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Numero do processo: 10711.003565/2010-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/02/2010
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Numero da decisão: 9303-007.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 35 65 /2 01 0- 66 Fl. 184DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67, e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3301001.692, proferido pela 3º Câmara/1º Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, no sentido de que é aplicável o instituto da denúncia espontânea para excluir a citada multa administrativa, prescrita no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei nº 37/66, em razão do advento da Lei nº 12.350/2010. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/02/2010 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVAADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Recurso Voluntário Provido Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, aduz divergência de interpretação referente ao instituto da instituto da denúncia espontânea é aplicável às penalidades administrativas aduaneiras. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta como paradigmas os acórdãos nºs 3802000.556 e 3802001.128. Em seguida, o Presidente da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 124/138. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, às fls. 1698/1709. No essencial é o Relatório. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10711.003565/201066 Acórdão n.º 9303007.339 CSRFT3 Fl. 184 3 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito especialmente quanto aplicação ou não do instituto da denúncia espontânea para excluir a multa administrativa, prescrita no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei nº 37/66, em razão do advento da Lei nº 12.350/2010. Quanto esta matéria, não tenho maiores reflexões, ou mudança de entendimento, continuo pensando do mesmo modo, ou seja, a condição necessária para aplicação do efeito excludente do instituto da denúncia espontânea da infração tributária formal ou aduaneira de natureza administrativa, o ato infracional deve ser passível de denunciação espontânea, sem esta condição, não se cogita o atendimento dos requisitos temporal e formal concernentes à comunicação espontânea do ato infracional, condição suficiente. Portanto, enquadrase como impossível de denunciação espontânea, a qual tem em sua tipificação o elemento ao descumprimento do prazo para prestação de informação ou de entrega de documentos. Neste caso, por impossibilidade material, tais infrações não são passíveis de comunicação espontânea idônea e, por via reflexa, não são contempladas com o efeito excludente da denuncia espontânea da infração1. Neste sentido, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303003.676, de 26 de abril de 2016, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, do Ilustre Presidente do CARF, Dr. Carlos Alberto Freitas Barreto, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicar se à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. 1 Entendimento adotado pelo Dr. José Fernandes do Nascimento, o qual corroboro da mesma tese. Referências: "A Denúncia Espontânea da Infração Aduaneira de Natureza Administrativa à Luz da Jurisprudência do CARF, pg. 547, in: "Questões Controvertidas do Direito Aduaneiro", Coordenador Demes Brito, São Paulo, 2014, Editora IOB. Fl. 186DF CARF MF 4 Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' . 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' . 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10711.003565/201066 Acórdão n.º 9303007.339 CSRFT3 Fl. 185 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a conseqüente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, Fl. 188DF CARF MF 6 no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa auto avaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está vinculado a um fazer ou não fazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do Decreto Lei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10711.003565/201066 Acórdão n.º 9303007.339 CSRFT3 Fl. 186 7 O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera Fl. 190DF CARF MF 8 prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em conseqüência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contra senso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10711.003565/201066 Acórdão n.º 9303007.339 CSRFT3 Fl. 187 9 O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09). No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. Fl. 192DF CARF MF 10 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributário financeira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10711.003565/201066 Acórdão n.º 9303007.339 CSRFT3 Fl. 188 11 de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada". Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, com retorno dos autos ao colegiado a quo para analise do mérito do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000095/2006-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES – NULIDADE – NÃO APLICÁVEL.
O ato foi assinado por autoridade competente e foi devidamente citado ao contribuinte, esclareceu as razões de fato e direito da exclusão do Simples, dando pleno direito de defesa ao contribuinte, não havendo qualquer causa de nulidade que o desabone.
ENSINO MÉDIO – SIMPLES – ÔNUS DA PROVA. A autoridade fiscal
verificou que o recorrente desempenhava atividade de ensino médio vedada para o regime Simples desde 2003. Embora o contribuinte alegue que só exerce atividade de ensino fundamental, não logrou comprovar esse fato.
Numero da decisão: 1302-000.497
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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O ato foi assinado por autoridade competente e foi devidamente citado ao contribuinte, esclareceu as razões de fato e direito da exclusão do Simples, dando pleno direito de defesa ao contribuinte, não havendo qualquer causa de nulidade que o desabone. ENSINO MÉDIO – SIMPLES – ÔNUS DA PROVA. A autoridade fiscal verificou que o recorrente desempenhava atividade de ensino médio vedada para o regime Simples desde 2003. Embora o contribuinte alegue que só exerce atividade de ensino fundamental, não logrou comprovar esse fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade, por parte do contribuinte CENTRO EDUCACIONAL DE PRESIDENTE PRUDENTE, visando sua inclusão no regime do Simples Federal. O Ato Declaratório Executivo que determinou a exclusão fundamentase na constatação do exercício da atividade de professor, vedada na sistemática de tributação do Simples, conforme art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96. O processo administrativo originouse em representação da Secretaria da Receita Previdenciária, na qual se infere ao contribuinte o desenvolvimento de atividade de ensino médio desde 15/04/2003. Observado que os documentos anexados aos autos faziam referência ao anocalendário de 2005, apenas, foi realizada diligência a fim de determinar precisamente quando o contribuinte iniciou as atividades de ensino médio. Concluiu a autoridade, com base no relatório de diligência fiscal de fls. 206/210, que operavam, no mesmo endereço, os colégios Centro Educacional de Presidente Prudente e Colégio Meta, sem que fosse possível fazer distinção entre os dois, visto que tinham o mesmo dirigente e operavam no mesmo endereço, não raro faturando os serviços em conjunto indistintamente entre os estudantes de ensino médio e fundamental. Assim, não foi possível, da análise de documentos anexados ao relatório de diligência, separar a atividade desenvolvida pelos dois colégios, inferindose então o inicio das atividades de ensino médio ao Centro Educacional de Presidente Prudente a 2003, durando até 2005. Inconformado, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 229/236, com as seguintes alegações, em apertada síntese. I. O CNPJ e o nome do interessado no presente processo não correspondem aos verdadeiros, ficando impossível determinar qual dos dois foi excluído do Simples, erro material que vicia o processo e é causa de nulidade. II. Nos termos do Decreto 70.235/72, assiste ao servidor publico o prazo de 8 dias para execução dos atos processuais, prazo este desrespeitado devendo abrirse novo processo para averiguação dos fatos alegados. III. Os indícios de envolvimento do contribuinte com as atividades de ensino médio datam de 2005 (fls. 45/51), de forma que, se mantida a exclusão, esta deve referirse apenas do ano 2005 em diante. IV. O contribuinte desenvolve atividade de ensino fundamental, não se enquadrando na hipótese vedada pela sistemática do Simples, consideradas as alterações promovidas no art. 9º da Lei nº 9.317/96, pela Lei nº 10.034/2000 e pela Lei nº 10.684/2003. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10835.000095/200604 Acórdão n.º 1302000.497 S1C3T2 Fl. 151 3 V. A exclusão do contribuinte do regime do Simples, conforme art. 15, VI, da Lei nº 9.317/96, só pode gerar efeitos a partir do ano calendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório da exclusão. VI. Tendo a notificação da exclusão ocorrido em 2006, apenas em 2007 tal exclusão poderia gerar efeitos. VII. Por fim, requer o contribuinte que seja admitida sua permanência no Simples. A Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto, reconhecida a tempestividade da manifestação, acordou, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido do contribuinte, conforme consta na fundamentação do voto do relator aqui reproduzida de maneira sintetizada. VIII. Não procede a alegação de que há divergência entre o CNPJ e o nome do contribuinte excluído do Simples, direcionado ao CENTRO EDUCACIONAL DE PRESIDENTE PRUDENTE, havendo apenas menções ao Colégio Meta por conta de documentos identificados durante o curso da diligência fiscal. IX. Quanto à alegação do contribuinte de que decaiu o direito de prosseguir com os atos processuais, ultrapassado o prazo de 8 dias, a norma legal invocada pelo contribuinte, art. 4º do Decreto 70.235/72, descreve em seu corpo prazo impróprio, sendo assim destinado à autoridade local, para a prática de atos de condução do processo, e não as partes envolvidas. X. Com relação às demais alegações aduzidas pelo contribuinte, resta esclarecido, por conta da diligência fiscal realizada, o desenvolvimento de atividade de ensino médio por parte do interessado, haja visto a operação no mesmo endereço, o fato de possuírem o mesmo endereço e a confusão na identificação do sujeito passivo, entre as 2 entidades educacionais, nos contratos de prestação de serviço de ensino médio analisados pela fiscalização. XI. Por último, com relação à alegação do contribuinte de que sua exclusão do regime do Simples apenas poderia produzir efeitos a partir do ano de 2007, a regra aplicada é a do art. 15 da Lei nº 9.317/96, que enquadra exatamente a situação do interessado, não cabendo à autoridade administrativa apreciar alegações de validade de lei, pois tem sua atividade vinculada. Cientificado em 15/05/2009, o contribuinte, através do recurso voluntário de fls. 313 e seguintes, com o protocolo datado de 17/06/2009, apresentou, a este conselho, reforço aos argumentos despendidos em sua Manifestação de Inconformidade, objetivando o arquivamento do presente processo e o reconhecimento do interessado como contribuinte optante pelo regime do simples. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 4 Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade sendo que dele tomo conhecimento. O contribuinte alega erro na identificação do CNPJ e no nome do interessado bem como nulidade pelo descumprimento do prazo de 8 dias para execução de atos processuais. Indefiro a preliminar de nulidade. O Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples é formalmente válido, foi executado por autoridade competente, contém a descrição do contribuinte, dos fatos e do direito aplicável, e no mais atende a todos os requisitos do artigo 10 e 59 do Decreto 70.235/72. O contribuinte demonstra pleno conhecimento das razões de sua exclusão do Simples e efetuou sua defesa ao longo deste processo, não havendo qualquer outra causa de nulidade. Não entendo que o fato de dois contribuintes dividirem o mesmo endereço e terem o mesmo sócio seja em si suficiente para descaracterizar suas personalidades jurídicas ou para considerar ambos um único e mesmo contribuinte para fins tributários. Tanto mais se estivéssemos falando de dois colégios, cada um com sua folha de pagamentos, sua diretoria e seus alunos, seus controles administrativos, gerenciais e contábeis distintos. Mais do que isso, o respeito à individualidade fiscal dos colégios ficaria preservado na medida em que cada um desempenhasse uma especialidade de ensino, como por exemplo, um atuasse comprovadamente no ensino fundamental e o outro no ensino médio, o que poderia ser demonstrado pela relação de clientes alunos, presença, relatórios de programa de aulas, relação de professores e currículos, relatórios de aulas, registros ou fiscalizações de órgãos de educação, etc. Por outro lado, neste caso, essa divisão entre os colégios não restou nada clara. Os indícios levantados vão além da divisão do endereço e do sócio. A autoridade fiscal identificou contratos de prestação de serviços em que ambos os colégios receberam valores sem segregação e decorrentes de Ensino Médio. As provas montam do ano de 2003 em diante. Nesse sentido, embora o contribuinte alegue que desenvolve unicamente atividade de ensino fundamental e que no máximo teria se envolvido na atividade de ensino médio a partir de 2005, não comprova o quanto alega, nos termos do artigo 333 do Código de Processo Civil. A atividade de ensino médio apurada pelo fisco, por sua vez, exige professor bastante qualificado, logo, está vedada para opção de Simples. Nos termos do art. 15, II, da Lei nº 9.317/96, o ADE de Exclusão do Simples gera efeitos na a partir do ano em que se verificou o exercício da atividade vedada. Neste caso, o contribuinte exerceu atividade de ensino médio desde o ano de 2003, logo, a exclusão do Simples dáse a partir desse ano. Não há qualquer respaldo jurídico ou legal para protelar a eficácia do ADE para o ano de 2005 ou 2007, nos termos em que pretende o contribuinte interessado. Nessa medida, concluo que está correta a exclusão do Simples ora combatida e nego provimento ao recurso voluntário. “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 341DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10835.000095/200604 Acórdão n.º 1302000.497 S1C3T2 Fl. 152 5 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI
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Numero do processo: 13005.902335/2008-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem:
1) Informe se houve apresentação de DCTFs retificadoras do ano-calendário de 2003 pelo Recorrente e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da RFB, juntando ao processo a DCTF que prevaleceu no 4º trimestre de 2003;
2) Junte ao processo cópia integral da DIPJ e do DACON que prevaleceram no ano-calendário de 2003, ou intime o Recorrente a apresentá-los, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB;
3) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábil-fiscal na qual conste a origem aos créditos postulados referentes aos meses de outubro a dezembro de 2003, juntamente com a elaboração de quadro analítico discriminando os valores e períodos correspondentes.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: 1) Informe se houve apresentação de DCTFs retificadoras do ano-calendário de 2003 pelo Recorrente e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da RFB, juntando ao processo a DCTF que prevaleceu no 4º trimestre de 2003; 2) Junte ao processo cópia integral da DIPJ e do DACON que prevaleceram no ano-calendário de 2003, ou intime o Recorrente a apresentá-los, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB; 3) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábil-fiscal na qual conste a origem aos créditos postulados referentes aos meses de outubro a dezembro de 2003, juntamente com a elaboração de quadro analítico discriminando os valores e períodos correspondentes. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1620; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 92 1 91 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.902335/200821 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1002000.021 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Ordinária Data 02 de outubro de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente CEVA TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: 1) Informe se houve apresentação de DCTFs retificadoras do anocalendário de 2003 pelo Recorrente e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da RFB, juntando ao processo a DCTF que prevaleceu no 4º trimestre de 2003; 2) Junte ao processo cópia integral da DIPJ e do DACON que prevaleceram no anocalendário de 2003, ou intime o Recorrente a apresentálos, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB; 3) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábilfiscal na qual conste a origem aos créditos postulados referentes aos meses de outubro a dezembro de 2003, juntamente com a elaboração de quadro analítico discriminando os valores e períodos correspondentes. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .9 02 33 5/ 20 08 -2 1 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13005.902335/200821 Resolução nº 1002000.021 S1C0T2 Fl. 93 2 Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RJ1: Trata o presente processo de declaração de compensação no 22231.86096.160704.1.3.042770 (fls. 23/28) em que o interessado aponta crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL código 23721 referente ao mês de dezembro de 2003, no valor de R$ 4.184,07. O pagamento foi efetuado em 30/01/2004 (fls. 26). Com o referido crédito o interessado compensou débito CSLL do código 2372 1 PA 2º trim/2004, com vencimento em 30/07/2004, no valor de R$ 495,72 (fl. 27). A declaração de compensação foi entregue em 16/07/2004. O Despacho Decisório n° 790540439, de 09/09/2008 (fl. 02), não reconheceu o crédito em questão, uma vez que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, constatouse que o pagamento informado já foi utilizado para pagamentos de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP, e não homologou a compensação declarada. Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 19/09/2008 (doc. fls. 19), o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 29/09/2008 (fl. 01), alegando em síntese que: • a origem inicial do crédito utilizado nas PER/DCOMP esta caracterizada na DCTF do 4° trimestre de 2003, juntada aos autos, tendo o valor pago R$ 9.319,68, valor do débito de R$ 3.494,88, valor pago indevidamente a maior de R$ 5.824,80; • a partir da disponibilidade deste crédito, foi o mesmo utilizado na geração do PER/DCOMP nº 3330.09985.160404.1.3.048522, em 16/04/2004, para compensar com o débito no valor de R$ 1.701,93, restando um saldo de R$ 4.184,07; • foi gerada nova compensação a partir da disponibilidade original através do PER/DCOMP nº 22231.86096.160704.1.3.040770, com valor original do crédito de R$ 4.184,07, para compensar débitos no valor de R$ 495,72, restando um saldo credor de R$ 3.772,00. • Portanto, conforme evolução das compensações entendese ter demonstrado a disponibilidade dos créditos citados, conforme a documentação juntada; • solicitase o cancelamento do despacho decisório. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RJ1, conforme acórdão n. 1236.829, de 19 de abril de 2011 (efl. 45), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13005.902335/200821 Resolução nº 1002000.021 S1C0T2 Fl. 94 3 DIREITO CREDITÓRIO. MATÉRIA JÁ EXAMINADA EM OUTRO PROCESSO. A decisão de primeira instância que examina, em determinado processo, o direito creditório pleiteado pelo interessado, aplicase, também, a todos os demais processos que estejam vinculados ao mesmo crédito. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não comprovada a liquidez e a certeza do crédito pleiteado, deixase de homologar a compensação declarada. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 53), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados. Registra que "A origem inicial do crédito objeto das PER/DCOP anexa se deu através da Instrução Normativa nr. 390 no inciso I do Artigo 89, que determina o percentual da Receita Bruta a ser considerado para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL seria de 12% e não de 32% a partir de 01 de Setembro de 2003 para: 'Prestação de serviços em geral, exceto serviços hospitalares e de transporte'." Destaca que "o cálculo da CSLL do período de Outubro de 2003 a Dezembro de 2003 foi realizado com a aplicação da base de cálculo de 32% e não de 12% conforme determina a citada IN nr. 390 e demonstração dos valores pagos a maior cfe. Anexo 1." Sustenta que "A partir da origem inicial do crédito caracterizada na DCTF Retificadora do 4 trimestre de 2003 e respectiva DIPJ do período , utilizamos o saldos na PER/DCOMP anexa". Apresenta demonstrativo de cálculo, DARF e DCTF retificadora relativos ao crédito pleiteado. Ao final, conclui que as compensações foram realizadas na forma da lei, solicitando o cancelamento do acórdão de Manifestação de Inconformidade. É o relatório do necessário. Voto Embora seja tempestivo e atenda aos demais requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento parcial do Recurso Voluntário, eis que não se encontra em condições de julgamento, conforme se explica a seguir. Constato que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP de nº 22231.86096.160704.1.3.042770, sob a alegação de que o crédito de R$ 4.184,07, nele informado, já havia sido utilizado integralmente no pagamento do débito do tributo de código de receita 2372 (CSLL de Pessoa Jurídica optante pelo lucro presumido), do período de apuração de 31/12/2003, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13005.902335/200821 Resolução nº 1002000.021 S1C0T2 Fl. 95 4 A decisão a quo pontuou que o Recorrente não teve reconhecido no processo nº 13005.9005351200840 o crédito de origem no PERD/COMP 3330.09985.1604.1.3.048522 e que, por isso, não haveria que se falar em disponibilidade de crédito para o pleito ora em análise, conforme excerto abaixo: O interessado em sua Manifestação de Inconformidade, constante do processo n° 13005.9005351200840, solicita a retificação do débito informado em DCTF para o 4º trim/2003, com o código receita 23721 (CRI PJ optantes pela apuração com base no lucro presumido ou arbitrado), do valor de R$ 9.319,68, para o valor de R$ 3.494,88, conforme DCTF retificadora juntada às fls. 08/18, resultando, desse modo, em pagamento a maior no valor de R$ 5.824,80. Na Manifestação de Inconformidade constante do processo em tela, alega o interessado, que o crédito utilizado no PER/DCOMP constante dos autos, tem origem no citado valor. Porém, conforme o Acórdão DRJ/RJ1 n° 12036.82812011 (doc. fls. 43/47), o pleito não foi homologado, pois a retificação da DCTF ocorreu em data posterior ao início do procedimento administrativo, fato não permitido pela legislação que trata da matéria. Sendo assim, como o interessado no processo n° 13005.90053512008 40 não teve o crédito reconhecido, não há que se falar em disponibilidade de crédito com origem no PER/DCOMP n° 3330.09985.1604.1.3.048522, para o pleito ora em análise. Analisando o Recurso Voluntário vejo que o pedido de reconhecimento do crédito pelo Recorrente fundamentase em uma DCTF retificadora recepcionada em 27/05/2008 (efls. 32), e que o crédito de origem no PER/DCOMP n° 3330.09985.1604.1.3.04 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13005.902335/200821 Resolução nº 1002000.021 S1C0T2 Fl. 96 5 8522, constante do processo n° 13005.9005351200840, não foi reconhecido por conta da DCTF retificadora do 4º trimestre de 2003 ter sido apresentada em data posterior à de emissão do despacho decisório eletrônico de não homologação constante daquele processo, ocorrida em 24/04/2008. Naquela oportunidade, a decisão a quo pontuou que a retificação da declaração de compensação só poderia ser admitida enquanto o pedido estivesse pendente de decisão administrativa à data do envio do documento de retificação, lastreandose na legislação de regência. Em que pese a existência do óbice normativo apontado para apuração do crédito postulado pelo Recorrente, constato haver verossimilhança nas suas alegações, fundada no fato de que apresentou DCTF retificadora dos créditos que compuseram o PERD/COMP não homologado no processo n° 13005.9005351200840, a qual, em sendo deferida, faria cair por terra o motivo da não homologação, eis que a totalidade dos créditos postulados pelo Recorrente estariam confirmados, o que permitiria a verificação da suficiência (ou não) dos créditos constantes do PERD/COMP do processo ora em análise. Assim, ancorado nos princípios da verdade material e do formalismo moderado, entendo que o deslinde do caso depende, primeiramente, da confirmação (ou não) da aceitação na base de dados da Receita Federal do Brasil da DCTF retificadora do 4º trimestre de 2003 recepcionada em 27/05/2008, bem como do batimento das informações nela colhidas com a escrituração contábilfiscal do Recorrente e com outras declarações do mesmo período apresentadas pelo Recorrente, mormente a DIPJ e o DACON. No presente caso alguns desses documentos e declarações não foram juntados aos autos e não se tem certeza de que as declarações juntadas prevaleceram nos sistemas de controle da RFB ou se foram retificadas, motivo porque voto por baixar o processo em diligência junto à Unidade de Origem para que: 1) Informe se houve apresentação de DCTFs retificadoras do anocalendário de 2003 pelo Recorrente e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da RFB, juntando ao processo a DCTF que prevaleceu no 4º trimestre de 2003; 2) Junte ao processo cópia integral da DIPJ e do DACON que prevaleceram no anocalendário de 2003, ou intime o Recorrente a apresentálos, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB; 3) Intime o Recorrente à apresentação da escrituração contábilfiscal na qual conste a origem aos créditos postulados referentes aos meses de outubro a dezembro de 2003, juntamente com a elaboração de quadro analítico discriminando os valores e períodos correspondentes. Após, cientificar o Recorrente sobre o resultado da diligência e retornar os autos ao Relator para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13786.720036/2014-79
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO - REQUISITOS LEGAIS - AUSÊNCIA
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO - REQUISITOS LEGAIS - AUSÊNCIA As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1587; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 84 1 83 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13786.720036/201479 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.289 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 29 de agosto de 2018 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente MIRA BELL DE SOUZA MALAFAIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DEDUÇÃO INDEVIDA DESPESA MÉDICA DOCUMENTAÇÃO REQUISITOS LEGAIS AUSÊNCIA As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 6. 72 00 36 /2 01 4- 79 Fl. 84DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 05 a 09), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 1.388,75, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 16 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Após ciência do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02/03, na qual contesta a glosa das despesas médicas com os seguintes argumentos: “... desejo CONTESTAR a glosa ... anexando os comprovantes de pagamentos (xeroxs), da profissional Patrícia de Souza Barcelos, juntamente com a Declaração de Ratificação e Retificação da profissional em referência, atendendo às exigências da presente Notificação de Lançamento, para a devida comprovação, portanto solicito que esta dedução seja restabelecida.” A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que por unanimidade, em 31/07/2015, no acórdão 0958.167, às efls. 59 a 62, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 67 a 82, no qual reitera as razões da impugnação. É o relatório. Voto Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13786.720036/201479 Acórdão n.º 2002000.289 S2C0T2 Fl. 85 3 Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 08/08/2015, efls. 66, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 24/08/2015, efls. 67, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional Fl. 86DF CARF MF 4 da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13786.720036/201479 Acórdão n.º 2002000.289 S2C0T2 Fl. 86 5 informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Fl. 88DF CARF MF 6 Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Feitas estas considerações, os documentos juntados pela contribuinte não são hábeis para afastar a glosa das despesas médias efetuada pela Fiscalização, já que os recibos carecem de diversos requisitos legais. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13786.720036/201479 Acórdão n.º 2002000.289 S2C0T2 Fl. 87 7 Em sede de Recurso Voluntário a contribuinte trouxe documento, às efls. 78, reconhecendo a firma da profissional Patrícia de Souza Barcelos, e sanando o vício apontado pela DRJ, motivo pelo qual afasto a glosa da despesa médica. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.720274/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. VTN. NÃO COMPROVAÇÃO.
Constatada - pelo Fisco - a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica - ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT.
ITR. RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. AVERBAÇÃO JUNTO AO RGI. OBRIGATORIEDADE.
Quanto às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da respectiva DITR.
ITR. IMÓVEL INVADIDO. PERDA DA POSSE. INOCORRÊNCIA.
Não se verificando a perda da posse em função da não cessação do poder sobre o bem, dentre eles, o direito de reavê-lo de quem quer que injustamente o possua ou detenha ou dele ser mantido na posse, presente a aptidão legal para figurar no pólo passivo da obrigação tributária atinente ao ITR.
