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Numero do processo: 10880.990003/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
PIS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA.
A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS
A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas.
A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.090
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 PIS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado.
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DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 00 03 /2 00 9- 61 Fl. 162DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase o presente processo em que a empresa IOB INFORMAÇÕES OBJETIVAS PUBLICAÇÕES JURÍDICAS LTDA., ingressou com Declaração de Compensação alegando pagamento a maior de PIS. Conforme o Despacho Decisório Eletrônico acostado aos autos, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Recorrente cientificada da decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva onde alega, em síntese, que: a) em procedimento de auditoria e verificação interna, verificouse que a empresa pagou PISa maior. Como a legislação lhe dá guarida, realizou compensação do valor apurado a maior, com demais tributos a pagar; b) desta forma, ingressou com Declaração de Compensação de pagamento a maior. Cita fundamentação do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A RFB considerou que o pagamento realizado foi utilizado na quitação de débitos informados em DCTF, o que não ocorreu; c) alega que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido indevidamente. A única justificativa da Receita Federal ao proferir tal despacho, foi ter se baseado na DCTF original. Se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação; e d) considerando a retificação da DCTF, requer a homologação da compensação realizada. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por entender que a mera retificação da DCTF é insuficiente para o reconhecimento do direito creditório vindicado, quando desacompanhada de provas hábeis para tal. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual alega em síntese que: ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido a maior; que a única justificativa da RFB ao proferir o despacho decisório, foi ter se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora. Caso tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação realizada; Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.990003/200961 Acórdão n.º 3402005.090 S3C4T2 Fl. 3 3 quanto a existência de documentos suficientes para análise do PER/DCOMP, aduz que a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a recorrente demonstrou o quantum que a RFB no Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PER/DCOMP insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação; da demonstração da existência do Crédito Compensado: em caso da necessidade de a Recorrente juntar outros elementos para embasar a existência do crédito corretamente compensado, evidenciase o pagamento a maior e correspondente direito à compensação, existindo prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN; não há como se admitir o não conhecimento da ulterior juntada de documentos no presente caso, eis que o despacho decisório era fundado em matéria estritamente formal (decorrente da divergência de DCTF); tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF); o CARF reconhece a ulterior juntada de provas em atendimento aos princípios do contraditório e ampla defesa; Ao final, considerando as provas carreadas nos autos, requerse o conhecimento e provimento do presente recurso voluntário, com a conseqüente homologação da compensação realizada. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para apreciação e julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.069, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.977028/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.069): "1 Da admissibilidade do Recurso Voluntário Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 142/147, é tempestiva e foi conhecida como recurso voluntário. 2 Objeto da lide Fl. 164DF CARF MF 4 A empresa ingressou com Declaração de Compensação através de PER/DCOMP nº 04014.84529.071205.1.3.048793, de pagamento a maior de COFINS, referente ao mês de março/2001, no valor (principal) de R$ 2.343,83. Ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF e apropriouse integralmente do valor recolhido a maior. No entanto, ao analisar os autos no Despacho Decisório, a RFB considerou que o pagamento realizado foi totalmente utilizado na COFINS devida, correspondente ao mês de março de 2001 (no valor de R$ 215.529,03), não homologando a compensação realizada. Como se vê, a lide diz respeito em que a Recorrente não apresentou prova documental juntamente com a Manifestação de Inconformidade, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na Declaração de Compensação em exame. 3. Das provas trazidas aos autos Primeiramente, aduz a Recorrente em seu recurso que, a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a Recorrente demonstrou suficientemente que a RFB, em seu Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo supostamente devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PEDCOMP supostamente insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação. Pois bem. As normas de vigentes à época da apresentação da Declaração de Compensação e legislação superveniente, são: IN SRF 460, de 2004; IN SRF 600, de 2005, e IN RFB 900, de 2008. Na forma da legislação acima, eventual crédito passível de restituição ou ressarcimento pode ser utilizado na compensação com débitos do sujeito passivo. Contudo, a homologação da compensação está sujeita ao anterior reconhecimento do direito creditório, tendo em vista que a compensação somente pode ser efetuada com credito liquido e certo. Aduz a Recorrente que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou a DCTF. Para tanto, junta aos autos, cópia da DCTF retificadora referente ao 10 trimestre de 2001, enviadas em 30/09/2009 (fls. 19/90). Como a justificativa da Fiscalização ao proferir o Despacho que não homologou a compensação, foi ter se baseado na DCTF original, se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação. Há que se ressaltar que a Recorrente, em 30/09/2009, após a emissão do Despacho Decisório, de 24/08/2009, retificou as DCTFs referente ao 10 trimestre de 2001, na qual reduz o valor devido de COF1NS e pleiteia a compensação dos valores supostamente recolhidos a maior. É cediço que a Declaração retificadora apresentada, reduzindo o valor devido de COFINS, não é suficiente para demonstrar a Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.990003/200961 Acórdão n.º 3402005.090 S3C4T2 Fl. 4 5 existência do credito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do credito seja comprovada por documentação hábil que de suporte aos valores declarados (necessidade de se apensar documentos, cópias da escrituração contábil, objetivando respaldar a retificação efetuada). O credito pleiteado somente fica assegurado, quando respaldado por documentação hábil e idônea. Agora, no recurso voluntário, visando demonstrar a existência do crédito compensado, a Recorrente alega "existir prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN". Solicita o conhecimento de tais provas. No entanto, manuseando as peças dos autos, verifico que junto com o Recurso Voluntário, foram acostados as seguintes cópia de documentos: identificação da OAB do procurador; procuração; alteração do Contrato Social e cópia do Acórdão DRJ recorrido (documentos de fls. 148/170). Verificase que, diferente do alegado, a defesa não apresentou prova documental juntamente com a manifestação de inconformidade e nem em seu recurso, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na declaração de compensação em exame. Continua aduzindo a Recorrente que: (...) Tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF), impondo a ampla análise e igualdade em oportunizar ao contribuinte opor se aos argumentos fazendários, os quais, no caso, apresentaram se no acórdão recorrido e não no despacho decisório escorreitamente, enfrentado pela manifestação de inconformidade". Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da Impugnação, no caso a Manifestação de Inconformidade. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo Fl. 166DF CARF MF 6 administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário, e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, como já mencionado, a Recorrente não apresentou indícios mínimos de prova seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de sorte que me sinto na obrigação de julgar com os dados constantes nos autos. Neste contexto, não vislumbro razões para reformar a decisão de primeira instância uma vez que sua decisão foi baseada nos fundamentos jurídicos constantes dos autos e a consequente subsunção aos fundamentos legais que regiam a matéria à época dos fatos geradores. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ merece ser mantida pelos seus próprios fundamentos. 4. Conclusão Posto isto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e NEGARLHE provimento, mantendose a decisão recorrida." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, o interessado tampouco trouxe provas de seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de tal sorte que há identidade na situação cotejada. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.990003/200961 Acórdão n.º 3402005.090 S3C4T2 Fl. 5 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.905173/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.167
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1636; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 138 1 137 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.905173/201289 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.167 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de fevereiro de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente ALGAR TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual se confirmou o seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DComp era suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu, ainda, a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 05 17 3/ 20 12 -8 9 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10675.905173/201289 Resolução nº 3201001.167 S3C2T1 Fl. 139 2 A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. Apontou a autoridade julgadora de primeira instância que a simples retificação da DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não era hábil à modificação do Despacho Decisório. Cientificado da decisão de piso, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e, sucintamente, reiterou a existência do crédito postulado, anexando documentação complementar com vista à comprovação do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.164, de 27/02/2018, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.164): Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Visando recuperar o crédito tributário acima apontado, a Manifestante providenciou a retificação da DCTF em 04/02/2011, conforme atesta o recibo de entrega nº 35.35.13.86.29.00, e a retificação do DACON em 27/01/2011, consoante atesta o recibo de entrega nº 1078177135. Diante da regular constituição do crédito tributário, através da retificação das obrigações acessórias acima mencionadas, a Manifestante transmitiu o PER/DCOMP nº 33828.46086.280111.1.3.042016 para a Receita Federal do Brasil em 28/01/2011 para compensar o seu lídimo crédito tributário com outros débitos tributários de sua titularidade. Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10675.905173/201289 Resolução nº 3201001.167 S3C2T1 Fl. 140 3 A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10675.905173/201289 Resolução nº 3201001.167 S3C2T1 Fl. 141 4 despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Da mesma forma que ocorreu no paradigma, neste processo, o contribuinte retificou a DCTF depois da transmissão do PER/DComp mas antes da ciência do despacho decisório. Apesar de o processo paradigma se referir apenas à Cofins, o mesmo raciocínio desenvolvido se aplica também à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise da Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entender necessários. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.005505/2003-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2003
ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE. ALARGAMENTO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. SUBVENÇÕES. EXCLUSÃO.
A redação do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, foi considerada inconstitucional em virtude alargamento da base de cálculo pelo Supremo Tribunal Federal.s não operacionais. No caso, as subvenções recebidas devem ser consideradas como receita não operacional.
Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-005.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo os valores relativos às receitas de subvenção e considerar o valor de R$ 1.140.893,00, da conta "Reserva de Incentivos Fiscais de ICMS" em Dezembro de 2002.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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INCONSTITUCIONALIDADE. ALARGAMENTO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. SUBVENÇÕES. EXCLUSÃO. A redação do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, foi considerada inconstitucional em virtude alargamento da base de cálculo pelo Supremo Tribunal Federal.s não operacionais. No caso, as subvenções recebidas devem ser consideradas como receita não operacional. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo os valores relativos às receitas de subvenção e considerar o valor de R$ 1.140.893,00, da conta "Reserva de Incentivos Fiscais de ICMS" em Dezembro de 2002. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 55 05 /2 00 3- 46 Fl. 1407DF CARF MF 2 Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar os fatos, adotase o relatório da DRJ/Belém, fls. 990 e seguintes1: Tratase de auto de infração de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, fls. 871/890, ciência em 22/09/2003, sobre valores não declarados e não recolhidos, no montante de R$ 17.510.343,56, neste incluídos multa de ofício e juros de mora. 2. ) O auto de infração teve origem, segundo descrição dos fatos de fl. 873 e Termo de Verificação de fls. 879/881, da constatação de insuficiência de recolhimento de Cofins nos períodos de janeiro de 2002 a março de 2003. As receitas mensais e as exclusões da base de cálculo foram obtidas por meio dos livros razão, segundo demonstrativos de fls. 882/889. A partir das bases de cálculo apuradas, subtraiuse os valores declarados em DCTF e/ou recolhidos. Não foram considerados os valores declarados nas retificadoras apresentadas pelo contribuinte em maio/2003, uma vez que as mesmas não teriam validade por terem sido apresentadas depois de iniciado o procedimento fiscalizatório e após a lavratura da intimação específica referente às verificações obrigatórias. 3. Não concordando com a autuação, o contribuinte apresentou Impugnação de fls. 895/924, em que apresenta os seguinte argumentos, em resumo: a) O auto de infração não mereceria ser mantido, uma vez que parte do crédito tributário já se encontraria devidamente extinta e outra parte seria inexistente, eis que não seriam passíveis de tributação pela Cofins; b) Parte do crédito tributário (09/2002, 11/2002 e 12/2002, nos montantes de R$ 746.101,58, R$ 1.370.029,54 e R$ 891.379,39) foi compensada com saldo negativo de IRPJ (1997 a 2000), conforme constaria nos processos 10283.000050/200119 (09/2002) e 10283.0094787/200119 (11/2002 e 12/2002). Estes débitos, que estariam na DCTF retificadora não considerada pela fiscalização, já estariam extintos por força da entrega das declarações de compensação. c) De acordo com o art. 1º da Portaria Conjunta PGFN/SRF n. 03, de 01 de setembro de 2003, a impugnante poderia apresentar até 31/10/2003 a discriminação do débito consolidado no PAES. Desta forma, os débitos listados à fl. 971, incluídos no parcelamento PAES (Lei n. 10.684/2003), estariam confessados e com exigibilidade suspensa, não podendo ser cobrados nos autos do auto de infração. 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 10283.005505/200346 Acórdão n.