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Numero do processo: 10680.003993/2004-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
PAF - INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO - SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA - As mantenedoras de estabelecimentos de ensino podem ter a imunidade tributária suspensa nos precisos termos do parágrafo 1°, do artigo 14, do Código Tributário Nacional, por descumprimento do inciso I do mesmo artigo. Porém, o pagamento regular de salários e outras rubricas trabalhistas, em retribuição de serviços prestados ao estabelecimento mantido não caracteriza, por si só, desobediência ao comando legal, exceto quando a fiscalização provar que a situação assim apresentada configura distribuição simulada de resultados.
PAF - SUSPENSÃO DA ISENÇÃO - Não é suficiente para se considerar desatendido o disposto no § 2° do art. 12 da lei n° 9.532/97 o regular pagamento de salários aos dirigentes da mantenedora em retribuição a serviços prestados na entidade mantida, quando a fiscalização não provar que a situação apresentada configura distribuição simulada de resultados
COFINS - Quando a causa de lançar (suspensão da imunidade) tiver sido considerada improcedente, o mesmo se aplica aos lançamentos dela decorrentes.
Numero da decisão: 1101-001.048
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jose Sergio Gomes e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 PAF - INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO - SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA - As mantenedoras de estabelecimentos de ensino podem ter a imunidade tributária suspensa nos precisos termos do parágrafo 1°, do artigo 14, do Código Tributário Nacional, por descumprimento do inciso I do mesmo artigo. Porém, o pagamento regular de salários e outras rubricas trabalhistas, em retribuição de serviços prestados ao estabelecimento mantido não caracteriza, por si só, desobediência ao comando legal, exceto quando a fiscalização provar que a situação assim apresentada configura distribuição simulada de resultados. PAF - SUSPENSÃO DA ISENÇÃO - Não é suficiente para se considerar desatendido o disposto no § 2° do art. 12 da lei n° 9.532/97 o regular pagamento de salários aos dirigentes da mantenedora em retribuição a serviços prestados na entidade mantida, quando a fiscalização não provar que a situação apresentada configura distribuição simulada de resultados COFINS - Quando a causa de lançar (suspensão da imunidade) tiver sido considerada improcedente, o mesmo se aplica aos lançamentos dela decorrentes.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jose Sergio Gomes e Nara Cristina Takeda Taga.
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Porém, o pagamento regular de salários e outras rubricas trabalhistas, em retribuição de serviços prestados ao estabelecimento mantido não caracteriza, por si só, desobediência ao comando legal, exceto quando a fiscalização provar que a situação assim apresentada configura distribuição simulada de resultados. PAF SUSPENSÃO DA ISENÇÃO Não é suficiente para se considerar desatendido o disposto no § 2° do art. 12 da lei n° 9.532/97 o regular pagamento de salários aos dirigentes da mantenedora em retribuição a serviços prestados na entidade mantida, quando a fiscalização não provar que a situação apresentada configura distribuição simulada de resultados COFINS Quando a causa de lançar (suspensão da imunidade) tiver sido considerada improcedente, o mesmo se aplica aos lançamentos dela decorrentes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 39 93 /2 00 4- 55 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jose Sergio Gomes e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Trata o presente processo de auto de infração da COFINS referente aos anos calendário de 2000 a 2003. O presente processo está intimamente relacionado ao processo n° 10680.005130/200331, que trata do Ato Declaratório Executivo n° 119, de 28/10/2003, de suspensão da imunidade e isenção tributárias, com termo inicial em 01/01/1997 e termo final em 31/12/2002. A questão básica já foi decidida no processo referenciado, que deu provimento ao recurso, à unanimidade, e redundou no Acórdão n° 10809420, de 14/09/2007, relatado pela I. Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, cujo acórdão restou assim ementado: "PAF INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA — As mantenedoras de estabelecimentos de ensino podem ter a imunidade tributária suspensa nos precisos termos do parágrafo 1°, do artigo 14, do Código Tributário Nacional, por descumprimento do inciso I do mesmo artigo. Porém, o pagamento regular de salários e outras rubricas trabalhistas, em retribuição de serviços prestados ao estabelecimento mantido não caracteriza, por si só, desobediência ao comando legal, exceto quando a fiscalização provar que a situação assim apresentada configura distribuição simulada de resultados. PAF SUSPENSÃO DA ISENÇÃO Não é suficiente para se considerar desatendido o disposto no § 2" do art. 12 da lei n° 9.532/97 o regular pagamento de salários aos dirigentes da mantenedora em retribuição a serviços prestados na entidade mantida, quando fiscalização não provar que a situação apresentada configura distribuição simulada de resultados." Este é o Relatório. Voto O Recurso é tempestivo, dele conheço. Este é o lançamento de COFINS decorrente de lançamento de IRPJ. Tratase, portanto, de matéria de competência desta 1ª Seção de Julgamento. Estamos a analisar o lançamento de COFINS referentes aos anoscalendários 2000 a 2003 decorrentes da suspensão da isenção de que gozava a contribuinte. O processo em Fl. 477DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.003993/200455 Acórdão n.º 1101001.048 S1C1T1 Fl. 3 3 que se discutiu a desqualificação da Recorrente como entidade isenta encerrouse, tendo transitado em julgado fovoravelmente à Recorrente. As infrações aqui cominadas ao sujeito passivo decorrem de premissa que, como indicado, fora revertida por esta instância administrativa. Este Conselho julgou, inclusive, o Recurso Voluntário da interessada referentes às infrações imputadas a ela em relação ao IRPJ e à CSLL lançados para o mesmo período ora analisado, cada um em processo administrativo próprio. Nos acórdãos nº 108 09.547 e nº 10809.548, a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu dar provimento ao Recurso Voluntário, conforme a ementa infratranscrita: PAF INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA As mantenedoras de estabelecimentos de ensino podem ter a imunidade tributária suspensa nos precisos termos do parágrafo 1°, do artigo 14, do Código Tributário Nacional, por descumprimento do inciso I do mesmo artigo. Porém, o pagamento regular de salários e outras rubricas trabalhistas, em retribuição de serviços prestados ao estabelecimento mantido não caracteriza, por si só, desobediência ao comando legal, exceto quando a fiscalização provar que a situação assim apresentada configura distribuição simulada de resultados. PAF SUSPENSÃO DA ISENÇÃO Não é suficiente para se considerar desatendido o disposto no § 2° do art. 12 da lei n° 9.532/97 o regular pagamento de salários aos dirigentes da mantenedora em retribuição a serviços prestados na entidade mantida, quando a fiscalização não provar que a situação apresentada configura distribuição simulada de resultados IRPJ Quando a causa de lançar (suspensão da imunidade) tiver sido considerada improcedente, o mesmo se aplica aos lançamentos dela decorrentes. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 10809.547, 04 de março de 2008) Sendo assim, uma vez revertido o ato que cassava a isenção da Recorrente, não podem subsistir as infrações imputadas a ela, porque não subsiste o motivo pelo qual o lançamento fora efetuado. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Fl. 478DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910119/2011-29
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 01 19 /2 01 1- 29 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 24): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 34, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910119/201129 Acórdão n.º 3802002.243 S3TE02 Fl. 46 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 10/05/2013 (fls. 32), interpondo recurso tempestivo em 03/06/2013 (fls. 34). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 49DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 13000.000068/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1976
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS.
Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. (Súmula CARF nº 24)
Numero da decisão: 1402-001.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1976 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. (Súmula CARF nº 24) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 0. 00 00 68 /2 00 8- 04 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/06 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Guaiapó Eletrodomésticos Ltda., contribuinte acima qualificada, apresentou pedido de restituição relativo a empréstimo compulsório consubstanciado em Cautela de Obrigações da Eletrobrás, no valor de R$ 4.091.872,53 (f. 01). Foi protocolada, também, declaração de compensação (f. 60 e 61) utilizando se como crédito parte do valor do pedido de restituição: R$ 492.524,22. O pedido de restituição foi indeferido e a compensação considerada como não declarada em face de o crédito ser relativo a obrigações da Eletrobrás, conforme Despacho Decisório n. 312 DRFCBA (f. 93 a 100). A ciência quanto ao despacho decisório ocorreu no dia 10 de agosto de 2009 (ARàf. 108). Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 24 de agosto de 2009 (f. 113 a 117). Após relato dos fatos é alegado, em síntese, que: a) a fiscalização das fontes tributárias constituídas do Fundo Federal da Eletrificação competia à Diretoria de Rendas Internas da Direção Geral da Fazenda Nacional, cujas estrutura e atribuições foram afetas à Secretaria da Receita Federal quando de sua criação; b) a Secretaria da Receita Federal administrou o Empréstimo Compulsório Sobre Energia Elétrica e, portanto, tem competência para proceder à sua restituição; c) há a possibilidade de recurso no que tange à compensação considerada como não declarada. Ao final, requer a manifestante sejalhe informado sobre a composição do Fundo Federal de Eletrificação e a administração do Empréstimo Compulsório sobre Energia Elétrica, bem como declarado que tal cabe à Secretaria da Receita Federal, procedendose a restituição pleiteada. Além disso, seja proferida decisão quanto às compensações, sem a separação dos procedimentos destas e da restituição. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande – MS prolatou o Acórdão 0423.064 negando provimento à manifestação de inconformidade sob o argumento principal da inexistência de previsão legal para que a Receita Federal do Brasil promova a restituição ou compensação dos valores em questão. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado ratificando as razões expedidas na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/06 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13000.000068/200804 Acórdão n.º 1402001.702 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado e preenche as condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Ainda que lastreados em argumentos de respeito, a pretensão do sujeito passivo não merece guarida, por falta de amparo legal. Lembrese, em primeiro lugar, que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. A legislação também prevê que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. Entendo que as obrigações, ao portador, da Eletrobrás não são pagamentos indevidos ou a maior de tributo, pois o Empréstimo Compulsório sobre Energia Elétrica era devido e sua devolução ao contribuinte, mediante a emissão de ações preferenciais da Eletrobrás, não constitui crédito do sujeito passivo (Eletrobrás) contra a Fazenda, para efeito de compensação, vez que não passível de restituição como disciplina o art. 165, do CTN, e 74, da Lei 9.430/1996. Além do mais, os títulos da Eletrobrás não foram contemplados sequer para pagamento de tributo, muito menos, ainda, se cogita para compensação. Por fim, esse tipo de crédito do sujeito passivo, não está autorizado na lei como forma de pagamento ou de compensação de tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, pois a norma deixa claro que é admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, o que ao seria o caso das obrigações da Eletrobrás. Mesmo que os argumentos esposados pudessem ser refutados, a questão foi definitivamente resolvida no âmbito deste Colegiado através da Súmula CARF nº 24 de Enunciado: Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários Nos termos do art. 1º, do Anexo I, da Portaria MF 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, a atribuição desta Corte Administrativa abrange exclusivamente tributos administrados pela RFB (destaque acrescido): Fl. 284DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/06 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Art. 1° O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 285DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/06 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002315/2004-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000
Ementa:
OMISSÃO DE RECEITA. PARCELA TRIBUTADA EM OUTRA PESSOA JURÍDICA.
Comprovado nos autos que parcela da receita tida como omitida foi, em virtude de reestruturação societária, tributada em pessoa jurídica controlada diretamente pela fiscalizada, há de se reduzir a matéria tributária apurada de ofício em igual proporção.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO.
Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733-SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial quinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. A contrario sensu, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação e este ocorre, o prazo quinqüenal em referência deve ser contado da data da ocorrência do fato gerador, ex vi do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante nº 8 - DOU de 20 de junho de 2008), aplicam-se às contribuições sociais as regras de decadência estampadas no Código Tributário Nacional.
ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. GANHO OU PERDA DE CAPITAL. ÁGIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO ECONÔMICA.
Isoladamente, diferentemente da amortização antecipada autorizada por normas legais, a ausência de comprovação documental da fundamentação econômica não constitui impedimento para que, na apuração do ganho ou perda de capital, o ágio seja considerado no valor contábil da participação alienada. Não obstante, constatando-se que na atualização do custo foram utilizados índices não autorizados pela legislação de regência, há de se promover a glosa correspondente.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. GANHO OU PERDA DE CAPITAL. CÔMPUTO NO RESULTADO DO EXERCÍCIO. EFEITOS. NEUTRALIZAÇÃO POR MEIO DE PROCEDIMENTO FISCAL REGULAR. PROCEDÊNCIA
Identificada impropriedade na apuração do ganho ou perda de capital capaz de afetar o resultado contábil, tal fato, se causador de redução indevida do lucro ou provocar aumento de prejuízo, afetará a base de cálculo da contribuição social, sendo procedente a providência da autoridade fiscal que, por meio de procedimento regular, neutraliza o seu efeito.
MULTA ISOLADA. CANCELAMENTO.
Se, em razão do acolhimento de razões trazidas em sede de recurso, a matéria tributável apurada é reduzida, de modo que as bases de cálculo que serviram de suporte para aplicação da penalidade tornaram-se negativas, há de se cancelar as exações formalizadas.
Numero da decisão: 1301-001.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: a) cancelar, em razão de caducidade, as exigências de PIS e COFINS relativas aos meses de janeiro, fevereiro, junho e julho de 1999; b) reduzir a glosa na apuração da perda de capital para R$ 14.136.178,61; e c) cancelar as multas isoladas aplicadas, em virtude de apuração de bases de cálculo negativas). Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Angelo Tsukalas, RG nº 23.681.954-9.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. PARCELA TRIBUTADA EM OUTRA PESSOA JURÍDICA. Comprovado nos autos que parcela da receita tida como omitida foi, em virtude de reestruturação societária, tributada em pessoa jurídica controlada diretamente pela fiscalizada, há de se reduzir a matéria tributária apurada de ofício em igual proporção. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733-SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial quinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. A contrario sensu, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação e este ocorre, o prazo quinqüenal em referência deve ser contado da data da ocorrência do fato gerador, ex vi do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante nº 8 - DOU de 20 de junho de 2008), aplicam-se às contribuições sociais as regras de decadência estampadas no Código Tributário Nacional. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. GANHO OU PERDA DE CAPITAL. ÁGIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO ECONÔMICA. Isoladamente, diferentemente da amortização antecipada autorizada por normas legais, a ausência de comprovação documental da fundamentação econômica não constitui impedimento para que, na apuração do ganho ou perda de capital, o ágio seja considerado no valor contábil da participação alienada. Não obstante, constatando-se que na atualização do custo foram utilizados índices não autorizados pela legislação de regência, há de se promover a glosa correspondente. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. GANHO OU PERDA DE CAPITAL. CÔMPUTO NO RESULTADO DO EXERCÍCIO. EFEITOS. NEUTRALIZAÇÃO POR MEIO DE PROCEDIMENTO FISCAL REGULAR. PROCEDÊNCIA Identificada impropriedade na apuração do ganho ou perda de capital capaz de afetar o resultado contábil, tal fato, se causador de redução indevida do lucro ou provocar aumento de prejuízo, afetará a base de cálculo da contribuição social, sendo procedente a providência da autoridade fiscal que, por meio de procedimento regular, neutraliza o seu efeito. MULTA ISOLADA. CANCELAMENTO. Se, em razão do acolhimento de razões trazidas em sede de recurso, a matéria tributável apurada é reduzida, de modo que as bases de cálculo que serviram de suporte para aplicação da penalidade tornaram-se negativas, há de se cancelar as exações formalizadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: a) cancelar, em razão de caducidade, as exigências de PIS e COFINS relativas aos meses de janeiro, fevereiro, junho e julho de 1999; b) reduzir a glosa na apuração da perda de capital para R$ 14.136.178,61; e c) cancelar as multas isoladas aplicadas, em virtude de apuração de bases de cálculo negativas). Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Angelo Tsukalas, RG nº 23.681.954-9. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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PARCELA TRIBUTADA EM OUTRA PESSOA JURÍDICA. Comprovado nos autos que parcela da receita tida como omitida foi, em virtude de reestruturação societária, tributada em pessoa jurídica controlada diretamente pela fiscalizada, há de se reduzir a matéria tributária apurada de ofício em igual proporção. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial quinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. A contrario sensu, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação e este ocorre, o prazo quinqüenal em referência deve ser contado da data da ocorrência do fato gerador, ex vi do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante nº 8 DOU de 20 de junho de 2008), aplicamse às contribuições sociais as regras de decadência estampadas no Código Tributário Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 23 15 /2 00 4- 51 Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.570 2 ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. GANHO OU PERDA DE CAPITAL. ÁGIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO ECONÔMICA. Isoladamente, diferentemente da amortização antecipada autorizada por normas legais, a ausência de comprovação documental da fundamentação econômica não constitui impedimento para que, na apuração do ganho ou perda de capital, o ágio seja considerado no valor contábil da participação alienada. Não obstante, constatandose que na atualização do custo foram utilizados índices não autorizados pela legislação de regência, há de se promover a glosa correspondente. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. GANHO OU PERDA DE CAPITAL. CÔMPUTO NO RESULTADO DO EXERCÍCIO. EFEITOS. NEUTRALIZAÇÃO POR MEIO DE PROCEDIMENTO FISCAL REGULAR. PROCEDÊNCIA Identificada impropriedade na apuração do ganho ou perda de capital capaz de afetar o resultado contábil, tal fato, se causador de redução indevida do lucro ou provocar aumento de prejuízo, afetará a base de cálculo da contribuição social, sendo procedente a providência da autoridade fiscal que, por meio de procedimento regular, neutraliza o seu efeito. MULTA ISOLADA. CANCELAMENTO. Se, em razão do acolhimento de razões trazidas em sede de recurso, a matéria tributável apurada é reduzida, de modo que as bases de cálculo que serviram de suporte para aplicação da penalidade tornaramse negativas, há de se cancelar as exações formalizadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: a) cancelar, em razão de caducidade, as exigências de PIS e COFINS relativas aos meses de janeiro, fevereiro, junho e julho de 1999; b) reduzir a glosa na apuração da perda de capital para R$ 14.136.178,61; e c) cancelar as multas isoladas aplicadas, em virtude de apuração de bases de cálculo negativas). Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Angelo Tsukalas, RG nº 23.681.9549. