Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 14485.002812/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/11/2007
INTIMAÇÃO ENDEREÇO DO ADVOGADO. FALTA DE AMPARO LEGAL.
O pedido para intimação dos advogados dos contribuintes não tem amparo na legislação processual administrativa aplicável aos feitos relativos à exigência de tributos administrados pela RFB.
Recurso Voluntário Negado.
Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa.
Numero da decisão: 2401-003.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido para intimação prévia no endereço do advogado; b) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/11/2007 INTIMAÇÃO ENDEREÇO DO ADVOGADO. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido para intimação dos advogados dos contribuintes não tem amparo na legislação processual administrativa aplicável aos feitos relativos à exigência de tributos administrados pela RFB. Recurso Voluntário Negado. Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 14485.002812/2007-83
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5436422
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2401-003.854
nome_arquivo_s : Decisao_14485002812200783.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 14485002812200783_5436422.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido para intimação prévia no endereço do advogado; b) no mérito, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
id : 5842658
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706507673600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2238; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 154 1 153 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14485.002812/200783 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.854 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SINDICATO DOS EMPREGADOS EM EMPRESAS DE INDUSTRIALIZAÇÃO ALIMENTÍCIA DE SAO PAULO E REGIÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/11/2007 AUTUAÇÕES COM FUNDAMENTAÇÕES LEGAIS DIVERSAS. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. A lavratura fundamentada nos §§ 2.º e 3.º do art. 33 Lei n.º 8.212/1991 visa sancionar a falta de apresentação ou irregularidades em documentos relacionados às contribuições sociais, ao passo que a autuação cuja base legal é o inciso III do art. 32 da mesma Lei tem como objeto a aplicação de multa pelo fato do sujeito passivo deixar de prestar informações e esclarecimentos no interesse da fiscalização. A coexistência de ambas as lavraturas em uma mesma ação fiscal em absoluto representa duplicidade de autuação por um mesmo fato, haja vista que se tratam de infrações de naturezas distintas. REDUÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Descabe a redução da multa, posto que esta foi imposta no seu valor mínimo e em perfeita consonância com a legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/11/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 28 12 /2 00 7- 83 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 23/11/2007 AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA. Desde que devidamente designada, a Autoridade Fiscal tem competência para executar os procedimentos de auditoria em todo o território nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/11/2007 INTIMAÇÃO ENDEREÇO DO ADVOGADO. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido para intimação dos advogados dos contribuintes não tem amparo na legislação processual administrativa aplicável aos feitos relativos à exigência de tributos administrados pela RFB. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido para intimação prévia no endereço do advogado; b) no mérito, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.002812/200783 Acórdão n.º 2401003.854 S2C4T1 Fl. 155 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 16 16.931 de lavra da 12.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração AI n.º 37.134.6550. A lavratura em questão diz respeito à aplicação de multa pelo fato da empresa, mesmo regularmente intimada, haver deixado de apresentar livros/documentos ou apresentálos sem as formalidades legais exigidas. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 27: " A empresa deixou de apresentar as folhas de pagamento das competências 04/2001, 13/2003, 12/2004, 09 a 12/2005, 13/2005 e 01/2006, embora tenha recebido Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, exigindo sua apresentação; Deixou também de apresentar os seguintes documentos ou livros relacionados com as contribuições previdenciárias: Carteiras de Vacinação, Certidões de Nascimento de filhos ou equiparados com 14 anos, Certidão de Nascimento e atestados de invalidez de filhos ou equiparados com mais de 14 anos, folhas de pagamentos de estagiários, Recibos de Aviso Prévio e Férias, recibos e fichas de salário maternidade e atestados médicos, Rescisões de Contrato de Trabalho, tabela de incidência gerada pelo sistema da folha de pagamento, Termos de Responsabilidade e Fichas de SalárioFamília, Acordos, Convenções e Dissídios Coletivos, apólices de seguro de vida, comprovantes de adesão ao PAT, comprovante de fornecimento de valetransporte, documentação de reembolso com babá, documentação de reembolso com despesas de creche, fluxos de folhas de pagamento, Regulamento dos benefícios concedidos ao trabalhador, Contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros, Notas Fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados, contratos e faturas de cooperativas de trabalho, comprovantes de convênios com Outras Entidades, processos judiciais movidos contra o INSS ou SRP, processos trabalhistas (inicial, sentença/acordo, GRPS/GPS e GFIP), Livro de Registro de Saídas de Prestação de Serviços; A empresa apresentou ainda Livros Diários em descumprimento As formalidades extrínsecas e intrínsecas obrigatórias, sem registro no órgão competente e os referentes aos exercícios de 2003 e 2006 sem encadernação. Cientificado do lançamento em 23/11/2007, o sujeito passivo ofertou impugnação de fls. 34/35, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que a declarou improcedente (ver fls. 125/131). Fl. 156DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso, fls. 137/143, qual inicialmente suscita a decadência do crédito lançado, em razão do conteúdo da Súmula Vinculado n.º 08 do STF. Afirma que ocorreu manifesto erro na lavratura do presente auto de infração, haja vista já ter sido aplicada multa por falta de apresentação de documentos no processo n.º 14485.002811/200739, sendo que a legislação vigente proíbe dupla penalização sobre um único fato, ou seja, falta de apresentação de documentos. Sustenta que o fisco atuou com abuso de autoridade, uma vez que dispondo dos arquivos digitais aplicou multa pela falta de apresentação de documentos contendo as mesmas informações. Ressalta ainda que o agente do fisco não detinha competência territorial para fiscalizar o Sindicato recorrente. O fisco, assevera, não poderia autuar a empresa por um mesmo fato que deu ensejo a lavratura anterior. Requer que sejam afastadas as infrações já punidas em outras autuações e a que multa seja reduzida ao valor mínimo de R$ 636,17. Ao final, requereu o acolhimento de todas as suas razões recursais e que as intimações sejam feitas no endereço da sua patrona. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.002812/200783 Acórdão n.º 2401003.854 S2C4T1 Fl. 156 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na lavratura em tela, por se tratar de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicase para contagem do lapso decadencial a regra do inciso I do art. 173 do CTN. Considerandose que a ciência do AI ao contribuinte deuse em 23/11/2007, poderiam nele ser incluídas competências a partir de 12/2002. Observase do relatório do fisco que os documentos/livros não apresentados ou apresentados sem as formalidades legais envolvem os exercícios de 2001 a 2006. Assim, de fato, há documentos atingidos pelo período decadente, todavia, para esse tipo de autuação a multa é fixa, não se alterando em razão da quantidade de documentos que deixaram de ser apresentados, portanto, as falhas relativas ao período não decadente justificam a aplicação da multa no patamar fixado pela autoridade lançadora. Bis in idem Acusa a empresa que o fisco teria lavrado outro AI pela mesma conduta. O processo n.º 14485.002811/200739 representaria inadmissível bis in idem. O processo mencionado tem como objeto o AI DEBCAD n.º 37.134.6541, do qual o sujeito passivo também foi cientificado em 23/11/2007. A lavratura em questão teve como motivo a falta de exibição ao fisco de documentos não relacionados diretamente com as contribuições previdenciárias, bem como pela não apresentação de arquivos digitais, todos requeridos mediante Termo de Intimação Para Apresentação de Documentos TIAD. Assim não se deve falar em duplicidade de autuação pela mesma conduta na espécie, haja vista que as infrações têm fundamentações distintas. O AI que ora se julga trata da falta de apresentação de documentos/livros relacionados às contribuições previstas na Lei n.º 8.212/1991, cuja obrigação de exibição é prevista nos §§ 2.º e 3.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991. Por esse motivo foram incluídas nessa lavratura as infrações concernentes a falta de apresentação de elementos necessários à quantificação da base de cálculo das contribuições, a exemplo de folhas de pagamento e livros contábeis. O AI n.º 37.134.6541, por seu turno, teve por fim punir o sujeito passivo pela falta de exibição de elementos não diretamente relacionados às contribuições ou em meio não previsto na Lei n.º 8.212/1991. A falta de apresentação destes fere a norma prevista no inciso III do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 e no art. 8.º da Lei n.º 10.666/2003, este último referente aos arquivos em meio magnético. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.002812/200783 Acórdão n.º 2401003.854 S2C4T1 Fl. 157 7 Por isso, não há de falar em duplicidade de pena por uma mesma conduta, posto que as duas lavraturas tem fundamentações jurídicas distintas e as sanções foram aplicadas por fatos diversos, embora apurados na mesma ação fiscal. Ressaltese ainda que existe a possibilidade de autuação em ação fiscal posterior com base na mesma fundamentação legal que outro AI anteriormente lavrado, desde que persista a conduta antijurídica da empresa. Não fosse assim, o sujeito passivo, depois de sofrer uma primeira autuação, ficaria isento de ser compelido pelo fisco a cumprir a legislação tributária. Outra questão aventada no recurso e que não restou comprovada diz respeito à apresentação dos arquivos digitais. Embora o recorrente afirme que disponibilizou estes elementos e que por isso o fisco estaria a exigir documentos em papel com o mesmo conteúdo dos arquivos magnéticos, não houve a juntada de qualquer prova que me convencesse que da apresentação desse conteúdo. Incompetência territorial Improcedentes os argumentos apresentados pelos recorrentes acerca da incompetência da autoridade que procedeu à lavratura do presente auto de infração. O artigo 142 do Código Tributário Nacional determina a competência da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, sendo esta autoridade representada pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme preceitua a Lei nº 10.593/2002 em seu artigo 6.º, com a redação dada pela Lei nº 11.457/2007: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; Não se vislumbra na legislação que rege a atuação da Receita Federal do Brasil qualquer limitação territorial na competência dos auditores fiscais para autuação em ações fiscais e tampouco norma que determine que a instauração da ação fiscal deve ser realizada na unidade mais próxima da sede da empresa. Nesse sentido, destaquese que a divisão da Receita Federal do Brasil em Regiões Fiscais ou unidades centrais e descentralizadas constitui ato de natureza administrativa e por isso instituído mediante ato denominado ‘Regimento Interno’, destinandose à organização interna dos trabalhos. O Auditor Fiscal é a autoridade competente para a prática do ato de lançamento em âmbito nacional e constitui requisito para o exercício de sua atividade que o mesmo esteja devidamente amparado por ordem específica, representada na data da presente lavratura pelo Mandado de Procedimento Fiscal. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 8 Assim dispõe o artigo 2o do Decreto nº 3.724/01: Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. E no presente caso, vislumbrase a existência de Mandado de Procedimento fiscal devidamente assinado digitalmente por autoridade competente, com a devida indicação da portaria que delegou a competência para tanto. Além disso, a Portaria RFB nº 3.014/2011 prevê de maneira expressa a possibilidade da ação fiscal ser desenvolvida em unidade de jurisdição diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo: Art. 6.º (...) § 4 º Os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma região fiscal, serão autorizados pelo respectivo Superintendente. Por todo o exposto, não há que se falar em vício decorrente da incompetência da autoridade administrativa. Redução da multa Não devemos também acatar o pedido do recorrente para redução da multa ao patamar de R$ R$ 636,17. Esse valor referese ao mínimo previsto originalmente no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999 para as infrações previstas no inciso I do seu art. 283. A infração em tela tem como valor mínimo aquele previsto no inciso II do art. 283 do RPS, verbis: Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: Ia partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)nas seguintes infrações: (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.002812/200783 Acórdão n.º 2401003.854 S2C4T1 Fl. 158 9 (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; (...) A multa aplicada no patamar de R$ 11.951,21 corresponde ao valor do inciso II acima, reajustado conforme determina o 373 do RPS, portanto, a multa já foi imposta no seu valor mínimo, conforme se pode ver também do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa de fl. 28: "A multa foi aplicada de acordo com o valor mínimo previsto para este tipo de infração que é a de R$ 11.951,21. 0 valor mínimo foi adotado porque a empresa não possui antecedentes de autos de infração, e não ocorreram circunstâncias agravantes. As faltas, no entanto, não foram corrigidas até o encerramento da ação fiscal." Deve, assim, ser indeferido o pedido para redução do valor da multa imposta. Intimação no endereço do advogado constituído Indeferese, finalmente, o requerimento formulado pela impugnante para que as intimações e notificações sejam encaminhadas ao procurador subscritor da impugnação. Da análise da legislação que rege o processo administrativo fiscal, observase a ausência de disposição legal a autorizar a ciência do procurador, devendo a intimação via postal ser encaminhada diretamente ao domicílio tributário do sujeito passivo, nos moldes do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. (...) § 4.º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (grifo não original) Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 10 Conclusão Voto por indeferir o pedido para intimação no endereço do advogado e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001247/2003-16
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais
Data do fato gerador: 17/08/1995
Existindo previsão legal (Portaria MF nº 233/94), cabível a aplicação desse direito.
Questionamentos de ilegalidade e incompetência do ato administrativo, só podem ser objeto de exame na esfera judicial.
O direito antidumping, deve ser aplicado, independente de outros regimes aduaneirosAssunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais
Numero da decisão: 3802-001.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, conhecer em parte o Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Amorim Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Tatiana Midori Migiyama. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
ementa_s : Assunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais Data do fato gerador: 17/08/1995 Existindo previsão legal (Portaria MF nº 233/94), cabível a aplicação desse direito. Questionamentos de ilegalidade e incompetência do ato administrativo, só podem ser objeto de exame na esfera judicial. O direito antidumping, deve ser aplicado, independente de outros regimes aduaneirosAssunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13888.001247/2003-16
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5433960
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-001.840
nome_arquivo_s : Decisao_13888001247200316.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13888001247200316_5433960.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, conhecer em parte o Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Amorim Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Tatiana Midori Migiyama. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
id : 5834090
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706512916480
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-02-24T19:33:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-02-24T19:33:24Z; Last-Modified: 2015-02-24T19:33:24Z; dcterms:modified: 2015-02-24T19:33:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:0c579568-9cf6-43c2-ab9e-6305daa07bb7; Last-Save-Date: 2015-02-24T19:33:24Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-02-24T19:33:24Z; meta:save-date: 2015-02-24T19:33:24Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-02-24T19:33:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-02-24T19:33:24Z; created: 2015-02-24T19:33:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2015-02-24T19:33:24Z; pdf:charsPerPage: 1665; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-02-24T19:33:24Z | Conteúdo => S3TE02 Fl. 111 1 110 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.001247/200316 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.840 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de junho de 2013 Matéria DIREITOS ANTIDUMPING COMPENSATÓRIOS OU SALVAGUARDAS COMERCIAIS Recorrente POLISINTER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS Data do fato gerador: 17/08/1995 Existindo previsão legal (Portaria MF nº 233/94), cabível a aplicação desse direito. Questionamentos de ilegalidade e incompetência do ato administrativo, só podem ser objeto de exame na esfera judicial. O direito antidumping, deve ser aplicado, independente de outros regimes aduaneirosAssunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, conhecer em parte o Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Amorim – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 12 47 /2 00 3- 16 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Tatiana Midori Migiyama. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 17.23.290 de dezembro de 2010, proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPOII), em que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração ora combatido, que cuida de exigência do Direito Antidumping, no valor de R$ 49.289,12. A fiscalização, em procedimento de fiscalização, apurou ser devido o montante acima devido por entender que o recorrente ao importar suas mercadorias (ferro cromo baixo carbono), conforme declaração de importação nº 000950. de 04/01/1996 (adição 001 a 004) e declaração de impostação nº 0095052, de 17/08/1995 (Adição 001) de origem da Federação Russa desrespeitou a Portaria MF n° 233, de 27/04/1994, que estabelecia direitos Antidumping em caráter definitivo até cinco anos de sua publicação (28/04/1999), sendo ainda prorrogada pela Portaria Interministerial MDIC/MF nº 2/99, de 23/04/199. As normas indicadas, contudo, determinavam a incidência de Direitos Antidumping, à alíquota de 27,19%, para as importações de ferrocromo baixo carbono de origem da Rússia, Cazaquistão e Ucrânia. A recorrente, por sua vez, inconformada com a autuação, apresentou defesa administrativa em que alega haver inconstitucionalidade formal de regulamentação do Direito Antidumping por Portaria, que houve cerceamento de defesa dos produtores estrangeiros no procedimento administrativo de investigação e que, a partir da análise dos fazendários, as mercadorias foram liberadas sem qualquer restrição. A DRJ entendeu o pleito, consoante ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS. Data do fato gerador: 17/08/1995 e 04/01/1996 DIREITO ANTIDUMPING Existindo previsão legal (Portaria MF nº 233/94), cabível a aplicação desse direito. Questionamentos de ilegalidade e incompetência do ato administrativo, só podem ser objeto de exame na esfera judicial. O direito antidumping, deve ser aplicado, independente de outros regimes aduaneiros especiais, como o Drawback É o relatório. Voto Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator Fl. 192DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13888.001247/200316 Acórdão n.º 3802001.840 S3TE02 Fl. 112 3 O presente Recurso foi apresentado por parte legítima em tempo hábil, preenche os alguns de seus requisitos de admissibilidade, de modo a prejudicar seu conhecimento mo tocando às alegações de inconstitucionalidades (Súmula CARF nº 2) e afastamento de legislação tributária (artigo 41, IV do Regimento Interno deste Órgão de Julgamento). Tratando de matéria da competência deste Colegiado e que se enquadra dentro do seu limite alçada, portanto, dele tomo conhecimento parcial. No presente caso, conforme de verifica pelas Declarações de Importações constantes dos autos, o recorrente importou mercadorias que estavam afetadas pela vigência da Portaria MF nº 233/1994, que estabelecia Direitos Antidumping, independentemente de terem sido importadas em regime especial de drawback. Notese que a Lei nº 9.019, de 30 de março de 1995, no parágrafo único do seu artigo 1º primeiro dispõe: “Os direitos antidumping e os direitos compensatórios serão cobrados independentemente de quaisquer obrigações de natureza tributária relativas à importações dos produtos afetados”. Nesse sentido, na qualidade de Conselheiro Julgador, não há como afastar a legislação que cuidava dessa matéria na época da importação. Toda e qualquer discussão sobre legalidade ou inconstitucionalidade da legislação de regência deverá ocorrer em sede do Poder Judiciário. Quanto às alegações de cerceamento de defesa e de máculas no procedimento administrativo e de fiscalização, não nos apresentam verídicos tais argumentos, já que, verificando os autos, se extrai plena participação do recorrente. Houve abertura de prazos para manifestação decorrentes de intimações formais. Portanto, não há como reconhecer a procedência da tese exposta pelo recorrente em sede recursal, já que afronta as normas regulamentadoras da situação fática aqui experimentada. Da conclusão. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO à parte conhecida do presente Recurso, para manter o auto de infração ora combatido em sua integralidade, nos termos da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 193DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13832.000197/99-40
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.º 118/2005.
No julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, pela sistemática da repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito fiscal a partir do pagamento antecipado de tributo realizado sob a égide do lançamento por homologação, assim definido na Lei Complementar n.º 118, de 2005, apenas se opera a partir de 9 de junho de 2005, data da plena vigência desse comando legal.
Assim, para as ações/pedidos protocolados anteriormente a este marco temporal, o prazo aplicável é de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, na forma da jurisprudência consolidada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 9900-000.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e dar provimento aos Embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão recorrida.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente na data da formalização.
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator.
EDITADO EM: 16/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Paulo Roberto Cortez, Gustavo Lian Haddad, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcos Aurelio Pereira Valadão, Antonio Carlos Guidoni Filho, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Maria Helena Cotta Cardozo, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rafael Vidal de Araujo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Pleno
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.º 118/2005. No julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, pela sistemática da repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito fiscal a partir do pagamento antecipado de tributo realizado sob a égide do lançamento por homologação, assim definido na Lei Complementar n.º 118, de 2005, apenas se opera a partir de 9 de junho de 2005, data da plena vigência desse comando legal. Assim, para as ações/pedidos protocolados anteriormente a este marco temporal, o prazo aplicável é de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, na forma da jurisprudência consolidada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça. Embargos acolhidos.
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13832.000197/99-40
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5437760
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9900-000.895
nome_arquivo_s : Decisao_138320001979940.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 138320001979940_5437760.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e dar provimento aos Embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão recorrida. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente na data da formalização. ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator. EDITADO EM: 16/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Paulo Roberto Cortez, Gustavo Lian Haddad, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcos Aurelio Pereira Valadão, Antonio Carlos Guidoni Filho, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Maria Helena Cotta Cardozo, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rafael Vidal de Araujo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
id : 5844993
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706517110784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2006; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 410 1 409 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13832.000197/9940 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9900000.895 – Pleno Sessão de 09 de dezembro de 2014 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado AGROINDUSTRIAL MATÃO LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.º 118/2005. No julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, pela sistemática da repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito fiscal a partir do pagamento antecipado de tributo realizado sob a égide do lançamento por homologação, assim definido na Lei Complementar n.º 118, de 2005, apenas se opera a partir de 9 de junho de 2005, data da plena vigência desse comando legal. Assim, para as ações/pedidos protocolados anteriormente a este marco temporal, o prazo aplicável é de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, na forma da jurisprudência consolidada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e dar provimento aos Embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão recorrida. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente na data da formalização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 01 97 /9 9- 40 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA 2 ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator. EDITADO EM: 16/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Paulo Roberto Cortez, Gustavo Lian Haddad, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcos Aurelio Pereira Valadão, Antonio Carlos Guidoni Filho, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Maria Helena Cotta Cardozo, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rafael Vidal de Araujo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de recurso de embargos de declaração (efls. 404/405) interposto em 30 de julho de 2013 contra o acórdão de efls. 393/402, que teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1995 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplicase ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tãosomente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter Fl. 411DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 13832.000197/9940 Acórdão n.º 9900000.895 CSRFPL Fl. 411 3 sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).” Não se conformando, a União (Fazenda Nacional) opôs embargos de declaração, sustentando, basicamente, que: “No caso, como o pedido foi protocolado em 29/11/1999, o crédito relativo aos fatos geradores de 09/1989 e 10/1989 foram atingidos pela prescrição, que, no entanto, foi afastada pelo colegiado para todo o período postulado. Embora tenha se fundamentado no entendimento pacificado no STF e no STJ, os julgadores não o aplicaram corretamente, por considerar tempestivo o pedido em relação a fato gerador, que não poderia ser mais postulado tendo em vista o transcurso do prazo superior a dez até a formulação da pretensão pelo contribuinte. Constada contradição entre a decisão e seus fundamentos, fazse necessária a integração do julgado por meio deste instrumento processual.” (efl. 405). O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 408/409. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka O presente recurso, apresentado pela União (Fazenda Nacional) em 30/07/2013, com fundamento no disposto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, que admite a oposição de embargos, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Código de Processo Civil pátrio, apenas e tãosomente quando demonstrada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido, é tempestivo e deve ser acolhido in totum. No presente caso, a Embargante pede seja esclarecido se o prazo para restituição deve considerar a data do fato gerador ou o momento do pagamento indevido, nos termos da jurisprudência do STF e do STJ aplicada ao caso concreto por este Pleno do CARF. No caso, devese salientar que, de fato, a questão acerca da constitucionalidade da aplicação retroativa prevista no art. 4º da LC n.º 118/05 que trata do termo “a quo” para contagem do prazo de restituição/repetição do indébito já restou decidida pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC Fl. 412DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA 4 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” (STF, Tribunal Pleno, RE 566.621, Relatora Min. ELLEN GRACIE, julgado em 04/08/2011, DJe195, DIVULG 10102011, PUBLIC 11102011, EMENT VOL0260502, PP00273). Em síntese, restou decidido que a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos, contado do pagamento antecipado, só se aplica às ações ajuizadas após o advento da Lei Complementar n.º 118/2005, respeitado, ainda, o decurso da vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Assim, para as ações ou pedidos propostos anteriormente a este marco temporal, o prazo aplicável é o de 10 (dez) anos, contado da data do fato gerador, na forma da jurisprudência consolidada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (tese dos 5 + 5). Pois bem, referido julgado se deu pela sistemática da repercussão geral a que alude o artigo 543B do Código de Processo Civil (CPC). Em decorrência, aplicase a Portaria MF 586, de 22 de dezembro de 2010, a qual introduziu o artigo 62A no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256 de 22 de junho de 2009: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Portanto, nos termos do dispositivo supra, deve ser aplicado o referido julgado do STF ao caso concreto, nos termos, aliás, da jurisprudência deste Pleno da CSRF: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 413DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 13832.000197/9940 Acórdão n.º 9900000.895 CSRFPL Fl. 412 5 Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1992 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (Resp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, Dje 18/12/2009). Recurso Extraordinário Negado.” (CARF, Pleno, Processo 13882.000035/0059, Acórdão 9900000.850, Relator Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, j. 09.12.2013). No presente caso, o pedido de restituição foi formulado em 29 de novembro de 1999, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de setembro de 1989 (efls. 29 e seguintes). Assim, nos termos da jurisprudência do STF, o pedido de restituição deve abranger os 10 (dez) anos anteriores a novembro de 1999, ou seja, todos os pagamentos indevidos realizados a partir de novembro de 1989. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de ACOLHER os embargos, ratificando assim o Acórdão 9900000.718, sem alteração de resultado, confirmando a decisão que deu provimento em parte ao recurso extraordinário, para reconhecer a prescrição do pedido de restituição das parcelas cujos fatos geradores ocorreram anteriormente a novembro de 1989, com retorno dos autos à origem para análise das demais questões debatidas nos autos. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 414DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA 6 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727950/2010-35
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 16/08/2010 a 16/08/2010
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL
O art. 22, IV da lei 8.212/91, que fundamentava a contribuição sobre a contratação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no RE 595838/SP, afastando assim as contribuições previdenciárias daí advindas e, via de consequência, as infrações acessórias relacionadas.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-004.141
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 16/08/2010 a 16/08/2010 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL O art. 22, IV da lei 8.212/91, que fundamentava a contribuição sobre a contratação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no RE 595838/SP, afastando assim as contribuições previdenciárias daí advindas e, via de consequência, as infrações acessórias relacionadas. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10580.727950/2010-35
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5454319
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2803-004.141
nome_arquivo_s : Decisao_10580727950201035.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : OSEAS COIMBRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10580727950201035_5454319.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5892125
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706521305088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1728; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.727950/201035 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803004.141 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de março de 2015 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente STS SERVIÇO DE TRANSFUSÃO DE SANGUE S/S LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 16/08/2010 a 16/08/2010 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL O art. 22, IV da lei 8.212/91, que fundamentava a contribuição sobre a contratação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no RE 595838/SP, afastando assim as contribuições previdenciárias daí advindas e, via de consequência, as infrações acessórias relacionadas. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 79 50 /2 01 0- 35 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.727950/201035 Acórdão n.º 2803004.141 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.727950/201035 Acórdão n.º 2803004.141 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a falta de declaração em GFIP de fatos geradores de contribuição previdenciária. O r. acórdão – fls 124 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da exação já decidida pela Suprema Corte. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.727950/201035 Acórdão n.º 2803004.141 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A recorrente foi autuada por ter apresentado Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Não foram declarados os valores de pagamentos efetuados às cooperativas de trabalho. Tal contribuição foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, o que afasta não apenas as contribuições principais, mas igualmente as infrações por descumprimento de obrigação acessória daí advindas. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 595838 / SP, com repercussão geral reconhecida, considerou o artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, inconstitucional. O art. 62A do Regimento Interno do CARF informa: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa feita, considerada a lei que justifica a autuação como em descompasso com a Constituição Federal, desaparece o fundamento jurídico que sustenta o auto lavrado, devendo assim o mesmo ser desconstituído Igualmente não há como prosperar o lançamento efetuado com base em presunção de falta de registro, por conta de sobra de recolhimento quando do batimento GPS x GFIP. Tal informação, de forma isolada, sem outros elementos caracterizadores de omissão, não tem o condão de configurar a falta. Senão vejamos. CTN, art. 142 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 170DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.727950/201035 Acórdão n.º 2803004.141 S2TE03 Fl. 6 5 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; grifamos A seguir, entendimento deste Conselho. "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO — É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. Tratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese reincidência." (1° Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº132.213 — Acórdão n°10194049, Sessão de 06/12/2002, unânime) O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Assim, para a correta configuração do fato gerador, o auditor autuante deveria ter demonstrado as situações que demonstram omissão na declaração.. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.727950/201035 Acórdão n.º 2803004.141 S2TE03 Fl. 7 6 Sem essas informações essenciais, tenho como não configurada a omissão considerada. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006715/2004-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 21/01/2004
VISTORIA ADUANEIRA
Não trazendo provas atestando o acondicionamento inadequado da mercadoria importada pelo exportador e sendo comprovado por laudo técnico a avaria, tornando-a inutilizável à finalidade para a qual foi importada, e identificada pela Comissão de Vistoria Aduaneira o responsável tributário, deve ser mantida a exigência fiscal.
