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Numero do processo: 10840.911275/2009-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE.
Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96.
Numero da decisão: 9303-004.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 91 12 75 /2 00 9- 89 Fl. 898DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3202001402, de 12/11/2014, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. Recurso voluntário provido. Defende a recorrente, em apertada síntese, que não existe previsão legal para a inclusão da industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Os fatos decorrem de negativa de ressarcimento e não homologação das compensações apresentadas pelo contribuinte. Os fundamentos para tal negativa estão consubstanciados no Termo de Conclusão Fiscal, efls. 606/626, elaborado pelo Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão PretoSP. De acordo com referido termo o contribuinte industrializa sucos de laranja para exportação. Ela adquire os insumos e 100% do suco é elaborado por encomenda da fábrica do mesmo grupo empresarial denominada CoinbraFrutesp Industrial Ltda. Ainda de acordo com referido termo: "a fiscalizada não produzia e nem produz absolutamente nada, funciona apenas como compradora de insumos e exportadora, não possuindo funcionários, nem estrutura física, Fl. 899DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 4 3 possuindo apenas uma sala de 20 metros quadrados funcionando apenas como centro administrativo..." O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio do Despacho de efls. 861/864. O contribuinte apresentou contrarrazões ao referido recurso especial no qual defende o não conhecimento do recurso e, caso conhecido, que seja negado provimento em razão dos argumentos de mérito que apresenta. Consta das efls. 892/896, Mandado de Intimação efetuado pelo Juiz Federal da 15ª Vara Cível de BrasíliaDF contra o Presidente do CARF, determinando o julgamento do presente recurso especial no prazo improrrogável de 30 dias. Em face desta determinação, o processo foi levado a sorteio na última reunião durante a sessão realizada no dia 15/02/2017. Tendo sido a mim sorteado, o processo foi indicado para a pauta da sessão realizada em 21/03/2017, primeira após a determinação judicial, porém o processo saiu com vistas ao Conselheiro Charles, tendo retornado à pauta da primeira sessão subsequente. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial apresentada pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos requisitos formais para o seu conhecimento. Cumpre, no entanto, enfrentar as alegações apresentadas em contrarrazões pelo contribuinte no sentido de que o recurso especial não deveria ser conhecido. Em síntese, alega que não estaria comprovada a divergência pois as situações fáticas do presente processo seriam diferentes em relação aos acórdãos paradigmas apresentados pela Fazenda Nacional. Ele afirma que o crédito presumido lhe foi negado na origem, não somente em razão da alegada impossibilidade de seu aproveitamento em razão da industrialização por Fl. 900DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 5 4 encomenda, mas também porque a fiscalização entendeu que ele não seria estabelecimento industrial e que, portanto nada produzia, não podendo fazer jus ao benefício previsto na Lei nº 9.363/96. Embora seja verdadeira esta alegação, o fato é que o acórdão recorrido debruçouse somente sobre esta questão de direito que resumese à possibilidade legal de se apropriar do crédito presumido de IPI em relação aos serviços realizados na industrialização por encomenda na sistemática prevista pelo art. 1º da Lei nº 9.363/96. Assim não há dúvida de que está estabelecida a divergência, uma vez que o acórdão recorrido entendeu, com base na mesma legislação, que é possível este aproveitamento, os acórdãos paradigmas entenderam de maneira diametralmente oposta. Neste sentido, voto pelo conhecimento do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Mérito Como o acórdão recorrido entendeu que seria suficiente para o deslinde do direito ao crédito presumido do IPI a análise quanto a legalidade do direito da apropriação do referido crédito sobre os valores decorrentes da industrialização por encomenda, penso que está superada toda a discussão atinente à conclusão da fiscalização de que o contribuinte sequer era um estabelecimento industrial. O fato é que o acórdão recorrido foi omisso em relação à acusação da fiscalização de que o requerente do referido crédito presumido sequer era um estabelecimento industrial. Como não houve apresentação de embargos para sanar a omissão é de se concluir que o presente julgamento deve ser efetuado somente sobre a questão de direito devolvida ao colegiado, qual seja, a possibilidade de inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, os valores pagos a título de industrialização por encomenda. Esta matéria não é nova no CARF e eu me filio à corrente de que no regime da Lei nº 9.363/96 tal apropriação está desamparada de previsão legal. Inicialmente partilho do entendimento de que qualquer modalidade de incentivo ou benefício fiscal deve estar sujeito a regras de interpretação literal da legislação que o concede. Não creio que está correta a conclusão de que as formas de exclusão do crédito Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 6 5 tributário sejam somente as previstas no art. 175 do CTN. Na minha opinião o art. 175 do CTN somente estabeleceu que a isenção e a anistia excluem o crédito tributário, mas por evidente, não são as únicas formas existentes de exclusão do crédito tributário. A concessão de crédito presumido de IPI é uma forma indireta de excluir o crédito tributário, na medida em que permite se apropriar de um crédito antes inexistente para ser compensado com tributos devidos. Fosse correta a conclusão de que as únicas formas de exclusão do crédito tributário são a isenção e a anistia, penso que a redação do art. 111 do CTN seria muito infeliz em prever no seu inciso II uma regra que já se encaixava no próprio inciso I, ou seja, seria desnecessário constar no inciso II que se interpreta literalmente as regras de outorga de isenção já que esta é uma forma de exclusão do crédito tributário já contemplado no inciso I. Veja como é a redação do art. 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Portanto entendo que no presente caso deve se dar interpretação literal à norma tributária que concede o benefício fiscal nos exatos termos de que dispõe o art. 111 do CTN. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 7 6 Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Estabelecido esta premissa, vejamos então como o crédito presumido do IPI está disciplinado na Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. A interpretação literal que se extrai do comando normativo acima transcrito é que gera direito ao crédito presumido do IPI os valores decorrentes da aquisição no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para aplicação no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras. A industrialização por encomenda é um serviço prestado ao industrial e não se identifica definitivamente com qualquer dos itens citados na norma, quais sejam matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Portanto mesmo que nessa prestação de serviço possa se agregar algum insumo ou mesmo que do serviço resulte uma matériaprima a ser utilizada no seu processo produtivo próprio, entendo que a lei não permitiu essa apropriação. Tanto é verdade, que posteriormente à edição do referido benefício fiscal, sobreveio por meio da Lei nº 10.276/2001, uma forma alternativa de apuração do crédito Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 8 7 presumido, desta feita prevendo expressamente a possibilidade de se apropriar do valor correspondente aos serviços com industrialização por encomenda. Segue transcrição do dispositivo legal: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. Ora, na minha opinião, evidente que se o contribuinte quiser se apropriar dos valores gastos com industrialização por encomenda é obrigatório que ele faça a opção pelo cálculo do crédito presumido do IPI na forma alternativa proposta pela Lei nº 10.276/2001. Ou seja, ao optar pela fórmula de cálculo da Lei nº 9.363/96 não há possibilidade desse aproveitamento por absoluta falta de previsão legal. O acórdão recorrido decidiu ser possível esse creditamento, porém ao decidir utilizouse de fundamentos que não são aplicáveis ao presente processo. De fato, ele decidiu pela possibilidade do creditamento entendendo em síntese que a industrialização por encomenda seria somente uma forma de aquisição de matériaprima a ser utilizada no processo produtivo do encomendante gerando o produto acabado para exportação. Esse entendimento pode ser extraído da própria ementa do acórdão recorrido: Fl. 904DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 9 8 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agrega se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. Ocorre que esta não é a situação dos presentes autos. Conforme consta do Termo de Conclusão Fiscal, efls. 606/626, o contribuinte em questão adquire os insumos remetendoos para produção do suco de laranja concentrado que é devolvido ao encomendante para exportação direta. Ou seja, não retorna ao encomendante matériaprima e sim o próprio produto final que é exportado. Então afastase a tese defendida no acórdão recorrido de que neste caso, a industrialização por encomenda teria dado suporte a aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem para posterior utilização no processo produtivo do beneficiário. Melhor dizendo, afastase a ideia de que a industrialização por encomenda seria uma forma de aquisição destes insumos para utilização no processo produtivo e atenderia então ao disposto no art. 1º da Lei nº 9.363/96. Importante ressaltar que no voto do acórdão recorrido citase, também como razão de decidir, uma decisão do STJ nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. INCLUSÃO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Ao analisar o artigo 1º da Lei 9.363/96, esta Corte considerou que o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento do insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Precedentes: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Fl. 905DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 10 9 Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009. (...) (AgRg no REsp 1267805/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/11/2011, DJe 22/11/2011 (grifamos) Cristalino que essa decisão também não é aplicável ao presente caso, pois o STJ manifestou entendimento que não há óbice ao aproveitamento dos custos para beneficiamento do insumo que será utilizado no processo produtivo do encomendante. Ressalto que a permanecer o entendimento exarado no presente voto não há que haver o retorno do processo para a Câmara recorrida para análise não apreciada pelo acórdão recorrido quanto à inexistência do crédito, pois a inexistência do direito é prejudicial em relação à verificação da materialidade do crédito. Por todo o exposto voto por dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 906DF CARF MF Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 9303004.967 CSRFT3 Fl. 11 10 Declaração de Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Como fomos o relator do acórdão recorrido, mas aqui seguiremos o voto proposto pelo relator do recurso especial – o qual, como se viu, encarta conclusão diversa da que naquele propusemos –, julgamos necessário tecer algumas considerações. A primeira é que, de fato, somos favoráveis à tese, por ausência de óbice legal, de que todos os gastos empregados na matériaprima a fim de permitir a sua utilização devem ser a ela incorporados, ainda que só empregados, por encomenda, por um terceiro, de modo que devem ser considerados, pelo estabelecimento encomedante, na determinação do crédito presumido estatuído pela Lei nº 9.363, de 1996, em consonância, ademais, com decisões administrativas e judiciais (p. ex., Acórdãos CARF/3ª Turma nº 9303001.721, de 07/11/2011, e 930301.623, de 29/09/2011, e STJ, AgRg no REsp nº 1267805/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 22/11/2011). A segunda é que, a despeito de concordarmos com a tese, não percebemos que a contribuinte – no caso aqui, a encomendante – nada industrializa (assim constatouse em diligência), razão por que, se contribuinte de IPI não se tratava, a ela nada deveria ter sido conferido no Despacho Decisório (concedeuse uma pequena parte do crédito requerido), ainda que a título de ressarcimento de PIS/Cofins. O reconhecimento parcial do valor pretendido decerto nos levou a reconhecer, equivocadamente, o direito da contribuinte ao crédito presumido de IPI com origem na industrialização por encomenda, uma vez que nos fez crer na natureza industrial do seu estabelecimento. Não é a sua realidade, porém. Por tais razões, alteramos o nosso entendimento, para acompanhar, nesta assentada, o voto proferido pelo il. ConselheiroRelator. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 907DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.722930/2014-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. SENTENÇA JUDICIAL. ISENÇÃO PARCIAL DE RENDIMENTOS.
