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Numero do processo: 10811.000118/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
CIGARROS APREENDIDOS. TRANSPORTE DE MERCADORIA INTRODUZIDA CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA.
É ilegítima a aplicação presunção estabelecida no art. 74, § 3º da Lei nº 10.833/2003, quando os elementos constantes do processo não permitem aferir quem é o transportador da mercadoria.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-002.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. José Carlos Buch, OAB/SP 111.567.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 CIGARROS APREENDIDOS. TRANSPORTE DE MERCADORIA INTRODUZIDA CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. É ilegítima a aplicação presunção estabelecida no art. 74, § 3º da Lei nº 10.833/2003, quando os elementos constantes do processo não permitem aferir quem é o transportador da mercadoria. Recurso voluntário provido.
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TRANSPORTE DE MERCADORIA INTRODUZIDA CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. É ilegítima a aplicação presunção estabelecida no art. 74, § 3º da Lei nº 10.833/2003, quando os elementos constantes do processo não permitem aferir quem é o transportador da mercadoria. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. José Carlos Buch, OAB/SP 111.567. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 1. 00 01 18 /2 00 9- 93 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte por via postal em 05/05/2009, lavrado para exigir a multa equivalente a R$ 2,00 por maço de cigarro, com base no art. 3º, § 1º do DecretoLei nº 399/68, com a redação do art. 78 da Lei nº 10.833/2003. Segundo a descrição dos fatos e o termo de guarda e apreensão fiscal, anexados ao processo, no dia 10/10/2005 foi interceptado na rodovia SP329, no Município de UrupêsSP, o ônibus Scânia, placa BWN 2611 CatanduvaSP, que regressava de Foz do Iguaçu. Nessa oportunidade, foram apreendidos, entre outras quinquilharias, 347.450 maços de cigarros das marcas Derby, Classic, Mill, Meridian, TE, Plaza, San Marino e Broadway, acondicionados em caixas de papelão. As referidas caixas não continham a identificação de seu proprietário. Nenhum dos ocupantes do veículo assumiu a propriedade dos produtos apreendidos. Tendo em vista que o ônibus estava registrado em nome da MALITUR TURISMO LTDA, foi lavrado o auto de infração para exigir a multa regulamentar do art. 3º, § 1º do DecretoLei nº 399/68, com base na responsabilidade por infrações estabelecida no art. 95 do DecretoLei nº 37/66 e no art. 74, § 3º, da Lei nº 10.833/2003. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, ilegitimidade passiva, pois teria alienado o veículo placa BWN 2611 CatanduvaSP no dia 01/04/2004 ao Sr. João Gutierri de Castro Marques, juntando cópia da nota fiscal de baixa do bem do ativo imobilizado, razão analítico e certidão do cartório de Catanduva certificando que no dia 01/04/2004 foi solicitado reconhecimento de firma por autenticidade no certificado de registro do veículo que estava sendo transferido a João Gutierri de Castro Marques. No mérito, alegou que na época dos fatos não era mais proprietária do veículo e sendo assim, a autuação deveria ter recaído sobre o condutor ou o atual proprietário. Acrescentou que embora o veículo tenha permanecido registrado no DETRAN em seu nome, e que isso possa valer como presunção de propriedade, na realidade tal presunção pode ser elidida mediante a comprovação da venda do veículo acompanhada de sua tradição, o que se faz por meio da documentação juntada com a impugnação. Alegou prescrição intercorrente. Por meio do Acórdão nº 46.984, de 22 de julho de 2014, a 6ª Turma da DRJ Recife julgou a impugnação improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/10/2005 CIGARROS CONTRABANDEADOS. PASSAGEIROS SUPOSTOS PROPRIETÁRIOS. ARROLAMENTO NO PÓLO PASSIVO. AUSÊNCIA DE REGISTRO DAS RESPECTIVAS CIÊNCIAS. Somente a pessoa jurídica MALITUR foi cientificada do lançamento objeto deste processo, na qualidade de proprietária do veículo transportador das mercadorias contrabandeadas. Quanto aos demais sujeitos passivos arrolados no pólo passivo da relação jurídica sancionatória, nos termos postos no auto de infração, não há registro nos presentes autos de suas respectivas ciências, nem de suas eventuais impugnações. Quanto a essas pessoas físicas não se aperfeiçoou o lançamento. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10811.000118/200993 Acórdão n.º 3402002.871 S3C4T2 Fl. 3 3 CIGARROS APREENDIDOS. TRANSPORTE DE MERCADORIA INTRODUZIDA CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. LEGITIMIDADE PASSIVA. MULTA ADMINISTRATIVA. É legítima a inclusão, no pólo passivo da relação jurídica sancionatória, da pessoa jurídica que, na data do fato infracional, estava registrada no DETRAN competente como proprietária do veículo que transportava as mercadorias contrabandeadas. É legítima responsável perante a administração aduaneira fiscal, e está sujeita à multa prevista no Dl nº 399/68, art.3º, com a redação dada pelo art.78 da Lei 10.833/2003, independentemente de quem seja o proprietário dessas mercadorias. Regularmente notificado em 07/08/2014 (fl. 163), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/09/2014, alegando, em preliminar a nulidade do lançamento, sob o argumento de que o condutor do veículo não foi identificado. A falta de identificação do condutor do veículo, que poderia ser o próprio proprietário, Sr. João Gutierri de Castro Marques, constitui irregularidade insanável, cuja consequência é a nulidade do lançamento. No mais, reprisou as alegações contidas na impugnação. Posteriormente, aditou o recurso voluntário com informações trazidas do inquérito policial, que considera relevantes para o deslinde deste processo, no sentido de afastar sua responsabilidade. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Não existe nulidade alguma decorrente do fato do condutor do veículo não ter sido identificado neste processo, pois conforme estabelece o art. 74, § 3º, da Lei nº 10.833/2003, a propriedade do transportador é presumida, quando ele deixa de identificar os pertences dos passageiros. Portanto, rejeitase a preliminar de nulidade. No mérito, a empresa alegou que embora o veículo esteja registrado no DETRAN em seu nome, ocorreu a venda do mesmo a terceiro, cerca de um ano antes da apreensão, conforme comprovam os documentos anexados na impugnação. A venda a terceiro, seria corroborada pelos depoimentos dos ocupantes do veículo no curso do processo penal, conforme documentos de fls. 243/313, onde consta inclusive que os réus Leonardo dos Santos Fernandes, Pierre Gardan Silveira Gonçalves e Ivan Andrade de Souz Júnior assumiram a propriedade da mercadoria. Pois bem. O art. 74 da Lei nº 10.833/2003 estabelece o seguinte: Fl. 317DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 "Art. 74. O transportador de passageiros, em viagem internacional, ou que transite por zona de vigilância aduaneira, fica obrigado a identificar os volumes transportados como bagagem em compartimento isolado dos viajantes, e seus respectivos proprietários. § 1oNo caso de transporte terrestre de passageiros, a identificação referida no caput também se aplica aos volumes portados pelos passageiros no interior do veículo. § 2oAs mercadorias transportadas no compartimento comum de bagagens ou de carga do veículo, que não constituam bagagem identificada dos passageiros, devem estar acompanhadas do respectivo conhecimento de transporte. § 3oPresumese de propriedade do transportador, para efeitos fiscais, a mercadoria transportada sem a identificação do respectivo proprietário, na forma estabelecida no caput ou nos §§ 1oe 2odeste artigo. § 4oCompete à Secretaria da Receita Federal disciplinar os procedimentos necessários para fins de cumprimento do previsto neste artigo." À luz do texto legal, existe uma presunção relativa de que as mercadorias não identificadas pertencem ao transportador. O problema é que neste processo não se saber quem é o transportador das mercadorias. O transportador é o proprietário do veículo? O transportador é o condutor do veículo? Ou será que o transportador é quem fretou o veículo? A acusação fiscal está lastreada no fato de que o transportador seria o proprietário do veículo. Do fato de o veículo estar registrado no DETRAN em nome da MALITUR o fisco presumiu que ela seria a transportadora para, em seguida, aplicar a presunção relativa de que o transportador (a MALITUR) seria o proprietário das mercadorias ingressadas irregularmente no território aduaneiro. A fiscalização aplicou duas presunções em seguida: presumiu que a MALITUR era a transportadora (porque o veículo estava registrado em seu nome no DETRAN) e depois presumiu que ela seria a proprietária dos cigarros com base no art. 74, § 3º da Lei nº 10.833/2003. Acontece que a defesa comprovou, por meio dos documentos anexados junto com a impugnação, que o veículo foi vendido ao Sr. João Gutierri de Castro Marques cerca de um ano antes da apreensão dos cigarros, o que fulmina a presunção de que ela seria a proprietária do veículo. Não existe nenhuma prova no processo de que a MALITUR continuou na posse do veículo e nem de que ela fretou o veículo para executar o transporte. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10811.000118/200993 Acórdão n.º 3402002.871 S3C4T2 Fl. 4 5 Portanto, não há como se sustentar que a MALITUR é o transportador mencionado no art. 74, § 3º, da Lei nº 10.833/2003. Se não existe prova no processo de que a MALITUR é o transportador, não há como se aplicar a presunção relativa do art. 74, § 3º, da Lei nº 10.833/2003, no sentido de se considerar a MALITUR proprietária dos cigarros. Também é inaplicável ao caso o art. 95, II, do Decretolei nº 37/66, pois não existe nada no processo que comprove que a MALITUR seja a proprietária ou a consignatária do veículo. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 319DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000718/2005-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
MULTA MORATÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da denúncia espontânea não tem aptidão para afastar a multa de mora decorrente da utilização de débitos vencidos em Declaração de Compensação - DCOMP.
Numero da decisão: 9101-002.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, negar provimento ao recurso, votando a Conselheira Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada) pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 19/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não tem aptidão para afastar a multa de mora decorrente da utilização de débitos vencidos em Declaração de Compensação DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, negar provimento ao recurso, votando a Conselheira Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada) pelas conclusões. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 19/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 07 18 /2 00 5- 41 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000718/200541 Acórdão n.º 9101002.218 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Em sessão de 11 de dezembro de 2009, os membros da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF acordaram, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da ora recorrente, nos termos do relatório e voto que integram o julgado – Ac. n. 140100.145. Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido (fls. 157/161) o qual, por sua vez, adotou excertos da decisão de primeira instância: "A Interessada efetuou a transmissão, em 27/02/2004, de Declaração de Compensação DCOMP (fls.01/05) onde pleiteou a compensação de débito de IRRF, com vencimento em 07/01/2004 com crédito de IRRF de juros sobre o capital próprio, este da ordem de R$ 603.377,74. Por meio do Despacho Decisório de fl.19, foi homologada a compensação pleiteada na DCOMP. Conforme Despacho de Compensação n° 123/2006 (fl.81), feita a compensação então homologada, restou um saldo devedor de R$ 85.327,91, pois 'A Declaração de Compensação foi transmitida em 27/02/004, portanto posteriormente ao vencimento do débito, ocasionando a incidência de acréscimos legais e conseqüentemente gerando o saldo devedor acima'. Cientificada, a interessada, em 28/08/2006 apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 83 a 94, onde alega que se equivoca o Fisco na exigência de multa de mora, pois se trata aqui de denúncia espontânea, mencionando e transcrevendo o art. 138 do CTN e ementas de decisões judiciais reportandose à denúncia espontânea e postulando a reforma do despacho decisório e o reconhecimento da compensação então pleiteada. Por meio da Informação DISIT n° 58, de 06/10/2006, reconheceuse que a homologação da compensação requerida fora, de fato, parcial, até porque a Interessada, ao apurar os débitos a compensar, atribuiu à multa moratória o valor de R$ 1,00, ocasião em que encaminha os autos a esta Delegacia de Julgamento." Por sua vez, a DRJ, por unanimidade, INDEFERIU a solicitação, nos termos da ementa abaixo: "Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 Ementa: MULTA MORATÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não tem aptidão para afastar a multa de mora decorrente da utilização de débitos vencidos em Declaração de Compensação — DCOMP." Fl. 210DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000718/200541 Acórdão n.º 9101002.218 CSRFT1 Fl. 4 3 Irresignada com a decisão acima, a recorrente interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos na manifestação de inconformidade, inclusive com apresentação de jurisprudências do Superior Tribunal de Justiça STJ. O Colegiado a quo, por unanimidade, NEGOU provimento ao recurso voluntário, cuja decisão recorrida foi consubstanciada nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 209 Ementa: MULTA MORATÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não tem aptidão para afastar a multa de mora decorrente da utilização de débitos vencidos em Declaração de Compensação DCOMP. O voto do relator do acórdão recorrido sinteticamente assim dispõe: (...) No recurso a recorrente, em síntese, com fulcro no art. 138 do CTN que cuida da denúncia espontânea não aceita que os valores a título de multa de mora sejam acrescidos aos valores dos débitos vencidos utilizados na DCOMP. A multa de mora ,está prevista em norma específica no artigo 61 da Lei no 9.430/96, nos seguintes termos: 'Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem à partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3 Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.' Em relação aos dispositivos legais do CTN envolvidos importante atentar para o contexto em que se insere a regra do artigo 138: CTN: Responsabilidade pessoal "Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, Fl. 211DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000718/200541 Acórdão n.º 9101002.218 CSRFT1 Fl. 5 4 respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; (...) VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica em matéria de penalidades, às de caráter moratório." (grifos do relator) Responsabilidade por infrações: Art. 137. A responsabilidade é pessoal do agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; (grifos do relator) II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; (grifos do relator) III quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico. (grifos do relator) Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifos do relator) Observe que o art. 137 do CTN no âmbito do direito tributário penal dá o verdadeiro tom do art. 138, deixando claro que a única multa a se afastada no caso seria a multa de Oficio. Estando o encargo regularmente instituído em lei ordinária, e considerando ainda que existe referência expressa a "penalidades cabíveis" no art. 161 do CTN e a "penalidades de caráter moratório" no art. 134, parágrafo único, do CTN, claro está, em uma interpretação sistemática, que não se pode negar vigência à Lei no 9.430/96, sob a mera referêncià existência do artigo 138 do CTN de forma isolada. Desse modo, mesmo que se supere a questão da impossibilidade de o órgão administrativo negar vigência à lei sob mera alegação de conflito com o CTN, fica patente que a incidência da multa de mora não é incompatível e nem foi afastada pelo art. 138 do CTN, pois este dispositivo não trata da exclusão de Fl. 212DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000718/200541 Acórdão n.º 9101002.218 CSRFT1 Fl. 6 5 penalidade administrativa, mas sim da responsabilidade penal do agente. Ademais, a se aceitar a interpretação dada pela recorrente do instituto da denúncia espontânea, esse instituto se transformaria em estímulo ao desrespeito à lei, e em violação à isonomia com relação àqueles contribuintes que, adotando interpretação diferente, recolhem os tributos nas datas estipuladas em lei; e caso o façam em atraso, e no período de espontaneidade, o fazem com os juros e multa de mora fixados em lei. A certeza de imposição de penalidade própria para o descumprimento da exigência legal, é que faz os contribuintes recolherem a multa de mora na fase de espontaneidade, para os vencimentos dentro do mês. (...)." A contribuinte apresentou recurso especial de divergência (fls. 165/174), no qual insurgese quanto a exigência de multa moratória após apresentação de DCOMP para homologação e liquidação de débito sem o recolhimento da multa de mora. Requer a recorrente que seja afastada a aplicação da multa moratória em razão da incidência da denúncia espontânea. O recurso especial foi admitido pela presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Devidamente cientificada, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO. Conheço do recurso pois preenchem os requisitos de admissibilidade. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese, pois, ao entendimento da requerente de que a multa de mora não é devida, uma vez que a exclusão de responsabilidade por infrações, em virtude de denúncia espontânea, a que alude o art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), não prevê o recolhimento de multa de mora. Passo à análise do tema. A recorrente, em seu recurso especial, afirma que "faz jus ao benefício da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, vez que o débito objeto do pedido de compensação acrescido de atualização e juros moratórios foi quitado com créditos de IRRF antes de qualquer iniciativa do Fisco, não se justificando a utilização de saldo credor reconhecido para pagamento de suposta multa moratória". Para convencimento do julgador, apresenta argumentos extraídos de dois acórdãos paradigmas: 1) nº 10418.493, da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Fl. 213DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000718/200541 Acórdão n.º 9101002.218 CSRFT1 Fl. 7 6 Contribuintes, sessão de 06/12/2001; e 2) nº 10809.142, da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sessão de 06/12/2006. Finaliza suas argumentações afirmando que a "divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas é patente, pois enquanto aquele entende que a multa de mora tem natureza compensatória / indenizatória e não remuneratória e, portanto, não se poderia aplicar o artigo 138 do CTN, estes são expressos ao afirmar que a denúncia espontânea se amolda a qualquer tipo de multa". A unanimidade do colegiado do acórdão recorrido concordou, pelo exposto no voto do relator, que por uma interpretação sistemática o art. 137 do CTN, que trata da responsabilidade pessoal do agente no âmbito do direito tributário penal, dá o verdadeiro tom do art. 138, deixando claro que a única multa a ser afastada no caso seria a multa de oficio. Ao contrário do que afirma a recorrente, o acórdão recorrido não defende a exigência da multa de mora por entender que ela tem natureza compensatória ou indenizatória. O que restou patente no voto do relator é que a "incidência da multa de mora não é incompatível e nem foi afastada pelo art. 138 do CTN, pois este dispositivo não trata da exclusão de penalidade administrativa, mas sim da responsabilidade penal do agente". E cabe razão ao voto do acórdão recorrido. A melhor interpretação deste dispositivo normativo é a sistemática. O Título II Obrigação Tributária do CTN disciplina o que é fato gerador, o momento de sua consideração, quem são os sujeitos ativos e passivos para, então, tratar sobre a responsabilidade tributária. Estes tópicos disciplinados sistematicamente são elementos da obrigação tributária que corresponde a uma relação jurídica centrada na obrigação (objeto), seja de dar (principal) ou de fazer ou não fazer (acessórias) 1. Nesta relação jurídica temos de um lado um sujeito ativo, sempre representado por um ente público com poder para exigir a obrigação e, do outro lado, um sujeito passivo, o qual tem o dever de dar a conhecer ao ente público a existência do fato gerador e adimplir o objeto da relação jurídica. No Capítulo IV o parágrafo único e seus incisos do artigo 121 define que "responsável" é aquele que não tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador mas que sua obrigação (relação jurídica) decorra de disposição expressa de lei. O Capítulo V, que trata da responsabilidade tributária, tem, por sua vez, quatro seções. A Seção III Responsabilidade de terceiros contém os artigos 134 e 135, enquanto que a Seção IV Responsabilidade por infrações contém os artigos 136 a 138. Importante a transcrição de alguns destes artigos, para nossa análise e interpretação: Responsabilidade de Terceiros "Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: 1 Direito Tributário: estudos em homenagem a Brandão Machado / coordenadores Luís Eduardo Schoueri, Fernando Aurelio Zilveti: Autor: Alcides Jorge Costa. Algumas Notas sobre a Relação Jurídica Tributária.São Paulo: Dialética, 1998 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000718/200541 Acórdão n.º 9101002.218 CSRFT1 Fl. 8 7 I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; (...) VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica em matéria de penalidades, às de caráter moratório." (grifei) (...) Responsabilidade por infrações: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifei) Art. 137. A responsabilidade é pessoal do agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; (grifei) II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; (grifei) III quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico. (grifei) Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. (grifei) Analisando esta questão, no seu voto vencedor do Acórdão nº 10804.777, da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão de 09 de dezembro de 1997, o conselheiro José Antonio Minatel defende "que a denúncia espontânea está relacionada a fato desconhecido da administração tributária". E continua em seu voto afirmando que: "para que tenha eficácia de denúncia espontânea, a notícia da infração deve permitir conhecer integralmente um fato tributável motivador de incidência tributária, antes desconhecido pelo Fisco uma receita omitida, por exemplo ou, se o fato tributável fora objeto de competente registro, deve a notícia da infração, no mínimo, revelar um dos elementos da sua hipótese de incidência que poderia estar viciado base de cálculo, alíquota, materialidade, temporalidade, sujeição passiva ou espacialidade". A Seção IV Responsabilidade por infrações do Capítulo V tem que ser interpretada de forma conjunta e sistemática. Assim, o artigo 138 faz sentido quando analisado em conjunto com o artigo anterior (137) que trata da responsabilidade pessoal do agente, isto porque, tratandose de exclusão da responsabilidade por infrações, o comando é voltado para o campo das imputações penais do agente decorrentes das infrações previstas nos incisos do artigo 137 que tratam em síntese de crimes ou contravenções ou demais infrações que Fl. 215DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000718/200541 Acórdão n.º 9101002.218 CSRFT1 Fl. 9 8 decorram ou seja elementar o dolo específico, conforme palavras destacadas acima nos incisos do referido artigo 137. Apenas ao agente capaz que agiu de forma dolosa, fraudulenta ou com excesso de poderes, nos termos do artigo 135 c/c 137 do CTN, é possível imputar tal responsabilidade do artigo 138. Se não fosse assim, o legislador deveria ter optado por utilizar a expressão "exclusão da multa ou penalidade", ao invés da "exclusão da responsabilidade" no artigo 138. Além do que, o Título II do CTN, como vimos, trata da relação jurídica tributária (obrigação tributária), na qual são definidos fato gerador, sujeitos ativo e passivo, entre este último os responsáveis, e não da extinção do crédito tributário, que é tratada no Título III. Deste modo não seria sistêmico tratar de mora no cumprimento da obrigação antes de tratar do crédito tributário, este tido como objeto da obrigação tributária (relação jurídica). Portanto, a referida Seção IV disciplina que a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, mas que tal responsabilidade poderá ser excluída pela denúncia espontânea da infração. O pagamento do tributo é um complemento para o caso de denúncia espontânea, pois tratase, no caso de notificação de uma infração tributária prevista no artigo 137 do CTN ao sujeito ativo correspondente. Por sua vez, o Título III Crédito tributário do CTN, que contém seis capítulos, trata do objeto da obrigação tributária, ou seja, do crédito tributário, sendo que no CAPÍTULO IV Extinção do crédito tributário são tratados a imposição de penalidade e os juros de mora nos artigos 157 e 161, transcritos a seguir: Art. 157. A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) O fim último da obrigação tributária é o de prover recursos ao Estado para o desempenho das atividades públicas previstas constitucionalmente. Por este motivo, determinados fatos típicos e dolosos tendentes a postergação, redução, inadimplemento ou não cumprimento da obrigação tributária são conceituados como crimes ou contravenções e são devidamente apenados na esfera do Direito Penal. Independentemente da esfera penal, a obrigação tributária não cumprida no seu prazo também sofre penalidades, estas pecuniárias, que somamse ao crédito tributário. Pelo exposto acima, temos que a imposição de penalidade não extingue o crédito tributário. O artigo 161 trata dos juros de mora pelo crédito não integralmente pago no vencimento e, ainda no caput do artigo, permite expressamente a imposição de penalidade cabível. Cabe ressaltar que os juros correspondem, na essência, à remuneração do capital que fica à disposição do devedor e, portanto, não tem caráter de penalidade. Já vimos anteriormente que é possível aplicarse penalidades de caráter moratório (Art. 134, c/c Par. Único, CTN). Fl. 216DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000718/200541 Acórdão n.º 9101002.218 CSRFT1 Fl. 10 9 Sendo o CTN recepcionado pela nossa Constituição Federal de 1988 com status de lei complementar, seus comandos servem de estrutura para o sistema legislativo ordinário. Tanto assim que o seu artigo 97, inciso V, dispõe que somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas. Ora, se o caput do seu artigo 161, que trata principalmente dos juros de mora, prevê uma penalidade cabível mesmo em outra lei tributária, é possível ao legislador (destinatário da lei complementar) instituir uma penalidade que esteja atrelada diretamente à mora do pagamento de crédito tributário, como forma coercitiva e imperiosa do adimplemento da obrigação tributária. Desta maneira, o legislador instituiu a multa de mora para os casos de declaração ou lançamento de tributo com pagamento fora do prazo legal, prevista em norma tributária específica, no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, nos seguintes termos: 'Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem à partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3 Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.' Percebase que o artigo trata de débitos não pagos, ou seja, são aqueles em que a obrigação tributária (relação jurídica) já está definida pela ocorrência do fato gerador, assim como seus sujeitos ativo e passivo (contribuinte ou responsável), cujo o crédito tributário já tem prazo de vencimento vencido para seu recolhimento. Para o caso de infração tributária para a qual não há a denúncia espontânea acompanhada do devido pagamento do tributo e seus acessórios, temos a multa punitiva, em caso de lançamento de ofício, prevista na redação original do artigo 44, incisos I e II, da Lei nº 9.430/96 conforme abaixo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Fl. 217DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000718/200541 Acórdão n.º 9101002.218 CSRFT1 Fl. 11 10 II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É nítido a diferenciação entre as multas dos artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/96. Esta última (multa de mora) é calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso (0,33%/dia), limitada à 20%, para tributos declarados ou pagos a destempo, antes de qualquer autuação do Fisco. A primeira é aplicada para os casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, após autuação do Fisco, dependendo a alíquota, de 75% ou 150%, da comprovação ou não de evidente intuito de fraude por parte da Administração Tributária. A interpretação combinada destes artigos é que todo débito para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem à partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa, seja a moratória do art. 61, seja a punitiva de ofício, do art. 44, ambos da Lei nº 9.430/96. A distinção estará na denúncia espontânea ou não do contribuinte em mora. O contribuinte que paga sua obrigação tributária fora do prazo legal não pode ter tratamento isonômico ao contribuinte que, em condições semelhantes, recolheu no tempo certo. Assim, o legislador ordinário entendeu que, além dos juros de mora, é cabível uma penalidade de caráter moratório para o sujeito passivo em mora. Vale lembrar que o artigo 138 do CTN está na seção das responsabilidades por infração e que o artigo 157 do mesmo diploma legal dispõe que a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário. Isto denota que se não houve denúncia espontânea da infração pelo sujeito passivo, uma vez conhecida, este irá responder criminalmente independentemente do pagamento integral do crédito tributário decorrente. E o Legislador Ordinário, mesmo sob este comando do artigo 157 do CTN, entendeu por bem dar prevalência para o recebimento do crédito tributário, como bem público indisponível, em detrimento da punibilidade penal do agente infrator tributário. Vejamos o que diz o artigo 34 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 34. Extinguese a punibilidade dos crimes definidos na Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e na Lei nº 4.729, de 14 de julho de 1965, quando o agente promover o pagamento do tributo ou contribuição social, inclusive acessórios, antes do recebimento da denúncia.(grifei) A Lei nº 8.137/90 define os crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo, enquanto que a Lei nº 4.729/65 define o crime de sonegação fiscal. Para o agente infrator extinguir sua punibilidade por referidos crimes, o mesmo deve promover o pagamento do tributo ou contribuição social, inclusive seus acessórios, antes do recebimento da denúncia criminal por parte do Poder Judiciário. E quais são os acessórios que o artigo 34 da Lei nº 9.249/95 exige para a extinção da punibilidade penal? Os acessórios, relativos aos tributos federais, são: a) multa de mora de 0,33% ao dia, até o limite máximo de 20% ou a multa de ofício, de 75% a 150%; b) correção monetária para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, que não tenham sido objeto de parcelamento requerido até 30/08/95; e c) juros de 1% até 31/12/96, e a partir de Fl. 218DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000718/200541 Acórdão n.º 9101002.218 CSRFT1 Fl. 12 11 01/01/97, juros pela taxa SELIC, acumulada mensalmente e de 1% no mês do efetivo pagamento. Não me parece lógico o Direito Tributário Material considerar extinto o crédito tributário pago fora do prazo sem a multa de mora (e claro, sem a multa de ofício), com base no artigo 138 do CTN, e o Direito Penal Tributário manter a punibilidade do agente infrator, com base no artigo 157 do mesmo diploma, justamente por falta do pagamento de um dos "acessórios" do crédito tributário. Seria considerar que o Direito não é uno, não decorrente da mesma fonte constitucional, e que um mesmo ato poderia ser considerado, ao mesmo tempo, jurídico e antijurídico. A questão é que, diante de todo o exposto acima, fizemos uma interpretação sistemática do Direito Tributário considerando válidas as leis ordinárias interpretadas, quais sejam, as Leis nº 9.249/95 e nº 9.430/96, para chegarmos à nossa conclusão. Referidas normas não foram atacadas nem declaradas como inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal STF, de modo que ao Tribunal Administrativo não compete negar eficácia de seus mandamentos, em especial ao que exige a multa moratória nos casos de débitos pagos fora do prazo. Ademais, consoante jurisprudência do STJ, consubstanciada na Súmula STJ 360, não há como reconhecer in casu, a denúncia espontânea sem a incidência da multa de mora. Vejase o que diz a ref. Súmula: Súmula 360 STJ: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte mantendo a decisão adotada pelo acórdão recorrido. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator Fl. 219DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 18471.001137/2006-02
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF
O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento de controle administrativo, de forma que omissões, incorreções ou inobservância de normas a ele relativas não implicam nulidade do lançamento.
