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Numero do processo: 11128.729810/2013-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 20/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/10/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.057
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 20/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 20/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 98 10 /2 01 3- 54 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.729810/201354 Acórdão n.º 3302004.057 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.729810/201354 Acórdão n.º 3302004.057 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.729810/201354 Acórdão n.º 3302004.057 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.501. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.729810/201354 Acórdão n.º 3302004.057 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11128.729810/201354 Acórdão n.º 3302004.057 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11128.729810/201354 Acórdão n.º 3302004.057 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11128.729810/201354 Acórdão n.º 3302004.057 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11128.729810/201354 Acórdão n.º 3302004.057 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11128.729810/201354 Acórdão n.º 3302004.057 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11128.729810/201354 Acórdão n.º 3302004.057 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11128.729810/201354 Acórdão n.º 3302004.057 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11128.729810/201354 Acórdão n.º 3302004.057 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11128.729810/201354 Acórdão n.º 3302004.057 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11128.729810/201354 Acórdão n.º 3302004.057 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.730392/2013-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 08/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 08/10/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.075
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 08/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 08/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 08/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 03 92 /2 01 3- 48 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.730392/201348 Acórdão n.º 3302004.075 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.730392/201348 Acórdão n.º 3302004.075 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.730392/201348 Acórdão n.º 3302004.075 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.988. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11128.730392/201348 Acórdão n.º 3302004.075 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11128.730392/201348 Acórdão n.º 3302004.075 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11128.730392/201348 Acórdão n.º 3302004.075 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11128.730392/201348 Acórdão n.º 3302004.075 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11128.730392/201348 Acórdão n.º 3302004.075 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11128.730392/201348 Acórdão n.º 3302004.075 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11128.730392/201348 Acórdão n.º 3302004.075 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11128.730392/201348 Acórdão n.º 3302004.075 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11128.730392/201348 Acórdão n.º 3302004.075 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11128.730392/201348 Acórdão n.º 3302004.075 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11128.730392/201348 Acórdão n.º 3302004.075 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.910113/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2010
COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.062
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2010 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da nãocumulatividade. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos sobre pedido de reconhecimento de direito creditício de COFINS, informado como oriundo de recolhimento efetuado a maior, cumulado com declaração de compensação (PER/DCOMP). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 01 13 /2 01 2- 45 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11020.910113/201245 Acórdão n.º 3402004.062 S3C4T2 Fl. 3 2 No Despacho Decisório, a autoridade local da RFB indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, após ter "efetuado revisão completa retroativa de suas últimas bases de cálculo de COFINS", possuir créditos oriundos de suas seguintes contas, discorrendo acerca da legislação que em tese respaldaria os mesmos: A DRJ/RPO, nos termos do Acórdão 14046.826, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, no qual, em suma, restringese a afirmar que o "processo já dispõe dos documentos comprobatórios dos créditos apurados", e nada mais! É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.034, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 11020.910095/201200, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.034): "Alega o contribuinte, de forma genérica, ter créditos para fins de apuração da COFINS a pagar no sistema nãocumulativo. Tais créditos seriam oriundos de valores constantes nas contas especificadas no relatório. Feita essa apuração, a posteriori, sem qualquer liquidez e certeza já saiu a se compensar com débitos de tributos administrados pela RFB. Ou seja, não há prova específica a respaldar os alegados créditos. Acostou cópia do livro razão onde constam tais contas contábeis, sem qualquer documento fiscal e referência a seu processo produtivo em que se pudesse constatar de quais insumos se tratam e, mais, se efetivamente são utilizados na produção das mercadorias que produz. Demais disso, em tese, em análise superficial, valores referente à manutenção e reparos, fretes com vendas (nas quais não se sabe quem arcou com os valores), despesas diversas (que não se sabe do que se tratam), e mão de obra de terceiros (que em tese podem ser feitas por pessoas física, o que afastaria qualquer direito a crédito) não dão direito a crédito. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11020.910113/201245 Acórdão n.º 3402004.062 S3C4T2 Fl. 4 3 Assim, sendo firme a jurisprudência desse Colegiado no sentido de que recai sobre o contribuinte o onus probandi dos créditos que alega ter, mormente em relação a valores que já se compensou, que pressupõe sua certeza e liquidez, constatase que ele não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados. CONCLUSÃO Portanto, ante a falta de prova dos declarados créditos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Ressaltese que, neste processo, as contas especificadas como origem dos créditos (indicadas no relatório) são as mesmas que as tratadas no caso do paradigma, e que o contribuinte, nestes autos, também "não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.910849/2009-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/07/2001
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.859
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/07/2001 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/07/2001 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 49 /2 00 9- 00 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11065.910849/200900 Acórdão n.º 9303004.859 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.153, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/07/2001 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/07/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11065.910849/200900 Acórdão n.º 9303004.859 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11065.910849/200900 Acórdão n.º 9303004.859 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11065.910849/200900 Acórdão n.º 9303004.859 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.910095/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2007
COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/05/2007 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2007 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da nãocumulatividade. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 00 95 /2 01 2- 00 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11020.910095/201200 Acórdão n.º 3402004.034 S3C4T2 Fl. 115 2 Relatório Versam os autos pedido de reconhecimento de direito creditício de COFINS relativo ao período de maio/2007, cujo valor foi parcialmente compensado (PER/DCOMP) com outro tributo administrado pela RFB. No Despacho Decisório, a autoridade local da RFB indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, após ter "efetuado revisão completa retroativa de suas últimas bases de cálculo de COFINS", possuir créditos oriundos de suas seguintes contas, discorrendo acerca da legislação que em tese respaldaria os mesmos: A DRJ/RPO, nos termos do Acórdão 1446.808, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, no qual, em suma, restringese a afirmar que o "processo já dispõe dos documentos comprobatórios dos créditos apurados", e nada mais! É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Alega o contribuinte, de forma genérica, ter créditos para fins de apuração da COFINS a pagar no sistema nãocumulativo. Tais créditos seriam oriundos de valores constantes nas contas especificadas no relatório. Feita essa apuração, a posteriori, sem qualquer liquidez e certeza já saiu a se compensar com débitos de tributos administrados pela RFB. Ou seja, não há prova específica a respaldar os alegados créditos. Acostou cópia do livro razão onde constam tais contas contábeis, sem qualquer documento fiscal e referência a seu processo produtivo em que se pudesse constatar de quais insumos se tratam e, mais, se efetivamente são utilizados na produção das mercadorias que produz. Demais disso, em tese, em análise superficial, valores referente à manutenção e reparos, fretes com vendas (nas quais não se sabe quem arcou com os valores), despesas diversas (que não se sabe do que se tratam), e mão de obra de terceiros (que em tese podem ser feitas por pessoas física, o que afastaria qualquer direito a crédito) não dão direito a crédito. Assim, sendo firme a jurisprudência desse Colegiado no sentido de que recai sobre o contribuinte o onus probandi dos créditos que alega ter, mormente em relação a valores Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11020.910095/201200 Acórdão n.º 3402004.034 S3C4T2 Fl. 116 3 que já se compensou, que pressupõe sua certeza e liquidez, constatase que ele não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados. CONCLUSÃO Portanto, ante a falta de prova dos declarados créditos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Jorge Olmiro Lock Freire relator. Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.724992/2011-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9303-000.105
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para cientificar o contribuinte do resultado do acórdão de recurso voluntário, com posterior retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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(assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3302001.916, de 29 de janeiro de 2013 (fls. 6263 a 6315 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que pelo voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso voluntário, conforme acórdão assim ementado in verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .7 24 99 2/ 20 11 -9 7 Fl. 6482DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Resolução nº 9303000.105 CSRFT3 Fl. 6.483 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ALEGAÇÕES. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. É ônus da interessada a comprovação das alegações, em especial o erro de preenchimento de declaração alegado em seu favor, de modo a revisar o auto de infração devidamente fundamentado em divergência entre escrituração fiscal e créditos constantes do Dacon. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que são direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Do valor do PIS ou da Cofins, apurados segundo o regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos listados na legislação de regência. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. Com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, não mais se poderá apurar créditos relativos à Cofins decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero, utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. CRÉDITO. SERVIÇOS DE ESGOTO. POSSIBILIDADE. Como é relativa a serviço utilizado indiretamente no processo produtivo, a taxa de esgoto gera direito de crédito. CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratandose de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS PRONTOS. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins não cumulativa sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, não clienteS. CRÉDITO. DAÇÃO EM PAGAMENTO. Ainda que pagas por meio de dação em pagamento, as aquisições tributadas pelas contribuição que se enquadrem no conceito de insumo utilizado na produção geram direito a crédito. CRÉDITO. SERVIÇOS RELACIONADOS A IMPORTAÇÃO. Não se tratando de insumos utilizados na produção, nem de valores que componham a base de cálculo das aquisições do exterior que,prevista em lei, gera crédito, não se reconhece o direito em relação a serviços de importação. CRÉDITO. EMBALAGENS. AQUISIÇÕES NÃO COMPROVADAS. A falta de comprovação da aquisição impede o creditamento relativo a aquisições de embalagens. CRÉDITO. FRETE NA EXPORTAÇÃO. Os serviços contratados de agenciamento, logística e intermediação de exportação ou frete não são passíveis de creditamento, o que não abrange o Fl. 6483DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Resolução nº 9303000.105 CSRFT3 Fl. 6.484 3 frete contratado de empresa brasileira que tenha subcontratado empresa estrangeira. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. ALÍQUOTA APLICÁVEL EM RELAÇÃO AO INSUMO ADQUIRIDO. As pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de nãocumulatividade da Cofins e da Contribuição ao PIS que produzirem mercadorias relacionadas no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir crédito presumido, na forma disposta nesse artigo e respectivos parágrafos, calculado sobre o valor dos bens adquiridos de pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § 1º do mencionado artigo, sendo a alíquota definida pela natureza do insumo adquirido. Recurso Voluntário Provido em Parte Tratamse de autos de infração lavrados para fim de constituir valores a título de Cofins e PIS referentes ao sistema não cumulativo, nos meses de janeiro a dezembro de 2007. A fiscalização da Receita Federal apurou irregularidade nos créditos no período acima citado, tendo constatado que nos meses em questão resultaria valores a pagar das contribuições. De acordo com o Relatório de Ação Fiscal (fls. 6025 a 6062), cito apenas a seguinte irregularidade constatada, objeto do presente Recurso: (4) Crédito indevido para pagamento de serviços de esgoto; O contribuinte apresentou impugnação parcial (fls. 6065 a 6169). Genericamente, insurge contra o conceito de insumo adotado pela RFB e pelo auditor fiscal autuante, que seria aplicável somente ao IPI. Após analisar as razões de impugnação trazidas pelo contribuinte, a 2ª Turma da Delegacia de Julgamento de Porto Alegre – DRJ/POA julgouas improcedentes, mantendo o crédito tributário. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário. A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 6318 a 6321), sendo que este foi admitido no sentido de retificar erro material na redação do acórdão, entendendo não haver necessidade de reedição do acórdão embargado. Fl. 6484DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Resolução nº 9303000.105 CSRFT3 Fl. 6.485 4 A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 6328 a 6344) em face do acórdão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, a divergência suscitada foi quanto ao reconhecimento do direito aos créditos sobre serviços de esgoto, que não foram utilizados diretamente na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Para comprovar a divergência foi apresentado, como paradigma, o acórdão de nº 203 12.448 (foi constatado um erro na numeração, mas a parte de interesse confere com o disposto no sítio do CARF), cuja ementa foi transcrita no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 6438 a 6442, sob o argumento que o acórdão recorrido decidiu que no Sistema Não Cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, consideramse insumos os bens e serviços utilizados na fabricação de produtos e na prestação de serviços da empresa. Por sua vez, o acórdão paradigma decidiu que o aproveitamento dos créditos da Contribuição para o PIS no regime da não cumulatividade deve obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF nº 247, de 2002, com as alterações da IN SRF nº 358, de 2003. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 6448 a 6479, manifestando para que seja negado provimento ao recurso especial e mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso interposto pelo sujeito passivo. Fl. 6485DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Resolução nº 9303000.105 CSRFT3 Fl. 6.486 5 No entanto, analisando os autos verifico que o Contribuinte não foi intimado do resultado do acórdão de Recurso Voluntário. Diante deste fato, sugiro converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para cientificar o Contribuinte do resultado do acórdão de Recurso Voluntário, com posterior retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. É como voto. ( assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 6486DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000026/2010-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/01/2005 a 30/06/2005
IPI. CRÉDITO BÁSICO DECORRENTE DE PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE.
Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
CRÉDITO. APROVEITAMENTO. OPTANTES DO SIMPLES NACIONAL E FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado o aproveitamento de crédito do IPI relativamente a aquisições de empresas optantes do Simples, nas modalidades Simples Federal e Simples Nacional.
Numero da decisão: 3302-005.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2005 a 30/06/2005 IPI. CRÉDITO BÁSICO DECORRENTE DE PRODUTO NT. IMPOSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. OPTANTES DO SIMPLES NACIONAL E FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o aproveitamento de crédito do IPI relativamente a aquisições de empresas optantes do Simples, nas modalidades “Simples Federal” e “Simples Nacional”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente Substituto (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 00 26 /2 01 0- 08 Fl. 2342DF CARF MF Processo nº 16024.000026/201008 Acórdão n.º 3302005.771 S3C3T2 Fl. 2.343 2 Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Tratase de Auto de Infração de fls. 79/87, em razão da fiscalização ter glosados créditos do IPI calculados e escriturados sobre aquisições de insumos não tributados pelo imposto e adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES, conforme relatório de fls. 54/78. Destaque aqui trecho do relatório que resume a presente autuação: d) que as empresas elencadas no ANEXO 1 são empresas optantes do SIMPLES. Os créditos de IPI referentes às notas fiscais emitidas por elas, foram glosados, nos termos da Lei n° 9.317/96, art. 5°, § 5, totalizando R$ 49.994,53 (primeiro trimestre de 2005) e R$ 87.855,67 (segundo trimestre de 2005). e) que as empresas elencadas no ANEXO 2, consideradas “comerciais” não contribuintes do IPI, forneceram à contribuinte sucata e/ou resíduos de alumínio. Tal produto, com classificação fiscal 7602.00.00, é considerado NÃO TRIBUTADO. Conseqüentemente, refeita a escrita fiscal, saldos que eram credores passaram a ser devedores e, de oficio, foi lançado o IPI, com os devidos acréscimos legais, constituindo um crédito tributário montante em R$ 280.414,62. Tempestivamente, o sujeito passivo impugnou o lançamento argumentando, em síntese, que o princípio constitucional da nãocumulatividade ampara a escrituração reutilização de tais créditos e que, especificamente, quanto às aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES, agiu de boa fé, sendo que a documentação do fornecedor não informava que era optante e destacava regularmente o IPI, portanto, tais operações foram regulares e não poderia ser punido, mormente por caber ao Estado exercer a ação fiscalizatória sobre o fornecedor. A impugnação foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADO IPI Período de apuração: 31/01/2005 a 30/06/2005 « DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES. DA BOAFÉ DO ADQUIRENTE. DESCABIMENTO. Inexistindo a cautela inerente à atividade comercial, ainda que o adquirente tenha agido de boa fé, esta não confere legitimidade a notas fiscais irregulares com direito ao crédito do imposto. Fl. 2343DF CARF MF Processo nº 16024.000026/201008 Acórdão n.º 3302005.771 S3C3T2 Fl. 2.344 3 Intimada da decisão em 24.01.2011 (fls. 2.303), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 18.02.2011 (fls.2.3042.323), reproduzindo os argumentos apresentados em sede impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 24.01.2011 (fls. 2.303) e protocolou Recurso Voluntário em 18.02.2011 (fls.2.3042.323), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito Conforme exposto anteriormente, o cerne do litígio visa auferir o direito do contribuinte apropriar de crédito de IPI escriturados sobre aquisições de insumos não tributados pelo imposto e adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES. Em relação as aquisições de insumos não tributados pelo imposto, com classificação fiscal 7602.00.00, considerado NÃO TRIBUTADO, aplico a Súmula CARF nº 20 para afastar o direito do contribuinte, a saber: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Já em relação ao segundo ponto trazido à este Conselho, entendo que melhor sorte não resta à Recorrente. Isto porque, a vedação ao creditamento em relação a aquisições de empresas optantes do Simples está prevista não só na Lei n° 9.317, de 1996, como também no Regulamento do IPI. Com efeito, os estabelecimentos optantes do Simples não podem efetuar a transferência de créditos relativos ao imposto, o que inclui o seu destaque em nota fiscal, para aproveitamento do adquirente contribuinte do IPI. Nestes termos, concordo com os fundamentos utilizados pela n. julgadora "a quo", o qual adoto como razão de decidir, senão vejamos: Quanto aos fornecedores que recolhem seus tributos pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições Simples, que é forma beneficiada e simplificada de tributação, lembramos que é de livre escolha do contribuinte. No entanto, quando feita a opção, deve este se sujeitar a todas as normas, restrições e 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 2344DF CARF MF Processo nº 16024.000026/201008 Acórdão n.º 3302005.771 S3C3T2 Fl. 2.345 4 obrigações impostas por lei. Neste sistema, a tributação do IPI também é diferenciada, não se seguindo as alíquotas dispostas na TIPI e sim, um acréscimo de percentual na alíquota aplicada sobre a receita bruta. Sendo assim, a tributação já é favorecida e não há que se falar em sistemas de débitos e créditos, que só é aplicada na forma normal de tributação. Portanto, não há que se aplicar ao caso em análise o princípio da nãocumulatividade, pois a tributação do IPI se faz por outra forma. Assim dispõe a Lei n° 9.317, de 1996: Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I (...) § 1 ° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada até o próprio mês. § 2° No caso de pessoa juridica contribuinte do IPI, os percentuais referidos neste artigo serão acrescidos de 0,5 (meio) ponto percentual. § 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a titulo de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI e ao ICMS. § 6 ” O disposto no parágrafo anterior não se aplica relativamente ao ICMS caso a Unidade Federada em que esteja localizada a microempresa ou empresa de pequeno porte não tenha aderido ao SIMPLES, nos termos do art. 4º”. (g. n). Pela leitura do texto legal acima citado, depreendese que, ao optar pelo Simples, a contribuinte fica sujeita à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI. Por fim, relativamente ao argumento de boa fé, cabe ponderar que o caso em comento, referese a uma relação negocial envolvendo de um lado empresa comercial que adquire insumos e de outro, suposta, empresa fornecedora, o que, de plano, exigese um dever mínimo de cautela entre as partes envolvidas, ou seja o dever acautelatório necessário às boas práticas comerciais No caso, uma empresa optante do SIMPLES emite um documento com destaque do IPI, como se fosse um contribuinte ordinário, o que resulta que esse fornecedor ao emitir um documento inválido lesou o adquirente que não tomou as cautelas necessárias. Admitir que um documento inidôneo confere direito ao crédito do IPI resultaria em repassar ao Estado um ônus que não lhe é devido, pois, inerente ao risco da atividade mercantilista, ou mesmo, de qualquer negócio. Por outro lado, nada impede que a pessoa lesada busque no Poder Judiciário o ressarcimento das perdas e danos que o(s) vendedor(s) possa(m) ter causado. Ressaltase, por oportuno, que a Recorrente em nenhum momento contestou o enquadramento das empresas listadas no relatório, anuindo, ao mer ver, tratarse de empresas optantes pelo Simples, sendo, assim, vedado o aproveitamento de crédito de IPI. Fl. 2345DF CARF MF Processo nº 16024.000026/201008 Acórdão n.º 3302005.771 S3C3T2 Fl. 2.346 5 Por fim, deixo de acolher o pedido de julgamento conjunto com os processos 10855.913274/200918 e 10855.913275/200954, que tratam de pedido de ressarcimento, posto que estão na unidade de origem aguardando, por determinação deste Conselho, decisão definitiva destes autos, conforme consulta realizada no sítio www.carf.fazenda.gov.br (vide resoluções nºs 3101.000.214 e 3101.000.215. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 2346DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.938361/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-005.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1321; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.938361/201159 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.271 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2018 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente SUDATI FLORESTAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 83 61 /2 01 1- 59 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10980.938361/201159 Acórdão n.º 3401005.271 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente processo de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o COFINS, solicitado através do PER/DCOMP. O Interessado foi cientificado de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde sustenta que o Despacho Decisório deixou de analisar a questão principal do Pedido de Restituição apresentado, qual seja, a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de contribuição para o COFINSem face da inconstitucionalidade da Lei nº 9718/98, uma vez que a referida contribuição incidiu sobre Receitas Financeiras e Outras Receitas. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, constatando que não houve omissão do Despacho Decisório quanto ao mérito da demanda, uma vez que a fundamentação para o indeferimento do Pedido de Restituição indica que o Darf foi utilizado integralmente para fazer face a débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Informa também que, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Porém, na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de COFINSdo período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa toda a argumentação já exposta na sua Manifestação de Inconformidade sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins. No entanto, desta feita requer a juntada de demonstrativos e documentos contábeis, os quais alega fazerem prova do pagamento indevido ou a maior de tributo, pedindo sua apreciação em respeito ao Princípio da Verdade Material. Em anexo, apresentou duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10980.938361/201159 Acórdão n.º 3401005.271 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.257, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.938340/201133, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.257): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conheci mento. Passo a analisar, a seguir, os temas questionados pelo Recorrente. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor de R$ 568,44, objeto de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o PIS/Pasep, solicitado através de PER/DCOMP. A DRJ/BHE julgou sua Manisfestação de Inconformidade improcedente, pois o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de PIS/Pasep do período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. No seu Recurso Voluntário, o contribuinte busca corrigir esta deficiência probatória, anexando duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. Contudo, entendo que ainda sim não restou comprovado o alegado pagamento a maior. Isto porque o Recorrente não fez prova do valor que deveria ter sido recolhido, no período, a título de contribuição para o PIS/Pasep. Com efeito, a indicação de rubricas contábeis com receitas financeiras e outras receitas, as quais, no entendimento do Recorrente, deveriam estar excluídas da base de cálculo das contribuições, não significa que tais valores foram efetivamente computados no cálculo inicial. Nos pedidos de restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, é necessário que o contribuinte Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10980.938361/201159 Acórdão n.º 3401005.271 S3C4T1 Fl. 5 4 apresente toda sua escrituração fiscal referente ao período para que nova apuração seja realizada, a fim de ser cotejada com a apuração inicial e assim verificar eventuais excessos ou déficits. Com os documentos apresentados, não é possível sequer comprovar que as receitas elencadas na planilha foram realmente incluídas no cálculo inicial (que resultou na apuração de R$ 15.058,00). Apesar de ter anexado uma planilha com a memória de cálculo das contribuições, o Recorrente não apresentou as rubricas contábeis, constantes do Livro Razão, que pudessem comprovar o valor total das receitas sobre as devem incidir as alíquotas das contribuições. Ao invés, anexou apenas as folhas do Razão com as receitas financeiras que deveriam ser excluídas do cálculo. Observese que até mesmo as receitas de exportação, que foram originalmente excluídas, também deveriam ser conferidas através dos registros contábeis. Em suma, deveria ser feita uma nova apuração das contribuições, o que restou inviabilizado pela ausência da documentação contábil necessária. O art. 170 da Lei nº 5.172/66 (CTN) determina a necessidade de liquidez e certeza do crédito. Apesar de se referir literalmente à compensação, obviamente aplicase também à restituição: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nos pedidos de compensação ou de restituição, o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado permanece a cargo do contribuinte, conforme art. 373 do Código de Processo Civil de 2015: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Além disso, pelo quanto exposto no Despacho Decisório, verifico que a alocação integral do DARF para quitação de débito do contribuinte indica que, ao tempo da sua emissão, a DCTF que continha este débito não havia sido retificada. O Recorrente não apresentou qualquer prova de que, mesmo a destempo, tenha feito tal retificação. Nos termos do Parecer COSIT nº 02, de 2015, a retificação da DCTF é imprescindível para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10980.938361/201159 Acórdão n.º 3401005.271 S3C4T1 Fl. 6 5 Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.720397/2015-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 17/07/2013
ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. FALSIDADE DE FATURA. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO DE MERCADORIAS.
Constatada a falsidade de documento instrutivo de despacho aduaneiro, da qual conste preço de mercadorias inferior ao real, resta configurada a fraude e a sonegação na operação de importação, o que autoriza o arbitramento do preço das mercadorias importadas. Cabível na espécie a aplicação da multa substitutiva do perdimento das mercadorias sobre o valor arbitrado.
Numero da decisão: 3401-005.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ROSALVO TREVISAN - Presidente
(assinado digitalmente)
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 17/07/2013 ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. FALSIDADE DE FATURA. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO DE MERCADORIAS. Constatada a falsidade de documento instrutivo de despacho aduaneiro, da qual conste preço de mercadorias inferior ao real, resta configurada a fraude e a sonegação na operação de importação, o que autoriza o arbitramento do preço das mercadorias importadas. Cabível na espécie a aplicação da multa substitutiva do perdimento das mercadorias sobre o valor arbitrado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALVO TREVISAN - Presidente (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 17/07/2013 ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. FALSIDADE DE FATURA. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO DE MERCADORIAS. Constatada a falsidade de documento instrutivo de despacho aduaneiro, da qual conste preço de mercadorias inferior ao real, resta configurada a fraude e a sonegação na operação de importação, o que autoriza o arbitramento do preço das mercadorias importadas. Cabível na espécie a aplicação da multa substitutiva do perdimento das mercadorias sobre o valor arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALVO TREVISAN Presidente (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 03 97 /2 01 5- 74 Fl. 619DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 579 e seguintes), contra acórdão de Impugnação proferido pela 2ª Turma da DRJ/Fortaleza, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra auto de infração relativo ao Imposto de Importação, PISImportação e ConfinsImportação. Do Auto de Infração O lançamento decorreu do exame da Declaração de Importação nº 13/13764908 (fls. 1720) registrada pela RECORRENTE, mediante a qual foram submetidos a despacho aduaneiro 7.497 roupões de banho, de uso masculino, ao preço unitário de US$ 5,00 (FOB), do exportador/fabricante estrangeiro ANHUI LIGHT INDUSTRIES INTERNACIONAL CO. LTD. Naquela oportunidade, foi verificado que · Que foi observada notável discrepância do preço declarado na operação, em US$/KG, em relação aos preços médios de mercadorias semelhantes, mesma classificação fiscal, oriundas da China. No Siscomex, foi identificado o registro de DI de mercadorias classificadas na mesma NCM, oriundas da China e embarcadas em maio/2013, no montante de 69.534,820 kg, cujo preço médio declarado foi de US$/kg 7,89 (FOB) 1. Diante disso, constatase que o preço declarado pelo interessado representa aproximadamente 80% do praticado, em média, em outras operações com características similares. · Que em pesquisa no sistema ALICEWEB2 (fl. 280) foi constatada a existência de importações provenientes da China para a NCM 6107.99.10, no período de 05/2013 e 06/2013, no total de 90.364kg e valor FOB de US$ 708.447,00, o que representa um preço médio FOB US$/KG de 7,84. · Que a comparação com a média de preços não é conclusiva ou definitiva, pois se os preços são médios é sinal de que há ocorrências acima e abaixo da média. Por outro lado, é de se esperar que abaixo da média se encontrem produtos de qualidade inferior. Ocorre que este não é o caso, afinal se trata de vestuário de marca própria, vendido em grandes redes nacionais de varejo. Conforme anuncia o importador em sua página na internet <http://cozyhome.com.br>, "São produtos de altíssima qualidade e durabilidade que proporcionam um toque macio e suave" (fl. 284). Logo, os preços Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10909.720397/201574 Acórdão n.º 3401005.163 S3C4T1 Fl. 620 3 declarados, abaixo da média para produtos de altíssima qualidade devem indicar ou que os preços declarados estão afetados por alguma condição não informada, ou que simplesmente não condizem com os efetivamente praticados, ou seja, há falsa declaração quanto às características da operação. · Que presentes fundados indícios de que a fatura comercial apresentada para instruir o despacho aduaneiro se tratava de documento forjado, em 26/08/2013, o importador foi cientificado do Termo de Início de Procedimento Especial (fls. 2531), mediante o qual foi intimado a apresentar, no prazo máximo de 20 (vinte) dias da ciência, documentos e esclarecimentos referentes à operação. · Que, em 13/09/2013, o importador apresentou resposta parcial (fls. 3258) não tendo se manifestado sobre a maioria dos pontos da exigência fiscal. A despreocupação em atender aos termos da intimação claramente se deveu ao fato do importador ter ingressado, dois dias antes, com o Mandado de Segurança n° 5007450 10.2013.404.7208 junto a 2a Vara da Justiça Federal de Itajaí pleiteando o desembaraço da mercadoria. No dia 13/09/2013, o Juiz Federal responsável deferiu a liminar para determinar o prosseguimento do despacho aduaneiro das mercadorias, mediante prestação de garantia na forma do art. 7° da IN SRF 228/02, com base nos arts. 68, parágrafo único e 80, II da MP nº 215835/2001. · Que após o importador ter prestado a garantia com base no valor total da mercadoria, conforme decisão de 10/10/2013, inclusive, com depósito complementar, a mercadoria foi desembaraçada em 21/10/2013, em cumprimento ao provimento judicial. · Que, em 02/10/2013, findo o prazo para atendimento da intimação, o interessado apresentou outros documentos (fls. 63186), limitados às cópias de dois contratos de câmbio e a extratos bancários, porém silenciando sobre os demais itens da intimação. · Que em 04/10/2013 o importador foi reintimado a prestar as informações, mediante o Termo de Intimação Fiscal n° 280/2013 SAFIA/ALF/ITJ (fls. 5962), no qual foram ressaltadas as diversas solicitações que o importador deixou de atender imotivadamente, com destaque para os itens 1, 2, 3, 4, 6, 7, 8, 9 e 11, ou seja, a quase totalidade dos itens requeridos foi ignorada, total ou parcialmente, tendo sido alertado das consequências legais pelo não atendimento das exigências. Em suma, que diante das evidências de que o preço declarado não condizia com o efetivamente praticado e que, portanto, haveria falsidade da fatura comercial, a Recorrente não atendera a contento os sucessivos pedidos de informação por parte da Aduana, tendo a Recorrente somente apresentado trocas de emails com os supostos fornecedores não havendo a possibilidade de averiguação da sua veracidade, além dos contratos de câmbio e extratos bancários que pouco acrescentaram à elucidação da operação.. Fl. 621DF CARF MF 4 Ainda, com relação às faturas apresentadas pela Recorrente quando da solicitação de esclarecimento pela Receita Federal, concluiuse que há indícios fortes de fraude, uma vez: · Que o número do contrato de venda 13AM32MM082 consta inclusive na fatura comercial de 13/05/2013. A única conclusão possível, já afastada a hipótese de erro de datação, é a de que a versão apresentada foi montada para tentar refletir a operação. Entretanto, o contrato de venda em questão NÃO REPRESENTA a operação comercial em questão, pois foi emitido quase UM ANO ANTES da negociação ter se iniciado. · Que não é apenas a data que diverge. Consta no referido contrato que a carga teria por porto de destino SÃO FRANCISCO DO SUL, mas o porto de destino é ITAJAÍ. Em 2012 ocorreram efetivamente DOIS EMBARQUES PARA SÃO FRANCISCO DO SUL de cargas deste exportador, relativas às DIs nº. 12/18079802, de 27/09/2012, também relativa aos roupões de banho, cujos embarques ocorreram em 20/08/2012 e em 26/05/2012. Os embarques posteriores foram todos pra ITAJAÍ. Acrescentouse, no termo de constatação, que, na prática, o valor pago ao fornecedor domiciliado no exterior (exportador) foi superior ao que serviu para o preenchimento da declaração de importação, dado que: · O valor declarado nos documentos instrutivos do despacho aduaneiro e na documentação representativa da operação comercial apresentada diz respeito ao fato de que o importador PAGOU AO EXPORTADOR VALOR MAIOR QUE O DECLARADO. Na DI, registrada em 17/07/2013, o importador não informou ter ocorrido qualquer pagamento anterior, omitindo a ocorrência de pagamento antecipado parcial. · De fato, enquanto o valor total pago pela Recorrente teria sido de US$ 39.360,00, o contrato de venda informa que foram negociados 7.500 roupões a US$ 5,00 cada, no valor total FOB de US$ 37.500,00. 