º 3302005.230 S3C3T2 Fl. 3 3 d) O contribuinte afirma que os autuantes não poderiam incluir na base de cálculo da Cofins os incentivos fiscais concedidos pelo Governo do Estado do Amazonas referente ao ICMS, visto que tais incentivos seriam Subvenções para Investimento (e não subvenção de custeio), que objetivariam a ampliação da linha de produção da empresa, e, deste modo, não passariam pela conta receita e seriam registrados diretamente na conta Reserva de Capital (art. 443, I, do RIR/99). O conceito de receita trazido pela Lei 9.718/98 seria inconstitucional. Mesmo que fossem subvenções de custeio, não teriam a natureza de receita, pois significariam recuperação de despesas/custos. e) A fiscalização cometeu uma série de pequenos erros que trouxe base tributável para o contribuinte, especialmente no que se refere às devoluções e outros descontos que deveriam ser considerados. 4. A fim de melhor instruir os autos, a DRJ Belém, através do despacho de fls. 936/938, solicitou à Unidade de Origem diligência no sentido de: a) que colhesse comprovação da adesão do Impugnante ao PAES e sob o teor da declaração de que trata a Portaria Conjunta PGFN/SRF n. 03, de 01 de setembro de 2003. b) informar sobre o resultado das declarações de compensação trazidas às fls. 46, 48 e 49 (Anexo I). c) informar se os créditos tributários lançados de ofício foram objeto de parcelamento, informando a data do pedido e o resultado decisório. d) juntar cópia dos processos 10283.000050/200119, 10283.0094787/200119, 10283.009479/200163 e 10283.009480/200198. 5. Em atendimento, a DRF Manaus juntou os documentos de fls. 939/976, confirmou a adesão ao PAES, apresentou telas das pastas de declaração PGDPAES e anexou copiados processos 10283.000050/200119, 10283.009478/200119, 10283.005151/200411 e 10283.002386/200131. Confirmou a compensação de parte do crédito tributário (09/2002, 11/2002 e 12/2002, nos montantes de R$ 746.101,58, R$ ;1.370.029,54 e R$ 891.379,39) com saldo negativo de IRPJ (1997 a 2000), conforme despacho de fl. 976. A DRJ/Belém julgou parcialmente procedente a impugnação, cuja ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003 COFINS. SUBVENÇÕES. INCIDÊNCIA. Fl. 1409DF CARF MF 4 Sendo as subvenções, tanto as para investimento quanto as correntes para custeio, integrantes, respectivamente, dos resultados nãooperacionais e operacionais das pessoas jurídicas, resulta que, em qualquer das situações, comporão a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. INCONSTITUCIONALIDADE INAPRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO A argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade não pode ser apreciada na esfera administrativa porque é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. A decisão da DRJ/Belém reconheceu que parte do débito foi incluído no Programa de Parcelamento Especial PAES e outra parte foi objeto de compensação com saldo negativo de IRPJ, razão pela qual houve a exclusão de parte do crédito, o que originou o Recurso de Ofício. Portanto, há Recurso de Ofício e Recurso Voluntário. O contribuinte, irresignado, apresentou Recurso Voluntário, no qual, fls. 1034 e seguintes, alega em síntese: 1. Foi correta a exclusão dos valores incluídos no PAES; 2. Ressalta que há diferença entre valores apurados como base de cálculo da COFINS na escrituração do Razão da Recorrente e o valor lançado pela fiscalização, descrito no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração. O termo reproduziria um valor de R$ 1.700.545,47 e, conforme se verifica no Razão referente ao período de Dezembro de 2002 (Doc. 03), a movimentação da conta "Reserva de Incentivos Fiscais de ICMS" em Dezembro de 2002, em verdade, foi de R$ 1.140.893,00, ou seja, R$ 559.652,47 a menor do que o valor constante no Termo informado pela fiscalização, o que faz com que ela pleiteia pela nulidade do lançamento; 3. Erro no Cálculo das Devoluções de Venda e das Vendas Canceladas do Período do período de Dez/2002 a Mar/2003. Explica a Recorrente que os valores registrados no razão das contas "vendas canceladas" (n° 312.010.100.001) e "devolução vendas ex. anterior" (n° 419.074.500.001) correspondem ao valor da nota fiscal cancelada diminuído da Contribuição ao PIS. Ou seja, para se obter o valor efetivo da Nota Fiscal cancelada, passível de exclusão da base de cálculo da COFINS, é necessário reajustar o valor do razão para incluir a Contribuição ao PIS. Assim, no cálculo das exclusões da base de cálculo da COFINS, devem ser computados apenas os valores lançados a débito nas contas "vendas canceladas" e "devolução vendas ex. anterior; 3. Pleiteia pela não tributação das subvenções de investimentos pela COFINS, faz uma explicação do que seria a receita da subvenção e argumenta que se os incentivos fiscais recebidos pela Recorrente não são subvenção para investimento, mesmo assim tais valores não devem ser tributados pela COFINS, haja vista constituírem mera recuperação de despesas, não se enquadrando no conceito de "rendas auferidas pela pessoa jurídica"; 4. Traz a inconstitucionalidade da Lei 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal; 5. Por fim, discorre que há uma dupla tributação e afirma que ao ser beneficiada com a restituição do ICMS pago anteriormente, a Recorrente não reconhece tal Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 10283.005505/200346 Acórdão n.º 3302005.230 S3C3T2 Fl. 4 5 valor como receita bruta, eis que, ao contrário, estarseia tributando novamente o mesmo ICMS que já compusera a base de cálculo da COFINS na venda da mercadoria. O ICMS restituído é o mesmo que fora acrescido ao preço das mercadorias e tributado pela COFINS. O fato de sua restituição ser posterior não significa não se tratar do mesmo ICMS pago anteriormente. O feito foi convertido em diligência duas vezes, fls. 1098/1103, e 1363 e seguintes. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade Há recurso de ofício, interposto conforme Portaria MF n.° 375, de 07 de dezembro de 2001, então vigente, e atendendo à atual Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017. Há recurso voluntário tempestivo e de materia que pertence a este colegiado. 2. Do Recurso de Ofício O recurso de ofício referese à parte do débito, que foi incluído no Programa de Parcelamento Especial PAES e outra parte foi objeto de compensação com saldo negativo de IRPJ. 2.1. Da compensação Conforme demonstrado no acórdão da DRJ/Belém, fls. 992, a unidade de origem confirmou a compensação dos períodos de 09/2002, 11/2002 e 12/2002: 17. A Unidade de Origem confirmou a compensação de parte do crédito tributário (09/2002, 11/2002 e 12/2002, nos montantes de: R$ 746.101,58, R$ 1.370.029,54 e R$ 891.379,39) com saldo negativo de IRPJ (1997 a 2000), conforme despacho de fl. 976. Desta forma, tendose em vista a homologação das compensações, que tem a mesma natureza do lançamento, é improcedente outro lançamento dos mesmos valores. E de informação do Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT, temse que, fls. 987: Ratificando as informações prestadas pelo interessado em sua impugnação à fl. 899, foram compensados (e portanto extintos) os valores R$ 746.101,58; 1.370.029,54 e 891.379,39, referentes aos PAs 09, 11 e 12/2002 do tributo 2172, respectivamente nos processos 10283.000050/200119 (o 1º débito) e 10283.009478/200119 (os demais). A declaração de compensação do débito 2172 PA 09/2002 foi protocolizada em Fl. 1411DF CARF MF 6 02/12/2002, em substituição ao pedido de compensação anteriormente apresentado em 13/06/2001 (fls. 202204 do processo 10283.000050/200119). Quanto às declarações de compensação dos débitos 2172 PAs 11 e 12/2002, foram protocolizadas em 02/12/2002 e 15/01/2003, respectivamente, tendo a 1ª substituído o pedido de compensação protocolizado em 07/12/2001 (fls. 0102, 292293 e 297 do processo 10283.009478/200119). (grifos não constam no original) Portanto, diante de informação, prestada pela própria unidade de origem, os períodos de setembro, novembro e dezembro de 2002, foram compensados não merecendo qualquer tipo de reforma na decisão da DRJ/Belém. 2.2. Do PAES A outra parte do débito excluída pela decisão de origem, é aquela concernente ao valor que foi incluído no PAES, fls. 993: 18. A DRF Manaus juntou os documentos de fls. 939/976, confirmou a adesão ao PAES, apresentou telas das pastas de declaração PGDPAES. Nos extratos de fls. 959 figura como incluídos no parcelamento débitos lançados neste processo 10283.005505/200346. Já os extratos de fls. 929/933 aferem quais os débitos que foram incluídos no PAES, oriundos destes autos: os transferidos para o processo 10283.006442/200345, e que conferem com os apontados na Impugnação, fls. 902. Portanto, observase que há dois processos administrativos, quais sejam, os de número 10283.005505/200346 período de apuração de 2003 e o de número 10283.006442/200345 período de apuração de 2004 , que se referem ao PAES. Tais informações estão contidas nas fls. 940 a 944. Por tal motivação, mantémse o que foi decidido na DRJ/Belém 3. Recurso Voluntário 3.1. Do alargamento da base de cálculo subvenção A Recorrente faz longa argumentação sobre o conceito de subvenção para investimento e recuperação de despesas. O cerne da controvérsia é o alargamento da base de cálculo, pela Lei nº 9.718, de 1998. O período de autuação, qual seja de 31 de janeiro de 2002 a 31 de março de 2003, teve fundamento na Lei nº 9.718, de 1998, regime da COFINS cumulativa: Lei nº 9.718, de 1998 Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 10283.005505/200346 Acórdão n.º 3302005.230 S3C3T2 Fl. 5 7 § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Pela redação do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, a receita bruta seria a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Contudo, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo, vide ementa abaixo: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585.235MG QORG; Relator Ministro Cezar Peluso; Data do julgamento: 10/09/2008) Diante da inconstitucionalidade reconhecida, o § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, foi revogado pela Lei nº 11.941, de 2009. No presente caso, as receitas tributadas foram subvenções recebidas do Governo do Amazonas, de natureza não operacional, com fundamento no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718, de 1998. No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, inciso II, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em caso de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Nesse sentido, tudo aquilo que for considerado receita nãooperacional, no caso subvenção recebida do Estado do Amazonas, em virtude do alargamento da base de cálculo, deve ser excluído do auto de infração, reformandose, neste aspecto, o acórdão da DRJ/Belém. 3.2. Dos erros na apuração da base de cálculo da COFINS Fl. 1413DF CARF MF 8 3.2.1. Do mês de dezembro de 2002 O primeiro erro apontado pela Recorrente referese à diferença entre valores apurados como base de cálculo da COFINS na escrituração do Razão da Recorrente e o valor lançado pela fiscalização, descrito no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração. O termo reproduziria um valor de R$ 1.700.545,47 e, conforme se verifica no Razão referente ao período de Dezembro de 2002, documento 03 anexo ao Recurso Voluntário, a movimentação da conta "Reserva de Incentivos Fiscais de ICMS" em Dezembro de 2002, em verdade, foi de R$ 1.140.893,00, ou seja, R$ 559.652,47 a menor do que o valor constante no Termo informado pela fiscalização, o que faz com que ela pleiteia pela nulidade do lançamento. De fato, pela análise das fls. 1011, documento 03 anexado ao Recurso Voluntário, na conta contábil 241030400002, Reserva Incent. Fiscais ICMS, o valor consubstanciado no razão é de R$ 1.140.893,00. Ademais, em petição apresentada pela Recorrente, fls. 18 e seguintes, na fls. 30, encontrase o razão geral de dezembro de 2002, com o mesmo valor. Do Termo de Verificação Fiscal, fls. 1126, há uma planilha com a base de cálculo da conta Reserva de Incentivo Fiscais ICMS no valor de R$ 1.700.545,47, sem qualquer justificativa, por tal motivo, reformase a decisão da DRJ/Belém para considerar o valor de R$ 1.140.893,00, da conta "Reserva de Incentivos Fiscais de ICMS" em Dezembro de 2002. 3.2.2. Cálculo das devoluções de venda e das vendas canceladas do período de dezembro de 2002 a março de 2003 A Recorrente alega que segundo o demonstrativo de cálculo que acompanha o auto de infração, a fiscalização abateu da base de cálculo da COFINS a título de "vendas canceladas" e "devoluções de venda ex. anterior" o saldo do razão dessas contas dos meses de dezembro de 2002 a março de 2003. E argumenta in verbis, fls. 1040 e seguintes: Apesar da sua aparente correção, tal procedimento conduz à majoração indevida da COFINS desse período. A partir de dezembro de 2002, a Recorrente passou a apurar a Contribuição ao PIS pela sistemática nãocumulativa, isto é, descontando da contribuição a pagar os créditos autorizados pelo art. 3º da Lei n° 10.637/02. Assim, a Contribuição ao PIS a recolher do período era calculada pela Recorrente mediante a aplicação da alíquota de 1,65% sobre, dentre outras, as receitas de venda das mercadorias, descontados os créditos autorizados pela legislação. Uma vez devolvida ou cancelada uma venda, a Recorrente procedia ao registro do valor líquido da devolução e do crédito respectivo em contas distintas. Tendo em vista a necessidade de manter esse controle, ocorrida a devolução de uma mercadoria ou o cancelamento de uma venda, a Recorrente expurgava do valor da Nota Fiscal a Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 10283.005505/200346 Acórdão n.º 3302005.230 S3C3T2 Fl. 6 9 Contribuição ao PIS recolhida, pois esse valor era controlado em conta específica de créditos desse tributo. Desse modo, os valores registrados no razão das contas "vendas canceladas" (n° 312.010.100.001) e "devolução vendas ex. anterior" (n° 419.074.500.001) correspondem ao valor da nota fiscal cancelada diminuído da Contribuição ao PIS. Ou seja, para se obter o valor efetivo da Nota Fiscal cancelada, passível de exclusão da base de cálculo da COFINS, é necessário reajustar o valor do razão para incluir a Contribuição ao PIS. Não bastasse isso, a d. fiscalização considerou como devoluções de venda e vendas canceladas apenas o saldo dessas contas, isto é, o embate entre débitos e créditos. Ocorre que, conforme se verifica dos razões cuja juntada ora se requer (doc. 04), os lançamentos a crédito nessas contas têm a única finalidade de transferir para a matriz (localizada em Manaus) o registro das devoluções de venda e as vendas canceladas registradas pela filial. Isso significa que tais lançamentos têm a função exclusiva de registrar uma transferência de valores da filial para a matriz, que deve centralizar a contabilidade e a apuração das contribuições sociais. Assim, no cálculo das exclusões da base de cálculo da COFINS, devem ser computados apenas os valores lançados a débito nas contas "vendas canceladas" e "devolução vendas ex. anterior". A fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, fls. 1126 e seguintes, seguiu neste aspecto o livro razão, apresentado pela Recorrente, fls. 1012 e seguintes, não tendo qualquer tipo de obrigação em reajustar o valor do razão a fim de incluir a contribuição para o PIS/Pasep, sendo que tal obrigação cabe à Recorrente. Ademais, não há como considerar tão somente o valor a débito das contas das "vendas canceladas" e "devolução de vendas", devendo a fiscalização seguir o livro razão. Por tal motivo, indeferese a presente argumentação, mantendo neste aspecto o que foi decidido na DRJ/Belém. 4. Conclusão Por todo o exposto, conheço o Recurso de Ofício e o Recurso Voluntário, sendo que nego provimento ao Recurso de Ofício e concedo provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir tudo aquilo que não for considerado receita nãooperacional, em virtude do alargamento da base de cálculo, no caso subvenções recebidas do Governo do Amazonas, e considerar o valor de R$ 1.140.893,00, da conta "Reserva de Incentivos Fiscais de ICMS", em Dezembro de 2002. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 1415DF CARF MF 10 Fl. 1416DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001338/2003-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1999
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
DCTF. INATIVIDADE. FATO IMPEDITIVO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A dispensa na entrega da DCTF, para fins da IN SRF 126/1998, relativa as pessoas jurídicas tidas por inativas, pressupõe a não realização de qualquer atividade operacional, não-operacional, financeira ou patrimonial no período. Portanto, existindo movimento não-operacional obriga-se a apresentar a DCTF.
Incumbe a quem alega a inatividade, na forma definida pela legislação, o ônus de provar a ocorrência desse fato impeditivo. Não sendo comprovada a inatividade há que se manter a sanção pecuniária.