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.571 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.572 4 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS), MULTA ISOLADA em virtude da ausência de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas) e MULTA REGULAMENTAR em decorrência de atraso na apresentação de arquivos magnéticos, relativas ao anocalendário de 1999. O presente processo já foi submetido a uma primeira apreciação por parte desta Primeira Turma Ordinária (Resolução nº 130100.004, de 13/05/2009), motivo pelo qual reproduzo o relatório elaborado pelo Ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha. INVENSYS APPLIANCE CONTROLS LTDA., já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 5.504.683,85, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 04. Tratase de autos de infração para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ – fls. 306/313) e reflexos tributários de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS – fls. 314/317), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS – fls. 318/321) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL – fls. 322/326), acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, tudo por fatos geradores ocorridos no anocalendário 1999. Integram ainda o processo multa exigida isoladamente por falta de recolhimento de estimativas e multa regulamentar por atraso na apresentação de arquivos em meio magnético. As infrações constatadas pelo Fisco são as seguintes: Atraso na apresentação de arquivos em meio magnético (multa regulamentar) (fl. 313 e Termo de Verificação Fiscal nº 03, fls. 265/267) – foi imposta a multa no valor de R$ 184.905,32, pelo atraso de 57 dias na apresentação de arquivos em meio magnético. Omissão de receitas, por deixar de oferecer à tributação parte das receitas de vendas (fl. 312 e Termo de Verificação Fiscal nº 01, fls. 117/120) – diferença entre os valores escriturados nos livros fiscais – Livro Registro de Entradas, Livro Registro de Saídas e Livro Registro de Apuração do IPI – e aqueles que constam da escrituração comercial. A diferença totalizou R$ 8.175.137,59 no anocalendário 1999. Glosa de despesa com amortização de ágio (fls. 312/313 e Termo de Verificação Fiscal nº 02, fls. 168/171) – A empresa fiscalizada amortizou integralmente, em 31/08/1999, o ágio sobre investimento na empresa NORTELAS, por ocasião do aporte de ativos (nele incluído o investimento na NORTELAS) para o aumento de capital social na empresa HUYCK. Intimada a apresentar os comprovantes que justificariam o pagamento e a amortização do ágio, bem como a memória de cálculo da correção monetária e dos valores contabilizados como resultado de equivalência patrimonial, a fiscalizada deixou de fazêlo. O Fisco, então, glosou o montante de R$ 41.050.793,93, por considerar que a amortização do ágio não seria dedutível em face da não comprovação de seu pagamento, falta de Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.573 5 apresentação dos cálculos da correção monetária e falta de comprovação de seu fundamento econômico. Falta de recolhimentos do IRPJ com base em estimativas (multa exigida isoladamente) (fl. 313 e Termo de Verificação Fiscal nº 04, fls. 294/296) – no ano calendário 1999, o contribuinte optou pela tributação com base no lucro real, sujeitandose a recolhimentos mensais com base em balanços/balancetes de suspensão/redução do imposto. Em face das infrações apuradas no curso da fiscalização, as bases de cálculo das estimativas mensais foram também recalculadas pelo Fisco, com a conseqüente imposição das multas isoladas pela falta de recolhimento. Ciente da exação em 26/10/2004 e com ela inconformado, o sujeito passivo apresentou impugnação (fls. 337/397), acompanhada dos documentos de fls. 398/585, em que alega, em síntese, o seguinte: 1) – PRELIMINARES SUSCITADAS: 1.1) Preliminar de decadência parcial (infração omissão de receita): que é inegável que o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sejam tributos sujeitos a lançamento por homologação e, por via de conseqüência, estão sujeitos a prazo decadencial de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador (CTN, art. 150, § 4º). Nesse sentido, transcreveu, inclusive, diversos precedentes (decisões) de diversas Câmaras do Conselho de Contribuintes do MF; que, em relação ao IRPJ e à CSLL, alega estar assentado na doutrina e nos tribunais o posicionamento de que o fato gerador ocorre mensalmente, a exemplo do que acontece para a Contribuição para o PIS e para a COFINS; que, por conseguinte, a impugnante entende estarem decaídas as exigências que se refiram aos meses de janeiro, fevereiro, junho e julho de 1999; 1.2) – Preliminar de vício formal no lançamento fiscal Do erro na quantificação do crédito tributário quanto à infração omissão de receita: que não se pode olvidar que a impugnante, relativamente ao anocalendário 1999, optou pela sistemática da tributação com base no lucro real anual; que, para efeito de apuração do lucro real, devese levar em conta não apenas as receitas auferidas, mas também os custos e despesas intrinsecamente ligados à obtenção das receitas; que a pretensão fiscal deve ser afastada por vício formal na lavratura do auto de infração, uma vez que se está exigindo o IRPJ com base exclusivamente nas receitas auferidas, desprezando os custos e as despesas correspondentes. 2) – DO MÉRITO (quanto às infrações imputadas): 2.1) DO ATRASO NA APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS: A impugnante aduziu que após sucessivos esforços para recuperação das informações, efetuou a entrega dos arquivos magnéticos à fiscalização com 57 (cinqüenta e sete) dias de atraso (em relação ao prazo estipulado na intimação), tempo que lhe foi necessário para recuperação de documentos de tão longa data; que – após ter entregue tais arquivos e esclarecido todas as dúvidas suscitadas durante o processo de fiscalização – em 26/10/2004 a impugnante foi surpreendida pela notificação do auto de infração cujo teor consiste no lançamento de multa regulamentar no valor de R$ 184.905,32, equivalente a 1% sobre a receita bruta do períodobase de 1999 {R$ 18.490.531,62 x (0,02% x 57) = R$ 210.792,06); que o AuditorFiscal – para a imposição dessa multa regulamentar – utilizou como suporte legal os arts. 11 e 12, III, da Lei nº 8.218/91, com alteração introduzida pelo art. 72 da MP nº 2.15835/2001, regulamentadas pelas disposições nos itens 3.3 e 8.2 da Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.574 6 Portaria COFIS nº 013/95 e Instrução Normativa SRF nº 68/95; que, em sua redação original e vigente no período autuado (anocalendário 1999), a art. 12 da Lei nº 8.218/91, regulamentada pela IN SRF 68/95, estabelecia a imposição de multa pecuniária de Cr$ 30.000,00 (trinta mil cruzeiros) por dia de atraso, até o limite de 30 dias, conversível, de cruzeiros para UFIR, conforme a regra do art. 3º da Lei nº 8.383/91; que – no caso – deve ser aplicada a multa regulamentar vigente na época do anocalendário fiscalizado (1999), e não a multa vigente na data da lavratura do auto de infração; que, em se tratando de ato não defintivamente julgado, deve ser aplicada a multa mais branda ou mais benéfica ao contribuinte (a regra lex mitior); que, assim, a multa deve ser reduzida de R$ 184.905,32 para R$ 3.458,27; que, ainda, em função dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, inadmissível a aplicação de pena que comprometa 1% do faturamento da empresa autuada. 2.2) – DA INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITA: que a discussão que se trava devese, basicamente, à operação societária que envolveu a BTR BRASIL LTDA, atualmente denominada INVENSYS APPLIANCE CONTROLS LTDA, e a HUYCK INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA; que, anteriormente à 30/08/1999, a BTR BRASIL LTDA possuía, além da investida (Indústria e Comércio de Teles – NORTELAS), dois estabelecimentos filiais (estabelecimentos operacionais): a) Divisão Huyck, em Petrópolis/RJ; b) Divisão Stowe, em Sumaré/SP. Que, mediante Alteração Contratual, os quotistas da impugnante BTR (atual INVENSYS) deliberaram a constituição da HUYCK INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, transformando, a até então filial Divisão HUYCK, em pessoa jurídica com personalidade própria e, posteriormente, transferiram, em subscrição de capital da nova empresa, todos os ativos e passivos operacionais existentes da BTR. Com isso, tanto o investimento da NORTELAS quanto o do estabelecimentofilial Divisão Stowe, passaram a integrar o patrimônio da HUYCK INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. De tal sorte que a BTR , após a reestruturação societária, passou a deter participação direta sobre a HUYCK INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e indireta sobre a NORTELAS. A Divisão Stowe (Sumaré/SP), por sua vez, passou a ser filial da HUYCK. Que, deste modo, por decorrência dessa determinação societária, a HUYCK INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, em virtude de ter adquirido personalidade jurídica própria em setembro 1999, reconheceu o movimento contábil (variação patrimonial) do mês de setembro do acervo líquido recebido e passou a reconhecer, a partir de 1º/10/1999, os custos, as receitas e despesas inerentes à sua própria atividade em sua contabilidade, é dizer, distintamente das receitas da BTR, que, por seu turno, cessou de auferir receitas de vendas em decorrência da transferência de toda a atividade operacional para a HUYCK. Que, considerando esse contexto e, sobretudo, o fato de que o acervo líquido recebido pela HUYCK já se encontrar em plena atividade, antes mesmo da operação consumada, não restou à mesma (HUYCK) outra possibilidade senão continuar a utilizar os livros e registros fiscais da BTR, enquanto pendente sua habilitação perante os órgãos Administração Pública; que no exercício de sua atividade, a HUYCK formalizou seus atos comerciais em notas fiscais de titularidade da BTR, durante o período que perdurou pendente sua habilitação enquanto contribuinte, apondo, inclusive, sobre as notas fiscais de venda o carimbo com sua razão social “NOVA RAZÃO SOCIAL: HUYCK INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ: Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.575 7 03.432.843/000406”. Que, como se vê, o fato da HUYCK já possuir atividade pretérita à implementação da operação, na condição de filial da BTR, também contribuiu para a manutenção do procedimento no que tange à utilização dos livros e registros fiscais desta; que em função dessas receitas escrituradas em livros e registros fiscais não pertencerem à BTR, em virtude de deliberação societária expressa, a impugnante estornou, contabilmente, a partir de 1º/09/1999, os custos, receitas e despesas inerente às transações transferidas à HUYCK, fato que levou o AuditorFiscal a formar o entendimento equivocado no sentido da prática de omissão de receitas; que nos anexos às fls. 466/501 é apresentada toda a movimentação contábil e fiscal, mediante cópia autenticada dos livros e registros contábeis de ambas as empresas, para fins de demonstração do deslocamento da variação patrimonial do período; que a parcela de receita apurada pelo Auditor Fiscal – como “omissão de receita” foi oferecida à tributação pela HUYCK, que, mesmo sem realizar a escrituração fiscal em livros fiscais próprios, pela razões já expostas, efetuou o devido registro em sua contabilidade, oferecendo, em passo seguinte, à tributação, conforme Registro de Saídas de Mercadorias (fls.463/465); que o procedimento adotado pela impugnante está contemplado na legislação vigente à época, que determinava que a pessoa jurídica sujeita à operação societária – no caso de eventos especiais (incorporação, cisão ou fusão) – levantasse balanço até 30 dias antes do evento, para fins de apuração do IRPJ (IN SRF nº 77/86; Lei nº 9.430/96, art. 1º, § 1º e Lei nº 9.249/95, art. 21, § 1º); que, considerando que a deliberação em torno da constituição da HUYCK ocorreu em 15/09/1999, a impugnante deveria ter recolhido o IRPJ e tributos reflexos com base em balancete levantado até 30 (trinta) dias antecedentes. Ou seja: de acordo com a legislação vigente, constituía incumbência da impugnante recolher os tributos devidos até a competência relativa à agosto/99 database 31/08/1999; que – a partir desse mês – se encerrou a obrigação da impugnante, devendo o IRPJ e reflexos sobre os custos, receitas e despesas inerentes à atividade da HUYCK ser por esta recolhidos, respeita a Alteração Contratual (fls. 446/460); que o fato da legislação citada referirse tão somente à fusão, cisão ou incorporação não deve ser óbice ou impedimento para aplicação análoga dessa legislação ao caso vertente, tendo em vista que se deve abstrair a literalidade da lei, a fim de colher o seu verdadeiro alcance, sob pena de ferir o princípio da segurança jurídica; que o ônus do IRPJ e reflexos a partir de 1º/09/1999 deve ser suportado pela pessoa jurídica titular das receitas a HUYCK, e não pela BTR BRASIL LTDA; que os documentos às fls. 502/540 comprovam a tributação da receita (pretensa omissão de receita) na pessoa jurídica HUYCK; que demonstrado que a HUYCK recolheu o IRPJ e reflexos, deve ser rechaçada a pretensão fiscal, sob pena de bis in idem e enriquecimento ilícito do Estado, em detrimento do princípio da capacidade contributiva. Que, por conseguinte, inexiste a “omissão de receita”, no caso. 2.3) – DA DEDUTIBILIDADE DA PERDA DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO: que a impugnante detinha participação na NORTELAS (investida), a qual foi adquirida com ágio de R$ 41.050.793,93, em 05/07/1988; que para adquirir a participação na NORTELAS, a impugnante, na época, teve que desembolsar montante acima do valor patrimonial, o que lhe rendeu, por conseqüência, um ágio de investimento; que, consoante prescreve a legislação civil, após transcorridos cinco anos da operação, a impugnante não precisaria conservar os documentos que tratam do pagamento de ágio na aquisição de investimento da NORTELAS, pois tratase de fato que ocorreu em 05/07/1988 (CC, art. 1194); que, como se percebe, estáse exigindo uma documentação referente ao exercício de 1988, vale dizer, sobre um evento societário que ocorreu há 16 (desesseis anos) atrás e envolveu a impugnante; que deve prevalecer o bom senso no caso vertente; que a impugnante não tem como se defender, por se tratar de documentação relacionada a passado demasiadamente remoto, daí porque devem ser Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.576 8 aplicados os princípios da lealdade e da moralidade administrativa; que o contribuinte não pode permanecer refém dos anseios da Administração Pública por prazo indeterminado; que os arts. 923 e 924 do RIR/99 são contundentes em afirmar que a escrituração faz prova a favor do contribuinte, cabendo à Administração o ônus de produzir prova em contrário; que o AuditorFiscal apenas levantou dúvida sobre o montante do ágio, mas, em nenhum momento, conforme exige a legislação, provou a inveracidade do valor reconhecido na contabilidade da impugnante; que, segundo o RIR/99 (art. 264), as pessoas jurídicas devem guardar os comprovantes de escrituração enquanto perdurar a possibilidade de lançamento fiscal, porém, se houver a consumação da decadência, a legislação é clara no sentido de que o contribuinte fica excluído de qualquer obrigação; que, considerando que atualmente a decadência se opera em cinco anos a contar do fato gerador (tributos sujeitos a lançamento por homologação), os documentos relacionados com a aquisição do investimento e do pagamento do ágio deveriam ser mantidos sob sua guarda até 1993; que, não obstante a desnecessidade do fornecimento dessa documentação como forma de comprovação do ágio, a impugnante, neste ato, anexa documentos que contemplam o pagamento da aquisição do investimento, bem como a inclusão da BTR no quadro societário da NORTELAS (fls. 541/565); que a outra alegação do AuditorFiscal, com base na legislação do IRPJ, que exige a fundamentação econômica do ágio, para fins de amortização, também deve ceder; que a exigência do AuditorFiscal baseiase na operação consumada pela impugnante, por meio da qual integralizou o investimento, detido na NORTELAS – adquirido com ágio – , no capital social da HUYCK INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA; que, por força dessa operação, a impugnante lançou no resultado, a título de despesa, o montante de R$ 41.050.793,93, o que o Fisco entende ser indedutível; que essa despesa – segundo o Fisco seria indedutível, eis que redundou em amortização de ágio destituído de fundamentação econômica; que, todavia, o AuditorFiscal laboru em equívoco, uma vez que o lançamento da despesa no resultado decorre, na verdade, da perda de capital na alienação do investimento, o que não se confunde com a amortização de ágio; que, por conseguinte, a despesa é dedutível para fins do IRPJ e da CSLL, consoante art. 418 do RIR/99; que se deve ter em mente, também, que, no ato da alienação, o ágio não mais figurava como ágio, mas como custo de investimento; Logo, o ágio decorrente da aquisição da NORTELAS, no momento da incorporação ao capital da HUYCK, transformou em custo contábil, dedutível perante a legislação do IRPJ (RIR/99, art. 426); que, ainda que o AuditorFiscal não vislumbre a figura da alienação quando da integralização de capital na empresa HUYCK (utilização do investimento na NORTELAS para integralização de capital na HUYCK, em 15/09/1999), ainda assim, a impugnante acredita que não há motivo tratar o montante de R$ 41.050.793,93 como despesa indedutível, pois em 02/12/1999 aconteceu a alienação da participação societária da impugnante na HUYCK para a XERIUM DO BRASIL LTDA, o que culminou na saída da impugnante do quadro societário da HUYCK; que, como o investimento da impugnante na NORTELAS estava incorporado ao capital da HUYCK , a alienação da participação no capital da HUYCK implicou, por conseguinte, alienação da NORTELAS. 2.4) – MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ (sobre base de cálculo estimada): que em face das infrações imputadas, e já impugnadas, decorreu outra infração: falta de recolhimento do IRPJ sobre base estimada. Vale dizer, que o AuditorFiscal julgou necessário fazer ajustes na base de cálculo do IRPJ do anocalendário 1999, em face: a) da suposta omissão de receita; b) da suposta indedutibilidadade da perda de capital em alienação de investimento. Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.577 9 Que tais ajustes implicaram falta de recolhimento do IRPJ calculado com base na receita bruta e acréscimos, em 30/11/1999 e 31/12/1999 (lucro real anual, com recolhimento mensal do IRPJ por estimativa); que, considerando a inexistência das infrações que dariam suporte a esta infração, não há como prevalecer a exigência da multa isolada. 2.5 – DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PROTESTO PELA COMPROVAÇÃO DO ALEGADO POR TODOS OS MEIOS DE PROVA: que, caso pairem dúvidas a respeito da idoneidade e veracidade dos documentos anexados à impugnação, a impugnante solicita, fundada no direito de ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes (CF, art. 5º, LV) e com base no permissivo contido no art. 18 do PAF (Decreto nº 70.235/72), que seja realizada diligência fiscal ou intimações para apuração da veracidade das alegações e provas carreadas aos autos pela impugnante, sob pena de cerceamento do direito de defesa. A 2ª Turma da DRJ em Brasília/DF analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0320.789, de 11/05/2007 (fls. 594/622), considerou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1999 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. ALEGAÇÃO DE VÍCIO FORMAL. SUPOSTO ERRO NA QUANTIFICAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. REJEIÇÃO DA PRELIMINAR. Eventual erro na quantificação da base de cálculo do crédito tributário atinente a determinada infração não constitui vício formal, mas sim erro material, que, em regra, se comprovado tal erro, é facilmente sanável de ofício pelo próprio julgador. Porém, não sendo sanável, o erro material gera a improcedência do lançamento fiscal, e não a sua nulidade. PRELIMINAR. DECADÊNCIA PARCIAL. IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS E COFINS). INOCORRÊNCIA DE CADUCIDADE. REJEIÇÃO DA PRELIMINAR. I O fato gerador do IRPJ, no regime de apuração do lucro real anual com recolhimento do imposto por estimativa mensal, é 31 de dezembro do respectivo anocalendário. Para lançamento de ofício do imposto, o termo a quo do prazo decadencial de cinco anos é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação da inteligência dos arts. 149, V, e 173, I, do CTN. II Para as contribuições sociais financiadoras da seguridade social, o prazo decadencial é de dez anos, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.212/91. ATRASO NA APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (EXIGÊNCIA DE PRESTAÇÃO POSITIVA). APLICAÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR. A penalidade aplicável multa regulamentar, pela não apresentação tempestiva dos arquivos magnéticos com informações solicitadas pela Fiscalização, é a vigente na data da infração (descumprimento de obrigação acessória), e não a vigente no ano calendário objeto de fiscalização. PERDA DE CAPITAL PELA INVESTIDORA EM PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA EXTINTA. RECONHECIMENTO DA PERDA, PELA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO, QUANDO DA ALIENAÇÃO DO INVESTIMENTO Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.578 10 (APORTE DE CAPITAL NA PESSOA JURÍDICA CONSTITUÍDA PELA AUTUADA). ORIGEM DA PERDA: PAGAMENTO DE ÁGIO QUANDO DA AQUISIÇÃO DO INVESTIMENTO EXTINTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO FUNDAMENTO ECONÔMICO DO ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO OU DA PERDA DE CAPITAL. Quando da aquisição de investimento em sociedade controlada ou coligada, sujeito à avaliação pelo valor do patrimônio líquido, o custo de aquisição deverá ser desdobrado em subcontas distintas, de forma a evidenciar: o valor do investimento em função da participação no patrimônio líquido da sociedade investida e o ágio verificado na aquisição, representado, respectivamente, pela diferença para mais apurada entre o custo de aquisição do investimento e o valor contábil do investimento. O ágio computado na ocasião da aquisição do investimento deverá ser contabilizado com a indicação do fundamento econômico que o determinou. Concomitantemente com as amortizações, na escrituração comercial, do ágio ou deságio, será mantido controle no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento. Para efeito de baixa do investimento societário pela investidora, o seu custo ou valor contábil é composto pelo valor total do investimento corrigido e ajustado pela equivalência patrimonial, mais o ágio ainda que amortizado. As parcelas do ágio amortizadas na escrituração contábil, decorrente de pagamento de ágio na aquisição de investimento em coligada ou controlada, deverão ser controladas na parte B do LALUR e serão excluídas (ágios) pelos seus valores, devidamente corrigidos, na apuração do Lucro Real correspondente ao período da baixa do investimento. Essa exclusão da amortização será efetuada no LALUR (parte A). Entretanto, se não existir a comprovação dos fundamentos econômicos do pagamento do ágio, as amortizações não poderão ser excluídas da apuração do Lucro Real. OMISSÃO DE RECEITAS. Restando comprovado nos autos que parte da receita apurada pela fiscalização não é da autuada, mas sim de outra pessoa jurídica (a qual foi instituída legalmente pela autuada), absorvendo a sua atividade operacional, revisase o lançamento fiscal. MULTA ISOLADA. NÃO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO ESTIMATIVA EM FACE DE RECOMPOSIÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. Restando comprovada, em parte, a não ocorrência de omissão de receita, revisase o lançamento fiscal para reduzir a multa isolada. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL, PIS E COFINS. Os lançamentos decorrentes seguem a sorte do lançamento principal (IRPJ), quando inexistir razão jurídica para julgamento diverso, uma vez que se referem aos mesmos fatos e elementos probatórios do lançamento principal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA, PERÍCIA E PROTESTO PELA JUNTADA DE DOCUMENTOS. PEDIDO REJEITADO. Para que seja deferido o pedido de diligência, perícia, produção ou juntada de outras provas, o requerimento deve, além de demonstrar com fundamentos a sua necessidade, ser formulado em consonância com o inciso IV e § 1º artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Ciente da decisão de primeira instância em 13/07/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 637, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/08/2007 conforme carimbo de recepção à folha 642. No recurso interposto (fls. 643/682), alega preliminarmente a ocorrência da decadência do direito da Fazenda de lançar os créditos tributários de PIS e COFINS para os fatos geradores ocorridos em janeiro, fevereiro, maio e junho do ano de Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.579 11 1999, em face do prazo estabelecido pelo art. 150, § 4º, do CTN e, ainda, do fato de que o lançamento foi feito em 26/10/2004. No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: DA PERDA DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA A recorrente afirma que: (i) o preço de aquisição da Nortelas (nele incluído o ágio) teria sido efetivamente pago a um terceiro sob condição de mercado não contestada; (ii) todos os documentos que suportam a escrituração comercial teriam sido apresentados; e (iii) o valor pago pela aquisição da Nortelas (nele incluído o ágio) teria sido devidamente corrigido até 31/12/1995, conforme os critérios estabelecidos pela legislação tributária, critérios esses não contestados pelo Auditor Fiscal. Considera que o fundamento econômico do ágio seria inexigível em seu caso, à luz do § 3º do art. 385 do RIR/99, posto que o ágio, no caso em tela, seria atribuído a “outras razões econômicas”. Reitera que seu procedimento contábil e fiscal teria sido correto, e que o ágio pago na aquisição do investimento seria integralmente dedutível na perda de capital apurada quando de sua alienação, representada, no caso, pela integralização de capital, mediante conferência de ativos, na empresa Huyck Indústria e Comércio Ltda. Acrescenta que o enquadramento legal utilizado para o lançamento da CSLL, no que tange a esta infração, seria equivocado. Por sua ótica, inexistiria dispositivo legal que suporte a exigência de CSLL na situação presente, pelo que deveria a exigência ser exonerada. DAS MULTAS ISOLADAS POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ A recorrente esclarece que, já em primeira instância, o IRPJ foi integralmente exonerado, restando somente a redução de prejuízo fiscal. Assim, alega que, tendo apurado prejuízo fiscal em 31/12/1999, seria incabível a exigência do recolhimento de estimativas, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes, que colaciona. Subsidiariamente, caso sua alegação não seja acolhida, pede a aplicação retroativa do art. 14 da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, a qual reduziu o percentual aplicável de 75% para 50%. DO ATRASO NA APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS Afirma a interessada, inicialmente, que teria apresentado os arquivos magnéticos dentro do prazo estipulado na reintimação, pelo que não caberia qualquer multa. A seguir, a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, quanto ao seu entendimento de que seria aplicável a legislação vigente à época do período fiscalizado (1999) e não aquela vigente por ocasião da fiscalização (2004) e, ainda, quanto a ser cabível, no caso, o princípio da retroatividade benigna, aplicandose a regra vigente à época do suporte fático da infração. Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.580 12 DA IMPOSSIBILIDADE DE ATUALIZAÇÃO DA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO A recorrente reclama contra a incidência de juros sobre as multas lançadas, o que estaria sendo feito, afirma, sem previsão legal. Como a exoneração de crédito tributário superou o limite de alçada (R$ 500.000,00), a Turma Julgadora também recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 375/2001. Na apreciação inicial realizada por esta Primeira Turma Ordinária, o Colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, nos exatos termos do voto condutor que a seguir transcrevo. Compulsando os autos, verifico que o processo não se encontra em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Inicialmente, não encontro nos autos o Termo de Apresentação de Documentos e Reintimação nº 02, lavrado em 29/06/2004, mencionado pelo Fisco à fl. 265 e pela recorrente à fl. 673. Consideroo indispensável para a formação de convicção quanto à existência ou não de atraso na apresentação de arquivos em meio magnético, e, em havendo atraso, para sua quantificação. No que tange à infração intitulada GANHOS E PERDAS DE CAPITAL – PERDA DE CAPITAL EM PARTICIPAÇÃO EXTINTA EM DECORRÊNCIA DE APORTE DE CAPITAL, encontro, às fls. 543/551, cópias de cheques utilizados como pagamento na aquisição do investimento na Nortelas. Tais cheques totalizam, em moeda da época, Cz$ 5.375.491.795,00 (fl. 542), e foram contabilizados, em 05/07/1988, a débito da conta 1484006 (fl. 558). No entanto, não encontro nos autos documento que permita saber se o valor pago de Cz$ 5.375.491.795,00 inclui valor patrimonial e ágio, ou somente o valor patrimonial. As folhas do Diário de dez/1988 (fls. 554/555) não auxiliam nesse sentido. No demonstrativo elaborado pela interessada à fl. 569, consta que o valor original do ágio seria Cz$ 3.741.632.297,20, mas não encontro documento que comprove essa assertiva. Em outras palavras, não há certeza sobre o efetivo pagamento do ágio, nem sobre seu valor original, em Cruzados (Cz$). Ademais, incerto o valor original, tornase impossível qualquer apreciação sobre os valores da correção monetária (demonstrativos de fls. 567/573). Constato, ainda, que o fundamento utilizado pela fiscalização para a autuação girou exatamente sobre estes pontos, como se depreende do seguinte trecho do Termo de Verificação nº 02 (fls. 169/170): [...], considerando que não foi possível avaliar o registro contábil e a documentação comprobatória (legal) que justificariam a aquisição do investimento e seu desdobramento entre custo de aquisição e ágio, podemos concluir que a amortização do ágio sobre investimento na NORTELAS constitui despesa não dedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, em virtude da não comprovação do pagamento do mesmo, bem como, dos cálculos da correção monetária e do fundamento econômico que gerou a obrigação. Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.581 13 Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte intime a interessada, examine sua escrita contábil e adote as seguintes providências: Faça acostar aos autos o Termo de Apresentação de Documentos e Reintimação nº 02, lavrado em 29/06/2004. Informe o valor original, em Cruzados (Cz$), correspondente ao valor patrimonial do investimento na Nortelas, adquirido em 05/07/1988, e faça acostar aos autos documentação comprobatória, se existente. Informe o valor original, em Cruzados (Cz$), correspondente ao valor do ágio alegadamente pago sobre o investimento na Nortelas, adquirido em 05/07/1988, e faça acostar aos autos documentação comprobatória, se existente. Caso o pagamento do ágio não esteja incluído nos Cz$ 5.375.491.795,00 (cheques às fls. 543/551), juntar ao processo documentos que comprovem a efetividade de seu pagamento. Especifique data, valor e contas creditada e debitada (código e nome) em cada lançamento contábil efetuado para o registro da aquisição do investimento na Nortelas (valor patrimonial e ágio), em 05/07/1988. Juntar aos autos cópia das páginas dos livros Diário e Razão, de 1988, em que estejam contabilizados os lançamentos referidos. Teça as considerações que considerar pertinentes acerca dos demonstrativos da correção monetária do ágio, elaborados pela interessada, que constam às fls. 567/573. O resultado final das verificações ora requeridas deve constar de relatório conclusivo, do qual deve ser cientificada a empresa, para que, querendo, se manifeste sobre seu conteúdo e conclusões, no prazo de 30 dias. Na hipótese de desistência do recurso, por parte do contribuinte, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deverá ser informado. Em atendimento ao solicitado por esta Primeira Turma Ordinária, a Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo produziu o RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA de fls. 1506/1512. Cientificada das conclusões esposadas no referido RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA, a contribuinte aportou ao processo o documento de fls. 1.553/1.561, em que, em apertada síntese, sustenta: ARQUIVOS MAGNÉTICOS que concorda com a informação prestada pela agente fiscal responsável pela diligência, e reitera que a multa aplicada já foi paga com os benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, razão pela qual requereu a desistência do processo quanto a esta parte. INVESTIMENTO NA NORTELAS que, quando da compra da Nortelas pela BRT Brasil Ltda., o sistema tributário brasileiro não estabelecia a obrigatoriedade de guarda de documentos pelo período em que pudessem repercutir efeitos tributários, fato este inaugurado com o art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996; Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.582 14 que, assim como o autuante, a agente fiscal responsável pela diligência insiste em afirmar que a mera falta de expressa indicação do fundamento econômico que embasou o registro do ágio teria o condão de invalidar a consideração do custo de aquisição efetivamente incorrido, para fins de determinação da perda de capital na venda da companhia Nortelas; que a agente fiscal responsável pela diligência prosseguiu com a maliciosa e inverídica afirmação de que na operação de venda da Nortelas não teria ocorrido a troca de controle desta companhia, insinuando ser fictícia a perda percebida pela BTR Brasil, sua antecessora; que o valor total de Cz$ 5.375.491.795,00 foi efetivamente pago pela BTR Brasil Ltda. na aquisição da Nortelas, constituindo efetivo custo, nos termos do art. 426 do RIR/99; que a mera falta de indicação do fundamento econômico para o registro do ágio na contabilidade da BTR Brasil não é motivo hábil para a desconsideração deste valor como custo de aquisição; que, em não havendo a explicitação do fundamento econômico pelo qual o ágio foi registrado, a rubrica “outras razões econômicas” deve obrigatoriamente ser considerada, eis que residual; que refuta a insinuação da agente fiscal responsável pela diligência no sentido da inexistência de efetiva perda de capital na alienação da Nortelas; que, ao atacar e desconsiderar os índices relativos ao Plano Verão na composição da correção monetária, a agente fiscal responsável pela diligência inovou na autuação, pela mudança do critério jurídico para o embasamento do lançamento. É o Relatório. Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.583 15 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Verificado que sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário superior ao limite estabelecido na Portaria MF nº 3, de 2008, que o recurso voluntário foi interposto dentro do prazo legal e que foram atendidas as demais prescrições legais, conheço dos apelos. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS), MULTA ISOLADA e MULTA REGULAMENTAR, relativas ao anocalendário de 1999. As infrações imputadas à contribuinte foram as seguintes: i) atraso na apresentação de arquivos em meio magnético (MULTA REGULAMENTAR); ii) omissão de receitas, materializada pela ausência de oferecimento à tributação de parte das receitas de vendas (diferença entre os valores escriturados nos livros fiscais – Livro Registro de Entradas, Livro Registro de Saídas e Livro Registro de Apuração do IPI – e aqueles que constam da escrituração comercial); iii) glosa de despesa com amortização de ágio; e iv) falta de recolhimento do IRPJ com base em estimativas (MULTA ISOLADA). Aprecio, pois, os recursos interpostos. RECURSO DE OFÍCIO A matéria submetida ao recurso necessário diz respeito à infração descrita no Termo de Verificação Fiscal nº 01 (fls. 117/120). Na forma adotada pelo ato decisório recorrido, transcrevo o assinalado no referido Termo de Verificação Fiscal. I OMISSÃO DE RECEITAS A DOS FATOS Com base nos livros fiscais, tais como: Livro Registro de Entradas de Mercadorias, Livro Registro de Saídas de Mercadorias e Livro de Apuração do IPI, das filiais CNPJ 45.040.185/000287, Inscrição Estadual 671.031.066.110 e CNPJ 45.040.185/000368, Inscrição Estadual, efetuamos o levantamento das receitas de vendas efetuadas no ano calendário de 1999, conforme demonstrativos e cópias dos livros fiscais anexados ao presente termo (fls. 121/155). O montante das receitas de Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.584 16 vendas auferidas é de R$ 26.046.236,68, como demonstrado na linha TOTAL no relatório anexo (fls. 122). Nas contas contábeis de receitas 3101, 3110, 3120 e 3200, constantes da escrituração comercial do contribuinte, o montante contabilizado no ano calendário de 1999 é de R$ 17.871.099,06, conforme demonstrativo elaborado com base nos balancetes e razões mensais (fls. 122, 156/167). Diante do exposto, podemos concluir que ocorreu omissão de receitas de vendas no montante de R$ 8.175.137,59, que deixou ser registrada no resultado do exercício, como demonstrado a seguir: Fontes: Valor R$ Receita auferida com base nos livros fiscais 26.046.236,68 Receita auferida conforme registros contábeis 17.871.099,06 Diferença não contabilizada 8.175.137,59 [...] III DA BASE DE CALCULO O valor tributável está demonstrado como segue: Fato Gerador: Valor R$ 01/99 23.323,29 02/99 447.357,72 05/99 19.684,57 06/99 28.877,43 10/99 4.343.822,00 11/99 2.706.219,54 12/99 605.853,04 TOTAL 8.175.137,59 Relativamente a tal matéria, o voto condutor da decisão exarada em primeira instância assinala: A impugnante alegou que até 31 de agosto de 1999 ofereceu à tributação, em seu nome, os resultados das filiais (Divisão Stowe e da Divisão Huyck), cujas Divisões (filiais) constam, expressamente, do Contrato Social da BTR (atual Invencys) de 24/02/1999 (fls. 425/432). Que a partir de 1º de setembro de 1999, em face da constituição da pessoa jurídica HUYCK INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, em 15 de setembro de 1999 (fls. 434/441), todos os resultados das então filiais ficaram a cargo dessa nova pessoa jurídica, conforme instrumento particular de 1ª Alteração do Contrato Social Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.585 17 da Huyck Indústria e Comércio Ltda, CNPJ: 03.432.843/000155, de 31/10/1999 (fls. 447/455). Que a pretensa "omissão de receita" apurada pelo AuditorFiscal, relativa aos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 1999, foi reconhecida contabilmente pela HUYCK Indústria e Comércio Ltda, conforme demonstrativo resumo à fl. 462. Para comprovar suas alegações, o sujeito passivo, ainda, juntou aos autos os documentos às fls. 422/540. Analisandose as provas carreadas aos autos pela impugnante temse: 1) Que, a partir de 1º/09/1999, conforme estabelecido no instrumento contratual de constituição da HUYCK e alterações, passaram à HUYCK pessoa jurídica as atividades da BTR e, por conseguinte, as obrigações contábeis e tributárias quanto ao exercício das atividades, dessa data em diante, seriam de responsabilidade da HUYCK (pessoa jurídica autônoma), conforme documentos às fls. 402/460. Como a HUYCK absorveu as atividades operacionais da BTR, as receitas operacionais a partir de 1º/09/1999 seriam da HUYCK, embora esta tenha utilizado notas fiscais, documentos contábeis e livros fiscais da BTR (na fase de transição). Nesse sentido, a BTR a partir de 1º/09/1999 deixou de oferecer à tributação os resultados das atividades operacionais da HUYCK, embora esta tenha utilizado documentos e livros daquela. Essa situação de absorção das atividades operacionais pela HUYCK não foi comunicada à SRF (declaração em caso de situação especial), pois não se enquadra na situação de fusão, cisão ou incorporação de empresa, mais de absorção de atividade operacional. Em face dessa absorção das atividades operacionais pela HUYCK (a partir de 01/09/1999), a impugnante comprovou nos autos que: 1) Quanto às receitas de setembro e outubro de 1999: Às fls. 466/480, a impugnante juntou cópia do Razão contábil de setembro e outubro de 1999 da BTR Brasil Ltda e Balancete de Outubro de 1999 da Huyck Indústria e Comércio Ltda. Nesses documentos, a impugnante demonstra que: a) transferira o registro, inclusive, das vendas líquidas, relativas a setembro e outubro/1999 à HUYCK, no montante de R$ 5.281.159.50 (fls. 471) e que, por sua vez, esse valor consta registrado no Balancete de outubro/99 da HUYCK Indústria e Comércio Ltda (fl. 473); que, especificamente quanto às saídas de outubro/99, há registro idêntico de valor das vendas na BTR e na HUYCK no valor de R$ 2.513.931,12, inclusive se referindo às mesmas notas fiscais (registro de saídas às fls. 476/477 e 479/480); b) que houve o citado montante de receitas no valor R$ 5.281.159,50 foi objeto de tributação pelo IRPJ, conforme demonstrativo do lucro à fl. 503, do LALUR à fl. 506, da DIPJ à fl. 516, e do recibo da DCTF 3º Trimestre/99 à fl. 522; c) da cópia da Nota Fiscal que informa a utilização pela HUYCK de documentação fiscal da BTR (fl. 501). Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.586 18 b) que o Lucro do Exercício (Balancete de Verificação) da Huyck, relativo outubro/99, foi de R$ 499.975,28. (fl. 474); c) às fls. 503 e 506 (LALUR) da Huyck, relativo à outubro/1999, consta lucro real no valor de R$ 708.766,77; f) às fls. 521/536, consta cópia das DCTF do 3º e 4º trimestres de 1999 da Huyck, informando os débitos do IRPJ (3º Trimestre/99, IRPJ R$ 175.191,70) e 4º Trimestre (IRPJ RS 0,00, IRRF 37.612,19, IPI R$ 80.442,81, PIS/PASEP R$ 15.305,24 e COFINS R$ 70.639,58). A DCTF do 3º Trimestre/1999 foi transmitida eletronicamente em 07/02/2000 (fl. 522) e a DCTF do 4º trim/1999 foi transmitida eletronicamente em 24/05/2004 (fl. 526). g) quanto à CSLL do período outubro a dezembro/99, apresentou a DIPJ 2000 (fls. 518/520) e não consta valor algum nas DCTF (fls. 522 e 526). 2) Quanto às receitas dos meses de novembro e dezembro/1999: a) quanto à novembro/99, embora tenham sido utilizadas as notas fiscais de saídas da BTR, a HUYCK reconheceu receitas no valor R$ 2.717.869,36 {fis.483 e 485). Nesse sentido, no Livro Registro de Saídas de Mercadorias, de ambas as empresas citadas, há registro de saídas de mercadorias no valor de R$ 2.505.844,24. Vale dizer, os registros da BTR e da HUYCK são idênticos, em termos de valores e de n°s das notas fiscais (fls. 487/488); b) quanto à dezembro/99, as receitas líquidas da HUYCK foram no valor de R$ 2.138.230, 77 (fls. 491 e 493). Porém, somente foram utilizadas notas fiscais da BTR até o dia 03/12/1999 (vendas no valor de RS 237.778,43, de um total de vendas de R$ 2.297.348,19), conforme cópia do Registro de Saídas (fls. 499/500 e 495/497). Destarte, os documentos juntados aos autos pela impugnante comprovam que a HUYCK assumiu os resultados das atividades absorvidas a partir de 01/09/1999, embora tenha oferecido à tributação os resultados de setembro/99 apenas em outubro/99 (somatório dos dois meses citados). Sendo assim, devese revisar o lançamento fiscal, quanto à infração OMISSÃO DE RECEITAS para: a) manter, integralmente, a infração omissão de receitas quanto aos fatos geradores de 01/99 (valor tributável RS 23.323,29,), 02/99 (Valor tributável R$ 447.357,72; 05/99 (Valor tributável R$ 19.684,57; e 06/99 (valor tributável R$ 28.877,43); b) afastar a infração omissão de receitas quanto aos meses 10/99, 11/99 e 12/99, pois as receitas pertencem à HUYCK, e não à BTR. Por conseguinte, o valor tributável mantido da infração omissão de receitas é o seguinte: Fato Gerador: Valor R$ 01/99 23.323,29 02/99 447.357,72 Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.587 19 05/99 19.684,57 06/99 28.877,43 TOTAL 519.243,01 Ou seja: o valor tributável da infração omissão de receita ficou reduzido de R$ 8.175.137,59 para R$ 519.243,01. [...] c) quanto à Contribuição para o PIS (infração omissão de receitas): Em função do afastamento de parte da omissão de receitas, permanece a exigência da Contribuição para o PIS quanto aos meses (fatos geradores) 01/99, 02/99, 06/99 e 07/99 (fls. 314/315). Por conseguinte, o valor da Contribuição para o PIS deve ser reduzida de R$ 53.138,36 para RS 3.375,06, bem assim a multa de ofício e os juros correspondentes. d) quanto à COFINS (infração omissão de receitas): Em decorrência do afastamento de parte da omissão de receitas, permanece a exigência da COFINS quanto aos meses (fatos geradores) 01/99, 02/99, 06/99 e 07/99, conforme demonstrativo do auto de infração às fls. 318/319. Por conseguinte, o valor da COFINS deve ser reduzida de R$ 245.020,87 para R$ 15.344,04, bem como a multa de ofício e os juros de mora. DAS MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Foi mantida a indedutibilidade da amortização do ágio no valor de R$ 41.050.793,93, pela falta de comprovação do fundamento econômico para o seu pagamento, quando da aquisição do investimento. Entretanto, em face do afastamento da omissão de receita quanto aos meses de 10/99 e 11/99, tornase necessário recalcular a multa isolada do IRPJ e da CSLL, por não pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal (revisão do lançamento fiscal). Sendo assim, o demonstrativo de aplicação da multa isolada à fl. 297, quanto aos meses de outubro/99 e novembro/99 deve ser, também, alterado. Revisão do lançamento fiscal quanto à multa isolada do IRPJ do ano calendário 1999 [...] Logo, a multa isolada do mês 10/99 deve ser reduzida de RS 956.175,48 para R$ 141.708,85, e a multa isolada do mês 11/99 deve ser reduzida de R$ 567.237,42 para R$ 59.821,25. Não é digno de reparo o decidido em primeira instância, eis que a contribuinte aportou ao processo documentos de natureza contábil e fiscal que demonstram que, em razão da transformação da filial (estabelecimento operacional) denominada DIVISÃO HUYCK na pessoa jurídica HUICK INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, a variação Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.588 20 patrimonial decorrente das operações realizadas no período de setembro a dezembro de 1999 foi integralmente reconhecida, a partir de 1º de outubro de 1999, nesta última (HUICK INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA). A redução das exigências de PIS e COFINS e da multa isolada aplicada são meras decorrência do decidido em relação à omissão de receita, motivo pelo qual conduzo meu no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Destaco, primeiramente, que, como anotado no Relatório de Encerramento de Diligência de fls. 1.506/1.512 (numeração do arquivo digitalizado), a contribuinte interpôs em 26 de fevereiro de 2010 desistência parcial do recurso, relativamente ao item 2 do auto de infração, que trata da multa por atraso na entrega de arquivos magnéticos (fls. 732). Resta apreciar, portanto, nos presentes autos, os argumentos trazidos pela Recorrente relativamente às seguintes matérias: decadência do direito de constituição dos créditos tributários relativos à COFINS e ao PIS dos meses de janeiro, fevereiro, maio e junho de 1999; perda de capital na alienação de investimento avaliado pelo método de equivalência; enquadramento legal na autuação da CSLL; falta de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas) de IRPJ; impossibilidade de atualização da multa de lançamento de ofício. Cabe observar, assim, que a Recorrente não traz considerações acerca da parcela da receita omitida mantida em primeira instância, motivo pelo qual devese ter como definitivamente constituído em âmbito administrativo os créditos tributários incidentes sobre o montante de R$ 519.243,01, relativo à infração descrita no TERMO DE VERIFICAÇÃO Nº 01 (fls. 117/120). Aprecio, pois, as alegações da Recorrente. DECADÊNCIA Sustenta a Recorrente que no momento da lavratura dos autos de infração já havia operado a decadência do direito de o Fisco constituir créditos de PIS e de COFINS, relativamente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro, fevereiro, maio e junho de 1999. Estando diante de contribuições submetidas ao denominado lançamento por homologação, sirvome do pronunciamento do Ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha que, com clareza solar, aborda as questões relacionadas à caducidade estampada parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional [...] A decadência, especialmente no que toca aos tributos sujeitos ao lançamento dito por homologação, é matéria tormentosa, que tem suscitado interpretações variadas mesmo no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em oportunidades anteriores, tenho me manifestado no sentido de que o critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de ofício deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. Os tributos sujeitos a lançamento por homologação seriam aqueles para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.589 21 Administrativa. Seria essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte, que faria com que o lançamento fosse por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. Entretanto, com o louvável fito de fazer com que as decisões administrativas se conformassem à jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) sofreu alterações, especialmente a introdução do art. 62A no Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, com a redação a seguir transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010) Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.590 22 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Posteriormente, o próprio STJ reviu seu posicionamento quanto ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Ressalto que o ilustre Ministro Relator, após mencionar expressamente o REsp nº 973.733, registra que “impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. O julgamento ocorreu em 09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em 26/02/2010, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.591 23 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro caso (REsp nº 973.733), o termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completandose o fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995. Embora entenda que a aplicação das disposições estabelecidas pelo parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional esteja condicionada à realização da atividade ali prevista, sendo ela o objeto da homologação e não o pagamento, em virtude do comando regimental, curvome ao entendimento esposado pelo Superior Tribunal de Justiça nos julgados antes transcritos. Nessa linha, tendo a Recorrente comprovado que efetuou pagamentos de PIS e COFINS, relativamente aos meses de janeiro, fevereiro, maio e junho de 1999 (fls. 699/726), e, diante da ausência de conduta dolosa, restam aplicáveis as disposições do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Cabe registrar que a partir da publicação1 da súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucional, entre outros dispositivos, o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, tal norma não pode mais servir de suporte para contagem do prazo decadencial relativos às contribuições em referência. No presente caso, a contribuinte foi cientificada dos lançamentos tributários em 26 de outubro de 2004, conforme registros de fls. 316 e 320, e os autos de infração alcançaram fatos geradores ocorridos em janeiro, fevereiro, junho2, julho, outubro, novembro e dezembro de 1999, logo, relativamente aos fatos geradores ocorridos até setembro de 1999, já não era mais possível promover a constituição do crédito tributário. 