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Numero do processo: 13846.000796/2008-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
DCTF. FALTA DE ENTREGA. MULTA.
A falta de entrega da DCTF sujeita o contribuinte à multa estabelecida pela legislação tributária.
LITISPENDÊNCIA.
A litispendência entre processos, na forma preconizada pelo CPC, é verificada a partir da igualdade das partes, do pedido e da causa de pedir.
Numero da decisão: 1001-001.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 DCTF. FALTA DE ENTREGA. MULTA. A falta de entrega da DCTF sujeita o contribuinte à multa estabelecida pela legislação tributária. LITISPENDÊNCIA. A litispendência entre processos, na forma preconizada pelo CPC, é verificada a partir da igualdade das partes, do pedido e da causa de pedir.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 DCTF. FALTA DE ENTREGA. MULTA. A falta de entrega da DCTF sujeita o contribuinte à multa estabelecida pela legislação tributária. LITISPENDÊNCIA. A litispendência entre processos, na forma preconizada pelo CPC, é verificada a partir da igualdade das partes, do pedido e da causa de pedir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 6. 00 07 96 /2 00 8- 66 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13846.000796/200866 Acórdão n.º 1001001.012 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 60 a 69) interposto contra o Acórdão nº 1425098, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 51 a 53), que, por unanimidade, julgou improcedente a Impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " Assumo: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendario: 2004 DCTF. FALTA DE ENTREGA. MULTA. A falta de entrega da DCTF sujeita o contribuinte à multa estabelecida pela legislação tributária. LITISPENDÊNCIA. A litispendência entre processos, na forma preconizada pelo CPC, é verificada a partir da igualdade das partes, do pedido e da causa de pedir. Lançamento Procedente" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Versa o presente processo sobre auto de infração (fl. 12), mediante o qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por falta de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao 4º trimestre do anocalendário de 2004, no valor de R$ 500,00. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 1/1 1) na qual alegou que, por ter sido excluída do Simples, em 01/03/ 1999, por atividade econômica não permitida, ingressou com ação declaratória de reconhecimento de enquadramento em regime tributário especial e conseqüente declaração de nulidade de ato cancelatorio de inscrição, com pedido de tutela antecipada (processo n° 2004.61.22.0005157). Informou que, em razão da improcedência da apelação, apresentou recursos especial ao STJ (processo n° 2008.03.00.0129108) e extraordinário ao STF (processo n° 2008.03.00.00129110), tendo o TRF da 3” Região negado seguimento a tais recursos, estando pendentes de julgamento os agravos de instrumento impetrados (2008.065.009AGRESP/DRAD e 2008.0650l0AGREX/DRAD). Concluiu que ocorreu litispendência, pois se a ação declaratória for julgada procedente, a consequência será a extinção da presente execução. Assim, o presente lançamento deve ser cancelado ou, no mínimo, sobrestado até que a decisão final daquela ação seja transitada em julgado. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13846.000796/200866 Acórdão n.º 1001001.012 S1C0T1 Fl. 4 3 Alegou que ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública lançar a multa exigida nos autos de infração n° 803737701, 803737715, 803737729 e 803737732. Solicitou, se não for decretada a extinção do lançamento, que seja determinada a suspensão da exigência dos períodos em que não ocorreu decadência, tendo em vista a existência de litispendência, porque demonstrada a existência de ação tramitando na Justiça Federal.”. Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Impugnação, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base nos mesmos elementos que já havia apresentado em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Tratase de analisar lançamento referente à multa por falta de entrega da DCTF relativa ao 4° trimestre do anocalendário de 2004, no valor de R$ 500,00. Inicialmente, cabe registrar que a contribuinte não alega a decadência do presente lançamento, consubstanciado no auto de infração de n° 803737785 (fl.12). Alega que ocorreu litispendência, pois ingressou com ação declaratória de reconhecimento de enquadramento em regime tributário especial (processo n° 2004.61.22.0005157), devendo, o presente lançamento ser cancelado ou, no mínimo, sobrestado até que a decisão final daquela ação seja transitada em julgado. Cabe esclarecer que a litispendência busca evitar pronunciamentos diversos sobre a mesma matéria, proferidos por juízos distintos. A verificação de litispendência impede a instauração válida de um segundo processo idêntico a outro já em curso, mas o impedimento só se aplica quando ambos os processos correm perante o Poder Judiciário; sendo um judicial e o outro administrativo, isso não ocorre. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13846.000796/200866 Acórdão n.º 1001001.012 S1C0T1 Fl. 5 4 Ademais, no presente caso não se configura a identidade entre este processo administrativo e a ação judicial mencionada, pois enquanto aqui se discute a cobrança de multa por falta de entrega da DCTF, na Justiça o litígio se refere ao enquadramento no Simples. Assim, não há que se falar em cancelamento ou Sobrestamento do presente processo, tendo em vista a ocorrência de litispendência. Verificase que a contribuinte foi excluída do Simples em 01/03/1999 e ingressou na justiça solicitando o cancelamento dessa exclusão. Entretanto, não obteve nenhum provimento judicial que lhe beneficiasse. Dessa forma, permanece excluída do referido regime, estando obrigada a entregar a DCTF. Não tendo cumprido essa obrigação estabelecida pela legislação, mantémse o lançamento. Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.902990/2009-83
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO.
O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 1002-000.596
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão
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PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 29 90 /2 00 9- 83 Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10950.902990/200983 Acórdão n.º 1002000.596 S1C0T2 Fl. 35 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 27/28) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 19/22), proferida em sessão de 08 de dezembro de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 0634.838, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efl. 11) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 20/04/2009 (efl. 7), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 27442.18879.240806.1.3.047470, transmitido em 24/08/2006, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ OU CSLL. VIGÊNCIA DA IN/SRF N.º 600/2005. IMPOSSIBILIDADE. Na vigência da IN/SRF n.º 600/2005, o pagamento indevido de estimativas de IRPJ ou CSLL somente poderá ser utilizado ao final do período, para ser deduzido na apuração do tributo devido, sendo irrelevante a revogação da limitação pela IN RFB n.º 900/2008, a qual não retroage, por força da regra de direito intertemporal do tempus regit actus. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10950.902990/200983 Acórdão n.º 1002000.596 S1C0T2 Fl. 36 3 Trata o processo de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 27442.18879.240806.1.3.047470, às fls. 02/06, em que foram declarados crédito de pagamento indevido de estimativa de IRPJ (código 2362) do período 01/2006, pago em 24/02/2006, no valor originário de R$ 7.247,47, e débitos de estimativa de IRPJ (código 2362) dos períodos 03/2006 e 04/2006, e de Cofins, do período 07/2006. Conforme Despacho Decisório emitido pela DRF/Maringá, em 20/04/2009, à fl. 07, a autoridade fiscal não homologou a compensação. Cientificado da decisão em 30/04/2009, conforme informação de fl. 10, tempestivamente, em 26/05/2009, o contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade de fl. 11, acompanhada dos documentos de fls. 12 e seguintes, que se resume a seguir: a. Alega que, no balancete de suspensão para pagamento do IRPJ e CSLL por estimativa em janeiro de 2006 e conforme DCTF, do primeiro trimestre de 2006, não houve imposto recolher; b. Afirma que o valor pago em Darf foi recolhido indevidamente ou a maior, sendo objeto de compensação conforme IN 625/2006; c. Solicita o cancelamento do processo. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 1.985,93, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, razão pela qual não se homologou a compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/01/2006 2362 R$ 7.247,47 24/02/2006 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/04/2009 Principal: R$ 1.776,33 Multa: R$ 355,26 Juros: R$ 608,41 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Trata o processo de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 27442.18879.240806.1.3.047470, às fls. 02/06, em que foram declarados crédito de pagamento indevido de estimativa de IRPJ (código 2362) do período 01/2006, pago em 24/02/2006, no valor originário de R$ 7.247,47, e débitos de estimativa de IRPJ (código 2362) dos períodos 03/2006 e 04/2006, e de Cofins, do período 07/2006. Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10950.902990/200983 Acórdão n.º 1002000.596 S1C0T2 Fl. 37 4 Pelo despacho proferido pela DRF/Maringá, à fl. 07, a compensação não foi homologada, sob a justificativa de que pagamento de estimativa mensal somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou CSLL devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O exame da matéria indica que o despacho decisório não deve ser reformado. Na peça de defesa, a impugnante esforçase em demonstrar que pagou indevidamente, a maior, estimativas de IRPJ. O contribuinte enviou três DCTFs do primeiro trimestre de 2006. Nas três, transmitidas em 04/10/2006, 14/07/2010 e 15/09/2010, o contribuinte declarou o mesmo valor de R$ 6.769,24 de estimativas de IRPJ de janeiro, conforme fl. 17. Quanto à DIPJ, consta somente uma declaração, com informação de débito de idêntico valor para a estimativa de janeiro de 2006. Dessa forma, não há como acatar a alegação de pagamento indevido da estimativa de IRPJ do período 01/2006, já que, ao contrário do que alega a impugnante, foi apurado valor para essa estimativa. Além disso, considero correta a decisão contida no despacho decisório, já que tal pagamento somente poderia ser utilizado para compor o saldo negativo do IRPJ de 2006, a teor do art. 10 da Instrução Normativa SRF n.º 600, de 28 de outubro de 2005, vigente à época da transmissão da declaração (24/08/2006). Verificouse ainda que o contribuinte apresentou a Per/Dcomp n.º 01965.07721.310507.1.3.020052, com crédito de saldo negativo do ano calendário 2006, de forma que o suposto pagamento indevido deverá ser analisado naquela compensação. Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não se desconhece que a mencionada vedação acabou sendo superada, com o advento da Instrução Normativa RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008, que revogou a IN SRF n.º 600/2005. Na nova redação, foi suprimida a expressão relativa aos pagamentos de estimativas, de forma que a via única de utilização ao final do mesmo período de apuração restringese às retenções. Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Há que se considerar, contudo, que um instrumento legislativo revogador não retroage para alcançar fatos anteriores à sua publicação, já que, em se tratando de regra de direito material, de natureza civil, vale a regra do tempus regit actus. Além disso, caso a vontade da Administração fosse no Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10950.902990/200983 Acórdão n.º 1002000.596 S1C0T2 Fl. 38 5 sentido de fazer valer a possibilidade de utilização de estimativas de IRPJ ou CSLL como crédito passível de compensação, para declarações enviadas anteriormente a 30/12/2008, não teria ela inserido, nos programas de processamento de Per/Dcomps, critério inibidor da referida compensação. Em outras palavras, o próprio procedimento adotado pela RFB, ao manter a vedação daquele tipo de compensação, confirma que deve prevalecer o entendimento segundo o qual a IN RFB n.º 900/2008 somente se aplica para fatos posteriores à sua publicação, o que está de acordo com as regras de direito intertemporal acima comentada. Nem se haveria de cogitar eventual incompatibilidade da revogada Instrução Normativa com o regime da compensação previsto em lei (art. 170 do CTN; art. 74 da Lei n.º 9.430/96), eis que – nunca é demais lembrar – é dever do julgador observar os atos normativos da RFB, conforme prescrevem o art. 116 da Lei n.º 8.112/1990 e art. 7.º da Portaria MF n.º 58 de 17 de março de 2006, abaixo transcritas: Art. 116. São deveres do servidor: III observar as normas legais e regulamentares; __________ Art. 7.º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n.º 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. À vista do exposto, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o despacho decisório da DRF/Maringá. No recurso voluntário, em síntese, o contribuinte, pessoa jurídica tributada pelo lucro real, reitera os termos da impugnação. Diz que não foi homologada a compensação, sob a justificativa de que pagamento de estimativa mensal somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou CSLL devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Sustenta que não podia retificar a DCTF, pois o processo já estava em curso. Advoga que resta comprovado o pagamento indevido, apresentando quadro sintético. Ao final, requer o acolhimento do recurso. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10950.902990/200983 Acórdão n.º 1002000.596 S1C0T2 Fl. 39 6 de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 1.985,93. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 04/05/2012, efls. 24/25, e protocolo recursal em 11/05/2012, efl. 27), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito, observo nulidade parcial parcial no acórdão recorrido, inclusive seguindo as razões de decidir dos Acórdãos ns.º 1302002.855 e 1302002.866, ambos de 13/06/2018, bem como o Precedente deste Colegiado da 2.ª Turma Extraordinária, da sessão de 09 de agosto de 2018, Acórdão n.º 1002000.359, os Precedentes desta 2.ª Turma Extraordinária, da sessão de 12 e 13 de setembro de 2018, Acórdãos ns.º 1002000.393, 1002000.394, 002000.395, 1002000.396, 1002000.397, 1002 000.398, 1002000.404, 1002000.406, 1002000.408, 1002000.409 e, por fim, os Precedentes desta 2.ª Turma Extraordinária, da sessão de 06 de novembro de 2018, Acórdãos ns.º 1002000.462, 1002000.465, 1002000.466, 1002000.467 e 1002000.468. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10950.902990/200983 Acórdão n.º 1002000.596 S1C0T2 Fl. 40 7 O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, de toda sorte as partes têm o dever de cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva, de mais a mais, devese buscar a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo fiscal. Pois bem. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção das obrigações por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta forma, em verdade, com tal conclusão, o direito creditório não chegou a ser efetivamente analisado e, neste sentido, a decisão da DRJ, de igual modo, também não se aprofundou acerca do crédito, o que, no meu entender e seguindo os precedentes anteriormente citados, ocasiona a nulidade da decisão da primeira instância recursal. Vejase que nos precedentes citados as conclusões foram as mesmas: Acórdão n.º 1302002.866 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/12/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1302002.855 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 08/08/2006 Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10950.902990/200983 Acórdão n.º 1002000.596 S1C0T2 Fl. 41 8 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1002000.359 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AnoCalendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão Efetivamente, nos termos da Súmula CARF n.º 84, a última instância recursal já pacificou entendimento no sentido de que "É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa." (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). A súmula acima transcrita foi confeccionada a partir dos seguintes acórdãos precedentes: Acórdão n.º 120100.404, de 23/2/2011, Acórdão n.º 120200.458, de 24/1/2011, Acórdão n.º 110100.330, de 09/7/2010, Acórdão n.º 910100.406, de 02/10/2009, Acórdão n.º 10515.943, de 17/8/2006. Ressaltese, ademais, que o art. 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF) n.º 600, de 2005 (originalmente constante no art. 10 da IN SRF n.º 460, de 2004), que proibia expressamente a compensação da estimativa fiscal nos termos defendidos pelo despacho decisório e pela decisão recorrida, foi posteriormente Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10950.902990/200983 Acórdão n.º 1002000.596 S1C0T2 Fl. 42 9 revogado pela Instrução Normativa SRF n.º 900, de 2008, que não trouxe igual disciplina proibitiva, inexistindo, para o contexto destes autos, dúvidas quanto a possibilidade de utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa fiscal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. Ademais, há sim efeito retroativo da Instrução Normativa SRF n.º 900, de 2008, posto que mais benéfica. Deveras, a CoordenaçãoGeral de Tributação, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovou a Solução de Consulta COSIT n.º 19, de 05 de dezembro de 2011, apreciando indagação interna relacionada ao mesmo objeto ora em discussão, tendo concluído que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1.º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1.º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2.º e 74; IN SRF n.º 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008. Além disto, como consta daqueles precedentes citados no início deste voto, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Divisão de Tributação da 9.ª Região Fiscal da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9.ª Região Fiscal, já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta n.º 285 SRRF/9.ª RF/Disit, de 17 de julho de 2009, eis a ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10950.902990/200983 Acórdão n.º 1002000.596 S1C0T2 Fl. 43 10 SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. (...) A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeito à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 1996, arts. 2.º e 6.º; Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n.º 3, de 2000; IN RFB n.º 900, de 2008, arts. 2.º a 4.º e 34. Portanto, não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, concluo que é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. No mais, destacando que o fato discutido nos autos é a não homologação da compensação do débito de estimativa mensal, declarada em PER/DCOMP, sob o fundamento de que o crédito utilizado referese, de igual modo, a pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, entendo por bem destacar que o art. 6.º da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018, que deu nova redação ao inciso IX do § 3.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, para estabelecer que não poderão ser objeto de compensação os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, não é aplicável na regulamentação das Declarações de Compensação transmitidas antes da publicação da referida nova lei, na forma do art. 11, inciso II, da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018. Destaquese que o entendimento deflagrado no Despacho Decisório, o qual estava equivocado, conforme enunciado sumular do CARF, foi, posteriormente, ratificado pela decisão recorrida, de modo que, efetivamente, não houve uma efetiva análise da legitimidade do direito creditório indicado no PER/DCOMP, pelo que se dá provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de se compensar pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais, reformandose o acórdão neste ponto, devendo a DRJ proceder a análise do direito creditório. Aliás, a DRJ pode, inclusive de ofício, independentemente de requerimento expresso do sujeito passivo, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, determinar a realização de diligências para aferir a autenticidade, ou não, do crédito declarado pelo contribuinte. Considerando o até aqui esposado e reconhecendo a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, entendo pela nulidade do julgamento da DRJ, devendo ser proferida nova decisão. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe dar provimento parcial para anular o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta análise o direito creditório do Recorrente, podendo, inclusive, Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10950.902990/200983 Acórdão n.º 1002000.596 S1C0T2 Fl. 44 11 determinar a realização de diligências, em busca da verdade material, para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 44DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.015931/2002-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1989, 1990
ILL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. JURISPRUDÊNCIA STJ E STF.
Consoante jurisprudência vinculante firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa de seus preceitos, tratando-se de pedido de restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso, Imposto Sobre o Lucro Líquido ILL, formulado anteriormente à vigência do mencionado diploma legal, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador.
Tendo a contribuinte pleiteado devolução do ILL, em 18/07/2002, de valores referentes a fatos geradores ocorridos em 31/12/1989 e 31/12/1990, estava transcorrido o prazo legal para pleitear essa devolução.
