Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10925.907616/2012-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.393
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10925.907616/2012-87
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5742109
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.393
nome_arquivo_s : Decisao_10925907616201287.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10925907616201287_5742109.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6856081
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213085941760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.907616/201287 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.393 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de junho de 2017 Matéria PERDCOMP. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente PARATI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 76 16 /2 01 2- 87 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10925.907616/201287 Acórdão n.º 3302004.393 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o PIS/Pasep. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba SC pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07034.032. O fundamento adotado, em síntese, foi: (i) que, pagamentos efetuados mediante DARF (vinculados a débitos declarados em DCTF) somente se caracterizam como indevidos ou a maior, quando o contribuinte retifica a DCTF, informando corretamente o débito (a menor); e (ii) que, não procede a alegação da contribuinte de que o ICMS não compõe as bases de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins; e (iii) que o órgão administrativo não pode ser pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, aduzindo (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição; (ii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS; (iii) sobrestamento do feito até o transito em julgado da decisão proferida pelo STF (RE 574.706). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.379, de 28 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.907614/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.379): Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10925.907616/201287 Acórdão n.º 3302004.393 S3C3T2 Fl. 4 3 "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 19.03.2014 (fls.43) e protocolou Recurso Voluntário em 07.04.2014 (fls.4653), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02 Inicialmente é imperioso destacar que nos termos da Súmula nº 02 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Deste modo, a análise da inconstitucionalidade da legislação tributária envolvendo a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS resta totalmente prejudicada. II.2 Ausência de retificação da DCTF direito creditório É incontroverso nos autos que a Recorrente não retificou a DCTF antes de apresentar o Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, fato este que para fiscalização obsta o direito ao crédito buscado pelo contribuinte. Contudo, o fato de a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, por si só, não é motivo suficiente para que seu crédito não seja reconhecido, podendo, tal procedimento, ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte, nos termos do §1º ao art. 147 do CTN, a saber: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10925.907616/201287 Acórdão n.º 3302004.393 S3C3T2 Fl. 5 4 Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/ RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/ PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10925.907616/201287 Acórdão n.º 3302004.393 S3C3T2 Fl. 6 5 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. Superada essa questão, passase a análise da matéria sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS. II.3 ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente, sem contudo provar, que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.785 2/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158): A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.907616/201287 Acórdão n.º 3302004.393 S3C3T2 Fl. 7 6 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10925.907616/201287 Acórdão n.º 3302004.393 S3C3T2 Fl. 8 7 técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10925.907616/201287 Acórdão n.º 3302004.393 S3C3T2 Fl. 9 8 de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10925.907616/201287 Acórdão n.º 3302004.393 S3C3T2 Fl. 10 9 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. II.4 Sobrestamento do processo Por fim, a Recorrente pleiteou o sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do RE 504.706, suplicando pela aplicação do princípio da economia processual. Com todo respeito ao pedido formulado pela Recorrente, as hipóteses de sobrestamento do feito previstas no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, não albergam o pedido do contribuinte, logo, deve ser afastado o requerimento anteriormente citado, por total ausência de fundamento legal. III. Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito e, que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.144.469/PR), aplicável ao presente caso, é no sentido de manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10925.907616/201287 Acórdão n.º 3302004.393 S3C3T2 Fl. 11 10 Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e, não obstante a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001339/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
CISÃO PARCIAL. ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. IMPOSSIBILIDADE DE CISÃO E DE VERSÃO DO PATRIMÔNIO DA CINDIDA PARA SURGIMENTO DE UMA EMPRESA S.A.
O instituto da cisão, disciplinado nos arts. 229 e segs. da Lei nº 6.404, de 1976, e no art. 1.122 da Lei nº. 10.406, de 2002, só é aplicável às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de sociedade. Porém, mesmo que fosse possível a cisão, haveria ainda a impossibilidade de a natureza jurídica de uma entidade que não possua fins lucrativos transmutar-se em uma sociedade Anônima (S.A.), utilizando o patrimônio da entidade cindida, já que se estaria modificando seu regime jurídico, o que resultaria no cancelamento da isenção anteriormente conferida à entidade social sem fins lucrativos.
DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO ISENTA. TRIBUTAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES RECEBIDOS EM DEVOLUÇÃO E OS ENTREGUES PARA FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO.
Sujeita-se à incidência do imposto de renda, computando-se na determinação do lucro real, a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de associação isenta, a título de devolução de patrimônio na operação de desmutualização das bolsas de valores (unificação das operações da Bovespa e BM&F, à época estabelecidas sob a forma de entidades civis sem fins lucrativos, em uma única sociedade anônima de capital aberto), e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio.
GANHO DE CAPITAL. FORMA DE APURAÇÃO. CUSTO CONTÁBIL. INAPLICABILIDADE DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL AOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA ASSOCIAÇÃO ISENTA BMF.
O ganho de capital deve ser apurado levando-se em conta o custo contábil do bem registrado na escrituração da empresa. O método de avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial não se aplica aos títulos patrimoniais da associação isenta
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PROVA. COMPROVAÇÃO POR DOCUMENTOS HÁBEIS.
A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos cm preceitos legais. A falta de apresentação de documentos hábeis c idôneos a amparar o registro, autoriza o Fisco a desconsiderar valores não comprovados.
CONSERVAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.
IRPJ/CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzir-se em nítido caráter de provisão.
PERÍODO DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO. INEXATIDÃO.
A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de ofício, se dela resultar a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido, ou a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração.
POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. MULTA DE MORA.
A multa de mora não pode ser afastada com fundamento no § 7°, do art. 6°, do Decreto-lei n° 1.598/77 ou com base na figura da denúncia espontânea, pelo fato de ser exigida automaticamente do contribuinte a partir do momento em que este incorre no atraso de suas obrigações fiscais, por força de expressa disposição legal.
POSTERGAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL.
A postergação de tributo pago a menor será efetuada obedecendo-se à proporcionalidade entre o principal e respectivos acréscimos e encargos legais que deixaram de ser pagos, no caso, a multa de mora e os juros de mora. A alteração legislativa da Lei nº 9.430/96 não retirou eficácia à imputação proporcional que ainda vige e é um procedimento válido e permitido pelo ordenamento jurídico.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO.
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratando-se de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA LANÇADA COM O TRIBUTO.
A multa de ofício lançada com o tributo também se enquadra no conceito de débito para com a União, sujeitando-se à incidência de juros Selic se não for paga tempestivamente.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz de exigência do IRPJ, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Credito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 1401-001.886
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos:
I) Por maioria de votos, negar provimento em relação à infração relacionada à tributação do ganho de capital na desmutualização das bolsas de valores. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano e José Roberto Adelino da Silva e a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin em menor extensão dando provimento apenas em relação à desconsideração do custo contábil original não provado;
II) Por unanimidade de votos, dar provimento para considerar a postergação a teor do parecer normativo 02/96, com incidência de multa de mora e juros de mora, aplicando-se o método da imputação proporcional, conforme resultado de diligência, corrigindo apenas o dies a quo da contagem dos juros de mora, nos termos do voto do relator;
III) Por maioria de votos, negar provimento à dedução da base tributável dos valores lavrados no Auto de Infração de PIS e COFINS. Vencido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva;
IV) Por maioria de votos, dar provimento em relação às multas isoladas. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Designada a Conselheira Lívia De Carli Germano para redigir o voto vencedor;
V) Por maioria de votos, negar provimento em relação aos juros sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente
(assinado digitalmente)
Lívia De Carli Germano - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, José Roberto Adelino da Silva e Antonio Bezerra Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.001339/2009-27
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5732662
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-001.886
nome_arquivo_s : Decisao_16327001339200927.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 16327001339200927_5732662.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) Por maioria de votos, negar provimento em relação à infração relacionada à tributação do ganho de capital na desmutualização das bolsas de valores. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano e José Roberto Adelino da Silva e a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin em menor extensão dando provimento apenas em relação à desconsideração do custo contábil original não provado; II) Por unanimidade de votos, dar provimento para considerar a postergação a teor do parecer normativo 02/96, com incidência de multa de mora e juros de mora, aplicando-se o método da imputação proporcional, conforme resultado de diligência, corrigindo apenas o dies a quo da contagem dos juros de mora, nos termos do voto do relator; III) Por maioria de votos, negar provimento à dedução da base tributável dos valores lavrados no Auto de Infração de PIS e COFINS. Vencido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva; IV) Por maioria de votos, dar provimento em relação às multas isoladas. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Designada a Conselheira Lívia De Carli Germano para redigir o voto vencedor; V) Por maioria de votos, negar provimento em relação aos juros sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente (assinado digitalmente) Lívia De Carli Germano - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, José Roberto Adelino da Silva e Antonio Bezerra Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes.
dt_sessao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6797932
ano_sessao_s : 2017
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 CISÃO PARCIAL. ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. IMPOSSIBILIDADE DE CISÃO E DE VERSÃO DO PATRIMÔNIO DA CINDIDA PARA SURGIMENTO DE UMA EMPRESA S.A. O instituto da cisão, disciplinado nos arts. 229 e segs. da Lei nº 6.404, de 1976, e no art. 1.122 da Lei nº. 10.406, de 2002, só é aplicável às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de sociedade. Porém, mesmo que fosse possível a cisão, haveria ainda a impossibilidade de a natureza jurídica de uma entidade que não possua fins lucrativos transmutar-se em uma sociedade Anônima (S.A.), utilizando o patrimônio da entidade cindida, já que se estaria modificando seu regime jurídico, o que resultaria no cancelamento da isenção anteriormente conferida à entidade social sem fins lucrativos. DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO ISENTA. TRIBUTAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES RECEBIDOS EM DEVOLUÇÃO E OS ENTREGUES PARA FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO. Sujeita-se à incidência do imposto de renda, computando-se na determinação do lucro real, a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de associação isenta, a título de devolução de patrimônio na operação de desmutualização das bolsas de valores (unificação das operações da Bovespa e BM&F, à época estabelecidas sob a forma de entidades civis sem fins lucrativos, em uma única sociedade anônima de capital aberto), e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. GANHO DE CAPITAL. FORMA DE APURAÇÃO. CUSTO CONTÁBIL. INAPLICABILIDADE DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL AOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA ASSOCIAÇÃO ISENTA BMF. O ganho de capital deve ser apurado levando-se em conta o custo contábil do bem registrado na escrituração da empresa. O método de avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial não se aplica aos títulos patrimoniais da associação isenta ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PROVA. COMPROVAÇÃO POR DOCUMENTOS HÁBEIS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos cm preceitos legais. A falta de apresentação de documentos hábeis c idôneos a amparar o registro, autoriza o Fisco a desconsiderar valores não comprovados. CONSERVAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. IRPJ/CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzir-se em nítido caráter de provisão. PERÍODO DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO. INEXATIDÃO. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de ofício, se dela resultar a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido, ou a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. MULTA DE MORA. A multa de mora não pode ser afastada com fundamento no § 7°, do art. 6°, do Decreto-lei n° 1.598/77 ou com base na figura da denúncia espontânea, pelo fato de ser exigida automaticamente do contribuinte a partir do momento em que este incorre no atraso de suas obrigações fiscais, por força de expressa disposição legal. POSTERGAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. A postergação de tributo pago a menor será efetuada obedecendo-se à proporcionalidade entre o principal e respectivos acréscimos e encargos legais que deixaram de ser pagos, no caso, a multa de mora e os juros de mora. A alteração legislativa da Lei nº 9.430/96 não retirou eficácia à imputação proporcional que ainda vige e é um procedimento válido e permitido pelo ordenamento jurídico. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO. A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratando-se de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA LANÇADA COM O TRIBUTO. A multa de ofício lançada com o tributo também se enquadra no conceito de débito para com a União, sujeitando-se à incidência de juros Selic se não for paga tempestivamente. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz de exigência do IRPJ, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Recurso Voluntário Provido em Parte Credito Tributário Mantido em Parte
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213092233216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 46; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2188; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.313 1 1.312 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001339/200927 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.886 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS Recorrente JP MORGAN CORRETORA DE CÂMBIO DE VALORES MOBILIÁRIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 CISÃO PARCIAL. ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. IMPOSSIBILIDADE DE CISÃO E DE VERSÃO DO PATRIMÔNIO DA CINDIDA PARA SURGIMENTO DE UMA EMPRESA S.A. O instituto da cisão, disciplinado nos arts. 229 e segs. da Lei nº 6.404, de 1976, e no art. 1.122 da Lei nº. 10.406, de 2002, só é aplicável às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de sociedade. Porém, mesmo que fosse possível a cisão, haveria ainda a impossibilidade de a natureza jurídica de uma entidade que não possua fins lucrativos transmutar se em uma sociedade Anônima (S.A.), utilizando o patrimônio da entidade cindida, já que se estaria modificando seu regime jurídico, o que resultaria no cancelamento da isenção anteriormente conferida à entidade social sem fins lucrativos. DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO ISENTA. TRIBUTAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES RECEBIDOS EM DEVOLUÇÃO E OS ENTREGUES PARA FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real, a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de associação isenta, a título de devolução de patrimônio na operação de desmutualização das bolsas de valores (unificação das operações da Bovespa e BM&F, à época estabelecidas sob a forma de entidades civis sem fins lucrativos, em uma única sociedade anônima de capital aberto), e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. GANHO DE CAPITAL. FORMA DE APURAÇÃO. CUSTO CONTÁBIL. INAPLICABILIDADE DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 39 /2 00 9- 27 Fl. 1313DF CARF MF 2 PATRIMONIAL AOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA ASSOCIAÇÃO ISENTA BMF. O ganho de capital deve ser apurado levandose em conta o custo contábil do bem registrado na escrituração da empresa. O método de avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial não se aplica aos títulos patrimoniais da associação isenta ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PROVA. COMPROVAÇÃO POR DOCUMENTOS HÁBEIS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos cm preceitos legais. A falta de apresentação de documentos hábeis c idôneos a amparar o registro, autoriza o Fisco a desconsiderar valores não comprovados. CONSERVAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. IRPJ/CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. PERÍODO DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO. INEXATIDÃO. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de ofício, se dela resultar a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido, ou a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. MULTA DE MORA. A multa de mora não pode ser afastada com fundamento no § 7°, do art. 6°, do Decretolei n° 1.598/77 ou com base na figura da denúncia espontânea, pelo fato de ser exigida automaticamente do contribuinte a partir do momento em que este incorre no atraso de suas obrigações fiscais, por força de expressa disposição legal. POSTERGAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. A postergação de tributo pago a menor será efetuada obedecendose à proporcionalidade entre o principal e respectivos acréscimos e encargos legais que deixaram de ser pagos, no caso, a multa de mora e os juros de mora. A alteração legislativa da Lei nº 9.430/96 não retirou eficácia à imputação proporcional que ainda vige e é um procedimento válido e permitido pelo ordenamento jurídico. Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.314 3 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO. A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratandose de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA LANÇADA COM O TRIBUTO. A multa de ofício lançada com o tributo também se enquadra no conceito de débito para com a União, sujeitandose à incidência de juros Selic se não for paga tempestivamente. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz de exigência do IRPJ, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Recurso Voluntário Provido em Parte Credito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) Por maioria de votos, negar provimento em relação à infração relacionada à tributação do ganho de capital na desmutualização das bolsas de valores. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano e José Roberto Adelino da Silva e a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin em menor extensão dando provimento apenas em relação à desconsideração do custo contábil original não provado; II) Por unanimidade de votos, dar provimento para considerar a postergação a teor do parecer normativo 02/96, com incidência de multa de mora e juros de mora, aplicando se o método da imputação proporcional, conforme resultado de diligência, corrigindo apenas o dies a quo da contagem dos juros de mora, nos termos do voto do relator; Fl. 1315DF CARF MF 4 III) Por maioria de votos, negar provimento à dedução da base tributável dos valores lavrados no Auto de Infração de PIS e COFINS. Vencido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva; IV) Por maioria de votos, dar provimento em relação às multas isoladas. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Designada a Conselheira Lívia De Carli Germano para redigir o voto vencedor; V) Por maioria de votos, negar provimento em relação aos juros sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente (assinado digitalmente) Lívia De Carli Germano Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, José Roberto Adelino da Silva e Antonio Bezerra Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.315 5 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo ISP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 312326, em fiscalização empreendida junto) à contribuinte supramencionada, referente ao anocalendário de 2007, a fiscalização apurou os fatos descritos a seguir: 1. Da desmutualização A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a Bolsa de Mercadorias e Futuros de São Paulo (BM&F) eram constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos, submetidas aos art. 53 a 61 do Código Civil de 2002, fazendo jus à isenção do IRPJ e da CSLL prevista no art.15 da Lei n° 9.532/97. Segundo o §3 do art.12 dessa lei, para se manterem como associações civis sem finalidade lucrativa, essas entidades não poderiam distribuir seus resultados positivos, que deveriam ser vertidos para os objetivos sociais das entidades. Ao longo dos anos, o valor patrimonial da Bovespa e da BM&F tornouse maior que o valor originalmente vertido pelos associados para a constituição de cada entidade. A tributação desse acréscimo patrimonial, porém, ocorre quando a associação sem fins lucrativos devolve o capital aos associados, nos termos do art.17 da Lei n° 9.532/97. Não faz sentido uma associação cuja evolução patrimonial tenha se dado em parte por capital isento de tributação distribuir esse resultado a associados com finalidade lucrativa sem que esse fato seja gerador de tributos. Em 2007, a Bovespa e a BM&F, autorizadas pela Resolução n° 2.690/2000 do Conselho Monetário Nacional (CMN) a se constituírem sob a forma de sociedades anônimas, decidiram mudar sua forma de constituição, passando de associação civil sem fins lucrativos para sociedade com finalidade lucrativa. Ocorreu então a desmutualização da Bovespa (28/08/2007) e da BM&F (01/10/2007). Na desmutualização, conforme explicado na Solução de Consulta Cosit n° 10/2007, houve devolução do patrimônio da associação aos associados, com posterior versão de capital para constituição de: sociedade com finalidade lucrativa. Na devolução do capital da associação aos associados há incidência Fl. 1317DF CARF MF 6 de IRPJ e CSLL, nos termos dos §§ 3 o e 4 o do art.17 da Lei n° 9.532/97. 2. Da incidência tributária na desmutualização das bolsas 2.1. Bovespa A contribuinte detinha 12 títulos patrimoniais da Bovespa, recebendo 706.762 ações da Bovespa Holding S/A por cada título, totalizando 8.481.144 ações, conforme demonstrativo de fls.59. Ao custo unitário de R$2,23 por ação, o valor total das ações recebidas é de R$18.912.951,12 (fls.32). A contribuinte foi intimada a apresentar data, valor e forma de ingresso na Bovespa (fls.46, 7, 1517 e 2425) porém não apresentou tais informações (fls.2829, 30, 39 40, 4748, 50 e 53). A autuada submetese à apuração do lucro real, sendo obrigada a manter sua escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, conservando livros e documentos relativos à sua atividade, ou referentes a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, nos termos dos artigos 251 e 264 do RIR/99. Como a contribuinte não comprovou por documentos hábeis os valores escriturados, estes deixam de ter validade, nos termos do art.932 do RIR/99. Atribuise, então, custo zero aos títulos patrimoniais da Bovespa, tributandose a totalidade do capital recebido em devolução no momento da desmutualização da Bovespa. A contribuinte, no entanto, entende que a reserva de atualização contabilizada deve ser baixada e tributada por ocasião da venda das ações da Bovespa Holding /A, segundo informação de fls.30 32. Assim, no IPO da Bovespa Holding S/A, a contribuinte, conforme sua planilha de fls.3536, vendeu 48,945% das ações que detinha, baixando a mesma porcentagem da reserva de atualização contabilizada, adicionando R$6.874.348,53 real e à base de cálculo da CSLL do ano 2007 (demonstrativos de fls. 161162, 167 e 173177). Os respectivos pagamentos estão registrados às fls.290. Portanto total apurado a parte já oferecida à tributação (R$6.874.348,53) deve ser deduzida do total apurado (R$18.912.951,12), resultando no saldo a tributar de R$12.038.602,59, valor este que não foi adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, referente à devolução de capital da Bovespa a seus associados. 