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Numero do processo: 10875.720507/2011-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO 2011 A existência de débitos, apontados no Termo de Indeferimento de Opção, é hipótese de indeferimento da inclusão no Simples Nacional, nos termos do inciso V, do artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0434.569, da 3ª Turma da DRJ/CGE, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 05 07 /2 01 1- 17 Fl. 85DF CARF MF 2 Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos de natureza previdenciária, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, incisos V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela conheço. Foi indeferida a opção ao Simples Nacional porque a impugnante possuía débitos cuja exigibilidade não estava suspensa. A argumentação da contribuinte foi centrada no fato de que recolhera os tributos devidos no prazo legal, mas o fez incorretamente em guias de GPS, vez que deveria recolhêlos “em título para quitação do DEBCAD” (v. formulários, fls. 13 15). Assim, a regularização efetuada posteriormente não desqualificaria o pagamento que se efetivara dentro do prazo legal, anteriormente. Alegou, ainda, que as diferenças recolhidas em junho de 2011, no total de R$ 3.726,30, referiamse a custas judiciais e não a contribuições previdenciárias. No que tange ao recolhimento equivocado em guias de GPS, tem razão a impugnante, pois o que importa é o recolhimento dentro do prazo legal e eventual erronia ao recolher a contribuição não poderia justificar o indeferimento de sua opção ao Simples Nacional. Porém, na espécie, verificase que não procede a afirmativa de que os pagamentos suplementares em junho de 2011, no total de R$ 3.726,30 referemse a custas judiciais ou processuais. A própria GPS juntada pela contribuinte (fls. 34) demonstra que se trata de recolhimento da contribuição previdenciária (v. consulta, fls. 1920). Logo, tendo recolhido diferenças de contribuições bem depois do prazo de opção, sequer se pode aplicar por analogia o disposto no art. 31, § 2º, da LC nº 123/2006. Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, julgo improcedente a manifestação de inconformidade e mantenho o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional por seus próprios fundamentos. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso voluntário, a recorrente argumentou que: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10875.720507/201117 Acórdão n.º 1001000.270 S1C0T1 Fl. 3 3 De fato, o código 6203, da Receita de Contribuição Previdenciária, é exclusivo para pagamento de Dívida Ativa Ação Judicial e de preenchimento exclusivo do órgão emissor. A recorrente afirma tratarse de recolhimento de custas judiciais, mas, a guia de recolhimento, anexada à impugnação, indica recolhimento da contribuição previdenciária. Fl. 87DF CARF MF 4 Por outro lado, a Recorrente não apresentou nenhum outro documento que pudesse corroborar o que afirmou. A própria DRJ considerou que os débitos existentes foram recolhidos dentro do prazo legal, porém, em guias de GPS e deveriam ter sido em DEBCAD, exceto o constante da guia de recolhimento. Assim, o débito remanescente, existente em 31 de janeiro de 2011, é fator impeditivo à opção pelo Simples Nacional, nos termos do inciso V, ao artigo 17, da LC 123/2006. Portanto, nego provimento ao presente Recurso Voluntário, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.722306/2015-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1992 a 31/10/1994
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS.
A participação nos lucros ou resultados da empresa apenas não integra o salário de contribuição quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, que à época dos fatos geradores não existia.
Numero da decisão: 2401-005.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1992 a 31/10/1994 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa apenas não integra o salário de contribuição quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, que à época dos fatos geradores não existia.
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Recorrente ARTECOLA QUÍMICA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1992 a 31/10/1994 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa apenas não integra o salário de contribuição quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, que à época dos fatos geradores não existia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 23 06 /2 01 5- 77 Fl. 155DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD (Debcad 31.861.0248) lavrada contra o sujeito passivo em epígrafe, referente à contribuição previdenciária da empresa incidente sobre valores pagos a segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados PLR. O contribuinte impugnou o lançamento, alegando que o dispositivo constitucional que autoriza o pagamento da PLR é autoaplicável. Conforme decisão de fl. 12, julgouse procedente o lançamento. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou recurso, fls. 13/16, que contém, em síntese: Alega que a CR/88, art. 7º, XI, prevê que sobre os valores pagos a título de PLR não integram a remuneração do empregado e, portanto, não estão passíveis de contribuição previdenciária. Afirma que as normas não autoaplicáveis são exceção no sistema constitucional e que a norma válida vige a partir de sua publicação. Cita doutrina. Acrescenta que a dependência da aplicação da norma constitucional à edição de lei inferior põe em perigo a eficácia do direito outorgado ou da obrigação imposta. Requer seja desconstituído o lançamento, tendo em vista a impossibilidade jurídica de se praticar ou exigir a prática de ato contrário à constituição. O texto explicativo de fls. 132/141, apresenta a situação da seguinte forma: A empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, CNPJ 44.699.346/000103 (à época do lançamento do crédito tributário em questão, o CNPJ da matriz era 89.907.497/0001 30 – evento de incorporação posterior – vide tela em anexo) alega estar aguardando o julgamento do recurso (administrativo) por ela interposto, ainda lá no ano de 1995, contra a decisão da Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social GRAF em Novo Hamburgo, RS, que, indeferindo a impugnação apresentada pela referida empresa, concluiu pela procedência do lançamento [...]. Apenas a título de esclarecimento contextual, informase que são 09 (nove) NFLD’s, no total, na mesma situação, emitidas na mesma ação fiscal, cada uma delas vinculada a um estabelecimento específico da (mesma) empresa recorrente (CNPJ’s da matriz e respectivos estabelecimentos filiais) e todas elas referentes ao mesmo caso/assunto (incidência de contribuições previdenciárias sobre distribuição de lucros aos segurados empregados relativa a período anterior à regulamentação da matéria por norma infraconstitucional), contendo competências de 03/1992 a 10/1994 [...]. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11065.722306/201577 Acórdão n.º 2401005.373 S2C4T1 Fl. 156 3 Nos Sistemas (eletrônicos) da Dataprev, [...], consta o registro de que, em 21/05/1996, tal crédito tributário passou para a "Fase 517", que corresponderia à situação de "CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO SUBJUDICE". Esse registro corresponde (ou deveria corresponder) a uma informação no sentido de que a empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, [...] teria ingressado com uma ação judicial para discutir o referido lançamento de crédito tributário previdenciário. [...] Em função disso, pesquisouse junto à Seção Judiciária da Justiça Federal no Rio Grande do Sul e, também, junto a algumas comarcas da Justiça Estadual do Rio Grande do Sul (Novo Hamburgo e Campo Bom, já que o sujeito passivo em questão, ao menos seu estabelecimento matriz/centralizador, tem seu domicílio tributário/fiscal no Município de Campo Bom, RS) acerca da existência de eventual ação judicial relativa ao lançamento constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 318610248, porém não se encontrou nenhuma ação judicial proposta pela referida pessoa jurídica visando à discussão (anulação, desconstituição, modificação etc.) do referido lançamento de crédito tributário previdenciário. A mencionada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 318610248 referese à inclusão, no saláriode contribuição/base de cálculo das contribuições previdenciárias e daquelas destinadas a terceiros, dos valores distribuídos, pela recorrente, aos seus empregados, a título de participação deles nos lucros da empresa, relativos ao período de 03/1992 a 10/1994, ou seja, referente a período anterior à edição da Medida Provisória nº 794, de 30.12.94 e reedições posteriores (MP 1487, MP 1539 e MP 1619) e, obviamente anterior à MP 1.98277, de 23 de novembro de 2000 e da Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, CNPJ 44.699.346/000103 (à época do lançamento dos créditos tributários em questão, o CNPJ da matriz era 89.907.497/0001 30), por sua vez, tem afirmado, de forma reiterada, que não ajuizou nenhuma ação para discutir o lançamento de crédito tributário constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 318610248 porque, segundo ela, ainda está aguardando o julgamento administrativo do recurso (administrativo) por ela interposto, no ano de 1995 (ano de mil, novecentos e noventa e cinco), contra a decisão da Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social GRAF em Novo Hamburgo, RS, dirigido à Junta de Recurso da Previdência Social JRPS, em Porto Alegre, RS (que, à época, era o órgão competente para julgamento do mencionado recurso), porém que ainda não teve notícia quanto a eventual ocorrência do julgamento dele, que Fl. 157DF CARF MF 4 não recebeu nenhuma resposta acerca disso, que nunca foi cientificada de nenhuma decisão sobre eventual julgamento do referido recurso administrativo. [...] Apenas a título de esclarecimento, até para fins de contraste, convém referir que a empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, CNPJ 44.699.346/000103 (à época, o CNPJ da matriz era 89.907.497/000130), teve outros lançamentos de créditos tributários previdenciários lavrados contra si, pela Fiscalização do INSS, referente à mesma matéria, isto é, de contribuições previdenciárias e aquelas destinadas a terceiros decorrentes dos valores por ela distribuídos, a título de participação dos lucros, aos seus empregados, relativos a períodos anteriores à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal (inicialmente por meio da MP 794/94): tratase das Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD’s nº 31.537.3440, 31.537.3458, 31.537.3466, 31.537.3474, 31.537.3482 e 31.537.3490, porém, todas essas NFLDs dizem respeito a períodos de apuração (competências) anteriores àquelas competências constantes na NFLD à que se refere o presente recurso administrativo. Essas NFLDs (31.537.3440, 31.537.3458, 31.537.3466, 31.537.3474, 31.537.3482 e 31.537.3490), contêm o período relativo às competências de 10/1991 a 02/1992, enquanto a Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD nº 318610248 abrange as competências 03/1992 a 10/1994, ou seja, esta última NFLD referese a períodos posteriores àqueloutras. Em relação às NFLDs nº 31.537.3440, 31.537.3458, 31.537.3466, 31.537.3474, 31.537.3482 e 31.537.3490, de fato, constatouse que, especificamente (e tão somente) quanto a elas, a referida empresa ajuizou uma ação ordinária visando à anulação dos correspondentes lançamentos de crédito tributário: tratase da Ação Ordinária nº 92.00.185142/RS (Subseção Judiciária da Justiça Federal em Porto Alegre RS), tendo sequência no Recurso de Apelação/Reexame Necessário Cível nº 1999.04.01.0816521 (TRF4), passando pelo Recurso Especial REsp nº 445.791 (STJ) terminando no Recurso Extraordinário nº 393.764 (STF), onde o respectivo trânsito em julgado ocorreu em 06/03/2009, com a conclusão, pelo STF, pela incidência das alíquotas das contribuições previdenciárias (e aquelas destinadas terceiros) sobre os lucros distribuídos aos empregados pela referida empresa. Juntouse, em anexo, cópia de partes dessa ação apenas para identificar que ela se refere especificamente, restritamente e tão somente às NFLDs nº 31.537.3440, 31.537.3458, 31.537.3466, 31.537.3474, 31.537.3482 e 31.537.3490, onde se pode verificar que essa ação não abrange a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 318610248. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11065.722306/201577 Acórdão n.