SÚMULA CARF N° 91:
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 1301-003.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em razão da decadência, vencida a Conselheira Bianca Felícia Rothschild que votou por afastar a ocorrência da decadência, manifestando ainda interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. JURISPRUDÊNCIA STJ E STF. Consoante jurisprudência vinculante firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa de seus preceitos, tratandose de pedido de restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso, Imposto Sobre o Lucro Líquido ILL, formulado anteriormente à vigência do mencionado diploma legal, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Tendo a contribuinte pleiteado devolução do ILL, em 18/07/2002, de valores referentes a fatos geradores ocorridos em 31/12/1989 e 31/12/1990, estava transcorrido o prazo legal para pleitear essa devolução. SÚMULA CARF N° 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em razão da decadência, vencida a Conselheira Bianca Felícia Rothschild que votou por afastar a ocorrência da decadência, manifestando ainda interesse em apresentar declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 59 31 /2 00 2- 11 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11610.015931/200211 Acórdão n.º 1301003.660 S1C3T1 Fl. 89 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório ARNO S/A, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SP1 (efls. 69 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Segundo o Relatório do acórdão recorrido: Versa o presente processo sobre manifestação de inconformidade em face do indeferimento do Pedido de Restituição (fls. 01) de valores recolhidos em 30 de novembro de 1989, 30 de abril de 1990 e 30 de abril de 1991, a titulo de Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL), conforme Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARFS), cujas cópias se encontram de fls. 16 e 17 e demonstrativo de fls. 02, cumulado com Declaração de Compensação (fi. 43), com fulcro na declaração parcial de inconstitucionalidade do artigo 35 da Lei n° 7.713 de 22 de dezembro de 1988, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), conforme acórdão proferido no Recurso Extraordinário n° 172.0581 e publicado em 13 de outubro de 1995, na Resolução do Senado n° 82/1996 e na Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (IN/SRF) n° 63, de 24 de julho de 1997 (fls. 03 a 07). Despacho Decisório da DRF, fls. 19/20 2. A autoridade administrativa, às fls. 19 e 20, indeferiu o pedido, protocolizado em 18 de julho de 2002, sob o fundamento de que o direito de o contribuinte pleitear a restituição do indébito estaria decaído, conforme o disposto no Ato Declaratório SRF n° 96, de 26 de novembro de 1999. Da Manifestação de Inconformidade Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11610.015931/200211 Acórdão n.º 1301003.660 S1C3T1 Fl. 90 3 Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Manifestação de Inconformidade, (fls. 22 e ss) que aduziu os seguintes argumentos: 3. Cientificada em 14/10/2005 (fls. 21 verso) do despacho decisório de fls. 19 e 20, a contribuinte, irresignada, apresentou, representada por procuradores (fls. 33 a 42) a manifestação de inconformidade de fls. 22 a 33, instruída com os documentos de fls. 34 a 54, na qual alega em síntese que: 3.1. o Tenno Inicial para a contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de ILL é, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes, 25 de julho de 1997, data de publicação da IN/SRF n° 63/1997, cujo caput do artigo 1° ao vedar a constituição do ILL para as sociedades anônimas foi a primeira norma administrativa a reconhecer o descabimento deste imposto para estas pessoas jurídicas; e 3.2. o entendimento disposto no subitem anterior é esposado pelo Parecer do Coordenador da Coordenação do Sistema de Tributação (Cosit) n° 58/1998 e por jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Em julgamento realizado em 13 de agosto de 2007, a 1ª Turma da DRJ/SP1, considerou improcedente a manifestação apresentada e prolatou o acórdão 1614.370, assim ementado: Assumo: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo e acessórios pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às efls. 76 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade, atendose aos seguintes pontos: do direito de compensação foi pleiteado dentro do prazo legal Recebi os autos por sorteio em 20/11/2018. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11610.015931/200211 Acórdão n.º 1301003.660 S1C3T1 Fl. 91 4 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/SP1 e intimada ao recolhimento do débito em 14/09/2007 (sextafeira), (AR à efl. 77), e apresentou em 16/10/2007, recurso voluntário, juntados às efls. 76 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. Tratase de Pedido de Restituição de ILL, protocolados em 18/07/2002, pagos indevidamente relativos aos anosbases de 1989 e 1990, com DARFs pagos em 30/11/1989, 30/04/1990 e 30/04/1991, cumulados com pedido de compensação. Segundo o Despacho Decisório, de efls. 23, não se tomou conhecimento do pedido de restituição do contribuinte em razão da decadência do direito à restituição do indébito, que se findou após 5 anos do pagamento indevido ou a maior, nos termos do art. 165, I e 168, I do CTN. O contribuinte foi cientificado do referido despacho em 14/10/2005 AR de fl. 26. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que no caso operouse a decadência do direito à restituição, já que ultrapassados os 5 anos da extinção do crédito. Por outro lado, a recorrente alega que a contagem do prazo para pedir restituição do ILL deveria ter como termo inicial a data do pronunciamento oficial da RFB, que se deu por meio da IN 63, de 25/07/1997, que considerou extinto os créditos tributários relativos ao ILL que já tinham sido constituídos em favor da Fazenda Nacional, dessa forma, a decadência somente ocorreria após 5 anos dessa data, o que se daria em 25/07/2002, já que o protocolo se deu em 18/07/2002, o direito não estaria decaído. Passemos aos fatos. Tratamos aqui de pedido de restituição de ILL, apresentado em 18/07/2002, referente a período de 1989 e 1990, ou seja, antes da vigência da LC 118/2005, nesse ponto de se aplicar o decidido pelo RE 566.621, do STF, sob a sistemática do art. 543B, §3º do CPC. bem como aplicar a Súmula CARF 91, aplicandose assim, o prazo decenal: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118 /05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11610.015931/200211 Acórdão n.º 1301003.660 S1C3T1 Fl. 92 5 compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Dessa forma, com a aplicação do prazo decenal contados a partir do fato gerador, que ocorreu em 30/12/1989 e 31/12/1990, temos que se encontram decaídos os pedidos realizados em 18/07/2002, desde finais de 1999 e 2000. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário do contribuinte, e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, em razão da decadência. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11610.015931/200211 Acórdão n.º 1301003.660 S1C3T1 Fl. 93 6 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 11610.015931/200211 Acórdão n.º 1301003.660 S1C3T1 Fl. 94 7 Declaração de Voto Conselheira Bianca Felicia Rothschild, Preliminar Decadência Em relação à preliminar de decadência, a ilustre relatora assim se posicionou em seu voto: Tratamos aqui de pedido de restituição de ILL, apresentado em 18/07/2002, referente a período de 1989 e 1990, ou seja, antes da vigência da LC 118/2005, nesse ponto de se aplicar o decidido pelo RE 566.621, do STF, sob a sistemática do art. 543B, §3º do CPC. bem como aplicar a Súmula CARF 91, aplicandose assim, o prazo decenal: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11610.015931/200211 Acórdão n.º 1301003.660 S1C3T1 Fl. 95 8 “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Dessa forma, com a aplicação do prazo decenal contados a partir do fato gerador, que ocorreu em 30/12/1989 e 31/12/1990, temos que se encontram decaídos os pedidos realizados em 18/07/2002, desde finais de 1999 e 2000. Divergência A posição adotada pela ilustre relatora é posição majoritária e uniforme nesta Turma, tendo meus votos, inclusive, endossado este posicionamento em outras oportunidades. No entanto, amadurecendo a questão, ouso, com data maxima venia, em oferecer algumas reflexões sobre o assunto que me fizeram alterar minhas conclusões sobre o tema para casos específicos, como o ora em julgamento. A questão que reclama solução reside em saber se o contribuinte decaiu ou não do direito de requerer a restituição/compensação do Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido (IRRF/ILL), cujos pagamentos se deram em 30 de novembro de 1989, 30 de abril de 1990 e 30 de abril de 1991, considerando que tal pedido foi efetuado em 18 de Julho de 2002. Entendo que a decadência não atingiu o direito da recorrente, merecendo ser reformado o acórdão recorrido. O IRRF/ILL, previsto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, era tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, pois cabia ao contribuinte verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular e recolher o tributo devido, independentemente de qualquer iniciativa da autoridade administrativa, que apenas homologaria, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A regra geral relativa ao prazo decadência para pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação resulta da interpretação dos artigos 150, § 4", 165, inciso I e 168, inciso I, todos do CTN, os quais estão assim dispostos: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) §4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.'' "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4o do art. 162, nos seguintes casos: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 11610.015931/200211 Acórdão n.º 1301003.660 S1C3T1 Fl. 96 9 I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;'' "Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário. Da conjugação desses dispositivos legais concluise que, como regra, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o contribuinte tem 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para requerer a restituição de exação indevidamente recolhida. Ocorre, que para algumas hipóteses excepcionais, a jurisprudência, inclusive advinda da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tem admitido um novo início de prazo decadencial, que não se confunde com o fato gerador da obrigação tributária. Dentre as exceções consignadas pela jurisprudência, relevante destacar a declaração de inconstitucionalidade de norma tributária proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, a expedição de Resolução do Senado Federal, prevista no artigo 52, inciso X, da Carta Fundamental ou, ainda, o reconhecimento, por parte do poder tributante, de que uma exigência tributária é indevida. Pelo entendimento que sigo, a data em que ocorrer alguma dessas situações é o dies a quo do prazo para que o contribuinte peça a restituição de tributo indevidamente recolhido. A título ilustrativo, cumpre destacar o acórdão CSRF/0104.950, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o qual está assim ementado: DECADÊNCIA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO INICIAL Em caso de conflito quanto à legalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente iniciase: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Recurso conhecido e improvido.'' (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Primeira Turma, Acórdão CSRF/01 04.950, Relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, julgado em 13/04/04) A restituição pretendida no caso concreto está relacionada ao IRRF/ILL, previsto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, nos seguintes termos: "Art. 35. O sócioquotista, o acionista ou titular de empresa individual ficará sujeito ao imposto de renda na fonte, à alíquota de 8% (oito por cento), calculada Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11610.015931/200211 Acórdão n.º 1301003.660 S1C3T1 Fl. 97 10 com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do período base.' No julgamento do Recurso Extraordinário n° 172.0581/SC, o Egrégio STF reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 35 da Lei n° 7.713/88, especificamente no que se refere à expressão "o acionista". Para conferir efeito erga omnes à decisão do STF, suspendendo a execução artigo 35 da Lei n° 7.713/88, no que diz respeito à expressão "o acionista", o Senado Federal fez publicar a Resolução n° 82, em 19/11/1996. Assim, restou reconhecida a inconstitucionalidade da exigência do ILL para as sociedades por ações. Para as demais empresas, que não as sociedades por ações, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa n° 63, em 24/07/1997, em cujo artigo 1 ° está expresso que: "Art. 1o. Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações. Parágrafo único: O disposto neste artigo se aplica às demais sociedades nos casos que o contrato social, na data do encerramento do período base de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado.'' Portanto, a Instrução Normativa n° 63/97 reconheceu o caráter indevido da exigência do ILL para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada, entre outras, desde que o contrato social, na data do encerramento do período base de apuração, não previsse a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. Perfilhando o posicionamento já defendido diversas vezes no âmbito deste Colegiado e diante do fato de que o pleito da recorrente está relacionado com recolhimentos efetuados por sociedade por cotas de responsabilidade limitada, entendo que o dia 25/07/97 data de publicação da IN SRF n° 63 marca o início do prazo decadencial para a busca da devolução dos valores recolhidos a título de IRRF/ILL pois é nesse momento que a Administração Tributária reconhece o caráter indevido do tributo para as demais empresas, que não as sociedades por ações. Princípio da confiança na lei fiscal O professor Alberto Xavier traça preciosas lições de direito acerca da questão relativa ao termo inicial do prazo decadencial aplicável aos casos de reconhecimento de inconstitucionalidade de imposições fiscais, no seu Do Lançamento — Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, Forense, 1998, página 97. Confirase o teor de seus ensinamentos, totalmente aplicáveis à hipótese dos autos: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 11610.015931/200211 Acórdão n.º 1301003.660 S1C3T1 Fl. 98 11 "Devemos, no entanto, deixar aqui consignada a nossa opinião favorável à contagem do prazo para pleitear a restituição do indébito com fundamento em declaração de inconstitucionalidade, a partir da data dessa declaração. A declaração de inconstitucionalidade, na verdade, um fato inovador na ordem jurídica, suprimindo desta, por in validade uma norma que até então nela vigorava com força de lei. Precisamente porque gozava de presunção de validade e tinha, portanto, força de lei, os pagamentos efetuados à sombra da sua vigência foram pagamentos `devidos'. O caráter 'indevido' dos pagamentos efetuados só foi revelado 'a posteriori', com efeitos retroativos, de tal modo que só a partir de então puderam os cidadãos ter reconhecimento do fato novo que revelou o seu direito restituição. A contagem do prazo a partir da data a declaração de inconstitucionalidade é não só corolário do principio da confiança na lei fiscal, fundamento do Estadode Direito, como conseqüência implícita, mas necessária, da figura da ação direta de inconstitucionalidade prevista na Constituição de 1988. Não poderia este prazo ter sido considerado à época da publicação do Código Tributário Nacional, quando tal ação, com eficácia 'erga omnes' não existia. A legitimidade do novo prazo não pode ser posta em causa, pois a sua fonte não é a interpretação extensiva ou analógica de norma infra constitucional, mas da própria Constituição, posto se tratar de conseqüência lógica da própria figura da ação direta de inconstitucionalidade." Dessa forma, tendo em conta que a inconstitucionalidade da exigência de IRRF/ILL das sociedades por cotas de responsabilidade limitada somente foi expressamente reconhecida, pela União Federal (Fazenda Nacional), na data de publicação da Instrução Normativa n° 63/88, ou seja, dia 25/07/1997, dúvidas não devem restar que, naquele momento, começou a correr o prazo qüinqüenal de decadência para os contribuintes pleitearem a devolução dos valores indevidamente pagos por força do disposto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88. Em analisa ao caso concreto, a recorrente protocolizou pedido de restituição em 18/07/2002, relativamente a recolhimentos efetuados no decorrer dos anos de 1989, 1990, 1991, portanto , ao meu ver, não há aferição de decadência. Reconheço, no entanto, inclusive por vinculação obrigatória ao artigo 45 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF Nº 34 de 09 de junho de 2015) que, a partir da alteração de posicionamento do STJ relativo a esta matéria e, posterior, posicionamento do STF no RE 566.621, do STF, sob a sistemática do art. 543B, §3º do CPC, houve alteração da jurisprudência deste colegiado, inclusive do CSRF que gerou, uma vez que pacificada a matéria, edição de Sumula CARF 91: SÚMULA CARF N° 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11610.015931/200211 Acórdão n.º 1301003.660 S1C3T1 Fl. 99 12 Entendo, no entanto, que no caso concreto, não seria caso de aplicação da Sumula 91 pelas especificidades que passo a detalhar abaixo. Princípio da Segurança Jurídica Jurisprudência recente do STF Recentemente, em junho de 2018, o Supremo Tribunal Federal, considerou a tesa acima em ação protocolada antes da alteração de entendimento do STJ em 2004, por força do princípio da Segurança Jurídica, em voto do Ministro Dias Toffoli no ARE 951533. Vejamos: No agravo regimental, defendese, em síntese, que: 1) “o termo inicial do prazo prescricional da ação de repetição de indébito de tributo declarado inconstitucional deve ser a data da decisão desse Eg. STF”; 2) “a modificação na jurisprudência do STJ e dos TRF´s em matéria de prescrição não pode retroagir para considerar prescrita pretensão que não o era à época do ajuizamento da demanda”; 3) “o Poder Judiciário não pode se recusar a apreciar e aplicar lei superveniente ao julgamento nas instâncias ordinárias, reconhecedora do direito do contribuinte”. (...) Com a devida vênia, entendo que a tese de número 2 acima identificada merece ser acolhida, com base diretamente no princípio da segurança jurídica. Vejamos. Conforme consta dos autos, até o julgamento do EREsp nº 435.835/SC, acórdão publicado em 4/6/07, o STJ entendia que o prazo prescricional relativo à pretensão de restituição de tributo declarado inconstitucional tinha início a partir da data da declaração de inconstitucionalidade da exação pelo Supremo Tribunal Federal ou da resolução do Senado Federal. Com o julgamento daqueles embargos de divergência, a Corte Superior mudou sua jurisprudência, passando a consignar que, independentemente de declaração de inconstitucionalidade, deveria prevalecer, para efeito de fixação do prazo prescricional, a tese conhecida como “cinco mais cinco”, isto é, no caso de tributos sujeitos a homologação, cinco anos contados a partir do fato gerador mais cinco anos contados da data da homologação tácita. Em face disso, interpôsse o recurso extraordinário sob a alegação de afronta ao princípio da segurança jurídica, uma vez que a mudança jurisprudencial não teria sido acompanhada de qualquer espécie de regra de adaptação, passando a ser aplicada, de imediato, não só às ações movidas após o referido julgamento, mas também àquelas que já haviam sido ajuizadas, respeitandose o prazo prescricional anteriormente consolidado. Desse modo, por força unicamente daquela guinada jurisprudencial, diversos contribuintes que já haviam ingressado em juízo e contavam com decisões favoráveis nas instâncias ordinárias – observandose o prazo prescricional anterior – teriam visto suas pretensões ser automaticamente fulminadas, apesar de nunca terem ficado inertes. A parte ora recorrente é um desses contribuintes. Resta saber se seria possível a Corte, em sede de recurso extraordinário, conceder, com base diretamente no princípio da segurança jurídica (confiança no tráfego jurídico e acesso à Justiça), espécie de provimento que, ao cabo, resulte em modulação temporal dos efeitos da decisão proferida pelo STJ no julgamento dos embargos de divergência. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11610.015931/200211 Acórdão n.º 1301003.660 S1C3T1 Fl. 100 13 É importante ter em mente que não se pleiteia, por meio da tese ora em discussão, a manutenção ad eternum do entendimento prevalecente na Corte Superior anteriormente ao julgamento daquele caso paradigmático (EREsp nº 435.835/SC). O que se requer é que, com base diretamente no princípio da segurança jurídica, a mudança brusca da jurisprudência acerca do prazo prescricional não alcance a presente ação, a qual estava em curso na data do julgamento ou da publicação do acórdão (4/6/07), questão constitucional passível de análise em sede de recurso extraordinário. (...) Merece ser destacado que, de acordo com aquela orientação anteriormente prevalecente no STJ, o prazo prescricional da ação de repetição de indébito em que se discutia inconstitucionalidade de exação se iniciava com a declaração da inconstitucionalidade do tributo pelo Tribunal Pleno desta Corte, não só em sede de controle abstrato, mas também em sede de controle difuso. (...) Como bem salientou o Ministro Relator Gilmar Mendes, os marcos jurígenos para a contagem do prazo prescricional do direito do contribuinte estão dispostos no Código Tributário Nacional. Todavia, acertadamente ou não, o Superior Tribunal de Justiça, na interpretação dessas normas, criou um marco inicial de prazo prescricional diverso, qual seja, a data da declaração de inconstitucionalidade do tributo pelo STF em controle concentrado ou difuso. Nesse cenário, a aplicação imediata da nova jurisprudência do STJ fixando novos marcos prescricionais a partir de 2004 significou aplicarse retroativamente a nova regra de contagem do prazo prescricional às pretensões já ajuizadas em curso, com ofensa, em meu entender, ao primado da segurança jurídica. Por todo o acima, entendo que não há decadência no caso concreto. Enfim, o contribuinte não tem culpa na demora do julgamento. Se tivesse sido julgado até 2004, data em que a jurisprudência foi radicalmente alterada pelos tribunais superiores, não haveria Sumula CARF 91 e o presente julgamento seguiria a jurisprudência da época. Ressalto que este entendimento deve ser aplicado somente para processos em que a empresa constituída sob a forma de sociedade limitada possua contrato social em que não se preveja imediata disponibilidade jurídica ou econômica dos lucros e cujo protocolo do pedido de restituição/compensação do ILL retido tenha se dado no prazo de cinco anos a contar da publicação da IN 63 de dia 25/07/1997, ou seja, pedidos protocolados até 25/07/2002. Em resumo: 1. Para as sociedades por ações: 5 anos a contar de 19/11/1996 (data de publicação da Resolução do Senado Federal n° 82) 2. Para as sociedades limitadas cujo contrato social não prevê imediata da disponibilidade jurídica ou econômica dos lucros: 5 anos a contar de 25/07/1997 (data de publicação da IN SRF 63) Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11610.015931/200211 Acórdão n.º 1301003.660 S1C3T1 Fl. 101 14 Desta forma, entendo que a tese a ser aplicada tem que ser a mais favorável ao contribuinte. Reforço, que o que se pretende, não seria a manutenção do entendimento do STJ anterior ao julgamento do EREsp nº 435.835/SC, mas apenas, que, em nome do principio da segurança jurídica e da confiança na lei fiscal, que a alteração brusca da jurisprudência não alcance processos que já estavam em curso na data do julgamento do processo que alterou o entendimento já anteriormente pacificado. (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720111/2017-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, ultrapassar as preliminares suscitadas e converter o julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias (relator), Gustavo Guimarães Fonseca e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que, no mérito, davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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Acordam os membros do colegiado, ultrapassar as preliminares suscitadas e converter o julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias (relator), Gustavo Guimarães Fonseca e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que, no mérito, davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Auto de Infração no qual foram constituídos créditos tributários de IRPJ e CSLL, em desfavor da ora Recorrente, Ambev S/A. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 11 1/ 20 17 -7 7 Fl. 28847DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.848 2 Como se depreende do Termo de Verificação Fiscal (fls. 8.911 a 9.092), devidamente autorizado por MPF, a fiscalização constatou supostas infrações cometidas pelo Recorrente, em especial no que tange à tributação dos lucros das suas controladas no exterior. De pronto, como muito bem esclarecido no TVF, devese pontuar que as infrações que serão objeto da presente análise "são concernentes à sociedade incorporada COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS – AMBEV, CNPJ: 02.808.708/000107", que foi incorporada pela Recorrente, AMBEV S/A (CNPJ sob o nº 07.526.557/000100) em Janeiro de 2014. Pelo TVF, podese observar que autuação se baseou em 04 (quatro), das 06 (seis) empresas controladas diretas no exterior da sucedida da Recorrente COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS – AMBEV, CNPJ: 02.808.708/000107 no ano de 2012, sendo que as acusações fiscais podem ser assim resumidas: 1) Lambic AS Empresa com sede na Argentina, sendo a Recorrente detentora 87,10% do capital social. A fiscalização conclui que a empresa, em que pese ter declarado lucro auferido no período, não os ofereceu à tributação, tendo em vista o Tratado para evitar a dupla tributação firmado entre Brasil e Argentina, Contudo, o entendimento do agente autuante é de que o "acordo para evitar a dupla tributação celebrado entre o Brasil e a Argentina não afastava a necessidade de a Ambev disponibilizar, para fim de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os lucros auferidos pela Lambic Holding, em obediência ao que prescreve o artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001". Assim, após demonstrar o câmbio do peso argentino no dia 31/12/2012 e a participação da AMBEV naquele sociedade, concluiu que "tendo em vista que a Ambev não disponibilizou quaisquer valores a título de lucros do exterior apurados em 2012 pela Lambic Holding S.A., serão constituídos de ofício créditos tributários do IRPJ e da CSLL, correspondentes a uma base tributável de R$ 35.248.455,15, em decorrência dos lucros auferidos por essa sociedade argentina". 