20% desse valor corresponde a US$ 7.500,00, que equivale ao primeiro câmbio contratado. · Como foram embarcadas 3 (três) unidades a menos, ou seja, 7.497 (sete mil quatrocentos e noventa e sete) unidades, motivo pelo qual o valor total da fatura comercial é de US$ 37.485,00. Na data do pagamento do saldo, o importador já possuía a fatura, emitida dois meses antes e cujo número está mencionado no contrato. Logo, o valor do saldo a ser pago deveria ser US$ 29.985,00 (37.485,00 7500,00). NÃO FOI O QUE OCORREU, pois, o importador remeteu ao exportador US$ 31.860,00. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10909.720397/201574 Acórdão n.º 3401005.163 S3C4T1 Fl. 621 5 · O excesso de US$ 1.875,00, corresponde, considerando a quantidade encomendada (7.500), exatamente a um adicional de US$ 0,25 por unidade. Tal fato não significa que o preço efetivamente contratado foi de US$ 5,25, apenas demonstra que a fatura comercial instrutiva do despacho, bem como os documentos representativos da operação comercial (mensagens de correio eletrônico e contrato de venda) são documentos forjados a fim de dissimular a operação verdadeiramente ocorrida e que permaneceria oculta. Acrescentouse a todos esses fatos alguns indícios de documentos forjados para ludibriar o real valor da operação: · Que, o importador foi intimado a apresentar via consularizada da fatura comercial, subscrita pela mesma pessoa que assinou o documento apresentado no despacho aduaneiro, com reconhecimento público da firma aposta através de notário público, acompanhado de confirmação do serviço consular brasileiro no país do exportador. Exigiase, assim, que o importador demonstrasse que, mesmo face às indicações de falsidade documental, tratavase de documento autêntico. Também foi requerida a Lista Oficial de preços para exportação emitida pelo exportador, com firma reconhecida, e cópias das faturas proforma. · Que, na resposta apresentada em 13/09/2013 o importador ignorou a solicitação para apresentação da fatura com firma reconhecida. Em contrapartida, apresentou três documentos: lista de preços, contrato de venda e declaração de preço de venda. · Que na declaração de preço de venda (fls. 3639) o exportador teria afirmado que “Pela presente declaramos que o preço de nosso roupão de banho, que é feito de microfibra com 280g/m2, na fatura AP1332035721, é de US$ 5,00. E este preço é o mesmo para todos os clientes do mundo” (conforme tradução às fls. 35). Tal declaração estaria assinada pelo Presidente da empresa exportadora ANHUI LIGHT. O conteúdo dessa declaração é SURPREENDENTE. O exportador apresentou transcrições de supostas mensagens eletrônicas que demonstrariam que o preço de US$ 5,00 só foi oferecido após intensa negociação. O preço da mercadoria, conforme mensagens variaria entre US$ 5,50 e US$ 5,30, de acordo com o tipo de gola. O exportador teria informado que venderia pelo preço requerido por se tratar do primeiro pedido do ano. Em contrapartida, o importador comprometeuse a comprar um contêiner a cada 45 dias. “Então, como é possível que o presidente da empresa exportadora afirme que US$ 5,00 é o preço para TODOS OS CLIENTES DO MUNDO? Quem mente, o presidente do exportador? Ou tal declaração sequer Fl. 623DF CARF MF 6 foi assinada por ele, sendo materialmente falsa? Seriam forjadas as transcrições da negociação comercial? ” · Que a declaração apresentada foi acompanhada de certificado elaborado pelo China Council for the Promotion of International Trade China Chamber of International Commerce (Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional Câmara de Comércio Internacional da China) fl. 36 e respectiva tradução (fl. 34). O referido certificado contém, no verso, duas etiquetas assinadas. Uma, em língua chinesa, cujo conteúdo em vernáculo não consta na tradução apresentada, e outra com o reconhecimento da assinatura de HE JIANWEI, pelo consulado brasileiro. Entretanto, não foi HE JIANWEI quem assinou o certificado, eis que nele consta o nome LIJING, de forma que o reconhecimento só pode dizer respeito ao da etiqueta em língua chinesa no verso do certificado, cujo conteúdo em português é desconhecido4. · Que as figuras dos carimbos dessa Declaração às fls. 416 (Figuras 6, 7 e 8) mostram que o certificado atesta é que O CARIMBO da ANHUI LIGHT na declaração anexada é genuíno5. Em primeiro lugar, carimbos são objetos que contém uma estampa ou gravura, em relevo, que é reproduzida por pressão do instrumento sobre, no caso, papel. Podem ser produzidas tantas cópias de um carimbo quanto necessárias, na China, no Brasil ou no Haiti. A única conclusão possível é a de que o carimbo aposto na cópia da fatura submetida à Câmara é igual ou similar a algum modelo padrão apresentado ao órgão. Carimbos não são passíveis de perícia grafotécnica. Seria como se, no Brasil, se procedesse ao reconhecimento da autenticidade do velho “carimbo de CGC” (hoje, CNPJ), do qual há um exemplo entre os documentos juntados pelo importador (fls. 188, 204205). Paradoxalmente, a declaração em questão possui, aparentemente, uma assinatura a punho, que não foi reconhecida. Por fim, o conteúdo da declaração desmente os termos das mensagens eletrônicas representativas da operação comercial, ou é desmentido por elas. · Que nessa mesma linha, foi juntada uma Lista de Preços (Price List) – fls. 3944 e respectiva tradução. Lista de Preços é um documento onde um vendedor relaciona as mercadorias disponíveis e os respectivos preços referenciais ofertados para qualquer interessado. Obviamente, os preços de lista podem ser objeto de negociação, de modo que o preço final seja diferente do listado. É com uma lista de preços que qualquer consumidor se depara ao solicitar uma relação de preços praticados em um estabelecimento comercial. Pois bem, a Lista de Preços apresentada traz exatamente a quantidade efetivamente embarcada. Tratase, pois, de uma mera transcrição da fatura comercial, tanto que leva o mesmo número e data desta. Não se trata de uma Lista de Preços que corresponda ou contenha o que um documento similar deveria conter, sendo totalmente imprestável como documento representativo da negociação. A lista foi apresentada também acompanhada de certificado elaborado pelo Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional Câmara de Comércio Internacional da China. Tal certificado é semelhante ao anterior, tendo os mesmos dizeres e conteúdo, limitandose a reconhecer o Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10909.720397/201574 Acórdão n.º 3401005.163 S3C4T1 Fl. 622 7 CARIMBO, igual ao antes citado, e omitindose quanto à assinatura à punho. · Que o terceiro documento apresentado foi o contrato de venda “SALES CONTRACT (S/C)” nº 13AM32MM082 (fls. 4551) e respectiva tradução, cujo conteúdo já foi detalhado, sendo constatado que NÃO SE REFERE à presente operação. O documento também está acompanhado de certificado elaborado pela Câmara de Comércio Internacional da China, com os mesmos dizeres e conteúdo, limitandose a reconhecer o CARIMBO. Entretanto, há aqui duas novidades: não há assinatura à punho e o carimbo atribuído ao exportador é DIFERENTE dos demais carimbos antes citados. · Que embora demandado a apresentar a fatura com assinatura reconhecida, o importador desprezou o pedido, tendo se limitado a apresentar os três documentos antes citados e sem se manifestar quanto aos demais. · Que a fatura instrutiva do despacho leva uma terceira versão do carimbo ou “selo” do exportador, o que bem demonstra que sequer existe um padrão de carimbo determinado que possa garantir a autenticidade de qualquer documento, conforme reproduzido às fls. 418 (Figura 9 às fls. 418). · Que diante da omissão do importador em apresentar fatura com firma reconhecida, foi formalizada nova intimação (fls. 5962) onde, entre outros pontos, foi novamente demandado a apresentar via consularizada da fatura comercial, ASSINADA pela mesma pessoa que assinou a fatura comercial apresentada no despacho aduaneiro como instrutiva da DI, com reconhecimento público da ASSINATURA aposta na mesma, através de notário público, acompanhado de confirmação do serviço consular brasileiro no país do exportador. · Que, em resposta de 24/10/2013, o importador informou apresentar “Commercial Invoice original, devidamente consularizada conforme solicitado”, mas a fatura apresentada não contém RECONHECIMENTO DA ASSINATURA, sendo tal requisito novamente ignorado. Tratase do padrão adotado pela TRISOFT ao atender às intimações fiscais. Pois, embora, nessas intimações conste observação explícita para que “Caso o contribuinte não apresente quaisquer dos documentos relacionados acima, deverá apresentar justificativa por escrito, com assinatura do interessado”, o contribuinte não apresenta o requerido e, ou não se manifesta a respeito, esperando que o assunto seja esquecido, ou afirma apresentar documentos com determinadas características que não contém. · Que, além disso, o documento apresentado (fls. 211212), embora de conteúdo similar à fatura instrutiva do despacho, recebeu número diferente, deixando claro que se trata de outro documento ou versão. Fl. 625DF CARF MF 8 A fatura instrutiva tem o nº AP133203572 (fl. 21) e a posteriormente apresentada leva o nº AP1332035721. · Que no documento há também uma assinatura, não reconhecida e sem identificação do signatário. Além disso, contém mais dois carimbos, ambos do Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional de Anhui “China Council for the Promotion of International Trade (An Hui)”. Um é um carimbo institucional da entidade e o outro se encontra reproduzido na figura 13 (fls. 420). Em tradução livre consta no carimbo que “este documento é apresentado ao Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional de Anhui para o único propósito de endosso”. O documento não foi reconhecido, nem teve sua autenticidade confirmada em relação ao conteúdo ou signatário. A assinatura no documento não foi reconhecida. O endosso ou visto em questão apenas certifica que o documento foi apresentado ao Conselho, mas nada afirma sobre o documento em si, tendo efeito semelhante ao da consularização, ou seja, confere a certeza de que o documento esteve fisicamente no país onde foi endossado, conferindolhe a presunção de que foi também nele emitido. Por outro lado, nada afirma que a fatura submetida (com número diferente da instrutiva do despacho, aliás) seja materialmente verdadeira ou que o signatário é representante legal do exportador. · Que