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Numero do processo: 13054.720606/2015-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
ISENÇÃO. CONDIÇÃO DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
Reconhece-se a condição de portador de moléstia grave nos termos da legislação, mediante a apresentação de laudo médico oficial que assim o comprove.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-005.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade conhecer do recurso e, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira (Relator), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 ISENÇÃO. CONDIÇÃO DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Reconhece-se a condição de portador de moléstia grave nos termos da legislação, mediante a apresentação de laudo médico oficial que assim o comprove. Recurso Voluntário Provido
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CONDIÇÃO DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Reconhecese a condição de portador de moléstia grave nos termos da legislação, mediante a apresentação de laudo médico oficial que assim o comprove. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 72 06 06 /2 01 5- 76 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade conhecer do recurso e, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira (Relator), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13054.720606/201576 Acórdão n.º 2402005.477 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (fls. 60/65), por bem retratar os fatos ocorridos até então: Tratase o presente processo de notificação de lançamento relativa ao anocalendário 2010 para cobrança de crédito tributário no montante de R$ 4.813,47. De acordo com a descrição dos fatos de fl.18 foi apurado que os rendimentos foram indevidamente considerados como isentos por moléstia grave das seguintes fontes pagadoras: INSS (R$ 26.711,60) Fundação CEEE de Seguridade Social ELETROCEEE no valor de R$ 84.367,92. O contribuinte em 06 de julho de 2015 apresenta impugnação ao lançamento alegando ser portador de moléstia grave e que os valores recebidos são isentos. Apresenta os documentos de fls.6 a 15. Em 17 de setembro de 2015, o processo foi baixado em diligência para que o interessado apresentasse um laudo médico oficial de acordo com o estabelecido na Solução de Consulta Interna n°11(fl.35). Em resposta , o contribuinte apresentou a petição de fl. 40 e os documentos de fls. 41 a 56. A impugnação foi julgada improcedente pelo acórdão no 1279.857 18a Turma da DRJ/RJO (fls. 60/65), fundamentado nos seguintes termos: (...) Os laudos apresentados além de não conter a matrícula do médico na unidade de saúde do serviço médico oficial, não contém o CNPJ da unidade. Cabe ressaltar que o Termo de Adesão anexado em sua cláusula 4a menciona que os serviços prestados são de caráter gratuito, não havendo vínculo trabalhista. Além disso, o próprio termo menciona que as atividades estipuladas na cláusula 2° para serem ressarcidas há que ser apresentada a nota fiscal da prestação do serviço. A Solução de Consulta é bem clara ao exigir "V o nome completo, a assinatura, o n° de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o n° de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial." Fl. 83DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Ressaltese ainda que o Termo anexado menciona que o médico voluntário exercerá sua função no Centro de Especialidades Médicas durante as segundasfeiras das 11 as 12h. O laudo foi assinado em 16 de abril de 2015, quintafeira, dia diverso do mencionado no Termo. Ademais os laudos apresentados não contém a unidade Centro de Especialidades Medicas. Portanto, é necessário que o os laudos apresentados contenham a matrícula funcional do médico na unidade de saúde de serviço médico oficial Dessa forma, concluise que os documentos apresentados são inábeis para a comprovação do estado clínico do paciente, e, em conseqüência, para formar a convicção do seu destinatário, no caso, a Receita Federal do Brasil, de que o contribuinte é portador de moléstia grave no ano em questão. Não há como interpretar de modo diferente o presente assunto. É que a isenção deve ser tida como regra de direito excepcional, sendo vedado ao intérprete a utilização de interpretação extensiva ou de integração analógica, em se tratando de favorecimento tributário. Por conseguinte, diante das exposições supra, o contribuinte não logrou comprovar que os rendimentos recebidos são isentos com base no inciso XIV do artigo 6°, da Lei n° 7.713/1988 com a redação dada pelo artigo 47 da Lei n° 8.541/1992 e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei n° 9.250/1995. Diante do exposto voto pela improcedência da impugnação. Cientificado da decisão em 28/03/2016 (f. 66), o sujeito passivo apresentou recurso voluntário (f. 68), em 26/04/2016, aduzindo, em síntese, as seguintes razões: 1. a 18a Turma/DRJ argumenta que do laudo pericial não constam a matrícula do médico na unidade de saúde nem o CNPJ da unidade. Tal argumento tornase infundado visto que o MD Alexandre Rubio Roso tem seu registro como cirurgião geral CREMERS matrícula 18.278; 2. o laudo pericial timbrado pela Prefeitura Municipal de São Leopoldo, descreve todos os CIDs, início das enfermidades e com prazo indeterminado de tratamento. Requer anulação do acórdão da DRJ. Juntou documentos (fls. 69/76). É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13054.720606/201576 Acórdão n.º 2402005.477 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator O recurso, apresentado no trintídio assinalado pelo art. 33 do Decreto no 70.235/72, é tempestivo. Presentes os demais requisitos, deve ser conhecido. Isenção decorrente de doença grave Temse em pauta recurso voluntário no qual o Interessado pretende que seja reconhecido seu direito à isenção do imposto de renda pessoa física, alegando que é portador de doença grave e que os valores recebidos são provenientes de aposentadoria e complementação. Para o gozo da isenção pleiteada, a Lei no 7.713/1988 estabelece os seguintes requisitos: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (grifouse) Dos dispositivos transcritos, verificase que são dois os requisitos para o exercício do direito à isenção pleiteada: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 a) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o contribuinte seja portador de uma das doenças enumeradas no inciso XIV, do art. 6o, da Lei no 7.713/1988. A isenção em questão também se aplica à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão (§ 6° do art. 39 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento de Imposto sobre a Renda RIR/1999). Ademais, partir do anocalendário 1996, a Lei no 9.250/1995 qualificou a comprovação do segundo requisito nos seguintes termos: Art. 30 A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (grifouse) Para comprovar a enfermidade, o sujeito passivo juntou laudo pericial (f. 11) e laudo médico (f. 13), ambos emitidos pelo mesmo profissional, com diagnóstico de cardiopatia isquêmica (CID I25.5), desde 06/2003, e concomitantemente, quadro de polimiosite (CID M32.2). Com o recurso, o contribuinte traz novo laudo (f. 69), assinado pelo mesmo profissional, e com idêntico diagnóstico, desta feita acrescentando, no cabeçalho, a identificação do centro médico com o respectivo CNPJ. No entanto, referidas doenças não constam expressamente da relação do inciso XIV, do art. 6o, da Lei no 9.713/1988. Nestes termos, não restando comprovado que o contribuinte é portador de doença grave, prevista no artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713/1988, é impossível reconhecer o seu direito à isenção do imposto de renda, pelo que não se pode dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13054.720606/201576 Acórdão n.º 2402005.477 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Redator Designado Não obstante as razões aduzidas pelo D. Relator, divirjo do seu entendimento no tocante ao valor probatório dos laudos periciais carreados pelo contribuinte. Primeiramente, há que se mencionar que vários dos requisitos constantes na Solução de Consulta Interna Cosit nº 11/2012, referida pela DRJ/RJO, não encontram guarida, ao menos em sua completude, na legislação especializada, conforme pode ser aferido compulsandose os termos da Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.851/2008, que trata do tema e está disponível na internet. Ademais, este Colegiado não está adstrito aos ditames das Soluções de Consulta emanadas pela administração fazendária para a formação das suas ponderações nos litígios que examina, em que pese a inquestionável qualidade de tais orientações. Nessa esteira, a mera falta do número de matrícula funcional do médico junto à unidade de saúde oficial, no caso o Centro Médico Capilé, da Prefeitura de São Leopoldo/RS, não se configura suficiente para obstar a validade das informações constantes nos laudos acostados ao processo às fls. 11, 13 e 69. Da leitura conjunta desses documentos, depreendese que o contribuinte é portador, desde 26/06/2003, de cardiopatia isquêmica severa/grave, conforme atestado pelo clínico cirúrgico Alexandre Rubio Roso, Cremers nº 18.278, ao que tudo indica vinculado àquela unidade de saúde. Anotese que o predicado "severa/grave", constante do laudo, referese à cardiopatia isquêmica da qual padece o notificado, do que se conclui estar tal enfermidade abrangida no rol das moléstias graves ensejadoras do benefício isentivo previsto no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.971859/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/05/2003
PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL.
A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.382
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinando-se o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 20/05/2003 PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL. A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinando-se o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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Restituição. Prescrição. Recorrente FÁBRICA CARIOCA DE CATALISADORES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/05/2003 PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL. A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida para compensação de débitos tributários federais com créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 18 59 /2 00 9- 71 Fl. 672DF CARF MF Processo nº 15374.971859/200971 Acórdão n.º 3402003.382 S3C4T2 Fl. 3 2 A compensação não foi homologada pela unidade de origem sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP, apesar de localizado, havia sido integralmente utilizado na compensação de débitos declarados pelo contribuinte, que esgotaram o crédito disponível. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega que recolheu indevidamente o IPI no período de outubro de 2002 a maio de 2003 (aplicou a alíquota de 10%), sobre saídas de produtos cuja alíquota fora reduzida a zero. Em face disso, considera fazer jus à restituição dos valores pagos, e que tais valores podem ser objeto de compensação, com base no art.74 da Lei nº 9.430/96. A manifestação foi julgada improcedente (Acórdão 14054.318), a despeito do reconhecimento da existência do crédito, em razão da verificação de ofício da prescrição do direito do contribuinte de pleitear a restituição. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual repisa a sua impugnação, acrescentando que o prazo prescricional do direito de pleitear a restituição foi interrompido por iniciativa da Recorrente, que ajuizou ação cautelar de protesto, com o fito de interromper o prazo de prescrição nos termos do art.174, parágrafo único, II do Código Tributário, em 05/09/2007, vindo a ser definitivamente efetivada em 21/01/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.367, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 15374.971828/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.367): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. A questão inicial do processo dizia respeito à existência ou não do crédito de IPI decorrente do pagamento indevido, questão esta prima facie superada pelo próprio reconhecimento da decisão a quo da sua existência, com base nos documentos de fls. 111303, analiticamente examinados no "Relatório extrajudicial sobre utilização crédito IPI" de fls. 526661, verbis: Em princípio, observo que a manifestante, aparentemente, trouxe aos autos provas do indevido recolhimento, bem como, a autorização para pedir a restituição do adquirente. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 15374.971859/200971 Acórdão n.º 3402003.382 S3C4T2 Fl. 4 3 O seu exaurimento cognitivo restou prejudicado pela verificação ex officio da prescrição do direito do Recorrente de pleitear a restituição dos créditos, com fundamento no art.168, I c/c art.165, I, ambos do Código Tributário Nacional, concluindo nos seguintes termos: Pois bem, consta dos autos que este processo é o de crédito e que a PERDCOMP foi transmitida em 01/04/2008, sendo que o pagamento indevido foi efetuado em 10/03/2003, ou seja, já em 11/03/2008 o contribuinte tinha perdido o direito de pleitear a repetição do indébito, considerando o disposto no CTN: Pois bem, em seu Recurso Voluntário, o Recorrente apresentou certidão judicial da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls.502503) certificando a propositura, por ela, de uma Ação de Protesto Judicial contra a Fazenda Nacional com o objetivo de interromper o prazo para restituição do IPI recolhido a partir de Outubro de 2002 até o último decêndio de Maio de 2003. Certificou também que a propositura da ação se deu em 05/09/2007, tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015. Em primeiro lugar, há que se enfrentar a questão da preclusão acerca da apresentação de provas sobre o ajuizamento da ação cautelar de protesto pela Recorrente, haja vista tais provas terem sido juntadas apenas com seu Recurso Voluntário. Entendemos ser perfeitamente cabível tal juntada e manifestação específica acerca da questão da prescrição, por se tratar de questão fática e jurídica trazia posteriormente aos autos, ao ser conhecida de ofício na decisão recorrida e que portanto somente pôde ser atacada em seus fundamentos no âmbito do Recurso Voluntário. É a dicção expressa do art.16, §4, "c" do Decreto 70.235/72, verbis: Art.16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Desse modo, é legítima a juntada de documentos após a decisão de 1ª instância com vistas a contrapor matéria conhecida de ofício pelo Colegiado a quo. Superado este ponto, podese enfrentar seguramente o mérito das alegações. De fato, a decisão recorrida está correta ao estabelecer que o dies a quo do prazo prescricional relativo ao direito do contribuinte de pleitear a restituição tem início com o pagamento feito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é essa a dicção clara do CTN: “Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 674DF CARF MF Processo nº 15374.971859/200971 Acórdão n.º 3402003.382 S3C4T2 Fl. 5 4 I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário ; “Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo do tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Desse modo, o art.150, §1º do mesmo Código é claro quanto a eficácia extintiva do pagamento antecipado, sendo a homologação posterior apenas condição resolutória, isto é, exercer seus efeitos desde o momento da sua realização, ficando sujeito a evento futuro e incerto que pode lhe tirar a eficácia: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos desta lei extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.” Para afastar quaisquer dúvidas a respeito da identificação da data de início de contagem do prazo, a Lei Complementar nº 118/2005 trouxe em seu artigo 3º regra interpretativa a esse respeito, aplicandose retroativamente por força do art.106, I do CTN: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Até o presente ponto o raciocínio da decisão recorrida é irretocável. Todavia, olvidou o julgado da existência de causa de interrupção da prescrição do direito à repetição tributária, por não ter sido tal matéria informada desde o início na manifestação de inconformidade. De fato, as causas de interrupção da prescrição são as seguintes: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 15374.971859/200971 Acórdão n.º 3402003.382 S3C4T2 Fl. 6 5 Portanto, o ajuizamento da ação cautelar de protesto, se feito dentro do prazo prescricional, tem o condão de interrompêlo. Nesse sentido, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, consolidado nos votos da lavra do Min. Demócrito Reinaldo, a exemplo do REsp 52.281/DF, julgado em 03/03/1997, no qual consignou o seguinte: Com efeito, o CTN, em seu artigo 174, parágrafo único, inciso II, expressamente elege o protesto judicial como causa interruptiva do prazo prescricional para propor a ação de cobrança do crédito tributário. Face ao princípio da "isonomia processual", idêntico tratamento deve ser dispensado ao contribuinte, nas ações em que postula repetição do indébito. Tal entendimento encontra eco também no REsp nº 82.553/DF, REsp nº 40.365/DF e no REsp 108.866/DF, com a ressalva que neste último se enfrenta especificamente a data em que se inicia a recontagem do prazo prescricional: PROCESSO CIVIL. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. SE A AÇÃO E PRECEDIDA DE PROTESTO JUDICIAL, A PRESCRIÇÃO SE INTERROMPE NA DATA DA CITAÇÃO DESTE (CC, ART. 172). RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE. (REsp 108.866/DF, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/02/1997, DJ 07/04/1997, p. 11098) Nesses termos, a citação da Fazenda Nacional marca o reinício do prazo prescricional, retroagindo a interrupção à data da propositura da ação cautelar de protesto, por força da regra da actio nata, consagrada de longa data pelo Superior Tribunal de Justiça e consentânea com a sistemática do exercício do direito de ação. Por fim, recentemente, cumpre apontar também a decisão do REsp 335942/RS, julgado em 01/10/2009, cuja ementa traz o seguinte: PROCESSUAL CIVIL, ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 1º, 8º E 9º DO DECRETO 20.910/1932. 1. O STJ possui entendimento no sentido de que o prazo prescricional referente ao aproveitamento do créditoprêmio de IPI é de cinco anos contados da aquisição do direito, nos termos do Decreto 20.910/1932. 2. Hipótese que se diferencia da restituição de tributo indevidamente recolhido (art. 168, I, do CTN), pois se trata de pedido relativo a benefício fiscal não reconhecido pelo Fisco a ser creditado pelo interessado. 3. O regime jurídico da prescrição deve ser analisado à luz do Decreto 20.910/1932, que prevê a possibilidade de interrupção por uma única vez, recomeçando o lapso temporal a correr pela metade. 4. Ajuizouse medida cautelar de protesto judicial interruptivo da prescrição (art. 867 do CPC; c/c o art. 202, II, do Código Civil), tendo sido citada a recorrente em 6.12.1984. A ação declaratória que originou o presente recurso foi ajuizada em 9.11.1987, isto é, Fl. 676DF CARF MF Processo nº 15374.971859/200971 Acórdão n.º 3402003.382 S3C4T2 Fl. 7 6 após o transcurso de mais de dois anos e meio do ato interruptivo. Prescrição reconhecida. 5. Recurso Especial provido. (REsp 335.942/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 09/10/2009) A posição atual do STJ é pela aplicação dos arts. 8º e 9º do Decreto nº 20.910/32, que se encontra válido e vigente no ordenamento pátrio e assim prescreve: Art. 8º A prescrição somente poderá ser interrompida uma vez. Art. 9º A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo. Considerando que a propositura da ação se deu em 05/09/2007 e portanto dentro do prazo prescricional e tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015, possui ainda o Contribuinte dois anos e meio para pleitear sua restituição, contados desta data, isto é, até 21/07/2017. Portanto, não há que se considerar a prescrição apontada pela decisão a quo. Superado a preliminar referente à prescrição, verificase que a decisão recorrida pautouse exclusivamente por ela, deixando de analisar o mérito relativo ao crédito pleiteado, razão pela qual esse Colegiado não pode avaliála. Ante o exposto, voto por dar provimento à preliminar de inocorrência de prescrição do direito ao pedido de ressarcimento/compensação, remetendo os autos à DRJ responsável pela decisão a quo para, superada a questão prescricional, se manifeste sobre o mérito do crédito pleiteado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 677DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.721760/2011-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 07/10/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.450
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 07/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1886; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.721760/201152 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302003.450 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo, no que for relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 17 60 /2 01 1- 52 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721760/201152 Acórdão n.º 3302003.450 S3C3T2 Fl. 3 2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar a irregularidade apurada que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita, que entende ser cabível para cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e, apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721760/201152 Acórdão n.º 3302003.450 S3C3T2 Fl. 4 3 embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo integralmente o crédito constituído. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.395, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10711.006561/201030, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.395): 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar 2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato gerador Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados em seu recurso voluntário, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/20081." 1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumpri a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721760/201152 Acórdão n.º 3302003.450 S3C3T2 Fl. 5 4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela afirma ser impossível existir mais de uma penalidade para o mesmo fato, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma: "No caso sob análise não houve uma infração. Examinandose as ocorrências citadas pela fiscalização, verificase que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos. Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações são idênticas, uma vez que são diferente seus objetos materiais." Já em relação ao segundo ponto (aplicação da solução de consulta interna Cosit nº 8/2008), a fiscalização justificou seu afastamento com base nos seguintes argumentos. "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob exame. As informações cujos atrasos na prestação deram ensejo ao lançamento são referentes a importação de mercadorias, enquanto a citada decisão soluciona consulta relativa à exportação. Cada um desses tipos de operações envolve peculiaridades próprias, especialmente no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem na legislação regente e não podem ser desprezadas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos correspondentes conhecimentos eletrônicos (CE). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Pois bem. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que não houve comprovação da existência de duplicidade de cobrança por parte da fiscalização, tampouco argumentos capazes de infirmar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Sequer um demonstrativo analítico, com os registros relativos as operações tratadas em cada processo apontado no recurso foram produzidas pela Recorrente, em total desrespeito ao artigo 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou inexplicavelmente de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte, restando, assim, prejudicado a análise dos demais argumentos por ela suscitado. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721760/201152 Acórdão n.º 3302003.450 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Mérito 3.1. Ilegalidade do Auto de Infração O presente processo administrativo diz respeito a exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional". Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os contribuintes que descumprirem as obrigações acessórias, na forma e nos prazos instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa. Além disso, a obrigação do agente de carga de prestar as informações à Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721760/201152 Acórdão n.º 3302003.450 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721760/201152 Acórdão n.º 3302003.450 S3C3T2 Fl. 8 7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduzse a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto ou arribada. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 5º Os CE de serviço informados até a atracação ou registro do passe de saída serão dispensados dos prazos de antecedência previstos nesta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 6º Para os manifestos de cargas nacionais, as informações a que se refere o inciso II do caput devem ser prestadas antes da solicitação do passe de saída. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal do Brasil (vide artigo 22, da IN 800/2007 e IN 899/2008), passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do artigo 50, a saber: (i) sobre a escala; e (ii) sobre as cargas transportadas, que permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos. Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais obrigações previstas no parágrafo único do artigo 50, sob pena de ensejar a aplicação da multa em comento. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721760/201152 Acórdão n.º 3302003.450 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, considerando que a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação era obrigatória, entendo legítima a penalidade imposto à Recorrente. No mais, destacase que o artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos". Ou seja, referido dispositivo equipara o agente de carga ao transportar para efeitos de aplicação da multa em comento. Este destaque se faz necessário na medida em que a Recorrente suscitou a aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária acessória em apreço que no seu texto normativo prevê a obrigação somente ao transportar distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo referido artigo. Cita a definição de "transportar" e "agente de cargas" do Dicionário Aurélio como fonte de direito privado. O artigo 110 do CTN prevê: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios, para definir ou limitar competências tributária. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, suas razões não merecem respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do Dicionário Aurélio não é fonte de direito privado e, a duas porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados, ou nas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios. Portanto, considerando que o Decreto 37/66 e a IN 800/2007 não alteraram definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de tributo antes da vigência da lei que os instituiu, ao que passo que no presente a discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem. O artigo 3º, do Código Tributário Nacional é claro ao definir tributo como sendo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." 2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721760/201152 Acórdão n.º 3302003.450 S3C3T2 Fl. 10 9 Como se vê, o legislador ao estabelecer que tributo não constitui sanção de ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o fato gerador proveniente de ato ilícito. Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. Ricardo Paulo Rosa Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13116.722754/2012-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2010
APELAÇÃO DE SENTENÇA DENEGATÓRIA - CONSEQUÊNCIAS DO RECEBIMENTO NO EFEITO SUSPENSIVO
O recebimento de apelação de sentença denegatória de mandado de segurança no efeito suspensivo não gera para o impetrante a antecipação da pretensão formulada com o ingresso da ação nem implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que pode ser constituído e exigido integralmente, inclusive com a multa cominada para o caso de lançamento de ofício.
Numero da decisão: 9303-004.363
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Não votaram os conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal e Demes Brito.