2) Hohneck Sociedade Anônima Empresa com sede na Argentina, sendo a Recorrente detentora 50,69% do capital social. A fiscalização, com base nas demonstrações financeiras e contábeis fornecidas pela Recorrente e após concluir pela "inexistência de prejuízo anterior a ser compensado com o lucro do ano de 2012 da sociedade argentina", afirma que "os lucros apurados pela Hohneck S.A. antes do imposto de renda no ano calendário de 2012 alcançaram $ 635.481.774 (valor em pesos argentinos)". Conclui, assim, que haveria necessidade de se oferecer os lucros auferidos à tributação, na proporção da participação do capital social da Recorrente naquela sociedade, uma vez que "o acordo para evitar a dupla tributação celebrado entre o Brasil e a Argentina não afastava a necessidade de a Ambev disponibilizar, para fim de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os lucros auferidos pela Hohneck S.A., nos termos do artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001". Portanto, após demonstrar o percentual da participação da Recorrente naquela sociedade e a taxa de câmbio vigente em 31/12/2012, a fiscalização conclui que a "Ambev não disponibilizou quaisquer valores a título de lucros do exterior apurados em 2012 pela Hohneck S.A." e, por isso, afirma que "serão constituídos de ofício créditos tributários do IRPJ e da CSLL, correspondentes a uma base tributável de R$ 134.004.295,87, em decorrência dos lucros auferidos por essa sociedade argentina". Fl. 28848DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.849 3 3) Maltaria Pampa Empresa sediada na Argentina, com participação da Recorrente em 60% do capital social. Do mesmo modo que procedeu com as duas empresas listadas acima, a fiscalização demonstra, no TVF, que, no ano de 2012, "a Malteria Pampa S.A. auferiu nesse exercício um lucro antes do imposto de renda no valor de $ 762.170.117 (valor em pesos argentinos)", que não foram levados à tributação. Assim, a fiscalização afirma, no TVF, "que serão constituídos de ofício créditos tributários do IRPJ e da CSLL, correspondentes a uma base tributável de R$197.874.605,77, em decorrência dos lucros auferidos por essa sociedade argentina." 4) AMBEV Luxemburgo empresa sediada em Luxemburgo, sendo a Recorrente detentora de 89,83% da participação societária. Como se depreende do TVF, mesmo existindo um Tratado firmado com Luxemburgo para evitar a dupla tributação, a Recorrente "disponibilizou, para fim de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, lucros apurados por esta controlada estrangeira no valor de R$ 2.461.457.251,11". A acusação fiscal ainda demonstrou a estrutura da empresa Labatt AS (com sede anterior na Dinamarca), para concluir que "a Labatt AS não foi apenas 'posteriormente denominada Ambev Luxemburgo'. Em verdade, tratavase de sociedade domiciliada na Dinamarca que, em 17/12/2012, transferiu suas participações societárias na Labatt Brewing Company Limited (sociedade canadense), na Quilmes International Bermudas Ltd (sociedade bermudense) e na Ampar BBVA (sociedade belga) para a então recém constituída sociedade luxemburguesa. Ainda em conformidade com a resposta acima transcrita, três dias após essa transferência de ativos, a Labatt AS teria sido liquidada." Assim, após demonstrar todas as operações societárias realizadas pelas empresas coligadas e controladas àquela sociedade, em especial a contabilização de ágios relativos às empresas Labatt Brewing Company Limited e Quilmes International Bermudas Ltd., a fiscalização, considerando a amortização destes ágios como indevidos, concluiu que: 121. Para fim de determinação dos lucros do exterior a serem disponibilizados em 2012 pela Companhia de Bebidas das Américas – Ambev, nos termos da legislação que rege a Tributação em Bases Universais no Brasil, as amortizações dos ágios relativos à Labatt Brewing Company Limited e à Quilmes International Bermudas Ltd não poderiam reduzir os resultados de suas controladas estrangeiras Labatt Holding A/S e Ambev Luxemburgo. Haja vista que tais amortizações reduziram reflexamente os lucros do exterior disponibilizados pela Ambev, impõese a reconstituição de seu resultado fiscal e o lançamento dos correspondentes créditos tributários de IRPJ e de CSLL. Logo após a esta conclusão, a fiscalização tece longo arrozoado no TVF, na tentativa de demonstrar que a contabilização e amortização dos mencionados ágios nos lucros da entidade teriam sido feitos de forma incorreta e ao arrepeio da "legislação brasileira" sobre o tema. Neste sentido, no que tange à empresa afirma Labatt Brewing Company Limited que "mesmo que adotada qualquer uma das duas acepções da 'legislação brasileira' (comercial ou tributária), as amortizações do ágio relativo à cervejaria canadense não podem ser deduzidas na apuração dos lucros das controladas estrangeiras a serem disponibilizados pela controladora no Brasil, justificando as glosas aqui formalizadas. Fl. 28849DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.850 4 Em que pese as peculiariadades da outra operação, a acusação fiscal, no que tange ao ágio da empresa Quilmes International Bermudas Ltd., parte da mesma premissa: a amortização do ágio pela empresa sediada em Luxemburgo se deu ao arrepio da legislação brasileira. Por outro lado, como se depreende do Termo de Verificação Fiscal, houve o indeferimento de compensação dos tributos pagos no exterior, uma que a fiscalização concluiu "pela inexistência de imposto de renda pago no exterior passível de compensação com os créditos de IRPJ e de CSLL ora constituídos, decorrentes da disponibilização de lucros auferidos por controladas no exterior em 2012." Como de não bastasse, em tópico específico daquele TVF, a fiscalização entendeu pela qualificação da multa "sobre os créditos tributários decorrentes das glosas das amortizações do ágio referente à Quinsa." Por fim, a fiscalização demonstrou a "responsabilidade da Ambev S.A. pelos tributos devidos pela sucedida Companhia de Bebidas das Américas – Ambev, bem como a licitude da cominação de multas fiscais que lhe são impostas em decorrência de infrações cometidas pela sociedade incorporada". Devidamente intimada do teor dos Autos de Infração que foram lavrados, a Recorrente apresentou extensa Impugnação Administrativa, sendo resumidos desta forma pelo acórdão recorrido (não irá se transcrever o conteúdo de cada um deles, uma vez que foram bem detalhados no acórdão ora recorrido que foi proferido pela DRJ de Brasília): c) quanto ao art. 74 da MP 2.15835/2001: d) quanto à preliminar de nulidade: e) quanto aos argumentos acerca dos lucros das controladas argentinas (Lambic, Hohneck e Malteria Pampa): e.1) quanto aos ADT firmados pelo Brasil: f) quanto aos argumentos comuns às controladas argentinas e à AMBEV Luxemburgo: e.2) quanto a especificidade do ADT Brasil/Argentina: g) quanto ao direito de compensação dos impostos pagos no exterior pelas controladas argentinas: h) quanto aos argumentos acerca dos lucros da AMBEV Luxembugo: h.1) quanto à nulidade pela confusão indevida dos lucros da LABTT e Ambev Luxemburgo: h.2) quanto ao ADT Brasil/Dinamarca: h.3) quanto ao ADT Brasil/Luxemburgo: h.4) quanto à impossibilidade de questionar os lucros apurados pela LABATT e a AMBEV Luxemburgo: i) quanto ao direito de compensação dos impostos pagos no exterior pela LABATT e AMBEV Luxemburgo: Fl. 28850DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.851 5 j) quanto à multa qualificada: k) quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício Em análise aos argumentos e fundamentos apresentados em sede de Impugnação, a douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento entendeu por bem deferir parcialmente o pleito do contribuinte, recebendo o acórdão proferido a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 CONVENÇÃO BRASILARGENTINA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO E PREVENIR A EVASÃO FISCAL. TRIBUTAÇÃO DE CONTROLADAS. INTERPRET AÇÃO DA ISENÇÃO SOBRE PAGAMENTO DE DIVIDENDOS. Por força do disposto no art. 7º da Portaria MF 341/11 c/c o art. 9º da IN RFB 1.396/13, este Colegiado está vinculado às decisões da COSIT exaradas em Soluções de Consulta. A Solução de Consulta nº 400 Cosit, de 2017, firmou o entendimento que a isenção prevista no artigo XXIII, parágrafo 2, do ADT Brasil/Argentina não se aplica ao IRPJ devido em razão do art. 74 da MP 2.15835/2001, por controladora no Brasil sobre a receita de participação nos lucros de controlada na Argentina. TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. CONTROLADA EM LUXEMBURGO. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. INAPLICABILIDADE DA LEI BRASILEIRA. As demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicílio (art. 6º da IN 213/02). A tributação em base universais (TBU) introduzida pela Lei 9.249/95 significa apenas que as receitas da pessoa jurídica domiciliada no Brasil auferidas em qualquer parte do mundo serão tributadas no Brasil, mas não dá competência ao Fisco brasileiro para auditar as contas de uma pessoa jurídica domiciliada no exterior e, pior, fazendo o à luz da sua interpretação da lei brasileira. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com o que restou decidido naquele julgado da DRJ de Brasília, notadamente na parte em que foi mantido o crédito tributário constituído pela fiscalização, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário a este colegiado, no qual repisa os argumentos apresentados em sua Impugnação Administrativa. Como houve exoneração de parte do crédito tributário pela DRJ de Brasília, foi apresentado Recurso de Ofício a esta colegiado, devolvendose a discussão a esta instância de julgamento na parte em que o Recorrente teve êxito em seu apelo. Fl. 28851DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.852 6 A douta Procuradoria da Fazenda Nacional, às fls. 28.798 a 28.844, apresentou contrarrazões, na qual, após rebater os argumentos do Recorrente, faz requerimento para que "seja negado provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte". Este é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente AMBEV S/A foi intimado do teor do acórdão recorrido, via intimação eletrônica, em 07/03/2018 (fl. 27.269), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 06/04/2018 (comprovante de fl. 27.631 e 27.632), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, uma vez que cumpre os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser analisado por este colegiado. DA MATÉRIA POSTA EM DISCUSSÃO Pelo o que restou acima demonstrado, para fins didáticos, as matérias de mérito, das quais se tratará a seguir podem ser divididas da seguinte forma: i) Suposto erro cometido pela fiscalização, tendo em vista a impossibilidade de questionamento do lucro apurado pela investida no exterior (AMBEV Luxemburgo) Recurso de Ofício. ii) Aplicação do tratado para evitar a dupla tributação assinado pelo Brasil com a Argentina (Decreto nº 87.976, de 22 de Dezembro de 1982), em detrimento do que preconiza o artigo 74 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001. Empresas Lambic AS; Hohneck Sociedade Anônima e Maltaria Pampa. iii) exclusão da reserva legal do lucro tributável; iv) compensação dos impostos pagos no exterior; v) incidência dos juros sobre as multas aplicadas. Antes, contudo, de se analisar estes temas, se faz necessário analisar as duas preliminares, que são prejudiciais à discussão de mérito, apresentadas pelo Recorrente no Recurso Voluntário. DAS PRELIMINARES DA ILEGITIMIDADE DA DISPONIBILIZAÇÃO FICTA DO ART. 74 DA MP 2158 35/2001 – VIOLAÇÃO AO CTN E CF/88. Fl. 28852DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.853 7 Em sede preliminar, a Recorrente afirma que "o julgamento do RE 541.090/SC não representa em absoluto o posicionamento final do Supremo Tribunal Federal a respeito da validade da regra do art. 74 da MP 2.15835/2001 quanto às controladas situadas em países não sujeitos a regime de tributação privilegiada, como é o caso, pendendo essa questão de decisão perante o Supremo Tribunal Federal". Com esta afirmação, alega, em síntese, que não poderia prevalecer a constituição de crédito tributário de lucro auferido por controlada não domiciliada em paraíso fiscal com base no disposto no artigo 74 daquela MP. Contudo, a mesma Recorrente aduz que não desconhece o fato de não poder "o julgador administrativo afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade a não ser após sua declaração pelo Supremo Tribunal Federal". No presente caso, como será demonstrado ao longo deste voto, em que pese não ter sido alcançada, no plenário do Supremo Tribunal Federal, a maioria de votos no julgamento da ADI 2.588/DF (cujo entendimento foi posteriormente ratificado pelo RE nº 541.090/SC), no ponto em que se discutia a possibilidade de se tributar o lucro auferido por controladas não domiciliadas em paraísos fiscais, não houve a declaração de inconstitucionalidade daquele dispositivo por parte da Suprema Corte. Assim, na restrita análise que compete a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não se pode desprezar o comando legal, sob pena, inclusive, de se ferir o que preceitua a Súmula CARF nº 02, in verbis: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". E a própria Recorrente afirma isso como demonstrado, aduzindo, ainda, que a preliminar foi invocada, para "que não reste preclusa a questão caso o E. Supremo Tribunal Federal venha futuramente a declarar a inconstitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, hipótese em que deverá o julgador administrativo observar tal decisão (§ 6º inciso I do art. 26A do Decreto nº 70.235/72)". Como não houve, até o momento, qualquer declaração de inconstitucionalidade, com efeito erga omnes, do dispositivo da MP 2.15835, no ponto de controvérsia dos presentes autos, REJEITASE a preliminar de nulidade invocada no Recurso Voluntário. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO REALIZADO EM DESACORDO COM O CRITÉRIO JURÍDICO FIXADO EM AUTUAÇÃO ANTERIOR (ART. 146 DO CTN) E COM A LEGISLAÇÃO EM VIGOR. Em outra preliminar lançada no Recurso Voluntário, a Recorrente alega que houve "a ocorrência no caso concreto de modificação introduzida de ofício pela autoridade fiscal no critério jurídico adotado no lançamento anterior", tendo em vista que " na qualidade de sucessora por incorporação da empresa Eagle Distribuidora de Bebidas S.A. (doc. 02 da defesa), já sofreu no passado outra fiscalização tendo por objeto a tributação de lucros auferidos por suas controladas no exterior, sendo que no processo nº 16327.000530/200528 foi adotado pelo ilustre fiscal autuante, conforme decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, critério de lançamento totalmente diverso daquele introduzido nos presentes autos, a ensejar a nulidade do lançamento por violação ao artigo 146 do Código Tributário Nacional." Fl. 28853DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.854 8 O argumento da Recorrente, em síntese, é de que o entendimento que prevaleceu na autuação dos autos do processo de nº 16327.000530/200528 confirmado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF seria pelo acerto do lançamento que "teria tributado individualizadamente os lucros de cada controlada indireta, e que seria este o procedimento correto de acordo com a legislação aplicável." Assim, a Recorrente defende, com base no disposto do artigo 146 do CTN, que, no presente caso, haveria nulidade na autuação, uma vez que a fiscalização, ao constituir o crédito tributário em seu desfavor, "não realizou o lançamento apurando individualizadamente o lucro de cada controlada indireta, mas sim procedeu exatamente de acordo com a segunda metodologia que o v. acórdão da CSRF consignou expressamente não ser aquela pela qual optou o legislador: apurou o lançamento apenas do lucro auferido por cada controlada direta, que consolida os resultados de suas investidas por equivalência patrimonial". De fato, o artigo 146 do CTN preceitua que a mudança do critério jurídico, introduzida de ofício ou em consequência de decisão de autoridade administrativa ou judicial, só pode ser realizada para fatos geradores ocorridos após a alteração do entendimento. Vejase a redação do dispositivo: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução Contudo, com toda venia, entendese como mais restritiva a aplicação do mencionado dispositivo, não tendo o alcance pretendido pelo Recorrente. É que, se o agente fiscal, em face de uma decisão judicial ou administrativa, alterasse os critérios jurídicos de um lançamento considerado, por exemplo, nulo e efetivasse novo lançamento, sobre os mesmo fatos geradores, mas com critérios distintos, estarseia em flagrante ofensa ao que preceitua o artigo 146 do CTN citado acima. Os ensinamentos de Alberto Xavier são neste norte: O Artigo 146 nada mais é, pois, que simples corolário do princípio da não retroatividade, extensível às normas complementares, limitandose a esclarecer que os lançamentos já praticados à sombra de 'velha interpretação' não podem ser revistos com fundamento em 'nova interpretação'. Reparese que o artigo 146 pressupõe que, antes da modificação operada nos critérios jurídicos, tenha sido previamente praticado um ato individualizado de lançamento, caso contrário não se justificaria a referência a 'um mesmo sujeito passivo' . O que o artigo 146 pretende é precisamente que os atos administrativos concretos já praticados em relação a um sujeito passivo não possam ser alterados em virtude de uma alteração dos critérios genéricos da interpretação da lei já aplicada. Assim, como corolário da garantia genérica em favor de todos os sujeitos passivos de não aplicação retroativa da lei e de interpretação superveniente, constante do artigo 144, o artigo 146 explicita a garantia subjetiva em favor de cada sujeito passivo individualmente considerado de que a interpretação superveniente não pode conduzir à modificação do lançamento que o tenha como destinatário. Esta é também a solução consagrada pela LPAF (Lei 9.784/98), que dispõe no seu art. 2º, inciso XIII, ser 'vedada aplicação Fl. 28854DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.855 9 retroativa de nova interpretação (Xavier, Alberto. Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro, p. 277) Neste sentido, não se pode perder de vista que a imutabilidade do lançamento é decorrente do princípio da segurança jurídica, que, para alguns autores, dentre eles o professor Paulo de Barros Carvalho, é um sobreprincípio que deve nortear todo o ordenamento jurídico. Contudo, no presente caso, se houve mudança no critério jurídico, esta foi feita para valorar fatos geradores posteriores aos que anteriormente haviam sido analisados pela fiscalização. Não houve aplicação pretérita, tampouco aplicação de entendimentos distintos para os mesmo fatos geradores. Por outro lado, em que pese a Recorrente afirmar que, no presente caso, a fiscalização aplicou entendimento contrário do que havia sido proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (entendimento, inclusive, oposto ao que defendia a Recorrente), como muito bem assentado no acórdão da DRJ, as decisões daquele órgão julgador não vinculam a administração pública, tampouco as instância de julgamento administrativo a quo (DRJ's e Turmas Ordinárias do CARF). Assim, a irresignação da Recorrente não merece acolhida, uma vez que não há qualquer nulidade na autuação, que se baseia em outros argumentos para fundamentar a constituição do crédito tributário, mesmo que estes argumentos sejam diferentes de outro lançamento em face do contribuinte, mas de períodos pretéritos. Portanto, também REJEITASE a preliminar de nulidade do lançamento por suposta alteração dos critérios jurídico, como aduzido no Recurso Voluntário. DO MÉRITO DO RECURSO DE OFÍCIO ITEM "i" IMPOSSIBILIDADE DE QUESTIONAMENTO DO LUCRO APURADO PELA INVESTIDA NO EXTERIOR. Como se depreende do acórdão recorrido, a decisão final que prevaleceu no colegiado da DRJ de Brasília foi de exonerar parte do crédito tributário, uma vez que entendeu se que "ao Fisco brasileiro, cabe apenas verificar qual o lucro apurado pela investida no exterior, conforme a legislação do país de domicílio (...)". Assim, aquela DRJ concluiu que: Como se vê, todo o enorme trabalho fiscal neste ponto partiu de uma premissa totalmente equivocada, ao entender que demonstrações financeiras de pessoas jurídicas domiciliadas no exterior poderiam ser auditadas pelo Fisco brasileiro e à luz da sua interpretação da lei brasileira, razão pela qual voto por dar provimento à impugnação neste ponto, para excluir das bases tributáveis os valores de: a) R$ 726.694.307,81, decorrente da glosa das despesas de amortização do ágio relativo à Labatt Brewing Company Limited nas demonstrações financeiras das Labatt Holding e Ambev Luxemburgo (vide tabela a fls. 9027); b) R$ 30.322.233,27, decorrente da glosa das despesas de amortização do ágio relativo à Quilmes International Bermudas Ltd nas demonstrações financeiras das Labatt Holding e Ambev Luxemburgo (vide tabela a fls. 9027). Fl. 28855DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.856 10 Como a multa qualificada incidiu apenas sobre a CSLL e o IRPJ incidentes sobre essas bases que ora voto por excluir das bases tributáveis, consequentemente, o meu voto importa em cancelamento das multas qualificadas. Como o crédito tributário exonerado supera o valor de alçada de R$2.500.000,00, nos termos da Portaria MF nº 63/2017, o Recurso de Ofício interposto deve ser conhecido e analisado por este colegiado. Como se depreende do Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização entendeu que, supostamente, estariam equivocadas as demonstrações contábeis da empresa com sede em Luxemburgo, sob o argumento de que, em síntese, seriam indevidas as despesas de ágio registradas pela Labatt Holding A/S e pela Ambev Luxemburgo. Por isso, o lucro desta entidade seria maior do que aquele registrado no balanço. Balanço este devidamente auditado por empresa independente. Assim, no Auto de Infração foram constituídos créditos tributários, de acordo com o entendimento da fiscalização de como deveria ter sido apurado o lucro da empresa sediada em um primeiro momento na Dinamarca e posteriormente em Luxemburgo, mais especificamente: entendeu o douto fiscal que se aplicaria, na apuração daquele lucro, o que dispõe a legislação brasileira. Em sua Impugnação (fls. 9.103 e seguintes), a Recorrente defendeu, em síntese, que "segundo as normas legais e infralegais que disciplinam o regime de Tributação em Bases Universais o lucro das controladas no exterior, a ser tido como disponibilizado à controladora brasileira, é aquele apurado com base nas normas da legislação comercial do país de domicílio das controladas, sendo incabível qualquer ajuste com base nas normas comerciais ou tributárias brasileiras." E, neste ponto, assiste razão à Recorrente. Como será demonstrado ao longo deste voto, o Fisco brasileiro, com a promulgação da Lei nº 9.249/95, mais especificamente com a redação dada ao artigo 25 deste diploma legal, abandona de vez o critério da territorialidade da tributação da renda, adotando o princípio da "tributação em bases universais" (TBU). Assim, independentemente de todas as discussões que se iniciaram a partir daí, não se pode desprezar a mudança do contexto e a possibilidade de a Fazenda Nacional fazer incidir tributos sobre a renda auferida por entidades com domicílio no exterior, mas ligadas às empresas brasileiras (fazendose a ressalva quanto às limitações quando existem Tratado para evitar Dupla Tributação, como explorado acima). Contudo, mesmo com a abertura dessa possibilidade de tributação universal, não houve autorização para uma "fiscalização universal", ou seja, não foi estendida a competência dos auditores da Receita Federal do Brasil, ao ponto de estes poderem interpretar a legislação estrangeira e aplicála de acordo com o seu entendimento e com fundamento na legislação brasileira. Com toda venia, mesmo que fosse dada esta autorização (o que é ilógico), não teriam estes auditores capacidade técnica de analisar e interpretar as legislações existentes nos mais de 190 países do mundo. Para cumprir o primado da tributação com bases universais, ao Fisco Federal é franqueada apenas a possibilidade de verificar qual o lucro auferido pela empresa estrangeira, nos termos da legislação onde tem domicílio a entidade no exterior, mas nunca, reiterese, Fl. 28856DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.857 11 contestar aquele lucro com base na legislação brasileira. Este é, inclusive, o comando do artigo 6º da Instrução Normativa nº 213/02. Vejase a redação do dispositivo: Art. 6º As demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicílio. § 1º Nos casos de inexistência de normas expressas que regulem a elaboração de demonstrações financeiras no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada, estas deverão ser elaboradas com observância dos princípios contábeis geralmente aceitos, segundo as normas da legislação brasileira. O que se depreende da leitura do artigo transcrito, mais especificamente do parágrafo primeiro, é que só seria possível analisar e contestar as demonstrações financeiras das entidades domiciliadas no exterior, caso não existissem normas locais (do país estrangeiro) que regulassem como estas demonstrações deveriam ser elaboradas. Não é o caso, entretanto, de Luxemburgo, onde tem sede a empresa Ambev Luxemburgo. Por outro lado, não se sustenta a argumentação tecida no TVF, no sentido de que, da leitura do art. 25, da Lei nº. 9.249/95, "depreendese do inciso I do dispositivo antes transcrito que os lucros auferidos por sociedade controlada devem ser apurados segundo as normas da legislação brasileira. De acordo com o inciso II desse mesmo dispositivo, esses lucros – apurados segundo as normas da legislação brasileira – devem ser adicionados ao lucro líquido da controladora, na proporção de sua participação, para a apuração do seu resultado fiscal". Esta conclusão, como se verifica ao longo daquele Termo, advém de uma interpretação literal o art. 25, §2º, I, da Lei nº. 9.249/95, que tem a seguinte redação: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (...) § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; Contudo, entendese, com toda venia, que demonstração não se confunde com apuração. E este entendimento é, inclusive, corroborado com a leitura do caput do artigo 6º da IN/SRF nº 213/02 em conjunto com o § 2º do mesmo artigo (destacase que a IN 38/96 tinha esta mesma redação). Confirase o que dispõe o § 2º: § 2º As contas e subcontas constantes