Numero da decisão: 2402-006.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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VTN. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatada pelo Fisco a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT. ITR. RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. AVERBAÇÃO JUNTO AO RGI. OBRIGATORIEDADE. Quanto às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da respectiva DITR. ITR. IMÓVEL INVADIDO. PERDA DA POSSE. INOCORRÊNCIA. Não se verificando a perda da posse em função da não cessação do poder sobre o bem, dentre eles, o direito de reavêlo de quem quer que injustamente o possua ou detenha ou dele ser mantido na posse, presente a aptidão legal para figurar no pólo passivo da obrigação tributária atinente ao ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 02 74 /2 00 8- 13 Fl. 194DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento para constituição do ITR, exercício 2005, no valor principal de R$ 85.766,62, acrescido de multa de ofício (75%) e juros legais (Selic), relativo ao NIRF 5.319.1161 SERINGAL CABECEIRA. Foram apuradas as seguintes infrações: 1 Área de Preservação Permanente não comprovada; 2 Área de Reserva Legal não comprovada; e 3 VTN declarado não comprovado. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que foi julgada procedente em parte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ fls. 112/130, para restabelecer a APP de 100 ha. Em seu Recurso Voluntário de fls. 141/162 aduz, em resumo: 1 O Imóvel objeto do Auto de Infração está encravado em área de interesse ecológico, onde se pode constatar que 100,0 % da área do imóvel ficou inserida na Zona 4 do Zoneamento sócio econômico e ecológico do estado de Rondônia. Reserva Florestal criada através da Lei Complementar nº 52/1991. Que o § 7º do artigo 10 da Lei 9.393/96 o dispensaria de fazer a prévia comprovação das APPs, das ARL e das áreas sob regime de servidão florestal. 2 Que a reserva legal corresponderia a 80% da área do imóvel, por se situar na Amazônia Legal; 3 Que está averbada junto à matrícula do imóvel, a responsabilidade da empresa em preservar todas a áreas manejadas num período de 20 anos. E isso seria o suficiente. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10240.720274/200813 Acórdão n.º 2402006.568 S2C4T2 Fl. 3 3 Ademais, as áreas onde foram exploradas com projeto de manejo florestal sustentado, são consideradas pela legislação como áreas produtoras de madeiras, e são isentas de imposto. 4 Que a alíquota aplicada pela Fiscalização, de 12%, configuraria confisco da propriedade privada; e 5 Que o imóvel sofreu invasão pelo movimento denominado "LIGA CAMPONESA POBRE LCP"; que devido ao esbulho possessório sofrido não pode explorar economicamente o imóvel; que a recorrente perdeu a posse do imóvel; e 6 Que com a criação de novos municípios, o imóvel passou a pertencer aos Municipios de Cujubim e Machadinho D´oesteRO; que o Município de Cujubim está muito distante do Município de Ariquemes, e as terras daquela localidade valem muito menos das localizadas no município de Ariquemes, por ser localizado fora da Br 364, local de difícil acesso. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 27.02.2012 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 16.03.2012. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Da ilegitimidade passiva: Quanto à alegação de que não deveria incidir o imposto sobre o imóvel que foi invadido, em função de não poder mais dele se utilizar, tenho que não merece prosperar. De acordo com o artigo 4° da Lei n° 9.393/96, contribuinte do ITR pode ser o proprietário do imóvel rural, o titular do seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, sem ordem de preferência. A certidão de RGI acostada às fls. 183/189, lavrada em 15.09.2008, informa a propriedade do imóvel como sendo da Sra Eunice Picinato. Tanto o DIAT/DITR/2005, quanto os ADA/1997, protocolizado em 11.11.2002 e ADA/2003, protocolizado em 17.06.2004, foram apresentados em nome do recorrente. A questão sob análise resumese a avaliar se o fato de imóvel ter sido supostamente invadido afastaria, do recorrente, sua condição de possuidor para fins de sujeição passiva para o ITR. Inicialmente, cumpre destacar que não consta dos autos comprovação, sequer evidência, de que tal condição (invasão) tenha se dado/mantida à data do fato gerador em Fl. 196DF CARF MF 4 questão (01.01.2005), tampouco qual o tamanho da área suposta e efetivamente invadida. Vejamos: A cópia da Assentada da Audiência de Justificação Prévia de fls. 33, lavrada em 27.03.2002 nos autos do PJ 002.02.0019370, noticia a decisão de manutenção do recorrente na posse de imóvel que lá não especifica. Já às fls. 32, há um extrato da Sentença, supostamente publicado no DOE em 19.09.2002, que determinou que a autora (aqui recorrente) fosse definitivamente mantida na posse do imóvel lá em litígio. A certidão de fls. 37, nos autos do processo 10240.720273/200871, também de minha relatoria, além de certificar a intimação do representado legal da LCP LIGA CAMPONESA POBRE da decisão encimada, registrou a presença no local em 23.03.2002 de várias pessoas, estando algumas com capuz e outras armadas, contudo, sem que fossem regularmente identificadas. Frisese, não se identificou nada mais nos autos que demonstrassem o esbulho, sequer turbação da posse, à época do fato gerador. (01.01.2005) O Código Civil de 2002 estabelece a perda da posse quando cessar a poder sobre o bem ao qual se refere o artigo 1.196 1 do mesmo diploma. Por sua vez, aquele artigo 1.196 estabelece que o possuidor é aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade. Prosseguindo, o artigo 1.228 dispõe que o proprietário tem o direito de, quanto à coisa, i) Usar, ii) Gozar, iii) Dispor; e iv) Reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Na mesma linha, especificamente no que se refere à posse, o art 1.210 prevê que "o possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado." No mesmo sentido, o artigo 926 do CPC/73 estabelecia que o possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação e reintegrado no de esbulho. Da dicção acima, notase que ainda que não esteja na imediata posse do bem, ao Possuidor de Direito é assegurada a Manutenção ou Reintegração efetiva na posse, além do quê, o possuidor de máfé responderá, junto ao possuidor de direito, por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de máfé. Não há, assim, a perda definitiva da posse se o possuidor, frisase, ainda na condição de possuidor, tomou as providências em tempo hábil, diligenciou, de forma a reaver a coisa de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Em outras palavras: exercido a tempo o direito de reaver a posse do bem, ou nela ser definitivamente mantido, tenho que o recorrente detém legitimidade para figurar no pólo passivo da obrigação tributária do ITR, na condição de possuidor a qualquer título, consoante preceitua o artigo 4º da Lei 9.393/96. Interpretação diversa conduziria ao entendimento de que ou o imposto poderia ser cobrado dos "invasores", o que não se afigura 1 Art. 1.223. Perdese a posse quando cessa, embora contra a vontade do possuidor, o poder sobre o bem, ao qual se refere o art. 1.196. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10240.720274/200813 Acórdão n.º 2402006.568 S2C4T2 Fl. 4 5 razoável, sob o ponto de vista de sua identificação; ou terseia uma isenção não prevista em lei para o imóvel envolvido. VTN: No que toca ao VTN atribuído pela Fiscalização, o recorrente alega, en passant, que o VTN seria menor em função da então localização do imóvel, que teria se alterada em decorrência da criação de novos município. Todavia, no curso da ação fiscal, o autuado foi intimado a apresentar o "laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados.". E mais, foi feito constar na intimação que a falta de apresentação do laudo de avaliação ensejaria o arbitramento do VTN, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT, da RFB. Não obstante, o contribuinte não atendeu a intimação fiscal com vistas a infirmar o valor eleito pela Fiscalização. Ora, O VTN médio, por hectare, utilizado pelo autuado, correspondeu a apenas e aproximadamente, 17% daquele verificado no SIPT para os imóveis no município de Ariquemes/RO, consoante atesta a autoridade julgadora de piso, não deixando a menor dúvida quanto à sua subavaliação. A alegação de que, com a criação de novos municípios, o imóvel teria passado a pertencer a outro e a não mais ao de Ariquemes, desacompanhada do laudo de avaliação acima mencionado, não merece melhor sorte, na medida em que tanto no RGI, quando no CAFIR, cuja atualização é de responsabilidade do recorrente, a localização do imóvel permanece inalterada, ou seja, em Ariquemes/RO. Na própria DIAT/DITR/05 apresentada pelo recorrente constou este município como o de localização do imóvel. Impõese destacar, que por meio de consulta aos sites oficiais dos municípios de Machadinho D´ Oeste e Cujubim, pôdese verificar que os mesmos foram criados, respectivamente, em 11.05.1988 e 22.06.1994. A seu turno, a Escritura Pública de Compra e Venda de 27.03.2000, (em data bem posterior à criação do município mais novo) onde figuraram como outorgante vendedora a Sra Eunice Picinato e outorgante comprador o recorrente, qualificou os imóveis lá negociados da seguinte forma: Seringal Cabeceira: lote de terras rural denominado "Cabeceira", situado no município de Ariquemes/RO, com área total de 90.783.357 m2. NIRF 5.319.1161 Seringal Novo Mundo: lote de terras rural denominado "Seringal Novo Mundo", situado nos municípios de Ariquemes e Machadinho D´Oeste/RO, com área no município de Ariquemes de 19.938,99 ha e e área no município de Machadinho de 7.400,00 ha, perfazendo a área total de 27.338,99 ha. NIRF 5.316.6078 Fl. 198DF CARF MF 6 O fato acima, por si só, conduz ao entendimento de que não houve erro de fato no preenchimento do DIAT/DITR, tampouco na informação constante do CAFIR, que atestam o município de Ariquemes como o de localização do imóvel de NIRF 5.319.1161. Ademais, como esse valor médio por hectare corresponde ao valor médio apurado no universo das DITR/2005 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Ariquemes/RO, a alegação do recorrente poderia denunciar algum prejuízo em função do VTN utilizado pela Fiscalização, apenas se demonstrado que a alteração da municipalidade tivesse se dado de fato já àquela época e que os demais contribuintes do ITR a observaram para fins de atualização do CAFIR e da apresentação das correspondentes DITR, de forma a promover significativa alteração na base sistêmica de consultas utilizada para a obtenção daquele valor médio por hectare. Não é o que se verifica nos autos. E lembrese, trata de valor estimado, utilizado pelo Fisco ao amparo do artigo 14 da Lei 9.393/96, ante à falta de comprovação, pelo contribuinte regularmente intimado, de um valor que melhor espelhe a realidade do imóvel. Aproveitamento de área não declarada na DITR, objeto do procedimento fiscal: Consoante se denota do demonstrativo de apuração do ITR devido, às fls. 41, a Fiscalização promoveu alterações na DITR do contribuinte no que toca à APP, à ARL e ao VTN declarado e sobre tais assuntos se desenvolverá a análise a seguir. Vejamos: As alterações promovidas de ofício pelo lançamento trazem repercussão direta na base imponível do tributo. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10240.720274/200813 Acórdão n.º 2402006.568 S2C4T2 Fl. 5 7 É de se notar, que autuado não declarou, em sua DITR, qualquer área de interesse ecológico. Entretanto, o ADA supostamente apresentado em 11.11.2002 (fls. 22), continha as seguintes informações: Diferentemente, no ADA de 2003 (fls. 80), supostamente apresentado em 17.06.2004 e do qual se valeu a DRJ para restabelecer a APP de 100 ha, não consta Área de Interesse Ecológico declarada. Confirase: Ou seja, toda a discussão calcada no aproveitamento dessas áreas, tais como, ARL de 80% do imóvel, segundo sua localização, e sua integral inserção em área de Reserva Florestal criada através da Lei Complementar nº 52/1991 do Estado de Rondônia, não deveriam, a rigor, ser aqui apreciadas, na medida em que não integraram o litígio original pelo fato de não ter sido declarada, em sua DITR, área de interesse ecológico. Fl. 200DF CARF MF 8 O não acatamento das informações que constaram essas sim em seu DIAT/DITR será, caso regularmente questionado em recurso, objeto do contencioso administrativo. Esse é, a meu ver e como regra, o limite da lide e sobre o quê se pronunciará as instâncias julgadoras. Contudo, caso efetivamente demonstrado o patente erro de fato no preenchimento da respectiva DITR, em função do equívoco na informação, seja por sua omissão, seja por sua incorreção, entendo admissível, em sede de contencioso administrativo e à luz do princípio da verdade material, a retificação das informações originalmente prestadas naquela declaração, bem como a alteração do lançamento naquilo que dele decorreu. Vale destacar, que são áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, aquelas que, destacase: ampliem as restrições de uso previstas para as APP e ARL. Em outras palavras: ainda que haja ato do poder público que declare determinada área como de interesse ecológico, caso não haja a imposição de efetivas restrições de uso que ampliem aquelas previstas para as APP e ARL, ou seja, restrições além do manejo sustentável, tenho que sua dedução, da área tributável pelo ITR, não possui suporte legal. Confirase. ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Acórdão nº 9202003.051 – Sessão de 12 de fevereiro de 2014 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. O fato de o imóvel rural encontrarse inserido em zoneamento ecológico, por si só, não gera direito à isenção ora tratada. Acórdão nº 9202004.576 – Sessão de 24 de novembro de 2016 Reforçase: para efeito de exclusão do ITR, a Área de Interesse Ecológico deve ser assim declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Quer dizer com isso, que a área declarada em caráter geral não satisfaz, por si só, a condição legal para sua dedutibilidade. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. O reconhecimento dessas áreas depende de ato específico, por imóvel, expedido pelo Ibama (Ato Declaratório Ambiental – ADA). Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10240.720274/200813 Acórdão n.º 2402006.568 S2C4T2 Fl. 6 9 Trago à colação as constatações promovidas pelo acórdão vergastado, que me fazem concluir, em função do acima exposto, pela impossibilidade do aproveitamento de tal área, como pretende o recorrente. Não obstante constar dos autos a referida Certidão da SEDAM, constatase da Descrição da área pertencente à Zona 4 que o imóvel nela situado pode ser realizado o aproveitamento extrativo com manejo dos recursos florestais. Tanto isso é verdade que a própria contribuinte declarou em sua DITR/2005, uma área de exploração extrativa de 1.200,0 ha, que não foi glosada pela fiscalização. Ademais, na Certidão de Inteiro Teor do imóvel, às fls. 65/67, constam averbações de que no imóvel estavam previstas explorações de madeira, confirmando que as áreas integrantes da referida Zona 4, foram objeto de Plano de Manejo Sustentado, aprovado pelo IBAMA, para exploração extrativa (madeira). Constatase, ainda, que existe a intenção de utilizar ou manter essa área na atividade rural, posto que nessa Certidão, não obstante o fato de a impugnante não ter juntado aos autos os documentos hábeis comprobatórios da exploração extrativa, como consta em item específico da matéria, além das averbações sobre o plano de manejo feitas no ano de 1998, existem averbações do ano de 2006 para essa finalidade. Nesse diapasão, faz parte, também, dos autos, o ADA referente a 2003, às fls. 71, no qual consta a declaração de uma área de reserva legal de 4.450,0 ha e a declaração de uma área com plano de manejo florestal de 4.000,5 ha, corroborando que essa área do imóvel estaria, de fato, destinada à exploração extrativa. Glosa da ARL: Como já dito no relatório deste voto, a DRJ restabeleceu a dedução da APP então declarada pelo recorrente. Já no que concerne à glosa da ARL, mantida pelo acórdão de piso, tenho que o procedimento e conclusão adotados não merecem reparos. Vejamos. Prosseguindo na análise, o § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, que deve ser aplicado em sua literalidade por força do artigo 111 do CTN2, elenca as áreas que podem ser deduzidas da área tributável para fins de apuração do ITR. Vejamos: 2 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (...) Fl. 202DF CARF MF 10 Assim sendo, o artigo 10 da Lei 9.393/96 disciplina os contornos da apuração do ITR, verbis. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) As áreas de preservação permanente APP, consoante definidas na Lei 4.771/65, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas, podem ser classificadas como legais (art. 2º) e administrativas (art. 3º). Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10240.720274/200813 Acórdão n.º 2402006.568 S2C4T2 Fl. 7 11 Quanto às primeiras, as legais, temos as florestas e demais formas de vegetação natural situadas próximas a fontes de recursos hídricos e a relevos com importância a preservação dos eco sistemas, tais como: i) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal; ii) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; iii) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; iv) no topo de morros, montes, montanhas e serras; v) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; e vi) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues. Por sua vez, as APP administrativas, declaradas por ato do poder público, são as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Percebese que há uma evidente diferença entre as duas espécies de APP. Enquanto que para as legais, já determinadas no diploma legal, a finalidade é intrínseca ao que se propõe a lei; para as administrativas, a finalidade a ser alcançada pelo administrador público está textualmente prevista nas alíneas daquele artigo 3º. Assim, indubitavelmente, a ação do poder público tornase imprescindível para a constituição dessas APP administrativas. Frisese que a supressão total ou parcial dessas áreas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Por seu turno, ainda de acordo com o diploma encimado, as reservas legais são áreas localizadas no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessárias ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas, cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. Devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, após aprovada sua localização pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada (§ § 4º e 8º do artigo 16 da Lei 4.771/65). A Fl. 204DF CARF MF 12 obrigatoriedade da aprovação acima citada foi introduzida na lei de regência, por conta da MP 2.16667/2001. Veja, a obrigatoriedade de se ter aprovada a localização da ARL pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada está diretamente relacionada à vedação a que se constitua reserva legal sobre área de preservação permanente, já dedutível, observadas as exigências legais, na apuração do imposto. Com isso, tendese a evitar a utilização da mesma área, por mais de uma vez, como dedução do ITR. Assim, podese resumir: APP Pode haver a supressão, quando assim determinar o interesse público; ARL Não pode haver a supressão, mas somente sua utilização em regime de manejo florestal sustentável. E, por fim, naquilo que interessa ao caso, temos as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que, destacase: ampliem as restrições de uso previstas para as APP e ARL. Em outras palavras: ainda que haja ato do poder público que declare determinada área como de interesse ecológico, caso não haja a imposição de efetivas restrições de uso que ampliem aquelas previstas para as APP e ARL, ou seja, restrições além do manejo sustentável, tenho que sua dedução, da área tributável pelo ITR, não possui suporte legal. Confirase. ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Acórdão nº 9202003.051 – Sessão de 12 de fevereiro de 2014 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. O fato de o imóvel rural encontrarse inserido em zoneamento ecológico, por si só, não gera direito à isenção ora tratada. Acórdão nº 9202004.576 – Sessão de 24 de novembro de 2016 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10240.720274/200813 Acórdão n.º 2402006.568 S2C4T2 Fl. 8 13 Reforçase: para efeito de exclusão do ITR, a Área de Interesse Ecológico deve ser assim declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Quer dizer com isso, que a área declarada em caráter geral não satisfaz, por si só, a condição legal para sua dedutibilidade. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. O reconhecimento dessas áreas depende de ato específico, por imóvel, expedido pelo Ibama (Ato Declaratório Ambiental – ADA). Prosseguindo, a alínea "e" do inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, com a redação dada pela lei 11.428/2006, autorizou a dedução, a partir de 01.01.2007, das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Notese que áreas cobertas por florestas nativas secundárias em estágio inicial de regeneração não foram contempladas pelo dispositivo.3 Malgrada a digressão acima, seja qual for a área que, ao amparo do inciso II, do § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, se pretenda expurgar daquela tributável pelo ITR, o fato é que ela deve constar consignada no competente Ato Declaratório Ambiental ADA, conforme preconiza o artigo 17O da Lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei 10.165/2000. Confirase. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Por sua vez, o Ato Declaratório Ambiental – ADA é um instrumento legal que possibilita ao Proprietário Rural uma redução do Imposto Territorial Rural – ITR, em até 100%, sobre a área efetivamente protegida, quando declarar no Documento de Informação e Apuração DIAT/ITR, Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural, Interesse Ecológico, Servidão Florestal ou Ambiental, áreas cobertas por Floresta Nativa e áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas. É documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto Sobre a 3 http://www.fundacaofia.com.br/gdusm/florestas_estagios.htm Fl. 206DF CARF MF 14 Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. Deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. O texto legal encimado evidencia uma atuação conjunta de órgãos autônomos no sentido de manter o controle em relação à desoneração tributária. Ademais, prevê a necessidade de pagamento de uma taxa de vistoria, a qual, em sendo realizada, e não se confirmando a existência das áreas excluídas de tributação, poderá ensejar o lançamento de ofício do tributo, sendo inequívoco que o ADA é obrigatório para aqueles que desejam se beneficiar da redução do tributo devido a título de ITR. É dizer: é instrumento eleito pelo legislador para controle, integração de órgãos e fonte de custeio da atividade de vistoria, questões absolutamente indispensáveis ao acompanhamento do cumprimento dos preceitos da legislação relativos à limitação da utilização de tais áreas, bem assim da correção no gozo da benesse fiscal. Nesse contexto, o legislador estabeleceu a forma que entendeu adequada para promover tal controle e fiscalização, não sendo possível a este Conselho deixar de aplicar comando legal válido e vigente apenas pela eventual convicção de que tal atividade poderia ser levada a termo de outra forma. Reprisese. Não há esforço interpretativo que, a partir da literalidade da frase "a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória", possa ser capaz de concluir pela desnecessidade da obrigação imposta pelo legislador. É entendimento corrente neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória a apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Situação diversa da verificada em períodos anteriores ao ano de 2001, como se depreende da Súmula Carf. nº 41, segundo a qual, “a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No caso em tela, o que se vê é a utilização da função extrafiscal do tributo, mediante sua aplicação como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Voltando às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir, após aprovação do local pelo órgão ambiental e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA, no prazo estabelecido em norma regulamentar. 4 Em suma: a existência das ARL, APP, áreas cobertas por floresta nativa ou qualquer outra especificada naquele inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, por si só não assegura ao contribuinte a não tributação das áreas s que se refere. Há de se cumprir as exigências legais. 4 Artigo 9º, § 3º, I da IN SRF 256/2002. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10240.720274/200813 Acórdão n.º 2402006.568 S2C4T2 Fl. 9 15 Notem por sua vez, que os prazos acima destacados não se tratam de mera formalidade ou desprovidos de propósito razoável. Vejamos: Se por um lado é indubitável que as ARL devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, por outro, o que se questiona é se tal providência pode ser efetivada a qualquer tempo. Tenho que não. Tal averbação é condição legal para que o sujeito passivo possa, a rigor, se valer de tal isenção e não ter contra si constituído o crédito tributário a ela relacionada. Logo, todas as circunstâncias constitutivas 5 e fatos devem estar perfeitamente configurados à data do fato gerador da obrigação principal. E mais, a averbação em registro próprio possibilita a determinação dos limites e localização das ARL, viabiliza o efetivo controle de sua manutenção pelo poder público, além de dar publicidade de seus contornos à eventuais adquirentes da propriedade. Seria, a grosso modo, uma via de mão dupla. Assim dispõe o § 1º do artigo 12 do Decreto 4.382/2002, de obediência obrigatória por este colegiado: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal; § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Já no que toca ao prazo para o protocolo do ADA, da mesma forma de evidente obrigatoriedade legal, veja que está relacionado á viabilidade do exercício do poder de polícia a cargo do IBAMA. Admitir o protocolo a qualquer tempo conduzira, por óbvio, ao inegável prejuízo no exercício da atividade estatal, já que poderia não mais dispor de tempo hábil à tomada de eventuais providências no âmbito do lançamento de oficio do ITR. Esvaziaria, assim entendido, o propósito legal. Na mesma linha, o inciso I do § 3º do artigo 10 daquele Decreto 4.382/2002 estabelece: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de reserva legal; III de reserva particular do patrimônio natural; IV de servidão florestal; 5 o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Fl. 208DF CARF MF 16 V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo; VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual.. § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo; E II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis. Nesse diapasão, em atenção à parte final daquele inciso I do parágrafo 3º acima, a Instrução Normativa SRF nº 256/2002, que é, na forma do artigo 100 do CTN, norma complementar das leis e, portando, de observância obrigatória por todos os contribuintes, estabelece em seu artigo 9º, o prazo para a apresentação do referido ADA, para fins do seu aproveitamento em matéria tributária. Reforçase: não se trata de criar tributo ou mesmo restringir/limitar o exercício do direito do contribuinte, que se deu por força da lei 9.393/96 e artigo 17O da Lei 6.938/81, mas sim de regulamentar seu exercício. Em outras palavras: para se valer dessa isenção condicionada, seu cumprimento deve se dar de forma a efetivamente assegurar ao Estado, por meio de seu órgão ambiental, a possibilidade de se aferir o escorreito enquadramento da área a ele declarada e que pretende ver excluída da apuração do ITR. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10240.720274/200813 Acórdão n.º 2402006.568 S2C4T2 Fl. 10 17 Assim, não resta dúvida que para fins de exclusão da área tributável, aquelas áreas deverão ser obrigatoriamente informadas em ADA, protocolado pelo sujeito passivo no IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo. É o que exige o Decreto 4.382/2002, de observância obrigatória por este colegiado, a teor do artigo 62 do RICARF. Conforme se extrai do excerto abaixo, que constou do voto vencedor no acórdão 9202005753, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a jurisprudência neste Conselho consolidouse no sentido de aceitar o ADA protocolizado até o início da ação fiscal. Confirase: É certo que, no caso da Área de Preservação Permanente (APP), tratase de acidentes geográficos já existentes na natureza, porém a exclusão da tributação desta área ambiental não está condicionada à criação da área e sim da sua preservação, como a própria denominação está a indicar. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), é claro que a fruição do benefício está condicionada à preservação à época do fato gerador. Nesse passo, a Receita Federal, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias, estabeleceu o prazo de seis meses após a data de entrega da DITR, para que o Contribuinte providencie o protocolo do ADA. E tratandose de declarar algo que a priori já existiria na natureza, este Colegiado consolidou a jurisprudência no sentido de aceitarse o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. Não retrata, com a devida venia, o entendimento deste relator. Não seria razoável imaginar que tal informação pudesse ser prestada em data, por exemplo, próxima a da ação fiscal, porquanto a potencial vistoria pelo órgão ambiental não observaria, decerto, o lustro legal para a constituição do imposto, fosse o caso. Da mesma forma, supor que a atividade de polícia, legalmente exigida e que traria certa segurança ao considerar isentas aquelas áreas, possa ser substituída pela exclusiva atuação privada (por meio de laudos técnicos), não me parece atender ao interesse público. No mesmo sentido, como bem destacado no voto acima parcialmente colacionado, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas, conforme estabelece a lei, em determinados locais do imóvel, são de PRESERVAÇÃO PERMANENTE existentes a época do fato gerador do tributo, consoante preceitua o inciso II do § 3º do artigo 10 do Decreto 4.382/2002. Vale dizer: as florestas e demais formas de vegetação natural devem estar em permanente preservação, sobretudo na data do fato gerador. Dito isso, como se aferir tal circunstância pelo órgão de controle ambiental, admitindose a apresentação do ADA em data significativamente distante da do fato gerador do tributo ? Fl. 210DF CARF MF 18 Em outras palavras, haveria como o IBAMA empreender alguma vistoria eficaz a partir de um ADA apresentado após 4 anos do exercício a que se referem as informações nele prestadas, ainda que tenha sido entregue antes de o início da ação fiscal ? Não basta que no imóvel existam rios ou qualquer outro curso d´água, lagoas ou reservatórios de d´ água naturais ou artificiais, topo de morros, montes ou serra, fazse necessário, aí sim, que nesses locais efetivamente haja floresta ou demais formas de vegetação natural permanentemente preservadas. Da mesma forma, não se pode imaginar que a dispensa à prévia comprovação, por parte do declarante, no que toca às APP e ARL declaradas para fins de isenção do ITR, consoante estabelece o § 7º do artigo 10 da L. 9.393/96, o estaria desincumbindo da obrigação legal imposta pelo § 1º do artigo 17O da Lei 6.938/81. Longe disso. Uma coisa é a desnecessidade da prévia apresentação da comprovação das áreas quando da entrega da DITR; outra, a obrigatoriedade de que tais informações sejam prestadas tempestivamente ao IBAMA, por meio do competente ADA e ao Fisco, quando intimado por autoridade competente no exercício de seu dever funcional. E veja, o parágrafo 7º encimado foi originalmente introduzido ao artigo 10 da Lei 9.393/96 por meio da Medida Provisória 1.95650/2000, de 26.05.2000, ao passo que aquele que impõe a obrigatoriedade do ADA, por meio da posterior Lei 10.165/2000 de 27.12.2000. Com isso, considerando o período em que ambos vigeram não há, a meu ver, como entender que aquele primeiro desobrigou a apresentação do ADA. Não há, no meu entender, qualquer antinomia entre os dispositivos, na medida em que tratam de circunstâncias diferentes. Voltando ao prazo para apresentação do ADA, a IN SRF 256/2002, em sua redação original, o estabelecia como sendo "de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR". Com a entrada em vigor da obrigatoriedade de sua apresentação anual, o órgão ambiental o estabeleceu como sendo de 1º de janeiro a 30 de setembro. .6 Daí a alteração naquela IN SRF 256/2002, que passou a estabelecer, a partir da IN RFB 861, de 17 de julho de 2008, ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente." Em resumo, podese dizer, no que toca à dedução das áreas elencadas nos inciso I ao VI do artigo 10 do Decreto nº 4.382/2002, que além dos requisitos de ordem formal previstos na legislação, há de se comprovar, quando intimado, sua efetiva existência, a teor do inciso II do parágrafo 3º retro citado, por meio de laudo técnico que deve, de forma clara, especificar, detalhar, dimensionar e localizar cada uma das áreas eventualmente existente à época do fato gerador. Voltando ao caso sob análise, notase que da área de 7.262,6 ha utilizada pelo recorrente, a Fiscalização validou a de 4.539,1 ha, que se refere exatamente àquela informada no ADA de 11.11.2002 (fls. 22) e averbada, quando do fato gerador, à margem do registro do imóvel. Destaquese que no ADA de 2004, constou a informação de ARL ainda menor (4.450,0 ha). Junto à matrícula do imóvel, há, apenas em junho de 2006, retificação da ARL averbada para os 7.262,6 ha de que pretendeu se valer o autuado. 6 http://www.ibama.gov.br/imovelrural/atodeclaratorioambientalada/oqueeoada Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10240.720274/200813 Acórdão n.º 2402006.568 S2C4T2 Fl. 11 19 Assim procedendo, agiu acertadamente a autoridade autuante, quando aceitou a ARL que constou no ADA de 2002 e que se encontrava averbada junto à matrícula do imóvel à dada do fato gerador. Da alíquota: Por fim, quanto à alegação de que a Fiscalização utilizouse de uma alíquota de 12% para o cálculo do imposto, em flagrante ofensa ao princípio constitucional do não confisco, cumpre tecer algumas considerações. Conforme se percebe do quadro "Cálculo do Imposto", do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO acima colado, a autoridade autuante utilizouse, diferentemente do imaginado pelo recorrente, da alíquota de 20%, a teor do artigo 11 da Lei 9.393/96. Nesse rumo, uma vez observadas as disposições legais, não cabe a este colegiado afastar sua aplicação (art. 62 do RICARF), tampouco pronunciarse acerca de sua constitucionalidade (art. 72 do RICARF c/c Súmula CARF nº 2). Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.903337/2012-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO
Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação - Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, comprovação esta que é ônus do contribuinte, sendo incabível a transferência da responsabilidade ao Fisco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.636
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 33 37 /2 01 2- 09 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, insurgiuse contra o caráter confiscatório da multa exigida, bem como contra a taxa Selic. A Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 10 049.317. Cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, a impugnante ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando, em síntese, que: ü A Decisão ora atacada deve ser de plano anulada por esta Colenda Câmara, uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos, pois ainda que levantados tais pontos na manifestação, os mesmos não foram devidamente apreciados, razão pela qual se impõe sejam eles devidamente analisados nesta instância de julgamento; ü A decisão elaborada não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que, como visto, carente de fundamentação; ü Não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tão somente na injustificada negativa do crédito pretendido e na retórica imposição do ônus da prova do crédito à Contribuinte; ü Pelo exposto, resta claro o prejuízo aos direitos da Contribuinte ao exercício de sua defesa, vez que impossibilitada de defenderse da forma apregoada no Texto Magno. Neste contexto, não pairam quaisquer dúvidas quanto ao direito dos administrados à ampla defesa Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 4 3 no processo administrativo, sendo este verdadeiro critério de validação dos atos e processos administrativos; ü A decisão recorrida, como visto, teve como fundamento a inexistência de crédito, porquanto o ônus da prova, quanto ao crédito, seria da Contribuinte. Nada mais equivocado, uma vez que, como veremos, o processo administrativo pautase pela verdade material ou verdade real, não havendo espaço para presunções legais ou mesmo de ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova; ü O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei ou melhor, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte; ü A inaplicabilidade da TAXA SELIC aos supostos débitos como juros de mora e a limitação dos juros de mora dada pelo código tributário nacional; ü A possibilidade do enfrentamento pelo tribunal administrativo do argumento de inconstitucionalidade de norma legal. DO PEDIDO Pelo exposto, requer a Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário, a fim de que sejam homologadas as compensações declaradas, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a consequente reforma do Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.615, de 23 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.903279/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.615): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a empresa MECÂNICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA foi cientificada Acórdão n° 1049.299, em 15/04/2014, via Aviso de Recebimento, às folhas 76 do processo digital. A empresa MECÂNICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA apresentou o seu Recurso Voluntário em 09/05/2014, às folhas 78 do processo digital. O recurso é tempestivo. Da controvérsia. Não respeito aos princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos; A decisão elaborada é carente de fundamentação; Ausência der diligência por parte da Fiscalização; A inexistência de crédito e o ônus da prova; O valor lançado a título de multa fere o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; A inaplicabilidade da TAXA SELIC; O enfrentamento do argumento de inconstitucionalidade. Das preliminares. Não respeito aos princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos É alegado às folhas 03 do Recurso Voluntário: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 6 5 A Decisão ora atacada deve ser de plano anulada por esta Colenda Câmara, uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos, pois ainda que levantados tais pontos na manifestação, os mesmos não foram devidamente apreciados, razão pela qual se impõe sejam eles devidamente analisados nesta instância de julgamento. Assim, de forma mais pormenorizada, passaremos em seguida a expor que a decisão que não homologou as compensações pretendidas pela ora Recorrente deixou de atender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios também constitucionais da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal. Sem razão a Recorrente. O Acórdão n° 1049.299, ora guerreado, de pronto explicita o motivo pelo qual a Administração não homologou a compensação: os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. Portanto, a fiscalização aponta um fato preciso, certo e determinado que fulmina as pretensões da então impugnante. Reafirmando a própria argumentação do Voto exarado no Acórdão n° 1049.299, a fundamentação fática a pouco transcrita explicita o indeferimento do pleito, não necessitando de esclarecimento adicional, uma vez que os controles de conta corrente exercido pela autoridade administrativa indicavam a alocação para outro débito do suposto crédito oponível pela interessada. De outra sorte, a Recorrente não explicita o porquê que os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal foram desrespeitados. Assim sendo, por ora, tomase essa argumentação como mera retórica. A decisão elaborada é carente de fundamentação. É alegado às folhas 04 do Recurso Voluntário: Ora, Nobres Julgadores, como pode afirmar a Fiscalização que é inexistente o crédito que a Contribuinte pretende compensar se sequer possui meios de determinar qual seria a natureza deste crédito e sua origem??? Ademais, em atenção ao princípio processual administrativo da verdade material, o procedimento correto da Fiscalização, no caso em tela, seria intimar a Contribuinte para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito postulado, bem como seu fundamento de validade. Isto porque não pode a Administração ‘presumir’ a inexistência de crédito e de plano não homologar as compensações declaradas pela Contribuinte. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 7 6 Todavia, este foi o nefasto procedimento da Administração que, desta maneira, emitiu decisão desprovida da necessária fundamentação que deve conter o Ato Administrativo. Digase ainda que a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos é obrigatória para o exame de sua legalidade, finalidade e da moralidade administrativa. A argumentação esposada não guarda sintonia com o texto do Acórdão n° 1049.299, a começar pela motivação presente no Voto do Acórdão n° 10 49.299: os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. Portanto, o Acórdão n° 1049.299 contém uma fundamentação explicita que inaugura o próprio voto. No mais, depreendese da própria fundamentação transcrita que os créditos apontados pela empresa MECÂNICA COMERCIAL existem! Tanto é que já se encontram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, e por esse motivo não se prestam a atender a pretensão pleiteada. Quanto à alegação de que o procedimento correto da Fiscalização, no caso em tela, seria intimar a Contribuinte para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito postulado, digase, em tempo, que esse é o propósito tanto da Manifestação de Inconformidade como do próprio Recurso Voluntário e em ambos os casos a empresa MECÂNICA COMERCIAL se limitou a se valer de retórica, sem trazer fatos concretos que suportassem sua argumentação e/ou desabonassem a fundamentação trazida no Voto do Acórdão n° 1049.299. Em tempo, há que se diga, que o Voto do Acórdão n° 1049.299 já faz essa advertência ao então impugnante, empresa MECÂNICA COMERCIAL, ao citar e transcrever os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. Ausência de diligência por parte da Fiscalização. É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: Frisase novamente que não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tão somente na injustificada negativa do crédito pretendido e na retórica imposição do ônus da prova do crédito à Contribuinte. Desta maneira, resta prejudicado o contraditório administrativo e, consequentemente, o devido processo legal e, ainda, a ampla e irrestrita defesa da Contribuinte. A decisão da DRJ deveria exprimir o entendimento Fiscal quanto ao crédito postulado pelo Contribuinte, deixando claro qual o Juízo de Valor utilizado para sua não aceitação. Não houve qualquer diligência nesse sentido, porque a Delegacia Regional de Julgamento se convenceu da existência de fato preciso, certo e determinado que fulmina as pretensões da então impugnante. E como o Recurso Voluntário é árido em trazer elementos de prova que desabonem esse entendimento, não se percebe a necessidade de qualquer Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 8 7 diligência, tomando essa demanda como uma tentativa de procrastinar o presente processo. Do mérito. A inexistência de crédito e o ônus da prova É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: A decisão recorrida, como visto, teve como fundamento a inexistência de crédito, porquanto o ônus da prova, quanto ao crédito, seria da Contribuinte. Nada mais equivocado, uma vez que, como veremos, o processo administrativo pautase pela verdade material ou verdade real, não havendo espaço para presunções legais ou mesmo de ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova. Neste sentido, o artigo 333 do Código de Processo Civil, invocado pelo Juízo administrativo a quo, é manifestamente inaplicável ao procedimento administrativo. A comprovação dos fatos é o próprio objeto do processo administrativo, não havendo que se distribuir o ônus probatório entre as partes. (Negrito próprio) Como já mencionado em questão enfrentada alhures: os créditos apontados pela empresa MECÂNICA COMERCIAL existem! Tanto é que já se encontram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, e por esse motivo não se prestam a atender a pretensão pleiteada. Por esse motivo, não paira para a fiscalização qualquer dúvida quanto à existência, qualidade, valor e destinação do crédito, não havendo motivos para a realização de diligência. Quanto à solicitação de perícia, o artigo 36 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim explicita: Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 1o Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder, e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 9 8 § 2o Indeferido o pedido de diligência ou de perícia, por terem sido consideradas prescindíveis ou impraticáveis, deverá o indeferimento, devidamente fundamentado, constar da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 18 e 28, com as redações dadas pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. A Lei 9.874 que se aplica subsidiariamente ao Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim dispõe: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. A relevância do fato é caracterizada por haver correspondência entre este e a situação enfocada no processo, bem como por seu reconhecimento desencadear efeitos jurídicos peculiares. A pertinência, por sua, vez, diz respeito ao relacionamento entre o fato e a lide instalada. O mesmo se pode dizer da concludência, entendida como a possibilidade de conduzir o julgador à conclusão acerca dos fatos discorridos no processo. Fato concludente, nessa concepção, não significa o enunciado que, por si só, seja suficiente para formar a convicção do julgador, mas todo fato que, ao lado de outros, possa atuar como argumento para a procedência ou improcedência da demanda, em nada se distinguindo do chamado fato pertinente. Considerado fato inconcludente aquele que leva ao convencimento da ocorrência ou inocorrência de situações não envolvidas na discussão processual (fato impertinente), sua prova seria totalmente inócua. Nesse ponto, notase o intrínseco relacionamento entre os requisitos do fato susceptível de ser objeto de prova e a função que a prova assume no sistema jurídico: sendo destinada ao convencimento do julgador, só tem cabimento a realização de enunciação probatória relativa a fatos que possam levar a essa persuasão. Não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que propiciasse a realização da perícia, a luz do que já foi exposto, mesmo porque toda perícia tem por objetivo auxiliar o julgador na formação de sua melhor convicção racional e na busca da verdade material, ação que já se processou. Das penalidades. Da arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Quanto ao princípio do nãoconfisco, e por conseguinte o princípio da razoabilidade – proporcionalidade, agasalhase o entendimento o de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se podendo dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 10 9 A inaplicabilidade da TAXA SELIC Sobre o assunto, o art. 161, § 1º, do CTN, abaixo reproduzido, outorga à lei a faculdade de estabelecer os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, fixando o percentual de 1% na hipótese de a lei não dispor de forma diversa. Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária”. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Em atenção a tal dispositivo, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 61, § 3º, estabeleceu expressamente, para o cálculo dos juros de mora, a aplicação da taxa Selic. Oportuno registrar, conforme reconhecido pela interessada, que, sobre o assunto, já existe Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), como segue: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, estando a exigência devidamente fundamentada, conforme já anteriormente mencionado, não cabe a este órgão administrativo perquirir da legalidade ou inconstitucionalidade dessa norma, uma vez que, enquanto esta não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade de disposições que fundamentam o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicálas ao caso concreto. Nesse mesmo sentido, está, como já citado, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Confirmando este posicionamento, já foi editada Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), dispondo, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Todavia, ainda que nos fosse possível enveredar por tais caminhos, cumpririanos lembrar que a jurisprudência do STJ já há muito se consolidou no sentido da legitimidade da aplicação da SELIC nos créditos tributários, como é possível depreender dos julgados abaixo: AgRg no Ag 932732 PRIMEIRA TURMA – Julgado em 18/12/2008: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 11 10 “1. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade.(...)” REsp 1028724 PRIMEIRA TURMA – Julgado em 06/05/2008: “(...) 10. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários.(...)” REsp 1086308 SEGUNDA TURMA – Julgado em 09/12/2008: “(...) 2. É legítima a utilização da taxa Selic como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(...)” Diante da mais recente jurisprudência, não haveria como considerar de outra forma. E, como argumento de reforço no sentido da aplicação justa, vale observar que o STJ posicionase no sentido da aplicação da SELIC tanto a favor da Fazenda Pública, quanto a favor dos contribuintes, como se depreende do julgado abaixo: AgRg no Ag 599960 – SEGUNDA TURMA – Julgado em 07/12/2004: “(...)A Primeira Seção deste egrégio Superior Tribunal de Justiça, na assentada de 14.05.2003, consolidou o entendimento no sentido da aplicação da Taxa SELIC, na restituição/compensação de tributos, a partir da data da entrada em vigor da lei que determinou sua incidência no campo tributário, conforme dispõe o artigo 39 da Lei n. 9.250/95.(...)” Também não merece prosperar a alegação de que o CTN, no art. 161 §1o, estabelece taxa de 1% e que uma norma com força de lei complementar não poderia ser contrariada ou modificada por uma lei ordinária, pois que o próprio texto do código já excepciona sua aplicabilidade: CTN Art. 161 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifo nosso) Passando à questão da revogação dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/91 pela MP 449/08, temos que, inicialmente, estabelecer a natureza dos juros de mora ora revogados. Há de se explicitar que os juros de mora não têm caráter punitivo, mas sim, de compensação pela falta de disponibilidade dos recursos por parte da Fazenda. Destarte, no que tange a retroatividade, as regras de aplicação da legislação tributária previstas art. 106 inciso II do CTN não alcançam os juros de mora, fazendo valer a regra geral de aplicação temporal das leis tributárias prevista no art. 144 do mesmo diploma legal: Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 12 11 CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Inobstante o fato de a mudança trazida pela nova legislação ser muito pouco significante (diferença de apenas 1% aplicável no mês do recolhimento) tal mudança não se opera retroativamente, continuando a valer a metodologia vigente à época do fato gerador. Não há, portanto, como acatar o afastamento da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. O enfrentamento do argumento de inconstitucionalidade. A presente questão relacionase com as hipóteses de aplicação, pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, de norma declarada inconstitucional pelo STF em controle difuso, quando não há resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RF), dispensando a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional. No Brasil, em regra, o controle de constitucionalidade de leis e atos normativos compete ao Poder Judiciário e pode realizarse por duas vias distintas: a concentrada (controle abstrato) e a difusa (controle concreto). Na via concentrada, a constitucionalidade da norma é examinada em tese e o que se busca é expelir do sistema jurídico o ato inconstitucional. Não se cuida do julgamento de uma relação concreta, mas sim da validade de uma norma em abstrato frente à Constituição. É por isso que, nesse âmbito, a declaração de inconstitucionalidade tem eficácia objetiva (erga omnes), o que impossibilita a aplicação da norma viciada pelos órgãos de julgamento administrativo. Por outro lado, no controle difuso, o autor da ação não procura a tutela do Poder Judiciário preocupado com a inconstitucionalidade da lei em tese. Seu objetivo é a efetivação de determinado direito subjetivo concreto, exigível em face de alguém. A questão constitucional é apreciada apenas de forma acessória, incidental, a fim de que o Poder Judiciário possa decidir o mérito da causa, reconhecendo ou não o direito subjetivo do autor. Disso se extrai que, na via difusa, a declaração de inconstitucionalidade de ato normativo proferida no bojo de decisão judicial definitiva só alcança as partes do processo (eficácia inter partes) e, por consequência, não vincula objetivamente os órgãos de julgamento administrativo – a não ser na hipótese prevista no art. 52, inciso X, da Constituição Federal (resolução do Senado Federal), ou, no caso das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil, na hipótese prevista no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Essa última exceção merece maior detalhamento, pois se relaciona diretamente com a questão apresentada. O art. 77 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, autorizou o Poder Executivo a disciplinar as hipóteses em que a Administração Tributária federal pode afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional por decisão definitiva do STF: Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar as hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 13 12 declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: I absterse de constituílos; II retificar o seu valor ou declarálos extintos, de ofício, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais. A regulamentação de tal dispositivo legal veio com o referido Decreto nº 2.346/1997, que, em seu art. 4º, estabeleceu o seguinte: Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Ou seja, na hipótese de o Secretário da Receita Federal do Brasil determinar o afastamento da aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso, os julgadores das DRJs ficam vinculados a essa determinação. Tratase aqui de interpretação do parágrafo único do dispositivo à vista do caput. No entanto, a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterou o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, retirando a vedação antes existente de afastamento de aplicação de acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, somente para os casos em que a norma já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal alteração gerou divergência de entendimento acerca da possibilidade de extensão dos efeitos subjetivos de declaração de inconstitucionalidade aos processos administrativos em curso na RFB nas hipóteses em que não se verificam as mencionadas vinculações objetivas, ou Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 14 13 seja, fora dos casos previstos no art. 52, inciso X, da Constituição Federal, e no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/1997. De um lado, estão os que defendem que sim, que, em determinados casos, os julgadores das DRJs podem afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. Fundamentamse, para tanto, na interpretação do §6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (redação dada pela Lei nº 11.941/2009): Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Entendem, portanto, que tal dispositivo, por ser posterior ao Decreto nº 2.346/1997, tacitamente revogou o seu art. 4º, que exigia a edição de ato do Secretário da RFB que autorizasse a não aplicação de norma declarada inconstitucional, com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Argumentam também que persistir na aplicação de dispositivos legais cuja inconstitucionalidade vem sendo reiteradamente declarada incidentalmente pelo STF traria prejuízos futuros à Fazenda Pública, em razão de eventuais ônus sucumbenciais. A rigor, o caput do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 veda aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de ato normativo sob fundamento de inconstitucionalidade. No entanto, o inciso I do §6º desse mesmo artigo, dispõe que tal vedação não se aplica a ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF”. A par disso, para a primeira corrente temse que é perfeitamente cabível o entendimento de que o inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 estaria circunscrito às decisões tomadas em controle concreto ou difuso de constitucionalidade. Não se vislumbra possível interpretar a vedação de que trata o caput do artigo 26A no sentido de que estaria se referindo às decisões proferidas em controle abstrato ou concentrado de constitucionalidade, porquanto isso significaria esvaziálo de conteúdo, em afronta ao postulado hermenêutico de que não se deve interpretar uma norma de modo a negarlhe aplicabilidade. Afinal, não se pode perder de vista que as declarações de inconstitucionalidade em abstrato excluem a norma viciada do mundo jurídico (em regra, com efeitos ex tunc). Nesse sentido, referida norma não poderia mais ser aplicada pelos órgãos de julgamento administrativo, independentemente do disposto no inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 Ademais, importa salientar que não se quer dizer que o inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 determina que os órgãos de julgamento administrativo neguem aplicação a ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF” em controle difuso. O que ele faz é afastar a vedação prevista no caput do artigo. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 15 14 Assim, concluindo, para esta corrente o inciso I do §6º permite que os órgãos de julgamento administrativo deixem de aplicar ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF” em controle difuso. Por outro lado, tem os que são contrários à possibilidade de os julgadores das DRJs afastarem a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. Defendem que, em face do princípio da legalidade, nenhuma autoridade administrativa pode negar aplicação a norma vigente; que, para tal negativa, fazse necessário que referida norma seja devidamente excluída do ordenamento jurídico – quer por sua revogação, quer por declaração de inconstitucionalidade na via concentrada, quer ainda na hipótes2e do art. 52, inciso X, da Constituição Federal –, ou que seja ela objeto do ato do Secretário da RFB previsto no art. 4º do Decreto nº 2.346/1997. Em reforço, os adeptos dessa segunda corrente mencionam a Solução de Consulta Interna nº 5 Cosit, de 03 de março de 2009, que consigna em seu parágrafo 17 e 18: 17. Diante desse fato, a Administração Tributária Federal deve reconhecer que, uma vez declarada a inconstitucionalidade das disposições contidas no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mesmo que em decisão de controle difuso pelo STF, também está prejudicado o comando previsto no art. 10 do Decreto nº 4.524, de 2002, na parte em que define o faturamento (receita bruta) como sendo a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, em relação às pessoas jurídicas detentoras de declaração de inconstitucionalidade prolatada pelo Poder Judiciário, por ser o mencionado Decreto norma de caráter apenas regulamentar. 18. Entretanto, as pessoas jurídicas enquadradas no regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, que não possuam quaisquer medidas judiciais declaratórias da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, continuam obrigadas aos recolhimentos mensais das referidas contribuições, tendo como base de cálculo o montante do faturamento (receita bruta) entendido como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade por elas exercida e a classificação contábil adota para as receitas. (o grifo é do original) É de se registrar que, recentemente, foram aprovados pelo Ministro da Fazenda os Pareceres PGFN/CRJ nº 492/2010, de 22 de março de 2010, e o Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011. O primeiro concluiu no sentido de que a PGFN: (i) não mais apresente recursos, ordinários ou extremos, contra as decisões judiciais, desfavoráveis à Fazenda Nacional, que se mostrarem consentâneas com precedente judicial formado sob a nova sistemática de julgamento prevista nos arts. 543B e 543C do CPC; (ii) não mais interponha RESP/RE contra acórdãos proferidos em consonância com jurisprudência reiterada e pacífica do STF/STJ (indicada em lista elaborada e divulgada, periodicamente, pela CASTF/CRJ); (iii) não mais interponha agravo regimental contra decisões monocráticas de Relator (dos TRF´s, do STJ ou do STF) que, com respaldo em jurisprudência reiterada e pacífica daqueles Tribunais Superiores (indicada em lista elaborada e divulgada, periodicamente, pela CASTF/CRJ), também adotada pela respectiva Turma, neguem seguimento Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 16 15 a recursos, nos termos do art. 557 do CPC; (iv) não mais apresente impugnação/contestação contra pedido(s) formulado(s) com respaldo em precedente judicial oriundo de julgamento submetido à sistemática prevista nos arts. 543B e 543C do CPC. Por seu turno, o Parecer PGFN/CDA nº 2.025/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda, estabeleceu orientações a serem observadas pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pelos demais órgãos do Ministério da Fazenda, quando caracterizada hipótese de dispensa de contestação e recursos, bem como desistência dos já interpostos, de que trata a Portaria PGFN nº 294/ 2010. Em resumo, como conseqüência da aprovação dos referidos Pareceres pelo MF, a Receita Federal do Brasil passa a estar vinculada às decisões do STJ e STF nas causas repetitivas julgadas na forma dos arts. 543B e 543C do CPC, quando não houver ressalvas por parte da PGFN. No entanto, discutese, ainda, se essa vinculação ocorre para as atividades de julgamento, considerandose que o Parecer PGFN/CDA nº 2.025/2011 trata de aplicação às atividades de constituição e cobrança de créditos no âmbito da RFB, nada mencionando sobre a hipótese de julgamento administrativo. Observase que, até a edição da Lei nº 11.941/2009, que introduziu o § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, a posição majoritária na Primeira Instância do contencioso administrativo era no sentido de não afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. A partir dessa alteração legal, essa tendência já não se confirma, uma vez que são identificadas várias decisões que defendem o afastamento da aplicação de ato normativo quando o caso se subsume ao disposto no § 6º, I, do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Decisões favoráveis ao não afastamento aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso: Trecho de ementa: CONTROLE INCIDENTAL DE CONSTITUCIONALIDADE. MODO DIFUSO. EFICÁCIA ENTRE AS PARTES. A decisão do STF em sede de controle difuso de constitucionalidade tem efeito apenas entre as partes, ou seja, não beneficia terceiros não integrantes da lide; para que essa decisão tenha efeitos erga omnes deve haver edição de Resolução do Senado suspendendo a execução do dispositivo declarado inconstitucional, ou, em outra hipótese, para que decisões da espécie obriguem a administração pública ao seu cumprimento, carece que a inconstitucionalidade seja declarada em controle concentrado ou que o STF edite súmula vinculante, nos termos da Lei nº 11.417, de 2006. (Acórdão DRJ/CTA nº 06 34.502, 24/11/2011) Trecho de ementa: EFEITOS DE DECISÕES JUDICIAIS. INCONSTITUCIONALIDADE INCIDENTAL. SÚMULA VINCULANTE. As decisões judiciais produzem efeitos somente às partes envolvidas. A declaração incidental de inconstitucionalidade possui efeito erga omnes quando advinda de Resolução do Senado Federal ou mediante Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal. (Acórdão DRJ/FNS nº 0726.431, de 27/10/2011) Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11020.903337/201209 Acórdão n.º 3302005.636 S3C3T2 Fl. 17 16 Trecho de ementa: ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. (Acórdão DRJ/FNS n° 07 19.634, de 23/04/2010) Trecho de ementa: COISA JULGADA MATERIAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO. SEGURANÇA JURÍDICA. INAFASTABILIDADE. A segurança jurídica, como direito fundamental, é limite que não permite a anulação do julgado, sobretudo na esfera administrativa, ainda que a norma legal que serviu de pressuposto à decisão judicial tenha sido posteriormente acoimada de inconstitucionalidade, em decisão do STF. (Acórdão DRJ/CTA nº 0615.022, 15/08/2007) Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 161DF CARF MF
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Numero do processo: 10970.720154/2013-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do fato gerador: 01/01/2010
Ementa:
PROCESSUAL - NULIDADE - OMISSÃO - INOCORRÊNCIA
Ainda que a decisão recorrida não, neste feito, se pronunciado sobre todos os argumentos deduzidos pela parte, uma vez tendo-os enfrentados no processo em apenso, cujo julgamento foi realizado conjuntamente com este processo, incorre nulidade, seja por não restar tipificadas as hipóteses do art. 59 do Decreto 70.235, seja por não se observar qualquer prejuízo ao recorrente.