2.2. B M & F A contribuinte detinha 2 títulos patrimoniais da BM&F, recebendo um total de 4.908.015 ações da BM&F S/A. Ao custo unitário de R$1,00 por ação, o valor total das ações recebidas é de R$4.908.015,00, conforme fls.3034 e 6984. A contribuinte foi intimada a apresentar o valor de aquisição dos títulos patrimoniais da BM&F (fls.46, 7, 1517 e 2425) e Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.316 7 apresentou o documento de fls.7879 onde consta que a impugnante entregou o valor equivalente a 4.000 ORTN, em 23/07/85, para aquisição dos títulos. Com relação ao registro contábil dos bens e direitos, observese que os bens e direitos adquiridos ate 31/12/95 terão os respectivos custos corrigidos até essa data, tomandose por base o valor ¡registrado no razão auxiliar em Ufir, convertido em reais com base na Ufir vigente em 01/01/96 (R$0,8287), não sofrendo atualização monetária a partir daí, conforme art.4° da Lei n° 9.249/95. O valor atualizado do custo de aquisição dos títulos patrimoniais da BM&F é R$23.115,76. Assim, a diferença entre o capital recebido em devolução da BM&F (R$4.908.015,00) e o capital vertido para constituição dessa associação (R$23.115,76) resulta no valor de R$4.884.899,24. A contribuinte, porém, baixou a reserva de atualização contabilizada, tributandoa por ocasião da venda das ações da BM&F S/A, segundo informação de fls.3334. Assim, no IPO da BM&F S/A em 29/11/2007, a contribuinte, conforme sua planilha de fls.37 38, vendeu 90,518% das ações que detinha, baixando a mesma porcentagem da reserva de atualização contabilizada, adicionando R$3.519.653,13 ao lucro real e à base de cálculo da CSLL do ano 2007 (demonstrativos de fls. 163165 e 169177). Os respectivos pagamentos estão registrados às fls.290. Portanto, a parte já oferecida à tributação (R$3.519.653,13) deve ser deduzida do total apurado (R$4.884.899,24), resultando no valor a tributar de R$1.365.246,11, referente à devolução de capital da BM&F a seus associados, e que a contribuinte não adicionou à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. 3. Da multa isolada A contribuinte submetese à apuração do lucro real, tendo o dever de efetuar antecipações mensais artigos 222 a 230 do RIR/99 com base na receita bruta ou balanços de suspensão, segundo No caso, segundo DIPJ de fls.248288, as antecipações foram realizadas com base na receita bruta e acréscimos. O art.225 do RIR/99 preceitua que o ganho de capital seja adicionado à base de cálculo da estimativa para fins de incidência do IRPJ e da CSLL. Assim, a empresa deveria ter incluído na estimativa mensal o total da receita obtida com a devolução do capital de R$18.912.951,12 da Bovespa. Como isso não ocorreu, foi apurada infração por falta de recolhimento de estimativas mensais, ensejando aplicação da multa isolada de 50% prevista no art.44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430/96, conforme quadro a seguir. Fl. 1319DF CARF MF 8 4. Da multa de ofício Tendo em vista a conduta da contribuinte, foi lançada multa de ofício de 75% nos termos do art.44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. Pelos exposto, foram lançados os autos de infração de fls. 291 310, fundamentados nos seguintes dispositivos legais: DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 348437, acompanhada dos documentos de fls. 440613, em síntese alegando que os autos de infração seriam nulos pelas seguintes razões: Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.317 9 1. Das operações societárias realizadas peias bolsas de valores As operações de cisão ocorridas para a desmutualização estão previstas na legislação (artigos 220, 227, 228 e 229, e §§, da Lei n° 6.404/76, artigos 44, 1.113 a 1.122, e 2.033 do Código Civil, e parágrafo único do art. 16 da Lei n° 9.532/97), não se confundindo com devolução de patrimônio aos associados, como pretende o Fisco ao exigir IRPJ c CSLL de parte ilegítima, e quando inexiste renda e lucro. A lei previ a cisão de entidade isenta, que é quem deve suportar os efeitos de eventual desatendimento das condições à isenção. São equivocadas as conclusões da Solução de Consulta Cosit n° 10/2007. O art. 17 da Lei n° 9.532/97 não se aplica ao caso pois: (i) a impugnante não recebeu bens, direitos ou dinheiro das entidades isentas, recebendo ações das sociedades anônimas criadas; (ii) não ocorreu devolução de patrimônio, sendo a operação de cisão da sociedade isenta regulada pelos (iii) os títu artigos 12, 14 e 16, parágrafo único, da Lei n° 9.532/97;os patrimoniais eram avaliados por equivalência patrimonial, e eventuais variações positivas não são tributadas (artigos 225, 388 e 389 do RIR/99); e (iv) as atualizações dos títulos patrimoniais decorrem de lucros e reservas capitalizados pelas Bolsas e mantidos pelas associadas em conta de reserva de capitalização sem terem sido distribuídos, hipótese cuja isenção era prevista no art.3° do Decretolei 1.109/70, art.63 do Decretolei n° 1.598/77 e art.3° da Lei n°8.849/94. A Receita Federal, na Decisão Cosit n° 13/97 entendeu legítima a operação de cisão pela qual foram substituídos os títulos patrimoniais da Bovespa por ações da Clearing S/A (atual Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia CBLC), concluindo que houve troca dos títulos por ações, sem ganho de capital. As operações de cisão foram efetuadas com o aval do Bacen e da CVM, sendo registradas no Registro Civil e Registro de Comércio Juntas Comerciais. A operação de cisão não tem reflexo patrimonial nos sócios. Houve continuidade das atividades das entidades isentas sob a forma de sociedades anônimas, com sucessão universal nos direitos e obrigações, de modo que eventual responsabilidade tributária da cindida deveria recair sobre a sucessora. Os antigos associados apenas permutaram os títulos patrimoniais pelas ações das novas sociedades constituídas. O art.22 da Lei n° 9.249/95 prevê que eventual ganho de capital cm devolução de participações no capital social será tributável na pessoa jurídica que promove a devolução. Se houvesse, no caso, devolução de capital em bens e direitos, a entrega se fez pelo valor contábil. Caso se entenda que essa devolução teria Fl. 1321DF CARF MF 10 sido feita por valor de mercado, o ganho de capital seria da pessoa jurídica que fez a devolução (§ I o do art.22), dela devendo ser exigido o IRPJ e a CSLL. A diferença entre o valor de mercado e o contábil não será computada pelo sócio na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme § 4 o do art.22. O parágrafo único do art. 16 da Lei n° 9.532/97 admite a cisão de pessoa jurídica isenta, e determina que os bens sejam transferidos pelo valor de aquisição, pois assim a outra sociedade será tributada quando os alienar, se houver ganho de capital. O '"caput" do art.16 determina a aplicação do art.23 da Lei n° 9.249/95 às entidades isentas. Na hipótese de devolução do capital aos associados aplicase o art.22 da Lei n° 9.249/95, e não o art. 17 da Lei n° 9.532/97. Se o Fisco entendeu que as entidades isentas descumpriram norma de isenção ao devolver capital aos associados, deveria ter aplicado os artigos 12, § 2 o , alíneas "a" a "e", e § 3 o ; e artigos 13 a 15 da Lei n° 9.532/97, suspendendo a isenção. As consequências fiscais da operação de cisão para os associados são as mesmas que sofreriam os sócios de outra sociedade tributada cujos investimentos são avaliados pelo método da equivalência patrimonial e que não receberam lucros/dividendos pois estes foram capitalizados ao longo do tempo. 2. Do tratamento contábil e fiscal dos títulos patrimoniais Os valores das atualizações dos títulos patrimoniais das bolsas têm natureza de avaliação pelo método da equivalência patrimonial (artigos 225, 388 e 389 do RIR/99), não são ganho efetivo enquanto não distribuídos lucros/dividendos, ou devolvido o patrimônio aos sócios. Tais valores não são tributados, compondo o valor contábil do investimento. Por decorrerem de lucros e reservas capitalizados sempre foram isentos do imposto de renda. A Portaria MF n° 785/77 regulou os efeitos fiscais do acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das bolsas de valores decorrente de alteração do patrimônio social, avaliando esses títulos em função das mutações patrimoniais das bolsas de valores, se efeitos fiscais, tendo o mesmo tratamento contábil e fiscal dispensado às variações positivas das participações societárias avaliadas pelo método da equivalência patrimonial conforme art.248 da Lei n° 6.404/76, art.23 do Decretolei n° 1.598/77, e a r t . l 0 , inciso IV, do Decretolei n° 1.648/78. Nesse sentido os Pareceres CST 2.111/81; 911/83, e 2.867/83. O Parecer Normativo CST n° 78/78 e Ato Declaratório Normativo n° 9/81 reconhecem que normas especiais podem prever a aplicação do método da equivalência, com as consequências fiscais daí decorrentes. Nos termos das Leis n° 4.595/64 e 6.385/76, o CMN, o Banco Central e a CVM têm competência para normatizar a contabilidade das empresa por eles fiscalizadas, determinando a adoção da equivalência patrimonial. O Ofício Circular CVM n° 325/79 e a Circular n° 1.273/87 do Banco Central (instituiu o Cosif) determinaram que os títulos patrimoniais das bolsas fossem avaliados pelo método da equivalência patrimonial. Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.318 11 O Cosif dispõe que o registro da atualização do valor dos títulos patrimoniais das bolsas deve ser feito no ativo permanente, em contrapartida à reserva de capital no patrimônio líquido (reserva de atualização de títulos patrimoniais). Portanto, sem transitar por conta de resultado, e sem efeito fiscal. Para ocorrer a tributação dessa atualização seria necessário haver norma expressa determinando sua adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL. Assim, os valores creditados em conta de reserva de atualização de títulos patrimoniais não representam acréscimo patrimonial tributável pelo IRPJ e CSLL. Tais valores compõem o valor do ativo permanente de investimento em títulos patrimoniais, compondo o respectivo custo. Nesse sentido a Decisão Cosit n° 13/97, art.426 do RIR/99 e o Parecer CST n° 2.254/81. A Portaria MF n° 785/77 determinou a exclusão do acréscimo do valor dos títulos patrimoniais do lucro real, referindose ao § 3 o do art.3° do Decretolei n° 1.109/70 e ao art.223, "m" do RIR/75. A isenção prevista no art.3°, caput, do Decretolei n° 1.109/70 estendese, conforme § I o desse dispositivo, aos sócios, acionistas e titulares beneficiários. Tal disciplina consta do art.63, e §§, do Decretolei n° 1.598/77. Com a Lei n° 7.713/88 esse benefício ficou limitado a 31/12/88, sendo novamente previsto no art.3° da Lei n° 8.849/94, alterado pela Lei n° 9.064/95 (art.658 do RIR/99). A distribuição de lucros ou dividendos passou a não ser tributada na fonte ou declaração, para o sócio ou acionista, pelo art.10 da Lei n° 9.249/96. Tal dispositivo, contudo, não prejudica o teor do art.3° da Lei n° 8.894/94, pois este é menos restritivo que aquele, tratando de quaisquer lucros apurados por qualquer pessoa jurídica, mesmo aqueles não tributados, além de não tratar apenas de IRRF e estender a isenção aos sócios beneficiários de ações, quotas ou quinhões resultantes do aumento de capital, sem distinguir entre pessoa física ou jurídica. Portanto, a isenção do art.3° da Lei n° 8.849/94, prevista primeiro no art.3° do Decretolei n° 1.109/70, referido na Portaria MF n° 785/77, aplicase aos títulos das bolsas. O acréscimo patrimonial recebido pelos associados das bolsas, originário do aumento do valor nominal dos títulos patrimoniais das bolsas, está fora da incidência do imposto de re£ não ocorreu devolução de capital/patrimônio aos sócios/associados no prazo de cinco lir1 contados da capitalização dos lucros e reservas, fato previsto no § 4 o do art.3° da Lei n° 8.849/94. A cisão ocorrida por ocasião da desmutualizaçâo das bolsas não acarreta perda da isenção, prevendo o § 8o do art.3° da Lei n° 8.849/94 que as sociedades resultantes da cisão sucedem às cindidas na contagem do prazo de cinco anos, sem solução de continuidade, para observância da condição resolutiva prevista no § 4 o do art.3° da Lei n° 8.849/94. Fl. 1323DF CARF MF 12 Como a Bovespa, a BM&F, a Bovespa Holding S/A, a BM&F S/A c a impugnante não sofreram redução de capital nem foram extintas com devolução de patrimônio aos sócios — o patrimônio das entidades continua a pertencer integralmente às sociedades anônimas nas quais se transformaram a isenção tornouse definitiva para os aumentos dos valores dos títulos (ou mantidos em reserva para esse fim) ao menos até 2004. Posteriormente, a isenção prevalece enquanto não ocorrer a condição prevista no referido §4° do art.3° da Lei n° 8.894/94, indicando a nulidade das autuações. Tributar os resultados que não foram distribuídos pelas bolsas aos associados, pois eram compulsoriamente capitalizados, e que também não foram distribuídos pela impugnante, é atribuir um tratamento fiscal mais gravoso aos associados das bolsas do que aos sócios de empresas com fins lucrativos que não submetem à tributação os resultados da equivalência, nem lucros e dividendos capitalizados na investida. Assim, é absurda a interpretação da Solução de Consulta Cosit n° 10/2007, pois ignora a legislação, conduz a resultado oposto ao pretendido pelo legislador, que é incentivar as capitalizações de lucros c reservas em prol da empresa que os gerou, e em hipótese em que a pessoa jurídica sequer poderia ter optado pela não capitalização. 3. Da decadência As atualizações anteriores a 2003 não podem ser tributadas pois decaiu o direito de o Fisco questionálas. O Fisco desconsiderou o valor contábil do investimento —ativo permanente, atualizado pela equivalência patrimonial desde 1989 com base em normas do BC, CVM e legislação tributária, informado pela impugnante na DIPJ (fls.487497). Portanto, o Fisco emitiu juízo de valor quando já expirado o prazo decadencial previsto no §4° do art.150 do CTN, ao menos para os valores registrados antes de 2003. 4. Da tributação da reserva de atualização A impugnante recolheu IRPJ e CSLL em valor superior ao devido pois tributou a reserva de reavaliação dos títulos na proporção das ações alienadas. 5. Do custo de aquisição dos títulos patrimoniais Houve equívoco na apuração do custo de aquisição dos títulos patrimoniais da Bovespa pois a impugnante não foi a investidora original, não estando obrigada a guardar o documento de primeira aquisição desses títulos. O custo de aquisição dos títulos patrimoniais é o valor registrado no ativo.excluído do valor da reserva de atualização contabilizada. Como essa reserva foi baixada e oferecida à tributação na proporção e na época em que alienadas as ações substituição aos títulos, nada resta a tributar. Os títulos da Bovespa estão registrados pelo valor de R$18.912.951,12; Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.319 13 sendo a reserva de R$14.044.993,20, o custo contábil é de R$4.868.017,92. Já no caso da BM&F, o valor do ativo era de R$4.908.015,00, e a reserva contábil somava R$3.888.333,00, de modo que o custo contábil era R$1.019.682,00, mesmo valor considerado por ocasião da tributação. Também j á decaiu o direito de o Fisco questionar o valor do custo contábil registrado em período anterior a 2003. Há equívoco na apuração do custo de aquisição dos títulos da BM&F, pois a correção monetária não contempla os expurgos inflacionários reconhecidos pela jurisprudência. Além disso, o Fisco deveria ter aplicado o art.148 do CTN, para apurar o custo do título da Bovespa por arbitramento. 6. Da CSLL Tratandose de tributação reflexa, aplicamse ao auto de infração de CSLL os mesmos argumentos desenvolvidos para o IRPJ. O art.2° da Lei n° 7.689/88, alterada pela Lei n° 8.034/90, determina que a base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício, ajustado pelas exclusões previstas no § I o desse dispositivo, entre elas o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido. Contudo, a Circular BC n° 1.273/87 e o Ofício Circular CVM n° 325/79 determinam que o aumento do valor nominal dos títulos seja registrado a débito do ativo permanente e a crédito de conta do patrimônio líquido, sem trânsito pelo resultado do exercício. Portanto, atualização do valor nominal dos títulos patrimoniais não compõe o lucro líquido ou resultado do exercício, consistindo num ajuste à conta de patrimônio líquido. 7. Das multas isoladas Pelas mesmas razões do item 1, não podem ser aplicadas as multas isoladas, j á que inexistiam receitas e, na alienação das ações da Bovespa (10/2007) e da BM&F (11/2007), a impugnante levantou os balancetes de redução/suspensão, efetuou os recolhimentos mensais, e integrou a receita recebida na estimativa, fazendoo em momento e valor diversos daqueles que o Fisco entende corretos. As multas isoladas são incabíveis nesse caso por falta de tipicidade, pois somente na ocorrência exata do fato previsto na norma é que podem ser aplicadas as multas, e porque foram aplicadas concomitantemente à multa de ofício sobre a mesma base de cálculo, atingindose um valor de multa superior ao valor do tributo exigido, violando o princípio da proporcionalidade. Não houve ganho em 08/2007, apenas permuta de ativos. Logo, nenhum acréscimo foi apurado nessa data, nada havendo que ser adicionado à estimativa mensal. Fl. 1325DF CARF MF 14 Por ocasião da alienação das ações em 10/2007, nada deveria a impugnante adicionar, pois até o limite do valor do ativo permanente, incluindo o valor das atualizações anuais dos títulos, nada é tributado pelo IRPJ e CSLL. O Fisco não considerou o valor de R$6.874.348,53, correspondente à parte da reserva tributada em 10/2007, e, se o Fisco tivesse razão, haveria apenas postergação quanto à parcela adicionada à estimativa em 10/2007. Portanto, é nulo o auto de infração quanto à exigência de multas isoladas de IRPJ e de CSLL, pois não considerou os valores adicionados, que o foram no momento e valor corretos. 8. Da dcdutibilidade dos valores lançados a título de PIS e Cofins O autuante deveria deduzir os valores de PIS e Cofins exigidos sobre o valor total da venda das ações em tela (processo 16327.001346/200929) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos do art.41 da Lei n° 8.981/95 e art.142 do CTN, pois exigese valores superiores aos eventualmente devidos, faltando liquidez e certeza às exigências. Segundo o art.187, III, da Lei n° 6.404/76, art. 299 do RIR/99, art.16 do Decretolei n° 1.598/77 e art.41 da Lei n° 8.981/95, os tributos são despesas operacionais, devendo ser abatidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A impugnante não pode ser prejudicada por ter sido o crédito tributário constituído em dois processos distintos. 9. Da postergação de IRPJ e CSLL Em 2008 a impugnante alienou o restante das ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F oferecendo à tributação o remanescente das reservas de atualização dos referidos títulos, de modo que parte dos valores ora tributados correspondentes às referidas reservas não adicionadas no ano de 2007 foram oferecidos à tributação no exercício de 2008 conforme planilha e DIPJ do anocalendário 2008 (fls. 513568), ocorrendo postergação de pagamento, requerendose, caso necessário, diligência para reafirmar o fato. A CSLL foi tributada em 2008 à alíquota de 15%, superior à alíquota de 9% vigente em 2007. No caso de postergação de pagamento, devem ser observadas as regras dos §§ 4 o a 7 o do art.6° do Decretolei n° 1.598/77, para a correta determinação do IRPJ e da CSLL devidos. Eventual crédito tributário deve resultar da diferença entre o imposto pago a maior no exercício posterior subtraído daquele devido no exercício anterior, havendo cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que ocorrida a postergação de pagamento do imposto, relativamente ao valor postergado. O Parecer Normativo CST n° 02/96 também descreve o procedimento a ser adotado pela fiscalização. Portanto, são nulos os autos de infração por exigirem valores que foram postergados, não observando a legislação tributária Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.320 15 que determina em casos assim o lançamento apenas de eventual diferença de correção monetária e juros moratórios. 10. Dos juros sobre a multa de ofício Não podem ser exigidos juros de mora sobre a multa de ofício, por falta de previsão legal, e por ser a Selic índice inadequado para tanto. O art. 61 da Lei n° 9.430/96 prevê a incidência dos juros de mora apenas sobre o valor dos tributos, contribuições e multas isoladas. A redação do art.161 do CTN confirma a não inclusão da multa de "crédito". Se a palavra "débitos" constante do caput do art.61 incluísse multa de ofício ou juros, terseia que admitir que as multas de ofício ou juros não pagos sofreriam também o acréscimo de multa de mora, além de juros sobre os juros, o que não é razoável. O art.43 da Lei n° 9.430/96 também evidencia que a cobrança de juros ocorre apenas sobre o valor de tributos e contribuições. Os juros não podem ser exigidos pela taxa Selic, pois esta é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo, além de ser composta de correção monetária, juros e valores da remuneração de serviços das instituições financeiras, e extrapolar o limite de 1% previsto no art.161 do CTN. 11. Das alterações nos registros contábeis A impugnante entende que nada há a alterar em seus livros e registros fiscais, ao menos até serem decididas as questões discutidas neste processo. 12. Relação de documentos apresentados A impugnante anexou os seguintes documentos em sua defesa: 1. Procuração e atos constitutivos (fls.440456) 2. Autos de infração (fls.457478) 3. Recurso Especial n° 242.721SC (fls.479482) 4. Portaria MF n° 785/77 e Pareceres CST n° 78/78 e 107/78 (ils.483486) 5. DIPJ dos anos 2002 a 2008 (fls.487497) 6. Autos de infração de PIS e Cofins (fls.498512) 7. Planilha contendo valores de IRPJ e CSLL calculados pela empresa: DIPJ 2009; Darf de IRPJ e CSLL (fls.513568) 8. Jurisprudência referente a juros sobre multas (fls.569613) É o relatório. Fl. 1327DF CARF MF 16 Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP, esta proferiu o acórdão nº 1630.516, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica I R PJ Data do fato gerador: 31/08/2007, 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇAO DE BOLSAS DE VALOREIS E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase e direitos devolução] à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. ESCRITURAÇÃO. PROVA. SUPORTE POR DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. A escrituração mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor da contribuinte, dos fatos nela registrados, se tais fatos forem comprovados por documentos hábeis e idôneos. AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇAO. INOCORRÊNCIA DO TRANSCURSO DO PRAZO DECADENCIAL. No caso de tributação do ganho de capital, obtido com as ações das novas sociedades constituídas, o fato gerador ocorreu quando a empresa recebeu tais ações[ no momento da desmutualização das bolsas de valores. Como não houve o transcurso do prazo decadencial de cinco anos contados da data do fato gerador, válidos são os lançamentos ora analisados. GANHO DE CAPITAL. FORMA DE APURAÇÃO. CUSTO CONTÁBIL. INAPLICABILIDADE DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL AOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS DE VALORES. O ganho de capital deve ser apurado levandose em conta o custo contábil do bem registrado na escrituração da empresa. O método de avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial não se aplica aos títulos patrimoniais das bolsas de valores. ALEGAÇÃO DE POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovado que a contribuinte teria recolhido o tributo ou contribuição objeto da autuação em período posterior, nenhum reparo há a fazer nos lançamentos. ASSUNTO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2007 Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.321 17 DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão dc todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à CSLL dele decorrente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2007, 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. E de ser indeferido o pedido de diligência quando a prova que se pretende formular é de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo, inclusive no tocante a| sua produção e guarda. As diligências devem se limitar ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal, nem para produzir provas as quais o autuado tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob a responsabilidade do contribuinte, não implicam a necessidade de realização de diligência com o objetivo de produzir essas provas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2007, 31/12/2007 ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. Nos casões de lançamento de ofício, é aplicável a multa dc 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido] ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa p1 ara a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. A hipótese legal de aplicação da multa isolada não se confunde com a da multa de ofício, pois esta é cabível nos casos de falta de pagamento do valor devido de IRPJ e CSLL apurados ao término do exercício. Portanto, ambas podem ser aplicadas à contribuinte. JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Fl. 1329DF CARF MF 18 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com o acórdão proferido pela DRJ, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário, no qual reiterou os fundamentos da sua impugnação e aprofundou a sua argumentação para combater o raciocínio defendido pela DRJ. O processo foi convertido em diligência para melhor apuração da possível tributação em duplicidade em relação a parcela das ações alienadas em 2008 e retornou com resultado parcialmente favorável à Recorrente É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator, Antonio Bezerra Neto. Os autos de infração decorrem da operação que se tornou conhecida como “desmutualização” das bolsas de valores, cujo objetivo foi a unificação das operações das então existentes BM&F e Bovespa, à época estabelecidas sob a forma de entidades civis sem fins lucrativos, em uma única sociedade anônima de capital aberto, com ações negociadas no mercado de valores. Para atendimento a este objetivo, em um articulada sequência de atos societários levados a efeito em 2007 e 2008, essas bolsas de valores inicialmente