversas vezes a Lei n° 9.430/96, que fora impropriamente regulamentada pela Instrução Normativa SRF n° 243/2002, o senhor Auditor decidira pela aplicação do método PRL, com margem de lucro de 60% considerando as fórmulas de cálculo do ato administrativo que se insubordina a lei com inovações que aumentam o montante dos tributos devidos. A aplicação da referida IN SRF não é o adequada para a Recorrente, que realiza operações com empresas vinculadas, por inovar em relação ao que está previsto na Lei 9.430/96, aumentar o tributo devido sem previsão legal, como pode ser confirmado no auto de infração. 4.3. Fato relevante da MP 478/09, foi a declaração contundente dos seus proponentes nos itens 20 e 20.1 da exposição de motivos, ao revelarem que as normas determinadas na IN SRF sobre preços de transferência para cálculo do PRL não estavam previstas em lei, sendo portanto, ilegais e que por essa mesma razão eles estavam propondo mudanças nas fórmulas do PRL. 4.4. Especificamente o artigo 18, da Lei n° 9.430/96, transcrito na impugnação, é de suma importância para delimitar qual método deve ser seguido pela empresa, dando ao contribuinte três opções, todas elas com limitações e deixando a empresa à Fl. 323DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 11 10 vontade para fazer a opção por aquele que melhor reflita a realidade de suas operações. 4.5. Vale acrescentar também que no ano de 2009, enquanto diversos contribuintes aguardavam o julgamento de processos com a mesma natureza deste, foram editadas as Medidas Provisórias n° 472 e 478, ambas de 15/12/2009, tratando, dentre vários assuntos, do preço de transferência. 4.6. Acontece que a dita MP 478 perdeu o seu efeito, por não ter sido convertida em lei no prazo legal, vigorando, portanto, os termos da MP 472/2009, que fora convertida na Lei n° 12.249/2010. 4.7. Salientese, por oportuno, que no ano de 2008 foi editada também a Lei n° 11.727/2008 que palidamente trouxe inovações no âmbito do preço de transferência. No entanto, nenhum dos dispositivos legais editados nesse período teve por caráter regulamentar com precisão a forma de aferir o real valor dos ajustes a serem realizados ou não na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. 4.8. Tais iniciativas do Executivo Federal, somente fizeram lembrar a famosa obra de Alfredo Augusto BECKER intitulada "Carnaval Tributário", já que até o momento nada se regulamentou e nenhuma providência concreta foi adotado pelo fisco federal para realizar as autuações com respaldo de veracidade nos valores encontrados. 4.9. Havendo qualquer modificação legal para reduzir a margem de lucro adotada pelo fisco, a Recorrente seria beneficiada, ainda no curso deste processo administrativo, com amparo no princípio de que a lei mais benigna para o contribuinte, retroage para abranger as matérias não definitivamente julgadas ( art. 106, do CTN ). 4.10. Ora, Senhores Conselheiros, restou demonstrado na impugnação que pela letra firme da Lei n° 9.430/96, os §§ 2o e 3o impõem limitações para que a Recorrente realizasse os cálculos do preço de transferência pelo PIC Método de Preços Independentes Comparados e pelo PRL Preço de Revenda menos Lucro. 4.11. Como as operações são realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, à luz da Lei n° 9.430/96, a Recorrente não poderá adotar o método PRL60%, pela ocorrência de vínculo nas operações com pessoas jurídicas. 4.12. Por outro lado, também está inviável a adoção do método PIC pelo fato de que a Recorrente não realiza operações, junto a terceiros, de compra e/ou venda de bens similares ou idênticos. 4.13. No que diz respeito ao CPL, tal método esbarra na dificuldade que as empresas têm de documentar tais operações, tornando, portanto, a sua utilização inviável. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 12 11 4.14. Neste pálido cenário imposto pela Lei 9.430/96, o contribuinte, sujeito à prática do preço de transferência, fica impossibilitado de adotar um método que reflita com fidelidade as operações realizadas com o exterior ou mesmo no mercado nacional. 4.15. Quanto à existência de vinculação entre as pessoas jurídicas envolvidas nas operações, não há o que se negar, pois os contratos sociais, estatutos sociais e demais documentos comprovam a existência de tais vínculos societários, para o ano de 2003, o que ainda perdura atualmente, cujos documentos fazem parte dos autos administrativos juntados com a impugnação. 5. As Operações da Recorrente são Realizadas com Empresas Vinculadas. 5.1. No que diz respeito à vinculação existente entre a ora Recorrente e as empresas HONDA e SHOWA CORPORATION, o Sr. Auditor se pronunciou da seguinte forma: " No mérito de sua impugnação, a recorrente suscita a impossibilidade de utilização do método PRL60 pois as vendas que serviram de base para o cálculo do preço parâmetro teriam sido efetuadas com pessoa jurídica vinculada, a saber, a MOTO HONDA DA AMAZÔNIA LTDA, domiciliada no Brasil, que possui aproximadamente 30% de seu capital social. Ocorre que o conceito de pessoa vinculada, para efeito do cálculo do preço parâmetro, restringese às pessoas domiciliadas no exterior. ( . . . ) De efeito, deve ser rechaçada a interpretação segundo a qual, para atender ao princípio do armys lenght,a proibição da utilização do preço de revenda entre vinculadas, determinada pelo art. 18, Parágrafo 3o, da Lei 9.430/96, deve ser estendido às pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. A uma, porque desprovida de qualquer amparo legal. A duas, porque a tese, se aplicada, poderia servir como margem de manobra para impedir a utilização do método PRL, caso a empresa produtora utilizasse como entreposto, na venda de seus produtos ao mercado interno, uma pessoa "vinculada"." 5.2. A assertiva do ilustre julgador de primeiro grau confirma a necessidade de se aplicar os termos da Lei n. 9.430/96, no que diz respeito o método inicialmente adotado pela Recorrente, ou seja, o CPL. Não sendo dessa forma, a empresa não tem método a aplicar, sob pena de suportar pesada carga tributária sem amparo legal. 5.3. E inquestionável que as aquisições objeto do método de cálculo do preço de transferência foram realizadas entre pessoas Fl. 325DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 13 12 jurídicas vinculadas, o que também está claro no relato feito pelo próprio Auditor Federal. 5.4. Não procede do mesmo modo a afirmativa de que não há amparo legal para a vedação de utilização do PRL, para o caso da Recorrente, pois o próprio parágrafo 3o, do artigo 18, da Lei 9.430/96 é enfático ao determinar: " Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados." 5.5. É necessário destacar a inteligência do artigo 23 da Lei 9.430/96, quando objetivamente determina o conceito de vinculada considera a relação de controle e de falta de independência no processo de formação de preços. 5.6. Por outro lado, essa mesma inteligência da lei, usa a referência geográfica como "... domiciliada no Brasil:" e, sempre após virgulas "... domiciliadas no exterior; " para determinar a relação de preços e operações que devem ser justificadas de acordo com as normas da lei. 5.7. De acordo com a lei e de acordo com qualquer raciocínio que se tenha em consideração, as operações realizadas entre empresas do mesmo grupo econômico e que tenham controle societário comum não são independentes, seja pela legislação societária, tributária, trabalhista e outras. Além disso, esse conceito está claramente estabelecido no artigo 23 da Lei 9430/96. 5.8. Portanto, resta evidente que o parágrafo 3o do artigo 18 da Lei 9430/96, vedou por completo a possibilidade de uso como preços parâmetro, em especial com a aplicação do método PRL, qualquer operação realizada com pessoas vinculadas, assim consideradas as empresas que participam de um mesmo grupo econômico conforme definido no artigo 23 da Lei 9.430/96. 5.9. Desse modo, o PRL não se aplica para as operações realizadas pela SHOWA já que suas operações ocorrem com pessoas jurídicas vinculadas, o que não comporta quaisquer dúvidas, diante da farta documentação comprobatória existente nos autos. 5.10. A vinculação está caracterizada pelos próprios argumentos do auto de infração e comprovada com os documentos anexos, ou seja: CONTRATO SOCIAL no qual consta como coligadas da Impugnante as empresas : a) SHOWA CORPORATION; e b) MOTO HONDA DA AMAZÔNIA LTDA. 5.11. A primeira encontrase sediada no JAPÃO, sendo que a segunda está localizada em Manaus, com a qual são realizadas praticamente 95% das operações de venda dos produtos fabricados. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 14 13 5.12. Está, portanto, atendida a condição prevista no parágrafo 3o, artigo 18 combinado com o artigo 23, inciso V, ambos da Lei n° 9.430/96, bem como na IN 243/2002, no que diz respeito às operações realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, já que esse conceito abrange empresas sediadas no exterior e no Brasil. 5.13. Participação Societária. 5.13.1 Consoante cópia do Contrato Social que se encontra nos autos, a Recorrente possui como únicas sócias a SHOWA CORPORATION e a MOTO HONDA DA AMAZÔNIA, que possuem de forma aproximada, 70% e 30% do capital social, respectivamente. 5.14 Desta forma, resta evidente a participação societária existente entre a SHOWA e as empresas mencionadas acima e, por consectário lógico, a existência de vinculação entre as mesmas, ainda que uma delas Honda se encontre sediada em território nacional. 5.15. Grupo Econômico 5.15.1 Ademais, além da existência de participação societária entre as referidas empresas, há também a conseqüente formação de GRUPO ECONÔMICO entre elas, fortalecendo, por conseguinte, o vínculo estabelecido entre as mesmas. 5.16. Cumpre frisar, portanto, que sempre que uma ou mais empresas, não obstante possuírem, cada uma delas, personalidade jurídica própria, e estiverem sob o poder diretório, controle, ou administração de outra haverá a constituição de grupo industrial ou comercial, que consiste em relação com determinada dominação entre as mesmas, caracterizando, assim, o chamado GRUPO ECONÔMICO. 5.17. Assim, com a formação do referido grupo, há uma nítida convergência de interesses entre as pessoas jurídicas, elemento com força suficiente para a configuração do elemento vinculador entre as mesmas. 5.18. Exclusividade 5.18.1. Ainda, cumpre esclarecer que a Recorrente possui relação de exclusividade com a MOTO HONDA DA AMAZÔNIA LTDA., tendo em vista que a grande maioria dos produtos fabricados pela SHOWA é destinada a esta última. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 15 14 5.19. Desta forma, notase que há determinado poder de direcionamento entre as mencionadas empresas, visto que aproximadamente 95% dos produtos vendidos pela Recorrente são designados e solicitados por MOTO HONDA DA AMAZÔNIA LTDA. 5.20. Por via de conseqüência, fica evidenciado, mais uma vez, tanto o vínculo entre as referidas pessoas jurídicas, quando a convergência de interesses entre elas e, portanto, a formação do grupo industrial. 5.21. Neste sentido, vale transcrever a jurisprudência proferida pela Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes, que em decisão do recurso voluntário n° 155121, do processo registrado sob o n° 16327.001319/200107, determinou: "PREÇO DE TRANSFERENCIA Na determinação do preço de transferência mediante o método PRL, devem ser observados os procedimentos previstos na legislação pertinente ao tema. Acordo Internacional e Legislação Internacional e Legislação Interna Ainda que a opção da lei brasileira por métodos específicos fechados possibilite, em alguns casos, não alcançar, rigorosamente, o "preço de concorrência", não há conflito entre o artigo 9" do acordo para evitar dupla tributação celebrado com a Alemanha e a legislação interna. PRL APURAÇÃO DO PREÇO MÉDIO A lei é peremptória ao estabelecer que, para fins de apuração do preço de referência com base no PRL, só podem ser consideradas as operações com pessoas não vinculadas. O ajuste apurado com base em operações com pessoas vinculadas está em desacordo com a lei, não podendo prosperar. MULTARELEVAÇÃO Não havendo lei específica dispensando a multa, conforme exige o § 6o do art. 150 da Constituição, não há como relevála." (grifos nossos) 5.22. Cumpre atentar que as empresas vinculadas se encontram em território nacional. Porém, não obstante a legislação atual apenas dispor expressamente sobre a vinculação estabelecida entre pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, o § 3o do artigo 14 da Instrução Normativa da SRF n° 243 de 2002, prevê a possibilidade de vinculação entre empresas situadas em território brasileiro. "§ 3o: Para efeito do disposto neste artigo, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas, no mercado brasileiro, entre compradores e vendedores não vinculados." (grifos nossos) 5.23 Neste sentido, está clara a configuração do vínculo entre as empresas, não havendo um cálculo para ser aplicado, razão pela qual a empresa Autuada não procedeu da maneira indicada pelo Sr. Auditor Fiscal da Receita Federal. 