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7596266 #
Numero do processo: 10935.903921/2013-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.668
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 2          1 1  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.903921/2013­61  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3402­005.668  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de setembro de 2018  Matéria  PIS  Recorrente  UNIMED PATO BRANCO COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012  RECURSO  VOLUNTÁRIO  INTERPOSTO  FORA  DO  PRAZO  LEGAL.  INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.  É  de  30  (trinta)  dias  o  prazo  para  interposição  de Recurso Voluntário  pelo  contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto­lei n. 70.235/72. O  não  cumprimento  do  aludido  prazo  impede  o  conhecimento  do  recuso  interposto em razão da sua intempestividade.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Waldir  Navarro  Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  Pedro  Sousa  Bispo,  Renato  Vieira  de  Ávila  (suplente  convocado)  e  Cynthia  Elena  de  Campos.  Ausente  justificadamente  a  Conselheira  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  sendo  substituída  pelo  Conselheiro  Renato  Vieira  de  Ávila  (suplente  convocado).  Relatório  Trata  o  presente  processo  de  recurso  voluntário  contra  o  indeferimento  de  manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição  de PIS formulado pela recorrente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 39 21 /2 01 3- 61 Fl. 153DF CARF MF     2 Aludida  restituição  restou  indeferida  pela  DRF  de  origem,  posto  que:  “A  partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram  localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para  quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição”   Regularmente  cientificada,  apresentou,  a  interessada,  manifestação  de  inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão nº01­033.598.:   Cientificado desta decisão apresentou o recurso voluntário ora em apreço.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3402­005.626,  de  27  de  setembro  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10935.903869/2013­43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402­005.626):  "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto  5. Como é  sabido, o prazo para  interposição de Recurso  Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30  (trinta)  dias,  conforme prevê  o  art.  33,  caput  do Decreto­lei  n.  70.235/72.  6.  Não  obstante,  segundo  o  disposto  no  art.  5o.  do  sobredito  Decreto­lei,  os  prazos  no  processo  administrativo  federal são contínuos e deverão ser contados excluindo­se na sua  contagem  o  dia  do  início  e  incluindo­se  o  do  vencimento. Este  também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991.  7. Pois bem. No presente caso o fecorrente foi cientificado  via  eletrônica  da  decisão  guerreada,  sendo  a  correspondente  mensagem  aberta  em  24  (vinte  e  quatro)  de  fevereiro  de  2017  (sexta­feira)  (fl.  142).  Logo,  levando  em  consideração  as  disposições  legais  acima  mencionadas,  o  termo  inicial  para  a  contagem do  prazo  recursal  teve  início  em  27  (vinte  e  sete) de  fevereiro de 2017 (segunda­feira), vencendo, por sua vez, no dia  28 (vinte e oito) de março de 2017 (terça­feira). Acontece que o  recurso em apreço só foi  interposto em 30 (trinta) de março de  2017 (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal.  8.  Patente  está,  portanto,  a  intempestividade  do  recurso  voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço.  Dispositivo                                                              1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindo­se da contagem o dia do  começo e incluindo­se o do vencimento."  Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10935.903921/2013­61  Acórdão n.º 3402­005.668  S3­C4T2  Fl. 3          3 9.  Diante  do  exposto,  em  razão  da  intempestividade  do  recurso voluntário interposto, deixo de conhecê­lo.  10. É como voto."    Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo.   (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra                                Fl. 155DF CARF MF

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7629287 #
Numero do processo: 10280.722173/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. JUDICIALIZAÇÃO. CONHECIMENTO. ANULAÇÃO DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Sem caracterização da judicialização e com conhecimento do Recurso. Anulação da Decisão a quo a fim de ser apreciado o mérito da lide.
Numero da decisão: 2202-005.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para declarar a nulidade do acórdão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à DRJ/BEL para que seja proferida nova decisão, com análise do mérito. (Assinatura Digital) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (Assinatura Digital ) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA

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2202­005.009  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de fevereiro de 2019  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  Recorrente  SAULO DE TARSO CERQUEIRA BAPTISTA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2005  Ementa:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IMPOSTO SOBRE A  RENDA  RETIDO  NA  FONTE.  JUDICIALIZAÇÃO.  CONHECIMENTO.  ANULAÇÃO DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.  A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade  processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do  processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Sem  caracterização da  judicialização e com conhecimento do Recurso. Anulação  da Decisão a quo a fim de ser apreciado o mérito da lide.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,    por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  para  declarar  a  nulidade  do  acórdão  de  primeira  instância,  determinando  o  retorno  dos  autos  à  DRJ/BEL  para  que  seja  proferida  nova  decisão,  com  análise do mérito.  (Assinatura Digital)  Ronnie Soares Anderson ­ Presidente.    (Assinatura Digital )  Ricardo Chiavegatto de Lima ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  de  Sousa  Sáteles,  Martin  da  Silva  Gesto,  Ricardo  Chiavegatto  de  Lima  (Relator),  Ludmila  Mara     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 21 73 /2 00 9- 83 Fl. 146DF CARF MF     2 Monteiro  de Oliveira,  Rorildo Barbosa Correia,  Virgílio  Cansino Gil  (Suplente  convocado),  Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).  Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.  Relatório  Trata­se de  recurso voluntário  (e­fls. 134/136),  interposto contra o Acórdão  nº  01­23.661,  proferido  pela  2a  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  de  Belém/PA  DRJ/BEL  (e­fls  127/130),  que  não  conheceu  de  impugnação  impetrada  contra Notificação  de Lançamento  (e­fls.  05/08),  relativo  ao  ano­calendário  2005,  exercício  2006,  o  qual  resultou  na  exigência  de  crédito  tributário  total  no  valor  de  R$  135.598,40,  sendo  R$  85.621,27  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  e  o  restante  de multa  proporcional e juros de mora, calculados até julho de 2009.  2. Por bem refletir a realidade dos fatos, transcreve­se a seguir o Relatório do  Acórdão recorrido:  Trata­ se de Notificação de Lançamento de IRPF Exercício 2006 (fls. 05/08),  ciência  em23/07/2009,  contra  o  contribuinte  acima  qualificado,  através  do  qual  cobra­se  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  Suplementar  de  R$  135.598,40,  já  computados multa de ofício e juros de mora (até 31/07/2009).  2. A infração apurada foi compensação indevida de imposto de renda retido,  fonte pagadora CNPJ 04.902.979/000144, no montante de R$ 87.240,33, referente a  rendimento que teria sido pago no total de R$ 318.929,73.  3. O contribuinte apresenta defesa (fl. 02/03), em que relata:  a)  Apresentou  à  Receita  Federal,  quando  intimado  pelo  setor  de  malha  (Exercício 2006), toda a documentação no intuito de comprovar o imposto de renda  retido, fonte pagadora CNPJ 04.902.979/000144, no montante de R$ 87.240,33.  b) Anexa (fl. 10) Guia de Retirada Parcial n. 1196/2009, referente à Guia de  Depósito  n.  1393/2005,  conta  n.  50011242410,  Banco  do  Brasil,  processo  n.  01216199901408004, 14a. Vara, TRT da 8a Região, que comprovaria o recolhimento  de imposto de renda no valor de R$ 87.240,33;  c) Anexa Comprovante de Rendimentos, fl. 09, sem data e sem autenticação,  de  suposto  pagamento  de  R$  318.929,73,  com  imposto  de  renda  retido,  fonte  pagadora CNPJ 04.902.979/000144, no montante de R$ 87.240,33.  4. Considerando que:  a) Não havia DIRF (fl. 12) nem cópias de peças judiciais que comprovassem  que houve o  suposto pagamento em 2005 de R$ 318.929,73, com  imposto de  renda  retido,  fonte  pagadora  CNPJ  04.902.979/000144,  no  montante  de  R$  87.240,33,  como declara o contribuinte em sua DIRPF Exercício 2006, ano calendário 2005.  b)  Havia  DIRF  (fl.  21)  que  apontava  para  pagamento,  no  ano  calendário  2009,  no mesmo montante de R$ 318.929,73,  com  imposto  de  renda  retido, mesma  fonte  pagadora  CNPJ  04.902.979/000144,  no  montante  de  R$  87.240,33  (O  contribuinte  declarou  em  sua  DIRPF  Exercício  2010,  ano  calendário  2009,  este  recebimento e informou haver suspensão de exigibilidade do crédito).  4.1. A DRJ Belém solicitou diligência (através do despacho de fl. 28/29), na  forma dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235 de 1972, modificado pela Lei nº 8.748  de  09/12/93  e  do  artigo  10  da  Portaria  MF  nº  58,  de  17  de  março  de  2006,  do  Ministro de Estado da Fazenda,a fim de:  a) Oficiar à 14a vara, TRT da 8a Região, no intuito de que informasse  os  montantes  pagos,  retidos  e  recolhidos  nos  autos  do  processo  01216199901408004,  em  cada  ano  calendário,  e  razão  para  eventual  suspensão da exigibilidade do crédito tributário.   b)  Intimar  o  contribuinte  para  que  apresentasse  documentos  que  comprovassem os montantes pagos, retidos e recolhidos nos autos do processo  01216199901408004,  em  cada  ano  calendário,  e  razão  para  eventual  suspensão da exigibilidade do crédito tributário.  Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10280.722173/2009­83  Acórdão n.º 2202­005.009  S2­C2T2  Fl. 147          3 5.  A  Unidade  de  Origem  respondeu,  através  do  despacho  de  fl.  123/124.    Anexa Ofício 14/2011, da 14a Vara do Trabalho de Belém , no qual se lê:  “No  interesse do processo supra, e, em resposta ao Termo de  Início do Procedimento Fiscal n. 02.1.01.002011004896  informo a V.  Sa.  que  o  montante  pago  ao  reclamante  a  título  de  parcela  incontroversa  foi  de  R$  231.689,40  (DUZENTOS  E  TRINTA  E  UM  MIL,  SEISCENTOS  E  OITENTA  E  NOVE  REAIS  E  QUARENTA  CENTAVOS)  em  04.10.2005,  prosseguindo­se  o  feito  em  seus  ulteriores  de  direito.  Informo,  ainda, que  em 23.04.2009  foi  pago ao  reclamante  o  valor  de  R$  20.911,71  (VINTE MIL  NOVECENTOS  E  ONZE  REAIS  E  SETENTA  E  UM  CENTAVOS)  como  correção  do  período  do  valor  recebido  em  04.10.2005.  Referente  a  este  valor,  foram  recolhidos  a  título  de  IRPF, R$  87.240,33  (OITENTA E SETE  MIL,  DUZENTOS  E  QUARENTA  REAIS  E  TRINTA  E  TRÊS  CENTAVOS)  em  27.05.2009,  em  razão  de  recurso  questionando  o  cálculo do Imposto de Renda. (Grifado no Acórdão)  Informo, ainda, que para  liquidação da execução  foi pago ao  reclamante o valor de R$ 150.006,61 (CENTO E CINQÜENTA MIL E  SEIS  REAIS  E  SESSENTA  E  UM  CENTAVOS)  em  18.11.2009.  Referente a este valor, foram recolhidos a título de IRPF, R$ 55.712,39  (CINQÜENTA  E  CINCO  MIL,  SETECENTOS  E  DOZE  REAIS  E  TRINTA E NOVE CENTAVOS) em 01.12.2009.”  3. Transcreve­se a seguir o Voto proferido pela 2a. Turma da DRJ/BEL:  Voto  4. No que se refere à matéria destes autos administrativos (tributação,  pelo  imposto  de  renda  na  fonte,  de  rendimentos  recebidos  via  Judiciário  no  ano  calendário  2005)  o  valor  a  ser  retido  foi  levado  à  análise  do  Poder  Judiciário.  (Grifado no Acórdão) Logo, há que se observar as disposições do  artigo  1º,  §  2º,  do Decreto­lei  n°  1.737,  de  1979,  e  do  artigo  38,  parágrafo  único,  da  Lei  n°  6.830,  de  1980,  segundo  os  quais  a  propositura,  pelo  contribuinte de ação judicial por qualquer modalidade processual importa em  renúncia  ao  poder  de  recorrer  na  esfera  administrativa  ou  desistência  do  recurso acaso interposto.  5. Nesse sentido, foi expedido o Ato Declaratório Normativo (ADN) n°  3/1996,  da  Coordenação  Geral  do  Sistema  de  Tributação  da  Secretaria  da  Receita Federal, que dispõe (grifei):  "a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação  judicial por qualquer modalidade processual ­ antes ou posteriormente  à  autuação,  com  o  mesmo  objeto,  importa  a  renúncia  às  instâncias  administrativas ou desistência de eventual recurso interposto;(Grifado  no Acórdão)  b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo  judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal  no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex. aspectos formais do  lançamento, base de cálculo, etc);  c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde  se  encontra  o  processo  não  conhecerá  de  eventual  petição  do  contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade  da  exigência  discutida  ou  da  decisão  recorrida,  se  for  o  caso,  encaminhando  o  processo  para  a  cobrança  do  débito,  ressalvada  a  eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN;  d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva  ali  contida,  o  proceder­se­á a  inscrição em dívida ativa,  deixando­se  de fazê­lo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando  demonstrada  a  ocorrência  do  disposto  nos  incisos  II  (depósito  do  montante  integral  do débito)  ou  IV  (concessão de medida  liminar  em  mandado de segurança), do art. 151 do CTN;"  6. Com efeito, a eventual e posterior coisa julgada proferida no âmbito  do Poder Judiciário, jamais pode ser alterada no processo administrativo, pois  Fl. 148DF CARF MF     4 tal procedimento feriria a Constituição Federal Brasileira que adota o modelo  de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais.  7. Pelo exposto, voto por não conhecer da impugnação, ressaltando­ se  à Unidade de Origem a necessidade de se observar, caso cabível, o art. 149 do  CTN.   4. O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ/BEL por via postal em  24/01/2012  (e­fl.  144),  e  inconformado  com  a  decisão  apresentou  Recurso  Voluntário  em  02/03/2012 (e­fls. 134/126), sustentando, em síntese, os argumentos abaixo enumerados:  ­ que a intimação da prolação do Acórdão e o processo administrativo que  a  inspirou  são  frutos  de  equívoco,  porque  o  intimado  jamais  submeteu  ao  Poder Judiciário qualquer "propositura [...] contra a Fazenda, de ação judicial  ­ por qualquer modalidade processual ­ antes ou posteriormente à autuação"  (ADN n° 3/1996), no que tange ao recolhimento de imposto de renda devido,  no  exercício de 2005,  cuja origem  foi o pagamento de  ação  trabalhista  por  parte  do  Banco  da  Amazônia  ­  BASA  e  da  Caixa  de  Previdência  dos  empregados do mesmo banco  ­ CAPAF,  conforme PROCESSO 14a VTB  ­  1216/1999­4,  que  ainda  está  sob  julgamento  no  Tribunal  do  Trabalho  de  Belém;  ­  que  houve  erro  de  cálculo  do  IRRF,  visto  que  os  reclamados  não  o  calcularam mês a mês, pela alíquota correspondente e ressalta que apresentou  impugnação  aos  cálculos,  inclusive  concernente  à  alíquota  de  Imposto  de  Renda  adotado  pelo  Setor  de  Cálculo,  em  25/04/2005,  o  que  jamais  pode  configurar ação contra a Receita Federal;  ­ que houve decisão acerca dessa impugnação, publicada no Diário Oficial  da  Justiça do Trabalho da 8a Região do dia 14/07/2005  (DO fl. 595),  e em  19/07/2005  o  contribuinte  noticiou  que  não  renovaria  seu  inconformismo  perante o TRT, em relação a sentença de impugnação aos cálculos;  ­ que em momento algum apresentou recurso questionando o imposto de  renda,  mas  tão  somente  os  cálculos,  o  que  foi  indeferido  antes  do  percebimento do valor incontroverso pelo exeqüente;  ­  que  se  dependesse  da  sua  vontade,  o  TRT  teria  determinado  o  recolhimento  já  em 2005 do  IRRF no  valor  de R$ 87.240,33,  constante na  DAA ano­calendário 2005, exercício 2006, em razão de recebimento de valor  incontroverso, em 04/10/2005, no montante líquido de R$ 231.689,40, parte  da causa trabalhista que ainda corre em juízo, devido a outras parcelas ainda  questionadas pelos  reclamados. Todavia, não  foi esta a decisão do Juízo do  Trabalho,  que  manteve  o  imposto  retido  em  depósito  judicial,  de  2005  a  2009;  ­  que  foi  determinado  o  recolhimento,  em  30/03/2009,  do  IRRF  que  estava depositado  em  juízo  desde 2005,  conforme pode  ser  comprovado  às  fls. 824/826, do processo trabalhista do exeqüente, o que evidencia que já foi  pago o débito;  ­  em  comprovação,  junta  Certidão  Narrativa  exarada  pelo  Diretor  de  Secretaria da 14a. Vara do Trabalho de Belém (e­fls. 137);  ­  que demonstra­se necessária  a  revisão  e  a  anulação  do Acórdão,  visto  que  a  judiciliazação  de  matéria  contra  a  Receita  Federal  jamais  aconteceu  nem poderia acontecer no Tribunal do Trabalho;    5.  Por  fim,  requer  que  o  reconhecimento  e  a  declaração  de  inexistência  do  débito, pela retenção e recolhimento do IRRF e pela Certidão Narrativa anexa.     6. É o Relatório.  Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10280.722173/2009­83  Acórdão n.º 2202­005.009  S2­C2T2  Fl. 148          5 Voto             Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator  7. O Recurso Voluntário é  tempestivo  e atende aos demais pressupostos de  admissibilidade, portanto dele conheço.  8.  Informação  essencial  para  esclarecimento  acerca  da  judicialização  levantada  pela  DRJ,  além  do  esclarecimento  da  data  do  efetivo  recolhimento  do  IRRF,  foi  obtida em diligência procedida pela DRF de origem, na forma do Ofício no. 014­00444/2011,  da 14a. Vara do Trabalho de Belém, juntado à e­fl. 82 dos autos, de onde extrai­se o seguinte  excerto, o qual grifei: " Referente a este valor, foram recolhidos a título de IRPF, R$ 87.240,33  (...) em 27.05.2009, em razão de recurso questionando o cálculo do Imposto de Renda." (e­fls.  82) .  9.  Infere­se  assim  que  a  decisão  da  DRJ  fundamentou­se  nos  termos  transcritos  neste  Ofício  para  decidir  pelo  não  conhecimento  da  impugnação,  cf  trecho  correspondente do acórdão destacado abaixo:  Voto  4.  No  que  se  refere  à  matéria  destes  autos  administrativos  (tributação,  pelo  imposto  de  renda  na  fonte,  de  rendimentos  recebidos via Judiciário no ano calendário 2005) o valor a  ser  retido  foi  levado  à  análise  do  Poder  Judiciário.  (Grifado  no  Acórdão) Logo, há que se observar as disposições do artigo 1º, §  2º, do Decreto­lei n° 1.737, de 1979, e do artigo 38, parágrafo  único, da Lei n° 6.830, de 1980, segundo os quais a propositura,  pelo  contribuinte  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera  administrativa ou desistência do recurso acaso interposto  10. Por  seu  turno,  alega  o Recursante  que,  em  sua  reclamatória  trabalhista,  houve  erro  de  cálculo  do  IRRF,  visto  que  este  não  foi  calculado  mês  a  mês  pela  alíquota  correspondente, e não concordando com os cálculos adotados pelo Setor de Cálculos (entendo,  trabalhistas),  inclusive  concernente  à  alíquota  de  Imposto  de  Renda  (entendo,  cálculos  trabalhistas da lide, incluindo o imposto de renda devido), apresentou impugnação aos cálculos  em  25/04/2005,  e  entende  que  tal  impugnação  não  pode  configurar  ação  contra  a  Receita  Federal.  11.  Em  consulta  processual  ao  Processo  Trabalhista  em  questão,  fornecida  publicamente  no  sítio  da  internet  do  Tribunal  do  Trabalho  da  8a.  Região,  verifica­se  que  realmente  foi apresentada petição de reclamante opondo  impugnação a cálculos efetuados no  Processo  Trabalhista  0121600­36.199.5.08.0014,  na  data  destacada  pelo  Reclamante,  25/04/2005, conforme imagem de resposta à consulta processual abaixo reproduzida:  Tribunal Regional do Trabalho da 8a Região Consulta de Processos Físicos  Processo: 0121600­36.1999.5.08.0014  Classe do Processo: RECLAMAÇÃO ESCRITA Competência: 14« VARA DO TRABALHO DE BELÉM  RECLAMANTE: SAULO DE TARSO CERQUEIRA BAPTISTA  Advogado RECLAMANTE: PAULA FRASSINETTI COUTINHO DA SILVA MATTOS RECLAMADO:  BANCO DA AMAZONIA S A Advogado RECLAMADO: RUI FRAZÃO DE SOUSA  Fl. 150DF CARF MF     6 Tramitação Peças I I Cálculos I I Partes Termo  29/04/2005  Registrado Despacho No 01388/2005  28/04/2005  Expedida Conclusão No 1619/2005  28/04/2005  Registrado Despacho No 01180/2005  25/04/2005  Juntando Documento (sj  25/04/2005  Comunicando renuncia de poderes  25/04/2005  Petição de ADVOGADA  25/04/2005  Manifestando­se sobre bem nomeado a penhora  25/04/2005  Petição de Reclamante(s)  25/04/2005  Opondo Impugnação aos Cálculos  25/04/2005  Petição de Reclamante(s)  25/04/2005  Devolvido autos com vistas  19/04/2005  Vistas autos Dr(a) ANA MARIA PORTILHO ROCHA FRANCO  19/04/2005  Devolução até 25/04/2005, responsável Advogado do Reclamante  19/04/2005  Vistas autos Dr(a) ANA MARIA PORTILHO ROCHA FRANCO  19/04/2005  Devolução até 25/04/2005, responsável Advogado do Reclamante  12. O contribuinte sustenta ainda em seu Recurso que houve decisão acerca  dessa  impugnação,  publicada  no Diário Oficial  da  Justiça  do  Trabalho  da  8a  Região  do  dia  14/07/2005  (DO  fl.  595),  e  em  19/07/2005  ele  noticiou  ao  TRT  que  não  renovaria  seu  inconformismo em relação a sentença de impugnação aos cálculos (trabalhistas).  13. Novamente recorrendo à consulta processual fornecida pelo Tribunal do  Trabalho da 8a. Região, pode ser constatado, conforme imagem colacionada abaixo que, no dia  08/07/2005,  ocorreu  o  julgamento  de  um  Incidente Processual,  o  qual  opôs  impugnação  aos  cálculos realizados no processo trabalhista em questão, e que o resultado do julgamento foi a  rejeição  de  tal  Incidente.  E  há  também  a  apresentação  de  uma  petição  de  reclamante  protocolada em 19/07/2005 que,  s.m.j, pode  tratar­se da alegada noticia do agora Recursante  sobre  não  renovar  seu  inconformismo  em  relação  à  sentença  prolatada  contra  a  impugnação  dos cálculos.  Tribunal Regional do Trabalho da 8a Região Consulta de Processos Físicos  Processo: 0121600­36.1999.5.08.0014  Classe do Processo: RECLAMAÇÃO ESCRITA Competência: 14* VARA DO TRABALHO DE BELÉM  RECLAMANTE: SAULO DE TARSO CERQUEIRA BAPTISTA  Advogado RECLAMANTE: PAULA FRASSINETTI COUTINHO DA SILVA MATTOS RECLAMADO:  BANCO DA AMAZONIA S A Advogado RECLAMADO: RUI FRAZÃO DE SOUSA  Tramitação Peças Cálculos Partes Termo      25/07/2005  Alterado MAN n° 1380/2005  25/07/2005  Expedido MAN no 1380/2005  22/07/2005  Registrado Despacho No 03224/2005  20/07/2005  Alterado Despacho No 3224/2005  20/07/2005  Expedida Conclusão No 3544/2005  19/07/2005  Requerendo liberação valor depositado  19/07/2005  Petição de Reclamante(s)  19/07/2005  Expedida Certidão No 3048/2005  19/07/2005  Opondo Embargos de Declaração  19/07/2005  BANCO DA AMAZÓNIA S A  19/07/2005  Petição de Reclamado(s), Protocolo n° 071267/2005 de 19/07/2005  18/07/2005  Opondo Embargos de Declaração  18/07/2005  CAPAF  18/07/2005  Petição de Reclamado(s), Protocolo n° 071070/2005 de 18/07/2005  14/07/2005  Interpor Agravo de Petição, Prazo:22/07/2005  13/07/2005  Registrada remessa da RES ­ 01930/2005 para imprensa.  13/07/2005  Registrada remessa da RES ­ 01929/2005 para imprensa.  08/07/2005  Descredenciado advogado: PA7658P para o(s) Reclamante(s)  Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10280.722173/2009­83  Acórdão n.º 2202­005.009  S2­C2T2  Fl. 149          7 08/07/2005  Credenciado advogado: PA2731 para o(s) Reclamante(s)  08/07/2005  Expedida Resenha n° 1930/2005  08/07/2005  Expedida Resenha n° 1929/2005  08/07/2005  Resultado Incidente Processual: Rejeitado  08/07/2005  Julgamento Incidente Processual ­ Opondo Impugnação aos Cálculos  29/06/2005  Expedida Conclusão No 3114/2005  29/06/2005  Expedida Certidão de Expiração de Prazo No 2644/2005 para o(a)s Reclamado.  29/06/2005  PZO SE 28062005  14. Diante dos fatos, considero que o Ofício no. 014­00444/2011, da 14a. Vara  do  Trabalho  de  Belém,  juntado  à  e­fl.  82  dos  autos,  não  traz  em  seu  bojo  esclarecimento  exaustivo dos  fatos  relacionados  à  real  extensão  do  recurso  interposto pelo  então  recorrente,  por  apenas  utilizar­se  da  afirmação  "recolhidos  a  título  de  IRPF  (...)  em  razão  de  recurso  questionando o cálculo do Imposto de Renda".  15.  Considero  que  as  alegações  do  contribuinte,  combinadas  com  consulta  pública ao conteúdo do processo, são pertinentes ao indicar que tal questionamento acerca de  cálculos  tratou­se, na verdade, de um  Incidente Processual dentro do Processo Trabalhista,  e  não  a  propositura  pelo  contribuinte,  contra  a  Fazenda,  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade processual com o mesmo objeto desta lide administrativa  16. Desta  forma, considero pertinente a anulação do Acórdão a quo,  com o  retorno  dos  autos  à DRJ/BEL para  proferimento  de nova  decisão,  com análise  do Mérito  da  questão.   CONCLUSÃO  17. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso.  (Assinatura Digital)   Ricardo Chiavegatto de Lima ­ Relator                                Fl. 152DF CARF MF

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7629222 #
Numero do processo: 11065.001525/2005-47
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação não fazem parte da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme o que restou decidido pelo STF, com repercussão geral, no julgamento do RE 606.107/RS. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3002-000.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES

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3002­000.573  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  23 de janeiro de 2019  Matéria  COFINS NÃO CUMULATIVA/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO  Recorrente  RITZEL COUROS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005  CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE  ICMS A TERCEIRO. BASE DE  CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.  Os  valores  recebidos  a  título  de  cessão  onerosa  a  terceiros  de  créditos  de  ICMS provenientes de exportação não fazem parte da base de cálculo do PIS  e  da COFINS,  conforme o  que  restou  decidido  pelo STF,  com  repercussão  geral, no julgamento do RE 606.107/RS.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Larissa Nunes Girard ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Carlos Alberto da Silva Esteves ­ Relator.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 15 25 /2 00 5- 47 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11065.001525/2005­47  Acórdão n.º 3002­000.573  S3­C0T2  Fl. 260          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard  (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da  Silva Esteves    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 10­13.267 da DRJ/POA,  que  manteve  a  glosa  de  créditos  de  COFINS  não  cumulativa,  com  os  quais  a  contribuinte  visava  compensar  débitos,  sob  o  fundamento  de  que  a  contribuinte  não  incluiu  na  base  de  cálculo da contribuição valores recebidos a título de cessão a terceiros de créditos de ICMS.  Analisando  as  argumentações  apresentadas  pela  contribuinte  em  sua  Manifestação de  Inconformidade,  a Delegacia da Receita Federal  do Brasil  em Porto Alegre  julgou­a improcedente, por decisão que possui a seguinte ementa:    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  0  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005   Ementa:   Incide  Pis  e  Cofins  na  cessão  de  créditos  de  ICMS,  ante  a  existência  de  alienação  de  direitos  classificados  no  ativo  circulante.  Solicitação Indeferida    Intimada  dessa  decisão,  a  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  (fl.  234/239), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, repisando fatos e  argumentos já apresentados.    É o relatório, em síntese.  Voto             Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves ­ Relator  O  direito  creditório  envolvido  no  presente  processo  encontra­se  dentro  do  limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23­B do RICARF.  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  formais  de  admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento.  Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11065.001525/2005­47  Acórdão n.º 3002­000.573  S3­C0T2  Fl. 261          3 O cerne da lide posta nos autos se configura como sendo a obrigatoriedade ou  não da inclusão na base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS das receitas  decorrentes da cessão de créditos de ICMS a terceiros. Assim, deve­se esclarecer que ocorreu,  ao longo do tempo, desde a prolação do Acórdão recorrido uma mudança de entendimento do  judiciário sobre esse tema.  Com efeito, o Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 606.107/RS,  relatado  pela  Ministra  Rosa  Weber,  submetido  à  sistemática  do  art.  543­B  do  antigo  CPC  (Repercussão Geral), decidiu que é inconstitucional a incidência da contribuição para o PIS e  para a COFINS não cumulativas sobre os valores recebidos por empresa exportadora em razão  da  transferência  a  terceiros  de  créditos  de  ICMS,  conforme  se  constata  da  ementa  do  citado  julgamento:    EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  IMUNIDADE.  HERMENÊUTICA.  CONTRIBUIÇÃO  AO  PIS  E  COFINS.  NÃO  INCIDÊNCIA.  TELEOLOGIA  DA  NORMA.  EMPRESA  EXPORTADORA.  CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS.   I  ­  Esta  Suprema  Corte,  nas  inúmeras  oportunidades  em  que  debatida a questão da hermenêutica  constitucional aplicada ao  tema  das  imunidades,  adotou  a  interpretação  teleológica  do  instituto,  a  emprestar­lhe  abrangência  maior,  com  escopo  de  assegurar à norma supralegal máxima efetividade.   II  ­  A  interpretação  dos  conceitos  utilizados  pela  Carta  da  República  para  outorgar  competências  impositivas  (entre  os  quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195,  I,  “b”)  não  está  sujeita,  por  óbvio,  à  prévia  edição  de  lei.  Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que  estabelecem  imunidades  tributárias,  como  aqueles  que  fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, §  2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, trata­se de interpretação  da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente  constitucionais,  com  absoluta  independência  da  atuação  do  legislador tributário.   III  –  A  apropriação  de  créditos  de  ICMS  na  aquisição  de  mercadorias  tem  suporte  na  técnica  da  não  cumulatividade,  imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim  de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente  a atividade econômica e gere distorções concorrenciais.   IV  ­  O  art.  155,  §  2º,  X,  “a”,  da  CF  –  cuja  finalidade  é  o  incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais  do  seu  ônus  econômico,  de  modo  a  permitir  que  as  empresas  brasileiras  exportem  produtos,  e  não  tributos  ­,  imuniza  as  operações  de  exportação  e  assegura  “a  manutenção  e  o  aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações  e  prestações  anteriores”.  Não  incidem,  pois,  a  COFINS  e  a  contribuição  ao  PIS  sobre  os  créditos  de  ICMS  cedidos  a  Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11065.001525/2005­47  Acórdão n.º 3002­000.573  S3­C0T2  Fl. 262          4 terceiros,  sob  pena  de  frontal  violação  do  preceito  constitucional.   V  –  O  conceito  de  receita,  acolhido  pelo  art.  195,  I,  “b”,  da  Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil.  Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei  10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição  ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das  receitas,  “independentemente  de  sua  denominação  ou  classificação  contábil”.  Ainda  que  a  contabilidade  elaborada  para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das  empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para  a  determinação  das  bases  de  cálculo  de  diversos  tributos,  de  modo  algum  subordina  a  tributação.  A  contabilidade  constitui  ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada  nesta  seara  pelos  princípios  e  regras  próprios  do  Direito  Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta  pode ser definida como o  ingresso  financeiro que se  integra no  patrimônio  na  condição  de  elemento  novo  e  positivo,  sem  reservas ou condições.   VI  ­  O  aproveitamento  dos  créditos  de  ICMS  por  ocasião  da  saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida­se  de  mera  recuperação  do  ônus  econômico  advindo  do  ICMS,  assegurada  expressamente  pelo  art.  155,  §  2º,  X,  “a”,  da  Constituição Federal.   VII  ­  Adquirida  a  mercadoria,  a  empresa  exportadora  pode  creditar­se  do  ICMS  anteriormente  pago,  mas  somente  poderá  transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da  mercadoria  com  destino  ao  exterior  (art.  25,  §  1º,  da  LC  87/1996).  Porquanto  só  se  viabiliza  a  cessão  do  crédito  em  função  da  exportação,  além  de  vocacionada  a  desonerar  as  empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas  respectivas qualificam­se como decorrentes da exportação para  efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal.   VIII  ­  Assenta  esta  Suprema  Corte  a  tese  da  inconstitucionalidade  da  incidência  da  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS  não  cumulativas  sobre  os  valores  auferidos  por  empresa exportadora em razão da  transferência a  terceiros de  créditos de ICMS.   IX ­ Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150,  §  6º,  e  195,  caput  e  inciso  I,  “b”,  da  Constituição  Federal.  Recurso  extraordinário  conhecido  e  não  provido,  aplicando­se  aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o  art. 543­B, § 3º, do CPC.                 (grifo nosso)   Por  outro  lado,  o  art.  62,  §  2º,  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais  ­ CARF determina que  as decisões definitivas de mérito  Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11065.001525/2005­47  Acórdão n.º 3002­000.573  S3­C0T2  Fl. 263          5 proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  na  sistemática  do  art.  543­B  do  antigo  Código  Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos:    Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  .........................................................................................................  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  (Redação dada pela Portaria MF nº  152,  de  2016)    Desse  modo,  por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  Recurso Voluntário.     (assinado digitalmente)  Carlos Alberto da Silva Esteves                              Fl. 263DF CARF MF

