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Numero do processo: 13656.000144/2005-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 30/04/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. ARTIGO 170-A AÇÃO AJUIZADA ANTES DA LEI COMPLEMENTAR 104. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170-A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes do STJ.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-002.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para afastar, no caso, a necessidade do trânsito em julgado da ação judicial para compensação, determinando o retorno dos autos à autoridade preparadora para análise dos demais aspectos da compensação pleiteada. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que negava provimento.
assinado digitalmente
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente Substituto
assinado digitalmente
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator ad doc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 30/04/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. ARTIGO 170A AÇÃO AJUIZADA ANTES DA LEI COMPLEMENTAR 104. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes do STJ. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para afastar, no caso, a necessidade do trânsito em julgado da ação judicial para compensação, determinando o retorno dos autos à autoridade preparadora para análise dos demais aspectos da compensação pleiteada. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que negava provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 00 01 44 /2 00 5- 16 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 09/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13656.000144/200516 Acórdão n.º 9303002.911 CSRFT3 Fl. 471 2 assinado digitalmente LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente Substituto assinado digitalmente JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator ad doc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Cuidase de recurso especial interposto por EXPORTADORA DE CAFÉ GUAXUPÉ LTDA. (fls. 1044 a 1058) contra o v. acórdão proferido pela colenda 1a Turma da 4a Câmara da 3a Seção do CARF (fls. 1035 a 1041) que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, ao fundamento de que, tratandose de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN. No presente caso, as compensações constantes da PER/DCOMPs de fls. 06 a 21 não foram homologadas, originariamente, em razão do despacho decisório de fls. 249 a 256. Essa decisão foi mantida em primeira e segunda instâncias administrativas. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2003 a 30/04/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. NECESSIDADE DE AGUARDO DO TRÂNSITO EM JULGADO. Em obediência ao art. 170A do Código Tributário Nacional, introduzido pela Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001, a compensação requerida a partir de sua edição e amparada em créditos discutidos judicialmente deve aguardar o trânsito em julgado. Recurso Negado. Irresignada, a contribuinte alega em seu recurso especial, em síntese, com base em divergência jurisprudencial, que a limitação imposta pelo artigo 170A do CTN só se aplica aos recolhimentos indevidos efetuados após sua vigência. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 416 e 417. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 09/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13656.000144/200516 Acórdão n.º 9303002.911 CSRFT3 Fl. 472 3 É o relatório. Voto Júlio César Alves Ramos redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fl. 469, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, incumbiume o Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais a formalizar o presente acórdão. Ressaltese que o relator original entregou o relatório e seu voto à secretaria da Câmara Superior. Contudo, em virtude de sua renúncia ao mandato, não foi possível concluir a formalização da citada decisão. Desta forma, adotase o voto entregue pelo relator original, Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, vazado nos seguintes termos: "Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Especificamente quanto à limitação imposta pelo artigo 170A do CTN só se aplicar aos recolhimentos indevidos efetuados após sua vigência ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que a limitação imposta pelo artigo Fl. 472DF CARF MF Impresso em 09/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13656.000144/200516 Acórdão n.º 9303002.911 CSRFT3 Fl. 473 4 170A do CTN só se aplica aos recolhimentos indevidos efetuados após sua vigência. No presente caso, a ação ordinária (96.00286086) foi proposta em 1996 (fls. 51), muito antes do advento da Lei Complementar nº 104/2001. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 473DF CARF MF Impresso em 09/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13656.000144/200516 Acórdão n.º 9303002.911 CSRFT3 Fl. 474 5 Com base nesses fundamentos o relator original deu provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, para que os autos retornem à repartição de origem para análise dos demais aspectos da compensação, sendo acompanhado pela maioria do Colegiado. assinado digitalmente Júlio César Alves Ramos redator ad hoc Fl. 474DF CARF MF Impresso em 09/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.723163/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PAF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
É nulo o ato administrativo maculado com vício insuperável caracterizado pelo cerceamento ao direito de defesa. Impõe-se à Administração Pública anular seus próprios atos, quando eivados de nulidade.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3301-002.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PAF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o ato administrativo maculado com vício insuperável caracterizado pelo cerceamento ao direito de defesa. Impõe-se à Administração Pública anular seus próprios atos, quando eivados de nulidade. Recurso de Ofício Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o ato administrativo maculado com vício insuperável caracterizado pelo cerceamento ao direito de defesa. Impõese à Administração Pública anular seus próprios atos, quando eivados de nulidade. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 31 63 /2 01 3- 15 Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.723163/201315 Acórdão n.º 3301002.889 S3C3T1 Fl. 1.013 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida, abaixo transcrito: Tratase de auto de infração com exigência de ofício da Contribuição para o PIS/Pasep, no total de R$ 11.003.627,65, e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no total de R$ 50.683.372,80, incluídos, em ambos os valores, principal, multa de ofício de 150% e juros de mora, relativos ao período de apuração de 01/01/2008 a 30/09/2008. Consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 324/331: a) No DACON, na rubrica de Bens Utilizados como Insumos, são informados, dentre outros, aquisições de serviços de transporte (CFOPs 1352, 1360 e 2352), industrialização efetuada por outra empresa (CFOP 1124) e aquisição de serviço tributado pelo ISSQN (CFOP 1933). Em resposta fornecida em 13/12/2012, o contribuinte alega que os CFOPs 1124 e 1933 são relativos a serviços empregados diretamente nos processos produtivos, porém, não discrimina quais são os serviços e tampouco apresenta documentos comprobatórios, também alegando que os CFOPs 1352, 1360 e 2352 referemse a valores pagos a título de frete para transporte de insumos referentes ao processo produtivo. b) A empresa foi intimada por diversas vezes a apresentar descrição detalhada de seu processo produtivo, tendo apenas apresentado, em 16/08/2012, arquivo magnético em que discrimina os insumos utilizados no processo produtivo (bauxita, energia elétrica, gás natural, cal virgem, piche, óleo combustível, soda cáustica, ácido sulfúrico, óxido de alumínio, fluoreto de alumínio, coque de petróleo, fluorita e alumínio líquido). Desta forma, efetuouse a glosa de créditos constantes das notas fiscais referentes aos CFOPs 1124 e 1933, pelo fato de que não foram discriminados ou detalhados os serviços e tampouco apresentada documentação comprobatória dos serviços tomados pela empresa, de forma a caracterizar a sua estreita vinculação com o processo produtivo. Glosouse também os créditos constantes das notas fiscais referentes aos CFOPs 1352, 1360 e 2352, por se tratar de pagamentos de fretes entre as unidades fabris da empresa. c) Em 21/11/2012, o contribuinte foi intimado a apresentar 21 notas fiscais de devolução de vendas e, em 03/12/2012, apresentou 18 notas fiscais, sendo que apenas 3 delas correspondem a notas de devolução de vendas, enquanto nas outras 15 apresentadas o CFOP corresponde ao código 1949 ou 2949 (Outras entradas de mercadoria ou prestação de serviço não especificada), não constando das mesmas qualquer menção à devolução de vendas (consta de algumas, no campo “Descrição dos Produtos”, menção à emissão de notas fiscais de transferência, compras de insumos etc). Verificouse nas notas fiscais 717757 e 689350 que os produtos nelas discriminados (suspensão de carretas, motor hidráulico, carreta) não fazem parte dos produtos fabricados pela empresa, não podendo, portanto, corresponderem a devoluções de vendas. d) Para aprofundar a análise das devoluções de vendas, extraímos a numeração das notas fiscais do arquivo magnético de devolução de vendas apresentado pelo contribuinte em 23/04/2012 e com a numeração das notas fizemos Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.723163/201315 Acórdão n.º 3301002.889 S3C3T1 Fl. 1.014 3 a extração, por meio do Contágil, do arquivo de notas fiscais – Sintegra – apresentado em 16/08/2012. Obtivemos dessa extração nove planilhas das notas fiscais de devolução de vendas de janeiro a setembro de 2008 (NF_CBA_Devolução vendas_com_lista_de NF). Foram então separados os CFOPs correspondentes à devolução de vendas (1202 e 2202) dos demais CFOPs. De tal análise, concluiuse que apenas as notas fiscais de devolução de vendas (CFOPs 1202 e 2202) podem servir como base de cálculo de creditamento de PIS e Cofins não cumulativos, glosandose os créditos das demais notas fiscais. Há que se ressaltar que o contribuinte informou em Dacon créditos de PIS e Cofins referentes a devoluções de vendas em operações que na realidade não corresponderam a vendas/devolução de vendas e, com isso, diminuiu a base de cálculo desses tributos e, por decorrência, o valor a pagar devido. e) Aplicase ao crédito tributário constituído a multa prevista no inciso II do art. 957 do RIR/99, tendo em vista o evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Para efeito de contagem do prazo decadencial aplicase, portanto, o disposto no § 4º do art. 150, combinado com o inciso I do art. 173 do CTN. Foi apensada aos autos Representação Fiscal para Fins Penais na qual se encontra registrado que (fls. 03/08 do processo administrativo nº 19515.720126/201436): “Conforme detalhadamente relatado no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, que originou o AUTO DE INFRAÇÃO, lavrado em 11/12/2013, que segue anexo à presente Representação, a pessoa jurídica fiscalizada, através de sua conduta voluntariosa, procedeu à inserção em declaração entregue à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de valores incorretos/sem origem ou qualquer comprovação, resultando na redução intencional das contribuições para o PIS e a COFINS Não Cumulativa, no período de janeiro a setembro de 2008, ficando sujeita à autuação de tributos/multas, segundo os dispositivos legais transcritos no referido Termo e no respectivo Auto de Infração. Tendo em vista o exposto, conforme detalhadamente demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, seus Anexos e Quadros (que fazem parte integrante do referido TERMO), fica evidente que o procedimento adotado pelo contribuinte na apuração dos valores devidos ao PIS e a COFINS Não Cumulativa tinha a intenção de alcançar a redução daquelas contribuições, dificultando a apuração por parte da fiscalização ao inserir elementos inexatos nas DACON`s relativas ao ano calendário de 2008. A prova fundamental da intenção dos agentes em burlar a análise da fiscalização, procurando de forma intencional dificultar a análise e avaliação de eventual programação encontrase anexada a esta Representação e esta constituída pelas DACON’s, notas fiscais e arquivos magnéticos encaminhados pelo contribuinte a Secretaria da Receita Federal do Brasil onde destacamos: a) Inserção de notas fiscais (CFOP’s 1124 e 1933) – arquivos magnéticos e Dacon’s que não correspondem à aquisição de bens ou serviços utilizados como insumos, pois não ficou cabalmente demonstrado pelo contribuinte que os serviços relacionados nas notas fiscais são utilizados diretamente na fabricação dos produtos da empresa. Esses valores utilizados como créditos na aquisição de serviços/insumos para apuração do Pis/Cofins devidos resultaram em valores a pagar a menor dessas contribuições; Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.723163/201315 Acórdão n.º 3301002.889 S3C3T1 Fl. 1.015 4 b) Inserção de notas fiscais (CFOP’s 1352/1360/2352) arquivos magnéticos e DACONs referentes a valores pagos a título de frete para o transporte de insumos, sobretudo o transporte de minério das unidades mineradoras para a unidade fabril, como créditos de insumos, o que está em desacordo com a legislação. A utilização desses valores como créditos resultou em valores a pagar a menor das contribuições ao Pis e à Cofins. c) Inserção de notas fiscais de diversos CFOP’s que não correspondem à Devolução de Vendas, conforme discriminado no item 3.2 do Termo de Verificação Fiscal em anexo. A utilização desses valores como créditos também resultou em valores a pagar a menor das contribuições ao Pis e à Cofins. d) A Fiscalização apurou a Glosa de créditos de Pis no montante de R$ 3.638.543,11 e de Cofins no montante de R$ 16.759.350,02.” Cientificado em 19/12/2013 (AR de fl. 336), o interessado apresentou, em 17/01/2014, a impugnação de fls. 341/393 na qual, em síntese, alega: a) A nulidade do Lançamento de ofício, uma vez que a fiscalização não demonstrou quais os itens glosados, com a identificação do número das notas fiscais ou qualquer outra informação relativa à despesa glosada, apta a identificar o vício apontado, havendo tão somente listado, de forma genérica, as rubricas glosadas. Logo, a fiscalização não logrou êxito em cumprir o seu dever de motivar o ato administrativo, incorrendo em insanável vício de motivação. Exemplifica que a fiscalização questionou despesas relacionadas aos CFOPs 1124, 1933, 1352, 1360 e 2352, porém, não demonstrou quais as notas fiscais glosadas nesse item, o que impossibilita que o impugnante demonstre a natureza destes gastos especificamente. b) Embora a ciência da autuação tenha ocorrido em 19/12/2013, a fiscalização pretende exigir tributos referentes a supostos fatos geradores ocorridos de janeiro a setembro de 2008, posteriormente ao prazo de cinco anos de que trata o art. 150, § 4º, do CTN. Tal pretensão está fundada no art. 173, I, do CTN porque, no raciocínio da fiscalização, a conduta do impugnante em tomar créditos que, a seu ver, seriam indevidos, implicaria “evidente intuito de fraude”, havendo incorrido em uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Porém, a existência de fraude pressupõe, necessariamente, a conduta dolosa do contribuinte, o que não ocorreu no presente caso, fato este comprovado pelos DACON em que o contribuinte formalizou os valores das contribuições em foco, bem como dos seus registros contábeis, que lastreiam os créditos apurados nos períodos em referência. As glosas de créditos efetuadas pela fiscalização decorrem de divergência de interpretação da legislação. Vale destacar, ainda, que a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN requer a existência de pagamento antecipado, sendo que, no presente caso, tais antecipações de fato ocorreram, como comprovam dos DARF em anexo. Dessa forma, os tributos em tela já foram atingidos pela decadência. c) Não há amparo legal para o conceito de insumo estampados nas IN SRF nºs 247/2002 e 404/2004. Ao contrário, todos os valores que integram o custo devem gerar deduções da contribuição ao PIS e à Cofins, quando incorridas junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país e não incidirem em barreiras legais específicas. Além dos custos absorvidos, outros dispêndios que, segundo a prática contábil, sejam debitados à despesa, podem ser considerados insumos, quando relacionados à produção, tais como vigilância da fábrica, tratamento de efluentes e esgotos da fábrica e outros semelhantes (registrese que, pela análise do Termo de Verificação Fiscal, não parece haver sido glosado qualquer gasto relativo a tais itens, contudo, não tendo acesso o impugnante a qualquer planilha de glosa, não é possível a afirmação de forma categórica dessa premissa). Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.723163/201315 Acórdão n.º 3301002.889 S3C3T1 Fl. 1.016 5 d) Quanto a despesas de frete relativos aos CFOPs 1352 (aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial), 1360 (aquisição de serviço de transporte por contribuinte substituto em relação ao serviço de transporte) e 2352 (aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial), em que pese a ausência de apresentação de forma detalhada dos créditos glosados, aduz que todas as modalidades de fretes incorridos para viabilizar sua produção e a conseguinte venda do alumínio são passíveis de creditamento (tratase de frete na venda direta dos bens produzidos a seus clientes, para transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica ou empregado na fase préprodução – para transporte de insumos entre seus estabelecimentos). e) Em relação às despesas atinentes aos CFOPs 1124 (industrialização efetuada por outra empresa) e 1933 (aquisição de serviço tributado pelo ISSQN), afora não ter tido acesso a qualquer planilha acerca dos valores glosados, no Termo de Verificação Fiscal que acompanha o auto de infração a fiscalização também não teceu qualquer consideração sobre os aludidos gastos. Dessa forma, defenderseá por meio de exemplos de despesas com serviços registrados com os mencionados CFOPs, sem prejuízo do fato de que os serviços tomados pela impugnante estão estreitamente ligados aos seu processo produtivo, conforme demonstram as diversas notas fiscais anexadas a título exemplificativo. f) No que diz respeito a devolução de vendas, a fiscalização não aceitou 18 notas indicadas. Ocorre que as notas fiscais nºs 717757 e 689350 referemse a devolução de equipamentos enviados para manutenção, sendo que no momento da emissão da nota, quando do retorno do bem, contabilizou esse retorno equivocadamente como devolução de vendas, sendo que essa contabilização gerou um crédito indevido. Entretanto, em momento posterior, quando verificou o erro em seu procedimento, efetuou o estorno desses créditos, o que neutralizou a tomada de crédito indevida no primeiro momento, como demonstram as telas do sistema SAP e cópias do livro Razão (doc. 18). O mesmo ocorreu com as demais notas de devolução de vendas questionadas. g) A multa qualificada é inaplicável no caso concreto. As condutas ilícitas devem ser devidamente tipificadas e, na presente situação, a fiscalização apenas citou os comandos legais sem fazer qualquer vinculação com a conduta cometida, não havendo comprovação minuciosa da conduta ilícita. A aplicação dos dispositivos normativos que dão suporte ao “evidente intuito de fraude” pressupõe a existência de conduta dolosa do contribuinte, sendo ônus da fiscalização provar a sua existência.Nos termos do art. 112 do CTN, se não restar comprovada a conduta ilícita, a interpretação da situação será a mais favorável ao acusado, devendo ser afastada a multa qualificada. h) São inaplicáveis juros sobre a multa de ofício. No julgamento da referida impugnação, a 3ª Turma da DRJ/Belém, proferiu o Acórdão nº 0129.400, de 17/06/2014, que veio a ser uma retificação do Acórdão nº 0129.154, anteriormente proferido. Decidiuse pela nulidade do lançamento em ementa assim proferida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 PAF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.723163/201315 Acórdão n.º 3301002.889 S3C3T1 Fl. 1.017 6 É nulo o ato administrativo maculado com vício insuperável caracterizado pelo cerceamento ao direito de defesa. Impõese à Administração Pública anular seus próprios atos, quando eivados de nulidade. PAF. MULTA QUALIFICADA. HIPÓTESES DOS ARTS. 71, 72 OU 73 DA LEI Nº 4.502/1964. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não restando comprovada nenhuma das hipóteses normativas previstas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964, fazse inaplicável a multa qualificada imposta sob tais fundamentos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. Apenas quando reste comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação é que o termo inicial de contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária deslocase para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído. DECADÊNCIA. RECOLHIMENTOS ANTECIPADOS. REGRA DE INCIDÊNCIA. CTN. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo à contribuição para o PIS e à COFINS é de cinco anos e regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Assim, na hipótese em que há recolhimento parcial antecipado, o lustro decadencial tem início na data de ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do Estatuto Tributário. De outro lado, não havendo qualquer pagamento, aplicase a regra do artigo 173, I, do mesmo diploma, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Na própria decisão foi apresentado o recurso de ofício nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. É o relatório. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.723163/201315 Acórdão n.º 3301002.889 S3C3T1 Fl. 1.018 7 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso de ofício atende aos pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. O contribuinte em sua impugnação pediu que o lançamento fosse declarado nulo. Afirma que a fiscalização não demonstrou quais os itens glosados, com a identificação do número das notas fiscais ou qualquer outra informação apta a identificar os vícios apontados, havendo tão somente listado, de forma genérica, as rubricas glosadas. Afirma que os elementos da acusação fiscal não estão presentes nos autos, estando impossibilitado de conferir eventual procedência das glosas realizadas bem como os respectivos cálculos realizados pela fiscalização, uma vez que não possui planilha detalhada do que foi por ela desconsiderado. Ao deixar de motivar o ato administrativo, incorre a fiscalização em vício insanável de motivação, sendo que com tal conduta também ensejou a preterição ao seu direito de defesa. A DRJ/Belém chegou a proferir um primeiro Acórdão, de nº 0129.154, de 08/05/2014, no qual ela constata que não havia prova irrefutável de que o contribuinte havia recebido as planilhas que estariam em um CD, validado pelo SVA (Sistema de Validação de Arquivos magnéticos da RFB), cujo recibo impresso atesta a existência de diversos arquivos contendo planilhas com os demonstrativos citados no Termo de Verificação Fiscal, que dariam suporte ao auto de infração. Os seguintes fatos demonstrariam incerteza de que estes arquivos teriam sido efetivamente entregues ao contribuinte: 1) O Recibo de Entrega de Arquivos Digitais gerado pelo SVA, juntado à fl. 332, com cópia à fl. 335, não consta a assinatura de recebimento do sujeito passivo; e 2) A declaração de conteúdo do ARAviso de Recebimento, fl. 336, não consta referência ao CD/DVD que constituiria o meio físico de entrega dos arquivos digitais. No AR somente constam os seguintes dizeres: "Termo Verificação Fiscal/Auto de Infração/Recibo Validação ARQ. MAGNT.SVA". No caso, o julgador conclui, acertadamente, que estes fatos apontam para uma razoável incerteza quanto à entrega de tais arquivos. Na sequência o julgador constata que estas planilhas referenciadas no Termo de Verificação Fiscal, também não foram juntadas ao presente processo administrativo, situação que, a seu ver, talvez suprisse a dúvida antes aventada, uma vez que o sujeito passivo teria o processo à sua disposição por 30 dias para exercer o seu direito de defesa. Assim, neste primeiro acórdão proferido pela DRJ, os julgadores não conseguiram visualizar a juntada das planilhas ao presente processo e decretaram a nulidade do lançamento, confirmando o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, em face da flagrante falta de motivação do auto de infração. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.723163/201315 Acórdão n.º 3301002.889 S3C3T1 Fl. 1.019 8 Após este primeiro acórdão, foi proferido um segundo acórdão retificador daquele primeiro, mas que também chegou à mesma conclusão pela nulidade do lançamento. Este que estamos a apreciar o recurso de ofício. Conforme consta do voto do acórdão recorrido, somente após a edição do primeiro acórdão, aventouse a possibilidade de que tais planilhas encontrariamse ocultas em algum arquivo PDF constante dos autos. Daí após uma varredura completa em cada um dos documentos elaborados pela fiscalização, constataram que as planilhas e documentos estavam "envelopados" à fl. 335 do processo. É interessante transcrever trecho do voto, no qual consta a didática de como acessar referidos arquivos: (...) Ocorre que as planilhas em questão, todas relacionadas na via impressa do “Recibo de Entrega de Arquivos Digitais” que consta da fl. 332, foram anexadas (envelopadas) em uma outra via impressa deste mesmo “Recibo de Entrega de Arquivos Digitais”, agora à fl. 335. Emergem, porém, sérias dificuldades decorrentes dos procedimentos adotados quanto à organização e inserção de documentos no processo administrativo. Inicialmente, não se encontra nos autos de infração de fls. 308/323, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 324/331, no próprio “Recibo de Entrega de Arquivos Digitais” de fl. 335 ou em algum outro documento juntado ao processo administrativo, qualquer informação ou referência ao fato de que tais planilhas encontramse “anexadas” ao arquivo PDF de fl. 335. Os anexos que venham a ser inseridos em um arquivo PDF, por sua vez, permanecem a ele vinculados por intermédio de um ícone representado por um “clipe” (clipe de papel) localizado na barra esquerda do arquivo (painel de navegação). A existência de tais anexos somente se exterioriza quando se posiciona o cursor do mouse sobre o ícone “clipe”, oportunidade em que aparece a informação: “Anexos: Visualizar anexos de arquivo”. Clicando no respectivo ícone, são automaticamente exibidos os documentos anexados ao arquivo PDF. É este o caminho e procedimento que normalmente bastam à visualização de anexos em qualquer arquivo PDF. Porém, por razões até aqui não esclarecidas ao próprio relator do presente Voto, o leitor (Acrobat Reader) utilizado para abrir os arquivos que integram o processo administrativo sob análise simplesmente não exibe, em qualquer um destes arquivos, o já mencionado clipe (muito embora não tenha sido efetivada, anteriormente, qualquer alteração no modo de exibição dos “painéis de navegação” do respectivo leitor PDF), motivo pelo qual a existência já incógnita de tais anexos permaneceu ainda mais oculta. No caso, somente por meio das opções “visualizar”/“painéis de navegação”/“anexos” (ou clicando com o botão direito do mouse sobre o painel de navegação e selecionando a opção “anexos”) é que se faz revelar a existência de documentos “envelopados” ao “Recibo de Entrega de Arquivos Digitais” de fl. 335. Encontramonos remetidos, assim, à máxima originalmente formulada pelo engenheiro norteamericano Edward A. Murphy, também conhecida como lei de Murphy, que pode ser enunciada como: “se alguma tarefa é executada de maneira que possa dar errado, ela dará”. (...) Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.723163/201315 Acórdão n.º 3301002.889 S3C3T1 Fl. 1.020 9 Tenho, neste ponto, que a súmula das ocorrências acima registradas autoriza, de si mesma, a inequívoca conclusão de que, no caso concreto, não foi franqueado ao contribuinte, com inarredável clareza e segurança, o acesso aos documentos elaborados pela fiscalização e que serviram de fundamento ao ato controvertido. (...) Tenho que concordar com a conclusão da turma julgadora de primeira instância. Mesmo após todos estes esclarecimentos de como abrir os referidos arquivos "envelopados" na fl. 335, confesso que tive muita dificuldade em localizálos e efetuar os procedimentos para sua leitura. Naturalmente que estas dificuldades são decorrências da falta de conhecimento quanto às especificidades do programa utilizado na leitura dos documentos do eprocesso. É a primeira vez que me deparo com documentos anexados desta forma em um processo. Acho até que a fiscalização poderia ter utilizado sim desta técnica de anexar os documentos, porém, sem dúvida, deveria deixar esta informação de forma muito clara e expressa no processo. Não é possível que os diversos usuários do processo tenham que fazer uma "varredura" em todos os documentos juntados para verificar a existência de anexos de PDF. Se do voto não constasse, de forma didática, como abrir estes documentos eu jamais os teria visto. É importante registrar que não é possível ao contribuinte exercitar o seu pleno direito de defesa, somente pela análise do Termo de Verificação Fiscal, pois nele não constam todos os elementos da acusação. Frisese que é ônus da fiscalização comprovar de forma inequívoca que efetuou a entrega dos referidos arquivos ao sujeito passivo, além da obrigação de instruir o processo administrativo de forma completa e transparente, para permitir que todos os seus usuários possam compreender a acusação fiscal, sobretudo o sujeito passivo para que possa exercer de forma plena a sua defesa. Fundamentos legais: CF, art. 5º, inc. LV. Lei nº 9.784/99, art. 2º, parágrafo único. Decreto nº 70.235/72, art. 59, II. Os dois atos legais já transcritos na decisão recorrida, a qual adoto também como razão de decidir em face do art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/99. Esclareço que vislumbrei em dar provimento ao recurso de ofício afastando a nulidade e devolvendo o processo à origem para que as planilhas fossem fornecidas ao contribuinte, propiciando a ele uma nova oportunidade de defesa. Porém, ao me deparar com a análise efetuada pela decisão recorrida, a respeito da qualificação da multa e do transcurso do prazo decadencial, concluí que de uma ou de outra forma, o lançamento não se sustenta, pois concordo plenamente com as conclusões daquele voto. No acórdão recorrido apreciouse a questão da multa qualificada e da decadência. Apesar da pertinência do voto proferido nestes assuntos, entendo ser desnecessário qualquer apreciação, já que a preliminar de nulidade constituise em prejudicial para exame do mérito. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.723163/201315 Acórdão n.º 3301002.889 S3C3T1 Fl. 1.021 10 Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10935.720341/2011-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
EXCLUSÃO DE REGIME SIMPLIFICADO. LAVRATURA CONCOMITANTE DE AUTO DE INFRAÇÃO.