6. IN 243/2002 Aumento do IRPJ e da CSLL 6.1. Apesar da forma lenta a questão aqui apresentada já foi apreciada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como pelo Poder Judiciário, em julgamentos que não Fl. 328DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 16 15 definiram com segurança o direito do fisco e muito menos do contribuinte. 6.2. Fazendose um breve relato do assunto, vale a pena mencionar o acórdão proferido no Mandado de Segurança n. 2007.61.00.0340487 que inicialmente reconhecera a ilegalidade da IN 243/2002, estando o acórdão assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL N° 003404852.2007.4.03.6100/SP 2007.61.00.0340487/SP RELATOR : Desembargador Federal CARLOS MUTA APELANTE : DELPHI DIESEL SYSTEMS DO BRASIL LTDA ADVOGADO : PAULO ROGÉRIO SEHNe outro APELADO : União Federal (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO : JULIO CÉSAR CASARIE CLA UDIA AKEMIOWADA EMENTA TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTAÇÃO EM TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS VINCULADAS. METODOLOGIA DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. IN N° 243/2002. ILEGALIDADE. RECURSO PROVIDO. Tratandose de transações internacionais entre pessoas jurídicas vinculadas, a tributação dáse através do conceito "preço de transferência ", sob a metodologia, no caso da impetrante, do "Preço de Revenda menos Lucro" (art. 18 da Lei n" 9.430/1996). À guisa de complementar a disposição legal regente do assunto, sobrevieram instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, incluindo a de n" 243/2002, que extrapolou o poder regulamentar que lhe é imanente, daí se avistando ofensa ao princípio da reserva da lei formal. Necessidade de se garantir à impetrante a utilização dos critérios de apuração do preço de transferência pelo método PRL, conforme art. 18 da Lei n° 9.430/1996, afastadas as alterações trazidas pela IN n" 243/2002. Recurso provido. 6.3. Apesar da vitória da Impetrante ter ocorrido por maioria de votos, os Desembargadores que defendem a ilegalidade da IN foram peremptórios em afirmar que ocorre verdadeira majoração do valor do IRPJ e da CSSLL, o que se pode perceber na passagem dos trechos abaixo transcritos dos respectivos votos. Desembargador: MÁRCIO MORAES: Fl. 329DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 17 16 De fato, a Lei n. 9.430/1996 estabelece que o método PRL consiste na média aritmética dos preços de revenda dos bens, ao passo que a Instrução Normativa se refere à média aritmética ponderada. Ademais, citada Instrução Normativa consagra, no § 11 do art. 12, metodologia para o cálculo do preço parâmetro, a qual não é versada na Lei n° 9.430/1996. Nesse diapasão, atentese que, a teor da lei, a aplicação do coeficiente de 60% dáse sobre a média dos preços de venda do bem produzido, enquanto, à vista da instrução normativa, aludida alíquota recai sobre a participação do bem importado no preço de revenda da mercadoria fabricada. Bem é de se ver que tal alteração guarda potencialidade à majoração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, em especial naquelas situações em que resta agregado maior valor ao produto no Brasil. Continua o eminente Desembargador em seu votovista: Não descuramos, como sustenta o eminente Relator, que a Secretaria da Receita Federal tem por função a expedição de instruções normativas. Nesse afazer, contudo, deve centrarse à disciplina, à interpretação do texto legal em cuja esteira foi o ato editado, na medida exata para permitir a estrita observância. Não se concebe que nesse mister a SRF termine por legislar, e assim criar novas obrigações ao contribuinte, metamorfoseando expresso comando contido na legislação de regência. Tanto mais no caso sob exame, em que a própria lei cuidou em fornecer todos os critérios necessários à operacionalização do método PRL, não carecendo a aplicabilidade de regulamentação alguma. Tal o cenário, ao reverso do que sustenta o insigne Relator, é verdadeiramente plausível a ocorrência, "in casu", de ofensa ao princípio da reserva da lei formal, dado que, como já sinalizado, a modificação empreendida trará repercussão na apuração quer do imposto de renda, quer da contribuição social sobre o lucro, ao descartar os valores que restaram agregados no Brasil, em contraposição ao que se vislumbrava do texto legal. Finalmente, conclui o Senhor Desembargador: Temse, assim, que o Método do Preço de Revenda menos Lucro previsto na Instrução Normativa n. 243/2002 difere daquele contido no art. 18 da Lei n. 9.430/1996. Tratase de conclusão alcançável por simples cotejo de normas, inexistindo, à respectiva constatação, necessidade de produção de prova incompatível à via mandamental. Não de hoje, a jurisprudência vem proclamando a ilegalidade de instruções normativas, quando extrapolado o poder meramente regulamentar que lhes é imanente. 6.4. Veja, portanto, Senhor Conselheiro Relator, que a questão levada ao conhecimento de Vossas Senhorias, comporta acalorada discussão legislativa e constitucional. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 18 17 6.5. No âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que já teve a oportunidade de apreciar a matéria observase que foram proferidas duas decisões por voto de minerva do Presidente, o que não define de forma enfática uma conclusão sobre a questão nesse fórum. 6.6. HIROMI HIGUCHI, FÁBIO HIROSHI HIGUCHI e CELSO HIROYUKI HIGUCHI, advogados tributarias e auditor, no Estado de São Paulo, são unânimes na sua interpretação de que realmente há substancial aumento na base de cálculo do IRPJ e da CSLL pela adoção do método PRL60%, nos moldes previstos na IN SRF 243/2002. 6.7. Em comentário à referida IN, fizeram o seguinte pronunciamento: " A Receita Federal expediu a IN n° 243, de 11112002, que alterou profundamente os cálculos para determinação do preço de comparação dos bens e serviços importados para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, com base no método em questão. A maioria das empresas calculam o preço de comparação dos bens importados com base no mérito do Preço de Revenda menos lucro ( PRL), de que trata o artigo 12 da INn° 243/02. Comparando a metodologia de cálculo do preço de comparação por aquele método, constante do art. 12 da revogada IN n° 32, de 29032001, com a do art. 12 da IN n° 243, de 11112002, notase aumento da carga tributária do IRPJ e da CSLL em decorrência da diminuição do preço de comparação. Se a Receita Federal não provar que a metodologia constante do art. 12 da IN n° 243/02 está em consonância com o art. 18 da Lei n° 9.430/96, na redação dada pelo art. 2o da Lei n° 9.959, de 27012000, o ato administrativo é ilegal." (Imposto de Renda das Empresas 3a Edição, IR Publicações Ltda Preços de Transferências para ou do Exterior, pág. 117/118.) 6.8. A ilegalidade e inconstitucionalidade da IN SRF 243/2002, que está em conflito inclusive com o artigo 146 da CF/88, é sustentada por todos os doutrinadores e especialistas em preços de transferências. 6.9. Não pode o fisco federal embasar a sua autuação em ato administrativo totalmente recheado de ilegalidades, com o único propósito de aumentar a carga tributária das empresas, já assoberbadas com inúmeros tributos e encargos. 6.10. Manifestandose sobre a matéria, o então Conselho de Contribuintes preservou o direito do contribuinte face aos conceitos estabelecidos pela IN 243/02 que extrapolam o estabelecido em Lei, conforme exemplos que seguem: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO PRL De acordo com o art. 18 da Lei n. 9430/96, serão dedutíveis na determinação do lucro real os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa ligada, até o valor que não exceda o preço determinado entre um dos seguintes métodos: Preços Independentes Comparados PIC, Preço de Revenda Menos Lucro PRL e Custo de Produção mais Lucro CPL. Desta forma, não havendo na lei limitação ao uso do método PRL para os bens Fl. 331DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 19 18 importados e que sofrem alguma manipulação no país antes de serem revendidos, não pode simples Instrução Normativa, espécie jurídica de caráter secundário, cuja normatividade está diretamente subordinada à lei, vedar o uso do referido método. Recurso Voluntário Provido. (1a Câmara, 1o CC, Acórdão 10194863, 24.2.2005). Grifo nosso. 6.11. Em caso semelhante o Conselho de Contribuintes também se manifestou no sentido de que a Instrução Normativa não pode inovar o conteúdo previsto em lei. IRPJ PREÇO DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO PRL IMPORTAÇÃO DE INSUMO PARA PRODUÇÃO DE NOVO BEM INSTRUÇÃO NORMATIVA RESTRITIVA DE DIREITO A IN SRF n° 38/1997 restringiu indevidamente a aplicação do método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) como método de apuração de preço parâmetro a ser utilizado na identificação de preços de transferência em insumos destinados à produção de outro bem. Recurso voluntário provido. (Ia Câmara, Io CC, Acórdão 10194859, 23.2.2005). Grifo nosso. 6.12. Dessa forma, resta demonstrado para Vossas Senhorias que a IN 243/2002 extrapolou os limites de sua competência impostos pela lei, ao majorar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL quando aplicada para se determinar o preço parâmetro nas operações relacionadas à transferência de produtos entre empresas vinculadas. Subiram os autos ao CARF em 19/04/2012 e, por sorteio, redistribuídos a este relator em 08/08/2013. Sem contrarrazões da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Relator. Tratase de recurso contra decisão em primeira instância que manteve auto de infração de IRPJ e CSLL no anocalendário de 2003, com multa de ofício e juros moratórios, por ausência de adição de parcela dos custos de bens adquiridos no exterior de pessoa vinculada. Sob os argumentos de que sobre as operações de revenda à pessoa jurídica do mesmo grupo econômico, domiciliada no Brasil, o art. 18, §3°, da Lei n° 9.430, de 1996, proíbe o cálculo do preço parâmetro pelo método Preço de Revenda menos o Lucro (PRL); da ilegalidade da Instrução Normativa SRF n° 243, de 2002, a qual inovou no cálculo do preço parâmetro pelo método PRL em relação ao estabelecido pelos arts. 18 e seguintes da Lei n° 9.430, de 1996; e consta do presente recurso o seguinte pedido: Fl. 332DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 20 19 Expostos os fatos e demonstrado o direito da Recorrente, pedese a Vossas Senhorias que admitam o presente Recurso Voluntário para lhe dar provimento e reformar o acórdão n° 0122.051, proferida pela 1a Turma da DRJ/BEL no sentido de julgar improcedente o auto de infração e, consequentemente, extinguir o crédito nele apurado. Resta atendido o requisito da tempestividade do art. 33, do Decreto n° 70.235, de 1972, a seguir transcrito, de acordo com o período transcorrido entre a intimação e a interposição mencionado no relatório. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Quanto ao argumento de proibição da utilização do preço de revenda entre pessoas jurídicas do mesmo grupo econômico, ainda que domiciliadas no Brasil, não assiste razão à Recorrente. Inicialmente, a Fiscalização optou por aplicar o método PRL em razão de a Recorrente não ter atendido ao disposto parágrafo único, do art. 40, da IN 243, de 2002, a saber (Fls. 11 e 18): Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado; II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa (sem destaque no original). Na escolha do método PRL pela Fiscalização, não merece alteração a decisão em primeira instância. O art. 18, §3°, da Lei n° 9.430, de 1996, só proíbe a aplicação do preço de revenda entre pessoas jurídicas vinculadas no caso de revenda a estas e a pessoas jurídicas não vinculadas. A interpretação do referido parágrafo, deve levar em conta a finalidade da Seção sobre Preço de Transferência da Lei. Com habitual proficiência, leciona o Professor Luis Eduardo Schoueri (Tributação do setor industrial, São Paulo, Saraiva, 2013, Série Gvlaw, p. 474): Fl. 333DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 21 20 As regras para o controle dos preços de transferência no Brasil, instituídas em 1996 pela Lei n° 9.430, foram inspiradas na prática internacional, consolidada pela OCDE. Tal influência pode ser constatada na manifestação do próprio Ministro da Fazenda na exposição de motivos que acompanhou o projeto de lei que veio a se tornar a Lei n° 9.430/96: As normas contidas nos arts. 