º 2401005.373 S2C4T1 Fl. 157 5 Não parece de todo irrazoável cogitarse que a existência – à época em andamento –da Ação Ordinária nº 92.00.185142/RS, proposta pela empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, CNPJ 44.699.346/000103 (à época, o CNPJ da matriz era 89.907.497/000130), quiçá, pudesse ter gerado a presunção, no âmbito administrativo –da, então, à época, Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social GRAF em Novo Hamburgo, RS –, de que essa ação, de alguma forma, por se referir ao mesmo assunto, ou seja, inclusão, na base de cálculo das contribuições previdenciárias, dos valores distribuídos aos segurados empregados, a título de participação deles nos lucros da empresa, pudesse ter abrangido também o lançamento de crédito previdenciário relativo à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 318610248 e que, em função disso, e, ainda, pelo princípio constitucional da unicidade de jurisdição, pudesse ter ocorrido a consequente presunção de definitividade da discussão no âmbito administrativo. [...] Já – diferentemente das NFLDs nº 31.537.3440, 31.537.3458, 31.537.3466, 31.537.3474, 31.537.3482 e 31.537.3490 –, em relação à (presente) Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 318610248, conforme já se explicou acima, embora ela também diga respeito a crédito tributário previdenciário referente a incidências das alíquotas das contribuições previdenciárias e daquelas destinadas a terceiros sobre os valores entregues, pela empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, CNPJ 44.699.346/000103 (à época do lançamento dos créditos tributários em questão, o CNPJ da matriz era 89.907.497/000130), aos seus empregados a título de participação (deles) nos lucros da referida pessoa jurídica, não se encontrou nenhuma ação judicial buscando a anulação, ou modificação ou desconstituição do correspondente lançamento de crédito tributário. [...] A inexistência de ação judicial visando à anulação ou desconstituição desse lançamento é um fato categoricamente afirmado pela própria empresa (sujeito passivo em tela), pois que, declara ela, repetidamente, ter optado por discutir o referido lançamento na via administrativa, porém que até hoje não recebeu nenhuma resposta acerca do recurso administrativo por ela interposto ainda lá no ano de 1995, conforme descrito acima. [...] Embora, nos Sistemas da Dataprev, o débito referente à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 318610248 conste registrado na “fase 517 CREDITO PREVIDENCIARIO SUBJUDICE”, desde a data de “21/05/1996”, conforme já se esclareceu acima, não se encontrou nenhuma ação judicial proposta pelo respectivo Fl. 159DF CARF MF 6 sujeito passivo visando à anulação ou modificação do lançamento do correspondente crédito tributário previdenciário. [...] A referida empresa, inclusive, declarou em juízo, quando da impetração do mandado de segurança nº 5005416 76.2010.404.7108/RS (ajuizado com a exclusiva finalidade de obtenção de certificado de regularidade fiscal), no ano de 2010, na Subseção da Justiça Federal em Novo Hamburgo, RS, que o débito tributário previdenciário referente a essa NFLD não poderia ser óbice para obtenção de certificado de regularidade fiscal previdenciária, já que ele deveria estar com a exigibilidade suspensa por força do recurso administrativo interposto, ainda pendente de julgamento por parte da Administração Tributária Federal desde o ano de 1995. Juntaramse, em anexo, cópia da Sentença proferida no citado mandado de segurança nº 500541676.2010.404.7108/RS deferindo o pedido da empresa, da "capa" do referido mandado de segurança 5005416 76.2010.404.7108/RS, contendo a chave (394213033210), para acesso à integralidade do mencionado processo, no endereço https: //eproc.jfrs.jus.br/eprocV2/ > Consulta Pública > Justiça Comum/JEF (V2). [...] Considerandose que a empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, CNPJ 44.699.346/000103 (à época do lançamento do crédito tributário em questão, o CNPJ da matriz era 89.907.497/000130), aguarda um julgamento de seu recurso administrativo acima descrito, referente ao lançamento de crédito tributário relativo à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 318610248 e, considerandose, ainda, que, atualmente, em face das alterações ocorridas na legislação, agora, é do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF a competência legal e regimental para julgar recurso administrativo referente a contribuições previdenciárias devidas por pessoa jurídica, pedese que esse Órgão do Ministério da Fazenda dignese, enfim, proceder ao julgamento do mencionado recurso administrativo, por cuja decisão a recorrente afirma estar aguardando desde o ano de 1995, conforme acima descrito. Na denominada Ficha de Registro de Processo de Infração RPI da referida empresa junto ao exIAPAS/INSS, consta a anotação de que, de fato, ela apresentou Recursos Administrativos tempestivos insurgindose contra as decisões administrativas de 1º (primeiro) grau que julgou procedentes os respectivos lançamentos referentes às NFLD’s 318610175, 318610183, 318610191, 318610205, 318610213, 318610221, 31861023 0, 318610248 e 318610256, sendo que, em tal documento, porém, não consta que haja ocorrido julgamento deles nem que tenha sido dado uma resposta de eventual julgamento de tais recursos à referida empresa (ora recorrente). [...] É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11065.722306/201577 Acórdão n.º 2401005.373 S2C4T1 Fl. 158 7 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PLR Para o segurado do RGPS, qualquer parcela destinada a retribuir o seu trabalho integra o salário de contribuição, conforme Lei 8.212/1991, artigo 28, inciso I: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Entretanto, a Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, exclui algumas rubricas da base de incidência das contribuições previdenciárias, contudo para que tais rubricas sejam excluídas, elas devem estar previstas no citado dispositivo legal e devem ser pagas dentro dos ditames da lei. No caso da PLR, o art. 7o, XI da Constituição Federal de 1988, dispõe que: Art. 7o São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. (grifo nosso) E ainda, de fato, o art. 28, § 9º, prevê hipóteses de não incidência de contribuições sociais sobre participação nos lucros e resultados: Art. 28. [...] Fl. 161DF CARF MF 8 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifo nosso) [...] Vêse, portanto, que tais hipóteses de renúncia fiscal não são absolutas, mas sim condicionadas pelo próprio dispositivo legal que as prevê. No caso da PLR, a isenção apenas acontece se os pagamentos forem efetuados de acordo com a lei específica. À época dos fatos geradores apurados na NFLD em análise, não havia lei específica que tratasse da PLR. O próprio contribuinte ajuizou ação ordinária para que fossem anulados lançamentos contra ele efetuados, pelo mesmo motivo, mas em período anterior ao presente, que foi objeto de recurso extraordinário, tendo o STF, Relator Ministro Gilmar Mendes, julgado da seguinte forma: Nos termos do entendimento firmado por esta Corte no julgamento do Mandado de Injunção 102, Pleno, Redator para o acórdão Carlos Velloso DJ 25.10.02, é de se concluir que a regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, que implementou o direito dos trabalhadores na participação nos lucros da empresa. Desse modo, a participação nos lucros somente pode ser considerada "desvinculada da remuneração" (art. 7º, XI, da Constituição Federal) após a edição da citada Medida Provisória. Portanto, verificase ser possível a cobrança de contribuição previdenciária antes da regulamentação do dispositivo constitucional, pois integrava a remuneração. Nesse sentido, monocraticamente, o RE 351.506, Rel. Eros Grau, DJ 04.03.05. Assim, conheço e dou provimento ao recurso extraordinário (art. 557, § 1ºA, do CPC) para reconhecer a exigência da contribuição previdenciária sobre a parcela paga a título de participação nos lucros da empresa no período anterior à edição da Medida Provisória nº 794, de 1994. [...] Referida MP 794 é de 29/12/94, logo, qualquer valor pago a título de PLR em período anterior a esta data, o que engloba o período do presente lançamento, é considerado remuneração e sobre tais valores deve ser apurada a contribuição previdenciária. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11065.722306/201577 Acórdão n.º 2401005.373 S2C4T1 Fl. 159 9 CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.721103/2014-77
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.010
Decisão: VIstos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal competente analise o recolhimento demonstrado nas fls. 19 e 52 e esclareça se as pendências que culminaram no indeferimento de opções estariam quitadas.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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decisao_txt : VIstos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal competente analise o recolhimento demonstrado nas fls. 19 e 52 e esclareça se as pendências que culminaram no indeferimento de opções estariam quitadas. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal competente analise o recolhimento demonstrado nas fls. 19 e 52 e esclareça se as pendências que culminaram no indeferimento de opções estariam quitadas. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 50 a 52) interposto contra o Acórdão nº 01 30.303, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 45 a 47), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .7 21 10 3/ 20 14 -7 7 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10469.721103/201477 Resolução nº 1001000.010 S1C0T1 Fl. 3 2 inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO: 2014 Ementa: SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. REGULARIZAÇÃO DE PENDÊNCIAS. Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, não foram pagos ou parcelados em sua totalidade dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional, ou seja, até 31 de janeiro no anocalendário de 2014, é correto indeferimento do pedido de inclusão do contribuinte nesse regime. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " 1. Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado contra o TERMO DE INDEFERIMENTO, fls.03, que impediu sua adesão ao Simples Nacional, com data de registro em 18/02/2014. 2. O motivo do indeferimento foi a existência de débito não previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa, listados à fl.37. 3. Em sua Manifestação de Inconformidade em 18/02/2014, fl.02, o contribuinte alega que a pendência foi sanada em 13/01/2014. 4. Requer a inclusão no SIMPLES NACIONAL." Inconformada com a decisão de primeiro grau, que julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário esclarecendo que em data de 31/01/2014 quitou o remanescente do débito, conforme recibo apresentado, e requereu, assim, a reconsideração da decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da análise dos documentos constantes dos autos e demais esclarecimentos e considerações feitas pelo tanto pelo próprio interessado quanto pela fiscalização, extraise que o contribuinte tinha pendência fiscal no importe de R$ 500,00, situação que obstava o deferimento de sua opção pelo Simples. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10469.721103/201477 Resolução nº 1001000.010 S1C0T1 Fl. 4 3 Igualmente, têmse que em data de 08/01/2014 o contribuinte realizou o recolhimento do valor de R$ 500,00, contudo, após considerados os acréscimos legais, foi amortizado tão somente o importe de R$ 430,29 do montante total devido. Tal circunstância foi consignada pela DRJ de origem em sua decisão, servindo de fundamentação para a já relatada negativa das pretensões do contribuinte. Toda via, a Recorrente colacionou recibo de recolhimento de DARF no importe de total de R$ 91,00 (discriminando R$ 69,71 como montante principal e mais R$ 11,29 a título de juros) datado de 31/01/2014 (fls. 19 e 52). Impende dizer que este segundo recolhimento não foi considerado na decisão em tela. Conforme constou do Relatório de Pendências (fl. 4) dia 31/01/2014 era justamente o termo do prazo para a regularização de seus débitos para que fosse possível a opção pelo regime simplificado. Quer isto dizer que se faz imprescindível para o bom deslinde do presente caso apurar se o recolhimento complementar, realizado em 31/01/2014, foi suficiente para a plena quitação do débito remanescente, vez que, em caso afirmativo, daria razão às pretensões da Recorrente. Desta forma, pelo exposto, VOTO por CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente analise o recolhimento demonstrado nas fls. 19 e 52 e elabore relatório circunstanciado esclarecendo se após este recolhimento as pendências constante no Relatório de Pendências de fl. 4 estariam quitadas. Após, a Recorrente deve ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.001428/2010-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício:2008
DACON. MULTA POR ATRASO.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2008
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
ALCANCE.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49).
