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Numero do processo: 10935.903921/2013-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.668
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de PIS formulado pela recorrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 39 21 /2 01 3- 61 Fl. 153DF CARF MF 2 Aludida restituição restou indeferida pela DRF de origem, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição” Regularmente cientificada, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão nº01033.598.: Cientificado desta decisão apresentou o recurso voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.626): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 7. Pois bem. No presente caso o fecorrente foi cientificado via eletrônica da decisão guerreada, sendo a correspondente mensagem aberta em 24 (vinte e quatro) de fevereiro de 2017 (sextafeira) (fl. 142). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 27 (vinte e sete) de fevereiro de 2017 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 28 (vinte e oito) de março de 2017 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 30 (trinta) de março de 2017 (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço. Dispositivo 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10935.903921/201361 Acórdão n.º 3402005.668 S3C4T2 Fl. 3 3 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo. 10. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722173/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
Ementa:
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. JUDICIALIZAÇÃO. CONHECIMENTO. ANULAÇÃO DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Sem caracterização da judicialização e com conhecimento do Recurso. Anulação da Decisão a quo a fim de ser apreciado o mérito da lide.
Numero da decisão: 2202-005.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para declarar a nulidade do acórdão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à DRJ/BEL para que seja proferida nova decisão, com análise do mérito.
(Assinatura Digital)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinatura Digital )
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. JUDICIALIZAÇÃO. CONHECIMENTO. ANULAÇÃO DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Sem caracterização da judicialização e com conhecimento do Recurso. Anulação da Decisão a quo a fim de ser apreciado o mérito da lide.
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IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. JUDICIALIZAÇÃO. CONHECIMENTO. ANULAÇÃO DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Sem caracterização da judicialização e com conhecimento do Recurso. Anulação da Decisão a quo a fim de ser apreciado o mérito da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para declarar a nulidade do acórdão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à DRJ/BEL para que seja proferida nova decisão, com análise do mérito. (Assinatura Digital) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinatura Digital ) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 21 73 /2 00 9- 83 Fl. 146DF CARF MF 2 Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 134/136), interposto contra o Acórdão nº 0123.661, proferido pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém/PA DRJ/BEL (efls 127/130), que não conheceu de impugnação impetrada contra Notificação de Lançamento (efls. 05/08), relativo ao anocalendário 2005, exercício 2006, o qual resultou na exigência de crédito tributário total no valor de R$ 135.598,40, sendo R$ 85.621,27 de Imposto de Renda Pessoa Física e o restante de multa proporcional e juros de mora, calculados até julho de 2009. 2. Por bem refletir a realidade dos fatos, transcrevese a seguir o Relatório do Acórdão recorrido: Trata se de Notificação de Lançamento de IRPF Exercício 2006 (fls. 05/08), ciência em23/07/2009, contra o contribuinte acima qualificado, através do qual cobrase Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar de R$ 135.598,40, já computados multa de ofício e juros de mora (até 31/07/2009). 2. A infração apurada foi compensação indevida de imposto de renda retido, fonte pagadora CNPJ 04.902.979/000144, no montante de R$ 87.240,33, referente a rendimento que teria sido pago no total de R$ 318.929,73. 3. O contribuinte apresenta defesa (fl. 02/03), em que relata: a) Apresentou à Receita Federal, quando intimado pelo setor de malha (Exercício 2006), toda a documentação no intuito de comprovar o imposto de renda retido, fonte pagadora CNPJ 04.902.979/000144, no montante de R$ 87.240,33. b) Anexa (fl. 10) Guia de Retirada Parcial n. 1196/2009, referente à Guia de Depósito n. 1393/2005, conta n. 50011242410, Banco do Brasil, processo n. 01216199901408004, 14a. Vara, TRT da 8a Região, que comprovaria o recolhimento de imposto de renda no valor de R$ 87.240,33; c) Anexa Comprovante de Rendimentos, fl. 09, sem data e sem autenticação, de suposto pagamento de R$ 318.929,73, com imposto de renda retido, fonte pagadora CNPJ 04.902.979/000144, no montante de R$ 87.240,33. 4. Considerando que: a) Não havia DIRF (fl. 12) nem cópias de peças judiciais que comprovassem que houve o suposto pagamento em 2005 de R$ 318.929,73, com imposto de renda retido, fonte pagadora CNPJ 04.902.979/000144, no montante de R$ 87.240,33, como declara o contribuinte em sua DIRPF Exercício 2006, ano calendário 2005. b) Havia DIRF (fl. 21) que apontava para pagamento, no ano calendário 2009, no mesmo montante de R$ 318.929,73, com imposto de renda retido, mesma fonte pagadora CNPJ 04.902.979/000144, no montante de R$ 87.240,33 (O contribuinte declarou em sua DIRPF Exercício 2010, ano calendário 2009, este recebimento e informou haver suspensão de exigibilidade do crédito). 4.1. A DRJ Belém solicitou diligência (através do despacho de fl. 28/29), na forma dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235 de 1972, modificado pela Lei nº 8.748 de 09/12/93 e do artigo 10 da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, do Ministro de Estado da Fazenda,a fim de: a) Oficiar à 14a vara, TRT da 8a Região, no intuito de que informasse os montantes pagos, retidos e recolhidos nos autos do processo 01216199901408004, em cada ano calendário, e razão para eventual suspensão da exigibilidade do crédito tributário. b) Intimar o contribuinte para que apresentasse documentos que comprovassem os montantes pagos, retidos e recolhidos nos autos do processo 01216199901408004, em cada ano calendário, e razão para eventual suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10280.722173/200983 Acórdão n.º 2202005.009 S2C2T2 Fl. 147 3 5. A Unidade de Origem respondeu, através do despacho de fl. 123/124. Anexa Ofício 14/2011, da 14a Vara do Trabalho de Belém , no qual se lê: “No interesse do processo supra, e, em resposta ao Termo de Início do Procedimento Fiscal n. 02.1.01.002011004896 informo a V. Sa. que o montante pago ao reclamante a título de parcela incontroversa foi de R$ 231.689,40 (DUZENTOS E TRINTA E UM MIL, SEISCENTOS E OITENTA E NOVE REAIS E QUARENTA CENTAVOS) em 04.10.2005, prosseguindose o feito em seus ulteriores de direito. Informo, ainda, que em 23.04.2009 foi pago ao reclamante o valor de R$ 20.911,71 (VINTE MIL NOVECENTOS E ONZE REAIS E SETENTA E UM CENTAVOS) como correção do período do valor recebido em 04.10.2005. Referente a este valor, foram recolhidos a título de IRPF, R$ 87.240,33 (OITENTA E SETE MIL, DUZENTOS E QUARENTA REAIS E TRINTA E TRÊS CENTAVOS) em 27.05.2009, em razão de recurso questionando o cálculo do Imposto de Renda. (Grifado no Acórdão) Informo, ainda, que para liquidação da execução foi pago ao reclamante o valor de R$ 150.006,61 (CENTO E CINQÜENTA MIL E SEIS REAIS E SESSENTA E UM CENTAVOS) em 18.11.2009. Referente a este valor, foram recolhidos a título de IRPF, R$ 55.712,39 (CINQÜENTA E CINCO MIL, SETECENTOS E DOZE REAIS E TRINTA E NOVE CENTAVOS) em 01.12.2009.” 3. Transcrevese a seguir o Voto proferido pela 2a. Turma da DRJ/BEL: Voto 4. No que se refere à matéria destes autos administrativos (tributação, pelo imposto de renda na fonte, de rendimentos recebidos via Judiciário no ano calendário 2005) o valor a ser retido foi levado à análise do Poder Judiciário. (Grifado no Acórdão) Logo, há que se observar as disposições do artigo 1º, § 2º, do Decretolei n° 1.737, de 1979, e do artigo 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830, de 1980, segundo os quais a propositura, pelo contribuinte de ação judicial por qualquer modalidade processual importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa ou desistência do recurso acaso interposto. 5. Nesse sentido, foi expedido o Ato Declaratório Normativo (ADN) n° 3/1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, que dispõe (grifei): "a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto;(Grifado no Acórdão) b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex. aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc); c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, o procederseá a inscrição em dívida ativa, deixandose de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151 do CTN;" 6. Com efeito, a eventual e posterior coisa julgada proferida no âmbito do Poder Judiciário, jamais pode ser alterada no processo administrativo, pois Fl. 148DF CARF MF 4 tal procedimento feriria a Constituição Federal Brasileira que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. 7. Pelo exposto, voto por não conhecer da impugnação, ressaltando se à Unidade de Origem a necessidade de se observar, caso cabível, o art. 149 do CTN. 4. O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ/BEL por via postal em 24/01/2012 (efl. 144), e inconformado com a decisão apresentou Recurso Voluntário em 02/03/2012 (efls. 134/126), sustentando, em síntese, os argumentos abaixo enumerados: que a intimação da prolação do Acórdão e o processo administrativo que a inspirou são frutos de equívoco, porque o intimado jamais submeteu ao Poder Judiciário qualquer "propositura [...] contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação" (ADN n° 3/1996), no que tange ao recolhimento de imposto de renda devido, no exercício de 2005, cuja origem foi o pagamento de ação trabalhista por parte do Banco da Amazônia BASA e da Caixa de Previdência dos empregados do mesmo banco CAPAF, conforme PROCESSO 14a VTB 1216/19994, que ainda está sob julgamento no Tribunal do Trabalho de Belém; que houve erro de cálculo do IRRF, visto que os reclamados não o calcularam mês a mês, pela alíquota correspondente e ressalta que apresentou impugnação aos cálculos, inclusive concernente à alíquota de Imposto de Renda adotado pelo Setor de Cálculo, em 25/04/2005, o que jamais pode configurar ação contra a Receita Federal; que houve decisão acerca dessa impugnação, publicada no Diário Oficial da Justiça do Trabalho da 8a Região do dia 14/07/2005 (DO fl. 595), e em 19/07/2005 o contribuinte noticiou que não renovaria seu inconformismo perante o TRT, em relação a sentença de impugnação aos cálculos; que em momento algum apresentou recurso questionando o imposto de renda, mas tão somente os cálculos, o que foi indeferido antes do percebimento do valor incontroverso pelo exeqüente; que se dependesse da sua vontade, o TRT teria determinado o recolhimento já em 2005 do IRRF no valor de R$ 87.240,33, constante na DAA anocalendário 2005, exercício 2006, em razão de recebimento de valor incontroverso, em 04/10/2005, no montante líquido de R$ 231.689,40, parte da causa trabalhista que ainda corre em juízo, devido a outras parcelas ainda questionadas pelos reclamados. Todavia, não foi esta a decisão do Juízo do Trabalho, que manteve o imposto retido em depósito judicial, de 2005 a 2009; que foi determinado o recolhimento, em 30/03/2009, do IRRF que estava depositado em juízo desde 2005, conforme pode ser comprovado às fls. 824/826, do processo trabalhista do exeqüente, o que evidencia que já foi pago o débito; em comprovação, junta Certidão Narrativa exarada pelo Diretor de Secretaria da 14a. Vara do Trabalho de Belém (efls. 137); que demonstrase necessária a revisão e a anulação do Acórdão, visto que a judiciliazação de matéria contra a Receita Federal jamais aconteceu nem poderia acontecer no Tribunal do Trabalho; 5. Por fim, requer que o reconhecimento e a declaração de inexistência do débito, pela retenção e recolhimento do IRRF e pela Certidão Narrativa anexa. 6. É o Relatório. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10280.722173/200983 Acórdão n.º 2202005.009 S2C2T2 Fl. 148 5 Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator 7. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele conheço. 8. Informação essencial para esclarecimento acerca da judicialização levantada pela DRJ, além do esclarecimento da data do efetivo recolhimento do IRRF, foi obtida em diligência procedida pela DRF de origem, na forma do Ofício no. 01400444/2011, da 14a. Vara do Trabalho de Belém, juntado à efl. 82 dos autos, de onde extraise o seguinte excerto, o qual grifei: " Referente a este valor, foram recolhidos a título de IRPF, R$ 87.240,33 (...) em 27.05.2009, em razão de recurso questionando o cálculo do Imposto de Renda." (efls. 82) . 9. Inferese assim que a decisão da DRJ fundamentouse nos termos transcritos neste Ofício para decidir pelo não conhecimento da impugnação, cf trecho correspondente do acórdão destacado abaixo: Voto 4. No que se refere à matéria destes autos administrativos (tributação, pelo imposto de renda na fonte, de rendimentos recebidos via Judiciário no ano calendário 2005) o valor a ser retido foi levado à análise do Poder Judiciário. (Grifado no Acórdão) Logo, há que se observar as disposições do artigo 1º, § 2º, do Decretolei n° 1.737, de 1979, e do artigo 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830, de 1980, segundo os quais a propositura, pelo contribuinte de ação judicial por qualquer modalidade processual importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa ou desistência do recurso acaso interposto 10. Por seu turno, alega o Recursante que, em sua reclamatória trabalhista, houve erro de cálculo do IRRF, visto que este não foi calculado mês a mês pela alíquota correspondente, e não concordando com os cálculos adotados pelo Setor de Cálculos (entendo, trabalhistas), inclusive concernente à alíquota de Imposto de Renda (entendo, cálculos trabalhistas da lide, incluindo o imposto de renda devido), apresentou impugnação aos cálculos em 25/04/2005, e entende que tal impugnação não pode configurar ação contra a Receita Federal. 11. Em consulta processual ao Processo Trabalhista em questão, fornecida publicamente no sítio da internet do Tribunal do Trabalho da 8a. Região, verificase que realmente foi apresentada petição de reclamante opondo impugnação a cálculos efetuados no Processo Trabalhista 012160036.199.5.08.0014, na data destacada pelo Reclamante, 25/04/2005, conforme imagem de resposta à consulta processual abaixo reproduzida: Tribunal Regional do Trabalho da 8a Região Consulta de Processos Físicos Processo: 012160036.1999.5.08.0014 Classe do Processo: RECLAMAÇÃO ESCRITA Competência: 14« VARA DO TRABALHO DE BELÉM RECLAMANTE: SAULO DE TARSO CERQUEIRA BAPTISTA Advogado RECLAMANTE: PAULA FRASSINETTI COUTINHO DA SILVA MATTOS RECLAMADO: BANCO DA AMAZONIA S A Advogado RECLAMADO: RUI FRAZÃO DE SOUSA Fl. 150DF CARF MF 6 Tramitação Peças I I Cálculos I I Partes Termo 29/04/2005 Registrado Despacho No 01388/2005 28/04/2005 Expedida Conclusão No 1619/2005 28/04/2005 Registrado Despacho No 01180/2005 25/04/2005 Juntando Documento (sj 25/04/2005 Comunicando renuncia de poderes 25/04/2005 Petição de ADVOGADA 25/04/2005 Manifestandose sobre bem nomeado a penhora 25/04/2005 Petição de Reclamante(s) 25/04/2005 Opondo Impugnação aos Cálculos 25/04/2005 Petição de Reclamante(s) 25/04/2005 Devolvido autos com vistas 19/04/2005 Vistas autos Dr(a) ANA MARIA PORTILHO ROCHA FRANCO 19/04/2005 Devolução até 25/04/2005, responsável Advogado do Reclamante 19/04/2005 Vistas autos Dr(a) ANA MARIA PORTILHO ROCHA FRANCO 19/04/2005 Devolução até 25/04/2005, responsável Advogado do Reclamante 12. O contribuinte sustenta ainda em seu Recurso que houve decisão acerca dessa impugnação, publicada no Diário Oficial da Justiça do Trabalho da 8a Região do dia 14/07/2005 (DO fl. 595), e em 19/07/2005 ele noticiou ao TRT que não renovaria seu inconformismo em relação a sentença de impugnação aos cálculos (trabalhistas). 13. Novamente recorrendo à consulta processual fornecida pelo Tribunal do Trabalho da 8a. Região, pode ser constatado, conforme imagem colacionada abaixo que, no dia 08/07/2005, ocorreu o julgamento de um Incidente Processual, o qual opôs impugnação aos cálculos realizados no processo trabalhista em questão, e que o resultado do julgamento foi a rejeição de tal Incidente. E há também a apresentação de uma petição de reclamante protocolada em 19/07/2005 que, s.m.j, pode tratarse da alegada noticia do agora Recursante sobre não renovar seu inconformismo em relação à sentença prolatada contra a impugnação dos cálculos. Tribunal Regional do Trabalho da 8a Região Consulta de Processos Físicos Processo: 012160036.1999.5.08.0014 Classe do Processo: RECLAMAÇÃO ESCRITA Competência: 14* VARA DO TRABALHO DE BELÉM RECLAMANTE: SAULO DE TARSO CERQUEIRA BAPTISTA Advogado RECLAMANTE: PAULA FRASSINETTI COUTINHO DA SILVA MATTOS RECLAMADO: BANCO DA AMAZONIA S A Advogado RECLAMADO: RUI FRAZÃO DE SOUSA Tramitação Peças Cálculos Partes Termo 25/07/2005 Alterado MAN n° 1380/2005 25/07/2005 Expedido MAN no 1380/2005 22/07/2005 Registrado Despacho No 03224/2005 20/07/2005 Alterado Despacho No 3224/2005 20/07/2005 Expedida Conclusão No 3544/2005 19/07/2005 Requerendo liberação valor depositado 19/07/2005 Petição de Reclamante(s) 19/07/2005 Expedida Certidão No 3048/2005 19/07/2005 Opondo Embargos de Declaração 19/07/2005 BANCO DA AMAZÓNIA S A 19/07/2005 Petição de Reclamado(s), Protocolo n° 071267/2005 de 19/07/2005 18/07/2005 Opondo Embargos de Declaração 18/07/2005 CAPAF 18/07/2005 Petição de Reclamado(s), Protocolo n° 071070/2005 de 18/07/2005 14/07/2005 Interpor Agravo de Petição, Prazo:22/07/2005 13/07/2005 Registrada remessa da RES 01930/2005 para imprensa. 13/07/2005 Registrada remessa da RES 01929/2005 para imprensa. 08/07/2005 Descredenciado advogado: PA7658P para o(s) Reclamante(s) Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10280.722173/200983 Acórdão n.º 2202005.009 S2C2T2 Fl. 149 7 08/07/2005 Credenciado advogado: PA2731 para o(s) Reclamante(s) 08/07/2005 Expedida Resenha n° 1930/2005 08/07/2005 Expedida Resenha n° 1929/2005 08/07/2005 Resultado Incidente Processual: Rejeitado 08/07/2005 Julgamento Incidente Processual Opondo Impugnação aos Cálculos 29/06/2005 Expedida Conclusão No 3114/2005 29/06/2005 Expedida Certidão de Expiração de Prazo No 2644/2005 para o(a)s Reclamado. 29/06/2005 PZO SE 28062005 14. Diante dos fatos, considero que o Ofício no. 01400444/2011, da 14a. Vara do Trabalho de Belém, juntado à efl. 82 dos autos, não traz em seu bojo esclarecimento exaustivo dos fatos relacionados à real extensão do recurso interposto pelo então recorrente, por apenas utilizarse da afirmação "recolhidos a título de IRPF (...) em razão de recurso questionando o cálculo do Imposto de Renda". 15. Considero que as alegações do contribuinte, combinadas com consulta pública ao conteúdo do processo, são pertinentes ao indicar que tal questionamento acerca de cálculos tratouse, na verdade, de um Incidente Processual dentro do Processo Trabalhista, e não a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto desta lide administrativa 16. Desta forma, considero pertinente a anulação do Acórdão a quo, com o retorno dos autos à DRJ/BEL para proferimento de nova decisão, com análise do Mérito da questão. CONCLUSÃO 17. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso. (Assinatura Digital) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001525/2005-47
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
Os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação não fazem parte da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme o que restou decidido pelo STF, com repercussão geral, no julgamento do RE 606.107/RS.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3002-000.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação não fazem parte da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme o que restou decidido pelo STF, com repercussão geral, no julgamento do RE 606.107/RS. Recurso Voluntário Provido.
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BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação não fazem parte da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme o que restou decidido pelo STF, com repercussão geral, no julgamento do RE 606.107/RS. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 15 25 /2 00 5- 47 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11065.001525/200547 Acórdão n.º 3002000.573 S3C0T2 Fl. 260 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1013.267 da DRJ/POA, que manteve a glosa de créditos de COFINS não cumulativa, com os quais a contribuinte visava compensar débitos, sob o fundamento de que a contribuinte não incluiu na base de cálculo da contribuição valores recebidos a título de cessão a terceiros de créditos de ICMS. Analisando as argumentações apresentadas pela contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre julgoua improcedente, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: Incide Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, ante a existência de alienação de direitos classificados no ativo circulante. Solicitação Indeferida Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 234/239), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, repisando fatos e argumentos já apresentados. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11065.001525/200547 Acórdão n.º 3002000.573 S3C0T2 Fl. 261 3 O cerne da lide posta nos autos se configura como sendo a obrigatoriedade ou não da inclusão na base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS das receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMS a terceiros. Assim, devese esclarecer que ocorreu, ao longo do tempo, desde a prolação do Acórdão recorrido uma mudança de entendimento do judiciário sobre esse tema. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 606.107/RS, relatado pela Ministra Rosa Weber, submetido à sistemática do art. 543B do antigo CPC (Repercussão Geral), decidiu que é inconstitucional a incidência da contribuição para o PIS e para a COFINS não cumulativas sobre os valores recebidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS, conforme se constata da ementa do citado julgamento: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11065.001525/200547 Acórdão n.º 3002000.573 S3C0T2 Fl. 262 4 terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (grifo nosso) Por outro lado, o art. 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF determina que as decisões definitivas de mérito Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11065.001525/200547 Acórdão n.º 3002000.573 S3C0T2 Fl. 263 5 proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B do antigo Código Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ......................................................................................................... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Desse modo, por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.904102/2014-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Relatório
Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 3789 a 4011) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (fls. 3713 a 3779) que deu parcial provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 90 a 2287), homologando parcialmente as DCOMPs (fls. 02 a 74) objeto do feito, reconhecendo saldo negativo superior àquele confirmado inicialmente pelo r. Despacho Decisório (fls. 75 a 88).
