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Numero do processo: 15504.727155/2015-88
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e redatora designada.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
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DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e redatora designada. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 71 55 /2 01 5- 88 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 15504.727155/201588 Acórdão n.º 2002000.660 S2C0T2 Fl. 120 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 55/58) contra decisão de primeira instância (fls. 44/48), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Tratase de Notificação de Lançamento, para constituição do crédito tributário correspondente ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física (IRPF), relativo ao anocalendário de 2013, no valor de R$ 8.525,15, incluídos os acréscimos legais, calculados até 31/08/2015, visto se ter glosado o valor de R$ 18.200,00, indevidamente deduzido a título de despesas médicas, por falta de comprovação do efetivo pagamento, conforme explicitado no Relatório da Notificação de Lançamento. O sujeito passivo foi cientificado da NL em 24/08/2015 e apresentou impugnação em 17/09/2015, alegando, em síntese, o seguinte: Afirma, primeiramente, que a luz do Parecer Normativo CST nº 36/77, todas as despesas glosadas foram prestadas diretamente pelos profissionais regularmente habilitados e, acerca do alcance da dedução, conforme consta no Acórdão do 1º Conselho de Contribuinte nº 10244.452, publicado no DOU de 11/06/91, notase claramente que os lançamentos efetuados estão abrigados por todas as normas legais previstas na legislação vigorante e até mesmo abrigada na intenção do legislador que no mínimo deveria ter sido relevado pela Auditoria Fiscal (transcreve o mencionado Acórdão). Alega que, na intenção de comprovar a sua boa fé, anexa cópia das declarações dos profissionais prestadores de serviço juntamente com os recibos originais que comprovam o efetivo pagamento das despesas glosadas. Ressalva que, no tocante a alegação da Auditoria Fiscal de que não foram apresentadas as cópias dos cheques nominais e/ou extratos bancários com compatibilidade de datas e valores, a legislação não o obriga que se efetue pagamentos de despesas proveniente de tratamento de saúde através de cheques, mesmo porque é esdrúxula tal exigência. Neste sentido, cita Acórdãos com fito de obter êxito quanto à anulação do lançamento por considerar abusivo e ilegal (Acórdão CSRF/0102.628 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, publicado no DOU de 11/08/1999 e Acórdão do 1º Conselho de Contribuinte nº 10244.040, publicado no DOU de 16/06/2000). Por fim, afirma que os prestadores dos serviços apresentaram Declaração de Ajuste Anual (DAA) no anocalendário ora questionado oferecendo os rendimentos à tributação, o que revela, caso seja mantido a glosa objeto do lançamento, tributação em dobro (Bitributação), infringindo o CTN. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 15504.727155/201588 Acórdão n.º 2002000.660 S2C0T2 Fl. 121 3 Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, juntando novos documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 05/03/2018 (fl. 51); Recurso Voluntário protocolado em 02/04/2018 (fl. 55), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Relata o Sr. AFR, que não houve a comprovação dos efetivos pagamentos para a profissional mencionada, bem como não foram apresentadas cópias de extratos bancários e também nenhuma cópia de cheque nominal microfilmado. A r. decisão revisanda, julgou o feito mantendo a acusação, pela improcedência da impugnação. Irresignado o recorrente maneja recurso próprio, combatendo o mérito e juntando documentos. Assim diz a r. decisão revisanda: “Ressaltase que o sujeito passivo pode pagar em dinheiro os serviços que desejar, contudo, para comprovação perante o Fisco, ao efetuar essa modalidade de pagamento, deve observar determinados cuidados, com um zelo adicional, como por exemplo: a cada procedimento associar recibos e pagamentos para futura comprovação se necessário, visto que os simples recibos, questionados, não fazem prova irrefutável do pagamento.”. Pois bem, os recibos questionados foram assinados pelas profissionais da saúde, Carolina Maria Calhau Teixeira, Fisioterapeuta – CREFITO 4/Nº 74760F e, Dayseane Almeida dos Anjos, Fisioterapeuta – CREFITO 4/Nº 107468F. Em busca da verdade real, este relator, consultou o órgão de classe das profissionais e, constatou existir as profissionais e que ambas se encontram ativas. Existe nos autos, à fls. 15/16, “Declarações” feitas de próprio punho pelas profissionais, dizendo que o recorrente e sua esposa (dependente na declaração), foram seus pacientes no ano de 2013 e que efetuou os pagamentos dos seus honorários em espécie. Às fls. 18 e 20, encontramos os relatórios fisioterápicos de Mário Jorge e às fls. 17 e 19, o de sua dependente; todos os recibos de pagamentos estão às fls. 84/97 e correspondem exatamente aos valores lançados. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 15504.727155/201588 Acórdão n.º 2002000.660 S2C0T2 Fl. 122 4 Entende este relator, que o recorrente produziu prova suficiente para realizar as deduções. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 122DF CARF MF Processo nº 15504.727155/201588 Acórdão n.º 2002000.660 S2C0T2 Fl. 123 5 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada Com a devida vênia, divirjo do conselheiro relator, entendendo que deve ser mantida a glosa integral das despesas médicas. Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 15504.727155/201588 Acórdão n.º 2002000.660 S2C0T2 Fl. 124 6 Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Assim, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 15504.727155/201588 Acórdão n.º 2002000.660 S2C0T2 Fl. 125 7 Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) Por fim, ainda que restasse confirmada a alegação do recorrente de que as prestadoras dos serviços ofertaram rendimentos à tributação nas suas declarações de ajuste, entendo, assim como manifestado na decisão recorrida, que tal fato não se configuraria em prova do efetivo pagamento da despesa, nem eximiria o recorrente de fazer a prova exigida. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 15504.727155/201588 Acórdão n.º 2002000.660 S2C0T2 Fl. 126 8 Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Dessa feita, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.720015/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. SEM AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO.
Não será excluída da base de cálculo do ITR, a área declarada como reserva legal sem a comprovação de que foi averbada junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. GLOSA. EFEITO TRIBUTÁRIO. SEM EFEITO DE MULTA AMBIENTAL.
A glosa da área de reserva legal realizada pela Receita Federal do Brasil não tem finalidade punitiva no plano ambiental, apenas efeitos tributários.
JULGAMENTO. PRIMEIRA INSTÂNCIA. FATO NÃO APRECIADO. PROCESSO MADURO. APRECIAÇÃO SEGUNDA INSTÂNCIA.
Fato não apreciado em tempo oportuno na primeira instância administrativa, mas em condições de julgamento e com as provas acostadas aos autos, pode ser analisado pelo colegiado de segunda instância, uma vez que se trata de processo maduro bem como em nome da economia processual e da verdade material.
ITR. ÁREA EFETIVAMENTE UTILIZADA. LAUDO. RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Cabe a retificação da área, quando comprovado por meio de laudo técnico que a área efetivamente utilizada foi declarada com divergência.
ITR. GRAU DE UTILIZAÇÃO. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. ALÍQUOTA
O valor do imposto será apurado mediante a aplicação da alíquota correspondente sobre o Valor da Terra Nua Tributável, considerando a área total do imóvel e o Grau de Utilização - GU.
Numero da decisão: 2202-004.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para retificar a área efetivamente utilizada na atividade rural como pastagem para 291,60 ha.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. SEM AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. Não será excluída da base de cálculo do ITR, a área declarada como reserva legal sem a comprovação de que foi averbada junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. GLOSA. EFEITO TRIBUTÁRIO. SEM EFEITO DE MULTA AMBIENTAL. A glosa da área de reserva legal realizada pela Receita Federal do Brasil não tem finalidade punitiva no plano ambiental, apenas efeitos tributários. JULGAMENTO. PRIMEIRA INSTÂNCIA. FATO NÃO APRECIADO. PROCESSO MADURO. APRECIAÇÃO SEGUNDA INSTÂNCIA. Fato não apreciado em tempo oportuno na primeira instância administrativa, mas em condições de julgamento e com as provas acostadas aos autos, pode ser analisado pelo colegiado de segunda instância, uma vez que se trata de processo maduro bem como em nome da economia processual e da verdade material. ITR. ÁREA EFETIVAMENTE UTILIZADA. LAUDO. RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Cabe a retificação da área, quando comprovado por meio de laudo técnico que a área efetivamente utilizada foi declarada com divergência. ITR. GRAU DE UTILIZAÇÃO. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. ALÍQUOTA O valor do imposto será apurado mediante a aplicação da alíquota correspondente sobre o Valor da Terra Nua Tributável, considerando a área total do imóvel e o Grau de Utilização - GU.
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. SEM AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. Não será excluída da base de cálculo do ITR, a área declarada como reserva legal sem a comprovação de que foi averbada junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. GLOSA. EFEITO TRIBUTÁRIO. SEM EFEITO DE MULTA AMBIENTAL. A glosa da área de reserva legal realizada pela Receita Federal do Brasil não tem finalidade punitiva no plano ambiental, apenas efeitos tributários. JULGAMENTO. PRIMEIRA INSTÂNCIA. FATO NÃO APRECIADO. PROCESSO MADURO. APRECIAÇÃO SEGUNDA INSTÂNCIA. Fato não apreciado em tempo oportuno na primeira instância administrativa, mas em condições de julgamento e com as provas acostadas aos autos, pode ser analisado pelo colegiado de segunda instância, uma vez que se trata de processo maduro bem como em nome da economia processual e da verdade material. ITR. ÁREA EFETIVAMENTE UTILIZADA. LAUDO. RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Cabe a retificação da área, quando comprovado por meio de laudo técnico que a área efetivamente utilizada foi declarada com divergência. ITR. GRAU DE UTILIZAÇÃO. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. ALÍQUOTA O valor do imposto será apurado mediante a aplicação da alíquota correspondente sobre o Valor da Terra Nua Tributável, considerando a área total do imóvel e o Grau de Utilização GU. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 00 15 /2 00 7- 65 Fl. 129DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para retificar a área efetivamente utilizada na atividade rural como pastagem para 291,60 ha. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão n° 0417.615 proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS DRJ/CGE, a qual julgou parcialmente procedente o lançamento e manteve o crédito tributário correspondente ao Imposto Territorial Rural ITR, exercício de 2003, no valor originário de R$ 16.990,38 (dezesseis mil, novecentos e noventa reais e trinta e oito centavos) referente ao imóvel rural denominado fazenda Dona Selva, inscrito na Receita Federal sob o n° 2.075.9649 e localizado no município de Garruchos RS (fls. 114/116 e 118/125). Do Lançamento Tributário No tocante ao lançamento tributário, o relatório que acompanha a decisão da DRJ/CGE (fl. 114) mencionou o seguinte: Na descrição dos fatos (f. 35/37), o fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITR, decorrente de glosa a área declarada como de preservação permanente e de reserva legal, por falta de comprovação do cumprimento dos requisitos legais. Houve alteração do valor da terra nua, em adequação aos valores constantes do SIPT. Em conseqüência, houve aumento da base de cálculo, da alíquota e do valor devido do tributo. Regulamente intimado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação que foi julgada parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ/CGE (fls. 48/53 e 112/116). Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11070.720015/200765 Acórdão n.