Numero da decisão: 1402-000.639
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício:2008 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ALCANCE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49).
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MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ALCANCE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Fl. 57DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001428/201084 Acórdão n.º 140200.639 S1C4T2 Fl. 53 2 Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 58DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001428/201084 Acórdão n.º 140200.639 S1C4T2 Fl. 54 3 Relatório SC Transporte e Construções Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 3ª Turma da DRJ Belém/PA, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de Notificação de Lançamento (fl. 13) expedida para aplicação de multa pelo atraso na entrega do Dacon referente a dezembro de 2008, no valor de R$ 3.095,04, com redução para R$ 1.547,52 em virtude da entrega espontânea. Inexistindo no processo comprovante da ciência da Notificação, considerase tempestiva a impugnação de fls. 01/12, na qual a empresa traz, em síntese, os seguintes argumentos: a) Inexistem motivos para a aplicação da multa e da multa de mora, uma vez que a denúncia espontânea é o reconhecimento do erro, cabendo apenas o recolhimento do valor devido com juros; b) Reclama da falta de oportunidade do contribuinte valerse do contraditório e da ampla defesa, sugerindo a utilização de um "processo administrativo sancionador", citando como exemplo o que ocorreria na Espanha; c) Aponta ilegalidade na multa fixada, por caracterizar confisco, além de ferir uma série de outros princípios constitucionais; d) Defende que é inconstitucional e ilegal a utilização da taxa Selic para fins tributários.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 01 19.324 (fls. 2426) de 28/09/2010, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “DACON. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa pelo atraso na entrega do Dacon objetiva compensar o sujeito ativo pelo prejuízo causado em virtude de descumprimento de uma obrigação que lhe é devida, não sendo Fl. 59DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001428/201084 Acórdão n.º 140200.639 S1C4T2 Fl. 55 4 alcançada pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 14/01/2011 (A.R. de fl. 29), a interessada interpôs recurso voluntário em 14/02/2011 (fls. 3040) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Das alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade De início, no que tange às alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade apresentadas, cumpre reforçar, em consonância com a argumentação trazida na decisão da DRJ, que não cabe a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (CARF) apreciar questões de ordem constitucional ou de legalidade de leis vigentes em nosso ordenamento jurídico. Tal entendimento é, inclusive, objeto da súmula nº 2 deste Conselho, publicada no DOU de 22/12/2009, a seguir transcrita: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Deixase, pois, de se pronunciar quanto ao argumento trazido nesse ponto. Da denúncia espontânea Quanto a esse ponto, há que se esclarecer que o pressuposto lógico da denúncia espontânea é a declaração de fato desconhecido pela autoridade, o que não ocorre na entrega intempestiva do Dacon, vez que o atraso se torna conhecido pelo simples decurso do prazo fixado para a seu entrega. Ademais, a multa pelo atraso na entrega do Dacon está explicitamente prevista no art. 7o da Lei n° 10.426/2002, pelo que não há que se questionar a sua validade. Por fim, ressaltese ser essa, tal qual a anterior, matéria sumulada por este Conselho (Súmula CARF n° 49), nos seguintes termos: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Descabido, pois, o recurso quanto a esse tópico. Do direito ao contraditório e à ampla defesa Por bem representar o entendimento sobre esse ponto, peço vênia para transcrever a decisão de primeira instância, no que atine ao direito ao contraditório e à ampla defesa da recorrente. “Cabe esclarecer que a fase litigiosa do procedimento fiscal se instaura com a impugnação tempestiva , conforme art. 14 do Decreto n° 70.235/1972, verbis: Fl. 60DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001428/201084 Acórdão n.º 140200.639 S1C4T2 Fl. 56 5 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Os princípios do contraditório e da ampla defesa estão garantidos aos litigantes, tanto no processo administrativo, quanto no judicial. No processo administrativo, o litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal, por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. A ação fiscal é uma fase préprocessual, ou seja, é uma fase de atuação exclusiva as autoridade tributária, na qual os agentes da Administração Tributária. Imbuídos dos poderes de fiscalização que lhes são conferidos pelos artigos 194, 195 e 197 a 200, todos do Código Tributário Nacional, verificam e investigam o cumprimento das obrigações tributárias e obtém elementos que demonstrem a ocorrência do fato gerador. Assim, a primeira fase do procedimento, a fase oficiosa, é de atuação exclusiva da autoridade tributária. Nesta fase, de caráter inquisitorial, o contribuinte tem uma participação de natureza passiva. Devendo cooperar e atender à fiscalização quando solicitado, no próprio interesse de demonstrar o cumprimento daquelas obrigações. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. Logo, antes da impugnação. não há litígio, não há contraditório e o procedimento é levado a efeito de oficio, pelo Fisco. Portanto, inexiste processo, assim entendido como meio para solução de litígios, haja vista ainda não haver litígio. A pretensão da Fazenda ainda não se concretizou. Logo, não há que se falar em preterição ao direito de defesa da contribuinte no transcurso da ação fiscal. A partir da lavratura do auto de infração ou notificação de lançamento, na hipótese de discordar da exigência, é que o contribuinte, respaldado pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, passa a participar ativamente, inaugurando o processo administrativo de exigência de crédito tributário, apresentando sua impugnação. o que, in casu, assim procedeu o litigante ao impugnar com os documentos de fls. 1/12.” Mérito Conforme já mencionado, a multa pelo atraso na entrega do Dacon está positivada no art. 7o da Lei n° 10.426/2002, in verbis: "Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconómicoFiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, Fl. 61DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001428/201084 Acórdão n.º 140200.639 S1C4T2 Fl. 57 6 no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) [...] III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação ,d a lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I RS 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II RS 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ..." (grifouse) Ex positis, tendo em vista que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) foi entregue após o prazo previsto pela legislação tributária, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 1 de julho de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 62DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001428/201084 Acórdão n.º 140200.639 S1C4T2 Fl. 58 7 Fl. 63DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10580.904791/2011-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.271
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Relatório Trata o presente processo de indeferimento de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente que não homologou a Declaração de Compensação em tela face a inexistência de saldo credor. Conforme este Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito. Cientificado do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, tempestivamente, fazendo um resumo dos fatos: a) em preliminar, assevera que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTF e demais obrigações acessórias; b) quanto ao mérito, tece considerações sobre o direito à compensação administrativa e a respeito das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a declaração de compensação; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 04 79 1/ 20 11 -8 0 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.904791/201180 Resolução nº 3402001.271 S3C4T2 Fl. 89 2 b.1) assinala ainda os pontos de discordância: (i) da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo Darf, e (ii) do direito em retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Ao final, faz referência aos documentos anexados e pede seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, adotando, para tanto, o convencimento no sentido de que "(...) a retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado". Cientificada da decisão do Colegiado a quo e irresignada com o teor do Acórdão nº 0261.023, a Recorrente recorre a este Conselho, apresentando um argumento novo visando amparar a legalidade dos créditos aqui discutidos. Vejase os principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) 2. A ora Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA, determinouse em identificar e excluir da base de cálculo de PIS e COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme se pode inferir na petição inicial com pedido de liminar devidamente protocolada em 23/09/2009 com distribuição e inicio do processo Judicial sob o n° 2009.34.00,0314472, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Distribuída a Ação, o MM. Juiz deferiu in tantum a LIMINAR pleiteada nos seguintes termos: "Assim, em face do exposto, DEFIRO o pedido liminar, e determino à autoridade Impetrada que suspenda a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma. prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações feitas pela Lei 10.548/02, isentando, assim, de efetuar a cobrança de tais valores, dos Hospitais e Clinicas substituídos." A liminar foi deferida em 27/10/2009 e ainda confirmada por decisão final de primeira instância em 07/04/2010 que assim declarou: "isto posto, ratifico a liminar e CONCEDO a SEGURANÇA para: 1) determinar à autoridade Impetrada e seus prepostos que se abstenha de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais e clinicas _ substituídos dos . respectivos pagamentos; 2) declara o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos á titulo de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73. e 74 da Lei 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN." Dessa forma, a Recorrente REQUER: 1. Determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.904791/201180 Resolução nº 3402001.271 S3C4T2 Fl. 90 3 medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. 2. Que seja este Recurso Voluntário conhecido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e, ao final, provido, para efeitos de restar reformado o r. acórdão recorrido, mantendo se a integralidade do crédito e a homologação da compensação nos moldes como informado pela mesma, reconhecendose a legitimidade adotada pela Recorrente e o reconhecimento de DCTF e DACON retifícadores ora apresentados junto à SRFB. 3. Declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00 e alterações posteriores, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e74 da Lei nº 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A, do CTN. 4. Sucessivamente, cumprir a decisão e sentença, com sede de Liminar, no sentido de .. suspender qualquer cobrança em processo administrativo e/ou execução até que seja julgado o mérito da referida ação, fazendo valer seus efeitos. A Recorrente anexa cópia dos seguintes documentos: cópia da Decisão e Sentença do Processo Judicial sob n° 2009.34.00.0314472, 9ª Vara Federal Seção Judiciária Federal do Distrito Federal; cópia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472; DCTF e DACON retificadores. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.261, de 28 de fevereiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10580.904788/201166, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.261: 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Das razões do Recurso Voluntário Não é possível ainda analisar o mérito do presente processo por este órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.904791/201180 Resolução nº 3402001.271 S3C4T2 Fl. 91 4 desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase de questão acerca do Mandado de Segurança Coletivo (MSC), com pedido de liminar, impetrado pela CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando a concessão da medida liminar da forma requestada visando à imediata suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, impedindo que a autoridade coatora e seus prepostos possam efetuar a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clinicas Substituídos. Como se vê, a Impetrante do MSC, no caso, atuando como substituta processual, é pessoa jurídica de direito privado, devendo os substituídos exercer atividade social de prestação de serviços hospitalares, sendo, desta forma, contribuintes do PIS e da CONFINS. É fato que para a consecução de suas respectivas atividades empresariais, além da prestação de serviços hospitalares, os Hospitais e Clínicas Substituídos sempre necessitaram realizar a aplicação de vários produtos, dentre eles, os medicamentos ministrados aos pacientes. Pois bem. Verificase na "Copia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472", que a Justiça Federal concedeu a SEGURANÇA no seguinte sentido (fl. 40): (1) determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais, e clínicas substituídos dos respectivos pagamentos; 2) declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com.outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN . Posto isto, tornase imprescindível nos autos, a comprovação de que a Recorrente, enquadrase, no caso, como substituída da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não das razões aduzidas no recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Nesse sentido, destaco a Resolução nº 3403000551, proferida no bojo do Processo nº 13898.000203/200261. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.904791/201180 Resolução nº 3402001.271 S3C4T2 Fl. 92 5 3. Da conversão em Diligência Com essas considerações, voto pela conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote a seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestarse sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote as seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.904791/201180 Resolução nº 3402001.271 S3C4T2 Fl. 93 6 vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestar se sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.901659/2008-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/03/2001
DCTF RETIFICADORA. VIGÊNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA.