O crédito debatido no presente feito tem origem em saldo negativo de IRPJ dos anos-calendário de 2009 e 2010, formado por recolhimento de impostos sobre o lucro, efetuados no exterior, por mais de 15 (quinze) filiais e empresas, coligadas e controladas da Recorrente (BB Buenos Aires; BB Nova Iorque, BB USA Holding, BB Frankfurt, BB Londres, BB Securities, BB Toquio, BB Paris, BB Milão, BB Grand Cayman, BB Madrid, BB Montevideu, BB Santiago, BB Viena, Brasilian American Merchant Bank (BAMB), BB Tur e Ativos S/A), bem como em pagamentos de estimativas efetuados, supostamente, sob a rubrica de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, sendo o debate sobre a exclusão das penalidades incidentes sobre tais pagamentos objeto dos autos da Ação Ordinária nº 25986-53.2012.4.01.3400, indicando ser o mesmo crédito objeto do Processo Administrativo nº 10166.914106/2012-03, no qual foi prolatado o Acórdão nº 1402.002.406, de relatoria deste Conselheiro.
Frise-se que o r. Despacho Decisório (fls. 75 a 88) se fundamenta em Relatório de Intervenção do Usuário, juntado nestes autos às fls. 206 a 238, proferido pela DRF/Brasília, trazido pelo próprio Contribuinte na documentação anexa à Manifestação de Inconformidade. Tal expediente, meticulosamente, fundamenta o não reconhecimento das compensações efetuadas pelas companhias coligadas e filiais estrangeiras, cujos documentos que lhe embasam são parte dos autos do Processo Administrativo nº 10166.721069/2014-45.
Tal expediente pontual, produzido antes do r. Despacho Decisório, foi posteriormente arquivado, encerrando-se nos seguintes termos:
Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 90 a 2287), a Recorrente, em suma, alegou a regularidade da comprovação de recolhimento de todos os tributos das suas filiais, coligadas e controladas, trazendo milhares de documentos, individualmente explicando a dinâmica de incidência e recolhimento de cada um deles e sua idoneidade. Também alega que a parcela de divergência de crédito em relação ao recolhimento de estimativas, por meio de denúncia espontânea, objeto de recusa de homologação pela DRF, é referente a multas de mora, tratadas em Ação Ordinária, já havendo pronunciamento do E. STJ sobre o tema, devendo ser reconhecido tal crédito, até por força regimental deste E. CARF.
Processado o feito, os autos foram remetidos à DRJ de Ribeirão Preto/SP, sendo proferido o v. Acórdão (fls. 3713 a 3779), que reconheceu a validade da compensação de alguns recolhimentos efetuados no exterior (BB Londres parcialmente, BB Paris e BB Madrid parcialmente), bem como se entendeu que não se poderia conhecer do tema da denúncia espontânea, por concomitância com a Ação Judicial. Confira-se a ementa e trechos do v. Acórdão:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTOS REALIZADOS NO EXTERIOR.
O pagamento de imposto de renda efetuado no exterior apenas pode ser utilizado para compensação do imposto devido no Brasil caso reconhecido o respectivo documento pelo órgão arrecadador do país estrangeiro e pela representação diplomática brasileira, ou se for comprovado que a legislação do país de origem do rendimento prevê a incidência do imposto de renda por meio do documento de arrecadação apresentado.
COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. LIMITE.
A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente no exterior sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital.
LUCROS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO.
O imposto incidente no exterior somente é passível de compensação com o devido no Brasil se os lucros auferidos no exterior forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010 PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO.
A propositura de ação judicial, antes da expedição de despacho decisório, com razões de pedir coincidentes com as trazidas em sede de manifestação de inconformidade, impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das mesmas razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário, cuja decisão faz coisa julgada se sobrepondo ao julgado administrativo.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2010 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE DCOMP. COBRANÇA DOS DÉBITOS. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei.
Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte (...)
O quadro a seguir resume os valores informados pelo contribuinte a título de compensação com IR Exterior, os valores confirmados pela fiscalização e os valores confirmados pelo presente Acórdão:
(...)
Quanto às alegações do contribuinte em relação à suposta ocorrência da denúncia espontânea nos pagamentos de estimativa mensal de IRPJ efetuados em atraso, não cabe a esta instância julgadora se manifestar sobre o mérito, pois o contribuinte fez a opção por discutir esta questão no Poder Judiciário, através da ação nº 25986-53.2012.4.01.3400 (cópia às fls. 2.213 a 2.279).
Diante do v. Acórdão, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 576 a 838), ora sob apreço, repisando as alegações de sua Manifestação de Inconformidade em relação à parcela do crédito não reconhecido, também fazendo específica alusão e questionando os termos desfavoráveis deste r. decisum a quo. Na mesma oportunidade, é acostada aos autos nova documentação, referente a recolhimentos no exterior e comprovação de consolidação de resultados de controladas coligadas indiretas, nas companhias controladas diretas.
Ainda, posteriormente, foi juntado aos autos nova petição da ora Recorrente (fls. 4048 a 4395), trazendo documentos e traduções juramentadas de comprovantes de recolhimento de tributos pagos em outros países, pugnando pelo conhecimento, em face da verdade material.
Na sequência, os autos foram inicialmente encaminhados para este Conselheiro relatar e votar.
Incluído tal processo na pauta de julgamento de 12 de abril de 2017 desta C. 2ª Turma Ordinária, foi proferida a Resolução nº 1402-000.433 (fls. 4404 a 4413), determinado o seguinte:
Assim, tendo em vista que, além da nova documentação contábil acostada aos autos, existem centenas de novas folhas, entre documentos de arrecadação e sua traduções, mostra-se adequado e prudente se proceder a uma análise fiscal técnica e comparativa, pela própria Unidade Local que inicialmente reconheceu a falta ou a invalidade da documentação, antes de se efetuar o derradeiro julgamento meritório do feito, apreciando todas as matérias, considerando eventuais alterações dos valores controversos.
Diante de todo o exposto, resolve-se por determinar a realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização:
1) analisando a nova documentação acostada nos autos (fls. 3881 a 4220) em direto confronto com os créditos não reconhecidos pelo v. Acórdão (vide tabela fls. 3775), determine-se se esta atende às exigências legais necessárias à compensação de tributos efetuada pelo Contribuinte, dando ensejo ao direito pleiteado na DCOMP.
2) Fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reconhecer montante maior ou mesmo igual dos créditos reconhecidos pelo v. Acórdão a quo, apontando as eventuais falhas probantes da documentação trazida.
3) Seja apensado o presente feito aos autos do Processo Administrativo nº 10166.914106/2012-03, nos termos do art. 3º, inciso IV, da Portaria RFB nº 1668/2013, por haver identidade da origem do crédito pleiteado.
4) Após a elaboração do Relatório formal com tais informações e fundamentação de suas conclusões, deve ser dada ciência ao Contribuinte do mesmo, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento.
Ato contínuo, a Autoridade Fiscal acostou inúmeros documentos referentes a transações financeiras internacionais e elaborou o Relatório solicitado (fls. 4505 a 4524), com profunda análise e claro resumo, concluindo pela procedência de outras parcelas do crédito, antes não homologadas.
Dada a ciência ao Contribuinte sobre o resultado da diligência, este apresentou Manifestação (fls. 4531 a 4806), em suma, discordando da análise da Unidade Local em relação às parcela do crédito não reconhecida e apontando supostas falhas em tal trabalho, reiterando ao final o provimento integral de seu Recurso Voluntário, bem como acostando mais de uma centena de novos documentos.
Mais uma vez retornara os autos a este Conselheiro, que procedeu à inclusão do presente processo na pauta de julgamentos da sessão de janeiro de 2018, sendo proferida a Resolução nº 1402-000.474 (fls. 4810 a 4833), determinado o seguinte:
Diante de todo o exposto, resolve-se por determinar a realização de nova diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização:
1) elabore novo Relatório de diligência:
2) reformulando os cálculos da limitação das compensações pleiteadas, aplicando especificamente aos valores referentes ao ano-calendário de 2009 os limites individuais por filias, na forma como previsto nos §15, §16 e §17, §18, §19 e §20 do art. 14 da IN nº 213/2002 (multiplicação por 15% ou 25%, conforme o caso, do lucro ofertado à tributação como informado nas Fichas 34 e 35 da DIPJ 2010), verificando também a regularidade documental das provas de recolhimento de desse período, bem como;
2.1) somando o resultado do item 2 (acima) aos valores, regularmente comprovados, referentes ao ano-calendário de 2010 e submetê-los aos cálculos e limites dos §10 e §11 da IN nº 213/2002, conforme já efetuado nas Tabelas 23, 24 e 25 do Relatório de diligência anterior;
2.2) aquilo que extrapolar os limites dos §10 e §11 da IN nº 213/2002, poderá ser compensado com a CSLL, observando suas próprias limitações infralegais;
2.3) no caso de haver parcela que extrapola todos limites de compensação mencionados nos itens 2, 2.1 e 2.2 dessa diligência, deverá se prestigiar a utilização dos valores referentes ao ano-calendário de 2010, para posteriormente utilizar-se e reduzir o saldo dos valores do ano-calendário de 2009, que poderão ser mantidos e registrados para uso em períodos posteriores.
3.1) analisando integralmente a documentação acostada nos autos às fls. 3881 a 4220, especialmente a parcela referente às filiais de Frankfurt, Viena e BB SECURITIES, suprindo as falhas detectadas e acima explicitadas nessa Resolução, em direto confronto com os créditos não reconhecidos pelo v. Acórdão (vide tabela fls. 3775), determinar se esta atende às exigências legais necessárias à compensação de tributos efetuada pelo Contribuinte, dando ensejo ao direito pleiteado na DCOMP, promovendo as alterações necessárias nos fundamentos e conclusões encontradas no Relatório de diligência anterior;
3.2) analisando a nova documentação juntada fls. 4548 a 4800, procedendo ao mesmo confronto com os créditos não reconhecidos pelo v. Acórdão (vide tabela fls. 3775), determinar, igualmente, se nestes autos foram atendidas às exigências legais necessárias à compensação de tributos efetuada pelo Contribuinte, especialmente em relação as filiais de Milão, Tóquio e Nova York, dando ensejo ao direito pleiteado na DCOMP;
3.3) caso se entenda que algum tributo estrangeiro, recolhido pela Recorrente, não se enquadra nos termos do § 1º do art. 14 da IN 213/2002, fundamentar clara e tecnicamente tal rejeição;
4) Fundamente, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reconhecer montante maior ou mesmo igual dos créditos reconhecidos pelo v. Acórdão a quo, apontando as eventuais falhas probantes da documentação trazida.
5) Após a elaboração do Relatório formal com tais informações e fundamentação de suas conclusões, deve ser dada ciência ao Contribuinte do mesmo, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento.
Remetidos os autos à Unidade Local, a Autoridade Fiscal procedeu a nova intimação do Contribuinte (fls. 4836 a 4837) requisitando novas informações e documentos, procedendo à elaboração de novo relatório de diligência (fls. 4845 a 4873), adotando os novos parâmetros de cálculos já determinados por esta. C. 2ª Turma Ordinária e analisando a nova documentação acostada, chegando a novos valores de crédito reconhecido.
Intimado, o Contribuinte apresentou Manifestação, em suma, repetindo a alegação anterior de que os cálculos da Unidade Local não consideraram os lucros apurados no exterior no ano-calendário de 2009 na delimitação do limite do imposto a ser compensado no Brasil. Na sequência, questiona o novo relatório de diligência, pontualmente, em relação às filiais/coligadas da Espanha, Viena, Itália, Inglaterra, Nova York, e a empresa BAMB, situada nas Ilhas Cayman.
Na sequência, os autos foram novamente encaminhados para este Conselheiro relatar e votar.
É o relatório.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (fls. 3713 a 3779) que deu parcial provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 90 a 2287), homologando parcialmente as DCOMPs (fls. 02 a 74) objeto do feito, reconhecendo saldo negativo superior àquele confirmado inicialmente pelo r. Despacho Decisório (fls. 75 a 88). O crédito debatido no presente feito tem origem em saldo negativo de IRPJ dos anos-calendário de 2009 e 2010, formado por recolhimento de impostos sobre o lucro, efetuados no exterior, por mais de 15 (quinze) filiais e empresas, coligadas e controladas da Recorrente (BB Buenos Aires; BB Nova Iorque, BB USA Holding, BB Frankfurt, BB Londres, BB Securities, BB Toquio, BB Paris, BB Milão, BB Grand Cayman, BB Madrid, BB Montevideu, BB Santiago, BB Viena, Brasilian American Merchant Bank (BAMB), BB Tur e Ativos S/A), bem como em pagamentos de estimativas efetuados, supostamente, sob a rubrica de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, sendo o debate sobre a exclusão das penalidades incidentes sobre tais pagamentos objeto dos autos da Ação Ordinária nº 25986-53.2012.4.01.3400, indicando ser o mesmo crédito objeto do Processo Administrativo nº 10166.914106/2012-03, no qual foi prolatado o Acórdão nº 1402.002.406, de relatoria deste Conselheiro. Frise-se que o r. Despacho Decisório (fls. 75 a 88) se fundamenta em Relatório de Intervenção do Usuário, juntado nestes autos às fls. 206 a 238, proferido pela DRF/Brasília, trazido pelo próprio Contribuinte na documentação anexa à Manifestação de Inconformidade. Tal expediente, meticulosamente, fundamenta o não reconhecimento das compensações efetuadas pelas companhias coligadas e filiais estrangeiras, cujos documentos que lhe embasam são parte dos autos do Processo Administrativo nº 10166.721069/2014-45. Tal expediente pontual, produzido antes do r. Despacho Decisório, foi posteriormente arquivado, encerrando-se nos seguintes termos: Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 90 a 2287), a Recorrente, em suma, alegou a regularidade da comprovação de recolhimento de todos os tributos das suas filiais, coligadas e controladas, trazendo milhares de documentos, individualmente explicando a dinâmica de incidência e recolhimento de cada um deles e sua idoneidade. Também alega que a parcela de divergência de crédito em relação ao recolhimento de estimativas, por meio de denúncia espontânea, objeto de recusa de homologação pela DRF, é referente a multas de mora, tratadas em Ação Ordinária, já havendo pronunciamento do E. STJ sobre o tema, devendo ser reconhecido tal crédito, até por força regimental deste E. CARF. Processado o feito, os autos foram remetidos à DRJ de Ribeirão Preto/SP, sendo proferido o v. Acórdão (fls. 3713 a 3779), que reconheceu a validade da compensação de alguns recolhimentos efetuados no exterior (BB Londres parcialmente, BB Paris e BB Madrid parcialmente), bem como se entendeu que não se poderia conhecer do tema da denúncia espontânea, por concomitância com a Ação Judicial. Confira-se a ementa e trechos do v. Acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTOS REALIZADOS NO EXTERIOR. O pagamento de imposto de renda efetuado no exterior apenas pode ser utilizado para compensação do imposto devido no Brasil caso reconhecido o respectivo documento pelo órgão arrecadador do país estrangeiro e pela representação diplomática brasileira, ou se for comprovado que a legislação do país de origem do rendimento prevê a incidência do imposto de renda por meio do documento de arrecadação apresentado. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. LIMITE. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente no exterior sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. LUCROS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. O imposto incidente no exterior somente é passível de compensação com o devido no Brasil se os lucros auferidos no exterior forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010 PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial, antes da expedição de despacho decisório, com razões de pedir coincidentes com as trazidas em sede de manifestação de inconformidade, impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das mesmas razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário, cuja decisão faz coisa julgada se sobrepondo ao julgado administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2010 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE DCOMP. COBRANÇA DOS DÉBITOS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte (...) O quadro a seguir resume os valores informados pelo contribuinte a título de compensação com IR Exterior, os valores confirmados pela fiscalização e os valores confirmados pelo presente Acórdão: (...) Quanto às alegações do contribuinte em relação à suposta ocorrência da denúncia espontânea nos pagamentos de estimativa mensal de IRPJ efetuados em atraso, não cabe a esta instância julgadora se manifestar sobre o mérito, pois o contribuinte fez a opção por discutir esta questão no Poder Judiciário, através da ação nº 25986-53.2012.4.01.3400 (cópia às fls. 2.213 a 2.279). Diante do v. Acórdão, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 576 a 838), ora sob apreço, repisando as alegações de sua Manifestação de Inconformidade em relação à parcela do crédito não reconhecido, também fazendo específica alusão e questionando os termos desfavoráveis deste r. decisum a quo. Na mesma oportunidade, é acostada aos autos nova documentação, referente a recolhimentos no exterior e comprovação de consolidação de resultados de controladas coligadas indiretas, nas companhias controladas diretas. Ainda, posteriormente, foi juntado aos autos nova petição da ora Recorrente (fls. 4048 a 4395), trazendo documentos e traduções juramentadas de comprovantes de recolhimento de tributos pagos em outros países, pugnando pelo conhecimento, em face da verdade material. Na sequência, os autos foram inicialmente encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Incluído tal processo na pauta de julgamento de 12 de abril de 2017 desta C. 2ª Turma Ordinária, foi proferida a Resolução nº 1402-000.433 (fls. 4404 a 4413), determinado o seguinte: Assim, tendo em vista que, além da nova documentação contábil acostada aos autos, existem centenas de novas folhas, entre documentos de arrecadação e sua traduções, mostra-se adequado e prudente se proceder a uma análise fiscal técnica e comparativa, pela própria Unidade Local que inicialmente reconheceu a falta ou a invalidade da documentação, antes de se efetuar o derradeiro julgamento meritório do feito, apreciando todas as matérias, considerando eventuais alterações dos valores controversos. Diante de todo o exposto, resolve-se por determinar a realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização: 1) analisando a nova documentação acostada nos autos (fls. 3881 a 4220) em direto confronto com os créditos não reconhecidos pelo v. Acórdão (vide tabela fls. 3775), determine-se se esta atende às exigências legais necessárias à compensação de tributos efetuada pelo Contribuinte, dando ensejo ao direito pleiteado na DCOMP. 2) Fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reconhecer montante maior ou mesmo igual dos créditos reconhecidos pelo v. Acórdão a quo, apontando as eventuais falhas probantes da documentação trazida. 3) Seja apensado o presente feito aos autos do Processo Administrativo nº 10166.914106/2012-03, nos termos do art. 3º, inciso IV, da Portaria RFB nº 1668/2013, por haver identidade da origem do crédito pleiteado. 4) Após a elaboração do Relatório formal com tais informações e fundamentação de suas conclusões, deve ser dada ciência ao Contribuinte do mesmo, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento. Ato contínuo, a Autoridade Fiscal acostou inúmeros documentos referentes a transações financeiras internacionais e elaborou o Relatório solicitado (fls. 4505 a 4524), com profunda análise e claro resumo, concluindo pela procedência de outras parcelas do crédito, antes não homologadas. Dada a ciência ao Contribuinte sobre o resultado da diligência, este apresentou Manifestação (fls. 4531 a 4806), em suma, discordando da análise da Unidade Local em relação às parcela do crédito não reconhecida e apontando supostas falhas em tal trabalho, reiterando ao final o provimento integral de seu Recurso Voluntário, bem como acostando mais de uma centena de novos documentos. Mais uma vez retornara os autos a este Conselheiro, que procedeu à inclusão do presente processo na pauta de julgamentos da sessão de janeiro de 2018, sendo proferida a Resolução nº 1402-000.474 (fls. 4810 a 4833), determinado o seguinte: Diante de todo o exposto, resolve-se por determinar a realização de nova diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização: 1) elabore novo Relatório de diligência: 2) reformulando os cálculos da limitação das compensações pleiteadas, aplicando especificamente aos valores referentes ao ano-calendário de 2009 os limites individuais por filias, na forma como previsto nos §15, §16 e §17, §18, §19 e §20 do art. 14 da IN nº 213/2002 (multiplicação por 15% ou 25%, conforme o caso, do lucro ofertado à tributação como informado nas Fichas 34 e 35 da DIPJ 2010), verificando também a regularidade documental das provas de recolhimento de desse período, bem como; 2.1) somando o resultado do item 2 (acima) aos valores, regularmente comprovados, referentes ao ano-calendário de 2010 e submetê-los aos cálculos e limites dos §10 e §11 da IN nº 213/2002, conforme já efetuado nas Tabelas 23, 24 e 25 do Relatório de diligência anterior; 2.2) aquilo que extrapolar os limites dos §10 e §11 da IN nº 213/2002, poderá ser compensado com a CSLL, observando suas próprias limitações infralegais; 2.3) no caso de haver parcela que extrapola todos limites de compensação mencionados nos itens 2, 2.1 e 2.2 dessa diligência, deverá se prestigiar a utilização dos valores referentes ao ano-calendário de 2010, para posteriormente utilizar-se e reduzir o saldo dos valores do ano-calendário de 2009, que poderão ser mantidos e registrados para uso em períodos posteriores. 3.1) analisando integralmente a documentação acostada nos autos às fls. 3881 a 4220, especialmente a parcela referente às filiais de Frankfurt, Viena e BB SECURITIES, suprindo as falhas detectadas e acima explicitadas nessa Resolução, em direto confronto com os créditos não reconhecidos pelo v. Acórdão (vide tabela fls. 3775), determinar se esta atende às exigências legais necessárias à compensação de tributos efetuada pelo Contribuinte, dando ensejo ao direito pleiteado na DCOMP, promovendo as alterações necessárias nos fundamentos e conclusões encontradas no Relatório de diligência anterior; 3.2) analisando a nova documentação juntada fls. 4548 a 4800, procedendo ao mesmo confronto com os créditos não reconhecidos pelo v. Acórdão (vide tabela fls. 3775), determinar, igualmente, se nestes autos foram atendidas às exigências legais necessárias à compensação de tributos efetuada pelo Contribuinte, especialmente em relação as filiais de Milão, Tóquio e Nova York, dando ensejo ao direito pleiteado na DCOMP; 3.3) caso se entenda que algum tributo estrangeiro, recolhido pela Recorrente, não se enquadra nos termos do § 1º do art. 14 da IN 213/2002, fundamentar clara e tecnicamente tal rejeição; 4) Fundamente, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reconhecer montante maior ou mesmo igual dos créditos reconhecidos pelo v. Acórdão a quo, apontando as eventuais falhas probantes da documentação trazida. 