Julgamento iniciado na reunião de 06/10/16 no período da manhã e concluído na reunião de 08/11/16 no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Luiz Augusto do Couto Chagas, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2010 APELAÇÃO DE SENTENÇA DENEGATÓRIA - CONSEQUÊNCIAS DO RECEBIMENTO NO EFEITO SUSPENSIVO O recebimento de apelação de sentença denegatória de mandado de segurança no efeito suspensivo não gera para o impetrante a antecipação da pretensão formulada com o ingresso da ação nem implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que pode ser constituído e exigido integralmente, inclusive com a multa cominada para o caso de lançamento de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Não votaram os conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal e Demes Brito. Julgamento iniciado na reunião de 06/10/16 no período da manhã e concluído na reunião de 08/11/16 no período da tarde. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos, Luiz Augusto do Couto Chagas, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Não votaram os conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal e Demes Brito. Julgamento iniciado na reunião de 06/10/16 no período da manhã e concluído na reunião de 08/11/16 no período da tarde. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Valcir Gassen, Júlio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 27 54 /2 01 2- 19 Fl. 4178DF CARF MF 2 César Alves Ramos, Luiz Augusto do Couto Chagas, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência tempestivamente apresentado pela Fazenda Nacional, com amparo no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, em face do Acórdão n° 3403002.835, de 25/03/2014, cuja ementa abaixo se transcreve, na parte de interesse: (...) LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. Constatandose a vigência de cláusula suspensiva da exigibilidade do crédito tributário antes do início da ação fiscal e que o lançamento ocorreu após o advento de decisão judicial, que reconheceu ao contribuinte o direito de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e Cofins, excluise a multa de ofício. Recurso de oficio negado. Recurso voluntário não conhecido. O presente processo referese a lançamento das contribuições ao PIS e Cofins, acrescidas de multa de ofício e juros de mora, em razão de recolhimento insuficiente dessas contribuições em relação aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre fevereiro de 2008 e dezembro de 2010, pela exclusão dos valores de ICMS das bases de cálculo das contribuições. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 21/11/2012 (fl. 3814). O relatório de ação fiscal (fls. 61 a 70) narra os seguintes fatos: "(...) Por meio do Mandado de Segurança n° 2007.35.02.0050073, impetrado em 04 de dezembro de 2007 na Vara Federal de AnápolisGO, a Fiscalizada questiona a inclusão do ICMS próprio nas bases de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS (andamento processual juntado à folha n° 3.779). 21. Em 10022007, a liminar pleiteada foi indeferida (folha n° 3.779). Do indeferimento da liminar foi interposto agravo de instrumento ao TRF1ª Região (folhas nos 3.780 a 3.788). Em 12022008, em sede de agravo, foi deferida a antecipação de tutela. 22. Em 20052008 sobreveio a publicação da sentença de 1° grau, por meio da qual foi denegada a segurança (folha n° 3.779). Em decorrência disso, nessa mesma data, o agravo foi julgado prejudicado por perda do objeto (folhas nos 3.784 a 3.788). Portanto, a partir de 20052008, prevaleceu o julgamento materializado na sentença do juízo a quo. 23. Em 14112008 a apelação da Fiscalizada foi distribuída no Tribunal Regional Federal da 1° Região (folhas nos 3.789 a 3.791). 24. Em 15062009 a Contribuinte protocolou no TRF1a Região a Cautelar Inominada n° 2009.01.00.0338200, apensada à Apelação n° 2007.35.02.0050073 (folhas nos 3.804 a 3.806). A liminar foi deferida em 18062009 “para autorizar a requerente a não apresentar as informações Fl. 4179DF CARF MF Processo nº 13116.722754/201219 Acórdão n.º 9303004.363 CSRFT3 Fl. 4.178 3 relativas à formação da base de cálculo da COFINS e do PIS até o julgamento do citado processo” (folhas nos 3.805 e 3.807). 25. Em 24092009 a União ingressou no STF com a Reclamação n° 9.064 (folhas nos 3.809 a 3.812). Em 07102009 foi deferida liminar para “para suspender os efeitos da decisão impugnada (Medida Cautelar Inominada nº 2009.01.00.0338200/TRF 1ª Reg.), até o julgamento definitivo desta reclamação.” 26. Em 29 de junho de 2012, o Tribunal regional Federal da 1a Região deu provimento à apelação da Fiscalizada, no Mandado de Segurança n° 2007.35.02.0050073, cuja ementa de julgamento foi lavrada nos seguintes termos (folhas nos 3.792 a 3.803) (...)" O lançamento foi efetuado para prevenir a decadência, uma vez que o mérito da questão foi levado à apreciação do Poder Judiciário. Entretanto, a autoridade fiscal aplicou a correspondente multa de ofício por constatar que, na data de início do procedimento fiscal (23 de abril de 2012), não havia qualquer provimento judicial que determinasse a suspensão da exigibilidade das contribuições ao PIS e Cofins sobre a parcela da base de cálculo correspondente ao ICMS. Segundo seu relato, somente em 29 de junho de 2012, após o início do procedimento de ofício, teria ocorrido o provimento da apelação nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.35.02.0050073. A Egrégia Turma negou provimento ao recurso de ofício contra decisão da DRJ, que exonerou crédito tributário no valor de R$ 102.781.219,22, sob a justificativa de que quando o lançamento para prevenir a decadência foi efetuado, o crédito tributário estava com a exigibilidade suspensa, sendo indevida, portanto, a aplicação da multa de ofício, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de divergência (fls. 4086 a 4097), suscitando divergência em relação à exclusão da multa de ofício no lançamento efetuado. Para comprovar o dissenso foram apontados, como paradigmas, os Acórdãos nº 201 80.676 e 110200.029, cujos inteiro teor das ementas foram transcritas no recurso, com grifos, respectivamente: Acórdão 20180.676 Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira – CPMF Período de apuração: 01/08/1999 a 31/12/1999 Ementa: CPMF. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira – CPMF é de dez anos, contado a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia ter sido constituído, consoante art. 45 da Lei nº 8.212/91. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. SUCUMBÊNCIA INFERIOR À ALÇADA REGIMENTAL. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. Embora tenha havido sucumbência parcial da Fazenda Pública, relativamente ao cancelamento das exigências de PIS e respectiva multa e acréscimos (R$ 18.581,23), sendo o valor da sucumbência inferior ao limite de alçada (R$ Fl. 4180DF CARF MF 4 500.000,000 – cf. Portaria MF nº 375 de 07/12/2001), é incabível o recurso de oficio, operandose a coisa julgada administrativa em relação às referidas matérias. CPMF. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DENEGAÇÃO. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. LIMINAR. EFEITOS. SÚMULA Nº 405 DO STF. Denegado o mandado de segurança pela sentença ou no julgamento do agravo dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária (Súmula nº 405 do STF). As súmulas do STF, tendo por objeto a interpretação e eficácia de normas determinadas, acerca das quais há controvérsia atual entre órgãos judiciários e a administração pública que acarreta grave insegurança e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica, têm efeito vinculante em relação à administração pública federal direta e indireta a partir de sua publicação na imprensa, nos expressos termos do art. 103A da Constituição Federal, na redação dada pela EC nº 45/2004. O efeito suspensivo concedido no recebimento da Apelação não tem aptidão de revigorar o provimento liminar revogado por decisum de direito. JUROS DE MORA. SELIC. INCIDÊNCIA. A condição resolutiva do contrato de empréstimo, a par de não poder alterar os elementos do fato gerador, da obrigação ou da isenção previamente estabelecidos na legislação (cf. art. 176 do CTN; Lei nº 8.894, de 21/06/94, arts. 52 e 62; Decreto n2 1.815/96, de 08/10/96, arts 1º e 22; e Portaria MF nº 241/96, art. 1 2, inciso I), não impediu a consumação do fato gerador (cf. arts. 116, inciso I, e 117, inciso II, do CTN), nem a constituição da obrigação e do crédito respectivos (arts. 113, § 1º, 114, e 118, inciso II, do CTN), o que justifica a incidência de atualização do débito fiscal não recolhido a partir do fato gerador, que é feita através da taxa Selic a partir de 01/01/96, nos temos do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. Precedentes do STJ. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA DE OFÍCIO. Não estando suspensa a exigibilidade do crédito à data da lavratura do auto de infração, não há como aplicar o art. 63 da Lei nº 9.430/96, sujeitando o contribuinte ao lançamento de oficio da tipificada no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Recurso negado. Acórdão 110200.029 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 APELAÇÃO DE SENTENÇA DENEGATÓRIA – CONSEQUÊNCIAS DO RECEBIMENTO NO EFEITO SUSPENSIVO O recebimento de apelação de sentença denegatória de mandado de segurança no efeito suspensivo não gera para o impetrante a antecipação da pretensão formulada com o ingresso da ação nem implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que pode ser constituído e exigido Fl. 4181DF CARF MF Processo nº 13116.722754/201219 Acórdão n.º 9303004.363 CSRFT3 Fl. 4.179 5 integralmente, inclusive com a multa cominada para o caso de lançamento de ofício. POSTERGAÇÃO NO PAGAMENTO DE TRIBUTO – CIRCUNSTÂNCIAS CARACTERIZADORAS A incorreção quanto ao período de escrituração de receita ou despesa de acordo com o regime de competência somente pode ser tratada como postergação no pagamento de tributo se dela resultar, cumulativamente, aumento do resultado positivo tributável (e não apenas diminuição do resultado negativo) e pagamento efetivo a maior de tributo. TRIBUTAÇÃO DE LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR – ABATIMENTO DE IRRF Do imposto incidente sobre o lucro gerado no exterior por filiais, sucursais, coligadas ou controladas, somente se permite deduzir o IRRF que tiver sido cobrado, no Brasil, nas remessas destinadas a pessoas jurídicas domiciliadas em países enquadrados entre aqueles de tributação favorecida, contanto que satisfeitas as demais exigências legais. LANÇAMENTO DECORRENTE – CSLL O decidido para o lançamento de IRRJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido, com a comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito aos efeitos da apelação em Mandado de Segurança e seus reflexos na exigibilidade da multa de ofício, conforme despacho de admissibilidade às fls.4128 a 4130. Dado seguimento ao recurso especial, os recorridos não ofereceram contrarrazões. É o relatório Voto Conselheiro RODRIGO DA COSTA POSSAS Relator Conforme relatado, o tempestivo recurso foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito aos efeitos da apelação em Mandado de Segurança e seus reflexos na exigibilidade da multa de ofício, conforme despacho de admissibilidade às fls.4128 a 4130. Enquanto a Egrégia Turma entendeu que o recebimento da apelação contra sentença denegatória da segurança, no seu duplo efeito (suspensivo e devolutivo), teve o condão de restabelecer a suspensão do crédito tributário, sendo indevida aplicação da multa de ofício, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96, os acórdãos paradigmas apresentados (Acórdãos 20180.676 e 110200.029, às fls. 4099 a 4127) decidiram de modo diverso, mantendo a multa de ofício por entenderem que a apelação não revigora o provimento liminar revogado por decisão de mérito. Fl. 4182DF CARF MF 6 Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Quanto à questão meritória, inicialmente relembramos os fatos apurados nos autos: Em 04122007 foi impetrado o Mandado de Segurança n° 2007.35.02.0050073, na Vara Federal de AnápolisGO, com o questionamento da inclusão do ICMS próprio nas bases de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS; Em 10022007, a liminar pleiteada foi indeferida; Em 12022008, em sede de agravo, foi deferida a antecipação de tutela; Em 20052008 sobreveio a publicação da sentença de 1° grau, por meio da qual foi denegada a segurança. Em decorrência disso, nessa mesma data, o agravo foi julgado prejudicado por perda do objeto; Em 14112008 a apelação da Fiscalizada foi distribuída no Tribunal Regional Federal da 1° Região; Em 15062009 a Contribuinte protocolou no TRF1a Região a Cautelar Inominada n° 2009.01.00.0338200, apensada à Apelação n° 2007.35.02.0050073; Em 18062009 a liminar foi deferida “para autorizar a requerente a não apresentar as informações relativas à formação da base de cálculo da COFINS e do PIS até o julgamento do citado processo”; Em 24092009 a União ingressou no STF com a Reclamação n° 9.064; Em 07102009 foi deferida liminar para “para suspender os efeitos da decisão impugnada (Medida Cautelar Inominada nº 2009.01.00.0338200/TRF 1ª Reg.), até o julgamento definitivo desta reclamação”; Em 23042012 foi iniciado o procedimento de ofício que resultou no lançamento fiscal; A autoridade fiscal constatou que o sujeito passivo não declarou em DCTF, antes do início do procedimento fiscal, os valores da contribuição para o PIS e da COFINS sobre a parcela da base de cálculo correspondente ao ICMS próprio; Em 29062012, o Tribunal regional Federal da 1a Região deu provimento à apelação da Fiscalizada, no Mandado de Segurança n° 2007.35.02.0050073; Em 21112012 o sujeito passivo foi cientificado do lançamento. A solução da controvérsia acerca da incidência ou não da multa de ofício, em caso de lançamento tributário para prevenir a decadência, parte da interpretação do art. 63 e §§ da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade Fl. 4183DF CARF MF Processo nº 13116.722754/201219 Acórdão n.º 9303004.363 CSRFT3 Fl. 4.180 7 houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Pela redação do dispositivo verificase que, quando do lançamento tributário para prevenir a decadência, caso a exigibilidade do tributo esteja suspensa em virtude de uma medida judicial cautelar ou antecipatória, não se aplicará a multa de ofício. Entretanto, caso qualquer procedimento de ofício se tenha iniciado antes da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a multa será aplicada normalmente. É o que ocorreu caso em julgamento, pois à época do início do procedimento de ofício não havia qualquer provimento judicial que determinasse a suspensão da exigibilidade da contribuição para o PIS e da COFINS sobre a parcela da base de cálculo correspondente ao ICMS próprio faturado pela Fiscalizada. Constatase que somente após o início do procedimento de ofício, em 29 de junho de 2012, foi provida a apelação da Contribuinte nos autos do processo n° 2007.35.02.0050073. A matéria encontrase pendente de decisão final. Conforme acima exposto, o sujeito passivo obteve efeito suspensivo ativo em agravo de instrumento interposto contra decisão que negara medida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário. Essa decisão foi publicada em 19/02/2008. Contudo, em 20/05/2008 sobreveio sentença de primeiro grau no mandado de segurança, por meio da qual foi denegada a segurança. Em razão dessa sentença, na mesma data, o TRF da 1ª Região julgou o agravo prejudicado por perda de objeto. Concluise, portanto, que apenas entre 19/02/2008 e 20/05/2008 vigorou a cláusula de suspensão da exigibilidade do crédito tributário estabelecida no art. 151, V, do CTN (tutela antecipada). Como a ação fiscal teve início em 23/04/2012, quando não mais vigorava qualquer medida judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, o lançamento da multa de ofício, nos termos do art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96, não apenas era permitido como exigido pela autoridade fiscal. Apenas se na data de início do procedimento fiscal houvesse alguma medida de suspensão da exigibilidade do débito é que não caberia a multa de ofício. A tese da Egrégia Turma é que, como a apelação interposta pelo contribuinte contra a sentença denegatória da segurança foi recebida no seu duplo efeito (suspensivo e devolutivo) em 23/06/2008, a antecipação de tutela anteriormente deferida na decisão do agravo de instrumento voltou a vigorar e, consequentemente, a exigibilidade do crédito tributário voltou a ficar suspensa. Contudo, a tese da decisão atacada não merece prosperar. Fl. 4184DF CARF MF 8 Ainda que o despacho de recebimento de apelação tenha indicado seu duplo efeito (suspensivo e devolutivo), não há que se reconhecer a anterior suspensão da exigibilidade do crédito tributário no caso. É incontroverso que antes de qualquer medida judicial pleiteada pelo contribuinte o crédito tributário era plenamente exigível. Com a sentença denegatória da segurança, ele continuou exigível. Não é possível conferir ao despacho de recebimento da apelação efeito de decisão antecipatória de tutela, em total contradição com a sentença imediatamente anterior, proferida pelo mesmo Juízo, que denegou a segurança pleiteada. Sem a expressa manifestação do Poder Judiciário suspendendo a exigibilidade do crédito tributário não é possível o afastamento da multa de ofício. Conforme decidiu a 1ª Turma do STJ na Medida Cautelar nº 114, na sessão de 21/06/1995, “A decisão denegatória de segurança não tem conteúdo ‘executório’, descabendo, por impossibilidade jurídica, suspenderlhe a execução pela via transversa, atribuindose efeito suspensivo a recurso ordinário, a sentença denegatória tem eficácia ‘meramente declaratória negativa’ do ato, não havendo, a rigor, efeito algum para se suspender.” A 4ª Turma do TRF da 4ª Região, no Agravo nº 04067552, sessão de 10/09/1998, em linha semelhante à perfilhada pelo STJ, concluiu que “A Apelação de sentença que denega Mandado de Segurança é dotada de efeito exclusivamente devolutivo, sendo infactível a atribuição de efeito exclusivamente suspensivo a recurso contra julgado de conteúdo negativo, certo que o mesmo não aportaria aptidão para revigorar provimento liminar revogado por decisum de direito.” Desse modo, mesmo que se declare expressamente que a apelação do contribuinte está sendo recebida no efeito suspensivo, isso seria materialmente impossível, porque, no caso, não haveria o que se suspender. No mesmo sentido, transcrevo trecho do Acórdão nº 20180.676: “De fato, ante a comprovada denegação da segurança, verificase que nada mais obstava a exigibilidade do crédito tributário e de seus consectários lógicos através do presente lançamento, pois, como já assentou a jurisprudência judicial cristalizada na Súmula nº 405 do STF, ‘denegado o mandado de segurança pela sentença ou no julgamento do agravo dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária’. Nesse sentido, contemplando especificamente a hipótese dos autos, confira se: [...] Notese que a Súmula nº 405 do STF, tendo por objeto a interpretação e eficácia de normas determinadas, acerca das quais há controvérsia atual entre órgãos judiciários e a administração pública que acarreta grave insegurança e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica, tem efeito vinculante em relação à administração pública federal direta e indireta a partir de sua publicação na imprensa, nos expressos termos do art. 103A da Constituição (redação dada pela EC n2 45/2004). Assim, nem mesmo o recebimento da Apelação teria aptidão de revigorar o provimento liminar revogado por decisum de direito, como já proclamaram os Egrégios STJ e TRF da 42 Região e se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: Fl. 4185DF CARF MF Processo nº 13116.722754/201219 Acórdão n.º 9303004.363 CSRFT3 Fl. 4.181 9 ‘PROCESSUAL CIVIL. MEDIDA CAUTELAR. RECURSO ORDINÁRIO. EFEITO SUSPENSIVO. DECISÃO DENEGATÓRIA DE SEGURANÇA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. IMPROCEDÊNCIA. A decisão denegatória de segurança não tem conteúdo ‘executório’, descabendo, por impossibilidade jurídica, suspenderlhe a execução pela via transversa, atribuindose efeito suspensivo a recurso ordinário, a sentença denegatória tem eficácia ‘meramente declaratória negativa’ do ato, não havendo, a rigor, efeito algum para se suspender. Medida cautelar julgada improcedente. Decisão unânime.’ (cf. Acórdão da 1ª Turma do STJ na MC nº 114GO, Reg. nº 1994/00361459, em sessão de 21/06/95, rel. Min. Demócrito Reinaldo, pub. in DM de 28/08/95, pag. 26562) ‘PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. SENTENÇA DENEGA TÓRIA. APELAÇÃO. EFEITO SUSPENSIVO. A Apelação de sentença que denega Mandado de Segurança é dotada de efeito exclusivamente devolutivo, sendo infactível a atribuição de efeito exclusivamente suspensivo a recurso contra julgado de conteúdo negativo, certo que o mesmo não aportaria aptidão para revigorar provimento liminar revogado por decisum de direito.’ (cf. Acórdão da 4ª Turma do TRF da 4ª Reg. nº AG 04067552, rel. Des. Fed. Amaury Chaves de Athayde, publ. in DJU de 10/09/98, pág. 594)” Destacase que a decisão antecipatória do agravo de instrumento não poderia ser revigorada, pois este foi expressamente declarado prejudicado pelo tribunal competente, em decisão da qual não cabe mais recurso. A não imposição da multa de oficio, nos termos do artigo 63 da Lei nº 9.430, de 1996, tem como pressuposto que, no momento da lavratura do auto de infração, o crédito se encontre com a exigibilidade suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, sendo formalizado o lançamento apenas para prevenir a decadência. Como não existia qualquer ato que suspendesse a exigibilidade do crédito, a aplicação da multa de ofício era exigência. Portanto, ainda que esteja atualmente suspensa a exigibilidade da contribuição para o PIS e da COFINS sobre a parcela da base de cálculo correspondente ao ICMS próprio, o lançamento para prevenir a decadência deve contemplar a multa de ofício. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para reformar o acórdão atacado e restabelecer a exigibilidade da multa de ofício aplicada, tendo em vista a inexistência, no momento do lançamento, de qualquer medida judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Fl. 4186DF CARF MF 10 Fl. 4187DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.726617/2009-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente.
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL.
Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9202-004.119
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 66 17 /2 00 9- 75 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726617/200975 Acórdão n.º 9202004.119 CSRFT2 Fl. 12 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.726133/200926. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, totalizando o valor de R$ 129.738,53, incluídos aí multa de ofício, equivalente a 75%, e juros de mora. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726617/200975 Acórdão n.º 9202004.119 CSRFT2 Fl. 13 3 A Contribuinte apresentou impugnação, restando integralmente indeferida pela DRJ/SDR/BA às fls. 126/132. Regularmente cientificada, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, fls. 137/227, argumentando, entre outros, a natureza indenizatória das diferenças recebidas de URV, a legitimidade da União Federal para cobrar o Imposto de Renda; a imprestabilidade da base de cálculo na forma em que se encontra – lançamento que desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção; a exigência de multa de ofício e juros moratórios. Em análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, fls. 272/279, deu parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Após rejeitados os Embargos Declaratórios apresentados pela Contribuinte às fls. 284/287, apresentou Recurso Especial às fls. 294/318, suscitando, em síntese, a não incidência do Imposto de Renda sobre as verbas referentes às diferenças de URV, face sua natureza indenizatória. Alega que as parcelas referentes às diferenças de URV não representam qualquer acréscimo patrimonial, produto do capital ou do trabalho, mas constituem ressarcimento pelo erro no cálculo da remuneração. Requer, ainda, tratamento isonômico entre os membros dos Ministérios Públicos da União e do Estado. No exame de admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Contribuinte, a Presidência da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 354/356, deu seguimento ao recurso em face da verificação da divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma, para que ambas as matérias suscitadas no recurso especial sejam discutidas. Assim, deve ser reapreciada da natureza jurídica das diferenças remuneratórias calculadas em face da variação da URV, pagas a membro de Ministério Público estadual, para concluir pela incidência ou não do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, bem como a aplicação da resolução n. 245 do STF ao caso concreto. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, fls. 358/365, vieram os autos conclusos. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726617/200975 Acórdão n.º 9202004.119 CSRFT2 Fl. 14 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.115, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.726133/200926, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.115): PRELIMINAR DE NULIDADE Em face do RE e do conteúdo do acórdão recorrido, cingese a discussão ao caráter indenizatório dos rendimentos relativos aos pagamentos recebidos pelos membros do Ministério Público da Bahia. Ausência de nulidade do lançamento Primeiramente, considerando ter sido suscitado de ofício a nulidade do lançamento, argumentando se a decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 12 da 7.713/1988, em sede de repercussão geral seria capaz de eivar de vício material o lançamento. Entendo que não! Ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da 12.530/2010. De acordo com o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009, vigente à época da interposição do recurso), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726617/200975 Acórdão n.º 9202004.119 CSRFT2 Fl. 15 5 AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Aliás, até no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/2005 61, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Com base na decisão proferida pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos Fl. 447DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726617/200975 Acórdão n.º 9202004.119 CSRFT2 Fl. 16 6 acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo a nova base de cálculo. Destaco, ainda, que a competência dessa CSRF restringese a apreciação dos argumentos trazidos em sede de recurso especial pelas partes, não competindo aos seus membros suscitar de ofício argumentos pela nulidade da autuação sem que o recorrente o tenha feito. Isto posto, entendo que deva ser rejeitado o conhecimento da nulidade suscitada de ofício pela ilustre relatora. DO MÉRITO Competência para legislar sobre IR. Primeiramente, conforme descrito no lançamento, a Lei Complementar nº 20 do Estado da Bahia, de 08 de setembro de 2003, consignaria o caráter indenizatório dos rendimentos, todavia, entendo que a competência para legislar sobre imposto de renda é da União, conforme disposto no art. 153, IV, da CF/88. Dessa forma, fazse necessário realizar a análise da natureza jurídica dos valores recebidos, de forma a se determinar seu caráter indenizatório ou salarial. Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] III renda e proventos de qualquer natureza; [...[ § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. § 2º O imposto previsto no inciso III: I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; Neste ponto, convém diferenciar a natureza salarial que se subsume ao citado dispositivo face a configuração de nítido acréscimo patrimonial das verbas com natureza indenizatórias, cujo fundamento para exclusão configurase como a reparação por um dano sofrido, ou mesmo as verbas legalmente descritas como indenizatórias. Nessa linha de raciocínio, entendo que a referida lei estadual não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência da Fl. 448DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726617/200975 Acórdão n.º 9202004.119 CSRFT2 Fl. 17 7 devida correção salarial decorrentes de alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo sujeito passivo, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Concluindo, em relação a este item, entendo incabível tomar como absoluta para exclusão da incidência do IR lei de outro ente da federação (no caso, o Estado da Bahia), face a competência instituída pelo texto constitucional. Incidência sobre valores de diferenças de URV. Quanto ao mérito, é sabido que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais decorrentes da conversão da remuneração dos servidores beneficiados, quando da implantação do Plano Real. Em função disso, constatase que tais valores tem ligação direta com a remuneração, ou seja, se referem a remuneração (vencimentos) não percebidos anteriormente e acabam por importar diferenças ao longo dos anos subseqüentes. Nesse sentido, podemos concluir que o objetivo de ações judiciais sob esse fundamento ou mesmo da Lei Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, da Bahia (que apenas reconheceu esse direito) foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou de ser pago, ou seja, diferença de salários. Considerando o nítido caráter salarial diferenças pagas a posteriori, penso que a verba trazida à discussão encontrase sujeita à incidência do IR, conforme dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Nesse sentido, estáse diante de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Frente as considerações acima, também afasto os fundamentos adotados pelo julgador da turma a quo para definir a natureza das diferenças de URV. Segundo o acórdão recorrido a verba recebida pelos servidores estaduais possui a mesma natureza Fl. 449DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726617/200975 Acórdão n.º 9202004.119 CSRFT2 Fl. 18 8 daquela percebida pelos seus pares da União e, portanto, não se poderia dispensar tratamento diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação. Entendo, que não há como igualar as situações dos membros do Ministério Público Federal e Magistratura Federal com os pertencentes aos quadros do Estado da Bahia, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II do art. 111 do CTN. Com efeito, o Código Tributário Nacional veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação semelhantes. Pensar diferente implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e o art. 176 do CTN. Dessa forma, ao contrário do exposto pelo julgador a quo entendo que ao adotar mesmo tratamento tributário, alterando a natureza dos pagamentos, estaria sim, me valendo da analogia para definir fato gerador e base de cálculo de imposto sob a competência da União. A Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245/2002 conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). No mesmo sentido, a PGFN, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para a Magistratura Federal e MP Federal, respeitando a interpretação do STF, contudo, tal verba não pode ser confundida com as diferenças decorrentes de URV, ora sob análise. Por fim, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial Fl. 450DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726617/200975 Acórdão n.º 9202004.119 CSRFT2 Fl. 19 9 tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. Quanto ao caráter salarial das verbas pagas a título de URV, já se pronunciou este conselho em outras ocasiões acerca do tema, ao qual cito julgados que corroboram com o encaminhamento aqui formulado: ACÓRDÃO 9202003.659 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726617/200975 Acórdão n.º 9202004.119 CSRFT2 Fl. 20 10 Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 9202.003.585 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 2201002.491 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União Fl. 452DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726617/200975 Acórdão n.º 9202004.119 CSRFT2 Fl. 21 11 para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Frente as questões colocadas acima, entendo que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de IR, sendo incabível acatar a argumentação de que a natureza salarial da referida verba seja alterada por legislação estadual, qual seja, a Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, ou Fl. 453DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726617/200975 Acórdão n.º 9202004.119 CSRFT2 Fl. 22 12 mesmo que Resolução nº 245 do STF lastreada em Lei federal com destinação específica possa ser aplicada por analogia a outros casos que não os expressamente nela descritos. Quanto a necessidade de prévia declaração de inconstitucionalidade da lei estadual. Quanto a argumentação de que necessário, antes de efetivar ao lançamento, ter declarada a inconstitucionalidade da lei Estadual, entendo não ser esse o melhor entendimento aplicável. Conforme acima esclarecido, a competência para legislar sobre IR recai sobre a União, não podendo ser alterada a natureza jurídica da verba para efeitos de definição do fato gerador. Contudo, não pode o agente fiscal entender ou mesmo questionar a constitucionalidade de lei Estadual, cujo ente Estadual possui competência para definir não apenas a natureza jurídica da verba, como a incidências sobre os tributos cuja competência para legislar esteja sob sua égide. Por exemplo, a definição da natureza jurídica para efeitos de definição da natureza tributos de contribuição previdenciária para regime próprio de previdência. Assim, ao fisco Federal compete apreciar se a verba recebida pelos Membros do MP da Bahia, encontrase abarcada como fato gerador de IR, utilizandose dos fundamentos dessa legislação para apuração do fato gerador, da natureza jurídica do pagamento e da base de cálculo e montante do tributos apuráveis. Dessa forma, afasto a argumentação, de que necessário primeiramente declarar a constitucionalidade da legislação estadual. Quanto a incompetência do CARF para afastar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, entendo não ser essa a questão aplicável ao caso concreto. Realmente nos termos do art. 62 do CARF: "é vedado aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionlidade", todavia, a competência básica dos membros desse colegiado é identificar se o lançamento se amolda as exigências legais e se os argumentos apontados pelo recorrente seriam suficientes para a desconstituição do lançamento. Bem, conforme foi apreciado acima, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao lançar as contribuições, posto que os valores recebidos, pela análise da legislação aplicável ao caso concreto, quais sejam, CF/88, CTN e legislação do IR incorreto considerar os rendimentos como isentos ou não tributáveis. Assim, esse julgador em momento algum descumpri ou fere dispositivo regimental, pelo contrário, entendo que ao acatar os argumentos do recorrente pela aplicabilidade da legislação estadual e resolução 245/STF, aí sim, estaria afastando dispositivo legal. Quanto a forma de cálculo do IR devido Regime Caixa X Competência Fl. 454DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726617/200975 Acórdão n.º 9202004.119 CSRFT2 Fl. 23 13 Conforme já trazido quando da apreciação da decisão do STF sobre o tema em sede de preliminar, entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutise a sistemática de calculo aplícável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. No que tange à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a autoridade lançadora aplicou sobre o total do rendimentos recebidos pelos membros do MP da Bahia, a tabela do imposto de renda vigente no mês do recebimento. Contudo, de acordo com o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009, vigente à época da interposição do recurso), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP e o e RE 614.406/RS versam exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Assim, devese aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Conforme já citado neste voto e inclusive transcrita ementa, o CARF já se manifestou acerca dessa questão no processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Fl. 455DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726617/200975 Acórdão n.º 9202004.119 CSRFT2 Fl. 24 14 Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, Fl. 456DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726617/200975 Acórdão n.º 9202004.119 CSRFT2 Fl. 25 15 ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Da leitura do trecho do voto transcrito acima, ao qual uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS foram no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como Fl. 457DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726617/200975 Acórdão n.º 9202004.119 CSRFT2 Fl. 26 16 descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88), mas sim, pelo regime de competência. Dessa forma, considerado os termos da decisão do STF e STJ, encaminho pelo provimento parcial do Resp do Contribuinte, para afastar a nulidade e que a apuração do imposto devido seja feita de acordo com o regime de competência, em face do julgado no âmbito do RE 614.406/RS. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, para afastar a nulidade suscitada de ofício pela relatora e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para afastar a nulidade suscitada de ofício e, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 458DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726617/200975 Acórdão n.º 9202004.119 CSRFT2 Fl. 27 17 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726617/200975 Acórdão n.º 9202004.119 CSRFT2 Fl. 28 18 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11065.001221/2003-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADES.
Ainda que completamente ausente o dispositivo legal que dá suporte ao lançamento, não é nulo este se presente no auto de infração adequada descrição dos fatos que enseje, a critério do julgador, o pleno exercício do direito de defesa constitucionalmente previsto.
Numero da decisão: 9303-004.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello e Tatiana Midori Migiyama, que lhe negaram provimento.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
Júlio César Alves Ramos - Relator.