das demonstrações financeiras elaboradas pela filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, depois de traduzidas em idioma nacional e convertidos os seus valores em Reais, deverão ser classificadas segundo as normas da legislação Fl. 28857DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.858 12 comercial brasileira, nas demonstrações financeiras elaboradas para serem utilizadas na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Vejase que os dispositivos tratam de coisas e momentos diversos, não se podendo admitir e encampar a interpretação dada pela fiscalização. Em síntese, o 'caput' do dispositivo determina a adoção das normas da legislação comercial do país de domicílio quando da realização das demonstrações financeiras das controladas. E o § 2º acima transcrito estatui que as contas e subcontas daquelas demonstrações financeiras sejam classificadas nos termos da legislação comercial brasileira. E não poderia ser outra a interpretação do dispositivo que apenas regulamenta o que dispõe a legislação, em especial aquela que trata da Tributação em Bases Universais, uma vez que a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. (antiga "Lei de Introdução ao Código Civil"), positivada através do DecretoLei nº 4.657/42, preceitua em seus artigos 9º e 11 o seguinte. Art. 9º Para qualificar e reger as obrigações, aplicarseá a lei do país em que se constituírem. (...) Art. 11. As organizações destinadas a fins de interesse coletivo, como as sociedades e as fundações, obedecem à lei do Estado em que se constituírem. Não há dúvidas na leitura destes dispositivos: obrigações são regidas pelas leis vigentes do país onde esta mesma obrigação for constituída, sendo obrigatório às sociedades obedecerem "à lei do Estado em que se constituirem." Assim, é ilógico pensar, como mencionado acima, que o Fisco brasileiro teria como questionar a apuração do lucro auferido por entidade com domicílio no exterior e o que é pior: aplicar a legislação brasileira para afirmar que houve erro na apuração do lucro auferido pela empresa estrangeira. A esta mesma conclusão chegou o acórdão proferido pela DRJ de Brasília, que, após citar as ilações da fiscalização constantes no TVF, assim se pronunciou: O equívoco da Fiscalização está estampado nesses últimos parágrafos acima transcritos, pois a AMBEV Luxemburgo e a Labatt Holding não são contribuintes brasileiras nem se subordinam à legislação nacional, logo, não poderia o autuante auditar as suas demonstrações financeiras à luz da legislação brasileira. Tratase de um rotundo equívoco, pois a tributação em base universais (TBU) introduzida pela Lei 9.249/95 significa apenas que as receitas da pessoa jurídica domiciliada no Brasil auferidas em qualquer parte do mundo serão tributadas no Brasil, mas tal lei não poderia jamais dar competência ao Fisco brasileiro para auditar as contas de uma pessoa jurídica domiciliada no exterior e, pior, fazendoo à luz da interpretação que o Fisco brasileiro tenha da lei brasileira. Fl. 28858DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.859 13 Ao Fisco brasileiro, cabe apenas verificar qual o lucro apurado pela investida no exterior, conforme a legislação do país de domicílio, o que está explícito nas Instruções Normativas 213/02: (...) Portanto, por ausência completa de competência do Fisco brasileiro de aplicar a legislação brasileira na apuração dos lucros auferidos pela empresa controlada com sede em Luxemburgo, não se sustenta a autuação que constituiu créditos tributários em face da Recorrente, devendo ser mantido o acórdão proferido pela DRJ de Brasília (DF). Neste ponto, NEGASE PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. ITEM "ii" DA APLICAÇÃO DOS TRATADOS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO EM DETRIMENTO DO QUE PRECONIZA O ARTIGO 74 DA MP 215835/2001. DOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS E DAS PREMISSAS PARA ANÁLISE DA DEMANDA. Primeiramente, antes de se analisar os argumentos da Recorrente lançados em seu Recurso Voluntário, para se verificar se há ou não razão no lançamento combatido, cumpre verificar os pressupostos da legislação e fixar algumas premissas. Neste ponto, inclusive, de partida, são de grande valia as colocações do Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Napoleão Nunes Maia Filho, no voto proferido nos autos do Resp nº 1.325.709/RJ, que assim argumenta: Em síntese, o que é possível concluir é que o propósito de evitar evasão fiscal não legitima a infração aos ditames das garantias subjetivas do contribuinte, bem como aos conceitos básicos do sistema tributário, inclusive a preservação dos Tratados Internacionais, que trazem, como se sabe, as normas que devem reger a sua própria interpretação; assim, certos conceitos, essenciais à compreensão de sua inteireza positiva (essa expressão é do Professor PINTO FERREIRA) são ministrados no seu próprio texto, neste caso, o conceito de renda tributável. Pois bem. Com base neste entendimento, é que se analisará os pressupostos do ordenamento jurídico, em especial da legislação nacional e dos Tratados firmados pela República Federativa do Brasil, que dispõem sobre a possibilidade (ou impossibilidade) de tributação dos lucros auferidos pelas controladas e coligadas de empresas brasileiras que são domiciliadas no exterior, bem como o entendimento dos Tribunais. Historicamente, o Estado brasileiro, desde o início da cobrança do Imposto sobre a renda, que se deu em 1924, através do Decreto nº 16.581/24, sempre tributou a renda auferida no território nacional (critério da territorialidade), ou seja, o Imposto sobre a renda não alcançava os rendimento e ganhos obtidos no exterior, independente do grau de vínculo (sucursal, filial, empresas coligas ou controladas) da entidade localizada em outro país com a entidade brasileira. Após algumas tentativas de se alterar a forma de tributação, em especial pelas modificações legislativas ocorridas nos anos de 1987 e 1988 (vide decretos 2.397/87, 2.413/88, 2.413/88 e 2.429/88), só com a redação dada ao artigo 25, da Lei 9.259/95, é que o sistema Fl. 28859DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.860 14 tributário brasileiro abandona de vez o critério da territorialidade, adotando o princípio da "renda mundial" ou da "tributação em bases universais". Neste sentido, como ensina Marciano Seabra de Godoi, "pelo critério da renda mundial, os Estados soberanos tributam tanto as rendas produzidas por seus residentes nos limites de seu território, quanto a renda produzida por seus residentes fora dos limites do seu território" (GODOI, Marciano de Godoi. A Nova Legislação sobre Tributação de Lucros Auferidos no Exterior (Lei 12.973/2014) como resultado do Diálogo Institucional Estabelecido entre o STF e os Poderes Executivos e Legislativo da União. In Grandes questões atuais do direito tributário. 18º Volume. São Paulo: Dialética, 2014. Pág. 278.) A mudança na forma de tributação e o alcance que a norma pretendia dar foram motivos de críticas de grande parte da doutrina, o que forçou, s.m.j, o ente competente para instituir e cobrar o Imposto sobre a renda União Federal a alterar a legislação anteriormente posta, dispondo, a Lei nº 9.532/97, que o imposto só teria incidência, em síntese, quando da disponibilização às sociedades residentes no Brasil dos lucros auferidos. Entretanto, sobreveio, em 2001, a edição da Lei Complementar 104, acrescentando dois parágrafos no artigo 43 do Código Tributário Nacional, que passou a ter a seguinte redação: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (destacouse) Com essa modificação legislativa, em especial com a redação dada ao parágrafo 2º transcrito acima, houve o entendimento, por parte da União Federal, de que a adoção do critério da universalidade da renda, para fins de incidência do IR, estaria definitivamente autorizada pelo ordenamento jurídico pátrio, podendo, de fato, o legislador ordinário trazer as hipóteses em que se dariam a tributação das empresas localizadas no exterior, em especial, as controladas e coligadas. Assim, foi editada a MP 2.158/2001, que em seu artigo 74 determinava que "os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma de regulamento". Neste ponto, se vale, mais uma vez, dos ensinamentos de Marciano Seabra de Godoi, que, após discorrer sobre a edição daquela MP, assim se posiciona sobre a mudança legislativa então ocorrida: Fl. 28860DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.861 15 "Portanto, a primeira database definida para a imputação dos lucros foi 31 de dezembro de 2002. Menos de três meses antes dessa data, a Secretaria da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 213. No art. 7º dessa Instrução Normativa, determinouse que a tributação dos lucros auferidos no exterior se realizasse por intermédio dos ajustes dos valores dos investimentos conforme o método da equivalência patrimonial. Nos termos do parágrafo 1º do art. 7º, 'os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do anocalendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL'. Segundo o art. 8º da mesma Instrução Normativa, os lucros decorrentes dos investimentos que a legislação comercial (lei das Sociedades por ações) não mandar avaliar pelo método de equivalência patrimonial continuariam a ser tributados pelo imposto brasileiro somente na proporção em que ocorresse sua disponibilização (crédito ou pagamento do lucro) para a empresa investidora". (GODOI, Marciano de Godoi. A Nova Legislação sobre Tributação de Lucros Auferidos no Exterior (Lei 12.973/2014) como resultado do Diálogo Institucional Estabelecido entre o STF e os Poderes Executivos e Legislativo da União. In Grandes questões atuais do direito tributário. 18º Volume. São Paulo: Dialética, 2014. Pág. 282 e 283). Feita essa breve contextualização histórica quanto à tributação com bases universais pela sistema tributário brasileiro, sem, contudo, ter a pretensão de se esgotar o tema, em especial, acerca das mudanças imposta pela Lei 12.973/2014 no ordenamento jurídico pátrio, cumpre registrar que a redação do artigo 74 da MP 2.158/2001 foi objeto de diversas críticas da doutrina e de questionamentos dos contribuinte junto ao Poder Judiciário. A discussão judicial desaguou, como não poderia deixar de ser, no Supremo Tribunal Federal, que, através da ADIN 2.588, julgou a (in)constitucionalidade do malfadado artigo 74. No julgamento, que durou mais de 10 anos, com intenso debate entre os Ministros e a confecção de longos acórdãos, não se chegou a uma maioria de votos em diversos pontos da discussão. A ementa do julgado recebeu a seguinte redação: Ementa: TRIBUTÁRIO. INTERNACIONAL. IMPOSTO DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PARTICIPAÇÃO DE EMPRESA CONTROLADORA OU COLIGADA NACIONAL NOS LUCROS AUFERIDOS POR PESSOA JURÍDICA CONTROLADA OU COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO QUE CONSIDERA DISPONIBILIZADOS OS LUCROS NA DATA DO BALANÇO EM QUE TIVEREM SIDO APURADOS (“31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO”). ALEGADA VIOLAÇÃO DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA (ART. 143, III DA CONSTITUIÇÃO). APLICAÇÃO DA NOVA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO TRIBUTO PARA A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS APURADA EM 2001. VIOLAÇÃO DAS REGRAS DA IRRETROATIVIDADE E DA ANTERIORIDADE. MP 2.15835/2001, ART. 74. LEI 5.720/1966, ART. 43, § 2º (LC 104/2000). 1. Ao examinar a constitucionalidade do art. 43, § 2º do CTN e do art. 74 da MP 2.158/2001, o Plenário desta Suprema Corte se dividiu em quatro resultados: 1.1. Inconstitucionalidade incondicional, já que o dia 31 de dezembro de cada ano está dissociado de qualquer ato jurídico ou econômico necessário ao pagamento de participação nos lucros; 1.2. Fl. 28861DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.862 16 Constitucionalidade incondicional, seja em razão do caráter antielisivo (impedir “planejamento tributário”) ou antievasivo (impedir sonegação) da normatização, ou devido à submissão obrigatória das empresas nacionais investidoras ao Método de de Equivalência Patrimonial – MEP, previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, art. 248); 1.3. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade dos textos impugnados apenas em relação às empresas coligadas, porquanto as empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada; 1.4. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas sediadas em países de tributação normal, com o objetivo de preservar a função antievasiva da normatização. 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); 2.3. A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.15835/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001. Ação Direta de Inconstitucionalidade conhecida e julgada parcialmente procedente, para dar interpretação conforme ao art. 74 da MP 2.15835/2001, bem como para declarar a inconstitucionalidade da clausula de retroatividade prevista no art. 74, par. ún., da MP 2.158/2001.(ADI 2588, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Relator(a) p/ Acórdão: Min. JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Pleno, julgado em 10/04/2013, DJe027 DIVULG 07022014 PUBLIC 10022014 EMENT VOL0271901 PP00001) Pelo o que se observa da ementa e, em especial, dos votos proferidos pelos Ministros, podese sintetizar as conclusões a que chegou o Supremo Tribunal Federal da seguinte forma: Investida Localização Validade do artigo 74 da MP 2.158/01 Eficácia "erga omnes" e efeito vinculante Jurisdição normal Inconstitucional Sim Coligadas Paraíso Fiscal Constitucional (não alcançou a maioria) Não Jurisdição normal Constitucional (não alcançou a maioria) Não Controladas Paraíso Fiscal Constitucional Sim Ainda, da análise das decisões e do quadro acima, cumpre registrar que o Supremo Tribunal Federal chegou a três importantes conclusões no julgamento da ADIN 2.588, quais sejam: Fl. 28862DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.863 17 1) Há que se diferenciar a tributação das investidoras com investidas com sede em paraísos fiscais, daquelas com sede em países com tributação normal. 2) Controladas e coligadas devem ter tratamento distinto; e 3) O princípio da irretroatividade, no caso da renda obtida no exterior, deve ser respeitado. No que importa para o caso em análise, como se verifica do quadro acima, o Supremo Tribunal Federal não chegou a uma maioria vinculativa no que tange aos lucros de controladas não domiciliadas em “paraíso fiscal”, nem para com lucros de coligadas domiciliadas em “paraíso fiscal”. Estáse diante de lucros de controladas não domiciliadas em “paraíso fiscal”. Como se sabe, contudo, mesmo não havendo um efeito vinculante, neste ponto, na decisão do STF, a este órgão é defeso se manifestar sobre constitucionalidade de norma legal, conforme Súmula CARF nº 2. Assim, a princípio, estava vigente e válido, à época dos fatos imponíveis, o disposto no artigo 74, da MP 2.158/01, que diz que o momento da tributação das controladas domiciliadas em países sem tributação favorecida seria aquele em que os lucros fossem disponibilizados nos balanços das entidades. Contudo, não foi objeto de análise, por parte daquela Corte, a implicação ou aplicação do disposto na MP no caso de a entidade controlada ser domiciliada em países que firmaram Tratados para evitar a dupla tributação da renda com a República Federativa do Brasil. Esta ausência de análise por parte do STF é clara quando se verifica o excerto da decisão proferida nos autos do Recurso Extraordinário nº 541.090, em que também se discutia a (in)constitucionalidade do artigo 74 da MP 2.158/01. Vejase: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, deu parcial provimento ao recurso extraordinário para considerar ilegítima a tributação retroativa, nos termos do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/2001, vencidos os Ministros Joaquim Barbosa (Relator), Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello. Determinado o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que se pronuncie sobre a questão atinente à vedação da bitributação baseada em tratados internacionais, vencido o Ministro Dias Toffoli, não havendo se manifestado, no ponto, o Ministro Marco Aurélio. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Redigirá o acórdão o Ministro Teori Zavascki, que reajustou seu voto. Impedido o Ministro Luiz Fux. Plenário, 10.04.2013. (destacouse) No que se refere aos tratados, as suas implicações e a sua hierarquia dentro do ordenamento jurídico brasileiro, o Superior Tribunal de Justiça tem inúmeros julgados que exploram o tema, como também Supremo Tribunal Federal. Não se entrará aqui, até mesmo para não se perder o foco da autuação, na discussão que se dá entre os aderentes do sistema monistas ou dualistas dos ordenamentos jurídicos e, principalmente, na discussão doutrinária acerca do status dos Tratados firmados pelo Brasil, ou seja, se os Tratados se equiparariam às leis ordinárias ou às leis complementares. Fl. 28863DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.864 18 No presente voto, aceitase como premissa que os tratados integram a ordenamento jurídico e eventual conflito com normas internas deverão ser solucionadas de acordo com os critérios cronológicos e da especialidade, como se observa do julgado abaixo proferido pelo Supremo Tribunal Federal: E M E N T A: EXTRADIÇÃO CRIMES DE CORRUPÇÃO PASSIVA E DE CONCUSSÃO DISCUSSÃO SOBRE MATÉRIA PROBATÓRIA INADMISSIBILIDADE DERROGAÇÃO, NESTE PONTO, DO CÓDIGO BUSTAMANTE (ART.365, 1, IN FINE), PELO ESTATUTO DO ESTRANGEIRO PARIDADE NORMATIVA ENTRE LEIS ORDINÁRIAS BRASILEIRAS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS PROCESSO EXTRADICIONAL REGULARMENTE INSTRUÍDO JURISDIÇÃO PENAL DO ESTADO REQUERENTE SOBRE OS ILÍCITOS ATRIBUÍDOS AOS EXTRADITANDOS JULGAMENTO DA CAUSA PENAL, NO ESTADO REQUERENTE, POR TRIBUNAL REGULAR E INDEPENDENTE RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO PENAL EXTRAORDINÁRIA CONCERNENTE AO DELITO DE CORRUPÇÃO PASSIVA ACOLHIMENTO PARCIAL DA POSTULAÇÃO EXTRADICIONAL UNICAMENTE QUANTO AO CRIME DE CONCUSSÃO PEDIDO DEFERIDO EM PARTE. CÓDIGO BUSTAMANTE ESTATUTO DO ESTRANGEIRO (...) A normatividade emergente dos tratados internacionais, dentro do sistema jurídico brasileiro, permite situar esses atos de direito internacional público, no que concerne à hierarquia das fontes, no mesmo plano e no mesmo grau de eficácia em que se posicionam as leis internas do Brasil. A eventual precedência dos atos internacionais sobre as normas infraconstitucionais de direito interno brasileiro somente ocorrerá presente o contexto de eventual situação de antinomia com o ordenamento doméstico , não em virtude de uma inexistente primazia hierárquica, mas, sempre, em face da aplicação do critério cronológico (lex posterior derogat priori) ou, quando cabível, do critério da especialidade. Precedentes. (...) .(Ext 662, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 28/11/1996, DJ 30051997 PP23176 EMENT VOL 0187101 PP00015) E o Superior Tribunal de Justiça, mesmo que partindo de outra premissa da que partiu o julgado acima (uma vez que coloca os Tratados no mesmo patamar das Leis Complementares), no julgado consubstanciado no REsp nº 1.161.467, coloca uma pá de cal sobre a discussão, quando afirma que os Tratados que tem como matéria de regulação a bi tributação da renda terão prevalência sobre o direito brasileiro, quando nitidamente se confrontarem (antinomia) com leis internas. O critério da especialidade é invocado pelo STJ. Confirase trecho da ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. CONVENÇÕES INTERNACIONAIS CONTRA A BITRIBUTAÇÃO. BRASILALEMANHA E BRASILCANADÁ. ARTS. VII E XXI. RENDIMENTOS AUFERIDOS POR EMPRESAS ESTRANGEIRAS PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À EMPRESA BRASILEIRA. PRETENSÃO DA FAZENDA NACIONAL DE TRIBUTAR, NA FONTE, A REMESSA DE RENDIMENTOS. Fl. 28864DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.865 19 CONCEITO DE "LUCRO DA EMPRESA ESTRANGEIRA" NO ART. VII DAS DUAS CONVENÇÕES. EQUIVALÊNCIA A "LUCRO OPERACIONAL". PREVALÊNCIA DAS CONVENÇÕES SOBRE O ART. 7º DA LEI 9.779/99. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. ART. 98 DO CTN. CORRETA INTERPRETAÇÃO. (...) 7. A antinomia supostamente existente entre a norma da convenção e o direito tributário interno resolvese pela regra da especialidade, ainda que a normatização interna seja posterior à internacional. 8. O art. 98 do CTN deve ser interpretado à luz do princípio lex specialis derrogat generalis, não havendo, propriamente, revogação ou derrogação da norma interna pelo regramento internacional, mas apenas suspensão de eficácia que atinge, tão só, as situações envolvendo os sujeitos e os elementos de estraneidade descritos na norma da convenção. 9. A norma interna perde a sua aplicabilidade naquele caso especifico, mas não perde a sua existência ou validade em relação ao sistema normativo interno. Ocorre uma "revogação funcional", na expressão cunhada por HELENO TORRES, o que torna as normas internas relativamente inaplicáveis àquelas situações previstas no tratado internacional, envolvendo determinadas pessoas, situações e relações jurídicas específicas, mas não acarreta a revogação, stricto sensu, da norma para as demais situações jurídicas a envolver elementos não relacionadas aos Estados contratantes. (...) 11. Recurso especial não provido. (REsp 1161467/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/05/2012, DJe 01/06/2012) (destacouse) Ao comentarem o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, que entende o critério da especialidade como uma das formas de se solucionar o conflito entre os Tratados e eventual norma de direito interno, Marcus Lívio Gomes e Renata S. Cunha Pinheiro assim se posicionam: "O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento acerca desse ponto no sentido de que o disposto no art. 98 do CTN confere aos tratados caráter especial em face da legislação interna e, em razão dessa especialidade, afasta a incidência da norma nas situações sobre as quais se refira. Ressaltou a Corte que a antinomia supostamente existente entre a norma da convenção e o direito tributário interno resolvese pela regra da especialidade, ainda que a normatização interna seja posterior à internacional. Assentou que o art. 98 deve ser interpretado à luz do princípio lex specialis der rogat generalis, não havendo, propriamente, revogação ou derrogação da norma interna pelo regramento internacional, mas apenas suspensão de eficácia que atinge, tão só, as situações envolvendo os sujeitos e os elementos de estraneidade descritos na norma da convenção. (GOMES, Marcus Lívio e Pinheiro Renata S. Cunha. A Lei nº 12.973/2014 e os tratados para evitar a dupla tributação da renda. In Estudos Tributários do II Seminário CARF / Confederação Nacional da Indústria; Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF; Francisco Marconi de Fl. 28865DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.866 20 Oliveira, Marcus Lívio Gomes, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Coordenadores. Brasília: CNI, 2017. Págs. 101 e 102). Não se pode olvidar, neste ponto, como mencionado na ementa do julgado do STJ acima transcrita, que o Código Tributário Nacional, em seu artigo 98, preceitua que os "tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha". Exatamente por isso devese aplicar o critério da especialidade para a solução de eventual conflito entre normas de direito interno e os Tratados Internacionais. No que se refere ao critério da especialidade, o jurista italiano Norberto Bobbio, que teve grande influência na formação do pensamento jurídico brasileiro, já pontificava em seu clássico “Teoria do Ordenamento Jurídico”, que esse critério deve ser utilizado para solução de antinomias dentro de um ordenamento jurídico. Em suas palavras: O terceiro critério, dito justamente da lex specialis, é aquele pelo qual, de duas normas incompatíveis, uma geral e uma especial (ou excepcional), prevalece a segunda: lex specialis derogat generali. Também aqui a razão do critério não é obscura: lei especial é aquela que anula uma mais geral, ou que subtrai de uma norma uma parte da sua matéria para submetêla a uma regulamentação diferente (contrária ou contraditória). A passagem de uma regra mais extensa (que abrange um certo genus) para uma regra derrogatória menos extensa (que abrange uma species do genus) corresponde a uma exigência fundamental de justiça, compreendida como tratamento igual das pessoas que pertencem à mesma categoria. A passagem da regra geral à regra especial corresponde a um processo natural de diferenciação das categorias, e a uma descoberta gradual, por parte do legislador, dessa diferenciação. (...) Entendese, portanto, por que a lei especial deva prevalecer sobre a geral: ele representa um momento ineliminável do desenvolvimento de um ordenamento. Bloquear a lei especial frente à geral significa paralisar esse desenvolvimento. (BOBBIO, Norberto. Teoria do ordenamento jurídico. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 10ª edição, 1999. pág. 95 e 96) (destacouse) Por fim, no que tange aos tratados e a necessidade de sua aplicação pelos Estados contratantes, imperioso transcrever passagem de trabalho de autoria de Paulo Ayres Barreto e Caio Augusto Takano, no qual, de forma cirúrgica, apontam a importância e a motivação dos Tratados para evitar a dupla tributação, em especial aqueles que seguem o modelo da OCDE, como no caso do Tratado Brasil/Argentina: (...) Nesse cenário, os tratados em matéria tributária são meios pelos quais Estados soberanos se esforçam, usualmente em bases bilaterais, para harmonizar as regras de suas leis tributárias internas, estabelecendo limites a partir dos quais leis nacionais não se aplicam. Por meio dos tratados internacionais que visam evitar a dupla tributação da renda, o Brasil obrigouse espontaneamente perante outros Estados de Direito a não exigir, no todo ou em parte, tributos a eles reservados. É esse o caso dos lucros. Conforme art. 7º, parágrafo 1º da Convenção Modelo da OCDE, 'os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado (...)". Exceção são os lucros apurados por estabelecimentos permanentes Fl. 28866DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.867 21 situados em outro Estado Contratante, os quais serão tributados, na parte em que oriundos do estabelecimento. Como relata Philip Baker, esse dispositivo possui um longo histórico e reflete o consenso internacional de que, em regra, até que uma empresa de um dos Estados contratantes possua um estabelecimento permanente em outro Estado (art. 5º da Convenção Modelo da OCDE), ele não deverá ser considerado como um participante na vida econômica desse Estado, não sendo, portanto, a ele conferido o direito de tributar os seus lucros. (BARRETO, Paulo Ayres e TAKANO, Caio Augusto. Tributação do Resultado de Coligadas e Controladas no Exterior, em face da Lei nº 12.973/2014. In Grandes questões atuais do direito tributário. 