A DCTF retificadora deve cumprir a legislação vigente na época de sua apresentação, e não daquela em vigência no momento da declaração original.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Shappo que deu lhe provimento parcial para retorno dos autos à DRF de origem para análise dos documentos comprobatórios do crédito pleiteado.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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VIGÊNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. A DCTF retificadora deve cumprir a legislação vigente na época de sua apresentação, e não daquela em vigência no momento da declaração original. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Shappo que deu lhe provimento parcial para retorno dos autos à DRF de origem para análise dos documentos comprobatórios do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 1ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (efl. 141 e ss): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 90 16 59 /2 00 8- 31 Fl. 237DF CARF MF 2 Através do Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Franca homologou parcialmente a compensação declarada pelo interessado através da PER/DCOMP n° 13148.66390.270204.1.3.041005 uma vez que o crédito contido no DARF recolhido pelo interessado em 15/03/2001, no valor de R 25.407,87 foi parcialmente utilizado em outras compensações, discriminadas no Despacho Decisório, restando saldo de crédito inferior ao valor do débito apresentado para compensação. (...)o interessado alega, em breve síntese, que a compensação é correta, pois seguiu todos os ditames legais existentes à época da mesma, ou seja, a Instrução Normativa SRF n° 210, de 30/09/2002, não podendo agora ser autuado por suposta infração á Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, inexistente à época da compensação. Alega que possui um crédito compensável e, uma vez comprovada a sua legalidade, há de ser cancelado o Despacho Decisório, para homologar a compensação efetuada. Dispõe sobre a não aplicabilidade do art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005,.sendo que nesse comando não existe qualquer vedação a seu crédito. Alega que, ao contrário do discriminado no Despacho Decisório, não utilizou o crédito para compensação na PER/DCOMP 03629.18203.311003.1.3.042291, "...pois embora não cancelado, tais valores não foram utilizados, como faz prova as folhas anexas da DCTF, em especial nos períodos 05, 06, 07 e 0812001 do código 8119 (docum. 3) Requer ser conhecida e provida a defesa para homologar a compensação. A DRJ/Ribeirão Preto ementou da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/03/2001 COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE CANCELAMENTO INTEMPESTIVO. O Pedido de Cancelamento de compensação declarada somente pode ser efetuado enquanto a mesma encontrese pendente de decisão administrativa, nos termos do disposto no art. 62 da IN SRF n° 600, de 2005. Apresentada intempestivamente, não pode ser deferida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário (efl. 149 e ss.), a Recorrente, alega que: Ao contrário do. afirmado na decisão recorrida, a retificacão da DCTF feita pelo contribuinte recorrente foi em data anterior ao recebimento do despacho decisório, já que o mesmo só foi feito Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13855.901659/200831 Acórdão n.º 3001000.173 S3C0T1 Fl. 3 3 pela SRFB 25.09.2008 e recebido pelo recorrente em 02.10.2008 e retificacão 26.05.2008. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 937,00, segundo a Lei nº 13.152, de 2015. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 56.220,00. Como o valor em litígio é de R$ 483,93 (efl. 91), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. A DRJ/RPO informou que: Embora não conste nos autos deste processo, a DCTF apresentada, referente a tais períodos de apuração, e retificadora, conforme se verifica às fls. 46/48 do processo n° 13855/900261/200888, cujas cópias junto às fls. 67/69, deste processo. A DCTF retificadora foi apresentada em 6/05/2008, posteriormente ao recebimento do Despacho Decisório, em 05/05/2008. Ocorre, entretanto, que a retificação da DCTF feita pelo contribuinte recorrente foi em data anterior ao recebimento do despacho decisório, já que o mesmo só foi recebido pelo recorrente em 02.10.2008 (efl. 91 a 93)e a retificação data de 26.05.2008 (efl. 135). Entendo, assim, que o tribunal a quo errou ao não dar prosseguimento à análise da Manifestação de Inconformidade com base nesse ponto. Por outro lado, a Recorrente, alegou que: a compensação efetuada pelo contribuinte seguiu todos os ditames legais existentes à época da mesma, qual seja, a INSRF n°. 210 de 30.09.2002, não podendo agora vir a ser autuado por Fl. 239DF CARF MF 4 suposta infração à INSRF n°. 600 de 28.12.2005, pois quando da compensação a mesma não existia, não podendo retroagir Na verdade, a DCTF retificadora é datada de 26/05/2008, como vimos afirmado pela própria Recorrente, acima. Ela é posterior à Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Assim, essa normativa já existia quando da emissão da DCTF. Assim, diferentemente do que alega a Recorrente, a mesma deveria seguir as determinações contidas na legislação, em razão de sua vigência quando da apresentação da DCTF. Cabe razão, então, nesse questão, ao Fisco. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.720617/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) do Rio de Janeiro/RJ, que declarou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de ressarcimento de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Para iniciar o relato do caso, por bem consolidar os fatos que ensejaram a atuação fiscal, colaciono os principais trechos do acórdão recorrido in verbis: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento lastreado em pretensos créditos oriundos da incidência nãocumulativa da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .7 20 61 7/ 20 12 -8 1 Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 10783.720617/201281 Resolução nº 3402001.174 S3C4T2 Fl. 334 2 contribuição para a COFINS, tal como estatuído na Lei 10.833/03, e posteriores alterações, relativo ao 4º trimestre de 2008. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fl. 115, com base no Parecer Fiscal GAB903/ DRF/VIT/ES nº 2/2013 em fls. 109/114, decidindo reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado e, em decorrência, homologar parcialmente as compensações declaradas. Do referido Parecer cabe transcrever o seguinte trecho: “[...]STOCKL CAFÉ foi objeto de procedimento de auditoria amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 2011.018224 que teve como escopo a verificação de pretensos créditos, oriundos da aquisição de café utilizado como insumos, deduzidos contabilmente pela empresa com os valores devidos das contribuições não cumulativas para a COFINS, bem como utilizados na compensação de tributos/contribuições mediante pedido de ressarcimento/compensação por meio de processo administrativo ou PER/DCOMP. A auditoria fiscal examinou a escrituração contábil com enfoque na conta representativa de fornecedores e restou comprovado à saciedade que a STOCKL CAFÉ apropriouse de créditos integrais fíctos decorrentes da compra de café. STOCKL CAFÉ lançou mão de um ardil disseminado por todo o estado do Espírito Santo, que consiste na interposição fraudulenta de pseudo atacadistas – empresas laranjas para dissimular vendas de café de pessoa física (produtor/maquinista) para empresas exportadoras e torrefadoras, gerando dessa forma, ilicitamente, créditos integrais da COFINS na sistemática da nãocumulatividade que de outra forma, segundo a legislação vigente, não seriam cabíveis. (...) Os créditos integrais, apropriados indevidamente nos livros contábeis da STOCKL CAFÉ, foram glosados e reconhecido o direito ao crédito presumido sobre tais operações, na forma da legislação aplicável. Após a recomposição dos saldos, as diferenças da COFINS devidas foram lançados de ofício, além da multa isolada a ser aplicada sobre as compensações indevidas, nãohomologadas, vinculadas a pedidos de ressarcimento de créditos da COFINS que não foram reconhecidos na sua integralidade. Importante frisar que a fiscalização ora encerrada decorre das investigações originadas na operação fiscal TEMPO DE COLHEITA deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, em outubro de 2007, que resultou na comunicação dos fatos apurados ao Ministério Público Federal em agosto de 2009. Em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão. As provas e documentos produzidos nos curso dos trabalhos fiscais que constam do processo administrativo nº 10783.720897/201316, bem como o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, serão cientificados Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 10783.720617/201281 Resolução nº 3402001.174 S3C4T2 Fl. 335 3 simultaneamente à STOCKL CAFÉ, por se tratarem do mesmo objeto, qual seja: análise, glosa e recomposição dos créditos a descontar. (...) Inconformada com o despacho decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese o seguinte: 1. Preliminares 1.1. Requer seja o presente feito apensado aos processos relacionados, para julgamento conjunto; 1.2. A Contribuinte alega que não teve direito de participar da coleta dos depoimentos prestados pelos supostos profissionais do mercado de café, como legítimo exercício do direito ao contraditório e a ampla defesa. 1.3. Aduz, ainda, que o Parecer Fiscal se omite quanto à fundamentação das glosas de créditos integrais da COFINS referentes às aquisições de café de Cooperativas. 1.4. Assevera que, com exceção de uma breve referência da suspensão da incidência da COFINS nas aquisições de Cooperativas, feita na ementa do Parecer Fiscal, nada mais há no ato administrativo que subsidie a conclusão pela glosa dos créditos integrais e deferimento de créditos presumidos. 1.5. Conclui afirmando que diante da ausência de motivação, requisito obrigatório do ato administrativo, nos termos do art. 92, inciso X da Constituição, deve ser decretada a nulidade do Parecer Fiscal citado; 2. Mérito 2.1. Fornecedores Irregulares/pseudoatacadistas A manifestação de inconformidade, quanto ao mérito, pode ser sintetizada nas seguintes alegações: i) a boafé da Contribuinte é demonstrada pelo fato de que teve o zelo de fazer consultas ao banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com o objetivo de comprovar a regularidade jurídica das empresas fornecedoras; ii) os atos que declaram as empresas como "inapta", "baixada" ou "nula" ocorreram posteriormente às compras realizadas. A Contribuinte ainda alega que: iii) deve ser considerado o que dispõe o parágrafo único do artigo 82 da Lei n° 9.430/96; iv) há efetiva comprovação de que promoveu o pagamento do valor acordado para aquisição das mercadorias e recebeu o produto em um dos seus estabelecimentos; v) as aquisições de bens se deram por intermédio de fornecedora (pessoa jurídica) ativa no CNPJ Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, bem como no SINTEGRA; vi) toda a documentação acerca das operações de aquisição de mercadorias das empresas fornecedoras foi lançada na contabilidade da empresa, e devidamente analisada pela fiscalização, o que comprova que a Contribuinte agiu de boafé, de forma que as operações ocorreram de modo efetivo, o que invalida as alegações lançadas pela fiscalização federal, e; vii) não se pode exigir da Contribuinte que adote providências de caráter extraordinário, pois estas fogem à natureza comercial de suas operações, principalmente, em virtude das especificidades do setor café em grãos. 2.2. Compras de Cooperativas Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 10783.720617/201281 Resolução nº 3402001.174 S3C4T2 Fl. 336 4 A Autoridade Fiscal também glosou os créditos integrais sobre aquisições das cooperativas, pois entendeu supridos os requisitos estabelecidos para a aplicação da suspensão nas compras de café efetuadas destas empresas, conforme disposto na Lei n° 10.925/2004. A Contribuinte contesta o ponto, pois entende que o adquirente das sociedades cooperativas de produção agropecuária tem direito ao aproveitamento integral dos créditos da contribuição em referência, porque estas (as cooperativas) não têm direito à manutenção dos créditos ordinários originados da aquisição de bens e serviços. Argumenta que a autoridade fiscal desconsiderou uma das etapas do processo produtivo do café, mais especificamente, a 2ª etapa; pois somente na saída do café in natura, destinado à utilização como insumo de produção do café cru em grão, é obrigatória a suspensão da exigibilidade da Cofins, assim, o aproveitamento do crédito presumido ocorre apenas nessa etapa (2ª), mas ela, Contribuinte, atua na 3ª etapa. Diante deste contexto, foi negado provimento à impugnação, por julgamento datado de 9 de abril de 2015, pela DRJ São Paulo/SP, nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. COOPERATIVA. REGIME DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. OBRIGATORIEDADE. A obrigatoriedade do regime de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, no âmbito da nãocumulatividade de PIS e Cofins, nas vendas da cooperativa agropecuária para a agroindústria, não se desqualifica pelo descumprimento de obrigações acessórias impostas às partes envolvidas no negócio, havendo, por outro lado, o benefício fiscal do crédito presumido para o adquirente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 10783.720617/201281 Resolução nº 3402001.174 S3C4T2 Fl. 337 5 Não padece de nulidade o despacho decisório ou o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluído o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Outrossim, traz argumentos sobre a nulidade do Acórdão da DRJ, que teria deixado de devidamente apreciar a suas preliminares de defesa, além de afirmar existir inovação nos argumentos utilizados pela DRJ para sustentar a desconsideração dos negócios jurídicos praticados. É o relatório. Resolução Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Contudo, antes de adentrar na argumentação formalizada