EDITADO EM: 19/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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NULIDADES Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNICASA INDÚSTRIA DE MÓVEIS S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADES. Ainda que completamente ausente o dispositivo legal que dá suporte ao lançamento, não é nulo este se presente no auto de infração adequada descrição dos fatos que enseje, a critério do julgador, o pleno exercício do direito de defesa constitucionalmente previsto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello e Tatiana Midori Migiyama, que lhe negaram provimento. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. Júlio César Alves Ramos Relator. EDITADO EM: 19/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 12 21 /2 00 3- 18 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Por bem descrever a controvérsia a dirimir, transcrevo excerto do despacho de admissibilidade do recurso em discussão: Tratase de juízo de admissibilidade de Recurso Especial apresentado tempestivamente pela Fazenda Nacional à Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, em face da decisão proferida no Acórdão no 320200.196, de 01/10/2010, pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF (fls. 148/ss). Referido Acórdão possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/03/2003 AUSÊNCIA PARCIAL DE INVOCAÇÃO DA NORMA INFRINGIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VICIO MATERIAL. Vício material diz respeito ao conteúdo do ato, aos fundamentos fáticos e jurídicos que, inadequados, não encontram suporte em norma legal substancial, que rege o ato administrativo denominado lançamento tributário. Embargos acolhidos e providos para rerratificar o acórdão, na parte em que foi dado provimento ao recurso voluntário quanto à exigência do IPI. Embargos Acolhidos. O acórdão acima citado foi proferido em decorrência de embargos de declaração interpostos pela União, para que o Colegiado esclarecesse seu entendimento acerca da natureza do vício do lançamento. Abaixo transcrevese a ementa do acórdão embargado: ASSUNTO: CLASSIFICACÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/03/2003 IMPOSTO DE IMPORTACÃO. CLASSIFICACÁO DE MERCADORIAS. Coifa aspirante própria para extração ou reciclagem de ar de ambientes, mais comumente de cozinhas domésticas, com ventilador incorporado, com dimensão horizontal máxima não superior a 120 cm, denominada comercialmente de "depurador de ar", classificase no código NCM 8414.60.00. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO IPI VINCULADO. LANÇAMENTO. FALTA DE INDICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS LEGAIS NO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. É nulo, por inobservância do requisito básico exigido no art. 10, IV, do Decreto n 70.235/72, o lançamento cujo Auto de Infração Fl. 391DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.001221/200318 Acórdão n.º 9303004.218 CSRFT3 Fl. 391 3 não indique a disposição legal infringida. Os dispositivos legais pertinentes ao lançamento do Imposto de Importação não servem para dar suporte ao lançamento referente ao IPI, visto estar este tributo previsto em normas distintas. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE O voto condutor do Acórdão recorrido posicionouse no sentido de que a autuação fiscal, no tocante exclusivamente ao IPI, deveria ser declarada nula em decorrência de vício material. Abaixo transcrevese trechos do Acórdão recorrido onde estão expostos os fundamentos do voto (fl.156): Isto posto, verificase que na descrição dos fatos e enquadramento legal não estão expostos os fundamentos jurídicos no que tange ao IPI. Todavia, os suportes fático e jurídico, os motivos que levaram ao lançamento tributário encontramse manifestados adequadamente no que respeita ao II. Portanto, a análise reportase exclusivamente ao IPI e, sob esse aspecto, ocorreu vício material, pois no caso em tela não foi citada a base legal pertinente, ou seja, a disposição legal infringida e tampouco a sanção prevista. Flagrante a inadequação quanto à previsão legal inserta no artigo 10 do Decreto n° 70.235/72. Poderia ser feita a ressalva da ausência de cerceamento do direito de defesa caso a recorrente demonstrasse conhecer as normas, as disposições legais infringidas e as sanções aplicáveis, e por elas pautasse a defesa, mas não é o caso. Em face do exposto, acolho e dou provimento aos embargos para sanar a contradição e rerratificar o acórdão embargado, considerando a existência de vicio material quanto ao IPI vinculado à importação por ausência de fundamentação legal. (grifamos) A recorrente aponta como paradigmas da divergência jurisprudencial os Acórdãos nº CSRF/0202.301, proferido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e nº 10709.587, proferido pela antiga Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, onde aquelas Turmas Julgadoras decidiram que a capitulação errônea ou imprecisa do auto de infração, bem como a ausência de enquadramento legal, não são causas suficientes para provocar a nulidade do lançamento, notadamente quanto o contribuinte defendese dos fatos a ela imputados, exercendo o seu direito à ampla defesa. Vejamse as ementas dos Acórdãos apontados como paradigmas, transcritas à fl. 283: Acórdão nº CSRF/0202.301: NORMAS PROCESSUAIS — CAPITULAÇÃO LEGAL. NULIDADE. INEXISTENTE. O estabelecimento autuado Fl. 392DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 defendese dos fatos a ele imputado, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal. Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo. IPI — MULTA DE OFICIO PELA FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DECRÉDITO A mera falta de lançamento do imposto nas notas fiscais respectivas, é suporte fático suficiente para a aplicação da multa de lançamento de ofício, mesmo nos casos em que o período de apuração apresente saldo credor na escrita fiscal. Recurso especial provido. (grifamos) Acórdão nº 10709.587: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ementa: Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003. ENQUADRAMENTO LEGAL — NULIDADE — INOCORRÊNCIA Ainda que existente, erro no enquadramento legal do Auto de Infração não seria o bastante, por si só, para acarretar a nulidade das exigências, quando a descrição dos fatos, que dele é parte integrante, e os cálculos efetuados pelo fisco para encontrar a matéria tributável permitem ao autuado o conhecimento por inteiro do ilícito que lhe é imputado. (grifamos) Concluiu o conselheiro Marcos Valadão comprovada a divergência. Acrescento que o recurso especial pugna, subsidiariamente, caso mantida a nulidade, que seja ela revista para considerarse o vício como formal, trazendo paradigma (acórdão 230100.020) que reconhece exatamente essa circunstância, ainda que com respeito a contribuição previdenciária para a qual havia ato normativo expressamente assim disciplinando e que amparou a decisão. Quanto ao tema, traz ainda outros dois paradigmas que falam genericamente em descumprimento do art. 10 da Decreto 70.235/72. Tempestivas contrarrazões, embora não peçam a nãoadmissibilidade do recurso, enfatizam sua diferença com as situações descritas nos paradigmas, pois aqui não haveria, no pertinente ao IPI, nem a indicação do dispositivo legal contrariado nem a descrição dos fatos a ela relativos que permitissem a apresentação de adequada defesa, motivo pelo que, segundo o sujeito passivo, a impugnação se resumira "... a uma simples informação à autoridade julgadora". É o Relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 393DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.001221/200318 Acórdão n.º 9303004.218 CSRFT3 Fl. 392 5 Reexamino a admissibilidade do recurso com o cuidado que ela está a merecer. Isso porque a Fazenda Nacional inicialmente postula a reversão completa da decisão que acolheu ter havido nulidade no lançamento em face da ausência de enquadramento legal. É importante, portanto, começar pela verificação de se algum dos paradigmas tratou realmente de ausência completa de enquadramento ou apenas de erro no dispositivo legal expressamente mencionado. Essa última é a conclusão que consigo extrair ao ler a íntegra do primeiro paradigma arrolado pela recorrente acórdão 10709.857 disponível no sistema e processo: Desde logo afasto os argumentos do contribuinte de que há nulidade no lançamento fiscal por divergência entre os fatos relatados e o enquadramento legal adotado nos Autos de Infração. A fiscalização desconsiderou, por simuladas, as operações com debêntures e glosou os valores levados a débito de resultado a título de amortização do prêmio na subscrição. Não se trata, portanto de lançamento calçado no parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional, como quer fazer crer a recorrente. Ainda que tivessem ocorridos(sic) equívocos na capitulação legal, se o fato típico encontrase devidamente descrito no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante dos Autos de Infração, e as defesas apresentadas até agora pela recorrente mostram que ela entendeu perfeitamente a acusação que lhe é feita, não há nulidade a ser declarada. No entanto, a segunda decisão arrolada, proferida pela Câmara Superior, debruçouse efetivamente sobre falta completa de enquadramento ainda que apenas para a multa, estando presente o enquadramento da falta de recolhimento e concluiu, peremptoriamente: Quanto à suposta ausência de enquadramento legal a lastrear a multa, entendo equivocado o posicionamento da câmara recorrida, a uma porque a infração foi corretamente descrita no auto de infração fl. 235), nos termos seguintes: O estabelecimento equiparado a industrial deu saída a produto(s) tributado(s) sem lançamento do imposto, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante deste auto de infração. Em seguida, foi feito o escorreito enquadramento legal da infração art. 59 c/c art. 51, inc. I, alínea "b", ambos do RIPI/1982 (fl. 236) ;a duas porque a citação da capitulação legal era prescindível, pois não se pode olvidar que o acusado defendese dos fatos a ele imputados, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal. Somente haveria prejuízo à defesa se os fatos narrados na acusação não correspondessem aos ocorridos no mundo fenomênico. Mas não foi isso o que aconteceu, a Fiscalização foi pródiga ao descrever, minudentemente, as infrações imputadas ao autuado. Além do que, cada um dos fatos imputados veio arrimado em farta documentação. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Todos os elementos essenciais tanto para a defesa quanto para o julgador encontravamse presentes nos autos. Como visto, não houve qualquer prejuízo à defesa e, sem este, não há nulidade. Aliás, é de se esclarecer que o sujeito passivo, em momento algum, alegou cerceamento de defesa. Por último, o fato de haver menção no auto de infração a pareceres normativos, não traz qualquer mácula ao lançamento, pois este não está arrimado em tais pareceres, mas em lei, em sentido estrito. Tais pareceres expressam o entendimento da Administração Tributária sobre pontos específicos da legislação, mas não são usados como fundamento de exigência fiscal. O caso em exame não discrepa disso, posto que a citação dos pareceres normativos não substituiu a tipificação feita em dispositivos legais. O segundo aspecto a ser considerado no exame da admissibilidade corresponde à condição exigida em ambas as decisões para que não se declare a nulidade mesmo diante de erro/ausência de enquadramento legal, qual seja, que a infração apontada, ou melhor ainda, os fatos que a caracterizam, estejam adequadamente descritos no auto de infração de modo a propiciar ao autuado a plena defesa mesmo naquela ausência. E é este o aspecto mais difícil aqui, mormente porque a decisão recorrida, aparentemente, entendeu que tal descrição estava ausente ou era insuficiente, ainda que reconhecendo ser ela exatamente a mesma que consubstanciava a infração do imposto de importação, que ela, decisão, reconheceu estar extensamente descrita no lançamento, tanto que, manteve a autuação sem qualquer menção a nulidade. O recurso especial da Fazenda salienta esta última circunstância, e é ela, a meu ver, que permite sua admissibilidade. Com efeito, diz a autoridade lançadora (fls. 7/8): O importador, por meio da Declaração de Importação (DI) n" 03/02622777, registrada em 28 de março de 2003 (folhas 15 a 21), submeteu a despacho (adição 001) 500 unidades de "depuradores de ar", classificandoos na Tarifa Externa Comum (TEC) no código 8421.39.90, tendo recolhido o Imposto de Importação à aliquota de 14% e o Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação a alíquota de 5%. Realizado o exame documental e sob alerta de outras unidades de que a empresa vinha sistematicamente importando tais equipamentos em uma classificação tarifária incorreta, objetivando um recolhimento a menor do Imposto de Importação (II) e Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado a importação procedemos à retirada de catálogos (manuais de equipamentos conhecidos como depuradores de ar de uso em cozinhas). Concluímos que os aparelhos depuradores de ar em questão não se enquadram na Posição 8421, pretendida pelo importador, pois apesar de realizarem purificação/filtragem/reciclagem de ar, não se caracterizam como "aparelhos para depurar gases" ai contidos, e sim como "coifasaspirantes para extração ou reciclagem, com ventilador incorporado, mesmo filtrantes", da Posição 8414, código da TEC 8414.60.00, com alíquotas de 21,5% (vinte e um e meio Fl. 395DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.001221/200318 Acórdão n.º 9303004.218 CSRFT3 Fl. 393 7 por cento) do Imposto de Importação (Resolução (AMEX 42/2001) e de 15% quinze por cento) do Imposto sobre Produtos Industrializados (Decreto 4.070/2001), por enquadrarse no EX 01 de IPI — do tipo doméstico. Sendo assim, cobrase a diferença de impostos, apurada em face de tal incorreção, somado aos acréscimos legais devidos. Assim, diferentemente do quanto afirmado na decisão recorrida, entendo estar sim presente a descrição da infração apontada, mesmo com respeito ao IPI, o que faz equivalentes os fatos tratados na decisão recorrida e os do paradigma apresentado (CSRF 02 02.301). Por fim, realço que o prejuízo à defesa, além de ser arguido pelo interessado, deve ser reconhecido pelo julgador ao declarar a nulidade. Em outras palavras, não basta a alegação de prejuízo, ele há de ter mesmo ocorrido, na apreciação do julgador. Desse modo, admito o recurso e passo ao seu mérito. Vale começar pela repetição dos fatos. Nela há ausência completa de enquadramento legal, mas há perfeita descrição dos fatos ensejadores da infração: recolhimento a menor do IPI em face de incorreta classificação fiscal da qual resultou a adoção de alíquota (5%) menor do que a considerada correta pela fiscalização (15%). Diante desses fatos, a pergunta a ser respondida é se há nulidade ou não. A decisão recorrida afirma que sim (ainda que interprete diferentemente os fatos) e o paradigma, que não. Estou em consonância com este último. De fato, o recurso voluntário, apesar de reafirmar a ausência de enquadramento legal no que tange ao IPI, dedica praticamente todas as suas quinze laudas a combater a classificação fiscal pretendida pela autoridade fiscal, expondo minuciosamente o seu entendimento, lastreado em laudo produzido, de que os produtos incluemse mesmo na posição 8421 adotada. Destarte, aceitos que tivessem sido tais argumentos, ambas as autuações haveriam de ter sido consideradas insubsistentes. Exerceu, por isso, em meu entender, o amplo direito de defesa constitucional e legalmente previstos, mesmo com respeito ao IPI. Em nada divirjo dos fundamentos e da conclusão do acórdão trazido como paradigma (CSRF 0202.301), já transcritos, e que peço vênia para considerar como meus. Para complementálos no caso concreto, repito: a autuação descreve completa e claramente a infração cometida recolhimento a menor de IPI decorrente de uso de alíquota menor do que a devida, consequente de adoção de classificação fiscal incorreta. Demonstra ainda por que está incorreta a classificação, louvandose nas regras de classificação do sistema harmonizado (aplicáveis tanto ao II quanto ao IPI), nas suas notas explicativas e em atos normativos específicos para o produto, que fazem expressa menção ao IPI. Mais, demonstra a autoridade o quanto deve ser recolhido, a partir da alíquota correta, já considerados os recolhimentos efetuados à alíquota incorreta. Destarte, não vislumbro no lançamento prejuízo algum ao exercício do amplo direito de defesa, que foi, aliás, regiamente praticado, e, se não há prejuízo à defesa, mesmo que alegada, nulidade não pode haver. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Com esses fundamentos, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à turma ordinária para que, superando a nulidade pretendida e inicialmente reconhecida, se pronuncie especificamente quanto ao mérito da autuação de IPI. É como voto. Júlio César Alves Ramos Relator Fl. 397DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11080.914806/2012-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.268
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.806, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 06 /2 01 2- 01 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914806/201201 Acórdão n.º 9303004.268 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914806/201201 Acórdão n.º 9303004.268 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 199DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 16643.720032/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do relatório e voto proferido pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto de Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros presentes Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: Não se aplica
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do relatório e voto proferido pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros presentes Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 43 .7 20 03 2/ 20 11 -6 1 Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.427 2 Relatório Em decorrência de ação fiscal a empresa foi autuada, em relação ao IRPJ e à CSLL no valor de R$ 145.347.105,11, referente a fatos geradores ocorridos em 31/12/2006 e 31/12/2007. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalizada cometeu as seguintes infrações: deixou de adicionar ao lucro líquido apurado em 31/12/2006, para a determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os lucros auferidos em 2006 por sua controlada direta (100%) Brahmaco, estabelecida em Gibraltar, no montante de R$473.152,23, e por suas controladas indiretas, estabelecidas no Uruguai, Cympay (98,31% controlada pela controlada direta Aspen, estabelecida nas Bahamas) e Monthiers S/A (100% controlada pela controlada direta (100%) Jalua, estabelecida na Espanha), respectivamente nos valores de R$32.249.002,49 e R$213.872.986,81. deixou de adicionar ao lucro líquido apurado em 31/12/2007, para a determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os lucros auferidos em 2007 por sua controlada direta Brahmaco no montante de R$ 579.423,38, e por sua controlada indireta Cympay no valor de R$ 28.065.118,65. e, deixou de adicionar ao lucro líquido apurado em 31/12/2006 e 31/12/2007, para a determinação do lucro real, os juros mínimos obrigatórios relativos a empréstimo existente em 2006 e 2007 e concedido a pessoa vinculada, a controlada (100%) Aspen Equities Corporation, nos valores respectivos de R$19.836,92 e R$ 17.537,45. Irresignada, a empresa, apresentou impugnação de fls. 847 a 904, em 23/12/2011, instruída com os documentos de fls. 905 a 1.315, na qual alega, em síntese, que: a impugnação é tempestiva já que foi cientificada dos lançamentos em 23/11/2011. que não houve disponibilização efetiva de lucros auferidos no exterior, e como já decidiu o Supremo Tribunal Federal a propósito do ILL no RE nº 172.0581, tem de haver a disponibilidade econômica e jurídica de renda para poder tributála. a fiscal ignorou esta determinação em relação aos resultados auferidos pela Aspen e Jalua, controladas diretas da impugnante. que apesar da fiscalização reconhecer expressamente que em 2006 e 2007, a Aspen, auferiu resultados positivos após o reconhecimento dos lucros da controlada indireta (Cympay) por equivalência patrimonial, que não seriam passíveis de tributação no Brasil por serem inferiores aos prejuízos acumulados (documentos de fls. 78 a 86) e que, caso houvesse tributação dos lucros da Aspen, que controla a Cympay, haveria consideração duplicada dos lucros, já que os resultados apurados pela Aspen são compostos essencialmente da equivalência patrimonial naquela empresa controlada, Sendo assim optou por tributar, única e exclusivamente, o resultado isolado da investida indireta Cympay ao invés de considerar o resultado consolidado acumulado negativo na investida direta. Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.428 3 que o mesmo entendimento foi adotado em relação à Jalua, que embora tenha apurado resultados negativos, a fiscal simplesmente tributou diretamente o resultado da investida indireta Monthiers. que este novo critério somente seria aplicável a partir de agora, relativamente aos fatos geradores futuros e jamais quanto aos fatos geradores anteriores a sua introdução. que no lançamento realizado em 2005, a fiscalização corretamente consolidou na Jalua (controlada direta) o resultado das investidas daquela sociedade (controladas indiretas), compensado o resultado negativo de uma delas com o positivo de outra, com extrita observância às normas da IN/SRF nº 213/2002. que ao contrário do que dispõe o artigo 1º, § 4º, da Lei nº 9.537/1997, a fiscalização deixou de considerar os pagamentos de 2006 e 2007 efetuados pela Cympay, a título de imposto de renda, conforme comprovantes de fls. 931 a 1223 e demonstração de resultados de fl. 677, que, superam o valor dos tributos que seriam devidos no Brasil sobre o resultado consolidado na controlada direta Aspen, de acordo com memória de cálculo de fls. 929 e 930. que uma vez que o imposto pago no exterior não é compensável com o imposto devido no Brasil, este valor não poderia compor o lucro supostamente disponibilizado para a impugnante, porque representa despesa para a pessoa jurídica no exterior. que, além disto, conforme resultados dos exercícios de fl. 677, parte do lucro auferido em 2006 foi destinado a composição de reserva legal obrigatória (o mesmo ocorreu com o lucro de 2007), que, conforme artigo 193 da Lei das S.As e artigo 93 da Lei Uruguaia nº 16.060/89 (fls. 1224 e 1225), deve ser constituída (no mínimo 5% até atingir 20% do capital social) antes de qualquer outro fim. que a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes diz que o valor da reserva legal deve ser excluído dos lucros da filial de sociedade estrangeira estabelecida no Brasil que podem ser considerados automaticamente disponibilizados a sua matriz no exterior. quanto à tributação dos lucros auferidos pela controlada indireta Monthiers, estabelecida no Uruguai e controlada direta pela Jalua, da Espanha, a Jalua apresentou consulta formal ao Ministério de Economia Y Hacienda espanhol consignando expressamente ser uma sociedade inscrita no Registro Oficial de Entidades da Zona Especial Canária (“ZEC”) e que é 100% titular do capital da Monthiers, domiciliada no Uruguai e indagando se dividendos recebidos de sua controlada uruguaia e distribuídos a sua controladora brasileira estariam submetidos à tributação na Espanha, ao que foi respondido que seria tributado, conforme documento de fls. 1277 a 1289, o que demonstra a falsidade de premissa da autuação de que teria ocorrido “Treaty Shopping”. que a OCDE, a doutrina e a jurisprudência jamais vislumbraram caso de abuso de tratado o fato da controlada da impugnante ser uma holding e a OCDE somente admite que os países se oponham a supostos atos de Treaty Shopping por meio de cláusulas de salvaguarda expressas nos acordos internacionais celebrados, o que exclui tanto medidas legislativas unilaterais dos países e com mais razão iniciativas das autoridades fiscais, entendimento evidenciado em doutrina reproduzida. Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.429 4 que a própria autoridade autuante admite que somente nos tratados mais recentes celebrados pelo Brasil foram incluídas cláusulas para combater o Treaty Shopping; que as cláusulas antiabusivas, além de não constarem do tratado celebrado entre o Brasil e a Espanha, negam os benefícios do tratado quanto à tributação na fonte de dividendos, juros e royalties, situação absolutamente distinta do presente caso no qual se tributa lucro auferido por empresa controlada no exterior. que também não amparam a pretensão fiscal cláusulas que excluam dos benefícios do tratado as sociedades residentes em algum dos estados membros se estes possuem regime fiscal privilegiado, já que tais cláusulas não existem entre Brasil e Espanha, apesar de existir, por exemplo, no tratado celebrado entre o Brasil e Luxemburgo em 1978 em relação às holdings luxemburguesas que gozam de tratamento fiscal especial. que diferentemente, no presente caso, a Jalua não goza de nenhum tratamento fiscal especial atribuído pela legislação espanhola e privilégios semelhantes às das holdings luxemburguesas foram expressamente tolerados pelos Brasil nos tratados celebrados com Canadá, Bélgica e Portugal. que a autoridade lançadora apenas afirma, sem demonstrar, que a Jalua é um mero conector para aproveitamento dos benefícios tributários, não podendo, desta forma, uma sociedade legitimamente constituída sob as leis espanholas ser desconsiderada pela fiscalização sem qualquer justificativa para tanto, sob pena de ofensa a princípios do Direito Internacional, especialmente o “pacta sunt servanda” e o da independência da sociedade em relação aos sócios. que não tem sentido os comentários da autoridade lançadora sobre estabelecimento permanente, já que a Jalua não é um estabelecimento da impugnante, mas sim uma pessoa jurídica distinta. que também não procedem as afirmações da fiscalização sobre “beneficiário efetivo”, pois muito embora cláusulas quanto a esta questão tenham sido previstas em mais da metade dos tratados celebrados pelo Brasil, como afirma a própria auditora fiscal, entre estes não se encontra o celebrado com a Espanha. que como observa a própria fiscal autuante, a cláusula do beneficiário efetivo se aplica nas situações em que o planejador não reside nos países signatários do tratado, hipótese que não se aplica ao presente caso, já que a impugnante, que é o suposto beneficiário efetivo no entender da fiscalização, reside no Brasil, signatário do tratado com a Espanha. que mesmo nos casos em que há cláusulas de beneficiário efetivo e este de fato resida em país não signatário do acordo com o país da fonte dos dividendos, juros ou royalties, jurisprudência internacional (canadense) reproduzida tem repudiado tentativas de aplicar a regra para desconsiderar empresas que sejam controladas pelo suposto beneficiário efetivo e que tenham o controle de outras sociedades pelo fato de se encontrar a empresa desconsiderada no meio da cadeia de controles. que desta forma e conforme doutrina reproduzida, o lançamento viola o tratado entre o Brasil e a Espanha e o artigo 98 do CTN, segundo o qual, os tratados e as Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.430 5 convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna e serão observados pela que lhes sobrevenha, norma válida e de eficácia plena, de acordo com jurisprudência pacífica de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça e do Plenário do Supremo Tribunal Federal. que vem se firmando neste no CARF o entendimento de que, para efeitos de aplicação dos Tratados para evitar a duplatributação firmados pelo Brasil, os lucros disponibilizados fictamente por força do artigo 74 da MP nº 2.15835/ 2010 são dividendos presumidos sujeitos ao artigo 10 e não ao artigo 7º dos tratados, aplicandose as normas convencionais em vigor no momento desta disponibilização ficta. que em todos os casos citados, o Conselho concluiu que a tributação está recaindo sobre dividendos presumidos, aplicandose o artigo 10 dos tratados firmados, sendo legítima a tributação pelo Brasil, porque em todos os processos o método eleito para evitar a bitributação, previsto nos tratados, era o método de crédito. que ao se aplicar este entendimento no caso presente não há tributação, já que o tratado Brasil/Espanha, diferentemente dos tratados que regulam os casos julgados pelo Conselho, prevê em seu artigo 23, § 4º, que o Brasil deve isentar os dividendos percebidos de suas controladas sediadas na Espanha, entendimento este confirmado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 45/1976, “sobretudo diante da comprovação de que a Espanha efetivamente tributará aqueles lucros quando de sua distribuição, sob pena de burla ao Tratado e ocorrência da bitributação que o mesmo visou evitar”. que ainda que se entenda que a norma aplicável seria o artigo 7º do Tratado (e não o artigo 10), a tributação é igualmente vedada no Brasil diante da determinação da legislação de consolidação dos resultados na controlada direta, sediada na Espanha, e atribuição pelo Tratado de competência exclusiva àquele país para tributação dos lucros. que as disposições contidas no Tratado com a Espanha também se aplicam à CSLL, que somente não está citada neste acordo porque ainda não existia à época (foi criada pela Lei nº 7.689/1988 que também reduziu a alíquota do IRPJ de 35% para 30%), mas cujo parágrafo 4º do artigo 2º (do Tratado) prevê sua aplicação aos impostos idênticos ou substancialmente semelhantes que fossem criados no futuro, característica da CSLL em relação ao IRPJ, conforme a legislação e doutrina e jurisprudência transcritas. que o entendimento de que os Tratados para Evitar a Bitributação também se aplicam à CSLL igualmente é das autoridades brasileiras, já que, embora a Convenção firmada entre o Brasil e Portugal em 16 de maio de 2000 tenha listado em seu artigo 2º apenas o imposto de renda, o protocolo firmado pelas partes diz que fica entendido que nos impostos visados no artigo 2º, nº 1, aliena “a” da Convenção está compreendida a CSLL. que de acordo com doutrina citada, não se pode alegar que o fato de o Brasil não ter comunicado a Espanha da criação da CSLL, obrigação prevista na parte final do parágrafo 4 do artigo 2 da Convenção, prejudica a aplicação desta em relação a esta nova exação. por todo o exposto, deve ser afastado ambos lançamentos sob pena de ofensa ao tratado Brasil – Espanha, especialmente aos artigos 7º, 10 e 23, bem como ao artigo Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.431 6 98 do Código Tributário Nacional e ao artigo 150, I, da Constituição Federal. Que a norma veiculada no artigo 22 da Lei nº 9.430/1996, que pretende evitar suposta transferência de lucros entre empresas ligadas em operações de mútuo internacional, é absurda por estabelecer como receita mínima em caso de juros ativos o mesmo valor estabelecido como despesa máxima em caso de juros passivos. Que a exigência é caso de tributação em duplicidade pelo fato de que o mútuo em questão foi celebrado com a empresa Aspen, cujo suposto lucro auferido no exterior no mesmo período está sendo objeto do mesmo lançamento, já que à falta de reconhecimento pela impugnante de receita reclamada correspondeu o não reconhecimento de uma despesa de mesmo montante pela Aspen, mutuaria, majorando o lucro desta empresa sujeito à tributação no Brasil. Que sendo improcedentes os lançamentos, impõese o restabelecimento dos prejuízos compensados de ofício pela fiscalização, ainda que parcialmente após a absorção de eventual crédito tributário remanescente. Que como o Fisco vem exigindo em outros casos juros de mora sobre multa de ofício e para que não se alegue posteriormente que esta matéria não pode ser objeto de exame porque não foi abordada na defesa apresentada, cabe afirmar que a legislação somente autoriza a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo ou contribuição, conforme vários acórdãos citados e votos transcritos do Conselho de Contribuintes. que se a expressão “crédito tributário” prevista no caput do artigo 161 do CTN não se referisse somente à obrigação principal, não haveria necessidade da ressalva no sentido de que a incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. que além disto, se se admitisse que a palavra “débitos” contida no caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 incluísse o principal e multa de ofício terseia que admitir que as multas de ofício, quando não pagas no vencimento, sofreriam também o acréscimo de multa de mora, e também sobre os juros de mora, que se incluiriam nos “débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições”, pudessem ser exigidos juros (juros sobre juros) e multa de mora, o que evidencia a improcedência desta interpretação. que se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 contemplasse também a multa de ofício, não haveria necessidade da previsão do parágrafo único do artigo 43 da mesma Lei nº 9.430/1996, já que a incidência dos juros sobre multa de ofício lançada isoladamente nos termos do “caput” do artigo já decorreria diretamente do citado artigo 61; e que os juros de mora não podem ser exigidos na dimensão pretendida, porque estão sendo calculados com base na taxa Selic, que além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e extrapola muito o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN. A 1ª Turma da DRJ/SP1, pelo acórdão de nº: 1638.907, por unanimidade de votos julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementa a seguir: LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CONTROLADA INDIRETA. CONSOLIDAÇÃO DOS RESULTADOS NA CONTROLADA DIRETA. Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a controlada no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, serão consolidados no balanço da controlada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil, não havendo previsão de tributação direta dos resultados da Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.432 7 controlada indireta, ainda que a controlada direta esteja sediada em país com o qual o Brasil mantém tratado para evitar a bitributação e a controlada indireta esteja sediada em país não signatário de acordo com o Brasil, a menos que a fiscalização demonstre claramente, apontando fatos e provas, que se trata de planejamento abusivo inoponível ao Fisco. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CONTROLADA DIRETA. ADIÇÃO NA CONTROLADORA BRASILEIRA. Os lucros auferidos por controlada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil, para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, na data do balanço no qual tiverem sido apurados. PESSOA VINCULADA NO EXTERIOR. EMPRÉSTIMO CONCEDIDO. RECEITA DE JUROS MÍNIMA OBRIGATÓRIA. No caso de mútuo com pessoa vinculada, a pessoa jurídica mutuante, domiciliada no Brasil, deverá reconhecer, como receita financeira correspondente à operação, no mínimo na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros. Devidamente intimada, a Contribuinte não apresentou recurso voluntário, conforme termo de ciência por decurso de prazo. Tendo em vista que o valor do crédito exonerado é superior ao limite estabelecido na legislação de regência, a DRJ recorreu de ofício de sua decisão ao CARF e a União cientificada apresentou contrarazões alegando em síntese que: que a DRJ cancelou o lançamento sob a justificativa de que a Fiscalização não demonstrou de forma suficiente a razão pela qual desconsiderou a aplicação do Tratado BrasilEspanha. que a decisão não merece prosperar, pois o Auditor, ao constatar que o lucro sob análise era da MONTHIERS (Uruguai) e não da JALUA (Espanha), corretamente aplicou o artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, e afastou o Tratado. que além de ter demonstrado de forma suficiente o planejamento ilícito praticado pelo contribuinte, com base nos documentos fornecidos pelo próprio contribuinte (DIPJ, memória de equivalência patrimonial, etc), o Auditor verificou que, em 2006, a EAGLE reconheceu, por equivalência patrimonial, o lucro apurado pela MONTHIERS, mas que, todavia, esse mesmo lucro não fora reconhecido pela JALUA. Em outras palavras, o Fiscal constatou que o lucro apurado pela MONTHIERS foi reconhecido por sua controladora indireta (EAGLE), mas não reconhecido pela sua controladora direta (JALUA). que a tributação do lucro “nascido” na MONTHIERS no ano de 2006 fora pautada em duas principais observações feitas pelo Auditor: (i) a EAGLE reconheceu por equivalência patrimonial o lucro apurado pela MONTHIERS; (ii) a JALUA não reconheceu por equivalência patrimonial o lucro apurado pela MONTHIERS; Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.433 8 nesse sentido vale citar o seguinte trecho do TVF: “É por esta razão que nas demonstrações financeiras da Jalua S/A não se visualizam as contas de ativo permanente – investimento, nem a contrapartida de equivalência patrimonial nas demonstrações de resultado do exercício. O resultado líquido do exercício encerrado em 31/12/2006 apresenta o valor negativo de –R$ 53.196,41 (...). A Fiscalizada declara em sua resposta ao mesmo termo de intimação inicial, no item 6 que: “a equivalência patrimonial na Eagle é c alculada com base nas demonstrações financeiras de suas investidas (incluindo empresas sediadas no exterior) elaborada de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, em Reais (R$), Tais demonstrações financeiras podem diferir daquelas apresentadas no item 4 [demonstrações financeiras das controladas diretas e indiretas localizadas no exterior], pois essas ultimas foram elaboradas de acordo com as práticas contábeis adotadas no país da investida, em sua moeda local.” assim o próprio contribuinte confessa que a JALUA não registrou o lucro da MONTHIERS, pois a legislação espanhola não exige o reconhecimento por equivalência patrimonial, atestando indiretamente que o lucro da empresa uruguaia era registrado somente na EAGLE. desta forma o Auditor concluiu que o lucro sob análise era da MONTHIERS, produzido no Uruguai, e fora disponibilizado de forma direta a EAGLE. a falta de reconhecimento desse lucro nos assentos da JALUA atesta a origem e o destino desse lucro, senão vejamos pelo TVF: “Por tudo o que foi arrazoado, entendemos que deve ser tributado o lucro auferido pela Monthiers S/A, domiciliada no Uruguai, junto à brasileira Eagle Distribuidora de Bebida S/A por ser esta efetivamente a beneficiária de tal resultado.” ante o exposto, demonstrase a premissa de que a tributação do lucro disponibilizado pela MONTHIERS não foi pautada somente no reconhecimento do planejamento abusivo que envolvia a JALUA, mas, na forma como a EAGLE e a sua controlada espanhola registraram, ou deixaram de registrar, esse lucro. que em face da informação de que a EAGLE apurava em seus registros societários o lucro da MONTHIERS, e que esse mesmo lucro não era registrado na JALUA, o Auditor não tinha outra opção senão considerar que o lucro foi produzido no Uruguai e disponibilizado de forma direta à controladora brasileira. que tendo o lucro sido produzido por uma empresa uruguaia e disponibilizado de forma direta a uma brasileira essa parcela econômica deve ser tributada com base no artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, exatamente como consta do TVF: Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.434 9 “5.3.9 Portanto, o lucro apurado no ano de 2006 pela controlada indireta Monthiers S/A no valor de R$ 213.872.986,81 (...), é passível de disponibilização, conforme o já citado artigo 74 da Medida Provisória nº 2.1535.” que tendo o contribuinte aduzido a aplicação do Tratado BrasilEspanha para defender a não tributação do lucro, o Fiscal foi instado a demonstrar que, nesse caso, tendo o lucro tributado sido produzido no Uruguai, o referido Tratado não é aplicável. que com o intuito de definir o alcance do Tratado BrasilEspanha, é necessário ter em mente a finalidade do acordo internacional, qual seja, facilitar o fluxo de rendimentos e capitais entre os Estados Contratantes e inibir a bitributação, fomentando as relações comerciais entre os países signatários. assim a proteção dos tratados é voltada precisamente para as riquezas produzidas pelos residentes dos respectivos Estados Contratantes, não com o escopo de beneficiar sociedades residentes em terceiros países, sob pena de se deturpar a finalidade desses acordos. que se a holding puder figurar como interposta pessoa na relação existente entre a sua investidora e as entidades das quais participa para que se invoque cláusula de proteção do acordo internacional, o tratado será desvirtuado. que a própria Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), repudia expressamente a utilização abusiva da norma convencional. que, em atenção à finalidade do Tratado BrasilEspanha, não é possível ampliar a sua proteção ao ponto de subtrair à tributação os lucros gerados por empresa residente no Uruguai. que neste sentido foi o voto vencedor proferido pelo Conselheiro Valmir Sandri no Acórdão nº 10197.070 que considerou planejamento tributário abusivo, a tentativa da EAGLE em atribuir o lucro da MONTHIERS como lucro da JALUA, in verbis: “Não pode a Recorrente invocar em seu benefício o tratado celebrado entre os Estados acima contratantes (Brasil e Espanha), que visou evitar a dupla tributação dos lucros auferidos pelas sociedades residentes dos respectivos Estados, a fim de obter uma economia de imposto decorrente de lucros auferidos por outra sociedade controlada/interligada residente num terceiro Estado, os quais não fazem jus ao benefício em razão de sua situação substancial. ................. Não se trata, portanto, como pode parecer num primeiro momento, no afastamento do tratado BrasilEspanha, para tributar o lucro auferido por parte destes Estados contratantes, o que entendo inviável, mas sim, de dar efetividade aos preceitos definidos no referido convênio, eliminando a dupla tributação dos lucros neles auferidos e tributando os lucros alienígenas, decorrentes de estratagemas utilizadas pelas empresas com o fito de eximirse e/ou reduzir os tributos devidos, que, Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.435 10 embora possam ser consideradas lícitas, seus resultados não se encontram contemplados nos tratados.” que com este planejamento o contribuinte procurava evitar a tributação do lucro da MONTHIERS no Brasil, alegando que ele tinha origem na Espanha. que o planejamento abusivo resta caracterizado ante a utilização indevida do Tratado BrasilEspanha por meio da JALUA. que o principal aspecto de convencimento para tal conclusão fora a constatação da origem do lucro que estava sendo tributado (Uruguai). que assim concluise que foi acertada a conclusão fiscal sobre a reorganização societária. que diante do exposto, deve ser mantida a autuação, pois o lucro tributado na EAGLE não fora auferido pela controlada sediada na Espanha (JALUA), país com o qual o Brasil celebrou tratado para evitar a bitributação, mas sim pela MONTHIERS, controlada indireta sediada no Uruguai. que para fins societários a sociedade controlada é aquela na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores, nos termos dos artigos 116 e 243, § 2º, da Lei das S/A. que na mesma linha, dispõe o Código Civil de 2002 em seu art. 1098: Art. 1.098. É controlada: I a sociedade de cujo capital outra sociedade possua a maioria dos votos nas deliberações dos quotistas ou da assembléia geral e o poder de eleger a maioria dos administradores; II a sociedade cujo controle, referido poder de outra, mediante ações ou quotas possuídas por sociedades ou sociedades por esta já controladas. que é incontroverso, portanto, que a legislação societária equipara o controle direto ao indireto, e por essa razão, a controladora brasileira é obrigada a avaliar pelo patrimônio líquido não apenas os investimentos detidos na controlada direta, mas também aqueles investimentos mantidos em controladas indiretas. que cumpre salientar que esse conceito foi adotado sem ressalvas pelo direito tributário, na forma dos artigos 384 e 466 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99): “Art. 384. Serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido os investimentos relevantes da pessoa jurídica (Lei nº 6.404, de 1976, art. 248, e Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 67, inciso XI): I em sociedades controladas; (...) § 2º Considera se controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.436 11 sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores (Lei nº 6.404, de 1976, art. 243, § 2º). Art. 466. Se a pessoa ligada for sócio ou acionista controlador da pessoa jurídica, presumir se á distribuição disfarçada de lucros ainda que os negócios de que tratam os incisos I a VI do art. 464 sejam realizados com a pessoa ligada por intermédio de outrem, ou com sociedade na qual a pessoa ligada tenha, direta ou indiretamente, interesse (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 61, e Decreto Lei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, sócio ou acionista controlador é a pessoa física ou jurídica que, diretamente ou através de sociedade ou sociedades sob seu controle, seja titular de direitos de sócio ou acionista que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria de votos nas deliberações da sociedade (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 61, parágrafo único, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI).” que acerca da tributação universal da renda empresarial, no Brasil esse regime de tributação foi inaugurado pelo artigo 25 da Lei nº 9.249/1995, o qual determinou a inclusão no lucro real dos rendimentos, ganhos de capital e lucros auferidos no exterior, “in verbis”: “Lei nº 9.249/1995 Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. § 1º (omissis) § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 3º (omissis) § 4º Os lucros a que se ref erem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.437 12 § 5º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. § 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º Lei nº 9.430/96 Art. 16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: I considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada; II arbitrados, os lucros das filiais, sucursais e controladas, quando não for possível a determinação de seus resultados, com observância das mesmas normas aplicáveis às pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil e computados na determinação do lucro real. Medida Provisória nº 2.158 35/2001 Art. 21. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitam se à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei no 9.249, de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei no 9.430, de 1996, e o art. 1o da Lei no 9.532, de 1997. Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento.” que dessa forma, a legislação determina que os lucros auferidos através de controladas sejam adicionados ao lucro líquido da controladora, para determinação do lucro real, na proporção da participação societária (art. 25, § 2º, II, da Lei nº 9.249/1995). que por sua vez, o artigo 74 da MP nº 2.158 35/2001 define o momento em que os lucros auferidos no exterior devem ser oferecidos à tributação no país: na data do balanço no qual tiverem sido apurados. que o artigo 16, I, da Lei nº 9.430/1996, impõe a consideração individualizada dos lucros auferidos no exterior por controlada (direta ou indireta) e para fins tributários, a apuração dos resultados de cada controlada deve ser efetuada em separado, independentemente da forma pela qual o controle é exercido. que assim, o Auditor corretamente considerou o lucro apurado pela MONTHIERS de forma individualizada, adicionandoo à base de cálculo do IRPJ e da CSLL separadamente do resultado auferido pela JALUA. que caso seja entendido que, antes da tributação, o lucro disponibilizado pela MONTHIERS deve ser necessariamente consolidado com o resultado da empresa JALUA, não pode dar ensejo à exoneração total dos correspondentes créditos tributários. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.438 13 como a consolidação prevista no § 6º do artigo 1º da IN SRF nº 213/2002 importa mera fórmula de apuração da base de cálculo, a sua aplicação deve acarretar apenas a retificação do valor lançado com a manutenção de eventual crédito remanescente. assim tendo a Autoridade Fiscal corretamente identificado a matéria tributária, eventual erro na apuração da base de cálculo não pode ensejar a exoneração de todo o crédito constituído, mas apenas daquela parte que foi indevidamente calculada. que caso seja entendido que a consolidação é indispensável, a base de cálculo deve ser novamente apurada mediante a compensação do lucro da MONTHIERS com o resultado da JALUA. que acerca da possibilidade de retificação do lançamento quando da ocorrência de erro na apuração da base de cálculo, registramse os seguintes acórdãos deste Conselho que traduzem o raciocínio aqui proposto: Acórdão nº 10196.557 NULIDADE ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULOErros na apuração da base de cálculo, ainda que ocorram, não inquinam de nulidade o lançamento, podendo dar lugar a cancelamento total ou parcial da exigência. ARBITRAMENTO DO LUCRO Se o contribuinte, intimado, deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, declarando, inclusive, não possuí los, a autoridade fiscal fica adstrita a proceder ao arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS A falta de comprovação da origem dos recursos depositados em contas correntes mantidas junto a instituições financeiras autoriza a presunção de omissão de receitas, representada pela soma dos depósitos, desconsiderados os representativos de transferências entre contas do mesmo titular, e as receitas declaradas pelo contribuinte. MULTA QUALIFICADA A conduta da empresa, consistente em reiteradamente declarar parcela da receita muito inferior à real, aliada ao não fornecimento de sua escrituração comercial e fiscal, justifica a aplicação da multa qualificada. que seja dado provimento ao recurso de ofício, mantendose incólume o lançamento fiscal e que, caso seja entendido pela indispensabilidade da consolidação prevista pelo § 6º do artigo 1º da IN SRF nº 213/2002, seja dado parcial provimento ao recurso para manter a parcela do crédito que remanescer após a retificação das bases de cálculo. É o relatório. Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.439 14 VOTO Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Tomo conhecimento do recurso de ofício por atender aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Porém do exame dos autos verifico a existência de uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada a repercussão geral do STF que é a aplicação do art. 74 da MP 2.15835/01 para as controladas situadas em países com tributação favorecida da ADIN 2.588 e RE 611.586, isso porque a controlada Brahmaco International Limited está sediada em Gibraltar que é considerado país com tributação favorecida. Esta Turma vem reiteradamente decidindo que em casos que tais, quando o processo não está transitado em julgado, mesmo que o Contribuinte não tenham decisão favorável, como no caso em tela, a questão aguarda decisão do Pleno do STF. Assim, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. Reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos de mesma matéria. Cabe, portanto, aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno do STF, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.720032/201161 Resolução nº 1302000.255 S1C3T2 Fl. 1.440 15 tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” Quanto ao processamento e julgamento da matéria junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 ...... § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Tenho por certo, assim que: (i) O presente processo administrativo trata de matéria idêntica àquela submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 543B do CPC; (ii) Ainda não há decisão definitiva de mérito por parte da Suprema Corte; e (iii) Recursos com a mesma matéria têm sido devolvidos aos Tribunais de origem, para os efeitos do art. 543B do CPC. Diante do exposto e tendo em vista que o acórdão do RE 611.586 ainda não foi formalizado pelo STF, conduzo meu voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento dos presentes autos, nos termos do disposto nos § 1º e 2º do art. 62 A do Regimento Interno, encaminhando os autos à Secretaria da Câmara para as providências de que trata o § 2º e 3º, inciso I, do art. 2º da Portaria CARF nº 001/2012 (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10882.724723/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS
Apurados prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, devem ser promovidas as compensações para exonerar as exigências tributárias equivalentes.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA
Não se deve atribuir responsabilidade tributária a empresa apenas por pertencer ao mesmo grupo econômico da autuada.
