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Numero do processo: 11020.905942/2008-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999
ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA.
A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares que seriam expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de ser indeferido seu pedido.
Numero da decisão: 3001-000.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas no recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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COFINS. PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. Recorrente SAVIPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999 ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares que seriam expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de ser indeferido seu pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas no recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 59 42 /2 00 8- 20 Fl. 163DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos descritos nos autos, adoto, por transcrição, o sucinto relatório que lastreou o v. acórdão recorrido (fls. 46/47), verbis. Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB jurisdicionante relativo à COntribl1Íçã0 para O PIS/P2lSep, em virtude de exame de declaração de compensação no qual Foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiênciade créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, alega que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis e Cofins, conforme disposição Lei 9.718/98, da constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta 0 conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 30, §2, inciso III, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. A decisão recorrida desacolheu a manifestação de inconformidade da empresa, alegando que a pretensão da impugnante de excluir da base de cálculo da contribuição valores que alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (fls. 49). Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.905942/200820 Acórdão n.º 3001000.624 S3C0T1 Fl. 3 3 Regularmente cientificada do teor do Acórdão nº 1018.472 em 13.03.2002 (fls. 50/51), ingressou o contribuinte com Recurso Voluntário em 13.04.2009 (fls. 52/79), reiterando suas razões impugnatórias constantes da Manifestação de Inconformidade, alegando preliminarmente que (i) a decisão recorrida foi proferida com ausência de fundamentação; (ii) laborou o julgador singular desvio de finalidade; (iii) daí resultando para o contribuinte prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal. Em razões de mérito, sustentou que: (a) o crédito pretendido é passível de compensação; (b) é patente a legalidade da sua pretensão com fulcro nos incisos do § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.718/1993; (c) a compensabilidade dos créditos pretendida é legalmente cabível; (d) a autoridade recorrida laborou em ilegalidade e inconstitucionalidade; e, (e) concluiu, verbis. Pelo exposto, requer a Recorrente seja provido o presente recurso a fim de que seja homologada a compensação declarada, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a conseqüente refonna do Acórdão DRJ/POA n° 1018.472, de 27 de fevereiro de 2009.. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. O contribuinte foi regularmente cientificada do teor do Acórdão nº 1018.477 em 13.03.2009( fls. 50/51), e ingressou com Recurso Voluntário em 13.03.2009 (fls. 52/79), através de procurador habilitado, preenchendo os demais pressupostos legais, pelo que dele tomo conhecimento por tempestivo o apelo Das Preliminares Data venia do hercúleo esforço do ilustre advogado da recorrente, entendo que não se sustentam juridicamente as preliminares deduzidas em sede recursal. Com efeito, embora sucinta, a decisão guerreada fundamentou de forma consistente e segura os argumentos que lastrearam sua conclusão. Logo, não há falar em falta de fundamentação e/ou desvio de finalidade, tendo em vista que a jurisprudência dos Tribunais Superiores, deste CARF e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais é firme e reiterada quanto ao acerto e juridicidade da decisão recorrida. Ademais, incumbe à parte comprovar a existência do crédito, com liquidez e certeza; e todas as oportunidades foram oferecidas à empresa para tal demonstração. Todavia, a pretensão do recorrente esbarra na ilegalidade de seu pedido, haja vista que o benefício que daria azo ao crédito pretendido dependia de regulamentação pelo Poder Executivo, o que nunca aconteceu. Tanto isto é verdade que foi editado o Ato Declaratório SRF nº 56/2000 disciplinando a inaplicabilidade do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei nº 9.718/1993; e, posteriormente, foi editada a Medida Provisória nº 1.99119/2000, revogando expressamente o alegado benefício fiscal. Consequentemente, rejeito as preliminares suscitadas em sede de Recurso Voluntário. Fl. 165DF CARF MF 4 Do Mérito Nos aspectos de mérito, melhor sorte não socorre ao recorrente, relativamente à pretensão deduzida. Senão, vejamos. Como relatado, a discussão gira em torno de ses aceita (ou não) a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores que a empresa alega terem sido repassados a terceiros, por entender a decisão recorrida que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua expressa revogação, por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou a autoridade recorrida, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Essa matéria, todavia, já é bem conhecida desse colegiado, inclusive dessa Turma Extraordinária que, através do Acórdão nº 3001000.409, de minha relatoria, proferido durante a sessão de 10 de julho próximo passado, corroborou a jurisprudência do CARF no sentido de que, por falta de regulamentação do Poder Executivo, não gerou eficácia aos contribuintes o benefício previsto no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, cujo voto transcrevo a seguir como fundamentos de decidir nestes autos, verbis. Como relatado, cuida o presente processo de pedido de compensação, no valor de R$ 6.755,07, mais devidas correções, pela não aplicação do art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.715/98. Demandase, assim, a autoexecutoriedade do artigo em comento e a compensação dos recolhimentos a maior do PIS e COFINS entre fevereiro de 1999 e agosto de 2000. Ambas as decisões recorridas (Despacho Decisório e Acórdão da DRJ/POA) entenderam pelo indeferimento total do pleito do requerente por considerar não ser autoaplicável o benefício constante do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.715/1998, em virtude da expressão “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, normas estas que nunca foram editadas, como expressamente reconhecido pelo Ato Declaratório 56/2000 e pela Instrução Normativa SRF 006/2000 . Argumentouse mais, no v. Acórdão recorrido, que a documentação apresentada pelo contribuinte fora insuficiente para a comprovação dos pagamentos alegadamente efetuados pela impugnante, ora recorrente, e que a pretensão encontra óbice também nas disposições da IN/SRF nº 006/2000. Ao contrário do trazido pela parte tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não se trata da discussão do decreto ser norma secundária, não podendo, pois, regular o dispositivo em comento. De fato, a discussão sobre a aplicação ou não de algo literalmente previsto no dispositivo legal primário, como o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, diz respeito à constitucionalidade ou não de tal previsão legal, o que não compete à seara administrativa. Para tanto, resta Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.905942/200820 Acórdão n.º 3001000.624 S3C0T1 Fl. 4 5 consolidado na Súmula nº 2 do CARF, determinando que o Colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Além disso, especificamente sobre o dispositivo em questão, o Ato Declaratório SRF nº 56/2000, apresenta os mesmos fundamentos, no sentido de que o dispositivo não seria autoexecutório, in verbis: "O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuções, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do §2º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998, condição resolutória para sua eficácia (...) considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória No 1.991 18, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1o de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Nesse diapasão, mister é reproduzir trecho do acórdão produzido pela 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre de nº 10 14.542, na página 33 do processo em questão, que ratifica esse escorreito posicionamento: "Irrelevante, para esse caso, a premissa de que o regulamento não pode alterar o conteúdo da lei, haja vista que, tratandose de dispositivo normativo que não tinha o atributo da auto executoriedade (sic), obviamente, enquanto não expedido o ato regulamentador, embora vigente, não produza efeitos. De fato, foi o dispositivo expressamente revogado pelo inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.88118/2000, sem que houvesse sido regulamentado, não tendo, assim, produzido efeitos no curso de sua vigência." O recorrente trouxe diversas jurisprudências vanguardistas do TRF4 no sentido de não precisar de norma regulamentadora, como o REAgR 378191/RJ, a AP em MS – 74550, Proc. 200071070075522, UF: RS e ACAP – 480218, proc. 200170000022294, UF:PR, contidos nas folhas 5153. Contudo, tais jurisprudências não são de Tribunais Superiores e não autorizam a instância administrativa a se manifestar sobre questões constitucionais, conforme previsto no Decreto Nº 2.346/1997, porquanto não há uma interpretação inequívoca e definitiva do texto constitucional. Dessarte, conforme o próprio requerente reconhece em seu Recurso (fsl. 50), não há consenso sobre a questão da norma em comento ser autoaplicável ou não. Fl. 167DF CARF MF 6 Por conseguinte, em face de todo o exposto, uma vez não reconhecido o direito do recorrente de recolher os PIS e COFINS nos moldes previstos no art. 3º, §2º, III da Lei 9718/98, conforme sustentado no apelo em julgamento (fls. 55), não há que se falar, também, em direito de efetuar a compensação do montante recolhido indevidamente, com parcelas vincendas dos próprios tributos na forma do art. 66 da Lei 8.383/91, como também sustentado pelo contribuinte em seu apelo, via pedido alternativo (fls. 55/65), partindo da alegada condição (fls. 55), de que a primeira parte do pedido seria provido, fato que não se confirma no caso concreto em exame. Ademais, a matéria já foi objeto de debate e julgamento pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara deste Colegiado que, em sessão de 25 de maio de 2017, proferiu o Acórdão nº 3301.003.671, por unanimidade de votos, afastando a tese da autoaplicabilidade da norma insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.715/1998 (Proc. 11065.910359/200903), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa, verbis. "EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Diante do exposto, e coerente com o meu entendimento esposado quando do julgamento do Processo 11080.901059/200856, tendo como recorrente a empresa Trefilaço Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11020.905942/200820 Acórdão n.º 3001000.624 S3C0T1 Fl. 5 7 Trefilação de Metais Ltda., que resultou no Acórdão nº 3001000.409, de 10.07.2018, também desta feita VOTO para tomar conhecimento do Recurso Voluntário deduzido pela empresa SAVIPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTA., rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, para negar provimento ao apelo da recorrente. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000193/2008-79
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS DO IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS.
Por expressa disposição legal, é legítima a exigência de multa isolada da pessoa jurídica que tenha optado pelo pagamento mensal do IRPJ e da CSLL, apurada sobre base de cálculo estimada, que deixar de fazê-lo ou fazê-lo em montante inferior ao devido, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano-calendário correspondente.
Numero da decisão: 9101-004.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS DO IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. Por expressa disposição legal, é legítima a exigência de multa isolada da pessoa jurídica que tenha optado pelo pagamento mensal do IRPJ e da CSLL, apurada sobre base de cálculo estimada, que deixar de fazê-lo ou fazê-lo em montante inferior ao devido, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano-calendário correspondente.
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ESTIMATIVAS DO IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. Por expressa disposição legal, é legítima a exigência de multa isolada da pessoa jurídica que tenha optado pelo pagamento mensal do IRPJ e da CSLL, apurada sobre base de cálculo estimada, que deixar de fazêlo ou fazêlo em montante inferior ao devido, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 01 93 /2 00 8- 79 Fl. 134DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Autos de Infração (fls. 22 a 31) lavrados em 13.11.2008 referentes à aplicação de multas isoladas (de 50% sobre o valor que deixou de ser recolhido) ante o não recolhimento das antecipações mensais do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (“IRPJ”) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (“CSLL”), calculadas de acordo com a base de cálculo estimada, referente ao ano calendário de 2004. Em face de tal exigência fiscal, a Recorrente apresentou Impugnação em 17.12.2008 (efls. 36 a 38), alegando em síntese que, tendo sido apurado resultado negativo no ano calendário de 2004, não seria cabível a aplicação de multas ante o não recolhimento de antecipações do IRPJ e da CSLL correspondentes ao período. Sob o Acórdão nº 0628.612 (efls. 55 a 59), a 2ª Turma da DRJ/CTA, em 07 de outubro de 2010, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Vejase a ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada pela pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anula implica, por força de determinação legal, a aplicação da multa de ofício isolada, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no anocalendário correspondente. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais da contribuição, calculadas com base em estimativa. O não recolhimento ou o recolhimento a menor do tributo sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada prevista no art. 44, II, alínea "b" da Lei 9.430, de 1996, na redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário (efls. 64 a 67) repisando seus argumentos. No CARF, sob o acórdão nº 1202000.698 (efls. 72 a 79), em 18 de janeiro de 2012, foi negado provimento ao recurso da contribuinte. Acompanhese a ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS DO IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. Por expressa disposição legal, é legítima a exigência de multa isolada da pessoa jurídica que tenha optado pelo pagamento mensal do IRPJ e da CSLL, Fl. 135DF CARF MF Processo nº 12571.000193/200879 Acórdão n.º 9101004.022 CSRFT1 Fl. 135 3 apurada sobre base de cálculo estimada, que deixar de fazêlo ou fazêlo em montante inferior ao devido, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente. O contribuinte, ainda inconformado, interpôs, Recurso Especial (efls. 85 a 92) alegando divergência em relação à matéria "lançamento de multa isolada depois do final do exercício". Traz os seguintes acórdãos paradigmas, cujo inteiro teor anexou ao recurso (efls. 97 a 110 e 112 a 117): Acórdão nº 140200.239 (2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 Ementa: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. E inaplicável a penalidade após o encerramento do período de apuração quanto o contribuinte apura prejuízo fiscal. Recurso de Oficio Negado e Recurso Voluntário Provido. Acórdão nº 1803000.539 (3ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF): Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercícios: 1998 a 2002 Ementa: CSLL MULTA ISOLADA ESTIMATIVAS – ANOS CALENDÁRIOS JÁ ENCERRADOS LIMITE Após o encerramento do anocalendário, a base de cálculo para efeito de aplicação da multa isolada tem como limite os saldos da contribuição a pagar na declaração de ajuste, não sendo cabível a sua imposição no valor que exceder a este, conforme jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O Despacho de Admissibilidade (efls. 120 a 124) admitiu o recurso especial do contribuinte, entendendo restar caracterizada a divergência sobre a exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativa. Por fim, a recorrida apresentou Contrarrazões (efls. 126 a 132) atacando, primeiramente, o conhecimento do recurso especial, alegando falta de cotejo analítico para comprovar a divergência arguida. No mérito, manteve os mesmos argumentos que apresentara em sua impugnação e recurso voluntário. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Conhecimento O recurso especial do contribuinte (efls. 8592) trata da suposta cobrança indevida de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL após o encerramento do anocalendário, principalmente, em face da apuração de prejuízo fiscal quando da apuração final dos tributos mencionados. Enquanto que no acórdão recorrido nº 120200.698 (efls. 7279) mantevese a exigência da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, mesmo tendo sido apurado prejuízo fiscal ao final do anocalendário, os acórdãos paradigmas entenderam ser inaplicável a penalidade em questão após o encerramento do período de apuração quando o contribuinte apura prejuízo fiscal (acórdão nº 140200.239) e que, após o encerramento do anocalendário, a base de cálculo para efeito de aplicação da multa isolada tem como limite os saldos da contribuição a pagar na declaração de ajuste, o que, por consequência, obsta o lançamento da multa na hipótese de apuração de resultado negativo (acórdão nº 1803000.539). No que pese o Despacho de Admissibilidade (efls.120124) ter dado seguimento ao recurso especial, a Procuradoria apresentou Contrarrazões (efls. 126132) questionando a admissibilidade do recurso especial, especificamente quanto ao cotejo analítico, que na visão da recorrida, restou ausente (efls. 127129). Ao analisar o RICARF, extraise disposição expressa contida no artigo 67, §8º, no sentido de ser necessário que a divergência alegada pelo recorrente seja demonstrada de forma analítica, ou seja, deverá haver a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Atestese: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. O regramento é claro e expresso. Contudo, entendo que o recurso especial do contribuinte deve ser conhecido, pois a demonstração analítica tem como propósito comprovar a divergência jurisprudencial sobre determinada interpretação da legislação tributária, e no caso concreto, tal divergência, independentemente de um esmiuçado cotejo analítico, resta evidentemente caracterizada. Não houve dúvida alguma quando do deferimento do despacho de admissibilidade quanto a este requisito e, agora, ao ver deste Julgador, tampouco subsiste dúvida quanto à configuração de divergência jurisprudencial. Ante o justificado, tomo conhecimento do recurso especial do contribuinte. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 12571.000193/200879 Acórdão n.º 9101004.022 CSRFT1 Fl. 136 5 Mérito Em síntese, a insurgência trazida pelo contribuinte, em seu recurso especial, para fins de análise deste Colegiado, é a aplicação da multa isolada, por falta de recolhimento de estimativas, após o encerramento do exercício. Isto porque, no v. acórdão recorrido (efls. 7279) ficou assentado o posicionamento de que é correta a exigência da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, mesmo tendo sido apurado prejuízo fiscal ao final do anocalendário. Na contramão, os acórdãos paradigmas entenderam ser inaplicável a penalidade em questão após o encerramento do período de apuração quando o contribuinte apura prejuízo fiscal (acórdão nº 140200.239) e que, após o encerramento do anocalendário, a base de cálculo para efeito de aplicação da multa isolada tem como limite os saldos da contribuição a pagar na declaração de ajuste, o que, por consequência, obsta o lançamento da multa na hipótese de apuração de resultado negativo (acórdão nº 1803000.539). Entendo não assistir razão a recorrente. Esclareço. A multa isolada exigida no caso concreto é referente ao anocalendário 2004, porém, independentemente da alteração legislativa ocasionada pela edição da Lei nº 11.488/2007, tal cobrança seria devida no caso concreto, pois ao se comprometer com o regime das estimativas, o contribuinte assume com o Fisco o dever de antecipar tais valores, sendo irrelevante se posteriormente, quando do ajuste anual, ou seja, quando do encerramento do ano calendário, haverá tributo a pagar ou saldo negativo do imposto. Notese que a obrigação tributária se insere na teoria geral das obrigações e contém seus principais elementos: Credor (Sujeito Ativo), Devedor (Sujeito Passivo), Objeto (prestação de dar pagar tributo, fazer..., não fazer...) etc. Ocorre que o nascimento da obrigação tributária se dá de forma distinta da obrigação regulada pela legislação cível: enquanto a civil nasce pela vontade das partes, a tributária é ex lege, nasce do fenômeno da subsunção. Também a formalização da obrigação é diferente daquela do direito civil: enquanto uma decorre, substancialmente, do contrato, a tributária decorre do lançamento. Por fim, aproximando agora do caso concreto, não me parece acertado comparar a obrigação acessória do direito civil à "acessória" do direito tributário. A expressão legislativa não foi a mais feliz neste caso, pois enquanto a obrigação acessória do direito privado extinguese juntamente com a principal, o mesmo não ocorre com a tributária. A locução do Código Tributário Nacional aclara que as obrigações principal e acessória têm fatos geradores diversos. Enquanto a primeira é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, a segunda é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Não é à toa, aliás, que a melhor doutrina ao tratar das "obrigações acessórias" prefere referirse a "obrigações instrumentais" visto que estas têm como objetivo o controle da fiscalização quanto ao cumprimento da principal. É bem verdade que, ao definir o sujeito passivo como contribuinte ou responsável, o legislador não previu, por exemplo, as situações de mera retenção, o que causa Fl. 138DF CARF MF 6 certa confusão no aplicador da lei ao definir a sujeição passiva nos casos de ausência de retenção na fonte em nome de terceiro. A mesma confusão se dá, no meu entendimento, na multa pela falta de recolhimento da estimativa mensal, quanto ao aspecto da mera antecipação do tributo IRPJ/CSSL, que neste particular tem natureza acessória na sua acepção mais estrita, ou seja: o fato de não antecipar é que está sob discussão, posto que a obrigação de pagar será objeto de lançamento de ofício (quando o mesmo ocorra após o final do exercício) com base no ajuste anual do imposto, e não com base no valor da estimativa. Ademais, o pleito do contribuinte implicaria ofensa à literalidade do art. 44, da Lei nº 9.430/96, dispositivo que prevê, de forma expressa, a aplicação da penalidade isolada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Ora, se a própria norma prevê sua aplicação ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, pressupõese, por óbvio, que o exercício já tenha sido encerrado, sem o que não se poderia falar em apuração do resultado do exercício. Quando o sujeito passivo escolhe aderir ao regime das estimativas acaba indiretamente se comprometendo a auxiliar a União quanto às suas despesas incorridas no curso do exercício fiscal correspondente ao pagamento das estimativas. Assim, o ordenamento jurídico protege, com a multa isolada, o fluxo financeiro advindo do pagamento mensal das estimativas. Inexistindo penalidade pelo seu não recolhimento não haveria como obrigar o contribuinte a antecipar o tributo, e o pagamento das estimativas acabaria por se tornar mera faculdade do contribuinte, retirando da norma a sua força cogente, o que não se mostra razoável. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900954/2011-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
NULIDADE POR AUSÊNCIA DE JULGAMENTO DO MÉRITO. INOCORRÊNCIA.