ARBITRAMENTO DO LUCRO – ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL - Cabe ao autuante demonstrar claramente que falha na escrituração contábil constitui vício insanável, que a torna imprestável para determinar o lucro real. E, a autenticação do Livro Diário no curso da fiscalização também não é motivo suficiente para desprezo da contabilidade e arbitramento do lucro.
TEMPLO DE QUALQUER CULTO – ENTIDADES COM FINALIDADE RELIGIOSA NO MESMO ENDEREÇO. As instituições religiosas (de qualquer culto) são imunes dos impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as suas finalidades essenciais como firmado no artigo 150, VI, b e § 4º da CF/88, fundamentado no princípio da liberdade religiosa e funcionam sob o manto da personalidade jurídica que lhes é conferida nos termos da lei civil. A finalidade essencial da instituição religiosa (templos de qualquer culto) é a manifestação da religiosidade mediante a exposição da palavra ou celebração do culto independente da existência de lugar único e específico (Templo, igreja, prédio), ainda que na Constituição Federal sejam os Templos a gozar da imunidade tributária. Portanto, a atividade religiosa, não se desenvolve apenas nos templos ou igrejas mas em outros locais onde a atividade essencial é a dedicação e o aperfeiçoamento de qualquer culto ou estudos religiosos.
REMUNERAÇÃO DE RELIGIOSOS – As instituições religiosas podem remunerar seus dirigentes/pastores sem perder a condição de imunidade, o que não se admite são receitas que seriam imunes direcionadas a pagamentos que representem desvio das finalidades essenciais.
PIS e Cofins – Inconsistentes os autos de infração que tomam como base de cálculo, tanto para a exigência do PIS quanto da Cofins, todas as receitas escrituradas de dízimos, de doações ou de contribuições, como receitas de prestação de serviços gerais.
Numero da decisão: 1802-000.896
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento de controle administrativo, de forma que omissões, incorreções ou inobservância de normas a ele relativas não implicam nulidade do lançamento. ARBITRAMENTO DO LUCRO – ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL - Cabe ao autuante demonstrar claramente que falha na escrituração contábil constitui vício insanável, que a torna imprestável para determinar o lucro real. E, a autenticação do Livro Diário no curso da fiscalização também não é motivo suficiente para desprezo da contabilidade e arbitramento do lucro. TEMPLO DE QUALQUER CULTO – ENTIDADES COM FINALIDADE RELIGIOSA NO MESMO ENDEREÇO. As instituições religiosas (de qualquer culto) são imunes dos impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as suas finalidades essenciais como firmado no artigo 150, VI, b e § 4º da CF/88, fundamentado no princípio da liberdade religiosa e funcionam sob o manto da personalidade jurídica que lhes é conferida nos termos da lei civil. A finalidade essencial da instituição religiosa (templos de qualquer culto) é a manifestação da religiosidade mediante a exposição da palavra ou celebração do culto independente da existência de lugar único e específico (Templo, igreja, prédio), ainda que na Constituição Federal sejam os Templos a gozar da imunidade tributária. Portanto, a atividade religiosa, não se desenvolve apenas nos templos ou igrejas mas em outros locais onde a atividade essencial é a dedicação e o aperfeiçoamento de qualquer culto ou estudos religiosos. REMUNERAÇÃO DE RELIGIOSOS – As instituições religiosas podem remunerar seus dirigentes/pastores sem perder a condição de imunidade, o que não se admite são receitas que seriam imunes direcionadas a pagamentos que representem desvio das finalidades essenciais. PIS e Cofins – Inconsistentes os autos de infração que tomam como base de cálculo, tanto para a exigência do PIS quanto da Cofins, todas as receitas escrituradas de dízimos, de doações ou de contribuições, como receitas de prestação de serviços gerais.
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ARBITRAMENTO DO LUCRO – ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL Cabe ao autuante demonstrar claramente que falha na escrituração contábil constitui vício insanável, que a torna imprestável para determinar o lucro real. E, a autenticação do Livro Diário no curso da fiscalização também não é motivo suficiente para desprezo da contabilidade e arbitramento do lucro. TEMPLO DE QUALQUER CULTO – ENTIDADES COM FINALIDADE RELIGIOSA NO MESMO ENDEREÇO. As instituições religiosas (de qualquer culto) são imunes dos impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as suas finalidades essenciais como firmado no artigo 150, VI, b e § 4º da CF/88, fundamentado no princípio da liberdade religiosa e funcionam sob o manto da personalidade jurídica que lhes é conferida nos termos da lei civil. A finalidade essencial da instituição religiosa (templos de qualquer culto) é a manifestação da religiosidade mediante a exposição da palavra ou celebração do culto independente da existência de lugar único e específico (Templo, igreja, prédio), ainda que na Constituição Federal sejam os Templos a gozar da imunidade tributária. Portanto, a atividade religiosa, não se desenvolve apenas nos templos ou igrejas mas em outros locais onde a atividade essencial é a dedicação e o aperfeiçoamento de qualquer culto ou estudos religiosos. REMUNERAÇÃO DE RELIGIOSOS – As instituições religiosas podem remunerar seus dirigentes/pastores sem perder a condição de imunidade, o que não se admite são receitas que seriam imunes direcionadas a pagamentos que representem desvio das finalidades essenciais. Fl. 697DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 PIS e Cofins – Inconsistentes os autos de infração que tomam como base de cálculo, tanto para a exigência do PIS quanto da Cofins, todas as receitas escrituradas de dízimos, de doações ou de contribuições, como receitas de prestação de serviços gerais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marco Antônio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Marcelo de Assis Guerra e André Almeida Blanco. Fl. 698DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001137/200602 Acórdão n.º 180200.896 S1TE02 Fl. 698 3 Relatório MISSÃO APOSTÓLICA DA GRAÇA DE DEUS UMA VISÃO MUNDIAL, já qualificada nos autos do processo, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, que julgou procedente o lançamento constante dos Autos de Infração, abaixo relacionados, e manteve o seguinte crédito tributário, relativo aos anos calendário de 2001 a 2004: Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 112.992,38, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls.167/182) calculados até 29/09/2006; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no valor de R$ 12.615,99, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls.183/196) calculados até 29/09/2006; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 58.228,30, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls.197/210) calculados até 29/09/2006. Contribuição Social CSLL no valor de R$ 35.278,25, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls.211/226) calculados até 29/09/2006; Por economia processual e bem descrever os fatos adoto parte do relatório da decisão recorrida (fls.561/566) que a seguir transcrevo: Conforme o Termo de Constatação Fiscal — TCF (fls. 156/164), bem assim a descrição dos fatos contida nos autos de infração, a ação fiscal teve início em 27/04/2005, juntamente com outra, dirigida à "Igreja Cristo Vive — Ministério Crescendo em Graça", instituição que seria interligada a interessada no presente processo, por ambas serem presididas pelo Apóstolo Miguel Ângelo da Silva Ferreira. Do TCF consta, ainda, o relato dos seguintes fatos: 1. que no local havia um só templo, destinado ao culto religioso praticado pela Igreja Cristo Vive e sem qualquer referência à Missão Apostólica; 2. que as justificativas para a existência da interessada, segundo seu presidente, seriam: (i) servir como alternativa a uma eventual proibição do nome "Igreja Cristo Vive", reivindicado judicialmente por outro grupo de fiéis, domiciliados no Estado do Espírito Santo; e (ii) iniciar um ministério evangélico pela televisão, de forma independente da igreja e com alcance internacional; 3. que a interessada informou ter sido, a Sra . Maria Clara Gemal Ferreira, vicepresidente da Missão desde sua fundação até o fim do casamento com o Apóstolo Miguel Ângelo; 4. que a referida senhora, mesmo após seu desligamento da direção da Missão, celebrou contratos de trabalho com a Fl. 699DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 instituição, situação que só se encerrou quando proposta ação trabalhista por ela contra a interessada, encerrada por acordo judicial com cominação de pagamento de R$ 190.000,00 para a quitação das verbas reclamadas; 5. que, a partir de tais fatos, novos esclarecimentos foram solicitados à interessada e que as respostas aos mesmos foram postergadas pela apresentação de sucessivos procuradores da pessoa jurídica; 6. que não havia folha de pagamentos e nem registro de funcionários; 7. que a interessada admitiu a falta de registro contábil da movimentação financeira referente à atividade de ensino religioso, denominado "Fatemgrad"; 8. que a origem dos recursos escriturados, segundo a interessada, era a doação voluntária e anônima de seus fiéis; 9. que não houve justificativa para a transferência de R$ 600.000,00 em benefício da Igreja Cristo Vive; e 10. que o pagamento do sinal para a compra do imóvel em que hoje reside o presidente da interessada foi efetuado com cheques desta, no valor de R$ 123.832,00, importância recebida pela Igreja Cristo Vive a título de doação. Da análise de tais fatos, concluiu a fiscalização que a interessada não faz jus à imunidade tributária preconizada no art. 150, VI, b da Constituição Federal (CF) por não exercer atividade de cunho religioso, uma vez que: >Não dispõe de templo ou qualquer outro local que possa servir ao culto religioso, tendo como endereço o mesmo da Igreja Cristo Vive; >Seus estatutos, objetos sociais e direção são os mesmos da Igreja Cristo Vive; > Não dispõe de quadro de funcionários nem tampouco de voluntários, sendo a escrituração retroativa, contendo os proventos pastorais e apresentada no curso da auditoria, inservível, pois não se reveste da formalidade fundamental exigida pelo art. 258 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR199); > Intimada, não logrou demonstrar as atividades que deram origem aos recursos registrados em sua escrituração ou movimentados em contacorrente de sua titularidade mantida no banco Bradesco. A interessada teria se limitado a afirmar que suas atividades são cultos e programas de estudos bíblicos, os quais, no entender do auditor, realizamse em nome da Igreja Cristo Vive; > Só passou a estampar a logomarca Missão Apostólica nos seus programas de televisão depois de iniciada a fiscalização; > Emprega 90% de sua receita em despesas não relacionadas com atividade religiosa, sendo, especificamente, cerca 50% dos Fl. 700DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001137/200602 Acórdão n.º 180200.896 S1TE02 Fl. 699 5 recursos dirigidos aos honorários e/ou proventos do casal dirigente, conforme planilha de fls. 164, elaborada com base na escrituração apresentada; e > Disponibiliza os recursos de origem não comprovada para uso pessoal do seu presidente e de terceiros a ele vinculados ou por ele indicados. Em face do exposto, entendeu a fiscalização que a interessada estaria sujeita a impostos e contribuições e efetuou o lançamento na modalidade de lucro arbitrado, com fulcro nos art. 530 e 532 do RIR/99, por considerar imprestável a escrituração apresentada. Houve, ainda, o agravamento da multa, na forma do art. 959, I do mesmo regulamento, em razão do não atendimento a parte das intimações. Inconformada com o lançamento, a interessada interpôs, em 16/11/2006, a impugnação de fls. 384/416, pela qual, preliminarmente, requereu a nulidade dos autos de infração, sob os seguintes argumentos: 1. Violação ao art. 150, VI, b da CF. Entendeu, a interessada, que a autuação baseouse em opinião pessoal do auditor, que teria afirmado que ela não realiza atividade religiosa sem revelar, contudo, a origem das receitas da Missão Apostólica e qual seria a atividade desempenhada por ela. A interessada prosseguiu, apresentando e distinguindo os objetivos da Missão e da Igreja. Segundo ela, a primeira "conquista fiéis pela divulgação da Palavra de Deus através de estudo bíblico, pela mídia falada, escrita e televisionada", visando "abrir caminhos para a implantação de novas igrejas". Já a segunda "reuni os fiéis dedicandose ao conforto espiritual de seus freqüentadores presentes em suas dependências e cultos religiosos" (sic). 2. Vício formal no lançamento. Para a interessada, a fiscalização não estava amparada por mandado de procedimento fiscal (MPF) válido, já que "o MPF de n.° 07.1.90.002005 007083, teve sua validade expirada em 03 de agosto de 2005 e o MPF complementar de n.° 07.1.90.0022050070831 só foi emitido em 30 de setembro 2005, além do que não foi dado ciência ao contribuinte deste ato" (sic). Destacou, ainda, que "o MPF complementar de n.° 07.1.90.00 2005 0070832 foi emitido em 02 de março de 2006, após o vencimento do MPF anteriormente citado". Em suas alegações de defesa do que entendeu ser o mérito da questão, a interessada afirmou que "os equívocos e contradições cometidos pelo Sr. Auditor fiscal, onde claramente revelanos o seu envolvimento por falsas informações da mídia, pelos desejos e paixões profanas" não são a realidade do que ocorre na Missão Apostólica. Fl. 701DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 A interessada afirmou que este colegiado pode constatar a existência da missão apostólica sem a necessidade de se dirigir até o templo, bastando a audiência aos programas de rádio e televisão que relacionou no recurso. Não obstante, informou: (i) que "basta ir até ao local e constatar a existência de espaços distintos para cada entidade" (sic); (ii) que "seu nome consta nos painéis (tótem) com os dizeres de Missão Evangélica da Graça de Deus — uma Visão Mundial"; e (iii) que "por todos os meios por onde a Missão Apostólica da Graça de Deus, propaga a palavra de Deus, vem estampado o seu símbolo" (sic). Em reforço, juntou fotografias das instalações e cópias de impressos com seu nome. Lembrou, também, que a prefeitura do Rio de Janeiro instituiu o dia 20 de março como o "dia da Missão Apostólica da Graça de Deus — Igreja Evangélica Cristo Vive" no calendário oficial da cidade, conforme a Lei n.° 4.264/06. Relacionou, ainda, premiações conferidas pelo Poder Legislativo do Estado à Missão, à Igreja e ao seu presidente. Contra a afirmação do autuante sobre a existência de um único estatuto para a Missão Apostólica e a Igreja Cristo Vive, a interessada transcreveu o que disse ser definições apostas para os vocábulos "missão" e Igreja" em dicionário da língua portuguesa. Já sobre a inexistência de quadro de funcionários, a interessada confirmou a situação, justificando que "uma das formas de divulgação, propagação da palavra de Deus, é através da mídia televisionada e falada pelo rádio, além de folhetos e livros publicados, o que é feito pelo seu fundador e idealizador, o anjo, Apóstolo Miguel Ângelo, o único dentro da religião professada que possui a formação teleológica e o dom recebido de Deus, que fala, através do Espírito Santo, concedendolhe a oportunidade de ouvir a voz do Bom Pastor e retornar à presença do Deus Todo Poderoso, através do único caminho que é JESUS CRISTO, contando apenas com a ajuda de sua família" (sic). Acrescentando que "as demais atividades exercidas pela Missão Apostólica (...) contam com a ajuda de um grupo de fiéis voluntários". Sobre a comprovação da atividade que realiza, a interessada afirmou que "Beira as raias do cinismo a afirmação, de que não foram comprovadas as atividades religiosas que deram origem aos recursos registrados na contabilidade" (sic), que "as igrejas não estão obrigadas por lei à emissão de documento fiscal" e que as contribuições dos fiéis são anônimas. Acrescentou que a liberdade constitucional de culto a todas as religiões (art.5°, VI) não tem seu exercício condicionado às conveniências de ordem pública quanto à existência de uma forma préestabelecida. Quanto à natureza de suas despesas, a interessada argumentou que são de cunho religioso, pois "os valores pagos a título de proventos pastorais ao seu Presidente Apóstolo Miguel Ângelo, são legítimos e necessários à continuidade das atividades primordiais exercidas pela Missão, pois remuneram o trabalho exercido pelo seu fundador, posto que também é um direito constitucional a remuneração pelo trabalho" (sic). Afirma Fl. 702DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001137/200602 Acórdão n.º 180200.896 S1TE02 Fl. 700 7 também que "Os valores referidos para aquisição de imóvel para residência do casal dirigente, foram auditados quando da fiscalização levada a efeito na Igreja Evangélica Cristo Vive (...) sem apuração de nenhuma irregularidade tributária" (sic). Quanto às receitas, afirma que todas são "provenientes da atividade religiosa, como dízimos, doações e contribuições recebidas de seus fiéis" e estão registradas na escrituração, sendo descabida, portanto, a imputação fiscal de origem desconhecida. A interessada também contestou o arbitramento do lucro. Ponderou que "se a escrita contábil da Requerente serviu para embasar todo o trabalho e considerações tecidas no Termo de Constatação Fiscal, inclusive para retirar a imunidade dada pela Lei Maior, por quê não serviria para apurar o lucro real????". Sobre a multa de ofício, a interessada posicionouse por sua qualificação como confiscatória e, por isso, inconstitucional. Por fim, a impugnação contém pedidos para que os autos de infração sejam considerados nulos e que não seja tomada nenhuma medida "coercitiva ou de cobrança" até o "julgamento em caráter definitivo do presente feito". A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJOI), reduzindo a multa de ofício para 75%, julgou procedente em parte os lançamentos, mantendo em parte o crédito tributário exigido, conforme decisão proferida mediante o Acórdão nº 12 21.513, de 23 de outubro de 2008 (fls.559/572), cientificado ao contribuinte em 25/11/2008 (fl.584v). A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.443): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 IMUNIDADE. TEMPLOS. REQUISITOS. PROVA. Incumbe ao contribuinte a prova da relação entre a renda e a finalidade essencial da entidade, prevista no § 4º do art. 150 da CF. A autuada interpôs recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, em 23/12/2008, fls.594/628 que no essencial traz os mesmos argumentos expendidos na impugnação, acima relatados. Inicialmente a recorrente alega que no Estatuto da Missão Apostólica da Graça de Deus — Uma Visão Mundial, em seus artigos 4º e 6°, consta o seguinte: ART. 4°. — A Missão Apostólica promoverá obras de assistência nas áreas filantrópicas e Sociais: Fl. 703DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 a) ensinar princípios Bíblicos da doutrina Cristã, mantendo serviços e cultos organizados para esta finalidade; b) prestar auxilio a crianças, idosos desamparados, famílias carentes, com assistência social, espiritual, médica e jurídica; c) desenvolvimento cultural e recreativo, ensino de bons costumes, amor a pátrio, reuniões, palestras, simpósios, conferencias, cursos educativos; d) promover intercâmbio e convênios com entidades congêneres nacionais e estrangeiras; e) implantar Escolas de Formação Profissional, Escola Oficial até o 2° grau, Seminário Teológico; f) promover treinamento funcional e profissional para voluntários interessados a assistir e atender os carentes sociais; g) promover a obtenção dos meios necessários para a realização dos fins da Missão Apostólica com a criação de Orfanatos, Asilos para Idosos, Creches, Institutos Bíblicos, Editoras de Livros, Livrarias, Gráficas, Cantinas, Estúdio de Rádio, Televisão, Gravação de audios, bandas e Conjuntos Musicais etc. ART.6°. A receita da Missão Apostólica por contribuições ofertas voluntárias, dízimos de fiéis que será aplicada na execução das finalidades que a Missão se destina. Entende que, a autuação impõe flagrante violação à letra da CF/88, que em seu artigo 150, inciso VI, letra "b", garante a imunidade aos templos de qualquer culto, requerendo por conseqüência a nulidade dos autos de infração lavrados. Diz que a fiscalização baseouse tão somente em conclusões errôneas e de cunho pessoal, posto que não trouxe aos autos nenhum elemento concreto que pudesse descaracterizar as atividades exercidas pela Missão Apostólica da Graça de Deus, que é uma instituição religiosa. A recorrente alega vício formal, a procedência em parte do Acórdão recorrido que mantém a exigência dos valores principais alegada nos autos de infração, posto que a atividade fiscalizadora foi desenvolvida sem o amparo do Mandado de Procedimento Fiscal válido, ferindo o disposto no artigo 13 da Portaria 3007 de 26 de novembro de 2001 da Secretaria da Receita Federal. Contesta os fundamentos da autuação pelos seguintes motivos: A Missão Apostólica da Graça de Deus empreendeu o máximo de seus esforços no sentido de oferecer aos Auditores Fiscais da RF, os livros e documentos solicitados, assim como lhes deu ampla e total cobertura e liberdade, para o exercício de suas funções; que não possui funcionários registrados, e quanto à comprovação da efetiva prestação dos serviços prestados pela Sra. Maria Clara Gemal Ferreira, juntou contrato firmado entre a Missão Apostólica e a referida Senhora, psicóloga e psicanalista profissional, que prestava com sua especialidade, assistência médica, sem cobrar honorários, atendendo inclusive um dos objetivos sociais da Entidade Religiosa, conforme previsto no item "h" do Artigo 4° "promoção de assistência nas áreas filantrópicas e sociais",e Artigo 6° de seu Estatuto; inclusive fornecida cópia do Termo de Acordo lavrado pela 33ª Vara do Trabalho onde determina o pagamento judicial da acima contratada; Fl. 704DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001137/200602 Acórdão n.º 180200.896 S1TE02 Fl. 701 9 que, a Missão Apostólica da Graça de Deus, conforme esclarecido tem como atividades o Culto Religioso a Deus através do Ministério da Evangelização ao mundo, por todos os meios de comunicação possível, seja nos cultos realizados no templo próprio, seja através da televisão, do rádio, da Internet, da publicação de livros, jornais semanais, folhetos informativos e ainda, reitera a prestação à sociedade de obras assistenciais e sociais; que, foi disponibilizado o horário dos cultos na televisão, rádio, conforme esclarecimento às fls. 115 a 118 do p.p; quanto aos valores recebidos da FATEMGRAD FACULDADE TEOLÓGICA DA GRAÇA DE DEUS, informa ser apenas um departamento da Missão Apostólica a que se deu um nome de fantasia, FATEMGRAD, cujo objetivo é ministrar ensino livre, um curso básico de Teologia, onde são preparados pastores e divulgadores do Ministério da Missão Apostólica da Graça de Deus. As aulas são ministradas às terçasfeiras e aos sábados por um corpo docente voluntário, tudo com objetivo único de levar adiante a fé professada e o cumprimento do Estatuto; que, a Missão Apostólica da Graça de Deus ocupa espaço físico próprio com seu Templo paralelo à catedral da Igreja Evangélica Cristo Vive,contudo operando sem quadro de pastores; que, foram juntados aos autos comprovantes de despesas conforme solicitação; que, foi esclarecido nos autos, que por erro escriturouse despesas da Igreja Evangélica Cristo Vive na contabilidade da Missão Apostólica da Graça de Deus, fato já corrigido por auditoria interna; que, os recursos escriturados, referemse a dízimos, ofertas e contribuições de seus fiéis, tendo sido dadas minuciosas explicações de como são feitas estas ofertas às fls. 83 a 89 do p.p.; que, o endereço onde o templo da Missão Apostólica da Graça de Deus se encontra, qual seja, Rua Maricá, 320, como a relação dos programas de televisão e rádio exibidos nos seguintes canais: Rede CNT — segunda a sexta às 10:00 hs e sábado as 13:00 hs. Rede Bandeirantes — Domingos às 8:00 hs. KTY SITE BRASIL — Domingos às 9:00 hs. Programas de rádio: Rádio Elshaday 93,3 FM diariamente às 21:30 hs, O hora e 1:30 hs; Rádio Boas Novas AM — sexta feira, das 7:00 hs às 8:00 hs, Sábados das 23:00 hs às O horas; Rede Internacional MANASAT — Três Satélites — América, Europa e África. que, recebeu várias homenagens feitas pelo Município e pelo Poder Legislativo do Estado do Rio de Janeiro; E, pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro foi concedida MOÇÃO DE LOUVOR E APLAUSOS ao Apóstolo Miguel Ângelo da Silva Ferreira, onde consta, entre outros títulos, o de fundador da Missão Apostólica da Graça de Deus — Uma Visão Mundial — documento a fls.441 do p.p.. Quanto à alegação do autuante, de que a "Igreja não dispõe de templo ou qualquer outro local que possa servir ao culto religioso, tendo como domicílio o mesmo endereço da Fl. 705DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Igreja Evangélica Cristo Vive, onde são celebrados cultos em nome desta última", a recorrente alega que a MISSÃO APOSTÓLICA DA GRAÇA DE DEUS, exerce suas atividades no PRÉDIO PRÓPRIO localizado do lado esquerdo da Catedral da Igreja Evangélica Cristo Vive, possui Capela própria, totalmente independente da IGREJA EVANGÉLICA CRISTO VIVE, localizada à direita da Catedral, onde atende fiéis, e onde são realizados sua atividades religiosas. Sobre a imunidade dos templos de qualquer culto, a recorrente discorre das fls.601/604 e ao final conclui que mesmo que as alegações do autuante fossem verídicas, e a Missão Apostólica da Graça de Deus, de fato não possuísse templo próprio, ainda assim, seria irrelevante para a descaracterização da imunidade, não podendo prosperar os lançamentos para cobrança de impostos. Ressalta que várias igrejas podem usar o mesmo templo em horário e dias alternados. A recorrente ao fazer a distinção entre a Missão Apostólica da Graça de Deus — Uma Visão Mundial, e a Igreja Evangélica Cristo Vive, diz que: A Missão Apostólica da Graça de Deus, conforme descreve seu Estatuto, já nos autos, tem ainda objetivo de levar aos quatro cantos do mundo, aos lugares mais longínquos, a fé professada, e abrir caminhos para a implantação de novas igrejas, bem como a preparação de Pastores e Missionários, onde nos dias atuais, já alcança 136 (cento e trinta e seis) países com seus cultos diários pela televisão, pela rádio e satélite. Na Internet seus cultos são transmitidos em vários idiomas. Por outro lado, a Igreja Evangélica Cristo Vive, reúne os fiéis da Comunidade local, dedicandose ao conforto espiritual dos seus freqüentadores presentes em suas dependências e cultos religiosos, além, e principalmente de dar aos necessitados da comunidade, conforto material, através das obras assistenciais e sociais. Sobre o quadro de funcionários e pastores afirma que, que efetivamente a Missão não dispõe de funcionários registrados, pois uma das formas de divulgação e propagação da palavra de Deus é através da mídia televisionada falada pelo rádio, através da Internet e além de folhetos e livros publicados, o que é feito pelo seu fundador e idealizador, Apóstolo Miguel Ângelo, pois é o único dentro da religião professada que possui a formação teológica contando com a ajuda de sua família e dos voluntários. Acrescenta que, uma das principais atividades exercidas pela Missão Apostólica da Graça de Deus é a propagação do Evangelho através dos meios de comunicação televisivo, rádio e Internet. E que, os ouvintes, telespectadores e internautas, sem precisar sair de suas casas, têm acesso ao conforto espiritual da Palavra do Senhor e tomam conhecimento através destes programas, da necessidade de recursos para as obras sociais e assistenciais que a Missão Apostólica realiza, para a manutenção de suas atividades essenciais. Sobre os recursos a recorrente alega que a Missão Apostólica da Graça de Deus contabiliza os recursos provenientes da atividade religiosa que desenvolve, em seus livros contábeis, porém não identifica seus fiéis doadores, por não ser da natureza da atividade exercida, a identificação dos mesmos, uma vez que seus seguidores gozam do direito constitucional de liberdade de culto, podendo se manter no anonimato e em sigilo absoluto. Sob o título “APLICAÇÃO DOS RECURSOS”, a recorrente discorda do autuante quando afirma "que os recursos não foram direcionados para as finalidades essenciais da Fl. 706DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001137/200602 Acórdão n.