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Numero do processo: 11516.001192/2009-24
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Repartição de origem certifique junto à Contribuinte, e anexe aos autos, a escrituração das despesas de aluguel do período em foco.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Repartição de origem certifique junto à Contribuinte, e anexe aos autos, a escrituração das despesas de aluguel do período em foco. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1974; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 197 1 196 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.001192/200924 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3803000.353 – 3ª Turma Especial Data 22 de agosto de 2013 Assunto PIS NÃO CUMULATIVO COMPENSAÇÃO Recorrente PLASSON DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Repartição de origem certifique junto à Contribuinte, e anexe aos autos, a escrituração das despesas de aluguel do período em foco. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Esta Contribuinte transmitiu o Pedido de Ressarcimento nº 07885.03086.300306.1.1.088267, fls. 2/6, de PIS Não Cumulativo relativo ao 2º. trimestre do anocalendário de 2004, no valor de R$ 5.908,50, que utilizou como crédito na Declaração de Compensação DComp nº 01523.49728.270406.1.3.088428, fls. 7/10. Ancorada na Informação Fiscal de fls. 147/154, a DRF/Florianópolis, por meio do Despacho Decisório de fl. 155, homologou parcialmente a compensação reconheceu parcialmente o crédito no valor de R$ 5.616,72, deixando de considerar na base de cálculo dos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 01 19 2/ 20 09 -2 4 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.001192/200924 Resolução nº 3803000.353 S3TE03 Fl. 198 2 créditos os valores de ‘aluguéis pagos ... à pessoa física e outros ‘valores sem o respaldo de notas fiscais de entrada’. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 1/5, a Interessada alegou, em síntese, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal, no tocante à análise da documentação apresentada pela empresa, haja vista que os pagamentos de aluguéis foram feitos à empresa Garantia Administradora de Bens e Serviços Ltda., pessoa jurídica, conforme documentação em anexo. Requereu, por fim, que fosse revisto o direito creditório de R$ 261,24. Em julgamento da lide, acórdão de fls. 183/186, a DRJ/Florianópolis: a) verificou que a Defesa anexou um aditivo ao contrato de locação, de data anterior ao período de que trata o presente processo, por meio do qual o locador passou a ser pessoa jurídica; b) considerou, em tese, a possibilidade do desconto de créditos em relação a pagamentos de despesas de aluguel de prédios locados de pessoas jurídicas e utilizados nas atividades da empresa, conforme a Lei nº 10.637, de 2002. Todavia, deixou de deferir a solicitação contida na manifestação de inconformidade pelo fato de a Contribuinte ter deixado de apresentar as notas fiscais emitidas pela empresa locadora, visando à comprovação dos pagamentos feitos nos montantes que constam do Dacon. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 27 de junho de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, fls. 52/55, em 12 de julho de 2012, em que, sustentou a impropriedade e equívoco da decisão recorrida de indeferir a solicitação de inclusão dos valores de aluguéis na base de cálculo dos créditos, por falta de apresentação das notas fiscais a eles correspondentes; afirma não haver base legal para tal exigência e que o contrato de locação já apreciado pelo Colegiado de primeira instância faz prova, por si, da despesa incorrida. É o relatório. VOTO Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.001192/200924 Resolução nº 3803000.353 S3TE03 Fl. 199 3 Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo, e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia cingese ao reconhecimento ou não do direito ao crédito decorrente das despesas de aluguel no trimestre, fundado tão só no contrato de locação, sendo equivocada a exigência de nota fiscal. O Código Civil, estabelece em seu art. 566 que “o locador é obrigado: I) a entregar ao locatário a coisa alugada, com suas pertenças, em estado de servir ao uso a que se destina...”. Do disposto acima deduzse que a natureza jurídica da locação de imóveis é uma obrigação de dar, evento que não é alcançado pela incidência do ISSQN, destinado que é para alcançar as obrigações de fazer, segundo a eleição feita pelo legislador na Lista Anexa à LC nº 116/2003, que não inclui esta atividade. Enquanto obrigação de dar, por sua vez, a locação de imóveis não se enquadra entre as operações relativas à circulação de mercadorias, hipótese de incidência do ICMS. A exigência de emissão de notas fiscais está adstrita às operações e prestações erigidas como hipótese de incidência desses dois impostos. Uma vez que a locação de imóveis não alcançada pela tributação desses impostos, é impertinente a exigência de emissão de nota fiscal para comprovar a existência da relação jurídica obrigacional. O próprio contrato é o instrumento que demonstra esse vínculo. E a contraprestação dessa obrigação o pagamento – como, de resto, ocorre com qualquer transação mercantil é comprovado por meio de recibo, segundo a Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 (Lei do Inquilinato), que prevê em seu art. 22, inciso VI: “o locador é obrigado a fornecer ao locatário recibo discriminado das importâncias por este pagas, vedada a quitação genérica.”. Sem prejuízo do dispositivo legal acima em seus devidos efeitos, vejo que no que tange à não cumulatividade do PIS e da Cofins a apresentação do recibo não é necessária para comprovação do direito ao crédito, sendo bastante a apresentação de contrato de locação firmado com pessoa jurídica idônea no CNPJ e o registro da despesa na escrita contábil, independentemente do seu pagamento tempestivo. Isso, porque o fato gerador do crédito é o valor do aluguel incorrido nos termos do que dispõe do art. 3º, § 1º, II, da Lei nº 10.637/2002, ao fixar que o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º sobre o valor do aluguel incorrido, não sobre o valor do aluguel pago: II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; [grifei] Este entendimento encontra eco no posicionamento do 7 Supremo Tribunal Federal acerca da relação entre o pagamento e a ocorrência do fato gerador, tendo consignado no bojo da decisão no RE 586.482/RS, que “o inadimplemento do comprador não influi na descaracterização do fato gerador. Há receita em potencial a ser auferida pela empresa” e que “a exigência tributária não está vinculada ao êxito dos negócios privados.”. O PN CST nº 58, de 1977, esclarece que despesas incorridas: Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.001192/200924 Resolução nº 3803000.353 S3TE03 Fl. 200 4 “são aquelas de competência do período de apuração, relativas a bens empregados ou serviços consumidos nas transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, tenham sido pagas ou não. A obrigação de pagar determinada despesa (enquadrável como operacional) nasce quando, em face da relação jurídica que lhe deu causa, já se verificaram todos os pressupostos materiais que a tornaram incondicional, vale dizer, exigível independentemente de qualquer prestação por parte do respectivo credor. Despesas incorridas são, portanto, aquelas decorrentes de bens empregados ou de serviços consumidos nas transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, em relação às quais já tenha nascido a obrigação correspondente, ainda que o respectivo pagamento venha a ocorrer em período subsequente.”. 1 Como o conceito de despesas incorridas é genérico para o fim contábilfiscal a definição acima é válida e aplicável na construção da citada norma do creditamento. No presente caso, dos autos consta cópia do aditivo nº 01 do contrato de locação, celebrado em 12 de abril de 2002, data bem antecedente ao Pedido de Ressarcimento, e já reconhecido pela decisão recorrida como hábil a ser originador de crédito. O Aditivo nº 02 celebrado em 31 de março de 2009 demonstra a continuidade da relação jurídica desta Contribuinte com a empresa locadora do imóvel perpassando pelos períodos de apuração sob exame. As decisões anteriores não consideraram a possibilidade de creditamento sobre a base dessa despesa, por motivo diverso uma da outra. Tendo em vista a força do contrato constante dos autos como indício da ocorrência da despesa, cabe a complementação da instrução do processo vindo aos autos a escrituração da despesa. Ante o exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Repartição de origem certifique junto à Contribuinte, e anexe aos autos, a escrituração das despesas de aluguel do período em foco e intime o locador para que informe se tem conhecimento da existência do contrato de locação e a finalidade do uso do imóvel. Sala das sessões, 22 de agosto de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 1 http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/DIPJ/2003/PergResp2003/pr241a264.htm. <acesso em 8 de junho de 2013>. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.903534/2009-23
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
Ano calendário: 2005
COFINS. CREDITAMENTO. REGIME TRIBUTÁRIO CUJOS DISPOSITIVOS FORAM REVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE.
Inviável o aproveitamento de créditos da COFINS baseado em legislação revogada anteriormente aos fatos geradores que motivaram o pleito.
Numero da decisão: 3802-001.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 Ano calendário: 2005 COFINS. CREDITAMENTO. REGIME TRIBUTÁRIO CUJOS DISPOSITIVOS FORAM REVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE. Inviável o aproveitamento de créditos da COFINS baseado em legislação revogada anteriormente aos fatos geradores que motivaram o pleito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 Ano calendário: 2005 COFINS. CREDITAMENTO. REGIME TRIBUTÁRIO CUJOS DISPOSITIVOS FORAM REVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE. Inviável o aproveitamento de créditos da COFINS baseado em legislação revogada anteriormente aos fatos geradores que motivaram o pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 35 34 /2 00 9- 23 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório A contribuinte CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA., se insurge no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0346.759, proferido em primeira instância pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BRASÍLIA – DRJ/BSB, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, negando o direito creditório pleiteado e indeferindo a compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 Compensação NÃO HOMOLOGAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. Não tendo sido localizado o DARF com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito aproveitado em declaração de compensação, não se homologa o procedimento. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente e/ou de proceder à declaração de compensação extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. Diversidade entre a situação de contribuinte tributado pela COFINS e CSLL e a do contribuinte tributado unicamente pela COFINS se revela suficiente para justificar o tratamento diferenciado. ÁNALISE DE CONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Tratase de DCOMP nº 01657.58755.061205.1.3.044208 transmitida em 06/12/2005 (fls. 18/22), com fundamento em suposto crédito de COFINS no valor de R$147.466,51 (cento e quarenta e sete mil quatrocentos e sessenta e seis reais e cinquenta e um Fl. 76DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10120.903534/200923 Acórdão n.º 3802001.533 S3TE02 Fl. 112 3 centavos) decorrente de pagamento indevido ou a maior, relativamente aos fatos geradores ocorridos em maio de 2003. Em 09/04/2009 foi emitido Despacho Decisório nº 831216865 (fl. 30) de não homologação da compensação declarada, uma vez que não foi confirmada a existência do crédito informado na DCOMP. Cientificada do referido despacho em 30/04/2009, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 11/05/2009, na qual alegou como razões para o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a homologação da compensação efetuada, na forma explicitada pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BRASÍLIA – DRJ/BSB, que: O art. 8º da Lei nº 9.718/98, além de majorar a alíquota da COFINS de 2% para 3%, instituiu complexo mecanismo de compensação de até 1/3 da contribuição efetivamente paga, com a CSLL; As restrições contidas nos parágrafos do art. 8º da Lei nº 9.718/98 permitem que um contribuinte que tenha auferido lucro também tenha sua carga tributária reduzida pela possibilidade de compensação; ao revés, outro contribuinte que não tenha obtido o mesmo resultado, portanto, em tese, com menor capacidade contributiva, estaria sujeito a uma carga tributária maior, por não poder se valer da compensação; A impossibilidade legal de caracterização de saldo do terço da COFINS para utilização em períodos subsequentes criando situação de desigualdade entre os contribuintes; Pretendeuse a revogação do benefício por meio da Medida Provisória nº 1.85811/99 até a Medida Provisória nº 2.15835/01, até hoje não convertida em lei, cuja eficácia sucumbiu ao efeito derrogatório das normas editadas posteriormente; Em observância ao princípio da igualdade e da capacidade contributiva, pugna pelo reconhecimento de seu pleito, sob o fundamento da inconstitucionalidade da forma prevista para a dedução da CSLL. De acordo com o órgão julgador a quo “o recorrente não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado”. Além disso, “uma vez não localizado o DARF origem do crédito informado na DCOMP, fica demonstrada a inexistência do direito creditório apontado nessa declaração, sendo correta a sua não homologação”. Assevera ainda que “podese inferir que a contribuinte pretendeu, na realidade, utilizar em sua compensação suposto indébito tributário cujo direito de proceder à restituição ou compensação já estava extinto na data de transmissão da DCOMP, pois o recolhimento fora efetuado há mais de cinco anos (artigo 168, I, CTN). Ademais, conforme apontado pela DRF de origem, o referido DARF já fora devidamente alocado.”. Por fim, ressalta que, o benefício de compensação de parte da COFINS auferida com a CSLL devida, “vigeu somente para pagamentos efetuados até 31/12/1999, haja vista que a sua efetiva revogação, a partir de 1º/01/2000, pelo artigo 35, III, da Medida Provisória nº 1.85810 (DOU 27/10/1999), posteriormente reeditada na Medida Provisória nº Fl. 77DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 2.15835/2001, que continua em vigor conforme artigo 2º da Emenda Constitucional nº 32/2001.”. Intimada acerca do teor da decisão de 1ª instância em 14/03/2012 (fls. 53/57), o sujeito passivo interpôs o Recurso Voluntário alegando como razões para homologação do pedido de compensação objeto do presente processo, em síntese: A estranheza da ausência de localização do DARF da origem do crédito indicado na DCOMP, uma vez que as autoridades julgadoras tem acesso às informações de arrecadação junto ao sistema da RFB, bem como nas informações declaradas pelo contribuinte, seja DCTF, seja DIRPJ; A impossibilidade de transmissão da DCTF que informe pagamento a maior, razão pela qual o DARF de pagamento da COFINS foi indevidamente alocado, com base em incorreta informação, podendose constatar o valor corretamente devido a título da contribuição através da análise da DIPJ; O dever da autoridade administrativa de proceder à retificação de ofício dos erros contidos na declaração, no sentido de corrigir o valor do débito de COFINS, para quem, do valor pago e alocado, possa ter o saldo para a compensação de 1/3 da COFINS paga com a CSLL; A inocorrência da prescrição do direito da interessada pleitear a restituição e/ou compensação da COFINS com base no art. 168, I, CTN, tendo em vista que o tributo foi pago em 14/09/2001 e a DCOMP foi transmitida em 06/12/2005, ou seja, quatro anos após o pagamento. É o relatório. Voto Tempestivamente interposto e atendidos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Tratase de pedido de restituição de créditos da COFINS, baseada no regime tributário estabelecido pelo artigo 8o da lei 9718/98, como frisa o próprio Recorrente em sede recursal (fl. 75): Assim, quando a empresa apura determinado valor de tributo a ser pago, este valor devido assim como seu pagamento é informado através de DCTF, conforme ocorreu no presente caso. A empresa apurou o valor do tributo de acordo com o artigo 8o da lei 9718 e efetuou o recolhimento, constando na DCTF os valores apurado e recolhido. Ressaltese que a DCTF não permite se fazer a compensação, tem de informar o valor total pago. O referido art. 8o da lei 9.718/98 assim dispunha: Art. 8° Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. §1° A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. §2 A compensação referida no §1°: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10120.903534/200923 Acórdão n.º 3802001.533 S3TE02 Fl. 113 5 Isomente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. §3° Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes. § 4° A parcela da COFINS compensada na forma deste artigo não será dedutível para fins de determinação do lucro real. Acontece que tal regime tributário foi revogado pela Medida Provisória 1858, a qual determinou a produção de efeitos da referida revogação a partir de 01/01/2000, nos termos abaixo: Art. 35. Ficam revogados: (...) III a partir de 1o de janeiro de 2000, os §§ 1o a 4o do art. 8o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. A Medida Provisória em tela foi revogada posteriormente pela Medida Provisória 2158. No entanto, a norma revocatória acima permanece vigente até os dias atuais, dado que a MP 2158, cuja reedição de nº 35 foi mantida sem prazo determinado de vigência por força da Emenda Constitucional nº 32, mantém as mesmas disposições, no art. 93, III, in verbis: Art. 93. Ficam revogados: (...) III a partir de 1o de janeiro de 2000, os §§ 1o a 4o do art. 8o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998; Assim, não procede a alegação do Recorrente no sentido de que: Ou seja, se a Lei permitia que o contribuinte compensasse 1/3 do valor pago do COFINS, se o contribuinte lançando mão da única forma que tinha para exercer esse direito, através de DCOMP, e se a DCTF não permite que o contribuinte informe um valor devido a menor (2/3) do que o valor pago (3/3), para que seja compensado 1/3, a autoridade tem o DEVER de proceder a retificação de ofício, no sentido de retificar o valor devido, para que, do valor pago e alocado, possa ter o saldo para a efetiva compensação de 1/3. E não procede por uma razão muito simples: ao contrário do que supõe o Recorrente, a lei não permitia mais a compensação referida quanto aos fatos geradores objeto do pleito. A rigor, essa é uma das razões pelas quais restava inviável a utilização de DCOMP para o procedimento pretendido pelo Recorrente. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Dado, portanto, que os fatos geradores objeto do presente pedido de restituição ocorreram no período de maio de 2003 – ou seja, posteriormente à revogação da norma que embasa o crédito pedido pelo Recorrente –, não há como reconhecer legitimidade ao montante pleiteado. Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 80DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10805.722278/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todos os argumentos levantados pela defesa, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972.
BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO.
A base de cálculo ou valor tributável do imposto corresponde ao valor total da operação da qual decorra a saída de produtos nacionais do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, compreendendo o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário (art. 131 do RIPI/2002).
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO.
Por falta de previsão legal é incabível excluir da base de cálculo o ICMS, incluso no valor da nota fiscal, por compor o preço do produto.
GLOSA. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. ENERGIA ELÉTRICA.
Somente os créditos referentes a matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados no processo industrial, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser apropriados na escrita fiscal.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO.
É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic, ou de outros índices, sobre os montantes pleiteados.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3302-002.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Os conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam a relatora pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
EDITADO EM: 09/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todos os argumentos levantados pela defesa, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO. A base de cálculo ou valor tributável do imposto corresponde ao valor total da operação da qual decorra a saída de produtos nacionais do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, compreendendo o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário (art. 131 do RIPI/2002). EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Por falta de previsão legal é incabível excluir da base de cálculo o ICMS, incluso no valor da nota fiscal, por compor o preço do produto. GLOSA. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. ENERGIA ELÉTRICA. Somente os créditos referentes a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados no processo industrial, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser apropriados na escrita fiscal. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 22 78 /2 01 1- 91 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic, ou de outros índices, sobre os montantes pleiteados. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Os conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam a relatora pelas conclusões. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. EDITADO EM: 09/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), por meio do Acórdão nº 1436.4132ª Turma da DRJ/RPO, na Sessão de 27 de janeiro de 2012 Na origem cuidase de Auto de Infração de IPI, cuja descrição dos fatos emitida na folha de continuação do Auto de Infração (fl. eletrônica 303) esclarece: “O estabelecimento industrial recolheu a menor o imposto sobre produtos industrializados IPI, em .todos os meses do ano de 2008, por se utilizar de créditos indevidos, que não tem previsão legal, e que não tem ação judicial que autorize o fiscalizado a utilizálos. Os créditos indevidos utilizados pelo fiscalizado são créditos extemporâneos e que tem por origem: a) IPI incidente sobre a saída de mercadorias bonificadas; b) IPI incidente.sobre energia elétrica; c) IPI incidente sobre encargos financeiros; d) IPI incidente sobre ICMS; e) IPI incidente sobre PIS e COFINS; Fl. 519DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.722278/201191 Acórdão n.º 3302002.159 S3C3T2 Fl. 519 3 f) correção dos supostos créditos do IPI acima elencados pela taxa SELIC.” Consoante Termo de Verificação Fiscal à fl. 289, a fiscalização iniciouse por meio do MPF nº 08.1.14.002011000462 em face de a contribuinte ter declarado na linha 16 da ficha 21 de sua DIPJ ex. 2009, ano calendário 2008, um total de outros créditos de IPI no valor de R$ 6.293.170.57, que corresponde a 93% do total de crédito de IPI utilizado naquele período. Intimada, a fiscalizada apresenta suas justificativas, a partir das quais a fiscalização conclui pela improcedência do procedimento.Transcrevese, por pertinente, trechos do referido Termo: “14) Verifiquei, através das planilhas apresentadas pelo fiscalizado em 19/04/2011, contendo a demonstração da composição dos outros créditos de IPI, utilizados em 2008, no valor total de R$ 6.923.170,57, anexa a este processo, que estes créditos tiveram a seguinte origem: 14.1) IPI incidente sobre a saída de mercadorias bonificadas, relativo aos meses de janeiro/2003 a dezembro/2005, totalizando em valores originais R$ 535.134,09; 14.2) IPI incidente sobre energia elétrica, relativo aos meses de janeiro/2003 a dezembro/2005, totalizando em valores originais R$ 250.246,86; 14.3) IPI incidente sobre encargos financeiros, relativo aos meses de janeiro/2003, fevereiro/2003, julho/2003, fevereiro/2004 e outubro/2004, totalizando em valores originais R$ 13.270,92; 14.4) IPI incidente sobre ICMS nas vendas de produtos industrializados, relativo aos meses de janeiro/2003 a dezembro/2005, totalizando em valores originais R$ 2.600.595,19; 14.5) IPI incidente sobre PIS e COFINS nas vendas de produtos industrializados, relativo aos meses de janeiro/2003 a dezembro/2005, totalizando em valores originais R$ 1.304.930,24. A soma dos créditos discriminados nos itens 14.1) a 14.5) deste Termo, em valores originais, totaliza R$ 4.704.177,30 que, corrigidos pela taxa SELIC, daria o total de R$ 6.923.170,57, valor este que foi utilizado pelo fiscalizado na apuração dos valores devidos do IPI, relativos aos meses de janeiro/2008 a dezembro/2008. (...); 17) Analisandose todos os documentos existentes na presente fiscalização, bem como a legislação relativa ao IPI, temos as seguintes considerações a fazer sobre os créditos extemporâneos de IPI utilizados pelo fiscalizado durante o ano de 2008. 17.1) Quanto ao IPI incidente sobre a saída de mercadorias bonificadas: Fl. 520DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 De acordo com o dicionário Aurélio da língua portuguesa ‘bonificação é uma concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço ou entregando quantidade maior do que a estipulada’. O inciso II do artigo 131 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Decreto n° 4.544, de 26/12/2002 RIPI/ 2002, define como base de cálculo (valor tributável) do IPI dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial (Lei n° 4.502, de 1964, artigo 14, inciso II, é Lei n° 7.798, de 1989, artigo 15). O parágrafo 3° do mesmo artigo estabelece que: "Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente (Lei n° 4.502, de 1964, artigo 14, parágrafo 2°, Decretolei n° 1.593, de 1977, artigo 27, e Lei n" 7.798, de 1989, artigo 15)". Quando o fiscalizado vendeu mercadorias bonificadas, entre janeiro/2003 a dezembro/2005, destacou em suas notas fiscais o IPI normal sobre a operação de venda, conforme estabelece o parágrafo 3° do artigo 131 do RIPI/2002 acima transcrito. Desta forma, concluise que não há qualquer previsão legal para o fiscalizado querer ser ressarcido do IPI incidente sobre a saída de mercadorias bonificadas, relativo aos períodos de janeiro/2003 a dezembro/2005, que segundo ele totalizou em valores originais R$ 535.134,09, conforme planilha, apresentada anexa a este processo. 17.2) Quanto ao IPI incidente sobre energia elétrica: Não há IPI incidente sobre a energia elétrica adquirida pelo fiscalizado para utilização no seu processo industrial, conforme imunidade estabelecida no parágrafo 3° do artigo 155 da Constituição Federal de 1988, e não há previsão legal para que qualquer contribuinte possa sé creditar de IPI que não tenha sido pago nos insumos por ele adquiridos. Desta forma, concluise que não há nenhuma base legal para o fiscalizado se creditar do IPI "fictício" incidente sobre energia elétrica por ele adquirida, relativa aos períodos de janeiro/2003 a dezembro/2005, que totalizariam em valores originais R$ 250.246,86, conforme planilha apresentada pelo mesmo. 17.3) Quanto ao IPI incidente sobre encargos financeiros: O inciso II do artigo 131 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Decreto n° 4.544, de 26/12/2002 RIPI/ 2002, define como base de cálculo (valor tributável) do IPI dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial (Lei n° 4.502, de 1964, artigo 14, inciso II, e Lei n° 7.798, de 1989, artigo 15). No valor total da operação estão inclusos, entre outros componentes, os encargos financeiros, conforme decisões Fl. 521DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.722278/201191 Acórdão n.º 3302002.159 S3C3T2 Fl. 520 5 administrativas da Receita Federal, jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e dos Tribunais Federais de Justiça. Desta forma, concluise que não há qualquer previsão legal para o fiscalizado querer ser ressarcido do IPI incidente sobre os valores dos encargos financeiros que compunham o preço dos seus produtos vendidos, relativos aos períodos de janeiro/2003, fevereiro/2003, julho/2003, fevereiro/2004 e outubro/2004, que segundo ele totalizou em valores originais R$ 13.270,92, conforme planilha apresentada anexa a este processo. 17.4) Quanto ao IPI incidente sobre ICMS: O inciso II do artigo 131 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Decreto n° 4544, de 26/12/2002 RIPI/ 2002, define como base de cálculo (valor tributável) do IPI dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial (Lei n° 4.502, de 1964, artigo 14, inciso 11, e Lei n° 7.798,.de 1989, artigo 15). No valor total da operação estão inclusos, entre outros componentes, os valores do ICMS que estão destacados nas notas fiscais de vendas,.conforme decisões administrativas da Receita Federal, jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e dos Tribunais Federais de Justiça. Desta forma, concluise que não há qualquer previsão legal para o fiscalizado querer ser ressarcido do IPI incidente sobre o valor do ICMS que compunha o preço dos seus produtos vendidos, relativos aos períodos de janeiro/200 a dezembro/2005, que segundo ele totalizou em valores originais R$ 2.600.595,19, conforme planilha apresentada anexa a este processo. 17.5) Quanto ao IPI incidente sobre PIS e COFINS: O inciso II do artigo 131 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Decreto n° 4.544, de 26/12/2002 RIPI/ 2002, define como base de cálculo (valor tributável) do IPI dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial (Lei n° 4.502, de 1964, artigo 14, Inciso II, e Lei n° 7.798, de 1989, artigo 15). No valor total da operação estão inclusos, entre outros componentes, os valores do PIS e da COFINS, conforme decisões administrativas da Receita Federal, jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e dos Tribunais Federais de Justiça. Desta forma, concluise que não há qualquer previsão legal para o fiscalizado querer ser ressarcido do IPI incidente sobre o valor do PIS e da COFINS que compunha o preço dos seus produtos vendidos, relativos aos períodos de janeiro/2003 a dezembro/2005, que segundo ele totalizou em valores originais Fl. 522DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 R$ 1.304.930,24, conforme planilha apresentada anexa a este processo. 17.6) Quanto à correção dos supostos créditos extemporâneos do IPI através da SELIC: A soma dos créditos discriminados nos itens 17.1) a 17.5) deste Termo, em valores originais, totaliza R$ 4.704.177,30, que corrigidos pela taxa SELIC daria o total de R$ 6.923.170,57, que foi utilizado pelo fiscalizado na apuração dos valores devidos do IPI, relativos aos períodos de janeiro/ 2008 a dezembro/2008. Lembramos que não há qualquer previsão legal para a correção de créditos do IPI pela taxa SELIC, ou por quaisquer outros índices.” (destaques do original) A planilha consolidada dos créditos utilizados pela contribuinte encontrase à fl eletrônica 106 . Inconformada com a autuação, a contribuinte apresenta impugnação em que aduz, em síntese, que: a) o conceito de “bonificação” se identifica com “distribuição gratuita de bens”, associado a voluntariedade, liberalidade e graciosidade; nas operações não houve nenhum “preço”, pois não houve nenhum desembolso pelos adquirentes, sendo as saídas bonificadas com desconto de 100% do preço; a falta de inclusão de descontos incondicionais e de amostras grátis na base de cálculo do IPI, na inexistência de lei complementar, tem respaldo em precedentes do STJ; b) a energia elétrica tem imunidade, mas é um insumo indispensável para a atividade industrial, do qual depende o funcionamento das máquinas e equipamentos, cujo crédito na aquisição é garantido pelo princípio da não cumulatividade, conforme decisão do Conselho de Contribuintes, precedentes do STJ e a Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001; c) o valor da operação no IPI, que é a base de cálculo, se refere aos gastos de produção como insumos, mão de obra e despesas acessórias próprias do processo industrial, correspondente ao preço à vista; quando existe financiamento do comprador pelo vendedor há uma relação jurídica à parte referente aos encargos financeiros que não podem, sem lei complementar que tal determine, ser incluídos na base de cálculo do imposto, conforme precedentes do STJ; d) na mesma linha de raciocínio, conforme doutrina e jurisprudência, o ICMS, o PIS e a COFINS não podem compor a base de cálculo do IPI, sob pena de enriquecimento sem causa do Poder Público e em Fl. 523DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.722278/201191 Acórdão n.º 3302002.159 S3C3T2 Fl. 521 7 detrimento do direito de propriedade assegurado na Constituição Federal; e) a exigência de recolhimento do IPI em operações de venda desvinculadas do respectivo fato gerador implica o efeito de confisco, constitucionalmente vedado; f) sendo a hipótese de recolhimento indevido, há o direito ao crédito com a devida correção monetária mediante a aplicação da taxa Selic. Por derradeiro, em face da argumentação, com a impossibilidade de manutenção do auto de infração impugnado, requer que este seja julgado improcedente, com o cancelamento da infração. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP, por unanimidade de votos, considerou improcedente a impugnação, sendo mantido integralmente o crédito tributário constituído., nos termos do Acórdão 1436.413, Sessão de 27 de janeiro de 2012 , anexado às fls eletrônicas 403 a 418, consoante se demonstra com a transcrição da respectiva ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RESSARCIMENTO. IMPOSTO PAGO INDEVIDAMENTE OU A MAIOR. INADEQUAÇÃO. Pedido de restituição, e não de ressarcimento, é a modalidade de pleito administrativo adequado à recuperação de imposto pago indevidamente ou a maior nas saídas de produtos. BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO. A base de cálculo ou valor tributável do imposto corresponde ao valor total da operação da qual decorra a saída de produtos nacionais do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. GLOSA. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. ENERGIA ELÉTRICA. Somente os créditos referentes a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados no processo industrial, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser apropriados na escrita fiscal. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic, ou de outros índices, sobre os montantes pleiteados. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Desta decisão a empresa interessada, por meio da Comunicação da ARF/Mauá nº 528/2012, tomou ciência no dia 02/07/2012, conforme AR de fl. 515, e, no dia 30/07/2012, ingressou com recurso voluntário no qual reprisa os argumentos da impugnação e acrescenta os argumentos a seguir resumidos, em face do Acórdão 1436.413 2ª Turma da DRJ/RPO: I DA PRELIMINAR I.1 – DA NULIDADE DA DECISÃO POR NÃO CORRESPONDER AO ENQUADRAMENTO LEGAL INDICADO NO LANÇAMENTO FISCAL Neste sub item a recorrente argúi que o Acórdão recorrido violou os princípios constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa, posto que inovou quando estabeleceu como causa de julgamento outros fundamentos não descritos no libelo inicial, diferentes daqueles para os quais foi intimada a defenderse, quando afirmou, a autoridade julgadora, que a recorrente não apresentou pedido de ressarcimento e autorizações de terceiros adquirentes,em relação aos créditos escriturados de bonificações, encargos financeiros, ICMS, PIS e COFINS, por ter incluído indevidamente valores que não devem compor a base de cálculo de IPI. Alega que ao cotejar os motivos alegados no Auto de Infração, com a norma tida como infringida pela contribuinte, bem como com a norma citada no julgamento para a manutenção do lançamento fiscal percebese que inexiste nas respectivas fundamentações legais a descrição do fato praticado pela recorrente como motivador do lançamento, ou seja, esclarece, inexiste motivação para a manutenção do lançamento, por falta de indicação na lei da irregularidade apontada. Afirma que “a vaga alegação de que os créditos são indevidos, não implica na aferição da legalidade do ato, ao contrário, acarreta a distorção do princípio constitucional da legalidade dos atos administrativos, previsto no art. 37 da Constituição Federal, além de violar indiretamente outro princípio constitucional, o da ampla defesa.” Neste sentido, transcreve cada um dos dispositivos legais mencionados no enquadramento legal do Auto de Infração para concluir que nenhum deles se enquadra na suposta infração relatada pela fiscalização, posto que não se refere à “Glosa de crédito indevido de IPI”. Em seu Socorro, transcreve ementas de acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes acerca de nulidade do lançamento fiscal quando caracterizada a falta de descrição dos fatos, dos fundamentos legais e de motivação. Apresenta, ainda, a alegação de que a autoridade julgadora foi muito sucinta quando analisou os argumentos de defesa no tópico denominado “créditos extemporâneos Parcelas consideradas pela impugnante como indevidas na apuração da base de cálculo do imposto”, deixando de transcrever as decisões administrativas e judiciais que mencionou existir. Transcreve ementa de acórdão do Carf no sentido de declarar a nulidade de decisão administrativa de 1ª instância de julgamento por falta de análise dos argumentos e fundamentos contidos na defesa da contribuinte. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.722278/201191 Acórdão n.º 3302002.159 S3C3T2 Fl. 522 9 Assim, conclui que o Acórdão recorrido está eivado de vício, quer por ter inovado, quer por não ter apreciado todas a razões aduzidas na defesa e requer a sua nulidade, em conformidade com o art. 59, II do Decreto 70.235/72, isto porque, alega, o lançamento foi efetuado sem as formalidades previstas e determinadas no art. 142 e seu parágrafo único do CTN. II DO MÉRITO II.1. DA DESNECESSIDADE DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PARA ESCRITURAÇÃO DOS CRÉDITOS POR FORÇA DOS PRINCÍPIOS DA NÃO CUMULATIVIDADE DO IPI II.2. DA INAPLICABILIDADE DO ART. 166 DO CTN. II.3 – DOS CRÉDITOS II.3.1 DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS RELATIVOS AS INDEVIDAS TRIBUTAÇÕES EM SAÍDAS DE MERCADORIAS BONIFICADAS II.3.2 DOS CRÉDITOS RELATIVOS À AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. II.3.3. EXCLUSÃO DOS ENCARGOS FINANCEIROS DA BASE DE CÁLCULO DE IPI II.3.4. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DE IPI II.3.5. EXCLUSÃO DO VALOR DO PIS E DA COFINS DA BASE DE CÁLCULO DE IPI II.3.6. DA VEDAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO COM EFEITO DE CONFISCO II.3.7. DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA DO PODER PÚBLICO II.3.8. DA VIOLAÇÃO AO DIREITO DE PROPRIEDADE II.3.9. DA INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA AO CRÉDITO DECORRENTE Por fim, requer seja acolhida a preliminar de nulidade da decisão recorrida ou no mérito, seja reconhecido o direito de a recorrente creditarse dos valores do ipi incidentes em períodos anteriores sobre mercadorias bonificadas, energia elétrica, encargos financeiros, icms, pis e cofins, bem assim, da correção de tais créditos utilizando a taxa Selic. Na forma regimental, o processo foi distribuído para relatar. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Fl. 526DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Da análise que se faz dos autos, constatase que o cerne da lide é a possibilidade, ou não, de a contribuinte creditarse no RAIPI de valores referentes à IPI apurado em períodos pretéritos sobre itens que, posteriormente, a mesma tenha chegado ao entendimento de ser indevida a inclusão dos mesmos na base de cálculo do IPI antes apurado, ou indevida a não utilização do item a título de crédito no período. É que, consoante se denota, no período de apuração de janeiro/2003 a dezembro/2005, a contribuinte destacou nas notas fiscais de venda os montantes devidos de IPI, considerando como base de cálculo o valor total da operação de que decorreu a saída de mercadoria do seu estabelecimento industrial, ali inclusos os valores referentes à bonificações, encargos financeiros, ICMS nas vendas de produtos industrializados, PIS e COFINS nas vendas de produtos industrializados, bem como, não se utilizou, a título de créditos, na apuração do IPI desses períodos, de valores pagos na aquisição de energia elétrica. em conformidade, portanto, com as regras do art. 164, I, do RIPI/2002, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002. Todavia, no período de janeiro a dezembro de 2008, entendeu indevidos os procedimentos acima descritos e escriturou no livro fiscal, a título de crédito, na apuração de IPI, com base no princípio da não cumulatividade, segundo alega, os valores de IPI apurados sobre os itens acima discriminados nos períodos de Janeiro de 2003 a dezembro de 2005, inclusive, corrigidos pela taxa SELIC. Esclarecida a lide, passase à análise de seus argumentos recursais: DA PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO POR NÃO CORRESPONDER AO ENQUADRAMENTO LEGAL INDICADO NO LANÇAMENTO FISCAL De início, convém ressaltar os equívocos da recorrente quando aduz que “o R. Acórdão recorrido para validar a manutenção da autuação trouxe outros fundamentos que não estavam descritos no libelo inicial ao alegar que a recorrente não apresentou pedido de ressarcimento e autorizações de terceiros adquirentes...”. O equívoco inicial a ser ressaltado é que a autoridade de julgamento não se referiu à ressarcimento e sim à restituição e, o segundo equívoco que se vê é que a autoridade de julgamento de 1ª instância administrativa, ao fazer menção ao “Pagamento Espontâneo de Tributo Indevido ou Maior que o Devido – Forma de Recuperação”, citando e transcrevendo os art. 165 e 166 do CTN1, quis apenas efetuar esclarecimentos sobre o correto procedimento a ser adotado pelo o contribuinte que verifique ter efetuado pagamento indevido ou a maior, em face de anterior erro de apuração, se assim corretamente detectado, posto que, de fato, a 1 Assim dispõe o CTN: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma,anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla”.(g.m.) Fl. 527DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.722278/201191 Acórdão n.º 3302002.159 S3C3T2 Fl. 523 11 contribuinte, ora recorrente, supondo serem corretos os seus fundamentos de mérito, o que se analisará a seguir, teria utilizadose de procedimento indevido, ao se creditar no RAIPI de valores atinentes ao IPI apurado em períodos pretéritos sobre itens que entendeu posteriormente ser indevida a sua inclusão na base de cálculo do IPI apurado no período, ou a exclusão de valores de energia elétrica como crédito na apuração de IPI nos mesmos períodos pretéritos. De fato, como bem disse a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, “Quando ocorre pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, o instituto à disposição do administrado é a restituição total ou parcial do tributo e não o ressarcimento das parcelas escrituradas como créditos extemporâneos na escrita fiscal.” A recorrente fundamenta seu pedido de nulidade da decisão no art. 59, inciso II do Decreto n.º 70.235/1972. O caput do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/1972 determina que: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Pois bem, consoante o disposto no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72 (PAF), dúvidas não pairam de que o cerceamento do direito de defesa é sim causa de nulidade do ato administrativo. Todavia, é de se ressaltar que o referido cerceamento se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, circunstância que não se configurou na espécie. De fato, não há subsunção do ato administrativo de julgamento de 1ª instância, ora recorrido, à tal regra. O Acórdão 1436.4132ª Turma da DRJ/POR foi proferido por autoridade julgadora competente, ,não trouxe prejuízo à contribuinte, que entendeu e apresentou argumentos de recurso e não terá nenhuma influência na solução do presente litígio, haja vista que o esclarecimento prestado por aquela autoridade, de forma alguma, caracteriza alteração de fundamentação legal do lançamento impugnado. Tal assertiva é facilmente constatada, posto que aquela autoridade julgadora no julgamento do mérito de direito, sob o título “Créditos Extemporâneos – Parcelas Consideradas pela Impugnante como Indevidas na Apuração da Base de Cálculo do Imposto”, ao efetuar análise dos itens que a contribuinte, posteriormente, entendeu indevido na apuração da base de cálculo do IPI efetuada no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, o fez com fundamento na regra ditada no art. 131, inciso II e respectivo parágrafo 3º do RIPI/2002, fundamentando que a apuração do IPI efetuada no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005 estava em conformidade com a legislação então vigente e que era indevido o procedimento posteriormente adotado no período de apuração do ano de 2008, no sentido de se ressarcir de IPI por meio de parcelas escrituradas como créditos extemporâneos na escrita fiscal, exatamente como o fez a autoridade lançadora. De fato, no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, a autoridade lançadora competente já anunciava que, em conformidade com o inciso Fl. 528DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 12 II2 do art. 131 do RIPI/20002, aprovado pelo o Decreto 4.544/2002, inexistia previsão legal para a contribuinte querer ser ressarcido do IPI incidente sobre valores de itens (bonificações, encargos financeiros, ICMS, PIS, COFINS) que, legalmente, compunham o preço dos produtos por ela vendidos no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, bem como inexistia base legal para se creditar de IPI “ficto” sobre valores de aquisição de energia elétrica em igual período, ressaltando, inclusive que a contribuinte, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005 não pagou IPI na aquisição de energia elétrica conforme imunidade prevista no§3º do art. 155 da CF/88b.E ainda, que inexistia previsão legal de correção de crédito de IPI com a utilização de taxa Selic ou qualquer outro índice. E, de outra banda, a alegação de que a autoridade julgadora teria sido muito sucinta quando analisou os argumentos de defesa no tópico denominado “créditos extemporâneos Parcelas consideradas pela impugnante como indevidas na apuração da base de cálculo do imposto”, ensejando, segundo a recorrente, a nulidade por omissão na análise de seus argumentos de defesa, em conformidade com o entendimento proferido nas ementas de acórdãos do CARF que transcreve, igualmente não procede. É certo que a impugnação da contribuinte foi extensa, trazendo conceitos dos vocábulos “bonificações”, “receitas”, efetuando de forma repetitiva, nas argumentações de cada um dos itens objeto de glosa, a citação de artigos CTN, transcrevendo jurisprudência do STJ no sentido de demonstrar a ilegalidade das normas, inconstitucionalidade de leis ordinárias para alterações da base de cálculo de IPI, bem como do direito de utilizarse da taxa Selic para corrigir os valores dos créditos . Não obstante a extensão de sua impugnação, não se visualiza que algum argumento possa não ter sido enfrentado. É que, o fundamento de decidir do acórdão recorrido, nesta questão, embora sucinto, enfrentou as questões postas acerca da escrituração de créditos extemporâneos de IPI, de forma objetiva talvez não com o encaminhamento e o desfecho pretendidos pela defesa expondo o seu entendimento legal das questões, ressalvando que no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005 a contribuinte teria destacado nas notas fiscais de venda os montantes devidos de IPI conforme a legislação vigente e concluindo da seguinte forma: 2 Segundo o RIPI/2002: “Art. 131. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: (...) II dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, inciso II, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15). § 1º O valor da operação referido nos incisos I, alínea b e II, compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, § 1º, Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 27, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15). § 2º Será também considerado como cobrado ou debitado pelo contribuinte, ao comprador ou destinatário, para efeitos do disposto no § 1º, o valor do frete, quando o transporte for realizado ou cobrado por firma coligada, controlada ou controladora (Lei nº 6.404, de 1974) ou interligada (Decretolei nº 1.950, de 1982) do estabelecimento contribuinte ou por firma com a qual este tenha relação de interdependência, mesmo quando o frete seja sub contratado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, § 3º, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15). § 3º Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, § 2º, Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 27, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15)”. (g.m.) Fl. 529DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.722278/201191 Acórdão n.º 3302002.159 S3C3T2 Fl. 524 13 “A bonificação implica uma redução do preço ou a entrega de uma quantidade maior de produto vendido: é desconto ou abatimento, e deve ser computada, ou melhor, não deve ser subtraída do valor tributável do imposto devido, calculado este pela aplicação da alíquota cabível. Se determinada parcela compõe o valor do produto consignado na nota fiscal, ou ainda, se integra a formação do custo de venda do produto, esta deve compor, inapelavelmente, a base de cálculo do imposto. Isso se aplica a encargos financeiros, ao ICMS (calculado “por dentro”, pois, diferentemente do IPI que é calculado “por fora” ou destacado, está embutido no valor do produto na nota fiscal), ao PIS e ao COFINS (ambos calculados posteriormente, sobre a receita tributável para tal fim apurada na contabilidade). Nesse diapasão, há decisões administrativas no âmbito da Receita Federal, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e julgados promanados dos Tribunais Regionais Federais. Não há efeito de confisco, com violação do direito de propriedade do sujeito passivo, nem tampouco enriquecimento sem causa da Fazenda Pública.” Ressaltese que inexiste a necessidade de transcrever jurisprudência administrativa e/ou judicial para respaldar a convicção do julgador. Outrossim, a legislação que rege o processo administrativo fiscal não exige que os julgadores examinem com profundidade cada um dos argumentos levantados pela defesa. Devem, sim, referirse às razões de defesa e fundamentar a decisão. Senão vejamos: Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse,expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências”. Nesse mesmo sentido é a jurisprudência consolidada no âmbito no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Como exemplo, citase decisão no AgRg no AREsp 57508 / RN AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2011/02273110, proferida em 08/03/2012: “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. ART. 535 DO CPC. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. 1. De acordo com os precedentes desta Corte, "(...) é de se destacar que os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todas as teses levantadas pelo jurisdicionado durante um processo judicial, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas, em obediência Fl. 530DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 14 ao que determina o art. 93, inc. IX, da Constituição da República vigente. Isto não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC." (REsp 1.283.425/MG, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 6/12/2011, DJe 13/12/2011). 2. O fato de a Corte Regional haver decidido a lide de forma contrária à defendida pelo recorrente, elegendo fundamentos diversos daqueles por ele propostos, não configura omissão ou qualquer outra causa de embargabilidade, pelo que se tem por afastada a tese de violação do disposto no art. 535 do CPC. 3. Agravo regimental a que se nega provimento.” E, neste caso, a decisão de primeira instância, embora sucinta, expôs com clareza as razões pela quais não acatou as razões da defesa, concluindo pela higidez da autuação nesta parte. Não se vislumbra, assim, a alegada violação do devido processo legal, do direito ao contraditório e da ampla defesa ou qualquer outro vício que pudesse ensejar a nulidade da decisão de primeira instância. É, , pois, de se rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Convém, ainda, ressaltar que a recorrente, neste sub item de seu recurso, transcrevendo as redações dos artigos legais mencionados no Auto de Infração, efetua alegações de que no lançamento fiscal inexiste, nas respectivas fundamentações legais, a descrição do fato praticado pela recorrente como motivador do lançamento, ou seja, esclarece, inexiste motivação para a manutenção do lançamento, por falta de indicação na lei da irregularidade apontada – glosa de créditos indevidos de IPI,transcrevendo ementas do antigo Conselho de contribuintes para respaldar suas alegações. Tais alegações, utilizadas sob o pretexto de demonstrar a nulidade da decisão recorrida, na verdade, de forma transversa, argúi a nulidade do lançamento. Entretanto, tal argüição não foi aduzida na sua impugnação, encontrandose preclusa , o que conduz à impossibilidade de análise por parte deste conselho, sob pena de se ferir o princípio do duplo grau de jurisdição. DO MÉRITO Tanto o lançamento fiscal quanto o Acórdão ora recorrido efetuaram a análise de mérito no sentido de demonstrar a correção do procedimento adotado no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, quando a contribuinte destacou nas notas fiscais de venda os montantes devidos de IPI, considerando como base de cálculo o valor total da operação de que decorreu a saída de mercadoria do seu estabelecimento industrial, ali inclusos os valores referentes à bonificações, encargos financeiros, ICMS nas vendas de produtos industrializados, PIS e COFINS nas vendas de produtos industrializados, bem como, não se utilizou, a título de créditos, na apuração do IPI desses períodos, de valores pagos na aquisição de energia elétrica. em conformidade, portanto, com as regras do art. 164, I, do RIPI/2002, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002. E, em conseqüência, a incorreção e a falta de previsão legal para a contribuinte creditarse, no decorrer do ano de 2008, de IPI incidente no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005 sobre aqueles itens Seguindo essa sistemática, passase à análise de mérito, segundo a ordem apresentada no recurso, que, reprisando os argumentos apresentados na impugnação, pretende demonstrar a ilegalidade do art. 131,inciso II, parágrafos 1º e 3º do RIPI/2002, por meio de citação de julgados do STJ e do colendo Conselho de Contribuintes, para concluir que o IPI, Fl. 531DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.722278/201191 Acórdão n.