Tendo restado comprovado que os valores em questão são isentos por força de decisão judicial transitada em julgado, não há falar em cobrança de imposto suplementar.
Numero da decisão: 2301-005.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 14/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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SENTENÇA JUDICIAL. ISENÇÃO PARCIAL DE RENDIMENTOS. Tendo restado comprovado que os valores em questão são isentos por força de decisão judicial transitada em julgado, não há falar em cobrança de imposto suplementar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e João Bellini Júnior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 29 30 /2 01 4- 25 Fl. 126DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0736679, exarado pela 6ª Turma da DRJ em Florianópolis (efls. 48 a 50 – numeração dos autos eletrônicos). A notificação de lançamento (efls. 04 a 08) é referente imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), e diz respeito à omissão de rendimentos recebidos da PETROS, uma vez que do total recebido de R$107.052,16 teriam sido declarados R$87.662,53 e omitidos R$19.389,63. São citados como enquadramento legal os arts. 1º a 3º e §§ da Lei 7.713, de 1988; arts. 1º a 4º da Lei 8.134, de 1990; arts. 1º e 15 da Lei 10.451, de 2002; e arts. 43 e 45 do Decreto 3.000, de 1999 (RIR 99). Consta do relatório do acórdão recorrido: Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2, alegando, em síntese, que do valor recebido de R$ 107.052,16 foi descontado a importância de R$ 19.389,63 por tratarse de parcela isenta, de acordo com sentença da justiça federal no processo n.º 200585000050297, que transitou em julgado em 18/03/2011. A DRJ julgou a impugnação improcedente em acórdão que não recebeu ementas. A ciência dessa decisão ocorreu em 16/04/2015 (aviso de recebimento EBCT, efl. 53). Em 24/04/2015, foi apresentado recurso voluntário, sendo reiterados os argumentos apresentados por ocasião da impugnação. Foi pedido o cancelamento do débito fiscal. Em 14/04/2016 esta Turma solicitou diligência, nos seguintes termos: Penso, assim, que para o deslinde da questão, é necessário descobrir quais verbas estariam sujeitas à isenção reconhecida na sentença. Nesse sentido, os cálculos presentes na ação judicial podem ajudar, uma vez que houve, na execução da sentença, o reconhecimento de um critério, que deu origem aos valores que foram restituídos (R$15.603,82). Assim sendo, voto por converter o julgamento em diligência para que seja oportunizado ao contribuinte a juntada aos autos dos cálculos dos valores que lhe foram restituídos, indicando quais foram os critérios utilizados naqueles cálculos. O contribuinte foi intimado, apresentou petição acompanhada de documentos (efls. 109 a 121) e foi emitido relatório de diligência (efl. 122). É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10510.722930/201425 Acórdão n.º 2301005.085 S2C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. Em sede de impugnação, o contribuinte demonstrou ter sido julgada parcialmente procedente sua demanda judicial (processo 2005.85.00.0050297), reconhecendo como isenta do IRPF a complementação de aposentadoria proporcional às contribuições versadas no período de 1º/01/1989 a 31/12/1995. Foram consideradas sujeitas ao IRPF a complementação de aposentadoria proporcional às contribuições versadas no período de 1973 a 1988, anterior à entrada em vigor da Lei 7713, de 1988 e de janeiro de 1996 a 06/11/2000, data da aposentadoria do recorrente (efl. 36). A seu turno, a decisão recorrida (efl. 50) julgou improcedente a impugnação pelo seguintes fundamentos: (a) a sentença judicial não autorizou a exclusão da tributação de parte dos rendimentos recebidos a titulo de complementação de aposentadoria e (b) falta de comprovação de que os rendimentos lançados como omitidos no anocalendário 2012 corresponderiam às contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Analisemolos separadamente. DA EFICÁCIA DA SENTENÇA DO PROCESSO Nº 2005.85.00.0050297 Consta no acórdão recorrido (efl. 50): Ocorre que em execução do julgado, os valores retidos a titulo de IRRF correspondente às contribuições efetuadas, exclusivamente pelo contribuinte, no período de 1.º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, foram pagos ao exeqüente em 22/02/2011, no montante de R$ 15.603,82, como comprova o Recibo de Sacado de Depósito Judicial vinculado ao processo n.º 2005.85.00.005029, documento este extraído do processo n.º 10510.723334/201381 do mesmo contribuinte (fls. 45 a 47). Como se vê, contrariando o que alega a defesa, a sentença judicial não autorizou a exclusão da tributação de parte dos rendimentos recebidos a titulo de complementação de aposentadoria, mas determinou que fosse excluído da tributação o valor correspondente às contribuições vertidas pelo beneficiário, no período de 1989 a 1995, decretando a devolução dos valores indevidamente retidos a esse titulo. Dado que o contribuinte já recebeu judicialmente a devolução do montante considerado indevidamente retido a esse titulo, nada mais resta a ser pago via administrativa. (Grifouse.) Ou seja, o acórdão recorrido parte do pressuposto que a sentença não autorizou a exclusão da tributação de parte dos rendimentos recebidos a titulo de complementação de aposentadoria, mas, tão somente, determinou que fosse excluído da tributação o valor correspondente às contribuições vertidas pelo beneficiário, no período de Fl. 128DF CARF MF 4 1989 a 1995, decretando a devolução dos valores indevidamente retidos a esse titulo, que se concretizaria com o levantamento judicial do valor de R$15.603,82 pelo recorrente. Por primeiro, registro que a restituição dos valores retidos a título de IRPF no período considerado isento (1989 a 1995), foi paga ao contribuinte por meio de RPV, matéria que é litigiosa no processo administrativo 10510.723334/201381 (que trata da omissão de rendimentos), julgado por esta Turma em 14/04/2016, no qual se decidiu pela falta de competência do CARF para se manifestar originariamente sobre provas novas, sobre as quais não há manifestação da instância ad quem, e encaminhar os processo para novo julgamento pela instância de origem (Acórdão 2301004.641). A sentença, dado o seu caráter declaratório, também possui eficácia quanto as parcelas futuras de aposentadoria complementar, matéria objeto do presente processo. Registro, por oportuno, que a pesquisa no endereço eletrônico da Seção Judiciária do Sergipe (https://consulta.jfse.jus.br/Consulta/resconsproc.asp) demonstra que a sentença transitou em julgado ainda em 2008, tendo iniciado o cumprimento de sentença em 26/09/2008; assim, quando do percebimento dos rendimentos sob questionamento (2012) o contribuinte já estava sob o amparo da coisa julgada. Extraio do referido endereço eletrônico o seguinte despacho, que delimita a matéria objeto do trânsito em julgado: 01/02/2010 17:34 Despacho. Usuário: MKP Em análise, execução de sentença que determina a restituição à parte autora de quantia referente à Imposto de Renda indevidamente pago à União. (...) Às fl. 174/175, reside a delimitação exata do título judicial transitado em julgado. Transcrevo: Aposentandose em 6 de novembro de 2000 (f. 82), o demandante procedeu aos recolhimentos, para