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso especifico, em conformidade com regras adotadas nos países integrantes da OCDE, são propostas normas que possibilitam o controle dos denominados ´Preços de Transferência´, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferência de recursos para o exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens,serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no exterior.” (grifos nossos) Destarte, o fato de a Recorrente deter a exclusividade na revenda de bens importados com pessoa jurídica vinculada, conforme consta dos autos, não pode reduzir a eficácia do §3°, do art. 18, da Lei n° 9.430, de 1996, e limitar as opções de escolha do método de cálculo do preço parâmetro pelo Fisco na hipótese prevista no parágrafo único do art. 40 da instrução Normativa RFB n° 243, de 2002. Sobre esse tema, destacamos o magistério do Professor F. Nepomuceno (Preços de transferência, São Paulo, IOB Thompson, 2003, pp. 10 e 11): O objetivo da INSRF n° 243/2002 consiste em fixar normas que evitem importações superfaturadas e exportações subfaturadas, ou seja, quando as primeiras estiverem acima dos preços parâmetros e as segundas com preços praticados abaixo dos referidos preços parâmetros. As normas da INSRF 243/2002 aplicamse às operações praticadas entre pessoas vinculadas, podendo abranger, especificamente: a)pessoas físicas residentes no Brasil vinculadas a pessoas físicas residentes no Brasil; b)pessoas físicas residentes no Brasil vinculadas a pessoas físicas domiciliadas no exterior; c) pessoas físicas residentes no Brasil vinculadas a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior; d) pessoas físicas residentes no Brasil vinculadas a pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil; e) pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil vinculadas a pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil; e f) pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil vinculadas a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior; Fl. 334DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 22 21 Pode parecer estranho ao leitor apressado que os casos indicados nas letras “a” e “e”, acima, possam estar incluídas no rol das operações disciplinadas na INSRF n° 243. Todavia, os cuidados dessa regulamentação têm, nesse particular, o objetivo de evitar operações triangulares, como nos exemplos que se seguem: (…) b) Uma pessoa jurídica domiciliada no Brasil vende uma certa quantidade de matériaprima a outra pessoa jurídica vinculada domiciliada no Brasil pela quarta parte do preço que pratica no mercado interno e essa segunda pessoa jurídica exporta a mesma matériaprima para outra pessoa jurídica vinculada, porém domiciliada no exterior, por preço compatibilizado com preço parâmetro, isto é, a partir do preço pelo qual a recebera da sua fornecedora. (…) Tudo isso, quando praticado entre empresas vinculadas, tem o propósito de concentrar lucros em poder de uma das partes. Este Egrégio Colegiado assim se pronunciou sobre a finalidade do controle dos preços de transferência (Acórdão n° 1202000822): Com a finalidade de se evitar a prática de elisão fiscal, foi implementado pela Lei n°. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 18, o controle dos chamados preços de transferência, assim entendidos aqueles preços praticados nas negociações de compra e venda de mercadorias e da prestação de serviços entre empresas vinculadas. Isso se fez necessário por uma questão lógica: se as negociações são feitas entre empresas com interesses econômicos comuns, os preços por elas praticadas poderiam estar, eventualmente, divergentes com aqueles praticados no livre mercado, podendo referidas negociações prestaremse para transferência de rendimentos de um país para outro, afetando os interesses nacionais. Em face do exposto, NEGO provimento ao presente recurso quanto à proibição do uso do método PRL,pelo Fisco, no cálculo do preço parâmetro nas vendas exlusivas a pessoas jurídicas vinculadas domiciliadas no Brasil Em relação ao argumento de ilegalidade da Instrução Normativa SRF n° 243, de 2002, na determinação do preço parâmetro, por extrapolar o determinado na Lei n° 9.430, de 1996, entendo não assistir razão à recorrente. A seguir, transcrevemse os artigos da Lei n° 9.430, de 1996, e da IN SRF 243, de 2002, então vigentes, necessários à fundamentação: SeçãoV Preços de Transferência Bens, Serviços e Direitos Adquiridos no Exterior Art.18.Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de Fl. 335DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 23 22 aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a)dos descontos incondicionais concedidos; b)dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c)das comissões e corretagens pagas; d)da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 1 As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. § 2° Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. § 3º Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 24 23 §5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. § 7º A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. § 8º A dedutibilidade dos encargos de depreciação ou amortização dos bens e direitos fica limitada, em cada período de apuração, ao montante calculado com base no preço determinado na forma deste artigo. § 9º O disposto neste artigo não se aplica aos casos de royalties e assistência técnica, científica, administrativa ou assemelhada, os quais permanecem subordinados às condições de dedutibilidade constantes da legislação vigente. Observase, da leitura do dispositivo, inserido na Seção denominada Bens, Serviços e Direitos Adquiridos no Exterior, que o preço de revenda do inciso II, alínea d, item 1, do art. 18, referese apenas ao bem importado integrante do produto final. Destarte, a Lei não determinou a aplicação da margem de lucro de 60% sobre o preço líquido de venda do bem produzido, mas, apenas, sobre o preço líquido de venda da matériaprima importada, ou seja, sobre o quantidade representativa da matériaprima importada na composição do preço do produto final. Por sua vez, a IN n° 243, de 2002, assim regulamentou o art. 18 da Lei: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; Fl. 337DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 25 24 b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifos nossos) Como se vê, a fórmula de cálculo da referida IN considera a margem de lucro de 60% sobre a participação da matériaprima importada no preço líquido de venda do bem produzido, de acordo com o preconizado pela Lei, na leitura deste relator. Por conseguinte, não houve, por parte da instrução normativa, extrapolação dos limites legais. Razão pela qual NEGO provimento ao presente recurso nesse ponto. Sobre a multa de ofício, valhome da seguinte lição do Professor Luciano Amaro (in Direito Tributário Brasileiro, São Paulo: Saraiva, 19ª ed., p. 458): Aí é que se põe a noção de infração, traduzida numa conduta (omissiva ou comissiva) contrária ao direito. (...) Fl. 338DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 26 25 No direito tributário, a infração pode acarretar diferentes conseqüências. Se ela implica falta de pagamento de tributo, o sujeito ativo (credor) geralmente tem, a par do direito de exigir coercitivamente o pagamento do valor devido, o direito de impor uma sanção (que há de ser prevista em lei, por força do princípio da legalidade), geralmente traduzida num valor monetário proporcional ao montante do tributo que deixou de ser recolhido. Se se trata de mero descumprimento de obrigação formal (“obrigação acessória”, na linguagem do CTN), a conseqüência é, em geral, a aplicação de uma sanção ao infrator (também em regra configurada por uma prestação em pecúnia). Tratase das multas ou penalidades pecuniárias, encontradiças não apenas no direito tributário, mas também no direito administrativo em geral, bem como no direito privado. Portanto, a multa de ofício representa a sanção pelo descumprimento do dever legal de pagar o tributo, a teor do disposto no inciso I, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) No caso, em face da manutenção do lançamento de ofício de IRPJ e CSLL, NEGO provimento ao presente recurso quanto à exclusão da multa de ofício. A Recorrente pugna pelo cancelamento de todo o débito fiscal, o que inclui uma análise sobre incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. Os juros moratórios decorrem da demora por parte do devedor em adimplir a obrigação. Sobre o tema, leciona o Dr. Glauber Moreno Talavera (in Aspectos jurídicos controversos dos juros e da comissão de permanência, São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 128): Em síntese apertada, os juros moratórios consistem no montante previamente fixado ou apurado mediante aplicação de um percentual sobre o valor do principal, estipulado contratualmente ou decorrente da lei, devido pelo contraente que não adimpliu as obrigações assumidas no ato da celebração da avença. (...) Por conseguinte, na hipótese de incidirem juros moratórios sobre a multa de ofício, estes necessitam de expressa previsão legal, uma vez que fazem aumentar o valor da multa e esse aumento há de possuir amparo legal em obediência ao inciso XXXIX, do art. 5°, da Constituição de 1988. O STJ tem o seguinte entendimento sobre esse tema: Fl. 339DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 27 26 AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 PR (2012/01537730) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.(g.n.o) 2. Agravo regimental não provido. Na mesma linha de raciocínio, esta Turma já se pronunciou sobre a controvérsia, por meio do Acórdão n° 1202000.972, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SELIC. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.(g.n.o) Pela clareza dos fundamentos deste Acórdão, peço vênia para transcrevêlos: Voto Vencido Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator (...) Por fim, acerca da incidência dos juros sobre o valor exigido a título de multa de ofício, merece ser acolhida a alegação da Recorrente, consoante entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos: “RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 910100.722, data: 08.11.2010)(g.n.o) Neste mesmo sentido, são vários os acórdãos deste E. Conselho. Vejamos: Fl. 340DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 28 27 [...] JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A Lei 9,430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1 ª, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora. [...] (CARF 1ª Seção / 3a. Turma da 1a. Câmara / ACÓRDÃO 110300.193 em 18/05/2010 / Publicado no DOU em: 14.03.2011)(g.n.o) [...] INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.