A possibilidade de discussão administrativa de Ato Declaratório Executivo que exclui a empresa de regime de tributação simplificada não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão, nem caracteriza qualquer violação ao contraditório e ampla defesa a ciência simultânea do ato de exclusão e dos autos de infração decorrentes.
Recurso voluntário a que se nega provimento.
Numero da decisão: 1201-001.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Recorrente RODOVICO TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. PEDIDO DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA APÓS A IMPUGNAÇÃO. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando fundamentadamente indeferida pela autoridade julgadora a quo a apresentação de provas após a impugnação, nos termos previstos na legislação de regência. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADE DO ATO DE EXCLUSÃO. INOCORRÊNCIA. PENDÊNCIA DE DECISÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A partir do momento em que constatada ocorrência de uma das situações previstas em lei como excludentes do Simples, cabe à Administração Pública efetuar a exclusão de ofício, mediante Ato Declaratório, ainda que eventual crédito tributário decorrente das infrações apuradas quando a empresa ainda estava sujeita ao regime simplificado, e das quais decorreu a sua exclusão, esteja com sua exigibilidade suspensa em razão de recurso administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 EXCLUSÃO DE REGIME SIMPLIFICADO. LAVRATURA CONCOMITANTE DE AUTO DE INFRAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 03 41 /2 01 1- 79 Fl. 5067DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10935.720341/201179 Acórdão n.º 1201001.270 S1C2T1 Fl. 3 2 A possibilidade de discussão administrativa de Ato Declaratório Executivo que exclui a empresa de regime de tributação simplificada não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão, nem caracteriza qualquer violação ao contraditório e ampla defesa a ciência simultânea do ato de exclusão e dos autos de infração decorrentes. Recurso voluntário a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por RODOVICO TRANSPORTES LTDA, contra a decisão prolatada no Acórdão n° 0634.262, da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/Cascavel n° 06/2011 (fl. 4824), que impôs a sua exclusão do Simples a partir de 01/01/2007, por excesso de receitas auferidas durante o ano calendário de 2006, e contra o lançamento efetuado de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e reflexos, relativo aos anos calendários de 2007, 2008 e 2009. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples, fls. 4907/4908, alegando, em síntese, o seguinte: somente após o trânsito em julgado do processo administrativo, julgador da existência, ou não, de receita superior ao previsto na lei do Simples, é que se poderia iniciar, se fosse o caso, o procedimento tendente a excluíla da referida sistemática de pagamento de tributos e contribuições; a exclusão deve ser um ato posterior, e não concomitante com o auto infracional, sob pena de flagrante violação aos elementares princípios garantidores dos direitos e garantias fundamentais, tais como o princípio da presunção da Fl. 5068DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10935.720341/201179 Acórdão n.º 1201001.270 S1C2T1 Fl. 4 3 inocência, da dignidade da pessoa humana, do devido processo legal, do contraditório, e do amplo direito à defesa, com todos os meios e recursos inerentes; Finaliza requerendo o cancelamento do ato de exclusão. O contribuinte apresentou também manifestação de inconformidade contra os lançamentos de ofício, fls. 4968/4971, alegando, em síntese, o seguinte: inicialmente, pede prazo de trinta dias para a juntada de documentos, bem como demonstrar a pertinência e a relevância dos mesmos com a linha de raciocínio explicitada na defesa; alega ser praticamente impossível, exceto se contasse com um exército de pessoas qualificadas, analisar um vasto rol de provas e formular uma defesa adequada no prazo de 30 dias, somandose a isto o fato de ser necessário buscar não só nos arquivos da impugnante, mas, também no de outras pessoas, naturais ou jurídicas, tais provas e documentos; pede idêntico prazo para a formulação de quesitos em perícia, bem como realização de outras diligências que, quase certamente, serão necessárias e imprescindíveis ao exercício do direito defesa, eis que a especificação dos meios de prova dependerá muito da análise dos documentos que a defendente está reunindo; para se ter idéia da complexidade dos fatos, basta mencionar que a fiscalização estendeuse por cerca de um ano, e isto porque a contribuinte colaborou, e que cada suposto crédito em umas das contas bancárias representa um fato, o qual deve ser investigado, sendo perfeitamente possível que, para cada fato, uma dezena de documentos sejam necessários; presentes, portanto, os motivos descritos na norma: força maior, caso fortuito, ou, ainda, qualquer outro motivo obstaculizador do amplo direito à defesa e ao contraditório; a contribuinte impugna a assertiva de que teria auferido receita bruta superior ao faturamento anual declarado para 2007, 2008 e 2009, bem como que teriam ocorrido créditos em suas contas bancárias, bem como o desencontro de informações entre a receita declarada à RFB e o Livro de Registro de Apuração de ICMS, o qual, data venia, não se presta para apurar eventual omissão de receita, porquanto, destinandose a demonstrar os créditos e débitos, mediante conta gráfica, do tributo estadual, não guarda íntima relação com a obtenção de receitas; há centenas, até milhares, de fatos geradores de créditos e débitos de ICMS, que nenhuma receita representam, tais como as transferências de mercadorias entre matriz e filiais, ou entre estas, os estornos de créditos e débitos, as transferências de créditos de uma empresa para outra, e os créditos de bens do ativo permanente; impugna, expressamente, (i) todos os documentos utilizados pela Autoridade Fiscal, seja no que diz respeito à forma, seja no que toca ao conteúdo, mesmo que por ela entregues, porquanto incondizentes com a realidade ocorrida; e (ii) um por um, cada lançamento, a título de crédito, em suas contas correntes bancárias, ou referente a investimentos financeiros; Fl. 5069DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10935.720341/201179 Acórdão n.º 1201001.270 S1C2T1 Fl. 5 4 impugna o recálculo realizado para o IRPJ, pois considerou no primeiro trimestre de 2007 a sistemática do lucro arbitrado (9,6% da receita bruta), sendo considerado nos demais trimestres a sistemática do lucro presumido, quando a ora contribuinte é optante da sistemática do SIMPLES; impugna também o recalculo realizado da CSSL, do PIS e da COFINS, pois considerou como base de cálculo dos referidos tributos os créditos bancários constantes na planilha “RELAÇÃO DE CRÉDITOS BANCÁRIOS COMPUTADOS NA FORMAÇÃO DA RECEITA BRUTA”, conforme fls. 10 do termo de verificação fiscal; impugna expressamente a utilização dos créditos bancários constantes na planilha acima mencionada como base de cálculo dos tributos lançados, pois a movimentação de conta bancaria não representa aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda (art. 43 do CTN); Finaliza requerendo o prazo de 30 dias para a juntada de documentos, o prazo de 30 dias para especificar os meios de prova, tais como perícia e diligências, etc, bem como apresentação de quesitos e outros questionamentos que se façam necessários à luz dos documentos a serem juntados, e, por fim, o cancelamento dos lançamentos efetuados. Posteriormente, o contribuinte apresentou mais três sucessivas petições (em 12/08/2011, 06/09/2011 e 06/10/2011) requerendo a dilação dos prazos solicitados por mais 30 dias. Em 03/11/2011 proferiu a DRJ sua decisão, por meio da qual julgou procedente o Ato de Exclusão do Simples, rejeitou o pedido de juntada de documentos e de produção de prova pericial, e, no mérito, julgou inteiramente procedentes os lançamentos efetuados. O Acórdão n° 0634.262 possui a seguinte ementa: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA. PENDÊNCIA DA DISCUSSÃO DO LANÇAMENTO. IRRELEVÂNCIA. Correto o ato de exclusão do Simples, com base em excesso de receita, descabendo alegar pendência na discussão do lançamento, eis que a correspondente impugnação suspende somente a exigibilidade dos créditos tributários, não sendo apta a impedir a exclusão. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO MANUTENÇÃO DE ESCRITURAÇÃO NA FORMA DAS LEIS COMERCIAIS. Correto o arbitramento do lucro, quando o contribuinte, após ter sido excluído do Simples, regularmente intimado, deixa de apresentar escrituração na forma das Fl. 5070DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10935.720341/201179 Acórdão n.º 1201001.270 S1C2T1 Fl. 6 5 leis comerciais e fiscais, ou deixa de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituirse de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007, 2008, 2009 EXCLUSÃO DO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CIÊNCIA PESSOAL DO ADE. CIÊNCIA POSTAL DO LANÇAMENTO. ENVIO DOS RECURSOS NA MESMA DATA. TEMPESTIVIDADE. É tempestiva a manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples, quando a ciência do lançamento que deu origem à exclusão é postal, tendo sido enviada aos Correios na mesma data da ciência pessoal do ADE, e o contribuinte encaminha os dois recursos na mesma data, sob pena de reconhecer prejuízo pelo recebimento pessoal, que fez com que a impugnante tivesse um dia a menos para recorrer da exclusão, em relação ao prazo da impugnação contra o lançamento. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese pedido de apresentação de prova documental, por ter o contribuinte precluído de seu direito de apresentálas, não sendo caso das exceções legalmente previstas, assim como o de produção de prova pericial, quando o lançamento decorreu de presunção de omissão de receitas, a qual somente poderia ser revertida através de comprovação em sentido contrário, pelo contribuinte, o qual preferiu deixar de apresentar qualquer justificativa.” Cientificada desta decisão em 19/11/2011, conforme Comprovante de Ciência Eletrônica de fls. 5019, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 20/12/2011, fls. 50225032, no qual alega, em síntese, o seguinte: reitera a impossibilidade de exclusão imediata da contribuinte do Simples, sem prova alguma em concreto da suposta arrecadação superior ao limite permitido, em afronta à prerrogativa constitucional da presunção de inocência; cerceamento do seu direito de defesa, em razão de o seu pedido de concessão de prazo de 30 dias para a juntada dos documentos comprobatórios não foi analisado antes da decisão final, sendo apenas mencionado durante a decisão, ou seja, o recorrente não teve ciência de que seu apelo não seria conhecido antes da decisão final; Fl. 5071DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10935.720341/201179 Acórdão n.º 1201001.270 S1C2T1 Fl. 7 6 o argumento de que o prazo deferido anteriormente para a juntada dos documentos seria suficiente não justifica a não manifestação da recorrida antes de proferir sua decisão, ofendendo o princípio do devido processo legal e da ampla defesa; na verdade o prazo não foi suficiente, devido a complexidade dos fatos. Finaliza requerendo, sucessivamente: i) seja declarada a nulidade do aresto recorrido por cerceamento de defesa, determinandose ao grau administrativo a quo que possibilite a juntada de documentos, bem como profira nova decisão; ii) inacolhido o pedido acima, seja revogado o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples n° 06/2011 e cancelados os lançamentos efetuados a título de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS e INSS; iii) inacolhidos os pedidos acima, seja condicionado o ato de exclusão do SIMPLES ao trânsito em julgado do processo administrativo que apura omissão de receita. Em 06/08/2012, por meio de petição (fls. 50365040), que solicita seja acolhida como aditamento ao recurso voluntário interposto, requer o cancelamento dos lançamentos efetuados “com base na quebra do sigilo bancário do contribuinte, frente a sua clara inconstitucionalidade.” Na sessão de 6 de dezembro de 2012, ante a relação de prejudicialidade existente entre este processo e o de n° 10935.720342/201113, no qual se discute a autuação levada a efeito com relação ao ano calendário de 2006 (no qual a empresa foi autuada por omissão de receitas na sistemática do Simples, fato este que ensejou a sua exclusão daquele regime a partir de 2007, aqui discutida), o julgamento foi convertido em diligência, para que, após a prolação de decisão administrativa irreformável no citado processo, fosse confirmado pela autoridade administrativa qual o montante da receita bruta afinal auferida pela pessoa jurídica no ano de 2006. Em despacho de fls. 5067, informa aquela autoridade que: “... informase que o Processo 10935.720342/201113 já teve Decisão final, com ciência em 30/05/2014. O montante da Receita Bruta da PJ no ano Calendário 2006, é o que consta do AI de fls. 4773/4822. Cumprida a diligência, o processo retorna à pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Fl. 5072DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10935.720341/201179 Acórdão n.º 1201001.270 S1C2T1 Fl. 8 7 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Nulidade da decisão recorrida e cerceamento do direito de defesa. Requer a recorrente que seja declarada a nulidade do aresto recorrido por cerceamento de defesa, por não ter sido apreciado o seu pedido de prorrogação de prazo para a juntada de documentos comprobatórios, antes da prolação da própria decisão recorrida. Tendo em vista o contexto dos autos, tratase, com a devida vênia, de argumento meramente retórico. Isto porque, a despeito dos sucessivos pedidos de prorrogação de prazo, nenhum novo documento sequer foi trazido aos autos, nem mesmo até o presente momento, passados já quase quatro anos desde a sua impugnação. Ademais, a autoridade julgadora a quo, no item “Prova documental. Pedido de diligência” constante do voto condutor, expôs de forma clara os motivos que justificam a desnecessidade de concessão de prazo adicional, quer para a apresentação de provas, quer para a formulação de quesitos (aliás, tampouco até hoje sequer formulados) relativos à reclamada perícia ou diligência, e, ainda, de forma fundamentada, expôs a desnecessidade da realização de qualquer diligência, no caso concreto. Fundamentos os quais subscrevo, como se aqui transcritos estivessem. Portanto, não padece de qualquer nulidade a decisão recorrida, nem houve qualquer cerceamento ao direito de defesa do contribuinte ao longo do processo, e, neste contexto, sem qualquer procedência o pleito para que lhe fosse oportunizado novo prazo, e que fosse proferida nova decisão pela autoridade a quo. Neste mesmo sentido o CARF também decidiu, no âmbito do processo n° 10935.720342/201113, deste mesmo contribuinte, no qual se discute a autuação fiscal relativa ao ano de 2006: “CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PEDIDO DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA APÓS IMPUGNAÇÃO. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando indeferida a apresentação de provas após a impugnação, nos termos previstos na legislação (art. 16, §4º do Decreto 70.235/72). Preliminar de nulidade rejeitada.” (Acórdão 1202000.810, relator Geraldo Valentim Neto, sessão de 13 de junho de 2012) Noutro giro, sustenta a recorrente também a nulidade do próprio ato de exclusão do Simples, por inexistência de prova em concreto da suposta arrecadação superior ao limite permitido, questão a qual se aborda a seguir. Exclusão do Simples. Fl. 5073DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10935.720341/201179 Acórdão n.º 1201001.270 S1C2T1 Fl. 9 8 Conforme relatado, os motivos que ensejaram a expedição do ato de exclusão da recorrente do Simples encontramse em discussão no âmbito do processo no 10935.720342/201113. De fato, no ADE no 06/2011, consta o seguinte motivo para a exclusão do contribuinte do Simples com efeitos a partir de 01/01/2007: “Motivo da Exclusão: O sujeito passivo ultrapassou o limite de receita previsto no art. 2o, II da Lei 9.317/96, com redação dada pelo art. 1o da Lei 11.307/2006, no ano calendário de 2006, sem que fosse feita a alteração cadastral prevista no art. 13 da mesma Lei.” Ocorre que o contribuinte fora objeto de autuação fiscal, por omissão de receitas no ano calendário de 2006, questão a qual estava sendo discutida no âmbito daquele processo. O lançamento foi feito considerando a opção do contribuinte pelo Simples, e o excesso de receita bruta em 2006 somente se deu em face da autuação fiscal. De acordo com o despacho de fls. 5067, temse que o referido processo já foi objeto de decisão administrativa irrecorrível, por meio da qual foi mantida irretocada a base de cálculo (receita bruta) apurada pelo fisco, a qual atingiu, no ano de 2006, o montante de R$4.324.294,76. Assim, confirmado o excesso de receita bruta com relação ao limite legalmente imposto para a permanência no regime, que era de R$2.400.000,00, correta a exclusão do contribuinte desta sistemática a partir de 01/01/2007, como foi feito. Sustenta a recorrente que o fisco não poderia dar início ao procedimento de exclusão da empresa do Simples antes do trânsito em julgado do referido processo, e que a exclusão concomitante com o auto infracional viola os mais elementares princípios garantidores dos direitos e garantias fundamentais. Não lhe assiste razão. Não há dúvidas de que existe uma relação de prejudicialidade entre o lançamento efetuado contra a empresa enquanto ainda sujeita à sistemática do Simples (e discutido naquele processo) e a sua posterior exclusão deste regime simplificado, assim como também há uma relação de prejudicialidade entre esta exclusão e o posterior lançamento que se faz com base em outro regime de tributação. Contudo, nem num caso nem noutro há qualquer impedimento à ação da fiscalização, que, ao contrário, tem o poder/dever de agir, sempre que constatada infração à legislação tributária. Em ocasiões anteriores este colegiado já se manifestou sobre estas questões, externando o entendimento de que a prática de cada um destes atos, pela fiscalização, não é obstada em razão de não estar ainda definitivamente concluso o julgamento referente ao ato anterior, do qual o seguinte é dependente. Neste sentido, por exemplo, o Acórdão no 110200.442, de 26 de maio de 2011, de lavra deste relator, cuja ementa abaixo transcrevo, nas partes relevantes: Fl. 5074DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10935.720341/201179 Acórdão n.º 1201001.270 S1C2T1 Fl. 10 9 “NULIDADE DO ATO DE EXCLUSÃO. INOCORRÊNCIA. PENDÊNCIA DE DECISÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A partir do momento em que constatada ocorrência de uma das situações previstas em lei como excludentes do Simples, cabe à Administração Pública efetuar a exclusão de ofício, mediante Ato Declaratório, ainda que eventual crédito tributário decorrente das infrações apuradas quando a empresa ainda estava sujeita ao regime simplificado, e das quais decorreu a sua exclusão, esteja com sua exigibilidade suspensa em razão de recurso administrativo. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. PENDÊNCIA DE DECISÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do CTN, de sorte que, uma vez constatada infração à legislação tributária, impõese a lavratura do auto de infração, observada a forma de tributação a qual deva se submeter à pessoa jurídica a partir de sua exclusão do regime simplificado, ainda que o Ato Declaratório de exclusão do Simples esteja com seus efeitos suspensos em razão de manifestação de inconformidade ou recurso apresentado em processo administrativo fiscal.” Pelos motivos expostos, tampouco há qualquer irregularidade ou inadequação no procedimento fiscal de eventualmente cientificar o contribuinte, simultaneamente, acerca do ato de exclusão e do(s) auto(s) de infração, visto que tal circunstância em nada prejudica o legítimo exercício do direito de defesa. Em conclusão, agiu corretamente e estritamente dentro da lei a autoridade fiscal, e, tendo em vista a decisão final proferida no âmbito do processo no 10935.720342/201113, está correta e deve ser mantida a exclusão da empresa do regime simplificado. Lançamentos de ofício Analisandose a peça recursal, a bem da verdade, verificase inexistir qualquer argumento de mérito contra os lançamentos efetuados. Não houve a renovação dos argumentos apresentados em sede de impugnação, e tampouco houve, conforme relatado, a apresentação de qualquer novo documento com vistas a fazer prova suficiente para ilidir a presunção legal de que lançou mão o fisco (art. 42 da Lei 9.430/96). Os argumentos da recorrente giraram tão somente no âmbito da nulidade da decisão recorrida, e de protestos no sentido de que o prazo para a apresentação de documentos não teria sido suficiente, ante a suposta complexidade dos fatos, além de um pedido genérico de cancelamento dos autos de infração lavrados, mas tão somente na medida em que este seria uma decorrência do cancelamento ou da decretação de nulidade do ato de exclusão. Todas estas questões já foram acima devidamente analisadas e refutadas, não havendo motivos, portanto, para o cancelamento dos autos de infração lavrados. Fl. 5075DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10935.720341/201179 Acórdão n.º 1201001.270 S1C2T1 Fl. 11 10 Em sede de “aditamento ao recurso”, pleiteia a recorrente o cancelamento dos lançamentos efetuados em razão da inconstitucionalidade da “quebra” do seu sigilo bancário, sem autorização judicial. Conquanto absolutamente intempestiva a manifestação, superando eventuais divergências de entendimento quanto à possibilidade ou não de se conhecer de novos argumentos em sede de recurso, tendo em vista que até há pouco tempo atrás, o Regimento Interno do CARF determinava que, com relação a esta matéria, o julgamento do recurso deveria ser sobrestado até mesmo de ofício pelo próprio relator (o que significava, portanto, o conhecimento desta matéria, mesmo que não alegada pela parte), entendo que possa o argumento ser conhecido. Contudo, embora conhecido, não pode o mesmo ser acatado. A Lei Complementar 105/2001 expressamente revogou o art. 38, da Lei n° 4.595, de 1964 (sobre o qual erigiuse a jurisprudência anterior, no sentido de que somente por meio de autorização judicial poderia a administração tributária obter acesso às informações bancárias dos contribuintes), e estabeleceu os procedimentos administrativos concernentes à requisição, acesso e uso daquelas informações, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, independentemente de ordem judicial. A jurisprudência do CARF é uníssona a respeito da licitude deste procedimento, conforme se verifica nos precedentes a seguir colacionados: Acórdão 10195.488, relatora Sandra Faroni, sessão de 27 de abril de 2006: SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO. É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial (art. 6o da Lei Complementar 105/2001). Acórdão 10323.632, relator Antonio Bezerra Neto, sessão de 17 de dezembro de 2008: QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n°. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A teor do que dispõe o art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. Acórdão 10517.212, relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, sessão de 17 de setembro de 2008: REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA SIGILO BANCÁRIO E SIGILO FISCAL Desatendidas as intimações e reintimações da fiscalização para apresentação dos extratos de movimentação bancário do contribuinte, podem esses Fl. 5076DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10935.720341/201179 Acórdão n.º 1201001.270 S1C2T1 Fl. 12 11 ser diretamente requisitados à Instituição Financeira, sem que isto implique em quebra de sigilo bancário, nos termo da Lei complementar n°. 105/2001. As informações albergadas pelo sigilo bancário objeto de fiscalização sujeitamse, igualmente, ao sigilo fiscal. Acórdão 10809.692, relator Irineu Bianchi, sessão de 14 de agosto de 2008: SIGILO BANCÁRIO As informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário. Acórdão CSRF/0400.456, relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, sessão de 13 de dezembro de 2006: SIGILO BANCÁRIO Os agentes do Físico podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. Ademais, no que toca à sua suposta inconstitucionalidade, cediço que, nos termos da Súmula CARF no 2, falece competência ao julgador administrativo para apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei. Devem ser mantidos, portanto, integralmente os lançamentos efetuados. Conclusão Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, nego provimento ao recurso. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 5077DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 12457.003983/2007-31
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem se manifeste sobre a autenticidade dos documentos anexados ao recurso concernentes à aduzida transferência do veículo cuja propriedade delineou a identificação do sujeito passivo, inclusive mediante consulta ao RENAVAN.