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7594661 #
Numero do processo: 10166.904102/2014-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 3789 a 4011) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (fls. 3713 a 3779) que deu parcial provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 90 a 2287), homologando parcialmente as DCOMPs (fls. 02 a 74) objeto do feito, reconhecendo saldo negativo superior àquele confirmado inicialmente pelo r. Despacho Decisório (fls. 75 a 88). O crédito debatido no presente feito tem origem em saldo negativo de IRPJ dos anos-calendário de 2009 e 2010, formado por recolhimento de impostos sobre o lucro, efetuados no exterior, por mais de 15 (quinze) filiais e empresas, coligadas e controladas da Recorrente (BB Buenos Aires; BB Nova Iorque, BB USA Holding, BB Frankfurt, BB Londres, BB Securities, BB Toquio, BB Paris, BB Milão, BB Grand Cayman, BB Madrid, BB Montevideu, BB Santiago, BB Viena, Brasilian American Merchant Bank (BAMB), BB Tur e Ativos S/A), bem como em pagamentos de estimativas efetuados, supostamente, sob a rubrica de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, sendo o debate sobre a exclusão das penalidades incidentes sobre tais pagamentos objeto dos autos da Ação Ordinária nº 25986-53.2012.4.01.3400, indicando ser o mesmo crédito objeto do Processo Administrativo nº 10166.914106/2012-03, no qual foi prolatado o Acórdão nº 1402.002.406, de relatoria deste Conselheiro. Frise-se que o r. Despacho Decisório (fls. 75 a 88) se fundamenta em Relatório de Intervenção do Usuário, juntado nestes autos às fls. 206 a 238, proferido pela DRF/Brasília, trazido pelo próprio Contribuinte na documentação anexa à Manifestação de Inconformidade. Tal expediente, meticulosamente, fundamenta o não reconhecimento das compensações efetuadas pelas companhias coligadas e filiais estrangeiras, cujos documentos que lhe embasam são parte dos autos do Processo Administrativo nº 10166.721069/2014-45. Tal expediente pontual, produzido antes do r. Despacho Decisório, foi posteriormente arquivado, encerrando-se nos seguintes termos: Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 90 a 2287), a Recorrente, em suma, alegou a regularidade da comprovação de recolhimento de todos os tributos das suas filiais, coligadas e controladas, trazendo milhares de documentos, individualmente explicando a dinâmica de incidência e recolhimento de cada um deles e sua idoneidade. Também alega que a parcela de divergência de crédito em relação ao recolhimento de estimativas, por meio de denúncia espontânea, objeto de recusa de homologação pela DRF, é referente a multas de mora, tratadas em Ação Ordinária, já havendo pronunciamento do E. STJ sobre o tema, devendo ser reconhecido tal crédito, até por força regimental deste E. CARF. Processado o feito, os autos foram remetidos à DRJ de Ribeirão Preto/SP, sendo proferido o v. Acórdão (fls. 3713 a 3779), que reconheceu a validade da compensação de alguns recolhimentos efetuados no exterior (BB Londres parcialmente, BB Paris e BB Madrid parcialmente), bem como se entendeu que não se poderia conhecer do tema da denúncia espontânea, por concomitância com a Ação Judicial. Confira-se a ementa e trechos do v. Acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTOS REALIZADOS NO EXTERIOR. O pagamento de imposto de renda efetuado no exterior apenas pode ser utilizado para compensação do imposto devido no Brasil caso reconhecido o respectivo documento pelo órgão arrecadador do país estrangeiro e pela representação diplomática brasileira, ou se for comprovado que a legislação do país de origem do rendimento prevê a incidência do imposto de renda por meio do documento de arrecadação apresentado. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. LIMITE. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente no exterior sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. LUCROS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. O imposto incidente no exterior somente é passível de compensação com o devido no Brasil se os lucros auferidos no exterior forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010 PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial, antes da expedição de despacho decisório, com razões de pedir coincidentes com as trazidas em sede de manifestação de inconformidade, impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das mesmas razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário, cuja decisão faz coisa julgada se sobrepondo ao julgado administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2010 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE DCOMP. COBRANÇA DOS DÉBITOS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte (...) O quadro a seguir resume os valores informados pelo contribuinte a título de compensação com IR Exterior, os valores confirmados pela fiscalização e os valores confirmados pelo presente Acórdão: (...) Quanto às alegações do contribuinte em relação à suposta ocorrência da denúncia espontânea nos pagamentos de estimativa mensal de IRPJ efetuados em atraso, não cabe a esta instância julgadora se manifestar sobre o mérito, pois o contribuinte fez a opção por discutir esta questão no Poder Judiciário, através da ação nº 25986-53.2012.4.01.3400 (cópia às fls. 2.213 a 2.279). Diante do v. Acórdão, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 576 a 838), ora sob apreço, repisando as alegações de sua Manifestação de Inconformidade em relação à parcela do crédito não reconhecido, também fazendo específica alusão e questionando os termos desfavoráveis deste r. decisum a quo. Na mesma oportunidade, é acostada aos autos nova documentação, referente a recolhimentos no exterior e comprovação de consolidação de resultados de controladas coligadas indiretas, nas companhias controladas diretas. Ainda, posteriormente, foi juntado aos autos nova petição da ora Recorrente (fls. 4048 a 4395), trazendo documentos e traduções juramentadas de comprovantes de recolhimento de tributos pagos em outros países, pugnando pelo conhecimento, em face da verdade material. Na sequência, os autos foram inicialmente encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Incluído tal processo na pauta de julgamento de 12 de abril de 2017 desta C. 2ª Turma Ordinária, foi proferida a Resolução nº 1402-000.433 (fls. 4404 a 4413), determinado o seguinte: Assim, tendo em vista que, além da nova documentação contábil acostada aos autos, existem centenas de novas folhas, entre documentos de arrecadação e sua traduções, mostra-se adequado e prudente se proceder a uma análise fiscal técnica e comparativa, pela própria Unidade Local que inicialmente reconheceu a falta ou a invalidade da documentação, antes de se efetuar o derradeiro julgamento meritório do feito, apreciando todas as matérias, considerando eventuais alterações dos valores controversos. Diante de todo o exposto, resolve-se por determinar a realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização: 1) analisando a nova documentação acostada nos autos (fls. 3881 a 4220) em direto confronto com os créditos não reconhecidos pelo v. Acórdão (vide tabela fls. 3775), determine-se se esta atende às exigências legais necessárias à compensação de tributos efetuada pelo Contribuinte, dando ensejo ao direito pleiteado na DCOMP. 2) Fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reconhecer montante maior ou mesmo igual dos créditos reconhecidos pelo v. Acórdão a quo, apontando as eventuais falhas probantes da documentação trazida. 3) Seja apensado o presente feito aos autos do Processo Administrativo nº 10166.914106/2012-03, nos termos do art. 3º, inciso IV, da Portaria RFB nº 1668/2013, por haver identidade da origem do crédito pleiteado. 4) Após a elaboração do Relatório formal com tais informações e fundamentação de suas conclusões, deve ser dada ciência ao Contribuinte do mesmo, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento. Ato contínuo, a Autoridade Fiscal acostou inúmeros documentos referentes a transações financeiras internacionais e elaborou o Relatório solicitado (fls. 4505 a 4524), com profunda análise e claro resumo, concluindo pela procedência de outras parcelas do crédito, antes não homologadas. Dada a ciência ao Contribuinte sobre o resultado da diligência, este apresentou Manifestação (fls. 4531 a 4806), em suma, discordando da análise da Unidade Local em relação às parcela do crédito não reconhecida e apontando supostas falhas em tal trabalho, reiterando ao final o provimento integral de seu Recurso Voluntário, bem como acostando mais de uma centena de novos documentos. Mais uma vez retornara os autos a este Conselheiro, que procedeu à inclusão do presente processo na pauta de julgamentos da sessão de janeiro de 2018, sendo proferida a Resolução nº 1402-000.474 (fls. 4810 a 4833), determinado o seguinte: Diante de todo o exposto, resolve-se por determinar a realização de nova diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização: 1) elabore novo Relatório de diligência: 2) reformulando os cálculos da limitação das compensações pleiteadas, aplicando especificamente aos valores referentes ao ano-calendário de 2009 os limites individuais por filias, na forma como previsto nos §15, §16 e §17, §18, §19 e §20 do art. 14 da IN nº 213/2002 (multiplicação por 15% ou 25%, conforme o caso, do lucro ofertado à tributação como informado nas Fichas 34 e 35 da DIPJ 2010), verificando também a regularidade documental das provas de recolhimento de desse período, bem como; 2.1) somando o resultado do item 2 (acima) aos valores, regularmente comprovados, referentes ao ano-calendário de 2010 e submetê-los aos cálculos e limites dos §10 e §11 da IN nº 213/2002, conforme já efetuado nas Tabelas 23, 24 e 25 do Relatório de diligência anterior; 2.2) aquilo que extrapolar os limites dos §10 e §11 da IN nº 213/2002, poderá ser compensado com a CSLL, observando suas próprias limitações infralegais; 2.3) no caso de haver parcela que extrapola todos limites de compensação mencionados nos itens 2, 2.1 e 2.2 dessa diligência, deverá se prestigiar a utilização dos valores referentes ao ano-calendário de 2010, para posteriormente utilizar-se e reduzir o saldo dos valores do ano-calendário de 2009, que poderão ser mantidos e registrados para uso em períodos posteriores. 3.1) analisando integralmente a documentação acostada nos autos às fls. 3881 a 4220, especialmente a parcela referente às filiais de Frankfurt, Viena e BB SECURITIES, suprindo as falhas detectadas e acima explicitadas nessa Resolução, em direto confronto com os créditos não reconhecidos pelo v. Acórdão (vide tabela fls. 3775), determinar se esta atende às exigências legais necessárias à compensação de tributos efetuada pelo Contribuinte, dando ensejo ao direito pleiteado na DCOMP, promovendo as alterações necessárias nos fundamentos e conclusões encontradas no Relatório de diligência anterior; 3.2) analisando a nova documentação juntada fls. 4548 a 4800, procedendo ao mesmo confronto com os créditos não reconhecidos pelo v. Acórdão (vide tabela fls. 3775), determinar, igualmente, se nestes autos foram atendidas às exigências legais necessárias à compensação de tributos efetuada pelo Contribuinte, especialmente em relação as filiais de Milão, Tóquio e Nova York, dando ensejo ao direito pleiteado na DCOMP; 3.3) caso se entenda que algum tributo estrangeiro, recolhido pela Recorrente, não se enquadra nos termos do § 1º do art. 14 da IN 213/2002, fundamentar clara e tecnicamente tal rejeição; 4) Fundamente, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reconhecer montante maior ou mesmo igual dos créditos reconhecidos pelo v. Acórdão a quo, apontando as eventuais falhas probantes da documentação trazida. 5) Após a elaboração do Relatório formal com tais informações e fundamentação de suas conclusões, deve ser dada ciência ao Contribuinte do mesmo, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento. Remetidos os autos à Unidade Local, a Autoridade Fiscal procedeu a nova intimação do Contribuinte (fls. 4836 a 4837) requisitando novas informações e documentos, procedendo à elaboração de novo relatório de diligência (fls. 4845 a 4873), adotando os novos parâmetros de cálculos já determinados por esta. C. 2ª Turma Ordinária e analisando a nova documentação acostada, chegando a novos valores de crédito reconhecido. Intimado, o Contribuinte apresentou Manifestação, em suma, repetindo a alegação anterior de que os cálculos da Unidade Local não consideraram os lucros apurados no exterior no ano-calendário de 2009 na delimitação do limite do imposto a ser compensado no Brasil. Na sequência, questiona o novo relatório de diligência, pontualmente, em relação às filiais/coligadas da Espanha, Viena, Itália, Inglaterra, Nova York, e a empresa BAMB, situada nas Ilhas Cayman. Na sequência, os autos foram novamente encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA

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Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (fls. 3713 a 3779) que deu parcial provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 90 a 2287), homologando parcialmente as DCOMPs (fls. 02 a 74) objeto do feito, reconhecendo saldo negativo superior àquele confirmado inicialmente pelo r. Despacho Decisório (fls. 75 a 88). O crédito debatido no presente feito tem origem em saldo negativo de IRPJ dos anos-calendário de 2009 e 2010, formado por recolhimento de impostos sobre o lucro, efetuados no exterior, por mais de 15 (quinze) filiais e empresas, coligadas e controladas da Recorrente (BB Buenos Aires; BB Nova Iorque, BB USA Holding, BB Frankfurt, BB Londres, BB Securities, BB Toquio, BB Paris, BB Milão, BB Grand Cayman, BB Madrid, BB Montevideu, BB Santiago, BB Viena, Brasilian American Merchant Bank (BAMB), BB Tur e Ativos S/A), bem como em pagamentos de estimativas efetuados, supostamente, sob a rubrica de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, sendo o debate sobre a exclusão das penalidades incidentes sobre tais pagamentos objeto dos autos da Ação Ordinária nº 25986-53.2012.4.01.3400, indicando ser o mesmo crédito objeto do Processo Administrativo nº 10166.914106/2012-03, no qual foi prolatado o Acórdão nº 1402.002.406, de relatoria deste Conselheiro. Frise-se que o r. Despacho Decisório (fls. 75 a 88) se fundamenta em Relatório de Intervenção do Usuário, juntado nestes autos às fls. 206 a 238, proferido pela DRF/Brasília, trazido pelo próprio Contribuinte na documentação anexa à Manifestação de Inconformidade. Tal expediente, meticulosamente, fundamenta o não reconhecimento das compensações efetuadas pelas companhias coligadas e filiais estrangeiras, cujos documentos que lhe embasam são parte dos autos do Processo Administrativo nº 10166.721069/2014-45. Tal expediente pontual, produzido antes do r. Despacho Decisório, foi posteriormente arquivado, encerrando-se nos seguintes termos: Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 90 a 2287), a Recorrente, em suma, alegou a regularidade da comprovação de recolhimento de todos os tributos das suas filiais, coligadas e controladas, trazendo milhares de documentos, individualmente explicando a dinâmica de incidência e recolhimento de cada um deles e sua idoneidade. Também alega que a parcela de divergência de crédito em relação ao recolhimento de estimativas, por meio de denúncia espontânea, objeto de recusa de homologação pela DRF, é referente a multas de mora, tratadas em Ação Ordinária, já havendo pronunciamento do E. STJ sobre o tema, devendo ser reconhecido tal crédito, até por força regimental deste E. CARF. Processado o feito, os autos foram remetidos à DRJ de Ribeirão Preto/SP, sendo proferido o v. Acórdão (fls. 3713 a 3779), que reconheceu a validade da compensação de alguns recolhimentos efetuados no exterior (BB Londres parcialmente, BB Paris e BB Madrid parcialmente), bem como se entendeu que não se poderia conhecer do tema da denúncia espontânea, por concomitância com a Ação Judicial. Confira-se a ementa e trechos do v. Acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTOS REALIZADOS NO EXTERIOR. O pagamento de imposto de renda efetuado no exterior apenas pode ser utilizado para compensação do imposto devido no Brasil caso reconhecido o respectivo documento pelo órgão arrecadador do país estrangeiro e pela representação diplomática brasileira, ou se for comprovado que a legislação do país de origem do rendimento prevê a incidência do imposto de renda por meio do documento de arrecadação apresentado. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. LIMITE. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente no exterior sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. LUCROS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. O imposto incidente no exterior somente é passível de compensação com o devido no Brasil se os lucros auferidos no exterior forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010 PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial, antes da expedição de despacho decisório, com razões de pedir coincidentes com as trazidas em sede de manifestação de inconformidade, impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das mesmas razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário, cuja decisão faz coisa julgada se sobrepondo ao julgado administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2010 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE DCOMP. COBRANÇA DOS DÉBITOS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte (...) O quadro a seguir resume os valores informados pelo contribuinte a título de compensação com IR Exterior, os valores confirmados pela fiscalização e os valores confirmados pelo presente Acórdão: (...) Quanto às alegações do contribuinte em relação à suposta ocorrência da denúncia espontânea nos pagamentos de estimativa mensal de IRPJ efetuados em atraso, não cabe a esta instância julgadora se manifestar sobre o mérito, pois o contribuinte fez a opção por discutir esta questão no Poder Judiciário, através da ação nº 25986-53.2012.4.01.3400 (cópia às fls. 2.213 a 2.279). Diante do v. Acórdão, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 576 a 838), ora sob apreço, repisando as alegações de sua Manifestação de Inconformidade em relação à parcela do crédito não reconhecido, também fazendo específica alusão e questionando os termos desfavoráveis deste r. decisum a quo. Na mesma oportunidade, é acostada aos autos nova documentação, referente a recolhimentos no exterior e comprovação de consolidação de resultados de controladas coligadas indiretas, nas companhias controladas diretas. Ainda, posteriormente, foi juntado aos autos nova petição da ora Recorrente (fls. 4048 a 4395), trazendo documentos e traduções juramentadas de comprovantes de recolhimento de tributos pagos em outros países, pugnando pelo conhecimento, em face da verdade material. Na sequência, os autos foram inicialmente encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Incluído tal processo na pauta de julgamento de 12 de abril de 2017 desta C. 2ª Turma Ordinária, foi proferida a Resolução nº 1402-000.433 (fls. 4404 a 4413), determinado o seguinte: Assim, tendo em vista que, além da nova documentação contábil acostada aos autos, existem centenas de novas folhas, entre documentos de arrecadação e sua traduções, mostra-se adequado e prudente se proceder a uma análise fiscal técnica e comparativa, pela própria Unidade Local que inicialmente reconheceu a falta ou a invalidade da documentação, antes de se efetuar o derradeiro julgamento meritório do feito, apreciando todas as matérias, considerando eventuais alterações dos valores controversos. Diante de todo o exposto, resolve-se por determinar a realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização: 1) analisando a nova documentação acostada nos autos (fls. 3881 a 4220) em direto confronto com os créditos não reconhecidos pelo v. Acórdão (vide tabela fls. 3775), determine-se se esta atende às exigências legais necessárias à compensação de tributos efetuada pelo Contribuinte, dando ensejo ao direito pleiteado na DCOMP. 2) Fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reconhecer montante maior ou mesmo igual dos créditos reconhecidos pelo v. Acórdão a quo, apontando as eventuais falhas probantes da documentação trazida. 3) Seja apensado o presente feito aos autos do Processo Administrativo nº 10166.914106/2012-03, nos termos do art. 3º, inciso IV, da Portaria RFB nº 1668/2013, por haver identidade da origem do crédito pleiteado. 4) Após a elaboração do Relatório formal com tais informações e fundamentação de suas conclusões, deve ser dada ciência ao Contribuinte do mesmo, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento. Ato contínuo, a Autoridade Fiscal acostou inúmeros documentos referentes a transações financeiras internacionais e elaborou o Relatório solicitado (fls. 4505 a 4524), com profunda análise e claro resumo, concluindo pela procedência de outras parcelas do crédito, antes não homologadas. Dada a ciência ao Contribuinte sobre o resultado da diligência, este apresentou Manifestação (fls. 4531 a 4806), em suma, discordando da análise da Unidade Local em relação às parcela do crédito não reconhecida e apontando supostas falhas em tal trabalho, reiterando ao final o provimento integral de seu Recurso Voluntário, bem como acostando mais de uma centena de novos documentos. Mais uma vez retornara os autos a este Conselheiro, que procedeu à inclusão do presente processo na pauta de julgamentos da sessão de janeiro de 2018, sendo proferida a Resolução nº 1402-000.474 (fls. 4810 a 4833), determinado o seguinte: Diante de todo o exposto, resolve-se por determinar a realização de nova diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização: 1) elabore novo Relatório de diligência: 2) reformulando os cálculos da limitação das compensações pleiteadas, aplicando especificamente aos valores referentes ao ano-calendário de 2009 os limites individuais por filias, na forma como previsto nos §15, §16 e §17, §18, §19 e §20 do art. 14 da IN nº 213/2002 (multiplicação por 15% ou 25%, conforme o caso, do lucro ofertado à tributação como informado nas Fichas 34 e 35 da DIPJ 2010), verificando também a regularidade documental das provas de recolhimento de desse período, bem como; 2.1) somando o resultado do item 2 (acima) aos valores, regularmente comprovados, referentes ao ano-calendário de 2010 e submetê-los aos cálculos e limites dos §10 e §11 da IN nº 213/2002, conforme já efetuado nas Tabelas 23, 24 e 25 do Relatório de diligência anterior; 2.2) aquilo que extrapolar os limites dos §10 e §11 da IN nº 213/2002, poderá ser compensado com a CSLL, observando suas próprias limitações infralegais; 2.3) no caso de haver parcela que extrapola todos limites de compensação mencionados nos itens 2, 2.1 e 2.2 dessa diligência, deverá se prestigiar a utilização dos valores referentes ao ano-calendário de 2010, para posteriormente utilizar-se e reduzir o saldo dos valores do ano-calendário de 2009, que poderão ser mantidos e registrados para uso em períodos posteriores. 3.1) analisando integralmente a documentação acostada nos autos às fls. 3881 a 4220, especialmente a parcela referente às filiais de Frankfurt, Viena e BB SECURITIES, suprindo as falhas detectadas e acima explicitadas nessa Resolução, em direto confronto com os créditos não reconhecidos pelo v. Acórdão (vide tabela fls. 3775), determinar se esta atende às exigências legais necessárias à compensação de tributos efetuada pelo Contribuinte, dando ensejo ao direito pleiteado na DCOMP, promovendo as alterações necessárias nos fundamentos e conclusões encontradas no Relatório de diligência anterior; 3.2) analisando a nova documentação juntada fls. 4548 a 4800, procedendo ao mesmo confronto com os créditos não reconhecidos pelo v. Acórdão (vide tabela fls. 3775), determinar, igualmente, se nestes autos foram atendidas às exigências legais necessárias à compensação de tributos efetuada pelo Contribuinte, especialmente em relação as filiais de Milão, Tóquio e Nova York, dando ensejo ao direito pleiteado na DCOMP; 3.3) caso se entenda que algum tributo estrangeiro, recolhido pela Recorrente, não se enquadra nos termos do § 1º do art. 14 da IN 213/2002, fundamentar clara e tecnicamente tal rejeição; 4) Fundamente, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reconhecer montante maior ou mesmo igual dos créditos reconhecidos pelo v. Acórdão a quo, apontando as eventuais falhas probantes da documentação trazida. 5) Após a elaboração do Relatório formal com tais informações e fundamentação de suas conclusões, deve ser dada ciência ao Contribuinte do mesmo, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento. Remetidos os autos à Unidade Local, a Autoridade Fiscal procedeu a nova intimação do Contribuinte (fls. 4836 a 4837) requisitando novas informações e documentos, procedendo à elaboração de novo relatório de diligência (fls. 4845 a 4873), adotando os novos parâmetros de cálculos já determinados por esta. C. 2ª Turma Ordinária e analisando a nova documentação acostada, chegando a novos valores de crédito reconhecido. Intimado, o Contribuinte apresentou Manifestação, em suma, repetindo a alegação anterior de que os cálculos da Unidade Local não consideraram os lucros apurados no exterior no ano-calendário de 2009 na delimitação do limite do imposto a ser compensado no Brasil. Na sequência, questiona o novo relatório de diligência, pontualmente, em relação às filiais/coligadas da Espanha, Viena, Itália, Inglaterra, Nova York, e a empresa BAMB, situada nas Ilhas Cayman. Na sequência, os autos foram novamente encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório.