OMISSÃO DE RECEITA
Uma vez caracterizada omissão de receita pelo confronto entre livros fiscais e a escrituração contábil, deve ser mantida a exigência tributária.
MULTA ISOLADA
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
Numero da decisão: 1401-001.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a exigência das multas isoladas. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Não se deve atribuir responsabilidade tributária a empresa apenas por pertencer ao mesmo grupo econômico da autuada. OMISSÃO DE RECEITA Uma vez caracterizada omissão de receita pelo confronto entre livros fiscais e a escrituração contábil, deve ser mantida a exigência tributária. MULTA ISOLADA A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, DAR AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 47 23 /2 01 2- 15 Fl. 106332DF CARF MF 2 provimento PARCIAL ao recurso para afastar a exigência das multas isoladas. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício contra o acórdão 1456.612, da 13ª Turma da DRJ/RPO, cuja ementa abaixo reproduzimos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 Matérias Não Impugnadas. Provisão para Cancelamento de Vendas. Despesas Não Comprovadas. Provisão para Devedores Duvidosos. Consolidamse administrativamente as matérias não impugnadas, operandose em relação a elas a preclusão processual. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 Omissão de Receitas. Estorno de Receitas. Falta de Comprovação. Com base na escrituração fiscal do Livro Registro de Apuração do ICMS e do Livro Registro de Saídas, verifica se que os estornos (débitos) de receitas escrituradas não representaram, na totalidade, omissões de receitas operacionais. Entretanto, tais registros confirmaram que parte das receitas auferidas na atividade, escriturada nos livros fiscais, não constaram regularmente da escrituração comercial, mantendose o lançamento sobre esta parcela. Fl. 106333DF CARF MF Processo nº 10882.724723/201215 Acórdão n.º 1401001.736 S1C4T1 Fl. 106.332 3 Recomposição de Base de Cálculo. Diante da manutenção da sistemática de tributação, com base no Lucro Real, impõese a recomposição da base de cálculo apurada exofficio, com aproveitamento do prejuízo fiscal apurado pela pessoa jurídica no mesmo período de apuração. Multa de Ofício e Multa Isolada. Duplicidade de Exigências. Configurada a existência de ilícitos distintos e inconfundíveis, não se pode caracterizar a identidade das multas aplicadas. Devido ao cancelamento de parte da base tributável apurada exofficio deve ser cancelada a multa isolada. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 Responsabilidade de Terceiros. Interesse Comum. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação. Afastase a responsabilidade solidária da sócia controladora porque não comprovado o interesse jurídico comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações principais. Fl. 106334DF CARF MF 4 Desse modo, recorreuse de ofício em face da exoneração de crédito tributário pelo aproveitamento de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL, bem como pelo afastamento da responsabilidade tributária do devedor solidário. Do recurso voluntário O contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 106.114 106.127, mediante o qual questionou o lançamento com base em omissão de receita e o lançamento de multa isolada. No que toca à acusação de omissão de receita, aduziu que: a) realizou minucioso levantamento das notas fiscais do período e apresentou toda a documentação solicitada; b) discorreu sobre diversos princípios constitucionais e do processo administrativo fiscal, como contraditório, ampla defesa e verdade material. No que toca às multas isoladas, questionou a sua imposição concomitante com a multa de ofício. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes A análise será desenvolvida iniciandose pelas questões suscitadas no recurso de ofício para depois enfrentarmos os temas do recurso voluntário. Recurso de ofício Aproveitamento de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas A autoridade julgadora de primeiro grau exonerou parcialmente a exigência em razão de aproveitamento de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, em consonância com o próprio resultado de diligência fiscal promovido pela autoridade lançadora. De fato, no relatório de diligência fiscal de fls. 105.967105.977, consta a seguinte passagem: 35. Neste ponto, verificamos que, de fato, o valor do crédito tributário apurado no demonstrativo constante no Termo de Verificação Fiscal difere do crédito tributário discriminado no Auto de Infração. 36. Com efeito, no Termo de Verificação Fiscal foi apurado um crédito tributário de R$4.499.903,69 relativo ao IRPJ e de R$1.631.357,27 relativo à CSLL (valores sem juros e multas). A base a partir da qual os tributos foram calculados foi de Fl. 106335DF CARF MF Processo nº 10882.724723/201215 Acórdão n.º 1401001.736 S1C4T1 Fl. 106.333 5 R$18.126.191,87 conforme se depreende das fichas 09A e 12A constantes no Termo de Verificação Fiscal (TVF). A tabela abaixo demonstra como os tributos foram apurados no aludido TVF: (...) 37. Por sua vez, no Auto de Infração lavrado, foi apurado um IRPJ de R$ 6.361.106,09 e CSLL de R$ 2.301.390,13 (valores sem juros e multas). Ademais, a base utilizada para cálculo do IRPJ e CSLL e multa foi de R$25.571.001,46, correspondente ao valor das infrações constatadas, ou seja, sem levar em conta o prejuízo apurado de R$ 7.444.809,59. 38. Diante da incongruência entre os valores apurados no Auto de Infração e no Termo de Verificação, resta saber qual das duas formas de cálculo está correta. 39. Entendemos que o cálculo correto é aquele constante no Termo de Verificação Fiscal, e indicado no quadro acima, pois é indubitável que as glosas apuradas pelo fiscal autuante (R$ 25.571.001,46) deveriam ter sido somados ao prejuízo apurado (R$ 7.444.809,59) e que a base para cálculo do IRPJ e da CSLL deveria ser R$18.126.191,27 (R$ 25.571.001,46 – R$7.444.809,59). 40. Essa constatação é confirmada pela análise do Relatório do SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSSL) acostado aos autos pela própria Autoridade Autuante às fls. 393/394. 41. Aparentemente, por um lapso, o valor desse prejuízo, corretamente observado pela Autoridade Autuante no Termo de Verificação Fiscal, não foi replicado no Auto de Infração, uma vez que neste o campo “prejuízo do período compensado” possui o valor R$0,00. 42. Assim, procede a afirmação da defesa de que foram inobservados os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL no momento da consecução dos lançamentos consubstanciados no Auto de Infração, devendo o crédito tributário ser calculado na forma indicada no Termo de Verificação Fiscal. Ou seja, a autoridade lançadora deixou de consignar nos cálculos da apuração do IRPJ e da CSLL, os próprios valores por ela apontados no termo de verificação fiscal a título de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL. Corretos, pois, o reconhecimento desses valores e a exoneração equivalente das exigências tributárias. Fl. 106336DF CARF MF 6 Responsabilidade tributária Foi atribuída responsabilidade tributária à "SS Industrial" pelas seguintes razões: (i) pertencerem ao mesmo grupo econômico, (ii) a "SS Comercial" é, de fato, uma filial da "SS Industrial" e (iii) a "SS Industrial" é o sócio majoritário da "SS Comercial" com 99,999998% de participação, o que lhe confere plenos poderes sobre a "SS Comercial". A DRJ afastou a responsabilidade com base nas seguintes considerações: (...)o fato de pertencerem (contribuinte e responsável) ao mesmo grupo econômico ou de haver relação de controle entre as empresas não caracteriza o interesse comum definido no art. 124, I, do CTN, como hipótese de incidência de responsabilidade de terceiros pelo crédito tributário. Nesse tema, cumpre transcrever Acórdão que tem servido de paradigma à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ, proferido pelo Ilmo. Ministro Castro Meira, no Recurso Especial nº 1.001.450 RS (2007/02571933), em sessão de 11 de março de 2008, com a seguinte ementa, verbis: (...) De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ o fato de as pessoas jurídicas pertencerem ao mesmo grupo econômico ou haver relação de controle entre as empresas não é suficiente para a caracterização da solidariedade passiva em execução fiscal. Para se caracterizar a responsabilidade solidária em matéria tributária (art. 124, I do CTN), é imprescindível que empresas integrantes do mesmo conglomerado realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador da obrigação tributária principal, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico. Isto porque o interesse que caracteriza a responsabilidade solidária é o interesse jurídico, não o econômico. A Delegacia de Julgamento, assim, se socorreu de jurisprudência do STJ amplamente conhecida sobre o tema da impossibilidade de se atribuir responsabilidade tributária a empresa apenas por pertencer ao mesmo grupo econômico da autuada. E concluiu: No caso em apreço podese dizer que a controladora da contribuinte autuada foi incluída no pólo passivo dos lançamentos justamente porque, como sócia do empreendimento, foi considerada beneficiária dos fatos jurídicos tributários apurados, quais sejam, as despesas não comprovadas e a omissão de receitas. Todavia, como visto, tal interesse apenas fático ou econômico no resultado da atividade da pessoa jurídica não se subsume à hipótese de incidência do art. 124, I, do CTN, que depende da caracterização de interesse comum jurídico, ou seja, da prova de que as vendas omitidas foram realizadas pela pessoa jurídica autuada e pela controladora do empreendimento, o que não ficou comprovado. Também remanesceu sem Fl. 106337DF CARF MF Processo nº 10882.724723/201215 Acórdão n.º 1401001.736 S1C4T1 Fl. 106.334 7 comprovação a acusação de que a contribuinte autuada não era uma sociedade distinta, mas uma mera filial da controladora. De fato, não há qualquer fato que desabone a existência jurídica autônoma da "SS Comércio" em relação à "SS Industrial". Haveria interesse comum caracterizado, no meu entender, se uma das empresas tivesse sido criada ou manejada pela outra para reduzir ilicitamente a carga tributária dela e, portanto, do grupo econômico. Não foi o caso, porém. O fato de uma delas ser controlada pela outra com participação próxima de 100% também não é suficiente para a distinção das personalidades jurídicas, nem para a atribuição de solidariedade. Se a "SS Comércio" devesse se caracterizar como uma filial, nos termos da acusação fiscal, a presente autuação deveria pedecer por completo, uma vez que os seus resultados deveriam ser incorporados aos resultados da "SS Industrial" para tributação nesta e não naquela. Ou seja, a própria autoridade fiscal, ao atribuir responsabilidade fiscal a empresa que considera a real existente, se contradiz. Deve, pois, ser negado provimento ao recurso de ofício também quanto a esta questão. Recurso voluntário Omissão de receita Conforme podemos constatar da leitura do recurso voluntário, a contestação na parte da omissão de receita é absolutamente genérica. O recorrente limitase a discorrer acerca de princípios legais e constitucionais e a aduzir genericamente que apresentou provas suficientes para sustentar a sua alegação de não ter incorrido em omissão de receitas. Já a Delegacia de Julgamento proferiu, pelo contrário, um vasto arrazoado com demonstrações minuciosas dos valores envolvidos no lançamento fiscal, com quadros, indicação de contas, de valores, datas, etc, por meio dos quais concluiu pela procedência da autuação quanto a esse ponto. Uma vez que a defesa não foi capaz de indicar um único ponto específico sequer em que a decisão recorrida tema incorrido em erro, ela deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Multas isoladas Por derradeiro, nos cabe analisar o argumento da dupla punição por meio de multa isolada e de ofício. As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Fl. 106338DF CARF MF 8 Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, “pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo Fl. 106339DF CARF MF Processo nº 10882.724723/201215 Acórdão n.º 1401001.736 S1C4T1 Fl. 106.335 9 fim prático”. Para Delmanto, “a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste”. Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. Assim, consideramos imperioso verificar se houve, em relação aos fatos que ensejaram a autuação de multas isoladas, também a imposição de multa proporcional e em que medida. Conforme os autos de infração (fls. 369386) e termo de verificação fiscal (fl. 387389), não só houve o lançamento de multas proporcionais, como estas foram de valores muito superiores ao total das multas isoladas. Mesmo assim, a materialidade delas pode ser diferente. Isso, porém, não ocorreu, uma vez que as multas isoladas foram determinadas com base em estimativas apuradas em balancetes de suspensão/redução. Desse modo, a concomitância é integral, o que impõe, pelas razões já aduzidas, a exoneração total das penalidades pecuniárias isoladas. Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso de ofício e para dar provimento parcial ao recurso voluntário com o fito de afastar a exigência das multas isoladas. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 106340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722444/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Decadência. Amortização do Ágio. Termo Inicial.
A contagem do prazo decadencial deve considerar como termo a quo a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que no caso de IRPJ/CSLL, para as empresas que optam pelo lucro real anual, é o final do ano-calendário, em 31/12. A glosa de despesas pela amortização de ágio por influenciar na apuração do tributo anual, desde que realizada no quinquídio legal, não é alcançada pela decadência, ainda que a operação negocial que gerou o referido ágio tenha ocorrido há mais que cinco anos, em vista da repercussão que os efeitos gerados acarretam em exercícios financeiros futuros. Os efeitos destas operações podem ser revistos pela autoridade lançadora e, constituindo infração tributária, proceder-se aos lançamentos tributários, desde que dentro do quinquídio legal.
Nulidade. Alteração Critério Jurídico. Inocorrência.
Não caracteriza a hipótese mencionada no artigo 146 do CTN, alteração de critério jurídico, o fato de a Administração Tributária ter procedido a diligências na contribuinte, sem haver culminado em procedimento regular de lançamento tributário, ou haver qualquer ato escrito pelo qual a Administração Tributária proferiu juízo de valor sobre a matéria posteriormente levada à tributação em procedimento regular de fiscalização e consequente lançamento tributário.
Nulidade. Lançamento Tributário.
Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material.
SIMULAÇÃO. EMPRESA VEÍCULO. NEGÓCIO INDIRETO.
Não se deve confundir simulação relativa com negócio jurídico indireto, pois quando verificamos o que os autuantes denominam como "empresa veículo", nota-se perfeitamente que tal sociedade foi constituída para surtir os efeitos que lhes eram próprios e não para dissimular outros negócios jurídicos.
ABUSO DE DIREITO. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, CTN. INAPLICÁVEL.
O parágrafo único do art. 116 do CTN é uma norma de eficácia limitada, pois só adquire plena eficácia a partir do momento em que for publicada a sua lei ordinária integrativa.
Se a Lei Complementar 104/01 exigiu que a lei ordinária estipulasse procedimentos específicos como condição para a aplicação da norma tributária específica sobre abuso de direito (parágrafo único do art. 116 do CTN), não há como tal condição ser dispensável para a aplicação da norma de direito privado sobre o abuso do direito (art. 187 do CC) no campo tributário.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008
Nulidade. Ofensa aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa.
Os princípios do contraditório e do exercício da ampla defesa não são aplicáveis ao procedimento de fiscalização, enquanto não instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Não resta caracterizado o cerceamento de defesa, causa de nulidade processual, quando constata-se que o contribuinte defendeu-se amplamente dos fatos e infrações contra si impostas, não sofrendo prejuízo ou restrição ao exercício do contraditório e da ampla defesa.
Numero da decisão: 1302-001.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos a Relatora e os Conselheiros Marcelo Calheiros Soriano e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Júnior - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. A contagem do prazo decadencial deve considerar como termo a quo a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que no caso de IRPJ/CSLL, para as empresas que optam pelo lucro real anual, é o final do anocalendário, em 31/12. A glosa de despesas pela amortização de ágio por influenciar na apuração do tributo anual, desde que realizada no quinquídio legal, não é alcançada pela decadência, ainda que a operação negocial que gerou o referido ágio tenha ocorrido há mais que cinco anos, em vista da repercussão que os efeitos gerados acarretam em exercícios financeiros futuros. Os efeitos destas operações podem ser revistos pela autoridade lançadora e, constituindo infração tributária, procederse aos lançamentos tributários, desde que dentro do quinquídio legal. NULIDADE. ALTERAÇÃO CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não caracteriza a hipótese mencionada no artigo 146 do CTN, alteração de critério jurídico, o fato de a Administração Tributária ter procedido a diligências na contribuinte, sem haver culminado em procedimento regular de lançamento tributário, ou haver qualquer ato escrito pelo qual a Administração Tributária proferiu juízo de valor sobre a matéria posteriormente levada à tributação em procedimento regular de fiscalização e consequente lançamento tributário. NULIDADE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. SIMULAÇÃO. EMPRESA VEÍCULO. NEGÓCIO INDIRETO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 24 44 /2 01 3- 51 Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 2 Não se deve confundir simulação relativa com negócio jurídico indireto, pois quando verificamos o que os autuantes denominam como "empresa veículo", notase perfeitamente que tal sociedade foi constituída para surtir os efeitos que lhes eram próprios e não para dissimular outros negócios jurídicos. ABUSO DE DIREITO. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, CTN. INAPLICÁVEL. O parágrafo único do art. 116 do CTN é uma norma de eficácia limitada, pois só adquire plena eficácia a partir do momento em que for publicada a sua lei ordinária integrativa. Se a Lei Complementar 104/01 exigiu que a lei ordinária estipulasse procedimentos específicos como condição para a aplicação da norma tributária específica sobre abuso de direito (parágrafo único do art. 116 do CTN), não há como tal condição ser dispensável para a aplicação da norma de direito privado sobre o abuso do direito (art. 187 do CC) no campo tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 NULIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Os princípios do contraditório e do exercício da ampla defesa não são aplicáveis ao procedimento de fiscalização, enquanto não instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Não resta caracterizado o cerceamento de defesa, causa de nulidade processual, quando constatase que o contribuinte defendeuse amplamente dos fatos e infrações contra si impostas, não sofrendo prejuízo ou restrição ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos a Relatora e os Conselheiros Marcelo Calheiros Soriano e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Redator designado Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 3 3 Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0646106/14 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR, efls. 1606 a 1643, que decidiu julgar procedente os lançamentos tributários consubstanciados nos Autos de Infração lavrados para as exigências de IRPJ e CSLL, relativas ao anocalendário de 2008, no valor total de R$ 33.793.436,88 (incluídos os juros de mora e a multa de ofício qualificada), por glosa de despesas amortização de ágio, registradas na conta contábil "Amortização de Ágio Incorporação Sigma". A Turma de Julgamento de Primeira Instância manteve, também, a responsabilização solidária pelo crédito tributário apurado de Ueze Elias Zahran, estabelecida com fulcro nos artigos 121 c/c 135 do Código Tributário Nacional (CTN). Os Autos de Infração estão acostados às efls. 1504 a 1517 e os procedimentos fiscais descritos no Termo de Verificação Fiscal de efls. 1493 a 1503, parte integrante dos Autos. Do referido Termo de Verificações, destaco os seguintes trechos: Da análise da documentação apresentada, após a lavratura dos Termos de Ciência de Continuidade de Procedimento Fiscal e de Intimação datados de 05/12/11, 24/02/12, 16/04/12, 02/07/12, 05/11/12, 08/02/13, 22/04/13, 03/07/13 e 15/08/13, bem como as respostas do contribuinte e demais documentos apresentados, verificase que a despesa de amortização de ágio apropriada pelo contribuinte referese à incorporação de sua controladora, ocorrida no ano calendário de 2004. Tal operação, denominada incorporação às avessas, onde a controlada incorpora a controladora, teve como única finalidade o não pagamento dos tributos federais devidos, configurando operação simulada, sem qualquer motivação extra tributária subjacente, ou seja, sem finalidade negocial, conforme demonstraremos a seguir. 1.2 HISTÓRICO DA OPERAÇÃO A empresa COPAGAZ DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA. (atual COPAGAZ DISTRIBUIDORA DE GÁS S/A), foi constituída em 25/09/1992, sob a forma de Sociedade Limitada , de acordo com as disposições da lei 10.406/02 e, supletivamente, com a Lei 6.404/76 tendo seus atos societários registrados na Junta Comercial doEstado de São Paulo, com capital social de Cr$ 1.182.700.000.000,00 (hum trilhão, cento e oitenta e dois bilhões e setecentos milhões de cruzeiros), tendo como sócios: Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 4 ANDREA KARIN CASIMIRO ZAHRAN LOURENÇO, CPF n° 106.519.91803, com participação de Cr$ 1.996,00 (hum mil, novecentos e noventa e seis cruzeiros); ANTONIO CARLOS MOREIRA TURQUETO, CPF 537.838.16815, com participação de Cr$ 1.996,00 (hum mil, novecentos e noventa e seis cruzeiros); EDUARDO ELIAS ZAHRAN FILHO, CPF 173.630.20191, com participação de Cr$ 1.996,00 (hum mil, novecentos e noventa e seis cruzeiros); JEANNETTE ELIAS ZAHRAN, CPF 004.026.75172, com participação de Cr$ 1.996,00 (hum mil, novecentos e noventa e seis cruzeiros); JOÃO ELIAS ZAHRAN, CPF 004.130.38149, com participação de Cr$ 1.996,00 (hum mil, novecentos e noventa e seis cruzeiros); JORGE ELIAS ZAHRAN, CPF 004.130.20100, com participação de Cr$ 1.996,00 (hum mil, novecentos e noventa e seis cruzeiros); LAILA ZAHRAN SILVEIRA, CPF 173.630.39100, com participação de Cr$ 1.996,00 (hum mil, novecentos e noventa e seis cruzeiros); PATRÍCIA LUCI CASIMIRO ZAHRAN, CPF 045.076.61870, com participação de Cr$ 1.996,00 (hum mil, novecentos e noventa e seis cruzeiros); UEZE ELIAS ZAHRAN SOBRINHO, CPF 106.519.90823, com participação de Cr$ 1.996,00 (hum mil, novecentos e noventa e seis cruzeiros); UEZE ELIAS ZAHRAN, CPF 004.110.43153, com participação de Cr$ 5.987,00 (cinco mil, novecentos e oitenta e sete cruzeiros); ZAHRAN ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ 16.032.161/000105, com participação de Cr$ 1.182.699.976.049,00 (hum trilhão, cento e oitenta e dois bilhões, seiscentos e noventa e nove milhões, novecentos e setenta e seis mil e quarenta e nove cruzeiros); Em 30/12/98, conforme registro JUCESP n° 210.545/987, houve alteração do capital social para R$ 4.131.571,00, mediante redistribuição do capital do sócio UEZE ELIAS ZAHRAN CPF 004.110.43153, na situação de sócioadministrador, Conselheiro Administrativo e Diretor, assinando pela empresa, com participação na sociedade de R$ 1,00, sendo admitido, na situação de sócio, a empresa MS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ 02.914.734/000101, com valor de participação na sociedade de R$ 4.131.570,00 e, conforme registro JUCESP n° 014.014/993, de 29/01/99, retirouse da sociedade a empresa ZAHRAN ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ 16.032.161/000105. Assim, os sócios MS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ 02.914.734/000101 e UEZE ELIAS ZAHRAN CPF 004.110.43153, também representando a "MS" e na situação de sócio e diretorpresidente, assinando pela COPAGAZ, permaneceram no quadro societário até agosto de 2004, sendo que em 28/03/2000, conforme Alteração Contratual registrada na JUCESP sob n° 056.645/004, procedeuse a uma alteração do capital para R$ 10.000.000,00, cabendo ao sócio UEZE ELIAS ZAHRAN a participação na sociedade no valor de R$ 17,00 e à sócia MS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, o valor de participação de R$ 9.999.983,00, cuja situação permaneceu até 08/01/2004, sob registro JUCESP n° 017.125/042, ocasião em que ocorreu nova alteração do capital social para R$ 17.376.284,00, permanecendo a mesma participação de R$ 17,00 para o sócio UEZE ELIAS ZAHRAN, e o valor remanescente de R$ 17.376.267,00 para a sócia MSADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A. Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 4 5 Então, constatase que entre março de 2000 e dezembro de 2003 não houve alteração no quadro societário e no capital social. Tal informação é importante, pois em dezembro de 2003 foi elaborado o mencionado Laudo de Avaliação Econômica, oportunidade em que a empresa COPAGAZ foi avaliada em R$ 209.196.000,00. Tal avaliação se deu com a utilização da metodologia do fluxo de caixa descontado, que leva em consideração a expectativa de rentabilidade futura, com base no desempenho da empresa em anos anteriores. Na ocasião, o quadro societário da COPAGAZ DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA. era constituído pela MS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ 02.914.734/000101 e pelo sócio diretorpresidente SR. UEZE ELIAS ZAHRAN, CPF 004.110.43153, que também é o sócio e diretorpresidente da "MS", desde 07/12/1998, conforme registro JUCESP n° 197.027/982. A empresa SIGMA PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ 05.831.787/000157, conforme Ficha Cadastral Completa da JUCESP, teve o início de suas atividades em 01/05/2003, com o objeto social de "Comércio atacadista de artigos de escritório e de papelaria, Holdings de instituições nãofinanceiras", sendo que em 07/01/2004, conforme alteração contratual registrada na JUCESP sob n° 006.068/042, a empresa teve seu quadro social alterado com o ingresso da sócia majoritária da COPAGAZ, a MS — ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, com valor de participação no Capital Social de R$ 950,00 e, também, de um antigo sócio da COPAGAZ, o SR. ANTONIO CARLOS MOREIRA TURQUETO, CPF 537.838.16815, na situação de sócio e administrador assinando pela empresa SIGMA, com valor de participação de R$ 50,00, alterando também o endereço da sede para a Rua Guararapes, 1.855, 11° SL "B", Brooklin Novo São Paulo/SP. Frisese que o Capital Social da SIGMA era de R$ 1.000,00, desde a sua constituição. Após o Laudo de Avaliação da COPAGAZ e na qualidade de sócia da SIGMA, a MS conferiu em integralização do capital social de sua controlada SIGMA a participação societária que detinha na COPAGAZ DISTRIBUIDORA DE GAS LTDA., no valor de R$ 209.196.000,00, procedendose ao aumento de capital social da SIGMA para R$ 209.197.000,00, conforme registro JUCESP n°361.463/042, em 12/08/2004, assim distribuído: O sócio ANTONIO CARLOS MOREIRA TURQUETO, com valor de participação na sociedade de R$ 50,00; A sócia MS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, com participação na sociedade no valor de R$ 209.196.950,00 para efeito de integralização de capital, a referida participação foi avaliada a "valor de mercado", conforme Laudo de Avaliação emitido pela DELOITTE TOUCHE TOHMATSU CONSULTORES LTDA., pelo valor de R$ 209.196.000,00. Conforme informação do próprio contribuinte na correspondência de 29/03/2012, a SIGMA registrou o "investimento" em questão, desdobrandoo em valor patrimonial contábil R$ 29.691.644,02 e ágio R$ 179.504.355,98, baseado na rentabilidade futura do investimento. Ato contínuo, a SIGMA PARTICIPAÇÕES LTDA. foi admitida como sócia da COPAGAZ, com participação na sociedade no valor de R$17.916.595,00, conforme Alteração Contratual da Copagáz, registrada na JUCESP sob n° 361.602/042, em 16/08/2004, mediante a retirada da "MS Administração e Participações S/A", embora tenha permanecido na condição de sócia da SIGMA. Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 6 Assim, a SIGMA passou a ser controladora da COPAGAZ, detendo 99,999% do capital social. Até este momento não se consegue vislumbrar qual a finalidade negocial deste arranjo societário, uma vez que em sua curta existência, a empresa SIGMA nunca obteve nenhum resultado decorrente de sua atividade cabendo a observação de que o sócio UEZE ELIAS ZAHRAN, CPF 004.110.43153, integra o quadro societário das três empresas: como sócio e DiretorPresidente da (1) COPAGAZ, como Representante da MS na sociedade da (2) SIGMA e como DiretorPresidente da (3) MS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, restando caracterizado que o Sr. UEZE ELIAS ZAHRAN é o administrador de todas as empresas. Por fim, completando a operação e esclarecendo qual o motivo desta "reorganização societária", a COPAGAZ (controlada) incorporou a SIGMA (controladora) logo após a integralização do Capital efetuada pela recémingressa sócia majoritária da COPAGAZ no quadro social da SIGMA, conforme a 90a Alteração e Consolidação io Contrato Social da COPAGAZ, registrada na JUCESP sob n° 411.867/040, em 16/09/2004, recepcionando o ágio contabilizado, para utilizálo na apuração do resultado, reduzindo o lucro real apurado. A COPAGAZ contabilizou o ágio em ativo permanente diferido, amortizando, inicialmente, 1/84 avos (7 anos), utilizado no período de setembro/2004 a dezembro/2005 e, posteriormente, com base em novo Laudo de avaliação, elaborado pela mesma Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda, reduziu o prazo de amortização para 5 anos, passando o saldo remanescente em 31/12/2005, no montante de R$ 145.313.050,08, a ser amortizado à razão de 1/44 avos, durante o período de janeiro/2006 a agosto/2009. A operação foi desenhada seguindo os conceitos das Instruções 319/99 (atualizada pela 349/2001) da Comissão de Valores Mobiliários, ou seja, prevê a possibilidade de dedução de ágio gerado pela incorporação de empresa veículo com consequente criação de reserva especial de ágio. (...) 