Vencida a conselheira Mércia Helena Trajano DAmorim, que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim (presidente), Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem se manifeste sobre a autenticidade dos documentos anexados ao recurso concernentes à aduzida transferência do veículo cuja propriedade delineou a identificação do sujeito passivo, inclusive mediante consulta ao RENAVAN. Vencida a conselheira Mércia Helena Trajano DAmorim, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim (presidente), Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Preliminarmente, ressalto que, nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 57 .0 03 98 3/ 20 07 -3 1 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12457.003983/200731 Resolução nº 3802000.397 S3TE02 Fl. 61 2 designado como redator ad hoc para a formalização do acórdão, considerando o resultado do julgamento nos termos da ATA da correspondente sessão de julgamento. O Relatório abaixo foi apresentado pelo Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira na sessão em que houve o julgamento do feito: Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 0719.106, lavrado pela 1ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis, em que foi conhecida a impugnação administrativa para seu efetivo processamento e seus membros acordaram, por unanimidade de votos, que ela é totalmente improcedente. A discussão está fincada na constituição de infração às medidas de controle fiscal sobre a posse e o transporte de cigarros de procedência estrangeira sem documentação que comprove a regular importação. Ao analisar a manifestação à impugnação administrativa, a 1ª Turma da DRJ de Florianópolis proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/05/2005 MULTA REGULAMENTAR Constitui infração às mediadas de controle fiscal a posse e o transporte de cigarros de procedência estrangeira sem documentação probante de sua regular importação, sujeitandose o infrator à multa legal, além da aplicação da pena de perdimento dos cigarros apreendidos. TRANSPORTADOR DE PASSAGEIROS. MERCADORIA. BAGAGEM. PROPRIEDADE. IDENTIFICAÇÃO. Presumese de propriedade do transportador de passageiros, em viagem internacional, para efeitos fiscais, a mercadoria transportada como bagagem sem a identificação do respectivo proprietário. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra a autuação fiscal sob o argumento novo de que não era mais proprietário do veículo em que os cigarros foram encontrados. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento, passase ao voto. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator ad hoc designado para formalizar a decisão, uma vez que o conselheiro relator, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, não mais compõe este colegiado, retratando, assim, a hipótese de que trata o artigo 17, inciso Fl. 62DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12457.003983/200731 Resolução nº 3802000.397 S3TE02 Fl. 62 3 III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015: A multa exigida contra o sujeito passivo está capitulada no artigo 3º do Decreto lei nº 399 de 1968, com a redação dada pelo artigo 78 da Lei nº 10.833/2003, que dispõe o seguinte: Art 3º Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuírem ou consumirem qualquer dos produtos nele mencionados. Parágrafo único. Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perdimento da respectiva mercadoria, a multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) No caso em exame, não foram identificados os volumes contendo os cigarros apreendidos, razão pela qual a propriedade da mercadoria foi presumida em face do transportador, o que foi feito com fundamento no artigo 74 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcrito: Art. 74. O transportador de passageiros, em viagem internacional, ou que transite por zona de vigilância aduaneira, fica obrigado a identificar os volumes transportados como bagagem em compartimento isolado dos viajantes, e seus respectivos proprietários. § 1º No caso de transporte terrestre de passageiros, a identificação referida no caput também se aplica aos volumes portados pelos passageiros no interior do veículo. § 2º As mercadorias transportadas no compartimento comum de bagagens ou de carga do veículo, que não constituam bagagem identificada dos passageiros, devem estar acompanhadas do respectivo conhecimento de transporte. § 3º Presumese de propriedade do transportador, para efeito fiscais, a mercadoria transportada sem a identificação do respectivo proprietário, na forma estabelecida no caput ou nos §§ 1º e 2º deste artigo. § 4º Compete à Secretaria da Receita Federal disciplinar os procedimentos necessários para fins de cumprimento do previsto neste artigo. (grifos nossos) Não obstante, em sede de recurso voluntário, alega a autuada que o fato gerador que determinou a imposição da penalidade teria ocorrido em data posterior à transferência do veículo. Segundo alega, o veículo teria sido vendido para Gilberto de Arruda Gomes em 13 de abril de 2004, portanto, anteriormente ao fato, ocorrido em 04/05/2005 (conforme auto de infração, fls. 01). A título e comprovação apresenta: Fl. 63DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12457.003983/200731 Resolução nº 3802000.397 S3TE02 Fl. 63 4 a) certidão lavrada pelo Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais do 46º Subdistrito de Vila Formosa – São Paulo (efls. 55), que atesta a autenticidade da assinatura no Certificado de Transferência do Veículo nº 4471336060, Renavan 003176177; b) cópia do certificado de registro do veículo contendo autorização para a transferência de sua propriedade; referido documento é datado de 13/04/2004. Assim, considerando a documentação acostada aos autos, e tendo em vista que a autuada aduz ilegitimidade passiva, voto para que o presente julgamento seja convertido em diligência a fim de que a unidade de origem se manifeste sobre a autenticidade dos documentos anexados ao recurso concernentes à aduzida transferência do veículo cuja propriedade delineou a identificação do sujeito passivo, inclusive mediante consulta ao RENAVAN. Formalizado o voto em cumprimento ao disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho (aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015), subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc Fl. 64DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10925.722516/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
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Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza– Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .7 22 51 6/ 20 11 -0 0 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722516/201100 Resolução nº 3201000.612 S3C2T1 Fl. 94 2 Voto Referese o presente processo a pedido de ressarcimento PIS/PASEP, relativo ao 3o trimestre de 2004. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase o presente processo de manifestação de inconformidade frente a despacho decisório de indeferiu pedido de ressarcimento de créditos apresentado pela contribuinte. O pedido de ressarcimento referese a créditos no regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep referente ao terceiro trimestre de 2004, no valor de R$ 570.331,82. O indeferimento do pedido de ressarcimento foi motivado pela falta de comprovação da interessada de seu direito creditório. A autoridade fiscal esclarece ter intimado a contribuinte para comprovação da procedência de seu crédito, tendo a interessada solicitado por duas vezes a prorrogação de seu prazo para apresentação dos documentos. Conclui com a informação de que teriam se passado mais de 108 dias da data de ciência da Intimação Fiscal até a formalização do despacho decisório, não tendo sido apresentado nenhum dos documentos probatórios solicitados. A contribuinte, irresignada, apresentou manifestação de inconformidade ao despacho decisório com os argumentos abaixo expostos. Aduz a que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco de questionar as compensações realizadas, pois teria transcorrido o prazo de 5 anos previsto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Baseia seu argumento no fato da notificação da glosa ter sido realizada em 13/02/2012, e o crédito dizer respeito ao 2º trimestre de 2005. Entende que há cerceamento de defesa da impugnante, com consequente violação ao devido processo legal administrativo, tendo em vista a glosa decorrer de suposta ausência de comprovação de seus créditos. Argumenta que, diante das circunstâncias específicas do caso concreto, com a fiscalização exigindo documentos referentes a período significativamente antigo, a empresa sendo uma das maiores empresas de alimentos do mundo, e da impugnante ter sofrido em torno de 60 procedimentos de fiscalização por mês, deveria ter o Fisco aguardado mais um período antes de realizar a glosa. Defende ainda que, diante da não comprovação dos créditos, deveria a fiscalização proceder com o lançamento de ofício, e não com a glosa de seu pedido de ressarcimento. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722516/201100 Resolução nº 3201000.612 S3C2T1 Fl. 95 3 Entende ser fundamental a conversão do julgamento em diligência com o objetivo de se confirmar a falta de comprovação ou a legitimidade de seus créditos. Quanto aos juros, entende que estes são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado. Ressaltar a impossibilidade de incidir juros sobre a multa. Argumenta que o valor da multa imputado é de evidente irrazoabilidade e confisco. Requer o reconhecimento da nulidade ou da improcedência do ato decisório. Requer ainda prova pericial destinada à avaliar, especialmente, se os bens, produtos/serviços e materiais adquiridos e glosados pela Fiscalização, diante da peculiaridade da atividade econômica despenhada pela impugnante se enquadram no conceito de insumo de PIS e Cofins, excluindose o critério exclusivo da legislação do IPI. Nomeia como assistente do perito Sérgio Luiz Lazzari, CPF: 423.505.30949. Requer, por fim, a juntada posterior de documentos, laudos, pareceres, perícias, caso seja necessário ao deslinde do presente caso, em cumprimento ao devido processo legal e verdade material. É o relatório. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte a comprovação minudente da existência do direito creditório. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Os atos anteriores a emissão do despacho decisório referemse à investigação fiscal que tem caráter inquisitório e se destina a verificação da situação fiscal da contribuinte, sendo que o contraditório e a ampla defesa referemse a momento posterior à emissão da decisão administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, entendeuse ausente a nulidade do ato administrativo, uma vez que fornecido à contribuinte todas as Fl. 417DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722516/201100 Resolução nº 3201000.612 S3C2T1 Fl. 96 4 informações que embasaram a glosa de seus créditos, bem como lhe foi concedido o direito a se defender desta decisão. Sobre a decadência, entendeuse que em relação a pedidos de ressarcimento inexiste previsão específica, sendo incorreto o entendimento da contribuinte, além de que, não teria decorrido o prazo estabelecido pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, no caso da declaração de compensação emitida. Quanto ao ônus probatório, afirmouse que incumbe ao contribuinte provar fatos impeditivos do nascimento da obrigação tributária ou de sua extinção, ou requisitos constitutivos de uma isenção ou outro benefício tributário. Ademais, não se poderia usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes. Em sede de recurso voluntário, foram reiterados os argumentos iniciais, e juntados nessa ocasião, DVDs contendo, supostamente, todos os documentos comprobatórios do direito ao ressarcimento. Destarte, verificouse que, em 31/08/2012, houve termo de juntada física, contendo os seguintes dizeres: Informo que em data de 31/08/2012 foi incluído um ANEXO (Processo Papel) nº. 10925.722.208/201257 para guarda e arquivo de 06 CDR , contendo respostas da Intimação nº. 544 referente ao III trimestre 200 PIS/COFINS em nome da empresa SADIA S.A. Tais arquivos se referem aos processos 10925.722515/201157; 10925.722517/201146; 10925.722516/201100; 10925.722518/201191 E 10925.722519/201135. Foi juntado aos autos, da mesma forma, laudo do Instituto Nacional de Tecnologia, no qual se descreve o processo produtivo da Recorrente, bem como a forma em que os insumos, que gerariam o direito ao crédito, teriam sido empregados. Em vista da juntada dos documentos e do posicionamento desta Turma julgadora, no sentido de prestigiar a Verdade Material, aceitouse a juntada extemporânea, deliberandose por converter o julgamento em diligência, para que a Fazenda Nacional se manifestasse, de sorte a não corromper a dialética processual. O processo retornou para o prosseguimento do julgamento, com informação fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, na qual conta a seguinte análise (os grifos são do original): O processo nº 10925.722208/201257 contém 6 (seis) CD, aqui nomeados CD 1 a CD 6, com as seguintes inscrições no envelope que os contém: No envelope que contém o CD 1, folha 5, está escrito “Intimação 544/2011 PIS/COFINS 2000 3º trim”. No envelope que contém o CD 2, folha 7, está escrito “Int 544/2011 – créd. PIS/COFINS 3º trim 2000”. No envelope que contém o CD 3, folha 9, está escrito “Int 544/2011 Pis e Cofins / 3º trim 2000”. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722516/201100 Resolução nº 3201000.612 S3C2T1 Fl. 97 5 No envelope que contém o CD 4, folha 11, está escrito “AA – INTIMAÇÃO 5442011 SAORT CRED. Pis e Cofins 3º trim 200”. No envelope que contém o CD 5, folha 13, está escrito “AA – INTIMAÇÃO 5442011 SAORT CRED. Pis e Cofins 3º trim 200”. No envelope que contém o CD 6, folha 15, não há nada escrito. Foi verificado que todos os 6 (seis) CD têm o mesmo conteúdo. [...]Verificase a presença do arquivo 02 – Termo de Intimação Saort nº 05442011 20 062011.pdf. Tal arquivo contém cópia do Termo de Intimação de mesmo número, que se refere ao período do 3º trimestre de 2006. Em breve análise do conteúdo do CD verificase que contém arquivos de imagens (.PDF) de algumas notas fiscais, agrupadas em pastas relativas a diversas filiais e uma pequena quantidade de arquivos Excel (.xls), um deles contendo amostragem, e alguns relatórios de imobilizado. Ainda, há alguns arquivos texto (.TXT) contendo relatórios como o Relatório 1030429941 CALDEIRA CHAPECÓ.txt, que é um relatório de acompanhamento das compras para as obras da citada caldeira. Considerando o conteúdo do arquivo 10 Relatório de Notas Fiscais Amostragem Fiscal RFB .xls, que contém listagem de pequeno número de notas fiscais, parece tratarse de listagem de documentos relativos ao 3º trimestre de 2006 cujas cópias foram solicitadas pela citada intimação 0544/2011, período que não é objeto de nenhum dos processos em tela. Colo abaixo imagem do programa Excel da planilha Linha 02, contida no citado arquivo. Os documentos a que se referem as imagens e as próprias listagens existentes nos CD referemse a período de apuração diverso dos períodos tratados nos processos em tela. Cada um dos citados processos teve os mesmos documentos solicitados, relativos ao período analisado, através das intimações citadas abaixo: A ordem de grandeza da quantidade de notas fiscais de entrada com crédito de outros períodos de apuração já analisados desta empresa, por trimestre, costuma chegar a centenas de milhares (perto de cem mil por mês) e as notas fiscais de saída passam da marca do milhão. Não há nestes CD nenhuma informação que, mesmo remotamente, lembre o que foi solicitado nestas intimações, em especial a memória Fl. 419DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722516/201100 Resolução nº 3201000.612 S3C2T1 Fl. 98 6 de cálculo solicitada no item 3 de cada uma das intimações e nem os arquivos digitais de notas fiscais (item 6), mesmo tendo sido facultada a apresentação no padrão do ADE COFIS nº 15/2001 ou formato SINTEGRA. 2.Dos DVDs contidos no processo 10925.720663/201218 Na folha 01 do processo nº 10925.720663/201218 está presente Termo de Inclusão de Anexo Físico, com o seguinte teor: Por outro lado, verificando fisicamente os DVDs juntados à folha 2 daquele processo constatase que as capas dizem conter as respostas aos itens 3, 4, 5 e 6 das intimações citadas no quadro acima. Os dois DVDRW contidos no envelope da folha 2 daquele processo tem as seguintes inscrições a caneta no rótulo do disco: 1 “Intimações n.os 939941 e 945/2011 ANO 2004 Itens 3456.” 2 “Intimações n.os 937940942/2011 ANO 2005 Itens 3456” Embora não tenha sido determinada a juntada do conteúdo destes DVDs aos processos, em homenagem ao princípio da verdade material, juntei a cada um dos processos citados no início desta informação fiscal o inteiro teor destes dois DVDs. Devido ao tamanho do conteúdo e às limitações do sistema Eprocesso, o DVD do item 1 foi compactado em 4 (quatro) partes (~.zip.001.zip a ~.zip.004.zip, que devem ser baixadas, descompactadas para gerar a parcela original compactada (extensão .zip.001, .zip.002, .zip.003 e .zip.004) e então novamente descompactadas a partir do arquivo de extensão .zip.001. Da mesma forma, o DVD do item 2 foi compactado em 5 (cinco) partes. 3.Conclusão O conteúdo dos CDs juntados ao processo 10925.722208/201257 não tem relação com os processos em tela. Em cumprimento às resoluções citadas, juntei o conteúdo dos CDs a cada um destes processos apesar de não tratarem do mesmo período. As informações contidas nos CDs não têm qualquer relação com os períodos tratados nestes processos. Porém, o conteúdo dos DVDs juntados ao processo 10925.720663/2012 18 é relativo aos períodos tratados nos processos em questão. Por outro lado, não foi possível localizar nestes DVDs resposta ao item 2 das citadas intimações, onde são solicitadas cópias dos livros Registro de Apuração do IPI de todos os estabelecimentos de cada período. Não é possível verificar a correção das informações prestadas relativas ao item 6 das citadas Fl. 420DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722516/201100 Resolução nº 3201000.612 S3C2T1 Fl. 99 7 intimações sem ter disponíveis as informações de totais de créditos e débitos por CFOP, existentes nos livros solicitados ou nos livros Registro de Apuração do ICMS do período. Assim, não é possível afirmar que o conteúdo dos DVDs atenda ao item 6 das intimações por falta de atendimento ao item 2. Mesmo assim, em homenagem ao princípio da verdade material, juntei o conteúdo dos DVDs presentes na folha 2 do processo 10925.720663/201218 a todos os processos em tela Não houve manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, nem mesmo da Recorrente, retornando o processo para o julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Conforme relatado, o processo foi baixado em diligência, para que fossem examinadas provas acostada aos autos, que pendiam de apreciação, do que resultou detalhado relatório da fiscalização. Os autos retornaram, contudo, sem que se desse oportunidade à Recorrente de se manifestar sobre as conclusões da diligência. Assim sendo, e, para que não fique prejudicada a dialética processual, o contraditório e a ampla defesa, a Turma deliberou nova conversão do julgamento em diligência, para se intimar a Recorrente do relatório fiscal, para que se manifeste, no prazo de trinta dias, prorrogáveis por mais trinta. Após, retornem os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 421DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 12448.738575/2011-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
ÁGIO. MERA ASSOCIAÇÃO CONCEITUAL.
Não se pode desqualificar o trabalho da fiscalização, por mera associação com o conceito de "ágio" na aquisição de participações societárias, quando o conjunto da descrição dos fatos permite uma adequada compreensão do fenômeno impositivo.
DIREITOS AMORTIZÁVEIS. COMPROVAÇÃO.
Os direitos passíveis de amortização, bem como sua mais-valia, enquanto não totalmente amortizados, são elementos que repercutem em lançamentos contábeis de exercícios futuros, mesmo quando transferidos para o patrimônio de outra pessoa jurídica, e devem ser documentalmente comprovados em consonância com a regra contida no artigo 37 da Lei nº 9.430/96.
LUCROS NO EXTERIOR. NATUREZA DA TRIBUTAÇÃO. ACORDOS DE BITRIBUTAÇÃO. COMPATIBILIDADE.
Independentemente de sua amplitude, o artigo 74 da MP nº 2.158-35/01 vai ao encontro das regras criadas em vários países em sintonia com o fenômeno da transparência fiscal internacional. Trata-se de normas antielisivas específicas que possuem a finalidade de evitar o diferimento da tributação dos lucros de empresas qualificadas como controlled foreign corporations (CFC). A lei tributa uma renda ficta da própria pessoa jurídica brasileira (a empresa residente). Em outras palavras, ela olha para a empresa residente e, sopesando o fato de que esta possui participação societária em outra empresa que apurou lucro no exterior, assume que há disponibilidade da renda e determina que se tribute como lucro da empresa brasileira um determinado valor estimado com base no lucro apurado pela empresa no exterior. Não se trata de "dividendos presumidos". Por isso, inexiste ofensa aos acordos de bitributação tanto nos dispositivos que tratam de lucros de empresas quanto naqueles que tratam de dividendos.
LUCROS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS.
A compensação de prejuízos apurados em uma controlada, no exterior, com os lucros dessa mesma controlada está condicionada à escrituração de suas demonstrações financeiras, com contas e subcontas traduzidas em idioma nacional e com seus valores convertidos em reais, classificadas segundo as normas da legislação comercial brasileira, bem como sua guarda pelo prazo decadencial e transcrição no livro diário.
DESPESAS COM PASSAGENS. NECESSIDADE. PROVA.
As despesas de passagens aéreas são indedutíveis quando não comprovada uma finalidade de natureza necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora
ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL.
Incabível a aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do ano-calendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo ano-calendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo.