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1402­000.787  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  13 de dezembro de 2018            Assunto  COMPENSAÇÃO  Recorrente  BANCO DO BRASIL S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.    (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Presidente Substituto.    (assinado digitalmente)  Caio Cesar Nader Quintella ­ Relator.    Participaram da sessão de  julgamento os  conselheiros: Marco Rogério Borges,  Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro  Correa  Dias,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira,  Junia  Roberta  Gouveia  Sampaio  e  Paulo  Mateus Ciccone (Presidente Substituto).       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 04 10 2/ 20 14 -7 1 Fl. 4910DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.911            2 Relatório    Trata­se de Recurso Voluntário (fls. 3789 a 4011) interposto contra v. Acórdão  proferido  pela Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  de Ribeirão Preto  (fls.  3713 a 3779) que deu parcial provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada (fls.  90  a  2287),  homologando  parcialmente  as  DCOMPs  (fls.  02  a  74)  objeto  do  feito,  reconhecendo  saldo  negativo  superior  àquele  confirmado  inicialmente  pelo  r.  Despacho  Decisório (fls. 75 a 88).    O crédito debatido no presente feito tem origem em saldo negativo de IRPJ dos  anos­calendário  de  2009  e  2010,  formado  por  recolhimento  de  impostos  sobre  o  lucro,  efetuados no  exterior,  por mais de 15  (quinze)  filiais  e  empresas,  coligadas  e  controladas da  Recorrente (BB Buenos Aires; BB Nova Iorque, BB USA Holding, BB Frankfurt, BB Londres,  BB  Securities,  BB  Toquio,  BB  Paris,  BB  Milão,  BB  Grand  Cayman,  BB  Madrid,  BB  Montevideu, BB Santiago, BB Viena, Brasilian American Merchant Bank  (BAMB), BB Tur  e  Ativos S/A), bem como em pagamentos de estimativas efetuados, supostamente, sob a rubrica  de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, sendo o debate sobre a exclusão das  penalidades  incidentes  sobre  tais  pagamentos  objeto  dos  autos  da Ação Ordinária  nº  25986­ 53.2012.4.01.3400,  indicando  ser  o  mesmo  crédito  objeto  do  Processo  Administrativo  nº  10166.914106/2012­03,  no  qual  foi  prolatado  o Acórdão  nº  1402.002.406,  de  relatoria  deste  Conselheiro.     Frise­se que o r. Despacho Decisório (fls. 75 a 88) se fundamenta em Relatório  de Intervenção do Usuário, juntado nestes autos às fls. 206 a 238, proferido pela DRF/Brasília,  trazido pelo próprio Contribuinte na documentação anexa à Manifestação de Inconformidade.  Tal  expediente,  meticulosamente,  fundamenta  o  não  reconhecimento  das  compensações  efetuadas pelas companhias coligadas e filiais estrangeiras, cujos documentos que lhe embasam  são parte dos autos do Processo Administrativo nº 10166.721069/2014­45.     Tal  expediente  pontual,  produzido  antes  do  r.  Despacho  Decisório,  foi  posteriormente arquivado, encerrando­se nos seguintes termos:      Fl. 4911DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.912            3 Em  sua  Manifestação  de  Inconformidade  (fls.  90  a  2287),  a  Recorrente,  em  suma,  alegou  a  regularidade  da  comprovação  de  recolhimento  de  todos  os  tributos  das  suas  filiais, coligadas e controladas, trazendo milhares de documentos, individualmente explicando  a dinâmica de incidência e recolhimento de cada um deles e sua idoneidade. Também alega que  a  parcela  de divergência  de  crédito  em  relação  ao  recolhimento  de  estimativas,  por meio  de  denúncia  espontânea,  objeto  de  recusa  de  homologação  pela  DRF,  é  referente  a  multas  de  mora,  tratadas  em  Ação  Ordinária,  já  havendo  pronunciamento  do  E.  STJ  sobre  o  tema,  devendo ser reconhecido tal crédito, até por força regimental deste E. CARF.    Processado o feito, os autos foram remetidos à DRJ de Ribeirão Preto/SP, sendo  proferido  o  v.  Acórdão  (fls.  3713  a  3779),  que  reconheceu  a  validade  da  compensação  de  alguns recolhimentos efetuados no exterior (BB Londres parcialmente, BB Paris e BB Madrid  parcialmente),  bem  como  se  entendeu  que  não  se  poderia  conhecer  do  tema  da  denúncia  espontânea,  por  concomitância  com  a  Ação  Judicial.  Confira­se  a  ementa  e  trechos  do  v.  Acórdão:    ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ  Ano­calendário:  2010  COMPENSAÇÃO  DE  PAGAMENTOS  REALIZADOS NO EXTERIOR.  O  pagamento  de  imposto  de  renda  efetuado  no  exterior  apenas  pode  ser  utilizado  para  compensação  do  imposto  devido  no  Brasil  caso  reconhecido  o  respectivo  documento  pelo  órgão arrecadador  do  país  estrangeiro  e  pela  representação  diplomática  brasileira,  ou  se  for  comprovado que a legislação do país de origem do rendimento prevê a  incidência  do  imposto  de  renda  por  meio  do  documento  de  arrecadação apresentado.  COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR.  LIMITE.  A pessoa  jurídica poderá compensar o imposto de renda  incidente no  exterior sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados  no  lucro  real,  até  o  limite  do  imposto  de  renda  incidente  no  Brasil,  sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital.  LUCROS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO.  O  imposto  incidente  no  exterior  somente  é  passível  de  compensação  com  o  devido  no  Brasil  se  os  lucros  auferidos  no  exterior  forem  computados  na  base  de  cálculo  do  imposto,  no  Brasil  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  Ano­calendário:  2010  PROCESSO  JUDICIAL.  CONCOMITÂNCIA  COM  PROCESSO  ADMINISTRATIVO.  A  propositura  de  ação  judicial,  antes  da  expedição  de  despacho  decisório, com razões de pedir coincidentes com as trazidas em sede de  manifestação de inconformidade, impede a apreciação, pela autoridade  administrativa  a  quem  caberia  o  julgamento,  das  mesmas  razões  de  Fl. 4912DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.913            4 mérito submetidas ao Poder Judiciário, cuja decisão faz coisa julgada  se sobrepondo ao julgado administrativo.  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Ano­ calendário:  2010  HOMOLOGAÇÃO  PARCIAL  DE  DCOMP.  COBRANÇA DOS DÉBITOS. CARÁTER CONFISCATÓRIO.  A  vedação  ao  confisco  pela  Constituição  Federal  é  dirigida  ao  legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte   Direito Creditório Reconhecido em Parte (...)  O quadro  a  seguir  resume os  valores  informados  pelo  contribuinte  a  título  de  compensação  com  IR  Exterior,  os  valores  confirmados  pela  fiscalização e os valores confirmados pelo presente Acórdão:     (...)  Quanto às alegações do contribuinte em relação à suposta ocorrência  da denúncia espontânea nos pagamentos de estimativa mensal de IRPJ  efetuados em atraso, não cabe a esta instância julgadora se manifestar  sobre o mérito, pois o contribuinte fez a opção por discutir esta questão  no  Poder  Judiciário,  através  da  ação  nº  25986­53.2012.4.01.3400  (cópia às fls. 2.213 a 2.279).    Fl. 4913DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.914            5 Diante do v. Acórdão, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 576 a 838), ora sob  apreço, repisando as alegações de sua Manifestação de Inconformidade em relação à parcela do  crédito  não  reconhecido,  também  fazendo  específica  alusão  e  questionando  os  termos  desfavoráveis  deste  r.  decisum  a  quo.  Na  mesma  oportunidade,  é  acostada  aos  autos  nova  documentação,  referente  a  recolhimentos  no  exterior  e  comprovação  de  consolidação  de  resultados de controladas coligadas indiretas, nas companhias controladas diretas.    Ainda, posteriormente, foi juntado aos autos nova petição da ora Recorrente (fls.  4048  a  4395),  trazendo  documentos  e  traduções  juramentadas  de  comprovantes  de  recolhimento  de  tributos  pagos  em  outros  países,  pugnando  pelo  conhecimento,  em  face  da  verdade material.    Na sequência, os autos foram inicialmente encaminhados para este Conselheiro  relatar e votar.    Incluído tal processo na pauta de julgamento de 12 de abril de 2017 desta C. 2ª  Turma Ordinária, foi proferida a Resolução nº 1402­000.433 (fls. 4404 a 4413), determinado o  seguinte:    Assim,  tendo  em  vista  que,  além  da  nova  documentação  contábil  acostada  aos  autos,  existem  centenas  de  novas  folhas,  entre  documentos  de  arrecadação  e  sua  traduções,  mostra­se  adequado  e  prudente se proceder a uma análise fiscal técnica e comparativa, pela  própria  Unidade  Local  que  inicialmente  reconheceu  a  falta  ou  a  invalidade  da  documentação,  antes  de  se  efetuar  o  derradeiro  julgamento  meritório  do  feito,  apreciando  todas  as  matérias,  considerando eventuais alterações dos valores controversos.  Diante  de  todo  o  exposto,  resolve­se  por  determinar  a  realização  de  diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização:  1)  analisando  a  nova  documentação  acostada  nos  autos  (fls.  3881  a  4220)  em  direto  confronto  com  os  créditos  não  reconhecidos  pelo  v.  Acórdão  (vide  tabela  fls.  3775),  determine­se  se  esta  atende  às  exigências legais necessárias à compensação de tributos efetuada pelo  Contribuinte, dando ensejo ao direito pleiteado na DCOMP.  2)  Fundamente  em  Relatório,  de  forma  detalhada,  as  conclusões  obtidas, seja no sentido de reconhecer montante maior ou mesmo igual  dos  créditos  reconhecidos  pelo  v.  Acórdão  a  quo,  apontando  as  eventuais falhas probantes da documentação trazida.  3) Seja apensado o presente feito aos autos do Processo Administrativo  nº 10166.914106/2012­03, nos termos do art. 3º, inciso IV, da Portaria  RFB  nº  1668/2013,  por  haver  identidade  da  origem  do  crédito  pleiteado.  Fl. 4914DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.915            6 4)  Após  a  elaboração  do  Relatório  formal  com  tais  informações  e  fundamentação  de  suas  conclusões,  deve  ser  dada  ciência  ao  Contribuinte  do  mesmo,  com  a  abertura  do  devido  prazo  legal  para  manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento.    Ato  contínuo,  a  Autoridade  Fiscal  acostou  inúmeros  documentos  referentes  a  transações financeiras internacionais e elaborou o Relatório solicitado (fls. 4505 a 4524), com  profunda  análise  e  claro  resumo,  concluindo  pela  procedência  de  outras  parcelas  do  crédito,  antes não homologadas.    Dada a ciência ao Contribuinte sobre o resultado da diligência, este apresentou  Manifestação  (fls.  4531  a  4806),  em  suma,  discordando  da  análise  da  Unidade  Local  em  relação  às  parcela  do  crédito  não  reconhecida  e  apontando  supostas  falhas  em  tal  trabalho,  reiterando ao final o provimento integral de seu Recurso Voluntário, bem como acostando mais  de uma centena de novos documentos.    Mais uma vez retornara os autos a este Conselheiro, que procedeu à inclusão do  presente  processo  na  pauta  de  julgamentos  da  sessão  de  janeiro  de  2018,  sendo  proferida  a  Resolução nº 1402­000.474 (fls. 4810 a 4833), determinado o seguinte:    Diante  de  todo  o  exposto,  resolve­se  por  determinar  a  realização  de  nova diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização:  1) elabore novo Relatório de diligência:  2) reformulando os cálculos da limitação das compensações pleiteadas,  aplicando especificamente aos valores referentes ao ano­calendário de  2009 os limites individuais por filias, na forma como previsto nos §15,  §16 e §17, §18, §19 e §20 do art. 14 da IN nº 213/2002 (multiplicação  por  15%  ou  25%,  conforme  o  caso,  do  lucro  ofertado  à  tributação  como  informado  nas  Fichas  34  e  35  da  DIPJ  2010),  verificando  também  a  regularidade  documental  das  provas  de  recolhimento  de  desse período, bem como;  2.1) somando o resultado do item 2 (acima) aos valores, regularmente  comprovados, referentes ao ano­calendário de 2010 e submetê­los aos  cálculos  e  limites  dos  §10  e  §11  da  IN  nº  213/2002,  conforme  já  efetuado nas Tabelas 23, 24 e 25 do Relatório de diligência anterior;  2.2) aquilo que extrapolar os limites dos §10 e §11 da IN nº 213/2002,  poderá  ser  compensado  com  a  CSLL,  observando  suas  próprias  limitações infralegais;  2.3)  no  caso  de  haver  parcela  que  extrapola  todos  limites  de  compensação  mencionados  nos  itens  2,  2.1  e  2.2  dessa  diligência,  deverá  se  prestigiar  a  utilização  dos  valores  referentes  ao  ano­ calendário de 2010, para posteriormente utilizar­se e  reduzir o  saldo  Fl. 4915DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.916            7 dos  valores  do  ano­calendário  de  2009,  que  poderão  ser mantidos  e  registrados para uso em períodos posteriores.  3.1) analisando  integralmente a documentação acostada nos autos às  fls.  3881  a  4220,  especialmente  a  parcela  referente  às  filiais  de  Frankfurt, Viena  e BB SECURITIES,  suprindo  as  falhas  detectadas  e  acima  explicitadas  nessa  Resolução,  em  direto  confronto  com  os  créditos  não  reconhecidos  pelo  v.  Acórdão  (vide  tabela  fls.  3775),  determinar  se  esta  atende  às  exigências  legais  necessárias  à  compensação de  tributos efetuada pelo Contribuinte, dando ensejo ao  direito  pleiteado  na  DCOMP,  promovendo  as  alterações  necessárias  nos  fundamentos e conclusões encontradas no Relatório de diligência  anterior;  3.2)  analisando  a  nova  documentação  juntada  fls.  4548  a  4800,  procedendo  ao  mesmo  confronto  com  os  créditos  não  reconhecidos  pelo  v.  Acórdão  (vide  tabela  fls.  3775),  determinar,  igualmente,  se  nestes  autos  foram  atendidas  às  exigências  legais  necessárias  à  compensação de tributos efetuada pelo Contribuinte, especialmente em  relação  as  filiais  de  Milão,  Tóquio  e  Nova  York,  dando  ensejo  ao  direito pleiteado na DCOMP;  3.3)  caso  se  entenda  que  algum  tributo  estrangeiro,  recolhido  pela  Recorrente,  não  se  enquadra  nos  termos  do  §  1º  do  art.  14  da  IN  213/2002, fundamentar clara e tecnicamente tal rejeição;  4)  Fundamente,  de  forma  detalhada,  as  conclusões  obtidas,  seja  no  sentido  de  reconhecer  montante  maior  ou  mesmo  igual  dos  créditos  reconhecidos  pelo  v.  Acórdão  a  quo,  apontando  as  eventuais  falhas  probantes da documentação trazida.  5)  Após  a  elaboração  do  Relatório  formal  com  tais  informações  e  fundamentação  de  suas  conclusões,  deve  ser  dada  ciência  ao  Contribuinte  do  mesmo,  com  a  abertura  do  devido  prazo  legal  para  manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento.    Remetidos  os  autos  à  Unidade  Local,  a  Autoridade  Fiscal  procedeu  a  nova  intimação  do Contribuinte  (fls.  4836  a  4837)  requisitando novas  informações  e  documentos,  procedendo à elaboração de novo relatório de diligência (fls. 4845 a 4873), adotando os novos  parâmetros de cálculos  já determinados por esta. C. 2ª Turma Ordinária  e analisando a nova  documentação acostada, chegando a novos valores de crédito reconhecido.    Intimado,  o  Contribuinte  apresentou  Manifestação,  em  suma,  repetindo  a  alegação anterior de que os cálculos da Unidade Local não consideraram os lucros apurados no  exterior no ano­calendário de 2009 na delimitação do limite do imposto a ser compensado no  Brasil.  Na  sequência,  questiona  o  novo  relatório  de  diligência,  pontualmente,  em  relação  às  filiais/coligadas da Espanha, Viena, Itália, Inglaterra, Nova York, e a empresa BAMB, situada  nas Ilhas Cayman.    Fl. 4916DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.917            8 Na sequência,  os  autos  foram novamente  encaminhados  para  este Conselheiro  relatar e votar.    É o relatório.                                                Fl. 4917DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.918            9 Voto  Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella ­ Relator     Reitera­se que o Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria  se enquadra na competência desse N. Colegiado.    Conforme  já  consignado  anteriormente,  desde  a  prolatação  da  Resolução  nº  1402­000.433  (fls.  4404  a  4413),  da  análise  do Recurso Voluntário,  em  confronto  com  o  v.  Acórdão recorrido, pode­se concluir que parte da matéria dos autos não foi atacada, restando  incontroversa  a não homologação dos  seguintes valores,  referentes aos  impostos pagos pelas  seguintes filias/controladas:     BB BUENOS AIRES ­ R$ 158.523,04   BB NOVA IORQUE (Ano­Calendário de 2009) ­ R$ 718.424,34   BB LONDRES ­ R$ 9117.207,54   BB GRAND CAYMAN ­ R$ 56.920,86  BB MONTEVIDEÚ ­ R$ 13.594,46   BB SANTIAGO ­ R$ 444.431,95     Como se observa do relatório,  trata­se de segundo retorno de diligência, agora  referente  à  v.  Resolução  nº  1402­000.474,  de  sessão  de  julgamento  de  janeiro  de  2018,  proferida por este mesmo N. Colegiado.    Tal r. decisão foi primeiramente motivada em face da constatação da adoção de  metodologia de cálculo pela Unidade Local  (quando do cumprimento da primeira diligência,  objeto da v. Resolução nº 1402­000.433, de abril de 2017) que acabava por desconsiderar na  obtenção  dos  limites  para  a  compensação  dos  tributos  recolhidos  pelas  filiais,  sucursais,  coligadas e controladas no exterior os lucros de tais estabelecimentos, efetivamente ofertados à  tributação  domestica  no  ano­calendário  de  2009.  Igualmente,  determinou  a  análise  de  nova  documentação  trazida  pelo  Contribuinte,  na  oportunidade  de  Manifestação,  referente  à  primeira diligência.  Fl. 4918DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.919            10   Para melhor esclarecer, confira­se a seguir as razões e fundamentos da última v.  Resolução para determinação de novo cálculo dos limites da compensação dos tributos pagos  no exterior:    Porém,  de  fato,  como  alegado,  no  limite  compensatório  que  acabou  imposto ao Contribuinte (limite  individual por filial) apenas tomou­se  por base o informado na sua DIPJ 2011 (ano­calendário 2010).  Melhor  explicando,  no  que  tange  aos  cálculos  e  valores  sob  debate,  primeiro  é  necessário  esclarecer  que  no  ano­calendário  de  2009  a  Recorrente apurou prejuízo, conforme comprovam as Fichas 9B e 12B  da  sua  DIPJ  2010  (fls.  2593  e  2594),  motivo  pelo  qual  não  pode  compensar  naquele  mesmo  período  os  valores  de  tributos  sobre  a  renda pagos no estrangeiro.  Contudo, os parágrafos 15 a 20 do art. 14 da IN nº 213/2002 permitem  que tais valores sejam aproveitados nos anos seguintes, respeitando as  limitações impostas nessas regras específicas.  Posto isso, temos que são claras e objetivas as limitações trazidas para  tal dinâmica de compensação. Confira­se o art. 14 da referida norma  infralegal:  Art. 14. (...)  Como se observa de tal norma, primeiro existe uma limitação geral e  ordinária  a  esta  compensação  no  valor  do  Imposto  de  Renda  e  Adicionais apurados e devidos pelo contribuinte no Brasil, calculados  sobre os lucro auferidos no exterior.  Dando maior concretude a tal limitação, o § 10 do referido dispositivo  traz dois montantes de referência diversos,  o primeiro  em relação ao  valor  efetivamente  pago  pelas  filiais  e  coligadas  estrangeiras  e  o  segundo  obtido  pelos  cálculos  do  IRPJ  e  Adicionais  devidos  antes  e  depois  da  inclusão  no  lucro  real  desses  resultados  tributáveis  percebidos fora do país.  Por sua vez, o § 11 estabelece objetivamente que a compensação não  poderá  superar  o  valor  dos  recolhimento  e  nem  a  diferença  positiva  encontrada  na  comparação  dos  resultados  dos  cálculos  da  segunda  hipótese, que leva em consideração a inclusão e a exclusão dos lucro  aferidos no exterior.  Tais limites (extraídos dos §10 e §11) são aplicáveis na compensação  ordinária, ano­a­ano, no momento do ajuste da DIPJ.  Porém  do  §15  ao  §20  especialmente  regula­se  o  aproveitamento  dos  tributos pagos em anos­calendário anteriores, em que não fora possível  a compensação como in casu, foi 2009, em razão de prejuízo percebido  no Brasil.  Fl. 4919DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.920            11 Assim, o §17 deixa claro que o montante que pode ser carregado para  períodos posteriores é obtido pela multiplicação os lucros, rendimentos  ou  ganhos  de  capital  computados  no  lucro  real,  considerados  individualizadamente por filial, sucursal, coligada ou controlada, pela  alíquota  de  quinze  por  cento,  se  o  valor  computado  não  exceder  o  limite  de  isenção do  adicional,  ou  pela  alíquota  de  vinte  e  cinco  por  cento, se exceder.  Os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital computados no  lucro  real  claramente,  são  aqueles  percebidos  no  ano­calendário  em  que não foi possível a compensação.  Exatamente  por  não  ter  havido  imposto  pago  no  Brasil  sobre  tais  lucros, aplica­se as alíquotas de 15% e 25% sobre os lucros no exterior  ofertados à tributação no ano­calendário em que não houve lucro real  positivo,  garantindo  e  limitando a  proporção  da  compensação  destes  no futuro, quando houver IRPJ devido.  Tanto assim é que os § 16 e o § 20 regulam seu controle na Parte B do  LALUR,  para  serem  utilizados  nos  períodos  subsequentes  e  baixados  conforme o aproveitamento.  Pois bem, como mencionado, no Relatório de diligência, a Autoridade  Fiscal aplicou tal multiplicação por 15% e 25% aos valores constantes  da  DIPJ  de  2011,  referentes  ao  ano­calendário  de  2010.  Confira­se  (fls. 4522 a 4524):  (...)  Diante  disso,  na  interpretação  que  este  Conselheiro  faz  dos  dispositivos  do  art.  14  da  IN nº  213/2002,  deveria  a Fiscalização  ter  calculado de maneira separada o limite compensatório para os valores  referentes ao ano­calendário de 2009, valendo­se da técnica prescrita  no  §  17  deste  dispositivo,  multiplicando  os  lucros,  rendimentos  ou  ganhos  de  capital  percebidos  no  exterior,  ofertados  à  tributação  no  Brasil  no  ano­calendário de  2009  (informado nas Fichas  34  e  35  da  DIPJ 2010), pelas alíquotas de 15% ou 25%, conforme o caso.  Assim, dessa forma seria encontrado o  limite  individual de cada uma  das sucursais para então controlar e carregar a sua compensação para  ano subsequente de 2010.  Lembre­se  que,  ainda  que  o  Contribuinte  em  2009  tenha  apurado  prejuízo, os  lucros auferidos pelas suas  filiais e coligadas (que  foram  base  para  pagamentos  de  tributos  no  exterior)  foram  oferecidos  à  tributação doméstica, compondo o cálculo do lucro real. Assim, ainda  que  este  tenha  resultado  em  monta  negativa,  a  inclusão  dos  lucros  percebidos no exterior em seu cálculo, certamente, reduziu a monta de  seu prejuízo percebido.  Correto,  então,  permitir  o  abatimentos  dos  valores  de  tributos  efetivamente  recolhidos  no  exterior  sobre  esse  mesmo  resultado  ofertado  à  Fazenda  Pública  nacional,  nos  períodos  subsequentes,  quando  há  IRPJ  e  CSLL  devidos  no  Brasil  sobre  os  resultados  das  filiais e coligadas. Porém, frise­se que tais valores não podem formar  saldo credor, restituível.  Fl. 4920DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.921            12 Nesse sentido, confira­se a lição de Hiromi Higushi1 sobre o tema:   (...)  Aparentemente,  houve  equívoco  da  Unidade  Local  de  se  valer  das  informações da Ficha 34 e 35 da DIPJ de 2011 para estabelecer esse  limite  da  compensação  não  obstante  a  robustez,  a  precisão  e  a  excepcional qualidade de seu trabalho.  Ainda,  como  mencionado,  em  relação  aos  valores  recolhidos  no  próprio  ano­calendário de 2010,  o  limite  de  seu  aproveitamento  será  aquele  ordinário,  veiculado  pelos  §  10  e  §11  do  art.  14,  como  já  procedeu a Fiscalização:  (...)  Observe­se  que,  derradeiramente,  na  conclusão  do  Relatório  de  diligência,  ficou o direito total à compensação do Contribuinte (tanto  dos valores  recolhidos em 2009 como em 2010) restrito precisamente  ao  cálculo  do  limite  individual  de  cada  filial,  que  foi  obtido  pela  aplicação  dos  coeficientes  de  15%  e  25%  aos  valores  de  lucros  no  exterior  declarados  apenas  na  DIPJ  de  2011  (§17  do  art.  14  da  IN  213/2002,  que  é  apenas  dirigido  ao  controle  e  quantificação  de  compensações  que  não  puderam  ter  sido  efetuadas  no  próprio  ano­ calendário de incidência e pagamento):  (...)  Desse modo,  fica  claro  que  devem  ser  reformulados  os  cálculos  dos  limites  incidentes  na  compensação  pretendida  pelo  Contribuinte  no  presente caso.  Deve se aplicar as regras do § 15 ao § 20 do art. 14 da IN nº 213/2002  individualmente para os tributos pagos no exterior no ano­calendário  de  2009  (utilizando  as  informações  das  Fichas  34  e  35  da  DIPJ  de  2010  para  o  cálculo  do  valor  compensável  de  cada  sucursal,  nos  termos do §17). A individualização presta­se apenas ao controle, como  uma conta corrente da Parte B do LALUR de cada filial.  Esse  será o  limite para aproveitamento dos pagamentos efetuados no  ano­calendário  de  2009,  igualmente  atentando­se  (como  já  feito)  à  regularidade documental das provas.  Posteriormente,  o  resultado  encontrado  em  tal  operação  deve  ser  somado  àqueles  recolhimentos  efetuados  em  2010  e  confirmado,  submetendo  ambos  aos  limites  das  Tabelas  23  e  24,  valendo­se  do  menor deles como limite, conforme estampado na Tabela 25.    Em  razão  de  tal  posição,  com  o  convencimento  unânime  desta  C.  2ª  Turma  Ordinária, determinou­se, objetivamente, o seguinte à Fiscalização:    1) elabore novo Relatório de diligência:  Fl. 4921DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.922            13 2) reformulando os cálculos da limitação das compensações pleiteadas,  aplicando especificamente aos valores referentes ao ano­calendário de  2009 os limites individuais por filias, na forma como previsto nos §15,  §16 e §17, §18, §19 e §20 do art. 14 da IN nº 213/2002 (multiplicação  por  15%  ou  25%,  conforme  o  caso,  do  lucro  ofertado  à  tributação  como  informado  nas  Fichas  34  e  35  da  DIPJ  2010),  verificando  também  a  regularidade  documental  das  provas  de  recolhimento  de  desse período, bem como;  2.1) somando o resultado do item 2 (acima) aos valores, regularmente  comprovados, referentes ao ano­calendário de 2010 e submetê­los aos  cálculos  e  limites  dos  §10  e  §11  da  IN  nº  213/2002,  conforme  já  efetuado nas Tabelas 23, 24 e 25 do Relatório de diligência anterior;  2.2) aquilo que extrapolar os limites dos §10 e §11 da IN nº 213/2002,  poderá  ser  compensado  com  a  CSLL,  observando  suas  próprias  limitações infralegais;  2.3)  no  caso  de  haver  parcela  que  extrapola  todos  limites  de  compensação  mencionados  nos  itens  2,  2.1  e  2.2  dessa  diligência,  deverá  se  prestigiar  a  utilização  dos  valores  referentes  ao  ano­ calendário de 2010, para posteriormente utilizar­se e  reduzir o  saldo  dos  valores  do  ano­calendário  de  2009,  que  poderão  ser mantidos  e  registrados para uso em períodos posteriores.    Pois bem, procedeu agora à remissão aos termos da v. Resolução imediatamente  anterior,  tendo  em  vista  que  a  primeira  alegação  do  Recorrente  em  sua  Manifestação  é  a  repetição, praticamente literal, de sua arguição já trazida na primeira Manifestação apresentada  (fls. 4531 a 4548) de que haveriam equívocos na Informação Fiscal n o 735/2017, requerendo  a devolução da matéria à RFB para a realização de novos cálculos e determinação dos limites  atinentes ao período de 2009.    Ora, como se observa, o Contribuinte sequer alterou o número de identificação  da Informação Fiscal de diligência, referindo­se àquela outra, anterior, como também procede  genericamente  à  alegação  de  equívoco  e  ausência  de  consideração  dos  lucros  ofertados  à  tributação em 2009.    Como  visto,  a  constatação  de  tal  falha,  em  face  do  apontamento  do  COntribuinte, foi precisamente a motivação primordial da v. Resolução nº 1402­000.474.    Analisando  a  segunda  Informação  Fiscal  (fls.  4845  a  4873  ­  denominada  também  Relatório  de  diligência)  confirma­se  que  a  Unidade  Local  procedeu  com  total  e  absoluta  obediência  às  determinações  da  r.  decisão  deste  N.  Colegiado,  operando  todas  as  alterações  determinadas  e  necessárias  para  suprir  o  lapso  que,  na  primeira  oportunidade,  acabou  por  colidir  com  a  determinação  do  art.  14  da  IN  nº  213/2002,  desconsiderando  Fl. 4922DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.923            14 elementos quantitativos da apuração do Lucro Real de 2009, que poderiam reduzir a limitação  da compensação pretendida pela Contribuinte.    Confira­se  trecho  e  tabelas  do  novo Relatório  de  diligência  que,  claramente,  evidenciam o devido e correto procedimento:    76.  Dessa  forma,  os  limites  compensatórios  serão  calculados  separadamente  para  os  anos­calendário  2009  e  2010,  levando­se  em  consideração  os  respectivos  pagamentos  efetuados  em  2009  e  2010,  assim como os respectivos lucros disponibilizados no Brasil.  77.  Nesse  contexto,  as  tabelas  17  e  18  abaixo  representam,  respectivamente, para os anos­calendário 2009 e 2010, os cálculos dos  limites individualizados para cada filial/coligada, segundo a letra “a”  do  parágrafo  73.  A  primeira  coluna  indica  o  país  de  cada  filial/coligada. A segunda coluna indica o lucro apurado em cada país,  de acordo com Fichas 34 e 35 das DIPJ/2010 e DIPJ/2011. A terceira  coluna  indica o  limite máximo de  imposto pago no exterior que pode  ser compensado com Imposto de Renda no Brasil, que corresponde a  15% ou 25% do lucro apurado no exterior. A quarta coluna indica os  valores  de  imposto  de  renda  pago  no  exterior  que  o  contribuinte  pretende compensar, que devem ser inferiores aos respectivos valores  indicados em coluna 03. Os números que estão em vermelho na quarta  coluna superaram o limite legal estabelecido em coluna 03. Logo, para  cada  filial,  mesmo  que  confirmado  o  imposto  de  renda  pago  no  exterior, o limite legal deve ser respeitado.  Fl. 4923DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.924            15        78.  Nesse  contexto,  serão  comparados  os  valores  confirmados  para  cada  filial,  anos­calendário  2009  e  2010  (tabelas  15  e  16,  respectivamente),  e  os  valores  dos  limites  individuais  que  podem  ser  compensados  (tabelas  17  e  18,  respectivamente).  As  tabelas  19  e  20,  abaixo, indicam em colunas 02 os limites legais individuais, extraídos,  respectivamente,  de  tabelas  17  e  18.  Coluna  03  indica  os  valores  confirmados  (tabelas  15  e  16).  A  coluna  04  compara  os  valores  das  colunas 02 e 03 e confirma o menor entre os dois. Por fim, a coluna 05  representa  a  diferença  entre  o  IRPJ  confirmado  e  o  limite  legal  individual.  Caso  essa  diferença  seja  positiva,  o  valor  poderá  ser  considerado  na  compensação  com  a  CSLL  devida,  anos­calendário  2009 e 2010.  Fl. 4924DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.925            16      79.  Após  os  cálculos  dos  limites  compensatórios  individuais  para  os  anos­calendário  2009  e  2010,  será  feita  a  soma  dos  dois  limites.  A  tabela  21  abaixo  confirma  o  valor  total  de  IRPJ  passível  de  compensação, no montante de R$ 58.346.295,42. A tabela 22 apresenta  a  soma  dos  valores  confirmados  e  passíveis  de  compensação  com  a  CSLL, no montante de R$ 19.329.278,83.  Fl. 4925DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.926            17        O novo  trabalho  fiscal é  impecável em relação a  tal alteração determinada por  este N. Colegiado.    Posto  isso,  não  só  pela  ausência  de  dialeticidade  do  questionamento  do  Recorrente,  mas,  principalmente,  pela  confirmação  analítica  de  não  mais  existir  falha  na  apuração dos limites compensatórios dos tributos recolhidos pelas filiais, sucursais e coligadas  no exterior, não procede tal apontamento.    ESPANHA (BB MADRID)    Sequencialmente,  a Recorrente questiona em sua Manifestação a apuração dos  valores a compensar referentes à sua filial na Espanha (BB Madrid), afirmando que na Tabela  19  do novo Relatório  consta o  valor  de R$ 1.046.700,59,  como  IRPJ  ­  imposto  confirmado,  quando,  na verdade,  a  própria DRJ a quo,  já  teria  confirmado  a monta  de R$ 2.443.481,03,  Fl. 4926DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.927            18 devendo­se  retificar  os  valores,  permitindo  a  compensação  de R$  1.220.975,73  para  o  IRPJ  (em face do limite legal) e R$ 1.222.505,30, residuais, para a CSLL.    Analisando a nova Informação Fiscal, de fato, confirma­se tal equivoco. Não só  isso. Além da DRJ a quo ter, realmente, confirmado a possibilidade de compensação no valor  total  de R$  2.443.481,03,  o primeiro Relatório  traz  na Tabela  14  a mesma  confirmação  em  Euros da DRJ (e valor discrepante em reais, o que pode apontar para divergência pontual no  câmbio adotado nesta tabela) e na Tabela 20, que seria o computo final, a mesma monta total  (2009+2010) em reais, já confirmada pela 1ª Instância.    Confira­se o que consta do v. Acórdão da DRJ como valor confirmado:       E  a  Tabela  14  e  Linha  da  Tabela  20  extraída  do  primeiro  Relatório  (fls.  4516/4520):             Certamente, está confirmada a falha apontada pelo Contribuinte.  Fl. 4927DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.928            19   Nesse sentido, em relação aos tributos recolhidos pelo BB Madrid no exterior, a  Contribuinte, confirmadamente, faz  jus à compensação de R$ 1.220.975,73 para o  IRPJ e R$  1.222.505,30,  residuais,  para  a  CSLL  ­  não  podendo  produzir  quaisquer  efeitos  os  valores  expressos na Tabela 19 da nova Informação Fiscal de fls. 4845 a 4873.    AÚSTRIA (BB VIENA)    Depois, o Contribuinte versa sobre os tributos recolhidos por sua controlada em  Viena, insurgindo­se contra o não reconhecimento da Declaração emitida pela Receita Federal  de Viena, no qual expressamente teriam sido confirmados os pagamentos do imposto de renda  (Körperschatfsteuer) à conta de arrecadação daquele órgão, no valor de 618.875,47 euros, do  ano­calendário  2009,  e  455.107,21  euros,  relativo  ao  ano  de  2010,  constante  das  fls.  4107  e  4108, com tradução juramentada às fls. 4085.    Afirma que trata­se de documento oficial, do Órgão arrecadador Austríaco, com  as devidas autenticações e traduções, não podendo ser rejeitado. Também, em suma, explica a  dinâmica de quitação dos tributos expressos em tal documento, frisando que, ainda que tenha  ocorrido uma compensação, em termos econômicos, tal fato desnatura o pagamento de tributos  sobre o lucro.    Temos  aqui  que  a  Unidade  Local  rejeitou  tal  prova,  primeiro  entendendo  ser  documento  emitido  por  instituição  financeira.  Depois,  afirma  a  Autoridade  Fiscal  que  o  documento apenas revela que houve pagamentos de imposto coletivo nos referidos montantes  à Receita Federal de Viena, mas não confirma os pagamentos propriamente ditos.     Derradeiramente,  acrescenta  que  lá  não  se  informou  as  datas  em  que  os  pagamentos foram efetivamente realizados, não sendo possível a verificação da taxa de câmbio  aplicável para a devida conversão em reais.    Posto isso, temos, primeiro, que a modalidade de compensação para a quitação  dos  tributos  austríacos  não  foi  a  motivação  da  rejeição  de  tal  valor  supostamente  pago.  E,  independentemente do debate de que se o emitente é instituição financeira ou o próprio Órgão  arrecadador  da Áustria,  é  certo  que  trata­se  de mera  declaração  de  recebimentos  de maneira  global,  indicando  o  total  recebido  no  período  anual,  sem  maiores  informações  dos  recolhimento ­ ausentes as suas datas.    Fl. 4928DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.929            20 Assim, assiste razão à Autoridade Fiscal em rejeitar tal documentação, bastando  a  ausência  de  data  dos  pagamentos.  Resta  também  o  Contribuinte  silente  sobre  suposto  momento de sua ocorrência, não podendo se confirmar o direito à compensação dos valores de  618.875,47 euros e 455.107,21 euros,  respectivamente, para os anos­calendário 2009 e 2010,  prevalecendo aquilo já apurado na Informação Fiscal anterior, de 2017.    ITÁLIA (BB MILÃO)    Depois,  em sua Manifestação, a Recorrente passa a versar sobre os valores de  sua coligada na Itália (BB Milão), em resumo, apenas pugnando que o tributo IRAP enquadra­ se  na  definição  de  tributo  incidente  sobre  o  lucro.  Isso,  pois  a  Unidade  Local,  mesmo  reconhecendo  a  procedência  da  compensação  de  valores  adicionais,  referentes  ao  tributo  denominado IRES, em face de novel documentação, manifestou entendimento que o IRAP não  amoldava­se ao disposto no art. 26 da Lei nº 9.249/95.    Em relação ao IRAP, a simples e módica alegação de que este tributo é incidente  sobre o lucro/renda em nada socorre ao direito do Recorrente. Ainda que tenha juntado cópia  da  legislação  italiana em sua Manifestação,  essa  apenas  acaba por  esclarecer  a  amplitude da  hipótese de incidência de tal tributo.    Também,  é  do  conhecimento  acadêmico  deste Conselheiro  que  o  IRAP  incide  sobre a produção líquida de seus contribuintes,  tendo como base positiva a  receita percebida  em suas atividades, o que lhe aproximaria da dinâmica do PIS e da COFINS.    Não  obstante,  sua  natureza  é  notoriamente  complexa,  pois  são  permitidas  deduções na sua apuração, como de alguns pagamentos referentes a alguns itens das folhas de  salário,  além  de  ser  de  competência  regional,  o  que  faz  com  que  as  regras  de  sua  apuração  variem em  função da  localização das  empresas  e demais  aspectos das pessoas  sujeitas  à  sua  incidência.     Desse  modo,  sua  suposta  natureza  de  tributo  sobre  o  lucro/renda,  como  afirmado  pelo  Recorrente,  é  extremamente  questionável,  exigindo  uma  demonstração  aprofundada da sua fenomenologia de incidência concreta e normas de apuração aplicáveis aos  valores que foram efetivamente recolhidos pela filial na Itália.    Não há tal demonstração por parte do Contribuinte, o que leva à prevalência e  adoção  das  conclusões  da Unidade  Local,  agora  chanceladas  por  este  Julgador,  devendo  ser  mantida a negativa a tal valor pretendido.  Fl. 4929DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.930            21   INGLATERRA (BB LONDRES)    Na sequência, o Contribuinte trata da sua filial de Londres. Alega que o valor do  lucro  no  exterior  de  Londres  em  2010,  efetivamente  considerado  pelo  BB,  foi  de  R$  59.168.186,79,  tendo  em  vista  a  compensação,  em  2010,  do  prejuízo  apurado  em  período  anterior, no mesmo país, de R$ 12.670.699,78, com o lucro apurado no ano base de 2010, de  R$ 71.838.886,57.    E  acrescenta  que,  a  partir  dos  valores  efetivamente  pagos  no  exterior,  de  R$  23.270.286,80, o Contribuinte compensou o valor de R$ 14.792.046,70 no Imposto de Renda  (= R$ 59.168.186,79 x 25%) e o valor remanescente de R$ 8.478.240,10 (= R$ 23.270.286,80 ­  R$  14.792.046,70)  com  a  CSLL,  observando  o  Limite  Legal  de  Compensação  de  R$  8.875.228,02  (=R$  59.168.186,79  x  15%).  Portanto,  para  fins  de  definição  dos  valores  de  IRPJ/CSLL  efetivamente  utilizados  pelo  Contribuinte,  o  Fisco  deverá  observar  o  Lucro  no  Exterior de Londres no valor de R$ 59.168.186,79, o que implicaria, agora, na constatação dos  valores a compensar de R$ 14.792.046,70 para o IRPJ, e de R$ 8.478.240,10 para a CSLL.    Acosta, espontaneamente, ao final da sua Manifestação, folha isolada da Parte B  de  seu  Lalur,  apontando  compensações,  inclusive  a  mencionada  na  monta  de  R$  12.670.699,78, do ano­base de 2010, bem como as fichas 34 e 35, referentes aos lucros exterior  da filial de Londres, referentes aos anos­calendário 2008 e 2009.    E  finaliza  alegando  que:  quanto  à  diferença  entre  o  valor  utilizado,  de  R$  23.270.286,80, e o comprovado pela RFB, R$ 22.282.258,72, observa­se que no momento da  conversão da moeda, o Fisco  considerou  taxa do dia do  efetivo pagamento,  ao passo que o  Contribuinte considerou a taxa do dia 31.12.2010 (consolidação do balanço).    Pois bem, primeiramente, frise­se que tal alegação, de fato, não fora trazida em  Recurso Voluntário  e,  até  o momento,  não  era  objeto  de  controvérsia,  sendo  tema  aventado  apenas  agora,  na  segunda Manifestação  do Contribuinte. Da mesma  forma,  tais  valores  não  foram  objeto  de  quaisquer  diligências  proferidas  neste  feito.  Além  disso,  ainda  que  este  Conselheiro sempre privilegie o princípio da busca pela verdade material (inclusive exarando  as Resoluções anteriores em razão da juntada de documentos em sede de Recurso Voluntário e  Manifestação), é necessário estabelecer um limite, atribuindo duração razoável ao processo e  racionalizando o número de diligências  realizadas, para que não fique o Julgador à mercê de  cada  nova  juntada  promovida  pelo  Contribuinte,  quando  bem  lhe  convir  revelar  nova  documentação,  previamente  existente,  principalmente  quando  não motivada  sua  juntada  por  fato ou questionamento legal inaugurado durante o contencioso, sem qualquer justificativa para  a apresentação somente nesse momento.  Fl. 4930DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.931            22   E por  fim, e analisando  tais documentos, entende­se que  tais  fichas das DIPJs  dos  anos­calendário  2008  e  2009,  somadas  a  página  da  parte  B  do  Lalur,  com  lançamento  referente ao ano­calendário de 2010 sequer poderiam fazer a prova necessária de procedência  da alegação procedida pelo Contribuinte.    Os  cálculos  dos  limites  para  a  compensação  em  relação  aos  valores  de  tal  estabelecimento inglês, para o ano­calendário de 2010 foram devidamente extraídos pela DRJ  da DIPJ 2011 apresentada pelo Contribuinte (vide fls. 3758) e replicados pela Unidade Local,  não  havendo,  diante  de  todas  as  circunstâncias  apresentadas, motivação  para  a  alteração  no  cálculo como pretendido pelo Contribuinte, devendo se manter os montantes desses limites de  compensação procedidos pela Unidade Local.    No que tange à adoção da data do fechamento contábil para a conversão cambial  dos recolhimentos, ainda que para fins de oferta à tributação no Brasil dos lucros auferidos no  exterior, a data correta para a conversão de seu valor para Reais, realmente, seja a do balanço  do  período  correspondente,  como  reza  a  Súmula  CARF  nº  941,  a  conversão  da  monta  dos  tributos pagos no estrangeiro, a serem compensados, possui regulamentação própria, bastante  clara e objetiva.    Confira­se o disposto no §3º do art. 26 da Lei nº 9.249/95:    Art.  26.  A  pessoa  jurídica  poderá  compensar  o  imposto  de  renda  incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital  computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente,  no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital.  (...)  §  3º  O  imposto  de  renda  a  ser  compensado  será  convertido  em  quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na  data em que o  imposto  foi pago; caso a moeda em que o  imposto  foi  pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norte­ americanos e, em seguida, em Reais. (destacamos)    O mesmo comando repete­se em esfera infralegal, na regulamentação dada pela  IN nº 213/2002:                                                                1  Súmula  CARF  nº  94:  Os  lucros  auferidos  no  exterior  por  filial,  sucursal,  controlada  ou  coligada  serão  convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido  apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.158­35, de 2001.  Fl. 4931DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.932            23 Art.  14.  O  imposto  de  renda  pago  no  país  de  domicílio  da  filial,  sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos  e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no  Brasil.  (...)  § 2º O tributo pago no exterior, a ser compensado, será convertido em  Reais  tomando­se  por  base  a  taxa  de  câmbio  da  moeda  do  país  de  origem,  fixada  para  venda,  pelo  Banco  Central  do  Brasil,  correspondente à data de seu efetivo pagamento. (destacamos)    Diante disso, não havendo necessidade para maiores ilações, resta claro que, por  força  legal,  a  data  para  conversão  cambial  do  valor  dos  tributos  pagos  no  exterior  a  serem  compensados com o IRPJ (e a CSLL) no Brasil deverá ser aquela do seu efetivo pagamento.    EUA (BB NOVA YORK)    Em relação à filial nova­iorquina, o Recorrente se insurge contra a constatação  feita  pela  Unidade  Local,  em  atendido  a  expressa  determinação  da  v.  Resolução  nº  1402­ 000.474, referente à análise da legislação estadunidense e a documentação correspondente aos  recolhimentos, de que não seria certo se tais tributos incidem sobre a renda ou lucro.    Alega o Contribuinte, de forma muito sucinta e objetiva, que a legislação é clara  e  determina  que  a  base  de  cálculo  dos  impostos  será  composta  pela  renda  líquida  ou  renda  empresarial.    Ao seu turno, a Fiscalização, procedendo a minuciosa análise, demonstra que o  Imposto  Corporativo  estimado  da  Cidade  de  Nova  York  tem  4  (quatro)  bases  de  cálculo  distintas,  sendo  elas  a  renda  líquida;  OU  sobre  ativos  tributáveis; OU  sobre  renda  líquida  total alternativa OU sobre o imposto mínimo:    Fl. 4932DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.933            24      De  forma  muito  semelhante,  o  Imposto  Corporativo  estimado  do  Estado  de  Nova  York  possui  3  (três)  materialidades  diversas,  quais  sejam,  a  renda  empresarial;  OU  capital  empresarial;  OU  imposto mínimo,  acrescidos  do  imposto  comercial  sobre  transporte  metropolitano:           Em sua arguição, o excerto da legislação trazida pela própria Recorrente em sua  peça  também aponta para a multiplicidade de bases  tributáveis por  tais  tributos, contrariando  suas  alegação.  E,  mais  importante,  não  há  prova  nos  autos  de  que,  os  recolhimentos,  aqui  objeto  de  análise,  concretamente,  oneraram  exclusivamente  modalidade  de  renda  ou  lucro,  consideradas as opções de tributação apresentadas por estas legislações norte­americanas.     Desse  modo,  não  merece  alteração  a  conclusão  fiscal  relativa  à  monta  dos  tributos da sucursal de Nova York a serem compensados.    BAMB (BB SECURTIES)    No  que  tange  ao  crédito  de  tal  coligada  indireta,  a  Recorrente  repete  suas  alegações  trazidas  na  primeira Manifestação  apresentada  em  face  do  primeiro  Relatório  de  Fl. 4933DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.934            25 diligência,  afirmando  que  não  houve  posicionamento  da  Unidade  Local  sobre  tal  unidade  estrangeira.    Primeiro,  esclarece­se  que  realmente  não  foi  objeto  da  v.  Resolução  nº  1402.000.474 a  análise  de quaisquer documentos ou  reformulação de cálculos  relativos  a  tal  filial, não existindo omissão ou falha da Fiscalização.    E,  como  se  observa,  o  Contribuinte  aprofunda  sua  argumentação  trazida  em  Recurso Voluntário de que os lucros da BB Securities foram consolidados na BAMB, os quais  foram  devidamente  ofertados  à  tributação,  trazendo  planilhas  e  demonstrações  atestando  tal  consolidação, combatendo a alegação da DRJ de inexistência de sua prova.    Ocorre  que  a  Unidade  Local,  na  oportunidade  do  primeiro  Relatório  de  diligencia de 2017, muito corretamente, procedeu à análise de tal documentação e reconheceu  que  tais  valores  referentes  aos  lucros  BB.  Securities  foram  consolidados  na  apuração  de  resultados  da BAMB.  Ou  seja,  não  só  já  procedeu­se  a  tal  análise,  como  fora  constatada  a  procedência da alegação do Contribuinte.    Contudo, como esclarecido pela Unidade Local na primeira  Informação Fiscal  (vide fls. 4507 a 4508), não obstante  tal constatação, o que realmente motivou a glosa de tal  valor,  tanto  pela  DRF  quanto  pela  DRJ  a  quo,  foi  a  inadequação  legal  dos  documentos  (relatórios swift) para a comprovação dos recolhimentos de tributos, nos termos do art. 26, § 2º,  da Lei nº 9.249/95.    Portanto,  considerando  que  em  Recurso  Voluntário  não  houve  qualquer  documento  ou mesmo  alegação  capaz  de  contrariar  tal  constatação,  verificando­se  a mesma  carência nas Manifestações posteriores do Contribuinte, não há motivos para o reconhecimento  de tal parcela adicional de crédito, devendo ser mantido o cálculo consolidado promovido pela  Unidade Local em relação a este item.    Acrescente­se  que  no  v.  Acórdão  nº  1402­002.919,  proferido  em  sessão  de  fevereiro de 2018 por esta mesma C. Turma, em processo deste mesmo contribuinte e relatoria  deste  Conselheiro,  também  afastou  a  validade  de  tal  modalidade  de  conjunto  probatório,  apresentado em circunstâncias muito semelhantes.    BAMB (ATIVOS S.A.)    Fl. 4934DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.935            26 Em relação a esta empresa coligada  indireta,  igualmente o Contribuinte  repete  as alegações de sua primeira Manifestação, no sentido de que alguns valores retidos na fonte  foram  desconsiderados  pela  Fiscalização,  trazendo  cópias  das  DIPJs  dos  anos­calendário  de  2009  e  2010,  apontando  para  montante  superior  de  tributos  recolhidos,  concluindo  que  reunidas as exclusões indevidas citadas nos itens 29 a 31 anteriores, IRPJ e CSLL, períodos  2009  e  2010,  tem­se  a  redução  do  direito  creditório  da  Empresa,  no montante  total  de  R$  746.110,09, a seguir discriminado: Para o ano calendário 2009: R$ 412.175,55 (400.084,67  de IRPJ + 12.090,88 de CSLL) e, para o ano calendário 2010: R$ 333.934,54, (323.627,74 de  IRPJ + 10.306,80 de CSLL).    Primeiramente,  frise­se  que  a  motivação  para  a  DRJ  a  quo  denegar  tal  compensação,  incluindo  todos  os  valores  recolhidos  por  esta  coligada  indireta,  situada  no  Brasil (coligada direta da BAMB, estrangeira situada nas Ilhas Cayman) foi a interpretação de  inaplicabilidade  do  §  6º,  do  art.  14  da  IN  nº  213/2002  e  do  art.  9º  da  MP  nº  2158/2001,  entendendo  que  apenas  os  tributos  de  empresas  coligadas  situadas  no  exteior  podem  ser  compensados  no  Brasil,  independentemente  da  coligação  indireta  e  a  consolidação  de  seus  lucros em coligada direta.    Este  Conselheiro  superou  já  tal  posicionamento,  desde  a  prolatação  da  v.  Resolução nº 1402­000.433, determinado a análise da documentação correspondente. Registre­ se que a devida interpretação conjunta e sistemática do § 6º do art. 1º da IN nº 213/2002 com o  §  6º  do  seu  art.  14,  deixa  claro  não  existir  qualquer  restrição  à  compensação  de  tributos  recolhidas  por  coligadas  indiretas,  independentemente  de onde  estão  situadas  ou  sua  relação  societárias.    A  partir  do  momento  que  o  lucro  desta  coligada  indireta  foi  consolidado  na  coligada direta e, por sua vez, ofertado o resultado desta à tributação doméstica, o impedimento  de sua compensação resultará em excesso de oneração. Se tal recolhimento desta outra empresa  coligada  indireta  formou crédito ou saldo negativo compensado posteriormente no Brasil,  tal  evento é  irrelevante para o computo da  totalidade de  tributo a compensar,  referente à  cadeia  societária situada no exterior, em determinado ano­calendário.    Pois  bem,  retornando  às  alegações  do  Contribuinte,  este  afirma  que  parte  do  IRRF e da CSLL retidos na fonte não foram computados pela Fiscalização, trazendo a sua DIPJ  para fazer tal comprovação.    Porém,  como  se  observa  do  primeiro Relatório  de  diligência  (vide  fls.  4510),  afirma­se e atesta­se que os valores de recolhimentos referentes a ATIVOS S.A. foram obtidos  junto ao sistema SIEF, da Receita Federal do Brasil, conforme telas de fls. 4427 e4478.    Fl. 4935DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.936            27 Assim temos que, como em qualquer outro processo debatendo direito creditório  de  contribuinte,  a  mera  informação  em  DIPJ,  de  natureza  informativa,  não  faz  prova  que  desconstitui  informações  constantes  do  próprio  sistema  do  Órgão  arrecadador  federal.  São  necessárias  outras  provas,  de  contundente  materialidade,  apontado  para  pagamento  ou  compensação efetiva, para desconstituir a informação extraída pelo Fisco de seus sistemas.    O  Recorrente  não  traz  tal  conjunto  probatório,  de  modo  que  a  informação  extraída  pela  Unidade  Local  dos  sistemas  da  Receita  Federal  do  Brasil  deve  prevalecer,  mantendo­se, por este motivo apenas, os cálculos da Fiscalização.    BAMB (BB TUR)    Antes  de  propriamente  adentrar  às  ponderações  do  Contribuinte  sobre  o  resultado  das  diligências  em  relação  a  tal  coligada,  temos  que  toda  a  matéria  de  prova,  referente  à  comprovação  de  recolhimentos  e  oferta  de  lucros  à  tributação  ­  delimitando  os  limites da compensação pretendida ­ foram devidamente enfrentados. Poder­se­ia  já enfrentar  as matérias de Direito e meritórias, incluindo as alegações referente a parte dos recolhimentos  desta empresa.    Primeiro,  em  relação  a  esta  empresa,  registre­se  aqui  que  a  mencionada  interpretação  conjunta  do  §  6º  do  art.  1º  com  o  §6º  do  art.  14  da  IN  nº  213/2002  leva  ao  afastamento da suposta vedação defendida pela DRJ a quo.    E, ao seu turno, aponta o Recorrente que na primeira Informação Fiscal o valor  de  R$  105.199,26  foi  desconsiderado,  como  se  inexistente,  tendo  em  vista  que  refere­se  a  estimativa,  saldada  por  compensação,  debatida  no  Processo  Administrativo  nº  14033.000643/2011­41.  Entende  que  tal manobra  afasta,  sumária  e  antecipadamente  o  seu  direito creditório.    Confira­se a afirmação da Unidade Local (fls. 4509):    A tabela 05 abaixo informa os pagamentos de IRPJ e CSLL efetuados  pelo  BBTUR  no  ano­calendário  2010.  Esses  pagamentos  foram  extraídos do sistema SIEF, conforme telas de fls.4425/4426.  Ademais, o débito de estimativa referente ao 3º Trimestre/2010, que foi  objeto  de  compensação,  possuía  valor  total  no  montante  de  R$  240.013,94.  Entretanto,  R$  105.199,26  encontram­se  suspensos  e  Fl. 4936DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.937            28 vinculados  ao  processo  nº  14033.000643/2011­41. Dessa  forma,  será  confirmado o valor de R$ 134.814,68 (240.013,94 – 105.199,26).    Posto isso, assiste razão ao Contribuinte.    O entendimento há muito professado por essa C. 2ª Turma Ordinária é que  tal  correlação  de  dependência  entre  pleitos  referentes  a  direito  creditório  não  pode  ensejar  a  denegação da compensação pretendida (como procedeu a DRJ a quo), mas, também, não basta  para justificar a homologação da manobra do Contribuinte.    Isso  porque,  de  fato,  no  presente  momento,  não  é  ainda  líquida  e  certa  esta  parcela  do  crédito  empregado  na  compensação,  não  podendo,  legalmente,  confirmar­se  a  satisfação dos débitos saldados pela DCOMP.    Claramente há conexão entre as causas, ainda que parcial.    Não obstante, promovendo consultas, tanto pelo sítio deste E. CARF como pelo  sistema comprot, não é possível encontrar  a situação de  tal procedimentos  fiscal,  sendo uma  incógnita seu eventual desfecho ou atual andamento.    Desse  modo,  apesar  de  toda  análise  acima  procedida,  a  qual,  sem  qualquer  prejuízo, será utilizada no julgamento meritório deste feito, entende­se que não há como se  prosseguir  com  o  julgamento  desta  pendenga  sem o  esclarecimento  do  desfecho  ou  da  atual  situação desse outro processo.    Caso contrário, não só será mantido um profundo anacronismo na apreciação de  verdadeira  cadeia  creditória  (esta,  fruto  das  disposições  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430/96  e  regulamentação  infralegal),  como  também  poder­se­ia  ensejar  a  indevida  denegação  precipitada de compensação ulteriormente procedente. Sequer a quantificação do crédito pode  ser objeto de aferimento antes da apreciação do crédito debatido naqueles outros feitos.    Como já mencionado, não se está diante de inexistência de crédito, mas sim de  verdadeiro  obstáculo,  lógico  e  temporal,  para  tal  apuração  e  confirmação,  não  podendo  simplesmente afastar a pretensão do Contribuinte.    Fl. 4937DF CARF MF Processo nº 10166.904102/2014­71  Resolução nº  1402­000.787  S1­C4T2  Fl. 4.938            29 Diante de todo o exposto, resolve­se por determinar diligência, remetendo­se os  autos à Unidade Local de fiscalização para que:    1)  seja  elaborado  breve Relatório,  esclarecendo  e  demonstrando  a  localização,  atual  situação  e  eventual  desfecho  do  Processo  Administrativo  nº  14033.000643/2011­41,  apontando, objetiva e conclusivamente, para a existência ou não do reconhecimento do crédito  e homologação definitiva da compensação pretendida lá.    2) sejam acostadas cópias integrais de tal feito aos autos do presente processo.    Na sequência, devem os autos retornar a este E. CARF para se prosseguir com o  julgamento.    (assinado digitalmente)  Caio Cesar Nader Quintella   Fl. 4938DF CARF MF