1.3 DA SIMULAÇÃO O Contrato Social de Constituição da SIGMA data de 01/05/2003, sendo que a sociedade adquiriu personalidade jurídica somente em 04/06/2003, com o seu registro na JUCESP. A incorporação da SIGMA pela COPAGAZ, ocorreu após uma sucessão de fatos, tais como: (1) alteração do quadro societário, em 07/01/2004, com o ingresso da MSAdministração e Participações S/A (sócia majoritária da COPAGAZ) no quadro social da SIGMA; (2) a integralização do Capital Social, pela MS, em 12/08/2004, com base na Avaliação Patrimonial da COPAGAZ, e, por fim, (3) a incorporação da SIGMA, em 16/09/2004, cumprindo ressaltar que a SIGMA existiu juridicamente no período de 04/06/2003 a 16/09/2004, ou seja, 01 (um) ano, 03 (três) meses e 12 (doze) dias. O objeto social da SIGMA é o comércio atacadista de artigos de escritório e de papelaria e holdings de instituições nãofinanceiras. Consta do Anexo I Protocolo e Justificação de Incorporação, que faz parte da 90a Alteração Contratual da COPAGAZ, de 16/09/2004: "Considerando que a Incorporada, diante das atuais circunstâncias econômicas brasileiras e de diversos estudos realizados, concluiu que, pelo menos a curto prazo, não mais irá explorar outras atividades além da atual, qual seja, a administração da participação societária na Incorporadora; que, diante do acima exposto, a incorporação da Incorporada pela Incorporadora resultará em maior eficiência administrativa; que a maior eficiência administrativa permitirá considerável redução de custos em Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 5 7 geral; que, assim sendo, a incorporação da Incorporada pela Incorporadora torna se de todo recomendável;" Ora, conforme se verifica no Balanço Patrimonial da SIGMA, não houve qualquer atividade operacional no seu curto período de existência; a "empresa" não teve uma única movimentação contábil em sua escrita fiscal que não a relativa a sua constituição e ao aumento de Capital, efetuado por ocasião do ingresso da sócia majoritária da Copagaz, no quadro societário da SIGMA. Além disto, a SIGMA jamais teve um único funcionário sequer, conforme se constata na GFIP "sem movimento", referente ao ano de sua constituição (2003), deixando de apresentar a GFIP do ano de 2004, portanto, nada declarou no curto período de sua existência. Sob este aspecto, não faz o menor sentido ter a incorporação como finalidade "obter maior eficiência administrativa, para permitir a redução de custos em geral". O objeto social da SIGMA, conforme contrato social, é: Comércio atacadista de artigos de escritório e de papelaria "Holdings" de instituições não financeiras. O que esta atividade tem a ver com a atividade exercida pela COPAGAZ? Qual é a estrutura da SIGMA? O que seria exatamente reduzir a estrutura de uma empresa que não realiza qualquer atividade operacional? Por não ter custos e despesas, o que há para otimizar em relação à SIGMA? E, por fim, qual a real finalidade com que a SIGMA foi constituída? A sucessão dos atos, a proximidade temporal entre eles, o fato de as três empresas envolvidas na operação terem como sócio responsável a mesma pessoa física, revelam que nunca houve a real intenção de constituir/integrar uma empresa existente de fato (e não apenas de direito), no caso a SIGMA(constituída em junho de 2003, assumida pela sócia majoritária da COPAGAZ em janeiro de 2004, a integralização e aumento do capital efetuado pela "MS", em agosto de 2004 e extinta por incorporação em setembro de 2004), para efetivamente operar segundo seu objetivo social, mas sim de criar uma sociedade efêmera, de passagem, que possibilitasse um registro de ágio a ser amortizado por empresa do mesmo grupo econômico. Embora a empresa contribuinte COPAGAZ, através da carta de 23/08/2013, em resposta ao Termo de Intimação de Procedimento Fiscal de 15/08/13, tenha informado que o montante de R$ 39.630.831,96 não corresponde ao valor deduzido da base de cálculo do IRPJ e CSLL do anocalendário 2008, nossos exames constataram que essas despesas operacionais de ágio acolhidas na apuração do Resultado no AC 2008, debitadas na conta 511.210.0044 Amortização Ágio Incorporação Sigma, não contemplam os requisitos necessários a fim de permitir sua dedutibilidade para fins do Imposto de Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o LucroCSLL, bem como não trazem em seu bojo qualquer propósito negocial, além de constatar que o montante creditado na conta 511.210.0052 Amortização Perda Ágio Sigma, foi totalmente excluído na apuração do Lucro Real, discordando do efeito líquido no resultado apontado pela Copagaz. Também não resta cabível o embasamento legal adotado pelo contribuinte artigo 386, III RIR/99, para a dedução do referido ágio, uma vez que a operação de incorporação às avessas, efetuada pelo contribuinte, não teve nenhum propósito negocial, tratandose de operação ficticia, autorizada, recepcionada e reconhecida pelo socioadministrador UEZE ELIAS ZAHRAN, CPF 004.110.43153. A empresa COPAGAZ apresentou impugnação aos lançamentos tributários, argumentando as suas improcedências pelas seguintes razões, em apertada síntese: Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 8 a) o ágio atacado foi gerado há mais de 9 anos, pelo que o direito da fiscalização em proceder aos lançamentos tributários está decaído; b) a empresa já sofreu fiscalização em período anterior, não tendo sido constatada qualquer irregularidade fiscal, não podendo ser refiscalizada, sobre os mesmos fatos, com alteração de critério jurídico; c) é indevida a responsabilização solidário do sócio, pessoa física, por não ter sido comprovado que o ato que resultou na exigência fiscal fora praticado por esta pessoa, nem que agira com excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatuto; d) se superadas as preliminares, a exigência fiscal não pode subsistir, pois a fiscalização baseiase em meras conjecturas para concluir que a operação foi simulada objetivando a economia fiscal, enquanto que a despesa incorrida com o ágio na incorporação é legítima; e) a multa de ofício, na forma qualificada, deve ser afastada por não haver provas de que a COPAGAZ agiu com sonegação, fraude ou conluio. O acórdão recorrido traz a seguinte ementa: PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. AQUISIÇÃO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. O registro do custo de aquisição de participação em empresa pertencente ao mesmo grupo econômico deve ser feito pelo valor do patrimônio líquido, sendo vedada a amortização fiscal de ágio, ainda que tenha sido registrado com base em rentabilidade futura de acordo com estudo elaborado por empresa especializada e que tenha ocorrido incorporação nos termos dos artigos 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda, porque entre empresas ligadas desde antes do início das operações societárias falta a necessária independência entre as partes envolvidas caracterizadora de uma operação de mercado apta a gerar valor de mercado e ágio. A vedação fiscal para amortização de ágio registrado nestas condições é mais explícita quando a empresa incorporadora amortiza “ágio de si mesma”, em aquisição em que não houve pagamento e ocorrida com empresa cuja única atividade de sua efêmera existência foi participar das operações que formalizaram o ágio. MULTA QUALIFICADA. Não há como afastar a imputação fiscal de simulação, sonegação e fraude e a conseqüente aplicação da multa qualificada se descritas pela Fiscalização conjunto de circunstâncias que demonstram a ocorrência de reestruturação societária para tentar criar, formalmente, situações que se enquadrassem na exceção legal que possibilita deduzir despesas de amortização de ágio, advinda com a Lei n° 9.532/97. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NULIDADE. As causas de nulidade são aquelas previstas na legislação do processo administrativo em geral e do processo administrativo fiscal. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses lá previstas, não há que se falar em nulidade. PRAZO DECADENCIAL. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. IRPJ. CSLL. Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 6 9 O decurso do prazo decadencial apenas impede a desconstituição, pelo Fisco, do efeito imediato da contabilização que, relativamente à constituição de ágio, é inexistente enquanto não procedida a sua amortização. Na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL, seu efeito é mediato, reduzindo, quando de sua amortização, as bases tributáveis em períodos futuros, nos quais deverá o sujeito passivo fazer a prova da regularidade do valor diferido, mesmo que já atingido pelo prazo decadencial. REEXAME DE PERÍODO FISCALIZADO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO Não caracteriza reexame de período fiscalizado nem a alegação de mudança de critério jurídico quando se comprova que a primeira ação fiscal teve como alvo o ano calendário de 2004 e foi encerrada sem resultado, não tendo sido objeto de manifestação por parte da Administração Pública no sentido de, eventualmente, convalidar os atos praticados. ILEGALIDADE. MATÉRIA PROBATÓRIA. Deve ser afastada a invocação de ilegalidade quando restar caracterizado que o reclamo diz respeito à matéria probatória. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O fato de os atos societários terem sido formalmente praticados, com registro nos órgãos competentes, escrituração contábil, etc. não retira a possibilidade de que a operação em causa se enquadre como simulação, visto que faz parte da natureza da simulação o envolvimento de atos jurídicos lícitos. Afinal, simulação é a desconformidade, consciente e pactuada, entre as partes que realizam determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais (lícitos) de declaração de vontade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Aproveito trechos do voto do aresto para demonstrar as razões de improcedência das defesas arguídas: [...] Sobre a alegação de reexame de período já fiscalizado, cumpre esclarecer que o presente lançamento não configura revisão de lançamento em relação ao procedimento fiscal a que a contribuinte foi submetida em 2008, porque nem sequer se referem aos mesmos exercícios, hipótese contemplada pelo artigo 906 do RIR, de 1999. 17. Na peça de defesa juntou os documentos de fls.1.5791.601 referentes a um Termo de Intimação Fiscal datado de 27/03/2008, oportunidade em que teria sido questionada acerca da natureza do ágio amortizado conforme conta 5112100052 o qual foi excluído do Lucro Líquido, quando da apuração do Lucro Real, ficha 09A, na DIPJ 2005, anocalendário de 2004, no importe de R$ 5.641.565,44. Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 10 18. Pois bem, a simples leitura do enunciado da intimação já comprova que o período ora analisado difere daquele objeto dos documentos apresentados, bem como a autoridade que atuou junto ao contribuinte é outra. No presente processo se analisa a amortização de ágio em relação ao ano calendário de 2008, relativo à conta 5.11.210.0044 – “Amortização de Ágio – Incorporação SIGMA. Aquela ação fiscal não gerou resultados, tendo sido encerrada sem lavratura de auto de infração. 19. Portanto, se a ação iniciada em 2008, questionando fatos ocorridos em 2004, foi encerrada sem resultado, significa que não ocorreu lançamento de ofício, e desta forma não acarretou nenhuma manifestação por parte da Receita Federal no sentido de convalidar os atos então praticados. Assim, agora, quando o lançamento questiona o aproveitamento do ágio em relação ao ano calendário de 2008, não procede a alegação de mudança de critério jurídico, posto inexiste qualquer manifestação por parte da Administração Pública que possa caracterizar essa mudança de critério jurídico alegada pela contribuinte. [...] Ocorre que a obrigação tributária e, conseqüentemente, o início do prazo para o Fisco constituir o crédito tributário através do lançamento, surge com a ocorrência do fato gerador que, no caso em tela, é a dedução das despesas contabilizadas como amortização de ágio pago, no ano calendário de 2008. 22. O momento do surgimento ou da contabilização do ágio ou outro pagamento amortizável pela contribuinte não pode ser levado em conta para imposição de qualquer limite temporal à atuação do Fisco, que se torna possível apenas com o efetivo exercício, pelo contribuinte, do direito a essa amortização (esse sim, aspecto de relevância para eventual lançamento). [...] 30. Invoca a declaração de ilegalidade do lançamento por entender que a autoridade fiscal presumiu a existência de simulação em razão de a empresa incorporada ter sido controladora da ora impugnante e entende que não se trata de incorporação às avessas. 31. De início cabe esclarecer que o fato de a autoridade fiscal ter imputado ao contribuinte a prática da simulação, onde os atos praticados tinham por objetivo reduzir artificialmente os tributos se trata em realidade de matéria de prova, não havendo que se falar em ilegalidade, razão pela qual os argumentos da contribuinte, contrários à ação do fisco serão apreciados em outro momento. 32. O que houve, na prática, foi uma requalificação dos atos realizados pelo contribuinte, prática adotada como regra de calibração do sistema (conforme Tércio Sampaio Ferraz Júnior), ou de “neutralização de esperteza”, nas palavras de Marco Aurélio Greco. [...] 34. Outra preliminar levantada pelo contribuinte é de que a autuação deve ser declarada nula, face as incongruências nas informações coletadas pela autoridade fiscal referentes ao equívoco quanto à data de início de suas atividades e, sobre o objeto social da SIGMA, bem como quanto ao fato de haver presumido a simulação da operação de incorporação da SIGMA. Invoca a afronta ao inciso II do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. [...] Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 7 11 36. Sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. 37. Quanto ao possível equívoco na informação acerca da data em que a contribuinte foi constituída impõese declarar que a pretensa nulidade não pode ser acatada uma vez que não causou prejuízo à defesa. Se foi constituída em 1980, com defende a contribuinte ou, em 25/09/1992 como teria afirmado a autoridade fiscal, isso não tem o condão de interferir nos fatos ora analisados e que ocorreram em 31/12/2008. [...] DA ALEGADA LEGITIMIDADE DA OPERAÇÃO E DO PERMISSIVO DE AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ESTAMPADO NOS ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97 41. Nesse particular, sustenta que não se trata de incorporação às avessas e que a autoridade fiscal não questionou os critérios de avaliação utilizados, bem como a formalidade dos atos societários utilizados. Fala da liberdade de fazer ou deixar de fazer qualquer coisa que não esteja expressamente vedada em li (art. 5º, II da CF/88) e sustenta que na Lei das AS, bem como no Código Civil Brasileiro não há qualquer restrição à incorporação de pessoa jurídica na condição de controladora. Volta a defender que não se trata de incorporação às avessas, destaca o direito a apropriação do ágio, conforme previsto nos artigo 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, os quais transcreve e conclui que o argumento para justificar a presunção de simulação, levantado pelo Fisco é manifestamente infundado e ilegal. 42. Sustenta que a autoridade fiscal refutou seus argumentos ao singelo argumento de que a incorporada SIGMA não exerceu atividade operacional e não possuía colaboradores. Destaca que a SIGMA tem por objeto exclusivamente a atividade de holding e seus resultados decorrem basicamente de lucros e dividendos recebidos de suas controladas e, por conseqüência, não tem empregados e que, o fato de ter sido incorporada pela ora impugnante após um ano e três meses de sua constituição em nada macula a finalidade de sua criação, nem serve para justificar a conclusão fiscal de “simulação”. 43. Alega que os fundamentos utilizados pelo Fisco são precários e que seu inconformismo decorre do fato de a despesa glosada decorrer de “ágio interno”, ou seja, aquele gerado em operações entre empresas vinculadas, fato já amplamente decidido em favor dos contribuintes, conforme manifestações do CARF que transcreve, razão pela qual o auto de infração deve ser cancelado. 44. Pois bem, aqui cabe traçar um histórico da empresa ora impugnante: [...] 45. A questão do ágio gira em torno da aplicação da norma veiculada por meio dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997. Essa norma disciplinou os efeitos fiscais das operações societárias (incorporação, fusão ou cisão) envolvendo a figura do ágio. O ágio é verificado quando da aquisição de uma participação societária por valor superior ao valor do patrimônio líquido, quando esse investimento for efetuado em uma sociedade coligada ou controlada. Segundo o art. 20, § 2º, do Decretolei nº 1.598, de 1977, o ágio pode ter como fundamento econômico as seguintes hipóteses: (a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ao custo registrado na sua contabilidade, (b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 12 com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros ou (c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. A norma de 1997 fixa, então, os efeitos fiscais do ágio posteriormente à realização das operações societárias. 46. Antes, porém, de adentrar no mérito da autuação, fazse necessário identificar o ponto de intersecção entre a contabilidade, a lei societária e a lei tributária. [...] 48. A lei tributária determina que a base imponível do IRPJ tem como ponto de partida o lucro líquido que, por sua vez, será apurado com observância das leis comerciais e, em especial da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por Ações), consoante dispõe o artigo 274 do RIR/1999: [...] 49. Há aqui, claramente, um ponto de intersecção entre a lei tributária e a lei societária, na medida em que o Lucro Real é o resultado final do confronto de adições, exclusões e compensações, autorizadas pela lei tributária, em face do lucro líquido do período, apurado segundo os ditames das leis comerciais, das quais faz parte a Lei nº 6.404/1976. 50. Por sua vez, a intersecção entre a lei tributária, a lei societária e a contabilidade fica clara na própria Lei das Sociedades por Ações que contém alguns dispositivos, cuja interpretação exige o auxílio da ciência contábil. Assim, por exemplo, a Lei nº 6.404/1976, ao determinar de que maneira a companhia manterá sua escrituração, emprega expressões, tais como “princípios de contabilidade geralmente aceitos”, “critérios contábeis”, “mutações patrimoniais”, “regime de competência”, cuja compreensão é extraída da Contabilidade, consoante se segue da leitura de seu artigo 177, cujo “caput” mantém ainda sua redação original, em que pesem as alterações posteriores ocorridas no dispositivo: [...] 51. Portanto, o contribuinte é obrigado, pela lei tributária, a apurar o lucro líquido de acordo com a lei societária que, por seu turno, determina que este lucro é obtido através da observância da escrituração e dos preceitos da Ciência Contábil. 52. Assim, se a Contabilidade não aceita um determinado registro contábil, no caso, um determinado ágio na aquisição de um ativo, esse registro, em princípio, também será rejeitado pela lei comercial e pela lei tributária, na medida em que ele trará reflexos na apuração do lucro líquido da pessoa jurídica. 53. Portanto, o direito positivo determina que as definições da Ciência Contábil serão consideradas na interpretação de normas comerciais e tributárias. Daí porque o reconhecimento do ágio para fins tributários e societários passa, obrigatoriamente, pela investigação e aplicação dos conceitos e princípios da Ciência Contábil. 54. Feitas essas breves considerações, passo à análise do mérito do lançamento relacionado à regularidade ou não da dedução tributária efetuada pela Impugnante dos encargos de amortização dos ágios glosados pela fiscalização. 55. A constituição do capital social da ora impugnante COPAGAZ a partir de 08/01/2004, após a aprovação da alteração de capital, era a seguinte: 17 quotas no valor de R$ 17,00 para UEZE ELIAS ZAHRAN e, 17.376.267,00 quotas, no importe de R$17.376.267,00 em nome da sócia MS Administração e Participações; Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 8 13 56. Nesta mesma ocasião, em 07/01/2004, a empresa SIGMA, que fora constituída em 04/06/2003 (fls. 488489), com o objeto declarado de comércio atacadista de artigos de escritório e de papelaria, Holdings de instituições não financeiras, altera sua composição societária para o ingresso de Antônio Carlos Moreira Turqueto, com o valor de R$50,00 e a admissão da empresa MS Administração e Participações com R$ 950,00, sendo que esta seria representada por UEZE ELIAS ZAHRAN; 57. Em 02/08/2004 ocorreu nova alteração no capital da COPAGAZ que ficou assim distribuindo R$ 17,00 para UEZE ELIAS ZAHRAN e R$ 17.916595,00 para a sócia MS Administração e Participações, aqui sendo representada por Antônio Carlos Moreira Turqueto, na qualidade de vicepresidente e diretor; 58. Duas semanas depois, ocorreu alteração no quadro societário da COPAGAZ, para a saída da empresa MSAdministração e Participações da sociedade, que transferiu suas quota (17.916.595) para a sócia ingressante SIGMA Participações, então representada por Antônio Carlos Moreira Turqueto; 59. Pois bem, com base em o Laudo de Avaliação da COPAGAZ, emitido pela DELOITTE TOUCHE TOHMATSU CONSULTORES LTDA ("valor de mercado"), e na qualidade de sócia da SIGMA, a MS integralizou ao capital social de sua controlada SIGMA a participação societária que detinha na COPAGAZ Distribuidora de Gás Ltda., então avaliada em R$ 209.196.000,00, procedendose ao aumento de capital social da SIGMA para R$ 209.197.000,00, conforme registro JUCESP n°361.463/042, em 12/08/2004, que restou assim distribuído: o sócio ANTONIO CARLOS MOREIRA TURQUETO, com valor de participação na sociedade de R$50,00 e a empresa MS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A, com participação na sociedade no valor de R$209.196.950,00; 60. Salientese que a partir dessa alteração o quadro societário a empresa SIGMA Participações passou a ser a controladora direta da COPAGAZ, detendo 99,99% do capital social; 61. O passo seguinte ocorreu com a 90ª Alteração e Consolidação do Contrato Social da COPAGAZ Distribuidora de Gás S.A. (fls. 365400), realizada em 30/08/2004 (registro na Jucepar sob n° 411.867/040, em 16/09/2004), na qual é aprovada a operação de incorporação da SIGMA Participações e sua extinção, conforme Protocolo de Justificação e Incorporação, firmado em 30/08/2004, e Laudo de Avaliação dos peritos do acervo patrimonial a ser incorporado. 62. Assim, COPAGAZ Distribuidora de Gás Ltda. incorporou a até então controladora SIGMA Participaçãoes S/A, materializando uma incorporação inversa e transferindo para ela o ágio nela gerado, com alteração do seu Capital Social para R$ 209.107.000,00 (registrese que o valor do Patrimônio Líquido da COPAGAZ Distribuidora de Gás Ltda, conforme Balanço Patrimonial de dezembro/2004, era de R$ 21.211.972,51, sendo R$ 17.376.284,85 a título de Capital Social, e R$ 3.835.687,66 em Reservas (fls. 426). 63. O quadro que emerge dos autos permite elucidar com clareza a formação do ágio intragrupo. Primeiramente, por meio do Laudo de Avaliação Econômico Financeira (fls. 112160), de 10/12/2003, o valor presente da projeção de resultados futuros da COPAGAZ Distribudora de Gás Ltda. é avaliado em R$ 209.196.500,00, com ágio de R$ 179.504.355,98 (T.V.F – fl. 1497). A seguir, em 12/08/2004, a empresa MSAdministração e Participações integraliza capital na empresa a SIGMA Participações S/A da ordem de R$ 209.197.000,00, a qual, em 16/08/2004 ingressa no quadro societário da COPAGAZ Distribuidora de Gás Ltda como sua Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 14 controladora. A operação é seqüenciada pela 90ª Alteração Contratual da COPAGAZ Distribuidora de Gás Ltda, de 16/09/2004, na qual a na qual é aprovada a operação de incorporação da SIGMA pela COPAGAZ Distribuidora de Gás Ltda e sua extinção. Desta forma a COPAGAZ recepcionou o ágio contabilizado e que teve origem em sua própria avaliação. 64. Na legislação tributária, o ágio gerado em investimentos avaliados pelo patrimônio líquido é tratado pelos artigos 385, 386 e 391 do RIR/1999: [...] Os comandos legais determinam que o contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor do patrimônio líquido deverá, por ocasião de sua aquisição, desdobrar seu custo entre o valor do patrimônio líquido correspondente à participação societária adquirida e o ágio porventura observado na aquisição do investimento, cujo fundamento econômico deve estar evidenciado. 65. Entretanto, o reconhecimento de um ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico não encontra respaldo na Teoria Contábil, ou seja, não é possível reconhecer, contabilmente, uma maisvalia de um investimento quando originado de uma transação entre partes relacionadas, tal como no presente caso, uma vez que à época de registro dos ágios, as empresas envolvidas nas operações eram diretamente controladas pela mesma pessoa física, como já escrito acima e informado pela fiscalização. 66. A vedação ao reconhecimento de uma maisvalia gerada de uma transação entre partes relacionadas advém da Ciência Contábil e foi consagrada pelo Conselho Federal de Contabilidade que enunciou esse impedimento, expressamente, como consequência do Princípio do Registro pelo Valor Original, consoante artigo 7º da Resolução CFC nº 750, de 29 de dezembro de 1993, com a redação vigente até edição da Resolução CFC nº 1.282, de 28 de maio de 2010: [...] 67. Concluise, portanto, que bem antes da época dos fatos em questão (ano 2004), já havia o princípio contábil de registro dos componentes do patrimônio pelo valor original ou histórico. O Conselho Federal de Contabilidade editou, ainda, a Resolução CFC nº 1.110, de 29 de novembro de 2007 (antes, portanto, das alterações realizadas na Lei nº 6.404/1976 pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, que objetivou adaptar a contabilidade brasileira à contabilidade internacional) que, em seu item 120, assim determina: O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado. (negritos acrescidos) 68. Portanto, se os atos expedidos pelo CFC vinculam os contabilistas, uma vez que sua inobservância pode caracterizar infração no exercício da profissão, a mesma sorte acompanha as pessoas jurídicas, cujas demonstrações financeiras são elaboradas por tais profissionais. 69. Neste sentido lecionam os professores Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior, in A Incorporação Reversa com ágio gerado internamente: Conseqüências da Elisão Fiscal sobre a Contabilidade (http://www.congressousp.fipecafi.org/artigos42004/13.pdf) consoante excerto do referido artigo, a seguir transcrito: [...] Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 9 15 Em síntese, o ágio (ou, por vezes, o deságio) surge do confronto entre o valor justo (fair value) de uma dada entidade (valor de saída), precificado por intermédio de uma transação envolvendo terceiros independentes, e o valor contábil (valor de entrada) do patrimônio líquido dessa mesma entidade (considerando, é claro, a participação acionária adquirida). Logo, em termos de Teoria da Contabilidade, a rigor, em uma transação admitese tãosó a figura do ágio, que vem a ser um resultado econômico obtido em um processo de compra e venda de ativos líquidos (net assets), quando estiverem envolvidas partes independentes não relacionadas. Enfim, quando o ágio for resultado de um processo de barganha negocial não viciado, que concorra para a formação de um preço justo dos ativos líquidos em apreço. (...) Resta justificado, dessa forma, pelo exposto, que definitivamente, à luz da Teoria da Contabilidade, é inadmissível o surgimento de ágio em uma operação realizada dentro de um mesmo grupo econômico. Não é permitido contabilmente o reconhecimento de ágio gerado internamente, tampouco o lucro resultante. (...) (negritos acrescidos) 70. Percebese que a doutrina contábil rejeita o reconhecimento de um ágio formado internamente, uma vez que a ausência de independência entre as partes interessadas no negócio impede a fixação do chamado valor justo a ser tomado como referência para o reconhecimento ou não da formação da maisvalia. Ou seja, o efetivo valor econômico de uma empresa depende do que o mercado está disposto a pagar por ela, entendendose por mercado, todavia, um ambiente negocial livre e aberto, com a interveniência de agentes econômicos independentes, o que não ocorre no caso concreto. [...] 72. Neste sentido, a autarquia responsável pela fiscalização e regulação do mercado de valores mobiliários também condena o reconhecimento de ágio em operações realizadas dentro mesmo grupo econômico. O Ofício Circular/ CVM/SNC/SEP nº 01/2007, de 14 de fevereiro de 2007 (http://www.cvm.gov.br), em conformidade com outros atos anteriores, expressa esse entendimento: 20.1.7 “Ágio” gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". [...] 74. A CVM observa que a mera observância das formalidades previstas na lei societária não é condição suficiente para reconhecer o ágio surgido em uma determinada operação, sendo necessário observar, também, requisitos materiais, como a independência das partes, pagamento e um efetivo ambiente concorrencial. Dito de outra forma: o entendimento expresso no referido OfícioCircular não é novo ou aplicável somente após a entrada em vigor das normas que adaptaram a contabilidade brasileira à contabilidade internacional (Lei nº 11.638/2007 e legislação posterior), mas apenas a expressão numa hipótese (ágio gerado em operação interna de um grupo empresarial) de princípio contábil que já existia e continua a existir. Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 16 75. No Protocolo de Justificação e Incorporação, de 01/03/2005, no qual a fiscalizada (COPAGAZ Distribuidora da Gás Ltda) figura como incorporadora, e a empresa SIGMA Participações S/A como incorporada, as partes fundamentam a operação como um meio de alcançar uma maior eficiência administrativa permitindo considerável redução de custos em geral, razão pela qual a incorporação se torna recomendável. 76. Salientese que ante todo o exposto vale destacar que, em virtude da reorganização societária efetuada pela sujeito passivo, não houve o pagamento efetivo do ágio, uma vez que se tratou de ágio gerado dentro do grupo econômico e que, portanto, não gerou nenhuma riqueza do ponto de vista econômico. 77. Também merece destacar que, tampouco, ocorreu um aumento real do patrimônio da fiscalizada em virtude da operação ter sido realizada intragrupo, fato que, por não ocorrer num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias, apresenta ausência de substância econômica na operação. 78. Do exposto, demonstrase que a sequência de "reestruturações societárias" procedida simplesmente desaguou na transferência para a COPAGAZ do ágio interno, calculado sobre sua própria rentabilidade, com que a empresa investidora MSAdministração e Participações integralizara na incorporada SIGMA Participações. 79. O quadro que emerge dos autos permite concluir que as operações ocorridas em 2003 e 2004 não se prestaram para nada mais além de gerar o ágio amortizável apenas para fins fiscais, fato que é demonstrado, sem sombra de dúvida, pelo fato de que organograma e controle da empresa COPAGAZ passou a ser exatamente o mesmo que o de antes das operações societárias. Este retorno rápido à situação inicial de antes da criação da SIGMA Participações faz saltar aos olhos a falta de propósito negocial. [...] 89. Com efeito, a legalidade dos atos é condição essencial para que a conduta do contribuinte possa ser considerada lícita, mas não suficiente para que se conclua que os efeitos resultantes de seu conjunto estejam em conformidade com o ordenamento jurídico. Ou seja, é possível que cada um dos atos praticados pelo contribuinte, individualmente considerado, esteja de acordo com as exigências formais de alguma norma específica, mas que, em seu conjunto, não surta os efeitos esperados pelo ordenamento jurídico. 90. Essa perspectiva está consagrada na lição do Professor Marco Aurélio Greco, in Planejamento Tributário, 2ª Edição, Dialética, p. 123: A questão fundamental é saber como devemos enxergar a realidade, pois ela comporta mais de uma perspectiva. Pode ser vista fotograficamente, quadro a quadro, e com isto chegaremos a uma conclusão positiva ou negativa em relação a cada quadro isolado. Mas também pode ser vista cinematograficamente, vale dizer, o filme inteiro. Qual das perspectivas adotar? Normalmente só sabemos qual é a história quando chegamos ao final, só no final entendemos o significado real de tudo o que aconteceu. Esta é uma perguntachave porque fotograficamente determinada opção pode ser plenamente protegida e até mesmo querida pelo ordenamento jurídico, mas da perspectiva do filme ela pode aparecer como instrumento para um planejamento inaceitável. 91. A discussão acerca da licitude da conduta adotada pelos contribuintes na busca da economia fiscal não está restrita ao campo do legal ou ilegal, mas deve ser balizada pelos demais valores que permeiam o ordenamento jurídico, conforme ensina o invocado professor à página 194 da citada obra: Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 10 17 (...) cumpre analisar o tema do planejamento tributário não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos igualdade, solidariedade social e justiça. Partindo dessa abordagem, embora reconheça que o contribuinte tem o direito de organizar sua vida (desde que o faça atendendo aos requisitos da licitude dos meios, previedade em relação ao fato gerador, inexistência de simulação sem distorções ou agressões ao ordenamento), sou imediatamente conduzido à conclusão (aliás, aceita de forma praticamente unânime nos países ocidentais) de que um direito absoluto e incontrastável no seu exercício é figura que repugna à experiência moderna de convívio em sociedade, fundamentalmente informada pelo princípio da solidariedade social e não pelo individualismo exacerbado. [...] 