RO Negado e RV Provido em Parte
Numero da decisão: 1401-001.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I) por maioria de votos dar provimento para afastar a aplicação das multas isoladas sobre estimativas. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos que negavam provimento integral ao recurso; II) por unanimidade de votos, negar provimento em relação às demais matérias de mérito.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Glosa de despesa com passagens e de amortização de direito de exploração. Lucros no exterior. Multa isolada pelo não recolhimento de estimativas. Recorrentes HISPAMAR SATÉLITES S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 ÁGIO. MERA ASSOCIAÇÃO CONCEITUAL. Não se pode desqualificar o trabalho da fiscalização, por mera associação com o conceito de "ágio" na aquisição de participações societárias, quando o conjunto da descrição dos fatos permite uma adequada compreensão do fenômeno impositivo. DIREITOS AMORTIZÁVEIS. COMPROVAÇÃO. Os direitos passíveis de amortização, bem como sua maisvalia, enquanto não totalmente amortizados, são elementos que repercutem em lançamentos contábeis de exercícios futuros, mesmo quando transferidos para o patrimônio de outra pessoa jurídica, e devem ser documentalmente comprovados em consonância com a regra contida no artigo 37 da Lei nº 9.430/96. LUCROS NO EXTERIOR. NATUREZA DA TRIBUTAÇÃO. ACORDOS DE BITRIBUTAÇÃO. COMPATIBILIDADE. Independentemente de sua amplitude, o artigo 74 da MP nº 2.15835/01 vai ao encontro das regras criadas em vários países em sintonia com o fenômeno da transparência fiscal internacional. Tratase de normas antielisivas específicas que possuem a finalidade de evitar o diferimento da tributação dos lucros de empresas qualificadas como controlled foreign corporations (CFC). A lei tributa uma renda ficta da própria pessoa jurídica brasileira (a empresa residente). Em outras palavras, ela olha para a empresa residente e, sopesando o fato de que esta possui participação societária em outra empresa que apurou lucro no exterior, assume que há disponibilidade da renda e determina que se tribute como lucro da empresa brasileira um determinado valor estimado com base no lucro apurado pela empresa no exterior. Não se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 85 75 /2 01 1- 90 Fl. 883DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 884 2 trata de "dividendos presumidos". Por isso, inexiste ofensa aos acordos de bitributação tanto nos dispositivos que tratam de lucros de empresas quanto naqueles que tratam de dividendos. LUCROS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. A compensação de prejuízos apurados em uma controlada, no exterior, com os lucros dessa mesma controlada está condicionada à escrituração de suas demonstrações financeiras, com contas e subcontas traduzidas em idioma nacional e com seus valores convertidos em reais, classificadas segundo as normas da legislação comercial brasileira, bem como sua guarda pelo prazo decadencial e transcrição no livro diário. DESPESAS COM PASSAGENS. NECESSIDADE. PROVA. As despesas de passagens aéreas são indedutíveis quando não comprovada uma finalidade de natureza necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL. Incabível a aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo. RO Negado e RV Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I) por maioria de votos dar provimento para afastar a aplicação das multas isoladas sobre estimativas. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos que negavam provimento integral ao recurso; II) por unanimidade de votos, negar provimento em relação às demais matérias de mérito. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 885 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por HISPAMAR SATÉLITES S.A. contra acórdão proferido pela DRJ/Rio de Janeiro I que concluiu pela procedência parcial dos lançamentos efetuados. No mesmo acórdão, recorreuse de ofício em face da exoneração de crédito tributário que superou o limite previsto na Portaria MF nº 03/2008. Os créditos tributários lançados, no âmbito da DRF/Rio de Janeiro I, referentes ao IRPJ e CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anos calendário de 2007 e 2008, totalizaram o valor de R$ 10.465.562,11. A autuação promoveu a glosa de despesa com passagens (somente em 2008) e a glosa de amortização de direito de exploração (2007 e 2008). Além disso, foi constatado que, em 2008, a empresa deixou de adicionar, ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, valores correspondentes a lucros auferidos por controlada no exterior. Por fim, como decorrência das infrações constatadas, foram lançadas multas isoladas pelo não recolhimento de estimativas e ajustados os saldos de prejuízos operacionais. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 398 a 401, e do termo de verificação fiscal de fls. 366 a 381, os lançamentos de IRPJ se devem a apuração das seguintes condutas: • custos e despesas operacionais e encargos não necessários, considerados indedutíveis, relativos ao pagamento de passagens aéreas para família de funcionário da autuada; • amortização indevida de ágio na alienação de direito de exploração da licença da banda “KU” do satélite brasileiro para transporte de sinais de telecomunicações na posição orbital geoestacionária 61º W; • adições não computadas na apuração do lucro real, relativo ao lucro auferido no exterior pela controlada Hispamar Exterior S.L; e • multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada, decorrente das infrações anteriormente mencionadas. Fl. 885DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 886 4 A autuação apresenta como fundamento legal os artigos 249, inciso I, 299 e 300 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), em relação aos custos, despesas operacionais e encargos não necessários; artigos 13, inciso III, da Lei nº 9.249/95, 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 324, §§ 2º e 4º, e 325, do RIR/99, em relação à amortização indevida; artigos 25, §§2º e 3º, da Lei nº 9.249/95, 16 da Lei nº 9.430/96, 3º da Lei nº 9.959/00, 249, inciso II e 394 do RIR/99, em relação a adições não computadas na apuração do lucro real; e os artigos 222 e 843 do RIR/99, e 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, em relação à multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada. Cientificada em 29/03/2012, conforme assinaturas apostas às fls. 381, 397, 408, 415, 456 e 457, a interessada apresentou em 27/04/2012 impugnação de fls. 467 a 491, acompanhada dos documentos de fls. 492 a 593, nas quais, alega em síntese: 1. a tempestividade da impugnação tendo em vista que foi cientificada da autuação em 29/03/2012, e apresentou sua defesa em 27/04/2012; 2. a dedutibilidade de custos pela amortização de direitos relativos a licença de capacidade satelital – banda “KU” com base no valor contábil, correspondente a R$ 49.396.000,00, reavaliado para R$ 51.500.000,00, antes pertencentes a Hispasat Brasil, aos quais foram integralizados no capital da autuada, passando a integrar seu patrimônio. 3. que o valor contábil dos direitos de exploração mencionados é composto pelo valor pago a Anatel em leilão (R$ 27.036.000,00) e o somatório de diversos gastos que foram suportados pela Hispasat Brasil, desde a construção de infraestrutura para a sua operação até a contratação de serviços técnicos, valores que foram incorporados ao custo de aquisição da licença, eis que necessários para permitir o início da operação; 4. que a autoridade fiscal considerou equivocadamente como ágio a diferença entre o valor contábil dos direitos de licença e o valor pago em leilão, e pretendeu impor a impugnante a obrigação de registrar o valor desse ativo com base em critério para avaliação de investimentos em sociedade controlada/coligada, como se os direitos em questão correspondessem a uma participação societária, o que não vem ao caso; 5. que quando recebeu por transferência o referido direito registrouo pelo valor reconhecido e contabilizado por seu acionista, que era o valor contábil conhecido à época, acrescido de uma parcela de reavaliação (tributável pelo seu acionista). O valor atribuído por ocasião da transferência corresponde ao respectivo valor contábil em seus registros, descabendo qualquer desdobramento; 6. a não incidência do imposto sobre o lucro auferido no exterior por empresa controlada sediada em território espanhol, ante as disposições do artigo 7º, item 1, da Convenção para Evitar a Dupla Tributação, firmada entre o Brasil e a Espanha, ratificada por meio do Decreto nº 76.975/76, que determina que os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado; 7. que os lucros apurados no exterior, passível de tributação nos resultados fiscais da impugnante, somente poderia alcançar o montante dos lucros apurados em 2008, deduzidos dos prejuízos acumulados, apurados anteriormente, isto é, após a compensação dos prejuízos contábeis apurados pela mesma sociedade controlada situada no exterior, e no presente caso a compensação integral dos prejuízos acumulados demonstra inexistir lucro a ser tributado; Fl. 886DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 887 5 8. que não foi observado pela fiscalização o saldo do prejuízo fiscal e de dedução do programa de alimentação do trabalhador (PAT), quando da adição dos valores de amortização do custo da licença de exploração do satélite na apuração do lucro real dos anoscalendário de 2007 e 2008, com reflexos no cálculo da multa isolada; 9. que o gasto com passagens aéreas para seu funcionário e familiares é considerado despesa operacional, pois nada mais representa, do que uma verba de cunho salarial; 10. a impossibilidade de cobrança concomitante de multa de ofício e multa isolada por falta de pagamento de estimativa mensal. Por fim, requer que seja conhecida sua impugnação, para que sejam acolhidas suas razões, para o fim de determinar a exoneração do crédito tributário lançado, bem como protesta pela produção de provas, em especial as provas documentais adicionais para o esclarecimento de quaisquer questões ou para realização de diligência fiscal, na medida que se façam necessárias. Por meio de petição protocolada em 05/06/2012, acompanhada dos documentos de fls. 636 e 669, a interessada adita sua impugnação, requerendo a juntada de planilhas para recomposição da base de cálculo da multa isolada de 50 %. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 5ª Turma da já mencionada DRJ/Rio de Janeiro I proferiu o Acórdão nº 1264.338, de 26 de março de 2014, por meio do qual decidiu pela procedência parcial do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 GASTO COM TRANSPORTE DE FAMILIARES DE FUNCIONÁRIO. DESPESA DESNECESSÁRIA. INDEDUTIBILIDADE. Não tem natureza salarial o gasto efetuado com transporte de familiares de funcionário para deslocamentos que não acarretem mudança de domicílio, sendo apenas uma liberalidade do empregador, razão pela qual não é considerado como despesa necessária, sendo, portanto, indedutível. AMORTIZAÇÃO. ATIVO PERMANENTE. VALOR CONTÁBIL. REAVALIAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de amortização, os bens e direitos do ativo permanente cujos valores tenham sido corretamente contabilizados, mediante comprovação dos custos de aquisição dos mesmos, ou provenientes de reavaliação, cuja reserva de reavaliação tenha sido oferecida à tributação. LUCROS DISPONIBILIZADOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 888 6 Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido contabilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. LUCROS NO EXTERIOR. DUPLA TRIBUTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em dupla tributação pela incidência de imposto sobre o ganho de equivalência patrimonial resultante do lucro auferido por controladas sediadas no exterior, por se tratar de tributação dos ganhos obtidos pela sociedade brasileira. LUCROS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS NO EXTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de prejuízos fiscais de anos anteriores com o lucro auferido no anocalendário por controladas sediadas no exterior para fins de apuração do imposto incidente sobre os ganhos obtidos pela sociedade brasileira. DEDUÇÃO. INCENTIVOS FISCAIS. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. PROJETOS CULTURAIS. GASTOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de dedução por incentivo fiscal do programa de alimentação do trabalhador e de projetos culturais de que trata a Lei Rouanet, os gastos efetuados para estes fins devidamente comprovados por documentação hábil e idônea. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ. INCIDÊNCIA. Incide multa de ofício isolada sobre os valores do imposto de renda, calculados sobre a base de cálculo estimada, ainda que apurado prejuízo fiscal no encerramento do período de apuração. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. É possível a aplicação concomitante de multa de ofício por falta de pagamento ou recolhimento de imposto, ou por de falta de declaração e no caso de declaração inexata, com a multa isolada incidente sobre o valor da estimativa mensal que deixar de ser paga, tendo em vista possuírem fatos geradores diversos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Cumpre esclarecer que a parte exonerada da autuação referese aos cálculos da multa isolada por falta de pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL do mês de dezembro de 2007. Segundo o voto condutor da decisão recorrida, o valor a ser considerado nesses cálculos corresponderiam a R$ 2.580.684,00, relativos a amortização acumulada do ano Fl. 888DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 889 7 calendário de 2007, tendo em vista que não foi apurado no lançamento nenhum valor de omissão no período. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual, essencialmente, deduz os seguintes argumentos: (i) é incabível a exigência de comprovação dos custos de aquisição dos direitos de exploração do satélite, bem como da tributação proveniente da sua reavaliação, porque se refere a eventos ocorridos na empresa investidora; (ii) apesar de a autoridade julgadora sustentar que o lançamento não pretendeu equiparar as amortizações glosadas ao tratamento que é aplicável à amortização do ágio apurado na aquisição de participações societárias, este foi o fundamento da acusação fiscal, tendo sido, inclusive, prestigiado pela decisão recorrida; (iii) a decisão recorrida vai de encontro aos posicionamentos deste Conselho e do STJ quando afirma que o artigo 74 da MP nº 2.15835 alcança o lucro da empresa brasileira materializado na avaliação do MEP; (iv) a tributação dos lucros de sua controlada na Espanha ofende ao artigo 7º do acordo de bitributação celebrado com esse País; (v) ainda que se entenda que o artigo 74 da MP nº 2.15835 estaria presumindo a disponibilização de dividendos, há ofensa ao artigo 23, parágrafo 4, daquele mesmo acordo, o qual isenta os dividendos tributáveis na Espanha recebidos por residentes brasileiros; (vi) o lucro apurado pela controlada espanhola foi integralmente absorvido por prejuízos anteriores nela observados; (vii) as depesas de passagens com familiares de funcionário tem natureza de salário indireto sendo considerada necessária e dedutível e, mesmo que assim não seja, deve ser reformulado o acórdão da DRJ que manteve a glosa na íntegra, uma vez que o voto condutor reconheceu a dedutibilidade na parte correspondente ao gasto com o funcionário; e (viii) é impossível a cobrança concomitante da multa de ofício com a multa isolada. Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional, em síntese, apresenta as seguintes assertivas: (i) a autoridade fiscal expressamente se reporta aos artigos do RIR/99 (324 e 325) que tratam da impossibilidade de amortização de ágios não comprovados e não aos artigos (385 e 386) que tratam da amortização de ágio gerado na aquisição de participações societárias, a referência ao chamado "ágio interno" foi apenas para reforçar o posicionamento da fiscalização no sentido de que o valor reavaliado não surgiu de investimentos realmente efetuados pela investidora; (ii) a recorrente não buscou afastar as conclusões da fiscalização por meio da apresentação de documentos que comprovassem a efetivação dos investimentos, mesmo considerando que a transferência do direito aconteceu entre duas pessoas jurídicas ligadas e ambas situadas no Brasil; (iii) o objeto da tributação dos lucros auferidos no exterior não é o lucro da controlada estrangeira, mas, sim, o lucro da controladora brasileira; (iv) apesar de apresentar alguns aspectos distintos do padrão recomendado pela OCDE, o artigo 74 da MP nº 2.15835/01 tem natureza de "norma CFC", a qual a doutrina internacional atribui o objetivo de efetivar um regime específico para a tributação dos rendimentos auferidos por intermédio de controladas e coligadas situados no exterior, de modo a concretizar a tributação universal da renda e impedir o diferimento por tempo indeterminado dessa tributação; (v) a técnica de tributação prevista no § 7º do artigo 1º da IN/SRF nº 213/02 apenas reflete a sistemática brasileira de tributação em bases universais, que concede, aos residentes no Brasil, crédito referente ao tributo pago no exterior; (vi) a OCDE considera que as "regras CFC" não estão em conflito com os acordos de bitributação; (vii) o STF firmou seu entendimento de que o artigo 74 da MP nº 2.15835/01 só não é constitucional em relação a "coligadas" situadas em países sem tributação favorecida; (viii) não é possível aceitar a tese de que despesas com passagens aéreas que constituam benefícios indiretos a empregados configurem despesas necessárias à atividade operacional da pessoa jurídica; e (ix) é possível a cumulação da multa isolada e da multa de ofício. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 890 8 É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Além disso, o valor do crédito tributário exonerado pela decisão de primeira instância supera aquele previsto no artigo 2º da Portaria MF nº 375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual o recurso de ofício interposto também deve ser conhecido. Da amortização do direito de exploração do satélite: A recorrente sustenta que é incabível a exigência de comprovação dos custos de aquisição dos direitos de exploração do satélite, bem como da tributação proveniente da sua reavaliação, porque se refere a eventos ocorridos na investidora. Por isso, a autoridade deveria ter exigido essa comprovação em ação fiscal conduzida diretamente naquela outra empresa. Ademais, defende o cancelmento da infração porque a acusação fiscal foi fundamentada na ideia de "ágio". Contudo, tal conceito seria inaplicável ao presente caso, uma vez que não se trata de aquisição de participações societárias. O equívoco teria sido mantido pela decisão recorrida ao prestigiar os exatos termos da fiscalização. Nada obstante, como bem observado nas contrarrazões da Fazenda Nacional, os elementos fáticos trazidos ao processo atuam em desconformidade com a pretensão da recorrente. Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal, a glosa da amortização do direito de exploração do satélite, pela banda "Ku", em cada anocalendário, equivaleu a R$ 2.580.684,00. Esse valor representa a diferença entre R$ 4.380.684,00 (total amortizado em cada ano com base no valor do direito de exploração incluindo o que a fiscalização chamou de "ágio") e o montante de R$ 1.800.000,00 (total anual que poderia ser amortizado considerando o valor da concessão sem o "ágio"). Portanto, o litígio circunscrevese ao excesso amortizado como decorrência da maisvalia acrescida no direito de exploração integralizado como contrapartida do aumento de capital na recorrente efetuado por sua controladora, uma empresa também brasileira, na ocasião denominada HISPAMAR LTDA. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 891 9 Por bem apresentar os elementos fáticos que considero importantes para a solução do referido litígio, peço vênia para transcrever o seguinte trecho das contrarrazões da Fazenda Nacional: De acordo com a Fiscalização, a contribuinte justificou o valor de transferência do direito de exploração (R$ 51.500.000,00) no Laudo de Avaliação elaborado pela Planconsult – Planejamento e Consultoria S/C Ltda, datado em 20/09/2002. Contudo, a autoridade fiscal constatou que outro Laudo de Avaliação foi confeccionado, em 03/12/2003, dessa vez pela Alternativa Contábil Rocha e Cia, e também tinha por objeto a avaliação do direito de exploração da banda "Ku". Ao cotejar os dois laudos de avaliação, a autoridade responsável pelo lançamento chegou às seguintes conclusões: 1. Tanto o Laudo de Avaliação elaborado pela empresa Planconsult Planejamento e Consultoria S/C Ltda, em 20/09/2002 quanto o elaborado pela empresa Alternativa Contábil Rocha e Cia, em 03/12/2003, tem por objetivo determinar o valor de mercado, descontado a valor presente, do negócio ‘Exploração de Satélite Brasileiro’, denominado Projeto Amazonas; 2. Apesar de constar da Ata Assembleia Geral Extraordinária realizada em 02 de dezembro de 2003 que o valor de transferência do direito de exploração da Licença da Banda “Ku” teve como base o Laudo Técnico expedido pela empresa Planconsult – Planejamento e Consultoria S/C Ltda, constatamos, conforme descrito acima, que o Laudo utilizado como base para a transferência do direito de exploração da Licença da Banda “Ku” foi elaborado pela empresa Alternativa Contábil Rocha e Cia que avaliou em R$ 51.500.000,00 a participação da empresa Hispamar Ltda (atual Hispamar Brasil Ltda) no negócio ‘Projeto Amazonas’; 3. A fiscalizada ao incorporar em seu ativo o direito de exploração da Licença Banda “Ku” pelo valor de R$ 51.500.000,00, em contrapartida ao aumento de capital realizado pela controladora Hispamar Ltda (atual Hispamar Brasil Ltda), pagou como ágio (expectativa de rentabilidade futura do negócio) o montante de R$ 24.500.000,00; 4. A fiscalizada não desdobrou o valor original do direito (valor efetivamente pago pela Hispasat Brasil Ltda à ANATEL), no montante de R$ 27.000.000,00 e o valor pago como ágio no montante de R$ 24.500.000,00; 5. A empresa Hispamar Ltda é controladora da empresa Hispamar Satélites S.A. desde 2003, ou seja, a operação foi realizada entre empresas interligadas; 6. A fiscalizada amortizou mensalmente nos anoscalendário 2007 e 2008 as despesas com o direito de exploração do satélite brasileiro para transporte de sinais de telecomunicações na posição orbital geostacionaria 61º W – Banda “Ku” o montante de R$ 365.057,00. A partir da leitura das conclusões da autoridade fiscal, extraemse dois dados fundamentais, quais sejam: (a) o laudo de avaliação elaborado pela Alternativa Contábil Rocha e Cia foi o documento que efetivamente lastreou a transferência do direito de exploração da Banda “Ku”, no valor de R$ 51.500.000,00; (b) a contribuinte não comprova o porquê do acréscimo no valor original do direito de exploração, que era de R$ 27.000.000,00, não restando alternativa senão concluir que o valor de transferência (R$ 51.500.000,00) representou um pagamento de “ágio” pela HISPAMAR SATÉLITES S.A. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 892 10 No tocante ao Laudo de Avaliação, alguns fatores parecem ter sido determinantes para que a autoridade fiscal formasse o seu convencimento acerca de qual dos laudos deveria ser levado em consideração como parâmetro para a transferência do direito de exploração da Banda “Ku”. Enquanto o laudo elaborado pela Planconsult está datado em 20/09/2002, o laudo fornecido pela Alternativa Contábil é de 03/12/2003. Implica dizer que o laudo contemporâneo à transferência do referido direito de exploração é o elaborado pela Alternativa Contábil, e não o da Planconsult. Portanto, fica difícil imaginar por que a contribuinte teria se baseado em laudo realizado no ano anterior ao da transferência, quando existia um laudo mais atual e com data quase idêntica ao da operação de transferência do direito de exploração. Não bastasse isso, temse que os valores apontados no laudo da Planconsult não estão compatíveis com o montante efetivamente “pago” na integralização de capital da HISPAMAR SATÉLITES S.A. Isso porque, de acordo com a Planconsult, o “Projeto Amazonas” estaria avaliado em R$ 108.846.000,00, enquanto à HISPAMAR LTDA foi atribuído o valor de R$ 78.196.000,00. Por seu turno, o laudo de autoria da Alternativa Contábil apontava como valor do mesmo “Projeto Amazonas” o montante de R$ 77.018.000,00, e o valor da HISPAMAR LTDA. seria de R$ 51.500.000,00 – ou seja, exatamente o valor que acabou sendo indicado na transferência do direito de exploração. Novamente, percebese que o laudo da Alternativa Contábil é o mais compatível com a operação de transferência do direito de exploração da Banda “Ku”, tendo em vista que a conclusão sobre o valor da HISPAMAR LTDA., inserida neste documento, acaba coincidindo com o valor atribuído ao mencionado direito de exploração. Destarte, importa notar que, depois da operação de aumento de capital, o direito de exploração foi contabilizado na recorrente pelo valor constante do laudo de avaliação elaborado pela empresa Alternativa Contábil, qual seja, R$ 51.500.000,00. A parte controversa desse valor (a que se refere à amortização glosada), segundo a recorrente, compreende gastos diversos incorridos pela controladora (cerca de R$ 22,3 milhões vinculados à construção de infraestrutura) acrescidos de uma parcela de reavaliação (cerca de R$ 2,1 milhões). Porém, a fiscalização constatou que o laudo (fls. 248) utilizou por metodologia de cálculo para a avaliação do citado "Projeto Amazonas", com base na sua "capacidade de geração futura de caixa", o conhecido fluxo de caixa descontado a valor presente. Por isso, tratou a maisvalia como ágio por expectativa de resultados futuros. Isso, de fato, seria insuperável se a infração tivesse sido fundamentada na impossibilidade de amortização de ágios gerados em operações de aquisição de participação societária. Mas não é isso que se extrai do Termo de Verificação Fiscal. Nesse sentido, por bem contextualizar tais conclusões, novamente me aproveito de trecho das contrarrazões da Fazenda Nacional: Isso explica o entendimento da autoridade fiscal, no sentido de comparar a operação com aquelas nas quais há formação de um “ágio interno”. Percebam, senhores conselheiros, que a Fiscalização somente tomou emprestada a noção do “ágio interno”, para reforçar seu posicionamento de que o valor reavaliado (R$ 24.500.000,00) não surgiu de investimentos realmente realizados pela HISPAMAR LTDA. A intenção da autoridade fiscal era apenas demonstrar que a reavaliação não Fl. 892DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 893 11 implicou nenhum dispêndio para a HISPAMAR LTDA., que justificasse a majoração do custo de aquisição – a exemplo dos casos de “ágio interno”, onde não há efetiva aquisição de investimento que suporte o “pagamento de ágio”. Nessa perspectiva, relevante destacar que o fundamento legal da autuação não foram os dispositivos sobre a amortização de ágio gerado na aquisição de participação societária, previstos nos art. 385 e 386 do RIR/99 – como pretende fazer crer a recorrente. Basta analisar o Termo de Verificação Fiscal para verificar que o verdadeiro fundamento da autuação foi a impossibilidade de amortização de gastos não comprovados, nos termos dos art. 324 e 325 do RIR/99. Apenas para que não fiquem dúvidas, segue trecho do Termo de Verificação Fiscal, no qual a autoridade fiscal explicita o seu entendimento: Ainda de acordo com a legislação tributária, a amortização de direitos, bens, despesas e custos, consiste na ‘recuperação contábil’ do capital aplicado na aquisição de direitos, cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens, cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo limitado por lei ou contrato, e dos custos, encargos ou despesas, registrados no ativo diferido, que contribuirão para a formação do resultado de mais de um período de apuração (RIR/99, art. 324 e 325) Portanto, o art. 324 do Regulamento do Imposto de Renda veda a dedução das despesas com amortização do ágio interno, pois determina que pode ser computada como despesa a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, que no caso é zero, e em seu § 1o limita o montante acumulado das quitas de amortização ao custo d aquisição do bem ou direito. O artigo 325, inciso I do RIR/99, por outro lado, permite a amortização do ‘capital aplicado’ na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada ou de bens cuja utilização o prazo legal ou contratualmente limitado. No caso do ágio gerado internamente, não há capital aplicado. Corroborando este entendimentos podemos citar os seguintes acórdãos proferidos pelas DRFs: 06.28491 de 2010; 06.31799 de 2011; 06.32610 de 2011; 06.34051 de 2011 e 16.33083 de 2011. Sendo assim, considerando que a operação de ágio foi realizada entre empresas interligadas, Hispamar Ltda (Controladora) e Hispamar Satélites S.A. (Controlada), e considerando que a transferência do direito foi realizada de forma não onerosa, contrariando o disposto no art. 325 do RIR/99, a presente fiscalização glosou as despesas de amortização do ágio gerado internamente, por serem indedutíveis na apuração do Lucro Real e da CSLL, na forma do art. 249, inciso I do RIR/99. A leitura do trecho acima deixa evidente que o fundamento principal da Fiscalização foi a ausência de capital aplicado, que justificasse a majoração do custo do direito de exploração da Banda “Ku”. Não obstante a clareza do Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte tenta distorcer as considerações trazidas pela autoridade fiscal. Ao que parece, o objetivo da contribuinte era fazer parecer que a Fiscalização teria se reportado à dedutibilidade de despesas com amortização de ágio na aquisição de participação societária, que está disciplinada nos art. 385 e 386 do RIR/99. O primeiro fato que rechaça essa alegação da recorrente é que a autoridade fiscal expressamente se reporta aos art. 324 e 325 do RIR/99, e não aos art. 385 e 386 do RIR/99. Em nenhum momento, a Fiscalização exigiu que houvesse desdobramento do “custo de aquisição da licença (considerado na transferência) como se investimento em participações societária fosse, regra que impõe um tratamento fiscal diverso e mais restritivo”. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 894 12 Assim, não se pode desqualificar o trabalho da fiscalização apenas porque esta teria feito uma associação entre o caso presente e aqueles que envolvem a geração de ágio interno. O importante é que o conjunto da descrição dos fatos permite uma adequada compreensão do fenômeno impositivo. Nesse contexto, verificase que o laudo utilizado para justificar o valor integralizado no aumento de capital não avaliou diretamente o direito de exploração levando em conta os gastos diversos acrescidos de parcela de reavaliação como pretende fazer crer a recorrente. Mas, sim, de um fluxo de caixa descontado a valor presente de todo o "Projeto Amazonas". A recorrente, em sua impugnação, não contesta que o referido valor foi justificado por esse laudo1 e afirma que ele teve o seguinte desdobramento: Descrição Valor em milhares de reais Valor pago em leilão 27.036 Gastos diversos 22.360 Valor contábil 49.396 Reavaliação (tributável na HISPAMAR LTDA) 2.104 Valor atribuído na transferência do direito 51.500 Independentemente da discrepância de R$ 36 mil (a fiscalização tratou o valor pago em leilão como exatos R$ 27 milhões), há que se atentar para o fato de que os gastos diversos acrescidos da parcela de reavaliação não poderiam compor o valor passível de amortização na empresa investida sem a comprovação de que: (i) tais gastos, supostamente ainda ativados na época do aumento de capital, foram efetivamente incorridos; e (ii) a referida parcela de reavaliação foi efetivamente tributada na investidora. A recorrente afirma que essa comprovação não é da sua alçada porque se refere a eventos ocorridos na empresa investidora. Todavia, considerando que o direito de exploração, enquanto não totalmente amortizado, é um elemento que repercute em lançamentos contábeis de exercícios futuros mesmo quando transferido para o patrimônio de outra pessoa jurídica, é de se invocar a regra contida no artigo 37 da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. 1 Isso fica claro quando a empresa afirma que "Para efetivar o pretendido aumento de capital na Impugnante, via a conferência da citada licença, foi contratado Laudo de Avaliação, em atendimento ao artigo 8º, da LSA (mencionado no relato fiscal), cujo resultado apontou o valor de R$ 51.500.000,00, montante que foi atribuído para fins de transferência do direito em aumento de capital da Impugnante, acatado pelos demais acionistas". Fl. 894DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 895 13 Ademais, a recorrente já conhecia o teor da decisão recorrida, a qual manteve a autuação nessa parte justamente por causa da falta de comprovação do valor passível de amortização. Nesse sentido, confirase o seguinte excerto do voto condutor daquela decisão: Não consta dos autos a comprovação dos gastos com a construção de infra estrutura para a operação do satélite, bem como a contratação de serviços técnicos no montante de R$ 22.360.000,00, tampouco há comprovação de que os resultados da reavaliação dos ativos foram oferecidos a tributação, na medida que os lançamentos contábeis do livro razão da Hispamar Ltda relativos à reavaliação do ativo (fls. 225 e 229) não tem como contrapartida o lançamento a crédito em uma conta de receita. Não é crível que a recorrente não pudesse solicitar para a sua controladora, residente no País e, portanto, submetida às mesmas regras fiscais, os comprovantes das operações que geraram a maisvalia passível de amortização. Ainda mais, convém repisar, quando se constata que o laudo utilizado não levou em conta os gastos diversos acrescidos de parcela de reavalição. Afinal, o valor e a consequente tributação dessa própria parcela poderiam ser questionados no âmbito da investidora. Por tudo isso, mantenho a glosa da amortização do direito de exploração do satélite. Da tributação dos lucros auferidos no exterior: A compreensão sobre a natureza da tributação envolvendo os lucros auferidos no exterior é fundamental para o enfrentamento das razões alegadas pela recorrente. A tributação em bases universais das pessoas jurídicas residentes no Brasil tem seu fundamento legal no artigo 25 da Lei nº 9.249/95, verbis: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. Após uma turbulência legislativa2, restou estabelecido que esse dispositivo somente permitiria a tributação depois que os mencionados lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior fossem disponibilizados à pessoa jurídica situada no Brasil. 2 Essa turbulência se deu com a transformação do conteúdo que constava na própria Lei nº 9.249/95, na IN/SRF nº 38/96 e na Lei nº 9.532/97, e já tinha como pano de fundo a tentativa de se tributar os lucros auferidos no exterior pelas Controlled Foreign Corporations – CFC – mediante o princípio da transparência fiscal. Cf. Luís Eduardo Schoueri, “Imposto de Renda e os Lucros Auferidos no Exterior”. In: Grandes Questões Atuais do Direito Tributário. vol 7. São Paulo: Dialética, 2003, pp. 303 a 313. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 896 14 Posteriormente, a Medida Provisória (MP) nº 2.15835/01 promoveu duas siginificativas mudanças nesse quadro: com o artigo 21, a tributação foi estendida à CSLL3; e com o artigo 74, definiuse que a disponibilização ocorrerá antes e independetemente de qualquer distribuição no caso de lucros auferidos por empresas controladas e coligadas da pessoa jurídica brasileira. Confirase: Art. 21. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei no 9.249, de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei no 9.430, de 1996, e o art. 1oda Lei no 9.532, de 1997. (...) Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Independentemente de sua amplitude, que teria ido além do padrão internacional ao alcançar empresas coligadas, lucros auferidos em países sem tributação favorecida e rendas ativas, importa notar que esse artigo 74 vai ao encontro das regras criadas em vários países em sintonia com o fenômeno da transparência fiscal internacional4. Tratase de normas antielisivas específicas que possuem a finalidade de evitar o diferimento da tributação dos lucros de empresas qualificadas como controlled foreign corporations (CFC). Impõese, então, compreender a sistemática adotada por esses comandos legais. Nesse sentido, é de se observar que a lei não teria eficácia se quisesse tributar diretamente os lucros de uma empresa não residente. Isso porque não há conexão (residência ou fonte) capaz de dar efetividade à jurisdição tributária brasileira. O que a lei faz é tributar uma renda ficta da própria pessoa jurídica brasileira (a empresa residente). Em outras palavras, ela olha para a empresa residente e, sopesando o fato de que esta possui participação societária em outra empresa que apurou lucro no exterior, assume que há disponibilidade da renda e determina que se tribute como lucro da empresa brasileira um determinado valor estimado com base no lucro apurado pela empresa no exterior. A adequação dessa determinação ao conceito constitucional de renda é uma decisão que deve ser levada a efeito por quem tem competência para isso, no caso, o Supremo Tribunal Federal STF, à luz dos princípios constitucionais envolvidos (igualdade, capacidade contributiva, praticabilidade, etc.). E, como é de amplo conhecimento, o artigo 74 foi apreciado pelo STF, na ADI nº 2.588, restando decidida sua inconstitucionalidade apenas nos casos que 3 Na verdade, esse dispositivo foi originalmente editado no artigo 19 da MP nº 1.8566/99 e, depois, sendo reeditado, até que ficou definitivamente positivado no artigo 21 da MP nº 2.15835/01. 4 Cf. João Francisco Bianco. Transparência Fiscal Internacional. São Paulo: Dialética, 2007, pp. 15 a 39. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 897 15 tratam de lucros auferidos por coligadas não situadas em países com tributação favorecida. Não nos cabe aqui questionar a exatidão dessa decisão, mas, apenas, reconhecer sua aplicabilidade. Nem se pode estranhar essa forma de tributação. Afinal, em várias situações a legislação do imposto de renda tributa algo que não é necessariamente renda. Basta ver as margens predeterminadas do controle dos preços de transferência. Aliás, as próprias adições e exclusões ao lucro líquido, que o legislador arbitrariamente elege para se chegar ao lucro real, não deixam de ser uma prova de que o lucro real é muito mais uma ficção do que uma renda ideal. Diferentemente do que ocorre em alguns países onde a renda segue a teoria da fonte definida em espectros cedulares, o conceito de renda adotado no Brasil segue a teoria do acréscimo patrimonial (segundo o modelo desenvolvido pelos financistas Georg Schanz, Robert Haig e Henry Simons modelo SHS) definido numa amplitude global5. Isso significa que considerase renda quaisquer fluxos monetários e demais benefícios (que possam também ser avaliados em termos monetários) que ingressem na esfera patrimonial da pessoa durante o período considerado. O que ocorre é que a lei, em situações nas quais o legislador sopesa a confluência de diversos princípios e interesses coletivos, deixa de tributar algumas categorias de renda. A bem da verdade, nem mesmo o lucro líquido contábil pode se enquadrar exatamente no conceito financeiro de renda da teoria do acréscimo patrimonial que inspirou os elaboradores do Código Tributário Nacional CTN na positivação do seu artigo 436. E não há nenhuma ofensa aos artigos 7º dos acordos de bitributação quando se adota esse tipo de tributação. Vejase o típico conteúdo desses dispositivos, conforme as ConvençõesModelo adotadas pela OCDE e pela ONU, nos termos reproduzidos para o vernáculo pelo acordo celebrado entre o Brasil e a Espanha7: Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. No último caso, os lucros da empresa serão tributáveis no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente. Ora, a parte desses dispositivos que diz que “os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado” não pode ser entendida de maneira desvinculada da parte seguinte: “a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado”. Tratase da forma que as ConvençõesModelo escolheram para dizer que o país da fonte só pode tributar o lucro do seu não residente se este exercer atividade neste país por intermédio de um estabelecimento permanente. Isso porque é possível que uma atividade seja exercida sem um grau de conexão tal com o país da fonte que seja capaz de qualificálo no escopo do conceito de estabelecimento permanente contido nos artigos 5º daquelas mesmas ConvençõesModelo. Ainda assim, existe 5 Cf. Reuven S. AviYonah, Nicola Sartori e Omri Marian, Global Perspectives on Income Taxation Law. New York: Oxford, 2011, pp. 17 a 23 6 Cf. Ricardo Marozzi Gregorio. Preços de Transferência: Arm's Length e Praticabilidade. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 245. 7 Parágrafo 1 do Artigo 7 do Decreto nº 76.975/76. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 898 16 a conexão e o país da fonte poderia querer exercer sua jurisdição no sentido de tributar os correspondentes lucros. A regra daqueles dispositivos impede, então, que o país da fonte exerça essa jurisdição. Não se pode, portanto, querer atribuir à expressão “os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado” o sentido restritivo de impedir que um determinado país adote normas de transparência fiscal internacional. Esse, inclusive, é o entendimento esposado pela OCDE nos comentários de sua ConvençãoModelo. Nesse sentido, vide os seguintes excertos, conforme edição atualizada em 2010, com tradução livre: Parágrafo 23 dos comentários ao artigo 1º: 23. A utilização de “companhias de base” [“base companies”, em inglês] também pode ser tratada através de normas sobre sociedades controladas no exterior [“Controlled Foreign Corporations/CFC”, em inglês]. Um número significativo de países membros e não membros tem adotado tal legislação. Conquanto o desenho desse tipo de legislação varie consideravelmente de país para país, um traço comum dessas regras, agora internacionalmente reconhecidas como um instrumento legítimo para proteger a base tributária local, é que elas resultam na tributação, por um Estado Contratante, de seus residentes relativamente à renda proveniente de sua participação em certas entidades estrangeiras. Argumentouse algumas vezes, com base em certa interpretação de dispositivos da Convenção tais como o artigo 7º, parágrafo 1º, e o artigo 10, parágrafo 5º, que esse traço comum da legislação sobre sociedades controladas no exterior estaria em conflito com tais dispositivos. Pelos motivos expostos nos parágrafos 14 dos comentários ao artigo 7º e 37 dos comentários ao artigo 10, esta interpretação não está de acordo com o texto dos dispositivos. A interpretação também não se sustenta quando os dispositivos são lidos em seu contexto. Portanto, muito embora alguns países tenham considerado útil esclarecer expressamente, em suas convenções, que a legislação das sociedades controladas no exterior não está em conflito com a Convenção, tal esclarecimento não se faz necessário. Reconhecese que a legislação das sociedades controladas no exterior estruturada dessa forma não é contrária aos dispositivos da Convenção. Parágrafo 14 dos comentários ao artigo 7º: 14. O propósito do parágrafo 1º é traçar limites ao direito de um Estado Contratante tributar os lucros de empresas situadas em outro Estado Contratante. O parágrafo não limita o direito de um Estado Contratante tributar seus próprios residentes com base nos dispositivos relativos a sociedades controladas no exterior encontrados em sua legislação interna, ainda que tal tributo, imposto a esses residentes, possa ser computado em relação à parte dos lucros de uma empresa residente em outro Estado Contratante atribuída à participação desses residentes nessa empresa. O tributo assim imposto por um Estado sobre seus próprios residentes não reduz os lucros da empresa do outro Estado e não se pode dizer, portanto, que teve por objeto tais lucros (ver também o parágrafo 23 dos comentários ao artigo 1º e parágrafos 37 a 39 dos comentários ao artigo 10). Fl. 898DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 899 17 Outrossim, o recente relatório final divulgado no âmbito da Ação 3 do projeto Base Erosion and Profit Shifting BEPS, conduzido pela OCDE sob determinação de todos os países pertencentes ao chamado G20, tratou como renda "atribuída aos acionistas" (attributed to shareholders) a parcela tributada no país que impõe a norma CFC. Nesse sentido, recomenda que sejam estabelecidas regras claras para a definição, computação e atribuição dessa parcela8. Portanto, não se trata de tributar a renda da CFC, mas, sim, uma parcela atribuída na renda do acionista. Por outro lado, também não se pode compreender a sistemática adotada pela lei brasileira como se estivesse tributando uma espécie de "dividendos presumidos". Primeiro, porque o dividendo é um conceito bem delineado no âmbito da legislação societária. Assim, não basta a mera deliberação dos sócios para que todo o lucro auferido num determinado período se converta em dividendos. Como se sabe, há diversas situações em que os lucros devem ser destinados, por determinação legal ou estatutária, a pessoas distintas dos sócios. Então, não se pode garantir que todo o lucro deve ser dividido segundo as participações societárias. Segundo, porque quando o dividendo é, de fato, distribuído, seguindo o método de alívio da bitributação jurídica utilizado pela maioria dos países, deve se dar o crédito do imposto retido pelo país da fonte. Porém, a legislação brasileira não faz exatamente isso. Como não houve, de fato, a distribuição do dividendo, não há imposto retido na fonte. Então, o que se possibilita é a compensação do imposto pago sobre o lucro pela empresa não residente. Vejam bem, não se trata de alívio da britributação jurídica, mas, sim, da bitributação econômica através da compensação de parcelas do imposto apurado pela empresa residente (a brasileira), segundo os complicados critérios estabelecidos no artigo 14 da IN/SRF nº 213/029. E percebam que existe até a possibilidade de compensar aquele imposto do exterior com a CSLL devida pela empresa brasileira (artigo 15 da mesma IN)10. Confirase: COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR COM O IMPOSTO DE RENDA DEVIDO NO BRASIL Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. § 1º Para efeito de compensação, considerase imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada ou o relativo a rendimentos e ganhos de capital, o tributo que incida sobre lucros, independentemente da denominação oficial adotada e do fato de ser este de competência de unidade da federação do país de origem. § 2º O tributo pago no exterior, a ser compensado, será convertido em Reais tomandose por base a taxa de câmbio da 8 Cf. 2015 OECD Report: Designing Effective Controlled Foreign Company Rules, pp 9 e 10. 9 Interpretação administrativa para os artigos 26 da Lei nº 9.249/95, 16, § 2º, da Lei nº 9.430/96, e 1º, § 4º, da Lei nº 9.532/97. 10 Cuja base legal é o artigo 21, § único, da MP nº 2.15835. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 900 18 moeda do país de origem, fixada para venda, pelo Banco Central do Brasil, correspondente à data de seu efetivo pagamento. § 3º Caso a moeda do país de origem do tributo não tenha cotação no Brasil, o seu valor será convertido em Dólares dos Estados Unidos da América e, em seguida, em Reais. § 4º A compensação do imposto será efetuada, de forma individualizada, por controlada, coligada, filial ou sucursal, vedada a consolidação dos valores de impostos correspondentes a diversas controladas, coligadas, filiais ou sucursais. § 5º Tratandose de filiais e sucursais, domiciliadas num mesmo país, poderá haver consolidação dos tributos pagos, observado o disposto no § 2ºdo art. 3ºe § 5ºdo art. 4º. § 6º A filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. § 7º O tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional ao montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real. § 8º Para efeito de compensação, o tributo será considerado pelo valor efetivamente pago, não sendo permitido o aproveitamento de crédito de tributo decorrente de qualquer benefício fiscal. § 9º O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real. § 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor: I do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real; II do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. § 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo pago no exterior, passível de compensação, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos em seu inciso II. § 12. Observadas as normas deste artigo, a pessoa jurídica que tiver os lucros de filial, sucursal e controlada, no exterior, apurados por arbitramento, segundo o disposto nas normas Fl. 900DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 901 19 específicas constantes desta Instrução Normativa, poderá compensar o tributo sobre a renda pago no país de domicílio da referida filial, sucursal ou controlada, cujos comprovantes de pagamento estejam em nome desta. § 13. A compensação dos tributos, na hipótese de cômputo de lucros, rendimentos ou ganhos de capital, auferidos no exterior, na determinação do lucro real, antes de seu pagamento no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada, poderá ser efetuada, desde que os comprovantes de pagamento sejam colocados à disposição da Secretaria da Receita Federal antes de encerrado o anocalendário correspondente. § 14. Em qualquer hipótese, a pessoa jurídica no Brasil deverá colocar os documentos comprobatórios do tributo compensado à disposição da Secretaria da Receita Federal, a partir de 1ºde janeiro do ano subseqüente ao da compensação. § 15. O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo ano calendário, não ter apurado lucro real positivo, poderá ser compensado com o que for devido nos anoscalendário subseqüentes. § 16. Para efeito do disposto no § 15, a pessoa jurídica deverá calcular o montante do imposto a compensar em anos calendário subseqüentes e controlar o seu valor na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). § 17. O cálculo referido no § 16 será efetuado mediante a multiplicação dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital computados no lucro real, considerados individualizadamente por filial, sucursal, coligada ou controlada, pela alíquota de quinze por cento, se o valor computado não exceder o limite de isenção do adicional, ou pela alíquota de vinte e cinco por cento, se exceder. § 18. Na hipótese de lucro real positivo, mas, em valor inferior ao total dos lucros, rendimentos e ganhos de capital nele computados, o tributo passível de compensação será determinado de conformidade com o disposto no § 17, tendo por base a diferença entre aquele total e o lucro real correspondente. § 19. Caso o tributo pago no exterior seja inferior ao valor determinado na forma dos §§ 17 e 18, somente o valor pago poderá ser compensado. § 20. Em cada anocalendário, a parcela do tributo que for compensada com o imposto de renda e adicional devidos no Brasil, ou com a CSLL, na hipótese do art. 15, deverá ser baixada da respectiva folha de controle no Lalur. COMPENSAÇÃO COM A CSLL DEVIDA NO BRASIL Fl. 901DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 902 20 Art. 15. O saldo do tributo pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda e adicional devidos no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, até o valor devido em decorrência dessa adição. Terceiro, porque não há na legislação nada que garanta que se houver uma efetiva distribuição de dividendos a posteriori, estes deixarão de ser tributados, tanto pelo país da fonte, quanto pelo Brasil. Ademais, inexiste qualquer previsão acerca dos efeitos daquela tributação sobre os “dividendos presumidos” em face da eventual tributação dos dividendos efetivamente distribuídos. É verdade que os parágrafos 38 e 39 dos comentários ao artigo 10 deixam aberta a possibilidade de uma determinada legislação CFC tratar ou não os rendimentos tributados na categoria dos dividendos. Apesar disso, o conteúdo desses parágrafos é claro quanto à chance de haver problemas na efetivação de benefícios concedidos no âmbito do acordo no caso de a legislação CFC tratar os rendimentos tributados na categoria dos dividendos. Vejase tais comentários, conforme edição atualizada em 2010, com tradução livre: Parágrafos 38 e 39 dos comentários ao artigo 10: 38. A aplicação de tal legislação ou regras [de acordo com o parágrafo precedente, tratase da legislação CFC ou de regras com efeitos similares] pode, porém, complicar a aplicação do artigo 23. Se a renda [da CFC] fosse atribuída ao contribuinte, cada item dessa renda teria que ser tratada na conformidade das provisões relevantes da Convenção (lucros de empresas, juros, royalties). Se é tratada como um dividendo presumido, então, ele é claramente derivado da companhia de base [a CFC], constituindo renda do país daquela companhia. Mesmo assim, não está claro se a renda deve ser tratada como um dividendo (artigo 10) ou como rendimentos não expressamente mencionados (artigo 21). Sob algumas dessas legislações ou regras, a renda tributável é tratada como um dividendo, com o resultado de que uma isenção concedida por uma convenção, por exemplo, uma isenção de uma filial, seja também estendida ao contribuinte. É questionável se a Convenção requer que isso seja feito. Se o país de residência considera que esse não é o caso, pode se alegado que ele está obstruindo a normal operação da isenção de uma filial mediante tributação do dividendo (na forma de "dividendo presumido") antecipadamente. 