SIMPLES NACIONAL - EXCLUSÃO - ADE - NULIDADE - QUEBRA DE SIGILO FISCAL - INOCORRÊNCIA
O ADE não fundamenta na quebra de sigilo fiscal, mas, isto sim, no processo em apenso em que, por meio da obtenção de informações bancárias, identificou-se a ocorrência de depósitos de origem duvidosa; ainda assim, a LC 105 teve a sua constitucionalidade reconhecida pelo STF por ocasião do julgamento do RE 601.314/SP, com repercussão geral reconhecida.
SIMPLES NACIONAL - EXCESSO DE RECEITAS - EXCLUSÃO
Ultrapassado o limite imposto pela LC 123 para se optar pelo regime tratado por seu art. 12, impõe-se a exclusão do contribuinte já para o exercício imediatamente subsequente.
VALORES PAGOS APÓS A EXCLUSÃO - COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS TRIBUTÁRIO EVENTUALMENTE APURADOS
O julgamento a ser proferido pelo CARF deve ser ater aos limites da lide e do contencioso instaurado, falecendo-lhe competência para analisar eventuais créditos apurados em períodos posteriores ao tratado nos autos.
Numero da decisão: 1302-002.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 01/01/2010 Ementa: PROCESSUAL - NULIDADE - OMISSÃO - INOCORRÊNCIA Ainda que a decisão recorrida não, neste feito, se pronunciado sobre todos os argumentos deduzidos pela parte, uma vez tendo-os enfrentados no processo em apenso, cujo julgamento foi realizado conjuntamente com este processo, incorre nulidade, seja por não restar tipificadas as hipóteses do art. 59 do Decreto 70.235, seja por não se observar qualquer prejuízo ao recorrente. SIMPLES NACIONAL - EXCLUSÃO - ADE - NULIDADE - QUEBRA DE SIGILO FISCAL - INOCORRÊNCIA O ADE não fundamenta na quebra de sigilo fiscal, mas, isto sim, no processo em apenso em que, por meio da obtenção de informações bancárias, identificou-se a ocorrência de depósitos de origem duvidosa; ainda assim, a LC 105 teve a sua constitucionalidade reconhecida pelo STF por ocasião do julgamento do RE 601.314/SP, com repercussão geral reconhecida. SIMPLES NACIONAL - EXCESSO DE RECEITAS - EXCLUSÃO Ultrapassado o limite imposto pela LC 123 para se optar pelo regime tratado por seu art. 12, impõe-se a exclusão do contribuinte já para o exercício imediatamente subsequente. VALORES PAGOS APÓS A EXCLUSÃO - COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS TRIBUTÁRIO EVENTUALMENTE APURADOS O julgamento a ser proferido pelo CARF deve ser ater aos limites da lide e do contencioso instaurado, falecendo-lhe competência para analisar eventuais créditos apurados em períodos posteriores ao tratado nos autos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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SIMPLES NACIONAL EXCLUSÃO ADE NULIDADE QUEBRA DE SIGILO FISCAL INOCORRÊNCIA O ADE não fundamenta na quebra de sigilo fiscal, mas, isto sim, no processo em apenso em que, por meio da obtenção de informações bancárias, identificouse a ocorrência de depósitos de origem duvidosa; ainda assim, a LC 105 teve a sua constitucionalidade reconhecida pelo STF por ocasião do julgamento do RE 601.314/SP, com repercussão geral reconhecida. SIMPLES NACIONAL EXCESSO DE RECEITAS EXCLUSÃO Ultrapassado o limite imposto pela LC 123 para se optar pelo regime tratado por seu art. 12, impõese a exclusão do contribuinte já para o exercício imediatamente subsequente. VALORES PAGOS APÓS A EXCLUSÃO COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS TRIBUTÁRIO EVENTUALMENTE APURADOS O julgamento a ser proferido pelo CARF deve ser ater aos limites da lide e do contencioso instaurado, falecendolhe competência para analisar eventuais créditos apurados em períodos posteriores ao tratado nos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 01 54 /2 01 3- 21 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10970.720154/201321 Acórdão n.º 1302002.988 S1C3T2 Fl. 190 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o feito de procedimento de exclusão do recorrente da sistemática diferenciada de recolhimento de tributos tratada pela Lei Complementar 123/06, intentado através do Ato Declaratório de Exclusão ADE de nº 0025/2013, de 22 de maio de 2013. O citado ADE, digase, foi motivado pelo fato de ter a empresa extrapolado os limites preconizados tanto pela retro mencionada Lei Complementar, como pelo art. 12 da Resolução/CGSN de nº 15/2007. Em linhas gerais, este processo se encontra apensado aos autos de nº 10970.720148/201373, em que a fiscalização federal teria identificado a omissão de receitas incorridas pelo contribuinte, caracterizada pela constatação de depósitos bancários de origem duvidosa, mantidos à margem da sua escrituração contábil. No caso, vale destacar, o montante de receitas omitidas teria alcançado o valor, no anocalendário de 2009, de R$ 8.152.819,88, fato que, ao fim e ao cabo, motivou a lavratura de Termo de Representação Fiscal para Exclusão do Simples, juntado à efls. 2, e, consequentemente, à prolação do ADE de n. 0025/2013 (efls. 40). O recorrente opôs a sua manifestação de inconformidade nestes autos, num primeiro momento, premendo pela reunião deste processo ao já mencionado PA de nº 10970.720148/201373. Em seguida questionou a validade do ADE uma vez que calcado em quebra de sigilo bancário; demais disso, sustentou a impossibilidade de uso de presunção para justificar lançamentos tributários, mormente para se inferir a natureza dos depósitos bancários (como receitas tributáveis). Por fim, afirmou que os citados depósitos seriam mero ingressos de valores pertencentes à terceiros. A DRJ de Porto Alegre indeferiu a citada manifestação, tendo julgado conjuntamente este processo e também o PA de nº 10970.720148/201373 razão pela qual, Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10970.720154/201321 Acórdão n.º 1302002.988 S1C3T2 Fl. 191 3 aqui, a única fundamentação utilizada no acórdão de piso foi, de fato, a extrapolação do limite de receita admitido pela LC 123 e, também, a validade do uso de informações financeiras prestadas por instituições bancárias a partir das requisições tratadas pela LC 104. As demais questões, digase, foram todas enfrentadas no processo em apenso. Após regular intimação, ocorrida em 20 de maio de 2014 (termo de intimação pessoal efls. 112), a empresa interpôs seu recurso voluntário em 18 de junho daquele mesmo ano, arguindo, preliminarmente, a nulidade do acórdão recorrido por vício de fundamentação (em verdade, seria por omissão, já que a DRJ teria se pronunciado, como já dito, apenas sobre o excesso de receita e sobre a quebra de sigilo bancário). Quanto ao mais, repetiu os argumentos lançados em sua manifestação de inconformidade acrescentando, contudo, pedido para decotar, dos valores eventualmente apurados a partir de janeiro de 2010, pelo regime geral de tributação, dos montantes pagos pela empresa a título de SIMPLES Nacional. É importantíssimo, aqui, destacar que todas as questões afeitas à presunção de omissão de receitas já se encontram definitivamente dirimidas; isto porque no PA de nº 10970.720154/201321 já foi proferido acórdão, inclusive, por este CARF, validando, integralmente, os atos de lançamento que identificaram a citada omissão, inclusive quanto a mencionada inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário. Curiosamente, todavia, por ocasião daquele julgamento não se procedeu à analise e, por certo, à solução da lide quanto ao recurso voluntário em análise... Semelhante lapso, frisese, motivou o requerimento apresentado pelo contribuinte à efls. 174/188 em que pede, inclusive, a nulidade do processo principal notadamente pelo fato da respectiva pauta de julgamento ter sido publicada apenas em nome da parte, e não dos seus patronos; mais que isso e, especificamente quanto a este processo, sustenta, nenhuma pauta teria sido publicada... Como dito alhures, provavelmente por um equívoco do então relator, este processo, especificamente, não foi incluído na pauta de julgamentos, não tendo ocorrido, quanto a ele, qualquer decisão, motivo pelo qual, os autos me foram redistribuídos. Ainda que entenda não ser necessária uma manifestação explicita sobre o requerimento tratado acima, abordarei a questão apenas por uma excesso de zelo. Dito isto, a matéria que nos resta apreciar, aqui, cingerseá, além da análise do requerimento de fls. 174 e ss, à preliminar de nulidade do acórdão da DRJ e, também, à alegação de nulidade do ADE por restar calcado em informações bancárias sigilosas. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e, portanto, dele conheço. I Do requerimento de efls. 174 e ss. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10970.720154/201321 Acórdão n.º 1302002.988 S1C3T2 Fl. 192 4 Primeiramente, não houve cerceamento de defesa, tal como sustentado pelo requerente... este processo não constou da pauta publicada para a sessão realizada em 04 de fevereiro de 2015 porque, nesta ocasião, foi julgado, apenas, o PA de nº 10970.720148/2013 73, processo principal, não tendo sido solucionado o feito em análise... como dito no relatório, acima, esse é, de fato, e inclusive, o motivo pelo qual o processo me foi redistribuído. Quanto a alegação de nulidade do acórdão proferido no citado PA de nº 10970.720148/201373, por falta de intimação dos patronos do recorrente, vale destacar que, além de inexistir previsão regimental ou mesmo no Decreto 70.235 que imponha ao CARF tal mister (intimação dos procuradores), semelhante discussão tem que ser travada por meios próprios; isto é, falece à esta turma inclusive competência para analisar semelhante requerimento, sendo impossível, até mesmo, em obediência à instrumentalidade, convolar o pedido de efls. 174 em embargos, tendo em vista o decurso do prazo normativo prescrito para este tipo de remédio processual. Dito isto, nada há que se fazer quanto a este requerimento. II Da preliminar de nulidade da decisão recorrida. A interdependência deste processo em relação ao PA de nº 10970.720148/201373 é patente e inclusive reconhecida pelo próprio recorrente (que requereu, e teve deferida, a reunião dos feitos para julgamento conjunto). E, de fato, o que se observa do acórdão recorrido proferido naquele processo é que todas as questões, aqui inclusive reprisadas, foram satisfatoriamente resolvidas. Atentem, neste particular, para ementa do acórdão de nº 1049.627 6ª Turma da DRJ/POA, juntado à efls. 588/599 daquele feito: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É lícito à autoridade fiscal examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. REGRA GERAL E ESPECIAL. VINCULAÇÃO. Só em casos especiais, devidamente expressos na Constituição Federal ou na legislação infraconstitucional, os julgados administrativos e judiciais têm efeitos erga omnes e em razão disso vinculam o julgador administrativo no seu ofício de julgar. A regra geral é que as decisões administrativas e judiciais tenham eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissão legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10970.720154/201321 Acórdão n.º 1302002.988 S1C3T2 Fl. 193 5 Discussões acerca da constitucionalidade de lei ou legalidade de atos normativos exorbitam da esfera de competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir o que determina a legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. NULIDADE. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. O lançamento que observa as disposições da legislação para a espécie não incorre em vício de nulidade. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála amparada em demonstração com base em oferta de provas hábeis e idôneas, descabendo solicitar ao fisco que supra aquilo que deixou de juntar à peça de defesa. Ainda que fosse de prudente alvitre a juntada do acórdão acima mencionado neste feito, o fato é que os processos estão, realmente, reunidos, de sorte que todas as peças, seja do PA de nº 10970.720148/201373, sejam as constantes destes autos, foram disponibilizadas ao contribuinte. Em linhas gerais, quando a empresa manejou os seus recursos voluntários já tinha conhecimento do teor da decisão proferida no PA de nº 10970.720148/201373 que tratou, objetivamente, de todas as questões afeitas ao problema da omissão de receitas, questões, que se encontram, até mesmo por conta do acórdão de recurso voluntário lá proferido (efls. 714 daqueles autos), definitivamente resolvidas. Seja como for, mesmo que o acórdão recorrido não tenha se manifestado, neste feito, sobre os demais argumentos deduzidos pelo recorrente, concernentes, insistase, ao problema da omissão de receitas, no processo apensado tais questionamentos foram analisados e resolvidos, não havendo, na espécie, cerceamento de defesa ou qualquer outro prejuízo identificável à parte (pas de nulitté sans grief). Diante disto, voto por afastar a preliminar aventada. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10970.720154/201321 Acórdão n.º 1302002.988 S1C3T2 Fl. 194 6 III Da alegada nulidade do ADE uma vez que calcado na quebra do sigilo bancário do recorrente. Primeiramente, cumpre anotar que o ADE não restou calcado em qualquer procedimento tendente à quebra do sigilo bancário do recorrente, tendo, outrossim, sido fundamentado em procedimento fiscal iniciado e concluído nos autos do PA de nº 10970.720148/201373, cujas apurações, estas sim, tiveram por base informações bancárias da empresa. E, ainda que se queira, apenas por um excesso de zelo, se reportar ao problema em testilha, além já ter sido dirimido pelo acórdão de recurso voluntário proferido nos autos do PA de nº 10970.720154/201321, a jurisprudência do Supremo já está pacificada quanto a validade dos preceitos da LC 105, mormente com advento do julgamento do Recurso Extraordinário de nº 601.314/SP, relatado pelo Min. Edson Fachin, entendendo, então, pela plena constitucionalidade da Lei Complementar supra. E aqui, inclusive para atender ao comando inserto no art. 62, §2º, do RICARF, transcrevo a seguir a respectiva ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10970.720154/201321 Acórdão n.º 1302002.988 S1C3T2 Fl. 195 7 Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento (RE 601.314/SP, Relator Min. Edson Fachin, sessão de 24/02/2016, Tribunal Pleno, publicado no DJe198, divulgado em 1509 2016 e Publicado em 16092016). Em suma, não há mais o que se discutir acerca das disposições da Lei Complementar em análise, muito menos neste Conselho, em especial a vista dos preceitos do já citado art. 62, § 1º, II, "b", do RICARF. III Das demais questões deduzidas no recurso voluntário. Como já dito e reprisado, todos os demais argumentos deduzidos pela parte recorrente já foram objeto de julgamento por este CARF (acórdão de nº 1301001.763 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária), tendo, quanto a tais temas, se exaurido a atividade judicante... como os processos devem ser apreciados conjuntamente, a decisão proferida nos autos do PA de nº 10970.720148/201373, deve prevalecer, também, para este feito. Uma vez que lá restou assentada a correção de todo procedimento fiscal, bem como a inexistência de provas sobre a origem dos depósitos bancários realizados em conta bancária de titularidade do recorrente, tais questões se encontram, portanto, totalmente superadas: PRELIMINAR DE NULIDADE. OMISSÃO DE RECEITAS. REGULARIDADE DA APLICAÇÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL. Nos termos do Art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A apresentação, pela contribuinte, de "qualquer documento", não se mostra suficiente para afastar a presunção legal, sendo, para tanto, exigível que deles se extraia a efetiva comprovação da impossibilidade da consideração do montante como receita efetivamente auferida pela contribuinte. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105. REGULARIDADE. SÚMULA CARF N. 02. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10970.720154/201321 Acórdão n.º 1302002.988 S1C3T2 Fl. 196 8 A prestação de informações bancárias às respectivas autoridades fazendárias não constitui, por si só, qualquer quebra ao sigilo bancário, nos termos especificamente apontados pelas disposições da Lei Complementar n. 105. No que tange à eventual discussão a respeito de inconstitucionalidade daquela norma, relevante observar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n. 02). SIMPLES NACIONAL. CONCEITO DE RECEITA BRUTA. INAPLICABILIDADE DE DEDUÇÕES Nos termos do Art. 3o, par. 1o., da Lei Complementar n. 123, considerase receita bruta, para fins do disposto no caput deste artigo, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Inexistindo qualquer previsão legal para a efetivação de dedução de custos nas operações de comercialização de mercadorias ou na prestação de serviços, descabem as considerações da contribuinte de que parte dos montantes identificados em sua conta bancária pertenceria a seus fornecedores, e, por isso, efetivamente válida a consideração do total dos créditos como de efetiva receita omitida. E, como as receitas omitidas alçaram a monta de aproximadamente R$ 8.000.000,00 (valor que não encontra, mais, em disputa), a exclusão do recorrente do sistema contemplado pela LC 123 é medida que se impõe. IV Do pedido de "compensação" dos valores pagos pela empresa a título de Simples Nacional no ano de 2010, com valores relativos aos tributos federais a serem apurados com base em regime ordinário de tributação. Este pedido pode ser resumido, e melhor compreendido, a partir das próprias palavras do contribuinte, constantes de seu recurso voluntário: Desse modo, ainda que seja mantido o Ato Declaratório Executivo DRF, nº 0025/2013, de 22 de maio de 2013 (...), a autoridade fazendária, forçosamente, deverá considerar os valores pagos durante o período de exclusão do Simples Nacional (a partir do 1º de janeiro de 2010), deduzindoos do montante a ser devido no novo regime (Lucro Presumido), sob pena de indevida bitributção e de enriquecimento ilícito por parte do erário. Por óbvio, semelhante pretensão não deve ser dirigida à este Conselho, seja porque eventuais lançamentos porventura ocorridos nos anos de 2010 e seguintes não são objetos deste processo, seja porque a compensação de tributos, ou mesmo a liquidação de créditos tributários eventualmente apurados, é matéria de exclusiva competência das DRF. Por isto, não há como acolher o pedido em análise. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10970.720154/201321 Acórdão n.º 1302002.988 S1C3T2 Fl. 197 9 V Conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca. Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.720162/2014-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA.
Caracterizam-se como prova direta da omissão de receitas, os valores escriturados pelo sujeito passivo em sua contabilidade e que não foram levados à tributação.
OMISSÃO DE RECEITAS CORRETORA DE SEGUROS
Constatados pagamentos efetuados pelas empresas seguradoras por serviços prestados a título de comissões e corretagens, seja por meio de prova direta nos livros da fiscalizada, seja por circularização junto às fontes pagadoras, seja por informação em DIRF e não sendo tais valores ofertados à tributação pela contribuinte, lícito o lançamento dos valores correspondentes como receitas omitidas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. PIS. COFINS
Anos-calendário:2009,2010,2011
Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão do auto de infração da CSLL decorrente.