º 180200.896 S1TE02 Fl. 702 11 fiscalizada", Aduz que o autuante limitase a preparar quadro informativo do total de proventos pagos aos dirigentes. Porém, parte de seus recursos são empregados na concretização de seus objetivos sociais, dando assistência social à comunidade e aos fiéis necessitados, o que o faz fornecendo alimentos e agasalhos aos famélicos, distribuição de cestas básicas e remédios aos mais necessitados, assistência médica e odontológica, mantém um asilo de idosos, executa educação bíblica para crianças e adolescentes, o que certamente consome parte dos recursos auferidos. E, quanto aos valores pagos a título de proventos pastorais ao seu Presidente, diz serem legítimos e necessários à continuidade das atividades essenciais desenvolvidas pela Missão Apostólica da Graça de Deus, pois remuneram o trabalho exercido, que despende muitas horas em estudos, reflexões, gravações, celebração, convenções, congressos, campanhas missionárias, as quais exigem árduo trabalho e dedicação total à finalidade essencial da Entidade Religiosa. Quanto aos valores referidos para aquisição de imóvel para residência do seu Presidente, registra que houve equívoco do autuante, posto que diversas doações foram feitas entre as duas instituições, Missão Apostólica da Graça de Deus e a Igreja Evangélica Cristo Vive, visando sempre o equilíbrio financeiro uma da outra. A transferência para o seu Presidente, se deu por força de empréstimo da Igreja Evangélica Cristo Vive, a qual foi fiscalizada, ao amparo do MPF n° 200500.7407, referente aos anos calendários de 2000 a 2003, tendo sido encerrada em 24/10/2006, com a lavratura do competente Termo de Encerramento, sem apuração de irregularidade tributária, documento em anexo. Portanto, a referida operação não foi feita entre a Missão Apostólica da Graça de Deus e o seu Presidente, não merecendo fé as afirmações do Sr. Auditor. No tocante ao arbitramento do lucro ressalta que o Acórdão recorrido, não pode prosperar, pois o autuante nem sequer menciona quais os vícios na escrita contábil que a torna imprestável para fins de apuração do lucro tributável. Afirma que apenas o diário do ano calendário de 2004, apesar de estar devidamente escriturado, ainda não havia sido levado a registro. Assim, ainda que merecesse ser desclassificada a escrita contábil, esta somente se aplicaria ao anocalendário de 2004. Os anos de 2001, 2002 e 2003, estavam perfeitamente condizentes com a legislação tributária aplicável. Sobre o arbitramento e a imunidade dos templos de qualquer culto colaciona decisões administrativa às fls.612/618 e 625 a 627. A recorrente insurgese contra o ônus que lhe fora atribuído para comprovar as atividades essenciais da entidade. Afirma que houve falta de interesse por parte da fiscalização em apurar a realidade dos fatos. A recorrente repete o teor das alegações acima das fls.620/622 e reafirma que a Missão Apostólica da Graça de Deus — Uma Visão Mundial e Igreja Evangélica Cristo Vive, são duas entidades distintas e que o presidente e fundador de ambas é o Apóstolo Miguel Angelo e como explicado, a recorrente foi criada para iniciar um ministério evangelístico pela televisão de alcance internacional e para dar continuidade ao nome da Igreja Cristo Vive, uma vez que havia uma pendência judicial no Espírito Santo, onde um outro grupo de fiéis reivindicava para si o nome da Igreja Cristo Vive. Aduz que ambas pregam a mesma doutrina, apenas de forma diferente. A Igreja reúne seus fiéis em cultos e a Missão evangeliza através de canais de rádio, televisão. Mas ambas exercem atividades religiosas e empregam seus recursos nas suas finalidades essenciais, fazendo jus à imunidade tributária. Fl. 707DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 A recorrente alega que a prova inequívoca de realização de atividade religiosa própria da interessada, está robustamente demonstrada e comprovada pelos seguintes itens: Pela divulgação da Palavra de Deus através de seus cultos difundidos nas emissoras de rádio e televisão, além da Internet; Pela publicação de livros e periódicos por seu fundador o Apóstolo Miguel Ângelo; Pela constatação de que no local de sua sede, na Rua Maricá, 320 — parte há uma Capela própria e parte do prédio anexo, ficam os estúdios onde são gravados os cultos para rádio e televisão; Pelo trabalho social desenvolvido nas suas instalações; Pela referência no Tótem, da logomarca da Missão Apostólica da Graça de Deus; Pela existência do atendimento ao Lar Bom Samaritano de pessoas idosas e abandonadas pelas suas famílias. Por todos esses fatos, não merecem prosperar os autos de infração lavrados, devendo ser declarados nulos. Para comprovar o alegado requer seja diligenciado o endereço da sede da recorrente na Rua Marica, 320 — Parte — Rio de Janeiro — RJ, acompanhado do seu representante legal ou outra pessoa por ele nomeado, bem como, que lhe seja dado ciência dos trabalhos desenvolvidos, com o fim de averiguar o que segue: 1) Se no local existem mais de um templo; 2) Se a logomarca Missão Apostólica da Graça de Deus — Uma Visão Mundial está estampado no Totem; 3) Se existe no prédio anexo à Catedral da Igreja Cristo Vive, espaço destinado às atividades sociais da recorrente; 4) Se no prédio anexo existe os estúdios para as gravações de cultos que serão transmitidos pelo radio e televisão e Internet, 5) Se há no local trabalho voluntário. A recorrente também se insurge contra a multa por considerála confiscatória. Finalmente requer seja julgado procedente o presente recurso. É o relatório. Fl. 708DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001137/200602 Acórdão n.º 180200.896 S1TE02 Fl. 703 13 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. A recorrente alega vício formal nos autos de infração, posto que a atividade fiscalizadora foi desenvolvida sem o amparo do Mandado de Procedimento Fiscal válido, ferindo o disposto no artigo 13 da Portaria 3007 de 26 de novembro de 2001 da Secretaria da Receita Federal. No que tange à nulidade argüida, a matéria se encontra pacificada no âmbito desse Conselho Administrativo no sentido de que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, devidamente investido em suas funções, é competente para o exercício da atividade administrativa de lançamento, sendo o MPFMandado de Procedimento Fiscal apenas um instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, conforme entendimento proferido nos Acórdãos nº. 10516.209 e 10515.854, que também adoto como razão de decidir, independentemente de verificar a existência ou não das deficiências alegadas, em relação ao MPF, por também entender que eventuais omissões, incorreções ou inobservância de normas a ele relativas não são causa de nulidade do auto de infração, verbis: ACÓRDÃO nº. 10516.209, julgado em 07/12/2006 IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MPF AUSÊNCIA DE NULIDADE O MPFMandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. ACÓRDÃO nº 10515.854 julgado em 26/07/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração, porquanto, sua função é de dar ao sujeito passivo da obrigação tributária conhecimento da realização de procedimento fiscal contra si intentado, como também, de planejamento e controle interno das atividades e procedimentos fiscais, tendo em vista que o Auditor Fiscal do Tesouro Nacional, devidamente investido em suas funções, é competente para o exercício da atividade administrativa de lançamento. Portanto, rejeitase a preliminar suscitada. Fl. 709DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 Quanto à imunidade, conforme relatado, na ação fiscal concluiuse que a autuada não merece o gozo da imunidade por não desenvolver atividade religiosa e não se caracterizar como templos de qualquer culto nos termos do artigo 150, inciso VI, alínea “b” da Constituição Federal de 1988, que assim dispõe: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal a aos Municípios: ••• VI — instituir impostos sobre: ••• b) templos de qualquer culto; ••• § 4° As vedações expressas no inciso VI, alíneas b e c, compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. A auditoria fiscal fundamentada nas verificações constantes do Termo de Constatação Fiscal (fls.156/163) assim concluiu nos seguintes itens, fls.161/163: 1. A Igreja não dispõe de templo ou qualquer outro local que possa servir ao culto religioso, tendo como domicílio o mesmo endereço da Igreja Evangélica Cristo Vive, onde são celebrados cultos em nome desta última, não havendo no templo qualquer referência à Missão Apostólica. 2. Seus estatutos, objetos sociais e direção são os mesmos daquela, denotando que se trata de uma só instituição, destinada ao culto religioso de natureza evangélica, apregoado pelo Apóstolo Miguel Ângelo, divulgado e difundido unicamente sob o nome "Cristo Vive". 3. Não dispõe de quadro de funcionários nem tampouco de pastores voluntários. Embora tenha confirmado expressamente esta informação, conforme respostas aos termos de intimação 27/06/2005 e 22/09/2006, relativamente ao ano de 2004, fez constar da sua escrituração registro de pagamentos de proventos pastorais, inclusive retroativos aos anos anteriores. Porém a escrituração referente a este ano calendário está comprometida, pois não se reveste de formalidade fundamental, preconizada no art. 258 do RIR/99, qual seja a autenticação tempestiva do respectivo livro Diário, o que só veio a ocorrer no curso desta fiscalização. 4. Intimada, não logrou demonstrar ou comprovar as atividades religiosas que deram origem aos recursos registrados na sua escrituração e movimentados em conta corrente, mantida no Banco Bradesco, em seu nome. Neste aspecto, embora tenha afirmado que se pode constatar suas atividades pelos cultos e programas de estudo bíblico divulgado nos meios de comunicação, a verdade é que estes são difundidos em nome da Igreja Cristo Vive, como se pôde constatar pela própria Fl. 710DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001137/200602 Acórdão n.º 180200.896 S1TE02 Fl. 704 15 audiência dos mesmos. Salientese, por oportuno, que a instituição só passou a estampar a logomarca da Missão Apostólica nos seus programas de televisão depois de iniciada a presente fiscalização, ao que tudo indica prevendo a eventual necessidade de justificação posterior. 5. As aplicações dos seus recursos não foram direcionadas para as suas finalidades essenciais, como determina o dispositivo constitucional supracitado. Neste aspecto, observese o quadro comparativo anexo, preparado com os próprios dados contábeis da Instituição. Ao demonstrar com tamanha evidência tal constatação, o referido quadro dispensa maiores comentários, não obstante, vale ressaltar que a média das aplicações em despesas não relacionadas com a atividade religiosa, nos quatro anos examinados, é de 90% das receitas registradas. Constata se, ainda, mais especificamente, que cerca de 50% dos recursos foram consumidas com honorários e/ou proventos em benefício do casal dirigente da Instituição. 6. De todas as constatações anteriores manifestase uma outra, conclusiva: os recursos de origem não esclarecida, registrados na escrituração da Missão Apostólica, ficaram à disposição ou foram utilizados pessoalmente pelo seu Presidente, em benefício próprio ou de terceiros vinculados ou indicados por ele. Exemplo claro de tal evidência é a aquisição do seu imóvel residencial com a utilização de cheques emitidos pela mesma, conforme se relatou na descrição dos fatos. Em face do exposto, por não atender aos requisitos constitucionais para fruição da imunidade tributária, a contribuinte fica sujeita ao lançamento do crédito tributário relativo aos impostos e contribuições incidentes sobre a receita registrada nos períodos de 2001 a 2004. O referido lançamento será efetivado na modalidade de lucro arbitrado, nos termos dos arts. 530 e 532, do RIR/99, já que a escrituração do contribuinte não permite a apuração do lucro real, pois não foi elaborada com este propósito e, portanto, não obedece a forma determinada pela legislação fiscal para tal finalidade, além de conter erros e deficiências, já relatados no decorrer do presente, que a tornam imprestável para determinação do lucro real (Art. 530, incisos I e II, do RIR/99). A penalidade aplicada foi agravada na forma no art. 959, I, do RIR/99, visto que o contribuinte deixou de atender total ou parcialmente as solicitações de esclarecimentos solicitadas no decorrer da fiscalização, conforme se observa da própria narração dos fatos. Antes de adentrar no mérito de saber se a autuada desenvolve atividade religiosa para o gozo da imunidade constitucional em comento, atividades paralelas às da Igreja Cristo Vive ou se exerce atividade econômica regida pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, questão relevante inicial é saber se a exigência do imposto de renda e da contribuição social supostamente devidos pela pessoa jurídica sob exame deve ser efetuada com base nas regras de arbitramento do lucro previstas no artigo 530 do RIR/99, incisos I e II que assim dispõe: Fl. 711DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): Io contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; IIa escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a)identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b)determinar o lucro real; (...) Vale lembrar que, conforme relatório acima, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJOI), reduziu a multa de ofício para 75% o que descaracteriza o agravamento da penalidade aplicada. No que tange ao arbitramento do lucro, o autuante afirma que a escrituração da pessoa jurídica (Missão Apostólica) não permite a apuração do lucro real, pois não foi elaborada com este propósito e, portanto, não obedece a forma determinada pela legislação fiscal para tal finalidade, além de conter erros e deficiências que a tornam imprestável para determinação do lucro real. Vejo que tal afirmação é apenas a expressão contida nos incisos I e II do dispositivo legal acima transcrito mas o autuante não descreve qual a “forma” desobedecida e quais erros e deficiências tornaram a escrituração imprestável para a determinação do lucro real.Caberia ao autuante demonstrar claramente que falha na escrituração constitui vício insanável, que a torna imprestável para determinar o lucro real. Quanto aos livros Diário e Razão, foram apresentados à fiscalização e com base na escrituração dos mesmos e documentos apresentados e intimações respondidas pela pessoa jurídica, a fiscalização narrou os fatos e relacionou as receitas mensais demonstradas à fl.227, “conforme escrituração”. Consta do item 3 do Termo de Constatação Fiscal, transcrito acima, que em relação ao ano calendário de 2004 a escrituração referente a este ano calendário está comprometida, pois não se reveste de formalidade fundamental, preconizada no art. 258 do RIR/99, qual seja a autenticação tempestiva do respectivo livro Diário, o que só veio a ocorrer no curso desta fiscalização. Porém, o simples atraso na autenticação do Livro Diário de 2004 não é motivo suficiente para desprezo da contabilidade e arbitramento do lucro. O autuante faz referência ao quadro comparativo anexo, fl.164, preparado com os próprios dados contábeis da Instituição. Ressalta que a média das aplicações em despesas não relacionadas com a atividade religiosa, nos quatro anos examinados, é de 90% das receitas registradas. Observando que cerca de 50% dos recursos foram consumidas com honorários e/ou proventos em benefício do casal dirigente da Instituição. Analisando especificamente o quadro (fl.164) verificase que as mencionadas despesas referemse a indenização trabalhista feita à Sra. Maria Clara Gemal Ferreira (ex vice presidente da Missão Apostólica, exesposa do presidente e posteriormente contratada como Fl. 712DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001137/200602 Acórdão n.º 180200.896 S1TE02 Fl. 705 17 psicóloga) Proventos Miguel Ângelo (pastor fundador); Proventos outros Pastores; Encargos sociais s/ proventos; Doações à Igreja Cristo Vive e Despesas da Igreja Cristo Vive. Na peça recursal a recorrente repete que efetivamente a Missão Apostólica não dispõe de quadro de pastores e funcionários registrados, pois uma das formas de divulgação e propagação da palavra de Deus é através da mídia televisionada falada pelo rádio, através da Internet e além de folhetos e livros publicados, o que é feito pelo seu fundador e idealizador, Apóstolo Miguel Ângelo, pois é o único dentro da religião professada que possui a formação teológica contando com a ajuda de sua família e dos voluntários. O autuante afirma que a fiscalizada não logrou demonstrar ou comprovar as atividades religiosas que deram origem aos recursos registrados na sua escrituração e movimentados em conta corrente, mantida no Banco Bradesco, em seu nome. Entendo que, ainda que o Fisco não conheça a origem dos recursos escriturados como contribuições/dízimos/doações, haja vista que pelas mesmas ninguém será obrigado a revelar suas convicções religiosas, mesmo assim, não caberia o arbitramento, e sim, a apuração do lucro real a partir da escrituração dos livros Diário e Razão apresentados. As instituições religiosas (de qualquer culto) são imunes dos impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as suas finalidades essenciais como previsto no artigo 150, VI, b e § 4º da CF/88, fundamentado no princípio da liberdade religiosa e funcionam sob o manto da personalidade jurídica que lhes é conferida nos termos do Código Civil Brasileiro (artigos 44 a 52). A finalidade essencial da instituição religiosa (templos de qualquer culto) é a manifestação da religiosidade mediante a exposição da palavra ou celebração do culto, independente da existência de lugar único e específico (Templo, igreja, prédio) ainda que sejam os Templos a gozar da imunidade tributária. Apesar de ser o Templo a gozar da imunidade tributária, a liberdade de culto pode ser desenvolvida em princípio em qualquer lugar. A atividade religiosa, não se desenvolve apenas nos templos ou igrejas mas em outros locais onde a atividade essencial é a dedicação e o aperfeiçoamento do culto ou estudos religiosos. Do Termo de Constatação Fiscal, consta no item 4 acima, que as aplicações dos recursos da fiscalizada não foram direcionadas para as suas finalidades essenciais, como determina o dispositivo constitucional supracitado. Nesse passo, considerados pela fiscalização, pagamentos indevidos ou desnecessários à finalidade essencial da instituição. As instituições religiosas podem remunerar seus dirigentes/pastores sem perder a condição de imunidade, o que não se admite são receitas que seriam imunes direcionadas a pagamentos que representem desvio das finalidades essenciais. Verifico que há um imbróglio a ser resolvido quanto a finalidade essencial da Missão Apostólica, pois de acordo com os artigos 4º e 6º do seu Estatuto, acima transcrito, o objetivo da Missão Apostólica é promover obras de assistência nas áreas filantrópicas e Sociais :a) ensinar princípios Bíblicos da doutrina Cristã, mantendo serviços e cultos organizados para esta finalidade;... e, a receita da Missão Apostólica por contribuições ofertas voluntárias, dízimos de fiéis que será aplicada na execução das finalidades que a Missão se destina. Consta dos esclarecimentos (fls.06/08) prestados pelo Presidente Miguel Ângelo em nome da Missão Apostólica e da Igreja Cristo Vive, o seguinte: Fl. 713DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 18 Fundada em 04 de dezembro de 1985, a Igreja Evangélica Cristo Vive, desde seu nascedouro enfrentou alguns problemas, levantados por outro grupo de fiéis, organizados como igreja, no estado do Espírito Santo, reivindicando o uso do nome Igreja Cristo Vive, pois haviam registrado anteriormente tal nome. Preocupado com possíveis desdobramentos judiciais, tratou o fundador e principal idealizador da Igreja Cristo Vive, no Rio de Janeiro, Apóstolo Miguel Ângelo da Silva Ferreira, de legalizar nova denominação, então chamada Missão Apostólica da Graça de Deus, com dupla finalidade: servir como alternativa a uma eventual proibição do uso do nome Igreja Cristo Vive e iniciar um ministério evangelístico pela televisão, independente da Igreja, de alcance internacional. Com o passar do tempo, a igreja de nome similar no estado do Espírito Santo, ao que parece, encerrou suas atividades, permanecendo, entretanto, a Missão Apostólica da Graça de Deus como uma denominação paralela à existência da Igreja Cristo Vive, ambas no Rio de Janeiro, no mesmo endereço, até os dias atuais. (...) Na peça recursal a recorrente reafirma às fls.620/622 que a Missão Apostólica da Graça de Deus — Uma Visão Mundial e a Igreja Evangélica Cristo Vive, são duas entidades distintas e que o presidente e fundador de ambas é o Apóstolo Miguel Ângelo e como explicado, a recorrente foi criada para iniciar um ministério evangelístico pela televisão de alcance internacional e para dar continuidade ao nome da Igreja Cristo Vive, uma vez que havia uma pendência judicial no Espírito Santo, onde um outro grupo de fiéis reivindicava para si o nome da Igreja Cristo Vive Aduz que ambas (Missão Apostólica da Graça de Deus — Uma Visão Mundial e a Igreja Evangélica Cristo Vive) pregam a mesma doutrina, apenas de forma diferente. A Igreja reúne seus fiéis em cultos e a Missão evangeliza através de canais de rádio, televisão. Mas ambas exercem atividades religiosas e empregam seus recursos nas suas finalidades essenciais. A recorrente alega que a prova inequívoca de realização de atividade religiosa própria da interessada, está robustamente demonstrada e comprovada pelos seguintes itens: Pela divulgação da Palavra de Deus através de seus cultos difundidos nas emissoras de rádio e televisão, além da Internet; Pela publicação de livros e periódicos por seu fundador o Apóstolo Miguel Ângelo; Pela constatação de que no local de sua sede, na Rua Maricá, 320 — parte há uma Capela própria e parte do prédio anexo, ficam os estúdios onde são gravados os cultos para rádio e televisão; Pelo trabalho social desenvolvido nas suas instalações; Pela referência no Tótem, da logomarca da Missão Apostólica da Graça de Deus; Fl. 714DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001137/200602 Acórdão n.º 180200.896 S1TE02 Fl. 706 19 Pela existência do atendimento ao Lar Bom Samaritano de pessoas idosas e abandonadas pelas suas famílias. Não consta dos autos qualquer comprovação de que a Missão Apostólica tenha adquirido qualquer espaço dos meios de comunicação para divulgar seus cultos religiosos e que tenha realizado gasto com atividades assistenciais. Do Termo de Constatação Fiscal (itens 1 e 2) consta que: 1. A Igreja não dispõe de templo ou qualquer outro local que possa servir ao culto religioso, tendo como domicílio o mesmo endereço da Igreja Evangélica Cristo Vive, onde são celebrados cultos em nome desta última, não havendo no templo qualquer referência à Missão Apostólica. 2. Seus estatutos, objetos sociais e direção são os mesmos daquela, denotando que se trata de uma só instituição, destinada ao culto religioso de natureza evangélica, apregoado pelo Apóstolo Miguel Ângelo, divulgado e difundido unicamente sob o nome "Cristo Vive". (Grifei) Como se vê, apesar de o autuante e a autuada descreverem situações fáticas que demonstram que a Missão Apostólica da Graça de Deus e a Igreja Evangélica Cristo Vive representam uma só instituição tratam as mesmas, incoerentemente, como se fossem distintas. O CGC e o nome distinto dado a essas instituições não significa que são instituições distintas. Ora, se ambas (Missão Apostólica da Graça de Deus e a Igreja Evangélica Cristo Vive) têm as mesmas finalidades essenciais, professam a mesma fé, utilizam as mesmas dependências do Templo existente na Rua Maricá, 320, dirigidas pelo presidente e fundador de ambas, o Apóstolo Miguel Ângelo, não vejo como segregar de fato as atividades dessas nomeadas instituições. Assim, considerando que as duas entidades embora possuam CGC, nome e estatutos distintos não significa que são instituições distintas na medida em que têm as mesmas finalidades essenciais, professam a mesma fé, dirigidas pelo mesmo presidente e fundador e utilizam as mesmas dependências do Templo, utilizam recursos uma da outra, portanto, são de fato uma única instituição com a finalidade essencial dos templos de qualquer culto para fins da imunidade tributária. A conclusão que se impõe é que o resultado da fiscalização em ambas tornouse incoerente visto que a Missão Apostólica da Graça de Deus é parte integrante da Igreja Evangélica Cristo Vive e como tal deve ser tratada. Caberia a fiscalização pelas constatações efetivadas e descritas haver procedido a fiscalização na Igreja Evangélica Cristo Vive considerando os fatos equivocadamente escriturados na Missão Apostólica da Graça de Deus por serem as receitas de contribuições e despesas com pastores, próprias das atividades religiosas da Igreja Evangélica Cristo Vive, conforme evidenciados nos itens 1 e 2 acima. Quanto aos valores referidos para aquisição de imóvel para residência do seu Presidente, a recorrente registra que houve equívoco do autuante, posto que diversas doações foram feitas entre as duas instituições, Missão Apostólica da Graça de Deus e a Igreja Fl. 715DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 20 Evangélica Cristo Vive, visando sempre o equilíbrio financeiro uma da outra. A transferência para o seu Presidente, se deu por força de empréstimo da Igreja Evangélica Cristo Vive. Tratandose, efetivamente, de transferências de recursos da instituição religiosa, revestida de personalidade jurídica própria, para a pessoa física de dirigentes, não se coaduna, quaisquer que sejam os motivos alegados pela recorrente, com a destinação das receitas de dízimos, de doações ou de contribuições para a consecução de empréstimos ou aquisição de bens para dirigentes da entidade ou para terceiros, pois, a imunidade constitucional não alcança rendas outras que não aquelas destinadas às finalidades essenciais de um templo. Nesse sentido decidiuse no Acórdão nº 10193.037 desse Conselho Administrativo, proferido em sessão realizada em 12/04/2000 (DOU 02/06/2000), assim ementado, verbis: IMPOSTO DE RENDA — PESSOA JURÍDICA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CONTRIBUIÇÃO PARA O F1NSOCIAL IMUNIDADE — A imunidade concedida aos templos de qualquer culto não é de caráter amplo e irrestrito, alcançando apenas as rendas relativas às finalidades essenciais da entidade religiosa, o que, não ocorre, quando recursos são empregados na concessão de empréstimos para membros da Igreja, sejam eles a título gratuito ou oneroso. A existência de escrituração contábil permite que se adote a tributação dos lucros pelo lucro real, admitindose a proporcionalização dos resultados na forma preconizada no Parecer Normativo CST 73/75 Assim, para dar cumprimento a dispositivo constitucional que protege as rendas destinadas às finalidades essenciais de um templo era mister da fiscalização estabelecer um critério que segregassem os resultados provenientes das atividades religiosas daqueles pertinentes aos desvios apurados pela Igreja Evangélica Cristo Vive/Missão Apostólica da Graça de Deus parte integrante da mencionada Igreja. Indubitavelmente o que deveria ser objeto de autuação são os recursos desviados da atividade religiosa que é imune. Quanto à tributação efetivada com base no lucro arbitrado, adotando como paradigma as mesmas razões de decidir estampadas no acórdão com a ementa acima transcrita, é de se concluir que o fisco aponta a existência de escrituração por parte da entidade, sendo, portanto, possível exigir o tributo através de apuração do lucro real, mostrandose adequada a adoção dos critérios preconizados no aludido Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação que permite segregar os resultados provenientes das atividades religiosas daqueles pertinentes aos desvios apurados e estabelecer base de cálculo a tributar os lucros decorrentes das receitas desviadas das finalidades essenciais do templo. Com efeito, a exigência do IRPJ e e CSLL com base de cálculo arbitrada alcançando o total das rendas relativas às finalidades essenciais da entidade religiosa não merece acolhimento por ferir a imunidade tributária de que trata o artigo 150, inciso VI, alínea “b” da Constituição Federal de 1988 bem como o artigo 530 do RIR/99. Quanto ao PIS e a COFINS a mencionada imunidade tributária restringese aos impostos e não às contribuições sociais. Os templos de qualquer culto são entidades contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep, incidente sobre a folha de salários e são isentos da Cofins conforme se depreende do artigo 13, inciso I e artigo 14, inciso X da Medida Provisória nº 2.15835 de 2001 Fl. 716DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.001137/200602 Acórdão n.º 180200.896 S1TE02 Fl. 707 21 Art.13.A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; (...) Art.14.Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Adotando o mesmo raciocínio para a exigência do IRPJ e da CSLL, do mesmo modo, a exigência do PIS e da Cofins, deveria incidir sobre as receitas desviadas das finalidades essenciais do templo/igreja, observandose também no que couber a Medida Provisória nº 2.15835 de 2001. Inconsistentemente, os autos de infração tomaram como base de cálculo, tanto para a exigência do PIS quanto da Cofins: as receitas escrituradas de dízimos, de doações ou de contribuições como receitas de prestação de serviços gerais. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 717DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002363/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004,2005
ABUSO DE DIREITO. PROVA. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO INTERNO, ÁGIO DE SI MESMO. GLOSA DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.