se organizaram em sociedades anônimas de capital aberto – a BM&F S/A e a Bovespa Holding S/A –, que foram posteriormente incorporadas na sociedade resultante Nova Bolsa S/A, atualmente BM&F Bovespa S/A. No caso, segundo a fiscalização, a associação BM&F Bolsa de Mercadorias e Futuros, teria devolvido seu patrimônio aos associados, que, ao recebêlo, deveriam tributá los. Não tendo procedido desta forma ficou sujeita à presente autuação. A grosso modo a linha de defesa da Recorrente afirma que não houve tal devolução patrimonial, não havendo, portanto, qualquer tributação a ser feita a este título. Segundo ela, a mencionada associação passou por processo de transformação, na modalidade cisão, não havendo, portanto, qualquer parcela a ser tributada a título de devolução patrimonial, pois esta não ocorreu. Na versão que se extrai da defesa, a BM&F Bolsa de Mercadorias e Futuros (doravante BM&F), associação constituída por Instituições Financeiras, transformouse, Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.322 19 cindindo parte de seu patrimônio, destinandoo ao aumento do capital de uma sociedade anônima. O objetivo da novel sociedade seria o de explorar as atividades operacionais antes exercidas pela associação cindida, ou seja, dar curso e local às negociações de custódia e liquidação junto ao mercado financeiro. Permaneceu na associação BM&F, que continuou existindo, o patrimônio não operacional Para tanto defende ainda a tese de que seria juridicamente possível a uma associação sem fins lucrativos, como era a BM&F à época, passar por um processo de cisão, mas sem dissolução, a teor do disposto no artigo 61 do Código Civil. Faz uma interpretação sistemática do Código Civil, especialmente dos artigos 44 e 2.033, e não isolada do seu artigo 61, para concluir que não há dúvida acerca da possibilidade de uma associação passar pelo processo societário de cisão. O citado artigo 2.033 do Código Civil determina expressamente que "os modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44", dentre estas as associações, "bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código". Assim, ao determinar que a sua cisão regerseá desde logo pelo Código Civil nada mais fez o legislador ordinário, por razões mais do que óbvias, do que admitir legítimo que uma associação passe por um processo de cisão. Passemos então a analisar o mérito, enfrentando essa primeira questão relacionada à possibilidade de haver cisão sem dissolução da sociedade, como defende a Recorente. Os institutos da cisão, incorporação e fusão são estratégias econômicas, utilizadas, principalmente por empresas (sociedades) de grande poderio econômico, visando atender interesses mercadológicos específicos dos entes econômicos que almejam se fundir, incorporarse ou cindirse. É nesse contexto que tais institutos foram regulamentados pela Lei das SA (Lei nº 6.404/76) e para serem aplicados nas Sociedades por Ações, gênero de sociedade que justamente representava o poderio econômico acima referido. O novo código civil de 2002 alargou esse escopo e tratou de disciplinar tais institutos para todos os outros tipos de sociedades (sociedade limitada, por comandita simples, etc), deixando as Sociedades Anônimas ainda sob a égide da Lei n. 6.404/76. O conceito desses institutos pressupõe a existência de um ente chamado “sociedade empresária” ou “sociedade mercantil” com fins lucrativos, onde geralmente prepondera o capital em detrimento da pessoa que controla. Por outro lado, as associações são união de pessoas com objetivo principal de realizar atividades assistenciais, culturais, esportivas, sem fins econômicos. A sua configuração e características são bem distintas das sociedades, até por isso o legislador soube separálas topograficamente dentro do novo código civil, no Livro I, enquanto tudo que diz respeito sociedades empresárias localizase no Livro II. Mesmo sendo possível uma “cisão” (separação) de uma associação, como de fato aconteceu, mesmo que essa tenha sido a denominação ofertada, não se trata da operação típica de cisão nos moldes societários. A “Cisão” referida pela Recorrente, como simples separação de patrimônios, até pode ser possível, mas a cisão a que o fisco se refere é a cisão Fl. 1331DF CARF MF 20 parcial com incorporação por Sociedade Anônima o que equivale a uma transformação disfarçada de Associação sem fins econômicos em Sociedade Anônima não prevista na Lei 6.404/76 e nem no código civil. E a conjugação dessa “cisão” com o outro instituto, o da incorporação, feita por uma associação sem fins econômicos, nos moldes societários, torna ainda mais incomum a operação, mormente quando feita em uma única etapa, abusando da forma ou no mínimo criando uma forma inexistente. Costumase sobrevalorizar um artigo das disposições transitórias no novo código civil de 2002 (art. 2.033), tal como fez também a Recorrente em seu recurso, e esse juízo de valor constituirseia em um pressuposto importante para a defesa da tese de que pela natureza da operação descrita (cisão) não se estaria a tratar de devolução de capital, mas sim de uma simples permuta. Peço permissão para discordar desse entendimento. Mas, antes disso, vamos contextualizar ainda mais o referido artigo através dos enunciados emitidos pelo Conselho da Justiça Federal. Esse Conselho Federal, por meio do seu Centro de Estudos Judiciários, decidiu promover as Jornadas de Direito Civil e incluílas na sua programação bienal.. O seu objetivo é : [... ]reunir em Brasília magistrados, professores, representantes das diversas carreiras jurídicas e estudiosos do Direito Civil para o debate, em mesa redonda, de temas sugeridos pelo novo Código Civil e aprovar enunciados que representem o pensamento da maioria dos integrantes de cada uma das diversas comissões (Parte Geral, Direito das Obrigações, Direito das Coisas, Direito de Empresa, Direito de Família e Direito das Sucessões).” O enunciados emitidos por esse Conselho da Justiça Federal, abaixo transcritos, deixam também bastante claro que os institutos da cisão, incorporação e fusão são típicos das “sociedades” e só tem sentido em falar a seu respeito se tivermos como referência o sujeito “sociedade”: 70 – Art. 1.116: As disposições sobre incorporação, fusão e cisão previstas no Código CiviL não se aplicam às sociedades anônimas. As disposições da Lei n. 6.404/76 sobre essa matéria aplicamse, por analogia, às demais sociedades naquilo em que o Código Civil for omisso. 231 Arts . 1.116 a 1.122: A cisão de sociedades continua disciplinada na Lei n. 6.404/76, aplicável a todos os tipos societários, inclusive no que se refere aos direitos dos credores. Interpretação dos arts. 1.116 a 1.122 d o Código Civil. O novo código civil também em todos os seus artigos (arts. 1113 a 1.122 – Parte II – Título II – da Sociedade) que tratam dos institutos da cisão, incorporação e fusão para as demais sociedades que não a sociedade anônima (já regida pela Lei 6.404/76) quando desenvolve o seu conteúdo faz sempre referência à “sociedade” ou “sócios”. É nesse contexto, que devemos interpretar o art. 2.033 contido no “Livro complementar das disposições finais e transitórias” e sua referência infeliz ao art. 44 do mesmo código civil: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.323 21 II as sociedades; III as fundações. Parágrafo único. As disposições concernentes às associações aplicamse, subsidiariamente, às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. Não se pode interpretar o art. 2.033 do Código Civil de forma isolada e sem considerar que se trata de artigo contido nas disposições finais e transitórias o que desde já diminui a sua relevância. Esse artigo teve três objetivos: primeiro, ressalvar sua aplicação do novo Código Civil frente à legislação específica, como é o caso da Lei 6.404/76 no que se refere às Sociedades Anônimas. E é certo que essa ressalva vale para todas as figuras arroladas no art. 44 por ela referenciado (associações, sociedade e fundações). Já se vê ai a utilidade da referência feita ao mesmo. segundo, como o novo código civil regulamentou pela primeira vez os institutos da cisão, fusão e incorporação para as outras sociedades, tratou nesse mesmo dispositivo de referendar sua utilização para as outras sociedades que não as anônimas: Sociedade em conta de participação (capítulo II – artigos 991 a 996); Sociedade de responsabilidade limitada (Capítulo IV); Sociedade em nome coletivo; Sociedade Simples; Sociedade em comandita simples etc. Por óbvio não referendou para as associações e não era nesse contexto das disposições transitórias que deveria fazêlo. Outro argumento que invalida a leitura feita pela tese contrária é que tais institutos também valeriam para as fundações que possuem uma regulamentação impeditiva ainda mais rígida para a destinação de seu patrimônio afetado. Portanto, a leitura que se deve fazer do art. 2.033 do CC é com o objetivo de identificar as três informações acima e fazer a sua leitura levandose em conta as estipulações próprias à natureza das entidades referidas no art. 44, sob pena de ofensa ao critério da especificidade, que é o primeiro objetivo que o art. 2.033 quis preservar. Porém, seria ir longe demais fazer uma leitura isolada desse dispositivo constante das disposições transitórias e vislumbrar nele uma porta aberta para a prática de operações típicas de empresas com cunho econômico através da fusão, cisão e incorporação. Dos Registros Públicos Costumase também apregoar, como também fez a Recorrente, que a Lei dos Registros Públicos (art. 115 da Lei nº 6.015/73) não permitiria o registro de tal evento se o mesmo não encontra acolhimento no nosso ordenamento jurídico. Fl. 1333DF CARF MF 22 Em primeiro lugar, não se pode colocar uma barreira que em tese poderia funcionar como valendo para todo caso concreto, seria reputar mesmo de infalível esses oficiais de registros, que por sinal são humanos e podem errar. Por último e quem sabe o mais importante, não foi registrado literalmente uma operação de transformação de associação em sociedade com fins lucrativos, as operações foi repartidas de forma tal a perfazer esse resultado, mas abusando das formas se vista em seu conjunto., mesmo porque os oficiais de registros não estão habilitados para fazerem juízos de valor da operação como um todo, que os registros de dissolução parcial da associação civil e de constituição da sociedade anônima são independentes, em órgãos distintos. Eis a explicação porque todos os atos foram devidamente registrados e aprovados pelos órgãos de registro. Uma associação para ser dissolvida, mesmo que parcialmente, precisa atender aos ditames apregoados no novo código civil. A operação no mundo fenomênico ocorreu e não pode ser mais desfeita, porém a roupagem deve ser vista de forma diferente. Para fins tributário, o que de fato ocorreu foi a dissolução parcial da BM&F, com a respectiva restituição a seus associados do seu patrimônio, na forma de ações e constituição de uma nova sociedade anônimas (BM&F S.A). Como a associação sem fins lucrativos, por sua natureza, não tinha os seus acréscimos patrimoniais tributados, é evidente que deve isso acontecer quando da restituição, ou seja, quando se perfez a chamada “permuta”, que nada mais é que a consolidação de dois eventos bem distintos: a conversão do valor original de seus títulos patrimoniais, ao final da reestruturação, por ações emitidas pela pessoa jurídica “incorporadora” do patrimônio cindido das referidas entidades. E a diferença na restituição e aplicação dos recursos em uma nova sociedade tem que ser tributada, pois se amolda perfeitamente ao disposto no artigo 17 da Lei 9.532/97, c/c com o disposto no artigo 61 do Novo Código Civil: Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. (....) § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. Não se pode olvidar a existência a intenção do art. 17 acima referido e fazêlo letra morta. A sua intenção claramente é de colocar sob albergue da tributação qualquer entidade isenta ou imune, quando estas pretendem se transformar em outra espécie de entidade que busque o lucro, como foi o caso. Nesse ponto, poderseia colocar um obstáculo à tese do fiscal, alegando que a Lei n 9.532/97, em seu artigo 16, expressamente admite a possibilidade jurídica de uma associação sem fins lucrativos passar por um processo de cisão. Confiraas, respectivamente: Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.324 23 Art. 16. Aplicamse à entrega de bens e direitos para a formação do patrimônio das instituições isentas as disposições do art. 23 da Lei n° 9.249, de 1995. Parágrafo único. A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá ser efetuada pelo valor de sua aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação." (grifos do original) Ora, falaciosa a argumentação da Recorrente, pois toma o gênero pela espécie. Entidades isentas é bem mais abrangente do que a espécie, associação. Isentas podem ser sociedades anônimas, inclusive. Logo não se pode aqui acolher a extensão do entendimento pretendida pela Recorrente. Novo Código Civil (2002): Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. Por outras palavras, apesar de a Recorrente denominar a operação descrita de “cisão parcial” e subseqüente “incorporação”, tratase, na verdade, de uma única operação formando um todo, de devolução do patrimônio aos associados. E no exato momento em que houve devolução de capital da associação aos seus associados, e sendo entidade isenta, ocorreu a subsunção deste fato ao prescrito nos §3º e §4º do artigo 1 7 da Lei n° 9.532/97, ou seja, houve incidência tributária de IRPJ e CSLL. Essa é a norma que o contribuinte procurou contornar através do chamado abuso de forma. Essa devolução iniciouse com a aquisição de parte do patrimônio da associação (bolsa de valores) – cisão parcial, por uma pessoa jurídica com fins lucrativos (sociedade) e subseqüente troca dos títulos patrimoniais dos associados, proporcionais a parte segregada, por ações desta sociedade, transformando a figura do associado na figura de um sócio de empresa lucrativa arrastando consigo todo um acréscimo patrimonial obtido em situação anterior de não incidência por conta da forma utilizada (associação sem fins lucrativos). Estamos diante de uma espécie de “transformação” disfarçada, um verdadeiro abuso de forma, pois sem esteio no código civil e redundando na consolidação de uma isenção não prevista em lei. Também não se vê aqui nenhuma incongruência lógica ao aqui se pressupor a “impossibilidade jurídica” de transferência do patrimônio de associação para sociedades com finalidade lucrativa, por meio da cisão seguida de incorporação e mesmo assim se concluir pela Fl. 1335DF CARF MF 24 possibilidade de ocorrência de devolução do patrimônio à sociedade com finalidade lucrativa e posterior incorporação do mesmo patrimônio em outra sociedade com finalidade lucrativa Nesse ponto me oponho àqueles que alegam que essa versão dos fatos não seria juridicamente possível. Permissa venia, o posicionamento do fiscal está em estrita consonância com os incisos I e II do art. 118 do CTN: . A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. (destaquei) Na seara do Direito Tributário, tais efeitos são tributados com abstração de sua legitimidade formal, nos termos do artigo 118, I e II, do Código Tributário Nacional. Assim, a aludida “desmutualização”, qual seja, a transformação de títulos em ações gera acréscimo patrimonial, já que de mera associada, passará a impetrante a ser sócia de empresa com fins lucrativos, independentemente da ilicitude da operação. Também a versão dos fatos que demonstra patente abuso de formas, encontra guarida na Lei 7.450/86, uma lei antiga que valoriza mais a finalidade dos negócios do que sua forma: Art 51 Ficam compreendidos na incidência do imposto de renda todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio, que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto de renda. Em resumo, a tudo que se disse até agora: O instituto da cisão, disciplinado nos arts. 229 e segs. da Lei nº 6.404, de 1976, e no art. 1.122 da Lei nº. 10.406, de 2002, só é aplicável às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de sociedade. Porém, mesmo que fosse possível a cisão, haveria ainda a impossibilidade de a natureza jurídica de uma entidade que não possua fins lucrativos transmutarse em uma sociedade Anônima (S.A.), utilizando o patrimônio da entidade cindida, já que se estaria modificando seu regime jurídico, o que resultaria no cancelamento da isenção anteriormente conferida à entidade social sem fins lucrativos, como também bem colocado pela decisão de piso. O fato de a operação de “desmutualização” de associações não encontrar amparo no ordenamento jurídico não impede a incidência do imposto de renda sobre a diferença entre o valor nominal das ações (da sociedade) recebidas pelos associados (sociedades corretoras) e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das bolsas de valores. Também, como alegado, não vejo qualquer incoerência do fiscal no sentido de adotar um procedimento que iria de encontro à Jurisprudência deste Conselho, que dá prevalência da substância sobre a forma para fins de tributação. Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.325 25 Ora, não há incoerência do fiscal diante do caminho trilhado pela jurisprudência. O que há são situações diversas que devem ser analisadas por prismas também diversos. A questão posta de fato não converge para a disputa entre essência versus forma, mas forma versus forma. O que o se denomina de “reclassificação das formas” é justamente a consquência de o fiscal ter vislumbrado um outro instituto para enquadrar os fatos, embora não tenha afirmado em letras garrafais. O que está em jogo é o abuso de formas e como tal foi tratado com a reclassificação pelo fiscal. Não vejo onde há incoerência. Esse abuso de formas, pode até ser o meio utilizado e que termina por descambar em um abuso de direito, simulação ou fraude a lei. Porém, a descrição dos fatos não precisa chegar a uma conclusão perfeita sobre o instituto aqui utilizado (fraude à lei, simulação, abuso de direito, abuso de formas ou mesmo uma combinação deles), uma vez que não há uniformidade de entendimento a respeito desses metaconceitos por demais abstratos, e uma mínima diferença de concepção em um instituto afeta o entendimento do outro, acarretando conclusões díspares no caso concreto. O que importa é que os fatos estejam narrados de uma forma tal que o julgador possa inferir deles os institutos, se for o caso, e não que o fiscal diga precisamente que instituto é esse que está sendo aplicado, pois o que importa é que qualquer que sejam eles, os efeitos dos negócios jurídicos contornados ou simulados não são oponíveis ao fisco. Entretanto, o fiscal deve atribuir as conseqüências tributárias pertinentes de forma a e dar a melhor conformação possível a esse negócio jurídico situandoo diante das leis e do ordenamento jurídico. E a meu juízo, foi o que o fiscal fez perfeitamente. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL – TRIBUTAÇÃO A previsão legal para a não tributação desse acréscimo patrimonial dos títulos ao longo do tempo, foi dado, mas desde que não distribuído e para fins de capitalização, pela Portaria MF n° 785, de 20/12/1971: O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, e com fundamento no que dispõe o art. 223, "m" do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 76.186/75, RESOLVE I. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decretolei n° 1.109/70, art. 3° §3° (RIR, art. 237). Primeiro cabe salientar que não se trata de isenção, mas de reconhecimento da situação de uma entidade sem fins lucrativos que atua na bolsa de valores e que precisam dar uma destinação para os acréscimos patrimoniais não tributados. De importante se extrair também do seu teor é o fato de que ela trata do evento "constituição de reserva com acréscimos no valor nominal dos títulos", o que Fl. 1337DF CARF MF 26 não se confunde com o evento "devolução do patrimônio das bolsas às suas associadas", que foi tributado. Nesse contexto é que existia a Solução de Consulta n° 13 de 10/11/97 favorável aos contribuintes. Portanto, cai por terra a linha de defesa que existe no sentido de dizer que as normas anteriores à lei 9.532/97 lhe garantiam a isenção ou não incidência e que esse ´status quo´ permaneceu inalterado mesmo após o advento da Lei n. 9.532/97. Nesse ponto é preciso dizer também que a lei inova no ordenamento jurídico, criando direitos e obrigações. E foi o que aconteceu com a entrada em vigor da Lei 9.532/97. E inovou seja em relação à Solução de Consulta n° 13 de 10/11/97, seja em relação à Portaria MF n° 785, de 20/12/1971, ambas vigentes antes da Lei 9.532/97, de 10/12/97, dispondo diferentemente a respeito. Outrossim, o escopo da Portaria MF nº 785, referida pela Recorrente, a partir da análise da alínea "m" do art. 223 RIR/75, que fundamentou a interpretação dada pela Portaria MF n° 785/77, referiase "a quinhões ou frações ideais recebidas pelos associados em decorrência de aumentos de capital", e não em decorrência de utilização do método da equivalência patrimonial, como bem colocou a DRJ. Para melhor esclarecimento, segue abaixo o teor inteiro da referida alínea "m" do art. 223, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 76.186/75: Art. 223. Serão excluídos do lucro real para os efeitos de tributação: (...) m) o valor das ações, quotas ou quinhões de capital , recebidos em decorrência dos aumentos de capital efetuados nos termos e condições dos artigos 197, § § 6º e 9º, 223, alínea l, 223, § 31, 236, 243, alínea d, 250, 254, § 3º, 283, 297, 577, 578 e 583 (Decretolei nº 1.096/70, art. 1º, §§ 6º e 7º, Lei nº 4.862/65, art. 49, Decretolei nº 1.260/73, art. 4º, Decretolei nº 1.109/70, art. 3º e § 1º, Lei nº 4.357/64, art. 3º, § 6º, Decretolei nº 756/69, art. 25, Decretolei nº 1.338/74, art. 15, § 4º, Decretolei nº 1.191/71, art. 9º, § único, Decretolei nº 221/67, art. 80, § 4º, Lei nº 5.508/68, art. 36, Decretolei nº 756/69, art. 24, § 4º, Decretolei nº 1.346/74, arts. 6º, § 3º, e 11, e Decretolei nº 1.370/74, art. 2º, § 3º); A operação de "desmutualização", objeto da controvérsia quanto aos efeitos fiscais, amoldase à específica disposição do art. 17 da Lei 9.532/97, de 10/12/97. pois o que fora autuado diz respeito especificamente ao ganho de capital obtido a partir da devolução de títulos patrimoniais de entidades isentas, prevista no art. 17 da Lei n° 9.532/97, e art. 239 do RIR/99, e não à tributação de reavaliações dos títulos patrimoniais. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL (MEP) – FALTA DE PREVISÃO LEGAL – UTILIZAÇÃO DO CUSTO ORIGINAL CORRIGIDO A solução Cosit nº 10 tratou muito bem da não aplicação do art. 16 da Lei n. 9532/97 ao caso da Desmutualização. No caso se tenta reforçar a previsão legal para que as associações possam utilizarse do instituto da cisão, como foi o caso da Recorrente em seu recurso. Acontece, como já se disse alhures, que a Lei trata de analisar um gênero mais abrangente:todas as instituições isentas que podem ou não serem associações. Mas, como se pode notar, a referência a essa Lei só serviu para reforçar o entendimento do fisco de que o Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.326 27 MEP (Método da equivalência patrimonial) não pode ser utilizado, pois resta literal no dispositivo que no custo de aquisição das cotas ou frações ideais do patrimônio das bolsas de valores não estão incluídos os acréscimos em virtude de aumento de capital da bolsa de valores Eis o trecho da referida Solução Cosit nª 10: DO ART. 16 DA LEI Nº 9.532, DE 1977 53. No tocante à indagação da consulente sobre o significado do termo “valor de aquisição” contido no parágrafo único do art. 16 da Lei nº 9.532, de 1997, cumpre, primeiramente, ressaltar que tal parágrafo não se aplica à hipótese fática exposta pela consulente, se não vejamos como dispõe tal dispositivo legal: Art. 16. Aplicamse à entrega de bens e direitos para a formação do patrimônio das instituições isentas as disposições do art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995. Parágrafo único. A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá ser efetuada pelo valor de sua aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação. 54. Ora, a hipótese fática intitulada “desmutualização”, conforme descrita pela consulente, prevê que a transferência de bens das bolsas de valores para outras pessoas jurídicas não tornará aquelas sócias dessas, mas, sim, os seus associados, ou seja, as sociedades corretoras, o que configura uma devolução de capital aos associados, matéria disciplinada pelo art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997. Ademais, conforme já abordado anteriormente, os destinatários da norma do art. 16, acima transcrito, são também as sociedades isentas de impostos, essas sim podem realizar cisões, fusões e incorporações quando regidas pela Lei nº 6.404, de 1976. Repitase que não pode a consulente entender que neste dispositivo se encontre qualquer modificação do regime jurídico aplicável às associações (bolsa de valores) ou então autorização à aplicação subsidiária das normas da Lei nº 6.404, de 1976. 55. Ainda que assim não se entenda, caso se insista na aplicação do art. 16 em tela à operação de “desmutualização”, não há dúvida de que o termo “valor de aquisição” significa, in casu, custo de aquisição das cotas ou frações ideais do patrimônio das bolsas de valores, nele não incluídos os acréscimos em virtude de aumento de capital da bolsa de valores. Isso não só pela literalidade do próprio artigo, mas, principalmente porque restou fartamente demonstrado que nunca houve qualquer autorização legal para que as sociedades corretoras avaliassem as cotas ou frações ideais das bolsas de valores pelo MEP. (destaquei) Jurisprudência Judicial e Administrativa As decisões administrativa são praticamente unânimes no sentido da impossibilidade de se eximir da tributação pela "estratégia" da desmutualização: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ementa. Fl. 1339DF CARF MF 28 IRPJ e CSLL Processo de desmutualização da BMF e BOVESPA O processo de desmutualização da BMF e da Bovespa redundou na devolução do capital e conseqüente tributação nos termos do art. 17 da Lei 9532. Método de Equivalência Patrimonial. O MEP só se aplica aos investimentos em sociedades não sendo aplicável às associações civis sem fins lucrativos, não reguladas pela Lei 6404. (130200.879 3a Câmara / 2a Turma Ordinária, sessão em 10/04/2012, relator Marcos Rodrigues de Mello) Nessa mesma linha estão as decisões de primeira e segunda instância no poder judiciário, embora ainda tal matéria ainda não tenha recebido a análise do STJ. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. CUSTO ORIGINAL DOS TÍTULO PATRIMONIAIS Há também a discussão em relação ao custo de aquisição, uma vez que o valor adicionado no resultado tributável pelo contribuinte (vide próximo tópico) é expurgado o custo de aquisição dos referidos títulos, cujo valor não foi aceito pela Autoridade Fiscal. Mesmo que se trate de instituição financeira cujas demonstrações contábeis são auditadas por auditores independentes e sujeitas à análise do Banco Central do Brasil, há que se levar em conta também a observância da legislação comercial e fiscal em relação à escrituração contábil e sua validade: RIR/99: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLci n" 1.598, de 1977, art. 7o). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei n°2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2o, e Lei n° 9.249, de 1995, art. 25). Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei n" 486, de 1969, art. 4º). (...) § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei n" 9.430, de 1996, art. 37). Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.327 29 documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 9", § 1").(grifei) Como se vê, a escrituração contábil só faz prova a favor do contribuinte na medida em que estiver lastreada em documentos hábeis e idôneos. Neste caso, aí sim o ônus da prova se inverteria contra o fisco de forma a desconsiderar o que foi escriturado. Se a Recorrente não apresenta a documentação de suporte, cabe mesmo à fiscalização desconsiderar a escrituração, cabendo agora ao contribuinte toda a carga da prova no sentido de demonstrar a veracidade do fato alegado, ou seja, que de fato assumira alguma onerosidade relevante pela aquisição dos referidos títulos. O que se tem conhecimento em outros processos é que os montantes financeiros assumidos pelas empresas associadas da Bovespa e da BM&F são de muito baixo valor, para não dizer insignificantes. Não há dúvidas que a Fiscalização envidou todos os esforços no sentido da busca da verdade, intimando a Recorrente a fazer essa demonstração, mas não o fez a contento. Mesmo assim, ciente de que sua documentação era insuficiente, a ora Recorrente não trouxe qualquer prova documental adicional, nem na fase impugnatória, nem muito menos nesta fase recursal, para demonstrar e comprovar os custos de aquisições alegados. Nesse contexto, não há como deixar de dar razão ao autuante quando o valor "zero" para "o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação" do patrimônio das referidas Bolsas. Alegação de Postergação de tributos No curso dos debates, em uma outra composição deste colegiado onde no caso não era o relator, veio à tona questão superveniente que fez com que o colegiado se inclinasse por esta diligência, tendo ficado vencido o relator (Conselheiro Alkmim) que dava provimento integral ao recurso e discordava da necessidade desta diligência. Tratase da questão relacionada à possibilidade de se estar cobrando em duplicidade parcela do ganho de capital já oferecida, segundo à recorrente no ano calendário de 2008. A Recorrente apresentou essa alegação acompanhada de algumas provas desde a faze impugnatória, passando pelo recurso voluntário, memoriais e sustentação oral. Afirmou que alienara o restante das ações, oferecendo à tributação o restante das reservas de atualização referente às ações recebidas do processo de desmutualização. Admite, ainda, que remanescerá um quantum em função da glosa do custo original, onde a fiscalização não deu por comprovado o mesmo e o considerou zerado, no caso da Bovespa e apenas no valor de R$ 23.115,76, no caso da BM&F. Segundo ela, eventual crédito tributário deveria resultar da diferença entre o imposto pago a maior no exercício posterior subtraído daquele devido no exercício anterior, havendo cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que ocorrida a postergação de pagamento do imposto, relativamente ao valor postergado. O Parecer Normativo CST n° 02/96 deveria no caso ter sido seguido. Fl. 1341DF CARF MF 30 A DRJ ao tratar da hipótese aventada, cogita nas entrelinhas a possibilidade de sua ocorrência, mas não considerou as provas dos autos bastante o suficiente para atingir esse mister. Na demonstração do lucro real, acostada aos autos pelo Recorrente, verifica se que o Lucro antes das Compensações (demonstrado na DIPJ 2008/2009) é de R$100.736.221,59. E neste montante, segundo a Recorrente, estaria incluído o valor de R$7.539.324,54, que se refere ao montante da Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais adicionada pelo Recorrente, da mesma maneira que fizera quando da alienação da primeira parcela das ações da Bovespa e da BM&F em 2007. O processo foi então convertido em diligência para melhor apuração desse fato e retornou com resultado parcialmente favorável à Recorrente, nos seguintes termos: O procedimento adotado não foi o de baixa das contas de reservas. Houve em 2008 a adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL do saldo restante da reserva de atualização de títulos patrimoniais, conforme documento de "controle das reservas baixado", apresentado durante o procedimento de fiscalização original (doc. fls. 39/224 e 41/224 do volume I do eprocesso original). A contabilidade da empresa apresenta as vendas das ações da BOVESPA e da BMF lançadas em conta de resultado a credito na conta 6.02.01.01.01 LUCRO RLZ BOV HLD pelo valor da venda, tendo como redutora da receita de venda o custo das ações da BOVESPA (R$ 2,23 por ação) e da BMF (R$ 1,00 por ação). O debito na conta de resultado 6.02.01.01.01 LUCRO RLZ BOV HLD tem como contrapartida um credito na conta de ativo 2.01.02.01.01.01 ACOES BOV HLD. Desta forma, o lucro na venda das ações vai a resultado, porém o valor recebido em devolução dos títulos da BOVESPA e da BMF continua sem ser tributado. Como neste momento a empresa entende ser tributável a desmutualização, adiciona ao Lalur e à base de cálculo da CSLL valor referente às reservas dos títulos. Como já mencionado, o valor das reservas que o contribuinte considera está aquém do valor autuado pela fiscalização, devido ao custo atribuído aos títulos. Assim, no anocalendário 2008, nas contas 2.01.02.01.01.01 – ACOES BOV HLD, 2.01.02.01.01.02 ACOES BMF e 6.02.01.01.01 LUCRO RLZ BOV HLD se verificam lucros no valor de R$ 6.794.049,05 e R$ 29.273.672,88, respectivamente em junho e dezembro de 2008. O lucro acima é composto de receitas de venda (incluindo restituição de capital em junho de 2008 no IPO da nova bolsa) no valor total de R$ 46.189.056,28, e lançamentos a débito no valor de R$ 10.121.334,36 (redutor de receita), cujas contrapartidas são as contas de ações da BOVESPA e da BMF. As contas 2.01.02.01.01.01 ACOES BOV HLD e 2.01.02.01.01.02 ACOES BMF estão zeradas no final do período, indicando a venda total das ações. Anexo ao eprocesso (pasta notas de corretagem) constam as notas de corretagem das vendas das ações da BMF BOVESPA em dezembro de 2008. Para ajustar o lucro real e a CSLL a empresa adiciona o remanescente das reservas dos títulos: R$ 7.170.644,67 (R$ 14.044.993,20 R$ 6.874.348,53 BOVESPA) e R$ 368.679,87 (R$ 3.888.333,00 R$ 3.519.653,13 BMF). Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.328 31 Desta forma, e dada a documentação apresentada, verifico ter razão, em parte, o contribuinte. Foram adicionados valores no Lalur e na base de cálculo da CSLL, referentes à desmutualização da BOVESPA e da BMF. Devido à diferença do valor considerado pelo contribuinte como reserva de atualização dos títulos, e o valor considerado pela fiscalização como devido, o valor da adição em 2008 não perfaz o total remanescente da autuação. Assim, as adições de R$ 7.170.644,67 e de R$ 368.679,87, devem ser consideradas como realizadas em 2008, devendo ser recalculadas para impactar na autuação referente à 2007, conforme solicitação do CARF. Seguindo os ditames do Parecer Normativo COSIT 02 de 28 de agosto de 1996, devese exigir apenas os acréscimos relativos a juros de mora e multa de mora caso o contribuinte haja procedido espontaneamente ao pagamento dos valores do imposto ou da contribuição. Fl. 1343DF CARF MF 32 Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.329 33 Fl. 1345DF CARF MF 34 Portanto, o valor do IRPJ e da CSLL postergados pagos em 2008, perfazem pagamentos no valor de R$ 1.431.155,00 para o IRPJ e de R$ 782.609,52 de CSLL referente ao ajuste anual de 2007. DOS VALORES REMANESCENTES Para o IRPJ e CSLL de 2007 a empresa foi autuada – ganho auferido em devolução do patrimônio social de sociedade isenta no valor de R$ 12.038.602,59 referente à Bovespa e R$ 1.365.246,11 referente à BMF, totalizando R$ 13.403.848,70 em valor tributável tanto para o IRPJ quanto para a CSLL. Abaixo seguem demonstrativos das autuações iniciais e o crédito tributário remanescente após os ajustes da postergação: Reconheço, portanto, o diferimento da tributação, com base no Parecer Normativo COSIT 02 de 28 de agosto de 1996, em que se exigiu apenas os acréscimos relativos a juros de mora e multa de mora em relação a estes valores. Dessa forma, acato integralmente o resultado de diligência na forma das TABELAS acima, dando provimento parcial ao recurso nesses valores. Em relação à manifestação de inconformidade, a recorrente se insurge contra a imputação proporcional realizada pela fiscalização e cobrando a multa de mora, nesse cálculo. Em relação à aplicação da multa de mora no cálculo da postergação, assim se pronunciou a Recorrente: Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.330 35 Isso porque, como já acima demonstrado, o parágrafo 7o do artigo 6o do DecretoLei 1.598/77 expressamente estabelece que, relativamente ao valor postergado, somente é exigível "correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto ". Ao ressaltar que, no § 7° do art. 6° do Decretolei 1.598/77, existe somente previsão para cobrança de correção monetária e juros de mora, quer se utilizar do argumento a contrario sensu, para indicar que não se aplicaria a multa de mora. Ora, apesar de o decreto não se refirir à multa de mora ele não proíbe a sua cobrança. Por outras palavras, como todo argumento a contrario sensu, devese usálo com muita cautela, pois é inseto a ele a chamada “falácia do falso antecedente”. Pois, se uma regra “p” implica “q”. Não se pode concluir com todo o rigor lógico que “não p” implique também em “não q”. Isso porque pode existir outras forma de chegarse a “q”. Por outras palavras, Se “p” (Decreto) > (implica) “q” (implicar correção monetária e juros de mora). Isso não que dizer que se negarmos “p” ( ou seja se não nos valermos do decreto) estaremos negando necessariamente a existência de “q” (cálculo também da multa de mora por atraso). Pois, obviamente, outros antecedentes podem existir, como de fato existem na legislação, “r”, “s” etc que impliquem também em “q”. É o que se passará a demonstrar. No caso, é um fato que o IRPJ e a CSLL devidos foram pagos em atraso, devendo ser aplicado o disposto no art. 61 da Lei n° 9.430/96, que prevê a incidência de juros de mora e multa de mora em relação aos débitos tributários para com a União não pagos no prazo de vencimento: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." A interpretação tem que ser feita de forma sistemática e não meramente literal como fez a Recorrente. Essa interpretação sistemática está inclusive espelhada em instrumento normativo equivalente. No caso de postergação de pagamento de imposto, o art. 273, §2°, do RIR/99 (que tem por fundamentos o art. 6° do Decretolei n° 1.598/77 e o art. 16 do DecretoLei n° 1.967/82) é explícito quanto à cobrança de multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido a postergação: Fl. 1347DF CARF MF 36 Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (Decreto Lei n° 1.598, de 1977, art. 6°, §5°): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. §1° O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no §2° do art. 247 (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 6°, §6°). §2° O disposto no parágrafo anterior e no §2° do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 6°, §7°, e DecretoLei n° 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16)." (destaquei) E também não se venha alegar que a multa de mora é indevida pois o pagamento postergado configuraria denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN: Isso porque a postergação de tributo Cabe observar que o recolhimento postergado de tributo não configura denúncia espontânea, visto que não se presta a comunicar ao Fisco a ocorrência de qualquer infração à legislação tributária. Ao escriturar uma receita em período posterior, a contribuinte não se está comunicando nenhuma infração ao fisco; pelo contrário, está justamente infringindo o regime de competência. Portanto, a cobrança de multa de mora na postergação encontrase prevista na legislação tributária. Não socorre razão à Recorrente pelos motivos abaixo: Apesar de haver ainda controvérsia sobre a matéria relacionada à imputação proporcional, em função de alteração legislativa da Lei nº 9.430/96, posicionome no sentido de que a imputação proporcional ainda vige e é um procedimento válido permitido pelo ordenamento jurídico. A imputação proporcional nada mais é que considerar a necessidade de que os acréscimos legais também ganhem espaço proporcional ao seu montante devido no processo de amortização de um débito pago fora do prazo. A metodologia utilizada pela Receita Federal é que melhor cumpre os estritos termos da lei, seguindo o disposto no art. 163 do CTN, que comanda a vinculação da imputação à ordem crescente dos prazos de prescrição dos débitos, bem assim considerando também que os débitos não pagos em seus respectivos vencimentos devam ser acrescidos dos encargos moratórios devidos (multa e juros de mora). Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.331 37 Sobredita metodologia de cálculo está também prevista no § 1º do art. 28 e no parágrafo único do art. 37 da Instrução Normativa nº 460, de 18/10/2004, bem assim nos outros subsequentes atos legais que a substituíram. Acrescentese que a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, estabelece parâmetros que devem ser observados nos procedimentos de compensação tributária, e autoriza a Secretaria da Receita Federal a fixar os critérios necessários para sua aplicação, como se vê pela transcrição abaixo: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. [...] Art. 37. Na compensação de ofício, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52, e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos e encargos legais, na forma da legislação de regência, até a data: [...] Parágrafo único. A compensação de ofício do débito do sujeito passivo será efetuada obedecendose à proporcionalidade entre o principal e respectivos acréscimos e encargos legais. (Grifei) Portanto, afora o correção pontual no termo inicial dos juros de mora que será tratado no tópico a seguir, nada a ser reparado na metodologia de imputação utilizada pela Receita Federal no tratamento da postergação e a insurgência da interessada não pode ser acolhido. Termo inicial da contagem dos juros Selic A esse respeito, assim se pronunciou a Recorrente em sua manifestação de inconformidade contra o resultado de diligência, não tendo nada a reparar no erro apontado: Fl. 1349DF CARF MF 38 Admitindose, apenas para argumentar, que pudesse prevalecer a adoção do critério de imputação proporcional ao caso concreto, cumpre ressaltar que além de ser indevida a inclusão da multa de mora, como já acima demonstrado, a fiscalização aplicou ainda sobre o valor encontrado o percentual de juros de 11,70%, que equivalem ao período de janeiro a dezembro de 2008. No entanto, conforme consta dos próprios autos de infração de que trata o presente processo a própria fiscalização esclareceu que os juros no caso concreto devem ter como termo inicial o mês de fevereiro do ano de vencimento do tributo em conformidade com o que estabelece o artigo 6o, §2° da Lei 9.430/96. É o que consta dos autos de infração, verbis: "JUROS DE MORA (p/fatos geradores a partir de 01/01/97): percentual equivalente à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. O valor dos juros será calculado a partir de primeiro de fevereiro do ano do vencimento." E para que dúvidas não restem, segue a redação do referido dispositivo legal: "Art.6° O imposto devido, apurado na forma do art. 2°, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 2o O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo Portanto, conforme os ditames da lei a selic a ser aplicado é a de fevereiro a dezembro de 2008, totalizando 10,77% e, não a de janeiro a fevereiro (11,70%) conforme aplicado pelo fiscal. Dedução da base tributável dos valores lavrados no Auto de Infração de PIS e COFINS. Não socorre razão à Recorrente em relação a ser possível a dedução dos valores apurados a título de PIS e COFINS no Auto de Infração que deram origem ao Processo nº 1637.001346/200929. Isso porque a despesa, cuja dedução se pleiteia, decorre de passivo constituído apenas quando da lavratura do Auto de Infração. Assim, no exercício de 2009 não havia uma obrigação presente de uma entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos, conforme definição dada pelo Pronunciamento CPC nº 25. Assim, na ótica da empresa, não havia passivo a ser constituído e, conseqüentemente uma despesa a ser escriturada. Todavia, a situação alterou somente em 2009, quando da lavratura do Auto de Infração, que constituiu a obrigação da entidade – data que deveria ser registrado o passivo. Entretanto, como o Recorrente optou por discutir o auto de infração lavrado, configurou hipótese de suspensão da exigibilidade com consequente impossibilidade de se deduzir tais valores do lucro real. Neste caso, seria o valor também indedutível da base de cálculo da CSLL por ter se transformado em provisão, já que incerto o prazo de pagamento dos valores discutidos. Isso porque os tributos com exigibilidade suspensa não são uma obrigação, mas sim uma provisão. O fato de a obrigação ser imposto por lei não é critério para se aferir a Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.332 39 distinção entre obrigação e provisão, como muitos afirmam, afinal toda obrigação mesmo aquela contratual, decorre de lei em seu sentido mais lato. Obrigações são passivos que possuam o atributo da certeza sobre sua própria exigibilidade, sobre seu valor (liquidez) e sobre sua data de liquidação. Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins, Ernesto Rubens Gelbcke e Ariovaldo dos Santos (in Manual de contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2010, p.335) assim conceituaram as provisões: (...) As provisões podem ser distinguidas de outros passivos quando há incertezas sobre os prazos e valores que serão desembolsados ou exigidos para sua liquidação. (...) Assim, uma provisão somente deve ser reconhecida quando atender, cumulativamente, as seguintes condições: (a) a entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como consequência de um evento passado; (b) é provável a saída de recursos para liquidar a obrigação; e (c) pode ser feita estimativa confiável do montante da obrigação. Estabelecidas essas premissas, podese constatar cristalinamente que os tributos, cuja exigibilidade está suspensa por medida judicial ou por recurso administrativo como é o caso, classificamse como provisões e não como obrigações. Afinal, não se pode saber com precisão se ao final da lide (administrativa ou judicial), se os tributos serão efetivamente devidos, qual a base de cálculo devida e muito menos a data de sua liquidação. Firmado o fundamento de que tais contribuições no contexto aqui descrito possuem natureza de provisões, não são dedutíveis: Lei nº 7.689, de 15/12/98 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: (...) c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) ..... 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) Lei nº 9.249, de 26/12/95 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e Fl. 1351DF CARF MF 40 as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (destaquei) Em síntese, é incabível a retificação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL de maneira a considerar a dedutibilidade das contribuições lançadas de ofício: a uma, porque pelo fato de tais rubricas não estarem escrituradas ou declaradas; a duas, no caso do IRPJ, seja por que a exigibilidade está suspensa sendo passível de alteração no contencioso administrativo e, por fim, mas não menos importante, para o caso da CSLL ou IRPJ, porque se constituem em verdadeiras provisões não sendo permitidas a sua dedução por lei. Pelo exposto, nego provimento a este item. MULTA ISOLADA – ESTIMATIVAS NÃO PAGAS A recorrente pleiteia o cancelamento da multa isolada de 50% apurada em face de falta de recolhimento da estimativa do tributo devido, feito sob argumento de impossibilidade de cumulação com a multa de ofício de 75%. Quadro de composição das multas isolada lançada referente ao ano calendário de 2007, por consequência da falta de declaração do ganho de capital na devolução do capital: Cabe de início esclarecer que não se confundem as duas infrações, pois são distintas.Uma coisa é o descumprimento da obrigação de recolher, até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir, o imposto apurado por estimativa; outra, completamente diferente é a caracterização de declaração inexata e da falta de recolhimento do imposto apurado no final do ano, com base no lucro real. Tais infrações são passíveis de penalidades distintas, previstas em diferentes dispositivos da legislação uma incidindo isoladamente, sobre as estimativas obrigatórias não recolhidas durante o anocalendário e outra cobrada juntamente com o imposto devido (declaração inexata). A lei em sua redação original, coincidentemente, tinha adotado o mesmo percentual de 75% para ambos os casos. Mas, esse dispositivo foi alterado pela lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, dandolhe nova redação, reduzindo a multa isolada para 50%; bem assim deixando bem claro, se dúvidas existiam, de que a referida multa isolada era cabível no caso de estimativa mensal não paga e não de tributo final não pago. Assim, em virtude da legislação referida, ao optar pela apuração dos lucros com base no real anual a contribuinte ficou obrigada a antecipar o pagamento do imposto de renda e da contribuição social, recolhendoos mensalmente, por estimativa. A multa isolada recebe essa denominação apenas por ser exigida separada e independentemente do tributo, tanto que se impõe ainda quando nenhum tributo ao final do período de apuração seja devido, apenas porque o contribuinte deixou de satisfazer o recolhimento por estimativa que lhe tocava efetuar. A multa aplicase ainda que, no final do período de apuração, venha a ser apurado prejuízo fiscal. Se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar prejuízo ao final do período de apuração 2(duas) ilações estão aí pressupostas que precisam ser desveladas: a) a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido ao final da apuração, mas sim Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.333 41 pelo falta de cumprimento de outra obrigação distinta, que é o recolhimento antecipado da estimativa mensal; b) descabido é também o argumento de que a multa isolada só se aplica para período não encerrado. Portanto, importa verificar que a exigência da multa isolada independe de se apurar resultado anual tributável, decorre do descumprimento da obrigação de recolher a estimativa apurada no mêscalendário. Também não se pode conceber que a aplicação da multa seja de caráter condicional. Explico melhor. O descumprimento da norma enseja a aplicação da penalidade, não tendo lógica a lei determinar que se proceda de certa maneira e se venha a ter procedimento em sentido oposto. É, pois, inadmissível que paralelamente com o deverser do comportamento, coexista o pretenso direito ao livre arbítrio de agir, vulnerandose o conteúdo das determinações legais. Da Inaplicabilidade da Súmula CARF nº 105 Ressalvo o meu entendimento que sempre foi pela manutenção das multas isoladas, porém o modifico em função de regramento vinculante superveniente (Súmula CARF n; 105), que possui o seguinte teor: Súmula CARF n. 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Porém, cabe salientar que a asserção contida na súmula só é válida para os anoscalendários anteriores a 2007, pois com fundamento em dispositivo legal (no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) que foi posteriormente modificado. Portanto a Súmula nº105 só aplicase aos anoscalendários anteriores a 2007, eis que precisam se lastrear no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, alterado pela art. 14 da Lei nº 11.488/07, bem assim que haja imposto devido Como o caso que se cuida referese ao anocalendário de 2007, não há que se falar em aplicação da súmula ao caso concreto. Portanto, mantenho as multas isoladas sobre as estimativas. Juros sobre multa de ofício Como é sabido, a multa de ofício, ex vi art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago (diferença entre o tributo devido e o recolhido). A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Fl. 1353DF CARF MF 42 Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Assim, não procede o argumento no sentido de afirmar que apenas a partir da existência do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Ora, tal previsão diz respeito à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, a teleologia de tal dispositivo legal vem a reboque de se ratificar a incidência dos juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa de ofício. Assim, mantenho os juros sobre a multa de ofício. Lançamento Decorrente (CSLL) Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção da exigência lançada de forma decorrente. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recursos para reconhecer a postergação de tributos de acordo com o resultado de diligência e TABELAS acima na forma parecer normativo e imputação proporcional, apenas com a correção do dies a quo da contagem dos juros de mora, conforme tratado no voto. (Assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.334 43 Voto Vencedor Conselheira Livia De Carli Germano Fui designada para redigir o voto vencedor e respectiva ementa exclusivamente com relação à multa isolada. A Recorrente sustenta a impossibilidade de aplicação de multa isolada de 50% por falta de antecipação das estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Ressalto que, sendo o caso de lançamento relativo ao anocalendário de 2007, entendo não aplicável a Súmula CARF n. 105, uma vez que esta trata da redação da Lei 9.430/1996 na redação anterior à Lei 11.488/2007, e a multa isolada foi lançada com base no artigo 44, II, b da Lei 9.430/1997, com redação dada pela Lei 11.488/2007. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Sobre a matéria, tenho me filiado ao posicionamento de longa data adotado pelo Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, desta Turma. Segundo este entendimento, a multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor; não obstante, pelo princípio da absorção ou consunção, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na exata medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo, já que esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. É a máxima do direito punitivo que, para uma mesma conduta devese aplicar uma só punição. A título ilustrativo reproduzo trecho do acórdão 120100.235, de 7 de abril de 2010, da lavra do ilustre Conselheiro: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. Fl. 1355DF CARF MF 44 A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3o A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 16327.001339/200927 Acórdão n.º 1401001.886 S1C4T1 Fl. 1.335 45 incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. Assim, consideramos imperioso verificar se houve, em relação aos fatos que ensejaram a autuação de multas isoladas, também a imposição de multa proporcional e em que medida. O valor tributável é o mesmo (R$ 15.470.000,00). Isso, contudo, não implica necessariamente numa perfeita coincidência delitiva, pois pode ocorrer também que uma omissão de receita resulte num delito quantitativamente mais intenso. Foi o que ocorreu. Em razão de prejuízos posteriores ao mês do fato gerador, o impacto da omissão sobre a tributação anual foi menor que o sofrido na antecipação mensal. Desse modo, a absorção deve é apenas parcial. Conforme o demonstrativo de fls. 21, a omissão resultou numa base tributável anual do IR no valor de R$ 5.076.300,39, mas numa base estimada de R$ 8.902.754,18. Assim, deve ser mantida a multa isolada relativa à estimativa de imposto de renda que deixou de ser recolhida sobre R$ 3.826.453,79 (R$ 8.902.754,18 R$ 5.076.300,39), parcela essa que não foi absorvida pelo delito de não recolhimento definitivo, sobre o qual foi aplicada a multa proporcional. No caso em questão, considerando que, nos termos do auto de infração de fls. 291310, as bases tributáveis anuais utilizadas para fins de aplicação das multas de ofício de IRPJ e CSLL superam em muito as bases das multas isoladas, estas últimas devem ser integralmente canceladas. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1357DF CARF MF 46 Fl. 1358DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.723391/2012-74