1 A referida súmula foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 20 de junho de 2008. 2 A autoridade autuante, apesar de no Termo de Verificação Fiscal indicar que os montantes de R$ 19.684,57 e R$ 28.877,43 correspondiam a fatos geradores ocorridos nos meses de maio e junhio de 1999, respectivamente, nos autos de infração assinalou as seguintes datas: 30/06/1999 (R$ 19.684,57) e 31/07/1999 (R$ 28.877,43). Entretanto, tal equívoco não trouxe qualquer prejuízo para Recorrente, eis que relativamente aos fatos geradores ocorridos até 30/09/1999 já não poderiam ser constituídos créditos tributários, haja vista a ocorrência de caducidade. Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.592 24 Assim, acolho o argumento de caducidade do direito de a Fazenda constituir os créditos tributários de PIS e de COFINS relativos aos meses de janeiro, fevereiro, junho e julho de 1999. PERDA DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Argumenta a Recorrente que, muito embora o agente fiscal tenha recebido a documentação comprobatória do custo de aquisição da empresa NORTELAS, ele entendeu que o ágio pago não possuía respaldo documental. Alega que o montante pago de R$ 46.971.866,09 correspondeu ao somatório do valor de patrimônio líquido da investida de R$ 5.921.072,14 e o ágio de R$ 41.050.793,93. Afirma que o ágio foi contabilizado como perda de capital, na conta resultado do exercício, no mês de agosto de 1999, sob a rubrica “amortização”. Diz que a motivação para a manutenção da exigência por parte da Turma Julgadora de primeiro grau foi a suposta falta de demonstrativo do fundamento econômico do ágio. Sustenta que tanto a autoridade autuante como a julgadora não atentaram para a inexistência da exigência do arquivamento de demonstrativos que fundamentam economicamente o ágio pago com base no fundo de comércio e outras razões econômicas. Aduz que, caso se entenda que a integralização de capital não corresponde a alienação para fins de apuração do ganho ou perda de capital, ainda assim, a perda seria dedutível, vez que ocorreu a venda do investimento no mesmo ano da integralização de capital. Para uma melhor compreensão dos termos da autuação, transcrevo, abaixo, fragmentos do TERMO DE VERIFICAÇÃO Nº 2 (fls. 168/171). [...] I PERDA DE CAPITAL EM PARTICIPAÇÃO EXTINTA EM DECORRÊNCIA DE APORTE DE CAPITAL O contribuinte acima identificado através do Termo de Inicio de Fiscalização lavrado em 04/06/2004 (fls. 05/06), foi intimado para apresentar no prazo de 20 (vinte) dias, documentação fiscal comprobatória do ajuste como resultado negativo em participações societárias no valor de R$ 46.971.866,09, constante da Ficha 07 A Demonstração do Resultado, linha 36 Resultado Negativo em Participações Societárias, da DIPJ do ano calendário de 1999. [...] Em 28/09/2004, isto é, após a apresentação de todos os documentos acima, a fiscalizada foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal n. 011, para no prazo de 10 (dez) dias, apresentar os recibos de entregas de DCTFs, os comprovantes que justificariam o pagamento e a amortização do ágio sobre investimentos, no valor de R$ 41.050.793,93 debitando ao resultado de 1999, acompanhado da memória de cálculo da correção monetária e os valores contabilizados como resultado de equivalência (fls. 263). Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n. 011, o contribuinte informou verbalmente que não teria como apresentar os comprovantes que justificariam o pagamento do ágio sobre o investimento na NORTELAS, no valor R$ 41.050.793,93, o qual foi amortizado por ocasião do aporte de ativos a empresa HUYCK, ocorrida em 31/08/99. Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.593 25 Com base nos saldos constantes do balancete de 31/08/99, montamos a composição do valor de R$ 41.050.793,99, como segue: CONTA composição do ÁGIO armotizado NORTELA 31/8/99 VALOR – R$ 1705076 ÁGIO participação NORTELAS 13.535.788,55 1707051 CM 8200 ÁGIO participação NORTELAS 13.599.826,77 1709020 CM Plano Verão ÁGIO participação NORTELAS 6.941.169,86 1711027 CM Plano Verão ÁGIO participação NORTELAS 6.974.008,75 total do ágio amortizado em 31/08/99 41.050.793,03 Diante do exposto acima e, considerando que não foi possível avaliar o registro contábil e a documentação comprobatória (legal) que justificariam a aquisição do investimento e seu desdobramento entre custo de aquisição e ágio, podemos concluir que a amortização do ágio sobre investimento na NORTELAS constitui despesa não dedutível na apuração do lucro real e da base da contribuição social sobre o lucro, em virtude da não comprovação do pagamento do mesmo, bem como, dos cálculos da correção monetária e do fundamento econômico que gerou a obrigação. (GRIFEI) Notase, assim, que a Fiscalização: i) tratou a operação investigada como PERDA DE CAPITAL EM PARTICIPAÇÃO EXTINTA EM DECORRÊNCIA DE APORTE DE CAPITAL; e ii) fundamentou a autuação nos seguintes elementos: a) impossibilidade de avaliação do registro contábil e da documentação comprobatória que justificaram a aquisição do investimento e o seu desdobramento entre custo de aquisição (valor de patrimônio líquido) e ágio; b) ausência de comprovação de pagamento; c) ausência de comprovação dos cálculos da correção monetária; e d) ausência de comprovação do fundamento econômico que gerou a obrigação. Diante desse contexto, penso que devam ser afastadas discussões e análises acerca do fato de a subscrição de capital feita pela fiscalizada representar ou não alienação para fins de apuração de ganho ou perda de capital, eis que não foi esse o caminho trilhado pela autoridade autuante. Em convergência com o alegado pela Recorrente, o ato decisório recorrido direcionase no sentido de considerar a exigência procedente em razão de a contribuinte não ter demonstrado, na sua escrituração contábil e fiscal, a razão do pagamento do ágio. Embora a autuação tenha considerado a ausência de comprovação do fundamento econômico do ágio como um dos suportes para a autuação, a infração que ora se aprecia, como visto, não foi baseada exclusivamente nessa constatação. Penso, inclusive, que o fato de a contribuinte não ter comprovado o fundamento econômico do ágio, por si só, não pode dar causa a glosa efetuada pela Fiscalização, eis que, na linha do argumentado na peça recursal, não estamos diante da Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.594 26 aplicação das disposições do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, circunstância em que o fundamento econômico em questão é essencial para fins de dedução da amortização da despesa de ágio. O art. 33 do DecretoLei nº 1.598/77, por sua vez, estabelece que o valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido, será a soma algébrica do valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte e do ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial, inexistindo, pois, qualquer referência ao fundamento do ágio (ou deságio). Por outro lado, diferentemente do que alega a Recorrente, não é correta a afirmação de que, por ocasião da realização do procedimento fiscal, foi apresentada a documentação comprobatória do custo de aquisição da empresa NORTELAS. A informação da autoridade fiscal é de que, em resposta à intimação, “o contribuinte informou verbalmente que não teria como apresentar os comprovantes que justificariam o pagamento do ágio sobre o investimento na NORTELAS, no valor de R$ 41.050.793,93...”. Os elementos reunidos ao processo corroboram a conclusão acima, eis que demonstram que os comprovantes de pagamento de fls. 543/549 foram aportados ao processo por meio da peça impugnatória. Como visto, relativamente à matéria sob apreciação, esta 1ª Turma Ordinária, convertendo o julgamento em diligência, solicitou as seguintes informações: 1. o valor original, em Cruzados (Cz$), correspondente ao valor patrimonial do investimento na Nortelas, adquirido em 05/07/1988, acostandose aos autos a documentação comprobatória, se existente; 2. o valor original, em Cruzados (Cz$), correspondente ao valor do ágio alegadamente pago sobre o investimento na Nortelas, adquirido em 05/07/1988, acostandose aos autos documentação comprobatória, se existente (caso o pagamento do ágio não estivesse incluído nos Cz$ 5.375.491.795,00 – cheques às fls. 543/551 – , fosse juntado ao processo documentos que comprovassem a efetividade de seu pagamento); 3. data, valor e contas creditada e debitada (código e nome) em cada lançamento contábil efetuado para o registro da aquisição do investimento na Nortelas (valor patrimonial e ágio), em 05/07/1988 (fosse juntado aos autos cópia das páginas dos livros Diário e Razão, de 1988, em que estivessem contabilizados os referidos lançamentos). Em atendimento, a Delegacia Especial da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo prestou os seguintes esclarecimentos (fls. 1.506/1.512): i) em cruzados (moeda da época), o ágio pago na aquisição da participação societária na NORTELAS foi de Cz$ 3.741.632.297,70, estando contido no montante de Cz$ 5.375.491.795,00, que representou o total pago; ii) embora a contribuinte alegue que o valor lançado na conta de resultado a título de despesa no montante de R$ 41.050.793,91 não se trata de amortização de ágio e sim de perda de capital apurada na alienação do investimento, “devese observar que a legislação Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.595 27 só permite deduzir a perda de capital na alienação do investimento se houver comprovação da existência do ágio e da justificação pelo fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, parágrafo 2º)”; iii) a contribuinte não apresentou comprovação do fundamento econômico do ágio, o que leva à conclusão de que ele decorreu de mera liberalidade da empresa BTR Brasil e a amortização não é dedutível, haja vista a falta de necessidade; iv) a legislação tributária não autoriza a realização da denominada CORREÇÃO MONETÁRIA DO PLANO VERÃO; v) inexiste justificativa, inclusive em seara judicial, para a contribuinte aplicar a correção monetária do plano verão ao custo da participação societária na NORTELAS; vi) considerada a legislação de regência , o valor em reais do ágio em questão em 31/08/1999 é de R$ 13.425.087,00, e, corrigido monetariamente, alcança o montante de R$ 26.914.614,42 Com o devido respeito, penso que o juízo acerca da necessidade é mais apropriado na apreciação dos custos e das despesas que integraram o resultado operacional do contribuinte, sendo inadequado a averiguação de tal atributo na apuração do ganho ou perda de capital (resultado não operacional). De qualquer modo, como já destaquei, entendo que a simples ausência de apresentação do fundamento econômico que justificou o pagamento do ágio não pode servir de suporte para a sua glosa, isso na circunstância em que o valor correspondente está sendo considerado na apuração do valor contábil para fins de determinação do ganho ou perda de capital. A meu ver, a partir da constatação de que a contribuinte fiscalizada não detinha documentos capazes de justificar, economicamente, o pagamento do ágio, caberia à Fiscalização envidar esforços no sentido de demonstrar, por exemplo, que o valor pago não se destinou efetivamente à aquisição da participação societária. Perscrutando a jurisprudência deste Colegiado acerca da matéria, identifiquei dois pronunciamentos que, tomandose por base unicamente as ementas dos julgados, podese concluir, equivocadamente a meu ver, que o fato isolado de o contribuinte não comprovar, documentalmente, o fundamento econômico do ágio, impede que ele utilize o referido custo na apuração do ganho ou perda de capital. Com efeito, os acórdãos nºs 10809.809 e 130100.053 foram assim ementados (embora julgados por Colegiados distintos em momentos também distintos e envolverem empresas diferentes, os fatos dos quais decorreram as autuações são os mesmos): IRPJ GLOSA DE PREJUÍZO NÃO OPERACIONAL – BAIXA DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO SUJEITO À AVALIAÇÃO PELA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL – Não é dedutível na determinação do lucro real e é passível de glosa fiscal a perda de capital resultante da baixa de ágio em virtude da alienação de investimento sujeito à avaliação pela equivalência patrimonial quando o contribuinte não comprovar o fundamento econômico desse ágio pago na aquisição do investimento alienado. Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.596 28 Não obstante, analisando os fatos retratados nos autos, observase que, no primeiro caso (acórdão nº 10809.809), em que pese a autoridade fiscal ter centrado a imputação no fato de a contribuinte não ter apresentado documentos comprobatórios da fundamentação econômica do ágio, ela verificou que: a) a ausência de fundamentação em referência estava ligada ao fato de que, no dia seguinte à aquisição, a autuada vendeu a mesma participação, em relação a qual tinha incorrido em um ágio de R$ 114.168.355,20, por um valor simbólico de R$ 1.000,00; b) a aquisição foi feita por um dos diretores da fiscalizada; c) a aquisição com ágio e posterior alienação com prejuízo foi considerada SIMULAÇÃO, vez que o objetivo pretendido era de gerar uma perda de capital; d) a aquisição foi paga com a conversão em participação do saldo credor da autuada em conta corrente de mútuo mantida com a investida; e e) o eventual estorno da dívida, em virtude da falta de capacidade de pagamento do devedor, não autorizaria a dedução, haja vista o disposto no parágrafo 6º do art. 9º da Lei nº 9.430, de 1996. No segundo caso (acórdão nº 130100.053), os fatos são análogos. Penso, pois, que os pronunciamentos acima referenciados não invalidam a tese de que, isoladamente, o fato de a contribuinte não ter comprovado documentalmente o fundamento do econômico não pode servir de fundamento para que seja promovida a glosa do ágio pago na aquisição da participação societária, para fins de apuração de ganho ou perda de capital. Ao contrário, reafirmam o entendimento de que tal glosa deve vir acompanhada de outros elementos que autorizem concluir que, por exemplo, houve artificialização da perda (como nos casos antes descritos), ou, como já dito, que o pagamento não se destinou efetivamente à aquisição do investimento. Ausentes tais elementos, tenho por improcedente a glosa efetuada. No que diz respeito à apuração da perda de capital em si, entretanto, tomando por base as conclusões trazidas pela diligência antes requerida por esta Turma de Julgamento, observo que, sendo certo que a legislação tributária não autoriza a utilização de índices de correção monetária advindos do denominado PLANO VERÃO, restou constatado que a contribuinte também não detinha amparo judicial para tal. Assim, considerado o demonstrativo constante na fls. 07 do Relatório de Encerramento de Diligência (fls. 1506/1512 do processo), excluo da parcela apropriada ao custo da participação societária na apuração da perda de capital o montante de R$ 14.136.178,61, que corresponde à diferença entre o ágio glosado pela Fiscalização (R$ 41.050.793,03) e o valor corrigido apurado segundo a legislação de regência (R$ 26.914.614,42). Rejeito, pois, o argumento de que, com isso, esteja havendo inovação nos fundamentos da autuação, eis que, como registrado no Termo de Verificação, a contribuinte, no curso do procedimento fiscal, não apresentou documentos que possibilitasse a aferição do valor apropriado a título de ágio, especialmente os relativos ao desdobramento realizado e ao pagamento. ENQUADRAMENTO LEGAL DA AUTUAÇÃO DA CSLL Analisando cada um dos dispositivos que serviram de suporte para a tributação da CSLL em razão da glosa da perda de capital, a Recorrente argumenta que “muito embora a perda ora questionada, conforme amplamente demonstrado, é dedutível para fins de Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.597 29 IRPJ, ainda que assim não fosse, não haveria fundamentação legal para a exigência de sua adição na CSLL, conforme farta jurisprudência do Conselho de Contribuintes”. Penso não assistir razão à Recorrente. Aqui, como já dito, não estamos diante de apropriação de custo ou despesa operacional, em relação aos quais cabe juízo acerca das regras autorizadoras de sua dedutibilidade. Tratase, no caso, resultado não operacional, que, à evidência, deve compor o lucro líquido do exercício, ponto de partida para apuração da contribuição social devida. Obviamente, identificada impropriedade na apuração do ganho ou perda de capital capaz de afetar o resultado contábil, tal fato, se causador de redução indevida do lucro ou provocador de aumento de prejuízo, afetará a base de cálculo da contribuição social, sendo procedente a providência da autoridade fiscal que, por meio de procedimento regular, neutraliza o seu efeito. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES OBRIGATÓRIAS Alega a Recorrente que a Turma Julgadora de primeiro grau se equivocou até mesmo no recálculo do valor da multa lançada em virtude da suposta falta de recolhimento de estimativas. Diz que o acórdão recorrido exonerou integralmente o IRPJ e a CSLL devidos, mas manteve a redução dos saldos do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL. Afirma que, em virtude de ter apurado prejuízo fiscal em 31.12.1999, não há possibilidade de exigência da multa por falta de recolhimento de estimativas. Argumenta que, se o entendimento for no sentido de que a multa deve ser mantida, é imprescindível a observância das inovações trazidas pelo artigo 14 da Medida Provisória 351/07 (convertida sem alterações no artigo 14 da Lei n.° 11.488/07), devendo ser reduzido o seu percentual. Equivocase a Recorrente, vez que a legislação de regência autoriza a aplicação da penalidade ainda que o resultado fiscal final tenha sido negativo. Quanto à redução penalidade, merece acolhimento a alegação, haja vista o disposto no art. 106 do Código Tributário Nacional. Entretanto, considerando o cancelamento parcial da glosa promovida pela autoridade fiscal relativamente à perda de capital apurada pela Recorrente, bem como o demonstrativo constante na decisão de primeira instância, o resultado fiscal final das antecipações obrigatórias que serviram de base para a aplicação da penalidade passou a ser o seguinte: LUCRO REAL OUTUBRO/99 NOVEMBRO/99 LALUR/DIPJ 40.734.256,40 40.407.209,71 OMISSÃO DE RECEITAS 519.243,01 519.243,01 ÁGIO GLOSA 14.136.178,61 14.136.178,61 LUCRO REAL (PREJUÍZO FISCAL) 26.078.834,78 25.751.788,09 Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19515.002315/200451 Acórdão n.º 1301001.496 S1C3T1 Fl. 1.598 30 Ou seja, em virtude de apuração de prejuízos fiscais nos meses submetidos à aplicação da penalidade, descabe mantêlas. IMPOSSIBILIDADE DE ATUALIZAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Afirma a Recorrente que a exigência de atualização da multa não possui amparo legal, e, também, não há como sustentar a aplicação dos juros de 1% ao mês. Limitandose a autuação, em razão do presente julgamento, à redução do prejuízo fiscal declarado, revelase despicienda a discussão acerca da incidência de juros sobre a multa de ofício aplicada. Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para: a) cancelar, em razão de caducidade, as exigências de PIS e COFINS relativas aos meses de janeiro, fevereiro, junho e julho de 1999; b) reduzir a glosa na apuração da perda de capital para R$ 14.136.178,61; e c) cancelar as multas isoladas aplicadas, em virtude de apuração de bases de cálculo negativas. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 10840.720178/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
NULIDADE PARCIAL DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
IMPUGNAÇÃO CONJUNTA ELABORADA POR PROCURADOR CONSTITUÍDO PELA CONTRIBUINTE E PELO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. FALTA DE APRECIAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA CONTRA A IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. Nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação parcial do acórdão recorrido para sua complementação, a falta de apreciação dos argumentos de defesa apresentados pelo responsável tributário, ainda que em impugnação conjunta com a pessoa jurídica autuada, desde que elaborada por procurador constituído por ambos sujeitos passivos.