5) Após a elaboração do Relatório formal com tais informações e fundamentação de suas conclusões, deve ser dada ciência ao Contribuinte do mesmo, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento. Remetidos os autos à Unidade Local, a Autoridade Fiscal procedeu a nova intimação do Contribuinte (fls. 4836 a 4837) requisitando novas informações e documentos, procedendo à elaboração de novo relatório de diligência (fls. 4845 a 4873), adotando os novos parâmetros de cálculos já determinados por esta. C. 2ª Turma Ordinária e analisando a nova documentação acostada, chegando a novos valores de crédito reconhecido. Intimado, o Contribuinte apresentou Manifestação, em suma, repetindo a alegação anterior de que os cálculos da Unidade Local não consideraram os lucros apurados no exterior no ano-calendário de 2009 na delimitação do limite do imposto a ser compensado no Brasil. Na sequência, questiona o novo relatório de diligência, pontualmente, em relação às filiais/coligadas da Espanha, Viena, Itália, Inglaterra, Nova York, e a empresa BAMB, situada nas Ilhas Cayman. Na sequência, os autos foram novamente encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 04 10 2/ 20 14 -7 1 Fl. 4910DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.911 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 3789 a 4011) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (fls. 3713 a 3779) que deu parcial provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 90 a 2287), homologando parcialmente as DCOMPs (fls. 02 a 74) objeto do feito, reconhecendo saldo negativo superior àquele confirmado inicialmente pelo r. Despacho Decisório (fls. 75 a 88). O crédito debatido no presente feito tem origem em saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 2009 e 2010, formado por recolhimento de impostos sobre o lucro, efetuados no exterior, por mais de 15 (quinze) filiais e empresas, coligadas e controladas da Recorrente (BB Buenos Aires; BB Nova Iorque, BB USA Holding, BB Frankfurt, BB Londres, BB Securities, BB Toquio, BB Paris, BB Milão, BB Grand Cayman, BB Madrid, BB Montevideu, BB Santiago, BB Viena, Brasilian American Merchant Bank (BAMB), BB Tur e Ativos S/A), bem como em pagamentos de estimativas efetuados, supostamente, sob a rubrica de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, sendo o debate sobre a exclusão das penalidades incidentes sobre tais pagamentos objeto dos autos da Ação Ordinária nº 25986 53.2012.4.01.3400, indicando ser o mesmo crédito objeto do Processo Administrativo nº 10166.914106/201203, no qual foi prolatado o Acórdão nº 1402.002.406, de relatoria deste Conselheiro. Frisese que o r. Despacho Decisório (fls. 75 a 88) se fundamenta em Relatório de Intervenção do Usuário, juntado nestes autos às fls. 206 a 238, proferido pela DRF/Brasília, trazido pelo próprio Contribuinte na documentação anexa à Manifestação de Inconformidade. Tal expediente, meticulosamente, fundamenta o não reconhecimento das compensações efetuadas pelas companhias coligadas e filiais estrangeiras, cujos documentos que lhe embasam são parte dos autos do Processo Administrativo nº 10166.721069/201445. Tal expediente pontual, produzido antes do r. Despacho Decisório, foi posteriormente arquivado, encerrandose nos seguintes termos: Fl. 4911DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.912 3 Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 90 a 2287), a Recorrente, em suma, alegou a regularidade da comprovação de recolhimento de todos os tributos das suas filiais, coligadas e controladas, trazendo milhares de documentos, individualmente explicando a dinâmica de incidência e recolhimento de cada um deles e sua idoneidade. Também alega que a parcela de divergência de crédito em relação ao recolhimento de estimativas, por meio de denúncia espontânea, objeto de recusa de homologação pela DRF, é referente a multas de mora, tratadas em Ação Ordinária, já havendo pronunciamento do E. STJ sobre o tema, devendo ser reconhecido tal crédito, até por força regimental deste E. CARF. Processado o feito, os autos foram remetidos à DRJ de Ribeirão Preto/SP, sendo proferido o v. Acórdão (fls. 3713 a 3779), que reconheceu a validade da compensação de alguns recolhimentos efetuados no exterior (BB Londres parcialmente, BB Paris e BB Madrid parcialmente), bem como se entendeu que não se poderia conhecer do tema da denúncia espontânea, por concomitância com a Ação Judicial. Confirase a ementa e trechos do v. Acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTOS REALIZADOS NO EXTERIOR. O pagamento de imposto de renda efetuado no exterior apenas pode ser utilizado para compensação do imposto devido no Brasil caso reconhecido o respectivo documento pelo órgão arrecadador do país estrangeiro e pela representação diplomática brasileira, ou se for comprovado que a legislação do país de origem do rendimento prevê a incidência do imposto de renda por meio do documento de arrecadação apresentado. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. LIMITE. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente no exterior sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. LUCROS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. O imposto incidente no exterior somente é passível de compensação com o devido no Brasil se os lucros auferidos no exterior forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial, antes da expedição de despacho decisório, com razões de pedir coincidentes com as trazidas em sede de manifestação de inconformidade, impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das mesmas razões de Fl. 4912DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.913 4 mérito submetidas ao Poder Judiciário, cuja decisão faz coisa julgada se sobrepondo ao julgado administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2010 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE DCOMP. COBRANÇA DOS DÉBITOS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte (...) O quadro a seguir resume os valores informados pelo contribuinte a título de compensação com IR Exterior, os valores confirmados pela fiscalização e os valores confirmados pelo presente Acórdão: (...) Quanto às alegações do contribuinte em relação à suposta ocorrência da denúncia espontânea nos pagamentos de estimativa mensal de IRPJ efetuados em atraso, não cabe a esta instância julgadora se manifestar sobre o mérito, pois o contribuinte fez a opção por discutir esta questão no Poder Judiciário, através da ação nº 2598653.2012.4.01.3400 (cópia às fls. 2.213 a 2.279). Fl. 4913DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.914 5 Diante do v. Acórdão, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 576 a 838), ora sob apreço, repisando as alegações de sua Manifestação de Inconformidade em relação à parcela do crédito não reconhecido, também fazendo específica alusão e questionando os termos desfavoráveis deste r. decisum a quo. Na mesma oportunidade, é acostada aos autos nova documentação, referente a recolhimentos no exterior e comprovação de consolidação de resultados de controladas coligadas indiretas, nas companhias controladas diretas. Ainda, posteriormente, foi juntado aos autos nova petição da ora Recorrente (fls. 4048 a 4395), trazendo documentos e traduções juramentadas de comprovantes de recolhimento de tributos pagos em outros países, pugnando pelo conhecimento, em face da verdade material. Na sequência, os autos foram inicialmente encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Incluído tal processo na pauta de julgamento de 12 de abril de 2017 desta C. 2ª Turma Ordinária, foi proferida a Resolução nº 1402000.433 (fls. 4404 a 4413), determinado o seguinte: Assim, tendo em vista que, além da nova documentação contábil acostada aos autos, existem centenas de novas folhas, entre documentos de arrecadação e sua traduções, mostrase adequado e prudente se proceder a uma análise fiscal técnica e comparativa, pela própria Unidade Local que inicialmente reconheceu a falta ou a invalidade da documentação, antes de se efetuar o derradeiro julgamento meritório do feito, apreciando todas as matérias, considerando eventuais alterações dos valores controversos. Diante de todo o exposto, resolvese por determinar a realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização: 1) analisando a nova documentação acostada nos autos (fls. 3881 a 4220) em direto confronto com os créditos não reconhecidos pelo v. Acórdão (vide tabela fls. 3775), determinese se esta atende às exigências legais necessárias à compensação de tributos efetuada pelo Contribuinte, dando ensejo ao direito pleiteado na DCOMP. 2) Fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reconhecer montante maior ou mesmo igual dos créditos reconhecidos pelo v. Acórdão a quo, apontando as eventuais falhas probantes da documentação trazida. 3) Seja apensado o presente feito aos autos do Processo Administrativo nº 10166.914106/201203, nos termos do art. 3º, inciso IV, da Portaria RFB nº 1668/2013, por haver identidade da origem do crédito pleiteado. Fl. 4914DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.915 6 4) Após a elaboração do Relatório formal com tais informações e fundamentação de suas conclusões, deve ser dada ciência ao Contribuinte do mesmo, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento. Ato contínuo, a Autoridade Fiscal acostou inúmeros documentos referentes a transações financeiras internacionais e elaborou o Relatório solicitado (fls. 4505 a 4524), com profunda análise e claro resumo, concluindo pela procedência de outras parcelas do crédito, antes não homologadas. Dada a ciência ao Contribuinte sobre o resultado da diligência, este apresentou Manifestação (fls. 4531 a 4806), em suma, discordando da análise da Unidade Local em relação às parcela do crédito não reconhecida e apontando supostas falhas em tal trabalho, reiterando ao final o provimento integral de seu Recurso Voluntário, bem como acostando mais de uma centena de novos documentos. Mais uma vez retornara os autos a este Conselheiro, que procedeu à inclusão do presente processo na pauta de julgamentos da sessão de janeiro de 2018, sendo proferida a Resolução nº 1402000.474 (fls. 4810 a 4833), determinado o seguinte: Diante de todo o exposto, resolvese por determinar a realização de nova diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização: 1) elabore novo Relatório de diligência: 2) reformulando os cálculos da limitação das compensações pleiteadas, aplicando especificamente aos valores referentes ao anocalendário de 2009 os limites individuais por filias, na forma como previsto nos §15, §16 e §17, §18, §19 e §20 do art. 14 da IN nº 213/2002 (multiplicação por 15% ou 25%, conforme o caso, do lucro ofertado à tributação como informado nas Fichas 34 e 35 da DIPJ 2010), verificando também a regularidade documental das provas de recolhimento de desse período, bem como; 2.1) somando o resultado do item 2 (acima) aos valores, regularmente comprovados, referentes ao anocalendário de 2010 e submetêlos aos cálculos e limites dos §10 e §11 da IN nº 213/2002, conforme já efetuado nas Tabelas 23, 24 e 25 do Relatório de diligência anterior; 2.2) aquilo que extrapolar os limites dos §10 e §11 da IN nº 213/2002, poderá ser compensado com a CSLL, observando suas próprias limitações infralegais; 2.3) no caso de haver parcela que extrapola todos limites de compensação mencionados nos itens 2, 2.1 e 2.2 dessa diligência, deverá se prestigiar a utilização dos valores referentes ao ano calendário de 2010, para posteriormente utilizarse e reduzir o saldo Fl. 4915DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.916 7 dos valores do anocalendário de 2009, que poderão ser mantidos e registrados para uso em períodos posteriores. 3.1) analisando integralmente a documentação acostada nos autos às fls. 3881 a 4220, especialmente a parcela referente às filiais de Frankfurt, Viena e BB SECURITIES, suprindo as falhas detectadas e acima explicitadas nessa Resolução, em direto confronto com os créditos não reconhecidos pelo v. Acórdão (vide tabela fls. 3775), determinar se esta atende às exigências legais necessárias à compensação de tributos efetuada pelo Contribuinte, dando ensejo ao direito pleiteado na DCOMP, promovendo as alterações necessárias nos fundamentos e conclusões encontradas no Relatório de diligência anterior; 3.2) analisando a nova documentação juntada fls. 4548 a 4800, procedendo ao mesmo confronto com os créditos não reconhecidos pelo v. Acórdão (vide tabela fls. 3775), determinar, igualmente, se nestes autos foram atendidas às exigências legais necessárias à compensação de tributos efetuada pelo Contribuinte, especialmente em relação as filiais de Milão, Tóquio e Nova York, dando ensejo ao direito pleiteado na DCOMP; 3.3) caso se entenda que algum tributo estrangeiro, recolhido pela Recorrente, não se enquadra nos termos do § 1º do art. 14 da IN 213/2002, fundamentar clara e tecnicamente tal rejeição; 4) Fundamente, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reconhecer montante maior ou mesmo igual dos créditos reconhecidos pelo v. Acórdão a quo, apontando as eventuais falhas probantes da documentação trazida. 5) Após a elaboração do Relatório formal com tais informações e fundamentação de suas conclusões, deve ser dada ciência ao Contribuinte do mesmo, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento. Remetidos os autos à Unidade Local, a Autoridade Fiscal procedeu a nova intimação do Contribuinte (fls. 4836 a 4837) requisitando novas informações e documentos, procedendo à elaboração de novo relatório de diligência (fls. 4845 a 4873), adotando os novos parâmetros de cálculos já determinados por esta. C. 2ª Turma Ordinária e analisando a nova documentação acostada, chegando a novos valores de crédito reconhecido. Intimado, o Contribuinte apresentou Manifestação, em suma, repetindo a alegação anterior de que os cálculos da Unidade Local não consideraram os lucros apurados no exterior no anocalendário de 2009 na delimitação do limite do imposto a ser compensado no Brasil. Na sequência, questiona o novo relatório de diligência, pontualmente, em relação às filiais/coligadas da Espanha, Viena, Itália, Inglaterra, Nova York, e a empresa BAMB, situada nas Ilhas Cayman. Fl. 4916DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.917 8 Na sequência, os autos foram novamente encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 4917DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.918 9 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Reiterase que o Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Conforme já consignado anteriormente, desde a prolatação da Resolução nº 1402000.433 (fls. 4404 a 4413), da análise do Recurso Voluntário, em confronto com o v. Acórdão recorrido, podese concluir que parte da matéria dos autos não foi atacada, restando incontroversa a não homologação dos seguintes valores, referentes aos impostos pagos pelas seguintes filias/controladas: BB BUENOS AIRES R$ 158.523,04 BB NOVA IORQUE (AnoCalendário de 2009) R$ 718.424,34 BB LONDRES R$ 9117.207,54 BB GRAND CAYMAN R$ 56.920,86 BB MONTEVIDEÚ R$ 13.594,46 BB SANTIAGO R$ 444.431,95 Como se observa do relatório, tratase de segundo retorno de diligência, agora referente à v. Resolução nº 1402000.474, de sessão de julgamento de janeiro de 2018, proferida por este mesmo N. Colegiado. Tal r. decisão foi primeiramente motivada em face da constatação da adoção de metodologia de cálculo pela Unidade Local (quando do cumprimento da primeira diligência, objeto da v. Resolução nº 1402000.433, de abril de 2017) que acabava por desconsiderar na obtenção dos limites para a compensação dos tributos recolhidos pelas filiais, sucursais, coligadas e controladas no exterior os lucros de tais estabelecimentos, efetivamente ofertados à tributação domestica no anocalendário de 2009. Igualmente, determinou a análise de nova documentação trazida pelo Contribuinte, na oportunidade de Manifestação, referente à primeira diligência. Fl. 4918DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.919 10 Para melhor esclarecer, confirase a seguir as razões e fundamentos da última v. Resolução para determinação de novo cálculo dos limites da compensação dos tributos pagos no exterior: Porém, de fato, como alegado, no limite compensatório que acabou imposto ao Contribuinte (limite individual por filial) apenas tomouse por base o informado na sua DIPJ 2011 (anocalendário 2010). Melhor explicando, no que tange aos cálculos e valores sob debate, primeiro é necessário esclarecer que no anocalendário de 2009 a Recorrente apurou prejuízo, conforme comprovam as Fichas 9B e 12B da sua DIPJ 2010 (fls. 2593 e 2594), motivo pelo qual não pode compensar naquele mesmo período os valores de tributos sobre a renda pagos no estrangeiro. Contudo, os parágrafos 15 a 20 do art. 14 da IN nº 213/2002 permitem que tais valores sejam aproveitados nos anos seguintes, respeitando as limitações impostas nessas regras específicas. Posto isso, temos que são claras e objetivas as limitações trazidas para tal dinâmica de compensação. Confirase o art. 14 da referida norma infralegal: Art. 14. (...) Como se observa de tal norma, primeiro existe uma limitação geral e ordinária a esta compensação no valor do Imposto de Renda e Adicionais apurados e devidos pelo contribuinte no Brasil, calculados sobre os lucro auferidos no exterior. Dando maior concretude a tal limitação, o § 10 do referido dispositivo traz dois montantes de referência diversos, o primeiro em relação ao valor efetivamente pago pelas filiais e coligadas estrangeiras e o segundo obtido pelos cálculos do IRPJ e Adicionais devidos antes e depois da inclusão no lucro real desses resultados tributáveis percebidos fora do país. Por sua vez, o § 11 estabelece objetivamente que a compensação não poderá superar o valor dos recolhimento e nem a diferença positiva encontrada na comparação dos resultados dos cálculos da segunda hipótese, que leva em consideração a inclusão e a exclusão dos lucro aferidos no exterior. Tais limites (extraídos dos §10 e §11) são aplicáveis na compensação ordinária, anoaano, no momento do ajuste da DIPJ. Porém do §15 ao §20 especialmente regulase o aproveitamento dos tributos pagos em anoscalendário anteriores, em que não fora possível a compensação como in casu, foi 2009, em razão de prejuízo percebido no Brasil. Fl. 4919DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.920 11 Assim, o §17 deixa claro que o montante que pode ser carregado para períodos posteriores é obtido pela multiplicação os lucros, rendimentos ou ganhos de capital computados no lucro real, considerados individualizadamente por filial, sucursal, coligada ou controlada, pela alíquota de quinze por cento, se o valor computado não exceder o limite de isenção do adicional, ou pela alíquota de vinte e cinco por cento, se exceder. Os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital computados no lucro real claramente, são aqueles percebidos no anocalendário em que não foi possível a compensação. Exatamente por não ter havido imposto pago no Brasil sobre tais lucros, aplicase as alíquotas de 15% e 25% sobre os lucros no exterior ofertados à tributação no anocalendário em que não houve lucro real positivo, garantindo e limitando a proporção da compensação destes no futuro, quando houver IRPJ devido. Tanto assim é que os § 16 e o § 20 regulam seu controle na Parte B do LALUR, para serem utilizados nos períodos subsequentes e baixados conforme o aproveitamento. Pois bem, como mencionado, no Relatório de diligência, a Autoridade Fiscal aplicou tal multiplicação por 15% e 25% aos valores constantes da DIPJ de 2011, referentes ao anocalendário de 2010. Confirase (fls. 4522 a 4524): (...) Diante disso, na interpretação que este Conselheiro faz dos dispositivos do art. 14 da IN nº 213/2002, deveria a Fiscalização ter calculado de maneira separada o limite compensatório para os valores referentes ao anocalendário de 2009, valendose da técnica prescrita no § 17 deste dispositivo, multiplicando os lucros, rendimentos ou ganhos de capital percebidos no exterior, ofertados à tributação no Brasil no anocalendário de 2009 (informado nas Fichas 34 e 35 da DIPJ 2010), pelas alíquotas de 15% ou 25%, conforme o caso. Assim, dessa forma seria encontrado o limite individual de cada uma das sucursais para então controlar e carregar a sua compensação para ano subsequente de 2010. Lembrese que, ainda que o Contribuinte em 2009 tenha apurado prejuízo, os lucros auferidos pelas suas filiais e coligadas (que foram base para pagamentos de tributos no exterior) foram oferecidos à tributação doméstica, compondo o cálculo do lucro real. Assim, ainda que este tenha resultado em monta negativa, a inclusão dos lucros percebidos no exterior em seu cálculo, certamente, reduziu a monta de seu prejuízo percebido. Correto, então, permitir o abatimentos dos valores de tributos efetivamente recolhidos no exterior sobre esse mesmo resultado ofertado à Fazenda Pública nacional, nos períodos subsequentes, quando há IRPJ e CSLL devidos no Brasil sobre os resultados das filiais e coligadas. Porém, frisese que tais valores não podem formar saldo credor, restituível. Fl. 4920DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.921 12 Nesse sentido, confirase a lição de Hiromi Higushi1 sobre o tema: (...) Aparentemente, houve equívoco da Unidade Local de se valer das informações da Ficha 34 e 35 da DIPJ de 2011 para estabelecer esse limite da compensação não obstante a robustez, a precisão e a excepcional qualidade de seu trabalho. Ainda, como mencionado, em relação aos valores recolhidos no próprio anocalendário de 2010, o limite de seu aproveitamento será aquele ordinário, veiculado pelos § 10 e §11 do art. 14, como já procedeu a Fiscalização: (...) Observese que, derradeiramente, na conclusão do Relatório de diligência, ficou o direito total à compensação do Contribuinte (tanto dos valores recolhidos em 2009 como em 2010) restrito precisamente ao cálculo do limite individual de cada filial, que foi obtido pela aplicação dos coeficientes de 15% e 25% aos valores de lucros no exterior declarados apenas na DIPJ de 2011 (§17 do art. 14 da IN 213/2002, que é apenas dirigido ao controle e quantificação de compensações que não puderam ter sido efetuadas no próprio ano calendário de incidência e pagamento): (...) Desse modo, fica claro que devem ser reformulados os cálculos dos limites incidentes na compensação pretendida pelo Contribuinte no presente caso. Deve se aplicar as regras do § 15 ao § 20 do art. 14 da IN nº 213/2002 individualmente para os tributos pagos no exterior no anocalendário de 2009 (utilizando as informações das Fichas 34 e 35 da DIPJ de 2010 para o cálculo do valor compensável de cada sucursal, nos termos do §17). A individualização prestase apenas ao controle, como uma conta corrente da Parte B do LALUR de cada filial. Esse será o limite para aproveitamento dos pagamentos efetuados no anocalendário de 2009, igualmente atentandose (como já feito) à regularidade documental das provas. Posteriormente, o resultado encontrado em tal operação deve ser somado àqueles recolhimentos efetuados em 2010 e confirmado, submetendo ambos aos limites das Tabelas 23 e 24, valendose do menor deles como limite, conforme estampado na Tabela 25. Em razão de tal posição, com o convencimento unânime desta C. 2ª Turma Ordinária, determinouse, objetivamente, o seguinte à Fiscalização: 1) elabore novo Relatório de diligência: Fl. 4921DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.922 13 2) reformulando os cálculos da limitação das compensações pleiteadas, aplicando especificamente aos valores referentes ao anocalendário de 2009 os limites individuais por filias, na forma como previsto nos §15, §16 e §17, §18, §19 e §20 do art. 14 da IN nº 213/2002 (multiplicação por 15% ou 25%, conforme o caso, do lucro ofertado à tributação como informado nas Fichas 34 e 35 da DIPJ 2010), verificando também a regularidade documental das provas de recolhimento de desse período, bem como; 2.1) somando o resultado do item 2 (acima) aos valores, regularmente comprovados, referentes ao anocalendário de 2010 e submetêlos aos cálculos e limites dos §10 e §11 da IN nº 213/2002, conforme já efetuado nas Tabelas 23, 24 e 25 do Relatório de diligência anterior; 2.2) aquilo que extrapolar os limites dos §10 e §11 da IN nº 213/2002, poderá ser compensado com a CSLL, observando suas próprias limitações infralegais; 2.3) no caso de haver parcela que extrapola todos limites de compensação mencionados nos itens 2, 2.1 e 2.2 dessa diligência, deverá se prestigiar a utilização dos valores referentes ao ano calendário de 2010, para posteriormente utilizarse e reduzir o saldo dos valores do anocalendário de 2009, que poderão ser mantidos e registrados para uso em períodos posteriores. Pois bem, procedeu agora à remissão aos termos da v. Resolução imediatamente anterior, tendo em vista que a primeira alegação do Recorrente em sua Manifestação é a repetição, praticamente literal, de sua arguição já trazida na primeira Manifestação apresentada (fls. 4531 a 4548) de que haveriam equívocos na Informação Fiscal n o 735/2017, requerendo a devolução da matéria à RFB para a realização de novos cálculos e determinação dos limites atinentes ao período de 2009. Ora, como se observa, o Contribuinte sequer alterou o número de identificação da Informação Fiscal de diligência, referindose àquela outra, anterior, como também procede genericamente à alegação de equívoco e ausência de consideração dos lucros ofertados à tributação em 2009. Como visto, a constatação de tal falha, em face do apontamento do COntribuinte, foi precisamente a motivação primordial da v. Resolução nº 1402000.474. Analisando a segunda Informação Fiscal (fls. 4845 a 4873 denominada também Relatório de diligência) confirmase que a Unidade Local procedeu com total e absoluta obediência às determinações da r. decisão deste N. Colegiado, operando todas as alterações determinadas e necessárias para suprir o lapso que, na primeira oportunidade, acabou por colidir com a determinação do art. 14 da IN nº 213/2002, desconsiderando Fl. 4922DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.923 14 elementos quantitativos da apuração do Lucro Real de 2009, que poderiam reduzir a limitação da compensação pretendida pela Contribuinte. Confirase trecho e tabelas do novo Relatório de diligência que, claramente, evidenciam o devido e correto procedimento: 76. Dessa forma, os limites compensatórios serão calculados separadamente para os anoscalendário 2009 e 2010, levandose em consideração os respectivos pagamentos efetuados em 2009 e 2010, assim como os respectivos lucros disponibilizados no Brasil. 