Há nítido abuso de direito viciando o ato jurídico e invalidando a economia tributária pretendida, quando o conjunto de indícios e circunstâncias prova a existência de ágio interno entre partes relacionadas, bem assim o ágio de si mesmo que fica caracterizado com a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato contínuo, o evento da incorporação ocorre.
ÁGIO INTERNO.
Uma eventual valorização de investimento e/ou patrimônio de uma empresa, produzida por Laudo de Avaliação, quando é repassado/transferido a outra empresa por força de várias operações societárias, tudo girando entre empresas do mesmo grupo econômico, não tem natureza de ágio, seja porque não se pode reconhecer/legitimar a existência de uma mais valia originada de forma unilateral ou porque não há custo de aquisição, mormente quando comprovado que seu surgimento só se fez presente para uma única finalidade: a redução de tributos.
PASSIVO FICTÍCIO. LEI N° 9.430/96. ART. 40
A manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada autoriza a presunção legal de omissão de receita.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento.
Numero da decisão: 1401-001.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004,2005 ABUSO DE DIREITO. PROVA. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO INTERNO, ÁGIO DE SI MESMO. GLOSA DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Há nítido abuso de direito viciando o ato jurídico e invalidando a economia tributária pretendida, quando o conjunto de indícios e circunstâncias prova a existência de ágio interno entre partes relacionadas, bem assim o ágio de si mesmo que fica caracterizado com a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato contínuo, o evento da incorporação ocorre. ÁGIO INTERNO. Uma eventual valorização de investimento e/ou patrimônio de uma empresa, produzida por Laudo de Avaliação, quando é repassado/transferido a outra empresa por força de várias operações societárias, tudo girando entre empresas do mesmo grupo econômico, não tem natureza de ágio, seja porque não se pode reconhecer/legitimar a existência de uma mais valia originada de forma unilateral ou porque não há custo de aquisição, mormente quando comprovado que seu surgimento só se fez presente para uma única finalidade: a redução de tributos. PASSIVO FICTÍCIO. LEI N° 9.430/96. ART. 40 A manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada autoriza a presunção legal de omissão de receita. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004,2005 ABUSO DE DIREITO. PROVA. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO INTERNO, ÁGIO DE SI MESMO. GLOSA DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Há nítido abuso de direito viciando o ato jurídico e invalidando a economia tributária pretendida, quando o conjunto de indícios e circunstâncias prova a existência de ágio interno entre partes relacionadas, bem assim “o ágio de si mesmo” que fica caracterizado com a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato contínuo, o evento da incorporação ocorre. ÁGIO INTERNO. Uma eventual valorização de investimento e/ou patrimônio de uma empresa, produzida por Laudo de Avaliação, quando é repassado/transferido a outra empresa por força de várias operações societárias, tudo girando entre empresas do mesmo grupo econômico, não tem natureza de ágio, seja porque não se pode reconhecer/legitimar a existência de uma mais valia originada de forma unilateral ou porque não há custo de aquisição, mormente quando comprovado que seu surgimento só se fez presente para uma única finalidade: a redução de tributos. PASSIVO FICTÍCIO. LEI N° 9.430/96. ART. 40 A manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada autoriza a presunção legal de omissão de receita. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 23 63 /2 00 8- 64 Fl. 602DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002363/200864 Acórdão n.º 1401001.575 S1C4T1 Fl. 68 2 Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002363/200864 Acórdão n.º 1401001.575 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1223.069, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Rio de Janeiro IRJ. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Questionamse exigências de ofício do imposto de renda de pessoa jurídica, R$ 4.292.035,16, fls. 245, e, por reflexividade, do PIS, R$ 34.330,89, fls. 251, da COFINS, R$ 158.130,19, fls.256 e da CSLL, R$ 1.561.961,74, fls. 261, acrescidas de penalidade de ofício, 75%, e juros moratórios SELIC, atinentes aos anos calendário de 2004 e 2005, lastredas nos seguintes elementos: 2. omissão de receitas, ano calendário de 2004, assim considerada pela fiscalização, fls. 222/223: 2.1.. a diferença entre o valor do saldo da conta fornecedores, constante do balanço de 31/12/2004 e a relação de fornecedores, apresentada pela empresa, R$ 455.163,63; 2.2. diferença entre a relação de fornecedores apresentada e os pagamentos efetuados no trimestre subsequente ao término do ano calendário, R$ 281.073,07; 2.3. existência de pagamentos efetuados em 2005 a empresa diferente daquelas listadas na relação de fornecedores, R$ 1.038.587,83, relativamente a obrigações emitidas no ano calendário de 2005, conforme controles internos do contribuinte; R$ 1.038.587,83 2.4. pagamentos originários de obrigações contraídos no ano calendário de 2005, R$305.835,91; 3. glosa de amortizações de ágio, anos calendário de 2004 e 2005, dado que: 3.1. a pessoa jurídica, instituída em 14/07/04, capital subscrito, R$ 400.000,00 foi reavaliada, pela investidora em função do valor de rentabilidade futura, R$ 92.000.000,00, mediante laudo de 10/08/04; 3.2. em etapa posterior, 30/10/04, reavaliada a investidora, para efeitos de cisão parcial, o valor patrimonial da reavaliação na cindida, R$ 92.000.000,00 por efeito da reavaliação na investida, reverteu à própria investida, por consequência da cisão parcial, sendo computado nesta última igualmente como ágio s/ Investimentos, fls. 225/226 e documentação de fls. 50/156. 3.3. Por conseguinte, de acordo com a fiscalização, a pessoa jurídica constituiu ágio de si mesma, lastreado na própria rentabilidade futura, cuja amortização foi utilizada à redução dos resultados dos anos calendário de 2004 e 2005. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002363/200864 Acórdão n.º 1401001.575 S1C4T1 Fl. 70 4 4. Ciente das exigências, fls. 245, o sujeito passivo acostou aos autos a impugnação de fls.312/345, apensada dos documentos de fls. 402/416, protocolada em 01/10/08, através da qual, alega, em síntese: 4.1. em preliminar, da nulidade das autuações face à ausência de análise dos documentos fiscais e contábeis, apreendidos pela Polícia Federal na Operação Dilúvio, conforme fls. 183/203; 4.2. Quanto à omissão de receita: 4.2.1. os valores de R$ 1.038.587,83 e de R$ 305.835,91, se relacionam a obrigações assumidas em 2005, adimplidas no mesmo exercício; 4.2.2. quanto à diferença, R$ 736.236,70 (= R$ 455.163.63 e R$ 281.073,07) referemse a obrigações assumidas em 2004 e quitadas em 2005, conforme documentos anexados à impugnação, fls. 402/416, cujo montante se relaciona ao lançado pela fiscalização, R$ 2.441.053,19, fls. 344. 4.2.3. havendo a impugnante apurado prejuízo de R$ 2.640.502,5, estaria afastada a possibilidade de lançamento com fundamento em passivo fictício, R$ 2.080.660,44. 4.3. Quanto à glosa do ágio 4.3.1. da legalidade da reestruturação societária e fiscal idealizada; 4.3.2. da legalidade do aproveitamento do ágio pago na aquisição de participação societária; 4.3.3. do atendimento dos requisitos necessário ao aproveitamento do ágio; 4.3.4. da legalidade de, nas aquisições, existir ágio com fundamento em valor de rentabilidade futura de coligada ou controlada; 4.3.5. da amortização do ágio como despesa necessária. É o Relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, manteve em parte o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A| RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004,2005 INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, controladora, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de reavaliação de investimento de empresa constituída pela incorporada processandose, em seguida, a incorporação, restando caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veículo" para transferência do ágio à incorporadora, caracterizando nesta o "ágio de si mesma". Fl. 605DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002363/200864 Acórdão n.º 1401001.575 S1C4T1 Fl. 71 5 PASSIVO FICTÍCIO. LEI N° 9.430/96. ART. 40 A manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada autoriza a presunção legal de omissão de receita. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004, 2005 Ementa; REFLEXIVIDADE. PIS, COFINS e CSLL Em matéria de reflexividade, a lançamentos tomados por reflexo, à falência de elemento relevante, impõemse o mesmo destino daquele que lhes de origem Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os mesmos tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em síntese: O lançamento de ofício está eivado de nulidade que compromete a legalidade do procedimento fiscal adotado, uma vez que foram analisados poucos documentos contábeis e fiscais da Recorrente, já que grande parte deles necessária à apuração dos fatos foi apreendida pela Polícia Federal, na Operação Dilúvio1; A reestruturação idealizada pela Recorrente é exclusivamente elisão fiscal em 2004 a Recorrente passou a ser distribuidora autorizada exclusiva de produtos da marca SHARP no Brasil, aumentando demasiadamente as perspectivas de faturamento, e exigindo não só reestruturações societárias, mas também comerciais e administrativas; O ágio glosado foi fundamentado em projeções de rentabilidade futura naturalmente, na condição de distribuidora autorizada exclusiva de produtos da marca SHARP no Brasil e, ainda, distribuidora de produtos de outras marcas, tais como Toshiba, Canon, Minolta etc, a projeção de faturamento aumentou significativamente; A Recorrente atendeu a todos os ditames da legislação tributária quanto à contabilização e amortização do ágio: aquisição de participação societária e fundamento econômico e (ii) as projeções de rentabilidade futura prevalecem para fins de incorporação Ao contrário do estabelecido nos itens 8.2 a 8.5 da decisão combatida, não há falar em ÁGIO DO INVESTIMENTO ZERO, tendo em vista que o capital social integralizado da empresa era de R$ 82.000,00, consoante fls. 72; Diferente do colocado pelo fiscal a receita foi reconhecida pelas pessoas jurídicas que cederam o investimento a RANGER (SEA VENTURE e REVERE), na medida em que teve sua tributação diferida pelo art. 36 da Lei 10.637/2002); Contrariamente ao afirmado no decisum recorrido e no lançamento combatido, a Recorrente adquiriu, sim, participação societária, ao incorporar parte da parcela cindida de sua controladora. Foram adquiridas, sem qualquer dúvida, quotas da RANGER (capital social de R$ 82.000,00), que não são e nunca foram quotas da Recorrente. Falacioso também o entendimento exarado no auto (fls. 226), de que "O interessado não recebeu qualquer participação societária. As próprias quotas do capital não são participações societárias, pois nenhuma empresa participa de si mesma”. A Recorrente jamais participou de si mesma, e sim da RANGER. Muito embora o negócio jurídico possa, para alguns, ser considerado atípico, não há vedação legal para que a controlada incorpore a Fl. 606DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002363/200864 Acórdão n.º 1401001.575 S1C4T1 Fl. 72 6 controladora e, muito menos, prescrição normativa que determine que a incorporação, nos moldes realizados, não traduza aquisição de participação societária. Em relação à acusação de passivo fictício, as obrigações remanescentes (R$ 736.236,70) registradas no balanço de 2004 efetivamente existiam e foram adimplidas no exercício de 2005 infelizmente, em razão da apreensão dos documentos da Recorrente, não foi possível relacionar os valores dos documentos de fls. 402/416 com os de fls. 161/177. É o relatório. ê Fl. 607DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002363/200864 Acórdão n.º 1401001.575 S1C4T1 Fl. 73 7 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Admissibilidade Após diligências efetuadas para esclarecer a tempestividade do recurso, verifico que o mesmo foi tempestivo e, portanto, tomo conhecimento do recurso voluntário. Essa situação foi bem esclarecida pelo despacho de fls 599 que confirmou o protocolo de recebimento do Recurso voluntário em 24/04/2009. Como o Aviso de Recebimento de fl. 441v foi cientificado 25/03/2009, portanto, o protocolo do recurso se deu mesmo dentro do prazo regulamentar de 30(trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Preliminar de nulidade A Recorrente alega nulidade do lançamento porque : relativamente à glosa da dedução do ágio, toda a documentação que lastreou os lançamentos foi acostada aos autos pelo próprio sujeito passivo, fls. 50/156; quanto ao passivo fictício, alegou que foi prejudicada em função da apreensão de documentos pela polícia federal, conforme petição de fls. 182 datada de 12/08/2008. Quanto ao primeiro aspecto, não há nada que na legislação ou jurisprudência que impeça que o lançamento se escore em documentação apresentada pelo próprio contribuinte se essa é suficiente para sustentar a autuação. E se é o caso de sêlo ou não é questão de mérito a ser enfrentada mais adiante. Quanto ao segundo aspecto, também não socorre a Recorrente. Isso porque os documentos foram apreendidos em 16.08.2006, não sendo inclusive bem especificados por ela que documentos seriam esses. A Recorrente estava sob fiscalização desde 30/07/2007, por que então somente vinte três meses depois da apreensão é que saiu pela primeira vez da inércia solicitando a sua liberação? Outrossim, a Recorrente se defende, trazendo provas, conseguindo inclusive, reverter parte do lançamento em sede impugnatória. Se estas não eram suficientes ou se mostraram equivocadas em parte, por que ainda em 27 de julho de 2012, quase seis anos depois ainda não providenciou os documentos que estariam apreendidos? Também não trouxe ao recurso outras tentativas de fazêlo! Por que mesmo depois do Recurso, também ainda não o fez acostando tais documentos, dessa feita tendo se passado quase nove anos de sua apreensão? Fl. 608DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002363/200864 Acórdão n.º 1401001.575 S1C4T1 Fl. 74 8 A resposta cai em duas opções, inércia ou porque não haveria nenhum documento importante apreendido que lhe socorresse nesse mister. Qualquer das duas alternativas depõe contra a Recorrente tirandolhe qualquer tipo de razão. Nesse sentido, penso que a situação aventada foi sanada sem qualquer tipo de prejuízo ao contribuinte. A teor do art. 59 do Decreto 70235/72, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, auditor fiscal, bastando para tanto a assinatura do mesmo, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória e recurso acostados aos autos, como efetivamente o fez. Outrossim, foram observados dois requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Os requisitos apontados estão previstos em lei, são os incisos III e IV do art. 10 do Decreto 70.235/72 e têm a seguinte redação: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: .............................................................................................................. III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (....) Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade. GLOSA NA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO A DRJ manteve a glosa da amortização do ágio. A DRJ bem sintetizou os fatos relevantes: 8.1. o capital da impugnante, constituída em 14/07/2004, R$ 400.000,00, subscrito pela controladora, posteriormente cindida, RANGER Ltda., se encontrava integralizada em ZERO REAIS, quer na data do laudo de avaliação do investimento, 10/08/04, quer na data da cisão da controladora em benefício da controlada/impugnante, 30/10/2004, fl. 51, 71 e 9| 8.2. o capital da controladora/cindida, igualmente de R$ 400.000,00, igualmente sequer era integralizado (capital a integralizar) à data da cisão parcial, 30/10/2004, fls. 67/68; Fl. 609DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002363/200864 Acórdão n.º 1401001.575 S1C4T1 Fl. 75 9 8.3. eram sócias da cindida REVERE Empreendimentos e Participações Ltda, CNPJ n° 06.372.776/000119 e SEA Venture Empreendimentos e Participações Ltda., CNPJ n° 06.372.766/000183, ambas constituídas em 21/06/2004, fls. 67; 8.4. após a reavaliação do investimento na impugnante custo zero no momento da reavaliação a controladora, em 30/10/04, apropria, ativa e passivamente, o ágio da reavaliação, R$ 92.000.000,00, fls. 60/61; 8.5. reavaliada a controladora, para efeitos da cisão parcial, por laudo datado de 30/10/04, fls. 70/73, seus acionistas em 30/10/04, resolvem transferir R$ 92.000.000,00 para incorporação pela impugnante; exatamente o ágio do investimento zero, nela reavaliado, a esta transferido por cisão da controladora, em idêntico valor, fls. 68; 8.6. na mesma data de 30/10/04, as sócias da impugnante resolvem aumentar o capital social da impugnante em R$ 92.000.000 00, totalmente integralizado, por absorção do "patrimônio" (?), da cindida; 8.7. por fim, a impugnante pretende deduziu o pretenso ágio na aquisição de investimento, como se dedutível fosse, razão da exação. E manteve a glosa dos ágios, com os seguintes fundamentos: Em preliminar, na ordem cronológica dos acontecimentos tudo o que ocorreu foi a cisão de riqueza ficta, sem qualquer lastro ou substância econômica, com o único intuito de concretizar tal riqueza fantasma através de deduções nas bases de cálculo tanto do IRPJ, como da CSLL, como perpetrado nos anos calendário de 2004 e 2005. 10. A lógica, o bom senso, a legislação tributária e a moralidade são infensas a manobras que tais. Basta atentar que: 10.1. a constituição de pessoa jurídica não se confunde com aquisição de pessoa jurídica. Esta última é preexistente à ação de sua aquisição, ex post, parcial ou total; daí, os conceitos de custo do investimento e do ágio ou deságio, ínsitos na legislação tributária. 10.2. nem a controladora/cindida, nem suas acionistas desembolsaram qualquer centavo na constituição, não, "aquisição", quer da impugnante, quer da controladora/cindida; 10.3. ágio implica em custo de aquisição de investimento, Decretolei n° 1.598/77, artigo 20, II (RIR/99, art. 385, II); 10.4. na absorção de patrimônio de outra pessoa jurídica, através de cisão, admitese amortização de ágio desde que a incorporadora detenha participação societária adquirida com ágio, consoante dispõem o artigo o da Le' o 9.532/97 e artigo 10 da Lei no 9.718/98, ambos reproduzidos no artigo 386 do RIR/99. Ora , a impugnante sequer detinha qualquer participação societária na cindida. Ao contrário; Ora, a impugnante sequer detinha qualquer participação societária na cindida. Ao contrário; 10.5. acresce observar que, ao transferir patrimônio ficto da controladora para a controlada, via cisão parcial, as sócias da primeira reproduziram, na Fl. 610DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002363/200864 Acórdão n.º 1401001.575 S1C4T1 Fl. 76 10 impugnante, o "ágio" da igualmente fictícia "aquisição" de investimentos, a custo zero, pela controladora/cindida; 11. Ao contrário da proposição impugnatória fls. 231, os sócios jamais cederam investimento à controladora/cindida, fls. 332. Igualmente, quanto à impugnante, "compradora", singela ficção, do investimento da controladora/cindida, com "ágio". 12. No contexto, inequivocamente, a impugnante, ao absorver, como parte do patrimônio da controladora/cindida, exatamente o valor do ágio da reavaliação do "investimento" (?) da controlada/incorporadora, replicou, em si mesma, o mesmo ágio. 12.1. Isto é, criou, mediante operações em sequência, formalmente documentadas, o ágio de si mesma. Riqueza desconstituída de qualquer fundamento, sem nenhum objetivo propósito negocial, exceto o fito de sua realização factual através de reduções das bases imponíveis dos tributos antes elecandos. 13. Em síntese, "criase" riqueza ficta, irreal, e as "burras''' do Tesouro Nacional, a concretizam. Cômico, não fosse sério! 14. Por pertinente, a questão ora sob litígio já foi objeto de manifestação desta DRJ, processo n» 18471.001782/200536 Acórdão n° 10.007, de 30/03/2006, inteiramente referendado pelo Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes (atual C.A.R.F.), através do Acórdão n° 10323.290, recurso n° 152980, sessão de 05/12/07, cuja ementa reproduzo: INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE "EMPRESA VEÍCULO". Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato contínuo, o evento da incorporação ocorreu no dia seguinte. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veículo" para transferência do ágio à incorporadora. 14.1. Exatamente os fundamentos que lastrearam as exigências ora sob análise. Quiçá, gênios criadores de riquezas fictas conjecturem néscios agentes da Res Publica. (...) Porém, antes de adentrar no caso concreto, passo a tecer algumas considerações preambulares que reputo pertinente quando estamos diante da validação de um planejamento tributário. Como tenho afirmado nos meus votos que envolvem a análise de planejamentos tributários, costumo dizer a descrição dos fatos narrada pelo fiscal não precisa chegar a uma conclusão perfeita sobre o instituto aqui utilizado (fraude à lei, simulação, abuso de direito, abuso de formas ou mesmo uma combinação deles), uma vez que não há Fl. 611DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002363/200864 Acórdão n.º 1401001.575 S1C4T1 Fl. 77 11 uniformidade de entendimento a respeito desses metaconceitos por demais abstratos, e uma mínima diferença de concepção em um instituto afeta o entendimento do outro, acarretando conclusões díspares no caso concreto. Tais conceitos na verdade servem muito mais para a análise da qualificação da multa, que no caso concreto não ocorreu. Mas o que importa é que os fatos estejam narrados de uma forma tal que o julgador possa inferir deles patologias, inadequações, discrepâncias entre a forma jurídica adotada e a essência do negócio jurídico; e não que o fiscal diga precisamente que instituto é esse que está sendo aplicado, pois o que importa é que qualquer que sejam eles, os efeitos dos negócios jurídicos contornados ou simulados não serão oponíveis ao fisco. Entretanto, o fiscal deve atribuir as conseqüências tributárias pertinentes de forma a e dar a melhor conformação possível a esse negócio jurídico situandoo diante das leis e do ordenamento jurídico. E a meu juízo, foi o que o fiscal fez perfeitamente, no caso concreto. E essa distorção só se verifica com a análise dos fatos e documentos encontrados no processo, sendo uma questão de prova. É o que se passa a fazer a partir de agora. Por óbvio que a situação em comento representa operações estruturadas em sequência exclusivamente para reduzir ou suprimir tributos. Não há como sustentar que tais operações visavam a algum propósito negocial como quer fazer crer a Recorrente em seu Recurso, como se verá mais adiante. Somente o efeito tributário visado justifica essa sequência de operações, que nitidamente caracterizou a ocorrência do “ágio de si mesmo”, bem assim ainda rebaixando artificialmente o valor do capital social da Plena, de modo a maximizar a diferença entre este e as avaliações, ou seja, o ágio, posto que feito a CUSTO ZERO. A empresa Plena foi avaliada a R$ 92.000.000,00 e o mesmo valor se tornou o valor do ágio! A Recorrente em seu recurso afirma que a DRJ equivocouse nessa premissa de que não havia capital social integralizado, acontece que ela se defende apenas para o caso da Ranger, alegando que o capital social integralizado era de R$ 82.0000,00, mas para a empresa Plena, alvo da reavaliação do “investimento”, essa situação de “Custo Zero” está bastante caracterizada (fls. 51) e não foi infirmada pela Recorrente. Como bem disse a DRJ, que muito bem delineou a ocorrência do ágio de si mesmo, a Plena ao absorver, como parte do patrimônio da controladora/cindida, exatamente o valor do ágio da reavaliação do "investimento" da controlada/incorporadora, replicou, em si mesma, o mesmo ágio. Nesse ponto o Fiscal também foi muito feliz em sua fundamentação: Para a legislação tributaria, os pressupostos do ágio são participação societária e o fundamento econômico do ágio. O interessado não recebeu qualquer participação societária. As próprias quotas do capital não são participações societárias, pois nenhuma empresa participa de si mesma. Portanto, o primeiro pressuposto do ágio não foi atendido. Nesse ponto, a Recorrente se defende alegando que jamais participou de si mesma, e sim da RANGER. Acrescenta que muito embora o negócio jurídico possa, para alguns, ser considerado atípico, não haveria vedação legal para que a controlada incorpoasse a controladora e, muito menos, Fl. 612DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002363/200864 Acórdão n.º 1401001.575 S1C4T1 Fl. 78 12 prescrição normativa que determinasse que a incorporação, nos moldes realizados, não traduziria aquisição de participação societária. De qualquer sorte, a sequência de passos produziu esse efeito do “ágio de si mesmo”, na medida em que foi incorporada na Plena apenas a parcela do ágio produzido na reavaliação da própria Plena, passo esse sem propósito negocial algum. Outrossim, mesmo que a Recorrente ainda tivesse razão nesse aspecto, a operação seria ainda viciada pela presença do ágio interno entre partes relacionadas, como se demonstrará mais adiante. Tratando agora do aspecto “falta de propósito negocial” que foi combatido em sua peça recursal, mesmo que fosse o caso de haver propósito negocial, não faria diferença no caso concreto, pois se a ausência de propósito negocial pode ser uma condição que por si só possa invalidar o planejamento tributário, a simples presença dela não é uma condição suficiente para validálo, isso porque pode ocorrer outras situações que maculem o planejamento, como de fato ocorreu e se discorrerá mais adiante, como, por exemplo,.no objetivo também claro de se rebaixar artificialmente o valor do capital social (capital zero, a integralizar), de modo a maximizar a diferença entre este e as avaliações, ou seja, o ágio. Por outras palavras, mesmo que essa reestruturação visasse atingir algum interesse comercial e econômico específico, como tenta sustentar em seu recurso, permitindo que a Recorrente importasse e comercializasse as marcas SHARP como distribuidor exclusivo no Brasil. Mesmo que isso fosse o caso, ainda assim tal circunstância não serviria de escudo contra todos os outros vícios descritos neste voto. De toda sorte, ainda não me convence a existência desse propósito negocial como motivador de todas essas operações em cadeia, simplesmente porque a Ranger que foi escolhida como iniciadora de todo o processo, logo depois é descartada com as seguintes razões: Entretanto, por razões eminentemente comerciais, a SHARP solicitou que a RANGER não participasse das empresas PLENA e PRINCIPAL. Para os japoneses, como a RANGER já estava consolidada no mercado brasileiro, e já detinha diversos outros clientes e fornecedores, havia o receio de que essa empresa priorizasse mercadorias de outros fornecedores, em detrimento dos produtos SHARP. Muito embora essa exigência não eliminasse o teórico risco, com a saída oficial da RANGER, da participação acionária das empresas operacionais PLENA e PRINCIPAL, já restaria afastada a relação direta entre as empresas Sendo assim, não pode produzir qualquer efeito tributário a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato contínuo, o evento da incorporação imediatamente. Outrossim, a situação ainda se apresenta mais grave quando verificamos que o principal prerrequisito para a existência do ágio não foi satisfeito. É a necessidade de as partes não serem relacionadas, justamente por que nessa situação não há garantia de que a formação do ágio se deu de forma natural e não artificial. A importância disso é justamente porque nessas situações em que os preços não são formados livremente através das leis dos mercados a integridade da quantificação do ágio fica já prejudicada em seu ponto de partida, Fl. 613DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002363/200864 Acórdão n.