pela Recorrente, é preciso trazer questão prejudicial para o deslinde da controvérsia, qual seja, o presente Processo de n. 10783.720617/201281 (pedido de ressarcimento de COFINS, relativo ao quarto trimestre de 2009), possui relação de conexão com seis processos, sendo quatro decorrentes de outros pedidos de ressarcimento e dois autos de infração. Com efeito, no recurso da Contribuinte encontrase tópico preliminar ao mérito, no qual salienta que: Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 10783.720617/201281 Resolução nº 3402001.174 S3C4T2 Fl. 338 6 O Acórdão recorrido, sobre a questão da reunião de processos, fez constar que todos estavam sendo julgados na mesma sessão, datada 9 de abril de 2015, pela DRJ São Paulo/SP. Não há dúvida, dessarte, da relação de prejudicialidade entre este processo (pedido de ressarcimento) e os processos quatro demais referentes aos créditos (pedidos de ressarcimentos de outros trimestres de 2008 e 2009), bem como com os autos de infração em razão da não homologação das compensações e da cobrança de multa isolada (Processos n. 10783.720897/201316 e 10783.720898/201352) Consultando a situação dos seis processos citados no sítio eletrônico do CARF, temos o seguinte. Todos os processos de ressarcimento/compensação por meio de PER/DCOMP, nos quais o direito creditório está sob julgamento, foram distribuídos para a minha relatoria, quais sejam: 10783.720614/201247, 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/201281 e 10783.720613/201201. Com relação ao Processo n. 10783.720897/201316, tratase de auto de infração lavrados para a cobrança das contribuições PIS e Cofins não recolhidas, relativos ao 4ª trimestre de 2008 e todo o ano de 2009, decorrente da glosa de créditos considerados indevidos e fictícios, sob apreciação nos cinco processos citado no parágrafo acima. Lá encontrase todo o arcabouço probatório utilizado para fundamentar todos os processos relacionados. Ocorre que este Processo (auto de infração) foi objeto da Resolução n. 3101000.408, no sentido de reconhecer a vinculação dos casos, determinando que restasse sobrestado aguardando o resultado definitivo dos Processos 10783.720614/201247, 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/2012 81 e 10783.720613/201201 (ressarcimentos), para a aplicação no julgamento do auto de infração. Entretanto, o relator que propôs tal resolução não se encontra mais no quadro de conselheiros do CARF, de modo que inevitavelmente o processo deverá ser objeto de redistribuição. Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 10783.720617/201281 Resolução nº 3402001.174 S3C4T2 Fl. 339 7 Quanto ao Processo n. 10783.720898/201352, lavrado para a exigência de multa isolada, ele encontrase ainda pendente de distribuição no CARF. Pois bem. Este Colegiado vem entendendo que o julgamento do auto de infração é prejudicial, vinculando os processos de ressarcimento dos mesmos períodos de apuração ao que nele for decidido. Nesse sentido cito os seguintes acórdãos 3402003.120, 3402003.121 e 3402003.122, em 23/06/2015, relatados pelo Conselheiro Jorge Freire e ementados nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO O destino da compensação vinculase ao decidido no processo cujo objeto é o lançamento do IPI que glosou os créditos que foram compensados refazendo a escrita do IPI e lançando eventual saldo devedor. Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restituise o crédito à escrita fiscal e homologase a compensação feita com arrimo naquele. Tal entendimento compatibilizase com o da Administração Tributária, pois vai ao encontro do que consigna a Portaria RFB n. 1668, de 29 de novembro de 2016 a qual "dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (RFB)". Vejase seu artigo 3º: Art. 3º Serão juntados por apensação os autos: I – do recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada, do lançamento de ofício de crédito tributário e da multa isolada decorrentes da mesma DCOMP. II – de exclusão Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de exigência de crédito tributário relativo às infrações apuradas no Simples Nacional que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo da forma de pagamento simplificada; e de possíveis lançamentos de ofício de crédito tributário decorrente dessa exclusão do sujeito passivo em anoscalendário subsequentes que sejam constituídos contemporaneamente e pela mesma unidade administrativa; III – de indeferimento de pedido de ressarcimento ou da não homologação de DCOMP e do lançamento de ofício e da multa isolada deles decorrentes, conforme o caso; e IV de pedidos de restituição ou de ressarcimento e de Declarações de Compensação (DCOMP) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. Resolvendo o problema da distribuição e julgamento de processos que, embora conexos/decorrentes, não foram apensados na sua origem, o Regimento Interno do CARF assim dispõe: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 10783.720617/201281 Resolução nº 3402001.174 S3C4T2 Fl. 340 8 I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. Portanto, com base nas citadas normas, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência para determinar que os processos que se encontram sem relator ou aguardando distribuição (10783.720897/201316 e 10783.720898/201352) sejam a mim enviados, para julgamento conjunto com os cinco processos decorrentes de pedido de ressarcimento que já se encontram sob minha relatoria. Ademais, o Processo n. 10783.720897/201316 deve passar a ser considerado como principal, e os Processos n. 10783.720898/201352, 10783.720614/201247, 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/201281 e 10783.720613/201201 devem ser a ele apensados. Feito isso, tendo em vista a prevenção desta Relatora, todos os processos retornem para que seja dado prosseguimento à apreciação do presente recurso voluntário e seu julgamento pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF. É como voto. Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Fl. 1342DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000728/2005-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2004 a 30/06/2004
MULTA REGULAMENTAR. DIF PAPEL IMUNE.
A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIF-Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na Lei nº 11.945/2009.
O órgão ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode piorar a situação do recorrente, sob pena de ferir de morte o princípio da proibição do reformatio in pejus.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2004 a 30/06/2004 MULTA REGULAMENTAR. DIF PAPEL IMUNE. A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIFPapel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na Lei nº 11.945/2009. O órgão ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode piorar a situação do recorrente, sob pena de ferir de morte o princípio da proibição do reformatio in pejus. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 28 /2 00 5- 82 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 19515.000728/200582 Acórdão n.º 9303004.955 CSRFT3 Fl. 239 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 340100.245, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, o qual deu parcial provimento ao Recurso da Contribuinte no sentido de reduzir a multa aplicada para R$ 15.000,00 por DIF não entregue. Transcrevo a ementa do referido acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2004 a 30/06/2004 A multa pela falta da entrega da DIFPapel imune incide uma única vez, sendo a autuação de R$ 15.000,00 por DIF não entregue. Recurso provido em parte. Irresignada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso, sustentando que a multa pela falta da entrega da DIFPapel imune deveria ser calculada em função do número de meses de atraso de cada declaração, conforme determina o art. 57, inciso I, da MP 2.15835/2001 c/c art. 16 da Lei 9.779/99. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade às fls.183 e 184. O sujeito passivo também interpôs Recurso Especial, cujo seguimento foi negado pelo Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF (despacho de admissibilidade às fls. 219 e 220), e confirmado em Reexame de Admissibilidade pelo Presidente Substituto da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 221 e 222), por falta de prequestionamento da matéria. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF (despacho de admissibilidade às fls. 183 e 184). Fl. 239DF CARF MF Processo nº 19515.000728/200582 Acórdão n.º 9303004.955 CSRFT3 Fl. 240 3 A recorrente alega divergência em relação à imposição da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIF Papel Imune, apresentando como paradigma o Acórdão 20218.446. Enquanto o acórdão recorrido entendeu pela aplicação da multa pela falta da entrega da DIFPapel imune com incidência única, no valor máximo de RS 15.000,00 por DIF não entregue, no acórdão paradigma foi mantida a multa aplicada pela fiscalização no valor total correspondente ao número de meses por atraso na entrega de cada declaração, tal como regulamentado pela legislação pertinente. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendidos os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da quantificação da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIFPapel Imune. No presente processo o sujeito passivo foi autuado pelo descumprimento de obrigação acessória, correspondente à apresentação de DIFPapel Imune. Verificada a omissão, a fiscalização calculou a multa aplicável em função do número de meses de atraso de cada declaração, conforme determina o art. 57, inciso I, da MP 2.15835/2001 c/c art. 16 da Lei 9.779/99. A matéria já é bastante conhecida nesta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, inclusive com um voto de minha lavra (Acórdão nº 9303003.399), no sentido de aplicar o instituto da retroatividade benigna com redução da multa, nos moldes do art. 1º, § 4º, inciso II, da Lei 11.945/09. A presente controvérsia deve ser analisada sob o ponto da legalidade dos atos normativos e por consequência da multa aplicada. Transcrevese abaixo a fundamentação legal que ampara a autuação perpetrada: Lei nº 9.779, de 19/01/1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Medida Provisória 2.15835/2001 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 19515.000728/200582 Acórdão n.º 9303004.955 CSRFT3 Fl. 241 4 Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Instrução Normativa/SRF nº 71, de 24/08/2001 Art. 1° Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1° do Decretolei n° 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. (...) Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. (...) Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 34, de 27 de julho de 2001. Instrução Normativa/SRF nº 159, de 15/05/2002 Art. 2° A apresentação da DIF Papel Imune deverá ser realizada pelo estabelecimento matriz, contendo as informações referentes a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica que operarem com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Parágrafo único. A apresentação da DIFPqpel Imune é obrigatória, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. (grifei) Portanto, se a contribuinte adquire e utiliza o papel imune, ela estaria obrigada a apresentar as informações solicitadas pela Receita ao amparo do disposto no art. 16 da Lei nº 9.779/99, acima transcrito. Descumprindo esta obrigatoriedade, estaria sujeita à aplicação da multa prevista no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. Confirmase, assim, que a multa aplicada possui todo um arcabouço legal a lhe dar fundamento de validade. Discussões a respeito de eventuais inconstitucionalidades dos dispositivos legais acima citados, como pede o contribuinte, não são permitidas a este corte de julgamento, a teor do que dispõe a súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 19515.000728/200582 Acórdão n.º 9303004.955 CSRFT3 Fl. 242 5 No entanto, a Lei nº 11.945/2009, trouxe substancial alteração na legislação pertinente ao Registro Especial referente ao controle das operações realizadas com papel imune. Dispõe o seu art. 1º: Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2º O disposto no § 1º deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e no § 15 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 19515.000728/200582 Acórdão n.º 9303004.955 CSRFT3 Fl. 243 6 § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4º deste artigo será reduzida à metade. A nova legislação alterou a sistemática de aplicação da penalidade, afastando a imposição da penalidade aplicada por mês calendário de atraso, como previa o art. 57 da MP nº 2.15835/2001, passando a cominar multa única no caso de falta de apresentação da DIF Papel Imune no prazo estabelecido. O art. 1º da Lei nº 11.945, de 4/6/2009, produziu efeitos a partir de 16/12/2008. No entanto, tendo em vista que o presente processo encontrase pendente de julgamento, há que se considerar a norma benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), que, ao tratar da aplicação da legislação tributária, dispõe, verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Entretanto, estamos diante de uma singularidade, pois a aplicação da nova legislação pioraria a situação do recorrente, ferindo de morte o princípio da proibição do reformatio in pejus, visto que a interpretação dada ao art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2009, pelo acórdão vergastado, impõe uma multa de R$ 15.000,00 por DIF Papel Imune em atraso, enquanto a nova legislação prevê uma multa de até R$ 5.000,00 pelo mesmo fato. Resta evidente que a aplicação da nova legislação diminuiria o valor da multa. Diante do exposto, tendo em vista que a aplicação da nova legislação feriria o princípio citado, não há como modificar a base legal do auto de infração, mantendo a interpretação dada pelo acórdão reclamado. Portanto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 243DF CARF MF
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Numero do processo: 10972.000082/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTAS PESSOAS.
Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e jurídicas que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, deve a responsabilidade tributária recair sobre essas pessoas que se beneficiaram do ilícito.
Numero da decisão: 1301-002.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário da senhora Cláudia Maria Teles, e negar provimentos aos demais recursos voluntários. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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INTERPOSTAS PESSOAS. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e jurídicas que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, deve a responsabilidade tributária recair sobre essas pessoas que se beneficiaram do ilícito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário da senhora Cláudia Maria Teles, e negar provimentos aos demais recursos voluntários. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 00 00 82 /2 00 9- 03 Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10972.000082/200903 Acórdão n.º 1301002.849 S1C3T1 Fl. 1.220 2 Relatório DISTRIBUIDORA SOUSA GOMES LTDA E OUTROS, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA (fls. 689 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou a impugnação improcedente e manteve os lançamentos. Do Lançamento Segundo o Auto de Infração e Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, (fls. 1/83, 84/97), e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento de Imposto de Renda, Contribuição Social, PIS e COFINS no total de R$3.295.661,71, considerando juros e multa de ofício qualificada e agravada (225%) foram: (a) Omissão de receitas da revenda de mercadorias com emissão das respectivas notas fiscais, sem escrituração fiscal/contábil e declaração à Secretaria da Receita Federal do Brasil.Os valores decorrentes da omissão de receitas foram obtidos em decorrência de circularizações efetuadas junto aos compradores de mercadorias da fiscalizada e estão discriminados na PLANILHA DEMONSTRATIVA DE VENDAS — (b) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valores apurados conforme Requisição sobre Movimentação Financeira (RMF) junto aos bancos nos quais a fiscalizada mantinha contascorrentes, cujos créditos foram conciliados, identificados e excluídos o os recebimentos e os créditos remanescentes foram objeto do Termo de Intimação Fiscal n° 01 de 2810512009 para que a contribuinte comprovasse a origem dos valores creditados/depositados nestas contas. As planilhas anexadas a este Termo de Intimação são partes integrantes e indissociáveis deste Auto de Infração. Segundo o TVF, ainda, foram considerados como responsáveis tributários as seguintes pessoas: ROMEU COSTA TELLES, VINÍCIUS CESAR GOMES MATIAS e WASHINGTON DE SOUSA. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 668/672 e 674/677, que aduziu os seguintes argumentos: às fls. 668/672, de Cláudia Maria Teles, na qual (i) protesta pela nulidade do procedimento fiscal aduzindo que os depoimentos foram prestados sob pressão, sendo fruto de coação e intimidação moral, e ainda pela falta de transparência do Fisco na apuração dos fatos, uma vez que dois dos procuradores mencionados no Termo de Verificação Fiscal, apesar de movimentarem contas bancárias e emitir cheques em nome da fiscalizada não foram intimados para informar a origem dos valores apresentados nos Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 10972.000082/200903 Acórdão n.º 1301002.849 S1C3T1 Fl. 1.221 3 extratos bancários; (ii) sustenta que o lançamento tributário em nome da impugnante é improcedente, pois não possui capacidade para produzir o fato gerador tributário. às fls. 674/677, de Washington de Sousa e Vinícius Cezar Gomes Matias, na qual contestam a sujeição passiva como devedores solidários, sustentando a improcedência do lançamento fiscal porque (i) o Fisco nada provou nesse sentido; (ii) as declarações tomadas de Cláudia Maria Teles não podem ser consideradas como prova eis que arregimentadas mediante uso de coação psicológica; (iii) pessoas que efetivamente exerceram atos de administração não constaram do presente processo. Em julgamento realizado em 30 de novembro de 2011, a 1ª Turma da DRJ/JFA, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 0927 366, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR DE COAÇÃO. VÍCIO DE CONSENTIMENTO. Não havendo comprovação nos autos de que houve vício de consentimento, não procede a preliminar suscitada nesse sentido. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTAS PESSOAS. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e jurídicas que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, deve a responsabilidade tributária recair sobre essas pessoas que se beneficiaram do ilícito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Claudia Maria Teles, na condição de sócia apresentou recurso voluntário às fls. 705 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: Da Preliminar Nulidade do procedimento Fiscal Coação Moral e Intimidação; Da Preliminar Nulidade do procedimento Fiscal Falta de transparência do Fisco na apuração dos fatos Imparcialidade Afronta aos princípios Constitucionais do Devido Processo Legal e da Isonomia; Do mérito: Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10972.000082/200903 Acórdão n.º 1301002.849 S1C3T1 Fl. 1.222 4 Da incapacidade para atuar como empresária Incapacidade para produzir fato gerador apto a ensejar responsabilidade pelo recolhimento do tributo; Os responsáveis Washington de Sousa e Vinícius César Gomes Matias apresentaram recurso voluntário em peça única, de fls. 712 e ss, onde alegam: Ausência do interesse comum. Recebi os autos, por sorteio, em 29/11/2017. É o relatório. Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 10972.000082/200903 Acórdão n.º 1301002.849 S1C3T1 Fl. 1.223 5 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte, e os responsáveis solidários, ROMEU DA COSTA TELES, e VINÍCIUS CEZAR GOMES MATIAS, WASHINGTON DE SOUSA foram autuados para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, tendo seu lucro arbitrado, relativos aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 2007, totalizando o crédito tributário de R$3.295.661,71, incluindo multa de ofício qualificada e juros de mora. Eles foram cientificados do teor do acórdão da DRJ/JFA e intimados ao recolhimento dos débitos em 10/12/2009, 14/12/2009 e 21/12/2009 (AR às fls. 700, 701, 702, 703 e 704), e apresentaram em 08/01/2010, recursos voluntários, juntados às fls. 705/711 (Claudia, na qualidade de sócia) e fls. 712/715 (Washington e Vinícius). No que tange ao Recurso Voluntário apresentado pela Sra. Claudia Maria Teles, em que pese ser sócia da empresa contribuinte, ressaltese que não foi arrolada como responsável tributária quando do lançamento, de tal forma que seu recurso não merece ser conhecido. Aqui, ressaltese que ROMEU DA COSTA TELES não apresentou impugnação, bem como não apresentou recurso voluntário, já tendo se tornado revel. Os demais recursos são tempestivos e atendem às demais formalidades legais, portanto deles conheço. Segundo o TVF, a contribuinte foi selecionada por constar em DIPJ de terceiros como tendo efetuado vendas a eles, possuindo movimentação financeira incompatível, e por ter informado valores superiores decorrentes de vendas à Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais, já que na DIPJ constava como zero, nos anoscalendários de 2004 a 2006 e ter omitido em 2007, conforme abaixo: Em procedimento fiscal, verificouse que a empresa não operava no local indicado em seus cadastros junto à RFB. Houve a tentativa de intimação dos sócios da época da fiscalização, porém, sem êxito, eram devolvidos como "mudouse" ou "endereço inexistente". Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 10972.000082/200903 Acórdão n.º 1301002.849 S1C3T1 Fl. 1.224 6 Em diligência aos domicílios tributários das sócias, constatouse que no endereço da sócia CLÁUDIA MARIA TELES funciona atualmente a Câmara Municipal da cidade e no endereço da outra sócia MARIA GORETI TELES, o número não existe. Posteriormente localizadas em suas respectivas residências, elas foram ouvidas, termos de declaração às fls. 605/608, Claudia informou que foi procurada anos atrás por um tal de Luiz (posteriormente identificouse que um dos fuindadores da empresa era Luiz Carlos Vieira da Silva) para que assinasse documentos de empresas de ROMEU TELES, que lhe foi oferecido dinheiro em troca. Como precisavam de mais uma pessoa, chamou sua irmã, MARIA GORETI, e assinaram declarações/documentos em cartório e no escritório de WASHINGTON DE SOUSA (outro fundador da empresa). Declarou, ainda, que nunca fez declaração de DIPF, sempre entregou de isento. MARIA GORETI, por sua vez, declarou que sabe que é sócia da empresa pois assinou papéis a pedido da irmã, mas desconhece o teor delas, disse que trabalha como empregada doméstica. Conforme se apurou, diversos foram os sócios da empresa: Diversos procuradores também foram nomeados ao longo dos anos, MAURO ANTÔNIO DA COSTA TELES, sua esposa MARIA ISABEL ALVES LIMA, posteriormente, ROMEU DA COSTA TELES, e VINÍCIUS CEZAR GOMES MATIAS, WASHINGTON DE SOUSA conforme abaixo: Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 10972.000082/200903 Acórdão n.º 1301002.849 S1C3T1 Fl. 1.225 7 Assim, eles foram intimados a apresentar diversos documentos relacionados à empresa bem como apresentaram declarações. VINÍCIUS CEZAR GOMES MATIAS, foi um dos donos da empresa, até 12/06/2003, depois foi nomeado procurador, e disse que nunca se utilizou da procuração, porém, foi apurado que mesmo excluído do quadro societário, em 01/09/2006, assinou com WASHINGTON DE SOUSA, fiador, contrato de aluguel da sala que seria a sede da empresa. Já MAURO ANTÔNIO DA COSTA TELES, afirmou que foi apenas um preposto para comprar gados para a empresa e sem acesso a documentos. MARIA ISABEL ALVES LIMA, esposa de Mauro afirmou que foi procuradora da empresa a pedido de seu marido, que era preposto da empresa, e seria ele quem saberia "das coisas". A fiscalização apurou que entre os anos de 2004 e 2005, ambos exerceram os poderes lhes outorgados, emitindo diversos cheques, movimentando cerca de R$3.738.489,71 (45,44% do total da movimentação financeira do período). ROMEU DA COSTA TELES, afirmou que apesar de ser procurador da empresa não teve acesso aos documentos solicitados. A fiscalização constatou, porém, que ele foi o maior operador das contas bancárias, aparecendo como procurador em todas as contas mantidas pela empresa, emissor de cheques de altos valores e ter procurações com prazos de vigência indefinidos e com amplos poderes. WASHINGTON DE SOUSA, também informou não possuir a documentação solicitada. Segundo Maria Goreti, seria ele quem havia fornecido o local para assinatura dos Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 10972.000082/200903 Acórdão n.