custear a aposentadoria privada, em parte, sob a regência da lei 7.713, de forma que faz jus ao recebimento da parcela, atinente a aposentadoria complementar, sempre e sempre, sem se submeter ao desconto do imposto de renda, no que se refere às contribuições do interregno de janeiro de 1989 a 31.12.1995, incidindo o imposto de renda, apenas, sobre os intervalos de 1973 a 1988 e sobre o que se inicia em janeiro de 1996 e vai até 6 de novembro de 2000. (...) Por este entender, extingo o feito com resolução do mérito, para acolher, em parte, a pretensão, declarando ilegal a incidência do Imposto de Renda sobre a aposentadoria complementar do demandante, relativa ao recolhimentos efetuados sob a vigência da lei 7.713, excluindose da condenação as parcelas referente ao período de vigência da lei 7.713, ou seja, de 1.1.89 a 31.12.95, condenando a ré à devolução do quantum foi recolhido indevidamente a este título, acrescentadose juros de mora com o trânsito em julgado e correção monetária mês a mês, a incidir a partir do momento em que cada desconto ocorreu, aplicandose a UFIR de janeiro de 1992 a dezembro de Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10510.722930/201425 Acórdão n.º 2301005.085 S2C3T1 Fl. 4 5 1995, seguindo em janeiro de 1996 da taxa SELIC, sem prejuízo de poder ser utilizado outro índice que venha a legislação indicar ou a jurisprudência consagrar. Condeno a ré, ainda, à restituição das custas processuais e a honorários advocatícios que arbitro em dez por cento sobre o valor a ser apurado em execução de sentença. Assim, foi afastada a incidência de IR sob os resgates e benefícios decorrentes de contribuições vertidas durante a vigência da Lei 7.713/88, pouco importando o momento em que o recebimento de tais prestações venha a ocorrer. Tem relevância apenas a época de recolhimento das contribuições para formação da complementação de aposentadoria. Quem se aposentou ainda sob a égide da Lei 7.713/88 não deve sofrer nenhuma retenção quanto à complementação de aposentadoria. Agora, quem recolheu sob os dois regimes, tem direito apenas a ver excluída da base de cálculo os valores proporcionais aos recolhimentos havidos naquele regime. Por essas considerações, expeçase ofício à PETROS para que passe a realizar a retenção de imposto de renda na fonte sobre os proventos do autor, conforme a legislação tributária pátria, excluindo da base de cálculo da retenção do IRPF parte dos valores da complementação, correspondente ao período de contribuição sob a sistemática da Lei 7.713/88. Para esse cálculo, deve ser levada em consideração a relação entre a quantidade de anos de recolhimento sob aquele regime em função do período total de contribuição. Oficiese a CEF para que transfira em definitivo os valores depositados pela PETROS, vinculados a este feito, em face do trânsito em julgado do título judicial. Intimemse. (Grifouse.) Assim, entendo que o montante de R$15.603,82, (recibo de sacado de depósito judicial vinculado ao processo n.º 2005.85.00.005029, extraído do processo n.º 10510.723334/201381 do mesmo contribuinte, efls. 45 a 47) referese à devolução do quantum recolhido indevidamente a título de imposto sobre a renda retido na fonte (IRRF), matéria que não se confunde com o objeto do presente processo, no qual o contribuinte alega e demonstra possuir direito à isenção de IRPF referente à complementação de aposentadoria proporcional às contribuições versadas no período de 1º/01/1989 a 31/12/1995. Objeto de questionamento – tendo sido objeto de diligência – é o cálculo do montante isento, o qual será analisado oportunamente. DOS VALORES LANÇADOS COMO OMITIDOS Passo à segunda razão pela qual a impugnação foi julgada improcedente: Ademais disso, o impugnante apenas alega mas não comprova que os rendimentos lançados como omitidos no anocalendário Fl. 130DF CARF MF 6 2012, corresponderiam às contribuições efetuadas exclusivamente pelo participante no período de 1.º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, aliás, nenhum documento referente às contribuições foi apresentado pelo impugnante. O objeto da diligência foi o esclarecimento dessa questão. Em decorrência, foram juntado aos autos cálculos do contador, no quais podemos verificar os seus critérios (e fls. 111 a 121), as quais já estavam presentes às efls. 60 a 93. Se pode verificar que o critério adotado pelo Poder Judiciário, já transcrito, foi o de “ser levada em consideração a relação entre a quantidade de anos de recolhimento sob aquele regime em função do período total de contribuição” (efls. 69, 78 e 114). Assim, nos cálculos do contador foi considerada 07/06/1973 como data de início das contribuições à Petros e como data de início da aposentadoria 16/12/1998, perfazendo o total de 307 meses. Como o período abrangido pela isenção soma 84 meses (01/1989 a 12/1995), foi aplicada a proporção 84/307 x 100 = 27,36% (e fls. 72, 73 e 121), que traduz a proporção dos rendimentos isentos recebidos pelo recorrente da Petros. É evidente o erro material nesse cálculo: enquanto a sentença transitada em julgado afirmou ser a data de aposentadoria 06/11/2000 (efls. 78, 82 e 116), o perito considerou a data de 16/12/1998. Assim, para corrigir o erro deve ser somado ao cálculo o número de meses faltantes, ou seja, 23, totalizando 330 meses trabalhados (de 06/1973 a 11/2000). Excluindo os 84 meses amparados pela isenção temos que 84/330 x 100 = 25,45% (proporção dos rendimentos isentos recebidos pelo recorrente da Petros). Como o total recebido a título de rendimentos da Petros foi de R$107.052,16, o montante a ser considerado isento é de (25,45% x R$107.052,16 =) R$27.249,64, e o valor a ser oferecido à tributação é (R$107.052,16 R$27.249,64 =) R$79.802,52. Como o contribuinte ofereceu à tributação o valor de R$87.662,53 (efl. 06), nada resta a ser tributado como omissão de receitas. Pelos fundamento retroexpostos, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, cancelando a exigência fiscal. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.904998/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.554
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.904998/201249 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.554 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2017 Matéria DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 98 /2 01 2- 49 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10865.904998/201249 Acórdão n.º 3301003.554 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.459. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10865.904998/201249 Acórdão n.º 3301003.554 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10865.904998/201249 Acórdão n.º 3301003.554 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10865.904998/201249 Acórdão n.º 3301003.554 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10865.904998/201249 Acórdão n.º 3301003.554 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10865.904998/201249 Acórdão n.º 3301003.554 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.720023/2005-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1995 a 25/11/1998
PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005.
Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contando-se a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05.