Numero da decisão: 1002-000.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DCTF. INATIVIDADE. FATO IMPEDITIVO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dispensa na entrega da DCTF, para fins da IN SRF 126/1998, relativa as pessoas jurídicas tidas por inativas, pressupõe a não realização de qualquer atividade operacional, não-operacional, financeira ou patrimonial no período. Portanto, existindo movimento não-operacional obriga-se a apresentar a DCTF. Incumbe a quem alega a inatividade, na forma definida pela legislação, o ônus de provar a ocorrência desse fato impeditivo. Não sendo comprovada a inatividade há que se manter a sanção pecuniária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DCTF. INATIVIDADE. FATO IMPEDITIVO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dispensa na entrega da DCTF, para fins da IN SRF 126/1998, relativa as pessoas jurídicas tidas por inativas, pressupõe a não realização de qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial no período. Portanto, existindo movimento nãooperacional obrigase a apresentar a DCTF. Incumbe a quem alega a inatividade, na forma definida pela legislação, o ônus de provar a ocorrência desse fato impeditivo. Não sendo comprovada a inatividade há que se manter a sanção pecuniária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 13 38 /2 00 3- 17 Fl. 161DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (fls. 75/76) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (fls. 66/68), datada de 25/09/2008, consubstanciada no Acórdão n.º 1420.618, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do 2.º e 3.º Trimestres do Ano Calendário 1999 (fl. 62), deixando de acolher a impugnação apresentada pela recorrente (fl. 01), tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ANO CALENDÁRIO: 1999 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. Lançamento Procedente. O auto de infração em espécie foi lavrado em 04/08/2003, na DRF Marília, por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa correspondente a (...). Em caso de inatividade [de débito e crédito tributário a declarar] no trimestre aplicase a multa mínima de RS 200,00. Não é cabível a redução da multa, haja vista a entrega da declaração fora do prazo fixado em intimação, estando ciente o contribuinte na forma do § 2.º, do art. 23. do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972. Fundamentação: Art. 113, § 3.º e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 (CTN); art. 2.º e 6.º da Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30/10/98 combinado com item I da Portaria MF n.º 118/84, art. 5.º do DL 2124/84 e art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002. Demonstrativo: 2.º Trimestre/1999, Multa Mínima R$200,00 3.º Trimestre/1999, Multa Mínima R$200,00 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento alegando a recorrente, em síntese, que não havia entregue a DCTF dos referidos trimestres de 1999 (2.º e Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13830.001338/200317 Acórdão n.º 1002000.075 S1C0T2 Fl. 158 3 3.º) por não ter tido movimento no período (período préoperacional), pois se encontrava em processo de legalização e de instalação, bem como sustentou que o programa (versão 1.0) da DCTF, para o anocalendário 1999, era omisso em relação a obrigação de entrega da DCTF sem movimento, no entanto a decisão recorrida não acolheu os argumentos da defesa, contrapondo que os arts. 2.º e 3.º da Instrução Normativa (IN) da Secretaria da Receita Federal (SRF) n.º 126, de 1998, estabelecia a obrigatoriedade quando não houve inatividade e, para tanto, ponderou que a recorrente, pela Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do exercício do ano 2000 (fls. 2/41), além de ser tributada pelo lucro real, apresentou atividade desde o mês de maio de 1999 (fls. 11 e seguintes). O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, além de reiterar os termos da impugnação, contraargumentou que teria, sim, havido inatividade no período e, para tanto, colacionou livro diário (fls. 86/153). Reafirmou que apenas em 2001 novo programa da DCTF exigiu que empresas em início de atividades entregassem a declaração, ainda que sem movimento. Sendo assim, requereu a reforma da decisão em testilha. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal (fls. 76, 76/v, 80) e apresentase tempestivo (fls. 74, 75 e 155), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Quanto ao juízo de mérito, não assiste razão a recorrente. É que, além da DIPJ do exercício do ano 2000, anocalendário 1999, apontar que a recorrente manteve atividade, ainda que não operacional, desde o mês de maio de 1999 (fls. 11 e seguintes), a sua escrita fiscal, consultada via análise do livro diário, que sobreveio com a interposição do recurso voluntário, também atesta movimentação (fls. 94 e seguintes), ainda que não operacional, repitase. De fato, vêse movimentos no livro diário (movimento de débito a crédito de algumas rubricas, como, por exemplo, para lançar prólabore a pagar, INSS a recolher, classificados como despesas administrativas nas contas contábeis da recorrente, fls. 97, 99, 102 e seguintes do processo administrativo fiscal). Importa acrescentar que a ninguém é permitido deixar de cumprir as normas legais alegando que não as conhece, consoante se extrai do art. 3.º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, constante do DecretoLei n.º 4.657, de 4 de Fl. 163DF CARF MF 4 setembro de 1942. Dito isto, apesar de ter sido sustentado, pela recorrente, que o programa (versão 1.0) da DCTF, para o anocalendário 1999, seria omisso em relação a obrigação de entrega da DCTF sem movimento, a IN SRF 126 exigia a entrega quando houvesse movimento, prevendo a dispensa apenas quando não se verificasse qualquer movimento. Pois bem, como dito, consta da prova carreada aos autos que houve movimento na escrituração da recorrente, ainda que diminuto, mas houve. Neste contexto, o fundamento de validade constante do auto de infração (Art. 113, § 3.º e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 CTN; art. 2.º e 6.º da Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30/10/98 combinado com item I da Portaria MF n.º 118/84, art. 5.º do DL 2.124/84) apresentase adequado e pertinente ao caso em comento. O controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, ora exercido por força da devolutividade recursal, aponta, em nossa análise, a correta aplicação do direito, não havendo reparos a serem efetivados. Deveras, a Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30 de outubro de 1998, com fundamento de validade no art. 34, § 5.º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, combinado com o art. 5.º, caput e § 3.º, do Decretolei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984, e com a Portaria MF n.º 118, de 28 de junho de 1984, trouxe o seguinte conjunto de enunciados: Art. 1.º Fica instituída a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Art. 2.º A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1.º Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. (...) Art. 3.º Estão dispensadas da apresentação da DCTF, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo: (...) III as pessoas jurídicas inativas, assim consideradas as que não realizaram qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial, conforme disposto no art. 4.º da Instrução Normativa SRF n.º 28, de 05 de março de 1998; (...) Art. 6.º A falta de entrega da DCTF ou a sua entrega após os prazos referidos no art. 2.º, sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento da multa (...). (...) § 2.º As multas de que trata este artigo serão exigidas de ofício. Constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico Obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13830.001338/200317 Acórdão n.º 1002000.075 S1C0T2 Fl. 159 5 impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Se é verdade que a administração tributária não pode cobrar mais do que lhe é efetivamente devido, também não pode cobrar menos do que lhe é ordenado exigir em atividade vinculada e obrigatória de lançamento. No caso em comento, observo a atuação dentro dos padrões delineados pelo campo da legalidade. Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. A importância do cumprimento do dever instrumental devese a necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. Fl. 165DF CARF MF 6 As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. EMPRESA INATIVA. APRESENTAÇÃO DE DCTF. CONDIÇÃO DE DISPENSA NÃO ATENDIDA. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002000.006, 1002000.007, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.011, 1002000.012, 1002000.013 e 1002000.016 seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Neste ponto, ressalto que a recorrente não atendeu às condições para dispensa de apresentação de DCTF, pois manteve movimentação em sua escrita fiscal, ainda que em valores baixos e de cunho nãooperacional. Por conseguinte, não conseguiu se desincumbir do ônus probatório que lhe competia de demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da administração tributária de lhe exigir a entrega da declaração, a tempo e modo, sob pena de sanção. Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13830.001338/200317 Acórdão n.º 1002000.075 S1C0T2 Fl. 160 7 incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação tributária, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no consequente da regramatriz de incidência. É a não prestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. Fl. 167DF CARF MF 8 de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denominase relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... Por fim, entendo que o dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária, logo é possível ficar livre da sanção fiscal, caso siga o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Vale dizer, o contribuinte só eventualmente é onerado pela multa e isto se deve as suas escolhas, a sua governança tributária, considerando que não há punição sem culpa, decorrente de um agir ou de uma omissão quando estava obrigado ao exercício de uma conduta e não a executou. Por isso, no caso em apreço, o controle de legalidade se apresenta correto. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer o recurso voluntário. No mérito, em negarlhe provimento, mantendo íntegra a decisão vergastada e o crédito tributário lançado na forma constante do auto de infração. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13830.001338/200317 Acórdão n.º 1002000.075 S1C0T2 Fl. 161 9 Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.006039/2006-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.534
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra a homologação parcial de crédito pleiteado pelo contribuinte, referente ao PIS, períodos de apuração de dezembro/1991 a fevereiro/1996, resultado de ação judicial nº 970011695, transitada em julgado, que declarou a inconstitucionalidade dos Decretos n° 2.445/88 e 2 .449/88. A habilitação do crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado tramitou no processo n° 19647.002955/200547 (que está apenso ao presente processo). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 06 03 9/ 20 06 -6 7 Fl. 536DF CARF MF Processo nº 19647.006039/200667 Resolução nº 3301000.534 S3C3T1 Fl. 537 2 A habilitação do crédito, segundo o contribuinte, perfazia o valor de R$ 789.153,17, atualizado até março/2005 (cf. efl. 81, do processo n° 19647.002955/200547). Em seguida, foi realizada diligência fiscal para apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte. Entretanto, o Termo de Informação Fiscal, resultante da Diligência apurou o crédito (atualizado até 31/12/95) de apenas R$ 164.778,32, que atualizado até 31/03/2005 resulta em um valor de R$ 470.030,16. Para o período de março/1995 a dezembro/1995, a fiscalização apurou divergências entre os valores das bases de cálculo apuradas pelo contribuinte e informados na DIPJ, com os valores registrados nos livros contábeis apresentados, assim foram considerados como corretos os valores constantes nos balancetes de verificação mensais. Logo, o Despacho Decisório, fls. 117/118, reconheceu apenas parcialmente o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, no valor de R$ 470.030,16 (atualizado até 31/03/2005). O cálculo do valor de R$ 470.030,16 está descrito na informação fiscal: Em análise procedida nos livros e documentos encaminhados a esta fiscalização foi efetuado, por amostragem, o confronto entre os valores das bases de cálculo apuradas pelo contribuinte (planilha anexa às fls. 02 e 03) e informados na DIPJ, com os valores registrados nos livros contábeis apresentados, tendo sido constatada divergências entre os referidos valores relativamente ao mês de dezembro/91 e no período de março/95 a dez/95. Diante disto, foi efetuado o levantamento da base de cálculo do PIS, a partir do faturamento constante dos balancetes mensais apresentados pelo contribuinte relativo ao mês de dezembro/1991 e ao período de março/95 a dezembro/95, para os demais períodos foram considerados os valores informados na DIPJ, tendo sido apurado o PIS devido de acordo com a Lei Complementar 07/70, doc. de fls, e adotado os seguintes procedimentos: Os débitos do PIS foram considerados com vencimento semestral, conforme previsto nas Leis 07/70 e 17/73 e em cumprimento a determinação judicial da Ação Ordinária n° 97.116905 transitada em julgado em 06/09/2004, Certidão anexa às fls.; Os débitos apurados, na moeda da época, foram convertidos para UFIR com base na UFIR do dia do respectivo vencimento; Os débitos em UFIR relativos aos meses de fevereiro/93 a julho/93 foram divididos por 1.000, tendo em vista a mudança de moeda no vencimento do débito; Os débitos apurados no período de janeiro/94 a junho/94 foram divididos por 2.750 para serem transformados em Real, tendo em vista a mudança de moeda no vencimento dos referidos débitos; Para a correção dos pagamentos efetuados no período, utilizamos a UFIR do dia do pagamento. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 19647.006039/200667 Resolução nº 3301000.534 S3C3T1 Fl. 538 3 Os débitos com vencimento até dez/95, bem como os pagamentos efetuados foram convertidos para UFIR, através do valor correspondente a UFIR do dia do respectivo vencimento/pagamento, tendo sido totalizados em UFIR e convertidos para Real, com base na UFIR do dia 01/01/96 (0,8287), conforme demonstrado nas tabelas anexas, doc. de fls. Os débitos relativos ao período de julho/95 a dezembro/95 não foram convertidos para UFIR, tendo em vista que nos seus respectivos vencimentos, a partir de 20/01/96, os valores permaneciam em Reais, ou seja, não existia mais a indexação. Na determinação do total dos débitos do PIS apurados no período (atualizados até 31/12/95), foi efetuada a conversão para Real dos débitos com vencimento até dez/95 e a estes adicionados os débitos relativos aos meses de julho/95 a dezembro/95 e os correspondentes aos meses de janeiro e fevereiro de 1996, conforme demonstrado na planilha anexa às fls. Em impugnação, o contribuinte insurgiuse contra o cálculo da fiscalização, apontando diferenças, para o período de março/1995 a dezembro/1995, nesses termos: EXPLICAÇÕES: A Empresa registra sua receita de venda de mercadoria por grupos: Veículos Passageiros, Comerciais leves, Importados e Usados. Assim como peças a varejo, peças atacado, peças em garantia, peças vendidas na oficina e peças vendidas na funilaria. Neste período, houve a necessidade de reclassificação, pois alguns veículos e peças foram contabilizadas em contas trocadas no grupo da Receita. Então a Contabilidade debitou a conta da receita bruta errada e creditou a conta correta. Por isso o lançamento a débito na conta de RECEITA BRUTA que não foi considerado pela agente fiscal. No grupo Contábil "Devoluções de Venda e Descontos Incondicionais", também existem valores que deixaram de ser considerados pela agente fiscal na elaboração da base de cálculo. Fl. 538DF CARF MF Processo nº 19647.006039/200667 Resolução nº 3301000.534 S3C3T1 Fl. 539 4 A cópia do Balancete está anexa e marcada em seta vermelha as contas que não foram consideradas para elaboração da planilha pela fiscalização. (...) Conforme pode ser visto nos balancetes anexos, não foram computados para o crédito final, os valores a título de reclassificação de contas relativas a devoluções, como por exemplo veículos passageiros transferidos para comerciais leves ou importados, bem como Reclassificação de contábil de venda de peças, atacado e varejo, varejo para venda em garantia. Na sua impugnação, anexou os balancetes de verificação referentes aos meses de março/1995 a dezembro/1995. A decisão de piso, acórdão n° 0833.712, da 3ª Turma da DRJ/FOR, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme sintetiza a ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Não se homologa a compensação requerida pelo contribuinte quando constatada a impossibilidade de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Em seu recurso voluntário, a empresa alega que não houve preclusão na juntada do livro razão, o qual já tinha sido apresentado em sede de diligência fiscal, no processo de habilitação de crédito. Reitera a existência de divergência entre a base de cálculo do PIS, nomeada pela Recorrente na Planilha denominada de “Demonstrativo dos valores do PIS pagos a maior” e a planilha apresentada pela fiscalização, denominada “Cálculo do PIS para apuração dos créditos”, em razão da exclusão de valores que compõem a referida base de cálculo proposta pela fiscalização. E, junta documentos. É o relatório. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 19647.006039/200667 Resolução nº 3301000.534 S3C3T1 Fl. 540 5 Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário cumpre os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Contra a homologação parcial do crédito de PIS, o contribuinte aponta que: (...) não foram computados para o crédito final os valores lançados a débito do Grupo de Contas 3.1.1.05.000 (receita bruta) referente a: Reclassificação das modalidades de comercialização das peças automotivas – vendas varejo x vendas em garantia x vendas de acessório x vendas material de funilaria, onde a contabilidade realizava os lançamentos de transferência de valores entre contas; Estorno de receita de frete destacado em campo específico da nota fiscal de venda. Em 1995 o ICMS sobre veículo novo, já era cobrado por substituição tributária, com saída liberada, sem nova incidência do ICMS, ocorre que o valor do frete cobrado do cliente, destacado em campo específico do documento fiscal de venda, incidia ICMS na alíquota de 17% e tinha uma contabilização também específica; porém, como esse valor já constava no total na nota fiscal de venda, era necessário o estorno para evitar a duplicidade, daí o lançamento a débito. Todavia, a DRJ não analisou tal questionamento, por entender estar preclusa a juntada do livro razão, que permitiria, segunda a Relatora da decisão recorrida, a análise do pleito do contribuinte. São as razões do voto condutor: Observase, porém, que o contribuinte anexou ao processo apenas os Balancetes de Verificação dos meses de mar/1995 e dezembro/1995 (fls. 127/136). Ora, tais documentos contábeis não permitem que sejam verificados os lançamentos citados pelo contribuinte em sua defesa. Os lançamentos alegados pelo contribuinte só poderiam ser verificados neste julgamento caso tivesse sido anexado ao processo o Livro Razão da empresa, o que não se verificou. Assim, recorrese ao disposto no Art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/, in verbis (...) Assim, considerando que o contribuinte não trouxe ao processo a documentação necessária para a elucidação do litígio, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 19647.006039/200667 Resolução nº 3301000.534 S3C3T1 Fl. 541 6 Assiste razão à Recorrente, quando afirma não ter havido a preclusão, bem como que deve ser observado o princípio da verdade material. O Mandado de Procedimento Fiscal Diligência n° 04101002007 005556, no processo administrativo n° 19647.002.955/200547, requisitou da Recorrente, em 17/10/2006: Livro Razão, balancetes mensais, Livro Registro de Apuração do ICMS e Livro de Registro de Prestação de Serviços: Cópia das guias de recolhimento (DARF) do PIS: Eventuais guias de depósitos judiciais do PIS efetuados no período em questão, bem como alvará de levantamento dos referidos depósitos. Afirmou o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, na efl. 188ss do processo n° 19647.002.955/200547, que: Em 07/11/2006 foi encaminhado através do documento anexo, doc. De fls., cópia das guias de recolhimento relativas ao período de 12/91 a 02/96, como também cópia das guias de depósitos e alvará de liberação. Tendo sido ainda colocados à disposição desta fiscalização os livros solicitados. De toda a sorte, em recurso voluntário, a empresa juntou aos autos: os livros razão; relatório de contabilização analítica de notas fiscais; DIPJ e demonstrativo de receita bruta/devolução de vendas X declaração de IRPJ. Os balancetes foram juntados na impugnação. Após a análise dos autos, verifico que, quanto à composição da base de cálculo do PIS, ainda restam dúvidas, uma vez que os questionamentos sobre a composição dessa base não foram analisados pela DRJ. Vigia à época a seguinte prescrição sobre receita bruta: DECRETOLEI Nº 1.598, DE 26 DE DEZEMBRO DE 1977. Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 19647.006039/200667 Resolução nº 3301000.534 S3C3T1 Fl. 542 7 Diante disso, penso que os pontos elencados pela empresa são importantes e demandam investigação de sua veracidade. O inconformismo da Recorrente está sintetizado na efl. 219: EXPLICAÇÕES: A Empresa registra sua receita de venda de mercadoria por grupos: Veículos Passageiros, Comerciais leves, Importados e Usados. Assim como peças a varejo, peças atacado, peças em garantia, peças vendidas na oficina e peças vendidas na funilaria. Neste período, houve a necessidade de reclassificação, pois alguns veículos e peças foram contabilizadas em contas trocadas no grupo da Receita. Então a Contabilidade debitou a conta da receita bruta errada e creditou a conta correta. Por isso o lançamento a débito na conta de RECEITA BRUTA que não foi considerado pela agente fiscal. No grupo Contábil "Devoluções de Venda e Descontos Incondicionais", também existem valores que deixaram de ser considerados pela agente fiscal na elaboração da base de cálculo. A cópia do Balancete está anexa e marcada em seta vermelha as contas que não foram consideradas para elaboração da planilha pela fiscalização. (...) Conforme pode ser visto nos balancetes anexos, não foram computados para o crédito final, os valores a título de reclassificação de contas relativas a devoluções, como por exemplo veículos passageiros transferidos para comerciais leves ou importados, bem como Reclassificação de contábil de venda de peças, atacado e varejo, varejo para venda em garantia. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 19647.006039/200667 Resolução nº 3301000.534 S3C3T1 Fl. 543 8 Então, é o meu voto para converter o processo em diligência para solicitar à Delegacia de origem: i Certifique se, a partir da documentação anexada aos autos em impugnação e no recurso voluntário, é possível se afirmar que não foram computados para o crédito final os valores lançados a débito do Grupo de Contas 3.1.1.05.000 (receita bruta), referente a: · Valores a título de reclassificação de contas relativas a devoluções; · Valores de reclassificação contábil das modalidades de comercialização das peças automotivas – vendas varejo x vendas em garantia x vendas de acessório x vendas material de funilaria, onde a contabilidade realizava os lançamentos de transferência de valores entre contas; · Duplicidade da receita de frete destacado em campo específico da nota fiscal de venda de ICMSST. ii Esclareça se é possível constatar as diferenças de cálculo da fiscalização (efls. 188 a 202 do processo n° 19647.002.955/200547) e do contribuinte, para o período de março/1995 a dezembro/1995, nos termos do pleiteado pelo contribuinte na efl. 219, com base na documentação acostada aos autos. iii Elabore relatório conclusivo a respeito da existência ou não dessas divergências. iv Aponte, se houver, eventual diferença de direito creditório a maior do que o já reconhecido. v Requisite documentos ou informações à empresa, caso entenda necessário. Em seguida, dêse vista ao contribuinte, para manifestação sobre o resultado da diligência. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 19647.006039/200667 Resolução nº 3301000.534 S3C3T1 Fl. 544 9 Após, vista à Fazenda Nacional, também para manifestação. Por fim, que sejam os autos devolvidos ao CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 544DF CARF MF
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Numero do processo: 13887.000150/2003-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/09/2003 a 10/09/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
O não reconhecimento do direito creditório impede a homologação da
compensação declarada.