º 3302002.159 S3C3T2 Fl. 525 15 por expressa determinação constitucional, deve incidir apenas sobre os valores correspondentes aos custos/gastos de produção, ou seja, os custos inerentes e indispensáveis desembolsados pelo o industrial para industrialização do produto, sem qualquer outro acréscimo. DA DESNECESSIDADE DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PARA ESCRITURAÇÃO DOS CRÉDITOS POR FORÇA DOS PRINCÍPIOS DA NÃO CUMULATIVIDADE DO IPI A recorrente aduz que sendo o IPI tributo lançado por homologação, nos termos do art. 150 do CTN, cabe ao mesmo apurar em seus livros fiscais o montante do imposto e antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade fiscal, e que assim, ocorre, também, com os créditos de IPI oriundos dos valores pagos a maior a título de bonificações, encargos financeiros, ICMS, PIS e COFINS, incluídos no imposto destacado nas notas fiscais de saída, não sendo necessário prévio pedido de ressarcimento para efetuar os créditos, posto tratarse de pagamento do mesmo tributo que se opera pela sistemática de não cumulatividade. Afirma que é da própria sistemática do imposto por força do princípio da não cumulatividade, que os créditos de IPI a que o contribuinte tem direito, poderão ser deduzidos dos débitos decorrentes da saída de produtos tributados. Também alega que a própria legislação de regência de IPI disciplinando os casos de pedido de restituição ou compensação,facultou ao contribuinte, quando possuir em sua escrita fiscal saldo credor passível de ressarcimento apresentar o pedido de restituição, como se infere do disposto no art. 207, §§1º e 2º e 208 do RIPI/2002, que transcreve, independentemente, afirma, de requerimento, sendo, pois, desnecessária a prévia autorização da RFB para utilização do crédito.Transcreve ementa de Acórdão do então Segundo Conselho de Contribuintes, proferido no Processo nº 10875.000642/9373, que afirma que, na vigência da Lei 8383/91, art. 66, em caso de lançamento por homologação a contribuinte pode efetuar a compensação a seu talante, ficando reservado ao fisco posterior averiguação de regularidade, em que sustenta ser caso simular ao ora sob julgamento. Conclui inexistir óbice à convalidação do procedimento adotado pela contribuinte, frente à legislação de regência e à jurisprudência do Poder Judiciária. Diante de tais alegações, fazse necessário abordar inicialmente a sistemática da não cumulatividade do IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE Os princípios da não cumulatividade o da seletividade do IPI foram introduzidos no arcabouço constitucional por meio da Emenda Constitucional (EC) nº 18/1965 e permanecem na Constituição Federal (CF) de 1988, que não trouxe alterações no tocante aos princípios em questão: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV produtos industrializados; (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: Fl. 532DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 16 I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...).” O Código Tributário Nacional, sobre o princípio da não cumulatividade, estabelece a regra a ser observada por lei específica, no sentido de que o direito ao crédito do IPI resulte do imposto pago pelo adquirente quando da entrada dos produtos em seu estabelecimento, in verbis: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes.” (grifouse) Nesta direção, o principio constitucional da nãocumulatividade teve sua sistemática regulada por lei ordinária, qual seja, o art. 25 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, e alterações posteriores, que assim estabelecia: "Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. § 1° 0 direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento." (negritos acrescidos) O Regulamento do IPI RIPI 2002 (Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002), por sua vez, em seu art. 163 (equivalente ao art. 225 do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 Regulamento do IPI (RIPI/2010)) estabeleceu: “CAPÍTULO X DOS CRÉDITOS Seção I Disposições Preliminares NãoCumulatividade do Imposto Art. 163. A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). Fl. 533DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.722278/201191 Acórdão n.º 3302002.159 S3C3T2 Fl. 526 17 § 1º O direito ao crédito é também atribuído para anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento e a este devolvidos ou retornados. § 2º Regemse, também, pelo sistema de crédito os valores escriturados a título de incentivo, bem assim os resultantes das situações indicadas no art. 178.” Pelos dispositivos constitucional e legais acima dispostos verificase que a sistemática de não cumulatividade adotada pelo o Brasil operase mediante a apropriação e utilização de créditos, por meio da compensação entre o valor do IPI recebido dos adquirentes do produto fabricado pelo o industrial e o IPI pago pelo o industrial quando da aquisição dos insumos onerados, apurandose a diferença, que pode ser credora ou devedora, nos termos do estabelecido pela regra do art. 153, §3º, II da Constituição Federal. Seu foco não está no valor agregado pelo o contribuinte aos insumos por ele adquirido, mas na diferença do confronto entre o imposto devido nas saídas de seu produto com o suportado nas aquisições dos insumos, técnica esta denominada “imposto sobre imposto”. Vêse, então, que a sistemática da não cumulatividade do IPI, ao contrário do alegado, não convalida o procedimento da contribuinte, ora recorrente, posto que no caso em questão, o crédito que a contribuinte escriturou não se refere ao IPI incidente sobre os insumos onerados por ela adquiridos, mas, sim, referese à IPI sobre parcelas (bonificações, encargos financeiros, ICMS, PIS E COFINS) inclusas na base de cálculo na saída de seus produtos em período pretérito (janeiro de 2003 a dezembro de 2005) que, posteriormente, entendeu indevidas. Tal creditamento, como já ressaltado pelas autoridades lançadora e julgadora de 1ª instância administrativa, não possui base legal. Cabe, também, esclarecer que a compensação, prevista na sistemática da não cumulatividade, entre o valor do IPI recebido dos adquirentes do produto fabricado pelo o industrial e o IPI pago pelo o industrial quando da aquisição dos insumos onerados, apurando se a diferença, que pode ser credora ou devedora, nos termos do estabelecido pela regra do art. 153, §3º, II da Constituição Federal, não se confunde com a compensação entre créditos tributários, quando a administração tributária e a contribuinte são, reciprocamente, devedor e credor, entre si, podendo, então, efetuar a compensação, hipótese de extinção de crédito tributário, o qual, conforme acórdãos, cujas ementas a recorrente transcreveu, poderseia, na vigência da Lei 8383/91, operarse, no caso de lançamento por homologação, sem prévio exame da autoridade fiscal. Mas, ressaltese, tratase essa compensação de coisa diversa, que não autoriza o procedimento da ora recorrente de creditarse de IPI sobre parcelas que em período pretérito compôs a base de cálculo na saída de seus produtos, em sua escrita fiscal, sem base legal ou ação judicial que assim que lhe autorize proceder. Portanto, também a Lei 8383/91 e os julgados trazidos nesse sentido, igualmente, não convalidam o procedimento da recorrente. Portanto, como bem esclareceu a autoridade julgadora de 1ª instância, entendendo a contribuinte que o IPI apurado em períodos pretéritos teria sido em valor indevido ou maior que o devido, não poderia ela, ter se creditado em seu RAIPI do respectivo IPI antes apurado. O correto procedimento seria o pedido de restituição, por tratarse de suposto indébito. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 18 A própria contribuinte demonstra ter a exata noção de que se trataria de indébito caso, é claro, fossem verdadeiras as suas premissas de que tais parcelas não deveriam ter sido incluídas na base de cálculo do IPI naquele período, quando assim manifestouse: “Assim sendo, verificase que sendo o contribuinte quem apura em seus livros fiscais o montante devido do imposto e antecipa o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o mesmo ocorre com os créditos de IPI oriundos de valores pagos a maior, a título de bonificações, encargos financeiros, ICMS, PIS e COFINS, incluídos no imposto destacado nas notas fiscais de saída, não sendo necessário prévio pedido de ressarcimento, para efetuar os créditos, posto tratarse de pagamento de mesmo tributo que se opera pela sistemática da não cumulatividade.”(grifei). DA INAPLICABILIDADE DO ART. 166 DO CTN As alegações deste sub item acerca de “tributo indireto”, “contribuintes de fato e de direito” decorreu do esclarecimento da autoridade julgadora sobre o correto procedimento a ser adotado quando há a ocorrência de pagamento indevido ou a maior que o devido e sobre a competência de quem deve requerer a restituição de IPI, nos termos do art. 166 do CTN. Portanto, tendo em conta que:a) tratouse de um esclarecimento; b) este processo não trata de pedido de restituição e sim de lançamento tributário e c) tal questão não está sob litígio neste processo, deixase, por ser alheio aos fatos ora sob litígio, de apreciar tais argumentos. DOS CRÉDITOS Constatase dos autos que tanto no decorrer da fiscalização, quanto na impugnação e no recurso voluntário, pretende a contribuinte, com as suas alegações, afastar a aplicação do art. 131 do RIPI/2002, (que regulamenta a Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, inciso II, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15).que serviu de base legal para o lançamento, sob a alegação de ilegalidade e inconstitucionalidade. Sobre esta questão, cabe esclarecer que , o processo administrativo fiscal não se presta à discussão acerca da inconstitucionalidade/ilegalidade de leis emanadas e regularmente editadas pelo Congresso Nacional, porque a autoridade administrativa não tem competência para tanto, pois encontrase estritamente vinculada aos textos legais, que deve cumprir, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, de modo que a apreciação de tais matérias são de exclusiva atribuição do Poder Judiciário, que detém a palavra final sobre o assunto, nos termos do art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988. Ainda, a esse respeito, cabe ressaltar a expressa vedação constante no Art.26 A, caput, do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com a Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009), segundo o qual, “no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Também, quanto às questões constitucionais, temse a aplicação ao do art. 62 do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009): Fl. 535DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.722278/201191 Acórdão n.º 3302002.159 S3C3T2 Fl. 527 19 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993”. No mesmo sentido, o entendimento referendado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF com a publicação, no Diário Oficial da União de 12 de janeiro de 2011, da seguinte súmula, que se transcreve, para maior clareza: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Consta do Termo de Verificação Fiscal, à fl. 294, que a contribuinte expressamente informou não ter ajuizado ação judicial pleiteando os créditos extemporâneos por ele utilizados no decorrer do ano de 2008. Portanto, não tem como este colegiado afastar a aplicação da legislação vigente à época dos fatos, devendo ser aplicada ao caso dos autos a lei em sua integralidade. Assim, conforme exaustivamente expendido no relatório fiscal e conforme ressaltado no acórdão ora recorrido, a contribuinte, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, destacou nas notas fiscais de venda os montantes devidos de IPI conforme a legislação vigente. Segundo o RIPI/2002: “Art. 131. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: (...) II dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, inciso II, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15). § 1º O valor da operação referido nos incisos I, alínea b e II, compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo Fl. 536DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 20 contribuinte ao comprador ou destinatário (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, § 1º, Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 27, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15). § 2º Será também considerado como cobrado ou debitado pelo contribuinte, ao comprador ou destinatário, para efeitos do disposto no § 1º, o valor do frete, quando o transporte for realizado ou cobrado por firma coligada, controlada ou controladora (Lei nº 6.404, de 1974) ou interligada (Decretolei nº 1.950, de 1982) do estabelecimento contribuinte ou por firma com a qual este tenha relação de interdependência, mesmo quando o frete seja subcontratado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, § 3º, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15). § 3º Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, § 2º, Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 27, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15)”. (g.m.) DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS RELATIVOS AS INDEVIDAS TRIBUTAÇÕES EM SAÍDAS DE MERCADORIAS BONIFICADAS Neste sub item, a recorrente no sentido de afastar a aplicação da lei transcreve ementas de julgados do STJ. Mas, conforme ressalvado acima, não compete a este colegiado analisar questões de constitucionalidade de leis. Assim, constituindo as bonificações em redução do preço ou a entrega de uma quantidade maior de produto vendido, tal fato constitui em desconto ou abatimento, e segundo o disposto no §3º do art. 131 do RIPI/2002, acima transcrito, os descontos ou abatimentos concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente, não podem ser subtraída do valor tributável do IPI, compondo, portanto, o valor da operação. Desta forma, correto o procedimento da contribuinte nos períodos de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, ao destacar o IPI nas notas fiscais em conformidade com o disposto no art. 131 do RIPI/2002. Inexiste, portanto, previsão legal ou amparo judicial para a contribuinte ressarcirse, posteriormente, em seu livro RAIPI, do IPI incidente sobre as saídas de mercadorias bonificadas, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005. DOS CRÉDITOS RELATIVOS À AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. Dados os termos do recurso interposto, fazse necessário investigar o conceito de insumos para fins da nãocumulatividade do IPI. O art. 25, da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, ainda vigente, desta forma dispõe acerca do cálculo do IPI a recolher: “Art. 25. A importância a recolher será o montante do impôsto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do impôsto relativo aos produtos nêle entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer.”. Percebese que o art. 25, da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, não prevê expressamente que os produtos “entrados” no estabelecimento industrial, para diminuir a Fl. 537DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.722278/201191 Acórdão n.º 3302002.159 S3C3T2 Fl. 528 21 importância do imposto a recolher, devam ser incorporados ou consumidos na industrialização; entrementes, este dispositivo, para os fins nele dispostos, remete ao Regulamento a incumbência de estabelecer especificações e normas a serem obedecidas. Neste sentido, o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI aprovado pelo Decreto nº 83.263, de 12/03/1979, desta forma dispôs em seu art. 66: "Art. 66. Os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502/64, arts. 25 a 30 e Decretolei nº 3.466, art. 2º, alt. 8ª): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente." (g.n.) Semelhante disposição constou dos demais Regulamentos do IPI (art. 82, I, do RIPI aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982; art. 147, I, do Decreto nº 2.637, de 25/06/1998; art. 164, I, do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 e art. 226, I, do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010). Adveio, então, o Parecer nº 65, expedido aos 05/11/1979 (DOU de 06/11/1979) pelo Coordenador do Sistema de Tributação – COSIT e ainda vigente, o qual conclui que “(...) geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matérias primas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente” e que “ Não havendo tais alterações, ou havendo em função de ações exercidas indiretamente, ainda que se dêem rapidamente e mesmo que os produtos não estejam compreendidos no ativo permanente, inexiste o direito de que trata o inciso I do art. 66 do RIPI/79” (g.n.) Ao contrário do argüido, tal Parecer não trouxe inovação, mas apenas explicitou a regra legal. Ademais, inexiste decisão judicial no sentido de afastar tal entendimento. Pelo o contrário, em direção oposta ao alegado pela recorrente, está pacificado o acerto da noção restritiva de insumo consagrada pelo Parecer Normativo COSIT nº 65/79 para fins de creditamento do IPI, o que se confirma nas ementas de julgados proferidos pelo STJ no RESP nº 1.049.305/PR e no AgRg no RESP nº 1.000.848/SC, a seguir parcialmente transcritas: “TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211 DO STJ. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE E IPI. CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E À COFINS. ARTS. 1º, 2º, §1º, E 3º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Fl. 538DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 22 Nº 9.363/96. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. NECESSIDADE DE CONTATO FÍSICO COM O PRODUTO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DO BENEFÍCIO QUE NÃO SOFRE MAJORAÇÃO EM RAZÃO DO AUMENTO DA ALÍQUOTA DE COFINS PELO ART. 8º, DA LEI N. 9.718/98. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. (...) 4. A energia elétrica, o gás natural, os lubrificantes e o óleo diesel (combustíveis em geral) consumidos no processo produtivo, por não sofrerem ou provocarem ação direta mediante contato físico com o produto, não integram o conceito de ‘matériasprimas’ ou ‘produtos intermediários’ para efeito da legislação do IPI e, por conseguinte, para efeito da obtenção do crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, na forma do art. 1º, da Lei n. 9.363/96. Precedentes: AgRg no REsp 1000848 / SC, Primeira Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 7.10.2010; AgRg no REsp 919628 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 10.8.2010; AgRg no REsp 913433 / ES, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 4.6.2009.” (g.n.) “TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. APLICAÇÃO DO ART. 1º DO DL 20.910/32. ENERGIA ELÉTRICA, COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO COMO INSUMOS PARA FINS DE CREDITAMENTO DO IMPOSTO. PRECEDENTES DO STJ. ALEGADA SUSPENSÃO TEMPORÁRIA INSTITUÍDA PELA MP 2.158/01 E MAJORAÇÃO DO CRÉDITOPRÊMIO DO IPI, EM FACE DE RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO EM FUNDAMENTOS EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAIS. AGRAVO NÃO PROVIDO. (...) 3. Segundo entendimento deste Superior Tribunal, energia elétrica, combustíveis e lubrificantes consumidos no processo de industrialização não se caracterizam como insumos, "porquanto não se incorporam no processo de transformação do qual resulta a mercadoria industrializada" (AgRg no REsp 913.433/ES, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 25/6/09). (...)” (g.n.) Registrese que as ementas dos acórdão do STJ transcritas pela recorrente demonstram que aqueles julgados entendem sobre a possibilidade de a energia elétrica constituirse em insumo para fins de creditamento do IPI tão somente quando restar comprovada a sua utilização no processo produtivo, o que não se dá no caso em questão. A energia elétrica, portanto, em regra, não constitui insumo, nos termos da legislação de IPI. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.722278/201191 Acórdão n.º 3302002.159 S3C3T2 Fl. 529 23 Portanto, inexiste, também, neste item, amparo legal ou judicial que ampare o procedimento da ora recorrente. DA EXCLUSÃO DOS ENCARGOS FINANCEIROS DA BASE DE CÁLCULO DE IPI Se os encargos financeiros compõem o valor do produto consignado na nota fiscal, estes devem compor, inapelavelmente, a base de cálculo do imposto, posto que, consoante transcrição do art. 131 do RIPI/2002, a base de cálculo (valor tributável) do IPI nos produtos nacionais é o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial . Ateste que a legislação, em nenhum momento, faz referência ao “preço à vista”, como deseja a recorrente. Assim, tendo a contribuinte, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005 apurado o IPI, incluindo os encargos financeiros no valor total da operação de saída, em conformidade com a disposição legal acima mencionada, inexiste, então, previsão legal e amparo judicial que convalide o seu proceder, no decorrer do ano de 2008, de creditarse de IPI sobre os valores atinentes aos encargos financeiros inseridos no valor total das operações no período pretérito citado. A jurisprudência colacionada no seu recurso voluntário não se lhe aproveita, posto não ser parte da lide. A recorrente, ainda, cita trecho do Parecer Normativo CST nº 63, de 30 de Maio de 1975 (DOU 14/07/1975) para afirmar que a venda e o financiamento são contratos distintos e que o IPI só deve incidir sobre o preço da operação à vista que decorrer do procedimento de industrialização, não incidindo sobre encargos financeiros. Vejamos o que diz o trecho invocado. Do item 3 do mencionado Parecer fica esclarecido que “ Nos contratos de alienação de imóveis cujo pagamento, no todo ou em parte, seja ajustado em prestações, e desde que nem no contrato nem nos títulos representativos do crédito alienante, conste, em destaque, qualquer parcela a título de juros ou semelhante, incidente sobre as prestações vincendas, a importância que tiver sido paga à vista, se for o caso, mais o somatório das prestações, compõe o preço total da transação.Por outro lado, se no contrato ou nos títulos que representarem o crédito do vendedor pelas prestações vincendas, constarem valores a título de juros ou equivalente, ocorreram duas transações distintas, ainda que no mesmo instrumento: uma operação de compra e venda, por preço determinado, e uma operação de financiamento do referido preço. Obviamente, os juros do capital financiado não integram o preço de transação. Tanto as prestações, como os juros correspondentes, serão escriturados como receitas dos exercícios sociais em que forem em que forem realizadas ou incorridas.” Portanto, igualmente, tal Parecer não respalda o seu procedimento, haja vista que: a) primeiro, aquele parecer referese sobre renda e proventos e pretende dirimir dúvidas específicas, entre outras, acerca do tratamento fiscal aplicável aos juros acrescidos ao valor das prestações, como reflexo de operações relacionadas com a alienação de imóveis integrantes do ativo imobilizado em que tenham sido Fl. 540DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 24 satisfeitos todos os requisitos e condições estabelecidos no Decretolei nº 1.260, de 26 de fevereiro de 1973, e na Portaria nº 101, de 11 de maio de 1973, como forma de usufruir dos benefícios fiscais instituídos pelo citado Decretolei; b) segundo, caso fosse possível pleitear a aplicação da conclusão do parecer, em face de sua lógica e da aplicação por analogia, mesmo assim, seria impossível de aplicação no presente caso, posto que a recorrente apenas efetua alegações genéricas de direito desprovidas de provas de que seu caso subsumese às orientações acima postas, de modo a comprovar a existência de duas transações distintas. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DE IPI Constatase que a recorrente colaciona ementas de acórdãos judiciais sobre a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS, desenvolvendo o raciocínio do que seja receita, faturamento. Tais contribuições não se confundem com o IPI. Como visto, os valores do ICMS destacados nas notas fiscais compõem o preço total da operação de saída de mercadorias do estabelecimento do produtor e, assim, compõem a base de cálculo do IPI, consoante disposição já transcrita do art. 131 do RIPI2002. Portanto, quanto, especificamente, à exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI não existe previsão legal para tal. Assim, não há previsão legal e nem amparo judicial que autorize o procedimento adotado pela contribuinte, no decorrer do ano de 2008, visando ser ressarcida do IPI apurado sobre uma base de cálculo na qual incluía o ICMS, relativo ao período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005. EXCLUSÃO DO VALOR DO PIS E DA COFINS DA BASE DE CÁLCULO DE IPI As alegações aduzidas neste sub item são no sentido de afastar a legislação vigente, posto entender que as mesmas, por serem leis ordinárias, ofenderam as normas contidas nos artigos 46, 47 e 51 do CTN, que é norma de natureza complementar, por invasão de competência constitucional. Como dito alhures, não compete à administração afastar a aplicação de legislação vigente sob o argumento de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula CARF nº 02, abaixo reproduzida. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Aplicase, pois, a legislação vigente, no sentido de que a base de cálculo do IPI é o valor total da operação de saída, compreendendo o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário, ai incluindo o PIS e COFINS.(art. 131 do RIPI/2002). Fl. 541DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10805.722278/201191 Acórdão n.º 3302002.159 S3C3T2 Fl. 530 25 Portanto, não há qualquer previsão legal ou amparo judicial que convalide o procedimento da contribuinte em querer ser ressarcido do IPI incidente sobre o valor do PIS e da COFINS que compunham o preço de seus produtos vendidos, relativos aos períodos de janeiro de 2003 a dezembro de 2005. DA VEDAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO COM EFEITO DE CONFISCO; DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA DO PODER PÚBLICO E DA VIOLAÇÃO AO DIREITO DE PROPRIEDADE A análise das questões sob a luz dos princípios constitucionais do não confisco (art. 150, inciso IV da CF/88); da proibição do enriquecimento sem causa do poder público e da violação ao direito de propriedade, como aduz a recorrente, não é de competência desse colegiado. Ao contrário, conforme já acima ressaltado, repitase, é defeso a este colegiado afastar a aplicação a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade(art. 62 do RICARF), devendose obedecer a súmula CARF nº 2, também já exaustivamente citada e transcrita. DA INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA AO CRÉDITO DECORRENTE Mesmo que fosse possível o creditamento do IPI incidente sobre as parcelas de bonificação, encargos financeiros, ICMS, PIS e COFINS e energia elétrica, faltaria amparo legal para a correção de créditos de IPI, quer pela taxa Selic, quer por outro índice qualquer. É nesse sentido que prescreve o art.52, §5º da Instrução Normativa nº 600, de 28 de dezembro de 2005: “§ 5º Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos”. A Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, mantém o texto. Só há previsão legal para a incidência de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, para títulos federais nos casos de compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995,ou de restituição, a partir de 1º de janeiro de 1996,conforme o disposto no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcrito, que trata da aplicação aos valores de compensação ou restituição da taxa Selic, o que não é o caso destes autos, consoante já mencionado: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1º (VETADO) § 2° (VETADO) Fl. 542DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 26 § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada”.(g.n) CONCLUSÃO Por todo o exposto, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e por manter o crédito tributário conforme constituído. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 543DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13896.900057/2009-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-004.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1663; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 150 1 149 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.900057/200961 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.279 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de junho de 2013 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente SANTALÚCIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 00 57 /2 00 9- 61 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900057/200961 Acórdão n.º 3803004.279 S3TE03 Fl. 151 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 4 de fevereiro de 2005 (fls. 1 a 5), referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração outubro de 2004, no valor de R$ 531.547,24, destinado a quitar débito de IRPJ devido em dezembro de 2004. Por meio de despacho decisório eletrônico (fl. 6), a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP não havia sido localizado nos sistemas internos da Receita Federal. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 10 a 15) e requereu, em preliminar, a declaração de nulidade do despacho decisório por erro na capitulação legal e, no mérito, alegou que procederia à juntada de cópia do DARF não localizado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório e de documentos societários (fls. 17 a 30). A DRJ Campinas/SP, em julgamento realizado em 20 de junho de 2011, não reconheceu o direito creditório pleiteado, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/11/2004 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. 0 reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ressaltou o relator a quo que, quanto à nulidade arguida em preliminar por erro na capitulação legal do despacho decisório, a legislação citada seria, efetivamente, a que regula todo o conjunto de atos relacionados à apuração de direito creditório e à extinção de débitos tributários, o que afastaria a alegação de falta de requisito essencial no despacho decisório. Destacou, ainda, que, no presente caso, o fundamento da não homologação da compensação seria mais propriamente fático que jurídico. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900057/200961 Acórdão n.º 3803004.279 S3TE03 Fl. 152 3 No mérito, aduziu o relator de piso que o contribuinte, na Manifestação de Inconformidade, teria dito que apresentaria o documento faltante, qual seja, o comprovante do pagamento efetuado (DARF), mas que nada foi apresentado nesse sentido, restando não comprovado o direito creditório declarado. Em 17 de junho de 2011, mais de dois anos depois da ciência do despacho decisório, o contribuinte protocolizou nova Manifestação de Inconformidade (fls. 36 a 40) na repartição de origem, alegando que o direito creditório pleiteado neste processo decorreria de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), apurado a partir da aplicação de insumos na fabricação de produtos não tributados, direito esse assegurado por meio de sentença em mandado de segurança. Cientificado do acórdão da DRJ Campinas/SP em 16 de novembro de 2011 (fl. 113), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de dezembro do mesmo ano (fls. 114 a 117) e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando tratarse de créditos excedentes da Cofins e da contribuição para o PIS apurados na sistemática da não cumulatividade, não reconhecidos pela repartição de origem pelo fato de que o despacho decisório decorrera de mero cruzamento de dados realizado eletronicamente. Segundo ele, os demonstrativos de apuração das contribuições trazidos em sede de recurso seriam aptos a comprovar o crédito utilizado na compensação, todo ele apurado em estrita observância das normas aplicáveis à sistemática não cumulativa de apuração das contribuições. Por fim, destacou que a essência seria mais importante que a forma e que os créditos encontrarseiam devidamente escriturados. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) e de demonstrativos por ele elaborados (fls. 118 a 143). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Conforme acima relatado, o Recorrente demonstra, ao longo da tramitação deste processo, total desconhecimento da matéria fática subjacente à compensação declarada, ora alegando que o direito creditório decorreria de um pagamento a maior, ora de crédito de IPI e, por fim, de crédito da própria contribuição apurada na sistemática da não cumulatividade. Esqueceuse o Recorrente, ao final, de nos esclarecer acerca dessas radicais inflexões que, a cada manifestação sua, tornavam mais díspares e desconcertados os argumentos de defesa que foram sendo, paulatinamente, apresentados, evidenciando uma balbúrdia que não condiz com a precisão requerida na apuração de indébitos ou de outros direitos creditórios. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900057/200961 Acórdão n.º 3803004.279 S3TE03 Fl. 153 4 Em sede de recurso, o contribuinte inova totalmente os argumentos de defesa, passando a se defender com base em fatos não apontados na primeira instância e em questões de mérito diversas daquelas levadas ao conhecimento da autoridade julgadora a quo. Na manifestação de inconformidade (a primeira, que vem a ser a única válida e tempestiva), o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório alegando que o DARF comprobatório do indébito seria apresentado oportunamente, o que nunca ocorreu, nada dizendo sobre a origem e a natureza do pagamento indevido. Na segunda oportunidade em que se manifestou nos autos (segunda manifestação de inconformidade, inválida e intempestiva), o contribuinte, numa evidente confusão mental, passou a reclamar a existência de um crédito de IPI assegurado por meio de decisão judicial, não trazendo aos autos qualquer prova dessas novas alegações. Por fim, no Recurso Voluntário, o contribuinte passa a alegar a existência de créditos apurados na sistemática não cumulativa da contribuição, trazendo aos autos cópias de Dacons e de demonstrativos por ele elaborados, desacompanhados da escrituração contábil fiscal e dos documentos que embasam as informações escrituradas. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900057/200961 Acórdão n.º 3803004.279 S3TE03 Fl. 154 5 final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações serem afastadas por se referir a matéria não impugnada no momento processual devido. Além disso, mesmo que a preclusão não tivesse ocorrido neste processo, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois, conforme acima apontado, nenhum documento hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito argüido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte.” 4 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Dessa forma, mesmo que preclusão não houvesse, não se poderia reconhecer o direito creditório pleiteado por total ausência de prova de sua existência. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. 4 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900057/200961 Acórdão n.º 3803004.279 S3TE03 Fl. 155 6 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13896.907995/2009-92
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/01/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. NECESSIDADE DE SANEAMENTO.
Uma vez constatada a ocorrência de contradição entre o resultado da decisão e os fundamentos desta, deve-se sanear o acórdão com o expurgo dos termos indevidos, de modo a preservar a coerência entre a premissa argumentada e a conclusão adotada.