Uma vez analisados os dispositivos legais e argumentos invocados em defesa, não há que se falar em nulidade. Ausência de preterição do direito de defesa.
IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. LUBRIFICANTES.
São imunes da incidência do IPI os derivados de petróleo, dentre os quais os óleos lubrificantes classificados nos códigos 2710.1931 e 2710.1932, com a notação de não tributados (NT) na TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.542/2002.
IPI. MP, PI E ME EMPREGADOS EM PRODUTOS NT. AUSÊNCIA DE CRÉDITOS.
Não podem ser escriturados créditos relativos a matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para questionamento de eventual inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
SOLUÇÃO DE CONSULTA. MUDANÇA DE ORIENTAÇÃO. EFEITOS.
Não cabe aplicar o entendimento da Receita Federal objeto de consulta anterior aos fatos geradores ocorridos após a publicação oficial do ADI SRF Nº 05/2006.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a relatora pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Renato Vieira de Avila (suplente convocado), que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 NULIDADE POR AUSÊNCIA DE JULGAMENTO DO MÉRITO. INOCORRÊNCIA. Uma vez analisados os dispositivos legais e argumentos invocados em defesa, não há que se falar em nulidade. Ausência de preterição do direito de defesa. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. LUBRIFICANTES. São imunes da incidência do IPI os derivados de petróleo, dentre os quais os óleos lubrificantes classificados nos códigos 2710.1931 e 2710.1932, com a notação de não tributados (NT) na TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.542/2002. IPI. MP, PI E ME EMPREGADOS EM PRODUTOS NT. AUSÊNCIA DE CRÉDITOS. Não podem ser escriturados créditos relativos a matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para questionamento de eventual inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). SOLUÇÃO DE CONSULTA. MUDANÇA DE ORIENTAÇÃO. EFEITOS. Não cabe aplicar o entendimento da Receita Federal objeto de consulta anterior aos fatos geradores ocorridos após a publicação oficial do ADI SRF Nº 05/2006. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a relatora pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Renato Vieira de Avila (suplente convocado), que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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INOCORRÊNCIA. Uma vez analisados os dispositivos legais e argumentos invocados em defesa, não há que se falar em nulidade. Ausência de preterição do direito de defesa. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. LUBRIFICANTES. São imunes da incidência do IPI os derivados de petróleo, dentre os quais os óleos lubrificantes classificados nos códigos 2710.1931 e 2710.1932, com a notação de não tributados (NT) na TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.542/2002. IPI. MP, PI E ME EMPREGADOS EM PRODUTOS NT. AUSÊNCIA DE CRÉDITOS. Não podem ser escriturados créditos relativos a matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para questionamento de eventual inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). SOLUÇÃO DE CONSULTA. MUDANÇA DE ORIENTAÇÃO. EFEITOS. Não cabe aplicar o entendimento da Receita Federal objeto de consulta anterior aos fatos geradores ocorridos após a publicação oficial do ADI SRF Nº 05/2006. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 09 54 /2 01 1- 93 Fl. 561DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a relatora pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Renato Vieira de Avila (suplente convocado), que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1457.405, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório. Por bem descrever os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório peticionado e, conseqüentemente, não homologou as compensações declaradas. Segundo relatório fiscal, a contribuinte, no período discriminado na ementa deste Acórdão, deixou de recolher o imposto em virtude da utilização de créditos empregados em produtos classificados na TIPI como NT. Disso decorreu a reescrituração dos créditos do IPI, resultando na redução do saldo credor que o interessado apresentou como direito creditório para compensar os débitos confessados na presente declaração de compensação. Tempestivamente, a manifestante alegou que, como contestou o lançamento de ofício (PAF 16682.720026/201228), peticiona que o presente aguarde o julgamento da impugnação contra o Fl. 562DF CARF MF Processo nº 16682.900954/201193 Acórdão n.º 3402006.030 S3C4T2 Fl. 562 3 Auto de Infração, reportandose aos mesmo argumentos já lá articulados. A Contribuinte foi intimada via postal em data de 26/05/2015 (fls. 269 a 270), sendo que a interposição de Recurso Voluntário ocorreu por protocolo físico (fls. 397 417) em data de 25/06/2015 e, posteriormente, por protocolo eletrônico (fls. 274292) em data de 26/06/2015. Em síntese, o Recurso Voluntário pede pela reforma do acórdão recorrido e, por consequência, o reconhecimento integral dos créditos de IPI referentes ao 2º trimestre de 2007, com a homologação das compensações realizadas. Para tanto, a Recorrente apresenta os seguintes argumentos: i) A compensação pretendida e declarada no PER/DCOMP nº 32501.23551.190208.1.3.011645, bem como o Pedido de Restituição e Ressarcimento representado pelo PER/DOMP nº 09322.31415.180208.1.1.013775 dizem respeito a créditos de IPI decorrente da aquisição de insumos (Matéria Prima, Produtos Intermediários e Materiais de Embalagens) utilizados na fabricação de óleos lubrificantes constantes das NCM nº 2710.1931 e 2710.1932 e, portanto, objeto da imunidade prevista no art. 155, § 3º da Constituição Federal; ii) Os créditos de IPI objeto das compensações declaradas estão sendo discutidos no PAF 16682.720026/201228, que aguarda julgamento definitivo. motivo pelo qual deve ser sobrestado; iii) O Acórdão é nulo por ausência de julgamento do mérito da impugnação da Recorrente, devendo os autos do presente processo administrativo serem remetidos para a DRJ, para prolação de um novo acórdão de primeira instância; iv) O RIPI vigente à época da apuração do crédito não impunha qualquer limitação ao alcance da referida regra imunizante, especialmente no que diz respeito à produção dos derivados de petróleo. v) O legislador constitucional garantiu ao contribuinte o direito de se creditar do IPI relativamente a todos os produtos que ingressarem em seu estabelecimento sem qualquer restrição ou limitação, o que caracteriza o princípio da não cumulatividade; vi) O artigo 195, § 2º do RIPI vigente à época reconheceu de forma expressa que a abrangência do creditamento previsto no art. 11 da Lei 9.799/99 abrangeria os insumos utilizados na produção de produtos imunes; vii) Ingressou com solução de consulta SRRF/7ª RF/DSIT nº 394/2003, cuja resposta foi juntada aos autos do processo administrativo nº 16682.720026/201228; viii) A ADI/SRF nº 05/2006 não altera os efeitos da referida solução de consulta e pretende inovar no mundo jurídico e criar restrições onde não restringiu o legislador ordinário e não pode ser fundamento para afastar o direito ao crédito do qual se reveste a Recorrente. É o relatório. Fl. 563DF CARF MF 4 Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Preliminares suscitadas pela defesa Inicialmente, quanto ao argumentos da Recorrente de que o presente processo se refere a créditos discutidos no PAF nº 16682.720026/201228, que está em fase de recurso aguardando julgamento definitivo, cabe observar que o processo mencionado se refere a auto de infração para a cobrança de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI sobre o período de apuração de 01/01/2007 a 31/12/2007, decorrente da utilização de créditos básicos indevidos. O processo em questão foi julgado pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme Ementa abaixo colacionada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. A possibilidade de manutenção e utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos de IPI incidente nas aquisições de insumos destinados à industrialização de produtos, incluídos os isentos e os sujeitos à alíquota zero, não se estende às pessoas jurídicas não contribuintes do imposto, produtoras de mercadorias classificadas como não tributadas NT. (Súmula CARF nº 20) Portanto, resta prejudicado o pedido de suspensão do presente feito, bem como o pedido. Por sua vez, o Julgador a quo tratou sobre os dispositivos legais que embasaram a defesa, bem como não restou configurada a previsão do artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972, não havendo causa para nulidade do acórdão recorrido. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 16682.900954/201193 Acórdão n.º 3402006.030 S3C4T2 Fl. 563 5 Mérito Da Súmula CARF nº 20. Com relação ao mérito, inicialmente cabe observar que não se enquadra neste caso a Súmula CARF nº 20, que assim dispõe: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 20215269, de 05/11/2003 Acórdão nº 20215366, de 03/12/2003 Acórdão nº 20215455, de 17/02/2004 Acórdão nº 20216141, de 28/01/2005 Acórdão nº 20400488, de 11/08/2005 Impera destacar que os Acórdãos precedentes1 não versam especificamente sobre imunidade, motivo pelo qual não há subsunção do presente caso concreto à fundamentação legal que embasa a Súmula em referência. Neste sentido, a 3ª Turma da Câmara Superior deste Tribunal Administrativo já se pronunciou em processos da Recorrente, através do Acórdão nº 9303004.581 (PAF: 16682.720026/201228) e Acórdão nº 9303007.368 (PAF: 16682.721220/201221), com votos favoráveis ao afastamento desta Súmula, proferidos pelos Eminentes Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, vencidos por desempate por voto de qualidade. Do crédito de IPI sobre MP, PI e ME utilizados na fabricação de produtos derivados de petróleo. A Recorrente alega que a compensação pretendida e declarada no PER/DCOMP nº 32501.23551.190208.1.3.011645, bem como o Pedido de Restituição e Ressarcimento representado pelo PER/DOMP nº 09322.31415.180208.1.1.013775 dizem respeito a créditos de IPI decorrente da aquisição de insumos (Matéria Prima, Produtos Intermediários e Materiais de Embalagens) utilizados na fabricação de óleos lubrificantes constantes das NCM nº 2710.1931 e 2710.1932 e, portanto, objeto da imunidade prevista no art. 155, § 3º da Constituição Federal. Alega, ainda, que o RIPI vigente à época da apuração do crédito não impunha qualquer limitação ao alcance da referida regra imunizante. Sem razão. 1 Acórdão nº 20215269, de 05/11/2003, Acórdão nº 20215366, de 03/12/2003, Acórdão nº 20215455, de 17/02/2004; Acórdão nº 20216141, de 28/01/2005 e Acórdão nº 20400488, de 11/08/2005. Fl. 565DF CARF MF 6 Os produtos objeto do lançamento impugnado são classificados na posição NCM 2710.19312 (óleo lubrificante sem aditivo) e 2710.19323 (óleo lubrificante com aditivo), com a notação NT (não tributado) na Tabela da TIPI. Para interpretação da legislação que rege a matéria e da sistemática da não cumulatividade, impera inicialmente trazer a lume os ensinamentos do Ilustre Jurista Geraldo Ataliba, que em sua renomada obra "Hipótese de Incidência Tributária"4, define o objeto da relação tributária e a consumação do fato imponível como a entrega do dinheiro pelo contribuinte ao estado, concretizando o desígnio legal. (pág. 31) 5. A incidência do IPI é definida no Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002), aplicável aos fatos objeto desta autuação e que assim dispõe: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). (sem destaque no texto original) Art. 18. São imunes da incidência do imposto: IV a energia elétrica, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País (Constituição, art. 155, § 3º). 2 2710.19.31 Combustíveis minerais, óleos minerais e produtos de sua destilação; matérias betuminosas; ceras minerais Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto óleos brutos; preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos; resíduos de óleos Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto resíduos de óleos: Outros Óleos lubrificantes Sem aditivos 3 2710.19.32 Combustíveis minerais, óleos minerais e produtos de sua destilação; matérias betuminosas; ceras minerais Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto óleos brutos; preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos; resíduos de óleos Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto resíduos de óleos: Outros Óleos lubrificantes Com aditivos 4 Malheiros Editora Ltda, 6ª Edição, 14ª Tiragem, 2013. 5 8.1 Como a norma confere a um fato o efeito jurídico de atribuir a titularidade de uma soma de dinheiro ao poder público, assim que acontecido este fato o sujeito passivo (contribuinte) perde a titularidade desse dinheiro. 8.2 Fica, ipso facto, constituído no dever de entregálo ao credor. este fica com o direito de exigir tal entrega. Esta relação jurídica, que tem num de seus pólos o poder público (credor) e noutro o contribuinte (devedor), reveste a forma de obrigação que só se vai extinguir com a entrega (comportamento objeto da obrigação) do dinheiro ao credor. (pág. 32) Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16682.900954/201193 Acórdão n.º 3402006.030 S3C4T2 Fl. 564 7 § 3º Para fins do disposto no inciso IV, entendese como derivados do petróleo os produtos decorrentes da transformação do petróleo, por meio de conjunto de processos genericamente denominado refino ou refinação, classificados quimicamente como hidrocarbonetos. Da análise do artigo 2º, Parágrafo Único, constatase que o campo de incidência do IPI abrange produtos dispostos na Tabela TIPI, tributados com alíquota zero ou maior, excluindose aqueles com a notação NT (não tributado). Com isso, as normas gerais do IPI estabelecem que os produtos com notação “NT” na TIPI não são considerados produtos industrializados sujeitos ao recolhimento do imposto, ainda que resultem de operação, em tese, caracterizável como industrialização conforme as definições do artigo 4º do RIPI/2002. Outrossim, impera ponderar que a não cumulatividade do IPI traduzse no direito de o contribuinte abater o imposto devido nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial com o valor pago na aquisição dos insumos. E, salvo as exceções legais, não sendo configurada a hipótese de incidência por falta de previsão para respectivo recolhimento, como ocorre no caso de produtos nãotributados, consequentemente não é possível a escrituração de créditos. Tal vedação é prevista pelo artigo 190, § 1º e artigo 193, inciso I, alínea "a" e § 2º do RIPI/2002. Vejamos: Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal . (sem destaque no texto original) Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decreto lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 8ª, Lei nº 7.798, de 1989, art. 12, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11): I relativo a MP, PI e ME , que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados; § 2º O disposto na alínea a do inciso I aplicase, inclusive, a produtos destinados ao exterior. (sem destaque no texto original) Oportuno observar que por ocasião do fato gerador, o artigo 195, §§ 1º e 2º do RIPI/2002 tinha por previsão que: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão Fl. 567DF CARF MF 8 utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2º (Lei nº 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Art. 196. O direito à utilização do crédito a que se refere o art. 195 está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, neste Regulamento. (sem destaque no texto original) Os requisitos para escrituração de tais créditos estão previstos no artigo 190, § 1º, artigo 193, inciso I, alínea "a" e § 2º do RIPI/2002, acima já citados. OU SEJA, é expressamente vedada a escrituração de créditos relativos à MP, PI e ME que são empregados na industrialização de produtos não tributados. Destacase, ainda, o artigo 49, parágrafo único da Lei nº 5.172/1996, assim dispõe: Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte transferese para o período ou períodos seguintes. Analisando a evolução trazida pela legislação correspondente em conjunto com a regra do artigo 196, acima transcrito, o qual condiciona a utilização do crédito a que se refere o artigo 195 ao cumprimento das exigências previstas para a sua escrituração e, ainda, levando em conta que a redação do artigo 190, § 1º expressamente proíbe que sejam escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, não há dúvidas sobre a impossibilidade legal de aproveitamento dos créditos pretendidos neste litígio. Frisese que, posteriormente, o RIPI/2002 foi revogado pelo Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010), tornando tal impossibilidade de creditamento mais clara através do §1º do art. 251, §§ 1º e 2º do artigo 256 e artigo 257. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16682.900954/201193 Acórdão n.º 3402006.030 S3C4T2 Fl. 565 9 Por sua vez, o artigo 11 da Lei n° 9.779/99 tratou sobre a utilização dos créditos do IPI nos seguintes termos: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (sem destaque no texto original) A IN/SRF nº 33/1999 assim previa em seu artigo 4º: “INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 33, DE 04 DE MARÇO DE 1999 DO DIREITO AO APROVEITAMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI ART. 11 DA LEI NO 9.779, DE 1999 Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999.” (sem destaque no texto original) Consignase que até a vigência da Lei nº 9.779/99 havia a previsão do artigo 5º DecretoLei nº 491/1969, que autorizava a manutenção e utilização de créditos do IPI relativos à MP, PI e ME efetivamente utilizados na industrialização de produtos exportados, não obstante terem sido excluídos do campo de incidência do imposto pelo artigo 153, § 3º, inciso III, da Constituição Federal. O incentivo legal do DecretoLei nº 491/1969 foi restabelecido pelo artigo 1º, inciso II da Lei nº 8.402/92 e não foi revogado pela Lei nº 9.779/99, a qual apenas ampliou a possibilidade de créditos igualmente a produtos isentos e tributados à alíquota zero, o que levou ao texto do artigo 4º da IN SRF nº 33/99, acima transcrito. Portanto, ao incluir os produtos "imunes", concluise que a Instrução Normativa em referência não criou exceção não prevista na Lei nº 9.779/99, mas tão somente compilou no texto legal o dispositivo que já vigorava naquele momento, qual seja: produtos imunes por destinação à exportação. A regra de exceção ditada pelo Artigo 11 da Lei nº 9.779/1999 não admite interpretação extensiva para permitir o creditamento relacionado a produtos finais não tributados, pois o benefício somente foi reconhecido pela lei aos produtos isentos ou sujeitos ao regime de alíquota zero, como já mencionado. Aplicandose o Princípio da Estrita Legalidade, Fl. 569DF CARF MF 10 nenhum tributo pode ser criado, extinto, aumentado ou reduzido sem que o seja por lei. Neste sentido se posicionou o Superior Tribunal de Justiça em julgamento ao REsp nº 1060199/SP, de Relatoria do Eminente Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, julgado em 05/08/2010, DJe 01/09/2010, bem como através do julgamento ao REsp nº 1027678/SP, de Relatoria do Eminente Ministro LUIZ FUX, da Primeira Turma, julgado em 19/02/2009, DJe 25/03/2009. E, tão somente no sentido de dispor sobre a incidência do artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, combinado com o art. 5º do Decretolei nº 491/1969 e o art. 4º da IN SRF nº 33/1999, em 18/04/2006 foi publicado o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5/2006. Até a edição do ADI SRF n.º 05/2006, a Recorrente estava albergada pela Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT n.º 394, de 2003, que igualmente utilizada para justificar o creditamento. Todavia, após a publicação oficial de tal ato, não cabe mais aplicar o entendimento da Receita Federal objeto da consulta anterior. Não vem ao caso a discussão sobre a força normativa de um Ato Declaratório, uma vez que o impedimento ao direito creditório da Recorrente advém das legislações incidentes sobre a matéria, conforme já demonstrado. O Superior Tribunal de Justiça já tratou sobre a matéria em julgamento ao REsp nº 1.015.855SP (STJ, Primeira Turma, Relator Ministro José Delgado, Julgamento em 08/04/2008, DJE de 30/04/2008), conforme Ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. PRETENSÃO DE APROVEITAMENTO DE VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS, INSUMOS E MATERIAIS DE EMBALAGENS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, IMUNES, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PREVISÃO LEGAL QUE CONTEMPLA SOMENTE OS PRODUTOS FINAIS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. ART. 11 DA LEI 9.779/99. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ARTS. 150, I, CF/88 E 97 DO CTN. INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 DO CTN. ART. 49 DO CTN E ART. 153, IV, § 3º, DA CF/88. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. DL 20.910/32. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INCIDÊNCIA. 