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Numero do processo: 16682.720152/2011-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSTÂNCIA ESPECIAL. PRELIMINAR ARGUIDA DA TRIBUNA. CONHECIMENTO.
Não se conhece de preliminar arguida em sede de memorial ou sustentação oral, cujo conteúdo não tem pertinência com o objeto do Recurso Especial, tampouco é aplicável ao Processo Administrativo Fiscal.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. PARADIGMA. VOTO VENCIDO E VOTO VENCEDOR. DENOMINAÇÃO. IRRELEVÂNCIA.
Atendidos os pressupostos regimentais, o Recurso Especial deve ser conhecido. No contexto dos acórdãos do CARF, o voto vencedor retrata a tese vencedora apenas quanto às matérias em que o relator originário restou vencido. No presente caso, a relatora originária do acórdão paradigma restou vencida apenas quanto à qualificação da multa, portanto o seu voto, ainda que denominado de vencido, retrata o posicionamento do Colegiado relativamente à matéria principal, objeto do Recurso Especial.
FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA.
Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste.
Numero da decisão: 9202-007.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da preliminar de aplicação da Lei nº 13.655, de 25/04/2018, ao presente julgamento, suscitada da tribuna, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que a conheceram. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Entretanto, findo o prazo regimental, os Conselheiros não apresentaram as Declarações de Voto, que devem ser tidas como não formuladas, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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INSTÂNCIA ESPECIAL. PRELIMINAR ARGUIDA DA TRIBUNA. CONHECIMENTO. Não se conhece de preliminar arguida em sede de memorial ou sustentação oral, cujo conteúdo não tem pertinência com o objeto do Recurso Especial, tampouco é aplicável ao Processo Administrativo Fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. PARADIGMA. VOTO VENCIDO E VOTO VENCEDOR. DENOMINAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Atendidos os pressupostos regimentais, o Recurso Especial deve ser conhecido. No contexto dos acórdãos do CARF, o voto vencedor retrata a tese vencedora apenas quanto às matérias em que o relator originário restou vencido. No presente caso, a relatora originária do acórdão paradigma restou vencida apenas quanto à qualificação da multa, portanto o seu voto, ainda que denominado de vencido, retrata o posicionamento do Colegiado relativamente à matéria principal, objeto do Recurso Especial. FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 01 52 /2 01 1- 00 Fl. 927DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da preliminar de aplicação da Lei nº 13.655, de 25/04/2018, ao presente julgamento, suscitada da tribuna, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que a conheceram. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Entretanto, findo o prazo regimental, os Conselheiros não apresentaram as Declarações de Voto, que devem ser tidas como não formuladas, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de exigência de multa isolada por falta de retenção e recolhimento de Imposto de Renda na Fonte IRF, exigida com base no art. 9º, da Lei nº. 10.426, de 2002, incidente sobre valores distribuídos pela autuada a título de juros sobre o capital próprio, para a empresa Neoenergia S/A, nos anos calendário de 2005 a 2008. Em sessão plenária de 28/01/2016, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401004.071, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9º DA LEI Nº. 10.426/2002. ALTERAÇÃO PROMIDA PELA LEI Nº. 11.488/2007. A multa isolada prevista no art. 9º da Lei nº. 10.426/2002, com redação dada pela Lei nº. 11.488/2007, deixou de aplicar a multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 aos casos de ausência de retenção de IRRF com posterior pagamento do tributo, por fazer menção expressa ao inciso I deste artigo, que trata somente da multa aplicada ao lançamento de ofício realizado nos casos de ausência de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 928 3 AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9º DA LEI Nº. 10.426/2002. FATOS GERADORES ANTERIORES À ALTERAÇÃO PROMIDA PELA LEI Nº. 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106, II, a, DO CTN. Para os fatos geradores ocorridos anteriormente a alteração da redação do art. 9º da Lei nº. 10.426/2002, promovida pela Lei nº. 11.488/2007, aplicase a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, ante o fato de a referida alteração ter deixado de prever a aplicação da multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA. Conforme Súmula CARF n. 02, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei. DECADÊNCIA. No caso de lançamento sujeito a homologação, a não antecipação do imposto devido importa no prazo decadencial conforme o art. 173, I do CTN. Recurso Voluntário Provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos na votação os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini. Redação do voto vencedor a cargo do conselheiro Carlos Alexandre Tortato." O processo foi encaminhado à PGFN em 02/05/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 832) e, em 02/06/2016, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 833 a 845 (Despacho de Encaminhamento de fls. 877), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir a aplicação da multa por falta de retenção e recolhimento de Imposto de Renda na Fonte IRF, exigida com base no art. 9º, da Lei nº. 10.426, de 2002. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 26/08/2016 (fls. 879 a 885). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: a imposição da multa isolada a ser aplicada à fonte pagadora pela falta de retenção e recolhimento do imposto de renda está prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, que assim dispõe: “Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 929DF CARF MF 4 a redação original do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mencionava apenas os incisos I e II do caput do art. 44 que, à época, referiamse às multas de ofício de 75% e de 150%, enquanto que as hipóteses de multas isoladas previstas no artigo 44 encontravamse descritas no §1º, incisos II a IV (o inciso V já havia sido revogado), ou seja, o mencionado artigo 9º criou novas hipóteses de incidência para a multa isolada, fazendo menção ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tão somente para fixar os percentuais a serem aplicados (75%, no caso geral, e 150%, nos casos de evidente intuito de fraude); a alteração introduzida pela Lei nº 11.488, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deslocando as multas de ofício de 75% e 150%, dos incisos I e II do caput, para o inciso I e § 1º, foi acompanhada da alteração promovida no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, cuja redação passou de "Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, [...]." para "Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu §1º, quando for o caso,[...]"; importa ressaltar que a parte final do artigo em comento foi alterada, apenas, para excluir a multa isolada devida pelo recolhimento em atraso de tributo ou contribuição a título de antecipação, sem o acréscimo da multa moratória, de forma semelhante à alteração feita no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a exclusão da multa isolada prevista originalmente no inciso II, do § 1º, do referido artigo; a partir da leitura do citado dispositivo legal extraise que mera falta de retenção já é expressamente caracterizada como o tipo legal ensejador da multa, sendo irrelevante, dado o caráter de obrigatoriedade e estrita vinculação do lançamento previsto no art. 142 do CTN, que a beneficiária do pagamento tenha ou não oferecido os rendimentos à tributação; a multa exigida isoladamente no presente lançamento, em razão da falta de retenção do IRRF, tem como fundamento legal o art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, c/c o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996; impende salientar, por oportuno, que encontrase pacificado neste Conselho o entendimento de que, quando existe previsão de tributação na fonte, a título de antecipação do imposto devido pelo beneficiário dos rendimentos, e a ação fiscal for instaurada após o encerramento do anocalendário ou do período de apuração do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário por meio de lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos; em suma, nesse caso, o rendimento deveria ser tributado pelo beneficiário, exigindose da fonte pagadora a multa de ofício de forma isolada, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002; na situação em cotejo, estamos verificando multa contra a fonte pagadora por não ter realizado a obrigação de reter na fonte os valores prescritos na lei, portanto não há que se mencionar que essa multa perde fundamento com o oferecimento à tributação do beneficiário ou mesmo com o mero encerramento do anocalendário (quando o imposto não é mais exigível da fonte pagadora); as obrigações são distintas, uma de declaração e pagamento do tributo e outra de necessidade de retenção, e no caso concreto está se imputando à recorrente a multa por não ter retido, e não pela ausência de declaração/pagamento; Fl. 930DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 929 5 por oportuno, cabe destacar que a matéria foi objeto de pronunciamentos administrativos, que interpretaram e normatizaram a aplicação da multa, sendo o mais relevante, pela profundidade da abordagem, o Parecer Normativo nº 1/2002, da Receita Federal, cujos excertos ora se transcreve: “IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação.” convém lembrar que não cabe ao julgador relevar penalidades ou conceder qualquer redução nas multas de ofício lançadas, sem que haja previsão legal para tanto; o Código Tributário Nacional prevê, em seu art. 97, que somente a lei pode determinar hipóteses de dispensa ou redução de penalidade: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.” sob essa ótica, não se pode criar hipótese de dispensa da multa isolada não prevista na legislação; considerandose que a criação de nova hipótese de dispensa de multa não configura integração ou interpretação extensiva da norma, mas, evidentemente, uma novidade no ordenamento jurídico, tal procedimento, quando efetuado pelo aplicador da lei, decorre de um juízo de equidade, inadmitido pelo ordenamento para criar situações de dispensa do pagamento do crédito tributário devido; é certo que na esfera administrativa não cabe a apreciação das alegações de inconstitucionalidade das leis ou a determinação de que estas deixem de ser aplicadas a um caso concreto, sob alegação de que ferem princípios da razoabilidade, proporcionalidade ou Fl. 931DF CARF MF 6 vedação ao confisco, tendo em vista o já mencionado caráter vinculado do lançamento previsto no art. 142, do CTN; diante do exposto, considerando que o sujeito passivo, na qualidade de fonte pagadora, deixou de reter o IRRF a que estava obrigado, afigurase correta a exigência de multa de ofício isolada, nos termos do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido e restabelecendose integralmente o lançamento. Cientificada em 14/02/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 889), a Contribuinte ofereceu, em 01/03/2017 (comprovante de postagem de fls. 897/898), as Contrarrazões de fls. 899 a 923, contendo os seguintes argumentos: preliminarmente, não foram preenchidos os requisitos de admissibilidade e conhecimento do Recurso Especial, no que tange ao paradigma representado pelo Acórdão nº 210200.465; conforme relatado pela Recorrente, o voto da Relatora, que restou vencida no julgamento, é no sentido de que as alterações na Lei 9.430, de 1996, mantiveram a exigência da multa isolada quando não houver retenção na fonte; no entanto, ao contrário do que alega a Recorrente, o voto vencedor não abordou a questão sob a ótica da extinção da multa isolada, conforme decidido no acórdão recorrido; a partir da leitura dos votos vencedor e vencido, inferese que a divergência instaurada se concentrou quanto à qualificação ou não da multa, todavia em nenhum momento o voto vencedor reconhece ou sequer anui o entendimento de que as alterações legislativas perpetradas na Lei n. 9.430, de 1996, não teriam revogado a exigência da multa na sua forma isolada; nos termos do voto vencedor e da própria ementa do julgado paradigma, a Turma entendeu pela manutenção da multa, assim entendida como multa de ofício; confirase a ementa do julgado e o trecho do voto que deixam claro que tanto a ementa como o voto vencedor não tratam da revogação da multa isolada: Ementa "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 IRRF FALTA DE RETENÇÃO MULTA EXIGIDA DA FONTE PAGADORA Havendo previsão legal expressa para sua exigência, nos termos do art. 9o da Lei n" 10.426/2002, deve ser mantido o lançamento que exige da fonte pagadora a multa incidente sobre a falta de retenção e recolhimento do IRRF. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. EMPRESA DE MARKETING DE INCENTIVO. MANOBRA PARA OCULTAR A Fl. 932DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 930 7 OCORRÊNCIA DO FA O GERADOR. SONEGAÇÃO. HIGIDEZ DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA LANÇADA. Os pagamentos feitos por intermédio do cartão de incentivo, com a utilização de empresa de marketing como intermediária, são, na verdade, uma grosseira manobra diversionista com o fito de ocultar do fisco a tributação que deveria incidir sobre tais pagamentos. Higida a qualificação da multa de oficio, já que se demonstrou à sociedade a manobra perpetrada pelo fiscalizado para simular situações não existentes, ocultando da fiscalização o conhecimento da ocorrência do fato gerador, que é o conhecido legalmente como sonegação (art. 71 da Lei n°4.502/64). Recurso voluntário negado." (grifos nossos) Voto vencedor "Com a devida vênia a nobre relatora, a quem tenho elevado respeito por seus ponderados posicionamentos jurídicos em votos prolatados no âmbito desta Turma de julgamento, ouso discordar da desqualificação da multa de oficio, como proposto no voto vencido, já que considero a conduta perpetrada pelo contribuinte EMERSON SISTEMAS DE ENERGIA LTDA de extrema gravidade." ora, não se nega que a Lei nº 9.430, de 1996, manteve a exigência da multa de ofício para casos de não retenção na fonte, entretanto, o que restou consignado no acórdão ora recorrido é que a multa aplicada em desfavor da Recorrente, na sua modalidade isolada, é ilegal e insubsistente, uma vez que a nova redação do art. 44, da Lei 9.430, de 1996, revogou a multa na sua modalidade isolada; assim sendo, resta evidente que o acórdão recorrido e o acórdão paradigma tratam de situações fáticas distintas e, em especial, de premissas diferentes; ademais, se a razão da utilização de acórdão/voto paradigma é justamente demonstrar a divergência de entendimento em turmas julgadoras, valerse de voto vencido para embasar a interposição de Recurso Especial é subverter toda a ordem lógica dos ditames processuais; isto posto, considerando que a Recorrente valeuse do voto vencido para promover o cotejo analítico entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido, e tendo em vista que o voto vencedor utilizouse de premissas fáticas distintas daquelas utilizadas no acórdão recorrido, resta claro que a Recorrente não cumpriu o requisito processual, sendo imperioso o não conhecimento do Recurso Especial; quanto à revogação da hipótese de lançamento de multa isolada pelo não recolhimento do IRRF, nas razões do seu Recurso Especial a Recorrente defende "a imposição da multa isolada a ser aplicada na fonte pagadora pela falta de retenção e recolhimento do imposto de renda está prevista no art. 9º da Lei nº 10.426/2002"; no entanto, a Recorrente limitouse a pugnar pela manutenção da multa, sem, contudo, impugnar o efetivo argumento de mérito utilizado pela turma julgadora para prover o Recurso Voluntário da ora Recorrida: a revogação da multa de 75% na sua modalidade isolada para casos de não retenção na fonte; Fl. 933DF CARF MF 8 conforme amplamente exposto nos autos e expressamente consignado no acórdão recorrido, a aplicação da multa isolada sobre a falta de recolhimento do IRRF deixou de existir, nos termos do artigo 14 da Medida Provisória n° 351, de 2007, não podendo, portanto, ser exigida na presente hipótese; com efeito, a Medida Provisória n° 351, de 2007, publicada em 22/01/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 2007), alterou a redação do artigo 44, § 1º, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, alterando a sistemática de aplicação das multas de ofício e das multas isoladas; de fato, com base na nova formatação do artigo 44, a multa somente pode ser exigida de forma isolada, e à razão de 50%, nas hipóteses previstas no inciso II, alíneas "a" e "b" (ausência de recolhimento por estimativa/carnêleão); da mesma forma, a MP nº 351 alterou a redação do artigo 9º da Lei nº 10.426, de 2002; verificase que a nova redação do artigo 9º passou a fazer referência apenas ao inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (multa de ofício pelo nãorecolhimento) e não ao inciso II, que prevê a cobrança de multa isolada; como consequência, o artigo 9º da Lei nº 10.426, de 2002, somente pode ser aplicado com a imposição da multa de ofício, quando verificada a falta de recolhimento do IRRF, quando deverá ser exigida a multa de ofício, juntamente com o principal e juros moratórios; todavia, essa hipótese (exigência do principal, multa de ofício e juros da fonte pagadora) somente se aplica quando apurado o nãorecolhimento do IRRF sujeito à (i) tributação definitiva, ou (ii) antes de encerrado o período de apuração do beneficiário dos rendimentos, no caso de IRRF considerado como antecipação do imposto por ele devido; portanto, não existe mais a hipótese da aplicação da multa de ofício isolada nos casos de não retenção ou não recolhimento do IRRF, previsto no artigo 9º da Lei nº 10.426, e nesse sentido, confirase decisão do E. Conselho: "MULTA ISOLADA REVOGAÇÃO A nova redação do artigo 44 da Lei n° 9.430 de 1.966, dada pela Medida Provisória 351 de 2.007, convertida na Lei 11.488 de 2.007, revogou a aplicação da multa de ofício isolada na hipótese de falta de retenção de IRRF pela fonte pagadora quando o lançamento é praticado após o termo de entrega da Declaração de Ajuste Anual do beneficiário dos rendimentos pagos". (Ac. 10248.531 g.n.) desta forma, conforme amplamente demonstrado acima e confirmado pelo entendimento da jurisprudência do E. Conselho, não se aplica à hipótese dos autos a multa de ofício prevista no artigo 9º da Lei nº 10.426, de 2002, pois no presente caso o beneficiário do rendimento ofereceuo à tributação, no momento do pagamento/creditamento, e a Contribuinte efetuou o recolhimento da multa moratória; ademais, ainda que assim não se entenda, o que se admite apenas a título de argumentação, na remota hipótese de se considerar devida a multa ora impugnada, cumpre ressaltar que a exigência em questão padece de vício, eis que inexistente, no presente caso, base de cálculo a sustentar a sua cobrança; Fl. 934DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 931 9 isto porque, nos termos do parágrafo único do artigo 9º da Lei nº 10.426, de 2002, a multa de que trata o referido artigo será calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado; contudo, conforme se observa do caso em questão, os valores pagos a título de JCP pela Contribuinte já foram oferecidos à tributação pela beneficiária na data de seu vencimento, não havendo, portanto, base de cálculo para apuração da multa supostamente devida; ademais, como se não bastasse a revogação da hipótese de cobrança de multa isolada ao caso em espécie, fato é que as multas isoladas, após a Lei nº 11.488, de 2007, somente podem ser cobradas à razão de 50% do valor do imposto, no caso de recolhimento mensal (estimativa) e não 75%, em caso que não se confunde com o recolhimento mensal, como aplicou o Sr. Auditor Fiscal, o que apenas reforça a improcedência da exigência em questão; em conclusão, temse que: i) do pagamento do principal, houve a efetiva comprovação de que o beneficiário do JCP ofereceu a receita à tributação: do simples exame do Livro Razão (doc. 03), verificase que a Neoenergia S/A ofereceu à tributação, oportunamente e portanto antes da lavratura do lançamento ora combatido, o valor creditado/recebido a título de Juros Sobre o Capital Próprio JCP, inexistindo, portanto, a figura do não recolhimento da obrigação principal; ii) do recolhimento da multa de mora, previamente a qualquer procedimento, a Contribuinte a recolheu, fato que a exonera da imputação de qualquer modalidade de penalidade, inclusive a imputação de multa isolada: em face da não retenção do imposto de renda na modalidade Fonte quando do seu creditamento/pagamento, a Contribuinte, antes da instauração de qualquer procedimento, espontaneamente recolheu a multa de mora devida em face da não retenção, fato que, agregado ao oferecimento da receita à tributação pela Neoenergia, a exonera da imputação de qualquer penalidade ou modalidade de multa, nos termos e para os efeitos do artigo 138 do CTN; iii) a CoordenaçãoGeral de Tributação afirma que extinguese a responsabilidade pela retenção no momento em que o benficiário do pagamento oferece os rendimentos à tributação: nos termos do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação nº 1/2002, quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do tributo se extingue no momento em que o beneficiário do pagamento oferece os rendimentos à tributação; portanto, não cabendo a imputação de responsabilidade em face da obrigação principal, não há como subsistir a imputação de obrigação acessória ou de multa decorrente do descumprimento desta; iv) o artigo 9º da Lei nº 10.425, de 2002, previa a hipótese de aplicação da multa isolada apenas nos casos em que o pagamento a destempo estivesse desacompanhado do recolhimento da multa de mora: inaplicável o lançamento da multa com base no artigo 9º da Lei nº 10.425, de 2002, na medida em que a hipótese prevista na norma reclama a coexistência de duas condições: a não retenção/recolhimento; e, concomitantemente, o não recolhimento de multa de mora; no caso, inexistiu a retenção, contudo houve o oferecimento à tributação e o recolhimento da multa de mora, fato que afasta a ocorrência da segunda condição ausência do Fl. 935DF CARF MF 10 recolhimento da multa de mora necessária à aplicação do artigo 9º da Lei nº 10.425, de 2002; v) a aplicação da multa isolada foi revogada com a nova redação do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996: com a publicação da Medida Provisória nº 351, de 2007, que deu nova redação ao artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a multa de oficio em questão, lançada de maneira isolada, restou claramente revogada em face da sumária supressão do seguimento de linguagem "recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa moratória"; com efeito, a nova redação introduzida em 2007, por força da MP 351, de 2007, restringe a aplicação da multa de ofício apenas aos casos de não pagamento ou recolhimento, da falta de declaração ou de declaração inexata (casos de ausência de cumprimento da obrigação principal), fato que exclui a imputação de multa em casos como o presente, em que a receita foi oferecida a tributação e regularmente declarada pela empresa beneficiaria anteriormente a qualquer procedimento do Fisco; quanto à aplicação do Parecer Normativo CST nº 01/02, após sustentar a manutenção da multa em virtude do disposto no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, alega a Recorrente que a aplicação da multa para casos de não retenção na fonte já foi objeto de diversos pronunciamentos administrativos, que interpretaram e normatizaram a matéria, em especial, referido parecer; inicialmente, cumpre repisar que as normas internas da Receita Federal não têm o status de lei, e limitamse a regulamentar hipóteses típicas instituídas por lei, logo, a existência de Parecer Normativo, por si só, não vincula a conduta dos Contribuintes; ainda que o disposto no referido parecer fosse contrário ao procedimento adotado pela Contribuinte, fato é que tal ato normativo foi editado em 24/09/2002, ou seja, antes da vigência da Lei nº 11.488, de 2007, que revogou a imposição de multa isolada, no caso de não retenção na fonte do Imposto de Renda; no entanto, fato é que o disposto no Parecer Normativo n° 1/2002 se coaduna com o procedimento praticado pela Contribuinte, já que, conforme o parecer, quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo Contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual; com efeito, nos anoscalendário de 2004 a 2007, a Contribuinte efetuou o pagamento de Juros sobre o Capital Próprio JCP à sua empresa controladora Neoenergia S/A, sem reter e recolher o IRF incidente sobre tal valor; ocorre que, conforme amplamente demonstrado, apesar de a Contribuinte não ter procedido à retenção e o recolhimento do IRF, em razão do pagamento dos JCP distribuídos, a empresa Neoenergia S/A ofereceu tais rendimentos à tributação oportunamente e, portanto, antes da lavratura do lançamento ora combatido, inexistindo, portanto, a figura do não recolhimento da obrigação principal; além desses valores terem sido oferecidos à tributação pela beneficiária Neoenergia S/A, vale ressaltar, por oportuno, que a Contribuinte efetuou o recolhimento da multa de mora devida em razão da falta de retenção e recolhimento do IRF; visto isso, cumpre destacar que, consoante se verifica da leitura do Parecer Normativo CST nº 1, de 2004, a responsabilidade da Contribuinte pelo recolhimento do tributo Fl. 936DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 932 11 extinguese após o encerramento do período de apuração em que o beneficiário do pagamento ofereceu tais importâncias à tributação; confirase: "PARECER NORMATIVO N° 1, DE 24 DE SETEMBRO DE 2002 (...) IRRF. RETENÇÃO EXCLUSIVA. RESPONSABILIDADE. No caso de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese. no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega d declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a muita de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica: exigindose do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação. IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Fl. 937DF CARF MF 12 (...) 16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9o da Lei nº 10.426, de 2002, constatandose que o contribuinte: a) não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; b)submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora." (g. n.) assim, tendo em vista que os valores recebidos pela beneficiária Neoenergia S/A, no presente caso, a título de Juros Sobre Capital Próprio foram oferecidos à tributação, concluise que o procedimento praticado pela Contribuinte encontrase em consonância com o Parecer Normativo CST n° 1, de 24/09/2002 e, portanto que a responsabilidade da Contribuinte pela retenção e recolhimento do imposto extinguiuse na data do encerramento do período de apuração em que o rendimento foi tributado; citese, neste sentido, o entendimento do Conselho de Contribuintes: IRF ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO APURADO APÓS A DATA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO Se a previsão da tributação na fonte dáse por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual de rendimentos, e se a ação fiscal ocorrer após a data de entrega desta declaração anual, descabe a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, deverá ser efetuado em nome do beneficiário do rendimento. Recurso provido" (Ac n° 10417516 g. n.) ainda, no que concerne à possibilidade de exigência de eventuais encargos legais da Fonte, o Parecer Normativo n° CST n° 1/2002, de fato, determina que caso o beneficiário do rendimento o tenha submetido à tributação, poderão ser exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora. ocorre que o mencionado parecer deve ser analisado à luz da nova legislação que rege a matéria (Lei n° 11.488, de 2007); com efeito, não há mais como se exigir a multa de ofício da fonte pagadora dos rendimentos, após o recolhimento do tributo pelo beneficiário; e isto porque a imposição da multa pretendida (multa de ofício da ordem de 75%) só seria aplicável nos casos em que não houve recolhimento do imposto pelo beneficiário do rendimento, que o recolhimento tenha sido feito extemporaneamente ou, ainda, que a fonte Fl. 938DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 933 13 pagadora ainda não tenha recolhido a multa de mora, antes da ação fiscal (como é o caso dos autos); nesse sentido, confirase decisão do CARF: "IRRF FALTA DE RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA Lançamento praticado após o termo de entrega da Declaração de Ajuste Anual do beneficiário dos rendimentos. Responsabilidade pelo pagamento do tributo atribuída ao beneficiário dos rendimentos. Parecer Cosit n° 1 de 2002." (Ac. 10248531 g.n.) como corolário de todas as assertivas, cumpre destacar outro trecho do voto do Relator Geraldo Valentim no Acórdão nº 1202000.601: SOBRE O PARECER CGT n° 01/02 (Acórdão 1202000.601) "Dessa forma, e ainda nos termos do referido Parecer CGT n° 01/02, se somente "após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, for constatado que não houve retenção do imposto, o destinatário da exigênda passa a ser o contribuinte. Com efeito, se a lei exige que o contribuinte submeta os rendimentos à tributação, apure o imposto efetivo, considerando todos os rendimentos, a partir das datas referidas não se pode mais exigir da fonte pagadora o imposto." (grifos nossos) este também é o posicionamento do CARF, conforme se verifica nos acórdãos a seguir transcritos: "IRRF FALTA DE RETENÇÃO DA FONTE PAGADORA SUPRIDA PELO OFERECIMENTO A TRIBUTAÇÃO PELO RECEBEDOR O PN CST 01/2002 determina que nos casos de incidência na fonte, cuja natureza seja de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado." (Acórdão n° 110200.229 proferido pela 1a Seção de Julgamento, 1a Câmara, 2a Turma Ordinária, em 5/7/2010) (grifos nossos) "IMPOSTO DE RENDA NA FONTE ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO FALTA DE RETENÇÃO AÇÃO FISCAL APÓS A DATA PREVISTA PARA O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO Quando a incidência na fonte tiver natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, na data do encerramento do anocalendário em que o rendimento deveria ser tributado. Assim, se a ação fiscal Fl. 939DF CARF MF 14 ocorrer após o anobase da ocorrência do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, beneficiário do rendimento. Recurso provido." (Acórdão 10421.332, publicado no DOU em 31.10.2008) (grifos nossos) ante o exposto, sem prejuízo de todos os argumentos anteriormente apresentados, concluise que o disposto no Parecer Normativo CST nº 1/2002 não tem o condão de justificar a aplicação da multa isolada em desfavor da Contribuinte; por fim, a Recorrente assevera que não cabe ao julgador administrativo apreciar alegações de inconstitucionalidade de leis, no entanto, conforme se infere do acórdão recorrido, não houve qualquer declaração de inconstitucionalidade de norma, mas apenas o reconhecimento da revogação do dispositivo que embasa a aplicação da multa isolada no caso em análise; na verdade, pugna a Contribuinte tão somente pela aplicação e preservação dos princípios constitucionais, o que deve ser observado por qualquer órgão julgador, até mesmo o administrativo; nesse sentido, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou acerca do assunto, determinando que os princípios constitucionais devem ser aplicados pelos membros dos órgãos administrativos de julgamento, conforme se denota do trecho extraído do acórdão CSRF/01066, cujo relator foi o Sr. Conselheiro Antonio da Silva Cabral: "Acrescenta a recorrente que não é da competência dos Conselhos de Contribuintes a declaração de inconstitucionalidade de Decretoslei ou quaisquer outros atos legislativos. De fato, só o Poder Judiciário é que pode, por via direta ou indireta, declarar tal inconstitucionalidade'. Também aqui se equivoca a Fazenda Nacional. Em primeiro lugar, a Câmara recorrida em momento algum declarou a inconstitucionalidade do art. 21 do DL n° 2.065/83. Detevese apenas na análise do caso concreto, entendendo que esse artigo se aplica a partir da vigência da lei. É comum, nos meios fazendários, confundirse declaração jurisdicional de inconstitucionalidade de lei, que é apanágio do Poder Judiciário, com aplicação de princípio constitucional, que nada mais é do que aplicação do princípio da legalidade ao caso concreto. No caso em julgamento, a Câmara recorrida simplesmente aplicou o art. 21 do DL 2.065/83 em consonância com o princípio constitucional da irretroatividade da Lei, que consta no artigo 153, parágrafo 3o, da Carta Magna. Se a missão do Conselho de Contribuintes, consoante consta o art. 8o do Regimento Interno ao qual está submetida a Câmara recorrida, é aplicar a lei tributária, o Colegiado se portou dentro do que lhe manda o Regimento, já que sendo a Constituição a lei das leis deverá ser 'aplicada' em primeiro lugar. No caso, teve razão a Câmara recorrida, pois a Administração vinha ferindo o ato jurídico perfeito, mediante a aplicação equivocada do DL n° 2.065/83." (g.n.) Fl. 940DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 934 15 comentando o mencionado voto, Ricardo Mariz de Oliveira e João Francisco Bianco explicam que resta claro que o controle da constitucionalidade das leis é de competência do Poder Judiciário, contudo, isto não impede que o Poder Executivo retire a eficácia da aplicação de uma determinada lei, em virtude desta confrontar com dispositivo constitucional: "Parece evidente que o Conselho tem bem claro que o controle da constitucionalidade da lei ou dos atos normativos é da competência exclusiva do Poder Judiciário (ADIN 2210). Tanto que em nenhuma decisão o Conselho pretendeu usurpar o monopólio do Poder Judiciário de controle jurisdicional, assegurado pelo art. 5o, inciso XXXV, da Constituição. Isso porque o Conselho jamais declarou a inconstitucionalidade de lei, que é função específica e exclusiva da maioria absoluta dos membros dos tribunais judiciais (art. 97 da CF). Mas em alguns casos, o Conselho reconheceu que, em determinada situação concreta, a norma que deveria reger o nascimento da obrigação tributária estava eivada de algum vício que lhe retirava a eficácia, frente ao que dispõe o Sistema Constitucional Tributário. E, em função disso, o Conselho no caso concreto retiroulhe a eficácia ou limitou a sua eficácia no tempo." (in "Processo Administrativo Fiscal", 2o Volume, Ed. Dialética, p. 127) neste esteio, tendo inexistido qualquer declaração de inconstitucionalidade de dispositivo legal, mostrase absolutamente infundada a alegação da Recorrente. Ao final, a Contribuinte pede, inicialmente, o não conhecimento do Recurso Especial, uma vez que o acórdão utilizado como paradigma conteria premissas fáticas distintas das do acórdão recorrido, e a argumentação utilizada pela Recorrente para o cotejo analítico é pautada no voto vencido. Se assim não for, pede o não provimento do apelo. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir sobre o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de exigência de multa isolada por falta de retenção e recolhimento de Imposto de Renda na Fonte IRF, exigida com base no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, incidente sobre valores distribuídos pela autuada a título de juros sobre o capital próprio, para a empresa Neoenergia S/A, nos anos calendário de 2005 a 2008. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando que o paradigma representado pelo Acórdão nº 210200.465 não lograria demonstrar a divergência arguida, já que a argumentação utilizada pela Recorrente para o cotejo analítico estaria pautada no voto vencido, que conteria premissas fáticas distintas das do acórdão recorrido. Fl. 941DF CARF MF 16 De plano, esclareçase que a sistemática de registro e elaboração de acórdãos do CARF é no sentido de designar como vencedor o voto que aborde qualquer matéria cuja tese do relator originário reste vencida. Nesse sentido, qualquer matéria, ainda que seja preliminar ou acessória, se vencido o relator, o voto proferido pelo designado, naquela matéria, leva a denominação de vencedor, independentemente das matérias abordadas no voto denominado de vencido, que na verdade estampa as teses vencedoras nas demais matérias. Assim, no caso desse paradigma, a Relatora, Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, restou vencida, juntamente com os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto (Suplente Convocado) e Marcelo Magalhães Peixoto (Suplente Convocado), unicamente na parte do voto em que desqualificouse a multa de ofício. Nesse passo, o Conselheiro que foi designado como redator do voto vencedor elaborou tal peça abordando apenas a questão da desqualificação da multa, já que, no que tange às demais matérias, a votação foi unânime. Confirase a parte dispositiva do acórdão: "ACORDAM os Membros do Colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (Relatora), Rogério de Lellis Pinto (Suplente Convocado) e Marcelo Magalhães Peixoto (Suplente Convocado), que davam parcial provimento para desqualificar a multa de oficio. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos." Destarte, a sistemática de registro e elaboração de acórdãos do CARF requer que os votos vencedor e vencido sempre sejam analisados em conjunto, exceto quando o relator resta vencido em todas as matérias, o que não ocorreu no caso desse paradigma. Com efeito, no voto denominado de vencido, em que examinouse exatamente a matéria em tela exigência de multa isolada por falta de retenção e recolhimento de Imposto de Renda na Fonte IRF, exigida com base no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002 a conclusão é clara: "Tratase de lançamento para exigência de multa e juros isolados em razão da falta de retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre pagamentos efetuados a pessoas físicas. A multa isolada foi exigida no percentual de 150%, nos termos do art. 44, II da Lei n° 9.430/96. O lançamento está fundamentado no art. 9° da Lei n° 10.426/02. Sustenta a Recorrente que esta multa não lhe poderia mais ser exigida, uma vez que o referido art. 44 da Lei n° 9.430/96 fora alterado por meio da Lei nº 11.488/07 (MP 351/2007), tendo sido revogada a exigência isolada da multa. (...) Como se vê, a legislação suscitada pela Recorrente não só alterou o art. 44 da Lei nº 9.430/96, como também alterou a legislação que dá suporte a este lançamento, mantendo a exigência da multa referida no art. 44 nas hipóteses em que a fonte pagadora deixar de reter o tributo devido quando dos pagamentos por ela efetuados. Sendo assim, não há que se falar, aqui, na aplicação retroativa do art. 44 da Lei n° 9.430/96, pois existe uma norma específica que prevê a aplicação da multa em comento." Por outro lado, o voto denominado de vencedor não deixa dúvidas acerca de seu escopo, nos exatos termos da designação especificada na parte dispositiva do acórdão, qual Fl. 942DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 935 17 seja, apenas a questão da qualificação da multa, sendo que a tese de não aplicação da penalidade, em si, bem como da retroatividade benigna, repitase que foram rechaçadas à unanimidade. Confirase os respectivos trechos do voto vencedor: "Com a devida vênia a nobre relatora, a quem tenho elevado respeito por seus ponderados posicionamentos jurídicos em votos prolatados no âmbito desta Turma de julgamento, ouso discordar da desqualificação da multa de oficio, como proposto no voto vencido, já que considero a conduta perpetrada pelo contribuinte EMERSON SISTEMAS DE ENERGIA LTDA de extrema gravidade. (...) Sem maiores considerações do que aquelas acima transcritas, por suficientes, entendo que a multa de ofício qualificada deve ser mantida, razão que me leva a NEGAR provimento ao recurso de voluntário." Destarte, constatase que, se acolhida a tese da Contribuinte interpretação literal dos termos "voto vencedor" e "voto vencido" teríamos a insólita situação de um voto vencedor que decidiu pela manutenção da qualificação da penalidade, sem que a própria aplicação da penalidade, em si, tenha sido examinada, discutida, julgada e referendada por meio de voto válido, o que de forma alguma se sustenta. Assim, o paradigma ora analisado é plenamente apto a demonstrar a alegada divergência. Ainda que assim não fosse o que se admite apenas para argumentar a Fazenda Nacional indicou também como paradigma o Acórdão nº 9202003.834, sobre o qual não foi apresentado qualquer óbice. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a examinarlhe o mérito. Tratase de exigência de multa aplicada à fonte pagadora, Termopernambuco S/A, com fundamento no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pelo artigo 16, da Lei nº 11.488, de 2007. No acórdão recorrido, dita penalidade foi afastada, inclusive mediante a aplicação de suposta retroatividade benigna (art. 106, inciso II, “a”, do CTN), considerandose que ela teria sido extinta pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007. Entretanto, a multa em tela nunca foi extinta, conforme será demonstrado. Primeiramente, esclareçase que não está sendo exigido o Imposto de Renda devido pela beneficiária dos rendimentos, que é a empresa Neoenergia S/A. Tampouco está sendo cobrada multa pelo recolhimento do IRRF fora do prazo sem aplicação de multa de mora. O que está sendo cobrado, no presente caso, é unicamente a multa pelo não cumprimento, por parte da fonte pagadora – Termopernambuco – da obrigação de efetuar a retenção e o recolhimento do IRRF, a título de antecipação. Fl. 943DF CARF MF 18 A penalidade em tela foi instituída pela Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, convertida na Lei nº 10.426, de 2002, que assim estabelecia, em sua redação original: “Art.9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” O dispositivo acima não deixa a menor brecha para que se entenda que a penalidade nele prevista poderia ser exigida de outra forma, que não a isolada. Com efeito, a penalidade está sendo aplicada à fonte pagadora, que não é a beneficiária dos rendimentos, portanto resta descartada qualquer possibilidade de cobrança desta multa juntamente com o imposto, cujo ônus, repitase, não é da fonte pagadora, e sim do beneficiário. Confirmando esse entendimento, o parágrafo único especifica a base de cálculo da multa, que nada mais é que o tributo que deixou de ser retido ou recolhido. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, tinha a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II. isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III. isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV. isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda Fl. 944DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 936 19 que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V. isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (...)” Como se pode constatar, o art. 44, acima, não trata de multas incidentes sobre imposto cobrado por meio de responsabilidade tributária de fonte pagadora, e sim de penalidades que recaem diretamente sobre o imposto exigido do sujeito passivo, na qualidade de contribuinte, que relativamente ao Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos. Nesse passo, nenhuma das modalidades de exigência elencadas no § 1º se amolda à exigência estabelecida no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, portanto não há que se falar que este último dispositivo tenha se referido ao art 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para tomar de empréstimo algo além dos percentuais nele estabelecidos – 75% e 150%. Isso porque a problemática que envolve as modalidades de exigência das penalidades constantes do § 1º do art. 44 – vinculadas ao imposto ou exigidas isoladamente – não se coaduna com a multa por falta de retenção na fonte. Esta, quando exigida, obviamente será isolada, eis que o principal, ou seja, o imposto, será cobrado não da fonte pagadora, mas sim, repitase, do beneficiário dos rendimentos. Com estas considerações, constatase que a referência feita pelo art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, aos incisos I e II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, está focada nos incisos I e II do caput, e não nos incisos I e II do § 1º, do contrário estarseia atribuindo à fonte pagadora o papel de sujeito passivo contribuinte do tributo, e não o de mera intermediária entre este e o Fisco, responsabilidade esta conferida por lei. Ora, se os incisos I e II do caput do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de penalidades aplicáveis ao sujeito passivo na qualidade de contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos, e o art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, trata exclusivamente de multa por descumprimento da obrigação de reter e recolher o tributo, aplicável à fonte pagadora na qualidade de responsável, o único elemento passível de empréstimo, do art. 44 para o art. 9º, diz respeito efetivamente aos percentuais de 75% ou 150%. Com efeito, não existe qualquer outro liame entre os dois dispositivos legais. Corroborando este entendimento, a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, que foi convertida na Lei nº 10.426, de 2002, encaminhada ao Congresso Nacional, assim esclarece: “Os arts. 7º a 9º ajustam as penalidades aplicáveis a diversas hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias relativas a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reduzindoas ou, no caso do art. 9º, instituindo nova hipótese de incidência, preenchendo lacuna da legislação anterior.” (grifei) O texto acima não deixa dúvidas, no sentido de que o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, trata unicamente de multa por descumprimento de obrigação acessória pela fonte pagadora, portanto descartase a sua exigência juntamente com o respectivo imposto, cujo ônus é do beneficiário dos rendimentos. Ademais, fica patente que se trata de nova Fl. 945DF CARF MF 20 hipótese de incidência, o que também a desvincula definitivamente das hipóteses de incidência elencadas no § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, eis que estas já existiam no ordenamento jurídico muito antes do advento da Medida Provisória nº 16, de 2001. Com a edição da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, foi alterado o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, dentre outras finalidades, para extinguir a multa de ofício incidente sobre o pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo, desacompanhado de multa de mora. Dito dispositivo legal passou a ter a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I. de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II. de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)” Assim, o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, foi reformulado, mantendose a aplicação das multas de ofício vinculadas ao tributo, nos percentuais de 75% e 150%, a primeira mantida no inciso I, do caput, e a segunda não mais abrigada no inciso II, do caput, mas sim no inciso I, do §1º. O inciso II, do caput, que anteriormente continha a multa no percentual de 150%, passou a prever a multa isolada, no percentual de 50%, nos casos de falta de pagamento do carnêleão e de falta de pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devidos por estimativa (alíneas “a” e “b”). Quanto à multa isolada pelo pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo sem o acréscimo de multa de mora, esta foi extinta. Observese que a extinção da multa isolada acima destacada, levada a cabo pela nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Lei nº 11.488, de 2007, não tem qualquer reflexo nas multas do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, eis que, conforme já patenteado no presente voto, os dois dispositivos legais tratam de penalidades distintas, o primeiro disciplinando as exigências em face do sujeito passivo contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o beneficiário dos rendimentos, e o segundo regulamentando a incidência pelo descumprimento de obrigação de retenção e recolhimento do tributo pela fonte pagadora, Fl. 946DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 937 21 na qualidade de responsável. Como ficou assentado, a conexão entre os dois dispositivos diz respeito unicamente aos percentuais de 75% e 150%. Tanto é assim que o art. 9º teve de sofrer também um ajuste, em função da realocação da multa de 150% (do caput para o § 1º). Ademais, também havia neste dispositivo a previsão de aplicação de multa de ofício à fonte pagadora, pelo recolhimento em atraso do Imposto de Renda Retido na Fonte, sem o acréscimo da multa de mora. Assim, na mesma linha da exclusão levada a cabo na nova redação do art. 44, esta penalidade teria de ser excluída do art 9º, já que não haveria sentido em permanecer no ordenamento jurídico apenas para apenar a fonte pagadora. Confirase a alteração do art. 9º, promovida pela mesma Lei nº 11.488, de 2007: “Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” Ora, se a multa pela falta de retenção e recolhimento na fonte houvesse sido efetivamente extinta, não haveria qualquer razão para que se alterasse o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, como foi feito acima. A alteração visa claramente adaptar esse dispositivo à nova topografia do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, o que de forma alguma sinaliza que dita penalidade teria sido extinta. Além disso, repitase que a nova redação visou excluir a exigência de multa de ofício pelo recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF fora do prazo sem multa de mora, tal como ocorrera com penalidade semelhante, que antes também era imposta ao beneficiário do rendimento, relativamente ao recolhimento do principal. Assim, igualouse a exoneração desta penalidade, tanto em face do sujeito passivo contribuinte da obrigação principal, como perante a fonte pagadora, na qualidade de responsável pela obrigação de reter e recolher o tributo. As conclusões acima ficam evidenciadas no quadro comparativo a seguir: Redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 Redação do art. 44, dada pela MP nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1o As multas de que trata este artigo serão exigidas: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I. de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II. de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social Fl. 947DF CARF MF 22 I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II. isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III. isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV. isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Redação original do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002 Redação do art. 9º, dada pela MP nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007 Art. 9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade u diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Além de todas as razões que conduzem à conclusão de que não ocorreu a alegada extinção da multa de ofício pela falta de retenção ou recolhimento do IRRF, destacase o fato de que a adoção de tal tese equivaleria a admitirse a instituição de uma obrigação – retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora – sem o estabelecimento de sanção, o que seria inusitado no Sistema Tributário Nacional. Ademais, ninguém põe em dúvida a manutenção da multa pela falta de recolhimento do carnêleão, que pressupõe relação entre pessoas físicas, que nem sempre possuem estrutura para cumprir com a obrigação, sendo que quem recolhe a antecipação, nesse caso, é o próprio contribuinte que arca com o encargo financeiro do tributo, descartada a possibilidade de apropriação indébita. Nesse passo, causa ainda maior perplexidade a conclusão de que a multa pela falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora teria sido extinta, já que as fontes pagadoras, na sua maciça maioria, são pessoas jurídicas, que dispõem de meios adequados ao cumprimento da obrigação. Acrescentese que a retenção na fonte sem o respectivo recolhimento caracteriza apropriação indébita, portanto terseia ainda a possibilidade do cometimento de crime, sem qualquer previsão de sanção na esfera tributária, o que também seria inédito no Sistema Tributário Nacional. Quanto à suposta denúncia espontânea, mediante a aplicação do art. 138 do CTN, esclareçase que tal matéria sequer foi tratada no acórdão recorrido, portanto não houve o necessário prequestionamento, o que inibe a discussão em sede de Recurso Especial. Ainda que assim não fosse o que se admite apenas para argumentar no entender desta Conselheira, há que se diferenciar o imposto devido, cuja obrigação principal é do beneficiário do rendimento, da multa pela falta de retenção/recolhimento do IRRF, cuja obrigação é da fonte pagadora, na qualidade de responsável. Fl. 948DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 938 23 Assim, após a data prevista para o encerramento do período de apuração, o que cessa é a responsabilidade da fonte pagadora sobre o recolhimento do tributo – cuja obrigação passa a ser do beneficiário. Entretanto, a falta de responsabilidade sobre o recolhimento do tributo não exime a fonte pagadora do pagamento da multa pelo descumprimento da obrigação de reter e recolher o imposto, e é exatamente esta a exigência que ora se analisa. Com efeito, ainda que fosse possível discutir matéria não prequestionada o que mais uma vez se admite apenas por amor ao debate não haveria como acolherse a pretensão do contribuinte autuado, que é a fonte pagadora, de eximirse da multa por descumprimento de sua obrigação de reter e recolher o imposto, invocando a denúncia espontânea, ao argumento de que os rendimentos foram oferecidos à tributação, obrigação esta que não é sua, mas sim do respectivo beneficiário. Nesse passo, assim estabelece o item 16 do Parecer Normativo COSIT nº 1, de 2002, invocado pela própria Contribuinte às fls. 17 das Contrarrazões: “16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, constatandose que o contribuinte: a) não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora.” (grifei) Destarte, ainda que os rendimentos tenham sido oferecidos à tributação, remanesce a aplicação da penalidade pela falta de retenção e recolhimento por parte da fonte pagadora. Destarte, não há que se falar em denúncia espontânea, quando a obrigação tributária do denunciante não foi por ele cumprida. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte cita diversos acórdãos do CARF, como sendo representativos da tese por ela defendida: 10417.516; 10421.332; 10809.354; 10422.538; 9303001.862; 9303002.332; 10248.531; 220101.349; 220201.710; 1201 00.689; 220201.842, 1202000.601; e 110200.229. Ditos julgados serão analisados na sequência. Acórdão nº 10417.516, de 12/07/2000 "IRF ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO APURADO APÓS A DATA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO Se a previsão da tributação na fonte dáse por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual de rendimentos, e se a ação fiscal ocorrer após a data de entrega desta declaração anual, descabe a constituição de crédito tributário através do lançamento de Fl. 949DF CARF MF 24 imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, deverá ser efetuado em nome do beneficiário do rendimento. Recurso provido." De plano, esclareçase que esse julgado foi proferido no processo nº 10830.000490/9894, portanto trata de autuação efetuada em 1998, sobre fatos geradores ocorridos em 1994 e 1995, portanto muito antes da edição da legislação tratada no acórdão recorrido e ora analisada. Ademais, nesse julgado a autuação visava a cobrança, da fonte pagadora, do próprio Imposto de Renda, e não de multa isolada por falta de retenção na fonte, até porque, repitase, os dispositivos aplicados no caso do acórdão recorrido sequer existiam a essa época. Destarte, longe de corroborar a tese defendida pela Contribuinte, esse julgado com ele se harmoniza, já que também não admite a cobrança do próprio imposto, em face da fonte pagadora. Acórdão nº 10421.332, de 26/01/2006 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO FALTA DE RETENÇÃO AÇÃO FISCAL APÓS A DATA PREVISTA PARA O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO Quando a incidência na fonte tiver natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, na data do encerramento do anocalendário em que o rendimento deveria ser tributado. Assim, se a ação fiscal ocorrer após o anobase da ocorrência do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, beneficiário do rendimento. Recurso provido. Da mesma forma que o julgado anterior, esse acórdão, proferido no processo nº 13805.006963/9772, trata de autuação efetuada em 1997, sobre fatos geradores ocorridos em 1995, portanto muito antes da edição da legislação tratada no acórdão recorrido e ora analisada. Ademais, nesse julgado a autuação também visava a cobrança, da fonte pagadora, do próprio Imposto de Renda, e não de multa isolada por falta de retenção na fonte, até porque, repitase, os dispositivos aplicados no caso do acórdão recorrido sequer existiam a essa época. Destarte, longe de corroborar a tese defendida pela Contribuinte, esse julgado também com ele se harmoniza, não admitindo a exigência do próprio imposto, em face da fonte pagadora. Acórdão nº 10809.354, de 25/05/2007 EMENTAS — MULTA ISOLADA — REVOGAÇÃO A nova redação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, dada pela Medida Provisória n° 351, posteriormente convertida na Lei n° 11.488/07, revogou a aplicação da multa de oficio isolada quando em pagamento de tributo vencido sem o acréscimo da multa moratória. Essa revogação da infração torna improcedente o lançamento, devendo, nos termos do artigo 106, Fl. 950DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 939 25 II, "c", do CTN, ser aplicada essa nova redação ao presente caso, por estabelecer penalidade menos gravosa. Relatório (...) O contribuinte havia recolhido a estimativa de dezembro de 1999 em atraso, sem a multa de mora, tendo comunicado o fato para efeitos de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. A simples leitura da ementa e do início do relatório permite verificar que esse julgado também não trata de multa por falta de retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora e sim de multa pelo recolhimento de estimativa extemporaneamente, sem multa de mora, penalidade esta que, repitase, foi efetivamente extinta, conforme consta do presente voto. Acórdão nº 10422.538, de 14/06/2007 MULTA ISOLADA LEI 9.430, DE 1996 ARTIGO 44, § 1°, II REVOGAÇÃO PELA MP N° 351, DE 2007 Em se tratando de norma tributária de caráter punitivo, o art. 106, II, "a" do CTN autoriza a retroação da lei mais recente que beneficia o contribuinte, ensejando a revogação da penalidade aplicada com fulcro na lei anterior. Compulsandose o inteiro teor desse julgado, constatase que, tal como o acórdão anterior, ele não trata de multa pela falta de retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora, como é o caso do acórdão recorrido, e sim de multa pelo recolhimento de IRRF a destempo, sem os acréscimos legais devidos, penalidade esta que efetivamente foi extinta, conforme consta do presente voto. Confirase : "Relatório Tratase o presente de recurso voluntário contra decisão da autoridade julgadora de primeira instância que julgou procedente em parte o auto de infração referente ao pagamento a destempo de tributos sem os acréscimos moratórios. O auto de infração foi lavrado devido ao fato do contribuinte recolher a destempo o IRRF apurado no terceiro e quarto trimestre do ano de 1997, sem acréscimo o devido acréscimo da multa de mora e dos juros, sendo exigida a multa isolada prevista em Lei." (grifei) Acórdão nº 9303001.862, de 19/06/2012 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/07/1996 MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Com a publicação da Medida Provisória nº. 303/2006, convertida na Lei nº.11.488/2007, houve a revogação expressa Fl. 951DF CARF MF 26 da hipótese de incidência para aplicação da multa isolada nos casos de tributos pagos em atraso sem o recolhimento de multa de mora (art. 44, inciso I e § 1º, inciso II, da Lei 9.430/96). Por aplicação do art. 106, alínea “a”, do Código Tributário Nacional, a penalidade de ofício deve ser excluída. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO A ementa acima já demonstra que, tal como no caso dos acórdãos anteriores, esse julgado não trata de multa pela falta de retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora, como é o caso do acórdão recorrido, e sim de multa pelo recolhimento de tributos em atraso, sem multa de mora, penalidade esta que efetivamente foi extinta, conforme consta do presente voto. Compulsandose o relatório desse julgado, verificase que ele sequer trata de IRRF e sim de tributos incidentes sobre as importações. Confirase o relatório: O Recurso Voluntário foi interposto contra decisão de primeira instância que manteve o lançamento da multa isolada aplicada com base no art. 44, inciso I e § 1º e inciso II, da Lei 9.430/1996, em face do recolhimento extemporâneo dos tributos incidentes nas importações sem a penalidade de mora. (grifei) Acórdão nº 9303002.332, de 20/06/2013 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1997 a 30/09/1997 LANÇAMENTO DE MULTA ISOLADA EM RAZÃO DO NÃO PAGAMENTO OU RECOLHIMENTO DE TRIBUTO LANÇADO. ARTIGO 44, § 1º, INCISO V, DA LEI Nº 9.430/96. REVOGAÇÃO PELA LEI Nº 11.488/2007. A Lei nº 9.716/98 revogou expressamente o dispositivo da Lei nº 9.430/96 que determinava o lançamento da multa isolada quando o tributo era lançado, mas não pago ou recolhido. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106 DO CTN. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, nos exatos termos da alínea “c” do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Recurso Especial do Contribuinte Provido A simples leitura da ementa acima permite concluir que não se trata de multa por falta de retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora e sim de multa pelo não pagamento de tributo lançado. Ressaltese que esse julgado versa sobre exigência relativa a PIS/Pasep, portanto sequer trata da legislação analisada no acórdão recorrido. Destarte, nenhum dos seis julgados acima analisados reflete a tese defendida pela Contribuinte em suas Contrarrazões. Quanto aos outros sete julgados citados pela Contribuinte em suas Contrarrazões Acórdãos nºs 10248.531, de 23/05/2007; 110200.229, de 05/07/2010; 1202 000.601, de 18/10/2011; 220101.349, de 27/10/2011; 220201.710, de 17/04/2012; 1201 Fl. 952DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 940 27 00.689, de 08/05/2012; e 220201.842, de 19/06/2012 estes efetivamente refletem a tese por ele defendida. Outrossim, há inúmeros outros julgados em sentido contrário ao entendimento da Contribuinte, que ratificam o posicionamento esposado no presente voto, corroborado pela CSRF: Acórdão nº 210200.465, de 02/02/2010 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 IRRF FALTA DE RETENÇÃO MULTA EXIGIDA DA FONTE PAGADORA Havendo previsão legal expressa para sua exigência, nos termos do art. 9º da Lei nº 10.426/2002, deve ser mantido o lançamento que exige da fonte pagadora a multa incidente sobre a falta de retenção e recolhimento do IRRF. (...) Recurso voluntário negado." (Relatora Conselheira Roberta de Azeredo Pagetti) Acórdão nº 2802001.177, de 27/10/2011 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 (...) IRRF. FALTA DE RETENÇÃO. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. Nos lançamentos efetuados após o término do exercício, a multa isolada aplicável à fonte pagadora em decorrência da falta de retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte somente é aplicável a partir de 27 de dezembro de 2001. Recurso provido em parte." (Relator Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso) Acórdão nº 210201.800, de 09/02/2012 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO SOBRE PAGAMENTOS EFETUADOS A PESSOAS FÍSICAS. MULTA E JUROS ISOLADOS. Fl. 953DF CARF MF 28 Quanto efetuado após o término do prazo para a entrega da Declaração de Ajuste Anual das pessoas físicas, está correto o lançamento em face da fonte pagadora, pessoa jurídica para exigência de multa e juros de forma isolada, em razão da falta de retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre os pagamentos efetuados às pessoas físicas que eram seus empregados. (Relatora Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti) Acórdão nº 1803001.220, de 14/03/2012 " IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 (...) MULTA ISOLADA. FONTE PAGADORA. Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento. A nova redação do artigo 44 da Lei n° 9.430 de 1.966, dada pela Medida Provisória 351 de 2.007, convertida na Lei 11.4488 de 2.007, não revogou a aplicação da multa de oficio isolada na hipótese de falta de retenção de IRRF pela fonte pagadora." (Relatora Conselheira Selene Ferreira de Moraes) Acórdão nº 2202001.950, de 14/08/2012 "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 (...) FALTA DE RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE PELA FONTE PAGADORA IMPOSTO POR ANTECIPAÇÃO VERIFICAÇÃO DA FALTA OCORRE APÓS ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO MULTA EXIGIDA DE FORMA ISOLADA PREVISÃO LEGAL Com a edição da Lei nº 10.426, de 2002, passou a existir previsão legal para a cobrança de multa isolada da fonte pagadora pela falta de retenção ou recolhimento de imposto de renda sob a sua responsabilidade, quando a constatação da falta ocorre após o encerramento do período de apuração no qual o beneficiário deveria oferecer os rendimentos à tributação. (...)." (Redator Conselheiro Nelson Mallmann) Acórdão nº 2202002.172, de 19/02/2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004 Ementa: IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF incidente em pagamento de juros sobre capital próprio enseja a aplicação da Fl. 954DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 941 29 multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Relator Conselheiro Antonio Lopo Martinez) Acórdão nº 2202002.200, de 12/03/2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008 Ementa: IRRF. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF após o prazo fixado enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Relator Conselheiro Antonio Lopo Martinez) Acórdão nº 2202002.214, de 12/03/2013 "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2001 MULTA ISOLADA. FALTA DE RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA DE IMPOSTO DE RENDA DEVIDO TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO.Com a edição da Medida Provisória no 16, de 27/12/2001, convertida na Lei no 10.426, de 2002, passou a existir previsão legal para a cobrança de multa isolada da fonte pagadora pela falta de retenção de imposto de renda sob a sua responsabilidade, quando a constatação da falta ocorre após o encerramento do período de apuração no qual o beneficiário deveria oferecer os rendimentos à tributação (art. 9o).A Lei no 11.488, de 2007, não revogou o art. 9º da Lei no 10.426, de 2002, ao contrário, ajustou sua redação à alteração feita no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, excluindo apenas a multa isolada devida pelo recolhimento em atraso de tributo ou contribuição a título de antecipação, sem o acréscimo da multa moratória. (...)" (Redatora Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga) Acórdão nº 2202002.519, de 19/11/2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2005 Ementa: IRRF. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF incidente em pagamentos diversos enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Relator Conselheiro Antonio Lopo Martinez) Acórdão nº 2202002.545, de 20/11/2013 Fl. 955DF CARF MF 30 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 IRRF. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF incidente em pagamentos diversos enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Relator Conselheiro Antonio Lopo Martinez) Acórdão nº 1101001.026, de 04/12/2013 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 (...) MULTA ISOLADA. FALTA DE RETENÇÃO.Configurada a falta de retenção do imposto sobre a renda na fonte em data posterior ao prazo fixado para a entrega da DIRPF, é cabível a aplicação da multa isolada, pelo cumprimento da referida obrigação, com percentual de 75%, não prosperando a qualificação da multa." (Relatora Conselheira Monica Sionara Schpallir Calijuri) Acórdão nº 1301001.438, de 12/03/2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 IRRF MULTA ISOLADA POR FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. A falta de retenção e recolhimento sujeita a fonte pagadora à multa de ofício prevista no art. art. 9º da Lei n.º 10.426, de 2002. (Relator Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior) Acórdão nº 2201002.343, de 18/03/2014 "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2003 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO.Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais contradições verificadas no acórdão.IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.A falta de retenção/recolhimento do IRRF enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996." (Relator Conselheiro Eduardo Tadeu Farah) Acórdão nº 2201002.442, de 16/07/2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2009, 2010 Fl. 956DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 942 31 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. (Relator Conselheiro Eduardo Tadeu Farah) Acórdão nº 2201002.676, de 11/02/2015 “IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2007 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa isolada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida, conforme dispõe o art. 9º da Lei n.° 10.426/2002. (...) (Relator Conselheiro Eduardo Tadeu Farah) Acórdão nº 2201002.685, de 11/02/2015 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2009 (...) FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida, conforme dispõe o art. 9º da Lei n.° 10.426/2002, com a redação dada pelo artigo 16 da Lei nº 11.488/2007.(...) (Relator Conselheiro Eduardo Tadeu Farah) Acórdão nº 2201002.763, de 26/01/2016 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2007, 2008, 2009 (...) FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. MULTA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida, conforme dispõe o art. 9º da Lei n.° 10.426/2002.(...)(Relator Conselheiro Eduardo Tadeu Farah) Acórdão nº 2301004.668, de 10/05/2016 Fl. 957DF CARF MF 32 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2007, 2008 IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. (...) Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual." (Relator Conselheiro João Bellini Júnior) Acórdão nº 2402005.339, de 15/06/2016 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008, 2009, 2010 (...) FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Encerrado o prazo para entrega da declaração de pessoa física, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, tendo ou não os rendimentos sido submetidos à tributação no ajuste. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte." (Redator Conselheiro Kleber Ferreira de Araujo) Acórdão nº 2202003.605, de 18/01/2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010, 2011 (...) FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA ISOLADA. LEGALIDADE. PROCEDÊNCIA. A falta de retenção/recolhimento do IRRF a título de antecipação incidente sobre pagamentos efetuados, quando o imposto deve ser retido e antecipado pela pessoa jurídica, fonte pagadora do rendimento, enseja sanção no percentual de 75%, Fl. 958DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 943 33 na forma do artigo 9º da Lei 10.426, de 2002 que aponta para o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (...) (Redator Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada) Acórdão nº 2401004.593, de 07/02/2017 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. JUROS DE MORA EXIGIDOS ISOLADAMENTE. ART. 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). No caso da aplicação de multa isolada, à fonte pagadora, pela falta de retenção ou recolhimento do imposto que estava obrigada a reter, e da cobrança de juros de mora lançados isoladamente, não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Para fins de contagem do prazo decadencial, aplicase ao lançamento do crédito tributário a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN. (...) Recursos de Oficio Negado e Voluntário Provido em Parte." (Redator Conselheiro Cleberson Alex Friess) E haveria ainda muitos outros julgados mantendo a multa ora debatida. Quanto aos julgados citados em Contrarrazões como sendo relativos ao pagamento de Juros sobre o Capital Próprio à empresa Neoenergia 220101.349, de 27/10/2011; 220201.710, de 17/04/2012; 120100.689, de 08/05/2012; e 220201.842, de 19/06/2012 todos eles foram reformados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, a saber: Acórdãos nºs 220201.842, 220101.349 e 220201.710, reformados pelos Acórdãos nºs 9202003.580, 9202003.581 e 9202003.582, respectivamente, todos de 03/03/2015, com a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF (...) FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Fl. 959DF CARF MF 34 O oferecimento dos rendimentos à tributação pelo beneficiário, combinado com o recolhimento de multa de mora pela fonte pagadora, não caracteriza denúncia espontânea, relativamente à obrigação desta última, de reter e recolher o imposto. Recurso Especial do Procurador Provido" (Redatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo) Acórdão nº 120100.689, reformado pelo Acórdão nº 9101002.186, de 20/01/2016, que declinou da competência para a Segunda Seção de Julgamento, conforme a seguinte ementa: MULTA ISOLADA PELA FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE IR PELA FONTE PAGADORA, REFERENTE A PAGAMENTO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO (JCP). COMPETÊNCIA REGIMENTAL. NULIDADE DA DECISÃO QUANTO A ESSA MATÉRIA. APARTAÇÃO DOS AUTOS. Conforme o Regimento Interno do CARF, a competência da 1ª Seção de Julgamento, relativamente ao IRRF, estava limitada (na época do julgamento do recorrido) aos casos em que esse tributo era conexo/decorrente/reflexo do IRPJ, referente às exigências lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, ou era antecipação do IRPJ. Se a exigência da multa pela falta de retenção e recolhimento do IR pela fonte pagadora não guarda nenhuma relação com o lançamento de IRPJ contido nos presentes autos, nem utiliza os mesmos fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, e nem tampouco trata de antecipação do IRPJ, a competência para examinar a matéria é da 2ª Seção de Julgamento do CARF. As decisões para outros períodos autuados, referentes à mesma contribuinte, confirmam a competência da 2ª Seção de Julgamento. O acórdão recorrido, exarado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, padece de vício de nulidade por não observar as regras de divisão de competência estabelecidas no Regimento Interno do CARF. Os autos devem ser apartados, para que a multa isolada por falta de retenção e recolhimento do IR pela fonte pagadora seja julgada por colegiado da 2ª Seção do CARF. A Contribuinte cita ainda o Acórdão nº 110200.229, também reformado pelo Acórdão nº 9101002.956, de 03/07/2017, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. MULTA EXIGIDA DA FONTE PAGADORA. CABIMENTO. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, mas a fonte pagadora continua responsável pela multa relativa à falta de sua Fl. 960DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 944 35 retenção/recolhimento, prevista no art. 9º da Lei nº 10.426/2002 e mantida pela Lei nº 11.488/2007. A cobrança da multa persiste mesmo diante da submissão dos rendimentos pagos à tributação e do pagamento de multa de mora relativa ao atraso do recolhimento. Não há que se falar, neste contexto, em denúncia espontânea ou em aplicação retroativa de norma mais benigna. Quanto à jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, podem ser citados ainda: Acórdão nº 9202003.583, de 03/03/2015 "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2007 FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Encerrado o prazo para entrega da declaração de pessoa física, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, tendo ou não os rendimentos sido submetidos à tributação no ajuste. Recurso Especial do Procurador Provido" Acórdão nº 9202003.834, de 09/03/2016 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. RELAÇÃO JURÍDICA CLASSIFICAÇÃO IDENTIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS ESSENCIAIS PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. A determinação da natureza dos atos praticados e dos negócios celebrados, para fins de incidência da norma tributária, é realizada com base nos elementos essenciais das relações jurídicas estabelecidas, que se revelam com a identificação dos efetivos direitos exercidos e obrigações contraídas pelos interessados, independentemente do nome dado aos instrumentos contratuais formalizados ou dos procedimentos realizados. Fl. 961DF CARF MF 36 O pagamento realizado diretamente pelo cliente ao corretor de imóveis não tem o condão de afastar o fato de que o corretor prestou à imobiliária o serviço de intermediação junto a terceiros. Comprovandose a ocorrência de prestação de serviço deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas correspondentes obrigações tributárias. Recurso especial negado." Finalmente, cabe enfrentar a preliminar de aplicação da Lei nº 13.655, de 25/04/2018, ao presente julgamento, suscitada da tribuna pelo Representante da Contribuinte, por ocasião do julgamento do Recurso Especial. Conforme tenho me manifestado em outras oportunidades, tratase de diploma legal que promoveu alterações na atuação dos órgãos de controle da Administração Publica, principalmente do Tribunal de Contas da União (TCU), de sorte que não se vislumbra qual seria a aplicação de dita lei a julgamento levado a cabo na Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF. A lei em tela tratou da inclusão, no DecretoLei nº 4.657, de 1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro LINDB), dos artigos 20 a 30, tendentes a conferir segurança jurídica à área administrativa do Estado Brasileiro, com ênfase nos controles externo e interno. A natureza dessa nova lei está clara na Justificativa que acompanhou o Projeto de Lei, que a seguir se transcreve: "JUSTIFICATIVA Como fruto da consolidação da democracia e da crescente institucionalização do Poder Público, o Brasil desenvolveu, com o passar dos anos, ampla legislação administrativa que regula o funcionamento, a atuação dos mais diversos órgãos do Estado, bem como viabiliza o controle externo e interno do seu desempenho. Ocorre que, quanto mais se avança na produção dessa legislação, mais se retrocede em termos de segurança jurídica. O aumento de regras sobre processos e controle da administração têm provocado aumento da incerteza e da imprevisibilidade e esse efeito deletério pode colocar em risco os ganhos de estabilidade institucional. Em razão disso, os professores Carlos Ari Sundfeld e Floriano de Azevedo Marques Neto elaboraram projeto de lei, que ora é acolhido, fruto de projetos de pesquisa mais amplos desenvolvidos por pesquisadores da Sociedade Brasileira de Direito Público em parceria com a Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. O resultado desse trabalho foi publicado na obra “Contratações Públicas e Seu Controle”, pela Editora Malheiros, ano 2013." Não resta dúvida acerca dos destinatários desses dispositivos, que são os administradores públicos e os órgãos de controle da Administração Pública, inclusive do Judiciário. Com efeito, em nenhum momento a lei em tela sinaliza que seria dirigida à atividade judicante administrativa, como é o caso do CARF. Quando muito, a aplicação desta lei no CARF restringirseia às atividades essencialmente administrativas, afetas à sua SecretariaExecutiva, quanto a eventuais contratos, convênios e atos congêneres, inerentes ao próprio funcionamento do Órgão. Fl. 962DF CARF MF Processo nº 16682.720152/201100 Acórdão n.º 9202007.147 CSRFT2 Fl. 945 37 Registrese que o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), com força de Lei Complementar, específica para a matéria tributária, há décadas já estabelece as regras do lançamento dos tributos e contribuições, bem como fixa as possibilidades de revisão, definindo inclusive o que deve ser considerado como legislação tributária. Destarte, seja pela absoluta inaplicabilidade da Lei nº 13.655, de 2018, à atividade judicante do CARF, seja pela fase em que se encontra o julgamento do presente Recurso Especial, não há como sequer conhecer da preliminar. Diante do exposto, não conheço da preliminar suscitada da tribuna pelo Representante da Contribuinte, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 963DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.720865/2010-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2010
MULTA REGULAMENTAR. MULTA VINCULADA AO TRIBUTO. CUMULAÇÃO. VALIDADE
É válida a cumulação da multa regulamentar com a multa vinculada ao tributo, porquanto cada uma corresponde a uma infração distinta e autônoma, e diversos são os bens jurídicos tutelados.
Numero da decisão: 3401-005.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, e na parte conhecida, em negar provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2010 MULTA REGULAMENTAR. MULTA VINCULADA AO TRIBUTO. CUMULAÇÃO. VALIDADE É válida a cumulação da multa regulamentar com a multa vinculada ao tributo, porquanto cada uma corresponde a uma infração distinta e autônoma, e diversos são os bens jurídicos tutelados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, e na parte conhecida, em negar provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 08 65 /2 01 0- 78 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.208 S3C4T1 Fl. 181 2 Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 1. Adoto, por fidedigno, o relatório da decisão recorrida: "Tratase de auto de infração, fls. 3/11, lavrado contra a empresa acima identificada, em que foi constituído crédito no valor total de R$ 150.303,82, referente a multa isolada prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64, sendo que a fiscalização deixou de lançar o IPI em virtude do contribuinte possuir saldo de crédito superior a este valor no período. E auto de infração, fls. 74/78, em que foi constituído crédito no valor total de R$ 100.202,57, referente a multa isolada por indeferimento de crédito, objeto de pedido de ressarcimento, prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Segundo a Unidade (Relatório de Ação Fiscal de fls. 33/41), foi detectado erro na classificação fiscal e determinação da alíquota de IPI nas notas fiscais de saída do produto “resfriador de água”, cuja função é de resfriar a água utilizada na produção de massa de pão em padarias e confeitarias, tendo a empresa utilizado o código 8438.10.00, com alíquota zero, entendendo a fiscalização estar correta a classificação 8418.69.31, com alíquota de quinze por cento. Cientificada em 29 de novembro de 2010, AR fl. 125, a interessada apresentou, tempestivamente, em 23 de dezembro de 2010, impugnação, fls. 126/130, na qual apresenta os seguintes argumentos: a) Requer o julgamento conjunto com os processos 13005.000457/201004 e 13005.000907/201051, onde se discute o saldo credor de IPI do primeiro e segundo trimestre de 2010; b) Entende que: “a autoridade federal efetuou o lançamento de duas multas idênticas, percentuais distintos e sobre a mesma base de cálculo de IPI (R$ 200.405,14); c) “as sanções fiscais sob o manto da responsabilidade objetiva devem ser aplicadas com atenuações, na hipótese de acumulação de penas, como elemento subjetivo introduzido pela legislação ordinária”; d) “não há mafé do contribuinte em entender que não cabia lançamento do IPI”; e) “duas faltas cometidas em um mesmo lançamento, exige atenuação na aplicação das penas regida pelo parágrafo único do art. 564 do Decreto n. 7.212/10 (regulamento do IPI) f) “para anular o arbítrio fiscal deve ser aplicada só a multa mais grave (75%), com base no parágrafo único do art. 564 do Decreto n. 7.212/2010”; g) Ao final, requer: a) Em preliminar, seja feito o julgamento, em conjunto no órgão administrativo (DRJ), pelas matérias serem vinculadas às matérias dos processos 13005.000457/201004 e 13005.000907/201051; b) No mérito, após o julgamento dos processos citados, se for o caso, considerar o elemento subjetivo Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.208 S3C4T1 Fl. 182 3 para a atenuação das penalidades, aplicando o parágrafo único do art. 564 do Decreto 7212/2010 (RIPI 2010), seja dado provimento integral a impugnação para dispensar a multa de 50% e aplicar, somente, a multa mais grave (75%), conforme fundamentação anterior. A Unidade de origem, entendendo como parte não impugnada, o Auto de Infração em que foi constituído crédito tributário no valor total de R$ 150.303,82, referente a multa isolada prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64, efetuou a apartação no processo 13005720.100/ 201119 para cobrança imediata. A impugnante impetrou o Mandado de Segurança nº 500017748.2011.404.7111, para que a Unidade reconhecesse o litígio administrativo e foi concedida a segurança nos seguintes termos: “declarar a nulidade da fase de cobrança amigável da multa de 75% relativa à carta cobrança do processo administrativo n° 3005.720100/201119, em razão da existência de litígio administrativo" (seleção e grifos nossos). 2. Em 11/06/2013, a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belém (PA) proferiu o Acórdão DRJ nº 0126.457, situado às fls. 149 a 153 de relatoria do AuditorFiscal Nelson Klautau Guerreiro da Silva, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar parcialmente procedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2010 MULTA REGULAMENTAR. MULTA VINCULADA AO TRIBUTO. CUMULAÇÃO. VALIDADE É válida a cumulação da multa regulamentar com a multa vinculada ao tributo, porquanto cada uma delas corresponde a uma infração distinta e autônoma. MULTA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO INDEFERIDO. A multa regulamentar de 50% sobre o valor de crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, aplicase somente aos pedidos transmitidos após a publicação da lei que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. A contribuinte foi intimada via postal em 06/06/2014, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 165 e, em 03/07/2014, em conformidade com carimbo de protocolo aposto pela unidade local, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 167 a 172, no qual reiterou as razões de sua impugnação. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.208 S3C4T1 Fl. 183 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 4. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 5. Transcrevese, abaixo, trecho da decisão recorrida quanto às demais matérias devolvidas à cognição deste Conselho: "(...) Cabe esclarecer que a lide restringese ao Auto de Infração, fls. 74/78, em que foi constituído crédito tributário no valor total de R$ 100.202,57 referente à multa isolada por indeferimento de crédito, objeto de pedido de ressarcimento de IPI, prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96. O Auto de Infração, fls. 3/11, em que foi constituído crédito no valor total de R$ 150.303,82, referente à multa isolada prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64, será analisado no processo 13005720.100/ 201119 nesta mesma sessão de julgamento. Estão ainda sendo apreciados os processos 13005.000457/201004 e 13005.000907/201051 referentes o Pedido de Ressarcimento de IPI do primeiro e segundo trimestre de 2010, respectivamente. Multa regulamentar Os pedidos de ressarcimento de IPI 38247.18322.080410.1.1.01614 e 14996.47949.070710.1.1.010737 foram considerados indevidos, despachos decisórios DRF/SCS 551 e 552/2010, respectivamente, configurandose a hipótese prevista no §15, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 2010, abaixo transcrito, segundo o qual a multa isolada de 50% será aplicada sobre o valor do crédito objeto do pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.208 S3C4T1 Fl. 184 5 por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) (...) § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d)” A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, verificandose no caso concreto a violação ao §15, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, é dever da autoridade fiscal proceder ao lançamento. Entendese que a multa imposta pela Lei n° 12.249/2010 não visa apenar somente os contribuintes que agem com máfé. Na infração prevista no §15, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, não há necessidade alguma de demonstração de máfé ou ilicitude, bastando o indeferimento do pedido de ressarcimento. Todavia, a autuação não merece prosperar com relação ao Pedido de Ressarcimento 38247.18322.080410.1.1.01614, transmitido em 08/04/2010. A publicação da Lei nº 12.249, base legal do lançamento de multa, no Diário Oficial da União somente ocorreu em 14 de junho de 2010. Tratase, portanto, de norma editada posteriormente aos fatos que ensejaram sua aplicação, devendose considerar que o art. 106 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) prevê que a lei tributária que comina penalidades retroage apenas para beneficiar o infrator. Já a autuação em relação ao Pedido de Ressarcimento 14996.47949.070710.1.1.010737, transmitido em 07 de julho de 2010, após a edição da norma legal, deve ser mantido. Cumulação de penas Inexiste bis in idem e a cumulação da precitada penalidade com a multa de ofício é cabível. As penalidades colheram infrações que, embora se referindo ao mesmo tributo e ao mesmo período, são autônomas. As penas têm causas eficientes distintas: a multa de ofício, prevista no art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, com as alterações das Leis nº 11.488, de 2007, proporcional ao montante do tributo Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.208 S3C4T1 Fl. 185 6 devido, é a penalidade pecuniária pespegada pelo não pagamento do tributo vinculado ao fato gerador ocorrido, ao passo que a multa regulamentar, diz respeito ao indeferimento de Pedido de Ressarcimento. A cumulação de multa de ofício com multa regulamentar é totalmente legal, tendo previsão no RIPI/2010: “Art.564 Apurandose, num mesmo processo, a prática de mais de uma infração por uma mesma pessoa, natural ou jurídica, aplicarseão cumulativamente as penas a elas cominadas (Lei nº 4.502, de 1964, art. 74)”. Conclusão Diante do exposto, votase pela procedência em parte da impugnação devendo ser cancelado o crédito tributário no valor de R$ 62.109,63 referente ao PA 30/04/2010". 6. Não tendo as partes apresentado novos argumentos ou razões de defesa perante esta segunda instância administrativa, propõese a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com a alteração da Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, que acrescentou o § 3º ao art. 57 da norma regimental. 7. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer parcialmente e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.722128/2017-31
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFORMAÇÃO EM DIRF.
Inexistindo comprovação inequívoca nos autos da infração de omissão de rendimentos imputada pela autoridade fiscal ao contribuinte, o lançamento fundamentado nessa infração deve ser cancelado.