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE
Não cabe pedido de diligência quando, no caso vertente, o laudo originado pela Vistoria Aduaneira foi considerado essencial para formar livremente a convicção do julgador para o enfrentamento da lide.
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
Incabíveis as alegações de cerceamento de defesa quando o interessado teve ampla ciência quanto ao laudo, aos quesitos levantados, ao embasamento legal e aos atos de procedimentos de auditoria fiscal.
TAXA SELIC. SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 02 DO CARF.
Incidem sobre os créditos tributários os encargos correspondentes a variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), por expressa previsão legal, sendo que ao CARF não é permitido se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação das Súmulas CARF nºs. 04 e 02.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-001.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA- Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garoosino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Adriene Maria de Miranda Veras e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) .
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 21/01/2004 VISTORIA ADUANEIRA Não trazendo provas atestando o acondicionamento inadequado da mercadoria importada pelo exportador e sendo comprovado por laudo técnico a avaria, tornando-a inutilizável à finalidade para a qual foi importada, e identificada pela Comissão de Vistoria Aduaneira o responsável tributário, deve ser mantida a exigência fiscal. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE Não cabe pedido de diligência quando, no caso vertente, o laudo originado pela Vistoria Aduaneira foi considerado essencial para formar livremente a convicção do julgador para o enfrentamento da lide. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Incabíveis as alegações de cerceamento de defesa quando o interessado teve ampla ciência quanto ao laudo, aos quesitos levantados, ao embasamento legal e aos atos de procedimentos de auditoria fiscal. TAXA SELIC. SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 02 DO CARF. Incidem sobre os créditos tributários os encargos correspondentes a variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), por expressa previsão legal, sendo que ao CARF não é permitido se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação das Súmulas CARF nºs. 04 e 02. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11128.006715/2004-98
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5429177
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3202-001.271
nome_arquivo_s : Decisao_11128006715200498.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 11128006715200498_5429177.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA- Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garoosino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Adriene Maria de Miranda Veras e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) .
dt_sessao_tdt : Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5823301
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706555908096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2022; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 360 1 359 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.006715/200498 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.271 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2014 Matéria Imposto sobre a Importação II Recorrente RODRIMAR S/A TRANSP. EQUIP. IND. E ARMAZ. GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/01/2004 VISTORIA ADUANEIRA Não trazendo provas atestando o acondicionamento inadequado da mercadoria importada pelo exportador e sendo comprovado por laudo técnico a avaria, tornandoa inutilizável à finalidade para a qual foi importada, e identificada pela Comissão de Vistoria Aduaneira o responsável tributário, deve ser mantida a exigência fiscal. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE Não cabe pedido de diligência quando, no caso vertente, o laudo originado pela Vistoria Aduaneira foi considerado essencial para formar livremente a convicção do julgador para o enfrentamento da lide. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Incabíveis as alegações de cerceamento de defesa quando o interessado teve ampla ciência quanto ao laudo, aos quesitos levantados, ao embasamento legal e aos atos de procedimentos de auditoria fiscal. TAXA SELIC. SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 02 DO CARF. Incidem sobre os créditos tributários os encargos correspondentes a variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 67 15 /2 00 4- 98 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 361 2 por expressa previsão legal, sendo que ao CARF não é permitido se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação das Súmulas CARF nºs. 04 e 02. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garoosino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Adriene Maria de Miranda Veras e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) . Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por RODRIMAR S/A TRANSP. EQUIP. IND. E ARMAZ. GERAIS contra Acórdão nº 1724.187, de 3 de abril de 2008, proferido pela 1ª Turma da DRJ/SPOII, que, por unanimidade de votos, julgou procedente a presente exigência fiscal. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Trata o presente de Notificação de Lançamento, fls.01/08, emitida contra o contribuinte em epígrafe, para exigência do Imposto sobre Produtos IndustrializadosVinculado, no valor de R$ 82.934,82, pelas razões a seguir expostas. A empresa Embraer, às fls. 9, requereu a realização do procedimento de Vistoria Aduaneira para 4 volumes, consolidados nos containeres TRLU 960.606/4 e TRLU 960.087/3, amparados pelo Conhecimento de Transporte Internacional n° Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 362 3 5024, fls. 15 e Faturas Comerciais, n° 90014900, 90014937, 900114902 e 90014807, fls. 16/18. A Comissão de Vistoria solicitou um laudo técnico, que se encontra às fls.56/62, do qual extraímos as respostas aos quesitos formulados: 2 Sim, houve avaria da mercadoria. 3 O dano ocorreu exatamente na região do encaixe, impossibilitando o encaixe com outro módulo de fuselagem. Relaciono abaixo a natureza do dano: Amassamento e cortes da chapa superior do módulo; Deformação da caverna superior, com possibilidade de deslocamento e trincas nas demais cavernas; Deformação de longarinas longetudinais. 3b A peça avariada pode ser recondicionada devendo ser remetida ao fabricante que possui condições técnicas para sua recuperação, inclusive gabarito especial de montagem, sendo necessário a troca de todos os componentes avariados, tais como : chapa de cobertura, cavernas e longarinas longitudinais, devendo também ser efetuados todos os testes,principalmente ultrasom, para que a peça tenha condições de uso. A peça retornando à fábrica e sendo totalmente recuperada, será ainda considerada uma peça recondicionada e com o valor de uma peça recondicionada, e deverá ser acompanhada obrigatoriamente do seu histórico relacionando todos os reparos efetuados no documento que acompanha todo equipamento de uso aeronáutico: authorized release certificate (FAA Form 81303). A importadora, fabricante do único avião que, utiliza esta peça jamais aproveitará esta peça recondicionada para ser montada em um único avião.' Em aeronáutica não se utiliza peça recondicionada em avião novo, pois a venda da aeronave ficaria com restrições ou inviabilizada. Não tenho dúvida em afirmar que esta peça é inútil para a Embraer, configurando assim a perda total. 3c A causa determinante da avaria foi o manuseio incorreto da carga (container flatrack com a caixa de madeira), em uma das fases operacionais de transporte,utilizandose cabos de aço que provocaram a ruptura da caixa de madeira e a conseqüente avaria no módulo. As marcas dos cabos de aço que provocaram a avaria durante o transporte,podem ser visualizadas na foto da caixa em anexo. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 363 4 4 A mercadoria não está em condições de ser aplicada ao fim a que se destina 5 A mercadoria não apresenta resíduo com valor econômico e com possibilidade de comercialização. Às fls. 63, a fiscalização solicitou esclarecimentos da Embraer, por intermédio dos seguintes quesitos, que transcrevemos com as respectivas respostas (fls.64): 1 A peça variada tem condições de ser recondicionada pela Embraer? R. Não . A Embraer'n'à'o possui gabarito para este módulo de fuselagem. 3c A causa determinante da avaria foi o manuseio incorreto da carga (container flatrack com a caixa de madeira), em uma das fases operacionais de transporte, utilizandose cabos de aço que provocaram a ruptura da caixa de madeira e a conseqüente avaria no módulo. 2 Em caso negativo:este serviço teria condições de ser executado no exterior? R Não, há interesse do fornecedor em recondicionar está peça. Pois além de ter que parar seu processo produtivo, a Embraer não poderá utilizala em sua produção. 3, Considerando haver possibilidade de recuperação total do módulo o mesmo teria alguma finalidade útil ou interesse por parte dessa empresa? R. Não existe essa possibilidade. 4 Não sendo possível uma recuperação total ou parcial, ainda assim a I fuselagem teria algum valor econômico residual com possibilidade de ' comercialização? R. ' Não é possível comercializar esta peça, sendo a única possibilidade, a comercialização da sucata. 5 Outras informações técnicas que possam ser consideradas de elevada importância ou imprescindíveis para apreciação do mérito. R. A Embraer não aceita uma peça recondicionada para uso de fabricação de suas aeronaves. Ao final, a Comissão de Vistoria imputou a responsabilidade ao operador portuário, determinou o ,`quantum' do crédito tributário a ser exigido e lavrou esta Notificação de Lançamento. O contribuinte foi cientificado, em 20/12/2004, fls. 80v., por seu procurador,fls.82, que apresentou, tempestivamente, em 20/12/2004, sua Impugnação, fls. 85/111, que em apertada síntese apresenta as seguintes alegações: Preliminares Fl. 382DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 364 5 O contribuinte alega que: 1.a equivocada interpretação do laudo técnico, por parte da comissão de vistoria, por concluir pela avaria total (perda de 100%) do equipamento, enquanto que o laudista declara que a mercadoria pode ser recuperada e, depois, terá o valor de uma peça recondicionada; 2. a contradição do assistente técnico designado, quando no quesito 5, ao declarar que a mercadoria não apresenta resíduo com valor econômico, e na resposta 3b) diz que a mercadoria examinada teria, recondicionada, o valor de uma peça nessa condição, não se podendo, portanto, falar em avaria total; 3.seu direito de defesa foi cerceado no momento em que não lhe foi possível formular quesitos para o laudista, caracterizando nulidade do processo; 4. os juros de mora foram inseridos na Notificação de Lançamento quando o mesmo só será devido após a decisão final, agravada pela aplicação da taxa Selic, revestindose ainda de ilegalidade e inconstitucionalidade; Mérito Apresenta, ainda, as seguintes alegações: 5. é descabida a exigência dó:,"crédito tributário do operador portuário com amparo nos art. 60 do DecretoLei n° 37/66, regulamentado pelo art. 580 do Decreto n° 4.543/2002, pois na situação sob exame, ou seja; de mercadoria não nacionalizada não há base legal para a exigência dos tributos; 6.o tributo não pode ter caráter indenizatório como determina o próprio CTN, no seu artigo 3°, nem é hipótese de responsabilidade de terceiros, por não se enquadrar nas hipóteses dos arts. 134/135 daquele mesmo diploma legal, portanto não estamos diante do fato gerador do imposto de importação nem do imposto sobre produtos industrializados; 7.é devida a discussão sob a ótica do art. 89 do RA; 8.os arts. 19, do CTN, 23 do DL n°37/66 e 73 do RA, além dos arts. 485 e 493 do RA, servem para descaracterizar, no caso concreto, a ocorrência do fato gerador do imposto de importação; 9. situação idêntica ocorre na hipótese do í imposto sobre produtos industrializados, com fundamento nos arts. 237 do RIPI (regulamentador da Lei n° 4.502/64, art. 1º e DL nº 34/66, art. 1º) 11. deve ser recordado que g mercadoria importada pode até ser devolvida ao exterior sem pagamento de tributos, pela inocorrência do despacho aduaneiro; Fl. 383DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 365 6 10. o procedimento fiscal tem início somente com o 'começo do despacho aduaneiro de mercadoria importada' conforme disposto no art. 7° do Decreto n° 70.235/72PAF, quer dizer, sem despacho aduaneiro não há exigência de tributos. 11. deve ser recordado que g mercadoria importada pode até ser devolvida ao exterior sem pagamento de tributos, pela inocorrência do despacho aduaneiro; 12. o acidente se deu em razão do exportador no exterior ter acondicionado a mercadoria no container flatrack inadequadamente, em caixa de madeira frágil, sendo portanto de sua responsabilidade a avaria ocorrida, pois estamos diante de uma hipótese de vício próprio, trazendo como suporte o disposto no §4° do DL n° 116/67 e art.102 do Código Comercial, pois, no caso, a culpa é de terceiro, o exportador; 13.o conteúdo do art. 89 do RA, deve, ainda, ser trazido aos autos. Ao final, requer: a) acolhimento das preliminares; b) a insubsistência da notificação de lançamento; c) a produção de provas pericial, formulando quesitos, às fls. 112/113, e ainda protestando pela formulação de quesitos suplementares, indicando ainda o seu assistente técnico para representálo, a fim de que não seja argüida o cerceamento do direito de defesa. É o Relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, julgou procedente a presente exigência fiscal em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Data do fato gerador: 21/01/2004 VISTORIA ADUANEIRA Atestado por laudo técnico o fato que deu causa a avaria, tornandoa imprestável à finalidade para a qual foi importada, e identificada pela Comissão de Vistoria Aduaneira o responsável tributário, deve ser mantida a exigência fiscal.” Cientificado do referido acórdão em 28 de abril de 2008, a interessada apresentou recurso voluntário em 23 de maio de 2008, pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 366 7 É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 28 de abril de 2008, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 23 de maio de 2008. Depreendendose da análise do processo, constatase que o cerne da questão envolve discussão acerca do recolhimento do Imposto Sobre Produtos Industrializados, no montante de R$ 82.934,82, em razão de lhe ter sido imputada a responsabilidade pela "AVARIA TOTAL" de equipamento importado do exterior pela empresa "EMBRAER EMPRESA BRASILEIRA DE AERONÁUTICA S/A.", quando da Operação Portuária de descarga. Para melhor elucidar todas as questões vislumbradas pela recorrente, transcrevo os fatos constantes do recurso voluntário: · Tratase, no caso, da importação do exterior pela empresa EMBRAER, do equipamento abaixo descrito: " CONJUNTO DE FUSELAGEM CENTRAL — PARTE DE AERONAVE — CODE 4820728 PART NUMBER 17067020 431" · Referido equipamento importado do exterior pela empresa "EMBRAER", chegou ao Porto de Santos no dia 04.09.2004, por meio do navio "OCEAN TRADER'', e após a respectiva operação de descarga, realizada pela Recorrente (IPARODRIMAR Fl. 385DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 367 8 SABOÓSANTOS), investida na qualidade de "OPERADOR PORTUÁRIO", foi removida para o Recinto Alfandegado "SANTOS BRASIL SA., onde seria processado o respectivo desembaraço aduaneiro, mediante registro da competente Declaração de importação junto ao SISCOMEX, e adoção das demais providências exigidas nos casos da espécie; · a empresa importadora, EMBRAER EMPRESA BRASILEIRA DE AERONÁUTICA S/A, antes de iniciado o respectivo despacho aduaneiro, alegou que o "Equipamento importado apresentava indícios de avaria, razão pela qual, por meio do Processo administrativo 1.1128004.865/200467, de 10.09.2004, requereu junto à Alfândega do Porto de Santos, à realização de Vistoria Aduaneira Oficial, na forma prevista na legislação vigente; · Realizada a Vistoria Aduaneira Oficial no dia 29.09.2004, junto ao Recinto Alfandegado "SANTOS BRASIL SA"., na presença das partes interessadas (importador, Operador Portuário, Depositário, Assistente Técnico Oficial e representante do Armador), foi emitido o Termo de Vistoria Aduaneira Oficial n° 99/2.004 (fls. 55/62 dos autos), do qual a Recorrente expressou ciência em 19.11.2.004, onde foi firmado o entendimento de que em razão da extensão da "AVARIA", ocorreu a perda total (depreciação em 100%), do equipamento importado do exterior pela empresa "EMBRAER"; · A Comissão de Vistoria Aduaneira constituída pela Alfândega Santos, imputou à ora Recorrente, na qualidade de "Operador Portuário", a responsabilidade pela Avaria total do equipamento importado, daí a expedição da Notificação de Lançamento n' ° 11128006.715/2.00495, exigente do recolhimento do Imposto Sobre Produtos Industrializados, no montante de R$ (oitenta e dois mil, novecentos e trinta e quatro reais e oitenta e dois centavos); Fl. 386DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 368 9 · Referida Notificação de Lançamento, foi tempestivamente impugnada pela Recorrente em primeira instância administrativa; porém, sem êxito, vez que, a DRJ/SP., por meio do Acórdão n° 1724.187/2.008, julgou a Ação Fiscal PROCEDENTE, mantendo a exigência do recolhimento do crédito tributário (IPI). Descritos tais fatos, para melhor clarificar o entendimento a ser manifestado sobre cada questão indicada pela recorrente, passo a observar cada uma delas trazidas no recurso voluntário. Primeiramente, em sede preliminar, observase pela recorrente o pedido de nulidade do r.Acórdão, vez que, segundo sua manifestação, resta caracterizado o cerceamento ao seu "Direito de Defesa”, com flagrante ofensa ao "Devido Processo Legal", sob o argumento de que quando da impugnação vestibular, requereu a produção de provas/realização de diligências, visando dirimir os pontos conflitantes do processo, mas sequer haviam apreciado tal pedido de produção de provas/diligências, deixando de atender, assim, a seu ver, orientação contida no artigo 28 do Decreto n° 70.235/72, com as posteriores alterações das Leis n°s. 8.748/93 e 9.532/07. Não obstante aos argumentos trazidos, considerando que o art. 28 do Decreto dispõe que na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso – tenho que, em relação a esse pedido, não seria necessária tal diligência, pois, em análise do processo, vêse que já havia sido acatada e observada a requisição feita pela Embraer de Vistoria Aduaneira para a mercadoria acondicionada em 4 volumes consolidados nos containeres TRLU 960.606/4 e TRLU 960.087/3, amparados pelo Conhecimento de Transporte Internacional n° 5024, e Faturas Comerciais, n° 90014900, 90014937, 900114902 e 90014807. Ora, nesse caso, a produção de provas seria constituída pelo próprio laudo solicitado pela Embraer que, por sua vez, ainda indicou os quesitos necessários para o deslinde da controvérsia – dispensando a necessidade de diligência. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 369 10 O que também entendo que para aquela autoridade julgadora (DRJ), segundo íntegra do acórdão e direcionamento dado à questão principal, o laudo foi essencial para formar livremente sua convicção e enfrentar o cerne da lide posta. Além disso, é de se notar que após a Vistoria realizada, a Comissão de Vistoria havia imputado a responsabilidade ao operador portuário, estabelecendo o quantum do crédito tributário ora discutido e lavrando a Notificação de Lançamento. O que, por conseguinte, a recorrente apresentou devidamente a impugnação com todos as alegações e questões que entende ser necessária para a solução da lide, tendo liberdade para trazer também eventual esclarecimento que entenda ser necessário para sua defesa. Dessa forma, em vista do conhecimento pela recorrente do laudo, dos quesitos levantados pela Embraer, dos fatos, dos valores do crédito tributário, dispositivos legais, atos e procedimentos fiscalizatórios que induziram a emissão da r. Notificação, entendo que não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, pois houve permissão ao interessado de formular sua defesa sem obstáculos. É, portanto, de hialina clareza que os julgadores formaram sua convicção sobre a matéria em litígio sem a realização de diligência, considerando as provas acostadas no processo já essenciais para o deslinde da controvérsia. O que afasto tal pedido de nulidade. Continuando, insurge também a recorrente que, por ocasião da realização da vistoria aduaneira oficial do equipamento avariado, em 29.09.2004, lhe foi cerceado o seu direito de defesa, na medida em que sequer lhe foi assegurado o direito de elaborar quesitos ao Sr. Assistente Técnico Oficial, questionando, dentre vários aspectos, os seguintes: a) Se o equipamento, quando embarcado no exterior, foi acondicionado em embalagem apropriada, dada sua especificidade; b) Se houve por parte do exportador/embarcador no exterior, instruções quanto aos procedimentos a serem adotados quando do manuseio da carga em operação de descarga no Porto de destino (Porto de Santos, no caso); c) Se o equipamento poderia ter sido objeto de avaria, quando em operação de transporte marítimo internacional. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 370 11 Especificamente à vistoria aduaneira oficial realizada do equipamento avariado, entendo que à época foi efetuada a r. vistoria devidamente e com observância dos procedimentos oficiais dispostos na legislação vigente, tendo em vista que foi realizada pela fiscalização de Aduana, com o intuito específico de verificar a ocorrência de avaria ou falta/extravio de mercadoria estrangeira entrada no território aduaneiro, a identificar o responsável e a apurar o crédito tributário dele exigível, conforme preceituava o dispositivo aplicável à época – qual seja, o art. 60, parágrafo único do DecretoLei n° 37/1966, regulamentado , pelo art. 468 do Decreto n° 91.030/85 Regulamento Aduaneiro (art. 581 do Decreto n° 4.543/2002, do RA). Eis que, segundo o art. 581 do RA, à época vigente, temse que: "Art. 581. A vistoria aduaneira destinase a verificar a ocorrência de avaria ou de extravio de mercadoria estrangeira entrada no território aduaneiro, a identificar o responsável e a apurar o crédito tributário dele exigível " Assim, tendo sido feita a vistoria à época para verificar a ocorrência de avaria na mercadoria importada, é de se observar a sua necessidade para a imputação do responsável pelo r. crédito tributário. Ora, a Vistoria Aduaneira tinha como objetivo verificar a ocorrência de avaria ou falta de mercadoria estrangeira entrada no território aduaneiro e identificar o responsável pelo pagamento dos tributos exigíveis, conforme reza o próprio dispositivo transcrito acima. Vêse ainda que o RA à época ainda trazia o art. 587, que determinava que poderiam assistir a Vistoria o depositário, o importador, o transportador e outros, interessados no caso, como o próprio operador portuário. Não obstante, com efeito, vêse que o papel de cada um se resumia em ser meros assistentes, sendo descabido extrapolar essa participação, com intervenções ou esclarecimentos. Ademais, para fins de atendimento investigatório, a fiscalização solicitou esclarecimentos da Embraer que, por sua vez, indicou quesitos e respostas, esclarecendo ainda Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 371 12 que a mercadoria não poderia ser utilizada em sua produção, não havendo possibilidade de recuperação do referido módulo na finalidade para a qual foi importada, que o seu único valor residual era como sucata. Para melhor transparecer os esclarecimentos pedidos pela fiscalização e quesitos formulados pela Embraer, transcrevo parte do parecer manifestado pelo técnico responsável pela análise da peça importada (grifos e destaques meus): “1 A peça variada tem condições de ser recondicionada pela Embraer? R. Não . A Embraer não possui gabarito para este módulo de fuselagem. 2 Em caso negativo:este serviço teria condições de ser executado no exterior? R Não há interesse do fornecedor em recondicionar está peça. Pois além de ter que parar seu processo produtivo, a Embraer não poderá utilizála em sua produção. 3 Considerando haver possibilidade de recuperação total do módulo o mesmo teria alguma finalidade útil ou interesse por parte dessa empresa? R. Não existe essa possibilidade. 4 Não sendo possível uma recuperação total ou parcial, ainda assim a fuselagem teria algum valor econômico residual com possibilidade de ' comercialização? R. Não é possível comercializar esta peça, sendo a única possibilidade, a comercialização da sucata. 5 Outras informações técnicas que possam ser consideradas de elevada importância ou imprescindíveis para apreciação do mérito. R. A Embraer não aceita uma peça recondicionada para uso de fabricação de suas aeronaves.” A vistoria considerou os procedimentos trazidos pela legislação, bem como o pedido de esclarecimento feito pela fiscalização que, por sua vez, possuía competência para tanto, à pessoa que entendia ser essencial para respondêla, ou seja, o próprio interessado pela mercadoria importada. Ressalto ainda que no caso em comento a vistoria aduaneira era bem observada à época, sendo realizada em casos semelhantes, pois havia previsão legal para tanto. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 372 13 O que entendo que foi realizada nos moldes e competências estipuladas pela legislação vigente à época. Não obstante, apenas lembro que com a publicação da Lei 12.350/2010, foi decretado o fim da Vistoria Aduaneira (Vistoria Oficial), através de seu art. 40 que altera a redação do art. 60 do Decreto lei 37/66 e revoga o instrumento da Vistoria Aduaneira. Dada a nova norma, notase que o IBD Trans Instituto Brasileiro do Direito dos Transportadores havia enviado ofício à Alfândega da Receita Federal do Porto de Santos, solicitando esclarecimentos sobre as alterações legais promovidas, as quais resultaram na extinção do procedimento de Vistoria Aduaneira, pedindo orientação sobre qual e que tipo de inspeção serão aceitos para fins de redefinição do valor aduaneiro da carga de importação avariada. A Alfândega, por seu turno, esclareceu que de fato não aceitaria mais requerimentos pedindo a realização de Vistoria Aduaneira considerando a revogação do respectivo dispositivo legal previsto no artigo 60 do DecretoLei 37/66. O que, adicionalmente, as autoridades fiscais confirmaram que ao importador está dada a alternativa de requerer a revaloração aduaneira do seu lote, nos casos em que se verificarem danos/avarias nos volumes descarregados, sejam contêineres, caixas, máquinas ou granéis. O dispositivo normativo que autoriza o pedido de revaloração é o artigo 25 do próprio Decretolei 37/66, que estabelece: “Art . 25. Na ocorrência de dano casual ou de acidente, apurado na forma do regulamento, o preço normal da mercadoria será reduzido proporcionalmente ao prejuízo, para efeito de cálculo dos tributos devidos.” O que se conclui que ainda que a Vistoria Aduaneira tenha sido extinta, há a possibilidade de se realizar a Vistoria Particular que agiliza a verificação de perdas ou faltas, podendo ser efetuada no porto, aeroporto, armazém alfandegado, no estabelecimento do importador ou em outro local escolhido em comum acordo. O que sendo coordenados esforços e atuações, por parte dos importadores, seguradores e agentes inspetores poderá melhor transparecer todo o processo de vistoria. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 373 14 No entanto, considerando que a extinção da vistoria aduaneira somente ocorreu com o advento da Lei 12.350/2010, ou seja, posterior ao momento da ocorrência observada nesse processo, e observando os dispositivo do RA vigentes à época, é de se considerar como adequados e certos todos os procedimentos observados na vistoria realizada no caso em comento. O que entendo que fica prejudicada a alegação da recorrente de ter sido cerceado o seu direito de defesa quando traz que não havia sido dada liberdade para se elaborar quesitos no procedimento investigatório feito pelo agente competente. Em continuidade à descrição de cada questão contemplada pela recorrente, aduz ainda que a Notificação de Lançamento de que trata o Processo administrativo em tela, encontrase eivada de vicio formal insanável, na medida em que inserida no crédito tributário exigido, há menção da incidência dos juros de mora, vez que, consoante pacífica orientação predominante em nossos Tribunais, tal encargo somente é devido após a Decisão final a ser exarada no processo administrativo de que se cuida, quando, então o contribuinte poderá ser considerado em mora. Argumenta, para tanto, que a incidência de juros de mora revestese ainda mais de flagrante ilegalidade, na medida em que na atualização dos créditos tributários devidos ao Fisco Federal, utilizase a taxa SELIC, instituída pelo art. 39, § 4º, da Lei 9.250/95. Quanto à ilegalidade da exigência da taxa Selic como juros moratórios alegada pela recorrente, temse que não merece guarida o pleito da Recorrente. Frisese tal entendimento, pois, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, nos termos em que já pacificado neste Tribunal através da Súmula CARF nº 4. Ora, com o advento da Lei 9.430/96 – art. 61, § 3º estabeleceuse que os juros de mora incidentes sobre os tributos arrecadados pela Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, serão equivalentes a taxa SELIC, acumulada Fl. 392DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 374 15 mensalmente, até o mês anterior ao do pagamento e a 1% no mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. Quanto às alegações de inconstitucionalidade material e formal trazidas pela recorrente, não é demais lembrar que, nos termos da Súmula nº 2 deste Conselho, não cabe a este Conselho o pronunciamento sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, como vemos pela sua redação: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Esclarecidas tais questões, importante se adentrar, em seguida, na discussão envolvendo o recolhimento do IPI, transcrevendo, em síntese, as argumentações contempladas pela recorrente: · o equipamento importado pela "EMBRAER", e objeto de Avaria quando da Operação Portuária, avariada pode ser recondicionado, desde que enviada ao Fabricante no exterior, que possui condições técnicas para sua recuperação, conforme afirmou o Sr. Assistente Técnico Oficial, no Laudo Técnico 'n° 2.720/2.004 (fls. 55/62 dos autos), o que, portanto, não haveria que se falar em "Avaria total" (depreciação em 100%), conforme constou do Termo de Vistoria Aduaneira n° 99/2.004 (cópia nos autos); · além disso, o próprio Laudo Técnico emitido por solicitação da Comissão de Vistoria Aduaneira Oficial 'constituída pela Alfândega de Santos, afirmou que o equipamento importado e objeto da "AVARIA", após recuperado, terá o valor de uma peça recondicionada, o que afasta, irremediavelmente, o entendimento firmado no referido Laudo, bem como, no Termo de Vistoria Aduaneira n° 99/2.004, ou seja, de que teria ocorrido "AVARIA TOTAL" (Depreciação em 100%); · o cálculo do IPI exigido na Notificação de Lançamento anexada aos autos do Processo' Administrativo n° 11128006.715/2.00498 (se devido fosse, o que não é o caso), deveria ser recalculado, tomandose como parâmetro legal, a depreciação parcial do aludido equipamento, Fl. 393DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 375 16 conforme previsão ‘legal contida no artigo 89 atual Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543/2.002. Em relação a esse tema, para melhor entender os argumentos trazidos pela autoridade fazendária, peço licença para transcrever parte do voto emanado pela relatora Maria Regina Godinho de Carvalho (grifos e destaques meus): “[...] Alega o contribuinte que: 'a equivocada interpretação do laudo técnico, por parte da comissão de vistoria, por concluir pela avaria total (perda de 100%) do equipamento, enquanto que o laudista declara que a mercadoria pode recuperado e, depois, terá o valor de uma peça recondicionada'; que existe contradição do assistente técnico designado, quando no quesito 5, ao declarar que a mercadoria não apresenta resíduo com valor econômico, e na resposta 3b) diz que a mercadoria examinada teria, recondicionada, o valor de uma peça nessa condição, não se podendo, portanto, falar em avaria total.” Cabe recordar que, segundo o laudista, ocorreu a avaria total da mercadoria para a finalidade segundo a qual foi importada, quer dizer, essa mercadoria não mais poderá ser utilizada pela Embraer na linha 'de produção de uma aeronave. Daí poder se falar em avaria total” [...] Ainda argumenta o impugnante que “o tributo não pode ter caráter indenizatório como determina o próprio CT1V, no seu artigo 3°, nem é hipótese de responsabilidade de terceiros, por não se enquadrar nas hipóteses dos arts. 134/135 daquele mesmo diploma legal, portanto não estamos diante do fato gerador do imposto de importação nem do imposto sobre produtos industrializados”. Ora, no caso presente, estamos tratando de uma legislação específica, relativa aos tributos de comércio exterior e as formas de sua exigibilidade. AS hipóteses do art. 134 do CTN são taxativas, portanto não abrangendo a Fl. 394DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 376 17 situação como a sob 'exame, bem como as do art.135, cabendo recordar o art. 128, da Seção 1—Disposição Geral quando dispõe que: "Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a ler pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a , responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação." Essa disposição genérica ampara as diferentes hipóteses previstas, como no caso da Substituição Tributária 'para frente', e outros, significando que os' dispositivos contidos no CTN permitem a aplicação a outras figuras não expressamente citadas, como se pode inferir dos seguintes enunciados: "A lei poderá atribuir a responsabilidade pelo crédito tributário a terceiros, vinculados ao fato gerador da obrigação tributária. (STJ. REsp 126891/RS Rel.: Min. Garcia Vieira. 1" Turma. Decisão: 15/09/97. DJ de 20/10/97, p. 52.988.) "Ementa: .... Art 128 .... permite à lei atribuir a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. III Por expressa permissão constitucional, a lei pode atribuir a uma terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da contribuição, a condição de responsável tributário, com relação a hipótese de incidência que deva ocorrer posteriormente. Cuidase da chamada 'substituição tributária para frente', hoje vigente e endossada pela Emenda Constitucional 3/93. ...." (TRF 3° Região. AMS 2000.61.00.0019824/SP. Rel.: Des. Federal Oliveira Lima. ia Turma: Decisão: 26/03/02. DJ de 10/09/02, p. 216.) Outra alegação do contribuinte de que é devida a discussão sob a ótica do art. 89 do RA, e, os arts. 19, do CTN, 23 do DL n°37/66 e 73 do RA, além dos arts. 485 e 493 do RA,. Servem para descaracterizar, a ocorrência do fato gerador do imposto de importação, ampliando esse entendimento para o IPI, com fundamento no art. 37 do RIPI, regulamentador da Lei n°4.502/64, art. 1°e DL n°34/66, art. 1°. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 377 18 Examinando cada um dos dispositivos legais e começando pelo art. 89 do RA, citado pelo impugnante, cabe lembrar que tal dispositivo não se aplica, pois estamos diante de uma avaria com perda total da mercadoria para a finalidade para a qual era destinada, conforme clareado pelo próprio laudista, quando declara que:houve avaria da mercadoria à importadora, fabricante do único avião que utiliza esta peça jamais aproveitará esta peça recondicionada para ser montada em um único avião; 'Em aeronáutica não se utiliza peça recondicionada em avião novo, pois a venda da aeronave ficaria com restrições ou inviabilizada; 'Não tenho dúvida em afirmar que esta peça é inútil para a Embraer, , configurando assim a perda total, etc'. Portanto, inaplicável ao caso o referido dispositivo legal. Os artigos 19 do CTN e 23 do DL n° 37/66 que tratam do fato gerador do imposto de importação fortalecem o entendimento do fisco, no sentido de clarificar a tipificação legal, ou seja, a entrada da mercadoria no território nacional, o que efetivamente ocorreu, portanto estamos diante da subsunção do fato à norma. Só que se seguiu uma outra etapa, onde a mercadoria após a descarga com destino ao recinto alfandegado sofreu uma avaria, e nesse caso, estamos diante de outra norma legal que prevê a apuração da autoria "da avaria para responsabilização tributária. Portanto, os dispositivos legais citados pelo contribuinte não servem para excluir sua responsabilidade. O art. 1° da Lei n° 4.502/64, citado pelo contribuinte, dispõe que: " Art . 1° O Imposto de Consumo incide sobre os produtos industrializados compreendidos na Tabela anexa" Devemos entender que o Imposto de Consumo hoje é denominado Imposto sobre Produtos Industrializados portanto tratandose de produto industrializado, para a mercadoria sob exame cabe a incidência desse imposto. O outro dispositivo também referido pelo impugnante é o DecretoLei n° 37/66, a chamada Lei Aduaneira que assim estabelece: Fl. 396DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 378 19 "Art.1° O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional (Redação dada pelo DL n° 2.472/88)" Mas, o legislador criou uma ficção jurídica ao determinar que: " 2° Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerarseá entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada , pela autoridade aduaneira. (Parágrafo único do art. 1° do DL n° 37/66, renumerado Outra alegação trazida pelo contribuinte é de que, segundo a norma do art. 7° do Decreto n° 70.235/72, o procedimento fiscal tem início somente com o 'começo do despacho aduaneiro de mercadoria” [...]” Em vista do exposto, vêse que para a autoridade fazendária e esclarecimentos feitos pela Embraer, ocorreu a avaria total da mercadoria para a finalidade segundo a qual foi importada, haja vista que essa mercadoria não mais poderá ser utilizada pela Embraer na linha de produção de uma aeronave. O que também me manifesto da mesma forma, pois a mercadoria importada deve observar seu fim específico – nesse caso, a utilização da r. peça importada pela Embraer para a produção de uma aeronave. Ora, ainda que no laudo aponte a possibilidade de o equipamento importado ser considerada uma peça recondicionada e após ter sido ainda recuperada pelo exportador, resta claro que não teria a mesma finalidade a que tinha sido proposta quando do evento da importação. Ressalto que a própria Embraer manifestou que a única utilidade que teria a peça importada seria como sucata. O que desvirtua, portanto, a finalidade da peça, bem como prejudica o processo de produção de aeronave da própria importadora Embraer. Com efeito, haja vista a inutilidade da mercadoria importada pela Embraer, ainda que haja recondicionamento da r. peça, entendo que não há que se falar em recálculo do valor do IPI exigido na Notificação de Lançamento anexada aos autos do Processo Administrativo. Eis que, nesse caso, PERANTE A EMBRAER, houve depreciação de 100% da Fl. 397DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 379 20 mercadoria importada, restando prejudicada a aplicação do aludido art. 89 do RA vigente à época, in verbis: “Art. 89. Na hipótese de dano casual ou acidente, o valor da mercadoria será reduzido proporcionalmente ao prejuízo, para efeito de cálculo do imposto.” Dessa forma, relativamente recálculo do IPI exigido, entendo que não procede tal pedido. Quanto à responsabilidade pelo recolhimento do IPI, traz a recorrente que não há embasamento legal em nosso ordenamento jurídico vigente, que autorize o FISCO a exigir do operador portuário o recolhimento desse tributo, pois seria devido tal tributo unicamente pela empresa EMBRAER. Para tanto, sustenta que: · não há previsão legal para a cobrança de tributos que incidiriam sobre bens importados do exterior que foram objeto de "AVARIA TOTAL" (perda de 100%), antes da respectiva nacionalização (despacho para consumo, registro da Declaração de Importação no SISCOMEX – art. 485, I, doDecreto4.543/2002 – vigente à época), caracterização do fato gerador do Imposto de Importação); · Nos casos de importação de mercadorias importadas do exterior, conforme expressa previsão legal contida na legislação vigente, em especial, no RIPI, o fato gerador do imposto sobre produtos industrializados, dáse somente, após o desembaraço aduaneiro, o que não ocorreu no caso em tela, pois sequer houve registro da declaração de importação no Siscomex – tampouco, por conseguinte, foi iniciados o despacho aduaneiro. Em vista das argumentações, em síntese, descritas acima, entendo que assiste razão à autoridade fazendária ao entender que há base legal que ampara a exigência de tributos ao responsável pela avaria ou extravio da mercadoria ainda não nacionalizada – o que peço licença para transcrever parte do voto em que se manifesta sobre a r. matéria (destaques e grifos meus): Fl. 398DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 380 21 [...] Outra alegação trazida pelo contribuinte é de que, segundo a norma do art. 7° do Decreto n° 70.235/72, o procedimento fiscal tem início somente com o começo do despacho aduaneiro de mercadoria. O que o contribuinte está realizando é uma aplicação literal de um texto legal sem a devida interpretação. Se assim fosse não precisaríamos interpretar as leis, nem de processos administrativos ou judiciais, dada a clareza da norma e da sua,aplicação. Mas, em concreto, tal fato não ocorre, pois embora por vezes dotadas de clareza,mesmo assim a norma para ser aplicada precisa ser interpretada e conectada a um contexto fático, como é o caso presente. O art. 7° do Decreto n° 70.235/72 que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, no seu inciso III, sob foco, está tratando da fase do despacho aduaneiro na importação, explicitando o momento do procedimento fiscal, naturalmente quando se chegar a esse momento, ou seja, do importador pretender nacionalizar a mercadoria, e processar a declaração de importação. A partir desse momento, tem início o procedimento fiscal, inclusive dispensando para essa hipótese, o Mandado de Procedimento Fiscal, exigível quando em fase de revisão aduaneira, em auditoria no estabelecimento do importador. Só que não estamos tratando do despacho aduaneiro de importação, mas de uma etapa anterior, da descarga da mercadoria até o recinto alfandegado. Portanto, inaplicável ao caso tal dispositivo.” Entendo que a detecção de avaria, por meio da vistoria aduaneira, para fins de imputação do tributo devido se dá em etapa anterior – descarga da mercadoria até o recinto alfandegado, devendo ser aplicável o art. 581 do RA de forma sistemática e cuidadosa. Para melhor elucidar a questão quanto à responsabilidade tributária, transcrevo o art. 32 do DecretoLei 37/66: “Art . 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 399DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 381 22 I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006).” Com efeito, não há dúvidas de que a recorrente seria parte legítima para figurar como responsável tributário. Ainda em relação à responsabilidade tributária, importante trazer também, por conseguinte, que a recorrente alega que o acidente se deu em razão do exportador no exterior ter acondicionado a mercadoria no container flatrack inadequadamente, em caixa de madeira frágil, sendo, portanto, de sua responsabilidade a avaria ocorrida, pois estamos diante de uma hipótese de vício próprio, trazendo como suporte o disposto no §4° do DL n° 116/67 e art. 102 do Código Comercial, pois, no caso, a culpa é de terceiro, o exportador. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 382 23 Suporta sua alegação, descrevendo que é de responsabilidade exclusiva do embarcador/exportador no exterior, apresentar a mercadoria acondicionada em embalagens adequadas à respectiva natureza, para suportar o esforço da viagem marítima e da movimentação e estiva. Caso contrário, assume os riscos das avarias daí decorrentes, a teor do que prescreve o art. 102 do Código Comercial: "Artigo 102 Durante o transporte corre por conta do dono o risco que as fazendas sofrerem, proveniente de vício próprio, força maior ou caso fortuito." Traz ainda que é culpa de terceiros pelo acidente que resultou na Avaria total do equipamento importado pela empresa "EMBRAER" do exterior, conforme Termo de Vistoria Aduaneira Oficial n° 99/2.004 (Doc. 01 em anexo): .E na linha do entendimento firmado pelos nossos tribunais, a culpa de terceiros é equiparada a caso fortuito ou força maior. Não obstante às essas alegação, não traz a recorrente prova quando da apresentação do recurso voluntário atestando a forma do acondicionamento da mercadoria pelo exportador, ressaltando apenas que os documentos que a instruem, e ainda, as demais provas colacionadas aos autos, são suficientes para decretação da Improcedência/Insubsistência da exigência do recolhimento do crédito tributário formalizado por meio da Notificação de Lançamento de que trata o Processo Administrativo em tela. Em seguida, conclui a recorrente que caso persista, ainda, qualquer dúvida a respeito da questão ventilada nos autos, requer a produção oportuna de todos os meios de prova destinados a comprovação dos fatos questionados na presente Impugnação, especialmente a juntada de novos documentos, perícia técnica, perícia contábil, depoimento pessoal de Auditores Fiscais da Receita Federal vinculados à Alfândega do Porto de Santos que subscreveram o Termo de Vistoria Aduaneira Oficial, bem como do " Assistente Técnico Oficial que elaborou o Laudo Técnico de n° 2.720/2.004 (fls. 55/62 dos autos), e em especial, a requisição dos autos do processo administrativo n° 11128004.865/2.0046 , alusivo a realização da Vistoria Aduaneira Oficial, que deverão ser apensados ao presente feito. Continuando, independentemente das alegações descritas acima e de a recorrente não ter trazido as provas que comprovem o acondicionamento inadequado pelo Fl. 401DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 383 24 exportador da mercadoria importada quando da apresentação do recurso voluntário, vêse que em 22.07.2014, a recorrente protocolizou petição anexando Sentença proferida pela MM. Juíza da 11ª Vara civil/Santos, bem como Laudo Oficial que, segundo ela, comprova que a empresa Rodrimar não foi a responsável pela avaria total das mercadorias relacionadas com o Auto de Infração em referência. Sendo assim, com a juntada desses documentos aos autos do processo antes do julgamento no Conselho Administrativo Fiscal, sendo relevantes para o deslinde da questão principal, passo a examinálos. Depreendendose da análise do Laudo Pericial trazido pela recorrente, importante notar, em síntese, que: · O parecer se refere efetivamente a mercadoria importada objeto dessa lide; Ou seja, às quatro seções de fuselagem para aeronaves, de fabricação francesa; · A mercadoria foi transportada por mar, da Europa até o Brasil, pelo navio Ocean Trader; · Pelas conclusões expostas no Laudo: a. os danos ocorreram devido a operação incorreta de içamento da mercadoria, sem o uso do spreader em uma das fases operacionais, que poderia ser no embarque (na França), no transbordo (no Rio de Janeiro), ou no desembarque (em Santos); b. o Termo de movimentação de container relativo ao trafego aduaneiro do Terminal Rodrimar para o Terminal de Santos, também aponta o dano na caixa, o que indica que este dano ocorreu anteriormente a esta movimentação, ou seja, em uma das fases citadas; c. a requerida Rodrimar apresentou um relatório de danos, de caixa no referido container, o que indicaria que o dano ocorreu no transbordo no Rio de Janeiro ou no embarque em Santos, porém esse relatório apresenta ressalva do comandante/representante do navio, alegando que os itens Fl. 402DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 384 25 constantes do relatórios não foram mostrados a ele ou seis oficiais; d. o conhecimento de embarque, não apresenta qualquer ressalva quando a danos ocorridos no embarque, apresentando unicamente anotação do transbordo efetuado no Rio de Janeiro. · Pelas Respostas aos Quesitos constantes do Laudo: (i) quanto aos requisitos de embalagem da carga, segundo o Manual de Embalagens da Embraer, temse que da análise das fotografias da caixa, permitese concluir que os requisitos de acondicionamento da mercadoria foram atendidos, fato este que é corroborado pelos diversos agentes e técnicos que acompanharam as vistorias à época dos fatos e não apontaram qualquer irregularidade da caixa; (ii) quanto a forma que se deu o içamento da carga, temse que não houve dados para responder este quesito, vez que a operação ocorreu há mais de 6 anos e não foram juntados elementos fotográficos que possibilitasse essa resposta; (iii) o perito entende que: houve perda total da mercadoria, devido a danos ocorridos pela movimentação incorreta do container; os danos causados pelo cabo de aço foi a ruptura da caixa de madeira, em que a mercadoria encontravase acondicionada e a conseqüente avaria no módulo de fuselagem; os danos foram resultantes do uso inadequado de equipamentos durante a operação de içamento de desestivagem da carga (FlatTack de Madeira); o correto içamento da carga deveria ser realizado com a utilização de dispositivos especial Spreader; (iv) ainda desafia o perito que a Rodrimar possuía equipamento adequado – Spread, senão as caixas acondicionadas no segundo container, desembarcado no mesmo local teriam sido avariadas. Cabe trazer também breve comentários sobre a Sentença proferida pelo MM. Juíza de Direito da 11ª Vara Cível da Comarca de Santos, que julgou improcedente Ação Fl. 403DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 385 26 Regressiva de Ressarcimento promovida por Unibanco AIG Seguros S/A, contra a requerente – que tinha por objetivo, receber a importância de R$ 795.864,01, devidamente atualizado, em decorrência da “avaria total” das r. mercadorias. No entanto, é de se verificar pela Sentença, que a decisão proferida considerou a impossibilidade de se afirmar, com certeza, em que fase operacional se deu a avaria noticiada, se durante o embarque na França; se durante o transbordo no Rio de Janeiro; ou se no desembarque em Santos – o que não seria viável se acolher a pretensão de reembolso manifestada na inicial. Em vista de todo o exposto, tenho que, ainda que se tenha havido motivação de juntar os documentos aqui descritos – Laudo Pericial e Sentença, depreendendose da análise do laudo e da sentença, vêse que não há como se “comprovar” quando o dano das mercadorias importadas efetivamente foi ocasionado. E, por conseguinte, poder, assim, atestar de forma certeira a ausência de responsabilidade da Rodrimar. Eis que, com substância, as respostas aos quesitos formulados e constantes daquela Laudo apenas atesta que os danos causados naquela mercadoria foram resultantes do uso inadequado de equipamentos durante a operação de içamento de desestivagem da carga (FlatTack de Madeira), sendo que o correto içamento da carga deveria ser realizado com a utilização de dispositivos especial “Spreader”. E que a Rodrimar possuía “Spreader” para tanto. Porém, o fato de a Rodrimar possuir “Spreader” não comprova seu uso ou não, tampouco o momento em que ocorreu o dano na peça importada. Tal informação não afasta a dúvida alastrada, qual seja, em que fase operacional se deu a avaria noticiada, se durante o embarque na França; se durante o transbordo no Rio de Janeiro; ou se no desembarque em Santos. O que, por conseguinte, entendo que não resta aqui comprovada que a mercadoria importada tenha sido avariada em virtude de seu acondicionamento inadequado por culpa do exportador. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.006715/200498 Acórdão n.º 3202001.271 S3C2T2 Fl. 386 27 Caso os documentos ora juntados comprovassem a relação de causalidade entre sua conduta, omissiva ou comissiva, e o resultado, entendo que se poderia afastar a imputação do referido tributo para a ora recorrente. No entanto, por serem tais documentos insuficientes para tanto, não vejo como afastar a exigência fiscal alegada pela autoridade fazendária.. Em vista de todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 405DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 19/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000803/2002-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1996
COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. LIMITAÇÃO PERCENTUAL.
Observa-se, que a exigência fiscal está em consonância com a lei, ou seja, ao censurar-se a parcela da compensação de prejuízos apurados em períodos anteriores que supera 30% do lucro ajustado, cumpriu-se o disposto na legislação vigente.
Numero da decisão: 1301-001.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1996 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. LIMITAÇÃO PERCENTUAL. Observa-se, que a exigência fiscal está em consonância com a lei, ou seja, ao censurar-se a parcela da compensação de prejuízos apurados em períodos anteriores que supera 30% do lucro ajustado, cumpriu-se o disposto na legislação vigente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13808.000803/2002-91
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5445969
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-001.722
nome_arquivo_s : Decisao_13808000803200291.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
nome_arquivo_pdf_s : 13808000803200291_5445969.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5874329
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706565345280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1725; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13808.000803/200291 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.722 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2014 Matéria CSLL Recorrente PORTO ALGARVE ADMINISTRAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1996 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. LIMITAÇÃO PERCENTUAL. Observase, que a exigência fiscal está em consonância com a lei, ou seja, ao censurarse a parcela da compensação de prejuízos apurados em períodos anteriores que supera 30% do lucro ajustado, cumpriuse o disposto na legislação vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 08 03 /2 00 2- 91 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Relatório Verificase que em desfavor da contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração (fl. 67 68), relativo à CSLL, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 1996. Conforme descrito no Auto de Infração (fls. 75 e 76) e no Termo de Constatação (fls. 60 e 61), a contribuinte compensou prejuízos fiscais de períodos anteriores em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda. A contribuinte apresentou Impugnação (fls. 70 – 72), alegando em resumo a decadência do direito de o Fisco lavrar o comentado auto de infração e a inaplicabilidade da limitação percentual. A 5ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 86 a 92, julgou o lançamento procedente, tendo a contribuinte interposto Recurso Voluntário (fls. 103 – 125). O dito Recurso Voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Especial, da Primeira Seção de Julgamento, sendo provido para os fins de reconhecerse a decadência, e considerando extinto o crédito tributário (fls. 137 – 141). A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 146 – 157), o qual foi admitido e dado seguimento nos termos do Despacho DDF1300 345/2009 — 3 Câmara (fl. 151), tendo a contribuinte apresentada as pertinentes Contrarrazões (fls. 162). A Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, nos termos do acórdão nº 9101001.938, deu provimento ao Recurso Especial da Fazenda, porquanto o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, de sorte que o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deveria observar a regra do artigo 173, inciso I do CTN, conforme precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733SC, submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No mesmo acórdão cuidouse, outrossim, de devolver o processo para enfretamento ordinário do mérito envolvido no primitivo Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13808.000803/200291 Acórdão n.º 1301001.722 S1C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Como se observa do relatório acima circunstanciado o feito foi devolvido para apreciação do mérito da autuação, porquanto a extinção pela decadência fora afastada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sendo assim, de rigor admitirse o Recurso Voluntário para análise do mérito que transcende a questão da ocorrência da decadência. No que respeita ao mérito da autuação, como já consignado no relatório acima, apurou a Fiscalização (fls. 68 e 69 e 75 e 76), que a recorrente compensou prejuízos fiscais de períodos anteriores em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda. Tirante a questão da decadência, superada por decisão definitiva da CSRF, a contribuinte defendeu que ser lícita a compensação de prejuízos no percentual de 100% do lucro ajustado, pois os referidos prejuízos foram gerados até o anobase de 1994, ou seja, antes do advento da lei que limitou a compensação dos prejuízos a 30%, de sorte que teria direito adquirido. Aduziu ainda, que estaria desativada e deixou de ser concessionária de veículos da marca General Motores desde 1994 e não foi encerrada apenas para resolver questões pendentes, entre os quais o recebimento no anobase 1996 da receita que gerou o lucro compensado, sendo que tal receita seria decorrente de uma ação judicial proposta antes de 1994 pela General Motores contra o Fisco Federal e que ocasionou o recebimento de sua parte em dezembro de 1996, conforme cópia do razão anexado (fls. 88 a 90). Por fim, defendeu que verificandose toda a escrituração, constatase que desde 1995 não teve operação, o que significa dizer que se tivesse compensado apenas 30%, teria sofrido uma injustiça fiscal, pois não tem mais chance de compensar os prejuízos restantes existentes que ninguém mais poderá compensar, além de perder direitos e sofrer punição, apesar de ser uma empresa de quase trinta anos de existência, que nada devia e que não queria encerrar suas atividades com pendências. Observase, destarte, que a recorrente defende que a receita obtida em 1996 decorre de ação judicial proposta contra o Fisco Federal antes de 1994, o que permitiria compensar 100% do lucro líquido ajustado com os prejuízos de períodos anteriores, já que até 1994 não existia a limitação legal de 30% para a compensação do lucro líquido ajustado. Com efeito, dispõe o artigo 15, da Lei nº 9.065/95, fruto da conversão da Medida Provisória nº 998/95: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e Fl. 202DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Registrese que a lei que rege o período de apuração autuado (1996) limitase a permitir a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas anteriores devidamente comprovados na escrituração comercial e fiscal, mas até o limite de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação. Observase, portanto, que a exigência fiscal está em consonância com a lei, ou seja, ao censurarse a parcela da compensação de prejuízos apurados em períodos anteriores que supera 30% do lucro ajustado, cumpriuse o disposto na legislação vigente. Ademais, é assentado pacificamente que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de benefício fiscal, ou seja, fosse ela um direito adquirido, o imposto de renda somente poderia ser cobrado no momento de encerramento das atividades da empresa, pois somente neste instante se saberia com certeza se houve ou não acréscimo ao patrimônio inicialmente despendido na constituição da empresa. Em conclusão, portanto, assinalo que a glosa do prejuízo compensado no montante superior a 30% do lucro ajustado deve ser mantida, bem como a decisão proferida originalmente pela DRJ, eis que o artigo 15 da Lei n° 9.065/1995 vigora com plena eficácia, motivo pelo qual encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 26 de novembro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 35569.000074/2007-80
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/11/2002 a 31/03/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DEIXAR DE EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.