º 1301002.849 S1C3T1 Fl. 1.226 8 documentos, foi fiador e principal pagador das obrigações do contrato de locação da sala, além de sóciofundador da empresa. Todos eles foram intimados a esclarecer a origem dos valores creditados/depositados nas contascorrentes, bem como as vendas que foram informadas por terceiros. A maioria respondeu não possuir condições de informar os dados solicitados. Ou não responderam. Assim, procedeuse no lançamento tributário, conforme planilha, em que se demonstrou os depósitos nas contascorrentes cujas origens não foram comprovadas, excluídos aqueles identificados como recebimento pelas vendas efetuadas. Diante da não apresentação dos livros e documentos, o seu lucro foi arbitrado, aplicandose a alíquota de 9,6% sobre a receita bruta conhecida. Ademais, diante da real intenção fraudulenta, qualificouse a multa de ofício. Chegouse à conclusão também, de que CLAUDIA MARIA TELES e MARIA GORETTI TELES são pessoas interpostas fraudulentamente a fim de acobertarem as transações realizadas por ROMEU DA COSTA TELES, VINÍCIUS CEZAR GOMES MATIAS, WASHINGTON DE SOUSA, que possuíam procurações com poderes amplos e gerais para administrar o estabelecimento, inclusive abrir, movimentar contas bancárias, tratar de negócios em repartições públicas e fiscais, de tal forma que os três foram responsabilizados solidariamente, nos termos do art. 124, I e 135, II e III do CTN. Aqui, ressaltese novamente que ROMEU DA COSTA TELES não apresentou impugnação. Os demais responsáveis solidários apresentaram impugnação, porém não contestaram o mérito. CLAUDIA MARIA TELES, na condição de sócia apresentou impugnação e recurso voluntário. Como já mencionado, não mereceu conhecimento suas razões. Aqui, ressaltese que o crédito tributário foi constituído em relação à empresa Distribuidora Sousa Gomes Ltda, na condição de contribuinte, conforme definido no parágrafo único do art. 121, inciso I, do CTN. Entretanto, conforme Termo de Constatação n° 01 (fl. 131), a empresa não opera no endereço constante no banco de dados da Receita Federal do Brasil, razão pela qual a fiscalização encaminhou o Auto de Infração para o endereço da sócia, contudo não a arrolou como responsável solidária, conforme se depreende do item " IV" do Termo de Verificação Fiscal. No mérito mais uma vez nada foi mencionado. Assim, mantémse o lançamento. Quanto aos responsáveis tributários VINÍCIUS CEZAR GOMES MATIAS e WASHINGTON DE SOUSA, apresentaram recurso voluntário em conjunto, alegando em síntese que não foi demonstrado o interesse comum, nos termos do art. 124, I do CTN, e que as Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 10972.000082/200903 Acórdão n.º 1301002.849 S1C3T1 Fl. 1.227 9 declarações obtidas de Claudia e Maria Goreti "ao que tudo indicam" foram obtidas mediante coação. Ora, conforme relatado acima, a fiscalização logrou êxito ao demonstrar que de fato Claudia e Maria Goreti se tratam de interpostas pessoas, "laranjas". Tratamse de pessoas simples, conforme a situação financeira demonstrada através de fotos, inclusive. Assim, o trabalho prosseguiu na persecução dos sócios de fato, chegando nas pessoas de ROMEU DA COSTA TELES, VINÍCIUS CEZAR GOMES MATIAS e WASHINGTON DE SOUSA, estes dois últimos, os sóciosfundadores, que se retiram da sociedade, transferindo as cotas às interpostas pessoas, porém mantémse na administração da empresa, como procuradores, com amplos e gerais poderes, movimentando as contas e emitindo cheques. Concluindose, por fim, que a interposição de pessoas teve o objetivo de se eximirem da cobrança dos tributos não recolhidos de forma dolosa. A Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, constante do dispositivo que qualifica a multa de ofício, na Lei nº 9.430, de 1996, caracterizou: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Art . 74. Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas ou quando ocorrerem as hipóteses previstas no art. 85 e em seu parágrafo. § 1º Se idênticas as infrações e sujeitas à pena de multas fixas, previstas no art. 84, aplicase, no grau correspondente, a pena cominada a uma delas, aumentada de 10% (dez por cento) para cada repetição da falta, consideradas, em conjunto, as circunstâncias qualificativas e agravantes, como se de uma só infração se tratasse. (Vide DecretoLei nº 34, de 1966) (Grifou se.) Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 10972.000082/200903 Acórdão n.º 1301002.849 S1C3T1 Fl. 1.228 10 Os valores ao final omitidos, ao longo de anos, estão abaixo demonstrados: Assim, de se manter a responsabilidade tributária dos três: ROMEU DA COSTA TELES, VINÍCIUS CEZAR GOMES MATIAS e WASHINGTON DE SOUSA CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário apresentado pela Sra. Claudia Maria Teles, conhecer dos Recursos Voluntários apresentados por VINÍCIUS CEZAR GOMES MATIAS e WASHINGTON DE SOUSA, e no mérito NEGARLHES PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 1228DF CARF MF
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Numero do processo: 19396.720018/2014-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010
REEMBOLSO DE DESPESAS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO.
Os valores oriundos de reembolso de despesas, quando o seu pagamento for responsabilidade da própria pessoa jurídica reembolsada, devem ser incluídos na base de cálculo do PIS/Pasep não cumulativo, por se qualificarem como receita, na acepção ampla atribuída pelo art. 1º da Lei nº 10.637/02.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento.
Numero da decisão: 9303-006.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Érika Costa Camargos Autran não votou quanto ao conhecimento e quanto ao mérito do recurso, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Valcir Gassen em sessão anterior.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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BASE DE CÁLCULO Recorrentes BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 REEMBOLSO DE DESPESAS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. Os valores oriundos de reembolso de despesas, quando o seu pagamento for responsabilidade da própria pessoa jurídica reembolsada, devem ser incluídos na base de cálculo do PIS/Pasep não cumulativo, por se qualificarem como receita, na acepção ampla atribuída pelo art. 1º da Lei nº 10.637/02. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Érika Costa Camargos Autran não votou quanto ao conhecimento e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 6. 72 00 18 /2 01 4- 67 Fl. 3405DF CARF MF 2 quanto ao mérito do recurso, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Valcir Gassen em sessão anterior. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos tempestivamente pela contribuinte e pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3401 003.035, de 25/01/2016, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 LANÇAMENTO/DECISÃO DRJ. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, os defeitos que inquinam o lançamento e a decisão administrativa são a lavratura ou expedição por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte, bem assim, a inobservância dos requisitos mínimos relacionados naquele diploma legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 REEMBOLSO DE DESPESAS/RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. Os valores oriundos de reembolso de despesas/recuperação de custos devem ser incluídos na base de cálculo do PIS/Pasep não cumulativo, por se qualificarem como receita, segundo a acepção ampla atribuída pelo art. 1º, in fine, da Lei nº 10.637/02. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 Fl. 3406DF CARF MF Processo nº 19396.720018/201467 Acórdão n.º 9303006.228 CSRFT3 Fl. 3.406 3 MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre o montante referente a multas, em lançamento de ofício. Recurso voluntário provido em parte. Irresignada, a PFN suscita divergência quanto à incidência ou não dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício à Taxa Selic. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 9101002.209 e 9303003.385. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 3214/3217. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 3314/3329). Também aviou recurso especial, por meio do qual insurgese contra a inclusão, na base de cálculo do PIS/Pasep não cumulativo, dos valores oriundos do exterior a título de reembolso de despesas e recuperação de custos. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 3402001.912. Negado seguimento ao recurso e agravada a decisão, o presidente deste Conselho reformoua, admitindo o apelo apenas quanto ao reembolso de despesas. Intimada, a Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 3314/3329). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Conforme demonstrado, os acórdãos recorrido e paradigmas adotaram entendimento divergente para a mesma matéria: a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. No mérito, como se sabe, a matéria é de apreciação frequente nesta Turma, que vem adotando a tese da incidência dos juros de mora sobre todo o crédito tributário lançado, de conseguinte abrangendo, também, a multa de ofício, conforme definido no Acórdão nº 9303002.400, de 15/08/2013, de relatoria do Conselheiro Joel Miyazaki, cujos fundamentos transcrevemos e adotamos como razão de decidir: A matéria trazida à apreciação deste colegiado restringese à incidência de juros de mora sobre multa de ofício não paga na data de seu vencimento. A decisão recorrida afastou os juros sobre a multa de oficio sob o argumento de que haveria necessidade de lei específica que previsse tal hipótese. A meu sentir esse entendimento não merece prosperar, vez que a legislação tributária prevê, expressamente, a incidência de juros moratórios sobre os créditos tributários não pagos no vencimento, aí incluídos aqueles decorrentes de penalidades, senão vejamos. Fl. 3407DF CARF MF 4 A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente, conforme o § 1º do art. 113 do CTN. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória: § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Paralelamente, o art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, indubitavelmente, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Conforme palavras do ilustre conselheiro Henrique Pinheiro Torres: “Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, o que se verá será, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. “ Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica é que a penalidade é crédito tributário. Passamos agora a verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. A norma geral, estabelecida no art. 161 do Código Tributário Nacional, dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 3408DF CARF MF Processo nº 19396.720018/201467 Acórdão n.