77. Nesse contexto, as tabelas 17 e 18 abaixo representam, respectivamente, para os anoscalendário 2009 e 2010, os cálculos dos limites individualizados para cada filial/coligada, segundo a letra “a” do parágrafo 73. A primeira coluna indica o país de cada filial/coligada. A segunda coluna indica o lucro apurado em cada país, de acordo com Fichas 34 e 35 das DIPJ/2010 e DIPJ/2011. A terceira coluna indica o limite máximo de imposto pago no exterior que pode ser compensado com Imposto de Renda no Brasil, que corresponde a 15% ou 25% do lucro apurado no exterior. A quarta coluna indica os valores de imposto de renda pago no exterior que o contribuinte pretende compensar, que devem ser inferiores aos respectivos valores indicados em coluna 03. Os números que estão em vermelho na quarta coluna superaram o limite legal estabelecido em coluna 03. Logo, para cada filial, mesmo que confirmado o imposto de renda pago no exterior, o limite legal deve ser respeitado. Fl. 4923DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.924 15 78. Nesse contexto, serão comparados os valores confirmados para cada filial, anoscalendário 2009 e 2010 (tabelas 15 e 16, respectivamente), e os valores dos limites individuais que podem ser compensados (tabelas 17 e 18, respectivamente). As tabelas 19 e 20, abaixo, indicam em colunas 02 os limites legais individuais, extraídos, respectivamente, de tabelas 17 e 18. Coluna 03 indica os valores confirmados (tabelas 15 e 16). A coluna 04 compara os valores das colunas 02 e 03 e confirma o menor entre os dois. Por fim, a coluna 05 representa a diferença entre o IRPJ confirmado e o limite legal individual. Caso essa diferença seja positiva, o valor poderá ser considerado na compensação com a CSLL devida, anoscalendário 2009 e 2010. Fl. 4924DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.925 16 79. Após os cálculos dos limites compensatórios individuais para os anoscalendário 2009 e 2010, será feita a soma dos dois limites. A tabela 21 abaixo confirma o valor total de IRPJ passível de compensação, no montante de R$ 58.346.295,42. A tabela 22 apresenta a soma dos valores confirmados e passíveis de compensação com a CSLL, no montante de R$ 19.329.278,83. Fl. 4925DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.926 17 O novo trabalho fiscal é impecável em relação a tal alteração determinada por este N. Colegiado. Posto isso, não só pela ausência de dialeticidade do questionamento do Recorrente, mas, principalmente, pela confirmação analítica de não mais existir falha na apuração dos limites compensatórios dos tributos recolhidos pelas filiais, sucursais e coligadas no exterior, não procede tal apontamento. ESPANHA (BB MADRID) Sequencialmente, a Recorrente questiona em sua Manifestação a apuração dos valores a compensar referentes à sua filial na Espanha (BB Madrid), afirmando que na Tabela 19 do novo Relatório consta o valor de R$ 1.046.700,59, como IRPJ imposto confirmado, quando, na verdade, a própria DRJ a quo, já teria confirmado a monta de R$ 2.443.481,03, Fl. 4926DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.927 18 devendose retificar os valores, permitindo a compensação de R$ 1.220.975,73 para o IRPJ (em face do limite legal) e R$ 1.222.505,30, residuais, para a CSLL. Analisando a nova Informação Fiscal, de fato, confirmase tal equivoco. Não só isso. Além da DRJ a quo ter, realmente, confirmado a possibilidade de compensação no valor total de R$ 2.443.481,03, o primeiro Relatório traz na Tabela 14 a mesma confirmação em Euros da DRJ (e valor discrepante em reais, o que pode apontar para divergência pontual no câmbio adotado nesta tabela) e na Tabela 20, que seria o computo final, a mesma monta total (2009+2010) em reais, já confirmada pela 1ª Instância. Confirase o que consta do v. Acórdão da DRJ como valor confirmado: E a Tabela 14 e Linha da Tabela 20 extraída do primeiro Relatório (fls. 4516/4520): Certamente, está confirmada a falha apontada pelo Contribuinte. Fl. 4927DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.928 19 Nesse sentido, em relação aos tributos recolhidos pelo BB Madrid no exterior, a Contribuinte, confirmadamente, faz jus à compensação de R$ 1.220.975,73 para o IRPJ e R$ 1.222.505,30, residuais, para a CSLL não podendo produzir quaisquer efeitos os valores expressos na Tabela 19 da nova Informação Fiscal de fls. 4845 a 4873. AÚSTRIA (BB VIENA) Depois, o Contribuinte versa sobre os tributos recolhidos por sua controlada em Viena, insurgindose contra o não reconhecimento da Declaração emitida pela Receita Federal de Viena, no qual expressamente teriam sido confirmados os pagamentos do imposto de renda (Körperschatfsteuer) à conta de arrecadação daquele órgão, no valor de 618.875,47 euros, do anocalendário 2009, e 455.107,21 euros, relativo ao ano de 2010, constante das fls. 4107 e 4108, com tradução juramentada às fls. 4085. Afirma que tratase de documento oficial, do Órgão arrecadador Austríaco, com as devidas autenticações e traduções, não podendo ser rejeitado. Também, em suma, explica a dinâmica de quitação dos tributos expressos em tal documento, frisando que, ainda que tenha ocorrido uma compensação, em termos econômicos, tal fato desnatura o pagamento de tributos sobre o lucro. Temos aqui que a Unidade Local rejeitou tal prova, primeiro entendendo ser documento emitido por instituição financeira. Depois, afirma a Autoridade Fiscal que o documento apenas revela que houve pagamentos de imposto coletivo nos referidos montantes à Receita Federal de Viena, mas não confirma os pagamentos propriamente ditos. Derradeiramente, acrescenta que lá não se informou as datas em que os pagamentos foram efetivamente realizados, não sendo possível a verificação da taxa de câmbio aplicável para a devida conversão em reais. Posto isso, temos, primeiro, que a modalidade de compensação para a quitação dos tributos austríacos não foi a motivação da rejeição de tal valor supostamente pago. E, independentemente do debate de que se o emitente é instituição financeira ou o próprio Órgão arrecadador da Áustria, é certo que tratase de mera declaração de recebimentos de maneira global, indicando o total recebido no período anual, sem maiores informações dos recolhimento ausentes as suas datas. Fl. 4928DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.929 20 Assim, assiste razão à Autoridade Fiscal em rejeitar tal documentação, bastando a ausência de data dos pagamentos. Resta também o Contribuinte silente sobre suposto momento de sua ocorrência, não podendo se confirmar o direito à compensação dos valores de 618.875,47 euros e 455.107,21 euros, respectivamente, para os anoscalendário 2009 e 2010, prevalecendo aquilo já apurado na Informação Fiscal anterior, de 2017. ITÁLIA (BB MILÃO) Depois, em sua Manifestação, a Recorrente passa a versar sobre os valores de sua coligada na Itália (BB Milão), em resumo, apenas pugnando que o tributo IRAP enquadra se na definição de tributo incidente sobre o lucro. Isso, pois a Unidade Local, mesmo reconhecendo a procedência da compensação de valores adicionais, referentes ao tributo denominado IRES, em face de novel documentação, manifestou entendimento que o IRAP não amoldavase ao disposto no art. 26 da Lei nº 9.249/95. Em relação ao IRAP, a simples e módica alegação de que este tributo é incidente sobre o lucro/renda em nada socorre ao direito do Recorrente. Ainda que tenha juntado cópia da legislação italiana em sua Manifestação, essa apenas acaba por esclarecer a amplitude da hipótese de incidência de tal tributo. Também, é do conhecimento acadêmico deste Conselheiro que o IRAP incide sobre a produção líquida de seus contribuintes, tendo como base positiva a receita percebida em suas atividades, o que lhe aproximaria da dinâmica do PIS e da COFINS. Não obstante, sua natureza é notoriamente complexa, pois são permitidas deduções na sua apuração, como de alguns pagamentos referentes a alguns itens das folhas de salário, além de ser de competência regional, o que faz com que as regras de sua apuração variem em função da localização das empresas e demais aspectos das pessoas sujeitas à sua incidência. Desse modo, sua suposta natureza de tributo sobre o lucro/renda, como afirmado pelo Recorrente, é extremamente questionável, exigindo uma demonstração aprofundada da sua fenomenologia de incidência concreta e normas de apuração aplicáveis aos valores que foram efetivamente recolhidos pela filial na Itália. Não há tal demonstração por parte do Contribuinte, o que leva à prevalência e adoção das conclusões da Unidade Local, agora chanceladas por este Julgador, devendo ser mantida a negativa a tal valor pretendido. Fl. 4929DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.930 21 INGLATERRA (BB LONDRES) Na sequência, o Contribuinte trata da sua filial de Londres. Alega que o valor do lucro no exterior de Londres em 2010, efetivamente considerado pelo BB, foi de R$ 59.168.186,79, tendo em vista a compensação, em 2010, do prejuízo apurado em período anterior, no mesmo país, de R$ 12.670.699,78, com o lucro apurado no ano base de 2010, de R$ 71.838.886,57. E acrescenta que, a partir dos valores efetivamente pagos no exterior, de R$ 23.270.286,80, o Contribuinte compensou o valor de R$ 14.792.046,70 no Imposto de Renda (= R$ 59.168.186,79 x 25%) e o valor remanescente de R$ 8.478.240,10 (= R$ 23.270.286,80 R$ 14.792.046,70) com a CSLL, observando o Limite Legal de Compensação de R$ 8.875.228,02 (=R$ 59.168.186,79 x 15%). Portanto, para fins de definição dos valores de IRPJ/CSLL efetivamente utilizados pelo Contribuinte, o Fisco deverá observar o Lucro no Exterior de Londres no valor de R$ 59.168.186,79, o que implicaria, agora, na constatação dos valores a compensar de R$ 14.792.046,70 para o IRPJ, e de R$ 8.478.240,10 para a CSLL. Acosta, espontaneamente, ao final da sua Manifestação, folha isolada da Parte B de seu Lalur, apontando compensações, inclusive a mencionada na monta de R$ 12.670.699,78, do anobase de 2010, bem como as fichas 34 e 35, referentes aos lucros exterior da filial de Londres, referentes aos anoscalendário 2008 e 2009. E finaliza alegando que: quanto à diferença entre o valor utilizado, de R$ 23.270.286,80, e o comprovado pela RFB, R$ 22.282.258,72, observase que no momento da conversão da moeda, o Fisco considerou taxa do dia do efetivo pagamento, ao passo que o Contribuinte considerou a taxa do dia 31.12.2010 (consolidação do balanço). Pois bem, primeiramente, frisese que tal alegação, de fato, não fora trazida em Recurso Voluntário e, até o momento, não era objeto de controvérsia, sendo tema aventado apenas agora, na segunda Manifestação do Contribuinte. Da mesma forma, tais valores não foram objeto de quaisquer diligências proferidas neste feito. Além disso, ainda que este Conselheiro sempre privilegie o princípio da busca pela verdade material (inclusive exarando as Resoluções anteriores em razão da juntada de documentos em sede de Recurso Voluntário e Manifestação), é necessário estabelecer um limite, atribuindo duração razoável ao processo e racionalizando o número de diligências realizadas, para que não fique o Julgador à mercê de cada nova juntada promovida pelo Contribuinte, quando bem lhe convir revelar nova documentação, previamente existente, principalmente quando não motivada sua juntada por fato ou questionamento legal inaugurado durante o contencioso, sem qualquer justificativa para a apresentação somente nesse momento. Fl. 4930DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.931 22 E por fim, e analisando tais documentos, entendese que tais fichas das DIPJs dos anoscalendário 2008 e 2009, somadas a página da parte B do Lalur, com lançamento referente ao anocalendário de 2010 sequer poderiam fazer a prova necessária de procedência da alegação procedida pelo Contribuinte. Os cálculos dos limites para a compensação em relação aos valores de tal estabelecimento inglês, para o anocalendário de 2010 foram devidamente extraídos pela DRJ da DIPJ 2011 apresentada pelo Contribuinte (vide fls. 3758) e replicados pela Unidade Local, não havendo, diante de todas as circunstâncias apresentadas, motivação para a alteração no cálculo como pretendido pelo Contribuinte, devendo se manter os montantes desses limites de compensação procedidos pela Unidade Local. No que tange à adoção da data do fechamento contábil para a conversão cambial dos recolhimentos, ainda que para fins de oferta à tributação no Brasil dos lucros auferidos no exterior, a data correta para a conversão de seu valor para Reais, realmente, seja a do balanço do período correspondente, como reza a Súmula CARF nº 941, a conversão da monta dos tributos pagos no estrangeiro, a serem compensados, possui regulamentação própria, bastante clara e objetiva. Confirase o disposto no §3º do art. 26 da Lei nº 9.249/95: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. (...) § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norte americanos e, em seguida, em Reais. (destacamos) O mesmo comando repetese em esfera infralegal, na regulamentação dada pela IN nº 213/2002: 1 Súmula CARF nº 94: Os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.15835, de 2001. Fl. 4931DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.932 23 Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. (...) § 2º O tributo pago no exterior, a ser compensado, será convertido em Reais tomandose por base a taxa de câmbio da moeda do país de origem, fixada para venda, pelo Banco Central do Brasil, correspondente à data de seu efetivo pagamento. (destacamos) Diante disso, não havendo necessidade para maiores ilações, resta claro que, por força legal, a data para conversão cambial do valor dos tributos pagos no exterior a serem compensados com o IRPJ (e a CSLL) no Brasil deverá ser aquela do seu efetivo pagamento. EUA (BB NOVA YORK) Em relação à filial novaiorquina, o Recorrente se insurge contra a constatação feita pela Unidade Local, em atendido a expressa determinação da v. Resolução nº 1402 000.474, referente à análise da legislação estadunidense e a documentação correspondente aos recolhimentos, de que não seria certo se tais tributos incidem sobre a renda ou lucro. Alega o Contribuinte, de forma muito sucinta e objetiva, que a legislação é clara e determina que a base de cálculo dos impostos será composta pela renda líquida ou renda empresarial. Ao seu turno, a Fiscalização, procedendo a minuciosa análise, demonstra que o Imposto Corporativo estimado da Cidade de Nova York tem 4 (quatro) bases de cálculo distintas, sendo elas a renda líquida; OU sobre ativos tributáveis; OU sobre renda líquida total alternativa OU sobre o imposto mínimo: Fl. 4932DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.933 24 De forma muito semelhante, o Imposto Corporativo estimado do Estado de Nova York possui 3 (três) materialidades diversas, quais sejam, a renda empresarial; OU capital empresarial; OU imposto mínimo, acrescidos do imposto comercial sobre transporte metropolitano: Em sua arguição, o excerto da legislação trazida pela própria Recorrente em sua peça também aponta para a multiplicidade de bases tributáveis por tais tributos, contrariando suas alegação. E, mais importante, não há prova nos autos de que, os recolhimentos, aqui objeto de análise, concretamente, oneraram exclusivamente modalidade de renda ou lucro, consideradas as opções de tributação apresentadas por estas legislações norteamericanas. Desse modo, não merece alteração a conclusão fiscal relativa à monta dos tributos da sucursal de Nova York a serem compensados. BAMB (BB SECURTIES) No que tange ao crédito de tal coligada indireta, a Recorrente repete suas alegações trazidas na primeira Manifestação apresentada em face do primeiro Relatório de Fl. 4933DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.934 25 diligência, afirmando que não houve posicionamento da Unidade Local sobre tal unidade estrangeira. Primeiro, esclarecese que realmente não foi objeto da v. Resolução nº 1402.000.474 a análise de quaisquer documentos ou reformulação de cálculos relativos a tal filial, não existindo omissão ou falha da Fiscalização. E, como se observa, o Contribuinte aprofunda sua argumentação trazida em Recurso Voluntário de que os lucros da BB Securities foram consolidados na BAMB, os quais foram devidamente ofertados à tributação, trazendo planilhas e demonstrações atestando tal consolidação, combatendo a alegação da DRJ de inexistência de sua prova. Ocorre que a Unidade Local, na oportunidade do primeiro Relatório de diligencia de 2017, muito corretamente, procedeu à análise de tal documentação e reconheceu que tais valores referentes aos lucros BB. Securities foram consolidados na apuração de resultados da BAMB. Ou seja, não só já procedeuse a tal análise, como fora constatada a procedência da alegação do Contribuinte. Contudo, como esclarecido pela Unidade Local na primeira Informação Fiscal (vide fls. 4507 a 4508), não obstante tal constatação, o que realmente motivou a glosa de tal valor, tanto pela DRF quanto pela DRJ a quo, foi a inadequação legal dos documentos (relatórios swift) para a comprovação dos recolhimentos de tributos, nos termos do art. 26, § 2º, da Lei nº 9.249/95. Portanto, considerando que em Recurso Voluntário não houve qualquer documento ou mesmo alegação capaz de contrariar tal constatação, verificandose a mesma carência nas Manifestações posteriores do Contribuinte, não há motivos para o reconhecimento de tal parcela adicional de crédito, devendo ser mantido o cálculo consolidado promovido pela Unidade Local em relação a este item. Acrescentese que no v. Acórdão nº 1402002.919, proferido em sessão de fevereiro de 2018 por esta mesma C. Turma, em processo deste mesmo contribuinte e relatoria deste Conselheiro, também afastou a validade de tal modalidade de conjunto probatório, apresentado em circunstâncias muito semelhantes. BAMB (ATIVOS S.A.) Fl. 4934DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.935 26 Em relação a esta empresa coligada indireta, igualmente o Contribuinte repete as alegações de sua primeira Manifestação, no sentido de que alguns valores retidos na fonte foram desconsiderados pela Fiscalização, trazendo cópias das DIPJs dos anoscalendário de 2009 e 2010, apontando para montante superior de tributos recolhidos, concluindo que reunidas as exclusões indevidas citadas nos itens 29 a 31 anteriores, IRPJ e CSLL, períodos 2009 e 2010, temse a redução do direito creditório da Empresa, no montante total de R$ 746.110,09, a seguir discriminado: Para o ano calendário 2009: R$ 412.175,55 (400.084,67 de IRPJ + 12.090,88 de CSLL) e, para o ano calendário 2010: R$ 333.934,54, (323.627,74 de IRPJ + 10.306,80 de CSLL). Primeiramente, frisese que a motivação para a DRJ a quo denegar tal compensação, incluindo todos os valores recolhidos por esta coligada indireta, situada no Brasil (coligada direta da BAMB, estrangeira situada nas Ilhas Cayman) foi a interpretação de inaplicabilidade do § 6º, do art. 14 da IN nº 213/2002 e do art. 9º da MP nº 2158/2001, entendendo que apenas os tributos de empresas coligadas situadas no exteior podem ser compensados no Brasil, independentemente da coligação indireta e a consolidação de seus lucros em coligada direta. Este Conselheiro superou já tal posicionamento, desde a prolatação da v. Resolução nº 1402000.433, determinado a análise da documentação correspondente. Registre se que a devida interpretação conjunta e sistemática do § 6º do art. 1º da IN nº 213/2002 com o § 6º do seu art. 14, deixa claro não existir qualquer restrição à compensação de tributos recolhidas por coligadas indiretas, independentemente de onde estão situadas ou sua relação societárias. A partir do momento que o lucro desta coligada indireta foi consolidado na coligada direta e, por sua vez, ofertado o resultado desta à tributação doméstica, o impedimento de sua compensação resultará em excesso de oneração. Se tal recolhimento desta outra empresa coligada indireta formou crédito ou saldo negativo compensado posteriormente no Brasil, tal evento é irrelevante para o computo da totalidade de tributo a compensar, referente à cadeia societária situada no exterior, em determinado anocalendário. Pois bem, retornando às alegações do Contribuinte, este afirma que parte do IRRF e da CSLL retidos na fonte não foram computados pela Fiscalização, trazendo a sua DIPJ para fazer tal comprovação. Porém, como se observa do primeiro Relatório de diligência (vide fls. 4510), afirmase e atestase que os valores de recolhimentos referentes a ATIVOS S.A. foram obtidos junto ao sistema SIEF, da Receita Federal do Brasil, conforme telas de fls. 4427 e4478. Fl. 4935DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.936 27 Assim temos que, como em qualquer outro processo debatendo direito creditório de contribuinte, a mera informação em DIPJ, de natureza informativa, não faz prova que desconstitui informações constantes do próprio sistema do Órgão arrecadador federal. São necessárias outras provas, de contundente materialidade, apontado para pagamento ou compensação efetiva, para desconstituir a informação extraída pelo Fisco de seus sistemas. O Recorrente não traz tal conjunto probatório, de modo que a informação extraída pela Unidade Local dos sistemas da Receita Federal do Brasil deve prevalecer, mantendose, por este motivo apenas, os cálculos da Fiscalização. BAMB (BB TUR) Antes de propriamente adentrar às ponderações do Contribuinte sobre o resultado das diligências em relação a tal coligada, temos que toda a matéria de prova, referente à comprovação de recolhimentos e oferta de lucros à tributação delimitando os limites da compensação pretendida foram devidamente enfrentados. Poderseia já enfrentar as matérias de Direito e meritórias, incluindo as alegações referente a parte dos recolhimentos desta empresa. Primeiro, em relação a esta empresa, registrese aqui que a mencionada interpretação conjunta do § 6º do art. 1º com o §6º do art. 14 da IN nº 213/2002 leva ao afastamento da suposta vedação defendida pela DRJ a quo. E, ao seu turno, aponta o Recorrente que na primeira Informação Fiscal o valor de R$ 105.199,26 foi desconsiderado, como se inexistente, tendo em vista que referese a estimativa, saldada por compensação, debatida no Processo Administrativo nº 14033.000643/201141. Entende que tal manobra afasta, sumária e antecipadamente o seu direito creditório. Confirase a afirmação da Unidade Local (fls. 4509): A tabela 05 abaixo informa os pagamentos de IRPJ e CSLL efetuados pelo BBTUR no anocalendário 2010. Esses pagamentos foram extraídos do sistema SIEF, conforme telas de fls.4425/4426. Ademais, o débito de estimativa referente ao 3º Trimestre/2010, que foi objeto de compensação, possuía valor total no montante de R$ 240.013,94. Entretanto, R$ 105.199,26 encontramse suspensos e Fl. 4936DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.937 28 vinculados ao processo nº 14033.000643/201141. Dessa forma, será confirmado o valor de R$ 134.814,68 (240.013,94 – 105.199,26). Posto isso, assiste razão ao Contribuinte. O entendimento há muito professado por essa C. 2ª Turma Ordinária é que tal correlação de dependência entre pleitos referentes a direito creditório não pode ensejar a denegação da compensação pretendida (como procedeu a DRJ a quo), mas, também, não basta para justificar a homologação da manobra do Contribuinte. Isso porque, de fato, no presente momento, não é ainda líquida e certa esta parcela do crédito empregado na compensação, não podendo, legalmente, confirmarse a satisfação dos débitos saldados pela DCOMP. Claramente há conexão entre as causas, ainda que parcial. Não obstante, promovendo consultas, tanto pelo sítio deste E. CARF como pelo sistema comprot, não é possível encontrar a situação de tal procedimentos fiscal, sendo uma incógnita seu eventual desfecho ou atual andamento. Desse modo, apesar de toda análise acima procedida, a qual, sem qualquer prejuízo, será utilizada no julgamento meritório deste feito, entendese que não há como se prosseguir com o julgamento desta pendenga sem o esclarecimento do desfecho ou da atual situação desse outro processo. Caso contrário, não só será mantido um profundo anacronismo na apreciação de verdadeira cadeia creditória (esta, fruto das disposições do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e regulamentação infralegal), como também poderseia ensejar a indevida denegação precipitada de compensação ulteriormente procedente. Sequer a quantificação do crédito pode ser objeto de aferimento antes da apreciação do crédito debatido naqueles outros feitos. Como já mencionado, não se está diante de inexistência de crédito, mas sim de verdadeiro obstáculo, lógico e temporal, para tal apuração e confirmação, não podendo simplesmente afastar a pretensão do Contribuinte. Fl. 4937DF CARF MF Processo nº 10166.904102/201471 Resolução nº 1402000.787 S1C4T2 Fl. 4.938 29 Diante de todo o exposto, resolvese por determinar diligência, remetendose os autos à Unidade Local de fiscalização para que: 1) seja elaborado breve Relatório, esclarecendo e demonstrando a localização, atual situação e eventual desfecho do Processo Administrativo nº 14033.000643/201141, apontando, objetiva e conclusivamente, para a existência ou não do reconhecimento do crédito e homologação definitiva da compensação pretendida lá. 2) sejam acostadas cópias integrais de tal feito aos autos do presente processo. Na sequência, devem os autos retornar a este E. CARF para se prosseguir com o julgamento. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 4938DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.902633/2015-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 29/02/2012
DCTF. PREENCHIMENTO.
Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.902600/201541, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 26 33 /2 01 5- 91 Fl. 250DF CARF MF 2 Relatório EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMATERMG recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 165 do Código Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos próprios com suposto crédito decorrente de pagamento a maior oriundo de DARF de Código de Receita 2484, recolhido em 29/02/2012, no valor de R$ 236.273,46. A DRF/Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente utilizado para quitação de outro débito confessado pelo contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ evidencia a inexistência de CSLL a pagar, que houve o recolhimento do DARF indevido demonstrado em DCTF e, assim, mediante as evidências da DIPJ, concluise pela existência de crédito tributário por pagamento indevido a maior, passível de compensação de débitos tributários. A autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por meio do acórdão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10680.902633/201591 Acórdão n.º 1301003.556 S1C3T1 Fl. 3 3 O principal argumento das autoridades fiscais foi no sentido de que "a contribuinte indicou na DIPJ apuração anual do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL registrados no LALUR, contudo, não apresentou a escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a existência dos seus débitos, indicados na DIPJ." Cientificado da decisão de primeira instancia em 05/06/2017, o contribuinte apresentou, em 29/06/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e apresentando uma vasta documentação contábil e fiscal visando, enfim, sua linha de argumentação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.523, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.902600/2015 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.523): "O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme acima relatado, a EMATERMG, optante pelo lucro real, realizou a apuração do IRPJ e CSLL conforme a Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995, ou seja, lucro real anual com base no balancete mensal de suspensão redução. Alega o contribuinte que os valores apurados dos impostos abaixo descritos, foram liquidados com utilização dos créditos provenientes das retenções na fonte de notas fiscais emitidas e recebidas e também de aplicações financeiras. Após estes ajustes teriam sido realizados pagamentos em espécie através de DARF, que o ocasionaram um pagamento a maior ao final do exercício apresentado. Conforme demonstrado na tabela de cálculo abaixo. Fl. 252DF CARF MF 4 Descrição Valor Anexo para Consulta IRPJ 1.878.907,15 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício () IR Retido na Fonte de Orgãos Publicos 396.434,37 Anexo II Razão Contábil conta 110.211.0015 () IR retido na Fonte 1.067.820,00 Anexo III Razão Contábil conta 110.211.0004 Valor a Recolher 414.652,78 () Pagamento em 29/02/2012 591.219,08 Anexo IV DARF Recolhida em 29/02/2012 cod 2362 () Pagamento em 29/04/2012 55.721,60 Anexo V DARF Recolhida em 29/04/2013 cod 2430 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 232.287,90 Descrição Valor Anexo para Consulta CSLL 1.104.476,29 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício ()CSLL Retido na Fonte de Orgãos Publicos74.016,43 Anexo VI Razão Contábil conta 110.211.0016 () CSLL Retido na Fonte 837,41 Anexo VII Razão Contábil conta 110.211.0012 Valor a Recolher 1.029.622,45 () PERD/DCOMP 17/08/2012 139.413,59 Anexo VIII Declar. 42685.42010.170812.1.3.040857 () PERD/DCOMP 04/09/2012 11.431,75 Anexo IX Declar. 37686.72607.040912.1.3.040923 () Pagamento em 29/02/2012 236.273,46 Anexo X DARF recolhida em 29/02/2012 cod 2484 () Pagamento em 29/04/2012 682.915,50 Anexo XI DARF recolhida em 29/04/2013 cod 6773 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 40.411,85 No entanto, de acordo com o contribuinte, foram identificadas informações indevidas no preenchimento da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012, relativas a identificação do crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de pagamento a maior destes tributos. Teriam sido efetuadas, então, as retificações da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012 com o objetivo de evidenciar e comprovar o crédito tributário utilizado pela EMATERMG. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10680.902633/201591 Acórdão n.º 1301003.556 S1C3T1 Fl. 4 5 apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por . dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003414/2006-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
MUDANÇA DE MODELO DE ENTREGA DA DAA.
Em se tratando de Declaração de Rendimentos da pessoa física, após o prazo previsto para sua entrega, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo.
Numero da decisão: 2202-004.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)'
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente)' Marcelo de Sousa Sáteles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1330; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 186 1 185 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.003414/200647 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.887 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA Recorrente JOSE DE ARIMATÉIA BARBOSA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 MUDANÇA DE MODELO DE ENTREGA DA DAA. Em se tratando de Declaração de Rendimentos da pessoa física, após o prazo previsto para sua entrega, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente)' Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 34 14 /2 00 6- 47 Fl. 186DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0416.270, proferido pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS (DRJ/CGE) que julgou procedente o lançamento. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/CGE: O Acórdão DRJ Belém PA 5.874 de 25 de abril de 2006, processo 13227.000581/200328, declarou NULO por vício formal o lançamento de IRPF 2002 no valor de R$ 56.978,77, pois não constaram no lançamento a descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração. Os autos foram remetidos à fiscalização para efetuar novo lançamento dentro do prazo previsto no artigo 173, II. Trata o presente processo de Auto de Infração(folhas 77 a 84) em substituição ao lançamento efetuado no processo 13227.000581/200328 lavrado pelo AuditorFiscal da Receita Federal Rodolfo Costa Marques no valor originário de R$ 29.783,11 acrescido de multa e juros totalizando o valor de R$ 68.684,13 consolidado em 31/08/2006, referente a Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2002, em razão de trabalho de fiscalização onde foram verificadas as seguintes infrações: Omissão de rendimentos recebidos. Intimado a comprovar os rendimentos tributáveis, apresentou livro caixa referente a despesas provenientes de serviço cartorário. Não foram consideradas as despesas do contribuinte em razão da opção pelo modelo simplificado. Foi considerado o desconto padrão de R$ 8.000,00. Em sua impugnação de folhas 89 a 97, o interessado alega que: 1. Quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2002, anocalendário de 2001, o impugnante cometeu um equívoco no momento de formalizar a opção pelos modelos de declaração, tendo preenchido o completo no lugar do simplificado; 2. Indicou sua renda líquida (R$32.501,85) no campo dos rendimentos tributáveis ao invés da renda bruta (R$ 125.700,38); 3. Apesar de a Autoridade Fiscal possuir cópia das estatísticas indicadoras das receitas e despesas do contribuinte nos serviços notariais e de registro, a autoridade fiscal valeuse de valores outros para determinação dos rendimentos tributáveis; 4. A autoridade fiscal, ao desconsiderar as expensas e tributar a receita bruta do contribuinte, insinuar que, no ano calendário 2001, o impugnante auferiu apenas receita e não despesa. 5. O Auditor Fiscal reconhece que o autuado faz uso do carnê leão e este é um regime incompatível com a utilização de desconto simplificado. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10183.003414/200647 Acórdão n.º 2202004.887 S2C2T2 Fl. 187 3 6. Compete aos Juízes Corregedores fiscalizar as despesas e receitas da serventia e a rigorosa fiscalização do poder judiciário deve ser considerada de forma a respaldar a correção das informações prestadas pelo contribuinte, pois que se houvesse alguma incorreção, apontada seria pelo Poder Fiscalizador. 7. A limitação quanto à troca de modelo não é absoluta mas tão somente à hipótese de retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Quando ocorre erro não existe tal vedação. 8. Houve o erro na apresentação da DIRPF, tanto é que o interessado apresentou declaração com os rendimentos líquidos, demonstrando que queria utilizar as deduções previstas na legislação. 9 Ocorreu erro de fato no preenchimento e erro formal na opção do formulário simplificado e tal medida é recomendada não apenas para corrigir os equívocos apontados e ajustar a intenção do contribuinte mas também para que haja correta incidência do tributo. Assim, solicita: O cancelamento da infração. A lançamento foi julgado procedente pela DRJ/CGE (efls. 135/141). A decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 DIRPF TROCA DE MODELO NÃO PERMITIDA Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. A escolha do modelo de declaração é uma opção do contribuinte, a qual se torna definitiva com a entrega da mesma. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 08/04/2009 (efls. 145/149), alegando, em apertada síntese: Da Preliminar de Nulidade em 05/04/2006, a Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPA, por unanimidade de votos, considerou nulo o lançamento originalmente contestado, conforme faz prova cópia do acórdão em anexo. no entanto, a notificação enviada ao Contribuinte apenas lhe deu conhecimento do julgamento do recurso (cópia doc. anexo), não informandoo da possibilidade de retificar a declaração do imposto de renda antes de novo lançamento, conforme lhe faculta o §1°, do art. 147, do CTN, o que é exatamente a matéria de mérito do presente processo, aliás, a todo o momento o Contribuinte manifestou seu desejo em retificar sua declaração de ajuste anual, sendo objeto de pedido explicito em suas defesas e recursos apresentados (cópia documentos anexos); Fl. 188DF CARF MF 4 a ausência da advertência acerca da regularização antes de novo lançamento, que oportunize ao Contribuinte sanar o erro a todo momento noticiado, ofende a Garantia Constitucional do Devido Processo legal e os princípios da ampla defesa e contraditório como corolários daquele. ante ao exposto, em preliminar, requer seja declarada a nulidade do lançamento ocorrido sem a notificação previa do Contribuinte informandolhe da oportunidade para a regularização antes de novo lançamento, por ser medida imposta pelos princípios Constitucionais do Devido Processo Legal, Ampla Defesa e Contraditório. Do Mérito alega que são incontroversos os seguintes fatos: i) ocorreu erro de preenchimento da DIRPF/2002, eis que como restou reconhecido no r. acórdão n. 0416.270, ocorreram omissão de rendimentos recebidos, o que por si só, autoriza a retificação da declaração de imposto de renda, e ii) o contribuinte claramente optou pelas deduções reais, inclusive reconhecida pela autoridade fiscal a utilização do carnêleão, fazendo jus à declaração do modelo completo, o que configura o erro formal de opção de formulário simplificado, devendo ser aceita sua retificação; o Código Tributário Nacional admite a possibilidade de retificação de erros contidos na declaração, entretanto, não há que se falar em limitação temporal contida no §1° do respectivo artigo 147 do CTN, pois, contraria aos ditames constitucionais do enriquecimento sem causa e de amplo acesso ao Poder Judiciário, além da proteção contida no artigo 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Colaciona decisões do TRF 1ª e do TRF 4ª para dar suporte a sua alegação; requer ainda que todos os argumentos e documentos anexos ao primitivo processo n° 13227000581/200328, bem como cópia dos relatórios estatísticos enviados ao Poder Judiciário (Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia) fiquem fazendo parte integrante deste Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Marcelo de Sousa Sáteles, Conselheiro Relator O recurso foi apresentada tempestivamente, atendendo também aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Da Preliminar de Nulidade O Recorrente, requer, em preliminar, que seja declarada a nulidade do lançamento ocorrido sem a notificação previa do Contribuinte informandolhe da oportunidade para a regularização antes de novo lançamento, por ser medida imposta pelos princípios Constitucionais do Devido Processo Legal, Ampla Defesa e Contraditório. Quanto ao cerceamento de defesa, cumpre esclarecer que, no curso da ação fiscal, a Autoridade Fiscal atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10183.003414/200647 Acórdão n.º 2202004.887 S2C2T2 Fl. 188 5 interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. O direito ao contraditório e à ampla defesa devem ser plenamente garantidos ao Contribuinte desde a ciência do lançamento. Afastase a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa se o teor da impugnação e a documentação apresentadas indicam que o Contribuinte teve pleno conhecimento da matéria tida como infringida, não restando comprovado nos autos qualquer embaraço ao exercício do seu direito de defesa. Observese, ainda, que o auto de infração combatido foi lavrado por autoridade competente, contém precisa e clara descrição dos fatos e da infração, bem como indica os dispositivos legais infringidos, não se vislumbrando, pois, qualquer vício apto a ensejar a nulidade do lançamento, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, impondose a rejeição da preliminar de nulidade. Em relação ao questionamento de que deveria ter sido dada a oportunidade de o contribuinte retificar sua declaração alterando seu modelo de simplificado para completo, após a declaração de nulidade por vício formal da DRJ Belém, e antes do novo lançamento efetuado, ora em questão, por se tratar de questão de mérito, será analisado a seguir. Do mérito Quanto à alegação sobre à retificação da declaração entregue de simplificada para completa, a questão se encontra pacificada neste Conselho, sendo objeto da Súmula Vinculante CARF nº 86, a qual este Julgador não pode deixar de cumprir, conforme preceitua o artigo 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015: Súmula CARF nº 86: É vedada a retificação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física que tenha por objeto a troca de forma de tributação dos rendimentos após o prazo previsto para a sua entrega (Vinculante, conforme Portaria MF n. 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portaria Ministério da Fazenda n. 343/2015 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Portanto, a alteração do modelo de declaração apresentado originalmente pelo contribuinte só é permitida, desde que a retificação fosse efetuada antes do prazo final para a entrega da declaração de rendimentos previsto para o exercício financeiro a ela correspondente. No presente caso, por se tratar de anocalendário 2001, logo não é permitida a retificação da declaração de rendimentos visando a troca de modelo, após 30 de abril de 2002. Fl. 190DF CARF MF 6 Portanto, desde 01 de maio de 2002, não é permitido ao contribuinte retificar sua declaração originária do modelo simplificado para o modelo completo. Sendo assim, não havia nenhum motivo para que o Acórdão n. 5.874 da DRJ de Belém/PA (efls. 05/08), de 25 de abril de 2006, desse a possibilidade do contribuinte retificar sua declaração antes do ora lançamento em questão, por não ser mais permitida a retificação do modelo de declaração do Recorrente desde de 01 de maio de 2002. Ante o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19707.000371/2008-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
BOLSA DE RESIDÊNCIA MÉDICA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA ISENÇÃO.
As importâncias recebidas a titulo de residência médica são consideradas rendimentos do trabalho, mesmo que não haja vinculo empregaticio, devendo compor a base de cálculo ao se apurar o IRPF na Declaração de Ajuste Anual.
Numero da decisão: 9202-007.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Patrícia da Silva na reunião anterior, e por estar ausente momentaneamente.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente momentaneamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada).
