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Numero do processo: 10850.908399/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório. O presente processo administrativo fiscal trata de Recurso Voluntário de fls. 100, apresentado em face da decisão proferida pela DRJ/SP de fls. 50, que julgou a Manifestação de Inconformidade de fls. 7 improcedente e não reconheceu o direito creditório do contribuinte, nos moldes do Despacho Decisório de fls. 5. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 08 39 9/ 20 11 -8 2 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Resolução nº 3201001.129 S3C2T1 Fl. 250 2 Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fls. 038/039, em face do Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação do documento Pedido de Restituição nº 42463.61681.221205.1.2.040904 (fls. 002/004), protocolado em 22/12/2005, e dos demais documentos associados, por meio dos quais a contribuinte pretende ter restituído crédito no valor total de R$ 259,25. Conforme informado pela contribuinte no pedido de restituição, o valor a ser restituído é correspondente ao DARF anexado aos autos (fl. 004) com as seguintes características: A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 02/12/2011, emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 005), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base no seguinte fundamento: o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.. Cientificada do Despacho Decisório, em 23/12/2011 (fl. 006), a contribuinte ingressou, em 20/01/2012, com a manifestação de inconformidade de fls. 007/015 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Solicita a reunião dos processos administrativos nº 10850.908391/201116, nº 10850.908392/201161, nº 10850.908393/201113, nº 10850.908394/201150, nº 10850.908395/201102, nº 10850.908396/201149,nº 10850.908397/201193, nº 10850.908398/201138, nº 10850.908399/201182, nº 10850.908400/201179 e nº 10850.908401/201113, sob o argumento de que têm o mesmo objeto, qual seja a restituição de crédito decorrente de recolhimento indevido de contribuição social fundado na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n° 9.718/1998. Invoca para tanto os princípios da economia processual e os dele decorrentes. Cita doutrina que respalda a reunião de processos com mesmo fundamento fático e define a conexão entre ações e aponta que os processos teriam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo objeto. Traz decisão administrativa. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Resolução nº 3201001.129 S3C2T1 Fl. 251 3 2. Alega ter havido falta de aprofundamento na investigação dos fatos, pois não foi intimada a prestar quaisquer esclarecimentos a respeito da higidez de seu crédito, contrariando o disposto no art. 65, da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, e o art. 142, do Código Tributário Nacional, o que teria permitido à requerente demonstrar seu direito ao crédito. 3. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Reforça apontando que a Lei nº 11.941, de 27/05/2009, teria revogado o art. 3º, §1º, da Lei n° 9.718/1998, o que demonstraria que o legislador teria reconhecido a inconstitucionalidade já pacificada na jurisprudência. Quanto à posição da 2ª instância administrativa, traz exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em especial o entendimento daquele órgão de que a posição do STF nos recursos extraordinários proferida em sessão plenária deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Reforça sua posição invocando o art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto n° 70.235/1972, e os artigos 61A e 62, §1º, inciso I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, disposição que já constava no regimento do órgão equivalente anterior. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, seria indevido o valor de R$ 259,25, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas que não integram o faturamento, conforme comprovado por documentos hábeis a comprovar a existência e higidez do crédito pleiteado, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. É o relatório." Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Resolução nº 3201001.129 S3C2T1 Fl. 252 4 A 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto proferiu seu Acórdão com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 PAF. REUNIÃO DE PROCESSOS. NECESSIDADE DE PREVISÃO NORMATIVA. A reunião de processos administrativos no âmbito da RFB deve seguir os critérios previstos nas normas específicas, que prevêem a consolidação de matérias em um único processo e o apensamento de processos, conforme a hipótese, inexistindo previsão de julgamento conjunto. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PROFUNDIDADE DA APRECIAÇÃO LIMITADA AO TEOR DO PEDIDO. Cabe à autoridade competente a apreciação da restituição e da compensação no limite do teor do pedido apresentado, não podendo ser caracterizado como falta de aprofundamento da análise a não apreciação de fundamento não registrado no corpo do pedido e trazido somente na contestação. CONSTITUCIONALIDADE. VINCULAÇÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. PREVISÃO EXPRESSA EM ATO NORMATIVO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA E SUFICIENTE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre constitucionalidade e o afastamento de normas sob fundamento dessa natureza depende da correspondente declaração de inconstitucionalidade ser reconhecida por ato de vinculação obrigatória expressamente previsto no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.". Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Resolução nº 3201001.129 S3C2T1 Fl. 253 5 Os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto. Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta Resolução. Para evitar supressão de instância, é preciso reconhecer que os autos não estão em condições de julgamento. Conforme se depreende dos autos, o despacho decisório verificou a escrita do contribuinte e concluiu pela não existência do crédito, a DRJ/SP, por sua vez, entendeu que o contribuinte não descreveu em seu pedido de restituição e compensação a origem do crédito, ou seja, em nenhum momento tratou da inconstitucionalidade do §1.º, Art. 3.º, da Lei 9718/98 e manteve o não reconhecimento do crédito. Segundo o contribuinte, em suas peças de defesa, este recolheu de forma indevida o Cofins, nos moldes que foram declarados inconstitucionais pelo STF. Isto seria suficiente para que a fiscalização reconhecesse o crédito. Contudo, não há nos autos qualquer análise da fiscalização com relação ao recolhimento do Cofins sob a base de cálculo declarada inconstitucional, razão pela qual a lide encontrase incompleta. O princípio da verdade material e a regra constitucional da legalidade impedem que este Conselho defira ou indefira recurso administrativo fiscal sem o amparo da materialidade, de modo que, se a alegação do contribuinte for materialmente verdadeira, este Conselho não pode permitir o não reconhecimento do crédito originado de tributo recolhido sob moldes inconstitucionais. É importante considerar neste voto a inconstitucionalidade do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, conforme julgamentos dos Recursos Extraordinários STF 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), que tratam da inconstitucionalidade da alargada base de cálculo da COFINS, com parâmetro na receita bruta (receitas operacionais e não operacionais) e não no faturamento. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Resolução nº 3201001.129 S3C2T1 Fl. 254 6 Transcrevese trecho conclusivo do voto vencedor do Ministro Marco Aurélio no RE STF 346.084, que trata da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo asism como do conceito de faturamento, conforme segue: "Como, então, dizerse, a esta altura, que houve simples explicitação do que já previsto na Carta? É admitirse a vinda à balha de emenda constitucional sem conteúdo normativo. É admitirse que o legislador ordinário possa, até mesmo, modificar enfoque pacificado mediante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal , no que haja atuado, à luz das balizas constitucionais, como guardião da Lei Fundamental. Descabe, também, partir para o que seria a repristinação, a constitucionalização de diploma que, ao nascer, mostrouse em conflito com a Constituição Federal. Admitase a inconstitucionalidade progressiva. No entanto, a constitucionalidade posterior contraria a ordem natural das coisas. A hierarquia das fontes legais, a rigidez da Carta, a revelála documento supremo, conduz à necessidade de as leis hierarquicamente inferiores observaremna, sob pena de transmudála, com nefasta inversão de valores. Ou bem a lei surge no cenário jurídico em harmonia com a Constituição Federal, ou com ela conflita, e aí afigurase írrita, não sendo possível o aproveitamento, considerado texto constitucional posterior e que, portanto, à época não existia. Está consagra do que o vício da constitucionalidade há de ser assinalado em face dos parâmetros maiores, dos parâmetros da Lei Fundamental existentes no momento em que aperfeiçoado o ato normativo. A constitucionalidade de certo diploma legal deve se fazer presente de acordo com a ordem jurídica em vigor, da jurisprudência, não cabendo reverter a ordem natural das coisas. Daí a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Nessa parte, provejo o recurso extraordinário e com isso acolho o segundo pedido formulado na inicial, ou seja, para assentar como receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. Deixo de acolher o pleito de compensação de valores, porque não compôs o pedido inicial." Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade da base de cálculo do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo da COFINS, o conceito de receita bruta não tem mais valia. Foi superado e, conforme Art. 62 do Regimento interno deste Conselho, o reconhecimento (e não decretação) de sua inconstitucionalidade é obrigatório neste Conselho. Diante do exposto, votase para que o julgamento seja convertido em diligência para que: os autos sejam remetidos à unidade de origem para nova análise e apresentação de relatório que considere a escrita do contribuinte, o modo de recolhimento e a base de cálculo em confronto com a inconstitucionalidade mencionada. após, o contribuinte deve ser informado do conteúdo do relatório e intimado para apresentação de nova manifestação; A procuradoria deve ser cientificada do resultado da diligência. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Resolução nº 3201001.129 S3C2T1 Fl. 255 7 Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. (assinado digitalmente) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726269/2009-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Numero da decisão: 9202-006.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior Redator designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Redator designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 62 69 /2 00 9- 36 Fl. 281DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior – Redator designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2201002.762, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2005, 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 135.363,15, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Contribuinte apresentou impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fls. 76/81, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 84/120. O Recurso Voluntário foi julgado em 14/08/2012, porém o Conselheiro Relator renunciou ao mandato sem formalizar o respectivo acórdão, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2009 (Despacho de efl. 134). Às fls. 135/141, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para excluir a aplicação da multa de ofício. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10580.726269/200936 Acórdão n.º 9202006.390 CSRFT2 Fl. 282 3 Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial e, por essa razão, estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 144/152, alegando divergência jurisprudencial em relação à seguinte matéria: Natureza da verba recebida, se tributável ou não. Às fls. 154/156, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, NEGANDO SEGUIMENTO, tendo em vista que a decisão do acórdão recorrido lhe foi favorável, não vislumbrando qualquer utilidade no presente recurso. Tanto é assim que a ementa do paradigma, longe de demonstrar divergência jurisprudencial, encontrase em total sintonia com a do acórdão recorrido. O recurso também foi submetido à Presidência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 276 e ss., que manteve o despacho exarado pelo Presidente da Câmara. Fl. 283DF CARF MF 4 O despacho foi mantido em sede de Reexame de Admissibilidade, à fl. 157. Na sequencia, a União manifestouse no sentido de não haver interesse em recorrer do acórdão, à fl. 159. Intimado à fl. 165, o Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 167/201, alegando divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: 1. Violação à Súmula 02 do CARF e ao art. 62 do Regimento Interno – Afastamento de Legislação Tributária fundada em incompatibilidade com artigo da Constituição Federal. Alegou o Contribuinte em nenhum momento ter suscitado a inconstitucionalidade de lei. Arguiu que a irresignação consistiu, efetivamente, em não ser observada pela Fiscalização autuante a existência de Lei válida, que se encontra dotada de eficácia plena, pois até hoje não foi formalmente declarada qualquer inconstitucionalidade sobre a mesma. Apresentou acórdão paradigma em contrariedade ao acórdão recorrido e observou que em ambos os casos os Recorrentes não suscitaram ou requereram a declaração de inconstitucionalidade por parte do Conselho de Contribuintes. Entretanto, o acórdão recorrido afastou aplicação de Lei válida e eficaz por incompatibilidade com artigo da Carta Magna, ao passo que o acórdão paradigma deixou de apreciar a incompatibilidade suscitada em virtude de sua incompatibilidade. 2. Ilegitimidade da União Federal para figurar no pólo ativo da relação jurídicotributária. Arguiu que a titularidade do imposto de renda de cobrança não é da Recorrida e sim do Estado da Bahia e, daí, a falta de legitimidade da União para figurar no polo ativo dessa relação jurídicotributária. 3. Imprestabilidade da Base de Cálculo na forma em que se encontra – Lançamento que desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção. Após longa argumentação, o Recorrente observou que, para efeito de admissibilidade e para comprovar que este ilustre Conselho vem anulando autuações que tenha “erro de construção do lançamento”, trouxe o paradigma, no qual buscou demonstrar que, no caso em exame, o lançamento foi revisado após ter sido constituído e notificado o Contribuinte, ao passo que no paradigma a conclusão foi no sentido de nulidade justamente pela existência de erro na construção do lançamento. 4. URV – Parcelas de Natureza Indenizatória. Divergindo do acórdão recorrido, os paradigmas, em caso idêntico, concluíram pelo caráter indenizatório da parcela percebida a título de URV. 5. Não Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios. O Recorrente apresentou acórdão paradigma reconhecendo a não incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora, em contrariedade ao decido no acórdão recorrido. 6. Não Incidência de Juros de Mora sobre o IR Cobrado. Arguiu que, caso seja decidido pela incidência do Imposto de Renda sobre Juros Moratórios, não deve incidir sobre aquele os juros de mora (tal qual foi excluída a multa de ofício), nos termos do art. 722 e conforme decisão juntada do Superior Tribunal de Justiça. Às fls. 248/256, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso em relação à quarta e à quinta divergências arguidas: “URV – Parcelas de Natureza Indenizatória” e “Não Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios”. O recurso também foi submetido à Presidência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 257/258., que manteve o despacho exarado pelo Presidente da Câmara. Do despacho, o Contribuinte foi intimado à fl. 263. Às fls. 265 e ss., a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, sem preliminar, rebateu todas as matérias admitidas e requereu, em síntese, a negativa do Recurso. Vieram os autos conclusos para julgamento. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10580.726269/200936 Acórdão n.º 9202006.390 CSRFT2 Fl. 283 5 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2005, 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 135.363,15, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação as seguintes matérias: “URV – Parcelas de Natureza Indenizatória” e “Não Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios”. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias (como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua Fl. 285DF CARF MF 6 tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastáIa no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada,: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10580.726269/200936 Acórdão n.º 9202006.390 CSRFT2 Fl. 284 7 Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Fl. 287DF CARF MF 8 Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10580.726269/200936 Acórdão n.º 9202006.390 CSRFT2 Fl. 285 9 administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Fl. 289DF CARF MF 10 Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. A questão merece debate, pois está longe de ter entendimento unânime no Tribunal Administrativo. A Fazenda Nacional sustenta a regularidade do auto de infração, pois defende que a interpretação correta do Repetitivo de Controvérsia RE 1227.133/RS, é a de que imposto de renda não incide sobre os juros de mora em apenas duas hipóteses. A primeira é condenação judicial no contexto de perda de emprego ou rescisão contratual. A segunda hipótese ocorre quando a verba principal for isenta ou estiver fora do campo de incidência do imposto de renda. Sustenta assim que no caso em análise, a verba principal tem nítido caráter salarial, uma vez que corresponde a diferenças de remuneração ocorridas na conversão de Cruzeiro Real para URV. Se os valores recebidos têm natureza salarial, os juros moratórios, necessariamente, terão a mesma natureza, conforme dispõe o art. 92 do novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 10/02/2002). Por sua vez a Contribuinte defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Sendo assim, insurgese contra o auto de infração, pois partindo do pressuposto de que a verba é isenta, estaria esta fora do campo de incidência do imposto de renda. O acórdão recorrido seguiu neste sentido: "Os juros moratórios em questão não são destinados à recomposição de um dano emergente, mas sim à compensação por algo que se deixou de ganhar, em razão do atraso do pagamento da parcela principal. Têm, pois, natureza de indenização por lucros cessantes, ou seja, indenização com caráter de compensação. É, portanto, evidente o acréscimo patrimonial deles decorrente, já que não se destinam a reparar nenhum dano emergente, mas sim lucros cessantes. Dessa forma, constatado que os valores decorrentes da incidência dos juros moratórios se subsumem à hipótese descrita no artigo 43 do CTN (acréscimo patrimonial), não pode haver dúvidas a respeito da incidência do IR.” Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10580.726269/200936 Acórdão n.º 9202006.390 CSRFT2 Fl. 286 11 Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Sendo assim, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos pressupostos pela Constituição Federal, exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Cito aqui posicionamento adotado pelo Conselheiro Gerson Guerra, em relação à incidência do IRPF sobre juros moratórios "é importante destacar, que o acessório Fl. 291DF CARF MF 12 segue o principal. Nesse contexto, aplicase o que decidido pelo STJ (NUMÉRO DO RESP), fundamentado no artigo 543C, do antigo Código de Processo Civil", no seguinte sentido: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Ressalto aqui que não desconheço a existência de Repercussão Geral sobre o tema, conforme esposado pela conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri: Destaco que o Supremo Tribunal Federal ainda não firmou sua posição em relação ao assunto, haja vista estar pendente de julgamento o Recurso Extraordinário nº 855.091, recebido sob o rito da Repercussão Geral sob o Tema 808 Incidência de imposto de renda sobre juros de mora recebidos por pessoa física, processo por meio do qual questionase a constitucionalidade dos dispositivos acima descrito. Em que pese concordar com os argumentos acima, entendo que a norma regimental prevista no art. 62 do RICARF me impede de deixar de aplicar o que determina o art. 6 da Lei 4.506/1964: “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) Tal dispositivo está reproduzido no art. 43, § 3º do Decreto 3.000/99 (RIR): “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10580.726269/200936 Acórdão n.º 9202006.390 CSRFT2 Fl. 287 13 quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” Contudo a meu ver acredito que o encaminhamento a essa questão deva ser dado de modo diverso. Considerando a existência de Repetitivo de controvérsia atinente a questão, e que, este não foi sobrestado ao tema 808 admitido em sede de repercussão geral, por se tratar de julgado anterior a admissão deste é caso de se aplicar o repetitivo até posterior julgamento da repercussão geral. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso interposto pelo Contribuinte para no mérito afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória e também quanto a incidência de IRPF sobre juros moratórios darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso divergir quanto ao mérito do pleito do Recurso Especial da Contribuinte, tanto no que diz respeito à natureza da verba recebida quanto à incidência sobre os juros moratórios aplicáveis ao montante devido. a) Quanto à natureza alegadamente indenizatória dos valores recebidos a.1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Fl. 293DF CARF MF 14 Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da Lei Cdo Estado da Bahia n° 8.730, de 2003: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n os. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei Estadual na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Estadual, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verifica se sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Tribunal de Justiça da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10580.726269/200936 Acórdão n.º 9202006.390 CSRFT2 Fl. 288 15 parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração à efl. 07. a.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Fl. 295DF CARF MF 16 Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10580.726269/200936 Acórdão n.º 9202006.390 CSRFT2 Fl. 289 17 b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 07, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais de efl. 07 que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Assim, nego provimento ao Recurso Especial da Contribuinte quanto à matéria. b) Quanto à incidência do IRPF sobre os juros de mora Para fins de solução do litígio quanto à esta matéria, de se perquirir a extensão dos efeitos da aplicação, ao presente feito, do decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do REsp 1.227.133/RS, quanto à incidência de juros de mora sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Tratase, notese, também de decisum de aplicação obrigatória neste Conselho, consoante art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF em vigor quando da prolação da decisão recorrida, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 e, ainda, conforme o art. 62, §1o. do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. A propósito, creio que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 estabelece: REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, Fl. 297DF CARF MF 18 individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez que entendo que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: 1) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e 2) se se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima não incidirá o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10580.726269/200936 Acórdão n.º 9202006.390 CSRFT2 Fl. 290 19 obedeça o julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. Aplicandose o acima disposto ao caso em questão: b.1) Conforme já anteriormente delineado pelo Recorrido, que não se está a tratar, aqui, de verba indenizatória, tendose concluído, pela natureza remuneratória da verba principal de diferenças quando da conversão de Cruzeiro Real para URV sob análise, caracterizada, assim, a incidência do IRPF sobre tais verbas (matéria já objeto de trânsito em julgado administrativo); b.2) Verifico, também, que não se está a tratar de verbas recebidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; Concluo, assim, pela incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora em questão, quando da aplicação do decisum vinculante constante do REsp 1.227.133/RS a partir de sua interpretação detalhadamente estabelecida no âmbito do REsp 1.089.720/RS e, desta forma, nego provimento ao Recurso Especial da Contribuinte também quanto a esta matéria. d) Conclusão Destarte, diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 299DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.732154/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011, 2012
PROCESSO JUDICIAL NÃO CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA.
Não ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, haverá decisão administrativa quanto à matéria.
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. ATUALIZAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS SEM EMISSÃO DE NOVAS AÇÕES. POSSIBILIDADE.
A capitalização dos lucros, com ou sem a emissão de novas ações, implica, para o acionista, o benefício de aumento do custo fiscal de aquisição do investimento, nos termos previstos na legislação de regência.
VALOR DA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. EXCLUSÃO.
Com a análise do contrato de compra e venda anexo aos autos, resta claro o valor da alienação recebido por cada acionista, de modo que, embora seja inconteste o pagamento de honorários para a realização do contrato referido, tal valor adjacente não integra o valor do bem alienado.
Deve ser considerado para o cálculo do ganho de capital o valor efetivamente relativo a alienação das ações.