Numero da decisão: 2002-000.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente FRANCISCO DE VASCONCELOS SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2014 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFORMAÇÃO EM DIRF. Inexistindo comprovação inequívoca nos autos da infração de omissão de rendimentos imputada pela autoridade fiscal ao contribuinte, o lançamento fundamentado nessa infração deve ser cancelado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 21 28 /2 01 7- 31 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10469.722128/201731 Acórdão n.º 2002000.337 S2C0T2 Fl. 109 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 33/36), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2015. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$6.394,47 para saldo de imposto a pagar de R$15.010,83. A notificação consigna omissão de rendimentos no valor de R$34.534,80 (IRRF correspondente de R$880,71), conforme fl.34. Impugnação Consta que a ciência ao contribuinte se deu por meio do Edital às fls.40/54, com vencimento em 7/8/2017. Não obstante, antes disso, em 22/5/2017, a NL foi objeto de impugnação (fls. 2/36), na qual o contribuinte alegou que não recebeu o valor tido por omitido. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/POA que, por unanimidade, julgoua improcedente (fls. 59/60). Consigna a decisão que a informação prestada em DIRF, datada de 7/4/2015, deve prevalecer, haja vista ter sido prestada em data posterior à emissão do comprovante de rendimentos Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 19/1/2018 (fl. 103), o contribuinte, em 15/2/2018 (fl. 63), apresentou recurso voluntário, às fls. 65/74 e 77/102, no qual alega, em apertado resumo, que: solicitou seu desligamento do quadro de funcionários do Município de São Bento do Trairi em 1/4/2014. declarou seus rendimentos conforme comprovante de rendimentos emitido pelo referido município, que consigna o montante de R$34.969,20. entendeu que a apresentação do comprovante seria suficiente para que a autoridade julgadora acatasse sua impugnação, em observância aos princípios da proteção à boafé e à confiança do administrado. argumenta que não foi cientificado da DIRF retificadora apresentada pela fonte pagadora e que ela não pode prevalecer sobre a realidade concreta e comprovada. Acrescenta que a DIRF foi apresentada quando já estava expirado o prazo para entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física. indica a juntada de seus extratos bancários de forma a comprovar os valores efetivamente recebidos do Município de São Bento do Trairi. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10469.722128/201731 Acórdão n.º 2002000.337 S2C0T2 Fl. 110 3 alega que as informações registradas em DIRF não condizem com a realidade, sendo certo que não recebeu pagamentos nos meses de março, julho e dezembro, juntando correspondência da fonte pagadora (fl.91). questiona a aplicação da multa, visto que não concorreu para a divergência e nem foi cientificado da retificação das informações pela fonte pagadora. Colaciona jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.105). Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10469.722128/201731 Acórdão n.º 2002000.337 S2C0T2 Fl. 111 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre uma omissão de rendimentos atribuída ao recorrente com base em DIRF apresentada pela fonte pagadora. Por seu turno, em sua defesa, o sujeito passivo juntou comprovante de rendimentos de fl.8, consignando o valor por ele declarado. Anexou também extratos bancários, assinalando quais seriam os pagamentos recebidos da Prefeitura Municipal de São Bento do Trairi e que estariam em consonância com o valor por ele declarado. A decisão de piso manteve a autuação, apontando que a informação da DIRF deveria prevalecer visto que é posterior à data do comprovante. De início cabe destacar que não consta dos autos nenhuma das DIRF apresentadas, nem original, nem retificadora, de forma a demonstrar que houve alteração das informações no tocante ao recorrente de uma DIRF para outra. De qualquer forma, não acompanho o entendimento do colegiado de primeira instância, no sentido de que a informação em DIRF é suficiente para respaldar a exigência fiscal, mormente quando o sujeito passivo nega o auferimento da renda indicada e apresenta comprovante de rendimentos, o qual corrobora o valor por ele declarado. A informação em DIRF tratase de um indício de omissão de rendimentos, ao qual não foi adicionado nenhum outro elemento, ainda que indiciário também, pela Fiscalização. Acrescentese que, assim procedendo, está a se exigir do recorrente uma prova negativa, a comprovação de que ele não recebeu os valores indicados em DIRF, a chamada probatio diabolica (prova diabólica), pela extrema dificuldade ou impossibilidade em obtêla. Assim, à vista do comprovante de rendimento de fl. 30, o qual corrobora o valor declarado (fl.34), e diante da falta de outro elemento de prova além da DIRF levantado pela Fiscalização junto à fonte pagadora, concluise que não resta definitivamente demonstrada pela Fiscalização a omissão de rendimentos no valor de R$34.534,80, devendo ser cancelada. Conclusão Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10469.722128/201731 Acórdão n.º 2002000.337 S2C0T2 Fl. 112 5 Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, cancelando a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001357/2009-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CURSO SUPERIOR. DESCUMPRIMENTO DA EXIGÊNCIA EXTENSÍVEL A TODOS OS EMPREGADOS. INAPLICABILIDADE. MANUTENÇÃO DE BENEFÍCIO CONCEDIDO ANTES DE INCORPORAÇÃO SOCIETÁRIA.
O fato de dar continuidade ao plano de fornecimento de educação aos empregados de empresa incorporada não é capaz de determinar o descumprimento da exigência extensível a todos os empregados e dirigentes, tendo em vista que a exclusividade da concessão deu-se por força legal e contratual, a qual o autuado não poderia eximir-se, considerando os termos dos art. 10 e 448 do Decreto-Lei 5452/1943 que instituiu a CLT. Nos termos da legislação trabalhista não pode a empresa simplesmente cessar a concessão do benefício, para enquadrar-se na exclusão legal.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. ADICIONAL DE 1/3 DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NO ART. 214, §4º, DO DECRETO Nº 3.048/99.
A remuneração de férias e seu respectivo adicional de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal possuem natureza remuneratória e, nessa condição, integram o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos expressos no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99.
Embora exista decisão do STJ em sede de recurso repetitivo sobre a incidência de contribuição sobre a verba 1/3 de férias, o processo encontra-se em sede de repercussão geral, devendo aguardar o julgamento da matéria com transito em julgado para que se possa excluir a verba do conceito de salário de contribuição.
ASSISTÊNCIA MÉDICA AOS DEPENDENTES DO EMPREGADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL
Existindo legislação específica que trata da definição do conceito de salário de contribuição, não se pode utilizar a legislação trabalhista para fins de exclusão de verbas da base de cálculo de contribuições previdenciárias.
Não se enquadra na exclusão prevista na alínea q do § 9º do art. 28 da lei 8212/91 a concessão de assistência médica aos dependentes dos empregados.
Numero da decisão: 9202-006.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CURSO SUPERIOR. DESCUMPRIMENTO DA EXIGÊNCIA EXTENSÍVEL A TODOS OS EMPREGADOS. INAPLICABILIDADE. MANUTENÇÃO DE BENEFÍCIO CONCEDIDO ANTES DE INCORPORAÇÃO SOCIETÁRIA. O fato de dar continuidade ao plano de fornecimento de educação aos empregados de empresa incorporada não é capaz de determinar o descumprimento da exigência extensível a todos os empregados e dirigentes, tendo em vista que a exclusividade da concessão deu-se por força legal e contratual, a qual o autuado não poderia eximir-se, considerando os termos dos art. 10 e 448 do Decreto-Lei 5452/1943 que instituiu a CLT. Nos termos da legislação trabalhista não pode a empresa simplesmente cessar a concessão do benefício, para enquadrar-se na exclusão legal. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. ADICIONAL DE 1/3 DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NO ART. 214, §4º, DO DECRETO Nº 3.048/99. A remuneração de férias e seu respectivo adicional de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal possuem natureza remuneratória e, nessa condição, integram o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos expressos no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Embora exista decisão do STJ em sede de recurso repetitivo sobre a incidência de contribuição sobre a verba 1/3 de férias, o processo encontra-se em sede de repercussão geral, devendo aguardar o julgamento da matéria com transito em julgado para que se possa excluir a verba do conceito de salário de contribuição. ASSISTÊNCIA MÉDICA AOS DEPENDENTES DO EMPREGADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Existindo legislação específica que trata da definição do conceito de salário de contribuição, não se pode utilizar a legislação trabalhista para fins de exclusão de verbas da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Não se enquadra na exclusão prevista na alínea q do § 9º do art. 28 da lei 8212/91 a concessão de assistência médica aos dependentes dos empregados.
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CURSO SUPERIOR. DESCUMPRIMENTO DA EXIGÊNCIA EXTENSÍVEL A TODOS OS EMPREGADOS. INAPLICABILIDADE. MANUTENÇÃO DE BENEFÍCIO CONCEDIDO ANTES DE INCORPORAÇÃO SOCIETÁRIA. O fato de dar continuidade ao plano de fornecimento de educação aos empregados de empresa incorporada não é capaz de determinar o descumprimento da exigência “extensível a todos os empregados e dirigentes”, tendo em vista que a exclusividade da concessão deuse por força legal e contratual, a qual o autuado não poderia eximirse, considerando os termos dos art. 10 e 448 do DecretoLei 5452/1943 que instituiu a CLT. Nos termos da legislação trabalhista não pode a empresa simplesmente cessar a concessão do benefício, para enquadrarse na exclusão legal. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. ADICIONAL DE 1/3 DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NO ART. 214, §4º, DO DECRETO Nº 3.048/99. A remuneração de férias e seu respectivo adicional de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal possuem natureza remuneratória e, nessa condição, integram o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos expressos no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Embora exista decisão do STJ em sede de recurso repetitivo sobre a incidência de contribuição sobre a verba 1/3 de férias, o processo encontrase em sede de repercussão geral, devendo aguardar o julgamento da matéria com transito em julgado para que se possa excluir a verba do conceito de salário de contribuição. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 13 57 /2 00 9- 95 Fl. 1234DF CARF MF 2 ASSISTÊNCIA MÉDICA AOS DEPENDENTES DO EMPREGADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Existindo legislação específica que trata da definição do conceito de salário de contribuição, não se pode utilizar a legislação trabalhista para fins de exclusão de verbas da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Não se enquadra na exclusão prevista na alínea “q” do § 9º do art. 28 da lei 8212/91 a concessão de assistência médica aos dependentes dos empregados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Os presentes Recursos Especiais tratam de pedido de análise de divergência motivados pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte face ao acórdão 2401003.640, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o Auto de Infração (DEBCAD n° 37.230.1681), no valor de R$ 168.400,04, acrescido de juros e multa, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 10 3 correspondentes às contribuições dos segurados empregados, as quais deveriam ter sido descontadas pela empresa, no período compreendido entre 01/2005 a 12/2005, conforme Relatório Fiscal de fls. 100 a 118. O autuado apresentou impugnação às fls. 123/170. A DRJ, às fls. 396/406, negou provimento à defesa, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 417/470. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 971/1003, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para: I) excluir do lançamento as diferenças de SAT; II) excluir do lançamento o levantamento “seguro de vida em grupo”, levantamentos SG6 e SG7; III) excluir do lançamento o levantamento CS6 – Curso Superior. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS PAGAMENTOS INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DA LEI INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. SEGURADOS EMPREGADOS CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA ÔNUS DO EMPREGADOR O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. DIFERENÇA DE FÉRIAS AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO EXPRESSA 1/3 DE FÉRIAS RECURSO REPETITIVO STJ Os valores foram apurados no próprio resumo de férias, sendo perfeitamente possível a empresa identificar as origens dos valores, demonstrando, face a legislação aplicável se realmente se tratavam de verbas com natureza indenizatória. A ausência de impugnação expressa, acaba por impossibilitar a esse colegiado a apreciação dos valores lançados por meio das contas G60 (férias normais) e 440 (complemento de férias acordo coletivo), razão pela qual correto o lançamento. Fl. 1236DF CARF MF 4 A alegação de tratarse genericamente de verbas indenizatórias não pode ser acatado, quando não demonstra especificamente o recorrente que a verbas pagas caracterizamse, por exemplo como férias pagas na rescisão, essas sim, excluídas do conceito de salário de contribuição. 1/3 DE FÉRIAS INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nos termos do art. 28, § 9ºda lei 8212/90, não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; Embora a jurisprudência venha se encaminhando por desconstituir a natureza remuneratória da verba, a lei 12844/2013 que alterou a 10.522 nos casos do recursos repetitivos transitados em julgados, deve a receita observar a norma (adequando suas decisões), exceto no caso de existência de recurso extraordinário discutindo a mesma matéria, o que se observa no presente caso. Assim, não há como afastar a incidência da contribuição até a decisão final a respeito do tema. SEGURO DE VIDA EM GRUPO ATO DECLARATÓRIO 12/2011, DE 20/12/2011 Conforme previsto no Ato Declaratório 12/2011, de 20/12/2011, o seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles não se inclui no conceito de salário, afastandose, assim a incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba. AUXÍLIO EDUCAÇÃO CURSO SUPERIOR MANUTENÇÃO DE BENEFÍCIO CONCEDIDO ANTES DE INCORPORAÇÃO Ao contrário do que entendeu o julgador, a legislação trabalhista é clara ao descrever nos seus art. 10 e 448 do DecretoLei 5452/1943 que instituiu a CLT, que alterações na estrutura jurídica (como é o caso da incorporação) ou mesmo alterações na propriedade não afetam os contratos de trabalhos. Ou seja, nos termos da legislação trabalhista não poderia a empresa simplesmente cessar a concessão do benefício, como entendeu o julgador para enquadrarse na exclusão legal. Vejamos dispositivos: O fato de dar continuidade ao plano de fornecimento de educação aos empregados de empresa incorporada não é capaz de determinar o descumprimento da exigência “extensível a todos os empregados e dirigentes”, tendo em vista que a exclusividade da concessão deuse por força legal e contratual, a qual o autuado não poderia eximirse, considerando até mesmo a possibilidade do empregado exigir a permanência do benefício face a justiça do trabalho. ASSISTÊNCIA MÉDICA DEPENDENTES Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 11 5 Para que os benefícios concedidos aos empregados não constituam salário de contribuição devem constar do rol de exclusão do art. 28, § 9 da lei 8212/91, não podendo valerse da legislação trabalhista (art. 458, para definir o conceito de salário de contribuição de contribuições previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS – ESTIPULAÇÃO EXISTÊNCIA DE ACORDO PARA O PAGAMENTO AOS DIRIGENTES Não demonstrou o recorrente que os acordos realizados com as comissões possuíam assinatura do respectivo sindicato, o que fere dispositivo da legislação que regula a matéria, atribuindo se natureza salarial a verba PLR. O programa Gerir Desempenho fl. 1201 (1181), não demonstra a existência de acordo com a participação do sindicato para sua elaboração, nem tampouco prova o recorrente que o mesmo faz parte de acordo coletivo. A fl. 606, em resposta ao termo de intimação n. 5, no item 2.2, a empresa informa que a remuneração variável encontrase consubstanciado em acordo coletivo (todavia, o auditor ressalva por escrito que os referidos acordos não foram apresentados). Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 1006/1013, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial em relação à seguinte matéria: Incidência de contribuição previdenciária sobre bolsas de estudo de ensino superior. O acórdão recorrido entendeu que as contribuições previdenciárias não incidem sobre as bolsas de estudo de ensino superior concedidas. Contudo, discutindo casos com o mesmo perfil, os acórdãos paradigmas, analisando a mesma legislação de regência – Lei nº 8.212/91, em particular o art. 28, § 9º, alínea “t” – concluíram que a verba paga a título de bolsa de estudo em cursos de nível superior, possuem natureza remuneratória e como tal sujeitamse à incidência tributária. Concluíram, em breve suma, que deve ser incluído, como salário de contribuição, o benefício proveniente do curso de nível superior, por não consistir em educação básica, nem curso de qualificação profissional como prevê a lei. Assim, merece consideração o disposto no art. 111, inciso I, do CTN, no sentido de aplicar interpretação literal ao caso. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, às fls. 1044/1049, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência arguida. Intimado à fl. 1056, o Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 1058/1064, alegando, preliminarmente, que a Recorrente não se desincumbiu de demonstrar a divergência entre as teses, alegando inexistir precedentes favoráveis que sustentem a tese contrária. No mérito, pediu para manter a decisão proferida no acórdão recorrido. Às fls. 1068/1101, o Contribuinte também interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: 1. Nulidade de autuação falta de descrição adequada dos fatos ou da indicação da regramatriz e exigência tributária se constitui em óbice ao direito de defesa do autuado. O acórdão recorrido considerou que a fiscalização não precisa separar em AI cada uma das rubricas Fl. 1238DF CARF MF 6 apuradas durante o procedimento fiscal para que se tornasse claro e preciso o lançamento. A obrigação da autoridade fiscal é lavrar o AI na forma prevista na lei e atos normativos, deixando claro ao autuado os fatos geradores e períodos a que se refere. Já nos dois paradigmas restou evidente a interpretação dessa Corte em reconhecer a nulidade da autuação aos casos em que a descrição não é completa. 2. Não possui natureza salarial os valores pagos a título de férias, adicional de 1/3, assistência médica a dependente e PLR. Para contrapor o acórdão recorrido, o Contribuinte anexou jurisprudência no sentido de que tais verbas citadas, por não possuírem natureza salarial, já que não correspondem à contraprestação pelo trabalho, não estão sujeitas à incidência das contribuições previdenciárias. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, às fls. 1191/1202, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre as seguintes matérias: não incidência de contribuição previdenciária sobre: 1. 1/3 constitucional de férias; e 2. assistência médica a dependentes. O Contribuinte foi cientificado às fls. 1207. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões às fls. 1222/1233, combatendo as alegações do Contribuinte e pedindo pela manutenção do acórdão em relação à matéria recorrida. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora. Os Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Tratase o Auto de Infração (DEBCAD n° 37.230.1681), no valor de R$ 168.400,04, acrescido de juros e multa, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes às contribuições dos segurados empregados, as quais deveriam ter sido descontadas pela empresa, no período compreendido entre 01/2005 a 12/2005, conforme Relatório Fiscal de fls. 100 a 118. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao recurso voluntário. Já o Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação a não incidência de contribuição previdenciária sobre: 1. 1/3 constitucional de férias; e 2. Assistência médica a dependentes. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à incidência de contribuição previdenciária sobre bolsas de estudo de ensino superior. Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 12 7 RECURSO DO CONTRIBUINTE I CONTRIBUIÇÃO PATRONAL SOBRE O TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS As Contribuições Previdenciárias possuem uma restrita linha de aplicação, conforme bem delimitado pela Constituição Federal e pela Lei de Custeio estas exações se referem exclusivamente a valores advindos do trabalho, portanto, verbas de natureza remuneratória. As verbas em discussão possuem indiscutível caráter indenizatório, o que excluí as mesmas da base de cálculo do salário de contribuição para fins da contribuição previdenciária devida aos cofres públicos. Nesse sentido aponta a doutrina pátria e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, ressaltando que se deve levar em conta o caráter finalístico da verba como fator preponderante para sua classificação em indenizatória ou remuneratória. Observese que a redação do artigo 28, I da lei 8212/91 ao disciplinar o conceito de salário de contribuição para o empregado e trabalhador avulso referese a totalidade de rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. A finalidade do adicional de férias (1/3), não é o de remunerar o trabalhador, mas sim o de garantir um extra a ser usufruído no período de descanso, uma vez que seus gastos fixos habituais já comprometem a remuneração mensal. Do mesmo modo ocorre no período que a empresa paga os primeiros 15 dias de atestado médico, pelos mesmos fundamentos, pois surge novamente aqui a ausência de trabalho. Logo, não há que se falar em verba remuneratória, pois não há trabalho realizado, mas sim uma indenização recebida Dessa análise podese extrair que o terço constitucional sobre férias e os primeiros 15 dias que antecedem o auxiliodoença não se encontram denominados no conceito de salário de contribuição para fins previdenciários, motivo pelo qual não há que se falar em literalidade da lei, quanto menos em aplicação da estrita legalidade. Também não se trata aqui de afastar a constitucionalidade da norma, mas tão somente de interpretala em consonância com os próprios ditames constitucionais que expressamente definiram o trabalho como fato gerador da exação fiscal. Cumpre esclarecer que, a presente discussão teve início dentro do Regime Próprio de Previdência Social, conforme podemos verificar no voto do STJ em sede de uniformização de jurisprudência no qual determinou que a TNU adequasse seus julgados para não incidência: PETIÇÃO Nº 7.296 PE (2009/00961736) RELATORA : MINISTRA ELIANA CALMON REQUERENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : ROBERTA CECÍLIA DE QUEIROZ RIOS E OUTRO(S) REQUERIDO : VIRGÍNIA MARIA LEITE DE ARAÚJO ADVOGADO : CLAUDIONOR BARROS LEITÃO DEFENSOR PÚBLICO EMENTA TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO INCIDENTE DE Fl. 1240DF CARF MF 8 UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA DAS TURMAS RECURSAIS DOS JUIZADOS ESPECIAIS FEDERAIS CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS NATUREZA JURÍDICA NÃOINCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO ADEQUAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ AO ENTENDIMENTO FIRMADO NO PRETÓRIO EXCELSO. 1. A Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais firmou entendimento, com base em precedentes do Pretório Excelso, de que não incide contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. 2. A Primeira Seção do STJ considera legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. 3. Realinhamento da jurisprudência do STJ à posição sedimentada no Pretório Excelso de que a contribuição previdenciária não incide sobre o terço constitucional de férias, verba que detém natureza indenizatória e que não se incorpora à remuneração do servidor para fins de aposentadoria. 4. Incidente de uniformização acolhido, para manter o entendimento da Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais, nos termos acima explicitados. Com referência ao Regime Geral de Previdência – INSS, o STJ inicialmente teve entendimento diverso, de que se tratava de verba eminentemente remuneratória, pois seu direito era adquirido em decorrência do período de exercício de trabalho remunerado, sendo, portanto, devida a incidência da contribuição (RE 345.458, 2 Turma, Relatora Ellen Grace). Contudo, este entendimento foi revisto pelo STJ, que passou a acompanhar o entendimento manifestado pelo STF, no sentido de que as verbas que possuem natureza indenizatória/compensatória, assim o terço constitucional sobre férias e os primeiros 15 dias que antecedem o auxíliodoença não devem sofrer incidência da referida contribuição previdenciária: RECURSO ESPECIAL Nº 1.230.957 RS (2011/00096836) RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE : HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA/ ADVOGADO : LUCAS BRAGA EICHENBERG E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS INTERES. : ASSOCIACAO NACIONAL DE BANCOS ASBACE ADVOGADO : FÁBIO DA COSTA VILAR E OUTRO(S) INTERES. : ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MANTENEDORAS DE ENSINO SUPERIOR ABMES ADVOGADO : FÁBIO DA COSTA VILAR EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. 1. Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA. 1.1 Prescrição. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar o RE Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 13 9 566.621/RS, Tribunal Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe de 11.10.2011), no regime dos arts. 543A e 543B do CPC (repercussão geral), pacificou entendimento no sentido de que, "reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005" . No âmbito desta Corte, a questão em comento foi apreciada no REsp 1.269.570/MG (1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.6.2012), submetido ao regime do art. 543C do CPC, ficando consignado que, "para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, do CTN" . 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a Documento: 34122204 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/03/2014 Página 1 de 5 Superior Tribunal de Justiça seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas" . 1.3 Salário maternidade. O salário maternidade tem natureza salarial e a transferência do encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) não tem o condão de mudar sua natureza. Nos termos do art. 3º da Lei 8.212/91, "a Previdência Social tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente". O fato de não haver prestação de trabalho durante o período de afastamento da segurada empregada, associado à circunstância de a maternidade ser amparada por um benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido de que o valor recebido tenha natureza indenizatória ou compensatória, ou seja, em razão de uma contingência (maternidade), pagase à segurada empregada benefício previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba evidente natureza salarial. Não é por outra razão que, atualmente, o art. 28, § 2º, da Lei 8.212/91 dispõe expressamente que o salário maternidade é considerado salário de contribuição. Nesse contexto, a incidência de contribuição Fl. 1242DF CARF MF 10 previdenciária sobre o salário maternidade, no Regime Geral da Previdência Social, decorre de expressa previsão legal. Sem embargo das posições em sentido contrário, não há indício de incompatibilidade entre a incidência da contribuição previdenciária sobre o salário maternidade e a Constituição Federal. A Constituição Federal, em seus termos, assegura a igualdade entre homens e mulheres em direitos e obrigações (art. 5º, I). O art. 7º, XX, da CF/88 assegura proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei. No que se refere ao salário maternidade, por opção do legislador infraconstitucional, a transferência do ônus referente ao pagamento dos salários, durante o período de afastamento, constitui incentivo suficiente para assegurar a proteção ao mercado de trabalho da mulher. Não é dado ao Poder Judiciário, a título de interpretação, atuar como legislador positivo, a fim estabelecer política protetiva mais ampla e, desse modo, desincumbir o empregador do ônus referente à contribuição previdenciária incidente sobre o salário maternidade, quando não foi esta a política legislativa. A incidência de contribuição previdenciária sobre salário maternidade encontra sólido amparo na jurisprudência deste Tribunal, sendo oportuna a citação dos seguintes precedentes: REsp 572.626/BA, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 20.9.2004; REsp 641.227/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 29.11.2004; REsp 803.708/CE, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 2.10.2007; REsp 886.954/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 29.6.2007; AgRg no REsp 901.398/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 19.12.2008; REsp 891.602/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 21.8.2008; AgRg no REsp 1.115.172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 25.9.2009; AgRg no Ag 1.424.039/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 21.10.2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.040.653/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe de 15.9.2011; AgRg no REsp 1.107.898/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 17.3.2010. Documento: 34122204 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/03/2014 Página 2 de 5 Superior Tribunal de Justiça 1.4 Salário paternidade. O salário paternidade referese ao valor recebido pelo empregado durante os cinco dias de afastamento em razão do nascimento de filho (art. 7º, XIX, da CF/88, c/c o art. 473, III, da CLT e o art. 10, § 1º, do ADCT). Ao contrário do que ocorre com o salário maternidade, o salário paternidade constitui ônus da empresa, ou seja, não se trata de benefício previdenciário. Desse modo, em se tratando de verba de natureza salarial, é legítima a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário paternidade. Ressaltese que "o saláriopaternidade deve ser tributado, por se tratar de licença remunerada prevista constitucionalmente, não se incluindo no rol dos benefícios previdenciários" (AgRg nos EDcl no REsp 1.098.218/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 9.11.2009). 2. Recurso especial da Fazenda Nacional. 2.1 Preliminar de ofensa ao art. 535 do CPC. Não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade ou contradição, não fica caracterizada ofensa ao art. 535 do CPC. 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 14 11 não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. 2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença. Documento: 34122204 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/03/2014 Página 3 de 5 Superior Tribunal de Justiça No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3º, da Lei 8.213/91 — com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento efetuado pelo empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Nesse contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmouse no sentido de que sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2ª Fl. 1244DF CARF MF 12 Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp 836.531/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 17.8.2006. 2.4 Terço constitucional de férias. O tema foi exaustivamente enfrentado no recurso especial da empresa (contribuinte), levando em consideração os argumentos apresentados pela Fazenda Nacional em todas as suas manifestações. Por tal razão, no ponto, fica prejudicado o recurso especial da Fazenda Nacional. 3. Conclusão. Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA parcialmente provido, apenas para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de férias (terço constitucional) concernente às férias gozadas. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. Observo que a discussão não é nova neste Tribunal Administrativo/CARF, pois inclusive já há entendimentos nesse sentido, conforme julgado abaixo: 2402003.564 Acórdão Número do Processo: 10783.722724/201162 Data de Publicação: 21/06/2013 Contribuinte: CHOCOLATES GAROTO SA Relator(a): RONALDO DE LIMA MACEDO Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2009 COMPENSAÇÃO. VALORES PAGOS SOBRE AS VERBAS TITULADAS DE TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS E DOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO POR AUXÍLIODOENÇA OU ACIDENTE DO TRABALHO. AUXÍLIOCRECHE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. SÚMULA Nº 310/STJ. PARECER PGFN Nº 2.118/2011. DIREITO DE CRÉDITO. VERBAS QUE NÃO OSTENTAM O CARÁTER REMUNERATÓRIO. POSSIBILIDADE. Não devem ser glosadas as compensações efetuadas com valores de contribuições devidas pela recorrente, quando se pleiteia o seu abatimento com valores pagos indevidamente ou a maior. No caso, devem ser considerados como direito de crédito a Recorrente os pagamentos de contribuições a maior incidentes sobre o terço/adicional constitucional de férias e os quinze primeiros dias de afastamento do trabalho em decorrência de auxílio doença e acidente do trabalho, bem como os pagamentos referentes ao auxíliocreche. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Conforme dispõe o Enunciado nº 310 de Súmula STJ, o auxíliocreche não integra o salário de contribuição. Em decorrência de entendimento pacífico da jurisprudência e orientação constante do Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional, PGFN/CRJ/Nº 2.118/2011, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxíliocreche VERBAS PAGAS A TÍTULO DE ABONO JORNADA E ABONO TURNO FIXO. AUSÊNCIA DE Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 15 13 PREVISÃO LEGAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. As parcelas pagas aos empregados a título de Abono Jornada e Abono Turno Fixo, em desacordo com a legislação previdenciária, integra o salário de contribuição. As importâncias recebidas à titulo de ganhos eventuais e abonos não integram o salário de contribuição somente quando expressamente desvinculados do salário por força de lei. VERBA PAGA A TÍTULO DE REEMBOLSO DE MATERIAL ESCOLAR. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. O reembolso de material escolar está inserido no conceito de salário de contribuição previsto no art. 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, uma vez que se constitui em uma vantagem econômica para o trabalhador, auferida como retribuição ao trabalho prestado, caracterizando, assim, o recebimento de uma remuneração indireta. RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídicotributário, o recurso de ofício será negado. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte. Os doutrinadores têm ressaltado que a redação do texto legal, gera o questionamento de inúmeras situações. Não resta dúvidas de que a CF/88 em seu artigo 195 “elegeu o trabalho (atividade laboral remunerada) como fato gerador da incidência de contribuição social previdenciária, no que foi seguida pela Lei 8212/91 (artigo 28), contudo, a expressão “folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados” motiva a discussão acerca do enquadramento destas verbas na base de cálculo das contribuições sociais. MATÉRIA DISCUTIDA NOS TRIBUNAIS SUPERIORES VINCULAÇÃO AO CARF Embora se trate de matéria recepcionada pelo STF em repercussão geral é fato que no mundo jurídico a última interpretação sobre a questão é a do STJ, motivo pelo qual esta deve ser prestigiada até que o STF se manifeste. Isso por que no tocante as decisões exaradas pelos Tribunais Superiores a interposição de Recurso Extraordinário não possui efeito suspensivo, conforme se observa no disposto no art. 321, § 4º "O recurso extraordinário não tem efeito suspensivo". Deste modo, até que o STF aborde a matéria interpreto que a decisão do STJ goza de plena aplicabilidade, portanto, dotada de caráter vinculante devendo nos termos do Regimento CARF ter suas posição reproduzida por este Conselho, sob pena de infringir o disposto no art. 67 do RICARF. Para além disso defendo o posicionamento de que o Tribunal Administrativo deve ser útil à sociedade, motivo pelo qual deve se adequar a jurisprudência dominante do Poder Judiciário, a fim de evitar a repetitiva judicialização de demandas, mesmo que não esteja adstrita a aplicação dela por força do regimento, uma vez que a jurisprudência citada não procede de repetitivo de controvérsia (STJ), nem de repercussão geral (STF). Diante do exposto acredito que a melhor interpretação seja aquela dada pelo STJ na ementa que transcrevi acima, não devendo incidir Contribuição Previdenciária sobre as verbas decorrentes do terço constitucional sobre férias nem das verbas decorrentes dos primeiros quinze dias de afastamento que antecedem o auxíliodoença. Fl. 1246DF CARF MF 14 II ASSISTÊNCIA MÉDICA AOS DEPENDENTES A Lei 8.212/91 que disciplina a forma de organização e custeio da Seguridade Social dispõe que o critério material das Contribuições Sociais Previdenciárias (cota patronal) incidirá sobre as verbas destinadas a retribuir o trabalho efetivamente prestado ou o tempo à disposição do empregado ao empregador. O Auditor Fiscal em questão Ocorre que a Aracruz, ao conceder a assistência médica e odontológica aos empregados e dirigentes, contemplou também os seus dependentes. Arcou, portanto, a empresa, corn os custos médicos e odontológicos dos familiares dos empregados e dirigentes. E, o que prevê o art. 28, §9°, "q", da Lei n° 8.212, de 24107/1991, é que a cobertura .do plano deve abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, restritivamente, não seus dependentes. 4.4.7. Ou seja, dos valores suportados peIA Aracruz relativos A assistência médica e odontológica, apenas os recursos destinados A cobertura da assistência médica, hospitalar e odontológica dos seus empregados e dirigentes, não integram o saláriodecontribuição. A própria lei se encarregou de estabelecer as hipóteses de isenção do tributo, impedindo a formação da relação jurídica tributária com o consequente vínculo dos sujeitos envolvidos. Nos termos da alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, não integra o salário de contribuição“o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa”. Da dicção da norma se extrai que o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, não integrará o saláriodecontribuição, se a cobertura abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Desta forma, para que o valor não integre a base de cálculo da contribuição é necessário que a empresa disponibilize a todos os seus empregados e dirigentes um plano. Tal exigência constitui requisito necessário e suficiente para que essa parcela não integre o salário de contribuição, a teor do disposto na alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. A reclamação de outros requisitos, tais como, a exigência de planos de saúde iguais e da mesma categoria a todos os funcionários ultrapassa as condições impostas pela lei e viola o teor dos artigos 111, II e 176 do CTN, que determinam que as normas que disponham sobre outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente e não comportam subjetivismos. Não é obrigatório à empresa disponibilizar a todos os seus funcionários planos de saúde da mesma categoria, pois a lei não faz essa exigência, a empresa deve sim fornecer planos de saúde a todos os funcionários e esta é a única exigência para se configurar a isenção da contribuição previdenciária. Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 16 15 Esse posicionamento não inova no mundo jurídico, visto que a composição anterior da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais julgava neste sentido entendendo que: “condição estabelecida no art. 28, § 9º, alínea ´q´ da Lei 8.212/91 para que não se incluam no salário de contribuição e não sejam objeto de incidência de contribuição previdenciária os valores relativos à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, é que exista cobertura abrangente a todos os empregados e dirigentes da empresa. Exigir que haja cobertura a todos os empregados e dirigentes da empresa é diferente de exigir que haja a mesma cobertura a todos estes funcionários. A condição imposta pelo legislador para a não incidência da contribuição previdenciária é, simplesmente, a existência de cobertura que abranja a todos os empregados e dirigentes, não cabendo ao intérprete estabelecer qualquer outro critério discriminativo”. (Processo 11070.002845/200715, Recurso Especial do Procurador, Data da Sessão 29/07/2014, Acórdão 9202003.256). No caso em tela a discussão vai mais longe trazendo para debate a possibilidade extensão do auxílio médico aos dependentes dos empregados sem ônus tributário para a empresa, uma vez que a lei é omissa quanto a maiores condições, sendo assim abrangida a situação pela norma imunizante. O caso já foi discutido no Colendo Superior Tribunal de Justiça – STJ, no caso REsp nº 1.430.043/PR, quando a Segunda turma entendeu de forma favorável aos contribuintes, afirmando que a assistência médica paga pela empresa não integra o salário de contribuição dos empregados, independentemente da sistemática de concessão do benefício, nesse sentido: Nesse contexto, não há falar em ampliação ou violação da norma isentiva, pois, como bem observado pelo Tribunal de origem, “embora não conste na folha de pagamento, tratase em verdade de forma de reembolso dos valores despendidos pelos empregados com medicamentos”, sendo que tal sistema “apenas evita etapas do moroso procedimento interno de reembolso via folha de pagamento, que, com certeza, seria mais prejudicial ao empregado (...). (Resp nº 1.430.043/PR, Relator: Min. Mauro Cambell Marques, Segunda Turma, julgado: 25.2.2014) O entendimento do STJ já é seguido por vários Tribunais Regionais Federais – TRFs, se manifestando que o plano de saúde concedido a empregados e dependentes não integra o conceito de salário de contribuição, tudo nos termos do art. 28, §9º, Q, da Lei 8.212/91 (Apelação/Reexame necessário nº 424703, TRF2ª, 4ª turma, Dje 15/04.2014; Apelação 2008.71.05.0033247/RS, 2ª Turma, TRF4ª, Dj. 30/06/2009). Mantendo meu posicionamento já exarado anteriormente de que o Tribunal Administrativo deve ser útil à sociedade, motivo pelo qual deve se adequar a jurisprudência dominante do Poder Judiciário, a fim de evitar a repetitiva judicialização de demandas, mesmo Fl. 1248DF CARF MF 16 que não esteja adstrita a aplicação dela por força do regimento, uma vez que a jurisprudência citada não procede de repetitivo de controvérsia (STJ), nem de repercussão geral (STF). Diante do exposto acredito que a melhor interpretação seja aquela dada pelo STJ na ementa que transcrevi acima, não devendo incidir Contribuição Previdenciária sobre as verbas decorrentes do auxílio médico concedido aos empregados e dependentes. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL VALORES PAGOS A TÍTULO DE AUXÍLIOEDUCAÇÃO (BOLSA DE ESTUDO ENSINO SUPERIOR); A Autuação Fiscal em questão se deu em razão dos Cursos custeados pela ARACRUZ serem de ensino superior: O Auditor Fiscal assim aduziu: 4.3.5. De acordo com o dispositivo legal, Para que não haja incidência das • contribuições previdenciárias, os valores devem ser gastos apenas com educação básica e com cursos de capacitação e qualificação profissionais, vinculados As atividades desenvolvidas pela empresa, não englobando educação superior, de que trata os arts. 43 a 57 da Lei n° 9.394/96. 4.3.8. A empresa informou que o beneficio foi pago apenas para os funcionários da filial Guaiba, pois faz parte da política de benefícios adotada pela fábrica de Guaiba, • antes de sua aquisição pela Aracruz Celulose. 4.3.9. A empresa ao disponibilizar o beneficio apenas para os funcionários da • filial Guaiba, está impondo um óbice à extensão a todos os empregados e dirigentes da empresa, contrariando o disposto na alínea § 9°, artigo 28, da Lei n°. 8.212/91. 