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Numero do processo: 10680.902633/2015-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 29/02/2012 DCTF. PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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1301­003.556  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de novembro de 2018  Matéria  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL  Recorrente  EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO  ESTADO DE MINAS GERAIS ­ EMATER­MG  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Data do fato gerador: 29/02/2012  DCTF. PREENCHIMENTO.  Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em  saldo negativo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  superar  a  ausência  de  retificação  da  DCTF  anterior  ao  despacho decisório  e determinar o  retorno dos  autos à unidade de origem para que  analise  a  liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando­ se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos.  Portanto,  aplica­se  o  decidido  no  julgamento  do  processo  10680.902600/2015­41,  paradigma  ao  qual  o  presente  processo  foi  vinculado.    (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente e Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Fernando  Brasil  de  Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel,  Carlos  Augusto  Daniel  Neto,  Giovana  Pereira  de  Paiva  Leite,  Amélia  Wakako  Morishita  Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 26 33 /2 01 5- 91 Fl. 250DF CARF MF     2  Relatório  EMPRESA  DE  ASSISTENCIA  TECNICA  E  EXTENSAO  RURAL  DO  ESTADO DE MINAS GERAIS ­ EMATER­MG recorre a este Conselho em face do acórdão  proferido pela 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de  inconformidade  apresentada,  pleiteando  sua  reforma,  com  fulcro  no  artigo  165  do  Código  Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96.  Trata  o  presente  processo  de Declaração  de Compensação  ­  PER/DCOMP,  por  meio  da  qual  a  contribuinte  pretendeu  extinguir  débitos  próprios  com  suposto  crédito  decorrente de pagamento a maior oriundo de DARF de Código de Receita 2484, recolhido em  29/02/2012, no valor de R$ 236.273,46.  A  DRF/Belo  Horizonte  emitiu  Despacho  Decisório  eletrônico  não  homologando o feito sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a  maior  estava  integralmente  utilizado  para  quitação  de  outro  débito  confessado  pelo  contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada.  Cientificada  do Despacho Decisório,  a  interessada  apresentou manifestação  de  inconformidade  onde  alega,  em  síntese,  que  a  Declaração  de  Informações  Econômico­ Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  ­  DIPJ  evidencia  a  inexistência  de  CSLL  a  pagar,  que  houve  o  recolhimento do DARF indevido demonstrado em DCTF e, assim, mediante as evidências da  DIPJ, conclui­se pela existência de crédito tributário por pagamento indevido a maior, passível  de compensação de débitos tributários.  A  autoridade  de  primeira  instância  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  da  contribuinte,  por  meio  do  acórdão  cuja  ementa  encontra­se  abaixo  transcrita:    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Data do fato gerador: 29/02/2012  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.  Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada  pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o  recolhimento alegado como origem do crédito estava  integralmente alocado  para a quitação de débitos confessados.  DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO.  A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida  deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo  a  pagar,  justificando  a  alteração  dos  valores  registrados  em DCTF.  Sem  a  comprovação  da  liquidez  e  certeza  quanto  ao  direito  de  crédito  não  se  homologa a compensação declarada.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido    Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10680.902633/2015­91  Acórdão n.º 1301­003.556  S1­C3T1  Fl. 3          3  O  principal  argumento  das  autoridades  fiscais  foi  no  sentido  de  que  "a  contribuinte  indicou  na  DIPJ  apuração  anual  do  Lucro  Real  e  Base  de  cálculo  da  CSLL  registrados no LALUR, contudo, não apresentou a escrituração contábil e fiscal suficiente para  comprovar a existência dos seus débitos, indicados na DIPJ."  Cientificado da decisão de primeira instancia em 05/06/2017, o contribuinte  apresentou, em 29/06/2017,  recurso voluntário,  repisando os  argumentos  levantados  em sede  de manifestação de inconformidade e apresentando uma vasta documentação contábil e fiscal  visando, enfim, sua linha de argumentação.  É o relatório.    Voto               Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1301­003.523,  de  22/11/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10680.902600/2015­ 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301­003.523):    "O  recurso  voluntário  é  TEMPESTIVO  e  uma  vez  atendidos  também  às  demais  condições  de  admissibilidade,  merece, portanto, ser CONHECIDO.  Conforme  acima  relatado,  a  EMATER­MG,  optante  pelo lucro real, realizou a apuração do IRPJ e CSLL conforme a  Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995, ou seja, lucro real anual  com base no balancete mensal de suspensão redução.  Alega  o  contribuinte  que  os  valores  apurados  dos  impostos abaixo descritos,  foram  liquidados com utilização dos  créditos  provenientes  das  retenções  na  fonte  de  notas  fiscais  emitidas e recebidas e também de aplicações financeiras.   Após  estes  ajustes  teriam  sido  realizados  pagamentos  em espécie através de DARF, que o ocasionaram um pagamento  a  maior  ao  final  do  exercício  apresentado.  Conforme  demonstrado na tabela de cálculo abaixo.      Fl. 252DF CARF MF     4  Descrição  Valor  Anexo para Consulta  IRPJ  1.878.907,15  Anexo I  Demonstração do Resultado do Exercício  (­) IR ­ Retido na Fonte de Orgãos Publicos  396.434,37  Anexo II  Razão Contábil conta 110.211.0015  (­) IR retido na Fonte  1.067.820,00  Anexo III  Razão Contábil conta 110.211.0004  Valor a Recolher  414.652,78      (­) Pagamento em 29/02/2012  591.219,08  Anexo IV  DARF Recolhida em 29/02/2012 cod 2362  (­) Pagamento em 29/04/2012  55.721,60  Anexo V  DARF Recolhida em 29/04/2013 cod 2430  VALOR RECOLHIDO A MAIOR  ­ 232.287,90              Descrição  Valor  Anexo para Consulta  CSLL  1.104.476,29  Anexo I  Demonstração do Resultado do Exercício  (­)CSLL ­ Retido na Fonte de Orgãos Publicos74.016,43  Anexo VI  Razão Contábil conta 110.211.0016  (­) CSLL ­ Retido na Fonte  837,41  Anexo VII  Razão Contábil conta 110.211.0012  Valor a Recolher  1.029.622,45      (­) PERD/DCOMP 17/08/2012  139.413,59  Anexo VIII Declar. 42685.42010.170812.1.3.04­0857  (­) PERD/DCOMP 04/09/2012  11.431,75  Anexo IX  Declar. 37686.72607.040912.1.3.04­0923  (­) Pagamento em 29/02/2012  236.273,46  Anexo X  DARF recolhida em 29/02/2012 cod 2484  (­) Pagamento em 29/04/2012  682.915,50  Anexo XI  DARF recolhida em 29/04/2013 cod 6773  VALOR RECOLHIDO A MAIOR  ­ 40.411,85        No  entanto,  de  acordo  com  o  contribuinte,  foram  identificadas  informações  indevidas  no  preenchimento  da DIPJ  ano­calendário  2012  e  das  DCTFs  de  competência  janeiro  de  2012 e dezembro de 2012, relativas a identificação do crédito de  IRPJ e CSLL, decorrentes de pagamento a maior destes tributos.  Teriam sido efetuadas, então, as  retificações da DIPJ  ano­calendário  2012  e  das  DCTFs  de  competência  janeiro  de  2012  e  dezembro  de  2012  com  o  objetivo  de  evidenciar  e  comprovar o crédito tributário utilizado pela EMATER­MG.    Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do  Recurso Voluntário, e DAR­LHE PARCIAL PROVIMENTO para  reconhecer  a  possibilidade  de  transformar  a  origem do  crédito  pleiteado  em  saldo  negativo,  mas  sem  homologar  a  compensação,  por  ausência  de  análise  da  sua  liquidez  pela  unidade  de  origem,  com  o  conseqüente  retorno  dos  autos  à  jurisdição  da  contribuinte,  para  verificação  da  existência,  suficiência  e  disponibilidade  do  crédito  pretendido  em  compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de  Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10680.902633/2015­91  Acórdão n.º 1301­003.556  S1­C3T1  Fl. 4          5  apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das  declarações apresentadas, prosseguindo­se assim, o processo de  praxe."    Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º,  2º  e  3º  do  art.  47,  do Anexo  II,  do RICARF,  voto  por  .  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  superar  a  ausência  de  retificação  da  DCTF  anterior  ao  despacho decisório  e determinar o  retorno dos  autos à unidade de origem para que  analise  a  liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando­ se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito.     (assinado digitalmente)    Fernando Brasil de Oliveira Pinto.                              Fl. 254DF CARF MF

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Numero do processo: 10183.003414/2006-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 MUDANÇA DE MODELO DE ENTREGA DA DAA. Em se tratando de Declaração de Rendimentos da pessoa física, após o prazo previsto para sua entrega, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo.
Numero da decisão: 2202-004.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente)' Marcelo de Sousa Sáteles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES

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2202­004.887  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de janeiro de 2019  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  Recorrente  JOSE DE ARIMATÉIA BARBOSA   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2001  MUDANÇA DE MODELO DE ENTREGA DA DAA.   Em se tratando de Declaração de Rendimentos da pessoa física, após o prazo  previsto  para  sua  entrega,  não  será  admitida  retificação  que  tenha  por  objetivo a troca de modelo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson ­ Presidente.  (assinado digitalmente)'  Marcelo de Sousa Sáteles ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Andréa  de  Moraes  Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles  (Relator) Martin  da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente  o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 34 14 /2 00 6- 47 Fl. 186DF CARF MF     2 Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  o  acórdão  nº  04­16.270,  proferido pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo  Grande ­ MS (DRJ/CGE) que julgou procedente o lançamento.  Pela clareza,  reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à  decisão da DRJ/CGE:  O  Acórdão  DRJ  Belém  PA  5.874  de  25  de  abril  de  2006,  processo  13227.000581/2003­28,  declarou  NULO  por  vício  formal  o  lançamento  de  IRPF  2002  no  valor  de R$  56.978,77,  pois  não  constaram  no  lançamento  a  descrição  dos  fatos  e  o  enquadramento legal da infração.  Os  autos  foram  remetidos  à  fiscalização  para  efetuar  novo  lançamento dentro do prazo previsto no artigo 173, II.  Trata o presente processo de Auto de Infração(folhas 77 a 84) em  substituição  ao  lançamento  efetuado  no  processo  13227.000581/2003­28  lavrado  pelo  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  Rodolfo  Costa  Marques  no  valor  originário  de  R$  29.783,11 acrescido de multa  e  juros  totalizando o valor de R$  68.684,13  consolidado  em  31/08/2006,  referente  a  Imposto  de  Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2002, em razão de  trabalho  de  fiscalização  onde  foram  verificadas  as  seguintes  infrações:  Omissão  de  rendimentos  recebidos.  Intimado  a  comprovar  os  rendimentos  tributáveis,  apresentou  livro  caixa  referente  a  despesas provenientes de serviço cartorário.  Não foram consideradas as despesas do contribuinte em razão da  opção  pelo  modelo  simplificado.  Foi  considerado  o  desconto  padrão de R$ 8.000,00.  Em sua impugnação de folhas 89 a 97, o interessado alega que:  1.  Quando  da  apresentação  da  Declaração  de  Ajuste  Anual  referente  ao  exercício  de  2002,  ano­calendário  de  2001,  o  impugnante cometeu um equívoco no momento de  formalizar a  opção pelos modelos de declaração, tendo preenchido o completo  no lugar do simplificado;  2.  Indicou  sua  renda  líquida  (R$32.501,85)  no  campo  dos  rendimentos tributáveis ao invés da renda bruta (R$ 125.700,38);  3.  Apesar  de  a  Autoridade  Fiscal  possuir  cópia  das  estatísticas  indicadoras das  receitas e despesas do contribuinte nos serviços  notariais  e  de  registro,  a  autoridade  fiscal  valeu­se  de  valores  outros para determinação dos rendimentos tributáveis;  4. A autoridade fiscal, ao desconsiderar as expensas e  tributar a  receita  bruta  do  contribuinte,  insinuar  que,  no  ano  calendário  2001, o impugnante auferiu apenas receita e não despesa.  5. O Auditor Fiscal  reconhece que o  autuado  faz uso do  carnê­ leão  e  este  é  um  regime  incompatível  com  a  utilização  de  desconto simplificado.  Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10183.003414/2006­47  Acórdão n.º 2202­004.887  S2­C2T2  Fl. 187          3 6.  Compete  aos  Juízes  Corregedores  fiscalizar  as  despesas  e  receitas da serventia e a rigorosa fiscalização do poder judiciário  deve  ser  considerada  de  forma  a  respaldar  a  correção  das  informações  prestadas  pelo  contribuinte,  pois  que  se  houvesse  alguma incorreção, apontada seria pelo Poder Fiscalizador.  7. A limitação quanto à troca de modelo não é absoluta mas tão  somente à hipótese de retificação que tenha por objetivo a troca  de modelo. Quando ocorre erro não existe tal vedação.  8.  Houve  o  erro  na  apresentação  da  DIRPF,  tanto  é  que  o  interessado apresentou declaração com os  rendimentos  líquidos,  demonstrando  que  queria  utilizar  as  deduções  previstas  na  legislação.  9 Ocorreu erro de fato no preenchimento e erro formal na opção  do  formulário  simplificado  e  tal  medida  é  recomendada  não  apenas para corrigir os equívocos apontados e ajustar a intenção  do contribuinte mas também para que haja correta incidência do  tributo.  Assim, solicita:  O cancelamento da infração.  A  lançamento  foi  julgado  procedente  pela  DRJ/CGE  (efls.  135/141).  A  decisão teve a seguinte ementa:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF  Exercício: 2002  DIRPF ­ TROCA DE MODELO NÃO PERMITIDA  Após  o  prazo  previsto  para  a  entrega  da  declaração,  não  será  admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. A  escolha do modelo de declaração é uma opção do contribuinte, a  qual se torna definitiva com a entrega da mesma.  O  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  em  08/04/2009  (efls.  145/149),  alegando, em apertada síntese:  Da Preliminar de Nulidade  ­  em  05/04/2006,  a  Terceira  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Belém­PA,  por  unanimidade  de  votos,  considerou  nulo  o  lançamento  originalmente contestado, conforme faz prova cópia do acórdão em anexo.  ­  no  entanto,  a  notificação  enviada  ao  Contribuinte  apenas  lhe  deu  conhecimento do julgamento do recurso (cópia doc. anexo), não informando­o da possibilidade  de retificar a declaração do imposto de renda antes de novo lançamento, conforme lhe faculta o  §1°, do art. 147, do CTN, o que é exatamente a matéria de mérito do presente processo, aliás, a  todo  o momento  o Contribuinte manifestou  seu  desejo  em  retificar  sua  declaração  de  ajuste  anual,  sendo  objeto  de  pedido  explicito  em  suas  defesas  e  recursos  apresentados  (cópia  documentos anexos);  Fl. 188DF CARF MF     4 ­  a  ausência  da  advertência  acerca  da  regularização  antes  de  novo  lançamento, que oportunize ao Contribuinte sanar o erro a todo momento noticiado, ofende a  Garantia  Constitucional  do  Devido  Processo  legal  e  os  princípios  da  ampla  defesa  e  contraditório como corolários daquele.  ­  ante  ao  exposto,  em  preliminar,  requer  seja  declarada  a  nulidade  do  lançamento ocorrido sem a notificação previa do Contribuinte informando­lhe da oportunidade  para  a  regularização  antes  de  novo  lançamento,  por  ser  medida  imposta  pelos  princípios  Constitucionais do Devido Processo Legal, Ampla Defesa e Contraditório.  Do Mérito   ­  alega  que  são  incontroversos  os  seguintes  fatos:  i)  ocorreu  erro  de  preenchimento da DIRPF/2002, eis que como restou reconhecido no r. acórdão n. 04­16.270,  ocorreram  omissão  de  rendimentos  recebidos,  o  que  por  si  só,  autoriza  a  retificação  da  declaração  de  imposto  de  renda,  e  ii)  o  contribuinte  claramente  optou  pelas  deduções  reais,  inclusive  reconhecida  pela  autoridade  fiscal  a  utilização  do  carnê­leão,  fazendo  jus  à  declaração  do  modelo  completo,  o  que  configura  o  erro  formal  de  opção  de  formulário  simplificado, devendo ser aceita sua retificação;  ­ o Código Tributário Nacional admite a possibilidade de retificação de erros  contidos na declaração, entretanto, não há que se falar em limitação temporal contida no §1° do  respectivo artigo 147 do CTN, pois,  contraria aos ditames constitucionais do enriquecimento  sem causa e de amplo acesso ao Poder Judiciário, além da proteção contida no artigo 5o, inciso  XXXV, da Constituição Federal. Colaciona decisões do TRF 1ª e do TRF 4ª para dar suporte a  sua alegação;  ­  requer  ainda  que  todos  os  argumentos  e  documentos  anexos  ao  primitivo  processo  n°  13227­000581/2003­28,  bem  como  cópia  dos  relatórios  estatísticos  enviados  ao  Poder Judiciário (Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia) fiquem fazendo parte integrante  deste Recurso Voluntário.  É o relatório.    Voto             Marcelo de Sousa Sáteles, Conselheiro Relator  O  recurso  foi  apresentada  tempestivamente,  atendendo  também  aos  demais  requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento.  Da Preliminar de Nulidade  O  Recorrente,  requer,  em  preliminar,  que  seja  declarada  a  nulidade  do  lançamento ocorrido sem a notificação previa do Contribuinte informando­lhe da oportunidade  para  a  regularização  antes  de  novo  lançamento,  por  ser  medida  imposta  pelos  princípios  Constitucionais do Devido Processo Legal, Ampla Defesa e Contraditório.  Quanto ao cerceamento de defesa, cumpre esclarecer que, no curso da ação  fiscal,  a  Autoridade  Fiscal  atua  com  poderes  amplos  de  investigação,  tendo  liberdade  para  Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10183.003414/2006­47  Acórdão n.º 2202­004.887  S2­C2T2  Fl. 188          5 interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. O direito ao contraditório e à  ampla defesa devem ser plenamente garantidos ao Contribuinte desde a ciência do lançamento.  Afasta­se a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa se o  teor  da  impugnação  e  a  documentação  apresentadas  indicam  que  o  Contribuinte  teve  pleno  conhecimento da matéria  tida como  infringida,  não  restando comprovado nos autos qualquer  embaraço ao exercício do seu direito de defesa.   Observe­se,  ainda,  que  o  auto  de  infração  combatido  foi  lavrado  por  autoridade  competente,  contém  precisa  e  clara  descrição  dos  fatos  e  da  infração,  bem  como  indica  os  dispositivos  legais  infringidos,  não  se  vislumbrando,  pois,  qualquer  vício  apto  a  ensejar a nulidade do lançamento, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, impondo­se  a rejeição da preliminar de nulidade.  Em relação ao questionamento de que deveria ter sido dada a oportunidade de  o  contribuinte  retificar  sua  declaração  alterando  seu modelo  de  simplificado  para  completo,  após  a declaração  de  nulidade  por vício  formal  da DRJ Belém,  e  antes do  novo  lançamento  efetuado, ora em questão, por se tratar de questão de mérito, será analisado a seguir.  Do mérito   Quanto à alegação sobre à retificação da declaração entregue de simplificada  para  completa,  a  questão  se  encontra  pacificada  neste  Conselho,  sendo  objeto  da  Súmula  Vinculante CARF nº 86, a qual este Julgador não pode deixar de cumprir, conforme preceitua o  artigo  72  do  Regimento  Interno  do  Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  aprovado  pela Portaria Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015:  Súmula CARF nº 86:   É  vedada  a  retificação  da  Declaração  de  Ajuste  Anual  do  Imposto sobre a Renda da Pessoa Física que tenha por objeto a  troca  de  forma  de  tributação  dos  rendimentos  após  o  prazo  previsto para a sua entrega (Vinculante, conforme Portaria MF  n. 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).  Portaria Ministério da Fazenda n. 343/2015  Art.  72.  As  decisões  reiteradas  e  uniformes  do  CARF  serão  consubstanciadas  em  súmula  de  observância  obrigatória  pelos  membros do CARF.  (...)  Portanto,  a  alteração  do  modelo  de  declaração  apresentado  originalmente  pelo  contribuinte  só  é  permitida,  desde  que  a  retificação  fosse  efetuada  antes  do  prazo  final  para  a  entrega  da  declaração  de  rendimentos  previsto  para  o  exercício  financeiro  a  ela  correspondente.  No presente caso, por se tratar de ano­calendário 2001, logo não é permitida  a  retificação  da  declaração  de  rendimentos  visando  a  troca  de modelo,  após  30 de  abril  de  2002.  Fl. 190DF CARF MF     6 Portanto, desde 01 de maio de 2002, não é permitido ao contribuinte retificar  sua declaração originária do modelo simplificado para o modelo completo.  Sendo assim, não havia nenhum motivo para que o Acórdão n. 5.874 da DRJ  de  Belém/PA  (efls.  05/08),  de  25  de  abril  de  2006,  desse  a  possibilidade  do  contribuinte  retificar  sua  declaração  antes  do  ora  lançamento  em  questão,  por  não  ser mais  permitida  a  retificação do modelo de declaração do Recorrente desde de 01 de maio de 2002.  Ante o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Marcelo de Sousa Sáteles ­ Relator                                    Fl. 191DF CARF MF

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7620098 #
Numero do processo: 19707.000371/2008-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 BOLSA DE RESIDÊNCIA MÉDICA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA ISENÇÃO. As importâncias recebidas a titulo de residência médica são consideradas rendimentos do trabalho, mesmo que não haja vinculo empregaticio, devendo compor a base de cálculo ao se apurar o IRPF na Declaração de Ajuste Anual.
Numero da decisão: 9202-007.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Patrícia da Silva na reunião anterior, e por estar ausente momentaneamente. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente momentaneamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada).
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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9202­007.522  –  2ª Turma   Sessão de  31 de janeiro de 2019  Matéria  IRPF ­ ISENÇÃO ­ BOLSA RESIDÊNCIA MÉDICA  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  ALIOMAR COELHO PEREIRA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2004  BOLSA  DE  RESIDÊNCIA  MÉDICA.  RENDIMENTOS  TRIBUTÁVEIS.  AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA ISENÇÃO.  As  importâncias  recebidas  a  titulo  de  residência  médica  são  consideradas  rendimentos do trabalho, mesmo que não haja vinculo empregaticio, devendo  compor  a  base  de  cálculo  ao  se  apurar  o  IRPF  na  Declaração  de  Ajuste  Anual.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do  Recurso  Especial  e,  no  mérito,  por maioria  de  votos,  em  dar­lhe  provimento,  vencida  a  conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II  do RICARF,  a  conselheira  Luciana Matos  Pereira  Barbosa  (suplente  convocada),  não  votou  nesse  julgamento,  por  se  tratar  de  questão  já  votada  pela  conselheira  Patrícia  da  Silva  na  reunião anterior, e por estar ausente momentaneamente.     (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício     (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 70 7. 00 03 71 /2 00 8- 28 Fl. 150DF CARF MF     2   Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Patricia  da  Silva,  Pedro  Paulo  Pereira  Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e  Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente momentaneamente a conselheira Luciana Matos  Pereira Barbosa (suplente convocada).    Relatório  Trata­se de Notificação  de Lançamento  (fls.  21/24),  relativa  ao  Imposto  de  Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao exercício 2004, ano­calendário 2003, por meio  do qual exige­se do  recorrente  IRPF suplementar em razão de  trabalho de malha em que  foi  verificado  omissão  de  rendimentos  tributáveis  recebidos  de  Pessoa  Jurídica,  no  valor  de R$  17.838,96.   O  autuado  apresentou  impugnação,  tendo Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento em Campo Grande/MS  julgado a  impugnação  improcedente, mantendo o  crédito  tributário em sua integralidade.  Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados  ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 21/11/2012, foi dado provimento  ao  Recurso  Voluntário,  prolatando­se  o  Acórdão  nº  2202­002.111  (fls.80),  com  o  seguinte  resultado: " ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento  ao recurso, nos termos do voto do Relator.”  O acórdão encontra­se assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Exercício: 2004  BOLSA  DE  RESIDÊNCIA  MÉDICA.  MÉDICO­RESIDENTE.  REGIME  ESPECIAL  DE  TREINAMENTO.  VALORES  RECEBIDOS  NÃO  CARACTERIZAM  CONTRAPRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  NEM  VANTAGEM  PARA  O  DOADOR.  NATUREZA DE DOAÇÃO. ENCARGO NÃO TRIBUTÁVEL.  Não  entrarão  no  cômputo  do  rendimento  bruto,  para  fins  tributáveis,  os  valores  percebidos  a  título  de  bolsa  residência  médica,  em  regime  especial  de  treinamento  médico,  caracterizadas como doação e não representam contraprestação  de  serviços  nem  vantagem  para  o  doador.  Assim,  a  bolsa  de  residência  médica  percebida  por  médico­residente  quando  em  regime  especial  de  treinamento  médico  constitui  doação  com  encargo não tributável pelo imposto de renda.  Recurso provido.  O  processo  foi  encaminhado  para  ciência  da  Fazenda  Nacional  em  03/12/2012  para  cientificação  em  até  30  dias,  nos  termos  da  Portaria  MF  nº  527/2010.  A  Fazenda Nacional  interpôs  no mesmo  dia,  portanto,  tempestivamente, Recurso Especial  (fls.  92). Em seu recurso visa a rediscussão quanto a questão da isenção das verbas pagas a título de  “bolsa de residência médica”.   Fl. 151DF CARF MF Processo nº 19707.000371/2008­28  Acórdão n.º 9202­007.522  CSRF­T2  Fl. 3          3 Ao Recurso Especial  foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 2ª  Câmara,  de  30/11/2015  (fls.  125),  conforme  acórdãos  paradigmas  nsº  102­46.320  e  106­ 11.848.  § Em  seu  recurso  alega  que  a  jurisprudência  do  CARF  considera  que  a  ‘bolsa’  de  residência  médica  está  sujeita  à  incidência  do  Imposto  de  Renda,  haja  vista  se  constituir  de  contraprestação  salarial  a  serviço  prestado.  § Lembra  que  o  acórdão  desafiado  sustenta  que  a  ‘bolsa’  de  residência  médica  recebida  pelo  Recorrido  seria  uma  ‘doação’  e  não  uma  mera  prestação de serviço prestado, sujeita ao Imposto de Renda, da seguinte  forma:  ‘(...)  No  presente  caso,  pelos  elementos  constantes  dos  autos,  entendo que estamos diante de uma doação modal com encargo, em face  da obrigação de o suplicante exercer a função de médico após o término  do curso. (...)’;   § Ressalta,  porém,  que  discorda  desse  posicionamento,  uma  vez  que  o  acórdão  desafiado  nunca  apontou  qualquer  elemento  dos  autos  que  justificasse  o  caráter  de  ‘doação  modal  com  encargo’  da  ‘bolsa’;  ao  contrário, consta dos autos que o Recorrido prestava serviços médicos a  benefício  da  atividade  econômica  do  empregador  Associação  Beneficente de Campo Grande.  § Salienta que o Código Civil exige, a respeito da doação com encargo, a  manifestação da vontade por meio de instrumento próprio, verbis:  § Art.  541.  A  doação  far­se­á  por  escritura  pública  ou  instrumento particular.  § Diz que não consta nos autos, nem que o acórdão recorrido fez qualquer  menção sobre a existência de escritura pública ou instrumento particular  a respeito da suposta ‘doação’.  § Acrescenta  que  o CARF  somente  afasta  a  tributação  sobre  ‘bolsa’  nos  casos onde  ‘os  resultados dessas  atividades não  representem vantagens  para  o  doador,  nem  importem  contraprestação  de  serviços’,  e  que,  portanto,  não  persiste  qualquer  dúvida  a  respeito  da  natureza  dos  serviços prestados pelo Recorrido ao seu empregador, pelo contrário, o  Recorrido  confirma  a  relação  de  médico  residente  em  entidade  prestadora de serviços médicos.  Cientificado do Acórdão nº 2202­002.111, do Recurso Especial da Fazenda  Nacional  e  do Despacho  de Admissibilidade  admitindo  o Resp  da  PGFN  em  17/03/2016,  o  contribuinte apresentou em 24/05/2016, portanto, intempestivamente, contrarrazões (fls. 136).   É o relatório.  Fl. 152DF CARF MF     4 Voto             Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira ­ Relatora    Pressupostos de Admissibilidade  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende  aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 125.  Ressalte­se  que  não  serão  conhecidas  as  contrarrazões  apresentados  uma  vez  que  são  intempestivas.  Do Mérito  De  forma  objetiva  a  delimitação  da  lide,  conforme  consta  do  despacho  de  admissibilidade, cinge­se a  incidência de IRPF sobre a bolsa de estudos de médico residente.  Alega  desvinculação  do  fisco  à  compreensão  do  caráter  indenizatório  definido  em  sentença  trabalhista e impossibilidade de criação de isenções ao IRPF não previstas em lei. Segundo o  recorrente busca­se afastar a natureza indenizatória da verba defendida pelo acórdão recorrido.  NO que se refere à legislação que rege o tema, o Decerto nº 3000, 26/03/1999  (RIR),  em  seus  art.  37  e  38,  estabeleceu  o  conceito  de  renda  de  forma  ampla,  existindo  a  importante ressaslva, para o exame dos casos, de que a tributação independe da denominação  dos rendimentos, bastando, para a incidência do imposto, a sua percepção por qualquer forma e  a qualquer titulo. Senão vejamos os dispositivos:  Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital,  do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões  percebidos  em  dinheiro,  os  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  também  entendidos  os  acréscimos  patrimoniais  não  correspondentes  aos  rendimentos  declarados  (Lei  nº  5.172,  de  1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º).  Parágrafo  único.  Os  que  declararem  rendimentos  havidos  de  quaisquer  bens  em  condomínio  deverão  mencionar  esta  circunstância (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66).  Art.  38.  A  tributação  independe  da  denominação  dos  rendimentos,  títulos  ou  direitos,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade  da  fonte,  da  origem  dos  bens  produtores  da  renda  e  da  forma  de  percepção  das  rendas  ou  proventos,  bastando,  para a  incidência  do  imposto,  o  benefício  do  contribuinte  por  qualquer  forma  e  a  qualquer  título  (Lei  nº  7.713, de 1988, art. 3º, § 4º).  Parágrafo  único.  Os  rendimentos  serão  tributados  no  mês  em  que  forem  recebidos,  considerado  como  tal  o  da  entrega  de  recursos  pela  fonte  pagadora,  mesmo  mediante  depósito  em  instituição financeira em favor do beneficiário  No  tocante  à  isenção, o  comando no  art.  111 do CTN  (CTN, diz que  estas  devem ser interpretadas de maneira literal. Nesse sentido, no art. 39 do RIR/1999, encontram­ Fl. 153DF CARF MF Processo nº 19707.000371/2008­28  Acórdão n.º 9202­007.522  CSRF­T2  Fl. 4          5 se  relacionados e especificados  todos os  rendimentos que estão abarcados por este beneficio.  Assim, somente estariam amparados pela isenção as verbas listadas no art. 39 do RIR.  Art. 39.  Não entrarão no cômputo do rendimento bruto:  Ajuda de Custo   I  a  ajuda  de  custo  destinada  a  atender  às  despesas  com  transporte,  frete  e  locomoção do  beneficiado  e  seus  familiares,  em  caso  de  remoção  de  um  município  para  outro,  sujeita  à  comprovação posterior pelo contribuinte (Lei nº 7.713, de 1988,  art. 6º, inciso XX);  Alienação de Bens de Pequeno Valor   II o ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos de  pequeno valor, cujo preço unitário de alienação, no mês em que  esta  se  realizar,  seja  igual  ou  inferior  a  vinte mil  reais  (Lei  nº  9.250, de 1995, art. 22);  Alienação do Único Imóvel   III o ganho de capital auferido na alienação do único imóvel que  o titular possua, cujo valor de alienação seja de até quatrocentos  e  quarenta  mil  reais,  desde  que  não  tenha  sido  realizada  qualquer outra alienação nos últimos cinco anos  (Lei nº 9.250,  de 1995, art. 23);  Alimentação, Transporte e Uniformes   IV  a  alimentação,  o  transporte  e  os  uniformes  ou  vestimentas  especiais de trabalho, fornecidos gratuitamente pelo empregador  a  seus  empregados,  ou  a  diferença  entre  o  preço  cobrado  e  o  valor de mercado (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso I);  Auxílio alimentação e Auxílio transporte em Pecúnia a Servidor  Público Federal Civil   V o auxílio alimentação e o auxílio transporte pago em pecúnia  aos  servidores  públicos  federais  ativos  da  Administração  Pública Federal direta, autárquica e fundacional (Lei n º 8.460,  de 17 de setembro de 1992, art. 22 e §§ 1º e 3º, alínea "b", e Lei  n º 9.527, de 1997, art. 3º, e Medida Provisória nº 1.7833, de 11  de março de 1999, art.1º, § 2º).  Benefícios Percebidos por Deficientes Mentais   VI os valores recebidos por deficiente mental a título de pensão,  pecúlio,  montepio  e  auxílio,  quando  decorrentes  de  prestações  do regime de previdência social ou de entidades de previdência  privada (Lei n º 8.687, de 20 de julho de 1993, art.1 º)  ; Bolsas de Estudo   Fl. 154DF CARF MF     6 VII  as  bolsas  de  estudo  e  de  pesquisa  caracterizadas  como  doação,  quando  recebidas  exclusivamente  para  proceder  a  estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades  não  representem  vantagem  para  o  doador,  nem  importem  contraprestação de serviços (Lei nº 9.250, de 1995, art. 26);  Cadernetas de Poupança   VIII  os  rendimentos  auferidos  em  contas  de  depósitos  de  poupança (Lei nº 8.981, de 1995, art. 68, inciso III);  Cessão Gratuita de Imóvel   IX  o  valor  locativo  do  prédio  construído,  quando  ocupado  por  seu proprietário ou cedido gratuitamente para uso do cônjuge ou  de  parentes  de  primeiro  grau  (Lei  nº  7.713,  de  1988,  art.  6º,  inciso III)  Contribuições Empresariais para o PAIT   X  as  contribuições  empresariais  ao  Plano  de  Poupança  e  Investimento PAIT (DecretoLei n º 2.292, de 21 de novembro de  1986, art. 12,  inciso III,  e Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º,  inciso  X);  Contribuições Patronais para Programa de Previdência Privada   XI  as  contribuições  pagas  pelos  empregadores  relativas  a  programas de previdência privada em favor de seus empregados  e dirigentes (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso VIII);  Contribuições  Patronais  para  o  Plano  de  Incentivo  à  Aposentadoria Programada Individual   XII  as  contribuições  pagas  pelos  empregadores  relativas  ao  Plano  de  Incentivo  à  Aposentadoria  Programada  Individual  FAPI, destinadas a seus empregados e administradores, a que se  refere a Lei n º 9.477, de 24 de julho de 1997 ;   Diárias   XIII  as  diárias  destinadas,  exclusivamente,  ao  pagamento  de  despesas  de  alimentação  e  pousada,  por  serviço  eventual  realizado  em  município  diferente  do  da  sede  de  trabalho,  inclusive no exterior (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso II);  Dividendos do FND   XIV o dividendo anual mínimo decorrente de quotas do Fundo  Nacional  de  Desenvolvimento  (DecretoLei  n  º  2.288,  de  23  de  julho de 1986, art. 5 º, e DecretoLei n º 2.383, de 17 de dezembro  de  1987,  art.  1  º);  Doações  e  Heranças  XV  o  valor  dos  bens  adquiridos por doação ou herança, observado o disposto no art.  119 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XVI, e Lei n º 9.532, de  10 de dezembro de 1997, art. 23 e parágrafos);  Indenização Decorrente de Acidente   XVI  a  indenização  reparatória  por  danos  físicos,  invalidez  ou  morte,  ou  por  bem  material  danificado  ou  destruído,  em  Fl. 155DF CARF MF Processo nº 19707.000371/2008­28  Acórdão n.º 9202­007.522  CSRF­T2  Fl. 5          7 decorrência  de  acidente,  até  o  limite  fixado  em  condenação  judicial,  exceto  no  caso  de  pagamento  de  prestações  continuadas;  Indenização  por  Acidente  de  Trabalho  XVII  a  indenização por acidente de trabalho (Lei nº 7.713, de 1988, art.  6º, inciso IV);  Indenização por Danos Patrimoniais   XVIII a indenização destinada a reparar danos patrimoniais em  virtude de rescisão de contrato (Lei n º 9.430, de 27 de dezembro  de  1996,  art.  70,  §  5  º);  Indenização  por  Desligamento  Voluntário  de  Servidores  Públicos  Civis  XIX  o  pagamento  efetuado  por  pessoas  jurídicas  de  direito  público  a  servidores  públicos  civis,  a  título  de  incentivo  à  adesão  a  programas  de  desligamento voluntário (Lei n º 9.468, de 10 de julho de 1997,  art. 14);  Indenização por Rescisão de Contrato de Trabalho e FGTS   XX  a  indenização  e  o  aviso  prévio  pagos  por  despedida  ou  rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei  trabalhista  ou  por  dissídio  coletivo  e  convenções  trabalhistas  homologados  pela  Justiça  do  Trabalho,  bem  como  o montante  recebido  pelos  empregados  e  diretores  e  seus  dependentes  ou  sucessores,  referente aos depósitos,  juros e correção monetária  creditados  em  contas  vinculadas,  nos  termos  da  legislação  do  Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS (Lei nº 7.713, de  1988, art. 6º, inciso V, e Lei n º 8.036, de 11 de maio de 1990,  art. 28);  Indenização Reforma Agrária   XXI  a  indenização  em  virtude  de  desapropriação  para  fins  de  reforma  agrária,  quando  auferida  pelo  desapropriado  (Lei  Indenização  Relativa  a  Objeto  Segurado  XXII  a  indenização  recebida por liquidação de sinistro,  furto ou roubo, relativo ao  objeto  segurado  (Lei  nº  7.713,  de  1988,  art.  22,  parágrafo  único);  Indenização  Reparatória  a  Desaparecidos  Políticos  XXIII  a  indenização a título reparatório, de que trata o art. 11 da Lei n º  9.140,  de  5  de  dezembro  de  1995,  paga  a  seus  beneficiários  diretos; Indenização de Transporte a Servidor Público da União  XXIV a  indenização de  transporte a  servidor público da União  que  realizar  despesas  com  a  utilização  de  meio  próprio  de  locomoção para a  execução de serviços externos por  força das  atribuições próprias do cargo (Lei n º 8.112, de 11 de dezembro  de 1990, art. 60, Lei n º 8.852, de 7 de fevereiro de 1994, art. 1 º,  inciso III, alínea "b", e Lei n º 9.003, de 16 de março de 1995,  art.  7  º);  Letras  Hipotecárias  XXV  os  juros  produzidos  pelas  letras hipotecárias (Lei n º 8.981, de 1995, art. 68, inciso III);  Lucros e Dividendos Distribuídos XXVI os lucros ou dividendos  calculados com base nos resultados apurados no anocalendário  de 1993, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas  Fl. 156DF CARF MF     8 com  base  no  lucro  real,  a  pessoas  físicas  residentes  ou  domiciliadas no País (Lei nº 8.383, de 1991, art. 75);  XXVII  os  lucros  efetivamente  recebidos  pelos  sócios,  ou  pelo  titular  de  empresa  individual,  até  o  montante  do  lucro  presumido,  diminuído  do  imposto  de  renda  da  pessoa  jurídica  sobre ele  incidente,  proporcional à  sua participação no capital  social, ou no resultado, se houver previsão contratual, apurados  nos  anoscalendário  de  1993  e  1994  (Lei  nº  8.541,  de  23  de  dezembro de 1992, art. 20);  XXVIII  os  lucros  e  dividendos  efetivamente  pagos  a  sócios,  acionistas ou titular de empresa individual, que não ultrapassem  o  valor  que  serviu  de  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  da  pessoa  jurídica  tributada  com  base  no  lucro  presumido,  deduzido do imposto correspondente (Lei nº 8.981, de 1995, art.  46);  XXIX  os  lucros  ou  dividendos  calculados  com  base  nos  resultados apurados a partir do mês de  janeiro de 1996, pagos  ou  creditados  pelas  pessoas  jurídicas  tributadas  com  base  no  lucro real,  presumido ou arbitrado  (Lei nº 9.249, de 1995, art.  10);  Pecúlio  do  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  INSS  XXX  o  pecúlio  recebido  pelos  aposentados  que  tenham  voltado  a  trabalhar até 15 de abril de 1994, em atividade sujeita ao regime  previdenciário,  pago  pelo  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  INSS ao segurado ou a seus dependentes, após a sua morte, nos  termos do art. 1  º da Lei n  º 6.243, de 24 de setembro de 1975  (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XI, Lei n º 8.213, de 24 de  julho de 1991, art. 81, inciso II, e Lei n º 8.870, de 15 de abril de  1994, art. 29);  Pensionistas  com  Doença  Grave  XXXI  os  valores  recebidos  a  título  de  pensão,  quando  o  beneficiário  desse  rendimento  for  portador  de  doença  relacionada  no  inciso XXXIII  deste  artigo,  exceto  a  decorrente  de  moléstia  profissional,  com  base  em  conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha  sido  contraída  após  a  concessão  da  pensão  (Lei  nº  7.713,  de  1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei n º 8.541, de 1992, art. 47);  PIS  e PASEP XXXII  o montante  dos  depósitos,  juros,  correção  monetária e quotaspartes creditados em contas individuais pelo  Programa  de  Integração  Social  PIS  e  pelo  Programa  de  Formação  do  Patrimônio  do  Servidor  Público  PASEP  (Lei  nº  7.713, de 1988, art. 6º, inciso VI);  Proventos  de  Aposentadoria  por  Doença  Grave  XXXIII  os  proventos  de  aposentadoria  ou  reforma,  desde  que  motivadas  por  acidente  em  serviço  e  os  percebidos  pelos  portadores  de  moléstia  profissional,  tuberculose  ativa,  alienação  mental,  esclerose  múltipla,  neoplasia  maligna,  cegueira,  hanseníase,  paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença  de  Parkinson,  espondiloartrose  anquilosante,  nefropatia  grave,  estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante),   contaminação  por  radiação,  síndrome  de  imunodeficiência  adquirida,  e  fibrose  cística  (mucoviscidose),  com  base  em  Fl. 157DF CARF MF Processo nº 19707.000371/2008­28  Acórdão n.º 9202­007.522  CSRF­T2  Fl. 6          9 conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha  sido  contraída  depois  da  aposentadoria  ou  reforma  (Lei  nº  7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47,  e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); Proventos e Pensões de  Maiores  de  65  Anos  XXXIV  os  rendimentos  provenientes  de  aposentadoria  e  pensão,  transferência  para  a  reserva  remunerada ou reforma    Ou seja, para determinada verba não sofrer tributação do IRPF, seria preciso  que estivesse listada dentre uma das hipóteses de isenção ou não estar amparada pelo conceito  de renda, ou seja, estar comprovada que os valores de bolsa recebidas tem por único objetivo o  estudo e pesquisa, o que não é o caso dos autos.  Aliás,  essa  situação  já  encontra­se  devidamente  esclarecida  no  Manual  de  Perguntas e Respostas do IRPF, questão 167, abaixo transcrita:  RESIDÊNCIA MÉDICA   167 — Qual é o tratamento aplicável às importâncias recebidas  a  título  de  residência  médica  ou  por  estágio  remunerado  em  hospitais, laboratórios, centro de pesquisa e universidades, para  complementação de estudo ou treinamento e aperfeiçoamento?   Essas  importâncias  são  consideradas  rendimentos  do  trabalho,  ainda  que  não  haja  vínculo  empregatício  e  obrigatoriedade  de  desconto  para  o  INSS,  devendo  compor  a  base  de  cálculo  na  apuração da renda mensal sujeita à retenção na fonte e ao ajuste  anual. Com o advento do art. 2º da Lei nº 12.514, 28 de outubro  de 2011, que acrescentou o parágrafo único ao art. 26 da Lei nº  9.250, de 26 de dezembro de 1995 (a seguir transcrito), no caso  específico  das  bolsas  de  estudo  recebidas  pelos  médicos­ residentes, elas passam a ser isentas do imposto sobre a renda,  desde  que  atendidas  às  condições  impostas  nos  citados  dispositivos legais:   “Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo  e  de  pesquisa  caracterizadas  como  doação,  quando  recebidas  exclusivamente  para  proceder  a  estudos  ou  pesquisas  e  desde  que  os  resultados  dessas  atividades  não  representem  vantagem  para o doador, nem importem contraprestação de serviços.   Parágrafo único. Não caracterizam contraprestação de serviços  nem vantagem para o doador, para efeito da isenção referida no  caput, as bolsas de estudo recebidas pelos médicos­residentes.”  (NR)   (Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art.  26  e parágrafo  único; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento  do  Imposto  sobre  a  Renda  –  RIR/1999,  art.  43,  inciso  I;  e  parágrafo único)  No  caso  em  questão  não  houve  qualquer  demonstração  de  recebimento  exclusivo baseado em estudos, razão pela qual não há como acatar o entendimento externado  Fl. 158DF CARF MF     10 no  acórdão  recorrido.  Note­se  que  até  mesmo  para  efeitos  previdenciários  os  médicos  residentes  classificam­se  como  contribuintes  individuais,  ou  seja,  prestadores  de  serviços  autônomos demonstrando o caráter contraprestativo, ratificando a incidência de IRPF sobre as  bolsas  Entendo não existir previsão legal estabeleceu a sua não inclusão na base de  calculo do IRPF. Também não há nos autos elementos de convicção tendentes a comprovar que  esses valores de fato não objetivaram remunerar o trabalhador, demonstrando tratar­se de verba  consideradas rendimentos do trabalho.   Aliás,  essa  situação  foi  devidamente  enfrentada  pela  decisão  de  primeira  instância, a qual passo a transcrever, adotando como razões de decidir por entender a melhor  interpretação adotada ao caso concreto:  O Código  Tributário Nacional  estabelece  que  a  legislação  que  trata  de  outorga  de  isenção  deve  ser  interpretada  de  forma  literal (art. 111, inciso II).  Segundo o art. 26 da Lei n° 9.250, de 1995, somente são isentos  do Imposto de Renda os rendimentos recebidos a titulo de bolsa  de  estudos  quando  caracterizar  a  doação,  ou  seja,  quando  recebidos exclusivamente para proceder a estudo ou pesquisa e  o resultado dessas atividades não representar vantagem para o  doador e não caracterizar contraprestação de serviços.  Resta  saber,  então,  se  o  rendimentos  percebidos  em  razão  de  residência médica se enquadram no art. 26 da Lei n° 9.250, de  1995.  A natureza jurídica da residência médica está definida pela Lei  n° 6.932, de 1981:  Art. JO_ A Residência Médica constitui modalidade de 0751110  de pós­graduação, destinada a médicos,  sob a  forma de cursos  de  especialização,  caracterizada  por  treinamento  ena  serviço,  funcionando  sob  a  responsabilidade  de  instituições  de  saúde,  universitárias ou não, sob a orientação de profissionais médicos  de elevada qualificação ética e profissional. (Grifei)  Fica  claro,  portanto,  que  a  bolsa  de  estudo  devida  ao médico  residente não se enquadra nas características do art 26, da Lei  9.250/95,  pois  a  contraprestação  de  serviços  é  inerente  à  Residência Médica, tanto que o médico residente recebe a bolsa  de estudo relativa a 60 (sessenta) horas semanais de treinamento  em serviço (art. 4° da Lei n° 6.932, de 1981).  As  importâncias  recebidas  a  titulo  de  residência  médica,  independentemente  de  serem  chamadas  de  bolsa  de  estudo  na  legislação,  são  consideradas  rendimentos  do  trabalho  assalariado, ainda que não haja vinculo empregaticio e, como  tais, devem compor a base de cálculo na apuração da renda  mensal sujeita à retenção na fonte e ao ajuste anual.  Sobre  este  assunto  assim  decidiu  a  Sexta Câmara  do Primeiro  Conselho  de Contribuintes  do Ministério  da Fazenda  por meio  do Acórdão 106­11.848/2001:  Fl. 159DF CARF MF Processo nº 19707.000371/2008­28  Acórdão n.º 9202­007.522  CSRF­T2  Fl. 7          11 RENDIMENTOS  TRIBUTÁVEIS  ­  As  importáncias  recebidas  a  titulo  de  residência  médica,  independentemente,  de  serem  chamadas  de  "bolsa  de  estudo"  são  consideradas  rendimentos  C0111 vinculo empregaticio e como tais tributáveis na fonte e na  declaração. Recurso negado.  Destarte,  a  fonte  pagadora  procedeu  de  maneira  correta  ao  informar  em DIRF  (fl.47) as  quantias  pagas  ao  sujeito  passivo  corno rendimentos tributáveis.  Conclusão  Face  o  exposto,  voto  por  CONHECER  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional, para, no mérito, DAR­LHE PROVIMENTO.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.                                      Fl. 160DF CARF MF