º 1401001.575 S1C4T1 Fl. 79 13 seja elevando preço da aquisição, seja aviltando o capital social da empresa a ser adquirida no seu ponto de partida, como de fato ocorreu no caso concreto, em que o custo da aquisição da Recorrente foi ZERO, ou seja capital social a integralizar. E de fato as partes são relacionadas, uma vez que às fls. 96 verificamos que tanto a Ranger quanto a Plena possuem os mesmos sócios (fl.67 e fl. 96): REVERE Empreendimentos e Participações Ltda, CNPJ n° 06.372.776/000119 e SEA Venture Empreendimentos e Participações Ltda., CNPJ n° 06.372.766/000183, ambas constituídas em 21/06/2004, cada uma possuindo metade das cotas de ambas as empresas. No protocolo de Cisão parcial e Justificação da Ranger bem se vê que o mesmo administrador Paulo Alves Uruga assina por ambas as empresas. Nesse contexto, além da existência do ágio de si mesmo, também está presente o denominado ágio interno que a jurisprudência é pacífica em não permitir o seu aproveitamento justamente pelas razões viciantes e comprometedoras acima já delineadas. Na verdade, ficou caracterizado um verdadeiro abuso de direito, que pode ser detectado por um conjunto convergente de indícios, tais como "proximidade temporal de atos", já descritos alhures, quase chegando a transmutarse em coincidência temporal;. A disparidade de valores já foi comentada,quando tratamos da utilização do custo zero; O fato do ágio ter sido gerado sem ter havido aquisição entre partes independentes; o desfazimento de efeitos também está presente na medida em que em curto intervalo de tempo, pessoas jurídicas recebem e transmitem participações. E por fim, a inexistência de propósito negocial, uma vez que a simples representação da Sharp não é motivo para a ocorrência de todas essas operações em sequência da forma como se deu. Outrossim, o referido aviltamento do capital social a custo zero da Plena que foi reavaliado como investimento da Ranger no momento da cisão, somente se deu justamente porque as partes deixaram de respeitar um critério super importante para a validade da existência do ágio, que é o fato de as partes serem interdependentes, onde as aquisições se dão a preço de mercado. E, como já se disse, essa situação conduziu inexoravelmente também a existência do denominado “ágio de si mesmo” e ao “ágio interno”, sendo o primeiro muito bem colocado tanto pelo autuante quanto pela DRJ, com o fito de maximizar o aproveitamento do desse ágio na Recorrente. Por fim, em nada socorre a Recorrente perseguir ponto secundário da fundamentação colocada pelo fiscal que acrescentou um outro fundamento, no meu ponto de vista desnecessário, que seria o descasamento entre o aproveitamento do ágio na incorporação e a falta do oferecimento à tributação do ganho de capital no momento da “aquisição”/”alienação” do investimento. A Recorrente socorrese do fato de haver legislação que lhe desse cobertura para diferir a tributação desse ganho(artigo 36 da Lei n° 10.637/02), porém, esse escudo não lhe protege de todos os outros fundamentos já discorridos alhures. Portanto, comprovada está o abuso de direito na medida que pelas provas dos autos constatouse que os valores atribuídos às integralizações nas sociedades de passagem foram artificialmente rebaixados, com o objetivo de maximizar o ágio dos investimentos, conforme comprovam os laudos de avaliação; bem assim também ficou caracterizada a existência do chamado “ágio de si mesmo” e o ‘ágio interno” em operações intragrupo que também macula toda a operação. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002363/200864 Acórdão n.º 1401001.575 S1C4T1 Fl. 80 14 Por, todo o exposto, nego provimento a este item. PASSIVO FICTÍCIO Conforme consta do TVF: Em 03/10/07 (docs fls.), a Empresa foi intimada a comprovar o saldo da conta Fornecedores existente em 31/12/04; b) Em 29/11/07 (doc fls. dessa comprovação; ) foi concedido um novo prazo de vinte dias para apresentação c) Era 18/12/07 (doe. fls. ) a empresa apresenta um relação dos Fornecedores existentes em 31/12/04*. que totalizava R$ 4.247;403,93; d) Na mesma planilha, a fiscalizada apresentou uma relação dos pagamentos efetuados nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2.005 que seriam relativos aos créditos dos Fornecedores existentes em 31/12/2004; e) Juntamente com. essa planilha,, (doe. fls. ) a empresa apresentou xerox de mapas de controles internos relativos a pagamentos efetuados nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005; Examinando os documentos apresentados, a fiscalização constatou o seguinte: a) O saldo da conta Fornecedores, constante no balanço levantado em 31/12/04 (doc. fls. ) é de R$ 4.702.567,56 e a relação dos fornecedores apresentada pela empresa, totaliza R$ 4.247.403,93 restando portanto uma diferença não comprovada de R$ 455.163,63; b) A relação dos fornecedores existentes em 31/12/04 apresentada pela empresa totaliza R$ 4.247,403,93 e o total dos pagamentos efetuados nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2.005 totalizam R$ 3.966.330,86, restando Uma diferença não comprovada de R$281.073,07; c) Na. relação dos pagamentos efetuados nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2.005 apresentada pela empresa, consta que quase todos os pagamentos foram efetuados para a empresa M. Trading. Entretanto, examinando os controles internos apresentados juntamente com essa relação, a fiscalização constatou que vários pagamentos que totalizam R$1.038387,83, não foram efetuados à M. Trading e sim para outras empresa que não constam na relação como sendo obrigações existentes em 31/12/04; d) Segue abaixo a relação dos pagamentos efetuados a essas outras empresas: data valor fornecedor 10.01.05 79.700,00 Portes Trading docfls. 24.01.05 42.000,00 Portes Trading docfls. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002363/200864 Acórdão n.º 1401001.575 S1C4T1 Fl. 81 15 28.01.05 44.000,00 Portes Trading . docfls. 31:01.05 143.000,00 Portes Trading docfls. 3.02.05 104.146,59 ClacImp.Exp, docfls. 16.02.05 340.508,47 Optlmport docfls. 18.02.05 124.364,88 Optlmport docfls. 18.02.95 31.465,10 Portes Trading docfls. 21.02.05 18.561,30 Portes Trading docfls, 21,02.05 44.948,83 Portes Trading docfls. 21.02.05 B.796,99 Portes Trading: docfls. 21.03.05 13.336,63 Optlmport docfls. 21.03.05 13.336,63 Optlmport docfls. 21.03.05 30.422,41 Optlmport docfls. soma 1.038.587,83 e) Tendo em vista que esses pagamentos não constam na relação das obrigações existentes em 31/12/04 e tendo em vista que nos controles internos consta que esses pagamentos Se referem a obrigações emitidas no ano de 2.005, a parcela supra de R$ 1.038.587,83 configura parte do passivo de 31/12/04 como sendo não comprovado ; D) Nessa relação consta, também que inúmeros pagamentos efetuados para a M. Trading, têm um histórico que configuram que o pagamento referese a obrigações originadas no próprio ano de 2.005, como segue: Data valor Fornecedor histórico Us. 10/01/05 62:580,5S M. Trading adiantamento 10101/05 123.255,33 M. Trading adiantamento 18/01/05 120.000,00 M. Trading adiantamento soma 305.835,91 Tendo em. vista que a comprovação do passivo existente em 31 de dezembro se concretiza pelo pagamento das obrigações no ano seguinte e tendo em vista que pelo exposto, a empresa deixou de co: >var o pagamento no ano seguinte, de parte do valor da conta fornecedores constante no balanço de 31/12/04, e tendo em vista o relatado nos itens A e B supra, ficam as parcelas de R$ 455.163,63 (item a), R$ 281.073,07 (item B),. R$1.038.587,83 (item c) e R$305.835,91 (item d),, como» «ido. Tendo em vista que o art 281 do RIR/99 aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 prescreve "Que caracterizase como omissão no registro de receita a manutenção no passivo de obrigações aja exigibilidade não seja comprovada”, fica a importância supra de R$ 2.080.660,44 caracterizada como omissão de receita e, portanto, sujeita à lançamento de oficio A DRJ, por sua vez, MANTEVE EM PARTE esta atuação, cancelando as importâncias de R$1.038.587,83 (item c) e R$305.835,91 (item d), nos seguintes termos: 7.1 no que se relaciona à omissão de receita, tem razão o sujeito passivo quanto ao valor de R$ 305.835,91, quando alude a obrigações assumidas em 2005, adimplidas no mesmo ano calendário; no ponto, a própria fiscalização, com base na documentação fornecida pelo sujeito passivo atesta se referir a obrigações assumidas no próprio ano de 2005, fls. 223; 7.2. igualmente o valor de R$ 1.038.587,83, fls. 223, confirmados pelos documentos de fls. 161/177; ainda que se refiram a pagamentos listados como a Fl. 616DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002363/200864 Acórdão n.º 1401001.575 S1C4T1 Fl. 82 16 determinado fornecedor e efetuados a outros, em idênticos valores, se relacionam a operações realizadas em 2005. Não, em 2004. Portanto, não passíveis de constituírem exigibilidades em 31.12.2004; Dessa forma a DRJ manteve a parcela remanescente de 736.236,70 (R$ 455.163,63 (item a) + 281.073,07 (item B)), nos seguintes termos: Restam as diferenças apuradas, de R$ 455.163,63 e de R$ 281.073,07, total de R$ 736.236,70. Para estas, a relação de obrigações pagas em 2005, tidas como contraídas em 2004, fls. 344, lastreada pela documentação de fls. 402/416, no montante lançado pela fiscalização, de R$ 2.441.053,19, nada justifica quanto às diferenças apuradas. Porquanto: 7.3.1. o montante lançado, R$ 2.080.660,44, incluiu valores atinentes ao ano calendário de 2005, antes reportados; 7.3.2. não há qualquer indicação de data das obrigações reportadas nos documentos de fls. 402/416; somente de pagamentos; 7.3.3. não há qualquer relação entre os valores dos documentos de fls. 402/416 e aqueles de fls. 161/177, que, juntamente com a DIPJ, serviram de base à apuração das diferenças enfocadas; menos, ainda, com os montantes dessas mesmas diferenças, ora sob análise; 7.3.4. os primeiros, fls. 402/416 sequer constam das exigibilidades informadas nos documentos de fls. 161/177; 7.3.5. todas as operações relacionadas aos documentos de fls. 402/416 dizem respeito ao fornecedor M. Trading. Ora, os documentos de fls. 161/177 indicam que operações com este fornecedor se relacionavam ou a adiantamentos de compras ou a fechamento de câmbio. De curto prazo, o que é comprovado pelos valores, antes analisados (R$ 305.835,91 e 1.038.587,83), admitidos, pelo fisco e pelo contribuinte, como operações realizadas em 2005 7.4. Pela motivação acima o lançamento deve ser parcialmente mantido quanto às exigibilidades tributárias incidentes sobre o montante de R$ 736.236,70. Mantenho o lançamento nessa parte remanescente, pois a mesma situação de carência de prova ainda se mostra presente. Isso porque a contribuinte não fez a vinculação necessária entre o que estava em aberto e o que se pretendeu demonstrar que já estava pago. Trazer um subconjunto de valores que somam um valor aproximado do conjunto maior (títulos em aberto) não é vinculação que se considere válida para infirmar qualquer coisa. Ao trazer esse subconjunto com data de emissão de 2005 não quer dizer que a autuação teria incluído esses títulos, apenas prova que o contribuinte trouxe a prova errada. E a prova da falta dessa vinculação, coerentemente com tudo que se disse nesse voto, é o que a própria DRJ coloca: 7.3.2. não há qualquer indicação de data das obrigações reportadas nos documentos de fls. 402/416; somente de pagamentos; 7.3.3. não há qualquer relação entre os valores dos documentos de fls. 402/416 e aqueles de fls. 161/177, que, juntamente com a DIPJ, serviram de base Fl. 617DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002363/200864 Acórdão n.º 1401001.575 S1C4T1 Fl. 83 17 à apuração das diferenças enfocadas; menos, ainda, com os montantes dessas mesmas diferenças, ora sob análise; 7.3.4. os primeiros, fls. 402/416 sequer constam das exigibilidades informadas nos documentos de fls. 161/177; (grifei) Outrossim, a Recorrente ainda em seu recurso não consegue infirmar o último questionamento colocado pela DRJ: todas as operações relacionadas aos documentos de fls. 402/416 dizem respeito ao fornecedor M. Trading. Ora, os documentos de fls. 161/177 indicam que operações com este fornecedor se relacionavam ou a adiantamentos de compras ou a fechamento de câmbio. Por fim, não socorre também o argumento da Recorrente no sentido de que a existência prejuízo fiscal impossibilitaria o lançamento de passivo fictício. Ilação nada mais equivocada, pois a omissão de receitas pode acontecer mesmo que a empresa apresente prejuízos fiscais. A apresentação de prejuízo ou lucro é o resultado final de um balanço em que as omissões entrariam para aumentar a parcela tributável ou diminuir o prejuízo compensável. Ou seja, a existência ou ausência de uma coisa (passivo fictício) não implica presença ou ausência de outra (lucro), apenas a primeira contribui para aumentar ou diminuir a segunda. Portanto, também mantenho este item da autuação. LANÇAMENTO DECORRENTES. CSLL, PIS E COFINS Em não havendo contestações específicas, o decidido quanto à infração do IRPJ, também se aplica aos lançamentos decorrentes naquilo em que for cabível. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 618DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 13708.000877/2001-74
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1989, 1995
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - FINSOCIAL -
TRIBUTO PAGO EM RAZÃO DE LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL - TERMO INICIAL DA CONTAGEM DO PRAZO PARA EXTINÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR.
A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PRAZO.
Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, o prazo de cinco anos é contado a partir da homologação, expressa ou tácita, o que resulta que, na ausência de homologação expressa, o prazo é de 10 anos, contados do fato gerador. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9900-000.864
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o advogado Gustavo Nunes Pinho, OAB-DF n°33591.
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho Redator designado
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-12-01T20:08:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-12-01T20:08:51Z; Last-Modified: 2015-12-01T20:08:51Z; dcterms:modified: 2015-12-01T20:08:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-12-01T20:08:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-12-01T20:08:51Z; meta:save-date: 2015-12-01T20:08:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-12-01T20:08:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-12-01T20:08:51Z; created: 2015-12-01T20:08:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2015-12-01T20:08:51Z; pdf:charsPerPage: 2219; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-12-01T20:08:51Z | Conteúdo => CSRF-PL Fl. 1 1 CSRF-PL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13708.000877/2001-74 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900-000.864 – Pleno Sessão de 08 de dezembro de 2014 Matéria Restituição/Compensaão - Decadência Recorrente Fazenda Nacional Recorrida Curso de Especialização Nota Dez Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1989, 1995 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - FINSOCIAL - TRIBUTO PAGO EM RAZÃO DE LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL - TERMO INICIAL DA CONTAGEM DO PRAZO PARA EXTINÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PRAZO. Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, o prazo de cinco anos é contado a partir da homologação, expressa ou tácita, o que resulta que, na ausência de homologação expressa, o prazo é de 10 anos, contados do fato gerador. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o advogado Gustavo Nunes Pinho, OAB-DF n°33591. [Tabela de Resultados] Fl. 389DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente EDITADO EM: 01/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, Júlio César Alves Ramos (Conselheiro Convocado), Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Antonio Lisboa Cardoso (Conselheiro Convocado). Relatório A Procuradoria da Fazenda Nacional, irresignada com o decidido no AcórdãoCSRF/02-03.180, proferido na sessão de 06/05/2008, apresentou recurso extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fulcro no artigo 9º do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF 147/2007, vigente à época da aludida decisão. A matéria recorrida trata do prazo do direito de pleitear o reconhecimento de crédito tributário — pedido de restituição/compensação — de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, sendo que o acórdão recorrido apresenta a seguinte ementa: PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. Tratando-se de pedido de restituição/compensação da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS exigido com base nos Decretos nºs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do RE n° 148.754/RJ, o termo a quo do prazo prescricional de 05 (cinco) anos para o pleito da contribuinte é a data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, 10/10/1995, que atribuiu efeito erga omnes à decisão da Suprema Corte, suspendendo a execução daqueles diplomas legais.Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992. Recurso Especial do Procurador Negado. A Recorrente aponta como paradigma o Acórdão CSRF/04-00.810, de03/03/2008, que na questão em debate traz como ementa: Fl. 390DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13708.000877/2001-74 Acórdão n.º 9900-000.864 CSRF-PL Fl. 2 3 EMENTA: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ILL — 0 direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos i_e ii, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribuhal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido. O Presidente do CARF admitiu o Recurso Extraordinário ancorado na seguinte motivação: (...), na análise da decisão e dos fundamentos dos arestos confrontados, verifica-se que a divergência está patente: a forma de contagem do prazo na decisão recorrida extrapola 5 (cinco) anos do pagamento, já no acórdão paradigma este prazo é rígido, "sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro". É o relatório. Voto Conselheiro Relator Preliminarmente, ressalto que o conselheiro Valmir Sandri relator original não é mais conselheiro do CARF, porém deixou a minuta de voto, apenas não pode assiná-lo. Diante desse quadro, fui designado como redator ad hoc. Reproduzo as razões de decidir do relator original, verbis: O recurso atende os pressupostos legais e regimentais que o autorizam, sendo assim, dele conheço. A questão posta à análise deste Pleno é quanto à relevância, na fixação do termo inicial do prazo de extinção do direito de pleitear a repetição de indébito, da circunstância de o tributo ter sido pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional. O pleito do contribuinte, apresentado em 01/06/2000, e alcançando pagamentos efetuados entre 04/12/89 e 13/10/95, foi deferido em parte pela autoridade administrativa, com o reconhecimento do direito creditório no valor total corrigido, a ser acrescido dos juros previstos no § 4º, do art. 39 da Lei nº 9.250/95, correspondente aos recolhimentos da contribuição para o PIS efetuados a maior em 14/07/95, 10/08/95, 15/09/95 e 13/10/95. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 Em manifestação de inconformidade o contribuinte alegou tratar-se de tributos sujeito a lançamento por homologação, cujo débito se extingue com a homologação, expressa ou tácita, dos pagamentos antecipados. A manifestação foi indeferida pela 5ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro, conforme Acórdão 5.725, de 23/06/2004, ementa a seguir: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/05/1995 Ementa: PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO TERMO INICIAL O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, inclusive na hipótese de tributos lançados por homologação, conforme preceitua o art. 150 do CTN. Solicitação indeferida. Ante o recurso voluntário interposto, a 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes prolatou o Acórdão 20178.645, de 11/08/2005, ementa a seguir: PIS. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. A contagem do prazo para pleitear a restituição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal se inicia com a decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, ou com a publicação da Resolução do Senado Federal que retirar do mundo jurídico referida norma declarada inconstitucional ou ainda então com a publicação do ato da autoridade administrativa emprestando à decisão do STF efeitos erga omnes. SEMESTRALIDADE. Até fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 6 da LC nº 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento (Primeira Seção STJ REsp nº 144.708RS – e CSRF), sendo a alíquota de 0,75%. Recurso provido. O acórdão foi objeto de Recurso Especial por parte da Fazenda Nacional, ao qual a Segunda Turma da CSRF, em sessão de 16/05/2008, negou provimento, conforme Acórdão CSRF/02- 03.180, ementa a seguir: Exercício: 1989, 1995 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13708.000877/2001-74 Acórdão n.º 9900-000.864 CSRF-PL Fl. 3 5 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. Tratando-se de pedido de restituição/compensação da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS exigido com base nos Decretos nºs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do RE n° 148.754/RJ, o termo a quo do prazo prescricional de 05 (cinco) anos para o pleito da contribuinte é a data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, 10/10/1995, que atribuiu efeito erga omnes à decisão da Suprema Corte, suspendendo a execução daqueles diplomas legais.Esta decisão é que está sendo vergastada pela Fazenda Nacional, em Recurso Extraordinário. Recurso especial negado. Esta decisão está sendo vergastada em sede de recurso extraordinário. Durante muitos anos, a jurisprudência predominante no CARF foi no sentido de que o início da contagem do prazo para pleitear a restituição de indébito seria distinto, conforme a forma em que teria se exteriorizado o indébito. Se o indébito exsurgisse da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação teria início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exteriorizasse no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só poderia ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. Com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62-A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, essa questão não mais comporta discussões, eis que foi objeto de decisão do STJ julgada na sistemática de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux, data do julgamento 12/05/2010, com a seguinte ementa: Ementa.TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados) Portanto, quanto ao termo inicial para a contagem do prazo, e em razão da vinculação regimental dos membros do Conselho, conforme art. 62-A do RI, razão está com a Fazenda Nacional. Contudo, há outra questão envolvida no litígio, que é o prazo para pleitear a repetição. E também essa matéria foi decidida pelo STJ, sob o procedimento dos recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n° 1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Naquele julgado, o STJ fixou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permanece regido pela tese dos “cinco Fl. 394DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13708.000877/2001-74 Acórdão n.º 9900-000.864 CSRF-PL Fl. 4 7 mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, de outro lado, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser válida a aplicação do novoprazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Esse acórdão transitou em julgado em 17/11/2011, com baixa definitiva dos autos em 01/03/2012, conforme andamentos registrados no sítio do STF. Considerando a supremacia das decisões do STF, e por força do quanto disposto no artigo 62-A, do Regimento Interno do CARF, deve-se ter que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para o pedido de restituição efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05 tem como termo inicial a homologação, expressa ou tácita, do lançamento, o que resulta que, não tendo havido homologação expressa, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador (aplicação combinada dos arts. 150, §4°, 156, VII, e 168, I, do CTN). No caso concreto, os recolhimentos se deram entre 04/12/89 e 13/10/95, e o pedido foi formulado em 01/06/2000. Assim, por força do quanto disposto no artigo 62-A, do Regimento Interno do CARF, considerando o entendimento fixado pelos tribunais superiores na sistemática dos artigos 543- B ou 543-C do CPC, subsiste o direito do contribuinte em relação aos pagamentos indevidos efetuados a partir de 31 de maio de 1990, inclusive. Pelas razões expostas, dou provimento parcial ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, para declarar extinto o direito do contribuinte à repetição do indébito correspondente aos pagamentos efetuados até 31 de abril de 1990. É como voto. Foram esses os fundamentos jurídicos e legais utilizados pelo relator original para negar provimento ao recurso extraordinário. Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado Fl. 395DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720574/2013-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
ITR. DUPLICIDADE DE CADASTRO.
Constatado que a área do imóvel rural está comprovadamente incorporada a outro NIRF, em razão da duplicidade de cadastro, deve-se exonerar o crédito tributário.
Numero da decisão: 2201-002.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício.