Numero da decisão: 1101-001.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em ANULAR PARCIALMENTE a decisão de 1ª instância na parte em que não apreciou a impugnação do responsável, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso, que davam provimento ao recurso voluntário para excluir a responsabilidade tributária, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR - Relator
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE PARCIAL DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPUGNAÇÃO CONJUNTA ELABORADA POR PROCURADOR CONSTITUÍDO PELA CONTRIBUINTE E PELO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. FALTA DE APRECIAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA CONTRA A IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. Nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação parcial do acórdão recorrido para sua complementação, a falta de apreciação dos argumentos de defesa apresentados pelo responsável tributário, ainda que em impugnação conjunta com a pessoa jurídica autuada, desde que elaborada por procurador constituído por ambos sujeitos passivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em ANULAR PARCIALMENTE a decisão de 1ª instância na parte em que não apreciou a impugnação do responsável, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso, que davam provimento ao recurso voluntário para excluir a responsabilidade tributária, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 01 78 /2 01 1- 01 Fl. 896DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Relator (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Cuidase de Autos de infração lavrados no dia 16/02/2011 em desfavor de Casa Ortolan Acabamentos Revestimentos Ltda. (empresa optante pelo SIMPLES no ano calendário de 2006) para exigir crédito tributário a título de IRPJ (R$38.049,33), CSLL (R$38.049,33), PIS (R$27.960,53), COFINS (R$112.218,96) e Contribuição para a Seguridade Social – INSS (R$324.417,20) – acrescidos de juros de mora e multa de ofício –, perfazendo o montante global de R$ 1.219.162,16, por conta de suposta omissão de receitas não escrituradas e de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O sócio administrador, Sr. Marco Antonio Ortolan, foi apontado como responsável solidário. Na origem, em atenção ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF Diligência n° 08109002009014478, a fiscalização, em 15/10/2009, intimou a empresa CASA ORTOLAN ACABAMENTOS REVESTIMENTOS LTDA (Termo de Intimação Fiscal SEFIS n° 115/2009 fls. 02 e 03), na pessoa de seu sócio administrador, Sr Marco Antonio Ortolan, a apresentar o Contrato Social da empresa e todos os livros contábeis / fiscais obrigatórios. Em atendimento à solicitação, a fiscalizada apresentou cópia dos atos constitutivos (fls. 06 a 35), Livro de Registro de Saídas de Mercadorias do ano de 2006 (cujas totalizações mensais encontramse às fls. 36 a 49), Livro de Registro de Entradas de Mercadorias do ano de 2006, Livro de Registro e Apuração de ICMS do ano de 2006 e Notas Fiscais de Saídas de Mercadorias emitidas no período de 01/01/2006 a 31/12/2006 e, posteriormente, apresentou o Livro Caixa do ano de 2006 (fls. 186 a 235). Ao analisar a documentação apresentada pela contribuinte, incluindo a Declaração Simplificada (DSPJ) relativa ao anocalendário de 2006 (cópia às fls. 236/259), a fiscalização constatou que foi declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) receita bruta de R$ 457,125,97, cujo valor era coincidente com a receita escriturada no Livro de Registro de Saídas e também compatível com as Notas Fiscais de Saídas de Mercadorias apresentadas pela fiscalizada, bem assim com as receitas das vendas de mercadorias escrituradas no Livro Caixa do ano de 2006, mas, no entanto, tal receita era incompatível com a movimentação financeira no mesmo período, cujo montante foi da ordem de R$5.153.155,37. Para além disso, entendendo existirem inconsistências no Livro Caixa, o procedimento fiscal foi transformado em fiscalização, em conformidade com o MPF Fiscalização n° 0810900.2009.015237, e em 29/10/2009 deuse início ao procedimento fiscal Fl. 897DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10840.720178/201101 Acórdão n.º 1101001.128 S1C1T1 Fl. 3 3 com a ciência do Termo de Início de fls. 50 a 52, por meio do qual foi a empresa intimada a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, os livros Diário, Razão, Caixa, Registro de Apuração de IPI e os extratos das contas correntes movimentadas no período de 01/01/2006 a 31/12/2006, por entender que os extratos eram imprescindíveis para a correta apuração dos tributos federais. Em 04/12/2009, a Casa Ortolan Acabamentos Revestimentos Ltda. foi reintimada a apresentar os mesmos documentos no prazo de 20 (vinte) dias (fls. 53/55). Em resposta, a contribuinte informou que (fls. 56/88): "(...) A empresa possui conta corrente junto ao Banco HSBC Bank Brasil S/A, agência de Sertãozinho/SP, contudo, a empresa não está na posse desses documentos (...) Em decorrência do litígio com o banco, a empresa está impossibilitada de acessar via internet seus extratos (...) Dessa forma, a empresa para ter acesso a esses documentos já ingressou em 07/12/2009 com ação cautelar de exibição de documentos (...) O pedido de exibição dos documentos foi deferido (...) contudo o banco não foi citado para apresentar esses documentos, ademais o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo/SP entrou em recesso (...) e ficam suspensos os prazos processuais no período de 21/12/2009 a 06/01/2010 (...) Assim, a empresa Casa Ortolan Acabamentos Revestimentos Ltda, não sabe quando terá acesso aos referidos documentos, para poder apresentar a Vossa Senhoria (...)" A fiscalizada apresentou cópia da referida ação proposta em face do banco HSBC (fls. 58 a 88). Em razão da empresa não ter apresentado os extratos bancários solicitados, mesmo após passados quase quatro meses do recebimento da primeira intimação que os exigiu, a fiscalização através do Termo de Reintimação Fiscal SEFIS n° 044/2010 (fls. 91 a 93), mais uma vez intimou a empresa em 22/02/2010 a apresentar, no prazo de 05 (cinco) dias úteis, os documentos já solicitados anteriormente. Em resposta apresentada em 11/03/2010 (fls. 94/95), a contribuinte informou às fls. 94/95 que estava apresentando o original do livro Caixa nº 13 (fls. 186/235) e os extratos bancários da conta corrente nº 0355766 mantida na agencia n° 1030 do Banco HSBC (fls. 101 a 185). Tendo em vista que a contribuinte apenas apresentou o extrato da conta corrente n° 0355766 mantida na agencia n° 1030 do Banco HSBC (fls. 101 a 185), mesmo tendo movimentado contas correntes em outras oito instituições financeiras distintas, associado ao fato da escrituração ser incompleta e parcial, a fiscalização, com base na Lei Complementar n° 105/2001 e no Decreto 3.724/2001 e na forma da Lei 9.430/1996, solicitou às Instituições Financeiras os extratos bancários (fls. 260/281), por entender serem eles indispensáveis para a apuração da sua receita bruta. De posse dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras (fls. 284 a 541), a fiscalização constatou a existência de várias entradas financeiras (créditos em contas correntes bancárias) sem a correspondente escrituração no Livro Caixa. Esses créditos foram identificados e separados por instituição financeira. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Após excluir do total de créditos, as operações referentes a transferências entre contas de mesma titularidade, estornos de cheques, devoluções e demais créditos que não se enquadravam como possíveis receitas provenientes da sua atividade comercial, a fiscalização relacionou na planilha 01 (fls. 559 a 601) os demais créditos, no montante de RS4.937.764,50. Desse montante a fiscalização verificou que R$ 538.218,22 eram decorrentes das operações de cobrança bancária efetuadas pela fiscalizada e R$ 82.350,68 eram decorrentes de vendas realizadas através de cartões de crédito. Estes créditos encontramse dispostos nas planilhas 02 e 03 respectivamente (fls. 602 a 608; e 609 a 612). Os demais créditos, que perfazem um montante de R$ 4.317.195,60 (4.937.764,50 538.218,22 82.350,68) eram originários principalmente de depósitos e transferências recebidos e estão relacionados na planilha 04 (fls. 613 a 643). Esclareceu a fiscalização, no Termo de Encerramento, que as diferenças de valores encontradas nas totalizações das planilhas 01, 03 e 04, quando comparadas com as das planilhas enviadas à fiscalizada em anexo ao Termo de Verificação e Intimação Fiscal n° 361/2010 são resultantes da exclusão de valores creditados relativos aos anos de 2005 e 2007, que somados atingiram R$ 1.020,37. Tais valores podem ser verificados na planilha 05, anexa a este Termo (fls. 667). Mediante o Termo de Verificação e Intimação Fiscal n° 361/2010 (fls. 552/557), a fiscalização intimou a contribuinte a comprovar, no prazo de 20 (vinte) dias, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados / depositados em suas contas correntes conforme planilhas 01 a 04, em anexo, de forma a descaracterizar que tais depósitos foram oriundos de atividades comercias praticadas pela fiscalizada. Além disso, exigiu a apresentação, no mesmo prazo, dos extratos das cobranças realizadas conforme planilha 02 em anexo, juntamente com os contratos das operações de cobrança firmados com as instituições financeiras, bem assim os extratos mensais dos valores recebidos pelas vendas realizadas através de cartões de créditos conforme planilha 03 em anexo. Decorrido o prazo dado sem que tenha apresentado qualquer documento ou esclarecimento à fiscalização, foi a empresa novamente intimada, por meio do Termo de Reintimação Fiscal n° 398/2010 (fls. 644 a 645), a se manifestar sobre a origem dos créditos bancários tal como foi exigido no Termo de Verificação e Intimação Fiscal n° 361/2010 (fls. 552/557). Exigiu ainda que apresentasse os depósitos/transferências bancários que fossem compostos por valores oriundos de outras contas correntes do contribuinte e que por acaso tivessem sido depositados juntamente com valores provenientes de terceiros. Não tendo a contribuinte apresentado qualquer resposta à fiscalização, ou seja, não tendo comprovado a origem dos recursos relacionados nas planilhas 01, 02, 03 e 04 de forma a descaracterizar que se tratava de operações comerciais de sua atividade, a fiscalização, com fundamento no § 1º do art. 42 e inciso I do art. 44, ambos da Lei n° 9.430/96, considerou a importância anual de R$ 4.290.960,07 como omissão de receita por presunção legal obtida pela diferença entre os depósitos/créditos bancários (R$ 4.317.195,60) e os valores declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio da Declaração Simplificada (R$ 26.235,53), conforme quadro demonstrativo constante do Termo de Encerramento (fls. 745). Quanto aos créditos nas correntes bancárias oriundos de operações de cobranças, no montante de R$ 538.218,22, foram objeto de lançamento dentro da rubrica "Omissão de Receitas", na infração "Receitas não Escrituradas", por entender que as operações de cobranças constituem um expediente utilizado pelas empresas para receber o valor vendido a seus clientes utilizandose o serviço de cobrança da instituição financeira e, portanto, só poderia levar à conclusão de que a empresa auferiu receitas de vendas perfeitamente identificadas a partir de suas operações de cobranças, no montante acima. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10840.720178/201101 Acórdão n.º 1101001.128 S1C1T1 Fl. 4 5 Os créditos nas contas correntes bancárias referentes aos recebimentos provenientes de cartões de crédito, no montante de R$ 82.350,68, também foram objeto de lançamento dentro da rubrica "Omissão de Receitas", na infração "Receitas não Escrituradas", por entender que tais créditos evidenciam que os mesmos são oriundos da atividade comercial desenvolvida pela fiscalizada. Como a empresa declarou à SRFB receita bruta de R$ 457.125,97 e os somente créditos referentes aos recebimentos provenientes das vendas realizadas através de cartões de crédito e das vendas que deram origem às operações de cobrança representam um montante de R$ 620.568,90, valor superior a mais de 35% de toda a receita bruta declarada à SRFB, a fiscalização concluiu que vendas foram efetuadas pela fiscalizada sem emissão de notas fiscais e, portanto, sem escriturálas em seus livros comerciais/fiscais as reais receitas auferidas. Em virtude desses fatos concluiu a fiscalização que a empresa cometeu, em tese, crime contra a ordem tributária, incorrendo na prática de sonegação fiscal ao omitir das apurações mensais da tributação para o SIMPLES, deliberadamente, parte das receitas das vendas efetuadas através de cartões de crédito e das vendas que deram origem às operações de cobrança, auferidas em cada um dos doze meses do ano calendário de 2006 com a intenção dolosa de se manter enquadrada neste regime simplificado e favorecido de tributação e de recolher menos tributos aos Cofres Públicos Federais. No ponto, a autoridade fiscal aplicou a multa de 75% sobre os tributos e contribuições apurados em decorrência da omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e aplicou a multa qualificada de 150%, com fulcro no §1º do art. 42 e § 1º do art. 44, ambos da Lei n° 9.430/96, sobre os valores dos tributos e contribuições apurados em decorrência dos valores creditados em suas contascorrentes bancárias provenientes das vendas realizadas através de cartão de crédito e das vendas que originaram as operações de cobrança, lançados dentro da rubrica "Omissão de Receitas", na infração "Receitas não Escrituradas". Em acréscimo, a fiscalização lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome de Marco Antonio Ortolan, sócio detentor de 99% do capital social pertencente à pessoa jurídica investigada no auto de infração, tendo sido ele considerado pela fiscalização como responsável pela prática de sonegação fiscal (omissão de receitas em declaração de informações fiscais à SRFB e falta de emissão de documentos fiscais), cuja prática seria contraria a lei e definida como crime contra a ordem tributária, conforme dispõem os artigos 135, III e 137, I, todos da Lei n s 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Em virtude da contribuinte ter auferido receita bruta no anocalendário de 2006 superior ao limite legal, foi emitido o Ato Declaratório Executivo n° 26, de 16/02/2011, cuja ciência à fiscalizada foi dada na mesma dada da sua ciência do Auto de Infração, excluindo a empresa do Simples Federal a partir de 01/01/2007. Intimados os sujeitos passivos, em sede de impugnação (fls. 760/778), a contribuinte e o responsável solidário sustentaram os seguintes argumentos, em síntese: (i) a nulidade do auto de infração por quebra de sigilo bancário sem chancela judicial; (ii) a falta de provas quanto à materialização do fato gerador do tributo, vez que os créditos em contas correntes podem conter empréstimos, circulação de dinheiro entre entidades bancárias e outras situações incapazes de denotar acréscimo patrimonial ou financeiro; (iii) a ausência de descrição dos atos configuradores do crime contra a ordem tributária, o que evidencia o Fl. 900DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 cerceamento do direito de defesa; (iv) o não recolhimento de impostos e a não apresentação de declarações não implicam a automática caracterização do intuito de fraude; e (v) a impossibilidade de responsabilização solidária por inexistência de indícios efetivamente provados. Ao considerar não ter havido a comprovação da higidez dos depósitos bancários efetuados em contas correntes, a 5ª Turma da DRJ/RPO (fls. 808/828) declarou a improcedência da impugnação apresentada, decidindo manter a sujeição passiva do responsável solidário a partir de premissa de que este teria deixado de apresentar impugnação e, sendo assim, a defesa da empresa não lhe aproveitaria, matéria que acabou sendo declarada como não impugnada. O acórdão restou assim ementado: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES AnoCalendário: 2006 SIGILO BANCÁRIO. As informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente pelos agentes do Fisco, no processo, não caracterizam violação do sigilo bancário. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Tributase como omissão de receita os depósitos efetuados em conta bancária cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Os valores dos depósitos cuja origem houver sido comprovada e que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. A responsabilidade de terceiro pelo crédito tributário apurado é matéria distinta do fato gerador da obrigação tributária e deve ser impugnada pelo responsável indicado no “Termo de Responsabilidade Tributária”. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificados do acórdão o Sr. Marco Antonio Ortolan em 27/01/2012 (conforme AR de fl. 841) e a empresa em 16/02/2012 (conforme Edital de fl. 844) , a contribuinte e o solidário interpuseram Recurso Voluntário (fls. 846/870) a este Colegiado em 28/02/2012, repisando todos os fundamentos expendidos por ocasião da impugnação. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10840.720178/201101 Acórdão n.º 1101001.128 S1C1T1 Fl. 5 7 Na assentada de 06/11/2013, esta Eg. 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção decidiu, por maioria de votos, determinar o SOBRESTAMENTO do processo enquanto não sobreviesse decisão do STF para o RE n. 601.314/SP, nos termos do art. 62A, §1º, do RICARF. Contudo, com o advento da Portaria MF n. 545/2013 que revogou os §§ 1° e 2° do art. 62A do RICARF, devem ser incluídos em pauta novamente os processos anteriormente sobrestados (com base nos referidos dispositivos) para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação regente do processo administrativo fiscal, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Da responsabilidade solidária do representante legal Em relação ao tema em referência, penso que devamos nos prolongar, inicialmente, nos fatos havidos nos autos. Pois bem! Por ocasião do Termo de Encerramento, a Fiscalização concluiu que “diante dos fatos e das declarações da contadora Sra Meiriluce Ferreira Rodrigues, a fiscalização, através das provas materiais e das provas indiciárias, conclui que há fortes e suficientes indícios da prática contumaz da empresa em não declarar à SRFB a totalidade das receitas auferidas e que o responsável por esta prática é o sócio administrador da fiscalizada Sr. Marco Antônio Ortolan” (fl. 753). A partir disso, e alegadamente com fulcro no quanto disposto nos arts. 135, inc. III, e art. 137, inc. I, ambos do CTN, entendeu ter sido “caracterizada a sujeição passiva solidária relativamente à pessoa abaixo relacionada” (fl. 753). Apresentada impugnação por parte do Sr. Marco Antônio Ortolan (fls. 760/778) certo é que a impugnação apresentada foi feita, em conjunto, pelo responsável solidário e pela contribuinte, o que é absolutamente permitido na legislação processual brasileira, sendo também certo que a procuração constante do fólio 779 apresenta outorga de poderes de ambos os sujeitos passivos aos patronos da causa , a douta instância a qua, afirmou que: “Verificase dos autos que Marco Antônio Ortolan não apresentou impugnação contra a relação jurídicoobrigacional de responsabilidade passiva tributária a ele imputada na presente ação fiscal. (...) a impugnação apresentada pela contribuinte autuada contestando a responsabilização de Marco Fl. 902DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Antonio Ortolan, CPF 856.170.91891, não o aproveita, haja vista a natureza cindível da relação jurídica em questão.” (fl. 823) “(...) cumpre frisar mais uma vez que os autos de infração sob exame foram impugnados tãosomente pela empresa autuada, vez que o responsável (Marco Antonio Ortolan) não apresentou qualquer peça impugnatória. ” (fl. 827) “Dessa forma, tendo em vista que não foi apresentada nenhuma contestação, por parte do Sr. Marco Antonio Ortolan, considero como não impugnado o Termo de Responsabilização de fl. 738” (fl. 828) Consoante visto, cuidase de erro perceptível primo ictu oculi, na medida em que a douta DRJ adotou premissa de que o responsável solidário não teria apresentado impugnação, quando, em verdade, o fez em conjunto com a contribuinte. Assim, não tendo a douta DRJ analisado os argumentos externados pelo responsável solidário em sua impugnação, entendo ter havido nulidade na r. decisão recorrida, a qual apenas não pronuncio por entender que, com fulcro no art. 59, §3°, do Decreto n. 70.235/72, a questão de mérito pode ser decidida favoravelmente àquele sujeito passivo a quem aproveitaria a referida declaração. Para analisar a responsabilização aludida no art. 135, inc. III, do CTN, mostrase essencial a presença inconteste de dois elementos: (i) elemento pessoal, que diz respeito ao sujeito que deu azo à ocorrência da infração, sendo essencial que seja sujeito que possua poder de decisão; (ii) elemento fático, consubstanciado na necessidade de conduta que implique excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. No caso, pareceme que o primeiro elemento foi demonstrado à saciedade pela fiscalização. O Sr. Marco Antonio Ortolan é o sócio administrator e possui a maior parte da sociedade empresária que figura no polo passivo. No tocante ao elemento fático, a autoridade fiscal não conseguiu demonstrar de forma inconteste que aconteceu um fato identificado que se enquadre dentre aqueles “atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”, requisito esse que se mostra essencial para que seja possível o apontamento de responsável nos termos do art. 135, inc. III, do CTN. Como visto, para além da “reiterada” omissão de receita, a fiscalização apontou como fundamento para responsabilizar solidariamente o Sr. Marco Antonio Ortolan o depoimento da técnica contábil responsável pela escrituração da empresa, in verbis: “Em resposta a este Termo, nos dias 30/12/2010 e 18/01/2011, esta fiscalização recebeu documento contendo as explicações da contadora da fiscalizada (fls. 650 a 663). Assim se expressou a Sra Meiriluce ao ser questionada sobre a ausência de escrituração da movimentação financeiras no Livro Caixa e de quem havia sido a decisão de escriturar o Livro Caixa sem a movimentação bancária: ‘a decisão foi minha. Solicitei por várias vezes a documentação financeira da empresa e não obtive sucesso. Diante desta negativa e da necessidade de cumprir prazos para entrega de obrigações acessórias tomei iniciativa de autorizar o auxiliar contábil a efetuar os lançamentos de acordo com a documentação recebida, ou seja, notas fiscais de entradas Fl. 903DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10840.720178/201101 Acórdão n.º 1101001.128 S1C1T1 Fl. 6 9 de mercadorias, saídas de mercadorias entre outros que estão escriturados no livro caixa.’ 25.2 Ao ser questionada sobre a documentação usada como base para escriturar no Livro de Registro de Saídas a receita bruta de R$457.125,97, e sobre o responsável por passar tais documentos a ela e por fazer a conciliação bancária, assim afirmou a contadora: ‘(...) A receita bruta lançada no Livro de Registro de Saídas do ano de 2006 foi extraída das 3 vias das notas fiscais de saídas que a empresa emitia e encaminhava sob meus cuidados mensalmente (...) A conciliação bancária não foi feita por motivo de não recebermos a movimentação financeira da empresa para o lançamento contábil. As informações contidas nos Livros de Registro de Saídas e Caixa foram limitadas à documentação recebida. (...) O responsável por me encaminhar estes documentos era o Senhor José Roberto Martins de Oliveira, funcionário da empresa, que trabalhava sob supervisão do Senhor Marco Antonio Ortolan, sócio administrativo da empresa.’” (fls. 751/752) Primeiramente, o fato de ele ser o administrador não faz com que toda e qualquer atividade relacionada a empresa seja realizada sobre as suas ordens, sendo certo que a supervisão aludida no depoimento se mostra imprestável. Ainda que assim não fosse, uma declaração externada pela técnica contábil responsável pela falha da contribuinte não possui o condão de formar meu convencimento em desfavor do sócio administrador, na medida em que referido testemunho não pode ser visto como isento de influencias, porquanto, caso não fosse apontado outro responsável pelos equívocos existentes na contabilidade da empresa, poderia ser ela a técnica contábil responsabilizada pessoalmente. Nesse sentido, afastada a força probatória desse testemunho, resta saber se o fato de a sociedade empresária ter deixado de pagar os tributos devidos nos moldes que ocorreu no presente caso, a partir de omissão de receita conduzem à responsabilização de seu sócio administrador e a resposta, a meu ver, é negativa. Da mesma forma, não há se falar em responsabilização com base no art. 137, inc. I, do CTN, porquanto não há cometimento de crime ou contravenção, no caso concreto, que permitiria a responsabilização do referido sócio administrador. Assim, à míngua de atos que configurem, de forma inconteste, ações praticadas “com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”, entendo que deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso do responsável solidário, para o fim de excluí lo da sujeição passiva no caso. Caso esse colegiado não entenda dessa forma e considerando que somente não pronunciei a evidente nulidade presente na r. decisão recorrida a partir de meu entendimento favorável ao sujeito passivo solidário (art. 59, §3°, do Decreto n. 70.235/72) , penso ser o caso de pronunciar a nulidade presente no r. acórdão recorrido, na medida em que, nos termos do art. 59, inc. II, do Decreto n. 70.235/72, são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa. É como voto. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como relatado, a presente exigência foi formulada contra a contribuinte Casa Ortolan Acabamentos Revestimentos Ltda, atribuindose responsabilidade tributária ao sócio administrador Marco Antonio Ortolan, mediante lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária com fundamento nos artigos 135, III e 137, I, todos do CTN. A contribuinte e o responsável solidário ofereceram impugnação conjunta (fls. 760/778), porém a 5a Turma da DRJ/Ribeirão Preto manteve a imputação de responsabilidade tributária por entender que Marco Antônio Ortolan não havia apresentado impugnação. Ocorre que a impugnação de fls. 759/795 traz em seu preâmbulo a indicação de Marco Antônio Ortolan como impugnante, veicula argumentos específicos contra a responsabilidade tributária que lhe foi imputada, e está assinada por Leandro Galícia de Oliveira, procurador constituído pela pessoa jurídica e por seu sócio, em nome próprio, nos termos do mandato de fl. 779. A autoridade julgadora, porém, relata que cientificada dos autos de infração em 21/02/2011, a contribuinte, inconformada, ingressou em 23/03/2011, por intermédio de seu procurador legalmente constituído (fl. 779), com a impugnação de fls. 760/778. Assim, não atentou que a peça apresentada também trazia como impugnante o sócio responsável, e em conseqüência deixou de apreciar os argumentos por ele apresentados contra a acusação que lhe foi feita. A Receita Federal do Brasil, por meio da Portaria RFB nº 2274/2010, determinou a ciência dos autos aos responsáveis, bem como a abertura de prazo de impugnação para questionamento não só do crédito tributário, como também do vínculo de responsabilidade: Art. 1º Os processos de determinação e exigência de créditos tributários relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nas hipóteses em que houver pluralidade de sujeitos passivos, serão disciplinados conforme o disposto nesta Portaria. Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. § 2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado de Procedimento Fiscal para os responsáveis. Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10840.720178/201101 Acórdão n.º 1101001.128 S1C1T1 Fl. 7 11 [...] Art. 7º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que só produzirá efeitos em relação ao impugnante. § 2º Os autos somente serão encaminhados para julgamento depois de transcorrido o prazo para apresentação de impugnação ou recurso para todos os autuados ou impugnantes, conforme o caso. § 3º No caso de impugnação quanto ao crédito tributário e quanto ao vínculo da responsabilidade e, posteriormente, recurso voluntário apenas no tocante ao vínculo, a exigência quanto ao crédito tributário tornase definitiva para os demais autuados que não recorreram. § 4º A desistência de impugnação ou recurso não prejudica os demais autuados que também impugnaram ou recorreram. § 5º A decisão definitiva que afasta o vínculo de responsabilidade opera efeitos imediatos. § 6º Se um dos autuados pedir parcelamento ou compensação do crédito tributário lançado, aplicase o disposto no art. 5º ou no art. 6º, respectivamente. [...] (negrejouse) E, nesta esteira, também o CARF já apresenta jurisprudência pacificada por meio da recente edição da Súmula CARF nº 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Observese que inexiste qualquer disposição legal ou normativa que exija a apresentação de defesa em separado pelos diferentes sujeitos passivos. Por estas razões, resta evidenciado o cerceamento ao direito de defesa que enseja a nulidade da decisão recorrida na forma do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (negrejou se) Por sua vez, a ressalva prevista no §3 do dispositivo acima transcrito não autoriza que se prossiga na apreciação dos demais argumentos apresentados pelos recorrentes, ainda que eventualmente para acolhêlos e decidir o mérito da exigência em seu favor, na Fl. 906DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 medida em que a Fazenda Nacional teria, em tese, a possibilidade de apresentar recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais e o julgamento deste seria retardado/prejudicado porque não sanado o vício aqui constatado. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de ANULAR PARCIALMENTE a decisão de 1a instância, e determinar o retorno dos autos à DRJ/Ribeirão Preto para apreciação dos argumentos deduzidos em impugnação contra a imputação de responsabilidade tributária. Ao final, os sujeitos passivos deverão ser cientificados da decisão complementar, facultandose ao responsável tributário, caso mantida a acusação que lhe foi feita, a possibilidade de apresentação de novas razões de defesa. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 14751.720082/2012-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O prazo para a constituição de crédito tributário, quando há pagamento antecipado de tributo, é de cinco anos, contado a partir da data do fato gerador, conforme o § 4º, do artigo 150, do Código Tributário Nacional.
VENDAS CANCELADAS. COMPROVAÇÃO.