Numero da decisão: 9303-005.203
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1995 a 25/11/1998 PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contando-se a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contandose a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 00 23 /2 00 5- 98 Fl. 271DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 340300.454, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao indébito do PIS no período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, observado o critério da semestralidade da base de cálculo nos termos da Súmula 15 do CARF. O acórdão recorrido expressou o entendimento consolidado com a seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social PIS Período de apuração: 01/10/1995 a 25/11/1998. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO, MEDIDA PROVISÓRIA N. 1.212/1995. PRAZO DECADENCIAL. O prazo para requerer a restituição de pagamentos realizados sob a égide da Medida Provisória n. 1,212/1995, têm seu prazo decadencial iniciado Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10835.720023/200598 Acórdão n.º 9303005.203 CSRFT3 Fl. 272 3 da publicação da decisão do STF, referente à ADIn n. 1.4170/DF e da Instrução Normativa SRF de n. 006/2000. DIREITO DE RESTITUIÇÃO. É assegurado ao sujeito passivo o direito de ser restituído dos valores referentes pagamentos indevidos ou a maior, em decorrência de erro ou por imposição de norma declarada pelo STF inconstitucional, CORREÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31,12.95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n. 8, de 27,06,97, devendo incidir a Taxa Selic a partir de 01.01.96, nos termos do art. 39, parágrafo 40 da Lei n. 9250/95. Recurso provido em parte. ” Irresignada, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, alegando omissão no acórdão exarado, trazendo que não houve pronunciamento em relação ao prazo decadencial para formular os pedidos de restituição de indébitos, eis que o sujeito passivo apresentou 4 DCOMPS nos dias 16.4.04, 10.11.04, 11.8.04 e 14.2.05 e o Colegiado apenas efetuou a contagem do prazo para pedir a restituição apenas em relação ao primeiro dos pedidos. Em sessão de julgamento realizado em 8.7.2011, apreciados os embargos, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, por unanimidade de votos, os acolheu para sanar a omissão alegada e reconhecer a decadência em relação às solicitações efetuadas em 10.11.04 e 14.2.05 Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial por divergência contra o r. acórdão que reconheceu parcialmente o direito ao indébito de PIS no período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996. O Colegiado havia entendido que o prazo para requerer a restituição de pagamentos realizados sob a égide da MP 1.212/95 é de 5 anos contados a partir da publicação da decisão do STF na ADIN 1.4170/DF, que ocorreu em 13.8.99. O que, por conseguinte, concluiu que os pedidos de restituição protocolados até 12.8.04 não foram atingidos pela decadência. Fl. 273DF CARF MF 4 Traz, em síntese, que: · A prescrição do direito à restituição deve sempre ser contada a partir do pagamento indevido, nos termos dos arts. 168, caput, 165, inciso I e 156, inciso I, do CTN; · A causa do recolhimento indevido é irrelevante – o que fixado o dies a quo da prescrição como data da extinção do crédito tributário, no caso o pagamento, não pode o intérprete se furtar de tal orientação, nem tampouco criar outros termos iniciais não previstos no CTN – a exemplo da publicação da decisão da declaração de inconstitucionalidade pelo STF em sede de controle concentrado ou Resolução do Senado Federal que ordenou a revogação de norma declarada inconstitucional em controle difuso. Em Despacho à fl. 228, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros: · Enviou declaração de compensação com fundamento na ADIN 1.4170 transitada em julgado em 4.4.01 – o que consequentemente tem direito ao crédito do PIS referente ao período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996; · A declaração de compensação foi realizada antes da LC 118/05. É o Relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora. Depreendendose da análise dos autos do processo, especialmente do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecer o recurso de divergência, eis que foram atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10835.720023/200598 Acórdão n.º 9303005.203 CSRFT3 Fl. 273 5 As contrarrazões apresentadas pelo sujeito passivo também devem ser consideradas, eis que tempestivas. Observadas tais considerações, passo a discorrer sobre a matéria trazida em Recursos Especial da Fazenda Nacional. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria foi objeto de decisão do STJ sem sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do Fl. 275DF CARF MF 6 disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10835.720023/200598 Acórdão n.º 9303005.203 CSRFT3 Fl. 274 7 Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA Fl. 277DF CARF MF 8 REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Em vista de todo o exposto, temse que no caso vertente, a Fazenda Nacional apenas está discutindo os pedidos de restituição protocolados até 12.8.04 – eis que o Colegiado da Cãmara abaixo havia se manifestado favoravelmente ao contribuinte pelo não reconhecimento da decadência. Sendo assim, ainda que para o caso em comento entenda que o pedido de restituição apresentado em 14.2.05 também não tenha decaído é de se ignorálo, vez que não foi objeto de Recurso Especial pelo sujeito passivo. Recordo que havia sido reconhecido o não atingimento da decadência dos pedidos de restituição protocolados em 16.4.04, 10.11.04 e 11.8.04 relativos ao PIS do período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996. Considerando que os pedidos foram apresentados antes de 9.6.05, devese, em respeito ao art. 62, § 2º, Anexo I, da Portaria 343/2015, afastar a decadência do período correspondente aos fatos geradores ocorridos no período em questão – outubro de 1995 e fevereiro de 1996. Isto posto, conheço o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento, mantendo a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10835.720023/200598 Acórdão n.º 9303005.203 CSRFT3 Fl. 275 9 Fl. 279DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.902293/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.812
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente COMERCIAL FAYAD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 22 93 /2 01 1- 81 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10140.902293/201181 Acórdão n.º 3302003.812 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06052.243. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10140.902293/201181 Acórdão n.º 3302003.812 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10140.902293/201181 Acórdão n.º 3302003.812 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10140.902293/201181 Acórdão n.º 3302003.812 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.902293/201181 Acórdão n.º 3302003.812 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.908657/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO.
A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade.
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador.
Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 3402-004.032
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 86 57 /2 01 1- 91 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 3 2 cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 14052.629 da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de ressarcimento, relativamente ao saldo credor de PIS não cumulativo(a) exportação. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 4 3 Mediante despacho decisório, a DRF/Piracicaba reconheceu parcialmente o direito creditório, em face das glosas de créditos referente aos seguintes itens: a) aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; b) gastos relativos a transporte e armazenamento de insumos importados ocorridos após o desembaraço aduaneiro; c) gastos com embalagens de transporte (paletes); d) comissões de compra; e) despesas de energia térmica A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que foram indevidas as glosas relativas às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Os argumentos da manifestante não foram acatados pela Delegacia de Julgamento, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Quanto às gastos com embalagens, só podem ser considerados insumos se elas se incorporarem ao produto em fabricação ou sofrer alteração em suas propriedades em função da ação diretamente exercida sobre ele, ou seja, somente as embalagens de apresentação do produto geram direito ao crédito, posto que estas se incorporam ao produto em fabricação. Assim, as embalagens destinadas apenas a proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito da não cumulatividade, mesmo que descartáveis e/ou de utilização obrigatória. De acordo com o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, apenas os gastos com armazenagem e frete na operação de venda dão direito a créditos da não cumulatividade, portanto não se aplica às aquisições de insumos importados, como ocorreu com as glosas aplicadas no caso concreto. O “valor aduaneiro” definido pela Lei como base de cálculo do crédito relativo aos insumos importados, abrange apenas os gastos ocorridos até a importação, ou seja, até a realização do desembaraço aduaneiro. De forma que procedeu corretamente a autoridade a quo ao glosar os créditos referentes a gastos com armazenagem e frete relativos aos insumo importados, mas realizados após o desembaraço das mercadorias. A contribuinte apresentou recurso voluntário, aduzindo, em síntese: 1. Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins O conceito de insumo para fins de crédito de PIS e de COFINS não pode ser restrito ao que está estabelecido nas Instruções Normativas da SRF, devendo ser entendido como todos os custos diretos e indiretos incorridos, abrangendo, inclusive, outras despesas tidas como essenciais para o desenvolvimento da atividade empresarial. 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero A aquisição dos produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários tributados à alíquota zero gera, sim, créditos de PIS e de COFINS, uma vez que tais insumos foram previamente sujeitos a incidência em cascata dos tributos, nas etapas anteriores da circulação. Podese considerar que não há de fato uma alíquota zero, mas, sim, uma antecipação do pagamento das contribuições, um desvio de finalidade do modelo de tributação que fora concebido para esses tributos, porquanto se tributará valor além do agregado, caso a glosa de tais créditos seja mantida. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 5 4 3. Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados A apropriação creditória referente aos dispêndios com frete e com armazenagem dão direito a crédito per se, sem que seja necessário vinculálos à importação. o simples desembolso de valores, a esse título, permite a tomada de créditos, como técnica de realização da não cumulatividade das contribuições em foco. Há muitas decisões administrativas que entendem pela possibilidade de tomada de crédito das despesas de frete, conforme se verifica nas ementas transcritas. No que tange às despesas com armazenagem, é plenamente possível a tomada de crédito de PIS e COFINS, conforme o julgado firmado pelo e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Cível n° 0029040 40.2008.404.7100/RS Relator : Des. Federal Joel Ilan Paciornik. A própria Receita Federal do Brasil já assegurou, em Resposta a Consulta Fiscal, que a apropriação de créditos calculados sobre expensas com frete e com armazenagem é válida per se, desde que comprovados tais dispêndios. A incidência ou não das contribuições sobre as operações de entrada e de saída, assim como a inclusão destes custos na base de cálculo dos tributos, é completamente irrelevante. Não fosse assim, não se permitiria o creditamento nos casos em que a tributação é monofásica, conforme Solução de Consulta nº 323, de 19 de Dezembro de 2012. 4. Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets A recorrente adquire pallets de madeira, do tipo "One Way", que são utilizados como materiais de embalagem para possibilitar as vendas, principalmente as exportações de seus produtos, sendo certo que não os recebe em retorno. Portanto, tais pallets não são contabilizados no ativo da recorrente. Em tal cenário, esses pallets compõem o custo de fabricação e comercialização dos produtos exportados, configurando insumo essencial a estas atividades. É completamente irrelevante o fato de o pallet não compor a compleição final das mercadorias, mormente porquanto tal critério não está posto por qualquer lei, quer complementar, quer ordinária. 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra As comissões compõem o custo de compra das mercadorias, de maneira a integrar a base de cálculo do creditamento correlato ao insumo. Os artigos 3º, § 1º, inciso I das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 são claros ao dispor que "o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor dos itens mencionados no inciso II do caput, adquiridos no mês". Dizer em sentido contrário corresponderia a mitigar a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, diferenciando parcelas de composição do custo de aquisição que a lei não quis segregar. 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal A tomada de crédito de PIS e de COFINS calculados em relação a despesas com energia térmica está elencada nos artigos 3o, incisos III, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. A corroborar com o dispositivo legal há a Solução de Consulta n° 61, de março de 2013. 7. Da busca da verdade material no processo administrativo tributário Os documentos que instruem a manifestação de inconformidade, bem como os julgados e soluções de consultas transcritos, atestam, de maneira clara e inequívoca, a possibilidade de tomada dos créditos de PIS e COFINS oriundos das despesas com armazenamento e frete das Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 6 5 mercadorias importadas pela ora recorrente, bem como da aquisição de pallets de madeira, utilizado como material de embalagem para possibilitar as exportações de seus produtos industrializados. Em atenção ao princípio da verdade material, tem a autoridade administrativa o dever de apurar a verdade dos fatos, que, neste caso, é a possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS em nome da recorrente e, por conseguinte, a realização do ressarcimento da forma correta. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.008, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.907915/201112, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402004.008): "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último relativamente a várias matérias. Na manifestação de inconformidade, além das alegações de ordem genérica acerca do conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições e do princípio da verdade material, a manifestante somente tinha contestado as glosas referentes às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz outras alegações de defesa e contesta expressamente todas as glosas efetuadas pela fiscalização, conforme tópicos do Relatório acima. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 7 6 (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Assim, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio, não se devendo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Nesse sentido, tem este CARF decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF Sessão de 08 de dezembro de 2016 Relator: Demes Brito Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 8 7 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Assim, não conheço das inovações recursais trazidas no recurso voluntário sob os seguintes tópicos: 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra; e 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal. Passase a analisar somente a matéria do recurso voluntário que esteja contida na lide delimitada pela manifestação de inconformidade. "Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins" Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 9 8 interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda. Filiome ao entendimento que tem aceitado os créditos de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: (...) Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições não cumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 10 9 “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. (...) ... "Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets" Acerca das glosas relativas aos paletes de madeira do tipo "One Way", entendo que elas devem ser revertidas, acompanhando o voto do Ilustre Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, proferido em face da recorrente no processo nº 13878.000213/200587 (Acórdão nº 3402002.826– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de janeiro de 2016, conforme extrato abaixo: (...) A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: (...) 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 11 10 E mais. Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado, pois são descartáveis. A recorrente fabrica e exporta seus produtos, que notoriamente são sensíveis e facilmente afetados por situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com outros produtos, deterioração por contatos de produtos naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc. No presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento (pallet, papelão e os filmes strech) não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem, por exemplo. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições Higiênicos Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matérias primas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matérias primas e produtos acabados: 8.8.1 – As matéria primas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 12 11 Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi informado ainda pela recorrente que o pallet têm natureza one way (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. (...) "Da busca da verdade material no processo administrativo tributário" Por fim, a invocação do princípio da verdade material em nada auxilia a recorrente no presente processo, eis que não há aqui controvérsia sobre matérias de fato, mas tão somente divergências quanto à qualificação jurídica dos fatos. Assim, em face do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário no que concerne às inovações recursais (alíquota zero, comissões de compra e energia térmica) e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para reverter as glosas relativas às aquisições de paletes "one way". (...)2 "Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados" 1. Com a devida vênia, ousei divergir da douta relatora do caso apenas em relação ao creditamento nas operações de frete e armazenamento, haja vista as razões que passo a expor 2. Convém destacar que, segundo o que restou apurado nos autos, a fiscalização e o contribuinte convergem em relação ao fato de que os dispêndios em questão (frete e armazenamento) foram arcados pela Recorrente, configurando, pois, custo em relação à tomada de tais serviços. Em suma, a recorrente e a fiscalização admitem que os dispêndios citados são formalmente custeados pela recorrente, o que torna este fato inconteste. 3. A discussão, todavia, gravita em torno do fato da fiscalização ter partido da premissa que tais dispêndios não dariam direito a crédito, uma vez que o insumo transportado/armazenado não estaria sujeito à incidência da COFINS. Por outro giro verbal, o que a fiscalização sustenta, indevidamente, é que o crédito de frete e de armazenamento deve seguir a mesma sistemática de creditamento do bem transportado, como se houvesse uma relação de subsidiariedade entre tais créditos. 2 Não foi transcrita a parte do voto da relatora do paradigma que tratou do direito de crédito relativo a despesas com frete e com armazenagem, por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do acórdão do processo paradigma. Transcreveuse, tãosomente, o entendimento que prevalesceu sobre a questão. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 13 12 4. Tal entendimento, todavia, é indevido. A apuração dos créditos em tela não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão, até que porque não haveria qualquer sentido nisso, já que o frete e o armazenamento sofreram a incidência integral da contribuição e, por isso, não podem ser comparados ao procedimento aplicável ao bem transportado/armazenado. Não se comparam elementos distintos por absoluta impropriedade de meio e inconsistência de conclusão. 5. Logo, uma vez provado que o frete e o armazenamento configuram custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Inclusive, é assim que tem decidido este Tribunal administrativo, consoante se observa das ementas abaixo transcritas: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 (...). CRÉDITO. FRETE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. É permitido ao contribuinte tomar crédito do custo do transporte de insumos quando ainda em fase de produção. Neste diapasão, uma vez que o frete em si é tributado pelas contribuições, ainda que os objetos transportados se refiram a insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF; Acórdão n. 3302002.780; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 11/12/2014). Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...). CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratandose de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13888.908657/201191 Acórdão n.º 3402004.032 S3C4T2 Fl. 14 13 (CARF; Acórdão n. 3302001.916; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 29/01/2013) 6. Neste sentido, inclusive, é o recentíssimo julgado desta turma julgadora, conforme se observa da seguinte ementa: Ementa Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 (...). FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO. A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Recurso voluntário parcialmente provido. Direito creditório reconhecido em parte. (Acórdão n. 3402003.968; sessão de 28 março de 2017). 7. Assim, com base em tais fundamentos reconheço como válidos os créditos de frete e armazenamento vindicados pela recorrente, motivo pelo qual, na parte reconhecida, dou integral provimento ao recurso voluntário interposto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida, dou integral provimento. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 229DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.900712/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora
(assinado digitalmente).