18º Volume. São Paulo: Dialética, 2014. Pág. 368 e 369) Assim, por tudo até aqui exposto, podese afirmar que (i) o Supremo Tribunal Federal declarou como constitucional a tributação de controladas no exterior, nos termos preconizados pelo artigo 74 da MP 2.158/2001; (ii) os tratados integram o ordenamento jurídico pátrio; e, (iii) no caso de conflito entre o disposto em norma interna e um Tratado Internacional, tendo em vista o critério da especialidade, deverá prevalecer o disposto no Tratado. Fixadas essas premissas, se analisará a seguir a motivação da autuação e se assiste razão à Recorrente quando alega que, no presente caso, deve prevalecer o que dispõem o Tratado firmado entre a República Federativa do Brasil e a Argentina (Decreto nº 87.976, de 22 de Dezembro de 1982), em detrimento do que preceitua a legislação interna que regula a tributação dos lucros de controladas e coligadas domiciliadas no exterior. DA TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS DAS CONTROLADAS NO EXTERIOR QUANDO DA EXISTÊNCIA DE TRATADOS QUE VISAM EVITAR A TRIBUTAÇÃO DOS DOMICILIADOS NOS ESTADOS CONSIGNATÁRIOS. De pronto, devese ressaltar que não há nos autos controvérsias acerca do fato de que as empresas sediadas na Argentina (Maltaria Pampa, Lambic e Hohneck) são controladas diretas da Recorrente, nos exatos termos definidos pelo artigo 243, § 2º da Lei 6.404/76, que tem a seguinte redação: Art. 243. O relatório anual da administração deve relacionar os investimentos da companhia em sociedades coligadas e controladas e mencionar as modificações ocorridas durante o exercício. (...) § 2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. O termo de verificação fiscal, com base na documentação carreada nos autos, afirma que, "conforme se denota das Fichas 34 e 35 de sua DIPJ do anocalendário de 2012 (fls. 5019/5419), a Ambev detinha seis controladas diretas no exterior. Quatro dessas Fl. 28867DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.868 22 controladas serão objeto de detido exame, porquanto seus lucros não foram (total ou parcialmente, conforme se verá adiante) disponibilizados pela controladora brasileira.". E esta informação é confirmada pela própria Recorrente, desde a peça de ingresso (Impugnação), quando aduz que "a autuação tem por base exclusivamente a disponibilização ficta dos lucros auferidos por controladas da Impugnante no exterior". Assim, no Auto de Infração, no item ora em análise, não se tem dúvida de que a obrigação tributária em discussão tem nascimento nos lucros auferidos por controladas (investidas) domiciliadas na Argentina de empresa domiciliada em território nacional (investidora). Por outro lado, nos termos da IN RFB nº 1.037/2010 (inclusive suas alterações posteriores), a Argentina não é considerada como paraíso fiscal pela Receita Federal do Brasil. E a pergunta que precisa ser respondida para a solução do presente caso é: tendo em vista o tratado para evitar a dupla tributação firmado entre o Brasil e Argentina (Decreto nº 87.976, de 22 de Dezembro de 1982), teria o Estado brasileiro competência para tributar riqueza (lucro) produzida no outro Estado signatário daqueles Tratados? Para responder ao questionamento feito, não se pode olvidar que, como se depreende do TVF, a fiscalização motivou a lavratura do Auto de Infração, após afastar a aplicação dos Tratados ao presente caso, pelo fato de que, no seu entendimento, o disposto no artigo 74 da Medida Provisória 2.15835/2001 autoriza a tributação, uma vez que "a Receita Federal do Brasil, por meio de manifestação da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), externou o entendimento de que a aplicação do artigo 74 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001 não viola os tratados internacionais para evitar a dupla tributação celebrados pelo Brasil". Assim, a princípio, aos olhos da fiscalização, o art. 74 da MP 2.158/01 autoriza a tributação dos lucros auferidos no exterior (variação patrimonial), em detrimento do que restou firmado nos Tratados assinados pela República Federativa do Brasil para evitar a dupla tributação. Contudo, pela leitura do artigo 7º do Tratado firmado entre a República Federativa do Brasil com a Argentina, não há dúvidas de que o Brasil está impedido (norma de bloqueio), pelo princípio da residência, de tributar lucros auferidos em sociedades independentes (mesmo que seja controlada direta), domiciliadas naqueles países. Vejase a redação do tratado firmado com a Argentina (Decreto nº 87.976, de 22 de Dezembro de 1982): ARTIGO VII Lucros das empresas Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade na forma indicada, seus lucros são tributáveis no outro Estado, mas unicamente à medida em que sejam atribuíveis a esse estabelecimento permanente. 2. Com ressalva das disposições do parágrafo 3, quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado, serão atribuídos, em cada Estado Contratante, a esse estabelecimento Fl. 28868DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.869 23 permanente, os lucros que obteria se constituísse uma empresa distinta e separada, exercendo atividades idênticas ou similares em condições idênticas ou similares, e transacionando com absoluta independência com a empresa de que é um estabelecimento permanente. 3. No cálculo dos lucros de um estabelecimento permanente, é permitido deduzir as despesas que tiverem sido feitas para a consecução dos objetivos do estabelecimento permanente, incluindo as despesas de direção e os encargos gerais de administração assim realizados. 4. Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo simples fato de comprar bens ou mercadorias para a empresa. 5. Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos tratados separadamente nos outros artigos da presente Convenção, as disposições desses artigos não serão afetadas pelas disposições deste Artigo. Mais uma vez, se vale dos ensinamento de Paulo Ayres Barreto e Caio Augusto Takano, que assim interpretam o artigo 7º do modelo OCDE: Parecenos correto asserverar, com apoio em Klaus Vogel, que há no art. 7º, parágrafo 1º duas normas jurídicas: (i) se uma empresa residente em um dos Estados contratantes exerça uma atividade e dela auferir lucros, então apenas o Estado de residência daquela empresa poderá tributálos (regra geral); e (ii) se uma empresa exercer suas atividades no outro Estado por meio de um estabelecimento permanente aí situado, então esse Estado (e não o Estado de residência) poderá tributar lucros, mas unicamente na medida em que forem imputáveis ao estabelecimento permanente (regra de exceção). (...) Destarte, não se tratando de estabelecimentos permanentes, mas de empresas dotadas de personalidade jurídica própria, sejam elas coligadas ou controladas, devese aplicar a regra geral, que contém, na feliz expressão de Alberto Xavier, uma 'norma de reconhecimento de competência exclusiva' do país em que se encontra domiciliada a sociedade controlada. (BARRETO, Paulo Ayres e TAKANO, Caio Augusto. Tributação do Resultado de Coligadas e Controladas no Exterior, em face da Lei nº 12.973/2014. In Grandes questões atuais do direito tributário. 18º Volume. São Paulo: Dialética, 2014. Pág. 368 e 369) O citado artigo 7º do Tratado firmado pelo Brasil é muito claro no que visa proteger: os lucros auferidos pela empresa no exterior, devendo estes serem tributados somente no país onde a empresa independente tenha domicílio. Não há dúvidas, data venia, quanto a interpretação do dispositivo. Não há que se argumentar que, neste caso, a tributação estaria autorizada por ser uma exceção ao cumprimento do Tratado, como tentou direcionar o agente fiscal na sua fundamentação. Em julgamento realizado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o então relator, Conselheiro Marcos Shigueo Takata, após discorrer sobre o CFC e as Fl. 28869DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.870 24 peculiaridades da tributação em bases universais pretendida pelo fisco brasileiro, traz argumentos intocáveis para afastar a alegação de não aplicação de um tratado internacional que tem as mesmas bases do tratado ora analisado (modelo OCDE). Vejase as lúcidas ponderações lançadas no voto proferido nos autos do processo administrativo de nº 12897.000193/201011 (acórdão nº 1103001.122): A redação do art. 74 da MP 2.158/01 pode dar a impressão de que se tributam dividendos fictos ou dividendos fictamente distribuídos. Mas, podem ser tributados dividendos fictos? Antes de falar sobre dividendos fictamente distribuídos, trato do argumento de que o suporte fático eleito pela norma legal não são os dividendos, pois o que se tributa são os lucros antes de descontado o tributo pago no país de origem. E, por óbvio, só se cogita de dividendos após todas as despesas incorridas, nas quais se inclui o tributo pago sobre os lucros no país de origem. O que a sociedade delibera distribuir aos sócios ou acionistas, como dividendos, só pode ser o resultado líquido do tributo pago sobre o lucro. Essa dimensão do pressuposto fático de incidência tributária é prevista textualmente no art. 1º, § 7º, da Instrução Normativa SRF 213/02: § 7º. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem. O argumento não me impressiona, se interpretado o art. 1º, § 7º, da Instrução Normativa SRF 213/02 em seus devidos termos. Dividendos são distribuição de lucros apurados pela sociedade a seus sócios ou acionistas. E só há lucros distribuíveis após a despesa com pagamento de tributo sobre o lucro. Entretanto, o mesmo argumento caberia para tributação de lucros da sociedade controlada ou coligada no exterior. Lucros da sociedade são o resultado líquido de um período, após a despesa incorrida com tributo: só se pode falar de lucros, ainda mais lucros distribuíveis, após a despesa incorrida com tributo pago sobre o lucro; afinal o objeto da tributação, se não forem dividendos, é o lucro líquido auferido pela controlada ou coligada no exterior. A meu ver, o que o art. 1º, § 7º, da IN 213/02 fez, ao interpretar o comando legal, foi o seguinte. A norma legal confere o tax credit correspondente ao tributo pago no exterior, com a instituição da tributação em bases universais para a pessoa jurídica. Ao se ver sistematicamente o objeto da tributação, em bases universais, o valor do tributo pago no exterior não é despesa, mas ativo da controladora ou da coligada participante no Brasil – afinal, referido valor é compensável no País – ou melhor, desde que e no limite do que seja compensável no País. Logo, como a lei confere o tax credit relativo ao tributo pago no país de origem, o legislador infralegal, ao falar que os lucros do exterior da Fl. 28870DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.871 25 controlada ou coligada serão considerados antes de descontado o tributo pago no país de origem, simplesmente utilizou a expressão como técnica tributária de se reconhecer que tal valor não deve reduzir a base tributável, por ser um ativo. E a leitura que faço do art. 1º, § 7º, da IN SRF 213/02 é a de considerar os lucros antes de descontado o tributo pago no país de origem, no limite do compensável no País. Nesse passo, e nos termos acima expostos, cuidase de técnica tributária que não desborda o limite legal. I.e., versase técnica de aplicação e, assim, de interpretação das normas legais, desde que (o antes de descontado) nos limites do imposto que seja compensável no País. Não se está, com isso, a tributar algo por ficção ou mesmo por presunção, ou precisamente: não se está definindo materialidade ou seu aspecto temporal por ficção, ou mesmo por presunção. É como entendo. Daí ter dito que o argumento não impressiona, interpretado o preceito em comentário em seus devidos termos. Como disse, a redação do art. 74 da MP 2.158/01 pode dar a impressão de que se tributam dividendos fictos ou dividendos fictamente distribuídos. Retomo, pois, a questão que considero fundamental: podem ser tributados dividendos fictos? A tributação do art. 74 da MP 2.158/01 recai sobre dividendos fictos? É sabido que não se pode empregar ficção legal para alcançar materialidade ou se antecipar seu aspecto temporal quando a Constituição Federal usa essa materialidade na definição de competência tributária dos entes políticos. Nesse sentido, o art. 110 do CTN seria inclusive despiciendo, assumindo feição didática. Também, por óbvio que o CTN não pode dar “carta branca” ao legislador ordinário, para, dessa forma, voltear a materialidade, inclusive em seu aspecto temporal, empregada pela Constituição Federal para outorga de competência tributária. Não é a isso que se presta o § 2º do art. 43 do CTN. E também não é diferente o que se passa em relação ao § 1º do art. 43 do CTN. Não é a lei ordinária que, a bel prazer, e a seu exclusivo talante, irá determinar como e quando se dá a disponibilidade econômica ou jurídica da renda, da receita ou do rendimento. Além disso, é regra hermenêutica elementar que o parágrafo de um artigo se subordina à cabeça (caput) dele. Sublinhese, ainda que seja evidente: o pressuposto adotado é a constitucionalidade do § 2º do art. 43 do CTN. Fl. 28871DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.872 26 Mais. Vejase o que dispõe o art. 10 do Tratado BrasilHolanda, incorporado ao direito doméstico pelo Decreto 331/92, que, na essência, é igual ao art. 10 do Tratado BrasilArgentina (há uma variação no § 5º do art. 10, a qual não afeta a questão em dissídio): ARTIGO 10 Dividendos 1. Os dividendos pagos por uma sociedade residente em um Estado Contratante a um residente no outro Estado Contratante podem ser tributados nesse outro Estado. 2. Todavia, esses dividendos podem também ser tributados no Estado Contratante onde reside a sociedade que os paga, e nos termos da lei desse Estado; mas, se a pessoa que os receber for o beneficiário efetivo dos dividendos, o imposto assim incidente não poderá exceder 15% (quinze por cento) do montante bruto dos dividendos. O disposto neste parágrafo não prejudica a tributação da sociedade, no que diz respeito aos lucros dos quais se originaram os dividendos pagos. 3. O termo "dividendos", empregado no presente artigo, designa os rendimentos provenientes de ações ou direitos de fruição; ações de empresas mineradoras; partes de fundador ou outros direitos de participação em lucros, com exceção de créditos, bem como rendimentos de outras participações de capital assemelhados aos rendimentos de ações pela legislação tributária do Estado em que reside a sociedade que realiza a distribuição. 4. Não se aplica o disposto nos parágrafos 1 e 2 se o beneficiário dos dividendos, residente em um Estado Contratante, realiza negócios no outro Estado Contratante em que reside a sociedade que paga os dividendos, por intermédio de estabelecimento permanente ali situado, e se a participação, em virtude da qual os dividendos são pagos, se relaciona efetivamente ao estabelecimento permanente. Nesse caso aplicase o disposto no Artigo 7. 5. Quando um residente em um Estado Contratante tiver um estabelecimento permanente no outro Estado Contratante, este estabelecimento permanente pode estar, ali, sujeito a imposto retido na fonte, nos termos da legislação daquele Estado. Todavia, tal imposto não excederá 15% (quinze por cento) do montante bruto dos lucros do estabelecimento permanente, apurado após o pagamento do imposto de renda de sociedades, incidente sobre aqueles lucros. 6. Quando uma sociedade residente em um Estado Contratante recebe lucros ou rendimentos do outro Estado Contratante, esse outro Estado Contratante não poderá cobrar qualquer imposto sobre os dividendos pagos pela sociedade, exceto se tais dividendos forem pagos a residente desse outro Estado, ou se a participação em virtude da qual os dividendos são pagos, relacionarse efetivamente a um estabelecimento permanente situado nesse outro Estado; nem poderá sujeitar os lucros não distribuídos da sociedade a imposto sobre lucros não distribuídos, ainda que os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos consistam, no total ou parcialmente, de lucros ou rendimentos provenientes desse outro Estado. Fl. 28872DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.873 27 7. As limitações de alíquota do imposto previstas nos parágrafos 2 e 5 não se aplicam aos dividendos ou lucros pagos antes do final do primeiro ano calendário seguinte ao ano de assinatura desta Convenção. É muito claro que o dispositivo convencional trata dos dividendos pagos, ao versar sobre a competência tributária cumulativa dos Estados contratantes sobre a materialidade em questão. O problema da qualificação de dividendos é resolvido pelo próprio art. 10 do Tratado BrasilHolanda (e do art. 10 do Tratado Brasil Argentina), em seu § 3º. Ainda, o referido § 3º do art. 10 do tratado não permite que se considerem como dividendos os distribuídos fictamente. E também remete ao Estadofonte, i.e., ao Estado contratante em que reside a sociedade distribuidora dos dividendos, a qualificação residual de dividendos, mas coloca como um dos limites: a distribuição efetiva. É expressa nesse sentido a parte final do § 3º do art. 10 do tratado em questão. Interditase, pois, inserir na moldura de dividendos os fictos ou os distribuídos fictamente. Ainda, registrese que o § 6º do art. 10 do tratado prevê – tal como no Modelo OCDE – cláusula de salvaguarda. Impedese que um Estado contratante pretenda tributar indiretamente como dividendos ou até mesmo como lucros não distribuídos (o que é diferente de dividendos) certos valores correspondentes a lucros ou rendimentos. Os lucros e rendimentos de uma sociedade residente no Estado contratante “X” são realizados no Estado contratante “Y”. Se aquela sociedade residente no Estado “X” pagar dividendos a quem não seja residente no Estado “Y”, mesmo que os dividendos pagos sejam originários de lucros ou rendimentos realizados no Estado “Y”, tais dividendos não poderão ser tributados nesse Estado “Y”. O mesmo vale para lucros não distribuídos. Vedase uma tributação extraterritorial em tais moldes. Ao fazer esse registro, quero dizer que o tratado não dá margem a permitir que o art. 10 seja aplicado a dividendos fictos ou distribuídos fictamente. Todo o art. 10 do tratado em comentário cuida de dividendos pagos, ao delinear a competência tributária cumulativa do Estado contratante em que reside o sócio ou o acionista, com a do Estado contratante em que reside a sociedade que distribui (paga) os dividendos. Como o pressuposto é a constitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01, só posso concluir que o regime de transparência fiscal adotado não tem como materialidade os dividendos, pois, como se viu, não há como se tributarem dividendos fictos ou dividendos distribuídos fictamente. Adiante esclareço a materialidade do art. 74 da MP 2.158/014. Fl. 28873DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.874 28 A técnica de tributação não pode ser manejada ou manipulada para alcançar materialidade ou seu aspecto temporal por ficção legal, nos termos deduzidos alhures. Por outro lado, seja como corolário do que se deduziu, seja pela interpretação e aplicação direta do art. 10 dos tratados em jogo, fica evidenciado claramente o seguinte: o art. 10 do Tratado Brasil Holanda e o art. 10 do Tratado BrasilArgentina são inaplicáveis sobre o suporte fático em dissídio. Não vejo como se possa dar interpretação diversa. Essas são as duas primeiras exegeses extraíveis. Tais exegeses funcionam como fundamentos para a conclusão da inaplicabilidade do art. 10 dos tratados em debate sobre a materialidade em dissídio. Reiteroas. Pelo art. 74 da MP 2.158/01 não se tributam dividendos fictos ou dividendos fictamente distribuídos. O art. 10 dos tratados em discussão, ao estabelecer a competência cumulativa dos Estados contratantes, não alcança os lucros auferidos e não distribuídos por controlada e coligada domiciliadas num dos Estados contratantes: ele delimita a competência cumulativa dos Estados contratantes, para a tributação dos dividendos efetivamente distribuídos Criticando a posição adotada na Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2013 (que foi utilizada pela fiscalização), Marcus Lívio Gomes e Renata S. Cunha Pinheiro são taxativos quando afirmam pela impossibilidade de tributação dos lucros das empresas controladas, que estejam sediadas em países que firmaram Tratado para evitar a duplatributação com o Brasil, como no presente caso. Vejase o entendimento exarado por aqueles autores: Sustentouse na Solução de Consulta que o art. 74 da MP 2.158/2001 previa a tributação da renda dos sócios brasileiros decorrente de sua participação em empresas domiciliadas no exterior, de forma que a norma interna estaria incidindo em contribuinte brasileiro, não gerando qualquer conflito com os dispositivos do tratado que versam sobre a tributação de lucros. SCHOUERI (2013, p. 74) criticou o posicionamento, explicitando que o raciocínio desenvolvido peca ao não perceber que não é verdade que o art. 7º se limita a proteger do imposto brasileiro as empresas sediadas no exterior, aduzindo que o escopo do art. 7º não é subjetivo (as empresas), mas objetivo (os lucros das empresas). Com efeito, é falso o dilema que examina quem assume o ônus do imposto, posto que a limitação do art. 7º alcança os lucros de uma empresa de um Estado Contratante, pouco interessando, in casu, indagar quem suporta o encargo, seja a empresa estrangeira, seja a nacional, importando que nem uma nem outra estão sujeitas ao imposto brasileiro calculado sobre o lucro da empresa localizada no exterior. Destarte, a opção feita pela tributação da pessoa jurídica brasileira como sujeito passivo da relação jurídica tributária é equivocada, pois o Brasil não teria como exercer sua pretensão Fl. 28874DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.875 29 arrecadatória diretamente em face do lucro da pessoa jurídica estrangeira. (...) Ao prever a inclusão do lucro real da 'parcela do ajuste do valor do investimento' [previsto na Lei nº 12.973/14], tributase, na verdade, o lucro tranvestido de outro nome para justificar o argumento de que os lucros tributados seriam, de fato, pertencentes à controladora no Brasil e não da controlada no exterior, de modo a afastarse a incompatibilidade com o art. 7º dos tratados para evitar a dupla tributação. Valeuse o legislador, em deliberada intenção de evitar o conflito entre a tributação prevista para as controladas diretas e indiretas no exterior, e para as coligadas equiparadas às controladas, de nova denominação parcela do ajuste do valor do investimento , mas que em nada altera a sistemática anterior que se resume à tributação do lucro. (GOMES, Marcus Lívio e Pinheiro Renata S. Cunha. A Lei nº 12.973/2014 e os tratados para evitar a dupla tributação da renda. In Estudos Tributários do II Seminário CARF / Confederação Nacional da Indústria; Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF; Francisco Marconi de Oliveira, Marcus Lívio Gomes, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Coordenadores. Brasília: CNI, 2017. Págs. 109 e 110). Este argumento também foi enfrentando pelo Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Resp nº 1.325.709, quando o Ministro Relator, Napoleão Nunes Maia, assim se manifestou em seu voto, para afastar a tese da Fazenda Nacional de que se estaria, em verdade, tributando os dividendos fictamente distribuídos: 63 Repitase que a sistemática adotada pela Fazenda Pública, de adicionar o lucro obtido pela empresa controlada no Exterior para cômputo do lucro real da empresa controladora importa na tributação daquele mesmo lucro, em contraste com o disposto nas referidas Convenções Internacionais. Inclusive, não se pode deixar de mencionar que, no citado Resp, julgado pelo STJ, discutiase caso semelhante ao presente e a Corte de Justiça, cuja uma das funções é de pacificar o entendimento dos demais tribunais brasileiros, proferiu decisão privilegiando o disposto nos Tratados firmados pela República Federativa do Brasil, em detrimento da legislação que determina a tributação dos lucros, mesmo que eles não tenham sido disponibilizados (ou o tenham sido "por ficção", nas palavras do agente fiscal). Vejase a ementa do acórdão proferido: RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA DENEGADO NA ORIGEM. APELAÇÃO. EFEITO APENAS DEVOLUTIVO. PRECEDENTE. NULIDADE DOS ACÓRDÃOS RECORRIDOS POR IRREGULARIDADE NA CONVOCAÇÃO DE JUIZ FEDERAL. NÃO PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356/STF. IRPJ E CSLL. LUCROS OBTIDOS POR EMPRESAS CONTROLADAS NACIONAIS SEDIADAS EM PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO REGULADA. PREVALÊNCIA DOS TRATADOS SOBRE BITRIBUTAÇÃO Fl. 28875DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.876 30 ASSINADOS PELO BRASIL COM A BÉLGICA (DECRETO 72.542/73), A DINAMARCA (DECRETO 75.106/74) E O PRINCIPADO DE LUXEMBURGO (DECRETO 85.051/80). EMPRESA CONTROLADA SEDIADA NAS BERMUDAS. ART. 74, CAPUT DA MP 2.15735/2001. DISPONIBILIZAÇÃO DOS LUCROS PARA A EMPRESA CONTROLADORA NA DATA DO BALANÇO NO QUAL TIVEREM SIDO APURADOS, EXCLUÍDO O RESULTADO DA CONTRAPARTIDA DO AJUSTE DO VALOR DO INVESTIMENTO PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO, PARA CONCEDER A SEGURANÇA, EM PARTE. 1. Afastase a alegação de nulidade dos acórdãos regionais ora recorridos, por suposta irregularidade na convocação de Juiz Federal que funcionou naqueles julgamentos, ou na composição da Turma Julgadora; inocorrência de ofensa ao Juiz Natural, além de ausência de prequestionamento. Súmulas 282 e 356/STF. Precedentes desta Corte. 2. Salvo em casos excepcionais de flagrante ilegalidade ou abusividade, ou de dano irreparável ou de difícil reparação, o Recurso de Apelação contra sentença denegatória de Mandado de Segurança possui apenas o efeito devolutivo. Precedente: AgRg no AREsp. 113.207/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 03/08/2012. 3. A interpretação das normas de Direito Tributário não se orienta e nem se condiciona pela expressão econômica dos fatos, por mais avultada que seja, do valor atribuído à demanda, ou por outro elemento extrajurídico; a especificidade exegética do Direito Tributário não deriva apenas das peculiaridades evidentes da matéria jurídica por ele regulada, mas sobretudo da singularidade dos seus princípios, sem cuja perfeita absorção e efetivação, o afazer judicial se confundiria com as atividades administrativas fiscais. 4. O poder estatal de arrecadar tributos tem por fonte exclusiva o sistema tributário, que abarca não apenas a norma regulatória editada pelo órgão competente, mas também todos os demais elementos normativos do ordenamento, inclusive os ideológicos, os sociais, os históricos e os operacionais; ainda que uma norma seja editada, a sua efetividade dependerá de harmonizarse com as demais concepções do sistema: a compatibilidade com a hierarquia internormativa, os princípios jurídicos gerais e constitucionais, as ilustrações doutrinárias e as lições da jurisprudência dos Tribunais, dentre outras. 