93. Com o advento do novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002), o abuso do direito, ainda que realizado por pessoas jurídicas capazes e através de negócios jurídicos cujos objetos são formalmente lícitos, possíveis e determinados, passou a ser considerado um ato ilícito, nos termos de seu artigo 187: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. 94. Assim, a doutrina que defendia a legitimidade de ações e estruturas elaboradas pelo contribuinte com finalidade exclusiva de economizar tributos ao fundamento de estar atuando sob permissivo legal foi posta em xeque pela mudança da concepção de licitude, que já era inferida do estudo do texto constitucional, mas que foi explicitada pela lei civil, tendo o prestigiado autor registrado essa mudança de paradigma, conforme lição de página 199 da referida obra: Depois do Código Civil de 2002, como o abuso de direito passou a ser expressamente qualificado como ato ilícito, a questão tributária é muito mais relevante, pois o abuso faz desaparecer um dos requisitos básicos do planejamento, qual seja, o de se apoiar em atos lícitos. Vale dizer, a configuração de um ato ilícito (por abusivo) implica não estarmos mais diante de um caso de elisão, mas sim de evasão. 95. Desta maneira, quando a autoridade fiscal classifica o ágio gerado no grupo COPAGAZ como um ativo subjetivo, com fundamentos em princípios da doutrina contábil, aplicam corretamente o Direito Positivo: primeiramente, verificouse se a apuração do lucro líquido foi feita de acordo com as regras do direito que prevê a aplicação dos instrumentos e princípios da ciência contábil; depois, analisouse se o procedimento extracontábil de apuração do lucro real foi efetuado de acordo com os preceitos da legislação tributária. 96. Conforme as observações anteriormente feitas, o reconhecimento dessa dedução de despesa de amortização de ágio para fins tributários somente é possível, caso a maisvalia tenha sido apurada numa transação realizada entre partes independentes, elemento essencial e esperado numa situação normal de mercado. No caso dos autos todas as partes envolvidas nos atos que culminaram no registro dos ágios eram interdependentes desde antes do início das operações societárias. 97. Portanto, não sendo aplicável à autuada a especial norma de dedutibilidade de ágio prevista no artigo 386, inciso III, §2° do RIR/1999, agiram Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 18 corretamente os autuantes ao glosarem as exclusões ao lucro líquido de valores que não atendiam os requisitos de dedutibilidade. [...] Segue o acórdão guerreado esclarecendo as razões para manter a qualificação da multa, entendendo estarem visíveis no presente caso a simulação que denota a prática de atos fraudulentos intencionais, bem como a responsabilização solidária de Ueze Elias Zahran, por seu papel central nas empresas envolvidas na fraude tributária, como real interessado e mandante dos atos praticados que causaram a evasão fiscal, com fulcro no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN). A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 1653 a 1703, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: a) a autoridade fiscal desconsiderou as operações societárias, contábeis e fiscais, alegando simulação, sem apresentar, contudo, provas concretas ou fatos; este entendimento foi acompanhado na decisão ora recorrida; b) a autuação ocorrida em 10/2013 abordou fatos ocorridos em 09/2004, portanto períodos superiores a cinco anos, procedimento defeso à fiscalização, que empregou juízo de valor a atos pretéritos, no caso, incorporação de empresa, e amortização de ágio diferido no tempo; c) a decisão recorrida defendeu ser correto o procedimento fiscal no qual glosouse a dedutibilidade das despesas com ágio, mas é vedado a autoridade fiscal perquirir a respeito de fatos ou operações formalizadas há mais de cinco anos por ferir a limitação temporal legal, tornando o direito de fiscalizar imprescritível; cita acórdão administrativo jurisprudencial; d) a recorrente já havia sido fiscalizada em 2008, havendo sido questionada sobre o ágio amortizado; na ocasião nenhuma infração foi detectada, muito menos qualquer simulação da operação de incorporação; não pode pois, a fiscalização, em outro momento, criar nova interpretação sobre os mesmos fatos por flagrante mudança de critério jurídico e ofensa ao artigo 146 do Código Tributário Nacional (CTN); as operações analisadas pelas auditorias fiscais foram exatamente as mesmas, sendo que na primeira auditoria não se detectou nenhuma infração tributária, enquanto nesta segunda resultou da autuação em questão, inclusive entendendose que houve simulação jurídica; a alteração do agente fiscal não pode importar em avaliações e entendimentos diferentes pela Administração Tributária; cita acórdão administrativo jurisprudencial; e) atribui ao trabalho fiscal precariedade, com erros, a exemplo da data de constituição da empresa, alegada pela fiscalização como ocorrida em 1992, quando consta dos dados cadastrais ter sido constituída em 1980; também não foram mencionadas outras incorporações e alterações societárias, dandose impressão que as incorporações ocorreram apenas para gerar ágio; considera também precária e fruto de desconhecimento técnico a conclusão da fiscalização sobre a 'holding' SIGMA, ser uma empresa sem atividade operacional funcionários e GFIP sem movimento, uma vez que a legislação prevê a possibilidade das empresas terem como objeto somente a participação em outras empresas; cita a definição de 'holding' sociedades não operacionais que têm seu patrimônio composto de ações de outras companhias. São constituídas ou para o exercício do poder de controle ou para a participação relevante em outras companhias, visando nesse caso, constituir a coligação. Em geral, essas sociedades de participação acionária não praticam operações comerciais, mas apenas a administração de seu patrimônio. (Carvalhosa, 2009, p.14); f) também inadequada a afirmação da fiscalização sobre as regras da Instrução CVM nº 319/99 só se aplicarem às companhias de capital aberto; 1 empresa: ciência eletrônica por decurso de prazo em 17/06/14, efls. 1650 responsável solidário: AR em 06/06/14, efls. 1651 Recurso Voluntário único (ambos) – 02/07/14, efls. 1652 Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 11 19 g) estas falhas da fiscalização demonstram ausência de devida motivação, de investigação necessária, preterição de direito de defesa, desconsideração de fatos que ofendem os princípios do contraditório e da ampla defesa; invoca os artigos 50 da Lei nº 9.784/99 e 59, II, do Decreto nº 70.235/72, requerendo a nulidade da autuação h) a fiscalização não apontou qualquer irregularidade nos critérios de avaliação da recorrente, ou métodos de amortização do ágio, ou no Laudo de Avaliação Econômica, limitandose a presumir a simulação da operação de incorporação da SIGMA; não há presença dos requisitos do artigo 167 do Código Civil, nem a comprovação da simulação exigida pelo artigo 149 do CTN, cuja prova deve ser contundente, tornandose insubsistente a arguição de simulação jurídica; a fiscalização não traz um único elemento sólido, mas apenas afirmações incongruentes e conceitos equivocados, incapazes de invalidar o negócio jurídico válido; cita jurisprudência administrativa; i) a inexistência de propósito negocial não pode ser invocada para desconsiderar negócios jurídicos, a uma porque expressamente rejeitado pelas autoridades legislativas, a duas porque os motivos negociais não podem ser presumidos, sobretudo quando não houve investigação fiscal sobre os fatos e atos; ademais, a incorporação, com ágio, realizada teve como objetivo não a apropriação do ágio, mas a maior eficiência administrativa e simplificação societária, para permitir redução de custos em geral; por ser uma pessoa jurídica possuía uma série de obrigações tributárias, contábeis e societárias, gerando custos; o ingresso da SIGMA, na qualidade de controladora, tornou sua existência desinteressante; o conceito de propósito negocial não se resume ao aspecto financeiro, mas envolve reestruturação societária, alteração do comando da sociedade, poder de voto etc j) foge ao escopo da fiscalização questionar os fundamentos de reorganizações societárias gestões corporativas, interesses institucionais, competitividade etc; cita julgados administrativos; não pode desconsiderar atos jurídicos legítimos e lícitos; k) sobre o ágio legitimidade e previsão legal: k.1) o artigo 20 do Decretolei nº 1598/77 dispunha que o contribuinte que avaliar investimento em sociedade pelo valor do patrimônio líquido deve, quando adquirir participação societária referente a este investimento, destacar o valor do custo do investimento do valor correspondente ao ágio; cumpridos os requisitos do artigo 385 do RIR/99, não pode a autoridade fiscal, por considerações individuais, negar o aproveitamento do ágio; k.2) as empresas podem agir com liberdade para se reorganizar e atuar, dentro dos limites do que não é proibido artigo 5º, II, e 170 da CF; também não há qualquer restrição legal à incorporação de pessoas jurídicas, na condição de controladora Lei das S/A e Código Civil Brasileiro; o direito de apropriação do ágio da incorporada tem previsão legal nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97; k.3) a legalidade tributária prevalece sobre as doutrinas de consideração econômica de fato gerador ou analogia na tributação, impedindo a presunção de fatos geradores por qualquer meio que não seja por lei; sendo as operações societárias e seus efeitos contábeis e fiscais permitidos por lei, não há política ou opinião individual que possa desconstituílas, exceto em casos de fraude ou simulação, devidamente investigadas e comprovadas, o que, no presente caso, não ocorreu; k.4) a decisão recorrida foi impertinente ao afirmar que todos os procedimentos contábeis, fiscais e tributários devem ser uniformes para terem legalidade, sustentando que não houve cumprimento das normatizações da Comissão do Pronunciamento Contábil (CPC); era um período de transição, consoante determinações da Lei nº 11.638/07, pelo que a decisão inovou alegando descumprimento de uniformidade dos critérios contábeis, alegação de inadequação do CPC 15, por tratarse de ágio interno; cita julgado administrativo a respeito de glosas de despesas no RTT; Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 20 k.5) apesar de o presente caso não se tratar de ágio interno, não se pode concluir que estes ágios não se revestem de efetividade econômica; cita acórdão administrativo; k.6) cumpridas as disposições dos artigos 385 e 386 do RIR/99, cumprimento de todos os requisitos contábeis e legais vigentes, inclusive laudo de avaliação econômica não impugnado pela autoridade fiscal, o ágio não pode ser desconsiderado; k.7) a unificação de duas entidades legais, sendo que o patrimônio acrescido é associado a rentabilidade futura desse investimento, configura o ágio a ser amortizado fiscalmente. cita doutrina de José Antonio Minatel, que explicita, in fine "...Configurando o valor do ágio por expectativa de rentabilidade futura um excedente ao valor do patrimônio absorvido, esse acréscimo passa a representar um custo previamente incorrido para fazer face às futuras receitas operacionais da empresa, das quais se espera lucratividade. Dessa configuração de custo assumido para obtenção de futuras receitas é que decorre o fundamento para a sua dedutibilidade."; resta, pois, demonstrado o motivo econômico; k.8) conclui, sobre o ágio e sua dedutibilidade: Demonstrado o motivo econômico, não pode o CARF, órgão técnico de controle de legalidade da atividade administrativa no âmbito tributário federal, sucumbir à pressão política com fim arrecadatório, nem desconsiderar os fatos, permitindo a distorção dos atos legalmente praticados e do incentivo da Lei 9.532/1997 que, sobretudo, ao tratar do ágio e da respectiva dedução, teve como objetivo o estímulo à atividade econômica, permitindo deduzir dos tributos a pagar nos cinco anos posteriores à compra, o excedente pago em relação ao valor contábil que a companhia efetivamente tinha. Nesse sentido, os argumentos da decisão recorrida não se sustentam, seja pelo motivo de que não se trata de ágio gerado internamente, como também, pelo fato de referido ágio tratado, foi devidamente comprovado e se reveste de todos os requisitos econômicos e legais previstos pela legislação. l) ataca veemente a multa qualificada, por ter havido fraude, sem haver a fiscalização comprovado que a recorrente agiu dolosamente, mas pautandose em mera presunção; invoca a aplicação do artigo 112 do CTN; cita decisões administrativas; l.1) atribui à multa aplicada no percentual de 150% o caráter confiscatório; m) a atribuição de responsabilidade tributária solidária ao sócio Ueze Elias Zahran, com fulcro no artigo 135, inciso III, do CTN, por ser administrador nos atos societários, constando nos quadros societários das três empresas, não pode prevalecer; esta pessoa deve ser excluída do pólo passivo das exigências tributárias; m.1) haveria que se produzir provas inequívocas de dolo e intenção do agente, no caso do sócio administrador, e cumulativamente as hipóteses tratadas nos incisos I e II do art. 135, do CTN, ou seja, a obrigação tributária deve resultar exclusivamente de ato praticado pela pessoa física e referido ato deve ter sido praticado com excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatuto; cita doutrina de Renato Lopes Becho e acórdãos administrativo e judicial; m.2) nem pode se alegar que a "infração à lei" decorre do não pagamento de CSLL e IRPJ, tese pacificada a respeito da aplicação do artigo 135 do CTN, consoante posição firmada pelo STJ; O presente recurso voluntário encerrase com o seguinte pedido: Ante o exposto, pedem e esperam os RECORRENTES seja recebido e acolhido o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de ser cancelada Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 12 21 integralmente a exigência constante do auto de infração, culminando, por conseguinte, no arquivamento do processo administrativo instaurado. 125.Caso mantida, no entanto, requer a exclusão do pólo passivo do responsável solidário indicado pela fiscalização, pelas razões expostas. 126. Subsidiariamente, requer, ainda, seja afastada multa agravada de 150% por completa ausência dos elementos e requisitos legais para sua configuração. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, interposto pela empresa autuada, Copagaz Distribuidora de Gás S/A. Apesar do presente recurso haver sido interposto nominalmente pela empresa e pelo responsável solidário Ueze Elias Zahran, verificase que a impugnação (efls. 1528 a 1566) foi oferecida somente pela empresa, razão pela qual o litígio instaurouse regularmente somente em relação a esta, não podendo, em fase recursal, o responsável tributário vir a compor a lide administrativa. Não conheço, pois, do recurso oferecido por Ueze Elias Zahran, com fulcro no artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF). I) Das decadência A recorrente argumenta que a autuação ocorrida em 10/2013 fundamentase em operação realizada há mais de nove anos, em 2004 (incorporação da empresa SIGMA), razão pela qual o fisco não pode analisar, desconsiderar ou emitir qualquer juízo de valor sobre esta operação para impor qualquer exigência fiscal, por fulminado seu direito de agir transcorridos cinco anos da operação realizada. Analisandose os fatos e a autuação realizada, verificase que a fiscalização glosou despesas de amortização contabilizadas no anocalendário de 2008. O artigo 173, inciso I, do CTN, estabelece o prazo, para a Fazenda proceder ao lançamento, de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, como regra geral para contarse a decadência. No caso em concreto, a empresa é optante pelo Lucro Real e os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorreram em 31/12/2008, em decorrência de glosa de despesas incorridas em 2008, havendo a fiscalização realizado os lançamentos tributários correspondentes em outubro de 2013, portanto preservando o quinquídio. Observese que pela aplicação do artigo em comento, os lançamentos tributários poderiam ter sido realizados até 01/01/2015. Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 22 Ainda que se afastasse a acusação de fraude tributária erguida pela fiscalização e aplicassese a inteligência do artigo 150, §4º, do CTN para a contagem do prazo decadencial, tendo em vista que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorreram em dezembro de 2008, as autuações poderiam ter sido realizadas até dezembro de 2013, restando respeitada de igual forma o prazo legal dos cinco anos para o fisco agir. O fato de a operação negocial, que gerou o ágio amortizável de forma diferida despesa, ter ocorrida há mais de cinco anos, não pode ser este ato (negócio) jurídico confundido com a ocorrência do fato gerador, em si, da obrigação tributária em si, que, no caso da apuração do IRPJ e CSLL é ao final de cada anocalendário. No caso em tela não se desconsiderou a incorporação em si, tal qual negócio jurídico, mas extraiuse desta operação, no anocalendário de 2008, os efeitos tributários das deduções que afetaram os fatos geradores das obrigações tributárias para aquele período. A fiscalização não poderia, por estar impedida pelo princípio da legalidade, a lavrar um Auto de Infração a partir da ocorrência do negócio jurídico em si (incorporação), por não se tratar de fato gerador da obrigação tributária, mas nada a impede de fiscalizar os efeitos tributários advindos desta operação negocial, diferidos nos anos que se seguem, os quais repercutem nos fatos geradores das obrigações tributárias e agir, quando a despesa, ou receita, diferidas estiverem em desconformidade com as normas tributárias. Destarte, respeitado o prazo decadencial estabelecido na norma tributária, seja pela redação do artigo 173, inciso I, seja do artigo 150, § 4º, ambos do CTN, procedem as glosas de despesas que influenciaram nos fatos geradores ocorridos em 2008, responsáveis pelas obrigações tributárias surgidas neste período. Afasto a arguição de decadência dos lançamentos tributários de IRPJ e CSLL. II) Das nulidades II.a) Alteração do critério jurídico A recorrente argumenta que foi fiscalizada no ano de 2008 e que a autoridade fiscal, à época, verificou a operação de incorporação da empresa SIGMA, o ágio gerado, e não acusou nenhuma infração tributária, razão pela qual neste novo procedimento fiscal houve alteração de critério jurídico, por mera interpretação do agente fiscal, salientando que os mesmos fatos e atos foram verificados. Diz que a Administração Tributária, independentemente do agente fiscal que a represente, não pode mudar o entendimento a respeito da mesma situação, por força do artigo 146 do CTN. Analisando os documentos apresentados pela recorrente, às efls. 1579 a 1599 verificase que se tratam de Termos de Intimações Fiscais (02), um solicitando arquivos digitais da contabilidade e outro, de fato, solicitando esclarecimento sobre a natureza do ágio amortizado, excluído do Lucro Líquido na DIPJ/2005. Todavia, às efls. 1597, após a resposta da intimada, a autoridade fiscal responsável pelas intimações lavrou um Termo de Encerramento de Diligências/Coleta de Arquivos Digitais. São estes os documentos acostados à impugnação que, no entender da recorrente, fazem prova que a Administração Tributária emitiu um juízo de valor sobre a dedutibilidade da amortização do ágio, recebido por ocasião da incorporação da empresa Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 13 23 SIGMA, admitindo os valores na exclusão do lucro líquido, e que, neste outro procedimento fiscal estarseia alterando o critério jurídico. Dispõe o artigo 146 do CTN: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifos não pertencem ao original) As disposições inseridas no texto legal acima não se aplicam ao caso em exame. Eis que não houve qualquer atividade administrativa de lançamento tributário por ocasião da diligência realizada pela autoridade designada para tal fim anteriormente. Nem tampouco houve qualquer encerramento de fiscalização sem resultado, ou ato escrito do qual se possa inferir o entendimento da Administração Tributária a respeito da matéria ora discutida nestes autos. Em assim sendo, afasto a nulidade suscitada dos lançamentos tributários haverem sido realizados com mudança de critério jurídico por parte da Administração Tributária. II.b) Nulidades da autuação A recorrente atribui ao trabalho de auditoria fiscal fragilidade, precariedade, ausência de conhecimento técnico sobre empresas holding, erros etc, falhas que demonstram ausência de motivação, investigação necessária, desconsideração de fatos que ensejam a nulidade dos lançamentos tributários por ofensa ao contraditório e ao exercício da ampla defesa. O equívoco da fiscalização em atribuir a constituição da empresa recorrente à data de 1992 e não ao ano de 1980, como bem observou a turma julgadora de primeira instância, não causa qualquer reflexo na fiscalização realizada e em seu resultado, pelo que inócua a alegação de causar qualquer nulidade material ou procedimental. Por outro lado, as argumentações de que os trabalhos de auditoria fiscal foram superficiais, precários ou frágeis, não se sustenta em vista de constar dos autos vasta documentação amealhada pela fiscalização pertinente às operações que deram origem ao ágio responsável pelas deduções glosadas e ora em debate. O próprio Termo de Verificações Fiscais de efls. 1494 a 1502, parte integrante dos Autos de Infração, demonstra o zelo da fiscalização em deixar bem claro e explícito os passos realizados pela empresa autuada, bem como as razões que conduziram à conclusão de que a incorporação realizada não continha qualquer propósito negocial, tratando se de atos simulados, pelo que indedutíveis as despesas registradas a título de ágio. Na apreciação do mérito do litígio abordaremos mais pormenorizadamente as alegações da fiscalização a respeito da infração tributária apurada no procedimento de ofício. Quanto à impressão da recorrente sobre a ausência de conhecimento técnico da fiscal autuante sobre o funcionamento e operações das empresas holdings trata apenas de Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 24 pontos de vista divergentes, sendo que a autoridade fiscal explicitou o porquê entender que a SIGMA não constituía, na verdade material dos fatos, uma holding, mas fora criada com a única finalidade de empresaveículo para depois a recorrente apropriarse indevidamente do ágio gerado. É matéria a ser discutida no mérito, de igual forma. Enfim, não se verifica dos autos, qualquer impropriedade técnica na autuação realizada para as exigências de IRPJ e CSLL, nem falhas que impediram a recorrente de compreender os remissivos legais infringidos, natureza dos fatos que ensejaram a tributação erguida, ou qualquer mácula aos artigos 10 do Decreto nº 70.235/72, ou 142 do CTN, capazes de causar qualquer nulidade de ordem formal ou material, muito menos houve ausência de motivação e fundamentação que pudessem impedir a recorrente de exercer o contraditório e sua defesa de forma ampla, aliás como o fez, sendo inaplicáveis ao caso em concreto as disposições dos artigos pertinentes aos processos administrativos federais e fiscais. Ademais, entendo que as alegações de nulidade por cerceamento de defesa não são oponíveis ao procedimento de auditoria fiscal e autuação, sendo aplicáveis tão somente ao processo administrativo fiscal quando já instaurado o litígio administrativo, após o oferecimento da impugnação ao feito fiscal. Afasto a arguição de nulidade dos lançamentos tributários. III) Do mérito Cumpre fazer breve síntese dos fatos: 1. São três as empresas envolvidas na situação fiscal retratada: "Copagaz" (recorrente); MS Adm e Participações S/A ("MS"); SIGMA Participações S/A ("SIGMA"). A "MS" efls. 523 a 535 (JUCESP data da constituição 07/12/98) Rua Guararapes, 1855, 11º and. sl. B, Brooklin, SP/SP holding de instituições financeiras, atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica sócios acionistas/diretoria: Antonio Carlos Moreira Turqueto, Eduardo Elias Zahran Filho, Jeannette Elias Zahran, João Elias Zahran, Jorge Elias Zahran, Ueze Elias Zahran (Presidente do Conselho Administrativo/Diretor Presidente) em 08/01/99 os acionistas integralizaram 90% do capital com quotas de sua titularidade da empresa "Copagaz" em 24/12/03 alteração do capital social para R$17.518.508,00 em 19/08/04 referendar deliberação de proposta do aumento de capital da Copagaz (controlada) A "Copagaz" efls. 498 a 521 (JUCESP data constituição 25/09/92) Rua Guararapes, 1855, 12º and., Brooklin, SP/SP postos de álcool carburante, gasolina e demais derivados do refino de petróleo exclusive gás liquefeito / comércio varejista de gás liquefeito de petróleo (GLP) exclusive distribuição canalizada Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 14 25 31.12.98 sócios e capital: UEZE 1,00 e "MS" 4.131.570,00 28.03.00 sócios e capital: UEZE 17,00 e "MS" 9.979.983,00 dez/03 Laudo de Avaliação (expectativa rentabilidade futura) 08/01/04 sócios e capital: UEZE 17,00 e "MS" 17.376.267,00 02/08/04 sócios e capital: UEZE 17,00 e "MS" 17.916.595,00 16/08/04 retirase a "MS" ingressa a "SIGMA" sócios e capital: UEZE 17,00 e "SIGMA" 17.916.595,00 16/09/04 incorporação da "SIGMA" A "SIGMA" efls. 488 e 489 (JUCESP data de constituição 04/06/2003) Rua Guararapes, 1855, 11º and. sl. B, Brooklin, SP/SP (alterado em 07.01.04) comércio atacadista de artigos de escritórios e papelaria / holding de instituições nãofinanceiras 07.01.04 capital e sócios: (ingressam na empresa) Antônio Carlos Moreira "Turqueto" 50,00 e "MS" 950,00 12.08.04 alteração de capital e sócios: "Turqueto" 50,00 e "MS" 209.196.950,00 (participação societária que detinha na "Copagaz" 16.09.04 incorporada pela controlada "Copagaz" Devese observar que a empresa "SIGMA", em seu período de curta existência, além de haver entregue as GFIP "sem movimento", também preencheu uma DIPJ/04 de inativa, relativa ao anocalendário de 2003, assinada pela mesma contadora responsável pelo atendimento à fiscalização da recorrente, sra. Sandra Inês Ribeiro efls. 495 e 496: Declaração de Inatividade: E a DIPJ/05, relativa ao anocalendário de 2004, foi entregue apenas por razão da incorporação, sem também evidenciar qualquer operação realizada. Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 26 Bem, dadas as informações acima, extraídas dos documentos contratuais das empresas e declarações entregues ao fisco, a fiscalização concluiu que a reorganização societária com a utilização flagrante de empresaveículo não teve qualquer propósito negocial, tratandose de operações fictícias cujo único objetivo foi o aproveitamento indevido do ágio gerado pela expectativa de rentabilidade futura para constituir despesas que reduzissem indevidamente o lucro líquido da "Copagaz" em diversos anos. Assim também considerou a turma de julgamento de primeira instância em didático acórdão que enfrentou todos os pontos arguídos pela recorrente, consoante relatado acima. Em extenso arrazoado contestatório, a recorrente argumenta, em síntese, que: (a) a alegada simulação jurídica não foi, de longe, comprovada pela autoridade fiscal, tratando se de mera presunção; (b) a fiscalização não pode negar o propósito negocial da reorganização societária, nem esta questão ser fundamento para ; (c) também incabível a desconsideração de atos jurídicos legítimos e lícitos; (d) despropositado considerarse ágio interno, e ainda que fosse, os ágios internos também são possuem efetividade econômica, bem como alegações infundadas de abuso de direito; (e) o ágio teve comprovado motivo econômico e cuidouse de observar rigidamente os requisitos contábeis e legais para o seu aproveitamento. Enfrentando a matéria de mérito, passase a tecer algumas considerações a respeito das argumentações invocadas pela recorrente a fim de dirimirse o litígio instaurado. Primeiramente, é flagrante tratarse de três empresas de um mesmo grupo econômico e, portanto, tratarse de ágio interno, haja vista o controle de uma mesma empresa sobre as demais e a identidade entre si dos quadros societários e, inegavelmente, a direção de comando de UEZE ELIAS ZAHRAN nas três empresas. Esta pessoa consta como administrador de direito, e o é de fato, nas três empresas. O ágio interno, gerado entre empresas coligadas2, sob o mesmo controle, é ainda tido como ágio artificial no sentido de que nenhum dispêndio custo financeiro foi realizado. Em segundo lugar, ao contrário do extensamente abordado pela recorrente, a empresa "SIGMA" traduzse perfeitamente no que se denomina empresaveículo, haja vista a sua efemeridade e às operações comerciais ou negociais que praticou durante a sua curta existência, ou seja, nenhuma. Ou pelo menos, a recorrente não trouxe qualquer prova que pudesse desmentir os documentos acostados aos autos pela fiscalização, como DIPJ/04 de inatividade, DIPJ/05 sem receita/custo operacional, balanço patrimonial sem acusar nada que indicasse qualquer operação, GFIP declarando expressamente "sem atividade". A "SIGMA" somente possui quatro registros de eventos na sua existência: o ingresso de "Antonio Carlos Moreira Turqueto" e "MS" em seu quadro societário, ainda quando "inativa" (situação desde sua constituição há alguns meses), alteração do endereço da sede para sala contígua à "MS", alteração do capital social com a participação societária da "MS" na "Copagaz" no valor de R$ 209.196.950,00 e, seu encerramento, por incorporação. 2 Lei nº 6.404/76 LS/A art. 243 (...) § 1o São coligadas as sociedades nas quais a investidora tenha influência significativa. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 15 27 Para descaracterizar ser a "SIGMA" uma empresaveículo utilizada com o único fim de internalizar o ágio na forma de despesa a reduzir o lucro tributável na própria empresa que reavaliou seu patrimônio (pela expectativa de rentabilidade futura), a recorrente deveria ter apresentado provas contundentes que ilidissem os documentos e indícios veementes apresentados pela fiscalização. O ônus inicial de provar a infração tributária foi cabalmente cumprido pela fiscalização, passando a ser da recorrente o ônus probatório para desconstituir os fatos provados e demonstrados. Não se verifica, no presente caso, simples presunção fiscal, mas fatos com indícios fortes de ausência de propósito negocial, seja na existência da "SIGMA" como pessoa jurídica autônoma, seja na reorganização societária, respaldada por documentação (declarações entregues ao fisco) e registros contábeis (ausentes de operações negociais). O fato de ser uma holding não esquiva a pessoa jurídica de ter existência própria, funcionários, operações de controle de patrimônios registradas em contabilidade (inclusive) etc, ao contrário senso do que alega a recorrente. 3 Verificase, por outro lado, que a "MS" é uma típica holding, operante. Em estudo realizado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil debruçando se sobre a jurisprudência deste Conselho4 concluiuse que [...] 46. Nos acórdãos analisados, em poucos casos foram encontradas decisões no sentido que o ágio interno não afronta o direito tributário. Na maioria dos casos, o ágio interno lato sensu é entendido como infração tributária decorrente de despesas inexistentes contabilizadas por meio de combinação de negócios entre partes relacionadas, sendo admitido apenas quando presentes pressupostos como efetivo pagamento, partes não relacionadas e laudo técnico autônomo e confiável. [...] 53. Dos 76 casos analisados, (...), foram constatados 32 casos envolvendo ágio interno. Cerca de 66% dos 32 lançamentos de ágio interno ou sem substância econômica foram mantidos no mérito, prevalecendo o entendimentode que a despesa de amortização do ágio era indedutível. [...] 