1. A impetrante/recorrente, pessoa jurídica de direito privado, tem por objeto social a fabricação e comercialização de calçados e suas partes, peças e componentes, assim como de artigos de vestuário em geral e a prestação de serviços industriais nos dois ramos. Impetrou mandado de segurança com vistas ao aproveitamento (pedido de compensação com tributos de espécies distintas administrados pela Secretaria da Receita Federal, com atualização monetária e juros) do valor pago, a título de IPI, na aquisição de matériasprimas, insumos e materiais de embalagens utilizados na industrialização de produtos finais isentos, sujeitos à alíquota zero, nãotributados ou imunes. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16682.900954/201193 Acórdão n.º 3402006.030 S3C4T2 Fl. 566 11 2. O apelo não merece ser conhecido em relação à alegação de violação dos arts. 165, I, 168, I, 156, VII, e 150, §§ 1º e 2º, do CTN, pois não estão prequestionados, não tendo sido debatidos nem recebido juízo decisório pelo Tribunal a quo, situação que atrai a incidência da Súmula 282/STF. 3. O aresto recorrido entendeu que não se extrai da hipótese legal (art. 11 da Lei 9.779/99) o direito ao creditamento quando o produto final for imune ou nãotributado, mas apenas quando isento ou tributado à alíquota zero. Ao final, concluiu pelo nãoprovimento da apelação da contribuinte. 4. O art. 11 da Lei 9.779/99 prevê duas hipóteses para o creditamento do IPI: quando o produto final for isento ou tributado à alíquota zero. Os casos de nãotributação e imunidade estão fora do alcance da norma, sendo vedada a sua interpretação extensiva. 5. O princípio da legalidade, insculpido no texto constitucional, exalta que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5º, II). No campo tributário significa que nenhum tributo pode ser criado, extinto, aumentado ou reduzido sem que o seja por lei (art. 150, I, CF/88 e 97 do CTN). É o princípio da legalidade estrita. Igual pensamento pode ser atribuído a benefício concedido ao contribuinte, como no presente caso. Não estando inscrito na regra beneficiadora que na saída dos produtos nãotributados ou imunes podem ser aproveitados os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora, não se reconhece o direito do contribuinte nesse aspecto, sob pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. 6. O direito tributário, dado o seu caráter excepcional, porque consiste em ingerência no patrimônio do contribuinte, não pode ter seu campo de aplicação estendido, pois todo o processo de interpretação e integração da norma tem seus limites fixados pela legalidade. 7. A interpretação extensiva não pode ser empregada porquanto destinase a permitir a aplicação de uma norma a circunstâncias, fatos e situações que não estão previstos, por entender que a lei teria dito menos do que gostaria. A hipótese dos autos, quanto à pretensão relativa ao aproveitamento de créditos de IPI em relação a produtos finais nãotributados ou imunes, está fora do alcance expresso da lei regedora, não se podendo concluir que o legislador a tenha querido contemplar. 8. A questão relativa à ofensa ao art. 49 do CTN, referente ao direito de aproveitamento integral dos créditos de IPI, conforme defendido pela empresa, não fica dissociada do exame do princípio da nãocumulatividade (art. 153, IV, § 3º da CF/88), impedindo o seu exame nesta via excepcional. 9. Considerando o pedido do mandamus e o teor do art. 11 da Lei 9.779/99, temse a possibilidade de se reconhecer o direito da contribuinte ao aproveitamento de créditos de IPI gerados a Fl. 571DF CARF MF 12 partir da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. Observandose a data da impetração (08/01/2004) e a prescrição qüinqüenal (aplicação do Decreto 20.910/32), poderão ser aproveitados os créditos adquiridos desde a data de 08/01/1999. 10. Os posicionamentos do STJ e do STF alinhamse no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. É reconhecida somente quando o aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude de resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco, o que se verifica no caso dos autos. Deve ser determinada, portanto, a incidência da Taxa Selic, que engloba atualização monetária e juros, sobre os créditos da recorrente que não puderam ser aproveitados oportunamente. 11. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido para reconhecer, tãosomente, o direito da contribuinte à utilização dos créditos de IPI adquiridos entre 08/01/1999 e 08/01/2004 em razão da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. (SEM DESTAQUES NO TEXTO ORIGINAL) A orientação dada pela decisão acima direciona a Jurisprudência do STJ sobre o tema, a exemplo do AgInt no REsp nº 1.572.317PR, proferido pela Segunda Turma, de relatoria do Eminente Ministro Herman Benjamin (J: 02/02/2017, DJE: 03/03/2017). Em síntese, conclui o STJ que o direito ao crédito de IPI só existe quando os produtos tiverem saída tributada, não cabendo a ampliação da incidência do artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, que abrange apenas a isenção ou alíquota zero, nada prevendo sobre produtos imunes ou não tributados. Reiterase que, neste caso, deve ser aplicado o artigo 97 do Código Tributário Nacional, bem como o Princípio da Legalidade e o artigo 150, inciso I da Constituição Federal. Outrossim, a Recorrente pede para que seja reconhecido o seu direito ao crédito escriturado, argumentando que a não cumulatividade é previsão de ordem constitucional (artigo 153, § 3º, IV) e sem limitação quanto aos produtos imunes. Ocorre que a conclusão pela impossibilidade ao creditamento pretendido decorre de expresso texto legal e, eventual questionamento quanto à restrição ao instituto da imunidade esbarra em análise sobre a inconstitucionalidade da legislação que rege a matéria, o que é de competência privativa do Poder Judiciário. Ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais compete julgar recursos que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RICARF: artigo 1º), incidindo, portanto, a Súmula CARF nº 26. Este Colegiado já se pronunciou da mesma forma em caso análogo, a exemplo do v. Acórdão nº 3402003.838.7 6 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 10/01/2003 a 31/12/2003 IPI. IMUNIDADE . DERIVADOS DE PETRÓLEO. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 16682.900954/201193 Acórdão n.º 3402006.030 S3C4T2 Fl. 567 13 Em razão dos fundamentos acima, concluo que correta a não homologação das compensações objeto deste litígio. Por fim, cabe registrar, nos termos do art. 63, § 8º do Anexo II do RICARF, que os Conselheiros que votaram pelas conclusões do voto desta Relatora fizeramno sob o fundamento de que seria aplicável ao caso a Súmula CARF nº 20. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos É vedado ao CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Súmula CARF n. 2). Assim, não é possível ao Tribunal Administrativo declarar a inconstitucionalidade de expressa determinação legal de tributação por alíquota positiva constante da Tabela de incidência de IPI (TIPI) de produtos que se enquadram como derivados de petróleo, sob o argumento de estarem abarcados pela imunidade tributária. CRÉDITO AQUISIÇÃO INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. O princípio da não cumulatividade não assegura direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero. (Supremo Tribunal Federal, RE n.º 398.365, repercussão geral). Aplicação do art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Negado (Acórdão nº 3402003.838 PAF: 10970.000401/200810 Relatora: Conselheira Maysa de Sa Pittondo Deligne) Fl. 573DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000124/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2201-000.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora se manifeste sobre as conclusões dispostas no Relatório de revisão de cálculos apresentado pelo contribuinte, bem assim para que junte aos autos extrato em que se verifique a eventual disponibilidade de parte do montante supostamente recolhido indevidamente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora se manifeste sobre as conclusões dispostas no Relatório de revisão de cálculos apresentado pelo contribuinte, bem assim para que junte aos autos extrato em que se verifique a eventual disponibilidade de parte do montante supostamente recolhido indevidamente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 145/161 interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), de fls. 129/137, a qual considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, para não reconhecer o direito creditório pleiteado e consequentemente não homologar a compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 12 4/ 20 10 -2 2 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 183 2 O presente processo surgiu do processo das declarações de compensação n° 09243.41635.040305.1.7.047692 e 23962.62680.040305.1.7.047070, de pagamento de IRRF, código de receita 9453, efetuado em 6/12//2004, no valor de R$ 40.000.000,00, com débitos de IRRF relativos a janeiro de 2005 (fls. 4/13). Em 4/12/2009 a contribuinte foi intimada a apresentar os seguintes documentos e informações (fls. 19): • Confrontar os valores declarados na DIRF e os valores declarados na DCTF, relativamente ao IRRF (código 9453) de dezembro de 2004. • Apresentar cópias simples do livro Razão, das contas envolvidas no registro contábil dos valores de IRRF (código 9453) de dezembro de 2004. Demonstrar o estorno ou lançamento em conta de crédito a recuperar do valor alegado como indevidamente recolhido. • Confrontar os valores do item 2 com os valores declarados, apresentados no item 1. • Demonstrar e comprovar que os valores retidos indevidamente a título de IRRF (código 9453) de dezembro de 2004 foram efetivamente devolvidos ao titular/beneficiário dos rendimentos. Caso não tenlia ocorrido a retenção indevida, comprovar. • Para os créditos alegados nos Per/Dcomp's, justificar e comprovar o motivo e as circunstâncias de o pagamento ter sido efetuado e posteriormente considerado indevido ou a maior. • Apresentar cópia do contrato social/estatuto da empresa e suas alterações. A empresa protocolou a resposta de fls. 21/22 Em 5/1/2010 a empresa foi novamente intimada (fls. 43) a: (i) apresentar cópia simples do Razão, da conta onde fica evidenciada a contrapartida do lançamento contábil dos valores do IRRF (código 9453) de dezembro de 2004 efetuado na conta "PROVISÃO P J.C.P. A PAGAR COMPLEM, apresentada na resposta à citada intimação; (ii) apresentar cópia simples do Razão, da conta onde fíca evidenciado o lançamento contábil do DARF de recolhimento de R$ 40.000.000,00, efetuado no dia 06/12/2004, de mesmo vencimento, código de receita 9453, e o respectivo estorno ou lançamento em conta de crédito a recuperar do valor alegado como indevidamente recolhido. Em 19/1/2010 a empresa apresentou informações complementares, anexando os documentos de fls. 49/50. Em 8/2/2010 foi exarado despacho decisório que não homologou a compensação declarada com base nos seguintes fundamentos (fls. 53/58): • Não se observa a contrapartida do lançamento contábil de R$ 113.110.252,85 da provisão para pagamento de IRRF sobre JCP, que se refere ao IRRF devido informado na DCTF relativo aos códigos de receita 9453 e 5706, conforme alegado na resposta à intimação Deinf/SPO/Diort n° 200/2009. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 184 3 • Observase apenas a contrapartida do valor de estorno de R$ 275.104,52. • Não se observa nenhum lançamento relativo ao recolhimento do DARF de 40.000.000,00 efetuado no dia 6/12/2004, de mesma data de vencimento, código de receita 9453, nem o respectivo estorno ou lançamento em conta de crédito a recuperar do valor alegado nas declarações de compensações em análise como indevidamente recolhido. • Cabe ao interessado a demonstração hábil, com comprovação em sua escrituração contábil, quando instado em via de procedimento fiscal de verificação da liquidez e certeza do crédito alegado, apresentar a documentação comprobatória requerida, demonstrando as circunstâncias materiais envolvidas na geração do crédito. • Não há no exame dos documentos apresentados elementos suficientes para a comprovação do crédito alegado. Da Manifestação de Inconformidade Recebida a cientificação da mencionada decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese: a) Em Assembléia Geral Extraordinária realizada em 6/12/2004, a impugnante deliberou acerca do pagamento de Juros sobre o Capital Próprio JCP aos seus acionistas, assumindo, por conseguinte, a obrigação da retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre o rendimento, sob os códigos de receita 5706 e 9453. b) Considerando que na data da aludida AGE ainda não era conhecida a efetiva composição analítica dos acionistas que seriam beneficiários do pagamento de JCP, a impugnante efetuou no prazo legal o recolhimento de IRRF sobre uma base estimada, pelo valor total de R$ 114.892.659,68. c) Uma vez conhecida em 15/12/2004 a efeüva composição dos acionistas residentes no exterior que seriam beneficiários de JCP, mediante informações obtidas junto à BM&F, acabou por apurar que o efetivo IRRF que deveria ser recolhido correspondia a R$ 112.835.201,04. d) O documento de fls. 23 demonstra a provisão do valor de R$ 903.039.000,15, no Livro Razão, referência 08/85, na conta contábil n° 00000035 denominada "PROVISÃO P. JCP A PAGAR COMPLEMENTAR". O lançamento foi assim registrado: Data Histórico Documento D/C/Saldo 06/12/2004 Saldo em 6/12/2004 903.039.000,15 e) Posteriormente, considerando que o efetivo valor pago a título de JCP foi conhecido apenas em 15/12/2004, após a obtenção de informações acerca das ações negociadas na BM&F, para adequar o saldo da provisão acima ao efetivo valor bruto pago na monta de RS 903.039.000,15, correspondendo a um líquido de R$ 790.196.881,83, a manifestante efetuou os seguintes registros na mesma conta contábil: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 185 4 1) Valor Bruto de R$ 903.032.082, 81 Data Histórico Documento D/C/Saldo 06/12/2004 Saldo em 6/12/2004 0004133 6.969,58CR* 31/12/2004 Prov. desp. S/inc CPMF 903.039.000,15 Total 903.032.000,15 *Credor 2) Valor líquido de R$ 790.196.881,83 Data Histórico Documento D/C/Saldo 06/12/2004 Prov. desp. S/inc CPMF 0004133 790.286.860,01 31/12/2004 Estorno de lanc. banco 0004133 89.978,18 Total 790.196.881,83 f) o registro contábil dos valores pagos a título de JCP é inquestionável, nada justificando as afirmações contrárias do despacho decisório. g) Do valor de R$ 40.000.000,00, o total de R$ 1.389.399,67 foi recolhido a maior, razão pela qual a contribuinte retificou sua DCTF relativa ao 4° trimestre. h) A contabilidade da contribuinte adota como padrão registrar a débito na própria conta contábil relativa a "Provisão para pagamento de JCP", os valores devidos a título de IRRF. i) No Livro Razão 08/85 foi registrado na mesma contábil o valor total de IRRF de R$ 112.835.148,36, lançado pelo valor de R$ 113.110.252,86, mais o estorno de R$ 275.104,52, da seguinte forma: Data Histórico Documento D/C/Saldo 31/12/2004 Estorno de lanc. banco 0004133 275.104,52 31/12/2004 Prov. desp. S/inc CPMF 0004133 113.110.252,86 Total 112.835.148,36 j) A contrapartida do valor de IRRF de R$ 113.110.252,86, lançado a débito na contabilidade, corresponde ao mesmo valor debitado em sua conta caixa, da qual saíram as quantias utilizadas para a quitação do tributo (.sic). k) O valor de IRRF recolhido a maior no total de R$ 2.057.458,64, no qual o valor de R$ 1.389.399,67, objeto das compensações não homologadas nestes autos está inserido, foi objeto de outro lançamento no Livro Razão, referência 04/83, na conta contábil denominada "IRRF sobre JCP intermediário" n° 00030007, da seguinte forma: Data Histórico Documento D/C/Saldo 31/12/2004 Saldo em 31/12/2004 0004133 2.143.785,97 DC* *devedor 1) Considerando que as compensações em questão não foram homologadas exclusivamente sob o argumento de uma suposta falta de registro contábil dos valores aqui analisados, uma vez comprovadas estes, e demonstrada a liquidez e certeza dos créditos compensados, deve ser reformado o despacho decisório. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 186 5 m) Requer a produção de prova pericial, formulando quesitos e indicando perito. n) No caso concreto, restará totalmente contrariado o princípio da moralidade se se negar à impugnante a devolução dos valores indicados. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) entendeu pelo não reconhecimento do direito creditório que a interessada afirmava ter, conforme ementa abaixo (fl. 120): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 06/12/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A Recorrente, devidamente intimada da decisão da DRJ apresentou o recurso voluntário de fls. 145/161, em que alegou, em apertada síntese: a) liquidez e certeza do crédito oriundo do recolhimento a maior de IRRF incidente sobre JCP pagos a residentes no país; b) contabilização dos lançamentos relativos à compensação efetuada pelo recorrente; c) necessidade de prova pericial; e d) o direito à devolução do indébito tributário. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. De acordo com a fiscalização e com a decisão recorrida, sem a apresentação dos registros contábeis, não haveria como comprovar a legitimidade do crédito. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 187 6 Por isso, a Recorrente apresentou, desde a Manifestação de Inconformidade, pedido de perícia, indicou o seu perito e formulou os seguintes quesitos: Apesar de ter cumprido os requisitos para a produção de prova pericial, a decisão recorrida houve por bem indeferir o pedido formulado pela Recorrente sob os seguintes argumentos: A manifestante acredita ser necessária a realização de diligência, tendo formulado quesitos e indicado perito nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Os artigos 18 e 28 deste decreto assim dispõem: "Ari. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). (...) Art. 28. Na decisão em que for Julgada questão preliminar será também Julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1 ° da Lei n° 8.748/93) Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 188 7 A contribuinte, apesar de intimada, não anexou aos autos os elementos solicitados pela autoridade administrativa. Ora, a diligência não se destina a preencher as lacunas a defesa quanto à produção de provas de sua competência, mas a esclarecer aspectos obscuros do processo, no caso de tais esclarecimentos serem considerados indispensáveis à formação da convicção do julgador. Os quesitos formulados poderiam ter sido respondidos a partir da análise dos elementos solicitados pela autoridade administrativa. A escrituração contábil e fiscal é elemento de prova essencial, que está sob a guarda do contribuinte. Diante da falta de apresentação destes elementos, que poderiam ter sido anexados até na impugnação, entendo que não há motivos para deferir a diligência solicitada, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, devendo ser aplicada ao caso a regra do ônus da prova, conforme a seguir será demonstrado. Por outro lado, a decisão recorrida fundamentouse exatamente na falta da demonstração de sua contabilidade nos seguintes termos: Contrariamente ao alegado, não está equivocado o entendimento da autoridade administrativa de que o crédito de IRRF objeto de restituição depende de demonstração de sua contabilização para ser considerado líquido e certo. (...) Desta forma, os registros contábeis são o meio de prova mais natural para demonstrar a liquidez e certeza do direito creditório. Apesar de intimado em duas ocasiões, o sujeito passivo não apresentou os elementos contábeis explicitamente solicitados pela autoridade administrativa. Desta forma, os registros contábeis são o meio de prova mais natural para demonstrar a liquidez e certeza do direito creditório. Apesar de intimado, o sujeito passivo não apresentou os elementos contábeis explicitamente solicitados pela autoridade administrativa. Não há dúvidas sobre o recolhimento efetuado. No entanto, não é possível identificar claramente os lançamentos contábeis realizados. As considerações acima nos levam a conclusão de que é pertinente a afirmação da autoridade administrativa de que o contribuinte não anexou aos autos cópia dos registro contábeis completos (partidas e contrapartidas) que demonstrariam a existência do indébito. Pela descrição dos fatos contábeis narrados pela contribuinte deveríamos encontrar os lançamentos abaixo(valores ilustrativos). Notese que o exemplo é teórico porque não há informações suficientes sobre o sistema contábil adotado pela contribuinte. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 189 8 1 Pela constituição da provisão para pagamento de JCP D Juros sobre o Capital Próprio (R)*243.333.333,33 C Juros sobre o Capital Próprio a Pagar (PC)206.833.333,33 C IRRF a recolher* (PC) 36.500.000,00 •Adotamos alíquota de 15% só para exemplificar (36. 500.000,00/0.15). 2 Pelo pagamento do IRRF D IRRF a recolher(PC) 36.500.000,00 C Caixa (AC) 36.500.000,00 3 Pelo pagamento do JCP D Juros sobre o Capital Próprio a Pagar (PC)199.202.l 12,21* C Caixa (AC)199.202.112,21 *(35.153.313,92/0,15) 35.153.313,92 4 Pelo estorno do valor de JCP estimado a maior (243.333.333,33 234.355.426,13) D Juros sobre o Capital Próprio a Pagar (PC)7.631.221,12 D IRRF a recolher 1.346.686,08 C Juros sobre o Capital Próprio (R) 8.977.907,20 (...) No presente caso, o sujeito passivo não se desincumbiu de seu ônus, ou seja, não logrou sucesso ao comprovar, com base na documentação contábil, a liquidez e certeza do direito creditório. Logo, não há que se falar em ofensa a nenhum dos princípios elencados na manifestação de inconformidade. Ocorre que a decisão recorrida só afirma a necessidade da perícia, conforme requerido pela Recorrente desde a apresentação da manifestação de inconformidade. Sendo assim, converto o presente julgamento em diligência para que seja realizada a diligência requerida, com a apreciação do Relatório de revisão dos cálculos de IRRF sobre Juros sobre o Capital Próprio" juntado às fls. 166/179 elaborado pela empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers. Conclusão Diante do exposto converto o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora se manifeste sobre as conclusões dispostas no Relatório de revisão de cálculos apresentado pelo contribuinte, bem assim para que junte aos autos extrato em que se verifique a eventual disponibilidade de parte do montante supostamente recolhido indevidamente. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912757/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
O ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 somente se opera à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem. Comprovada em procedimento fiscal a inexistência de tais créditos, faz-se necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.127
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. O ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 somente se opera à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Comprovada em procedimento fiscal a inexistência de tais créditos, fazse necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 27 57 /2 00 9- 75 Fl. 9227DF CARF MF Processo nº 10830.912757/200975 Acórdão n.º 3302006.127 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do ressarcimento de crédito de IPI e de não homologação da compensação declarada, tendo como fundamento a inexistência do crédito pleiteado, dada a inobservância do valor tributável mínimo nas transações da fiscalizada com sua única cliente, empresa interdependente, Unilever Brasil Ltda., conforme reconstituição da escrita fiscal. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, arguindo que determinadas compensações por ele declarados haviam sido homologadas tacitamente, situação essa não reconhecida no trabalho fiscal. Alegou, ainda, que estava ocorrendo cobrança de tributo em duplicidade, em razão da glosa ocorrida em outro processo, e teceu comentários sobre o "valor tributável mínimo". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14064.327, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o ressarcimento previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/98 somente se operava à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, sendo que, uma vez verificada a inexistência de tais créditos, faziase necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando praticamente os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 9228DF CARF MF Processo nº 10830.912757/200975 Acórdão n.º 3302006.127 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.118, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10830.910444/201016, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.118): O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. I Preliminar Sobrestamento e vinculação de processos A recorrente em seu apelo solicitou o sobrestamento do presente feito, até final julgamento de processos judicial, que tem por objeto a existência do crédito objeto do pedido de ressarcimento. Entretanto, entendo não haver a possibilidade de ser atendido o pedido da recorrente, uma vez que o processo administrativo no qual discutiase a existência do crédito, já fora finalizado, sendo certo que em sua decisão restou consignado não existir o crédito pleiteado. Ademais, entendo que um dos princípios que regem o processo administrativo é o da oficialidade, que determina que o processo deva ser impulsionado ex officio, nos exatos termos do inciso XII, do parágrafo único, do art. 2º da Lei nº 9.784/1999. Vale dizer, não há qualquer previsão legal ou regimental que autorize a suspensão do andamento do processo administrativo em razão de processo judicial. Por tais razões rejeito a preliminar trazida pela recorrente. II. Da homologação Tácita Argumenta a recorrente que haveria a homologação tácita das compensações declaradas, tendo em vista ter percorrido o prazo de 5 anos contados da data de entrega da declaração e a prolação do despacho decisório que denegou a compensação. Entretanto, entendo que não há razão que de guarida às alegações trazidas pela recorrente, tendo em vista que o prazo para a contagem do prazo da homologação tácita começa a transcorrere a partir de 04/05/2009, data da retificadora informada no presente processo (art. 78 IN 1300). II Mérito Fl. 9229DF CARF MF Processo nº 10830.912757/200975 Acórdão n.º 3302006.127 S3C3T2 Fl. 5 4 No que diz respeito ao mérito, entendo que melhor sorte não socorre as alegações da recorrente. O que estamos decidindo é a possibilidade de ser deferido o pedido de ressarcimento e homologação de compensação efetuada pela recorrente. As matérias trazidas pela recorrente em seu recurso voluntário que dizem respeito exclusivamente à formação do crédito, não são aqui tratadas, vez que já definitivamente julgadas no processo nº 10480.724644/201156, onde restou decidido não haver crédito em favor da recorrente que pudesse fazer frente a presente pedido de ressarcimento e compensação. Assim, conforme informado no despacho decisório, bem como na decisão da DRJ, não existe crédito passível de ser utilizado para liquidar o débito objeto do pedido de restituição e compensação efetuado pela recorrente. Vale lembrar que a própria recorrente reconhece que o processo administrativo relacionado a existência do crédito esta definitivamente julgado na esfera administrativa, porém, por não concordar com a decisão, discute novamente a matéria, desta vez na esfera judicial. Por derradeiro, ressaltase que as alegações trazidas pela recorrente em seu recurso foram apresentadas de forma genérica, reprisando o que outrora fora discutido em outro processo, como dito no parágrafo anterior, motivo pelo qual não há como serem reconhecidas. Portanto, correto o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Ressaltese que, quanto à alegação do Recorrente de homologação tácita da compensação, neste processo ela também não se configurou, pois, conforme se verifica à fl. 2, a Declaração de Compensação Retificadora fora transmitida em 05/03/2008, tendo o contribuinte sido cientificado do Despacho Decisório respectivo em 04/06/2012 (fl. 8944). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 9230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727417/2015-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013
RETENÇÃO DE 11%. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA.
Não atendidas as condições estabelecidas na legislação, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe-se a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado.
RETENÇÃO. FALTA DE DESTAQUE NAS NOTAS FISCAIS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa cedente de mão-de-obra de efetuar o destaque na nota fiscal/fatura de 11% (onze por cento) do valor bruto da prestação de serviços.
NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS.
Deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira constitui infração à legislação previdenciária.
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS.
Sujeita-se à multa, prevista na legislação, a empresa que apresenta escrituração contábil digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ECD. INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo da multa aplicada em decorrente de obrigação acessória apresentada com informações inexatas, incompletas ou omitidas deve corresponder a essas irregularidades identificadas.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
No âmbito previdenciário, verificada a existência de um grupo econômico, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei.
Numero da decisão: 2402-006.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam considerados no lançamento, em cada competência e até o limite do montante aproveitado na GFIP, os valores destacados nas notas fiscais, emitidas nas respectivas competências e apresentadas até a impugnação, que tenham sido contabilizadas na forma do artigo 137 da Instrução Normativa RFB 971/2009, conforme explicitado no voto do Relator, ainda que recolhidos em outra competência, bem como para que a multa relacionada à Escrituração Contábil Digital (ECD) apresentada com informações omitidas, inexatas ou incompletas seja ajustada para que sua base de cálculo passe a constar aquela que corresponda à informação omitida, inexata ou incompleta apurada pelo autuante. Vencidos o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento em maior extensão, afastando a multa de 150%, bem como a solidariedade.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 RETENÇÃO DE 11%. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe-se a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. RETENÇÃO. FALTA DE DESTAQUE NAS NOTAS FISCAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa cedente de mão-de-obra de efetuar o destaque na nota fiscal/fatura de 11% (onze por cento) do valor bruto da prestação de serviços. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. Deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira constitui infração à legislação previdenciária. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. Sujeita-se à multa, prevista na legislação, a empresa que apresenta escrituração contábil digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ECD. INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da multa aplicada em decorrente de obrigação acessória apresentada com informações inexatas, incompletas ou omitidas deve corresponder a essas irregularidades identificadas. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. No âmbito previdenciário, verificada a existência de um grupo econômico, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam considerados no lançamento, em cada competência e até o limite do montante aproveitado na GFIP, os valores destacados nas notas fiscais, emitidas nas respectivas competências e apresentadas até a impugnação, que tenham sido contabilizadas na forma do artigo 137 da Instrução Normativa RFB 971/2009, conforme explicitado no voto do Relator, ainda que recolhidos em outra competência, bem como para que a multa relacionada à Escrituração Contábil Digital (ECD) apresentada com informações omitidas, inexatas ou incompletas seja ajustada para que sua base de cálculo passe a constar aquela que corresponda à informação omitida, inexata ou incompleta apurada pelo autuante. Vencidos o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento em maior extensão, afastando a multa de 150%, bem como a solidariedade. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
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COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. RETENÇÃO. FALTA DE DESTAQUE NAS NOTAS FISCAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa cedente de mãodeobra de efetuar o destaque na nota fiscal/fatura de 11% (onze por cento) do valor bruto da prestação de serviços. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. Deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira constitui infração à legislação previdenciária. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 74 17 /2 01 5- 79 Fl. 6301DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.302 2 Sujeitase à multa, prevista na legislação, a empresa que apresenta escrituração contábil digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ECD. INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da multa aplicada em decorrente de obrigação acessória apresentada com informações inexatas, incompletas ou omitidas deve corresponder a essas irregularidades identificadas. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. No âmbito previdenciário, verificada a existência de um grupo econômico, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam considerados no lançamento, em cada competência e até o limite do montante aproveitado na GFIP, os valores destacados nas notas fiscais, emitidas nas respectivas competências e apresentadas até a impugnação, que tenham sido contabilizadas na forma do artigo 137 da Instrução Normativa RFB 971/2009, conforme explicitado no voto do Relator, ainda que recolhidos em outra competência, bem como para que a multa relacionada à Escrituração Contábil Digital (ECD) apresentada com informações omitidas, inexatas ou incompletas seja ajustada para que sua base de cálculo passe a constar aquela que corresponda à informação omitida, inexata ou incompleta apurada pelo autuante. Vencidos o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento em maior extensão, afastando a multa de 150%, bem como a solidariedade. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Fl. 6302DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.303 3 Contra o contribuinte foram lavrados Autos de Infração em 17.9.2015, para constituição de Contribuição Previdenciária e multas, em função das seguintes infrações levantadas: TRIBUTO: 1 Valores Indevidamente Compensados Glosa de Retenção (PRESTADOR) principal de R$ 9.122.561,73 período de 1/2012 a 12/2013 acrescido de multa de mora e juros legais Selic; MULTA ISOLADA: 2 Compensação com Falsidade de Declaração período de 1/2012 a 12/2013 multa isolada no valor de R$ 13.683.842,55; MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: 3 Falta de Destaque dos 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços por empresa cedente de mãodeobra período de 25.8.2015 multa no valor de R$ 1.925,81; 4 Não exibição de documentos ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 ou apresentação que não atenda às formalidades legais exigidas período de 25.8.2015 multa no valor de R$ 19.257,83; e 5 Apresentação da Escrituração Contábil Digital (ECD) com informações incorretas ou omissas período de 28.8.2015 multa de R$ 12.362.780,49. Relatório Fiscal às fls. 20/184. Foram incluídos como responsáveis solidários as empresas abaixo, em função de comporem, como sustentado pelo Fisco, o mesmo grupo econômico de fato, que decorreria de mero exercício de poder de controle. MOVELARIA E MADEIREIRA MERCEDES LTDA ME CNPJ 72.573.165/000165; PLANALTO SERVIÇOS EMPRESARIAS LTDA ME CNPJ 32.906.349/000183; e PLANALTO EMPRESAS DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA CNPJ 00.734.276/000101. Regularmente intimados, apresentaram uma única Impugnação que foi julgada parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 4980/5032, com a seguinte ementa: RETENÇÃO DE 11%. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente Fl. 6303DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.304 4 compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe se a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Procedida a retificação do lançamento, sendo excluídos dos Autos de Infração os valores lançados a maior, pela fiscalização. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. Sujeitase à multa, prevista na legislação, a empresa que apresenta escrituração contábil digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas. RETENÇÃO. FALTA DE DESTAQUE NAS NOTAS FISCAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa cedente de mãodeobra de efetuar o destaque na nota fiscal/fatura de 11% (onze por cento) do valor bruto da prestação de serviços. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. Deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira constitui infração à legislação previdenciária. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARGUIÇÃO DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada e cobrada em virtude de determinação legal. A alegação de que a multa não atende os princípios da razoabilidade e proporcionalidade não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual o julgador administrativo é vinculado. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 6304DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.305 5 No âmbito previdenciário, verificada a existência de um grupo econômico, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento da impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ’s) são incompetentes para se manifestar a respeito de Termo de Arrolamento de Bens e Direitos. Em seu Recurso Voluntário às fls. 5068/5098 aduz, em breve síntese: Em preliminar: Que a recorrente, embora reconheça a receita na prestação de serviços pelo regime de competência, consoante dispõe a norma; utilizase do regime de caixa para a contabilização da retenção relativa àquelas mesmas receitas. Assim, uma vez que o recolhimento da contribuição sobre a folha dáse em momento anterior à utilização da retenção sofrida (por compensação), não haveria prejuízo ao erário, na medida em que estaria antecipando a receita ou diferindo o direito de aproveitamento da retenção. No mérito, passo a relatar, segundo a estrutura dos tópicos no recurso: IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DOS CRÉDITOS DE RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO DO CRÉDITO – NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. Que o autuante não procedeu de maneira a comprovar a inexistência do crédito de retenção na fonte; Que no Relatório Fiscal haveria valores em planilhas em campos que consta como "não entregou" ou "não informou", que na realidade constam tanto na nota fiscal emitida, como na planilha do demonstrativo mensal. Que estaria juntando os razonetes das contas "bancos", "clientes" e "previdência social a recolher" SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – APONTAMENTO DE RETENÇÕES A MENOR – IMPACTO NO VALOR FINAL A SER PAGO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Que o auditor suprimiu valores de contribuição previdenciária retida, seja de GPS não consideradas ou mesmo aquelas nas quais não foram computados os valores relativos à atualização monetária e juros. Fl. 6305DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.306 6 SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – NECESSIDADE DE RECOMPOSIÇÃO DOS VALORES A SEREM PAGOS PELA CONTRIBUINTE – APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Que o autuante desconsiderou os excedentes de retenção havidos nos meses de março, outubro e novembro de 2012, que deveriam ser utilizados em compensações de períodos posteriores. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA DO ART. 89, §10º, DA LEI N. 8.212/91 – FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Que em momento algum se alegou ou comprovou que a Contribuinte teria se utilizado de artifícios fraudulentos para lesar o fisco. Ao contrário, ela mesmo, de boafé, expôs à fiscalização a forma como realizava a contabilização dos créditos advindos da retenção em nota fiscal. Que a aplicação da multa de ofício isolada agravada resguardase para as hipóteses em que o contribuinte tenha realmente a intenção de fraudar o Fisco, sendo certo que a autoridade fiscal não comprovou qualquer ato doloso nesse sentido. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA DO ART. 57, III, “A”, DA MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.158/01 – APRESENTAÇÃO DE ECD COM INEXATIDÃO Que o fato de a autuada contabilizar suas retenções pelo regime de caixa, fato esse inclusive noticiado pela Contribuinte no curso da fiscalização, não importa em inexatidão, incompletude ou omissão de informações na escrita fiscal, já que a empresa entendia por correta sua forma de reconhecer e mensurar os créditos de retenção de contribuição previdenciária. SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – BASE DE CÁLCULO DA MULTA MAJORADA – ERRO NO DIMENSIONAMENTO DA INFRAÇÃO Que interpretação adequada à dosimetria da pena é aquela que leva em consideração o valor das transações ou operações que contenham informações omitidas, inexatas ou incompletas, desde que não seja o valor final inferior à R$ 100,00. Entender pela base de cálculo como sendo o faturamento anual da empresa desvirtua o próprio sentido da norma, transmudando o seu texto e fazendo produzir efeitos que nem mesmo o legislador pensou. Que, nesse rumo, a base de cálculo da multa, na hipótese de manutenção do auto de infração neste ponto, o que se coloca apenas por apego ao debate, deve ser retificada, para que leve em consideração somente as glosas dos créditos de retenção de contribuição previdenciária. SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA SEGUNDO O TEXTO DO ART. 57, III, “A”, DA MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.158/01 DADO PELA LEI N. 12.766/12 – RETROATIVIDADE BENIGNA Que deve ser aplicada a retroatividade benigna, decorrente da redação dada pela Lei 12.873/13, ao artigo 57, III, "a" da MP 2.158/2001. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA POR AUSÊNCIA DE DESTAQUE DE RETENÇÃO EM ALGUMAS NOTAS FISCAIS Fl. 6306DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.307 7 Que o dever de retenção de contribuição previdenciária na prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, desde fevereiro de 1999, é da empresa contratante, e não da empresa prestadora de serviços, conforme previsão contida no artigo 112 da IN n. 971/09. Que em não havendo destaque e retenção, não haverá também proveito de crédito de retenção. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA PELA NÃO APRESENTAÇÃO DE ALGUMAS NOTAS FISCAIS. Que não procedeu de forma como afirmado no relatório fiscal, na medida em que teria, sim, apresentado as notas fiscais questionadas pelo autuante. DA INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO GRUPO ECONÔMICO. Que a jurisprudência consolidada do E. Superior Tribunal de Justiça afasta a caracterização de responsabilidade tributária solidária, quando não haja realização conjunta do fato gerador. Que as empresas, de fato, não praticam atividades conjuntamente ou de alguma forma interligadas, o que, por si só, é mais que suficiente a evidenciar a ilegitimidade do respectivo arrolamento das sociedades como devedoras solidárias do presente crédito tributário. Iniciado o julgamento em 5/7/18, decidiuse por convertêlo em diligência para que a autoridade elaborasse planilha discriminando, nota a nota, aquelas apresentas à Fiscalização, além das acostadas nestes autos, emitidas pelo autuado no período de 2012 e 2013, que contivessem o regular destaque da retenção, assim como que tivessem sido contabilizadas em conta de receita, no mês de sua emissão, consoante determina o artigo 137 da IN RFB nº 971/2009 e que fosse juntado aos autos o resumo das GFIP (auditadas) do período, de forma a que se evidenciassem os valores apurados, retidos e compensados no mês. Em resposta, foi acostada aos autos a Informação Fiscal de fls. 6193/6272, por meio da qual, praticamente, apenas reafirmou em 80 laudas a acusação posta no Relatório Fiscal. Em nova manifestação, o recorrente sustentou o não cumprimento da diligência, razão pela qual pugnou fosse a mesma reiterada (fls 6291/6297). É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O recurso foi inicialmente conhecido por este colegiado na sessão de julgamento de 5/7/18. Como consignado naquela oportunidade, os demais solidários teriam sido intimados por edital (fls. 5064), eis que improfícua as intimações pela via postal, e quedaramse inertes. Todavia, há de se notar que o recurso voluntário foi apresentado em nome Fl. 6307DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.308 8 de "PLANALTO SERVICE LTDA E OUTROS", além de fazer referência a "autos de infração lavrados em face da ora Recorrente e das empresas arroladas como responsáveis solidárias....." Confirase: Nesse sentido, voto por conhecer do recurso em sua integralidade, inclusive quanto à parte em que trata da responsabilidade solidária, enfrentada, digase de passagem, pela instância de piso, ainda que suscitada em uma única peça impugnatória apresentada. Baixado em diligência, os autos retornaram a esta Turma para prosseguimento no julgamento, razão pela qual, passo a retomar a análise do caso. De início, cumpre registrar que o tópico classificado pelo recorrente como preliminar (questão do reconhecimento das receitas pelo regime de competência e a retenção, pelo do de caixa), será aqui tratado como mérito, eis que guarda relação direta com o cerne da controvérsia. Mérito Glosa de Retenções. Consoante informa a Fiscalização em seu Relatório Fiscal, o contribuinte teria sido intimado a demonstrar a apuração dos créditos decorrentes da retenção em Notas Fiscais e das compensações realizadas. Em resposta, teria apresentado planilhas dos anos 2012 e 2013 com relação das notas fiscais e percentual dos tributos descontados. Exatamente neste ponto, abro um parênteses para refutar a argumentação do recorrente no sentido de que o autuante não teria procedido de maneira a comprovar a inexistência do crédito de retenção na fonte. Ora, uma vez intimado a detalhar/demonstrar a apuração dos créditos, competiu ao autuado a prova do direito de que se valera em suas GFIP, sendo certo que a documentação por ele apresentada teria sido analisada ao longo do procedimento de ofício empreendido nestes autos. Prosseguindo então, passo a inferir, com isso, que o crédito do contribuinte estaria lastreado em retenções sofridas nos anos de 2012 e 2013 e utilizadas nos respectivos meses de emissão da nota fiscal ou fatura de serviços, para compensar o valor das Fl. 6308DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.309 9 contribuições destinadas à Seguridade Social, devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. Vale registrar que tal intimação decorreu da constatação de que os valores compensados, com retenções do mês, eram substancialmente maiores do que os recolhimentos identificados nos sistemas. Explico: com o destaque da retenção pelo prestador, o tomador deve efetuar seu recolhimento no CNPJ do prestador, informando na GPS, a data de referência (competência) como a da emissão da nota. Assim, ainda que o recolhimento da retenção se dê em momento posterior, a apropriação, pelo sistema, tomará a da data de referência (competência) informada na GPS, de forma que, se regularmente recolhidas pelo(s) tomador(es) passam a guardar relação com o valor informado pelo contribuinte em suas GFIPs. Desta feita, o valor recolhido em GPS, na competência que lá aparece nos sistemas da RFB, deve, ou ao menos deveria, revelar as retenções sofridas pelo prestador naquele mês. Veja que, com isso, a auditoria fiscal passa, necessariamente, pela consulta a tal sistema. Uma vez verificada a significativa diferença, como no caso em tela, onde os recolhimentos mostraramse inferiores às retenções/compensações declaradas nas respectivas GFIPs, há de se investigar sua causa, como por exemplo: se ausência de recolhimentos pelos tomadores; ou se aproveitamento pelo prestador sem lastro nos documentos fiscais; ou ainda, se erro de tomador ao informar a competência na GPS. Quanto à última hipótese acima, registrese que, com certa freqüência, alguns tomadores informam na GPS um período de referência posterior ao da emissão da nota fiscal, com vistas a furtarse ao recolhimento dos acréscimos legais. Nesse sentido, considerando que na forma do artigo 137 da IN RFB 971/2009, artigo 31 da Lei 8.212/91 e §§ 4º, 9º e 10 do artigo 219 do Decreto 3.048/99, o prestador passa ter direito ao crédito, a rigor, já no ato da emissão da nota fiscal ou fatura de serviço com o devido destaque da retenção, faz imprescindível a apresentação das notas fiscais então emitidas no período. Art. 137. O lançamento da retenção na escrituração contábil, de que trata o art. 136, deverá discriminar: I o valor bruto dos serviços; II o valor da retenção; e III o valor líquido a receber. Parágrafo único. Na contabilidade em que houver lançamento pela soma total das notas fiscais, das faturas ou dos recibos de prestação de serviços e pela soma total da retenção, por mês, por contratante, a empresa contratada deverá manter em registros auxiliares a discriminação desses valores, por contratante, conforme disposto no inciso III do art. 134. Fl. 6309DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.310 10 Do dispositivo acima, temse que haverá um lançamento de 3ª fórmula1, no seguinte padrão, tomando por exemplo uma nota fiscal de serviços no valor de R$ 100.000,00: D CONTA DE ATIVO DIREITO Valor Líquido a Receber R$ 89.000,00; D CONTA DE ATIVO DIREITO Valor da Retenção R$ 11.000,00; e C CONTA DE RESULTADO RECEITA Valor Bruto dos Serviços R$ 100.000,00 Com isso, com a emissão da nota, o contribuinte já contará com seu crédito contabilizado em conta de Ativo. Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5odo art. 33 desta Lei. Percebase da redação acima, que o recolhimento do valor retido darseá, como regra, até o dia 20 do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura. Assim, ainda que o pagamento ao prestador se dê em um outro momento, bem a frente, por exemplo, o fato é que a retenção deve ser recolhida tomando por referência o dia da emissão da nota ou fatura de serviço, fazendo com que não haja substancial distanciamento entre o aproveitamento do crédito pelo prestador (data da emissão da nota) e o ingresso do respectivo valor aos cofres públicos (até o dia 20 do mês subseqüente). Efetuado o recolhimento após o prazo acima assinalado, serão devidos os acréscimos legais, que, por óbvio, não integrarão o valor do crédito do prestador. E mais, a teor do § 5º do artigo 33 da Lei 8.212/91, a empresa contratante dos serviços que deixou de reter os 11%, quando devida a retenção, fica diretamente responsável pelo pagamento do tributo não retido e não recolhido. Confirase o texto. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) 1 É o registro do fato contábil envolvendo mais de uma conta devedora e apenas uma conta credora. http://www.portaldecontabilidade.com.br/guia/lancamcont.htm Fl. 6310DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.311 11 § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Vejamos, adiante, o que prescreve o artigo 219 do Decreto 3.048/99: Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitadade mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5ºdo art. 216. §4ºO valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. §9ºNa impossibilidade de haver compensação integral na própria competência, o saldo remanescente poderá ser compensado nas competências subseqüentes, inclusive na relativa à gratificação natalina,ou ser objeto de restituição, não sujeitas ao disposto no § 3ºdo art. 247. §10. Para fins de recolhimento e de compensação da importância retida, será considerada como competência aquela a que corresponder à data da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo. Feitas as breves considerações acima, podese resumir o procedimento da seguinte forma: Cabe ao prestador observado o serviço prestado e a legislação pertinente emitir a nota fiscal ou fatura de serviço com o destaque da contribuição a ser retida, o que autorizarlheá sua imediata compensação2 desde que, por óbvio, tenha arcado com o ônus dessa retenção com o valor da contribuição devida sobre a folha naquele mesmo mês de emissão da nota. Somente na hipótese em que houver excesso de retenção em relação ao valor da contribuição devida no mês é que o contribuinte estará autorizado a ver restituído ou a compensar esse excedente em períodos posteriores, na forma da lei. Se, por sua vez, não efetuar o destaque, além de se sujeitar a multa regulamentar, a utilização da retenção em compensações estará condicionada à comprovação de sua efetiva ocorrência. A seu turno, cabe ao tomador observado o serviço contratado e legislação pertinente efetuar a retenção e recolhimento da contribuição no prazo legal, independentemente de ter havido ou não seu destaque. Pois bem. 2 ..ou por outro estabelecimento da mesma empresa. Fl. 6311DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.312 12 A fiscalização efetuou o lançamento das divergências a seguir apontadas, levandose em conta o valor compensado na GFIP e os recolhimentos de retenção identificados no mesmo mês, promovidos por seus tomadores. Vejase: Todavia, consta às fls. 469/517, planilha aparentemente apresentada pelo autuado, na qual relaciona as notas fiscais emitidas no período de 2012 e 2013, com a discriminação dos valores totais e retenções destacadas. O procedimento adotado pelo Fisco foi motivado pela constatação de que nenhuma das retenções e tomadores informados na planilha "Valores Declarados em GFIP por tomador" (fls. 550/569) correspondia aos valores informados pelo recorrente na planilha de notas emitidas no período (2012/2013). Ou seja, desconsiderou todas as notas fiscais emitidas no período, pelo fato de não terem sido informadas (as retenções) na GFIP. A não identificação direta na GFIP, ainda que possa coincidir um ou outro tomador, aparentemente decorre do fato de o recorrente, como já dito alhures, declarar e contabilizar as retenções, observando o regime de caixa. É dizer, quando do recebimento pelo serviço prestado. Fl. 6312DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.313 13 Ademais, a afirmação no item 12 do relatório fiscal (fls. 192), no sentido de que "Nenhum, repito, nenhum desses valores de retenção declarados em GFIP corresponde aos valores informados pelo contribuinte na planilha “Demonstrativo mensal (IN RFB 9712009" merece ser melhor avaliada. Vejamos: Conforme se verifica da planilha de fls. 550 e seguintes, os valores de retenções informados nas GFIPs apresentamse consolidados, mensalmente, por tomador, ao passo que naquele demonstrativo mensal (IN RFB 9712009), aparentemente detalhado por nota. Veja: Assim, se considerada a sistemática adotada pelo contribuinte e na hipótese de haver nota emitida e liquidada no mesmo mês, há a inafastável possibilidade de que referido documento, listado naquele demonstrativo mensal (IN RFB 9712009), esteja integrando o valor consolidado naquela planilha de fl. 550, que retrataria, repito, as retenções informadas em GFIP. Reforça a tese, o comparativo efetuado pelo autuante no item 22 do relatório fiscal, que aparentemente considerou os débitos na conta contábil 2.1.1.3.01.0004 PREVIDÊNCIA SOCIAL A RECOLHER – 2012 e 2013 e as notas fiscais que integraram o sobredito demonstrativo mensal (IN RFB 9712009). Daquele comparativo, pôdese constatar que várias notas emitidas em determinado mês, tiveram suas retenções aproveitadas no próprio mês, na medida em que, muito provavelmente, teriam sido emitidas e liquidadas no mesmo mês. Confirase, por amostragem: Fl. 6313DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.314 14 A partir dos totais mensais daquela planilha de notas emitidas (demonstrativo mensal IN RFB 9712009), chegouse ao comparativo adiante, donde se pode observar que mesmo quando comparadas as retenções supostamente informadas pelo próprio recorrente naquele demonstrativo mensal (IN RFB 9712009) com as aproveitadas em GFIP, o cotejo não lhe favoreceu de forma decisiva, demonstrando diferença de aproveitamento a maior em todos os meses em que fora autuado, o que, quando observado em uma série história ao longo de 24 meses põe em cheque a argumentação de que o aproveitamento do crédito derase, apenas e tão somente, quando do recebimento pelas notas emitidas, sem que houvesse, naquele comparativo, uma espécie de compensação entre os saldos. Dessa análise, há de se concluir que há fortes indícios de que o aproveitamento da retenção acabou se dando, de certa forma, de maneira indevida, seja pelo possível aproveitamento em duplicidade da retenção (quando da emissão da nota e quando de sua liquidação), seja pelo seu aproveitamento desprovido de lastro em documento fiscal. Vide coluna "GFIP x PLANIL". RETENÇÃO DIFERENÇA PLANILHA GPS GFIP GFIP x GPS GFIP x PLANIL JANEIRO 1.543.120,48 1.545.525,61 1.763.534,82 218.009,21 220.414,34 FEVEREIRO 1.664.494,46 1.707.060,20 1.827.568,57 120.508,37 163.074,11 MARÇO ABRIL 1.622.309,25 1.602.097,18 1.779.703,62 177.606,44 157.394,37 MAIO 1.497.559,67 1.439.284,26 1.786.620,02 347.335,76 289.060,35 JUNHO 1.792.543,79 1.811.776,52 1.862.140,80 50.364,28 69.597,01 2012JULHO 1.648.295,50 1.726.639,23 1.849.894,39 123.255,16 201.598,89 AGOSTO 1.539.195,40 1.570.523,63 1.907.135,47 336.611,84 367.940,07 SETEMBRO 1.662.119,23 1.553.039,49 1.874.264,31 321.224,82 212.145,08 OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO 1.952.269,86 1.719.221,27 1.986.582,01 267.360,74 34.312,15 13 SAL 245.640,39 245.640,39 245.640,39 JANEIRO 1.091.593,98 1.053.300,11 1.883.388,32 830.088,21 791.794,34 Fl. 6314DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.315 15 FEVEREIRO 1.519.729,29 1.754.332,94 2.071.214,77 316.881,83 551.485,48 MARÇO 1.775.488,96 1.599.091,24 2.183.954,96 584.863,72 408.466,00 ABRIL 1.904.776,56 1.843.160,20 2.304.152,22 460.992,02 399.375,66 MAIO 2.350.557,34 1.966.822,79 2.416.145,53 449.322,74 65.588,19 JUNHO 1.860.748,11 1.706.051,62 2.335.786,66 629.735,04 475.038,55 2013JULHO 2.203.469,15 2.365.742,54 2.422.603,31 56.860,77 219.134,16 AGOSTO 2.342.700,63 2.147.840,77 2.478.931,81 331.091,04 136.231,18 SETEMBRO 1.895.446,58 1.905.756,54 2.473.042,56 567.286,02 577.595,98 OUTUBRO 2.502.449,79 2.451.205,42 2.582.965,61 131.760,19 80.515,82 NOVEMBRO 2.461.014,71 2.379.649,45 2.527.744,88 148.095,43 66.730,17 DEZEMBRO 2.737.447,97 2.533.647,15 2.797.010,73 263.363,58 59.562,76 13 SAL 2.144.304,13 2.144.304,13 2.144.304,13 À fl. 201, no item 21 do relatório fiscal, há uma planilha com relação de notas fiscais que não teriam sido apresentadas pelo contribuinte no curso do procedimento fiscal. Por outro lado, a partir da fl. 3924, há vários documentos fiscais acostados, intitulados como "apresentados durante fiscalização e relacionados pelo fiscal como não entregues". Dentre os documentos apontados pelo autuante, podese notar, a partir de fl. 201, que, de fato, há cópias de várias daquelas notas juntadas aos autos. Forte nas considerações acima foi a proposta de conversão do julgamento em diligência à unidade de origem, com vistas a que a Fiscalização elaborasse planilha discriminando, nota a nota, aquelas apresentas à Fiscalização, além das acostadas nestes autos, emitidas pelo autuado no período de 2012 e 2013, que contivessem o regular destaque da retenção, assim como que tivessem sido contabilizadas em conta de receita, no mês de sua emissão, consoante determinava o artigo 137 da IN RFB nº 971/2009. Já a Informação Fiscal, em substanciais 80 laudas, inicialmente procurou esclarecer do que se tratou o caso, que pode ser resumido pelos seguintes parágrafos: E em atenção à diligência, assevera que: Fl. 6315DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.316 16 Todavia, a planilha em referência aparenta ter partido dos valores contabilizados e cotejados com as notas fiscais emitidas em vários períodos, inclusive em 2010 e 2011. No que toca aos documentos alegadamente apresentados e não considerados pelo autuante, bem como quanto à contabilização dos valores retratados nas notas fiscais, assim se reportou o Fisco: [...] De todo o narrado, podese notar que há um imbróglio de difícil solução. Por um lado, o Fisco desconsiderou todas as notas fiscais emitidas no período auditado, pelo fato de, como já dito, não terem sido informadas (as retenções) na GFIP. Por outro, o contribuinte não traz a detalhada comprovação material de seu crédito, resumindose a explicar que o reconheceu no ato do recebimento pelos serviços prestados e não no momento da emissão da nota fiscal. Além do quê, teria sido identificado pelo Fisco o aproveitamento duplicado de créditos e a contabilização de seu aproveitamento sem que tivesse sido informado qualquer retenção na planilha apresentada ao autuante. Em sua nova manifestação, após a Informação Fiscal decorrente da conversão do julgamento em diligência, passou a pugnar o recorrente fosse efetivamente cumprida a determinação deste colegiado. Não obstante, embora reconheça que a diligência não fora cumprida em sua integralidade, penso que os elementos dos autos, ladeados a própria inércia do recorrente em ajustar e demonstrar o quantum de seu crédito em função das inconsistências apontadas pelo Fl. 6316DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.317 17 Fisco, passaram a ser suficientes à conclusão deste julgamento, sendo certo que, quando de sua liquidação, deverão ser observado os estritos termos do decidido por esta Turma. Assim prosseguindo, percebase que o reconhecimento do crédito no momento da emissão da nota fiscal, além de se alinhar ao princípio da competência, é um imperativo legal justamente para que se mantenha um controle padronizado a evitar o aproveitamento desordenado e em duplicidade de créditos indevidos. Assim, é com a emissão da nota fiscal com o regular destaque da retenção e a contabilização da respectiva receita ladeada ao reconhecimento contábil do crédito é que dará suporte ao aproveitamento desse valor na GFIP daquela competência. Note que se faz necessária a contabilização desse direito em conta de ativo e o reconhecimento da receita pelo total da nota fiscal emitida, de forma a evidenciar que o prestador arcará com o ônus da retenção, na medida em que o valor a ser recebido se dará a menor do que a receita reconhecida. Quando da compensação, aquele crédito deverá ser contabilmente baixado contra a conta que registra a obrigação a recolher. É essa a inarredável sistemática que se espera. No que toca à argumentação de que o auditor teria suprimido valores de contribuição previdenciária retida, seja de GPSs não consideradas ou mesmo aquelas nas quais não foram computados os valores relativos à atualização monetária e juros, a decisão de piso bem abordou o assunto, como se segue: Fl. 6317DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.318 18 Após as considerações acima, a primeira instância julgadora revisou o lançamento para excluir aquele valor de R$ 36.446,67, da competência 05/2013 e a correspondente multa isolada, o que justificou o decreto de provimento parcial. Na sequência, sustentou ainda o recorrente que o autuante teria desconsiderado os excedentes de retenção havidos nos meses de março, outubro e novembro de 2012, que deveriam ser utilizados em compensações de períodos posteriores. Nesse ponto, corretamente esclareceu o acórdão recorrido: Fl. 6318DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.319 19 Postas as considerações acima, tenho que devam ser considerados no lançamento, em cada competência e até o limite do montando aproveitado na GFIP, os valores destacados nas notas fiscais emitidas nas respectivas competências e apresentadas até a impugnação, a teor do § 4 do artigo 16 do Decreto 70235/72, que tenham sido contabilizadas na forma do artigo 137 da IN RFB 971/2009, conforme explicitado neste voto, ainda que recolhidos em outra competência. Mérito Multa Isolada 150%. Nesse ponto, aduz a recorrente que em momento algum se alegou ou comprovou que a contribuinte teria se utilizado de artifícios fraudulentos para lesar o fisco. Ao contrário, ela mesmo, de boafé, teria exposto à fiscalização a forma como realizava a contabilização dos créditos advindos da retenção em nota fiscal. E mais, que a aplicação da multa de ofício isolada agravada resguardase para as hipóteses em que o contribuinte tenha realmente a intenção de fraudar o Fisco, sendo certo que a autoridade fiscal não comprovou qualquer ato doloso nesse sentido. Pois bem. O § 10 do artigo 89 da Lei 8.212/91 assim dispõe: (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (destaquei) A seu turno, falsidade é qualidade daquilo que é falso, que, na sequência, pode ser assim definido 3: 1 Oposto à verdade ou à realidade; inexato, infundado. 