Assinado Digitalmente
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente-Substituto.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 06/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente-substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, EDUARDO TADEU FARAH e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2010 ITR. DUPLICIDADE DE CADASTRO. Constatado que a área do imóvel rural está comprovadamente incorporada a outro NIRF, em razão da duplicidade de cadastro, deve-se exonerar o crédito tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente-Substituto. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. EDITADO EM: 06/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente-substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, EDUARDO TADEU FARAH e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1686; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13161.720574/201320 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2201002.734 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2015 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FAZENDA SANTA OTÍLIA AGROPECUÁRIA LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2010 ITR. DUPLICIDADE DE CADASTRO. Constatado que a área do imóvel rural está comprovadamente incorporada a outro NIRF, em razão da duplicidade de cadastro, devese exonerar o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI – PresidenteSubstituto. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 06/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidentesubstituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, EDUARDO TADEU FARAH e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 05 74 /2 01 3- 20 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2010, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 03/07), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 9.643.626,69, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Diana”, cadastrado na RFB sob o nº 2.806.0830, com área declarada de 38.677,6 ha, localizado no Município de Porto Murtinho/MS. A fiscalização alterou o VTN declarado de R$10,00 (R$ 0,0003/ha), que entendeu subavaliado, arbitrando o valor de R$ 24.035.807,74 (R$ 621,44/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT). Cientificada do lançamento, a contribuinte apresenta impugnação de fls. 81/88, instruída com os documentos de fls. 89/158, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: informa que o imóvel de NIRF nº 2.806.0830, do presente Processo, apresentava área original de 36.839,92 ha e que ele é resultante da subdivisão da Fazenda Santa Otília, com área original de 104.527,993 ha, registrado no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Porto Murtinho sob a Matrícula nº 626, de 06.06.1988, a qual demonstra que o imóvel foi subdividido em 03 (três) glebas: 1ª gleba de 102.953,993 ha; 2ª gleba de 465,0 ha e 3ª gleba de 1.119,0 ha; informa, também, que o imóvel está cadastrado no INCRA sob o Código nº 907.065.002.9250, com área de 104.530,0 ha; esclarece que, posteriormente, em dezembro de 1988, a área total do imóvel foi retificada para 90.361,0531 ha, dividida em 03 (três) glebas: 1ª gleba de 88.523,2794 ha; 2ª gleba de 1.266,0592 ha e 3ª gleba de 571,7145 ha; esclarece, ainda, que, de acordo com a Cisão Parcial da Sociedade “Fazenda Santa Otília Ltda”, o imóvel, com área retificada para 90.361,0531 ha, foi novamente subdividido, em 29.12.1988, em 04 (quatro) partes, com abertura de novos registros no Cartório: 1) Matrícula nº 1.654 de 36.839,92 ha; 2) Matrícula nº 1.655 de 1.266,0592 ha; 3) Matrícula nº 1.656 de 571,7145 ha e 4) Matrícula nº 626 Remanescente de 51.683,3594; expõe que o imóvel objeto da Matrícula nº 626, denominado Fazenda Santa Otília parte remanescente, permaneceu na propriedade da sociedade empresária Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda, enquanto os outros 03 (três) imóveis foram transferidos para a sociedade empresária resultante da Cisão Parcial da Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda, ou seja, para a Fazenda Diana Agropecuária Ltda; apresenta a situação dominial dos imóveis após a citada Cisão Parcial: a) imóveis da Fazenda Diana Agropecuária Ltda: 1) Fl. 183DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13161.720574/201320 Acórdão n.º 2201002.734 S2C2T1 Fl. 3 3 Matrícula nº 1.654 de 36.839,92 ha; 2) Matrícula nº 1.655 de 1.266,0592 ha e 3) Matrícula nº 1.656 de 571,7145 ha, que totaliza, para a Fazenda Diana, 38.677,6937 ha; b) imóvel da Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda: Matrícula nº 626 de 51.683,3594 ha, salientando que a área das duas Fazendas (Diana e Santa Otília) é de 90.361,0531 ha; informa que, em 31.01.2002, por meio da Assembléia Geral Extraordinária, registrada na Junta Comercial de São Paulo sob o nº 37819021, a sociedade empresária Fazenda Diana Agropecuária Ltda foi incorporada pela sociedade empresária Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda, tendo sido os imóveis de propriedade da incorporada transferidos para a incorporadora; menciona que, atualmente, os imóveis de Matrículas nº 626, 1.654, 1.655 e 1.656 são de propriedade da sociedade empresária Fazenda Santa Otília Ltda e totalizam a área de 90.391,0531 ha; esclarece que os imóveis denominados Fazenda Diana e Fazenda Santa Otília foram cadastrados na RFB, na seguinte forma: 1) Fazenda Santa Otília de 90.360,9 ha NIRF nº 0.33.1739 e b) Fazenda Diana de 38.677,6 NIRF nº 2.806.083 0; considera que, desde a data do cadastramento do imóvel Fazenda Santa Otília, a sociedade empresária Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda sempre apresentou as DITR referentes a um imóvel com 90.360,9 ha, mesmo após a Cisão Parcial, em 29.07.1988, não havendo a redução da área total do imóvel do NIRF nº 0.334.1739, de 90.360,9 ha para 51.683,3 ha, em período algum, desde 1990 até a presente data; expõe que houve o cadastramento do imóvel denominado Fazenda Diana no NIRF nº 2.806.0830, com área de 38.677,6 ha, e a sociedade empresária Fazenda Diana Agropecuária Ltda, proprietária do imóvel apresentou as DITR, com essa área, desde a data da abertura do NIRF até o ano de 2001, independentemente do fato de que a proprietária anterior continuasse a apresentar DITR do imóvel remanescente com uma área de 90.360,9 ha; esclarece que, após a incorporação da sociedade empresária Fazenda Diana Agropecuária Ltda pela sociedade empresária Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda, em 31.01.2002, a incorporadora, como proprietária do imóvel Fazenda Diana, passou a apresentar as DITR do imóvel de NIRF nº 2.806.0830 independentemente do fato da área desse imóvel (38.677,6 ha) encontrarse inserida na área de 90.360,9 ha, que já vinha sendo declarada desde 1990; conclui que desde a data de abertura do NIRF nº 2.806.0830, houve bitributação, pelo fato de a área do imóvel de NIRF nº 0.334.1739 não haver sido reduzida para 51.683,3 ha e para evitaramse os efeitos dessa bitributação e, diante do fato de o Fl. 184DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 NIRF nº 2.806.0830 não ter sido cancelado, após a incorporação, a nova declarante, Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda, apresentou as DITR da Fazenda Diana com o valor de R$10,00, uma vez que o ITR vinha sendo pago pela totalidade, por meio das DITR do NIRF nº 0.334.1739; considera que os imóveis pertencentes ao mesmo proprietário, que apresentam áreas contínuas devem ser declarados como um único imóvel, motivo pelo qual, a área de 90.360,9 ha do imóvel de NIRF nº 0.334.1739, não poderia ser reduzida para 51.683,3 ha, após a aquisição do imóvel por incorporação; diz que a análise dos dados do Demonstrativo do Crédito Tributário Apurado da Notificação demonstra que as áreas de uso do solo do imóvel (preservação permanente, reserva legal, benfeitorias e pastagens plantadas) não foram indicadas, pelo fato de que essas mesmas áreas foram indicadas na DITR do imóvel com área de 90.360,9 ha, correspondente ao imóvel unificado, denominado Fazenda Santa Otília de NIRF nº 0.334.1739, na qual o ITR foi apurado corretamente e já se encontra devidamente quitado; entende que o VTN arbitrado de R$621,44/ha é muito superior ao valor de mercado praticado na região, principalmente, para imóveis que apresentam grandes dimensões e cujos solos apresentam baixa produtividade, afloramentos rochosos e declividades acentuadas, e que esse VTN reflete médias obtidas pelos Órgãos Públicos para imóveis de menor área, que são objeto de compra e venda na região; considera que a Fazenda Diana de 38.677,6 ha integra a área da Fazenda Santa Otília de 90.360,9 ha e que o VTN não pode ultrapassar o valor de mercado de R$120,00/ha, dada a extensão do imóvel, a qualidade dos solos, a declividade da área e as despesas necessárias à manutenção das pastagens; lembra que o ITR, da área total do imóvel de 90.360,9 ha, foi recolhido à base de um VTN de R$115,06/ha, valor esse que foi aceito pela RFB, da Fazenda Santa Otília, da qual a Fazenda Diana é parte integrante; informa que não houve possibilidade de apresentação de Laudo de Avaliação da Fazenda Diana, com área de 38.677,6 ha, em virtude desse imóvel constituir parte integrante de outro imóvel de maior área, devendo a avaliação ser efetuada para todo o imóvel com área total de 90.360,9 ha; pelo o exposto, requer: a) o conhecimento da impugnação; b) o cancelamento da Notificação de Lançamento em decorrência de o ITR haver sido pago em imóvel de maior área; c) o cancelamento do NIRF nº 2.806.0830; d) a nãoincidência de juros e multa, e e) a produção de provas admitidas para a comprovação de que o ITR foi efetivamente pago. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13161.720574/201320 Acórdão n.º 2201002.734 S2C2T1 Fl. 4 5 Também, consta dos autos que o débito formalizado por meio do presente Processo foi inscrito em Dívida Ativa da União (às fls. 23/25) e, após a constatação da apresentação de impugnação tempestiva, conforme exarado na Informação de fls. 26, foi providenciado junto a PFN/MS o cancelamento dessa inscrição e da Ação correspondente (às fls. 28 e 35/39). A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou procedente a impugnação apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: DA DUPLICIDADE CADASTRAL E DE DECLARAÇÃO Quando a Notificação tiver como objeto imóvel rural cuja área está comprovadamente incorporada a outro NIRF, para efeito de declaração e apuração do ITR, cabe ser desconsiderado o lançamento, por irregularidade cadastral (duplicidade) e por não observar a situação fática do imóvel como um todo. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Diante do valor exonerado, os autos foram encaminhados ao CARF, na forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Portaria MF nº 03/2008. Não foi apresentado Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso de ofício atende os requisitos de admissibilidade. Ao analisar a impugnação apresentada pela recorrente, juntamente com as provas constantes dos autos, a autoridade julgadora de primeira instância, assim se manifestou: Da Duplicidade Cadastral e de Declaração O requerente alega que a área deste imóvel rural denominado “Fazenda Diana”, cadastrado na RFB, sob o NIRF nº 2.806.0830, com área declarada de 38.677,6 ha, foi declarada, também, no NIRF nº 0.334.1739, do imóvel rural denominado “Fazenda Santa Otília”, com área total de 90.360,9 ha, no mesmo exercício, DITR de fls. 125/130, estando, portanto, declaradas em duplicidade, requerendo o cancelando da Notificação de Lançamento. Analisando os autos, confirmamse as alegações do impugnante. Inicialmente, as telas do Sistema CAFIR de fls. 160/161 mostram que os dois citados imóveis de NIRF nº 2.806.0830 e NIRF nº Fl. 186DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 0.334.1739 pertencem ao impugnante (CNPJ nº 53.534.038/000291) e que, atualmente, estão cadastrados com uma área total, respectivamente, de 1.837,7 ha e de 88.523,2 ha, que somam os 90.360,9 ha, que foram declarados de forma total no NIRF nº 0.334.1739, no exercício de 2010, às fls. 125/130. Verificouse, ainda, no Sistema CAFIR, que a área declarada no NIRF nº 2.806.0830, do presente Processo, de 38.677,6 ha, no exercício de 2010, somente foi alterada para 1.837,7 ha, conforme citado no parágrafo anterior, em 2014, às fls. 164. Ainda, em consulta ao CAFIR, constatase que a área declarada de 38.677,6 ha no NIRF nº 2.806.0830 foi adquirida em 31.01.2002, às fls. 165, pela sociedade empresária Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda (CNPJ nº 53.534.038/000291), na data da incorporação relatada e que, nessa mesma data, essa área de 38.677,6 ha consta como adquirida pelo impugnante nos dados de aquisição do NIRF nº 0.334.1739, às fls. 166. Ainda, consta no CAFIR, em consulta pelo número do CNPJ 53.534.038/000291, da impugnante, que a sociedade empresária Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda possui apenas dois imóveis rurais no município de Porto Murtinho/MS, com áreas de 1.837,7 ha e de 88.523,2 ha, às fls. 167, que somam os 90.360,9 ha alegados como sendo de sua propriedade, e que a sociedade empresária Fazenda Diana Agropecuária Ltda, CNPJnº 59.406.967/000110 de fls. 169, que foi incorporada, não possui imóvel no CAFIR, conforme tela de fls. 168, o que corrobora o fato de o imóvel do presente processo de área de 38.677,6 ha estar declarado, também, no imóvel de área de 90.360,9 ha, já que não há nenhum outro imóvel cadastrado em nome do impugnante ou da sociedade empresária incorporada. Já a cópia da Matrícula nº 626, às fls. 131/149, confirma todos os fatos narrados pelo impugnante de que o imóvel denominado Fazenda Santa Otília, com área original de 104.527,993 ha, registrado no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Porto Murtinho, a qual demonstra que o imóvel foi subdividido em 03 (três) glebas: 1ª gleba de 102.953,993 ha; 2ª gleba de 465,0 ha e 3ª gleba de 1.119,0 ha e que, posteriormente, a área total do imóvel foi retificada para 90.361,0531 ha, às fls. 135, dividida em 03 (três) glebas: 1ª gleba de 88.523,2794 ha; 2ª gleba de 1.266,0592 ha e 3ª gleba de 571,7145 ha. A citada Matrícula confirma, ainda, a informação que, de acordo com a Cisão Parcial da sociedade empresária Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda, o imóvel, com área retificada para 90.361,0531 ha, foi novamente subdividido, em 29.12.1988, às fls. 144, em 04 (quatro) partes, com abertura de novos registros no Cartório: 1) Matrícula nº 1.654, às fls. 150/154, de 36.839,92 ha; 2) Matrícula nº 1.655, às fls. 155/156, de 1.266,0592 ha; 3) Matrícula nº 1.656, às fls. 157/158, de 571,7145 ha e 4) Matrícula nº 626 remanescente de 51.683,3594. Salientese que as mesmas informações constam nas Matrículas nº 1.654, 1.655 e 1.656. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13161.720574/201320 Acórdão n.º 2201002.734 S2C2T1 Fl. 5 7 Corrobora, também, a alegação do impugnante de que o imóvel de NIRF nº 2.806.0830 foi declarado, também, no NIRF nº 0.334.1739, o fato de eles terem sido cadastrados no CAFIR, às fls. 162/163, sob o mesmo Código nº 907.065.002.9250 do INCRA, número esse que consta nas Matrículas de nº 626, nº 1.654, nº 1.655 e nº 1.656, às fls. 131/158. Desta forma, levandose em consideração os documentos carreados aos autos pelo requerente e de acordo com as pesquisas internas realizadas nos sistemas eletrônicos da RFB (Sistema ITR e CAFIR), como visto, fica evidenciado nos autos que o imóvel rural objeto deste Processo, com área declarada de 38.677,6 ha, de fato, está incluído na DITR do imóvel rural denominado Fazenda Santa Otília, NIRF nº 0.334.1739, com área total declarada de 90.360,9 ha, às fls. 125/130. Assim, tendo sido comprovado nos autos que a área do imóvel objeto do lançamento de ofício realizado pela Autoridade Fiscal, também, está incluída na área de outro imóvel rural (NIRF nº 0.334.1739) e declarada de forma unificada, por serem áreas contíguas, para efeito de apuração do ITR, do exercício de 2010, não há como prosperar esse lançamento, em razão dessa inconsistência cadastral (duplicidade) e, consequentemente, por não ter sido observada a situação fática do imóvel como um todo. Quanto ao pedido de cancelamento do presente NIRF de nº 2.806.0830, é de se esclarecer que não obstante a Decisão ora proferida ser pelo cancelamento do lançamento impugnado, não compete ao julgador administrativo cancelar NIRF ou efetuar qualquer alteração no CAFIR, que será processada a juízo da autoridade administrativa competente, após análise da pertinência do pedido, nos termos dos artigos 16, 17, 18 e 19 da IN/RFB nº 830/2010, que Dispõe sobre o Cadastro de Imóveis Rurais (Cafir), in verbis: (...) Do exposto, verificase que não há qualquer reparo a fazer no entendimento da decisão de primeira instância, já que em razão da irregularidade cadastral, o imóvel rural objeto da exação, denominado “Fazenda Diana”, cadastrado na RFB sob o nº 2.806.0830, com área declarada de 38.677,6 ha, está comprovadamente incorporado ao imóvel rural denominado Fazenda Santa Otília, NIRF nº 0.334.1739, com área total declarada de 90.360,9 ha (fls. 125/130). Portanto, para efeito de declaração e apuração do ITR/2010, não há como prosperar o lançamento. Assim, verificando que a decisão recorrida está fundamenta em elementos de prova, todos eles constantes dos autos, e estando seus argumentos em perfeita sintonia com a legislação de regência, nego provimento ao Recurso de Oficio. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Fl. 188DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15889.000332/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008
VALORES RECOLHIDOS. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM DECLARAÇÃO PRÓPRIA. LANÇAMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DESCABIMENTO.
Mostra-se improcedente o lançamento de valores recolhidos e não informados em DCTF, mediante auto de infração, que é instrumento destinado à exigência de crédito tributário, haja vista que não há possibilidade de se cobrar crédito tributário que já se encontra extinto por pagamento, ainda mais quando acrescido de multa de ofício e juros de mora, como pretendeu a autuação.
Recurso voluntário provido em parte.
É assegurado o direito de crédito do imposto pela aquisição de insumos isentos de que trata o art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435/75, desde que preenchidos os requisitos para sua fruição, quais sejam, que ditos insumos tenham sido elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional (Amazônia Ocidental), exclusive as de origem pecuária, bem assim, por pessoa jurídica com projeto aprovado pela SUFRAMA.
IPI. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS. APROVEITAMENTO MEDIANTE ESCRITURAÇÃO NO LIVRO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE.
Os valores recolhidos indevidamente a título de imposto sobre produtos industrializados não podem ser abatidos diretamente na conta gráfica do imposto, através da escrituração em livro próprio, por falta de amparo legal, devendo se submeter ao procedimento ordinário de restituição, ressarcimento e compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal.
Numero da decisão: 3401-003.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que davam provimento também com respeito à compensação escritural.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 VALORES RECOLHIDOS. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM DECLARAÇÃO PRÓPRIA. LANÇAMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DESCABIMENTO. Mostra-se improcedente o lançamento de valores recolhidos e não informados em DCTF, mediante auto de infração, que é instrumento destinado à exigência de crédito tributário, haja vista que não há possibilidade de se cobrar crédito tributário que já se encontra extinto por pagamento, ainda mais quando acrescido de multa de ofício e juros de mora, como pretendeu a autuação. Recurso voluntário provido em parte. É assegurado o direito de crédito do imposto pela aquisição de insumos isentos de que trata o art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435/75, desde que preenchidos os requisitos para sua fruição, quais sejam, que ditos insumos tenham sido elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional (Amazônia Ocidental), exclusive as de origem pecuária, bem assim, por pessoa jurídica com projeto aprovado pela SUFRAMA. IPI. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS. APROVEITAMENTO MEDIANTE ESCRITURAÇÃO NO LIVRO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores recolhidos indevidamente a título de imposto sobre produtos industrializados não podem ser abatidos diretamente na conta gráfica do imposto, através da escrituração em livro próprio, por falta de amparo legal, devendo se submeter ao procedimento ordinário de restituição, ressarcimento e compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que davam provimento também com respeito à compensação escritural. Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa anterior para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem isentos não garantem crédito de IPI. IPI. ISENÇÃO. ART. 6º DO DECRETOLEI Nº 1.435/75. DIREITO DE CRÉDITO. REQUISITOS. OBSERVÂNCIA. É assegurado o direito de crédito do imposto pela aquisição de insumos isentos de que trata o art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75, desde que preenchidos os requisitos para sua fruição, quais sejam, que ditos insumos tenham sido elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional (Amazônia Ocidental), exclusive as de origem pecuária, bem assim, por pessoa jurídica com projeto aprovado pela SUFRAMA. IPI. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS. APROVEITAMENTO MEDIANTE ESCRITURAÇÃO NO LIVRO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores recolhidos indevidamente a título de imposto sobre produtos industrializados não podem ser abatidos diretamente na conta gráfica do imposto, através da escrituração em livro próprio, por falta de amparo legal, devendo se submeter ao procedimento ordinário de restituição, ressarcimento e compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 03 32 /2 00 9- 60Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 VALORES RECOLHIDOS. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM DECLARAÇÃO PRÓPRIA. LANÇAMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DESCABIMENTO. Mostrase improcedente o lançamento de valores recolhidos e não informados em DCTF, mediante auto de infração, que é instrumento destinado à exigência de crédito tributário, haja vista que não há possibilidade de se cobrar crédito tributário que já se encontra extinto por pagamento, ainda mais quando acrescido de multa de ofício e juros de mora, como pretendeu a autuação. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que davam provimento também com respeito à compensação escritural. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo de auto de infração de IPI motivado pelo indevido aproveitamento de créditos fictícios, pela aquisição de insumos (rolha metálica, filmes stretch e tampa alumínio) de pessoas jurídicas localizadas na área da Zona Franca de Manaus – ZFM, com isenção do imposto, bem assim de diferenças por escrituração incorreta de indébito tributário e divergência entre o valor escriturado e o declarado. O contribuinte, em impugnação, argumenta que para o princípio da não cumulatividade é irrelevante que o produto adquirido da ZFM seja ou não isento, tendo direito ao respectivo “crédito”, citando o RE 212.484/RS; que a regra isentiva não restringe aludido princípio, de vez que há incidência tributária e mera dispensa de pagamento; que os Decretos Leis nºs 288/67 e 1.435/75 devem ser interpretados de forma sistemática e integrada em especial o art. 6º deste último diploma, que admite o creditamento do IPI pela aquisição de Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15889.000332/200960 Acórdão n.º 3403003.074 S3C4T3 Fl. 3 3 produtos, como se devido fosse, desde que sejam elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, como é o caso do produto denominado FILME “STRETCH”, que é produzido a partir do óleo de dendê, e beneficiário da isenção do art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75, conforme Resolução SUFRAMA 154/2008; que a jurisprudência do STF e do Conselho de Contribuintes reconhece que o produto oriundo da ZFM deve receber tratamento diferenciado; e, por fim, a nulidade do item 2.2 da autuação, por aplicação do art. 108, I e IV do CTN, e item 2.3, por erro quanto à tipificação da infração. A DRJ Ribeirão Preto/SP julgou o lançamento procedente em decisão assim ementada: “GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental e sem projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. INSUMOS DESONERADOS. CRÉDITOS FICTÍCIOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a insumos onerados pelo imposto e admitidos segundo o entendimento albergado na legislação tributária. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO COMO CRÉDITOS NA ESCRITA FISCAL. O pagamento indevido ou a maior de tributo é sujeito a repetição de indébito, mediante o manejo administrativo de pedido de restituição, sendo inconcebível a apropriação do direito creditório na conta gráfica do IPI como se este fosse crédito escritural. SALDO DEVEDOR NÃO DECLARADO EM DCTF. RECOLHIMENTO EM ATRASO E INSUFICIENTE. Sendo o saldo devedor não declarado em DCTF recolhido em atraso, com os acréscimos moratórios em montante insuficiente, cabe o lançamento de oficio respectivo, devendo o órgão preparador efetuar a imputação proporcional dos pagamentos feitos. Impugnação improcedente” Em recurso voluntário, com alguma variação, são repisadas as alegações de mérito apresentadas em sede impugnatória, com especial atenção ao direito de crédito pelo valor do imposto indevidamente recolhido e aproveitado diretamente no Livro Registro de Apuração do IPI, onde assevera tal possibilidade pela aplicação analógica (art. 108, I e IV, CTN) do disposto no art. 178, II do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/02); e também, em relação à diferença verificada entre a escrituração e a DCTF no período de apuração 31/07/2005, que uma vez recolhido indigitado valor, como reconhece a autoridade administrativa, não faria sentido incluílo no lançamento. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Em 25/11/2011 o processo em questão teve o seu julgamento sobrestado nos termos do art. 62A do regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, por força dos RE 590.809 e 592.891, pendentes de julgamento perante o STF, conforme despacho. Com o advento da Portaria CARF nº 01/2012 o processo foi retirado da condição de sobrestado e posto em julgamento. Em 26/06/2012, através da Resolução nº 340300.344, o processo foi novamente sobrestado, em função de entendimento firmado pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante despacho lançado no processo 10283.005290/200797. Em 30/12/2013, com a revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A do RICARF pela Portaria MF 545, de 18/11/2013, os autos foram devolvidos para prosseguimento do julgamento. Na sessão de outubro/2014, por intermédio da Resolução 3401000.839, de 15/10/2014, o julgamento foi convertido em diligência para esclarecimentos acerca dos produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos com isenção e cujo crédito foi apropriado, bem assim, quanto aos valores creditados no livro de apuração do imposto. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, pelo que, dele se conhece. As preliminares de nulidade argüidas na impugnação não foram repetidas, com esta natureza, no recurso voluntário, mas como matéria de mérito, de modo que serão examinadas no decorrer do voto. Inicialmente abordo a questão do aproveitamento de créditos pela aquisição de insumos isentos, em observância ao princípio da não cumulatividade, como pretende e defende a recorrente. Consoante art. 153, § 3º da CF/88 as balizas que dão o contorno principal do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI são as seguintes: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15889.000332/200960 Acórdão n.º 3403003.074 S3C4T3 Fl. 4 5 VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. IV terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)” (destaquei) Como se observa do preceptivo em destaque, a apuração não cumulativa do IPI, que ora interessa, se dá pelo abatimento do valor cobrado nas aquisições e o valor devido pela saída do produto tributado, de modo que é pressuposto, a meu sentir, inarredável, que tenha havido pagamento (rectius cobrança) de imposto na etapa imediatamente anterior e não mera incidência tributária, como sustenta o recorrente. Neste sentido a redação do art. 49 do Código Tributário Nacional: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte transferese para o período ou períodos seguintes.” A própria norma legal impositiva do imposto em comento, Lei nº 4.502/64, por via oblíqua, sinaliza neste sentido, quando determina que seja estornado o crédito do imposto relativo aos insumos empregados na fabricação de produtos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, nestes termos: “Art. 25. A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) § 1º O direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 § 2º (Revogado pelo DecretoLei nº 2.433, de 1988) § 3º. O Regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento do débito correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo ou os resultantes da industrialização estejam sujeitos à alíquota zero, não estejam tributados ou gozem de isenção, ainda que esta seja decorrente de uma operação no mercado interno equiparada a exportação, ressalvados os casos expressamente contemplados em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989)” Com efeito, se se deveria estornar o crédito efetivo pela aquisição tributada de matériaprima, produto intermediário e material embalagem aplicados na industrialização de produtos que não sofriam a incidência do tributo, lato senso, com mais razão ainda na hipótese em que a própria aquisição do insumo já ocorresse de forma desonerada do imposto. Para evitar uma má interpretação da asserção, registro ser do conhecimento que a disposição em epígrafe se encontra hodiernamente mitigada pelo art. 11 da Lei nº 9.779/99, que permite a manutenção do crédito nos casos de produtos saídos com isenção e alíquota zero, todavia, tal dispositivo não se amolda ao caso sob análise. Em síntese, ratifico meu entendimento de ser condição sine qua non para aproveitamento dos créditos de IPI, pela sistemática de apuração não cumulativa, a efetiva cobrança do imposto, aqui entendida na acepção de exigir, fazer com que seja pago, e não simplesmente que incida a norma tributária, de maneira que a isenção, ainda que entendida como dispensa legal de pagamento devido, não garante direito de crédito pela sistemática não cumulativa de apuração do IPI. Em contraponto à posição jurisprudencial do STF colacionada pela ora recorrente, verifico que atualmente a questão passa por uma verdadeira “mutação interpretativa”, como se depreende dos seguintes acórdãos: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO. OPERAÇÕES COM ENERGIA ELÉTRICA. I Na sistemática que rege o princípio constitucional da não cumulatividade, a operação desonerada de IPI impede o reconhecimento do imposto pago na operação anterior e não gera crédito para a seguinte, raciocínio que deve ser aplicado de forma indistinta aos casos de alíquota zero, isenção, não incidência e de imunidade. II Inexiste direito constitucional ao crédito de IPI decorrente da aquisição de energia elétrica empregada no processo de fabricação de produtos industrializados que são onerados pelo imposto em suas saídas. III Agravo regimental improvido.” (RE 561676 AgR/SC. 01/06/2010) (destaquei e sublinhei). “TRIBUTÁRIO. IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AOS CRÉDITOS. DECISÃO COM FUNDAMENTO EM PRECEDENTES DO PLENÁRIO. 