Numero da decisão: 2201-004.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011, 2012 PROCESSO JUDICIAL NÃO CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. Não ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, haverá decisão administrativa quanto à matéria. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. ATUALIZAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS SEM EMISSÃO DE NOVAS AÇÕES. POSSIBILIDADE. A capitalização dos lucros, com ou sem a emissão de novas ações, implica, para o acionista, o benefício de aumento do custo fiscal de aquisição do investimento, nos termos previstos na legislação de regência. VALOR DA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. EXCLUSÃO. Com a análise do contrato de compra e venda anexo aos autos, resta claro o valor da alienação recebido por cada acionista, de modo que, embora seja inconteste o pagamento de honorários para a realização do contrato referido, tal valor adjacente não integra o valor do bem alienado. Deve ser considerado para o cálculo do ganho de capital o valor efetivamente relativo a alienação das ações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 05/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. Não ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, haverá decisão administrativa quanto à matéria. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. ATUALIZAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS SEM EMISSÃO DE NOVAS AÇÕES. POSSIBILIDADE. A capitalização dos lucros, com ou sem a emissão de novas ações, implica, para o acionista, o benefício de aumento do custo fiscal de aquisição do investimento, nos termos previstos na legislação de regência. VALOR DA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. EXCLUSÃO. Com a análise do contrato de compra e venda anexo aos autos, resta claro o valor da alienação recebido por cada acionista, de modo que, embora seja inconteste o pagamento de honorários para a realização do contrato referido, tal valor adjacente não integra o valor do bem alienado. Deve ser considerado para o cálculo do ganho de capital o valor efetivamente relativo a alienação das ações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 21 54 /2 01 3- 17 Fl. 526DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 05/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 460/473) por sua clareza e precisão: “Tratase de Auto de Infração de fls. 300 a 305 lavrado em nome do contribuinte acima identificado, relativo ao imposto de renda pessoa física, Ganho de Capital, período de apuração 02/2011, 04/2011, 07/2011, 01/2012, 07/2012, formalizando crédito tributário no montante de R$ 71.495,02, com acréscimo de juros e multa até 01/2014. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, o presente referese à omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsas de valores, conforme relatório fiscal em anexo. O Termo de Verificação Fiscal, fls 288/299, informa que o contribuinte mediante o Mandado de Segurança Preventivo objeto do processo nº 2011.51.01.0049315, pleiteou a concessão de segurança para que não fosse compelido a pagar imposto de renda sobre ganho de capital decorrente da alienação das ações ordinárias (incluindo as respectivas bonificações) da Clínica Médico Cirúrgica Botafogo S/A. Argumentava na ação a existência Fl. 527DF CARF MF Processo nº 12448.732154/201317 Acórdão n.º 2201004.302 S2C2T1 Fl. 513 3 de direito adquirido à isenção em relação à venda da maior parte das ações prevista na alínea “d”, do art 4º, do Decreto nº 1.510/76. A fiscalização enumera as informações obtidas no procedimento fiscal. Dos fatos apurados no procedimento fiscal: Da alienação – referese à venda da Clínica Médico Cirúrgica Botafogo S/A – Hospital Samaritano, em que o contribuinte constava como um dos alienante e tendo como adquirente a ESHO – Empresa de Serviços Hospitalares S.A. Da quantidade de ações adquiridas – de acordo com documentos e planilhas apresentadas, verificouse que o contribuinte adquiriu 77.765 ações da empresa, conforme planilha 01, fls 292. Do custo de aquisição das ações alienadas Custo de aquisição considerado pelo contribuinte – O procedimento utilizado pelo contribuinte foi tomar o valor declarado da DIRPF de 2009/anobase 2008 (R$ 66.100,25), acrescido de capitalização de lucros nos anos de 2009 e 2010 (R$ 56.375,54), perfazendo um total de R$ 122.475,79. Tal valor também corresponde à quantidade de ações possuídas pelo contribuinte à época da alienação multiplicada pelo valor de cada ação (1,5749), considerado o valor do capital social (R$ 28.014.841,05) da Clínica Médico Cirúrgica Botafogo S/A Hospital Samaritano e a quantidade de ações que o compunham (17.787.94), de acordo com a ata de assembléia geral ordinária e extraordinária em 28/04/2010. Custo de aquisição apurado pela fiscalização – a fiscalização demonstra a forma de apuração do custo de aquisição, observando os procedimentos do art. 126 do Decreto nº 3.000/99, inciso I e II, para as ações adquiridas antes de 1991. Entre os dois valores apurados possíveis, de R$ 11.437,79 e R$ 10.961,19 a fiscalização utilizou o maior valor como custo de ações, ou seja, R$ 11.437,79. Fl. 528DF CARF MF 4 Do valor de alienação – o valor estabelecido pelo contrato celebrado para a venda era R$ 786.927,36. O contribuinte considerou o valor de alienação R$ 797.022,70, correspondente aos R$ 786.927,36 do valor das ações acrescido de R$ 10.095,34, correspondente a honorários advocatícios. Do ganho de capital e do imposto devido Da apuração procedida pelo contribuinte – optou por apurar separadamente o ganho de capital obtido na alienação das ações que considerou abrangidas pela alínea “d”, do art 4º, do Decreto nº 1.510/76, do ganho obtido na alienação daquelas que considerou não abrangidas pela citada norma, proporcionalizandoo na razão demonstrada na Planilha 05, fls 297. Em seguida procedeu a apuração do ganho de capital e do imposto devido quando do recebimento de cada parcela, Planilha 06. Da apuração pela fiscalização – considerou o custo de aquisição de R$ 11.437,79. A fiscalização preencheu Demonstrativos de Apuração de Ganho de Capital, os quais demonstram tanto a base de cálculo quanto o imposto devido nos anos calendários 2011 e 2012, os quais estão anexos e integram o Termo de Verificação. Há de se fazer distinção entre as parcelas recebidas em 2011 e aquelas recebidas em 2012 e o respectivo ganho de capital incidente. O contribuinte apresentou anexo na DIRPF, exercício 2012, sobre o ganho de capital incidente para alienação das ações, para as parcelas recebidas em 2011. Dessa forma, apesar de o Contribuinte ter apurado o imposto de forma incorreta, declarando valores menores do que os devidos, conforme apuração da fiscalização, tais valores estão declarados e não foram objeto de lançamento de ofício neste auto de infração. Foram efetuados lançamentos apenas quanto às diferenças apuradas entre os cálculos do contribuinte e os da fiscalização, conforme planilha 07, fls 299. Com relação a 2012, não foi apresentado o anexo a DIRPF 2013 do ganho de capital na alienação das ações com a declaração do imposto devido sobre as parcelas recebidas naquele anocalendário. Os depósitos judiciais, sendo em valores inferiores ao montante integral do tributo, não suspendem a exigibilidade do crédito nem tampouco existe decisão judicial favorável ao Fl. 529DF CARF MF Processo nº 12448.732154/201317 Acórdão n.º 2201004.302 S2C2T1 Fl. 514 5 contribuinte, ou qualquer outra condição para a suspensão do crédito tributário, nos termos do art. 151 d o Código Tributário Nacional. A Planilha 07, fls 299, demonstra os valores apurados no procedimento fiscal correspondentes ao IR devido sobre esses ganhos de capital. Dessa forma, o imposto de renda apurado pela fiscalização foi o lançado através desse auto de infração, com cobrança das diferenças não declaradas para 2011, e integralmente para 2012. Da Impugnação Cientificado em 11/01/2014, fls 329, o contribuinte apresentou impugnação em 07/02/2014, fls 340/355, e documentos fls 356/450, alegando em síntese: Da tempestividade, dos fatos e do auto de infração. Da possibilidade de discussão, na via administrativa, de matérias não tratadas na via judicial – Cita jurisprudência e entende que o MS nº 2011.51.01.0049315 tem como objetivo de impedir a cobrança do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação de parte das ações sob o argumento de que tal ganho seria isento, por força do art. 4º, alínea “d”, do DL nº 1.510/76. Já na presente impugnação, o que está sendo questionado nos autos são os procedimentos adotados pela fiscalização para a apuração do ganho de capital relativo à venda das ações, e a exigência de valores já pagos e/ou depositados judicialmente (com aplicação de multa de ofício e cobrança de juros de mora). Assim, resta claro que o disposto na letra “b” do ADN COSIT nº 03/96 dá respaldo à apreciação na via administrativa da matéria que será tratada na presente impugnação. Dos erros cometidos pela fiscalização na determinação do custo de aquisição das ações – entende que a fiscalização cometeu um equivoco ao Fl. 530DF CARF MF 6 desconsiderar o custo de aquisição utilizado pelo impugnante para fins de apuração do ganho de capital, fixandoo em R$ 11.437,79. Informa que o valor de mercado das ações adquiridas antes de 31.12.1991 a ser considerado pra fins da determinação do seu custo de aquisição deveria ter sido aquele informado na declaração de bens do impugnante relativa ao exercício de 1992, anocalendário 1991, e não aquele constante da declaração relativa ao exercício de 1997. Que não há amparo legal para a fiscalização não tendo localizado em seus arquivos a DIRPF 1992, ter se utilizado da DIRPF relativa a período posterior (1997). Cita, com base no art. 37 da Lei nº 9.784/99, que a autoridade administrativa deve de ofício providenciar cópia de documentos referidos pelo contribuinte existente em seus arquivos. Ou seja, tendo em vista que a fiscalização não localizou em seus arquivos a DIRPF/1992 do impugnante, ela deveria ter adotado um dos critérios previsto no art. 126, II, do RIR, para se alcançar o valor do mercado das ações em 31.12.1991. Demonstra os cálculos para obter o valor de mercado em 31.12.1991, resultando o valor de R$ 7.545,94, e entende que na falta da DIRPF/1992, esse deveria ter sido o critério que deveria a fiscalização utilizar para apurar o valor de mercado. Assim, considerandose o valor de mercado de R$ 7.545,94 em 31.12.1991, acrescido do valor efetivo das compras de ações ocorridas posteriormente, chegase ao valor de R$ 15.128,59, e não o valor de R$ 11.437,79, apurado pela fiscalização. Destaca também que a fiscalização deixou de considerar no custo de aquisição das ações os valores proporcionais relativos às capitalizações de lucros ocorridos nos anos de 1996, 1997, 2009 e 2010, devidamente comprovadas por meio de documentação apresentada por petição protocolada em 25.07.2012. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 12448.732154/201317 Acórdão n.º 2201004.302 S2C2T1 Fl. 515 7 Menciona legislação e entende que há a possibilidade de incremento do custo de aquisição de ações em razão da capitalização de lucros e reservas ocorridos a partir de janeiro/1996 já foi objeto em Soluções de Consulta pela própria Receita Federal do Brasil (RFB), como segue. Cita trecho das Soluções de Consulta nºs 53, 54, 55, 56, 57, 58 de 08/05/2008. Têmse, portanto, que os valores das capitalizações realizadas pela Clínica, nos anos de 1996, 1997, 2009 e 2010, devem compor o custo de aquisição das ações alienadas pelo impugnante para fins de apuração de eventual imposto de renda sobre ganho de capital. Por fim, devese destacar que o efetivo valor de venda das ações a ser considerado no cálculo do ganho de capital deve ser de apenas R$ 786.927,36, e não de R$ 797.022,70. Conforme se depreende pelo Contrato de Compra e Venda das Ações (apresentado no curso da fiscalização e ora reapresentado – doc 02), o valor efetivo da venda das ações do Impugnante foi de R$ 786.927,36, sendo que o valor de R$ 10.095,34, corresponde a honorários advocatícios, pagos pelos compradores das ações. Da impossibilidade do auto exigir valores de IR já pagos pelo Impugnante – declara que foi devidamente comprovado durante o curso da fiscalização, em relação ao percentual das parcelas recebidas no ano de 2012, que o impugnante efetuou o recolhimento de R$ 15.563,26 (R$ 7.781,63 relativos à parcela recebida em janeiro/2012 e R$ 7.781,63 relativos à parcela recebida em julho/2012). Da impossibilidade de exigir valores já depositados judicialmente e de aplicar multa de ofício e cobrar juros de mora sobre esses mesmos valores – acredita que deveria ter sido considerada suspensa a exigibilidade dos valores já depositados em juízo pelo impugnante, ainda que se entenda que tais valores não representam o montante integral, e sobre eles não poderia exigir multa de ofício e nem cobrar juros de mora. Devendo o lançamento Fl. 532DF CARF MF 8 dos valores depositados judicialmente serem efetuados apenas para prevenir decadência. Transcreve acórdãos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Ainda que se entenda que o depósito dos débitos, mesmo que parcial não suspendem a exigibilidade do exato montante depositado e que, portanto, o seu lançamento somente se daria para prevenir a decadência, o que se admite apenas por argumentação, ainda assim não seria aplicável multa de ofício e juros de mora sobre tais valores. Cita jurisprudência. Pelo exposto, temse que auto deve ser cancelado, pois deveria ter sido lavrado apenas para prevenção da decadência, ou, no mínimo, parcialmente cancelado, afastandose a multa de ofício e os juros de mora sobre os valores relativos às parcelas recebidas no ano de 2012 e já depositados judicialmente antes de sua lavratura. Pede e espera pelo cancelamento do auto ou, senão, a retificação do valor nele lançado.” 2 – A decisão de piso manteve em parte o lançamento conforme ementa abaixo indicada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011, 2012 PROCESSO JUDICIAL NÃO CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. Não ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, haverá decisão administrativa quanto ao mérito da questão, conhecendo da impugnação. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. Sujeitase à incidência do Imposto de Renda o ganho de capital correspondente à diferença entre o valor de alienação das ações pelo Fl. 533DF CARF MF Processo nº 12448.732154/201317 Acórdão n.º 2201004.302 S2C2T1 Fl. 516 9 acionista pessoa física e o respectivo custo de aquisição, que não pode ser majorado sem o amparo legal. Verificado erro no cálculo da apuração do custo de aquisição, retificase o lançamento. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO A realização de depósito judicial parcial do crédito tributário considerado pelo Fisco não suspende sua exigibilidade, podendo o Fisco exigir o crédito em sua totalidade, bem como seus consectários legais. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Não há previsão legal para a dedução de honorários advocatícios para o valor de alienação, conforme § 4º do artigo 19 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001. ÔNUS DA PROVA. Havendo incongruência entre as informações declaradas à RFB e informadas pelo contribuinte, este deve apresentar documentos hábeis e inequívocos para refutar a base de cálculo do imposto de renda. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Iniciado o procedimento administrativo em desfavor do contribuinte, não mais espontânea será a denúncia eventualmente ofertada, resultando para o infrator as sanções decorrentes do descumprimento de sua obrigação. O pagamento efetuado, antes da lavratura da Notificação de Lançamento, por sujeito passivo que perdera a espontaneidade, não tem o condão de desconstituir a exigência lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 534DF CARF MF 10 3 – O contribuinte interpõe recurso voluntário às fls. 460/473, mantendo a mesma linha da defesa. E às fls. protocolizou petição informando sobre o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0049315. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – A matéria em debate é conhecida dessa Turma e foi apreciada nos AC. 2201003.890 e 2201003.891 j. em 13/09/2017 sendo Relatora a I. Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz que hoje compõe a E. CSRF. 6 – Analisando os autos verificase que são matérias idênticas debatidas e julgadas anteriormente referente à omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsas de valores em que o contribuinte em 01/02/2011, vendeu a totalidade de suas ações do Capital Social da Clínica MédicoCirúrgica Botafogo SA Hospital Samaritano à Empresa de Serviços Hospitalares S.A. ESHO, de acordo com o contrato de compra e venda celebrado nesta data, fls. 361/394. 7 – A Fiscalização entende que o custo de aquisição das referidas cotas são de R$ 11.437,79 e o contribuinte de R$ 122.538,13. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 12448.732154/201317 Acórdão n.º 2201004.302 S2C2T1 Fl. 517 11 8 – De acordo com a autuação o objeto do presente lançamento é apenas em relação às parcelas recebidas de 10/01/2012 a 10/07/2012, sendo que as demais parcelas são objeto de outro PAF: Da inexistência de concomitância com a via judicial 9 – Quanto a matéria sobre a concomitância entre a via judicial e a administrativa me atenho às razões do bem fundamentado voto dos AC. 2201003.890 e 2201 003.891 j. em 13/09/2017 e os adoto como razão de decidir, com as ressalvas relativas aos fatos ora descritos nesses autos, verbis: “Cumpre destacar que o trâmite do Mandado de Segurança n.º 2011.51.01.0033903 impetrado pelo Recorrente, na 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro, com o objetivo de impedir a cobrança do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação de parte das ações sob o fundamento de que tal ganho seria isento, por força do art. 4º, alínea "d", do DL n.º 1.510/76, não obsta o conhecimento da matéria sob análise, considerando a distinção dos objetos discutidos. Assim, no autos do MS discutese o direito à isenção prevista no art. 4º, alínea "d", do DL n.º 1.510/76, já, no presente processo administrativo, o recorrente questiona os procedimentos adotados pela fiscalização para a apuração do ganho de capital relativo à venda das ações, que a levaram a determinar um custo de aquisição menor do que aquele por ele utilizado. Fl. 536DF CARF MF 12 Portanto, não se vislumbra a existência de concomitância apta a ensejar a aplicação do Enunciado de Súmula CARF n.º 1.” Do custo de aquisição das ações 10 – Em relação a essa parte do apelo o contribuinte requer que seja considerado como custo de aquisição das ações alienadas os valores relativos aos lucros capitalizados conforme indicado às fls. 491: 11 – Nesse caso, tomando as mesmas razões de decidir dos acórdãos indicados alhures a respeito da matéria: Fl. 537DF CARF MF Processo nº 12448.732154/201317 Acórdão n.º 2201004.302 S2C2T1 Fl. 518 13 "Como se verifica, da narrativa anterior, a situação fática é incontroversa nos autos, sendo relevante a discussão jurídica sobre a possibilidade da consideração da capitalização dos lucros no custo de aquisição das ações. Para melhor elucidar o tema, cito um exemplo exposto no Acórdão n.º 19515.720668/201166 abaixo transcrito: Para exemplificar essa determinação, considere uma participação societária correspondente a 100% do capital de uma pessoa jurídica (detida por dois sócios, pessoas físicas), adquirida por R$ 1.000,00. Considere, também, que essa pessoa jurídica, em seguida, tenha auferido um lucro de R$ 100,00 e o tenha capitalizado. Considere, por fim, que os sócios tenham alienado essa participação societária a terceiros por R$ 1.500,00. Nesse caso, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, a alienado por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não seria de R$ 500,00, mas apenas de R$ 400,00. Isso porque os lucros de R$ 100,00, capitalizados, têm o condão de aumentar o custo de aquisição da participação societária e, consequentemente, de diminuir o ganho de capital. O art. 10, § 1º, da Lei n.º 9.249, de 26 de dezembro de1995, acerca da matéria assim dispõe: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. § 1oNo caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados, a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Fl. 538DF CARF MF 14 Em seu art. 135, o Regulamento do Imposto de Renda reproduz o texto introduzido pela mencionada Lei: Custo de Participações Societárias Adquiridas com Incorporação de Lucros e Reservas Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). O caput do art. 169 da Lei n.º 6.404, de 15 de dezembro de 1976, destaca: Art. 169. O aumento mediante capitalização de lucros ou de reservas importará alteração do valor nominal das ações ou distribuições das ações novas, correspondentes ao aumento, entre acionistas, na proporção do número de ações que possuírem. Como bem asseverou o recorrente, o custo de aquisição de ações, em razão da capitalização de lucros e reservas já foi objeto de Soluções de Consulta da Receita Federal do Brasil, conforme as ementas a seguir: Fl. 539DF CARF MF Processo nº 12448.732154/201317 Acórdão n.º 2201004.302 S2C2T1 Fl. 519 15 12 – Pelo exposto, dou provimento ao recurso nessa parte para, devendo ser procedida a consideração, no custo de aquisição das ações, dos valores proporcionais relativos às capitalizações de lucros ocorridas nos anos de 1996 (no valor de R$ 10.083,43), 1997 (no valor de R$ 10.566,70), 2009 (no valor de R$ 24.107,15) e de 2010 (no valor de R$ 32.268,39) devidamente comprovadas por meio de documentação que acompanhou a petição apresentada em 25/07/2012 (planilha constante de fls. 103), tendo em vista que a capitalização dos lucros com ou sem emissão de novas ações implica, para o acionista, o benefício de aumento do custo fiscal de aquisição do investimento. Valor da alienação 13 – Em relação ao tema sobre o valor da alienação a ser considerado no ganho de capital, analisando o documento de fls. 361/449 verificase que deve ser excluído o valor de R$ valor de R$ 10.095,34 14 A decisão de piso assim tratou da questão: Fl. 540DF CARF MF 16 "A defesa também destaca que o efetivo valor de venda das ações a ser considerado no cálculo do ganho de capital deve ser de apenas R$ 12.054.393,50, e não de R$ 12.195.549,96, no qual estaria o valor de R$ 141.156,46, correspondente a honorários advocatícios, pagos diretamente pelos compradores das ações e descontados dos valores devidos ao impugnante. Apesar do contribuinte apresentar Contrato de Compra e Venda das Ações em sua impugnação, no qual consta o valor de venda de R$ 786.927,36, a fiscalização verificou que o contribuinte considerou como valor de alienação o valor de R$ 797.022,70. Observase que apesar da fiscalização ter aduzido que a diferença de valores seria relativa a honorários advocatícios, esta manteve a base de cálculo de R$ 786.927,36. Frisese que não há previsão legal para a dedução de honorários advocatícios para o valor de alienação, conforme § 4º do artigo 19 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001, ressaltando que o contrato de prestação de serviços apresentado na impugnação referese expressamente a honorários advocatícios, não sendo possível aduzir existência de corretagem. Art. 19 . Considerase valor de alienação: I o preço efetivo da operação de venda ou de cessão de direitos; (...) § 4º O valor da corretagem, quando suportado pelo alienante, é deduzido do valor da alienação e, quando se tratar de venda a prazo, com diferimento da tributação, a dedução farseá sobre o valor da parcela do preço recebida no mês do pagamento da referida corretagem. A definição de contrato de corretagem é prevista no artigo 722 do Código Civil, no qual se estabelece que pelo contrato de corretagem, uma pessoa, independentemente de mandato, de prestação de serviços ou outra relação de dependência, obrigase a obter para outra um ou mais negócios, conforme instruções recebidas." 15 Ao contrário do entendimento exposto, com a análise do contrato de compra e venda anexo aos autos, resta claro o valor da alienação recebido por cada acionista (anexo A), de modo que, embora seja inconteste o pagamento de honorários para a realização do contrato, tal valor adjacente não integra o valor do bem alienado. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 12448.732154/201317 Acórdão n.º 2201004.302 S2C2T1 Fl. 520 17 16 Portanto, deve ser considerado para o cálculo do ganho de capital o valor efetivamente relativo a alienação das ações. É o que se extrai até mesmo da interpretação da Instrução Normativa mencionada pelo Acórdão recorrido, pois a finalidade da norma é excluir a parcela não integrante do valor do bem (valor da corretagem), quando suportado pelo alienante, do valor da alienação levado a efeito para o cálculo do ganho de capital. Decisão judicial 17 – Quanto à decisão judicial, pelo que foi verificado entendo que a mesma repercutirá nesse lançamento em relação a parte das ações em que estão isentas de acordo com o Dec. 1.510/76 e portanto nesse ponto em vista da decisão transitada em julgado, faço a mesma ressalva da DRJ no sentido da autoridade da DRF efetuar o recálculo do lançamento respeitando os termos da decisão judicial. Da impossibilidade do auto exigir valores já depositados judicialmente e de aplicar multa de ofício e cobrar juros de mora sobre esses mesmos valores. 18 – Nesse tópico, pela análise da planilha de nº 7 de fls. 299 do auto de infração, verifico que houve o lançamento apenas em relação a diferenças apuradas entre o declarado pelo contribuinte e o que foi lançado pela fiscalização, e portanto, nesse ponto nego provimento quanto a questão da multa de ofício e juros de mora. Da impossibilidade do auto exigir valores de IR já pagos pelo recorrente 19 – Nesse ponto a fiscalização alega o seguinte às fls. 298/299 do TVF: Fl. 542DF CARF MF 18 17 – Nesse ponto em relação aos lançamentos efetuados sobre as parcelas dos meses de 10/01/2012 e 10/07/2012 entendo que o contribuinte tem razão. Através da petição de fls. 241/257 em 15/04/2013 junto com um memorial de valores bem antes do lançamento, foram entregues à fiscalização em cumprimento à intimação de fls. 232 contendo os DARF de fls. 249/250 com os valores que o contribuinte entendeu que estavam corretos relacionados às 4ª e 5ª parcelas. 18 – Entendo que a Fiscalização não poderia ter ignorado tal situação, por mais que não tenha ocorrido a entrega da apuração em sua DIRPF, pois foram efetuados nos códigos e datas corretas e foram identificados pelo contribuinte antes do lançamento à fiscalização. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 12448.732154/201317 Acórdão n.º 2201004.302 S2C2T1 Fl. 521 19 19 – Poderia a fiscalização da mesma forma que efetuou o lançamento sobre as diferenças que entende correta no ano de 2011 ter efetuado em relação a 2012. Portanto, dou provimento nesse ponto do recurso para que seja excluído do lançamento dos meses de 10/01/2012 e 10/07/2012 os valores recolhidos pelo contribuinte às fls. 249 e 250 no valor de R$ 7.781,63 cada no total de R$ 15.563,26. Conclusão 20 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito DOU PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer como custo de aquisição das ações, dos valores proporcionais relativos às capitalizações de lucros ocorridas nos anos de 1996 (no valor de R$ 10.083,43), 1997 (no valor de R$ 10.566,70), 2009 (no valor de R$ 24.107,15) e de 2010 (no valor de R$ 32.268,39); excluo o valor de R$ 10.095,34, correspondente a honorários advocatícios, excluir do lançamento o valor de R$ 15.563,26 relativo ao item 19 do voto e quanto ao processo judicial nº 2011.51.01.0049315 deverá a DRF de origem adotar as demais providências cabíveis para cumprimento da decisão judicial transitada em julgado. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 544DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.001935/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2003, 2004
LUCRO ARBITRADO. DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS ESPONTANEAMENTE DO MESMO PERÍODO DE APURAÇÃO. No lançamento de ofício, os valores do IRPJ e da CSLL recolhidos espontaneamente dos mesmos períodos de apuração, devem ser deduzidos dos tributos apurados no próprio auto infração, inclusive na hipótes de arbitramento de lucros.
Recurso de ofício negado provimento.
Numero da decisão: 1402-000.655
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2003, 2004 LUCRO ARBITRADO. DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS ESPONTANEAMENTE DO MESMO PERÍODO DE APURAÇÃO. No lançamento de ofício, os valores do IRPJ e da CSLL recolhidos espontaneamente dos mesmos períodos de apuração, devem ser deduzidos dos tributos apurados no próprio auto infração, inclusive na hipótes de arbitramento de lucros. Recurso de ofício negado provimento.
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AUTO DE INFRAÇÃO\ Recorrente PRIMEIRA TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BELÉM/PA Recorrida LABELPRESS INDUSTRIA E COMERCIO DA AMAZONIA LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 LUCRO ARBITRADO. DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS ESPONTANEAMENTE DO MESMO PERÍODO DE APURAÇÃO. No lançamento de ofício, os valores do IRPJ e da CSLL recolhidos espontaneamente dos mesmos períodos de apuração, devem ser deduzidos dos tributos apurados no próprio auto infração, inclusive na hipótese de arbitramento de lucros. Recurso de ofício negado provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.001935/200631 Acórdão n.º 140200.655 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório A PRIMEIRA TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BELÉM/PA, com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou improcedente o auto de infração lavrado contra LABELPRESS INDUSTRIA E COMERCIO DA AMAZONIA LTDA. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o processo de lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no montante de R$ 1.230.196,60. Fundamentouse a imputação na apuração de omissão de receita nos anoscalendário de 2003 e 2004 (fls. 18 e 19). A interessada foi cientificada dos autos de infração no dia 31 de março de 2006 (fl. 17). No dia 28 de abril de 2006 foi apresentada impugnação (fls. 247 a 250), cujo teor, em suma foi: (...) Requer a retificação dos valores lançados em decorrência da existência de recolhimentos pagos espontaneamente, conforme comprovantes anexados à peça impugnatória. A decisão recorrida está assim ementada: LUCRO ARBITRADO. DEDUÇÃO. Os valores do IRPJ e da CSLL recolhidos espontaneamente e no prazo de vencimento das obrigações deve ser reconhecido e deduzido do IRPJ e da CSLL apurados por meio do lucro arbitrado. O recurso de ofício foi inicialmente apreciado na sessão de 11/03/2009, tendo sido convertido em diligência conforme Resolução 140100.001, nos seguintes termos (f. 361): O recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Verifico que não consta dos autos a manifestação explicita da Delegacia de origem sobre a alegada quitação dos valores objeto do lançamento guerreado. Necessário se faz que a autoridade fiscal ateste se os pagamentos constantes dos demonstrativos mencionados pela primeira instância não foram utilizados de outra forma pela contribuinte (a exemplo de retificação de DARF ou pedido de restituição) e que ateste, após realizar a correspondente imputação, que os valores recolhidos correspondem exatamente aos valores lançados. Não cabe a autoridade julgadora aferir imputação de recolhimentos e nem lhe é possível garantir que determinados valores não tenham sido já pleiteados pela contribuinte. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.001935/200631 Acórdão n.º 140200.655 S1C4T2 Fl. 0 3 Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para a verificação mencionada, pela autoridade preparadora. . A diligência fiscal resultou na juntada dos documentos de fls. 362 e seguintes, sendo que o relatório fiscal de fl. 380 conclui: (...) presto as informações solicitadas; Preliminarmente, esclareço que os pagamentos em questão referemse somente ao tributo IRPJ e foram recolhidos antes da lavratura do Auto de Infração; A utilização dos pagamentos está constante ás fls. 371/374; Procedi á vinculação (imputação) dos pagamentos disponíveis aos respectivos CT's conforme fls. 375/379, restando conforme demonstrado à fl. 379 um saldo devedor remanescente. Tendo em vista que o ilustre conselheiro Valmar Menezes deixou de compor o CARF, o processo foi objeto de novo sorteio no mês de mar/2011. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.001935/200631 Acórdão n.º 140200.655 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso de ofício preenche os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Vejamos os fundamentos da decisão recorrida: A fiscalização, muito embora tenha apurado a existência de DARF de recolhimento do IRPJ e da CSLL, simplesmente os ignorou sem declinar os motivos. Neste particular, sempre que o lucro do sujeito passivo é arbitrado, há que deduzir a parcela do imposto e da contribuição que foram recolhidos tempestivamente, independente do regime de tributação, tendo em vista que esse regime foi desconsiderado com o arbitramento do lucro. Este é o comando do artigo 540 do Decreto nº 3.000, de 1999: “Art. 540. Poderá ser deduzido do imposto apurado na forma deste Subtítulo o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo, vedada qualquer dedução a título de incentivo fiscal (Lei nº 9.532, de 1997, art. 10)”. 7. Em vista do exposto, os DARF cujos recolhimentos foram confirmados (fls. 357 a 362) serão deduzidos dos valores lançados até o limite do valor devido, conforme tabela a seguir: Fato gerador/tributo Litígio Saldo 06/03IRPJ 5.349,89 0,00 09/03IRPJ 6.535,50 0,00 12/03IRPJ 9.361,00 0,00 06/04IRPJ 38.896,61 0,00 09/04IRPJ 68.263,46 0,00 12/04IRPJ 73.280,86 0,00 06/03 CSLL 4.262,87 0,00 09/03 CSLL 5.652,36 0,00 12/03 CSLL 11.138,26 0,00 06/04 CSLL 24.244,17 0,00 09/04 CSLL 33.418,56 0,00 12/04 CSLL 35.676,39 0,00 CONCLUSÃO. 8. De acordo com tudo o que consta nos autos e foi analisado, VOTO pela improcedência dos lançamentos de IRPJ e CSLL. De início registro que, máxima data vênia, considero que, no presente caso, a diligência era desnecessária, isso porque os pagamentos em questão foram realizados por estimativa (antecipação) e se referem ao período fiscalizado. Logo, era dever da autoridade fiscal verificálos e considerálos na lavratura do auto de infração, nos termos do art. 540 do Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.001935/200631 Acórdão n.º 140200.655 S1C4T2 Fl. 0 5 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Isso porque o auto de infração deve se dar sobre as diferenças não recolhidas, mormente no arbitramento de lucros. Caso a fiscalização constatasse que esses recolhimentos tivessem sido objeto de aproveitamento posterior de qualquer ordem, o correto seria lavrar auto de infração para exigir essas diferenças. A desconsideração dos valores porventura aproveitados posteriormente pelo contribuinte seria cabível se se tratasse de pedido de compensação. Repitase: os valores recolhidos espontaneamente, ora aproveitados, referemse às estimativa sobre receitas que foram objeto do lançamento de oficio (lucro arbitrado). No que tange a confirmação da efetividade dos pagamentos verificase que já havia sido realizada antes do julgamento em 1a. instância, conforme extratos de fls. 357 a 362, fato também asseverado na decisão recorrida. Em relação ao IRPJ constatasse que na diligência fiscal foi efetuado “imputação” de pagamento consoante demonstrativo de fl. 375, por exemplo. Isso implicou na incidência de juros e multa de mora. O correto era a simples alocação, tal qual realizou a decisão da DRJ, pois, eventuais diferenças de juros de mora e multa somente seriam devidas sobre as diferenças de tributos apurados, no próprio auto de infração. E mais: verificase que na diligência fiscal não foi considerado, tampouco verificado quaisquer dos pagamento de CSLL (recolhimentos por estimativa), que foram efetivamente confirmados (fls. 361 a 362). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio, confirmando o cancelamento do auto de infração, sem prejuízo de a DRF de origem verificar se os valores recolhidos pelo contribuinte, por estimativa, foram objeto de aproveitamento em períodos posteriores, efetuando os procedimentos cabíveis. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.727024/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado.