º 2202004.954 S2C2T2 Fl. 130 3 Quando da apreciação do caso, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS julgou parcialmente procedente o lançamento, promovendo a sua alteração com a redução do ITR, em decorrência de acatar a exclusão da base de cálculo do valor correspondente a área de preservação permanente. No que diz respeito à contestação sobre a glosa da área de preservação permanente, a 1ª Turma da DRJ/CGE acatou os argumentos e o laudo apresentados pelo contribuinte e decidiu da seguinte forma (fl. 115): "com a impugnação, o contribuinte apresenta novo Laudo Técnico, em que descreve as áreas de preservação permanente, nos termos preconizados pelo Código Florestal, no montante de 118,5 ha. Tendo em vista que o novo Laudo supre a deficiência anteriormente apontada, entendo que deve ser aceita a área de preservação permanente de 118,5 ha (Alterar Linha 02 do Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido de f. 38, de 0 para 118,5)" Em relação a contestação pela glosa da área de reserva legal, a 1ª Turma da DRJ/CGE não acatou os argumentos da defesa, porque o contribuinte não comprovou que tal área havia sido averbada à margem da matrícula de registro de imóveis, conforme determina o art. 16, § 2° da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965 até a data de ocorrência do fato gerador do ITR do correspondente exercício 2004. No caso do VTN, a 1ª Turma da DRJ/CGE observou o seguinte (fl. 115): "este ponto não foi atacado na impugnação, tratandose de matéria não questionada, devendo ser reconhecida, em relação a este aspecto da autuação, a aplicação do art. 17 do Decreto n° 70.235/72, que dispõe que deve ser considerada não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ/CGE, em 16/06/2009, conforme Aviso de Recebimento AR (fls. 118) apresentou recurso voluntário em 15/07/2009 (fls. 119/125). Em sede de recurso voluntário, o recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/CGE, preliminarmente alegando que há ilegitimidade da Receita Federal do Brasil para punir a falta de averbação da reserva legal, alegando o seguinte: "fere norma de natureza ambiental e somente os Órgãos Ambientais tem legitimidade para apreciar e/ou punir tal infração, com multa formal, como previsto pelo art. 55, do Decreto 6.514, de 22 de julho de 2008," e que: "desse modo, cabe ao Órgão Ambiental competente, se assim entender, tomar as medidas legais pertinentes, não a Receita Federal, que, permissia vênia, não tem legitimidade para agir no presente caso, sob pena de se plasmar penalidade dupla." (fl. 121) Na mesma preliminar, o recorrente continuou alegando que: "por razoes diversas, qualquer penalidade em face da não averbação no Registro de Imóveis das áreas tidas como reserva legal, deve ser suspensa", apresentando os seguintes argumentos (fl. 122): Primeiro, em face da prova do protocolo, que ora se junta, relativamente ao “Termo de Averbação de Área de Reserva Legal”, referente a vistoria da área em questão, com vistas a averbação no Registro Imobiliário, de que trata o §1° do art. 55, do Decreto retro citado. Fl. 131DF CARF MF 4 Segundo, porque a exigência da averbação imobiliária das áreas de reserva legal, prevista no supra referido art. 55, esta suspensa ate 11 de dezembro de 2009, conforme art. 152A, do Decreto n° 6.686, de 10 de dezembro de 2008 (...). No mérito, o recorrente questionou o grau de utilização do imóvel e o reflexo deste GU no valor do ITR, alegando o seguinte (fl. 124): O que está incorreto e fere principio basilar do direito administrativo o da razoabilidade é subtrair da área restante (534,70 ha) a parcela inaceita como reserva legal, tributandose apenas 291,60ha (como fez o Órgão Autuante), resultando dai que o índice de ocupação e de apenas 44,64%, implicando em alíquota de 3,30%. Tal procedimento, repetese, vai contra o principio da razoabilidade e até ao bom senso. Ora, se a área não é reconhecida como reserva legal e, portando, não pode ser separada da área total, deve, contrario sensu, integrar o todo. Ate porque e a mesma efetivamente aproveitada pelo gado existente na fazenda, que pasta em seus “campestres" (pequenas áreas de campo entre as matas) e até mesmo na própria mata, além de nela se abrigar. Do Pedido Ao final, o Recorrente requer que (fls. 124/125): pelas preliminares, a extinção dos processos e no exame de mérito, se reconsidere o grau de aproveitamento do imóvel, considerandose como de 100% de aproveitamento, tributando se, portanto, 534,70 hectares pela alíquota de 0,15%, considerando o valor da terra nua já pacificado. É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, o recorrente alegou que a Receita Federal do Brasil não tem legitimidade para punir em relação a falta de averbação de reserva legal, com o seguinte destaque: "por razoes diversas, qualquer penalidade em face da não averbação no Registro de Imóveis das áreas tidas como reserva legal, deve ser suspensa". Neste ponto, entendo que não podem prosperar os argumentos e os questionamentos apresentados pelo recorrente, pois não houve nenhuma aplicação de penalidade (multa) por eventual falta de averbação de área de reserva legal junto ao registro público de imóveis por parte da Receita Federal do Brasil. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11070.720015/200765 Acórdão n.º 2202004.954 S2C2T2 Fl. 131 5 Em verdade, no tocante a área de reserva legal, a fiscalização, para efeito de desoneração do ITR, apenas verificou se o recorrente atendeu aos requisitos contidos nos §§4º, 8º e 10 do art. 16 da Lei nº 4.771/65, código florestal, com alterações posteriores, que determina, além da exigência do interesse de proteção ambiental, a) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e b) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel. Neste sentido, cabe ressaltar que a averbação no registro público da área de reserva legal é uma das condições para se obter a redução do ITR e o recorrente não logrou êxito em comprovar nem na impugnação e nem no recurso voluntário de que houve averbação da reserva legal antes do lançamento do tributo. Dessa forma, como pode ser observado na descrição dos fatos do lançamento tributário (fls. 36/37), bem como nos documentos apresentados (fls. 16/29 e 76/90) e no acórdão proferido pela DRJ/CGE (fls. 112/116), a fiscalização, após constatar que o recorrente não atendeu aos requisitos legais para comprovar a área de reserva legal, glosou a referida área, e no julgamento de primeira instância, a DRJ/CGE manteve a glosa. Ademais, no que diz respeito às alegações apresentadas de que exigência de averbação de áreas de reserva legal está suspensa até 11/12/2009, citando o art. 152A do Decreto n° 6514/2008 com redação dada pelo Decreto n° 6.695/2008, também não prosperam, porque o citado artigo trata do seguinte ponto: "da ocupação irregular de áreas de reserva legal não averbadas e cuja vegetação nativa tenha sido suprimida até 21 de dezembro de 2007", o que não é objeto do presente caso. Além disso, a exigência da averbação da reserva legal antes do fato gerador do ITR é requerida pela RFB exclusivamente para efeitos tributários, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR a área de reserva legal efetivamente comprovada, nos termos do parágrafo primeiro, do art. 12, do Decreto n° 4.382 de 19 de setembro de 2002, não tendo nenhuma relação com eventual aplicação de multa no plano ambiental, matéria esta pertinente aos respectivos órgãos que fiscalizam o meioambiente. Assim sendo, rejeito a preliminar suscitada pelo recorrente alegando que houve aplicação de penalidade por falta de averbação da reserva legal e que a averbação da área de reserva legal estaria suspensa. No mérito, o recorrente questionou o grau de utilização GU do imóvel e a alteração da alíquota de 0,15% para 3,30%. Antes de se adentrar na análise deste ponto, convém observar que em consulta à impugnação do lançamento (fls. 48/53) e à decisão de primeira instância prolatada pela DRJ/CGE (fls. 112/116), não foram encontrados questionamentos diretos contestando o GU e, por consequência, a alíquota aplicada. Contudo, entendo que o fato de contestar as áreas excludentes da base de cálculo, como reserva legal e preservação permanente, bem como o reconhecimento da àrea de 118,05 ha de preservação permanente, conforme acórdão da DRJ/CGE, permitiu ao recorrente discutir em sede recurso o grau de utilização, uma vez que a modificação destas áreas pode alterar também o grau de utilização e, por via de consequência, alterar a alíquota aplicada. Entendo também que tal contestação não se trata de inovação e nem de fato novo no âmbito do contencioso administrativo. Fl. 133DF CARF MF 6 Neste caso, podese observar que a alteração da alíquota de 0,15% para 3,30%, conforme demonstrativo do imposto devido (fl. 39), foi motivada pela glosa de 400,0 ha correspondente à soma da área de reserva legal (50,0 ha) com a área de preservação permanente (350,0 ha). Assim, com a efetivação da glosa realizada pela fiscalização, houve aumento da área aproveitável passando de 253,2 ha, para 653,2 ha, mas a área utilizada na atividade rural permaneceu a mesma (253,2 ha), por isso acarretou a redução do grau de utilização, que passou de 100% declarado pelo contribuinte (253,2/253,2), para 38% (253,2/653,2) apurado pela fiscalização. Por outro lado, quando a 1ª Turma da DRJ/CGE acatou os argumentos e o laudo apresentados pelo contribuinte, aceitando a área de preservação permanente de 118,5 ha registrada no laudo (fl. 77) e determinando a exclusão da referida área de 118,5 ha da base de cálculo (fl. 116), houve alteração novamente da área aproveitável que passou de 653,2 ha, para 534,7 ha, modificando o grau de utilização para 47% (253,2 / 534,70), porém a alíquota permaneceu a mesma 3,30. Feitas estas considerações, cabe esclarecer que o estabelecimento da alíquota do ITR se dá considerando a área do imóvel e o grau de utilização GU, conforme dispõe o art. 11 e anexo da Lei n° 9.393 de 19/12/1996. O grau de utilização é uma relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável, conforme o disposto no art. 10, §1º, VI, da Lei n° 9.393 de 19/12/1996 No tocante a área aproveitável, a Lei n° 9.393 de 19/12/1996, no art 10, §1º, IV, estabeleceu que se trata de (redação vigente a época): IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas "a", "b" e "c" do inciso II; Em relação a área efetivamente utilizada, a Lei n° 9.393 de 19/12/1996, no art 10, §1º, V, estabeleceu que (redação vigente a época): V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: a) sido plantada com produtos vegetais; b) servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; d) servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola; e) sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. Após esses esclarecimentos, passouse a analisar os argumentos do recorrente questionando a apuração do grau de utilização e a aplicação da alíquota de 3,30, alegando que a área de reserva legal que não foi aceita pela fiscalização, por não ter sido averbada antes de ocorrência do fato gerador, deveria integrar a área aproveitável do imóvel da seguinte forma: "tributandose a sua integralidade, ou seja, 534,70 hectares, com o que seu grau de aproveitamento seria de 100%."(fls. 123/124). Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11070.720015/200765 Acórdão n.º 2202004.954 S2C2T2 Fl. 132 7 Em relação ao pedido do recorrente de que área de reserva legal glosada deveria integrar a área aproveitável do imóvel, fazse necessário esclarecer que de fato a área de reserva legal glosada, necessariamente, passou a compor a área aproveitável (art 10, §1º, IV da Lei n° 9.393/96). Entretanto, talvez o contribuinte tivesse a intenção de pedir para que a área glosada fosse adicionada a área efetivamente utilizada, com a finalidade de poder aumentar o grau de utilização. (art 10, §1º, V da Lei n° 9.393/96). Então, se a intenção do recorrente era no sentido de utilizar a área glosada como área efetivamente utilizada, não tem como prosperar o seu pedido, uma vez que, a área declarada como reserva legal, para efeito de exclusão da base de cálculo do imposto, deveria estar averbada na matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Outro ponto alegado pelo recorrente foi que o gado utilizava como pastagem, a área declarada como reserva legal, com a seguinte afirmação: "ate porque é a mesma efetivamente aproveitada pelo gado existente na fazenda, que pasta em seus “campestres"" (fl. 124). Neste caso, a alegação do recorrente também não prospera, pois não há previsão legal para transformar as áreas que foram declaradas como reserva legal em áreas destinadas a pastagens, cabe ao contribuinte declarar a composição das áreas de seu imóvel e quando a fiscalização solicitar, apresentar os documentos comprovando os fatos declarados, conforme art. 14 da Lei n° 9.393 de 19/12/1996. Além desses pontos questionados, podese observar também que o contribuinte, ao impugnar o lançamento junto à DRJ/CGE, alegou que houve erro na prestação das informações (fls. 50/51) e que para retificar as divergências encontradas, apresentou laudo de avaliação e caracterização do imóvel com as informações corretas (fls. 76/78), do qual se extrai as informações sobre a situação ocupacional registradas na Tabela 1: Tabela 1 Situação ocupacional do imóvel Item Descrição área ha 01 Reserva Legal com floresta nativa 243,10 02 Área de preservação permanente 118,50 03 Campos com pastagens nativas e cultivadas 291,60 Fonte: laudo de avaliação e caracterização do imóvel (fls. 76/78) Com base nas informações registradas no laudo, a DRJ/CGE acatou a área correspondente a preservação permanente e determinou a exclusão da referida área da base de calculo do ITR (fl. 116). A área correspondente a reserva legal, mesmo registrada no laudo, não foi acatada por faltar os requisitos legais da averbação na matrícula do imóvel. No mesmo sentindo, podese observar que no laudo consta também a área de 291,60 ha correspondente a efetiva utilização na atividade rural campos com pastagens nativas e cultivadas, entretanto, notase que a área registrada no laudo está divergente da área de 253,2 ha declarada como pastagem no DIAT (fl.06). Assim, como o recorrente alegou na impugnação que houve erro no preenchimento da declaração e que para corrigir tais erros apresentou laudo com informações corretas, entendo que da mesma forma que a DRJ/CGE apreciou a área de preservação permanente de 118,50 ha, inclusive acatando e determinando a retificação da área, deveria ter apreciado também a área correspondente a 291,60 ha, informada no laudo como área utilizada na atividade rural como pastagens, uma vez que essa área influi diretamente no cálculo do grau de utilização. Fl. 135DF CARF MF 8 Diante deste fato, observo que deve ser apreciada a divergência existente entre a área declarada no DIAT (253,2 ha) e a área informada no laudo (291,60 ha) referente à área utilizada na atividade rural como pastagens. Assim, como tal divergência não foi enfrentada na DRJ/CGE no tempo oportuno, entendo que nada impede que este fato seja analisado por este colegiado, por se tratar de um processo maduro, com as provas necessárias acostados aos autos (laudo fls. 76/78), bem como em nome da economia processual e da verdade material, nos termos do inciso III, § 3º, art. 1.013, da Lei 13.105 de 16 de março de 2015 (CPC). Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. (...) § 3o Se o processo estiver em condições de imediato julgamento, o tribunal deve decidir desde logo o mérito quando: (...) III constatar a omissão no exame de um dos pedidos, hipótese em que poderá julgálo; Dessa forma, com base no laudo apresentado, acato a área de 291,60 ha como área efetivamente utilizada na atividade rural como pastagem em retificação à área de 253,20 ha declarada no item 08, do campo 12 (distribuição da área utilizada ha) do DIAT (fl 06). Assim sendo, após acatar a área de 291,60 ha como área efetivamente utilizada na atividade rural, fazse necessário calcular o novo grau de apuração, levandose em consideração a área de preservação permanente de 118,50 ha, já reconhecida pela DRJ/CGE e área de 291,60 ha acatada como área de pastagem informada no laudo. Então, com base nas áreas acatadas pela DRJ/CGE e por este colegiado, apurouse o novo grau de utilização GU que foi no percentual de 54% (291,60/534,70), tendo como alíquota correspondente 1,90, nos termos do art. 10, §1º, VI, e do art. 11 e anexo da Lei n° 9.393/96, conforme dados registrados na Tabela 2. Tabela 2 Cálculo do GU e alíquota aplicada Item Descrição dados folha processo 01 Área total do Imóvel 653,20 ha 06 e 63 02 Área de Preservação Permanente (DRJ/CGE) (118,50 ha) 116 03 Área tributável aproveitável (653,20 118,50) 534,70 04 Área utilizada pela atividade rural (laudo) 291,60 76/78 05 Grau de utilização (291,60/534,70) 54% art. 10, §1º, VI, da Lei n° 9.393/96 06 Alíquota 1,90 art. 11 e anexo da Lei n° 9.393/96 Fonte: processo (fls. 06, 63, 76/78, 116) e Lei 9.393/96. Por isso, de acordo com a apreciação realizada neste voto, rejeito os pedidos do recorrente no que diz respeito à extinção do processo e à aplicação da alíquota de 0,15%. Entretanto, acato a retificação da área efetivamente utilizada na atividade rural como pastagem para 291,60 ha, que altera o grau de utilização para 54% e, por via de consequência, altera a alíquota aplicada para 1,90. Decisão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para retificar a área efetivamente utilizada na atividade rural como pastagem para 291,60 ha. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11070.720015/200765 Acórdão n.º 2202004.954 S2C2T2 Fl. 133 9 (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.000088/2010-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. GLOSA
Não há previsão legal para a dedução da base de cálculo do IR as despesas com livros, material escolar, cursos livres de língua estrangeira e informática. Glosa mantida.
DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
Não há previsão legal para a dedução da base de cálculo do IR as despesas com medicamentos e óculos. Glosa mantida.
PENSÃO ALIMENTÍCIA. GLOSA.
Incabível a dedução de pagamento de Pensão Alimentícia quando não amparada decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, ou acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública. Glosa mantida.
Numero da decisão: 2001-000.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS COM INSTRUÇÃO. GLOSA Não há previsão legal para a dedução da base de cálculo do IR as despesas com livros, material escolar, cursos livres de língua estrangeira e informática. Glosa mantida. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. Não há previsão legal para a dedução da base de cálculo do IR as despesas com medicamentos e óculos. Glosa mantida. PENSÃO ALIMENTÍCIA. GLOSA. Incabível a dedução de pagamento de Pensão Alimentícia quando não amparada decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, ou acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública. Glosa mantida.
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GLOSA Não há previsão legal para a dedução da base de cálculo do IR as despesas com livros, material escolar, cursos livres de língua estrangeira e informática. Glosa mantida. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. Não há previsão legal para a dedução da base de cálculo do IR as despesas com medicamentos e óculos. Glosa mantida. PENSÃO ALIMENTÍCIA. GLOSA. Incabível a dedução de pagamento de Pensão Alimentícia quando não amparada decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, ou acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública. Glosa mantida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 00 88 /2 01 0- 93 Fl. 159DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de despesas médicas, despesas com instrução e pensão alimentícia. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não foram destacadas aqui em maior detalhe essas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. Sucintamente alega: a) as despesas com instrução são necessárias, seja à formação, seja à atividade profissional; b) apresentou cópia de escritura de compra e venda e sentença judicial para comprovar pensão alimentícia; c) as despesas médicas seguem receituários, e óculos e lentes capacitam ao trabalho. A ementa do acórdão de impugnação foi a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DESPESAS COM INSTRUÇÃO. GLOSA Não há previsão legal para a dedução da base de cálculo do IR as despesas com livros, material escolar, cursos livres de língua estrangeira e informática. Glosa mantida. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. Não há previsão legal para a dedução da base de cálculo do IR as despesas com medicamentos e óculos. Glosa mantida. PENSÃO ALIMENTÍCIA. GLOSA. Incabível a dedução de pagamento de Pensão Alimentícia quando não amparada decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, ou acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública. Glosa mantida. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. O recorrente não concorda com o lançamento, onde houve glosa de despesas médicas, de despesas com instrução e de pensão alimentícia. Conforme legislação transcrita abaixo, no voto da DRJ, não há previsão legal para dedução como despesas de instrução de despesas com livros, material escolar e de escritório. No caso das despesas médicas, além dos argumentos acórdão citado, observese que não há previsão para dedução de despesas com óculos e lentes. No caso da pensão, o fundamento desse voto para negar o recurso é de que se trata de pagamento feito em outro ano Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13884.000088/201093 Acórdão n.º 2001000.904 S2C0T1 Fl. 3 3 calendário, em novembro de 2007, não podendo ser deduzido esse valor em declaração de 2006. O contribuinte não trouxe argumentos novos que rebatessem tanto o lançamento, quanto o que consta no voto do acórdão da DRJ. Reproduzimos a seguir os fundamentos utilizados no acórdão da DRJ, com os quais concordamos. Dedução de Despesas de Instrução No que concerne à glosa questionada, a Lei 9.250/1995, em seu artigo 8º, estabelece: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas : I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas, ao ensino fundamental; ao ensino médio, à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização) e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de R$ 1.700,00 (um mil e setecentos reais); (...);Relativamente, ao anocalendário de 2007 o defendente pleiteou a dedução de despesas com livros, material escolar e de escritório, que não são passíveis de dedução da base de cálculo do IR. Tampouco trouxe o defendente argumentos e provas de que assim não tivesse sido, ou seja, que as despesas indicadas na notificação objeto da glosa fossem enquadradas como dedutíveis, motivos pelos quais a glosa correspondente deverá ser mantida. Quanto às despesas médicas glosadas: A possibilidade de dedução com despesas médicas é prevista no artigo 8°, II, “a”, da Lei 9.250/95. Esta norma dispõe que podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados a título a este título, conforme disposto abaixo: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os Fl. 161DF CARF MF 4 nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; O defendente informou na sua DIRPF 2008 despesas com medicamentos que não dedutíveis da base de cálculo do IR por falta de previsão legal e informou despesas não comprovadas, motivos pelos quais foram glosadas. Tampouco trouxe o defendente argumentos e provas de que assim não tivesse sido, ou seja, que as despesas indicadas na notificação objeto da glosa fossem enquadradas como dedutíveis, motivos pelos quais a glosa correspondente deverá ser mantida. Da Dedução de Pensão Alimentícia Judicial A dedução de importâncias pagas a título de pensão alimentícia encontra previsão legal no art. 4º da Lei 9.250/95: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (Vide Lei nº 11.311, de 2006) (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). O defendente apresentou a documentação referente a separação. Afirma que o efetuou o pagamento de R$110.000,00 em 08/11/2007 decorrência da decisão judicial, à luz da sentença judicial de 15 de outubro de 1996, 2§. Vara Cível de São José dos Campos, processo 759/96, Revisional de Alimentos. No entanto, diversamente do que alega, a referida sentença (fl. 26) determina o pagamento de Pensão Alimentícia no valor de 15% dos seus vencimentos líquidos devendo ser oficiado ao seu empregador para proceder os descontos. Tampouco comprovou o defendente que tivesse informado na DIRPF 2008 tais pagamentos orientado pela RFB. Assim sendo, a glosa correspondente deverá ser mantida, posto que o defendente não comprovou que tivesse efetuado tal pagamento na forma da legislação de regência transcrita anteriormente. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13884.000088/201093 Acórdão n.º 2001000.904 S2C0T1 Fl. 4 5 Adicionamos uma informação nesse voto. Concordamos também nesse ponto com o acórdão de impugnação, pois consta no acordo que o pagamento da pensão, valor de R$ 110.000,00 foi feito em novembro de 2007, não podendo ser deduzido, portanto no ano calendário de 2006, pois só podem ser deduzidos os pagamentos feitos no ano a que a declaração se refere. Conclusão Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.720138/2012-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 14/03/2008, 20/03/2008, 27/10/2010
DCOMP. HOMOLOGAC¸A~O TA´CITA.
O prazo para homologac¸a~o da compensac¸a~o declarada pelo sujeito passivo sera´ de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declarac¸a~o de compensac¸a~o
REABERTURA DE PRAZO PARA MANIFESTAC¸A~O. DESPACHO DECISO´RIO. MANUTENC¸A~O DOS FUNDAMENTOS. NULIDADE. INEXISTE^NCIA
A reabertura de prazo para nova manifestac¸a~o da contribuinte em face de despacho deciso´rio que na~o sofreu qualquer alterac¸a~o em seu teor na~o implica nulidade da decisa~o.
In casu, na~o se vislumbrou prejui´zo ao exerci´cio ao pleno direito de defesa.
CONCOMITA^NCIA RECONHECIDA.
O recurso ao Poder Judicia´rio para discussa~o de mate´ria coincidente com aquela objeto do processo administrativo fiscal, importa na renu´ncia de discutir a mate´ria objeto da ac¸a~o judicial na esfera administrativa, uma vez que as deciso~es judiciais se sobrepo~em a`s administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lanc¸amento na~o abrangidos pela ac¸a~o mandamental.