Constitui infração á legislação tributário-previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2002 a 31/03/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DEIXAR DE EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração á legislação tributário-previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 35569.000074/2007-80
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5452428
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.935
nome_arquivo_s : Decisao_35569000074200780.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 35569000074200780_5452428.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
id : 5887469
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706568491008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 407 1 406 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35569.000074/200780 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2403002.935 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente PLANO & FORMA EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2002 a 31/03/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DEIXAR DE EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração á legislação tributárioprevidenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 56 9. 00 00 74 /2 00 7- 80 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35569.000074/200780 Acórdão n.º 2403002.935 S2C4T3 Fl. 408 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – PLANO & FORMA EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA contra Acórdão nº 0530.205 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.073.1344, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 11.569,42. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 4 a 11, o Auto de Infração nº. 37.073.1344, Código de Fundamentação Legal – CFL 38 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente, pois, em relação à obra de construção civil, matrícula CEI 50.007.00508/78, ter apresentado os Livros Diários sem as formalidades legais exigíveis, bem como a escrituração contábil sem atender a normas legais e regulamentares. O Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 372 a 377, assim resume: Em suma, a Auditoria Fiscal constatou que: não foram registradas na contabilidade 60 notas fiscais, contabilizouse erroneamente a folha de pagamento de 09/2002 da "ObraJoão Mendes" na "ObraRua Bahia", 46 notas fiscais foram lançadas com valor inferior, três notas fiscais foram registradas em duplicidade, nas competências de 11/2002 a 11/2005 as contribuições previdenciárias devidas, reconhecidas na contabilidade, são superiores aos constantes nas folhas de pagamento, não foram contabilizadas as contribuições devidas em 12/2005, contrariando a informação contida na folha de pagamento, na competência 12/2004, há parcelas recebidas por empregados registradas na contabilidade, mas não reconhecidas na folha de pagamento, os pagamentos relativos a quinze notas fiscais foram lançados na contabilidade em data errada e sete notas fiscais foram registradas antes da data da sua emissão. Relata a Fiscalização que a autuada é primária e não ocorreram circunstâncias agravantes. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 O Relatório Fiscal da Infração informa que não se caracterizou reincidência nem foi constatada a ocorrência de circunstância agravante da penalidade aplicada. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373. A Recorrente teve ciência do AIOA em 16.02.2007, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, é de 11/2002 a 03/2006. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Em 8/12/2006, iniciou procedimentos de regularização da construção do Edifício Residencial Aquila, localizado na Rua Bahia, 99 — Santos/SP, um prédio de 16 pavimentos e 40 unidades residenciais, com o escopo de obter Certidão Negativa de Débito (CND). A conversão dos pagamentos em área, segundo apuração com base no Custo Unitário Básico (CUB), representou 41,61%, quando o INSS exige 70% para imediata liberação da CND. Alega que os recolhimentos representam 48,36% da obra, se considerados os devidos descontos de areas edificadas, o que demonstraria sua seriedade. Apresentou, então, sua contabilidade, devidamente registrada, ao INSS, procurando comprovar sua regularidade fiscal. Como resultado, a Fiscalização lavrou a autuação em julgamento bem como realizou o lançamento das contribuições que reputou devidas. Após defender que o arbitramento tem sido muito utilizado pelo INSS para cobrir os déficits da Previdência Social. Argumenta que não contribuiu para a situação e não pode ser penalizada por isso. Alega que jamais contestou administrativamente nem se aproveitou de morosos procedimentos judiciais. Defende que a sua contabilidade não pode ser integralmente afastada em virtude dos erros apontados pela Fiscalização. Deve ser feita uma análise da integridade e da confiabilidade dos registros técnicos em geral. Sustenta que o arbitramento é medida excepcional e que, segundo o artigo 434 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3, de 2005, somente pode ser utilizada quando a empresa fiscalizada não apresenta sua contabilidade: Fl. 424DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35569.000074/200780 Acórdão n.º 2403002.935 S2C4T3 Fl. 409 5 Reconhece que a doutrina especializada admite o arbitramento quando a empresa: regular, financeira, estiver desobrigada da escrituração contábil ou não a possuir de forma apresentar contabilidade que não espelhe a sua realidade econômico sonegar ou recusar a apresentação de documentos; possuir contabilidade que não cumpre as formalidades estabelecidas; apresentar documentos de forma deficiente. Alega que nenhuma das graves situações descritas ocorreu. Defende que, se todas as folhas de pagamento foram elaboradas e se os valores contratados com terceiros não destoam dos praticados no mercado, não há motivos para se desconsiderar sua contabilidade. Traz à baila acórdãos do Superior Tribunal de Justiça nos quais se decidiu que o arbitramento, medida excepcional, ocorrerá se a contabilidade apresentar irregularidades insanáveis e não permitir a apuração da base de calculo das contribuições em apreço. Informa que é optante do lucro presumido, não sendo obrigada a manter sua escrituração contábil. Mesmo assim, mantém sua contabilidade em dia. Aduz que os erros apontados pela Fiscalização, após minuciosa pesquisa, não alteram os resultados contábeis da empresa. São apenas pretextos para se atingir o objetivo de aferir indiretamente o crédito tributário. Afirma que demonstrará que a maior parte das irregularidades apontadas não procede. Assevera que os erros apontados não estão relacionados aos fatos geradores das contribuições sociais, não havendo provas que comprometam a regularidade dos documentos previdenciários. Ademais, considerando que a empresa optou pelo lucro presumido, a Fiscalização não apontou qualquer equivoco atinente as suas receitas, que servem de base para a apuração do lucro oferecido à tributação. Aduz que a Fiscalização não se limitou a apuração dos registros contábeis concernentes as contribuições previdenciárias, que são os lançamentos mencionados no artigo 60 da IN MPS/SRP n° 3, de 2005. Conclui que a lei não autorizou a Fiscalização previdenciária auditar tributos que não estão incluídos no seu rol de competências. Transcreve o artigo 597 da IN MPS/SRP n° 3/2005, que prevê o arbitramento quando restar demonstrado "que a contabilidade não registra o movimento real da remunera cão dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro". Fl. 425DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Passa, em seguida, a contraargumentar a respeito das irregularidades apontadas pela Fiscalização. Argumento 7.1.a: As notas fiscais nos 503184 e 501214, emitidas pela empresa Cecrisa, bem como a nota fiscal n° 920619, emitida por Maximilian° Gaidzinski S/A, estão relacionadas a amostras utilizadas em apartamentos decorados em exposição. E pratica do mercado que tais materiais não sejam cobrados, ou seja, são recebidos em cortesia. Argumento 7.1.b: As notas fiscais da empresa Cecrisa Revestimentos Cerâmicos S/A foram registradas no livro de fiscal de entrada. Estão registrados na contabilidade os boletos relativos a estas notas fiscais, cujas totalizações coincidem. No acordo que possui com a mencionada empresa foi acertado que os materiais comprados ficariam estocados na fornecedora e . encaminhados à compradora segundo suas necessidades. Os pagamentos, parcelados, eram feitos com base nos boletos emitidos. Argumento 7.1.c: Os produtos adquiridos da empresa Eliane foram faturados parcialmente em nome de Maximilian° Gaidzinski S/A e parcialmente para Ceramus Bahia, integrantes do mesmo grupo empresarial. Os "lançamentos contábeis foram fetivados quando da realização do pagamento, que não se relacionam diretamente com a emissão de notas fiscais de entrega de produtos". Argumento 7.1.d: Os produtos fornecidos por Portobello S/A constaram em diversas notas fiscais, mas foram pagos uma única vez por cheque. Informa que o pagamento foi registrado na conta Caixa, mas foi providenciada a devida retificação. Conclui que "a despesa realmente ocorreu, compõe o custo da obra, e assim deve ser considerada". Argumento 7.1.e: Foi alegado equivoco de mesma natureza do argumento 7.1.d, ou sei a, os produtos fornecidos pela empresa Arpe Comércio de Areia e Pedra, foram pagos em cheques, mas registrados na conta caixa. Argumento 7.1.f: As demais notas fiscais mencionadas pela Fiscalização foram pagas em dinheiro, à vista, com redução de prep. "0 lançamento das movimentações deixou de ser feito, por equivoco, mas já foram providenciadas as devidas retificações". No que tange aos lançamentos incorretos e intempestivos, admite que houve erro na contabilização, pois a mãodeobra foi registrada na GFIP da obra da Rua João Mendes, em Santos, a qual já estava encerrada desde 2002, quando deveria ter sido atribuida obra da Rua Bahia. Informa ter providenciado a retificação da GFIP. Em seguida, argumenta que os lançamentos incorretos de notas fiscais/faturas de empreiteiros não compromete a regularidade da escrita contábil. As notas fiscais foram registradas no valor liquido, mas estes lançamentos foram complementados por outros que indicaram o recolhimento da retenção legal. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35569.000074/200780 Acórdão n.º 2403002.935 S2C4T3 Fl. 410 7 Conclui que a divergência "resumese à forma de anotação contain, sem comprometer a veracidade dos registros e das operações neles retratadas". Comenta que, para evitar discussões inúteis, já alterou o procedimento anteriormente adotado Na continuação, aceita a acusação de que foram realizados lançamentos em duplicidade, mas salienta que estes lançamentos totalizam "o irrelevante valor de R$ 5.608,33 ", que representa 0,05% do valor da obra. Além disso, os equívocos não estão relacionados a fatos geradores de contribuições previdencidrias. Sobre as divergências de valores de INSS apropriadas à obra, argui que a divergência ocorreu porque a Fiscalização não se atentou para o pro labore pagos aos sócios. Nas dividas previdenciárias reconhecidas na contabilidade foi corretamente incluída a contribuição incidente sobre as remunerações dos dois sócios, um engenheiro e uma arquiteta. Expõe que tomou as providências para apropriar, na conta da obra, as despesas referentes aos recolhimentos das contribuições do mês de 12/2005. A divergência apontada entre as folhas de pagamento e seus lançamentos na contabilidade ocorreu porque as folhas, foram emitidas com dados parciais do mês anterior. Alega que diferenças existem nas parcelas que compõem as folhas de pagamento, não havendo erro no valor total. Informa ter providenciado as devidas correções. Considera irrelevantes os erros referentes à contabilização antes da efetiva ocorrência. São erros materiais que não maculam a contabilidade. Atribui a constatação a "um esforço de fiscalização que se dedicou com afinco a localização de pretextos inadmissíveis para tentar desqualificar a escrita c ontábil da defendente". Alega não ter havido erro por apropriação de despesa em data anterior emissão da respectiva nota fiscal. A data constante no lançamento contábil é a do pagamento do boleto bancário, não da entrega da mercadoria. Informa que todas as notas fiscais foram registradas nos livros fiscais de entrada. Registra que há uma nota fiscal de mãodeobra em que foi emitida em atraso. A responsabilidade pelo atraso deve ser atribuida ao empreiteiro, não à defendente. Mesmo neste caso, comunica que o pagamento ocorreu na data devida. 0 empreiteiro em questão prestou serviços durante todo o período da obra, emitiu regularmente as notas fiscais e recolheu as contribuições previdencidrias devidas. Contrapõese a um argumento da Fiscalização apresentado no relatório fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito Fl. 427DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 (NFLD) conexa, qual seja, inexistência de notas fiscais de serviços em período de fornecimento de concreto preparado. Informou a Fiscalização que houve lançamento de concreto nos meses de março a junho de 2003, sem que fossem contabilizadas as notas fiscais de serviços prestados pela empresa de mãode obra contratada, a Empreiteira Irmãos Andrade Ltda. Nesta questão, informa que a mencionada empresa não foi contratada no período e que nesta época foram realizadas as fundações do prédio, cuja execução coube empresa especializada Franki Fundações e Construção Civil Ltda., a quem competia o cumprimento das obrigações trabalhistas e tributárias relativas a seus empregados. Assevera que, não obstante já tivesse contratado a Empreiteira Irmãos Andrade Ltda., os seus serviços não foram necessários no período em que se realizaram as fundações. Informa que, no contrato firmado com a empresa Franki, está convencionado que o pagamento será calculado em função "do volume de concreto lançado nas estacas da fundação do prédio". Após resumir as retificações providenciadas, aduz que a falta de contabilização de algumas notas fiscais de entrada não alteram o resultado, pois a contribuição tem como fato gerador o faturamento, não o resultado. As notas fiscais não lançadas no devido exercício foram objeto de ajuste em outro exercício, nos termos do artigo 186 da Lei n° 6.404/76. Sustenta que os pagamentos das notas fiscais em questão sempre foram registrados, resultando na exatidão da movimentação financeira da impugnante. Defende que a legislação fiscal aceita os dispositivos da lei comercial, notadamente no que se referem os ajustes de fatos ocorridos em exercícios anteriores. Transcreve decisão do STJ prolatada nos autos do Recurso Especial n° 835845/RS: Conclui que foram afastadas as razões que motivaram a autuação, a qual deve ser cancelada. Sustenta que não pode ser responsabilizada pelas irregularidades constantes na contabilidade, posto que os serviços são prestados por empresa contratada, a qual tem a responsabilidade técnica sobre os documentos contábeis. Seus sócios não têm formação na área contábil e atenderam com toda a presteza a Fiscalização, apresentando A Fiscalização, inclusive, as notas fiscais que motivaram a autuação. Passa a tecer argumentos a respeito da NFLD 37.073.1352, que não é objeto do processo em julgamento. Protesta contra a ausência de dedução no cômputo da área. Impugna o arbitramento do CUB calculado com base na norma técnica ABNT 12.721, de 1964. A antiguidade da norma repercute na defasagem dos valores arbitrados, tanto que o INSS reconhece como nível de Fl. 428DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35569.000074/200780 Acórdão n.º 2403002.935 S2C4T3 Fl. 411 9 regularidade 50% do valor arbitrado. Lembra que recolheu 48% do valor arbitrado. Requer a juntada de documentos que comprovem sua regularidade fiscal e a realização de perícia contábil para atestar que as notas fiscais foram pagas e se conciliam com os boletos bancários e para atestar a regularidade e confiabilidade geral das escritas contábeis. Foram juntadas cópias de notas fiscais, dos lançamentos contábeis, dos livros fiscais de entrada e outros documentos que dão suporte As suas alegações. Ainda assim, o contribuinte atravessa petição juntando pareceres, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Antes que os autos chegassem As mãos da Autoridade Fiscal autuante, foi oferecido parecer da lavra de Wladimir Novaes Martinez, o qual responde a indagação da consulente se, ante a correção dos lançamentos contábeis, está obrigada a demonstrar que os critérios de arbitramento adequados ao seu caso são distintos dos estabelecidos pela Previdência Social. 0 jurista defende que o arbitramento, a ser utilizado quando os documentos da autuada possuam omissões relevantes, pode ser contestado. Contesta o critério adotado pela Previdência, o qual não é atualizado consoante o progresso das técnicas produtivas. Protesta contra as alíquotas utilizadas na aferição indireta da base de cálculo, as quais são fixadas em normas administrativas. Ressalta que as empresas que se utilizam de novas técnicas adotam um percentual maior de matérias préfabricados ou pré moldados de elevado custo, reduzindo a importância da mãode obra no custo total da edificação. A seu ver, surge, assim, a possibilidade de a empresa demonstrar que seus custos diferem dos contidos na composição do CUB. Há um segundo parecer, juntado, a fls. 302/306, o qual, nitidamente, trata da NFLD em que são exigidas as contribuições sociais arbitradas. Neste parecer, após descrever os fundamentos da exação, o jurista sustenta que os "pequenos cochilos" constatados pela Fiscalização não desconstituem a contabilidade. Lembra que a Instrução Normativa MPS/SRP n° 3, de 2005, em seu artigo 435, prescreve que será realizada a aferição indireta das remunerações quando a empresa não apresentar a sua contabilidade. Sustenta que, se o sujeito passivo cumpriu suas obrigações instrumentais não pode estar sujeito ao arbitramento. A seu ver, a apresentação de documentos não foi recusada nem sonegada e os documentos apresentados não eram deficientes. Invoca decisão do Tribunal Regional Federal da 4' Região que, nos autos da Apelação Cível n° 60.001/MG, decidiu: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 meras irregularidades na escrita, não desclassificadas pela Fiscalização não é suficiente para justificar a drástica medida dos fatos As demais considerações externadas já estavam contidas no primeiro parecer relatado. Os autos são baixados em Diligência Fiscal para manifestação da Fiscalização acerca dos elementos argüidos em sede de Impugnação, sendo que a Fiscalização manteve inalterado todos os termos da autuação fiscal, conforme fls. 308 a 309: 2.1. Quanto As alegações da empresa, analiso abaixo os seguintes itens da impugnação: "7.1.a": De acordo com as cópias das N. Fiscais n. 920619, 503184 e 501214, anexadas As fls. 230, 231 e 232, respectivamente, podese verificar que a natureza da operação das mesmas é "Venda de Produto" e não "Cortesia", conforme declara a empresa; "7.1.b e 7.1.c": Conforme declaração da empresa, as N. Fiscais das empresas Cecrisa S/A e Maximiliano Gaidzinski S/A não foram lançadas no L.Diário e sim no Livro de Registro de Entradas, c que os boletos de pagamento correspondentes foram apropriados à obra; Todavia, foi constatado através do Livro Diário da empresa, que os boletos de pagamento abaixo citados, da empresa Maximiliano Gaidzinski S/A, não foram contabilizados ao custo da obra: Data Valor Pago (R$) L.Didrio folha 10/05/04 11/06/04 8.918,34 8.918,34 16 16 22 28 "7.1.d": A empresa declara que as N. Fiscais da empresa Portobello S/A não foram lançadas no L. Diário de 2004, e que foi feito ajuste no Razão Analítico de 12/2006, porém, somente após a lavratura do AI, conforme folhas do mesmo anexadas ao processo de impugnação; "7.1.e e 7.1. 1" : Da mesma forma, a empresa declara que as N. Fiscais da empresa Arpe Comercio de Areia e Pedra Ltda, e demais Notas Fiscais que não haviam sido contabilizadas nos L. Diários nas épocas próprias, foram lançadas por meio de ajuste no Razão Analítico de 12/2006, porém, somente após a lavratura do Al; Todavia, as N. Fiscais das empresas Serviço de Pinturas S. João Ltda (N.F. 051 e 062) e Empreiteira Irmãos Andrade S/C Ltda (N.F. 588) não foram regularizadas no ajuste; "7.2.1": Conforme a própria empresa reconhece, ela contabilizou indevidamente Folha de Pagamento (09/2002) de outra obra (conta 10142) A obra da Rua Bahia (conta 10144), muito embora tenha emitido GFIP em 27/02/07 corrigindo o lançamento indevido, porem, em data posterior à lavratura do Al; "7.2.2": A empresa alega que a legislação previdencidria não especifica que os lançamentos das N. Fiscais de Serviços devem ser efetuados pelo seu valor bruto; Todavia, a Instrução Normativa MPS/SRP N.03/2005 determina em seu art. 167, que o lançamento da retenção na escrituração contábil deverá Fl. 430DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35569.000074/200780 Acórdão n.º 2403002.935 S2C4T3 Fl. 412 11 discriminar: I o valor bruto dos Serviços; II o valor da retenção; III o valor liquido a pagar; "7.2.3": Conforme a própria empresa reconhece, houve duplicidade de lançamentos contábeis, embora a mesma tenha efetuado o ajuste no Razão Analítico de 12/2006, porém, somente após a lavratura do AI; "7.2.4": Embora a empresa alegue que as divergências de valores de INSS apropriados à obra referemse à contribuições sobre prolabore, cumpre ressaltar que o prolabore não faz parte da folha de pagamento especifica da obra, e sim da folha de pagamento do escritório da empresa; Portanto, ficam patentes os lançamentos contábeis incorretos; Por outro lado, a empresa reconhece que não foram contabilizados na época própria os valores de INSS a Recolher da Folha de Pagamento de 12/2005, da obra — Rua Bahia, tendo efetuado o ajuste no Razão Analítico de 12/2006, porém, somente após a lavratura do Al; "7.2.5": Conforme a própria empresa reconhece, os valores da Folha de Pagamento de 12/2004 foram lançados incorretamente no L. Diário, embora a mesma tenha efetuado o ajuste no Razão Analítico de 12/2006, porém, somente após a lavratura do AI; "7.2.6 e 7.2.7": Quanto aos lançamentos incorretos por divergências de datas, embora a empresa alegue não ter importância, os mesmos ocorreram, e não se coadunam com as normas legais e regulamentares, referentes à escrituração contábil. 3. Isto posto, restou comprovada, durante a Ação Fiscal, a apresentação pela empresa de livros que não atendam às formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, o que ensejou a lavratura do presente Auto de Infração. 4. Desta forma, mantenho todos os termos do Auto de Infração/AI N. 37.073.1344, de 14/02/2007. O contribuinte, devidamente cientificado da Diligência Fiscal, atravessa Manifestação, às fls. 317 a 332. O Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 372 a 377, assim resume tal manifestação: Cientificada do pronunciamento da Fiscalização, a impugnante apresenta suas argumentações a fls. 317/332. Inicia, requerendo que o julgamento da autuação leve em consideração o julgamento da NFLD n° 37.073.1352. Protesta contra a conclusão da diligência fiscal que não se expressou a respeito dos redutores no cálculo do Aviso para Regularização da Obra (ARO). Também reclama contra a diligência realizada em que não houve qualquer comparecimento na empresa a fim de se investigarem os fatos. Entende que foi cerceado seu direito de defesa. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Quer fazer crer que a Fiscalização não se posicionou sobre as irregularidades, faltandolhe clareza, o que a impede de corrigi las para se evitarem novas autuações. Protesta contra o procedimento de arbitramento das remunerações, as quais não são bens, direitos ou serviços. Os valores foram apurados em índices estatísticos não relacionados a remunerações. Entende que o arbitramento realizado não tem supedâneo legal. Defende que os lançamentos realizados observam as normas contábeis. A divergência entre a DISO, mero instrumento declaratório, e os lançamentos contábeis não autorizam o arbitramento. Requer a realização de perícia e/ou diligência para análise de toda a documentação previdenciária. Volta a argumentar que é optante do lucro presumido, não estando obrigada a manter a escrituração contábil, nos termos o inciso III do § 6° do artigo 60 da IN MPS/SRP n° 3, de 2005: Entende que a Fiscalização deveria requerer a apresentação do Livro Caixa, não das suas demonstrações contábeis. Requer: a dilação do prazo para impugnação com o escopo de providenciar parecer que se contraponha aos argumentos da Fiscalização. pronunciamento acerca dos pareceres juntados aos autos. que seja julgada improcedente a autuação e, subsidiariamente, que sejam considerados os redutores de área. sejam acolhidos seus argumentos. Indica o perito e apresenta os quesitos que julga pertinentes. Novamente os autos são baixados em Diligência Fiscal para que a Fiscalização se manifestasse sobre os ajustes efetuados pela empresa, conforme fls. 339 a 341: (...) Dos 15 (quinze) lançamentos indicados no item 2.2.6 do Relatório Fiscal (fl. 10) cabe registrar que em 1 (um) houve o registro de pagamento (de R$ 664,68) em 31/03/03 e contabilizado em 31/01/03 e outro (SABESP ref. Março 06) com pagamento (R$1.719,84) em 06/03/06 com contabilização em 06/02/06. As demais irregularidades apontadas referemse a lançamentos que ocorreram dentro do mesmo mês, em alguns casos com diferença de um dia. Das conclusões apresentadas no atendimento da diligência, seria oportuno manifestarse a fiscalização sobre a possibilidade de se obter o valor total da mão de obra empregada. 0 procedimento de aferição indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias é procedimento extremado e que só deve ser utilizado quando presente uma das hipóteses em que a legislação Fl. 432DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35569.000074/200780 Acórdão n.º 2403002.935 S2C4T3 Fl. 413 13 faculta sua utilização pelo Fisco, ao qual, neste caso, foi demonstrada a efetiva ocorrência da hipótese justificadora do procedimento excepcional. Com base no art.473 da Instrução Normativa 03/2005 a fiscalização decidiu desconsiderara a escrituração contábil e apurar o montante devido A. Seguridade Social para a regularização da obra mediante a aferição indireta com o emprego da tabela CUB. Os autos da NFLD foram baixados em diligência, como segue: Assim, sugiro que sejam baixados os autos em diligencia, para que se cumpra o que determinou esta 11° Turma de Julgamento em 26/06/2007, e para que se pronuncie o AFRFB sobre a defesa de f1.169/214, quanto à argumentação sobre as retificações promovidas pela empresa (item 8) em decorrência do reconhecimento de parte das incorreções apontadas no Relatório Fiscal, sobre as justificativas para as acusações da fiscalização, como a de que por ter havido compra de concreto usinado por dois meses sem o correspondente pagamento de mão de obra deveuse a condição contratual da execução das fundações da edificação com Franki Fundaçõis e Construção Civil, que empregou o material e não a empresa Irmãos Andrade, embora houvesse contrato com esta no período para fornecimento de mão de obra, e outras. Assim, não só por conexão devem os presentes autos acompanhar os da NFLD, sendo oportuno que se manifeste a fiscalização sobre os fatos apontados na defesa, sobre a irregularidade da escrituração contábil, à época da fiscalização e a partir das retificações efetuadas pela empresa, no sentido sustentar ou não a hipótese autorizadora da apuração do crédito previdenciário mediante a aferição indireta, qual seja o espelhamento da realidade econômico financeira da empresa. A realidade econômico financeira que interessa para a apuração do crédito tributário previdenciário referese à mão de obra empregada e o critério de aferição pelo CUB deve ser empregado como alternativa, quando não se puder obter os valores efetivamente pagos á titulo de mão de obra. Por fim, em face do pedido de perícia requerido na defesa, com a formulação dos quesitos sobre os quais deve a fiscalização pronunciarse conclusivamente, a fim de que possa esta 11 8 Turma de Julgamento melhor decidir sobre a sua necessidade, sugerimos que sejam os autos baixados em diligência por todos os motivos expostos. Em resposta à solicitação de Diligência Fiscal, a Fiscalização manteve inalterado todos os termos da autuação fiscal, conforme fls. 344 a 345: 1.1. Embora o Auto de Infração/AI N. 37.073.1344 tenha conexão com a Notificação Fiscal de Lançamento de Fl. 433DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Débito/NFLD N. 37.073.1352, sua análise deve ser efetuada de forma separada pelos seguintes motivos: a) 0 Auto de Infração foi lavrado pelo descumprimento de Obrigação Acessória, qual seja, pela apresentação de livros contábeis que não atendiam as formalidades legais exigidas, continham informação diversa da realidade, ou que omitiam informação verdadeira; b) Com base na legislação contida no Relatório Fiscal da NFLD N. 37.073.1352, a ocorrência da infração descrita no item anterior determina que a mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil seja aferida indiretamente, nesse caso através do CUB em relação A Área construída, com a dedução de todos os valores de mão de obra efetivamente pagos pelo contribuinte durante a obra; c) Dessa forma, somente no caso do Auto de Infração ter sido lavrado indevidamente, deixaria de existir amparo legal para a apuração, através de aferição indireta, do débito da NFLD N. 37.073.1352. 