Numero da decisão: 3803-004.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, sem efeitos infringentes, para eliminar a contradição do acórdão.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. NECESSIDADE DE SANEAMENTO. Uma vez constatada a ocorrência de contradição entre o resultado da decisão e os fundamentos desta, devese sanear o acórdão com o expurgo dos termos indevidos, de modo a preservar a coerência entre a premissa argumentada e a conclusão adotada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, sem efeitos infringentes, para eliminar a contradição do acórdão. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 79 95 /2 00 9- 92 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907995/200992 Acórdão n.º 3803004.368 S3TE03 Fl. 320 2 Tratase de Embargos de Declaração interpostos por SND Distribuição de Produtos de Informática Ltda. contra o Acórdão nº 380303.462, de 23 de agosto de 2012, da 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), com fulcro no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RI/CARF). O presente processo originarase de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) transmitido pelo contribuinte supra identificado, relativo a pretenso pagamento da contribuição para o PIS efetuado a maior, no montante de R$ 5.445,31, cujo direito creditório reclamado neste processo totaliza o valor atualizado de R$ 5.043,31. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e alegou que pretendia comprovar a efetividade da compensação oportunamente, alegando que até aquele momento, não havia localizado os elementos comprobatórios, por se tratar de documentos antigos, em razão do que requereu o deferimento de prazo adicional para a apresentação dos documentos necessários ao exame dos fatos. Informou o então Manifestante que a apresentação do DARF estaria sendo providenciada e que teria havido recolhimento a maior da contribuição, do que decorreria a existência do crédito, cuja compensação pretendiase efetivar. Acrescentou o Manifestante que, no caso de indeferimento da dilação do prazo para apresentação dos documentos, se determinasse a realização de perícia contábil, nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972. A DRJ Campinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo decidido não reconhecer o direito creditório por falta de prova, não tendo sido autorizada a dilação de prazo para apresentação de documentos e indeferido o pedido de perícia. Inconformado, o contribuinte recorreu a este Conselho e requereu o deferimento da juntada, em até 30 dias contados da data da protocolização da peça recursal, de laudo contábil comprobatório do direito reclamado, assim como o provimento do Recurso Voluntário para a reforma integral da decisão atacada, com o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação em sua totalidade, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, (i) a necessidade de realização de perícia ou diligência, (ii) a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa; (iii) o direito à compensação da contribuição derivaria do fato de que as receitas financeiras haviam sido incluídas indevidamente na base de cálculo e (iv) a Lei nº 11.941/2009 agasalhou o entendimento do STF sobre a matéria (alargamento da base de cálculo), retirando do ordenamento jurídico o art. 3º e § 1º da Lei nº 9.718/1998. Posteriormente à apresentação do recurso, o Recorrente trouxe aos autos laudo contábil, elaborado, segundo ele, por uma auditoria independente, que, ainda segundo ele, conteria a apuração do crédito pleiteado com base na escrita contábil da empresa, cujo Fl. 320DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907995/200992 Acórdão n.º 3803004.368 S3TE03 Fl. 321 3 conhecimento seria “imprescindível para a adequada mensuração da exigência”, assim como cópias de comprovantes de arrecadação obtidos no sítio da Receita Federal na internet. Em 23 de agosto de 2012, esta 3ª Turma Especial, por meio do acórdão nº 380303.462, decidiu, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, tendo ficado vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que, abstendose de votar o mérito, votou por converter o julgamento em diligência. Na ocasião, fez sustentação oral o Dr. Rogério Pires da Silva, OAB/SP nº 111.399. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade na decisão de primeira instância proferida em total conformidade com as normas do Processo Administrativo Fiscal (PAF) e os elementos fáticos presentes nos autos. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. No voto condutor do acórdão, constaram as razões de indeferimento do pedido de perícia, assim como o fato de que, em razão da apresentação, somente em grau de recurso, dos fundamentos de defesa quanto à natureza do direito creditório, tal matéria não seria apreciada, por se encontrar preclusa, pelo fato de não ter sido exposta na primeira instância administrativa, nos termos exigidos pelo art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF). Como até a impugnação, o contribuinte não havia se pronunciado sobre as razões de fato ou de direito ensejadoras do recolhimento indevido, essa matéria foi considerada não controvertida nos autos, tornandose não passíveis de apreciação na segunda instância administrativa. Ainda de acordo com o relator, restara controvertido nos autos apenas a existência ou não de um recolhimento do tributo a maior, o pedido de diligência/perícia, assim como o requerimento de prazo para a apresentação de documentos antigos que, segundo ele, até então não haviam sido localizados. Cientificado da decisão desta 3ª Turma Especial em 31 de outubro de 2012, o contribuinte interpôs embargos de declaração em 5 de novembro do mesmo ano, com fulcro no Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907995/200992 Acórdão n.º 3803004.368 S3TE03 Fl. 322 4 art. 65 do Anexo II do Regimento do CARF, alegando a ocorrência de omissão, contradição e de obscuridade no acórdão embargado, nos seguintes termos: a) tendo a Turma Especial se manifestado pela preclusão do seu direito de prova, prevalecera na ocasião, aparentemente, a interpretação literal e mais severa do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, posição essa já superada na jurisprudência do CARF e no Poder Judiciário; b) constou do acórdão embargado apenas o voto vencedor, da lavra do conselheiro relator, tendo sido omitida as razões que conduziram o voto vencido do conselheiro Juliano Eduardo Lirani, situação esta que inquinaria de nulidade o acórdão, por preterição do direito de defesa e por ausência de motivação. O voto vencido deve ser juntado aos autos, oportunizandose a reabertura de prazo para defesa (novos embargos de declaração); c) o acórdão não foi suficientemente claro a respeito das razões que levaram o relator a negar provimento ao recurso, em preliminar e no mérito, o que reclamaria o saneamento da decisão; d) a parte dispositiva do acórdão mereceria ajustes quanto às conclusões do voto vencido, pelo fato de ali ter constado que o conselheiro Juliano Eduardo Lirani teria se abstido de votar o mérito, mas teria votado pela conversão do julgamento em diligência, situação essa que demandaria esclarecimentos quanto ao conhecimento ou não do recurso, total ou parcial, à ausência de pronúncia quanto aos demais tópicos suscitados no recurso; e) necessidade da Turma esclarecer o que entende como mérito do recurso, se abrange também o pedido de exame da prova documental; f) existência de contradição entre as razões do voto condutor, a parte dispositiva do voto e a ementa, que pareceriam indicar a inclinação do relator pelo não conhecimento do recurso, por entender tratarse matéria preclusa, enquanto que, ao final, restara decidido o não provimento do recurso nessa parte; g) a diligência requerida, considerada pelo relator como hipótese de inversão do ônus da prova – a despeito de qualquer previsão nesse sentido –, é instituto regularmente disciplinado do Regimento Interno do CARF (arts. 18, I, 50, § 2º, e 58, § 9º) e no Decreto nº 70.235/1972, tratandose de instrumento eficaz e imprescindível à formação do livre convencimento do julgador administrativo que, mesmo na instância revisional, não se encontra submetido às limitações próprias do processo judicial no que diz à apreciação da prova; h) a conversão do julgamento em diligência é também decorrência direta da garantia constitucional do direito de defesa, até por força do que prevê o art. 38, § 2º, da Lei nº 9.784, de 1999, e atende o fim precípuo do lançamento, que é o de constituir somente o crédito efetivamente devido; i) a conversão do julgamento em diligência jamais importará em inversão do ônus da prova em desfavor do Fisco, pois o processo administrativo é inquisitório e o ato administrativo deve ser motivado; j) o laudo contábil apresentado é idôneo e preciso, tendo sido produzido por auditoria independente, sendo, portanto, imparcial; Fl. 322DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907995/200992 Acórdão n.º 3803004.368 S3TE03 Fl. 323 5 k) não é dever do contribuinte produzir prova negativa ou prova impossível, mas sim demonstrar que a exigência padece de vícios; l) necessidade de recebimento dos embargos de declaração com efeitos modificativos ou infringentes, porquanto assim se encontra autorizado pela interpretação extensiva da lei, bem como pela jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal (STF), para correção de premissa equivocada. Por fim, requereu o Embargante que os embargos fossem recebidos e providos, inclusive em seus efeitos infringentes, de modo a sanar a omissão e esclarecer as obscuridades, bem como corrigir a equivocada premissa em que se fundou a decisão embargada, com modificação da parte dispositiva do acórdão, para dele constar o provimento do recurso no que tange ao pedido de conversão do julgamento em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Os embargos são tempestivos e deles tomo conhecimento. Nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RI/CARF), cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Nesse mesmo sentido, afirma Humberto Theodoro Junior1 que os Embargos de Declaração não visam à reforma do acórdão ou da sentença, admitindose a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) entende que as funções dos embargos de declaração “são, somente, afastar do acórdão qualquer omissão necessária para a solução da lide, não permitir a obscuridade por acaso identificada e extinguir qualquer contradição entre premissa argumentada e conclusão”, não servindo “para forçar o ingresso na instância especial” 2. Conforme já decidiram o Supremo Tribunal Federal (STF) 3 e o STJ4, somente em casos excepcionais, quando a decisão embargada encontrase em total dessintonia 1 THEODORO JUNIOR. Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 41ª ed. Rio de Janeiro: Ed.Forense. 2004, p. 560 e ss. 2 Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Agravo De Instrumento nº 659677, processo: 200500270696SP, Primeira Turma: 28/06/2005. 3 ARE 738259 AgRED / DF DISTRITO FEDERAL, EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, j. 18/06/2013, Segunda Turma; RE 372975 AgRED / SP SÃO PAULO, EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, j. 21/05/2013, Segunda Turma; ARE 664537 AgR ED / BA BAHIA, EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, j. 16/04/2013, Segunda Turma etc. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907995/200992 Acórdão n.º 3803004.368 S3TE03 Fl. 324 6 com a matéria fática presente nos autos, contendo vícios insanáveis decorrentes da inexistência das premissas da decisão ou desprovida de fundamentação e, por conseguinte, passível de anulação, vislumbrase a possibilidade de se acolherem os embargos de declaração com efeitos infringentes. A par dessas considerações, verificase, de pronto, que o Embargante postou se assaz reativo aos fundamentos engendrados no voto condutor do acórdão embargado, pretendendo, por via oblíqua, alcançar a reapreciação da matéria litigada na mesma esfera em que decidida. Conforme se demonstrará na seqüência, não se trata o presente caso de hipótese excepcional a exigir a aplicação de efeitos infringentes aos embargos com vistas à prolação de novo acórdão. Registrese, de início, que o Embargante cometera um equívoco ao requerer a juntada aos autos do voto vencido do conselheiro Juliano Eduardo Lirani, pois, no acórdão embargado, o voto do relator restou vencedor, não se aplicando ao caso, por total incompatibilidade, a designação de outro conselheiro para a redação de um outro voto, não importando de que natureza. De acordo com o § 1º do art. 63 do Regimento do CARF5, a figura do voto vencido ocorre nos casos em que o voto do relator não obtém a adesão da maioria da turma julgadora, restando, por conseguinte, vencido, decorrendo dessa hipótese a necessidade de se designar um outro conselheiro para redigir o voto vencedor. Contudo, essa hipótese não ocorreu neste processo, pois, conforme acima já dito, o voto do relator, ou seja, do conselheiro para quem o processo fora sorteado, foi acompanhado pela maioria, excetuandose o já citado conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que, diferentemente dos demais membros da turma que decidiram por não prover o recurso voluntário, votou pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos solicitados pelo então Recorrente. Esclareçase que inexiste no Regimento Interno do CARF, ou mesmo no Decreto nº 70.235, de 1972, previsão de juntada de um voto específico contendo as posições dos conselheiros que restaram vencidos no acórdão, havendo, no máximo, a previsão de declaração de voto, mas de caráter facultativo, a depender do interesse do conselheiro vencido em demonstrar a posição por ele defendida, conforme se depreende do contido no art. 63 e §§ do Regimento do CARF. Nesse sentido, não tendo o conselheiro vencido se predisposto a apresentar declaração de voto, a ausência desta no acórdão embargado não pode ser considerada causa de 4 EDcl no AgRg no HC 183515 / DF, EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS 2010/01590664, Relator(a) Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, j. 20/06/2013 etc. 5 Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. § 1° Vencido o relator, na preliminar ou no mérito, o presidente designará para redigir o voto da matéria vencedora e a ementa correspondente um dos conselheiros que o adotar, o qual deverá ser formalizado no prazo de 30 (trinta) dias, contado da movimentação dos autos ao redator designado. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907995/200992 Acórdão n.º 3803004.368 S3TE03 Fl. 325 7 anulação ou de declaração de nulidade da decisão, uma vez que esta, conforme acima apontado, fora formalizada em conformidade com as regras do processo administrativo fiscal. Se o conselheiro vencido votara pela conversão do julgamento em diligência, não se pronunciando sobre o teor e a extensão dessa medida, logicamente que essa diligência só pode ser aquela requerida pelo então Recorrente. Não se pode perder de vista que a referida diligência fora matéria vencida por ampla maioria, não gerando qualquer efeito jurídico no presente processo a descrição pormenorizada dos procedimentos que, caso tivesse sido vencida a tese, deveriam ser observados em sua realização. Ainda mais por se tratar de pedido do próprio Recorrente, encontrandose o objeto da lide, nessa matéria, restringido pelo que fora arguido pela parte interessada. No que tange à decisão contida no acórdão embargado quanto à preclusão processual, nada há a reparar, pois tal matéria foi extensivamente abordada no voto do relator, tendo siso apontadas as razões de fato e de direito em que se pautara, bem como os dispositivos legais aplicáveis. O fato de o interessado não concordar com a tese vencedora, mesmo que amparado em posições doutrinárias e/ou jurisprudenciais, não é razão suficiente para que se reaprecie a matéria, dada a inocorrência de qualquer vício a reclamar por reforma. No que se refere ao pedido do Embargante de esclarecimentos quanto ao que a turma considera preliminar ou mérito, e se este abrange também o pedido de exame da prova documental, registrese que, conforme o próprio Embargante apontara em sua peça recursal, o voto condutor do acórdão embargado fora didaticamente elaborado, enfrentandose de início a preliminar de nulidade arguida e, na seqüência, o mérito do recurso, encontrandose abrangido por este toda a matéria enfrentada a partir de então, tudo em conformidade com o art. 59, caput, e § 1º, do Regimento Interno do CARF6. Por outro lado, em um ponto, assiste razão ao Embargante, pois, de acordo com o entendimento externado no parágrafo anterior, por se tratar o pedido de diligência de questão de mérito, não poderia ter constado do resultado do julgamento a afirmativa de que o conselheiro vencido havia se abstido de votar o mérito e ao mesmo tempo votado pela conversão do julgamento em diligência, dada a total incompatibilidade das duas asserções. Essa contradição deve ser reformada. Quanto à alegada contradição entre a decisão de não se conhecer dos argumentos de defesa trazidos aos autos somente em sede de recurso, por preclusão processual, e a conclusão do acórdão embargado de negar provimento ao recurso, conforme se demonstrará a seguir, ela também não merece acolhida. Conforme se verifica do relatório supra, assim como do acórdão embargado e do conteúdo dos embargos ora analisados, para além dos elementos fáticos e das razões de direito considerados preclusos, se encontravam controvertidas nos autos apenas as questões relativas à existência de um pagamento a maior – e aqui merece o destaque que tal possibilidade pode não depender do fundamento de direito da ocorrência desse pagamento a 6 Art. 59. As questões preliminares serão votadas antes do mérito, deste não se conhecendo quando incompatível com a decisão daquelas. § 1° Rejeitada a preliminar, o conselheiro vencido votará o mérito. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907995/200992 Acórdão n.º 3803004.368 S3TE03 Fl. 326 8 maior, pois este poderia decorrer de mero erro no preenchimento do DARF ou de erro na declaração do valor da contribuição na DCTF – , do pedido de diligência/perícia e da apresentação extemporânea de prova, tendo sido os pedidos correlatos a essas questões não acolhidos pela turma, nos termos extensivamente expostos no voto condutor do acórdão embargado. Uma vez que os novos argumentos trazidos aos autos somente em sede de recurso não compunham a lide, pois, nos termos dos arts. 14 e 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, a fase litigiosa do procedimento é instaurada pela impugnação/manifestação de inconformidade, temse que as outras questões apreciadas, que restaram controvertidas – prova e diligência –, uma vez denegadas, reclamavam uma conclusão contendo a negativa do recurso então interposto, conforme efetivamente se deu. A extensa exposição acerca da preclusão processual justificavase, também, para se fundamentar a negativa à apresentação de documentos a posteriori, matéria essa que compunha o mérito então apreciado, em razão do já dito neste voto quanto à formação da lide no momento da impugnação e ao trânsito em julgado de matéria não impugnada. Por outro lado, há que se ponderar que o acórdão embargado poderia ter especificado, além da negativa do recurso na parte controvertida, o não conhecimento das outras questões consideradas preclusas. Contudo, a falta de agir nesse sentido não importa em omissão ou contradição no acórdão embargado, pois, como se constata de muitas decisões do Poder Judiciário, a negativa de provimento do recurso pode abranger a preclusão processual, conforme se verifica, exemplificativamente, das decisões reproduzidas a seguir: STF. AI 769955 AgR / MG, Relator Min. Gilmar Mendes, j. 04/02/2010, Tribunal Pleno. Agravo regimental em agravo de instrumento. 2. Ausência de peça obrigatória à formação do instrumento (art. 544, § 1º, CPC). Cópia da procuração outorgada aos patronos da parte agravante. 3. Ônus de fiscalização da parte agravante. Precedentes. 4. Juntada extemporânea. Desconsideração. Preclusão consumativa. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifei) STF. AI 824256 AgR / PR, Relator Min. TEORI ZAVASCKI, j. 19/02/2013, Segunda Turma Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. ANÁLISE DO CONJUNTO FÁTICOPROBATÓRIO, BEM COMO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 279 E 454/STF. VIOLAÇÃO DO ART. 93, IX, DA CF. INOCORRÊNCIA. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. OFENSA AOS ARTS. 5º, LIV, E 105, III, “A”, DA CF. INOVAÇÃO RECURSAL. VEDAÇÃO. PRECLUSÃO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (grifei) Com base nos excertos supra, constatase que a preclusão processual pode ser abrangida pela decisão de se negar provimento ao recurso, ainda mais quando esta abarca, também, pedidos conhecidos mas não acolhidos pela turma. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907995/200992 Acórdão n.º 3803004.368 S3TE03 Fl. 327 9 Por fim, quanto ao pedido de diligência formulado no recurso voluntário, nos termos do art. 18, I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF e no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, ele se submete ao juízo da autoridade julgadora administrativa quanto à sua necessidade, imprescindibilidade e praticabilidade, devendo ser indeferido o pedido que não se enquadre nessas hipóteses. No presente processo, conforme constou do voto condutor do acórdão embargado, por se tratar de pedido de restituição e declaração de compensação formulados pelo próprio contribuinte, o ônus da prova a ele compete, pois se refere a informações e documentos presentes em sua contabilidade e em seus controles e arquivos internos, não se podendo transferir ao julgador administrativo a tarefa de buscar tais dados, pois, assim agindo, estarseá, efetivamente, invertendo o ônus da prova, daí a negativa do pedido de diligência. Diante do exposto, voto por ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração, para excluir do resultado do julgamento do acórdão nº 380303.462 a expressão “abstendose de votar o mérito”, resultado esse que passará a ter o seguinte teor: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que votou por converter o julgamento em diligência.” É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 327DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13362.000497/2004-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal vigente à época dos fatos em análise). A averbação pode se dar após a ocorrência do fato gerador. A existência de termo de compromisso para averbação de reserva legal, firmado junto ao IBAMA e registrado na matrícula do imóvel antes do início da ação fiscal, como ocorre no caso em apreço, tem o mesmo efeito da averbação.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Célia Maria de Souza Murphy (suplente convocada).