Numero da decisão: 3201-004.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a preliminar de nulidade do Despacho Decisório, vencido o conselheiro Laercio Cruz Uliana Junior (relator) que reconheceu a sua nulidade. Acompanharam o relator os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Votou pelas conclusões o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em não conhecer do Recurso Voluntário, por concomitância de matéria entre as esferas administrativa e judicial, devendo a unidade preparadora observar a decisão final judicial transitada em julgado nos Embargos à Execução. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à preliminar de nulidade do Despacho Decisório, o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente
(assinado digitalmente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator
(assinado digiltamente)
PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 14/03/2008, 20/03/2008, 27/10/2010 DCOMP. HOMOLOGAC¸A~O TA´CITA. O prazo para homologac¸a~o da compensac¸a~o declarada pelo sujeito passivo sera´ de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declarac¸a~o de compensac¸a~o REABERTURA DE PRAZO PARA MANIFESTAC¸A~O. DESPACHO DECISO´RIO. MANUTENC¸A~O DOS FUNDAMENTOS. NULIDADE. INEXISTE^NCIA A reabertura de prazo para nova manifestac¸a~o da contribuinte em face de despacho deciso´rio que na~o sofreu qualquer alterac¸a~o em seu teor na~o implica nulidade da decisa~o. In casu, na~o se vislumbrou prejui´zo ao exerci´cio ao pleno direito de defesa. CONCOMITA^NCIA RECONHECIDA. O recurso ao Poder Judicia´rio para discussa~o de mate´ria coincidente com aquela objeto do processo administrativo fiscal, importa na renu´ncia de discutir a mate´ria objeto da ac¸a~o judicial na esfera administrativa, uma vez que as deciso~es judiciais se sobrepo~em a`s administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lanc¸amento na~o abrangidos pela ac¸a~o mandamental.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologacã̧o da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação REABERTURA DE PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MANUTENÇÃO DOS FUNDAMENTOS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA A reabertura de prazo para nova manifestação da contribuinte em face de despacho decisório que não sofreu qualquer alteracã̧o em seu teor não implica nulidade da decisão. In casu, não se vislumbrou prejuízo ao exercício ao pleno direito de defesa. CONCOMITÂNCIA RECONHECIDA. O recurso ao Poder Judiciário para discussão de matéria coincidente com aquela objeto do processo administrativo fiscal, importa na renúncia de discutir a matéria objeto da acã̧o judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento naõ abrangidos pela ação mandamental. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a preliminar de nulidade do Despacho Decisório, vencido o conselheiro Laercio Cruz Uliana Junior (relator) que reconheceu a sua nulidade. Acompanharam o relator os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Votou pelas conclusões o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. No mérito, por unanimidade de votos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 72 01 38 /2 01 2- 70 Fl. 787DF CARF MF 2 acordam em não conhecer do Recurso Voluntário, por concomitância de matéria entre as esferas administrativa e judicial, devendo a unidade preparadora observar a decisão final judicial transitada em julgado nos Embargos à Execução. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à preliminar de nulidade do Despacho Decisório, o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Presidente (assinado digitalmente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digiltamente) PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Por traduzir bem os fatos dos autos, transcrevo o Relatório da DRJ: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela empresa em epígrafe, ante Despacho Decisório de autoridade da DERAT/SP, fls. 24/28, que reconheceu o direito creditório do contribuinte no valor de R$ 12.189.875,78, referente a crédito prêmio de IPI, e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. A requerente apresentou as seguintes PER/DCOMPs: 26568.64490.140308.1.3.570727, no valor de R$ 935.525,94; 01530.31612.200308.1.3.579419, no valor de R$ 10.267.661,07; 39406.29322.271010.1.7.575465, no valor de R$ 6.469.426,36; 02696.05722.271010.1.7.579643, no valor de R$ 2.345.664,21. A contribuinte manifesta interesse em compensar esses débitos com crédito oriundo de ação judicial analisada no processo de Habilitação do Crédito nº 18186.000400/200734, que encontra se apensado ao presente, em que formulou pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado no montante de R$ 22.462.373,67. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 16349.720138/201270 Acórdão n.º 3201004.474 S3C2T1 Fl. 788 3 Em análise dos autos do supracitado processo administrativo, verificouse que na ação ordinária n° 92.00163416 ajuizada por GOODYEAR S/A em face da União Federal, a contribuinte alegou que seria uma empresa exportadora de diversos produtos por ela fabricados, pelo que fazia jus ao incentivo criado pelo art. 1º do Decretolei n° 491/69, denominado "créditoprêmio do IPI", mas que não pôde usufruílo. Este benefício estava atrelado a um outro, de natureza contratual, o BEFIEX. A ação ordinária em epígrafe transitou em julgado em 28/11/2003. A exequente (interessada em epígrafe) pleiteou em sede de ação de execução o reconhecimento do valor dito incontroverso e autorização de compensação do mesmo com débitos vincendos de IPI e de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Em sentença de embargos de execução n° 2003.34.00.0398653, foi dado parcial acolhimento ao pedido do embargante e determinado que o débito exeqüendo prossiga no valor apurado pela Contadoria Judicial no valor de R$ 15.504.809,30. Em sede de agravo de instrumento n° 2007.01.00.0017531/DF (processo na origem: 2003.34.00.0319377), a agravante requereu que seja determinada de imediato a execução definitiva do valor incontroverso demonstrado nos autos pela Contadoria Judicial, cujo montante era de R$ 15.504.809,30, a ser devidamente atualizado desde a data da sua elaboração até a data do efetivo aproveitamento pela Exequente, mediante compensação com débitos vincendos do próprio IPI e de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, na forma das leis n° 8.383/91 e nº 9.430/96. Segundo decisão judicial no agravo de instrumento n° 2007.01.00.001753 1/DF (processo na origem: 2003.34.00.0319377), a decisão agravada deve ser modificada para que seja determinada a execução definitiva do valor incontroverso da execução, mediante compensação com débitos vincendos do próprio IPI e de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Inicialmente, o Pedido de Habilitação de Crédito foi indeferido, em 25/09/2007, conforme fls. 1213/1217 do processo em apenso. A União Federal interpôs Embargos de Declaração no agravo de instrumento n° 2007.01.00.0017531/DF, os quais foram rejeitados. Em 18/02/2008, o TRF 1ª Região proferiu despacho, declarando que a dúvida suscitada pela autoridade administrativa foi dissipada pela ré do processo judicial por meio de Embargos de Declaração, apreciados e rejeitados, porque o julgado deixara claro que "a execução definitiva da parcela incontroversa da Execução Fiscal, ou seja, dos valores que não foram impugnados e, portanto, não estão sendo discutidos, é possível porque, não tendo sido impugnada, foi atingida pela preclusão, tornandose imutável", conforme fl. 1238 (processo em apenso). Fl. 789DF CARF MF 4 Em 19/02/2008, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por meio de expedição do Ofício n° 420/08 CTUR7 ao Delegado da Receita Federal em São Paulo determinou o cumprimento, no prazo de 10 (dez) dias, sem rebuços, da decisão judicial proferida nos autos do Agravo de Instrumento n° 2007.01.00.0017531/DF, conforme fl. 1237 (processo em apenso). Assim, foi afastado o art. 170A do CTN a fim de prosseguir na compensação dos débitos tributários. Considerandose que, conforme fl. 574 do processo de Habilitação de Crédito em apenso (nº 18186.000400/200734), a Procuradoria da Fazenda apurou como parcela incontroversa da Execução Fiscal o valor de R$ 12.799.369,56, e que deste valor, R$ 609.493,78 referemse a honorários advocatícios que não podem ser utilizados na compensação de tributos, a autoridade fiscal reconheceu como direito creditório incontroverso, passível de ser utilizado na compensação, o valor de R$ 12.189.675,78, conforme demonstrado às fls. 27 do presente processo. Regularmente cientificada em 22/02/2013, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 39/60 contra o despacho decisório. Novamente cientificada em 19/04/2013, a contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 319/351), na qual repetiu todas as alegação da manifestação anterior e acrescentou outras, conforme abaixo: requer a suspensão da exigibilidade dos débitos não homologados, em razão da apresentação da manifestação de inconformidade; é necessário o sobrestamento do julgamento dos presentes autos até que sejam definitivamente analisadas as compensações efetuadas no âmbito do processo nº 18186.000400/200734 de Habilitação de Crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado; apesar de ter apresentado manifestação de inconformidade anterior, a ciência do proferimento do Despacho Decisório só ocorreu de fato com a intimação realizada em 19/04/2013, razão pela qual repisa seus argumentos de fato e de direito, reiterando o seu pedido de que as compensações sejam integralmente homologadas; como tomou ciência do Despacho Decisório em 19/04/2013, as compensações efetuadas por meio das PER/DCOMPS nº 26568.64490.140308.1.3.570727 e nº 01530.31612.200308.1.3.579419, transmitidas, respectivamente, em 14/03/2008 e 20/03/2008, foram tacitamente homologadas, não podendo ser revistas, em razão da decadência prevista no art. 150, parágrafo 4º do CTN, e do prazo de homologação previsto no art. 37, parágrafo 2º da IN SRF nº 900/2008; em 14/12/1992, ingressou com a Ação Ordinária de Cobrança n° 92.00163416, em face da União Federal, requerendo, em breve síntese, a restituição atualizada monetariamente do montante de créditoprêmio de IPI, conforme a cópia da petição inicial protocolizada (Doc. 12); Fl. 790DF CARF MF Processo nº 16349.720138/201270 Acórdão n.º 3201004.474 S3C2T1 Fl. 789 5 a 1ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal acolheu o pedido da ora Manifestante na Ação Ordinária de Cobrança n° 92.00163416, condenando a União Federal a restituir o montante de CréditoPrêmio de IPI; a União Federal apresentou Recurso de Apelação, com o fim de reformar a Sentença (Doc. 13), e a Manifestante apresentou seu Recurso de Apelação, com o fim de que tal Sentença fosse reformada na parte em que foi omissa quanto ao critério de correção monetária que deveria incidir sobre o montante a ser restituído; a 4ª Turma do TRF da 1ª Região proferiu Acórdão (Doc. 18) negando provimentos aos recursos, mantendo a Sentença (Doc. 13); a União Federal interpôs Recurso Especial ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao qual, após sucessivas interposições de Agravos, foi negado seguimento, conforme cópia do Acórdão anexo (Doc. 19); em vista disso, em 28/11/2003, tal Acórdão transitou em julgado (Doc. 20); em vista do trânsito em julgado da decisão que negou seguimento ao Recurso Especial da União Federal, foi extraída nos autos da Ação Ordinária de Cobrança n° 92.00163416 a respectiva Carta de Sentença n° 2003.34.00.0319377 (Doc. 21) para a Execução por Carta de Sentença (Doc. 22) protocolizada pela Manifestante em 02/09/2003; ressalta, neste particular, que requereu a Execução de Sentença no valor total de R$ 45.615.091,33; a União Federal apresentou, então, seus Embargos à Execução n° 2003.34.00.0398653 (Doc. 23), oportunidade na qual concordou com parte dos R$ 45.615.091,33 executados pela ora Manifestante, consistentes em R$ 12.799.369,565, relacionados ao mês de dezembro de 2012, dentre os quais R$ 6.595.260,60 é o montante principal corrigido, R$ 5.594.615,18 são os juros de mora e R$ 609.493,78 corresponde aos honorários advocatícios; vêse que são exatamente esses valores, totalizando R$ 12.189.875,78, os quais são homologados pela Autoridade Fiscal por meio do Despacho