2 Em que há mentira, fingimento ou dolo. 3 Que não é verdadeiro, mas inventado; fictício, enganoso. 4 Que se faz passar pelo que não é; impostor. 5 Que não é original ou autêntico, mas feito como imitação, às vezes com intenção fraudulenta; falsificado, imitado, postiço. 6 Que não é leal; desleal, pérfido, traidor. Diferentemente da seara criminal, onde para se ter um provimento condenatório fazse necessário, como regra4, provar o dolo na conduta comissiva ou omissiva do agente, na medida em que a pena traz, a rigor, restrições ao seu consagrado direito constitucional à liberdade; no âmbito tributário temse como regra, quanto à imposição de 3 https://michaelis.uol.com.br/modernoportugues/busca/portuguesbrasileiro/falso/ 4 Ressalvados os tipos expressos na lei penal para o s quais basta a culpa na conduta. Fl. 6319DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.320 20 penalidade, a desnecessidade de se apontar/provar o dolo na conduta do contribuinte, como se denota do artigo 136 infra colacionado, eis que, aqui, a penalidade traz implicações, em última análise, ao direito à propriedade. Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Nesse rumo, podese concluir que enquanto no âmbito criminal, a regra é que se demonstre a intenção (dolo) na conduta do agente; no tributário, a responsabilidade pela infração é de natureza objetiva, bastando, para tanto, que se demonstre a ação (ou omissão), o resultado reprovável e o nexo de causalidade entre ambos. Perceba que quando o legislador tributário pretendeu exigir do Estado a comprovação da intenção do agente, o fez expressamente na lei, consoante se denota do parágrafo 1º do artigo 44 da Lei 9.430/96, combinado com os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Ainda para ilustrar, vejase o que diz o artigo 18 da Lei 8.023/90: Fl. 6320DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.321 21 Art. 18. A inclusão, na apuração do resultado da atividade rural, de rendimentos auferidos em outras atividades que não as previstas no art. 2º, com o objetivo de desfrutar de tributação mais favorecida, constitui fraude e sujeita o infrator à multa de cento e cinqüenta por cento do valor da diferença do imposto devido, sem prejuízo de outras cominações legais. Percebase que a lei estabelece objetivamente situação que uma vez constatada dará ensejo à multa já no patamar original de 150%. Não há qualquer gradação, ao contrário de que se tem para as multas de oficio daquele artigo 44. Nesse mesmo sentido, são os acórdão 9202003.931, de 12.054.2016 e 9202 005160, de 25.01.2017, adiante ementados: COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbirse de demonstrar o efetivo recolhimento. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. COMPENSAÇÃO. PRECATÓRIOS EM AÇÃO JUDICIAL DE CONTRIBUIÇÕES DIVERSAS. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos antes mesmo de decisão judicial ou declaração de inconstitucionalidade da contribuição devida. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Posto desta forma, penso que toda e qualquer discussão sobre o tema refoge ao âmbito do contencioso administrativo, na medida em que acaba por envolver, inevitavelmente, questões acerca da razoabilidade e do nãoconfisco decorrentes da aplicação da norma. Prosseguindo quanto ao caso em tela. Fl. 6321DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.322 22 O contribuinte, no período de 01/2012 a 13/2012, efetuou compensações em 23 GFIP, procurando extinguir, indevidamente, grande parte dos débitos lá apurados e confessados mediante o aproveitamento de créditos que sequer de longe logrou comprovar sua integralidade. Por outro lado, o autuante logrou demonstrar que parte dos créditos pretensamente utilizados teria se dado de forma irregular, seja mediante sua contabilização e aproveitamento em duplicidade, seja desprovido de lastro em documental fiscal (retenção zerada em planilha, contudo indevidamente contabilizada), seja ainda pela indevida sistemática alegadamente adotada pelo recorrente para o seu aproveitamento. Referidas compensações tiveram o condão de reduzir, na GFIP, o valor devido e que alimentou a cobrança automática previdenciária. Vale dizer: o valor informado como compensado deixou de ser cobrado automaticamente pelos sistemas previdenciários. Em função deste mecanismo, o resultado da conduta frisese: deixar de pagar tributo era, sem sombra de dúvida, vislumbrado, esperado e pretendido pelo contribuinte. Nessa linha, estou certo de que as várias compensações informadas em GFIP não se alinharam à realidade ou à verdade, razão pela qual concluo pela procedência do lançamento a esse título, que não se confunde com o aqueles relativos às multas que serão tratados nos itens a seguir. Mérito Multa por descumprimento de obrigação acessória. Com relação a esta matéria, foram lavrados autos de infração a partir das ocorrências a seguir individualizadas: Ausência de destaque em Notas Fiscais: Sobre esse aspecto, aduz o recorrente que o dever de retenção de contribuição previdenciária na prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, desde fevereiro de 1999, é da empresa contratante, e não da empresa prestadora de serviços, conforme previsão contida no artigo 112 da IN n. 971/09. E prossegue ao afirmar que em não havendo destaque e retenção, não haveria também proveito de crédito de retenção. Não é bem assim. A obrigação de o tomador do serviço efetuar a retenção não desincumbe o prestador de efetuar o regular destaque das retenções nas notas de sua emissão, consoante estabelecem os artigos 92 e 102, ambos a Lei 8.212/91 e artigo 383, caput e § 3º e art 383 do Dec 3.048/99 c/c artigos 31 § 1º da Lei 8.212/91 e artigo 219, § 4º do Dec 3.048/99. Nesse mesmo sentido foi a decisão de piso, com a qual concordo, inclusive no que pertine à alegação de que referidos serviços prestados a órgãos públicos não seriam, conforme entendimentos dos tomadores, sujeitos à retenção. Confirase: Fl. 6322DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.323 23 Não apresentação de algumas Notas Fiscais: Já messe ponto, alega que não procedeu de forma como afirmado no relatório fiscal, na medida em que teria, sim, apresentado as notas fiscais questionadas pelo autuante. Contudo, não apontou em seu recurso o protocolo do recebimento de tais documentos pela Fiscalização, o que impede seja afastada a imputação fiscal. Apresentação da ECD com inexatidão: Nesse quesito, assevera o recorrente que o fato de contabilizar suas retenções pelo regime de caixa, fato esse inclusive por ele noticiado no curso da fiscalização, não importaria em inexatidão, incompletude ou omissão de informações na escrita fiscal, já que a empresa entendia por correta sua forma de reconhecer e mensurar os créditos de retenção de contribuição previdenciária. Ouso discordar. Consoante relatado na acusação fiscal e mencionado no acórdão de piso, foram identificadas várias irregularidades na ECD do autuado que justificaram o entendimento de que as informações teriam sido apresentadas de forma inexata, incompleta ou omitida, como prevê o inciso III do artigo 57 da MP 2.158/2001, com a redação dada pela Lei 12.873/2013. Foram elas: Fl. 6323DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.324 24 Somese a elas, a oportuna consideração feita pelo acórdão recorrido nos seguintes termos: Fl. 6324DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.325 25 Frente ao acima apontado, penso que não há como afastar a imputação fiscal no que tange a ocorrência dos fatos. Quanto ao pleito para que fosse aplicada a retroatividade benigna, cumpre destacar que o autuante valeuse justamente do dispositivo invocado pelo recorrente, qual seja, o artigo 57, III, "a" da MP 2.158/2001, com a redação dada pela Lei 12.873/2013 5, sendo certo que não houve sequer alteração posterior nesse dispositivo a justificar qualquer aplicação retroativa. Por sua vez, no que toca à dosimetria da multa, o autuante assim procedeu: Utilizou, como base de cálculo, o valor das Receitas de Prestação de Serviços e de Revenda de Mercadorias constantes nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) dos anos 2012 e 2013 e sobre elas aplicou a alíquota de 3%, dessa forma: DIPJ ANO RECEITAS ALÍQUOTA MULTA 2012 188.316.906,48 3% 5.649.507,19 2013 223.775.776,56 3% 6.713.273,30 TOTAL => 12.362.780,49 Frente a isso, aduziu o autuado que interpretação adequada à dosimetria da pena seria aquela que leva em consideração o valor das transações ou operações que contivessem informações omitidas, inexatas ou incompletas, desde que não houvesse o valor final inferior à R$ 100,00. E prosseguiu ao sustentar que entender pela base de cálculo como sendo o faturamento anual da empresa desvirtuaria o próprio sentido da norma, transmudando o seu texto e fazendo produzir efeitos que nem mesmo o legislador pensou. E que, em assim sendo, a base de cálculo da multa, na hipótese de manutenção do auto de infração neste ponto, o que se 5 Art. 57 O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) (...) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluído pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) Fl. 6325DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.326 26 colocaria apenas por apego ao debate, deveria ser retificada, para que levasse em consideração somente as glosas dos créditos de retenção de contribuição previdenciária. Por sua vez, a decisão de piso indeferiu o pleito de ajuste na base de cálculo fundamentando no fato de que lá no dispositivo normativo constar "o valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário" e não o valor das transações ou operações com informações omitidas, inexatas ou incompletas. Pois bem. Vejamos a alteração no dispositivo ao longo do tempo: Redação original: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: [...] II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Alterado pela Lei 12.766/2012: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas [...] III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. Alterado pela Lei 12.873/2013: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei Fl. 6326DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.327 27 nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas [...] III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta Podese notar a significativa alteração da redação da base de cálculo da multa quando comparadas as redações alteradas pela Lei 12.766/2012 e 12.873/2013, da qual se valera o autuante. Na de 2012, a base era "0,2% (dois décimos por cento)....., sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços", enquanto que na de 2013, "3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta". Referida alteração foi implementada por meio de emenda na redação original da MP 619/2013, que foi convertida na Lei 12.873/2013. Em função da evolução da norma, a leitura que faço é que a novel disposição procurou, de fato, desvincular a multa do faturamento ordinário do sujeito passivo, na medida em que deixara de ser o faturamento do mês anterior para passar a ser o valor das transações comerciais ou das operações financeiras (...), no caso de informação omitida, inexata ou incompleta, tendo sua alíquota aumentada em 15 vezes (de 0,2 % para 3 %). Oportuno mencionar que a Instrução Normativa RFB 1.277/2012, que instituiu a obrigação de prestar informações relativas às transações entre residentes ou domiciliados no Brasil e residentes ou domiciliados no exterior que compreendam serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, das pessoas jurídicas ou dos entes despersonalizados, valendose da previsão contida naquele artigo 57 da MP 2.158/2001, assim dispôs sobre a penalidade: Art. 4º O sujeito passivo que deixar de prestar as informações de que trata o art. 1º ou que apresentálas com incorreções ou omissões será intimado para apresentálas ou para prestar esclarecimentos no prazo estipulado pela RFB e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1336, de 26 de fevereiro de 2013) Fl. 6327DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.328 28 [...] III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1409, de 07 de novembro de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1409, de 07 de novembro de 2013) [...] § 5º Para fins do disposto no inciso III do caput, o valor das transações comerciais ou operações financeiras corresponde: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1803, de 06 de abril de 2018) I ao valor da operação sujeita a registro no Siscoserv à qual estejam especificamente vinculadas as informações inexatas, incompletas ou omitidas; ou (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1803, de 06 de abril de 2018) II ao somatório do valor das operações a que as informações inexatas, incompletas ou omitidas se referem, no caso de informações comuns a diferentes operações sujeitas a registro no Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio (Siscoserv) e que componham um conjunto de dados que caracterizam a prestação de um serviço, uma transferência ou aquisição de intangível ou a realização de uma operação que produza variação no patrimônio. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1803, de 06 de abril de 2018) É de se perceber que a base de cálculo da multa relativa ao descumprimento da obrigação acessória instituída por força daquela IN 1.277/2012 assemelhase e valese do mesmo dispositivo legal utilizado para a multa aqui tratada, sendo certo que a interpretação dada ao dispositivo, com a redação dada pela IN RFB 1.803/2018 e no âmbito daquela obrigação acessória, foi no sentido de que o valor das transações comerciais ou operações financeiras corresponderia ao valor da operação sujeita a registro no Siscoserv à qual estejam especificamente vinculadas as informações inexatas, incompletas ou omitidas ou ao somatório do valor das operações a que as informações inexatas, incompletas ou omitidas se referem, conforme o caso. Posto assim, penso que a base de cálculo da multa deve ser considerada como sendo aquela que representa a informação omitida, inexata ou incompleta apurada pelo autuante. Mérito Da Solidariedade. Fl. 6328DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.329 29 Nesta matéria, alega o recorrente que a jurisprudência consolidada do E. Superior Tribunal de Justiça afastaria a caracterização de responsabilidade tributária solidária, quando não haja realização conjunta do fato gerador. E que as empresas, de fato, não praticaram atividades conjuntamente ou de uma forma interligadas, o que, por si só, seria mais que suficiente a evidenciar a ilegitimidade do respectivo arrolamento das sociedades como devedoras solidárias do presente crédito tributário. Não comungo dessa tese, ao mesmo tempo em que me alinho ao entendimento da instância de piso, como já me manifestei em outras oportunidades, no que sentido de que a responsabilização, uma vez demonstrada a existência de grupo econômico, se dá por imposição legal, pouco importando tenha sido demonstrado, ou não, pela fiscalização o interesse comum da situação que constituiu o fato gerador da exação. Nesse sentido, tomo como razões de decidir a fundamentação e conclusão a seguir colacionados: Fl. 6329DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.330 30 Fl. 6330DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.331 31 Nesse sentido, VOTO por conhecer do recurso e DARLHE parcial provimento para que sejam considerados no lançamento, em cada competência e até o limite do montante aproveitado na GFIP, os valores destacados nas notas fiscais emitidas nas respectivas competências e apresentadas até a impugnação, que tenham sido contabilizadas na forma do artigo 137 da IN RFB 971/2009, conforme explicitado neste voto, ainda que recolhidos em outra competência, bem como para que a multa relacionada à ECD apresentada com informações omitidas, inexatas ou incompletas seja ajustada para que sua base de cálculo passe a constar aquela que corresponda à informação omitida, inexata ou incompleta apurada pelo autuante. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 6331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902168/2013-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.621
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 16 8/ 20 13 -2 7 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10850.902168/201327 Resolução nº 3401001.621 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10850.902168/201327 Resolução nº 3401001.621 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.914886/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
INCONSTITUCIONALIDADE.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-006.152
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 48 86 /2 00 9- 19 Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10783.914886/200919 Acórdão n.º 3302006.152 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, por não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude do fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado para quitar débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que, considerando a alteração do regime constitucional das contribuições (PIS/Cofins) por meio da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, eram inconstitucionais as Medidas Provisórias n° 66/2002 e nº 135/2003 que alteraram as suas base de cálculo e alíquota, carecendo de validade, por conseguinte, as Leis nº 10.637/2002 e n° 10.833/2003 delas decorrentes. Arguiu, também, o então Manifestante a inexigência da multa moratória, em razão da denúncia espontânea. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1332.311, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de não comprovação do indébito fiscal e da incompetência da autoridade administrativa para apreciar arguições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.147, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10783.912698/200948, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.147): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10783.914886/200919 Acórdão n.º 3302006.152 S3C3T2 Fl. 4 3 Conforme exposto anteriormente, as alegações da Recorrente se restringem a inconstitucionalidade da MP 135/2003, a saber: l. Considerando que o regime constitucional da COFINS foi alterado pela Emenda Constitucional n” 20, de 15 de dezembro de 1998, concluise ser inconstitucional a Medida Provisória n° 135/2003 que alterou a base de cálculo e alíquota da COFINS; 2. Nesse sentido, carece de validade a Lei n° 10.833/2003, pois decorre de medida provisória inconstitucionalmente editada; 3. Sendo assim, restam indevidos recolhimentos efetuados pela contribuinte com à alíquota majorada de 7,6%, pois deveria ter sido aplicada à alíquota de 3,0%. Neste cenário, impõese observar e aplicar a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, à Medida Provisória nº 135/2003 e à Lei nº 10.833/2003, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, à Medida Provisória nº 66/2002 e à Lei nº 10.637/2002. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 44DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.901276/2006-07
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA.