no verso do documento encontramse ainda duas etiquetas assinadas, similares às duas citadas no início deste tópico. Uma, em língua chinesa, cujo conteúdo em português é desconhecido, e outra com o reconhecimento da assinatura de HE JIANWEI, pelo consulado brasileiro6. · Que o endosso desse documento ocorreu em 30/07/2013. O procedimento especial só foi iniciado quase trinta dias depois e, em 13/09/2013, o importador apresentou a primeira resposta incompleta e evasiva, mas tal documento endossado não foi apresentado. Somente depois de ser reintimado apresentou o documento, em 24/10/2013, quase noventa dias após o endosso ter sido efetuado na China. · Que em casos similares ocorridos com outros importadores, esta fiscalização percebeu um certo padrão de conduta. O interessado é intimado a reconhecer as assinaturas nos documentos instrutivos do despacho, mas não o faz, apresentado, em contrapartida, reconhecimento de carimbos. Posteriormente, por ocasião da defesa administrativa ou judicial, alega que não é possível reconhecer as assinaturas na China e que o padrão lá adotado é o reconhecimento dos carimbos somente. Por tal motivo, defendem que a exigência fiscal é abusiva e ilegal que fere o princípio da razoabilidade, pelo que propugnam pela anulação da autuação. · Que em pesquisa em páginas oficiais do governo nacional chinês na internet é possível encontrar elementos que desmentem tais alegações. O site oficial do CONGRESSO NACIONAL DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA (The National People´s Congress of the People´s Republic of China)7 traz um link para a base de dados de leis e regulamentos (Laws & Regulations Database) onde está Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10909.720397/201574 Acórdão n.º 3401005.163 S3C4T1 Fl. 623 9 disponível a LEI NOTARIAL DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA (Notarization Law of the People's Republic of China) · Que, nos termos do artigo 11 da precitada lei, as instituições notariais, atendendo a solicitação dos interessados, devem notarizar conforme item (10) do artigo, ASSINATURA, selo e data9. Entretanto, o nome HE JIANWEI não é identificável no documento. O reconhecimento dessa assinatura pelo Consulado Brasileiro consta também nos certificados emitidos por outras entidades chinesas, de modo que só pode se referir à assinatura na etiqueta em língua chinesa cujo conteúdo em português é desconhecido e que também está presente nos outros documentos consularizados. · Que, concluise, portanto, que a única razão para que não tenha sido apresentada a fatura comercial com a firma reconhecida do presidente da empresa exportadora, a quem o importador imputa a autoria da assinatura, é a impossibilidade de reconhecer a assinatura em documento MATERIALMENTE FALSO. · Que a fatura comercial é um documento particular exigido pela legislação aduaneira para fins de desembaraço aduaneiro representativo da operação comercial. Nos termos do art. 219 do Código Civil as declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários, mas as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. No presente caso, a autuada apresentou à fiscalização aduaneira uma fatura comercial a qual sequer demonstra ter sido efetivamente emitida por quem de direito; não foi comprovada a legitimidade ou mesmo identificado de modo incontestável o signatário; o valor efetivamente pago ao exportador foi superior ao declarado no documento. Além disso, os documentos representativos da transação comercial apresentados são contraditórios entre si, não dizem respeito à operação em questão e/ou não tem autenticidade comprovada ou comprovável. Diante dos fatos acima narrados, a D. Fiscalização, nos termos da MP 2.158 35, artigo 88, buscou apurar o valor aduaneiro baseado em outros elementos (externos). Usando dessa prerrogativa legal, chegouse ao valor de US$ 8,50 por unidade (fls. 553). Da Impugnação Irresignada, a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 437 e seguintes), afirmando em suma que: Fl. 627DF CARF MF 10 1 — Requer, em preliminar, a nulidade do lançamento em face de que: · Que apesar de ter sido declarada a nulidade, por vício formal do lançamento objeto do auto de Infração n° 0927800/00809/13 (fl. 398), o fiscal autor tanto deste Auto de Infração quanto do anterior, aparentemente não se deu por convencido da decisão da 2ª Turma da DRJ/FOR e abriu novo procedimento utilizandose dos mesmos vícios anteriormente verificados, o que mostra insubordinação. · Que o fiscal não poderia ter se utilizado das mesmas provas comprovadamente ilícitas. · Que não há uma existência autônoma no novo Auto. · Que não se pode admitir duplicidade de acusações em relação a fato aparentemente ilícito, uma vez que a vedação ao bis in idem estanca a vicissitude de que um mesmo fato venha a ser julgado como objeto de diferentes juízos estatais de censura. 2 — No mérito, requer a improcedência dos autos de infração em razão: · Que o fisco insiste em utilizarse de laudo de pesquisa de preço já descartados por decisão do Auto de Infração anterior, mesmo o contribuinte tendo apresentado todos os emails comprobatórios de seu acordo de preços com o exportador, prova que foi levada em consideração pelos julgadores em sua decisão favorável ao contribuinte (fl. 404 e 405). · Que o próprio autuante fala que a comparação com a média de preços não é conclusiva ou definitiva pelo fato de que as médias são apenas medidas de tendências centrais, o que quer dizer que os valores podem variar tanto para cima quanto para baixo (fl. 405). · Que o autuante afirma não ter encontrado mercadorias idênticas em outras operações e utilizouse de mercadorias similares que contêm componente diferente da utilizada pelo fornecedor do contribuinte em sua produção, o que obviamente pode alterar o preço dos produtos (fl. 424 e 425). · Que “ao contrário do que diz o fiscal foi apresentada fatura comercial original e após intimação foi emitida outra via com identificador ‘1’ ao final do mesmo número da original, foi assinado e certificado, depois de encaminhado para SRF quando da apresentação de esclarecimentos ao processo administrativo, e já consta nos autos”. · Que o fiscal se quiser, pode inclusive ir até o endereço físico do exportador na China e certificarse deste dado, já que insiste em desacreditar tudo que lhe é franqueado. · Que não há falsidade de valor, em primeiro lugar pela negociação narrada pelo próprio fiscal, em segundo como demonstrado no tópico próprio, na mesma NCM 6107.99.10. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10909.720397/201574 Acórdão n.º 3401005.163 S3C4T1 Fl. 624 11 · Que o documento está nos autos, embora o fiscal insista em desqualificar o que parece ser por absoluto desconhecimento da legislação. Caso os julgadores entendam necessário, a contribuinte pode providenciar declaração, dentro de parâmetros previamente informados pela SRF, de modo a evitar novas desconsiderações de documentos idôneos. · Que houve ao que parece erro na indicação da data do contrato, pela utilização de modelo com data de outra operação da contribuinte, mas tal equívoco somente está na data do canto do cabeçalho, em mais nenhum outro lugar. · Que o relatório aponta que o preço por quilograma líquido representa 80% do praticado em média, considerando a mesma classificação fiscal, oriundas também da China e embarcadas no mesmo período. · Que o fiscal baseado no site da empresa, onde consta informação de que as mercadorias são de excelente qualidade, quer fazer crer que deveriam ter preço da média para cima. · Que o fiscal desconsidera diversos fatores que justificam a diferença. Primeiro o tipo de embalagem, em caixas individualizadas, em plástico, apenas amarradas no pallet, ou ainda, sem qualquer outro elemento somente a mercadoria, isso pode mudar 50% do preço. · Que nada obstante o anúncio de qualidade, bordados, desenhos, recortes, capuz e outros elementos, dentro da mesma composição de poliéster fazem variar enormemente o preço. · Que consoante as notas explicativas da NCM, ela comporta fibras 100% poliéster e combinadas com outros elementos, o tamanho de cada fibra, se é circular, ou de urdume, tudo isso influi no preço. · Que se as operações utilizadas como parâmetro para o arbitramento do preço das mercadorias não levaram em consideração real aferição do tipo de mercadoria, a prova é totalmente imprestável por fazer comparação entre elementos similares. · Que a negociação influi no preço. · Que foi de péssimo hábito criticar o depósito do importador no mandado de segurança, pois vai de encontro à pretensão da fiscalização. Se o problema apontado é de 20% sobre o preço médio, requerer caução integral é evidente confisco, e configura crime de excesso de exação, assim requer seja noticiado ao Ministério Público Federal para apurar o fato (fls. 343 do auto de infração). (Grifos do original). · Que o software DW extrai dados do Siscomex com as tabulações devidas, permitindo amplos dados de elementos comparativos. Fl. 629DF CARF MF 12 Apresentar apenas uma ou duas operações é totalmente descabido, e revela quebra de imparcialidade e da boa fé do julgador, suas razões ficam ao todo desacreditadas, ainda mais quando quer fazer crer que o ônus probatório é do importador. · Que é certo que uma compra com 20% abaixo do padrão médio do período jamais pode ser tida por fraudulenta, inúmeros são os fatores que poderiam justificar a diferença de preço, negociação com o fornecedor, volume, histórico, fornecedor específico, acondicionamento, bordados, dentre outros já especificados. · Que os valores são reais e refletem a negociação ocorrida e que dentro da mesma NCM é possível vislumbrar diversos produtos com preços muito discrepantes entre si, oportunamente será enviada amostras de produtos para avaliação dos julgadores. Menciona sites da internet com domínio no Brasil referentes a produtos com a mesma NCM e preços discrepantes. · Que a autoridade faz longa ilação sobre irregularidade nos pagamentos, mas não se deu ao trabalho de verificar outras operações da importadoracontribuinte, onde houve compensação das diferenças, conforme emails que retratam o caso. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 08037341, através do qual as Impugnações foram tratadas como improcedentes, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/07/2013 AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA LEGAL. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA. A constituição de crédito tributário fundado em fatos de autuação anulada por vício formal decorre de mandamento legal, artigo 173, inciso II do CTN, e do mister exegético do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, autoridade de estado que detém, com exclusividade, o múnus público no tocante à sua realização no âmbito dos tributos administrados pela RFB. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. OPORTUNIDADE. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente, ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas, nos termos do parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto nº. 70.235/1972. INDÍCIOS CONVERGENTES. PROVA INDIRETA. INOCORRÊNCIA DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. É pacifica a aceitação pela jurisprudência administrativa da utilização da prova indireta na demonstração do fato jurídico Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10909.720397/201574 Acórdão n.