(1º Conselho de Contribuintes / 1ª Câmara / ACÓRDÃO 10196.523 em 23.01.2008 / Publicado no DOU em: 11.12.2008)(g.n.o) [...] JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratandose de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. (CARF 1ª Seção / 2ª Turma Especial / ACÓRDÃO 180200.599 em 03/08/2010 / Publicado no DOU em: 28.03.2011)(g.n.o) Voto Vencedor Conselheira Viviane Vidal Wagner, Redatora designada A discordância do voto do ilustre relator limitase à questão da incidência dos juros de mora sobre a multa do ofício, na qual restou vencido, em que pese os argumentos expendidos e a clareza do seu raciocínio. Ocorre que a matéria tem sido objeto de julgamento reiterado neste e em outros colegiados, em sentido oposto, podendo ser referidos os acórdãos abaixo: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação Fl. 341DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 29 28 combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. (Acórdão 120200.138, de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155, de 28/01/2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). Deste colegiado, pode ser referido o Acórdão nº 120200756, de 12/04/2012, cujo voto vencedor foi prolatado por esta relatora no seguinte sentido: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Igualmente, aqui, cabe utilizar os mesmos fundamentos registrados por esta relatora no voto vencedor do acórdão nº 9101.00539, de 11/03/2010, em que a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve a incidência dos juros de mora, devidos à taxa Selic, sobre a multa de ofício. Os fundamentos podem ser sintetizados assim: (i) uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício; (ii) todavia, uma norma não deve ser interpretada isoladamente dentro do sistema tributário nacional, já que interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito.” (Juarez Freitas, 2002, p.70); (iii) interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema; (iv) no sistema tributário nacional, há de ser uniforme a definição de crédito tributário, considerado como “o vínculo Fl. 342DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 30 29 jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).” (Hugo de Brito Machado, 2009, p.172); (v) o conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária; (vi) a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. (vii) a multa de ofício, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, é exigida “juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago” (§1º). (viii) no momento do lançamento, a multa de ofício agregase ao tributo, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal; (ix) a obrigação principal referente à multa de ofício convertese em crédito tributário a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN; (x) a penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado; (xi) os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União; (xii) o art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o “crédito” não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento; (xiii) o art. 61 da Lei n° 9.430/96, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente, o que contribui para afastar eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos juros e multa; (xiv) a partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário, que pode ser constituído, como se viu, pelo tributo mais a multa de ofício, passa a ser acrescido dos juros de mora, devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União, consoante a Súmula CARF nº 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que Fl. 343DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 31 30 suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” (xv) a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065/95, na cobrança do crédito tributário, entendimento esse vinculante desde a edição da Súmula CARF n° 5 (“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”). Adotando a linha de raciocínio acima exposta, do ilustre Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias prolatou o voto vencedor no Acórdão nº 910101.191, da sessão de 17 de outubro de 2011 da mesma 1ª Turma da CSRF. Mais recentemente, a 1ª Turma da CSRF manifestouse no mesmo sentido, como se extrai do Acórdão nº 9101001.474, de 14 de agosto de 2012: Assunto: Juros de mora sobre multa de ofício. A melhor exegese da remissão feita pelo caput do art. 30 aos débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02, leva à conclusão que alcança todos os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de ofício. O redator designado, o ilustre conselheiro Alberto Pinto Júnior, ao elaborar o voto vencedor naquele caso, acrescentou os seguintes argumentos: Assim, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ......................................................................................................." Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador nos §§ 1° e 3° do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Tal cuidado Por sua vez, não procede a alegação da contribuinte de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a Fl. 344DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 32 31 referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Daí porque toda a argumentação do contribuinte está correta, mas apenas no que tange à multa de mora. Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora.(...) Destarte, entendem o STJ e o voto vencedor da decisão administrativa que a multa de ofício faz parte do termo “crédito” constante do art. 161, caput, do CTN, e do termo “débito” no art. 61, caput e §3º, da Lei n° 9.430, de 1996, e que, por isso, sofre incidência dos juros moratórios. Em que pesem os fundamentos dessa interpretação, ouso destes discordar. Nesse ponto, cabe, mais uma vez, transcrever os artigos naquilo que interessa à incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício: CTN TÍTULO III Crédito Tributário CAPÍTULO IV Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO II Pagamento Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.(g.n.o) (...) § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Lei n° 9.430, de 1996. Capítulo IV PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Fl. 345DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 33 32 Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Capítulo V DISPOSIÇÕES GERAIS Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Observase, da leitura do art. 161, caput, do CTN, que, ao termo “crédito” deve ser qualificado o adjetivo “tributário”, uma vez que este artigo encontrase inserto no Título III do CTN CRÉDITO TRIBUTÁRIO, vedandose, por conseguinte, a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, a qual não faz parte do crédito tributário antes do vencimento. Este pensamento consta das lições do Professor Luciano Amaro, transcritas a seguir: (...) sem prejuízo da imposição de penalidades e da aplicação de medidas de garantia. Embora o dispositivo se reporte a “crédito tributário”, ele é aplicável também às situações em que não tenha havido lançamento (...) (p. 418) Fl. 346DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 34 33 O Código Tributário Nacional dedicou três artigos à responsabilidade por infrações tributárias (...), reportandose, ainda, à matéria, de modo fragmentário, noutras disposições: (...)m) art. 161 (cabimento de penalidades pelo inadimplemento do dever de recolher tributo)(g.n.o)(p. 467). A partir desta determinação da Lei de Normas Gerais Tributárias, Lei Complementar, a expressão Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal no art. 61, caput e §3º, da Lei n° 9.430, de 1996, Lei de rito ordinário, não inclui a multa de ofício para fins de incidência dos juros moratórios, o que guarda coerência com a hierarquia das Leis e com a interpretação dos referidos artigos à Luz dos Direitos e Garantias Fundamentais e do Sistema Tributário Nacional referidos na Constituição de 1988. Por fim, esclarecenos o Professor Mauro Luis Rocha Lopes (in Direito Tributário, 4. ed. Rio de Janeiro: Impetus, p. 266): O cálculo dos juros em cima da multa, à evidência, agrava indevidamente a penalidade no tempo e a descaracteriza, transformandoa em instrumento de arrecadação estatal. Mutatis mutandis, é como se o condenado em processo criminal tivesse de se sujeitar ao agravamento de sua pena apenas em função da demora em se recolher ao cárcere, o que não faz o menor sentido. Estabelece a norma geral tributária do art. 161, caput, do CTN que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, como a evidenciar que o crédito original, representado exclusivamente pelo montante do tributo não pago, figura, isoladamente, tanto como base para a contagem dos juros como para o cálculo da multa (...) Por conseguinte, pelas razões expostas, DOU provimento parcial ao presente recurso para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Plínio Rodrigues Lima. Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Redator Designado. Peço vênia ao ilustre Relator para discordar da sua posição quanto à legalidade da Instrução Normativa SRF n° 243, de 2002, na determinação do preço parâmetro, por extrapolar o determinado na Lei n° 9.430, de 1996. Com a finalidade de se evitar a prática de elisão fiscal, foi implementado pela Lei n°. 9.430, de 1996, em seu art. 18, o controle dos chamados preços de transferência, assim entendidos aqueles preços praticados nas negociações de compra e venda de mercadorias e da prestação de serviços entre empresas vinculadas. Isso se fez necessário por uma questão lógica: se as negociações são feitas entre empresas com interesses econômicos comuns, os preços por Fl. 347DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 35 34 elas praticadas poderiam estar, eventualmente, divergentes com aqueles praticados no livre mercado, podendo referidas negociações prestaremse para transferência de rendimentos de um país para outro, afetando os interesses nacionais. Vejase a redação do art. 18 da mencionada lei: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. (...) § 7º A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. (destaquei) De acordo com a redação acima, o art. 18 da referida lei previu a utilização de três métodos de apuração dos custos de aquisição constantes dos documentos de importação ou Fl. 348DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 36 35 de aquisição nas operações efetuadas com pessoa vinculada, que somente seriam dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não excedesse o preço determinado por um dos métodos nele previstos. Esse é o objetivo da lei. Criar mecanismos de aferição dos preços de aquisição do exterior com empresas vinculadas, evitando a transferência de recursos financeiros para o exterior pela prática de preços excessivos, o que acarretaria a falta de tributação do lucro aqui auferido. Na redação original da Lei nº 9.430, de 1996, o método Preço de Revenda menos Lucro era destinado aos revendedores de produtos importados, com aplicação da margem de lucro de 20% (PRL20). Por ocasião da edição da Lei nº 9.959, de 2000, esse método foi estendido às importações de produtos sujeitos à industrialização em território nacional, com margem de lucro ampliada para 60%, em decorrência da agregação de valor, no país, ao insumo importado. O sistema de controle de preços de transferência, introduzido pela Lei 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000, optou por métodos simplificados, que utilizam margens de lucro predefinidas. Assim, o seu art. 18, inciso II, acabou por fixar as seguintes margens de lucro: i) de 20% sobre o preço de revenda, caso o produto importado não sofra qualquer transformação/industrialização no país, simplificadamente conhecido como PRL20; e ii) de 60% sobre o preço de revenda, na hipótese do produto importado ser aplicado como insumo na elaboração de outros produtos industrializados, simplificadamente, PRL60. No desenvolvimento das atividades da recorrente, a mesma realiza constantes importações de produtos que são revendidos ou que são aplicados na elaboração de outros produtos, sendo grande parte delas realizadas com pessoas jurídicas a ela consideradas como vinculadas pela legislação dos preços de transferência. Assim, a empresa encontrase sujeita à apuração de eventuais ajustes nos custos dos produtos que importa de tais pessoas jurídicas, seja pelo método PRL20 (produtos adquiridos para revenda), seja pelo método PRL60 (produtos adquiridos e aplicados na produção), os quais, consequentemente, impactam na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Para o cálculo dos ajustes pelo método PRL60, ora em debate, a fiscalização utilizou a sistemática de cálculo do preço parâmetro prevista no artigo 12, § 11, da IN SRF n° 243, de 2002, vigente à época dos fatos. Vejase a redação do dispositivo regulamentador: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: Fl. 349DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 37 36 a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 38 37 § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. O cálculo do preço parâmetro PRL60 nos termos do que dispõe a Lei 9.430, de 1996 e