Decisório ora combatido, com exceção do montante relacionado aos honorários advocatícios; na Decisão n° 220/2004 (Doc. 24), assim como no Despacho de fl. 244 dos autos de Embargos à Execução (Doc. 25), o juízo da 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal determinou que os autos fossem remetidos à Contadoria Judicial, para a realização de novos cálculos da parte incontroversa do montante de CréditoPrêmio de IPI; Fl. 791DF CARF MF 6 a Contadoria Judicial apresentou nova Memória de Cálculo (Doc. 26 fls. 246 a 277 dos autos dos Embargos à Execução n° 2003.34.00.0398653) em que constou como montante incontroverso o valor atualizado de R$ 15.504.809,30; ou seja, verificase que, diferentemente do quanto afirmado pela Autoridade Fiscal no Despacho Decisório impugnado, o valor incontroverso não é de R$ 12.189.875,78, pois a própria Contadoria Judicial determinou que em 20/10/2005, tal valor já era de R$ 15.504.809,30; a própria União Federal. por meio da petição anexa (Doc. 27) concordou expressamente com os cálculos efetuados pela Contadoria Judicial nas fls. 246 a 277 dos autos dos Embargos à Execução n° 2003.34.00.0398653 em que se apurou o montante de R$ 15.504.809,30; em vista da concordância da União Federal com o valor de R$ 15.504.809,30 da parcela incontroversa do Crédito Prêmio de IPI, o juízo da 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal proferiu a Sentença n° 369 B/2006 (Doc. 28) acolhendo parcialmente os Embargos à Execução de Carta de Sentença, determinando o prosseguimento do valor apurado pela Contadoria Judicial de R$ 15.504.809.30, acrescido da incidência de correção monetária de acordo com o Manual de Cálculos da Justiça Federal e dos expurgos inflacionários; apesar de ter expressamente concordado com o valor incontroverso do CréditoPrêmio de IPI de R$ 15.504.809,30, a União Federal não concordou com a Sentença n° 369B/2006 (Doc. 28), tendo interposto Recurso de Apelação (Doc. 29); ao analisar o Recurso de Apelação (Doc. 29), a 7ª Turma do TRF da 1ª Região proferiu Acórdão (Doc. 30) dando provimento à Apelação, reformando parcialmente a Sentença n° 369B (Doc. 28), de forma a limitar a aplicação dos juros moratórios de 0,5% ao mês até a entrada em vigor do Código Civil aprovado pela Lei n° 10.406/2002; o Acórdão proferido pela 7ª Turma do TRF da 1ª Região (Doc. 30) foi objeto de Recurso Especial interposto pela União Federal (Doc. 31), que ainda pende de julgamento; vale dizer, portanto, que a Sentença n° 369B (Doc. 28) muita embora não tenha transitado em julgado, foi parcialmente confirmada pelo TRF da 1ª Região, razão pela qual o valor incontroverso do CréditoPrêmio de IPI é de R$ 15.504.809,30; o TRF da 1ª Região determinou a "execução definitiva do valor incontroverso da Execução, mediante compensação com débitos vincendos" do IPI e de outros tributos administrados pela atual Receita Federal do Brasil; Fl. 792DF CARF MF Processo nº 16349.720138/201270 Acórdão n.º 3201004.474 S3C2T1 Fl. 790 7 como conseqüência, foi expedido o Ofício n° 420/08 (Doc. 34) ao Delegado da Receita Federal do Brasil de São Paulo para que o mesmo desse cumprimento ao quanto decidido pela 7a Turma do do TRF da 1a Região(Doc. 33), o que foi deferido conforme Termo de Intimação n° 130/2008 anexo (Doc. 35), dando origem ao Processo de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado n° 18186.00040012007 34 que está em apenso ao presente Processo n° 16349.720138/201270; conforme se verifica dos autos do Processo de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado n° 18186.000400/200734 que está em apenso ao presente Processo n° 16349.720138/201270, o valor incontroverso do Crédito Prêmio do IPI, atualizado até o mês de junho de 2007, e que consta do Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, à fl. 338 dos autos, cuja cópia segue anexa (Doc. 36) é de R$ 22.462.373,67; salienta que a apuração do mencionado valor de R$ 22.462.373,67 seguiu os critérios definidos na Sentença n° 369 B/2006 (Doc. 28), conforme o Demonstrativo de cálculo anexo ao referido pedido de fl. 338 do Processo de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado n° 18186.000400/200734; todavia, caso não seja este o entendimento dessa Delegacia de Julgamento, o que se alega para fins de mera argumentação, mas não se admite, deve ser, no mínimo, reconhecido como o valor do direito creditório da Manifestante o montante de R$ 15.504.809,30 atualizado até 20/10/2005, conforme a Memória de Cálculo efetuada pela Contadoria Judicial (Doc. 26) e que foi expressamente aceito pela União Federal, tal como inequivocamente demonstra a cópia da petição anexa (Doc. 27); o valor de R$ 15.504.809,30 atualizado em 20/10/2005, em sendo esse o entendimento dessa Delegacia de Julgamento, deve ser devidamente atualizado até as datas em que as PER/DCOMPs foram transmitidas; nesse sentido, a Manifestante ressalta que se for aplicada a Taxa Selic ao valor de R$ 15.504.809,30 atualizado até 20/10/2005, a partir dessa data até 14/03/2008, quando ocorreu a primeira compensação efetuada pela ora Manifestante, seu montante passará a ser de R$ 20.498.908,38, que é superior ao valor efetivamente compensado pela ora Manifestante , que foi de R$ 20.018.277,58; caso se entenda que o direito creditório da Manifestante é de apenas R$ 12.189.875,78, o que se alega para fins de argumentação, mas não se admite, tal montante deve ser corrigido a partir do mês de dezembro de 2002 até a data em que a ora Manifestante efetuou as compensações; Fl. 793DF CARF MF 8 nesse sentido, a Manifestante ressalta que se for aplicada a Taxa Selic sobre o valor de R$ 12.189.875,78 atualizado até dezembro de 2002, a partir dessa data até 14/03/2008, quando ocorreu a primeira compensação efetuada pela ora Manifestante, seu montante passará a ser de R$ 22.162.413,16, que é superior ao valor efetivamente compensado pela ora Manifestante, qual seja, de R$ 20.018.277,58. Seguindo a marcha processual normal, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo em síntese: a) que se reconheça a decadência por homologação tácita, uma vez, que as DCOMP´s foram transmitidas em 14/03/08 e 20/03/08, e tomou ciência apenas em 19/04/13; b) alternativamente reconheça como incontroverso o valor de seu direito creditório pleiteado; c) alternativamente que reconheça como correto o valor de R$ 15.504.809,30, devidamente atualizado pela SELIC até a data da compensação; d) alternativamente reconheça o valor de R$ 12.189.875,78 de dezembro de 2002, devendo ser atualizado pela SELIC até a data da compensação; É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Laércio Cruz Uliana Junior O Recurso é tempestivo e merece ser conhecido. NULIDADE PARA RECONHECIMENTO DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA A DRJ em seu voto não reconheceu a homologação tácita por entender que o contribuinte tomou conhecimento do despacho decisório em 22/02/13, vejamos Conforme se verifica na manifestação de inconformidade de fls. 39/60, protocolada pela contribuinte em 25/03/2013, a própria recorrente, às fls. 39 e 41, reconhece que tomou conhecimento do despacho decisório proferido no processo nº 16349.720138/2012 70 em 22/02/2013 (equivocadamente transcrito como 22/02/2012). Constatase na referida manifestação de inconformidade que a recorrente tinha pleno conhecimento do conteúdo do despacho decisório contestando o valor dos créditos admitidos e as compensações não homologadas. Aliás, se tivesse tomado ciência do despacho decisório somente em 19/04/2013, não teria como ter apresentado a manifestação de inconformidade em 25/03/2013. É fato que a interessada foi novamente notificada em 19/04/2013 (vide fls. 31/32), porém, a nova intimação não tem o condão de anular a ciência anterior, como também, permanece válida a primeira Fl. 794DF CARF MF Processo nº 16349.720138/201270 Acórdão n.º 3201004.474 S3C2T1 Fl. 791 9 manifestação de inconformidade apresentada em 25/03/2013 (fls. 39/60. A conseqüência direta da reintimação da contribuinte foi a abertura de novo prazo para a apresentação de manifestação de inconformidade, razão pela qual admitese como tempestiva a manifestação protocolada em 14/05/2013 (fls. 319/351). Contudo, nas fls. 12 do Recurso Voluntário apresentado, o contribuinte afirma que tomou conhecimento da decisão 22/02/13, contudo, somente foi notificado em 10/4/13 por tal razão estaria ocorrido a homologação tácita e que teria ocorrido anulação da primeira decisão e assim seria anulada a primeira decisão. No entanto, adoto entendimento de que com a reabertura do prazo em 19/04/13 (fls. 31/32), conforme afirmado pela DRJ, deve ser conhecida a homologação tácita, pois, como bem apontado no acórdão a nova decisão tem o condão de anular a decisão anterior. A abertura do novo enseja em invalido o ato praticado anteriormente, se é invalido o ato anterior, logo, não pode manter como válida aquela ciência anterior, por conseqüência lógica, ocorrendo a homologação tácita. Assim, devese reconhece a homologação tácita nos termos do art. 74, §6o. da Lei 9430/96. Vencido nesse tópico, passo analisar os demais aspectos do processo. CONCOMITÂNCIA Tendo em vista, que o Contribuinte busca o reconhecimento do valor incontroverso, é de ressaltar que o mesmo tema encontrase em debate no com o mesmo objeto, importando assim renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto devendo ser proferida decisão declaratória da definitividade da exigência discutida, conforme dispõe o Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, em seu art. 62: Art.62.A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Parágrafo único.O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. No mesmo sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF, publicou, no DOU de 22/12/2009, a Súmula nº 01, com eficácia vinculante para o Colegiado, cujo conteúdo é reproduzido abaixo: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão Fl. 795DF CARF MF 10 de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, resta incontroverso o valor de R$ 12.189.875,78, sendo, que os demais valores ainda encontramse em litígio. Desse modo, voto pelo em não conhecer do Recurso Voluntário, por concomitan̂cia de mateŕia entre as esferas administrativa e judicial, devendo a unidade preparadora observar a decisão final judicial transitada em julgado nos Embargos à Execuçã. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator Voto Vencedor Paulo Roberto Duarte Moreira, Redator designado Fui designado para redação do voto vencedor na matéria em que se discutiu a nulidade do despacho decisório em razão de, conquanto tenha a contribuinte sido cientificada do despacho em 22/02/2013, uma segunda ciência fora efetuada em 19/04/2013. Entende o relator que a reabertura do prazo para manifestação da contribuinte no tocante ao despacho decisório (fls. 24/28) traz a consequen̂cia lógica de invalidar não só a cien̂cia, como tambeḿ o próprio despacho decisório. Vejase o excerto do voto: No entanto, adoto entendimento de que com a reabertura do prazo em 19/04/13 (fls. 31/32), conforme afirmado pela DRJ, deve ser conhecida a homologação tácita, pois, como bem apontado no acórdão a nova decisão tem o condão de anular a decisão anterior. O despacho decisório foi único, portanto, seu conteúdo mantevese e continua mantendose inalterado. A segunda ciência apenas devolveu o prazo de nova manifestacã̧o da contribuinte, que o exerceu plenamente. Não se vislumbra qualquer vício formal ou material do despacho decisório que implicaria sua nulidade. Foram atendidos as formalidades prescritas em lei e ausente qualquer cerceamento de direito de defesa. Assim, não restou demonstrado nos autos qualquer prejuízo ao exercício do amplo direito de defesa da recorrente, e, se não há prejuízo à defesa, nulidade não pode haver. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 796DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.000698/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2007
PERÍCIA. REQUISITOS. AUSÊNCIA.
Considera-se não formulado o pedido de perícia que não venha instruído com os quesitos que o contribuinte pretende ver respondidos.
DECADÊNCIA. PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO.
No caso de lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento, cabível a contagem do prazo decadencial de cinco a partir da ocorrência dos fatos geradores.