º 3401005.163 S3C4T1 Fl. 625 13 tributário, desde que derivada da reunião de elementos indiciários coerentes, harmoniosos e convergentes. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer o fato revelado mediante robusto conjunto probante, não contrariado com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 17/07/2013 ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. FALSIDADE DE FATURA. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO DE MERCADORIAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA AGRAVADA. Constatada a falsidade de documento instrutivo de despacho aduaneiro, da qual conste preço de mercadorias inferior aos real, resta configurada a fraude e a sonegação na operação de importação, o que autoriza o arbitramento do preço das mercadorias importadas. Cabível na espécie a aplicação da multa substitutiva do perdimento das mercadorias sobre o valor arbitrado e a exigência da diferença dos tributos não recolhidos, acompanhados da aplicação da multa de ofício agravada de 150% sobre a diferença apurada de tributos.Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: Devese destacar as seguintes conclusões do voto do relator: (a) Sobre as preliminares: (...) Cumpre ainda realçar que, a meu juízo, não há hierarquia funcional entre DRJ e autoridade lançadora, portanto, a constituição de novo lançamento, nos termos dos artigos 142 e 173, inciso II do CTN, é decorrência de dever legal e não ato de insubordinação como propugna a impugnante. O lançamento anterior foi anulado por decisão da maioria dos julgadores que compunham esta 2ª Turma de Julgamento à época, de que teria configurado cerceamento do direito de defesa, a não oportunização ao importador de presenciar os procedimentos de verificação física e de retirada de amostras das mercadorias importadas para fins de realização de laudo técnico. Pois bem, na presente autuação, afirma a autoridade fiscal que foi excluída qualquer menção ao mencionado laudo técnico em sua fundamentação. O que de fato se deu. Assim sendo, não vislumbro qualquer desajuste da autuação em análise em relação à decisão que anulou o lançamento anterior e nem hipótese de bitributação no novo lançamento, realizado, como já disse anteriormente, no regular exercício de atividade vinculada à lei da autoridade autuante. (b) Quanto ao mérito: A impugnante não apresentou nada de concreto que invalide as considerações feitas pela Fiscalização a respeito do comparativo de preços, apenas afirmações genéricas de que as médias são medidas de tendências centrais e que podem existir diferenças na composição ou detalhes (golas, bordados) dos produtos que afetam os Fl. 631DF CARF MF 14 preços e a indicação de sites da internet no Brasil que supostamente mostram a discrepância de preços. (...) Os emails de negociação apresentados dão conta que exportador depois de várias propostas teria aceitado vender com prejuízo ou substancial redução da margem de lucro (preço unitário do roupão de US$ 5,00), já que os custos de produção teriam aumentado, sob determinadas condições especiais, por se tratar do primeiro pedido do ano e mediante compromisso do comprador de adquirir um contêiner de mercadoria a cada 45 dias (fls. 409/411). (...) Em relação à acusação de falta de reconhecimento e de identificação do signatário da fatura comercial, a impugnante afirma que apresentou a via original desse documento e em atendimento à intimação apresentou uma outra via com identificador ‘1’ ao final do número, assinada e certificada, sugerindo ainda como possibilidade de verificação da autenticidade do documento a ida da autoridade fiscal à sede do fornecedor à China ou a apresentação de nova declaração de autenticidade dentro de parâmetros previamente informados. (...) As justificativas apresentadas pela impugnante para tais evidências não logram êxito, posto que são proposições impertinentes de providências a serem implementadas pela autoridade fiscal que se mostram redundantes, desproporcionais e desnecessárias: a proposição de ida do fiscal à China para realizar diligência na sede da empresa exportadora, é obviamente impertinente e desnecessária; a apresentação de nova declaração com parâmetros definidos pela RFB, se mostra redundante. As exigências para reconhecimento da assinatura aposta na fatura foram definidas nas intimações feitas pela Fiscalização: “via consularizada da fatura comercial, ASSINADA pela mesma pessoa que assinou a fatura comercial apresentada no despacho aduaneiro como instrutiva da DI, com reconhecimento público da ASSINATURA aposta na mesma, através de notário público, acompanhado de confirmação do serviço consular brasileiro no país do exportador” (fls. 418/419). (...) Para as evidências de falsidade nas vias dos contratos 13AM32MM082 (fls. 45/51, 213, 412/413 e 416/417), na Declaração de preço de venda (fls. 32/38 e 415/146) e na Lista de Preços (fls. 39/44 e 417) a impugnante apenas tenta justificar a do contrato, alegando equívoco na data e no porto de destino, em decorrência do uso de operação anterior como modelo do contrato em tela (fls. 440). Entretanto, essa justificativa isolada não elimina as outras evidências de falsidade apontadas pela fiscalização nesses documentos: divergências entre carimbos apostos nos documentos, inconsistência de lista de preço contendo apenas os preços dos produtos negociados, nenhum deles possui assinatura reconhecida, além das inconsistências entre eles e a via da fatura instrutiva, tais como termos de pagamento. Desse modo, julgo que os elementos trazidos pela Fiscalização são suficientes, para caracterizar a infração de falsidade ideológica e material da fatura comercial, sancionada com a multa de 100% do valor aduaneiro da mercadoria em substituição ao perdimento da mercadoria, pela impossibilidade de apreensão das mesmas, nos termos do art. 23, inciso IV, e § 3º , do DecretoLei n° 1.455, de 07/04/1976, artigos 673, 675, inciso IV, 689, inciso VI e §§ 1º e 3ºB do Decreto nº Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10909.720397/201574 Acórdão n.º 3401005.163 S3C4T1 Fl. 626 15 6.759/09 e art. 73, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, tendo em vista que a impugnante não apresentou justificação plausível às provas, a existência de pagamento em montante superior ao valor da fatura comercial instrutiva do desembaraço aduaneiro das mercadorias e a não apresentação de documento oficial de reconhecimento da assinatura nela aposta. (...) No tocante ao arbitramento, a impugnante o contesta indiretamente ao alegar que a apresentação de apenas duas operações de mercadorias semelhantes para fins de comparação, quando o software DW consegue extrair inúmeras tabulações do Sistema Siscomex, torna desacreditado todo o arbitramento. Ocorre que, a despeito da argumentação trazida pela defendente, tenho por correto o procedimento feito pela Fiscalização, trouxe aos autos apenas as operações relativas às mercadorias nas quais vislumbrou semelhança com as mercadorias em análise, tendo escolhido como parâmetro o menor preço. Ou seja, nos termos do critério legal aplicado, encontrou o preço de exportação para o país de mercadoria similar. (...) Por fim, por restar demonstrada a utilização de documentação falsa na instrução da DI, mediante artifícios fraudulentos, inclusive no tocante ao preço da mercadoria, tenho por fundamentado o arbitramento do preço das mercadorias, com o consequente aumento do valor aduaneiro das mercadorias em relação ao declarado, em conformidade com o regramento normativo vigente a aplicação da multa substitutiva do perdimento, com fulcro no art. 23, incisos IV, §§ 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976 e a exigência do II, do IPIImportação, das contribuições sociais para o PISImportação e CofinsImportação, acompanhados dos juros e da multa de ofício agravada de 150%, em decorrência da fraude evidenciada, consoante o artigo 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430/1996, c/c o artigo 72 da Lei nº 4.502/1964. Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 579 e seguintes), vindo a reprisar os argumentos apresentados na sua peça impugnatória. Além disso, veio a informar que há sentença judicial transitada em julgado quanto declarando a nulidade ao procedimento fiscal que culminou no lançamento de ofício ora impugnado, no que tange à possibilidade de aplicação de pena de perdimento. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Fl. 633DF CARF MF 16 Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Da Preliminar de Nulidade do Lançamento A alegação de nulidade levantada pela Recorrente foi calcada no argumento de que a fiscalização não poderia lavrar novo auto de infração referente a eventos que já foram objeto de lançamento anterior que vieram a ser anulados por vício formal, por incorrer em bis in idemRec Não há razão à Recorrente nesse particular. Isso porque a própria Recorrente já traz a razão para tanto: considerando que o lançamento anterior fora anulado por existência de vício formal, nada obstaria, desde que observados os limites decadenciais previstos no artigo 173, do CTN, a Receita Federal do Brasil de efetuar novo lançamento de modo a cumprir o seu dever funcional. Ao contrário, caso o agente da RFB deixasse de proceder a novo exame e lançamento, esse incorreria em falta funcional, nos termos do artigo 142, do CTN; como bem frisado no acórdão recorrido. Do Mérito (a) Incidência de Multa Administrativa de 100% sobre o valor imputado às mercadorias importadas com subfaturamento Conforme se verifica de todo o arrazoado sumarizado no Relatório, a autoridade aduaneira junta amplo espectro probatório a respeito do que seria evidências fortes de subfaturamento e, com base nesses elementos, firmou sua convicção nesse sentido. De fato, pareceme claro que a Fiscalização juntou elementos suficientes para concluir que, em obediência à verdade material houve subfaturamento nas transações entre seus fornecedores estrangeiros. Vejamos: 1. O comparativo entre o preço declarado da mercadoria importada e as médias de operações semelhantes, mesma NCM e mesmo país de origem, e do sistema ALICEWEB revelou que o preço declarado estava muito aquém (diferenças acima de 20%) do que as operações semelhantes; 2. As faturas comerciais fornecidas pela Recorrente apresentavam falta de identificação do signatário da assinatura aposta na fatura comercial, e do não reconhecimento oficial dessa assinatura; Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10909.720397/201574 Acórdão n.