daquele cálculo disposto na IN SRF 243, de 2002, encontrase traduzido nas fórmulas abaixo: 1Lei nº 9.430, de 1996, art. 18, II (com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000): Fl. 351DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 39 38 Preço Parâmetro = Preço Revenda Despesas (desc., imp. e comis.) [60% x (Preço Revenda Despesas Valor Agregado)] 2 IN SRF nº 243, de 2002, artigo 12, §11: Preço Parâmetro = [(Custo bem Importado / Custo Total) x (P. Venda Despesas)] {60% x [(Custo bem Importado / Custo Total) x (P. Venda Despesas)]} Em relação às duas fórmulas acima, verificase que existem diferenças entre o que consta na Lei e do que consta na Instrução Normativa: (i) a inclusão, na Instrução Normativa, de variável relativa ao percentual de participação do bem importado no produto final para fins de apuração da participação do bem importado com relação ao preço de venda do produto final e (ii) a não inclusão, na Instrução Normativa, da variável relativa a redução do valor agregado”. Ainda, em relação às fórmulas, a margem de lucro de 60% que nos termos da Lei nº 9.430/96 incide sobre ‘o preço de revenda, após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção’, passou, com a Instrução Normativa n." 243/02, a incidir sobre a ‘participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido’, sem dedução do valor agregado no País’.” Para comprovar distorções no cálculo do preçoparâmetro, vejase um exemplo numérico: Preço Revenda (venda no Brasil) = R$ 100,00 Despesas (descontos,impostos e comissões) = R$ 15,00 Custo produto Importado = R$ 40,00 Valor Agregado = R$ 35,00 Custo Total = R$ 75,00 1 Segundo Lei nº 9.430, de 1996 (com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000): Preço Parâmetro = Preço Revenda Despesas [60% x (Preço Revenda Despesas Valor Agregado)] PP = 100,00 15,00 [60% x (100,00 15,00 35,00)] PP = 100,00 15,00 [60% x 50,00] PP = 100,00 15,00 30,00 Preço Parâmetro = 55,00 2 Segundo Instrução Normativa n.º 243/2002: Preço Parâmetro = [(C. Importado / C. Total) x (P. Venda Despesas)] {60% x [(C. Importado / C. Total) x (P. Venda Despesas)]} Fl. 352DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 40 39 PP = [(40,00 / 75,00) x (100,00 15,00)] {60% x [(40,00/75,00) x (100,00 15,00)]} PP = [53,34% x 85,00] {60% x [53,34% x 85,00]} PP = 45,339 — {60% x 45,339} PP = 45,339 — 27,2034 Preço Parâmetro = 18,14 As alegações do recorrente, no sentido de que a Instrução Normativa n° 243, de 2002, extrapolou os limites colocados pelo legislador ordinário, merecem ser recepcionadas. Efetivamente, verificase que a redação contida no art. 18, II, da Lei nº 9.430, de 1996 (com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000), dispondo a respeito da apuração do preço parâmetro, segundo o método PRL60, difere daquela contida no artigo 12 da IN SRF n° 243, de 2002. A norma regulamentar resolveu inovar, ao trazer variável não contida no texto legal e variável que se encontra no texto legal, mas não se encontra na instrução normativa. Refirome à inclusão, pelo inciso II, § 11, artigo 12, da IN SRF n° 243, de 2002, de variável relativa ao “percentual de participação do custo bem importado no custo do produto final” (custo importado/custo total) que em nenhum momento foi citada no art. 18 da Lei 9.430, de 1996. Além disso, no cálculo do preço parâmetro indicado no inciso V, § 11, art. 12 da IN SRF 243, de 2002, deixou de ser considerada a variável relativa a dedução do “valor agregado”, conforme expressa previsão contida no texto legal (Lei n°. 9.430, 1996, art. 18, inciso II, letra “d”, número 1). Assim, o art. 12 da IN SRF n° 243, de 2002, ao alterar as variáveis na fórmula de cálculo do preço parâmetro, distorceu o valor do preço daquele previsto no texto legal. Tratase de conclusão alcançável pelo simples cotejo das normas. Aliás, para corroborar a conclusão antes exposta, registrese que a fórmula de cálculo do preço parâmetro transcrita da lei se encontrava perfeitamente traduzida em normativo anterior, no caso, a IN SRF nº 32, de 30 de março de 2001 (normativo revogado pela IN SRF 243/2002), que em seu art. 12, § 11, abaixo transcrito, confirma a interpretação da fórmula matemática contida no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; Fl. 353DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 41 40 IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens; b) sessenta por cento, na hipótese de bens importados aplicados na produção. [...] § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. Dessa forma, concluise que o Método do Preço de Revenda menos Lucro 60%PRL60 previsto na IN SRF nº. 243, de 2002 difere daquele contido no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, é por demais reconhecido que as normas regulamentares devem ficar adstritas ao texto da lei que visam esclarecer, sem inovar, mormente quando essas inovações trazem prejuízos aos contribuintes. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. O artigo 150 da Constituição Federal estabelece, em seu inciso I, que nenhum tributo poderá ser exigido ou aumentado sem previsão em lei. Tal mandamento delimita uma condição essencial no sentido de que, em matéria tributária, somente a lei pode criar ou mesmo aumentar um tributo. Para que seja criado ou mesmo aumentado um tributo, é imprescindível a sua previsão em lei, e mais, que esta se encontre inserida nos princípios constitucionais tributários. O Código Tributário Nacional, em seu art. 97, incisos I a IV, reproduzindo a garantia constitucional da reserva de lei na instituição e majoração de tributos, estabelece a definição do fato gerador e da base de cálculo da obrigação principal entre os aspectos da tributação, os quais somente podem ser instituídos por meio de lei. A Instrução Normativa nº 243, de 2002, ao estabelecer variáveis de cálculo pelo método PRL60, não previstas na Lei n° 9.430, de 1996, teve como conseqüência final a majoração indevida do IRPJ e da CSLL. A esse respeito, cabe citar o entendimento de Hugo de Brito Machado (Curso de Direito Tributário, Ed. Malheiros, 31ª ed., São Paulo, 2010, pgs. 95/96) a respeito da função das normas complementares, entre elas inserese as instruções normativas expedidas pelo Poder Executivo: Fl. 354DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 42 41 "Dizse que são complementares porque se destinam a completar o texto das leis, dos tratados e convenções internacionais e decretos. Limitamse a completar. Não podem inovar ou de qualquer forma modificar o texto da norma que regulamentam.. (...) Como regras jurídicas de categoria inferior, as normas complementares evidentemente não podem modificar as leis, nem os decretos e regulamentos.” No presente caso, a IN SRF nº 243, de 2002, ao trazer inovações na forma do cálculo do preço parâmetro, criando variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorreu para a apuração de valores de custos que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pela fórmula da lei, devendo ser afastada a sua aplicação. Percebese que a regra para apuração do preço parâmetro, contida do §11 do art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002 foi além do que se permite no âmbito dos atos regulamentares. Por isso, a exigência de diferenças de tributos e contribuições fundamentada nesse dispositivo normativo não pode prevalecer. Aliás, o próprio Poder Judiciário manifestou o mesmo entendimento por ocasião do julgamento do recurso de apelação nº 003404852.2007.4.03.6100/SP, levado a efeito no TRF 3ª Região, cujo ementário do Acórdão 2208/2010 foi no sentido de “garantir à impetrante a utilização dos critérios de apuração do preço de transferência pelo método PRL, conforme art. 18 da Lei nº 9.430/1996, afastadas as alterações trazidas pela IN nº 243/2002”, o que só vem a reforçar a tese aqui exposta. Já o acórdão recorrido não enfrenta essa questão, limitandose a sustentar que não cabe à esfera administrativa apreciar questões relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. De fato, os órgãos julgadores de primeira instância encontramse vinculados aos atos normativos expedidos pela Receita Federal do Brasil, situação que não se aplica a este órgão julgador, o qual deve se deter em interpretar e aplicar corretamente o que está na lei e nos regulamentos. Ademais, não se está a declarar a total ilegalidade do ato normativo, que continua a existir e a ser aplicado, mas sim tratase apenas de conformar a aplicação do caso concreto ao texto da lei, concluindose pela inaplicabilidade de determinado dispositivo previsto no ato normativo à hipótese em análise. Salientese, por oportuno, que a metodologia de cálculo do preço parâmetro, pelo método PRL foi recentemente modificada com a edição da Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012, que, em seu art. 48, alterou a redação dos arts. 18, 19 e 22 da Lei nº 9.430, de 1996. A nova lei traz duas importantes inovações em relação à Lei nº 9.430, de 1996 na redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000, a saber: 1 a margem de lucro aplicada dependerá do setor produtivo a que se enquadra o produto em análise. Antes, a margem de lucro era única, de 60% para todos os Fl. 355DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 43 42 produtos, tendo sido substituída para percentuais variáveis, de 20%, 30% e 40%, conforme o setor a que se enquadra o produto em análise. 2 introduziu o critério de proporcionalização de participação do valor dos bens, direitos ou serviços importados no custo total do bem, direito ou serviço vendido e de participação do valor dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, similar ao previsto na sistemática de cálculo do artigo 12 da IN SRF n° 243, de 2002,. Como se vê, a Lei nº 12.715, de 2012 traz uma melhor adequação para a metodologia de cálculo, pois passa a considerar o tipo de produto que está sendo industrializado, ao invés de se utilizar uma margem de lucro unificada, e introduz o critério de proporcionalização previsto no inciso II, § 11, artigo 12, da IN SRF n° 243, de 2002, agora sim incorporado por ato com força de lei. A jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes também já havia decidido nesse sentido, conforme transcrição do seguinte ementário: IRPJ PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA — MÉTODOS DE CONTROLE DE PRODUTOS IMPORTADOS DE EMPRESAS LIGADAS — MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO — PRL — De acordo com o artigo 18 da Lei n° 9.430/96, serão dedutíveis na determinação do lucro real, os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa ligada, até o valor que não exceda ao preço determinado dentre um dos seguintes métodos: Preços Independentes ComparadosPIC, Preço de Revenda menos LucroPRL e Custo de Produção mais LucroCPL. Desta forma, em não havendo na lei limitação ao uso do método PRL para os bens importados que sofrem alguma manipulação no país antes de serem revendidos, não é possível que a Administração Tributária, por meio de Instrução Normativa, cuja função é de interpretar a norma legal e, portanto, diretamente subordinada à lei, venha alterar a mesma, para vedar a utilização do método PRL. (Acórdão nº 10194.628, sessão de 07/07/2004) (grifei) Conclusão Em razão dos fundamentos acima expostos, devese entender que os cálculos dos preços parâmetros pelo método Preço de Revenda menos Lucro de 60%, aos produtos aplicados na produção, no ano de 2003, deve ser feito segundo o método de cálculo/fórmula previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000, e não naqueles previstos pela IN SRF nº 243, de 2002. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 1202001.026 S1C2T2 Fl. 44 43 Em vista do exposto, voto no sentido de que seja dado provimento ao recurso voluntário, para considerar ilegal o método de cálculo do PRL60% constante da IN SRF nº 243, de 2002. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 357DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10283.720543/2007-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DE SIPT DE OUTRO MUNICÍPIO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
A autoridade fiscal pode arbitrar o VTN como base no SIPT do município de localização do imóvel. A utilização para fins de arbitramento do VTN de SIPT de outro município resulta em improcedência do lançamento.
Numero da decisão: 2201-002.254
Decisão: Recurso de Ofício Negado.