5. A jurisprudência desta Corte Superior orienta que as disposições dos Tratados Internacionais Tributários prevalecem sobre as normas de Direito Interno, em razão da sua especificidade. Inteligência do art. 98 do CTN. Precedente: (RESP 1.161.467RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 01.06.2012). 6. O art. VII do Modelo de Acordo Tributário sobre a Renda e o Capital da OCDE utilizado pela maioria dos Países ocidentais, inclusive pelo Brasil, conforme Tratados Internacionais Tributários celebrados com a Bélgica (Decreto 72.542/73), a Dinamarca (Decreto 75.106/74) e o Principado de Luxemburgo (Decreto 85.051/80), disciplina que os lucros de uma empresa de um Estado contratante só Fl. 28876DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.877 31 são tributáveis nesse mesmo Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante, por meio de um estabelecimento permanente ali situado (dependência, sucursal ou filial); ademais, impõe a Convenção de Viena que uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o inadimplemento de um tratado (art. 27), em reverência ao princípio basilar da boafé. 7. No caso de empresa controlada, dotada de personalidade jurídica própria e distinta da controladora, nos termos dos Tratados Internacionais, os lucros por ela auferidos são lucros próprios e assim tributados somente no País do seu domicílio; a sistemática adotada pela legislação fiscal nacional de adicionálos ao lucro da empresa controladora brasileira termina por ferir os Pactos Internacionais Tributários e infringir o princípio da boafé na relações exteriores, a que o Direito Internacional não confere abono. 8. Tendo em vista que o STF considerou constitucional o caput do art. 74 da MP 2.15835/2001, aderese a esse entendimento, para considerar que os lucros auferidos pela controlada sediada nas Bermudas, País com o qual o Brasil não possui acordo internacional nos moldes da OCDE, devem ser considerados disponibilizados para a controladora na data do balanço no qual tiverem sido apurados. 9. O art. 7o, § 1o. da IN/SRF 213/02 extrapolou os limites impostos pela própria Lei Federal (art. 25 da Lei 9.249/95 e 74 da MP 2.158 35/01) a qual objetivou regular; com efeito, analisandose a legislação complementar ao art. 74 da MP 2.15835/01, constatase que o regime fiscal vigorante é o do art. 23 do DL 1.598/77, que em nada foi alterado quanto à não inclusão, na determinação do lucro real, dos métodos resultantes de avaliação dos investimentos no Exterior, pelo método da equivalência patrimonial, isto é, das contrapartidas de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras controladas. 10. Ante o exposto, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, concedendo em parte a ordem de segurança postulada, para afirmar que os lucros auferidos nos Países em que instaladas as empresas controladas sediadas na Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo, sejam tributados apenas nos seus territórios, em respeito ao art. 98 do CTN e aos Tratados Internacionais em causa; os lucros apurados por Brasamerican Limited, domiciliada nas Bermudas, estão sujeitos ao art. 74, caput da MP 2.15835/2001, deles não fazendo parte o resultado da contrapartida do ajuste do valor do investimento pelo método da equivalência patrimonial. (REsp 1325709/RJ, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/04/2014, DJe 20/05/2014) (destacouse) Em que pese o citado precedente do STJ não ter sido proferido na sistemática dos Recursos Repetitivos e, por isso, não ser de aplicação vinculada deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e dos demais órgãos da administração pública, não se pode, data venia, desprezar a interpretação dada pelo Poder Judiciário em caso idêntico ao travado nos autos e, digase, em sentido diametralmente oposto ao que restou decidido no acórdão recorrido, sob pena de tornar completamente inseguras as relações entre fisco e os contribuintes. Fl. 28877DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.878 32 Neste ponto, vale o alerta feito por Marcus Lívio Gomes e Renata S. Cunha Pinheiro, que, após demonstrarem que a Lei nº 12.973/14 em nada alterou a materialidade tributável estabelecida pela MP 2.15835/2001, que é o lucro auferido pela controlada no exterior, afirmam o seguinte: A nosso ver, esse ponto é de suma importância dado o cenário que se apresenta, em que o Brasil tem buscado ampliar sua participação nas políticas de combate ao planejamento tributário agressivo capitaneadas pela OCDE já que, se mantido o entendimento de que é possível tributar de forma automática os lucros auferidos pela pessoa jurídica no exterior antes da sua disponibilização à pessoa jurídica brasileira, quando auferido em país com o qual exista tratado para evitar a dupla tributação da renda, será tornar letra morta o disposto no art. 7º de todas as convenções firmadas pelo Brasil, o que torna sua posição no contexto mundial bastante contraditória e controvertida. (GOMES, Marcus Lívio e Pinheiro Renata S. Cunha. A Lei nº 12.973/2014 e os tratados para evitar a dupla tributação da renda. In Estudos Tributários do II Seminário CARF / Confederação Nacional da Indústria; Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF; Francisco Marconi de Oliveira, Marcus Lívio Gomes, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Coordenadores. Brasília: CNI, 2017. Pág. 108). (destacouse) E o entendimento exarado pelo Superior Tribunal de Justiça, já é acompanhado pelos Tribunais pátrios, como se observa da ementa dos julgados abaixo citadas: TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSLL. LUCROS AUFERIDOS POR EMPRESAS CONTROLADAS SEDIADAS NO EXTERIOR. TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. CONFLITO DE NORMAS. ART. 74, CAPUT, DA MP Nº 2.158 35/2001. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. PREVALÊNCIA DA NORMA VEICULADA NOS TRATADOS. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA DOS LUCROS NO PAÍS DE DOMICÍLIO. REAVALIAÇÃO POSITIVA DOS INVESTIMENTOS EM CONTROLADAS SITUADAS NO EXTERIOR. NEUTRALIDADE DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL PARA FINS FISCAIS. ART. 23, PARÁGRAFO ÚNICO, DO DL Nº 1.598/1977. 1. Em matéria tributária, dispõe o art. 98 do CTN que os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. A doutrina adverte quanto à imprecisão técnica do dispositivo, porquanto não se trata, a rigor, de revogação da legislação interna, mas de suspensão da eficácia da norma tributária nacional, que readquirirá a sua aptidão para produzir efeitos se e quando o tratado for denunciado (Ricardo Lobo Torres). 2. A despeito da controvérsia no STF sobre a hierarquia normativa entre tratados em matéria tributária e lei interna, a questão se resolve no plano infraconstitucional. As disposições veiculadas nos tratados e convenções internacionais em matéria tributária, após se submeterem ao procedimento previsto no art. 49, inciso I, da CF, passam a integrar o ordenamento jurídico nacional. Eventual antinomia, assim, resolve se pelo princípio da especialidade, prevalecendo o regramento internacional naquilo que conflitar com a norma interna de tributação. A norma interna deixa de ser aplicada na hipótese específica regulada pelo tratado, mas continua válida e aplicável a todas as situações que Fl. 28878DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.879 33 não envolvem os sujeitos e os elementos de estraneidade definidos no tratado. Ocorre, dessa forma, a suspensão da eficácia da norma interna e não propriamente revogação ou modificação. 3. Entender que a superveniência de norma interna conflitante com o tratado internacional modificaria o regramento a ser aplicado implica denúncia implícita do acordo, sem a adoção dos procedimentos constitucionais e legais para tanto, desprezando, ademais, os princípios da boafé, da segurança e da cooperação que norteiam as relações internacionais. Em favor da prevalência dos tratados, cabe invocar não somente o art. 98 do CTN, mas também o art. 5º, § 2º, da Constituição Federal e o art. 27 do Decreto nº 7.030/2009, que promulga a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados. 4. O Brasil firmou acordos visando a evitar a dupla tributação e a prevenir a evasão fiscal, em matéria de imposto de renda, com a China (Decreto nº 762/1993) e a Itália (Decreto nº 85.985/1981). Ambos oferecem tratamento uniforme à matéria, seguindo o Modelo de Acordo Tributário sobre Renda e Capital da OCDE. O art. 7º dos Tratados adota o princípio da residência no tocante à tributação dos lucros das empresas, estabelecendo a competência exclusiva do país de domicílio da empresa para a tributação de seus lucros. 5. O ponto nodal da controvérsia decorre do disposto no art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que considera disponibilizados os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, independente de sua efetiva distribuição. 6. Equivocase a Fazenda Nacional ao sustentar que a tributação incide sobre os lucros obtidos por empresa sediada no Brasil, provenientes de fonte situada no exterior, na medida em que refletem positivamente no patrimônio da controladora, valorizando suas ações e demais ativos, pois a reavaliação positiva dos investimentos realizados em empresas controladas situadas no exterior não constitui renda tributável, conforme o disposto no parágrafo único do art. 23 do DL nº 1.598/1977 (na redação vigente até a Lei nº 12.973/2014). A norma do art. 74 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001 em nada alterou o regime fiscal vigorante desde o art. 23 do DL nº 1.598/1977, que estabelece a neutralidade do método da equivalência patrimonial para efeitos fiscais, porque seu resultado positivo, relevante para a contabilidade, não é tributado. 7. Diante do evidente conflito do disposto no art. 74 da MP nº 2.15835, que determina a adição dos lucros obtidos pela empresa controlada no exterior, para o cômputo do lucro real da empresa controladora, na data do balanço no qual tiverem sido apurados, deve prevalecer a norma do art. 7º dos Decretos nº 762/1993 e nº 85.985/1981, a fim de evitar a tributação dos lucros das empresas controladas pela impetrante na China e na Itália. (TRF4, APELREEX 2003.72.01.0000144, PRIMEIRA TURMA, Relator JOEL ILAN PACIORNIK, D.E. 23/09/2015) (destacouse) IRPJ. CSLL. LUCROS AUFERIDOS POR EMPRESAS CONTROLADAS NO EXTERIOR. Considerando que as disposições dos Tratados Internacionais Tributários prevalecem sobre as normas de Direito Interno (conforme disposto no art. 98 do CTN e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça acerca do tema REspº 1.325.709/RJ e REsp 1161467/RS), é descabida a cobrança de IRPJ e de CSLL sobre os lucros auferidos por empresa controlada situada no Fl. 28879DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.880 34 exterior. (TRF4, AC 2008.71.08.0066980, SEGUNDA TURMA, Relator RÔMULO PIZZOLATTI, D.E. 21/03/2016) (destacouse) Ademais, em diversas oportunidades, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais enfrentou o tema sobre a tributação de lucro de controladas e coligadas de empresas brasileira que tenham domicílio no exterior. Vejase, neste sentido, ementa do julgado que se transcreveu parte do voto alhures (Processo administrativo de nº 12897.000193/201011 Acórdão nº 1103001.122): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2005, 2006 IRPJ LUCROS DE CONTROLADAS NA HOLANDA DIVIDENDOS FICTOS LUCROS TRATADO ART. 10 OU ART. 7º 1 A tributação do art. 74 da MP 2.158/01 não recai sobre dividendos fictos. Não se pode empregar ficção legal para alcançar materialidade ou se antecipar seu aspecto temporal quando a Constituição Federal usa essa materialidade na definição de competência tributária dos entes políticos. Ademais, o art. 10 do Tratado BrasilHolanda trata dos dividendos pagos, não permitindo que se considerem como dividendos os distribuídos fictamente. O problema da qualificação de dividendos é resolvido pelo próprio art. 10 do Tratado BrasilHolanda. Inaplicabilidade do art. 10 do tratado. 2 O regime de CFC do Brasil do art. 74 da MP 2.158/01 considera transparente as controladas no exterior (entidade transparente ou passthrough entity): considera como auferidos pela investidora no País os lucros da investida no exterior; são os lucros em dissídio. Isso é considerar auferidos os lucros no exterior pela investidora no País, por intermédio de suas controladas no exterior. Não é o mesmo que ficção legal: é parecença com a consideração do lucro de grupo societário (tax group regime). O art. 7º do Tratado BrasilHolanda é norma de bloqueio: define competência exclusiva para tributação dos lucros da sociedade residente num Estado contratante a este Estado. Regra específica em face de regra geral. A não aplicação da norma de bloqueio do art. 7º aos lucros em dissídio seria simplesmente desconsiderar, no âmbito de tratado, a personalidade jurídica da sociedade residente na Holanda. No mesmo sentido, bastaria um dos Estados contratantes proceder a uma qualificação a seu talante do que (não) sejam lucros de controlada residente noutro Estado contratante, para frustrar norma de tratado que as partes honraram respeitar. Intributabilidade com o IRPJ dos lucros em discussão, pela aplicação do art. 7º do Tratado BrasilHolanda. IRPJ, CSLL LUCROS DE COLIGADA NA ARGENTINA ADI 2.588 DF No julgamento da ADI 2.588DF, com trânsito em julgado em 17/2/14, reconheceuse a inconstitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01 em relação a lucros de coligadas não situadas em “paraíso fiscal”. Efeitos do julgamento da ADI 2.588DF sobre os lucros da coligada residente na Argentina. Intributabilidade, no País, desses lucros. CSLL LUCROS DE CONTROLADAS NA HOLANDA TRATADO Sofrem incidência da CSLL os lucros das pessoas jurídicas controladas sediadas na Holanda. Fl. 28880DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.881 35 MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA MULTA PROPORCIONAL Apenado o continente, incabível apenar o conteúdo. Penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos. Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da multa de ofício de 75% sobre a CSLL exigida exclui a aplicação da multa de ofício de 50% sobre CSLL por estimativa dos mesmos anoscalendário. (Acórdão nº 1103001.122, sessão de 21/10/2014) Há de se ressaltar, inclusive, no que tange ao Tratado firmado com a Argentina, esta mesma Turma de Julgamento, em composição diversa da atual, digase, já privilegiou a aplicação das disposições do Tratado em detrimento do que preconiza o malfadado artigo 74 da MP nº 2.15835/2001. Vejase a ementa do acórdão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2003, 2005, 2006 PROCESSUAL PRECLUSÃO. A impugnação deve trazer todos os argumentos e provas necessários à defesa do contribuinte, ressalvadas, apenas, as hipóteses descritas no art. 16 do Decreto 70.235, sob pena de preclusão. LUCROS APURADOS POR COLIGADA NO EXTERIOR. ADI 2.588 E A INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL DA MP 2.15835. Tratandose de lucros apurados por coligada estabelecida no exterior, em pais que não preveja tributação favorecida, há que prevalecer o entendimento do Supremo quando do julgamento da ADI 2.588, inclusive em respeito ao art. 62 do RICARF. MP 2.15835, ART. 74. AFASTAMENTO. TRATADO FIRMADO PELO BRASIL E PELA ARGENTINA. PREVALÊNCIA DESTE ÚLTIMO. Os lucros apurados por controlada sediada na Argentina não podem ser objeto de tributação pelo Brasil, em relação a sua controladora aqui sediada, a luz do que reza o art. 7º do Tratado BrasilArgentina. (Processo nº 16561.000111/200866 Acórdão nº 1302002.347 Sessão de 16/08/2017) Por fim, devese mencionar que deve ser aplicado à CSLL o aqui desenvolvido com relação ao IRPJ. É que o tratado firmado pelo Brasil (modelo OCDE) fala no item 3, do artigo 2 que a "convenção aplicase também a quaisquer impostos idênticos ou substancialmente semelhantes que forem estabelecidos após a data de sua assinatura, adicionalmente ou em substituição aos impostos mencionados no parágrafo 2.", sendo os impostos que incidem sobre a renda, como é o caso também da CSLL. Sabese que, tecnicamente, a CSLL, por ter o fruto de sua arrecadação uma destinação específica, não pode ser caracterizada como um imposto e sim como uma contribuição. Contudo, ele é substancialmente igual ao Imposto sobre a renda, em todos os seus aspectos de apuração. Ademais, não se pode olvidar que, à época da celebração do Tratado não havia entrado em vigor a Constituição Federal de 1988, que, na interpretação dada pelo STF (vide ADI nº 447), previu a existência de cinco espécies tributárias passíveis de serem instituídas. A cobrança da CSLL nos moldes hoje exigidos pela União Federal não era possível quando da celebração do tratado. Fl. 28881DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.882 36 Colocando uma pá de cal acerca dessa discussão, com o objetivo de interpretar a legislação, o artigo 11, da Lei nº 13.202/2015, estipulou, expressamente, que os tratados para evitar dupla tributação englobam também a CSLL. Vejase: Art. 11. Para efeito de interpretação, os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL. (destacouse) Neste sentido, por se tratar de uma lei interpretativa, os seus efeitos podem retroagir a fatos pretéritos, mesmo que ocorridos antes da entrada em vigor da legislação, nos exatos termos do comando do artigo 106 do Código Tributário Nacional, que diz que a lei será aplicada a atos e fatos pretéritos, "em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados". Por todo exposto, neste ponto, DÁSE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para se cancelar os créditos tributários constituídos em decorrência dos lucros auferidos pelas empresas com sede na Argentina, quais sejam: Lambic AS; Hohneck Sociedade Anônima e Maltaria Pampa. Como no presente caso, se está dando, no mérito, provimento integral ao Recurso Voluntário e negandose provimento ao Recurso de Ofício, não há que se falar em análise aos argumentos subsidiários apresentados pela Recorrente, notadamente no que tange à exclusão da reserva legal do lucro tributável; a compensação dos impostos pagos no exterior e a incidência dos juros sobre as multas aplicadas. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias VOTO VENCEDOR Paulo Henrique Silva Figueiredo Redator designado Acompanho o Relator quanto à improcedência das preliminares de ilegitimidade da distribuição ficta tratada pelo Art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e de nulidade do lançamento. No mérito do Recurso Voluntário, porém, por possuir posição já conhecida no sentido da inexistência de antinomia entre o citado art. 74 e as regras trazidas pelas convenções firmadas pelo Brasil, nos moldes da ConvençãoModelo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico OCDE (posição, inclusive, majoritária neste Colegiado), considero necessários alguns esclarecimentos previamente ao julgamento. É que um dos pedidos da Recorrente é a compensação dos impostos pagos no exterior pelas controladas argentinas e pela Labatt e Ambev Luxemburgo. Neste sentido, caso seja negado provimento ao Recurso Voluntário, quanto à matéria de fundo, somente é possível a deliberação quanto ao pedido subsidiário, mediante a certeza acerca dos pagamentos invocados pela Recorrente. Fl. 28882DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.883 37 A Recorrente apresentou, junto com a Impugnação, farta documentação destinada à comprovação dos tributos pagos no exterior (fls. 9.323 a 11.215). A autoridade julgadora de primeira instância, porém, ao analisar o pleito de compensação, assim se manifestou sobre as provas reunidas aos autos: "Ora, ao compulsar o anexo à impugnacã̧o intitulado “doc. 06”, só constatei três únicos documentos relativos ao imposto de renda argentino (impuesto a las ganancias), quais sejam, os documentos: a fls. 9516, um comprovante de arrecadação no valor de 53,8 milhões de pesos; a fls. 9517, um comprovante de pagamento no valor de 172.289,97 pesos; e, a fls. 9518/9519, uma declaração que informa um saldo de imposto a favor do Fisco Argentino no valor de 59.097.515,83 pesos. Primeiro, os documentos de arrecadação apresentados (a fls. 9516 e 9517) não informam o nome/denominação do contribuinte que estaria recolhendo o tributo, razão pela qual sequer podemos garantir que seja de uma das controladas argentinas em tela. Segundo, o somatório dos valores supostamente pagos conforme referidos comprovantes não corresponde ao valor supostamente devido ao Fisco argentino (AFIP) na declaração a fls. 9517. Terceiro, é verdade que o documento de arrecadação argentino, por força do Acordo, por troca de notas, sobre Simplificação de Legalizações em Documentos Públicos, de 16 de outubro de 2003, publicado no Diário Oficial da União (DOU) em 23 de abril de 2004 (Seção 1, páginas 82 e 83), está dispensado de reconhecimento pelo Consulado da Embaixada Brasileira, mas, para ser aqui aceito, deveria ter sido reconhecido pelo órgão arrecadador argentino, conforme disposto no § 2º do art. 26 Lei 9.249/95. Com o Recurso Voluntário, o sujeito passivo reitera o pedido de compensação, formulando as seguintes considerações sobre a análise realizada pela instância julgadora: "Primeiramente, não considerou a r. decisão recorrida que nos termos da legislação aplicável (art. 14, parágrafo 6º da IN 213/2002), a Impugnante apresentou comprovantes de impostos pagos no exterior relativos a 4 (quatro) empresas nas quais possui participação societária (de forma direta ou indireta), conforme "Quadro de Estrutura Societária de 2012" de fls. 11.426: NCAQ S/A, Dunvegan S/A e Malteria Uruguay S/A, domiciliadas no Uruguai, e Malteria Pampa, com domicílio na Argentina. Em relação aos comprovantes dos impostos pagos no exterior relativos à empresa uruguaia Malteria Uruguay S/A, por exemplo, não considerou a r. decisão recorrida que os formulários 2176 apresentados referemse às antecipações mensais (a exemplo da nossa legislação) relativas porém a diversos tributos dentre os quais o equivalente ao nosso imposto de renda (IRAE), havendo no referido formulário, como por exemplo se verifica do formulário de fls. 11.469/11.474 a identificação do contribuinte ("RUBRO 1"), o período a que se refere a declaração, constando no "RUBRO 4", linha 34, o valor do imposto a ser antecipado "IRAE anticipo a pagar", no "RUBRO 7" um quadro resumo dos tributos a pagar (total dos créditos, total dos débitos e saldo devedor), sendo o "saldo devedor" apurado pago de 2 formas: uma diretamente em instituição bancária e outra Fl. 28883DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.884 38 mediante o denominado "pagos a cuenta" (dedução de valores já anteriormente pagos, de forma antecipada), o que explica a suposta "divergência" apontada pela r. decisão recorrida entre o valor do imposto apurado como devido e o comprovante do imposto pago perante a instituição bancária ("Boletos de Pago"). A r. decisão recorrida não considerou também que os formulários 2149 referemse às apurações anuais de tributos no país uruguaio, equivalentes à DIPJ, que indicam o valor do IRAE apurado como devido no ano e que deve ser considerado como crédito em favor da Recorrente, o mesmo ocorrendo em relação aos formulários 713 do país argentino, sendo que tanto no Uruguai como na Argentina o exercício social tem início em outubro de um determinado ano civil e encerramento em setembro do ano seguinte. Outrossim, não considerou ainda a r. decisão recorrida que em relação às empresas NCAQ S/A e Dunvegan S/A, a Recorrente juntou todos os comprovantes de recolhimento de IRRF (DARFs) do período relativos a juros de empréstimos contraídos pela Recorrente junto a empresas ligadas no exterior, conforme contratos de câmbio apresentados, cujos valores compuseram os lucros das referidas empresas no exterior. Portanto, além dos documentos de arrecadação de fls. 9516/9517 há diversos outros documentos juntados às fls. 11.439 a 12.504 dos autos que comprovam os impostos pagos no exterior e que não foram considerados pela fiscalização. Por fim, diante da alegação da r. decisão recorrida de que só encontrou 3 únicos documentos relativos ao imposto de renda, a Recorrente vem apresentar os documentos anexos (doc. j.), que correspondem em parte aos documentos já apresentados com a defesa no doc. 06, e em parte a alguns documentos adicionais, os quais todavia foram organizados de forma mais sistemática para melhor compreensão desses documentos, que comprovam o pagamento do imposto no exterior." Isto posto, voto por converter o presente julgamento em diligência, para este processo retorne à Unidade de origem, de modo a que a autoridade administrativa se manifeste sobre se os documentos juntados pelo Recorrente (fls. 27.633 a 28.786) comprovam os tributos pagos no exterior e atendem as exigências previstas na legislação, para o seu aproveitamento no Brasil. Para a realização da Diligência, a autoridade administrativa poderá intimar o sujeito passivo a apresentar esclarecimentos, justificativas e documentos complementares, que entender necessários à análise demandada, incluindo, dentre outros pontos (caso inexistentes nos autos): a) o esclarecimento, de forma clara e objetiva, do vínculo societário e do percentual de participação relativo a cada empresa cujo pagamento no exterior estiver sendo objeto de pedido de compensação; b) a apresentação, de forma objetiva, do demonstrativo de que o lucro relativo aos valores a serem compensados foi oferecido à tributação, no país de origem, de forma deixar Fl. 28884DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201777 Resolução nº 1302000.702 S1C3T2 Fl. 28.885 39 clara a composição dos totais constantes das declarações, bem como os correspondentes documentos contábeis; c) a apresentação do demonstrativo de cálculo do limite de compensação, nos termos do § 1º do artigo 395 do RIR/99, individualizados por empresa no exterior; d) a apresentação dos comprovantes de quitação consularizados, ou, a comprovação de que eles são legítimos, o que pode ser feito com a juntada da lei que estabelece sua utilização com tradução juramentada; e) a apresentação do demonstrativo de conversão para o Real dos impostos pagos no exterior; Após o término dos trabalhos, a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, abrindo prazo de 30 dias para o exercício do contraditório. Após, reencaminhese o processo à este Colegiado para continuação do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 28885DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.002303/2005-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles.
Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática.