Numero da decisão: 1402-000.627
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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O não reconhecimento do direito creditório impede a homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13887.000150/200398 Acórdão n.º 140200.627 S1C4T2 Fl. 402 2 Mecânica Bonfanti S.A. recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foram apreciadas as Declarações de Compensação, por intermédio da qual pretendia compensar débitos próprios com crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido efetuado no decorrer do anocalendário de 1998. Posteriormente, a contribuinte informou não se tratar o seu crédito de pagamento a maior ou indevido, mas sim de Saldo Negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, no valor de R$ 6.364,47, relativo ao anocalendário de 2000 (fls. 259/261). Por intermédio do despacho decisório de fls. 277/278, o direito creditório não foi reconhecido e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o indébito, relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, já foi reconhecido e utilizado em sua totalidade para compensação nos processos administrativos de nº 13887.000030/200391, 13887.000046/200301, 13887.000064/200385, 13887.000076/200318, 13887.000097/200325, 13887.000107/200332, 13887.000133/200351 e 13887.000142/200341. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 285/292, acompanhada dos documentos de fls. 293/351, na qual alega, em síntese, que: a) os valores considerados para fins de apuração do indébito não pode prosperar, tendo em vista que os valores considerados para fins de apuração são inferiores àqueles declarados pela contribuinte; b) as compensações realizadas por essa contribuinte se iniciaram com a protocolização do processo administrativo nº 13887.000030/200391, seguindose dos seguintes processos: 13887.000046/2003 01, 13887.000064/200385, 13887.000076/200318, 13887.000097/200325, 13887.000107/200322, 13887.000133/200351 e 13887.000142/200341; c) da decisão proferida no processo nº 13887.000030/200391 verificase que foram homologadas as compensações realizadas a partir dele até parte do processo nº 13887.000107/200332, restando débitos não homologados neste, bem como nos processo 13887.000133/200351 e 13887.000142/200341; d) dessa decisão foi interposta manifestação de inconformidade, protocolada em 22/02/2008, até a presente data não apreciada; e) a autoridade fiscal reconheceu o direito creditório no valor de R$ 100.449,57, a título de imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras, relativas ao anocalendário de 1998, exercício 1999, ao invés de considerar o valor efetivamente retido no período no montante de R$ 132.599,43; f) para o anocalendário de 2000, a fiscalização reconheceu a cifra de R$ 71.726,77 ao invés de R$ 83.421,00; g) apresenta, para cada anocalendário, os valores de IRRF por instituição financeira; h) para o anocalendário de 1998, a fiscalização considerou uma alíquota fixa de 15% sobre o montante de R$ 669.632,82, que engloba o resultado da contabilização das receitas das aplicações no período, declarado na DIPJ/99; i) no entanto, essa receita não pode ser utilizada como base, pois o resultado da contabilização das receitas das aplicações financeiras do período, observa o regime de competência; j) como se verifica no anexo 15 – resumo das aplicações financeiras de 1998, todos os percentuais de retenção ultrapassaram os 15%, não cabendo o critério utilizado pela fiscalização em aplicar 15% sobre os rendimentos do período; k) no caso do anocalendário 2000, os comprovantes de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13887.000150/200398 Acórdão n.º 140200.627 S1C4T2 Fl. 403 3 retenção (anexos 7 a 14) compõem exatamente o valor retido utilizado pela requerente; l) considerando o direito creditório da requerente, no valor de R$ 43.844,09, mais suas atualizações monetárias, fica definitivamente demonstrada a improcedência dos débitos apresentados à requerente para pagamento. Ao final, requer que seja reformada a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal, para homologação integral das compensações declaradas pela requerente. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 14 19.973 (fls. 354361) de 08/08/2008, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação apresentada pela contribuinte. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/09/2003 a 10/09/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O não reconhecimento do direito creditório impede a homologação da compensação declarada.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 28/10/2008 (A.R. de fl. 364), a interessada interpôs recurso voluntário em 27/11/2008 (fls. 365399) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Depreendese dos autos que a declaração de compensação objeto do presente processo não foi homologada porquanto o crédito tributário a que ela estaria vinculada já teria sido objeto de análise e utilização no processo nº 13887.000030/200391, não restando, após aludida análise, saldo de crédito que pudesse ser utilizado na compensação ora em apreciação (fl. 277). Irresignada, a interessada apresentou recurso voluntário onde repisa os argumentos trazidos em sede de impugnação, que, por sua vez, são os mesmos que foram rechaçados quando da análise dos autos de nº 13887.000030/200391. Por sua pertinência, peço vênia ao autor para adotar seus fundamentos, abaixo transcritos, como razão de decidir no presente caso. “O valor do indébito com o qual a contribuinte declarou as compensações objeto deste processo e dos processos de nº 13887.000076/200318, 13887.000064/200385, 13887.000046/200301, 13887.000097/200325, 13887.000142/200341 e 13887.000133/200351 seria originário da dedução do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras que integraram o lucro real com o imposto de renda devido no Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13887.000150/200398 Acórdão n.º 140200.627 S1C4T2 Fl. 404 4 encerramento do anocalendário de 2000, informado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ/2001. Observese que esta sistemática de tributação nas hipóteses dos ganhos auferidos com aplicações financeiras de renda fixa e variável passou a viger a partir de 1º de janeiro de 1995, por força da Lei nº 8.981/95, art. 76, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 9.065/95: “Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: I deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; (....) § 2º Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos produzidos a partir de 1º de janeiro de 1995 integrarão o lucro real.” Assim, neste caso, o objeto da restituição não é o IRRF, mas o saldo negativo do IRPJ verificado ao final do período de apuração. Tendo em vista que o IRRF incidente sobre as aplicações financeiras foi aproveitado pela contribuinte para deduzir o IRPJ devido no anocalendário de 2000 e, assim, contribuiu para a formação do saldo negativo de IRPJ, há de se verificar se aquele foi corretamente apurado. A legislação impõe duas condições para que o IRRF possa ser utilizado para a dedução do IR a pagar: a) atender ao previsto no artigo 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, que disciplina a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração, condicionandose o procedimento à apresentação dos respectivos comprovantes de retenção: “Art. 55. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos”. b) atender ao disposto no § 2º do artigo 76 da Lei nº 8.981/95, o qual estabelece que a dedução do IR com o IRRF será permitida caso as receitas correlatas tenham sido oferecidos à tributação na forma de composição da base de cálculo do imposto. Portanto, a dedutibilidade do IRRF do imposto de renda devido, bem como a sua legítima composição em eventual saldo negativo apurado na declaração de rendimentos está condicionada ao atendimento das condições acima apontadas. Expostos tais contornos, passo à análise dos autos. A interessada insurgese contra a decisão que não reconheceu em sua integralidade o saldo negativo de IRPJ, demonstrado na Declaração de Informações Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13887.000150/200398 Acórdão n.º 140200.627 S1C4T2 Fl. 405 5 EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2001), cuja cópia está acostada à fl. 268. Conforme consta de referida DIPJ, a interessada efetuou o recolhimento mensal do imposto com base em balanço ou balancete de redução e suspensão, apurandose ao final do ano o lucro real. O saldo negativo demonstrado pela contribuinte, Ficha 12A da DIPJ/2001, é de R$ 83.421,00 e seria originário do resultado da dedução do imposto de renda retido na fonte (R$ 83.421,00) e do pagamento por estimativa (R$ 83.922,02) sobre o imposto calculado sobre o lucro real (R$ 83.922,02). Por sua vez, a autoridade a quo deferiu parcialmente o pleito porque a contribuinte deduziu e compensou do IR devido (Ficha 12, linha 13) valores superiores aos permitidos pela legislação de regência, fazendo com que o IRRF deduzido, no valor de R$ 83.421,00, fosse diminuído para R$ 71.726,77. Para uma melhor visualização do quanto afirmado, segue planilha que reproduz os dados indicados pela empresa e os dados alterados: Descrição Valores Informados pelo Contribuinte Valores Considerados IR anual devido R$ 83.922,02 R$ 83.922,02 IR pago por estimativa R$ 83.922,02 R$ 83.922,02 IRRF R$ 83.421,00 R$ 71.726,77 Saldo Negativo de IRPJ R$ 83.421,00 R$ 71.726,77 Dessa forma, a análise do presente indébito implica, entre outros procedimentos, verificar se está correta a compensação de IRRF efetuada pela interessada. Conforme disposição do art. 815 do RIR/1999, fundamentado no art. 13, § 3º, da Lei nº 4.154, de 1962, e art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996, a pessoa jurídica que, em sua declaração de rendimentos, efetuar compensação de imposto de renda retido na fonte, deverá comprovar a retenção correspondente com uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora. Igualmente, verificase que o parágrafo 2º do artigo 943, § 2º, do RIR/1999, determina que o imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de rendimentos, se a contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Como se verifica, por expressa determinação da Lei, um dos requisitos para o IRRF ser compensado e assim gerar o direito à restituição é a contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. E tal comprovante, tratandose de IRRF decorrente de aplicações financeiras, é o Informe de Rendimentos Financeiros, cujas normas para emissão encontramse estabelecidas na Instrução Normativa SRF nº 79, de 01 de agosto de 2000. Como visto a diferença de IRRF reconhecida a menor pela autoridade fiscal no despacho decisório de fls. 342/347 corresponde à cifra de R$ 11.694,23, ou seja, com base na DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte), a DRF Limeira reconheceu como IRRF, do anocalendário de 2000, o montante de R$ 71.726,77, enquanto que a contribuinte, por sua vez, compensouse do montante de R$ 83.421,00. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13887.000150/200398 Acórdão n.º 140200.627 S1C4T2 Fl. 406 6 Essa diferença se deu em razão do não reconhecimento do IRRF, no montante de R$ 14.249,83, decorrente de aplicações financeiras na Caixa Econômica Federal, em razão de sua não declaração em DIRF, bem como do não reconhecimento do IRRF decorrente de juros sobre o capital próprio e de aplicações financeiras de renda variável, no valor total de R$ 242,80, uma vez que os rendimentos correspondentes a estas fontes não foram oferecidos à tributação, e, finalmente, do reconhecimento pela autoridade fiscal do IRRF declarado em DIRF, na cifra de R$ 3.109,15, decorrente de aplicações financeiras do Banco Banespa, não compensado pela interessada em sua DIPJ/2001. Quanto ao IRRF decorrente de juros sobre capital próprio e de aplicações financeiras de renda variável, no montante de R$ 242,80, observase que não houve, na peça impugnatória, qualquer questionamento quanto a este indeferimento. Em relação a este procedimento, efetuado pela autoridade fiscal na revisão da apuração do direito creditório, reputase matéria incontroversa. A postulante não contestou expressamente a correção, reconhecendo tacitamente a licitude do feito. Assim dispõe o Decreto nº 70.235 (PAF), de 1972, art. 17: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Sendo assim, a questão não pode ser mais abordada em momento processual posterior. Portanto, a questão do presente processo resumese à aceitação ou não da comprovação de retenção de imposto de renda pela fonte pagadora, correspondente a aplicações em operações financeiras da interessada durante o anocalendário de 2000, mais especificamente no Banco Caixa Econômica Federal. Pois bem, em sua manifestação de inconformidade, a interessada juntou os informes de rendimento de fls. 402/424, fornecido pela fonte pagadora que atesta ter havido retenção do imposto de renda, no montante de R$ 14.249,83, correspondente a aplicações em operações financeiras da interessada no Banco Caixa Econômica Federal. Nesse sentido, por reiteradas vezes, esta Turma de Julgamento tem entendido que a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração tem como uma das condicionantes a apresentação dos respectivos comprovantes de retenção emitido em nome da beneficiária pela fonte pagadora dos rendimentos Contudo, em que pese a observação acima, o enfoque que devemos dar aos autos, como já visto, é de determinação do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que toda retenção na fonte (IRRF) é considerada, em realidade, antecipação do imposto devido (IRPJ). Em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, incumbe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções, em face do artigo 37, § 3º, “c” da Lei nº 8.981, de 20/01/1995; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Dessa forma, no pedido de restituição/compensação, não basta ao interessado somente comprovar a retenção do imposto de renda na fonte, mas também deve comprovar a efetiva apuração de saldo negativo de IRPJ ao final de cada período e, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13887.000150/200398 Acórdão n.º 140200.627 S1C4T2 Fl. 407 7 para tanto, deve demonstrar que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram acrescidas à base de cálculo do imposto de renda, condição sine qua non para que o IRRF possa ser aproveitado na compensação do imposto de renda apurado no final do período, originando, se for o caso, o saldo negativo de IRPJ. Impende observar que tal demonstração não ocorreu por parte da interessada. Neste passo, tenhase presente que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoo com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Tenho que a certeza e liquidez de crédito a título de saldo negativo de IRPJ, para fins de repetição tributária, não se apura em razão do quantum do tributo declarado como devido no ano calendário, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos e os eventuais pagamentos por estimativa e ainda os informes de retenções apenas elementos da composição. Noutras palavras: por si só, não exprimem a figura do indébito fiscal. Daí porque é imprescindível que venham aos autos as provas, notadamente contábeis, mesmo porque a contribuinte é pessoa jurídica sujeita ao regime do Lucro Real, para a qual a lei exige contabilidade regular. Dentre outras provas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo do Imposto de Renda a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), tudo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo de IRPJ declarado. Ademais, no que concerne ao reconhecimento do direito creditório, no caso específico de saldo negativo de IRPJ, este podia, até 01/10/2002, à opção da contribuinte, ser compensado com resultados positivos de IRPJ de períodos subseqüentes, independentemente de autorização da Administração Tributária, desde que utilizados para quitação de tributos da mesma espécie e destinação constitucional, e atendidas as formalidades legais pertinentes ao ato. Destarte, no que tange ao exercício da livre escolha de como aproveitar o saldo disponível de IRPJ apurado no anocalendário de 2000, é primordial que o valor apropriado em conta de ativo, a título de imposto de renda a recuperar e objeto do pedido de restituição em exame, não tenha sido utilizado em períodos subseqüentes. A par disso, cumpre observar que dos documentos juntados aos autos não se pode identificar a disponibilidade na escrituração contábil da peticionária do valor do saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2000, porventura existente no momento do pedido de restituição. Segundo o despacho decisório, a contribuinte apresentou compensações de IRPJ, sem processo, durante o anocalendário de 2001, utilizandose para tanto de saldo negativo do anocalendário de 2000, fato este nem contestado pela recorrente. E na época a contribuinte realmente poderia proceder à autocompensação (sem Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13887.000150/200398 Acórdão n.º 140200.627 S1C4T2 Fl. 408 8 requerimento à autoridade fiscal), desde que envolvidos tributos da mesma espécie e os débitos fossem posteriores aos indébitos, daí, portanto, a necessidade de que aos autos venham as provas, notadamente, contábeis. Registrese que nos autos não constam os registros contábeis relativos às compensações do IRPJ devido nos períodos subseqüentes à apuração do saldo negativo de IRPJ sob exame (a partir de janeiro de 2001). Destarte, a juntada de documentos que demonstrem a efetividade e liquidez do crédito que a interessada aduz possuir e a comprovação de que referido crédito foi apurado e não tenha sido já utilizado em períodos subseqüentes, de acordo com as normas legais, é obrigação da recorrente. Para finalizar, embora a interessada alegue que os rendimentos pagos a ela tivessem sido apropriados pelo regime de competência e, assim, já reconhecidos, não se verifica nos autos elementos materiais que possam corroborar sua afirmação, inclusive, se tais rendimentos foram integrados no lucro real do anocalendário de 1999 ou do anocalendário de 2000. É máxima do Direito que o ônus probante incumbe àquele que alega determinado fato e tal regra encontrase insculpida no inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil: A par disso, assim dispõe o Código de Processo Civil, art. 333: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (....)””. Por todo o exposto, não havendo a comprovação efetiva da liquidez e certeza do crédito, VOTO por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 1 de julho de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.721570/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