4.3.10. Diante do exposto, os recursos destinados pela empresa para fornecimento de Bolsa Auxilio Graduação e Pós Graduação para os empregados da filial Guaiba, integram o saláriodecontribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. As Contribuições Previdenciárias possuem uma restrita linha de aplicação. Conforme bem delimitado pela Constituição Federal e pela Lei de Custeio estas exações se referem exclusivamente a valores advindos do trabalho, portanto, verbas de natureza remuneratória. O acórdão recorrido orienta a questão considerando que valores pagos relativos à educação superior (graduação e pósgraduação) se enquadram na hipótese de não incidência prevista na alínea “t”, § 9º, artigo 28, da lei 8.212/91 visto que a Lei 9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, no artigo 39, estabelece que a educação profissional se integra aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pósgraduação. Independentemente desta argumentação a qual aproveita o contribuinte ter sido dada apenas na nova redação dada ao tema pela L. 11.741/2008 e que poderia ser Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 17 17 considerada possível de aplicação para eventos passados em razão de ser norma mais favorável e razão de legiferar do legislador que representa a vontade do Estado, registro o mesmo encaminhamento com a inclusão de outros argumentos. Para dirimir esta questão me aproveito de alguns entendimentos veiculados no voto da Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, nos termos que segue: Segundo afirma o jurista mineiro e Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Mauricio Godinho Delgado, na obra "Curso de Direito do Trabalho", 2ª ed., para caracterizar salário utilidade devem ser analisados três requisitos. O primeiro deles é o da "habitualidade do fornecimento", deve o fornecimento do bem ou serviço ser reiterado ao longo do contrato de trabalho, deve estar presente a idéia de ser uma prestação de repetição uniforme em certo contexto temporal. O segundo requisito é a presença do "caráter contraprestativo do fornecimento", defende que é necessário que a causa e objetivos envolvidos no fornecimento da utilidade sejam essencialmente contraprestativo, é preciso que a utilidade seja fornecida preponderantemente com o intuito retributivo, como um acréscimo de vantagens contraprestativas ofertadas ao empregado. Pela pertinência vale citar (p. 712): Nesse quadro, não terá caráter retributivo o fornecimento de bens ou serviços feito como instrumento para viabilização ou aperfeiçoamento da prestação laboral. É claro que não se trata, restritivamente, de essencialidade do fornecimento para que o serviço possa ocorrer; o que é importante, para ordem jurídica, é o aspecto funcional, prático, instrumental, da utilidade ofertada para o melhor funcionamento do serviço. A esse respeito, já existe clássica fórmula exposta pela doutrina com suporte no texto do velho art. 458, §2º da CLT: somente terá natureza salarial a utilidade fornecida pelo trabalho e não para o trabalho. E quanto ao fornecimento e provimento da educação referido Ministro ainda destaca que tratase de dever imposto à empresa pela própria Constituição Federal, e por tal razão o bem ou serviço ofertado não pode ser classificado como salário utilidade, vale citar (p. 715): O dever, como se sabe, é tutela de interesse de outrem imposta a alguém pela ordem jurídica. O dever não necessariamente favorece o sujeito passivo de uma relação jurídica direta (como a relação de emprego); neste sentido distinguese da simples obrigação contratual. Pode, assim, a conduta derivada da tutela de interesse de outrem reportarse a uma comunidade indiferenciadas de favorecidos. É o que se passa com as atividades educacionais, por exemplo. O empregador tem o dever de participar das atividades educacionais do país pelo menos o ensino fundamental (art. 205, 212, §5º, CF/88). Esse dever não se restringe a seus exclusivos empregados estendese aos filhos destes e até mesmo à comunidade, através da contribuição parafiscal chamada salárioeducação (art. 212, §5º, CF/88; DecretoLei n. 1.422/75). Há, pois, fixado em norma jurídica heterônoma do Estado (inclusive na Constituição) um dever jurídico das empresas com respeito ao ensino no país (pelo menos o ensino fundamental): ou esse dever concretizase em ações diretas perante sues próprios empregados e os filhos Fl. 1250DF CARF MF 18 destes ou, na falta de tais ações diretas, ele se concretiza perante o conjunto societário, através do recolhimento do salário educação. Estáse, desse modo, perante um dever jurídico geral e não mera obrigação contratual. Quanto ao terceiro requisito "onerosidade unilateral", embora reconheça trata se de conduta técnicojuridico extremamente controvertida, o Ministro Delgado admite sua aplicação em casos específicos (p. 718): É claro que ocorrem, na prática juslaborativa, algumas poucas situações em que fica nítido o interesse real do obreiro em ingressar em certos programas ou atividades subsidiados pela empresa. Tratase de atividades ou programas cuja fruição é indubitavelmente vantajosa ao trabalhador e sua família, e cujo custo econômico para o empregado é claramente favorável, em decorrência do subsídio empresarial existente. Nestas situações, que afastam de modo patente a idéia de mera simulação trabalhista, não há por que negarlhe relevância ao terceiro requisito ora examinado. Aliás, a quase singularidade de tais situações é que certamente conduz a jurisprudência a valorizar o presente requisito apenas em alguns poucos casos concretos efetivamente convincentes. Embora haja habitualidade na ofertada das bolsas à totalidade dos empregados, a utilização do benefício pelo obreiro é facultativa e onerosa, já que condicionada ao pagamento da parcela da mensalidade devida, e salvo na hipóteses de realização de cursos sucessivos, teremos uma prestação com duração delimitada no tempo (período letivo) não se estendendo por todo contrato de trabalho. Por força do art. Art. 110 do CTN a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal e com base nessa premissa o art. 195, I, alínea a da Constituição Federal deve ser interpretado utilizandose os conceitos construídos pelo Direito do Trabalho o qual, no entender desta Relatora, seria o ramo do direito competente para se manifestar sobre as relações e reflexos dos contratos de trabalho. Dispões o art. 195 da CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; ... Em contrapartida o art. 458, §2º, inciso II da Consolidação das Leis do Trabalho assim define o salário: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 18 19 vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. ... § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: ... II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; ... Ora, se os benefícios ofertados aos empregados na forma de educação são considerados pela CLT como verbas não salariais, não pode a fiscalização interpretar a norma tributária no sentido de classificar tais vantagens como "salário utilidade" dandolhes caráter remuneratório. Embora o art. 28, §9º, alínea 't' da Lei nº 8.212/91, somente após 2011 e em situações restritas, tenha admitido a exclusão de bolsas de estudos do conceito de salário de contribuição, o Superior Tribunal de Justiça bem antes havia pacificado seu entendimento pela exclusão de tais verbas do conceito de saláriodecontribuição. Vale citar recente decisão monocrática proferida pela Ministra Regina Helena Costa no Recurso Especial 1.634.880/RS (publicada em 11/11/2016), que negou seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional entendo que a decisão recorrida seguia a jurisprudência da Corte: Acerca da contribuição previdenciária, esta Corte adota o posicionamento segundo o qual não incide essa contribuição sobre os valores pagos a título de auxílioeducação. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA. POSSIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. (...) 5. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Portanto, existe interesse processual da empresa em obter a declaração do Poder Judiciário na hipótese de a Fazenda Nacional estar cobrando indevidamente tal tributo. Fl. 1252DF CARF MF 20 6. Recurso Especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte não provido e Recurso Especial da empresa provido. (REsp 1586940/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/05/2016, DJe 24/05/2016); PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) In casu, tendo o acórdão recorrido adotado entendimento pacificado nesta Corte, o Recurso Especial não merece prosperar pela incidência da Súmula 83/STJ. Isto posto, com fundamento no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial. Adotando como fonte de direito o jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, a qual melhor interpreta a amplitude da base de cálculo da contribuição previdenciária, concluo que as bolsas de estudos fornecidas pela instituição aos empregados e seus respectivos dependentes não possuem natureza remuneratória, seja em nível básico, médio ou superior, não se sujeitando, portanto, à incidência do tributo lançado.” Quanto a alegação de que o benefício não foi estendido a todos os empregados, mas apenas a filial de Guaíba, uma vez que esta foi adquirida pela Contribuinte e os empregados já possuíam um conjunto de direito adquiridos entendo o argumento como válido, pois caso não mantivesse a bolsa de estudos seria demandado na esfera trabalhista. Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 19 21 Por fim, defendo aqui meu posicionamento de que o Tribunal Administrativo deve ser útil à sociedade, motivo pelo qual deve se adequar a jurisprudência dominante do Poder Judiciário, a fim de evitar a repetitiva judicialização de demandas (tão nefasta ao orçamento público), mesmo que não esteja adstrita a aplicação dela por força do regimento, uma vez que a jurisprudência citada não procede de repetitivo de controvérsia (STJ), nem de repercussão geral (STF). Saliento aqui, que não desconheço a previsão legal que restringe os critérios para a concessão de bolsas de estudo, bem como suas alterações legais, mas considerando o princípio da juridicidade, abarcado no Art. 2º da Lei 9784/99, que preleciona que o julgador no âmbito do Tribunal Administrativo deve atuar conforme a lei o Direito, sendo a Jurisprudência do STJ uma das fontes do Direito, aplicoa como razão de decidir. Não se trata aqui de afastar a constitucionalidade da norma, mas sim de interpretar o ordenamento jurídico com base em uma das fontes do Direito previstas em Lei Específica do Processo Administrativo Federal, tomando a máxima de que “a Lei não prevê palavras inúteis”, a aplicação acima referida está permitida dentro do âmbito administrativo fiscal, vez que este está abarcado no Procedimento Administrativo Federal. E assim acredito que a melhor interpretação seja aquela dada pelo STJ na ementa que transcrita na citação acima, não devendo incidir Contribuição Previdenciária sobre as verbas decorrentes de bolsa de estudos concedidas aos empregados, mesmo em se tratando de ensino superior. Contudo, tendo sido acompanhada pelas conclusões (por qualidade) em relação a negativa de provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, descrevo abaixo, os termos das conclusões ofertadas em declaração de voto pela conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira: " Embora tenha me filiado a tese da autoridade fiscal no passado, no sentido de que a educação superior não estaria abrangida no dispositivo acima transcrito, revisitando o texto da Lei de Diretrizes Básicas da Educação, Lei 9394/1996 e analisando o texto original do art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, não vejo a impossibilidade de se interpretar a educação superior como uma forma de capacitação ou mesmo qualificação profissional. No caso, desde que a educação proporcionada seja vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, possível a sua exclusão do conceito de salário de contribuição, desde que cumpridos os demais requisitos legais, quais sejam: extensível a todos os empregados. Notese que não estou com isso afastando toda e qualquer fornecimento de auxílio educação de curso superior do conceito de salário de contribuição, mas tão somente, abrindo a possibilidade de interpretação de que essa modalidade de curso esteja amparada na exclusão prevista no art. 28, §º, "t" da lei 8212/90 desde que cumprido os requisitos ali expostos, mas precisamente: “e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela Fl. 1254DF CARF MF 22 salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; No caso, poderia o auditor promover o lançamento sobre essa rubrica, mas teria a autoridade fiscal de identificar que o curso superior não possuía qualquer relação com as atividades desenvolvidas na empresa, ou tão somente, não era extensível a todos os dirigentes e empregados. Contudo, pela transcrição dos trechos do relatório fiscal, não é possível vislumbrar ter o auditor descrito a não vinculação do curso superior as atividades desenvolvidas pela empresa, razão pela qual não há como dar guarida ao entendimento da Fazenda Nacional, devendo ser negado provimento ao seu recurso especial nessa parte. [...] Dessa forma, entendo que o fato de dar continuidade ao plano de fornecimento de educação aos empregados de empresa incorporada não é capaz de determinar o descumprimento da exigência “extensível a todos os empregados e dirigentes”, tendo em vista que a exclusividade da concessão deuse por força legal e contratual, a qual o autuado não poderia eximirse, considerando até mesmo a possibilidade do empregado exigir a permanência do benefício face a justiça do trabalho. Apenas para esclarecer não estou me valendo do disposto no art. 458, § 2 da CLT, para determinar a exclusão da base de cálculo (conforme argumentado pelo recorrente), posto que entendo que a legislação previdência, por ser norma específica, sobrepõem se a legislação trabalhista quando define os critérios de isenção. Contudo, não podendo o empregador (autuado) cumprir exigência legal por não ter sido ele instituidor do benefício, não cabe a fiscalização simplesmente penalizálo sem verificar se a empresa incorporada isoladamente (em período anterior), preenchia os requisitos legais. E sendo assim, voto pelo conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes. Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 20 23 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora designada. Recurso Especial do Contribuinte Peço licença a ilustre conselheira Ana Paula Fernandes, para divergir do seu entendimento quanto a exonerar o contribuinte da obrigação de recolhimento de contribuições previdenciários em relação as verbas: 1/3 de férias e Assistência médica aos dependentes, por entender serem fatos geradores expressamente previstos na lei 8.112/90 e Decreto 3.048/99. Aliás, quanto as matérias, repriso aqui a argumentação por mim trazida no acórdão recorrido e vencedora nesta CSRF. 1/3 de férias Natureza Salarial Ausência de Decisão do STF com transito em Julgado. Primeiramente, antes de seguir com a apreciação da natureza da verba, entendo pertinente transcrever a legislação que define o conceito de salário de contribuição. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado, entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) No caso do 1/3 pago à titulo de adicional de férias, embora o pagamento das verbas seja compulsório, dáse simplesmente consubstanciado na existência de vínculo laboral, o qual o pagamento não se coaduna com verba indenizatório, visto que o valor recebido, nada mais é do que um ganho, não uma despesas com destinação certa e provável. Esse ganho também não apenas será usufruído pelo empregado, como poderá fazer uso da maneira que achar conveniente. Conforme descrito anteriormente a alegado afastamento da incidência de contribuição sobre essa parcela com base no disposto na alínea “d” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 não se sustenta. Vejamos o que dispõe a norma: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 1256DF CARF MF 24 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (...) Contudo referido tema tem sido alvo de grande discussão em face de decisão do STJ acerca do tema. Nos autos do processo nº35464.001960/200375 de interesse UNILEVER BRASIL LTDA assim me manifestei acerca do tema: Referido entendimento já está pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça por meio da decisão proferida no Resp 1.230.957/RS, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos. Valendo citar parte do voto proferido pelo Relator, o Ministro Mauro Campbell: 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas" . ... Nos termos do art. 7º, XVII, da CF/88, os trabalhadores urbanos e rurais têm direito ao gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal. Com base nesse dispositivo constitucional, o Supremo Tribunal Federal firmou orientação no sentido de que o terço constitucional de férias tem por finalidade ampliar a capacidade financeira do trabalhador durante seu período de férias, possuindo, portanto, natureza "compensatória/indenizatória". Além disso, levando em consideração o disposto no art. 201, § 11, da CF/88 — "os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei" (parágrafo incluído pela EC 20/98) — Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 21 25 pacificou entendimento no sentido de que "somente as parcelas incorporáveis ao salário do servidor sofrem a incidência da contribuição previdenciária" (AgR no AI 603.537/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Eros Grau, DJ de 30.3.2007). No mesmo sentido: AgR no RE 587.941/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Celso de Mello, DJe 21.11.2008; AgR no AI 710.361/MG, 1ª Turma, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe de 8.5.2009. Cumpre observar que os precedentes do Supremo Tribunal Federal referemse a casos em que os servidores são sujeitos a regime próprio de previdência. Sem embargo dessa observação, não se justifica a adoção de entendimento diverso em relação aos trabalhadores sujeitos ao Regime Geral da Previdência Social. Isso porque o entendimento do Supremo Tribunal Federal amparase, sobretudo, nos arts. 7º, XVII, e 201, § 11, da CF/88, sendo que este último preceito constitucional estabelece regra específica do Regime Geral da Previdência Social. Desse modo, é imperioso concluir que a importância paga a título de terço constitucional de férias possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). Sabemos que a decisão do STJ está sobrestada pelo Recurso Extraordinário nº 593.068/SC, cuja repercussão geral foi reconhecida ("Tema 163 Contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, os serviços extraordinários, o adicional noturno e o adicional de insalubridade") e portanto não vincula os julgadores deste Conselho Administrativo de Recurso Fiscais. De toda forma entendo que a mesma traz o entendimento mais apropriado ao caso concreto. Conforme acima transcrito, embora claro o posicionamento ali adotado, sabemos que a decisão do STJ está sobrestada pelo Recurso Extraordinário nº 593.068/SC, cuja repercussão geral foi reconhecida. Contudo, ao contrário da relatora, no meu entender, apenas após o transito em julgado da decisão, poderá este conselho excluir as verbas do adicional de férias da base de cálculo de contribuições previdenciárias, tendo em vista o art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 343 de 09 de junho de 2015, senão vejamos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Fl. 1258DF CARF MF 26 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portar ia MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administ ração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos d o art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Por taria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito d o CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Apenas esclareço que, em relação as manifestações transcritas nos autos dos processos judiciais sobre posições dos ministros do STF, entendo pertinente esclarecer que a incidência de contribuições previdenciárias sobre o abono de um terço de férias (adicional de 1/3 de férias) será incluído no salário de benefício do segurado empregado, tendo em vista que, todas as contribuições apuradas em nome do segurado poderão ser utilizadas para cálculo de seus benefícios. Esse fato, tem tratamento diferente em relação aos servidores públicos, basicamente pelo fato de que o cálculo do benefício dos servidores públicos leva em consideração a última remuneração percebida pelo segurado e não o montante de contribuições por ele recolhidas. Dessa forma, entendo que a manifestação dos ilustres ministros em relação aos servidores públicos não traduz necessariamente o posicionamento a ser adotado em relação aos empregados segurados da previdência social. Embora a lei nº 8212/91 não seja expressa em incluir o 1/3 de férias no conceito de salário de contribuição, o Decreto nº 3048/90 o fez, senão vejamos: Art.214. Entendese por saláriodecontribuição: Ipara o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 22 27 termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; IIpara os segurados empregado, inclusive o doméstico, e trabalhador avulso, ao piso salarial legal ou normativo da categoria ou, inexistindo este, ao salário mínimo, tomado no seu valor mensal, diário ou horário, conforme o ajustado e o tempo de trabalho efetivo durante o mês. (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) §4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o saláriode contribuição. Isto posto, inexistindo transito em julgado que determine a aplicação da decisão do STJ nos termos do art. 62 do RICARF, e considerando a expressa previsão no Decreto 3048/99 sobre a incidência de contribuições sobre a verba 1/3 de férias, voto por negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Assistência médica aos dependentes Em relação a assistência médica aos dependentes, da mesma forma como já encaminhado no acórdão recorrido, entendo que não existe fundamento para sua exclusão do conceito de salário de contribuição, ao analisarmos os termos da lei 8212/91. Vejamos os termos do relatório fiscal acerca do caso concreto: 4.4. ASSISTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA PARA OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES 4.4.1. Na operacionalização de suas atividades, como política de recursos humanos, a empresa disponibiliza aos seus empregados e dirigentes, extensivos aos dependentes, plano de saúde, de assistência médica e odontológica, através de contrato firmado com a operadora de Plano de Saúde MEDISERVICE. Esse contrato é extensivo a toda a empresa com exceção da filial Guaiba cujo contrato foi realizado com a UNIMED Centro Sul e com a UNIODONTO Porto Alegre. 4.4.2. O contrato feito .com a Mediservice permite que os empregados, dirigentes e seus dependentes busquem .atendimento médico, hospitalar e odontológico, "unto rede de credenciados, formada por profissionais médicos, dentistas, hospitais, clinicas e laboratórios credenciados pela Mediservice. 4.4.3. O referido contrato também permite que os empregados, dirigentes e seus dependentes busquem atendimento médico, hospitalar e odontológico fora da rede credenciada. Neste caso, a Mediservice reembolsa os empregados e dirigentes pelas despesas realizadas, de acordo com uma tabela Prédefinida pela Aracruz. O valor reembolsado é cobrado diretamente da Aracruz. 4.4.4. O contrato firmado com a Unimed Centro Sul Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico Ltda e com a Uniodonto Porto Fl. 1260DF CARF MF 28 Alegre Cooperativa Odontológica Ltda, permite que os empregados e seus dependentes busquem atendimento médico, hospitalar e odontológico, apenas com profissionais pertencentes à rede credenciada. 4.4.5. Dispõe o art. 28, §9°, "q", da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela MP n° 1.59614, de 10/11/1997, convertida na Lei n° 9.528, de 10/12/1997, que os valores relativos à assistência médica e odontológica próprios da empresa ou por ela conveniada, cuja cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes; não integram o salário decontribuição. 4.4.6. Ocorre que a Aracruz, ao conceder a assistência médica e odontológica aos empregados e dirigentes, contemplou também os seus dependentes. Arcou, portanto, a empresa, com os custos médicos e odontológicos dos familiares dos empregados e dirigentes. E, o que prevê o art. 28, §9°, "q", da Lei n° 8.212, de 24107/1991, é que a cobertura .do plano deve abranger totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, restritivamente, não seus dependentes. 4.4.7. Ou seja, dos valores suportados peIa Aracruz relativos A assistência médica e odontológica, apenas os recursos destinados A cobertura da assistência médica, hospitalar e odontológica dos seus empregados e dirigentes, não integram o saláriodecontribuição. 4.4.8. Os recursos destinados à cobertura da assistência médica, hospitalar e • odontológica, dos dependentes dos segurados empregados e dirigentes, por não estarem expressamente previstos no art. 28, § 9°, "q", integram o saláriode. contribuição, nos termos.. do art. 28, incisos I e III, ambos da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. 4.4.9. Os dados relativos aos fatos geradores ocorridos, apurados no período de 01/2005 a 12/2005, baseiamse nas informações, prestadas pela própria empresa' dos valores mensais por ela suportados com os dependentes que usufruíram dos benefícios ofertados pelo Plano de Saúde (dentro e fora da rede credenciada). 4.4.10. Os valores mensais custeados pela empresa, referentes As despesas com assistência médica e odontológica dos dependentes, considerados como basede cálculo, encontramse discriminados por estabelecimento e competência, no DD — Discriminativo do Débito (anexo ao presente Al), nos levantamentos "PS6" e "PS7". Os valores discriminados por segurado encontramse no anexo I. 4.4.11. As despesas com o plano de saúde dos dependentes, custeadas pelos empregados e dirigentes, não foram objeto de levantamento. Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 23 29 Não concordo com a argumentação do recorrente de que a legislação trabalhista não restringe a concessão apenas aos empregados, mas descreve que a assistência medica não é considerado salário in natura. Observase que a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Analisando os dispositivos legais, entendo que razão não assiste ao recorrente, sendo que a extensão do benefício aos seus dependentes não encontrase no rol de exclusão previsto na alínea “q” do § 9º do art. 28 da lei 8212/91: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Ao contrário do que entende o recorrente para que os benefícios concedidos aos empregados não constituam salário de contribuição devem constar do rol de exclusão do art. 28, § 9 da lei 8212/91, não podendo valerse da legislação trabalhista para definir o conceito de salário de contribuição de contribuições previdenciárias. Da mesma forma, o conceito de salário de contribuição abarca todos os pagamentos feitos aos empregados, conforme previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991. Para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 1262DF CARF MF 30 (grifo nosso.) Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 24 31 Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Recurso Especial da Fazenda Nacional A presente declaração tem por escopo apenas esclarecer a motivação do acompanhamento da ilustre relatora pelas conclusões, tendo em vista que a tese por ela defendida, quando da análise pontual das matérias em outros julgados, apresentase diferente da por mim defendida em relação a bolsa de estudos de nível superior. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Fl. 1264DF CARF MF 32 No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo ser possível a interpretação adotada no acórdão recorrido. Isso porque, aproveitando toda a análise da legislação acima descrita, fazse necessário agora apreciar a procedência do lançamento em relação à concessão de auxílios de cursos superiores fornecidos pela empresa aos seus empregados. Primeiro, vejamos os fundamentos do lançamento quanto ao fato gerador ora sob análise: 4.3. BOLSA AUXILIO EDUCAÇÃO GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO (EDUCAÇÃO SUPERIOR) 4.3.1. Neste levantamento encontramse os pagamentos feitos aos empregados, referente A bolsa auxilio graduação e pós graduação (educação superior). 4.3.2. No exame da escrituração contábil, encontramos pagamentos feitos aos empregados, referentes A bolsa auxilio graduação e pósgraduação (educação superior). 4.3.3. 0 artigo 28, § 9°, "V', da Lei n°. 8.212/91, estabelece que não integra o saláriodecontribuição: "O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada. pela Lei n°9.711, de 20.11.98)" (grifo nosso) 4.3.4. 0 artigo 21 da ,Lei n°. 9.394/96, divide: .a educação escolar em: básica (formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) e educacão superior. 4.3.5. De acordo com o dispositivo legal, para que não haja incidência das contribuições previdenciárias, os valores devem ser gastos apenas com educação básica e com cursos de capacitação e qualificação profissionais, vinculados As atividades desenvolvidas pela empresa, não englobando educação superior, de que trata os arts. 43 a 57 da Lei n° 9.394/96. 4.3.6. Ou seja, ás despesas com educação superior. não estão alcançadas pela exclusão prevista na alínea "t", § 9°, art. 28 da terns:8.21 e enquadrando como valor pago, devido ou creditado a "qualquer titulo",.. conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei n° 8.212/91. 4.3.7. Analisando a cartilha de benefícios da empresa, verificamos também que não existe previsão para fornecimento desse beneficio aos empregados e dirigentes. 4.3.8. A empresa informou que o beneficio foi pago apenas para os funcionários da filial Guaiba, pois faz parte da política Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 25 33 de benefícios adotada pela fábrica de Guaiba, • antes de sua aquisição pela Aracruz Celulose. 4.3.9. A empresa ao disponibilizar o beneficio apenas para os funcionários da filial Guaiba, está impondo um óbice à extensão a todos os empregados e dirigentes da empresa, contrariando o disposto na alínea § 9°, artigo 28, da Lei n°. 8.212/91. 4.3.10. Diante do exposto, os recursos destinados pela empresa para fornecimento de Bolsa Auxilio Graduação e Pós Graduação para os empregados da filial Guaiba, integram o saláriodecontribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. • 4.3.11. Os dados relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2005 a 41, 12/2005, foram apurados com base na escrituração contábil, conta 321314 — Bolsa de Estudo. 4.3.12. Os valores mensais considerados como basedecálculo, encontramse discriminados por estabelecimento e competência, no DD — Discriminativo do Débito (anexo ao presente Al), no levantamento "CS6". Os valores discriminados por empregado encontramse no anexo I. Conforme podemos extrair dos pontos descritos no relatório fiscal, a base para o lançamento é a interpretação, primeiramente, da autoridade fiscal de que o ensino superior não estaria abrangido no programa de capacitação e qualificação profissional previsto no art. 28, §9º, "t" da lei 8212/90: t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Embora tenha me filiado a tese da autoridade fiscal no passado, no sentido de que a educação superior não estaria abrangida no dispositivo acima transcrito, revisitando o texto da Lei de Diretrizes Básicas da Educação, Lei 9394/1996 e analisando o texto original do art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, não vejo a impossibilidade de se interpretar a educação superior como uma forma de capacitação ou mesmo qualificação profissional. No caso, desde que a educação proporcionada seja vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, possível a sua exclusão do conceito de salário de contribuição, desde que cumpridos os demais requisitos legais, quais sejam: extensível a todos os empregados. Notese que não estou com isso afastando toda e qualquer fornecimento de auxílio educação de curso superior do conceito de salário de contribuição, mas tão somente, abrindo a possibilidade de interpretação de que essa modalidade de curso esteja amparada na exclusão prevista no art. 28, §º, "t" da lei 8212/90 desde que cumprido os requisitos ali expostos, mas precisamente: “e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em Fl. 1266DF CARF MF 34 substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; No caso, poderia o auditor promover o lançamento sobre essa rubrica, mas teria a autoridade fiscal de identificar que o curso superior não possuía qualquer relação com as atividades desenvolvidas na empresa, ou tão somente, não era extensível a todos os dirigentes e empregados. Contudo, pela transcrição dos trechos do relatório fiscal, não é possível vislumbrar ter o auditor descrito a não vinculação do curso superior as atividades desenvolvidas pela empresa, razão pela qual não há como dar guarida ao entendimento da Fazenda Nacional, devendo ser negado provimento ao seu recurso especial nessa parte. Alías, quanto a esse ponto, transcrevo trecho do voto apresentado quando do julgamento na Câmara a quo enquanto relatora: Assim, podemos destacar que dois são os fundamentos da autoridade fiscal, o primeiro por simplesmente tratarse de educação superior e o segundo por não ser extensível a todos os empregados. Quanto a questão da educação superior valhome de trecho da decisão de primeira instância para fundamentar minha decisão. Vejamos o trecho pertinente: 19. Sobre o argumento de que os cursos de capacitação e qualificação profissionais abrangem os cursos superiores, especialmente porque os mesmos possuem intima ligação com a capacitação e qualificação profissional de qualquer funcionário, o art. 39, abaixo transcrito, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei n° 9.394/96, seja em sua redação original, vigente à época dos fatos geradores, como na dada pela Lei n° 11.741/2008, vigente época da lavratura do Auto de Infração, de fato estabelece a possibilidade de os cursos superiores abrangerem os cursos profissionais: Art. 39. A educação profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, a ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva.(redação original). Parágrafo único. 0 aluno matriculado ou egresso do ensino fundamental, médio e superior, bem como o trabalhador em geral, jovem ou adulto, contará com a possibilidade de acesso a educação profissional. (redação original) Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação dada pela Lei n° 11.741, de 2008) (..) § 29 A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos:(incluído pela Lei n° 11.741, de 2008) III — de educação profissional tecnológica de graduação e pós graduação.(incluído pela Lei n° 11.741, de 2008) Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 26 35 20. Ocorre que a empresa não logrou êxito em comprovar que tais cursos eram, de fato, capacitações e qualificações PROFISSIONAIS, ligadas ás atividades desenvolvidas pelos empregados na empresa, ou se eram cursos do interesse pessoal de cada trabalhador. No mais, nunca é demais relembrar a previsão do CIN acerca de interpretação no que concerne à outorga de isenção: É nesse ponto que entendo assistir razão ao recorrente, o fundamento para não exclusão da verba como base de cálculo de contribuição é que o recorrente não comprovou a correlação entre o curso de graduação e pós graduação e a atividade desenvolvida por cada empregado. Porém não foi esse o fundamento para o lançamento, e sim o simples fato de tratar se de curso superior. Contudo, entendo que o órgão julgador só poderia utilizarse desse argumento se a imputação fiscal fosse a não comprovação por parte da empresa de que os cursos oferecidos possuíam relação com as atividades desenvolvidas. Não estou com isso afirmando que os cursos oferecidos enquadravam na exclusão prevista na alínea “t” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, que assim, descreve: “t)o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011)”. O que entendo é que a imputação fiscal não se mostrou clara ao descrever esse fundamento como lançamento, e não acato a argumentação do julgador que competiria a empresa o ônus de provar que o seu benefício enquadravase na exigência legal. Porém, conforme transcrito anteriormente, o auditor descreveu sim, como imputação de descumprimento legal, o fato da empresa não ser extensível a todos os dirigentes e empregados, senão vejamos novamente: 4.3.6. Ou seja, ás despesas com educação superior. não estão alcançadas pela exclusão prevista na alínea "t", § 9°, art. 28 da terns:8.21 e enquadrando como valor pago, devido ou creditado a "qualquer titulo",.. conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei n° 8.212/91. 4.3.7. Analisando a cartilha de benefícios da empresa, verificamos também que não existe previsão para fornecimento desse beneficio aos empregados e dirigentes. 4.3.8. A empresa informou que o beneficio foi pago apenas para os funcionários da filial Guaiba, pois faz parte da política de benefícios adotada pela fábrica de Guaiba, • antes de sua aquisição pela Aracruz Celulose. 4.3.9. A empresa ao disponibilizar o beneficio apenas para os funcionários da filial Guaiba, está impondo um óbice à extensão a todos os empregados e dirigentes da empresa, Fl. 1268DF CARF MF 36 contrariando o disposto na alínea § 9°, artigo 28, da Lei n°. 8.212/91. Contudo, entendo que esse ponto, também foi devidamente enfrentado no acórdão recorrido, conforme passo a transcrever novamente meu voto, lá ofertado. O outro fundamento para o lançamento, é que não preenchido o requisito de extensão a todos os empregados, nos termos da antiga redação do “t” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991: t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Quanto a este ponto, devemos identificar os argumentos do recorrente para justificar a concessão do benefício a apenas parte de seus empregados: No que se refere ao fato de que tais benefícios seriam concedidos apenas a funcionários da filial de Guaíba da Recorrente, imp8ese registrar que tal estabelecimento foi incorporado pela mesma pouco antes do advento do exercício objeto de autuação (doc. 04 da Impugnação). 86. Tal informação se mostra essencial na medida em que todos os valores autuados se resumem a bolsas concedidas anteriormente a tal incorporação, e não a novas solicitaq8es posteriores a este evento societário, de modo que o acesso da integralidade dos funcionários e dirigentes da empresa incorporada a esses benefícios era fielmente observado, estando os valores respectivamente quitados a titulo de financiamento de cursos de graduação e pós graduação plenamente de acordo com o cogitado dispositivo previdenciário A época das correspondentes concessões. Significa dizer que, a despeito de não ter o costume de financiar tais cursos a seus funcionários e dirigentes, a ora Recorrente, ao incorporar estabelecimento que assim procedia (registrese, de forma plenamente regular com os requisitos legalmente tragados), optou por manter os benefícios que já haviam sido concedidos antes da incorporação. Novamente entendo que o argumento trazido pelo julgador não se mostra o mais acertado, para que a empresa pudesse usufruir do benefício: “22. Na situação ocorrida, a empresa tinha duas alternativas para tal importância não integrar o salário de contribuição, no que tange a este aspecto, totalidade de acesso: estender à outras filiais o que já era praxe em Guaiba ou encerrar tais pagamentos para os funcionários de tal unidade.”. Realmente, a época do lançamento (2009), o exclusão descrita na alínea “t” do § 9º do art. 28 da lei 8.212/91, determinava a extensão a todos os empregados e dirigentes da empresa, porém, entendo que os argumentos do recorrente são pertinentes a que se diga que nesse ponto também o lançamento não se aperfeiçoou para que se possa afirmar que o recorrente descumpriu os preceitos legais para usufruir do benefício de exclusão da base de cálculo. Nesse ponto, a primeira questão a ser respondida é: “A empresa Aracruz institui plano para fornecer o benefício de educação superior e pós graduação a apenas parte Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 27 37 dos seus empregados? Entendo que não. A mesma descreveu que o fornecimento deuse face a incorporação de empresa da cidade de Guaíba (empresa essa que sim, possuía plano de educação extensível a todos os empregados). Ao contrário do que entendeu o julgador, a legislação trabalhista é clara ao descrever nos seus art. 10 e 448 do Decreto Lei 5452/1943 que instituiu a CLT, que alterações na estrutura jurídica (como é o caso da incorporação) ou mesmo alterações na propriedade não afetam os contratos de trabalhos. Ou seja, nos termos da legislação trabalhista não poderia a empresa simplesmente cessar a concessão do benefício, como entendeu o julgador para enquadrarse na exclusão legal. Vejamos dispositivos: Art. 10 Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados. (...) Art. 448 A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. Dessa forma, entendo que o fato de dar continuidade ao plano de fornecimento de educação aos empregados de empresa incorporada não é capaz de determinar o descumprimento da exigência “extensível a todos os empregados e dirigentes”, tendo em vista que a exclusividade da concessão deuse por força legal e contratual, a qual o autuado não poderia eximirse, considerando até mesmo a possibilidade do empregado exigir a permanência do benefício face a justiça do trabalho. Apenas para esclarecer não estou me valendo do disposto no art. 458, § 2 da CLT, para determinar a exclusão da base de cálculo (conforme argumentado pelo recorrente), posto que entendo que a legislação previdência, por ser norma específica, sobrepõemse a legislação trabalhista quando define os critérios de isenção. Contudo, não podendo o empregador (autuado) cumprir exigência legal por não ter sido ele instituidor do benefício, não cabe a fiscalização simplesmente penalizálo sem verificar se a empresa incorporada isoladamente (em período anterior), preenchia os requisitos legais. Conclusão Face as considerações acima, acompanho a relatora pelas conclusões quanto a negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional em relação ao auxílio educação fornecido aos empregados para os cursos de educação superior. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1270DF CARF MF 38 Declaração de Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. Após o voto da Redatora, a quem rendo as minhas homenagens, ouso divergir, com a devida vênia, do posicionamento adotado, mormente quanto à aplicação do Recurso Especial n.º 1.230.957 RS, julgado sob a sistemática dos repetitivos, no qual consta a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. (...) No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas" . 1.3 Salário maternidade. O salário maternidade tem natureza salarial e a transferência do encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) não tem o condão de mudar sua natureza. (...). 1.4 Salário paternidade. O salário paternidade referese ao valor recebido pelo empregado durante os cinco dias de afastamento em razão do nascimento de filho (art. 7º, XIX, da CF/88, c/c o art. 473, III, da CLT e o art. 10, § 1º, do ADCT). Ao contrário do que ocorre com o salário maternidade, o salário paternidade constitui ônus da empresa, ou seja, não se trata de benefício previdenciário. Desse modo, em se tratando de verba de natureza salarial, é legítima a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário paternidade. Ressaltese que "o saláriopaternidade deve ser tributado, por se tratar de licença remunerada prevista constitucionalmente, não se incluindo no rol dos benefícios previdenciários(...). 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 28 39 de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (...) 2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença. No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3º, da Lei 8.213/91 — com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento efetuado pelo empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Nesse contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmouse no sentido de que sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. (...). Do mencionado Acórdão podemos extrair o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, inclusive, de modo reiterado, em razão do número de precedentes citados no inteiro teor da decisão, no sentido da não incidência das contribuições previdenciárias sobre as rubricas em análise, notadamente: o terço constitucional de férias, o aviso prévio indenizado e a importância paga nos 15 primeiros dias que antecedem o auxíliodoença. Convém destacar que foi recebido Recurso Extraordinário contra a decisão do REsp n.º 1230.957 RS, no Supremo Tribunal Federal, no qual a única matéria não recebida, por ausência de repercussão geral, foi o aviso prévio indenizado, pois segundo a Corte Suprema não se trata de tema de cunho constitucional. Fl. 1272DF CARF MF 40 Desse modo, houve a separação dos capítulos da sentença, de modo que uns capítulos estão pendentes de julgamentos e um capítulo transitou em julgado, qual seja o capítulo referente ao aviso prévio. Temos, pela Teoria dos capítulos da sentença, aceita doutrinariamente e prevista 523 do CPC, que, no dizer de Cândido Rangel Dinamarco, o capítulo da sentença é toda unidade decisória autônoma contida na parte dispositiva de uma decisão judicial. Complementa Freddie Didier Jr. que essa unidade autônoma tanto pode encerrar uma decisão sobre a pretensão ao julgamento de mérito (capítulos puramente processuais), como uma decisão sobre o próprio mérito (capítulos de mérito). Além da previsão geral contida no CPC, em meu entender, o Decreto n.º 70.235/72, norma regente do processo administrativo fiscal, aplica a teoria dos capítulos da sentença ao permitir a formação de autos apartados para a imediata cobrança do objeto não contestado, no caso de impugnação parcial, de acordo com o disposto no art. 21, § 1º, abaixo transcrito: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. § 1º No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. Como se percebe, o que faz a autoridade preparadora nada mais é do que cobrar o tributo correspondente ao capítulo da decisão transitada em julgado, enquanto as demais matérias continuam em julgamento, pois oportunamente impugnadas. Notase, assim, que a interpretação adotada tem como fundamento de validade tanto a norma específica quanto a norma geral processual, de aplicação supletiva e subsidiária ao processo administrativo, nos termos do art. 15 do Código de Processo Civil: Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Assim, estamos diante do seguinte panorama processual: quanto ao aviso prévio indenizado, capítulo integrante da decisão proferida em repetitivo, não lhe foi atribuída repercussão geral para fins de recebimento do RE interposto, portanto, não se encontra mais pendente de julgamento, tornandose imutável e indiscutível a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, de modo definitivo, pois não cabe mais recurso (coisa julgada material); no que se referem às demais rubricas objeto do RE, que representam os outros capítulos do Acórdão, convém destacar que encontramse pendentes de apreciação pela Corte Suprema, restando suspensa a aplicação do repetitivo sobre tais temas, em razão da atribuição de repercussão geral das matérias. Desse modo, adoto a decisão definitiva sobre o aviso prévio indenizado, proferida dentro do microssistema de formação concentrada de precedentes obrigatórios, em Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 9202006.652 CSRFT2 Fl. 29 41 razão do efeito vinculante, em obediência ao disposto no art. 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais abaixo transcrito: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). A respeito das demais rubricas (o terço de férias e os 15 primeiros dias que antecedem o auxílio doença), ainda que eu não considere o Recurso Especial mencionado como precedente obrigatório, nos termos do disposto no RICARF, tendo em vista a pendência de análise pelo STF, entendo como razoável adotar o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça sobre os temas, como expresso no REsp n.º 1230.957 RS, em razão da reiterada jurisprudência da Corte Superior que se consubstancia em entendimento dominante. Tal aplicação ocorre com base no que a doutrina denomina de precedente com eficácia persuasiva, na medida em que, segundo Fredie Didier, tal decisão constitui indício de uma solução racional e socialmente adequada, pois emanada do Poder Judiciário, inclusive, em reiteradas ocasiões. Portanto, entendo pela não incidência da contribuição previdenciária sobre as o terço de férias, em obediência à razoabilidade e à segurança jurídica. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 1274DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722422/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. ALTERAÇÕES SEM EFEITOS MODIFICATIVOS DO JULGADO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma.