score : 1.0
7602161 #
Numero do processo: 10467.900997/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-000.998
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1819; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 2          1 1  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10467.900997/2012­18  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3301­000.998  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  27 de novembro de 2018  Assunto  RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO  Recorrente  JORNAL CORREIO DA PARAÍBA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL      Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência  à  Unidade  de  Origem,  para  que  o  processo  seja  devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira,  Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Ari  Vendramini,  Salvador  Cândido  Brandão  Junior,  Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos  Roberto da Silva (Suplente Convocado).    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário  interposto contra decisão de primeira  instância  que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão  da repartição de origem que indeferira o pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI e não  homologara a compensação declarada, em razão do fato de que os créditos do IPI se referiam a  aquisições de insumos empregados na produção de águas minerais, classificadas na TIPI como  NT (Não Tributadas), tratando­se de produto fora do campo de incidência do imposto.  Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte reiterou seu pedido de  ressarcimento,  com base  no  princípio  da não  cumulatividade,  inclusive na  saída de  produtos  imunes, conforme doutrina e julgados que citou.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 67 .9 00 99 7/ 20 12 -1 8 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10467.900997/2012­18  Resolução nº  3301­000.998  S3­C3T1  Fl. 3          2 A  Delegacia  de  Julgamento  (DRJ)  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade,  sob  o  fundamento  de  que  não  alcançava  os  insumos  empregados  em  mercadorias não tributadas (N/T) o direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no  art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias­ primas,  produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem  aplicados  na  industrialização  de  produtos, isentos ou tributados à alíquota zero.  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância,  o  contribuinte  interpôs Recurso  Voluntário, em que repetiu os argumentos incluídos na Manifestação de Inconformidade.  É o relatório.    Voto  Winderley Morais Pereira, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio o decidido na Resolução nº 3301­000.992, de 27/11/2018, proferida no  julgamento do  processo nº 10467.900230/2012­99, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela  decisão (Resolução nº 3301­000.992):  Os autos foram instruídos com o Despacho Decisório n° 022397195 (fl. 24),  em  que  consta  um  número  de  processo  de  crédito  diferente  do  número  do  presente processo, qual seja, 10467­900.232/2012­88.  A  manifestação  de  inconformidade  e  o  recurso  voluntário  combatem  um  outro Despacho Decisório, o de número 022397178 (fls. 27 e 46 ­ manifestação  de inconformidade), no qual, porém, consta como processo de crédito o número  do presente: 10467.900230/2012­99.  Os valores dos créditos e correspondentes débitos (considerados como não  liquidados,  em  razão  das  glosas)  são  distintos  (fl.  24  ­  R$  14.230,94  /  R$  10.363,10,  e  fl.  46  ­  R$  16.942,93  /  R$  15.794,67),  porém  dizem  respeito  a  ressarcimento de créditos de IPI do 2° trimestre de 2007.  O Acórdão da DRJ (fls. 79 a 86) trata da controvérsia, sem, todavia, citar o  número do Despacho Decisório ou da folha dos autos em que se encontrava ou  mesmo do valor do crédito em discussão.  Isto  posto,  proponho  que  o  presente  julgamento  seja  convertido  em  diligência,  para  que  o  presente  processo  seja  devidamente  instruído  com  o  Despacho  Decisório  e  eventuais  informações  complementares  (ex:  informação  fiscal,  relatório  de  auditoria  fiscal  etc.)  concernentes  ao  presente  processo  (10467.900230/2012­99).  Em  seguida,  deve  ser  dada  ciência  às  partes  e  aberto  prazo  para  manifestações.  Findo  o  prazo,  os  autos  devem  retornar  conclusos  para  julgamento.  Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10467.900997/2012­18  Resolução nº  3301­000.998  S3­C3T1  Fl. 4          3 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista  nos §§  1º  e 2º  do  art.  47  do Anexo  II  do RICARF,  o  colegiado  decidiu  converter o julgamento em diligência para que o presente processo seja devidamente instruído  com  o Despacho Decisório  e  eventuais  informações  complementares  (ex:  informação  fiscal,  relatório de auditoria fiscal etc.) concernentes ao presente processo.  Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo para manifestações.  Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira  Fl. 98DF CARF MF