39. Aonde os dividendos são realmente distribuídos pela companhia de base [a CFC], as provisões da convenção bilateral têm que ser normalmente aplicadas porque há renda de dividendos dentro do escopo da convenção. Assim, o país da companhia de base pode submeter o dividendo a uma tributação na fonte. O país da residência do controlador aplicará os métodos normais de eliminação da bitributação (isto é, o método do crédito ou da isenção). Isso implica que o tributo retido deve ser creditado no país de residência do controlador, mesmo que o lucro distribuído (o dividendo) tenha sido tributado anos antes no âmbito da legislação CFC ou outras regras com efeitos similares. No entanto, a obrigação de dar o crédito nesse caso Fl. 902DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 903 21 permanece questionável. Geralmente tal dividendo é isento da tributação (uma vez que ele já foi tributado no âmbito daquela legislação ou regras) e poderia ser arguido que não há base para o crédito do tributo retido. Por outro lado, o propósito do tratado seria frustrado se esse crédito pudesse ser evitado via simples antecipação da tributação pela oposição da citada legislação. O princípio geral estabelecido acima sugere que o crédito deveria ser concedido mesmo que os detalhes possam depender de tecnicalidades da citada legislação ou regras e do sistema de crédito dos tributos no exterior contra os tributos domésticos (por exemplo, tempo decorrido desde a tributação dos "dividendos presumidos"). Porém, os contribuintes que tenham recorrido a arranjos artificiais estão assumindo riscos que não estão completamente sob a salvaguarda das autoridades tributárias. Nada obstante a existência dessa possibilidade, como já se disse, não parece que a lei brasileira tenha seguido esse difícil caminho. Registrese, contudo, que a matéria sofrerá profundas alterações para os fatos geradores futuros por obra do conteúdo introduzido pela Lei nº 12.973/14. No caso presente, a jurisdição brasileira não tem conexão com o lucro produzido pela empresa espanhola. A nossa lei não pode alcançar esta última sem que algum critério de conexão se estabeleça. Portanto, o que a nossa lei faz é tributar a nossa empresa, residente, pelo natural critério da residência. Apenas o cálculo da renda tributada nesta empresa, conforme determinado pela lei interna, é que é baseado nos lucros apurados pela empresa no exterior. A compensação do imposto pago sobre o lucro pela empresa não residente, para alívio da bitributação econômica, é mera liberalidade da lei interna. Assim como, se existisse (ou vier a existir) determinação para a não tributação dos dividendos efetivamente distribuídos a posteriori, esta seria (ou será) também outra liberalidade (uma vez que já havia sido concedido o alívio anterior). Portanto, não assiste razão à recorrente. Inexiste ofensa ao Acordo Brasil Espanha, seja pelo artigo 7, seja pelo artigo 23, parágrafo 4 (o qual isenta os dividendos tributáveis na Espanha recebidos por residentes brasileiros). No que diz respeito à absorção dos prejuízos anteriores observados na controlada, há que se reconhecer a existência dessa previsão na legislação concernente ao tema. Com efeito, o artigo 4º da IN/SRF nº 213/02 contém os seguintes dispositivos: Art. 4º É vedada a compensação de prejuízos de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, com os lucros auferidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 1º Os prejuízos a que se refere este artigo são aqueles apurados com base na escrituração contábil da filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, efetuada segundo as normas legais do país de seu domicílio, correspondentes aos períodos iniciados a partir do anocalendário de 1996. Fl. 903DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 904 22 § 2º Os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, somente poderão ser compensados com lucros dessa mesma controlada ou coligada. § 3º Na compensação dos prejuízos a que se refere o § 2º não se aplica a restrição de que trata o art. 15 da Lei nº 9.065, de 1995. (grifei) Assim, a própria Receita Federal, mediante ato normativo, reconhece como possível a compensação dos prejuízos apurados em uma controlada, no exterior, com os lucros dessa mesma controlada. E o faz fazendo referência à lei interna que possibilita a compensação dos prejuízos acumulados, qual seja, o artigo 15 da Lei nº 9.069/95, verbis: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Contudo, como se vê, o parágrafo único desse mesmo artigo condiciona a compensação tratada no caput à manutenção dos livros e documentos exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Nesse contexto, o artigo 6º daquela mesma IN/SRF nº 212/02 é expresso quanto aos requisitos contábeis e documentais que comprovam os resultados apurados no exterior. Confirase: Art. 6º As demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicílio. § 1º Nos casos de inexistência de normas expressas que regulem a elaboração de demonstrações financeiras no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada, estas deverão ser elaboradas com observância dos princípios contábeis geralmente aceitos, segundo as normas da legislação brasileira. § 2º As contas e subcontas constantes das demonstrações financeiras elaboradas pela filial, sucursal, controlada ou Fl. 904DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 905 23 coligada, no exterior, depois de traduzidas em idioma nacional e convertidos os seus valores em Reais, deverão ser classificadas segundo as normas da legislação comercial brasileira, nas demonstrações financeiras elaboradas para serem utilizadas na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. § 3º A conversão em Reais dos valores das demonstrações financeiras elaboradas pelas filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, será efetuada tomandose por base a taxa de câmbio para venda, fixada pelo Banco Central do Brasil, da moeda do país onde estiver domiciliada a filial, sucursal, controlada ou coligada, na data do encerramento do período de apuração relativo à demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros dessa filial, sucursal, controlada ou coligada. § 4º Caso a moeda do país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada não tenha cotação no Brasil, os valores serão primeiramente convertidos em Dólares dos Estados Unidos da América e depois em Reais. § 5º As demonstrações financeiras levantadas pelas filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, que embasarem as demonstrações financeiras em Reais, no Brasil, deverão ser mantidas em boa guarda, à disposição da Secretaria da Receita Federal, até o transcurso do prazo de decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir crédito tributário com base nessas demonstrações. § 6º As demonstrações financeiras em Reais das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, deverão ser transcritas ou copiadas no livro Diário da pessoa jurídica no Brasil. § 7º Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, as participações em filiais, sucursais, controladas ou coligadas e as aplicações em títulos e valores mobiliários no exterior devem ser escrituradas separada e discriminadamente na contabilidade da pessoa jurídica no Brasil, de forma a permitir a correta identificação desses valores e as operações realizadas. (grifei) Portanto, é clara a exigência de escrituração de demonstrações financeiras da controlada no exterior, com contas e subcontas traduzidas em idioma nacional e com seus valores convertidos em reais, classificadas segundo as normas da legislação comercial brasileira, bem como sua guarda pelo prazo decadencial e transcrição no livro diário. Essa exigência faz sentido. Afinal, a administração tributária precisa ter um mínimo controle dos prejuízos fiscais que poderão ser aproveitados em anos subsequentes. Ainda mais quando não se prevê um prazo para esse aproveitamento. É por isso que, no âmbito interno, as empresas residentes estavam obrigadas a controlar no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR os saldos anualmente apurados. E, no mesmo sentido, relativamente aos Fl. 905DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 906 24 resultados apurados no exterior em anos futuros, o artigo 35, III, da IN/RFB nº 1.520/14, passa a exigir esse controle através de um "Demonstrativo de Prejuízos Acumulados no Exterior" na Escrituração Contábil Fiscal ECF. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 376), a autoridade relata que o próprio contribuinte informou que os registros da sua controlada não estão integrados com a sua contabilidade. Procede, apenas, ao lançamento dos resultados daquela empresa na conta da equivalência patrimonial. A recorrente, a despeito disso, pretende comprovar a existência de prejuízos fiscais acumulados na sua controlada, com mera referência a um documento que ela intitula como "balanço patrimonial" (apresentado com a impugnação fls. 539 a 546), afirmando que os prejuízos existentes até 31/12/2007 foram absorvidos parcialmente, mediante a redução do seu capital social, em atendimento a determinações da legislação societária da Espanha. Acrescenta que esse ajuste seria apenas permutativo porque a redução do patrimônio líquido da controlada já estaria evidenciada. Ora, o mencionado "balanço patrimonial", que já havia sido apresentado à fiscalização (fls. 164 a 178), é absoluntamente incapaz de comprovar o quanto foi alegado. Para isso, repito, a legislação foi categórica sobre o procedimento que deveria ser adotado pela recorrente, isto é, escriturar as demonstrações financeiras da sua controlada com todos os requisitos que ela elege. Não se pode, agora, afrouxar uma obrigação acessória que tem fundamento legal. Ademais, o Supremo Tribunal Federal, no RE nº 344.994, já se pronunciou no sentido de reconhecer a compensação de prejuízos acumulados como um benefício fiscal. Vejase: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS “A” E “B”, E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. 2. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 907 25 O enquadramento da compensação de prejuízos no conceito de benefício fiscal, além de estar em consonância com a jurisprudência do STF acima citada, pode ser justificado pelo fato de que o conceito de renda adotado no Brasil, como já explicado, segue a teoria do acréscimo patrimonial segundo o modelo SHS definido numa amplitude global. Consequentemente, no caso do imposto de renda, a lei tributária incide de forma global sobre todo acréscimo patrimonial. Depois, sobre algumas situações específicas, afasta o campo de incidência. Diria até mesmo que sua natureza é de uma isenção. Como explica Paulo de Barros Carvalho, a isenção atua no próprio campo normativo. A regra de isenção subtrai parte do campo de abrangência do antecedente ou do consequente da regramatriz de incidência, mutilando, parcialmente, um ou mais dos seus critérios11. Nessa trilha, quando a lei cria um mecanismo como a compensação de prejuízos e bases negativas da CSLL acumulados, nada mais faz do que mutilar, parcialmente, o critério da base de cálculo das regrasmatriz de incidência do IRPJ e da CSLL. Mas, o faz de forma condicionada, qual seja, a manutenção dos livros e documentos exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal12 utilizado para a compensação. Se não houvesse essa concessão normativa, as alíquotas daqueles tributos seriam aplicadas às respectivas bases de cálculo, sem qualquer mutilação. Por tratarse de isenção, há que se lembrar o que determina o artigo 111 do CTN, verbis: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; Assim, não há espaço para um alargamento da isenção além das situações expressamente previstas em lei. Não é possível, portanto, dispensar a condição imposta com sua expressa permissão. E não é de se estranhar que seja assim. Afinal, a regra geral é a incidência sobre a renda global. A mutilação é uma exceção. Por isso, não se pode dar uma amplitude extensiva à regra de isenção. Destarte, mantenho as adições referentes aos lucros auferidos pela empresa controlada no exterior. Da despesa com passagens: 11 Cf. Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário, 17a. ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 490. 12 A mesma exigência com relação às bases negativas da CSLL consta do parágrafo único do artigo 16 da Lei nº 9.065/95. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 908 26 A fiscalização constatou que foi deduzida uma despesa, lançada em 05/12/2008, no valor de R$ 22.421,24, a título de passagens aéreas. Considerou, a partir dos elementos colhidos, que tal despesa não seria necessária em conformidade com a previsão contida no artigo 299 do RIR/99, verbis: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º). §2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º). §3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. A recorrente argumenta que as depesas de passagens com familiares de funcionário tem natureza de salário indireto sendo considerada necessária e dedutível e, mesmo que assim não seja, deve ser reformulado o acórdão da DRJ que manteve a glosa na íntegra, uma vez que o voto condutor reconheceu a dedutibilidade na parte correspondente ao gasto com o funcionário. Nada obstante, os documentos juntados ao processo (fls. 160 a 163) são claros. As passagens referiramse a viagens de ida (em 19/12/2008) e volta (em 10/01/2009) do funcionário "Ignácio Alguero" e sua família para a cidade de Madrid, na Espanha. A recorrente não juntou qualquer prova de que o funcionário teria se utilizado dessas passagens para uma finalidade de natureza necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Pelo contrário, tenta qualificar essas despesas como benefício indireto ao funcionário sem demonstrar qualquer formalidade neste sentido, como, por exemplo, a comprovação de que ele teria oferecido à tributação a remuneração correspondente ao referido benefício. A julgar pelas datas em que a viagem ocorreu, é pouco provável que a viagem tratou de finalidade necessária à empresa. Ademais, independentemente de a decisão recorrida ter aventado a hipótese de que as despesas com transporte de funcionários podem ser consideradas passíveis de dedução, o fato é que não se comprovou a necessidade da viagem mesmo com relação ao referido funcionário. Por tais razões, mantenho a glosa da despesa com passagens. Das multas isoladas sobre estimativas: Fl. 908DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 909 27 A recorrente questiona as multas isoladas sobre estimativas por terem sido aplicadas concomitantemente com as multas proporcionais. Quanto à matéria, sigo o entendimento majoritário da Câmara Superior de Recursos Fiscais que rejeita a aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo. Nesse sentido, pela clareza da argumentação empreendida, peço vênia para reproduzir trecho, conquanto extenso, do voto proferido pela ilustre Conselheira Karem Jureidini Dias no julgamento realizado em 15/08/2012 (Acórdão nº 910101.455): A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis13: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, 13 Redação Original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 910 28 mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo.” A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). Fl. 910DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 911 29 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004. Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que tratase, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 912 30 Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/200312, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. É bem verdade que melhor seria se a penalidade em comento fosse tratada como uma pena aplicada pela postergação do pagamento de imposto ou contribuição, mas existe regra específica para o caso de ausência de pagamento ou pagamento a menor de antecipação devida de IRPJ e CSLL, sobrepondose, portanto, à regra da postergação. Adotada a premissa de que a imputação da multa isolada tem por fundamento norma primária sancionadora, em cuja hipótese está o descumprimento de obrigação principal, então a multa isolada é prevista para as hipóteses de não recolhimento ou recolhimento a menor do tributo na forma antecipada. Entendo que não há como se admitir que o valor da antecipação seja, após o encerramento do anocalendário, um tributo isolado. A antecipação não é inconstitucional, nem ilegal. Isto porque, como o próprio nome enseja, é mera antecipação de tributo – IRPJ e CSLL – apurado de forma definitiva após o encerramento do anocalendário, no caso de apuração na forma de lucro real anual. O disposto no artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 veicula norma que estabelece a imputação de penalidade isolada pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL, de forma antecipada. Dado o fato do não recolhimento do tributo no prazo estipulado para sua antecipação, deve ser imputada a multa isolada. No conseqüente desta norma resta claro que, como critério pessoal, temse de um lado o contribuinte sujeito ao pagamento da antecipação, de outro a União como sujeito ativo. Como critério quantitativo temse o percentual atual de 50% do tributo devido e não pago. Utilizase o termo tributo porque a sanção é aplicada sobre o descumprimento de obrigação principal. Neste passo, até o encerramento do anocalendário o que se tem por tributo devido é o IRPJ e a CSLL, apurados conforme cálculo previsto para antecipação. Já após o encerramento do anocalendário e apuração do IRPJ e CSLL pelo lucro real, não há como negar que o montante do tributo devido é aquele definitivamente apurado, após as adições, exclusões e compensações previstas em lei. Considerando que o IRPJ e a CSLL são auferidos ao final do anocalendário, sendo provisório o montante calculado nas antecipações, concluise que: i) Quando a multa isolada é aplicada durante o anocalendário, a base é o tributo até então apurado, conforme cálculo das antecipações, já que outro não existe a substituílo por definitividade naquele momento. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 913 31 ii) Quando a multa isolada é imputada após o encerramento do anocalendário e apuração definitiva do tributo devido, sem dúvida a hipótese de aplicação é a mesma, falta de recolhimento das antecipações, não obstante, sua base de incidência terá por limite o valor do tributo definitivamente apurado. Nem há que se imaginar que se nega vigência à norma em questão. O que ocorre é a eliminação, pela interpretação, de eventual contrariedade. Ressaltese que não se trata sequer de contradição, mas de mera e aparente contrariedade. Isto porque, tanto a multa isolada, quanto a multa de ofício têm seu lugar, bem como a multa isolada pode ser aplicada inclusive após o encerramento do anocalendário, mas, em se tratando de multa de natureza tributária, a base é o tributo que deixou de ser recolhido. Este tributo – IRPJ e CSLL – é aquele apurado conforme cálculo de antecipação até o encerramento do período e é aquele apurado pelo lucro real após o encerramento do período. Neste ponto, peço vênia para novamente transcrever trecho do voto do brilhante Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, proferido no julgamento do recurso nº 105139.794, já mencionado anteriormente, verbis: “(...) Vale dizer, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e podese conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade.(...).” Se o lançamento é efetuado antes do fim do exercício – portanto antes dos ajustes / apuração do lucro, base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos – a base para imposição da sanção é aquela devida por antecipação e calculada até aquele momento. Naquele momento, inclusive, não há autorização para constituição de obrigação principal definitiva – tributo – especialmente porque o mesmo ainda não se quantificou definitivamente porque não concluído o fato gerador. Nestes termos dispõe o caput do artigo 15 da Instrução Normativa nº 93/97, verbis: “Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirseá à multa de ofício sobre os valores não recolhidos.” De outra feita, em momento posterior ao encerramento do anocalendário, já existe quantificação do tributo devido definitivamente pelos ajustes determinados em legislação de regência, então esta é a limitação ao critério quantitativo da imposição de multa isolada. Vale destacar a lição de Marco Aurélio Greco a respeito do tema, verbis: “(...) mensalmente o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2º, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (art. 3º do art. 2º). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador Fl. 913DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 914 32 distinto do relativo período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisório de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar – que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n° 8.891/95)”. (In:“Multa Agravada em Duplicidade” São Paulo, Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 159). Tampouco é de se questionar esta interpretação com base no fato de que a multa em questão é aplicável até mesmo em casos de apuração de base negativa da CSLL e de prejuízo fiscal no anocalendário correspondente, conforme dispõe a alínea “b”, do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, anteriormente capitulado no § 1º do citado artigo. O direito, in casu, deve ser analisado à luz da relação de coordenação existente entre a norma veiculada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 e aquela veiculada pelo artigo 39, parágrafo segundo, da Lei nº 8.383/91, verbis: “Art. 39. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão optar pelo pagamento, até o último dia útil do mês subseqüente, do imposto devido mensalmente, calculado por estimativa, observado o seguinte: (...) § 2° A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto mensal estimado, enquanto balanços ou balancetes mensais demonstrarem que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso.(...)” Referido dispositivo, conforme é possível constatar, autoriza que o contribuinte interrompa ou reduza os pagamentos devidos por antecipação desde que demonstre, por meio de balancete mensal, que o valor da estimativa anteriormente paga e, portanto, acumulada no período, excede o valor do tributo apurado com base no lucro ajustado no período em curso. Assim, a exegese que se extrai dos comandos legais contidos no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, mesmo após as alterações inseridas pela Lei nº 11.488/07, é aquela segundo a qual o lançamento da multa isolada pode ser feito em duas hipóteses: (i) Antes da apuração do tributo devido no balanço do final do ano calendário, quando a base para a imposição da multa observará um dos seguintes critérios: (i.1) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir da margem setorial (o percentual definido em lei) da receita bruta acumulada; ou (i.2) o valor correspondente às Fl. 914DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 915 33 antecipações não pagas calculadas a partir do balanço de redução ou suspensão (neste último caso, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL). (ii) Após a apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, somente se ficar constatado que houve parcela daquele tributo devido que deixou de ser paga na forma de antecipação (quando deveria ter sido paga nesta forma), mas foi paga no ajuste. A base para a imposição da multa corresponderá exatamente ao valor da mencionada parcela. Não se admite, por óbvio, que tal base supere o valor do tributo devido apurado. Assim, há que se verificar se os valores de estimativa a pagar foram deduzidos na apuração anual. Em caso positivo, isto significa que o tributo devido não foi recolhido nem como estimativa nem como resultado do ajuste, portanto, não se trata de cobrar multa isolada, mas, sim, de cobrar o tributo acompanhado da multa proporcional. Em caso negativo, isto significa que o tributo não foi recolhido como estimativa, mas foi recolhido como resultado do ajuste, portanto, é cabível a multa isolada. Contudo, a base para a imposição da multa deverá corresponder ao valor da estimativa não paga que deixou de ser deduzida na apuração anual do imposto devido. Não se admite, também, que essa base supere o valor do imposto devido calculado na apuração anual. A impossibilidade de lançamento da multa isolada concomitantemente com a multa proporcional é explicada na sequência do voto: CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO Por tudo quanto exposto na interpretação da norma que dispõe sobre a multa isolada em razão do não pagamento, ou pagamento a menor de antecipações, concluise que esta é devida e calculada sobre a obrigação principal até então apurada. O mesmo ocorre com a multa de ofício que acompanha o lançamento referente à totalidade ou diferença de tributo que deixou de ser constituído pelo contribuinte, ao final do anocalendário. Verifico identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias, pois ambas alcançam o contribuinte – sujeito passivo – e têm por critério material o descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido. Inevitável, portanto, concluirse que impor sanção pelo não recolhimento do tributo apurado conforme lançamento de ofício que apura IRPJ e CSLL devidos ao final do anocalendário e impor sanção pelo não recolhimento ou recolhimento a menor das antecipações devidas, relativamente aos mesmos tributos, é penalizar o mesmo contribuinte duas vezes por ter deixado de recolher integralmente o tributo devido. Portanto, nestes casos, uma penalidade é excludente da outra. Se o que prevalece para fins de quantificação da obrigação principal é o valor decorrente da apuração final, consolidada e definitiva do tributo – justamente porque as antecipações são apurações provisórias do mesmo tributo – também assim deve ser em relação a aplicação das penalidades: prevalece a multa aplicada quando o contribuinte não recolhe o tributo devido em conformidade com a apuração definitiva. Além disso, é inegável que no caso em análise a aplicação da multa isolada é mera penalização de conduta meio de deixar de recolher tributo, uma vez que, por meio do mesmo lançamento, foi constituída, também, multa de ofício pelo não Fl. 915DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 916 34 recolhimento de tributo apurado quando da consolidação da obrigação principal devida no exercício e não constituída/recolhida pelo contribuinte. Neste ponto vale destacar outro trecho do bem elaborado voto proferido pelo Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, em julgamento já referido, realizado nesta mesma Turma, a respeito da matéria ora sob análise, tratando do princípio da consunção da condutameio pela condutafim, verbis: “Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “princípio da consunção”. (Recurso do Procurador nº 105139.794– Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Rel. Marcos Vinícius Neder de Lima – Sessão de 04/12/2006) Adicionalmente, vale notar que é possível valorar as duas penalidades e estabelecer qual delas deve ser aplicável porque, em casos como o ora analisado, senão em razão da identidade de critérios pessoal e material das duas penalidades, ou por força da impossibilidade de se apenar conduta meio e conduta fim, também porque a lei que estabelece as referidas multas não determina expressamente que deve haver concomitância. A lei não estabelece concomitância, não se tratando in casu de contradição. E como não há determinação legal de que ambas sejam aplicadas, o que vemos é um caso de aparente contrariedade. Ou seja, há aplicação normativa por excludência, segundo o que se determina a aplicação de uma ou de outra penalidade, a depender do caso, da valoração do bem maior a ser protegido, e das condutas incorridas pelo contribuinte. Se somente houve falta de recolhimento das antecipações esta é a conduta fim. Se, por outro lado, o contribuinte além de não recolher as antecipações, também deixou de constituir/recolher o tributo devido conforme a apuração definitiva, ocorrida após o encerramento do anocalendário, então aquela é conduta meio desta que é a condutafim. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 917 35 Destarte, há concomitância se multas isolada e proporcional forem aplicadas como consequência da não antecipação de parcela do tributo devido que também não foi paga no ajuste. Isso ocorre, por exemplo, quando se verifica uma omissão de receita. A receita excluída no cálculo da estimativa é uma etapa preparatória do não pagamento do tributo devido no balanço final do mesmo anocalendário. O mesmo fenômeno ocorre quando se efetua uma glosa de despesa que havia sido incluída no cálculo da estimativa apurada em balanço de suspensão ou redução. O impacto que a não antecipação causa na apuração do tributo devido é devidamente penalizado pela multa proporcional. Observese que esse entendimento foi confirmado pela Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Mesmo que se defenda que esta súmula não se aplica aos fatos geradores posteriores à edição da Medida Provisória nº 351/07, a qual foi convertida na Lei nº 11.488/07, como já ressaltado, o entendimento aqui firmado permanece inabalado com as alterações promovidas pelos referidos estatutos legais. No caso em apreço, a fiscalização lançou as multas isoladas pelo não pagamento das estimativas recalculadas como decorrência das infrações autuadas. Essas mesmas infrações impactaram a apuração feita pela fiscalização dos tributos devidos no final do anocalendário. Tratase, portanto, de concomitância. Por isso, afasto também a aplicação das multas isoladas sobre estimativas. Considerando esta última decisão e que a parte exonerada pela DRJ referese aos cálculos da multa isolada sobre estimativas, há que se negar provimento ao recurso de ofício. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado apenas para afastar a aplicação das multas isoladas sobre estimativas. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 917DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12448.738575/201190 Acórdão n.º 1401001.526 S1C4T1 Fl. 918 36 Fl. 918DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 18336.000079/2001-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/04/1999
EMBARGOS - OMISSÃO - CONTRADIÇÃO - VOTO VENCEDOR
Contradição e Omissão endógenas ao resultado do julgamento consignado na folha de rosto do acórdão em relação ao voto vencedor, gera efeito infringente como consequência lógica ou necessária do saneamento do equívoco quando a ementa do acórdão embargado direciona indubitavelmente a posição acordada pelo Colegiado.
CERTIFICADO DE ORIGEM. ERRO MATERIAL.
Descabida descaracterização da origem beneficiada de produto que venha acompanhado de Certificado de Origem em desacordo com o previsto no Regulamento de Origem do Mercosul.
COMPROVAÇÃO DE ORIGEM.
A Administração Aduaneira deve buscar verdade dos fatos, nos termos do Art. 15 da Resolução 252, do Comitê de Representantes, de 4 de a gosto de 1999, que consolidou e atualizou as normas de origem.