54. Na maioria dos julgados, os lançamentos são mantidos fundamentalmente com base nos seguintes argumentos: · O ágio para ser amortizável deve pressupor a existência de um substrato econômico. · A amortização do ágio pode ser efetuada quando atendidos os seguintes pressupostos: a) efetivo pagamento; b) partes não ligadas; c) laudo técnico autônomo e confiável; 3 As holdings são sociedades não operacionais que tem seu patrimônio composto de ações de outras companhias. São constituídas ou para o exercício do poder de controle ou para a participação relevante em outras companhias, visando nesse caso, constituir a coligação. Em geral, essas sociedades de participação acionária não praticam operações comerciais, mas apenas a administração de seu patrimônio. Quando exerce o controle, a holding tem uma relação de dominação com as suas controladas, que serão suas subsidiárias. (CARVALHOSA, 2009, 14) 4 Nota RFB/Sutri/Cocaj nº 08, de 10 de julho de 2104 Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 28 · Somente em aquisição onerosa de investimentos por terceiros forma se ágio passível de amortização. Não se caracteriza como tal a valorização reconhecida internamente, ainda que fundada em laudo de rentabilidade futura e associada ao reconhecimento de ganho de capital por parte dos sócios. O Acórdão nº 1302001.108, de lavra do Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, foi utilizado referencialmente a respeito do ágio interno e seus efeitos contábeis e tributários no estudo: 55. A seguir, analisamse detalhadamente os fundamentos do voto vencedor proferido no Acórdão CARF nº 1302001.108, de 11 de junho de 2013, que é representativo das principais questões abordadas nas decisões do CARF. 55.1 Um dos primeiros pontos discutidos gira em torno da liberdade de auto organização do contribuinte perante o Fisco. No voto, é criticada a visão da estrita legalidade, que analisa os atos jurídicos independentemente de seu conteúdo real. Afirmase que uma visão que leva em consideração os aspectos puramente formais desconsidera o aspecto finalístico da lei e sua interpretação sistêmica. Reconhecese a liberdade de autoorganização, mas asseverase que ela não é absoluta, devendo haver respeito à livre concorrência, à boa fé, à função social da empresa etc. Trazemse à tona os princípios da capacidade contributiva e da isonomia fiscal na interpretação e aplicação da lei tributária, que não podem ser subjugados ou esquecidos em face do direito de autoorganização do sujeito passivo. Rejeitase a ideia de liberdade de autoorganização, quando o “ato praticado visa única e exclusivamente a reduzir o tributo devido”. Citase trecho da obra de Marco Aurélio Greco, a seguir reproduzida: “...a carga tributária decorre da lei e não pode ficar ao sabor da ‘criatividade’ do contribuinte. Nem se diga que o ordenamento autoriza estas condutas, pois a opção fiscal (desejada ou induzida pelo ordenamento) é diferente da ‘montagem fiscal” (construção de um modelo apenas formal para atingir um redução do tributo)”. 55.2 A criação de ágio artificial entre empresas do mesmo grupo foi qualificada como simulação. Não simulação no sentido de vício de vontade, que é apenas uma das maneiras de conceber este instituto, mas simulação vista pelo ângulo da causa ou do motivo do negócio jurídico. Atos formais de reorganização societária, sem substância econômica, são meramente aparentes. A geração de um ágio artificial com vistas à redução do tributo não pode ser o motivo dos atos, ou seja, “motivo ou a causa deve ser antecedente aos atos e exterior a eles”, senão temos apenas “o ato justificado pelo ato”. Também foi salientado o fato de que depois de realizadas todas as etapas, não há qualquer alteração nas relações jurídicas constituídas, com exceção do aparecimento do ágio decorrente da reavaliação patrimonial efetuada. 55.3 Por fim, o acórdão analisa a relação entre as normas contábeis e a lei tributária. Com o objetivo de afastar o argumento de que o regime contábil dado ao instituto do ágio seria distinto daquele previsto na legislação tributária, manifesta entendimento no sentido de que não há dois tipos de ágio: um jurídicotributário e outro contábil. Reconhecese a distinção entre a contabilidade e o direito tributário, mas afirmase que há uma interseção entre ambos os campos do conhecimento. Segundo este entendimento, as normas contábeis exaradas pelas entidades responsáveis pela regulamentação dos procedimentos contábeis não são elementos estranhos à aplicação da legislação tributária, pelo contrário, fazem parte do arcabouço de mensuração do resultado tributável obtido pelas sociedades empresariais. A partir deste entendimento, mencionase o Ofício Circular Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 16 29 CVM/SNC/SEP nº 1/2007, que condenou o reconhecimento do chamado ágio interno, gerado dentro do mesmo grupo de empresas sob controle comum. 55.4 Quanto ao conceito de ágio pago, este é definido como aquele em que há um efetivo sacrifício patrimonial por parte da adquirente. A mera transferência escritural, para o patrimônio da investida, das ações registradas pela investidora em seu patrimônio (indevidamente reavaliadas) não caracteriza qualquer desembolso, principalmente se, ato contínuo, é feita a reversão do investimento. No caso do ágio interno, não há um efetivo pagamento (sacrifício patrimonial) por parte da investidora pelas participações subscritas em operações com empresas controladas, o que revela a falta de substância econômica das operações. Não há efetiva modificação patrimonial, o que impede o registro e o reconhecimento contábil do ágio. Conclui o acórdão afirmando que ao se dissociar o fato econômico (ágio), captado pela ciência contábil, daquele regulado pela lei tributária, esta última se tornaria completamente abstrata, divorciada do contexto econômico que visa regular. Acompanho o entendimento acima esposado, pois equivocase a recorrente ao entender que desde que cumprido todos os requisitos legais e orientações contábeis faz jus ao aproveitamento do ágio para dedução do lucro a ser tributado. O princípio da legalidade, imperativo no direito tributário, de fato, pressupõe que estando de acordo com as normas tributárias vigentes, a Administração Tributária não pode impingir nada ao contribuinteadministrado, que tem liberdade para agir, desde que a norma também não o proíba. Ninguém é obrigado a fazer aquilo que a lei não determine, e o Estado não pode agir sem que a lei o autorize. Todavia, os princípios constitucionais se contrapõe nesta balança da justiça fiscal. A verdade material deve ser perseguida a todo custo. Aí que entra a importância da substância ou essência dos atos praticados. O cumprimento do formalismo legal destituído de causa motivadora faz destoar todo o ordenamento jurídico, no qual as normas tributárias, civis societárias e comerciais, e de outros ramos, que o compõem são editadas com os objetivos de salvaguardar os princípios constitucionais da isonomia, da concorrência, da capacidade contributiva. Nesta inserção de pesar valores afinal, o que está ocorrendo no mundo jurídico, na realidade dos fatos? é que nos deparamos com o que se enquadra à norma legal (e para quem ela foi produzida) e o que não se pode coadunar à mesma. Tudo "aparenta" estar certo, mas no fundo, qual o propósito das ações praticadas pelo contribuinte? Por que a "Copagaz" contratou a auditoria independente para fazer uma laudo de avaliação de expectativa de rentabilidade futura? A pretensão era a sua alienação a terceiros? Receber na venda o que considerava o que valia? Porque o custo de aquisição e o ágio (goodwill) deveriam permanecer separados na sua contabilidade, até a sua alienação a um terceiro independente, que (este sim) poderia amortizar esta importância, em razão do valor efetivamente despendido (gasto)...mas, não, o próprio grupo econômico ("Copagaz" e "MS") engendrou "uma empresa" ("SIGMA") para controlar a "Copagaz" e depois ser incorporada às avessas e o resultado? Durante vários anos a "Copagaz" ter uma "despesa" (considerável) para deduzir do lucro que deveria ser tributado. Isto é simulação jurídica. Vejamos. Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 30 A simulação tem sido analisada não somente mais como vício de vontade (real versus aparente), mas Marco Aurélio Grecco, in Planejamento Tributário5, deslumbra: [...] Se tomarmos, por exemplo, Orlando Gomes que é um dos maiores nomes do Direito Civil brasileiro e que escreveu há mais de 40 anos , ele afirma que a simulação não está no plano da vontade, mas no plano da causa do negócio. 6 Para saber se o negócio é simulado, temos que verificar se há compatibilidade entre a sua causa e o próprio negócio celebrado. [...] Surgem indagações diferentes que precisam ser respondidas e que vão levar ao reconhecimento ou não de patologias dos negócios jurídicos, como por exemplo, a simulação. [...] Desta perspectiva, podese chegar à conclusão de o negócio ser simulado se não existir motivo, ou se ele for incompatível com o núcleo do negócio adotado ou se existir uma inadequação entre motivo real e aparente. [...] Na medida em que a simulação passa a ser vista como vício da causa ou do motivo do negócio jurídico, esta se configura sempre que houver discrepância entre o motivo aparente e o motivo real ou entre a causa do negócio e o perfil que ele apresenta. Do Acórdão nº 1801001.114, extraio trecho do voto de lavra da Conselheira Maria de Lourdes Ramires, a respeito da simulação tributária: Maria Angélica S. de Souza Dias7, elucida que a simulação pode ser praticada como uma utilização abusiva de formas, mas não é esta a circunstância que a qualifica como simulação. Para a autora não bastaria haver uma sucessão de atos abusivos – operações estruturadas em seqüência com a mesma finalidade – para restar caracterizada a simulação, “pois a simulação deve ser reconhecida não pela abusividade dos atos efetivamente praticados, mas pela mera aparência de suas ocorrências quando, na realidade, sequer ocorreram”. A simulação, assim, presume uma falsa aparência da realidade. Segundo Misabel Abreu Machado Derzi, a doutrina distingue simulação e dissimulação. A simulação expressaria o que não existe na realidade – total ou parcialmente. Já a dissimulação ocultaria o que na realidade se constituiu. Por essa razão, alguns vislumbrariam na simulação relativa dois aspectos distintos: (i) do ato que se aparentou fazer e (ii) do ato que na realidade foi feito. O fingido, do real, o invólucro e o conteúdo. E prossegue: Desfeito o ato aparente, roto o invólucro, cumpre examinar a validade do que restou do conteúdo. Se não houver intenção de prejudicar a terceiros, ou de violar disposição de lei, o ato dissimulado é válido (plus valet quod agitur quam quod simulate concipitur); na hipótese contrária, ilícito o conteúdo, será anulável´. (Washington de Barros Monteiro, Curso de Direito Civil. Parte Geral. 28ª, ed. atualizada. São Paulo. Saraiva. 1989, p. 210). Para a doutrina tradicional, ocorrem dois negócios: um real, encoberto, dissimulado, destinado a 5 Planejamento Tributário, 3ªed, 2011, Dialética, p. 191, 192, 193 6 Introdução ao Direito Civil, 4ª edição, Rio de Janeiro:Forense, 1974, p 423 7 DIAS. Op. Cit. pp. 99 Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 17 31 valer entre as partes; e um outro ostensivo, aparente, simulado, destinado a operar perante terceiros.”8 Percebese, então, que o ato dissimulado é o ato real, aquele efetivamente praticado. Não sendo desejo das partes mostrálo como de fato é, o ocultam sob o manto de um ato simulado, o qual lhe conferirá a aparência desejada. Para Maria Angélica S. de Souza Dias9 a simulação fiscal, para ocorrer, pressupõe a existência de um acordo entre as partes destinado a iludir o Fisco, no qual o negócio jurídico aparentemente praticado (em geral, tributariamente menos oneroso) não corresponde ao negócio jurídico efetivamente celebrado entre as partes (em geral, tributariamente mais oneroso). Acrescento, ainda, da obra Dos Crimes contra a Ordem Tributária10, do magistrado Antônio Corrêa, os elementos que caracterizam a fraude: a) a aparência legal; b) conveniências particulares dos envolvidos; c) utilização de normas jurídicas com finalidades distintas da que efetivamente possuem; d) violação do ordenamento jurídico. E, do procurador Alécio A. Lovatto11, as reflexões de outros doutrinadores: Segundo Ruy Barbosa Nogueira, na fraude, a ação ou omissão visa escamotear o pagamento do imposto devido reduzilo, evitálo ou retardálo... Segundo Silvio Rodrigues, age com fraude à lei a pessoa que, para burlar princípio cogente, usa de procedimento aparentemente lícito. Ela altera deliberadamente a situação de fato em que se encontra, para fugir à incidência da norma. O sujeito se coloca simuladamente em uma situação em que a lei não o atinge, procurando livrarse de seus efeitos... [...] E, forte, em Franco Gallo (...), diz adiante: em matéria tributária, entretanto, a simulação é mais do que mera e simples ocultação de um negócio jurídico; requer uma conduta dirigida a obstruir a ocorrência do fato gerador, utilizandose para tanto de um arsenal complexo que envolve uma miríade de artimanhas, documentos, práticas contábeis e registros. Mencionando a lição de Maurice Cozian, José Eduardo Schouri observa: ao reprimir o abuso de direito a administração estaria dizendo ao contribuinte: Você não é, sem dúvida, mentiroso, mas pode ser pior, você é ilusionista; você conseguiu fazer desaparecer a matéria tributável por um passe de mágica jurídico; você é astuto demais e eu o tribubo como fraudador. 8 DERZI, Misabel Abreu Machado. A Desconsideração dos Atos e Negócios Jurídicos Dissimulatórios, segundo a Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, in O Planejamento Tributário e a Lei Complementar 10. Dialética. São Paulo, 2001 pp. 212/214 9 DIAS. Op. cit. p. 92 10 Antônio Corrêa, Dos Crimes contra a Ordem tributária, 2ª ed, São Paulo, Saraiva, 1996, p. 26 11 Alécio A. Lovatto, Crimes Tributários, Porto Alegre, Livraria do Advogado, 2000, p. 142 a 144 Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 32 No presente caso, por mais que a recorrente insista em argumentar que seguiu as normas vigentes e orientações contábeis, o que se verifica foi um aproveitamento e uma série de ações fabricadas para dar aparência legal a um objetivo muito claro: produzir despesa para diminuir o lucro tributável. Por vários anos. Mas, a utilização de normas jurídicas vigentes para burlar o próprio ordenamento jurídico é mais uma patologia, nos dizeres de Marco Aurélio Greco, que traz ilicitude ao planejamento tributário, desqualificando este e identificando a evasão fiscal. Da já citada obra de Marco Aurélio Greco, p. 210 e 211 e 213: Na medida em que a lei qualificou uma determinada manifestação de capacidade contributiva como pressuposto de incidência de um tributo, só haverá isonomia tributária se todos aqueles que se encontrarem na mesma condição tiverem de suportar a mesma carga fiscal. Se, apesar de existirem idênticas manifestações de capacidade contributiva, u contribuinte puderse furtar ao imposto (ainda que licitamente), esta atitude estará comprometendo a igualdade, que tem dignidade e relevância até mesmo maiores que a proteção à propriedade (CF, artigo 5º). [...] Nesse contexto é que vejo a inserção da temática do abuso do direito da auto organização no âmbito tributário. Ou seja, a possibilidade de serem identificadas situações concretas em que os atos realizados pelos particulares, embora juridicamente válidos, não serão oponíveis ao fisco quando forem fruto de um abusivo do direito de autoorganização que, por isso, compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva e e da isonomia fiscal. Aqui não se está falando da figura prevista no artigo 123 do CTN, mas da possibilidade de os efeitos fiscais de atos privados não serem admitidos pelo Fisco quando implicarem deslocamento do foco visado pela lei ao qualificar a manifestação de capacidade contributiva. [...] Sublinhese que, depois do Código Civil de 2002, abuso de direito não é apenas caso de inoponibilidade perante o Fisco, é hipótese de ato ilícito que destrói um dos requisitos indispensáveis para haver efetivo planejamento tributário. [...] Com a tese do abuso de direito aplicado ao planejamento fiscal, se o motivo predominante é fugir à tributação, o negócio jurídico será abusivo e seus efeitos fiscais poderão ser neutralizados perante o Fisco. Ou seja, sua aplicação não se volta a obrigar ao pagamento de maior imposto, mas a inibir as práticas sem causa, que impliquem menor tributação. (grifos no original) Ao se empenhar em seguir, ipsis litteris, os passos para promover uma reorganização societária que não existia sequer razão para existir, nos deparamos com a simulação e o abuso de o direito de autoorganizarse. A reorganização societária, no presente caso, apesar de seguir a lei, fere os princípios constitucionais da isonomia, da concorrência, da capacidade contributiva, e não teve outro propósito a não ser evadirse da tributação. O dolo natural nas simulações jurídicas está visível nos meses em que foram tramados o benefício de uma avaliação estratosférica (de R$ 21.211.372,51, em dezembro de 2004, para R$ 209.106.950,00) e pretender, sem gastar um níquel sequer, que esta valoração patrimonial se transforme em despesa dedutível. Salientese que não se está criticando o Laudo de Avaliação de expectativa de rentabilidade futura, em si. Criticamse os Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 18 33 efeitos fiscais para os fins de utilização como amortização de ágio não pago, gerado entre empresas interligadas, com incorporação às avessas. Qual o gasto com esta despesa para gerar qualquer espécie que fosse de dedução de lucro? A ausência de qualquer pagamento, somente a movimentação de participações societárias, entre empresas sob o mesmo controle, impede que o ágio gerado se torne dedutível. A rentabilidade futura esperada pela Copagaz e prenunciada no Laudo de Avaliação não gerou qualquer despesa para a própria Copagaz. O manejo das paticipações societárias para B ou C também não geraram qualquer despesa patrimonial, real, que justifique contabilmente ou tributariamente ser algum valor dedutível. A recorrente pode defender o motivo econômico para reavaliar o seu patrimônio, mas partir deste motivo para constituir despesa amortizável, com a utilização de empresaveículo, objetivando unicamente o seu favorecimento em detrimento dos cofres públicos, como se fosse escusável interpretar a norma tributária de regência da matéria como uma renúncia fiscal, é se distanciar demais da interpretação sistemática e teleológica das normas tributárias. E esta inocência da contribuinte não pode ser atestada, dados os atos praticados para dar aparência de verdadeira reorganização societária, aquisição de empresa com ágio (porém, sem pagamento), simulações jurídicas que configuram o abuso de direito clássico. Tudo contrapõese à retórica da recorrente para eximirse do dolo, elemento necessário à caracterização da fraude tributária e cominação da multa qualificada. Houve, sim, manifesta intenção em fraudar o fisco, não podendo ser escusados os atos praticados pela contribuinte para evadirse da tributação correta, agravada esta conduta por destinarse a vários anos sucessivos de evasão fiscal. Neste diapasão, data vênia a corrente jurisprudencial que admite o lêdo engano dos contribuintes ao interpretar que as disposições dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 favoreceriam estes procedimentos em busca da dedutibilidade do ágio interno, aproveito para votar pela manutenção da multa qualificada, cominada na autuação e bem justificada no item 1.3 (Da Simulação) do Termo de Verificações Fiscais. Ao final de tudo, acompanho as conclusões da fiscalização, do acórdão recorrido e da jurisprudência majoritária deste Conselho, pois se extrairmos toda a 'maquiagem' bem elaborada com atos essencialmente formais celebrados pelos interessados, no presente caso, o que temos, na verdade material dos fatos, ou seja, em essência, ou substância, é a reavaliação do patrimônio da "Copagaz" e o aproveitamento desta diferença como um valor apto a reduzir o lucro a ser tributado durante sucessivos anoscalendários. Por certo, nunca foi o fim teleológico da norma tributária que disciplina a amortização do ágio (verdadeiro) que as empresas, pelo simples cuidado de ateremse a formalismos sem substância, sem causa que justifique, poderem reavaliar seus patrimônios e, ao mesmo tempo, gerarem despesas (sem qualquer dispêndio financeiro!) para se esquivarem de apurar lucro tributável. No que concerne à responsabilidade solidária de UEZE ELIAS ZAHRAN, guindado à sujeição passiva solidária pela fiscalização, o ponto forte para este procedimento é ser esta pessoa física, sem dúvidas, a pessoa identificável nos contratos sociais das três empresas como aquela que detém o poder decisório. Após trazer todo o histórico das empresas, sempre com ênfase para a pessoa ora referenciada, a fiscalização conclui: Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 34 E no item próprio à responsabilização, no Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Solidária, fundamentaa nos artigos 121 c/c o 135, ambos do CTN, destacando que houve infração à lei. Temse, portanto, que as razões para incluir a pessoa de UEZE ELIAS ZAHRAN no pólo passivo da obrigação tributária no caso em questão surgiu de dois pontos: a inequívoca atuação desta pessoa com o poder de mando, gestão, nas empresas (cargos de administradordiretivo nas três empresas envolvidas) e o dolo, já constatado, na realização das simulações jurídicas realizadas a fim de evadir a empresacontribuinte da tributação. UEZE ELIAS ZAHRAN seria o autor das maquinações jurídicas, ao ver da fiscalização. Serão estes pressupostos suficiente para colocálo na solidariedade passiva? Declinando de defender, neste âmbito administrativo, se a responsabilidade fixada no artigo 135, inciso III, do CTN é de natureza solidária, pessoal ou subsidiária, por entender que esta discussão cabe na execução fiscal, adoto a tese que há responsabilização do sócio/acionista/diretoradministrador pelo crédito tributário devido pela pessoa jurídica, quando este crédito surgiu, de forma direta, em razão de infração tributária causada por ação praticada em sua gestão. Se o gestor da empresa age dolosamente, com intuito de fraudar o fisco, infringindo a lei tributária (lato sensu), prejudica a própria pessoa jurídica e, por esta razão, deve responder, ao meu entender, solidariamente pelo crédito tributário lançado de ofício, ao desfazerse, pelo fisco, a simulação jurídica praticada pelo administrador da pessoa jurídica. Neste diapasão se manifestou a Procuradoria da Fazenda Pública, no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/09: [...] 61. De tudo isso, é importante guardar que o "sóciogerente", de acordo com a jurisprudência hoje aceita pelo STJ, tornase responsável não por ser "sócio", mas por ter cometido ato ilícito enquanto "gerente". Em verdade, a condição de sócio é irrelevante. Dois são os elementos verdadeiramente relevantes para sua responsabilização: (a) ser administrador e (b) ter cometido ato ilícito nessa posição. Por ser administrador e ter cometido infração à lei, pode o terceiro ser responsabilizado; não por ser sócio. Dessarte, podemos afirmar com segurança que, segundo o entendimento firmado no STJ, o administrador é chamado a pagar o crédito tributário da pessoa jurídica administrada em forma de responsabilidade por ato ilícito. [...] 96. A conseqüência jurídica principal da conclusão de que o administrador que comete ato ilícito, no exercício da gerência, responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo crédito tributário, sem benefício de ordem, é a de que ele, nesse caso, deve ser considerado "sujeito passivo" e "devedor" para efeito de aplicação da legislação tributária em geral. É ele "sujeito passivo" porque, por força do art. 121, parágrafo único, II, do CTN, todo responsável é sujeito passivo tributário. É ele "devedor" em razão de que a pretensão do Fisco para com ele é exigível independentemente da solvabilidade da pessoa jurídica. [...] Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 19 35 CONCLUSÃO 106. Em resumo, alinhamos aqui os fundamentos e as conclusões do presente Parecer: a) A responsabilidade do dito "sóciogerente", de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de "gerente" (administrador), e não da sua condição de sócio; b) A responsabilidade do administrador, por força do art. 135 do CTN, na linha da jurisprudência do STJ, é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito; c) Para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social; d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador; [...] Mantenho a responsabilização solidária do gestor da empresa nos casos de simulação dos negócios jurídicos e flagrante abuso de direito. V) Conclusão A jurisprudência dominante deste Conselho tem se inclinado no sentido de admitir a dedutibilidade do ágio nos casos de aquisição de participação societária quando presentes os seguintes requisitos: 1 efetivo pagamento do custo total da aquisição, inclusive do ágio; 2 realização de operações entre empresas não ligadas entre si; 3 lisura na fundamentação do ágio: avaliação de empresas adquiridas / laudo confiável; 4 alteração do controle acionário após a absorvição da empresa adquirida com ágio; 5 propósito negocial efetivo na incorporação realizada No presente caso, consoante relatado e apreciado, somente houve atendido o requisito relativo ao laudo de avaliação da recorrente com expectativa de rentabilidade futura, pelo que correta a fiscalização em proceder a glosa das despesas de amortização pelo ágio artificial gerado intragrupo. No mais, convicta pelas razões de decidir ora esposadas, sendo suficientes para motivar este voto, adoto ainda as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por comungar das mesmas teses esposadas. Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 36 Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar a alegação de decadência, bem como as nulidades suscitadas pela recorrente, e, no mérito, em negar provimento ao recurso e manter a responsabilidade solidária de UEZE ELIAS ZAHRAN. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Voto Vencedor Não obstante o bem elaborado voto da I. Conselheira, ouso dele divergir, pelas razões a seguir expostas. Primeiramente, vale lembrar como se deu a evolução da legislação acerca da matéria posta em debate, se não vejamos o que se segue. O DecretoLei 1.598/77 dispunha, no seu art. 34, que, na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituísse seria computado na determinação do lucro real, como perda de capital dedutível, a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado. Facultativamente, o contribuinte, para efeito de determinar o lucro real, podia optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos. Então, a diferença entre o valor contábil registrado na investidora e o valor a preço de mercado da incorporada constituía uma perda de capital dedutível da base tributável em caso de fusão, cisão e incorporação. Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 20 37 b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada período base a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. Vale salientar que, durante muito tempo não se admitiu ágio ou deságio na subscrição de ações, algo que veio começar a ser aceito com uma mudança de entendimento da CVM, se não vejamos o seguinte excerto da Nota Explicativa CVM nº 247/96, in verbis: “7 DO ÁGIO OU DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Alguns esclarecimentos e alterações importantes foram feitos neste tópico. A primeira, e talvez a principal delas, trata da existência de ágio/deságio na subscrição de ações. Até algum tempo atrás, era entendimento de muitas pessoas que o ágio e o deságio somente surgiam quando havia uma aquisição das ações de uma determinada empresa (transação direta entre vendedor e comprador). Hoje, entretanto, já existe o entendimento de que o ágio ou o deságio pode também surgir em decorrência de uma subscrição de capital. Em um processo de subscrição de ações, quando há alteração no percentual de participação, o entendimento era de que a parcela subscrita que ultrapassasse o valor patrimonial das ações constituía uma perda de capital na investidora (e um ganho na empresa cuja participação estava sendo diminuída), e essa perda/ganho deveria ser contabilizada, no resultado não operacional, como variação de percentual de participação. Posteriormente, verificouse que quando essa parcela subscrita decorre, por exemplo, da subavaliação no valor contábil dos bens, existe a figura do ágio na investidora, mesmo que não tenha havido uma negociação direta com terceiros.” Certo que o posicionamento da CVM não teria o condão de alterar a legislação tributária, mas tal entendimento terminou sendo absorvido pela legislação tributária, a qual começou a tratar como ágio a parcela subscrita que ultrapassasse o valor patrimonial das ações e, mais do que isso, a considerar a existência de ágio na investidora, mesmo que não tenha havido uma negociação direta com terceiros. Valendose disso, muitos contribuintes praticaram simulações fiscais conhecidas como “ operação casasepara”, a qual permite a alienação de ativos sem o oferecimento à tributação do ganho de capital por parte do alienante e com a criação de ágio amortizável na adquirente. Por exemplo, imaginemos que uma empresa A deseja comprar um galpão pertencente a empresa B. As duas combinam a constituição de uma empresa C, incialmente tendo como sócio a empresa B, que integraliza capital em C com a entrega do galpão pelo valor de $ 100,00. Posteriormente, aumentase o capital de C em 100,00 ( de $ 100 passa para $ 200), os quais são subscritos por A com ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura de C, no valor de $ 400. O ágio pago no valor de $ 400 comporá reserva de ágio em C (não tributável). Por sua vez, avaliando os investimentos pelo MEP: o sócio A registra um Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 38 investimento no valor de $ 300 e ágio por expectativa de rentabilidade futura no valor de $ 200, por sua vez, B registra um investimento no valor de $ 300 (50% do PL de C) – logicamente, com um ganho por variação de participação societária não tributado no valor de R$ 200. Realizado o casamento, chega a hora da separação, em que eles pactuam a saída de B da sociedade, recebendo o valor contábil do investimento ($ 300), logo, sem incidência de IR já que não há ganho de capital. No segundo momento, A incorpora C e passa a deduzir das bases tributáveis a despesa de amortização do ágio no valor de $ 200. Assim, foi dissimulada uma operação de compra e venda do galpão, a qual geraria um ganho de capital tributável no valor de $ 200 para B e o ágio que A registrou não existiria, pois seria parte do custo de aquisição do Galpão adquirido. Isso tudo só foi possível devido a mudança de entendimento da CVM sobre ágio na subscrição que a RFB não se posicionou contrariamente. Notese que essa simulação fiscal (casasepara) não geraria o ágio amortizável se continuássemos a tratálo como perdas por variação de participação societária, ou seja, como perda não dedutível fiscalmente12 o valor da parcela subscrita que ultrapassou o valor patrimonial das ações (no nosso exemplo os R$ 200 registrado por A como ágio) e, consequentemente, como ganho não tributável os R$ 200 registrado na contabilidade do sócio B (veja que o investimento em C passou de R$ 100 para R$ 300). Até agora sabemos que o ágio é a diferença entre o valor pago pelas ações e o valor patrimonial dessas ações. Ora, com a subscrição de ações, a uma assunção de dívida pelo subscritor, sendo que a integralização do capital pode se feita pela entrega de bens (dação em pagamento) ou pelo simples pagamento em dinheiro. Assim nasceu, ainda dentro do processo de privatização das empresas estatais, um novo pleito o qual consistia em fazer com que o ágio passasse a ser gerado por mero laudo de avaliação em conferência de ações, ou seja, evitando assim que o investidor tivesse que desembolsar recursos financeiros na aquisição das estatais. Isso seria possível, por exemplo, se o investidor pudesse integralizar capital na estatal com ações de uma terceira empresa, avaliada acima de seu valor patrimonial. Todavia, se ações dada em pagamento estavam contabilizadas por um valor menor do que aquele que lhe foi conferido, haveria ganho de capital a ser tributado. Como então remover esse obstáculo? Em 1991, em pleno processo de privatização do Governo Collor de Mello (Lei 8.031/90), a douta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional emite o Parecer PGFN nº 970/1991, o qual colocou em dúvida até a possibilidade de se tributar o ganho de capital auferido quando se dá, em integralização, um ativo contabilizado por um valor menor que o valor das cotas/ações integralizadas, se não vejamos: “8. Por outro lado, o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica de uma renda ou de proventos de qualquer natureza, segundo preceitua o art. 43 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25.10.66). Como o conceito de renda é um conceito econômico e até hoje sem nítidos contornos, temos que o referido imposto incide sobre a percepção de uma renda segundo critério jurídico. Isto significa que só são considerados renda ou proventos os que a lei define como tais, coincidam ou não com o conceito econômico. 