º 3401005.163 S3C4T1 Fl. 627 17 3. Foram assinaladas indícios de falsidade nos contratos apresentados (fls. 45/51, 213, 412/413 e 416/417), na Declaração de preço de venda (fls. 32/38 e 415/146) e na Lista de Preços (fls. 39/44 e 417); 4. Não foram identificados os intermediários na negociação por parte do exportador; 5. Foram identificados pagamentos referentes às respectivas DI´s, por meio de contratos de câmbio, em montante superior ao valor total consignado nas faturas que instruíram tais declarações de importação. De maneira contrária, a Recorrente parece ter se limitado a desconstituir os elementos trazidos pela RFB sem, no entanto, trazer documentação e provas no sentido contrário, vide as conclusões trazidas pela delegacia de julgamento às fls. 563 a 565. Na realidade, as poucas provas por ela anexadas aos autos são, a meu sentir, insubsistentes porque não se constituem de documentos oficiais e tratam de alegações genéricas de “erro” e emails cuja veracidade é difícil de atesta sem outros elementos de prova. Diante disso, entendo que a decisão não merece ser reformada no que tange à infração de falsidade ideológica e material da fatura comercial, sancionada com a multa de 100% do valor aduaneiro da mercadoria em substituição ao perdimento da mercadoria, pela impossibilidade de apreensão das mesmas, nos termos do art. 23, inciso IV, e § 3º , do Decreto Lei n° 1.455, de 07/04/1976, artigos 673, 675, inciso IV, 689, inciso VI e §§ 1º e 3ºB do Decreto nº 6.759/09 e art. 73, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03. (b) Arbitramento do Valor Aduaneiro Sendo certo que houvera subfaturamento, nos termos do item anterior, cabe avaliar se a metodologia aplicada para o arbitramento do preço real das mercadorias subfaturadas pela autoridade aduaneira obedeceu aos ditames legais. Assim dispõe o Regulamento Aduaneiro: Art. 86. A base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria nas seguintes hipóteses: I fraude, sonegação ou conluio, quando não for possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 88, caput); e II descumprimento de obrigação referida no caput do art. 18, se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras, quando existir dúvida sobre o preço efetivamente praticado (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea “a”). Parágrafo único. O arbitramento de que trata o caput será realizado com base em um dos seguintes critérios, observada a ordem sequencial: Fl. 635DF CARF MF 18 I Preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; ou II Preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) mediante método substitutivo ao do valor de transação, observado ainda o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. No presente lançamento, o auditorfiscal utilizouse de preço baseado no inciso I, do parágrafo único acima destacado, extraído da base de dados do SISCOMEX, considerando NCM, origem e destino idênticos ao das operações sob análise. Em protesto, a Recorrente alegara que “a apresentação de apenas duas operações de mercadorias semelhantes para fins de comparação, quando o software DW consegue extrair inúmeras tabulações do Sistema Siscomex, torna desacreditado todo o arbitramento”. Porém, mais uma vez, não logra êxito em demonstrar qual seria o preço “parâmetro” para o arbitramento. Diante disso, mantenho a decisão recorrida no que tange à aceitação dos valores arbitrados no lançamento de ofício. Por todo exposto, tomo conhecimento da peça recursal, porém negolhe provimento na sua integralidade. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Fl. 636DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001050/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/03/2008 a 31/03/2008
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. BASE LEGAL. EXISTÊNCIA.
A multa aplicada à recorrente está amparada sim em dispositivo de lei, mais especificamente no art. 30, inc. I, alínea a, da Lei 8212/91, segundo o qual a empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores a seu serviço, estando claramente definido nos arts. 92 e 102, respectivamente, os valores variáveis das multas e o seu reajustamento de acordo com os benefícios de prestação continuada da Previdência Social.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. APLICAÇÃO. RICARF.
1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo.
2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental.
3. No PAF principal, e no que toca ao mérito do recurso (a legalidade da PLR), este Conselho, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, resultado este a ser replicado no presente julgamento.
Numero da decisão: 2402-006.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 31/03/2008 a 31/03/2008 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. BASE LEGAL. EXISTÊNCIA. A multa aplicada à recorrente está amparada sim em dispositivo de lei, mais especificamente no art. 30, inc. I, alínea a, da Lei 8212/91, segundo o qual a empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores a seu serviço, estando claramente definido nos arts. 92 e 102, respectivamente, os valores variáveis das multas e o seu reajustamento de acordo com os benefícios de prestação continuada da Previdência Social. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. APLICAÇÃO. RICARF. 1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. 2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. 3. No PAF principal, e no que toca ao mérito do recurso (a legalidade da PLR), este Conselho, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, resultado este a ser replicado no presente julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 50 /2 00 8- 06 Fl. 182DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A DRJ/SP1 fez um relato preciso do lançamento e da impugnação, que passa a integrar, em parte, o presente relatório: 1. Trata o presente do Auto de Infração n° 37.130.8631, de 31/03/2008, lavrado por infração ao disposto no art.. 30, inc. I, alínea “a” da Lei n° 8.212/91 e art. 4°, caput da Lei n° 10.666/03, combinado com o art. 216, inc. I, alínea “a” do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, vez que a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto, a contribuição incidente sobre pagamentos efetuados a título de Participação nos Lucros ou Resultados da Empresa, conforme Relatório Fiscal da Infração, [...]: [...] 1.2. A empresa apresentou acordos para os anos de 2001 a 2005 (pagamentos de 2002 a 2006) com os títulos PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DAS EMPRESAS DOW. Referidos acordos especificam que o valor da participação do empregado é definido como sendo um percentual aplicado sobre o valor anualizado do salário. Este percentual é composto, dentre outros, por dois fatores básicos, comuns a todos os acordos: a) LUCRO ECONÔMICO GLOBAL DA DOW QUÍMICA: alcançado pela empresa em nível global, mediante critérios de apuração previamente definidos. Para que o trabalhador faça jus ao recebimento da parcela do PLR referente a este item (lucro global) é preciso que a empresa na qual ele trabalhe tenha contribuído com este lucro, levando em consideração o volume de vendas líquidas, conforme metas específicas para Fl. 183DF CARF MF Processo nº 19515.001050/200806 Acórdão n.º 2402006.517 S2C4T2 Fl. 3 3 cada empresa. As metas do Volume de Vendas Líquidas a serem alcançadas pelas empresas individualmente não estão especificadas nos acordos; b) DESEMPENHO INDIVIDUAL OU DA EQUIPE: as cláusulas referentes a este item determinam que para que os empregados recebam qualquer participação em função do desempenho individual, ou da equipe, é necessário que o seu supervisor compare as metas individuais com o resultado obtido pelo empregado. A empresa também não demonstrou de que forma os trabalhadores eram formalmente informados ou comunicados de quais são as metas individuais que os mesmos devem atingir para fazer jus a esta parcela do PLR; 1.3. para que a empresa tivesse a oportunidade de esclarecer estes dois pontos foi emitido um TIAD (Termo e Intimação para Apresentação de Documentos), anexo a este relatório, solicitando esclarecimentos. Os esclarecimentos feitos por escrito não demonstraram como os empregados tomavam conhecimento das metas; 1.4. os fatos expostos impossibilitam afastar tais pagamentos da base de incidência da contribuição previdenciária, em virtude do disposto no §9°, alínea “j”, do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, que diz não integrar o salário de contribuição exclusivamente a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; 1.5. para que os valores a título de PLR não integrassem o salário de contribuição dos empregados, deveriam ter sido cumpridas rigorosamente todas as exigências previstas na Medida Provisória n° 794/94 e suas reedições, e na Lei n° 10.101/00, dentre as quais destacase as do §1° do art. 2°; 1.6. como os valores pagos a título de PLR integram o salário de contribuição, deveriam ter sido arrecadadas, mediante desconto dos valores pagos como PLR, as contribuições dos segurados empregados, conforme previsto na Lei n° 8.212/91, art. 30, inciso I, alínea “a”, e alterações posteriores, e no art. 216, inciso I, alínea “a” do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. 2. De acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 3) e planilhas, de fls. 31/43, foi aplicada multa no montante de R$ 3.764,67 (três mil, setecentos e sessenta e quatro Reais e sessenta e sete centavos), prevista no art. 92 e 102 da Lei n° 8.212/91; art. 283, inc. I, alínea “g” e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Ainda, de acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa: 2.1. após consultar os sistemas informatizados (fls. 29/30) foi constatada a existência de Auto de Infração CFL 59, emitido em 04/09/2000, com decisão administrativa transitada em julgado em 03/10/2000; Fl. 184DF CARF MF 4 2.2 como a primeira competência em que esta nova infração foi cometida é 03/2003, ocorreu então reincidência específica (mesmo CFL código de fundamento legal 59), o que eleva o valor da multa em três vezes, conforme previsto no inc. IV, do art. 292 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Não ocorreram outras circunstâncias agravantes; 2.3. o valor mínimo da multa corresponde a R$ 1.254,89, em valor atualizado pelo inc. V, do art. 8° da Portaria MPS/MF n° 77, de 11 de março de 2008, que multiplicado por três (reincidência específica), perfaz a multa aplicada no montante de RS 3.764,67. 3. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 01/04/2008 (fls. 1), interpondo aos 30/04/2008, a defesa, de fls. 48/53, acompanhada de cópia de peças do presente Auto de Infração, instrumento de Procuração, Ata de Reunião do Conselho de Administração, Ata de Assembléia, e cópia do Relatório Fiscal da NFLD n° 37.130.864O (fls. 54/78). Em resumo, alega a defesa: 3.1. preliminarmente, argumenta a Impugnante que multa a e sua atualização é desprovida de instrumento legal hábil que a suporte, padecendo de ilegalidade; 3.2. a Impugnante contesta a multa do art. 30, inc. I, alínea “a” da Lei n° 8.212/91, que remete ao art. 92 da mesma lei, diante dos preceitos do art. 5°, incisos II, XXXIX e XLVI da Constituição Federal, vez que é necessária e imperiosa a prévia cominação legal; 3.3. a exigência da multa é ilegal também a vista do Decreto n° 3.048/99 e da Portaria MPS/MF n° 77/08: a uma, porque não se tratando de leis, não são instrumentos legislativos hábeis para estabelecer uma obrigação, mais especificamente a de pagar multa; a duas, porque decreto e portaria não sendo lei não podem impor penalidade não expressamente cominada em lei; a três, porque não têm o condão de estabelecer a pena de multa nem alterarlhe o valor; 3.4. no mérito, ainda que as preliminares não sejam acatadas, esclarece que foi autuada através da NFLD n° 37.130.8640 por ter supostamente deixado de recolher contribuições referentes a pagamento de participação nos lucros ou resultados da empresa, sendo referida notificação defendida pela Impugnante nos autos do processo 19515.001048/200829. No mérito tal notificação não deverá prosperar, pois os pagamentos a título de PLR estão de acordo com a Lei n° 10.101/00; 3.5. tendo em vista que a notificação ora impugnada é reflexiva e decorrente da NFLD n° 37.130.8640, processo 19515.001048/200829, a decisão exarada no processo principal surtirá efeitos junto a estes autos, conforme a jurisprudência, razão pela qual pede a Impugnante que a decisão naquele processo tenha repercussão neste; 3.6 pelo exposto, a Impugnante pede o total acolhimento das preliminares, cancelandose a multa imposta, bem como seja Fl. 185DF CARF MF Processo nº 19515.001050/200806 Acórdão n.