Numero da decisão: 2402-006.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a ocorrência da decadência em relação às obrigações ocorridas até 28/7/02, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que reconheceram a ocorrência da decadência até a competência 11/2001, inclusive, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Fitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-01-31T18:08:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-01-31T18:08:12Z; Last-Modified: 2019-01-31T18:08:12Z; dcterms:modified: 2019-01-31T18:08:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-01-31T18:08:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-01-31T18:08:12Z; meta:save-date: 2019-01-31T18:08:12Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-01-31T18:08:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-01-31T18:08:12Z; created: 2019-01-31T18:08:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-01-31T18:08:12Z; pdf:charsPerPage: 1651; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-01-31T18:08:12Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 363 1 362 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000698/200781 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.891 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de janeiro de 2019 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente COOPERATIVA DOS TRANSPORTADORES DE CARGAS E PASSAGEIROS COOPGRANEIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2007 PERÍCIA. REQUISITOS. AUSÊNCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que não venha instruído com os quesitos que o contribuinte pretende ver respondidos. DECADÊNCIA. PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. No caso de lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento, cabível a contagem do prazo decadencial de cinco a partir da ocorrência dos fatos geradores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a ocorrência da decadência em relação às obrigações ocorridas até 28/7/02, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que reconheceram a ocorrência da decadência até a competência 11/2001, inclusive, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Fitoza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 06 98 /2 00 7- 81 Fl. 363DF CARF MF Processo nº 15586.000698/200781 Acórdão n.º 2402006.891 S2C4T2 Fl. 364 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário voltado contra Acórdão DRJ/RJII nº 13 19.106 (Fls. 255/266) que, por unanimidade, na Sessão de 27/02/2008 JULGOU PROCEDENTE O LANÇAMENTO para considerar devido o crédito previdenciário no valor de R$ 245.364,07. O lançamento foi consolidado por meio da NFLD DEBCAD n° 37.036.0613 que faz referência às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, da empresa e às contribuições devidas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salário Educação, INCRA, SEST, SENAT e SEBRAE). O Relatório Fiscal (Fls. 127) da NFLD de fls 120 informa que constituem fatos geradores das contribuições lançadas: os pagamentos efetuados a cooperados, a contribuintes individuais autônomos e a contribuintes individuais transportadores autônomos (não cooperados), à cooperativa de trabalho médico (UNIMED), conforme planilhas anexas; as diferenças de recolhimentos verificadas entre os valores pagos a cooperados, a contribuintes individuais autônomos, a transportadores autônomos e os valores efetivamente recolhidos à Previdência Social; Os valores dos repasses efetuados aos cooperados, constantes do Relatório de Lançamento com o cód. de lançamento "PA — pagamento a autônomo" foram reduzidos para as bases de 11,71% até 06/2001 e 20% a partir de 07/2001 e o período do débito é de 01/1999 a 03/2007. Em seu Recurso Voluntário (Fls. 273/281), tal qual fizera na impugnação, requer o reconhecimento parcial da decadência da exigência fiscal e a conseqüente declaração da nulidade do lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. 1. Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e regular, merecendo ser conhecido. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 15586.000698/200781 Acórdão n.º 2402006.891 S2C4T2 Fl. 365 3 2. NULIDADE DA DECISÃO, DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE, ARBITRAMENTO E PERÍCIA — FERIMENTO À AMPLA DEFESA. A Recorrente alega prejuízo a ampla defesa e contraditório em razão de negativa de pedido de perícia e desconsideração da escrituração contábil sem declaração objetiva por parte da autoridade fiscal, razão pela qual restou prejudico seu direito a ampla defesa e contraditório. Com relação ao pedido de perícia formulado na peça de impugnação (Fls. 229), o mesmo não atendem aos requisitos legais para consideração, eis que não consta a indicação do perito. Assim, nos termos do § 1º do Art. 16 do Decreto nº 70.235/72, considera se tal demanda como não formulada.1 Com relação a alegação de que a contabilidade da Recorrente foi desconsiderada, não identificamos elementos processuais capazes de dar base a tal alegação, eis que o processo fiscalizatório não estaria adstrito aos elementos contábeis, podendo adentrar na comprovação documental daquilo que se registrou nos livros e demonstrações patrimoniais. No presente caso, na visão do Agente Fiscal, não restou comprovado o adimplemento de obrigações previdenciárias devidas pela recorrente, não havendo desconsideração da contabilização. Quanto a alegação de arbitramento, não é possível acolher tal tese, eis que o lançamento não adotou a técnica do arbitramento para efetivação do lançamento, razão pela qual a tese não merece prosperar. Como bem registrado no Acórdão vergastado: [...] mais uma vez equivocase o contribuinte ao afirmar que o AFRFB notificante desclassificou sua escrita contábil, tendo arbitrado os valores exigidos na presente Notificação. A partir da leitura do Relatório Fiscal da NFLD REFISC, do Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD ou de qualquer outro documento constitutivo do crédito é possível verificar que em momento algum o auditorfiscal fez alusão à utilização de qualquer procedimento relativo ao arbitramento das contribuições apuradas. 8.1 Na verdade, o arbitramento é um método utilizado pelã fiscalização para a apuração indireta da basedecálculo das contribuições devidas pelo contribuinte. Tal procedimento, conquanto esteja amparado em Lei (parágrafos 3° e 6° do art 33 da Lei n° 8.212/91) possui características e elementos 1 Decreto 70.235/72 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 15586.000698/200781 Acórdão n.º 2402006.891 S2C4T2 Fl. 366 4 peculiares, devendo ser utilizado somente em condições específicas, nos casos autorizados pelas normas de custeio previdenciário, como por exemplo quando, durante ação fiscal, o contribuinte se recusa a prestar as informações ou os documentos solicitados pela autoridade competente, o que efetivamente não ocorreu no caso em questão. Assim, por todo exposto, voto por afastar tal alegação. 3. DECADENCIAL PARCIAL E ALEGAÇÃO DE ADIMPLEMENTO. A ciência do lançamento ocorreu em 28 de setembro de 2007. Os fatos geradores registrados ocorreram entre 01/01/1999 e 31/03/2007. Tratamse de contribuições previdenciárias, espécie tributária sujeita a lançamento por homologação. Constam dos autos informações quanto a realização de recolhimentos, ainda que parciais, em cada uma das competências objeto de lançamento, conforme se pode verificar no RDA RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS (Fls. 69/83) e no RADA RELATÓRIO DE APROPRIAÇÃO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS (Fls. 84/108), fato que atrai a aplicação da regra decadencial prevista no Art. 150, § 1º do CTN. Considerando o disposto na Súmula CARF nº 99 e Súmula Vinculante STJ nº 8, estariam presentes os elementos para o reconhecimento da decadência das obrigações ocorridas antes de 28/07/2002, sendo como votamos neste ponto. 4. ADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES. Conforme já registrado pelo Relator da decisão recorrida, no tocante às alegações de que as contribuições devidas a terceiros estão totalmente adimplidas através das Guias da Previdência Social em poder da fiscalização, ressalto que todas as GPS apresentadas pelo contribuinte e todos os pagamentos efetuados durante o período da ação fiscal foram considerados na lavratura da presente NFLD. Basta ao contribuinte examinar o "Relatório de Documento Apresentados RDA" e o "Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA" (fls 72/105), documentos integrantes da NFLD enviada ao contribuinte, que encontrará a relação de todas as Guias da Previdência Social consideradas pelo AFRFB no presente débito, discriminadas por competência, valor e data de pagamento. Conclusão Ante a todo o exposto voto por conhecer do Recurso Voluntário para, afastar as preliminares de nulidade suscitadas, reconhecer a decadências das obrigações ocorridas até 28/07/2002 e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 366DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.930206/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CÔMPUTO.
Integram o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário as estimativas compensadas.
BASE DE CÁLCULO. LUCROS NO EXTERIOR. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
Deve ser afastado o valor do IRPJ devido relativo a lucro no exterior objeto de decisão judicial transitada em julgado.
Numero da decisão: 1302-003.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CÔMPUTO. Integram o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário as estimativas compensadas. BASE DE CÁLCULO. LUCROS NO EXTERIOR. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Deve ser afastado o valor do IRPJ devido relativo a lucro no exterior objeto de decisão judicial transitada em julgado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CÔMPUTO. Integram o saldo negativo de IRPJ do anocalendário as estimativas compensadas. BASE DE CÁLCULO. LUCROS NO EXTERIOR. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Deve ser afastado o valor do IRPJ devido relativo a lucro no exterior objeto de decisão judicial transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 02 06 /2 01 2- 01 Fl. 391DF CARF MF 2 Relatório A Recorrente apresentou Declaração de Compensação em 18/04/2008 fls. 2/9, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$60.315.757,72 do anocalendário de 2007 para extinguir sob condição resolutória débitos de PIS e Cofins do mês de março de 2008. Despacho Decisório eletrônico à folha 10 reconheceu a parcela de R$46.842.756,36 de um total de R$170.019.490,68 informado na composição do crédito da DComp, não sendo confirmadas as seguintes parcelas: Considerando que não houve IRPJ devido, foi reconhecido um direito creditório no valor de R$46.842.726,36, resultando em homologação parcial e não homologação das DComp listadas no endereço eletrônico que aponta (documento de folhas 14/17). A Empresa apresentou manifestação de inconformidade, alegando que as receitas de juros sobre capital próprio foram oferecidas à tributação, requerendo que a suspensão da parcela do saldo negativo relativo às estimativas compensadas, por estarem sendo discutidas em processo administrativo fiscal ainda em andamento. Em acórdão de 26 de janeiro de 2017, a DRJ de Ribeirão Preto reconheceu o crédito relativo a estimativa compensada de janeiro (R$350.241,98) e fevereiro de 2007 (R$217.258,87), no valor total de R$567.500,85; e, não reconheceu o IRRF relativo a juros sobre capital próprio por não ter sido comprovado o oferecimento à tributação. Entendeu a Turma que embora tenha sido adicionado no LALUR o valor de R$680.640.514,21, o valor de R$666.554.203,05 foi excluído em seguida, também a título de JCP. Afirma, ainda, que a exclusão se refere a JCP de exercícios anteriores, como anotado no referido Livro. Assim, permaneceram em litígio apenas parte relativa ao crédito oriundo do IRRF sobre juros sobre capital próprio. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10880.930206/201201 Acórdão n.º 1302003.301 S1C3T2 Fl. 351 3 Em recurso voluntário, a Empresa reafirma que a parcela de R$135.907.427,10 passou pelo resultado, conforme balancetes e foram informados na Linha 21 da Ficha 06A Demonstração do Resultado da DIPJ e que os demais JCP recebidos foram oferecidos à tributação via LALUR. Esclarece que a exclusão de R$666.554.203,05 referese a JCP pagos pela Recorrente aos acionistas, cujo montante foi deliberado, provisionado e adicionado no LALUR de 2006. Em 2007 houve a liquidação financeira desse valor e, consequentemente, a exclusão do lucro real. (junta LALUR de 2006, fl. 347). É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator O Contribuinte foi cientificado do acórdão em 8 de maio de 2017 (fl. 256), tendo apresentado o recurso em 5 de junho de 2017, portanto, tempestivamente. A representação é regular, conforme instrumento de folha 266/268. Conheço do recurso voluntário. A discussão trata do oferecimento ou não, à tributação, dos JCP recebidos pela Recorrente no anocalendário de 2007, capazes de justificar a utilização de créditos de IRRF no montante de R$122.609.263,47. Há que se registrar, preliminarmente, que o saldo negativo informado na DComp foi de R$93.250.149,19, embora se discuta a comprovação do valor acima apontado de IRRF sobre JCP. O acórdão recorrido não reconhece o valor adicionado no LALUR, de R$680.637.319,94 por dois motivos: pela anotação de se tratarem de JCP de exercícios anteriores e por haver uma exclusão no mesmo LALUR de JCP de valor aproximado (R$666.554.203,05) sem haver justificativa da Empresa. Quanto ao montante de R$135.907.427,10 a DRJ concorda que foi oferecido à tributação. A favor da Empresa é fato que houve um procedimento fiscal em 2011 que foi assim concluído (fl.346): Embora o acórdão recorrido tenha afirmado, com correção, que a verificação foi feita por amostragem, notase que se tratou de um procedimento dirigido especificamente ao oferecimento dos JCP recebidos à tributação. Assim, embora a afirmação de ter sido feita por amostragem, ante a especificidade do procedimento, há que emprestar maior certeza de que Fl. 393DF CARF MF 4 tenha sido verificada a totalidade dos JCP recebidos, caso contrário, pecaria o Órgão por determinar fiscalização tão focada e aceitar conclusão absolutamente incerta e aberta. Sobre a exclusão de R$666.554.203,21 a Recorrente informa que se refere a JCP pagos pela Empresa, relativos a 2006, cuja execução financeira se deu em 2007, justificando a exclusão (junta LALUR 2006 fl. 327). Não há esclarecimento em relação à anotação do LALUR de se tratar de JCP de exercício anterior, mas ante a fiscalização realizada e os documentos juntados entendo que tem razão a Recorrente, tendo sido oferecido a tributação o valor recebido de JCP de R$680.637.319,94 que, somados aos R$135.908.303,10, perfaz um total de R$816.545.623,04. Assim, dou provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório no valor de R$93.250.149,19 e homologo as compensações no limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 394DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721736/2015-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/2015-39 e seus desmembramentos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 73 6/ 20 15 -1 8 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16682.721736/201518 Resolução nº 3302000.796 S3C3T2 Fl. 301 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever e grifar: "Trata o presente processo de auto de infração (fls. 30/33) de multa em decorrência de DCOMP não homologada, no valor de R$ 16.616.504,23. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fl. 34/35) a Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 não foi homologada, conforme Despacho Decisório 0017/2015 exarado no Processo Administrativo nº 16682.720030/201539. A Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 foi apresentada em 20/04/2011, portanto, após a publicação da Lei nº 12.249/10 em 14/06/2010, cujo art. 62 deu nova redação ao §17 do art. 74 da Lei 9.430/96. A MP 656/2014 e Lei nº 13.097/2015 alteraram a redação original do parágrafo citado. Antes da MP 656/14, a multa era calculada como 50% sobre o valor do crédito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Depois da publicação da MP 656/14, a penalidade passou a ser calculada como 50% sobre o valor do débito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Tendo em vista o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, há que se aplicar a penalidade menos severa entre as duas redações acima. Como são aritmeticamente idênticas, tornase óbvio que o cálculo resulta igual, e, desse modo, enquadramos a infração no dispositivo referido, com a redação da Lei nº 12.249/2010. O contribuinte foi cientificado em 21/03/2016 (fl. 40) e apresentou impugnação (fl. 42/51) em 15/04/2016 alegando em síntese: Nulidade do auto de infração A aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. A interessada cita doutrina no sentido da necessidade de configuração da máfé do requerente para que se possa aplicar a multa isolada. Cita ainda decisões judiciais no mesmo sentido. Cumulação de multa configurando BIS IN IDEM Na eventualidade da não homologação da compensação, o débito já é penalizado com a cobrança do débito levado à compensação, acrescido com a multa de mora, cuja essência consiste, repisa se, em verdadeira penalidade. Posto isto, ao desconsiderar essa situação, a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem a ensejar o enriquecimento sem causa do erário, ao passo que em condições normais, como no caso em tela, já será recompensado pela incidência da multa de mora posto que a não homologação da compensação (à míngua de prova de ilicitude e má fé do contribuinte) se equipara, sob qualquer ângulo de análise, ao pagamento realizado a destempo. Da apensação A presente autuação consiste na cobrança de multa isolada, em virtude da não homologação do PER/DCOMP n º 04102.45828.200411.1.3.047247, constante do processo administrativo nº 16682.720030/201539. Este processo está aguardando julgamento do recurso voluntário. A Portaria RFB nº 354 de 2016 em seu art. 3º, inciso III exige que os autos sejam juntados por apensação. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 16682.721736/201518 Resolução nº 3302000.796 S3C3T2 Fl. 302 3 Assim, requer a apensação do presente processo ao PAF nº 16682.720030/201539. Suspensão do processo Na eventualidade de se superar o item anterior, resta de imediato a suspensão do presente processo, pautado nos seguintes fundamentos: A interessada recorreu da decisão de não homologação, portanto, não há que se falar em declaração de compensação não homologada, uma vez que o crédito ainda se encontra sob discussão administrativa e que, ante ao teor do recurso voluntário, tornase inconcebível, permissa vênia, outro resultado que não seja a homologação integral da DCOMP envolvida. Portanto, por imposição legal e havendo evidência do recurso voluntário, devese suspender o andamento do presente, especialmente ante a apensação requerida no item anterior, bem como da imperiosa necessidade de conclusão do PAF 16682.720030/201539, pois não parece crível a cobrança do acessório antes da definição final do processo principal. Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; e c) a apensação do presente processo o PAF 16682.720030/201539, por força do artigo 3º, inciso III da Portaria RFB 354 de 2016; d) uma vez demonstrado o caráter acessório da presente autuação com o PAF nº 16682.720030/201539 sua suspensão se mostra imperiosa, pois caso contrário acarretará a solução atabalhoada da autuação sem a definitiva conclusão do processo principal que, pela lógica processual, redundará em decisão teratológica, ou seja, verdadeiro processo de Kafka. e) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente." A decisão de primeira instância, proferida em 16/05/2016 (fls. 250/260) foi no sentido de julgar procedente em parte a impugnação para manter o crédito tributário lançado e dar provimento ao pedido de apensação ao processo nº 16682.720030/201539: Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO à fl. 266), em 25/05/2016, irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 268/278, em 20/06/2016, em essência, reprisando os argumentos trazidos na peça de impugnação, requerendo: a) a distribuição deste processo vinculada ao PAF nº 16682.720030/201539, por se tratar de processo conexo e decorrente do primeiro, nos termos do art. 6º do RICARF e sua imediata suspensão até o julgamento final daquele; e que b) seja dado provimento ao presente recurso, anulandose o presente auto de infração em sua totalidade. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 16682.721736/201518 Resolução nº 3302000.796 S3C3T2 Fl. 303 4 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Quanto à questão da suspensão, na verdade, sobrestamento do processo, quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF, existe previsão específica no parágrafo único, do art. 12, da Portaria CARF Nº 34, de 31 de agosto de 2015: Art. 12. O processo sobrestado ficará aguardando condição de retorno a julgamento na Secam. Parágrafo único. O processo será sobrestado quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF ou quando o motivo do sobrestamento não depender de providência da autoridade preparadora. (grifei) Ainda que corretamente negado o pedido de sobrestamento do julgamento do presente processo, na instância administrativa de julgamento a quo, por falta de previsão legal para tal procedimento, especificamente no âmbito do CARF, a Portaria CARF Nº 34/2015, abre essa possibilidade, existindo precedentes (Processo nº 16327.721542/201308), inclusive, dessa Turma (Resolução nº 3302000.702, de 20/03/2018 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária), aplicando o sobrestamento em caso semelhante, nos termos do voto condutor do Relator, abaixo transcrito e adotado como razão de decidir do presente processo: "Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento Relator. Segundo o delineado no relatório precedente, os presentes autos tratam de cobrança da multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) calculada sobre o valor do crédito informado nas Declarações de Compensação (DComp) não homologadas. O referenciado procedimento compensatório, que motivou a presente autuação, encontrase sob julgamento no âmbito do processo principal de nº 16327.720993/201239, ainda pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Assim, uma vez configurada dependência do julgamento deste processo do desfecho final e definitivo do julgamento do processo principal, com respaldo no art. 6º, § 1º, II, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), propõe o sobrestamento do julgamento dos presentes autos perante à 3ª Câmara desta Seção. E uma vez o concluído o julgamento do processo principal, com a prolação da decisão definitiva, a Câmara deverá providenciar o retorno dos presentes autos a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento." Fl. 303DF CARF MF Processo nº 16682.721736/201518 Resolução nº 3302000.796 S3C3T2 Fl. 304 5 Pelo exposto, proponho o sobrestamento do julgamento dos presentes autos, perante à Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, uma vez concluído o julgamento do processo principal nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos, com a prolação da decisão administrativa definitiva, deverá ser providenciado o retorno dos autos sobrestados a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 304DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.905319/2011-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2000
CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE.
Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF.
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência.
INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF.
FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS.
O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-005.864
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maysa de Sá Pittondo Deligne acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/09/2000 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte
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(SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2000 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 53 19 /2 01 1- 49 Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10280.905319/201149 Acórdão n.º 3402005.864 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maysa de Sá Pittondo Deligne acompanharam a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, consoante argumentos plasmados no Acórdão nº 14041.287. Inconformada com esta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual defende o direito ao crédito pleiteado. Na apreciação deste recurso, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 3402001.074, para que a Unidade de Origem realizasse o seguinte levantamento: i) Apurar a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes; ii) Elaborando Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10280.905319/201149 Acórdão n.º 3402005.864 S3C4T2 Fl. 0 3 modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá los com o recolhido; iii) Apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Em cumprimento à Resolução foi apresentada a Informação Fiscal que concluiu pela inexistência de recolhimento a maior, não sendo possível o reconhecimento do crédito para a compensação requerida. Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente argumentou que o raciocínio adotado pela fiscalização sobre a natureza dos valores escriturados em algumas das contas contábeis não merece prevalecer, fundamentando acerca da natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas e, com isso, reiterando o pedido de provimento do recurso voluntário interposto e reconhecimento integral do direito ao crédito postulado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.856, de 27 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.900095/201260, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.856): "Pressupostos legais de admissibilidade Como já observado pela Resolução nº 3402001.051, o Recurso Voluntário de fls. 73 a 90 é tempestivo, uma vez que a intimação do Acórdão nº 1441253 ocorreu via postal na data de 10/06/2013 (fls. 71), com interposição da defesa em data de 08/07/2013 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 72). Por atender aos pressupostos legais de admissibilidade, deve o recurso ser conhecido por este Colegiado. Do pedido preliminar para reunião dos processos Preliminarmente a Recorrente argumenta que os seguintes processos têm o mesmo objeto do caso em análise, referente ao questionamento sobre a restituição de crédito decorrente do recolhimento indevido da COFINS, pautado na inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98: Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10280.905319/201149 Acórdão n.º 3402005.864 S3C4T2 Fl. 0 4 Considerando que não há fatos jurídicos tributários idênticos, uma vez que os processos têm períodos de apuração diversos, não há vinculação que torne obrigatória a aplicação do artigo 6º do RICARF. Ademais, o presente recurso foi distribuído como paradigma, seguindo a sistemática dos recursos repetitivos, conforme regulamentação do artigo 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Conforme informado em Termo de Intimação Fiscal nº 01 SAORT/DRFSJR de fls. 241 a 242, a diligência foi realizada em cumprimento às Resoluções de nºs 3402001.050 a 3402 001.067, proferidas por este Colegiado, resultando na análise do crédito pleiteado nos seguintes processos: 10280.900096/201212, 10280.900095/201260, 10280.900097/201259, 10280.900106/201210, 10280.904424/201161, 10280.904437/201130, 10280.904438/201184, 10280.904439/201129, 10280.904440/201153, 10280.904441/201106, 10280.904442/201142, 10280.904443/201197, 10280.904444/201131, 10280.904445/201186, 10280.904446/201121, 10280.904447/201175, 10280.904971/201146, 10280.904972/201191, 10280.904973/201135, 10280.904974/201180, 10280.905315/201161, 10280.905316/2011 13,10280.905317/201150, 10280.905318/201102, 10280.905319/201149, 10280.905320/201173, 10280.905321/201118, 10280.905322/201162, 10280.905323/201115, 10280.905325/201104, 10280.905326/201141, 10280.905328/201130, 10280.905329/201184, 10280.905330/201117, 10280.905331/201153, 10280.905332/201106, 10280.905333/201142, 10280.905334/201197, 10280.905781/201146, 10280.905782/201191, 10280.905784/201180, 10280.905785/201124, Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10280.905319/201149 Acórdão n.º 3402005.864 S3C4T2 Fl. 0 5 10280.905786/201179, 10280.905787/201113, 10280.905790/201137, 10280.905803/201178 e 10280.905804/201112. Portanto, resta prejudicada a preliminar invocada no Recurso Voluntário em análise. Do mérito Pede a Recorrente pelo reconhecimento do direito à restituição da COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, explanando sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e necessária incidência do artigo 62. § 1º, inciso II e Alínea "b" do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Para tanto, pugna pela aplicação da Verdade Material, uma vez que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, configurando a decisão recorrida em formalismo exagerado. Pede, ainda, pela complementação da produção probatória necessária para lastrear a existência de seu crédito. Com já relatado, tanto o reconhecimento da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62, § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF, quanto o pedido de produção de prova complementar, restaram superados através da Resolução nº 3402001.051 (fls. 234238), pela qual este Colegiado converteu o julgamento do recurso em diligência com a seguinte determinação: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Por sua vez, a matéria suscitada sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585.235/MG, resultando na aplicação do artigo 62, § 2 do RICARF. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10280.905319/201149 Acórdão n.º 3402005.864 S3C4T2 Fl. 0 6 Portanto, neste ponto dou provimento ao recurso, com a produção de prova já realizada através da diligência acima mencionada. Do resultado da diligência Em sequência, dando cumprimento ao artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011, a Recorrente manifestouse sobre o resultado da diligência às fls. 338351, sustentando sobre a natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas. Em síntese, alega a Recorrente que "....as bonificações não são receitas da recorrente, mas apenas recuperação do custo de aquisição dos bens adquiridos por e para revenda. Como a recuperação de custos realmente aumenta o lucro bruto da recorrente, eis que diminuem o custo da mercadoria vendida, mas, por outro lado, não interferem nas receitas da recorrente, eis que o valor das vendas não é alterado, não havendo qualquer interferência desses valores na receita da recorrente, passível de tributação pela contribuição ao PIS e pela COFINS." A questão atinente às verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas foi objeto de análise por esta Turma Ordinária no PAF nº 10280.900096/201212, de relatoria da Eminente Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula e cujo julgamento ocorreu em data de 25 de setembro de 2018. Com isso, como solução deste litígio, adoto o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.569, pelo qual foi aplicado o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506/19641, bem como as Soluções de Consulta Cosit nºs 291/20172 e 34/20133. 1 Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 2 Solução de Consulta nº 291 Cosit Data 13 de junho de 2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária), incidindo a Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10280.905319/201149 Acórdão n.