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7605156 #
Numero do processo: 10855.902913/2009-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 1002-000.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1741; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C0T2  Fl. 91          1 90  S1­C0T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10855.902913/2009­10  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1002­000.592  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  18 de janeiro de 2019  Matéria  IRPJ ­ PER/DCOMP  Recorrente  POSTO RANCHO TIBIRICA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005  PEDIDO  ELETRÔNICO  DE  RESTITUIÇÃO  E  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PER/DCOMP.  CRÉDITO  INFORMADO  DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO  DE  ESTIMATIVA  MENSAL.  POSSIBILIDADE.  SÚMULA  N.º  84  DO  CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO.  O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar­se de pagamento a título de  estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto  de  compensação,  não  sendo  apenas  utilizado  na  dedução  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  ou  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Liquido  (CSLL)  devida  ao  final  do  período  de  apuração  ou  para  compor  o  saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF  n.º  84,  é  possível  a  caracterização  de  indébito,  para  fins  de  restituição  ou  compensação, na data do recolhimento de estimativa.  Não  sendo  analisado  a  contento  o  direito  creditório  do  contribuinte,  especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento  superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de  verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil  de Julgamento.  Recurso Voluntário Provido Parcialmente  Aguardando Nova Decisão        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 29 13 /2 00 9- 10 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10855.902913/2009­10  Acórdão n.º 1002­000.592  S1­C0T2  Fl. 92          2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do  contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira  nova decisão.    (assinado digitalmente)  Ailton Neves da Silva ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Leonam Rocha de Medeiros ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva  (Presidente),  Ângelo Abrantes Nunes,  Breno  do Carmo Moreira Vieira  e  Leonam Rocha  de  Medeiros.  Relatório  Cuida­se, o caso versando, de Recurso Voluntário (e­fls. 46/47) ― autorizado  nos  termos  do  art.  33  do  Decreto  n.º  70.235,  de  6  de  março  de  1972,  que  dispõe  sobre  o  processo administrativo fiscal,  interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado  pela  recorrente,  indicada  no  preâmbulo,  devidamente  qualificada  nos  fólios  processuais,  relativo  ao  inconformismo  com  a  decisão  de  primeira  instância  (e­fls.  22/29),  proferida  em  sessão de 25 de fevereiro de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 14­32.676, da 5.ª Turma da  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), que,  por unanimidade de votos,  julgou  improcedente  a manifestação de  inconformidade  (e­fl.  09)  que  pretendia  desconstituir  o  Despacho  Decisório  (DD),  emitido  em  25/03/2009  (e­fl.  05),  emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a  Declaração  de  Compensação  (PER/DCOMP)  n.º  41477.57412.310306.1.3.04­6398,  transmitido em 31/03/2006, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o  direito creditório, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Data do fato gerador: 29/04/2005  ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO­ CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO.  Os  recolhimentos  mensais  de  IRPJ,  quer  calculados  sobre  a  receita bruta auferida nesses períodos, quer a partir de balanços  ou  balancetes  de  suspensão  ou  redução,  as  denominadas  estimativas,  não  caracterizam  pagamentos  do  tributo  a  ser  apurado com o balanço patrimonial  levantado no  final do ano­ calendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento,  modalidade  extintiva  da  obrigação  tributária,  só  se  exterioriza  em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto  sobre  a  renda  de  pessoa  jurídica  optante  pelo  regime  de  tributação anual.  Do  confronto  entre  o  montante  antecipado  ao  longo  do  ano­ calendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro  poderá  resultar  saldo  de  imposto  de  renda  a  pagar  ou  saldo  Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10855.902913/2009­10  Acórdão n.º 1002­000.592  S1­C0T2  Fl. 93          3 negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido,  é  passível  de  restituição  ou  compensação,  sobre  o  qual  serão  acrescidos  de  juros  à  taxa  Selic  contados  a  partir  de  1.º  de  janeiro subseqüente.  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.  Apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  são  passíveis  de  compensação  tributária,  conforme  artigo  170  do  Código  Tributário Nacional.  DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXIGÊNCIA DE DÉBITO.  CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA.  A  declaração  de  compensação  constitui  confissão  de  dívida  e,  sem  prova  em  contrário,  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência do débito, cuja compensação não foi homologada.  MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.  Considera­se  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente contestada pela contribuinte.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Veja­se o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da  manifestação  de  inconformidade,  conforme  se  extrai  do  relatório  constante  no  Acórdão  do  juízo a quo:    Trata­se de Manifestação de Inconformidade interposta em  face  de  Despacho  Decisório  em  que  foi  apreciada  a  PER/DCOMP  de  n.º  41477.57412.310306.1.3.04­6398,  por  intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de  CSLL  (código  de  receita:  2484)  de  sua  responsabilidade  com  crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo  (IRPJ: 5993).    Por  intermédio  do  despacho  decisório  de  fl.  03,  não  foi  reconhecido qualquer direito  creditório a  favor da  contribuinte  e,  por  conseguinte,  não­homologada a  compensação declarada  no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada  a existência do crédito informado "por tratar­se de pagamento a  título  de  estimativa  mensal  de  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real,  caso  em  que  o  recolhimento  somente  pode  ser  utilizado  na  dedução do  Imposto  de Renda  da Pessoa  Jurídica  (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)  devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo  negativo de IRPJ ou CSLL do período".    Irresignada,  interpôs  a  contribuinte  manifestação  de  inconformidade de fl. 07, na qual alega, em síntese, que: a) para  apuração da IRPJ a pagar do mês de janeiro de 2005, utilizou­se  da  opção  permitida  pela  legislação  em  vigor,  regime  de  estimativa,  apurando  imposto  de  renda  no  montante  de  R$  7.825,58,  conforme  DIPJ;  b)  referente  à  competência  de  dezembro  de  2005,  fora  levantado  balancete  de  verificação,  ocasião em que apurou um valor a recolher referente aos meses  acumulados  inferior  ao  valor  já  recolhido,  de  forma  que  suspendeu o pagamento de parte do valor apurado, ou seja, de  R$  219,80  da  CSLL  devida;  c)  no  preenchimento  da  DCTF,  referente ao 2.º semestre de 2005, informou como compensada a  Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10855.902913/2009­10  Acórdão n.º 1002­000.592  S1­C0T2  Fl. 94          4 diferença  apurada  e  não  paga  referente  ao  mês  de  dezembro/2005, quando o correto é pela opção de suspensão de  parte  do  valor  devido;  d)  retificou  a  DCTF  apresentada,  excluindo  a  compensação  informada  indevidamente,  procedimento este que extinguiu o PER/Dcomp apresentado. Ao  final, requer o cancelamento da cobrança do crédito indevido em  questão.  O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de  restituição, era da ordem de R$ 1.131,78, correspondente ao valor do crédito original na data  de  transmissão, o qual  seria utilizado para efetivar  a compensação, no  entanto,  analisadas  as  informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no  PER/DCOMP  por  tratar­se  de  pagamento  a  título  de  estimativa  mensal  de  pessoa  jurídica  tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do  Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido  (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou  CSLL  do  período,  razão  pela  qual  não  se  homologou  a  compensação,  pelo  que  o  débito  informado  para  compensar  não  foi  extinto,  isto  é,  não  foi  compensado.  Tem­se  o  seguinte  quadro sintético no Despacho Decisório:  Características do DARF discriminado no PER/DCOMP  Período de Apuração  (PA)  Código de Receita  Valor total do DARF  Data de Arrecadação  31/03/2005  5993  R$ 7.825,58  29/04/2005  Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2009  Principal: R$ 219,80  Multa: R$ 43,96  Juros: R$ 85,01  A  tese  de  defesa  não  foi  acolhida  pela  DRJ,  mantendo­se  o  não  reconhecimento  do  crédito  e,  por  conseguinte,  não  homologando  a  compensação,  eis,  em  síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae:    De  início,  cabe  ressaltar  que  o  crédito  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda  Pública,  para  que  seja  efetivada  a  compensação, deve ser líquido e certo, segundo dispõe o artigo  170  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  a  seguir  reproduzido:  "Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública."    Deriva daí que o pressuposto nuclear para a compensação  tributária é que o crédito pretendido pelo contribuinte contra a  Fazenda Pública se revista de certeza e liquidez.    A  certeza  diz  respeito  ao  reconhecimento  por  parte  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) da possibilidade  jurídica de o contribuinte compensar­se do suposto indébito. Já  a  liquidez  do  direito  há  de  ser  comprovada  pela  prova  documental  do  montante  compensável  a  ser  reconhecido  pela  Fazenda Pública.    Quanto à certeza, verifica­se que a IN SRF n.º 600, de 28 de  dezembro  de  2005,  vigente  à  época  da  transmissão  do  PER/Dcomp  sob  exame,  estabelecia,  em  seu  artigo  10,  que  a  Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10855.902913/2009­10  Acórdão n.º 1002­000.592  S1­C0T2  Fl. 95          5 pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real  anual  que  efetuar  pagamento  indevido  ou  a maior  de  IRPJ  a  título  de  estimativa  mensal,  somente  poderá  utilizar  o  valor  pago  ou  retido  na  dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que  houve  a  retenção  ou  pagamento  indevido  ou  para  compor  o  saldo negativo de IRPJ do período.    Por  intermédio  do  despacho  decisório  de  fl.  03,  não  foi  reconhecido qualquer direito  creditório a  favor da  contribuinte  e,  por  conseguinte,  não­homologada a  compensação declarada  no  presente  processo,  ao  fundamento  de  que  a  pessoa  jurídica  tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido  ou a maior de  imposto de  renda, a  título de estimativa mensal,  somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ devido  ao  final  do  período  de  apuração  em  que  houve  a  retenção  ou  pagamento  indevido  ou  para  compor  o  saldo  negativo  de  IRPJ  do período.    A  contribuinte,  por  sua  vez,  alegou,  em  apertada  síntese,  que  incorreu  em  erro  ao  preencher  a  DCTF,  relativa  ao  2.º  semestre  de  2005,  ao  fundamento  de  que  ao  efetuar  os  balancetes  de  verificação/suspensão  informou  em  DCTF  como  compensada a diferença apurada e não paga, quando o correto é  pela opção de suspensão de parte do valor devido, pois este era  inferior ao montante apurado e recolhido em dezembro de 2005.    Posta assim a questão, passo à análise do mérito.    Pela  legislação  relativa  à  apuração  do  imposto  de  renda  (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real,  tem­ se  que  os  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte  no  decorrer  dos  meses  do  ano  civil  são  recolhimentos  por  estimativa,  configurando antecipações do tributo devido no final do período  anual  de  apuração.  Ou  seja,  a  interessada,  porquanto  fez  a  opção  prevista  no  artigo  20  da  Lei  n.º  9.430/96,  fica  obrigada  aos  recolhimentos mensais por  estimativa,  com base na  receita  bruta, devendo, ao final do período de apuração anual, proceder  ao confronto entre os valores recolhidos por estimativa e o valor  devido de IRPJ apurado.    A  questão  constante  dos  autos  fica  mais  clara  se  examinarmos os artigos 220 a 232, do Regulamento do Imposto  de Renda ­ RIR/99, transcritos a seguir:  "Apuração Trimestral do Imposto  Art. 220. O  imposto  será determinado com base no  lucro real,  presumido ou arbitrado, por períodos de apuração  trimestrais,  encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e  31 de dezembro de cada ano­calendário (Lei n.º 9.430, de 1996,  art. 1.º)  § 1.º ao § 2.º Omissis.  Apuração Anual do Imposto  Art.  221.  A  pessoa  jurídica  que  optar  pelo  pagamento  do  imposto na forma desta Seção deverá apurar o lucro real em 31  de dezembro de cada ano (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º, § 3.º).  Parágrafo único. Omissis.  Pagamento por Estimativa  Art.  222.  A  pessoa  jurídica  sujeita  à  tributação  com  base  no  lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional,  em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei  n.º 9.430, de 1996, art. 2.º).  Parágrafo único.  A  opção  será manifestada  com  o  pagamento  do  imposto  correspondente  ao mês  de  janeiro  ou  de  início  de  Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10855.902913/2009­10  Acórdão n.º 1002­000.592  S1­C0T2  Fl. 96          6 atividade,  observado  o  disposto  no  art.  232  (Lei  n.º  9.430,  de  1996, art. 3.º, parágrafo único).  Base de Cálculo  Art.  223.  A  base  de  cálculo  do  imposto,  em  cada  mês,  será  determinada  mediante  a  aplicação  do  percentual  de  oito  por  cento  sobre  a  receita  bruta  auferida mensalmente,  observadas  as disposições desta Subseção (Lei n.º 9.249, de 1995, art. 15, e  Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º).  § 1.º ao § 6.º Omissis.  Art. 224 ao Art. 227. Omissis  Alíquota do Imposto e Adicional  Art.  228.  O  imposto  a  ser  pago  mensalmente  na  forma  desta  Seção será determinado mediante a aplicação, sobre a base de  cálculo, da alíquota de quinze por cento (Lei n.º 9.430, de 1996,  art. 2.º, § 1.º).  Parágrafo  único.  A  parcela  da  base  de  cálculo,  apurada  mensalmente,  que  exceder  a  vinte  mil  reais  ficará  sujeita  à  incidência de adicional do imposto à alíquota de dez por cento  (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º, § 2.º).  Deduções do Imposto Mensal  Art.  229.  Para  efeito  de  pagamento,  a  pessoa  jurídica  poderá  deduzir do  imposto apurado no mês, o  imposto pago ou  retido  na  fonte  sobre  as  receitas  que  integraram  a  base  de  cálculo,  bem  como  os  incentivos  de  dedução  do  imposto  relativos  ao  Programa de Alimentação do Trabalhador, doações aos Fundos  da Criança e do Adolescente, Atividades Culturais ou Artísticas,  Atividade Audiovisual, e Vale­Transporte, este último até 31 de  dezembro  de  1997,  observados  os  limites  e  prazos  previstos  para  estes  incentivos  (Lei  n.º  8.981,  de  1995,  art.  34,  Lei  n.º  9.065, de 1995, art. 1.º, Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º e Lei n.º  9.532, de 1997, art. 82, inciso II, alínea "f").  Parágrafo único. No caso em que o imposto retido na fonte seja  superior ao devido, a diferença poderá ser compensada com o  imposto mensal a pagar relativo aos meses subseqüentes.  Suspensão, Redução e Dispensa do Imposto Mensal  Art.  230.  A  pessoa  jurídica  poderá  suspender  ou  reduzir  o  pagamento  do  imposto  devido  em  cada  mês,  desde  que  demonstre,  através  de  balanços  ou  balancetes  mensais,  que  o  valor acumulado  já pago excede o  valor  do  imposto,  inclusive  adicional,  calculado  com  base  no  lucro  real  do  período  em  curso (Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35, e Lei n.º 9.430, de 1996,  art. 2.º).  § 1.º ao § 4.º Omissis  Deduções do Imposto Anual  Art.  231.  Para  efeito  de  determinação  do  saldo  de  imposto  a  pagar ou a  ser  compensado,  a  pessoa  jurídica  poderá  deduzir  do imposto devido o valor (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º, § 4.º):  I ­ II ­ Omissis;  III ­ do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas  computadas na determinação do lucro real;  1V ­ do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230.  Opção da Forma de Pagamento  Art. 232. A adoção da forma de pagamento do imposto prevista  no art. 220, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao lucro real, ou a  referida  no  art.  221,  será  irretratável  para  todo  o  ano­ calendário (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 3.º)".    Da  leitura do texto  legal podemos  inferir que o lucro real,  deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração  anual  é  uma  alternativa  que,  para  seu  exercício  requer  pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222,  223, 228 a 230.    Dessa  forma,  a  pessoa  jurídica,  ao  optar  pela  forma  de  apuração  do  imposto  de  renda  com  base  no  lucro  real  anual,  poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em  cada  mês,  desde  que  demonstre,  através  de  balanços  ou  Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10855.902913/2009­10  Acórdão n.º 1002­000.592  S1­C0T2  Fl. 97          7 balancetes  mensais,  que  o  valor  acumulado  já  pago,  excede  o  valor  do  tributo,  calculado  com base  no  lucro  real  período  em  curso.    O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale  ao  próprio  ajuste  efetuado  entre  o  mês  de  janeiro  e  o  mês  de  levantamento do balanço ou balancete. O tributo calculado com  base  no  lucro  real  daquele  período  (janeiro  ao  mês  de  levantamento  do  balanço)  será  comparado  com  todo  o  tributo  recolhido sobre as operações de janeiro até mês anterior ao do  levantamento  do  balanço  ou  balancete.  Se  a  soma  dos  pagamentos  efetuados  for maior  que  o  tributo  devido  apurado  com  base  no  balanço  ou  balancete,  a  empresa  não  terá  que  pagar o tributo relativo ao mês de levantamento do balanço. Se o  tributo apurado no balanço ou balancete  for maior,  a  empresa  deverá pagar a diferença.    Portanto,  as  estimativas  mensais,  quer  calculadas  sobre  base  estimada,  quer  a  partir  de  balanços  ou  balancetes  de  suspensão ou  redução, não  são extintivas do crédito  tributário,  vez  que  constituem mera  antecipação do  tributo  a  ser  apurado  ao final do ano­calendário. Sendo mera antecipação, não há que  se falar em pagamento indevido ou a maior. Quando, ao final do  ano­calendário, apura­se  saldo negativo do  tributo, resta então  configurado o pagamento indevido ou a maior, aí sim passível de  restituição ou compensação.    A contribuinte, em sua peça de defesa, informa que a soma  dos  pagamentos  efetuados  até  dezembro/2005  foi  maior  que  o  tributo  devido  apurado  com  base  nos  balancetes.  Ou  seja,  segundo a própria manifestação de  inconformidade em análise,  estaria descaracterizado o objeto da DCOMP formalizada às fls.  01/02, vez que a contribuinte assente que na realidade inexistem  o indébito e o débito nela discriminados, tendo sido um equívoco  a  transmissão,  em  31/03/2006,  da  PER/Dcomp  n.º  41477.57412.310306.1.3.04­6398.    Conclui­se, portanto, que a manifestação de inconformidade  de fl. 07 objetiva o cancelamento da compensação do débito de  CSLL, período de apuração: dezembro de 2005, no valor de R$  219,80, para evitar sua cobrança.    Contudo, em que pese às alegações da recorrente, não  lhe  assiste razão.    Primeiro, porque, no que atine ao indébito, no valor de R$  1.131,78, não há correção a ser feita no despacho decisório de  fl. 03,  tendo em conta a inobservância de requisito básico para  sua formalização, qual seja, a existência de um crédito tributário  junto  à  Fazenda  Nacional,  pois,  como  visto,  a  lei  permite  a  compensação de valor pago de tributo, quando este se referir à  modalidade  de  extinção  de  obrigação  tributária,  o  que  não  abrange  o  recolhimento  por  estimativa,  por  não  significar  extinção  de  obrigação  tributária,  mas  tão­somente  o  saldo  negativo apurado ao final do período.    Ademais,  há  que  se  esclarecer  que  não  houve,  na  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  qualquer  questionamento quanto ao não reconhecimento pela autoridade  fiscal  do  indébito  pleiteado.  Ao  contrário  disso,  em  relação  a  este procedimento houve concordância, vez que a postulante não  Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10855.902913/2009­10  Acórdão n.º 1002­000.592  S1­C0T2  Fl. 98          8 contestou  a  correção,  reconhecendo  inclusive  a  inexistência do  indébito.    Nessa vereda, o Decreto n.º 70.235 (PAF), de 1972, em seu  art. 17, dispõe:  "Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contemplada  pelo  impugnante.  (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997)"    Sendo  assim,  a  questão  não  pode  ser  mais  abordada  em  momento processual posterior.    Segundo,  porque  caso  a  declaração  do  débito  de  CSLL,  período  de  apuração:  dezembro/2005,  no  valor  de  R$  219,80,  tenha  sido  um  equívoco,  tal  afirmação  somente  pode  ser  edificada  com  prova  das  informações  a  ela  referente,  confrontando  os  registros  contábeis  e  fiscais  da  recorrente,  de  modo a se conhecer qual seria efetivamente o montante devido a  título de CSLL no mês de dezembro de 2005.    Ressalte­se  que  a  Recorrente  não  se  desincumbiu  do  ônus  da  prova  constitutiva  do  direito  que  alega  possuir,  principalmente, provar a base de cálculo da contribuição social  sobre o lucro líquido (dezembro/2005), com base em balanço ou  balancete de suspensão ou redução, a contribuição social sobre  o  lucro  líquido  devida  e  recolhida  em  meses  anteriores  (até  novembro/2005),  de  forma  a  apurar  a  inexistência  ou  não  de  contribuição social a pagar no mês de dezembro/2005, por isso  os  registros  contábeis  e  demais  documentos  fiscais,  acerca  da  base de cálculo da CSLL, são elementos indispensáveis para que  se  comprove a alegação aqui  firmada pela  contribuinte,  dentre  eles:  os  registros  contábeis  de  conta  no  ativo  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido  a  recuperar,  a  expressão  deste  direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos nos  livros  "Diário"  ou  "Lalur",  a  demonstração  do  resultado  do  exercício, etc., além dos registros pertinentes ao livro "LALUR".    Terceiro, não se pode olvidar que a contribuinte apresentou  originariamente  DCTF,  no  2.º  semestre  de  2005,  na  qual  informou  débito  de  CSLL  no  valor  de  R$  219,80,  vinculando  compensação com pagamento  indevido ou a maior, mediante a  PER/Dcomp, que é, em verdade, o objeto do despacho decisório  em questão (fls. 15/17).    Nesse  prisma,  na  DCTF­original  havia  declaração  da  existência de débito de CSLL, código de receita: 2484, do mês de  dezembro de 2005, no valor de R$ 219,80, que foi retificado para  R$  0,00  (zero),  mediante  DCTF­retificadora,  ND  n.º  11.76.10.01.40­49,  processada  em  20/04/2009,  após,  portanto,  ciência do despacho decisório (fls. 18/19).    Ora,  se  havia  contradição  e  desejando  a  recorrente  fazer  valer  montante  diverso  daquele  originariamente  declarado  incumbia­lhe,  nesta  fase  processual,  apresentar  provas,  confrontando  os  registros  contábeis  e  fiscais,  que  permitissem  albergar  sua  tese  de  inexistência  ou  redução  do  débito  declarado.    Inclusive,  ressalte­se  que  a  Per/Dcomp  versada  nos  autos  traduz  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  à  exigência do débito indevidamente compensado, atributo válido  para as declarações de compensação apresentadas à Secretaria  da Receita Federal do Brasil (RFB) a partir de 31 de outubro de  Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10855.902913/2009­10  Acórdão n.º 1002­000.592  S1­C0T2  Fl. 99          9 2003, data de  início da vigência da Medida Provisória n.º 135,  in verbis:  "Art. 17. O art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996,  alterado pelo art. 49 da Lei n.º 10.637, de 2002, passa a vigorar  com a seguinte redação:  "Art. 74  §  3.º  Além  das  hipóteses  previstas  nas  leis  específicas  de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto  de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo,  da declaração referida no § 1.º:  (...)  III  ­  os  débitos  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  que  já tenham sido encaminhados à Procuradoria­Geral da  Fazenda  Nacional  para  inscrição  em  Dívida  Ativa  da  União;  IV  ­  os  créditos  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal com o  débito  consolidado  no  âmbito  do  Programa  de  Recuperação  Fiscal  ­  Refis,  ou  do  parcelamento  a  ele  alternativo; e  V  ­  os  débitos  que  já  tenham  sido  objeto  de  compensação  não  homologada  pela  Secretaria  da  Receita Federal.  §  5.º  O  prazo  para  homologação  da  compensação  declarada  pelo  sujeito  passivo  será  de  cinco  anos,  contado  da  data  da  entrega  da  declaração  de  compensação.  § 6.º A declaração de compensação constitui confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência dos débitos indevidamente compensados".    Assim,  levando­se  em  conta  que  em  nenhum  momento  preocupou­se  a  Recorrente  em  trazer  qualquer  elemento  contábil­escritural  que  pudesse  embasar  seu  entendimento  de  inexistência  do  débito,  prevalecem  os  dados  originariamente  declarados, mesmo porque a Declaração de Compensação goza  do efeito de confissão legal de dívida.    Com  tais  razões,  VOTO  pela  improcedência  da  manifestação de inconformidade.  No  recurso  voluntário,  o  contribuinte,  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real, argumenta, ipsis litteris:     ­ Que, para a apuração do Imposto de renda a pagar, como  também da Contribuição Social sobre Lucro Líquido ­ CSLL do  período em questão, procedeu com base no que determina o art.  10, da IN SRF 093, de 24/12/1997, a saber:  Art. 10. A pessoa jurídica poderá:  I  ­  suspender  o  pagamento  do  imposto,  desde  que  demonstre  que  o  valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período  em  curso,  é  igual  ou  inferior  à  soma  do  imposto  de  Tenda  pago,  correspondente aos meses do mesmo ano­calendário, anteriores àquele  a que se refere o balanço ou balancete levantado;  II ­ reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença  positiva  entre  o  imposto  devido  no  período  em  curso,  e  a  soma  do  imposto  de  renda  pago,  correspondente  aos  meses  do  mesmo  ano­ calendário,  anteriores àquele a que  se  refere o balanço ou balancete  levantado.  ­  Dessa  Forma,  conforme  se  comprova  através  das  cópias  do  livro  LALUR,  como  também  de  demonstrativo  da  apuração  em  anexo, apurou­se em 31/03/2005 o valor do IRPJ a pagar de R$  6.693,80;  e o  valor pago  foi  de R$ 7.825,58,  conforme guia de  Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10855.902913/2009­10  Acórdão n.º 1002­000.592  S1­C0T2  Fl. 100          10 recolhimento e também DCTF entregues e disponíveis no Centro  Virtual  de  Atendimento  ao  Contribuinte  e­CAC,  ou  seja,  fora  pago um valor a maior de R$ 1.131,78;  ­  Em  31/12/2005,  também  conforme  cópia  do  livro LALUR  em  anexo,  o  valor  apurado  da  CSLL  a  pagar  foi  de  R$  219,80,  e  considerando o recolhimento a maior no mês anterior, fora este  valor compensado parcialmente com o crédito do IRPJ, restando  ainda um saldo a compensar de R$ 911,98.  Nesse  contexto,  os  autos  foram  encaminhados  para  este  Egrégio  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  sendo,  posteriormente,  distribuído  para  este  relator.  É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos  de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo.  Voto             Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator  Admissibilidade  Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do  art. 23­B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017,  haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários  de  reconhecimento  de  direito  creditório,  até  o  valor  em  litígio  de  60  (sessenta)  salários  mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário.  Outrossim,  a  Portaria  CARF  n.º  111,  de  20  de  julho  de  2018,  que  estabelece  o  momento  da  verificação  do  valor  em  litígio  para  fins  de  definição  da  competência das Turmas Extraordinárias  (TE's), disciplina que a verificação do valor em  litígio,  para  fins  de  definição  da  competência  das  TE's,  será  realizada  pela  Divisão  de  Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos  (Disor/Cegap)  no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem  como  define  que  permanecerá  na  competência  das  referidas  turmas  o  recurso  voluntário  cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou  para  o  conselheiro  relator,  desde  que  a  partir  dessa  atualização  o  valor  em  litígio  não  exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos.  Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do e­processo  para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de  R$ 214,74.  Observo,  ainda,  que  o  Recurso  Voluntário  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade  intrínsecos,  uma  vez  que  é  cabível,  há  interesse  recursal,  a  recorrente  detém  legitimidade  e  inexiste  fato  impeditivo,  modificativo  ou  extintivo  do  poder  de  recorrer.  Outrossim,  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade  extrínsecos,  pois  há  regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresenta­se  tempestivo (intimação em 25/03/2011, sexta­feira, e­fls. 31/32, e postagem recursal em  Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10855.902913/2009­10  Acórdão n.º 1002­000.592  S1­C0T2  Fl. 101          11 25/04/2011, e­fls. 79, 82 e 89), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art.  33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal.  Portanto, conheço do Recurso Voluntário.  Mérito  Quanto ao mérito, observo nulidade parcial no Acórdão da DRJ, inclusive  seguindo as razões de decidir dos Acórdãos ns.º 1302­002.855 e 1302­002.866, ambos de  13/06/2018,  bem  como  o  Precedente  deste  Colegiado  da  2.ª  Turma  Extraordinária,  da  sessão de 09 de agosto de 2018, Acórdão n.º 1002­000.359, os Precedentes desta 2.ª Turma  Extraordinária,  da  sessão  de  12  e  13  de  setembro  de  2018, Acórdãos  ns.º  1002­000.393,  1002­000.394,  002­000.395,  1002­000.396,  1002­000.397,  1002­000.398,  1002­000.404,  1002­000.406,  1002­000.408,  1002­000.409  e,  por  fim,  os  Precedentes  desta  2.ª  Turma  Extraordinária, da sessão de 06 de novembro de 2018, Acórdãos ns.º 1002­000.462, 1002­ 000.465, 1002­000.466, 1002­000.467 e 1002­000.468. Explico.  Trata  o  presente  caso  de  pedido  de  restituição  (CTN,  art.  165,  I),  alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado  com  pedido  de  declaração  de  compensação,  na  qual  o  contribuinte  confessa  débito  (Lei  9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição  resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal  (Lei 9.430, art. 74, caput,  §§ 1.º e 2.º), para  fins de extinção do crédito  tributário  (CTN, art. 156,  II). Afinal,  como  reza  o Código Civil,  se  duas  pessoas  forem  ao mesmo  tempo  credor  e  devedor  uma  da  outra, as duas obrigações extinguem­se, até onde se compensarem (CC, art. 368).  O  regime  jurídico  da  compensação  tem  fundamento  no  art.  170  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN)  dispondo  que  a  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar  a  compensação  de  créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.  Neste  diapasão,  inicialmente,  o  instituto  da  compensação  tributária  foi  regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras  para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no  art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações.  Para que se tenha a compensação torna­se necessário que o contribuinte  comprove que o  seu crédito  (montante a  restituir) é  líquido e certo. Cuida­se de conditio  sine qua non,  isto  é,  sem a qual não pode ocorrer a  compensação. O ônus probatório do  crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele,  de toda sorte as partes têm o dever de cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa  e  efetiva,  de  mais  a  mais,  deve­se  buscar  a  revelação  da  verdade  material  na  tutela  do  processo administrativo fiscal.  Pois bem. No caso  em comento,  entendendo possuir  crédito,  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  a  título  de  estimativa  mensal  de  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real,  o  contribuinte  transmitiu  PER/DCOMP  objetivando  a  extinção  das  obrigações  por  força  do  instituto  da  compensação. No  entanto,  o  despacho decisório  negou  o  direito  creditório,  sob  o  fundamento  de  que  as  estimativas  pagas  a  maior  só  poderiam ser utilizadas na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da  Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10855.902913/2009­10  Acórdão n.º 1002­000.592  S1­C0T2  Fl. 102          12 Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração  ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta forma, em verdade,  com  tal  conclusão,  o  direito  creditório  não  chegou  a  ser  efetivamente  analisado  e,  neste  sentido, a decisão da DRJ, de igual modo, também não se aprofundou acerca do crédito, o  que, no meu entender e seguindo os precedentes anteriormente citados, ocasiona a nulidade  da decisão da primeira instância recursal.  Veja­se que nos precedentes citados as conclusões foram as mesmas:  Acórdão n.º 1302­002.866  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Data do fato gerador: 28/12/2006  COMPENSAÇÃO  ESTIMATIVAS.  POSSIBILIDADE.  NULIDADE ACÓRDÃO  Nos  termos  da  súmula  84  do  CARF,  é  possível  a  compensação  de  estimativas  pagas  indevidamente  ou  a  maior.  Não  sendo  analisado  o  direito  creditório  do  contribuinte,  sob  o  argumento  já  superado  pelo  CARF,  é  nulo  o  acórdão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento.    Acórdão n.º 1302­002.855  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Data do fato gerador: 08/08/2006  COMPENSAÇÃO  ESTIMATIVAS.  POSSIBILIDADE.  NULIDADE ACÓRDÃO  Nos  termos  da  súmula  84  do  CARF,  é  possível  a  compensação  de  estimativas  pagas  indevidamente  ou  a  maior.  Não  sendo  analisado  o  direito  creditório  do  contribuinte,  sob  o  argumento  já  superado  pelo  CARF,  é  nulo  o  acórdão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento.    Acórdão n.º 1002­000.359  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­Calendário: 2004  PEDIDO  ELETRÔNICO  DE  RESTITUIÇÃO  E  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PER/DCOMP.  CRÉDITO  INFORMADO  DECORRENTE  DE  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR  A  TÍTULO  DE  ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84  DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO.  O  crédito  informado  no  PER/DCOMP,  por  tratar­se  de  pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica  tributada pelo  lucro real, pode ser objeto de compensação,  não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda  da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre  o  Lucro  Liquido  (CSLL)  devida  ao  final  do  período  de  apuração  ou  para  compor  o  saldo  negativo  de  IRPJ  ou  CSLL  do  período.  Nos  termos  da  Súmula  CARF  n.º  84,  o  Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10855.902913/2009­10  Acórdão n.º 1002­000.592  S1­C0T2  Fl. 103          13 pagamento  indevido  ou  a  maior  a  título  de  estimativa  caracteriza  indébito  na  data  de  seu  recolhimento,  sendo  passível de restituição ou compensação.  Não  sendo  analisado  o  direito  creditório  do  contribuinte,  sob  argumento  superado  pelo  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais  já  constante de  verbete  sumular,  é nulo o  acórdão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento.  Recurso Voluntário Provido Parcialmente  Aguardando Nova Decisão  Por  sua  vez,  o  contribuinte  vem  alegando  que  retificou  a  DCTF  do  período  em  litígio  e  que  o  IRPJ  com  período  de  apuração  em  31/03/2005,  apurado  por  estimativa, teria como valor a recolher o montante de R$ 6.693,80, mas fora recolhido R$  7.825,58,  havendo  um  pagamento  a  maior  de  R$  1.131,78,  o  que  daria  ensejo  a  homologação da compensação apresentada.  Entretanto,  a  decisão  da  DRJ,  em  primeiro  momento,  também  não  se  aprofundou  acerca  do  crédito,  validando  o  despacho  decisório,  por  seus  próprios  fundamentos,  reiterando  aquela  argumentação  de  impossibilidade  de  apurar  indébito  de  estimativas pagas a maior. Noutra vertente, de modo mais superficial, uma vez que estava  indeferindo a manifestação de inconformidade pelo primeiro fundamento, argumentou que  faltaria  a  comprovação  do  indébito  de  estimativa  por  ausência  de  documentação  fiscal  e  contábil.  Noutro  prisma,  o  contribuinte,  no  recurso  voluntário,  colaciona  documentação (e­fls. 48/74) apta a lastrear e justificar, ao menos em verossimilhança, o seu  direito  creditório,  tendo  juntado  o  LALUR,  demonstrado  a  apuração  do  lucro  real,  apresentado o demonstrativo de compensações, o balanço patrimonial e a demonstração de  resultado  do  exercício. Destarte,  tais  documentos  e os  demais  elementos  probatórios  dos  autos  corroboram,  ao menos  em  tese,  com a possibilidade de haver direito  creditório  em  favor do contribuinte e não analisado pela DRJ, face ao argumento de impossibilidade de  analisar indébito de estimativa. No mais, destaco a premissa em que se lastreou as razões  de  decidir  do  Acórdão  n.º  9303­005.065,  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  no  sentido  de  que  "a  noção  de  preclusão  não  pode  ser  levada  às  últimas  consequências,  devendo  o  julgador  ponderar  sua  aplicação  no  caso  concreto  à  luz  dos  elementos  constantes  dos  autos  e  que  conduzem  à  identificação  plena  da  matéria  tributável,  em  homenagem  ao  princípio  da  verdade material"  (Acórdão  n.º  9202­001.634,  citado  como  sendo o paradigma). Veja­se a ementa que trago a colação, ipsis litteris:  Acórdão n.º 9303­005.065  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA   Data do fato gerador: 24/04/2008  RECURSO  ESPECIAL  DE  DIVERGÊNCIA.  ENFRENTAMENTO  DA  FUNDAMENTAÇÃO  DO  ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO.  (...)  PROVAS  DOCUMENTAIS  NÃO  CONHECIDAS.  REVERSÃO  DA  DECISÃO  NA  INSTÂNCIA  SUPERIOR.  RETORNO  DOS  AUTOS  PARA  APRECIAÇÃO  E  PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO.  Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10855.902913/2009­10  Acórdão n.º 1002­000.592  S1­C0T2  Fl. 104          14 Considerado  equivocado  o  acórdão  recorrido  ao  entender  pelo  não  conhecimento  de  provas  documentais  somente  carreadas  aos  autos  após  o  prazo  para  apresentação  da  impugnação, estes devem retornar à  instância inferior para  a sua apreciação e prolação de novo acórdão.  Recurso Especial do Contribuinte provido.  De mais a mais, nos  termos da Súmula CARF n.º 84, a última instância  recursal já pacificou que "É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição  ou compensação, na data do recolhimento de estimativa." (Súmula revisada conforme Ata  da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).  A  súmula  acima  transcrita  foi  confeccionada  a  partir  dos  seguintes  acórdãos precedentes: Acórdão n.º 1201­00.404, de 23/2/2011, Acórdão n.º 1202­00.458,  de  24/1/2011,  Acórdão  n.º  1101­00.330,  de  09/7/2010,  Acórdão  n.º  9101­00.406,  de  02/10/2009, Acórdão n.º 105­15.943, de 17/8/2006.  Ressalte­se, ainda, que o art. 10 da Instrução Normativa da Secretaria da  Receita Federal do Brasil (SRF) n.º 600, de 2005 (originalmente constante no art. 10 da IN  SRF n.º 460, de 2004), que proibia expressamente a compensação da estimativa fiscal nos  termos  defendidos  pelo  despacho  decisório  e  pela  decisão  recorrida,  foi  posteriormente  revogado pela Instrução Normativa SRF n.º 900, de 2008, que não trouxe igual disciplina  proibitiva,  inexistindo,  para  o  contexto  destes  autos,  dúvidas  quanto  a  possibilidade  de  utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa fiscal de  pessoa jurídica tributada pelo lucro real.  Registro,  oportunamente,  que  o  fato  discutido  nos  autos  é  a  não  homologação  da  compensação  do  débito  de  estimativa  mensal,  declarada  em  PER/DCOMP,  sob  o  fundamento  de  que  o  crédito  utilizado  refere­se,  de  igual modo,  a  pagamento  a  título  de  estimativa mensal  de  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real,  de  modo que cabe pontuar que o art. 6.º da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018, que deu  nova redação ao inciso IX do § 3.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, para estabelecer que  não poderão  ser objeto  de compensação os débitos  relativos  ao  recolhimento mensal por  estimativa  do  IRPJ  e  da  CSLL,  não  é  aplicável  na  regulamentação  das  Declarações  de  Compensação  transmitidas  antes da publicação da  referida nova  lei,  na  forma do art.  11,  inciso II, da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018.  Além  disto,  como  consta  daqueles  precedentes  citados  no  início  deste  voto, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Divisão de Tributação da  9.ª Região Fiscal da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9.ª Região  Fiscal, já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por  meio da Solução de Consulta n.º 285  ­ SRRF/9.ª RF/Disit, de 17 de  julho de 2009, eis a  ementa:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ  SALDO  NEGATIVO.  PAGAMENTO  A  MAIOR.  COMPENSAÇÃO.  (...)  A  diferença  a  maior,  decorrente  de  erro  do  contribuinte,  entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base  na  receita  bruta  ou  em  balancetes  de  suspensão/redução,  Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10855.902913/2009­10  Acórdão n.º 1002­000.592  S1­C0T2  Fl. 105          15 está sujeito à restituição ou compensação mediante entrega  do PER/Dcomp.  Dispositivos  Legais:  Lei  n.º  9.430,  de  1996,  arts.  2.º  e  6.º;  Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n.º 3, de 2000; IN  RFB n.º 900, de 2008, arts. 2.º a 4.º e 34.  Acrescente­se,  outrossim,  que  a  Coordenação­Geral  de  Tributação,  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovou a Solução de Consulta COSIT n.º 19, de  05 de dezembro de 2011, apreciando  indagação  interna relacionada ao mesmo objeto ora  em discussão, tendo concluído que:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  ESTIMATIVAS.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.  O  art.  11  da  IN  RFB  n.º  900,  de  2008,  que  admite  a  restituição  ou  a  compensação  de  valor  pago  a  maior  ou  indevidamente  de  estimativa,  é  preceito  de  caráter  interpretativo das normas materiais que definem a formação  do  indébito  na  apuração  anual  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  ou  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido, aplicando­se, portanto, aos PER/DCOMP originais  transmitidos  anteriormente  a  1.º  de  janeiro  de  2009  e  que  estejam pendentes de decisão administrativa.  Caracteriza­se  como  indébito  de  estimativa  inclusive  o  pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o  encerramento do período de apuração, seja pela quitação do  débito  de  estimativa  de  dezembro  dentro  do  prazo  de  vencimento,  seja  pelo  pagamento  em  atraso  da  estimativa  devida  referente  a  qualquer  mês  do  período,  realizado  em  ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo  na  hipótese  de  a  restituição  ter  sido  solicitada  ou  a  compensação declarada na vigência das IN SRF n.º 460, de  2004, e IN SRF n.º 600, de 2005.  A nova  interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n.º 900,  de 2008, aplica­se inclusive aos PER/DCOMP retificadores  apresentados a partir de 1.º de janeiro de 2009, relativos a  PER/DCOMP  originais  transmitidos  durante  o  período  de  vigência da IN SRF n.º 460, de 2004, e  IN SRF n.º 600, de  2005,  desde  que  estes  se  encontrem  pendentes  de  decisão  administrativa.  Dispositivos  Legais:  Lei  n.º  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  arts.  2.º  e  74;  IN  SRF  n.º  460,  de  18  de  outubro  de  2004; IN SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB  n.º 900, de 30 de dezembro de 2008.  Portanto, não sendo analisado com o cuidado esperado o direito creditório  do  contribuinte,  sob  argumento  superado  pelo  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais já constante de verbete sumular, concluo que há nulidade no Acórdão da DRJ.  Ora,  o  entendimento  deflagrado  no  Despacho  Decisório,  o  qual  estava  equivocado,  inclusive  conforme  o  já  mencionado  enunciado  sumular  do  CARF,  foi,  posteriormente,  ratificado  pela  decisão  recorrida,  de  modo  que,  efetivamente,  temos  nulidade plenamente observada nos autos. Isto porque, especialmente a unidade de origem  Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10855.902913/2009­10  Acórdão n.º 1002­000.592  S1­C0T2  Fl. 106          16 indeferiu  sumariamente  o  PER/DCOMP,  evidenciando­se,  desde  então,  a  preterição  do  direito  de  defesa,  a  invocar  a  aplicação  do  art.  59,  II,  do  Decreto  n.º  70.235,  de  1972,  porquanto  restou  ceifado  o  direito  da  contribuinte  demonstrar  o  seu  direito  creditório.  Aliás,  a  própria DRJ poderia  ter  determinado diligências,  inclusive de  ofício, mas  não  o  fez,  deixando  de  aplicar  o  art.  18  do  Decreto  n.º  70.235,  de  1972,  para  aferir  a  autenticidade,  ou  não,  do  crédito  declarado  pelo  contribuinte.  Por  último,  o  próprio  contribuinte trouxe documentação apta a atestar, ao menos em tese, o seu direito creditório.  A questão é que não se pode reconhecer que tenha ocorrido uma efetiva  análise  da  legitimidade  do  direito  creditório  indicado  no  PER/DCOMP,  pelo  que  se  dá  provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de se compensar pagamento  indevido ou a maior de estimativas mensais, reformando­se o acórdão neste ponto, devendo  a  DRJ  proceder  a  análise  do  direito  creditório,  considerando  as  provas  colacionadas  ao  processo, inclusive no Recurso Voluntário.  Aliás,  a DRJ  pode,  também,  inclusive  de  ofício,  independentemente  de  requerimento  expresso do  sujeito passivo, na  forma do art.  18 do Decreto n.º  70.235, de  1972, determinar a realização de diligências para aferir a autenticidade, ou não, do crédito  declarado pelo contribuinte.  Considerando o até aqui esposado e  reconhecendo a possibilidade de se  compensar  o  pagamento  indevido  ou  a maior  das  estimativas,  entendo  pela  nulidade  do  julgamento da DRJ, devendo ser proferida nova decisão.  Dispositivo  Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que  dos  autos  constam,  voto  em  conhecer  do  recurso  voluntário  e,  no  mérito,  em  lhe  dar  provimento  parcial  para  anular  o  acórdão  proferido,  determinando  o  retorno  dos  autos  à  instância a quo para que esta análise o direito creditório do Recorrente, podendo, inclusive,  determinar  a  realização  de  diligências,  em  busca  da  verdade  material,  para  um  melhor  entendimento do crédito indicado no pedido de compensação.  É como Voto.    (assinado digitalmente)  Leonam Rocha de Medeiros ­ Relator                            Fl. 106DF CARF MF

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Numero do processo: 18050.005083/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a irresignação do contribuinte devem ser apresentados na impugnação, não se conhecendo daqueles suscitados em momento posterior que não se destinam a contrapor fatos novos ou questões trazidas na decisão recorrida. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO Considera-se salário-de-contribuição para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. ESTAGIÁRIO. A inobservância das normas e condições fixadas na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores do segurado empregado impõem o enquadramento dos trabalhadores como segurados obrigatórios na qualidade de empregados, desconsiderando-se o vínculo pactuado sob o título de estágio e caracterizando-se as importâncias pagas a título de bolsa de complementação educacional de estagiário como salário-de-contribuição. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 2402-006.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento de modo a excluir do lançamento o valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a José Antônio C. Marino e para que seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento de modo a excluir do lançamento o valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a José Antônio C. Marino e para que seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior

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| Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1 1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18050.005083/2008­69  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­006.645  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  2 de outubro de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.  Recorrente  SOCIEDADE DE ASSISTÊNCIA FAMILIAR DOS SERVIDORES  FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS DO BRASIL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004  ALEGAÇÕES  APRESENTADAS  SOMENTE  NO  RECURSO  VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.  Os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta  a  irresignação  do  contribuinte  devem  ser  apresentados  na  impugnação,  não  se  conhecendo  daqueles suscitados em momento posterior que não se destinam a contrapor  fatos novos ou questões trazidas na decisão recorrida.  SALÁRIO­DE­CONTRIBUIÇÃO  Considera­se salário­de­contribuição para o empregado e trabalhador avulso:  a  remuneração a  totalidade dos  rendimentos pagos, devidos ou creditados a  qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que  seja a sua forma.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  SEGURADO  EMPREGADO.  CARACTERIZAÇÃO. ESTAGIÁRIO.  A  inobservância  das  normas  e  condições  fixadas  na  Lei  n°  6.494/77  e  a  presença dos  elementos  caracterizadores do  segurado empregado  impõem o  enquadramento dos trabalhadores como segurados obrigatórios na qualidade  de  empregados,  desconsiderando­se  o  vínculo  pactuado  sob  o  título  de  estágio  e  caracterizando­se  as  importâncias  pagas  a  título  de  bolsa  de  complementação educacional de estagiário como salário­de­contribuição.  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  LEI  Nº  8.212/1991,  COM  A  REDAÇÃO  DADA  PELA  MP  449/2008,  CONVERTIDA  NA  LEI  Nº  11.941/2009.  PORTARIA  PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.  Na aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 50 83 /2 00 8- 69 Fl. 341DF CARF MF     2 comparação  entre dispositivos,  percentuais  e  limites. É necessário,  antes  de  tudo,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto  que  sejam  aplicáveis  ao  mesmo  tipo  de  conduta.  O  cálculo  da  penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº  14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  conhecer  parcialmente do recurso para, na parte conhecida, dar­lhe parcial provimento de modo a excluir do  lançamento o valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a José Antônio C. Marino e para que seja  efetuado o cálculo da multa mais benéfica consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB  nº 14/2009.      (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Presidente.       (assinado digitalmente)  Gregório Rechmann Junior ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho  Filho,  Mauricio  Nogueira  Righetti,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci,  Denny  Medeiros  da  Silveira,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  Luis  Henrique  Dias  Lima,  Renata  Toratti  Cassini  e  Gregorio Rechmann Junior    Fl. 342DF CARF MF Processo nº 18050.005083/2008­69  Acórdão n.º 2402­006.645  S2­C4T2  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  em  face  da  decisão  da  5ª  Tuma  da  DRJ/SDR,  consubstanciada  no  Acórdão  nº  15­23.651  (fls.  306/314),  que  julgou  procedente  em  parte  a  impugnação apresentada pelo sujeito passivo.    Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância:    Trata­se  de  Auto  de  Infração  (AI),  Debcad  n°  37.155.793­3,  lavrado  em  04/08/2008,  para  constituição  do  crédito  tributário  incidente  sobre  as  remunerações pagas aos  segurados  empregados,  correspondente à  contribuição  do segurado, arrecadada mediante desconto, relativas ao período de 01/01/2003  a  31/12/2004,  com  consolidação  em  04/08/2008,  no  montante  de  R$12.231,64(doze mil duzentos e trinta e um reais e sessenta e quatro centavos).    Foram utilizados para o levantamento do débito apurado neste AI os valores de  Salário  de  Contribuição  informado  pela  empresa  em  cada  competência  nos  resumos  de  folhas  de  pagamento  dos  segurados  empregados,  nas  folhas  de  pagamento de estagiários e nos documentos contábeis fornecidos pela empresa.    De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal,  a  empresa  nos  anos  de  2003  e  2004  não  possuía  inscrição  no  Programa  de  Alimentação  do  Trabalhador  —  PAT,  instituída pela Lei 6.321 de 14/04/76, conforme consulta ao MTE sobre inscrição  no PAT. A  auditoria  concluiu  que os  valores  pagos  aos  segurados  referentes  à  alimentação  se  constituem  em  uma  liberalidade  da  empresa,  sendo  base  de  cálculo de contribuições previdenciárias.    Para o cálculo do salário de contribuição, nas competências 01/2003, 02/2003,  03/2003, 04/2004, 07/2004 e 12/2004 foram utilizados os recibos de pagamento a  título de alimentação paga aos empregados da empresa, obtidos nos documentos  de caixa. Foram abatidos os valores descontados dos segurados empregados cujo  valor  foi  obtido  no  resumo  mensal  das  folhas  de  pagamento  da  matriz  e  das  filiais.    Para as demais competências o valor foi obtido através das notas fiscais faturas  referentes  à  compra  de  ticket  pela  empresa,  tendo  sido  abatidos  os  valores  descontados dos segurados bem como o valor referente à taxa de administração.  Foi elaborada planilha demonstrativa (fis 43).    O  relatório  informa  ainda  que  na  competência  11/2003  a  empresa  deixou  de  incluir na base de cálculo para o valor da contribuição previdenciária o valor de  R$34,62 constante na folha de pagamento da matriz, referente ao pagamento de  triênio a José Antonio C. Marino, bem como não considerou o valor do salário de  Adriana dos Santos Bispo constante nas folhas de pagamento também da matriz  nas competências 08, 09 e 10/2004 (R$462,00). Também não considerou o valor  das parcelas  remuneratórias  referente à  rescisão de  contrato de Pedro Roberto  Ferreira da Cunha constante na  folha de pagamento da matriz, na competência  Fl. 343DF CARF MF     4 10/2004 (R$9.368,03) para o cálculo do valor do salário de contribuição para a  previdência social.    A  fiscalização diz  ter verificado que alguns dos estagiários que se encontravam  prestando serviço na empresa foram contratados em desconformidade com a Lei  n°  6.494  de  07/12/1977.  Que  não  foram  cumpridos  os  requisitos  para  a  realização do estágio, inclusive não houve intermediação de instituição de ensino  e a empresa informou que para eles não foi formalizado o Acordo de Cooperação  e  Termo  de  Compromisso  de  Estágio,  inclusive  não  houve  intermediação  de  instituição de ensino e a empresa  informou que para eles não  foi  formalizado o  Acordo de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio.    Os  estagiários  em  referência  foram  considerados  segurados  obrigatórios  na  qualidade de  segurados  empregados. A bolsa  educacional por  eles  recebida  foi  considerada  salário  de  contribuição,  integrando  a  base  de  cálculo  das  contribuições previdenciárias.    O  relatório  informa  que  os  estagiários  contratados  pela  empresa  em  desconformidade com a Lei n° 66.494 de 07/12/1977 na matriz nos anos 2003 e  2004 foram Nilma Pereira dos Reis, Aldo Mercês Oliveira, Sidney R. C. P. Souza,  Dulcinez L. Brito e Adriana dos Santos Bispo e na filial 00.628.869/0002­66, no  ano de 2003, Adildes Farias de Souza e Lusimary Santana Santos.Anexa planilha  demonstrativa  (fls.44/45). Os  valores de  segurados  foram aferidos utilizando as  alíquotas  mínimas  da  época  sobre  as  bases  de  cálculo,  não  se  caracterizando  como apropriação indébita.    No  Discriminativo  Analítico  de  Débito  —DAD,  integrante  do  AI  encontra­se  demonstrados por competência e por levantamento, as bases de cálculo apuradas  e as alíquotas utilizadas.    Foram  feitos  levantamentos  para  fins  de  separação  dos  fatos  geradores  de  contribuições previdenciárias de acordo com a sua origem, possibilitando melhor  visualização  nos  relatórios  das  bases  de  cálculo  lançadas,  e  dos  recolhimentos  efetuados pelo contribuinte.    As  contribuições  incluídas  neste  lançamento  foram  apuradas  nos  seguintes  levantamentos:    ALI  —  VL  Ref.  Alimentação  —  Neste  levantamento  encontram­se  lançados  os  valores  referentes  a  pagamento  a  alimentação  apurados  nos  documentos  contábeis da empresa e que não foram incluídos em GFIP.    VFP  —  VL  Ref.  A  Folha  de  Pagamento  —  Neste  levantamento  encontram­se  lançados  os  fatos  geradores  obtidos  nos  resumos  mensais  das  folhas  de  pagamento consolidada da empresa e que não foram incluídos em GFIP.    EST  —  Folha  de  Pagamento  Estagiário  —  Neste  levantamento  encontram­se  lançados  os  fatos  geradores  obtidos  nas  folhas  de  pagamento  de  estagiários  referentes  à  bolsa  estágio,  considerados  como  remuneração  salarial  e  que  não  foram incluídos em GFIP.    Fl. 344DF CARF MF Processo nº 18050.005083/2008­69  Acórdão n.º 2402­006.645  S2­C4T2  Fl. 4          5 Foi esclarecido que na via do AI destinada ao contribuinte não contém os TIAF,  TIAD, TEAF e o REC pois estes documentos já foram entregues ao contribuinte  no início, ou no decorrer da ação fiscal.    Não foi emitido Termo de Arrolamento de Bens — TAB.    A ação fiscal teve início com o Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF) (fls. 32 e  34) com ciência em 15/05/2008.    O  contribuinte  foi  cientificado  pessoalmente  do  Auto  de  Infração  (AI)  sob  julgamento em e apresentou impugnação em 05/09/2008 (fl. 203).    O sujeito passivo apresentou impugnação parcial, às fls. 203 a 205, alegando, em  síntese:    Que  foram  apresentadas  as  GFIP  retificadoras  das  competências  08,  09  e  10/2004,  constando  a  remuneração  de  Adriana  Santos  Bispo  no  valor  de  R$462,00/mês,  assim  como  os  comprovantes  de  recolhimentos  respectivos,  relativos à diferença de contribuição devida acrescida.    Que  na  competência  10/2004  se  fez  incluir,  ainda,  a  remuneração  no  valor  de  R$9.368,03, paga a Sr. Pedro Cunha. Em razão disso, cabe, a favor da autuada a  redução da multa ex ofício aplicada naquelas competências.    Que não procede a alegação da  fiscalização de que não se  fez  incluir na GFIP  relativa  a  competência  11/2003  o  valor  de  R$34,62,  correspondente  ao  triênio  pago a José Antônio C. Marino. Diz que conforme se extrai da análise da Folha  de Pagamento e da GFIP relativas àquela mesma competência, aquele valor de  R$34,62 compôs a remuneração total daquele colaborador, e por conseqüência, a  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária  e  o  salário­de­contribuição  declarados  em  GFIP,  no  valor  total  de  R$611,62  (anexa  cópia  da  GFIP  com  destaques) — R$577,00 salário + R$34,62 triênio. Diz que deve­se ser revisto o  lançamento nesse aspecto, excluindo­se do lançamento a parcela relativa a essa  incidência, assim como os respectivos consectários.    Que também não procedem as alegações da fiscalização relativas ao lançamento  de  contribuições  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas  a  estagiários,  os  fundamentos de não estarem consentâneos os  termos do estágio aos ditames da  Lei  n°  6.474/77.  Que  na  verdade,  no  curso  da  fiscalização  nem  todos  os  documentos  relativos aos contratos de estágio  foram encontrados, de modo que  restaram  alguns  que  foram  pela  fiscalização  descaracterizados  e  enquadrados  como empregados segurados obrigatórios.    Afirma  que  tal  pretensão  não  pode  persistir  à  vista  dos  documentos  que  ora  anexa,  comprobatórios  da  regularidade  dos  contratos  de  estágio  descaracterizados pela fiscalização, de modo que também devem ser deduzidos da  parte lançada os créditos relativos à tal suposta incidência.    Alega  ainda  decadência  qüinqüenal  do  direito  de  lançar  os  referidos  créditos  pretendidos, citando a Súmula Vinculante n° 008, de 20/06/2008.  Fl. 345DF CARF MF     6   Aduz  que  a  fiscalização  ultimou­se,  com  a  lavratura  do  AI  (instrumento  que  formaliza a pretensa constituição do crédito) em agosto de 2008. Que operou­se a  decadência  do  direito  de  constituição  dos  créditos  relativos  às  competências  anteriores, de modo que não podem ser exigidos os créditos lançados relativos ás  competências 01 a 07/2003.    Pede seja acolhida a  impugnação, para  fins de deduzir dos valores  lançados as  parcelas já quitadas, aquelas lançadas com base em fatos nesta peça infirmados e  aquelas relativas aos créditos já extintos pela decadência.    Pede que seja considerado procedente a impugnação e desconstituído o  lançamento.    A DRJ  julgou procedente em parte a  impugnação do contribuinte, nos seguintes  termos, em síntese:    *  tratando­se  de  tributo  lançado  pela  modalidade  prevista  no  artigo  acima  transcrito  e  pela  inexistência  de  outro  prazo  legal  fixado  para  a  homologação,  considera­se  homologado o pagamento e definitivamente extinto o crédito tributário com o transcurso de cinco  anos, a contar da ocorrência do fato gerador sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, salvo  se estivesse comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação, fatos não configurados nos autos  do presente Processo Administrativo Fiscal (PAF);    *  com  a  ciência  do  lançamento  tendo  sido  efetuada  em  06/08/2008  pessoal,  os  créditos referentes a fatos geradores ocorridos nas competências de 01/2003 até a competência de  03/2003,  e  nas  competências  05/2003  até  a  competência  07/2003  pela  existência  de  pagamentos  antecipados (com constatação nos sistema informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil  — RFB) e pelo transcurso do prazo de cinco anos sem pronunciamento da Fazenda Pública, estão  definitivamente extintos pela homologação tácita, na forma do art. 156, e seu inciso VII, combinado  com o art. 150, e seu § 4% ambos da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário  Nacional (CTN);    *  na  competência  04/2003  não  foi  encontrado  recolhimento,  portanto  esta  competência está excluída da homologação tácita prevista no art. 150 § 4° do CTN;    *  quanto  à  alegação  da  impugnante  de  que  foram  apresentadas  as  GFIP  retificadoras das competências 08, 09 e 10/2004, constando a remuneração de Adriana Santos Bispo  no valor de R$462,00/mês, assim como os comprovantes de recolhimentos respectivos, relativos à  diferença de contribuição devida acrescida, tal fato demonstra que a empresa reparou o equívoco. A  declaração em GFIP nestas remunerações não irá interferir no processo ora em exame;    *quanto  à  alegação  de  que  na  competência  10/2004  se  fez  incluir,  ainda,  a  remuneração no valor de R$9.368,03, paga ao Sr. Pedro Cunha e de que em razão disso, cabe,  a  favor  da  autuada  a  redução  da  multa  ex  ofício  aplicada  naquela  competência  tal  fato  não  irá  interferir  no  julgamento  deste  processo.  O  auto  ora  em  exame  refere­se  a  descumprimento  de  obrigação  principal.  Tal  fato  somente  iria  interferir  se  o  auto  em  exame  se  tratasse  de  descumprimento de obrigação acessória. Consultamos a GFIP 10/2004 e não encontramos tal valor  na remuneração paga ao Sr. Pedro Cunha;  Fl. 346DF CARF MF Processo nº 18050.005083/2008­69  Acórdão n.º 2402­006.645  S2­C4T2  Fl. 5          7   *quanto à alegação de que o triênio pago a José Antônio C. Marino conforme se  extrai  da  análise da Folha  de Pagamento  e  da GFIP  relativas  àquela mesma  competência,  aquele  valor  de  R$34,62  compôs  a  remuneração  daquele  colaborador,  e  por  conseqüência,  a  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária,  consultada  a  GFIP  referente  a  competência  11/2003  verificamos que tal valor não havia sido considerada na base de cálculo pela impugnante quando da  entrega da GFIP antes da ação fiscal ora em exame;    *quanto à alegação de que não procedem as alegações da fiscalização relativas ao  lançamento  de  contribuições  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas  a  estagiários  em  desacordo  com a Lei n°6.474/77 não procede  tal  alegação. A empresa não apresentou  toda  a documentação  referente  a  qualquer  dos  estagiários  caracterizados  segurados  empregados,  apontados  pela  fiscalização.  Não  foi  apresentado  qualquer  comprovante  de  que  tais  segurados  estariam  freqüentando cursos de nível superior, profissionalizante de 2° grau, ou escola de educação especial  conforme dispõe o § 1° do art. 1° da Lei n° 6494, de 07 de dezembro de 1977, em vigor è época dos  fatos  geradores.  Constatou­se  na  documentação  apresentada  pela  impugnante  que  na  folha  de  pagamento  referente  novembro  de  2003  ,  bem  como  na  folha  de  pagamento  13/2003  a  empresa  descontou  do  Sr.  Aldo  Mercês  de  Oliveira  a  parte  do  INSS  referente  a  desconto  de  segurado,  portanto já o tratava como empregado;    * o  levantamento ALI — VL Ref. Alimentação não  foi  contestado e deverá  ser  desmembrado deste Auto de Infração.    Cientificada da decisão da DRJ, a Autuada apresentou recurso voluntário (de fls  329/336), por meio do qual apresentou os seguintes argumentos defensivos, em síntese:    (1)  competências  08,  09  e  10/2004  ­  remuneração  de  ADRIANA  SANTOS  BISPO e de PEDRO CUNHA: conforme documentos acostados aos autos, foram pelo contribuinte  apresentadas as GFIP's retificadoras das competências 08, 09 e 10/2004, constando a remuneração  de ADRIANA SANTOS BISPO no valor de R$ 462,00/mês; há, ainda, a remuneração no valor de  R$  9.368,03  paga  ao  Sr.  PEDRO  CUNHA,  assim  como  os  comprovantes  dos  recolhimentos  respectivos, relativos à diferença da contribuição devida acrescida. Em razão disso, cabe, em favor  da Autuada/Recorrente a exclusão da multa ex offício aplicada em relação àquelas competências.    (2) competência 11/2003 ­ triênio pago a JOSÉANTÔNIO C. MARINO: não  procede a alegação da fiscalização de que não se fez incluir na GFIP relativa à competência 11/2003  o valor de R$ 34,62 correspondente ao triênio pago a José Antônio C. Marino. Conforme se extrai  da análise da Folha de Pagamento e da GFIP relativas àquela mesma competência, aquele valor de  R$ 34,62 compôs a remuneração total daquele colaborador, e por conseqüência, a base de cálculo  da contribuição previdenciária e o salário­de­contribuição declarados em GFIP, no valor total de R$  611,62  (vide  cópia  da GFIP  com  destaques) — R$ 577,00  salário + R$ 34,62  triênio. Deve,  por  isso, ser revisto o lançamento nesse aspecto, excluindo­se do lançamento a parcela relativa à essa  incidência, assim como os respectivos consectários.    Fl. 347DF CARF MF     8 (3)  Imposição  relativa  à  remuneração  paga  a  estagiários  —  ausência  de  exame deste  fundamento pela  instância a quo — cerceamento de defesa:  em  sede de  defesa,  sustentou­se  que  no  curso  da  fiscalização  nem  todos  os  documentos  relativos  aos  contratos  de  estágio  foram  encontrados,  de  modo  que  restaram  alguns  que  foram  pela  fiscalização  descaracterizados  e  enquadrados  como  empregados  segurados  obrigatórios.  Contudo,  quando  da  impugnação do  lançamento,  fez a Recorrente  juntar à peça de defesa documentos comprobatórios  da  regularidade  daqueles  contratos,  evidenciando,  assim,  não  se  tratar  de  remuneração  sujeita  à  incidência da contribuição previdenciária. A despeito disso, a DRJ não examinou tais documentos,  nem fez qualquer menção a isso no julgamento/decisão impugnado pela via do recurso voluntário.    (4) ad argumentandum: sobre a forma de aferição do regime sancionatório a  aplicar;  identificação do regime mais  favorável ao  contribuinte;  excesso na  imposição  fiscal  impugnada:  de  acordo  com  as  previsões  das  leis  aplicáveis  (antes  e  depois  da MPv  449/2008),  pode­se sintetizar da seguinte forma:        Ocorre  que,  para  fins  de  determinação  de  qual  regime  aplicar,  considerou  o  E.  Auditor  Fiscal  o  somatório  de  todas  as  penalidades  passíveis  de  serem  aplicadas  para  os  fatos  supostamente  identificados,  quando,  na  realidade,  em  se  tratando  de  penalidades  distintas,  e  distintamente instituídas e especificadas na legislação, o cotejo a ser realizado é o de comparação,  uma a uma, na forma como instituídas no regime anterior e no regime atual.    Deverá ser aplicada, em última hipótese, a multa de mora de 20%, excluindo­se  qualquer  imposição  de  multa  de  ofício —  se  admitida  a  sua  cumulação  com  aquela —  porque  somente passível de ser cobrada em relação a fatos geradores ocorridos a partir da vigência da MPv  n° 449/2008, antes da qual não havia qualquer previsão de imposição ele penalidade de tal natureza.    (5)  ad  argumentandum:  multa  de  mora  e  multa  de  ofício  .  cumulação.  impossibilidade:  analisando  a  autuação,  percebe­se  que  houve,  ainda  que  em  relação  a  apenas  algumas competências, a cumulação da multa de mora com a multa por infração (multa de oficio), o  que representa, mesmo numa análise mais superficial, ilegalidade a macular a autuação em apreço.    É o relatório.  Fl. 348DF CARF MF Processo nº 18050.005083/2008­69  Acórdão n.º 2402­006.645  S2­C4T2  Fl. 6          9   Voto             Conselheiro Gregório Rechmann Junior ­ Relator    O  recurso  é  tempestivo.  Entretanto,  dele  conheço  parcialmente  em  face  da  existência de teses defensivas apenas em grau recursal, conforme abaixo demonstrado.    Da Multa de Mora e Multa de Ofício. Cumulação. Impossibilidade.    Por meio do  Item 05 da  sua peça  recursal,  aduz o Recorrente que analisando a  autuação  em  comento,  percebe­se  que  houve,  ainda  que  em  relação  a  apenas  algumas  competências, a cumulação da multa de mora com a multa por  infração  (multa de oficio), o que  representa, mesmo numa análise mais superficial, ilegalidade a macular a autuação em apreço.    Ocorre  que,  cotejando  o  recurso  voluntário  com  a  impugnação  apresentada,  verifica­se que tal linha de defesa foi deduzida apenas em grau recursal.    De fato, conforme se extrai do relatório supra, na primeira defesa apresentada, os  argumentos defensivos do contribuinte consistiram, em síntese:    Ø Decadência do direito de o Fisco lançar os créditos relativos às competências  01 a 07/2003;    Ø Que  foram  apresentadas  as  GFIP  retificadoras  das  competências  08,  09  e  10/2004,  constando  a  remuneração  de  Adriana  Santos  Bispo.  Que  na  competência  10/2004  se  fez  incluir,  ainda,  a  remuneração  no  valor  de  R$9.368,03, paga a Sr. Pedro Cunha;    Ø Que não procede a alegação da fiscalização de que não se fez incluir na GFIP  relativa a competência 11/2003 o valor de R$34,62, correspondente ao triênio  pago a José Antônio C. Marino;    Ø Que  também  não  procedem  as  alegações  da  fiscalização  relativas  ao  lançamento  de  contribuições  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas  a  estagiários.    Como se vê, nada foi dito em relação à cumulação da multa de mora com a multa  de infração, o que implica no não conhecimento do recurso neste particular.    Ademais,  não  fosse  isso  o  suficiente  para  se  chegar  a  tal  conclusão  –  não  conhecimento  do  recurso  voluntário  –  verifica­se  que,  no  caso  concreto,  não  houve  aplicação  de  multa de mora cumulada com multa de ofício.    Fl. 349DF CARF MF     10 De fato, analisando­se o Auto de Infração (fls. 02), o Discriminativo Sintético de  Débito (DSD) (fls. 15/18), o Discriminativo Sintético por Estabelecimento (DSE) (fls. 19/21) e os  Fundamentos Legais do Débito (fls. 28/29), verifica­se que foi aplicada pela fiscalização multa de  mora no percentual de 30%, prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº  9.876, de 26.11.99.    Assim, também por este fundamento – ausência de aplicação, no caso em análise,  de multa de mora cumulada  com multa de ofício – conclui­se pelo não conhecimento do  recurso  voluntário neste ponto específico.    Das  competências  08,  09  e  10/2004  ­  remuneração  de ADRIANA  SANTOS  BISPO e de PEDRO CUNHA    Neste ponto, aduz a fiscalização que a Autuada não considerou o valor do salário  de  Adriana  dos  Santos  Bispo  constante  nas  folhas  de  pagamento  também  da  matriz  nas  competências  08,  09  e  10/2004  (R$462,00).  Além  disso,  a  empresa  não  considerou  o  valor  das  parcelas  remuneratórias  referente  à  rescisão  de  contrato  de Pedro  Roberto  Ferreira  da Cunha,  constantes na folha de pagamento da matriz, na competência 10/2004 (R$9.368,03) para o cálculo  do valor do salário de contribuição para a previdência social.    Em sua defesa, a Autuada informou que apresentou GFIPs retificadoras, pelo que,  em  razão  disso,  cabe,  em  favor  da  Autuada,  a  redução  da  multa  ex  ofício  aplicada  naquelas  competências.    A  DRJ,  neste  particular,  concluiu  que  a  declaração  em  GFIP  nestas  remunerações não irá interferir no processo ora em exame.    Ocorre  que,  tendo  o  contribuinte  retificado  as  GFIPs  referentes  aos  meses  de  agosto, setembro e outubro de 2004, e recolhido, com os devidos acréscimos legais, as diferenças  das  contribuições  previdenciárias  apuradas  em  razão  dessas  retificações,  conforme  se  infere  dos  documentos acostados às fls. 257/271 (referente à competência de 08/2004), fls. 27 a 286 (referente  à  competência  de  09/2004)  e  fls.  287  a  301  (referente  à  competência  de  10/2004),  impõe­se  o  reconhecimento da quitação dos  referidos débitos,  inexistindo nos autos, até o presente momento,  um extrato analítico do débito lançado, evidenciando o recolhimento de tais importâncias.    No que tange à  redução  /  exclusão da multa aplicada naquelas competências em  razão da apresentação das GFIPs retificadoras, trata­se de matéria afeta ao lançamento que tem por  objeto  o  descumprimento  de  obrigação  acessória,  pelo  que  não  se  conhece  do  recurso  voluntário  neste ponto.    Da competência 11/2003 ­ triênio pago a JOSÉANTÔNIO C. MARINO    Neste  ponto,  a  fiscalização  sinalizou  que  a  empresa  na  competência  11/2003  deixou de incluir na base de cálculo para o cálculo do valor da contribuição previdenciária o valor  de R$ 34,62 constante na  folha de pagamento da matriz referente a pagamento de triênio a José  Antônio C. Marino.    Fl. 350DF CARF MF Processo nº 18050.005083/2008­69  Acórdão n.º 2402­006.645  S2­C4T2  Fl. 7          11 Em  contrapartida,  sustentou  o  Recorrente  que  não  procede  a  alegação  da  fiscalização de que não se fez incluir na GFIP relativa à competência 11/2003 o valor de R$ 34,62  correspondente ao triênio pago a José Antônio C. Marino. Conforme se extrai da análise da Folha  de Pagamento e da GFIP relativas àquela mesma competência, aquele valor de R$ 34,62 compôs a  remuneração  total  daquele  colaborador,  e  por  consequência,  a  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária e o salário­de­contribuição declarados em GFIP, no valor total de R$ 611,62 (vide  cópia da GFIP com destaques) — R$ 577,00 salário + R$ 34,62 triênio. Deve, por isso, ser revisto  o  lançamento  nesse  aspecto,  excluindo­se  do  lançamento  a  parcela  relativa  à  essa  incidência,  assim como os respectivos consectários.    A DRJ, neste particular, concluiu que consultada a GFIP referente a competência  11/2003 verificamos que tal valor não havia sido considerada na base de cálculo pela impugnante  quando da entrega da GFIP antes da ação fiscal ora em exame.    Entretanto,  os  documentos  apresentados  pelo  contribuinte  ainda  no  curso  da  fiscalização  e  reapresentados  por  ocasião  da  impugnação,  conduzem  a  entendimento  diverso  daquele alcançado pelo órgão julgador de primeira instância.    Vejamos:    · Às  fls.  163,  consta Comprovante  de Recolhimento  / Declaração  referente  à  GFIP  de  novembro/2003,  no  valor  total  a  recolher  de  R$  1.227,98,  com  chancela  da  instituição  bancária  atestando  o  pagamento  na  data  de  04/12/2003:        Fl. 351DF CARF MF     12 · Às fls. 164, Relação dos Trabalhadores Constantes do Arquivo SEFIP (página  01),  constando  o  Sr.  José  Antonio  Carvalho Marino,  com  remuneração  no  valor de R$ 611,62, bem como totais ao final da página:      Obs.:  o  valor  de  R$  611,62  referente  ao  Sr.  José  Antônio  corresponde  ao  somatório dos montantes de R$ 577,00 (salário) e de R$ 34,62 (triênio), conforme evidencia a Folha  de Pagamento de novembro/2003 acostada às fls. 141:        · Às fls. 166Relação dos Trabalhadores Constantes do Arquivo SEFIP (página  02), constando Resumo do Fechamento, com total a recolher no valor de R$  1.277,98, montante efetivamente recolhido pelo contribuinte:        Fl. 352DF CARF MF Processo nº 18050.005083/2008­69  Acórdão n.º 2402­006.645  S2­C4T2  Fl. 8          13 Neste  contexto,  da  análise  dos  documentos  apresentados  pelo  contribuinte,  verifica­se que, de fato, o valor de R$ 34,62 compôs a remuneração total daquele colaborador, e por  consequência,  a  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária  e  o  salário­de­contribuição  declarados  em  GFIP,  no  valor  total  de  R$  611,62  (R$  577,00  ­  salário  +  R$  34,62  –  triênio),  impondo­se a reforma da decisão da DRJ neste ponto.    Da  imposição  relativa  à  remuneração  paga  a  estagiários  —  ausência  de  exame deste fundamento pela instância a quo — cerceamento de defesa    No  Relatório  Fiscal  (parágrafo  3.4,  fls.  40),  informou  a  fiscalização  que  se  verificou  que  alguns  dos  estagiários  que  se  encontravam  prestando  serviço  na  empresa  foram  contratados pela mesma em desconformidade com a Lei n°. 6.494 de 07/12/1977. Nestes casos não  foram cumpridos os requisitos para a realização do estágio, inclusive não houve intermediação de  instituição  de  ensino  e  a  empresa  informou  que  para  eles  não  foi  formalizado  o  Acordo  de  Cooperação  e  Termo  de  Compromisso  de Estágio.  Os  estagiários  em  referência  são,  portanto,  segurados  obrigatórios  na  qualidade  de  segurados  empregados  e,  assim,  a  bolsa  de  complementação educacional por eles recebida foi considerada salário de contribuição, integrando  a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Os estagiários contratados pela empresa em  desconformidade  com  a  Lei  n°.  6.494  de  07/12/1977  na matriz  nos  anos  de  2003  e  2004  foram  Nilma Pereira dos Reis, Aldo Mercês Oliveira, Sidney R. C. P. Souza, Dulcinez L. Brito e Adriana  dos  Santos  Bispo  e  na  filial  00.628.869/0002­66,  no  ano  de  2003,  Adildes  Farias  de  Souza  e  Lusimary Santana Santos.    A defesa do contribuinte, neste ponto, sinalizou que não procedem as alegações  da fiscalização relativas ao lançamento de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a  estagiários, ao fundamentos de não estarem consentâneos os termos do estágio aos ditames da Lei  n°  6.474/77.  Na  verdade,  no  curso  da  fiscalização  netas  todos  os  documentos  relativos  aos  contratos  de  estágio  foram  i  encontrados,  de  modo  que  restaram  alguns  que  foram  pela  fiscalização descaracterizados e enquadrados como empregados segurados obrigatórios.    A DRJ, ao contrário do quanto aduzido no recurso voluntário, no sentido de que  não houve exame, pelo órgão  julgador de piso,  dos documentos apresentados, nem que este  teria  feito qualquer menção a isso no julgamento, expressamente concluiu que:    ü Quanto à alegação de que não procedem as alegações da fiscalização relativas  ao  lançamento  de  contribuições  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas  a  estagiários em desacordo com a Lei n°6.474/77 não procede tal alegação;    ü A  empresa  não  apresentou  toda  a  documentação  referente  a  qualquer  dos  estagiários caracterizados segurados empregados, apontados pela fiscalização;    ü Não  foi  apresentado  qualquer  comprovante  de  que  tais  segurados  estariam  frequentando cursos de nível superior, profissionalizante de 2° grau, ou escola  de educação especial conforme dispõe o § 1° do art. 1° da Lei n° 6494, de 07  de dezembro de 1977, em vigor à época dos fatos geradores;    Fl. 353DF CARF MF     14 ü Constatamos  ainda  na  documentação  apresentada  pela  impugnante  que  na  folha  de  pagamento  referente  novembro  de  2003,  bem  como  na  folha  de  pagamento 13/2003 a  empresa descontou do Sr. Aldo Mercês  de Oliveira  a  parte do  INSS  referente  a desconto de  segurado, portanto  já o  tratava como  empregado.    Registre­se,  pela  sua  importância,  que  os  documentos  apresentados  pelo  contribuinte junto com a impugnação referem­se a 02 (dois) dos 07 (sete) estagiários listados pela  fiscalização, a saber: Sidney R. C. P. Souza e Dulcinez L. Brito e, de fato, tal como atestado pela  DRJ, não comprovam que as remunerações pagas aos referidos estagiários estavam de acordo com a  Lei n°6.474/77.    Registre­se,  ainda,  que,  o  lançamento  referente  aos  estagiários  Sidney  R.  C.  P.  Souza e Dulcinez L. Brito abrange o período compreendido entre 01 a 05/2003, pelo que, tendo a  DRJ reconhecido a decadência do período de janeiro a julho de 2003, com exceção da competência  de abril/2003, tem­se que o lançamento, neste particular, remanesce apenas em relação ao referido  mês de 04/2003.    Sobre a forma de aferição do regime sancionatório a aplicar; identificação do  regime mais favorável ao contribuinte    Conforme  evidenciado  no  relatório,  o  contribuinte,  por  meio  do  seu  recurso  voluntário,  pugnou pela  aplicação da multa de mora no percentual de 20%,  em  face da  alteração  legislativa promovida pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.    Como já exposto linhas acima, no caso em análise, foi aplicada pela fiscalização  multa de mora no percentual de 30%, prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada  pela Lei nº 9.876, de 26.11.99, in verbis:    Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa  de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº  9.876, de 1999).  I ­ para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal  de lançamento:  a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação;  b) sete por cento, no mês seguinte;  c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação;  a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº  9.876, de 1999).  b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo mês  seguinte  ao  do  vencimento  da  obrigação;  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  II ­ para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento:  a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação;  b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação;  c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo  ambos  tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da  Previdência Social ­ CRPS;  d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos  da Previdência Social ­ CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;  a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação  dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  Fl. 354DF CARF MF Processo nº 18050.005083/2008­69  Acórdão n.º 2402­006.645  S2­C4T2  Fl. 9          15 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação;  (Redação  dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  c)  quarenta  por  cento,  após  apresentação  de  recurso  desde  que  antecedido  de  defesa,  sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos  da Previdência Social ­ CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de  Recursos  da  Previdência  Social  ­  CRPS,  enquanto  não  inscrito  em  Dívida  Ativa;  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  III ­ para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:  a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento;  b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento;  c)  quarenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo  que  o  devedor  ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento;  d)  cinquenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal, mesmo  que  o  devedor  ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento.  a)  sessenta  por  cento,  quando não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento;  (Redação dada  pela Lei nº 9.876, de 1999).  b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda  não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento (Redação dada pela  Lei nº 9.876, de 1999).  d) cem por  cento,  após o ajuizamento da  execução  fiscal, mesmo que o devedor ainda  não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº  9.876, de 1999).    Ocorre  que,  com  a  edição  da  MP  449/2008,  posteriormente  convertida  na  Lei  11.941/2009, o susodito art. 35 passou a ter a seguinte redação:    Art.  35.  Os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades e  fundos, não pagos nos prazos previstos em  legislação,  serão acrescidos de  multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro  de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).    O art. 61 da Lei nº 9.430/96, por seu turno, estabelece que os débitos para com a  União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta  e  três  centésimos por cento, por dia de atraso, limitado a vinte por cento (§ 2º).    Pois bem! Como cediço, nos termos do art. 106, II, “c” do CTN, a lei aplica­se a  ato ou fato pretérito, tratando­se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade  menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.    Sobre  o  tema,  a  CSRF,  por  meio  do  Acórdão  9202­006.915,  de  19/04/2018,  proferido no julgamento do processo 19647.007683/2007­33, paradigma julgado na sistemática dos  recursos repetitivos, manifestou­se nos termos do voto abaixo transcrito, o qual passa a integrar o  presente voto:    Fl. 355DF CARF MF     16     Fl. 356DF CARF MF Processo nº 18050.005083/2008­69  Acórdão n.º 2402­006.645  S2­C4T2  Fl. 10          17     Fl. 357DF CARF MF     18     Fl. 358DF CARF MF Processo nº 18050.005083/2008­69  Acórdão n.º 2402­006.645  S2­C4T2  Fl. 11          19   Fl. 359DF CARF MF     20     Fl. 360DF CARF MF Processo nº 18050.005083/2008­69  Acórdão n.º 2402­006.645  S2­C4T2  Fl. 12          21       Assim, nos termos do voto da CSRF em destaque, voto no sentido de determinar  que  a  multa  seja  aplicada  nos  termos  em  que  fixado  pela  Portaria  PGFN/RFB  nº  14  de  04  de  dezembro de 2009.  Fl. 361DF CARF MF     22   Conclusão    Face ao exposto, voto por:    (i) NÃO CONHECER o  recurso  voluntário  em  relação  à matéria  “Da Multa de  Mora e Multa de Ofício. Cumulação”;    (ii) na parte conhecida, DAR PARCIAL PROVIMENTO para excluir da autuação  o valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a JOSÉANTÔNIO C. MARINO; e    (iii) determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria  PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009.    É como voto.    (assinado digitalmente)  Gregório Rechmann Junior                             Fl. 362DF CARF MF

score : 1.0