º 2402006.517 S2C4T2 Fl. 4 5 reconhecida sua defesa principal, com a declaração de total improcedência da presente NFLD. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ/SP1, conforme decisão assim ementada: OBR1GAÇÃO ACESSÓRIA. REMUNERAÇÃO. DESCONTO DA CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária dos segurados empregados a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, sob pena de infração ao artigo 30, inciso I, alínea “a” da Lei n° 8.212/91, sujeitandose a aplicação da multa correspondente. MULTA. VALOR. ATUALIZAÇÃO. ARTIGO 92 DA LEI N° 8.212/91. LEGALIDADE. O artigo 92 da Lei n° 8.212/91 é norma de encerramento e cumpre o princípio da reserva legal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS EM DESACORDO COM LEI ESPECIFICA. Integram o salário de contribuição para os fins da Lei n° 8.212/91 a participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada em desacordo com a Lei n° 10.101/2000. A contribuinte foi intimada da decisão em 20/09/2010, através de aviso de recebimento (fl. 101) e interpôs recurso voluntário em 19/10/2010 (fls. 102 e seguintes), no qual reafirmou os argumentos da impugnação relativos à (i) ausência de suporte legal para a aplicação da multa e (ii) acerca da lançamento havido no PAF principal. Sem manifestação ou contrarrazões pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da ausência de suporte legal para a aplicação da multa Reafirmando os fundamentos de sua impugnação, a recorrente assevera que a multa, sua gradação e sua atualização estariam desprovidas de suporte legal. Fl. 186DF CARF MF 6 Todavia, e conforme consta do próprio relatório fiscal, a multa aplicada à recorrente está amparada sim em dispositivo de lei, mais especificamente no art. 30, inc. I, alínea a, da Lei 8212/91, segundo o qual a empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores a seu serviço, estando claramente definido nos arts. 92 e 102, respectivamente, os valores variáveis das multas e o seu reajustamento de acordo com os benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Vejase: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; ......................................................................................................... Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. ......................................................................................................... Art.102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Logo, rejeitase a preliminar aventada pelo sujeito passivo, cabendo, pois, analisar o mérito recursal. 3 No mérito do resultado do PAF principal Conforme relatado, este lançamento decorre do descumprimento de obrigação acessória vinculada ao descumprimento de obrigação tributária principal (o pagamento de PLR em desacordo com lei específica). Expressandose de outra forma, caso fossem insubsistentes as contribuições lançadas, seria igualmente insubsistente a multa aplicada neste Auto de Infração, cujo fato gerador é exatamente a falta de desconto e arrecadação das contribuições dos segurados, incidentes sobre a PLR, que foi tida por ilegal. Pois bem. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o RICARF preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. Entre os processos reflexos incluemse os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies (vide § 8º do art. 6º do Regimento), como é o caso sob apreço. Muito embora o PAF principal já tenha sido julgado (vide fls. 147 e seguintes), e conquanto tal julgamento tenha sido levado a cabo por um colegiado com uma Fl. 187DF CARF MF Processo nº 19515.001050/200806 Acórdão n.º 2402006.517 S2C4T2 Fl. 5 7 composição totalmente diferente, deve ser prestigiado o espírito condutor da norma do art. 6º encimado e o próprio princípio da segurança jurídica, devendo ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do PAF principal, no qual houve o lançamento das contribuições. Deve ser assinalado, aliás, que a única matéria distinta deste PAF (a violação ao princípio da reserva legal) foi julgada no tópico anterior. No PAF principal, e no que toca ao mérito do recurso (a legalidade da PLR), este Conselho, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, fazendoo nos seguintes termos: ACORDAM os membros do Colegiado, nas Preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência das competências até 03/2003, com base no S 4°, do artigo 150, do CTN. No mérito, por maioria de votos em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mess Stringari. Como o PAF principal não está em apenso, cabe transcrever o voto condutor do acórdão: DO MÉRITO DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR A Recorrente foi autuada por não ter incluído na base de cálculo das Contribuições Previdenciárias os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR, aos funcionários (referentes a cota pratronal de 20%, RAT 3% e Terceiros SESI, SENAI, SEBRAE, INCRA 3,3%), nos termos do art. 28, § 9°, "j" da Lei n. 8.112/91, que assim dispõe, verbis: [...] Da supracitada transcrição, constatase que o legislador visou a proteção não só do trabalhador, como também da Previdência Social, para que sejam excluídas da base de cálculo da Contribuição Previdenciária aqueles valores que de fato constituam Participação nos Lucros e Resultados PLR, pagos aos empregados a estimular o trabalho desenvolvido. A solução do litígio se resume em verificar se os pagamentos feitos pela Recorrente, a título de PLR, atenderam ou não às supracitadas normas, bem como à luz da hodierna jurisprudência. O STJ trouxe, de forma didática, os critérios a serem observados para aplicação da referida isenção, verbis: [...] Da análise da supracitada legislação, cumulada com as lições extraídas dos referidos julgados, abstraise que, no âmbito Judicial, para as verbas pagas a título de PLR serem excluídas da base de cálculo da Contribuição Previdenciária, deve atender, simultaneamente, ao que segue: Fl. 188DF CARF MF 8 a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. No âmbito Administrativo, analisando caso análogo ao discutido nos autos, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 09 de março de 2010, julgando o Proc. n. 10680.009628/200705, prolatou o Acórdão n. 920200.503, de Relataria do Dr. Elias Sampaio Freire. Desse julgamento, mister se faz destacar as lições que embasaram o voto do Conselheiro Relator, verbis: "Assim, para a PLR ser paga de acordo com a legislação específica deve, cumulativamente: a) Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também,por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo; b) Do resultado dessa negociação deverão constar regas claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos e quanto a fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; c) O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; d) Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil; f) Por fim, a legislação determina formas de resolução de impasses quanto a PLR: a mediação ou a arbitragem de ofertas finais." (grifo nosso) Conforme esclarecimento prestado pela fiscalização na fl. 215, especificamente no item "3", subitens "10.1" e "10.2", respectivamente, constatase a presença das supracitadas letra "a" e "b". Da análise das fls. 04/19, verificase que não houve mais de dois pagamentos num mesmo ano, logo, presente a letra "e". Como a letra "f" trata sobre a resolução de litígio, a mesma se faz presente quando o mesmo ocorrer. Conforme fls. 36/37, cumulada com as fls. 165/200 dos autos, verificase a presença de regras claras e objetivas, além da Fl. 189DF CARF MF Processo nº 19515.001050/200806 Acórdão n.º 2402006.517 S2C4T2 Fl. 6 9 ausência de complementação à remuneração, presente, portanto, as letras "b" e "d". Nesse aspecto, mister se faz destacar trechos do "ACORDO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DAS EMPRESAS DOW PARA O EXERCÍCIO DE 2003", constante na página 4, verbis: "A meta de participação fica baseada nos seguintes percentuais: • Lucro Econômico corresponderá a 50% da meta de participação, • Redução Global de Despesas Controláveis corresponderá a 25% da meta de participação e • Desempenho individual ou da equipe corresponderá a 25% da meta de participação. " Ademais, na mesma página 4 há todas as definições e conceitos relacionados ao PLR que a Recorrente paga aos seus funcionários. A fiscalização e DRJ entenderam que a Convenção Coletiva de Trabalho não trouxe regras claras e objetivas em relação às metas, razão pela qual, no que tange à letra "b", mister se faz trazer à baila os pontos de convencimento deste Julgador: Conforme destacado alhures, especificamente nas fls. 36/37, o próprio Relatório Fiscal destacou que consta na CCT, como critérios os seguintes: LUCRO ECONÔMICO GLOBAL DA DOW QUÍMICA x DESEMPENHO INDIVIDUAL OU DA EQUIPE. Este Julgador não constata nenhum problema em utilizar como parâmetro o "Lucro Global" da empresa, até porque, como destacou a Recorrente, por se tratar de uma multinacional, evita a disparidade entre os lucros recebidos pelos funcionários nos diversos países. A Recorrente sustenta e comprova que as metas eram traçadas pela equipe, juntamente com o supervisor. Sendo esse o ponto principal do caso em tela, tendo em vista que a DRJ entendeu haver um aspecto subjetivo, bem como ausência de regras claras e objetivas, razão pela qual manteve o lançamento. Da análise do supracitado Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, o mesmo transcreve trecho da CCT, que traz a mesma situação acima, conforme se extrai abaixo, verbis: [...] Logo, diante do exposto, verificase que o caso em tela é análogo ao ensejador da jurisprudência oriunda da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, que tem o condão de uniformizar a Jurisprudência Administrativa. Fl. 190DF CARF MF 10 Portanto, comprovado que os pagamentos a título de Participação nos Lucros e Resultados estão em consonância com os critérios estabelecidos na legislação, não deve incidir Contribuição Previdenciária. Desta forma, este mesmo resultado deve ser replicado ao presente julgamento. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 191DF CARF MF
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