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 BOLSA DE RESIDÊNCIA MÉDICA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA ISENÇÃO. As importâncias recebidas a titulo de residência médica são consideradas rendimentos do trabalho, mesmo que não haja vinculo empregaticio, devendo compor a base de cálculo ao se apurar o IRPF na Declaração de Ajuste Anual.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Patrícia da Silva na reunião anterior, e por estar ausente momentaneamente. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente momentaneamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1552; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19707.000371/200828 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.522 – 2ª Turma Sessão de 31 de janeiro de 2019 Matéria IRPF ISENÇÃO BOLSA RESIDÊNCIA MÉDICA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALIOMAR COELHO PEREIRA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 BOLSA DE RESIDÊNCIA MÉDICA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA ISENÇÃO. As importâncias recebidas a titulo de residência médica são consideradas rendimentos do trabalho, mesmo que não haja vinculo empregaticio, devendo compor a base de cálculo ao se apurar o IRPF na Declaração de Ajuste Anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Patrícia da Silva na reunião anterior, e por estar ausente momentaneamente. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 70 7. 00 03 71 /2 00 8- 28 Fl. 150DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente momentaneamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada). Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 21/24), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao exercício 2004, anocalendário 2003, por meio do qual exigese do recorrente IRPF suplementar em razão de trabalho de malha em que foi verificado omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica, no valor de R$ 17.838,96. O autuado apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 21/11/2012, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2202002.111 (fls.80), com o seguinte resultado: " ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.” O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 BOLSA DE RESIDÊNCIA MÉDICA. MÉDICORESIDENTE. REGIME ESPECIAL DE TREINAMENTO. VALORES RECEBIDOS NÃO CARACTERIZAM CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NEM VANTAGEM PARA O DOADOR. NATUREZA DE DOAÇÃO. ENCARGO NÃO TRIBUTÁVEL. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, para fins tributáveis, os valores percebidos a título de bolsa residência médica, em regime especial de treinamento médico, caracterizadas como doação e não representam contraprestação de serviços nem vantagem para o doador. Assim, a bolsa de residência médica percebida por médicoresidente quando em regime especial de treinamento médico constitui doação com encargo não tributável pelo imposto de renda. Recurso provido. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 03/12/2012 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs no mesmo dia, portanto, tempestivamente, Recurso Especial (fls. 92). Em seu recurso visa a rediscussão quanto a questão da isenção das verbas pagas a título de “bolsa de residência médica”. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 19707.000371/200828 Acórdão n.º 9202007.522 CSRFT2 Fl. 3 3 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 2ª Câmara, de 30/11/2015 (fls. 125), conforme acórdãos paradigmas nsº 10246.320 e 106 11.848. § Em seu recurso alega que a jurisprudência do CARF considera que a ‘bolsa’ de residência médica está sujeita à incidência do Imposto de Renda, haja vista se constituir de contraprestação salarial a serviço prestado. § Lembra que o acórdão desafiado sustenta que a ‘bolsa’ de residência médica recebida pelo Recorrido seria uma ‘doação’ e não uma mera prestação de serviço prestado, sujeita ao Imposto de Renda, da seguinte forma: ‘(...) No presente caso, pelos elementos constantes dos autos, entendo que estamos diante de uma doação modal com encargo, em face da obrigação de o suplicante exercer a função de médico após o término do curso. (...)’; § Ressalta, porém, que discorda desse posicionamento, uma vez que o acórdão desafiado nunca apontou qualquer elemento dos autos que justificasse o caráter de ‘doação modal com encargo’ da ‘bolsa’; ao contrário, consta dos autos que o Recorrido prestava serviços médicos a benefício da atividade econômica do empregador Associação Beneficente de Campo Grande. § Salienta que o Código Civil exige, a respeito da doação com encargo, a manifestação da vontade por meio de instrumento próprio, verbis: § Art. 541. A doação farseá por escritura pública ou instrumento particular. § Diz que não consta nos autos, nem que o acórdão recorrido fez qualquer menção sobre a existência de escritura pública ou instrumento particular a respeito da suposta ‘doação’. § Acrescenta que o CARF somente afasta a tributação sobre ‘bolsa’ nos casos onde ‘os resultados dessas atividades não representem vantagens para o doador, nem importem contraprestação de serviços’, e que, portanto, não persiste qualquer dúvida a respeito da natureza dos serviços prestados pelo Recorrido ao seu empregador, pelo contrário, o Recorrido confirma a relação de médico residente em entidade prestadora de serviços médicos. Cientificado do Acórdão nº 2202002.111, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 17/03/2016, o contribuinte apresentou em 24/05/2016, portanto, intempestivamente, contrarrazões (fls. 136). É o relatório. Fl. 152DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 125. Ressaltese que não serão conhecidas as contrarrazões apresentados uma vez que são intempestivas. Do Mérito De forma objetiva a delimitação da lide, conforme consta do despacho de admissibilidade, cingese a incidência de IRPF sobre a bolsa de estudos de médico residente. Alega desvinculação do fisco à compreensão do caráter indenizatório definido em sentença trabalhista e impossibilidade de criação de isenções ao IRPF não previstas em lei. Segundo o recorrente buscase afastar a natureza indenizatória da verba defendida pelo acórdão recorrido. NO que se refere à legislação que rege o tema, o Decerto nº 3000, 26/03/1999 (RIR), em seus art. 37 e 38, estabeleceu o conceito de renda de forma ampla, existindo a importante ressaslva, para o exame dos casos, de que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando, para a incidência do imposto, a sua percepção por qualquer forma e a qualquer titulo. Senão vejamos os dispositivos: Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). Parágrafo único. Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66). Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário No tocante à isenção, o comando no art. 111 do CTN (CTN, diz que estas devem ser interpretadas de maneira literal. Nesse sentido, no art. 39 do RIR/1999, encontram Fl. 153DF CARF MF Processo nº 19707.000371/200828 Acórdão n.º 9202007.522 CSRFT2 Fl. 4 5 se relacionados e especificados todos os rendimentos que estão abarcados por este beneficio. Assim, somente estariam amparados pela isenção as verbas listadas no art. 39 do RIR. Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: Ajuda de Custo I a ajuda de custo destinada a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sujeita à comprovação posterior pelo contribuinte (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XX); Alienação de Bens de Pequeno Valor II o ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos de pequeno valor, cujo preço unitário de alienação, no mês em que esta se realizar, seja igual ou inferior a vinte mil reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 22); Alienação do Único Imóvel III o ganho de capital auferido na alienação do único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação seja de até quatrocentos e quarenta mil reais, desde que não tenha sido realizada qualquer outra alienação nos últimos cinco anos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 23); Alimentação, Transporte e Uniformes IV a alimentação, o transporte e os uniformes ou vestimentas especiais de trabalho, fornecidos gratuitamente pelo empregador a seus empregados, ou a diferença entre o preço cobrado e o valor de mercado (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso I); Auxílio alimentação e Auxílio transporte em Pecúnia a Servidor Público Federal Civil V o auxílio alimentação e o auxílio transporte pago em pecúnia aos servidores públicos federais ativos da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional (Lei n º 8.460, de 17 de setembro de 1992, art. 22 e §§ 1º e 3º, alínea "b", e Lei n º 9.527, de 1997, art. 3º, e Medida Provisória nº 1.7833, de 11 de março de 1999, art.1º, § 2º). Benefícios Percebidos por Deficientes Mentais VI os valores recebidos por deficiente mental a título de pensão, pecúlio, montepio e auxílio, quando decorrentes de prestações do regime de previdência social ou de entidades de previdência privada (Lei n º 8.687, de 20 de julho de 1993, art.1 º) ; Bolsas de Estudo Fl. 154DF CARF MF 6 VII as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços (Lei nº 9.250, de 1995, art. 26); Cadernetas de Poupança VIII os rendimentos auferidos em contas de depósitos de poupança (Lei nº 8.981, de 1995, art. 68, inciso III); Cessão Gratuita de Imóvel IX o valor locativo do prédio construído, quando ocupado por seu proprietário ou cedido gratuitamente para uso do cônjuge ou de parentes de primeiro grau (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso III) Contribuições Empresariais para o PAIT X as contribuições empresariais ao Plano de Poupança e Investimento PAIT (DecretoLei n º 2.292, de 21 de novembro de 1986, art. 12, inciso III, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso X); Contribuições Patronais para Programa de Previdência Privada XI as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso VIII); Contribuições Patronais para o Plano de Incentivo à Aposentadoria Programada Individual XII as contribuições pagas pelos empregadores relativas ao Plano de Incentivo à Aposentadoria Programada Individual FAPI, destinadas a seus empregados e administradores, a que se refere a Lei n º 9.477, de 24 de julho de 1997 ; Diárias XIII as diárias destinadas, exclusivamente, ao pagamento de despesas de alimentação e pousada, por serviço eventual realizado em município diferente do da sede de trabalho, inclusive no exterior (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso II); Dividendos do FND XIV o dividendo anual mínimo decorrente de quotas do Fundo Nacional de Desenvolvimento (DecretoLei n º 2.288, de 23 de julho de 1986, art. 5 º, e DecretoLei n º 2.383, de 17 de dezembro de 1987, art. 1 º); Doações e Heranças XV o valor dos bens adquiridos por doação ou herança, observado o disposto no art. 119 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XVI, e Lei n º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 23 e parágrafos); Indenização Decorrente de Acidente XVI a indenização reparatória por danos físicos, invalidez ou morte, ou por bem material danificado ou destruído, em Fl. 155DF CARF MF Processo nº 19707.000371/200828 Acórdão n.º 9202007.522 CSRFT2 Fl. 5 7 decorrência de acidente, até o limite fixado em condenação judicial, exceto no caso de pagamento de prestações continuadas; Indenização por Acidente de Trabalho XVII a indenização por acidente de trabalho (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso IV); Indenização por Danos Patrimoniais XVIII a indenização destinada a reparar danos patrimoniais em virtude de rescisão de contrato (Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 70, § 5 º); Indenização por Desligamento Voluntário de Servidores Públicos Civis XIX o pagamento efetuado por pessoas jurídicas de direito público a servidores públicos civis, a título de incentivo à adesão a programas de desligamento voluntário (Lei n º 9.468, de 10 de julho de 1997, art. 14); Indenização por Rescisão de Contrato de Trabalho e FGTS XX a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores e seus dependentes ou sucessores, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso V, e Lei n º 8.036, de 11 de maio de 1990, art. 28); Indenização Reforma Agrária XXI a indenização em virtude de desapropriação para fins de reforma agrária, quando auferida pelo desapropriado (Lei Indenização Relativa a Objeto Segurado XXII a indenização recebida por liquidação de sinistro, furto ou roubo, relativo ao objeto segurado (Lei nº 7.713, de 1988, art. 22, parágrafo único); Indenização Reparatória a Desaparecidos Políticos XXIII a indenização a título reparatório, de que trata o art. 11 da Lei n º 9.140, de 5 de dezembro de 1995, paga a seus beneficiários diretos; Indenização de Transporte a Servidor Público da União XXIV a indenização de transporte a servidor público da União que realizar despesas com a utilização de meio próprio de locomoção para a execução de serviços externos por força das atribuições próprias do cargo (Lei n º 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 60, Lei n º 8.852, de 7 de fevereiro de 1994, art. 1 º, inciso III, alínea "b", e Lei n º 9.003, de 16 de março de 1995, art. 7 º); Letras Hipotecárias XXV os juros produzidos pelas letras hipotecárias (Lei n º 8.981, de 1995, art. 68, inciso III); Lucros e Dividendos Distribuídos XXVI os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados no anocalendário de 1993, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas Fl. 156DF CARF MF 8 com base no lucro real, a pessoas físicas residentes ou domiciliadas no País (Lei nº 8.383, de 1991, art. 75); XXVII os lucros efetivamente recebidos pelos sócios, ou pelo titular de empresa individual, até o montante do lucro presumido, diminuído do imposto de renda da pessoa jurídica sobre ele incidente, proporcional à sua participação no capital social, ou no resultado, se houver previsão contratual, apurados nos anoscalendário de 1993 e 1994 (Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, art. 20); XXVIII os lucros e dividendos efetivamente pagos a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, que não ultrapassem o valor que serviu de base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, deduzido do imposto correspondente (Lei nº 8.981, de 1995, art. 46); XXIX os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10); Pecúlio do Instituto Nacional do Seguro Social INSS XXX o pecúlio recebido pelos aposentados que tenham voltado a trabalhar até 15 de abril de 1994, em atividade sujeita ao regime previdenciário, pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS ao segurado ou a seus dependentes, após a sua morte, nos termos do art. 1 º da Lei n º 6.243, de 24 de setembro de 1975 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XI, Lei n º 8.213, de 24 de julho de 1991, art. 81, inciso II, e Lei n º 8.870, de 15 de abril de 1994, art. 29); Pensionistas com Doença Grave XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei n º 8.541, de 1992, art. 47); PIS e PASEP XXXII o montante dos depósitos, juros, correção monetária e quotaspartes creditados em contas individuais pelo Programa de Integração Social PIS e pelo Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso VI); Proventos de Aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em Fl. 157DF CARF MF Processo nº 19707.000371/200828 Acórdão n.º 9202007.522 CSRFT2 Fl. 6 9 conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); Proventos e Pensões de Maiores de 65 Anos XXXIV os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma Ou seja, para determinada verba não sofrer tributação do IRPF, seria preciso que estivesse listada dentre uma das hipóteses de isenção ou não estar amparada pelo conceito de renda, ou seja, estar comprovada que os valores de bolsa recebidas tem por único objetivo o estudo e pesquisa, o que não é o caso dos autos. Aliás, essa situação já encontrase devidamente esclarecida no Manual de Perguntas e Respostas do IRPF, questão 167, abaixo transcrita: RESIDÊNCIA MÉDICA 167 — Qual é o tratamento aplicável às importâncias recebidas a título de residência médica ou por estágio remunerado em hospitais, laboratórios, centro de pesquisa e universidades, para complementação de estudo ou treinamento e aperfeiçoamento? Essas importâncias são consideradas rendimentos do trabalho, ainda que não haja vínculo empregatício e obrigatoriedade de desconto para o INSS, devendo compor a base de cálculo na apuração da renda mensal sujeita à retenção na fonte e ao ajuste anual. Com o advento do art. 2º da Lei nº 12.514, 28 de outubro de 2011, que acrescentou o parágrafo único ao art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 (a seguir transcrito), no caso específico das bolsas de estudo recebidas pelos médicos residentes, elas passam a ser isentas do imposto sobre a renda, desde que atendidas às condições impostas nos citados dispositivos legais: “Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Parágrafo único. Não caracterizam contraprestação de serviços nem vantagem para o doador, para efeito da isenção referida no caput, as bolsas de estudo recebidas pelos médicosresidentes.” (NR) (Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 26 e parágrafo único; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda – RIR/1999, art. 43, inciso I; e parágrafo único) No caso em questão não houve qualquer demonstração de recebimento exclusivo baseado em estudos, razão pela qual não há como acatar o entendimento externado Fl. 158DF CARF MF 10 no acórdão recorrido. Notese que até mesmo para efeitos previdenciários os médicos residentes classificamse como contribuintes individuais, ou seja, prestadores de serviços autônomos demonstrando o caráter contraprestativo, ratificando a incidência de IRPF sobre as bolsas Entendo não existir previsão legal estabeleceu a sua não inclusão na base de calculo do IRPF. Também não há nos autos elementos de convicção tendentes a comprovar que esses valores de fato não objetivaram remunerar o trabalhador, demonstrando tratarse de verba consideradas rendimentos do trabalho. Aliás, essa situação foi devidamente enfrentada pela decisão de primeira instância, a qual passo a transcrever, adotando como razões de decidir por entender a melhor interpretação adotada ao caso concreto: O Código Tributário Nacional estabelece que a legislação que trata de outorga de isenção deve ser interpretada de forma literal (art. 111, inciso II). Segundo o art. 26 da Lei n° 9.250, de 1995, somente são isentos do Imposto de Renda os rendimentos recebidos a titulo de bolsa de estudos quando caracterizar a doação, ou seja, quando recebidos exclusivamente para proceder a estudo ou pesquisa e o resultado dessas atividades não representar vantagem para o doador e não caracterizar contraprestação de serviços. Resta saber, então, se o rendimentos percebidos em razão de residência médica se enquadram no art. 26 da Lei n° 9.250, de 1995. A natureza jurídica da residência médica está definida pela Lei n° 6.932, de 1981: Art. JO_ A Residência Médica constitui modalidade de 0751110 de pósgraduação, destinada a médicos, sob a forma de cursos de especialização, caracterizada por treinamento ena serviço, funcionando sob a responsabilidade de instituições de saúde, universitárias ou não, sob a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética e profissional. (Grifei) Fica claro, portanto, que a bolsa de estudo devida ao médico residente não se enquadra nas características do art 26, da Lei 9.250/95, pois a contraprestação de serviços é inerente à Residência Médica, tanto que o médico residente recebe a bolsa de estudo relativa a 60 (sessenta) horas semanais de treinamento em serviço (art. 4° da Lei n° 6.932, de 1981). As importâncias recebidas a titulo de residência médica, independentemente de serem chamadas de bolsa de estudo na legislação, são consideradas rendimentos do trabalho assalariado, ainda que não haja vinculo empregaticio e, como tais, devem compor a base de cálculo na apuração da renda mensal sujeita à retenção na fonte e ao ajuste anual. Sobre este assunto assim decidiu a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda por meio do Acórdão 10611.848/2001: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 19707.000371/200828 Acórdão n.º 9202007.522 CSRFT2 Fl. 7 11 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS As importáncias recebidas a titulo de residência médica, independentemente, de serem chamadas de "bolsa de estudo" são consideradas rendimentos C0111 vinculo empregaticio e como tais tributáveis na fonte e na declaração. Recurso negado. Destarte, a fonte pagadora procedeu de maneira correta ao informar em DIRF (fl.47) as quantias pagas ao sujeito passivo corno rendimentos tributáveis. Conclusão Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 10467.900997/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-000.998
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem que indeferira o pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI e não homologara a compensação declarada, em razão do fato de que os créditos do IPI se referiam a aquisições de insumos empregados na produção de águas minerais, classificadas na TIPI como NT (Não Tributadas), tratandose de produto fora do campo de incidência do imposto. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte reiterou seu pedido de ressarcimento, com base no princípio da não cumulatividade, inclusive na saída de produtos imunes, conforme doutrina e julgados que citou. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 67 .9 00 99 7/ 20 12 -1 8 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10467.900997/201218 Resolução nº 3301000.998 S3C3T1 Fl. 3 2 A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que não alcançava os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) o direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em que repetiu os argumentos incluídos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.992, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10467.900230/201299, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.992): Os autos foram instruídos com o Despacho Decisório n° 022397195 (fl. 24), em que consta um número de processo de crédito diferente do número do presente processo, qual seja, 10467900.232/201288. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário combatem um outro Despacho Decisório, o de número 022397178 (fls. 27 e 46 manifestação de inconformidade), no qual, porém, consta como processo de crédito o número do presente: 10467.900230/201299. Os valores dos créditos e correspondentes débitos (considerados como não liquidados, em razão das glosas) são distintos (fl. 24 R$ 14.230,94 / R$ 10.363,10, e fl. 46 R$ 16.942,93 / R$ 15.794,67), porém dizem respeito a ressarcimento de créditos de IPI do 2° trimestre de 2007. O Acórdão da DRJ (fls. 79 a 86) trata da controvérsia, sem, todavia, citar o número do Despacho Decisório ou da folha dos autos em que se encontrava ou mesmo do valor do crédito em discussão. Isto posto, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência, para que o presente processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares (ex: informação fiscal, relatório de auditoria fiscal etc.) concernentes ao presente processo (10467.900230/201299). Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo para manifestações. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10467.900997/201218 Resolução nº 3301000.998 S3C3T1 Fl. 4 3 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o presente processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares (ex: informação fiscal, relatório de auditoria fiscal etc.) concernentes ao presente processo. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo para manifestações. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.902913/2009-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO.