Somente o valor das vendas canceladas devidamente comprovado é que pode ser excluído da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS.
LUCRO PRESUMIDO. PERMUTA DE IMÓVEIS. RECEITA BRUTA.
Na operação de permuta de imóveis sem recebimento de torna, realizada por pessoa jurídica tributada pelo IRPJ com base no lucro presumido, dedicada à atividade imobiliária, constitui receita bruta o preço do imóvel recebido em permuta.
MULTA QUALIFICADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO
A função do recurso no âmbito administrativo é a revisão da decisão de primeira instância (DRJ). Operam-se efeitos preclusivos, previstos no artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo Recorrente na impugnação.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS.
O entendimento adotado para o lançamento da COFINS se estende ao lançamento reflexo (PIS).
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves. O Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza declarou-se impedido. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente.
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo para a constituição de crédito tributário, quando há pagamento antecipado de tributo, é de cinco anos, contado a partir da data do fato gerador, conforme o § 4º, do artigo 150, do Código Tributário Nacional. VENDAS CANCELADAS. COMPROVAÇÃO. Somente o valor das vendas canceladas devidamente comprovado é que pode ser excluído da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS. LUCRO PRESUMIDO. PERMUTA DE IMÓVEIS. RECEITA BRUTA. Na operação de permuta de imóveis sem recebimento de torna, realizada por pessoa jurídica tributada pelo IRPJ com base no lucro presumido, dedicada à atividade imobiliária, constitui receita bruta o preço do imóvel recebido em permuta. MULTA QUALIFICADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO A função do recurso no âmbito administrativo é a revisão da decisão de primeira instância (DRJ). Operam-se efeitos preclusivos, previstos no artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo Recorrente na impugnação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. O entendimento adotado para o lançamento da COFINS se estende ao lançamento reflexo (PIS). Recurso voluntário negado.
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PIS. BASE DE CÁLCULO Recorrente HOLANDA IMOBILIÁRIA E CONSTRUTORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo para a constituição de crédito tributário, quando há pagamento antecipado de tributo, é de cinco anos, contado a partir da data do fato gerador, conforme o § 4º, do artigo 150, do Código Tributário Nacional. VENDAS CANCELADAS. COMPROVAÇÃO. Somente o valor das vendas canceladas devidamente comprovado é que pode ser excluído da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS. LUCRO PRESUMIDO. PERMUTA DE IMÓVEIS. RECEITA BRUTA. Na operação de permuta de imóveis sem recebimento de torna, realizada por pessoa jurídica tributada pelo IRPJ com base no lucro presumido, dedicada à atividade imobiliária, constitui receita bruta o preço do imóvel recebido em permuta. MULTA QUALIFICADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO A função do recurso no âmbito administrativo é a revisão da decisão de primeira instância (DRJ). Operamse efeitos preclusivos, previstos no artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo Recorrente na impugnação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. O entendimento adotado para o lançamento da COFINS se estende ao lançamento reflexo (PIS). Recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 72 00 82 /2 01 2- 76 Fl. 3344DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 14751.720082/201276 Acórdão n.º 3202001.120 S3C2T2 Fl. 3.345 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves. O Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza declarouse impedido. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente. Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Luís Eduardo Garrossino Barbieri Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, que julgou improcedente em parte a impugnação da Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão da DRJ, verbis: Contra a contribuinte acima qualificada, lavraramse autos de infração formalizando a exigência do Programa de Integração Social – PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, através dos quais se constituiu crédito tributário, referente a períodos de apuração compreendidos nos anoscalendário de 2007 a 2009, no valor total de R$ 756.002,49, incluídos multa de ofício e juros de mora. 2. No lançamento referente à Cofins (fls. 2544/2547), estimado no regime cumulativo, encontramse registradas as seguintes infrações, ao final tipificadas: 2.1. “001 – INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS” (aplicouse multa de ofício no percentual de 75%); 2.2. “002 – INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO. OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À COFINS” (aplicouse multa de ofício no percentual de 150%); 3. No Relatório de Trabalho Fiscal de fls. 2563/2586, a autoridade autuante Fl. 3345DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 14751.720082/201276 Acórdão n.º 3202001.120 S3C2T2 Fl. 3.346 3 consignou os motivos de fato e de direito que levaram à autuação das infrações apontadas. Os fatos são os mesmos que levaram à exigência do IRPJ e da CSLL (processo administrativo n.º 14751.720081/201221). 4. No prazo legal, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 2606/2623, por meio da qual aduz, depois de sumariar os fatos e de reconhecer a procedência da autuação quanto a uma parte do crédito tributário lançado (parte da multa isolada e do crédito tributário objeto de outros processos): PRELIMINARMENTE 4.1. Considerando que somente foi intimada dos autos de infração em 30/03/2012, todos os fatos geradores anteriores a 30/03/2007 estão inquestionavelmente prescritos e não podem mais ser exigidos, nos termos dos art. 156, V e art. 173, ambos do CTN; MÉRITO Vendas canceladas 4.2. Os autos de infração não atenderam aos requisitos do Decreto n.º 70.235, de 1972, pois o (suposto) crédito fiscal foi constituído desconsiderandose, por completo, os valores relativos às vendas canceladas que foram contabilizadas no período fiscalizado, vendas essas que não podem ser computadas na base de cálculo do PIS, Cofins, IRPJ e CSLL. De acordo com a Lei n.º 9.718, de 1998, a base de cálculo do PIS e da Cofins consiste no faturamento da pessoa jurídica, assim entendido a totalidade da sua receita bruta. Todavia, o art. 22, § 22, da própria Lei n.º 9.718, de 1998, prescreve que, na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, devem ser excluídas as vendas canceladas. De forma semelhante, o art. 31, parágrafo único, da Lei n.º 8.981, de 1985, o art. 31, parágrafo único, da Lei n.º 8.249, de 1995, o art. 52, § 12, da Instrução Normativa – IN SRF n.º 93, de 1997, e a IN SRF n.º 390, de 2004, determinam que, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, excluemse da receita bruta os valores relativos às vendas canceladas. O Fisco ignorou as vendas canceladas ocorridas no período fiscalizado, ao passo que os registros contábeis da empresa (doc. 02) atestam que, em 2008 e 2009, ocorreram cancelamentos de vendas nos seguintes montantes: R$ 1.207.000,00 e R$ 706.000,00, respectivamente; Bitributação dos valores relativos aos veículos recebidos em permuta 4.3. Em algumas transações imobiliárias celebradas durante o período fiscalizado, recebeu em permuta veículos de seus clientes como parte do pagamento do preço devido. Porém, diferentemente do quanto disposto nos autos de infração, os veículos recebidos foram todos levados à tributação. Realmente, os contratos, documentos e registros contábeis (doc. 03) comprovam que foram contabilizados os veículos recebidos em permuta em 2007, 2008 e 2009, sendo que os valores dos veículos permutados foram todos levados em conta Fl. 3346DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 14751.720082/201276 Acórdão n.º 3202001.120 S3C2T2 Fl. 3.347 4 para composição das bases de cálculo do PIS, Cofins, IRPJ e CSLL recolhidos à época dos fatos. Justamente porque sempre considerou os veículos permutados como receita para fins tributários, ofereceu à tributação os valores relativos a tais veículos, os quais foram todos computados nas bases de cálculos do PIS, Cofins, IRPJ e CSLL, razão pela qual não podem ser novamente tributados pelo fisco; Ausência de DIMOBs nas promessas de permutas condicionadas a evento futuro e incerto 4.4. Os equívocos identificados no preenchimento das DIMOBs não resultaram em omissões de receitas, tampouco sonegação de tributos, uma vez que os valores envolvidos nas transações imobiliárias celebradas foram lançados na escrituração contábil; 4.5. A disposição constante da IN RFB n.º 1.115, de 2010, que prevê que a entrega intempestiva ou incompleta da DIMOB importa em crime contra a ordem tributária é ilegal, como já decidido pelos Tribunais, por se tratar de matéria somente passível de ser regulada por lei em sentido estrito; 4.6. Reconhece a exigibilidade das multas de DIMOBs para as transações celebradas com o Srs. WALTER ULISSES DE CARVALHO (multa de R$ 90.000,00), PATRÍCIA CLEMENTINA MELO (multa de R$ 35.950,00), NEREU PEREIRA DOS SANTOS FILHO (multa de R$ 10.000,00) e o BNT ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA. (multa de R$ 8.000,00), mas discorda da cobrança das multas relacionadas às promessas de permutas pactuadas com o Srs. AMARÍLIO SALES DE MELO e família (multa de R$ 80.000,00) e MARIA JUDY MIRANDA DE ASSIS (multa de 50.000,00), pois tais promessas de permutas estavam condicionadas a eventos futuros e incertos, com efeitos jurídicos suspensos, nos termos do art. 121 do Código Civil – CC (Lei n.º 10.406, de 2002). Este dispositivo considera condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. No presente caso, o evento futuro e incerto era a conclusão dos empreendimentos, sendo que, enquanto tais empreendimentos estivessem em construção, não haveria permuta (negócio com efeito jurídico suspenso) e, consequentemente, não havia a obrigatoriedade de entrega de DIMOBs. Ademais, o art. 125 do CC prescreve que, quando a eficácia do negócio jurídico estiver subordinada à condição suspensiva (hipótese do presente caso), enquanto esta condição não se verificar, não há aquisição de direitos pelas partes, ou seja, não há permuta celebrada, já que seus efeitos dependem de condição suspensiva futura e incerta; Tratamento contábil e tributário conferido pela legislação às permutas de unidades imobiliárias 4.7. Com relação às operações de permuta mencionadas nos autos de infração, ressalta que o modus operandi adotado para a contabilização e apuração dos tributos incidentes sobre tais operações seguiram as Fl. 3347DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 14751.720082/201276 Acórdão n.º 3202001.120 S3C2T2 Fl. 3.348 5 determinações da legislação em vigor. Na medida em que a permuta consiste em troca de bens pertencentes a pessoas diversas, é fácil perceber que a operação de permuta representa mera substituição de bens contabilizados no estoque ou ativo imobilizado da sociedade, sem que isso impacte seus resultados operacionais (e, por consequência, o recolhimento de tributos). Justamente porque a permuta pura e simples traduzse em substituição, troca, conversão ou câmbio de bens, não há contabilização de receita pela sociedade permutante, pois nem todo o ingresso de bens no patrimônio da sociedade representa receita para fins tributários; 4.8. Considerase “permuta” a operação de troca de bens pertencentes a pessoas (físicas ou jurídicas) diversas, mediante transferências da propriedade dos bens permutados. Dadas as suas características, a “permuta” não se confunde com a “compra e venda”, sendo que ambos os institutos jurídicos são eminentemente distintos. A permuta e a dação de pagamento também não se confundem; 4.9. É preciso enfatizar que, nos casos de permuta de imóveis, sem pagamento de parcela complementar em dinheiro, não há qualquer tributação do IRPJ e da CSLL, na medida em que a sociedade não registra receita. Nas operações de permuta de unidades imobiliárias, a apuração de resultados e a determinação dos valores de baixa e aquisição de bens é especificamente disciplinada pela IN SRF n.º 107, de 1988, a qual considera permuta qualquer operação que tenha por objeto a troca de unidades imobiliárias por outras unidades, com ou sem torna; 4.10. Na hipótese de haver pagamento de torna na permuta de unidades imobiliárias já edificadas, a sociedade permutante que receber a torna deverá computála como receita, podendo deduzir dessa receita a parcela do custo da unidade imobiliária dada em permuta que corresponder à torna recebida ou a receber. Conforme a IN SRF n.º 107, de 1988, a permutante beneficiária da torna deverá considerar como custo do bem recebido o valor contábil do bem dado em permuta, deduzido do custo atribuído à torna recebida ou a receber. Todo esse tratamento contábilfiscal conferido às operações de permuta atesta que esta não é sinônimo da compra e venda, notadamente no que se refere à tributação do IRPJ e da CSLL; 4.11. A Lei n. 9.718/98 não veda que as sociedades imobiliárias tributadas pelo regime do lucro presumido continuem fazendo uso dos procedimentos descritos na IN SRF n.º 107, de 1988, para apuração de resultados nas operações de permuta imobiliária, com ou sem torna. Nas operações imobiliárias envolvendo torna, tributase inicialmente a receita referente à torna, podendo a sociedade deduzir dessa receita a parcela do custo da unidade dada em permuta que corresponder à torna recebida ou a receber; 4.12. Observese que, em 2008 (período compreendido no auto de infração), a própria Receita Federal do Brasil, através dos processos de consulta n.ºs 230 e 241, ambos de 2008 (SRRF/9ª RF), posicionouse no sentido de que os Fl. 3348DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 14751.720082/201276 Acórdão n.º 3202001.120 S3C2T2 Fl. 3.349 6 bens recebidos em permuta não integravam a base de cálculo do IRPJ (ou da CSLL), ainda que a sociedade fosse tributada pelo lucro presumido. Mesmo que, a partir do ano de 2010 (período não alcançado pelo auto de infração), através da Solução de Divergência n.º 5, de 2010, a Receita Federal do Brasil tenha passado a adotar o (controverso) entendimento de que o imóvel recebido em permuta consiste em receita bruta, os efeitos da nova postura fiscal não podem retroagir para prejudicar os contribuintes, conforme se denota do art. 48, § 11, da Lei n.º 9.430, de 1996, sob pena de se materializar violação ao cânone da segurança jurídica que deve nortear as relações tributárias; 4.13. Também não se pode olvidar que o fato gerador do imposto de renda pressupõe que o contribuinte obtenha disponibilidade econômica ou jurídica de renda (decorrente do trabalho, do capital ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, sendo que nenhuma renda ou provento é obtido com a mera permuta de bens, o que impede a incidência do IRPJ e da CSLL; 4.14. A Lei n.º 8.981, de 1995, dispõe que o IRPJ das construtoras ou incorporadoras tributadas segundo o regime do lucro presumido deve ser apurado conforme os “valores efetivamente recebidos” com a negociação de unidades imobiliárias. Consoante a Lei n.º 8.981, de 1995, considerase receita bruta da venda de unidades imobiliárias o produto da venda de bens nas operações por conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Uma vez que a permuta não se enquadra em nenhuma dessas hipóteses, é possível concluir que tais operações não podem ser consideradas como “receitas” para a apuração do IRPJ e da CSLL. Devese ainda atentar que a equiparação da permuta à compra venda representa violação ao princípio da capacidade contributiva, na medida em que não há ingressos financeiros (mas apenas troca de ativos) que justifiquem as incidências do IRPJ e da CSLL sobre os bens permutados; Supostas divergências entre os valores contabilizados como receita declarada e os pagamentos recebidos 4.15. Outro ponto controverso apontado diz respeito à suposta existência de divergências entre os pagamentos efetuados pelos adquirentes de unidades imobiliárias e os valores efetivamente lançados na contabilidade. Da mera análise dos demonstrativos anexos aos autos de infração, é possível constatar que diversas das ditas diferenças apontadas referemse às operações de permutas tratadas no tópico anterior. Isso atesta que parte dos valores que o agente fiscal considerou divergentes resulta das permutas, cuja contabilização observou as disposições da IN SRF n.º 107, de 1988. Ademais, embora o agente fiscal tenha considerado que haveria divergências entre os valores pagos pelos clientes e os valores contabilizados, temse que, na verdade, tais divergências não existem (exemplo trazido na impugnação). Dessa forma, é fácil visualizar que todos os valores pagos Fl. 3349DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 14751.720082/201276 Acórdão n.º 3202001.120 S3C2T2 Fl. 3.350 7 pelos adquirentes de imóveis foram devidamente escriturados e declarados, de modo que não há diferenças entre a receita declarada e os pagamentos recebidos. Os valores envolvidos nos demais contratos celebrados foram contabilizados no Livro Razão de cada ano, como fazem prova os documentos já anexados aos autos. 5. Ao final, após sinteticamente repisar, na forma de requerimentos, os argumentos já tecidos na peça de defesa, requer a retificação ou o cancelamento dos autos de infração. Protesta, ainda, pela produção de todos os meios de prova admitidos no processo administrativo, notadamente a juntada de outros documentos, eventual perícia contábil e outras provas que se fizerem necessárias. 6. Conforme documentos de fls. 2803/2804, a parte do crédito tributário lançado cuja procedência foi explicitamente reconhecida pela contribuinte autuada foi transferida para outro processo administrativo. 7. Como a contribuinte sustentou que valores relativos a vendas canceladas integraram as bases de cálculo dos tributos lançados, que a fiscalização estaria equivocada ao sustentar ter havido divergências entre os pagamentos efetuados pelos adquirentes das unidades imobiliárias e os valores efetivamente lançados na contabilidade e que tais divergências referirse iam a operações de permutas, os autos foram baixados em diligência, a fim de que a unidade de origem confirmasse se de fato houve os distratos informados na planilha de fl. 2649 (se os valores referidos nos distratos foram devolvidos aos compradores distratantes), caso em que deveria verificar a repercussão deste fato na apuração de novos valores para os tributos devidos, bem como que consignasse outras informações julgadas necessárias ao deslinde do litígio, inclusive quanto às divergências apontadas (fls. 2806/2810). 8. Através do Relatório de Diligência Fiscal de fls. 3145/3155, a autoridade diligenciadora, depois de descrever o procedimento fiscal, informa: 8.1. Quanto às vendas canceladas, que apurou novos valores para o IRPJ e para a CSLL, a partir da análise dos documentos fornecidos durante a realização da diligência e daqueles já anexados aos autos; 8.2. Quanto aos veículos recebidos em permuta, que a empresa optou pela sistemática do lucro presumido, caso em que os veículos recebidos em permuta devem ser tributados na ocasião da transação, isto é, do recebimento, como também na venda do veículo como receita da atividade da empresa que o contribuinte não registrou as entradas dos veículos na empresa no momento da permuta, o mesmo ocorrendo com os imóveis também assim recebidos. Aduz que os valores lançados pela Fiscalização, na planilha “Demonstrativo dos Bens Móveis e Imóveis Recebidos em Permuta” (fls. 2450/2453), não foram registrados na contabilidade da empresa. Informa, ainda, a autoridade diligenciadora que o levantamento realizado pela fiscalização recompôs toda a base de cálculo dos tributos e Fl. 3350DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 14751.720082/201276 Acórdão n.º 3202001.120 S3C2T2 Fl. 3.351 8 contribuições, considerando os valores da omissão de receita e da receita escriturada pela contribuinte autuada; ao mesmo tempo, afirma ter sido considerado todos os tributos declarados em DCTF (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins); 8.3. Quanto às divergências entre os valores contabilizados como receita declarada e os pagamentos recebidos, que houve diferenças entre os valores recebidos, inclusive em bens, e contabilizados das pessoas físicas AGOSTINHO PEREIRA DA P. NETO, JOAO LOPES DE A. JÚNIOR, OTACÍLIO MARCUS M. CORDEIRO, MARIA PEREIRA DE CARVALHO, PATRÍCIA CLEMENTINO DE MELO, MATHIAS ALMEIDA P. LUNA e MARIA DE MAGALHÃES ALCÂNTARA. 9. Ao final, a autoridade diligenciadora consignou que: a) foram considerados os valores das vendas canceladas, alegados na impugnação, relativo aos distratos, dos valores efetivamente devolvidos (pagos) nos Anos de 2008 e 2009, conforme planilha “Demonstrativo Resumo das Vendas Canceladas – Regime Caixa” (fl. 3137); b) houve a retificação na diferença da omissão de receita, relativo ao item 3, alínea “d”, do Relatório, dos pagamentos realizados pela adquirente MARIA PEREIRA DE CARVALHO, na compra do apto. 1801/2101 do Ed. Sun Place com os valores declarados pela fiscalizada, de R$ 62.190,00 para R$ 11.690,00 (fl. 3138); c) foram elaboradas novas planilhas do PIS e da Cofins, considerando todas as alterações procedidas pela Fiscalização, estando acostadas aos autos às fls. 3139/3144. 10. Intimada da diligência, impugnante manifestação através da peça de fls. 3187/3197, tecendo as considerações a seguir sintetizadas: 10.1. Apesar do trabalho de revisão, persistem erros no Relatório de Diligência com relação às vendas canceladas realizadas aos clientes TABAJARA PRODUTOS CERÂMICOS LTDA., BRASILINO DA CONCEIÇÃO e LINO ARAÚJO FILHO; 10.2. Todos os veículos recebidos em permuta foram levados à tributação, assim como os imóveis também permutados (planilha de fls. 3036/3037 elenca os veículos permutados cujos valores integrariam a base de cálculos dos tributos lançados); 10.3. A operação de permuta representa mera substituição de bens contabilizados no estoque ou ativo imobilizado da sociedade, sem que isso impacte nos seus resultados operacionais (e, por consequência, no recolhimento de tributos); 10.4. Encontrase prescrita a cobrança de quaisquer tributos, multas ou juros relacionados a fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 2007. É o relatório. Fl. 3351DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 14751.720082/201276 Acórdão n.º 3202001.120 S3C2T2 Fl. 3.352 9 Em sua decisão, a DRJ de Recife houve por bem julgar procedente em parte a impugnação. A ementa do acórdão foi assim formulada: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Assunto: LUCRO PRESUMIDO. PERMUTA DE IMÓVEIS. RECEITA BRUTA. Na operação de permuta de imóveis sem recebimento de torna, realizada por pessoa jurídica tributada pelo IRPJ com base no lucro presumido, dedicada à atividade imobiliária, constitui receita bruta o preço do imóvel recebido em permuta. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. O entendimento adotado para o lançamento da Cofins se estende ao lançamento reflexo (PIS). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. É de se manter a multa qualificada quando o conjunto de informações constantes dos autos demonstra que a conduta do contribuinte se subsume à alguma das hipóteses legais que ensejam tal qualificação. PRAZO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo para a constituição de crédito tributário, quando não há pagamento antecipado de tributo, é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Em havendo pagamento, o prazo extinguese após cinco anos, a partir da data do fato gerador, conforme o § 4º do art. 150 do mesmo diploma legal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário, onde repisa os argumentos apresentados anteriormente. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 3352DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 14751.720082/201276 Acórdão n.º 3202001.120 S3C2T2 Fl. 3.353 10 Decadência Entendo correto o entendimento da DRJ neste ponto, conforme trecho abaixo transcrito: No caso em tela, como o período de apuração do PIS e da Cofins é mensal, e considerando que houve pagamento antecipado em relação aos meses de janeiro e fevereiro de 2007 (com os códigos 8109 e 2172) conforme consulta ao sistema SINAL04 da RFB (código 8109: em 23/02/2007, R$ 3.292,32; em 22/03/2007, R$ 2.233,76; código 2172: em 23/02/2007, R$ 15.195,32; em 22/03/2007, R$ 10.309,65), não havia mais como exigir tributo sobre os fatos geradores ocorridos nos referidos períodos de apuração. O mesmo, no entanto, não ocorreu em relação ao mês de março (encerrado em 31/03/2007), pois o direito de o Fisco lançar somente se extinguiria no mesmo dia do anocalendário de 2012, ou seja, em 31/03/2012. Como a ciência do lançamento se deu no dia anterior, em 30/03/2012 (fl. 2362), ainda não havia perecido, pela decadência, o direito à constituição do crédito tributário. Vendas Canceladas Após a DRJ ter reconhecido o cancelamento das vendas para BRASILINO DA CONCEIÇÃO, manteve a autuação em relação às vendas para TABAJARA PRODUTOS CERÂMICOS LTDA. e LINO ARAÚJO FILHO pelos seguintes motivos: 16.1. TABAJARA PRODUTOS CERÂMICOS LTDA.: dizse restar devidamente comprovada a devolução de R$ 690.000,00, superior ao levantado na diligência. Tal como nesta proposto, o valor devolvido no ano calendário de 2008 alcançou apenas R$ 410.713,06, sendo que, ao final deste períodobase, ainda restava a devolver R$ 279.286,94 (fl. 3200). A despeito da alegação, não foram trazidas aos autos cópias dos lançamentos contábeis que atestassem a devolução da diferença, mas apenas os registros efetuados no próprio anocalendário de 2008, já considerados pela autoridade diligenciadora; ... 16.3. LINO ARAÚJO FILHO: Sustentase que a devolução montou exatos R$ 60.000,00, não dos R$ 40.000,00 apontados na diligência. No entanto, os valores lançados a débito da conta n.º 2074 totalizam a exata quantia identificada pela autoridade diligenciadora, a mesma registrada no Livro Razão às fls. 3209/3210. Se devolução da diferença houve, não se deu no períodobase de 2009, ao menos conforme demonstram os registros contábeis trazidos à colação. Entendo, portanto, correto entendimento da DRJ neste ponto. Fl. 3353DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 14751.720082/201276 Acórdão n.º 3202001.120 S3C2T2 Fl. 3.354 11 Permuta Quanto à permuta de unidades imobiliárias sem torna, entendo inexistir receita tributável para fins de PIS e COFINS. A respeito do tema da permuta de participações societárias, escrevi o que segue que é plenamente aplicável ao caso concreto: Visando solidificar o entendimento acima esposado, é mister analisarmos o conceito de receita para se determinar a incidência ou não de PIS e COFINS sobre a permuta de participações societárias. Solon Sehn [05], após transcorrer a respeito de várias definições de receita elaboradas por diversos juristas [06], concluiu que a receita pressupõe a ocorrência de um ato ou fato jurídico de alteração do patrimônio líquido ou uma entrada que se incorpora ao patrimônio daquele que a aufere, como elemento novo, diferentemente do mero ingresso que reflete apenas um fluxo neutro de recursos financeiros. O IBRACON, em antigo procedimento, também afirmou que: "Receita corresponde a acréscimos nos ativos e decréscimos nos passivos, reconhecidos e medidos em conformidade com princípios de contabilidade geralmente aceitos, resultantes dos diversos tipos de atividades e que possam alterar o patrimônio líquido. Acréscimos nos ativos e decréscimos nos passivos, designados como receita, são relativos e eventos que alteram bens, direitos e obrigações. Receita, entretanto, não inclui todos os acréscimos nos ativos ou decréscimos nos passivos. Recebimento de numerários por venda a dinheiro é receita, porque o resultado líquido da venda implica em alteração do patrimônio líquido. Por outro lado, o recebimento de numerário por empréstimo tomado ou o valor de um ativo comprado a dinheiro não são receita, porque não alteram o patrimônio líquido." [07] José Antonio Minatel é categórico ao afirmar que: "... não pode ser qualificado como receita o ingresso que não revela qualquer contraprestação por exercício de atividade, nem mesmo remuneração em negócio jurídico que possa indicar cessão temporária e onerosa de direitos, além de faltar o ânimus para obtenção de disponibilidade de nova riqueza." [08] Para o desembargador federal Leandro Paulsen, "... nem tudo o que contabilmente é considerado receita pode sêlo para fins de tributação. Isso porque a receita, na norma concessiva de competência tributária, denota uma revelação de riqueza..." [09] Fl. 3354DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 14751.720082/201276 Acórdão n.º 3202001.120 S3C2T2 Fl. 3.355 12 Marcelo Knopfelmacher, ao estudar o conceito de receita na Constituição, diz claramente que "... da análise do conteúdo semântico mínimo do termo ‘receita’, pressuposto pela Constituição Federal, lançamos novamente o conceito que conseguimos extrair do texto constitucional: ingresso (novo) de valores que se incorporam positivamente ao patrimônio." [10] O art. 279 do RIR/99, por sua vez, define que "a receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia". No Dicionário de Termos Contábeis (São Paulo: Ed. Atlas, 1999), de autoria dos Professores Sérgio de Iudicíbus, José Carlos Marion e Elias Pereira, "RECEITA" tem a seguinte definição: "(1) representa a entrada de ativos, sob forma de dinheiro ou direitos a receber, correspondentes, normalmente, à venda de mercadorias, de produtos ou à prestação de serviços... (2) receita de uma empresa durante um período de tempo representa uma mensuração do valor de troca dos produtos (bens e serviços) de uma empresa durante aquele período. (3)... (4) expressão monetária conferida pelo mercado à produção de bens e serviços da entidade, em sentido amplo, em determinado período.... " Em ambas os conceitos, portanto, a definição de receita está intrinsecamente relacionada à venda de bens e serviços que, via de regra, constituise no objeto da maioria das empresas contribuintes. Obviamente, não podemos esquecer que existem outras receitas, sejam operacionais ou não, que não estão diretamente ligadas à atividade da empresa, o que não é o caso em exame, por exemplo: das receitas financeiras, das variações cambiais, dos ganhos de capital, etc. Na permuta de participações societárias, no entanto, onde existe uma simples substituição de um ativo permanente por outro, sem qualquer ocorrência de "incremento no patrimônio" ou de "alteração do patrimônio líquido" da empresa, mas revelando apenas um "fluxo neutro de recurso financeiros", as partes envolvidas não auferem receita na melhor acepção da palavra. (PIS, COFINS e permuta de participações societárias. In http://jus.com.br/artigos/11911/piscofinsepermutadeparticipacoessocietarias) Esse, inclusive, tem sido o entendimento do CARF: A permuta ou troca é o contrato pelo qual as partes se obrigam a dar uma coisa por outra que não seja dinheiro. Tudo que pode ser objeto de uma compra e venda pode ser trocado, não sendo necessário que os bens permutados sejam de igual espécie ou valor, sendo lícito, portanto, permutar um imóvel por uma coisa móvel, ou ainda um bem imóvel ou móvel por um Fl. 3355DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 14751.720082/201276 Acórdão n.º 3202001.120 S3C2T2 Fl. 3.356 13 direito. Apesar de as disposições civis referentes à compra e venda serem aplicadas à troca ou permuta (art. 533 do Código Civil), não se deve esquecer que o contrato de permuta antecedeu ao da compra e venda. A interpretação tributária que restringe à permuta a troca de bens imóveis não tem base na doutrina ou na própria legislação regente do ganho de capital. Dessa forma, ao contrato de permuta, de forma geral, deve ser dado o mesmo tratamento atribuído ao de permuta de unidades imobiliárias, quando somente se pode falar em ganho de capital se houver torna. Inexistindo torna, não haverá ganho de capital, exceto se o permutante ativar em sua declaração de bens e direitos o bem recebido por um valor maior do que o dado em permuta. Assim, incabível a utilização do valor registrado na escritura de permuta como custo do bem recebido em permuta, devendo ser acatado como custo do bem recebido na permuta aquele do bem ofertado nesta avença. (Acórdão 10616.964 – grifamos) Multa Qualificada Quanto à multa qualificada, a Súmula n° 14 do CARF é clara ao dizer que “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Não há nos autos comprovação de fraude para a manutenção da multa qualificada, conforme já aventado pelo julgador de 1° grau e atual conselheiro do CARF, Charles Mayer de Castro Souza, devendo ser mantida apenas a multa de 75%. Por fim, em relação às divergências entre os valores contabilizados e os pagamentos recebidos, a recorrente não contestou quaisquer das diferenças apontadas no item 3 do Relatório de Diligência Fiscal (DIVERGÊNCIAS ENTRE OS VALORES CONTABILIZADOS COMO RECEITA DECLARADA E OS PAGAMENTOS RECEBIDOS), no qual consignados, em relação a cada uma das operações realizadas com as pessoas físicas nele mencionadas, os valores que, a despeito de recebidos, não foram contabilizados, os quais, como se vê, não se referem apenas ao recebimento de bens, mas, também, de valores pecuniários. Os bens em questão foram recebidos como pagamento de parcela do valor da venda de unidades imobiliárias, motivo pelo qual não podem deixar de integrar a receita da atividade empresarial da recorrente. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO parcial ao recurso voluntário, apenas para excluir os valores autuados relativos à permuta de unidades imobiliárias e à multa qualificada de 150%. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 3356DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 14751.720082/201276 Acórdão n.º 3202001.120 S3C2T2 Fl. 3.357 14 Voto Vencedor Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Redator. As divergências em relação ao voto do i. Conselheiro Relator referese à permuta de unidades imobiliárias e à multa qualificada de 150%. Passemos a análise de cada uma das matérias separadamente. Da permuta de unidades imobiliárias A meu ver, não há como desconsiderar como receita da atividade empresarial da Recorrente, no momento da alienação das unidades imobiliárias, os valores dos bens recebidos em permuta, como entendeu o nobre relator do voto vencedor. Isto porque, como bem argumentou o relator da DRJRecife “a impugnante espontaneamente apurou o lucro de sua atividade empresarial pela sistemática da presunção, hipótese em que o lucro é estimado com base em coeficientes (percentuais) que incidem sobre a receita total auferida. Não se pode aplicar, por integração analógica, ato normativo destinado a disciplinar, em particular situação, a apuração do lucro real àqueles contribuintes que adotam o regime do lucro presumido, visto que neste, como já se adiantou, não se consideram custos ou despesas (arts. 518 e 519 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – RIR/99), tal como sucede naqueloutro. Embora destinados a apurar o lucro da atividade, esses regimes são dessemelhantes, donde inaplicáveis as disposições encartadas na IN SRF n.º 107, de 1988, que visou disciplinar os procedimentos a serem adotados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas e do lucro imobiliário das pessoas físicas, nas permutas de bens imóveis”. Ora, se a Recorrente optou por apurar o seu lucro tributável pela sistemática denominada por “lucro presumido”, deve arcar com o ônus e o bônus dessa opção. Nesta sistemática, o lucro é calculado a partir de índices previamente fixados pela lei que devem incidir sobre a receita total auferida; por outro, não é possível apropriarse de custos ou despesas, como se faz na sistemática de apuração por “lucro real”, de modo a abater do valor da receita bruta tributável os custos decorrentes das permutas de bens imóveis. No caso da apuração pela sistemática do “lucro presumido”, a lei não diferenciou a receita tributável decorrente do recebimento em pecúnia (“dinheiro”) ou em bens. A incidência se dá indistintamente, desde que ocorra o auferimento de receita em decorrência da venda de mercadoria, da prestação de serviços ou da conjugação de ambos, independentemente da forma de pagamento empregada. Ademais, o Código Civil/2002 estabeleceu que as operações de troca ou permuta submetessemse às mesmas disposições relativas às operações de compra e venda (art. 533) e, ainda, que no caso de dação em pagamento o preço da coisa dada seguirá as regras das normas das operações de compra e venda (art. 357). Confiramse os dispositivos legais: Art. 533. Aplicamse à troca as disposições referentes à compra e venda, com as seguintes modificações: I salvo disposição em contrário, cada um dos contratantes pagará por metade as despesas com o instrumento da troca; Fl. 3357DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 14751.720082/201276 Acórdão n.º 3202001.120 S3C2T2 Fl. 3.358 15 II é anulável a troca de valores desiguais entre ascendentes e descendentes, sem consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante. Art. 357. Determinado o preço da coisa dada em pagamento, as relações entre as partes regularseão pelas normas do contrato de compra e venda Neste sentido, também, a Solução de Divergência Cosit nº 5, de 01/12/2010, cuja ementa abaixo se transcreve: LUCRO PRESUMIDO. PERMUTA DE IMÓVEIS. RECEITA BRUTA. Na operação de permuta de imóveis sem recebimento de torna, realizada por pessoa jurídica tributada pelo IRPJ com base no lucro presumido, dedicada à atividade imobiliária, constitui receita bruta o preço do imóvel recebido em permuta. Destarte, na venda das unidades imobiliárias deve haver a incidência dos tributos sobre a totalidade das receitas auferidas na venda, independentemente da forma do recebimento do pagamento, se em pecúnia ou em bens. Da multa qualificada de 150% No tocante à qualificação da multa, no percentual de 150% (apenas quanto à omissão da receita auferida com a venda do apartamento n.º 301 do Ed. Residencial Holanda’s Life Place à Sra. PATRÍCIA CLEMENTINO DE MELO), não há reparo a fazer no voto vencedor do acórdão da DRJRecife. Como bem argumentou o julgador, não houve contestação por parte da autuada no que se refere a tal qualificação da multa (150%), considerandose que tal matéria não foi impugnada, não se instaurou o litígio, ocorrendo, por conseguinte, a definitividade de tal qualificação na esfera administrativa, nos termos dos arts. 14, 15 e 17 do Decreto 70.235/72, todos abaixo transcritos: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (negritamos) Ressaltese, que apenas em sede de recurso o contribuinte questiona a matéria. Entretanto, a fase recursal tem como fundamento o princípio do duplo grau de cognição, corolário do princípio da ampla defesa. O recurso tem como objetivo a revisão da decisão da DRJ. Assim, o contribuinte deve alegar todas as matérias de defesa quando da apresentação de sua impugnação, de modo que, passada esta fase, já não pode, no recurso, alegar matéria não impugnada. Caso contrário, terseia a análise inicial de matéria aduzida em Fl. 3358DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 14751.720082/201276 Acórdão n.º 3202001.120 S3C2T2 Fl. 3.359 16 fase recursal, o que causaria enorme contrassenso, pois não haveria quem analisasse em fase de recurso os argumentos levantados apenas em etapa recursal. Conclusão Ante o exposto, voto por negar ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 3359DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/05/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 19647.001626/2006-60
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
Exclusão do Simples. Prática Reiterada de Infração à Legislação Tributária
Provada, por prova, direta a prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela contumaz omissão de receitas, justificada está a exclusão da empresa do Simples Federal.
Numero da decisão: 1801-001.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcio Angelim Ovidio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA Provada, por prova, direta a prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela contumaz omissão de receitas, justificada está a exclusão da empresa do Simples Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcio Angelim Ovidio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão da DRJ em Recife/PE que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 16 26 /2 00 6- 60 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 2 inconformidade apresentada contra Ato Declaratório que excluiu a empresa interessada do Sistema Simplificado de Pagamento de Impostos e Contribuições Federais – Simples Federal, dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte. Consta dos autos que a empresa interessada foi excluída do Simples Federal, com efeitos a partir 01/01/2003, pelo Ato Declaratório Executivo da DRF/Recife/PE n º 28, de 2006, por praticar reiteradamente infração à legislação tributária. Na Representação Fiscal para Exclusão do Simples (fls. 02/04), foram descritos os fatos que ensejaram a exclusão: O contribuinte, inscrito no SIMPLES, na condição de microempresa, auferiu e informou para a Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco, durante todos os meses do anocalendário 2003, receita bruta em montante significativamente superior ao valor informado na Declaração Anual Simplificada. A conduta repetida de informação para Secretaria da Receita Federal da receita de vendas a menor e conseqüente recolhimento tributário na modalidade do SIMPLES, inferior ao valor devido, configura prática reiterada de infração à legislação tributária, motivo de exclusão da empresa no SIMPLES. De acordo com o demonstrativo “levantamento de receita bruta” que acompanha a representação a contribuinte auferiu, no anocalendário 2003, uma receita bruta total de R$ 812.139,00, conforme apurouse pelas GIAS da Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco, enquanto que na declaração anual do simples federal declarou ao Fisco Federal receita total, para o mesmo período, de R$ 190.062,00. Em 13/03/2006, a empresa foi cientificada de sua exclusão do Simples e intimada a efetuar a escrituração e apresentação dos livros contábeis de escrituração obrigatória para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, bem como a apresentar as DCTF, DACON e as Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, referentes ao período fiscalizado. Em razão da não apresentação dos elementos solicitados, foram lavrados autos de infração para constituição de crédito tributário devido pelos valores omitidos nos moldes do arbitramento do lucro com multa qualificada de 150% e juros de mora. Na manifestação de inconformidade apresentada alegou a empresa que teria cometido erro ao não conferir os dados informados pelo profissional terceirizado e que a responsabilidade pelo preenchimento da declaração apresentada ao Fisco é do contador. Informou que nunca havia sido penalizada e que, uma única vez, não poderia caracterizar prática reiterada. Afirmou que nas declarações a Secretaria de Fazenda do Estado foram informadas todas as receitas e que, diante do faturamento no ano calendário de 2003 poderia se manter no Simples como EPP. De acordo com o Despacho da fl. 237, a contribuinte não impugnou os autos de infração lavrados durante o procedimento fiscal e solicitou o parcelamento dos valores exigidos, razão pela qual os créditos tributários foram transferidos para outros processos, remanescendo no presente apenas o litígio quanto a exclusão da empresa do Simples Federal. A Turma Julgadora de 1a. Instância manteve a exclusão ao argumento de que restou caracterizada a prática reiterada à infração tributária. Notificada da decisão, em 13/06/2012, apresentou a interessada em 13/07/2012, recurso voluntário. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 19647.001626/200660 Acórdão n.º 1801001.964 S1TE01 Fl. 3 3 Nas razões de defesa afirma que agiu com boafé ao admitir o erro nas informações prestadas à Fazenda Federal e ao solicitar o parcelamento dos tributos devidos. Solicita que seja desconsiderada a razão que levou à sua exclusão do Simples, uma vez já ter sido suficientemente penalizada com os autos de infração lavrados contra si. Salienta que a micro e pequena empresa ajudam a incrementar a concorrência no país e, ao final, pede pelo provimento do recurso. Pelo memorando ARF/JGS N º 37/2013 consta informação de que a recorrente rescindiu o parcelamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Em procedimento de fiscalização apurou a auditoria que a empresa recorrente deixou de declarar à Fazenda Nacional receitas de sua atividade operacional obtidas na sistemática do Simples Federal. De forma deliberada, ressaltese, a pessoa jurídica informou ao Fisco Federal apenas pequena parcela das receitas efetivamente auferidas nos meses do ano calendário 2003. Através das GIAS apresentadas pela empresa à Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco, por esta disponibilizadas à Fazenda Nacional através de ofício, constatouse que no anocalendário 2003 a empresa informou ao Fisco Estadual um total de receitas da ordem de R$ 812.139,00, ao passo que declarou ao Fisco Federal na Declaração do Simples Federal receitas totais para o mesmo período de R$ 190.062,00, ou seja, apenas a quarta parte dos rendimentos totais auferidos. Não tem qualquer credibilidade a alegação de que a sonegação decorreu de mero erro do contador e que a boafé da empresa teria sido provada pelo pedido de parcelamento dos tributos devidos sobre a receita não declarada constituídos por meio de autos de infração. Como constou do relatório, o parcelamento foi rescindido e, portanto, a boa fé já não pode mais ser invocada. Provada a prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela sonegação contumaz de receitas, deve ser mantida a exclusão da recorrente do Simples Federal. Voto, portanto, por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fl. 473DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 4 Maria de Lourdes Ramirez Fl. 474DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721853/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
ELABORAR FOLHA DE PAGAMENTO FORA DOS PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Preparar folha de pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos constitui infração à Legislação Previdenciária, sujeitando o infrator ao pagamento da multa pecuniária prevista na legislação.
MULTA FIXA. AFASTAMENTO PARCIAL DA ACUSAÇÃO FISCAL. MANUTENÇÃO DA PENALIDADE.