Em se verificando que há contradição interna e não externa no dispositivo e no que concluiu a turma julgadora, deve ser acolhido os embargos para sanar vício identificado.
Observada a contradição na ementa com o julgamento, deve ser corrigida com o intuito de sanar o vício no Acórdão, a fim de trazer harmonia ao julgamento anterior, sem efeito modificativos do julgado.
SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EXCLUÍDA.
A empresa excluída do Simples Nacional deve recolher as contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social e aquelas por ela arrecadadas para terceiros, incidentes sobre os valores pagos a todos os segurados que lhe prestem serviços, nos termos da legislação vigente.
COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RECOLHIDAS INDEVIDAS OU A MAIOR.
Em face do que dispõe o art. 21, §11, da Lei Complementar 123/2006 é permitida a compensação de contribuições previdenciárias com valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, consoante o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (INRFB900/ 2008, art. 44, § 6º).
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-005.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2803-004.233, de 12/03/2015, registrar na ementa do acórdão que foi dado parcial provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, e Reginaldo Paixão Emos. Ausente justificadamente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. ALTERAÇÕES SEM EFEITOS MODIFICATIVOS DO JULGADO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. Em se verificando que há contradição interna e não externa no dispositivo e no que concluiu a turma julgadora, deve ser acolhido os embargos para sanar vício identificado. Observada a contradição na ementa com o julgamento, deve ser corrigida com o intuito de sanar o vício no Acórdão, a fim de trazer harmonia ao julgamento anterior, sem efeito modificativos do julgado. SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EXCLUÍDA. A empresa excluída do Simples Nacional deve recolher as contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social e aquelas por ela arrecadadas para terceiros, incidentes sobre os valores pagos a todos os segurados que lhe prestem serviços, nos termos da legislação vigente. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RECOLHIDAS INDEVIDAS OU A MAIOR. Em face do que dispõe o art. 21, §11, da Lei Complementar 123/2006 é permitida a compensação de contribuições previdenciárias com valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, consoante o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (INRFB900/ 2008, art. 44, § 6º). Embargos Acolhidos.
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CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. ALTERAÇÕES SEM EFEITOS MODIFICATIVOS DO JULGADO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Em se verificando que há contradição interna e não externa no dispositivo e no que concluiu a turma julgadora, deve ser acolhido os embargos para sanar vício identificado. Observada a contradição na ementa com o julgamento, deve ser corrigida com o intuito de sanar o vício no Acórdão, a fim de trazer harmonia ao julgamento anterior, sem efeito modificativos do julgado. SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EXCLUÍDA. A empresa excluída do Simples Nacional deve recolher as contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social e aquelas por ela arrecadadas para terceiros, incidentes sobre os valores pagos a todos os segurados que lhe prestem serviços, nos termos da legislação vigente. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RECOLHIDAS INDEVIDAS OU A MAIOR. Em face do que dispõe o art. 21, §11, da Lei Complementar 123/2006 é permitida a compensação de contribuições previdenciárias com valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, consoante o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (INRFB900/ 2008, art. 44, § 6º). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 24 22 /2 01 3- 79 Fl. 194DF CARF MF 2 Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2803004.233, de 12/03/2015, registrar na ementa do acórdão que foi dado parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, e Reginaldo Paixão Emos. Ausente justificadamente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional contra Acórdão de julgamento n.º 2803004.233, julgado em 12 de março de 2015, pela 3ª Turma Especial, da 2ª Seção, que verificou contradição na ementa lançada que assim ficou transcrita: " ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 SIMPLES. EMPRESA EXCLUÍDA. A empresa excluída do Simples deve recolher as contribuições previdenciárias devidas a Seguridade Social e aquelas por ela arrecadadas para terceiros, incidentes sobre os valores pagos a todos os segurados que lhe prestem serviços, nos termos da legislação vigente. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RECOLHIDAS INDEVIDAS OU A MAIOR É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (INRFB900/ 2008, art. 44, § 6º)". Ocorre que, conforme a embargante cita, a decisão do colegiado foi no sentido de acatar a posição do relator, que assim decidiu: "III – Quanto ao pedido de compensação/abatimento dos valores pagos a título do Simples, entendo que a Instrução Normativa justificada para negativa teve sua leitura equivocada, em face do que dispõe o art. 21, §11, da Lei Complementar 123/2006, que permite a Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11516.722422/201379 Acórdão n.º 2301005.548 S2C3T1 Fl. 3 3 compensação/abatimento entre o Simples com tributos do mesmo ente federativo. Assim, a fiscalização na apuração das diferenças deve considerar os valores pagos na forma do Simples, proporcionalmente à parcela destinada à previdência social, e abater do crédito apurado". Na parte dispositiva ficou constando exatamente o entendimento do voto proferido, tendo o recurso seu parcial provimento à unanimidade de votos, nos termos do voto do Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator Os artigos 64 e 65, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015). assim dispõe: "Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto 53 sobre o qual deveria pronunciarse a turma". Os embargos de declaração se prestam para sanar contradição, omissão ou obscuridade, e não possui efeitos modificativos da decisão recorrida, salvo casos específicos que pode resultar em efeitos infringentes do julgamento. Esse instrumento, por vezes pode ser considerado sensível em sua análise, uma vez que, excepcionalmente, pode contribuir com a modificação de interpretação ou resultado anteriormente esposado. Nesse sentido, os embargos servem exatamente para trazer compreensão e clarificação pelo órgão julgador ao resultado final do julgamento proferido, privilegiando inclusive ao princípio do devido processo legal, entregando às partes e interessados de forma clara e precisa a o entendimento do colegiado julgador. Como se sabe, “a contradição que autoriza o acolhimento dos aclaratórios é aquela interna, havida entre a fundamentação e o dispositivo ou entre fragmentos da decisão embargada, e não o descompasso entre a conclusão adotada pelo Tribunal e o entendimento apresentado pela parte” (Inq. 4106 ED, Rel. Min. Alexandre de Moraes, 2ª Turma, DJ 19/02/2018). No presente caso, observase que há contradição no que foi decidido e no que foi lançado no dispositivo e na ementa do colegiado. Conforme se constata do voto do relator, esse se pronunciou literalmente para permitir a compensação de créditos verificados na sistemática do SIMPLES, e que estaria de forma diversa da ementa, sendo que seu voto teve a seguinte fundamentação: "III – Quanto ao pedido de compensação/abatimento dos valores pagos a título do Simples, entendo que a Instrução Normativa Fl. 196DF CARF MF 4 justificada para negativa teve sua leitura equivocada, em face do que dispõe o art. 21, §11, da Lei Complementar 123/2006, que permite a compensação/abatimento entre o Simples com tributos do mesmo ente federativo. Assim, a fiscalização na apuração das diferenças deve considerar os valores pagos na forma do Simples, proporcionalmente à parcela destinada à previdência social, e abater do crédito apurado. Entendimento esse reconhecido pelo CARF/MF de forma sumulada: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Assim, entendo que deve ser corrigido o lançamento neste ponto. No mesmo sentido, o dispositivo do acórdão constou o seguinte: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, no sentido de revisar a decisão recorrida e os lançamentos apenas para que sejam deduzidos do lançamento eventuais recolhimentos ao Simples, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada, com os créditos da mesma natureza daqueles efetuados nessa sistemática". Assim, a nova ementa deve passar a conter que foi dado provimento ao recurso voluntário, em especial o dispositivo e conclusão do colegiado, com o intuito de sanar a contradição apontada. Conclusão Nessas circunstâncias, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO aos embargos de declaração opostos pela Fazenda, para que conste que foi dado parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, e corrigindose a ementa lançada, nos termos do presente julgamento que passa a integrar nova ementa no Acórdão n.º 2803004.233, julgado em 12 de março de 2015. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000378/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009
LANÇAMENTO ARBITRADO.
O lançamento arbitrado de contribuições previdenciárias é próprio quando há indícios de que os documentos apresentados pelo contribuinte não correspondem à expressão da verdade.
PROVAS JUNTADAS EM FASE RECURSAL. COMPLEXIDADE DA PROVA. PRECLUSÃO.
O §4º do art. 16, do Decreto 70.235/72, estabelece que a prova deve ser juntada no momento da impugnação, sob pena de preclusão, bem como refere a legislação as hipóteses de superação deste momento de juntada. A prova que se demonstre complexa e que possa ocasionar a necessidade de perícia contábil ou diligências, não pode ser admitida sua juntada em fase recursal.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009 LANÇAMENTO ARBITRADO. O lançamento arbitrado de contribuições previdenciárias é próprio quando há indícios de que os documentos apresentados pelo contribuinte não correspondem à expressão da verdade. PROVAS JUNTADAS EM FASE RECURSAL. COMPLEXIDADE DA PROVA. PRECLUSÃO. O §4º do art. 16, do Decreto 70.235/72, estabelece que a prova deve ser juntada no momento da impugnação, sob pena de preclusão, bem como refere a legislação as hipóteses de superação deste momento de juntada. A prova que se demonstre complexa e que possa ocasionar a necessidade de perícia contábil ou diligências, não pode ser admitida sua juntada em fase recursal. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado
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O lançamento arbitrado de contribuições previdenciárias é próprio quando há indícios de que os documentos apresentados pelo contribuinte não correspondem à expressão da verdade. PROVAS JUNTADAS EM FASE RECURSAL. COMPLEXIDADE DA PROVA. PRECLUSÃO. O §4º do art. 16, do Decreto 70.235/72, estabelece que a prova deve ser juntada no momento da impugnação, sob pena de preclusão, bem como refere a legislação as hipóteses de superação deste momento de juntada. A prova que se demonstre complexa e que possa ocasionar a necessidade de perícia contábil ou diligências, não pode ser admitida sua juntada em fase recursal. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 03 78 /2 00 9- 06 Fl. 770DF CARF MF Processo nº 12268.000378/200906 Acórdão n.º 2202004.727 S2C2T2 Fl. 771 2 Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 12268.000378/200906, em face do acórdão nº 0240.723, julgado pela 6ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), em sessão realizada em 27 de setembro de 2012, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Tratase de exigência de contribuições previdenciárias, parte patronal, em desfavor da OROS ENGENHARIA LTDA., cuja apuração da massa salarial se deu através da área construída e do padrão de obras de construção civil. As obras de construção civil dizem respeito ao Conjunto Habitacional Joinville, à Escola Professora Nair S. Pinheiro e ao Cine Teatro Imperial da Lapa. O sujeito passivo apresentou impugnação com os seguintes argumentos, às fls. 226/250: Que o auditor fiscal não expressou qual teria sido a conduta praticada pela impugnante a justificar a subsunção às normas de arbitramento, a dizer, os §§ 3º, 4º e 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212, de 1991. Alega isso dizendo que o auditor fiscal não provou que a impugnante teria recusado a apresentar os documentos contábeis, ou têlos apresentado de forma deficiente; que não provou que deixou de haver prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução da obra; bem ainda que não desclassificou a contabilidade da empresa. Em verdade, segundo as palavras da impugnante, não se tratou de exame individualizado de um dado contribuinte, mas de um trabalho padronizado que é utilizado em qualquer fiscalização de construtora ou de obra de construção civil. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 12268.000378/200906 Acórdão n.º 2202004.727 S2C2T2 Fl. 772 3 Prossegue dizendo que sempre colocou à disposição da fiscalização todos os documentos fiscais e contábeis, em perfeita ordem, e todos com preenchimento fiel aos requisitos legais. Não houve desclassificação da contabilidade, porque o auditor fiscal não provou que houve vício ou irregularidade que a tornasse imprestável para fins de fiscalização. Ao revés, utilizouse amplamente da contabilidade e dos documentos da empresa, sem apresentar sequer um vício ou irregularidade. Neste ponto, requer a produção de prova pericial contábil, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, a fim de comprovar a regularidade da sua contabilidade e demais registros fiscais e comerciais e, bem assim, para comprovar a total regularidade da mãodeobra contabilizada e efetivamente utilizada na execução das obras em questão. Diz que não foi encontrado nenhum indício de sonegação de mãodeobra, mas, sim, que o auditor fez o cruzamento de algumas informações fiscocontábeis e comparouas com os "critérios" que adotou, cujo resultado não revela nenhuma evidência de utilização de mãodeobra sem registro, ou mesmo que a obra, em exame, por suas características, não poderia ser construída com o montante de mãodeobra expresso na contabilidade. Os critérios utilizados (CUB divulgado pelo Sinduscon/PR para o projeto padrão previsto na NBR 12.721/99); e a Tabela de Composições de Preços para Orçamentos TCPO da Editora Pini Tabela Pini) somente poderiam ser utilizados se houvesse prova de que a impugnante incorreu em uma das hipóteses previstas nos §§ 3º, 4º e 6º do artigo 33 da Lei 8.212, de 1991, o que não ocorreu no caso. O fato, segundo a impugnante, é que o auditor fez foi fundar a necessidade de arbitramento no próprio arbitramento, de forma circular, ou seja, o arbitramento feito motiva a si próprio, sem necessidade de descaracterização contábil. Tratando da inaplicabilidade dos dispositivos legais, frisa que o artigo 148 do CTN não se aplica ao caso, senão somente às hipóteses em que o fato gerador do tributo é o preço dos bens, direitos serviços ou dos atos jurídicos, tal como ocorre com o ICMS, IPI, Impostos sobre Importação, Exportação, Transmissão de Propriedade, entre outros impostos que incidem sobre o patrimônio e a circulação de mercadorias. Para as contribuições sociais previdenciárias, que têm como fato gerador a remuneração paga ou creditada, a qualquer título, ao trabalhador (Constituição Federal, artigo 195, II, "a"; Lei nº 8.212, de 1991, artigo 22), o referido artigo 148 do CTN seria inaplicável. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 12268.000378/200906 Acórdão n.º 2202004.727 S2C2T2 Fl. 773 4 Na sequência, e ainda tratando dos §§ 3º, 4º e 6º do artigo 33 da Lei 8.212, de 1991, comenta que, ou bem a autoridade lançadora demonstra a omissão ou inexistência de declarações, esclarecimentos ou documentos, ou bem demonstra que esses não merecem fé, isto é, não correspondem à realidade tributável. Acrescenta que é dever, a cargo da autoridade lançadora, fazer a rigorosa demonstração das circunstâncias que impõem o abandono da aferição direta e a escolha do método de arbitramento. Diz que a aferição indireta não é uma opção, mas uma necessidade que se origina da impossibilidade de acesso aos elementos diretamente relacionados ao fato gerador do tributo e à sua base de cálculo. Na hipótese, o pagamento de salários (fato gerador das contribuições ou aspecto material da hipótese de incidência) deveria ter sido pesquisado por meio de uma série de diligências, tais como a busca de eventuais registros "paralelos" do próprio empregador, e o cruzamento de dados e de informações de diversas fontes (contratantes de serviços, órgãos públicos administrativos e jurisdicionais, etc), entre outras. Fala que a aplicação do § 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212, de 1991, que seria o único que poderia fundamentar a presente exigência, quando "a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro", deveria contar com sólidas bases objetivas como informações prestadas por terceiros ou mesmo documentos paralelos da própria empresa que infirmem os registros contábeis. Diz que os critérios com base no CUB e na Tabela Pini poderiam, quando muito, servir para o arbitramento das contribuições previdenciárias, mas isso após estarem devidamente caracterizadas as razões para tal procedimento. No caso, escreve que não foi provada qualquer omissão de remuneração como premissa para o arbitramento, na forma apontada no § 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212, de 1991, ao revés, o auditor fiscal apenas a presumiu Afirma que o auditor fiscal inverteu a ordem lógica contida no preceito legal, e presumiu a prática da omissão utilizandose de "critérios" que somente podem ser utilizados para se presumir a base de cálculo do tributo. Diz que o que deveria ser o fato provado (omissão de remuneração) é mero resultado matemático decorrente do confronto entre os “critérios” eleitos pelo auditor fiscal e os dados contidos na contabilidade da empresa, o que não corresponde à hipótese legal. Concluindo que não é idêntico o fato provado (omissão de remuneração) e o probante (omissão de 900 empregados, no Fl. 773DF CARF MF Processo nº 12268.000378/200906 Acórdão n.º 2202004.727 S2C2T2 Fl. 774 5 caso em concreto), diz que também não teria ocorrido a hipótese no tipo legal, sendo, assim, indevida a exigência. Acrescenta que, quando muito, os “critérios” utilizados pelo auditor fiscal poderiam ser indícios para se dar continuidade ao trabalho investigatório tendente a obter provas de que houve omissão de receitas, e não a indicar para uma falsa premissa, a própria omissão de receitas, que é um fato inexistente. Na hipótese dos §§ 3º e 4º do artigo 33 da Lei 8.212, de 1991, fala que deveria o auditor fiscal ter provado a recusa ou sonegação de documento ou informação (ou sua apresentação deficiente) ou ter provado que a empresa deixou de comprovar, por meios formais e regulares, o montante dos salários pagos. Acrescenta, para essas hipóteses, que a fiscalização deveria desclassificar a escrita da empresa, o que não ocorreu no presente caso (e nem poderia ter ocorrido, uma vez que a contabilidade da impugnante é boa e regular, tanto assim que está requerendo a produção de perícia contábil para provar a alegação). Continuando, diz que não tendo sido provada a omissão de remuneração, não cabe falar da faculdade do arbitramento de seu montante pela autoridade tributária, com base nos critérios técnicos disponíveis. Repete que o auditor fiscal não provou qualquer pagamento à margem da contabilidade da empresa. Fala que os documentos foram colocados, a tempo e modo, à disposição do agente fiscalizador, mas foram desconsiderados sem qualquer justificativa. Aponta pelo absurdo número sugerido pelo auditor fiscal (mais de 900 empregados "por fora"), o que a levaria a ser uma das empresas campeãs de reclamatórias trabalhistas no Estado, ou mesmo no país. Diz que o auditor deveria considerar, em cada uma das subempreiteiras, a quantidade exata de mãodeobra para chegar a uma conclusão mais próxima da realidade do caso concreto. Fala que, encontrandose as receitas, custos, despesas e resultados da impugnante devidamente registrados em sua escrituração, declarados ao Fisco, e apoiados em documentação cuja idoneidade não foi questionada, a imputação de novos valores à conta de salários deveria trazer consigo a indicação da fonte de receitas ocultas (que cobririam esses custos) ou o esclarecimento se as despesas e os custos contabilizados estariam sendo glosados e reclassificados como salários. Considerando que todas as obras executadas são de propriedade do Poder Público, e contratadas através de rigoroso processo de licitação regulamentado na Lei Federal nº 8.666, de 1993, Fl. 774DF CARF MF Processo nº 12268.000378/200906 Acórdão n.º 2202004.727 S2C2T2 Fl. 775 6 afirma que a contabilidade da impugnante é íntegra e reflete a realidade dos fatos, ou seja, o montante real que foi utilizado para a remuneração da mãodeobra. Em outro tópico, a impugnante trata das soluções de engenharia dizendo que a economia de mãodeobra foi acentuada. Para tanto, diz que, cada dia mais, as construtoras buscam soluções para reduzir os custos de mãodeobra, apostando em matériaprima pronta e de fácil aplicação, e na contratação de fornecedores que ofereçam a opção de contrato do material já “aplicado". Por isso, a média geral constante do CUB Custo Unitário Básico, ditado pelos Sindicatos do Setor, e em tabelas setoriais (como a Tabela Pini), encontrase intensamente defasada, além de não ser dotada da especificidade necessária para aferir os gastos. Afirma que os “critérios” utilizados pelo auditor fiscal não podem ser considerados para toda e qualquer obra, e isto por duas razões básicas: 1) A primeira, porque tanto o CUB como a Tabela Pini ainda não agregaram todas as técnicas construtivas modernas e industrializadas, atendose a técnicas que são utilizadas em pequenas obras ou por construtores que ainda não detém a especialização necessária à execução de obras industrializadas; 2) A segunda, porque tanto o CUB como a Tabela Pini consideram fatores que podem ou não ocorrer em uma obra, entre eles a mãodeobra necessária para transporte interno de materiais na obra, a necessidade de ajudantes (serventes, p.ex.) para auxiliar várias funções (pedreiro, pintor, azulejista, etc), que antes deles necessitavam e que hoje não mais são necessários, tendo em vista a utilização de equipamentos modernos. Comenta que a fiscalização utilizou a tabela PINI TCPO (Tabelas de Composições de Preços para Orçamentos Editora Pini) e considerou o valor obtido para determinar os valores que deveriam ter sido recolhidos a título de contribuição previdenciária. Todavia, segundo a impugnante, a TCPO apresenta para suas composições estimativas de coeficientes de produtividade de cada operário, sendo que a própria tabela, nos seus capítulos referentes à produtividade variável, deixa clara a grande variação que pode ocorrer na produtividade da mãodeobra conforme variam as condições (diversas tecnologias de execução, diversos ambientes de trabalho maior ou menor utilização de equipamentos, diversos níveis de treinamento de operários, diversos níveis de controle de desperdício de tempo de execução, entre outras peculiaridades. Com isso, para algumas atividades em obra de construção, a impugnante exemplifica grandes variações de produtividade concluindo que a própria tabela considerada já Fl. 775DF CARF MF Processo nº 12268.000378/200906 Acórdão n.º 2202004.727 S2C2T2 Fl. 776 7 deixaria claro que o resultado obtido pela aplicação dos coeficientes da TCPO não poderia ser considerado como verdade absoluta como fez a fiscalização no presente caso. Em seu pedido, requer a improcedência do auto de infração determinando o seu arquivamento. Requer, ainda, a produção de prova pericial contábil, nos termos artigo do 16, IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, a fim de comprovar a regularidade de sua contabilidade e demais registros fiscais e comerciais e, bem assim, para comprovar a total regularidade da mãodeobra contabilizada e efetivamente utilizada na execução da obra em questão. Por fim, protesta pela apresentação de razões complementares tendo em vista que no exíguo prazo de impugnação não foi possível ultimar os trabalhos técnicos que visavam contestar as conclusões contidas no auto de infração. O processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, tendo em vista a Portaria SUTRI nº 3.237, de 12.08.2011, publicada no DOU de 15.08.2011.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo, assim o crédito tributário lançado, na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 434/456, reiterando, as alegações expostas em impugnação. Junta, em anexo ao recurso, documentos às fls. 458/762. Na fl. 765 o contribuinte apresentou Petição Complementar ao Recurso Voluntário, devido ao erro material nele contido. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Documentos juntados em fase recursal. A perícia e as diligências requeridas foram indeferidas pela DRJ de origem, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Além disso, não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, o que resulta na desconsideração do pedido eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. Fl. 776DF CARF MF Processo nº 12268.000378/200906 Acórdão n.º 2202004.727 S2C2T2 Fl. 777 8 Ademais, a solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Descabe, ainda, a inversão do ônus da prova. Os documentos juntados pelo contribuinte em fase recursal, às fls. 458/762, demandariam análise pela primeira instância, podendo inclusive, antes do julgamento de primeira instância, ser determinada perícia ou diligências. No entanto, a chegada aos autos de documentos, com mais de 300 páginas, que demandariam uma análise contábil, impedem que sejam recebidos como prova do alegado. Ocorre que o Decreto nº 70.235/72 estabelece no 4º do seu art. 16 que: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (grifouse) Não sendo demonstrado pela contribuinte alguma das hipóteses das alíneas acima, entendo por não receber os documentos nesta fase recursal, por preclusão. No presente caso, não há como superar o disposto no art. 16, §4º, do Decreto 70.235/72 em razão do princípio da verdade material ou do formalismo moderado, haja vista a complexidade da prova juntada, que deveria ter sido previamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, sob pena de violação inclusive do duplo grau de jurisdição. 2. Mérito A contribuinte alega que o auditor fiscal não desclassificou a contabilidade da empresa (não apresentou sequer um vício ou irregularidade); não encontrou nenhum indício de sonegação de mãodeobra; bem como não provou que a empresa teria recusado a apresentar os documentos contábeis, ou têlos apresentado de forma deficiente. De fato, quanto à contabilidade da empresa, o auditor não a desclassificou, mas verificou que a mesma, a partir de julho de 2005, passou a contabilizar os custos das obras, objeto do lançamento, em contas genéricas. Entendeu a DRJ de origem, em relação às obras em questão, a documentação da empresa já seria deficiente a provar a seu favor, consideração o conceito de deficiente previsto na legislação previdenciária (§ 3º do art. 33 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, c/c o parágrafo único do art. 233 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 6 de maio de 1999), bem assim o que prescreve o art. 226 do Código Civil (Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002), vez que a escrita do contribuinte apresentaria vício intrínseco, contrário ao estabelecido no inciso II do art. 32 da citada Lei 8.212, a impossibilitar Fl. 777DF CARF MF Processo nº 12268.000378/200906 Acórdão n.º 2202004.727 S2C2T2 Fl. 778 9 à fiscalização a perfeita identificação dos fatos geradores, no caso, a real mãodeobra empregada na execução das obras de construção civil. O voto da DRJ de origem é abaixo transcrito, no tocante a este ponto: "(...) podemos dizer que o trabalho fiscal não foi calcado em meras ocorrências de vícios formais na escrita contábil do contribuinte, mas por esta ser omissa e não merecer fé quanto à real mãodeobra utilizada. Assim, com base nos §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei 8.212, de 1991, e em razão da contabilidade do contribuinte não registrar a real remuneração dos segurados, é que se aferiu o montante dos salários pagos em execução de obra de construção civil mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída, e conforme critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do § 4º do referido artigo 33. Mas qual foi o motivo de a contabilidade do contribuinte não merecer fé? Não foi, de acordo com os autos, por falta de lançamento de documentos de despesas encontrados na empresa, e nem por existência de escrita paralela comprovada, mas pela constatação da impossibilidade de execução das obras de construção civil por meio dos empregados declarados em GFIP’s e em folhas de pagamento, sendo isso respaldado, também, pela letra “c” do inciso IV do artigo 597 da Instrução Normativa nº 03, de 14 de julho de 2005. De acordo com o princípio “da universidade dos fenômenos patrimoniais”, a escrita contábil deve ser a expressão da realidade para o conhecimento da sociedade, e não uma ilusão com meros contornos daquilo que interessa apenas ao empresário. Partindo dessa premissa, não há impedimento de que a fiscalização busque a verdade, que, através do conhecimento do provável (projeto padrão previsto na NBR 12.721, de 1999, e na Tabela de Composições de Preços para Orçamentos TCPO da Editora Pini), possa se conhecer o verdadeiro fato jurídico, considerando que não se é possível conhecer a coisa em si, mas como ela se manifesta, o fenômeno (Teoria da verdade pelo fenomenalismo). Observase que aqui a regra é a da presunção legal relativa, admitida no Sistema Tributário Nacional para conferir certeza jurídica a algo que é provável, mas, todavia, de difícil realização de sua prova direta. Nessa razão, basta ao fisco apresentar os fatos indiciários, e ao contribuinte demonstrar o desacerto fiscal. A hipótese, pois, é de suspeita da veracidade das declarações do sujeito passivo, e, como tal, a administração tributária tem o Fl. 778DF CARF MF Processo nº 12268.000378/200906 Acórdão n.º 2202004.727 S2C2T2 Fl. 779 10 deverpoder de arbitrar a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. Esse deverpoder encontrase previsto na combinação dos §§ 3º, 4º e 6º do artigo 33 da Lei 8.212, de 1991, considerando, à vista dos elementos técnicos apresentados pela fiscalização, não merecer fé os documentos da empresa auditada. Pois bem, para o caso em análise, e para todas as obras objeto da autuação, a fiscalização apurou baixa mãodeobra utilizada em comparação com o padrão SINDUSCON PR, bem assim baixo índice de horas alocadas necessárias para a execução dos serviços, segundo a Tabela de Composições de Preços para Orçamentos TCPO da Editora Pini. Ainda, consoante o trabalho fiscal, os índices de custo e de produtividade demonstrados pela empresa auditada chegaram à ordem de 64% (sessenta e quatro por cento) e de 80% (oitenta por cento) abaixo dos padrões necessários à execução das obras. Percebêse, então, que o procedimento de aferição não foi motivado por si mesmo, porque não se arbitrou em razão de que os índices não corresponderiam ao previsto nos padrões SINDUSCON PR e/ou TCPO da Editora Pini, mas sim em razão do alto desvio padrão em relação à mãodeobra necessária para a execução de todos os serviços contratados. Com isso, entender a impugnante que seria um absurdo o número sugerido pelo auditor fiscal de mais de 900 empregados por fora não significa desacerto da fiscalização, pelo contrário, significa que existem indícios fortes de que a mãodeobra necessária para as execuções dos serviços não foi formalmente declarada, autorizando, pois, o procedimento de aferição com base na área construída e no padrão da obra. Passado a fase dos motivos que deram suporte à aferição, estabelecendo, assim, o possível fato jurídico, chegamos à fase de presunção e certeza do crédito tributário, que comporta prova em contrário, segundo o parágrafo único do art. 204 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) c/c os citados parágrafos do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991. Todavia, a defesa, para firmar que é plena a contabilização da mãodeobra utilizada, apenas diz que as obras executadas são todas de propriedade do Poder Público, e que, portanto, existem documentos formais, emitidos pelos Municípios contratantes quanto pela empresa executora, que refletem a realidade específica da cada obra, não sendo pertinente que se utilize um índice, como o CUB, em substituição aos dados oficiais constantes dos editais de licitações e dos contratos de empreitada firmados pelo próprio poder público. Ora, se os índices de Custo Unitário Básico CUB, dos SINDUSCON, são utilizados por empresas de engenharia para um orçamento inicial em obras de edificação, e até como índice de reajuste de contratos, por qual razão os valores apurados Fl. 779DF CARF MF Processo nº 12268.000378/200906 Acórdão n.º 2202004.727 S2C2T2 Fl. 780 11 pela fiscalização são tão discrepantes da “realidade” da impugnante? Segundo a impugnante, é em razão de que, para as obras em exame, houve acentuada redução de mãodeobra através de modernas soluções de engenharia, essas ainda não previstas na tabela CUB e na tabela Pini. Já que é assim, caberia a impugnante ter demonstrado quais foram essas soluções de engenharia, efetivamente utilizadas em suas obras, e que desqualificariam todo o trabalho técnico fiscal, muito embora isso seja de difícil comprovação, vez que não existem equipamentos a substituir a mãodeobra na confecção de formas de madeira para estruturas em concreto, na elevação de alvenaria em tijolo, no revestimento de paredes, bem assim no trabalho de pintura em obras de edificações típicas, como são as situações apresentadas nos anexos fiscais de fls. 60/137. Dito isso, não podemos afastar os critérios da fiscalização pela utilização do CUB e da Tabela Pini, uma vez que não estamos diante de técnica construtiva moderna e industrializada de engenharia civil, a exemplo de edificações préfabricadas (industrializadas), em estruturas, e/ou em paredes de fechamento. A impugnante ainda argumenta que seria inadequada a Tabela Pini TCPO em razão de a mesma apresentar variações em função de diversas tecnologias de execução, diversos ambientes de trabalho maior ou menor utilização de equipamentos, diversos níveis de treinamento de operários, diversos níveis de controle de desperdício de tempo de execução, entre outras peculiaridades, não podendo, assim, ser verdade absoluta os coeficientes daquela tabela na realização do trabalho fiscal. Voltamos a aqui dizer que o trabalho fiscal não tem contornos de prova absoluta, e que ainda admite prova em contrário. Todavia, a impugnante não foi capaz de demonstrar que as horas orçadas, segundo a Tabela Pini TCPO, não foram condizentes com a sua situação, que, inclusive, dizem respeito a obras típicas de construção civil. Logo, não será a mera alegação de defesa, e sem elementos consistentes, que irá desabonar a fiscalização, mas sim trabalhos técnicos a demonstrar que a mãodeobra declarada em GFIP’s e em folhas de pagamento está de acordo com a realidade da empresa." Compartilho do entendimento adotado pela DRJ de origem. Compreendo que não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Conclusão. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 12268.000378/200906 Acórdão n.º 2202004.727 S2C2T2 Fl. 781 12 Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 781DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000266/2005-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
IPI. CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO.
O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, deve se referir apenas aos créditos decorrente de aquisições efetivadas e escrituradas no trimestre a que se refere. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 IPI. CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO. O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, deve se referir apenas aos créditos decorrente de aquisições efetivadas e escrituradas no trimestre a que se refere. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1386; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 425 1 424 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.000266/200544 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.078 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de agosto de 2018 Matéria IPI Recorrente IND E COM DE COLCHÕES CASTOR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 IPI. CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO. O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, deve se referir apenas aos créditos decorrente de aquisições efetivadas e escrituradas no trimestre a que se refere. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 02 66 /2 00 5- 44 Fl. 425DF CARF MF Processo nº 13830.000266/200544 Acórdão n.º 3301005.078 S3C3T1 Fl. 426 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 403 a 406) interposto pelo Contribuinte, em 17 de janeiro de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1438.626 (fls. 387 a 391), de 19 de setembro de 2012, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 348 a 366). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que parcialmente reconheceu o montante do saldo credor a ser ressarcido e, consequentemente, homologou apenas parte das compensações declaradas. Segundo a manifestante a glosa de parte do saldo credor não tem fundamento legal, pois, são créditos líquidos e certos apurados em trimestre anterior e regularmente transferidos para o trimestre em questão, ademais, ainda que houvesse qualquer vedação ao aproveitamento de créditos apurados em trimestre anterior, conforme sua análise e interpretação da legislação. Ademais, o ato administrativo seria nulo pela existência de máfé na conduta administrativa, in verbis: A Lei n° 9.784/99, já citada, traz em seu art. 49, o seguinte designo: "Art. 49. Concluída a instrução de processo administrativo, a Administração tem o prazo de até trinta dias para decidir, salvo prorrogação por igual período expressamente motivada." (destaques da Manifestante) No presente caso, a intimação do contribuinte ora Manifestante percorreu o interregno de mais de seis (06) meses, desde a data da decisão proferida no Despacho Decisório DRF/MRA n° 2007/890 (30110/2007) e a efetiva ciência, em 30/04/2008. Ocorre que tal lapso provocou a fluência do prazo decadencial disposto no art. 168, inc. I, do CTN, nos seguintes termos: "Art. 168. 0 direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;" (destaques da Manifestante) Assim, é factível se afirmar a existência de máfé por parte da administração no presente processo, pois o Despacho Decisório DRF/MRA n° 2007/890, que não homologou a compensação, foi proferido em 30/10/2007, e se fosse prontamente comunicado, tal como manda o art. 49, da Lei n° 9.784/99, Fl. 426DF CARF MF Processo nº 13830.000266/200544 Acórdão n.º 3301005.078 S3C3T1 Fl. 427 3 permitiria que o contribuinte ingressasse com novo PER/DCOMP, exclusivamente relativo ao 1° Trimestre de 2003, para regularizar o procedimento de aproveitamento dos créditos de/ I PI. Av kin Naulma, 1490 Conj. 1400 CE.P 01311 ,)2e, são Pa:;k3s ,P re!' (i'03262•1023 Fm'. ) 3a:11230 (3 GONCALVES ADVOGADOS Todavia, se verifica pela leitura do art. 168, inc. I, do CTN, esse prazo se esgotou, por pura desídia da D. Autoridade Fiscal. 0 crédito tributário se extingue com pagamento, ou seja, ao final de cada mêscalendário, quando se apura eventual saldo do IPI. A partir dessa data, iniciase o prazo para eventual compensação desse saldo com outros tributos devidos à Secretaria da Receita Federal. Porém, fácil observar que, como a intimação somente foi realizada em 30/04/2008, transcorreu o prazo qüinqüenal para se realizar essa compensação, uma vez que os saldos se referem ao 1º Trimestre de 2003, ou seja, de janeiro a março do citado ano. Ora, houvesse a D. Autoridade Fiscal cumprido a lei, qual seja, o art. 45, da Lei n° 9.784/99, e nenhum prejuízo seria imposto ao contribuinte, tal como ocorre no presente caso, com a glosa dos valores relativos ao saldo de IPI apurado no 1º Trimestre de 2003. Frente a negativa do pleito pela decisão ora recorrida, o Contribuinte ingressou com o Recurso Voluntário para reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1438.626 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado recurso pretende reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 IPI. CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO. O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, deve se referir apenas aos créditos decorrente de aquisições efetivadas e escrituradas no trimestre a que se refere. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 427DF CARF MF Processo nº 13830.000266/200544 Acórdão n.º 3301005.078 S3C3T1 Fl. 428 4 A questão central referese ao pedido de ressarcimento de IPI e/ou compensação com débitos de tributos efetuado por intermédio de PER/DCOMP, referente ao 2º trimestre de 2003 no valor de R$ 450.114,62, sendo glosado pela autoridade administrativa fiscal o valor de R$ 135.610,44, valor este referente ao saldo acumulado do 1º trimestre de 2003. O Contribuinte em seu recurso assim expõe textualmente (fl. 405): (...) Já o entendimento da administração fiscal é no sentido contrário e cito trechos para bem elucidar sua posição e como razões para decidir (fls. 389 e seguintes): A legislaca̧õ de regência do IPI (Decreto no 2.637/98) determina que o saldo credor de um período de apuraca̧õ pode ser transferido a período seguinte, para ser utilizado Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13830.000266/200544 Acórdão n.º 3301005.078 S3C3T1 Fl. 429 5 no abatimento de débitos de IPI de períodos posteriores. No entanto, a utilizacã̧o deste saldo para ressarcimento e compensacã̧o não está estipulada no regulamento do IPI e sim no artigo 74 da Lei no 9.430, de 1996, e nos atos legais (Instruções Normativas) que regulamentam o ressarcimento e a compensação. O dispositivo legal que autoriza a utilização de saldo credor de IPI para ressarcimento e compensação com débitos de outros tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, consta do art. 11 da Lei no 9.779/1999, in verbis: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. (grifei) Atendendo ao comando do supracitado dispositivo, a Secretaria da Receita Federal editou uma série de atos normativos, regulamentando os pedidos de ressarcimento de créditos de IPI e a sua compensação com outros tributos e contribuicõ̧es. Na vigência da Instrução Normativa (IN) no 21, de 1997, não havia qualquer obste ao aproveitamento de saldos credores de períodos anteriores ao trimestre de apuração. No entanto, com as mudanças legislativas no instituto do ressarcimento e da compensação feitas com a edição da Medida Provisória no 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei no 10.637/2002), houve alteração neste quadro. A Instrução Normativa (IN) SRF no 210, de 4 de outubro de 2002, (vigente à época da transmissão do PER/DCOMP objeto da homologação parcial de compensação de que trata o presente processo), trazia em seu art. 14 e parágrafos: Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislacã̧o específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. §1o Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: (...) § 2o Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1o, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante utilização do "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", bem assim utilizálos na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa. (grifamos) § 3o São passíveis de ressarcimento apenas os créditos presumidos do IPI a que se refere o inciso I do § 1o, apurados no trimestrecalendário, excluídos os valores recebidos por transferen̂cia da matriz, e os cred́itos relativos a Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13830.000266/200544 Acórdão n.º 3301005.078 S3C3T1 Fl. 430 6 entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestrecalendário. (grifamos) Posteriormente, a IN SRF no 210/2002 foi revogada pela IN SRF no 460, de 2004, que manteve, em seu art. 16 e parágrafos, as mesmas regras anteriores. Sucedendo a IN SRF no 460, sobrevieram as instruções normativas no 600, de 2005, e 900, de 2008, todas elas dispondo que, dos créditos relativos a entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, somente são passíveis de ressarcimento aqueles escriturados no trimestrecalendário referente à solicitação. Portanto, após a entrada em vigor da IN no 210/2002, somente é passível de ressarcimento o saldo credor composto pelos créditos escriturados no trimestre em referência. Ou seja, o saldo credor acumulado de trimestres anteriores não pode ser utilizado para ressarcimento relativamente àquele trimestre a que se refere o pedido. Assim, cada PER/DCOMP deve ter como saldo credor passível de ressarcimento apenas aquele do trimestre indicado como trimestre de referência (trimestre de apuração). A época da entrega à Receita Federal do PER/DCOMP pela contribuinte já vigia a Instruçaõ Normativa SRF no 210, de 2002, onde se estabelecia a limitaçaõ do ressarcimento de créditos de IPI ao trimestrecalendário. Além disso, as normas que regem o programa PER/DCOMP são esclarecedoras quanto às regras de preenchimento. Concluise, então, que o mecanismo de apuraçaõ do saldo credor, aplicado pela autoridade fiscal, está de acordo com a legislacã̧o em vigor, conforme já discorrido em detalhes. Para bem precisar os fatos, assim constou no Despacho Decisório DRF/MRA nº 2007/690, de 30 de outubro de 2007 (fls: 320): Assim, do total de R$ 450.114,62, do crédito aventado como ressarcimento — consignado no PER/DCOMP aquela Seção, A vista das informações e documentos (fisco contábeis) exigidos do interessado e das pesquisas diversas efetuadas, opinou pela legitimidade parcial do saldo credor de IPI, acumulado no 2° trimestre de 2003, no importe de R$ 314.504,18, porquanto R$ 135.610,44 sendo objeto de credito glosado, conforme informação fiscal exarada As fls. 299/300, a qual transcrevemos em parte: "3 0 presente processo tem por objeto as PER/DCOMP(s) para aproveitamento do saldo credor de IPI do 2° trimestre/2003 que, de acordo ... de IPI é de RS 314.504,18, entretanto, o contribuinte está pleiteando o valor de R$ 450.114,62. Confrontando as informações constatamos que a diferença de RS 135.610,44 entre o saldo credor do 2° trimestre e o ressarcimento solicitado, referese ao saldo credor do período de apuracã̧o anterior, ou seja, do 1º trimestre/2003, que o contribuinte erroneamente incluiu neste processo sem que antes houvesse formalizado uma PER/DCOMP do 1º trimestre, onde seriam prestadas as informações obrigatórias e indispensáveis à análise fiscal, como a relação das notas fiscais de entrada do 1° trimestre e a discriminacã̧o dos registros do Livro de IPI do período." (destacamos) (...) Posto isso, PROPOMOS: Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13830.000266/200544 Acórdão n.º 3301005.078 S3C3T1 Fl. 431 7 O RECONHECIMENTO PARCIAL do direito creditório do contribuinte no valor de RS 314.504,18 (trezentos e catorze reais e quinhentos e quatro reais e dezoito centavos), correspondente ao saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acumulado no 2° trimestre de 2003, arrimado no artigo 11, da Lei n° 9.779/1999, disciplinado pela IN SRF n° 33/1999, consentâneo à informação fiscal da SAFIS (antiga FIANA), as fls. 299/300; sendolhe glosado o importe de RS 135.610,44 (cento e trinta e cinco mil e seiscentos e dez reais e quarenta e quatro centavos), vez que o interessado pretendia ser correspondente ao saldo credor do IPI, acumulado no aludido trimestre, com base no artigo 11, da Lei n° 9.779/1999, disciplinado pela IN SRF n° 33/1999, contudo essa importância referese ao saldo credor do periodo de apuração anterior (1° trimestre de 2003), conforme informaçaõ fiscal da SAFIS, as fls. 299/300; (grifouse). Constatase na análise do processo que de fato o Contribuinte cometeu um erro procedimental, o que admite em seu recurso, em solicitar um pedido de ressarcimento e ou compensação referente ao saldo credor do 2º trimestre de 2003 e neste incluir saldo credor do período de apuração anterior, no caso do 1º trimestre de 2003. Assim entendo correto a glosa efetuada no Despacho Decisório, pois não há como a autoridade administrativa fiscal neste processo concernente ao 2º trimestre de 2003 aferir, com a devida análise das notas fiscais e dos registros do Livro de IPI, de um período sem que houvesse a formalização em uma PER/DCOMP. Portanto, de acordo com os autos do processo e da legislação aplicável, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 431DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.949440/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE.