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10805.723391/2012-74
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5738519
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.491
nome_arquivo_s : Decisao_10805723391201274.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10805723391201274_5738519.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
dt_sessao_tdt : Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6838115
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213127884800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1597; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10805.723391/201274 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.491 – 2ª Turma Sessão de 24 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MUNICÍPIO DE MAUÁ PREFEITURA MUNICIPAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 33 91 /2 01 2- 74 Fl. 703DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2402004.051, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Autos de Infração de Obrigação Principal e acessória, consoante Termo de Verificação Fiscal (fls. 243/270), apurados no período de 01/2008 a 12/2008, decorrentes do equivocado enquadramento da alíquota para apuração das contribuições destinadas a financiar os benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho – RAT de 1% (um por cento), quando o correto é 2%, e do pagamento de parcela remuneratória sem a incidência de contribuição previdenciária e sem a informação em GFIP das seguintes rubricas: Hora Extra; Alimentação; Transporte; Bônus Mérito; Bônus Merecimento (similar ao Bônus Mérito, distinguindose basicamente pelo fato de em legislação específica e em pagamento único); Abono Salarial; Prêmio; Reposição e Diferença Salariais. Observouse, ainda, a compensação irregular, no valor de R$ 233.573,62, na competência de 09/2008, relativo ao recolhimento indevido de contribuições sobre as remunerações pagas aos exercentes de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, no período de 02/1998 e 09/2004; a Municipalidade propôs ação judicial (nº 2009.61.26.0052673) com o objetivo e compensar as contribuições recolhidas indevidamente; o valor compensado indevidamente, objeto de glosa, foi lançado diretamente como valor devido, incidindo sobre ele tão somente juros e multa de mora. Foram lavrados os seguintes Autos de Infração: • nº 37.376.4308 em face das contribuições patronais; valor, consolidado em 15/10/2012, no importe de R$ 10.622.822,22, já incluídos aí os juros e as multas de mora e de ofício incidentes sobre o débito originário; e • nº 37.347.7522 pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, nas competências de 02 a 07 e 09 a 11/2008, aplicada a multa no valor de R$ 703.447,20. O Contribuinte apresentou impugnação aos Autos de Infração às fls. 515, alegando, em síntese: ser a jurisprudência uníssona em afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre a parcela recebida a título de alimentação, ainda que paga em pecúnia; o Supremo Tribunal Federal já decidiu pela inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre o auxílio transporte pago em dinheiro; assim como os auxílios sobre os valores pagos a título de abonos (de mérito e salarial) e prêmio não há a incidência da contribuição previdenciária, por possuírem natureza indenizatória, como se observa da legislação municipal; a alteração da alíquota da contribuição, destinada a financiar os benefícios decorrentes de acidente do trabalho, verificouse mediante Decreto, em afronta ao Princípio da Legalidade; relativamente à compensação, considerando que a situação encontra se sub judice, não poderia ter ocorrido o lançamento; o fiscal aplicou erroneamente dois Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10805.723391/201274 Acórdão n.º 9202005.491 CSRFT2 Fl. 10 3 critérios na imposição da multa, de forma a ignorar o princípio da irretroatividade da lei mais benéfica, preceituado no artigo 106 do Código Tributário Nacional; não houve omissão de fatos geradores nas declarações realizadas pela impugnante, visto que as verbas apontadas são indenizatórias. A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, às fls. 566/580, votou no sentido de NÃO CONHECER da impugnação, na parte que contém matéria objeto de discussão judicial, e considerar IMPROCEDENTE a impugnação relativa aos Autos de Infração nº 37.376.4308 e nº 37.347.7522 (Processo nº 10805.723391/201274), MANTENDOSE os créditos previdenciários por meio deles constituídos. O Contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 601/618, reiterando os argumentos feitos anteriormente. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 648/680, votou no sentido de CONHECER, em parte, do recurso e, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que: (i) fossem excluídos, em sua totalidade, os valores das contribuições sociais apuradas incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados a título de valetransporte pago em dinheiro; (ii) com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, fosse aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996; (iii) para as competências 02/2008 a 10/2008, fossem excluídos os valores da multa aplicada na obrigação acessória; (iv) para a competência 11/2008, após exclusão dos valores concernente à verba paga a título de valetransporte pago em dinheiro, fosse recalculada a multa aplicada na obrigação acessória, se mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/1991, nos termos do voto. Com relação à glosa de compensação (competência 09/2008), deixou consignado ainda que deveria haver a suspensão dos efeitos do Acórdão, eis que a cobrança do crédito objeto do presente auto de infração somente poderia ser levado a efeito quando transitado em julgado o processo judicial de número 2009.61.260052673 (3ª Vara Federal de Santo André/SP, Tribunal Regional Federal da 3ª Região), sobrestado pela interposição do recurso de apelação. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AUXÍLIOALIMETAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de vale alimentação em dinheiro e de forma habitual. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. Fl. 705DF CARF MF 4 Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante, sendo que, a partir de 06/2007, para os órgãos públicos a alíquota foi alterada para 2%, consoante disposto no Decreto 6.042/2007, que modificou o Anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS). INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. ABONO SALARIAL E BÔNUS MÉRITO/MERECIMENTO. VINCULADAS À CARGA HORÁRIA E À FREQÜÊNCIA DO SERVIDOR. PREVISÃO LEGAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. As verbas salariais pagas aos empregados a título de abono e de bônus, em desacordo com a legislação previdenciária, integram o salário de contribuição. COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA 09/2008. MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. Poderá ser realizado o lançamento da parcela patronal das contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10805.723391/201274 Acórdão n.º 9202005.491 CSRFT2 Fl. 11 5 multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AI Debcad nº 37.347.7522 (CFL 68). OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. COMPETÊNCIA 11/2008. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. COMPETÊNCIAS 02/2008 A 10/2008. LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE. Com a revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória (MP) n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratandose de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa. Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 682/689, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência alegando divergência jurisprudencial em relação à regra da retroatividade benigna, aplicável à multa mais benéfica ao contribuinte. A Turma prolatora do acórdão paradigma entendeu que, para efeito da apuração da multa mais benéfica ao contribuinte, em hipóteses tais como a dos autos, em que houve lançamento da obrigação principal bem como lançamento da obrigação acessória, devese efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga, somando as multas das obrigações principal e acessória (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada) e comparar o resultado dessa operação com a multa atual, prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, Fl. 707DF CARF MF 6 convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%), em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/10/2010. Já o Colegiado a quo entendeu que, para alcance da multa mais benéfica ao sujeito passivo, devese comparar a multa prevista na redação antiga do art. 35 da Lei nº 8.212 com a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, introduzido pela MP nº 449/2008. Em suma, o Colegiado a quo entendeu ser desnecessária a soma do valor da multa da obrigação principal com a multa da obrigação acessória para efeitos de comparação com o que dispõe o art. 35A da lei nº 8.212/91. Às fls. 692/694, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência arguida (retroatividade benigna). Devidamente cientificado, às fls. 699, o Contribuinte mantevese inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Autos de Infração de Obrigação Principal e acessória, consoante Termo de Verificação Fiscal (fls. 243/270), apurados no período de 01/2008 a 12/2008, decorrentes do equivocado enquadramento da alíquota para apuração das contribuições destinadas a financiar os benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho – RAT de 1% (um por cento), quando o correto é 2%, e do pagamento de parcela remuneratória sem a incidência de contribuição previdenciária e sem a informação em GFIP das seguintes rubricas: Hora Extra; Alimentação; Transporte; Bônus Mérito; Bônus Merecimento (similar ao Bônus Mérito, distinguindose basicamente pelo fato de em legislação específica e em pagamento único); Abono Salarial; Prêmio; Reposição e Diferença Salariais. Observouse, ainda, a compensação irregular, no valor de R$ 233.573,62, na competência de 09/2008, relativo ao recolhimento indevido de contribuições sobre as remunerações pagas aos exercentes de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, no período de 02/1998 e 09/2004; a Municipalidade propôs ação judicial (nº 2009.61.26.0052673) com o objetivo e compensar as contribuições recolhidas indevidamente; o valor compensado indevidamente, objeto de glosa, foi lançado diretamente como valor devido, incidindo sobre ele tão somente juros e multa de mora. Foram lavrados os seguintes Autos de Infração: • nº 37.376.4308 em face das contribuições patronais; valor, consolidado em 15/10/2012, no importe de R$ 10.622.822,22, já incluídos aí os juros e as multas de mora e de ofício incidentes sobre o débito originário; e • nº 37.347.7522 pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, nas competências de 02 a 07 e 09 a 11/2008, aplicada a multa no valor de R$ 703.447,20. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10805.723391/201274 Acórdão n.º 9202005.491 CSRFT2 Fl. 12 7 O Acórdão recorrido conheceu parcialmente do Recurso Ordinário e, da parte conhecida, de parcial provimento ao recurso. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial sobre retroatividade benigna. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 709DF CARF MF 8 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10805.723391/201274 Acórdão n.º 9202005.491 CSRFT2 Fl. 13 9 devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 711DF CARF MF 10 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10805.723391/201274 Acórdão n.º 9202005.491 CSRFT2 Fl. 14 11 deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 713DF CARF MF 12 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10805.723391/201274 Acórdão n.º 9202005.491 CSRFT2 Fl. 15 13 Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 715DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001069/2005-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2004, 30/04/2004, 31/07/2004
MULTA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DIF. PAPEL IMUNE.. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se a penalidade prevista no inciso II do § 4º do art. 1º da Lei n.º 11.945/2009 em casos de falta entrega de DIF-Papel Imune, por ser mais benéfica daquela originalmente lançada.
Numero da decisão: 9303-004.901
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DIF. PAPEL IMUNE.. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplica-se a penalidade prevista no inciso II do § 4º do art. 1º da Lei n.º 11.945/2009 em casos de falta entrega de DIF-Papel Imune, por ser mais benéfica daquela originalmente lançada.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.001069/2005-00
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5721950
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.901
nome_arquivo_s : Decisao_19515001069200500.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
nome_arquivo_pdf_s : 19515001069200500_5721950.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
id : 6755121
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213135224832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1515; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 198 1 197 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.001069/200500 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.901 – 3ª Turma Sessão de 23 de março de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Recorrente UNITED MAGAZINE EDITORAS LTDA. EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DIF. PAPEL IMUNE.. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase a penalidade prevista no inciso II do § 4º do art. 1º da Lei n.º 11.945/2009 em casos de falta entrega de DIFPapel Imune, por ser mais benéfica daquela originalmente lançada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 69 /2 00 5- 00 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 19515.001069/200500 Acórdão n.º 9303004.901 CSRFT3 Fl. 199 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, tempestivo, interposto pelo Contribuinte, fundado no artigo 67, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão n.º 340100.299, de 18/09/2009, que, aplicando o instituto da retroatividade benigna, reduziu multa por descumprimento de obrigação acessória, consistente na falta de apresentação da DIFPapel imune, cuja ementa se transcreve a seguir, na parte que interessa ao presente exame: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 .... DIFPAPEL IMUNE. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. LEI 11.945/2009. Aplicase o art. 1º, § 4º, inciso II, da Lei 11.945/2009 na quantificação da multa pelo atraso na entrega da DIFPapel Imune, em face da retroatividade benigna estabelecida no art. 106, II, alínea “c”, do CTN. Trata o presente processo de multa isolada lançada por auto de infração (fls.24/26), lavrado por falta de cumprimento de obrigação acessória. Conforme a Descrição dos Fatos contidos no auto de infração, a autuada não apresentou a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIF Papel Imune) do 3º trimestre de 2002 ao 3º trimestre de 2004. Referido auto de infração está embasado no art. 10 da IN SRF n° 71/2001 que traz em seu texto obrigação tributária, que consiste na entrega das chamadas DIF's (Declaração de Informações), sendo que o não cumprimento de mencionada obrigação ensejará em multa culminada pelo art. 12 da mesma espécie normativa c/c inciso I e parágrafo único do art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835, de 27/08/01. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 19515.001069/200500 Acórdão n.º 9303004.901 CSRFT3 Fl. 200 3 O Colegiado, em síntese, acordou em aplicar a multa de R$ 2.500,00 por declaração não apresentada no prazo estabelecido na legislação, reduzindo a multa regulamentar aplicada, nos termos do art. 1º, § 4º, inciso II, da Lei 11.945/2009 – invocando, de per si, a retroatividade benigna. O Contribuinte interpôs o presente Recurso Especial contestando a manutenção da multa, ainda que reduzida. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido pelo despacho de fls. 189, por ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões fls. 191 postulando a negativa de provimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso interposto pelo sujeito passivo. Tratase de Auto de Infração lavrado em decorrência de exigência de multa regulamentar por atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004) baseandose no artigo 4o do DecretoLei n° 1.680/79 c/c art. Io e art. 10 da IN SRF 71/2001 e artigo 505, parágrafo único c/c art. 368 do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/02). O Recurso Voluntário foi julgado parcialmente procedente, para aplicar a multa prevista no inciso II do parágrafo 4° do art. 1° da Lei n° 11.945/2009, conforme abaixo: Fl. 200DF CARF MF Processo nº 19515.001069/200500 Acórdão n.º 9303004.901 CSRFT3 Fl. 201 4 Após à autuação, em 30/06/2009, foi publicada no DOU a Lei n° 11.945/09, que no § 4 o do Art. I o , assim dispõe: "§ 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II — de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido", (grifo nosso) ... Notase que a Lei n° 11.945/09 é mais recente que a norma aplicada no auto de infração e traz uma penalidade menor, razão pela qual deve ser aplicada a retroatividade benigna, na forma do art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN, se não, vejase: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II— tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática". Sendo assim, a multa a ser aplicada é a disposta no § 4o , inciso II, do art. I o da Lei n° 11.945/09. No entanto, o Sujeito passivo entende que o fundamento da multa aplicada ao caso concreto seria a multa do art. 507 do RIPI/2002. Para melhor compreensão cabe destacar os dispositivos citados do RIPI/2002: Art. 507. Serão punidos com a multa de R$ 31,65 (trinta e um reais e sessenta e cinco centavos), aplicável a cada falta, os contribuintes que deixarem de apresentar, no prazo estabelecido, o documento de prestação de Fl. 201DF CARF MF Processo nº 19515.001069/200500 Acórdão n.º 9303004.901 CSRFT3 Fl. 202 5 informações a que se refere o art. 368 (Decretolei nº 1.680, de 1979, art. 4º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Parágrafo único. As disposições do caput aplicamse exclusivamente aos contribuintes do imposto não sujeitos ao disposto no art. 506. Art. 368. Os documentos de declaração do imposto e de prestação de informações adicionais serão apresentados pelos contribuintes, de acordo com as instruções expedidas pela SRF. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito (Decretolei nº 2.124, de 1984, art. 5º, § 1º). § 2º As diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativas ao imposto, serão objeto de lançamento de ofício ( Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 90). O art. 505 do RIPI/2002 prescreve que: Art. 505. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 212 acarretará a aplicação da multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por mêscalendário, aos contribuintes que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 57). Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante Pelo SIMPLES, a multa de que trata o caput será reduzida em setenta por cento (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art.57, parágrafo único). Fl. 202DF CARF MF Processo nº 19515.001069/200500 Acórdão n.º 9303004.901 CSRFT3 Fl. 203 6 Art. 212. A SRF poderá dispor sobre as obrigações acessórias relativas ao imposto, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável (Lei nº 9.779, de 1999, art.16). Os dispositivos referentes ao artigo 212 e 368, tratam de obrigação acessória instituída pela RFB, sendo que o art. 368 trata especificamente de declaração de informação e o art. 212 trata de toda e qualquer modalidade de obrigação acessória. Entendo que a DIFPapel Imune não representa uma declaração ou informação adicional do imposto como diz o art. 368 do RIPI e sim uma declaração de entrega obrigatória aos estabelecimentos que realizam operações com livros jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão, inscritos no Regime Especial Papel Imune, para o controle de circulação e consumo de papel imune. Tratase de declaração de caráter acessório, obrigatório e geral, cujo descumprimento sujeita ao contribuinte ao disposto no art. 505 c/c art. 212 do antigo RIPI/2002 No entanto, em 24 de junho de 2009, foi publicada a Lei n.º 11.945/2009 – dando tratamento especifico pessoa jurídica que exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos, senão vejamos: “Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: (Produção de efeitos). I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 19515.001069/200500 Acórdão n.º 9303004.901 CSRFT3 Fl. 204 7 § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. .... § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para ... II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4º deste artigo será reduzida à metade.” Dessa forma, notase que Lei n.º 11.945/2009, prevê uma penalidade específica para o caso e reduziu para R$ 2.500,00 as multas aplicadas para micro e pequenas empresas. Ou seja, a norma mais recente traz uma penalidade menor, razão pela qual deve ser aplicada a retroatividade benigna, na forma do art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN. Ainda, vale ressaltar que em 8 de dezembro de 2009, foi publicada a IN RFB 976/2009, a qual revogou a IN SRF 71/2001 e posteriores, determinando a multa de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, senão vejamos: Seção Única Da DIFPapel Imune ... Fl. 204DF CARF MF Processo nº 19515.001069/200500 Acórdão n.º 9303004.901 CSRFT3 Fl. 205 8 Art. 12. A nãoapresentação da DIFPapel Imune, nos prazos estabelecidos no art. 11, sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Parágrafo único. Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade. Portanto, entendo que no caso dos autos , a regra a ser aplicada é a prevista no inciso II do art. 588 do RIPI 2010, cuja matriz legal é o inciso II do § do art. 1º da Lei n.º 11.945/2009, assim redigida: Art. 588. O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 2º do art. 328 sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades (Lei nº 11.945, de 2009, art. 1º, § 4º): I cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune, omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta (Lei nº 11.945, de 2009, art. 1º, § 4º, inciso I); e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido (Lei nº 11.945, de 2009, art. 1º, § 4º, inciso II). Fl. 205DF CARF MF Processo nº 19515.001069/200500 Acórdão n.º 9303004.901 CSRFT3 Fl. 206 9 Por fim, vale ressalta que a matéria encontrase pacificada nesta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de aplicar o instituto da retroatividade benigna com redução da multa, nos moldes do art. 1º, § 4º, inciso II, da Lei n.º 11.945/2009. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. E como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran. Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900602/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13830.900602/2012-80
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5748040
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-002.282
nome_arquivo_s : Decisao_13830900602201280.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 13830900602201280_5748040.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6874818
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213206528000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.900602/201280 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.282 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MATHEUS RODRIGUES MARILIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 02 /2 01 2- 80 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900602/201280 Acórdão n.º 1302002.282 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900602/201280 Acórdão n.º 1302002.282 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900602/201280 Acórdão n.º 1302002.282 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14485.003387/2007-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Não há contradição do Acórdão que enfrenta questões relacionadas ao objeto da autuação e expressamente tratadas pelo Acórdão de 1ª Instância.