º 9303006.228 CSRFT3 Fl. 3.407 5 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A par dessa norma geral, para não deixar margem à dúvida, o legislador ordinário, estabeleceu que os créditos decorrentes de penalidades que não forem pagos nos respectivos vencimentos estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que transcrevo abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em suma, temse que o crédito tributário, independentemente de se referir a tributo ou a penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nesse sentido, temse que incide juros moratórios sobre a multa de ofício não paga na data do respectivo vencimento. Assim, é de se dar provimento ao recurso especial interposto pela PFN. Por seu turno, o recurso especial apresentado pela contribuinte foi admitido, em sede de agravo, apenas quanto à inclusão, na base de cálculo do PIS/Pasep não cumulativo, dos valores oriundos do exterior a título de reembolso de despesas decorrentes de contratos de manutenção e operação de embarcações utilizadas na exploração de petróleo. Para melhor elucidar a questão, passamos a reproduzir excertos do voto condutor do acórdão recorrido, na parte que se refere à matéria litigiosa (o voto vencedor tratou apenas da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício): Nessa toada, o cerne de debate recai na incidência do PIS/Pasep não cumulativo sobre os reembolsos de despesas/recuperação de custos, no caso vertente, consistentes na reposição, pelas afretadoras estrangeiras, dos valores despendidos pela autuada na manutenção e outros custos vinculados à operação das embarcações afretadas pelas concessionárias (Petrobrás e OGX) exploradoras de blocos petrolíferos, que na concepção do recorrente configurariam singelo ingresso de caixa, não caracterizável como “receita”. Fl. 3409DF CARF MF 6 Por conveniente, transcrevo o art. 1º da Lei nº 10.637/2002, que define a base de cálculo da contribuição: (omissis) Nessa toada, compõem a base de cálculo da contribuição, nas letras do preceptivo, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, o que revela a amplidão do conceito de receita almejado pela norma, encontrandose as exclusões taxativamente relacionadas no texto. Poderseia então afirmar que a pretensão do recorrente esbarraria na ausência de previsão legal, como decidido no Acórdão 330101.428, exarado em 24/04/2012, verbis: “Ao contrário do entendimento da recorrente, a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, não prevê a exclusão das receitas decorrentes de recuperação das despesas da base de cálculo da Cofins. Segundo este diploma legal, a base de cálculo desta contribuição é a receita total auferida pela pessoa jurídica com as exclusões expressamente elencadas, assim dispondo: (...) Conforme se verifica deste dispositivo legal, as receitas decorrentes de recuperação de despesas não estão elencadas dentro daquelas passíveis de exclusão da base de cálculo da Cofins.” De minha parte, entendo que o conceito de receita lá mencionado melhor se ajusta ao conceito normalmente admitido em contabilidade, consoante o qual se qualificaria como tal quaisquer valores recebidos e/ou a receber que aumentem os ativos ou reduzam os passivos, oriundos do exercício das atividades da pessoa jurídica, podendo ser citado como exemplos as receitas ativas com vendas, prestação de serviços, juros ativos, receitas com aluguéis, etc., e dentre os valores redutores das obrigações, os descontos obtidos e as variações cambiais ativas verificadas em contas passivas. Este é o conceito amplo de “receitas” adotado pelo International accouting Standards Board, através do Framework for the preparation and presentation of Financial Statements. No Brasil, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, por intermédio do Pronunciamento Técnico CPC 30, assim expõe o conceito de “receita”: (omissis) Nesta linha intelectiva, irrefragável reconhecer que os reembolsos de despesas e as recuperações de custos são considerados, no momento de sua percepção, receitas e, por conseqüência, submetemse à tributação pelo PIS/Pasep não cumulativo. (g.n.) Já o acórdão paradigma igualmente tratou do reembolso de despesas, residindo a dessemelhança apenas no fato de que este evento jurídicotributário envolvera pessoas jurídicas que compunham o mesmo grupo econômico: Fl. 3410DF CARF MF Processo nº 19396.720018/201467 Acórdão n.º 9303006.228 CSRFT3 Fl. 3.408 7 “No caso sob análise, a impugnante desenvolveu um sistema de apuração, custeamento e rateio de despesas que permite a alocação e recuperação dessas despesas junto às empresas do mesmo grupo econômico, sem a emissão de notas fiscais ou de notas de débito dos valores correspondentes. As despesas mencionadas são assumidas pela impugnante (empresa centralizadora), que contrata os empregados, os serviços e disponibiliza a estrutura material, compartilhando o uso destes com as demais empresas ligadas, prestandolhes, assim, um serviço. O rateio de custos foi formalizado por meio de Convênios de Rateio de Custos Comuns celebrados entre a impugnante e outras empresas do grupo, conforme modelo anexo à Circular Normativa Permanente HF26 (fls. 78 a 84). Esses convênios previam o rateio de custos relativos à estrutura material e de pessoal nas áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais (sistema de computadores) e recursos humanos. Às fls. 61 e 62 encontrase o detalhamento das atividades abrangidas pelos convênios de rateio de custos comuns.” (g.n.) A diferença, todavia, não inviabiliza, a nosso juízo, o conhecimento do recurso. Afinal, tratase da mesma matéria: reembolso de despesas. Antes de enfrentar o mérito, porém, e para melhor elucidar a questão que impõe decidirse, reproduzimos os seguintes parágrafos do Relatório de Fiscalização de fls. 33/60: Fl. 3411DF CARF MF 8 Fl. 3412DF CARF MF Processo nº 19396.720018/201467 Acórdão n.º 9303006.228 CSRFT3 Fl. 3.409 9 Como se vê, a Recorrente foi contratada pela PETROBRAS (e outra) para promover a importação de embarcações por esta afretadas a empresas sediadas no exterior, bem como as suas partes e peças, ferramentas e equipamentos de manutenção e, finalmente, para realizar a sua própria operação (serviços de perfuração, avaliação, complementação e/ou manutenção e intervenção em poços de petróleo e gás natural, localizados na plataforma continental brasileira, obtenção de licenças junto às autoridades marítimas, entre outras). Paralelamente, a Recorrente celebrou contratos comerciais com as mesmas empresas estrangeiras proprietárias das mesmas embarcações afretadas, contemplando a prestação de serviços administrativos de apoio às atividades de afretamento e o reembolso das despesas incorridas na contratação de fornecedores relacionados a tais afretamentos e com a aquisição de mercadorias destinadas à manutenção, ao reparo e à operação dessas embarcações. Assim, a operação é, por contrato firmado com a PETROBRAS, realizado pela Recorrente, mas algumas de suas despesas seriam posteriormente reembolsadas pelas empresas estrangeiras. A Recorrente, portanto, figura em posições contratuais distintas, cada qual contemplando direitos e obrigações: uma decorre do contrato firmado com a PETROBRAS; a outra, com as empresas estrangeiras, contemplando, neste último caso, o direito ao reembolso de despesas. A propósito do tema, e conforme o nosso entendimento, o chamado "reembolso de despesas", a depender do contexto em que instituído, deve ou não ser contabilizado pela empresa que o recebe como receita. Isso porque, quando a responsabilidade de determinadas despesas é da própria empresa que presta o serviço, a obrigação tributária pelo pagamento do PIS sobre os valores reembolsados – que decorre de lei –, não pode ser afastada sob o argumento de que caberia à parte contratante fazêlo (a parte que promoveu o seu reembolso, mediante simples relação contratual). A comprovação deste fato, obviamente, vai depender das provas carreadas aos autos, da natureza da própria despesa e da atividade realizada. Exemplifiquemos com o caso da prestação de serviços advocatícios. O pagamento das custas do processo não cabe ao escritório de advocacia, uma vez que estas são, como se sabe, responsabilidade do autor da demanda, conclusão que não se aplica, por exemplo, ao gasto com o combustível utilizado no veículo pertencente ao estagiário que irá acompanhar a tramitação do feito ajuizado. O mesmo sucede com a agência de turismo, cuja receita não corresponde ao preço da passagem aérea ou das diárias de hospedagem, mas apenas à comissão que aufere na intermediação entre a companhia aérea e a rede hoteleira e o seu cliente. Fl. 3413DF CARF MF 10 Aqui, contudo, a responsabilidade pelas despesas decorrentes do contrato firmado pela Recorrente com a PETROBRAS é, inequivocamente, como visto, dela própria, ainda que posteriormente tenham sido, na integralidade, reembolsadas pelas empresas estrangeiras proprietárias das embarcações. Esse é o motivo pelo qual tais valores deveriam ter sido oferecidos à tributação pelo PIS, uma vez que, no regime não cumulativo, o faturamento corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (arts. 1º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003). E nem se diga que os valores assim recebidos equivaleriam a uma prestação de serviços ao exterior, como a própria Recorrente contabilmente reconheceu, tanto que os escriturou na condição de reembolso de despesas, não como prestação de serviços, motivo pelo qual é também absolutamente equivocado pretender lhes atribuir uma isenção sobre os valores reembolsados (isenção na prestação de serviços ao exterior; o art. 5º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 6º, II, da Lei nº 10.833, de 2003). Conforme destacado no voto condutor do acórdão recorrido, a fiscalização constatou que os valores reembolsados pelas afretadoras estrangeiras foram contabilizadas na conta denominada “Receitas de Custos Intercompanhia”. Muito embora tenham composto o lucro operacional da Recorrente, não integraram, nos mesmos períodos da autuação, a base de cálculo do PIS. Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela PFN e, no mérito, doulhe provimento. E conheço do recurso especial interposto pela contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 3414DF CARF MF Processo nº 19396.720018/201467 Acórdão n.º 9303006.228 CSRFT3 Fl. 3.410 11 Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Pediuse vista dos presentes autos para análise da matéria relativa à inclusão dos valores relativos à recuperação de custos e despesas incorridos no contrato de afretamento na base de cálculo do PIS não cumulativo. Nos contratos de prestação de serviço, é comum haver o reembolso de despesas suportadas pela contratada para a execução da sua obrigação contratual. Para ser considerado legítimo e sem quaisquer incidências de tributos, é imprescindível que os valores reembolsados, por previsão legal ou contratual. sejam de titularidade da pessoa jurídica que contratou o serviço no caso a Petrobrás e tenham sido pagos pela contratada Brasdril. São gastos de terceiro, portanto, e não da própria contratada. Por outro lado, na hipótese de as quantias recebidas como reembolso de despesas serem atreladas ao próprio custo do serviço prestado estará configurada a receita, e por conseguinte a incidência do PIS nãocumulativo. No caso dos autos, conforme destacado pelo Ilustre Conselheiro Relator, a Petrobrás e Brasdril celebraram Contratos de Prestação de Serviços, em que a Brasdril comprometese a "realizar a importação das embarcações afretadas diretamente pela Petrobrás junto às empresas estrangeiras, bem como das partes, peças, ferramentas e equipamentos destinados à manutenção, ao reparo e à operação das referidas embarcações". Além disso, a Brasdril celebrou com as empresas estrangeiras contratadas pela Petrobrás dois contratos: (1) um contrato de prestação de serviços, no qual se comprometeu a prestar serviços administrativos de apoio às atividades de afretamento e (2) outro contrato de reembolso de despesas, em que as Afretadoras se comprometeram a reembolsar à Brasdril pelas despesas incorridas na contratação de fornecedores relacionados ao objeto de afretamento, bem como na aquisição de mercadorias destinadas à manutenção, reparo e operação das embarcações. Tendo em vista que o afretamento era objeto do contrato entre a Brasdril e a Petrobrás, depreendese que as despesas, ainda que reembolsadas pelas afretadoras, eram inerentes à prestação do serviço, razão pela qual se incluem na base de cálculo do PIS. Por estas razões, acompanhouse o Relator com relação à negativa de provimento ao recurso especial da Contribuinte e, divergiuse, com relação ao recurso especial da Fazenda, para também negar provimento, por se entender pela não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 3415DF CARF MF
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