Numero da decisão: 1402-003.347
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar parte dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme definido no voto do Relator, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. Caracterizam-se como prova direta da omissão de receitas, os valores escriturados pelo sujeito passivo em sua contabilidade e que não foram levados à tributação. OMISSÃO DE RECEITAS CORRETORA DE SEGUROS Constatados pagamentos efetuados pelas empresas seguradoras por serviços prestados a título de comissões e corretagens, seja por meio de prova direta nos livros da fiscalizada, seja por circularização junto às fontes pagadoras, seja por informação em DIRF e não sendo tais valores ofertados à tributação pela contribuinte, lícito o lançamento dos valores correspondentes como receitas omitidas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. PIS. COFINS Anos-calendário:2009,2010,2011 Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão do auto de infração da CSLL decorrente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar parte dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme definido no voto do Relator, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. Caracterizamse como prova direta da omissão de receitas, os valores escriturados pelo sujeito passivo em sua contabilidade e que não foram levados à tributação. OMISSÃO DE RECEITAS CORRETORA DE SEGUROS Constatados pagamentos efetuados pelas empresas seguradoras por serviços prestados a título de comissões e corretagens, seja por meio de prova direta nos livros da fiscalizada, seja por circularização junto às fontes pagadoras, seja por informação em DIRF e não sendo tais valores ofertados à tributação pela contribuinte, lícito o lançamento dos valores correspondentes como receitas omitidas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. PIS. COFINS Anoscalendário:2009,2010,2011 Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão do auto de infração da CSLL decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar parte dos lançamentos de IRPJ, CSLL, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 01 62 /2 01 4- 28 Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 409 2 PIS e COFINS, conforme definido no voto do Relator, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente) Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 410 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ/RJO em sessão de 16 de junho de 2015 (fls. 357/364)1, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada perante aquela Turma Julgadora e manteve parte dos lançamentos de IRPJ e Reflexos, em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 LANÇAMENTO. NULIDADE. FUNDAMENTO. Carece de objetividade a nulidade de lançamento à alegação de eivado de vício formal quando aquele se lastreia na legalidade objetiva e estrita atinente ao fato gerador. APURAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSTO PAGO NÃO CONSTANTE DE DCTF. EFEITOS. Na apuração de ofício de tributo devido deve ser excluído o tributo pago, ainda que não constante de DCTF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 Ementa:LUCRO PRESUMIDO. PRESTADOR DE SERVIÇOS A INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. Prestadores de serviço a instituição financeira, mesmo de intermediação na captação de seguros, que optem pelo lucro presumido, se sujeitam às normas aplicáveis à opção. PENALIDADE DE OFÍCIO. ENCARGOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Inquestionável a incidência de encargos moratórios sobre penalidade de ofício. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2009, 2010, 2011 PIS e COFINS. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO Sob lucro presumido a base imponível das contribuições para o PIS e a COFINS é a receita bruta, conforme definida em lei, inadmitidas quaisquer deduções de custos/despesas, mesmo de prestadores de serviços a instituições financeiras. CSLL. REFLEXIVIDADE MATERIAL. EFEITOS. Em matéria de reflexividade factual à falência de elemento relevante aplicase a mesma decisão do feito que lhe deu origem. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Segundo o TVF (fls. 298), as infrações constatadas foram as seguintes: 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 411 4 Com a seguinte discriminação relativamente ao IRPJ (TVF fls. 300): Referidos valores, com suas respectivas especificidades, estão refletidos nos demais tributos (CSLL, PIS e COFINS) e estampados nos autos de infração (IRPJ e reflexos – fls. 187/272). Inconformada com a autuação, a contribuinte acostou Impugnação (fls, 308/348) assentando: Ø que, entre 2009 e 2011, devolveu à instituição financeira R$ 500.000,00, em virtude cancelamento de vendas, dado que referente a operações em desacordo com as normas previstas pela instituição, conforme confissão de dívida de fls. 334/339; Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 412 5 Ø com fundamento no princípio da capacidade contributiva, na forma dos arts. 27 e 31 da Lei n° 8981/95 e arts. 2º e 3º da Lei n° 9718/98, e jurisprudência administrativa reproduzida às fls. 312, devem ser excluídas das bases de cálculo das vendas canceladas; Ø conforme Resoluções BACEN n° 3013/03 e 3.156/03, art. 17 da Lei n° 4595/64, art. 1º da Lei n° 7492/86 e acórdão CARF N°20176.946, ementa reproduzida às fls.320, a impugnante se equipara a instituição financeira; Ø nessas condições teria regramento próprio para apuração de resultados, conforme art. 223, II, b, do RIR/99: 16% da receita bruta; não 32%, lançados pela auditoria; Ø para efeitos do PIS e da COFINS, os percentuais de 0,65% e de 3,00% devem incidir sobre o lucro bruto da instituição financeira, conforme arts. 8º, I da Lei n° 10.637/02, 10, I, da Lei n° 10833/03 e art. 3º, §§ 4º a 6º, da Lei n° 9.716/98; Ø ante erros de direito das autuações, estas estariam eivadas de vício insanável, devendo ser anuladas, conforme jurisprudência administrativa, ementas reproduzidas às fls. 325/326, Súmula 227 do extinto TFR e manifestação do STF acerca da imutabilidade do lançamento, ementa às fls. 327; Ø inexigibilidade de juros moratórios sobre penalidade de ofício conforme jurisprudência administrativa, fls. 328, devendo ser afastados na forma do art. 953, § 2º, do RIR/99. Apreciando a lide em 1ª Instância, a Turma Julgadora deu parcial provimento à impugnação no sentido de afastar parte dos lançamentos de IRPJ e de CSLL, conforme dispositivo do acórdão (fls. 358): “Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade de votos, os membros desta Turma em dar provimento parcial à impugnação para reduzir o IRPJ devido para, R$ 2.527.942,47; a CSLL para R$ 1.078.360,86; e ratificar o PIS de R$ 1.674,14 e a COFINS de 7.747,53, acrescidas todas as exigências de penalidade de 75% e encargos moratórios, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado”. Excertos do voto condutor mostram o posicionamento da Turma a quo (fls. 360/364): “5. Quanto à devolução de valores à instituição financeira, objeto da confissões de dívida de fls. 334/339 e 343/347, equivocase o sujeito passivo: 5.1. o valor das dívidas reconhecidas não tem relação com qualquer mês de competência tributária a que se refiram aquelas confissões; mesmo na identificação dos beneficiários, fls. 340/342; Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 413 6 5.2. não há provas de cancelamento dos contratos, apenas que foram prospectados fora das obrigações assumidas com a instituição financeira; 5.3. aludidos documentos foram assinados em 19/10/2010, fls. 339 e 09/12/2008, fls. 347, com efeitos futuros sobre valores de receitas a receber da mesma instituição financeira; não interferem nas apropriações de receitas pretéritas tomadas sobre regime de Caixa, conforme livro Caixa de fls. 42/106; 5.4. o fato de reconhecer dívidas por prospecção de operações em desacordo com as obrigações assumidas em contrato, fls. 334 e 343, conforme considerando III das aludidas confissões de dividas, não implica que a impugnante, necessariamente, não tenha apropriado as receitas respectivas às épocas de seus recebimentos. 6. Ao contrário do alegado, independentemente de se equiparar, ou não, a instituição financeira, importa observar que: 6.1. não podem optar pelo lucro presumido as mesmas instituições, conforme vedação do art. 14, II, da Lei n° 9.718/98: (...) 6.1. Assim prestadores de serviços a instituições financeiras, como serviços de captação de seguros, que optem pelo lucro presumido, não podem usufruir benefícios/privilégios atinentes àqueles obrigados ao lucro real. 6.2. No contexto, ao contrário da alegação impugnatória, a proposição regulamentar do art. 223, § 1º, II, b, do RIR/99, diz respeito ao pagamento de estimativa mensal por parte das instituições nele identificadas, sujeitas ao lucro real. O dispositivo em questão não pode ser tomado desconectado do artigo que o precede, fundamentado no art. 2º da Lei n° 9430/96: (...) 6.2.1. Atentese que, exatamente por se tratarem de pessoas jurídicas tributadas, obrigatoriamente, com base no lucro real, apenas para efeitos de pagamento de estimativas mensais de tributos a serem apurados anualmente, autoriza o art. 226, do mesmo RIR/99: (...) 6.3. Em contrapartida, para a apuração do lucro presumido, o art. 15,§ 1º, III, b, da Lei n° 9249/95 é de indiscutível clareza: (...) 7. Igualmente, ao contrário das alegações impugnatórias, tanto quanto ao PIS como a COFINS, os dispositivos legais formalizam: (...) 7.3. Exatamente por serem as instituições financeiras obrigadas à apuração do lucro real (art. 14, II, da Lei n° 9.718/98, antes reproduzido), dispõe o diploma legal ora reportado, em seu art. 3º, §§ 4º e 6º (redação da Medida Provisória n° 2.15835/01: Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 414 7 (...) 8. De todo o exposto fácil concluir que, pretendesse a impugnante, ainda que, sob a alegação de equiparação a entidade financeira, condicionarse às mesmas regras legais àquelas aplicáveis e deveria apurar o lucro real. 8.1. Ora, em se tratando de lucro presumido, insustentável qualquer alegação de custo/despesa em sua apuração. Exatamente pelo conceito de presunção de resultado tributável. 9. As disposições legais antes reproduzidas igualmente afastam a alegação de nulidade dos lançamentos por vício formal, visto fundados na legalidade estrita e objetiva, como demonstrado”. No mais, manteve a incidência de juros sobre a multa de ofício e definiu que, relativamente à CSLL, o decidido quanto ao IRPJ a ela se aplica. Cientificada do R. decisum em 24/06/2015 (fls. 370), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 14/07/2015 (fls. 373/400) no qual, depois de rebater o decidido na decisão de 1º Grau, basicamente repisa os argumentos expendidos na defesa inaugural. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 415 8 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 24/06/2015 – fls. 370 – RV protocolizado em 14/07/2015 – fls. 401), a recorrente está corretamente representada (fls. 397/399), e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. Antes do voto, destaco, por relevante, que estão juntados nestes autos, AI de PIS e de COFINS e que serão julgados no Processo nº 10469.720164/2001417, motivo pelo qual deixam de ser aqui apreciados e não integram a decisão a ser exarada. Os valores lá exigidos somam PIS R$ 221.052,80 (fls. 273) e COFINS R$ 1.020.243,57 (fls. 285). Feitas estas observações passo ao voto. Não há preliminares. Ao mérito. Independente de alguns tópicos sobre os quais a defesa se apóia para elidir o trabalho fiscal e que serão vistos à frente, é preciso destacar de plano que, em momento algum, a recorrente conseguiu contrapor, com provas, alegações ou documentos hábeis, a apuração dos valores colhidos pelo Fisco, i) junto aos próprios apontamentos da contribuinte (livros contábeis) ou, ii) mediante circularização/informação obtida em declarações prestadas à Receita Federal em DIRF por tomadores de serviços (fontes pagadoras) da recorrente e que se encontram tabeladas em planilha juntada ao TVF, já reproduzidas parcialmente no relatório e que acabaram por servir de suporte para a alimentação dos autos de infração. Ou seja, quanto aos valores, base de cálculo inicial dos lançamentos, nenhuma ressalva, portanto, confirmados. Todavia, em que pese a confirmação dos valores omitidos, a recorrente aduz longamente os seguintes tópicos em sua peça recursal que poderiam afetar referidos montantes e levar ao cancelamento dos autos de infração, total ou parcialmente. Passo à análise de cada um deles. DA EQUIPARAÇÃO DA RECORRENTE A INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DO ERRO DE DIREITO Aduz a contribuinte (RV – fls. 380/389) que seria equiparada a instituição financeira. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 416 9 Vejase o sumário de seus argumentos: O assunto nem necessita maiores digressões, posto que decidido pelo Supremo em várias oportunidades, valendo ver uma decisão recente: 21/10/2014 PRIMEIRA TURMA SEGUNDO A G .REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 240.736 RIO GRANDE DO SUL RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI AGTE.( S ) : UNIÃO PROC.( A / S)(ES ) : PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL AGDO.( A / S ) : PROTEÇÃO CORRETORA DE SEGUROS LTDA ADV.( A / S ) : ALFREDO PEREIRA MACEDO E OUTRO ( A / S ) EMENTA Segundo agravo regimental no recurso extraordinário. Alegada violação do art. 97 da CF/88. Inexistência. Súmula nº 279/STF. Inaplicável. Prequestionamento. Existência. Artigo 2º da LC nº 84/96. Contribuição social. Majoração de alíquota quanto às instituições financeiras e equiparadas. Corretoras de seguro. Equiparação com instituições financeiras. Impossibilidade. Precedentes. 1. Não há falar em ofensa ao art. 97 da CF/88, uma vez que a decisão agravada não declarou a inconstitucionalidade do art. 2º da Lei Complementar nº 84/96, nem afastou sua aplicação sob fundamento de contrariedade à Constituição Federal. 2. Na decisão agravada, não se reexaminaram fatos e provas, o que afasta a incidência da Súmula nº 279/STF. 3. Os temas objeto do recurso extraordinário foram submetidos a efetivo debate perante o Tribunal de origem. Preenchido o requisito do prequestionamento. 4. A solução mais adequada recomenda reconhecer a distinção entre empresas corretoras de seguro e sociedades corretoras, admitindo que o predicado de instituição financeira deve ser atribuído tão somente a essa última. Isso porque a empresa corretora limitase a intermediar a captação de clientes (corretagem propriamente dita), enquanto a sociedade, indo além do agenciamento, ocupase da gestão e distribuição de títulos e valores mobiliários. 5. Agravo regimental não provido. (destacouse) Com a seguinte posição final do I. Ministro Relator: Em síntese, não se pode atribuir o caráter de sociedade corretora ou de sociedade seguradora às corretoras de seguro. A decisão agravada está Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 417 10 de acordo com a jurisprudência mais atual sobre o tema. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. Portanto, a leitura que se deve fazer do artigo 22, § 1º, da Lei nº 8.212/19912 é a de que a equiparação atinge as sociedades corretoras e não as empresas corretoras de seguro. Melhor sorte não cabe à recorrente se for tomada sua atividade como de prestação de serviços de intermediação bancária, oportunidade em que a contratada recebe comissões pelos serviços prestados, ou seja, não realiza qualquer operação exclusiva de Bancos e assemelhados, como receber depósitos, disponibilizar talões de cheques, assumir aplicações de clientes, etc. Com isso, afasto as alegações presentes neste tópico. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS VENDAS CANCELADAS Aduz a recorrente (RV – fls.376/380) que “desenvolve serviços de correspondente bancário, atuando na captação de empréstimos e financiamentos, recebendo em contraprestação valores a título de comissão”; que, ocorreram operações efetivadas em “desacordo com as normas e condições previstas pela instituição financeira, as quais terminaram por ser devidamente canceladas, obrigandose a recorrente a devolver a remuneração/comissão anteriormente já recebida em função de tais negócios”; e, que, conforme documentos juntados, teria devolvido, “no lapso temporal compreendido entre 2009 e 2011, em virtude do cancelamento de vendas, montante que supera a ordem de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais)”. Para dar suporte ao alegado, juntou documentos (fls. 334/348) nominados de “Instrumento Particular de Reconhecimento, Confissão de Dívida e Pagamento com Sub rogação de Direitos” e “Instrumento Particular de Reconhecimento e Confissão de Dívida”, firmados respectivamente com o Bradesco e BMC e nos quais, efetivamente, é compelida a devolver valores que teria recebido anteriormente de citadas instituições financeiras por intermediação na captação de negócios. Tal obrigação financeira, ainda no dizer dos instrumentos pactuados, teria a seguinte conformação: Ø Bradesco (fls. 334): 2 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: § 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 418 11 Ø BMC ( fls. 343): Nesse sentir, a recorrente teve – realmente um ônus financeiro assumido, em valores originais, de R$ 349.112,86 (Bradesco) e R$ 201.430,04 (BMC), ou seja, mais de 500 mil reais, como sustentou no seu recurso voluntário, exigíveis parceladamente de 2009 a 2012 e que constam de planilhas inseridas nos referidos instrumentos contratuais, sendo, em ambos os casos, convencionados juros remuneratórios à razão de “CDI + 0,25%” e de “CDI + 0,5%”, respectivamente. Com o Bradesco, pactuaramse 96 prestações já atualizadas na forma acima citada, gerando compromissos fixos de R$ 4.105,79 cada parcela, a primeira com data de vencimento para 01/11/2010 e a última para 27/08/2012, somando R$ 394.115,84. Para o BMC, o instrumento firmado previu 120 pagamentos reajustáveis, a primeira parcela com vencimento para 12/01/2009 fixada em R$ 1.705,05 e a última, vencível em 25/04/2011, no importe de R$ 2.755,08, totalizando R$ 262.724,94. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 419 12 Referidas planilhas com os montantes individualizadamente considerados estão juntadas nos autos (fls. 335/337 – Bradesco e 340/342 – BMC). Analisando os instrumentos referidos e suas planilhas, a decisão recorrida pontuou por desconsiderálos para deferir a redução da base de cálculo dos tributos lançados entendendo que, “Quanto à devolução de valores à instituição financeira, objeto das confissões de dívida de fls. 334/339 e 343/347, equivocase o sujeito passivo; o valor das dívidas reconhecidas não tem relação com qualquer mês de competência tributária a que se refiram aquelas confissões; mesmo na identificação dos beneficiários, fls. 340/342; não há provas de cancelamento dos contratos, apenas que foram prospectados fora das obrigações assumidas com a instituição financeira; aludidos documentos foram assinados em 19/10/2010, fls. 339 e 09/12/2008, fls. 347, com efeitos futuros sobre valores de receitas a receber da mesma instituição financeira; não interferem nas apropriações de receitas pretéritas tomadas sobre regime de Caixa, conforme livro Caixa de fls. 42/106; o fato de reconhecer dívidas por prospecção de operações em desacordo com as obrigações assumidas em contrato, fls. 334 e 343, conforme considerando III das aludidas confissões de dividas, não implica que a impugnante, necessariamente, não tenha apropriado as receitas respectivas às épocas de seus recebimentos”. De fato, a leitura inicial dos contratos mencionados não permite afirmar categoricamente que os valores que a recorrente foi compelida a devolver aos dois estabelecimentos de crédito tivessem relação direta com o anterior faturamento ou com os valores lançados como imissão de receitas. Mais claramente, caberia à recorrente o ônus de cotejar, conjugar e vincular temporal e materialmente , os valores anteriormente por ela recebidos das fontes pagadoras, com as devoluções que se comprometeu a fazer. Vale dizer, a redução dos valores anteriormente registrados como receita parametrizamse com esta vinculação. Ainda que assim seja, não consigo visualizar que um sujeito passivo possa ser obrigado a recolher tributos incidentes sobre “receita bruta” (caso do Lucro Presumido a que se submete a recorrente) se esta “receita”, no mesmo mês ou período subsequente, se desfez. Vejase, a propósito, um singelo exemplo: uma empresa tem uma receita no mês “x” de 100; no mês “x+1” de 150; e no mês “x+2” de 200. neste mês “x+2” recebe devoluções de vendas (ou serviços) relativos ao mês “x” de 30; do mês “x+1” de 70 e do próprio mês “x+2” de 50, totalizando 150; seguindo com o raciocínio, seria correto exigir deste contribuinte que calculasse e recolhesse os tributos do mês “x+2” sobre 200 (vendas do período) sabendo que houve “devoluções”, portanto, cancelamento de vendas, desfazimento da operação, no importe de 150 (mesmo que parte destes estornos de vendas seja de período pretérito)? A resposta, não me parece difícil, ao contrário, é óbvia. Pensarse o oposto, ou seja, impedir que as devoluções e cancelamentos, ainda que de períodos anteriores sejam subtraídas da base de cálculo, além de exigir tributos sobre uma receita bruta que se desfez Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 420 13 parcialmente, feriria, de morte, o preceito dos artigos 519 e 224, parágrafo único do RIR/1999, verbis: Art.519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. Art.224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Na verdade o termo “vendas canceladas” é gênero da qual a devolução é espécie, posto que seus efeitos econômicos, financeiros e patrimoniais são os mesmos, mudando apenas o modus procedendi dos registros contábeis e fiscais. Em outro dizer, devolução nada mais é que anular, cancelar, todos os efeitos de uma operação anteriormente praticada, inclusive os contábeis e tributários. Na forma do Pronunciamento Técnico CPC nº 30, “Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários”. Exprimase, só é receita aquilo que efetivamente adentra ao patrimônio da entidade. Venda que se cancela, serviço que não se recebe ou, se recebido, deve ser devolvido, não acresce o patrimônio da empresa. Logo, não é receita, portanto, não pode ser base de cálculo de tributo que se assenta justamente sobre esta premissa. Posição homologada pelo próprio Órgão Tributário (Solução de Consulta nº 114 – Cosit, de 22 de abril de 2014) que, mesmo tratando de PIS e COFINS (e até por isso mesmo), tem plena aplicação ao Lucro Presumido, regime que se apóia na “receita”: “No regime de competência, o cancelamento de notas fiscais, seja no mês da prestação de serviço ou em outro mês qualquer, por si só, não afeta a ocorrência do fato gerador ou a apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Todavia, se as causas que motivarem tal cancelamento, configurarem vendas canceladas, o correspondente valor, registrado como receita de serviços, é passível de exclusão da base de cálculo dessa Contribuição no mês da devolução”. Neste contexto, mesmo que as devoluções possam se referir a períodos anteriores ou mesmo não haver uma vinculação individualizada de cada devolução com a receita anteriormente recebida (reconheçase, procedimento nem sempre fácil de ser feito), penso que exigir tributos sobre receita que foi cancelada não pode ser aceito. Claro que os valores estão inflados pelos juros remuneratórios impostos pelo Bradesco e BMC e, por isso, não poderiam ser tomados na forma em que se encontram Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 421 14 planilhados nos contratos e servir como redutores das receitas posto que, por óbvio, quando das vendas/prestações de serviços não continham tal plus. Assim, impraticável se tomar, exemplificativamente, o montante devolvido da 1ª parcela de ambos os instrumentos, R$ 4.105,79 – Bradesco – vencimento em 01/11/2010 e R$ 1.705,06 – BMC – vencimento em 12/01/2009 posto que tais números, como visto, apresentam acréscimos de CDI (+) 0,25% e (+) 0,5%, respectivamente. De outro giro, como está perfeitamente definido, em registros e contratos juntados aos autos, o valor original das devoluções (fls. 334 e 343), basta simples operação matemática de forma a determinar cada parcela pelos seus valores primários, como abaixo demonstrado: Ø Bradesco 1. – Valor Original – R$ 349.112,86 2. – Quantidade de parcelas – 96 3. – Cálculo do valor original de cada parcela: (R$ 349.112,86 / 96) 4. – Valor unitário de cada parcela – R$ 3.636,59 Ø BMC 1. Valor Original – R$ 201.430,04 2. Quantidade de parcelas – 120 3. Cálculo do valor original de cada parcela: (R$ 201.430,04 / 120) 4. – Valor unitário de cada parcela – R$ 1.678,58 A partir destes cálculos, com os valores depurados, é possível contrapor os valores devolvidos à receita imputada nos autos de infração, evidentemente observando unicamente os períodos em que realizados os lançamentos de ofício, o que leva a desconsiderar o anocalendário de 2012. Nessa linha, temse a seguinte posição: a) Bradesco – 9 parcelas incorridas em 2010 e 52 em 2011, portanto, R$ 3.636,59 (*) 61 parcelas = R$ 221.831,99 (valor a reduzir como devolução). b) BMC – 51 parcelas incorridas em 2009, 52 em 2010 e 17 em 2011, portanto, R$ 1.678,58 (*) 120 = R$ 201.430,04 (valor a reduzir como devolução). Desse modo, entendo que cabe razão à recorrente e deve ser afastada parte dos lançamentos de IRPJ e de CSLL presentes nos autos, no total de R$ 423.262,03 Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 422 15 (valor tributável), conforme demonstrativo analítico a ser a ser exibido no final deste voto, separadamente por período e tributo. Destaco, por oportuno, que a exoneração acima somente se aplica ao IRPJ e à CSLL, posto que as receitas originárias não serviram de base para os lançamentos de PIS e de COFINS aqui apreciados. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Rebelase a recorrente contra a possibilidade da imposição de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada no lançamento. Pois bem, ressalvando, de plano, que a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a Multa de Ofício é questão superveniente ao presente lançamento, passase à sua apreciação, já que, inexoravelmente, tal acréscimo virá integrar o crédito tributário objeto de discussão. Consoante dizer do art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, entendida esta como decorrente de obrigação tributária principal. E se referido crédito tributário (penalidade) não for pago integralmente no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, aplicandose a taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º, do CTN): “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(negrejouse e grifouse) Assim, a cobrança de juros de mora sobre a penalidade pecuniária cabível encontra fundamento de validade no próprio CTN. Por outro lado, só é plausível se falar na incidência de juros de mora pelo atraso no recolhimento quando o crédito tributário inadimplido sujeitase a prazo de vencimento, o que ocorre com relação ao tributo, à contribuição e à multa de ofício, e não com a multa de mora, a menos que esta última seja exigida isoladamente, mediante lançamento de ofício. Valendose da exceção legal contida no art. 161, § 1º, do CTN, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, dispôs que, a partir de 1º de abril de 1995, sobre os tributos e contribuições sociais não recolhidos no prazo de vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic (art. 13): Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 423 16 Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...).” Seguindoa, a Lei nº 9.430, de 1996, foi mais genérica, dispondo que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): “Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 424 17 que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Consistindo a multa de lançamento de ofício em débito para com a União, de natureza de obrigação tributária principal, correta a interpretação de que, sobre referida penalidade incidem juros à taxa Selic, a partir do seu vencimento. Corroboram, ainda, a conclusão acima, as razões abaixo dispostas. De fato, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, reportandose especificamente à multa de mora inadimplida, dispôs que sobre ela incidem juros de mora à taxa Selic, quando exigida de ofício, isolada ou conjuntamente (art. 43): “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Com efeito, como já ressaltado anteriormente, sobre a multa de mora não há de se cogitar na incidência de juros, pois referida penalidade pecuniária é desprovida de vencimento, exceto quando exigida mediante lançamento de ofício, como regula o dispositivo supra, momento o qual se impõe um prazo legal para o seu adimplemento. Da mesma forma ocorre com relação aos juros. Estes não têm vencimento legal para o seu cumprimento, a menos que exigidos por meio de lançamento de ofício. Resta claro, pelo dispositivo acima transcrito, que sobre a penalidade exigida de ofício incidem juros de mora à taxa Selic. No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão, já legitimou a incidência dos juros sobre a totalidade do crédito tributário, aí incluída a multa de ofício. Vejase: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 425 18 crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012 DJe 10/12/2012 Acresçase que a matéria já está amplamente consolidada nesta Corte no âmbito das três turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Assim, neste item, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício lançada. Concluindo, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para exonerar parte dos lançamentos nos períodos e valores abaixo discriminados: É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone DEMONSTRATIVO DOS VALORES LANÇADOS, EXONERADOS E MANTIDOS Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 426 19 TRIBUTO IRPJ CÓDIGO 2917 VALORES MANTIDOS – BASE DE CÁLCULO – VALORES TRIBUTÁVEIS 1 2 3 4 = (2+ 3) Período LANÇADO EXONERADO MANTIDO 1º Trim.2009 917.374,26 20.143,40 897.230,86 2º Trim.2009 4.849.732,70 21.821,54 4.827.911,16 3º Trim.2009 4.956.592,96 21.821,54 4.934.771,42 4º Trim.2009 4.732.287,23 21.821,54 4.710.465,69 1º Trim.2010 3.030.167,70 21.821,54 3.008.346,16 2º Trim.2010 2.609.514,54 21.821,54 2.587.693,00 3º Trim.2010 2.969.527,45 21.821,54 2.947.705,91 4º Trim.2010 2.665.260,03 54.550,85 2.610.709,18 1º Trim.2011 2.539.306,59 69.097,21 2.470.209,38 2º Trim.2011 6.235.688,96 53.989,99 6.181.698,97 3º Trim.2011 3.699.505,35 47.275,67 3.652.229,68 4º Trim.2011 1.379.534,95 47.275,67 1.332.259,28 TOTAIS 40.584.492,72 423.262,03 40.161.230,69 (*) VALORES SUJEITOS À INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA NA LIQUIDAÇÃO TRIBUTO CSLL CÓDIGO 2973 VALORES MANTIDOS – BASE DE CÁLCULO – VALORES TRIBUTÁVEIS 1 2 3 4 = (2+ 3) Período LANÇADO EXONERADO MANTIDO 1º Trim.2009 917.374,26 20.143,40 897.230,86 2º Trim.2009 4.849.732,70 21.821,54 4.827.911,16 3º Trim.2009 4.956.592,96 21.821,54 4.934.771,42 4º Trim.2009 4.732.287,23 21.821,54 4.710.465,69 1º Trim.2010 3.030.167,70 21.821,54 3.008.346,16 2º Trim.2010 2.609.514,54 21.821,54 2.587.693,00 3º Trim.2010 2.969.527,45 21.821,54 2.947.705,91 4º Trim.2010 2.665.260,03 54.550,85 2.610.709,18 1º Trim.2011 2.539.306,59 69.097,21 2.470.209,38 2º Trim.2011 6.235.688,96 53.989,99 6.181.698,97 3º Trim.2011 3.699.505,35 47.275,67 3.652.229,68 4º Trim.2011 1.379.534,95 47.275,67 1.332.259,28 TOTAIS 40.584.492,72 423.262,03 40.161.230,69 (*) VALORES SUJEITOS À INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA NA LIQUIDAÇÃO Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10469.720162/201428 Acórdão n.º 1402003.347 S1C4T2 Fl. 427 20 Fl. 427DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000403/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003, 01/01/2006 a 31/10/2006
NÃO OBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Recurso Voluntário interposto quando já transcorrido o prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72 importa em intempestividade, tendo por conseqüência o seu não conhecimento.