Inteligência do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015.
Numero da decisão: 2401-005.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos Embargos Declaratórios e, no mérito, acolhê-los, para sanar a omissão no Acórdão nº 2401-004.845, sem atribuir-lhes efeito modificativo, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Inteligência do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos Embargos Declaratórios e, no mérito, acolhê-los, para sanar a omissão no Acórdão nº 2401-004.845, sem atribuir-lhes efeito modificativo, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 961; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.727024/201232 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401005.285 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de fevereiro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE VALINHOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, devese proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Inteligência do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 70 24 /2 01 2- 32 Fl. 2604DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos Embargos Declaratórios e, no mérito, acolhêlos, para sanar a omissão no Acórdão nº 2401 004.845, sem atribuirlhes efeito modificativo, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal. Fl. 2605DF CARF MF Processo nº 10830.727024/201232 Acórdão n.º 2401005.285 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, às fls. 2.589/2.594, em face do Acórdão nº 2401004.845, contextualizado às fls. 2.575/2.587, de minha relatoria. Alega a embargante a existência de omissão no Acórdão embargado, uma vez que, em que pese a decisão de primeira instância ter exonerado parte do crédito lançado com base em dois pontos, ao julgar o Recurso de Ofício, a decisão embargada teria se omitido em relação a um desses pontos. Submetido à análise de admissibilidade, os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho da Presidente da Turma, Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, o admitindo para sanar a omissão apontada, com devolução do processo para relatoria e inclusão em pauta de julgamento (fls. 2.598/2.601). É o relatório. Fl. 2606DF CARF MF 4 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos Embargos de Declaração, passo ao exame do mérito (artigo 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), da parte admitida por meio de despacho da Presidente da Turma, Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, às fls. 2.598/2.601. 2. DO MÉRITO 2.1 Da omissão Cientificada da decisão, a PGFN opôs, tempestivamente, os Embargos de Declaração (fls. 2.589/2.594), apontando omissão no Acórdão nº 2401004.845, uma vez que, embora a decisão proferida pela primeira instância administrativa tenha retificado os Autos de Infração DEBCAD nº 37.365.1350 (levantamentos “CI” e “CI1”) e 37.388.8490 (levantamentos “CI” e “CI1”), matéria de Recurso de Ofício, sobre eles essa egrégia Turma não se pronunciou. Com razão a Embargante. Com efeito, o Auto de Infração DEBCAD nº 37.388.8490 – trata das contribuições devidas pelos segurados, não descontadas, incidente sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. De acordo com a Fiscalização, “Foi identificado nas contas ‘33903600 Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física’ e ‘33903900 Outros Serviços de Terceiros Pessoa Jurídica’ pagamento relativo a prestação de serviços de Contribuintes Individuais detalhados no Anexo IV, não declarados na GFIP e sem os recolhimentos das contribuições previdenciárias devidas nas competências 01/2008 a 12/2008 e lançadas nos códigos de levantamentos ‘CI’, ‘CI1’ e ‘CI2’ relativo a contribuição patronal e nos códigos de levantamentos ‘C1’, ‘C11’ e ‘C12’ a contribuição dos segurados calculados por esta fiscalização”. Segundo consta dos autos, parte das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores Contribuintes Individuais, no período abrangido pelas competências 01/2008 a 12/2008, foram apuradas com base nas notas fiscais de prestação de serviço e outros documentos comprobatórios apresentados pela empresa Embargada. De posse dessa documentação, a Fiscalização entendeu que “[...] vários dos contribuintes individuais relacionados no Anexo IV foram indevidamente considerados pelo sujeito passivo como ‘Empresário Individual’ Pessoa jurídica, pelo simples fato de possuírem inscrição no CNPJ. Tratase, no entanto de prestadores de serviço pessoa física, com inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis, situação ‘Não Habilitada’, ou sem inscrição, que Fl. 2607DF CARF MF Processo nº 10830.727024/201232 Acórdão n.º 2401005.285 S2C4T1 Fl. 4 5 pudesse enquadrálos no conceito de ‘Empresários’, conforme definido no Código Civil – Lei 10.406, de 10/01/2002 artigos 966 e 967 [...]” fls. 40/41. Por sua vez, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, entendeu que “os sujeitos caracterizados pela fiscalização como contribuintes individuais, em verdade, se constituem em empresário individuais, não pessoas jurídicas, mas, não obstante isto, se submetem às regras da empresa, não havendo a configuração da modalidade do prestador de serviços autônomo”. Demais disso, os julgadores de primeira instância apontam ausência de irregularidade na prestação de serviços, e, em razão disso, identificaram que os serviços foram prestados na qualidade de empresários individuais. Confirase: “[...] Contudo, em que pese o exposto acima, os autos dão conta de um contexto diverso. Com efeito, os sujeitos caracterizados pela fiscalização como contribuintes individuais, em verdade, se constituem em empresário individuais, não pessoas jurídicas, mas, não obstante isto, se submetem às regras da empresa, não havendo a configuração da modalidade do prestador de serviços autônomo. Conforme Anexo IV juntado aos autos pela fiscalização, verificase que a grande maioria dos contribuintes individuais possuem inscrição no CNPJ e emitiram notas fiscais, traços característicos da atividade empresária. Por outro lado, a fiscalização informa que os referidos contribuintes estão em situação “não habilitado” junto ao Registro Público de Empresas Mercantis. No entanto, a fiscalização não demonstra esta situação, limitandose, apenas, a elencar, no Anexo IV, o número do empenho, o valor, o beneficiário, o CNPJ do mesmo e a nota fiscal relativa ao pagamento. Dessa forma, os autos carecem da demonstração da suposta irregularidade na prestação de serviços, de forma a manterse íntegra a conclusão no sentido de que os serviços foram prestados na qualidade de empresários individuais. Outrossim, os aspectos inerentes à regularidade fiscal e tributária dos contribuintes não interfere na verificação da sua qualidade como empresário. A vingar entendimento contrário estarseia diante da esdrúxula situação onde a situação fiscal comandaria a caracterização do sujeito de direito como empresário ou não, o que não se admite. [...]” (fl. 2.429) Com essas considerações, os julgadores a quo concluíram pelo parcial descabimento do lançamento levado a efeito em relação aos levantamentos CI e CI1. Pois bem. Compulsando os autos, não vislumbro razões de forma na decisão guerreada. Fl. 2608DF CARF MF 6 De proêmeio, destacase que Empresário é “quem desenvolve atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços” (art. 966, CC), e que Empresa é a atividade econômica organizada, praticada pelo Empresário. O grupo de pessoas com finalidade de obtenção de lucro é denominado Sociedade Empresária, instituto que se manifesta com a ‘congregação de capital e trabalho para o empreendimento de atividade empresarial’ (WILGES BRUSCATO, in Manual de Direito Empresarial Brasileiro, p. 164), conforme os parâmetros dados pelo artigo 981, do Código Civil, e nasce com o devido registro na Junta Comercial, seu ato constitutivo. Quando uma só pessoa se dispõe ao exercício da Empresa, manifestase a figura do Empresário Individual, aquele que age na prática de atividades empresárias sem o concurso de sócios. Percebemos, até aqui, dois sujeitos Empresários, quais sejam: i) a Sociedade Empresária, formada por sócios empreendedores (e não empresários); e ii) o Empresário Individual, o próprio. A diferença entre os tipos Empresários acima destacados, entretanto, não se encerra na quantidade de pessoas envolvidas na Empresa. A Sociedade Empresária, devidamente constituída e cadastrada na Junta Comercial, possui personalidade jurídica própria, sendo sujeito de direitos e obrigações perante terceiros. Disso, decorrem alguns efeitos, tais como “a individualização da sociedade, como sujeito único e distinto das pessoas de seus integrantes, possuindo patrimônio próprio (iniciado com o capital social), que não se confunde com o dos sócios, capacidade negocial e processual. Por isso, a sociedade passa a ser titular de direitos e pode assumir compromissos e obrigações, defendendo seus interesses em juízo e fora dele” (WILGES BRUSCATO, in Manual de Direito Empresarial Brasileiro, p. 9394). De maneira diversa, o Empresário Individual recebe tratamento jurídico peculiar. Em primeiro lugar, esclareçase que o Empresário Individual é sempre pessoa física, natural, e não se reveste da personalidade jurídica afeta às Sociedades, ainda que indispensável seu registro com CNPJ na Junta Comercial. Vale destacar, a propósito, que o registro de “empresário” não cria pessoa jurídica de direito privado e, portanto, não confere personalidade jurídica própria e distinta daquela já detida pela pessoa natural. O Decreto nº 3.000/99 (RIR), com melhor redação, textualmente explica (artigo 150) que a firma individual não é pessoa jurídica, mas apenas a ela se equipara. Ora, as “equiparadas” não são pessoas jurídicas, mas sim pessoas naturais equiparadas a pessoas jurídicas. Quem é equiparado não é igual. Logo, não há “pessoas jurídicas equiparadas”, e sim “pessoas físicas equiparadas a jurídicas”. A jurisprudência do STJ já fixou o entendimento de que "a empresa individual é mera ficção jurídica que permite à pessoa natural atuar no mercado com vantagens próprias da pessoa jurídica, sem que a titularidade implique distinção patrimonial entre o empresário individual e a pessoa natural titular da firma individual" (REsp 1.355.000/SP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 20/10/2016, DJe 10/11/2016) e de que "o empresário individual responde pelas obrigações adquiridas pela pessoa jurídica, de modo que não há distinção entre pessoa física e jurídica, para os fins de Fl. 2609DF CARF MF Processo nº 10830.727024/201232 Acórdão n.º 2401005.285 S2C4T1 Fl. 5 7 direito, inclusive no tange ao patrimônio de ambos" (AREsp 508.190, Rel. Min. Marco Buzzi, Publicação em 4/5/2017). Ora, não há dúvidas de que a empresa individual foi criada para habilitar a pessoa natural a praticar atos do comércio, com vantagens do ponto de vista fiscal. Portanto, não se verifica a diferenciação própria das sociedades empresárias entre a pessoa jurídica e seus membros. Diante disso, a proteção patrimonial não lhe é estendida. O patrimônio do Empresário Individual é único, confundindose bens particulares e profissionais, de modo que os bens afetos ao desenvolvimento da Empresa se sujeitam à resolução de dívidas de natureza pessoal e vice versa, bens estritamente pessoais podem ser penhorados para garantir dívidas da firma. O registro “comercial” do Empresário Individual se presta para fins administrativos e tributários, de modo a facilitar o cadastro dos órgãos governamentais e as devidas cobranças fiscais. Não enseja em uma criação de ente novo, mas somente a atribuir novas condições à pessoa natural. Por fim, as divagações acerca da personalidade Empresário Individual se resumem a uma máxima: “O sujeito é um só: a empresa é exercida por ele, o nome empresarial o identifica, os bens são de sua titularidade” (WILGES BRUSCATO, in Manual de Direito Empresarial Brasileiro, p. 9394). No caso em análise, conforme bem registrado pela DRJ de origem, o Anexo IV juntado aos autos pela fiscalização, verificase que a grande maioria dos contribuintes individuais possuem inscrição no CNPJ e emitiram notas fiscais, traços característicos da atividade empresária. De outra banda, não há nos autos elementos que possam demonstrar a suposta irregularidade nos serviços prestados, de que as firmas individuais ali indicadas prestaram serviços na qualidade de contribuintes individuais. Por fim, esclareço que a lide foi solvida nos limites necessários e com a devida fundamentação, coerência e clareza, hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, merecendo ser confirmada pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. Por conseguinte, as conclusões do colegiado de primeira instância nesse ponto devem ser confirmadas em grau de revisão recursal. Acolho os próprios fundamentos da decisão de piso como razões de decidir. Assim, constatado o lapso manifesto, voto no sentido de acolher os Embargos Declaratórios opostos em face do Acórdão nº 2401004.845, para sanar a omissão apontada, sem atribuir efeitos modificativos. 3. CONCLUSÃO: Fl. 2610DF CARF MF 8 Pelos motivos expendidos, voto por admitir, conhecer e ACOLHER os Embargos de Declaração, sem, contudo, atribuir efeito modificativo, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 2611DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.902607/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.048
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 26 07 /2 00 9- 60 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10120.902607/200960 Acórdão n.º 3401004.048 S3C4T1 Fl. 3 2 Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10120.902607/200960 Acórdão n.º 3401004.048 S3C4T1 Fl. 4 3 foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.001362/2008-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e redator designado (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 13 62 /2 00 8- 14 Fl. 116DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento (f. 07/10), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2005, anocalendário de 2004, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 16.542,04, por ausência de comprovação do efetivo pagamento. A contribuinte apresentou impugnação (f. 73/79), que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ RECIFE de f. 87/96. Cientificado, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 105/111. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte.. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 19647.001362/200814 Acórdão n.º 2001000.075 S2C0T1 Fl. 3 3 Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. . Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 118DF CARF MF 4 Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos Fl. 119DF CARF MF Processo nº 19647.001362/200814 Acórdão n.º 2001000.075 S2C0T1 Fl. 4 5 prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000998/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
SIMPLES. EXCLUSÃO. FATURAMENTO SUPERIOR AO LIMITE. POSSIBILIDADE
Tendo a contribuinte efetivamente auferido receita acima do limite permitido em lei para manter-se enquadrada como empresa de pequeno porte, ela deve ser excluída da sistemática do Simples a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite estabelecido.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. OBEDIÊNCIA AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA.
Tendo sido garantido à contribuinte o direito à apresentação de defesa dentro do prazo legal, momento no qual teve a chance de produzir argumentos e apresentar documentos a seu favor, não há que se falar em ofensa ao contraditório e ampla defesa.
Numero da decisão: 1201-001.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 SIMPLES. EXCLUSÃO. FATURAMENTO SUPERIOR AO LIMITE. POSSIBILIDADE Tendo a contribuinte efetivamente auferido receita acima do limite permitido em lei para manter-se enquadrada como empresa de pequeno porte, ela deve ser excluída da sistemática do Simples a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite estabelecido. EXCLUSÃO DO SIMPLES. OBEDIÊNCIA AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Tendo sido garantido à contribuinte o direito à apresentação de defesa dentro do prazo legal, momento no qual teve a chance de produzir argumentos e apresentar documentos a seu favor, não há que se falar em ofensa ao contraditório e ampla defesa.
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EXCLUSÃO. FATURAMENTO SUPERIOR AO LIMITE. POSSIBILIDADE Tendo a contribuinte efetivamente auferido receita acima do limite permitido em lei para manterse enquadrada como empresa de pequeno porte, ela deve ser excluída da sistemática do Simples a partir do anocalendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite estabelecido. EXCLUSÃO DO SIMPLES. OBEDIÊNCIA AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Tendo sido garantido à contribuinte o direito à apresentação de defesa dentro do prazo legal, momento no qual teve a chance de produzir argumentos e apresentar documentos a seu favor, não há que se falar em ofensa ao contraditório e ampla defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 09 98 /2 01 0- 41 Fl. 1065DF CARF MF 2 Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório A ora Recorrente, contribuinte optante pela sistemática do Simples, foi excluído dessa sistemática de pagamento de tributos pelos Atos Declaratórios Executivos (ADE) nº 44 (Simples Federal) e nº 48 (Simples Nacional), ambos de 06/05/2010 (fls. 11 e 13); A empresa apresenta impugnação (fls. 19/26) na qual alega, em síntese, que: 1) “expedir ato declaratório de exclusão e, neste, garantir defesa, é o mesmo que consubstanciála ineficiente para os fins legais, afrontando o § 3º, do artigo 15, da Lei 9.317/96 c/c o Decreto 70.235/72 e a Lei 9.784/99. Não fosse o bastante, os ADE's ora combatidos consignam, ainda, que os efeitos da exclusão devem ser retroagidos à data do ano calendário de 2006. Tratase de uma ilegalidade que merece ser reparada”; 2) “com relação aos efeitos da retroatividade dos efeitos da exclusão, nova ilegalidade. Ao assim agir, a SRF violou o disposto no artigo 150, III, "a", da Constituição Federal, que trata do princípio da anterioridade. Ademais, o próprio artigo 15 da Lei 9.317/96. que trata dos efeitos da exclusão. Ora, não podemos admitir que o mês em que ocorreu a situação excludente não seja outro, senão, aquele em que recebemos a notificação do Ato Declaratório Executivo. Cabe à SRF a apuração e fiscalização das opções de ingresso no SIMPLES, e não pode o contribuinte ser penalizado por essa omissão”, 3) “podemos concluir que os Atos Declaratórios emanados pela SRF possui várias ilegalidades que devem ser combatidas , dentre as quais podemos citar, primeiramente a própria exclusão da empresa impugnante, vez que esta não incorreu em nenhuma das situações dispostas legalmente que ensejassem tal exclusão, muito menos nas que dispostas nos ADEs ora combatidos.Ademais , ainda que algo tivesse sido apurado pela fiscalização, a empresa deveria ter sido informada da situação para impugnar e provar o alegado por todos os meios admitidos pelo direito, sendo portanto, a exclusão da empresa completamente arbitrária, vez que foram feridos de morte princípios inerentes a quaisquer processos , tais como a ampla defesa e o contraditório, sem desconsiderar os princípios da Tipicidade, Legalidade e verdade material”; 4) “desta forma , são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste manifesto de inconformidade: a) A empresa teve cerceado seu direito de defesa na medida em que não lhe foi oferecido quaisquer documentos que lhe informassem que auferiu receita superior ao legalmente estabelecido para estar incursa no SIMPLES, de forma que os únicos elementos de que dispõe para realizar o presente manifesto de inconformidade ratificam sua posição de que Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10640.000998/201041 Acórdão n.º 1201001.993 S1C2T1 Fl. 3 3 não houve excesso de receita sendo portanto descabido o que alegado nos atos declaratórios ora combatidos”; b) A Impugnante não pode ser excluída do Simples, haja vista não estar incursa em nenhuma das situações excludentes elencadas pela legislação pertinente. c) A impugnante solicita que sejam anulados e /ou retificados os ADE's ora combatidos.considerando todo o explanado no presente manifesto de inconformidade. d) A impugnante pretende provar o alegado por meio de provas documentais, testemunhais ou periciais solicitando, portanto , neste ato, estas possibilidades”. Acórdão n. 0935812 da 2°Turma da DRJ/JFA Em acórdão de 01/07/2011 a 2° Turma da DRJ/JFA julgou a Impugnação improcedente, conforme ementa abaixo: " SIMPLES. EXCLUSÃO. Comprovado que a empresa auferiu receitas em valor superior do limite permitido para se enquadrar como empresa de pequeno porte, ela deve ser excluída da sistemática do Simples a partir do anocalendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite estabelecido. Impugnação Improcedente" Recurso Voluntário Foi apresentado Recurso Voluntário no qual são repisados os argumentos de Impugnação. Resolução n. 1801000.304 Por meio da Resolução n. 1801000.304 a 1° Turma Especial determinou o sobrestamento dos autos, conforme dispõe o art. 62A § 2° do Regimento Interno do CARF e a Portaria CARF nº. 01/2012, tendo em vista o reconhecimento de Repercussão Geral da discussão acerca da constitucionalidade da quebra de sigilo bancário sem ordem judicial nos autos do RE n. 601.314. Com a edição da Portaria MF nº 545/13 o presente processo retornou para prosseguimento do julgamento, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. É o Relatório. Fl. 1067DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Preliminar Da ampla defesa e contraditório Alega a ora Recorrente que os ADEs ora em discussão “afrontam o princípio do contraditório e da ampla defesa dispostos na Constituição Federal e na legislação infraconstitucional, haja vista que excluir para após proporcionar meio de defesa não contempla a acepção ampla dos princípios supramencionados, posto que não disponibiliza ao contribuinte o prévio direito ao contraditório e a ampla defesa, sendo tal ato arbitrário, a ponto de consubstanciar a ineficácia dessas garantias constitucionais. não foi respeitado o princípio do contraditório e da ampla defesa”. Não me alinho com tal entendimento. Isso porque, foi disponibilizada à ora Recorrente a chance de apresentar sua impugnação dentro do prazo previsto no art. 14 do PAF, ocasião na qual a Recorrente teve plenamente respeitado o seu direito de apresentar todos os documentos e provas em seu favor que e contrários à sua exclusão do Simples. Sendo assim, por óbvio, tendo sido respeitadas todas as previsões legais aplicáveis, não ocorreu qualquer desrespeito ou colocado qualquer obstáculo ao exercício do direito da ampla defesa e contraditório pela Recorrente. Assim, afasto tal preliminar. Dos efeitos da exclusão A Recorrente defende que os efeitos da exclusão do Simples deve ocorrer somente a partir do mês em que fora recebida a notificação do Ato Declaratório Executivo correspondente à exclusão. Não tem razão a Recorrente. Isso porque, é cristalina a previsão contida no inciso IV do artigo 15 da Lei 9.317/96, que estava vigente à época e determinava que a exclusão se daria a partir do ano calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°. Tendo em vista que o limite de faturamento para permanência no SIMPLES fora ultrapassado em 2005, os efeitos da exclusão ocorrem a partir de 01/01/2006. Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 10640.000998/201041 Acórdão n.º 1201001.993 S1C2T1 Fl. 4 5 Do desrespeito ao limite de faturamento Conforme profundamente avaliado por este Relator nos autos do Proc. n. 10640.001930/201089, a empresa efetivamente ultrapassou os limites previstos em lei para permanência no SIMPLES, não cabendo uma análise detalhada de tal mérito no presente processo. Assim, correta a exclusão da ora Recorrente da sistemática do SIMPLES a partir de 01/01/06. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1069DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722471/2008-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. URV. REGIME DE CAIXA. INAPLICABILIDADE.
É incabível o regime de caixa para rendimentos recebidos acumuladamente. Aplicável no cálculo do tributo o regime de competência.