Numero da decisão: 9303-007.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles. Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 23 03 /2 00 5- 44 Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10875.002303/200544 Acórdão n.º 9303007.814 CSRFT3 Fl. 1.216 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte VISTEON SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.894 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 08 de dezembro de 2015, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido A Turma a quo entendeu por negar provimento ao recurso voluntário da Contribuinte pois, em síntese, não teria ela se desincumbido do ônus de comprovar o seu direito creditório, bem como em razão da impossibilidade de apreciação dos argumentos trazidos pela Recorrente somente na via recursal e cujo litígio não foi instaurado desde a primeira instância. Além disso, no acórdão recorrido, foi consignado ter ocorrido a juntada de documentos pelo Sujeito Passivo em data posterior ao próprio julgamento do recurso voluntário, corroborando a afirmação contida no decisum de não insurgência da Contribuinte, por meio de manifestação de inconformidade, quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, deixando transcorrer in albis o prazo para a sua defesa. Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 10875.002303/200544 Acórdão n.º 9303007.814 CSRFT3 Fl. 1.217 3 Em face da referida decisão, a Contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados conforme despacho s/n.º, por inexistir quaisquer vícios de omissão, obscuridade ou contradição no julgado. Não resignada, a empresa interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto à (a) apreciação de provas trazidas em sede recursal, nos termos do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72; e (b) aplicação da regra da preclusão, consoante art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, com relação à possibilidade de apreciação dos argumentos suscitados apenas em sede de recurso voluntário e cuja controvérsia não foi instaurada em primeira instância administrativa. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos n.ºs 9303001.842 e 910100.514, respectivamente. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 18 de janeiro de 2017, proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial quanto à apresentação extemporânea de documentos e à aplicação da regra da preclusão. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial, por ausência de cotejo analítico e de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas, e, no mérito, a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anterior Portaria MF n.º 256/09). Depreendese da análise do acórdão recorrido ter o mesmo fundamento em dois pontos: (a) não ter a Contribuinte se desincumbido do seu ônus probatório com relação ao crédito pleiteado, bem como (b) ausência de apresentação de defesa com relação ao segundo Termo de Constatação Fiscal no prazo legal estabelecido, o que foi corroborado pela juntada de documentos após o julgamento do recurso voluntário, impossibilitando a sua apreciação. Para elucidar a assertiva, pertinente a transcrição de trechos do acórdão recorrido, in verbis: Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 10875.002303/200544 Acórdão n.º 9303007.814 CSRFT3 Fl. 1.218 4 [...] No presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, incumbindo ao autor a prova quanto ao fato constitutivo do seu direito. No caso em exame, a interessada declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. Nesses termos, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação ao fisco, quando solicitado, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações. [...] Conforme relatado, a DCOMP apresentada foi submetida a análise pela autoridade competente para decidir acerca do direito pleiteado: ∙ Seort da DRF/Guarulhos emitiu o Despacho Decisório n° 536/2009, por meio do qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que a documentação apresentada pela contribuinte em resposta às diversas intimações seria insuficiente para reconhecimento do crédito pleiteado, registrando ainda que o contribuinte não atendeu integralmente as intimações nos prazos fixados, deixando de apresentar elementos essenciais ao exame do pleito, Restando não homologados os créditos pleiteados, demonstrase a seguir de forma sumarizada os desdobramentos e tramitação processual respectivos. Uma vez nãohomologada a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é facultada ao sujeito passivo a apresentação de manifestação de inconformidade às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ contra a nãohomologação da compensação pela autoridade competente para decidir o pleito (no prazo de trinta dias da ciência da nãohomologação), assim como a apresentação de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF contra o acórdão das DRJ que manteve a não homologação da compensação (no prazo de trinta dias da ciência do acórdão), conforme previsão dos §§ 7º a 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Usando da faculdade que lhe o confere o referenciado dispositivo legal, o contribuinte ingressou com a Manifestação de Inconformidade acompanhada dos documentos de fls. 273/554. Na sequência, a 3ª Turma da DRJ/Campinas decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2.961, de 14/06/2010. [...] Ante o exposto constatase que foram feitas várias intimações, antes de ser exarado o Despacho Decisório não homologatório de fls. n° 536/2009 e ainda, após instaurado o litígio, a instância julgadora a quo, diante da novel documentação apresentada na Manifestação de Inconformidade converteu o julgamento em diligência, em razão de sua competência regimental, nos termos do 1art.233, inciso IV, da Portaria MF nº 203, de 2012, DOU de Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 10875.002303/200544 Acórdão n.º 9303007.814 CSRFT3 Fl. 1.219 5 17/05/2012, que aprova o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB para julgamento de litígio instaurando em decorrência de apresentação de inconformidade contra apreciações das autoridades em processos relativos a compensação, para que a autoridade jurisdicionante, competente para decidir o pleito procedesse a análise da documentação apresentada, ensejando em decorrência os dois termos de constatação fiscal acima mencionados, sendo importante ressaltar que ao exarar o primeiro Termo de Constatação, após cientificado, o contribuinte solicitou prazo adicional para apresentação de documentos, sendo acolhido, se não expressamente, de maneira tácita, já que novos documentos foram apreciados, resultando no segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717. Verificase assim que quanto ao aspecto material, visando conferir a liquidez e certeza do crédito alegado, foi procedida a verificação junto ao contribuinte do suporte probatório que lhe competia demonstrar, conforme dispõe a legislação de regência, quantos às operações que ensejariam referido crédito, no entanto como já sobejamente explicitado, o contribuinte ofereceu apenas parte da documentação, que se mostrou insuficiente para homologar totalmente o crédito pleiteado. Digno de nota que embora regularmente cientificado do segundo Termo de Constatação Fiscal, declinou o contribuinte de exercer o seu direito de defesa, já que não houve a contestação na Manifestação de Inconformidade quanto ao referido termo. Inferese portanto que o contribuinte não desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Inexistindo contestação acerca do segundo termo de contestação a instância a quo procedeu ao julgamento com a apreciação das matérias litigadas na Manifestação de Inconformidade apresentada e o resultado da diligência solicitada, cujo conteúdo decisório se demonstra a seguir, por alguns excertos: [...] Do ponto de vista formal, com fulcro no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, [Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997), assim os argumentos de mera presunção quanto ao direito à via recursal, ainda que silente em relação à primeira instância, não podem ser acolhidos, uma vez que as matérias submetidas à primeira instância determinam os limites do litígio na via contenciosa administrativa, de modo que a matéria não contestada em primeira instância administrativa, suscitada pela recorrente somente na peça recursal, tornase preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria, condição, segundo a norma que rege o processo administrativo fiscal para submeterse ao duplo grau de jurisdição. [...] Digno ainda de nota que a solicitação de juntada de documentos em 15/12/2015, conforme relatado foi efetuada após o julgamento do presente processo, corroborando a fundamentação já delineada quanto a não Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10875.002303/200544 Acórdão n.º 9303007.814 CSRFT3 Fl. 1.220 6 apresentação de manifestação de inconformidade relativa ao segundo Termo de Constatação no prazo legal estabelecido com os motivos de fato e de direito para fundamentar sua contestação, bem como os pontos de discordância, as razões e provas que visassem infirmar o referido termo. Assim os documentos apresentados somente em 15/12/2015 não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações respectivas: [...] Nesse mister, ante os fundamentos acima expostos deixo de conhecer a contestação somente em sede recursal quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717, mantendo in totum a decisão de piso, bem como os documentos cuja solicitação de juntada foi posterior ao julgamento do presente processo. [...] A Contribuinte, ao apresentar o seu recurso especial, insurgiuse tão somente quanto ao argumento da análise de provas apresentadas posteriormente à manifestação de inconformidade e à preclusão, não tendo realizado a comprovação da divergência com relação à atribuição do ônus probatório. Assentandose a decisão em mais de um fundamento, sendo eles autônomos entre si para a manutenção do julgado, é necessário que a parte se insurja quanto a todos eles para que tenha prosseguimento o recurso especial. Nesse sentido é a Súmula do STF n.º 283: " É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Além disso, com relação ao tema de insurgência análise de provas juntadas aos autos após a manifestação de inconformidade e preclusão não houve a devida comprovação da divergência jurisprudencial por meio dos paradigmas apresentados, conforme despacho de exame de admissibilidade exarado no processo n.º 16098.000064/200955, do mesmo Contribuinte, o qual tem idênticos acórdãos recorrido e paradigmas. Naqueles autos, a negativa de seguimento ao apelo especial deuse em razão da ausência de comprovação do dissenso interpretativo, com base nos seguintes argumentos, que passam a integrar o presente julgado: [...] 1 – COFINS – PROVA – APRECIAÇÃO DE PROVAS APRESENTADAS EXTEMPORANEAMENTE – ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72 Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº CSRF/9303001.842. Vejamos sua ementa: [...] Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 10875.002303/200544 Acórdão n.º 9303007.814 CSRFT3 Fl. 1.221 7 Inicialmente importa ressaltar que o recurso especial é remédio para solução de divergências na interpretação da legislação tributária. Não cabe à Instância Especial a reapreciação do conjunto probatório. A recorrente parte da premissa equivocada de que o acórdão recorrido teria rechaçado a possibilidade de apreciar provas apresentadas extemporaneamente. Tal não se deu. Não há decisão, no acórdão recorrido, que negue a apreciação das provas apresentadas a destempo, em tese. A rejeição às provas juntadas extemporaneamente, no presente caso, fundamentase no fato material de terem sido apresentadas, conforme a exposição da relatora, depois da data julgamento do acórdão recorrido. Sustenta a recorrente que o acórdão recorrido teria cometido equívoco, ao considerar a data da apresentação das provas em 15/12/2015, quando, alega, foram apresentadas em 01/12/2015. Alega ainda que tal circunstância foi objeto de sustentação oral, porém não acatada pela Turma (folha 1.177 e 1.178). Tais alegações foram rebatidas, em despacho de admissibilidade de embargos, em outros processos da empresa julgados na mesma sessão pela Turma. Neste presente processo os embargos foram rejeitados porque intempestivos. De qualquer modo, o que resta é que o fundamento do acórdão recorrido, neste aspecto, é a ausência das provas quando do julgamento, portanto, decorre a incomparabilidade com o paradigma apresentado. Assim, sendo diversos os fundamentos dos arestos comparados, não há demonstração de divergência jurisprudencial quanto a esta matéria. 2 – COFINS – MATÉRIA PRECLUSA ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72 Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº CSRF/910100.514. Vejamos sua ementa, transcrita na parte de interesse ao presente exame: [...] O paradigma expressa a tese de que, no contexto da apreciação do instituto da preclusão, previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, devese diferenciar a “defesa” dos “fundamentos de defesa”. A primeira não poderia ser inovada, enquanto os segundos, sim. Em outras palavras, a preclusão incidiria sobre as infrações cometidas e não defendidas, isto é, se todas as infrações tiverem sido contestadas em recurso inicial, eventual recurso a instância superior poderia apresentar novas teses jurídicas. Porém, o acórdão recorrido considerou que o contribuinte não apresentou nenhuma defesa nem defesa, nem fundamentos de defesa perante as infrações apontadas no resultado da diligência fiscal, resultado da diligência fiscal que restou convalidado pela DRJ. Com efeito, o acórdão recorrido relata que o contribuinte foi intimado a manifestarse acerca dos resultados da diligência fiscal que calculou o crédito afinal acatado pela instância julgadora a quo e não o tendo feito, não remanesceu qualquer litígio. Confirase trecho (folha 966): [...] Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10875.002303/200544 Acórdão n.º 9303007.814 CSRFT3 Fl. 1.222 8 Ressalto que fato de o cálculo ter sido feito apenas em sede de diligência fiscal solicitada pela DRJ foi responsabilidade do contribuinte, posto que não apresentou, na fase anterior, os documentos solicitados. Portanto, a responsabilidade para que a oportunidade de defesa sobre as infrações apontadas tenha se dado após a manifestação de inconformidade também é do contribuinte. [...] Portanto, nenhuma das infrações e diferenças de cálculo apontadas na referida diligência fiscal final foi objeto de “defesa” ou “fundamentos de defesa” por parte do contribuinte, na primeira instância administrativa. Desse modo, a distinção vazada pelo paradigma se revela inócua no presente caso, razão pela qual concluise que não foi demonstrada a divergência quanto a esta matéria. [...] Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15954.000026/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/01/2010
MULTA ATRASO ENTREGA DACON. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Impugnação Administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-006.124
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/01/2010 MULTA ATRASO ENTREGA DACON. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Impugnação Administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da Impugnação Administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 4. 00 00 26 /2 01 0- 36 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 15954.000026/201036 Acórdão n.º 3402006.124 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, alegando problemas com o provedor da internet, julgada improcedente nos termos do Acórdão da DRJ nº 09042.642. Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo alegando, em síntese, que a impugnação apresentada configurou forma de denúncia espontânea, sendo o tributo autodeclarado pela empresa antes de qualquer procedimento administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.109, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10840.000562/201003, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.109): "Não obstante o Recurso Voluntário seja tempestivo, observese que os argumentos de mérito nele desenvolvidos não foram levados à análise da Delegacia de Julgamento, não merecendo ser conhecido. Com efeito, em seu Recurso Voluntário, sustenta a Recorrente, exclusivamente, a ocorrência de suposta denúncia espontânea, com fulcro no art. 138, do CTN. Por sua vez, em sua impugnação, a empresa se ateve a afirmar o descabimento da multa em razão dos problemas incorridos no provedor da internet. Observase, portanto, que a Recorrente pretende que seja aqui analisada matéria que não foi objeto de Impugnação e que não foi analisada pela DRJ (denúncia espontânea). Assim, como a discussão travada no Recurso Voluntário se restringe à matérias que não foram trazidas em sede de Impugnação, sua análise restou preclusa nesta instância administrativa, na forma Fl. 37DF CARF MF Processo nº 15954.000026/201036 Acórdão n.º 3402006.124 S3C4T2 Fl. 4 3 do art. 17 do Decreto n.º 70.235/721. Com isso, não se tratando de matérias passíveis de serem conhecidas de ofício por este colegiado, delas não tomo conhecimento sob pena de supressão de instância e de ferir o devido processo legal. Nesse sentido é o entendimento deste E. CARF: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade." (Processo 10875.903610/200978 Relator Juliano Eduardo Lirani Acórdão n.º 3803004.666. Unânime grifei) Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra 1 "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Fl. 38DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.903174/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2001
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO NÃO INTEGRANTE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Não integra o contencioso administrativo direito creditório que não consta de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), cuja homologação está sendo discutida administrativamente.
DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.
O saldo negativo na Declaração de Imposto da Renda Pessoa Jurídica será pago independente de pedido de restituição ou de compensação, exceto nas situações em que será compensado de oficio pela Fazenda pública.
DCOMP. RETIFICAÇÃO DE ERRO QUANTO À ESPÉCIE DE CRÉDITO. NÃO CABIMENTO EM SEDE RECURSAL.
Incabível a retificação, em sede recursal, de erro quanto à espécie de crédito a compensar que tiver implicado procedimento de verificação diverso do devido.
Numero da decisão: 2402-006.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2001 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO NÃO INTEGRANTE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Não integra o contencioso administrativo direito creditório que não consta de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), cuja homologação está sendo discutida administrativamente. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. O saldo negativo na Declaração de Imposto da Renda Pessoa Jurídica será pago independente de pedido de restituição ou de compensação, exceto nas situações em que será compensado de oficio pela Fazenda pública. DCOMP. RETIFICAÇÃO DE ERRO QUANTO À ESPÉCIE DE CRÉDITO. NÃO CABIMENTO EM SEDE RECURSAL. Incabível a retificação, em sede recursal, de erro quanto à espécie de crédito a compensar que tiver implicado procedimento de verificação diverso do devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO NÃO INTEGRANTE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Não integra o contencioso administrativo direito creditório que não consta de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), cuja homologação está sendo discutida administrativamente. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. O saldo negativo na Declaração de Imposto da Renda Pessoa Jurídica será pago independente de pedido de restituição ou de compensação, exceto nas situações em que será compensado de oficio pela Fazenda pública. DCOMP. RETIFICAÇÃO DE ERRO QUANTO À ESPÉCIE DE CRÉDITO. NÃO CABIMENTO EM SEDE RECURSAL. Incabível a retificação, em sede recursal, de erro quanto à espécie de crédito a compensar que tiver implicado procedimento de verificação diverso do devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 31 74 /2 00 8- 11 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 15374.903174/200811 Acórdão n.º 2402006.886 S2C4T2 Fl. 341 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos o relatório constante do Acórdão nº 1225.673, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro I/RJ, fls. 130 a 132: Versa este processo sobre o PER/DCOMP n° 29937.11526.071 103.13.048561 (fls. 2/6). Através do Despacho Decisório n° 757794718 (fl. 8), diante da inexistência do crédito, não foi homologada a compensação declarada. O interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10/17. Nesta peça, alega, em síntese, que: apresentou PER/DCOMP pleiteando a utilização de créditos relativos a supostos pagamentos indevidos ou a maior; ao ser intimado para apresentar darf comprobatório do recolhimento efetuado de forma indevida, verificou que cometera um erro formal ao informar que os créditos seriam decorrentes de recolhimentos indevidos, quando se tratavam de créditos de IRRF sobre aplicações financeiras, que deveriam ser restituídos, por ter sido apurado saldo negativo na DIPJ/2002; ` como o PER/DCOMP não permite alteração no campo “Origem das Receitas”, apresentou petição informando o erro cometido; não pode ser apenado por mero erro formal, devendo prevalecer a verdade material. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 6ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I/RJ, por unanimidade de votos, conclui pela sua improcedência, sob o argumento de que a mudança pretendida no Per/Dcomp “não representa erro formal, conforme alegado”, mas sim representa “direito creditório novo”, que não integrou a “lide” referente ao Per/Dcomp analisado. Dessa forma, a análise desse direito creditório novo, em sede de manifestação de inconformidade, “suprimiria uma instância de julgamento”. Cientificada da decisão de primeira instância, em 16/4/10, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 202, a Contribuinte, por meio de seus advogados (procuração de fls. 57, 58 e 87 a 91), interpôs o recurso voluntário de fls. 204 a 212, em 17/5/10, alegando, em síntese, que: [...] a partir do recebimento da indigitada Intimação [para apresentar o DARF do suposto recolhimento indevido], a Recorrente verificou que cometera um mero erro formal ao imputar no campo da PER/DCOMP denominado “Origem dos Créditos" que os créditos que seriam utilizados na compensação Fl. 341DF CARF MF Processo nº 15374.903174/200811 Acórdão n.º 2402006.886 S2C4T2 Fl. 342 3 seriam decorrentes de recolhimentos efetuados de forma indevida, quando na verdade, tratavamse de IRRF sobre aplicações financeiras que deveriam ser restituídos uma vez que o contribuinte apurou saldo negativo na DIPJ relativa ao ano de 2002. Desta forma, considerando que a PER/DCOMP não permite alterações no campo denominado “Origem das Receitas”, bem como em cumprimento à referida intimação, a Recorrente apresentou petição na data de 26.09.06 informando o erro formal cometido, bem como demonstrando de forma clara e precisa a existência dos créditos de IRRF que seriam utilizados na compensação requerida, conforme podese verificar pela própria DIPJ 2002, pelo informe de rendimentos financeiros expedido pelo BANCO BANESPA GRUPO SANTANDER BANESPA e pela planilha de atualização do crédito. [...] Alega a D. Autoridade julgadora, como premissa para o desprovimento da Manifestação de Inconformidade, que a alteração na origem do crédito "não representa mero erro forme conforme alegado”, e sim “direto creditório novo”. Em seguida assevera a D. Autoridade que “não íntegra a lide direito creditório que não consta do PER/DCOMP analisado, porquanto a análise suprimiria uma instância de julgamento”. Pois bem. Com efeito, equivocase a D. Autoridade Julgadora ao entender que a alteração da origem do crédito macularia o pedido de compensação formulado, e que tal alteração não poderia ser apreciada em sede de Manifestação de Inconformidade uma vez que supriria a análise preliminar da DERAT. Isso porque, conforme esclarecido pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade e devidamente constante dos autos, a Recorrente cuidou de elucidar, ANTES DA ANÁLISE INICIAL REALIZADA PELA DERAT E ANTES DA PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO que havia se equivocado quando da indicação do crédito no PER/DCOMP, tendo esclarecido todo o ocorrido por meio da petição protocolada em 26 de setembro de 2006. [...] Assim sendo, não há que se falar em supressão de instância, uma vez que à DERAT foi conferida a oportunidade de manifestarse acerca das informações prestada pela Recorrente. [...] No caso em tela, verificase que dúvidas não pairam sobre o fato da empresa deter os créditos de IRRF que serão utilizados na compensação pleiteada. [...] Fl. 342DF CARF MF Processo nº 15374.903174/200811 Acórdão n.º 2402006.886 S2C4T2 Fl. 343 4 Em casos como estes, verificase que a verdade material deve prevalecer, quando demonstrado o mero erro formal no documento entregue à Secretaria da Receita Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Das alegações recursais Em seu recurso voluntário, a Recorrente alega que ao ser solicitada a apresentar o DARF com suposto recolhimento indevido, verificou que cometera um mero erro formal ao informar no Per/Dcomp, no campo denominado “Origem dos Créditos" que os créditos a serem utilizados na compensação seriam decorrentes de recolhimento indevido, quando na verdade, tratavase de IRRF sobre aplicações financeiras que deveria ser restituído, uma vez que o contribuinte apurou saldo negativo na DIPJ relativa ao ano de 2002. A Recorrente aduz, ainda, que avisou a Derat sobre o erro formal na Per/Dcomp antes da prolação do despacho decisório. Pois bem, em que pese a defesa, não há como se homologar tal pedido de compensação. Segundo se observa no extrato do Banco do Estado de São Paulo S/A (BANESPA) de fl. 334, a Recorrente sofreu retenção de R$ 11.034,02 (aparentemente devida) sobre rendimento de aplicação financeira de R$ 55.170,11, tendo informado tais valores na DIPJ 2002, fls.119 a 121. Logo, se a DIRJ em questão resultou em saldo negativo (Imposto de Renda a Pagar = R$ 34.201,57, segundo o cálculo de fl. 197), ou seja, se resultou em crédito de imposto a restituir, é esse crédito que deve ser restituído, caso a empresa não apresente outros débitos passiveis de serem compensados com esse crédito, segundo determinava a o art. 34 da Instrução Normativa (IN) SRF nº 600, de 26/12/05. Não há, portanto, como substituir, no Per/Dcomp, o crédito supostamente informado erroneamente com parcela do saldo de imposto a restituir na DIPJ 2002, pois são coisas absolutamente diferentes. Nesse ponto, insta trazermos à baila o seguinte esclarecimento da decisão de primeira instância com o qual concordamos: O IRRF contribui para a apuração de eventual saldo negativo de IRPJ, mas com ele não se confunde. O saldo negativo desse Fl. 343DF CARF MF Processo nº 15374.903174/200811 Acórdão n.º 2402006.886 S2C4T2 Fl. 344 5 imposto, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior. Também entendemos, como bem apontado pela decisão a quo, que a Recorrente poderia ter retificado o seu Per/DComp (por meio eletrônico ou mediante formulário em meio papel), no caso de inexatidão material nos dados informados, ou ter apresentado um novo Per/DComp, no caso de o crédito ter uma outra origem, porém, não o fez. De qualquer modo, não se observa qualquer prejuízo à Recorrente, pois, se a DIPJ de 2002 resultou em saldo negativo, o valor recolhido a maior de imposto no ano é passível de restituição, sendo o valor restituído atualizado pela Taxa Selic, quando do seu pagamento ou compensação, observados os limites temporais. Conclusão Sendo assim, diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19615.000890/2007-34
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
null
Aplica-se multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal.
No caso concreto aqui analisado, restou verificada a inexistência de subsunção do fato à norma, visto que foi a própria fiscalização quem deu causa ao não atendimento à intimação enviada, em razão da imprecisão/incorreção quanto ao seu conteúdo.
Numero da decisão: 3002-000.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária null Aplica-se multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal. No caso concreto aqui analisado, restou verificada a inexistência de subsunção do fato à norma, visto que foi a própria fiscalização quem deu causa ao não atendimento à intimação enviada, em razão da imprecisão/incorreção quanto ao seu conteúdo.