Questões não suscitadas em sede de Manifestação de Inconformidade constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal.
SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. PEDIDO CONSIDERADO NÃO FORMULADO.
Considera-se não formulado o pedido de diligência genérico, efetuado apenas por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário e sem formulação de quesitos, por não se coadunar às regras do artigo 16, § 1º, do Decreto n° 70.235/72.
ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. INADMISSIBILIDADE.
Inadmissível o acolhimento da argüição de cerceamento do direito de defesa quando demonstrado que o Despacho Decisório de indeferimento e o acórdão de Manifestação de Inconformidade foram produzidos sem qualquer eiva de ilegalidade.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE.
Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente, por meio de elementos idôneos e na forma da legislação tributária, o direito creditório vindicado, não cabendo ao julgador neste momento processual realizar trabalho de auditoria, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a homologação parcial de declaração de compensação, quando comprovado que parte do crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora utilizado para a quitação de débito com características distintas.
Numero da decisão: 1002-000.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer, por preclusão consumativa, de matéria não arguida na Manifestação de Inconformidade, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA. Questões não suscitadas em sede de Manifestação de Inconformidade constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. PEDIDO CONSIDERADO NÃO FORMULADO. Considera-se não formulado o pedido de diligência genérico, efetuado apenas por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário e sem formulação de quesitos, por não se coadunar às regras do artigo 16, § 1º, do Decreto n° 70.235/72. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. INADMISSIBILIDADE. Inadmissível o acolhimento da argüição de cerceamento do direito de defesa quando demonstrado que o Despacho Decisório de indeferimento e o acórdão de Manifestação de Inconformidade foram produzidos sem qualquer eiva de ilegalidade. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente, por meio de elementos idôneos e na forma da legislação tributária, o direito creditório vindicado, não cabendo ao julgador neste momento processual realizar trabalho de auditoria, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a homologação parcial de declaração de compensação, quando comprovado que parte do crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora utilizado para a quitação de débito com características distintas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer, por preclusão consumativa, de matéria não arguida na Manifestação de Inconformidade, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA. Questões não suscitadas em sede de Manifestação de Inconformidade constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. PEDIDO CONSIDERADO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de diligência genérico, efetuado apenas por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário e sem formulação de quesitos, por não se coadunar às regras do artigo 16, § 1º, do Decreto n° 70.235/72. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. INADMISSIBILIDADE. Inadmissível o acolhimento da argüição de cerceamento do direito de defesa quando demonstrado que o Despacho Decisório de indeferimento e o acórdão de Manifestação de Inconformidade foram produzidos sem qualquer eiva de ilegalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 12 76 /2 00 6- 07 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 219 2 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente, por meio de elementos idôneos e na forma da legislação tributária, o direito creditório vindicado, não cabendo ao julgador neste momento processual realizar trabalho de auditoria, eis que implicaria o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a homologação parcial de declaração de compensação, quando comprovado que parte do crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora utilizado para a quitação de débito com características distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer, por preclusão consumativa, de matéria não arguida na Manifestação de Inconformidade, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/CPS (destaques do original): "Trata o presente processo de Declaração de Compensação de fls. 01/06, apresentada por meio do Programa PER/DCOMP, em 28 de maio de 2003, por meio da qual a contribuinte pretende o Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 220 3 reconhecimento de direito creditório com origem no saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2000, para a compensação de débitos relativos a períodos de apuração subseqüentes. 2. A autoridade fiscal indeferiu o pleito da contribuinte, nos termos do Despacho Decisório de fls. 21/23, 11 de setembro de 2007, que se transcreve: 'Relatório Tratase de Declaração de Compensação (fls. 01106) de débito de CSLL do mês de janeiro de 2003, no valor total de R$ 197.657,29, com crédito oriundo de saldo negativo de CSLL de 31.12.2000, no valor de R$ 142.893,88. A Dcomp foi transmitida através de programa PER/IDCOMP sob o n. 33781.25942.280503.1.3.0303 75. O débito foi cadastrado no PROFISC, conforme extrato de fls. 07. Fundamentação de Proposta Análise do direito creditório: Saldo Negativo de CSLL do ano calendário de 2000 Conforme indica a Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da DIPJ12001, o saldo negativo da CSLL de 31.12.2000, de R$ 492.349,39, foi assim determinado (fls. 08): Após serem auditados os valores determinantes do saldo negativo de 31.12.2000, nada foi encontrado que os alterasse, concluindose pela sua conformidade com os declarados. Este saldo negativo foi parcialmente utilizado nas compensações de débitos de estimativas de CSLL de Julho, Agosto e Novembro de 2001 (fls. 16118), efetuadas nos termos do art. 14, da IN SRF 21, de 10 de março de 1997, resultando num saldo de R$ 108.859, 78, conforme demonstrado no quadro abaixo: Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 221 4 Diante do exposto, proponho o Reconhecimento Parcial do direito creditório de R$ 108.859, 78, base de 31.12.2000, e nos termos do art. 47 da IN SRF n. ° 600, de 28.12.2005, a Homologação da PERDCOMP de n. ° (..) até o limite do valor do crédito reconhecido. ' 3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 27, em 13 de novembro de 2007, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 12 de dezembro de 2007, fls. 28/30, com as alegações que se seguem. 3.1. Afirma que a autoridade fiscal considerou que em agosto de 2001 (base julho 2001) a empresa teria compensado R$ 79.242,91 com o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000; R$ 128.234,84 em setembro de 2001 e R$ 227.090,00 em dezembro de 2001. 3.2. No entanto, as compensações relativas ao anocalendário de 2001 foram assim efetuadas: Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 222 5 3.3. Acrescenta que os valores compensados, apresentados nos demonstrativos, foram atualizados pela taxa Selic. 3.4. Conclui, afirmando que com a apropriação das compensações com o saldo negativo da CSLL de 2000, o saldo remanescente seria suficiente para a compensação pretendida por meio da Dcomp apresentada, no valor de R$ 197.657,29." A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/CPS, conforme acórdão n. 0523.168, 26 11 de setembro de 2008 (efl. 180), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO De CSLL O reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo da CSLL condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 223 6 o que inclui a comprovação da CSLL retida por órgãos públicos levada à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras ou pela apresentação de cópia das guias de recolhimentos; a identificação, existência e a disponibilidade dos saldos negativos de períodos anteriores, aproveitados para liquidação das estimativas mensais ou no encerramento do ano calendário, bem como a certeza e a liquidez das demais compensações efetuadas, visando a extinção das estimativas ou aproveitadas no encerramento do período. As compensações entre tributos e contribuições da mesma espécie, efetuadas durante a vigência da Instrução Normativa n.° 21, de 1997, embora pudessem ser efetuadas independente de requerimento à Receita Federal do Brasil, deviam ser comprovadas pelos meios adequados e hábeis, além da indicação, pela contribuinte, nas DCTF respectivas. Simples demonstrativos e afirmações, despidos da necessária comprovação, não se prestam a caracterizar ou comprovar a liquidação de estimativas por meio de compensações. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário estruturado por tópicos (efls. 52), oferecendo os argumentos abaixo sintetizados (destaques do original). II — DOS FATOS Preliminarmente, sustenta "...haver equívoco na análise realizada pela RFB, especialmente na recomposição do saldo negativo da CSLL referente ao anocalendário 2000, bem como na análise de compensações anteriores que não guardam relação com a que é objeto do PER/DCOMP que originou o presente processo", argumentando que "(...)apesar do débito da CSLL — ago/2001 haver sido quitado mediante compensação, o crédito utilizado para tanto não foi o saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2000 (R$ 492.349,39)" e afirmando que "...o crédito decorrente do saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2000 (R$ 492.349,39) foi utilizado, na verdade, nas compensações com os débitos das estimativas mensais da CSLL de jul/2001, nov/2001, ago/2002 e jan/2003...". Diz que deve ser verificado "...equívoco numérico cometido pela DRF, às fls. 2 da decisão, em relação que ao débito (valor histórico) de nov/2001, devendose ler R$ 194.458,86 onde se lê R$ 196.291,81". Acrescenta que "...em relação ao saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2000, em verdade, a Recorrente ainda é titular de crédito no valor originário (principal) de R$ 343,48 (trezentos e quarenta e três reais, e quarenta e oito centavos)". Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 224 7 Afirma que "...a DRF imputou de forma indevida, sem qualquer fundamento fático e/ou legal, que a Recorrente haveria utilizado os créditos do saldo negativo de CSLL (31/12/2000) para compensar débitos de estimativas mensais de CSLL referentes ao mês de ago/2001 (vencimento em set/2001), sendo que a Recorrente jamais pleiteou essa compensação, nesses termos". Aduz que "...a DRJ incidiu no mesmo erro que a DRF, pois tratou de matéria estranha da que está no presente processo. Afinal, o que está em análise é o débito da CSLL de jan/2003 e não os débitos de CSLL de ago/2001, os quais, inclusive, já foram corroídos pela decadência". Conclui que "...através de sua MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, a Recorrente demonstrou ser titular de créditos legítimos e suficientes para a homologação integral da compensação declarada, relativamente ao débito de CSLL (de jan/2003) no valor originário de R$197.657,29". II — DO DIREITO Com relação a este tópico, diz que o acórdão recorrido partiu de premissa equivocada ao pressupor "...que a Recorrente já não era mais titular do crédito de saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2000 (R$ 492.349,39) com o qual compensou o débito de CSLL de jan/2003", sob a justificativa de que "...o crédito decorrente do saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2000 não foi utilizado na compensação do débito de CSLL — ago/2001 (vencimento em set/2001)" e que "o débito de CSLL — ago/2001 foi compensado, na verdade , com créditos decorrentes: i) do saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/1997 e 31/12/1998 pela empresa CONFAB TRADING S/A, incorporada pela Recorrente em 1999; e ii) das retenções sofridas nos anosbase 1997, 1998 e 2000". Em razão disso, conclui que "...faltou, à decisão recorrida, fundamentação coerente com o caso ora tratado, vez que, na verdade, julgouse algo que não existe nem foi pleiteado", pugnando pela nulidade do acórdão recorrido. Sustenta que houve ofensa ao princípio da verdade material, eis que "Para a verificação e comprovação do saldo negativo da CSLL, a DRF não adotou qualquer diligência necessária para tanto" e que "...urge indispensável a reforma da r. decisão recorrida e a realização de diligências para verificar a legitimidade e suficiência do crédito utilizado na compensação, apenas e tão somente, do débito de CSLL de jan/2003, conforme notadamente reconhecido por esse E. CONSELHO DE CONTRIBUINTES". Afirma que desde 08/2006 está extinto por decadência o direito de constituição do crédito tributário relativo a CSLL de 08/2001, defendendo que não se aplica ao caso ora examinado a regra do art. 74, §§4º e 5º da Lei n° 9430/96 "...porque à época dos fatos (ago/2001) não se exigia a apresentação de requerimento para a compensação de tributos como a do presente caso". Como forma de lastrear sua argüição, colaciona no Recurso Voluntário acórdãos de jurisprudência pertinentes às matérias questionadas. Ao final, requer a realização de diligências para confirmação da origem, legitimidade e suficiência do crédito utilizado na compensação de CSLL de 01/2003, a intimação pessoal dos procuradores do Recorrente para realização de sustentação oral e o Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 225 8 provimento do Recurso Voluntário e, alternativamente, na hipótese do improvimento do recurso, a homologação do PER/DCOMP nº 33781.25942.280503.1.3.030375. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator I Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, entretanto, conheçoo parcialmente, eis que contém matéria nova, não suscitada em sede de Manifestação de Inconformidade, conforme se explica a seguir. A alegação de decadência do crédito tributário relativa a CSLL de 08/2001 apresentada no Recurso Voluntário é totalmente nova em relação às apresentadas na Manifestação de Inconformidade, não podendo ser analisada por este colegiado por falta de prequestionamento, a teor do disposto no artigo art.16, III e 17 do Decreto 70.235/72: “Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;” Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Por não ter sido apresentado no momento processual oportuno, o referido argumento caracterizase como matéria preclusa, motivo porque o Recurso Voluntário não será conhecido nesta parte, eis que não cabe a esta instância recursal o reexame de matéria não julgada pela DRJ, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório. II Preliminares As matérias do Recurso Voluntário tecnicamente consideradas como preliminares de mérito serão abordadas a seguir neste Voto. IIa Pedido de Sustentação Oral Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 226 9 O pedido de sustentação oral relativo a julgamentos de processos de competência das Turmas Extraordinárias é previsto no parágrafo segundo do artigo 61A do Regimento Interno do CARF RICARF (grifos nossos): Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § (...) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329,de 2017). O Recurso Voluntário, portanto, não é o instrumento jurídico adequado para apresentação de pedido de sustentação oral, o qual deve ser feito por meio de requerimento próprio, com antecedência mínima de 5 (cinco) dias da publicação da pauta e na forma prescrita pelo RICARF. Em razão disso, indefiro o pedido de sustentação oral. IIb Pedido de conversão do processo em diligência Com relação ao pedido de diligência, notase que foi efetuado apenas por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário e, ainda assim, de maneira genérica, isto é, sem a formulação de quesitos, o que não se coaduna com as regras insculpidas no inciso IV e no § 1º do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: I (...); (...); IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 227 10 Ademais, o ônus probatório do direito de crédito é do contribuinte interessado e não do Fisco, a teor do que dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333 (grifos nossos): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Pelos motivos expostos considero não formulado o pedido de diligência feito pelo Recorrente. IIc Cerceamento do direito de defesa Nessa preliminar o Recorrente sustenta que houve preterição de seu direito de defesa porque a DRJ tratou de matéria estranha à que fundamenta o PER/DCOMP e não apreciou o fundamento fático e jurídico dos créditos utilizados, vez que o foco de análise é o débito da CSLL de 01/2003 e não os débitos de CSLL de 08/2001. Sem razão o Recorrente. A Compensação tributária é modalidade de extinção do crédito tributário prevista no art. 156, II, do Código Tributário nacional (CTN), mediante a qual se promove o encontro de duas relações jurídicas: (i) a relação jurídica de indébito tributário, na qual o contribuinte tem o direito de exigir e o Estado o dever de restituirlhe determinada quantia; e (ii) a relação jurídica tributária, na qual o Estado tem o direito de exigir e o contribuinte o dever de recolher determinada quantia aos cofres públicos (crédito tributário). Conforme reza o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN, a aplicação do instituto da compensação exige, além do crédito tributário a liquidar, a comprovação de créditos líquidos e certos a favor do contribuinte. Vejase: (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. O crédito informado no PER/DCOMP nº 33781.25942.280503.1.3.030375 apresentado pelo contribuinte corresponde ao saldo negativo de CSLL de 31.12.2001, que, de acordo com o Despacho Decisório de efls , foi parcialmente utilizado nas compensações de débitos de estimativa de CSLL de 07, 08 e 11/2001. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 228 11 Assim, não há qualquer ilegalidade no fato de o Despacho Decisório ter indeferido o PER/DCOMP nº 33781.25942.280503.1.3.030375 sob o argumento de que houve a utilização de parte do crédito postulado nas compensações de débitos de estimativa de CSLL do anocalendário de 2001, eis que a aferição da liquidez e certeza do crédito é requisito legal e condição necessária ao deferimento do pleito. Ante o exposto, rejeito a preliminar suscitada. Mérito Quanto ao mérito, constato que ora Recorrente teve reconhecido parcialmente o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do períodobase encerrado em 31.12.2000 e constante do PER/DCOMP nº 33781.25942.280503.1.3.030375, em razão de que parte do valor vindicado ter sido utilizado nas compensações de débitos de estimativa de CSLL de 07, 08 e 11/2001. O Recorrente nega ter utilizado o crédito de saldo negativo da CSLL apurado em 31/12/2000 para quitação do débito de CSLL de 08/2001, afirmando que o referido débito foi compensado com créditos decorrentes de retenções na fonte nos anoscalendário de 1997, 1998 e 2000 e de saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/1997 e 31/12/1998 pela empresa Confab Trading S/A, incorporada pela Recorrente em 1999, porém, não apresenta qualquer comprovação nesse sentido. Por outro lado, o Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório do ora Recorrente tomou por base informações extraídas das bases de dados da RFB e constantes de documentos fiscais e declarações prestadas pelo próprio Recorrente, conforme farta documentação juntada nos autos. Até prova em contrário, essas informações consideramse legalmente válidas, a não ser que tenham sido retificadas na forma da legislação tributária de regência, o que não se verificou nos presentes autos. Diante desse quadro, a falta de comprovação das afirmações do Recorrente não permite atestar a existência e suficiência do crédito pleiteado, restando ausentes os requisitos de liquidez e certeza necessários à homologação do pedido de compensação na forma do artigo 170 do CTN. No presente caso, constatase que o Recurso Voluntário ficou restrito ao campo da argumentação, eis que o Recorrente descreve os fatos sob sua ótica, contradiz os fundamentos do acórdão recorrido com simples alegações e evoca a aplicação do princípio da verdade material à solução da lide, sem, contudo, apresentar provas ou fundamentos consistentes capazes de infirmar a decisão de indeferimento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação do PER/DCOMP, proferida pela instância de origem. Em outras palavras, o Recorrente não juntou aos autos elementos comprobatórios indispensáveis para atestar a legitimidade do direito ao crédito vindicado, tais como, Livro Diário, Livro de Apuração do Lucro Real, balancetes transcritos na escrita contábil, e, igualmente, deixou de apresentar quadro analítico descritivo e detalhado do suposto Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 229 12 crédito e as declarações fiscais do período a ele relacionadas (DIPJ, DACON, etc), motivo porque o indeferimento do Recurso Voluntário impõese. Neste sentido caminha a jurisprudência do CARF, conforme precedente abaixo: Acórdão n.º 3001000.312 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. Dispositivo Considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública e que o Recorrente não traz elemento de prova adicional capaz de infirmar os fatos aqui narrados, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 229DF CARF MF
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Numero do processo: 10970.000936/2010-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais.