Crédito Tributário Exonerado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Nathália Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcão Lima e Ricardo Anderle.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DE SIPT DE OUTRO MUNICÍPIO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A autoridade fiscal pode arbitrar o VTN como base no SIPT do município de localização do imóvel. A utilização para fins de arbitramento do VTN de SIPT de outro município resulta em improcedência do lançamento. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Nathália Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcão Lima e Ricardo Anderle. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 05 43 /2 00 7- 56 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Por meio da Notificação de Lançamento nº. 02201/00014/2007 (fls. 02) lavrado em 26/11/07, exigese do contribuinte o montante de R$ 7.326.923,87 a título de imposto territorial rural (ITR), R$ 4.524.375,48 de juros de mora e R$ 5.495.192.90 de multa de ofício, referente à diferença de ITR do imóvel Paraíso, à margem direita do Rio Piorini em Coari AM, correspondente ao exercício de 2003. O lançamento decorreu de arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) em razão da falta de comprovação, através de laudo, do VTN declarado pelo contribuinte. Assim, a fiscalização arbitrou o VTN utilizando o SIPT do município de Manaus. No Demonstrativo de Apuração de Imposto Devido (fls. 4) foi declarado e apurado como área tributável 17.910,3 ha. Entretanto, a divergência ocorreu no VTN, onde o contribuinte declarou R$ 3.944,07 e foi apurado pela fiscalização o valor de R$ 36.638.583,40. Através do documento de fls. 15 declinouse a competência para fiscalização ao município de localização do imóvel, uma vez que na forma do parágrafo único do art. 4º da Lei. nº 9.393/96, a jurisdição do município do imóvel que é competente para apreciação de questão envolvendo o ITR e não a jurisdição do domicílio do contribuinte. O chefe da SEFINS/DRF/MNS, fls. 16, encaminhou, em 16/06/08, memorando aos processos 10283.720.543/200756 (processo em questão), 10283.720.548/200789 e 10283.720.552/200747 com relatório final da ação fiscal referente aos exercícios 2003, 2004 e 2005. No referido relatório restou apurado equívoco quanto à escolha do VTN utilizado pela fiscalização para apuração da base de cálculo do ITR do imóvel Paraíso. O referido relatório (fls. 17/18) apurou que o imóvel está situado no município de Coari e não no município de Manaus como declarado pelo contribuinte na DITR do ano de 2003. Nesta senda, o chefe da SEFINS/DRF/MNS compreendeu ser necessária a revisão do lançamento para o ano de 2003, uma vez que o lançamento levou em consideração as informações do Sistema de Preços de Terras (SIPT) para o município de Manaus (R$ 2.045,67 por hectare) quando deveria ter sido levado em consideração as informações do SIPT para o município de Coari (R$ 81,18 por hectare) (fls 27), município onde se localiza o imóvel. À fl. 28 há ofício do Serviço de Fiscalização de Manaus de 11/05/09 no processo 10283.720.552/200747 reconhecendo o erro no arbitramento do VTN (utilização do SIPT de Manaus ao invés de Coari) e declinando de propor a revisão de ofício do lançamento, alegando que tal procedimento já está em curso, inclusive com a apresentação de Impugnação pelo contribuinte no processo 10283.000.305/200810. Na Impugnação (fl. 33), recebida em 17.01.08, de forma tempestiva (fl. 31), o contribuinte contesta que a área total do imóvel está declarada erroneamente e argumenta que o erro partiu de informação equivocada prestada pelo INCRA. Além disso, anexa Certidão de Registro de Imóveis da Fazenda Paraíso (fls. 44) e do Instituto de Terras do Amazonas (fl. 45), emitidas em 30/03/06 e 25/07/05, respectivamente, demonstrando que a propriedade tem 74.058.906 m2. Pontuase que o contribuinte intitula a Impugnação de Recurso Voluntário, mas em face do princípio da fungibilidade, a Impugnação é aceita. Com a apresentação da Impugnação, o processo é encaminhado à DRJ/RECIFE/PE para análise e julgamento propondo ainda que seja feita a análise conjunta com os processos 10283.720.548/200789 e 10283.720.552/200747. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.720543/200756 Acórdão n.º 2201002.254 S2C2T1 Fl. 3 3 A DRJ/RECIFE/PE em razão da distribuição de competência prevista no Anexo I da Portaria RFB 1.269/10 encaminhou o processo à DRJ/BSA/SECOJDF. Em novembro de 2010 o processo nº. 10283.000305/200810, já anexado ao presente processo, foi anexado por juntada física. Na sessão de 24/11/10, DRJ/BSB ao apreciar o processo (fls. 63) entendeu a necessidade de se efetuar diligência para apurar os seguintes aspectos: “1º dar ciência ao contribuinte do fato apurado pela autoridade fiscal (localização do imóvel e alteração do VTN), depois de formalizada a presente notificação de lançamento, facultandolhe apresentar Laudo Técnico de Avaliação, com as exigências apontadas no termo de intimação, para fins de comprovação do valor fundiário do imóvel, com a sua área correta, a preços de 1701/2003, tudo em consonância com o princípio do contraditório e da ampla defesa, também presente no âmbito do processo administrativo fiscal. 2º intimar o Contribuinte a tomar as seguintes providências: informar a área total correta do imóvel (matriculada e objeto de posse, caso existente). Caso não exista área de posse nem áreas incorporadas correspondentes a outra (s) matrícula (s), apresentar declaração firmada em Cartório nesses dois sentidos, e caso a área correta, referente à matrícula constante da Certidão de fls. 40, não seja a área total de 74.058.906,2m2 , conforme apurado pelo ITEAM, doc./cópia de fls. 41, anexar documento desse Instituto, admitindo o erro e informando a área correta da Fazenda Paraíso, além da matrícula atualizada do imóvel com a devida averbação dessa correção de área.” Em 14/01/2011 foi emitida Intimação (fl. 68) convocando o contribuinte para comparecer no SERVIÇO DE CONTROLE E ACOMPANHAMENTO TRIBUTÁRIO SECAT/ECACT/DRF/MNS para tratar de assunto referente à Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR. Em 02/02/11 foi anexado ao processo Aviso de Recebimento demonstrando que o contribuinte foi cientificado da Resolução proferida pela DRJ em 26/01/11 (fls. 67). Diante do não atendimento pelo contribuinte às solicitações da Resolução da DRJ/BSB a SECAT/BRF/MNS remeteu o processo para DRJ/BSB. A 1º Turma da DRJ/BSB deu provimento em parte à Impugnação do contribuinte (fl. 69) não reconhecendo o erro de fato quanto à área do imóvel, visto que o contribuinte, uma vez intimado, não juntou aos autos documentos hábeis a comprovar que a diferença entre a área registrada e a área declarada na DITR não é área incorporada de outras matrículas ou mesmo área de posse. No que concerne ao VTN, compreendeu que o mesmo foi subavaliado pelo contribuinte na DITR de 2003, uma vez que o contribuinte não apresentou laudo de avaliação, entretanto acolheu a redução do VTN de Manaus para o VTN de Coari, com base no VTN médio constante no SIPT do município de Coari (fls. 69). A DRJ/BSB ao julgar procedente em parte a Impugnação interposta pelo contribuinte para reduzir o ITR de 2003 de R$ 7.326.923,87 para R$ 290.002,82, remeteu o Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 processo para o CARF por força de Recurso Necessário na forma do art. 34 do Decreto n.° 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei n.° 8.748/1993 e Portaria MF n° 03/2008. O Aviso de Recebimento (fls. 89 e 90) informou que o contribuinte mudou de residência. Desta feita, o contribuinte foi notificado do acórdão nº 0342.959 de 11/05/11 da DRJ/BSB por edital fixado em 14/12/12 (fl. 91). Uma vez que o contribuinte não ingressou com Recurso Voluntário, a parte incontroversa, R$ 290.002,82, foi transferida para o processo 10283.720191/201387. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. Tendo em vista que o crédito tributário foi reduzido em R$ 7.036.921,05, cabível recurso de ofício conforme previsto na Portaria MF nº 3/08. Não houve apresentação de Recurso Voluntário por parte do contribuinte intimado da decisão por via postal e editalícia. Da análise das peças deste processo verificase que o presente procedimento de apuração do ITR da Fazenda Paraíso ocorreu de forma irregular e com equívocos. Inicialmente cabe destacar as imprecisas fixações de competência para fiscalização do imposto, quando houve declínio de competência da jurisdição do município de domicílio do contribuinte para jurisdição do município de localização do imóvel, bem como para julgamento da Impugnação apresentada pelo contribuinte, que inicialmente foi distribuída para a DRJ de Recife (PE) e depois remetida para apreciação da DRJ competente a DRJ de Brasília. Durante o curso do processo a autoridade fiscal identificou e consubstanciou em relatório equívoco grave e insanável cometido pela autoridade lançadora na apuração da base de cálculo do ITR/2003. A autoridade lançadora para fins de arbitramento do VTN do imóvel utilizou o SIPT do município de Manaus. Porém, o imóvel em questão localizase no município do Coari que apresenta SIPT de valores completamente distintos do município de Manaus. Tendo em vista que a autoridade lançadora se negou a cancelar o auto de infração para emissão de um auto de infração correto, sob a alegação de que o processo já havia se iniciado, inclusive com a apresentação de Impugnação por parte do contribuinte, coube a DRJ a tarefa de diligenciar junto ao contribuinte para que esse tivesse ciência do equívoco ocorrido no auto de infração e que se o contribuinte entendesse pertinente, apresentasse manifestação, garantindo o princípio da ampla defesa e do contraditório. De acordo com os autos, há atestado da autoridade fiscal afirmando que o contribuinte foi devidamente intimado (apesar de as folhas nos autos que apresentam o AR encontraremse com erro de diagramação), porém mesmo em face da intimação, o contribuinte não apresentou defesa adicional. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.720543/200756 Acórdão n.º 2201002.254 S2C2T1 Fl. 4 5 Pois bem. Verificase que o auto de infração lavrado em face do contribuinte encontrase equivocado desde o seu início, não devendo prosperar. Isso porque a autoridade lançadora constituiu crédito tributário com base em arbitramento equivocado utilizando o SIPT do município de Manaus ao invés do SIPT do município de localização do imóvel, qual seja Coari. Ao meu entender, deveria ter a autoridade lançadora cancelado o auto de infração inexato e lavrado outro auto de infração com a autuação correta, com vistas a assegurar a ampla defesa e o contraditório no âmbito do processo administrativo tributário. Porém, não foi isso que ocorreu. O vício tentou ser sanado em sede de julgamento de 1ª instância administrativa, cuja competência não é ajustar lançamentos tributários, mas sim julgar a procedência ou não dos mesmos. Neste sentido, entendo que o auto de infração deve ser cancelado na sua integralidade. Entretanto, considerando que a DRJ não decidiu pelo cancelamento total do auto de infração e que o contribuinte não apresentou recurso voluntário, apesar de intimado por via postal e editalícia, parte do auto lavrado já foi apartado e encaminhado em outro processo para cobrança, restando devolvida à apreciação dessa corte administrativa a parte do lançamento que fora cancelada na decisão da DRJ. Portanto, considerando que o lançamento tributário foi constituído de forma equivocada e contrária a lei, mantenho a decisão da DRJ no sentido de afastar a exigência no montante de R$ 7.036.921,05. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Nathália Mesquita Ceia – Relatora. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10680.910823/2010-77
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 08 23 /2 01 0- 77 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910823/201077 Acórdão n.º 3801002.806 S3TE01 Fl. 38 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 880511577 emitido eletronicamente em 06/09/10, fls. 7, referente ao PER/DCOMP nº 16512.30771.200407.1.3.043513 (doc. de fls. 1316). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$3.013,50, representado por Darf recolhido em 15/07/04 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fl. 2), alegando que no período de 30/06/2004 o valor do imposto, código 2172 foi informado indevidamente através da DCTF de 13/08/2004; que o mesmo foi recolhido em 15/07/2004 no valor de R$ 3916,77; que posteriormente apurouse o valor correto de R$ 902,67, originando o crédito; que naquela época o contador não retificou a DCTF; que a empresa tentou retificar a DCTF, mas não obteve êxito. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910823/201077 Acórdão n.º 3801002.806 S3TE01 Fl. 39 3 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual, alega, em síntese, que: A Recorrente após verificação analítica em sua escrita fiscal percebeu que havia recolhido a maior valores devidos a título de contribuição para Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Em momento algum do feito foi questionado pela Recorrida a existência do crédito, sua origem e legalidade. As decisões foram tomadas apenas com base no descumprimento de obrigação acessória.; ausência de retificação da DCTF não retira do contribuinte o direito ao crédito, ele existe, e, em momento algum foi questionado. A apropriação de créditos extemporâneos das contribuições ao Pis e a Cofins não pressupõe a retificação de obrigações acessórias e tampouco a observância do princípio jurídico contábil da competência, o que implica afirmar que o entendimento adotado no r. acórdão não encontra respaldo legal. É o Relatório. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910823/201077 Acórdão n.º 3801002.806 S3TE01 Fl. 40 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, do período de apuração de 30/06/2004, que teria sido paga a maior. Alega ainda que efetuou erroneamente o lançamento referente à esse débito na respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foi acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, caso acompanhado de documentos comprobatórios, o que inclusive poderia acarretar em eventual retificação de ofício. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito ou que se pudesse ao menos considerar como prova indiciária. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910823/201077 Acórdão n.º 3801002.806 S3TE01 Fl. 41 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 41DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10945.902568/2011-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 25 68 /2 01 1- 11 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902568/201111 Acórdão n.º 3801002.645 S3TE01 Fl. 59 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902568/201111 Acórdão n.º 3801002.645 S3TE01 Fl. 60 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo do Pedido de Restituição – PER nº 29137.54454.131006.1.2.042788 por meio do qual a contribuinte solicita o crédito no valor de R$ 21.045,74, relativo ao DARF de Cofins (código de receita 2172), no valor de R$ 87.071,80, recolhido em 14/12/2001. Em 03/01/2012 (Rastreamento nº 015079421) o pedido de restituição foi indeferido, pelo fato de que o DARF discriminado na PER acima identificada estava integralmente utilizado para quitação do débito de Cofins do período de apuração de novembro01, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. Uma vez cientificada do despacho decisório a contribuinte apresentou em 14/02/2012 a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada alega o direito à restituição pleiteada em face do entendimento, adotado em algumas sentenças judiciais, de que o ICMS não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. Sustenta que o ICMS não integra o conceito de faturamento (receita bruta), uma vez que tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual. Argumenta que o Supremo Tribunal Federal STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) e transcreve, para fundamentar sua tese, parte do voto do ministro relator proferido no RE 2407852/ MG. Diz, também, que a inclusão do ICMS na base dessas contribuições é ilegal, posto que o mesmo não representa riqueza da contribuinte. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de deferir integralmente o pedido de restituição. Pede adicionalmente, que os valores a serem restituídos sejam acrescidos da taxa Selic. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 INCONSTITUCIONALIDADE Fl. 60DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902568/201111 Acórdão n.º 3801002.645 S3TE01 Fl. 61 4 Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902568/201111 Acórdão n.º 3801002.645 S3TE01 Fl. 62 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme asseverado no presente recurso, a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Por conta da suspensão dos julgamentos determinada pelo STF, os processos envolvendo a mesma matéria, pendentes de serem examinados por este Conselho, ficaram também suspensos, em sintonia com o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 62A1 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/07/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e na Portaria CARF nº 01, de 3/01/2012. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos do aludido artigo, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902568/201111 Acórdão n.º 3801002.645 S3TE01 Fl. 63 6 Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. A recorrente alega ainda a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, inclusive colacionando entendimento expresso no voto do eminente Relator do RE nº 240.7852/MG em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ocorre que as alegações acerca da inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal Fl. 63DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902568/201111 Acórdão n.º 3801002.645 S3TE01 Fl. 64 7 para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador. A alegação de inconstitucionalidade de lei também é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, acima transcrito. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 64DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16327.000033/2008-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PRAZO DECADENCIAL.