Numero da decisão: 2401-005.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente).
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Recurso Voluntário interposto quando já transcorrido o prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72 importa em intempestividade, tendo por conseqüência o seu não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 04 03 /2 00 8- 14 Fl. 110DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Inicialmente, destaco que encontramse apensos a estes autos, os processos nº 16004.000470/200839, 16004.000404/200869 e 16004.000405/200811. Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fl. 2, consubstanciado no DEBACD 37.117.2209, em decorrência de não recolhimento por parte da autuada das contribuições previdenciárias rurais devidas à Previdência Social, correspondente à parte da subrogação nas obrigações dos produtores rurais (pessoas físicas), conforme consta no Relatório Fiscal (fls. 24/25). Consta, ainda, do citado Relatório Fiscal, que o período de apuração referese a 01/2003 à 12/2003 e 01/2006 à 10/2006, e que tais contribuições não foram incluídas nas respectivas GFIP’s, motivando a multa de R$ 108.077,71 (cento e oito mil e setenta e sete reais e setenta e um centavos). Devidamente cientificado do lançamento em 14/07/2008 (fl. 34), o Interessado apresentou impugnação tempestiva em 29/07/2008 (fls. 38/54), alegando, em síntese: (i) que a previsão utilizada para lavratura do Auto de Infração é o art. 25, inciso I, da Lei 8.212/91, com as alterações decorrentes da Lei nº 8.540/92, nº 8.870/94 e nº 9.52897; (ii) que o caso se trata do denominado “novo FUNRURAL”, e que o artigo 30, III e IV da Lei 8.212/91 prevê o prazo e a obrigação da empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa de recolher a contribuição a que trata o art. 25 daquela lei, bem como a condição de se subrogar nesta obrigação; (iii) que a constitucionalidade da referida contribuição (art. 25, Lei 8.212/91) vinha sendo discutida no Tribunais, destacandose o julgamento em segundo grau do TRF 3, tendo este suscitado incidente de inconstitucionalidade a ser submetido ao órgão especial (Processo nº 2000.61.06.00.0000013), e outra estaria sendo julgada pelo STF (RE 363.852/MG), já tendo o Min. Marco Aurélio proferido, à época, voto pela inconstitucionalidade da exação; (ii) que outros 4 Ministros, a saber, Eros Grau, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa e Carlo Brito haviam conhecido e dado provimento ao recurso em questão, tendo o Min. Cezar Peluso pedido vista; (iii) que, portanto, 5 dos 11 Ministros já haviam votado favoravelmente à causa, ou seja, pela inconstitucionalidade da contribuição previdenciária denominada “novo Funrural”; (iv) que tratandose de discussão sobre a inconstitucionalidade de exação, caberia sua suscitação em via administrativa, com base no artigo 1º do Decreto nº 2.346/97; Fl. 111DF CARF MF Processo nº 16004.000403/200814 Acórdão n.º 2401005.594 S2C4T1 Fl. 3 3 (v) que antes da EC 20/98, o art. 195 da CF definia que as contribuições devidas pela empresa e destinadas ao financiamento da Seguridade Social deveriam recair sobre a folha de saláios, ao faturamento e lucro e que ao dispor sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, o artigo 25, I, da Lei 8.212/91, extrapolou o texto constitucional, em decorrência da instituição de nova fonte de custeio da previdência social. Cita jurisprudências e doutrinas sobre o tema; Ao final requer o acolhimento da Impugnação para: (a) declarar a improcedência do Auto de Infração e; (b) cancelamento do débito levantado pela fiscalização. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1421.877 da 7ª Turma da DRJ/RPO, às fls. 79/83, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o lançamento fiscal. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. A empresa adquirente se subroga na obrigação de recolher as contribuições devidas pelo produtor rural pessoal física, destinadas ao financiamento dos Riscos Ambientais do Trabalho RAT, independentemente de as operações de venda terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. É vedado à Administração Pública o exame da Legalidade e Constitucionalidade das Leis. Lançamento Procedente” Do resultado do julgamento, a empresa Recorrente foi intimada em 18/12/2009 (fl. 86). À fl. 90, a DRJ/RPO lavrou termo de perempção informando ter transcorrido o prazo para a contribuinte apresentar Recurso Voluntário, certificando, também, a ausência do pagamento do lançamento, informando as cautelas de praxe. Ainda assim, inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 22/01/2010 (às fls. 91/95), argumentando o que segue, inclusive repisando argumentos já lançados em impugnação: (i) que a decisão da DRFB merece reforma, uma vez que ficou demonstrado dos autos que a cobrança do referido tributo é inconstitucional; (ii) que o artigo 30, III e IV da Lei 8.212/91 prevê o prazo e a obrigação da empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa de recolher a contribuição a que trata o art. 25 daquela lei, bem como a condição de se subrogar nesta obrigação; Fl. 112DF CARF MF 4 (iii) que a constitucionalidade da referida contribuição vinha sendo discutida no Tribunais, destacandose o julgamento em segundo grau do TRF 3, tendo este suscitado incidente de inconstitucionalidade a ser submetido ao órgão especial (Processo nº 2000.61.06.00.0000013), e outra estaria sendo julgada pelo STF (RE 363.852/MG), já tendo o Min. Marco Aurélio proferido, à época, voto pela inconstitucionalidade da exação; (iii) que outros 4 Ministros, a saber, Eros Grau, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa e Carlo Brito haviam conhecido e dado provimento ao recurso em questão, tendo o Min. Cezar Peluso pedido vista; (iv) que, portanto, 5 dos 11 Ministros já haviam votado favoravelmente à causa, ou seja, pela inconstitucionalidade da contribuição previdenciária denominada “novo Funrural”; (v) que é cabível a alegação de inconstitucionalidade de exação por via administrativa e que o art. 25, I, da Lei nº 8.212/91 extrapolou o texto constitucional, em decorrência da instituição de nova fonte de custeio da previdência social e que esta só teria validade se instituída após a EC 20/98, ou por meio de Lei Complementar; (vi) que antes da EC 20/98, o art. 195 da CF definia que as contribuições devidas pela empresa e destinadas ao financiamento da Seguridade Social deveriam recair sobre a folha de saláios, ao faturamento e lucro e que ao dispor sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, o artigo 25, I, da Lei 8.212/91, extrapolou o texto constitucional, em decorrência da instituição de nova fonte de custeio da previdência social. Diante disso, requer o provimento do recurso para se declarar a improcedência do Auto de Infração e consequentemente o cancelamento do débito levantado pela fiscalização. Após apresentação do Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou petição com documentos (fls. 99/104), alegando que “por votação unânime, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou em julgamento realizado na data de 03 de fevereiro de 2010, a inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VI, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei 9.528/97, que prevê o recolhimento de contribuição para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL)” e que “diante da inconstitucionalidade declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal acima noticiada, o presente auto de infração resta prejudicado, devendo o mesmo ser declarado improcedente, e conseqüentemente cancelado o débito levantado pela fiscalização”. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 18/12/2009 (sextafeira), conforme AR juntado à fl. 86. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 16004.000403/200814 Acórdão n.º 2401005.594 S2C4T1 Fl. 4 5 De acordo com o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, “Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. O dies a quo teve início em 21/12/2009 (segundafeira), e o trintídio legal regulamentar encerrouse em 19/01/2010 (terçafeira). Assim, lavrou a DRJ/POR, em 20/01/2010, termo de perempção (fl. 90). Contudo, conforme se observa às fls. 91/95, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 22/01/2010, ou seja, fora do prazo legal. Portanto, em razão da intempestivamente, NÃO CONHEÇO DO RECURSO já que AUSENTE os requisitos de admissibilidade. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, pois manifestamente intempestivo. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.725982/2014-80
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE.
1- Os critérios de necessidade/utilidade traduzem o interesse processual. Não deve ser conhecido o recurso que, sendo provido, não ensejará nenhum proveito para o recorrente no âmbito do próprio processo.
2- A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. O acórdão paradigma não se refere a lançamento por glosa de custos/despesas (caso do acórdão recorrido), mas sim a lançamento por omissão de receitas, receitas que estariam configuradas nos valores que as controladoras no estrangeiro remeteram à controlada no Brasil. Não há paralelo entre o acórdão recorrido (que tratou de glosa de custos/despesas referentes a rubricas específicas) e o paradigma, que permita a caracterização de divergência a ser sanada mediante processamento de recurso especial. Os contextos fáticos distintos justificam as diferentes decisões.
Numero da decisão: 9101-003.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que conheceram do recurso. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Nelso Kichel não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Flávio Franco Correa na reunião anterior. Julgamento iniciado na reunião de 07/2018 e concluído 08/2018, no período da manhã.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado em substituição ao conselheiro Flávio Franco Corrêa), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Flávio Franco Corrêa.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. 1 Os critérios de necessidade/utilidade traduzem o interesse processual. Não deve ser conhecido o recurso que, sendo provido, não ensejará nenhum proveito para o recorrente no âmbito do próprio processo. 2 A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. O acórdão paradigma não se refere a lançamento por glosa de custos/despesas (caso do acórdão recorrido), mas sim a lançamento por omissão de receitas, receitas que estariam configuradas nos valores que as controladoras no estrangeiro remeteram à controlada no Brasil. Não há paralelo entre o acórdão recorrido (que tratou de glosa de custos/despesas referentes a rubricas específicas) e o paradigma, que permita a caracterização de divergência a ser sanada mediante processamento de recurso especial. Os contextos fáticos distintos justificam as diferentes decisões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que conheceram do recurso. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Nelso Kichel não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Flávio Franco Correa na reunião anterior. Julgamento iniciado na reunião de 07/2018 e concluído 08/2018, no período da manhã. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 59 82 /2 01 4- 80 Fl. 3949DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 3 2 Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado em substituição ao conselheiro Flávio Franco Corrêa), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto às seguintes matérias: 1) artificialidade da divisão da operação entre os contratos de afretamento e de prestação de serviço (split contratual); e 2) impossibilidade de aplicação da multa isolada de 50% de que trata o art. 44, II, "b" da Lei nº 9.430/96, em concomitância com a multa de ofício de 75%. No exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso apenas em relação à matéria constante do item "1" acima indicado. Houve negativa de seguimento em relação à matéria tratada no item "2", conforme o despacho exarado em 02/06/2017 pelo Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Na sequência, a contribuinte apresentou agravo contra o exame de admissibilidade feito pelo Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, mas a negativa de seguimento do recurso em relação à segunda divergência foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme despacho decisório exarado em 21/07/2017. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1402002.456, de 11/04/2017, por meio do qual a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidiu manter a glosa de custos/despesas que embasou o lançamento contido nos presentes autos. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não Fl. 3950DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 4 3 prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 CUSTOS E DESPESAS. DEDUÇÃO. A dedução dos gastos com custos ou despesas operacionais não é vinculada apenas à necessidade, usualidade e normalidade, mas à primordial verificação se o ônus foi efetivamente do sujeito passivo que computou os valores sob discussão. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 AUTUAÇÃO REFLEXA. RESULTADO DO PROCESSO PRINCIPAL. Tratandose de autuação reflexa, aplicase a ela o resultado do julgamento referente ao processo tido como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário: i) por unanimidade de votos quanto ao mérito da exigência e: ii) por maioria de votos quanto à multa isolada. Vencidos nessa parte os Conselheiros Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella, que votaram por cancelar a exigência dessa penalidade. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Quanto à matéria admitida do recurso (artificialidade da divisão da operação entre os contratos de afretamento e de prestação de serviço split contratual), a contribuinte apresenta os seguintes argumentos: A COMPROVAÇÃO DO DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL A ARTIFICIALIDADE DO "SPLIT" CONTRATUAL Fl. 3951DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 5 4 conforme já mencionado, o v. acórdão recorrido julgou procedente a autuação por entender que a fiscalização descaracterizou o "split" contratual diante da confusão entre o contrato de prestação de serviço e o contrato de afretamento. Em outras palavras, no entendimento da autuação e do acórdão recorrido, a bipartição dos contratos entre prestação de serviços (empresa brasileira) e afretamento (empresa estrangeira) é artificial na medida em que ambas as atividades foram executadas de forma conjunta à Petrobras; contudo, de forma contrária ao que foi definido pela Turma a quo e em consonância com o entendimento defendido pela recorrente, o Acórdão paradigma nº 1103 001.105, que trata da mesma situação fática, reconhece expressamente que a autuação fiscal não pode ser procedente se não houver nos autos nenhuma indicação de que os limites previstos nos editais tenham sido objeto de alguma negociação entre o licitante e os participantes do certame ou de que os recursos recebidos pela recorrente de suas "controladoras" sejam por prestação de serviços a essas e parte por prestação de serviços à contratante ou licitante; em cumprimento ao disposto pelo §6º do art. 67 do Regimento Interno do CARF, procedese a seguir ao cotejo analítico entre as ementas do acórdão recorrido e do acórdão paradigma: Ementa do Acórdão Paradigma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PRELIMINARES DE NULIDADE O uso de informações coletadas no âmbito de um MPF para a instrução primária dos lançamentos efetuados sob outro MPF não constitui emprego de prova emprestada. Tratase de continuidade da própria instrução primária dos lançamentos, a qual se iniciou com o primeiro MPFF e se concluiu com o segundo MPFF. O fato de se ter emitido novo MPFF, embora a fiscalizada tenha sido cientificada do primeiro MPFF e do início do procedimento fiscal, não viola a Portaria RFB 4.066/07, sendo, antes, medida de cautela. DECADÊNCIA CIÊNCIA DOS LANÇAMENTOS EM 27/12/2007 O IRPJ e a CSLL tiveram sua apuração anual, no anocalendário de 2002, conforme DIPJ/03, o que afasta a decadência. A exigência de PIS e de Cofins se deu somente para dezembro de 2002, ou melhor, para todo o ano calendário de 2002, definindo o momento do fato gerador para 31/12/02, de modo que se afasta a decadência. PIS, COFINS LANÇAMENTOS ANUAIS E TRIMESTRAIS Não se trata de erro matemático, mas de erro jurídico. A recondução em bases mensais, conquanto aritmeticamente possível, juridicamente não a é, sob pena de refazimento dos autos de infração. Vício substancial que inquina os lançamentos de nulidade material. Fl. 3952DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 6 5 IRPJ, CSLL TRANSFERÊNCIAS DO EXTERIOR DE JANEIRO A SETEMBRO DE 2003 A DIPJ/04 de evento especial de incorporação da recorrente em 30/9/03 não foi rechaçada pelo autuante. Incabível a exigência de IRPJ e de CSLL sob fato gerador em 31/12/03. IRPJ, CSLL, PIS, COFINS TRANSFERÊNCIAS DO EXTERIOR DE OUTUBRO A DEZEMBRO DE 2003 Resulta comprovado que as transferências de recursos da controladora da recorrente foram para integralizações de seus aumentos de seu capital. Exigências afastadas. FLUXO TRIANGULAR DE RECURSOS PREÇO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO RECUPERAÇÕES DE CUSTOS DEDUZIDOS 1 Motivo central é de artificialidade entre os preços praticados entre a contratante com as contratadas empresas estrangeiras (por afretamento de embarcações), e os preços praticados entre a mesma contratante e a recorrente, controlada das empresas estrangeiras, emergindo a parte do preço pela prestação de serviços à contratante pela recorrente, com os recursos transferidos a essa pelas empresas estrangeiras. Os editais de licitação internacional preveem o limite percentual (sobre o preço global) a ser praticado pela prestação de serviços, sem exceção. Preços contratados conforme os limites percentuais estabelecidos nos editais de licitação. Não há nos autos nenhuma indicação de que os limites previstos nos editais tenham sido objeto de alguma negociação entre o licitante e os participantes do certame. Também não há nenhuma discriminação de que parte dos recursos recebidos pela recorrente de suas “controladoras” sejam por prestação de serviços a essas e parte por prestação de serviços à contratante licitante. 2 Motivo alternativo é de que os recursos transferidos pelas empresas estrangeiras à recorrente são subvenções para custeio ou recuperações de custos deduzidos. Recuperação de custos e subvenções para custeio não são sinônimos. Se os gastos foram em benefício das empresas estrangeiras, os valores transferidos para a recorrente até o limite dos gastos não foram subvenções para custeio. Do exame da documentação constante dos autos, não há indicação que os gastos em benefício das empresas estrangeiras tenham transitado como despesa da recorrente; o que afasta a exigência por recuperação de custos deduzidos as transferências não transitaram como receita na recorrente. Do mesmo exame, constatase a ausência nas contas dos Razão de lançamentos contábeis de ingressos de recursos de R$ 1.063.093,46 em 2002, e de R$ 17.018.000,00 em 2004. Parcelas que representam subvenções para custeio. Exigências afastadas parcialmente. Fl. 3953DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 7 6 CSLL FALTA DE COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVA DE CSLL PARA OS TRIMESTRES DE 2004 Não consta a compensação de bases negativas de CSL apuradas nos próprios trimestres do anocalendário de 2004, como declaradas na ficha 17 da DIPJ/05. Porquanto essas bases negativas de CSL não foram questionadas pelo autuante, impõemse suas compensações na apuração dos valores tributáveis dos trimestres de 2004. a fim de deixar ainda mais evidente a divergência entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido, e em cumprimento do disposto pelo §6º do art. 67 do Regimento Interno do CARF, promovese a seguir ao cotejo analítico entre trechos do acórdão recorrido e dos acórdãos paradigmas: [...]; comprovado, portanto, o dissídio jurisprudencial, a recorrente passará a demonstrar o prequestionamento da matéria; COMPROVAÇÃO DO PREQUESTIONAMENTO no recurso voluntário, a questão do split contratual foi tratada com minúcia no tópico "a legitimidade do modelo contratual adotado"; COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA para fins de cumprimento do requisito do art. 67, §1º do RICARF, a legislação tributária interpretada de maneira divergente é, no que diz respeito ao split contratual, os arts. 5º e 14, da então IN 844/2008 e, posteriormente, em ratificação, o art. 1° da Lei n° 9.481/1997 (com redação conferida pelo art. 106 da Lei 13.043/14): [...]; no acórdão recorrido, interpretouse que o split contratual entre afretamento e prestação de serviços foi artificial e não correspondia a realidade, pois ambas as atividades foram prestadas em conjunto à Petrobras. À fls. 3558, o acórdão recorrido consigna de forma categórica que "ainda que a interessada utilize as normas do REPETRO para justificar a formalização dos contratos nos moldes efetuados, fato é que o Fisco não os acatou. Quanto ao advento de legislação superveniente que legitimaria os procedimentos (Lei n° 13.043/2014) não há até agora indicativo de aplicação a fatos geradores anteriores". Por sua vez, o acórdão paradigma nº 1103001.105, à fl. 5833 daqueles autos, deixa claro que um dos principais argumentos da Recorrente é que "a maior parte do preço global ficou com a empresa no exterior, sem a incidência de IR no Brasil, por aplicação da hipótese de alíquota zero do art. 1º, I, da Lei nº 9.481/97. A parcela residual do preço, atribuída à recorrente, não apresentava suficiência para que ela apresentasse lucros" e conclui que não houve artificialidade na determinação dos preços de afretamento e de prestação de serviços pela recorrente naqueles autos; DO MÉRITO A INEXISTÊNCIA DE ARTIFICIALIDADE NO SPLIT CONTRATUAL para que se tenha um perfeito entendimento da controvérsia, é preciso tecer alguns comentários sobre o modelo de contratação adotado, utilizado de forma padrão na Fl. 3954DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 8 7 indústria de óleo e gás, que consiste na contratação coligada em que há a celebração simultânea de um contrato de prestação de serviços, com uma entidade residente no Brasil, e de um contrato de afretamento, com uma entidade residente no exterior ("split contract"); a rejeição do Fisco ao modelo em causa está bem demonstrada no TVF: [...]; ocorre que o TVF e o Acórdão ora recorrido não poderiam ter rejeitado ou descaracterizado o modelo contratual bipartido, tendo em vista que este é legal, uma vez que jamais vedado em lei, e legítimo, incentivado pelo Regime Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Exploração e Produção de Petróleo e Gás REPETRO (IN RFB 844/08) e recentemente ratificado pelo art. 106 da Lei 13.043/14; referido modelo de contrato de afretamento acabou sendo utilizado em larga escala em razão da regulamentação do REPETRO, que considera integrante do regime tão somente os bens que "pertençam a pessoa sediada no exterior", "sejam importados sem cobertura cambial" e "procedam diretamente do exterior"; o mesmo ocorre em relação à importação temporária de "máquinas aparelhos, instrumentos, ferramentas, equipamentos e outras partes ou peças, incluídos os sobressalentes, destinados a garantir a operacionalidade do Repetro: [...]; ou seja, o sistema do REPETRO, mais que legitima, incentiva que as concessionárias importem as embarcações de empresas estrangeiras, em detrimento às embarcações de empresas nacionais e/ou em território nacional. Por outro lado, é evidente que o diaadia das prestações de serviço de extração e perfuração de poços de petróleo teria que ocorrer no local, razão pela qual tais empresas criaram subsidiárias locais para atender a estes serviços; dessa forma, durante muitos anos, as empresas foram estimuladas a manter os contratos de afretamento com empresas no exterior, sendo lógica a contratação da prestação dos serviços no Brasil; por tal razão, e a fim de acabar com a pretensão do Fisco de considerar tais estruturas ilegítimas, foi que o legislador brasileiro recentemente decidiu ratificar, através do art. 106 da Lei 13.043/14, que conferiu nova redação ao art. 1º da Lei nº 9.481/1997, a legitimidade e legalidade do modelo bipartido de contratos. In verbis: [...]; notese que os percentuais adotados no caso concreto (80% afretamento e 20% serviços) são exatamente aqueles adotados pelo legislador; logo, diferentemente do que sustenta o acórdão recorrido, o art. 1º da Lei n° 9.481/1997 (com redação conferida pelo art. 106 da Lei 13.043/14) deve sim servir como parâmetro para demonstração da legitimidade do modelo contratual utilizado por todo o setor de petróleo e dos percentuais aplicados nos contratos no caso concreto. Ainda que os fatos geradores tenham ocorrido anteriormente à entrada em vigor do novo texto legal; e não poderia ser diferente, pois os serviços são a parte menos importante dos contratos coligados, vindo a maior parte dos custos e da receita, de fato, do contrato de afretamento. Vejase abaixo tabela com outras embarcações do tipo jackup, cujo preço para construção, em dólares, chega a 530 milhões; Fl. 3955DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 9 8 não restam dúvidas de que o modelo de split é legítimo e que o contrato de afretamento é, de fato, o que produz maior receita, haja vista que o custo do mesmo pode chegar a ser de 10 vezes maior que os custos contabilizados pela recorrente em razão do contrato de prestação de serviços; é certo, no entanto, que tais considerações servem apenas para que os Srs. Julgadores se dissipem da rejeição incorporada pelo TVF e pelo Acórdão e vejam os fatos de forma concreta e objetiva, sem a sombra que o Fisco busca criar quanto à existência de uma suposta simulação, ou "burla", mas que não é afirmada com concretude; por consequência, não pode subsistir o acórdão recorrido quando afirma que "a rejeição dos contratos atinge em cheio a dedutibilidade dos custos e despesas" e que "não está mais em discussão se as despesas foram incorridas ou se são necessárias, mas, previamente a isso, quem efetivamente arcou com elas". Ora, uma vez derrubada a premissa do acórdão de que o split contratual é artificial, resta inevitável concluir que a Recorrente faz jus a dedutibilidade dos custos e despesas tidos no desempenho do contrato de prestação de serviços; não é demais lembrar que as despesas incorridas pela recorrente e glosadas pela Fiscalização estão contabilizadas em contas sob a rubrica "MERCADO EXTERNO", senão vejamos: [...]; como sabemos, segundo o artigo 47 da Lei nº 4.506/64 e o artigo 299 do RIR/99, para que a despesa seja dedutível, fazse necessário que o gasto (i) seja necessário à manutenção da atividade da empresa, (ii) seja usual, (iii) tenha sido efetivamente incorrido e (iv) adequadamente comprovado por todos os meios de prova admitidos pelo ordenamento jurídico. Esses requisitos estão perfeitamente presentes em todas as glosas realizadas pelo Fisco; a) A dedutibilidade das despesas da conta "Serviços Prestados MDO" esta conta referese às despesas com os pagamentos das sociedades estrangeiras Eastern Drilling AS e Seadrill Américas Inc., que cederam a mão de obra para a recorrente, chamada comumente de "expatriados"; é preciso ressaltar que a recorrente é empresa do ramo de óleo e gás, cujo objeto, descrito na Cláusula 2ª de seu contrato social, consiste, entre outros, na prestação de "serviços de operação de sondas de perfuração de poços de petróleo e gás natural, bem como de outros