GANHO DE CAPITAL. SOCIEDADE CONJUGAL. ALIENAÇÃO DE BENS COMUNS. APURAÇÃO E TRIBUTAÇÃO EM NOME DE UM DOS CÔNJUGES.
Correto o lançamento de ofício, decorrente da omissão de ganho de capital na alienação de bens comuns do casal, realizado em nome de um dos cônjuges, quando o contribuinte autuado tenha feito a opção, antes do início do procedimento fiscal, em apurar e tributar o total do ganho de capital da operação em seu nome.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO
As multas de ofício não se configuram débitos decorrentes de tributos, vez que são penalidades que decorrem de punição aplicada pela fiscalização quando verificadas a falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições.
Deve ser afastada a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.
Numero da decisão: 2401-005.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, por maioria, dar-lhe provimento parcial para excluir a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Vencidos o conselheiro Cleberson Alex Friess, que negou provimento, e o Relator, que deu provimento ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Andrea Viana Arrais Egypto - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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SOCIEDADE CONJUGAL. ALIENAÇÃO DE BENS COMUNS. APURAÇÃO E TRIBUTAÇÃO EM NOME DE UM DOS CÔNJUGES. Correto o lançamento de ofício, decorrente da omissão de ganho de capital na alienação de bens comuns do casal, realizado em nome de um dos cônjuges, quando o contribuinte autuado tenha feito a opção, antes do início do procedimento fiscal, em apurar e tributar o total do ganho de capital da operação em seu nome. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício não se configuram débitos decorrentes de tributos, vez que são penalidades que decorrem de punição aplicada pela fiscalização quando verificadas a falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições. Deve ser afastada a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 15 70 /2 01 2- 76 Fl. 203DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, por maioria, darlhe provimento parcial para excluir a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Vencidos o conselheiro Cleberson Alex Friess, que negou provimento, e o Relator, que deu provimento ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Andrea Viana Arrais Egypto Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10120.721570/201276 Acórdão n.º 2401005.210 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório ANTONIO FERNANDO DE OLIVEIRA MAIA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0370.110/2015, às fls. 164/175, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão ganhos de capital na alienação de bens e direitos, em relação ao exercício 2009, conforme peça inaugural do feito, às fls. 121/129, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 14/02/2012 (AR efl. 131), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes dos seguintes fatos geradores: a) GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA. Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de sua participação societária na empresa MB Engenhara SPE 037 S.A., conforme o documento denominado DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO DOS GANHOS DE CAPITAL, que faz parte do presente processo. Consoante "CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS" peça integrante destes autos firmado em 17/04/2008 pelas partes: de um lado, como compradora, a companhia Brascan Real Estate S/A e de outro lado como vendedores os sócios das pessoas jurídicas MB Engenharia S/A e MB Engenharia SPE 037 S/A: a) o sócio das duas pessoas jurídicas em referência, Sr. Antonio Fernando de Oliveira Maia vende, à sociedade compradora, 199.999 ações da primeira e 7.411.779 ações da segunda empresa citadas acima; b) na data do fechamento do negócio (17/04/2008) a compradora pagou ao alienante Antonio Fernando de Oliveira Maia a primeira parcela no importe de R$20. 000.000,00 (Vinte Milhões de Reais), sendo oitenta por cento deste valor relativo à compra das ações da MB Engenharia SPE 037 S/A e vinte por cento relativo à compra das ações da MB Engenharia S/A; c) foi estabelecido na cláusula 2.4 do contrato que a segunda parcela seria paga em 30/04/2011, em valor a ser conhecido em função de eventos futuros, conforme equação consignada naquele dispositivo contratual. Regularmente intimada por esta fiscalização, a companhia Brookfield Incorporações S/A, sucessora da Brascan Real State S/A, informou e documentou os pagamentos feitos no ano de 2011 ao Sr. Antonio Fernando de Oliveira Maia, no montante de Fl. 205DF CARF MF 4 R$140.075.537,00 (Cento e quarenta Milhões, Setenta e Cinco Mil, Quinhentos e Trinta e Sete Reais), relativos à segunda parcela prevista no contrato. Esta fiscalização emitiu o Demonstrativo de Apuração dos Ganhos de Capital relativo à alienação, pelo sujeito passivo, das ações da empresa MB Engenharia SPE 037 S/A, tendo sido apurado o Imposto sobre o Ganho de Capital de R$ 2.181.840,00 (Dois Milhões, Cento e Oitenta e Hum Mil, Oitocentos e Quarenta Reais) , que está sendo lançado de oficio com os acréscimos legais aplicáveis. O enquadramento legal encontrase à fl. 125. Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado apresentou Recurso Voluntário, às efls. 182/192, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, pugnando pela nulidade do lançamento uma vez que o cônjuge meeiro não foi mencionado no MPF, tampouco intimado a justificar os supostos rendimentos omitidos. Afirma que a não inclusão do cônjuge no cômputo da ação fiscal, bem a sua não intimação para comprovar/justificar a suposta omissão, atingem a própria essência do lançamento, tornandoo nulo de pleno direito. Quanto ao mérito, alega ser o recorrente casado sob regime de comunhão de bens, sendo que ele e a cônjuge apresentam declaração de ajuste em separado, desta feita, como o ganho de capital decorre da venda de bem comum, a tributação deveria ter sido feita na proporção de 50% para cada um dos cônjuges. Esclarece não tratar de opção do fisco em tributar integralmente o ganho de capital em nome de qualquer dos cônjuges, mas sim ao contribuinte que, espontaneidade sua, pode optar pela tributação em separado, onde cada cônjuge apresenta sua própria declaração de rendimentos (como ocorreu no caso concreto), ou, de outro lado, integralmente em nome de qualquer dos cônjuges, apresentando uma única declaração, conforme § 2°, do art. 7°, do RIR. Insurgese também quanto a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que tal cobrança não deve prevalecer por ausência de previsão legal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a nulidade do Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10120.721570/201276 Acórdão n.º 2401005.210 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator BEM COMUM DECLARAÇÃO EM SEPARADO LANÇAMENTO EM UM DOS CÔNJUGES A tributação se deu integralmente em relação ao Sr. Antonio Fernando de Oliveira Maia, tendo seu cônjuge sido arrolada como responsável solidária, com base no art. 124, da Lei nº 5.172/66. Por sua vez o contribuinte alega ser o recorrente casado sob regime de comunhão de bens, sendo que ele e a cônjuge apresentam declaração de ajuste em separado, desta feita, como o ganho de capital decorre da venda de bem comum, a tributação deveria ter sido feita na proporção de 50% para cada um dos cônjuges. Esclarece não tratar de opção do fisco em tributar integralmente o ganho de capital em nome de qualquer dos cônjuges, mas sim ao contribuinte que, espontaneidade sua, pode optar pela tributação em separado, onde cada cônjuge apresenta sua própria declaração de rendimentos (como ocorreu no caso concreto), ou, de outro lado, integralmente em nome de qualquer dos cônjuges, apresentando uma única declaração, conforme § 2°, do art. 7°, do RIR. Primeiramente cabe esclarecer que, conforme relatado, a matéria em questão foi aduzida pelo contribuinte de maneira preliminar, no entanto, por se confundir com o mérito, será analisada nesta oportunidade. Feita essa ponderação, passamos ao enfretamento da demanda. Pois bem. O regime de comunhão parcial de bens importa a comunicação de todos os bens adquiridos na constância da sociedade conjugal, sendo que a propriedade e posse dos bens são comuns, ainda que seja adquirido em nome de um dos cônjuges apenas. Entendese que os bens adquiridos na constância da sociedade conjugal a título oneroso presumemse advindos do esforço comum do casal, sendo o patrimônio do casal composto por todos os bens móveis e imóveis comuns. O art. 1.660, do Código Civil Brasileiro (Lei n.º 10.406, de 10 de janeiro de 2002), é claro quanto ao que é incluído no regime de comunhão parcial, destacandose, com relação ao caso que ora se aprecia, o inciso I, que se reproduz a seguir, in verbis: Art. 1.660. Entram na comunhão: I os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges; Observase que essas determinações constantes no atual Código Civil já estavam previstas no Código anterior aprovado pela Lei n.º 3.071, de 1º de janeiro de 1916, segundo se verifica abaixo: Fl. 207DF CARF MF 6 Art. 271. Entram na comunhão: I – os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges; Verificado que a propriedade é comum, resta saber quem seria o sujeito passivo do imposto de renda incidente sobre ganhos de capital apurado na alienação das participações societárias. Em se tratando de contribuintes casados, a declaração de rendimentos pode ser apresentada em separado ou, opcionalmente, em conjunto. No caso de declaração em separado, cabe transcrever os art. 6° e 7° do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999): Art. 6° Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, § 5º): I cem por cento dos que lhes forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges.(grifo nosso) Art. 7° Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. § 1o O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 2o Na hipótese prevista no parágrafo único do artigo anterior, o imposto pago ou retido na fonte será compensado na declaração, em sua totalidade, pelo cônjuge que declarar os rendimentos, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 3o Os bens comuns deverão ser relacionados somente por um dos cônjuges, se ambos estiverem obrigados à apresentação da declaração, ou, obrigatoriamente, pelo cônjuge que estiver apresentando a declaração, quando o outro estiver desobrigado de apresentála. Pela leitura dos dispositivos legais acima transcritos, verificase que a regra geral para os rendimentos produzidos pelos bens comuns é a tributação de 50% em nome de cada um dos cônjuges (art. 6°, inciso II). Observase também, o parágrafo único do art. 6° permite, opcionalmente, que os rendimentos produzidos pelos bens comuns sejam tributados integralmente por um dos cônjuges. Mesmo o art. 4º, da IN SRF 15/2001, também citado pelo recorrente, traz esta ressalva em seu parágrafo único: Art. 4° Os rendimentos comuns produzidos por bens ou direitos, cuja propriedade seja em condomínio ou decorra do regime de casamento, são tributados da seguinte forma: (...) Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10120.721570/201276 Acórdão n.º 2401005.210 S2C4T1 Fl. 5 7 II na propriedade em comunhão decorrente de sociedade conjugal, inclusive no caso de contribuinte separado de fato, a tributação, em nome de cada cônjuge, incide sobre cinqüenta por cento do total dos rendimentos comuns; (...) Parágrafo único. No caso do inciso II, os rendimentos são, opcionalmente, tributados pelo total, em nome de um dos cônjuges. Nesse aspecto, cabe destacar os esclarecimentos trazidos pelo sitio da Receita Federal, no perguntas e respostas Imposto de Renda da Pessoa Física, acerca da tributação do ganho de capital na alienação de bens comuns decorrentes do regime de casamento, in verbis: 590 Como devem ser consideradas as alienações efetuadas pelos cônjuges, para fins de tributação dos ganhos de capital? As transações efetuadas na constância da sociedade conjugal em regime de comunhão universal ou parcial de bens comuns têm o seguinte tratamento, para efeito de tributação: cada cônjuge deve considerar 50% do ganho de capital. Opcionalmente o total do ganho de capital pode ser tributado por um dos cônjuges, exceto quando se tratar de bens incomunicáveis, caso em que cada um deve tributar o valor que lhe cabe.(g.n.) Atenção: Nas alienações de bens comuns, decorrentes do regime de casamento, o ganho de capital é apurado em relação ao bem como um todo. Apenas a tributação do ganho apurado é que deve ser feita na razão de 50% para cada cônjuge ou, opcionalmente, 100% em um dos cônjuges.(Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001, art. 22)(grifamos) Conforme extraí dos dispositivos encimados, concluí que nas alienações de bens comuns, o ganho de capital será apurado em relação ao bem como um todo, devendo a tributação ser feita na razão de 50% para cada cônjuge. Cabendo ainda, a OPÇÃO, entenda se: por escolha/faculdade do contribuinte, a tributação de 100% em um dos cônjuges. No caso em concreto, a Sra. Telma Romão Maia apresentou a DIRPF 2009 (anocalendário de 2008). Por outro lado, na DIRPF 2009 do Sr. Antônio Fernando de Oliveira Maia foi informada a alienação Fazendo uma análise do lançamento fiscal, verificase que o ganho de capital apurado foi calculado sobre o valor total na venda da participação societária em questão. Seguindo na análise dos cálculos, constatase também que o Imposto de Renda lançado foi calculado sobre esse o valor da totalidade do ganho de capital. Portanto, assiste razão ao Recorrente ao dizer que o Auditor Fiscal não calculou o imposto na razão de 50% (cinquenta por cento) para cada cônjuge. Como a Declaração de Ajuste Anual é feita de forma separada, mesmo que no anocalendário em questão não tenha um dos cônjuges apresentado a DAA (obrigação acessória), da mesma forma não consta como dependente naquela apresentada, assim caberia a tributação do imposto de renda de apenas 50% (cinquenta por cento) sobre o ganho de capital Fl. 209DF CARF MF 8 da venda das ações pertencentes à sociedade conjugal na fração ideal equivalente a 50% (cinquenta por cento) para cada cônjuge. Como se vê do lançamento, não foi aplicada a sistemática correta para a apuração do ganho de capital na alienação do bem do casal, em que foi perfectibilizado em nome de um dos sujeitos passivos, qual seja, o Sr. Antonio Fernando de Oliveira Maia, com a incidência do Imposto de Renda sobre a totalidade do montante apurado a título de ganho de capital, razão porque constatase nitidamente o equívoco da fiscalização na aplicação da base de cálculo tributável. Repiso, os fundamentos da autoridade fiscal e dos julgadores de primeira instância de que por ter declarado a alienação em sua DIRPF, teria o Sr. Antonio optado pela totalidade do ganho de capital, o que pelo exposto encimado, não traduz a realidade da melhor forma, uma vez que a entrega da Declaração tratase de obrigação acessória, não dando ensejo ao fundamento da Fazenda Nacional. Só a título de exemplo, o Sr. Antonio também poderia não ter entregue a Declaração para o ano em questão, e nesse caso, não caberia ao fiscal "escolher" em quem lançar, devendo observar os preceitos legais acima transcritos. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar a preliminar, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10120.721570/201276 Acórdão n.º 2401005.210 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Vencedor Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Peço vênia para manifestarme de forma divergente do voto do nobre julgador. Ganho de Capital Alienação de bens comuns Não há dúvidas que as participações societárias alienadas constituemse em bens comuns do Sr. Antônio Fernando de Oliveira Maia e da Srª Telma Romão Maia, casados sob o regime de comunhão parcial. Nas alienações de bens comuns, decorrentes do regime de casamento, o ganho de capital é apurado em relação ao bem como um todo, mediante tributação definitiva em separado dos rendimentos submetidos ao ajuste anual. Via de regra, a incidência do imposto de renda sobre o resultado positivo da alienação é feita na razão de 50% para cada cônjuge ou, por opção dos contribuintes, 100% em um dos cônjuges. Eis a redação do art. 6º do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, que veicula o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99): Art. 6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, § 5º): I cem por cento dos que lhes forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges. O auto de infração corresponde à apuração do imposto de renda devido sobre o ganho de capital oriundo do recebimento da 1ª parcela do preço de alienação das ações das empresas MB Engenharia S/A e MB Engenharia SPE 037 S/A à companhia Brascan Residential Properties S/A, posteriormente denominada de Brookfield Incorporações S/A (fls. 121/127). Por meio do Contrato de Compra e Venda e Outras Avenças celebrado em 17/04/2008, efetivouse a alienação de um total de 399.998 ações da empresa MB Engenharia S/A e 14.823.558 ações da MB Engenharia SPE 037 S/A, observada a proporção de participação no capital social de cada vendedor (fls. 10/66). Tratouse de um negócio único e Fl. 211DF CARF MF 10 indissociável, cuja apuração do ganho de capital foi realizada à medida do recebimento das parcelas do preço ajustado entre as partes. O Sr. Antônio Fernando de Oliveira Maia, na condição de vendedor, preencheu o Demonstrativo de Apuração de Ganho de Capital no que tange à alienação das ações da empresa MB Engenharia S/A, apurando e tributando os respectivos rendimentos, na sua totalidade, exclusivamente em seu nome (fls. 112/119). À época, calculou um imposto de renda devido de R$ 542.880,00, tendo recolhido a quantia em 30/05/2008. Por outro lado, o recorrente deixou de apurar e tributar qualquer valor relativo ao ganho de capital no que diz respeito à alienação das ações da empresa MB Engenharia SPE 037 S/A, integrante do mesmo negócio. Tampouco sua esposa apurou e tributou o ganho de capital percebido (fls. 150/154). O lançamento de ofício do imposto de renda no importe de R$ 2.181.840,00, acrescido de juros de mora e multa de ofício, equivale exatamente à parcela do ganho de capital omitido. Como se observa dos elementos dos autos, o contribuinte, Sr. Antônio Fernando de Oliveira Maia, fez opção em apurar e tributar integralmente em seu nome o ganho de capital produzido pela alienação das ações detidas em comunhão de bens com o seu cônjuge. A incorreção na apuração e tributação do ganho de capital da operação, conforme descrito pela fiscalização, não significa que o recorrente pretendeu a imputação de apenas 50% do valor devido em seu nome. O lançamento de ofício nada mais é que uma revisão do procedimento efetuado pelo contribuinte, referindose à totalidade das participações societárias alienadas, devendo manter coerência com a própria opção realizada pelo sujeito passivo de apuração e tributação no percentual de 100%. Cumpre realçar ainda a distinção da situação em apreço daquela em que nenhum dos cônjuges procede à apuração espontânea do ganho de capital auferido na operação de alienação. Nesse último caso, em que não há escolha pela tributação de 100% do ganho de capital por um dos cônjuges, o lançamento quanto ao imposto incidente sobre a omissão do acréscimo patrimonial calculado pela autoridade tributária deve respeitar a razão de 50% para cada cônjuge. À vista do exposto, escorreito o lançamento de ofício realizado em nome de um dos cônjuges motivado pela omissão de ganho de capital na alienação de bens em comunhão resultante da sociedade conjugal, quando o contribuinte autuado, ora recorrente, efetivou a opção, antes do início do procedimento fiscal, em apurar e tributar o total do ganho de capital da operação em seu nome. Da não incidência dos juros sobre a multa de ofício Pleiteia o contribuinte a não incidência dos juros correspondentes à taxa SELIC sobre o montante devido a título de multa de ofício, no caso de não ser cancelado o lançamento. A exigência combatida no Recurso Voluntário tem como fundamento o artigo 61, § 3º, da Lei nº. 9.430/96, que assim determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10120.721570/201276 Acórdão n.º 2401005.210 S2C4T1 Fl. 7 11 Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)(Grifamos). De acordo com o parágrafo 3º do artigo destacado, sobre os débitos a que se refere o caput incidirão juros de mora, sendo que os débitos são decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. As multas de ofício não se configuram débitos decorrentes de tributos, vez que são penalidades que decorrem de punição aplicada pela fiscalização quando verificadas a falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo para tal, e a falta de declaração e declaração inexata, o que enseja a aplicação da multa contida no artigo 44 da Lei nº. 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Dessa forma, a incidência dos acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº. 9.430/96 somente ocorre sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, ao passo que a multa de ofício não decorre de tributos ou contribuições, mas sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo. Acrescentese ainda que o art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional, do mesmo modo, não autoriza referida incidência, posto que a previsão ali contida está condicionada a edição de uma lei específica regulando a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se destaca da norma: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 213DF CARF MF 12 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Assim, entendo que assiste razão a recorrente, razão porque afasto a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir a incidência dos juros sobre a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 214DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724031/2011-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/10/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS MATERIAIS E CONTRADIÇÕES.
Acolhem-se os embargos declaratórios para corrigir os vícios apontados, sem atribuir-lhes efeitos modificativos, para o fim de sanar os erros materiais e contradição apontada.
Numero da decisão: 2401-005.140
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhê-los em parte para o fim de sanar os erros materiais, além da contradição com relação ao momento da ocorrência do fato gerador, sem atribuir-lhes efeito modificativo, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente.em exercício
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhê-los em parte para o fim de sanar os erros materiais, além da contradição com relação ao momento da ocorrência do fato gerador, sem atribuir-lhes efeito modificativo, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente.em exercício (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/10/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS MATERIAIS E CONTRADIÇÕES. Acolhemse os embargos declaratórios para corrigir os vícios apontados, sem atribuirlhes efeitos modificativos, para o fim de sanar os erros materiais e contradição apontada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 40 31 /2 01 1- 88 Fl. 1642DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhêlos em parte para o fim de sanar os erros materiais, além da contradição com relação ao momento da ocorrência do fato gerador, sem atribuirlhes efeito modificativo, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente.em exercício (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401005.140 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte em face de decisão prolatada no Acórdão nº 2401003.045 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em sessão do dia 18 de junho de 2013 (fls. 1016/1082), que possui a ementa abaixo transcrita: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS NATUREZA SALARIAL DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL CARACTERÍSTICAS DOS PLANOS AFASTAM O RISCO Em sua concepção original o stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime de opção de compra de ações por preço préfixado, concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo inicialmente caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período prédeterminado ao longo do curso do contrato de trabalho. Em ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, qual seja, mera operação mercantil, seja, pela concessão de empréstimos, possibilidade de venda antecipada, troca de planos, correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Na maneira como executado, passa o negócio a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o empregado a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES; não fosse essa a intenção da empresa, por qual motivo a recorrente teria alterado os planos existentes em 2006 e 2007, permitido empréstimos cuja quitação davase pela venda de ações cujo totalidade do direito ainda não havia se integralizado ou recebimento de participação em lucros e resultados, em relação a contribuintes individuais. Correto o procedimento fiscal que efetivou o lançamento do ganho real, (diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado no momento da compra de ações.), considerando os vícios apontados pela autoridade fiscal. PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS PARA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS. Fl. 1644DF CARF MF 4 Acredito que, no momento em que houve a outorga da opção de ações aos beneficiários ocorreu, sim, o fato gerador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda, pois naquela oportunidade o mesmo integralizou a efetiva opção das ações sobre o preço de exercício, valor inferior naquela oportunidade ao preço de mercado, representando um ganho direto do trabalhador. Conforme demonstrado acima, houve o UTILIDADES FORNECIDAS PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CONSTITUEM SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O fato de o dispositivo legal previdenciário não ter detalhado expressamente o termo “utilidades”, como fazendo parte do salário de contribuição dos contribuintes individuais, não pode, por si só, ser o argumento para que as retribuições na forma de utilidades sejam afastadas como ganho indireto dessa categoria de trabalhadores. O texto legal não cria distinção entre as exclusões aplicáveis aos empregados e aos contribuintes individuais. PLANOS ANTERIORES A 2004 AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO NO RELATÓRIO FISCAL DOS FUNDAMENTOS PARA DESCARACTERIZAÇÃO DOS PLANOS. Partindo do pressuposto de que os planos de opções de compra de ações (Stock Options) possuem natureza mercantil. Cabe a autoridade fiscal o ônus de demonstrar e comprovar que houve desvirtuamento dos referidos planos, a ponto de que venham a ser desnaturados como decorrentes de uma operação mercantil e caracterizados como remuneração indireta. Não comungo do entendimento de que a ausência de demonstração do desvirtuamento dos planos de opções de compra de ações (Stock Options) tratese de mero vício formal, posto que caso a fiscalização não demonstre o efetivo desvirtuamento há de ser mantida a natureza mercantil dos referidos planos, que não se sujeitam à incidência de contribuições previdenciárias, o que acarreta a improcedência do lançamento. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO POSSIBILIDADE LEGAL Ao contrário do que entendeu o recorrente , a aplicação de juros sobre muito de ofício é aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Dessa forma, não há motivos para que os mesmos sejam excluídos do relatório de Vínculos ou Corresponsáveis. Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401005.140 S2C4T1 Fl. 4 5 Alega o embargante a existência de erros materiais, omissões, contradições e obscuridades no Acórdão embargado, nos seguintes termos: 1. Erros Materiais na Ementa e Voto, relacionados a sua completude, sentido, troca de vocábulo e pertinência quanto à matéria aduzida; 2. Omissões quanto aos seguintes aspectos: (i) inconsistência da base de cálculo e dos valores considerados pela Fiscalização; (ii) aspectos que foram objeto de debate ao longo do julgamento, atinentes ao prejuízo sofrido por participantes dos programas de compra de opções de ações em razão da existência de cláusula de “Lock Up”; (iii) correta fundamentação da base de cálculo da contribuição previdenciária patronal sobre os pagamentos realizados a contribuintes individuais; (iv) ausência de fundamentação em relação aos programas anteriores a 2006; (v) permanência do risco mesmo com o cancelamento dos programas de 2007 e 2008. 3. Contradições quanto aos seguintes aspectos: (i) momento da ocorrência do fato gerador; (ii) evidente presença da onerosidade e risco mesmo diante de empréstimos; 4. Obscuridades relacionadas: (i) à natureza das opções de compra de ações; (ii) a interpretação da venda antecipada dos lotes incorporados e os riscos; (iii) indevida utilização do programa de 2010 como fundamento para a autuação fiscal; Em despacho de admissibilidade de fls. 1.211/1.219, datado de 15/09/2016, houve admissão parcial dos embargos declaratórios, no que tange aos itens 1 e 3, para inclusão em pauta de julgamento. Tendo em vista que a conselheira relatora originária não mais integra esta Turma julgadora, o processo foi redistribuído para a relatoria desta Conselheira. É o relatório. Fl. 1646DF CARF MF 6 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Pressupostos de Admissibilidade Os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte atendem aos pressupostos de admissibilidade, por serem tempestivos, e por verificar a existência de erros materiais e contradições apontadas pelo embargante, da mesma forma em que admitidos no despacho de admissibilidade. Erros Materiais – Ementa e Voto a) a ementa está incompleta, “não sendo possível se extrair o exato sentido que o seu teor pretende transmitir”: PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS PARA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS. Acredito que, no momento em que houve a outorga da opção de ações aos beneficiários ocorreu, sim, o fato gerador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda, pois naquela oportunidade o mesmo integralizou a efetiva opção das ações sobre o preço de exercício, valor inferior naquela oportunidade ao preço de mercado, representando um ganho direto do trabalhador. Conforme demonstrado acima, houve o De fato a ementa encontrase incompleta e o seu saneamento é extraído da fl. 1055 do acórdão recorrido, devendo ser finalizada da seguinte forma: [...] Conforme demonstrado acima, houve o desvirtuamento do stock options em sua natureza inicial, qual seja, mera operação mercantil, razão pela qual procedeu o auditor ao lançamento do ganho real, (diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado no momento da opção pela compra de ações.). b) erro quando da menção ao vocábulo “muito” quando “certamente o que se pretendeu expressar foi o termo ‘multa’”, conforme ementa a seguir transcrita: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO POSSIBILIDADE LEGAL Ao contrário do que entendeu o recorrente, a aplicação de juros sobre muito de ofício é aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401005.140 S2C4T1 Fl. 5 7 Em saneamento do Acórdão embargado, passa a ementa a ter a seguinte redação: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO POSSIBILIDADE LEGAL Ao contrário do que entendeu o recorrente, a aplicação de juros sobre a multa de ofício é aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. c) no bojo do voto condutor contido no acórdão embargado (fl. 1.040), a Conselheira Relatora aludiu ao art. 128 da Lei das S.A., quando pretendeu referirse ao art. 168, “que efetivamente guarda pertinência com a matéria em debate”, conforme transcrito a seguir: Assim como descreve a doutrina, o recorrente e o próprio auditor fiscal, o surgimento do Plano de Opções pela Compra de Ações chamado de stock options, deuse na lei da SA em seu art. 128, o que lhe conferiu inicialmente caráter mercantil. Em saneamento ao Acórdão embargado, deve ser corrigido o trecho do voto constante à fl. 1040, para fazer constar o “art. 168” em substituição do “art. 128”, conforme a seguinte redação: Assim como descreve a doutrina, o recorrente e o próprio auditor fiscal, o surgimento do Plano de Opções pela Compra de Ações chamado de stock options, deuse na lei da SA em seu art. 168, o que lhe conferiu inicialmente caráter mercantil. d) no tópico que trata da exclusão dos corresponsáveis (fl. 1.059), o parágrafo foi redigido de forma incompleta, “não sendo possível se extrair o seu exato sentido”, de acordo com o trecho a seguir transcrito: Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir, e até onde conheço as decisões de administrar e gerir os empreendimentos partem de seus sócios e diretores. Dessa forma, entendo desnecessária a apreciação do questionamento, posto que a indicação dos sócios e diretores não é realizada em função de dolo, fraude ou mesmo simulação, razão porque não se aprecia a administração dos mesmos, mas, conforme descrito Para o saneamento do voto, de acordo com as razões extraídas à fl. 1.059, deve ser complementado o parágrafo acima destacado, passando a ter a seguinte redação: Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de Fl. 1648DF CARF MF 8 pensar e agir, e até onde conheço as decisões de administrar e gerir os empreendimentos partem de seus sócios e diretores. Dessa forma, entendo desnecessária a apreciação do questionamento, posto que a indicação dos sócios e diretores não é realizada em função de dolo, fraude ou mesmo simulação, razão porque não se aprecia a administração dos mesmos, mas, conforme descrito no art. 660, da IN 03/2005, constituem peças de instrução do processo administrativo fiscal a relação de corresponsáveis que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo. Contradições a) contradição no acórdão embargado com relação ao momento da ocorrência do fato gerador: outorga ou exercício. Segundo o embargante, conquanto no Relatório Fiscal se depreende claramente que o momento da ocorrência do fato gerador considerado foi aquele em que os participantes dos programas exerceram as opções outorgadas, de maneira divergente, o Acórdão embargado registrou em diversas passagens momentos completamente distintos. Realmente, há contradição na decisão embargada. Ao tratar da matéria, embora tenha entendido como correto o momento da ocorrência do fato gerador considerado pela Fiscalização, em alguns trechos do voto indica que esse momento seria o da outorga. Conforme se extrai do Relatório Fiscal de lançamento, o momento da ocorrência do fato gerador é o do exercício da opção de compra das ações outorgadas. Dessa forma, nos termos em que ora esclarecidos, resta sanado o Acórdão embargado. b) contradição na decisão com ao afirmar que o pagamento das ações não era suportado pelos participantes dos programas em razão de empréstimo, ao mesmo tempo em que diz que os participantes deveriam pagar pelo empréstimo. Os Embargos de Declaração alegam contradição no Acórdão embargado, especificamente, quando asseverou que até mesmo o pagamento dos 10% iniciais para garantir a opção de compra de ações não era suportado pelo empregado, pois a empresa poderia conceder empréstimo para seus beneficiários, quando, ao mesmo tempo, admite que os participantes do programa deveriam pagar pelo empréstimo contraído. Ou seja, a contradição alegada é com relação a um dos programas referente ao ano de 2006 tratado às fls. 1042/1043. Destarte, o Acórdão embargado enfrentou a questão dos riscos dos demais programas, independentemente de ocorrer ou não o empréstimo, firmando entendimento pela ausência do risco em todos os planos, conforme se depreende das razões às fls. 1042/1052. No que tange à alegação específica dos embargos, o entendimento da Relatora originária, conforme se extrai do Acórdão embargado, é no sentido de que, mesmo existindo pagamento dos 10% iniciais para garantir a opção pela compra de ações, não se verificava o risco inerente a essa modalidade de transação, na medida em que a empresa poderia conceder empréstimos aos seus beneficiários, senão vejamos excerto da decisão: Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401005.140 S2C4T1 Fl. 6 9 Ou seja, até mesmo o pagamento dos 10% iniciais referente a garantir a opção pela compra de ações não era suportando pelo empregado, pois a empresa poderia conceder empréstimo para seus beneficiários. Empréstimos esses, que eram quitados quando do recebimento de remuneração variável ou da venda antecipada do lote de ações incorporado parcialmente. Ou seja, o direito era adquirido, sem nem mesmo ter o trabalhador integralizado qualquer montante. Estamos falando de contribuintes individuais, digase, sem vínculo permanente com a empresas que fazem opção pela compra de ações, sem contrapartida imediata. Ou seja, onde está o risco inerente a essa modalidade de transação. Assim, com relação à alegada contradição, entendo que não restou configurada na decisão embargada. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios, para, na parte conhecida DARLHES PARCIAL PROVIMENTO para sanar os erros materiais e a contradição apontada, sem atribuirlhe efeitos modificativos. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 1650DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.004186/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
CRÉDITO BÁSICO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. UTILIZADOS E CONSUMIDOS DIRETAMENTE NO PROCESSO DE PRODUÇÃO. VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO.
Constituem-se produtos intermediários com direito ao crédito básico do IPI os materiais utilizados e consumidos, em prazo inferior a uma ano, em razão do contato direito com o produto em elaboração e que não se identificam como partes e peças de máquinas.
Legítimo o aproveitamento do crédito básico do IPI na aquisição e utilização de telas e feltros no processo produtivo de papel, conforme Laudo Técnico, que, objetivamente, identificou a natureza e finalidade dos materiais.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-003.314
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CRÉDITO BÁSICO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. UTILIZADOS E CONSUMIDOS DIRETAMENTE NO PROCESSO DE PRODUÇÃO. VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO. Constituemse produtos intermediários com direito ao crédito básico do IPI os materiais utilizados e consumidos, em prazo inferior a uma ano, em razão do contato direito com o produto em elaboração e que não se identificam como partes e peças de máquinas. Legítimo o aproveitamento do crédito básico do IPI na aquisição e utilização de telas e feltros no processo produtivo de papel, conforme Laudo Técnico, que, objetivamente, identificou a natureza e finalidade dos materiais. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 41 86 /2 00 9- 26 Fl. 759DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 3 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Após interposição de recurso voluntário e a conversão de seu julgamento em diligência, no acórdão nº 3202000.090, sessão de 19/03/2013, para a elaboração de laudo técnico acerca da utilização de insumos no processo produtivo, a contribuinte requereu desistência parcial de seu recurso. Desse forma, este relato, e o julgamento, abrangerá tãosomente a matéria cuja parcela resta litigiosa. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 13/19, lavrado em 30/12/2009, com ciência da contribuinte na mesma data, totalizando o crédito tributário de R$ 19.888.674,70. De acordo com a descrição dos fatos de fls. 16/19 e o relatório fiscal de lançamento de fls. 22/27, houve falta de recolhimento de IPI, no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2007, em razão das seguintes infrações constatadas: (...) 2. A contribuinte se creditou indevidamente de IPI sobre aquisições de “telas” e “feltros”, materiais que não se enquadram no conceito de insumos. Como resultado, foi reconstituída a escrita fiscal e realizado o lançamento. Inconformada com a autuação, a contribuinte protocolizou impugnação de fls. 175/200, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: (...) 6. As telas e feltros se enquadram no conceito de insumo porque se consomem diretamente no processo produtivo, onde perdem suas qualidades físicas, pelo atrito constante e ininterrupto com o produto em fabricação; além disso, não compõe o ativo fixo, ante sua vida útil reduzida; juntou Laudo Técnico. Por fim, requer o cancelamento do auto de infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 1428.301, sessão de 07/04/2010, julgou improcedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 Fl. 760DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) Para que os materiais consumidos ou utilizados no processo de produção sejam caracterizados como matériaprima ou produto intermediário, fazse necessário o consumo, o desgaste ou a alteração do material, em função de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, ou viceversa. Entendase "consumo" como decorrência de um contato físico exercido pelo material sobre o produto em fabricação ou deste sobre aquele. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 554/557), no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. O recurso foi submetido a apreciação de Turma deste CARF, já extinta, que na sessão de 19/03/2013 por entender subsistir dúvidas acerca da finalidade e utilização das "telas" e dos "feltros" no processo produtivo da empresa, decidiu converter o julgamento em diligência para a realização de perícia técnica a fim de esclarecer quesitos e manifestações das partes, como segue: 1º Identificar detalhadamente as “telas” e “feltros” objeto do litígio fiscal, informando suas características técnicas, modelo, fabricante, etc... 2º Qual a finalidade das “telas” e “feltros” no processo produtivo da Recorrente?Explicar e justificar. 3º Como as “telas” e os “feltros” são utilizados no processo produtivo da Recorrente? Explicar e justificar. 4º Os dois componentes (“telas” e “feltros”) integram o produto resultante do processo produtivo? Os dois componentes são consumidos no processo produtivo? Explicar e justificar. 5º Há contato físico dos dois componentes (“telas” e “feltros”) com o produto em fabricação? Explicar e justificar. 6º O que leva ao desgaste os dois componentes (“telas” e “feltros”) e qual o tempo para que isso ocorra durante o processo produtivo (vida útil média)? Explicar e justificar. 7º Juntar fotos e catálogos técnicos dos componentes. As partes (Fisco e Recorrente), caso entendam conveniente, podem apresentar quesitos adicionais a serem respondidos pelos peritos. Desta forma, a autoridade fiscal da DRFPIRACICABA (SP) deverá intimar a Recorrente para contratar instituição de renomada reputação para realização do Laudo Técnico. Caso entenda necessário, ao término da perícia, a fiscalização poderá manifestarse sobre o Laudo Técnico elaborado. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 5 4 O Instituto de Pesquisa Tecnológicas IPT elaborou o Relatório Técnico nº 133 857205, datado de 30/07/2013 e subscrito por diretora e por corpo técnico (químicas) que se encontra juntado a este processo às folhas 641/698. Da leitura do laudo se extrai as informações: a. A unidade industrial da Klabin fabrica 03 (três) tipos de papel utilizados na confecção de caixas (de papelão); b. As matériasprimas (MP) são todas do tipo "aparas" ou subprodutos de papel; c. O processo constitui de fases em que há espécies de tratamentos mecânicos e térmico das MP utilizandose de variadas técnicas; d. A MP (i) sofre desagregação em água para separar fibras resultando em uma polpa que possui impurezas, (ii) é depurada em processo mecânico resultando na fibra celulósica. Esta (iii) é então refinada na etapa de fibrilação, com o objetivo de dar resistência mecânica ao papel; e. A fibra é introduzida na máquina de papel onde é distribuída sobre telas para obter forma (folha), segue para a seção de prensa, que em contato com feltros ocorre a eliminação de água e, em seguida, secada e aquecida, por meio de telas secadoras. Por fim, a folha é enrolada em forma de bobina. O laudo forneceu respostas aos quesitos elaborados pelo CARF, as quais sintetizo para apontar o que importa ao deslinde do litígio: Quesito 1: Identificação das "telas" e feltros"? "... Cada um desses componentes tem função bem definida no processo de fabricação de papel (ver resposta do próximo item) ..." Quesito 2: Qual a finalidade das "telas" e feltros" no processo produtivo? "Na máquina de papel de mesa plana do tipo usado pela Klabin Piracicaba, há telas formadoras, telas secadoras e feltros. "As telas formadoras se encontram na seção de formação da máquina de papel e, mesmo em diferentes modelos, têm como finalidade: receber a suspensão de fibras celulósicas numa consistência de cerca de 1% e promover seu desaguamento formando a folha de papel no estado úmido. Os feltros se encontram na seção de prensas da máquina de papel e, mesmo em diferentes modelos, têm como finalidade: promover a remoção de grande parte da água presente na folha úmida. A telas secadoras se encontram na seção de secagem da máquina de papel e, mesmo em diferentes modelos, têm como finalidade: auxiliar o contato da folha de papel com o cilindro secador promovendo a secagem da folha." Quesito 3: Como as "telas" e feltros" são utilizadas no processo produtivo? Fl. 762DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 6 5 "... Nas telas formadoras, ocorrem drenagem da água contida na suspensão de fibras e formação da folha com dupla camada ... As telas formadoras (...) promover a formação de uma folha de boa qualidade e retenção de fibras e de outros materiais adicionados à suspensão de fibras. (...) "... No processo de prensagem a remoção de água ocorre quando a folha entre dois feltros é pressionada entre os rolos superior e inferior. No setor de prensas, os fatores principais que afetam a remoção da água da folha formada são: as características dos feltros (...) (...) As propriedades técnicas dos feltros que têm influência na formação do papel são gramatura. espessura; rigidez; resistência à tração; compressibilidade; permeabilidade: resistência ao fluxo; e rigidez. (...) A folha é mantida em contato íntimo com a superfície dos cilindros por meio de telas secadoras. A máquina de papel (...) possui quarenta e três cilindros secadores, reunidos em quatro grupos (...) sendo que cada grupo possuí uma tela secadora própria. As telas secadoras melhoram o contato entre a folha de papel e a superfície do secador (...). Entre as propriedades técnicas principais das telas secadoras, estão: permeabilidade; lisura condizente com o tipo de papel produzido: resistência para suportar as tensões aplicadas; superfície e espessura tais que favoreçam a transmissão de calor; estabilidade dimensional adequada composição e estrutura capaz de resistir às condições de calor, umidade e químicas de trabalho, por um período economicamente viável de uso." Quesito 4: As "telas" e feltros" integram o produto resultante? Entendendo "integrar" como "fazer parte", então, "telas" e " feltros" não integram o produto resultante do processo produtivo, ou seja, não estão incorporados ao papel fabricado pela Klabin Piracicaba Entendendo "consumir" como "usar até o desgaste total" então os componentes "telas" e " feltros" não são consumidos no processo de fabricação de papel da Klabin Piracicaba "Telas" e "feltros" são trocados de tempos em tempos porque perdem suas características funcionais, principalmente devido a deformações na trama, surgimento de obstruções, rasgos e furos e modificações de sua superfície, principalmente na direção transversal da máquina de papel" Quesito 5: Há contato físico das "telas" e feltros" com o produto em fabricação? Fl. 763DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 7 6 "Há contato físico direto das "telas" e "feltros" com o produto em fabricação." Quesito 6: O que leva ao desgaste de "telas" e feltros" e qual o tempo para que isso ocorra durante o processo produtivo (vida útil média)? "Com o tempo, as telas formadora e secadora e os feltros perdem suas características funcionais, o que leva à perda de produção e afeta a qualidade do papel fabricado. Exemplos de problemas que determinam o fim da vida útil desses componentes são deformação da trama, aparecimento de furos e/ou rasgos, entupimento devido a obstruções e modificação da superfície, principalmente direção transversal da máquina de papel. A título de ilustração (...) No Quadro 3, é mostrado o número de trocas de "telas" e feltros" efetuado pela Klabin Piracicaba nos últimos anos. O Relatório do IPT também atendeu aos questionamento adicionais elaborados pela unidade de origem responsável pelo cumprimento da diligência, formulados no Termo de Intimação (fls. 631/633): b1. Detalhar a etapa do processo de produção especificando os produtos obtidos, antes e depois de passar pelos dois componentes ("telas" e "feltros") Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 8 7 b2. Se os dois componentes ("telas" e '"feltros") são partes, peças e acessórios de máquinas, especificando o tipo de máquina e sua operação. "A máquina de papel é um equipamento que, juntamente com as telas formadoras, os feltros e as telas secadoras compõe um conjunto que possibilita a fabricação do papel. A falta de qualquer elemento desse conjunto inviabiliza a fabricação do papel. Há empresas especializadas na fabricação de máquina de papel e há empresas especializadas na fabricação de "telas" e "feltros, sendo elas normalmente independentes. Se for entendido "máquina de papel" como um equipamento, então, "telas" e "feltros não são parte da máquina (entendendo como parte um elemento ou porção da máquina), não são peça da máquina (entendendo como peça um pedaço de um todo indiviso da máquina) e não acessórios da máquina (entendendo como acessório algo que se acrescenta a uma coisa, mas não é fundamental). Se for entendido "máquina de papel" como um conjunto de elementos que permite a feitura de papel, então podese dizer que "telas" e "feltros" são parte da máquina de papel, pois fazem parte do conjunto de elementos que se integram no processo de fabricação do papel." A DRF em Piracicaba/SP pronunciouse acerca do Laudo do IPT por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 699/700) manifestandose, conforme excerto transcrito: (...) Analisando o Relatório apresentado, verificamos que foram atendidas as solicitações. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 9 8 Porém, a fiscalização mantém o seu entendimento que os materiais Telas e Feltros não se enquadram no conceito de Produtos Intermediários, conforme previsto no RIPI/2002, Art. 164, Inc I e no RIPI/2010, Art226. Inc I. Transcrevemos a seguir, parte, do Parecer Normativo CST n° 260, de 1971, que embora trate da questão de materiais refratários, espelha o pensamento sobre o caso: (...) A manifestação da recorrente encontrase às folhas 701/716, com excertos transcritos: (...) Das etapas do processo produtivo, simplificadas e relacionadas nos itens acima, cumpre destacar a 4a etapa, por ser o momento de utilização da máquina, denominada de "máquina de papel de mesa plana". Isso porque é justamente nessa 4a etapa, no âmbito da utilização da referida máquina, em que as "telas" e "feltros" são utilizados para a produção do papel. Conforme consta no item "d", essa 4a etapa é formada pelas seguintes fases: (i) formação, (ii) prensagem, e (iii) secagem. De acordo com o laudo analisado, a Requerente utiliza a "tela" do tipo "formadora" na fase (i), que possui a função de "formar a folha de papel no estado úmido"; o "feltro" na fase (ii), que possui a função de remover "grande parte da água presente na folha úmida"; e a "tela" do tipo "secadora" na fase (iii), que possui a função de "auxiliar o contato da folha de papel com o cilindro secador promovendo a secagem da folha". Ademais, o Laudo em questão atesta que as "telas" e "feltros" são substituídas ao longo do tempo em razão do desgaste sofrido Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 10 9 durante o processo produtivo e que a vida útil desses elementos não atinge 1 ano, prazo necessário para ativação. Cumpre ressaltar ainda que o Laudo apresenta a relação de respostas aos quesitos formulados e que revelamse suficientes para elucidas as dúvidas surgidas no âmbito do julgamento do PAF n° 13888.004186/200926. Por fim, o Laudo conclui que as "telas" e os "feltros" são "componentes que têm características funcionais no processo de fabricação de papel, portanto, são imprescindíveis. Eles devem ser trocados quando perdem essas características". Cabe, nesse momento, ressaltar que as "telas" e "feltros" são caracterizados como insumos do tipo produtos intermediários. Isso porque são utilizados no curso do processo produtivo e não compõem o material industrializado, como é o caso da matéria prima. Uma vez constatado que "telas" e "feltros" são produtos intermediários no contexto de produção de papel fabricado pela Requerente, passase a analisar, à luz estritamente do disposto no retro aludido Parecer Normativo CST n° 65/79, se esses insumos são passíveis de creditamento pelo IPI. A seguir argumenta a recorrente com base das respostas do laudo que todos os requisitos prescritos no Parecer Normativo CST nº 65/79 encontramse satisfeitos para que "telas" e "feltros" sejam considerados produtos intermediários consumidos no processo produtivo de obtenção de papel para fazer jus ao crédito básico do IPI nas aquisições, no tocante a: (i) não são itens do ativo imobilizado; (ii) estabelecem contato direto com o material produzido no processo; (iii) consomemse no processo produtivo; e (iv) não se caracterizam como parte ou peças de máquinas. Por fim, colacionada excertos de julgados do conselho de Contribuintes e do CARF com decisões favoráveis à concessão de crédito de IPI no tocante a insumos que se consomem ou se desgastam no processo produtivo. Manifestouse também a Fazenda Nacional por intermédio de sua Procuradoria que ao analisar as respostas do Laudo do IPT aos quesitos elaborados pelo CARF teceu suas considerações quanto às conclusões que se revelam desfavoráveis às pretensões da contribuinte: 1. Entende que a resposta ao quesito "4" foi taxativa no sentido de que " nem as telas nem os feltros se integram ao produto final e, tampouco, são consumidos no processo produtivo"; 2. O Laudo deixou de esclarecer qual é a causa do desgaste das telas e dos feltros, pois focaram apenas nas consequências do uso prolongado desses materiais; 3. O primeiro Laudo, trazido pelo contribuinte, informa ocorrer o contato físico com outros elementos do processo produtivo, mas não com os produtos em elaboração; Fl. 767DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 11 10 4. Depreende das informações acerca da forma de fabricação do papel, bem como da função desempenhada pelas telas e feltros que, efetivamente, constituemse partes e peças de máquinas; 5. Concluiu que as telas e feltros utilizados no processo produtivo da empresa autuada não podem ser considerados como insumos, estando correta a glosa efetuada pela fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade razão pela qual dele tomo conhecimento. A única matéria a ser decidida é o direito à apropriação do crédito do IPI das aquisições de "telas" e "feltros" utilizados no processo produtivo de obtenção de papel pela recorrente. Para a finalidade específica de delimitar as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem cujas aquisições são passíveis de integrar a base de cálculo do crédito básico do IPI, impõese a observância de sua legislação, o art. 164, inciso I, do Decreto nº 4.544/02 RIPI/02, cuja matriz legal é o art. 25 da Lei n° 4.502/1964, reproduzido: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; O direito ao crédito é conferido apenas às aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, explicitandose que matériaprima e produto intermediário são bens que se integram ao produto final e, também, bens que, embora não integrem esse produto, são consumidos no processo de industrialização, desde que não pertençam ao ativo permanente. Verificase, portanto, que o dispositivo legal, em sua primeira parte, alcança apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem e não quaisquer insumos. No caso em questão, os bens objeto do litígio não são matériaprima ou produto intermediário que integram o produto final, tampouco se trata de material de embalagem. Necessário então verificar se, na condição de matériaprima ou produto Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 12 11 intermediário, tais bens atendem a segunda parte do dispositivo (inciso I), quais sejam, preenchem três condições cumulativas, no processo de industrialização: a) sofrer desgaste ou dano; b) decorrer esse desgaste ou dano do contato direto com o produto em fabricação, que, no caso, é o papel (ainda que em forma primária submetida às transformações); e c) não seja parte ou peça de máquina integrante do ativo permanente. No laudo realizado pelo IPT, as telas e os feltros foram plenamente identificados quanto à natureza e descrição de suas finalidades no processo produtivo de elaboração do papel. Apontouse, objetivamente, a forma em que esses materiais entram em contato físico com o produto em elaboração, neles se desgastam e o tempo de duração (vida útil) até que se tornam emprestáveis ao processo. Conquanto em algumas passagens do relatório possa aparentar certa dubiedade nas assertivas ou respostas aos quesitos, em razão da utilização de termos técnicos sem o rigor da precisão semântica de sentido, normalmente atribuído pelo direito ou da própria legislação, entendo que em todo o contexto o Laudo mantevese claro, preciso, coerente e objetivo ao caracterizar individualmente os materiais e sua utilidade no processo produtivo da recorrente. Tenho por convencido que as respostas ao quesitos e demais informações inseridas no Relatório Técnico elaborado pelo IPT dão razão aos argumentos da recorrente de que lhe assiste o direito ao crédito de IPI nas aquisições de telas e feltros utilizados no processo produtivo de obtenção do papel. Em apertada síntese do processo produtivo e utilização de telas e feltros, compreendo que esses materiais participam desde o início da produção, pois a matériaprima, após as etapas de desagregação, depuração e fibrilação é introduzida na máquina de papel onde é disposta sobre telas para se obter a forma de folha de papel, e a seguir segue para a seção de prensa, que em contato com feltros ocorre a eliminação de água e o aquecimento por meio de telas secadoras. Verificase que, com efeito, as telas e feltros sofrem desgaste no processo de industrialização do papel e trabalham em contato direto com o produto em fabricação, podendo dizer, portanto, que esse desgaste decorre do contato direto com o papel em fabricação. Cumpre também ao requisito de não se tratar de peça ou parte de máquinas, vez que telas e feltros são independentes das máquinas, seja na fabricação ou na aquisição. O quadro (fl. 659) que informa o número de trocas das telas e feltros em mais de 3 (anos) é objetivo ao indicar que a duração dos materiais é seguramente inferior ao prazo de um ano. Conclusão Diante de todo o exposto, concernente à descrição do processo produtivo da recorrente, a utilização, o contato físico direito com o produto em elaboração, e o desgaste que Fl. 769DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 13 12 se dá em prazo inferior a um ano, das telas e feltros, materiais esses que não se caracterizam como parte e peças de máquinas, podem ser apropriados como produtos intermediários com direito ao crédito básico do IPI na produção de papel. Portanto, voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Fl. 770DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900822/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2002
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Numero da decisão: 3301-004.237
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Jose Henrique Mauri - Presidente.
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, e Ari Vendramini.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Jose Henrique Mauri - Presidente. Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, e Ari Vendramini.
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COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Jose Henrique Mauri Presidente. Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, e Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 08 22 /2 01 1- 41 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13227.900822/201141 Acórdão n.º 3301004.237 S3C3T1 Fl. 73 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância (fl. 27 e seguintes): DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 941372690 emitido eletronicamente em 05/07/2011, referente ao PER/DCOMP nº 17051.10249.201107.1.3.048009. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de Cofins, Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$4.705,80, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 13/09/2002. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 28/07/2011, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 26/08/2011, alegando que, em revisão realizada nos cálculos, a empresa identificou que havia recolhimentos a maior de PIS e Cofins decorrentes de inclusão de receitas isentas na base de cálculo, fato que lhe possibilitaria a restituição e compensação com outros débitos. Constatando que o crédito havia sido indeferido, o contribuinte identificou que isto ocorreu pelo fato de não terem sido retificadas as DCTF, embora o crédito seja totalmente devido. Acrescenta que a resolução das divergências encontradas no cruzamento de informações no sistema da Receita Federal do Brasil que gerou o indeferimento do crédito poderia ser resolvido com uma simples retificação de DCTF. Porém, em função de terem transcorridos mais de cinco anos desde o fato gerador do crédito, o contribuinte fica impossibilitado de retificar as informações. Por isso, requer a correção da informação prestada em DCTF, a fim de sanar os motivos que ensejaram o indeferimento, se colocando à disposição para comprovar a existência do crédito da forma que a autoridade fiscal entender necessário. Ao final requer que seja dado provimento à presente manifestação de inconformidade para que: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13227.900822/201141 Acórdão n.º 3301004.237 S3C3T1 Fl. 74 3 a) sejam corrigidos os valores dos tributos devidos em função da impossibilidade do contribuinte retificar as DCTF da época; b) caso entenda a autoridade fiscal necessária a comprovação das bases de cálculo, informe a forma e os documentos que deseja que sejam apresentados; c) sejam declarados homologados os pedidos de restituição; d) sejam declaradas homologadas as compensações. A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0251.123 2ª Turma da DRJ/BHEfoi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 60 e seguintes), em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, nos seguintes termos: Além de requerer o provimento do seu pleito, requer alternativamente a realização de diligências a fim de que a Recorrente seja intimada a apresentar os documentos comprobatórios do crédito. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13227.900822/201141 Acórdão n.º 3301004.237 S3C3T1 Fl. 75 4 Voto O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto à decadência, adotase o entendimento da decisão recorrida de "quanto ao pedido de retificação de informações da DCTF em razão da impossibilidade de o contribuinte retificála transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, ainda que fosse possível transmitir a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior." Ademais, conforme se consignou na decisão de piso, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, vigente na época). Atualmente o art. 9º, § 5o, da Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015 é cristalino: § 5º O direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. Portanto, adotase a conclusão constante da decisão recorrida de que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). Dessa forma, é dever da Recorrente comprovar seu crédito e ele teve amplas oportunidades. Assim, tal oportunidade encontrase precluída em razão de não terem sido apresentadas provas do crédito quer na manifestação de inconformidade, quer no Recurso Voluntário. Dessarte, denegase por incabível, o pedido de diligências da Recorrente. Anotese que o fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração, devidamente conciliado com os livros contábeis. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário. Conselheira Liziane Angelotti Meira Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13227.900822/201141 Acórdão n.º 3301004.237 S3C3T1 Fl. 76 5 Fl. 76DF CARF MF
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