Numero da decisão: 9202-006.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. URV. REGIME DE CAIXA. INAPLICABILIDADE. É incabível o regime de caixa para rendimentos recebidos acumuladamente. Aplicável no cálculo do tributo o regime de competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 24 71 /2 00 8- 16 Fl. 156DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2201002.557, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmera / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 234.987,98, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. A autuação decorreu de omissão de rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual n° 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Contribuinte apresentou impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fls. 84/89, julgou parcialmente procedente a impugnação. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário. O processo em apreço foi julgado em 15 de agosto de 2012 e os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio do Acórdão nº 2201001.800, decidiram dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Entretanto, constatado que os cálculos foram efetuados com base na tabela vigente na data do pagamento, o processo foi novamente incluído em pauta de julgamento e os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, por meio do Acórdão nº 2201001.950, de 22 de janeiro de 2013, decidiram por acolher os Embargos de Declaração para anular o Acórdão nº 2201001.800, de 15 de agosto de 2012, e sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Em novo julgamento a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 89/95, DEU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Ordinário, para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos, bem como excluir da exigência a aplicação da multa de ofício. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10580.722471/200816 Acórdão n.º 9202006.420 CSRFT2 Fl. 10 3 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. Às fls. 97/108, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação a aplicação, aos rendimentos recebidos acumuladamente, das tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte (entendimento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP). Entendeu o acórdão recorrido que o entendimento fixado pelo STJ em sede de recurso repetitivo se aplicaria aos rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de lei (e não de sentença judicial), devendo a apuração do tributo ser efetuada pelo regime de competência. Os acórdãos paradigmas, por outro lado, entenderam correto o procedimento de apurar o imposto pelo regime de caixa, fixando a tese, inclusive, de que aos rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de lei formal não se aplicaria o precedente do STJ. Fl. 158DF CARF MF 4 Às fls. 130/136, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à aplicação, aos rendimentos recebidos acumuladamente, das tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte (entendimento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP). Intimado através à fl. 144, o Contribuinte permaneceu inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 234.987,98, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à aplicação, aos rendimentos recebidos acumuladamente, das tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte (entendimento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP). Na decisão recorrida, deuse provimento ao recurso, para cancelar o lançamento, devido à impossibilidade de refazimento do lançamento na atual fase processual. Da análise do tema, observo que assiste razão ao Contribuinte, pois o referido lançamento não pode prosperar. Isso porque o art. 12 da Lei nº 7.713/88 teve sua constitucionalidade afastada. O referido dispositivo legal que era utilizado para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido, teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nª 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da Repercussão Geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, vejamos: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10580.722471/200816 Acórdão n.º 9202006.420 CSRFT2 Fl. 11 5 Nesse sentido cito aqui voto do Conselheiro Relator Martin da Silva Gesto, no processo 11080.731461/201324, julgado recentemente (17/02/2016) já pela nova composição de conselheiros deste Tribunal Administrativo: De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica de dispositivo legal, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento que utilizou fundamento legal inválido, contudo, como se trata de recurso apresentado pela Fazenda Nacional limito a presente decisão tão somente a manutenção do acórdão recorrido que determinou o recálculo com base no regime de competência e não de caixa. Registro aqui que este não é o entendimento da maioria do colegiado que entende inaplicável ao caso o regime de caixa sendo correta a apuração por regime de competência, contudo, não entende haver vício material, devendo haver recálculo da base de incidência do referido tributo. Diante do exposto conheço do Recurso interposto pela Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.722067/2013-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/03/2009 a 31/12/2012
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. VÍCIOS FORMAIS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou vícios na emissão do Termo de Início de Ação Fiscal ou Mandado de Procedimento Fiscal não acarretam na automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa.
PIS. COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. DESVIO DE ATIVIDADE EMPRESARIAL. AUSÊNCIA DE PROVA. PREVALÊNCIA DA FORMA CONSTITUTIVA DA SOCIEDADE.
De acordo com o Decreto n. 5.442/2005, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das contribuições ficam reduzidas a zero. O deságio obtido na aquisição dos títulos de créditos, proveniente da diferença entre o valor pago e o valor de face título creditório, constitui receita financeira para empresas industriais. A Fiscalização não pode, após a constatação de que durante poucos meses tais tipos de receita foram significativas nas atividades empresarias, imputar nova qualificação jurídica à sociedade industrial, tratando-a como factoring e impondo diferente regime jurídico a ser seguido. Caso houvesse fraude, sonegação ou qualquer abuso pela empresa, daí sim poder-se-ia cogitar a alteração de seu regime jurídico, ultrapassando a forma pela qual está constituída. Do contrário, ela deve prevalecer.
AUTO DE INFRAÇÃO. DILIGÊNCIA. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Tendo sido comprovado em diligência promovida no decorrer do processo administrativo que o crédito quantum cobrado por meio de auto de infração encontra-se estava equivocado, em razão da base de cálculo ter impropriamente apropriado determinados valores como omissão de receita, deve ser cancelado o montante cobrado equivocadamente da Contribuinte.
REMISSÃO DE DÍVIDA. PIS. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO.
A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente.
REINTEGRA. SUBVENÇÃO CORRENTE. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO EM REGIME NÃO CUMULATIVO.
Os valores apurados no âmbito do Regime de Reintegração de Valores Tributários para Empresas Exportadoras (Reintegra) representam receitas da pessoa jurídica beneficiária por tratar-se o regime de espécie de subvenção corrente. Portanto, tais valores integram a base de cálculo da contribuição em regime não cumulativo.
PRESUNÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE RECURSOS. PROVA. DÍVIDA SUBMETIDA À PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL. AFASTAMENTO DA PRESUNÇÃO.
O processo de recuperação judicial tem rito próprio, estabelecido pela Lei n. 11.101/2005, sempre no intuito de viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica. Nestes termos, o pagamento dos credores deve seguir o plano de pagamento votado em Assembleia pelos credores da empresa recuperanda.
Tendo as razões pela qual a fiscalização motivou a omissão de receita (não contabilização da dívida e falta de comprovação dos recursos) sido postas de lado pelo resultado da diligência, o qual provou que as dívidas só poderiam ser pagas em momento oportuno (nos termo do plano de recuperação judicial, onde foram incluídas) e o foram, pelo menos em parte, conclui-se que a presunção de omissão de receitas estabelecida pelo artigo 40 da Lei n. 9.430/96 deve ser afastada no presente caso.
PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPRA DE PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. SUSPENSÃO. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição tributada à alíquota zero, ou suspensa, de bem para revender ou usar como insumo não gera crédito na sistemática não-cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ERRO DE DIREITO. ARTIGO 146 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE.
Pela comparação entre os fundamentos originais da autuação e os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal quando da apresentação do relatório de diligência efetuada no decorrer do processo administrativo, constata-se existir inequívoca alteração dos fundamentos do lançamento tributário.
Delimitando o que seria passível de mudança no âmbito do lançamento tributário, a doutrina é uníssona no sentido de que o erro da autoridade fiscal que justifica a alteração do ato de lançamento é apenas o erro de fato, e não o erro de direito. Assim, é certo que quando o aplicador do Direito vê no mesmo fato características que antes não foram relevantes para a interpretação a seu respeito, levando a uma nova valoração jurídica desse mesmo fato, estar-se-á direito do erro de direito e, portanto, da limitação imposta pelo artigo 146 do CTN.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO. PALETES. EMBALAGEM. CRITÉRIOS. DIREITO AO CRÉDITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
A respeito de paletes, encontrando-se preenchidos os requisitos para a tomada do crédito das contribuições sociais especificamente sobre esse insumo, quais sejam: i) a importância dos paletes para a preservação dos produtos, uma vez que são utilizados para embalar seus produtos destinados à venda, de modo a garantir que cheguem em perfeitas condições ao destino final; ii) seu integral consumo no processo produtivo, protegendo o produto, sendo descartados pelo adquirente e não mais retornando para o estabelecimento da contribuinte; deve ser reconhecido o direito ao crédito.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3402-004.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: a) em relação às receitas decorrentes de deságio na aquisição de títulos e direitos creditório (item 2.1.1 do voto), por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Jorge Olmiro Lock Freire; b) em relação às receitas decorrentes de deságio na aquisição de LTN e NTN (item 2.1.2 do voto), por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Jorge Freire; c) em relação à omissão de receita de perdão/deságio no pagamento de empréstimos bancários (item 2.1.3 do voto), por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; d) em relação à omissão de receitas dos valores de ressarcimento do Reintegra (item 2.2 do voto), por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; e) em relação à omissão de receitas decorrentes de Rapel (item 2.3 do voto), por unanimidade de votos, em dar provimento parcial nos termos informado na diligência fiscal; f) em relação à omissão de receitas de pagamento efetuados com recurso estranho à contabilidade (item 2.4 do voto), por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire; g) em relação à omissão de receitas de remissão de dívidas por fornecedores (item 2.5 do voto), por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; h) em relação à glosa de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero (item 2.6 do voto), por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso; i) em relação à glosa de créditos de produtos adquiridos com suspensão das contribuições - Pessoa Jurídica Preponderantemente Exportadora (item 2.7 do voto), por maioria de votos, em dar provimento parcial nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Jorge Olmiro Lock Freire, que negavam provimento em relação à reversão da glosa das NF 5864 e 7349, emitida pelo fornecedor Manuchar; e j) em relação à glosa de aquisição de crédito sobre aquisição de paletes (item 2.8 do voto), por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Acompanhou o julgamento o Dr. Pietro Figueiredo de Paiva, OAB/DF 27.944.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Pedro Sousa Bispo - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: a) em relação às receitas decorrentes de deságio na aquisição de títulos e direitos creditório (item 2.1.1 do voto), por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Jorge Olmiro Lock Freire; b) em relação às receitas decorrentes de deságio na aquisição de LTN e NTN (item 2.1.2 do voto), por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Jorge Freire; c) em relação à omissão de receita de perdão/deságio no pagamento de empréstimos bancários (item 2.1.3 do voto), por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; d) em relação à omissão de receitas dos valores de ressarcimento do Reintegra (item 2.2 do voto), por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; e) em relação à omissão de receitas decorrentes de Rapel (item 2.3 do voto), por unanimidade de votos, em dar provimento parcial nos termos informado na diligência fiscal; f) em relação à omissão de receitas de pagamento efetuados com recurso estranho à contabilidade (item 2.4 do voto), por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire; g) em relação à omissão de receitas de remissão de dívidas por fornecedores (item 2.5 do voto), por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; h) em relação à glosa de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero (item 2.6 do voto), por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso; i) em relação à glosa de créditos de produtos adquiridos com suspensão das contribuições - Pessoa Jurídica Preponderantemente Exportadora (item 2.7 do voto), por maioria de votos, em dar provimento parcial nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Jorge Olmiro Lock Freire, que negavam provimento em relação à reversão da glosa das NF 5864 e 7349, emitida pelo fornecedor Manuchar; e j) em relação à glosa de aquisição de crédito sobre aquisição de paletes (item 2.8 do voto), por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Acompanhou o julgamento o Dr. Pietro Figueiredo de Paiva, OAB/DF 27.944. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. (Assinado com certificado digital) Pedro Sousa Bispo - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/03/2009 a 31/12/2012 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. VÍCIOS FORMAIS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou vícios na emissão do Termo de Início de Ação Fiscal ou Mandado de Procedimento Fiscal não acarretam na automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. PIS. COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. DESVIO DE ATIVIDADE EMPRESARIAL. AUSÊNCIA DE PROVA. PREVALÊNCIA DA FORMA CONSTITUTIVA DA SOCIEDADE. De acordo com o Decreto n. 5.442/2005, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das contribuições ficam reduzidas a zero. O deságio obtido na aquisição dos títulos de créditos, proveniente da diferença entre o valor pago e o valor de face título creditório, constitui receita financeira para empresas industriais. A Fiscalização não pode, após a constatação de que durante poucos meses tais tipos de receita foram significativas nas atividades empresarias, imputar nova qualificação jurídica à sociedade industrial, tratando-a como factoring e impondo diferente regime jurídico a ser seguido. Caso houvesse fraude, sonegação ou qualquer abuso pela empresa, daí sim poder-se-ia cogitar a alteração de seu regime jurídico, ultrapassando a forma pela qual está constituída. Do contrário, ela deve prevalecer. AUTO DE INFRAÇÃO. DILIGÊNCIA. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Tendo sido comprovado em diligência promovida no decorrer do processo administrativo que o crédito quantum cobrado por meio de auto de infração encontra-se estava equivocado, em razão da base de cálculo ter impropriamente apropriado determinados valores como omissão de receita, deve ser cancelado o montante cobrado equivocadamente da Contribuinte. REMISSÃO DE DÍVIDA. PIS. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente. REINTEGRA. SUBVENÇÃO CORRENTE. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO EM REGIME NÃO CUMULATIVO. Os valores apurados no âmbito do Regime de Reintegração de Valores Tributários para Empresas Exportadoras (Reintegra) representam receitas da pessoa jurídica beneficiária por tratar-se o regime de espécie de subvenção corrente. Portanto, tais valores integram a base de cálculo da contribuição em regime não cumulativo. PRESUNÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE RECURSOS. PROVA. DÍVIDA SUBMETIDA À PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL. AFASTAMENTO DA PRESUNÇÃO. O processo de recuperação judicial tem rito próprio, estabelecido pela Lei n. 11.101/2005, sempre no intuito de viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica. Nestes termos, o pagamento dos credores deve seguir o plano de pagamento votado em Assembleia pelos credores da empresa recuperanda. Tendo as razões pela qual a fiscalização motivou a omissão de receita (não contabilização da dívida e falta de comprovação dos recursos) sido postas de lado pelo resultado da diligência, o qual provou que as dívidas só poderiam ser pagas em momento oportuno (nos termo do plano de recuperação judicial, onde foram incluídas) e o foram, pelo menos em parte, conclui-se que a presunção de omissão de receitas estabelecida pelo artigo 40 da Lei n. 9.430/96 deve ser afastada no presente caso. PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPRA DE PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. SUSPENSÃO. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição tributada à alíquota zero, ou suspensa, de bem para revender ou usar como insumo não gera crédito na sistemática não-cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ERRO DE DIREITO. ARTIGO 146 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. Pela comparação entre os fundamentos originais da autuação e os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal quando da apresentação do relatório de diligência efetuada no decorrer do processo administrativo, constata-se existir inequívoca alteração dos fundamentos do lançamento tributário. Delimitando o que seria passível de mudança no âmbito do lançamento tributário, a doutrina é uníssona no sentido de que o erro da autoridade fiscal que justifica a alteração do ato de lançamento é apenas o erro de fato, e não o erro de direito. Assim, é certo que quando o aplicador do Direito vê no mesmo fato características que antes não foram relevantes para a interpretação a seu respeito, levando a uma nova valoração jurídica desse mesmo fato, estar-se-á direito do erro de direito e, portanto, da limitação imposta pelo artigo 146 do CTN. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO. PALETES. EMBALAGEM. CRITÉRIOS. DIREITO AO CRÉDITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. A respeito de paletes, encontrando-se preenchidos os requisitos para a tomada do crédito das contribuições sociais especificamente sobre esse insumo, quais sejam: i) a importância dos paletes para a preservação dos produtos, uma vez que são utilizados para embalar seus produtos destinados à venda, de modo a garantir que cheguem em perfeitas condições ao destino final; ii) seu integral consumo no processo produtivo, protegendo o produto, sendo descartados pelo adquirente e não mais retornando para o estabelecimento da contribuinte; deve ser reconhecido o direito ao crédito. Recurso voluntário parcialmente provido.
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MPF. VÍCIOS FORMAIS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou vícios na emissão do Termo de Início de Ação Fiscal ou Mandado de Procedimento Fiscal não acarretam na automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. PIS. COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. DESVIO DE ATIVIDADE EMPRESARIAL. AUSÊNCIA DE PROVA. PREVALÊNCIA DA FORMA CONSTITUTIVA DA SOCIEDADE. De acordo com o Decreto n. 5.442/2005, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições ficam reduzidas a zero. O deságio obtido na aquisição dos títulos de créditos, proveniente da diferença entre o valor pago e o valor de face título creditório, constitui receita financeira para empresas industriais. A Fiscalização não pode, após a constatação de que durante poucos meses tais tipos de receita foram significativas nas atividades empresarias, imputar nova qualificação jurídica à sociedade industrial, tratandoa como factoring e impondo diferente regime jurídico a ser seguido. Caso houvesse fraude, sonegação ou qualquer abuso pela empresa, daí sim poderseia cogitar a alteração de seu regime jurídico, ultrapassando a forma pela qual está constituída. Do contrário, ela deve prevalecer. AUTO DE INFRAÇÃO. DILIGÊNCIA. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Tendo sido comprovado em diligência promovida no decorrer do processo administrativo que o crédito quantum cobrado por meio de auto de infração AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 20 67 /2 01 3- 62 Fl. 27326DF CARF MF 2 encontrase estava equivocado, em razão da base de cálculo ter impropriamente apropriado determinados valores como omissão de receita, deve ser cancelado o montante cobrado equivocadamente da Contribuinte. REMISSÃO DE DÍVIDA. PIS. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente. REINTEGRA. SUBVENÇÃO CORRENTE. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO EM REGIME NÃO CUMULATIVO. Os valores apurados no âmbito do Regime de Reintegração de Valores Tributários para Empresas Exportadoras (Reintegra) representam receitas da pessoa jurídica beneficiária por tratarse o regime de espécie de subvenção corrente. Portanto, tais valores integram a base de cálculo da contribuição em regime não cumulativo. PRESUNÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE RECURSOS. PROVA. DÍVIDA SUBMETIDA À PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL. AFASTAMENTO DA PRESUNÇÃO. O processo de recuperação judicial tem rito próprio, estabelecido pela Lei n. 11.101/2005, sempre no intuito de viabilizar a superação da situação de crise econômicofinanceira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica. Nestes termos, o pagamento dos credores deve seguir o plano de pagamento votado em Assembleia pelos credores da empresa recuperanda. Tendo as razões pela qual a fiscalização motivou a omissão de receita (não contabilização da dívida e falta de comprovação dos recursos) sido postas de lado pelo resultado da diligência, o qual provou que as dívidas só poderiam ser pagas em momento oportuno (nos termo do plano de recuperação judicial, onde foram incluídas) e o foram, pelo menos em parte, concluise que a presunção de omissão de receitas estabelecida pelo artigo 40 da Lei n. 9.430/96 deve ser afastada no presente caso. PIS. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. COMPRA DE PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. SUSPENSÃO. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição tributada à alíquota zero, ou suspensa, de bem para revender ou usar como insumo não gera crédito na sistemática nãocumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ERRO DE DIREITO. ARTIGO 146 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. Pela comparação entre os fundamentos originais da autuação e os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal quando da apresentação do relatório de diligência efetuada no decorrer do processo administrativo, constatase existir inequívoca alteração dos fundamentos do lançamento tributário. Fl. 27327DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 515 3 Delimitando o que seria passível de mudança no âmbito do lançamento tributário, a doutrina é uníssona no sentido de que o erro da autoridade fiscal que justifica a alteração do ato de lançamento é apenas o erro de fato, e não o erro de direito. Assim, é certo que quando o aplicador do Direito vê no mesmo fato características que antes não foram relevantes para a interpretação a seu respeito, levando a uma nova valoração jurídica desse mesmo fato, estarseá direito do erro de direito e, portanto, da limitação imposta pelo artigo 146 do CTN. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO. PALETES. EMBALAGEM. CRITÉRIOS. DIREITO AO CRÉDITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. A respeito de paletes, encontrandose preenchidos os requisitos para a tomada do crédito das contribuições sociais especificamente sobre esse insumo, quais sejam: i) a importância dos paletes para a preservação dos produtos, uma vez que são utilizados para embalar seus produtos destinados à venda, de modo a garantir que cheguem em perfeitas condições ao destino final; ii) seu integral consumo no processo produtivo, protegendo o produto, sendo descartados pelo adquirente e não mais retornando para o estabelecimento da contribuinte; deve ser reconhecido o direito ao crédito. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: a) em relação às receitas decorrentes de deságio na aquisição de títulos e direitos creditório (item 2.1.1 do voto), por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Jorge Olmiro Lock Freire; b) em relação às receitas decorrentes de deságio na aquisição de LTN e NTN (item 2.1.2 do voto), por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Jorge Freire; c) em relação à omissão de receita de perdão/deságio no pagamento de empréstimos bancários (item 2.1.3 do voto), por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; d) em relação à omissão de receitas dos valores de ressarcimento do Reintegra (item 2.2 do voto), por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; e) em relação à omissão de receitas decorrentes de Rapel (item 2.3 do voto), por unanimidade de votos, em dar provimento parcial nos termos informado na diligência fiscal; f) em relação à omissão de receitas de pagamento efetuados com recurso estranho à contabilidade (item 2.4 do voto), por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire; g) em relação à Fl. 27328DF CARF MF 4 omissão de receitas de remissão de dívidas por fornecedores (item 2.5 do voto), por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; h) em relação à glosa de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero (item 2.6 do voto), por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso; i) em relação à glosa de créditos de produtos adquiridos com suspensão das contribuições Pessoa Jurídica Preponderantemente Exportadora (item 2.7 do voto), por maioria de votos, em dar provimento parcial nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Jorge Olmiro Lock Freire, que negavam provimento em relação à reversão da glosa das NF 5864 e 7349, emitida pelo fornecedor Manuchar; e j) em relação à glosa de aquisição de crédito sobre aquisição de paletes (item 2.8 do voto), por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Acompanhou o julgamento o Dr. Pietro Figueiredo de Paiva, OAB/DF 27.944. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. (Assinado com certificado digital) Pedro Sousa Bispo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP, que declarou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de Contribuição ao PIS e de COFINS não cumulativas, consubstanciada nos autos de infração em questão (fls 2999 3117), incluídos principal, juros de mora e multa no percentual de 75%. Por bem consolidar os mais importantes fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, bem como os argumentos trazidos pelo contribuinte em sede de impugnação, com riqueza de detalhes, colaciono os mais importantes trechos relatório do Acórdão da DRJ: Os enquadramentos legais encontramse nos autos de infração juntados às fls. 2999/3117. De acordo com o Termo de Verificação, de fls.2909/2940, a fiscalização apurou a falta de recolhimento, conforme as seguintes infrações apuradas: 1) Omissão de receitas decorrentes de deságio na aquisição de títulos ou direitos creditórios Fl. 27329DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 516 5 A fiscalizada não ofereceu à tributação das contribuições para o PIS e COFINS as receitas relativas a compra de 209 (duzentos e nove) títulos de crédito, classificados contabilmente no Ativo Realizável a Longo Prazo, nos períodos de 03/2009 a 06/2009, constituída por deságio obtido em compras extremamente vantajosas ao se pagar valor diminuto em relação ao valor patrimonial dos títulos, ou seja, diferença positiva entre o valor dos títulos (valor de face/valor patrimonial) e o custo de aquisição (valor pago). A autoridade fiscal entendeu que o deságio obtido na aquisição de precatórios de terceiros, proveniente da diferença entre o valor pago e o valor do título creditório, gerou um ganho patrimonial, pois os títulos de crédito adquiridos possuíam um valor de face maior do que o efetivamente pago. Esse ganho patrimonial constituiria receita, devendo ser reconhecida e tributada nos termos da legislação de regência. Também, concluiu que a aquisição de precatórios alimentícios de terceiros por valor inferior ao valor do título creditório não poderia significar outra coisa senão acréscimo no ativo mediante a transação realizada, o qual, efetivamente, gerou um aumento no patrimônio líquido da empresa uma vez que a saída de recursos financeiros foi menor que os direitos creditórios adquiridos. E assim, o deságio por ela obtido se refere a uma receita, a qual, por expressa previsão legal, está sujeita à tributação das contribuições em questão: Cumpre ressaltar que não há fundamento legal para que se considere ocorrido o fato gerador da receita somente no momento em que os recursos que a ela deram origem sejam efetivamente recebidos. O fato gerador do PIS e da COFINS ocorreu no momento em que a receita foi auferida, isto é, no momento da aquisição dos títulos de crédito de terceiros com deságio, independentemente de quando estes direitos creditórios sejam efetivamente recebidos ou negociados. Vê se que a diferença entre o valor de face e o valor de aquisição de títulos ou direitos de créditos não é receita financeira, devendo integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativas no valor dessa diferença. A fiscalização fez constar no relatório que a fiscalizada também deixou de oferecer à tributação das contribuições para o PIS e COFINS o deságio ocorrido na aquisição de direitos creditórios relativos a títulos públicos LTN – Letras do Tesouro Nacional e NTN – Notas do Tesouro Nacional. O fato gerador das contribuições para o PIS e COFINS ocorreu na data de aquisição dos títulos da dívida pública (vide escritura pública), cuja base de cálculo é representada pela diferença entre o valor de face do título da dívida pública (R$5.000.000,00) e o custo da aquisição (R$2.500.000,00), devendo a vantagem econômica de R$2.500.000,00 ser oferecida à tributação, independentemente de ter prosperada a restituição desejada junto Fl. 27330DF CARF MF 6 à SRFB ou da destinação dada aos títulos, seja nova negociação ou devolução. Assim sendo, as receitas obtidas pela fiscalizada representada pela diferença entre o valor de face dos títulos ou direitos de crédito e o custo de aquisição, constituem receitas operacionais e integram o faturamento mensal, devendo compor a base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS, cabendo a exigência de ofício para cobrança dos débitos devidos de PIS e COFINS nos PA 03/2009 a 06/2009, conforme montantes especificados na tabela 1 deste Relatório de Fiscalização, e PA 03/2011. 2) Omissão de receitas de perdão/deságio no pagamento de empréstimos bancários A fiscalização levada à efeito informou que a contribuinte deixou de oferecer à tributação das contribuições para o PIS e COFINS as receitas decorrentes da aquisição de títulos de créditos com enorme deságio, representativos de dívidas bancárias da própria fiscalizada (deságio da própria obrigação), sob arguição de tratarse de receitas sujeitas à alíquota zero das contribuições para o PIS e COFINS. O deságio ocorrido é fruto da diferença entre o custo de aquisição e o valor patrimonial dos títulos na época da aquisição. Houve deságio porque o preço de custo dos títulos foi menor que seu valor patrimonial, verificandose compra extremamente vantajosa. A autoridade administrativa enumerou as operações de pagamento de empréstimo da fiscalizada junto ao Itaú Unibanco S/A, Banco Citibank S/A e Banco Latinoamericano. A fiscalização concluiu que os negócios aparentemente podem ser uma operação de compra de títulos de créditos com deságio, no entanto ao se examinar detidamente o conjunto de eventos, ao invés de individualizadamente cada operação, notase que há de fato a exoneração das dívidas de empréstimos bancários e ainda que: (...) 3) Omissão de receita dos valores de ressarcimento do REINTEGRA A fiscalização informou que a contribuinte é pessoa jurídica exportadora beneficiária do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), com o objetivo de reintegrar valores referentes a custos tributários federais residuais existentes nas suas cadeias de produção, instituído pela Medida Provisória nº 540, de 2 de agosto de 2011, posteriormente convertida na Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011 e alterações. Nas análises, a fiscalização entendeu que a fiscalizada deixou de oferecer à tributação das contribuições para o PIS e COFINS, não cumulativos, os valores de ressarcimento do Regime de Reintegração de Valores Tributários para Empresas Fl. 27331DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 517 7 Exportadora (Reintegra), que representam receita operacional a compor a base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins e entendeu: (...) 4) Omissão de Receitas decorrentes de RAPEL A auditoria realizada levou a fiscalização a concluir que a fiscalizada deixou de oferecer à tributação das contribuições para o PIS e COFINS as receitas de concessão de descontos, sob a denominação de RAPEL, oferecidos pelo fornecedor Navi Carnes sobre o preço de compra dos produtos: A interessada foi intimada, por meio do TIF nº 05, a demonstrar, com apresentação de documentação hábil e idônea, o oferecimento à tributação das receitas decorrentes de "RAPEL", os quais foram concedidos pelo fornecedor Navi Carnes Indústria e Comércio LTDA, CNPJ 02.982.267/000157, conforme discriminado nos lançamentos contábeis constantes do SPED contábil do fornecedor, contabilizado como despesa operacional. Em resposta, a interessada informa que não reconhece as referidas receitas. (...) 5) Omissão de receitas Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade A autoridade fiscal também entendeu que a fiscalizada omitiu receitas caracterizada pela inexistência de contabilização de pagamentos da aquisição de precatórios alimentícios, bem como a falta de comprovação da origem dos recursos empregados nos pagamentos. (...) A falta de registro contábil de pagamentos dos pagamentos na aquisição de precatórios pela empresa, caracteriza ocorrência de omissão de receitas, por denotar que os recursos utilizados para estes desembolsos, se é que ocorreram, foram provenientes de receitas mantidas à margem da tributação. O total não contabilizado soma R$5.603.343,27. 6) Omissão de receitas de remissão de dívidas por fornecedores No relatório a autoridade fiscal informou que fiscalizada deixou de oferecer à tributação das contribuições para o PIS e COFINS as receitas decorrentes da remissão de dívidas devidas a fornecedores. (...) 7) Glosa de créditos calculados sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero Fl. 27332DF CARF MF 8 A fiscalização informou que o contribuinte calculou créditos indevidamente das contribuições para o PIS e COFINS na aquisição Sulfato de Amônio, NCM 31022100, sujeito à alíquota zero. (...) 8) Glosa de créditos adquiridos com suspensão das contribuições – Pessoa Jurídica Preponderantemente Exportadora Informou a autoridade que a interessada aproveitou indevidamente créditos das contribuições para o PIS e COFINS na aquisição de produtos com suspensão das contribuições prevista no art. 40 da Lei 10.865/2004. A empresa alegou em resposta ao TIF nº 02 que a aquisição, ou não, dentro deste regime de suspensão, fica a critério do adquirente, conforme previsto no art. 14 da IN SRF 595/2005. De acordo com informações constantes das notas fiscais do item 4 do Anexo V do Relatório de Fiscalização, a fiscalizada adquiriu os produtos com suspensão da exigibilidade das contribuições, por ser pessoa jurídica preponderantemente exportadora. Dessa forma, os produtos do item 4 do Anexo V do Relatório de Fiscalização adquiridos com o benefício de suspensão da incidência das contribuições estabelecido pela Lei 10.865/2004, art. 40, não gera direito creditório para a interessada, cabendo a glosa dos créditos de PIS e COFINS aproveitados indevidamente. 9) Glosa de créditos calculados sobre a aquisição de paletes Ficou constatado que A interessada calculou créditos de PIS e COFINS nas aquisições de paletes de madeira sem amparo legal. A interessada alegou em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 02 que o aproveitamento de créditos na aquisição de paletes está em consonância com a legislação de regência, já que se trata de material destinado à embalagem de couros semiacabados e acabados destinados a exportação. Inconformada, a autuada apresentou a impugnação de fls 3165/3240, na qual inicia alegando como preliminar a nulidade do feito, pois não havia procedimento de fiscalização iniciado contra a impugnante: O Termo de Inicio de Procedimento Fiscal amparado pelo MPF 0810500.2013.00953, somente foi recepcionado pela impugnante no dia 20/12/2013 (sexta feira), iniciandose a partir de 23/12/2013 (segunda feira), enquanto que o Auto de Infração foi lavrado em 19/12/2013. Além disso, alega que o novo exame deveria ser motivado e acarretaria a nulidade, pois atropelou o mais basilar princípio do direito consagrado ao contribuinte, ou seja, cerceamento ao pleno direito de defesa. Fl. 27333DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 518 9 (...) Ainda, quanto à fiscalização, insurgese contra o que denomina “Procedimento de Refiscalização”, alegando que seria necessária a motivação e que o procedimento deveria se enquadrar no artigo 149 do Código Tributário Nacional, fato que não ocorreu. (...) No mérito, a contribuinte enumera sua alegações: 1.Da omissão de Receita de Deságio 1.1 Da Omissão de Receita Decorrentes de Deságio na Aquisição de Títulos e Direito Creditórios (...) De inicio é de se deixar bem claro que os precatórios não são títulos de crédito, já que não possuem poder executório, ou seja, mesmo vencidos não podem ser executados pelo seu credor, pois já são a materialização de uma execução de sentença. (...) Da leitura do excerto acima fica evidente que o i. fiscal autuante não compareceu as aulas de Contabilidade, pois está tomando Receita como sinônimo de Lucro Líquido, sendo certo que tudo isso não passa de aleivosias de sua mente fértil. Alega que se diferencia precatório e títulos públicos com as aquisições de faturamento pelas empresas de factoring e que não se tratou de atividade especulativa com intuito de lucro. Afirma que para PIS e Cofins as alíquotas foram reduzidas a “zero” por conta do Decreto nº 5.442/05. 1.2 – Aquisição de Direitos de LTN – Letras do Tesouro Nacional e NTN – Notas do Tesouro Nacional Alega que não ocorreu qualquer pagamento, já que este se daria apenas em caso da utilização daquele crédito. Como se pode ver, apesar da existência da escritura pública, resta claro que o negócio jurídico não se aperfeiçoou, pois estava vinculado ao CONTRATO PARTICULAR DE CESSÃO PARCIAL DE ATIVOS E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS, firmados com o titular do suposto crédito. Conforme a subcláusula acima colacionada, a impugnante não tinha a livre disposição dos ativos. Ademais, se houve inserção de declaração falsa em documento público isso se deu por parte da alienação dos créditos, que ao fina!, se mostrou inexistente, conforme consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil. Fl. 27334DF CARF MF 10 Não tendo havido fato contábil passível de registro, não há que se falar em deságio e muito menos na sua tributação, já que, se acaso existisse estaria sujeito a incidência de "alíquota zero" por se tratar de receita financeira. 1.3 – Omissão de Receitas de Perdão/Deságio no Pagamento de Empréstimos Bancários Afirma que a autuação está equivocada, pois não se tratam de títulos de crédito e sim de direitos creditórios. Além disso, alega que os empréstimos bancários não foram quitados. É preciso ainda, que fique claro que a aquisição dos direitos creditórios, num primeiro momento, foi feita pelas empresas Brasil Distressed e Blackwood. Posteriormente, ditos direitos creditórios foram adquiridos pelo Sr. Nilson Riga Vitale, que apesar de sócio da impugnante, não se confunde com esta em respeito ao principio da entidade. (...) Como se pode ver pelo Razão das respectivas contas, as receitas do deságio na aquisição dos direitos creditórios, foram devidamente reconhecidas e contabilizadas de acordo com as normas contábeis vigentes, porém, não podemos olvidar que se trata de receitas financeiras sujeitas a incidência de "alíquota zero". 2 – Omissão de Receita dos Valores de Ressarcimento do Reintegra A interessada alega que na subvenção há transferência de recursos pelo Estado, o REINTEGRA, não tem a feição de subvenção, tratandose, sim, de incentivo fiscal instituído para diminuir custos tributários, desonerar o exportador produtor de bens manufaturados, a fim de estimular as exportações. Cita jurisprudência e entende: Concluindo, se o objetivo da lei foi desonerar a exportação, não seria lógico permitir a tributação, como pretende o Fisco, sob pena de anular parcialmente o beneficio fiscal, ou seja, dar com uma mão e tirar com a outra. 3 – Omissão de Receitas Decorrentes de Rapel A impugnante alega que não existe e nunca existiu operação de "rapel" com aquele fornecedor. Aqui a douta fiscalização, totalmente desvinculada da realidade, num grande esforço mental, entendeu que a Impugnante deixou de oferecer à tributação as receitas decorrentes de descontos, sob a denominação de Rapel, oferecido pelo fornecedor Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda. O ilustre fiscal autuante, com base na escrituração irregular do fornecedor, ignorando completamente a escrituração da Impugnante, lançou a exigência tributária. Fl. 27335DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 519 11 Cita doutrina que entende aplicável e conclui: Nessa esteira, independente de ser desconto ou abatimento, ambos estão inseridos no conceito de receitas financeiras, sujeitas à incidência do PIS e COFINS não cumulativo à alíquota zero. Além disso, as informações constantes do Anexo II são estranhas á escrituração fiscocontábil da Impugnante, não podendo, sem que haja robusta comprovação pela fiscalização, haver qualquer exigência fiscal, restando impugnadas. Requerse a improcedência da acusação e exigência fiscal 4 – Omissão de Receitas – Pagamentos Efetuados com Recursos Estranhos à Contabilidade A impugnante se manifesta contrariamente ao contido no termo de fiscalização: Esse é o maior absurdo dentre as acusações perpetradas pelo ilustre autor do feito, que por ausência de capacidade técnica ou por pura máfé ou, ainda, por interesses pessoais que não condizem com os princípios norteadores do serviço público, manipula e distorce as informações prestadas pela impugnante, conforme se extrai das respostas ao TIF n° 05, datadas de 13/11/2013 e 03/12/2013, com o intuito de imputar exigência fiscal indevida. Em momento algum, nas respostas e informações apresentadas a impugnante afirma ou confirma a falta de contabilização dos valores apontados pela fiscalização, por absoluta impossibilidade, como se verá a seguir. Como amplamente informado pela impugnante e pelo Meritíssimo Juízo da 2ª Vara Cível de Presidente Prudente, esta se encontra em processo de recuperação judicial, Feito n° 126/2010 de 29/01/2010. Pois bem, os valores e os períodos apontados pela fiscalização não foram pagos ainda, em obediência ao que restou aprovado pela Assembléia de Credores no Plano de Recuperação Judicial, não havendo fato contábil passível de contabilização. 5 – Omissão de Receitas de Remissão de Dívidas por Fornecedores Sobre a impugnante ter deixado de oferecer a tributação das contribuições para o PIS e COFINS as receitas de remissão de dividas devidas a fornecedores, na peça recursal a interessada explica que na atividade da empresa é comum a ocorrência de inconformidades relacionadas à sua matéria prima principal, ou seja, o couro verde, salgado ou salmorado, principalmente com relação à qualidade, conservação, peso, etc. Além disso, continua com as informações e o trato com os fornecedores: Fl. 27336DF CARF MF 12 Algumas dessas inconformidades só aparecem após iniciado o processo industrial, sendo um dos motivos pelo qual os descontos não são imediatos ao recebimento da mercadoria, além disso, o pleito de descontos e abatimento encontra resistência por parte desses fornecedores, somente se resolvendo meses após, de forma cumulativa, resultando nos casos de descontos superiores relatados pela fiscalização. (...) Nessa esteira, independente de ser desconto ou abatimento, ambos estão inseridos no conceito de receitas financeiras, sujeitas a incidência do PIS e COFINS não cumulativo à alíquota zero. 6 – Glosa de Créditos sobre Compra de Produtos Sujeitos à Alíquota Zero Quanto à autuada ter calculado créditos indevidamente das contribuições do PIS e COFINS na aquisição de sulfato de amônia, NCM 5102.21.00, sujeito à alíquota zero, a interessada cita legislação que entende aplicável e conclui que: Conforme se extrai do art. 4o da Lei n° 6.894/80, bem como do Decreto n° 4.954/04, tanto as empresas que produzam ou comercializem fertilizantes, corretivos, inoculantes, estimulantes ou biofertilizantes, quanto os produtos estão obrigados ao registro perante o Ministério da Agricultura (MAPA). Não basta simplesmente o produto estar descrito na NCM, é necessário o seu registro em conformidade com as disposições do MAPA. Ainda que vencido esse óbice, deve ser observado que o adquirente seja fabricante dos produtos descritos na lei. Essa conclusão encontra suporte na própria definição legal de fertililizante como sendo "a substância mineral ou orgânica, natural ou sintética, fornecedora de um ou mais nutrientes vegetais". O Sulfato de Amônia somente será considerado fertilizante se aplicado na nutrição vegetal, ou seja, se aplicado na lavoura. No caso da autuada em que é utilizado como insumo no processo de curtimento de couros, não há que se falar em alíquota zero. (...) Portanto, as disposições da Lei n° 10.925/04, não se aplica as aquisições de "Sulfato de Amônio", pois a adquirente não irá empregálo como fertilizante e sim como insumo no processo de industrialização de Couros e Peles, não podendo a douta fiscalização alterar os conceitos legais apenas para efetuar a glosa dos créditos da impugnante. 7. Glosa de Créditos de Produtos Adquiridos com Suspensão das Contribuições Pessoa Jurídica Preponderantemente Exportadora. A interessada explica que a fiscalização entendeu que a autuada tomou crédito das Contribuições ao PIS e COFINS nas Fl. 27337DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 520 13 aquisições de produtos com suspensão das contribuições prevista no art. 40 da Lei n° 10.865/2004. Entende que deveria constar na nota fiscal emitida os termos necessários ao esclarecimento do teor da transação realizada: Ressaltese que a legislação de regência retro citada é taxativa quanto ao que deve constar na Nota Fiscal de venda para a empresa preponderante exportadora, e ainda, deixa bem claro que a aquisição ou não, dentro do regime, fica a critério da adquirente. Não basta que o fornecedor faça constar no corpo da Nota Fiscal que se trata de "Saida com Suspensão da Contribuição ao PIS/COFINS", é necessário que a adquirente tenha manifestado de forma inequívoca essa intenção e que tenham sido observados os requisitos previstos na INSRF n° 595/04. Assim, a cada aquisição o adquirente deve manifestar o interesse em adquirir os produtos com a suspensão, restando ao vendedor a obrigação de proceder conforme previsto na legislação, Nesse caso, antes de efetuar o lançamento, a douta fiscalização deveria, diligenciar junto ao fornecedor afim de que este comprove, com documentos hábeis e idôneos, que a venda atende aos requisitos legais. Em resumo, a fiscalização não comprovou que as Notas Fiscais relacionadas foram emitidas em conformidade com a IN SRF 595/05 e nem com expressa manifestação da adquirente, então é licito o aproveitamento dos créditos do PIS e COFINS, devendo ser afastadas as glosas. É o que se requer. 8. Glosa de Créditos Calculados sobre a Aquisição de Paletes. A impugnante discorre sobre o alcance da palavra insumo, cita normas e jurisprudências que entende aplicáveis e conclui que: Desta feita e em virtude do exposto, há que se considerar como insumos ou custos para fins de créditos das Contribuições ao PIS e COFINS os materiais de embalagem representados pelos paletes, de acordo com a legislação de regência e apoio na doutrina e jurisprudência do CARF. Finalmente, a impugnante requer que seja acolhida e provida a presente Impugnação e ainda que seja realizada perícia contábil, indicando desde logo o Contador, LEANDRO ANTÓNIO MARINI PIRES, CRC/SP n° 185.232/03, CPF 164.617.34813, com endereço profissional à Rua Dr. Gurgel, n° 1041, Centro, CEP 19015140 – Presidente Prudente SP, além de formular quesitos que entende serem pertinentes. Em julgamento datado de 27 de junho de 2014, a DRJ Ribeirão Preto/SP negou provimento à impugnação do Contribuinte (Acórdão 1451.554), nos termos da ementa a seguir colacionada: Fl. 27338DF CARF MF 14 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/03/2009 a 31/12/2012 NÃOCUMULATIVIDADE. COMPRA À ALÍQUOTA ZERO PARA REVENDA OU INSUMO. FORMAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Aquisição tributada à alíquota zero de bem para revender ou usar como insumo não gera crédito na sistemática nãocumulativa. RECEITA. DESÁGIO. AQUISIÇÃO DE PRECATÓRIO. O deságio obtido na aquisição de precatório constitui receita que integra a base de cálculo da COFINS. EMPRESA EXPORTADORA. LUCRO REAL. NÃO CUMULATIVIDADE. VALOR APURADO NO REINTEGRA. TRIBUTAÇÃO. O valor apurado no Regime de Reintegração de Valores Tributários (Reintegra), objeto de ressarcimento em espécie ou de compensação com tributos administrados pela RFB, constitui subvenção para custeio ou operação, a qual integra a receita sujeita à incidência da Contribuição para a Cofins. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/03/2009 a 31/12/2012 NÃOCUMULATIVIDADE. COMPRA À ALÍQUOTA ZERO PARA REVENDA OU INSUMO. FORMAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Aquisição tributada à alíquota zero de bem para revender ou usar como insumo não gera crédito na sistemática nãocumulativa. RECEITA. DESÁGIO. AQUISIÇÃO DE PRECATÓRIO. O deságio obtido na aquisição de precatório constitui receita que integra a base de cálculo da PIS. EMPRESA EXPORTADORA. LUCRO REAL. NÃO CUMULATIVIDADE. VALOR APURADO NO REINTEGRA. TRIBUTAÇÃO. O valor apurado no Regime de Reintegração de Valores Tributários (Reintegra), objeto de ressarcimento em espécie ou de compensação com tributos administrados pela RFB, constitui subvenção para custeio ou operação, a qual integra a receita sujeita à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Fl. 27339DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 521 15 Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/03/2009 a 31/12/2012 RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, os efeitos tributários devem ser determinados conforme os atos efetivamente ocorreram. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/03/2009 a 31/12/2012 MPF. ORDEM ESCRITA. AUTORIZAÇÃO PARA REEXAME DE EXERCÍCIO. Em relação ao mesmo exercício, é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. O Mandato de Procedimento Fiscal é instrumento que consubstancia a própria autorização, por se tratar de ordem escrita para exame do exercício. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 8963 a 9046) repisando os argumentos de sua impugnação. O caso foi pautado para julgamento por este Colegiado, dando origem à Resolução n. 3402000.811, de 23 de agosto de 2016. Nesta oportunidade, o Colegiado, nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/72, julgou necessária a perícia que vinha sendo requerida pela Recorrente desde a sua impugnação, para que fossem analisadas as provas e informações apresentadas pelo contribuinte, bem como quaisquer outros documentos que se fizessem necessários. A Fiscalização apresentou seu parecer em fls 27.260 a 27.292, tendo sido dada ciência à Recorrente sobre o seu conteúdo. Esta, em 06 de outubro de 2017, apresentou sua manifestação sobre o resultado da diligência (fls 23.301 a 23.311). É o relatório. Voto Vencido Fl. 27340DF CARF MF 16 Os requisitos de admissibilidade dos presentes recursos já foram avaliados e acatados por este Colegiado na Resolução n. 3402000.811, uma vez que constituem pressupostos processuais a serem inicialmente postos à apreciação no julgamento. Passo então à análise dos argumentos da defesa. 1. Preliminares de nulidade 1.1. Pela não apreciação de provas Alega a Recorrente que apresentou à Fiscalização toda sua documentação fiscal e contábil, mas que essa não teria sido devidamente analisada e tomada em conta na lavratura do auto de infração, o que o macularia, devendo ser decretada sua nulidade. Entretanto, analisando o Relatório de Fiscalização de fls 2.909 a 2.939, constato que além de a Recorrente ter sido devidamente intimada para apresentar ampla documentação para permitir o trabalho de auditoria fiscal, seus livros, contratos, títulos negociados, dentre outros, foram devidamente averiguados e sopesados pela fiscalização, levando às conclusões que motivação o ato administrativo de lançamento. Assim, afasto a nulidade aventada. 1.2. Por vícios no Mandado de procedimento Fiscal (MPF) Não assiste razão à Recorrente quanto à alegação de nulidade do auto de infração por suposta afronta ao seu direito de contraditório e ampla defesa, sob o argumento de que não havia procedimento de fiscalização iniciado e ainda que o novo exame deveria ser motivado. Afinal, o Termo de Início de Ação fiscal tem a função precípua de comunicar ao sujeito de que ele se encontra sob fiscalização, informando lhe o número do MPF. Este, a seu turno, é instrumento que assegura maior transparência às relações entre o Fisco e contribuinte, permitidolhe certificar a autenticidade do termo, além de consultar no sítio da Secretaria da Receita Federal a fiscalização iniciada. Outrossim, embora não venha ao caso concreto, a ciência do MPF, por registrar o início da fiscalização, afasta a possibilidade de utilização dos efeitos da denúncia espontânea por parte do contribuinte (artigo 138 do CTN). Todavia, eventuais omissões ou incorreções afligindo os citados documentos instrutórios da fiscalização não tem o condão de culminar na nulidade do lançamento tributário, disciplinado pelo artigo 142 do CTN. Somente na hipótese de o contribuinte provar que a presença do vício ocasionou prejuízo em sua defesa é que eventualmente esses vícios poderão acarretar na nulidade do crédito tributário, conforme estabelece a jurisprudência dominante deste Conselho, da qual destaco as ementas dos Acórdãos n. 2301004.766, de 12/07/2016, 9303003.876, de 19/05/2016 e 9101002.132, de 26/02/2015, respectivamente: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DEFICIÊNCIAS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) possibilita ao contribuinte certificarse da autenticidade do termo de início de fiscalização, mediante acesso ao sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Também gera efeitos jurídicos, para fins de aplicação do instituto da denúncia espontânea (art. 138, CTN). Todavia, eventuais omissões ou vícios em sua emissão não Fl. 27341DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 522 17 acarreta a automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. (....) PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal visa o controle administrativo das ações fiscais da RFB, não podendo afastar a vinculação da autoridade tributária à Lei, nos exatos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilização funcional. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN, por isso que a inexistência de MPF não implica nulidade do lançamento. MPF – NULIDADE. Não é nulo o lançamento por prorrogação de MPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do MPF no prazo correto, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência de MPF. No mesmo sentido, consolidouse a jurisprudência deste Conselho, conforme se infere do enunciado da Súmula CARF nº 46: “o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.” Ainda, cabe destacar que, conforme consta dos autos (fl.2471), o início do procedimento fiscal se deu em 17/12/2013, com o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº0810500.2013.00953. O auto de infração foi lavrado em 19/12/2013, dados que comprovam a ordem cronológica rigorosa em atendimento ao que a interessada argumenta não ter ocorrido. Ademais, quanto ao reexame, este foi realizado com ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. Com base no que havia sido constatado no procedimento fiscal, o Delegado da Receita Federal autorizou o reexame dos períodos em comento. Por fim, não cabe confundir o procedimento de refiscalização (ainda não existe um lançamento pretérito) com a revisão de lançamento tributário (existe um lançamento anterior, que só pode ser alterado nas situações descritas na lei) disciplinada pelo artigo 149 do CTN. Por fim, o Relatório Fiscal, logo em seu início, menciona os procedimentos de fiscalização pretéritos (fls 2909),1 depois expõe todo o histórico dos fatos originários do 1 "O contribuinte VITAPELLI LTDA, CNPJ 03.582.844/000156, foi submetido a ação fiscal, MPFdiligência 081050002013006973, MPFfiscalização 08105002013009530, com vistas a verificar a regularidade da apuração das contribuições para o PIS e COFINS nos períodos de apuração 03/2009 a 06/2009 (reexame de período já fiscalizado), 02/2010 a 12/2010 (reexame de período já fiscalizado) e 01/2011 a 12/2012, resultando na glosa de créditos na aquisição de produtos e lançamento de ofício para cobrança das Fl. 27342DF CARF MF 18 trabalho de fiscalização, não havendo que se falar de omissão sobre tais fatos na motivação do presente lançamento. Assim, considerando que não há qualquer comprovação de prejuízo à defesa da Recorrente em decorrência de eventuais vícios na emissão do MPF, haja vista que ela trouxe aos autos robusta justificação sobre todos os pontos que pertinem ao caso concreto, não há que se falar em ofensa ao 2º, inciso X, 3º e 38 da Lei nº 9.784/1999. Assim, não há afronta ao artigo 59 do Decreto 70.235/72, de modo que rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. 