º 3402005.864 S3C4T2 Fl. 0 7 Para tanto, transcrevo a fundamentação que embasa a decisão em referência, a qual cita trechos extraídos da respectiva Informação Fiscal, reproduzindo os mesmos termos constantes do resultado da diligência realizada neste processo, motivo pelo qual deve ser considerada como embasamento do presente voto: "Quanto ao mérito, valem aqui as considerações já expedidas na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, a seguir transcritas: Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal. Assim, em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, relativamente ao alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aplicado neste julgamento o entendimento do Supremo Tribunal Federal proferido em regime de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG. Como bem esclareceu a fiscalização na diligência, devem ser excluídos do conceito de faturamento os aportes (...) Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. 3 Solução de Consulta nº 34 Cosit Data 21 de novembro de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS CONDICIONAIS E INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais consideramse parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Dispositivos Legais: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), arts. 373 e 374; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.2. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10280.905319/201149 Acórdão n.º 3402005.864 S3C4T2 Fl. 0 8 financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa: 7. No anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 30/08/2012, está delimitado o julgado pelo STF no RE n° 585.235, nos seguintes termos: “DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. (...)” 8. A delimitação da matéria decidida é também fruto dos julgados do STF, que entendem que o conceito de faturamento abrange a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços das empresas, e todas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esta é a interpretação dada pelo RE n. 371.258 AgR (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 03.10,2006), pelo RE n. 400.4798/RJ ( Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 10.10,2006) e pelo RE n 527.602/SP (Tribunal Pleno, Rel Min Eros Grau, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 05.08.2009), sendo que neste último ficou estabelecido que somente são excluídos do conceito de faturamento “os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa”. Assim, o faturamento corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Com efeito, adotando tal entendimento, a fiscalização excluiu do faturamento, para fins de incidência das contribuições, as receitas que não se enquadravam como operacionais, resultando num recolhimento a maior, passível de reconhecimento de crédito para compensação no valor mencionado no relatório acima. Não obstante tenha sido devidamente intimada, a recorrente não se manifestou em face do resultado da diligência, pelo que se pressupõe que com ele concordou. Ademais, na diligência foram acolhidos, em grande parte, os demonstrativos/memórias de cálculo elaborados pela própria contribuinte em resposta à intimação da fiscalização, ressalvadas poucas divergências, quanto às receitas originadas das bonificações recebidas e das recuperações de despesas, como se vê nos seguintes trechos da Informação fiscal: 9. Concorda o contribuinte, conforme seus demonstrativos, que devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as seguintes receitas operacionais (líquidas das devoluções/deduções): vendas de veículos novos (de fev/03 e mar/03), vendas de veículos usados, instalação e vendas de peças e acessórios, instalação e vendas de Kits de conversão Gás, prestação de serviços da oficina, vendas de outras mercadorias e outras prestações de serviços (outras atividades). 10. Também devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as bonificações recebidas das montadoras, mesmo que em Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10280.905319/201149 Acórdão n.º 3402005.864 S3C4T2 Fl. 0 9 mercadoria (contas 37201.00001 Bonificação MBB Veículos, 37201.00002 Bonificação MBB Sprinter e 37202.00001 Bonificação MBB Peças e Motores) e a recuperação de despesas com veículos e peças em garantias (contas 37202.00009 Recup. Desp. c/ Garantia e 37204.00009 Recup. Desp. c/ Garantia), pelo que segue. Nada há a reparar no entendimento da fiscalização no sentido de que as "recuperações de despesas também constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.5061, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999)", sobre as quais há a incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Quanto às bonificações, embora em algumas situações específicas elas possam configurar descontos incondicionais, o que, se fosse o caso, poderia ensejar a exclusão de tais receitas do conceito de faturamento, nos termos das Soluções de Consulta Cosit nºs 291/2017 e 34/20132, não há qualquer argumentação da recorrente nesse sentido, no recurso voluntário ou na diligência do presente processo, razão pela qual deve ser mantido o resultado do direito creditório apurado na diligência com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que é o mérito do recurso voluntário e do pedido de restituição da interessada. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência, determinando a homologação das compensações vinculadas na medida correspondente." Portanto, deve imperar o resultado da diligência que corretamente refez a apuração da COFINS do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis apresentados pela Contribuinte. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10280.905319/201149 Acórdão n.º 3402005.864 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu o Recurso Voluntário e julgouo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, §2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 362DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.902629/2012-64
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 26 29 /2 01 2- 64 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10380.902629/201264 Acórdão n.º 3003000.131 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 19311.61244.141209.1.3.047316, transmitida eletronicamente em 14/12/2009, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 03/04/2012, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 8), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 15.787,87. Cientificado dessa decisão em 17/04/2012, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 17/05/2012, manifestação de inconformidade à fl. 11 a 13, acrescida de documentação anexa. Em suma, a contribuinte enfatiza que “não existe o débito que fora informado, razão pela qual a perdcomp deveria ter sido cancelada e não o foi em tempo hábil”. Acrescenta que: “(...) não pode ser compelida a efetuar o pagamento de débito inexistente, que não consta em DCTF ou DACON, pelo simples fato de ter o mesmo constado de forma errônea em Perdcomp. A informação cintida de forma indevida na PERDCOMP não pode ser considerado ‘fato gerador’ de débito, a fim de compelir o contribuinte para pagar em 30 dias, sob pena de inscrição em dívida ativa”. Esclarece, ainda, que ao realizar a verificação dos débitos e créditos informados no Per/DCOMP, comprovouse que não existem os débitos a serem pagos. Conclui que as informações apresentadas no PER/DCOMP encontramse equivocadas e que as declarações deveriam ter sido canceladas em tempo hábil. Ao final, requer que sejam acatadas as considerações apresentadas, bem como todas as diligências cabíveis no sentido de apurar a inexistência do débito discriminado no PER/DCOMP e cobrado no Despacho Decisório. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10380.902629/201264 Acórdão n.º 3003000.131 S3C0T3 Fl. 4 3 A 4ª Turma da DRJ em Brasília proferiu decisão, negando provimento à impugnação. Eis o teor da ementa do aresto recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário reafirmando as alegações e argumentos apresentados na impugnação, sustentando, em síntese, que os débitos declarados em PER/DCOMP são inexistentes, tendo juntado cópias dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). É o relatório. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10380.902629/201264 Acórdão n.º 3003000.131 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu o PER/DCOMP descrito no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, apurouse que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, tendo sido emitido, eletronicamente, Despacho Decisório cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual sustentou, como visto, que os débitos indicados na DCOMP são inexistentes, pugnando, pois, pelo cancelamento da DCOMP. Sustentou, ainda, que o princípio da verdade material deve prevalecer sobre o formalismo, devendo o julgador apurar a verdade contida no feito. Em sua impugnação, a recorrente deixou de apresentar documentos hábeis e idôneos para comprovar suas alegações, de maneira que, ao apreciar a manifestação de inconformidade, o colegiado a quo entendeu que simples alegações, desacompanhadas de documentos probatórios, não são suficiente para afastar a decisão não homologatória de compensação. Eis alguns excertos do voto condutor: Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10380.902629/201264 Acórdão n.º 3003000.131 S3C0T3 Fl. 6 5 No caso em análise, em síntese, a contribuinte esclarece que os débitos foram informados equivocadamente no PER/DCOMP. Acrescenta que eles não existiriam e que não foram informados em DCTF ou no Dacon e que o PER/DCOMP deveria ter sido cancelado e não o foi em tempo hábil. Pela análise dos autos, observase que o PER/DCOMP nº 19311.61244.141209.1.3.047316, objeto dos autos, foi transmitido em 14/12/2009, pleiteando a utilização de um crédito decorrente de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A DCTF vigente à data da transmissão deste PER/DCOMP continha a informação de que o pagamento que teria utilizado o crédito pleiteado foi integralmente utilizado para extinguir débito da contribuinte apurado no período, de modo que não existia crédito disponível para ser utilizado na compensação declarada. Na DCTF apresentada 14/12/2009 (fls. 108 a 112) consta a informação que o PER/DCOMP objeto dos autos foi utilizado para a extinção de débitos de Cofins e PIS apurados no período. Notase, então, que o crédito que a interessada alega possuir seria decorrente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais e que o crédito pleiteado não tinha liquidez e certeza no momento da transmissão do PER/DCOMP. Convém esclarecer que a DCTF não constitui uma mera formalidade, pois, é nesta declaração que a contribuinte declara seus débitos e faz as vinculações a pagamentos e possíveis compensações. Assim, a declaração do contribuinte em DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme dispõe a legislação tributária (art. 5º do Decreto Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, e demais atos normativos da RFB pertinentes a DCTF), bem como entendimento pacificado nas esferas administrativa e judicial. Ainda, nos termos do § 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional – CTN, a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, no intuito de reduzir ou excluir tributo, somente é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo. (...) Portanto, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Vejase o Decreto 7.574/2011, artigos 26 a 27, transcrito a seguir: (...) As informações prestadas à RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, Dacon ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo já citado artigo 16, inciso III, do PAF. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10380.902629/201264 Acórdão n.º 3003000.131 S3C0T3 Fl. 7 6 Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. No caso em concreto, a manifestante não apresentou documentação hábil infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou comprovar inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. Portanto, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. (grifei algumas partes) Da leitura dos excertos da decisão recorrida, constatase que o órgão a quo afastou a pretensão da recorrente, pois não foi trazida nenhuma prova para demonstrar as alegações de erro quanto ao débito confessado. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado nem, tampouco, a suposta insubsistência dos débitos declarados na DCOMP transmitida. Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado ou da inconsistência e erro dos débitos constantes da DCOMP, não basta que a recorrente apresente tão só alegações ou, mesmo, declarações ou demonstrativos. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado ou o erro quanto aos débitos declarados. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10380.902629/201264 Acórdão n.º 3003000.131 S3C0T3 Fl. 8 7 Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido ou da suposta inexistência dos débitos do processo, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Contudo, em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, analisei os autos em busca de eventuais documentos apresentados após a impugnação como forma de contrapor as razões da decisão recorrida, dando ensejo, assim, à exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os autos, observase que a recorrente eximiuse, mais uma vez, do ônus de produzir provas para sustentar suas alegações, apesar de ter sido alertada, já na decisão recorrida, sobre os tipos de documentos que deveria apresentar. De fato, analisando o processo, verificase que não há, junto ao recurso voluntário, qualquer documento para demonstrar a certeza e liquidez dos pretensos créditos os quais seriam originados de "débito a menor" ou da suposta inexistência dos débitos confessados. A recorrente apresentou apenas DACON. Sem escrituração contábilfiscal com elementos que a sustentem, não há como cotejar e apurar a veracidade das informações constantes no DACON, PER/DCOMP e DCTF. A recorrente deveria ter trazido elucidação analítica e minuciosa da apuração da contribuição social sob litígio, estabelecendo conexões entre os diversos elementos que devem compor a prova de inexistência dos débitos alegados: notas fiscais, escrituração contábilfiscal, demonstrativo de apuração do tributo devido, etc. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vinícius Guimarães Relator Fl. 203DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.903903/2013-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.650
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de PIS formulado pela recorrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 39 03 /2 01 3- 80 Fl. 153DF CARF MF 2 Aludida restituição restou indeferida pela DRF de origem, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição” Regularmente cientificada, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão nº01033.580.: Cientificado desta decisão apresentou o recurso voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.626): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 7. Pois bem. No presente caso o fecorrente foi cientificado via eletrônica da decisão guerreada, sendo a correspondente mensagem aberta em 24 (vinte e quatro) de fevereiro de 2017 (sextafeira) (fl. 142). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 27 (vinte e sete) de fevereiro de 2017 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 28 (vinte e oito) de março de 2017 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 30 (trinta) de março de 2017 (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço. Dispositivo 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10935.903903/201380 Acórdão n.º 3402005.650 S3C4T2 Fl. 3 3 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo. 10. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 155DF CARF MF
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