Numero da decisão: 2201-003.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e não acolher os embargos propostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Não há contradição do Acórdão que enfrenta questões relacionadas ao objeto da autuação e expressamente tratadas pelo Acórdão de 1ª Instância.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 14485.003387/2007-40
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5730702
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.596
nome_arquivo_s : Decisao_14485003387200740.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
nome_arquivo_pdf_s : 14485003387200740_5730702.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e não acolher os embargos propostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
id : 6787250
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213214916608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1373; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 204 1 203 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14485.003387/200740 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2201003.596 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PHILIPS DO BRASIL LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Não há contradição do Acórdão que enfrenta questões relacionadas ao objeto da autuação e expressamente tratadas pelo Acórdão de 1ª Instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e não acolher os embargos propostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 33 87 /2 00 7- 40 Fl. 204DF CARF MF 2 Tratamse de embargos de declaração propostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2803003.074, fl. 185/188, exarado pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Cientificada do Acórdão em 10/12/2014, fl. 190, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração formalizados pela petição de fl. 191/194, em 18/12/2014. A representação da Fazenda questiona o fato da decisão embargada afirmar que no Auto de Infração e no Relatório Fiscal não há qualquer referência de como foi descaracterizado o Programa de Participação nos Lucros ou Resultados da empresa com vistas a considerar as verbas pagas a este título como de natureza remuneratória, afirmando que o objeto da acusação fiscal está relacionado ao descumprimento de obrigação acessória relativa ao registro contábil da PLR. Após apresentar as considerações e fundamentos legais que julgou pertinentes, pleiteou a retificação do Acórdão embargado para nele fazer constar as razões de convencimento da Turma Julgadora. Em 23 de dezembro de 2014, o Sr. Presidente da 3ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, concordando com os termos do despacho de admissibilidade acostado às folhas 197, admite os embargos. E o relatório necessário Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Inicialmente, expresso minha discordância com os pressupostos de admissibilidade contidos no despacho de fls. 191, que embora tenha concluído que há parcial razão na oposição dos embargos e que as questões de julgamentos poderiam ser melhor aclaradas, não aponta um único ponto para lastrear tais conclusões. Vejamos com maior detalhes o que diz a Fazenda Nacional: Fl. 205DF CARF MF Processo nº 14485.003387/200740 Acórdão n.º 2201003.596 S2C2T1 Fl. 205 3 No ver do r. acórdão, a acusação fiscal malferiu os direitos e as garantias individuais do contraditório e da ampla defesa. Diz a respeito o v. voto condutor do r. acórdão, verbis: ‘(...) a decisão a quo e a autoridade lançadora equivocaramse pois, nem no relatório fiscal nem em outros documentos dos autos, há indicação das efetivas diferenças de informação, acusadas para a aplicação da sanção. Efetivamente, no auto de infração, nem em seu relatório fiscal, há qualquer referência de como foi descaracterizado o PRL da empresa como verba não remuneratória (art. 28, §9º, j, da Lei n. 8.212/1991, c/c Lei n. 10.101/2000), para fins de considerála de natureza remuneratória devendo ser contabilizada em conta e rubrica contábil com finalidade de registro de tais tipos de verba. E a razão está na própria preterição ao direito de defesa da Recorrente. (...)’ Ocorre que a acusação fiscal tem por objeto o descumprimento de obrigação acessória relativa ao registro contábil do PRL, com fulcro na Lei nº 8.212, art. 32, inciso II, c/c o Decreto nº 3.048, art. 225, inciso II, §§ 13 a 17. Vale transcrever os termos do auto de infração, verbis: “Em ação fiscal na empresa constatamos que esta lançou nos livros contábeis os valores correspondentes a remuneração dos serviços prestados pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados em duas contas do Passivo: 61017 de Nome da conta Participação nos Resultados e a partir de 2004 na conta 610 40 11 de Nome Participação nos Resultados Diretos e 610 40 12 e Participação nos Resultados Indiretos. No entanto a empresa deveria lançar os valores de remuneração dos segurados em conta especifica. Segue cópia de uma folha impressa do balancete em meio digital apresentado pela empresa como exemplo somente na 11ª via deste Auto. Os fatos acima estão em desacordo com a Lei n 8.212, de 24.07.91, art. 32, inc. II, combinado com o art. 225, II, e §§13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n 3.048, de 06.05.99.” Portanto, o Fisco não descaracterizou o PRL, mas sim indicou que o Embargado deixou de efetuar os registros contábeis devidos. Acaso o Fisco tenha descaracterizado o PRL, essa acusação não foi objeto dos autos de infração que instruíram a presente autuação. Cabe concluir, então, que há manifesta dissociação entre o objeto da acusação fiscal e o provimento vazado pelo r. acórdão. Decerto que o r. acórdão da d. DRJ se manifestou a respeito da descaracterização do PRL. Contudo, a referida manifestação está destituída de qualquer validade, ao menos em relação a presente autuação fiscal. Fl. 206DF CARF MF 4 Seria, pois, o caso de um mero argumento obiter dictum sem influência na lide. Nessa toada, cabe redirecionar a discussão da lide para o verdadeiro objeto da acusação fiscal – o descumprimento de obrigação acessória, na forma do disposto pela Lei nº 8.212, art. 32, inciso II, c/c o Decreto nº 3.048, art. 225, inciso II, §§ 13 a 17. Relevante trazermos à balha os termos do Acórdão embargado, o qual, em razão de sua concisão, terá o voto integralmente destacado: I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II Entendo que a decisão a quo e a autoridade lançadora equivocaramse pois, nem no relatório fiscal nem em outros documentos dos autos, há indicação das efetivas diferenças de informação, acusadas para a aplicação da sanção. Efetivamente, no auto de infração, nem em seu relatório fiscal, há qualquer referência de como foi descaracterizado o PRL da empresa como verba não remuneratória (art. 28, §9º, j, da Lei n. 8.212/1991, c/c Lei nº 10.101/2000), para fins de considerála de natureza remuneratória devendo ser contabilizada em conta e rubrica contábil com finalidade de registro de tais tipos de verba. E a razão está na própria preterição ao direito de defesa da Recorrente. Conforme o que dispõe o art. 142, do CTN, c/c art. 33 e 37 da Lei nº 8.212/2010, o lançamento tributário deve ser demonstrar claramente quais são os seus fundamentos fáticos e jurídicos, sob pena de nulidade. Isso inclui o ônus probatório da Administração em trazer elementos probantes e legais que subsidiem a constituição do crédito tributário, para em um segundo momento demonstrar de forma clara o fenômeno da subsunção da norma aos eventos por eles representados (art. 9º, do Dec. 70.235/72). O lançamento objeto da decisão recorrida deve preenche os requisitos da legalidade impostos pelo art. 142, do CTN, bem como da legislação ordinária, em especial o art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/1991 e Decreto nº 70.235/1972. Tais determinações são necessárias inclusive para que haja o real respeito à garantia de contraditório e ampla defesa e ao devido processo legal (art. 5, LV da CF/1988) “sendo, o lançamento, o ato através do qual se identifica a ocorrência do fato gerador, determinase a matéria tributável, calculase o montante devido, identificase o sujeito passivo e, em sendo o caso, aplicase a penalidade cabível, nos termos da redação do art. 142 do CTN, certo é que do documento que formaliza o lançamento deve constar referência clara a todos estes elementos, fazendose necessário, ainda, a indicação inequívoca e precisa da norma tributária impositiva incidente” (PAUSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 3ª ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2001, p. 706 ). Fl. 207DF CARF MF Processo nº 14485.003387/200740 Acórdão n.º 2201003.596 S2C2T1 Fl. 206 5 Revendo posicionamentos anteriores, pelas razões acima, observase que a norma individual e concreta em que não demonstra todas as suas facetas, prejudica a sua aplicação e a possibilidade de defesa do contribuinte perante o Fisco (art. 59, I, do Dec.70.235/1972). A deficitária construção da norma individual e concreta do tributo ou da sanção, algo além da mera formalidade extrínseca do ato de constituição do crédito, afetando o seu âmago. Conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFICIO — É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. Tratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que alta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese reincidência." (1° Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº132.213 — Acórdão n°10194049, Sessão de 06/12/2002, unânime) Dessa forma, está claro que com meras alegações circunstanciais, e com os documentos probantes na forma apresentada nos autos, não se poderia constituir o crédito tributário impugnado contra a Recorrente. Tal matéria representa um vício material. Conforme, o arts. 17, 18, 19, do Decreto n. 70235, a possibilidade de inovação no lançamento somente pode ser realizada antes do julgamento em primeira instância administrativa, nem pode ser incrementada pelo julgador de primeiro grau, restando apenas a decretação de nulidade. Isso posto, meu voto é para CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, CONCEDENDO TOTAL PROVIMENTO, no sentido de reformar a decisão a quo e decretar a nulidade do lançamento por vicio material. Conforme se vê acima e em fl. 23, a Fiscalização lastreou o lançamento na constatação de que a empresa lançou em seus livros contábeis os valores correspondentes à remuneração dos serviços prestados pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados, em duas contas do Passivo (610 40 11 Participação nos Resultados Diretos e 610 40 12 e Participação nos Resultados Indiretos), afirmando que a empresa deveria lançar os valores de remuneração dos segurados em conta especifica. Ora, se a própria fiscalização aponta que a empresa lançou os valores pagos a título de PLR em contas intituladas de PLR, o que estaria errado? Qual foi o motivo do lançamento? A resposta a tais questionamentos aparece no esforço da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que, ao identificar outros autos de infração lançados no mesmo Fl. 208DF CARF MF 6 procedimento fiscal, os quais constam do Termo de Encerramento de fl. 35, associou a presente autuação às infrações identificadas em outros lançamentos. Vejamos o que Julgador de 1ª Instância incluiu em seu relatório sobre o questionamento efetuado pelo contribuinte em sua impugnação, fl. 121: 3.1. que no relatório fiscal a fiscalização não mencionou os fundamentos para a exigência da multa. Que a fiscalização apenas aduziu que a autuada teria deixado de informar na contabilidade, em titulo remuneração, valores tributáveis e referentes à participação nos lucros e resultados. Que se a lei prevê a desvinculação da participação nos lucros do conceito de saláriodecontribuição, deveria a fiscalização apresentar o motivo de entender que tal verba seria tributável, devendo ser informada como remuneração na contabilidade. Como ela não apresentou os motivos, a autuação é nula. Para contrapor tais argumentos, o Relator pontuou, fl. 123: 6.1. Portanto, o que motivou a autuação foi o fato de a Impugnante não ter contabilizado como fatos geradores de contribuição previdenciária remunerações pagas a segurados empregados a seu serviço. Ditas remunerações decorrem de pagamentos efetuados a titulo de PLR, em desacordo com a Lei 10.101/00, os quais foram contabilizados como PLR e não como remuneração. 6.2. As contribuições incidentes sobre referidos pagamentos foram constituídas, através das NFLDs n° 37.062.6710, 37.062.6702 e 37.062.6729, e julgadas procedentes pelos acórdãos 1617.228, de 21/05/2008 e 1617.373 e 16 17.374, ambos de 05/06/2008. O que se tem, portanto, é que a afirmação da Auditor Fiscal de que os registros contábeis efetuados pela empresa deveriam ter sido em conta de remuneração de segurados e não em conta de PLR tem origem na sua convicção de que, em sua essência, os valores contabilizados não se referem a Participação nos Lucros, por terem sido pagos em desacordo com a Lei 10.101/2000. Contudo, no relatório fiscal, não há qualquer associação entre o lançamento em tela e os lançamentos que tiveram como objeto a desconsideração da PLR e a tributação dos mesmos valores por serem considerados saláriodecontribuição. Daí a conclusão em sede de 2ª Instância, em que o voto condutor do Acórdão, que ressaltese julga o recurso contra a decisão de 1ª Instância, concluiu que "Entendo que a decisão a quo e a autoridade lançadora equivocaramse pois, nem no relatório fiscal nem em outros documentos dos autos, há indicação das efetivas diferenças de informação, acusadas para a aplicação da sanção". Continua o Conselheiro apresentando suas razões de decidir afirmando que entende que "está claro que com meras alegações circunstanciais, e com os documentos probantes na forma apresentada nos autos, não se poderia constituir o crédito tributário impugnado contra a Recorrente. Tal matéria representa um vício material". Entendeu, ainda, que não é possível, assim como ocorreu, incrementar o lançamento no julgamento de primeiro grau. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 14485.003387/200740 Acórdão n.º 2201003.596 S2C2T1 Fl. 207 7 Portanto, ao contrário do que afirma a PFN, o Acórdão embargado não está dissociado do objeto da acusação fiscal. Ademais, a manifestação da DRJ sobre a descaracterização da PLR não é exatamente dispensável e sem influência para a lide, pois, como visto, foi fruto do esforço do Julgador para complementar o lançamento naquilo em que foi econômico, a descrição dos fatos, o que, segundo o entendimento manifestado pelo Colegiado de 2ª Instância, resulta em nulidade por vício material, por não ter observado integralmente os preceitos do art. 142 da Lei 5.172/66 (CTN). Conclusão: Desta forma, considerando as razões e fundamentos legais acima expostos, voto por conhecer e não acolher os embargos propostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Carlos Alberto do A Azeredo Relator Fl. 210DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720566/2012-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma, os embargos devem ser acolhidos.
OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES - STOCK OPTIONS -ASPECTO TEMPORAL E MATERIAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA.
A data de ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre as stock options corresponde à data do exercício da opção de compra de ações e a base de cálculo à diferença entre o valor das ações recebidas na data de exercício e o valor pago pelo beneficiário.
Numero da decisão: 2301-005.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos e dar-lhes provimento nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
ANDREA BROSE ADOLFO - Presidente em Exercício e Relatora.
EDITADO EM: 16/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes (suplente convocado) e Julio Cesar Vieira Gomes.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma, os embargos devem ser acolhidos. OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES - STOCK OPTIONS -ASPECTO TEMPORAL E MATERIAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. A data de ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre as stock options corresponde à data do exercício da opção de compra de ações e a base de cálculo à diferença entre o valor das ações recebidas na data de exercício e o valor pago pelo beneficiário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10830.720566/2012-84
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5722097
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-005.007
nome_arquivo_s : Decisao_10830720566201284.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDREA BROSE ADOLFO
nome_arquivo_pdf_s : 10830720566201284_5722097.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos e dar-lhes provimento nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO - Presidente em Exercício e Relatora. EDITADO EM: 16/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes (suplente convocado) e Julio Cesar Vieira Gomes.