O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 94 40 /2 00 8- 18 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.949440/200818 Acórdão n.º 3402005.452 S3C4T2 Fl. 3 2 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata o presente processo de análise de PER/DCOMP apresentado pela interessada, através da qual requer o ressarcimento de crédito de IPI. A autoridade administrativa prolatou Despacho Decisório eletrônico, por meio do qual indeferiu o pedido de ressarcimento apresentado no PER/DCOMP, com a seguinte fundamentação: Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma da decisão, pelas seguintes razões, em síntese: · Preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por ter sido emitido por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e não pela autoridade competente prevista no art. 43 da IN SRF no 600/2005; · nulidade do despacho decisório pela falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.949440/200818 Acórdão n.º 3402005.452 S3C4T2 Fl. 4 3 · nulidade do despacho decisório pela inexistência de motivação demonstrando as razões do indeferimento do pedido, resultando em cerceamento do direito de defesa. · No mérito, alega possuir o direito ao ressarcimento; · requer a correção do ressarcimento pela SELIC; · requer a realização de perícia e diligência, informando que não juntou os documentos comprobatórios do direito creditório por serem em grande quantidade. Por meio do acórdão nº 14035.091,a DRJ em Ribeirão Preto não acolheu as razões de defesa da manifestante, e manteve o Despacho Decisório da DERAT/SP. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando as alegações de sua manifestação de inconformidade, em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida pelo indeferimento do pedido de perícia e diligência e pela falta de apreciação de relevante questão; (ii) incompetência do AFRFB; (iii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; (iv) inexistência de motivação; (v) cerceamento do direito de defesa. No mérito, alega (vi) o seu direito ao ressarcimento; e (vii) a correção pela SELIC. Requer (viii) a realização de diligência e perícia. Requer o acolhimento e provimento do recurso, para reconhecimento do direito creditório pleiteado; subsidiariamente, requer o cancelamento do Despacho Decisório e a emissão de nova decisão; cancelamento do Acórdão recorrido por ter negado seu direito à realização de perícia e diligência; e reconhecimento da incidência da Taxa SELIC sobre o valor dos créditos do IPI pleiteados, bem como a homologação das compensações realizadas até o montante do crédito cujo ressarcimento for reconhecido administrativamente. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.440 de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.933860/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.440): Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.949440/200818 Acórdão n.º 3402005.452 S3C4T2 Fl. 5 4 "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Em sede de preliminar a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida e do Despacho Decisório. Preliminar de nulidade da decisão recorrida A recorrente alega nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, baseada em dois argumentos: (i) indeferimento dos pedidos de perícia e diligência formulados; e (ii) não apreciação de parte dos argumentos de defesa. Referente ao primeiro argumento, a recorrente alegou que a negativa de seu pedido de perícia e diligência formulado na impugnação cerceou seu direito de defesa, especialmente pela quantidade de documentos envolvidos que inviabilizou a anexação dos mesmos nos autos. Alega que tais documentos dariam suporte documental para o reconhecimento de seu direito creditório. A turma julgadora a quo entendeu que não se encontrava presente as condições para o deferimento dos pedidos de diligência e produção pericial formulados, com fundamento nos artigos 18 e 28 do Decreto 70.235/72, a seguir transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93) Perfeitamente fundamentada a decisão, não há que se considerar qualquer nulidade na decisão. O julgador a quo entendeu que seria desnecessária a perícia solicitada pela impugnante, por entendêla Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.949440/200818 Acórdão n.º 3402005.452 S3C4T2 Fl. 6 5 dispensável para o deslinde do julgamento. Recordese que a realização de perícia somente se justifica se a análise do acervo probatório exige conhecimento técnico especializado. E essa condição, inequivocamente, não se vislumbra no caso em tela, uma vez que as provas necessárias à comprovação do direito creditório pleiteado cingemse a documentos fiscais e contábeis, cuja análise prescinde do parecer de especialista. Quanto ao segundo argumento, de nulidade da decisão pela falta de apreciação de questões levantadas na Manifestação de Inconformidade (item II.1.1 A Incompetência do AFRFB e item II.1.3 A Inexistente Motivação), também não assiste razão à recorrente. Consta expressamente do voto condutor do acórdão recorrido, no subtítulo “preliminares” a expressa manifestação da turma julgadora sobre a autoridade competente para a assinatura do Despacho Decisório e sobre a motivação para a glosa do crédito, conforme constatase pela simples leitura dos seguintes excertos da decisão: “A manifestante requer a nulidade do despacho decisório que indeferiu totalmente o pedido, alegando cerceamento do direito de defesa, pois não haveria a motivação para a glosa dos créditos. Improcedente a alegação da contribuinte, pois não houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária. [...] Também não procede a alegação de que o Despacho Decisório é nulo porque não foi assinado por autoridade competente. Como se verifica à fl. 40, o Despacho foi assinado pelo titular da DERAT/São Paulo. O que confundiu a manifestante é que os cargos de Delegado são ocupados por auditores da Receita Federal. Assim, além de auditor, o signatário do Despacho é também o titular da DERAT.” Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade da decisão recorrida. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A recorrente alega nulidade do Despacho Decisório com base em dois argumentos: (i) incompetência do AFRFB; (ii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; e (iii) inexistência de motivação e cerceamento do direito de defesa. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.949440/200818 Acórdão n.º 3402005.452 S3C4T2 Fl. 7 6 Quanto ao primeiro argumento, de incompetência do AFRFB, a recorrente demonstra seu total desconhecimento da estrutura funcional da Secretaria da Receita Federal do Brasil, visto que a autoridade administrativa titular da unidade (DERAT/SP) é um AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e, por isso, consta tal cargo no Despacho Decisório emitido pela unidade. Ou seja, o documento foi assinado pela autoridade competente (Delegado da DERAT), cujo cargo era AFRFB. A recorrente alega também a nulidade pela falta de intimação para sua manifestação sobre o fim da instrução, fato que teria descumprida uma formalidade essencial prevista no artigo 44 da Lei n° 9.784/99, verbis: Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente, visto que a norma específica que rege o Processo Administrativo Fiscal é o Decreto 70.235/72, aplicandose apenas subsidiariamente as regras da Lei n° 9.784/99. No caso em questão, inexiste tal determinação no PAF, que dispõe sobre a intimação em seu artigo 23, e sobre o prazo para a impugnação em seu artigo 15. Quanto à alegação de nulidade do Despacho Decisório pela inexistência de motivação, a decisão a quo já destacou sua total improcedência, e nenhuma outra razão foi trazida à lide. Expressamente o Despacho Decisório informa o fundamento da negativa do direito creditório pleiteado: “Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP”. Também foi trazido aos autos pela autoridade fiscal o "Demonstrativo da apuração após o período do ressarcimento", detalhando como ocorreu a utilização do saldo credor do trimestre no abatimento de débitos em períodos subsequentes. Dessa forma, nenhum vício de motivação ou mesmo qualquer cerceamento de direito de defesa pode ser imputado ao Despacho Decisório, que trouxe as informações necessárias para o pleno conhecimento das razões do fisco no indeferimento do pleito. Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade do Despacho Decisório. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.949440/200818 Acórdão n.º 3402005.452 S3C4T2 Fl. 8 7 Mérito No mérito, a recorrente alega seu direito ao ressarcimento do crédito do IPI pleiteado no Pedido de Ressarcimento e a devida correção pela SELIC. Entretanto, não apresenta nenhuma prova de seu direito. Conforme já exposto, a glosa ocorreu pela constatação de utilização integral saldo credor passível de ressarcimento entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior à data de transmissão da PER/DCOMP, conforme demonstrativo de apuração emitido juntamente com o Despacho Decisório. Transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido, que traz a apreciação do julgador acerca da questão, fundamentos que adoto no presente voto: “A verificação eletrônica da legitimidade do valor pleiteado pelo contribuinte consiste no cálculo do saldo credor de IPI passível de ressarcimento apurado ao fim do trimestre calendário a que se refere o pedido. Outra verificação consiste em analisar se esse saldo se mantem na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP. Constatada a utilização integral ou parcial do saldo credor existente no final do trimestre, glosase a diferença encontrada. O fundamento para tal procedimento está baseado no sistema de apuração e utilização dos créditos do imposto, em conformidade com o artigo 195, do RIPI/2002: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, §3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). §1º. Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no §2º. (Lei n°5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei n°9779, de 1999, art. 11). §2º. O saldo credor de que trata o §1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.949440/200818 Acórdão n.º 3402005.452 S3C4T2 Fl. 9 8 MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei n2 9.779, de 1999, art. 11). Certo é que o saldo credor de IPI apurado em um determinado trimestre e utilizado para abatimento de débitos de trimestres posteriores exaurese e, por conseguinte, não pode ser ressarcido. Caso contrário, a contribuinte deveria recolher aqueles débitos que foram compensados com referidos créditos. Conforme se verifica no "DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO" (fls. 09/10), a totalidade do saldo credor existente no final do trimestre em referência, e que foi objeto do presente PER/DCOMP, foi consumido no abatimento de débitos e não poderia ser incluído no pedido de ressarcimento, estando corretos a glosa e o indeferimento realizados pela delegacia de origem.” Não foi trazido aos autos nenhum elemento que poderia modificar a decisão, que permanece válida em todos os seus fundamentos. Quanto ao direito à correção dos créditos pela SELIC, nada há que ser decidido pela inexistência de qualquer direito creditório passível de ser ressarcido e corrigido. Dessa forma, rejeitase as alegações da recorrente, também no mérito. Por fim, rejeitase também os pedidos de perícia e diligência apresentados na peça recursal, cujas razões foram as mesmas suscitadas na fase processual anterior e já rechaçada pela DRJ, sob o fundamento que seria desnecessária e dispensável para o deslinde do julgamento. Destacase o disposto no artigo 29 do PAF, que dispõe que as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias. Entretanto, destacase que a recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.949440/200818 Acórdão n.º 3402005.452 S3C4T2 Fl. 10 9 determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Não procede qualquer alegação que poderia justificar a total ausência de provas por parte daquele que requer o direito, mesmo aquela que aponta a quantidade de documentos envolvidos que inviabilizaria sua anexação aos autos. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Portanto, indeferese os pedidos de diligência e perícia, rejeitase os pedidos de cancelamento do Despacho Decisório e do acórdão recorrido, pelas razões acima expostas Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721562/2013-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
NULIDADE - DIREITO DE DEFESA
O lançamento não é nulo por cerceamento ao direito de defesa, em primeiro lugar, porque corresponde à fase inquisitiva; em segundo lugar, porque concretamente os fundamentos fáticos e jurídicos foram levados ao conhecimento do acusado.
DECADÊNCIA - DOLO
Uma vez caracterizado o caráter intencional da conduta, o prazo decadencial, mesmo em relação aos tributos lançados por homologação, deve ser aferido pela regra estampada no art. 173, inciso I, do CTN.
DOLO - MULTA QUALIFICADA
Tendo sido caracterizado o caráter intencional da conduta, impõe-se a qualificação da multa de ofício.
SÓCIOS E ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO. SONEGAÇÃO FISCAL E FRAUDE. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Os sócios, administradores e empresas que compõe o grupo econômico, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar o contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte os crimes de sonegação e fraude, respondem pelo crédito tributário.
Numero da decisão: 1401-002.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas para, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários da Contribuinte e dos apontados como responsáveis solidários.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADE - DIREITO DE DEFESA O lançamento não é nulo por cerceamento ao direito de defesa, em primeiro lugar, porque corresponde à fase inquisitiva; em segundo lugar, porque concretamente os fundamentos fáticos e jurídicos foram levados ao conhecimento do acusado. DECADÊNCIA - DOLO Uma vez caracterizado o caráter intencional da conduta, o prazo decadencial, mesmo em relação aos tributos lançados por homologação, deve ser aferido pela regra estampada no art. 173, inciso I, do CTN. DOLO - MULTA QUALIFICADA Tendo sido caracterizado o caráter intencional da conduta, impõe-se a qualificação da multa de ofício. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO. SONEGAÇÃO FISCAL E FRAUDE. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios, administradores e empresas que compõe o grupo econômico, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar o contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte os crimes de sonegação e fraude, respondem pelo crédito tributário.
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DECADÊNCIA DOLO Uma vez caracterizado o caráter intencional da conduta, o prazo decadencial, mesmo em relação aos tributos lançados por homologação, deve ser aferido pela regra estampada no art. 173, inciso I, do CTN. DOLO MULTA QUALIFICADA Tendo sido caracterizado o caráter intencional da conduta, impõese a qualificação da multa de ofício. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO. SONEGAÇÃO FISCAL E FRAUDE. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios, administradores e empresas que compõe o grupo econômico, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar o contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte os crimes de sonegação e fraude, respondem pelo crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas para, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários da Contribuinte e dos apontados como responsáveis solidários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 15 62 /2 01 3- 41 Fl. 4304DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de recursos voluntários oferecidos pelo contribuinte e por responsáveis tributários contra decisão da DRJ às fls. 3.8423.861. Para as peças iniciais do feito, tomo de empréstimo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de autos de infração de IRRF (fls. 874/881), lavrado por conta da existência de pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. O total do crédito tributário atingiu o montante de R$ 12.000.099,40 na data do lançamento. Do Relatório de Verificação Fiscal (fls. 793/870) retiramos os seguintes fatos, entendidos como mais relevantes: Foram apontados como responsáveis tributários os Srs. Sílvio Marques, CPF 938.083.13820; Hélio Vieira, CPF 087.991.60870; Eloizo Afonso Gomes Durães, CPF 806.302.86868; e as pessoas jurídicas SP Alimentação e Serviços Ltda, CNPJ 02.293.852/000140 e Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda., CNPJ 00.567.949/000178, pois, conforme os registros na ficha cadastral da JUCESP nº 073.172/005, sessão de 24/05/2000, o grupo “SP Alimentação” iniciou suas operações via Gourmaitre, introduzindo a Verdurama como sócia, representada pela Sra. Maria de Lourdes Dalazoana, exesposa do Sr. Eloizo. Os sucessivos registros na JUCESP apontam a troca de sócios como os Srs. Edvaldo Leite dos Santos, Sílvio Marques, Helio Vieira e a própria Sra. Maria de Lourdes Dalazoana, todos ligados ao grupo SP Alimentação. Consta na ficha cadastral da JUCESP, registro nº 855.418/1144, sessão de 27/09/2011, o bloqueio judicial pelo Sr. Juiz de Direito de Jandira/SP, vinculando a Gourmaitre ao grupo SP Alimentação, bem como os Srs. Eloizo Gomes Afonso Durães, Antônio Marques Franco, SP Alimentação, Verdurama e Ceazza Distrib. de Frutas, Verduras e Legumes Ltda. Conforme investigações efetuadas pelo GEDEC/Secretaria da Fazenda Estadual, foram lavrados autos de infração contra os contribuintes SP Alimentos e Serviços Ltda. (CNPJ 02.293.852/000140) e Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda. (CNPJ 00.567.949/00178), onde ficou evidenciado que estas duas empresas, juntamente com a Gourmaitre, faziam parte do grupo SP Alimentação, tendo em vista que (a), no período de 2007 a 2009, houve intensa movimentação financeira entre as três empresas. A análise das solicitações para a realização de transferências bancárias entre as empresas, possibilitou identificar que foram assinados cheques por Sílvio Marques (sócio da Gourmaitre) e Antonio Marques Franco, que assinaram na mesma época autorizações/solicitações para transferências bancárias da Gourmaitre, Fl. 4305DF CARF MF Processo nº 19515.721562/201341 Acórdão n.º 1401002.181 S1C4T1 Fl. 4.305 3 SP Alimentação e Serviços Ltda. e Ceazza Distribuidora de Frutas e Legumes Ltda.; (b) há registro na contabilidade de operações de empréstimos com a Verdurama e SP Alimentação; (c) o atual sócio da Gourmaitre, Sr. Silvio Marques, já foi sócio da SP Alimentação; (d) a Verdurama já foi sócia da Gourmaitre; (e) o sócio da SP Alimentação, Sr. Eloizo Gomes Afonso, foi sócio fundador da Verdurama; (f) movimentação de contas bancárias por pessoas comuns às empresas, destacandose Antonio Marques Franco e Silvio Marques; (g) o motoboy Gilmar da Silva, encarregado dos saques na “boca do Caixa” dos bancos foi o mesmo que sacava os cheques da SP Alimentação e da Verdurama. Todas as informações deste tópico encontramse detalhadas na denúncia oferecida pelo Grupo Especial de Repressão aos Delitos Econômico do Ministério Público de São Paulo a 10ª Vara Criminal da Comarca da Capital/SP (Apenso 1 fls. 2496/2574 do presente processo). – Em razão do conhecimento por parte da Receita Federal de fraudes fiscais praticados por empresas suspeitas de praticarem fraudes nas licitações de merenda escolar, dentre elas a Gourmaitre, por meio do Ofício/Defis/SPO/Comº/nº 075/2011, endereçado ao Delegado Regional Tributário – DRTC II (fls. 277/278), foram solicitados relatórios acerca da apuração da inidoneidade de empresas tidas como fornecedoras das empresas envolvidas na operação acima relatada. A secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo repassou cópia dos relatórios das empresas fornecedoras da Gourmaitre, mas comprovadamente inidôneas, sendo (a) Cenco Central de Com. de Gêneros Alimentícios Ltda., CNPJ 05.042.077/000136; (b) Cerealista Guimarães Ltda., CNPJ 06.184.172/000149; (c) Comércio varejista de Hortifrutigranjeiro Vila Sonia Ltda., CNPJ 67.893.362/000120; (d) CPA Comércio de Produtos Alimentícios Ltda., CNPJ 07.061.726/000183; (e) Moema Hortifruti Granjeiro Ltda.; CNPJ 01.616.391/000136; (f) Vinculo Distrib. de Produtos Alimentícios e Miudezas Ltda., CNPJ 08.795.471/000145 e ( g) Genova Agro Comercial Ltda., CNPJ 05.422.205/000189. Essas empresas, ou encontravamse inativas (a, b, e), ou não efetuaram operações com a Gourmaitre (c, g), ou serviram somente como fornecedora de notas fiscais inidôneas (d), ou tiveram seu nome utilizado para a confecção de notas fiscais falsas (f). – Na denúncia oferecida pelo Ministério Público Estadual, em 05/03/2012, IP nº 050.07.0951233 (fls. 2496/2574), contra diversas pessoas, dentre eles a Gourmaitre e seus sócios, foi consignado que o responsável pela obtenção das notas fiscais inidôneas foi o Sr. Baltazar Luiz de Melo, CPF 232.623.626,20, que tem endereço e domicílio em Belo Horizonte, fato que explica o porque das empresas utilizadas para a emissão de notas fiscais inidôneas e utilizadas pela Gourmaitre terem endereço nas cidades mineiras de Betim, Contagem e Belo Horizonte. – Depois de várias intimações à empresa, sócios e excontadores, foram obtidos os livros e arquivos magnéticos da contabilidade do ano de 2007, estes em padrão PDF, fora dos padrões estabelecidos pela legislação em regência. A escrituração digital dos anos de 2008 e 2009 foi obtida junto ao Sistema Público de Escrituração Digital – SPED (fls. 2575/3571). – Foram constatadas infrações à legislação tributária, relacionadas aos custos relativos aos fornecedores inidôneos, pagamentos sem causa, à apuração do PIS e da Cofins, falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL (Anexo 1 – fls. 1145/1978). – O presente processo trata de IRRF incidente sobre os pagamentos sem causa, de sorte que os fatos relacionados às demais infrações, quando não interessarem à solução do presente litígio, não serão relatados. Os autuantes apontam que ao analisarem a rubrica contábil “Fornecedores” foram identificados registros de pagamentos em nome das empresas relacionadas acima, tidas como inidôneas, nos montantes de R$ 1.059.945,50, em 2007, R$ 3.930.678,12, em 2008, e R$ 2.578.258,44. Na análise dos pagamentos das compras, foi apurado que nenhum dos cheques relacionados no Razão (Anexo 2 – Pagamentos Sem Causa IRRF Planilhas e Razão – fls. 1979/2035) foi efetivamente destinado às referidas empresas, pelo contrário, foram destinados a pessoas físicas e jurídicas sem qualquer vínculo com os supostos fornecedores constantes na escrituração contábil, acarretando fraudes. As fraudes incidentes em simulação de pagamentos a fornecedores inexistentes acarretam em crimes contra o erário Público, que deixa de tributar os reais beneficiários dos recursos desviados. Devido aos inúmeros repasses enquadrados nessa situação, foi considerada como data de pagamento, para efeito do IRRF, a data do último dia do mês de efetivo pagamento. Os registros contábeis e as cópias dos cheques referentes aos pagamentos encontramse no Anexo 3 – Cópias de Cheques Ref. Pagamentos a Fornecedores Inidôneos (fls. 2036/2335). Como não foram comprovadas as operações ou as respectivas causas dos pagamentos, foi efetuado o lançamento do imposto de renda na fonte, conforme determina o art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Fl. 4306DF CARF MF 4 – Foi aplicada a multa de 150%, conforme previsto no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pois parte das compras contabilizadas pelo contribuinte não existiram, sendo lastreadas em documentos inidôneos (notas frias). O contribuinte procurou com este subterfúgio aumentar indevidamente seus custos e despesas e a consequente redução das bases de cálculo e valores de IRPJ e CSLL, procedimento que caracteriza sonegação fiscal, nos termos do inc. I e caput do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. – Foi atribuída responsabilidade solidária dos créditos tributários a Eloizo Afonso Gomes Durães, CPF 806.302.86868; aos sócios Sílvio Marques, CPF 938.083.13820 e Hélio Vieira, CPF 087.991.60870, e as pessoas jurídicas SP Alimentação e Serviços Ltda, CNPJ 02.293.852/000140 e Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda., CNPJ 00.567.949/000178, nos termos dos arts. 124 e 135 do Código Tributário Nacional. Os Termos de Declaração de Sujeição Passiva Solidária encontramse às folhas 871 a 873. O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 3594 a 3601, alegando, em síntese, o seguinte: Nulidade do auto de infração e do termo de sujeição passiva por terem sido lavrados por pessoa incompetente, nos termos do art. 59, inc. I, do Decreto nº 70.235, de 1972, em razão da falta de assinatura do Delegado da Receita Federal de Fiscalização, ou de outorgação de poderes ao fiscal, conforme determina o art. 11, inc. IV, do referido Decreto. Embora o fisco afirme sobre a inexistência de empresas vendedoras, inabilitando os documentos fiscais da época em que ocorreram as transações comerciais, não foi o que vivenciou, pois os respectivos documentos foram entregues pelos fornecedores, bem como adotou todas as cautelas, verificando a idoneidade das empresas vendedoras. Os relatórios fiscais elaborados pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo foi que serviram de base para a declaração de inidoneidade das notas fiscais, sendo que somente algumas notas foram declaradas inidôneas. Por mais elementos que apresentasse, jamais seriam suficientes ao convencimento da Receita Federal de que houve boafé nos atos ali praticados. Mesmo que outros documentos ou nomes fossem apresentados, todo o trabalho apresentado pela Receita Federal poderia ser entendido como verdade absoluta, marginalizando o fato de que fora vítima de um ardil. Isto porque as operações foram efetivadas e as notas fiscais apresentadas. Não tendo o poder ou competência para fiscalizar atos de terceiros, limitouse, todavia, a agir com prudência em suas transações. É contribuinte de boafé, por ser presumível da situação fática que as operações efetivamente ocorreram, por isso não poderia ser penalizado com as multas ora impostas. Como o fisco somente pode tomar conhecimento da prática da ação inidônea do contribuinte no momento em que a ação está sendo praticada, ou posteriormente, e se a administração pública declara esta situação somente depois de um exaustivo trabalho, como poderia o contribuinte se antecipar aos fatos? Dessa forma restaria comprovada a sua boafé, o que excluiria a responsabilidade pela inidoneidade das notas fiscais. Nesse sentido, cita ementas do Superior Tribunal de Justiça relativas aos Resp 623.335/PR, 246.134/MG e 176.270/MG. De acordo com o art. 5º, inc. II, da Constituição Federal, ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, daí que não lhe caberia fazer buscas, pesquisas ou outras investigações no sentido que a Secretaria da Fazenda quer fazer parecer, pois só a ela caberia fazer. Do art. 59, § 1º, item 3, do RICMS00, do Estado de São Paulo, pode ser retirado o entendimento de boafé dos atos praticados, pois este dispositivo estabelece que o documento fiscal emitido por contribuinte regular perante o fisco é documento fiscal hábil, como no caso das referidas notas fiscais. Outra conclusão não se pode existir, inclusive pela exegese do art. 112 do Código Tributário Nacional, que dispõe que a lei tributária que define infrações, ou comine penalidade, interpretase de maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensões dos seus efeitos. Os pagamentos sem causa serviram de base para agravar as multas, sendo que seu aproveitamento contábil para IRRF não se deu com dolo, mas sim em virtude de mera consequência contábil, pois se os pagamentos foram contabilizados como aquisição de insumo, consequentemente seriam aproveitados como créditos de IRRF, portanto, devem ser desagravadas de tais multas. Por fim, requer que sua defesa seja julgada procedente, declarando insubsistente o auto de infração, e que a multa de ofício seja reduzida para 75%. Eloizo Gomes Afonso Durães apresentou a impugnação de folhas 3628 a 3647, alegando, em síntese: Nulidade do auto de infração e do termo de sujeição passiva por terem sido lavrados por pessoa incompetente, nos termos do art. 59, inc. I, do Decreto nº 70.235, de 1972, em razão da falta de assinatura do Delegado da Receita Federal de Fiscalização, ou de outorgação de poderes ao fiscal, conforme determina o art. 11, inc. IV, do referido Decreto. Cerceamento do direito de defesa por não ter recebido os apensos que acompanham os autos de infração e o Termo de Verificação fiscal. Com esta atitude o fisco tornou deficiente a instrução do Fl. 4307DF CARF MF Processo nº 19515.721562/201341 Acórdão n.º 1401002.181 S1C4T1 Fl. 4.306 5 processo, ferindo flagrantemente os princípios do contraditório, da ampla defesa e da segurança jurídica. Uma vez que não recebeu cópia de todos os documentos que deveriam instruir os autos de infração, viuse impossibilitado de verificar as informações constantes no processo para poder aditar documentos e prestar esclarecimentos que poderiam mudar o curso da defesa contra a injusta imposição que lhe foi feita. As informações contidas no auto de infração não são suficientes para apresentar uma defesa precisa, tomando essa atitude o fisco tornou deficiente a instrução do processo, ferindo flagrantemente o princípio do contraditório. Em razão desses fatos, requer que lhe seja entregue uma cópia dos documentos que instruíram o presente processo ou que lhe seja disponibilizada vista dos autos, com a consequente devolução do prazo a fim de elaborar e apresentar sua defesa com perfeição. Que jamais pertenceu ao quadro societário da Gourmaitre, como jamais a administrou, não podendo ser penalizado com a lavratura do termo de sujeição passiva solidária. O fato de ter sido sócio da Verdurama não significa que tenha sido sócio ou administrador da Gourmaitre, simplesmente pelas meras alegações do Ministério Público Paulista, que até agora nada comprovou daquilo que fora alegado, lembrando que à todos os réus de qualquer processo criminal é conferida a presunção de inocência. O art. 128 do Código Tributário Nacional dispõe que a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário à terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo a este em caráter supletivo o cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Contudo, dentro da classificação da responsabilidade tributária, está a responsabilidade de terceiros, dentre estes a dos sócios, prevista nos arts. 134 e 135 do Código Tributário Nacional, que pode ser solidária e subsidiária. A responsabilidade solidária está descrita no art. 124 do Código Tributário Nacional e, através de sua leitura, resta evidente não existir qualquer compatibilidade com a sujeição passiva solidária que lhe foi atribuída, eis que não é sócio administrador do sujeito passivo e não se enquadra em nenhum dos incisos existentes na referida norma. O art. 134 do Código Tributário Nacional deixa claro que só existe solidariedade nos casos da impossibilidade de exigência e cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, o que não é o caso, já que o sujeito passivo é empresa constituída e o sócio compareceu para atender o procedimento fiscal. Cita entendimento de Eduardo Marcial Ferreira Jardim (Manual de Direito Financeiro e Tributário, Saraiva, 1999 p. 232), no sentido de que a responsabilização de terceiros, prevista no art. 134 do Código Tributário Nacional, se condiciona a dois requisitos indispensáveis que seriam a impossibilidade de o contribuinte satisfazer o débito e a circunstância de o responsável solidário praticar ato omissivo ou comissivo no tocante ao fato jurídico tributário. Assim, não havendo um desses requisitos, não lhe pode ser estendida a obrigação do sujeito passivo principal, pois nem é sócio da empresa autuada e não é procurador que possui poderes de gerência na sociedade. No caso de prevalecer a responsabilização tributária, conforme previsto no art. 134 do Código Tributário Nacional, esta somente se aplica às penalidade moratórias e não às penalidades decorrentes da infração praticada pelo contribuinte, ressalvada a hipótese de existência de dolo do responsável tributário, o que não ocorreu no caso em tela. Segundo o disposto no art. 112 do Código Tributário Nacional, não é suficiente e, por que não dizer justo, que lhe impute os fatos alegados pelo único fato de o Ministério Público Paulista afirmar a existência de um grupo econômico supostamente organizado pelo impugnante, sem que o processo judicial sequer tenha sido julgado em primeira instância. Logo, o auto de infração prima pela inconsistência dos fatos descritos e pelo obscurantismo jurídico, visto que baseado em meras suposições, que não encontram respaldo no mundo jurídico, já que o que se busca em todo e qualquer processo, seja administrativo, seja judicial, é a verdade material dos fatos. A questão de se saber quem deve pagar o crédito tributário é exclusivamente processual e deve ser decidida em sede de processo executivo, jamais em sede de procedimento administrativo, cuja finalidade é definir a existência ou não do direito material do entre tributante. Logo, quem tem competência exclusiva para apurar, processar e julgar fraudes fiscais é a Justiça Criminal. Se o processo administrativo busca a verdade real ou material, como lhe imputar a sujeição passiva, se apenas foi baseada em alegações de um processo criminal cujas provas sequer foram apreciadas? O Ministério Público finca sua tese em depoimentos de um sujeito que diz e apenas diz, fazendo uso da delação premiada que sequer foi homologada pelo Poder Judiciário. Se ele pode vier a ser o delator, somente ele é que assume a culpa por qualquer delito então praticado até o trânsito em julgado do processo. Fl. 4308DF CARF MF 6 Decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007. Por fim, requer (i) que seja acolhida a preliminar de nulidade do procedimento fiscal; (ii) ou, se assim não for entendido, que lhe sejam entregues os documentos que acompanham o auto de infração ou a disponibilização dos autos para vista com devolução do prazo para a defesa e (iii) seja declarado insubsistente o termo de sujeição passiva solidária. Silvio Marques e Helio Vieira apresentaram as impugnações de folhas 3688 a 3697 e 3711 a 3720, alegando, preliminarmente, a nulidade do auto de infração e do termo de sujeição passiva por terem sido lavrados por pessoa incompetente, nos termos do art. 59, inc. I, do Decreto nº 70.235, de 1972, em razão da falta de assinatura do Delegado da Receita Federal de Fiscalização, ou de outorgação de poderes ao fiscal, conforme determina o art. 11, inc. IV, do referido Decreto. No mérito, apresentam os mesmos argumentos já apresentados pela próprio sujeito passivo, relacionadas à boafé dos atos praticados pela Gourmaitre, à interpretação das normas de maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensões dos seus efeitos, e ao agravamento da multa de ofício. Por fim, requerem que sejam julgadas procedentes suas defesas para declarar insubsistentes os Termos de Sujeição Passiva Solidária e reduzir a multa de ofício para 75%. SP Alimentos e Serviços Ltda. apresentou a impugnação de folhas 3735 a 3748, tecendo os mesmos argumentos já apresentados pela própria Gourmaitre, apenas acrescentando que é evidente o vício formal no agravamento da multa, pois a Gourmaitre transacionou com as empresas vendedoras, recebeu as mercadorias, os documentos fiscais hábeis foram escriturados e contabilizados, tudo nos moldes da legislação vigente. E mais, à época dos fatos as empresas vendedoras existiam de fato e de direito e os documentos fiscais que ampararam as transações comerciais eram hábeis e, por isso, não poderiam ser glosadas. Acrescenta que o agravamento não deve prevalecer, pois decorre de escrituração contábil, e é entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que a hipótese de agravamento da multa de ofício deve ser interpretada restritivamente, e aplicada somente nos casos de fraude, em que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente. Alega ter ocorrido a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007. Alega que o processo administrativo busca a verdade real ou material, como lhe imputar a sujeição passiva, se apenas baseada em alegações de um processo criminal cujas provas sequer foram apreciadas? O Ministério Público finca sua tese em depoimentos de um sujeito que diz e apenas diz, fazendo uso da delação premiada que sequer foi homologada pelo Poder Judiciário. Se ele pode vier a ser o delator, somente ele é que assume a culpa por qualquer delito então praticado até o trânsito em julgado do processo. Por fim, requer que seja acolhida a preliminar de nulidade do procedimento fiscal e, alternativamente, que a multa de ofício seja reduzida para 75%. Verdurama Comércio Atacadista de alimentos Ltda. apresentou a impugnação de folhas 3797 a 3800, alegando ter ocorrido a decadência em relação aos fatos geradores do mês de julho de 2007 para trás. Alega nulidade do auto de infração por descumprimento da norma do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, tendo em vista que o auto de infração não está assinado pelo Delegado da Receita Federal, como, também, não há nenhuma autorização à funcionários para a lavratura destes autos. Alega que a presente acusação está amparada em indícios que não condizem com os fatos, uma vez que o demandado agiu de acordo com a lei. Os documentos apontados como inidôneos foram, de fato, entregues pelos fornecedores, tendo o demandado adotado as cautelas de praxe quanto a idoneidade das empresas vendedoras. As sanções impostas pela inidoneidade de algumas notas fiscais, das quais acreditava serem válidas, não podem prosperar, devendo ser canceladas, pois o demandado é contribuinte de boafé pelas operações que efetivamente ocorreram. Alega que não caberia ao demandante fazer buscas, pesquisas ou outras investigações no sentido que a Secretaria da Fazenda quer fazer parecer. Alega que os pagamentos tidos como sem causa, serviram de base para agravar as multas. Contudo, o seu aproveitamento contábil para o IRRF não se deu com dolo, mas sim em virtude de mera consequência contábil, pois se os pagamentos foram contabilizados com aquisição de insumos, consequentemente seriam aproveitados como créditos de IRRF, devendo, portanto, serem desagravadas tais multas. Por fim, requer que seja declarado insubsistente o auto de infração, com a redução da multa de ofício para 75%. DA DECISÃO RECORRIDA Fl. 4309DF CARF MF Processo nº 19515.721562/201341 Acórdão n.º 1401002.181 S1C4T1 Fl. 4.307 7 A Delegacia de Julgamento, por meio da decisão de fls. 3.8423.861, deu provimento parcial apenas para reconhecer a decadência de alguns períodos, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. DOLO. Nos casos de tributos com lançamento por homologação, tendo ocorrido as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE DO LANÇAMENTO E DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA POR AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO CHEFE DO ÓRGÃO. A falta da assinatura do chefe do órgão local da Receita Federal no lançamento não é causa de nulidade, tendo em vista que a competência para lavratura do Auto de Infração é do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pelo procedimento fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento do direito de defesa quando o lançamento proporciona ao contribuinte o pleno conhecimento das acusações que lhe são imputadas, expondo a realidade dos fatos e provas que fundamentaram o direito de a Fazenda Pública exigir o crédito tributário, notadamente, quando a defesa demonstra, por meio de sua substanciosa argumentação, que entendeu perfeitamente a infração que lhe foi imputada. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Incide imposto de renda na fonte sobre os pagamentos efetuados por conta de aquisições bens, direitos e mercadorias ou de utilização de serviços quando o sujeito passivo não comprova a operação ou causa do pagamento. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO. SONEGAÇÃO FISCAL E FRAUDE. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios, administradores e empresas que compõe o grupo econômico, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar o contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte os crimes de sonegação e fraude, respondem pelo crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. É cabível o agravamento da multa de ofício quando presentes os elementos abrangidos pelos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, relacionados às operações que deram causa ao lançamento tributário. Em razão do provimento parcial, recorreu de ofício da sua decisão. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Foram apresentados recursos voluntários por (i) GOURMAITRE COZINHA INDUSTRIAL E REFEIÇÕES LTDA, na condição de contribuinte (fls. 3.9263.941; peça repetida duas vezes às fls. 4.0374.102 e 4.2374.252) e os responsáveis SP ALIMENTAÇÃO E SERVIÇOS LTDA (fls. 3.9844.002) Eloízo Gomes Afonso Durães (fls. 4.0394.057), Sílvio Marques (fls. 3.8803.897; peça repetida às fls. 4.1934.210) e Hélio Vieira (fls. 4.1464.164). Todos os recursos repetem as mesmas razões apresentadas nas impugnações; aliás, são praticamente cópias literais de peças inaugurais de defesa. É o relatório. Fl. 4310DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator DO RECURSO DE OFÍCIO O valor do crédito exonerado foi de R$ 1.127.976,80 (IRRF de R$ 451.190,72 + multa de ofício de R$ 676.786,08), acima do limite de alçada da época que era de R$ 1.000.000,00. Esse limite, porém, deve ser aferido na data da análise do recurso. Assim, o recurso não deve ser conhecido, uma vez que o limite atualmente é de R$ 2.500.000,00, conforme a Portaria MF nº 63/2017. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Preliminar de decadência Apesar de ter sido afastada parte da autuação em razão da decadência (cujo recurso de ofício não conhecemos acima), alegase novamente esse instituto. A decisão recorrida não reconheceu a decadência na extensão pedida, pois adotou o prazo do art. 173 do CTN e não o previsto no § 4º, art. 150 da mesma codificação. Nada temos a reparar à decisão recorrida, uma vez que se caracterizou o caráter doloso da infração, o que impede a aplicação da regra mais favorável ao contribuinte. Abaixo, trataremos do caráter doloso ao analisarmos a aplicação da multa qualificada de 150%. Nego, pois, a preliminar suscitada de decadência. Demais preliminares Antes de passarmos à análise, vale registrar o que dispõe o art. 57 do RICARF, especialmente seu parágrafo 3º: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (Nosso destaque) Pois bem, conforme registramos no relatório, todos os recursos não só reiteraram as mesmas razões das impugnações, como correspondem a peças literalmente iguais. Passamos, assim, à transcrição do voto condutor da decisão recorrida na parte das preliminares: Fl. 4311DF CARF MF Processo nº 19515.721562/201341 Acórdão n.º 1401002.181 S1C4T1 Fl. 4.308 9 1. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DOS TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA Não procedem as alegações de nulidade do auto de infração e nos termos de sujeição passiva, fundadas no fato de não haver outorga de poderes pelo Delegado da Receita Federal aos auditoresfiscais que subscrevem o auto de infração, em face do disposto no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972. O referido Decreto dispõe no art. 9º que a exigência do crédito tributário deve ser formalizada por auto de infração ou notificação de lançamento distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade. Nos arts. 10 e 11, estabelece os requisitos formais que devem ser observados pelas autoridades administrativas quando da lavratura de auto de infração e de notificação de lançamento. Tanto o auto de infração, como a notificação de lançamento, são atos administrativos que formalizam a exigência do crédito tributário, mas são atos distintos, na medida em que refletem a forma como as autoridades administrativas tomaram conhecimento da infração tributária cometida pelo contribuinte. Portanto, é importante distinguilas. Na notificação de lançamento a autoridade administrativa toma conhecimento da infração à legislação tributária no âmbito da verificação realizada a partir das informações prestadas pelo próprio contribuinte, que tem obrigação de prestar ao órgão de administração tributária um grande número de informações sobre suas operações e estabelecimentos, bem como por sistemas informatizados, que tornam cada vez mais possível a identificação da prática de infrações tributárias sem que se realize procedimentos de fiscalização junto aos contribuinte. Nessas hipóteses, por ter sido a infração identificada pelo órgão, a autoridade competente para formalizar a exigência do crédito tributário é o titular do órgão que administra o tributos, no caso o Delegado ou Inspetor da Receita Federal do Brasil, conforme prevê o art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. (Grifamos) O auto de infração difere tecnicamente da notificação de lançamento porque a autoridade administrativa toma conhecimento da infração tributária no curso de procedimento de fiscalização, que é a atividade investigatória desenvolvida pelo Estado visando identificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e que permite ao agente fiscal ampla liberdade investigatória e probatória, inerente à função estatal, fundamentalmente no poder de polícia que ao Estado compete exercer com discricionariedade, autoexecutoriedade e coercitibilidade, conforme art. 142 do Código Tributário Nacional e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Neste caso, a autoridade competente é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, conforme previsto pelo art. 6º, I, a, da Lei nº 10.593, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007, cuja atividade é vinculada pelos arts 3º e 142 do Código Tributário Nacional. Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 4312DF CARF MF 10 No caso dos autos, a infração à legislação tributária foi identificada em procedimento de fiscalização, portanto, a autoridade competente para assinar o auto de infração é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil incumbido do procedimento, como também os termos de sujeição passiva, e não o chefe do órgão que administra o tributo. Portanto, não são nulos, por incompetência do agente, o auto de infração e os termos de sujeição passiva de que tratam os autos. (...) [Suprimimos a parte relativa à análise da decadência] 3 . CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A alegação de cerceamento de defesa somente foi feita pelo responsável tributário Eloizio Gomes Afonso Durães, argumentando que não teria recebido cópia dos apensos do Auto de Infração e do termo de verificação fiscal. Em razão disso, requer que lhe seja fornecida cópia dos documentos que instruíram o processo ou que lhe seja disponibilizada vista aos autos. Primeiro destacase que existem dois apensos nos autos. O apenso 1 próprio processo em si, tratase de cópia da denúncia do Ministério Público de São Paulo na qual o Sr. Eloizo é um dos denunciados. O apenso 2 contém o razão contábil da própria empresa relativo aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009. E as informações retiradas desse razão contábil estão devidamente discriminadas no relatório fiscal. Todas as referências aos anexos e apensos no termo de verificação fiscal foram feitas indicando pertencerem ao “presente eprocesso”. De acordo com o aviso de recebimento de fls. 3572/3573, foram enviados ao Sr. Eloízio os seguintes documentos: Termo de verificação fiscal: com o relatório completo de todo o procedimento fiscal e de suas constatações. Auto de infração: IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRRF. Termo de sujeição passiva solidária: envolvimento do contribuinte dentro dos ilícitos apurados. Termo de entrega de documentos. Tais documentos demonstram detalhadamente como foi realizada a fiscalização, com as análises do fisco e suas respectivas intimações; abrangência da fiscalização; apuração da existência do grupo econômico; existência de fornecedores inidôneos; registros das operações irregulares; apuração dos tributos devidos; glosas de custos e de créditos; registros de pagamentos sem causa; aplicação da multa isolada e qualificada; enquadramento legal; representação fiscal para fins penais; termos lavrados; envolvimento do contribuinte como responsável solidário; entre outros. O contribuinte, inclusive, defendese desses aspectos em sua impugnação. Como é sabido, a Constituição Federal assegura o direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal. Nesse sentido, nas “orientações ao sujeito passivo”, documento que acompanhou o auto de infração encaminhado ao contribuinte (fls. 883), consta a orientação no sentido de que a vista do processo, no caso de optante pelo DTE, poderia ser feita por intermédio do Portal eCAC com certificado digital, ou presencialmente no endereço da DERAT – São Paulo, rua Luis Coelho, nº 197, Consolação – São Paulo/SP, ou em qualquer outra unidade da Receita Federal do Brasil. Aliás, em se tratando de defesa elaborada por procurador advogado, cabe registrar que a Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994, que dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil, em seu art. 7º, inc. XIII, garante o direito ao advogado examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da Administração Pública em geral, autos de processos findos ou em andamento, com procuração quando sujeitos a sigilo, conforme é o caso dos autos, além de assegurar a obtenção de cópias dos mesmos, legislação que, obviamente, é de conhecimento do patrono do impugnante. Assim, caso entendesse necessário vistas ao processo para formulação de sua defesa, o contribuinte deveria ter acessado o processo via Portal eCAC ou ter solicitado, dentro do prazo legal de impugnação, cópia ou vistas aos autos em qualquer repartição da Receita Federal do Brasil. Não há nenhuma omissão no relatório de verificação fiscal a ensejar o cerceamento do direito de defesa e todos os elementos que fundamentam a autuação, referidos no nesse relatório, encontramse nos autos. Nessas condições, o pedido de vistas dos autos toma caráter meramente protelatório e dilatador do prazo, já que o impugnante não agiu com a diligência necessária para obter os elementos necessários à sua defesa dentro do prazo legal de impugnação. Portanto, não ocorreu cerceamento de defesa no caso dos autos. Os recursos repetem as mesmas razões das impugnações e não dialogam com a decisão atacada. Assim, por concordar plenamente com a decisão de primeiro grau, adoto suas mesmas razões com base no parágrafo 3º, art. 57 da Portaria MF 343/2015 (RICARF). Mérito Fl. 4313DF CARF MF Processo nº 19515.721562/201341 Acórdão n.º 1401002.181 S1C4T1 Fl. 4.309 11 Também quando ao mérito, tal qual fiz em relação às preliminares, transcrevo o teor da decisão recorrida para adotar as suas mesmas razões, por concordar integralmente com elas: 4 . DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE A questão relativa ao imposto de renda incidente na fonte sobre pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, lançado em face da inidoneidade do documento fiscal ou da pessoa jurídica fornecedora de bens ou serviços deve ser analisada levandose em conta os seguintes artigos do RIR/99: Art. 217. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários, em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta (Lei nº 9.430, de 1996, art.82). Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços (Lei nº 9.430, de 1996, art.82, parágrafo único). Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). (grifos nossos) Primeiro, a leitura do parágrafo único do art. 217, deixa claro que na hipótese de haver a comprovação do pagamento e do recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou a utilização dos serviços o documento fiscal produzirá efeitos tributários, mesmo que seja inidôneo ou tenha sido emitido por pessoa jurídica inapta. Se assim não fosse, ficaria prejudicado o terceiro adquirente de boafé, que consegue comprovar que houve a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou a utilização dos serviços. Nessas condições não haveria em que se falar de incidência do imposto de renda na fonte a incidir sobre os pagamentos. Segundo, a leitura do art. 674 e seus parágrafos, permite concluir que a incidência do imposto de renda na fonte somente está reservada para aquelas situações em que o Fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. É o caso dos autos, que trata de registros contábeis de aquisição de mercadorias de fornecedores que, comprovadamente, encontravamse inativos (Cenco Central de Com. de Gêneros Alimentícios Ltda., Cerealista Guimarães Ltda. e Moema Hortifruti Granjeiro Ltda.), que não efetuaram operações com o contribuinte (Comércio varejista de Hortifrutigranjeiro Vila Sonia Ltda. e Genova Agro Comercial Ltda), serviram somente de fornecedores de notas fiscais inidôneas (CPA Comércio de Produtos Alimentícios Ltda.) ou que tiveram seu nome utilizado para a confecção de notas fiscais falsas (Genova Agro Comercial Ltda.), e cujos pagamentos foram efetuados por meio de cheques, em sua maioria, nominais à própria Gourmaitre. O anexo 2 (fls. 1979/2035) traz planilhas de resumo dos pagamentos contabilizados a serem tributados pelo irrf – pagtos sem causa e demonstrativo dos pagamentos contabilizados razão. Neste último demonstrativo o autuante relaciona todos os pagamentos relativos às notas fiscais dos referidos fornecedores, identificando a data, conta, histórico do lançamento onde é indicado o número da nota fiscal o nome do fornecedor e o número do cheque correspondente ao pagamento, número do lançamento e linha do razão e o valor. Esse demonstrativo é completo, não omite nenhum elemento necessário para que o contribuinte identificasse com precisão qual o pagamento foi considerado sem causa e assim pudesse produzir prova do recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou a utilização dos serviços consignados nas notas fiscais e que o pagamento foi realizado ao respectivo fornecedor. Não houve essa prova. Tanto o contribuinte, como os responsáveis solidários, não apresentaram nenhum documento ou indicaram elementos dos autos suficientes para afastar a acusação fiscal. O anexo 3 (fls. 2036/2335) traz cópias de cheques relativos aos pagamentos em questão, nos quais se constata que quase a totalidade deles tem como beneficiário a própria Gourmaitre, sem que Fl. 4314DF CARF MF 12 houvesse a contabilização do ingresso dos recursos na conta caixa. Esse procedimento permite ao contribuinte destinar os recursos para terceiros, pessoas físicas ou jurídicas sem qualquer vínculo com os ditos fornecedores, o que afasta qualquer dúvida quanto a efetividade do pagamento. Tal fato reforça a certeza de que os registros de aquisição de bens, mercadorias e serviços, relacionados no Anexo 2, serviram unicamente para gerar custos, despesas, créditos e para dar causa a pagamentos a beneficiários não identificados ou para entrega de recursos a terceiros ou sócios, sem que tenha havido uma operação com a pessoa jurídica. Por isso deve ser mantida a exigência do imposto de renda na fonte na forma em que foi efetuado o lançamento. 5 . SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Embora a lei instituidora do tributo defina sempre quem deve figurar no pólo passivo da obrigação tributária, o Código Tributário Nacional estatui a possibilidade de alcançar aqueles que, embora não incluídos expressamente no rol dos obrigados a arcar com o tributo ou contribuição, praticam atos ou negócios com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, conforme prevê o art. 135 do Código Tributário Nacional, abaixo: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (gn) O pressuposto para a incidência desta norma é a prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato ou ao estatuto social pelo gestor ou representante da empresa. Os elementos trazidos aos autos pelos autuantes (itens 6, 7 e 8 do termo de verificação fiscal –fls. 798/801) são provas sólidas, obtidas do próprio contribuinte mediante intimações, em diligências, em depoimentos e informações de outros órgãos públicos, como a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e o Ministério Público do Estado de São Paulo, que identificaram irregularidades em licitações para fornecimento de merendas a escolas públicas, em atuação que ficou conhecida como “Operação Pratos Limpos”. Estas últimas informações foram utilizadas apenas de forma subsidiária, e não como base para o lançamento. Reproduzse parte das conclusões do PGFN/CRJ/CAT nº 55, de 2009, que trata da responsabilidade solidária: k) a análise sistemática da ordem jurídica aponta para a responsabilidade solidária dos administradores, visto que estes, no regramento do Código Civil (art. 1.016), respondem solidariamente perante terceiros (inclusive o Estado) pela prática de atos ilícitos; não haveria sentido em ser o crédito tributário menos garantido que o crédito comum; l) a obrigação do responsável é autônoma à da pessoa jurídica no que tange à natureza (licitude ou ilicitude do fato jurídico), ao nascimento (momento do surgimento) e à cobrança (exigência simultânea ou não), mas é subordinada no que tange à existência, validade e eficácia; a obrigação da pessoa jurídica contribuinte, por sua vez, independe da obrigação do responsável no que tange a esses elementos; ... q) Quando incide o art. 135, III, do CTN, não se tem uma obrigação solidária, senão duas ou mais obrigações solidárias; tratase de solidariedade imprópria, em que obrigações distintas são atadas pelo nexo de adimplemento. r) Por se tratar de solidariedade imprópria, que não se dá entre contribuintes, mas sim entre contribuinte e responsável, não precisa este último estar mencionado no lançamento do crédito tributário como sujeito passivo; sua responsabilidade, como já se disse, pode ser atestada em ato apartado ... Ficou comprovada a relação entre as pessoas físicas e jurídicas discriminadas no Termo de Sujeição Passiva Solidária com a Gourmaitre (Senhores Eloízio Durães, Sílvio Marques e Hélio Vieira, e as empresas SP Alimentação e Verdurama), a partir do momento em que ficou caracterizado o grupo econômico formado com estrutura hierárquica e empresarial no intuito de fraudar as licitações e o erário público. Essa ligação está respaldada pelos seguintes elementos: a) intensa movimentação financeira entre as três empresas; b) transferências bancárias assinadas por sócios das empresas na mesma época; c) plano de contas com previsão de empréstimos entre elas; d) sócios com atuação em mais de uma dessas empresas; e) empresa sócia de outra (Verdurama para com a Gourmaitre); f) sócio de uma empresa fundador de outra (Sr. Sílvio Marques, sócio da Gourmaitre fundou a SP Alimentação); g) contas bancárias das empresas movimentadas por pessoas comuns, como os Srs. Antônio Marques Franco e Sílvio Marques); h) declaração do Sr. Gilmar da Silva (motoboy) que sacava cheques nos Fl. 4315DF CARF MF Processo nº 19515.721562/201341 Acórdão n.º 1401002.181 S1C4T1 Fl. 4.310 13 bancos para todo o grupo, entregando o dinheiro sacado conforme determinação para o pessoal da diretoria ou do departamento financeiro das mesmas. Além da formação de grupo econômico da Gourmaitre junto com as empresas SP Alimentação e Verdurama, temos os sócios solidários com participação efetiva no esquema: a) Eloízio Gomes Afonso Durães – sócioadministrador da SP Alimentação e Serviços Ltda.; b) Sílvio Marques – sócio da Gourmaitre; c) Hélio Vieira – sócio da Gourmaitre. Aliás, a constatação da existência desse grupo econômico formado pelas três empresas não foi só alvo do Estado de São Paulo, como no caso desses autos, mas também de outras investigações, como por exemplo no Estado do Rio Grande do Sul. Apurou o Ministério Público do RS que as empresas Gourmaitre e Verdurama são coligadas da SP Alimentação, em questões envolvendo os municípios de Canoas e de Sapucaia do Sul 1, em fraude similar a desse processo: Ação civil pública aponta fraudes, favorecimento na licitação e enriquecimento ilícito do prefeito e de outros envolvidos O procurador da República no município de Canoas (RS) Adriano dos Santos Raldi pediu liminarmente que o prefeito de Sapucaia do Sul, Marcelo Machado, o viceprefeito, Gilberto Alves, além de secretários, envolvidos no caso da merenda escolar, sejam afastados dos cargos até o julgamento final da ação. O requerimento faz parte da ação civil pública, cumulada com ação de improbidade administrativa, protocolada hoje, 25 de novembro, na Justiça Federal de Canoas. A investigação desenvolvida pelo Ministério Público Federal apurou, também, o enriquecimento ilícito do prefeito e sua mulher, Ivete Beatriz da Rocha, após o início do mandato, em janeiro de 2005. O pedido de afastamento, de acordo com o procurador da República, se faz necessário devido à gravidade dos elementos reunidos no processo, composto por 48 volumes, totalizando mais de nove mil páginas. O MPF requer, ainda, a suspensão do contrato de terceirização da merenda em curso atualmente (com a empresa Verdurama) e a proibição de as empresas SP Alimentação, Verdurama e Gourmaitre celebrarem contratos com o município de Sapucaia do Sul. O procurador destaca que o procedimento investigatório instaurado no MPF deu origem a ação de improbidade administrativa contra o atual prefeito, seu vice, secretários municipais, as empresas SP Alimentação e Serviços Ltda., Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda e Gourmaitre Cozinha Industrial e Refeições Ltda, entre outros. No total, 20 réus deverão responder por atos de improbidade administrativa decorrentes de fraudes no processo de licitação e na contratação para fornecimento da merenda escolar em Sapucaia do Sul. "À semelhança do caso da merenda escolar em Canoas, a investigação em Sapucaia do Sul apontou favorecimento à empresa SP Alimentação, de São Paulo, bem como o envolvimento das empresas coligadas Verdurama e Gourmaitre, em processo licitatório fraudulento, superfaturamento do contrato e até mesmo baixa qualidade na merenda servida aos alunos da rede municipal de ensino", explica Raldi. ... O número do processo na Justiça Federal é 2008.71.120044344. Assessoria de Comunicação Procuradoria da República no Rio Grande do Sul Portanto, devese manter a sujeição passiva solidária das pessoas físicas e jurídicas relacionadas no termo de sujeição passiva solidária de folhas 871 a 873. 6 . DA MULTA DE OFÍCIO Dispõe o art. 44, inc. I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Para o agravamento da multa de ofício, conforme previsto no § 1º do art. 44, acima transcrito, deve estar presente o dolo na conduta do sujeito passivo, que é o elemento que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, presente em todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de Fl. 4316DF CARF MF 14 1964 (arts. 71, 72 e 73), ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subseqüente obtenção do resultado. Deve estar claro que a conduta foi praticada conscientemente, voltada a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos e a esconder da fazenda pública a ocorrência dos fatos geradores. Esses elementos estão presentes no caso do presente processo. O autuante demonstrou de forma consistente que os integrantes do grupo SP Alimentação buscaram de forma dolosa benefícios tributários, mediante fraude e sonegação fiscal. Para tanto, conforme descrito no termo de verificação fiscal (fls. 793/870), praticaram um conjunto de irregularidades assim resumidas: alguns fornecedores estavam com as atividades paralisadas, outros desativadas, nos períodos de emissão das notas fiscais; fornecedores declararam nunca ter operado com a Gourmaitre; existência de carimbos falsos em nome dos mesmos; impressão de talonários e notas fiscais junto a Gourmaitre eram inidôneas, visto que não batiam com os dados constantes nos fornecedores; incompatibilidade entre o que foi fornecido no histórico da operação das notas fiscais e a estrutura que alguns dos fornecedores possuíam; inexistência de empresa nos endereços cadastrais; atividades de fornecedor somente no mercado varejista e não atacadista; adulteração de notas fiscais; falsificações de dados nos documentos em geral; inexistência de registros das notas fiscais nos órgãos estaduais; nos pagamentos a esses supostos fornecedores através de cheques, constatouse que os valores foram na verdade destinados a outras pessoas físicas e jurídicas. Esses fatos configuram, sem dúvida, a conduta dolosa com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, ou de excluir ou modificar as suas características, enquadrandose nas hipóteses previstas nos art. 71 (sonegação) e 72 (fraude) da Lei nº 4.502, de 1964. Portanto, devese manter o agravamento da multa de ofício. Com base no parágrafo 3º, art. 57 da Portaria MF 343/2015 (RICARF) adotamos as mesmas razões de decidir para manter a exigência principal, a multa qualificada e as imposições de responsabilidade tributária. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto, quanto aos recursos voluntários, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento a todos. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 4317DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723076/2015-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
EXCESSO DE RECEITA BRUTA.
Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema.
Constatado que a administração da pessoa jurídica foi transferida para a figura de administrador, que administra todas as empresas de um mesmo grupo, com características de grupo de fato, atuando como longa manus de todas elas, como sócio administrador, ainda que de direito não conste dos quadros societários, é possível que sejam somadas as receitas brutas do grupo para fins de apuração do limite legal de opção.
PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema. Constatado que a administração da pessoa jurídica foi transferida para a figura de administrador, que administra todas as empresas de um mesmo grupo, com características de grupo de fato, atuando como longa manus de todas elas, como sócio administrador, ainda que de direito não conste dos quadros societários, é possível que sejam somadas as receitas brutas do grupo para fins de apuração do limite legal de opção. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional.
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Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema. Constatado que a administração da pessoa jurídica foi transferida para a figura de administrador, que administra todas as empresas de um mesmo grupo, com características de grupo de fato, atuando como longa manus de todas elas, como sócio administrador, ainda que de direito não conste dos quadros societários, é possível que sejam somadas as receitas brutas do grupo para fins de apuração do limite legal de opção. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 30 76 /2 01 5- 16 Fl. 653DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/FNS n° 293, de 11 de novembro de 2015, que excluiu o contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), com efeitos a partir de 01/01/2011 (efl. 555), "por ter sido constatada prática reiterada de infração e excesso de receita do grupo econômico sob unicidade administrativa, fatos que importam a exclusão de ofício do Simples Nacional, com fundamento nos artigos 3º, § 4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006....". O ADE fixou os efeitos a partir 01/01/2011, e vedou a opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anoscalendário seguintes, nos termos do art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123/2006. Os fatores que inicialmente indicaram que as empresas componentes do grupo formado pela Recorrente e por Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, Empório Duhomem Industria, Comércio e Serviços Ltda – EPP, KCS Confecções Ltda. EPP, J. R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda, Calegari Comércio de Decorações Ltda. EPP, Eduardo Decorações Ltda. EPP, Costaesmeraldino Confecções Eireli EPP e New Modas Comércio de Confecções Ltda. ME incidiam no disposto no artigo 3º, § 4º, inciso V da Lei Complementar n° 123/2006 foi a existência de procurações públicas (efls. 66/139 e 140/163), emitidas por todas as empresas envolvidas, outorgando totais poderes de administradores (inclusive de movimentação bancária) aos senhores Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari (pai, irmã, esposa e filho). Mas o conjunto de elementos colhidos e descritos na Representação para Exclusão do Simples Nacional (efls. 02/26) mostraram que as empresas citadas formavam também grupo econômico de fato, valendose de unicidade gerencial e confusão patrimonial e financeira, o que reforçou a subsunção das optantes pelo Simples Nacional na hipótese legal de exclusão. Por bem descrever o litígio reproduzo a seguir o Relatório da decisão recorrida: Relatório Tratase de exclusão da Interessada (Tubarão Confecções Ltda ME) do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, efetuada por meio do Ato Declaratório Executivo nº 293, de 11 de novembro de 2015, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC (fl. 555), “por ter sido constatada prática reiterada de infração e excesso de receita do grupo econômico sob unicidade administrativa, fatos que importam a exclusão de ofício do Simples Nacional, com fundamento nos artigos 3º, § 4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar nº 123/2006”. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 654 3 A Interessada, segundo descrito na representação administrativa que resultou na emissão do ato de exclusão (fls. 02 a 26), compõem grupo econômico de fatojuntamente com as empresas KCS Confecções Ltda – EPP, Empório Duhomem Indústria, Comércio e Serviços Ltda – ME, Eduardo Decorações Ltda – EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda – ME, New Modas Comércio de Confecções Ltda – ME, Calegari Comércio de Decorações Ltda EPP, Costa Esmeraldino Confecções Eireli EPP e Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, visto que todas elas, além de serem controladas e administradas por pessoas da mesma família (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), atuam de forma integrada e coordenada, constituindo na realidade uma única empresa (na acepção de empreendimento). A conclusão de que existiu, no período de 2009 a 2015, grupo econômico de fato, está amparada, em síntese, de acordo com o auditorfiscal que emitiu a representação administrativa de fls. 02 a 26, pelas seguintes constatações e elementos de prova: a) a constatação de que as empresas exercem a mesma atividade ou atividades correlatas (indústria e comércio de confecções); b) a constatação de que o comando administrativo e financeiro das empresas é exercido pelo mesmo grupo de pessoas com laços familiares (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), seja devido a participação delas no quadro societário da empresa como sócio administrador, seja por força de procuração; c) a constatação de que funcionários e até mesmo sócios de uma das empresas, além de se identificarem em carimbos como funcionários do “Grupo Nandi”, prestavam serviços de forma indistinta para as outras empresas; d) o fato da empresa Nacale Com. de Tecidos e Confecções Ltda ter atestado sua participação no grupo econômico ao declarar na ficha de abertura de contas bancárias que seu nome de fantasia é uma das marcas utilizadas pelos componentes do referido grupo econômico (Casa Nandi); e) a constatação de que existia Programa de Relacionamento (Fidelidade) que englobava todas as empresas; f) a constatação de que as empresas eram representadas pelas mesmas pessoas perante a Justiça do Trabalho; Fl. 655DF CARF MF 4 g) a constatação de que o próprio Sr. Rafael Nandi Calegari se apresenta na rede social linkedin como “Gerente de Marketing do Grupo Nandi”; h) a constatação de que o Sr. Rafael Nandi Calegari é o proprietário de todos os sites utilizados pelas empresas e da marca “Clube Maiores Lojistas”, que se refere ao programa de relacionamento que engloba todas as empresas. A autoridade fiscal que emitiu a mencionada representação administrativa ressalta, ainda, que a receita bruta global da Interessada e das outras empresas que compõem o grupo econômico de fato ultrapassou, nos anos de 2010 a 2014, o limite de que trata o inciso II do caput do artigo 3º da Lei Complementar nº 123/2006, conforme demonstrado na tabela abaixo: Diante destas constatações, a autoridade fiscal que emitiu o ato de exclusão, assim como a que emitiu a representação administrativa de fls. 02 a 26, entenderam que restou configurada a hipótese de vedação ao usufruto do Simples Nacional prevista no artigo 3º, § 4º, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, assim como a prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar nº 123/2006 (artigo 29, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006). A exclusão, conforme registrado no Ato Declaratório Executivo nº 293, de 11 de novembro de 2015, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, “surtirá efeitos a partir 01/01/2011, sendo vedada a opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anoscalendário seguintes, nos termos do art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123/2006”. Devidamente intimada da emissão do mencionado Ato Declaratório Executivo em 09/12/2015 (fl. 558), a Interessada apresentou tempestivamente (fl. 604), nos autos do processo 11516.723413/201567 (processo onde constam autos de infração lavrados em decorrência da emissão do ato de exclusão), a impugnação de fls. 579 a 590, instruída com os documentos reproduzidos às fls. 591 a 600, trazendo argumentos tanto para contestar o ato de exclusão como outros pontos específicos relativos a autos de infração que foram lavrados em decorrência deste (ato de exclusão). Fl. 656DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 655 5 Ressalta que a presente impugnação, por força do disposto no artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, suspende a exigibilidade do crédito tributário. Lembra que o artigo 75, § 3º, da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94, de 29 de novembro de 2011, determina que “na hipótese de a ME ou EPP impugnar o termo de exclusão, este se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte”. Assevera que a impugnação ao termo de exclusão do Simples Nacional obsta a realização do lançamento e a exclusão do regime diferenciado, tendo ainda o contribuinte o direito de obter certidão positiva de tributos com efeitos de negativa, a teor do disposto no art. 206 do Código Tributário Nacional. No ponto, aduz ainda que a impugnação ao termo de exclusão do Simples Nacional possui o condão de sustar, mesmo que provisoriamente, a exigibilidade do crédito, inibindo assim, o Poder Público de inscrever a dívida e socorrerse do Judiciário para cobrála coativamente. Afirma que entendimento diverso do exposto nos dois parágrafos acima acarretaria em afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Alega que carece de qualquer sentido a alegação de que integra grupo econômico. Diz que, consoante o previsto no §2º do artigo 2º da Consolidação das Leis Trabalhistas, a constituição de grupo econômico de fato pode ser definida quando duas ou mais empresas estão sob a direção, controle ou administração de outra, compondo, assim, grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Frisa que o artigo 494 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009 adota o mesmo conceito de grupo econômico da lei trabalhista, pois preceitua que “caracterizase grupo econômico quando (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica”. Aduz que a lei é clara ao dispor que o requisito essencial para o reconhecimento de grupo empresarial é a relação de subordinação entre uma empresa principal e as demais, o que, no seu entendimento, não se caracterizou no presente caso. Diz que eventual parentesco entre os sócios de duas empresas não possui o condão de estabelecer relação de grupo econômico entre as mesmas. Cita julgado do Superior Tribunal de Justiça (REsp 824667) onde restou asseverado que a redação do §2º do artigo 2º da CLT é “clara ao exigir, para a configuração do grupo econômico a existência de uma ou mais empresas que estejam sob a direção, controle ou administração de outra empresa principal”. Diz que para a configuração de grupo econômico não basta a demonstração da unidade de comando na pessoa de um sócio ou administrador, pois, o que se exige é a subordinação empresarial que, no caso dos autos, não restou demonstrada. Afirma que o Tribunal Superior do Trabalho, em decisão Fl. 657DF CARF MF 6 unânime e transitada em julgado no processo nº 191700 17.2007.5.15,0054, entendeu que a mera existência de sócios em comum e de relação de coordenação entre as empresas não constitui elemento suficiente para caracterização de grupo econômico. Cita julgado da Subseção I Especializada em Dissídios Individuais do TST onde restou asseverado que “para a configuração de grupo econômico, não basta a mera situação de coordenação entre as empresas”; que para tal configuração“é necessária a presença de relação hierárquica entre elas, de efetivo controle de uma empresa sobre as outras”; e que “o simples fato de haver sócios em comum não implica por si só o reconhecimento do grupo econômico”. Assevera que a autoridade fiscal não indicou qual seria a empresa principal no suposto grupo econômico que alega existir. Frisa que a existência de grupo econômico pressupõe uma relação de subordinação, onde duas ou mais empresas estão sob a direção, controle ou administração de outra. Aduz que as empresas relacionadas pela autoridade fiscal não compõem “grupo composto por coordenação”, este também definido como uma espécie de “grupo econômico”, pois todas as empresas citadas se encontram estabelecidas em endereços diversos, possuindo sede e administração próprias. Assevera que não há qualquer relação entre as empresas em questão, uma vez que prestam atividades diversas e as exercem de maneira totalmente independente entre si. Cita o endereço e o objeto social das empresas KCS Confecções Ltda – EPP, Calegari Comércio de Decorações Ltda – EPP, Empório Duhomem – Indústria, Comércio e Serviços Ltda – ME, Eduardo Decorações Ltda – EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda – ME, New Modas Comércio de Confecções Ltda – ME, Tubarão Confecções Eireli – ME, Costa Esmeraldino – Confecções Eireli e Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP. Alega que a página da internet em que consta o perfil de “Rafael Nandi” no Linkedin, como gerente de Marketing do grupo Nandi, não faz prova da existência de grupo econômico, visto que tal perfil não pertence ao Sr. Rafael Nandi Calegari, administrador da empresa Tubarão Confecções, mas sim de Rafael Nandi Marcelino, que é gerente de marketing da “Casa Nandi” e não do “grupo Nandi”, e que não tem qualquer relação de administração com qualquer das empresas em questão. Afirma que, diante do exposto, resta claro que deve ser afasta a responsabilidade solidária, pois não se encontra caracterizada a situação prevista no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Diz que mesmo que o grupo econômico em questão estivesse, de fato, constituído, tal fato não ensejaria por si só a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas componentes do grupo, vez que a solidariedade tributária se encontra pautada Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 656 7 em critérios objetivos, motivo pelo qual não se admite presunções. Cita julgado do Superior Tribunal de Justiça onde restou asseverado que “o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN”. Assevera que “eventual caracterização de grupo econômico em relação a outras empresas não faz presumir que todas empresas de um grupo familiar pertençam ao mesmo grupo econômico, pois, conforme já salientado, não se admite presunções em sede de responsabilidade solidária tributária”. Diz que a sua exclusão do Simples Nacional carece de razão, pois não restaram preenchidos os requisitos ensejadores da configuração de grupo econômico ou empresarial. Requer, por fim, a sua manutenção no Simples Nacional e a declaração de improcedência do lançamento efetuado. Requer, ainda, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário durante o processamento da presente impugnação. Em 04 de abril de 2016 (fls. 578 e 604), a Interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 564 a 577, onde basicamente reitera as alegações já apresentadas na impugnação de fls. 579 a 590 contra o Ato Declaratório Executivo nº 293, de 11 de novembro de 2015, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC. Em 26 de abril de 2016, a Interessada apresentou o requerimento de fls. 602/603, endereçado ao auditorfiscal titular (Delegado) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, solicitando que fosse informada via sistema que, a partir de 01/01/2015, a empresa é optante do Simples Nacional. É o relatório. A decisão de primeira instância (Acórdão n° 0740.301 6ª Turma da DRJ/FNS, efls. 607/634) julgou a Manifestações de Inconformidade improcedente, entendendo, em resumo, que os fatos enquadramse na hipótese de exclusão consignada no art. 3º, § 4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006 e confirmando os efeitos a partir 01/01/2011 e a vedação de nova opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anos calendário seguintes, nos termos do art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123/2006. Isto porque as referidas empresas constituem grupo econômico de fato sob unicidade administrativa, e, assim consideradas, o somatório da receita bruta do grupo extrapolou o limite legal de permanência no Simples Nacional, tendo a impugnante usufruído indevidamente da tributação favorecida do Simples Nacional. Confirmou que a impugnação do ato de exclusão obsta a sua efetividade; todavia, sendo mantida a exclusão, deverão ser observados os efeitos fixados no ADE. Cientificada da decisão de primeira instância em 07/09/2017 (efl. 635) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 06/10/2017 (efl. 649), em aduz: Fl. 659DF CARF MF 8 O Decreto n° 70.235/72, (que regula o PAF) determina que o RECURSO VOLUNTÁRIO suspende a exigibilidade do crédito tributário; e suspende a fluência do prazo prescricional para propositura da execução fiscal. O procedimento fiscal está eivado de vícios formais, razão pela qual deve ser anulado. Ressaltase que durante a fiscalização a autoridade autuante em nenhum momento solicitou documentos que seriam úteis e favoráveis ao contribuinte, e apenas enxergou o que lhe era conveniente, o que reforçava a sua tese e não a verdade dos fatos. Basta notar que não desqualificou a contabilidade, e sequer desconsiderou a personalidade jurídica de cada empresa. Também, de forma flagrante, violou o que está previsto no Código Tributário Nacional, relativo ao prazo de fiscalização (início e prazo máximo). 2.4 A autoridade fiscal não obedeceu ao que está previsto na legislação, não individualizou o procedimento para cada empresa, e assim agindo, partiu do principio (equivocado) de que estava diante de grupo econômico, e sempre tentando provar a sua tese, e portanto, deixou de ser imparcial. 2.5 Também sequer colheu assinatura dos contribuintes de forma individualizada, e por isso deve ser anulado o procedimento. 2.6 Deixou de solicitar documentos importantes e que provariam que sua tese (de grupo econômico) estava equivocada, e tudo em flagrante violação ao CTN, artigo 197. 2.7 E atuando deste modo, deixou de considerar os acordos comerciais e de rateios entre as empresas, que certamente deixaria evidente NÃO SE TRATAR DE GRUPO ECONÔMICO. 