Embargos de Declaração acolhidos
Numero da decisão: 9303-003.421
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, para sanar a omissão e a contradição apontadas, nos termos do voto da Relatora.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/04/1999 EMBARGOS - OMISSÃO - CONTRADIÇÃO - VOTO VENCEDOR Contradição e Omissão endógenas ao resultado do julgamento consignado na folha de rosto do acórdão em relação ao voto vencedor, gera efeito infringente como consequência lógica ou necessária do saneamento do equívoco quando a ementa do acórdão embargado direciona indubitavelmente a posição acordada pelo Colegiado. CERTIFICADO DE ORIGEM. ERRO MATERIAL. Descabida descaracterização da origem beneficiada de produto que venha acompanhado de Certificado de Origem em desacordo com o previsto no Regulamento de Origem do Mercosul. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. A Administração Aduaneira deve buscar verdade dos fatos, nos termos do Art. 15 da Resolução 252, do Comitê de Representantes, de 4 de a gosto de 1999, que consolidou e atualizou as normas de origem. Embargos de Declaração acolhidos
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CERTIFICADO DE ORIGEM. ERRO MATERIAL. Descabida descaracterização da origem beneficiada de produto que venha acompanhado de Certificado de Origem em desacordo com o previsto no Regulamento de Origem do Mercosul. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. A Administração Aduaneira deve buscar verdade dos fatos, nos termos do Art. 15 da Resolução 252, do Comitê de Representantes, de 4 de a gosto de 1999, que consolidou e atualizou as normas de origem. Embargos de Declaração acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 00 79 /2 00 1- 31 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, para sanar a omissão e a contradição apontadas, nos termos do voto da Relatora. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de embargos opostos pela Fazenda Nacional, com apoio no art. 41 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais em face do Acórdão nº 305.080, por meio do qual se negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, conforme se verifica da sua ementa: “CERTIFICADO DE ORIGEM. ERRO MATERIAL. Descabida descaracterização da origem beneficiada de produto que venha acompanhado de Certificado de Origem em desacordo com o previsto no Regulamento de Origem do Mercosul. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. A Administração Aduaneira deve buscar verdade dos fatos nos termos do Art. 15 da Resolução 252, do Comitê de Representantes, de 4 de a gosto de 1999, que consolidou e atualizou as normas de origem. Recurso especial negado” Para melhor compreensão dos pontos destacados pelo embargante, considero a manifestação dada em Despacho de folhas 312 e 313 pelo ilustre Conselheiro Joel Miyazaki em exercício à época, a qual, peço vênia, para transcrevêla (Grifos meus): “Senhor Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Tratase de embargos de declaração (efls. 292/294) apresentados tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Fl. 317DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 18336.000079/200131 Acórdão n.º 9303003.421 CSRFT3 Fl. 314 3 Acórdão CSRF/0305.080, de 06/11/2006 (efls. 270/288), cuja ementa abaixo transcrevese: CERTIFICADO DE ORIGEM. ERRO MATERIAL. Descabida descaracterização da origem beneficiada de produto que venha acompanhado de Certificado de Origem em desacordo com o previsto no Regulamento de Origem do Mercosul. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. A Administração Aduaneira deve buscar verdade dos fatos nos termos do Art. 15 da Resolução 252, do Comitê de Representantes, de 4 de a gosto de 1999, que consolidou e atualizou as normas de origem. Recurso especial negado Alega a embargante ter ocorrido erro material no Acórdão embargado, tendo em vista que o voto vencedor diz respeito a matéria absolutamente estranha à lide de: trata o voto vencedor de exclusão da contribuinte na sistemática do SIMPLES, sendo que a lide diz respeito a lançamento de Imposto de Importação. Os presentes embargos de declaração devem ser recebidos como embargos inominados, em consonância com as disposições do artigo 66, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº. 343, de 9 de junho de 2015, que assim dispõe: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Analisando o acórdão embargado, verificase que, de fato, assiste razão à embargante. O Acórdão de Recurso Voluntário nº 30330.380, de 21/08/2002 (efls.95/110), objeto do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, cujo julgamento deu origem ao Acórdão de Recurso Especial nº CSRF/03 05.080, ora embargado, tratou da utilização de redução tarifária do Imposto de Importação em relação a produto exportado da Venezuela para o Brasil, Fl. 318DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 comercializado por país não integrante da ALADI. Contudo, quando da formalização do voto vencedor condutor do Acórdão do Recurso Especial, pela redatora designada ad hoc, ocorreu erro material devido a lapso manifesto, vez que o voto vencedor tratou de exclusão de contribuinte da sistemática de tributos do SIMPLES, em nada se relacionando, portanto, à matéria objeto do julgamento. Diante de tal fato, pugno para que os embargos inominados sejam acolhidos, devendo ser prolatado novo acórdão, em substituição ao Acórdão CSRF/0305.080, de 06/11/2006. À consideração superior. (assinado digitalmente) JOEL MIYAZAKI Conselheiro Designado” É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Conheço dos embargos interpostos pela Fazenda Nacional, pois tempestivos e considerando que, conforme relatado e depreendendose da análise dos autos, constatouse, de fato que conteúdo do voto vencedor elaborado para o Acórdão 305.080, da lavra da Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando (redatora ad hoc), trata de matéria estranha ao debate travado no presente processo, porquanto versa sobre ato de exclusão de contribuinte do regime SIMPLES, sendo que o litígio entabulado nos autos referese a lançamento de Imposto de Importação. Em relação ao erro material apontado pela Fazenda Nacional, para melhor elucidar, peço licença para transcrever o voto vencedor: “VOTO VENCEDOR Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando — Relatora Ad hoc Conforme visto nos relatórios que precedem minha indicação para redigir o voto vencedor desta lide, o contribuinte foi excluído da sistemática do SIMPLES por exercer atividade vedada. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 18336.000079/200131 Acórdão n.º 9303003.421 CSRFT3 Fl. 315 5 Observo que, já na primeira impugnação que ofereceu contra o ato de exclusão, o contribuinte assim se manifesta: "Muito embora não haja qualquer referência ou mesmo menção ao dispositivo infringido ou restritivo a opção realizada, acreditase que a decisão ora impugnada decorra de dispositivos tidos como vedativos à opção pelo regime Essa apreciação no foi enfrentada, ao meu ver, com a prudência que o correto curso do devido processo legal recomenda. Entretanto, a motivação do colegiado para negar provimento ao recurso interposto em nome da Fazenda Nacional foi a falta de certeza quanto à atividade desenvolvida pela empresa excluída. Observo, ainda, que os termos da diligência determinaram que a autoridade preparadora apurasse e informasse a efetiva atividade da empresa. Em resposta, informou o auditor fiscal que não foi possível aferir a real atividade desenvolvida pela empresa excluída posto que no local onde funcionava hoje está funcionando urna unidade escolar de outro contribuinte e que aquele procurado se' apresenta nos registros da Receita Federal como inativo. Diante desses fatos decidiu o colegiado a quo pela não aceitação da penalidade imposta, conforme voto condutor do julgamento de fls. 88. A maioria dos julgadores deste cole6ado, decidiu manter a decisão, pela mesma razão lá explicitada, sem aceitar os argumentos da procuradoria que falavam, especialmente, na presunção de legalidade dos atos administrativos. De forma breve, essa foi a razão encontrada pelo colegiado para rejeitar o recurso especial interposto em nome da Fazenda Nacional Em 4 de abril de 2008. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO” Em vista do voto vencedor constante do acórdão da CSRF, vêse que a matéria contemplada no voto vencedor, de fato, era estranha em relação a lide ventilada nos autos, o que fica evidente a omissão e contradição nesse caso. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 Sendo assim, presente a omissão e a contradição alegada, entendo que os embargos interpostos devem ser admitidos, na forma do art. 65, Anexo I, do RICARF/2015 (Portaria 343/15), in verbis: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. [...]” Não obstante, a priori, importante verificar se a omissão e a contradição poderia ser sanada contemplando novo voto vencedor, por economia processual, o que se torna essencial trazer à baila os fatos descritos: 1. Pela autoridade fazendária, quanto à operação de triangulação: · A PETROBRAS adquire os produtos da empresa venezuelana (PDV S. A); · Em seguida revende os produtos para uma subsidiaria, situada nas Ilhas Cayman, denominada Petrobras International Finance Company (PIFC0); · Posteriormente recompra os produtos. 2. Pela empresa: · A empresa compra diretamente de fornecedores abrangidos por acordo tarifário (Venezuela), com transporte também direto para o Brasil, e prazo de pagamento de até trinta dias. Todavia, por interesses vitais da economia do País e falta dos recursos necessários para o pagamento do preço, a importadora revende a mercadoria e a recompra concomitantemente, apenas para alongar o prazo de pagamento e contar com fontes alternativas de captação. Tais produtos só foram incluídos nos acordos exatamente para viabilizar, por meio dessas aquisições, relações comerciais visando a integração dos países do CONE SUL; · Ou seja, a PETROBRAS compra do produtor, com determinado prazo; mas uma dessas subsidiárias paga diretamente ao produtorexportador o preço dessa compra, por ordem da controladora. Concomitantemente, a PETROBRAS Fl. 321DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 18336.000079/200131 Acórdão n.º 9303003.421 CSRFT3 Fl. 316 7 revende a mercadoria A subsidiária, com tal prazo; e a recompra para pagamento em até 180 dias. · A fatura final compreende o preço puro, e idêntico, constante em ambas as faturas anteriores, acrescido apenas do repasse dos encargos financeiros das linhas de crédito tomadas. E a mercadoria, em face da aquisição original, é enviada diretamente do pais produtor para o Brasil; só muito raramente haverá trânsito por outro pais. Ademais, observando que: · O litígio versa sobre o descumprimento de normas aplicáveis ao âmbito da ALADI, no que pertine ao cumprimento de requisitos determinantes para fruição do benefício de redução da alíquota de II, qual seja a existência de divergência entre o conteúdo e as datas do Certificado de Origem e das faturas comerciais; · Segundo descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa efetuou uma triangulação comercial com produto derivado de petróleo, não prevista na Resolução 78 nem no Acordo 91, celebrados no âmbito da Associação LatinoAmericana de Integração ALADT, e instituídos no Brasil, através dos Decretos 98.874, de 24 de janeiro de 1990, e 98.836, de 17 de janeiro de 1990, que tratam do Regime Geral de Origem e da regulamentação do Certificado de Origem, respectivamente; · O que, a fiscalização reputou inválido o Certificado de Origem apresentado, tanto pela divergência constatada entre o número da fatura comercial nele informada, e aquele referente à fatura apresentada pelo importador emitida pela sua subsidiária (PIFCO), corno pelo fato de a triangulação comercial realizada não estar amparada nos textos legais citados, celebrados no âmbito da ALADI; · A DRJ, após apresentação da impugnação pela empresa, considerou ser incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem Fl. 322DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 8 que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência; · Ou seja, de que que o contribuinte perdeu o direito de redução pleiteado em virtude da existência de divergência entre o número da fatura comercial informado no Certificado de Origem e o da fatura apresentada pelo importador como documento de instrução do despacho de importação, principalmente porque a operação intentada pelo importador no está acobertada pelas normas que regem os acordos internacionais no âmbito da ALADI; · A empresa apresentou recurso voluntário, trazendo, entre outros, que: ü Compra diretamente de fornecedores abrangidos por acordo tarifário, com transporte também direto para o Brasil, e prazo de pagamento de até trinta dias; ü Todavia, por interesses vitais da economia do País e falta dos recursos necessários para o pagamento do preço, a importadora revende a mercadoria e a recompra concomitantemente, apenas para alongar o prazo de pagamento e contar com fontes alternativas de captação. Tais produtos foram incluídos nos acordos exatamente para viabilizar, por meio dessas aquisições, relações comerciais visando a integração dos países do CONE SUL; ü A regra acolhida no contrato internacional é de que o importador de mercadoria originária de urna das panes que, incluída na lista anexa ao acordo, (i) seja transportada diretamente de uma parte para a outra; ou que (ii) apesar de ter passado por pais no signatário, preencha os requisitos da alínea "b"; entretanto, em momento algum temse na legislação que a inobservância destes aspectos formais traga a PERDA DO DIREITO REDUÇÃO ü Quer a PETROBRÁS mais uma vez consignar que, mesmo analisando a espécie sob a ática da pretendida inversão do requisito feita pela notificação de lançamento, verificase não estar vedada tal operação no Ato Internacional, impondose o reconhecimento do tratamento tarifário nele previsto, em homenagem a. real origem da mercadoria e sua expedição direta. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 18336.000079/200131 Acórdão n.º 9303003.421 CSRFT3 Fl. 317 9 ü E incontroverso que a mercadoria foi adquirida pela PETROBRAS diretamente, e o Certificado de Origem é claro em mencionar que A CARGA VEM DIRETA PARA 0 PAIS, assim como a respectiva fatura da recompra menciona a mesma carga, do mesmo navio, na mesma viagem, só no sendo registrada a primeira compra, e a revenda subsequente, porque o SISCOMEX impede tais registros, não se tendo corno fazêlo. E essa SRF nunca exigiu tais registros nem a cópia das faturas anteriores. E NUNCA SE PRETENDEU NÃO REGISTRAR OU RECUSAR SUA APRESENTAÇÃO. · A 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes proveu por unanimidade de votos o recurso voluntário, nos termos da seguinte ementa (Acórdão 30330.380): "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. Produto exportado pela Venezuela e comercializado através de pais não integrante da ALADI. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo pais produtor da mercadoria, acompanhada das respectivas faturas bem assim das faturas do pais interveniente, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, corno previsto no Regime de Origem da ALADI." A Fazenda Nacional, irresignada com a decisão da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuinte, apresentou recurso especial, trazendo, em síntese, as seguintes argumentações: · Os certificados de origem apresentados pela ora recorrida não respeitaram as exigências da Resolução 232, tampouco a Portaria Ministerial n° 11/97, posto que ainda que a mercadoria não tenha adentrado em terras das Ilhas Cayman, a partir do momento em que uma operadora lá localizada intervém no negócio jurídico, enquadrada necessariamente estará a negociação ao regime jurídico daquele país; Fl. 324DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 10 · Para consubstanciar a sua tese quanto a esse aspecto menciona como paradigma de divergência o Acórdão n° 30235435, o qual materializa o entendimento da egrégia Segunda Câmara do Terceiro Conselho de contribuintes de que o produto importado comercializado por pais não pertencente à ALADI e que, cujo importador não tenha atendido os requisitos previstos na legislação de regência, são motivos insuficientes para a concessão do benefício fiscal; · Outro ponto divergente em relação ao acórdão ora combatido vislumbra se através do acórdão paradigma n° 30235373, também apreciado pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que aponta a discrepância existente entre o número da fatura comercial informada no Certificado de Origem e o da fatura apresentada pelo importador na DI. A empresa ao tomar ciência do teor do acórdão n° 30330.380, bem como do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em 19/05/04 manifestouse nos autos, oferecendo contrarrazões dentro do prazo legal, esclarecendo, em síntese, que: · A origem das divergências entre as várias faturas e os correspondentes certificados de origem encontrase no fato de que o SISCOMEX não tem campo próprio para tal inserção e não aceita o registro do ciclo de produção ou da cadeia dominical/comercial das mercadorias; · Todas essas faturas foram apresentadas a. Alfândega tão logo solicitado, inadmissivelmente porém, a repartição aduaneira reteve o desembaraço por mais de um ano; · A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo pais produtor da mercadoria, acompanhado das respectivas faturas bem assim das faturas do pais interveniente, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada autoridade aduaneira, como previsto no art. 9' do Regime Geral da ALADI (Res. 78); · A existência de pronunciamento de órgão da Administração e o teor dos acordos internacionais já implicariam nulidade de lançamento; · A preferência tarifária fundamentada em Acordo de Complementação Econômica, ACE39, depende do transporte direto do pais de origem Fl. 325DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 18336.000079/200131 Acórdão n.º 9303003.421 CSRFT3 Fl. 318 11 até o Brasil, podendo ser faturada por operador de terceiro pais, associado ou não a. ALADI; · Mesmo caracterizado o equívoco no preenchimento de uma GI, mas inexistindo qualquer dúvida da legitimidade do Certificado de Origem, há que prevalecer a verdade material sobre a verdade meramente formal e, por isso, não há que se falar perda do benefício tarifário. O que, tendo em vista a apreciação do recurso especial pela Fazenda Nacional e das contrarrazões apresentadas pela contribuinte, a CSRF julgou a controvérsia suscitada, conforme acórdão 0305.080 com a seguinte ementa (Grifos meus): “CERTIFICADO DE ORIGEM. ERRO MATERIAL. Descabida descaracterização da origem beneficiada de produto que venha acompanhado de Certificado de Origem em desacordo com o previsto no Regulamento de Origem do Mercosul. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. A Administração Aduaneira deve buscar a verdade dos fatos nos termos do Art. 15 da Resolução 252, do Comitê de Representantes, de 4 de a gosto de 1999, que consolidou e atualizou as normas de origem. Recurso especial ne gado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo, (Relator) que deu provimento ao recurso. Desi gnado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henri que Klaser Filho.” Sendo assim, em vista das alegações trazidas em recurso especial pela Fazenda Nacional e das contrarrazões apresentadas pela empresa, bem como da ementa e decisão constantes da folha de rosto do acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais ora embargado, acolho os embargos, sanando o vício alertado com a alteração do voto vencedor para a correção do equívoco – voto vencedor que passa a contemplar a seguinte redação: Fl. 326DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 12 “Depreendendose da análise dos autos, relativamente ao argumento trazido pela Fazenda Nacional em seu recurso especial de que os certificados de origem apresentados pela empresa não respeitaram as exigências da Resolução 232, tampouco a Portaria Ministerial n° 11/97, posto que ainda que a mercadoria não tenha adentrado em terras das Ilhas Cayman, a partir do momento em que uma operadora lá localizada intervém no negócio jurídico, enquadrada necessariamente estará a negociação ao regime jurídico daquele país, temse que tal argumentação não merece prosperar. Ora, não merece prosperar as alegações apresentadas pela Fazenda Nacional, considerando que a regra a ser acolhida no contrato internacional é a de que o produto em questão seja efetivamente transportada e diretamente de uma parte para a outra ou que, apesar de ter passado por pais não signatário, preencha os requisitos da alínea "b" do art. 4º da Resolução 78. Por conseguinte, é de se apontar que não há previsão legal de que a inobservância dos aspectos formais apontados pela Fazenda Nacional traga a perda do direito à redução do Imposto de Importação. O que se conclui ser descabida a descaracterização da origem do produto que venha acompanhado de Certificado de Origem em desacordo com o previsto no Regulamento de Origem do Mercosul, considerando o fato de o produto beneficiado ter sido transportado diretamente da Venezuela para a empresa no Brasil. Dessa forma, quanto à comprovação da origem, a administração Aduaneira deve buscar a verdade dos fatos nos termos do Art. 15 da Resolução 252, do Comitê de Representantes, de 4 de agosto de 1999, que consolidou e atualizou as normas de origem, e não os aspectos formais relativos a correspondência dos dados constantes do Certificado de Origem com a fatura da operação Fl. 327DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 18336.000079/200131 Acórdão n.º 9303003.421 CSRFT3 Fl. 319 13 Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional”. Tal saneamento já se demonstra suficiente, considerando os autos do processo e a ementa esclarecedora que direcionou a posição daquele Colegiado. Ademais, lembro que os embargos não devem ter como objetivo modificar a decisão do julgado, mas apenas, entre outros, clarificar e suprimir a omissão e a contradição apontada. É o meu voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 328DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/02/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 10830.720261/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA.
A apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, será efetuada de forma centralizada pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica.
TRANSFERÊNCIA DE CREDITO PRESUMIDO DE IPI.
O crédito presumido de IPI deve ser creditado primeiramente no Livro de Registro de Apuração de IPI da matriz para, que, em seguida, seja emitida nota fiscal de transferência para o estabelecimento filial.
Numero da decisão: 3301-002.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA. A apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, será efetuada de forma centralizada pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica. TRANSFERÊNCIA DE CREDITO PRESUMIDO DE IPI. O crédito presumido de IPI deve ser creditado primeiramente no Livro de Registro de Apuração de IPI da matriz para, que, em seguida, seja emitida nota fiscal de transferência para o estabelecimento filial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2008; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.200 1 1.199 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.720261/200713 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.759 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria IPI Resssarcimento Recorrente HEWLETTPACKARD COMPUTADORES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA. A apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, será efetuada de forma centralizada pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica. TRANSFERÊNCIA DE CREDITO PRESUMIDO DE IPI. O crédito presumido de IPI deve ser creditado primeiramente no Livro de Registro de Apuração de IPI da matriz para, que, em seguida, seja emitida nota fiscal de transferência para o estabelecimento filial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 02 61 /2 00 7- 13 Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10830.720261/200713 Acórdão n.º 3301002.759 S3C3T1 Fl. 1.201 2 Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação de débitos de tributos federais, cujo crédito utilizado é de ressarcimento de IPI atinente ao 3º trimestre/2003, no valor total de R$ 5.626.597,78. Em despacho decisório (fls. 684/685), o Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Campinas, com base em Informação Fiscal juntada aos autos do presente processo às fls. 670/679, concluiu por um crédito passível de concessão apenas parcial, no montante de R$ 3.435.640,38 (glosa de R$ 2.190.957,40), e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito deferido. Em síntese, o motivo exposto para a glosa foi a escrituração indevida, no 3º decêndio de agosto/2003, no campo “Outros Créditos” do livro Registro de Apuração de IPI, a título de Crédito Presumido de IPI – Lei nº 9.363/96, o valor de R$ 6.114.192,12. Conforme documentação apresentada, verificase que o crédito presumido de IPI, referente ao período de janeiro/2000 a abril/2003, abrange a movimentação da matriz e da filial. No entanto, o contribuinte se creditou do valor em análise diretamente no Livro Registro de Apuração do IPI da Filial 0002, quando o correto seria ter se creditado no Livro Registro de Apuração do IPI da Matriz e, em seguida, emitir uma nota fiscal de transferência para a Filial, com as devidas anotações no Livro Registro de apuração do IPI da Matriz e da Filial 0002, conforme legislação em regência. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 688/697, alegando, em síntese: A manifestante não pode concordar com a glosa propugnada pelo Fisco sob argumentos exclusivos de não observância de aspectos formais da utilização do crédito presumido de IPI. Referida glosa contraria os princípios do formalismo moderado e da verdade material da tributação, que permeiam toda atividade administrativa federal e são de observância obrigatória; Os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, impede que aspectos puramente formais prevaleçam sobre a substância do ato praticado e, por conseqüência, neguem ou limitem direitos dos administrados; Se o próprio Fisco concluiu pela validade de crédito presumido de IPI, gerado entre os meses de janeiro de 2000 a abril de 2003, em valor total de R$ 4.706.347,40, não há subsídio nenhum para, em frontal desrespeito aos princípios do formalismo moderado e da verdade material, manterse a glosa integral do crédito de R$ 6.114.192,12 por conta exclusivamente de questões formais de falta de emissão de nota fiscal de transferência de crédito entre os estabelecimentos matriz e filial. Por fim, requer que seja reconhecida a liquidez e certeza do direito creditório de ressarcimento de IPI do 3º trimestre de 2003 no valor original de R$ 5.626.597,78, homologandose as compensações declaradas. Também solicita que quaisquer intimações sejam encaminhadas aos cuidados de seus advogados. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10830.720261/200713 Acórdão n.º 3301002.759 S3C3T1 Fl. 1.202 3 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP, indeferiu a manifestação de inconformidade com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO DE IPI. A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. GLOSA DE CRÉDITO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS O IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, e por conseqüência, é obrigação de cada estabelecimento comprovar a legitimidade dos créditos recebidos em transferência, e utilizados para compensar débitos do imposto. COMUNICAÇÃO. ATOS PROCESSUAIS. ESCRITÓRIO DO ADVOGADO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. O contribuinte apresentou recurso voluntário onde, basicamente, repete seus argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10830.720261/200713 Acórdão n.º 3301002.759 S3C3T1 Fl. 1.203 4 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório proferido em 21/10/2008 no processo administrativo em referência, que, ao analisar a liquidez e certeza dos créditos de ressarcimento de IPI do 3°. Trimestre de 2003 no valor original de R$ 5.626.597,78 glosou parte do crédito de IPI em R$ 2.190.957,40, ensejando, por conseqüência, a nãohomologação parcial das compensações de PIS e COFINS do mês de dezembro do anocalendário de 2003. A fiscalização apurou que a recorrente não teria observado formalidades na apuração do seu crédito presumido de IPI, conforme a Lei 9.363/96, do período de janeiro de 2000 a abril de 2003, creditado em agosto de 2003 diretamente no Livro de Registro de Apuração de IPI de seu estabelecimento filial de CNPJ 00.379.771/000212, no valor original de R$ 6.114.192,12. Mesmo que o crédito presumido de IPI decorra de operações realizadas tanto pelo estabelecimento matriz quanto pelo estabelecimento filial, a recorrente deveria ter creditado tal valor primeiramente no Livro de Registro de Apuração de IPI do estabelecimento matriz para, em seguida, emitir nota fiscal de transferência para o estabelecimento filial. No recurso voluntário, a recorrente alega que os órgãos administrativos de primeiro grau não se aperceberam da diferença existente entre os termos "apuração' e "aproveitamento na utilização' do crédito presumido de IPI, considerando um como sinônimo do outro. Alega que não cometeu nenhuma impropriedade técnica ou procedimental, tendo pleno conhecimento de que a apuração do crédito presumido deve ser efetuada de forma centralizada, nos exatos termos do art. 2º, § 2% da Lei 9.363/96, do art. 15, II, da Lei 9.779/99, do art. 183 do RIPI/02 e do art. 5° da Instrução Normativa SRF n° 313, de 3 de abril de 2003, então vigente à época dos fatos ora examinados. Aduz que a alínea "a" do inciso III, do art. 18 da IN 313/03 não exige que o crédito presumido seja escriturado nos livros da matriz, mas em conjunto com a alínea "b" estabelece apenas o critério temporal para aproveitamento ou utilização do crédito presumido de IPI através de pedido de ressarcimento. Se não aproveitável ou utilizável para compensação com o saldo devedor de IPI, o contribuinte então deverá aguardar o término do trimestre calendário no qual o crédito presumido foi apurado para então formalizar o pedido de ressarcimento. Afirma que tal prazo foi fielmente observado pela Recorrente na exata medida em que o crédito presumido foi apurado em agosto de 2003, enquanto seu ressarcimento ocorreu por intermédio de compensação com valores de PIS e COFINS devidos em dezembro de 2003. Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10830.720261/200713 Acórdão n.