1.2. No presente Auto de Infração, ficou sobejamente comprovada a ocorrência da infração, através do Relatório Fiscal do AI, às fls. 04/12, e da análise da impugnação, às fls. 308/309, muito embora, em data posterior A lavratura do Al, a empresa tenha corrigido, parcialmente, os lançamentos contábeis incorretos. 1.3. Mesmo após a analise da impugnação apresentada pela empresa, onde foram abordados item por item as alegações da mesma (fls. 308/309), foi protocolada nova defesa, às fls. 317/327, porém, sem a apresentação de novos elementos ou documentos que pudessem alterar o resultado da análise da impugnação, já efetuada anteriormente. 1.4. Portanto, a correção efetuada pela empresa, ainda que parcial, dos lançamentos incorretos, não pode servir de base para elidir a ocorrência da infração, qual seja, o fato de que a contabilidade, apresentada na época da fiscalização, continha lançamentos incorretos, e não registrava todos os documentos ou valores pagos pela empresa. 2. Pelo exposto, mantenho todos os termos do Auto de Infração/AI N. 37.073.1344, de 14/02/07. O contribuinte, devidamente cientificado da Diligência Fiscal, atravessa Manifestação, às fls. 349 a 356. O Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 372 a 377, assim resume tal manifestação: Instada a se manifestar novamente, a impugnante alega que seus documentos não foram analisados na diligência e que a Fiscalização quedouse silente acerca dos quesitos oferecidos. Aduz que o procedimento foi irregular, pois não foi realizada qualquer diligência externa. Argumenta que seu direito de defesa restou cerceado. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35569.000074/200780 Acórdão n.º 2403002.935 S2C4T3 Fl. 414 15 Defende que seus lançamentos contábeis respeitam as normas regulamentadoras e repisa os argumentos apresentados na manifestação anterior. Junta o elaborado pelo contador Ynel Alves de Camargo Filho, que, em suma, conclui que o relatório não demonstrou claramente as irregularidades cometidas nem quais as normas de contabilidade infringidas. Entende que a Fiscalização preocupouse, principalmente, em verificar o cumprimento do principio da competência. Tivesse se atentado aos demais princípios contábeis, teria verificado o registro de boletos, cheques e depósitos bancários, o que eliminaria grande número das irregularidades apontadas. Sustenta que a empresa é optante do lucro presumido, o que a libera de manter escrituração contábil. Aduz que as normas tributárias autorizam o arbitramento quando a escrita contábil não oferecer base confiável, sendo "declaradamente imprestável". Acredita que os erros indicados pela Fiscalização não permitem a desconsideração da contabilidade e questiona se um Auditor Fiscal poderia afirmar que o trabalho realizado por um contador é imprestável. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0530.205 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2002 a 27/03/2006 EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. Deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições para a Seguridade Social bem como apresentálo sem as devidas formalidades legais constitui infração à legislação previdenciária, nos termos dos §§ 2° e 3° do artigo 33 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1.991. RELEVÂNCIA DOS LANÇAMENTOS IRREGULARES. Haverá penalização da empresa pela infração em questão, independentemente da relevância dos lançamentos incorretos na apuração da sua condição econômicofinanceira. EMPRESA OPTANTE LUCRO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Empresa optante do Lucro Presumido que decide apresentar ao Fisco o Livro Diário deve elaborálo de acordo com a legislação vigente. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há cerceamento de defesa quando a Fiscalização impute com precisão as faltas cometidas pela autuada, permitindo que ela entenda a fundamentação da autuação. No caso concreto, a defesa demonstrou que a empresa Fl. 435DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 entendeu perfeitamente as irregularidades que lhe foram atribuídas, não havendo qualquer indicio de que seu direito de defesa tenha sido concretamente cerceado. AUDITOR FISCAL PODE PROVIDENCIAR AUDITORIA CONTÁBIL. 0 AuditorFiscal é competente para promover auditoriafiscal na empresa, bem como lançar o débito que entender devido, não sendo necessário ter formação contábil, por autorização expressa do Art. 8° da Lei n° 10.593/2002. PERÍCIA. Deve ser indeferida a perícia quando não houver dúvidas Micas • que necessite de um profissional especializado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 7' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito exigido no Auto de Infração AI n° 37.073.1344. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em apertada síntese: (i) Da decadência Considerandose a data de formalização do crédito previdenciário — fevereiro de 2007 —, é de bom alvitre relembrar a aplicação da decadência, bem pautada no Código Tributário Nacional e referendada pela Súmula Vinculante n. 8 do Supremo Tribunal Federal. (ii) Da nulidade por desatendimento à norma previdenciária subcontratação de empreiteiras 8. Segundo a norma federal previdenciária, devese observar com tento a subcontratação de empreiteiras quando da regularização de obra de construção civil, inexistindo espaço para imaginação ou reflexões advindas da auditoriafiscal. (...) 11. Contrariamente ao disposto na norma sobredita e amparandose brutalmente em conceitos próprios e ilegais, o Sr. AuditorFiscal desprezou os detalhes e as peculiaridades das contratações de subempreiteiras efetuadas pela Recorrente. 12. Ora, vêse, por exemplo, o caso da EMPREITEIRA IRMÃOS ANDRADE S/C LTDA. (página 4, 49 parágrafo, da Intimação EAC 6/SECAT/480/2010). Não obstante o contrato ter sido assinado em fevereiro do ano de 2003, as medições começaram apenas em julho daquele ano! Fl. 436DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35569.000074/200780 Acórdão n.º 2403002.935 S2C4T3 Fl. 415 17 (iii) Da ausência dos requisitos ensejadores do arbitramento 15. Supõese, com base nos documentos preenchidos pela fiscalização previdenciária, que o Sr. AuditorFiscal da Previdência Social calculou os montantes devidos ao Erário com base em uma área disposta em m 2. 16. Sobre a área disposta em m 2, o Sr. AuditorFiscal da Previdência Social aplicou um índice intitulado Custo Unitário Básico (CUB), provavelmente divulgado por um dos Sindicatos da Indústria da Construção. Contudo, não informou à Recorrente a fonte exata dessa captação. 17. Com base nesse cenário, há que se falar em verdadeiro e desmedido arbitramento! 18. Lembrese que o arbitramento de valores devidos ao Fisco é medida extrema, excepcional, que deve respeitar os direitos e garantias do contribuinte, desde a constituição até a aplicação da norma pelos agentes administrativos. (iv) Da validade dos lançamentos contábeis da aferição indireta 26. O Sr. AuditorFiscal rechaçou as demonstrações contábeis da Recorrente e aplicou, com total descomedimento, a aferição indireta. E, digase, tal postura restou mantida pela 1a instância administrativa! 27. Restou entendido que a Recorrente não contabilizava as despesas e alguns outros lançamentos de forma adequada, como bem prega a legislação federal previdenciária. 28. Todavia, referida postura e entendimento não podem prosperar, pois as despesas citadas pela fiscalização são pertinentes construção e à sua manutenção. (...) 30. De fato, todos os lançamentos procedidos pela Recorrente estão adequados e de acordo com princípios e convenções aplicáveis às ciências contábeis, condição que torna descabidas todas as considerações por parte das autoridades fiscais. 31. Casuais desconformidades contábeis encontradas pela fiscalização foram repensadas, não refletindo nenhuma subtração ou postergação de recolhimento das contribuições sociais previdenciárias. Há que se falar em registro fiel do custo real da obra de construção civil, inclusive no que tange à mão deobra! (...) 33. Diferentemente do alegado, é possível averiguar, compreender e constatar a consistência de todos os lançamentos procedidos nas demonstrações da Recorrente, sejam ativos ou passivos, sejam receitas ou despesas. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 (v) Da desobrigação quanto à apresentação da escrituração contábil 35. De acordo com o Art. 516 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/1999), a pessoa jurídica cuja receita bruta total, no anocalendário anterior, tenha sido igual ou inferior a R$ 24.000.000,00, ou a R$ 2.000.000,00 multiplicados pelo número de meses de atividade no ano anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Eis o caso da Recorrente! 36. A IN SRP/MPS n° 3h005, por seu turno, estabelece no inciso Ill, parágrafo 6 9, de seu Art. 60, in v. erbis: "§ 6 Estão desobrigados da apresentação de escrituração contábil: III — a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a .. legislação tributária federal, e a pessoa jurídica optante Pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, desde que escriturem Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário" (destaques da Recorrente). 37. E, como não poderia ser diferente, a IN SRFB n. 971/2009 mantém a mesma linha de pensamento, in litteris: 38. Ora, não obstante as demonstrações contábeis da Recorrente estarem adequadas e em linha com os princípios e convenções aplicáveis contabilidade, o Sr. AuditorFiscal não poderia ter utilizadoas em suas análises. 39. Realmente, a Recorrente sequer precisaria ter escrituração contábil! 40. Nesse esteio, vêse como inoportunas as conclusões dispostas na malfadada autuação previdenciária, pois as autoridades fiscais deveriam ter solicitado o Livro Caixa à Recorrente e não suas demonstrações contábeis. (vi) Prémoldados e préfabricados 42. A IN SRP/MPS n2 3/2005 traz dispositivo contundente em seu Art. 456. Confirase, in verbis: "Art. 456. A obra de construção civil que utilize componentes préfabricados ou prémoldados será enquadrada de acordo com o disposto nos arts. 437 a 440 e terá redução de setenta por cento no valor da remuneração apurada de acordo com o art. 451 (...)". (destaques da Recorrente) 43. A IN SRFB n2 971/2009 mantém a mesma sistemática, in litteris: "Art. 364. A obra de construção civil que utilize componentes préfabricados ou prémoldados sera enquadrada de acordo com Fl. 438DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35569.000074/200780 Acórdão n.º 2403002.935 S2C4T3 Fl. 416 19 o disposto nos arts. 346 a 348 e terá redução de 70% (setenta por cento) no valor da remuneração apurada de acordo com o'art 359, desde que": 45. No caso da Recorrente, entretanto, o Sr. Auditor Fiscal desconsiderou totalmente a utilização de (i) esquadrias de ferro; (ii) esquadrias de alumínio; e (iii) coberturas metálicas, mesmo existindo notas fiscais abrangendo esses materiais pré fabricados. (vii) Tipificação e graduação das penalidades impostas 48. Ademais, é imperioso que se determine a redução da penalidade a um parâmetro compatível com a ausência de lesão ao Erário. A rigor, não se mostra minimamente razoável admitir a aplicação de uma multa dessa magnitude! 49. Entendimento diferenciado, que pudesse legitimar o montante exigido a titulo de multa, significaria incorrer em exagerado formalismo, que permeou a ausência de prejuízos financeiros ao Erário. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme se depreende do encaminhamento ao CARF. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da decadência Analisemos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. Temos que: O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, é: 11/2002 a 03/2006. A Recorrente teve ciência do auto de infração no dia 16.02.2007, às fls. 01. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35569.000074/200780 Acórdão n.º 2403002.935 S2C4T3 Fl. 417 21 Constatase então que não se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados nas competências objeto da autuação, ora nos termos do art. 150, § 4º, CTN, ora nos termos do art. 173, I, CTN. Diante do exposto, não prospera a alegação do contribuinte. (ii) Da nulidade por desatendimento à norma previdenciária subcontratação de empreiteiras (iii) Da ausência dos requisitos ensejadores do arbitramento (iv) Da validade dos lançamentos contábeis da aferição indireta (vi) Prémoldados e préfabricados Analisemos conjuntamente os itens (ii), (iii), (iv) e (vi). Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – PLANO & FORMA EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA contra Acórdão nº 0530.205 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.073.1344, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 11.569,42. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 4 a 11, o Auto de Infração nº. 37.073.1344, Código de Fundamentação Legal – CFL 38 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente, pois, em relação à obra de construção civil, matrícula CEI 50.007.00508/78, ter apresentado os Livros Diários sem as formalidades legais exigíveis, bem como a escrituração contábil sem atender a normas legais e regulamentares. Ora, os itens (ii), (iii), (iv) e (vi) evidentemente estão relacionados à autuação principal, referente à conexa NFLD 37.073.1352, conforme se depreende dos autos, na qual houve a utilização do procedimento de apuração por aferição indireta com base na área construída e no padrão da obra. Portanto, tais itens (ii), (iii), (iv) e (vi) trazem argumentos que devem ser debatidos nos autos do conexo processo principal. Diante do exposto, não prospera a alegação do contribuinte. (vii) Tipificação e graduação das penalidades impostas Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 4 a 11, o Auto de Infração nº. 37.073.1344, Código de Fundamentação Legal – CFL 38 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente, pois, em relação à obra de construção civil, matrícula CEI 50.007.00508/78, ter Fl. 441DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 apresentado os Livros Diários sem as formalidades legais exigíveis, bem como a escrituração contábil sem atender a normas legais e regulamentares. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373. Ora, a multa pelo fato desta multa por descumprimento de obrigação acessória possui um valor fixo, não há o que se debater em relação à graduação da penalidade. Diante do exposto, não prospera a alegação do contribuinte. (A) Da regularidade da autuação Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 4 a 11, o Auto de Infração nº. 37.073.1344, Código de Fundamentação Legal – CFL 38 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente, pois, em relação à obra de construção civil, matrícula CEI 50.007.00508/78, ter apresentado os Livros Diários sem as formalidades legais exigíveis, bem como a escrituração contábil sem atender a normas legais e regulamentares. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.073.1344 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (...) III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; Fl. 442DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35569.000074/200780 Acórdão n.º 2403002.935 S2C4T3 Fl. 418 23 Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas Fl. 443DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instrução para o Contribuinte, onde constam as instruções necessárias à empresa no tocante ao recolhimento, parcelamento, apresentação de defesa e demais informações; Fl. 444DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35569.000074/200780 Acórdão n.º 2403002.935 S2C4T3 Fl. 419 25 b. VÍNCULOS Relação de Vínculos, que relaciona todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão do seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não prosperando as alegações da Recorrente. (v) Da desobrigação quanto à apresentação da escrituração contábil 35. De acordo com o Art. 516 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/1999), a pessoa jurídica cuja receita bruta total, no anocalendário anterior, tenha sido igual ou inferior a R$ 24.000.000,00, ou a R$ 2.000.000,00 multiplicados pelo número de meses de atividade no ano anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Eis o caso da Recorrente! 36. A IN SRP/MPS n° 3h005, por seu turno, estabelece no inciso Ill, parágrafo 6 9, de seu Art. 60, in v. erbis: "§ 6 Estão desobrigados da apresentação de escrituração contábil: III — a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a .. legislação tributária federal, e a pessoa jurídica optante Pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, desde que escriturem Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário" (destaques da Recorrente). 37. E, como não poderia ser diferente, a IN SRFB n. 971/2009 mantém a mesma linha de pensamento, in litteris: Fl. 445DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 26 38. Ora, não obstante as demonstrações contábeis da Recorrente estarem adequadas e em linha com os princípios e convenções aplicáveis contabilidade, o Sr. AuditorFiscal não poderia ter utilizadoas em suas análises. 39. Realmente, a Recorrente sequer precisaria ter escrituração contábil! 40. Nesse esteio, vêse como inoportunas as conclusões dispostas na malfadada autuação previdenciária, pois as autoridades fiscais deveriam ter solicitado o Livro Caixa à Recorrente e não suas demonstrações contábeis. Analisemos. Da opção de enquadramento no regime de tributação com base no Lucro Presumido. O art. 527, Decreto 3.000/1999 (RIR), dispõe que a empresa optante pelo regime de tributação com base no Lucro Presumido deve manter a escrituração contábil, mas, se mantiverem o Livro Caixa, estarão dispensadas da obrigação: Art.527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único.O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). De plano, temse que o contribuinte, no período fiscalizado, é optante do regime de tributação com base no Lucro Presumido, conforme o constatado pela decisão de primeira instância ao pesquisar os dados cadastrais nos sistemas da RFB, às fls. 379: Realizando consulta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), constato que, realmente, a autuada optou pela sistemática do lucro presumido no período no período fiscalizado. No entanto, à evidência dos autos, o contribuinte apresentou a escrituração contábil à Fiscalização, conforme o Relatório Fiscal da Infração e o relatado na decisão de primeira instância. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35569.000074/200780 Acórdão n.º 2403002.935 S2C4T3 Fl. 420 27 Ainda, não consta nos autos que o contribuinte tenha feito a apresentação do Livro Caixa e do Livro Registro de Inventário, conforme o observado na decisão de primeira instância, às fls. 379: Por fim, é bom salientar que, em momento algum, foi provada a elaboração do Livro Caixa e do Livro Registro de Inventário, o que daria o direito à autuada de não apresentar a escrituração contábil. Ou seja, considero que o contribuinte ao apresentar a escrituração contábil, em detrimento de apresentar o Livro Caixa devidamente escriturado, deixou de exercer a opção pelo regime de tributação do Lucro Presumido. Ademais, o art. 923, Decreto 3.000/1999 (RIR) dispõe que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte: Art.923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Outrossim, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 4 a 11, o Auto de Infração nº. 37.073.1344, Código de Fundamentação Legal – CFL 38 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente, pois, em relação à obra de construção civil, matrícula CEI 50.007.00508/78, ter apresentado os Livros Diários sem as formalidades legais exigíveis, bem como a escrituração contábil sem atender a normas legais e regulamentares. O Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 372 a 377, assim resume: Em suma, a Auditoria Fiscal constatou que: não foram registradas na contabilidade 60 notas fiscais, contabilizouse erroneamente a folha de pagamento de 09/2002 da "ObraJoão Mendes" na "ObraRua Bahia", 46 notas fiscais foram lançadas com valor inferior, três notas fiscais foram registradas em duplicidade, nas competências de 11/2002 a 11/2005 as contribuições previdenciárias devidas, reconhecidas na contabilidade, são superiores aos constantes nas folhas de pagamento, não foram contabilizadas as contribuições devidas em 12/2005, contrariando a informação contida na folha de pagamento, na competência 12/2004, há parcelas recebidas por empregados registradas na contabilidade, mas não reconhecidas na folha de pagamento, os pagamentos relativos a quinze notas fiscais foram lançados na contabilidade em data errada e Fl. 447DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 28 sete notas fiscais foram registradas antes da data da sua emissão. Relata a Fiscalização que a autuada é primária e não ocorreram circunstâncias agravantes. Observase que após duas solicitações de Diligência Fiscal para manifestação da Fiscalização acerca dos documentos acostados aos autos, dos ajustes efetuados pela empresa e também acerca das manifestações do contribuinte, a Fiscalização manteve inalterado todos os termos da autuação fiscal, conforme fls. 344 a 345: 1.1. Embora o Auto de Infração/AI N. 37.073.1344 tenha conexão com a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito/NFLD N. 37.073.1352, sua análise deve ser efetuada de forma separada pelos seguintes motivos: a) 0 Auto de Infração foi lavrado pelo descumprimento de Obrigação Acessória, qual seja, pela apresentação de livros contábeis que não atendiam as formalidades legais exigidas, continham informação diversa da realidade, ou que omitiam informação verdadeira; b) Com base na legislação contida no Relatório Fiscal da NFLD N. 37.073.1352, a ocorrência da infração descrita no item anterior determina que a mão de obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil seja aferida indiretamente, nesse caso através do CUB em relação A Área construída, com a dedução de todos os valores de mão de obra efetivamente pagos pelo contribuinte durante a obra; c) Dessa forma, somente no caso do Auto de Infração ter sido lavrado indevidamente, deixaria de existir amparo legal para a apuração, através de aferição indireta, do débito da NFLD N. 37.073.1352. 1.2. No presente Auto de Infração, ficou sobejamente comprovada a ocorrência da infração, através do Relatório Fiscal do AI, às fls. 04/12, e da análise da impugnação, às fls. 308/309, muito embora, em data posterior A lavratura do Al, a empresa tenha corrigido, parcialmente, os lançamentos contábeis incorretos. 1.3. Mesmo após a analise da impugnação apresentada pela empresa, onde foram abordados item por item as alegações da mesma (fls. 308/309), foi protocolada nova defesa, às fls. 317/327, porém, sem a apresentação de novos elementos ou documentos que pudessem alterar o resultado da análise da impugnação, já efetuada anteriormente. 1.4. Portanto, a correção efetuada pela empresa, ainda que parcial, dos lançamentos incorretos, não pode servir de base para elidir a ocorrência da infração, qual seja, o fato de que a contabilidade, apresentada na época da fiscalização, continha lançamentos incorretos, e não registrava todos os documentos ou valores pagos pela empresa. 2. Pelo exposto, mantenho todos os termos do Auto de Infração/AI N. 37.073.1344, de 14/02/07. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35569.000074/200780 Acórdão n.º 2403002.935 S2C4T3 Fl. 421 29 Ou seja, a Fiscalização ao manter inalterado todos os termos da autuação fiscal, considerou que permanecem os elementos fáticos que evidenciam que a contabilidade, apresentada na época da fiscalização, continha lançamentos incorretos, e não registrava todos os documentos ou valores pagos pela empresa. Portanto, restou comprovado a ocorrência dos elementos ensejadores da autuação por descumprimento e obrigação acessória CFL 38. Diante do exposto. não prospera a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do Recurso e NEGARLHE provimento. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 449DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13888.720465/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009, 2010, 2011
Ementa:
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Constatado que, em sentido oposto ao sustentado na peça de defesa, a decisão prolatada em primeira instância cuidou de apreciar, detalhadamente, as razões trazidas em sede de impugnação, descabe falar em sua nulidade em virtude de cerceamento do direito de defesa.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA.
À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de perícia formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade do procedimento, há que se indeferir o pedido correspondente.
VEÍCULOS USADOS. COMERCIALIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO,. REGIME DIFERENCIADO. CONDIÇÃO.
O tratamento diferenciado oportunizado pela legislação tributária às pessoas jurídicas que exploram a atividade de comercialização de veículos usados, impõe que estas mantenham, em ordem e em boa guarda, as notas fiscais de saída e as notas fiscais de entrada, de modo que seja possível à autoridade tributária aferir a base de cálculo das exações devidas. Na ausência de tais documentos, a opção pelo regime trazido pela Lei nº 9.716, de 1998, resta comprometida.
ARBITRAMENTO. PROCEDÊNCIA.
Ainda que não se vislumbre a intenção deliberada de fraudar o Fisco, no caso em que a escrituração do contribuinte contiver múltiplas deficiências, sendo, inclusive, imprestável para identificar a movimentação financeira, o arbitramento do lucro é medida que se impõe, haja vista a existência de comando legal nesse sentido. Conhecida a receita bruta, é com base nela que o referido arbitramento deve ser efetuado, de modo que os demais critérios previstos na legislação de regência só são passíveis de utilização na situação que dela (da receita bruta) não se tem conhecimento.
MULTA DE OFÍCIO. EXASPERAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Ausentes elementos capazes de caracterizar as circunstâncias apontadas pela autoridade fiscalizadora como justificadoras da qualificação da penalidade, deve-se promover a sua redução para o percentual de setenta e cinco por cento.
CRÉDITOS BANCÁRIOS. RECURSOS REPASSADOS A TERCEIROS. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A alegação, em sede de defesa, de que créditos promovidos em conta bancária do contribuinte, por pertencerem a terceiros, foram a eles repassados, na circunstância em que essa mesma alegação foi apresentada no curso da ação fiscal, sendo, portanto, objeto de análise minuciosa e acolhimento parcial, impõe que sejam carreados ao processo elementos comprobatórios, especialmente no sentido de demonstrar que não foram considerados pela autoridade autuante.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se aos denominados lançamentos reflexos ou decorrentes, em virtude da íntima relação de causa e efeito, o decidido no lançamento matriz.