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage - Relator
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Elias Sampaio Freire, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Célia Maria de Souza Murphy ( suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Célia Maria de Souza Murphy (suplente convocada). (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage - Relator EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Elias Sampaio Freire, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Célia Maria de Souza Murphy ( suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Susy Gomes Hoffmann.
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Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal vigente à época dos fatos em análise). A averbação pode se dar após a ocorrência do fato gerador. A existência de termo de compromisso para averbação de reserva legal, firmado junto ao IBAMA e registrado na matrícula do imóvel antes do início da ação fiscal, como ocorre no caso em apreço, tem o mesmo efeito da averbação. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Célia Maria de Souza Murphy (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 36 2. 00 04 97 /2 00 4- 31 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 13362.000497/200431 Acórdão n.º 9202002.777 CSRFT2 Fl. 190 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Relator EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Elias Sampaio Freire, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Célia Maria de Souza Murphy ( suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em face de Pedro Neiva de Santana Espólio foi lavrado o auto de infração de fls. 0309, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2000, em razão da glosa de áreas de preservação permanente e de utilização limitada, relativamente ao imóvel denominado Retiro de Santana, situado no município de Cristino Castro (PI). A autoridade lançadora justificou a constituição do crédito tributário da seguinte forma (fls. 04): Atendendo a intimação, a inventariante do contribuinte apresentou averbação, datada de 16/09/2003, com 1.687,4 ha (um mil, seiscentos e oitenta e sete hectares e quarenta ares) de Reserva Legal, logo inferior aos 2.535,0 ha(dois mil, quinhentos e trinta e cinco hectares) declarados e, ainda, efetuada após o prazo previsto na legislação, o qual seria 01/01/2000. Em relação a Preservação Permanente Declarada apresentou um Laudo Técnico com área de Preservação Permanente de 2.101,1 ha(dois mil, cento e um hectares e dez ares), ou seja, uma área bem inferior a declarada que foi de 3.380,2 ha(três mil, trezentos e oitenta hectares e vinte ares). Foi apresentado ainda, protocolo junto ao IBAMA do Ato Declaratório Ambiental ADA, datado de 28/07/2004, ou seja, em data bem superior à 29/03/2001, que era o prazo final previsto na legislação. O Código Tributário Nacional determina, em seu artigo 111, que deve ser interpretada literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Assim, não atendido o Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 13362.000497/200431 Acórdão n.º 9202002.777 CSRFT2 Fl. 191 3 requisito da averbação da Reserva Legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel dentro do prazo legal e ainda, não protocolado o ADA no período previsto na legislação, a pretensa área ambiental será tributável e enquadrada como área aproveitável e não utilizada. Ressaltamos que, mesmo que o contribuinte tivesse cumprido a obrigação de protocolização do ADA dentro do prazo, não foi comprovado a totalidade de Preservação Permanente declarada e o mesmo não procedeu, dentro do prazo legal, a averbação da Reserva Legal à margem da matrícula de inscrição do imóvel, condições estas sem as quais a lei não autoriza a isenção das áreas na forma declarada e que, por si só, são suficientes para que as referidas áreas ambientais sejam consideradas pela fiscalização como áreas aproveitáveis e não utilizadas. Diante do exposto, efetuamos o presente Lançamento de Ofício, nos termos do art. 15 da Lei n° 9.393/96, em que foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada foram reduzidas de 3.380,2, ha para 0,0 ha e de 2.535,0 ha para 0,0 ha, respectivamente (fls. 07). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) considerou o lançamento procedente (fls. 7887). Apreciando o recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF proferiu o acórdão n° 220100.666, que se encontra às fls. 126129, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. ITR ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. EXIGÊNCIA FEITA EM RAZÃO DA NÃO APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DESNECESSIDADE. SÚMULA CARF N° 41. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo Ibama, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbação a margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, ate a data da ocorrência do fato gerador. Recurso parcialmente provido. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 13362.000497/200431 Acórdão n.º 9202002.777 CSRFT2 Fl. 192 4 A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, reconhecendo 1.350,84 hectares a título de área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Intimado do acórdão em 13/12/2010 (fls. 139), o sujeito passivo, devidamente representado, interpôs recurso especial às fls. 141154, acompanhado dos documentos de fls. 155173, onde após historiar os fatos alegou, em síntese, que: a) A decisão recorrida diverge dos acórdãos nos 30133.397 e 30134.624; b) Quanto à área de reserva legal (utilização limitada) a decisão de segunda instância considerou que, para sua exclusão da apuração do ITR é indispensável a averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador; c) A divergência aqui apontada gravita em torno da interpretação dada pelos arestos supracitados acerca da obrigatoriedade, (ou não) de a área de reserva legal estar averbada no Registro Imobiliário competente, antes do fato gerador, como condição para a exclusão daquela porção de terra da base de cálculo do ITR; d) Deve ser aplicado na espécie o entendimento que foi placitado nos dois acórdãos paradigmáticos da divergência, segundo os quais "a exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR não está sujeita à averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador, por não se constituir tal restrição de prazo em determinação legal”: (3° CC — lª Câmara — Ac. 30133.397, Rel. Cons . VALMAR FONSÊCA DE MENEZES); e) Pede a Recorrente que o seu recurso seja admitido, conhecido e provido integralmente para desconstituirse in totum o crédito impugnado, prevalecendo, para tanto, o posicionamento adotado nos dois acórdãos paradigmas da divergência — de nos 30133.397 e 30134.624, ambos da 1ª Câmara do antigo 3° CC —, os quais melhor aplicaram a lei tributária. Admitido o recurso através do despacho n° 220000.433 (fls. 176181), a Fazenda Nacional foi intimada e apresentou contrarrazões às fls. 183187, defendendo, basicamente, a necessidade de manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 13362.000497/200431 Acórdão n.º 9202002.777 CSRFT2 Fl. 193 5 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial do contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da exigência a área de preservação permanente de 1.350,84 hectares. Segundo o recorrente, para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela não necessita estar averbada à margem da matrícula do imóvel até o momento da ocorrência do fato gerador do tributo. Indicou como paradigmas os acórdãos nos 30133.397 e 30134.624. Eis a matéria em litígio. Pois bem, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal vigente ao tempo dos fatos em apreço (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 13362.000497/200431 Acórdão n.º 9202002.777 CSRFT2 Fl. 194 6 A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 13362.000497/200431 Acórdão n.º 9202002.777 CSRFT2 Fl. 195 7 III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título Fl. 7DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 13362.000497/200431 Acórdão n.º 9202002.777 CSRFT2 Fl. 196 8 executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. E, no caso, penso que a decisão de segunda instância merece reforma, pois o contribuinte atendeu a todas as exigências legais, na medida em que, embora após a ocorrência do fato gerador, que se deu em 01/01/2000, promoveu o registro, em 16/09/2003 (fls. 18), antes do início da ação fiscal, que se deu em 20/07/2004 (fls. 12), de termo de compromisso para averbação de reserva legal de 1.687,4446 hectares, firmado junto ao IBAMA na data de 16/09/2003 (fls. 17). Sob minha ótica, a averbação da área de utilização limitada ou o registro junto à matrícula do imóvel de termo de compromisso para averbação de reserva legal pode se dar em momento posterior à ocorrência do fato gerador. Conforme asseverou o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no julgamento do recurso voluntário n° 342.455, “...havendo uma área de reserva legal Fl. 8DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 13362.000497/200431 Acórdão n.º 9202002.777 CSRFT2 Fl. 197 9 preservada e comprovada por laudos técnicos ou termos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR.” Nesse sentido, ainda, trago à colação a ementa do seguinte julgado proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. LEI Nº 9.393/96. AVERBAÇÃO PRÉVIA DA RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. 1. "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965." (REsp nº 1.060.886/PR, Relator Ministro Luiz Fux, in DJe 18/12/2009). 2. Agravo regimental improvido. (STJ, Primeira Turma, AgRg no REsp n° 1.157.239/DF, Relator Ministro Hamilton Carvalhido, DJE de 04/06/2010) Considerando o registro junto à matrícula do imóvel de termo de compromisso para averbação de reserva legal de 1.687,4446 hectares, ainda que em momento posterior à ocorrência do fato gerador, mas antes do início da ação fiscal, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, para excluir da base de cálculo do ITR a área de utilização limitada de 1.687,4446 hectares (lembrando que a glosa foi de 2.535,0 hectares). (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 9DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 13362.000497/200431 Acórdão n.º 9202002.777 CSRFT2 Fl. 198 10 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 10980.918342/2009-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/07/2004
PROVA. PAGAMENTO INDEVIDO. DEMONSTRAÇÃO NA ESCRITA CONTÁBIL E DOCUMENTO BANCÁRIO. ESTORNO. REEMBOLSO.
Deve ser acolhida a prova inequívoca sobre a questão controvertida nos autos, mesmo trazida no recurso voluntário, em homenagem ao princípio da verdade material e/ou em cumprimento da ressalva legal da regra da concentração das provas no momento da manifestação de inconformidade, a autorizarem o afastamento da preclusão
Numero da decisão: 3803-004.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/07/2004 PROVA. PAGAMENTO INDEVIDO. DEMONSTRAÇÃO NA ESCRITA CONTÁBIL E DOCUMENTO BANCÁRIO. ESTORNO. REEMBOLSO. Deve ser acolhida a prova inequívoca sobre a questão controvertida nos autos, mesmo trazida no recurso voluntário, em homenagem ao princípio da verdade material e/ou em cumprimento da ressalva legal da regra da concentração das provas no momento da manifestação de inconformidade, a autorizarem o afastamento da preclusão
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2102; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 99 1 98 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.918342/200991 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.318 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de junho de 2013 Matéria PIS/COFINS/CSLL COMPENSAÇÃO Recorrente INCEPA REVESTIMENTOS CERÂMICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/07/2004 PER/DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA DCTF. REDUÇÃO DO DÉBITO. PROVA INEQUÍVOCA. ACOLHIMENTO. POSSIBILIDADE. Acolhese apuração constante de DCTF retificadora que reduz débito de que resulte saldo disponível utilizado em compensação, ainda que transmitida após a ciência de Despacho Decisório de não homologação, mediante comprovação inequívoca dos motivos que a justifiquem feita por meio da escrita contábil/fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/07/2004 PROVA. PAGAMENTO INDEVIDO. DEMONSTRAÇÃO NA ESCRITA CONTÁBIL E DOCUMENTO BANCÁRIO. ESTORNO. REEMBOLSO. Deve ser acolhida a prova inequívoca sobre a questão controvertida nos autos, mesmo trazida no recurso voluntário, em homenagem ao princípio da verdade material e/ou em cumprimento da ressalva legal da regra da concentração das provas no momento da manifestação de inconformidade, a autorizarem o afastamento da preclusão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 83 42 /2 00 9- 91 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 20425.81366.291204. 1.3.049634, fls. 3/8 em que utilizou como crédito pagamento indevido de PIS/Cofins/CSLL relativa ao fato gerador (do indébito) ocorrido em 28 de julho de 2004, no valor de R$ 811,47. Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 2/5, a DRF/Curitiba não homologou a compensação por ter identificado que o pagamento correspondente ao DARF indicado na DComp encontravase integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 9/10, a Interessada alegou, em síntese, que sofrera retenção indevida de PIS, Cofins e CSLL na importância utilizada na DComp, referente a algumas notas fiscais, cujo valor não é de prestação de serviços, mas de compras. Em julgamento da lide, a DRJ/Curitiba, fls. 41/45, considerou plausível o argumento porém indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade por falta de comprovação da alegação, consignando ser insuficiente a apresentação apenas das notas fiscais, sem qualquer outro elemento de prova que corroborasse o evento apontado na defesa. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. NÃOHOMOLOGAÇÃO. PGTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF, REDUZINDO DÉBITO, APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVAS INEQUÍVOCAS DA CAUSA DA REDUÇÃO. A entrega de DCTF retificadora, após a ciência de Despacho Decisório que nãohomologou o PER/DCOMP, reduzindo Débito anteriormente declarado, de tal sorte a restar do pagamento anteriormente vinculado saldo disponível, este pretendido como Direito Creditório, somente pode ser aceita mediante comprovação cabal e inequívoca dos motivos pelos quais o Débito diminuiu, fazendose por via de documentos hábeis e idôneos. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.918342/200991 Acórdão n.º 3803004.318 S3TE03 Fl. 100 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 18 de outubro de 2011, irresignada, apresentou recurso voluntário, fls. 49/54, em 16 de novembro de 2011, em que, reiterou os exatos termos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo, e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Não há como atribuir erro à decisão recorrida ao julgar a manifestação de inconformidade da Contribuinte sob o prisma da prova necessária a compor a defesa para ter a sorte de dar suporte à alegação de erro no preenchimento da DCTF e atestar a inexistência de fato jurídico ensejador de obrigação tributária. Na manifestação de inconformidade a Interessada já havia trazido cópia da DCTF original, fl. 29, declarando débito das contribuições – PIS/Cofins/CSLL – no valor de R$ 1.217,22 e de duas notas fiscais de compra nos valores de R$ 5.824,00 e R$ 11.626,80, fls. 32/33, que sob a incidência da alíquota de 4,65% resultam nos valores de contribuição de R$ 270,82 e R$ 540,65, cuja soma alcança a importância de R$ 811,47, exato valor utilizado como crédito na DComp. A DCTF retificadora foi apresentada após o despacho decisório para o valor de R$ 184,36, fl. 27. O Colegiado a quo encontrou plausibilidade no motivo “digno de provocar o indébito alegado”. Porém, referiu que o provimento do pedido careceria de maiores elementos de prova, e à falta deles levantou algumas conjeturas fáticas que não dizem respeito concretamente ao caso presente. No recurso voluntário, a Recorrente traz o Livro Diário, com respectivo Termo de Abertura, onde constam os registros contemporâneos de todos os eventos (pagamento da contribuição no preço da nota, estorno e reembolso), às fls. 81, 84, 87, 90, 92, e 95, documentados, escriturados e mantidos com observância às disposições legais, de forma a não restar dúvidas de que a incidência e correspondente recolhimento das contribuições dera se, de fato, sobre as duas compras de materiais representadas pelas notas fiscais anexadas na manifestação de inconformidade. Tratase de prova que complementa a prova indiciária já trazida na manifestação de inconformidade, consubstanciada em claros e pontuais registros do débitos gerados indevidamente na escrita fiscal, demonstrados, inclusive, os estornos e respectivos reembolsos nas folhas acima indicadas. O litígio decorrente da apreciação das compensações declaradas passou a ser submetido ao rito do Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235/72, a partir Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 da data publicação da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003). Assim, a princípio deve o litigante submeterse à observância do art. 16, § 4º1, que trata do momento processual de apresentação das provas como sendo o da manifestação de inconformidade, ou, ainda, até a decisão de primeira instância, autorizado pelo órgão julgador2. É consabido que a norma legal do art. 16, § 4º, citado, tem sua aplicação originária ao processo de determinação e exigência de crédito tributário, cujos fatos imputados ao fiscalizado devem ser respaldados pela provas levantadas e apresentadas pelo fisco no procedimento inquisitório do lançamento. É exigência, ainda, desse feito que os fatos de que é acusado o autuado estejam pontual e claramente descritos. Este modelo de ação tem por fim permitir o exercício da ampla defesa do contribuinte, sob amparo de garantia constitucional. Este rito foi tomado por empréstimo para reger o procedimento administrativo de apreciação da compensação tributária, como acima referido (MP 135/2003), logo após a inauguração do seu novel regime pela MP nº 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002). A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornecendo ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento da presente situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte por irrelevarse o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, este, a impedir a exigência tributo já quitado ou a não repetição de comprovado indébito. Portanto, é de se acolher o pedido da Recorrente não obstante ter vindo estas provas no recurso voluntário, em homenagem também aos princípios da verdade material que 1 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 2 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.918342/200991 Acórdão n.º 3803004.318 S3TE03 Fl. 101 5 informa o Processo Administrativo Fiscal , e da moralidade que rege os atos da Administração, a impedir a mantença de cobrança de tributo indevido , motivos autorizadores do afastamento da preclusão na situação vertente. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. Sala das sessões, 27 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005197/2001-50