Numero da decisão: 9303-007.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 09 36 /2 01 0- 05 Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.213 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte BANCO TRIÂNGULO S/A (efls. 1.122 a 1.186) com fulcro no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vigente à época da sua interposição, buscando a reforma do Acórdão n.º 3202001.129 (efls. 1.103 a 1.112) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 25 de março de 2014, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas de todas as operações bancárias (receitas operacionais), em sentido lato, incluídas as receitas advindas da cobrança de taxas/tarifas (serviços bancários) e das operações de intermediação financeiras, compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre essas receitas, pois são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso Voluntário negado. Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.214 3 O Contribuinte suscita divergência jurisprudencial quanto à exigibilidade da contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores decorrentes das operações de intermediação financeiras, face a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral. Discutese, em suma, a composição do faturamento das instituições financeiras. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigma o acórdão n.º 3402001.714, que pertence à mesma Recorrente e trata da mesma matéria analisada nos presentes autos. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho s/nº, de 24/06/2015 (efls. 1.189 a 1.191), proferido pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 1.193 a 1.209) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente, Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese à possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS das receitas decorrentes de intermediação financeira receitas financeiras frente a declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS estabelecida no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.215 4 sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR. Os fundamentos da decisão foram sintetizados na seguinte ementa, in verbis: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 2711 2008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL 0020802 PP00871 ) (grifouse) Pertinente, ainda, colacionar a ementa de julgado do leading case RE nº 357.950/RS, refletindo a posição predominante na Corte Suprema confirmada em sede de repercussão geral: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.216 5 Nessa linha relacional, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham sido afetadas à sistemática da repercussão geral são de observância obrigatória por este órgão administrativo de julgamento, conforme redação do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, atualmente em vigor e que obriga os Conselheiros à sua aplicação: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Frente à declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS estabelecida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, as variações cambiais ativas decorrentes das exportações da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não se caracterizam como receitas, não integrando o faturamento da empresa. Além disso, com a decisão do STF em repercussão geral ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas as receitas financeiras. Por conseguinte, tornase insustentável o argumento de que haveria a tributação da variação cambial ativa, com fulcro no art. 9º da Lei nº 9.718/98, por se tratar de receita financeira. Esta grandeza não integra o faturamento e, portanto, não sofre a incidência da COFINS. O Supremo Tribunal Federal, por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 627.815, na sistemática da repercussão geral, decidiu que as receitas de exportação decorrentes de variação cambial não devem ser tributadas pelas contribuições para o PIS e para a COFINS, in verbis: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.217 6 E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 627815, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 23/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe192 DIVULG 30092013 PUBLIC 01102013) No mesmo sentido, já decidiu essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ao julgar os processos que receberam os acórdãos de nºs 9303004.181 e 9303005.032. Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo STF, em sede de repercussão geral, devem ser excluídas do campo de incidência da referida contribuição todas as demais receitas que não sejam provenientes do faturamento, no caso, àquelas relativas às receitas de intermediações financeiras do banco. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.218 7 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Redator designado Com a devida vênia, divirjo da posição adotada pela i. relatora em seu voto. Tal discussão jurídica sobre receitas financeiras, já foi abordada anteriormente nesta Turma em outras oportunidades e, para fundamentar meu posicionamento, aponto julgado recente, no acórdão nº 9303006.236, em 24/01/2018, o i. relator conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, tratando de receitas financeiras de seguradoras, mesmo decorrentes de fundos obrigatórios por lei específica, assim argumentou: A solução do litígio passa pela determinação do conceito de faturamento, que o Supremo Tribunal Federal STF, como se sabe, tem entendido, atualmente, como o que decorre da realização das atividades que compõem o objeto social do contribuinte, ou seja, a sua receita operacional. Notese que, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgo o Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.219 8 constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...]§ 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da CF, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Além disso, também naquele acórdão, apresentou o seguinte posicionamento do Tribunal Regional da 3ª Região como reforço argumentativo: AGRAVO LEGAL. HIPÓTESE DE APLICAÇÃO DO ART. 557, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PIS/COFINS. SEGURADORAS. RECEITAS FINANCEIRAS LIVRES. INCIDÊNCIA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. O art. 557, caput e § 1ºA do CPC autoriza que o relator negue seguimento ou dê provimento ao recurso quando a decisão recorrida estiver em confronto com a Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.220 9 jurisprudência dominante no respectivo Tribunal ou de Tribunal Superior. Possibilidade de aplicação do dispositivo à hipótese vertente. 2. Em relação à aplicação da Lei nº 9.718/98 às empresas de seguros privados, como é o caso das impetrantes, observo que o C. STF manteve incólume o caput do art. 3º, nos termos do RE 357.950. 3. Quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Pleno do STF (RE 357.9509/ RS), em relação à base de cálculo das contribuições PIS e COFINS no que pertine às instituições financeiras e equiparadas, o tema foi objeto do Parecer PGFN/CAT/Nº 2773/2007, datado de 28 de março de 2007. 4. As seguradoras não são beneficiadas pela declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal, por se sujeitarem a regramento próprio (arts. 2º e 3º, caput e parágrafos 5º e 6º, da Lei 9.718/98). 5. No caso de empresas de seguros privados, cumpre ressaltar, que a própria Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 6º, II, prevê quais são as deduções e exclusões possíveis na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, a saber: o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. 6. A incidência das contribuições ao PIS e à Cofins sobre as receitas financeiras oriundas de aplicações ou de reservas técnica é medida que se impõe, pois tais valores resultam da atividade empresarial típica da seguradora, resultantes de parte dos prêmios captados de seus clientes e investidos no mercado financeiro, integrando, desta feita, o seu faturamento. 7. Tal entendimento restou consignado na Solução de Consulta nº 91, publicada pela Superintendência da Receita Federal em São Paulo, segundo a qual as receitas de seguradoras geradas com a aplicação de valores reservados ao pagamento de sinistros são tributadas pelo PIS e pela Cofins. 8. Não há elementos novos capazes de alterar o entendimento externado na decisão monocrática. 9. Agravo legal improvido. (TRF da 3ª Região, rel. Desembargadora Consuelo Yoshida, AMS 00087126520154036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:01/04/2016) Ressaltese, ainda, que o Banco Triângulo, no processo nº 10675.907434/200908, que tratava de pedido de restituição de PIS/Pasep, suportado pelo mesmo Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, cuja matéria julgada é fulcro da argumentação no presente processo, teve sua apreciação por esta 3ª Turma em 03/06/2014, no acórdão nº 9303002.984. Naquele decisum, igualmente foi esquadrinhada a questão no tocante às receitas financeiras, como decorrentes das atividades empresariais das instituições financeiras, sendo componentes de suas receitas operacionais, e por isso para elas englobadas no conceito de faturamento; também lhe sendo desfavorável o entendimento, portanto. Em face daquele resultado a empresa, em 17/11/2015, ingressou com novo Mandado de Segurança, naquela oportunidade discutindo especificamente o alcance do faturamento para sua atividade, haja vista o posicionamento do fisco ao analisar o alcance do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782. Recebida a liminar favoravelmente, o novo mandado foi julgado em primeira instância, pelo Juiz Federal Lincoln Rodrigues de Faria, com Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.221 10 sentença1, em 10/05/2017, que revogou a liminar concedida, utilizandose da seguinte argumentação, sobre a qual também me apoio: A Segurança concedida em favor da impetrante (RE nº 401.348 7)reconheceu a inconstitucionalidade da modificação da base de cálculo do PIS proposta pelo artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 (evitandose a incidência sobre a totalidade de suas receitas), para que houvesse a incidência “das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” (fl. 444). Do exame do teor da decisão proferida em favor da impetrante, notase que não houve, em momento algum, enfrentamento jurisdicional a respeito da inclusão ou não de receitas operacionais na base de cálculo do PIS. Ou seja, em que pese o reconhecimento de aplicação de interpretação restrita ao conceito de receita bruta, não houve autorização judicial para que se determinasse a exclusão de receitas operacionais na base de cálculo do PIS. Como se sabe, a coisa julgada faz lei entre as partes, mas tão somente quanto ao que foi expressamente decidido, tendo o legislador consignado que: Art. 503 do CPC. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. Mesmo que a parte impetrante tenha mencionado, em causa de pedir no aludido writ, que sobre o faturamento não poderia incidir outras receitas, como as receitas financeiras (fls. 122/123), como o tema sequer fora enfrentado judicialmente, não se pode suscitar proteção do manto da coisa julgada a esse respeito. Trago à colação acórdão nesse sentido, que se amolda ao presente caso ante a similitude existente: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS. AUSÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. EMBARGOS CONHECIDOS PARCIALMENTE E, NA PARTE CONHECIDA, REJEITADOS. 1 (...) 3 Ao contrário do alegado pelo recorrente, não há de se falar em violação à coisa julgada no mandado de segurança MS nº 1999.61.00.0451169. 4 Verificase, à vista da decisão proferida no referido mandamus, objeto de recurso extraordinário interposto pelo impetrante (RE 485.125/SP, de Relatoria do Ministro Sepúlveda Pertence), que foi dado parcial provimento ao recurso, nos termos do disposto no art. 557, § 1ºA, do antigo CPC, para: "reformar o acórdão recorrido na parte em que julgou válida a ampliação da base de cálculo do PIS/COFINS". Esse é o teor da decisão que transitou em julgado em 5 de maio de 2006 (fls. 55/57). 5 Desse modo, foi 1 https://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?proc=00143971420154013803&secao=UDI&pg=1 &enviar=Pesquisar Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.222 11 reconhecido ao apelante, ora embargante na aludida ação mandamental o direito ao recolhimento da contribuição ao PIS/COFINS sem a ampliação da base de cálculo promovida pela Lei 9.718/98, ao reconhecimento da inconstitucionalidade perpetrada pelo § 1º, do art. 3º, desse diploma legal, objeto de pedido da inicial nos autos do referido MS. 6 A referida decisão, contudo, ao contrário do que entende o recorrente, não tem o condão de infirmar a validade dos débitos apontados nos processos administrativos impugnados, porquanto tratou apenas do reconhecimento de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal sem adentrar na discussão de mérito acerca da distinção entre receitas (receitas provenientes de operações financeiras e não financeiras) para fins de composição do faturamento da empresa e incidência da exação. 7 – (...) 12 Embargos de declaração parcialmente conhecidos e, na parte conhecida, rejeitados. (AMS – 336594 Relator(a) DESEMBARGADOR FEDERAL NERY JUNIOR Órgão julgador TERCEIRA TURMA Fonte eDJF3 Judicial 1 DATA:03/05/2017 – TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO) Também, por ter o Supremo Tribunal Federal decidido que a base de cálculo do PIS deveria ser a “receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” (fl. 444), necessário verificar o enquadramento das receitas operacionais nestas atividades. Assim, por se tratar de instituição financeira, impende vislumbrar quais seriam as suas atividades empresariais para, então, saber se os serviços que culminam receitas operacionais estariam ali abrangidas. Nos termos do artigo 17 da Lei nº 4.595/1964, o legislador conceituou o que seja instituição financeira e suas atividades regulares, senão vejamos: Art. 17 da Lei nº 4.595/64. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Noutro norte, conceituando o que seriam receitas operacionais, o dicionário Wikipédia (2) assim dispõe: Receitas operacionais são as provenientes do objeto de exploração da empresa ou de sua atividade principal e classificamse em: Receita da atividade técnica ou principal, que diz respeito à atividade principal da empresa, como venda de produtos, mercadorias ou serviços. Receita acessória ou complementar, que normalmente decorre da receita da atividade principal e representa rendimentos complementares. No Brasil, denominase contabilmente esse grupo de "outras receitas Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.223 12 operacionais", as quais se constituem basicamente de rendimentos de aplicações financeiras. Por ser objeto de exploração da instituição financeira, as receitas operacionais se inserem no conceito de faturamento acatado pelo STF, que, por interpretação teleológica e sistemática, excluiu somente as receitas não operacionais, sendo aquelas não decorrentes da atividade regular explorada pela sociedade contribuinte. Nesse sentido, os seguintes precedentes judiciais: TRIBUTÁRIO. COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI 9.718/98. LC 70/91. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS OPERACIONAIS. PRECEDENTES DO STF, DO STJ E DESTA CORTE. 1. A jurisprudência da Suprema Corte firmouse no sentido da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/98, que teria ampliado a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS ao arrepio do texto constitucional vigente no momento da sua edição, CF, art. 195, I (RE ns. 357950, 390840, 358273 e 346084). 2. Ao contrário da Lei n. 9.718/98, as Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003 são posteriores à EC 20/98, que autorizou a incidência das exações sobre o faturamento e a receita. (...) 4. As instituições financeiras e as demais pessoas jurídicas a elas equiparadas devem ter sua incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei n. 9.718/98 sobre o faturamento, assim entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, que abrange também toda receita operacional auferida mediante a atividade típica da empresa, segundo o seu objeto social. Portanto, estão excluídas da base de cálculo da referida contribuição social as receitas de natureza nãooperacional, durante a vigência da Lei n. 9.718/98. 5. No mesmo sentido, vem decidindo esta Corte: 3ª Turma Especializada, AMS 200651010226515, Rel. Des. Fed. LANA REGUEIRA, EDJF2R 12.7.2013; 4ª Turma Especializada, APELRE 200951010106419, Rel. Des. Fed. LUIZ ANTONIO SOARES, EDJF2R 11.9.2012; 3ª Turma Especializada, APELRE 200851040042166, Rel. Des. Fed. SALETE MACCALOZ, EDJF2R 5.7.2011. 6. Apelação do Demandante não provida e da União parcialmente provida. (AMS 00021460620044025101 Relator(a) RICARDO PERLINGEIRO Data da Publicação 03/06/2014 – TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO) TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INAPLICABILIDADE DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ART. 3º, § 1º DA Lei 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A segunda parte do art. 4º da LC 118/2005 foi declarada inconstitucional, e considerouse válida a aplicação do novo prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel. ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.224 13 de 11/10/2011). 2. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral, RE 585.235 QORG/ MG). 3. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo estabelecida nas Leis Complementares 7/1970 e 70/1991. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais instituições às disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, consoante disposto no inciso I dos arts. 8º e 10, respectivamente. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a que se nega provimento. 6. Apelação da parte autora a que se dá parcial provimento. (APELAÇÃO CIVEL Relator(a) DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO Sigla do órgão TRF1 Órgão julgador OITAVA TURMA Fonte eDJF1 DATA:06/09/2013) (Destaques do original) Pelo conjunto das razões expostas, voto por não dar provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1224DF CARF MF
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