equipamentos e sistemas submarinos e terrestres relacionados à atividade petrolífera"; em assim sendo, são atividadesfim da recorrente tanto a prestação de serviços de operação de sondas e equipamentos, como a importação de tais equipamentos e de produtos industrializados em geral, tudo relacionado à atividade petrolífera; por sua vez, o contrato de prestação de serviços firmado entre a recorrente e a Petrobras determinou como obrigações da empresa brasileira a prestação de serviços à concessionária, cf. redação da cláusula 1.1. do contrato de prestação de serviços, notadamente "serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou manutenção e ou intervenção ("workover") de poços de petróleo e/ou gás"; Fl. 3956DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 10 9 o instrumento contratual não só previu a prestação de serviços a ser executada pela recorrente, como também estabeleceu que a empresa brasileira seria responsável pela manutenção dos equipamentos e da própria embarcação, necessários aos serviços de perfuração prestados, devendo ainda arcar com os custos inerentes à referida manutenção, conforme disposição expressa da Cláusula 3.10.2 do contrato de prestação de serviços com a Petrobras; dessa forma, o contrato firmado com a Petrobras, de natureza vinculante e que não foi desconstituído pela fiscalização, demonstra de forma irrefutável a obrigação contratual da recorrente no que tange à prestação de serviços de perfuração e à manutenção dos equipamentos utilizados; por sua vez, a relação direta da cessão de mão de obra com a prestação dos serviços junto à Petrobras também se revela evidente, por diversos documentos; os contratos de cessão de mão de obra entre a recorrente e empresas estrangeiras (apresentados à Fiscalização e anexados como Doc.2 na Impugnação) determinam o fornecimento de mão de obra pelas empresas estrangeiras (Seadrill Américas Inc. e Eastern Drilling AS) visando o preenchimento, por profissionais capacitados, das funções constantes do Anexo I do referido contrato, das quais se extrai, a título de exemplo, as seguintes funções: Assistente de Guindasteiro; Sondador; Assistente de Torrista; Plataformistachefe; Assistente de Perfurador, [...]; a comprovação de que a referida mão de obra foi empregada pela recorrente nas sondas para prestar à Petrobras os serviços de perfuração de poços de petróleo foi feita através de organogramas e de parte das listas das pessoas a bordo das sondas ("POB" ou "People On Board"); nessa esteira, os organogramas anexados no doc. 4 da Impugnação demonstram a relação de pessoal (mão de obra terceirizada), suas respectivas funções em cada sonda, evidenciando o efetivo envolvimento da mão de obra terceirizada na prestação de serviços à Petrobras, nos termos do contrato firmado entre a recorrente e a concessionária; a título de exemplo, vejamse algumas das atividades descritas nos organogramas: [...]; como se nota, as funções exercidas no âmbito da prestação de serviços da recorrente à Petrobras se encontram em linha com o Anexo I dos contratos de cessão de mão de obra, demonstrando que a mão de obra cedida pelas sociedades estrangeiras foi direcionada aos projetos da recorrente, na prestação de serviços à Petrobras; além disso, dos organogramas extraise também a presença de funcionários brasileiros da recorrente. A título de exemplo, o organograma funcional da sonda West Eminence conta com a presença dos seguintes empregados da empresa brasileira: Leandro Ribeiro Martins, José Antonio Santana Vieira, Anselmo Serra dos Santos, e Francisco das Chagas; portanto, há clara presença não só de colaboradores terceirizados, mas de empregados da própria empresa brasileira nas sondas, fato capaz de espancar o "pano de fundo" da teoria fiscal no sentido de que os serviços estariam sendo prestados pela empresa estrangeira e não pela recorrente; Fl. 3957DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 11 10 ainda no intuito de ratificar que a mão de obra objeto do contrato de cessão foi efetivamente direcionada à prestação dos serviços da recorrente, esta anexou à Impugnação a cópia de parte da extensa lista de pessoal a bordo das sondas, revelando claramente que a fiscalização deixou de verificar a questão com a minúcia exigida ao caso; ora, a lista de colaboradores a bordo das sondas, separada de forma cronológica por ano e mês, demonstra a presença de funcionários terceirizados no exercício das funções da prestação de serviço contratada entre a Petrobras e a recorrente, evidenciando, assim, que a despesa para a contratação de empresa que fornecia mão de obra para a execução dos serviços da recorrente era necessária e usual; digase, por fim, que, ao contrário do que parecem entender o TVF e o Acórdão recorrido, os contratos de cessão de mão de obra envolviam a recorrente e empresas que não se encontravam inseridas no contexto do contrato de afretamento (EASTERN DRILL1NG AS e SEADRILL AMÉRICAS INC.), o que indica a ausência de relação direta entre a empresa afretadora (SEADRILL OFFSHORE AS) e a contratação da mão de obra terceirizada, reforçando a idoneidade dos contratos de cessão; quanto à efetividade da despesa, a mesma restou demonstrada por comprovante de pagamento anexo à Impugnação como doc. 8, o qual foi direcionado às empresas estrangeiras, que são partes do contrato junto com a recorrente; notese que não são realizadas contratações diretamente entre expatriados e recorrente. A empresa estrangeira é contratada, recebendo pelos custos da contratação, mais uma margem de 5%, e é ela que efetua os pagamentos, seleciona os expatriados dentro das condições estabelecidas pela contratante, substitui eventual expatriado quando necessário e é responsável pelo expatriado enquanto empregado; semelhante à estrutura de uma cooperativa de empregados, à recorrente cabia darlhe ordens sobre os serviços que deveriam ser prestados e garantir sua segurança a bordo (artigo 1º), além de assumir responsabilidade pelo trabalho por eles realizado (artigo 3.4), mas não as responsabilidades trabalhistas e previdenciárias; por essa razão, inclusive, a exigência que pretendia o TVF referente à discriminação dos salários pagos a cada contratado, era impossível para a recorrente, que fez o pagamento somente para a empresa que cedeu a mão de obra; digase, por fim, que todos os pontos acima suscitados foram ratificados pela cedente Seadrill Américas Inc., através de declaração anexada à impugnação como Doc.5; dessa forma, havendo sido demonstrada de forma cabal a necessidade, usualidade e efetividade das despesas da conta "Serviços Prestados MDO", em contraponto aos genéricos argumentos do TVF e do Acórdão, não se pode negar a dedutibilidade das despesas; b) A dedutibilidade das despesas das contas "ISS s/ custo serv. Prest Exterior" e "CIDE s/ custo serv. Prest. Exterior" esta conta trata dos tributos incidentes sobre a remuneração pela cessão de mão de obra. Ora, caindo a premissa, cai a conclusão. Ou seja, demonstrado acima que as despesas com as cessões de mão de obra são da prestadora do serviço e são dedutíveis, é Fl. 3958DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 12 11 preciso reconhecer que também o são os tributos incidentes sobre a receita de referida contratação; além disso, jamais se poderia sustentar que as despesas com tais tributos seriam de responsabilidade da afretadora que jamais poderia ser contribuinte de tais tributos; c) A dedutibilidade das despesas da conta "Custos dos Serviços Prestados tratase de dispêndios com a Visa Solutions para obtenção de vistos, passaportes e autorizações de trabalho para os expatriados, cedidos a fim de integrar a mão de obra da recorrente na prestação de serviços à Petrobras; tais despesas revelamse incontestavelmente dedutíveis, na medida em que necessárias à regularização da contratação da mão de obra empregada na atividadefim da recorrente; ora, sem a contratação de mão de obra qualificada não haveria como proceder à prestação de serviços dentro dos padrões de qualidade exigidos pela Petrobras e, por óbvio, a contratação de estrangeiros necessariamente envolve diversos custos com despachantes e profissionais especializados na obtenção de vistos e regularização dos expatriados junto à administração pública brasileira, que não são apenas necessários, mas também usuais; a efetividade das despesas jamais foi contestada pelo TVF nem pelo Acórdão, havendo sido devidamente demonstrada em sede de Fiscalização através de tabela e diversas notas fiscais; d) A dedutibilidade das despesas da conta "Custos com Importação" esta conta inclui as despesas aduaneiras relativas às importações de partes e peças de reparo e manutenção, pagos em geral à MS Logística (cf. demonstrado à Fiscalização quando da apresentação de notas fiscais e planilhas, as quais não foram impugnadas); não obstante a comprovação e incontrovérsia do efetivo pagamento e do beneficiário, a Fiscalização decidiu glosar tais despesas e o Acórdão manter tais glosas sob o argumento de que seriam custos de titularidade da Seadrill Offshore e não da empresa brasileira; contudo, a argumentação fiscal não se sustenta à luz de suas próprias razões, sendo fruto de análise parcial e fora do contexto da operação; a demonstração quanto ao caráter necessário das despesas com as importações de equipamentos, partes e peças para reparo e manutenção de equipamentos de perfuração utilizados na prestação de serviços em comento pode ser verificada a partir da simples leitura da cláusula 3.10.2 do contrato de prestação de serviços firmado entre a recorrente e a Petrobras, já anexado aos autos, a substituição de peças, manutenção e reparo da embarcação, devendo arcar com os respectivos custos; por sua vez, foi apresentada no doc. 6 da Impugnação relação contendo as declarações de importação e a descrição dos itens importado, a qual revela se tratarem de partes e peças de manutenção/reposição; Fl. 3959DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 13 12 a relação de referida prestação com o objeto da recorrente deduzse da Cláusula 2ª de seu contrato social, o qual prevê também como objeto da recorrente a "comercialização, importação e exportação de equipamentos e produtos industrializados relacionados à atividade petrolífera"; assim, em possuindo a obrigação de importar partes e peças para a manutenção da embarcação, e sendo os custos a ela imputáveis (cf. cláusula 3.10.2), é certo que despesas fiscais deveriam ser assumidas pela recorrente; e) A dedutibilidade das despesas das demais contas da rubrica "MERCADO EXTERNO": "Custos com Treinamento" e "Outros Custos com Serv Prest MDO Ext" tratase de contas relativas às despesas com pagamentos de diversas empresas de treinamento e segurança do pessoal que presta serviços em nome da recorrente; a recorrente, em sede de fiscalização, demonstrou através de notas fiscais e planilhas o pagamento a diversas destas empresas, dentre elas Step offshore, National Oilwell Varco Norway AS, Training for the Offshore Driling. Além disso, em sede de Impugnação, anexou notas fiscais e contrato de câmbio contendo a descrição dos treinamentos, sendo certo que a Fiscalização não impugnou a efetividade de qualquer dos pagamentos comprovados; no que se refere à necessidade e usualidade das despesas, evidentemente, para a prestação de serviços à Petrobras a bordo, são exigidos determinados treinamentos procedimentais antes do deslocamento às sondas e a providência de alguns equipamentos de segurança; frisese que a própria concessionária exige a realização de tais treinamentos no contrato de prestação de serviços; vêse, portanto, que se trata de despesas necessárias à atividadefim da recorrente, usuais e efetivas, cf. devidamente comprovado ao longo da fiscalização e na Impugnação; f) A glosa das despesas e os consequentes créditos em relação às receitas oferecidas à tributação caso ultrapassados os argumentos esposados acima, o que se admite para argumentar, haverá que se reconhecer os impactos fiscais decorrentes da interpretação fiscal também sob o ponto de vista da recorrente; a premissa fiscal baseiase na alegação de que as despesas em comento são da empresa estrangeira (afretadora) e não da empresa brasileira (prestadora de serviços), logo, deveriam ser glosadas. Nessa esteira, o consectário lógico de tal conclusão exigiria o reconhecimento de que toda a apuração de receitas e, via de consequência, de tributos incidentes sobre a renda, lucro e receitas brutas deverá ser reconstituída para que se desconsiderem as receitas decorrentes dos contratos de prestação de serviço em tela; logo, se a fiscalização acaba por desconsiderar substancial parte das despesas relacionadas ao contrato em razão de compreender a prestação de serviços da recorrente à Petrobras como inexistente, deverá, por conseguinte, desconsiderar a mesma proporção de receitas decorrente do instrumento contratual; Fl. 3960DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 14 13 destaquese que seria virtualmente impossível executar os serviços previstos no contrato de prestação de serviços com a Petrobras sem incorrer nas despesas dedutíveis (despesas operacionais), haja vista a natureza dos serviços de sondagem/perfuração e os altíssimos dispêndios associados à atividade; nesse passo, desconstituir apenas as despesas como se inexistentes fossem para, ao mesmo tempo, tributarse todas as receitas como reais e efetivas representa incoerência fiscal e até mesmo abuso de direito; a descaracterização das despesas em atenção a todo o "pano de fundo" traçado pela Fiscalização, qual seja, a suposta inexistência de prestação de serviços entre a recorrente e Petrobras, deverá acarretar a consequente descaracterização das receitas da prestação de serviços. Se não há que se falar em despesas dedutíveis em razão de ausência de efetiva prestação, não há que se falar em receitas tributáveis, também em razão de ausência de efetiva prestação de serviços; portanto, haverá a necessidade de recomposição imediata da tributação relativamente ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com o consequente reconhecimento de créditos (caso tenha havido pagamento), redução do lucro real ou majoração de prejuízos da empresa; DO PEDIDO a recorrente espera e confia que seu recurso especial seja conhecido e provido para reformar o Acórdão 1402002.456, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, e cancelar o auto de infração que deu origem ao PAF nº 12448725.982/201480. Já foi mencionado anteriormente que o recurso especial só foi admitido em relação à divergência sobre a "artificialidade da divisão da operação entre os contratos de afretamento e de prestação de serviço (split contratual)". CONTRARRAZÕES DA PGFN Em 25/10/2017, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu parcialmente o recurso especial da contribuinte, e em 07/11/2017, o referido órgão apresentou tempestivamente suas contrarrazões, com os seguintes argumentos: DA INADMISSILIDADE DO RECURSO tratase de lançamento de IRPJ e CSLL em razão das irregularidades apuradas nos anos de 2009 e 2010; o auto de infração consigna que as despesas e os custos registrados pela contribuinte são estranhos às suas atividades e, portanto, não necessários para a manutenção da respectiva fonte de receitas. Na realidade, constatouse que essas despesas são de responsabilidade da empresa Seadrill Offshore, que é a proprietária das unidades perfuradoras; o acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário por entender que “A dedução dos gastos com custos ou despesas operacionais não é vinculada apenas à necessidade, usualidade e normalidade, mas à primordial verificação se o ônus foi efetivamente do sujeito passivo que computou os valores sob discussão”; Fl. 3961DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 15 14 desse modo, o acórdão recorrido, corroborando as razões apresentadas pela autoridade fiscal, entendeu que “os custos pertencem a quem auferiu a receita, ou seja, à controladora no exterior”; por sua vez, o recurso especial do contribuinte discute apenas a artificialidade dos contratos de afretamento e de prestação de serviço, sem questionar os fundamentos do lançamento, quais sejam as glosas dos custos erroneamente contabilizados; inicialmente, cumpre salientar que a Fazenda Nacional corrobora o entendimento consignado no despacho de admissibilidade do recurso especial no sentido de que não há interesse recursal por parte do contribuinte. Vejase: “No que concerne à primeira matéria objeto do recurso especial devese esclarecer inicialmente que o lançamento não se encontra fundamentado na ora questionada "artificialidade" da divisão da operação entre os contratos de afretamento e de prestação de serviço (split contratual). De fato, embora tenha tecido comentários sobre os contratos de afretamento (vide conceito estabelecido pelo art. 2º Lei nº 9.432/97) celebrados entre a Petrobrás e a Seadrill Offshore A.S., bem como os contratos de prestação de serviço celebrados entre a recorrente e sua controladora no exterior (Seadrill Offshore A.S.), o autor da ação fiscal glosou os custos contabilizados pela recorrente relativos aos contratos de prestação de serviços em razão de entender que tais custos foram incorridos pela Seadrill Offshor A.S., e não pela ora recorrente (correlação entre receitas e custos). Sobre o assunto o autor da ação fiscal, após analisar detidamente os custos em questão, assim se pronunciou (vide TVF à efl. 1749): DAS INFRAÇÕES APURADAS Por todo o exposto, tais custos, classificados no grupo de contas 3.1.03.02 Mercado Externo, foram considerados estranhos às atividades da fiscalizada, não necessários para a manutenção da respectiva fonte de receitas. Dessa forma foram glosados para efeito das apurações do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Os montantes mensais foram extraídos da escrituração e os extratos dos respectivos balancetes estão anexados ao presente Termo de Verificação. (g.n.) Quem primeiro levantou a questão da "artificialidade" da divisão da operação entre os contratos de afretamento e de prestação de serviço (split contratual) foi o próprio sujeito passivo, em sua impugnação. Essa questão foi, então, examinada tanto pela decisão de primeiro grau quanto pela decisão recorrida, mas sempre, a meu ver, como obiter dictum. Em assim sendo, a meu juízo, falta à recorrente interesse recursal quanto à questão da "aritificialidade" dos contratos. Em poucas palavras, a doutrina processualista afirma haver interesse recursal quando: (i) o recorrente não dispuser de meio processual diverso para modificar o ato guerreado Fl. 3962DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 16 15 (necessidade do recurso); e (ii) quando o recurso propiciar situação mais vantajosa ao recorrente do que aquela posta na decisão recorrida (utilidade do recurso); Nesse sentido, o presente recurso especial revelase inútil, pois a recorrente não contestou a acusação do autor da ação fiscal, qual seja, que os custos registrados na conta "3.1.03.02 Mercado Externo" não foram incorridos pela recorrente, e sim por sua controladora no exterior. Noutros termos, ainda que a CSRF entenda que os contratos em questão não são "artificiais", a posição do sujeito passivo não será mais vantajosa, pois nada poderá ser dito pela Turma sobre a glosa dos custos, já que essa matéria não foi objeto do recurso especial. Para concluir, embora entenda que relativamente à matéria da "artificialidade" falte interesse recursal à ora recorrente, também entendo que a questão da presença ou ausência de interesse recursal não deve ser objeto deste juízo de admissibilidade, e sim do juízo de conhecimento do recurso, a ser realizado pela própria Turma da CSRF.” nesse sentido, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal não precisou descaracterizar os contratos celebrados pois apenas realizou o reenquadramento dos efeitos tributários causados pelas obrigações contraídas pela Contribuinte junto à Petrobrás e as demais controladoras estrangeiras; portanto, a autoridade fiscal demonstrou que os custos apropriados pela recorrente eram, na realidade, despesas pertencentes à controladora estrangeira. Este é o fundamento do auto de infração que foi corroborado pelo acórdão recorrido e que deveria ter sido objeto do recurso especial; assim, considerando que o recurso interposto não rebateu os fundamentos do auto de infração, resta caracterizada a falta de interesse recursal. Portanto, o recurso especial não deve ser conhecido; além da falta de interesse recursal, o acórdão apresentado como paradigma não serve para configurar a divergência, pelas razões a seguir expostas; a situação fática do acórdão recorrido já foi delimitada acima. Assim, passa se a analisar a situação do acórdão de nº 1103001.105, apresentado como paradigma; pela simples leitura da ementa do acórdão, percebese que se tratam de situações diversas e que os motivos para dar provimento ao recurso voluntário decorreram da análise da documentação constante dos autos. Documentação completamente diversa da do presente processo. Vejase: "FLUXO TRIANGULAR DE RECURSOS PREÇO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO RECUPERAÇÕES DE CUSTOS DEDUZIDOS 1 Motivo central é de artificialidade entre os preços praticados entre a contratante com as contratadas empresas estrangeiras (por afretamento de embarcações), e os preços praticados entre a mesma contratante e a Fl. 3963DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 17 16 recorrente, controlada das empresas estrangeiras, emergindo a parte do preço pela prestação de serviços à contratante pela recorrente, com os recursos transferidos a essa pelas empresas estrangeiras. Os editais de licitação internacional preveem o limite percentual (sobre o preço global) a ser praticado pela prestação de serviços, sem exceção. Preços contratados conforme os limites percentuais estabelecidos nos editais de licitação. Não há nos autos nenhuma indicação de que os limites previstos nos editais tenham sido objeto de alguma negociação entre o licitante e os participantes do certame. Também não há nenhuma discriminação de que parte dos recursos recebidos pela recorrente de suas “controladoras” sejam por prestação de serviços a essas e parte por prestação de serviços à contratante licitante. 2 Motivo alternativo é de que os recursos transferidos pelas empresas estrangeiras à recorrente são subvenções para custeio ou recuperações de custos deduzidos. Recuperação de custos e subvenções para custeio não são sinônimos. Se os gastos foram em benefício das empresas estrangeiras, os valores transferidos para a recorrente até o limite dos gastos não foram subvenções para custeio. Do exame da documentação constante dos autos, não há indicação que os gastos em benefício das empresas estrangeiras tenham transitado como despesa da recorrente; o que afasta a exigência por recuperação de custos deduzidos as transferências não transitaram como receita na recorrente. Do mesmo exame, constatase a ausência nas contas dos Razão de lançamentos contábeis de ingressos de recursos de R$ 1.063.093,46 em 2002, e de R$ 17.018.000,00 em 2004. Parcelas que representam subvenções para custeio. Exigências afastadas parcialmente." pelo simples fato de o fundamento do acórdão paradigma basearse na análise de prova já seria motivo suficiente para desconfigurar a divergência de entendimento entre os acórdãos, requisito essencial para admissibilidade do recurso especial; a seguir, transcrevese trechos do acórdão paradigma que delimitam os fundamentos da autuação, bem como os motivos pelos quais o contribuinte teve seu recurso provido: “Relatório DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL ... A autuação ocorreu, segundo a fiscalização, por omissão de receitas de reembolsos pelas controladas, mediante um fluxo triangular de rendimento, realizado entre a empresa contratante (Petrobras), as empresas controladoras no exterior e a controlada sediada no Brasil, com o intuito de reduzir os tributos incidentes sobre o lucro e o faturamento da empresa controlada com sede no território nacional. ... Fl. 3964DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 18 17 Sendo assim, em suma, o que motivou o auto de infração foi a omissão de receita nas DIPJs 2002, 2003 e 2004, pois a controlada não contabilizou como receita os valores recebidos como pagamento da prestação de serviço realizado por ela, os quais deveriam ter sido acrescentados ao resultado do lucro real e da base de cálculo da CSL. ... Segundo o autuante, a recorrente e a empresa no exterior, por ser sua controladora, atribuíram com artificialidade os preços que ambas praticariam à contratante, a Petrobras, de modo que a maior parte do preço global ajustado com a contratante fosse imputável à controladora da recorrente no exterior – no caso, cerca de 90% do preço global. ... Do exame da documentação acostada aos autos, constato o seguinte. ... No Termo de Verificação Fiscal (TVF), o autuante acusa que a contratada pela Petrobras era a controladora da recorrente. Não trouxe aos autos, contudo, os contratos firmados entre a Petrobras e a controladora da recorrente, como alegado. Transcrevo excertos do TVF que indicam ter sido a controladora da recorrente a contratada pela Petrobras: ... De outra parte, a recorrente carreou aos autos cópia de cartas de decisão, de contratos de afretamento, seus anexos e aditivos, firmado entre a Petrobras e a empresa no exterior (fls. 1966 a 135, 2137 a 2289, 2388 a 2551, 2998 a 3215, 3224 a 3275 e 3341 a 3373, 3546 a 3676, 5048 a 5169). As cópias de contratos de afretamento são dos naviossonda Deepwater Navigator, Deepwater Frontier, dos navios semissubmersíveis Transocean Legend, Transocean Driller e, do navio Peregrine IV, das unidades Sedo 707 e Sedco 710 e Discoverer Sean Seas. Há cópia de contrato de afretamento contratado entre Petrobras e a R&B Falcon Drilling (International & Deepwater) Inc., e cessão da posição contratual de R&B Falcon Drilling (International & Deepwater) Inc. para Transocean Holdings Inc. (aditivo 1 do contrato de afretamento do naviosonda Deepwater Navigator – fls. 1979 a 1981 e aditivo 4 do contrato de afretamento do navio Deepwater Frontier – fls. 2140 a 2142). ... Repito. A autuante não trouxe aos autos cópia de nenhum contrato de afretamento firmado entre a Petrobrás e as empresas estrangeiras por ele indicadas como contratadas. Fl. 3965DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 19 18 Como se viu anteriormente, foram sócias da recorrente (Transocean Brasil Ltda.) nos períodos da autuação: Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc.; Sedco Forex International Inc.; Transocean Sedco Forex Ventures, Limited. Nada há nos autos que indique que as empresas no exterior, contratadas pela Petrobras para o afretamento de embarcações, R&B FalconDrilling (International & Deepwater) Inc., Transocean Holdings Inc., Falcon Drillinig Co. Inc., Falcon Atlantic Ltd., Transocean UK Limited, Sedco Forex International Services S.A., sejam sócias da recorrente nos períodos autuados. Ou seja, nada há nos autos que indique que as ora citadas empresas contratadas pela Petrobras para o afretamento de embarcações sejam sócias da recorrente, e, pois, controladoras da recorrente ao tempo dos períodos autuados – diversamente ao exposto no TVF, conforme transcrição feita acima. Por outro lado, a cópia do contrato de afretamento entre a Petrobras e a Sonat Offshore Drilling Inc., cujas fls. indiquei acima, contém data de assinatura ilegível. Ao teor das cláusulas nele constantes, há fortes indícios de que tenha sido assinado entre dezembro de 1994 e fevereiro de 1995. Conforme descrevi anteriormente, antes do período autuado, constava como sócia da recorrente a Transocen