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996
PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-001.789
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial, devendo o pedido de restituição ser analisado pela DRF de origem.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Corintho Oliveira Machado, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial, devendo o pedido de restituição ser analisado pela DRF de origem. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Corintho Oliveira Machado, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 51 97 /2 00 1- 50 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial, devendo o pedido de restituição ser analisado pela DRF de origem. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Corintho Oliveira Machado, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto BENSPAR S/A (antiga BENZENEX S/A ADUBOS E INSETICIDAS) (fls. 81 a 88) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 70 a 83 a 85) que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário da contribuinte. A presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 21/10/2001, de parcelas pagas a título de contribuição para o Programa de Integração Social – PIS de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 (fls. 01 a 03). Referida solicitação foi indeferida, inicialmente, através do r. Despacho Decisório de fls. 18 a 20, tendo sido apontado como razão de decidir o transcurso do prazo previsto no artigo 168, inciso I, do CTN. A ementa do v. acórdão ora recorrido é a seguinte: NORMAS PROCESSUAIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso negado. Irresignado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, colacionado arestos paradigmas e reiterando os termos da sua impugnação. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10120.005197/200150 Acórdão n.º 9303001.789 CSRFT3 Fl. 101 3 Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10120.005197/200150 Acórdão n.º 9303001.789 CSRFT3 Fl. 102 5 dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 6 ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10120.005197/200150 Acórdão n.º 9303001.789 CSRFT3 Fl. 103 7 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, e verificando se que o indébito é referente aos meses de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, depreendese que o termo final para a formulação do pedido de restituição seria em 2005 e 2006, respectivamente. Como o pedido de restituição ora em apreço foi apresentado em 21/10/2001, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, ele afigurase tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto, e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial a fim de que o para que o r. despacho decisório, mantido pela r. decisão ora recorrida, seja tornado sem efeito para que outro seja proferido, devendo o pedido de restituição ser analisado na sua plenitude, considerandose o respectivo pleito tempestivo. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Numero do processo: 10580.723751/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.143
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 23 75 1/ 20 09 -1 4 Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.723751/200914 Resolução nº 2403000.143 S2C4T3 Fl. 201 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – SARTRE EMPREENDIMENTOS EDUCACIONAIS LTDA. contra Acórdão nº 1525.430 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.210.4304, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 119.624,94. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.210.4304, Código de Fundamentação Legal – CFL 38 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente, após solicitação no solicitados nos Termos de Intimação, ás fls. 45 a 97, por ter deixado de apresentar os seguintes documentos: (1) termos de responsabilidade e fichas de salário família; (2) certidões de nascimento; (3) carteiras de vacinação; (4) contratos de prestações de serviço celebrados com terceiros; (5) Livro Diário registrado no órgão competente; (6) Plano de Contas; (7) folhas de pagamento definitivas e; (8) relação de segurados e remunerações não incluídos em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373. O Relatório Fiscal da Infração, ás fls. 07, informa que foi constatada a ocorrência de circunstância agravante da penalidade aplicada, tendo em vista que a empresa foi autuada pela mesma infração, com débito cadastrado sob número 35.556.2154, em 10/12/2004, com decisão definitiva administrativa em 29/07/2005 e novamente autuada pela mesma infração, com débito cadastrado sob número 35.900.3389, em 28/08/2006, com pagamento em 25/02/2009. Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.723751/200914 Resolução nº 2403000.143 S2C4T3 Fl. 202 3 Ainda de acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Penalidade, às fls. 08, a multa aplicada no valor de R$ 119.624,94 considera que as agravantes constatadas elevam o valor da multa em nove vezes (3X3), mesma infração em três procedimentos fiscais distintos. A Recorrente teve ciência do AIOP em 27.09.2009, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF, é de 01/2005 a 12/2005. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Relata que promoveu a entrega dos documentos solicitados, tanto que tais documentos foram utilizados para a lavratura de outros autos de infração oriundos da mesma ação fiscal, motivo pelo qual não há que se falar em subsunção do fato descrito à norma sancionatória aplicada. Insurgese contra o caráter confiscatório da multa aplicada. Respaldada em jurisprudência do STF, defende a fixação da multa em importe nunca superior a 20% do tributo também exigido em ação fiscal. Aduz que houve equívoco cometido pelo Fiscal quando do cálculo da agravante prevista no art. 292, inciso IV do Regulamento da Previdência Social. Para cada configuração da situação agravante, dispõe o RPS que a multa será elevada em três vezes. Jamais se poderá majorar em três vezes de forma cumulativa. Pede a nulidade da multa imposta ou a sua redução, de forma a ser calculada de forma menos gravosa à Impugnante, em, no máximo, seis vezes o valor inicial, nunca em nove vezes. Afirma a impugnante que está apresentando todos os documentos fiscais apresentados e corrigindo a suposta falha e comprovando que não houve qualquer lesão ao erário Pede a aplicação do instituto da atenuação da penalidade, segundo os critérios do art. 291 do Regulamento da Previdência Social. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1525.430 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 20/07/2009 NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. Constituem infrações à legislação previdenciária a não exibição de livros ou documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, a apresentação de livro ou documento que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.723751/200914 Resolução nº 2403000.143 S2C4T3 Fl. 203 4 PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO O princípio constitucional da vedação ao confisco e sua aplicação são de competência do Poder Judiciário. AGRAVANTE. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. A reincidência específica eleva em três vezes o valor da multa aplicada. A partir da segunda reincidência, o valor total da multa será obtido mediante a multiplicação do seu valorbase pelo produto dos fatores de elevação previstos nos incisos IV a VI do art. 657, da Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005. ATENUAÇÃO DA MULTA. REVOGAÇÃO. O Decreto nº 6.727, de 12 de janeiro de 2009, publicado no DOU de 13 de janeiro de 2009, revoga o artigo 291, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 6 de maio de 1999, em sua integridade, deixando de existir o instituto da atenuação da multa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em apertada síntese: (i) Momento da ocorrência do Fato Gerador; (ii) da inexistência de motivação e de provas (iii) Da entrega dos documentos solicitados Aduz que fez a entrega de todos os documentos solicitados, que foram inclusive utilizados para a lavratura de outros AIs. (iv) Multa fixada em caráter confiscatório. (v) Equívoco da autoridade fiscal ao interpretar o art. 292, IV, Decreto 3048/1999 Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.723751/200914 Resolução nº 2403000.143 S2C4T3 Fl. 204 5 (vi) Apresentação extemporânea de documentos fiscais, comprovando que não houve dano ao erário, com a hipótese de atenuante do art. 291, Decreto 3.048/1999. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.723751/200914 Resolução nº 2403000.143 S2C4T3 Fl. 205 6 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação dos autos. DA DILIGÊNCIA FISCAL Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – SARTRE EMPREENDIMENTOS EDUCACIONAIS LTDA. contra Acórdão nº 1525.430 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.210.4304, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 119.624,94. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.210.4304, Código de Fundamentação Legal – CFL 38 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente, após solicitação no solicitados nos Termos de Intimação, ás fls. 45 a 97, por ter deixado de apresentar os seguintes documentos: (1) termos de responsabilidade e fichas de salário família; (2) certidões de nascimento; (3) carteiras de vacinação; (4) contratos de prestações de serviço celebrados com terceiros; (5) Livro Diário registrado no órgão competente; (6) Plano de Contas; (7) folhas de pagamento definitivas e; (8) relação de segurados e remunerações não incluídos em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). Em relação à apresentação dos documentos solicitados nos Termos de Intimação, às fls. 45 a 97, resta fixada nos autos uma controvérsia a respeito da apresentação integral, ou não, dos documentos solicitados pela AuditoriaFiscal. Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.723751/200914 Resolução nº 2403000.143 S2C4T3 Fl. 206 7 A decisão de primeira instância, às fls. 1464 e 1465, se manifestou no sentido de restar plenamente caracterizada a infração pela não apresentação dos documentos solicitados: Constam dos autos os termos de intimação fiscal (fls. 4597), nos quais a Fiscalização solicita a documentação não apresentada. A infração em comento apresenta duas condutas típicas: a não exibição de livros ou documentos relacionados com as contribuições previdenciárias ou a sua apresentação deficiente. Considerase deficiente a apresentação de livro ou documento que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. A Fiscalização constatou que a Autuada descumpriu o dispositivo acima, por meio da apresentação de Livro Diário sem o devido registro e ainda a não exibição de alguns documentos relacionados com as contribuições previdenciárias: termos de responsabilidade e fichas de salário família; certidões de nascimento; carteiras de vacinação; contratos de prestações de serviço celebrados com terceiros; Plano de Contas; folhas de pagamento definitivas e relação de segurados e remunerações não incluídos em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) Neste compasso, a infração restou plenamente caracterizada. Não procede a alegação de que toda a documentação solicitada foi apresentada. Por outro lado, a Recorrente tanto em sede de Impugnação quanto em sede de Recurso Voluntário alegou pela apresentação integral da documentação solicitada na autuação os quais inclusive serviram de base para a lavratura de outras autuações. Desta forma, como prejudicial ao julgamento do presente AIOP temse, por óbvio, a verificação e a informação pela Autoridade Fiscal responsável pela lavratura do presente Auto de Infração: (a) de quais os documentos solicitados através dos Termos de Intimação acostados aos autos e relacionados no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 07, não foram entregues pela Recorrente até a fase de Recurso Voluntário; (b) se a Recorrente corrigiu a falta nos termos do art. 291, Decreto 3.048/1999 na redação anterior ao do Decreto 6.727/2009; (c) de quais os documentos solicitados através dos Termos de Intimação acostados aos autos e relacionados no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 07, foram entregues pela Recorrente até a fase de Recurso Voluntário. Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.723751/200914 Resolução nº 2403000.143 S2C4T3 Fl. 207 8 CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Autoridade Fiscal responsável pela lavratura do presente Auto de Infração, verifique e informe: (a) quais os documentos solicitados através dos Termos de Intimação acostados aos autos e relacionados no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 07, não foram entregues pela Recorrente até a fase de Recurso Voluntário; (b) se a Recorrente corrigiu a falta nos termos do art. 291, Decreto 3.048/1999 na redação anterior ao do Decreto 6.727/2009; (c) quais os documentos solicitados através dos Termos de Intimação acostados aos autos e relacionados no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 07, foram entregues pela Recorrente até a fase de Recurso Voluntário. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10880.962328/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência momentânea de Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora. JOEL MIYAZAKI Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência momentânea de Daniel Mariz Gudiño. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 62 32 8/ 20 08 -7 2 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962328/200872 Resolução nº 3201000.429 S3C2T1 Fl. 213 2 A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação nº 03725.75426.091104.1.3.042558 em 09/11/04 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos de COFINS, com créditos de COFINS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 15/12/99. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, emitido em 11/12/08, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão em 05/01/09 (fls. 04/05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) alegando, em síntese, que: Como se pode observar no demonstrativo da composição das bases de cálculo, o crédito de COFINS utilizado para sua compensação referese à parcela da contribuição indevidamente paga sobre valores relativos às saídas gratuitas (“brindes”) de seus produtos. Se a base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS é constituída pela receita ou pelo faturamento, não há que se falar em ocorrência do fato gerador sobre o valor de notas fiscais de saída de mercadorias, sem que haja de fato ou de direito a correspondente receita ou faturamento. Ao compor a base de cálculo das contribuições, cometeu equívoco de incluir valores que não constituíam sua receita ou faturamento, e deveria ter apresentado retificações de suas declarações para excluir destas bases de cálculos do PIS e da COFINS estes valores. Em determinados casos, suas declarações não foram retificadas, e assim, cometeu erro de fato no procedimento tendente à apresentação desta PER/DCOMP. Tal equívoco não macula seu direito à obtenção dos créditos, de fácil apuração, caso a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal e diligenciado ao estabelecimento da ora requerente, como determina o artigo 24 da IN SRF nº 600/2005. Não procedendo assim, o despacho decisório representa ofensa aos princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar o enriquecimento sem causa da União, ferindo o caput do artigo 37 da Carta Magna, e os artigos 2º, 3º, incio I, e 50, inciso I da Lei 9.784/99. Requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo seu direito creditório na sua totalidade e homologando a compensação do PER/DCOMP. É o relatório. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962328/200872 Resolução nº 3201000.429 S3C2T1 Fl. 214 3 O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SP 1 n° 1630.892, de 14/04/2011, proferida pelos membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo /SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Anocalendário: 1999 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de indeferimento da manifestação de inconformidade para manter o Despacho Decisório. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Em sede de recurso voluntário, observei que a empresa argumentou, dentre outros: repisa que deve ser decretada a nulidade de Despacho Decisório (811463519); anexa documentos, já que a decisão de primeira instância reputou que o anterior apresentado carecia de elementos mínimos, tais como assinatura do contabilista responsável e registro no CRC, segundo as regras estabelecidas pelas Normas brasileiras de Contabilidade; anexa Notas Fiscais que não deveriam ser incluídas na base de cálculo da COFINS (docs. 05); anexa Livro Registro de Saídas dos respectivas Notas Fiscais (docs. 06), e enfim, que seja dado provimento ao recurso voluntário. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962328/200872 Resolução nº 3201000.429 S3C2T1 Fl. 215 4 Trata o presente processo de solicitação de compensação através da Declaração de Compensação nº 03725.75426.091104.1.3.042558 em 09/11/04. Ou seja, compensação de débitos de COFINS, com créditos de COFINS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 15/12/99 (saídas gratuitasbrindes). Juntou, inicialmente, aos autos, “Demonstrativo COFINS novembro de 1999” e “balancete” da competência 11/1999. Constam documentação transmitida pela empresa, DCTF referente ao mês de 11/1999 e a DIPJ do anocalendário de 1999, no mês de novembro. Tendo em vista que a recorrente apresenta a seguinte documentação (recurso voluntário): docs. 03 e 04documentos anteriormente apresentados, com os elementos exigidos; doc 05 demonstrativo de Notas Fiscais que não deveriam ter sido incluídas na base de cálculo da Cofins/valores/CFOP; doc. 06cópia do Termo de abertura, do Termo de encerramento e das páginas do livro Registro de Saídas em que referidas notas fiscais foram lançadas. Assim sendo, em atendimento ao princípio da verdade material e da estrita legalidade, entendo pela conversão do feito em diligência para que a Delegacia da Receita Federal se digne: pela análise dos documentos apresentados e trazidos em sede de recurso voluntário. –documentos intitulados 03/04 , as Notas Fiscais referidas nos docs. 05, bem como Livro Registro de Saídas dos respectivas Notas Fiscais (docs. 06). Após a realização das análises solicitadas, profira parecer conclusivo sobre o crédito pretendido e abra vista para que a recorrente se pronuncie, se entender necessário; bem como a Procuradoria da Fazenda NacionalPGFN. Concluída a diligência solicitada, retornem os autos para seguimento no julgamento por esta turma do CARF. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 215DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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