O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 1002-000.592
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão
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PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 29 13 /2 00 9- 10 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10855.902913/200910 Acórdão n.º 1002000.592 S1C0T2 Fl. 92 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 46/47) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 22/29), proferida em sessão de 25 de fevereiro de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 1432.676, da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efl. 09) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 25/03/2009 (efl. 05), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 41477.57412.310306.1.3.046398, transmitido em 31/03/2006, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/04/2005 ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais de IRPJ, quer calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do tributo a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do ano calendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto sobre a renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do ano calendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto de renda a pagar ou saldo Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10855.902913/200910 Acórdão n.º 1002000.592 S1C0T2 Fl. 93 3 negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1.º de janeiro subseqüente. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXIGÊNCIA DE DÉBITO. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e, sem prova em contrário, instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito, cuja compensação não foi homologada. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada a PER/DCOMP de n.º 41477.57412.310306.1.3.046398, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de CSLL (código de receita: 2484) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 5993). Por intermédio do despacho decisório de fl. 03, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado "por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 07, na qual alega, em síntese, que: a) para apuração da IRPJ a pagar do mês de janeiro de 2005, utilizouse da opção permitida pela legislação em vigor, regime de estimativa, apurando imposto de renda no montante de R$ 7.825,58, conforme DIPJ; b) referente à competência de dezembro de 2005, fora levantado balancete de verificação, ocasião em que apurou um valor a recolher referente aos meses acumulados inferior ao valor já recolhido, de forma que suspendeu o pagamento de parte do valor apurado, ou seja, de R$ 219,80 da CSLL devida; c) no preenchimento da DCTF, referente ao 2.º semestre de 2005, informou como compensada a Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10855.902913/200910 Acórdão n.º 1002000.592 S1C0T2 Fl. 94 4 diferença apurada e não paga referente ao mês de dezembro/2005, quando o correto é pela opção de suspensão de parte do valor devido; d) retificou a DCTF apresentada, excluindo a compensação informada indevidamente, procedimento este que extinguiu o PER/Dcomp apresentado. Ao final, requer o cancelamento da cobrança do crédito indevido em questão. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 1.131,78, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, razão pela qual não se homologou a compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/03/2005 5993 R$ 7.825,58 29/04/2005 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2009 Principal: R$ 219,80 Multa: R$ 43,96 Juros: R$ 85,01 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: De início, cabe ressaltar que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, para que seja efetivada a compensação, deve ser líquido e certo, segundo dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Deriva daí que o pressuposto nuclear para a compensação tributária é que o crédito pretendido pelo contribuinte contra a Fazenda Pública se revista de certeza e liquidez. A certeza diz respeito ao reconhecimento por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) da possibilidade jurídica de o contribuinte compensarse do suposto indébito. Já a liquidez do direito há de ser comprovada pela prova documental do montante compensável a ser reconhecido pela Fazenda Pública. Quanto à certeza, verificase que a IN SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época da transmissão do PER/Dcomp sob exame, estabelecia, em seu artigo 10, que a Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10855.902913/200910 Acórdão n.º 1002000.592 S1C0T2 Fl. 95 5 pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de IRPJ a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Por intermédio do despacho decisório de fl. 03, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda, a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. A contribuinte, por sua vez, alegou, em apertada síntese, que incorreu em erro ao preencher a DCTF, relativa ao 2.º semestre de 2005, ao fundamento de que ao efetuar os balancetes de verificação/suspensão informou em DCTF como compensada a diferença apurada e não paga, quando o correto é pela opção de suspensão de parte do valor devido, pois este era inferior ao montante apurado e recolhido em dezembro de 2005. Posta assim a questão, passo à análise do mérito. Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, tem se que os pagamentos efetuados pelo contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 20 da Lei n.º 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do período de apuração anual, proceder ao confronto entre os valores recolhidos por estimativa e o valor devido de IRPJ apurado. A questão constante dos autos fica mais clara se examinarmos os artigos 220 a 232, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, transcritos a seguir: "Apuração Trimestral do Imposto Art. 220. O imposto será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 1.º) § 1.º ao § 2.º Omissis. Apuração Anual do Imposto Art. 221. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma desta Seção deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º, § 3.º). Parágrafo único. Omissis. Pagamento por Estimativa Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10855.902913/200910 Acórdão n.º 1002000.592 S1C0T2 Fl. 96 6 atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 3.º, parágrafo único). Base de Cálculo Art. 223. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observadas as disposições desta Subseção (Lei n.º 9.249, de 1995, art. 15, e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º). § 1.º ao § 6.º Omissis. Art. 224 ao Art. 227. Omissis Alíquota do Imposto e Adicional Art. 228. O imposto a ser pago mensalmente na forma desta Seção será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º, § 1.º). Parágrafo único. A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a vinte mil reais ficará sujeita à incidência de adicional do imposto à alíquota de dez por cento (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º, § 2.º). Deduções do Imposto Mensal Art. 229. Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto apurado no mês, o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo, bem como os incentivos de dedução do imposto relativos ao Programa de Alimentação do Trabalhador, doações aos Fundos da Criança e do Adolescente, Atividades Culturais ou Artísticas, Atividade Audiovisual, e ValeTransporte, este último até 31 de dezembro de 1997, observados os limites e prazos previstos para estes incentivos (Lei n.º 8.981, de 1995, art. 34, Lei n.º 9.065, de 1995, art. 1.º, Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º e Lei n.º 9.532, de 1997, art. 82, inciso II, alínea "f"). Parágrafo único. No caso em que o imposto retido na fonte seja superior ao devido, a diferença poderá ser compensada com o imposto mensal a pagar relativo aos meses subseqüentes. Suspensão, Redução e Dispensa do Imposto Mensal Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35, e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º). § 1.º ao § 4.º Omissis Deduções do Imposto Anual Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º, § 4.º): I II Omissis; III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; 1V do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230. Opção da Forma de Pagamento Art. 232. A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 220, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao lucro real, ou a referida no art. 221, será irretratável para todo o ano calendário (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 3.º)". Da leitura do texto legal podemos inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230. Dessa forma, a pessoa jurídica, ao optar pela forma de apuração do imposto de renda com base no lucro real anual, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10855.902913/200910 Acórdão n.º 1002000.592 S1C0T2 Fl. 97 7 balancetes mensais, que o valor acumulado já pago, excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete. O tributo calculado com base no lucro real daquele período (janeiro ao mês de levantamento do balanço) será comparado com todo o tributo recolhido sobre as operações de janeiro até mês anterior ao do levantamento do balanço ou balancete. Se a soma dos pagamentos efetuados for maior que o tributo devido apurado com base no balanço ou balancete, a empresa não terá que pagar o tributo relativo ao mês de levantamento do balanço. Se o tributo apurado no balanço ou balancete for maior, a empresa deverá pagar a diferença. Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. Sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior. Quando, ao final do anocalendário, apurase saldo negativo do tributo, resta então configurado o pagamento indevido ou a maior, aí sim passível de restituição ou compensação. A contribuinte, em sua peça de defesa, informa que a soma dos pagamentos efetuados até dezembro/2005 foi maior que o tributo devido apurado com base nos balancetes. Ou seja, segundo a própria manifestação de inconformidade em análise, estaria descaracterizado o objeto da DCOMP formalizada às fls. 01/02, vez que a contribuinte assente que na realidade inexistem o indébito e o débito nela discriminados, tendo sido um equívoco a transmissão, em 31/03/2006, da PER/Dcomp n.º 41477.57412.310306.1.3.046398. Concluise, portanto, que a manifestação de inconformidade de fl. 07 objetiva o cancelamento da compensação do débito de CSLL, período de apuração: dezembro de 2005, no valor de R$ 219,80, para evitar sua cobrança. Contudo, em que pese às alegações da recorrente, não lhe assiste razão. Primeiro, porque, no que atine ao indébito, no valor de R$ 1.131,78, não há correção a ser feita no despacho decisório de fl. 03, tendo em conta a inobservância de requisito básico para sua formalização, qual seja, a existência de um crédito tributário junto à Fazenda Nacional, pois, como visto, a lei permite a compensação de valor pago de tributo, quando este se referir à modalidade de extinção de obrigação tributária, o que não abrange o recolhimento por estimativa, por não significar extinção de obrigação tributária, mas tãosomente o saldo negativo apurado ao final do período. Ademais, há que se esclarecer que não houve, na manifestação de inconformidade apresentada, qualquer questionamento quanto ao não reconhecimento pela autoridade fiscal do indébito pleiteado. Ao contrário disso, em relação a este procedimento houve concordância, vez que a postulante não Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10855.902913/200910 Acórdão n.º 1002000.592 S1C0T2 Fl. 98 8 contestou a correção, reconhecendo inclusive a inexistência do indébito. Nessa vereda, o Decreto n.º 70.235 (PAF), de 1972, em seu art. 17, dispõe: "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contemplada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997)" Sendo assim, a questão não pode ser mais abordada em momento processual posterior. Segundo, porque caso a declaração do débito de CSLL, período de apuração: dezembro/2005, no valor de R$ 219,80, tenha sido um equívoco, tal afirmação somente pode ser edificada com prova das informações a ela referente, confrontando os registros contábeis e fiscais da recorrente, de modo a se conhecer qual seria efetivamente o montante devido a título de CSLL no mês de dezembro de 2005. Ressaltese que a Recorrente não se desincumbiu do ônus da prova constitutiva do direito que alega possuir, principalmente, provar a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido (dezembro/2005), com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, a contribuição social sobre o lucro líquido devida e recolhida em meses anteriores (até novembro/2005), de forma a apurar a inexistência ou não de contribuição social a pagar no mês de dezembro/2005, por isso os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo da CSLL, são elementos indispensáveis para que se comprove a alegação aqui firmada pela contribuinte, dentre eles: os registros contábeis de conta no ativo da contribuição social sobre o lucro líquido a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos nos livros "Diário" ou "Lalur", a demonstração do resultado do exercício, etc., além dos registros pertinentes ao livro "LALUR". Terceiro, não se pode olvidar que a contribuinte apresentou originariamente DCTF, no 2.º semestre de 2005, na qual informou débito de CSLL no valor de R$ 219,80, vinculando compensação com pagamento indevido ou a maior, mediante a PER/Dcomp, que é, em verdade, o objeto do despacho decisório em questão (fls. 15/17). Nesse prisma, na DCTForiginal havia declaração da existência de débito de CSLL, código de receita: 2484, do mês de dezembro de 2005, no valor de R$ 219,80, que foi retificado para R$ 0,00 (zero), mediante DCTFretificadora, ND n.º 11.76.10.01.4049, processada em 20/04/2009, após, portanto, ciência do despacho decisório (fls. 18/19). Ora, se havia contradição e desejando a recorrente fazer valer montante diverso daquele originariamente declarado incumbialhe, nesta fase processual, apresentar provas, confrontando os registros contábeis e fiscais, que permitissem albergar sua tese de inexistência ou redução do débito declarado. Inclusive, ressaltese que a Per/Dcomp versada nos autos traduz confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência do débito indevidamente compensado, atributo válido para as declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) a partir de 31 de outubro de Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10855.902913/200910 Acórdão n.º 1002000.592 S1C0T2 Fl. 99 9 2003, data de início da vigência da Medida Provisória n.º 135, in verbis: "Art. 17. O art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei n.º 10.637, de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74 § 3.º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1.º: (...) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. § 5.º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6.º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados". Assim, levandose em conta que em nenhum momento preocupouse a Recorrente em trazer qualquer elemento contábilescritural que pudesse embasar seu entendimento de inexistência do débito, prevalecem os dados originariamente declarados, mesmo porque a Declaração de Compensação goza do efeito de confissão legal de dívida. Com tais razões, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. No recurso voluntário, o contribuinte, pessoa jurídica tributada pelo lucro real, argumenta, ipsis litteris: Que, para a apuração do Imposto de renda a pagar, como também da Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSLL do período em questão, procedeu com base no que determina o art. 10, da IN SRF 093, de 24/12/1997, a saber: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de Tenda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado; II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. Dessa Forma, conforme se comprova através das cópias do livro LALUR, como também de demonstrativo da apuração em anexo, apurouse em 31/03/2005 o valor do IRPJ a pagar de R$ 6.693,80; e o valor pago foi de R$ 7.825,58, conforme guia de Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10855.902913/200910 Acórdão n.º 1002000.592 S1C0T2 Fl. 100 10 recolhimento e também DCTF entregues e disponíveis no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte eCAC, ou seja, fora pago um valor a maior de R$ 1.131,78; Em 31/12/2005, também conforme cópia do livro LALUR em anexo, o valor apurado da CSLL a pagar foi de R$ 219,80, e considerando o recolhimento a maior no mês anterior, fora este valor compensado parcialmente com o crédito do IRPJ, restando ainda um saldo a compensar de R$ 911,98. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 214,74. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 25/03/2011, sextafeira, efls. 31/32, e postagem recursal em Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10855.902913/200910 Acórdão n.º 1002000.592 S1C0T2 Fl. 101 11 25/04/2011, efls. 79, 82 e 89), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito, observo nulidade parcial no Acórdão da DRJ, inclusive seguindo as razões de decidir dos Acórdãos ns.º 1302002.855 e 1302002.866, ambos de 13/06/2018, bem como o Precedente deste Colegiado da 2.ª Turma Extraordinária, da sessão de 09 de agosto de 2018, Acórdão n.º 1002000.359, os Precedentes desta 2.ª Turma Extraordinária, da sessão de 12 e 13 de setembro de 2018, Acórdãos ns.º 1002000.393, 1002000.394, 002000.395, 1002000.396, 1002000.397, 1002000.398, 1002000.404, 1002000.406, 1002000.408, 1002000.409 e, por fim, os Precedentes desta 2.ª Turma Extraordinária, da sessão de 06 de novembro de 2018, Acórdãos ns.º 1002000.462, 1002 000.465, 1002000.466, 1002000.467 e 1002000.468. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, de toda sorte as partes têm o dever de cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva, de mais a mais, devese buscar a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo fiscal. Pois bem. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção das obrigações por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10855.902913/200910 Acórdão n.º 1002000.592 S1C0T2 Fl. 102 12 Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta forma, em verdade, com tal conclusão, o direito creditório não chegou a ser efetivamente analisado e, neste sentido, a decisão da DRJ, de igual modo, também não se aprofundou acerca do crédito, o que, no meu entender e seguindo os precedentes anteriormente citados, ocasiona a nulidade da decisão da primeira instância recursal. Vejase que nos precedentes citados as conclusões foram as mesmas: Acórdão n.º 1302002.866 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/12/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1302002.855 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 08/08/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1002000.359 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AnoCalendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10855.902913/200910 Acórdão n.º 1002000.592 S1C0T2 Fl. 103 13 pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão Por sua vez, o contribuinte vem alegando que retificou a DCTF do período em litígio e que o IRPJ com período de apuração em 31/03/2005, apurado por estimativa, teria como valor a recolher o montante de R$ 6.693,80, mas fora recolhido R$ 7.825,58, havendo um pagamento a maior de R$ 1.131,78, o que daria ensejo a homologação da compensação apresentada. Entretanto, a decisão da DRJ, em primeiro momento, também não se aprofundou acerca do crédito, validando o despacho decisório, por seus próprios fundamentos, reiterando aquela argumentação de impossibilidade de apurar indébito de estimativas pagas a maior. Noutra vertente, de modo mais superficial, uma vez que estava indeferindo a manifestação de inconformidade pelo primeiro fundamento, argumentou que faltaria a comprovação do indébito de estimativa por ausência de documentação fiscal e contábil. Noutro prisma, o contribuinte, no recurso voluntário, colaciona documentação (efls. 48/74) apta a lastrear e justificar, ao menos em verossimilhança, o seu direito creditório, tendo juntado o LALUR, demonstrado a apuração do lucro real, apresentado o demonstrativo de compensações, o balanço patrimonial e a demonstração de resultado do exercício. Destarte, tais documentos e os demais elementos probatórios dos autos corroboram, ao menos em tese, com a possibilidade de haver direito creditório em favor do contribuinte e não analisado pela DRJ, face ao argumento de impossibilidade de analisar indébito de estimativa. No mais, destaco a premissa em que se lastreou as razões de decidir do Acórdão n.º 9303005.065, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que "a noção de preclusão não pode ser levada às últimas consequências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material" (Acórdão n.º 9202001.634, citado como sendo o paradigma). Vejase a ementa que trago a colação, ipsis litteris: Acórdão n.º 9303005.065 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Data do fato gerador: 24/04/2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. (...) PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10855.902913/200910 Acórdão n.º 1002000.592 S1C0T2 Fl. 104 14 Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte provido. De mais a mais, nos termos da Súmula CARF n.º 84, a última instância recursal já pacificou que "É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa." (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). A súmula acima transcrita foi confeccionada a partir dos seguintes acórdãos precedentes: Acórdão n.º 120100.404, de 23/2/2011, Acórdão n.º 120200.458, de 24/1/2011, Acórdão n.º 110100.330, de 09/7/2010, Acórdão n.º 910100.406, de 02/10/2009, Acórdão n.º 10515.943, de 17/8/2006. Ressaltese, ainda, que o art. 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF) n.º 600, de 2005 (originalmente constante no art. 10 da IN SRF n.º 460, de 2004), que proibia expressamente a compensação da estimativa fiscal nos termos defendidos pelo despacho decisório e pela decisão recorrida, foi posteriormente revogado pela Instrução Normativa SRF n.º 900, de 2008, que não trouxe igual disciplina proibitiva, inexistindo, para o contexto destes autos, dúvidas quanto a possibilidade de utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa fiscal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. Registro, oportunamente, que o fato discutido nos autos é a não homologação da compensação do débito de estimativa mensal, declarada em PER/DCOMP, sob o fundamento de que o crédito utilizado referese, de igual modo, a pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, de modo que cabe pontuar que o art. 6.º da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018, que deu nova redação ao inciso IX do § 3.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, para estabelecer que não poderão ser objeto de compensação os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, não é aplicável na regulamentação das Declarações de Compensação transmitidas antes da publicação da referida nova lei, na forma do art. 11, inciso II, da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018. Além disto, como consta daqueles precedentes citados no início deste voto, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Divisão de Tributação da 9.ª Região Fiscal da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9.ª Região Fiscal, já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta n.º 285 SRRF/9.ª RF/Disit, de 17 de julho de 2009, eis a ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. (...) A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10855.902913/200910 Acórdão n.º 1002000.592 S1C0T2 Fl. 105 15 está sujeito à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 1996, arts. 2.º e 6.º; Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n.º 3, de 2000; IN RFB n.º 900, de 2008, arts. 2.º a 4.º e 34. Acrescentese, outrossim, que a CoordenaçãoGeral de Tributação, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovou a Solução de Consulta COSIT n.º 19, de 05 de dezembro de 2011, apreciando indagação interna relacionada ao mesmo objeto ora em discussão, tendo concluído que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1.º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1.º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2.º e 74; IN SRF n.º 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008. Portanto, não sendo analisado com o cuidado esperado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, concluo que há nulidade no Acórdão da DRJ. Ora, o entendimento deflagrado no Despacho Decisório, o qual estava equivocado, inclusive conforme o já mencionado enunciado sumular do CARF, foi, posteriormente, ratificado pela decisão recorrida, de modo que, efetivamente, temos nulidade plenamente observada nos autos. Isto porque, especialmente a unidade de origem Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10855.902913/200910 Acórdão n.º 1002000.592 S1C0T2 Fl. 106 16 indeferiu sumariamente o PER/DCOMP, evidenciandose, desde então, a preterição do direito de defesa, a invocar a aplicação do art. 59, II, do Decreto n.º 70.235, de 1972, porquanto restou ceifado o direito da contribuinte demonstrar o seu direito creditório. Aliás, a própria DRJ poderia ter determinado diligências, inclusive de ofício, mas não o fez, deixando de aplicar o art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, para aferir a autenticidade, ou não, do crédito declarado pelo contribuinte. Por último, o próprio contribuinte trouxe documentação apta a atestar, ao menos em tese, o seu direito creditório. A questão é que não se pode reconhecer que tenha ocorrido uma efetiva análise da legitimidade do direito creditório indicado no PER/DCOMP, pelo que se dá provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de se compensar pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais, reformandose o acórdão neste ponto, devendo a DRJ proceder a análise do direito creditório, considerando as provas colacionadas ao processo, inclusive no Recurso Voluntário. Aliás, a DRJ pode, também, inclusive de ofício, independentemente de requerimento expresso do sujeito passivo, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, determinar a realização de diligências para aferir a autenticidade, ou não, do crédito declarado pelo contribuinte. Considerando o até aqui esposado e reconhecendo a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, entendo pela nulidade do julgamento da DRJ, devendo ser proferida nova decisão. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe dar provimento parcial para anular o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta análise o direito creditório do Recorrente, podendo, inclusive, determinar a realização de diligências, em busca da verdade material, para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 18050.005083/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a irresignação do contribuinte devem ser apresentados na impugnação, não se conhecendo daqueles suscitados em momento posterior que não se destinam a contrapor fatos novos ou questões trazidas na decisão recorrida.
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO
Considera-se salário-de-contribuição para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. ESTAGIÁRIO.