9. Ora, como demonstramos, os particulares e o Estado participam de uma operação de troca (permuta), pois os participantes do leilão 12 Art. 23, § 5º, do DL 1589/77: 5º Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização de ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País. (dispositivo vigente à época). Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 21 39 também buscam trocar títulos públicos por participações acionárias das estatais, e, dessa forma, afastarseia a preocupação dos reflexos na licitação (leilão), pois o objetivo final dele não são os cruzeiros, mas a maior quantidade de títulos públicos. (...) 15. Ainda que se quisesse, ad argumentandum, ver um ganho de capital entre a aquisição do título por 40 e o valor 100 conferido na troca, creio que haveria obstáculos jurídicos, relativamente ao aspecto temporal do fato gerador e a própria base de cálculo. (...) 16. É evidente que o momento não seria aquele da troca, mas sim quando o particular vendesse a participação acionária trocada. E, ainda, não existiria base de cálculo, pois o valor referencial em cruzeiros no leilão, existe somente como estímulo à troca dos bens (papéis públicos). 17. Esta tributação, ainda, seria iníqua, pois como não foram recebidos cruzeiros, não haveria disponibilidade líquida do contribuinte, e, em conseqüência, naquele momento nenhuma base de cálculo para o fato gerador, pois a renda fica sujeita à tributação quando realizada e quantificada; evidentemente não é a hipótese sob exame.” Com a devida vênia da douta PGFN, órgão merecedor das mais elevadas considerações e respeito, tal Parecer era frágil juridicamente, pois não havia como negar o ganho de capital na espécie, tanto que se fez necessária a edição de uma norma para diferir a tributação de tal ganho, se não vejamos o art. 65 da Lei 8.383/91, in verbis: “Art. 65. Terá o tratamento de permuta a entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União, como contrapartida à aquisição das ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização. § 1° Na hipótese de adquirente pessoa física, deverá ser considerado como custo de aquisição das ações ou quotas da empresa privatizável o custo de aquisição dos direitos contra a União, corrigido monetariamente até a data da permuta. § 2° Na hipótese de pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, o custo de aquisição será apurado na forma do parágrafo anterior. § 3° No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o custo de aquisição das ações ou quotas leiloadas será igual ao valor contábil dos títulos ou créditos entregues pelo adquirente na data da operação: § 4° Quando se configurar, na aquisição, investimento relevante em coligada ou controlada, avaliável pelo valor do patrimônio líquido, a adquirente deverá registrar o valor da equivalência no patrimônio adquirido, em conta própria de investimentos, e o valor do ágio ou Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 40 deságio na aquisição em subconta do mesmo investimento, que deverá ser computado na determinação do lucro real do mês de realização do investimento, a qualquer título.”. Agora, no ano de 2015, o Ministro de Estado da Fazenda aprovou o Parecer/PGFN/CAT/Nº 1722/2013 que, nas suas conclusões, sustenta que: “39.1. o entendimento consubstanciado no Parecer/PGA/Nº 970/91 restringese ao âmbito do PND, não podendo ser estendido a situações outras que não aquelas especificamente tratadas no referido opinativo”. Esta foi apenas uma maneira eufemística de a douta PGFN reconhecer seu erro, pois não seria o PND que transformaria em permuta o que era uma dação em pagamento, nem seria ele (PND) que iria fazer desaparecer o ganho de capital, mas apenas o art. 65 da Lei 8.383/91, o qual, aí sim, limitou seu alcance às operações dentro do PND. Todavia, agora abrese um parêntese, pois somente mais a frente é que veremos que a tentativa de neutralizar a tributação do ganho de capital, quando da integralização de capital com a dação de bens em pagamento, não findou com o art. 65 da Lei 8.383/91, mesmo porque é de se notar que o art. 65 limitava a dação a títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União. No final de 1994 é publicada a MP 812/94 (posteriormente convertida na Lei 8981/95), a qual altera o regime de compensação de prejuízos fiscais, pois abandona o limite temporal e adota o limite quantitativo. Tal alteração veio se tornar, posteriormente, fundamental para o planejamento com ágio em tela, isso porque o valor amortizável dos ágios era tão elevado, em muitos casos, que dificilmente o contribuinte teria lucro para absorver a despesa em 4 anos (período máximo para compensação de prejuízos no regime anterior), razão pela qual essa alteração permitiu que a despesa de ágio se transformasse em saldo de prejuízos fiscais compensáveis ad perpetuam. No ano de 1995, o art. 21 da Lei 9.249/95 veio amplificar o ágio amortizável (ou a perda de capital na dicção do art. 34 do DL 1598/77), pois, ao contrário do previsto no art. 34 do DL 1598/77, passou a ser possível avaliar a investida a ser incorporada pelo seu valor contábil. Notese que, pelo art. 34 do DL 1.598/77, já era autorizada a dedutibilidade da diferença entre o valor contábil do investimento e do seu acervo líquido incorporado (avaliado a preço de mercado) como perda de capital dedutível (de uma vez só ou amortizável em 10 anos), logo não foi o art. 7º da Lei 9.532/97 que tornou dedutível o ágio por expectativa de rentabilidade futura. Todavia, a Lei 9.532/97 ainda facilitou mais o processo de privatização, ao dispor no seu art. 8º que a despesa com amortização do ágio continuasse a ser dedutível das bases tributáveis, mesmo que a empresa veículo (controladora da empresa operacional estatal privatizada) fosse incorporada por sua controlada (estatal privatizada) downstream merger13. 13 Do ponto vista societário, vale ressaltar que antes mesmo da Lei 9.532/97, a incorporação da investidora pela investida (downstream merger) já tinha sido admitido, ainda que sem legislação que a previsse, pelo Parecer MICT/CONJUR nº 113/96. Tal parecer veio por fim a posicionamento como da Junta Comercial do Rio de Janeiro que indeferia o arquivamento de atos de incorporação reversa por entender que ela não teria sido prevista na Lei 6.404/76 (Lei das S/A) e que sua implementação caracteriazaria hipótese de negociação com as próprias ações, vez que implicaria a aquisição destas pela sociedade incorporadora, o que seria vedado pelo disposto no art. 30 da Lei das S/A, salvo exceções taxativamente previstas no § 1º do Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 22 41 Isso era fundamental para preservação do direito à compensação do saldo de prejuízos fiscais acumulados pela estatal privatizada, já que o art. 33 do DecretoLei nº 2.341/86 veda à pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão compensar prejuízos fiscais da sucedida. Logo, com a incoporação reversa estava garantido também a compensação dos saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL acumulados pela estatal privatizada antes da privatização. Em suma: o controle da empresa privatizada era adquirida com ágio; o controle e o ágio eram transferidos, em integralização de capital, para uma empresa veículo; por último, a empresa veículo (controladora) era incorporada por sua controlada (empresa privatizada), a qual passava a amortizar o ágio, por força dos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Até esse momento a legislação fiscal só permitia que se transferisse para a empresa operacional adquirida o ágio efetivamente pago a terceiros, o que vulgarmente denomino de transferência de ágio externo. Todavia, consulta formulada à Cosit em 2002, por uma importante entidade de âmbito nacional, a qual coubeme o exame, sustentava que, em uma situação em que uma Companhia 1 fosse integralizar capital em uma Companhia 3 com a conferência de ações de uma Companhia 2, poderia resultar em ágio na Companhia 3 e nenhum ganho de capital na Companhia 1. Sustentava o Consulente que, se o preço de emissão das novas ações da Companhia 3, a serem subscritas pela Companhia 1 como resultado da conferência das ações da Companhia 2, fosse fixado levandose em conta o valor econômico das próprias ações conferidas (ou seja, ações da Companhia 2 avaliadas acima do seu valor patrimonial, ou seja, com ágio), de forma que a cada ação da Companhia 2, conferida ao capital da Companhia 3, corresponda 1 ação da Companhia 3, não havia que se falar em ganho de capital, pois, em seus registros contábeis, a Companhia 1 deveria proceder a uma mera substituição em sua conta de investimentos, substituindo em seus registros a contabilização de ações representativas de um investimento na Companhia 3. Não obstante a redação final da solução de consulta não fosse mais exatamente a, por mim, proposta, prevaleceu a idéia central no item b das conclusões: “b) não se pode depreender da inteligência do art. 434 do RIR/99 que a companhia, pelo simples fato de ter elaborado laudo de avaliação do ativo, nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404/76, esteja obrigada a levar a registro em sua contabilidade eventual maisvalia apurada no valor do investimento, desde que o lote de ações da Companhia 2, que se afirma ter o mesmo valor das ações a serem integralizadas da Companhia 3, seja incorporado ao patrimônio da Companhia 3 pelo valor contábil registrado na escrita da Companhia 1;” Ao se exigir que, in casu, as ações da Companhia 2 fossem registradas, na Companhia 3, pelo valor contábil registrado na Companhia 1 e que tal valor fosse exatamente o mesmo valor de emissão das ações da Companhia 3, indiretamente, estava sendo dito que não referido artigo. Por sua vez, o Parecer MICT/Conjur nº 113/96 sustentou que: “Embora não expressamente prevista na lei, é possível a incorporação de sociedade controladora por sua controlada. Não tem aplicação ao caso o disposto no art. 30 da Lei das S.A. (o qual proíbe à companhia negociar com as próprias ações), por se tratar de sucessão universal. As ações ou quotas que a sociedade incorporada possuir do capital da incorporadora, devem ser extintas, podendo, porém, permanecer em tesouraria, até o limite dos lucros acumulados e reserva, exceto o legal, por aplicação analógica do disposto no art. 226, § 1º, da Lei 6.404/76”. Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 42 poderia existir ágio na aquisição das ações da Companhia 2 pela Companhia 3, sem que houvesse uma ganho de capital tributável na Companhia 1. Surpreendentemente, alguns meses depois de expedida essa solução de consulta, o art. 39 da MP 66 (DOU de 30/08/2002) veio confirmar que a Solução de Consulta estava certa quando afirmava haver ganho de capital se houvesse ágio na outra ponta, mas, por outro lado, diferiu a tributação até que houvesse a alienação das ações integralizadas (no exemplo dado, o ganho de capital obtido com as ações da Companhia 2 só seria tributado, na Companhia 1, quando ela alienasse as ações da Companhia 3). Todavia, o legislador da MP 66 teve o cuidado de deixar claro, no § 2º, que não seria considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação. Com isso, não havia mais sequer a necessidade de se desembolsar recursos no pagamento de ágio, pois esses passaram a ser gerados por meros laudos de avaliação em conferência de ações. Em 2005, coubeme redigir proposta da RFB de revogação do art. 36 da Lei 10.637/02, proposição essa que foi inserida na MP 255/05 e que previa não só fim do diferimento da tributação de tal ganho de capital, como também uma tributação mínima anual (caso não houvesse a realização do investimento) do ganho já diferido e controlado na Parte B do Lalur. O Congresso Nacional achou por bem apenas revogar o art. 36, sem disciplinar como se daria a tributação dos ganhos de capital que já tinham sido diferidos. Tal fato veio reforçar a ideia de que tudo aquilo tinha sido feito para o processo de privatização, razão pela qual, findo o processo, poderia ser revogada a norma, mas não tributar o passado (ganhos de capital diferidos controlados no Lalur) Ora, realmente entendo toda a indignação das autoridades lançadoras diante dos diversos tipos de planejamento com ágio gerados pelas normas retro menciondas, porém, tais planejamentos foram autorizados e até incentivados pelo legislador federal14, com um conjunto de normas que se encaixam com perfeição, pois, conforme demonstrado anteriormente, foise a cada momento se inserindo um novo elemento normativo que tornava o planejamento cada vez mais atraente. Assim, ainda que se admita um déficit ético em tais normas, elas são legítimas e válidas juridicamente, razão pela qual, salvo comprovada ilicitude dos atos praticados, o simples fato de o recorrente ter se valido de todos esses permissivos legais não pode jamais ser interpretado em seu desfavor. Notese que, sem o art. 36 da Lei 10.637/02, a contrapartida do ágio que ora se discute, o ganho de capital da MS, seria tributado de imediato, não gerando qualquer vantagem tributária para o grupo controlador da recorrente. Ora, como então dizer que houve simulação, abuso de direito ou fraude? Se o Fisco, no presente caso, sustenta que o ágio registrado pela Sigma ao aceitar a participação da MS na Copagaz em integralização de capital era fruto de simulação, deveria também determinar que a MS baixasse da parte B do seu Lalur o ganho de capital que ali foi registrado. Na verdade, como o legislador ordinário, até hoje, não se prontificou a autorizar o Fisco a tributar milhões ou mesmo bilhões que estão controlados na parte B do Lalur das sociedades que se valeram do permissivo legal do art 36 em tela, tem o Fisco tentado desqualificar a operação que seguia o figurino legal retro tratado. Outra questão importante reside na falta de precisão da acusação fiscal e, consequentemente do voto da I. Relatora, se não vejamos os seguintes excerto do voto: 14 Certamente, que o destinatário de todas essas alterações normativas foram os licitantes dos pregões de empresas estatais, mas, em uma República, a norma beneficia a todos se o legislador não a excetuou. Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 23 43 "Ao se empenhar em seguir, ipsis litteris, os passos para promover uma reorganização societária que não existia sequer razão para existir, nos deparamos com a simulação e o abuso de o direito de autoorganizar se. A reorganização societária, no presente caso, apesar de seguir a lei, fere os princípios constitucionais da isonomia, da concorrência, da capacidade contributiva, e não teve outro propósito a não ser evadirse da tributação.". Inicialmente, ressalto que não se pode confundir simulação relativa com negócio jurídico indireto, pois quando verificamos o que os autuantes denominam como "empresa veículo", notase perfeitamente que tal sociedade foi constituída para surtir os efeitos que lhes eram próprios e não para dissimular outros negócios jurídicos. Com o fito de melhor aclarar o meu entendimento, valhome de exemplo meramente ilustrativo: alguém que simula uma compra e venda para dissimular uma doação, não deseja os efeitos que são próprios da venda o pagamento, pois deseja os efeitos da doação. No caso em tela, os efeitos buscados pelo controlador da recorrente ao criarem aquilo que o autuante denomina como "empresa veículo" eram justamente os efeitos formais e visíveis de tais atos. Sobre a diferença entre simulação relativa e negócio jurídico indireto, vale a transcrição do seguinte excerto da lavra do ex Ministro Moreira Alves, em parecer apresentado em outro processo que tramitou neste CARF, in verbis: "Assim sendo, tem razão a imensa maioria da doutrina quando acentua, como o faz Domingues de Andrade, que o negócio jurídico sempre se distinguirá da simulação (relativa), uma vez que as partes querem verdadeiramente o negóciomeio, com os efeitos que lhes são próprios, embora só para conseguirem através dele um resultado prático diverso do que lhe é normal, ou, como, em substanciosa monografia sobre a simulação nos negócios jurídicos, refere Distaso, aderindo à posição de Pugliese no sentido de que a decisiva diferença entre negócio indireto e o negócio relativamente simulado é que 'o negócio indireto é um negócio real, empregado efetivamente pelas partes como meio para alcançar o escopo ulterior, que não se realiza na verdade através de um negócio diverso daquele que aparece celebrado, enquanto, no caso de simulação relativa, o negócio simulado não é senão uma forma negocial aparente diversa da forma negocial que assume a intenção realmente perseguida pelas partes'. (...) Em suma, como enfatiza Domenico Barbero, quanto ao negócio jurídico indireto, e a observação se aplica como luva ao caso sob exame, 'não há simulação, porque nada é fingido, tudo é real e realmente querido', inclusive acrescento as consequências jurídicas de cada um dos negócios que integraram essa combinação de negócios com escopo indireto ora sob consulta. 4. No tocante ao segundo quesito 'Não sendo simulação, a negociação feita através dos atos descritos na consulta é válida perante Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 44 o direito privado? , respondo que, não tendo havido simulação no caso, como salientei na resposta ao quesito anterior, é válida perante o direito privado, a negociação que foi feita por meio da combinação dos negócios com escopo indireto objeto da presente consulta. Não existindo simulação, não há também, na espécie sob exame, a ilicitude que resulta da figura da fraude à lei, mas se impõem que se faça a análise a respeito dela, porquanto, como observa Domenico Rubino, o negócio indireto se presta perfeitamente a tornase instrumento da fraude: quando o seu resultado ulterior é proibido, tem se um negócio in fraudem legis." Frisese que, como já anteriormente pontuado, os resultados ulteriores buscados ao se criar a denominada "empresa veículo" eram todos lícitos, ou seja, a não ser que se diga que o aproveitamento da despesa com amortização de ágio, prevista nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97 c/c o art. 36 da Lei 10.637/02, seja agora ato ilícito. Ora, verificado acima que os atos praticados não se enquadram no conceito de simulação, verifiquemos se seria cabível enquadrálos como abuso de direito. Preliminarmente, vale a transcrição do seguinte excertos do TVF: 179. Após o Codigo Civil de 2002, como o abuso de direito passou a ser expressamente qualificado como ato ilícito, em relação a questão tributária, o abuso faz desaparecer um dos requisites básicos do planejamento, qual seja, o de se apoiar em atos lícitos. Vale dizer, a configuração de um ato ilícito (por abusivo) implica não estar mais diante de um caso de elisão, mas sim de evasão. A natureza jurídica do abuso de direito não é tão tranquila como o autuante faz crer, pois a doutrina pátria tem se dividido em duas correntes, uma que sustenta que o abuso de direito é uma categoria autônoma e outra que entende que é apenas uma modalidade de ato ilícito. Nesse sentido, Venosa (in Direito Civil, ed. Atlas, 4ª ed., p. 621) professa que: “A doutrina tem certa dificuldade em situar o abuso de direito em uma categoria jurídica. Primeiramente, a teoria ora tratada foi colocada em capítulo ‘Da responsabilidade civil’, como simples expansão da noção de culpa. Também foi o abuso do direito situado como categoria autônoma, uma responsabilidade especial, paralela ao ato ilícito.” Sobre isso também, vale trazer a lume artigo da lavra de Dinalva Souza de Oliveira (na sítio: ambitojurídico.com.br) que bem resume diversos posionamentos da doutrina nacional: “A questão que se coloca é saber se em razão de se adotar uma ou outra corrente, no que se refere à natureza jurídica do abuso de direito, há alteração nas consequências jurídicas daí decorrentes. Entre os defensores do entendimento que o abuso de direito se trata de categoria autônoma, citase (NERY JUNIOR e NERY, 2003, p. 256), para os quais o abuso de direito Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 24 45 “É categoria autônoma, de concepção objetiva e finalística, e não apenas dentro do âmbito estreito do ato emulativo (ato ilícito). Diferentemente do ato ilícito, que exige a prova do dano para ser caracterizado, o abuso de direito é aferível objetivamente e pode não existir dano e existir ato abusivo”. Na mesma linha, Heloísa Carpena (2002) apud Farias e Rosenvald (2012, p. 682) afirma que “o ato abusivo está situado no plano da ilicitude, porém, não pode ser considerado como um ato ilícito, devendo ser classificada como uma forma autônoma de antijuridicidade.” Registrase ainda que segundo escólio de FARIAS e ROSENVALD, 2012, p. 683: “O legislador qualificou o abuso de direito como ato ilícito e concordemos ou não, é assim que doravante devemos tratá lo. Mas de maneira alguma a referida qualificação retira do abuso do direito a sua completa autonomia com relação ao ato ilícito subjetivo, ancorado na culpa.” Em sentido contrário, Paulo Nader entende que o abuso de direito “É espécie de ato ilícito, que pressupõe a violação de direito alheio mediante conduta intencional que exorbita o regular exercício de direito subjetivo. É equivocado pretenderse situar o abuso de direito entre o ato lícito e o ilícito. Ou o ato é permitido no iuspositum e nos pactos, quando é ato lícito ou a sua prática é vedada, quando então se reveste de ilicitude. Na dinâmica do abuso de direito, temse, no ponto inercial, aquele que imediatamente antecede a conduta e até quando esta não se complete, a esfera do direito, mas à medida em que a ação se desenrola, no iter, a conduta desdobrase no âmbito da licitude para transformarse em ato ilícito” (NADER, 2004, p. 553) Podese afirmar que ainda há uma terceira via, capitaneada por Flávio Tartuce (2004) apud VillasBôas (2013) o qual visualiza no abuso de direito a natureza jurídica mista, híbrida. Portanto, “o abuso de direito seria um ato lícito pelo conteúdo, ilícito pelas conseqüências, tendo natureza jurídica mista – entre o ato jurídico e o ato ilícito – situandose no mundo dos fatos jurídicos em sentido amplo” Conforme cabalmente demonstrado, de forma majoritária, doutrina e jurisprudência seguem o entendimento de que para a configuração do ato abuso de direito, é dispensável o elemento culpa.”. Ora, a depender do posicionamento doutrinário que se adote fica afastada a teoria do abuso do direito no campo tributário, pois, se, como sustenta Flávio Tartuce, é um ato ilícito pelas consequências, teríamos então uma dificuldade na sua aplicação no campo Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 46 tributário, já que pelo inciso II do art. 118 do CTN, os efeitos legais dos fatos efetivamente ocorridos são irrelevantes para a definição do fato gerador. Não obstante, antes mesmo da entrada em vigor do art. 187 da Lei 10.406/02, já se discutia o abuso de direito no campo tributário, quando da discussão da inserção do parágrafo único no art. 116 do CTN, pela Lei Complementar 104/01. Sobre isso, importante a transcrição do seguinte trecho de artigo publicado por Vitório Cassone ( no site: www.agu.gov.br/page/download/index/id/892382), in verbis: A “justificação” do anteprojeto que resultou na LC 104 (Ofício SRF/GAB n°1.594/99, de 08.09.1999), é versada nos seguintes termos: “5. A inclusão do parágrafo único ao art. 116 fazse necessária para estabelecer, no âmbito da legislação brasileira, norma que permita à autoridade tributária desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de elisão, constituindose, dessa forma, em instrumento eficaz para o combate aos procedimentos de planejamento tributário adotados com abuso de forma ou de direito.” Dessa forma, não podemos nos esquecer que, mesmo antes da positivação do abuso de direito no Estatuto Civil, o legislador ordinário alterou o CTN, para introduzir no parágrafo único do art. 116 o instrumento para o combate ao abuso de direito no campo tributário, o qual assim dispõe: Art. 116. Omissis. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Ora, se este era o instrumento de que podia se valer o Fisco para desconsiderar os atos de abuso de direito praticados pelos controladores das ditas “empresas veículos”, comprometida estará a autuação, por ser inaplicável tal parágrafo único enquanto não forem estabelecidos em lei ordinária os procedimentos para tal desconsideração dos atos abusivos. Cabe lembrar que os artigos 13 a 19 da Medida Provisória nº 66/2002, que tratavam dos procedimentos exigidos para a aplicação do parágrafo único do art. 116 do CTN, foram retirados do texto da lei de conversão (Lei 10.637/02) pelo Congresso Nacional. Ora, à míngua da regulamentação da norma específica no campo tributário para combater o abuso de direito (parágrafo único do art. 116 do CTN), pode ser aplicável o posterior art. 187 do Código Civil? Lógico que não, pois se o legislador complementar exigiu que a lei ordinária estipulasse procedimentos específicos como condição para a aplicação da norma tributária específica sobre abuso de direito (parágrafo único do art. 116 do CTN), não vejo como tal condição seja dispensável para a aplicação da norma de direito privado sobre o abuso do direito (art. 187 do CC) no campo tributário. Observese que é totalmente justificável a preocupação do legislador complementar ao exigir que a lei ordinária disciplinasse os procedimentos para que o Fisco pudesse desconsiderar atos abusivos, tendo em vista que, ao contrário do abuso direito no Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 25 47 campo cível que ocorre em uma relação de coordenação entre particulares; no campo tributário, há sempre uma relação de subordinação, na qual em razão do interesse público é conferida uma superioridade ao Estado Fiscal sobre o particular. Por isso, é necessário que se estabeleça procedimentos, para garantir o mais amplo direito de defesa ao contribuinte, em razão do enorme poder que foi conferido ao Estado Fiscal por uma norma de caráter excessivamente aberto. Ademais, há que se ter em conta que a teoria do abuso de direito foi concebida dentro do direito privado, razão pela qual guarda certas incompatibilidades com o Direito Público, como observa Alberto Xavier (in Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva, Ed. Dialética, p.107): “A transposição da doutrina civilista do abuso de direito para o Direito Público, em especial para o Direito Tributário, merece severas objeções. A primeira é a de que ela conduz a um grau de subjetivismo na aplicação da lei tributária incompatível com a segurança jurídica, nas suas vertentes de proteção da confiança da lei fiscal e de previsibilidade da ação estatal, pois comete a órgãos do Poder Executivo, que têm a primeira palavra na aplicação das normas tributárias aos casos concretos, a perquirição dos motivos da conduta negocial dos particulares, bem como a definição autoritária dos parâmetros da ‘adequação’, da ‘normalidade’ e da ‘razoabilidade’ dos modelos negociais por eles adotados. Tal subjetivismo – ainda que nas mãos do mais competente, correto e leal funcionário – gelará de justo temor todos os que realizam negócios menos tributados que outros. Será que a opção adotada foi elisiva? Como pensará o agente fiscal a respeito da adequação, usualidade ou razoabilidade da forma jurídica escolhida? Como avaliará tal agente o grau de preponderância, exclusividade ou concorrência dos motivos que conduziram à escolha? A segunda observação é de que a doutrina do abuso de direito é cientificamente equivocada, pois transplanta para as relações de Direito Público entre o indivíduo e estado conceitos exclusivamente aplicáveis às relações entre particulares. A doutrina do abuso de direito pressupõe direitos e relações paritárias, situadas horizontalmente no mesmo plano, e tem por objeto vedar que o exercício de um direito subjetivo por um particular atinja, por colisão, o direito subjetivo de outro. Sucede, porém, que as relações entre indivíduo e Estado não são relações paritárias, situadas horizontalmente no mesmo plano, nem o Estado é titular de direitos subjetivos suscetíveis de serem lesados pelo exercício de direitos dos particulares. As relações entre indivíduo e estado são relações entre “administrados”e titulares de poderes de autoridade, sendo por conseguinte relações, não entre direitos subjetivos, mas entre liberdades e competências ou poderes funcionais. Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 48 (...) A única explicação histórica para o ingresso, no teritório fiscal, daquela doutrina só pode encontrarse no espúrio conceito germânico de “abuso de formas” (Missbrauch von Formen) concebido por ideólogo nacional socialista como instrumento de cerceamento da liberdade individual, conceito esse que ademais nada tem a ver com o conceito civilístico de abuso de direito, raiz francesa, mas sim com as variações que a autonomia da vontade pode imprimir aos modelos ou tipos clássicos de negócio jurídico.”. Isso, por si só, já afastaria a imputação de abuso de direito com base unicamente no art. 187 do Código Civil em matéria tributária, mas lembrar que a I. Relatora, ao tratar do abuso de direito, valese da doutrina de Marco Aurélio Grecco, o qual, em palestra proferida na Escola Fazendária (transcrita na íntegra nos Anais do Seminário Internacional sobre Elisão Fiscal, ano 2002), assim se pronunciou sobre o sobre o parágrafo único do art. 116 do CTN, in verbis: “A meu ver, essa é uma norma de eficácia limitada. O que significa? Ela só adquire plena eficácia a partir do momento em que for publicada a sua lei ordinária integrativa.” Por último, sustenta a I. Relatora que a jurisprudência dominante deste Conselho tem se inclinado no sentido de admitir a dedutibilidade do ágio nos casos de aquisição de participação societária quando presentes os seguintes requisitos: 1 efetivo pagamento do custo total da aquisição, inclusive do ágio; 2 realização de operações entre empresas não ligadas entre si; 3 lisura na fundamentação do ágio: avaliação de empresas adquiridas / laudo confiável; 4 alteração do controle acionário após a absorção da empresa adquirida com ágio; 5 propósito negocial efetivo na incorporação realizada Primeiro, registro que nunca me debrucei sobre o histórico das decisões do CARF acerca da matéria, mas, tomando com procedentes os pontos acima, vejamos o que segue. Quanto ao efetivo pagamento, cabe esclarecer que não há norma que obste a integralização de capital com bens, ademais, se o conceito de pagamento em tal jurisprudência é um conceito estrito, essas decisões ofendem o próprio art. 36 da Lei 10.637/02, que previa expressamente a hipótese de ágio quando houvesse a integralização de capital com ações de outra empresa. Se há ganho de capital para o subscritor, há ágio para a investida. Os óbices para o registro de ágio por expectativa de rentabilidade futura em operações entre empresas interligadas como também quando não houver a mudança de controle só surgiu no ordenamento jurídico pátrio com a Lei 12.973/14. Será que a relatora quer fazer retroagir tal norma? Certamente que não. Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.722444/201351 Acórdão n.º 1302001.977 S1C3T2 Fl. 26 49 Quanto à falta de propósito negocial, já demonstramos que não houve simulação e o abuso de direito ainda depende de regulamentação do art. 116, parágrafo único, para que seja aplicável no campo tributário. Assim, esvaziase a acusação de falta de propósito negocial. Quanto ao laudo, a Relatora nada questiona sobre os fundamentos ou métodos nele utilizados que pudessem por em dúvida a sua confiabilidade. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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