dt_sessao_tdt : Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
id : 6755268
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213228548096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.720566/201284 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301005.007 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de maio de 2017 Matéria Stock Options Contribuição Previdenciária Embargante ANHANGUERA EDUCACIONAL PARTICIPAÇÕES S/A Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, os embargos devem ser acolhidos. OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS ASPECTO TEMPORAL E MATERIAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. A data de ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre as stock options corresponde à data do exercício da opção de compra de ações e a base de cálculo à diferença entre o valor das ações recebidas na data de exercício e o valor pago pelo beneficiário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos e darlhes provimento nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Presidente em Exercício e Relatora. EDITADO EM: 16/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes (suplente convocado) e Julio Cesar Vieira Gomes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 05 66 /2 01 2- 84 Fl. 1080DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, às efls. 1.041/1.051, visando sanar omissão no acórdão nº 2301004.138, que negou provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 AUTOS DE INFRAÇÃO DEBCAD’s sob nº 51.014.2184 e nº 51.014.2150 Consolidado em 30/01/2012 PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR REVOGAÇÃO DE LEI ORDINÁRIA POR LEI COMPLEMENTAR HIERARQUIA DAS LEIS Inconstitucionalidade de lei não compete ao CARF o julgamento. Matéria sumulada. Súmula CARF nº 2: ‘O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.’ Hierarquia das leis. Para a Recorrente a Lei Complementar nº 109/2001 foi posterior a alínea ‘p’, do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91, deve também este Colegiado reconhecer que a LC revogou a LO de 91. Julgamento que também agride a Súmula CARF 02. Entretanto, quanto à existência de hierarquia entre a lei complementar e a lei ordinária, não há hierarquia entre elas, pois nenhuma delas tem sua origem e seu fundamento de existência na outra. O legislador originário indicou expressamente na Constituição, os temas a serem postulados, por meio de lei complementar. Tal conjunto de matérias não pode ser objeto de lei extravagante, sob pena de se recair em inconstitucionalidade. No caso de invasão do campo destinado à legislação ordinária, por meio da edição de lei complementar, não é perceptível a inconstitucionalidade da norma, pois esta foi além do pedido, seguindo um processo legislativo mais dificultoso. O que a ditada norma não teria é a proteção de só ser revogada por uma lei complementar, tendo em vista que no aspecto material nunca deixou de ser norma ordinária. OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS; A) RELATO DO PRESENTE CONTRATO; B) NATUREZA JURÍDICA DAS OPÇÕES DE COMPRA DAS AÇÕES; C) DEFINIÇÃO DE STOCK OPTIONS; D) DESCARACTERIZAÇÃO DO STOCK OPTIONS COMO REMUNERAÇÃO NATUREZA MERAMENTE MERCANTIL; E) ANÁLISE DO CONTRATO DE OPÇÃO DE COMPRA DE Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10830.720566/201284 Acórdão n.º 2301005.007 S2C3T1 Fl. 3 3 AÇÕES; F) AUSÊNCIA DO ASPECTO TEMPORAL E MATERIAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA Contrato de opção de compra de ações firmado com pessoa física que envolve o seu trabalho tem o caráter mercantil cível ou trabalhista, dependendo de suas características. No caso em tela o contrato celebrado entre a Recorrente e o Beneficiário indicado, ficou comprovado que para exercer o direito de opção de compra de ações só pode ser exercido enquanto o Beneficiário mantiver vínculo empregatício, ou seja, uma condição sem a qual não (conditio sine qua non) existe o direito de compra de ações. Contrato em que não há risco para a Recorrente na relação, ficando tão somente ao trabalhador que presta seu serviço em troca de um possível ganho de capital, o que fere a relação frontalmente, a medida que não há equidade nela. No presente caso há traços marcantes da subordinação, dependência e controle, que determinam a relação de contrato de trabalho ao simples fato de a Recorrente estabelecer no contrato que a opção de compra somente poderá ser exercida pelo empregado/beneficiário enquanto este prestar serviços a ela e ou a Companhia. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. As matérias não suscitadas em seu recurso, cujas quais não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso, pois a multa não é matéria de ordem pública porque ela não representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da incidência de contribuição sobre pagamentos a título de previdência complementar, Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Leo Meirelles do Amaral, que davam provimento ao recurso, pela aplicação do disposto na LC 109/2001; b) em negar provimento ao recurso, nos demais argumentos da recorrente. Vencido o Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério, que votou em converter o julgamento em diligência. Declaração de voto: Mauro José Silva. Alega, a embargante, que a turma julgadora deixou de se manifestar sobre matéria subsidiária trazida no Recurso Voluntário sobre suposto "Equívoco na autuação, quanto ao preenchimento do aspecto temporal e da base de cálculo": Fl. 1082DF CARF MF 4 (...) por mera leitura do acórdão recorrido é possível identificar que em momento algum a C. Turma Julgadora manifestouse sobre a matéria subsidiária de defesa, relativa ao erro cometido pela Fiscalização na correta identificação de elementos essenciais para a lavratura do Auto de Infração, quais sejam, o aspecto temporal e a base de cálculo.(grifamos) Os embargos foram admitidos pelo Despacho de efls. 1058/1060, nos seguintes termos: Em atenção ao consignado no relatório verificase que a i. Embargante suscita suposta omissão no r. acórdão prolatado, pois: i) não se pronunciou quanto ao momento da outorga da 'stock option', e ii) a base de cálculo do lançamento. Não obstante os argumentos apresentados pela Embargante, entendo que existe omissão no 'decisum' embargado. Veja: (i) de fato não houve pronuncia quanto ao aspecto temporal, ou seja, o momento da outorga da 'stock option'. E, nesta seara, creio que a realidade fática é que comanda a decisão e não aquilo que foi apresentado formalmente pela Embargante (o contrato de 'stock option'), e, considerando que o fato gerador da obrigação previdenciária é o exercício da atividade, ou seja, o trabalho prestado, há de considerar o aspecto temporal o momento do recebimento da remuneração, onde se completa o fato gerador. (ii) quanto a omissão, por ausência da base de cálculo, não a vejo existência de tal anomalia decisória. Isto porque, ficou bem claro que a remuneração recebida pelo empregado é que compõe a mesma. Mas, com os embargos de declaração é um instrumento processual que serve para aperfeiçoar os julgados, reforço que a base de cálculo do lançamento são os valores pagos à título de remuneração; (iii) quanto aos efeitos infringentes, não olvidemos a sua possibilidade através dos embargos, que, todavia, não afeta o presente caso. Nesse sentido, estando o acórdão recorrido em consonância parcial com os dispositivos legais que regulam a matéria, proponho o CONHECIMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas, COM SEU ACOLHIMENTO para desobnubilar o julgado, quanto o momento que configurou o fato gerador e ratificar a sua base de cálculo (...). É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10830.720566/201284 Acórdão n.º 2301005.007 S2C3T1 Fl. 4 5 Os embargos foram opostos tempestivamente, portanto conheço e passo à sua análise. De acordo com o art. 65 Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343/2015, são cabíveis embargos de declaração, nos seguintes casos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Alega a embargante a omissão da turma na análise da questão temporal da incidência das contribuições previdenciárias sobre as stock options, o que, por sua vez, acarretaria incorreção na base de cálculo atribuída pela fiscalização. Vejamos. Quanto à questão relativa à cobrança de contribuição social sobre "Stock Options", a Embargante demonstrou sua improcedência em razão da natureza mercantil do contrato de stock option autuado, de modo que sobre eventuais benefícios dele advindo não incidiriam as contribuições previdenciárias. Subsidiariamente, alegou a Embargante que, ainda que se considerasse as Stock Options como saláriodecontribuição, ad argumentandum tantum, a autuação não prospera, posto que não houve o correto preenchimento dos aspectos temporal e material da base de cálculo. Quanto ao aspecto temporal, o I. Auditor Fiscal, no parágrafo 8.24, à fl. 36, do Relatório Fiscal, considerou que teria ocorrido o benefício supostamente recebido pelo adquirente das Stock Options na data do exercício da opção. Confirase: "A remuneração, representada pela vantagem obtida pelo Beneficiário em relação a outra pessoa física não beneficiada pelo plano, corresponde à diferença entre os valores de mercado das ações nas datas de opção e os seus respectivos preços de exercício." Entretanto, como demonstrou a Embargante em sua defesa, o aspecto temporal descrito na autuação é equivocado porque, na realidade, ainda que houvesse fato gerador da contribuição previdenciária, este teria ocorrido (i) ou no momento da outorga da stock option, (ii) ou quando houver realização das ações pelo Sr. Marcos Júnior, e não quando do exercício da opção como entendeu a D. Autoridade Fiscal. ... Com base nos dispositivos acima transcritos é possível concluir que segundo CPC 10, o momento correto para apuração do valor justo de suposto benefício concedido é a data da outorga e não a data de exercício da opção — como consignou o Auto de Infração. Fl. 1084DF CARF MF 6 E ainda que não se aplicasse o CPC 10 ao presente caso, ad argumentandum tantum, a ora Embargante salientou que seria necessário considerar a data da venda das ações como fato gerador de eventual Contribuição Social. Isso porque, como ensina a doutrina1, na ausência de previsão legal, o aspecto temporal da hipótese de incidência da contribuição previdenciária se verifica no momento em que o trabalhador recebe o benefício (saláriodecontribuição), o que, no caso, só ocorrerá quando as ações são liquidadas. Em outras palavras, o benefício somente será verificado no momento da venda das ações, uma vez que, até lá, o adquirente goza apenas de expectativa de direito sobre as ações. (grifos no original) O Relatório Fiscal (efls. 24/75) analisa, nos itens 8.14 a 8.25, os aspectos temporal e quantitativo do fato gerador, verbis: Fato Gerador – data da ocorrência e valor 8.14 No caso dos planos de opções de compra de ações, a data da ocorrência do fato gerador tem relação direta com o seu valor. 8.15 Nas transações com pagamento baseado e liquidado em ações, a data de referência é a data em que ocorre a opção. Antes desta data, é necessário verificar se o empregado ou administrador cumpriu as condições de aquisição de direito especificadas no contrato (vesting conditions). Conforme exemplificado no item 19 do CPC 10, a outorga de ações ou opções de ações ao empregado está normalmente condicionada à permanência do mesmo na entidade por determinado período de tempo. Além disso, podem existir condições de desempenho a serem atendidas, tais como o alcance de determinado crescimento nos lucros ou de determinado aumento no preço das ações da entidade. 8.16 No caso do Plano de 2007 da AESAPAR, a condição era a de que as opções somente poderiam ser exercidas enquanto o seu Diretor Financeiro, Beneficiário do plano, prestasse serviços a AESA (atual Anhanguera Educacional Ltda) e/ou à AESAPAR (Anhanguera Educacional Participações S/A), conforme item 3.5 do Contrato de Opção de Compra de Ações. 8.17 Uma vez satisfeitas as condições de aquisição, o beneficiário do plano passa a ser o detentor do direito de adquirir ações, podendo ou não exercer esta opção. Caso exerça, a partir da data de opção, passa então do “direito de adquirir ações” para o “direito sobre as ações”. Portanto, o trabalhador beneficiário do plano passa a ser o detentor de “utilidade” concedida pela empresa, no caso ações, em contraprestação à atividade por ele desenvolvida. Contudo, para se falar em remuneração, antes é necessário observar o preço de exercício, que corresponde ao preço pago pelas ações pelo beneficiário, e o preço de mercado da ação na data de opção. Se o preço de exercício for inferior ao preço de mercado, resta caracterizado como remuneração em “utilidade” fornecida em contraprestação ao exercício de atividade do trabalhador para a Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 10830.720566/201284 Acórdão n.º 2301005.007 S2C3T1 Fl. 5 7 empresa, pela oferta de bem (ações) em condição mais vantajosa do que a de mercado. Lembramos que na data da opção, o beneficiário do plano pode comparar o valor de mercado do bem que lhe foi outorgado a opção de compra com o preço de exercício necessário para adquirilo. 8.18 Assim, nas transações liquidadas em ações, a partir da data de opção, não devem ser levadas em consideração quaisquer variações no preço de mercado das ações, no que se refere ao valor atribuído à remuneração, que passa a fazer parte do capital do Beneficiário. Tendo em vista que o bem que lhe foi concedido está sujeito a variação de valor, assim como qualquer outro bem está, caso futuramente as ações recebidas venham a ser alienadas, por exemplo, a preço inferior ao da data em que foi feita a opção, o fato configura meramente redução de capital. Da mesma forma, não há que se falar em outro valor de remuneração (ou renda), caso futuramente as ações venham a ser alienadas por valor superior. Nesta segunda hipótese, impõe se a apuração do ganho de capital obtido na forma da legislação do imposto de renda, que é matéria não tratada neste procedimento. 8.19 Voltando ao caso específico da AESAPAR, relativamente ao Plano de 2007, todas as quatro opções foram exercidas e em todas o preço de mercado das ações na data de opção era superior ao preço de exercício. (...) 8.20 A partir dos arquivos acima relacionados, das informações obtidas na Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras da Companhia e de informações obtidas na Bolsa de Valores do Estado de São Paulo – BOVESPA, elaboramos o quadro abaixo, que apresenta o cálculo da remuneração baseada em ações do Sr Marcos Lima Verde Guimarães Junior, Diretor Financeiro da AESAPAR. 8.21 O valor de mercado das ações nas datas em que as opções foram exercidas corresponde à cotação de fechamento, uma vez que a aquisição (opção) não se deu em operação na Bolsa de Valores, tendo o Beneficiário o conhecimento do valor da ação após o fechamento das operações na Bolsa. Fl. 1086DF CARF MF 8 ... 8.24 A remuneração, representada pela vantagem obtida pelo Beneficiário em relação a outra pessoa física não beneficiada pelo plano, corresponde à diferença entre os valores de mercado das ações nas datas de opção e os seus respectivos preços de exercício. 8.25 Portanto, as datas de ocorrência dos fatos geradores correspondem às datas das quatro opções exercidas e os valores dos fatos geradores correspondem às diferenças, em cada data de opção, entre o valor de mercado das ações (correspondente ao valor de mercado de cada ação multiplicado pelo número de ações) e o preço de exercício pago pelo Beneficiário. (...) (grifamos) Pela tabela acima verificase que a fiscalização considerou como data da ocorrência do fato gerador de contribuições previdenciárias a competência do exercício da opção e como base de cálculo a diferença entre o valor das ações recebidas na data de exercício (preço de mercado) e o valor pago pelo beneficiário (preço de exercício). Este Conselho vem firmando entendimento no mesmo sentido sobre a matéria, citamos os Acórdãos nº 2302003.536 e nº 2401003.891: Acórdão nº 2302003.536 Sessão de 03/12/2014 STOCK OPTIONS. PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. VANTAGENS OBTIDAS NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. As vantagens econômicas oferecidas aos empregados da empresa na aquisição de lotes de ações próprias, quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas ações, configuramse ganho patrimonial do empregado beneficiário decorrente exclusivamente do trabalho, ostentando, portanto, natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição base de cálculo das contribuições previdenciárias. Voto O beneficiário tem ao seu dispor a faculdade de exercer ou não tal direito de aquisição. O exercício da faculdade de efetuar a “Contribuição para Aquisição dos Lotes Incorporados” dáse por mero aviso à empresa, acompanhado do pagamento do “Valor da Contribuição para Aquisição” correspondente ao Lote Incorporado a que se refere. O ganho patrimonial, portanto, há que ser apurado nesse momento histórico e deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. ... No caso presente, de acordo com o Relatório Fiscal, a data do fato gerador corresponde à data em que houve o exercício das opções, o qual se deu pelo pagamento do “Valor da Contribuição Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10830.720566/201284 Acórdão n.º 2301005.007 S2C3T1 Fl. 6 9 para Aquisição” correspondente ao Lote Incorporado a que se refere e a Base de Cálculo é, exatamente, a diferença entre o valor das “Contribuições para Aquisição das Ações” previstos nos contratos e o Valor de Mercado das Ações na data da liquidação financeira das referidas “Contribuições para Aquisição das Ações” (grifamos) Acórdão nº 2401003.891 Sessão de 11/02/2015 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS NATUREZA SALARIAL DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL CARACTERÍSTICAS DOS PLANOS AFASTAM O RISCO Em ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, seja, pela adoção de política remuneratória na forma de outorga de ações, possibilidade de venda antecipada, estabelecimento do custo de R$1,00, correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Na maneira como executado, como a minimização do risco pelo baixo custo e possibilidade de venda, sem nem mesmo ter o direito a totalidade das ações, passa a outorga de ações a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o trabalhador a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES. Não fosse essa a intenção da empresa, por qual motivo a recorrente teria estabelecido valores tão baixos. Correta a indicação de base de cálculo como o ganho real, (diferença entre o preço de exercício, previamente estipulado, e o preço de mercado no momento da compra de ações) desde que constatado a natureza salarial da verba. PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS PARA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS. O fato gerador no caso de plano de stock options ocorre com o efetivo exercício do direito de adquirir ações, posto que, constatado o ganho do trabalhador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda a terceiros. Para efeitos de aferir a natureza salarial do benefício, não há necessidade de que o trabalhador tenha recebido dinheiro, mas qualquer ganho auferido, mesmo na forma de utilidades, pode constituir remuneração e por consequência salário de contribuição para efeitos previdenciários. Também esta Turma, em recente decisão prolatada nos termos do Acórdão nº 2301004.973, do qual fui relatora, seguiu esse mesmo posicionamento: Fl. 1088DF CARF MF 10 Por todo o exposto, no caso em análise, entendo que o Plano de opção de compra de ações da companhia constituise como uma forma de remuneração indireta aos empregados/contribuintes individuais participantes decorrente de sua relação de trabalho com a empresa, possuindo natureza remuneratória, devendo integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, na data do exercício da opção, pelo valor referente à diferença entre o valor de mercado das ações e o valor efetivamente despendido pelo beneficiário. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer e acolher os embargos apresentados, para rerratificar o acórdão embargado, saneando a omissão apontada, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 AUTOS DE INFRAÇÃO DEBCAD’s sob nº 51.014.2184 e nº 51.014.2150 Consolidado em 30/01/2012 PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR REVOGAÇÃO DE LEI ORDINÁRIA POR LEI COMPLEMENTAR HIERARQUIA DAS LEIS Inconstitucionalidade de lei não compete ao CARF o julgamento. Matéria sumulada. Súmula CARF nº 2: ‘O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.’ Hierarquia das leis. Para a Recorrente a Lei Complementar nº 109/2001 foi posterior a alínea ‘p’, do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91, deve também este Colegiado reconhecer que a LC revogou a LO de 91. Julgamento que também agride a Súmula CARF 02. Entretanto, quanto à existência de hierarquia entre a lei complementar e a lei ordinária, não há hierarquia entre elas, pois nenhuma delas tem sua origem e seu fundamento de existência na outra. O legislador originário indicou expressamente na Constituição, os temas a serem postulados, por meio de lei complementar. Tal conjunto de matérias não pode ser objeto de lei extravagante, sob pena de se recair em inconstitucionalidade. No caso de invasão do campo destinado à legislação ordinária, por meio da edição de lei complementar, não é perceptível a inconstitucionalidade da norma, pois esta foi além do pedido, seguindo um processo legislativo mais dificultoso. O que a ditada norma não teria é a proteção de só ser revogada por uma lei complementar, tendo em vista que no aspecto material nunca deixou de ser norma ordinária. OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS; A) RELATO DO PRESENTE CONTRATO; B) NATUREZA Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10830.720566/201284 Acórdão n.º 2301005.007 S2C3T1 Fl. 7 11 JURÍDICA DAS OPÇÕES DE COMPRA DAS AÇÕES; C) DEFINIÇÃO DE STOCK OPTIONS; D) DESCARACTERIZAÇÃO DO STOCK OPTIONS COMO REMUNERAÇÃO NATUREZA MERAMENTE MERCANTIL; E) ANÁLISE DO CONTRATO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES; F) AUSÊNCIA DO ASPECTO TEMPORAL E MATERIAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA Contrato de opção de compra de ações firmado com pessoa física que envolve o seu trabalho tem o caráter mercantil cível ou trabalhista, dependendo de suas características. No caso em tela o contrato celebrado entre a Recorrente e o Beneficiário indicado, ficou comprovado que para exercer o direito de opção de compra de ações só pode ser exercido enquanto o Beneficiário mantiver vínculo empregatício, ou seja, uma condição sem a qual não (conditio sine qua non) existe o direito de compra de ações. Contrato em que não há risco para a Recorrente na relação, ficando tão somente ao trabalhador que presta seu serviço em troca de um possível ganho de capital, o que fere a relação frontalmente, a medida que não há equidade nela. No presente caso há traços marcantes da subordinação, dependência e controle, que determinam a relação de contrato de trabalho ao simples fato de a Recorrente estabelecer no contrato que a opção de compra somente poderá ser exercida pelo empregado/beneficiário enquanto este prestar serviços a ela e ou a Companhia. A data de ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre as stock options corresponde à data do exercício da opção de compra de ações e a base de cálculo à diferença entre o valor das ações recebidas na data de exercício e o valor pago pelo beneficiário. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. As matérias não suscitadas em seu recurso, cujas quais não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso, pois a multa não é matéria de ordem pública porque ela não representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 1090DF CARF MF 12 Fl. 1091DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720473/2013-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103.
A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente.
Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância".
In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00.
ITR. VTN. APTIDÃO AGRÍCOLA. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A inexistência de aptidão agrícola para a propriedade possibilita a aceitação do VTN informado pelo recorrente.
NULIDADE. CAPITULAÇÃO LEGAL DO FATO. AFASTADA.
Estando devidamente configurado o fato que causou o lançamento tributário, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Caso dos autos.
RESERVATÓRIO DE USINAS HIDROELÉTRICAS. ÁREA ALAGADA. NÃO INCIDÊNCIA.
O ITR não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF nº 45).