A omissão do acórdão embargado quanto a existência ou não de pagamento, com vistas ao reconhecimento da decadência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN não afeta o reconhecimento da caducidade parcial do lançamento , se o mesmo foi efetuado após o prazo mais elástico , previsto no art. 173, inc. I do CTN.
Numero da decisão: 1302-001.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher dos embargos de declaração, sem lhes conferir efeitos modificativos.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PRAZO DECADENCIAL. A omissão do acórdão embargado quanto a existência ou não de pagamento, com vistas ao reconhecimento da decadência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN não afeta o reconhecimento da caducidade parcial do lançamento , se o mesmo foi efetuado após o prazo mais elástico , previsto no art. 173, inc. I do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher dos embargos de declaração, sem lhes conferir efeitos modificativos. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1821; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.267 1 1.266 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000033/200872 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302001.258 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2013 Matéria IRPJTributação em bases universais Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ALVORADA CARTÕES, CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PRAZO DECADENCIAL. A omissão do acórdão embargado quanto a existência ou não de pagamento, com vistas ao reconhecimento da decadência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN não afeta o reconhecimento da caducidade parcial do lançamento , se o mesmo foi efetuado após o prazo mais elástico , previsto no art. 173, inc. I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher dos embargos de declaração, sem lhes conferir efeitos modificativos. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 00 33 /2 00 8- 72 Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000033/200872 Acórdão n.º 1302001.258 S1C3T2 Fl. 1.268 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 130200.657 proferido por esta 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, em 03/08/2011 , com a seguinte ementa: LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. FILIAIS. Em consonância com o disposto no parágrafo 2º do art. 25 da Lei nº. 9.249, de 1995, os lucros auferidos por filiais, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, deveriam ser adicionadas ao lucro líquido da matriz para apuração do lucro real. A Instrução Normativa SRF nº. 38, de 1996, ao deslocar a ocorrência do fato gerador para o momento em que os lucros fossem disponibilizados, atuou além do que lhe é autorizado pelo ordenamento jurídicotributário, vez que, ex vi do disposto no art. 97 do Código Tributário Nacional, somente a lei pode definir o elemento temporal da hipótese de incidência. A Lei nº. 9.532, de 1997, ao dispor que o momento da tributação corresponde ao da disponibilização dos lucros, estabeleceu que, no caso de filiais, os lucros são considerados disponibilizados na data do balanço no qual tiverem sido apurados. O art. 74 da Medida Provisória nº. 2.15835, de 2001, trata, apenas, de lucros auferidos, no exterior, por controladas ou coligadas. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CONVERSÃO PARA REAIS. Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, expirado o prazo previsto no parágrafo 4º do art. 150 do CTN sem que a Administração Tributária se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. CSLL. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. A tributação da CSLL em bases universais só se aplica aos lucros auferidos a partir de 1º de outubro de 1999. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. LEGISLAÇÃO ANTERIOR. Consoante o disposto no art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997, para efeito de disponibilização de lucros de coligada/controlada sob a Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000033/200872 Acórdão n.º 1302001.258 S1C3T2 Fl. 1.269 3 forma de pagamento, considerase como tal o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça. LANÇAMENTO. DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO. Insubsistente o crédito tributário quando se constata que a matéria de suporte já foi objeto de lançamento integral em outro feito administrativo LUCROS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. CONCRETIZAÇÃO DE HIPÓTESE. COMPROVAÇÃO. A alegação de insubsistência de lançamento fundada no argumento de que a disponibilização dos lucros se deu em período precedente, face o emprego destes em subscrição de capital, exige que sejam aportados aos autos elementos de comprovação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SUCESSORES. A expressão “crédito tributário” contida no art. 129 do Código Tributário Nacional (CTN) alcança tanto o valor do tributo porventura devido, como os demais acréscimos incidentes sobre estes, incluídas aí as multas de ofício regularmente aplicadas. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DECADÊNCIA. Tratandose de lucros auferidos no exterior por meio de coligadas, a lei introdutora da incidência tributária não especificou o momento da ocorrência do fato gerador. Não obstante, definida em norma posterior que a incidência se dá a partir da disponibilização dos resultados auferidos, a contagem do prazo decadencial deve ser feita levandose em consideração essa ocorrência (disponibilização). O colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos deu provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência parcial do lançamento. Cientificada em 05/06/2012, a Procuradoria da Fazenda Nacional, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs na embargos de declaração em 06/06;2012, sustentando que ao reconhecer a decadência parcial do lançamento foi omisso ao apreciar a existência de pagamento prévio do tributo, necessário para definir a regra decadencial, conforme decidiu o Superior Tribunal de Justiça – STJ ao apreciar o REsp. nº 973.733/SC, em sede de Recurso Especial Representativo de Controvérsia. Aduz ainda que o art. 62A do Regimento Interno do CARF determina que o CARF deve seguir a orientação do STJ, nos casos julgados em sede recurso representativo de controvérsia. Ao final, a embargante requer que “sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração,, a fim de ser sanada a omissão apontada”. É o relatório. Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000033/200872 Acórdão n.º 1302001.258 S1C3T2 Fl. 1.270 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do RICARF, assim, deles tomo conhecimento. Alega a Fazenda Nacional, ora embargante, que a decisão recorrida contém omissão a ser sanada, na medida em que reconheceu a decadência parcial do lançamento, com fundamento no art. 150, § 4º do CTN, mas ao fazêlo deixou de apreciar a questão relativa a existência ou não de pagamento, com vistas a definição da regra decadencial (art. 150, § 4º x art. 173, inc. I do CTN), conforme decidiu o STJ ao apreciar o Resp. 973.733/SC, cuja observância é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF. A embargante cita nos embargos apenas o texto da ementa do acórdão, na qual é referida a matéria relativa à decadência, in verbis: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, expirado o prazo previsto no parágrafo 4º do art. 150 do CTN sem que a Administração Tributária se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Examinando o acórdão embargado, verifico que a decadência foi reconhecida em relação aos lucros auferidos no exterior nos anoscalendário 1996 e 1997, data em que o colegiado recorrido considerou ocorrido o fato gerador, conforme se vê dos seguintes excertos do voto condutor: Item 1 do Recurso de Ofício – fls. 1202: [...] Aditese, ainda, que, tratandose de lucros auferidos por filiais, tanto o art. 25 da Lei nº. 9.249/95, como o art. 1º da Lei nº. 9.532/97, estabeleceram que o momento de sua tributação é o correspondente ao instante em que tais resultados são auferidos. Assim, se os lucros foram auferidos em 1996 e em 1997, o Fisco, por força do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, só poderia promover os lançamentos tributários até 31 de dezembro de 2001 e até 31 de dezembro de 2002, respectivamente. [...] Itens 2 e 3 do Recurso de Ofício – fls. 1202: Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000033/200872 Acórdão n.º 1302001.258 S1C3T2 Fl. 1.271 5 [...] Ainda que alguma dúvida pudesse surgir em relação à duplicidade de lançamento, sou pelo improvimento do recurso impetrado, visto que: a) os lucros foram auferidos em 1996 e em 1997, logo, eventual insuficiência de recolhimento dos tributos incidentes só poderia ser objeto de lançamento de ofício até as datas referenciadas no item anterior, isto é, 31 de dezembro de 2001 e 31 de dezembro de 2002; [...] Item 1 do Recurso Voluntário (BANCO MERCANTIL DE SÃO PAULO – LONDON BANCO MERCANTIL DE SÃO PAULO – NEW YORK MATÉRIAS TRIBUTÁVEIS REMANESCENTES: R$ 1.182.352,37 E R$ 346.302,86) – fls. 1208: [...] Como se depreende da análise do RECURSO DE OFÍCIO, as matérias tributárias remanescentes indicadas acima referemse a lucros auferidos em 1996 e em 1997 e foram constituídas a partir da constatação de utilização de taxas de câmbio supostamente incorretas. Reitero, pois, os argumentos relativos à decadência (tratandose de lucros auferidos em 1996 e em 1997, eventual insuficiência de recolhimento dos tributos incidentes só poderia ser objeto de lançamento de ofício até 31 de dezembro de 2001 e 31 de dezembro de 2002) e à taxa de câmbio aplicável (diante do disposto no parágrafo 4º do art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, os lucros auferidos no exterior, seja por filiais, sucursais, controladas ou coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, devem ser convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados na respectiva filial, sucursal, controlada ou coligada). [...] Item 2 do Recurso Voluntário (BANCO MERCANTIL DE SÃO PAULO INTERNACIONAL LUXEMBURGO MATÉRIA TRIBUTÁVEL: R$ 48.829.140,61) – fls. 1217: Nessa circunstância, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo a lucros auferidos por coligada só poderia ser contado a partir do momento da sua disponibilização. Os presentes autos não cuidam de tributação com base em hipótese de disponibilização estabelecida pela Lei nº 9.532, de 1997, mas, sim, de disponibilização nos termos do parágrafo único do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, verbis: Art.74. ... Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000033/200872 Acórdão n.º 1302001.258 S1C3T2 Fl. 1.272 6 se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. A meu ver, resta claro que os lucros auferidos em 1996 e 1997 não poderiam ser objeto de tributação, haja vista a ocorrência de caducidade do direito de a Fazenda constituir os correspondentes créditos tributários. [...] (destaques nossos) Ao exame do acórdão embargado é possível verificar que, de fato, embora a decisão que reconheceu a decadência tenha sido fundamentada no § 4º do art. 150 do CTN e tenha passado ao largo da questão relativa ao exame da existência de pagamento ou não, é certo que os fatos geradores considerados alcançados pela decadência se referem aos lucros dos anoscalendário: 1996 e 1997, enquanto que o lançamento só foi formalizado em 31/12/2007. Assim, ainda que reconhecida a omissão do acórdão recorrido quanto a existência ou não de pagamento, com vistas a aplicação do prazo decadencial previsto no § 4º do art. 150 do CTN, e que a falta desta informação nos autos impeça a aplicação desta regra decadencial, o deslocamento da contagem do prazo para aquele previsto no art. 173, inc. I do CTN em nada alteraria a conclusão do julgado. Com efeito, se a contagem do prazo decadencial fosse deslocada, no caso concreto, para o primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser lançado (01/01/1998 e 01/01/1999, respectivamente), o direito da Fazenda Nacional efetuar o lançamento teria se encerrado em 31/12/2002 e 31/12/2003, respectivamente. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher os embargos interpostos, com vistas a suprir a omissão verificada, sem efeito modificativo nas conclusões do acórdão embargado. Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2013 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900895/2012-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-004.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 08 95 /2 01 2- 10 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900895/201210 Acórdão n.º 3803004.963 S3TE03 Fl. 76 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900895/201210 Acórdão n.º 3803004.963 S3TE03 Fl. 77 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900895/201210 Acórdão n.º 3803004.963 S3TE03 Fl. 78 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900895/201210 Acórdão n.º 3803004.963 S3TE03 Fl. 79 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900895/201210 Acórdão n.º 3803004.963 S3TE03 Fl. 80 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10840.000134/92-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2001
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - Tendo a Procuradoria da Fazenda Nacional
desistido de recorrer de decisão do Segundo Conselho, descabe recurso em função do Acórdão originário ter sido embargado e como resultado desse ter havido pela CSRF, unicamente, alteração em sua ementa. Precluiu o direito da Fazenda Recorrer.