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido de votar.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora (assinado digitalmente). Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva declarouse impedido de votar. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 00 71 2/ 20 13 -6 1 Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16682.900712/201361 Resolução nº 1401000.439 S1C4T1 Fl. 375 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão 12063.511 da 15a Turma da DRJ/RJ1, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade da Interessada, ao indeferir pedido de diligência formulado para fins de identificação de possível homologação tácita em relação ao conteúdo de PER/DECOMP's transmitidos em 2004, com posterior retificação em 2008; não reconhecer nenhum crédito além do reconhecido no Despacho Decisório DEMAC/RJO n. 048890990 de 04/04/2013 (fl. 70) e não homologar nenhuma compensação além das já homologadas nesse despacho. Os PER/Dcomp (fls. 02 a 67), objeto deste processo são: • 09274.98128.290508.1.7.038202 (homologada parcialmente) • 19139.53915.290508.1.3.034252 (não homologada) • 22030.82559.290508.1.7.035540 (não homologada) • 22126.23741.290508.1.7.033812 (não homologada) • 34004.17021.290508.1.7.030073 (não homologada) • 33253.33515.290508.1.7.030560 (não homologada) No Despacho Decisório (fl. 70), consta o indeferimento parcial dos PER/DCOMP, sob alegação de que o saldo negativo de CSLL montava apenas R$ 698.100,21, sendo insuficiente para compensar integralmente todos os débitos informados pela interessada, restando a questão controvertida somente em relação valor de R$ 12.401.615,63, decorre de pagamento de Estimativa Mensal de CSLL nos meses de janeiro, fevereiro, março e julho de 2000. A parcela de crédito de R$ 12.401.615,63 não foi reconhecida, porque, de acordo com o relatório da fiscalização, a Requerente "apresentou documentação absolutamente insuficiente" para comprovar os créditos utilizados para quitar as Estimativas Mensais de CSLL dos meses de janeiro, fevereiro, março e julho. Além disto, o Ilmo. Auditor Fiscal não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP 19139.53915.290508.1.3.034252, sob a alegação de que na data de sua transmissão já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em função do decurso do prazo legal. Em sede de voluntário, reitera os argumentos trazidos na Impugnação, quanto a existência e suficiência dos créditos compensados, inclusive o pedido de conversão do julgamento em diligência para aferição da existência de homologação tácita . VOTO Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 16682.900712/201361 Resolução nº 1401000.439 S1C4T1 Fl. 376 3 O recurso voluntário preenche os requisitos legais para admissibilidade. A Recorrente fundamente pedido de conversão do julgamento em diligência para aferição da existência de homologação tácita sob fundamento de que art. 74, parágrafo 5o.da Lei 9.430/96, fixa o prazo de cinco anos para análise das compensações realizadas pelos contribuintes. Reclama que para a contagem dos cinco anos há que se diferenciar as Per/Decomps originais das retificadoras, apontando que o prazo em foco iníciose em 2004 e findouse em 2009 com relação aos dados informados nas Per/Decomps originais que não foram alteradas nas Per/Decomps retificadoras e faz o seguinte recordatório em suas razões: O pedido de diligência formulado pela Recorrente encontra amparo em jurisprudência do STJ, no sentido de que a retificação tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada mas, no entanto somente interrompe o prazo prescricional para a cobrança do crédito tributário que foi retifificado (AgRg no Agravo de Instrumento n. 1.254.666 publicado em 08/04/2011, segue trecho: A jurisprudência desta Corte firmouse no sentido de que se considera constituído o crédito tributário a partir da entrega da Declaração de Contribuições de Tributos Federais (DCTF). Esse o teor da Súmula 436/STJ, in verbis: "A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco". Desse modo, sendo entregue a Declaração, seja por meio de DCTF, GIA, ou outra declaração dessa natureza, temse constituído e Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16682.900712/201361 Resolução nº 1401000.439 S1C4T1 Fl. 377 4 reconhecido o crédito tributário, iniciandose, a partir desse momento, o cômputo da prescrição quinquenal em conformidade com o artigo 174 do Código Tributário Nacional. Por outro lado, quando a DCTF é retificada, nas hipóteses em que permitida, esta retificação tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada mas, no entanto, somente interrompe o prazo prescricional para a cobrança do crédito tributário que foi retificado. Para dar respaldo ao seu crédito a Recorrente anexa aos autos planilha discriminando mês a mês, o saldo negativo de CSLL carregado no ano calendário de 1996 até a realização de cada compensação de estimativa mensal de CSLL no ano calendário de 2000 (fls. 159/160) e reconhece que se equivocou ao preencher a DCTFs quando informou o saldo negativo para as compensações das estimativas mensais de CSLL referiase ao anocalendário de 1999, o que configuraria erro material, passível de esclarecimento pela realização da diligência, que teria o condão de identificar exatamente o conteúdo dos PerDecomps formalizados em 2004 em relação às retificadoras formalizadas em 2008. Sendo assim, e apenas por dever de cautela, baixo o feito em diligência para que a fiscalização aprofunde a investigação, buscando identificar precisamente o alcance de cada um dos PER/DECOMP retificadores em relação ao conteúdo retificado, buscando apontar se de fato houve somente erro de digitação em relação ao ano calendário sendo que onde constou 1999 deveria ter constado 1996, para fins de apuração da ocorrência de possível homologação tácita em relação ao conteúdo das declarações de compensação apresentadas em 2004. Ademais, intimese o contribuinte se for o caso, no sentido de esclarecer tais inconsistências, chegando a uma conclusão a respeito do verdadeiro saldo de créditos fiscais ora em questão e seu montante em relação aos débitos compensados Se for possível, trazer também aos autos a evolução de forma ampla da formação desses créditos referentes ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1996, através das informações contidas no banco de dados da Receita Federal do Brasil, que é alimentado pelas informações prestadas pelos próprios contribuintes através de suas declarações de rendimentos/faturamento, confrontandoas com a planilha apresentada pela Recorrente (fls. 159/160), na qual, ela discrimina mês a mês, o saldo negativo de CSLL carregado no ano calendário de 1996 até as realizações de cada compensação de estimativa mensal de CSLL no ano calendário 2000. Após, intimar o contribuinte para no prazo de 30 dias oferecer suas considerações sobre o resultado da diligência, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 378DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.002619/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
"A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO.
Somente os depósitos bancários identificados como resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas submete-se a tributação mais benigna, devendo ser comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, todas as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade, devidamente escriturados no Livro Caixa.
APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.
"A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 4)
Numero da decisão: 2202-003.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. "A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO. Somente os depósitos bancários identificados como resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas submete-se a tributação mais benigna, devendo ser comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, todas as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade, devidamente escriturados no Livro Caixa. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 4)
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. "A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO. Somente os depósitos bancários identificados como resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas submetese a tributação mais benigna, devendo ser comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, todas as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade, devidamente escriturados no Livro Caixa. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 26 19 /2 00 9- 25 Fl. 834DF CARF MF 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC: Por meio do auto de infração de fls. 684 a 695, de 26/06/2009, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 1.656.849,43, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos calendário 2004, 2005 e 2006, exercícios 2005, 2006 e 2007. Os dispositivos legais infringidos constam do respectivo auto de infração. Em consulta à "Descrição dos Fatos e enquadramento(s) Legal (is)", às folhas 686 a 689, e ao "Relatório de Fiscalização", às folhas 624 a 683, verificase que a autuação tem por base a constatação da prática de omissão de rendimentos, evidenciada pela falta de comprovação, por parte do contribuinte, da origem dos depósitos incluídos em suas contas bancárias, hipótese presuntiva de omissão de receitas conforme previsão do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, de 27 de dezembro de 1996. O sujeito passivo apresenta impugnação ao lançamento, arguindo, em síntese, o abaixo exposto. Afirma ser produtor rural e também comercializar a produção de outros agricultores da região, sendo o pagamento da venda de tais produtos depositados em suas constas correntes. Assim, entende que deve ser tributado com base nas determinações previstas pela Lei nº 8.023/90, ou seja, com a base de cálculo, para fins de apuração, sendo 20% sobre a receita bruta. Aduz que a inexatidão entre os valores encontrados em suas contas bancárias e os valores das notas fiscais decorre do fato que muitas vezes o depósito referese a (sic) mais de uma nota fiscal, e a (sic) venda da produção de mais de um produtor. O impugnante repassava os valores devidos aos demais produtores, após a retirada de sua comissão. Entende que devem ser utilizadas as declarações do imposto de renda de todos os produtores rurais que confessaram entregar Fl. 835DF CARF MF Processo nº 10909.002619/200925 Acórdão n.º 2202003.822 S2C2T2 Fl. 835 3 sua produção ao sujeito passivo, para fins de distribuição dos valores aqui debatidos. Conclui não ser possível que um simples agricultor possa ter realizado tamanha movimentação financeira apenas com recursos próprios, o que houve foi, na verdade, um erro de pessoa mal instruída, tanto que, recentemente, a fim de legalizar totalmente sua operações o impugnante passou a intermediar a venda, entretanto, a mesma tem como origem a cooperativa criada pelos produtores da região que entregam sua produção na cooperativa. Argumenta que a aplicação da taxa Selic deve ser afastada, pois fere diversos princípios do ordenamento jurídico brasileiro, além de ultrapassar o limite de juros disposto pelo CTN, em seu artigo 161, §1º. Contesta ainda a aplicação da penalidade de 75% sobre o crédito principal, posto representar típico ato confiscatório, vedado pelo artigo 150,IV, da CF/88. Requer, por fim, nulidade do auto de infração, ou o recálculo do valor devido, e a não aplicação da taxa Selic e da multa. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004,2005, 2006 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ONUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SUJEITO PASSIVO. O titular da conta de depósito mantida junto à instituição financeira é o sujeito passivo da tributação da omissão de rendimentos representada por valores creditados na referida conta, quando, regularmente intimado, o contribuinte não comprova, mediante documentação a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. NÃO COMPROVAÇÃO Fl. 836DF CARF MF 4 Somente os depósitos bancários identificados como resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas submentemse a tributação mais benigna, devendo ser comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, todas as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade, devidamente escriturados no Livro Caixa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004,2005,2006 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplciar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência dessa instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Nacional (art. 161, §1º) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1% desde que previsto em lei. Não é da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. IMCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Cientificado (AR fls. 722) o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 723/831 no qual reitera as alegações suscitadas quando da Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Fl. 837DF CARF MF Processo nº 10909.002619/200925 Acórdão n.º 2202003.822 S2C2T2 Fl. 836 5 O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. É o que dispõe o artigo da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 838DF CARF MF 6 acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. O Recorrente insiste que a origem dos recurso foi comprovada pelas declarações das empresas com quem mantinha, embora não exista a exatidão entre os valores encontrados em suas contas e os valores das notas fiscais. No entanto, conforme exposto na decisão recorrida: Quanto aos demais créditos, caracterizado pela autoridade fiscal como omissão de rendimentos, o sujeito passivo limitase a argumentar genericamente que se tratavam de intermediação na venda da produção rural de outros produtores. Tal alegação, todavia, não basta para que os depósitos sejam considerados como de origem comprovada. Apenas mediante a apresentação de documentos que atestassem de forma individualizada a origem de cada ingresso na conta bancária é que estaria cumprido o ônus que a lei lhe estabeleceu. Como o sujeito passivo não laborou neste sentido, estes depósitos enquadramse como omissão de rendimentos, conforme previsto pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96. A alusão sobre a utilização das declarações do imposto de renda de todos os produtores rurais que confessaram entregar sua produção ao sujeito passivo tampouco merece guarida, tendo em vista que não restou comprovado que todos os depósitos bancários efetivamente referemse ao resultado da atividade rural de outros contribuintes. Como já explicitado, para aqueles depósitos que o sujeito passivo comprovou corresponderem a créditos de outros contribuintes, não foi caracterizada omissão de rendimentos, não sendo, portanto, tributados esses valores. Ademais, o sujeito passivo não trouxe aos autos nenhum documento comprovando a efetiva transferência de recursos de Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10909.002619/200925 Acórdão n.º 2202003.822 S2C2T2 Fl. 837 7 suas contas correntes para os demais produtores rurais, base de suas alegações. Além disso, é importante destacar que a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada O Recorrente alega ainda que ocorreu um erro na base de cálculo utilizada para o lançamento, uma vez que, de acordo com o previsto na Lei nº 8.023/90, o imposto de renda da atividade rural deverá ser calculado sobre 20% da receita bruta. Como bem esclarecido na decisão recorrida, o RIR/99, em seu artigo 60, estabelece uma tributação diferenciada para atividade rural, nestes termos: Art.60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade §1ºO contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. §2º A falta da escrituação prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. Verificase, assim, que, para fazer jus a tributação diferenciada, é imprescindível que o contribuinte comprovasse que os valores recebidos em sua conta corrente são decorrentes da exploração da atividade rural o que, como visto, não foi feito. A própria decisão do CARF (Acórdão 10417830) colacionada pelo Recorrente deixa claro que "A receita da atividade rural, decorrente da comercialização dos produtos, por estar sujeita à tributação mais benigna, fica sujeita, por lei a comprovação de sua origem". Por fim, alega o Recorrente que, caso mantidos os valores discutidos integral ou parcialmente, impõese a verificação dos meios utilizados pela Fazenda a fim de atualizar o suposto débito aqui debatido, mais precisamente os juros SELIC Sistema Especial de Liquidação e Custódia, instituída pelo artigo 13, da Lei no 9.065, de 20 de junho de 1995, que a partir de abril de 1995, alterou o artigo 84 da Lei no 8.981/95, e passou a incidir sobre os débitos de natureza tributária, na forma de juros remuneratórios, disfarçados e contrários a determinação legal (art. 161, §, 1º do CTN) que apenas determina a exclusão dos juros moratórios. Fl. 840DF CARF MF 8 A aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face do exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 841DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.000325/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. BASE DE CÁLCULO. SÚMULA CARF Nº 69.
Nos termos da Súmula CARF nº 69, a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: Relator
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BASE DE CÁLCULO. SÚMULA CARF Nº 69. Nos termos da Súmula CARF nº 69, a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 03 25 /2 00 9- 19 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 85 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10660.000325/200919, em face do acórdão nº 0927.446 julgado pela 4ª Turma da Delegacia Federal do Brasil em Juiz de Fora (DRJ/JFA), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "A ação fiscal desenvolvida junto a Maria Lúcia Moraes Ribeiro, já qualificada nos autos, resultou no Auto de Infração, As fls. 01 a 25, exigindo R$ 303.677,80 de imposto, R$ 227.758,34 de multa de oficio e R$ 123.253,94 de juros de mora (calculados até 31/08/2009) A fiscalização, cujo detalhamento encontrase no Termo de Verificação Fiscal, As fls. 17 a 25, pode ser, em síntese, assim descrita: 1. A contribuinte foi selecionada por encontrarse omissa na entrega das DIRPFs, referentes aos exercícios 2005 a 2007, enquanto movimentava valores expressivos em instituições financeiras; 2. Intimada e reintimada a apresentar diversos documentos, a interessada limitouse a entregar a Fiscalização uma autorização para que esta pudesse requerer informações da própria contribuinte junto ao Unibanco S.A. Assim, foi emitida a RMF para obter a necessária documentação à condução do procedimento fiscal; 3. Feita a análise da documentação encaminhada pela citada instituição bancária, intimouse e reintimouse a contribuinte a apresentar esclarecimentos acerca dos recursos financeiros aportados em sua conta corrente, comprovando assim a origem desses. Destaquese que da referida documentação constatouse que a conta corrente tinha como segundo titular o cônjuge da interessada, Luiz Gonzaga Ribeiro. Tal fato ensejou a abertura de ação fiscal neste último; 4. A autuada apresentou Notas Fiscais de Produtor Rural, Cartão de Produtor Rural e um Contrato de Arrendamento, alegando, juntamente com seu cônjuge, Luiz Gonzaga Ribeiro, que o movimento bancário existente na conta conjunta encontrava respaldo/justificativa na documentação que estava apresentando, além de afirmar que suas Notas Fiscais de Produtor Rural representavam vendas cujos recebimentos se deram nesta conta corrente mantida no Unibanco; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 86 3 5. Dentre os esclarecimentos prestados, argumentou a contribuinte não possuir outras Notas Fiscais de Produtor Rural, pois, de acordo com o Regulamento do ICMSMG, estaria desobrigada da emissão de notas fiscais nas vendas hortifrutigranjeiros dentro do estado; 6. Os maiores adquirentes (em R$) foram circularizados e verificouse que os valores apresentados pela contribuinte refletem, de forma consistente, a renda relativa a sua atividade rural. "Necessário comentar que as vendas realizadas com as empresas EVORA, MUFFATO, SUPERMERCADO CIDADE CANÇÃO foram recebidas em contas correntes bancárias individuais pertencentes ao cônjuge Luiz Gonzaga e, portanto, estarão computadas no procedimento fiscal..." em nome deste; 7. "Comprovado que alguns valores são recursos da atividade rural e sendo 20% do valor da Receita Bruta a opção mais favorável ao contribuinte em relação à diferença entre receita e despesa, foi levado para o Auto de Infração, como omissão de receita da atividade rural... "; 8. Restaram, ainda, créditos significativos de origem não comprovada e a autoridade autuante afirmou que "não há amparo na legislação tributária para aceitação como prova de origem de depósitos em conta bancária a declaração feita pelo contribuinte no documento de fls. 114 e 115 (os recursos são advindos da atividade rural e hipótese de dispensa do item 5 retro), uma vez desacompanhada de documentação hábil e comprobat6ria. Não pode ser aceito que, grande parte de movimentação financeira tão significativa, seja comprovada com meras alegações. "; 9. Sendo assim, além da omissão de rendimentos provenientes da atividade rural, a omissão representada pelos créditos de origem não comprovada foi objeto de lançamento no presente processo. A autoridade lançadora formalizou ainda o Processo n° 10660.001185/200904 de Representação Fiscal para Fins Penais e o Processo n° 10660.001186/200941 de Arrolamento de Bens e Direitos. Cabe destacar, ainda, que a contribuinte continuou sem apresentar as DIRPFs, relativas aos exercícios 2005, 2006 e 2007. As multas por não entrega das declarações foram objeto de lançamento em outro processo. Cientificada da autuação, a interessada, através de seu representante (fl. 170), apresentou a impugnação, as fls. 159 a 169, em que contesta o lançamento efetuado, em síntese, nos seguintes termos: 1. Ao utilizar o extrato bancário para efetuar o lançamento, o Fisco não se ateve aos mandamentos do art. 43 do CTN, devendo ser aplicada a súmula 182 do extinto TFR, sendo nulo