2. Mérito Já passando à análise do mérito do caso, inicialmente saliento que a Recorrente é empresa constituída sob a forma de sociedade limitada, cujo objeto social é a fabricação de artefatos de couro atualmente sob processo de recuperação judicial, nos termos da Lei n. 11.101/2005. Ao auditar a empresa, a Fiscalização entendeu que teriam ocorrido diversos eventos, no período compreendido entre 31/03/2009 a 31/12/2012, que culminaram no não pagamento ou pagamento a menor da Contribuição ao PIS e da COFINS. Tais eventos e sua caracterização como infrações podem ser resumidos nos seguintes tópicos, de acordo com o auto de infração e a defesa elaborada pela Recorrente: 1.Da omissão de Receita de Deságio 1.1 Da Omissão de Receita Decorrentes de Deságio na Aquisição de Títulos e Direito Creditórios 1.2 – Aquisição de Direitos de LTN – Letras do Tesouro Nacional e NTN – Notas do Tesouro Nacional 1.3 – Omissão de Receitas de Perdão/Deságio no Pagamento de Empréstimos Bancários 2 – Omissão de Receita dos Valores de Ressarcimento do Reintegra 3 – Omissão de Receitas Decorrentes de Rapel 4 – Omissão de Receitas – Pagamentos Efetuados com Recursos Estranhos à Contabilidade 5 – Omissão de Receitas de Remissão de Dívidas por Fornecedores 6 – Glosa de Créditos sobre Compra de Produtos Sujeitos à Alíquota Zero 7. Glosa de Créditos de Produtos Adquiridos com Suspensão das Contribuições Pessoa Jurídica Preponderantemente Exportadora. 8. Glosa de Créditos Calculados sobre a Aquisição de Paletes. Necessário, assim, analisar cada uma das infrações separadamente, com as respectivas razões de defesa. contribuições decorrentes de omissão de receitas, tendo como consequência o reconhecimento parcial da legitimidade de créditos pleiteados em ressarcimento." Fl. 27343DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 523 19 2.1. Da omissão de Receita de Deságio 2.1.1. Da Omissão de Receita Decorrentes de Deságio na Aquisição de Títulos e Direito Creditórios Como bem se sabe, Contribuições ao PIS e COFINS não cumulativas, serão calculadas com base no seu faturamento, o qual corresponde a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, segundo as Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. O deságio obtido na aquisição dos títulos de créditos, proveniente da diferença entre o valor pago e o valor do título creditório, gera um ganho patrimonial, pois a pessoa jurídica adquiriu o título por um valor de face maior do que efetivamente pagou. Embora seja discutível se tais valores são de fato receita não operacional da Recorrente, tributáveis pelas Contribuições Sociais, no caso sob apreço a questão vem sendo tratada de outro modo. Explico. Mesmo que se parta do pressuposto que esse deságio normalmente estaria sujeito à tributação pelas Contribuições Sociais, para as empresas industriais como a Recorrente, tal tipo de ganho configurase como receita financeira. Assim já decidiu esse Conselho, no Acórdão n. 10195404, do qual destaco as seguintes palavras do Conselheiro Relator: A meu ver, quer se trate de ganho em negociação com títulos ou receita financeira em forma de deságio, estaria esta parcela alheia ao conceito de faturamento para fins de incidência das referidas contribuições. Pondero, uma vez mais, que melhor me parece tratarse de receita financeira, pois referente a um deságio obtido na aquisição de um título. Afirmo também que tal assertiva em nada conflita com as conclusões acima de que, no presente caso, não se pode comprovar a data de aquisição e os valores despendidos. A mim, basta a certeza de que a recorrente era possuidora dos títulos no resgate. Como é consabido, a tributação pela Contribuição ao PIS e pela COFINS sobre as receitas financeiras foi reduzida a zero durante a vigência do Decreto n. 5.442/2005, até 2015, o que engloba o período objeto do presente processo. A Fiscalização, entretanto, transpassou tal questão e cobrou as Contribuições porque equiparou às atividades da Recorrente às de uma factoring, para as quais incide a Contribuição ao PIS e a COFINS sobre tais valores, que são consideradas como receita bruta, nos termos dos artigos 3º e 10 do Decreto no 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Justificou tal equiparação, com os seguintes dizeres: Os ganhos e acréscimos patrimoniais obtidos na aquisição de títulos de crédito com enorme deságio, no período 03/2009 a 06/2009, são de grande importância para atividade da fiscalizada, representando principal fonte de receitas da fiscalizada. Entendo que não há respaldo jurídico para tal conclusão. Fl. 27344DF CARF MF 20 O objeto social da Recorrente, é "a indústria, comércio, importação e exportação de couros e artefatos de couro e a preparação de alimentação" (conforme consta do seu estatuto social, juntado aos autos). Para desconsiderar tal fato, a Fiscalização não poderia ter simplesmente, após a constatação de que durante 3 meses tais receitas foram significativas em suas atividades, imputar nova qualificação jurídica à empresa, a qual implica em diferente regime jurídico a ser seguido. Ora, caso houvesse fraude, sonegação ou qualquer abuso pela empresa, daí sim poderseia cogitar a alteração de seu regime jurídico, ultrapassando a forma pela qual está constituída. Do contrário, ela deve prevalecer. Veja que, no limite, o raciocínio da Fiscalização implicaria em que, num período com taxas de juros e inflação exorbitantes por ocorrências econômicas, qualquer indústria passaria a ser uma factoring, pois passou a receber receitas muito mais significativas a esse título. Dessarte, entendo que deve ser cancelada a autuação nesse ponto, já que a tributação sobre as receitas financeiras decorrentes do deságio de títulos, in casu, precatórios, estava reduzida a zero pelo Decreto n. 5.442/2005. 2.1.2.– Aquisição de Direitos de LTN – Letras do Tesouro Nacional e NTN – Notas do Tesouro Nacional A Fiscalização considerou que a Recorrente também deixou de oferecer à tributação das contribuições para o PIS e COFINS o deságio ocorrido na aquisição de direitos creditórios relativos a títulos públicos LTN – Letras do Tesouro Nacional e NTN – Notas do Tesouro Nacional. O mesmo raciocínio constante do item acima se aplica inteiramente ao presente, de forma que também entendo que deve ser cancelada a autuação sobre o deságio dos títulos, cuja tributação estava zerada pelo Decreto n. 5.442/2005. 2.1.3 – Omissão de Receitas de Perdão/Deságio no Pagamento de Empréstimos Bancários No entendimento da Fiscalização, a Recorrente deixou de oferecer à tributação das contribuições para o PIS e COFINS as receitas decorrentes da aquisição de títulos de créditos com enorme deságio, representativos de dívidas bancárias da própria fiscalizada (deságio da própria obrigação). Analisando as operações da Recorrente, 2 considerou que os bancos abriram mão de receber a maior parte dos empréstimos em discussão devido pela fiscalizada, ocorrendo de fato um perdão parcial de dívida, receita que deveria ser reconhecida como receita operacional, sujeita à tributação das contribuições. Com relação à possibilidade de inclusão de valores relativos a perdão de dívida na base de cálculo da Contribuição ao PIS e da Cofins, este Colegiado já se manifestou no Acórdão CARF nº 3402004.002, quando o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, como redator designado, bem pontuou a questão, conforme os termos abaixo transcritos, com os quais coaduno integralmente: A fiscalização tributária adotou, para fins de incidência tributária, o conceito contábil de receita veiculado, por exemplo, na Resolução CFC nº 1.374/2011, que qualificaria o "perdão de dívidas" como espécie de receita: 2 Durante o processo de aquisição dos títulos de crédito, observase o engendramento das seguintes operações sucessivas em duas fases: 1) empresa intermediária adquire títulos de créditos da fiscalizada junto a bancos (dívidas de empréstimo da fiscalizada); 2) em curto espaço de tempo a fiscalizada adquire os títulos de crédito (dívidas de empréstimo da fiscalizada) da empresa intermediária com enorme deságio. Fl. 27345DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 524 21 Reconhecimento de receitas 4.47. A receita deve ser reconhecida na demonstração do resultado quando resultar em aumento nos benefícios econômicos futuros relacionado com aumento de ativo ou com diminuição de passivo, e puder ser mensurado com confiabilidade. Isso significa, na prática, que o reconhecimento da receita ocorre simultaneamente com o reconhecimento do aumento nos ativos ou da diminuição nos passivos (por exemplo, o aumento líquido nos ativos originado da venda de bens e serviços ou o decréscimo do passivo originado do perdão de dívida a ser paga). De fato, a fiscalização apontou precisamente um dispositivo de pronunciamento do Conselho Federal de Contabilidade que se presta a definir a receita, mas olvidou em distinguir que se trata de um reconhecimento de receita "na demonstração do resultado". Tratase de um escopo específico e distinto do reconhecimento de receita para fins de tributação, como expressamente reconhecimento no item 8A do Pronunciamento CPC nº 30, verbis: 8A. A divulgação da receita na demonstração do resultado deve ser feita a partir das receitas conforme conceituadas neste Pronunciamento. A entidade deve fazer uso de outras contas de controle interno, como “Receita Bruta Tributável”, para fins fiscais e outros. Como se vê, cai por terra o fundamento contábil da autuação a partir do reconhecimento, pela própria contabilidade, da diversidade entre o conceito de receita para fins de demonstração de resultado e para fins de cálculo das contribuições sociais devidas tratamse de finalidades absolutamente distintas que demandam registros coerentes com seus próprios escopos. Resta, ultrapassada a fronteira de um conceito contábil de receita, o enfrentamento de um conceito constitucional e legal de receita para fins de determinação da hipótese de incidência das contribuições sociais, bem como a delimitação de sua base de cálculo. Em se tratando de um conceito utilizado pela Constituição Federal e com reflexos nos textos do artigo 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que determinam a incidência do PIS/Cofins não cumulativo sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, "independentemente de sua denominação ou classificação contábil". Tal redação do dispositivo, como explica o Professor Marco Aurélio Greco, tem o condão de desatrelar da contabilidade o conceito de receita gerando dois efeitos opostos, mas complementares: de um lado, se contabilmente algo não está registrado como receita, mas tem essa natureza, as contribuições devem incidir; de outro lado, se algo está registrado contabilmente como receita, mas não tem essa natureza, não há Fl. 27346DF CARF MF 22 incidência das contribuições. Outro não foi o entendimento do Órgão Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, sujeito à sistemática de repercussão geral: O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. Como não poderia deixar de ser, não cabe nem deve caber ao Conselho Federal de Contabilidade ou aos demais órgãos definidores de regras contábeis a definição da hipótese de incidência dos tributos brasileiro, sob pena de subversão da sistemática normativa de delimitação de competência pela Constituição e definição da incidência pelas leis. Sob uma perspectiva histórica, o que se pode constatar é a tentativa constante de União de estender a hipótese de incidência das contribuições sociais, esbarrando sempre no conceito constitucional de receita tributável e nas limitações legais. Tal levantamento é feito de forma extremamente competente pelo Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em declaração de voto apresentada no Acórdão nº 3402003.071, julgado em Maio de 2016, cujo conteúdo reproduzo abaixo: Historicamente essas contribuições sempre incidiram sobre o faturamento, entendido como o produto da venda de mercadorias e da prestação de serviços. A tentativa de a União incluir no rol de incidência das contribuições todas as receitas operacionais da pessoa jurídica tornouse uma odisseia que teve início em julho de 1988, quando se pretendeu alterar a base de cálculo do PIS por meio da edição de dois decretosleis. O PIS foi instituído por meio da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, a qual previa que as empresas privadas passariam a contribuir para o fundo com duas parcelas, sendo uma com base na dedução do imposto de renda devido e outra com base no faturamento (arts. 1º e 3º). Esse quadro legislativo se manteve até julho de 1988, quando foram editados os DecretosLeis nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e nº 2.449, de 21 de julho de 1988, por meio dos quais as contribuições mensais até então devidas sobre o faturamento, passariam a incidir sobre a receita operacional bruta (art. 1º, V, do DecretoLei nº 2.445/88). A tentativa de a União ampliar a base de cálculo do PIS por essa via foi rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 148.754, por meio do qual o Tribunal declarou a Fl. 27347DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 525 23 inconstitucionalidade formal dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Relativamente ao financiamento da Seguridade Social, a odisseia teve início com a instituição do Fundo de Investimento Social FINSOCIAL, por meio da edição do DecretoLei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, quando foi criada uma contribuição devida pelas empresas equivalente a 0,5% (cinco décimos por cento) do faturamento (art 1º, § 1º). Sobreveio então a Constituição Federal de 1988 e com o passar dos anos a alíquota inicial de 0,5% do FINSOCIAL foi sendo elevada ao mesmo tempo em que foi criada a Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988). Houve contestação judicial por parte dos contribuintes e o Supremo Tribunal Federal mais uma vez foi chamado a intervir. No julgamento do RE nº 150.764, o Tribunal manteve a cobrança do FINSOCIAL com a configuração existente na data da promulgação da CF/88, declarando inconstitucionais as majorações procedidas em sua alíquota após o advento da nova ordem constitucional. Diante da inviabilidade do aumento da contribuição ao FINSOCIAL, foi editada a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, por meio da qual foi revogado o FINSOCIAL, instituindose a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com alíquota de 2% incidente sobre o faturamento (art. 2º). Esse quadro legislativo se manteve até a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, por meio da qual a União mais uma vez tentou ampliar as bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS redefinindo o conceito de faturamento (art. 3º, § 1º). E mais uma vez a União viu sua tentativa frustrada, pois por meio do RE nº 390.840 o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Desse breve retrospecto legislativo, resulta a comprovação da assertiva inicial deste voto, no sentido de que historicamente essas contribuições sempre incidiram sobre o faturamento e que a intenção da União, pelo menos a partir de 1988, sempre foi ampliar o campo de incidência para abarcar a receita operacional. Todas as vezes em que a União tentou ampliar as bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS para alcançar as receitas operacionais das empresas, houve declaração de inconstitucionalidade da norma infraconstitucional. Esse quadro mudou com o advento da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, por meio do qual foi alterado o texto do art. 195, I, "b" da CF/88, que passou a prever a incidência das contribuições destinadas ao custeio da seguridade social sobre a "receita ou o faturamento". Fl. 27348DF CARF MF 24 A partir dessa alteração constitucional, passou a existir permissão para que o legislador incluísse nas bases de cálculo das contribuições destinadas ao financiamento da seguridade social qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, pois o texto constitucional utilizou o vocábulo "receita" sem nenhuma qualificação ou limitação. Com lastro nessa alteração constitucional, foram editadas as Medidas Provisórias nº 66, de 2002 e 135, de 2003, que resultaram na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, respectivamente, que nas suas redações originais definiram as bases de cálculo das contribuições nos seguintes termos: Lei nº 10.637: " Art. 1oA contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. 1oPara efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2oA base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)" Lei nº 10.833 "Art. 1oA Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1oPara efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2oA base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)" A primeira leitura desses dispositivos legais aparentemente autoriza a pretensão fiscal de incluir a na base de cálculo das contribuições qualquer tipo de receita, seja ela operacional ou não operacional. Mas embora exista autorização na constituição para a tributação da "receita" em geral, o legislador não se valeu dessa faculdade, pois não só vinculou "a totalidade das receitas" ao termo "faturamento", mas também excluiu expressamente da incidência as receitas não operacionais nos parágrafos 3º dos arts. 1º dessas duas leis. Fl. 27349DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 526 25 Nas cabeças dos arts. 1º de ambas as leis, a menção ao termo "faturamento", limita a amplitude do "total das receitas auferidas" ao total das receitas operacionais, uma vez que as receitas nãooperacionais não se identificam com faturamento, já que não decorrem da execução do objeto social da pessoa jurídica. Tal afirmação parece ser confirmada pelos parágrafos 3º dos dois dispositivos citados, que se encarregaram de excluir da incidência das contribuições as receitas não operacionais, nos seguintes termos: Lei 10.637/2002: § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I a IV omissis... V referentes a: a) vendas canceladas ou aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI–não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (incluído pela Lei nº 10.684/2003) Lei nº 10.833/2003: § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I omissis II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III e IV omissis V referentes a: a) omissis b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (...)" Fl. 27350DF CARF MF 26 Ao contrário do entendimento de alguns, esse rol de exclusões das receitas não operacionais não é exaustivo, pois o legislador, no momento da elaboração da norma, não tem condições de prever todas as hipóteses de receitas não operacionais que podem se apresentar no mundo real. Tanto isso é verdade que com o advento da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, houve alteração na técnica de redação dos artigos 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois ao mesmo tempo em que o legislador especificou e limitou a incidência às receitas estabelecidas no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e no art. 183, VIII da Lei nº 6.404/76, houve ampliação do rol de exclusões de receitas nãooperacionais das bases de cálculo, fato que comprova que o rol de exclusões anteriormente existente não era exaustivo. Se fosse exaustivo, não seria necessário e nem logicamente possível que uma lei posterior viesse a ampliálo. Assim, se historicamente o legislador nunca pretendeu incluir as receitas não operacionais nas bases de cálculo do PIS e COFINS e se existe previsão expressa de exclusão dessas receitas nas leis que instituíram as contribuições não cumulativas, é incabível a pretensão da fiscalização tributálas. Com razão o Ilustre Conselheiro retrocitado. A legislação do PIS/Cofins não cumulativo vigente à época da concessão dos abatimentos previa em seu artigo 1º o seguinte: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Tal dispositivo enseja uma leitura conjunta com o art. 12 do DecretoLei 1.598/77, que definia expressamente o conceito de faturamento mensal e receita bruta, nos seguintes termos: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Não se está diante, no presente caso, de receita bruta decorrente da venda de bens e serviços, caracterizado pela legislação de regência como o conjunto de fatos aptos a configurar a incidência do PIS e da Cofins. É preciso mais do que simples "ganho" para que se configura receita tributável, como também consignou o STF, no mesmo REx 606.107/RS: Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. (grifo nosso) Fl. 27351DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 527 27 No caso em tela, resta claro que o perdão de dívida considerando aqui o fundamento da fiscalização nunca poderia ser tratado como receita para fins de tributação (apenas para fins de demonstração de resultado da empresa), por não configurar ingresso. Ele não se integra ao patrimônio de forma inaugural não há aquisição de disponibilidade nova, mas apenas eliminação de um comprometimento patrimonial existente. E mais, não se trata de uma distinção que estamos inaugurando aqui, mas sim de elemento de discrímen não apenas consagrado jurisprudencialmente como também pela própria legislação, que não se furtou, em diversas oportunidades, em deixar claro que a eliminação de um passivo, conquanto represente um ganho, não deve ingressar na base de cálculo do PIS e Cofins, como no artigo 1º, §3º, incisos V, "b", X e XII da Lei nº 10637/02: Art. 1º (...) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: V referentes a: b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, QUE NÃO REPRESENTEM INGRESSO DE NOVAS RECEITAS, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita; X de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; XII relativas ao valor do imposto que deixar de ser pago em virtude das isenções e reduções de que tratam as alíneas “a”, “b”, “c” e “e” do § 1o do art. 19 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977; A lei é categórica: sempre que estiver ausente o elemento de ingresso financeiro, o "ganho" não pode se enquadrar na categoria de "receita tributável" quando muito, no conceito de receita contábil para fins de demonstração do resultado. Dessarte, entendo que não pode o "perdão de dívida" ser incluído na base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativo, devendo serem excluídos tais valores da presente apuração. 2.2. Omissão de Receita dos Valores de Ressarcimento do Reintegra Segundo a Fiscalização, a Recorrente deixou de oferecer à tributação das contribuições para o PIS e COFINS, não cumulativos, os valores de ressarcimento do Regime de Reintegração de Valores Tributários para Empresas Exportadora (Reintegra), que representam receita operacional a compor a base de cálculo das contribuições. Em síntese, entendeu que os valores configuram subvenção para custeio, nos moldes artigos 392 e 443 do Fl. 27352DF CARF MF 28 Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), integrantes da receita operacional. Com efeito, a Recorrente é pessoa jurídica exportadora beneficiária do Reintegra, com o objetivo de reintegrar valores referentes a custos tributários federais residuais existentes nas suas cadeias de produção, instituído pela Medida Provisória nº 540, de 2 de agosto de 2011, posteriormente convertida na Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011 e alterações. Com o advento da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, foi prorrogada a aplicação do REINTEGRA às exportações realizadas no período de 04 de junho de 2013 a 31 de dezembro de 2013, tendo sido incluído, ainda, o § 12 no artigo 2º da Lei nº 12.546/2011, segundo o qual: "não serão computados na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os valores ressarcidos no âmbito do Reintegra". Nesse contexto, poderseia argumentar que somente com o advento da Lei nº 12.844/2013, vigente a partir de 19 de julho de 2013, é que restou autorizada a exclusão dos valores ressarcidos no âmbito do REINTEGRA da base de cálculo do PIS e da COFINS, como fez a Autoridade Lançadora no presente caso. Todavia, entendo que os créditos provenientes do REINTEGRA configuram se como incentivo fiscal, não ostentando, desse modo, natureza de receita ou faturamento, mas sim de redução de custos, motivo pelo qual não devem integrar a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS. Isto porque, como bem se sabe: (i) a hipótese de incidência da Contribuição ao PIS e a da COFINS é a auferimento de receitas (artigos 3º da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003), vale dizer, remuneração recebida pela pessoa jurídica pelo regular exercício de suas atividades; e (ii) os valores ressarcidos no âmbito do REINTEGRA têm natureza de subvenção pública com parcelas relativas à redução de custos fiscais do contribuinte. Disto alcançase a inequívoca conclusão de que os valores ressarcidos no âmbito do REINTEGRA não são hipótese de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS. Ora, se os valores ressarcidos no âmbito do REINTEGRA são dispêndios à menor em incorre a Recorrente por força de se tratar justamente de auxílio para a redução de custos, esse montante não pode ser considerado receita, justamente porque não há ingresso econômico nenhum ao seu patrimônio. Destarte, não sendo receita, os valores ressarcidos no âmbito do REINTEGRA não deve ser tributado pela Contribuição ao PIS e pela COFINS. Repitase, tais valores não constituem receita auferida pela pessoa jurídica, pois não decorrem de negócios jurídicos praticados no exercício de sua atividade comercial. Por conseguinte, não se submetem à hipótese de incidência das contribuições. Não é outra a lição de José Antonio Minatel: “Bastanos o indicativo da origem, ou seja, ingresso qualificado como benefício governamental e, pronto, estará à margem da regra de incidência das contribuições cuja base de cálculo é a receita auferida, no sentido de proveniente do exercício da atividade empresarial.”3 3 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 240. Fl. 27353DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 528 29 De fato, os valores ressarcidos no âmbito do REINTEGRA são subvenção pública, de forma que constitui renúncia de receita do Poder Público em favor da atividade privada, mas com isso, é claro, buscando o interesse público de fomentar a economia, gerando melhoramentos para a sociedade. Mais especificamente, trata de medida concedida pelo governo para desoneração real das operações de exportação, dando efetividade ao princípio do destino da tributação internacional, já que as empresas exportadores tendem a acumular créditos, uma vez que suas saídas são imunes. Nesse diapasão, entendimento no sentido de que os valores ressarcidos no REINTEGRA deveriam compor a base de cálculo das Contribuições Sociais em questão iria na contramão do que finalísticamente o incentivo se propõe: permitir a real desoneração as exportações. Em outras palavras, o entendimento da Fiscalização coloca a União em posição inexoravelmente contraditória, pois, de uma lado, concederia o benefícios fiscal por meio do REINTEGRA, e de outro tributaria tais valores, utilizando a Contribuição ao PIS e a COFINS. Ora, tal entendimento não pode prosperar, devendo prevalecer o intuito da legislação federal do REINTEGRA, que é justamente favorecer as empresas exportadoras, e não criar nova base para sua tributação. Vêse que a discussão se relaciona à não incidência tributária, de modo que é irrelevante a falta de disposição no sentido da exclusão da base de cálculo dos montantes da base de cálculo da Contribuição PIS e da COFINS. Muito embora a questão não esteja ainda resolvida no âmbito do Poder Judiciário, destacamos abaixo julgamentos do STJ e do TRF3 que corroboram a tese aqui esposada: Ementa TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO. REGIME ESPECIAL DE REINTEGRAÇÃO DE VALORES TRIBUTÁRIOS PARA AS EMPRESAS EXPORTADORAS REINTEGRA. BASE DE CÁLCULO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO. 1. Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, "os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, de forma que não integram a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS" (AgRg no AREsp 596.212/PR, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2014, DJe 19/12/2014). 2. O art. 1° da Lei 12.546/2011 dispõe que os créditos apurados no REINTEGRA configuram incentivo fiscal que tem por objetivo reintegrar às empresas exportadoras valores referentes a custos tributários federais residuais existentes nas suas cadeias de produção. 3. Os valores provenientes do REINTEGRA, assim como o crédito presumido de ICMS, não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das Fl. 27354DF CARF MF 30 operações de exportação, de forma que não integram a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Agravo regimental improvido. (AgRg nos EDcl no REsp 1443771 / RS AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL 2014/00635441, Relator Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, Data do Julgamento 19/05/2015, Data da Publicação/Fonte DJe 26/05/2015) Ementa MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO. AGRAVO RETIDO. REITERAÇÃO. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. REINTEGRA. LEI Nº 12.546/2011. CRÉDITOS. PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. RECOLHIMENTO. COMPROVAÇÃO. CONSECTÁRIOS. 