1. A decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência do Plenário desta Corte (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS), no sentido de que Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15889.000332/200960 Acórdão n.º 3403003.074 S3C4T3 Fl. 5 7 não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições insumos isentos, nãotributados ou sujeitos à alíquota zero. 2. Agravo regimental improvido.” (RE 566.551 AgR/RS – 06/04/2010) (destaquei e sublinhei) “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. IPI. AQUISIÇÕES ISENTAS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AOS CRÉDITOS. DECISÃO COM FUNDAMENTO EM PRECEDENTES DO PLENÁRIO. TRÂNSITO EM JULGADO. DESNECESSIDADE. 1. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental, consoante iterativa jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. 2. A decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência do Plenário desta Corte (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS), no sentido de que não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições isentas, cujo entendimento afastou tese adotada no RE 212.484/RS). 3. Desnecessidade do trânsito em julgado dos precedentes em que se apoiou a decisão agravada. 4. Agravo regimental improvido.” (RE 488.357 ED/PR – 18/08/2009). (destaquei e sublinhei) “EMENTA: Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Insumos. IPI. Alíquota zero, isenção ou nãotributação. Crédito na operação posterior. Impossibilidade. Ausência de violação ao art. 153, § 3º, II, da CF/88. Precedentes. 3. Limitação de efeitos da declaração de inconstitucionalidade. Inaplicabilidade. 4. Agravo regimental a que se nega provimento.” (RE 444267 AgR/RS – 18/12/2007). Por pertinente e para melhor esclarecer o alcance do julgado, colho excerto do voto condutor do eminente Min. Ricardo Lewandowski no RE 561.676 AgR/SC julgado em 01/06/2010, verbis: “A decisão agravada foi proferida em harmonia com o atual entendimento desta Corte no sentido de que, na sistemática que rege o princípio constitucional da não cumulatividade, a operação desonerada de IPI impede o reconhecimento do imposto pago na operação anterior e não gera crédito para a seguinte, raciocínio que deve ser aplicado de forma indistinta aos casos de alíquota zero, isenção, não incidência e de imunidade. Decorre daí a lógica de que só se compensa crédito de operação anterior quando e na medida do que for devido na próxima operação e só se atribui crédito para uma operação seguinte quando e à medida do que for pago na anterior.” (destaquei) Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Na mesma linha de raciocínio o voto da Min. Ellen Gracie nos Embargos de Declaração no RE 488.3571/PR, proferido em 18/08/20091: “A decisão proferida pelo meu antecessor, Ministro Gilmar Mendes, deve ser mantida, porque está em harmonia com a orientação firmada pelo Supremo Tribunal Federal, nos precedentes citados (RE 370.682/SG, rel. para o acórdão Min. Gilmar Mendes, Plenário, Dje 19.12.2007; e RE 353.657/RS, rel. Min. Marco Aurélio, Plenário, Dje 7.3.2008), no sentido de que não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições isentas. (...) Este Supremo Tribunal também concluiu que a partir do julgamento dos recursos acima citados, que serviram de fundamento para a decisão agravada, não mais subsiste a tese adotada no RE 212.484/RS, Plenário, rel. Min. Nelson Jobim, DJ 27.11.1998, sustentada, no presente recurso, pelo ora recorrente.” (destaquei) Em recentíssima manifestação, a Corte Suprema decidiu, em sede de repercussão geral, no RE 398.365/RS, que a sistemática não cumulativa insculpida no art. 153 da CF/88 não garante direito de crédito pelas aquisições isentas, verbis: “Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência.” (destacado) Deste colegiado, cito exemplificativamente o Acórdão 3401002.750, julgado no mês de outubro/2014, por maioria de votos, pela denegação do direito ora pleiteado. Respeitante ao direito de crédito fundado na interpretação sistemática das disposições do art. 9º do DecretoLei nº 288/67 e do art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75, com a ressalva adiante, trilhando o mesmo raciocínio da decisão de primeiro grau administrativo, não vislumbro o alcance pretendido pelo recorrente. O art. 9º do DL 288/67, com a redação dada pela Lei nº 8.387/91, consigna que estão isentas do IPI todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional, nela não havendo qualquer disposição que assegure o crédito vindicado. Por seu turno, o art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75 veicula norma específica em relação à ZFM, cujo parágrafo primeiro garante o direito ao crédito do IPI, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou 1 De acordo com o relatório deste recurso extraordinário, tratavase de embargos de declaração onde alegava o embargante que os julgados tidos como paradigma (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS) “se concentraram nos casos de aquisições com não tributação e reduzidas à alíquota zero, tendo sido mantido o direito relativo às aquisições isentas (sic)” e que a decisão recorrida não teria feito a diferenciação necessária dos institutos, argumentando ainda que o direito a tal creditamento estaria amparado no leading case RE 212.484/RS e que tais decisões não alcançariam os casos de isenção. Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15889.000332/200960 Acórdão n.º 3403003.074 S3C4T3 Fl. 6 9 materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto, como no caso vertente. Todavia, o direito de crédito exige que o insumo tenha sido elaborado com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, e desde que a pessoa jurídica possua projeto aprovado pela SUFRAMA. Da leitura integrada dos aludidos dispositivos não se infere a assertiva que todos os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus geram direito ao “crédito presumido” de IPI, como sustenta a recorrente, seja pela redação original do art. 6º do Decreto Lei nº 288/67, seja pela redação da Lei nº 8.387/91, como bem decidido pela decisão sob vergasta. Assim, dos insumos em testilha, não resta dúvida que as rolhas metálicas e as tampas de alumínio não estariam acobertadas pela vantagem do art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75, remanescendo apenas os “filmes stretch 500M”, produzidos pela VALFILM AMAZÔNIA (CNPJ 03.071.894/000107), que, segundo a recorrente, utilizariam óleo de dendê produzido na Amazônia Ocidental como matériaprima em sua fabricação. Esse questionamento foi um dos pontos objeto da diligência determinada em outubro/2014, tendo a unidade preparadora esclarecido, mediante documentação coligida aos autos, inclusive manifestação do fornecedor, que o óleo de dendê passou a ser empregado no processo produtivo a partir de outubro/2008 (fl. 1.309), cujo reconhecimento se deu pela Resolução SUFRAMA nº 154/2008, de 19/06/2008, publicada no DOU em 02/07/2008 (fls. 1.279 e ss.). Nada obstante a aprovação ter ocorrido em julho/2008, com a publicação da resolução, registro que, segundo o fornecedor (fl. 1.309 e 1.311), a utilização do óleo de dendê como matériaprima somente ocorreu a partir de outubro/2008, de maneira que desde então deve ser admitido o direito de crédito pela aquisição do produto denominado “filme stretch 500 M”, tendo em conta o atendimento às exigências regulamentares. Portanto, quanto à glosa de créditos originados pelas aquisições isentas, merece parcial acolhimento a pretensão deduzida, nos termos expostos. Tocante à forma de aproveitamento dos créditos de IPI por recolhimento indevido, diretamente na conta gráfica, não merece guarida o procedimento adotado, por falta de amparo legal, não sendo o caso de aplicação analógica do disposto no art. 178, II do RIPI/2002, aprovado pelo Decreto nº 4.544/2002, haja vista que a analogia tem como pressuposto a ausência de disposição expressa sobre o assunto, o que não ocorre quanto à restituição/compensação de IPI recolhido a maior. Notese, não se está afirmando a improcedência do indébito, o que foi, inclusive, confirmado pela diligência, mas tãosomente a forma de aproveitamento operada pelo contribuinte. Com efeito, o tema era então regulado pelos arts. 207 a 209 do referido Decreto nº 4.544/2002, verbis: “Art. 207. Nos casos de pagamento indevido ou a maior do imposto, inclusive quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 condenatória, o valor correspondente poderá ser utilizado, mediante compensação, para pagamentos de débitos do imposto do próprio sujeito passivo, correspondentes a períodos subseqüentes, independentemente de requerimento (Lei nº 5.172, de 1966, art. 165, Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 73). § 1º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição (Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, § 2º). § 2º Parte legítima para efetuar a compensação ou pleitear a restituição é o sujeito passivo que comprove haver efetuado o pagamento indevido, ou a maior. Art. 208. O sujeito passivo que apurar crédito do imposto, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). § 2º A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 2º, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Art. 209. A restituição do imposto fica condicionada à verificação da quitação de tributos e contribuições federais do interessado (Decretolei nº 2.287, de 1986, art. 7º, Lei nº 9.069, de 1995, art. 60, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 73).” À luz da redação do caput do art. 207, em princípio, poderia o contribuinte aproveitarse dos créditos por recolhimento indevido para abatimento dos valores devidos em períodos subseqüentes, ainda que não o fosse pelo registro de tais valores sob o título “outros créditos” no Livro Registro de Apuração do IPI, como procedeu a recorrente. Entretanto, isoladamente, tenho que este erro formal poderia ser relevado e admitido o modus operandi observado, ainda que incorreto, não fosse a alteração da sistemática de restituição/ressarcimento/compensação operada pela Lei nº 10.637/2002, que passou a exigir, em tais casos, a entrega da competente declaração de compensação. Destarte, até o advento do diploma legal em tela a compensação entre tributos de mesma espécie se fazia, independentemente de requerimento, mediante compensação na escrituração do contribuinte, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91, e, em se tratando de tributos de espécies distintas, mediante requerimento à Secretaria da Receita Federal, através do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Com a alteração promovida pela Lei nº 10.637/2002, o art. 74 da Lei nº 9.430/96 passou a reger qualquer tipo de compensação promovida no âmbito da Secretaria da Receita Federal, inclusive aquelas anteriormente açambarcadas pelo art. 66 da Lei nº 8.383/91, exigindose necessariamente, em qualquer caso, a transmissão da declaração de compensação. Os créditos por recolhimento indevido somente poderiam ser aproveitados mediante escrituração no livro próprio mediante previsão específica neste sentido, o que, em não ocorrendo, impõe a submissão à regra ordinária de restituição, ressarcimento e compensação, sendo que para o período lançado (2005/2008) havia determinação de entrega de declaração de compensação. Logo, mostrase correta a glosa realizada. Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15889.000332/200960 Acórdão n.º 3403003.074 S3C4T3 Fl. 7 11 Por derradeiro, quanto à diferença entre o valor escriturado e aquele informado em DCTF, objeto de constituição, é indiscutível que houve recolhimento extemporâneo, como, aliás, registrado no próprio lançamento, cujo mote foi exclusivamente “constituir” o crédito tributário, como se dessume da seguinte passagem: “ (...). Constatamos que tal diferença encontrase paga, mas não foi devidamente constituída pela Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF apresentada pelo contribuinte, motivo pelo qual efetuamos este lançamento de ofício, visando sua constituição”. Nada obstante a aparente lógica do lançamento, equivocouse a autoridade administrativa lançadora quanto à utilização do auto de infração, ao passo que, nos termos do art. 9º, caput, do Decreto nº 70.235/72, juntamente com a notificação de lançamento, é instrumento para a formalização de exigência de crédito tributário, sendo que, no caso dos autos, antes mesmo do lançamento, como reconhecido, houve a liquidação do crédito tributário pelo seu pagamento. Portanto, mostrase descabido efetuar lançamento de crédito tributário, inclusive com cobrança de multa de ofício e juros, já extinto por quaisquer das modalidades arroladas no CTN, ainda que sob o pálio de sua “constituição”, ante a ausência de informação em DCTF. A decisão recorrida, por seu turno, mesmo reconhecendo a improcedência da exigência, manteve o lançamento por entender que não houve o suposto recolhimento integral, haja vista que a multa moratória não seria suficiente à sua liquidação, de maneira que cabível a multa de ofício sobre a diferença inadimplida. Ocorre que, ao se manifestar nestes termos, a decisão a quo, a bem da verdade, pretendeu alterar o motivo do lançamento, que originalmente não era cobrar diferencial pelo recolhimento insuficiente de multa moratória, o que aliás, foi corroborado pelo relatório conclusivo da diligência, mas sim “constituir” crédito tributário já recolhido, porém não declarado na DCTF, de modo que as autoridades julgadoras desbordaram de sua função e atuaram como lançadores, modificando a fundamentação do auto de infração, em atividade que não se compagina com o sistema contencioso tributário administrativo. De outra banda, acentuo que a improcedência do lançamento quanto a esta parcela não significa, em hipótese alguma, que o valor excluído é indevido e, portanto, passível de restituição, mas exclusivamente que o auto de infração não é o instrumento adequado para correção deste problema. Com estas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário interposto para excluir a diferença apurada entre o valor escriturado no RAIPI e o declarado em DCTF, referente ao período de apuração 31/07/2005 (item 04 do auto de infração), bem assim, para admitir o creditamento das aquisições de “filme stretch 500 M” realizadas a partir de 01/10/2008. É como voto. Robson José Bayerl Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 15889.000256/2010-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008
PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA IMPROCEDENTE. INSUBSISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO DE DECLARAR OS MESMOS FATOS GERADORES.
Sendo declarada a improcedência do crédito relativo a exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-004.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, retificando-se a decisão embargada, de modo que sejam excluídas do cálculo da multa apenas as contribuições declaradas improcedentes no processo n.º 15889.000243/2010-57 (AI 37.297.980-7).
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a ocorrência de contradição no acórdão guerreado, na forma suscitada pela embargante, impõese o acolhimento dos embargos de declaração para sanear a mácula apontada, retificandose o resultado levado a efeito por ocasião do primeiro julgamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008 PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA IMPROCEDENTE. INSUBSISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO DE DECLARAR OS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a improcedência do crédito relativo a exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 02 56 /2 01 0- 26 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, retificandose a decisão embargada, de modo que sejam excluídas do cálculo da multa apenas as contribuições declaradas improcedentes no processo n.º 15889.000243/201057 (AI 37.297.9807). Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15889.000256/201026 Acórdão n.º 2402004.815 S2C4T2 Fl. 348 3 Relatório Cuidase de embargos de declaração interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo desafiando o Acórdão n.º 2401 003.399 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 19/02/2014. O processo em questão contempla o Auto de Infração – AI n. 37.297.9920, lavrado para aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de declarar a GFIP sem omissões/incorreções. A turma decidiu dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo, exarando a seguinte decisão: "ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídas do cálculo da penalidade as contribuições declaradas improcedentes nos processos n. 15889.000243/201057/ AI 37.297.9807 e n. 15889.000245/201046/ AI 37.297.9815 e, para o período de 01/2006 a 10/2008, todas as contribuições constantes do processo n. 15889.000252/201048/ AI 37.297.9882. Vencidos os conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial em maior extensão, para recalcular o valor da multa nos termos em que disciplina o art. 32A da Lei nº 8.212/91." O órgão embargante verificou a ocorrência de contradição na decisão acima , alegando que: a) no julgamento do AI n.º 37.297.9815 (PA n.º 15889.000245/201046) não teria havido exclusão de qualquer parcela da base de cálculo, mas apenas recálculo da multa; b) o valor apurado no AI n.º 37.297.9882 (PA n.º 15889.000252/201048) foi objeto de parcelamento/pagamento. Suscita a embargante a retificação do julgado, para que seja saneada a contradição apontada, haja vista que não se poderia excluir da multa valores das contribuições que não foram declarados improcedentes/nulos. É o relatório. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os embargos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade, além de que houve a mácula apontada pela embargante, haja vista que a decisão encontrase em contradição com a sua fundamentação. Mérito De fato, tenho que concordar com o órgão da RFB, a decisão da turma determinou a exclusão da multa de valores concernentes lançamentos em que não houve declaração de improcedência das contribuições, como é o caso dos processos 15889.000245/201046 e 15889.000252/201048, portanto, cabe a retificação do julgado. O art. 65 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, prevê o cabimento de embargos de declaração nas seguintes situações: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Na situação sob análise é patente a contradição entre o que ficou decidido e os seus fundamentos, pois a motivação para exclusão da multa era a improcedência das contribuições lançadas, o que não se verificou para os processos 15889.000245/201046 e 15889.000252/201048. Uma rápida consulta no sistema informatizado da RFB mostra as seguintes situações: a) no Acórdão n.º 2301003.597, de 20/06/2013, decidiuse por dar provimento parcial ao recurso apenas no sentido de recalcular a multa do AI n.º 37.297.9815 (PA n.º 15889.000245/201046) nos termos do art. 61 da Lei n.º 9.430/1996; b) o valor apurado no AI n.º 37.297.9882 (PA n.º 15889.000252/201048) foi incluído no parcelamento especial da Lei n.º 11.941/2009 em 27/11/2009. Sendo assim, esse valores não poderiam ter sido expurgados da multa aplicada no AI sob apreciação. Ressalvese que independentemente do PA n.º 15889.000245/201046 ter sido objeto de recurso especial manejado pelo contribuinte, a decisão embargada levou em conta o resultado do julgamento na instância ordinária do CARF, portanto, a suposta contradição deve ser apreciada apenas para verificar se o que ficou decido no presente processo está em consonância com a decisão do processo conexo na mesma instância. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15889.000256/201026 Acórdão n.º 2402004.815 S2C4T2 Fl. 349 5 E isso guarda total coerência com o § 5. do art. 6. do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, segundo o qual o processos decorrentes/reflexos devem aguardar o julgamento do processo principal em turma da mesma instância. Eis o dispositivo: Art. 6. (...) § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. (...) Neste sentido, cabível a retificação do julgado. Conclusão Voto por acolher os embargos de declaração, retificandose a decisão embargada, de modo que sejam excluídas do cálculo da multa apenas as contribuições declaradas improcedentes no processo n.º 15889.000243/201057/ AI 37.297.9807. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10314.728504/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
Ementa:
DESPESAS INCORRIDAS EM VIRTUDE DE CONSÓRCIO
Não podem ser glosadas despesas financeiras para a obtenção de empréstimos sob o fundamento de que a sociedade não precisaria destes recursos, caso tivesse exigido os valores registrados em conta-corrente com consorciadas, se os contratos de consórcio foram regularmente celebrados e a autoridade fiscal não fez prova de qualquer irregularidade material na sua execução.
PASSIVO FICTÍCIO
Uma vez comprovada a existência do passivo supostamente fictício, deve ser afastada a exigência calcada em presunção de omissão de receita.
Numero da decisão: 1401-001.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 Ementa: DESPESAS INCORRIDAS EM VIRTUDE DE CONSÓRCIO Não podem ser glosadas despesas financeiras para a obtenção de empréstimos sob o fundamento de que a sociedade não precisaria destes recursos, caso tivesse exigido os valores registrados em conta-corrente com consorciadas, se os contratos de consórcio foram regularmente celebrados e a autoridade fiscal não fez prova de qualquer irregularidade material na sua execução. PASSIVO FICTÍCIO Uma vez comprovada a existência do passivo supostamente fictício, deve ser afastada a exigência calcada em presunção de omissão de receita.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
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PASSIVO FICTÍCIO Uma vez comprovada a existência do passivo supostamente fictício, deve ser afastada a exigência calcada em presunção de omissão de receita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 85 04 /2 01 4- 11 Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: Tratase de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e lançamentos reflexos, às fls. 294323, lavrados para exigir de ODEBRECHT SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES S/A, pessoa jurídica tributada pelo regime do Lucro Real, crédito tributário de R$ 144.488.062,20, incluídos juros de mora, calculados até dezembro de 2014, cf. Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário acostado à fl. 5, pelos seguintes motivos: I) omissão de receitas por manter registro contábil de obrigação não comprovada: Adiantamentos de Clientes (originados da incorporação de ODEBRECHT EQUIPAMENTOS LTDA.); Fundamento Legal: art. 12, §2º, do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977 c/c art. 40 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 281, III, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR de 1999 – Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999; II) registro de despesas financeiras desnecessárias; Fundamento Legal: art. 3º e 13 da lei nº 9.249, de 1995 c/c art. 47 da lei nº 4.506 de 30 de novembro de 1964 e art. 247249, 251, 277278, 299300 do RIR de 1999. 2. No Termo de Constatação Fiscal TCF, às fls.257286, a autoridade lançadora informa que o procedimento fiscalizatório teve início em 14/02/2013 quando foi dada ciência à contribuinte por meio do Termo de Início de Fiscalização, às fls. 69. Em seguida, relata as dificuldades encontradas para obter informações da fiscalizada sobre as demandas constantes na intimação inicial o que levou a expedir nova intimação em 03/04/2014. 3. Em resposta a esta última, ODEBRECHT SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES S/A justificou a recusa em apresentar os Livros de Apuração do Lucro Real – LALUR dos anos calendário 2009 e 2011, nos seguintes termos: Devido a questões de governança corporativa concernentes à segurança da informação, considerando que os Mandados de Procedimento Fiscal (MPFs) n°s 08.1.90.00201304416 / Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10314.728504/201411 Acórdão n.º 1401001.528 S1C4T1 Fl. 1.033 3 08.1.65.002014001622 compreendem tão somente o período de 01/2010 a 12/2010. estamos impossibilitados de entregar a documentação solicitada. Contudo, os documentos estão à disposição, caso seja apresentado o MPF do período correspondente. Esclarecemos, adicionalmente, que em função desse fato a documentação não fora apresentado anteriormente. 4. Situações semelhantes se repetiram em relação ao LALUR, aos balancetes mensais e às atas de reuniões da diretoria das pessoas jurídicas ODEBRECHT EQUIPAMENTOS LTDA e BRK INVESTIMENTOS E PETROQUÍMICOS S/A incorporadas pela fiscalizada. 5. Em face das repetidas restrições de acesso à documentação necessária à conclusão da ação fiscal, foi lavrado, em 20/05/2014, o TERMO DE SUJEIÇÃO DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO, após o qual, finalmente, a fiscalizada apresentou parte da documentação antes requerida, a saber: 1) balancetes mensais de janeiro a agosto de 2010, de ODEBRECHT EQUIPAMENTOS LTDA.; 2) composição analítica da conta Adiantamentos Recebidos de Terceiros, de ODEBRECHT EQUIPAMENTOS LTDA., com saldo de R$ 29.939.131,67, em 31/08/2010; e 3) demonstração do lucro real de ODEBRECHT SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., do período de janeiro e fevereiro de 2010. 6. A autoridade fiscal informa que, durante o procedimento fiscalizatório, valeuse de dados extraídos diretamente de sistemas da Receita Federal, tais como: 1) balancetes de 01/01/2010 a 31/12/2010; 2) livros razão e 3) SPED CONTÁBIL. Despesas Financeiras Desnecessárias 7. Acrescenta que verificou no balancete de 2010 a existência de movimentação financeira entre a fiscalizada e pessoas jurídicas consorciadas, cujo saldo era de R$ 338.130.615,42, cf. tabela à fl. 275, reproduzida abaixo; tais movimentações caracterizariam mútuos financeiros entre empresas ligadas, haja vista que envolviam a transferência de créditos entre as envolvidas. 7.1 Observação: o saldo registrado é o de 31/12/2010, apesar da na tabela constar 31/12/2009. (...) 8. Dado que a contribuinte contabilizava, na ocasião, passivo originado de empréstimos e financiamentos bancários tomados que geravam encargos financeiros no anocalendário de 2010 de R$ 99.208.774,42, cf. ANEXO 01, à fl. 285, tais dispêndios poderiam ter sido evitados, caso não houvesse emprestado recursos financeiros a algumas de suas coligadas ou consorciadas. 9. No Anexo 01, a autoridade fiscal a quo discrimina as despesas financeiras incorridas nos meses de outubro a dezembro de Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 2010, que entende desnecessárias, que totalizam R$ 136.335.141,31. Omissão de receitas 10. Depois da incorporação de ODEBRECHT EQUIPAMENTOS LTDA., pela fiscalizada, ocorrida em outubro de 2010, a fiscalizada passou a registrar no seu passivo o valor de R$ 29.939.131,67, descrito como adiantamentos de clientes; malgrado haja sido intimada em 02/03/2014, a apresentar a composição analítica das operações que ensejaram a escrituração desse montante, ODEBRECHT SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES S/A limitouse a apresentar uma relação incompleta, sem a identificação dos clientes da incorporada, em 22/04/2013. Reintimada com o mesmo propósito em 03/04/2014, e ainda uma vez em 20/05/2014, nada respondeu. 11. Nessas condições, todo montante, contabilizado como Adiantamento de Clientes, foi compreendido como passivo fictício e tributado como omissão de receitas, nos termos do DecretoLei nº 1.598, de 1997, c/c os art. 281282, do RIR de 1999 e de robusta jurisprudência da segunda instância administrativa, com os reflexos necessários sobre a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, COFINS e PIS/PASEP, cf. art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995. Agravamento da Multa 12. Em virtude das dificuldades impostas pela contribuinte ao andamento da ação fiscal, que culminou com a lavratura do antes referido TERMO DE SUJEIÇÃO DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO, ocorrida em 20/05/2014, as multas de ofício impostas foram agravadas em 50% nos termos do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1966. 13. A infração apurada em relação ao IOF é objeto do PAF nº 10314.728505/201466. Ciência 14. Devidamente cientificada em 24/11/2014, conforme assinatura aposta no Termo de Constatação Fiscal à fl. 284, ODEBRECHT SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES S/A., apresentou, em 23/12/2014, impugnação, às fls. 330376, acompanhada de documentos comprobatórios às fls. 396997, firmada por representante com poderes conferidos por procuração e documentos pessoais e societários acostados às fls. 377395. Impugnação 15. Em breve resumo, alega que: a) tem por objeto social a participação em outras sociedades que explorem negócios de engenharia, o que a obriga com freqüência a constituir consórcios com outras companhias, nos termos disciplinados pelos artigos 278 e 279 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 – Lei das S/A; Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10314.728504/201411 Acórdão n.