A inobservância das normas e condições fixadas na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores do segurado empregado impõem o enquadramento dos trabalhadores como segurados obrigatórios na qualidade de empregados, desconsiderando-se o vínculo pactuado sob o título de estágio e caracterizando-se as importâncias pagas a título de bolsa de complementação educacional de estagiário como salário-de-contribuição.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 2402-006.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento de modo a excluir do lançamento o valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a José Antônio C. Marino e para que seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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Recorrente SOCIEDADE DE ASSISTÊNCIA FAMILIAR DOS SERVIDORES FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS DO BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a irresignação do contribuinte devem ser apresentados na impugnação, não se conhecendo daqueles suscitados em momento posterior que não se destinam a contrapor fatos novos ou questões trazidas na decisão recorrida. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO Considerase saláriodecontribuição para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. ESTAGIÁRIO. A inobservância das normas e condições fixadas na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores do segurado empregado impõem o enquadramento dos trabalhadores como segurados obrigatórios na qualidade de empregados, desconsiderandose o vínculo pactuado sob o título de estágio e caracterizandose as importâncias pagas a título de bolsa de complementação educacional de estagiário como saláriodecontribuição. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 50 83 /2 00 8- 69 Fl. 341DF CARF MF 2 comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, darlhe parcial provimento de modo a excluir do lançamento o valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a José Antônio C. Marino e para que seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior Fl. 342DF CARF MF Processo nº 18050.005083/200869 Acórdão n.º 2402006.645 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 5ª Tuma da DRJ/SDR, consubstanciada no Acórdão nº 1523.651 (fls. 306/314), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Tratase de Auto de Infração (AI), Debcad n° 37.155.7933, lavrado em 04/08/2008, para constituição do crédito tributário incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, correspondente à contribuição do segurado, arrecadada mediante desconto, relativas ao período de 01/01/2003 a 31/12/2004, com consolidação em 04/08/2008, no montante de R$12.231,64(doze mil duzentos e trinta e um reais e sessenta e quatro centavos). Foram utilizados para o levantamento do débito apurado neste AI os valores de Salário de Contribuição informado pela empresa em cada competência nos resumos de folhas de pagamento dos segurados empregados, nas folhas de pagamento de estagiários e nos documentos contábeis fornecidos pela empresa. De acordo com o Relatório Fiscal, a empresa nos anos de 2003 e 2004 não possuía inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT, instituída pela Lei 6.321 de 14/04/76, conforme consulta ao MTE sobre inscrição no PAT. A auditoria concluiu que os valores pagos aos segurados referentes à alimentação se constituem em uma liberalidade da empresa, sendo base de cálculo de contribuições previdenciárias. Para o cálculo do salário de contribuição, nas competências 01/2003, 02/2003, 03/2003, 04/2004, 07/2004 e 12/2004 foram utilizados os recibos de pagamento a título de alimentação paga aos empregados da empresa, obtidos nos documentos de caixa. Foram abatidos os valores descontados dos segurados empregados cujo valor foi obtido no resumo mensal das folhas de pagamento da matriz e das filiais. Para as demais competências o valor foi obtido através das notas fiscais faturas referentes à compra de ticket pela empresa, tendo sido abatidos os valores descontados dos segurados bem como o valor referente à taxa de administração. Foi elaborada planilha demonstrativa (fis 43). O relatório informa ainda que na competência 11/2003 a empresa deixou de incluir na base de cálculo para o valor da contribuição previdenciária o valor de R$34,62 constante na folha de pagamento da matriz, referente ao pagamento de triênio a José Antonio C. Marino, bem como não considerou o valor do salário de Adriana dos Santos Bispo constante nas folhas de pagamento também da matriz nas competências 08, 09 e 10/2004 (R$462,00). Também não considerou o valor das parcelas remuneratórias referente à rescisão de contrato de Pedro Roberto Ferreira da Cunha constante na folha de pagamento da matriz, na competência Fl. 343DF CARF MF 4 10/2004 (R$9.368,03) para o cálculo do valor do salário de contribuição para a previdência social. A fiscalização diz ter verificado que alguns dos estagiários que se encontravam prestando serviço na empresa foram contratados em desconformidade com a Lei n° 6.494 de 07/12/1977. Que não foram cumpridos os requisitos para a realização do estágio, inclusive não houve intermediação de instituição de ensino e a empresa informou que para eles não foi formalizado o Acordo de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio, inclusive não houve intermediação de instituição de ensino e a empresa informou que para eles não foi formalizado o Acordo de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio. Os estagiários em referência foram considerados segurados obrigatórios na qualidade de segurados empregados. A bolsa educacional por eles recebida foi considerada salário de contribuição, integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O relatório informa que os estagiários contratados pela empresa em desconformidade com a Lei n° 66.494 de 07/12/1977 na matriz nos anos 2003 e 2004 foram Nilma Pereira dos Reis, Aldo Mercês Oliveira, Sidney R. C. P. Souza, Dulcinez L. Brito e Adriana dos Santos Bispo e na filial 00.628.869/000266, no ano de 2003, Adildes Farias de Souza e Lusimary Santana Santos.Anexa planilha demonstrativa (fls.44/45). Os valores de segurados foram aferidos utilizando as alíquotas mínimas da época sobre as bases de cálculo, não se caracterizando como apropriação indébita. No Discriminativo Analítico de Débito —DAD, integrante do AI encontrase demonstrados por competência e por levantamento, as bases de cálculo apuradas e as alíquotas utilizadas. Foram feitos levantamentos para fins de separação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias de acordo com a sua origem, possibilitando melhor visualização nos relatórios das bases de cálculo lançadas, e dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte. As contribuições incluídas neste lançamento foram apuradas nos seguintes levantamentos: ALI — VL Ref. Alimentação — Neste levantamento encontramse lançados os valores referentes a pagamento a alimentação apurados nos documentos contábeis da empresa e que não foram incluídos em GFIP. VFP — VL Ref. A Folha de Pagamento — Neste levantamento encontramse lançados os fatos geradores obtidos nos resumos mensais das folhas de pagamento consolidada da empresa e que não foram incluídos em GFIP. EST — Folha de Pagamento Estagiário — Neste levantamento encontramse lançados os fatos geradores obtidos nas folhas de pagamento de estagiários referentes à bolsa estágio, considerados como remuneração salarial e que não foram incluídos em GFIP. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 18050.005083/200869 Acórdão n.º 2402006.645 S2C4T2 Fl. 4 5 Foi esclarecido que na via do AI destinada ao contribuinte não contém os TIAF, TIAD, TEAF e o REC pois estes documentos já foram entregues ao contribuinte no início, ou no decorrer da ação fiscal. Não foi emitido Termo de Arrolamento de Bens — TAB. A ação fiscal teve início com o Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF) (fls. 32 e 34) com ciência em 15/05/2008. O contribuinte foi cientificado pessoalmente do Auto de Infração (AI) sob julgamento em e apresentou impugnação em 05/09/2008 (fl. 203). O sujeito passivo apresentou impugnação parcial, às fls. 203 a 205, alegando, em síntese: Que foram apresentadas as GFIP retificadoras das competências 08, 09 e 10/2004, constando a remuneração de Adriana Santos Bispo no valor de R$462,00/mês, assim como os comprovantes de recolhimentos respectivos, relativos à diferença de contribuição devida acrescida. Que na competência 10/2004 se fez incluir, ainda, a remuneração no valor de R$9.368,03, paga a Sr. Pedro Cunha. Em razão disso, cabe, a favor da autuada a redução da multa ex ofício aplicada naquelas competências. Que não procede a alegação da fiscalização de que não se fez incluir na GFIP relativa a competência 11/2003 o valor de R$34,62, correspondente ao triênio pago a José Antônio C. Marino. Diz que conforme se extrai da análise da Folha de Pagamento e da GFIP relativas àquela mesma competência, aquele valor de R$34,62 compôs a remuneração total daquele colaborador, e por conseqüência, a base de cálculo da contribuição previdenciária e o saláriodecontribuição declarados em GFIP, no valor total de R$611,62 (anexa cópia da GFIP com destaques) — R$577,00 salário + R$34,62 triênio. Diz que devese ser revisto o lançamento nesse aspecto, excluindose do lançamento a parcela relativa a essa incidência, assim como os respectivos consectários. Que também não procedem as alegações da fiscalização relativas ao lançamento de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a estagiários, os fundamentos de não estarem consentâneos os termos do estágio aos ditames da Lei n° 6.474/77. Que na verdade, no curso da fiscalização nem todos os documentos relativos aos contratos de estágio foram encontrados, de modo que restaram alguns que foram pela fiscalização descaracterizados e enquadrados como empregados segurados obrigatórios. Afirma que tal pretensão não pode persistir à vista dos documentos que ora anexa, comprobatórios da regularidade dos contratos de estágio descaracterizados pela fiscalização, de modo que também devem ser deduzidos da parte lançada os créditos relativos à tal suposta incidência. Alega ainda decadência qüinqüenal do direito de lançar os referidos créditos pretendidos, citando a Súmula Vinculante n° 008, de 20/06/2008. Fl. 345DF CARF MF 6 Aduz que a fiscalização ultimouse, com a lavratura do AI (instrumento que formaliza a pretensa constituição do crédito) em agosto de 2008. Que operouse a decadência do direito de constituição dos créditos relativos às competências anteriores, de modo que não podem ser exigidos os créditos lançados relativos ás competências 01 a 07/2003. Pede seja acolhida a impugnação, para fins de deduzir dos valores lançados as parcelas já quitadas, aquelas lançadas com base em fatos nesta peça infirmados e aquelas relativas aos créditos já extintos pela decadência. Pede que seja considerado procedente a impugnação e desconstituído o lançamento. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, nos seguintes termos, em síntese: * tratandose de tributo lançado pela modalidade prevista no artigo acima transcrito e pela inexistência de outro prazo legal fixado para a homologação, considerase homologado o pagamento e definitivamente extinto o crédito tributário com o transcurso de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, salvo se estivesse comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação, fatos não configurados nos autos do presente Processo Administrativo Fiscal (PAF); * com a ciência do lançamento tendo sido efetuada em 06/08/2008 pessoal, os créditos referentes a fatos geradores ocorridos nas competências de 01/2003 até a competência de 03/2003, e nas competências 05/2003 até a competência 07/2003 pela existência de pagamentos antecipados (com constatação nos sistema informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB) e pelo transcurso do prazo de cinco anos sem pronunciamento da Fazenda Pública, estão definitivamente extintos pela homologação tácita, na forma do art. 156, e seu inciso VII, combinado com o art. 150, e seu § 4% ambos da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN); * na competência 04/2003 não foi encontrado recolhimento, portanto esta competência está excluída da homologação tácita prevista no art. 150 § 4° do CTN; * quanto à alegação da impugnante de que foram apresentadas as GFIP retificadoras das competências 08, 09 e 10/2004, constando a remuneração de Adriana Santos Bispo no valor de R$462,00/mês, assim como os comprovantes de recolhimentos respectivos, relativos à diferença de contribuição devida acrescida, tal fato demonstra que a empresa reparou o equívoco. A declaração em GFIP nestas remunerações não irá interferir no processo ora em exame; *quanto à alegação de que na competência 10/2004 se fez incluir, ainda, a remuneração no valor de R$9.368,03, paga ao Sr. Pedro Cunha e de que em razão disso, cabe, a favor da autuada a redução da multa ex ofício aplicada naquela competência tal fato não irá interferir no julgamento deste processo. O auto ora em exame referese a descumprimento de obrigação principal. Tal fato somente iria interferir se o auto em exame se tratasse de descumprimento de obrigação acessória. Consultamos a GFIP 10/2004 e não encontramos tal valor na remuneração paga ao Sr. Pedro Cunha; Fl. 346DF CARF MF Processo nº 18050.005083/200869 Acórdão n.º 2402006.645 S2C4T2 Fl. 5 7 *quanto à alegação de que o triênio pago a José Antônio C. Marino conforme se extrai da análise da Folha de Pagamento e da GFIP relativas àquela mesma competência, aquele valor de R$34,62 compôs a remuneração daquele colaborador, e por conseqüência, a base de cálculo da contribuição previdenciária, consultada a GFIP referente a competência 11/2003 verificamos que tal valor não havia sido considerada na base de cálculo pela impugnante quando da entrega da GFIP antes da ação fiscal ora em exame; *quanto à alegação de que não procedem as alegações da fiscalização relativas ao lançamento de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a estagiários em desacordo com a Lei n°6.474/77 não procede tal alegação. A empresa não apresentou toda a documentação referente a qualquer dos estagiários caracterizados segurados empregados, apontados pela fiscalização. Não foi apresentado qualquer comprovante de que tais segurados estariam freqüentando cursos de nível superior, profissionalizante de 2° grau, ou escola de educação especial conforme dispõe o § 1° do art. 1° da Lei n° 6494, de 07 de dezembro de 1977, em vigor è época dos fatos geradores. Constatouse na documentação apresentada pela impugnante que na folha de pagamento referente novembro de 2003 , bem como na folha de pagamento 13/2003 a empresa descontou do Sr. Aldo Mercês de Oliveira a parte do INSS referente a desconto de segurado, portanto já o tratava como empregado; * o levantamento ALI — VL Ref. Alimentação não foi contestado e deverá ser desmembrado deste Auto de Infração. Cientificada da decisão da DRJ, a Autuada apresentou recurso voluntário (de fls 329/336), por meio do qual apresentou os seguintes argumentos defensivos, em síntese: (1) competências 08, 09 e 10/2004 remuneração de ADRIANA SANTOS BISPO e de PEDRO CUNHA: conforme documentos acostados aos autos, foram pelo contribuinte apresentadas as GFIP's retificadoras das competências 08, 09 e 10/2004, constando a remuneração de ADRIANA SANTOS BISPO no valor de R$ 462,00/mês; há, ainda, a remuneração no valor de R$ 9.368,03 paga ao Sr. PEDRO CUNHA, assim como os comprovantes dos recolhimentos respectivos, relativos à diferença da contribuição devida acrescida. Em razão disso, cabe, em favor da Autuada/Recorrente a exclusão da multa ex offício aplicada em relação àquelas competências. (2) competência 11/2003 triênio pago a JOSÉANTÔNIO C. MARINO: não procede a alegação da fiscalização de que não se fez incluir na GFIP relativa à competência 11/2003 o valor de R$ 34,62 correspondente ao triênio pago a José Antônio C. Marino. Conforme se extrai da análise da Folha de Pagamento e da GFIP relativas àquela mesma competência, aquele valor de R$ 34,62 compôs a remuneração total daquele colaborador, e por conseqüência, a base de cálculo da contribuição previdenciária e o saláriodecontribuição declarados em GFIP, no valor total de R$ 611,62 (vide cópia da GFIP com destaques) — R$ 577,00 salário + R$ 34,62 triênio. Deve, por isso, ser revisto o lançamento nesse aspecto, excluindose do lançamento a parcela relativa à essa incidência, assim como os respectivos consectários. Fl. 347DF CARF MF 8 (3) Imposição relativa à remuneração paga a estagiários — ausência de exame deste fundamento pela instância a quo — cerceamento de defesa: em sede de defesa, sustentouse que no curso da fiscalização nem todos os documentos relativos aos contratos de estágio foram encontrados, de modo que restaram alguns que foram pela fiscalização descaracterizados e enquadrados como empregados segurados obrigatórios. Contudo, quando da impugnação do lançamento, fez a Recorrente juntar à peça de defesa documentos comprobatórios da regularidade daqueles contratos, evidenciando, assim, não se tratar de remuneração sujeita à incidência da contribuição previdenciária. A despeito disso, a DRJ não examinou tais documentos, nem fez qualquer menção a isso no julgamento/decisão impugnado pela via do recurso voluntário. (4) ad argumentandum: sobre a forma de aferição do regime sancionatório a aplicar; identificação do regime mais favorável ao contribuinte; excesso na imposição fiscal impugnada: de acordo com as previsões das leis aplicáveis (antes e depois da MPv 449/2008), podese sintetizar da seguinte forma: Ocorre que, para fins de determinação de qual regime aplicar, considerou o E. Auditor Fiscal o somatório de todas as penalidades passíveis de serem aplicadas para os fatos supostamente identificados, quando, na realidade, em se tratando de penalidades distintas, e distintamente instituídas e especificadas na legislação, o cotejo a ser realizado é o de comparação, uma a uma, na forma como instituídas no regime anterior e no regime atual. Deverá ser aplicada, em última hipótese, a multa de mora de 20%, excluindose qualquer imposição de multa de ofício — se admitida a sua cumulação com aquela — porque somente passível de ser cobrada em relação a fatos geradores ocorridos a partir da vigência da MPv n° 449/2008, antes da qual não havia qualquer previsão de imposição ele penalidade de tal natureza. (5) ad argumentandum: multa de mora e multa de ofício . cumulação. impossibilidade: analisando a autuação, percebese que houve, ainda que em relação a apenas algumas competências, a cumulação da multa de mora com a multa por infração (multa de oficio), o que representa, mesmo numa análise mais superficial, ilegalidade a macular a autuação em apreço. É o relatório. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 18050.005083/200869 Acórdão n.º 2402006.645 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo. Entretanto, dele conheço parcialmente em face da existência de teses defensivas apenas em grau recursal, conforme abaixo demonstrado. Da Multa de Mora e Multa de Ofício. Cumulação. Impossibilidade. Por meio do Item 05 da sua peça recursal, aduz o Recorrente que analisando a autuação em comento, percebese que houve, ainda que em relação a apenas algumas competências, a cumulação da multa de mora com a multa por infração (multa de oficio), o que representa, mesmo numa análise mais superficial, ilegalidade a macular a autuação em apreço. Ocorre que, cotejando o recurso voluntário com a impugnação apresentada, verificase que tal linha de defesa foi deduzida apenas em grau recursal. De fato, conforme se extrai do relatório supra, na primeira defesa apresentada, os argumentos defensivos do contribuinte consistiram, em síntese: Ø Decadência do direito de o Fisco lançar os créditos relativos às competências 01 a 07/2003; Ø Que foram apresentadas as GFIP retificadoras das competências 08, 09 e 10/2004, constando a remuneração de Adriana Santos Bispo. Que na competência 10/2004 se fez incluir, ainda, a remuneração no valor de R$9.368,03, paga a Sr. Pedro Cunha; Ø Que não procede a alegação da fiscalização de que não se fez incluir na GFIP relativa a competência 11/2003 o valor de R$34,62, correspondente ao triênio pago a José Antônio C. Marino; Ø Que também não procedem as alegações da fiscalização relativas ao lançamento de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a estagiários. Como se vê, nada foi dito em relação à cumulação da multa de mora com a multa de infração, o que implica no não conhecimento do recurso neste particular. Ademais, não fosse isso o suficiente para se chegar a tal conclusão – não conhecimento do recurso voluntário – verificase que, no caso concreto, não houve aplicação de multa de mora cumulada com multa de ofício. Fl. 349DF CARF MF 10 De fato, analisandose o Auto de Infração (fls. 02), o Discriminativo Sintético de Débito (DSD) (fls. 15/18), o Discriminativo Sintético por Estabelecimento (DSE) (fls. 19/21) e os Fundamentos Legais do Débito (fls. 28/29), verificase que foi aplicada pela fiscalização multa de mora no percentual de 30%, prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99. Assim, também por este fundamento – ausência de aplicação, no caso em análise, de multa de mora cumulada com multa de ofício – concluise pelo não conhecimento do recurso voluntário neste ponto específico. Das competências 08, 09 e 10/2004 remuneração de ADRIANA SANTOS BISPO e de PEDRO CUNHA Neste ponto, aduz a fiscalização que a Autuada não considerou o valor do salário de Adriana dos Santos Bispo constante nas folhas de pagamento também da matriz nas competências 08, 09 e 10/2004 (R$462,00). Além disso, a empresa não considerou o valor das parcelas remuneratórias referente à rescisão de contrato de Pedro Roberto Ferreira da Cunha, constantes na folha de pagamento da matriz, na competência 10/2004 (R$9.368,03) para o cálculo do valor do salário de contribuição para a previdência social. Em sua defesa, a Autuada informou que apresentou GFIPs retificadoras, pelo que, em razão disso, cabe, em favor da Autuada, a redução da multa ex ofício aplicada naquelas competências. A DRJ, neste particular, concluiu que a declaração em GFIP nestas remunerações não irá interferir no processo ora em exame. Ocorre que, tendo o contribuinte retificado as GFIPs referentes aos meses de agosto, setembro e outubro de 2004, e recolhido, com os devidos acréscimos legais, as diferenças das contribuições previdenciárias apuradas em razão dessas retificações, conforme se infere dos documentos acostados às fls. 257/271 (referente à competência de 08/2004), fls. 27 a 286 (referente à competência de 09/2004) e fls. 287 a 301 (referente à competência de 10/2004), impõese o reconhecimento da quitação dos referidos débitos, inexistindo nos autos, até o presente momento, um extrato analítico do débito lançado, evidenciando o recolhimento de tais importâncias. No que tange à redução / exclusão da multa aplicada naquelas competências em razão da apresentação das GFIPs retificadoras, tratase de matéria afeta ao lançamento que tem por objeto o descumprimento de obrigação acessória, pelo que não se conhece do recurso voluntário neste ponto. Da competência 11/2003 triênio pago a JOSÉANTÔNIO C. MARINO Neste ponto, a fiscalização sinalizou que a empresa na competência 11/2003 deixou de incluir na base de cálculo para o cálculo do valor da contribuição previdenciária o valor de R$ 34,62 constante na folha de pagamento da matriz referente a pagamento de triênio a José Antônio C. Marino. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 18050.005083/200869 Acórdão n.º 2402006.645 S2C4T2 Fl. 7 11 Em contrapartida, sustentou o Recorrente que não procede a alegação da fiscalização de que não se fez incluir na GFIP relativa à competência 11/2003 o valor de R$ 34,62 correspondente ao triênio pago a José Antônio C. Marino. Conforme se extrai da análise da Folha de Pagamento e da GFIP relativas àquela mesma competência, aquele valor de R$ 34,62 compôs a remuneração total daquele colaborador, e por consequência, a base de cálculo da contribuição previdenciária e o saláriodecontribuição declarados em GFIP, no valor total de R$ 611,62 (vide cópia da GFIP com destaques) — R$ 577,00 salário + R$ 34,62 triênio. Deve, por isso, ser revisto o lançamento nesse aspecto, excluindose do lançamento a parcela relativa à essa incidência, assim como os respectivos consectários. A DRJ, neste particular, concluiu que consultada a GFIP referente a competência 11/2003 verificamos que tal valor não havia sido considerada na base de cálculo pela impugnante quando da entrega da GFIP antes da ação fiscal ora em exame. Entretanto, os documentos apresentados pelo contribuinte ainda no curso da fiscalização e reapresentados por ocasião da impugnação, conduzem a entendimento diverso daquele alcançado pelo órgão julgador de primeira instância. Vejamos: · Às fls. 163, consta Comprovante de Recolhimento / Declaração referente à GFIP de novembro/2003, no valor total a recolher de R$ 1.227,98, com chancela da instituição bancária atestando o pagamento na data de 04/12/2003: Fl. 351DF CARF MF 12 · Às fls. 164, Relação dos Trabalhadores Constantes do Arquivo SEFIP (página 01), constando o Sr. José Antonio Carvalho Marino, com remuneração no valor de R$ 611,62, bem como totais ao final da página: Obs.: o valor de R$ 611,62 referente ao Sr. José Antônio corresponde ao somatório dos montantes de R$ 577,00 (salário) e de R$ 34,62 (triênio), conforme evidencia a Folha de Pagamento de novembro/2003 acostada às fls. 141: · Às fls. 166Relação dos Trabalhadores Constantes do Arquivo SEFIP (página 02), constando Resumo do Fechamento, com total a recolher no valor de R$ 1.277,98, montante efetivamente recolhido pelo contribuinte: Fl. 352DF CARF MF Processo nº 18050.005083/200869 Acórdão n.º 2402006.645 S2C4T2 Fl. 8 13 Neste contexto, da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, verificase que, de fato, o valor de R$ 34,62 compôs a remuneração total daquele colaborador, e por consequência, a base de cálculo da contribuição previdenciária e o saláriodecontribuição declarados em GFIP, no valor total de R$ 611,62 (R$ 577,00 salário + R$ 34,62 – triênio), impondose a reforma da decisão da DRJ neste ponto. Da imposição relativa à remuneração paga a estagiários — ausência de exame deste fundamento pela instância a quo — cerceamento de defesa No Relatório Fiscal (parágrafo 3.4, fls. 40), informou a fiscalização que se verificou que alguns dos estagiários que se encontravam prestando serviço na empresa foram contratados pela mesma em desconformidade com a Lei n°. 6.494 de 07/12/1977. Nestes casos não foram cumpridos os requisitos para a realização do estágio, inclusive não houve intermediação de instituição de ensino e a empresa informou que para eles não foi formalizado o Acordo de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio. Os estagiários em referência são, portanto, segurados obrigatórios na qualidade de segurados empregados e, assim, a bolsa de complementação educacional por eles recebida foi considerada salário de contribuição, integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Os estagiários contratados pela empresa em desconformidade com a Lei n°. 6.494 de 07/12/1977 na matriz nos anos de 2003 e 2004 foram Nilma Pereira dos Reis, Aldo Mercês Oliveira, Sidney R. C. P. Souza, Dulcinez L. Brito e Adriana dos Santos Bispo e na filial 00.628.869/000266, no ano de 2003, Adildes Farias de Souza e Lusimary Santana Santos. A defesa do contribuinte, neste ponto, sinalizou que não procedem as alegações da fiscalização relativas ao lançamento de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a estagiários, ao fundamentos de não estarem consentâneos os termos do estágio aos ditames da Lei n° 6.474/77. Na verdade, no curso da fiscalização netas todos os documentos relativos aos contratos de estágio foram i encontrados, de modo que restaram alguns que foram pela fiscalização descaracterizados e enquadrados como empregados segurados obrigatórios. A DRJ, ao contrário do quanto aduzido no recurso voluntário, no sentido de que não houve exame, pelo órgão julgador de piso, dos documentos apresentados, nem que este teria feito qualquer menção a isso no julgamento, expressamente concluiu que: ü Quanto à alegação de que não procedem as alegações da fiscalização relativas ao lançamento de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a estagiários em desacordo com a Lei n°6.474/77 não procede tal alegação; ü A empresa não apresentou toda a documentação referente a qualquer dos estagiários caracterizados segurados empregados, apontados pela fiscalização; ü Não foi apresentado qualquer comprovante de que tais segurados estariam frequentando cursos de nível superior, profissionalizante de 2° grau, ou escola de educação especial conforme dispõe o § 1° do art. 1° da Lei n° 6494, de 07 de dezembro de 1977, em vigor à época dos fatos geradores; Fl. 353DF CARF MF 14 ü Constatamos ainda na documentação apresentada pela impugnante que na folha de pagamento referente novembro de 2003, bem como na folha de pagamento 13/2003 a empresa descontou do Sr. Aldo Mercês de Oliveira a parte do INSS referente a desconto de segurado, portanto já o tratava como empregado. Registrese, pela sua importância, que os documentos apresentados pelo contribuinte junto com a impugnação referemse a 02 (dois) dos 07 (sete) estagiários listados pela fiscalização, a saber: Sidney R. C. P. Souza e Dulcinez L. Brito e, de fato, tal como atestado pela DRJ, não comprovam que as remunerações pagas aos referidos estagiários estavam de acordo com a Lei n°6.474/77. Registrese, ainda, que, o lançamento referente aos estagiários Sidney R. C. P. Souza e Dulcinez L. Brito abrange o período compreendido entre 01 a 05/2003, pelo que, tendo a DRJ reconhecido a decadência do período de janeiro a julho de 2003, com exceção da competência de abril/2003, temse que o lançamento, neste particular, remanesce apenas em relação ao referido mês de 04/2003. Sobre a forma de aferição do regime sancionatório a aplicar; identificação do regime mais favorável ao contribuinte Conforme evidenciado no relatório, o contribuinte, por meio do seu recurso voluntário, pugnou pela aplicação da multa de mora no percentual de 20%, em face da alteração legislativa promovida pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Como já exposto linhas acima, no caso em análise, foi aplicada pela fiscalização multa de mora no percentual de 30%, prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 354DF CARF MF Processo nº 18050.005083/200869 Acórdão n.º 2402006.645 S2C4T2 Fl. 9 15 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinquenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Ocorre que, com a edição da MP 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, o susodito art. 35 passou a ter a seguinte redação: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O art. 61 da Lei nº 9.430/96, por seu turno, estabelece que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitado a vinte por cento (§ 2º). Pois bem! Como cediço, nos termos do art. 106, II, “c” do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Sobre o tema, a CSRF, por meio do Acórdão 9202006.915, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma julgado na sistemática dos recursos repetitivos, manifestouse nos termos do voto abaixo transcrito, o qual passa a integrar o presente voto: Fl. 355DF CARF MF 16 Fl. 356DF CARF MF Processo nº 18050.005083/200869 Acórdão n.º 2402006.645 S2C4T2 Fl. 10 17 Fl. 357DF CARF MF 18 Fl. 358DF CARF MF Processo nº 18050.005083/200869 Acórdão n.º 2402006.645 S2C4T2 Fl. 11 19 Fl. 359DF CARF MF 20 Fl. 360DF CARF MF Processo nº 18050.005083/200869 Acórdão n.º 2402006.645 S2C4T2 Fl. 12 21 Assim, nos termos do voto da CSRF em destaque, voto no sentido de determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Fl. 361DF CARF MF 22 Conclusão Face ao exposto, voto por: (i) NÃO CONHECER o recurso voluntário em relação à matéria “Da Multa de Mora e Multa de Ofício. Cumulação”; (ii) na parte conhecida, DAR PARCIAL PROVIMENTO para excluir da autuação o valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a JOSÉANTÔNIO C. MARINO; e (iii) determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 362DF CARF MF
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