Numero da decisão: 2401-004.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2009 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00. ITR. VTN. APTIDÃO AGRÍCOLA. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. A inexistência de aptidão agrícola para a propriedade possibilita a aceitação do VTN informado pelo recorrente. NULIDADE. CAPITULAÇÃO LEGAL DO FATO. AFASTADA. Estando devidamente configurado o fato que causou o lançamento tributário, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Caso dos autos. RESERVATÓRIO DE USINAS HIDROELÉTRICAS. ÁREA ALAGADA. NÃO INCIDÊNCIA. O ITR não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF nº 45).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10073.720473/2013-50
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5728857
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.843
nome_arquivo_s : Decisao_10073720473201350.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10073720473201350_5728857.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
dt_sessao_tdt : Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
id : 6782833
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213242179584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.720473/201350 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2401004.843 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2017 Matéria ITR Recorrentes LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observandose a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplicase o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00. ITR. VTN. APTIDÃO AGRÍCOLA. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. A inexistência de aptidão agrícola para a propriedade possibilita a aceitação do VTN informado pelo recorrente. NULIDADE. CAPITULAÇÃO LEGAL DO FATO. AFASTADA. Estando devidamente configurado o fato que causou o lançamento tributário, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Caso dos autos. RESERVATÓRIO DE USINAS HIDROELÉTRICAS. ÁREA ALAGADA. NÃO INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 04 73 /2 01 3- 50 Fl. 338DF CARF MF 2 O ITR não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF nº 45). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10073.720473/201350 Acórdão n.º 2401004.843 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação de Lançamento referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2009, conforme peça inaugural do feito, às efl. 178/182, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 16/04/2013 (AR. fl. 130), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: "Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido , em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei n° 5172/66 (CTN) interpreta s e literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. (...) Valor da Terra Nu declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o campo valor da terra nua por ha (VTN/h a) foi arbitrado considerando o valor obtido no Sistema de Preços de Terra (SIPT), e o valor Total da terra nua foi calculado multiplicando se esse VTN/ha arbitrado pela área total do imóvel. O Sistema de Preços de Terra (SIPT) da RFB, instituído através da Portaria SRF n° 447, de 28/03/02, é alimentado com os valores recebidos das Secretarias Estaduais ou Municipais de Agricultura ou entidades correlatas, sendo que esses valores são informados para cada município/UF, de localização do imóvel Fl. 340DF CARF MF 4 rural, e exercício (AC da DITR); assim foram obtidos os dados para os respectivos campos: município, UF e exercício. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa.(...)" No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2009, a fiscalização resolveu glosar, integralmente, a área de preservação permanente de 5.151,0 ha, que corresponde a área total do imóvel, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$3.324.712,60 (R$645,45/ha), arbitrando o valor de R$19.465.062,39 (R$3.778,89/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com consequente redução da área tributável/aproveitável e aumento do VTN tributável, disto resultando o imposto suplementar de R$3.893.002,47, conforme demonstrado às fls. 128. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação suscitando, a improcedência do lançamento pelos argumentos e documentos acostados aos autos. Por sua vez, a 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF entendeu por bem rechaçar parte da exigência fiscal, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 03 057.207/2013, de efls. 250/279, sintetizados na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR Exercício: 2009 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo a contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DA INCIDÊNCIA DO ITR Estão sujeitos à incidência do ITR os imóveis rurais de pessoas físicas ou jurídicas, concessionárias de serviços públicos de energia elétrica, inclusive os adquiridos por desapropriação para essas atividades. Essas sociedades empresárias concessionárias, submetemse quanto à apuração do ITR, às mesmas regras tributárias aplicadas aos demais imóveis rurais. DA IMUNIDADE RECÍPROCA. CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇOS PÚBLICOS. INAPLICABILIDADE As concessionárias de serviços públicos constituídas como pessoas jurídicas de direito privado deve ser dado o mesmo tratamento tributário dispensado às demais sociedades que exploram atividades econômicas, não se cogitando, em relação a elas, do benefício da imunidade recíproca prevista na Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10073.720473/201350 Acórdão n.º 2401004.843 S2C4T1 Fl. 4 5 Constituição da República. Reservatórios de água de barragem não se confundem com potenciais de energia hidráulica, bens da União previstos na Constituição da República. DA ÁREA ALAGADA DE RESERVATÓRIO DE USINAS HIDRELÉTRICAS AUTORIZADA PELO PODER PÚBLICO Para efeitos do ITR, a existência de áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público, cabe ser devidamente comprovada nos autos com documentos hábeis. DA ISENÇÃO PREVISTA NO DECRETOLEI n° 2.281/1940 Encontramse revogados todos os incentivos fiscais de natureza setorial que não foram confirmados por lei após dois anos, contados a partir da data da promulgação da Constituição da República, inclusive a isenção prevista no art. I o do DecretoLei n° 2.281/1940. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Para que a área de Preservação Permanente possa ser considerada isenta de tributação, além da comprovação da efetiva existência dessa área no imóvel, devidamente dimensionada e classificada como tal, em conformidade com o Código Florestal, por meio de laudo técnico específico, elaborado por profissional habilitado, ou por Ato do poder público que assim as tenham declarado, exigese que essas áreas tenham sido objeto de Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado em tempo hábil no IBAMA. DAS ÁREAS DE INTERESSE ECOLÓGICO PARQUE A alegação de que as áreas pretendidas como de preservação permanente ou de interesse ecológico estariam localizadas dentro dos limites de Parque Estadual cabe ser devidamente comprovada nos autos, para fins de justificar a exclusão de tais áreas de tributação, imprescindível a comprovação da protocolização, em tempo hábil, do ADA no IBAMA, além da existência de Ato de órgão ambiental competente reconhecendo, de forma inequívoca, as áreas como sendo de interesse ecológico. DA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA) Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico ou como de preservação permanente as áreas declaradas ou pretendidas, em caráter geral, por região local ou nacional, como os situados em APA, incluindo as áreas de florestas nativas localizadas no Bioma Mata Atlântica, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Fl. 342DF CARF MF 6 Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, observadas as suas características particulares. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Em observância ao disposto no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72 e alterações introduzidas pelas Leis nºs 8.748/1993 e 9.532/97, c/c a Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Inconformada com parte da Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 288/306, procurando demonstrar sua improcedência em relação ao crédito mantido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, aduz preliminarmente que a capitulação legal seria insuficiente, considerando que os dispositivos legais mencionados não guardam relação com os fundamentos de fato que motivaram o lançamento, deles não se extraindo qualquer infração legal, o que contraria o art. 11, III, do Decreto n° 70.235/72, impedindo a perfeita compreensão das acusações, impondo a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa (art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72). Entende ser improcedente o lançamento em razão da impossibilidade de utilização do SIPT para as sociedades empresárias de energia elétrica, em face do DecretoLei n° 3.128/41, que disciplina o tombamento de seus bens, nos termos de seus artigos 4 e 6, citando Decisão do Antigo Conselho de Contribuintes, para referendar sua tese de que os bens das sociedades empresárias de eletricidade devem ser avaliados por seu custo histórico, o qual, não sendo possível de comprovação documental, deve ser apurado por perícia e, assim, revela se descabido o arbitramento, o que compromete a apuração da base de cálculo do lançamento e, por isso, deve ser julgado improcedente. Suscita o disposto no § 7°, art. 10, da Lei n° 9.393/96, que expressamente dispensa a declaração para fim de isenção do ITR de "prévia comprovação", o STJ firmou jurisprudência no sentido de que a prévia apresentação de ADA não é condição para a não tributação da APP, a qual pode ser provada por qualquer meio de prova e transcreve Ementa de Decisão do STJ. Sendo evidente a ilegalidade do lançamento, na parte em que condiciona a não tributação do APP à prévia apresentação de ADA. Registra ter, em resposta à intimação, apresentado dois ADA relativos ao imóvel e, ainda, que os ADA não se refiram ao exercício de 2010, mas aos de 2008 e 2009, a Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10073.720473/201350 Acórdão n.º 2401004.843 S2C4T1 Fl. 5 7 sua apresentação, tendo em vista o §° 7 do art. 10 da Lei n° 9.393/1996, atribuiu à autoridade fiscal o ônus de comprovar que a declaração da APP não corresponde à realidade, o que demonstra a improcedência do lançamento. Explicita, ainda, que apresentou Laudo Técnico, onde atesta o que consta da DITR/2010, que, inclusive, serviu de amparo para Acórdão do CARF, que cancelou o lançamento do Processo Administrativo n° 13009.000015/200417, devendo ser observado o princípio da verdade material. Traz a colação Laudo Técnico, com ART, elaborado pelo Engenheiro Florestal Jorge Jacob Neto, que atesta que o imóvel corresponde a áreas não sujeitas à tributação, porquanto referentes a áreas de preservação permanente, fragmentos florestais, áreas de interesse ecológico e alagadas para fins de constituição de usinas hidrelétricas (Lei n° 9.303/96, art. 10, § 1°, "a", "b" e "f"). Salienta restar comprovado que parte da área é submersa, utilizada como reservatório de usinas hidrelétricas, fazse necessário o afastamento da tributação sobre essas terras, conforme jurisprudência do CARF, inclusive, objeto da Súmula n° 45. Sintetiza com o entendimento de estar comprovado que o imóvel é composto por APP, fragmentos florestais, áreas de especial interesse ecológico e alagadas para reservatórios de usinas hidrelétricas, por sua localização e integração no "Corredor da Biodiversidade TinguáBocaina", no âmago da Serra do Mar, em uma das últimas áreas com Mata Atlântica preservada, ficando atestada sua importância ecológica e a condição de preservação permanente, que impõem o reconhecimento de que o imóvel é integralmente composto por áreas não tributáveis, nos termos do art. 10, § I , da Lei n° 9.393/96. Demonstra a fragilidade do lançamento pelo fato de a fiscalização ao tributar 100% do imóvel, ter desconsiderado o art. 20, VIII, da CR, que estabelece serem "bens da União" "os potenciais de energia elétrica". Afirma não ter a fiscalização atentado, ainda, para a Lei n° 9.427/96, que ao disciplinar o "regime econômico e financeiro das concessões de serviço público de energia elétrica", estabelece no art. 14, II e V, respectivamente, que o contrato de concessão deve prever "a responsabilidade da concessionária em realizar investimentos em obras e instalações que reverterão à União na extinção do contrato", bem como a indisponibilidade, pelo concessionário, dos bens reversíveis. Entende que imóvel tributado configura bem público, da União, por definição constitucional e por afetação, cuja tributação pelo ITR, portanto, contraria a imunidade recíproca do art. 150, VI, "a", da CR. Conclui, sobre o tema, pois tratandose de bens públicos, indisponíveis ao concessionário, encontramse fora do comércio, sem valor aferível, o que os torna insuscetíveis de tributação do ITR, cuja base de cálculo é o valor do imóvel e cita e transcreve Ementas excertos de Decisões deste Tribunal, para referendar seu argumento. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Fl. 344DF CARF MF 8 Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10073.720473/201350 Acórdão n.º 2401004.843 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator RECURSO DE OFÍCIO Preliminar de Admissibilidade Á época da interposição do recurso vigia a Portaria MF nº 3/2008, que estabelecia o valor de alçada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Entretanto, em 10 de fevereiro de 2017 foi publicada a Portaria MF nº 63 que alterou o valor limite para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos: Portaria MF nº 63/07 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). A verificação do "limite de alçada", em face de Decisão da DRJ favorável ao contribuinte, ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ),para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observandose a legislação da época, e segundo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, quando da apreciação do recurso, em Preliminar de Admissibilidade, aplicandose o limite de alçada então vigente. É o que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, depreendese que o limite de alçada a ser definitivamente considerado será aquele vigente no momento da apreciação, pelo Conselho, do respectivo Recurso de Ofício. vinculada pela Súmula Carf nº 103, encimada. No presente caso, o montante de crédito Tributário exonerado foi abaixo do novo limite de alçada, vigente na data do presente julgamento, 14 de março de 2017. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em parcial consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO, em face de o montante de crédito Tributário Fl. 346DF CARF MF 10 exonerado situarse abaixo do limite de alçada vigente, pelas razões de fato e direito acima esposadas. RECURSO VOLUNTÁRIO Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. Conforme analise deste conselheiro, verifico que já participei do julgamento de uma demanda desta empresa, tratando da mesma matéria e o mesmo fato gerador, motivo pelo qual irei adotar os excertos que concordei com a relatora e o voto vencedor constante no Acórdão n° 2401004.410, que assim dispõe: PRELIMINAR DE NULIDADE Em relação a preliminar suscitada: "Preliminarmente o recorrente alega que o auto de infração menciona dispositivos legais que não guardam relação com os fundamentos de fato que motivaram a formalização do lançamento. Entendo que não assiste razão ao contribuinte, pois o documento de lançamento (efl. 630) contém a descrição dos fatos e o enquadramento legal relativo à infração, por ex. " Art. 10, par. 1, inciso II, alínea 'a' da Lei 9393/96". Ainda, na descrição dos fatos menciona o referido documento de lançamento: DA GLOSA DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Não apresentou ADA relativo ao exercício 2010, o Laudo Técnico relativo à área de preservação permanente não está acompanhado da respectiva ART Anotação de Responsabilidade Técnica, nem reúne informações detalhadas acerca da localização e dimensão da r e f e r i d a área. Não apresentou certidão de órgão público atestando que o imóvel ou parte dele se encontra inserido em área declarada como de preservação permanente. Entendo que a descrição dos fatos está clara. [...]" Assim, igualmente a conclusão acima mencionada, afasto a preliminar argüida nesta oportunidade. VTN ARBITRADO Quanto ao VTN arbitrado, o voto condutor do Acórdão já mencionado assim tratou: "[...]O disposto nos art. 14, § 1o. da Lei nº 9.396, de 1996, quando combinado com o art. 12 da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, permite que se aceite, no caso em questão, o arbitramento pelo SIPT quando efetuado com utilização do VTN médio que leve em consideração também o fator de aptidão agrícola, in verbis: Lei 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAT ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10073.720473/201350 Acórdão n.º 2401004.843 S2C4T1 Fl. 7 11 Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.(g.n.) Lei 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos:(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) III dimensão do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias.(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) (grifei) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA.(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel.(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Noto que, na efl. 626, consta que não foi encontrado VTN médio para o município de localização do imóvel rural, ou seja, não possui aptidão agrícola discriminada. Entendo que, de acordo com os dispositivos antes mencionados, deve ser aceito o VTN declarado pelo contribuinte,[...]" Adotando as razões encimadas, deve ser restabelecido o VTN de acordo com o declarado pela contribuinte em DIRT. ÁREA ALAGADA Fl. 348DF CARF MF 12 Em relação especificamente de que trata a área alagada, na ocasião do Acórdão, acompanhei a divergência, conforme muito bem fundamentou o voto vencedor do Dr. Cleberson Alex Friess, que dispôs: "Peço vênia a ilustre Relatora para discordar de seu voto tão somente na parte em que optou por não excluir a tributação sobre áreas alagadas. Alega a recorrente, Light Serviços de Eletricidade S/A, que parte da área do imóvel rural "Áreas em Rio Claro" é submersa, utilizada como reservatório de usina hidrelétrica, devendo ser afastada a tributação. A decisão de piso não reconheceu o pleito, dada a ausência de comprovação da existência dessas áreas no imóvel, assim como a falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), vinculado ao anocalendário da exigência fiscal. Porém, segundo o enunciado da Súmula nº 45, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o ITR não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatórios de usinas hidroelétricas. Reproduzo o verbete: Súmula CARF nº 45: O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Os precedentes do enunciado apontam que, relativamente às terras submersas, a posse e o domínio útil pertencem à União, descabendo a incidência do imposto sobre tais áreas. Ao integrar as águas o patrimônio da União, o ente político detém o domínio útil da área submersa da propriedade, o que afasta, por conseguinte, a sujeição passiva da pessoa jurídica de direito privado. 1 A despeito da ausência de apresentação de ADA, compulsando os autos verifico a juntada de Laudo Técnico, em que foram utilizadas imagens aéreas tiradas em 13/6/2008, devidamente georreferenciadas, documento técnico que afirma a existência de 2.269 hectares de área líquida alagada para usina hidrelétrica (fls. 708/779). Entendo, portanto, que a recorrente traz aos autos prova hábil e suficiente para comprovar a existência de áreas alagadas utilizadas para fins de reservatórios do Complexo Hidrelétrico de Ribeirão das Lajes, atraindo a aplicação do enunciado da Súmula nº 45. Ressalto que em julgamento administrativo referente ao mesmo imóvel, relativo ao exercício 2009, a 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção já havia decidido por também reconhecer os mesmos 2.269 hectares a título de áreas alagadas (Acórdão nº 2201002.476, sessão de 12/8/2014)." Neste diapasão, entendo restar comprovada a existência de áreas alagadas utilizadas para fins de reservatórios hidrelétricos, atraindo a aplicação do enunciado da Súmula CARF n° 45. Portanto, deve ser afastada a tributação sobre os 426 hectares de áreas alagadas. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10073.720473/201350 Acórdão n.º 2401004.843 S2C4T1 Fl. 8 13 Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO: a) NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO, em face de o montante de crédito Tributário exonerado situarse abaixo do limite de alçada vigente; b) CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, afastar a preliminar, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900623/2012-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13830.900623/2012-03
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5748060
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-002.154
nome_arquivo_s : Decisao_13830900623201203.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 13830900623201203_5748060.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6874858
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213247422464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.900623/201203 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.154 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MATHEUS RODRIGUES MARILIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 23 /2 01 2- 03 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900623/201203 Acórdão n.º 1302002.154 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900623/201203 Acórdão n.º 1302002.154 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900623/201203 Acórdão n.º 1302002.154 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.939964/2011-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 20/05/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA. Quando o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea.
Direito creditório reconhecido.
Compensação homologada.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 20/05/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA. Quando o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea. Direito creditório reconhecido. Compensação homologada. Recurso Voluntário provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10980.939964/2011-78
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5740002
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.445
nome_arquivo_s : Decisao_10980939964201178.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 10980939964201178_5740002.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6847202
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213265248256
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-07-05T21:25:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-07-05T21:25:18Z; Last-Modified: 2017-07-05T21:25:18Z; dcterms:modified: 2017-07-05T21:25:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:7ebfd453-7ea7-436d-b87c-70a925b38602; Last-Save-Date: 2017-07-05T21:25:18Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-07-05T21:25:18Z; meta:save-date: 2017-07-05T21:25:18Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-07-05T21:25:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-07-05T21:25:18Z; created: 2017-07-05T21:25:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-07-05T21:25:18Z; pdf:charsPerPage: 1627; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-07-05T21:25:18Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 75 1 74 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.939964/201178 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.445 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2017 Matéria Denúncia espontânea Recorrente CIA DE CIMENTO ITAMBE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 20/05/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA. Quando o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea. Direito creditório reconhecido. Compensação homologada. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 99 64 /2 01 1- 78 Fl. 75DF CARF MF 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face de despacho decisório que não homologou a compensação do débito declarado pelo contribuinte, sob o fundamento de falta do direito creditório apontado, tendo em vista que constava do sistema da Receita Federal do Brasil a informação de que o referido crédito já havido sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. O teor do despacho decisório segue transcrito a seguir: Valor do crédito pleiteado no PER/DCOMP: 6.807,15 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O contribuinte alega em sua manifestação que o seu direito creditório decorreria da multa de mora que teria recolhido indevidamente, tendo em vista o pagamento de tributo pago espontaneamente, nos termos do art. 138 do CTN. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 20/05/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A matéria não especificamente contestada na manifestação de inconformidade é reputada como incontroversa e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. A multa de mora é aplicável nos casos em que, embora espontaneamente, o recolhimento do crédito tributário pelo contribuinte se dê após a data de vencimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Para que melhor se compreenda a conclusão a que chegou a DRJ, transcreve se a seguir parte do voto proferido pelo Relator da decisão recorrida: O presente Despacho Denegatório denegou a restituição do IPI porque o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Portanto, independentemente do direito creditório invocado ser líquido e certo, ou não, tal matéria reputase incontroversa, ao teor do disposto no Decreto nº 70.235 (PAF), de 1972, art. 17: Art. 17 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.939964/201178 Acórdão n.º 3301003.445 S3C3T1 Fl. 76 3 Quanto ao mérito, O débito fora recolhido/compensado em atraso e a manifestante entende que a multa de mora não deve ser aplicada, em virtude de denúncia espontânea a que alude o Código Tributário Nacional CTN, art. 138. Cingese a controvérsia a esse ponto. (...) Logo, a defesa não tem razão quando, invocando o art. 138 do CTN, pretende eximirse do acréscimo da multa moratória, legalmente definida, incidente sobre tributos em atraso na extinção do crédito tributário por meio de compensação. O instituto da denúncia espontânea exclui, tão somente, a responsabilidade por infrações, o que significa afastar as penalidades aplicáveis ao contribuinte infrator que agiu espontaneamente. Contudo, como a multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, e sim de indenização pelo atraso no pagamento, não cabe a exclusão de sua exigência nos casos de denúncia espontânea. O contribuinte foi intimado quanto ao teor da referida decisão em 24/02/2015 e, inconformado com o seu conteúdo, interpôs em 26/03/2015 Recurso Voluntário, através do qual repisa os argumentos constantes da sua manifestação de inconformidade. Os autos, então, vieramme conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF 4 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Como se denota do exposto acima, resta incontroverso nos autos que houve denúncia espontânea por parte do contribuinte. O que se discute, então, é se a denúncia espontânea teria o condão de afastar a exigência da multa de mora ou não. Entendeu a DRJ que não. Defende o contribuinte que sim. Neste ponto, entendo que assiste razão ao contribuinte. Como é cediço, acerca da denúncia espontânea, o art. 138 do Código Tributário Nacional expressamente dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medido de fiscalização, relacionados com a infração. Da análise de dito dispositivo legal extraise que há duas condições para que a denúncia espontânea seja reconhecida: (i) que esta seja acompanhada do pagamento do tributo; (ii) que ela se dê antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. No caso dos presentes autos, constatase que ambas as condições acima dispostas foram observadas pelo contribuinte, visto que a DCTF em que o contribuinte reconheceu o débito em questão foi transmitida em 15/09/2005 e o recolhimento do tributo já havia sido realizado desde 20/05/2004, ou seja, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte da Receita Federal. Tanto que não houve qualquer argumentação por parte da DRJ no sentido de que a denúncia espontânea não teria ocorrido. Os fundamentos da decisão recorrida concentraramse no fato de que a multa de mora seria devida ainda que configurada a denúncia espontânea. Logo, resta caracterizada de forma inconteste a denúncia espontânea neste caso concreto, inclusive nos moldes da decisão do Superior Tribunal de Justiça abaixo transcrita, submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, cuja aplicação deve ser observada por este Conselho: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10980.939964/201178 Acórdão n.º 3301003.445 S3C3T1 Fl. 77 5 PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de Fl. 79DF CARF MF 6 caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) (Grifos apostos). Nesse contexto, ao contrário do que entendeu a DRJ, entendo que a multa de mora deverá ser afastada sempre que identificada a denúncia espontânea, nos moldes do que determina o art. 138 do CTN, a qual restou devidamente configurada no caso concreto ora analisado. Por oportuno não é demais trazer à baila decisão proferida por este Conselho Administrativo Fiscal em 19/01/2016, por meio da qual afasta a imposição de multa de mora em caso de denúncia espontânea: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA. RESTITUIÇÃO. Quando o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, surge o direito de restituição, até o limite dos pagamentos comprovados, pois a multa moratória deve ser excluída pela denúncia espontânea. (Processo nº 10980.010765/200538 Acórdão nº 1201001.269). Com base nos fundamentos acima expostos, entendo que merece reforma a decisão de primeira instância administrativa em sua fundamentação, para fins de reconhecer a necessidade de se afastar a cobrança da multa de mora imposta quando constatada a denúncia espontânea. Ultrapassado este ponto, há de ser analisado, então, o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: O presente Despacho Denegatório denegou a restituição do IPI porque o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Portanto, independentemente do direito creditório invocado ser líquido e certo, ou não, tal matéria reputase incontroversa, ao teor do disposto no Decreto nº 70.235 (PAF), de 1972, art. 17: Art. 17 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Em outras palavras, entendeu a DRJ que, ainda que se concluísse pela liquidez e certeza do direito creditório do contribuinte, não haveria como deferir a compensação pleiteada, uma vez que o débito já teria sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte, e que este último não teria se insurgido quanto a tal argumento, tornandoo incontroverso. Novamente, discordo da conclusão a que chegou a DRJ. Isso porque, entendo que o contribuinte insurgiuse desde a sua manifestação de inconformidade quanto ao argumento do despacho decisório de que o débito já teria sido Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10980.939964/201178 Acórdão n.º 3301003.445 S3C3T1 Fl. 78 7 utilizado integralmente para a quitação de outros débitos do contribuinte. É o que se infere da passagem a seguir, extraída daquela peça recursal: Fl. 81DF CARF MF 8 De fato, houve o recolhimento do montante de R$ 69.579,30 para a quitação do débito em questão. Acontece que, conforme esclareceu o contribuinte, o recolhimento deu se com o acréscimo de juros e multa de mora, quando deveria incidir na hipótese apenas os juros, em razão da denúncia espontânea. E o valor do crédito pleiteado (R$ 6.807,15) corresponde com exatidão ao montante da multa de mora paga indevidamente pelo contribuinte, consoante se extrai do DARF anexado aos autos. Sendo assim, diante da denúncia espontânea constatada no caso em epígrafe, entendo que deverá ser reconhecido o direito creditório do contribuinte no importe de R$ 6.807,15, com a consequente homologação da compensação apresentada. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de, reconhecendo o direito do contribuinte ao afastamento da multa de mora quando constatada a denúncia espontânea, reconhecer o direito creditório pleiteado e, em consequência, determinar a homologação da compensação apresentada, no limite do direito creditório reconhecido. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10980.939964/201178 Acórdão n.º 3301003.445 S3C3T1 Fl. 79 9 Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