Numero da decisão: 1301-001.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009, 2010, 2011 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Constatado que, em sentido oposto ao sustentado na peça de defesa, a decisão prolatada em primeira instância cuidou de apreciar, detalhadamente, as razões trazidas em sede de impugnação, descabe falar em sua nulidade em virtude de cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de perícia formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade do procedimento, há que se indeferir o pedido correspondente. VEÍCULOS USADOS. COMERCIALIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO,. REGIME DIFERENCIADO. CONDIÇÃO. O tratamento diferenciado oportunizado pela legislação tributária às pessoas jurídicas que exploram a atividade de comercialização de veículos usados, impõe que estas mantenham, em ordem e em boa guarda, as notas fiscais de saída e as notas fiscais de entrada, de modo que seja possível à autoridade tributária aferir a base de cálculo das exações devidas. Na ausência de tais documentos, a opção pelo regime trazido pela Lei nº 9.716, de 1998, resta comprometida. ARBITRAMENTO. PROCEDÊNCIA. Ainda que não se vislumbre a intenção deliberada de fraudar o Fisco, no caso em que a escrituração do contribuinte contiver múltiplas deficiências, sendo, inclusive, imprestável para identificar a movimentação financeira, o arbitramento do lucro é medida que se impõe, haja vista a existência de comando legal nesse sentido. Conhecida a receita bruta, é com base nela que o referido arbitramento deve ser efetuado, de modo que os demais critérios previstos na legislação de regência só são passíveis de utilização na situação que dela (da receita bruta) não se tem conhecimento. MULTA DE OFÍCIO. EXASPERAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Ausentes elementos capazes de caracterizar as circunstâncias apontadas pela autoridade fiscalizadora como justificadoras da qualificação da penalidade, deve-se promover a sua redução para o percentual de setenta e cinco por cento. CRÉDITOS BANCÁRIOS. RECURSOS REPASSADOS A TERCEIROS. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A alegação, em sede de defesa, de que créditos promovidos em conta bancária do contribuinte, por pertencerem a terceiros, foram a eles repassados, na circunstância em que essa mesma alegação foi apresentada no curso da ação fiscal, sendo, portanto, objeto de análise minuciosa e acolhimento parcial, impõe que sejam carreados ao processo elementos comprobatórios, especialmente no sentido de demonstrar que não foram considerados pela autoridade autuante. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se aos denominados lançamentos reflexos ou decorrentes, em virtude da íntima relação de causa e efeito, o decidido no lançamento matriz.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13888.720465/2013-17
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448327
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-001.715
nome_arquivo_s : Decisao_13888720465201317.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 13888720465201317_5448327.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5880415
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706595753984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 3.220 1 3.219 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.720465/201317 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.715 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2014 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente CAMILA APARECIDA VOLPATO ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010, 2011 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Constatado que, em sentido oposto ao sustentado na peça de defesa, a decisão prolatada em primeira instância cuidou de apreciar, detalhadamente, as razões trazidas em sede de impugnação, descabe falar em sua nulidade em virtude de cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de perícia formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade do procedimento, há que se indeferir o pedido correspondente. VEÍCULOS USADOS. COMERCIALIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO,. REGIME DIFERENCIADO. CONDIÇÃO. O tratamento diferenciado oportunizado pela legislação tributária às pessoas jurídicas que exploram a atividade de comercialização de veículos usados, impõe que estas mantenham, em ordem e em boa guarda, as notas fiscais de saída e as notas fiscais de entrada, de modo que seja possível à autoridade tributária aferir a base de cálculo das exações devidas. Na ausência de tais documentos, a opção pelo regime trazido pela Lei nº 9.716, de 1998, resta comprometida. ARBITRAMENTO. PROCEDÊNCIA. Ainda que não se vislumbre a intenção deliberada de fraudar o Fisco, no caso em que a escrituração do contribuinte contiver múltiplas deficiências, sendo, inclusive, imprestável para identificar a movimentação financeira, o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 04 65 /2 01 3- 17 Fl. 3220DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.221 2 arbitramento do lucro é medida que se impõe, haja vista a existência de comando legal nesse sentido. Conhecida a receita bruta, é com base nela que o referido arbitramento deve ser efetuado, de modo que os demais critérios previstos na legislação de regência só são passíveis de utilização na situação que dela (da receita bruta) não se tem conhecimento. MULTA DE OFÍCIO. EXASPERAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Ausentes elementos capazes de caracterizar as circunstâncias apontadas pela autoridade fiscalizadora como justificadoras da qualificação da penalidade, devese promover a sua redução para o percentual de setenta e cinco por cento. CRÉDITOS BANCÁRIOS. RECURSOS REPASSADOS A TERCEIROS. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A alegação, em sede de defesa, de que créditos promovidos em conta bancária do contribuinte, por pertencerem a terceiros, foram a eles repassados, na circunstância em que essa mesma alegação foi apresentada no curso da ação fiscal, sendo, portanto, objeto de análise minuciosa e acolhimento parcial, impõe que sejam carreados ao processo elementos comprobatórios, especialmente no sentido de demonstrar que não foram considerados pela autoridade autuante. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase aos denominados lançamentos reflexos ou decorrentes, em virtude da íntima relação de causa e efeito, o decidido no lançamento matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Fl. 3221DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.222 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 3222DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.223 4 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativas ao anos calendário de 2008, 2009 e 2010, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas. A autoridade fiscal promoveu o arbitramento do lucro para fins de determinação do IRPJ e da CSLL, aplicou multa qualificada na constituição de parte do crédito tributário e imputou responsabilidade tributária à Sra. CAMILA APARECIDA VOLPATO, sócia da fiscalizada. Apresentou impugnação a empresa autuada, representada por CAMILA APARECIDA VOLPATO, fls. 745/768. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, Minas Gerais, apreciando as razões trazidas em sede de impugnação, decidiu, por meio do acórdão nº 0946.738, de 26 de setembro de 2013, pela procedência dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INEXISTÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO FISCAL. NOTAS FISCAIS DE SAÍDA E ENTRADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Configuram omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ainda, inexistindo documentação fiscal, no caso, Notas Fiscais de Saída e de Entrada, a dar supedâneo a sua escrituração contábil/movimentação financeira, sobre a receita omitida apurada de ofício com base nos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras , impõese a aplicação de ofício do regime de apuração do lucro denominado lucro arbitrado. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. RECEITA CONHECIDA. Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado das pessoas jurídicas deve ser determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para a determinação do Lucro Presumido, acrescidos de vinte por cento. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Por força da legislação tributária, as razões adotadas no exame do lançamento principal, Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, quanto à mesma matéria fática e fundada nos mesmos elementos probatórios, servem também para a solução dos Fl. 3223DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.224 5 litígios decorrentes e a estes se aplicam, lançamentos reflexos da CSLL, da contribuição para o Pis e da Cofins. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Observados os requisitos essenciais de validade, prescritos no art. 142 do CTN e nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não tendo se configurado qualquer das hipóteses de nulidade do art. 59 deste último decreto regulamentar, deve ser declarada a validade formal dos lançamentos em apreço. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de Diligência/Perícia quando esse procedimento mostrarse prescindível para a solução da lide. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade julgadora para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade de normas tributárias. Irresignada, a contribuinte fiscalizada apresentou recurso voluntário (fls. 1.418/1.446), alegando: que houve cerceamento do direito de defesa, vez que autoridade administrativa baseouse, única e exclusivamente, na ausência de apresentação das notas fiscais extraviadas para justificar seu voto, deixando de analisar toda a matéria de defesa trazida; que seria necessária a realização de diligência ou perícia; que é empresa dedicada à comercialização de veículos automotores usados e, assim, retira seu lucro da diferença entre o custo de aquisição e a receita da venda dos automóveis, bem como das comissões pagas nas vendas de veículos de terceiros em consignação; que realizava a intermediação na venda de veículos para outros comerciantes de automóveis, representando tais estabelecimentos na obtenção de financiamentos junto às instituições financeiras, por preencher os requisitos exigidos à época (como ausência de pendências financeiras e judiciais, regularidade nas operações bancárias, etc.), bem como possuir ótima credibilidade junto aos bancos; que o valor pago pelo financiamento aprovado ao adquirente, apesar de ter sido creditado na sua conta bancária, pertencia integralmente a terceiros (vendedores do veículo), sendo a este repassado, em conformidade com os documentos comprobatórios apresentados na impugnação e que agora são reapresentados; Fl. 3224DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.225 6 que o lucro obtido na operação, na realidade, decorria do recebimento de taxas administrativas e das comissões pagas pelas instituições financeiras pela intermediação no negócio, que variavam entre 0,5% a 3% do valor da venda; que, em decorrência do pagamento dessas comissões pelas instituições financeiras, também realizava o refinanciamento de veículos de pessoas físicas, onde era oferecido o próprio veículo como garantia para a obtenção de empréstimo com juros menores aos comumente praticados; que, apesar de haver movimentação financeira incompatível com a sua escrituração fiscal, tais valores em hipótese alguma se reverteram a seu favor, posto que totalmente repassados para terceiros, sendo ela mera depositária de receitas de terceiros; que, de uma superficial análise dos extratos bancários (prontamente entregues ao Fisco), é possível identificar a transferência dos valores creditados pelas instituições financeiras aos vendedores ou proprietários dos veículos financiados ou vendidos em consignação; que, na maioria das vezes, os pagamentos eram realizados no mesmo dia e, por simples ajustes entre as partes, eram fracionados a fim de viabilizar o saque e a compensação de valores junto às instituições bancárias; que foram apresentados na impugnação diversos documentos que atestam a realização da transferência dos valores financiados aos respectivos vendedores, todos retirados dos extratos apresentados à fiscalização; que restou comprovado, além disso, que a maioria das transferências e cheques sacados foram creditados para outros estabelecimentos comerciantes de veículos e para as pessoas físicas que lhes gerenciam; que somente pode ser considerada como “receita” as entradas ou ingressos próprios da empresa, que lhe integram o patrimônio sem qualquer reserva, condição ou compromisso de repasse para terceiros; que as entradas creditadas na sua conta corrente, retirada dos seus extratos bancários, são insuficientes para demonstrar a sua receita bruta, tal como preconizado no artigo 532 do RIR/99, vez que os valores computados pelo Fisco não são e não podem ser, em hipótese alguma, enquadrados como receita decorrente da venda de bens ou da prestação de serviços por parte dela; que, se o Fisco quisesse proceder à tributação de valores de forma correta, haveria de considerar apenas as receitas obtidas com as comissões de venda e/ou produção, cujos valores foram integralmente informados pelas instituições financeiras e podem ser confirmadas nos extratos bancários; que, na impossibilidade de conhecer a sua receita bruta com base nos extratos bancários apresentados, deveria ter sido efetuado o arbitramento com base nas outras opções legalmente instituídas pelo artigo 535 do RIR/99 e não simplesmente ter considerado como receita valores pertencentes a terceiros; Fl. 3225DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.226 7 que, nos termos de súmula editada pelo Tribunal Federal de Recursos, antecessor do Superior Tribunal de Justiça, “é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários.”; que o Fisco incorreu em erro ao desconsiderar os seus livros fiscais; que o fato que fundamentou a declaração de imprestabilidade da sua escrituração fiscal foi a constatação da existência de movimentação financeira superior à declarada, fato este que não é apto, por si só, a ensejar a inutilidade dos seus livros fiscais, especialmente quando esta não se omite na entrega dos documentos solicitados; que a simples existência de depósitos em seu nome não pode ser considerada como base de cálculo para fins de incidência de imposto de renda, por não configurar auferimento de renda, acréscimo patrimonial ou mesmo signo presuntivo de riqueza, consoante Sumula TFR nº 182, já mencionada; que, de forma reflexa, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) não pode ser calculada com base em receitas totalmente descabidas, que não demonstram a efetiva existência de lucro auferido; que, ao contrário do afirmado pelo agente fiscal, há de se ressaltar a completa possibilidade de aplicação do disposto no artigo 5º da Lei 9.716/98, regulamentado pela IN RFB nº 152/98 (IRPJ) e pelo art. 96 e seguintes da IN RFB 390/04 (CSLL), que dispõem sobre a equiparação das operações de venda de veículos usados à consignação; que, com muito mais razão, é indevida a exigência de contribuição ao PIS e de COFINS sobre valores pertencentes a terceiros, que transitaram apenas temporariamente na sua conta bancária; que também deve ser declarada nula a exigência de contribuição ao PIS e de COFINS sobre receitas de terceiros que apenas transitaram temporariamente pela conta sua bancária, excluindose da base de cálculo desses tributos os valores repassados a terceiros; que, na hipótese de manutenção do lançamento, é necessária a revisão da multa punitiva qualificada à ela imposta, visto que totalmente desarrazoada; que em nenhum momento da fiscalização se negou à entrega de documentos ou embaraçou as investigações f iscais, de forma a ocultar as operações por ela realizadas; que não há que se falar em fraude ou omissão de sua parte que leve à pesada e confiscatória imposição de penalidade punitiva no patamar de 150% do valor do tributo supostamente devido, devendo a multa, caso mantida, ser reduzida para 75%. É o Relatório. Fl. 3226DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.227 8 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativas ao anos calendário de 2008, 2009 e 2010, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas. Os lançamentos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL foram efetuados com base em arbitramento do lucro. Parte dos créditos tributários foram constituídos com aplicação de multa qualificada, tendo a autoridade fiscal imputado responsabilidade tributária à Sra. CAMILA APARECIDA VOLPATO, sócia da contribuinte fiscalizada. Embora tenha sido incluída no pólo passivo da obrigação tributária formalizada, a Sra. CAMILA APARECIDA VOLPATO não interpôs recurso voluntário. Aprecio, pois, os argumentos trazidos pela empresa autuada em sede de recurso. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alega a Recorrente que houve cerceamento do direito de defesa, vez que a autoridade administrativa baseouse, única e exclusivamente, na ausência de apresentação das notas fiscais extraviadas para justificar seu voto, deixando de analisar toda a matéria de defesa trazida. Penso não assistir razão à Recorrente. Com efeito, analisando os termos do voto condutor da decisão de primeiro grau, verifico que referido pronunciamento cuidou de: registrar inicialmente que, por força de limitações impostas pela própria legislação de regência, a apreciação de questões associadas à ofensa a princípios constitucionais e de inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas tributárias, restou prejudicada; descrever detalhadamente as infrações imputadas; descrever, também de forma detalhada, as razões apresentadas pela autuada em sede de impugnação; Fl. 3227DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.228 9 decidir pela manutenção do arbitramento e pela procedência da aplicação, no caso, da presunção legal estampada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; demonstrar que não houve a alegada duplicidade de tributação dos valores declarados; demonstrar que à fiscalizada foram oportunizados meios para que ela apresentasse a documentação requerida e exercesse o seu direito de defesa, não havendo que se falar em nulidade; esclarecer que as razões de decidir relacionadas ao lançamento principal (IRPJ) aplicamse ao denominados reflexos (CSLL, PIS e COFINS); sustentar a qualificação da multa de ofício aplicada; e, por fim, rejeitar o pedido de diligência ou perícia. Notase, pois, que, diferentemente do sustentado pela Recorrente, a decisão exarada em primeira instância abordou adequadamente as razões trazidas em sede de impugnação, não merecendo acolhimento, assim, a alegação de cerceamento do direito. NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA Clama a Recorrente pela realização de diligência ou perícia, para que seja comprovado que os valores creditados na sua conta bancária não lhe pertencem, mas, sim, a terceiros. Por entender que os elementos reunidos ao processos revelamse suficientes à solução da controvérsia, julgo dispensáveis os pedidos formulados pela Recorrente. Observo que a Recorrente foi reiteradamente intimada a apresentar os elementos necessários aos esclarecimentos dos fatos apurados no curso da ação fiscal, e, se não o fez, ou foi porque não dispunha de meios para tal, ou foi, simplesmente, por entender que tais elementos em nada contribuiriam para elidir as infrações que lhe foram imputadas. Requerer a realização dos referidos procedimentos em sede de julgamento com o intuito de carrear ao processo prova que deveria ter sido produzida no curso da ação fiscal, ou, quando muito, na fase de defesa, com o devido respeito, revela pretensão meramente protelatória. Não são merecedores de acolhimento, assim, os pedidos de realização de perícia ou diligência. NATUREZA DA ATIVIDADE EXPLORADA Afirma a Recorrente que se dedica à comercialização de veículos automotores usados e, em razão disso, retira seu lucro da diferença entre o custo de aquisição e a receita da venda dos automóveis, bem como das comissões pagas nas vendas de veículos de terceiros em consignação. Diz que realizava a intermediação na venda de veículos para outros comerciantes de automóveis, representando tais estabelecimentos na obtenção de financiamentos junto às instituições financeiras, por preencher os requisitos exigidos à época (ausência de pendências financeiras e judiciais, regularidade nas operações bancárias, etc.), Fl. 3228DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.229 10 bem como possuir ótima credibilidade junto aos bancos. Sustenta que, ao contrário do afirmado pelo agente fiscal, há de se ressaltar a completa possibilidade de aplicação do disposto no artigo 5º da Lei 9.716/98, regulamentado pela IN RFB nº 152/98 (IRPJ) e pelo art. 96 e seguintes da IN RFB 390/04 (CSLL), que dispõem sobre a equiparação das operações de venda de veículos usados à consignação. A ora Recorrente tem como atividade econômica o comércio varejista de automóveis, camionetas e utilitários usados, tendo optado nos anos submetidos ao procedimento de fiscalização (2008, 2009 e 2010) pela tributação com base no lucro presumido. No Termo de Constatação Fiscal de fls. 507/533, a autoridade fiscal reproduz intimação anteriormente formalizada à Recorrente, na qual consta esclarecimento no sentido de que “a tributação equiparada às operações de consignação, de que trata o artigo 5º da Lei nº 9.716/98, só é possível quando existentes as respectivas Notas Fiscais de Entrada e Saída”. Embora haja registro no referido Termo de que os elementos solicitados pela Fiscalização (Livro Caixa – 2008; Livros Razão e Diário – 2009 e 2010; Livros Registro de Entrada e Registro de Saída – 2008, 2009 e 2010; e vias fixas das notas fiscais de entrada e saída) foram entregues em 30 de julho de 2012 após um pedido de prorrogação de prazo para atendimento, adiante, foi consignado: “regularmente intimada a apresentar as Vias Fixas das Notas Fiscais de Entrada e Saída dos anos objeto da presente fiscalização, a contribuinte não as apresentou sob a alegação de terem sido extraviadas”. Assinala a Fiscalização “que a equiparação à consignação é uma faculdade permitida pela lei, desde que (o) optante obedeça alguns deveres instrumentais, quais sejam: constar, expressamente, do objeto social da empresa a atividade de comprar e vender veículos usados, bem como, emitir Nota Fiscal de entrada para compra e Nota Fiscal de saída para a venda da mesma unidade negociada”. Afirma que, embora conste em seu contrato social, como objeto, a comercialização de veículos usados, a autuada, alegando extravio, não apresentou as notas fiscais em referência. Diante de tal circunstância, entendeu a Fiscalização não ser possível a aplicação do regime diferenciado de tributação (equiparação à operação de consignação), mas, sim, do regime ordinário aplicável à atividade comercial, isto é, sujeitas, no caso do lucro presumido, aos coeficientes de 8% e 12% sobre a receita bruta auferida, para fins de determinação do IRPJ e CSLL, respectivamente. Analisando as Declarações de Informações (DIPJ) apresentadas pela contribuinte autuada, a Fiscalização constatou que, relativamente aos anos de 2008 e de 2009, para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, foram utilizados os coeficientes de 8% e 12% sobre a diferença entre os valores de venda e os de entrada dos veículos (no ano de 2010 foi utilizado o percentual de 32%). Com base em informações prestadas por instituições financeiras, a Fiscalização constatou ainda que a Recorrente foi beneficiária de valores relativos à comissões e a serviços profissionais prestados, nos montantes de R$ 259.663,80 (2008), R$ 521.159,87 (2009) e R$ 423.259,86 (2010), valores esses não oferecidos à tributação. Por se tratarem de retorno na intermediação de negócios, assegurou a autoridade fiscal que os citados montantes deveriam ser tributados com base no coeficiente de 32%. Fl. 3229DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.230 11 A principal alegação da Recorrente é a de que sua receita decorre da comercialização de veículos usados e da intermediação na venda de veículos de terceiros, de modo que “retira seu lucro da diferença entre o custo de aquisição e a receita da venda dos automóveis, bem como das comissões pagas nas vendas de veículos de terceiros em consignação”. Sustenta, ainda, que, além dessas atividades (comercialização de veículos usados e intermediação na venda de veículos de terceiros), também realizava a intermediação na venda de veículos para outros comerciantes de automóveis. Resta incontroverso, pois, a partir dos elementos carreados ao processo e das informações prestadas no curso da ação fiscal, que a contribuinte fiscalizada dedicase, como atividade principal, à comercialização de veículos usados. Nos termos do disposto na Lei nº 9.716, de 1998, a contribuinte, por opção, poderia, para efeitos tributários, equiparar as operações de venda de veículos usados adquiridos às operações de consignação. Lei nº 9.716, de 1998 ... Art. 5o As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Tratandose, pois, de tributação com base no regime do lucro presumido, a receita bruta sujeita ao percentual de presunção, no caso, estaria representada pela diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada (art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 152/98 e art 96 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004). Notase, portanto, que o tratamento diferenciado oportunizado pela legislação tributária às pessoas jurídicas que exploram a atividade de comercialização de veículos usados, impõe que estas mantenham, em ordem e em boa guarda, as notas fiscais de venda (saída) e as notas fiscais de compra (entrada), de modo que seja possível à autoridade tributária aferir a base de cálculo das exações devidas. Não me parece restar dúvida de que, na ausência de tais documentos (notas fiscais de saída e de entrada), a opção pelo regime trazido pela Lei nº 9.716, de 1998, resta comprometida. Tenho, pois, como correto o procedimento da Fiscalização de, em virtude da ausência de suporte documental, submeter à contribuinte ao regime ordinário de tributação. Fl. 3230DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.231 12 ARBITRAMENTO DO LUCRO E QUALIFICAÇÃO DA MULTA Alega a Recorrente que o Fisco incorreu em erro ao desconsiderar os seus livros fiscais. Diz que o fato que fundamentou a declaração de imprestabilidade da sua escrituração fiscal foi a constatação da existência de movimentação financeira superior à declarada, fato este que não é apto, por si só, a ensejar a inutilidade dos seus livros fiscais, especialmente quando esta não se omite na entrega dos documentos solicitados. A ação fiscal empreendida na contribuinte, como já visto, alcançou os anos calendário de 2008, 2009 e 2010. Em conformidade com o Termo de Constatação Fiscal, embora tenha requerido inicialmente prorrogação de prazo para atendimento, a Recorrente apresentou à Fiscalização os seguintes documentos: Livros Caixa (2008), Diário (2008, 2009 e 2010), Razão (2009 e 2010) e Registro de Entradas e de Saídas (2009 e 2010); e extratos bancários. Analisando a movimentação financeira da contribuinte, a Fiscalização identificou expressiva incompatibilidade entre ela e os valores contabilizados, conforme quadro abaixo. VENDAS LIVRO DIÁRIO VENDAS LIVRO REGISTRO DE SAÍDAS CRÉDITOS BANCÁRIOS R$ 305.800,00 R$ 305.800,00 R$ 3.267.323,75 R$ 2.388.396,00 R$ 2.388.396,00 R$ 6.663.520,52 R$ 1.836.496,00 R$ 1.836.496,00 R$ 7.032.286,38 A Fiscalização constatou que grande parte dos créditos bancários decorria de depósitos promovidos por instituições financeiras, e que foram efetuados a título de pagamento à vista de financiamento ou de comissões, havendo, inclusive, identificação das placas dos veículos negociados. Para a Fiscalização, embora a contribuinte os tenha apresentado, os livros contábeis, em virtude da omissão de diversos registros, são imprestáveis para aferição da base de cálculo dos tributos e contribuições, eis que reveladores de evidentes indícios de fraude. Com base em tal avaliação, promoveu o arbitramento do lucro com fundamento nas disposições do inciso II do art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), abaixo reproduzido. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): ... II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: Fl. 3231DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.232 13 a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; Analisando as peças processuais, constato que: i) os Livros Diário apresentados à Fiscalização só foram autenticados após o início do procedimento fiscal; ii) os registros efetuados nos Livros Diário foram efetuados por partidas mensais, motivo pelo qual a Fiscalização serviuse do Livro Registro de Saída para confirmar, de forma individualizada, os lançamentos; iii) as notas fiscais de entrada e de saída, elementos essenciais à aferição da base de cálculo dos tributos e contribuições, não foram apresentadas com base na alegação de extravio; iv) os Livros Diário e Razão apresentados pela fiscalizada são imprestáveis para identificar a efetiva movimentação financeira. Penso, pois, que, considerada a fundamentação legal utilizada pela autoridade fiscal, o arbitramento do lucro é medida que se impunha, eis que presente hipótese autorizadora para tal. É bom que se ressalte que a tributação com base no arbitramento do lucro não representa uma opção, mas, sim, um dever, que surge a partir da constatação da hipótese prevista em lei. Como é cediço, o lançamento é ato vinculado, de modo que a autoridade competente para efetiválo não pode, sob qualquer pretexto, afastar a aplicação de norma impositiva. No caso vertente, ainda que suficiente a indicação dos elementos que justificaram a medida, é importante destacar que, diante da deficiência da escrituração, especialmente pelo fato de ela não retratar expressiva movimentação financeira correspondente a três anos consecutivos, a autoridade fiscal teve que envidar significativo esforço para, com os meios colocados ao seu alcance, tentar identificar a efetiva receita auferida pela fiscalizada no período investigado, residindo aí a razão para o arbitramento do lucro, pois, em tal cenário, não se pode afirmar que, efetivamente, o total dos rendimentos foram abrangidos pela tributação de ofício. Não obstante tudo que foi exposto, não identifico elementos suficientes à imputação de que, no caso, os registros contábeis resumidos e a ausência de possibilidade de identificação da movimentação financeira revelam o intuito deliberado da contribuinte de fraudar o Fisco. A meu ver, considerada a natureza da atividade econômica explorada pela contribuinte (comércio de veículos usados e negócios correlatos), as deficiências da sua escrituração decorrem muito mais de uma excessiva simplificação nos registros das operações realizadas do que da intenção deliberada de demonstrar à Administrar Tributária realidade distinta da efetivamente ocorrida. Neste particular, inclusive, penso que é merecedora de revisão a exasperação da multa de ofício aplicada, não pelas razões trazidas em sede de recurso, eis que Fl. 3232DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.233 14 irrazoabilidade, natureza confiscatória e o fato de o fiscalizado ter atendido às intimações formalizadas no curso da ação fiscal, não constituem elementos suficientes à redução pretendida, mas, sim, em razão da constatação de que a medida adotada pela Fiscalização foi lastreada, essencialmente, na acusação de fraude contábil e fraude fiscal. A fraude contábil, repiso, não está devidamente caracterizada No que tange ao que a autoridade fiscal denominou fraude fiscal, sua caracterização decorreria, de acordo com o Termo de Constatação Fiscal, da magnitude da omissão de receita apurada. Relativamente a essa magnitude de omissão, contudo, observo que, nos anos submetidos ao procedimento fiscal, 2008, 2009 e 2010, a omissão que tem por suporte os registros feitos nos extratos bancários analisados representam 91%, 89% e 92%, respectivamente, do total submetido à tributação. Cabendo esclarecer que, embora a autoridade autuante tenha desmembrado a omissão de receita apurada por meio dos extratos bancários em duas tipificações (omissão de receita da atividade e depósitos bancários de origem não comprovada), no que diz respeito à receita da atividade, embora entenda que não haja prejuízo à tributação em si, penso que não encontramse reunidos ao processo elementos suficientes à caracterização de prova direta, circunstância essencial para que se promova a exasperação da penalidade. Sou, pois, pela manutenção do arbitramento do lucro e pela redução da multa de ofício, nos casos em que ela foi aplicada, para o percentual de 75%. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Argumenta a Recorrente que o valor pago pelo financiamento aprovado ao adquirente, apesar de ter sido creditado na sua conta bancária, pertencia integralmente a terceiros (vendedores do veículo), sendo a este repassado, em conformidade com os documentos comprobatórios apresentados na impugnação e que agora são reapresentados. Alega que o lucro obtido na operação, na realidade, decorria do recebimento de taxas administrativas e das comissões pagas pelas instituições financeiras pela intermediação no negócio, que variavam entre 0,5% a 3% do valor da venda. Adita, ainda, que: em decorrência do pagamento dessas comissões pelas instituições financeiras, também realizava o refinanciamento de veículos de pessoas físicas, onde era oferecido o próprio veículo como garantia para a obtenção de empréstimo com juros menores aos comumente praticados; apesar de haver movimentação financeira incompatível com a sua escrituração fiscal, tais valores em hipótese alguma se reverteram a seu favor, posto que totalmente repassados para terceiros, sendo ela mera depositária de receitas de terceiros; de uma superficial análise dos extratos bancários (que, segundo alega, foram prontamente entregues ao Fisco), é possível identificar a transferência dos valores creditados pelas instituições financeiras aos vendedores ou proprietários dos veículos financiados ou vendidos em consignação; na maioria das vezes, os pagamentos eram realizados no mesmo dia e, por simples ajustes entre as partes, eram fracionados a fim de viabilizar o saque e a compensação de valores junto às instituições bancárias; foram apresentados na impugnação diversos documentos que atestam a realização da transferência dos valores financiados aos respectivos vendedores, todos retirados dos extratos apresentados à fiscalização; restou comprovado, além disso, que a maioria das transferências e cheques sacados foram creditados para outros estabelecimentos comerciantes de veículos e para as pessoas físicas que lhes gerenciam; somente pode ser considerada como Fl. 3233DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.234 15 “receita” as entradas ou ingressos próprios da empresa, que lhe integram o patrimônio sem qualquer reserva, condição ou compromisso de repasse para terceiros; as entradas creditadas na sua conta corrente, retirada dos seus extratos bancários, são insuficientes para demonstrar a sua receita bruta, tal como preconizado no artigo 532 do RIR/99, vez que os valores computados pelo Fisco não são e não podem ser, em hipótese alguma, enquadrados como receita decorrente da venda de bens ou da prestação de serviços por parte dela; se o Fisco quisesse proceder à tributação de valores de forma correta, haveria de considerar apenas as receitas obtidas com as comissões de venda e/ou produção, cujos valores foram integralmente informados pelas instituições financeiras e podem ser confirmadas nos extratos bancários; na impossibilidade de conhecer a sua receita bruta com base nos extratos bancários apresentados, deveria ter sido efetuado o arbitramento com base nas outras opções legalmente instituídas pelo artigo 535 do RIR/99 e não simplesmente ter considerado como receita valores pertencentes a terceiros; nos termos de súmula editada pelo Tribunal Federal de Recursos, antecessor do Superior Tribunal de Justiça, “é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários.”.Sustenta, ainda, que a simples existência de depósitos em seu nome não pode ser considerada como base de cálculo para fins de incidência de imposto de renda, por não configurar auferimento de renda, acréscimo patrimonial ou mesmo signo presuntivo de riqueza, consoante Sumula TFR nº 182. Diz que, de forma reflexa, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) não pode ser calculada com base em receitas totalmente descabidas, que não demonstram a efetiva existência de lucro auferido. Argumenta que, com muito mais razão, é indevida a exigência de contribuição ao PIS e de COFINS sobre valores pertencentes a terceiros, que transitaram apenas temporariamente na sua conta bancária. Alega que também deve ser declarada nula a exigência de contribuição ao PIS e de COFINS sobre receitas de terceiros que apenas transitaram temporariamente pela conta sua bancária, excluindose da base de cálculo desses tributos os valores repassados a esses terceiros. Discorro, primeiramente, sobre análises e verificações retratadas no Termo de Constatação Fiscal. 1. Comparando a movimentação financeira com os valores declarados e/ou escriturados pela contribuinte, a Fiscalização identificou a seguinte situação: ANO RECEITA BRUTA DIPJ RECEITA BRUTA DACON VENDAS LIVRO DIÁRIO VENDAS LIVRO REGISTRO DE SAÍDAS CRÉDITOS BANCÁRIOS 2008 R$ 21.300,00 R$ 21.300,00 R$ 305.800,00 R$ 305.800,00 R$ 3.267.323,75 2009 R$ 225.199,47 R$ 225.199,47 R$ 2.388.396,00 R$ 2.388.396,00 R$ 6.663.520,52 2010 R$ 0,00 R$ 242.951,71 R$ 1.836.496,00 R$ 1.836.496,00 R$ 7.032.286,38 2. A Recorrente foi intimada a comprovar a origem dos recursos creditados em suas contas correntes bancárias, momento em que foi esclarecido que grande parte dos depósitos havia sido efetuada por instituições financeiras, que informavam que o crédito dizia respeito a pagamento à vista do financiamento ou de comissões e que identificavam a placa do veículo. 3. As informações reunidas (depósitos de instituições financeiras relativos a pagamento de financiamentos e de comissões e a identificação de placas de veículos) Fl. 3234DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.235 16 autorizaram a conclusão de que a maior parte dos créditos bancários derivou de operações de venda de veículos. 4. Os quadros abaixo confirmam a conclusão esposada no item anterior. ANO TOTAL DE CRÉDITOS BANCÁRIOS SUBMETIDOS À INTIMAÇÃO TOTAL DE DEPÓSITOS PROMOVIDOS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS (FINANCIAMENTOS DE VEÍCULOS E COMISSÕES) 2008 R$ 2.955.077,11 R$ 2.358.482,30 2009 R$ 5.635.427,40 R$ 4.994.618,55 2010 R$ 5.994.029,34 R$ 4.664.376,71 5. Abaixo, detalhamento das análises empreendidas pela Fiscalização. ANO 2008 TOTAL DE DEPÓSITOS PROMOVIDOS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS (FINANCIAMENTOS DE VEÍCULOS E COMISSÕES): R$ 2.358.482,30 R$ 1.503.213,00: DEPÓSITOS COM IDENTIFICAÇÃO DA PLACA DO VEÍCULO, SENDO QUE: R$ 1.173.443,00 – COMPROVADA A ASSOCIAÇÃO COM COMISSÕES R$ 48.370,00 – COMPROVADO O REPASSE R$ 281.400,00 – COMPROVAÇÃO INSATISFATÓRIA OU SEM COMPROVAÇÃO R$ 560.900,00: DEPÓSITOS COM IDENTIFICAÇÃO DA PLACA DO VEÍCULO E ASSOCIADOS A COMISSÕES R$ 80.210,54: A CONTRIBUINTE INFORMOU SER REFERENTE A COMISSÕES R$ 153.358,76: SEM IDENTIFICAÇÃO DA PLACA DOS VEÍCULOS, MAS ASSOCIADOS A COMISSÕES R$ 60.800,00: SEM IDENTIFICAÇÃO ANO 2009 TOTAL DE DEPÓSITOS PROMOVIDOS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS (FINANCIAMENTOS DE VEÍCULOS E COMISSÕES): R$ 4.994.618,55 R$ 1.575.100,00: DEPÓSITOS COM IDENTIFICAÇÃO DA PLACA DO VEÍCULO, SENDO QUE: R$ 1.560.100,00 – COMPROVADA A ASSOCIAÇÃO COM COMISSÕES R$ 15.000,00 – SEM COMPROVAÇÃO R$ 1.866.173,11: DEPÓSITOS COM IDENTIFICAÇÃO DA PLACA DO VEÍCULO FEITA PELA PRÓPRIA CONTRIBUINTE E ASSOCIADOS A COMISSÕES R$ 48.095,22: A CONTRIBUINTE INFORMOU SER REFERENTE A COMISSÕES Fl. 3235DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.236 17 R$ 15.200,00: IDENTIFICADOS COMO SENDO A TÍTULO DE REFINANCIAMENTOS R$ 1.235.026,23: SEM IDENTIFICAÇÃO DA PLACA DOS VEÍCULOS, MAS ASSOCIADOS A COMISSÕES R$ 255.023,99: NÃO HOUVE IDENTIFICAÇÃO COM PLACAS OU COMISSÕES, MAS, PARA ALGUNS, HOUVE IDENTIFICAÇÃO DE EMPRESAS DE REVENDA DE VEÍCULOS ANO 2010 TOTAL DE DEPÓSITOS PROMOVIDOS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS (FINANCIAMENTOS DE VEÍCULOS E COMISSÕES): R$ 4.664.376,71 R$ 1.693.524,00: DEPÓSITOS COM IDENTIFICAÇÃO DA PLACA DO VEÍCULO R$ 617.265,00: DEPÓSITOS COM IDENTIFICAÇÃO DA PLACA DO VEÍCULO PELA PRÓPRIA CONTRIBUINTE E ASSOCIADOS A COMISSÕES R$ 26.154,49: A CONTRIBUINTE INFORMOU SER REFERENTE A COMISSÕES R$ 1.944.847,86: SEM IDENTIFICAÇÃO DA PLACA DOS VEÍCULOS, MAS ASSOCIADOS A COMISSÕES R$ 382.585,36: NÃO HOUVE IDENTIFICAÇÃO COM PLACAS OU COMISSÕES, MAS, PARA ALGUNS, HOUVE IDENTIFICAÇÃO DE EMPRESAS DE REVENDA DE VEÍCULOS 5. Os elementos colhidos tornam indubitável a conclusão de que os créditos bancários, em sua maior parte, derivaram de operações com veículos, fato inclusive confirmado pela própria Recorrente. 6. Em virtude da alegação da Recorrente de que alguns valores que transitaram pelas suas contas bancárias não eram referentes a veículos por ela comercializados, mas, sim, por outras empresas, que serviamse de seus serviços apenas para a obtenção de financiamentos e refinanciamentos dos veículos, de modo que os valores depositados eram repassados ao verdadeiro alienante, foram analisados os extratos bancários e efetivamente identificados valores totalmente repassados a terceiros. 7. Os valores submetidos à tributação foram os seguintes (em R$): 2008 2009 2010 OMISSÃO DE RECEITA INTERMEDIAÇÃO 259.663,80 521.159,87 423.259,86 OMISSÃO DE RECEITA REVENDA DE MERCADORIAS 1.919.451,76 3.736.510,81 4.571.306,56 OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA 596.594,81 640.808,85 632.304,63 Penso que as análises antes descritas, promovidas pela autoridade autuante, revelam ter havido um adequado tratamento das informações colhidas no curso da ação fiscal, de modo que as informações apresentadas no Termo de Constatação Fiscal indicam que os Fl. 3236DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.237 18 valores que a Recorrente alega que foram repassados a terceiros, quando adequadamente comprovado o referido repasse, foram excluídos de tributação. Nesse sentido, inclusive, reproduzo, a exemplo do que foi feito em primeira instância, pronunciamento da autoridade fiscal acerca da análise empreendida. ...todos os elementos apresentados pela contribuinte foram analisados conjuntamente com os extratos bancários apresentados, créditos e débitos, sendo possível a identificação de valores que foram totalmente repassados a terceiros (em grande parte dos casos a revendedoras de veículos, concessionárias e outros) em datas similares e em valores coincidentes. Essa análise foi feita de maneira criteriosa e seletiva, não deixando de ser razoável ao considerar a dinâmica do mercado à época dos acontecimentos. No que diz respeito aos documentos apresentados em sede de recurso, que a própria Recorrente afirma que são os mesmos que foram trazidos por ocasião da interposição da peça impugnatória, o ato decisório recorrido assinala, in verbis: No caso sob exame, a Fazenda Pública escorou seu procedimento nos documentos fornecidos pelo próprio fiscalizado, no curso do procedimento fiscal. A documentação juntada aos autos não dá suporte, por si só, a suas alegações, porquanto não tem o condão de comprovar e desqualificar os fundamentos utilizados pelo Fisco no lançamento, na medida em que é incapaz de infirmar o feito fiscal, contrariando o disposto nos artigos 15 e 16, caput, III, do Decreto n° 70.235/72. Acrescentese a isso, como já salientado, que a fiscalização deu diversas oportunidades, no curso do procedimento fiscal, para a contribuinte, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, inclusive e necessariamente, as Notas Fiscais de Saída e de Entrada, a justificar/comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias, e esta não o fez. Fica patente que a contribuinte teve plena ciência dos fatos e a ela foram dadas todas as oportunidades para se manifestar/esclarecer sobre os valores movimentados/creditados em suas contas correntes, o que, frisese, em momento algum foi feito, inclusive agora, na peça de defesa apresentada. Nos exatos termos do que foi nela assinalado, à impugnação a contribuinte anexou os seguintes documentos: 1 Procuração e documentação societária; 2 Marketing de refinanciamento de veículos; 3 Documentos de quitação de veículos para refinanciamento; 4 Documentos de refinanciamento veículos e planilha de veículos refinanciados em 2008; 5 Documentos de exemplos de veículos financiados para terceiros; 6 Comprovante TED, DOC., etc. para outros estabelecimentos comerciantes de veículos; Fl. 3237DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.238 19 7 Comprovante TED, DOC., etc. para pessoas físicas sócias de estabelecimentos comerciantes de veículos; 8 Planilhas com demonstração da apuração adequada de algumas competências de 2008; 9 Matérias sobre queda na venda de veículos usados; 10 DIPJ; 11 Declaração de imposto de renda da pessoa física. Referida documentação, embora parte dela possa concorrer para demonstrar que parcela dos recursos que transitaram pelas contas bancárias da Recorrente pertencia a terceiros, diante da forma como foi apresentada (sem esclarecimentos específicos sobre a operação que o documento retrata, sem a vinculação com o crédito bancário correspondente e sem a comprovação de que o referido crédito bancário foi submetido à tributação pela Fiscalização), não torna possível qualquer conclusão acerca da existência de valores indevidamente tributados por meio dos autos de infração lavrados. Penso que, no caso, a Recorrente deveria, ainda que por amostragem, identificar créditos bancários submetidos à tributação de ofício, esclarecer de forma clara a natureza das operações que lhes deram causa e apontar os documentos de suporte. Na forma como a documentação foi reunida, como dito, ainda que isoladamente ela possa representar indício de prova de que recursos creditados em suas bancárias foram transferidos para terceiros, entendo que não é possível nem mesmo identificar as parcelas que ela julga não serem passíveis de tributação. Não obstante afirmação expressa em sentido contrário por parte da própria Recorrente, ainda que se identifique alguma variação na documentação trazida juntamente com a peça recursal, ela, a documentação, apresenta as mesmas deficiências antes referenciadas. Destaco que, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 3 (fls. 17/20), a Fiscalização oportunizou à contribuinte momento para que ela apresentasse os esclarecimentos e os documentos que julgava pertinentes para justificar os vultosos créditos promovidos em suas contas bancárias por instituições financeiras, indicando, inclusive, de forma detalhada, os montantes objeto da intimação (anexos, fls. 21/48), e, como já dito, a autoridade fiscal, apreciando as informações e documentos apresentados (inclusive a planilha anexada ao recurso com a denominação COMPROVANTES DE TRANSFERÊNCIAS – 2008), excluiu de tributação os valores que, a seu juízo, foi possível comprovar o correspondente repasse a terceiros. Vêse, pois, que no momento adequado (curso da ação fiscal), eis que presentes meios além dos que o processo administrativo em si permite, os esclarecimentos e documentos que, basicamente, a Recorrente pretender ver apreciados em sede defesa, foram devidamente analisados pela autoridade fiscalizadora. Decorre daí repisar que, ao apresentar a impugnação e até mesmo o recurso, o que a contribuinte deveria ter feito, e não fez, era demonstrar, ainda que por meio de amostra representativa, que parte substancial dos créditos a ela imputados, por presunção legal e em razão de informações contidas nos correspondentes extratos, como receitas omitidas, efetivamente diziam respeito a recursos que não lhe pertenciam. Fl. 3238DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13888.720465/201317 Acórdão n.º 1301001.715 S1C3T1 Fl. 3.239 20 A pretensão de submeter à autoridade administrativa julgadora documentos e esclarecimentos que deveriam ter sido apresentados no curso da ação fiscal, eis que oportunizado prazo para tal, sem que nem mesmo seja demonstrado que os créditos bancários correspondentes foram submetidos à tributação, a meu ver, não pode ser recepcionada. No que diz respeito ao argumento de que “é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários.”, assinalo que, à luz da legislação de regência, tal argumento não pode mais ser recepcionado. Com efeito, a partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações” (art. 42, caput). No caso sob apreciação, em que, em razão das deficiências detectadas na escrituração da Recorrente, o lançamento tributário foi efetuado com base no lucro arbitrado, o procedimento da Fiscalização de considerar como receita conhecida os créditos bancários cuja origem não restou devidamente comprovada, amoldase, por completo, à presunção trazida pelo ato legal referenciado. A súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, referenciada na peça recursal, diz respeito a fatos ocorridos antes da entrada em vigor da Lei nº 9.430, de 1996, acima mencionada, descabendo, pois, a sua aplicação aos fatos geradores que serviram de suporte para os lançamentos tributários ora sob exame. No que tange aos lançamentos tributários denominados decorrentes ou reflexo (CSLL, PIS e COFINS), na medida em que foram efetuados com base nos mesmos elementos que serviram de suporte para a formalização da exigência dita principal, como é cediço, aplicase o decidido nesta. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso tão somente para reduzir a multa para o percentual de 75%. É como voto. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 3239DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000510/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
CONCOMITÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Pública antes ou após a autuação com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência do recurso interposto, na forma do art. 38 da Lei 6.830, de 1980 e Súmula n° 1, do Carf.
Numero da decisão: 2101-002.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, para declarar a definitividade na esfera administrativa do crédito tributário lançado, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator
(assinado digitalmente)
MARIA CLECI COTI MARTINS Declaração de Voto
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eduardo de Souza Leão, Maria Cleci Coti Martins, Daniel Pereira Artuzo e Heitor de Souza Lima Junior (Relator).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 CONCOMITÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Pública antes ou após a autuação com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência do recurso interposto, na forma do art. 38 da Lei 6.830, de 1980 e Súmula n° 1, do Carf.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15983.000510/2010-18
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448213
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2101-002.725
nome_arquivo_s : Decisao_15983000510201018.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 15983000510201018_5448213.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, para declarar a definitividade na esfera administrativa do crédito tributário lançado, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator (assinado digitalmente) MARIA CLECI COTI MARTINS Declaração de Voto Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eduardo de Souza Leão, Maria Cleci Coti Martins, Daniel Pereira Artuzo e Heitor de Souza Lima Junior (Relator).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5879310
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706605191168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1875; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 1.505 1 1.504 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.000510/201018 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.725 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2015 Matéria IRRF Recorrente INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO SANTA CECÍLIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 CONCOMITÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Pública antes ou após a autuação com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência do recurso interposto, na forma do art. 38 da Lei 6.830, de 1980 e Súmula n° 1, do Carf. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, para declarar a definitividade na esfera administrativa do crédito tributário lançado, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR – Relator (assinado digitalmente) MARIA CLECI COTI MARTINS – Declaração de Voto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 05 10 /2 01 0- 18 Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2101002.725 S2C1T1 Fl. 1.506 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eduardo de Souza Leão, Maria Cleci Coti Martins, Daniel Pereira Artuzo e Heitor de Souza Lima Junior (Relator). Relatório Tratase de lançamento de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 16.587.950,53, bem como de multa isolada no valor de R$ 12.440.961,72 e juros isolados no valor de R$ 6.550.660,00, os quais atingiam o montante de R$ 35.579.572,25 à época do lançamento, cientificado em 28/07/2010 (efls. 02 a 100). Iniciouse a apuração fiscal, consoante Termo de Constatação e Verificação fiscal de efls. 101 a 112, a partir de Representação Fiscal de Descaracterização da Imunidade Tributária da autuada, efetuada no âmbito do Processo Administrativo 15983.000817/200985, detalhadamente descrita em excertos de efls.103 a 106. Além da referida Representação, que culminou com a posterior suspensão de imunidade da entidade fiscalizada, com fulcro no Ato Declaratório Executivo DRF/Santos no. 72, de 22 de dezembro de 2009 (vide despacho decisório de efls 329 a 341 e ADE de efl. 342), foram constatadas, no curso da ação fiscal, pela autoridade autuante, irregularidades quanto ao número de bolsas concedidas no programa PROUNI, tanto quanto ao número de bolsas distribuídas quanto à renda per capita dos beneficiários do programa (efls. 107 a 110 e demonstrativos de efls. 113 a 160). Com base na suspensão da referida imunidade, a autoridade autuante tributou, a título de pagamento a beneficiário não identificado, despesas incorridas pela autuada no período de Agosto de 2005 (08/2005) a Dezembro de 2007 (12/2007), consideradas como não necessárias à atividade da instituição e caracterizadas como sem causa, pagas a empresas cujo quadro societário era integralmente de diretores da autuada, a saber, TSL Assessoria Educacional – CNPJ 07.006.967/000120 e NCM Promoções e Eventos Ltda. – CNPJ 06.989.443/000133, deduzidos o Imposto de Renda Retido na Fonte e as contribuições sociais retidas, com fulcro no art. 30 da Lei no. 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (efls. 161 a 226). Insurgindose contra a autuação, o contribuinte apresentou impugnação de e fls. 528 a 655, onde, em síntese, conforme muito bem relatado pela autoridade de 1a. instância, cujo excerto do Relatório de efls. 715 a 717 aqui reproduzo, alegava: “(...) a) que existe nulidade processual a ser acatada, em face de irregularidades na emissão, reemissão e ciência do MPF (Mandado de Procedimento Fiscal), que lastreou o procedimento fiscal (transcreve jurisprudência); Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2101002.725 S2C1T1 Fl. 1.507 3 b) invalidade da ação fiscal, em razão de inobservância das Portarias nos 500/1995 e 3.007/2002, da RFB e que se referem a critérios e motivação para seleção de contribuintes a serem fiscalizados (cita normativos e doutrina); c) nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, tendo em vista ter recebido tão somente os autos de infração, o demonstrativo consolidado do crédito tributário e o termo de encerramento. Segundo suas literais palavras, "nenhuma cópia das "Novas" em que diz estar apoiada a autuação lhe foi fornecida" (destaque no original). Cita doutrina e jurisprudência; d) ser impossível a constituição de crédito tributário em face da existência de ação judicial, destacando ser pacifico na jurisprudência administrativa que questões levadas a juízo perdem seu objeto na esfera administrativa. Transcreve doutrina e jurisprudência que entendeu pertinentes; e) que a MP n° 446/2008 renovou, de forma incondicional e definitiva, a condição de entidade beneficente de assistência social do ISESC e que esta renovação atingiu a própria imunidade tributária da instituição; f) que a desvinculação da defendente do programa PROUNI, "promovida pelo I. AFRFB é totalmente improcedente, visto que, nos termos da legislação vigente, tal atribuição, se fosse caso, não seria da competência de servidor da SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, mas sim do MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, perante o qual o IMPUGNANTE se encontra em perfeita regularidade" (todos os destaques do original); g) que "nos anos de 2006 e 2007, de uma receita de R$ 80.783.091,30 e R$ 80.650.513,03. respectivamente, o ISESC, mesmo depois da adesão a esse programa [PROUNI], em atendimento aos seus objetivos institucionais, e também em obediência a legislação de filantropia, concedeu bolsas de estudos a alunos carentes no montante de R$ 17.907.132,00 e R$ 17.810.850,42. também respectivamente, o que representa 22,17% e 22,08% da sua receita bruta. Vale dizer, se assim agia, nenhuma razão válida existiria para não cumprir as suas responsabilidades perante o PROUNT' (todos os destaques do original); h) que, "o que ocorreu, efetivamente, e foi devidamente justificado perante o MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, é que aderiu ao programa oferecendo, exclusivamente, bolsas de 100% (integrais), o que lhe trouxe grandes dificuldades para preencher o número exigido de bolsas, em face da ausência de demanda, da evasão e da inexistência de orientação pertinente por parte daquele órgão, tudo demonstrado no documento que lhe foi dirigido (doc. n° 09 apenso)" (todos os destaques do original); i) que, "em face dos irreais critérios estabelecidos pelo próprio MEC (..) o ISESC viuse na impossibilidade de preencher o número de bolsistas do PROUNI, o que foi admitido por aquele Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2101002.725 S2C1T1 Fl. 1.508 4 Ministério e levou a assinatura do "TERMO DE COMPROMISSO N° 33/2009 — DIPES/SESu/MEC", destinado a permitir a regularização da situação (doc. n° 10)" (todos os destaques do original). Prossegue discorrendo sobre a incompetência legal de servidor da Receita Federal para descaracterizar a adesão da entidade ao PROUNI, transcrevendo o artigo 9°, da Lei n° 11.096/2005, destacando que, nos termos do § 1o, do referido artigo 9°, as penas previstas no caput "serão aplicadas pelo Ministério da Educação, nos termos do disposto em regulamento, após a instauração de procedimento administrativo, assegurado o contraditório e direito de defesa". (sublinhado na defesa da contribuinte). E acrescenta: "uma vez observada a involuntária inobservância das regras estabelecidas para o PROUNI, o MEC, no lídimo exercício da sua competência e após instaurado o competente procedimento administrativo, onde foram assegurados o contraditório e o direito de defesa, entende que deveria aplicar, ao ISESC, a pena prevista no artigo 9°, Inciso I, da referida lei, o que fez mediante o "TERMO DE COMPROMISSO" ad anteriormente referido na impugnação" (destaques da impugnante). Aduz ainda: "diante das mesmas irregularidades, apuradas pelo MEC, o I. AFRFB usurpando uma competência que não era sua, por força do disposto no § 1° do artigo 9° ("As penas previstas no caput deste artigo "serão aplicadas pelo Ministério da Educação...') e mediante abuso de poder, isto é, sem permitir ao IMPUGNANTE o exercício do direito de defesa, mediante procedimento administrativo em que lhe fosse assegurado o contraditório, houve por bem imporlhe uma segunda pena pela mesma falta, qual seja, a suspensão da isenção do imposto e contribuições mencionados no artigo 8° da mesma Lei. Em resumo, a exigência tributária de que trata o auto de infração ora impugnado é absolutamente nula, seja porque a suspensão da isenção foi efetivada com total inobservância das disposições legais vigentes, seja porque impõe uma segunda penalidade para as mesmas pretensas irregularidades que teriam sido praticadas pelo ISESC, sem darlhe condições de defesa, como exigido por essas mesmas disposições legais" (destacado pela defesa). Concluindo este tópico de sua defesa, a contribuinte reproduz manifestações que fez ao longo do procedimento fiscal, alertando ao condutor do feito para o que chama de "abuso de autoridade" e "prática do crime de excesso de exação", transcrevendo o artigo 4°, da Lei n° 8.429/92, destacando que a exclusão do ISESC do programa PROUNI e a autuação subseqüente, por força da ação fiscal efetuada, implicará em promover, contra o Agente Fiscal, "a competente "notitia criminis" ao Ministério Público Federal, pela prática do crime acima referido [excesso de exação]". E assevera, finalmente, que "eventual exigência tributária, efetivada com base na desvinculação do ISESC do PROUNI, será, igualmente, alvo de Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2101002.725 S2C1T1 Fl. 1.509 5 representação ao Ministério Público Federal, visto que tal desvinculação foge à competência dessa R. Fiscalização". Continua a defesa dissertando sobre seu entendimento acerca dos fatos a ela impingidos, destacandose em síntese: j) que se viu tributada nos "valores discriminados no auto de infração lavrado, correspondentes aos fatos geradores 01/08/2005 a 28/12/2007 a titulo de "OUTROS RENDIMENTOS — BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO —FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO com infringência do disposto nos artigos 674 do RIR/99 e 61 da Lei n°8.981/95" (destaque no original); k) que não procede a tributação a esse titulo e que os pagamentos a beneficiários não identificados tiveram seu destino "perfeitamente reconhecido", as empresas TSL e NCM (traz jurisprudência do CARF, que entendeu pertinente, assim como doutrina de Antônio Airton Ferreira e outros); 1) que, por força do entendimento jurisprudencial e doutrinário, "mesmo que não identificados os beneficiários dos pagamentos, descaberia a exigência do Imposto de Renda nos moldes em que foi feita, visto inexistir fato gerador correspondente a esse tributo, tendo sido instituída, mediante o aludido artigo 61 da Lei n° 8.981/95, uma efetiva penalidade, o que é vedado pelo artigo 3° do CTN" (que transcreve); m) que, "portanto, verificase que o lançamento tributário efetuado, além de ter incidido sobre pagamentos efetuados a pessoas jurídicas perfeitamente identificadas, o que afasta a incidência do artigo 674, caput, do RIR/99 (artigo 61, caput, da Lei n°8.981/95), o foi com erros que recomendam a sua anulação". (...)” A DRJ/Campinas, autoridade julgadora de 1a. instância, ao analisar a impugnação do contribuinte, optou por julgála improcedente, na forma do Acórdão 0534.276, de efls. 710 a 741, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2005 a 28/12/2007 Nulidade. Improcedência. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. O MPF é mecanismo de controle administrativo e o prazo de 180 dias, nele previsto, para execução das auditorias por parte da fiscalização da Receita Federal, pode ser prorrogado tantas vezes quantas necessárias, Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2101002.725 S2C1T1 Fl. 1.510 6 sendo válidas as prorrogações feitas tempestivamente, por meio eletrônico. Seleção de Contribuintes e Motivação da Fiscalização. Ato Discricionário da Administração. Inseremse dentro dos chamados "atos discricionários" da administração pública a seleção de contribuintes a serem fiscalizados pela Receita Federal, bem como a motivação para tal ato. Sendo a seleção realizada com observância dos princípios constitucionais de impessoalidade, interesse público, imparcialidade, finalidade, razoabilidade e justiça fiscal, não há que se falar em nulidade ou qualquer excesso à lei. Cerceamento de Defesa. Inexistência. Tendo a autuada revelado conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Matéria sob Apreciação Judicial. 0 impedimento a que julgadores administrativos manifestemse acerca de matérias submetidas ao crivo do Judiciário só se concretizam se o tema debatido tiver a mesma substância, o que se não se visualiza nos autos presentes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Período de apuração: 01/08/2005 a 28/12/2007 Pagamentos a Beneficiários não Identificados ou Pagamentos sem Causa. Cabimento. Artigo 61, da Lei n° 8.981/1995. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado sujeitarseá à incidência do imposto de renda retido na fonte, de forma exclusiva, à aliquota de 35%, sobre base de cálculo reajustada. Tal regra, na forma do § 1 0, do artigo 61, da Lei n° 8.981, de 1995, aplicase também aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular da entidade, quando não comprovada a operação ou a sua causa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2101002.725 S2C1T1 Fl. 1.511 7 Cientificado da decisão em 30/01/12 (efl. 1405), o contribuinte apresenta, em 27/02/12, o Recurso Voluntário de efls. 1406 a 1480, onde repisa as argumentações tecidas em sede de impugnação, optando, porém, por adicionar, para cada um dos 13 itens, considerações acerca da decisão de 1a. instância, da seguinte forma: Preliminarmente: a´) Alega, em complemento ao item “a” do Relatório do Acórdão de Impugnação adotado, que a decisão recorrida deixou de examinar o fato de que o MPF e suas alterações não apontam, em momento algum, no seu objeto, a avaliação dos requisitos das imunidades tributárias relativas aos impostos (art. 150, VI, “c”, da CF), nem das contribuições sociais (art. 195, §7o., da CF), trazendo doutrina acerca do tema que sustentaria seu posicionamento; b´) Alega, em complemento ao item “b” do Relatório do Acórdão de Impugnação adotado, que a decisão recorrida, ao longo de efls.722 a 727, deveria ter apontado em qual programa de fiscalização fora incluído o recorrente, ou, então, no caso de inexistência desse programa, apontar o ato do Coordenador Geral de Fiscalização que autorizou a fiscalização contra ele realizada, reiterando, novamente, a necessidade de observância aos arts. 1o. das Portarias SRF 500/95, 3.007/01 e RFB 11371/07, bem como ao Decreto 1.171/94, bem como aos princípios da publicidade, impessoalidade, da imparcialidade e do interesse público; c´) Alega, em complemento ao item c) do Relatório do Acórdão de Impugnação adotado, que se discutiu exclusivamente os aspectos jurídicos da autuação, insurgindose contra a possibilidade, levantada pela autoridade julgadora de 1a. instância, de obtenção por parte de cópias pelo recorrente, uma vez que entende que estaria assim cerceado o direito de defesa pela redução do prazo de 30 dias, alegando terem sido sonegados elementos indispensáveis à comprovação do ilícito, citando a inexistência de demonstrativo relativo ao reajustamento da base de cálculo promovido com fulcro no art. 61 da Lei 8981/95 como exemplo. Reitera assim a argumentação de nulidade por cerceamento de seu direito de defesa; d´) Alega, em complemento ao item “d” do Relatório do Acórdão de Impugnação adotado, que o Agravo de Instrumento citado pela decisão recorrida já foi decidido, bem como existir resposta em sentido diverso da mesma PGFN/Santos a outra consulta, agora formulada pelo INSS (doc. 3 anexo à impugnação), no sentido de existir óbice à constituição do crédito tributário em questão; e´) Alega, em complemento ao item “e” do Relatório do Acórdão de Impugnação, que a liminar mencionada pelo julgador de 1a. instância foi denegada em Mandado de Segurança que não guarda relação com o período alvo da autuação e que tratase de ato não definitivamente julgado, reiterando seu entendimento que a existência de CEAS renovado abrangendo o período fiscalizado caracterizaria sua imunidade; No Mérito f´) Em complemento aos itens “f”, “g”, “h” e “i” do Relatório do Acórdão de Impugnação, que se referem à descaracterização à adesão da contribuinte ao Programa PROUNI, realizada pela autoridade autuante, acrescenta ao teor da impugnação que, a partir do teor do §9o. do art. 32 da Lei no 9.430, de 24 de dezembro de 1996, o presente processo deveria ter sido anexado ao Processo Administrativo de no 15983.000817/200985, para fins de julgamento conjunto, argüindo então nulidade pelo fato deste rito não ter sido observado pelo Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2101002.725 S2C1T1 Fl. 1.512 8 julgamento de 1a. instância. Faço notar que, assim, aduz o contribuinte aqui, em aditamento à argumentação de mérito, nova argumentação preliminar a qual deve ser assim tratada no âmbito da presente decisão; g´) Alega, em complemento, aos itens “j”, “k”, “l” e “m” acima que a autoridade administrativa não se manifestou acerca de sua alegação de não ocorrência do fato gerador com fulcro no art. 674 do RIR/99, alegando, ainda, que o julgador tentou suprir a deficiência da capitulação legal, uma vez que a autuação, uma vez estando os beneficiários dos pagamentos perfeitamente identificados, não poderia ter sido a autuação realizada com fundamento no caput do art. 61 da Lei no 8.981, de 1995, mas se efetivamente existente a infração, sua capitulação teria de se dar no §1o. do referido art. 61, tendo ocorrido, em seu entendimento, hipótese de nulidade por erro de capitulação legal. Assim, requer que seja dado provimento ao recurso para desobrigálo do recolhimento de quaisquer quantias. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Preliminarmente: Não obedeço a ordem das preliminares apresentada pelo Recorrente, por entender, por economia processual, que se deva analisar com prioridade aquelas que envolvam elementos que possam prejudicar o conhecimento do recurso. Nesta esteira, verifico do teor dos autos : 1. Quanto à existência de ação judicial impeditiva do feito (itens d e d´ do presente Relatório): a.1) É cediço, na forma do Termo de Verificação Fiscal (efl. 111), que o lançamento sob análise decorreu da suspensão da imunidade constitucional que a contribuinte gozava, realizada no âmbito do Processo Administrativo 15983.000817/200985, in verbis: “(...) O presente lançamento tributário é decorrente da suspensão da imunidade constitucional sobre impostos que o contribuinte pretensamente gozava, em virtude da decisão prolatada no Processo Administrativo n° 15983.000817/200985, referente a defesa prévia apresentada pela instituição ISESC, contra Notificação Fiscal de 11/11/2009, "que propôs a suspensão de sua imunidade tributária no período de 2003 a 2007, face as irregularidades por ela praticadas, que violam as disposições legais que regem a fruição do beneficio.” Ainda a propósito, verifico a partir do teor Ato Declaratório Executivo DRF Santos no. 72, de 2009, de efl. 342, que está a se tratar, ali, naquele outro feito administrativo, de forma nítida, da suspensão da imunidade prevista no art. 150, VI, “c” da Constituição por inobservância das disposições legais contidas no Artigo 14 da Lei n° 5.172, de 1966— Código Tributário Nacional (g.n.) e, ainda, no § 2° da Lei n° 9.532, de 1997. Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2101002.725 S2C1T1 Fl. 1.513 9 a.2) Por sua vez, verifico que, no âmbito de sua argumentação preliminar de nulidade por impossibilidade de constituição do crédito dada a existência de ação judicial, argumentação esta constante do pleito impugnatório e também do pleito recursal sob análise (respectivamente, itens 3.9 e 5.1.9), é mencionada a existência de ação declaratória em curso que abrangeria “impostos federais”, autuada na Justiça Federal de Brasília sob o no 2009.34.00.0122992 (alínea “c” do item 3.9 de efl. 546 na impugnação e alínea “c” do item 5.1.9 de efl. 1436 no Recurso Voluntário). Noto, ainda, a propósito, ter restado silente a autoridade julgadora de 1a. instância quanto à referida ação judicial quando de sua análise do referido item recursal, que pode ser encontrada às efls. 731 a 734. Destarte, em se tratando, no presente feito, de lançamento de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, entendo ser de se analisar os efeitos da referida ação declaratória 2009.34.00.0122992 no âmbito do presente, previamente à análise da argumentação preliminar propugnada pelo recorrente de extensão de efeitos do Processo no. 1999.61.04.0052998 (que trata da existência da imunidade prevista no art. 195, §7o. da CF, que se refere às contribuições sociais), uma vez se estar aqui diante de questão que pode se relacionar não só à preliminar de nulidade arguída, mas, sim, também a decisão acerca do conhecimento ou não do recurso, por eventual concomitância entre as vias administrativa e judicial. a.3) Noto, ao compulsar o teor das peças da declaratória anexadas pelo impugnante (doc. 06 anexo à impugnação, de efls. 594 a 635), que a referida ação 2009.34.00.0122992 tenciona obter, inexoravelmente, o reconhecimento do atendimento aos requisitos previstos no art. 14 do CTN para fins do exercício, pela autuada, junto à União, da imunidade prevista no art. 150, VI, “c” da CF, demandandose ali, de forma expressa, a União a se abster da cobrança de qualquer crédito tributário relacionado aos tributos abrangidos pela imunidade, contendo, inclusive, a referida ação declaratória, a mesma argumentação constante da alínea “a” dos referidos itens 3.9 da impugnação de efl. 546 e 5.1.9 de efl. 1436, no sentido da imunidade constante do art. 150, VI, “c” da Constituição “estar contida” dentro da imunidade constante do art. 195, §7o. do texto maior. A partir do exposto, ainda que a mencionada ação declaratória não se refira expressamente ao ato suspensivo que sustentou a autuação (ADE 72, de 2009 de efls. 342) ou, mesmo, ao presente auto de infração (visto que ambos foram emitidos posteriormente à propositura da ação), entendo que se está diante de caso de identidade de objeto entre as vias administrativa e judicial, por estarem abrangidos no mencionado pleito judicial tanto a imunidade que, uma vez suspensa, originou o presente auto, bem como o questionamento aos créditos tributários lançados no âmbito do presente, cuja abstenção de quaisquer atos de cobranças, notese, é matéria indubitavelmente constante, novamente, a meu ver, de forma expressa, do pedido daquela ação declaratória 2009.34.00.0122992, conforme se verifica a partir dos seguintes itens do pedido constantes da inicial (efls. 631/632): “ (...) b) Em sede de tutela antecipada seja reconhecida a nulidade absoluta do ato suspensivo proferido nos autos do processo administrativo 10845.004531/9861, declarar, in limine, a imunidade do autor, nos termos do art. 150, VI, "c" da Constituição Federal de 1988, c/c art. 14 do CTN (g.n.) e cominar a ré a absterse de praticar quaisquer atos de Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2101002.725 S2C1T1 Fl. 1.514 10 cobranças dos tributos abrangidos pela imunidade apontada até o julgamento final da lide; (...) Ao final, a confirmação da tutela antecipada, para anular a eficácia do ato suspensivo proferido nos autos do processo administrativo n° 10845.004531/9861, declarar, in limine, a imunidade do autor, nos termos do art. 150, VI, "c" da Constituição Federal de 1988, c/c art. 14 do CTN e cominar a ré a absterse de praticar quaisquer atos de cobranças dos tributos abrangidos pela imunidade apontada; (g.n.) De se ressaltar, por fim, a identidade constatada entre o pedido acima e aquele constante do pleito impugnatório e recursal (efls. 565 e 1463), no sentido de “desobrigálo do recolhimento” de qualquer quantia a título de IRRF oriundo do presente lançamento, que decorreu, de forma expressa, da suspensão de imunidade ali mencionada, na forma da acusação de efl.111, já anteriormente reproduzida. Assume a fiscalização, de forma nítida, a meu ver, em sua acusação, que o lançamento decorre da suspensão de imunidade, daí inclusive seu trabalho extenso de descaracterização da imunidade, inclusive no que tange ao descumprimento dos requisitos do PROUNI. A título informativo, em consulta ao site da Justiça Federal de Brasília e, posteriormente, ao site da TRF da 1a. Região, verifico permanecer o feito judicial (número inicial 2009.34.00.0122992) em questão em andamento, estando agora autuado naquele Tribunal sob o número 001221865.2009.4.01.3400, pendente de apreciação em sede de apelação juntamente com o Agravo de Instrumento 2009.01.00.0281501 (Nova numeração no TRF 002749454.2209.4.01.0000), também vinculado à mesma ação, ambos aos cuidados do Desembargador Federal José Amilcar Machado. Assim, entendo de se aplicar ao caso o art. 38, §único da Lei no 6.830, de 1980 , cuja aplicação à presente instância recursal encontrase solidamente pacificada neste Conselho, na forma da Súmula CARF no. 01, e cujo efeito, contrariamente ao que quer fazer crer o recorrente, não é o de cancelamento do lançamento e do presente processo mas, sim, o de renúncia à presente instância recursal, clamandose, assim, pelo não conhecimento do pleito recursal do contribuinte, in verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. De todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. Ad argumentandum tantum, caso reste vencido no que diz respeito ao não conhecimento do pleito recursal, passo a analisar as preliminares, pedindo vênia aos demais Conselheiros para, novamente, priorizar preliminar de nulidade que entendo como prejudicial às demais, qual seja, aquela que envolve a argumentação do contribuinte de necessidade de julgamento do presente processo em conjunto com o de no 15983.000817/200985. Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2101002.725 S2C1T1 Fl. 1.515 11 A propósito, reproduzo aqui, novamente, o teor do §9o. do art. 32 da Lei no 9.430, de 1996, mencionado pelo contribuinte e ao qual reconheço vigência e aplicabilidade ao caso em questão, verbis: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2101002.725 S2C1T1 Fl. 1.516 12 quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. § 11. Somente se inicia o procedimento que visa à suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após trânsito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral. ( Incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 ) § 12. A entidade interessada disporá de todos os meios legais para impugnar os fatos que determinam a suspensão do benefício. ( Incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 ) Ainda que reconheça não ter sido adotado o rito previsto no §9o. entendo que é de se afastar a alegação de nulidade intentada pelo recorrente. Alinhome ao entendimento manifestado pelo Excelso Pretório (Min. Dias Toffoli, no âmbito do RE 545.248), no sentido de que: “(...) A premissa maior das nulidades se encontra no prejuízo para uma das partes. independentemente de que tipo de nulidade se trate, seja relativa, seja absoluta, se dela não resultar prejuízo , ela não será declarada.” Aplicandose tais considerações ao caso fático, não vislumbro qualquer prejuízo à recorrente pelo fato das decisões em questão (afetas ao presente feito e ao Processo no. 15983.000817/200985) terem se dado com o lapso temporal de aproximadamente um mês, considerando aqui, em especial, o fato de ambas terem chegado a conclusão semelhante, no sentido de inexistência da imunidade pleiteada pelo contribuinte e conseqüência exigibilidade dos créditos sob litígio no presente feito. Assim, rejeito sua argumentação de nulidade Tal entendimento, notese, já foi anteriormente referendado no âmbito deste CARF, como se depreende da ementa do Acórdão 330200.460, da 2a. Turma Ordinária da 3a. Turma da 3a. Seção de Julgamento, datado de 27 de março de 2014, com ementa a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 Ementa: JULGAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO EM MOMENTO DIVERSO DO JULGAMENTO DO ATO ADMINISTRATIVO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE . Se o julgamento do Auto de Infração se der em momento posterior ao julgamento do Ato Administrativo de Suspensão da Imunidade observando na espécie o que foi ali decidido, garantindo à contribuinte a segurança jurídica, a ampla defesa e o contraditório, inexiste motivação para se declarar a nulidade do lançamento, que foi efetuado sem os vícios previstos no art. 59 do Decreto 70.235/72. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE, EFETIVIDADE. MOMENTO DA EFICÁCIA DO AUTO. O auto de infração somente pode ser cientificado ao sujeito passivo quando a suspensão tiver se tornado efetiva, ou seja, houver sido notificada. A ciência concomitante da decisão de suspensão e do auto de infração não Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2101002.725 S2C1T1 Fl. 1.517 13 descumpre o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430/96. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. VINCULAÇÃO. Restado mantida a suspensão de imunidade em julgamento definitivo formalizado em outro processo, tal decisão vincula o julgamento do lançamento dele decorrente. Recurso Voluntário Negado. Todavia, entendo, ressaltando mais uma vez a aplicabilidade do referido §9o. ao caso e a intenção do mesmo de evitar decisões jurídicas conflitantes agora no julgamento de 2a. instância, que se deva, a esta altura, reunir ambos os feitos para julgamento, uma vez tendo sido comprovado por este relator que o feito de no 15983.000817/200985 encontrase ainda pendente de distribuição junto à 1a. Seção deste CARF. Sustento ainda tal posicionamento pelo fato do mesmo não violar meu entendimento no sentido de que, no âmbito deste Conselho, os casos de eventual reunião para fins de julgamento de processos conexos hipótese à qual se subsume o par de processos aqui tratado, haja vista se caracterizar, inclusive, identidade de provas entre os mesmos (p.ex. o MPF que originou ao presente auto se encontra encartado no processo 15983.000817/200985) – devem se limitar à redistribuição de processo conexo, caso o outro feito reste não distribuído, de forma a que não reste violado o estabelecido pelo art. 47 do Regimento Interno deste Conselho (conexão reconhecida antes da distribuição). Assim, caso vencido quanto ao não conhecimento do pleito recursal, voto no sentido de encaminhamento do presente feito à 1a. Seção de Julgamento, para fins de sorteio e julgamento de forma conjunta com o Processo 15983.000817/200985. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2101002.725 S2C1T1 Fl. 1.518 14 Declaração de Voto Com a devida vênia, divirjo do Conselheiro Relator Dr. Heitor de Souza Lima Junior quanto à concomitância entre a mencionada ação judicial e este processo administrativo pelos motivos a seguir. Primeiramente, gostaria de salientar que a incorreta assunção de concomitância permite que uma dos desdobramentos do reconhecimento judicial da imunidade tributária da recorrente seja a extinção do crédito tributário deste processo administrativo. No entanto, está se tratando de situação que, mesmo que o processo judicial seja favorável à recorrente, esta infração deveria ter sido mantida. Este processo trata de autuação por falta de retenção na fonte (IRRF) relativamente a pagamentos de despesas a empresas, cujos sócios são também sócios da recorrente, e que a autoridade fiscal considerou desnecessárias à atividade empresarial. Qualquer que seja a decisão no processo judicial, não sanará o problema do pagamento a beneficiário sem causa. Contudo, com mais razão ainda se a decisão da ação judicial for favorável ao recorrente, pois quem está pagando é uma empresa que não deveria fazêlo, sobretudo porque quem está recebendo os valores indevidos são empresas cujos sócios são também sócios da empresa imune (a recorrida). A seguir transcrevo parte importante do Acórdão de Impugnação que, no meu entendimento, analisa o questionamento relativo à concomitância das ações judicial e administrativa. No caso vertente dos presentes autos, o lançamento realizado pela fiscalização teve como escopo os pagamentos efetuados pela autuada a pessoas jurídicas cujos sócios também eram diretores, dirigentes ou administradores da impugnante e que teriam prestado serviços à entidade, serviços esses entendidos como desnecessários pelo Fisco. Mais, que tais pagamentos caracterizaramse como sem causa, dando azo a que se exteriorizasse a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte prevista no artigo 61, § 1 0, da Lei n° 8.981/1995 (artigo 674 do RIR/1999). Informou ainda o Fisco que os lançamentos realizados pela autuada em sua contabilidade, "tiveram como contrapartidas as contas correntes das empresas: TSL Assessoria Educacional Ltda. e NCM Promoções e Eventos Lda., que tern a seguinte composição societária ns períodos de 2005 a 2007: TSL — Assessoria Educacional lida. — CNPJ N° 07.006.967/000120 Milton Teixeira — CPF n° 023.526.05849; Silvia Angela Teixeira Penteado — CPF n°596.608.30882; Lucia Maria Teixeira Furlani — CPF n°733.096.05868. NCM — PROMOCÕES E EVENTOS LTDA. — CNPJ n°06.989.443/000133 Nilza Maria Pirilo Teixeira — CPF n° 033.001.93842; Maria Cecilia Pirilo Teixeira — CPF Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2101002.725 S2C1T1 Fl. 1.519 15 n°047.197.53892; Marcelo Pirilo Teixeira — CPF n° 052.953.41852." Prossegue discorrendo o feito acusando que "as empresas acima citadas entregaram as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ 2006 a 2008, Anos Calendário de 2005 a 2007, pelo regime de tributação do Lucro Presumido, tendo os seus sócios recebidos as remunerações a titulo de trabalho (prólabore), como também, os lucros distribuídos nos períodos, conforme cópias anexas" e que "as despesas não necessárias à atividade da instituição e caracterizadas como sem causas, decorrentes das emissões das notas fiscais lançadas nas contas correntes das empresas, Conta Contábil n°2.1.26.0.082 (NCM) e 2.1.26.0.083 (TSL), tiveram as retenções das contribuições sociais (Art. 30 da Lei 10.833/2003) e do Imposto de Renda Retido na Fonte Outros Códigos, e os seus respectivos pagamentos líquidos as contrapartidas da conta do Banco Itaú S/A, conforme os registros no Demonstrativo 2 e consolidados no Demonstrativo 3, anexos". E conclui o trabalho fiscal relatando que "as bases de cálculos do Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF são determinadas pelos rendimentos brutos apurados, na aplicação do percentual de 35% (trinta e cinco por cento) da alíquota do imposto, sobre os valores líquidos, de acordo com o artigo 61, da Lei n° 8.981/1995, decorrentes dos créditos e pagamentos indiretos efetuados pela instituição aos seus sócios, administradores e diretores, através das empresas ligadas", sendo que, "do imposto apurado deduziramse as retenções efetuadas pela instituição, em virtude dos pagamentos das notas fiscais das empresa ligadas (TSL e NCM), conforme os registros no Demonstrativo 4, anexo". De plano, destaquese que a desvinculação da instituição do PROUNI e seus reflexos no presente julgamento mostramse irrelevantes, posto que o assunto tratado — a obrigatoriedade de retenção do Imposto de Renda por parte da fonte pagadora — independe de o sujeito passivo estar ou não com sua adesão ao citado programa em vigência, estar contemplada por imunidade ou mesmo não ter personalidade jurídica. (grifei) Conforme o parágrafo 2o. do art. 301 do Código de Processo Civil, aqui aplicado subsidiariamente, "uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido". A imunidade fiscal da recorrente implica no não pagamento de tributos relacionados às atividades que desenvolve. No caso deste processo, se está tratando de valores de imposto que deveriam ter sido retidos na fonte pela recorrente que é, conforme determinado pela legislação, a responsável tributária. Tratase de adiantamento do imposto de renda devido pelas empresas contribuintes TSL e NCM, e não tributo devido pela recorrente como contribuinte. Assim, no caso sob análise, a recorrente, como responsável pela retenção, teria sido mera "depositária" do adiantamento do imposto, valor esse que deveria ter sido recolhido aos cofres públicos. Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2101002.725 S2C1T1 Fl. 1.520 16 Não vislumbro identificação de pedidos entre este processo administrativo, cuja autuação decorre de infração fiscal por pagamento a beneficiário sem causa e o processo judicial que visa reconhecer a imunidade tributária de instituição de ensino. Caso a imunidade seja declarada para o período, ainda assim esta autuação subsistiria, ainda com mais propriedade. Desta forma, concordo com o julgador a quo de que o assunto tratado neste processo a obrigatoriedade de retenção do Imposto de Renda por parte da fonte pagadora — independe de o sujeito passivo estar ou não com sua adesão ao citado programa em vigência(PROUNI), estar contemplada por imunidade ou mesmo não ter personalidade jurídica. Maria Cleci Coti Martins Conselheira Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MA RTINS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002106/2008-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRABALHADOR EXPATRIADO. ACORDO ENTRE BRASIL ITÁLIA. SÓCIO DA EMPRESA BRASILEIRA.
Tendo a empresa comunicado o governo brasileiro acerca da manutenção do regime previdenciário estrangeiro para trabalhador expatriado, conforme acordo entre Brasil e Itália, não pode a autoridade administrava lavrar a autuação sem considerar esses fatos, aplicando a regra geral.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRABALHADOR EXPATRIADO. ACORDO ENTRE BRASIL ITÁLIA. SÓCIO DA EMPRESA BRASILEIRA. Tendo a empresa comunicado o governo brasileiro acerca da manutenção do regime previdenciário estrangeiro para trabalhador expatriado, conforme acordo entre Brasil e Itália, não pode a autoridade administrava lavrar a autuação sem considerar esses fatos, aplicando a regra geral. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 18471.002106/2008-22
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5445155
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2402-004.526
nome_arquivo_s : Decisao_18471002106200822.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
nome_arquivo_pdf_s : 18471002106200822_5445155.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
id : 5873231
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047706640842752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1413; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 689 1 688 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.002106/200822 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.526 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2015 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente SAIPEM DO BRASIL SERVICOS DE PETROLEO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRABALHADOR EXPATRIADO. ACORDO ENTRE BRASIL ITÁLIA. SÓCIO DA EMPRESA BRASILEIRA. Tendo a empresa comunicado o governo brasileiro acerca da manutenção do regime previdenciário estrangeiro para trabalhador expatriado, conforme acordo entre Brasil e Itália, não pode a autoridade administrava lavrar a autuação sem considerar esses fatos, aplicando a regra geral. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 21 06 /2 00 8- 22 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18471.002106/200822 Acórdão n.º 2402004.526 S2C4T2 Fl. 690 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 28/08/2008, para exigência de contribuição previdenciária dos segurados no período 01/2004 a 12/2004. Conforme discriminado no Relatório Fiscal (fls. 22 a 26), as contribuições ora exigidas são decorrentes de pagamentos efetuados pela Recorrente a título de prólabore ao seu Diretor Presidente, o Sr. Paolo Veronelli. Estes valores foram apurados com base nas folhas de pagamento e no livro razão da empresa, não tendo sido declarados em GFIP. O Recorrente apresentou Impugnação ao lançamento em 29/09/2008 (fls. 77 a 190), requerendo o cancelamento da presente autuação, pois, no seu entender, o Sr. Paolo Veronelli é trabalhador expatriado da empresa SAIPEM S.p.A. com sede na Itália, não sujeito, portanto, à legislação previdenciária brasileira, tendo em vista o caráter temporário da sua prestação de serviços, razão pela qual este estaria sujeito à legislação previdenciária italiana, nos termos do artigo 4º do Protocolo Adicional de Migração celebrado entre o Brasil e a Itália. A DRJ/RJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário (fls. 196 a 201), sob os argumentos de que: (i) o artigo 4º do Protocolo Adicional de Migração celebrado entre o Brasil e a Itália não abrangeria situações relativas a sóciogerente de empresa constituída no Brasil por prazo indeterminado, ainda que com cotista majoritário do exterior, motivo pelo qual o Sr. Paolo Veronelli não é trabalhador dependente de empresa pública ou privada com sede em um dos Estados Contratantes; (ii) que não estaria exercendo o cargo em caráter temporário; e (iii) o maior cotista da empresa da Recorrente à época seria a SAIPEM INTERNATIONAL B.V., com sede em Amsterdã na Holanda, o que não preencheria o requisito de “empresa com sede em um dos Estados Contrates” determinado pelo referido Protocolo. Intimada da referida decisão em 30/09/2010 (fls. 204x), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 19/11/2010 (fls. 252/297), no qual essencialmente repisa os argumentos já apresentados na Impugnação, sustentando, em síntese que: (i) o artigo 4º do Protocolo Adicional de Migração celebrado entre o Brasil e a Itália determina que os valores pagos por empresas brasileiras a empregados de empresas italianas que exerçam atividade temporária no Brasil, não constituem hipótese de incidência de contribuição previdenciária: (ii) o art. 478 da Instrução Normativa nº 45/2010 do Instituto Nacional da Seguridade Social admite que trabalhadores expatriados para trabalhar temporariamente em um dos Estados signatários de acordos internacionais permanecem vinculados à Previdência Social do país de origem do trabalhador, e que é facultativa a adesão do trabalhador ao regime de previdência do país que estiver exercendo a função; e (iii) a alegação de que a sócia cotista majoritária em 2003 seria empresa constituída na Holanda não interfere no caso concreto, pois a legislação apenas exige que a empresa contratante deva estar em um dos países signatários do acordo. É o relatório. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que o artigo 4º do Protocolo Adicional de Migração celebrado entre o Brasil e a Itália determina que os valores pagos por empresas brasileiras a empregados de empresas italianas que exerçam atividade temporária no Brasil, não estão sujeitos a incidência das contribuições previdenciárias, bem como que o art. 478 da IN/INSS nº 45/2010 admite que trabalhadores expatriados para trabalhar temporariamente em um dos Estados signatários de acordos internacionais permaneçam vinculados à Previdência Social do país de origem do trabalhador. Por tais motivos, a Recorrente entende que os valores pagos ao seu Diretor Presidente Sr. Paolo Veronelli, no período de 01/2004 a 12/2004, não constituem hipótese de incidência das contribuições previdenciárias ora exigidas. Nesse sentido, vejamos o que dispõe o Protocolo Adicional de Migração celebrado entre o Brasil e a Itália: “ARTIGO 2 As legislações que prevêem os direitos enumerados no Artigo 1, vigentes respectivamente no Brasil e na Itália, aplicarseão igualmente aos trabalhadores brasileiros na Itália e aos trabalhadores italianos no Brasil, os quais terão os mesmos direitos e as mesmas obrigações que os nacionais do Estado Contratante em cujo território se encontrem.” “ARTIGO 4 1. O princípio estabelecido no Artigo 2 será objeto das seguintes exceções: a) o trabalhador que dependa de uma empresa pública ou privada com sede em um dos Estados Contratantes e que for enviado ao território do outro por um período limitado, continuará sujeito à legislação do primeiro Estado sempre que o tempo de trabalho no território de outro Estado não exceda um período de 12 (doze) meses. Se o tempo de trabalho necessitar ser prolongado por período superior aos 12 (doze) meses previstos, poderseá prorrogar a aplicação da legislação do Estado Contratante em que tenha sede a empresa, a critério da autoridade competente do outro Estado; (...) 2. As autoridades competentes dos Estados Contratantes poderão, de comum acordo, ampliar, suprimir ou modificar em casos particulares ou relativamente a determinadas categorias profissionais, as exceções enumeradas no parágrafo anterior.” A Recorrente apresentou documentação (fls. 133 a 142 e 181 a 190) buscando demonstrar que as autoridades responsáveis do Brasil e da Itália estavam de acordo que o Sr. Paolo Veronelli continuaria sujeito à legislação previdenciária italiana. Conforme se verifica nas traduções dos ofícios enviados pela empresa italiana a empresa brasileira (fls. 139/141 e 187/189), há trechos que indicam ter existido comunicação entre as autoridades previdenciárias dos países, autorizando a manutenção da vinculação do Sr. Paolo Veronelli ao sistema previdenciário italiano. Vejamse trechos: Fl. 325DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18471.002106/200822 Acórdão n.º 2402004.526 S2C4T2 Fl. 691 5 Fls. 139/141 “OBSERVAÇÕES: Comunicamos que, a respeito do pedido enviado nos termos da normativa em questão, a autoridade do país para o qual o empregado supramencionado foi transferido, concedeu, mediante nota n. º 17.501.14 OF.: 893 de 14/10/2004, a exoneração da aplicação do seu regime de seguridade social para o período supramencionado. Em virtude da exoneração concedida, o trabalhador permanecerá, tão somente sujeito à legislação previdenciária italiana pelo período supramencionado.” (destacouse) Fls. 187/189: “OBSERVAÇÕES: Comunicamos que, a respeito do pedido enviado nos termos da normativa em questão, a autoridade do país para o qual o empregado supramencionado foi transferido, concedeu, mediante nota n. º 17.501.14 OF.: 526 de 20/06/2005, a exoneração da aplicação do seu regime de seguridade social para o período supramencionado. Em virtude da exoneração concedida, o trabalhador permanecerá, tão somente sujeito à legislação previdenciária italiana pelo período supramencionado.” (destacouse) Pela leitura dos trechos acima transcritos, subentendese que a autoridade previdenciária do Brasil teria manifestado a sua concordância na continuidade da vinculação do referido SócioDiretor da Recorrente ao sistema previdenciário italiano através da nota n. º 17.501.14 OF.: 526 de 20/06/2005 e da nota n. º 17.501.14 OF.: 893 de 14/10/2004. Assim, não poderia a autoridade administrativa ter simplesmente lavrado a autuação como se fosse este um caso generalizado de pagamento a contribuinte individual. Por este motivo, entendo que não é possível exigir contribuições previdenciárias sobre os pagamentos que foram efetuados ao Sr. Paolo, como se esse fosse um contribuinte individual sem vínculo com empresa estrangeira (expatriado). Ante o exposto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