1. Não deve ser conhecido o agravo retido não reiterado nas contrarrazões de apelação, a teor do disposto no art. 523, §1°, do CPC/1973. 2. Pleiteia a impetrante ver reconhecido direito a crédito tributário oriundo do indevido recolhimento de PIS e de COFINS incidentes sobre créditos do REINTEGRA, e consequentemente, o direito à compensação dos valores recolhidos a esse título. 3. O Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras REINTEGRA, foi instituído pela Lei nº 12.546/2011 (conversão da MP nº 540/2011), tendo por objetivo reintegrar valores referentes a custos tributários federais residuais existentes nas suas cadeias de produção (cf. artigo 1º), mostrandose aplicável às exportações realizadas até 31 de dezembro de 2012, sendo certo, porém, que com o advento da Medida Provisória nº 601, de 28 de dezembro de 2012, o regramento passou a ser aplicável às exportações realizadas até 31 de dezembro de 2013. Entretanto a aludida medida provisória teve seu prazo de vigência encerrado em 03 de junho de 2013 (conforme Ato Declaratório nº 36/2013 do Presidente da Mesa do Congresso Nacional). 4. Sobreveio, então, a Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, que prorrogou a aplicação do REINTEGRA às exportações realizadas no período de 04 de junho de 2013 a 31 de dezembro de 2013, tendo incluído, ainda, o § 12 no artigo 2º da Lei nº 12.546/2011, segundo o qual: "não serão computados na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os valores ressarcidos no âmbito do Reintegra". 5. Nesse contexto, poderseia argumentar que somente com o advento da Lei nº 12.844/2013, vigente a partir de 19 de julho de 2013, é que restou autorizada a exclusão dos valores ressarcidos no âmbito do REINTEGRA da base de cálculo do PIS e da COFINS. 6. Todavia, firmouse o entendimento no sentido de que os créditos provenientes do REINTEGRA configuramse como incentivo fiscal, não ostentando, desse modo, natureza de receita ou faturamento, mas sim de recuperação de custos, motivo pelo qual não devem integrar a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes do C. STJ e deste Tribunal. (...). (MS 00119616920124036119AMS APELAÇÃO CÍVEL 354788, Relator(a) DESEMBARGADOR FEDERAL MARCELO Fl. 27355DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 529 31 SARAIVA, Sigla do órgão TRF3, Órgão julgador QUARTA TURMA, Fonte eDJF3 Judicial 1 DATA:31/05/2017) Portanto, os valores ressarcidos no âmbito do REINTEGRA não estão sujeitos à hipótese de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativo, devendo cancelada a presente autuação fiscal nesse ponto. 2.3. Omissão de Receitas Decorrentes de Rapel Como destacado na Resolução n. 3402000.811, este ponto do auto de infração apresenta clara vinculação com o material probatório produzidos nesses autos. Não foi por outra razão que a própria DRJ, sobre a “Omissão de Receitas Decorrentes de Rapel”, afirmou que “neste item, o material probatório a ser trazido pela interessada seria de grande importância para o deslinde da questão. Contudo, a impugnante preferiu rebater os fatos narrados e demonstrados pela fiscalização somente com negativa geral e ainda, imputando à contabilidade do fornecedor o título de “irregular”. Como apontado pela Recorrente, com a leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls 2929) percebese que para alcançar a conclusão sobre a existência de operações com Rapel (desconto que se concede a um cliente por atingir um consumo determinado durante um período de tempo estabelecido) entre a fornecedora e a Recorrente, a Fiscalização pautouse estritamente na contabilidade da fornecedora (Navi Carnes Indústria e Comércio LTDA, CNPJ 02.982.267/000157), sem apresentar nenhum contrato ou qualquer acordo comercial entre ambas. A Recorrente, a seu turno, nega existência de tais operações de rapel, apresenta farta documentação (notas fiscais, comprovantes de pagamento, comprovantes de CNPJ, Sintegra, correspondência entre as empresas, tickets de pesagem dos produtos, dentre outros – 3679 – 8868). Respondendo aos quesitos formulados por este Colegiado a respeito de tais operações, a autoridade fiscal de origem coloca que (fls 27286 a 27290): Assim sendo, considerando que o fornecedor circularizado Navi Carnes: a) retificou a contabilidade reduzindo o montante das despesas de vendas, que são a título de Rapel, com a Vitapelli de R$ 2.028.134,36 para R$ R$ 37.441,90; b) informou ter lançado incorretamente os valores de Rapel; c) informou ter efetivamente recebido os valores de venda, com exceção dos novos valores de Rapel apurados; assim como a empresa financeira Clari Participações ter declarado haver recebido os valores de vendas da Navi Carnes à Vitapelli, com exceção de R$ 37.441,89, que são descontos do tipo Rapel; entendese que o valor de omissão de receitas decorrentes de Rapel deve ser reduzido de R$ 2.028.134,36 para R$ 37.441,90. A receita de Rapel é uma espécie de prêmio, conforme Infopédia, pelo incremento das vendas. (...) Assim sendo, tendo a Vitapelli apresentado os arquivos digitais de controle das operações e pagamentos com o fornecedor Navi Carnes, consistente no arquivo 4.2.1 do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15, de 23 de outubro de 2001, o entendimento é pela redução dos valores de omissão de receita a Fl. 27356DF CARF MF 32 título de Rapel (valor que representa um prêmio segundo a Navi Carnes) conforme exposto no tópico anterior. Assim, e tendo a Recorrente esclarecido que a questão não envolve descontos (condicionais ou incondicionais, o que se confirma pelo relatório da fiscalização) voto no sentido de acolher o resultado da diligência com relação as receitas supostamente decorrentes de Rapel, de forma que o valor de omissão de receitas deve ser reduzido de R$ 2.028.134,36 para R$ 37.441,90. 2.4. Omissão de Receitas – Pagamentos Efetuados com Recursos Estranhos à Contabilidade Igualmente no item 4 (Omissão de Receitas – Pagamentos Efetuados com Recursos Estranhos à Contabilidade) a questão probatória era controversa, por isso fez parte da diligência solicitada por este Conselho. A Fiscalização entendera que a Recorrente teria omitido receitas porque não contabilizou determinados pagamentos da aquisição de precatórios alimentícios (de Rogério Mauro D'Ávola e Astri – Assessoria e Consultoria), bem como não comprovou da origem dos recursos empregados nos pagamentos de tais precatórios que adquiriu. Nesse sentido, o artigo 40 da Lei n. 9.430/96 estabelece que a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, caracterizam, também, omissão de receita. De seu lado, a Recorrente afirma que as dívidas decorrentes da aquisição de precatórios não haviam sido pagas na data informada pela Fiscalização justamente porque assim restou determinado no processo de recuperação judicial. Em respostas às intimações, Rogério Mauro D’Avola em 30/03/2010 informou no processo de recuperação judicial que possuía crédito quirografário no montante de R$ 5.755.960,89. A seu turno, Atlanta Assessoria em 30/03/2010 informou que possuía crédito no montante de R$ 1.147.397,33. As conclusões da Fiscalização sobre o ponto foram as seguintes: Assim sendo, conforme informações prestadas por Rogério Mauro D’Avola e Atlanta Assessoria, as dívidas da Vitapelli relativas à aquisição de precatórios de Rogério Mauro D’Avola e Atlanta Assessoria incluídas na Recuperação Judicial eram de R$ 5.755.960,89 e R$ 1.147.397,33, respectivamente. De acordo com o Plano, a Vitapelli efetuou os pagamentos a Rogério Mauro D’avola nas datas e valores relacionados abaixo ou na resposta ao TDF nº 02. Segundo o plano, as dívidas não existem mais, conforme será demonstrado a seguir. Não foi apresentado qualquer comprovação e elementos de eventual acordo entre Rogério Mauro D’Avola/Atlanta e Vitapelli demonstrando os novos valores ajustados (descontos, abatimentos etc.) e condições de pagamento. (...) Ao examinar as cópias do processo judicial fornecidas pela Vitapelli, verificase que a última parcela paga pela Vitapelli à Atlanta Assesoria e Rogério Mauro D’Avola foi a de nº 26 referente a janeiro de 2015 (vide comprovantes às fls. 27170 a 27259 extraídos do processo de recuperação judicial). A partir da 27ª parcela não existe mais no processo judicial pagamentos à Atlanta Assesoria nem a Rogério Mauro D’Avola, fato que Fl. 27357DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 530 33 evidencia que não existem mais as dívidas do plano ou estas foram pagas sem contabilização, cujo último lançamento contábil data de 29/04/15, no valor de R$ 35.184,16, em nome de Rogério Mauro D’Avola. O contribuinte Vitapelli também não demonstrou, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a exigibilidade das obrigações de dívidas nem seu montante atual. Ao pesquisar o processo de recuperação judicial não foram localizados documentos que comprovam a causa do desaparecimento da dívida e/ou seu montante atual. Ora, o motivo que embasou este tópico do auto de infração foi justamente a falta de comprovação dos pagamentos das dívidas que a Recorrente assumiu com a compra de precatórios alimentícios. Ocorre que, como ficou demonstrado na diligência, tais pagamentos não ocorreram antes porque foram incluídos no plano de recuperação judicial da Recorrente. Como bem se sabe, o processo de recuperação judicial tem rito próprio, estabelecido pela Lei n. 11.101/2005, sempre no intuito de viabilizar a superação da situação de crise econômicofinanceira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica (artigo 47). Nestes termos, o pagamento dos credores deve seguir o plano de pagamento votado em Assembleia pelos credores da empresa recuperanda. Qualquer pagamento fora dos termos propostos no plano pode configurar, inclusive, fraude contra os credores habilitados. Assim, entendo que as razões pela qual a fiscalização motivou a omissão de receita (não contabilização da dívida e falta de comprovação dos recursos) foram postas de lado pelo resultado da diligência, que provou que as dívidas só poderiam ser pagas em momento oportuno (nos termo do plano de recuperação judicial, onde foram incluídas) e o foram, pelo menos em parte. Se algumas parcelas da dívida que a Recorrente possui com seus credores não foi adimplida, no decorrer do tempo em que se arrastou o processo de recuperação judicial, nada altera a conclusão de que a presunção de omissão de receitas estabelecida pelo artigo 40 da Lei n. 9.430/96 foi afastada no presente caso. Nesses termo, julgo que deve ser cancelada a autuação fiscal sobre a "Omissão de receitas Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade". 2.5. Omissão de Receitas de Remissão de Dívidas por Fornecedores Segundo a autoridade lançadora, a Recorrente deixou de oferecer à tributação das contribuições para o PIS e COFINS as receitas decorrentes da remissão de dívidas devidas a fornecedores. Pela leitura do Termo de Verificação Fiscal, 4 constatamos que a questão aqui controvertida é a mesma tratada por este voto no item 2.1.3. desse voto a respeito da não incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre o "perdão de dívida" 4 Nas plavras da Fiscalização: "A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente. Fl. 27358DF CARF MF 34 Assim, mais uma vez faço referência às razões do Acórdão CARF nº 3402 004.002, julgado por este Colegiado, no sentido de entender que o perdão de dívida não caracteriza receita passível de ensejar a referida tributação, devendo ser cancelado o auto de infração nesse aspecto. 2.6. Glosa de Créditos sobre Compra de Produtos Sujeitos à Alíquota Zero A Recorrente sofreu esta parte da autuação porque, no entender da autoridade fiscal, calculou créditos indevidamente das contribuições para o PIS e COFINS na aquisição Sulfato de Amônio, NCM 31022100, sujeito à alíquota zero. Em sua defesa, a Recorrente argumenta que o Sulfato de Amônia somente seria considerado fertilizante se aplicado na nutrição vegetal, ou seja, se aplicado na lavoura. No caso da autuada em que é utilizado como insumo no processo de curtimento de couros, não há que se falar em alíquota zero. Pois bem. O artigo 1º, inciso I, da Lei nº 10.925/2004 estabelece: Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: (Vigência) (Vide Decreto nº 5.630, de 2005) I adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matérias primas; O Decreto nº 5.630, de 22 de dezembro de 2005, que regulamenta a redução a zero das alíquotas da Contribuição ao PIS e da COFINS de que trata o artigo 1º da Lei 10.925/2004, estabelece nos §§ 1º e 2º do artigo 1º, abaixo aduzidos, que os produtos do capítulo 31 estão beneficiados com a redução a zero da alíquota. Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno de: I adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e suas matérias primas; [...] § 1º A redução de alíquotas de que trata o caput não se aplica à receita bruta decorrente da venda de produtos classificados no Capítulo 31 da NCM destinados ao uso veterinário. § 2º A redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no caso das matériasprimas de que Logo, a presente insubsistência do passivo não há de ser tratada como receita financeira, mas como receita relativas a outros resultados operacionais. Assim sendo, os valores lançados na contabilidade a título de descontos obtidos, constituem, de fato, pela falta de comprovação, uma remissão parcial de dívida por parte dos fornecedores, que é receita tributável das contribuições para o PIS e COFINS, devendo ser exigido de ofício as diferenças cabíveis de PIS e COFINS nos montantes especificados no Anexo VI do Relatório de Fiscalização" Fl. 27359DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 531 35 tratam os incisos I e II do caput, aplicase somente nos casos em que a pessoa jurídica adquirente seja fabricante dos produtos neles relacionados. De acordo com a DACON do fornecedor Plant Bem Fertilizantes S/A, verificase indubitavelmente que seus produtos são vendidos exclusivamente com benefício fiscal da alíquota zero. Além disso, o referido fornecedor indicou no campo “Informações do Contribuinte” das Notas Fiscais tratarse de fertilizantes para uso agrícola. Dessarte, inexiste na legislação a condição aventada pela Recorrente (sobre a destinação dos produtos para nutrição vegetal/lavoura) para que o fertilizante seja considerado hábil para a redução à zero da alíquota da Contribuição ao PIS e da COFINS. Ademais, de toda forma é descabida a defesa, à medida que restou comprovado pela Fiscalização que as saídas do produto do fornecedor foram com alíquota zero, fato do qual não se defendeu a Recorrente. Ora, como não poderia deixar de ser, o artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003 determinam que não se pode descontar créditos relativos às contribuições para o PIS e à COFINS, decorrentes de aquisições de bens ou serviços com alíquota zero: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: […] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Portanto, não há razão para a reforma a decisão recorrida a respeito dos crédito indevidamente aproveitado, pois relacionados à compras de produtos sujeitos à alíquota zero. 2.7. Glosa de Créditos de Produtos Adquiridos com Suspensão das Contribuições Pessoa Jurídica Preponderantemente Exportadora. Nas razões apresentadas pela Fiscalização, ficou evidenciado seu entendimento no sentido de que a Recorrente aproveitou indevidamente créditos das contribuições para o PIS e COFINS na aquisição de produtos com suspensão das contribuições prevista no art. 40 da Lei 10.865/2004, in verbis: Art. 40. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ficará suspensa no caso de venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) [...] § 2º Nas notas fiscais relativas à venda de que trata o caput deste artigo, deverá constar a expressão "Saída com suspensão Fl. 27360DF CARF MF 36 da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com a especificação do dispositivo legal correspondente. Nas palavras do Termo de verificação Fiscal: De acordo com informações constantes das notas fiscais do item 4 do Anexo V do Relatório de Fiscalização, a fiscalizada adquiriu os produtos com suspensão da exigibilidade das contribuições, por ser pessoa jurídica preponderantemente exportadora. Dessa forma, os produtos do item 4 do Anexo V do Relatório de Fiscalização adquiridos com o benefício de suspensão da incidência das contribuições estabelecido pela Lei 10.865/2004, art. 40, não gera direito creditório para a interessada, cabendo a glosa dos créditos de PIS e COFINS aproveitados indevidamente Todavia, parece que a Recorrente não compreendeu bem o motivo da autuação, defendendose no sentido de que a fiscalização teria glosado o crédito porque não ela comprovou que as Notas Fiscais relacionadas foram emitidas em conformidade com a IN SRF 595/05.5 Realmente não foi esse o motivo apresentado no lançamento tributário, mas sim de que empresas exportadoras, por fazerem aquisições de MP, PI e ME de fornecedores que não pagam a Contribuição ao PIS e da COFINS justamente por existir previsão legal de suspensão da tributária nas vendas à empresas exportadoras , não têm direito ao crédito das contribuições. Evidentemente não poderiam ter o crédito, pois não houve incidência dos tributos na etapa anterior. Na resposta à diligência solicitada por este Colegiado, restou consignado que "as compras efetuadas com suspensão do PIS e COFINS na aquisição são lançadas na contabilidade com aproveitamento de créditos de PIS e COFINS, isto é, não houve segregação contábil, em contas específicas, das compras com suspensão." Assim, não há nem a possibilidade de segregar as operações de compra pela Recorrente que, não atingidas pela suspensão das Contribuições, poderiam dar direito ao crédito, conforme o artigo 14 da IN SRF 595/056 e da Solução de Consulta 102 de 17 de Abril de 2008. 7 5 Art. 8º A suspensão da exigibilidade das contribuições ocorrerá, em relação às MP, aos PI e aos ME, quando de sua aquisição por pessoa jurídica preponderantemente exportadora habilitada ao regime de que trata esta Instrução Normativa, observado que: I – a pessoa jurídica adquirente deve declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei que atende a todos os requisitos estabelecidos, bem assim indicar o número do ADE que lhe concedeu o direito; e II – nas notas fiscais relativas às vendas de MP, PI e ME, deve constar a expressão “Saída com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, acompanhada da especificação do dispositivo legal correspondente, bem assim do número do ADE a que se refere o art. 6º. 6 Art. 14. A pessoa jurídica habilitada ao regime poderá, a seu critério, efetuar aquisições de MP, PI e ME fora do regime, não se aplicando, neste caso, a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes na venda daquelas mercadorias. Parágrafo único. As MP, os PI e os ME adquiridos sem o benefício da suspensão geram direito ao desconto de créditos apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. 7 SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 102 de 17 de Abril de 2008 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: PESSOA JURÍDICA PREPONDERANTEMENTE EXPORTADORA. SUSPENSÃO PARCIAL DA INCIDÊNCIA. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. Empresa preponderantemente exportadora, regularmente Fl. 27361DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 532 37 Não fosse o bastante, avaliando as notas fiscais dos fornecedores da Recorrente (Basequímica, Agro Química, Cooprocal, Cortume Carioca), constatou que todos, efetivamente, fizeram as vendas com a suspensão da Contribuição ao PIS e da COFINS. Isto corrobora, mais uma vez, a inexistência do direito ao crédito. Dessarte, não há motivo para a reversão das glosas de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS indevidamente aproveitados pela Recorrente. Uma única exceção deve ser feita, que diz respeito ao fornecedor Manuchar, que levou aos seguintes apontamento da autoridade de origem: Diante do exposto, as aquisições especificadas acima do fornecedor Manuchar através das notas fiscais nº 5864 e 7349 não dão direito ao aproveitamento de créditos de PIS e COFINS pois tratase de adubos (fertilizantes) classificados no Capítulo 31, sujeitos a alíquota zero. Quanto a aquisição do produto nota fiscal nº 5896: a) apesar do vendedor Manuchar ter declarado na nfe de venda a suspensão do PIS e COFINS conforme art. 40 da Lei 10865 de 30/04/04; b) da Vitapelli ter apresentado pedido de faturamento das vendas com suspensão das contribuições, o fornecedor alegou ter reconhecido a incidência das contribuições. Assim, as aquisições das nfe 5864 e 7349 não dão direito a créditos por serem relativas a produtos alíquota zero, todavia a aquisição da nfe 5896 o entendimento é pela possibilidade de aproveitamento. A questão levantada pela Fiscalização na resposta à diligência para manter a glosa, a respeito dos produtos serem sujeitos à alíquota zero, não consta nos motivos elencados pelo lançamento tributário, que dizem respeito exclusivamente ao fato de as compras serem feitas com suspensão dos tributos, portanto sem direito ao respectivo crédito. Pela comparação entre os fundamentos originais da autuação e os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal quando da apresentação do relatório de diligência, constatase existir inequívoca alteração dos fundamentos do lançamento tributário. Tal situação não se coaduna com as hipóteses de revisão de lançamento de ofício traçadas pelo artigo 149 do Código Tributário Nacional (todas as informações requeridas pela autoridade fiscal foram sempre prontamente prestadas pela Recorrente, não havendo que se falar em qualquer falsidade, erro ou omissão), muito menos com o procedimento necessário de lançamento complementar para cobrança de qualquer agravamento, imposto pelo artigo 18, §3º do Decreto 70.235/1972. 8 Ademais, tratase nitidamente de afronta à vedação de alteração habilitada ao regime de suspensão da incidência da contribuição para o PIS/Pasep, pode aproveitar os créditos, na incidência nãocumulativa dessa contribuição, apurados na forma do art. 3o da Lei no 10.637, de 2002, referentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, nas quais não tenha havido a suspensão de incidência prevista pelo 40 da Lei no 10.865, de 2004, desde que sejam feitos os registros e controles discriminando quais foram feitas com o benefício do regime de suspensão e quais não o foram, de acordo com o disposto pela IN SRF no 595, de 27 de dezembro de 2005. 8 Sobre o tema, Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López esclarecem que: “11.44. Auto de Infração Complementar – Agravamento Ao comentar o artigo 15, parágrafo único, discorremos sobre o agravamento da exigência por auto de infração complementar e os limites à revisão de ofício do lançamento pela autoridade administrativa. Já vimos também, que agravar, do latim aggravare significa tornar pior, mais grave, mais pesado, exacerbar. Luiz Henrique Barros de Arruda276 escreve, com muita propriedade, que "O termo agravar, na acepção do Decreto n° 70.235/72, não significa apenas tornar a exigência mais onerosa, mas compreende também Fl. 27362DF CARF MF 38 de critério jurídico retroativamente no bojo de lançamento tributário contra o mesmo sujeito passivo, estampada no artigo 146 do próprio CTN. Delimitando o que seria passível de mudança no âmbito do lançamento tributário, a doutrina é uníssona no sentido de que “o erro da autoridade fiscal que justifica a alteração do ato de lançamento é apenas o erro de fato; nunca o erro de direito.” 9 Embora haja enorme debate sobre a tal segregação entre “erro de fato” e “erro de direito”, é precisa a verificação de Luis Eduardo Schoueri no sentido de que quando o aplicador do Direito vê no mesmo fato características que antes não foram relevantes para a interpretação a seu respeito, levando a uma nova valoração jurídica desse mesmo fato, estarse á direito do erro de direito e, portanto, da limitação imposta pelo artigo 146 do CTN. 10 Não há dúvida que é justamente sobre tal hipótese que nos debruçamos nesse caso. Se a autoridade fiscal não aprofundou o trabalho sobre serem determinadas compras sujeitas à alíquota zero no momento do lançamento tributário, não cabe agora fazer tentativa de salvar o lançamento tributário por interpretação diversa (nova valoração jurídica dos fatos que sempre estiveram presentes no caso) sem motivo jurídico e fático para tanto. Inclusive, nesse sentido decidiu este Colegiado no Acórdão n. 3402002.987. Outrossim, é preciso destacar que o fornecedor afirmou e comprovou que as saídas dos produtos supostamente tributados à alíquota zero efetivamente ensejaram o Recolhimento da Contribuição ao PIS e da COFINS. Portanto, evidentemente deve ser dado direito ao crédito à Recorrente sobre tais aquisições. Por esses motivos entendo que deve ser reconhecido o direito ao crédito aproveitamento pela Recorrente das aquisições do fornecedor Manuchar, que tenham sido comprovadamente sujeitas à incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS (NF's 5864 e 7349), bem como daquela já reconhecida como hábil pela autoridade fiscal para dar direito ao crédito (NF 5896). 2.8. Glosa de Créditos Calculados sobre a Aquisição de Paletes A questão deste tópico da autuação é já amplamente conhecida pelos julgadores do CARF. Tratase do conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade (artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002) De qualquer sorte, vale repisar e evolução jurisprudencial administrativa sobre a matéria, que culminou no conceito aqui adotado para a solução da lide. Quando primeiramente instado a se manifestar sobre o tema, este Conselho convalidou o restritivo entendimento esposado pela Receita Federal, materializado nas Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04. Ou seja, transportouse o conceito de insumo do IPI para sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, o CARF entendia modificar os argumentos que a suportam ou seus fundamentos, a exemplo do que requer a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento complementar, nos termos do artigo 18, parágrafo terceiro." Só quem pode constituir o crédito tributário por meio do lançamento é quem possui a competência para, em exames posteriores, realizados no curso do processo, verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, proceder ao agravamento da exigência fiscal (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 2ª edição, 2004, p.262). 9 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e Método, p. 445.. 10 SCHOUERI, Luis Eduardo. Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 2011, p. 534. Fl. 27363DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 533 39 que ao contribuinte somente seria legítimo descontar créditos referentes às aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, os quais deveriam ser incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final, para serem considerados insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 20312.469). 11 Num segundo momento, já assumindo a impropriedade de se aplicar como critério para aferir o crédito PIS e COFINS não cumulativos aquele do IPI uma vez que materialidades destas espécies de tributos são completamente distintas, sendo a do IPI, circunscrita ao âmbito da industrialização, enquanto a das Contribuições, é mais abrangente, por ser a receita como um todo) , o CARF passou a utilizar as regras de dedutibilidade de despesa constante na legislação do pelo imposto sobre a renda (“IR”) para a definição de insumos (e.g. Acórdão n. 320200.226). 12 Nesse sentido, a jurisprudência do CARF acabou conferindo uma amplitude maior ao conceito de insumo para o direito de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, entendido como qualquer despesa, desde que necessária à consecução do objeto social da pessoa jurídica. Finalmente, a jurisprudência deste Conselho chegou então a um terceiro momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ”.13 Essa é a atual, e, a meu ver, correta orientação do CARF a respeito do tema. Com isso, constatase que este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). 14 Exatamente neste sentido, este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/9915 (Acórdão 3402002.881), 16 para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. 11 AC nº 20312.469, Processo n.º 137.818, rel. Odassi Guerzoni Filho, sessão de 17 de outubro de 2007. 12 AC nº 320200.22, Processo nº 11020.001952/200622, rel. Gilberto de Castro Moreira Junior, sessão de 08 de dezembro de 2010. 13 AC nº 9303002.801, Processo nº 13052.000441/200307, rel. Rodrigo da Costa Pôssas , sessão de 23 de janeiro de 2014. 14 AC nº 3302002.674, Processo nº 13971.720063/200814, rel. Fabíola Cassiano Keramidas, sessão de 19 de agosto de 2014. 15 Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Custo de Produção Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; Fl. 27364DF CARF MF 40 Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, fazse necessário analisar in casu a essencialidade dos insumos no processo formativo da receita. Para essa análise, contudo, cumpre salientar que o presente processo é originário de auto de infração, e não de pedido de reconhecimento de crédito para compensação pelo contribuinte. Tal fato é importantíssimo para o deslinde da controvérsia, à medida que é justamente a iniciativa do processo administrativo que determina o ônus da prova (artigo 373 da Lei n. 13.105/2015, o “Novo Código de Processo Civil”).7 Com efeito, este Colegiado, no próprio Acórdão 3402002.881 citado linhas atrás, adotou este parâmetro para a solução de caso onde também se julgava auto de infração em que a Fiscalização glosou créditos tomados pelo contribuinte, por utilizar como fundamento as Instruções Normativas n. n. 247/2002 e 404/2004, vale dizer, o conceito de insumo de IPI. Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo Quebras e Perdas Art. 291. Integrará também o custo o valor: I das quebras e perdas razoáveis, de acordo com a natureza do bem e da atividade, ocorridas na fabricação, no transporte e manuseio; II das quebras ou perdas de estoque por deterioração, obsolescência ou pela ocorrência de riscos não cobertos por seguros, desde que comprovadas: a) por laudo ou certificado de autoridade sanitária ou de segurança, que especifique e identifique as quantidades destruídas ou inutilizadas e as razões da providência; b) por certificado de autoridade competente, nos casos de incêndios, inundações ou outros eventos semelhantes; c) mediante laudo de autoridade fiscal chamada a certificar a destruição de bens obsoletos, invendáveis ou danificados, quando não houver valor residual apurável. 16 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2007 NULIDADES. A existência de motivação clara e explícita do ato administrativo, que rende ensejo à interposição de defesa robusta, não rende ensejo à decretação de nulidade. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de processo de iniciativa da Administração Tributária, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. (...). Fl. 27365DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 534 41 (...) É com isso que lidaremos no julgamento deste processo: afastado o significado de "insumo" adotado pelo fisco, o trabalho deste colegiado ao analisar as planilhas de glosa em espécie se resumirá em confrontar o item glosado com os dados técnicos trazidos pela defesa para determinarmos se o item está apto ou não a gerar o crédito. A autuação só será mantida em relação aos itens que comprovadamente não atendam aos requisitos legais para gerarem o crédito. Especificamente com relação aos paletes, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, na recente data de novembro de 2017, proferiu decisão que bem sintetiza o mais afinado entendimento deste Conselho a respeito do direito a tomada de crédito. Tratase do acórdão n. 9303005.908, de Relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Do voto conselheiro relator, destaco os seguintes trechos, que tratam justamente do direito ao creditamento relativo aos paletes: "A última contestação diz com o creditamento com relação aos seguintes itens: paletes, estrados, ripas e etiquetas. Segundo informa a contribuinte (informação também não confrontada), tais itens são utilizados para embalar seus produtos destinados à venda, de modo a garantir que cheguem em perfeitas condições ao destino final. Portanto, são integralmente consumidos no processo produtivo, e, depois de protegerem o produto até o destino final, são descartados pelo adquirente, não mais retornando para o estabelecimento da contribuinte. No ponto, cabe assinalar que esta Turma de CSRF vem entendendo que as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode tornálo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303004.174, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito da Cofins pela sistemática não cumulativa. (g.n.) No voto condutor do acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à sua tese, aresto proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual abraçou idêntico entendimento: PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – PIS/COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, Fl. 27366DF CARF MF 42 QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (g.n.) (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.125.253 SC, julgado em 15/04/2010) Ressaltamos, ainda, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração de entendimento, uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluemse os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confirase: "!14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: Fl. 27367DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 535 43 b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n. Traçadas essas premissas, passemos ao caso concreto. Tendo em vista os requerimento feitos por este Conselho na Resolução 3402 000.811, a Recorrente foi intimada em 14/10/2016 por meio do TDF nº 01 a apresentar os elementos e esclarecimentos discriminados a seguir a respeito da utilização dos paletes em seu processo produtivo, o que foi feito no seguinte sentido: 3.° As matérias primas (couro verde e salgado) são recebidas a granel, geralmente entram diretamente no processo produtivo, movimentandose através de transportador aéreo. (foto 1 e 2) Durante o processo produtivo úmido (ribeira, caleiro e curtimento wet blue) as peles são movimentadas através do transporte aéreo ou caixas. (foto 3 e 4) Após o curtimento wet blue os couros são classificadas e paletizadas para embarque ou direcionadas para o recurtimento/semiacabado. (foto 5) Durante o processo de semi acabado os couros são manuseados em caixas, enquanto úmidas (foto 4), e cavaletes após a secagem.(foto 6, 7 e 8) Os couros em semi acabado são classificados, medidos e embalados em pallets revestidos de filme plástico com destino ao mercado externo. (foto 9 e 10) A movimentação entre o semi acabado e acabado é feita sobre os cavaletes, em processo idêntico ao semi acabado.(foto 11, 12 e 13) Os couros produzidos (wet blue, semi acabado e acabado) são embalados (paletizados) e transportados até o Porto de Embarque e estufados em containeres com destino ao mercado externo. (fotos 14, 15,16 e 17) Outros insumos (produtos químicos) são recebidos paletizados ou em contêineres (foto 18 e 19) Disto, parece bastante claro que no caso da Recorrente encontramse preenchidos os requisitos para a tomada do crédito das contribuições sociais, quais sejam: i) a importância dos paletes para a preservação dos produtos exportados, uma vez que são utilizados para embalar seus produtos (artefatos de couro, cuja delicadeza é de conhecimento geral) destinados à venda, de modo a garantir que cheguem em perfeitas condições ao destino final no exterior; ii) seu integral consumo no processo produtivo, protegendo o produto, sendo Fl. 27368DF CARF MF 44 descartados pelo adquirente e não mais retornando para o estabelecimento da contribuinte. Afinal, os produtos são exportados, portanto não regressam os paletes para sua origem no Brasil. Com tais razões, deve ser cancelado o lançamento a respeito da glosa de créditos relativos aos paletes. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, com relação à i) omissão de receitas, tratadas nos tópicos 2.1.1., 2.1.2. e 2.1.3. do presente voto; ii) omissão de Receita dos Valores de Ressarcimento do Reintegra (tópico 2.2. do voto); iii) omissão de receitas "decorrentes de Rapel" (tópico 2.3. do voto); iv) omissão de receitas – Pagamentos Efetuados com Recursos Estranhos à Contabilidade (tópico 2.4. do voto); v) omissão de receitas de remissão de dívidas por fornecedores (tópico 2.5.); vi) glosa de créditos calculados sobre a aquisição de paletes. Relator Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Fl. 27369DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 536 45 Voto Vencedor Com a devida vênia, fui designado a redigir o presente voto vencedor, uma vez que a maioria do Colegiado não acompanhou o entendimento da eminente Relatora quanto à não caracterização dos itens a seguir listados como receitas sujeitas a incidência do PIS e da COFINS: a) Perdão/Deságio no Pagamento de Empréstimos Bancários (item 2.1.3); b) Valores de Ressarcimento do Reintegra( item 2.2); e c) Remissão de Dívidas por Fornecedores (item 2.5). O principal objeto da lide quanto a esses três pontos envolve o conceito de receita para a legislação do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos, sendo que a Relatora defendeu que os valores contabilizados relativos a Perdão/Deságio no Pagamento de Empréstimos Bancários, Valores de Ressarcimento do Reintegra e Remissão de Dívidas por Fornecedores não possuem a natureza de receita. Segundo o seu entendimento, somente ocorre a caracterização de receita quando há ingresso financeiro de recursos que se integre no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, fato que não ocorreu no caso.ora anlisado. A maioria da turma colegiada, entretanto, concordou com o entendimento da Autoridade Tributária ao atribuir natureza jurídica de receitas operacionais as parcelas em discussão, mantendo a sua inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme fundamentos a seguir expostos. Os itens “a” e “c” no presente voto serão analisados em conjunto por apresentarem identidade de natureza jurídica, caracterizada como remissão de dívidas. Perdão/Deságio no Pagamento de Empréstimos Bancários e Remissão de Dívidas por Fornecedores Percebese pela leitura dos autos que a recorrente é sujeita ao regime não cumulativo das contribuições e aos comandos do artigo 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, cujas redações em 2009 eram as abaixo transcritas: Lei nº 10.637/2002: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Produção de efeito § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Fl. 27370DF CARF MF 46 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI – não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (a Lei nº 10.833/2003 ampliou a exclusão para "não operacionais, decorrentes da venda do ativo permanente", aplicandose ao PIS/Pasep, de acordo com o artigo 15 da referida lei) Lei nº 10.833/2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; V referentes a: Fl. 27371DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 537 47 a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeito). Constatase pela legislação transcrita que a base de cálculo das contribuições na sistemática não cumulativa é bem ampla, incluindo todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Além disso, a legislação também prevê as exclusões desta base de cálculo. Também não se identifica no dispositivo legal legal transcrito previsão para a exclusão da remissão de dívidas da incidência do PIS e da COFINS não cumulativos. Assim, resta verificar se esses valores se subsumem ao conceito de receita. A Relatora, em seu voto, insistiu na tese da necessidade de ingresso positivo de recurso que implique repercussão patrimonial positiva para que o evento seja caracterizado como receita para quem aufere. A maioria do Colegiado discordou dessa assertiva por entender que não apenas o ingresso de recursos na entidade com aumento do seu ativo (sem contrapartida no passivo) representa receita, mas também aqueles benefícios econômicos decorrentes de diminuição de passivo, sem contrapartida diminutiva no ativo, têm efeito positivo patrimônio líquido da entidade, da mesma forma se caracterizando como receita. O Pronunciamento Técnico CPC 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis confirma esse entendimento na sua definição de receita: Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas propriamente ditas como os ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada Fl. 27372DF CARF MF 48 por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. (negritos nossos) Concluise que receita é o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resulta em aumento de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Nesse sentido, o Perdão/Deságio no Pagamento de Empréstimos Bancários e a Remissão de Dívidas por Fornecedores possuem natureza jurídica de receitas decorrentes de ingressos econômicos, caracterizadas por um ingresso econômico decorrente da redução de um passivo sem a redução cocomitante de um ativo, resultando em um acréscimo de riqueza refletida no patrimônnio da entidade.. A não inclusão desses eventos na base de cálculo do PIS e da COFINS somente seria possível por meio de previsão em lei. Não havendo previsão legal para tanto, correto está a tributação dessas receitas pelas contribuições em comento. Estando evidente que as remissões de dívidas em comento se caracterizam como receitas, resta apurar se são “receitas financeiras” sujeitas a alíquota zero (art. 1º do Decreto nº 5.442, de 09/05/2005, c/c o §2º do art. 27 da Lei nº 10.865, de 30/04/2004), como pugna a Reclamante em seu Recurso, ou como “outras receitas operacionais”, conforme afirma a Fiscalização. Aduz a recorrente, sem razão, que, no caso concreto, estarseia diante de uma situação em que foi concedido um desconto em razão do pagamento antecipado da dívida, sendo que os descontos obtidos quando do pagamento antecipado da dívida estariam compreendidos dentro do conceito de receitas financeiras. Equivocase a recorrente porque não há elementos suficientes nos autos para determinar se efetivamente tratam de descontos por antecipação no pagamento de dívida, mas, ao contrário, os documentos juntados pela fiscalização indicam tratar unicamente de remissão de dívidas obtidas pela recorrente. Os descontos financeiros obtidos e classificáveis como receitas financeiras decorrem, normalmente, de pagamentos antecipados de duplicatas de fornecedores ou de outros títulos, o que não é o caso dos valores recebidos pela recorrente, conforme citado no Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI (Editora Atlas, 2010, p. 515). c) RECEITAS FINANCEIRAS Como receitas financeiras, ha: Descontos obtidos, oriundos normalmente de pagamentos antecipados de duplicatas de fornecedores e de outros titulos. O voto recorrido bem ressaltou que as receitas ora analisadas não guardam características de receitas financeiras, in verbis: O desconto tem natureza de receita financeira quando há novação em virtude de uma contraposição de fatores favoráveis e desfavoráveis (pagamento antecipado que gera uma redução de juros – recebimento em função do tempo de recebimento do Fl. 27373DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 538 49 crédito), o que é diferente do caso em tela que retrata uma remissão da dívida (ato liberatório da credora em favor da devedora), pela qual houve um abandono do próprio capital (principal). Trechos da Solução de Consulta da 6ª região fiscal também comfirmam a natureza jurídica da remissão de dívida como “Outras Receitas Operacionais”: SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL 6a REGIÃO FISCAL DECISÃO N° 297 de 21 de dezembro de 2000 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: INSUBSISTÊNCIA PASSIVA. À baixa de valor registrado no passivo, por insubsistência da obrigação de pagar (insubsistência passiva) corresponde uma receita tributável, no momento desta baixa. 11.8. Até então, não se discutia acerca da natureza jurídicocontábiltributária do perdão de dívida a fim de caracterizála como "receita financeira" ou como "outras receitas operacionais". Entretanto, na medida em que tal questão passa a importar tributariamente, uma vez que a receita financeira tem alíquota zero para fins de Cofins e de PIS, relativamente a empresas inseridas no regime de não cumulatividade destas contribuições (art. 1° do Decreto n° 5.442, de 09/05/2005, c/c o §2° do art. 27 da Lei n° 10.865, de 30/04/2004), devese dissecar tal ato. 11.8.1. A remissão, segundo Maria Helena Diniz, é: o perdão da dívida pelo credor, colocandose este na impossibilidade de reclamar o adimplemento da obrigação. A remissão das dívidas é a liberação graciosa do devedor pelo credor, que voluntariamente abre mão de seus direitos creditórios, com o escopo de extinguir a obrigação, mediante o consentimento inequívoco ou tácito, do devedor, desde que não haja prejuízo a direitos de terceiro (CC, art. 385). Para Carvalho de Mendonça (apud Clóvis Beviláqua, Código Civil Comentado, cit., p. 215) seria a "renúncia gratuita do crédito", incondicionalmente manifestada pelo credor em benefício do devedor. (...) a remissão é um direito exclusivo do credor de exonerar o devedor, visto ser a extinção dos direitos creditórios pela simples vontade do credor (DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. V. 2: teoria geral das obrigações. 21. ed. São Paulo: Saraiva, 2006. pp. 377379). Fl. 27374DF CARF MF 50 12. Do exposto, concluise que o perdão de dívida pela credora é um ato jurídico que faz acrescer o patrimônio da devedora, de modo que revela capacidade contributiva (objetiva), que, por caracterizar uma receita operacional (diversa da receita financeira), implica receita tributável pela Cofins e pelo PIS, com a alíquota superior a zero (diversamente do que trata o art. 1° do Decreto n° 5.442, de 09/05/2005, c/c o §2° do art. 27 da Lei n° 10.865, de 30/04/2004). 13. Não obstante o já exposto, o inciso II do art. 116 do CTN deixa claro que de uma situação jurídica exsurge uma obrigação tributária. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. 13.1. Tendo em vista o inciso II acima, não se pode olvidar da legislação aplicável. Observase que no contrato ou nos registro do Bacen, constantes dos autos, não há qualquer referência que o perdão da dívida em comento tivesse sido em função de uma doação. Mas, mesmo que fosse uma doação, também seria o caso de tributação a contrario sensu, por força do art. 443 do Decreto n°3.000, de 17/06/1999 (regulamento do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza RIR/99). Art.443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 38, §2°, e Decreto Lei n° 1.730, de 1979, art. 1°, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. 13.2. A remissão de dívida, por representar um acréscimo patrimonial para o devedor remitido, é tributável tanto pelo IRPJ, quanto pela CSLL, pela Cofins e pelo PIS, uma vez que o lançamento contábil dáse forçosamente mediante crédito de receita operacional (distinta da Fl. 27375DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 539 51 receita financeira). Para que não fosse tributável haveria a necessidade de norma isentiva, a qual deve ser interpretada literalmente, segundo o art. 111, II, do CTN. Nesse diapasão, bem expõe Sacha Calmon ao dizer sucintamente que "interpretação literal não é interpretação mesquinha ou meramente gramatical. Interpretar estritamente é não utilizar interpretação extensiva" (COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Forense, 2002. p. 576). (...) II outorga de isenção; 13.3. Tanto é assim que relativamente à doação recebida pelas pessoas físicas há uma norma isentiva no que se refere ao donatário, conforme o art. 39, XV, do RIR/99: "Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XV O valor dos bens adquiridos por doação ou herança, observado o disposto no art. 119 (Lei n° 7.713, de 1988, art. 6°, inciso XVI, e Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 23 e parágrafos)"; o que não ocorre quando a pessoa jurídica é donatária, salvo o disposto no art. 443 do RIR/99 (já transcrito). 13.4. Também não se pode olvidar que a eqüidade não pode ser utilizada para elidir o pagamento do tributo, conforme dispõe o § 2° do art. 108 do CTN ("O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento do tributo devido"). Sacha Calmon bem resume ao escrever que "a eqüidade é o sumo do bem e da compreensão na aplicação da lei (dura lex sed lex), mas não pode dispensar o pagamento do tributo devido" (COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Forense, 2002. p. 570). Conclusão 17. A vista do exposto, concluise que em decorrência da remissão de empréstimo com prazo de carência: 17.1. (...) 17.2. ii) A remissão de dívida referente ao capital importa para o devedor (remitido) receita operacional, diversa da receita financeira, o que implica fato imponível tributário da Cofins, do PIS, estas com alíquota superior a zero (diversamente do que trata o art. 1° do Decreto n° 5.442, de 09/05/2005, c/c o §2° do art. 27 da Lei n° 10.865, de 30/04/2004, do IRPJ e da CSLL, concretizado no momento do ato jurídico remitente, por ser uma insubsistência do passivo (ativa). Fl. 27376DF CARF MF 52 A receita que compõe a base de cálculo dos tributos "é o perdão, e não os juros"; os juros tem seu prazo decadencial de cobrança pelo credor, junto ao devedor, e seu fato constitutivo é a fluência das datas de vencimento; ao passo que os tributos tem como fato gerador o "resultado positivo caracterizado pelo perdão dos juros passivos do devedor, no caso, o fiscalizado Camacácia Silvopastoril Ltda, que obteve resultado positivo ao deixar de dever juros já em atraso. (negritos nosso) Este colegiado também já se pronunciou em outras oportunidades sobre a matéria, a teor dos Acórdãos nº 1401001.114 e 3201002.117, cujas ementas parciais transcrevemse, respectivamente: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO O valor relativo à redução de dívida decorrente de remissão não tem natureza de receita financeira, devendo ser registrada como "outras receitas operacionais". PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2002 PERDÃO DE DÍVIDA. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O perdão de dívida importa para o devedor acréscimo patrimonial, caracterizandose como receita operacional, cujo valor deve ser computado na base de cálculo do PIS apurado no regime não cumulativo. Recurso Voluntário negado Assim, as remissões de dívidas no pagamento de Empréstimos Bancários e de Dívidas por Fornecedores se constituem em receitas tributáveis, decorrentes de um acréscimo patrimonial para o devedor, pela redução de um passivo, sem correspondente redução do ativo, que não se qualificam como receitas financeiras, vez que não decorrem de antecipação de pagamento de dívidas, mas sim de perdão concedido pelos credores, estando corretamente classificadas como “Outras Receitas Operacionais”, conforme restou comprovado nos autos. Valores de Ressarcimento do Reintegra Fl. 27377DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 540 53 O lançamento fiscal foi motivado pelo entendimento da Autoridade Tributária de que a empresa deixou de incluir na base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS não cumulativos os valores de ressarcimento do Regime de Reintegração de Valores Tributários para Empresas Exportadora (Reintegra), que representam receitas operacionais tributáveis para as referidas contribuições. A Recorrente discordou do entendimento quanto a classificação dos valores ressarcidos do Reintegra como subvenção, argumentando que se tratam de incentivo fiscal instituído para diminuir custos tributários e desonerar o exportador produtor de bens manufaturados, a fim de estimular as exportações. A melhor forma de se buscar a real natureza jurídica de um benefício fiscal está na sua origem, ou seja, na lei instituidora e seus dispositivos regulamentares. O Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários (Reintegra) foi instituído pela Medida Provisória nº 540, de 2 de agosto de 2011, posteriormente convertida na Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, e foi regido por essa lei até dezembro de 2013: Art. 1o É instituído o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), com o objetivo de reintegrar valores referentes a custos tributários federais residuais existentes nas suas cadeias de produção. Art. 2o No âmbito do Reintegra, a pessoa jurídica produtora que efetue exportação de bens manufaturados no País poderá apurar valor para fins de ressarcir parcial ou integralmente o resíduo tributário federal existente na sua cadeia de produção. (...) § 12. Não serão computados na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os valores ressarcidos no âmbito do Reintegra. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013)” Art. 3oO Reintegra aplicarseá às exportações realizadas: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I de 4 de junho de 2013 até 31 de dezembro de 2013; e (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II (VETADO).(Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013)” Observase que o § 12 do art. 2º da Lei nº 12.546, de 2011, foi inserido pelo art. 13 da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 19 de julho de 2013, e somente a partir dessa data excluiu das bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os valores ressarcidos no âmbito do Reintegra. Posteriormente o Reintegra foi reinstituído pela Medida Provisória nº 651, de 9 de julho de 2014, convertida na Lei n° 13.043, de 13 de novembro de 2014, conforme o texto reproduzido a seguir: Fl. 27378DF CARF MF 54 Art. 21. Fica reinstituído o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras REINTEGRA, que tem por objetivo devolver parcial ou integralmente o resíduo tributário remanescente na cadeia de produção de bens exportados. Art. 22. No âmbito do Reintegra, a pessoa jurídica que exporte os bens de que trata o art. 23 poderá apurar crédito, mediante a aplicação de percentual estabelecido pelo Poder Executivo, sobre a receita auferida com a exportação desses bens para o exterior. (...) § 6o O valor do crédito apurado conforme o disposto neste artigo não será computado na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. A instituição do benefício visou a reintegração de valores às pessoas jurídicas exportadoras referentes a custos tributários federais residuais existentes em suas cadeias de produção de bens manufaturados. Conforme os §§ 1º e 2º do art. 2º da Lei nº 12.546, de 2011, o valor a ser reintegrado corresponde a um percentual, fixado pelo Poder Executivo (entre zero e três por cento), aplicado sobre a receita de exportação de bens produzidos pela pessoa jurídica. O § 4º do art. 2º, por sua vez, estabelece duas possibilidades de utilização do valor apurado: ressarcimento em espécie ou compensação com débitos próprios relativos a tributados administrados pela RFB. Constatase pelos dispositivos mencionados que o patrimônio da empresa beneficiária é enriquecido com recursos vindos de fora sem que isto importe na assunção de uma dívida ou obrigação. Tais recursos concedidos pela entidade governamental, realizados por meio da fruição do benefício fiscal, visam principalmente auxiliar a empresa no financiamento de suas despesas de custeio do dia a dia. Uma vez que o valor apurado no Reintegra pode ser utilizado livremente pela Empresa, não estando seus recursos vinculados a aplicações específicas, resta claro tratarse de hipótese de subvenção corrente para custeio ou operação. Nesse mesmo sentido, transcrevo trecho da Solução de Consulta Cosit nº 240, de 2014, publicada no DOU de 30 de setembro de 2014, no qual os valores apurados no Reintegra são caracterizados como receitas decorrentes de subvenção para custeio ou operação pela Receita Federal: A caracterização das subvenções como receita é incontroversa, o que se constata pela simples leitura das manifestações explícitas do Comitê de Pronunciamento Técnico, em especial no Pronunciamento Técnico CPC nº 07 (R1) – Subvenções e Assistências Governamentais, in fine: (...) 9. A forma como a subvenção é recebida não influencia no método de contabilização a ser adotado. Assim, por exemplo, a contabilização deve ser a mesma independentemente de a subvenção ser recebida em dinheiro ou como redução de passivo. Fl. 27379DF CARF MF Processo nº 10835.722067/201362 Acórdão n.º 3402004.954 S3C4T2 Fl. 541 55 (...) 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições deste Pronunciamento. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. (...) 15. O tratamento contábil da subvenção governamental como receita deriva dos seguintes principais argumentos: (a) uma vez que a subvenção governamental é recebida de uma fonte que não os acionistas e deriva de ato de gestão em benefício da entidade, não deve ser creditada diretamente no patrimônio líquido, mas, sim, reconhecida como receita nos períodos apropriados; (b) subvenção governamental raramente é gratuita. A entidade ganha efetivamente essa receita quando cumpre as regras das subvenções e cumpre determinadas obrigações. A subvenção, dessa forma, deve ser reconhecida como receita na demonstração do resultado nos períodos ao longo dos quais a entidade reconhece os custos relacionados à subvenção que são objeto de compensação; (c) assim como os tributos são despesas reconhecidas na demonstração do resultado, é lógico registrar a subvenção governamental que é, em essência, uma extensão da política fiscal, como receita na demonstração do resultado. (grifouse) Vêse pela leitura dos autos que a recorrente é sujeita ao regime não cumulativo das contribuições e aos comandos do artigo 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, cuja redação quanto a COFINS em 2009 é a abaixo transcrita: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (negrito nosso) A base de cálculo das contribuições em comento no regime de apuração não cumulativa é ampla, alcançando todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, Fl. 27380DF CARF MF 56 independentemente de sua denominação ou classificação contábil, salvo aquelas expressamente excepcionadas pela legislação. Inexistia à época dos fatos geradores lançados qualquer dispositivo legal prevendo a exclusão dos valores recebidos do Reintegra da base de cálculo das contribuições do PIS e da COF|INS não cumulativos, o que leva a conclusão de que o lançamento fiscal está de acordo com a legislação vigente no período fiscalizado de 31/03/2009 a 31/12/2012. Somente a partir de 19 de julho de 2013 sobreveio dispositivo legal, constante da Lei nº12.844/2013, que excluiu os valores ressarcidos do Reintegra da base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS. Por fim, discordando do que afirma a Recorrente, a referida lei não guarda qualquer característica de lei interpretrativa, não possuindo, portanto, qualquer efeito retroativo. É como voto. Assinado Digitalmente Pedro Sousa BispoRedator Designado Fl. 27381DF CARF MF
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