Recurso sido conhecida
Numero da decisão: PLENO/00-00.001
Decisão: ACORDAM os Membros do PLENO da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Verinaldo Henrique da Silva, Marcos Vinícius Neder de Lima e Márcio Nunes Iório Aranha Oliveira (Suplente Convocado).
Nome do relator: Jorge Freire
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Precluiu o direito da Fazenda Recorrer. Recurso sido conhecida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros do PLENO da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Verinaldo Henrique da Silva, Marcos Vinícius Neder de Lima e Márcio Nunes Iório Aranha Oliveira (Suplente Convocado). - EDISON-PEREIRA RODkGUES PRESFDENTE JORGE FREIRE RELATOR FORMALIZADO EM: 27 AGO 2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: JOÃO HOLANDA COSTA, LUIZ ALBERTO CAVA MACE1RA, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, WELFRIDO AUGUSTO MARQUES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, SÉRGIO GOMES VELLOSO, MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS, CELSO ALVES FEITOSA, REMIS ALMEIDA ESTOL, ANTONIO DE FREITAS : . Processo n° :10840.000134/92-93 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.001 DUTRA, NILTON LUIZ BARTOLI, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO, HENRIQUE PRADO MEGDA, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES, IACY NOGUEIRA MARTINS MORAIS, FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, JOSÉ CLOVIS ALVES, DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. Ausente justificadamente o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo. • Processo n° :10840.000134/92-93 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.001 Recurso n° : RD/202-0.269 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Interpõe a Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 5°, inciso II e § 40, do Anexo I da Portaria MF n° 55/98, recurso ao Pleno desta Câmara Superior de Recursos Fiscais contra decisão da 2' Turma da CSRF que, através do Acórdão CSRF/02-0.676, de 17 de novembro de 1997, cuja ementa foi retificada pelo Acórdão CSRF/02-0.812, de 16 de agosto de 1999 (fls. 370/375), entendeu que o Segundo Conselho de Contribuintes é competente para examinar matéria oriunda de auto de infração precedido de ação declaratória ajuizada, e, em conseqüência, anulou o processo a partir da decisão singular, para que aquela Câmara adentrasse nas questões de mérito ofertadas na peça impugnatória. Em síntese, entendeu a Egrégia Segunda Turma da CSRF, em sua maioria, que a interposição de ação judicial declaratória negativa de existência de relação jurídica tributária precedente à autuação, não prejudica a análise de mérito idêntico no âmbito administrativo, ao contrário do que havia entendido a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que não conheceu do recurso administrativo tendo em vista à identidade das matérias litigadas no Judiciário e na Administração. O objeto do lançamento de fl. 20, é a exação do crédito tributário referente à contribuição devida ao Instituto do Açúcar e do Álcool. E este é o objeto do presente recurso, visto que a Fazenda Nacional argui dissídio jurisprudencial no que se refere à matéria tributária oriunda de Auto de Infração precedido de ação judicial, trazendo como paradigma o Acórdão CSRF/01-02.127, de 17/03/97. Entende a Fazenda Nacional, resumidamente, que "a propositura de ação judicial importa, no mesmo tema, renúncia à discussão do tema no campo administrativo, seja a dita propositura, anterior, concomitante ou superveniente à autuação, e seja ela precedida mediante qualquer instrumento processual (ação ordinária, ação ordinária meramente declaratória, mandado de segurança, ação cautelar, etc.)" fl. 379. Aduz, ainda, que esta 53/ • : '• Processo n° :10840.000134/92-93 4 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.001 posição decorre do fato de que a renúncia em questão não é aquela de natureza contratual prevista no Código Civil, que depende da livre manifestação de vontade do renunciante, mas sim uma renúncia ex lege, tanto por força de disposições expressas de lei, quanto mais do sistema constitucional de atribuições vigente em nosso país. Pede, enfim, o provimento do apelo para reforma integral do aresto recorrido, de forma a prevalecer o entendimento esposado pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Recebido o mencionado recurso, através do despacho presidencial de fls. 396/397, foram os autos encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto/SP para abertura do prazo à Contribuinte para oferta das contra-razões, as quais foram apresentadas em petição de fls. 405/415. Alega a empresa, em síntese, que o recurso especial não pode ser conhecido por não ter havido divergência, pois enquanto o aresto guerreado refere-se especificamente à ação declaratória, o acórdão paradigma "não deixa evidente sobre qual especifica ação judicial decidiu a E. I° Turma da C Câmara Superior de Recursos Fiscais". No mérito, aduz que dentre as ações elencadas no art. 38 da Lei n° 6.830/80, que dão margem à renúncia a discussão na via administrativa do mesmo mérito posto ao conhecimento do Poder Judiciário, não encontra-se a ação declaratória negativa, e, por ser, em seu entender, taxativo o rol de ações, vez que restritiva do seu direito de acesso ao Poder Judiciário, não seria tal norma aplicável ao caso concreto. Pelos mesmos motivos, averba não ser aplicável à hipótese o Ato Declaratório Normativo COSIT 03, de 14.02.96. Vieram-me os autos em 12/11/2001." Pautado o processo, iniciado o julgamento do mesmo em 11/12/2001, lido por mim o relatório acima, foi feita a sustentação oral pelo patrono da recorrente. Nessa oportunidade foi alegado fato novo, que não havia sido agitado nos autos e do qual não me apercebi. A alegação era de não conhecimento do especial ao Pleno tendo em vista à ocorrência de preclusão lógica pelo fato de o Sr. Procurador da Fazenda Nacional, à fl. 349, consignado às expressas de que não recorreria a este Pleno. • •; Processo n° : 10840.000134/92-93 5 • Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.001 Encerrada a sustentação oral, o Sr. Presidente questionou-me se eu estaria conhecendo do recurso e se havia identificado a referida manifestação do Sr. Procurador. Nesse iter solicitei e li em Sessão o início do voto original, quando conhecia do presente recurso. Quanto à preliminar agitada nas contra-razões, entendo descabida. A questão de fundo exsurgida dos autos refere-se à questão da possibilidade da Administração em sua faceta autocontroladora adentrar em mérito idêntico aquele já posto ao conhecimento do Judiciário. O aresto recorrido, em sua ementa, referia-se à ação declaratória negativa, enquanto o aresto paradigma foi mais genérico. No entanto, à fl. 11(392 dos autos) do aresto paradigma fica evidente também tratar-se a hipótese de ação declaratória negativa. Mas entendo que tal seria despiciendo, vez que, como averbado, a questão é mais genérica, como adiante formulado, versando sobre a competência cognitiva de órgão judicante administrativo e judicial sobre mesma matéria. Mas, nada obstante tal fato, o ilustre representante da Fazenda Nacional cumpriu a exigência regulamentar ao articular devidamente o dissídio, conforme evidenciado na peça recursal em seu item 6 — fl. 379 dos autos, que leio em Sessão. Assim, considero caracterizado o dissídio entre distintas turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelo que conheço do recurso. Assim, a questão a ser analisada é se pode a Administração, em seu mister judicante, adentrar em mérito idêntico ao guerreado no Judiciário em ação declaratória ajuizada anteriormente ao lançamento. Esta matéria não é nova, e acerca dela já tive oportunidade de manifestar-me em reiteradas vezes, não só na Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, como também na própria Câmara Superior (RD1203-0.232). Após findar tal leitura em Sessão, e por mim lido o despacho de fl. 349, manifestei-me ao Plenário aduzindo que o mesmo tinha escapado à minha análise, quando então, após discussões, foi encaminhada pelo Sr. Presidente a votação de preliminar de não conhecimento do recurso tendo em vista a existência de preclusão lógica do direito da f57 - • Processo n° :10840.000134/92-93 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.001 Fazenda Nacional interpor este recurso, tendo em vista a expressa manifestação do digno Procurador Rodrigo Pereira de Mello que deixaria de oferecer recurso ao Plenário. Antes do inicio da votação, foi colocado pelo Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima que a desistência de recorrer dera-se em relação ao Acórdão CSRF/02-0.676 (fls. 330/348) e não em relação ao objeto do recurso sob exame, ou seja, o Acórdão CSRF/02- 0.812 (fls. 370/375), e que, em conseqüência, reaberto estaria o prazo para o recurso ao Pleno. Foi submetida à votação, em preliminar ao mérito, o não conhecimento do recurso em face da desistência de recorrer pela Fazenda Nacional com base no despacho de fl. 349. É o relatório . : • I Processo n° :10840.000134/92-93 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.001 VOTO CONSELHEIRO JORGE FREIRE — RELATOR Quero gisar que a questão a ser decidida é meramente preliminar, pois no mérito entendo, desde sempre, que uma vez o sujeito passivo da relação jurídica tributária tendo buscado a tutela de seu eventual direito no Poder Judiciário, sobre mesmo mérito estará afastada a competência julgadora administrativa. Mas entendo prejudicada sua análise tendo em vista que não há como conhecer do recurso frente à expressa manifestação da Fazenda Nacional de não recorrer da decisão da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Quanto à questão aventada pelo ilustre Dr. Marcos Vinícius, dela discordo. O Acórdão CSRF/02-0.676 da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em Sessão de 17/11/1997, decidiu, consoante sua parte dispositiva, pela anulação da decisão de fls. 89/93, para que esta enfrentasse todas as questões de mérito suscitadas na impugnação. Contudo, tal Acórdão foi embargado, conforme petição de fls. 356/358, tendo entendido o embargante que a ementa ao referir-se à "....auto de infração precedido de ação ajuizada", foi genérico, pois a hipótese vertente nos autos tratava-se de ação ordinária declaratória, antes ou após a lavratura do auto de infração. Processados os embargos, o Presidente da CSRF, por despacho (fl. 361/364), encaminhou-os para análise da Segunda Turma da CSRF, como matéria de expediente. Conforme Ata de fls. 365/366, em 07/06/1999, a Segunda Turma da CSRF acolheu os embargos para, exclusivamente, retificar sua ementa (fls.366). Ora, a ementa não integra o Acórdão, sendo até dispensável ! . E por isso incorri em erro, pois não haveria necessidade de Acórdão com novo número, já que a única diferença entre um e outro é que na ementa do segundo ao invés da expressão "...auto de Nesse sentido Emb. Dec. nos Resp 57.497-8/FtJ, jul 02/05/1995, DJ 11/09/1995, e 45.839-0/SP, j. 11/11/94, DJ 21/08/95. Ambos relatados pelo Min. Luiz Vicente Cemichiaro, STF, 6' T. • Pr PreCesso rio : 10840.000134/92-93 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.001 infração precedido de ação ajuizada" passou a constar a expressão "...auto de infração precedido de ação declaratória ajuizada". Portanto, a manifestação da Douta Procuradoria, face ao despacho de 349, seria exclusivamente quanto à modificação da ementa, já que não houve qualquer modificação nos fimdamentos do voto e, principalmente, em sua conclusão. Assim, entendendo que houve desistência expressa de recurso a este Plenário. Não conheço do mesmo, devendo os autos serem remetidos a DRJ Ribeirão Preto para cumprimento do acórdão CSRF/02-0.676, de 17 de novembro de 1997, cuja ementa foi retificada pelo Acórdão CSRF/02-0.812, de 16 de agosto de 1999 (fls. 370/375). É COMO VOU). Sala das Sessões — DF, em 22 de janeiro de 2002 JORGE FREIRE Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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