º 1401001.528 S1C4T1 Fl. 1.034 5 Nulidade dos lançamentos relativos à glosa de despesas desnecessárias b) os autos de infração são nulos por falta de motivação para os créditos tributários constituído em razão da glosa de despesas desnecessárias porque se baseiam em levantamento malelaborado (ANEXO 01 do TCF) que não permitiu à impugnante compreender o valor das parcelas de despesas financeiras entendidas como desnecessárias pela autoridade fiscal; c) com efeito, o montante total de despesas financeiras ali demonstrado: R$ 99 milhões, é menor que o total das despesas desnecessárias: R$ 136 milhões; d) naquele mesmo Anexo I, a autoridade fiscal equivocadamente calculou a razão entre os empréstimos a pessoas do grupo e o valor médio do endividamento assumido pela impugnante, quando a relação correta: “para que a apuração desta ‘razão do endividamento’ tivesse algum sentido seria a conta inversa, ou seja, apurarse qual a fração do saldo médio dos supostos empréstimos com pessoas do grupo em relação ao total do saldo médio dos empréstimos contraídos pela Impugnante”; e) não constam do referido "Anexo I", ademais, os critérios utilizados para apurar: i) os valores indicados como "saldo médio do passivo empréstimos"; ii) os valores indicados como "encargos pagos sobre empréstimos obtidos"; iii) os valores indicados como "saldo médio dos empréstimos a pessoas do grupo"; iv) os valores indicados como "custo assumido pela não liquidação dos empréstimos", e, quanto a este custo, iv.i) os valores indicados como "valor integral"; e iv.ii) os valores indicados como "valor proporcional ao saldo médio dos empréstimos"; f) à exceção dos valores indicados como "encargos pagos sobre empréstimos obtidos", (que correspondem à diferença entre o valor das despesas financeiras acumuladas em meses subsequentes), a impugnante não conseguiu calcular os "saldo médios" indicados no referido Anexo I; g) também não compreendeu a razão de existir de uma linha para o "custo assumido pela não liquidação dos empréstimos", dado que essa é sempre igual a dos "encargos pagos sobre empréstimos obtidos"; nem tampouco, por que se subdividiu este custo em "valor integral", e "valor proporcional ao saldo médio dos empréstimos", dado que o primeiro está em branco e o último repete os "encargos pagos sobre empréstimos obtidos"; h) não há justificativa, no termo de TCF, do motivo pelo qual os lançamentos contábeis nas contas 1.1.4 CONTA CORRENTE COM CONSORCIADAS, que discriminam a participação da impugnante em consórcios, teriam natureza de mútuo financeiro; Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 6 i) o TCF contém lacunas como a que se verifica entre o final da página 18 (fl. 274 dos autos): "Contribuiu para esse meu entendimento, na ocasião, os seguintes fatos preponderantes (...)" e a frase inicial da página 19 (fl. 275 dos autos): “A este respeito vamos acrescer alguns conceitos e determinações legais:" (...); na verdade, porém, percebese que não há fato algum que justifique o entendimento de que as "CONTAS CORRENTES DE CONSORCIADAS – são, verdadeiramente, MÚTUOS ENTRE EMPRESAS LIGADAS"; j) nas intimações que antecederam à lavratura dos autos de infração, não se pediu à impugnante que esclarecesse a natureza dos lançamentos nas contas contábeis supra mencionados; k) também não foram apresentadas justificativas para classificar as contas correntes de empresas consorciadas como "MÚTUOS ENTRE EMPRESAS LIGADAS", posto que tais contas não guardam relação com "empresas ligadas" à impugnante, mas a operações com consórcio, e além do mais não se prestam à movimentação de recursos financeiros; l) a falta de indicação dos elementos antes referidos inquina o ato do lançamento de nulidade por falta de motivação e cerceamento do direito de defesa; nos termos do artigo 59, II, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972; Mérito dos lançamentos relativos à glosa de despesas desnecessárias m) as contas contábeis 1.1.4 – CONTA CORRENTE COM CONSORCIADAS, referemse, de fato, a negócios da impugnante envolvendo consórcios, logo, os aportes nelas registrados não constituem operação de crédito ou de mútuo financeiro, mas de custos relacionados ao desenvolvimento das obras para as quais os consórcios foram constituídos; n) as operações com consorciadas não correspondem, portanto, a movimentações financeiras, mas a despesas incorridas e devidamente escrituradas necessárias à manutenção da atividade da impugnante, constituindose, pois, em despesas operacionais dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e da CSLL; o) com efeito, para executar obras civis necessárias à implantação de uma usina hidroelétrica no rio Madeira em Porto VelhoRO, as empresas CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A e ANDRADE GUTIERREZ S/A formaram, nos termos dos art. 278 e 279 da Lei da S/A, um consórcio, conforme contrato de constituição de consórcio, coligido ao feito às fls. 431436, denominado CONSÓRCIO SANTO ANTÔNIO CIVIL; p) no caso concreto, em razão de reorganização societária, as partes entenderam conveniente que a impugnante ODEBRECHT SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES S/A passasse a integrar o referido consórcio, entendimento formalizado Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10314.728504/201411 Acórdão n.º 1401001.528 S1C4T1 Fl. 1.035 7 por meio de Termo Aditivo, às fls. 437441, que obedece ao disposto na Instrução Normativa RFB n° 1.199, de 2011, e Solução de Consulta n° 175, de 20/11/2002; q) foi incluída nos autos documentação contábil – extratos bancários, cópias do livro razão e notas fiscais, às fls. 443 1.901, que visa esclarecer os aportes realizados pela interessada aos fornecedores do Consórcio Santo Antônio; r) tais transferências, ao contrário do que entendeu a autoridade fiscal, possuiriam natureza de custos incorridos no desenvolvimento das obras para as quais o consórcio foi constituído; s) não haveria, pois mútuo financeiro; dado que as operações efetivamente realizadas não se coadunam com o conceito de mútuo estatuído pelos art. 586587 do Código Civil, segundo o qual o mútuo envolve a translação de domínio ao mutuário, que fica obrigado a devolver coisa da mesma espécie em quantidade determinada ao mutuante; t) no caso em tela, as contas discutidas em nada correspondem a operações de mútuo, posto que se originam de contrato de consórcio e não é facultado à autoridade fiscal estender o conceito jurídico do negócio de mútuo como é sabidamente remansoso na jurisprudência administrativa; fica, portanto, prejudicado o único fundamento invocado para a glosa por suposta desnecessidade das referidas despesas; u) ad argumentandum tantum, a alegação da autoridade fiscal segundo a qual aquelas despesas – se mútuos fossem – implicariam a assunção de despesas financeiras desnecessárias, não autorizaria a glosa das despesas em questão, porque os referidos dispêndios decorrem de obrigações préexistentes, que atendem, ademais, aos requisitos legais de dedutibilidade; v) com efeito, as despesas apontadas pela fiscalização foram escrituradas nas seguintes contas: i) 4.4.1.03.8686.441102 JUROS S/ EMPRÉSTIMOS, ii) 4.4.1.05.6701.011210 COMISSÕES E DESPESAS JBANCÁRIAS, iii) 4.4.1.05.8696.441203 JUROS S/ EMPRÉSTIMOS, iv) 4.4.1.05.8696.441202 COMISSÕES E DESPESAS BANCÁRIAS, v) 4.4.1.11.0400.703393 JUROS DIVERSOS DEBENTURES, vi) 4.4.1.16.8741.441592 IOF S/ APLICAÇÕES FINANCEIRAS e vii) 4.4.1.99 OUTRAS DESPESAS FINANCEIRAS; w) importa informar que, cf. cópias dos livros razão trazidos ao feito, os valores registrados na conta 4.4.1.03.8686.441102 JUROS S/ EMPRÉSTIMOS, decorrem de contratos de financiamento com o FINAME firmados em 15/01/2010, 22/12/2008, 14/10/2009, 29/04/2009, 26/04/2010, 29/04/2010, 22/10/2008, datas anteriores, pois, Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 8 àquelas em que a contribuinte supostamente teria emprestado numerário a sociedades consorciadas; x) o mesmo pode ser dito em relação às despesas contabilizadas na contas 4.4.1.11.0400.703393 JUROS DIVERSOS DEBÊNTURES e 4.4.1.05.8696.441203 JUROS S/ EMPRÉSTIMOS nas quais houve tãosomente alteração da conta contábil em que foram escriturados os encargos em razão de alteração de sistema de contabilidade, conforme se verifica dos balancetes juntados ao feito às fls. 645, mantendose, contudo, os valores contabilizados, fatos igualmente ocorridos antes do período da autuação, de modo que, diversamente do que entendeu a autoridade fiscal, a contribuinte teria incorrido nessas despesas ainda que o valor tido como emprestado permanecesse no caixa da empresa; y) do mesmo modo, a conta 4.4.1.05.8696.441202 COMISSÕES E DESPESAS BANCÁRIAS registra tarifas e despesas bancárias normais, em sua grande maioria de pequena monta, cujos únicos valores relevantes se referem precisamente a comissões relativas àquelas debêntures; e também o valor de R$ 104,51 escriturado na conta 4.4.1.16.8741.441592 IOF S/ APLICAÇÕES FINANCEIRAS, relativo ao pagamento de IOF sobre operações financeiras; z) desse modo, as condições de dedutibilidade das despesas previstas no art. 299 e §§ do RIR de 1999: (i) necessidade; (ii) mensurabilidade; e (iii) comprovação por meio de documentos idôneos; foram atendidas; e assim, não há nos autos de infração, justificativa sobre o porquê de tais despesas serem tomadas como desnecessárias, uma vez que absolutamente usuais e diretamente ligadas às atividades da impugnante; não resta dúvida, pois, que as despesas glosadas são dedutíveis da base de cálculo tanto do IRPJ quanto da CSLL; Cálculo da CSLL aa) importa consignar que a CSLL tem base de cálculo própria prevista na Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988 (com a redação dada pela Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990) que não pode ser alterada senão por norma legal expressa; assim, embora a base de cálculo da CSLL seja apurada segundo as leis comerciais, a dedutibilidade de despesas para fins de diminuição da base de cálculo deve ser estatuída por norma própria de natureza tributária, assim sendo, com exceção das despesas relacionadas no artigo 13 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, não pode ser adicionada nenhuma outra à base de cálculo da contribuição; cf. respeitável jurisprudência administrativa, trazida ao feito; bb) dessarte, as despesas incorridas pela impugnante e glosadas pela autoridade fiscal não poderiam, por mero reflexo, ser adicionadas à base de cálculo da CSLL, sob pena de violação ao disposto nos arts. 5º, II, 37 e 150, I, da Constituição da República em vigor, ao art. 97 do CTN, aos Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10314.728504/201411 Acórdão n.º 1401001.528 S1C4T1 Fl. 1.036 9 art. 299 e 391 do RIR de 1999 e ainda aos artigos 47 da Lei 4.506, de 1964, art. 25 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 1º, III do DecretoLei nº 1.730, /79. Omissão de Receitas cc) não há que se falar em omissão de receita decorrente de passivo fictício, porque a baixa deste passivo se deu contra lançamento em conta de ativo, o qual por sua vez teve como contrapartida lançamento em conta de receita, de modo que a Impugnante nunca omitiu qualquer receita; dd) ademais, mesmo que houvesse omissão de receita, os valores lançados a título de PIS e COFINS deveriam ser deduzidos para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL lançados no mesmo procedimento; ee) segundo a autoridade fiscal a contribuinte não teria identificado os clientes beneficiados em relação ao montante de R$ 29.939.131,67 contabilizado na conta ADIANTAMENTO DE CLIENTES, entretanto, tal identificação consta do próprio Termo de Intimação datado de 23/04/2013, às fls. 968969, no qual o campo histórico discrimina "ADIANT. CLIENTE STO. ANTÔNIO", fato que restou igualmente esclarecido pela impugnante na resposta apresentada àquela intimação, às fls. 971987; ff) insiste que a quantia em tela, diz respeito ao CONSÓRCIO SANTO ANTÔNIO antes referido para o qual ODEBRECHT EQUIPAMENTOS S/A, no exercício de seu objeto social, prestou serviços até sua incorporação pela impugnante em 31/08/2010; gg) conforme se verifica do RAZÃO da conta 217001 ADTO. RECEBIDO DE CLIENTEMOEDA NACIONAL de ODEBRECHT EQUIPAMENTOS S/A, esta apresentava saldo de R$ 29.939.131,67, e histórico: "vlr. Recebido Cliente CONSÓRCIO SANTO ANTÔNIO CIVIL (...)",em 31/08/2010, quando foi incorporada pela impugnante; hh) aquela obrigação foi apropriada mais tarde pela impugnante no passivo como "Adiantamentos recebidos de terceiros", conforme se verifica no Laudo de Avaliação, às fls. 982986; ii) posteriormente, em face de novo adiantamento, ocorrido em 04/10/10, no valor de R$ 5.943.565,67, o saldo daquela conta contábil alcançou R$ 35.882.697,34; por fim, em 06/10/10, a impugnante emitiu, em face do consórcio, faturas nos valores de R$ 30.883.596,65 e R$ 5.612.883,69, que foram contabilizadas em conta de receita: 314102 RECEITA COM LOCAÇÃO VINCULADA AO REIDI, tendo como contrapartida lançamento em contas a receber: 113032 VALOR LÍQUIDO DO CONTAS A RECEBER PRIVADO, cujo crédito foi baixado tendo como contrapartida à conta Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 10 217002 ADTO. RECEBIDO DE CLIENTEMOEDA NACIONAL; jj) não haveria, pois, que se falar em omissão de receita decorrente de passivo fictício, porque a baixa deste passivo se deu contra lançamento em conta de ativo, o qual, por sua vez, teve como contrapartida lançamento em conta de receita, de modo que a Impugnante nunca omitiu receita alguma, razão pela qual é manifesta a improcedência do lançamento; kk) mesmo que se admitisse ter efetivamente ocorrido omissão de receita, o valor do crédito tributário lançado não seria devido, porque, no presente feito, estão sendo exigidos créditos de PIS e de COFINS cuja dedutibilidade não foi considerada pela autoridade fiscal na apuração dos valores lançados na mesma ocasião, a título de IRPJ e CSLL; ll) ocorre que, nos termos do que dispõe o art. 41 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, de modo que os valores lançados a título de PIS e COFINS deveriam ter sido deduzidos para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL lançados no mesmo processo; mm) a necessidade de considerar a dedutibilidade dos tributos reflexos decorre do próprio artigo 142 do Código Tributário Nacional e da obrigação da autoridade fiscal de recompor a base de cálculo de cada tributo lançado; nn) de fato, as legislações comercial e tributária definem os tributos – sem exceção – como despesas operacionais (art. 187, III da Lei das S/A, arts. 299 do RIR de 1999, art. 16 do DecretoLei nº 1.598, de 1977 e art. 41 da Lei n° 8.981, de 1995); constituindose os valores relativos ao PIS e à COFINS indubitavelmente despesas operacionais, impõese que seus valores respectivos sejam abatidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; Agravamento da multa oo) o agravamento da multa é descabido por ausência de tipicidade da conduta da impugnante, já que não restou comprovada a recusa no cumprimento de intimações com o propósito de atrapalhar ou impedir a fiscalização; de fato, nenhuma das intimações supostamente não atendidas ou atendidas em atraso guardam relação direta com a matéria que foi objeto do lançamento; pp) notase no próprio TCF que o agravamento da multa se deu unicamente porque a impugnante teria, inicialmente, recusado a apresentação de informações relativas a terceiros, ainda que pertencentes ao mesmo grupo econômico, e a período não abrangido pelo Mandado de Procedimento Fiscal; na ocasião, justificou a sua posição, esclarecendo que, quanto aos terceiros, as intimações deveriam lhes ser dirigidas diretamente, e, em relação às informações fora do escopo dos MPF, que os documentos Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10314.728504/201411 Acórdão n.º 1401001.528 S1C4T1 Fl. 1.037 11 estariam à disposição da autoridade fiscal caso fosse apresentado MPF do período correspondente; qq) acrescenta que, embora tenha atrasado o atendimento de algumas intimações, em vista de dificuldades no levantamento dos documentos solicitados, todas as demandas foram, por fim, atendidas e todos os documentos requeridos – em mãos da impugnante – foram providenciados, em evidente demonstração da intenção de cumprir com as suas obrigações; rr) a legislação que rege a matéria, somente autoriza a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo ou da contribuição, mas não, como pretende o Fisco, o cálculo dos juros sobre o valor da multa; ss) com efeito, os débitos de tributos e contribuições e de penalidades têm causas diversas, não se confundindo um com o outro, como bem estatui o art. 3º do CTN; enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, in casu, o suposto não pagamento dos tributos e contribuições nos prazos legais; logo ao utilizar a expressão "os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" a Lei n° 9.430/96 somente pode referir débitos não lançados, visto que está normatizando a incidência da multa de mora sobre esses; tt) a se admitir que a palavra "débitos" constante do caput do artigo 61 incluísse o principal e a multa de ofício, terseia que admitir que as multas de ofício, quando não pagas no vencimento, sofreriam também o acréscimo de multa de mora, uma vez que o mesmo "caput" do referido artigo determina que "Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso". uu) o parágrafo único do artigo 43 da mesma Lei n° 9.430, de 1996, evidencia, ademais, que o antes referido art. 61 prevê a cobrança de juros unicamente sobre o valor dos tributos e contribuições, porque se a expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" contemplasse também a multa de ofício, não haveria necessidade da previsão do parágrafo único do artigo 43, posto que a incidência dos juros sobre a multa de ofício lançada isoladamente nos termos do caput do artigo já decorreria diretamente do artigo 61; vv) finalmente, os juros de mora estão sendo exigidos em excesso porque estão sendo calculados com base em porcentual equivalente à taxa SELIC acumulada mensalmente, a qual além de ser figura híbrida, composta de Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 12 correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no art. 161 do CTN; COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PROCEDIDA PELA AUTORIDADE FISCAL ww) os Termos de Redução de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo negativa de CSLL, informam que em razão de irregularidades de caráter fiscal procedeuse de ofício a ajuste do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL relativos ao anocalendário de 2010; xx) dado que as exigências fiscais são improcedentes, contudo, não podem subsistir as compensações efetuadas de ofício pelos autos de infração, nem há que se falar, tampouco, em necessidade de proceder a ajustes no LALUR de modo a refletir as alterações realizadas pela fiscalização, o mesmo se aplicando à CSLL. 16. Requer, que seja acolhida a questão preliminar, ou dado provimento à impugnação, com a conseqüente desconstituição dos créditos tributários exigidos e com o restabelecimento dos saldos de prejuízo fiscal e base negativas alteradas pela autoridade fiscal a quo. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 1.002 a 1.023) deu provimento nos termos do seguinte da seguinte ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Os autos de infração preenchem todos os requisitos necessários à sua formalização, cf. descrito no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, uma vez que não se verifica qualquer das hipóteses taxativas enumeradas em seu art. 59, o lançamento é válido. DESPESAS INCORRIDAS EM VIRTUDE DE CONSÓRCIO. Não configura despesas financeiras desnecessárias, por não se tratar de mútuo financeiro, o dispêndio efetuado pela fiscalizada em razão de contrato de consórcio regularmente celebrado na forma estabelecida pela Lei nº 6.404, de 16 de dezembro de 1976 Lei das S/A. PASSIVO FICTÍCIO DEMONSTRAÇÃO DE RECEITAS CORRESPONDENTES OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO. A fiscalizada logrou comprovar que o montante do passivo apontado como fictício pela autoridade fiscal foi transferido para conta de resultado e oferecido à tributação, lançamento indevido. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10314.728504/201411 Acórdão n.º 1401001.528 S1C4T1 Fl. 1.038 13 DO RECURSO DE OFÍCIO Em razão do provimento, a DRJ recorreu de ofício. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Apesar da longa exposição da autoridade fiscal, em seu termo de verificação de 30 (trinta) páginas, parte significativa corresponde apenas à descrição do seu procedimento acusatório e não das acusações em si, que são bastante singelas. A autoridade fiscal entendeu que o montante de despesas financeiras do período (R$ 136.335.141,31) decorreu de empréstimos que só foram tomados pelo contribuinte para atender a contascorrentes com consorciadas, cujo saldo, ao final de 31/12/2010, correspondeu R$ 338.130.615,42. Assim, se tivesse cobrado estes valores de suas consorciadas não precisaria contrair empréstimos e, assim, não teria as despesas financeiras. Por isso, as despesas financeiras foram consideradas não necessárias a atividade e glosadas. Por incrível que possa parecer, essa é a acusação fiscal. Não há nada mais de substancial no termo de verificação fiscal. Em nenhum momento, a autoridade lançadora demonstra que os valores dos contascorrentes não são normais e usuais à atividade da empresa. Aliás, na planilha apresentada pelo próprio fiscal, verificamos que o valor de R$ 338.130.615,42 corresponde ao saldo, pois há contas em que o contribuinte é devedor e não credor (numa das contas é devedor de R$ 152.143.963,02), o que, por si só, demonstra a natureza real de contacorrente (ora devedor, ora credor) desses montantes. Mas o mais contundente é o fato de a autoridade fiscal não ter apresentado qualquer razão objetiva para considerar desnecessárias as referidas contas de "mútuo". Foi nesse ponto específico que a DRJ fundamentou o seu voto pela insubsistência da acusação, ao considerar que o contribuinte demonstrou a necessidade das referidas contascorrentes, como podemos aferir abaixo: 24. Procede a alegação da interessada de que dispêndios realizados em virtude do contrato de consórcio regularmente constituído, na forma disciplinada pelos arts. 278279 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, registrado na Junta Comercial do Estado de Rondônia – JUCER, em 23/03/2009, às fls. 431436, não constituem mútuo financeiro. (...) 27. No caso em tela, a autoridade não logrou demonstrar que os saldos de R$ 293.403.021,06, R$ 361.492.550,34 e R$ Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 14 338.130.615,42 referentes aos meses de outubro a dezembro respectivamente nas contas 1.1.4.1.1.7 – CONTA CORRENTE DE CONSORCIADAS APORTE, 1.1.4.1.2.1 CONTA CORRENTE DE CONSORCIADAS – DIVERSOS; 1.1.4.1.2.2 CONTA CORRENTE DE CONSORCIADAS – REC FAT e 1.1.4.1.2.3. CONTA CORRENTE DE CONSORCIADAS – ENCONTRO DE CONTAS se referiam a contratos de mútuo entre companhia ligadas, fato que poderia lançar dúvidas sobre a necessidade de tais despesas financeiras na forma indicada no TCF.28. A impugnante de sua parte traz ao conhecimento do juízo: 1) Contrato de Constituição de CONSÓRCIO SANTO ANTÔNIO CIVIL celebrado, em 24 de junho de 2008, na forma estipulada pelos arts. 278279 da Lei das S/A pelas pessoas jurídicas: CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S.A. e CONSTRUTORA ANDRADE GUTIERREZ S.A., companhias sem vínculo de coligação ou controle, para a implantação de uma usina hidroelétrica no Rio Madeira na cidade de Porto VelhoRO, denominada Usina Santo Antônio; 2) Termo Aditivo ao contrato antes referido que incorpora ODEBRECHT SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES S.A. ao consórcio em 01 de outubro de 2010 e 3) Escrituração dos valores deduzidos como despesas que demonstram não se tratar de operação de mútuo como entendeu a autoridade lançadora. 29. Passase a análise de cada um desses elementos probatórios. 30. O consórcio discutido, cf. cópia do termo constitutivo às fls. 431435 foi reproduzida no que interessa a seguir, confirma a alegação da impugnante de que existia uma reunião de esforços de companhias formalizado na forma da Lei das S/A para levar adiante um empreendimento de construção civil. (...) (Aqui reproduziu termos do contrato) 31. O Termo aditivo, às fls. 438442, confirma a informação da contribuinte a respeito do ingresso da autuada ODEBRECHT SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES S/A no consórcio, assumindo uma parcela de CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT, vide cópia de parte do TERMO ADITIVO abaixo. (...) (Aqui reproduziu termos do contrato) 32. Finalmente os lançamentos contábeis realizados pela fiscalizada e ora trazidos ao conhecimento deste juízo, revelam que os saldos das contas referidas se referem a transações relativas ao consórcio celebrado no termos antes mencionados. 33. Vejase um resumo das operações realizadas, nas tabelas abaixo. (...) A autoridade julgadora recorrente, após completar a sua análise, concluiu: 36. Não se trata, contudo, de empréstimo a pessoa jurídica do mesmo grupo, logo, não há que se falar em despesas desnecessárias, salvo se houvesse prova nos autos de que tais Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10314.728504/201411 Acórdão n.º 1401001.528 S1C4T1 Fl. 1.039 15 dispêndios não estavam relacionados à finalidade precípua do consórcio, o que não logrou demonstrar a autoridade fiscal, por esse motivo, merece prosperar a impugnação da interessada, afastandose essa infração no caso concreto. Pelas razões já expostas anteriormente, a decisão recorrida não merece reparos. Com relação à acusação de passivo fictício e, conseguintemente, de omissão presumida de receita, sorte diferente não deve ter o pronunciamento de primeiro grau. Vejamos. A acusação fiscal foi assim expressa: (...) o contribuinte não comprovou a origem dos Adiantamentos de Clientes, da ordem de R$ 29.939.131,67, registrados em seu passivo em 31/08/2014, originários da incorporação da ODEBRECHT EQUIPAMENTOS LTDA., CNPJ 09.322.291/000114. Esses valores, conforme demonstração confeccionada no voto condutor da decisão recorrida, correspondem ao lançamento de antecipações pagas pelo cliente, as quais foram oferecidas à tributação à medida em que eram reconhecidas as receitas. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 15374.916198/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-002.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 61 98 /2 00 8- 30 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 15374.916198/200830 Acórdão n.º 3301002.678 S3C3T1 Fl. 140 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP nº 36109.51986.010205.1.7.046713, em 01/02/2005, de crédito no valor de R$ 2.586,14, referente a recolhimento que teria sido efetuado a maior, em 15/04/2004, a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (cód. 5856), atinente ao período de apuração 02/2004, com débito da mesma contribuição referente ao período de apuração 10/2004, no valor de R$ 2.805,96. 2. Por meio do Despacho Decisório nº 781165338, emitido eletronicamente (fl. 09), o Delegado da Derat/Rio de Janeiro, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. 3 Cientificada, em 28/08/2008 (fl. 08), a Interessada, inconformada, ingressou, em 19/09/2008, com a manifestação de inconformidade de fl. 11, acompanhada da documentação de fls. 12 a 27, na qual alega, em síntese, que: 3.1 O PER/DCOMP em questão é resultante do recolhimento a maior da Cofins referente ao mês 02/2004; 3.2 O Setor de Análise da Contabilidade ao constatar o pagamento a maior, deixou, por esquecimento, de fazer a retificação da DCTF do 1º Trimestre/2004; 3.3 A não retificação desta DCTF fez com que os controles da SRFB não identificassem o crédito no Darf relacionado no PER/DCOMP; e 3.4 Para regularização desse erro foi providenciada a DCTF retificadora, cujo recibo de entrega juntamente com as páginas que demonstram o crédito informado na DCOMP, seguem anexados a presente manifestação de inconformidade. 4. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. 5. Foram por mim anexados às fls. 30 a 34, os extratos de pesquisa efetuada no sistema de informação da RFB GERENCIAL DA DCTF. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ indeferiu a manifestação de inconformidade com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 15374.916198/200830 Acórdão n.º 3301002.678 S3C3T1 Fl. 141 3 Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. A contribuinte apresentou recurso voluntário onde afirma que tem interesse jurídico protegido pela legislação aplicável a retificar DCTF previamente entregue e ver prevalecer, para todos os efeitos, a declaração retificada como se originária fosse. Diz que entender de modo diverso é negar validade e eficácia ao comando constante da MP n° 2189 49/2001: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Alega que a injustiça seria ainda mais flagrante se fosse negada eficácia à DCTF retificadora, que se encontra respaldada em documentação idônea. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 15374.916198/200830 Acórdão n.º 3301002.678 S3C3T1 Fl. 142 4 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente alega que, equivocadamente recolheu, no período de 02/2004, COFINS a maior. Ao ser julgada sua manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu que a Recorrente não havia trazido aos autos documentação hábil e idônea suficiente para a comprovação de seu crédito, e manteve a não homologação da compensação do débito fiscal, inexistindo, portanto, o direito creditório da Recorrente. Entretanto, buscase no processo administrativo a verdade material. Interessa à Administração que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos e saber se realmente ocorreu ou não o fato gerador. O princípio da livre convicção do julgador informa o sistema jurídico brasileiro. Por este princípio, a valoração dos fatos e circunstâncias constantes dos autos é feita livremente, pelo julgador. Importa saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. De fato, na condução do processo há que se ter em conta o processo de fixação formal da prova, no qual o julgador se atém à análise dos meios de prova definidos em lei, à valoração e admissibilidade das provas apresentadas, para formar o seu livre convencimento para decidir. O direito creditório não pode ser vinculado a requisitos meramente formais. Ainda que a Recorrente tenha se equivocado ao preencher alguns de seus documentos fiscais, em face do recolhimento indevido, a comprovação através de outros elementos contábeis e fiscais que denotem o erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta sua declaração de compensação. A declaração de compensação em face de um recolhimento indevido deve ser validada quanto à sua disponibilidade nos termos do artigo 165 do Código Tributário Nacional que não condiciona o direito à compensação/restituição, a requisitos meramente formais: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 142DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 15374.916198/200830 Acórdão n.º 3301002.678 S3C3T1 Fl. 143 5 II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Assim, interessa verificar se houve ou não o pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Constato que, o pagamento indevido, neste caso, está comprovado através da documentação acostada aos autos, DCTF´s, DARF´s de recolhimentos e documentos contábeis da contribuinte, sendo perfeitamente possível constatar que o montante recolhido pela Recorrente, referente ao mês de fevereiro de 2004 não é devido à União Federal, razão pela qual sua PER/DCOMP deve ser homologada. Neste sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, vem entendendo que, caso seja comprovado o direito creditório, deve ser superado um erro formal cometido, a fim de reconhecer o direito ao crédito, pago indevidamente, nos termos do artigo 165 do Código Tributário Nacional. Dessa forma, existindo nos autos documentação hábil e idônea suficiente para a comprovação do direito pleiteado, há de ser homologada a compensação da recorrente. Por todo exposto, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito do contribuinte à compensação, no limite do indébito existente. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 143DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
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