o lançamento. Neste, ponto, traz trechos de decisões judiciais que Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 87 4 se basearam na referida súmula e afirma que esta continua vigorando; 2. Alega que não foram observados "...os mandamentos dos incisos I (exclusões de transferências /cheques devolvidos e outros) e (dedução do valor de R$ 80.000,00 por ano calendário) previstas no 3° do art. 42 da Lei 9240/96 — redação dada pela Lei 9.481/97" (grifos originais); 3. Argumenta que "tratandose de conta conjunta, não há no presente processo a intimação do cotitular, sendo nulo o lançamento. "(grifos originais) e reproduz ementas de decisões exaradas pelo Conselho de Contribuintes; 4. Transcreve trechos do Termo de Verificação Fiscal e afirma que "... pela prova dos autos corroborado pela manifestação do fiscal que lavrou o auto de infração..., a única atividade exercida pela impuznante é de exploração de atividade rural." (grifos originais); 5. Ao reconhecer a atividade rural da impugnante, apenas parte dos depósitos fora tributada com base no art. 5° da Lei 8.023/80 (arbitramento do imposto de renda — 20% da receita bruta). "No caso em lide, o fisco acionou diretamente o art. 5° da Lei 8.023/90..., sem primeiro, observar a determinação do art. 4 0 da lei 8.023/90, sem efetuar as deduções do art. 7° e sem aplicar as aliquotas corretas previstas no art. 10°. "(grifos originais). Portanto há nulidade insanável no lançamento; 6. Ademais, o fisco reconheceu expressamente que a atividade exercida pela requerente é rural e, mesmo assim, efetuou lançamento "como omissão — origem não comprovada",(grifos originais) não observando a legislação pertinente; 7. Importante observar que todas as notas fiscais relacionadas pelo agente fiscal são referentes à remessa de mercadorias para outros estados, uma vez que para as vendas efetuadas dentro do Estado de Minas Gerais não há necessidade de emissão de nota fiscal. 0 trânsito de "fruta fresca nacional" é livre conforme expresso no Regulamento do Estado. Em síntese, para as mercadorias remetidas para outros estados, emitese nota fiscal, para aquelas vendidas dentro de Minas Gerais, não há emissão de notas. Tal procedimento é amparado na legislação tributária que rege a atividade rural. Contudo a autoridade autuante afirmou que essa argumentação não merece acolhida; 8. Conclui que, como não há dúvidas de que a impugnante exerce exclusivamente a atividade rural, emitindo notas fiscais em consonância com a legislação e não havendo provas de que a origem dos recursos é outra que não a atividade rural, resta afastada a presunção do art. 42 da Lei 9.430/96. Assim, a tributação deve observar o art. 5° e seu parágrafo único da Lei 8.023/90 (tributação de 20% da receita bruta — com aliquotas de 10 e 25% previstas no art. 10). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 88 5 9. Transcreve, então, diversas ementas de decisões administrativas; 10. Por fim, para referendar as alegações, requer que seja possível se utilizar de todos os meios de prova ("juntada e requisição de novos documentos, oitivas de testemunhas e depoimento pessoal do fiscal"), bem como que seja julgado improcedente o lançamento, já que este possui irregularidades insanáveis." Com a chegada deste autos a este Conselho, foi proferido Acórdão n° 2101 01.549, declinando a competência, por assim entender: “Ante a prejudicialidade configurada, entendo que o presente processo, de auto de infração de multa por falta/atraso na entrega das declarações de IRPF correspondentes aos exercícios 2005, 2006 e 2007, deve seguir o processo de auto de infração de imposto sobre a renda de pessoa física dos mesmos exercícios, para apreciação conjunta dos dois, tal como permite o Regimento Interno deste Conselho.” (grifouse). Posteriormente, em Resolução n° 2102000.114, foi determinado o sobrestamento do recurso, nos seguintes termos: "Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por conexão com o lançamento tombado no processo administrativo n. 10660.001184/200951, já que este se encontra também sobrestado, pois alicerçado em transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco." Consta no site do CARF que o processo administrativo n. 10660.001184/200951 já foi julgado, em sessão de 11 de março de 2015, possuindo o acórdão de nº 2101002.737, o qual conta a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa e conseqüente nulidade do lançamento. DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 89 6 de nulidade do lançamento. No presente caso, a Fiscalização procedeu a intimação de todos os titulares. IRPF. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. Cabe a desconstituição da presunção quando o contribuinte, através de documentação idônea, prova a origem dos recursos depositados em suas contas bancária. No presente caso, o Recorrente não logrou êxito em comprovar a origem dos valores que transitaram em suas contas correntes. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS CAPAZES DE COMPROVAR AS ALEGAÇÕES. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória." Portanto, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, foi constatada a falta de apresentação de declaração de rendimentos, foi o tributo calculado (sendo este lançado nos autos do processo nº 10660.001184/200951) e a multa regulamentar foi apurada, sendo lançada no presente processo administrativo fiscal. O cálculo da multa foi realizado do seguinte modo, consoante Termo de Verificação Fiscal de fls. 13/14 destes autos, vejamos: "Do Cálculo da Multa A multa de mora será de 1 (um) por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, limitada a 20% do imposto devido. O termo inicial a ser considerado 6 o mês subseqüente ao prazo de entrega da declaração e o final 6 o mês do lançamento. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 90 7 Considerando que já se passaram mais de vinte meses do prazo de entrega das referidas declarações, a multa sera limitada a 20% do imposto devido em cada exercício. Exercício 2005, anocalendário 2004. Conforme Demonstrativos de Apuração (Auto de Infração fls. 05 e 06), o imposto devido é de R$ 107.461,07 X 20% = R$ 21.492,21, que corresponde ao valor da multa desse exercício. Exercício 2006, anocalendário 2005. Conforme Demonstrativo de Apuração (Auto de Infração fls. 07 e 08), o imposto devido é de R$ 95.964,41 X 20% = R$ 19.072,88, que corresponde ao valor da multa desse exercício. Exercício 2007, anocalendário 2006. Conforme Demonstrativo de Apuração (Auto de Infração, fls. 09 el0), o imposto devido é de R$ 100.852,32 X 20% = R$ 20.170,46, que corresponde ao valor da multa desse exercício. O imposto devido apurado nas referidas declarações será lançado no Processo Administrativo Fiscal N° 10660.001184/200951, de onde foram retiradas cópias dos demonstrativos de apuração acima mencionados." A legislação tributária federal, ao tratar da multa por atraso na entrega da declaração, estabelece no artigo 88 da Lei n° 8.981/95 verbis: Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; (Vide Lei nº 9.532, de 1997) II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. Depreendese da leitura do referido dispositivo legal, que a lei instituiu a multa por atraso na entrega da declaração independentemente de haver imposto devido. No caso em que houver imposto a ser pago quando da entrega da declaração, ainda que já integralmente pago, em cota única ou parcelado, a multa por atraso na entrega da declaração é devida. O Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3000, de 1999), estabelece que: Art. 964. Serão aplicadas as seguintes penalidades: I multa de mora: a) de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 91 8 rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos §§ 2º e 5º deste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso I, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 27); b) de dez por cento sobre o imposto apurado pelo espólio, nos casos do § 1º do art. 23 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 49); II multa: a) de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos a seis mil, seiscentos e vinte nove reais e sessenta centavos no caso de declaração de que não resulte imposto devido (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30); b) de cem por cento, sobre a totalidade ou diferença do imposto devido, resultante da reunião de duas ou mais declarações, quando a pessoa física ou a pessoa jurídica não observar o disposto nos arts. 787, § 2º, e 822 (Lei nº 2.354, de 1954, art. 32, alínea "c"). § 1º As disposições da alínea "a" do inciso I deste artigo serão aplicadas sem prejuízo do disposto nos arts. 950, 953 a 955 e 957 (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 17, e DecretoLei nº 1.968, de 1982, art. 8º). § 2º Relativamente à alínea "a" do inciso II, o valor mínimo a ser aplicado será (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, § 1º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30): I de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos, para as pessoas físicas; II de quatrocentos e quatorze reais e trinta e cinco centavos, para as pessoas jurídicas. § 3º A não regularização no prazo previsto na intimação ou em caso de reincidência, acarretará o agravamento da multa em cem por cento sobre o valor anteriormente aplicado (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, § 2º). § 4º Às reduções de que tratam os arts. 961 e 962 não se aplica o disposto neste artigo. § 5º A multa a que se refere a alínea "a" do inciso I deste artigo, é limitada a vinte por cento do imposto devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 2º (Lei nº 9.532, de 1997, art. 27). § 6º As multas referidas nas alíneas "a" dos incisos I e II, e no § 2º deste artigo serão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 27, parágrafo único): I deduzidas do imposto a ser restituído ao contribuinte, se este tiver direito à restituição; II exigidas por meio de lançamento notificado ao contribuinte. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10660.000325/200919 Acórdão n.º 2202003.961 S2C2T2 Fl. 92 9 (grfiouse) Portanto, considerando que o processo nº 10660.001184/200951 já foi julgado, em sessão de 11 de março de 2015, possuindo o acórdão de nº 2101002.737, tendo acordado os Conselheiros por unanimidade, em negar provimento ao recurso, verificase que cabível a manutenção da multa aplicada. A multa aplicada foi, nos termos do art. 964, I, alínea "a" de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, limitada a 20%, nos termos do § 5º do referido diploma. Assim, temse que a multa aplicada em 20% está adequada a legislação em regência. Por fim, importa referir o disposto na Súmula CARF nº 69, aplicável ao caso em análise, que assim dispõe: Súmula CARF nº 69: A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.907518/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 75 18 /2 01 0- 11 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.907518/201011 Acórdão n.º 1301002.394 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 165DF CARF MF
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