Considerando que a multa aplicada à Recorrente é fixa, independentemente da quantidade de informações omitidas das folhas de pagamento, o afastamento da exigência de que algumas parcelas não deveriam estar registradas não tem o condão de elidir a infração cometida, porquanto ainda remanesceram dados registráveis em folha não lançados pela contribuinte.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO DE OFÍCIO. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para apreciar pedido de compensação de créditos de natureza previdenciária de titularidade do contribuinte, com os débitos apurados no lançamento de ofício discutido. O contribuinte deve realizar o procedimento compensatório de acordo com os procedimentos previstos na legislação vigente à época do encontro de contas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ELABORAR FOLHA DE PAGAMENTO FORA DOS PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Preparar folha de pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos constitui infração à Legislação Previdenciária, sujeitando o infrator ao pagamento da multa pecuniária prevista na legislação. MULTA FIXA. AFASTAMENTO PARCIAL DA ACUSAÇÃO FISCAL. MANUTENÇÃO DA PENALIDADE. Considerando que a multa aplicada à Recorrente é fixa, independentemente da quantidade de informações omitidas das folhas de pagamento, o afastamento da exigência de que algumas parcelas não deveriam estar registradas não tem o condão de elidir a infração cometida, porquanto ainda remanesceram dados registráveis em folha não lançados pela contribuinte. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO DE OFÍCIO. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para apreciar pedido de compensação de créditos de natureza previdenciária de titularidade do contribuinte, com os débitos apurados no lançamento de ofício discutido. O contribuinte deve realizar o procedimento compensatório de acordo com os procedimentos previstos na legislação vigente à época do encontro de contas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 18 53 /2 01 0- 19 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10680.721853/201019 Acórdão n.º 2401003.443 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.267.3635, do qual a Autuada foi cientificada em 13.07.2010, que objetiva a cobrança de multa em virtude da empresa não ter lançado em folha de pagamento os valores pagos e/ou creditados a contribuintes individuais sócios administradores Gilson de Carvalho Queiroz Filho e Luiza Maria de Carvalho identificados na conta “Outras Despesas 3.1.1.006.00276”, no período de 01/2006 a 12/2006; bem como por não ter incluído em folha de pagamento os empregados beneficiados com a cesta básica in natura, valores considerados pela Autuante como salário de contribuição, por a empresa não estar inscrita no PAT no período do presente lançamento. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 24/25), a empresa infringiu ao art. 32, I da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, I e §9º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, sendolhe aplicada a multa prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e art. 283, inciso I, “a” e art. 373 do RPS, no valor de R$ 1.431,79. Em13/07/2010, o Recorrente tomou ciência do Auto de Infração (fl.3) e, em seguida, apresentou impugnação (fls. 30/33) alegando, em síntese: · A preliminar de nulidade do Auto de Infração em virtude de tratarse de obrigação acessória dos Autos de Infração DEBCADs nº 37.267.3686, 37.291.6783, 37.291.6791 e 37.291.3805, no bojo dos quais fora requerida a decretação da nulidade pelo fato de não terem sido apreciados pela fiscalização os documentos juntados; · Que a não apreciação dos documentos juntados concorreu de forma efetiva para a penalização da impugnante, pois os valores descontados dos segurados não foram recolhidos porque foram compensados na forma da lei e as parcelas não tributadas não o foram por determinação nas convenções coletivas de trabalho. · Que conforme se verifica do PER/DCOMP, bem como das notas fiscais e planilha de retenções/compensações juntados, há um considerável crédito da recorrente com a Previdência Social, que, nos termos da legislação vigente, pode ser utilizado para compensação de valores devidos. Sendo assim, se após o julgamento da demanda restar apurado algum crédito em desfavor da recorrente, requereu a sua compensação com tais créditos. Instada a manifestarse acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte às fls. 48/61julgou procedente em parte a impugnação para reconhecer que, como as cestas básicas pagas in natura não revestem da qualidade de salário de contribuição, nos termos do Ato Declaratório da PGFN n. 3/2011, a infração restou descaracterizada nesse particular. No entanto, como ainda assim persistiram omissões nas folhas de pagamento, relativas ao prólabore indireto dos sócios, a DRJ manteve a penalidade aplicada, pelo fato de que a penalidade aplicada é única e independe do número de infrações praticadas no período fiscalizado,nos termos do acórdão abaixo ementado: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 A 31/12/2008 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ELABORAR FOLHA DE PAGAMENTO FORA DOS PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS. Preparar folha de pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidas constitui infração à Legislação Previdenciária. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre despesas com alimentação in natura em favor dos empregados tendo em vista o PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 de 10/11/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda e o Ato Declaratório PGFN nº 3 de 20/12/2011. Impugnação procedente em parte. Crédito Tributário Mantido. Devidamente intimada em 19/12/2012 (conforme AR de fl.65), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 09/01/2013(fls.69/83), rebatendo a decisão proferida pela DRJ com base nos seguintes argumentos: · Que o código de Lançamento “CN”, que corresponde ao evento Cesta Básica in natura, e “AL” Alimentação, possuem a mesma natureza jurídica, razão pela qual esse último também merece ser excluído do referido Auto de Infração, pelos mesmos fundamentos que motivaram o afastamento da cobrança sobre as quantias despendidas pela empresa para fornecimento in natura dos alimentos; · Que a ajuda de custo e o prêmio líder de turma possuem natureza jurídica indenizatória, não podendo ser considerado como salário em sentido estrito; · Reconhece que não foram tributados alguns valores enquadrados como remuneração indireta dos sócios, devendo ser considerados créditos da Fazenda e pagos ou compensados com os créditos existentes em seu favor; É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10680.721853/201019 Acórdão n.º 2401003.443 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Recurso voluntário tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Conforme acima exposto, a recorrente deixou de incluir nas folhas de pagamento valores de despesas pessoais que custeou para os sócios administradores e valores despendidos com a aquisição de cestas básicas fornecidas a empregados. Por tal razão, foilhe aplicada à penalidade prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e art. 283, inciso I, “a” e art. 373 do RPS, no valor de 1.431,79, ajustado segundo a Portaria Interministerial MPS/MF nº 333, de 29 de junho de 2010. O órgão de julgamento a quo, ao apreciar a matéria, reconheceu que não mais caberia a autuação relativamente à concessão de cesta básica (alimentação in natura), embora tal posicionamento não tenha o condão de alterar a multa aplicada pela fiscalização, haja vista que a multa é única e independe do número de infrações ocorridas no período fiscalizado. Ao apreciar os argumentos aduzidos no Recurso Voluntário, percebese que a Recorrente formula alegações estranhas à autuação, já que as rubricas ali contestadas não influenciaram na imposição da penalidade de que trata o presente Auto de Infração. É que as rubricas compreendidas nos levantamentos “AL” – Alimentação, “PR” – Prêmio Líder de Turma e “AJ” – Ajuda de Custo, não foram levadas em conta no lançamento da sanção. Em verdade, com o reconhecimento de que as cestas básicas fornecidas in natura não são parcelas integrantes do salário de contribuição, a Recorrente restou sucumbente quanto às alegações relacionadas aos prólabores indiretos não lançados nas folhas de pagamento. Contudo, em relação a tal rubrica, a Recorrente reconheceu tanto nos autos das obrigações principais, como nos presentes autos, que deixou de tributaros valores pagos aos sócios a título de prólabore indireto, além de não ter contestado a imputação que lhe foi dirigida no presente Auto de Infração, no sentido de que tais despesas pessoais não foram lançadas nas folhas de pagamento. Considerando que a multa aplicada à Recorrente é fixa, independentemente da quantidade de informações omitidas das folhas de pagamento, o afastamento da exigência pela omissão do fornecimento de cestas básicas in natura nas folhas de pagamento não tem o condão de elidir a infração cometida, porquanto ainda remanesceram dados registráveis em folha não lançados pela contribuinte, a saber, os prólabores indiretos. Quanto ao pedido de encontro de contas sugerido, mostrase necessário esclarecer à Recorrente que o regime de compensação das contribuições previdenciárias não segue a disciplina prevista no art. 74 da Lei n. 9.430/96, não sendo autorizada sua Fl. 161DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 compensação com quaisquer tributos administrados pela SRFB, apesar da unificação do órgão, mas apenas com a própria contribuição. De outro giro, como bem ressaltado pela decisão de primeira instancia, também não cabe a este Conselho deferir o procedimento sugerido pela Recorrente, por ausência de norma que o autorize. Ou seja, falece ao órgão julgador a competência para promover o encontro de contas entre os débitos reconhecidos pela Recorrente e os créditos que entende fazer jus, objeto de PER/DCOMP. É o que dispõe o art. 69 da IN n. 1300/2012, que atualmente disciplina a matéria: Art. 69. A decisão sobre o pedido de restituição de crédito relativo a tributo administrado pela RFB, o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, relativo ao Reintegra e o pedido de reembolso, caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF), da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat), da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro (Demac/RJ) ou da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras (Deinf) que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, ressalvado o disposto nos arts. 70 e 72. Parágrafo único. A restituição, o reembolso ou o ressarcimento dos créditos a que se refere o caput , bem como a compensação de ofício desses créditos com os débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, caberão à DRF, à Derat, à Demac/RJ ou à Deinf que, à data da restituição, do reembolso, do ressarcimento ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, julgando totalmente PROCEDENTE o Auto de Infração DEBCAD n° 37.267.3643. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
score : 1.0
Numero do processo: 10380.025541/99-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 04/03/1992 a 29/11/1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
Comprovado que o pleito do presente processo é objeto de outro processo administrativo, não há como conhecer do mesmo pedido.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal.
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Comprovado que o pleito do presente processo é objeto de outro processo administrativo, não há como conhecer do mesmo pedido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 02 55 41 /9 9- 90 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10380.025541/9990 Acórdão n.º 3301002.094 S3C3T1 Fl. 84 2 Relatório A contribuinte efetuou pedido de restituição, em 01/10/99, de valores pagos a maior do PIS que teriam sido recolhidos a maior em face da inconstitucionalidade declarada dos Decretos Leis 2445 e 2449/88. De acordo com a planilha de 09/10, tais créditos seriam relativos aos fatos geradores de jan/92 a out/95. Solicita também que estes valores sejam compensados com débitos do próprio PIS referente ao período de apuração de ago/99. Posteriormente em 26/01/2000, petição de fl. 19, o contribuinte vem corrigir equívoco cometido com o código do tributo que quer ver compensado e acrescenta que o pedido de restituição constante do presente processo já era objeto de pedido formulado no processo nº 10380.026750/9913 e solicita que a compensação solicitada no presente processo seja transferida para aquele processo. O Despacho Decisório proferido pela DRF/Fortaleza analisou o presente processo como sendo pedido de compensação decorrente de créditos solicitados no processo nº 10380.026750/9913. Ou seja, passou a tratar o presente processo somente como pedido de compensação do débito de PIS do fato gerador de agosto/99, com crédito oriundo do outro processo. Assim indeferiu o pedido de compensação em razão da inexistência de crédito que teria sido objeto de indeferimento por meio do acórdão de nº 23 da 4ª Turma da DRJ /Fortaleza, proferido no processo nº 10380.026750/9913. Desta decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual, discute o mérito do seu direito à restituição dos valores pagos a maior do PIS e a da inexistência de concomitância entre o processo administrativo e judicial e solicita o seu direito ao reconhecimento da compensação pleiteada. A DRJ/Fortaleza julgou a referida manifestação de inconformidade decidindo pelo seu não conhecimento em acórdão, cuja ementa transcrevese abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 04/03/1992 a 29/11/1995 Ementa: Pedido de Restituição/Compensação Constando o pedido de restituição/compensação de outro processo administrativo, já apreciado por este órgão julgador, é de se desconsiderar a solicitação constante dos presentes autos, conforme solicita o contribuinte às fls. 19. Impugnação não Conhecida Não concordando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário por meio do qual volta a discutir o mérito do pedido de restituição, alegando que o direito de petição está consagrado na Constituição Federal, que existe diversidade entre o processo administrativo e a ação judicial e solicita a anulação do acórdão recorrido e subsidiariamente que seja reconhecida a legitimidade do seu pedido de compensação. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10380.025541/9990 Acórdão n.º 3301002.094 S3C3T1 Fl. 85 3 Posteriormente a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes editou a Resolução nº 20100.295, convertendo o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora efetuasse as seguintes providências: 1. informe qual a posição do Processo n° 10380026750/9913; 2. informe qual a posição do Mandado de Segurança referido nas decisões e junte cópias da petição inicial e das decisões judiciais, se existirem; e 3. forneça à contribuinte cópia desta Resolução, bem como da informação que vier a ser prestada, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, acrescer esclarecimentos que julgar necessários. Em atendimento à diligência, o Secat da DRF/Fortaleza, por meio do despacho de fl. 77, informou o andamento da ação judicial que não havia transitado em julgado naquela data, cujo sentença havia reconhecido o direito à compensação do indébito tributário do PIS, nos termos do pedido, com débitos do próprio PIS, Cofins e CSLL, com a correção monetária sobre as parcelas sujeitas à compensação, de acordo com os índices fornecidos pelo IBGE e acórdão proferido pelo STJ. Esta sentença foi reformada pelo TRF/5ª Região que deu provimento parcial à apelação da Fazenda Nacional para que fossem observadas as limitações impostas pelo art. 170A do CTN, ou seja, a compensação só poderia ser efetuada após o trânsito em julgado da ação judicial. Complementando a diligência o Seort da DRF/Fortaleza, em despacho de fl. 82, informou que o processo nº 10380.026750/9913 foi objeto de julgamento administrativo, tendo sido o pedido indeferido pela DRF/Fortaleza, a manifestação de inconformidade foi considerada não conhecida pelo acórdão nº 23 da DRJ/Fortaleza e que o Segundo Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso voluntário, por meio do acórdão nº 122.636, de 28/01/2004. Por este mesmo despacho, o processo nº 10380.026750/9913 foi juntado por apensação ao presente processo administrativo. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10380.025541/9990 Acórdão n.º 3301002.094 S3C3T1 Fl. 86 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. O acórdão recorrido não conheceu da manifestação de inconformidade em razão do fato de que o presente pedido de restituição/compensação é objeto do processo administrativo nº 10380.026750/9913, sendo que a DRF havia indeferido o pedido de compensação, pois os créditos que a sustentavam haviam sido indeferidos naquele processo. O processo administrativo nº 10380.026750/9913 está apensado ao presente processo. Aquele processo transitou em julgado e a decisão final foi proferida por meio do acórdão nº 20215.400 o qual negou provimento ao recurso voluntário para reconhecer a concomitância do processo administrativo com processo judicial. Transcrevese abaixo a ementa do referido acórdão: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL TRATANDO DE MATÉRIA IDÊNTICA ÀQUELA DISCUTIDA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO — A submissão da matéria ao crivo do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao ato administrativo de lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade julgadora administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio. Recurso ao qual se nega provimento. Do relatório constante do referido acórdão verificase efetivamente que o pedido de restituição nele contido referese aos mesmos fatos geradores do presente processo. Veja a transcrição da parte inicial do relatório: Trata o presente processo de pedidos de restituição/compensação de valores que o sujeito passivo teria recolhido a maior, no período de fevereiro de 1992 a julho de 1995, referentes à contribuição para o Programa de Integração Social PIS, pagos na forma dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, com débitos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. (...) Assim, indubitavelmente, ante a análise dos dois processos, concluise que a matéria objeto do presente processo está abarcada pela decisão do processo nº 10380.026750/9913. O crédito pleiteado no presente processo já foi indeferido naquele processo. Portanto não há reparos a fazer na decisão recorrida, havendo de se reconhecer que há identidade de pedido do presente processo com o de nº 10380.026750/9913. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10380.025541/9990 Acórdão n.º 3301002.094 S3C3T1 Fl. 87 5 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Considerando que os processos agora estão unidos pela juntada por apensação, e que no processo nº 10380.026750/9913 foi reconhecida a concomitância do pleito administrativo com a ação judicial relativa ao processo nº 99.00160509, recomendo à unidade preparadora que certifiquese do resultado do processo judicial, antes de efetuar a cobrança dos débitos cuja compensação não foram reconhecidas em âmbito administrativo. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 11543.002805/2003-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Luiz Roberto Domingo (Vice-Presidente no exercício da Presidência)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 06/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Relatório
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Luiz Roberto Domingo (Vice-Presidente no exercício da Presidência) Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. EDITADO EM: 06/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Luiz Roberto Domingo (VicePresidente no exercício da Presidência) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 06/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase (fls.2830 a 2831): RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 02 80 5/ 20 03 -2 8 Fl. 2838DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 11543.002805/200328 Resolução nº 3101000.353 S3C1T1 Fl. 4 2 Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração (eletrônico) de fls. 09/18 por de falta/insuficiência de recolhimento de PIS, no período de 01/10/1998 a 31/12/1998, exigindoselhe contribuição de R$722.191,21, multa de ofício de R$541.643,41 e juros de mora de R$675.474,47, perfazendo o total de R$1.939.309,09. A Autoridade autuante afirma que o processo judicial citado, que respaldaria a compensação declarada na DCTF, não fora comprovado (fl. 14). O enquadramento legal encontrase a fls. 10. Cientificada, a interessada apresentou, em 06/08/2003, a impugnação de fls. 01/03, na qual alegou, em síntese, que: “Realmente a CESAN não promoveu o recolhimento dos valores alegados. Contudo, tratase de tributo que está com a exigibilidade suspensa, conforme consta da decisão liminar proferida pelos Exmo. Juiz Federal Luiz Antônio Soares, nos autos do processo 98.00004769, cuja cópia segue em anexo”. Requer, então, seja “decretada a insubsistência do Auto de Infração 0003895 bem como determinado o arquivamento sumário do processo em debate, reconhecendo suspensão da exigibilidade do tributo em questão”. Pede ainda produção de novas provas. O julgamento fora convertido em diligência (fl. 138) “para que a autoridade preparadora verifique se dispunha o contribuinte de crédito suficiente para as compensações em pauta, bem como se esta modalidade de extinção do crédito tributário de fato ocorreu, conforme decisão judicial citada”. O resultado da diligência encontrase no Relatório à fl. 270, onde a Delegacia de origem concluiu: que os registros apresentados confirmam que o contribuinte efetuou em sua contabilidade o registro dos valores devidos a título de PIS e efetuou sua quitação através de compensação, utilizandose de créditos obtidos em decisão judicial ainda não transitada em julgado. Verificouse que o contribuinte adotou índice de correção dos créditos diversos daquele previsto na decisão judicial, porém, dada a falta de apresentação de registros contábeis que permitissem quantificar a base de cálculo e, por conseqüência, o eventual pagamento indevido ou a maior. Nesta linha, não foi possível levantar nesta diligência se o crédito decorrente de pagamentos indevidos seria suficiente para as compensações realizadas. Cientificada a contribuinte apresentou à fl. 277 manifestação alegando , em síntese, que: 1. foi solicitada extensa documentação desta Companhia, com a finalidade de comprovar a base de cálculo do PASEP de janeiro de 1989 a agosto de 1994; 2. se trata de documentação contábil escriturada há mais de vinte anos, cujo levantamento se mostra extremamente difícil por esta Companhia, tratandose de livros de época na qual não havia Fl. 2839DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 11543.002805/200328 Resolução nº 3101000.353 S3C1T1 Fl. 5 3 eficiência tecnológica de armazenamento de dados, e em relação aos quais a localização, triagem e conferência exige tempo muito superior aos cinco dias inicialmente concedidos; 3. muito embora estejam sendo realizadas incessantes buscas da documentação solicitada, cuidase o PASEP daqueles exercícios de tributo pago e cujo crédito tributário se encontra definitivamente constituído; 4. questiona a Autoridade Fiscal base de cálculo já homologada, cujos créditos tributários já se encontram definitivamente constituídos; 5. ao se efetuar o lançamento, já em 2003, não foi feita nenhuma referência a divergência de base de cálculo, com a elaboração dos respectivos cálculos, conforme imposição do art. 142 do CTN; 6. não fica caracterizada hipótese de revisão de lançamento, haja vista que o art. 149, III, do CTN, adstringese à prestação de declarações insatisfatórias, com erros ou quaisquer outras irregularidades. 7. em seu despacho, a Autoridade Fiscal questiona a imposição de juros de 1% (um por cento) ao mês sobre o crédito que sustenta o direito à compensação; 8. a própria sentença estabelece a imposição de juros na forma aplicada, pois previu o comando da decisão judicial que “aos valores compensados devem ser acrescidos juros, pelos mesmos índices utilizados pela Administração, desde o pagamento indevido”; 9. A esse respeito, cabe recordar que até o advento da taxa SELIC, os juros de mora eram devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do CTN c/c 59 da Lei n° 8.383/91. 10. Deste modo, reitera os pedidos da impugnação administrativa para que seja decretada a insubsistência do Auto de Infração 0003895. A 17ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (I), em sessão de julgamento datada de 10/10/2012, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário exigido. O Acórdão 12 49.979 foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 Premissa fática. Desqualificada. Lançamento. Insubsistente. Desqualificada a premissa fática básica que fundamentou o lançamento, este deve ser tornado insubsistente no julgamento, pois vedado aos órgãos julgadores constituir crédito tributário ou retificar lançamento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 2840DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 11543.002805/200328 Resolução nº 3101000.353 S3C1T1 Fl. 6 4 Em vista do valor do crédito exonerado, recorreuse de ofício ao CARF, nos termos do art. 34 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pela Lei n.º9.532/72, combinado com a Portaria MF nº 3 de 03 /01 /2008. O processo foi distribuído a esse conselheiro relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes – relator. Conheço do Recurso Ofício. O Auto de Infração nº 0003895 (fls. 9 a ), lavrado de forma eletrônica, originou se da realização de Auditoria Interna nas DCTF’s 0000100199800324576 (1ºtrimestre 1998), 0000100199800050666 (2ºtrimestre 1998), 0000100199800544677 (3ºtrimestre 1998) e 000010019980034192 (4ºtrimestre 1998), Foi constatada a “falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, conforme Anexo III ‘Demonstrativo do Crédito Tributário a pagar’” (fls. 11). No Demonstrativo dos Créditos Vinculados não confirmados (fls. 11 a 14) consta que o crédito vinculado com exigibilidade suspensa não foi confirmado, processo 9800004769, com a ocorrência “Proc jud não comprovado”. A recorrente, em sede de impugnação, fez prova da existência do Processo nº 98.00004769 (fls. 76 a 120), mas ainda não transitado em julgado à época. O objeto da ação judicial é a compensação dos valores recolhidos a mais efetuados pelo contribuinte com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, com débitos relativos ao PASEP ou a outros tributos federais. O processo recebeu o número 1998.50.01.0004761 no TRF da 2ª Região, e o recurso especial recebeu o número 1.301.127 no Superior Tribunal de Justiça. Em consulta ao sítio do Superior Tribunal de Justiça efetuado em 18/03/2014 <https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?tipoPesquisa=tipoPesquisaNumeroRegistro&termo= 201103105670&totalRegistrosPorPagina=40&aplicacao=processos.ea>, constatase que o acórdão transitou em julgado em 12/06/2013. O órgão julgador a quo baixou os autos em diligência para que a autoridade preparadora verificasse a existência de crédito suficiente pelo contribuinte para as compensações em pauta, bem como se esta modalidade de extinção do crédito tributário de fato ocorreu, conforme decisão citada. Ainda que tenha sido apurado em procedimento de diligência fiscal a compensação, na contabilidade, dos valores devidos a título de PIS com créditos obtidos em decisão judicial ainda não transitada em julgado, tais valores ainda não eram líquidos e certos, estando pendente de decisão e cálculo final. Tais créditos ainda não eram definitivos, pendentes ainda de decisão judicial final, e a comprovação do quantum não foi efetuada pela Fl. 2841DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 11543.002805/200328 Resolução nº 3101000.353 S3C1T1 Fl. 7 5 recorrida, apesar das tentativas efetuadas pela autoridade diligente e do prazo concedido em procedimento de diligência fiscal. Como a alegação do auto de infração foi a constatação de “falta de recolhimento ou pagamento do principal”, e o crédito tributário lançado (PIS ano de 1998) não considerou o valor concedido ao contribuinte na antecipação de tutela, o quantum devido está condicionado à decisão final do processo 9800004769, que trata do valor do crédito utilizado para compensar os débitos em DCTF. Dessa forma, voto por converter o julgamento em diligência para retorno dos autos à unidade preparadora para anexar a decisão final do processo 9800004769 (REsp 1.301.127) e, após o cumprimento da decisão judicial, efetuar o cálculo dos créditos remanescentes, anexando demonstrativo das compensações efetuadas com o crédito reconhecido por decisão judicial, manifestandose expressamente sobre a existência de saldo credor suficiente para compensar os valores objetos das DCTF’s 0000100199800324576, 0000100199800050666, 0000100199800544677 e 000010019980034192. Sala das sessões, em 26 de março de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 2842DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
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