º 3301002.759 S3C3T1 Fl. 1.204 5 Não concordo com a recorrente. Além do que está previsto nas normas, constatase que o procedimento usado por contribuintes em situações semelhantes e todas as orientações emanadas por consultorias contábeis, ao interpretarem as normas sobre o tema, indicam que quando o crédito presumido de IPI decorra de operações realizadas tanto pelo estabelecimento matriz quanto pelo estabelecimento filial, a contribuinte deve creditar tal valor primeiramente no Livro de Registro de Apuração de IPI do estabelecimento matriz para, em seguida, emitir nota fiscal de transferência para o estabelecimento filial. No recurso voluntário é dito que não foi necessário compensar os créditos do estabelecimento matriz com os créditos presumidos porque o estabelecimento matriz teve, durante todo o anocalendário de 2003, saldo credor de IPI. Inexistindo dedução, não se operou a subsunção do fato ao disposto no inciso II do art. 18, bastando a aplicação coordenada dos incisos I e III para que fosse possível o lançamento dos créditos presumidos diretamente no LAIPI da filial 0002. Entretanto, o fato de ter saldo credor de IPI na matriz durante o ano de 2003 também não altera os procedimentos a serem realizados. Posteriormente, alega que se o próprio Fisco federal conclui que foi possível confirmar a validade de crédito presumido de IPI da Recorrente, gerado entre os meses de janeiro de 2000 a abril de 2003, em valor total de R$ 4.706.347,40 . Afirma que manter a glosa integral do crédito de R$ 6.114.192,12 por conta exclusivamente de questões formais de falta de emissão de nota fiscal de transferência de crédito entre os estabelecimentos matriz e filial é exagerar no formalismo e desconsiderar o princípio da verdade material. Aduz, também, especificamente quanto à recomposição do saldo credor de IPI ao final de cada período de apuração, devese apontar a não observância, pelo Fisco federal, da regra contida no art. 15, da IN/SRF 210/2002, segundo a qual os créditos de IPI passíveis de ressarcimento devem ser estornados na escrita fiscal do contribuinte no período de apuração em que for encaminhado o "Pedido de Ressarcimento de Créditos de IPI" à Receita Federal, bem assim quando os referidos créditos forem aproveitados e compensados. Enfim, analisando os argumentos do recurso voluntário, constatase que o próprio recorrente reconhece que a glosa foi motivada pelo de se creditar do valor do crédito presumido diretamente no Livro Registro de Apuração do IPI da Filial 0002, quando o correto seria ter se creditado no Livro Registro de Apuração do IPI da Matriz e, em seguida, emitir uma nota fiscal de transferência para a Filial, com as devidas anotações no Livro Registro de apuração do IPI da Matriz e da Filial 0002, conforme legislação em regência. Abaixo segue toda a fundamentação normativa: Como bem dito no acórdão recorrido, até 1988, a Portaria MF nº. 38, de 27/01/97, em seu art. 3º, § 11, e art. 6º parágrafo único, admitia que a empresa com mais de um estabelecimento produtor poderia apurar o crédito presumido de IPI de forma descentralizada, entretanto, tal opção foi revogada pelo art. 15 inciso II da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, que determinou, expressamente, que a apuração fosse feita de forma centralizada no estabelecimento matriz: Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10830.720261/200713 Acórdão n.º 3301002.759 S3C3T1 Fl. 1.205 6 Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996; III a apuração e o pagamento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; IV a apresentação das declarações de débitos e créditos de tributos e contribuições federais e as declarações de informações, observadas normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Lei 9.363196: Art. 1 ° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento , das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 62 O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. Lei 10.27612001: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10830.720261/200713 Acórdão n.º 3301002.759 S3C3T1 Fl. 1.206 7 § 5º Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996. Portaria MF 38/1997 (revogada pela Portaria MF 6412003) Art. 41 O crédito presumido será utilizado pelo estabelecimento produtor exportador para compensação com o IPI devido nas vendas para o mercado interno, relativo a períodos de apuração subseqüentes ao mês a que se referir o crédito. § 1 Na hipótese da apuração centralizada. o crédito presumido, apurado pelo estabelecimento matriz. que não for por ele utilizado, poderá ser transferido para qualquer outro estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o IPI devido nas operações de mercado interno. § 2º A transferência de crédito presumido de que trata o parágrafo anterior será efetuada através de nota fiscal, emitida pelo estabelecimento matriz. exclusivamente para essa finalidade. Portaria MF 64/2003: Art. 41 O crédito presumido será utilizado pelo estabelecimento matriz da jurídica produtora e exportadora para dedução do valor do IPI devido nas vendas mercado interno. § 1 O crédito presumido, apurado pelo estabelecimento matriz, que não for por ele utilizado, poderá ser transferido para qualquer outro estabelecimento da pessoa iurídica para efeito de dedução do valor do IPI devido nas operações de mercado interno. § 2 A transferência de crédito presumido de que trata o ô 10 será efetuada por intermédio de nota fiscal, emitida pelo estabelecimento matriz, exclusivamente para essa finalidade. IN 21/1997: (revogada pela IN SRF 21012002) Art. 11. O estabelecimento que apurar crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, inclusive o estabelecimento matriz, no caso de apuração centralizada, deverá escriturálo no item 005 do quadro 'Demonstrativo de Créditos" do livro Registro de Apuração do IPI, com indicação de sua origem no quadro "Observações". § 1 No caso de apuração centralizada, o estabelecimento matriz deverá manter arquivadas, além dos originais das notas fiscais das próprias aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, cópias das notas fiscais correspondentes às aquisições efetuadas pelos demais estabelecimentos, que permitam a verificação do crédito apurado. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10830.720261/200713 Acórdão n.º 3301002.759 S3C3T1 Fl. 1.207 8 § 2 Na empresa que houver optado pela apuração centralizada, em que o estabelecimento matriz não seja contribuinte do IPI, as memórias de cálculo, correspondentes a cada período, deverão ser transcritas no livro Diário. § 3 O crédito presumido de IPI que não puder ser utilizado pelo estabelecimento apurador, inclusive o matriz, poderá ser transferido para qualquer outro estabelecimento da mesma empresa. § 4 A transferência de crédito de que trata o parágrafo anterior será efetuada por meio de nota fiscal, emitida pelo estabelecimento apurador, exclusivamente para essa finalidade, em que deverá constar: I o valor do crédito transferido; II o período de apuração a que se referir o crédito; III a declaração: "crédito transferido de acordo com a Instrução Normativa SRF n° 021, de 10 de março de 1997. § 5º O estabelecimento que estiver transferindo o crédito deverá escriturálo no livro Registro de Apuração do IPI, a título de "Estornos de Créditos", com a observação: "crédito transferido para o estabelecimento inscrito no CGC MF sob o n° ... (indicar o número completo do CGC), de acordo com a Instrução Normativa SRF n° 021, de 10 de março de 1997). § 6º O estabelecimento que estiver recebendo o crédito por transferência e escriturálo no livro Registro de Apuração do IPI, a título de "Outros Créditos", a observação: "crédito transferido do estabelecimento inscrito no CGC MF sob o n° ... (indicar o número completo do CGC), de acordo com a Instrução Normativa SRF n°021, de 10 de março de 1997" , indicando o número da nota fiscal que documenta a transferência. § 7º O estabelecimento que receber crédito por transferência de outro, inclusive do matriz, só poderá utilizálo para compensação com débitos do IPI, vedada a restituição ou o ressarcimento em espécie." IN 210/2002: Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação especifica, poderão ser, utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saldas de produtos tributados. § 1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração remanescerem da dedução 'de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10830.720261/200713 Acórdão n.º 3301002.759 S3C3T1 Fl. 1.208 9 pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a : I créditos presumidos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), previstos na Lei n° 9.363. de 13 de dezembro de 1996 e na Lei n° 10.276 de 10 de setembro de 2001; Art. 16 . A transferência dos créditos do IPI de que trata o § 1 ° do art. 14 desta Instrução Normativa deverá ser efetuada mediante nota fiscal, emitida pelo estabelecimento que o apurou , exclusivamente para essa finalidade . em que deverá constar: 1— o'valor dos créditos transferidos; II — o período de apuração a que se referirem os créditos; III — a fundamentação legal da transferência dos créditos. § 1º O estabelecimento que estiver transferindo os créditos deverá escriturálos no livro "Registro de Apuração do IPI". a título de "Estornos de Créditos", com a observação:"créditos transferidos para o estabelecimento inscrito no CNPJ sob o n ° ... (indicar o número completo do CNPJ)" . §2° O estabelecimento que estiver recebendo os créditos por transferência deverá escriturálos no livro "Registro de Apuração do IPI" á título de "Outros Créditos" com a observação: "créditos transferidos do estabelecimento inscrito no CNPJ sob o n ° ..(indicar o número completo do CNPJ)", indicando o número da nota fiscal que documenta a transferência. § 3 A transferência de créditos presumidos do IPI, de que trata o art. 14, § 1 2, inciso I, por estabelecimento matriz não contribuinte do imposto darseá mediante emissão de nota fiscal de entrada pelo estabelecimento industrial que estiver recebendo o crédito, devendo, o estabelecimento matriz, efetuar em seu livro "Diário" a escrituração a que se refere o § 1º. IN 313/2003: Art. 18 A utilização do crédito presumido darseá: I Primeiramente, pela dedução do valor do IPI devido pelas operações no mercado interno do estabelecimento matriz da pessoa jurídica; II a critério do estabelecimento matriz da pessoa jurídica, o saldo resultante da dedução descrita no inciso / poderá ser transferido. no todo ou em parte, para outros estabelecimentos industriais. ou equiparados a industrial, da mesma pessoa jurídica: Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10830.720261/200713 Acórdão n.º 3301002.759 S3C3T1 Fl. 1.209 10 III não existindo os débitos de IPI referidos no inciso 1 ou remanescendo saldo credor após o aproveitamento na forma dos incisos 1 e 1!, é permitida a utilização, de conformidade com as normas sobre ressarcimento em espécie e compensação previstas em ato específico da SRF, a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestre calendário em que o crédito presumido tenha sido: a) escriturado no livro Registro de Apuração do IPI, caso se trate de matriz contribuinte do imposto; ou b) apurado, caso se trate de matriz não contribuinte do IPI. § 1º A utilização do crédito presumido de conformidade com o disposto nos incisos I e II poderá se dar ao final do mês em que foi apurado. § 2º O crédito presumido do IPI somente poderá ser utilizado na forma prevista no inciso III, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado o referido crédito, do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) relativo ao trimestrecalendário de sua apuração. Art. 19. A transferência de crédito de que trata o inciso 11 do art. 18 será efetuada por intermédio de nota fiscal, emitida pelo estabelecimento matriz da pessoa iurídica, exclusivamente para essa finalidade, em que deverão constar. I o valor do crédito transferido: II o período de apuração a que se referir o crédito: III a declararão: "crédito transferido de acordo com a Instrução Normativa SRF n° 313. de 2003. § 1º O estabelecimento matriz da pessoa jurídica, ao transferir o crédito, deverá escriturálo no livro Registro de Apuração do IPI, a título de "Estornos de Créditos", com a observação: "crédito transferido para o estabelecimento inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob o nº... (indicar o número completo do CNPJ), de acordo com a Instrução Normativa SRF n° 313. de 2003". § 2° Caso o estabelecimento matriz da pessoa jurídica não seja contribuinte do IPI, a escrituração referida no § 1 1 será efetuada no Livro Diário. § 3º O estabelecimento que estiver recebendo o crédito por transferência deverá escriturálo no livro Registro de Apuração do IPI, a título de "Outros Créditos", com a observação. "crédito transferido do estabelecimento inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob o n° ... (indicar o número completo do CNPJ), de acordo com a Instrução Normativa SRF n° 313. de 2003", indicando o número da nota fiscal que documenta a transferência. § 4º O estabelecimento industrial que receber crédito por transferência do estabelecimento matriz só poderá utilizálo Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10830.720261/200713 Acórdão n.º 3301002.759 S3C3T1 Fl. 1.210 11 para dedução de débitos do IPI, vedada a compensação ou o ressarcimento em espécie. § 5º Na hipótese do § 2°, a transferência darseá mediante emissão de nota fiscal de entrada pelo estabelecimento industrial que estiver recebendo o crédito. A recorrente contestou a glosa do crédito alegando que argumentos exclusivos de não observância de aspectos formais, referentes a utilização do crédito presumido, contraria os princípios do formalismo moderado e da verdade material da tributação. Também não concordo que, in casu, haja excesso de formalismo. Entendo que as regras estipuladas possibilitam o adequado controle da apuração do crédito presumido de IPI. A glosa em questão não está suprimindo nenhum direito da contribuinte, pois o aproveitamento do crédito presumido não é uma obrigatoriedade, mas uma faculdade. Ao optar por essa faculdade, deve a empresa sujeitarse às normas atinentes ao tema, com suporte na lei instituidora do benefício e suas posteriores alterações. Também não socorre a recorrente o fato de ter ocorrido o deferimento de outros pleitos seus, relativos a períodos anteriores, pois a comprovação do direito deve ser feita período a período, processo a processo, principalmente quando a empresa possui mais de um estabelecimento industrial. O AuditorFiscal não cria os controles contábeis que exige da empresa. Ao contrario, só exige aqueles que estão previstos nas normas pertinentes à escrituração das empresas que pretendem requerer o ressarcimento de créditos do IPI. Não tem sentido, pois, a reclamação de que houve excessivo rigor formal por parte da fiscalização. In casu, quem pleiteia um crédito é quem deve provar o seu direito, conforme preceitua a legislação de regência do tributo, no caso, o RIPI. Não agindo de acordo com as exigências normativas, não há como se deferir o pedido de ressarcimento. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10830.720261/200713 Acórdão n.º 3301002.759 S3C3T1 Fl. 1.211 12 Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
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Numero do processo: 13678.000087/2001-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).
APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Negados.
Numero da decisão: 9303-003.074
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos Especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo.
assinado digitalmente
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente
assinado digitalmente
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator ad doc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos Especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo. assinado digitalmente CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente assinado digitalmente JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator ad doc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 8. 00 00 87 /2 00 1- 93 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 08/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13678.000087/200193 Acórdão n.º 9303003.074 CSRFT3 Fl. 368 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos Especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo. assinado digitalmente CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO – Presidente assinado digitalmente JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator ad doc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 604 a 610) e pelo Contribuinte (fls. 625 a 641) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 594 a 600) que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, para reconhecer a incidência da taxa Selic a partir da data de protocolização do pedido de crédito de IPI. O v. acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ENERGIA ELÉTRICA, COMBUSTÍVEIS E TRANSPORTES. IMPOSSIBILIDADE. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido, e incabível a inclusão de valores relativos a energia elétrica, combustíveis e transportes que não se incorporarem ao produto final da industrialização ou não forem consumidos em contato direto com o produto no processo de industrialização, por não se enquadrarem no conceito de matériaprima ou de produto intermediário. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. É cabível a incidência da taxa Selic, a partir da data de protocolização do pedido, no ressarcimento de crédito de IPI. Recurso provido em parte. Em vista da decisão acima, a União interpôs Recurso Especial a fim de que não fosse reconhecida a incidência da taxa Selic a partir da data de protocolização do respectivo pedido de ressarcimento. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido através do r. despacho de fls. 278/279. Contrarrazões às fls. 283/290. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 08/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13678.000087/200193 Acórdão n.º 9303003.074 CSRFT3 Fl. 369 3 O Contribuinte, por sua vez, também interpôs Recurso Especial a fim de que fosse reconhecido que a taxa Selic incidisse retroativamente desde a data da apuração do crédito (fato gerador), reconhecendo também que as aquisições de combustíveis e de energia elétrica são parte do cômputo do crédito presumido. O recurso especial do Contribuinte foi admitido parcialmente através do r. despacho de fls. 334/335, apenas que tange ao termo inicial para fluência da correção monetária pela SELIC. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 347/353. É o relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fl. 366, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, incumbiume o Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais a formalizar o presente acórdão. Ressaltese que o relator original entregou o relatório e seu voto à secretaria da Câmara Superior. Contudo, em virtude de sua renúncia ao mandato, não foi possível concluir a formalização da citada decisão. Desta forma, adotase o voto entregue pelo relator original, Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, vazado nos seguintes termos: "Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que os recursos merecem ser conhecidos. Quanto ao mérito, todavia, os recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte não merecem melhor sorte. Deveras, com relação à atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC, veiculada no recurso especial do contribuinte, é de se notar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente acima referido tem a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA.INCIDÊNCIA. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 08/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13678.000087/200193 Acórdão n.º 9303003.074 CSRFT3 Fl. 370 4 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifos nossos) Restou consolidado, assim, no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 08/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13678.000087/200193 Acórdão n.º 9303003.074 CSRFT3 Fl. 371 5 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, portanto, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, não há que se falar na possibilidade de provimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Já em relação ao recurso do Contribuinte, que pretende que seja reconhecida a incidência da taxa SELIC retroativamente desde a data da apuração do crédito (fato gerador), também não merece prosperar. Isso porque a demora no aproveitamento do crédito, entre a ocorrência do “fato gerador”, ou seja, da apuração do crédito, e protocolo do pedido de ressarcimento, foi fruto única e exclusivamente da atuação do contribuinte. Nesse sentido, aliás, já decidiu essa Câmara, nos autos do Processo Administrativo nº 10768.005638/0010: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997, 01/01/1999 a 30/06/1999 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 08/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13678.000087/200193 Acórdão n.º 9303003.074 CSRFT3 Fl. 372 6 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).” Com base nesses fundamentos, o relator original negou provimento aos recursos especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo, sendo acompanhado pela unanimidade do Colegiado. assinado digitalmente Júlio César Alves Ramos redator ad hoc Fl. 372DF CARF MF Impresso em 08/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 17883.000070/2010-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/12/2007
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CESTA BÁSICA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DAS DISPOSIÇÕES DA LEI 10.101/00. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A pagamento das verbas intituladas como participação nos lucros e resultados deve observar a periodicidade prevista no art. 3º, §2º da Lei 10.101/00, sob pena de ser considerada como verba de caráter salarial e sujeita à incidência das contribuições previdenciárias.
LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir os valores decorrentes do fornecimento de cesta básica.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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CESTA BÁSICA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DAS DISPOSIÇÕES DA LEI 10.101/00. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A pagamento das verbas intituladas como participação nos lucros e resultados deve observar a periodicidade prevista no art. 3º, §2º da Lei 10.101/00, sob pena de ser considerada como verba de caráter salarial e sujeita à incidência das contribuições previdenciárias. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 00 70 /2 01 0- 52 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir os valores decorrentes do fornecimento de cesta básica. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17883.000070/201052 Acórdão n.º 2402004.886 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por VIAÇÃO SANTO ANTÔNIO E TURISMO LTDA em face do acórdão que manteve a integralidade do Auto De Infração n. 37.249.2371, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa e destinadas ao GILRAT, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados, cujos fatos geradores foram os seguintes: a) 8.1 — Cesta Básica Foi apurado com base nas folhas de pagamento e foi considerado como salário de contribuição, tendo em vista que a empresa forneceu ao empregados o benefício da cesta básica sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT. b) 8.2 — Participação nos Lucros — Foi apurado com base nas folhas de pagamento e foi considerado como salário de contribuição, tendo em vista que a empresa pagou aos segurados empregados, parcelas mensais de R$ 10,00 e, desta forma, o procedimento ficou em desacordo com a Lei n°. 10.101, de 19/12/2000. c) 8.3 — Folhas de Pagamento — Remunerações pagas aos empregados nas folhas de pagamento deduzidos das contribuições recolhidas/parceladas e também as que foram declaradas em GFIP. Os valores lançados foram retirados das informações constantes em folha de pagamentos. Consta do relatório fiscal que a multa aplicada em cada competência fora aquela considerada como mais benéfica, em decorrência das alterações levadas a efeito pela Lei 11.941/09. O lançamento se refere ao período de 06/2005 a 13/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 29/04/2010 (fls. 29). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, o recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a não incidência de contribuições previdenciárias em razão do fornecimento de cestas básicas, mesmo diante da não inscrição da recorrente no PAT; 2. sobre a participação nos resultados aduz que, sobre ela, não há incidência de contribuição previdenciária, não havendo como se entender que sobre o parcelamento dessa mesma participação, ainda que de forma adiantada, para se evitar perda de poder aquisitivo dos empregados, deva incidir aludida contribuição na medida em que o que deve ser considerado é que a Fl. 208DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 parcela paga nada mais é que a participação nos resultados e não salário, desde que esta ação não mascarasse uma intenção de suprimir direitos do empregado. 3. acresce que a periodicidade da distribuição não é não pode ser considerada como aspecto substancial da qualificação da verba como salarial ou isenta das contribuições lançadas; 4. no que se refere ao lançamento de contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, constante em folha de pagamentos, defende que todas as contribuições devidas relativas a esta rubrica encontravamse parceladas na data do lançamento e não foram abatidas quando do lançamento; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17883.000070/201052 Acórdão n.º 2402004.886 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES Sem preliminares, passo ao mérito. MÉRITO Do lançamento sobre a concessão de cestas básicas A fiscalização apontou que a recorrente forneceu cesta básica aos seus empregados sem recolher as contribuições previdenciárias incidentes, agindo, pois, em desacordo com a legislação já que não possuía inscrição no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. Todavia, referida matéria já fora objeto de pacificação, por meio do parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, mediante o qual a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional passou a reconhecer estar definitivamente vencida quanto no que se refere a não incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, concedida pelos empregadores a seus empregados, conforme consolidada jurisprudência do STJ. O parecer restou assim ementado: "Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos". No mesmo sentido foi editado o Ato Declaratório PGFN n. 03/2011, confira se: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. No caso dos autos, consta expressamente do relatório fiscal do presente Auto de Infração que a recorrente fornecia a alimentação in natura, no caso, cestas básicas, sendo, portanto, o caso de acatarse aquilo o que determinado pelo parecer supra. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Logo, sobre a concessão de cestas básicas, não incidem as contribuições previdenciárias. Da participação nos Lucros e Resultados Sobre referido fato gerador, assim se manifestou o ilustre fiscal: "8.2 — Participação nos Lucros — Foi apurado com base nas folhas de pagamento e foi considerado como salário de contribuição, tendo em vista que a empresa pagou aos segurados empregados, parcelas mensais de R$ 10,00 e, desta forma, o procedimento ficou em desacordo com a Lei n°. 10.101, de 19/12/2000". Verificase, portanto, que a fiscalização considerou que os pagamentos efetuados estavam em desacordo com a Lei 10.101/00, em razão da inobservância da regra da periodicidade da distribuição dos valores pagos a título de PLR. Sobre o assunto, a Lei 10.101/00 dispunha, à época dos fatos geradores, de forma bastante clara, que os pagamentos da PLR não poderiam ser efetuados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, conforme se verifica do §2º de seu artigo 3º, a seguir: "§ 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil". No caso dos autos, a recorrente efetuou pagamento da PLR mensalmente aos seus segurados empregados, agindo em desacordo ao que determinado pelo dispositivo legal supramencionado. E a recorrente alega, em sua defesa, que a regra da periodicidade não poderia ser considerada como aspecto substancial, a determinar a classificação da verba como salaria ou não, tendo em vista que a Participação nos Lucros e Resultados possui previsão constitucional que a caracteriza como verba imune a incidência das contribuições previdenciárias, devendo este conselho afastar a incidência da regra inscrita no art. 3º, §2º, da Lei 10.101/00. Tenho, no entanto, que tais irresignações, da forma como constam no recurso voluntário, não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" Ademais, percebese que a Constituição Federal de 1988 remeteu de forma expressa à lei ordinária a incumbência na fixação dos direitos da participação nos lucros, confirase: Fl. 211DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 17883.000070/201052 Acórdão n.º 2402004.886 S2C4T2 Fl. 5 7 "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei". Dessa forma, a meu ver, a norma supra, apesar de insculpir verdadeira imunidade, fez clara a alusão à necessidade de promulgação de norma infraconstitucional que regulamente e integre o pagamento da participação nos lucros e resultados, para que então venha a ser desvinculada do salário. A própria constituição Federal exige a promulgação de legislação ulterior que venha a definir as condições necessárias para que o direito por ela garantido, possa surtir seus efeitos de forma prática. O saudoso jurista Pontes de Miranda já dizia que nem todas as normas constitucionais são aplicadas em decorrência da simples promulgação do texto constitucional, conforme lição a seguir: “quando uma regra se basta, por si mesma, para a sua incidência, dizse bastante em si, self executing, self acting, self enforcing. Quando, porém, precisam as regras jurídicas de regulamentação, porque, sem a criação de novas regras jurídicas, que as complementem ou suplementem, não poderiam incidir e, pois, ser aplicadas, dizemse não bastantes em si”(MIRANDA, Francisco Cavalcanti Pontes de.Comentários à Constituição de 1946.São Paulo: Max Limonad, 1953, p.148)." Assim, em virtude de a própria constituição ter determinado a necessidade de norma regulamentadora, in casu, somente com a existência desta e desde que respeitado os limites que por ela vierem a ser impostos, é que irão surtir, na prática, os efeitos essenciais da norma constitucional. No que se refere a PLR a questão veio a ser tratada por intermédio da Lei 10.101/00, que regula a forma de pagamento da verba em questão, para que venha a ser consumado o efeito prático pretendido pelo legislador constituinte, de modo que não cabe a este relator deixar de aplicar ao caso referida legislação ao caso em concreto, ainda considerado o comando do art. 28, §9o da Lei 8.212/91. Assim, verificada a desobediência aos critérios de periodicidade da distribuição da PLR, é de ser mantido o lançamento sobre este aspecto. Dos pagamentos constantes em folha No que se refere a este tópico, a recorrente sustenta que o fiscal deveria ter abatido do lançamento, os valores já recolhidos pela empresa por ocasião do parcelamento efetuado relativamente ao AI 37.040.3339. Em verdade, os argumentos de recurso apenas repetem aqueles constantes na impugnação apresentada, não trazendo qualquer inovação ou apontamento que demonstre que os abatimentos não foram efetuados, ainda mais considerando os argumentos constantes do v. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 acórdão de primeira instância, que apontou claramente que os valores pagos em parcelamento foram considerados quando do lançamento. Cito, a propósito, o esclarecedor trecho "28. Consultando o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, verificase, por exemplo, que na competência 06/2005 o valor da GPS recolhida corresponde a R$ 10.099,63 referente ao valor relativo ao INSS e o valor do parcelamento R$ 26.887,53, que somandose totaliza no valor de R$ 36.987,16. 29. O que se verifica no anexo RADA é que os valores aparecem duplicados, entretanto, verificase isto com facilidade. E ademais, o anexo RDA elenca todos os documentos apresentados. 30. E mais, a planilha de fls. 68 demonstra claramente que os valores parcelados no LDC 37.040.3339 foram utilizados para abater os débitos lavrados na ação fiscal. 31. Assim, verificamos que todos os documentos apresentados pela empresa foram utilizados para abater os valores lançados na presente autuação, descabendo quaisquer alegações no sentido oposto". Assim, o entendimento não merece qualquer reparo. Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO tão somente para excluir do lançamento as rubricas CB e CB1. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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