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Recorrente MARIA MARLUCIA MENEZES DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 16/08/2007 MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. Aplicase multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal. No caso concreto aqui analisado, restou verificada a inexistência de subsunção do fato à norma, visto que foi a própria fiscalização quem deu causa ao não atendimento à intimação enviada, em razão da imprecisão/incorreção quanto ao seu conteúdo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 61 5. 00 08 90 /2 00 7- 34 Fl. 231DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 54/55 dos autos: Do Auto de Infração Tratase de auto de infração lavrado em desfavor Maria Marlucia Menezes de Souza, já qualificada nos autos, do qual resultou a exigência fiscal de R$ 5.000,00, relativa à multa por descumprimento de obrigação acessória, relacionada com constatação de embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, inclusive não atendimento à intimação. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 02 a 03), em 27 de fevereiro de 2007, foi realizada retenção de mercadoria de origem estrangeira, desacompanhada de nota fiscal, para que fosse efetuada uma verificação da regular importação do produto retido. Tudo conforme Termo de Abertura / Retenção n° CO2/07, de fl. 08. Tratase de 01 (um) Facsimile Sharp Modelo UxP200 N° De Série 67151098, Made In Tailândia, desacompanhado de Nota Fiscal. A mercadoria foi enviada pela Sra. Célia Victorino, AV. Santo Amaro, 1817/13, Moema, São Paulo SP, tendo como destinatária a Sra. Maria Marlucia Menezes de Souza, Rua. Dr. José Mariano, 1163, apto 302, PetrolinaPE. Intimada, a Contribuinte respondeu, laconicamente, que a compra foi processada pela sua filha, com pagamento através do seu cartão e a entrega foi endereçada para sua residência. Reintimada, solicitouse à Interessada maiores detalhes acerca da aquisição da citada mercadoria. Esta intimação foi recebida e, 16 de março de 2007, conforme AR, de fl. 24, não tendo a Contribuinte se manifestado a respeito. O volume retido encontravase em trânsito, Via Correios, postados conforme o número de registro dos Correios correspondente. A conduta adotada pelo sujeito passivo, segundo o fisco, configura infração prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do DL n° 37/66, com redação dada pela Lei 10.833/03. Logo, foi imputada a multa de R$ 5.000,00, prevista no citado dispositivo legal. Da Impugnação Devidamente cientificado, em 24/09/2007, fl. 28, comparece o sujeito passivo ao processo para impugnar o lançamento, em 01/10/2007, as fl. 31/33, alegando, em síntese: 1) ter encaminhado toda a documentação solicitada no Termo de Intimação inicial, acompanhada de resposta simples manuscrita, referente a documentação e ao procedimento em questão; 2) foi reiterada a intimação, em março de 2007, sob n.° CO2/07. A partir daí, contactou a RFB, falando com uma servidora, sendo dito que os documentos já se encontravam em posse do órgão, e que sua situação estava regularizada, fato que acarretaria a desconsideração da segunda intimação; 3) Para sua surpresa, recebeu, no mês de setembro, uma nova intimação, trazendo a obrigatoriedade do pagamento de uma multa no valor de R$ 5.000,00 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 19615.000890/200734 Acórdão n.º 3002000.539 S3C0T2 Fl. 232 3 (cinco mil reais). Alerta para o desequilíbrio existente entre o valor do produto (R$ 300,00) e o montante da multa aplicada; 4) por ter agido de boa fé, ter atendido o que lhe foi solicitado, não ter desrespeitado a Lei, solicita o cancelamento da multa, que foi aplicada de forma injusta, com a liberação do produto. O contribuinte juntou, com sua impugnação, documento de identificação, termos de intimação, AR e comprovantes de endereço (fls. 38/46). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, conforme decisão (fls. 53/57) que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/08/2007 ALEGAÇÃO. ONUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ELEMENTO SUBJETIVO. A responsabilidade pelas infrações é objetiva, não dependendo da aferição da existência de culpa ou dolo do agente. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/08/2007 MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. INCIDÊNCIA. Aplicase multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, A. intimação em procedimento fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado da decisão em 10/11/2011 (vide AR à fl. 62 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor interpôs, em 28/11/11, Recurso Voluntário (fls. 192/194). Consta nos autos termo de perempção por decurso de prazo sem apresentação de recurso (fl. 64) e despacho para inscrição do débito em dívida ativa (fls. 65/66). No entanto, foi emitida solicitação de retirada da inscrição do valor em dívida ativa, tendo em vista ter sido detectada a interposição tempestiva de recurso anteriormente à referida inscrição (fl. 154). Em seu recurso, o contribuinte reiterou os esclarecimentos prestados em sua impugnação, acerca do contexto da compra do produto em questão, informando ter sido adquirido por sua filha, o modo de pagamento e o vendedor. Afirmou que prestou as informações que entendeu devidas e que deixou de atender à segunda intimação por entender se tratar da mesma solicitação anteriormente enviada. Afirmou, por fim, que a obrigação de emitir os documentos que devem acompanhar a mercadoria é do vendedor, não do comprador, razão pela qual não imaginou que o produto seria enviado da forma ocorrida. Fl. 233DF CARF MF 4 Pediu, ao fim, o cancelamento do débito fiscal e a responsabilização do devido sujeito passivo. Juntou os documentos de fls. 195/222. À fl. 226 consta informação de cancelamento da inscrição do débito em dívida ativa. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, o não atendimento à segunda intimação enviada à Recorrente é fato incontroverso nos autos. Em sua defesa, a Recorrente alega que este não atendimento se deu em decorrência de orientação recebida de uma servidora da Receita Federal no sentido de que esta segunda intimação poderia ser desconsiderada. Argumenta, ainda, que deixou de atender à segunda intimação por entender se tratar da mesma solicitação anteriormente enviada. Ao tratar sobre esta segunda notificação, o auto de infração assim dispôs: Com base nas informações até então disponíveis, foi encaminhado o Termo de IntimaçãoDestinatárioTAR n° CO2/07 a Sra. Maria Marlucia as fls. ( 03/70), solicitando que a mesma apresentasse 6 Direp/SRRF04, dentre outros elementos, maiores detalhes sobre a aquisição da mercadoria retida. Em resposta a IntimaçãoDestinatário TAR n° CO2/07 As fls.(»), a Sra. Maria Marlucia respondeu, laconicamente, que a compra foi processada pela sua filha com pagamento através do seu cartão e a entrega foi endereçada para sua residência. Em virtude da intimação anteriormente enviada não ter sido respondido por escrito, conforme solicitado, foi encaminhado o Termo de Intimação 2Destinatário TAR n° CO2/07 a Sra. Maria Marlucia as fls. (1Tfl3), solicitando que a mesma apresentasse à Direp/SRRF04, dentre outros elementos, maiores detalhes sobre a aquisição da mercadoria retida. Ao analisar o presente caso concreto, entendo que assiste razão à Recorrente, por entender que não houve embaraço à fiscalização apto a ensejar a aplicação da penalidade disposta no art. 107, IV, alínea c do Decretolei nº 37/1966. É o que será devidamente esclarecido em sucessivo. A primeira intimação enviada à Recorrente (fls. 12/13 dos autos), intimava o contribuinte para apresentação, no prazo de 10 (dez) dias de informações relacionadas à mercadoria apreendida. Conforme reconhece a própria fiscalização no auto de infração lavrado, essa intimação foi atendida pelo contribuinte (vide resposta e documentos às fls. 15/24 dos autos). Fl. 234DF CARF MF Processo nº 19615.000890/200734 Acórdão n.º 3002000.539 S3C0T2 Fl. 233 5 Em seguida, fora enviada uma segunda notificação (fls. 25/26), a qual, conforme acima narrado, não fora atendida pela Recorrente (fato incontroverso nos autos). Essa segunda notificação assim dispôs: No exercício das atribuições do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal AFRF, conferidas pela Lei n2 10.593, de 06 de dezembro de 2002, em especial a allnea "c" do inciso I do artigo 6 2, com fundamento no artigo 8 2 do Decretolei n 2 399/68, artigos 94, 95 e 97 da Lei nº 4.502/64, artigo 7 2 da Lei n2 2.354/54, regulamentado pelos artigos 9b4, 905, 911 e 927 do _ Decreto n2 3.000/99, com amparo no Mandado de Procedimento Fiscal n 2 04.1.51.002007000149, tendo em vista que V. Sra. não respondeu por escrito a Intimação, conforme solicitado, fica o contribuinte supra qualificado, INTIMADO a apresentar a esta Divisão no endereço abaixo mencionado, no prazo de 10 (dez) dias, os documentos/esclarecimentos abaixo especificados: (...) (Grifos apostos). Em seguida, a notificação enumerou os mesmos documentos/esclarecimentos constantes da primeira notificação enviada. Como se vê, relata a auditora fiscal que esta segunda intimação estava sendo lavrada em razão da ausência de resposta por escrito à primeira intimação realizada. Acontece que, da análise dos autos, é possível constatar que esta informação não procede, visto que a Recorrente havia sim apresentado resposta à primeira intimação enviada. Por outro lado, da análise do conteúdo da segunda intimação enviada, extraise que foram solicitadas as mesmas informações constantes da primeira notificação enviada, não tendo a fiscalização, nesta segunda intimação, feito qualquer referência acerca da documentação já apresentada pela Recorrente nos autos. Ou seja, ao contrário do que entendeu a DRJ, penso que, da análise desta segunda intimação, não é possível concluir que esta fora expedida em decorrência de a fiscalização ter entendido que a primeira intimação não teria sido atendida de forma satisfatória. Caso tivesse sido esta a intenção/conclusão da fiscalização, deveria ter se pronunciado expressamente nesse sentido, indicando, ao menos, ter conhecimento dos esclarecimentos/documentos já apresentados nos autos. Ao contrário, a intimação limitouse a dispor que a Recorrente não teria respondido por escrito à primeira intimação enviada, o que não corresponde à realidade. Nesse contexto, entendo plausível tanto o esclarecimento apresentado pela Recorrente no sentido de que acreditava que se tratava da mesma solicitação anteriormente enviada, quanto a informação de que teria sido orientada por servidora da Receita Federal no sentido de que desconsiderasse a intimação recebido, visto que os esclarecimentos e documentos apresentados pela Recorrente já se encontravam acostados aos autos. Neste particular, entendo que não se faz necessária a comprovação por parte da Recorrente de que a servidora, de fato, o teria orientado conforme descrito acima, pois penso que esta conclusão decorre de uma simples leitura da segunda notificação enviada. Ou seja, no meu entender, foi a imprecisão/incorreção da informação constante da segunda notificação enviada que findou por levar a contribuinte a erro no que concerne à necessidade de responder a esta segunda intimação. Nesse contexto, foi a própria fiscalização quem deu causa ao não atendimento da intimação, em razão do conteúdo impreciso/incorreto ali posto. Fl. 235DF CARF MF 6 Sendo assim, entendo que não houve subsunção do fato à norma, diante da ausência de embaraço à ação de fiscalização aduaneira. A Recorrente trouxe aos autos os elementos que entendia necessários ao atendimento da primeira intimação enviada, e a ausência de resposta à segunda intimação, no meu entender, decorreu da imprecisão/incorreção constante do seu conteúdo, falha esta que não pode ser imputada à Recorrente. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto, para fins de cancelar o auto de infração combatido em sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.973572/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2003
NULIDADE ACÓRDÃO. FALTA DE ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que analisa o direito creditório do contribuinte com base em argumento diverso do que constou no despacho decisório combatido.
COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. POSSIBILIDADE.
Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Numero da decisão: 1302-003.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade do acórdão de primeiro grau, determinando o seu retorno à DRJ para que profira novo julgamento, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003 NULIDADE ACÓRDÃO. FALTA DE ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE. É nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que analisa o direito creditório do contribuinte com base em argumento diverso do que constou no despacho decisório combatido. COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. POSSIBILIDADE. Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade do acórdão de primeiro grau, determinando o seu retorno à DRJ para que profira novo julgamento, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 35 72 /2 00 9- 41 Fl. 118DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase processo administrativo decorrente de Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte DESIM Desenvolvimento Imobiliário Ltda., ora Recorrente, em face de despacho decisório que não homologou pedido de compensação administrativa, na qual foi indicado como direito creditório pagamento indevido ou a maior de estimativas do IRPJ referente ao período de apuração de 03/2003. Como se depreende dos autos, o litígio que envolve o presente processo decorre da análise da possibilidade legal de restituição e posterior compensação de recolhimentos a maior de estimativas mensais do IRPJ, uma vez que o contribuinte alega que recolheu, a título de estimativas mensais, valor superior ao devido no período, como se observa da Manifestação de Inconformidade que deu origem ao procedimento administrativo em questão. Contudo, em que pese os argumentos apresentados pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) entendeu por bem julgar como improcedente o apelo do contribuinte, sob o argumento de que o pagamento indevido ou a maior de estimativa deve ser deduzido do IRPJ apurado ao final daquele período ou compor o saldo negativo, não podendo ser objeto de restituição/compensação, como pretendido. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2003 ESTIMATIVA. PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. A partir de 29/10/2004, na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, este valor somente poderia ter sido utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimado, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, requer o reconhecimento do seu direito creditório e, por consequência, a homologação da compensação apresentada. Este é o relatório. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.973572/200941 Acórdão n.º 1302003.379 S1C3T2 Fl. 119 3 Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 17/02/2011 (fl. 111), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 17/03/2011 (fl. 112 e seguintes), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente e, por isso, uma vez cumpridos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO PROFERIDO PELA DRJ. DA POSSIBILIDADE DE SE VER RESTITUÍDO/COMPENSADOS OS PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR RELATIVOS ÀS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ. Como demonstrado no relatório acima, o Despacho Decisório não homologou a compensação pretendida, uma vez que os créditos teriam sido "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". O contribuinte, por sua vez, demonstrou que houve o recolhimento a maior das estimativas e que, por isso, estava caracterizado o indébito tributário, passível de compensação. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), contudo, sem analisar o direito creditório do contribuinte, fundamentou o seu voto com o argumento de que o "não era possível à Recorrente à época da transmissão da DCOMP sob análise — pleitear restituição/compensação de IRPJ calculado por estimativa eventualmente pago a maior como 'pagamento indevido ou maior que o devido'". Com esse entendimento, entendeu, aquela DRJ, que a Manifestação de Inconformidade do contribuinte deveria ser julgada como improcedente. Entretanto, é fato que aquele acórdão deixou de analisar o direito creditório do contribuinte, nos termos invocados pelo Despacho Decisório e que foram contrapostos, inclusive via documentação, pelo Recorrente. Assim, de ofício, reconhecese a nulidade do acórdão proferido pela DRJ de São Paulo, devendo os autos retornarem à instância a quo, para nova análise do direito creditório do contribuinte e se este é passível de liquidar os débitos, nos termos do pedido de compensação apresentado. Devese ressaltar, ainda, que a douta DRJ de São Paulo proferiu voto indeferindo o pleito do contribuinte, como mencionado, sob o argumento de que o crédito das estimativas pagas a maior deve ser deduzido do IRPJ apurado ao final daquele período ou Fl. 120DF CARF MF 4 compor o saldo negativo, não podendo ser objeto de restituição/compensação. Assim, como houve pedido de restituição/compensação, entendeu, aquela Delegacia de Julgamento, que o pleito do Recorrente deveria ser indeferido. Contudo, ao contrário do que restou decidido pela Turma a quo, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu diversos julgados em sentido diametralmente oposto ao que foi colocado no acórdão recorrido, sendo a discussão encerrada com a edição da súmula CARF nº 84, que tem a seguinte redação: Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Ademais, em que pese o entendimento já sumulado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não se pode olvidar que a própria Receita Federal do Brasil alterou o posicionamento, quando da publicação da Solução de Consulta Interna COSIT Nº 19, de 05 de dezembro de 2011, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIOESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.O art. 11 da IN RFB nº900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1ºde janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº460, de 2004, e IN SRF nº600, de 2005.A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1ºde janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº460, de 2004, e IN SRF nº600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2ºe 74; IN SRF nº460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº900, de 30 de dezembro de 2008. Assim, o entendimento exarado pela DRJ não pode prevalecer, devendo o direito creditório ser analisado nos limites do que já restou consolidado pelo CARF e externado através da súmula acima citada. Por todo exposto, votase por DECLARAR A NULIDADE do acórdão proferido pela DRJ de São Paulo I (SP), determinandose o retorno dos autos para que a Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.973572/200941 Acórdão n.º 1302003.379 S1C3T2 Fl. 120 5 instância a quo profira novo julgamento, com a análise do direito creditório do contribuinte, com base no entendimento de que é possível, para fins de restituição e compensação, caracterizar como indébito o pagamento indevido ou a maior, pelo contribuinte, das estimativas. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001938/2007-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.610
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
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CRÉDITO. FRETES. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. SELIC. Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA INDUSTRIAL EM LIQUIDAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 19 38 /2 00 7- 21 Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 3 2 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 4 3 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302003.307, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 5 4 Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 6 5 COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose com as seguintes discussões: (i) dos fretes sobre operações de transferências de mercadorias; (ii) dos fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; (iii) do crédito presumido – atividade agroindustrial – produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; (iv) possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS e Cofins (v) previsão legal para a incidência da Selic. Efetuado o exame de admissibilidade pelo Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, após a apresentação de Agravo pelo contribuinte, mediante reexame da admissibilidade pelo Presidente da CSRF, foi dado seguimento ao recurso especial relativamente às matérias “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferência de insumos e Fl. 702DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 7 6 mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)”, “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes – 61.697.999)”; “enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins (61.697.4350) e “correção dos créditos pela taxa Selic (61.697.4353)”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Permitir que o contribuinte se credite de despesas necessárias, nos termos da legislação do imposto de renda redundaria em um aumento na distorção na base de cálculo dos tributos; · Como visto, na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; · Há vedação expressa quanto a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos; · A autorização para ressarcir ou compensar o crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 conforme o inc. I e inc. e II do art. 36 opera efeitos para pedidos de compensação/ressarcimento realizados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação da lei, isto é, a partir de 01/11/2009, tendo em vista que a publicação da Lei 12.058/2009 ocorreu em 14/10/2009; · Uma vez que a própria Lei estipulou expressamente que a compensação na forma do art. 36 não pode ser aplicada para pedidos de compensação anteriores ao mês subsequente à publicação da lei (novembro de 2009), deve ser negado provimento ao recurso especial do contribuinte neste ponto; · Os artigos 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a incidência da taxa Selic sobre crédito oriundo de ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativa, na medida em que estabelecem que o aproveitamento dessa modalidade de crédito não ensejará atualização monetária ou incidência de juros. É o relatório. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.593, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 13161.001374/200726, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.593): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos de conhecimento constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de agravo. Eis o que diz o Despacho de agravo (Grifos meus): “[...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O despacho agravado, comum a todos eles, concluiu pelo não seguimento nos seguintes termos: (...) Demonstração da legislação interpretada divergentemente [...] Essa fundamentação alcança as cinco matérias que o recorrente queria levar ao colegiado superior, a saber, a: 1) possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre 1.1 despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352); 1.2) despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999); 2) Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 3) Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 4) correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353) O agravo apresentado procura demonstrar que o recurso especial cumpriu todos os requisitos regimentais, em especial, a indicação da legislação contrariada. Pede, ao final, que seja dado seguimento a ele na íntegra. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 9 8 Com respeito às duas primeiras matérias, afirma que o recurso teria apontado que a legislação contrastada nos acórdãos seria o art. 3º, incisos II e IX das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições (10.637 e 10.833); quanto à terceira, seria o art. 13 da mesma Lei 10.833, já que o paradigma entendeu que ele não se aplicaria quando houvesse impedimento por parte da Administração. Esses os fatos. Para começar, deve ser enfatizado que os recursos foram apresentados quando já estava em vigor a Portaria MF 39, de fevereiro de 2016, que alterou a redação do § 1º do art. 67 do RICARF para: §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vejase que, com essa alteração, que retirou a expressão "de forma objetiva" antes presente e que vinha levando à interpretação, aqui repetida, de que o parágrafo estaria a impor a indicação precisa e expressa do dispositivo legal interpretado divergentemente, apenas se exige que haja demonstração da legislação tributária que teria sido interpretada de forma divergente. Não se exige, de modo algum, que haja indicação expressa de algum dispositivo legal específico. Essa interpretação menos rigorosa já foi mesmo adotada pela própria Câmara Superior de Recursos Fiscais1: [...] Demais disso, é mesmo fato, como apontado no agravo, que o recurso especial apresentado trazia sim menções às legislações contrariadas. É certo que ele não está estruturado do modo exemplar que caracteriza o despacho que o examinou. Em especial, não destaca ele tópico específico para demonstrar o cumprimento, um a um, dos requisitos previstos no art. 67 do RICARF. Ele principia pela enunciação da matéria que entende ter sido analisada divergentemente, seguida de imediata indicação e transcrição da ementa do pretendido paradigma, passando, ato contínuo, a demonstrar a divergência em si. Isso, não obstante, é igualmente certo que o RICARF, e antes dele o próprio Decreto 70.235, não estabelecem forma rígida para apresentação dos recursos neles previstos. Por isso, ainda que a menção aos atos legais não seja bem ordenada, há de ser reconhecida, e superado, portanto, o óbice apontado. E, por economia processual, vêse desnecessário o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do cumprimento do requisito material de demonstração da divergência em relação às cinco matérias. Ela é manifesta. Com efeito, a primeira, exatamente na forma como enfrentada no recorrido, o foi no primeiro paradigma arrolado. Lá, contrariamente ao que se decidiu aqui, entendeuse possível a tomada de créditos sobre fretes pagos para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos. O mesmo se passa com as outras duas, bastando a leitura de suas ementas para se ver que se trata da mesma matéria com conclusões opostas. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)"; "possibilidade de tomada Fl. 705DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 10 9 de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999)"; "enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)"; "possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)" e "correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353)". Vêse que, relativamente ao item: · Créditos de fretes sobre operação de transferência de mercadorias, houve demonstração de divergência entre os arestos, vez que o aresto recorrido interpretou de uma forma o inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, diferentemente dos indicados como paradigmas que reconheceram o direito ao crédito sobre o mesmo item; · Créditos de fretes sobre compras de fertilizantes e sementes. O aresto recorrido entendeu pela impossibilidade de se constituir crédito sobre o custo de transporte, vez que a mercadoria importada transportada não teria sido onerada pelas contribuições. E os paradigmas se direcionam pelo reconhecimento dos mesmos créditos, vez que o custo do transporte não se vincula ao tratamento tributário dada às mercadorias objeto desse transporte. · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS Da mesma forma, houve a divergência, vez que o aresto paradigma reconhece o direito a apuração e ressarcimento do crédito sobre essas mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 do NCM. · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS Vide item acima. · Taxa Selic, da mesma forma houve a divergência. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em despacho de agravo – ou seja, das seguintes matérias: · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos; · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes); e · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS · Correção dos créditos pela taxa Selic. Ventiladas tais considerações, quanto às duas primeiras matérias trazidas e que envolvem a constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a discorrer. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 11 10 No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303 005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303 006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303 006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303 006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303 006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303 006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303 005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303 005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303 005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303 005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 12 11 Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 13 12 Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Fl. 709DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 14 13 Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 15 14 Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Fl. 711DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 16 15 Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E Fl. 712DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 17 16 COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição Fl. 713DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 18 17 essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o transito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, tenho que os custos de fretes de mercadorias entre estabelecimentos são essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Proveitoso ainda trazer que, recentemente, a PGFN publicou a Nota SEI 63/18 – dispondo sobre o conceito de insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, considerando o decidido, em sede de repetitivo, pelo STJ que, por sua vez, entendeu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas INs SRF 247/2002 e 404/2004. Traz, em síntese, que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. E que para constatarmos que tal item seria essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo, seria importante fazer o “teste de subtração”. Eis a parte que traduz esse teste: “[...] Fl. 714DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 19 18 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]” Ou seja, se aplicarmos o teste de subtração para tal custo – a atividade do sujeito passivo seria efetivamente prejudicada. Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. Continuando, relativamente à outra discussão, qual seja, possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes), entendo que tais fretes são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – o que geraria crédito de PIS e Cofins. Ora, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 20 19 (...)1 Direcionandome para a última matéria trazida em recurso, qual seja, se há ou não correção pela taxa Selic sobre os créditos da Contribuição para o PIS e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da não cumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento, curvome à Súmula CARF 125, recémpublicada – que já definiu entendimento no âmbito administrativo: “Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao recurso do contribuinte. Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e dou provimento parcial ao seu recurso." (...) "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, discordo de sua conclusão, quanto ao enquadramento da atividade de cerealista, como atividade industrial, para efeito de gozo do crédito presumido da agroindústria do PIS e da Cofins, e, consequentemente, quanto ao ressarcimento/compensação do seu saldo credor trimestral. O contribuinte pleiteia créditos presumidos da agroindústria, a título de PIS e da Cofins, calculados sobre os custos das aquisições de produtos agrícolas in natura (soja e milho), beneficiados e vendidos por ele também in natura. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: 1 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do enquadramento da atividade de cerealista como atividade industrial e do consequente direito ao aproveitamento do crédito presumido da agroindústria (a título de PIS e Cofins), por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.593 (processo 13161.001374/200723). Fl. 716DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 21 20 I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, conforme demonstrados nos autos, o contribuinte não utilizou os produtos agrícolas, soja e milho, como matériasprimas para a fabricação de produtos derivados desses cereais. Não houve industrialização alguma. Os cereais foram adquiridos, beneficiados e comercializados in natura nos mercados interno e externo. De fato, o contribuinte exerceu apenas e tão somente as atividades de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar os cereais, soja e milho, in natura, ou seja, exerceu atividade agrícola que se enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, citado e transcrito anteriormente, que veda, de forma expressa, o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tal atividade. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo. As mercadorias produzidas industrialmente devem ser destinadas à alimentação humana ou animal e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir as matériasprimas de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e/ ou de cerealista, conforme previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004. Quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do crédito presumido da agroindústria, ora reclamado, embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar tais créditos, demonstrase, a seguir, a falta de amparo legal para o seu ressarcimento/compensação. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: Fl. 717DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 22 21 "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A Cofins não incidirá sobre as receias decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, quanto ao aproveitamento de crédito presumido da agroindústria, a título de PIS e Cofins, e, consequentemente, não reconhecer o seu direito ao ressarcimento/compensação de tais créditos." Fl. 718DF CARF MF Processo nº 13161.001938/200721 Acórdão n.º 9303007.610 CSRFT3 Fl. 23 22 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes relativos ao transporte de insumos adquiridos com alíquota zero. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 719DF CARF MF
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