2.8 O fiscal deveria descaracterizar o imposto de renda das pessoas físicas e jurídicas, sequer provou que ocorreu confusão patrimonial ou financeira entre estas. 3 DO MÉRITO 3.1 Como o dito anteriormente, não poderia o fiscal, partindo de sua tese de grupo econômico, sem, contudo, individualizar o procedimento de fiscalização para cada empresa, e se realmente acreditou estar diante de um grupo, deveria desconsiderou a personalidade jurídica de cada uma. 3.2 Outro ponto, relativo à caracterização do grupo econômico, o CARF, até mesmo em caso de participação societária não considerou tratarse de grupo econômico, conforme a ementa abaixo... 3.2 Importante ressaltar que em momento algum ficou provado o comando único capaz de caracterizar o grupo econômico, tampouco se constatou a formação de caixa único. 3.4 A relação entre a recorrente e a autoridade fiscal, se dá na medida em que o mesmo tem a autoridade para retificar o Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 657 9 lançamento, e ou mediante ato vinculado promover novo lançamento. 3.5 É evidente que a Magna Carta não deu a autoridade fiscal uma carta em branco, esse exercício de competência se faz mediante ato administrativo, vinculado e motivado. Não basta a vontade da autoridade para lançar é necessário que a conduta esta prevista em norma hipotética. 3.6 Logo o que se assiste na intenção da autoridade fiscal, e mantida pelo julgador é realizar o arbitramento, sem base legal que o sustente. 3.7 A produção de prova poderia inclusive ser realizada pelo julgador, ainda que a legislação que regula o processo o permita: (...) 3.8 Como se percebe a sede de arrecadar é bem maior do que construir a verdade dos fatos, pelos meios legais previstos nos texto, a tal ponto de se desprezar toda e qualquer construção de meio probante previsto em lei. 3.9 A obrigação tributária não nasce da presunção ficcional, onde se pretende transladar a obrigação quando a mesma possui como nexo causal, o fato de ser o mesmo despachante. Somente a Lei pode isso fazer, é o que se conclui na leitura do Código Tributário Nacional:(...) 3.10 O exercício da fiscalização, é antes de mais nada, um exercício de competência legal, logo a ação fiscal é um direito dever, do agente público, é evidente que isso não é uma carta branca, mas muitas vezes a autoridade acaba por construir alguma arbitrariedade, sempre com o pretexto de seguir o que é melhor para fiscalização. (...) Em nome da eficiência, o agente fiscal não pode se distanciar também da razoabilidade, do ato administrativo, sob pena de viciar o lançamento. (...) À vista de todo o exposto, demonstrada que a ação fiscal merece ser anulada, por vícios formais do procedimento fiscal, espera e requer /.a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, com a reforma da decisão atacada e a manutenção/retorno da recorrente ao SIMPLES NACIONAL. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 661DF CARF MF 10 O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Tratase de Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 293, de 11 de novembro de 2015, que excluiu a Recorrente do Simples Nacional a contar de 01/01/2011, motivado pela constatação de excesso de receita através da formação de grupo de fato com outras empresas, sob unicidade administrativa, hipótese de exclusão prevista e regulada no artigos 3º, §4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006. A princípio cabe rejeitar a sugestão da Recorrente de que há nulidade no procedimento, tendose em vista que não se evidenciou nos autos a ocorrência da hipótese dos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972. Ou seja, não houve cerceamento do direito de defesa, tendose em vista que as fases do contencioso foram todas cumpridas, razão pela qual o próprio contribuinte trouxe à discussão todos os argumentos de defesa. Mesmo antes de apresentar a manifestação de inconformidade, quando ainda não havia litígio e contencioso, e a fiscalização ainda estava em curso, a empresa ora recorrente foi intimada de forma individualizada a apresentar sua escrita contábil e fiscal, conforme Termo de Início de Fiscalização de 10/07/2015 (efls. 49/50) e Termo de Intimação de 01/09/2015 (efls. 51/52). Cientificada do ADE em 09/12/2015 (efl. 558) teve a oportunidade de apresentar todos os documentos adicionais que julgasse suficientes para afastar a imputação contida nestes autos. Desta forma, repito, não houve cerceamento do direito de defesa. Adianto que a Representação para Exclusão do Simples Nacional é resultado da fiscalização sobre contribuições previdenciárias tendose em vista que estes tributos são costumeiramente inadimplidos através do uso indevido da adesão ao Simples, como se comprovou nestes autos. Desta forma não vislumbro conteúdo arrecadatório ou desproporcional do procedimento, como afirma a Recorrente, mas cumprimento do dever legal, como previsto no art. 142 do CTN. Adianto também que não se versou nesta Representação citada sobre "desconsideração de pessoa jurídica", como sugere a Recorrente, mas sobre a exclusão da pessoa jurídica Recorrente do regime simplificado citado. É claro que sendo a apuração concernente a averiguação de formação de grupo de fato por diversas empresas sob unicidade administrativa, as diligências nestas outras tornaramse indispensável, como se deu. Determina o art. 196 do CTN que a legislação aplicável fixará prazo máximo para a conclusão da fiscalização. Neste sentido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, que delimita a fiscalização, segundo a Portaria RFB nº 1.687/2014, terá o prazo máximo de validade de 120 (cento e vinte) dias, sendo que a prorrogação deste prazo poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, segundo a mesma norma. Desta forma, e considerandose as datas das intimações acima, não houve excesso de prazo, como sugeriu a Recorrente. Determina ainda o art. 196, parágrafo único, que os termos devam ser, preferencialmente, lavrados num dos livros obrigatórios do fiscalizado. Na impossibilidade, prevê supletivamente o CTN que o termo seja lavrado em papel separado (como se deu), notificando se o fiscalizado, mediante entrega de cópia. Esta exigência de formalização dos diversos atos recebe detalhamento no art. 7º do Dec. 70.235/72. Protesta a Recorrente pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário e da fluência do prazo prescricional para propositura da execução fiscal. A respeito do litígio destes autos, nos termos do §3º do art. 75 da Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional (RCGSN) nº 94, de 29 de novembro de 2011, a impugnação do ato de exclusão do Simples Nacional tem efeito suspensivo, com as ressalvas do art. 76. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 658 11 Os fatores que inicialmente indicaram que as empresas (componentes do grupo formado por Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, Empório Duhomem Industria, Comércio e Serviços Ltda – EPP, KCS Confecções Ltda. EPP, Tubarão Confecções Ltda. ME, Calegari Comércio de Decorações Ltda. EPP, Eduardo Decorações Ltda. EPP, Costaesmeraldino Confecções Eireli EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda e New Modas Comércio de Confecções Ltda. ME) incidiam no disposto no artigo 3º, § 4º, inciso V da Lei Complementar n° 123/2006 foi a existência de procurações públicas, emitidas por todas as empresas envolvidas, outorgando totais poderes de administradores aos senhores Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari (pai, irmã, esposa e filho). Mas o conjunto de elementos colhidos e descritos na Representação para Exclusão do Simples Nacional (efls. 02/26) mostraram que as empresas citadas formavam efetivamente grupo de fato, valendose de unicidade gerencial e confusão patrimonial e financeira, o que reforçou a subsunção na hipótese de exclusão das optantes pelo Simples Nacional (artigos 3º, §4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006). Neste mesmo sentido decidiu a decisão de piso, razão pela qual pedimos vênia para reproduzir as razões correspondentes descritas naquela: No presente caso, verificase da análise dos autos que, em que pese as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade/impugnação de fls. 579 a 590, não há como se negar que a Interessada (Tubarão Confecções Ltda ME), juntamente com as empresas KCS Confecções Ltda – EPP, Empório Duhomem Indústria, Comércio e Serviços Ltda – ME, Eduardo Decorações Ltda – EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda – ME, New Modas Comércio de Confecções Ltda – ME, Calegari Comércio de Decorações Ltda EPP, Costa Esmeraldino Confecções Eireli EPP e Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, compõem grupo econômico de fato, visto que todas elas, além de serem controladas e administradas por pessoas da mesma família (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), atuam de forma integrada e coordenada, constituindo na realidade uma única empresa (na acepção de empreendimento). Entre as provas coletadas e as constatações efetuadas pela autoridade fiscal que demonstram que as referidas empresas compõem grupo econômico de fato, devese destacar as seguintes: a) a constatação de que as empresas exercem a mesma atividade ou atividades correlatas (indústria e comércio de confecções); b) a constatação de que o comando administrativo e financeiro das empresas é exercido pelo mesmo grupo de pessoas com laços familiares (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), seja devido a participação delas no quadro societário da empresa como sócio administrador, seja por força de procuração, conforme demonstrado nos seguintes excertos da representação administrativa de fls. 02 a 26: Fl. 663DF CARF MF 12 4. DA DOCUMENTAÇÃO ANALISADA 4.1. Documentos obtidos junto ao 1° Tabelionato de Notas e Protestos de TuharãoSC. 4.1.1. Em atendimento aos Oficios Sefis/DRF/FNS nº 059 de 09/03/2015 e nº 076 de 23/04/2015 (Doc. 16), o Iº Tabelionato de Notas e Protestos apresentou os seguintes documentos: a) Certidões de registros de procurações emitidas pelas empresas abrangidas pela auditoria, outorgando aos senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari total poder para gerir e administrar as empresas auditadas (Doc. 17); b) Certidões de registros de procurações emitidas por empresas abrangidas pela auditoria, outorgando ao senhor Rafael Nandi Calegari e às senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari, total poder para gerir contascorrentes bancárias de propriedade das empresas outorgantes (Doc. 18). (...) 5.1. Da referida análise, foram extraídas informações, as quais foram compiladas nos quadros a seguir, com as conclusões pertinentes: Dos documentos obtidos junto ao 1º Tabelionato de Notas e Protestos de TubarãoSC (Item 4.1.): • Quadro 1A Das certidões de registros de procurações emitidas pelas empresas abrangidas pela auditoria, outorgando aos senhores Eraldo Nandi Calegari, Rafael Nandi Calegari, Raquel Martins Farias e Márcia Calegari, total poder para gerir c administrar as empresas auditadas: (...) • Quadro 1B Das certidões de registros de procurações emitidas por empresas abrangidas pela auditoria, outorgando ao senhor Rafael Nandi Calegari e às senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari, total poder para gerir contascorrentes bancárias de propriedade das empresas outorgantes. Percebese, nas procurações acima listadas, no que diz respeito às que outorgam poderes de total gerência e administração (Quadro 1A acima), cujas cópias são aqui anexadas (Doc. 17), que os Senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari e as Senhoras Márcia Calegari e Raquel Martins Farias, além de serem contratualmente, os titulares de uma ou mais empresas do grupo aqui caracterizado, são também procuradores, com todos os poderes para gerir e administrar as demais empresas componentes do mesmo grupo, fato que os equipara a administradores das mesmas, caracterizando a Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 659 13 existência de grupo econômico de fato, com unicidade gerencial c poder de decisão centralizado. No que diz respeito às procurações que outorgam poderes de movimentação de contas bancárias de propriedade das empresas outorgantes (Quadro 1B acima), cujas cópias seguem em anexo (doc. 18), estas reforçam a constatação da existência de grupo econômico de fato, uma vez que delegam poderes de gerenciamento financeiro às pessoas do Sr. Rafael Nandi Calegari e Senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari. Constatase assim, que a gerência administrativa e financeira das empresas componentes do grupo econômico aqui caracterizado, fica a cargo do grupo familiar composto pelo Senhor Evaldo Nandi Calegari, sua esposa a Senhora Raquel Martins Farias, seu filho o Senhor Rafael Nandi Calegari e sua irmã a Senhora Márcia Calegari. Este comando é mais intenso a partir do ano de 2008, com os Senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari. Em um tópico mais adiante, perceberemos que a supremacia da família aqui citada, se dá também de forma contratual, através da análise da movimentação contratual e da titulação societária (Quadro 2A). Constatase também, que os mesmos administram as referidas empresas desde o ano de 2007 até os dias atuais, conforme discriminado nas planilhas abaixo. Discriminamos abaixo, as empresas e os períodos em que os membros da família Nandi Calegari são nomeados por procuração e as empresas e períodos em que constam como administradores através de contrato social: Evaldo Nandi Calegari: Atuou como administrador, conforme contratos sociais e alterações, na empresa Eduardo Decorações Ltda. EPP nos períodos de 08/1999 a 11/2000 e 08/2005 a 05/2010. (...) Rafael Nandi Calegari: Atuou como administrador, conforme contratos sociais e alterações, na empresa Eduardo Decorações Ltda. EPP nos períodos de 02/2001 a 08/2005 c 10/2011 a 01/2013 e na empresa Empório Duhomem Ind. Com. e Serviços Ltda. EPP no período de 07/2006 a 02/2008. (...) Raquel Martins Farias: Atua como administradora, conforme contrato social e alterações, na empresa New Modas Com. De Confec. Ltda. ME desde 05/2007. (...) Fl. 665DF CARF MF 14 Márcia Calegari: Atuou como administradora, conforme contratos sociais e alterações, na empresa Nacale Com. de Tec. e Confec. Ltda EPP, no período de 10/1991 a 03/2005, na Empresa Costa Esmeraldino Confecções Eireli EPP nos períodos de 06/1998 a 08/1999 e 07/2010 a 09/2015, na empresa JR Dandolini Artigos do Vest. Ltda. ME desde 04/2013 e na empresa Tubarão Confecções Ltda. EPP desde 12/201 Devese atentar para o fato que, em algum momento da existência do grupo econômico ora analisado, o Senhor Rafael Nandi Calegari, a Senhora Raquel Martins Farias e a Senhora Márcia Calegari, que compõem o grupo familiar acima citado, fizeram parte da sociedade de uma das empresas do grupo econômico, como sócios administradores. De maneira que denota o forte vínculo existente entre as empresas que compõem o grupo econômico, uma vez que os mesmos, gerenciam financeiramente, com total poder de movimentação de contas bancárias, empresas das quais não fizeram e nem fazem parte do quadro social. A delegação de total poder de gerenciamento e administração, por procuração pública, aos senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari, e a maneira como são distribuídos, também por procuração pública, os cargos de gerenciamento financeiro, com total poder de movimentação das contas bancárias, ao senhor Rafael Nandi Calegari e às senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari, demonstra o claro objetivo de criação de um grupo de empresas, no intuito de obter melhores resultados econômicofinanceiros. Esta união entre as empresas com objetivos sociais iguais ou correlatos, caracteriza a existência de grupo econômico de fato com unicidade gerencial e comando centralizado. (...) Dos documentos apresentados pelas empresas abrangidas pela auditoria (item 4.2.). • Contratos e alterações contratuais registrados na JUCESC (Doc. 19 a Doc. 27): Dos contratos sociais e alterações, devidamente registradas na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina JUCESC extraímos as informações inseridas no resumo denominado Movimentação Contratual e no quadro denominado Titulação Societaria: MOVIMENTAÇÃO CONTRATUAL A seguir um resumo da movimentação contratual do sujeito passivo e demais pessoas jurídicas abrangidas, conforme atos constitutivos e alterações contratuais levadas ao registro perante a Junta Comercial do Estado de Santa Catarina — JUCESC (cópias cm anexo). (...) Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 660 15 • Quadro 2A – TITULAÇÃO SOCIETÁRIA (...) Percebese, a partir da análise do resumo da movimentação contratual e do Quadro 2A Titulação Societária, que a família Nandi Calegari, sempre esteve a frente do comando das empresas abrangidas por esta auditoria. Este comando era oficializado por contrato social devidamente registrado na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, porém a partir dos anos 2007 e 2008, com surgimento de novas empresas, novos membros da família eram incluídos nas administrações, o poder, então, passou a se concentrar em quatro membros da família, quais sejam, os Senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari e as Senhoras Márcia Calegari e Raquel Martins Farias. Formase assim, o grupo familiar que comanda, até os dias atuais o grupo econômico de fato, de cunho familiar, composto pelo senhor Evaldo Nandi Calegari, juntamente com sua irmã, a senhora Márcia Calegari, seu filho o senhor Rafael Nandi Calegari e sua esposa Senhora Raquel Martins Farias. Com já comentado anteriormente, o poder de comando é oficializado por contrato social e/ou delegado por procurações aos membros da família Nandi Calegari aqui citados, e conforme se constata nos quadros acima, há um revezamento de comando entre os mesmos, permanecendo esta supremacia ate os dias atuais, conforme quadro resumo abaixo: (...) Como já foi dito, o quadro acima demonstra que o poder de administrar está concentrado nas pessoas dos Senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari, estabelecido através de contrato social e/ou de Fl. 667DF CARF MF 16 procurações públicas, iniciandose o grupo econômico no ano de 2007 e existente ate os dias atuais. Verificase ainda, analisando a movimentação contratual, os quadros que relacionam as procurações públicas, denominados de “Quadro 1A” e “Quadro 1B”, o “Quadro 2ATitulação Societária” que, a cada mudança no quadro social, através de alterações contratuais, com introdução de um novo sócio administrador, este novo sócio administrador, em ato contínuo, delega através de procuração pública, totais poderes de gerir e administrar, aos senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari. Este fato torna clara a existência do grupo econômico de fato de cunho familiar, sem qualquer sombra de dúvida. c) a constatação de que funcionários e até mesmo sócios de uma das empresas, além de se identificarem em carimbos como funcionários do “Grupo Nandi”, prestavam serviços de forma indistinta para as outras empresas, conforme demonstrando nos seguintes trechos da representação administrativa de fls. 02 a 26: • Notas Fiscais de Entrada de Mercadorias (Doc. 40) Foram apresentadas, pelas empresas abrangidas pela auditoria, notas fiscais de entrada de mercadorias, das quais, anexamos cópias, por amostragem. Das referidas notas fiscais extraímos as seguintes informações, que comprovam nossa constatação, ou seja, da existência de grupo econômico de fato, senão vejamos: a) em diversas notas fiscais de compra de mercadorias para revenda, cujas empresas compradoras são Tubarão Confecções Ltda. ME, Empório Duhomem Ind. Com. e Serv. Ltda. EPP, KCS Confecções Ltda. EPP, JR Dandolini Art. do Vestuário Ltda. ME, consta a rubrica identificada como sendo do senhor Wagner de Souza Nunes, atestando o recebimento/lançamento das mercadorias relacionadas, no corpo das notas. Devese atentar para o fato de que o senhor Wagner de Souza Nunes, foi sócio administrador da empresa Calegari Com. De Decorações Ltda. EPP, empresa esta, componente do grupo econômico em questão, no período de 01/2011 a 11/2012 e que o mesmo também foi empregado da empresa Empório Duhomem Ind. Com. E Serv. Ltda. EPP no período de 01/06/2009 a 21/03/2013, sendo que as notas fiscais aqui referidas e anexadas por amostragem referemse ao ano de 2011; b) na nota fiscal de compra de material e equipamentos, NFe nº 4.666 Serie 1 de 14/04/2011, da fornecedora Nautec Eletrônica Ltda., consta como responsável pela compra, o Senhor Jose Roberto Dandolini, que a assina e em cujo carimbo consta que o mesmo é administrador do Grupo Nandi trazendo ainda o endereço de email “dandolini@casanandi.com.br. Neste caso, o senhor Jose Roberto Dandolini, que naquela data, era sócio administrador da empresa Tubarão Confecções Ltda ME, Fl. 668DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 661 17 atesta em seu carimbo, a existência do Grupo Nandi e, conforme endereço eletrônico (email) resta comprovado a utilização da marca “Casa Nandi”. (...) Da documentação apresentada pelo Sindicato dos Comerciários de TubarãoSC. (Item 4.4). Em atendimento ao Ofício Sefis/DRF/FNS nº 111 de 31/08/2015 (Doc. 30), o Sindicato dos Comerciários de TubarãoSC, apresentou os seguintes documentos: a) documentos referentes à homologações de rescisões contratuais de empregados das empresas componentes do Grupo Nandi (Doc. 31, 32 e 33); b) correspondências por carta, solicitando abertura das lojas do grupo Nandi em horário especial (Doc. 34); c) correspondências por emails enviados pelo Grupo Nandi comunicando o evento de Feirões com listagem das lojas participantes (Doc. 35). A documentação apresentada pelo sindicato, confirma a existência de grupo econômico, pois comprova que empregados administrativos de uma empresa componente do grupo, são utilizados indistintamente, por duas ou mais empresas. Estes empregados são identificados como prepostos de duas ou mais empresas, chefes de RH do Grupo Nandi ou Supervisores do Grupo Nandi, como veremos nos documentos aqui anexados e relatados, por amostragem a seguir: a) Documentos referentes a homologações de rescisões contratuais: a.1) Cartas de prepostos (Doc. 31) — Tratase de Cartas de Prepostos emitidas pelas empresas envolvidas na auditoria componentes do grupo econômico, em que se percebe que os prepostos nomeados, representam ao mesmo tempo as diversas empresas aqui citadas, sendo funcionários de apenas uma delas, conforme demonstrado no quadro a seguir: (...) Percebese, no quadro acima, que as funcionárias Karla Konig Leal e Priscila Ramos Marcos, embora estejam registradas como empregadas da empresa Empório Duhomem Ind. Com. e Serv. Ltda. são nomeadas representantes de diversas empresas. Ou seja, um total de 7 (sete) empresas, nomeiam duas funcionárias registradas em uma delas, representantes de todas, perante o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio. Desta forma, Fl. 669DF CARF MF 18 fica claro que as diversas empresas relacionadas no quadro acima, estão unidas, no intuito de minimizar custos e obter melhores resultados, caracterizandose assim como grupo econômico de fato. a.2) Aviso Prévio do empregador para dispensa do empregado (Doc. 32) Tratase de avisosprévios de empregador para dispensa de empregado, os quais compõem a documentação de homologação de rescisão contratual, apresentada ao Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Tubarão/SC. Da análise destes documentos, retirase as seguintes informações: 1) são avisosprévios de dispensa de empregados, emitidos pelas empresas KCS Confecções Ltda.. Empório Duhomem Ltda, Tubarão Confecções Ltda ME, Calegari Com. Dec. Ltda EPP, Costaesmeraldino Ltda Nacale Com. Confec. Ltda. e J.R. Dandolini Ltda., em diversos meses dos anos de 2010 e 2011; 2) todos os documentos foram assinados pela senhora Karla Konig Leal, que fora nomeada representante, através de carta de preposto, por todas as empresas componentes do grupo econômico; e 3) em alguns desses avisosprévios de dispensa de empregado, a senhora Karla Konig Leal, além de assinar, apõe seu carimbo de identificação, onde se lê o seu nome e os termos “Recursos Humanos” e “Grupo Nandi”, ficando claro que se trata de uma funcionária que representa, não só as empresas do grupo, como também o setor de Recursos Humanos do Grupo Nandi. Resta comprovado, também aqui, sem nenhuma dúvida, a existência de grupo econômico de fato, denominado pelos próprios como Grupo Nandi. a.3) Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho (Doc. 33) Foram apresentadas também, pelo Sindicato dos Comerciários, cópias de Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho devidamente homologadas, sendo que destes documentos, extraímos as seguintes informações: 1 ) são Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho, referentes a exempregados das empresas KCS Confecções Ltda., Empório Duhomem 2) os termos foram assinados pelas senhoras Karla Konig Leal e Priscila Ramos Marcos, as quais foram nomeadas representantes, através de carta de preposto, por todas as empresas componentes do grupo econômico; e 3) em um desses termos de rescisão do contrato de trabalho, a senhora Karla Konig Leal, além de assinar, apõe seu carimbo de identificação, onde se lê o seu nome e os termos “Recursos Humanos” e “Grupo Nandi”, ficando claro que se trata de uma funcionária que representa, não só as empresas do grupo, como também o setor de Recursos Humanos do Grupo Nandi. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 662 19 Mais uma vez, sem qualquer sombra de dúvida, comprova se a existência de grupo econômico de fato, denominado pelos próprios como Grupo Nandi. b) Correspondências por carta, solicitando abertura das lojas do grupo Nandi em horário especial e por emails, enviados pelo Grupo Nandi comunicando o evento de Feirões com listagem das lojas participantes: b.1) Cartas com solicitação de abertura em horário especial (Doc. 34) Foram apresentadas pelo Sindicato dos Comerciários de TubarãoSC cópias de cartas em que as empresas do Grupo Nandi, informam sobre a realização de “feirões de vendas”, com aberturas das lojas em horários especiais. Na planilha abaixo, relacionamos os documentos enviados: (...) Dos documentos acima relacionados e anexados à presente representação, extraímos as seguintes informações: 1) todas as empresas remetentes das cartas, fazem parte do Grupo Nandi, conforme já mencionado anteriormente: 2) todas as correspondências foram assinadas pelo senhor José Roberto Dandolini, sócio gerente, à época, de outra empresa do grupo, denominada Tubarão Confecções Ltda. ME; 3) o senhor Jose Roberto Dandolini assina todas as correspondências e, se identifica, logo abaixo de sua assinatura, como Supervisor Grupo Nandi, representando todas as empresas remetentes; e 4) percebese que, desde o ano de 2009, todas as empresas do grupo, fazem uso das marcas NANDI, EMPÓRIO DUHOMEM e LOJÃO VITÓRIA. As informações extraídas, comprovam mais uma vez e existência de fato, do grupo econômico, denominado pelos seus componentes de GRUPO NANDI, desde o ano de 2009. c) Emails enviados pelo Grupo Nandi comunicando a execução de Feirões (Doc. 35) Também através de e mails, o Grupo Nandi comunica ao Sindicato dos Comerciários, a execução de feirões, com abertura das lojas cm horários especiais. Das cópias de emails analisados, e aqui anexados, extraímos as seguintes informações: I) O remetente dos emails, datados de 23 de março de 2009 e 24 de julho de 2009, é o senhor José Roberto Dandolini, identificado ao pé dos emails como Supervisor do Grupo Nandi, utilizando um endereço de email Fl. 671DF CARF MF 20 corporativo do Grupo Nandi (dandolini@casanandi.com.br). Vale lembrar novamente que o senhor José Roberto Dandolini era sócio gerente, à época, de outra empresa do Grupo Nandi, denominada Tubarão Confecções Ltda. ME; e 2) no corpo dos emails, o supervisor do Grupo Nandi informa sobre o evento denominado Feirão e lista por nome de fantasia, as lojas do grupo que participarão do feirão. Abaixo relacionamos as lojas listadas no corpo dos emails, pelo nome de fantasia, respectiva razão social e número de CNPJ: (...) Toda a documentação apresentada pelo Sindicato dos Comerciários de TubarãoSC, aqui comentada, comprova a existência de um grupo econômico de fato, na medida em que um grupo de empresas, utilizamse de funcionários, umas das outras, indistintamente, denotando unicidade gerencial, na área de recursos humanos, ou seja, a existência de um organismo administrativo único para todas as empresas analisadas, não deixando qualquer dúvida quanto a existência do grupo econômico de fato. d) o fato da empresa Nacale Com. de Tecidos e Confecções Ltda ter atestado sua participação no grupo econômico ao declarar na ficha de abertura de contas bancárias que seu nome de fantasia é uma das marcas utilizadas pelos componentes do referido grupo econômico (Casa Nandi), conforme exposto no seguinte excerto da representação administrativa de fls. 02 a 26: • Contratos de Abertura de Contacorrente (Doc. 41) O contribuinte apresentou contratos de abertura de conta corrente. Nestes contratos firmados entre a empresa Nacale Com. de Tecidos e Confecções Ltda. e o Banco do Brasil S/A e a Caixa Econômica Federal, a empresa atesta sua participação no grupo econômico de fato aqui caracterizado, ao declarar na ficha de abertura de contas que seu nome de fantasia é “Casa Nandi”, sendo esta uma das marcas utilizadas pelos componentes do referido grupo econômico. Mais uma vez resta comprovado, através da documentação apresentada pelas empresas auditadas, a existência de grupo econômico de fato. e) a constatação de que existia Programa de Relacionamento (Fidelidade) que englobava todas as empresas, conforme exposto no seguinte trecho da representação administrativa de fls. 02 a 26: Dos documentos obtidos junto ao Oficio de Registros das Pessoas Naturais e Interdições e Tutelas das Pessoas Jurídicas e de Títulos e Documentos da Comarca de Tubarão/SC (Item 4.3). Fl. 672DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 663 21 Em atendimento ao Ofício Sefis/DRF/FNS nº 066 de 30/03/2015 (Doc. 28), o Ofício de Registros Civis das Pessoas Naturais e de Interdições e Tutelas das Pessoas Jurídicas e de Titulos e Documentos da Comarca de Tubarão/SC, forneceu a esta auditoria cópia do Regulamento do Programa de Relacionamento Clube Maiores Lojas (Doc. 29). O referido documento trata da criação de um programa de fidelidade, para clientes em compra em lojas que pertencem ao grupo de empresas que constituem o grupo econômico de fato, ora comprovado. O regulamento do programa de relacionamento foi rubricado e assinado pelo senhor Rafael Nandi Calegari, representando todas as empresas componentes do grupo econômico, e registrado no cartório em 19/03/2010, no livro B158, folha 104 do Ofício de Registros Civis das Pessoas Naturais e de Interdições e Tutelas das Pessoas Jurídicas e de Títulos e Documentos da Comarca de TubarãoSC. A criação do programa de relacionamento, a citação do grupo econômico, com a listagem das empresas que o compõe, a assinatura do senhor Rafael Nandi Calegari, exercendo o poder que lhe é delegado pelas procurações citadas no Quadro 1A acima, representando todas as lojas do “Clube Nandi”, não deixa qualquer dúvida quanto a real existência do grupo econômico de fato. f) a constatação de que as empresas eram representadas pelas mesmas pessoas perante a Justiça do Trabalho, conforme exposto no seguinte trecho da representação administrativa de fls. 02 a 26: Dos documentos obtidos junto à Justiça do Trabalho (Item 4.5) Foram obtidos, junto à Justiça do Trabalho de Santa Catarina, primeira e segunda varas do trabalho de TubarãoSC, cópias de partes de processos trabalhistas (Doc. 36), em que figuram como partes, empresas abrangidas por esta auditoria, dos quais extraímos as informações que corroboram com a caracterização de grupo econômico de fato, conforme quadro a seguir (...) g) a constatação de que o próprio Sr. Rafael Nandi Calegari se apresenta na rede social linkedin como “Gerente de Marketing do Grupo Nandi”, conforme exposto no seguinte trecho da representação administrativa de fls. 02 a 26: b) Perfis de pessoas físicas relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria: Fl. 673DF CARF MF 22 Na rede social “linkedin” https://www.linkedin.com), o senhor Rafael Nandi Calegari se identifica como “Gerente de Marketing do Grupo Nandi” (Doc. 38). Neste documento estão relacionadas as marcas utilizadas pelas empresas componentes do Grupo Nandi (Lojão Vitória, Casa Nandi, Empório Duhomem e Nandi Decorações). Isto comprova a existência do Grupo Econômico Nandi e a estrutura organizacional que se utiliza de um gerente de marketing para todo o grupo de empresas. h) a constatação de que o Sr. Rafael Nandi Calegari é o proprietário de todos os sites utilizados pelas empresas e da marca “Clube Maiores Lojistas”, que se refere ao programa de relacionamento que engloba todas as empresas, conforme exposto no seguinte excerto da representação administrativa de fls. 02 a 26: Da documentação e Informações obtidas através da rede mundial de computadores (Internet) (Item 4.6) Em pesquisa junto a rede mundial de computadores, obtivemos informações e documentos, que representam evidências e provas da existência do grupo econômico de fato, com unicidade gerencial e comando centralizado. Dentre as informações e documentos obtidos relacionamos as seguintes: a) páginas iniciais de sites na internet e informações relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria (Doc. 37); b) perfis de pessoas físicas relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria (Doc. 38); c) Whois Registro de Domínios (Doc. 39): e d) INPI (registro de marcas) (Doc. 42). a) Páginas iniciais de sites na internet e informações relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria: Na rede mundial de computadores, encontrase a página “http://www.lojaovitoria.com.br/cartão”. Esta é a página de divulgação do programa de relacionamento “Clube Maiores Lojas”, citado no item 4.3, onde novamente é citado o “Clube Nandi” como administrador do programa (Doc. 37). Nesta divulgação aparecem exemplos de cartões do programa de relacionamento com os logotipos das empresas com as marcas Lojão Vitória, Empório Duhomem e Casa Nandi. Estas são as marcas usadas pelas empresas componentes do grupo econômico denominado “GRUPO NANDI”. (...) c) Informações através do “Whois” (Protocolo para consulta sobre domínios (sites) na internet): Fl. 674DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 664 23 Com a utilização do “WHOIS”, que funciona como protocolo para consulta sobre propriedade de domínios (sites) na rede mundial de computadores, localizamos os registros dos sites “casanandi.com.br” criado em 24/03/1998, “lojaovitoria.com.br” criado cm 27/07/2000, “lojasnandi.com.br” criado em 09/08/2011, “emporioduhomem.com.br” criado em 20/01/2009, “nandidecorações.com.br” criado em 20/01/2009 e “clubemaioreslojas.com.br” criado em 30/11/2009 (Doc. 39). Todos os domínios aqui citados, são amplamente usados pelas empresas componentes do grupo econômico e por seus funcionários, fato facilmente comprovado em qualquer busca efetuada na rede mundial de computadores. Nos registros dos referidos domínios, que constam no site “registro.br”, está identificado como proprietário dos referidos sites, o senhor Rafael Nandi Calegari, ou seja, mais uma comprovação que o senhor Rafael Nandi Calegari é o proprietário destes sites e os mesmos são utilizados pelas empresas componentes do Grupo Nandi, sem qualquer ônus, o que caracteriza confusão patrimonial e usufruto coletivo por empresas componentes do grupo econômico aqui identificado. Importante salientar que o senhor Rafael Nandi Calegari é o administrador, por procuração, das empresas aqui mencionadas. d) Registro de Marcas INPI Instituto Nacional de Propriedade Industrial: Junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial, foram encontrados documentos de registro de uso de marcas (Doc. 42), os quais nos fornecem as seguintes informações: 1) as marcas “NANDI” e “LOJÃO VITÓRIA” são utilizadas pelas empresas componentes do grupo econômico de fato, aqui caracterizado, tanto de maneira formal quanto informal, conforme fartamente comprovado: e 2) a marca “CLUBE MAIORES LOJAS” que da nome ao programa de relacionamento referido no item 4.3, é de propriedade do senhor Rafael Nandi Calegari, sendo que o mesmo, é administrador por força de contrato social e/ou por procuração, de todas as empresas componentes do grupo econômico ora caracterizado, conforme amplamente demonstrado no decorrer da presente representação. Percebemse aqui, mais uma vez, claras evidências da existência de grupo econômico de fato, pela constatação da unicidade gerencial, implícita na divulgação na internet, de um programa de fidelidade chamado “Clube maiores Lojas” em que participam diversas empresas componentes do grupo econômico aqui caracterizado, Fl. 675DF CARF MF 24 pela divulgação do próprio perfil, divulgado também na rede mundial de computadores, pelo Senhor Rafael Nandi Calegari, em que o mesmo se intitula “Gerente de Marketing na Grupo Nandi” e pela constatação que o Sr. Rafael Nandi Calegari, procurador das empresas do Grupo Nandi, é o titular dos domínios “lojasnandi.com.br” e “lojaovitoria.com.br” que são os endereços eletrônicos (emails) utilizados pelas empresas que compõem o referido grupo econômico. Como se vê, a análise conjunta das provas e constatações discriminadas acima não deixa dúvidas de que a Interessada (Tubarão Confecções Ltda ME), juntamente com as empresas KCS Confecções Ltda – EPP, Empório Duhomem Indústria, Comércio e Serviços Ltda – ME, Eduardo Decorações Ltda – EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda – ME, New Modas Comércio de Confecções Ltda – ME, Calegari Comércio de Decorações Ltda EPP, Costa Esmeraldino Confecções Eireli EPP e Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, compõem grupo econômico de fato, visto que todas elas, além de serem controladas e administradas por pessoas da mesma família (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), atuam de forma integrada e coordenada, constituindo na realidade uma única empresa (na acepção de empreendimento). Cabe observar que esses elementos de prova e constatações, se forem analisados individualmente, podem até não demonstrar, por si só, a existência de grupo econômico de fato, no entanto, quando apreciados todos em conjunto, comprovam que foi correta a análise da autoridade fiscal, uma vez que demonstram que a todas as empresas citadas no parágrafo anterior, além de serem comandadas pelo mesmo grupo familiar, atuam de forma integrada e coordenada. É importante frisar que todas as alegações apresentadas pela Interessada na tentativa de demonstrar a falta de força probatória dos elementos de prova e constatações enumeradas acima não procedem. De fato, a relação de parentesco entre sócios de empresas diferentes, por si só, não é suficiente para comprovar a existência de grupo econômico de fato. Sucede que a participação societária de integrantes do grupo familiar Nandi Calegari em diversas das empresas citadas é apenas um dos diversos elementos de prova que, quando analisados em conjunto, não deixam dúvida a respeito da caracterização de grupo econômico de fato. Já o fato das empresas terem endereços próprios, ao contrário do que entende a Interessada, não tem o condão de comprovar a incorreção das conclusões das autoridades fiscais, porquanto tal fato, além de não contradizer nenhum dos elementos de prova ou constatações arroladas, não é incompatível com a existência de grupo econômico de fato. A alegação de que as empresas prestam atividades diversas e as exercem de maneira totalmente independente entre elas não Fl. 676DF CARF MF Processo nº 11516.723076/201516 Acórdão n.º 1001000.680 S1C0T1 Fl. 665 25 condiz com a realidade, conforme demonstrado pelas autoridades fiscais. A alegação de que o perfil na rede social Linkedin a que faz referência o documento de fls. 507/508 é do Sr. Rafael Nandi Marcelino e não do Sr. Rafael Nandi Calegari, por sua vez, não pode ser aceita, visto que não foi apresentada nenhuma prova que a ampare. Cabe ressaltar, porém, que mesmo que o referido perfil fosse de Rafael Nandi Marcelino, o que não foi provado, tal fato não tiraria a força probatória de tal documento, já que o mesmo faz expressa menção ao grupo econômico de fato, pois registra a existência do cargo de Gerente de Marketing do “Grupo Nandi”. Diante de todo exposto, portanto, entendo que as autoridades fiscais agiram corretamente ao considerar a existência de grupo econômico de fato nos anos de 2009 a 2015 para fins de apuração da ocorrência da hipótese de vedação ao usufruto do Simples Nacional prevista no artigo 3º, § 4º, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, que assim preceitua: (...) Fica evidente, portanto, que, ao contrário do que alega a Interessada, restou plenamente configurada a ocorrência da hipótese de vedação ao usufruto do Simples Nacional prevista no artigo 3º, § 4º, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, nos anos de 2010 a 2014, já que a receita bruta global das empresas, nesses anos, ultrapassou o limite máximo previsto na legislação, conforme demonstrado na tabela abaixo: (...) Por fim, prevê o §1° do art. 29 que nas hipóteses previstas nos incisos II a X do caput a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. No caso discutido nestes autos há subsunção dos fatos a dois incisos do art. 29 (I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória e V tiver sido constatada prática reiterada de infração), razão pela qual confirmamos o impedimento de adesão para os três anos posteriores. Adicionese que as autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e no mérito negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 677DF CARF MF 26 Fl. 678DF CARF MF
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