Offshore Inc., anteriormente denominada Sonat Offshore Drilling Inc. E a Transocen Offshore Inc. passou a ser denominada Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc., permanecendo como controladora da recorrente até início de junho de 2003, quando passou a ser controladora a Sedco Forex International Inc. Portanto, somente em relação ao contrato de afretamento com a Sonat Offshore Drilling Inc., pode se afirmar que a contratada da Petrobras era controladora da recorrente (contratada pela Petrobras para prestação de serviços) até o início de junho de 2003. O que se vê é que, ainda que não se possa dizer que as empresas estrangeiras contratadas pela Petrobras tenham sido sócias e controladoras da recorrente nos períodos autuados, cuidase de empresas do mesmo grupo econômico. Nesse passo, reputo curial acentuar o seguinte. Análise atenta do TVF permite concluir que o motivo central da autuação repousa sobre o estabelecimento de fluxo triangular de recursos, com artificialidade dos preços praticados com a contratante, a Petrobras. Nesse motivo central, a artificialidade dos preços se põe entre os praticados entre a Petrobras, contratante, com as contratadas empresas estrangeiras, controladoras da recorrente, segundo o TVF, e os praticados entre a Petrobras, contratante, com a contratada recorrente, controlada das empresas estrangeiras, conforme o TVF. E, dessa artificialidade dos preços, emerge a parte do preço (receita omitida autuada) pela prestação de serviços pela recorrente à contratante Petrobrás: Fl. 3966DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 20 19 ela é representada pelos recursos transferidos pelas controladoras estrangeiras da recorrente para esta. Ou seja, houve artificialidade dos preços na contratação pela Petrobras: parte do preço estabelecido na contratação do afretamento – contratação das empresas estrangeiras controladoras da recorrente – em realidade, compõe o preço estabelecido na contratação da recorrente (pela Petrobrás) para prestação de serviços à Petrobras. Tal conclusão é extraível da apreciação cuidadosa do “conjunto da obra” do TVF e, especialmente, da decomposição da situação fática real, como é dito no TVF, cuja descrição já transcrevi neste voto, a que faço remissão. E se reforça com a transcrição do excerto do TVF que se segue à referida descrição nele contida: ... Não há nos autos nenhuma indicação de que os limites previstos nos editais tenham sido objeto de alguma negociação entre os participantes do certame e a Petrobras. Disso tudo, a conclusão extraível é a de que não houve artificialidade na determinação dos preços de afretamento de embarcações pela SedcoForex International Services S.A., e de prestação de serviços pela recorrente, ambos contratados pela Petrobras. Resta, pois, derruído o motivo central da autuação, qual seja, o de estabelecimento de fluxo triangular de recursos, com artificialidade dos preços praticados com a contratante, a Petrobras. ... Não houve por parte do autuante, nenhuma indicação de que os valores recebidos pela recorrente de suas “controladoras” sejam maiores do que os valores das despesas dessas, a justificar que parte de tais valores foram por prestação dos serviços à Petrobras e parte por prestação de serviços às “controladoras” da recorrente. Tampouco houve indicação, muito menos discriminação, de quais valores seriam os de preço de serviços prestados à Petrobras, encobertos no preço de afretamento da SedcoForex International Services S.A., e quais seriam os de remuneração de atividade da recorrente para suas “controladoras”. Posto isso tudo, não se sustenta a conclusão de que os valores de transferência de recursos das “controladoras” da recorrente para esta são preço de prestação de serviços da recorrente às suas “controladoras”. E o mais importante. Não se sustenta a conclusão de que tais valores sejam preço de prestação de serviços pela recorrente à Petrobras (encobertos no preço dos afretamentos das empresas estrangeiras contratadas), pois já se viu que ficou incomprovada a artificialidade de preços praticados com a Fl. 3967DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 21 20 contratante. O motivo central resultou derruído, ante a imposição determinada pelos editais de licitação.” dos trechos acima destacados, concluise que as situações fáticas dos casos são diversas e que o acórdão acima analisou diversos documentos específicos ao caso. Não sendo possível, portanto, afirmar que os acórdãos tiveram entendimentos divergentes diante de situação fáticas semelhantes, requisito essencial à interposição de recurso especial; ora, os lançamentos, apesar de terem uma situação de fundo similiares (contratos de afretamento e de prestações de serviços com a Petrobrás), foram realizados de formas diferentes, como se pode concluir da leitura dos Termos de Verificação Fiscal. E por esse motivo, os acórdãos recorrido e paradigma analisaram situações diversas; por todo o exposto, o recurso especial não deve ser conhecido, tanto por faltar interesse recursal ao contribuinte, como por não ter sido comprovada a divergência entre os acórdãos; DO MÉRITO caso o recurso seja conhecido, seguem as razões já apresentadas em contrarrazões ao recurso voluntário, para que seja negado provimento. “2.3. DA JURISPRUDÊNCIA SOBRE OS CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS FIRMADOS PELA PETROBRAS Inicialmente, impende ressaltar que essa forma de contratação fracionada (serviços e afretamento) tornouse verdadeira praxe das prestadoras contratadas com a Petrobrás e, como exemplo, citamse os processos nº 15521.000124/200504, 15521.000127/200963, 19395.720024/201262, 19395.720263/201212 e 16682.721162/201235, que constataram idêntica prática. Desses processos citados, o último processo alcançou julgamento no CARF, por meio do acórdão nº 3403002.702 (processo nº 16682.721162/201235), concluindo em seu julgamento que “a bipartição dos serviços de produção e prospecção marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação (naviossonda, plataformas semissubmersíveis, navios de apoio à estimulação de polos e unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência) e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções” (destacado). Vejamos então a ementa desse julgado: Acórdão 3403002.702 Processo nº 16682.721162/201235 PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS Sessão 29/01/2014 3ª Seção – 4ª Câmara – 3ª Turma, Relator Cons. Alexandre Kern Fl. 3968DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 22 21 CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRATO DE “AFRETAMENTO” DE PLATAFORMAS DE PETRÓLEO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PRODUÇÃO E PROSPECÇÃO DE PETRÓLEO. NATUREZA DOS PAGAMENTOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS. A bipartição dos serviços de produção e prospecção marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação (navios sonda, plataformas semissubmersíveis, navios de apoio à estimulação de poços e unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência) e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos ditos de “afretamento” sujeitamse à incidência da Contribuição. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA. A incidência da Contribuição, na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior, prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. BASE DE CÁLCULO. REAJUSTAMENTO. ILEGALIDADE. A base de cálculo da CIDE é o valor da remuneração do fornecedor domiciliado no exterior estipulada em contrato, sendo ilegais tanto a adição quanto a exclusão do IRRF da sua base de cálculo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte. E em seu voto, assevera o Conselheiro Relator Alexandre Kern os pontos de seu convencimento motivado que passo a transcrever abaixo: “Pareceme que o conjunto indiciário reunido pela Fiscalização é consistente e corrobora essa conclusão. Fl. 3969DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 23 22 Em primeiro lugar, os contratos ditos de afretamento de afretamento não são, pois não têm como objeto embarcação. Ademais, as unidades de perfuração e de produção de petróleo offshore, objeto dos contratos de afretamento, não são meras estruturas metálicas, sobre as quais desembarcam e atuam os operadores da companhia prestadora de serviço contratada. Em absoluto. As unidades são, justamente, os equipamentos que serão operados para a consecução do objetivo último da Petrobrás, que é a perfuração ou produção do poço de petróleo. E, penso ser evidente, tratase de equipamentos sofisticados, construídos sob encomenda, com projeto único, que incorpora, em geral, o último estágio de desenvolvimento da tecnologia. Nesse sentido, seus operadores são designados já durante a fase de construção, no estaleiro, tamanha é a intimidade com equipamento requerida para operálos. Saliento esse aspecto porque, ainda que se considere a natureza genérica dos contratos, como contrato de aluguel de bens, o que sobressai é que tal contratação é absolutamente dispensável. Bastaria que a Petrobrás celebrasse contrato único, de prestação de serviços, fosse com a nacional ou com a empresa estrangeira, ainda assim as unidades seriam fornecidas, simplesmente, porque não há como prestar os serviços sem elas. Aliás, esse é exatamente o modelo de contratação para a perfuração e produção de petróleo em terra. A Petrobrás, em terra, não se dá ao trabalho de contratar o aluguel de uma sonda de perfuração de terra SPT e, simultaneamente, contratar a prestação do serviço, pois é ilógico, desnecessário, antieconômico. E, se ainda assim, por qualquer razão que se nos escape, a Petrobrás insistisse nesse modelo de contratação, a hipotética locatária dos equipamentos jamais admitiria que os mesmos fossem operados por terceiros. Portanto, pareceme que a conclusão a que chegou a Fiscalização a respeito da essência desses contratos está correta. A bipartição do contrato em “afretamento” e prestação de serviços – a também, por óbvio, a sua coligação voluntária – é artificial, desnecessária, sem propósito. A recorrente nessa hora bradará princípios constitucionais como da Livre Iniciativa (art. 1º, IV), da Livre Concorrência (art. 170, IV) ou mesmo da Propriedade Privada (art. 170, II), e que o ordenamento jurídico brasileiro outorga ao contribuinte o direito de organizarse de forma que se lhe imponha a menor carga tributária possível. Pugnará por que se analisem os contratos celebrados sob uma concepção estritamente formal da legalidade. Enfim, invocará a clássica cantilena liberal formalista que leva à (equivocada) conclusão de que, em matéria de planejamento tributário, tudo o que não estiver expressamente proibido é lícito ao contribuinte. Marciano Seabra de Godoi diagnostica que essa postura parte de certos valores arraigados e que não mais se compatibilizam com o atual estado de arte da dogmática constitucional e tributária nacional, quais Fl. 3970DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 24 23 sejam, o tributo visto como uma agressão ou um castigo que se aceita mas não se justifica; a segurança jurídica como um valor absoluto; a aplicação mecânica e não valorativa da lei como um mito sagrado; o individualismo e a autonomia da vontade sobrevalorizados e hipertrofiados, como se vivêssemos em pleno século XIX. Atualmente, as bases da tributação são liberdade, igualdade e solidariedade. Neste cenário, a interpretação dos atos jurídicos e das operações não se pode valer da máxima de hipossuficiência dos contribuintes frente ao todo poderoso Estado, sob pena de se obstar a aplicação de outros princípios constitucionais. Há diversos outros que podem ser tolhidos caso planejamentos sejam indiscriminadamente considerados válidos e legítimos tãosomente porque adotaram forma jurídica prevista em texto de lei (Dignidade da Pessoa Humana, Função Social da Propriedade, Isonomia). O planejamento tributário deve ser analisado “não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos igualdade, solidariedade social e justiça”. Enfim, exigese, para além de uma economia de tributos, um propósito negocial. Nesse sentido, a doutrina propõe um teste para se constatar ausência de propósito negocial: a) o elemento temporal: já que muitas vezes se verifica que o planejamento, em geral atividade pensada e preparada, é realizada às pressas, com a assinatura de vários documentos em um único momento, alguns desfazendo transações que se celebram no mesmo instante; b) a independência ou não das partes, eis que muitas fusões, cisões e incorporações se dão apenas como forma de alocar perdas e ganhos entre empresas de mesmo grupo, sempre visando à redução da tributação; c) ausência de coerência, quando se realizam transações que não se inserem na rotina da empresa ou na lógica empresarial. Marco Aurélio Greco revela os indícios de mera tentativa despropositada de economia de tributo: a) operações estruturas em sequência, em que uma etapa não tem sentido a não ser quando vista a partir do conjunto de etapas [...]; b) operações invertidas, no sentido de serem realizadas ao contrário do que indica o juízo comum, por exemplo, a incorporação da controladora pela controlada; c) operações entre partes relacionadas, pois nestas é mais rigoroso o juízo sobre os critérios de equitatividade em que devem ser feitas certas operações quando comparadas com operações com terceiros; Fl. 3971DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 25 24 d) o uso de pessoas jurídicas para realizar determinadas operações, pois além de poderem configurar uma interposta pessoa, estas sociedades podem se apresentar como meros instrumentos de passagens de recursos destinados a terceiros (conduint companies) ou assumirem a condição de sociedade aparentes, fictícias ou efêmeras; e) operações que impliquem deslocamento da base tributável para o exterior, pois isto afeta a soberania e a imperatividade da norma tributária; f) as substituições ou montagens jurídicas em que as formas contratuais são construídas meramente para vestir determinado conteúdo sem que haja razões reais e efetivas que as justifiquem. O modelo de contratação da Petrobrás sucumbe em todos os testes que lhe são pertinentes: a) Quanto ao aspecto temporal, revelase a simultaneidade da celebração dos pares de contratos; b) A interdependência das partes contratantes é nota característica: a prestadora dos serviços nacional é controlada pela “fretadora” estrangeira; c) Ausência de coerência: a Petrobrás não reproduz o modelo de contratação bipartida, mutatis mutandis, nas suas operações terrestres; d) Deslocamento da base tributável para o exterior: a Petrobrás atribui ao contrato de afretamento, celebrado com a empresa estrangeira, 90% do valor total da causa dos contratos (a exploração dos poços de petróleo); e) Montagem jurídica: a bipartição de contrato que tem causa unitária – a exploração de poços de petróleo – é artificial e despropositada.” (d. n.) Observase, portanto, que nesse julgamento a turma concluiu a existência de artificialismo na contratação apartada de serviços e afretamento, especialmente quando se trata de empresas de um mesmo grupo econômico. Nesses processos, foi constatada a seguinte situação: uma única prestação de serviço é desmembrada em dois contratos, um firmado entre a Petrobrás e a sociedade estrangeira fretadora, totalizando 90% da remuneração, e o outro entre a Petrobrás e a prestadora de serviços no Brasil, com o restante (10%) dos recursos. O objetivo é enviar para o exterior a maior parte dos valores envolvidos, sob alcance de alíquota zero, que impede a retenção na fonte para receitas de afretamento de embarcações marítimas. No caso concreto, o percentual aferido foi de 80% para o contrato de afretamento e 20% para o contrato de prestação de serviços e, a bem da Fl. 3972DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 26 25 verdade, tais diferenças são pouco relevantes e inócuas para abalar o entendimento acima, que manteve a tributação do IR. De igual forma, esse modelo de contratação da PETROBRAS obteve entendimento idêntico da 2ª Seção, quando do julgamento sobre a Imposto de Renda Retido na Fonte no exercício de 2010. Vejamos trecho da ementa: Acórdão nº 2202003.063 Processo nº 16682.721312/201391 PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS Sessão 09/12/2015 2ª Seção 2ª Câmara 2ª Turma Ordinária Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2010 (...) ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços. PAÍSES SIGNATÁRIOS DE TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. ARTIGO 12 DA CONVENÇÃO E PROTOCOLOS ADICIONAIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EQUIPARADA A ROYALTIES. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. As remessas decorrentes de contratos de prestação de assistência técnica e de serviços técnicos sem transferência de tecnologia sujeitam se à tributação de acordo com o art. 685, inciso II, alínea a, do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99).(d. n.) Em recentíssimo julgamento, datado de 15 de março de 2016, este Conselho Administrativo consolidou novo precedente sobre o modelo de contratação da PETROBRAS, no Acórdão nº 3302003.095 (processo nº 16682.721545/201394, em que a 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma, mais uma vez, reconheceu o artificialismo desse tipo de contratação bipartida. Fl. 3973DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 27 26 Esse entendimento já encontrou ressonância nos tribunais pátrios, reconhecendo a ilicitude dessa forma de contratação praticada na seara dos serviços petrolíferos. ...” ante o exposto, fica claro o correto entendimento do acórdão recorrido, devendo ser negado provimento ao recurso especial do contribuinte. DO PEDIDO ante todo o exposto pugna a Fazenda Nacional para que não seja conhecido e, caso contrário, seja negado provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 3974DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 28 27 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento para a constituição de crédito tributário a título de IRPJ e CSLL sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2009 e 2010, e lançamento de multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais dos referidos tributos nesses mesmos períodos. A autuação fiscal diz respeito à glosa de custos que foram considerados estranhos às atividades da contribuinte, não necessários para a manutenção da respectiva fonte de receitas. Essa glosa repercutiu tanto no ajuste anual, quanto na apuração das estimativas mensais. A decisão de primeira instância administrativa manteve o lançamento. A decisão de segunda instância (acórdão ora recorrido) também manteve o lançamento. Com seu recurso especial, a contribuinte pretende cancelar as exigências fiscais. Para tanto, ela apresenta paradigma procurando demonstrar que não há artificialidade na divisão da operação entre os contratos de afretamento e de prestação de serviço (split contratual). Na lógica dos seus argumentos, uma vez derrubada a premissa do acórdão de que o split contratual é artificial, restaria inevitável concluir que a Recorrente faz jus à dedutibilidade dos custos e despesas tidos no desempenho do contrato de prestação de serviços que ela tem com a Petrobras. Em sede de contrarrazões, a PGFN apresentou preliminar de não conhecimento do recurso. Inicialmente, ela destacou o entendimento consignado no próprio despacho de admissibilidade do recurso especial, no sentido de que não há interesse recursal por parte da contribuinte. Realmente, o despacho de admissibilidade fez essa observação em relação à falta de interesse da recorrente, mas entendeu que a questão da presença ou ausência de interesse recursal não deveria ser objeto daquele juízo monocrático de admissibilidade, e sim do juízo de conhecimento do recurso, a ser realizado por este colegiado. É interessante reproduzir novamente trechos do referido despacho de admissibilidade: [...] No que concerne à primeira matéria objeto do recurso especial devese esclarecer inicialmente que o lançamento não se encontra fundamentado na Fl. 3975DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 29 28 ora questionada "artificialidade" da divisão da operação entre os contratos de afretamento e de prestação de serviço (split contratual). De fato, embora tenha tecido comentários sobre os contratos de afretamento (vide conceito estabelecido pelo art. 2º Lei nº 9.432/97) celebrados entre a Petrobrás e a Seadrill Offshore A.S., bem como os contratos de prestação de serviço celebrados entre a recorrente e sua controladora no exterior (Seadrill Offshore A.S.), o autor da ação fiscal glosou os custos contabilizados pela recorrente relativos aos contratos de prestação de serviços em razão de entender que tais custos foram incorridos pela Seadrill Offshor A.S., e não pela ora recorrente (correlação entre receitas e custos). Sobre o assunto o autor da ação fiscal, após analisar detidamente os custos em questão, assim se pronunciou (vide TVF à efl. 1749): DAS INFRAÇÕES APURADAS Por todo o exposto, tais custos, classificados no grupo de contas 3.1.03.02 Mercado Externo, foram considerados estranhos às atividades da fiscalizada, não necessários para a manutenção da respectiva fonte de receitas. Dessa forma foram glosados para efeito das apurações do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Os montantes mensais foram extraídos da escrituração e os extratos dos respectivos balancetes estão anexados ao presente Termo de Verificação. (g.n.) Quem primeiro levantou a questão da "artificialidade" da divisão da operação entre os contratos de afretamento e de prestação de serviço (split contratual) foi o próprio sujeito passivo, em sua impugnação. Essa questão foi, então, examinada tanto pela decisão de primeiro grau quanto pela decisão recorrida, mas sempre, a meu ver, como obiter dictum. Em assim sendo, a meu juízo, falta à recorrente interesse recursal quanto à questão da "aritificialidade" dos contratos. Em poucas palavras, a doutrina processualista afirma haver interesse recursal quando: (i) o recorrente não dispuser de meio processual diverso para modificar o ato guerreado (necessidade do recurso); e (ii) quando o recurso propiciar situação mais vantajosa ao recorrente do que aquela posta na decisão recorrida (utilidade do recurso); Nesse sentido, o presente recurso especial revelase inútil, pois a recorrente não contestou a acusação do autor da ação fiscal, qual seja, que os custos registrados na conta "3.1.03.02 Mercado Externo" não foram incorridos pela recorrente, e sim por sua controladora no exterior. Noutros termos, ainda que a CSRF entenda que os contratos em questão não são "artificiais", a posição do sujeito passivo não será mais vantajosa, pois nada poderá ser dito pela Turma sobre a glosa dos custos, já que essa matéria não foi objeto do recurso especial. Para concluir, embora entenda que relativamente à matéria da "artificialidade" falte interesse recursal à ora recorrente, também entendo que a questão da presença ou ausência de interesse recursal não deve ser Fl. 3976DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 30 29 objeto deste juízo de admissibilidade, e sim do juízo de conhecimento do recurso, a ser realizado pela própria Turma da CSRF. Dito isso, devese reconhecer que a recorrente logrou êxito em demonstrar o prequestionamento da aludida "artificialidade" da divisão da operação entre os contratos de afretamento e de prestação de serviço, conforme trechos do acórdão recorrido a seguir reproduzidos (efls. 3557/3558): [...] No que concerne à divergência interpretativa, é de se dizer que a recorrente também logrou êxito em demonstrála, como se observa pelo cotejo entre o acórdão recorrido e o seguinte trecho da ementa ao acórdão paradigma nº 1103001.105: [...] Por fim, é de se dizer que os demais pressupostos previstos no Regimento Interno para admissibilidade dessa parte do recurso encontram se satisfeitos. No que concerne à segunda matéria objeto do recurso especial, [...] O relatório feito anteriormente não corrobora a afirmação de que a "recorrente não contestou a acusação do autor da ação fiscal, qual seja, que os custos registrados na conta '3.1.03.02 Mercado Externo' não foram incorridos pela recorrente, e sim por sua controladora no exterior". A contribuinte procurou sim contestar essa acusação. O problema é que ela não trouxe paradigma em relação a isso, ou seja, à glosa de custos referentes às rubricas para as quais ela defende a dedutibilidade. O paradigma apresentado nem mesmo se refere a lançamento por glosa de custos/despesas, mas sim por omissão de receitas. A PGFN também apresentou uma outra preliminar de não conhecimento, alegando que o paradigma trata de situação diversa, e que os motivos para o provimento do recurso voluntário naquele outro caso decorreram da análise da documentação lá constante (análise de prova), o que já seria suficiente para desconfigurar a divergência jurisprudencial. Penso que as duas preliminares estão bastante relacionadas. Como já mencionado, a contribuinte apresentou paradigma procurando demonstrar que não há artificialidade na divisão da operação entre os contratos de afretamento e de prestação de serviço (split contratual). E na lógica dos seus argumentos, uma vez derrubada a premissa do acórdão de que o split contratual é artificial, restaria inevitável concluir que a Recorrente faz jus à dedutibilidade dos custos e despesas tidos no desempenho do contrato de prestação de serviços que ela tem com a Petrobras. De certa forma, a própria contribuinte explicita o problema em relação à admissibilidade de seu recurso. Fl. 3977DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 31 30 Ou seja, ela sabe que atacar a artificialidade do split contratual não basta para o êxito do recurso (o que evidencia o problema da falta de interesse recursal, baseada no binômio necessidade/utilidade), e por isso ela defende que, uma vez derrubada essa premissa, seria "inevitável" concluir pela dedutibilidade dos custos e despesas glosados pela Fiscalização (o que aponta para a falta de similaridade entre o acórdão recorrido e o paradigma apresentado). A preliminar de não conhecimento trazida pela PGFN é procedente. Cabe transcrever trechos do Termo de Verificação Fiscal, para bem visualizar o contexto em que se deu a apuração do crédito tributário sob exame: TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL [...] A empresa tem por objeto, segundo seu contrato social, as atividades de operação de sondas de perfuração de poços de petróleo e gás natural, bem como de outros equipamentos e sistemas submarinos e terrestres relacionados à atividade petrolífera. O capital social, no final de 2010, de R$ 157 milhões, estava dividido entre duas sociedades estrangeiras, sediadas na Noruega, cujas participações eram de 84,73% para Eastern Drilling AS e de 15,27% para Seadrill Offshore AS. Em 2010 foram feitas três subscrições, integralizadas por remessas em moeda estrangeira, no montante total ao equivalente a R$ 141 milhões. Eastern Drilling contribuiu com R$ 124 milhões e Seadrill Offshore com R$ 17 milhões. Seadrill Offshore é a proprietária das unidades perfuradoras que são objetos dos contratos de afretamento firmados com a Petrobrás. São três plataformas semi submersíveis: "West Taurus", "West Eminence" e "West Orion". Há ainda uma quarta unidade, o Naviosonda "West Polaris", também propriedade da Seadrill Offshore, a serviço da Esso Exploração Santos Brasileira Ltda, contratada da Petrobrás e contratante dos serviços da fiscalizada. Como já mencionado, os contratos de afretamento, firmados por Seadrill Offshore, foram coletados junto à Petrobrás. São eles: 2050.0048094.08.02 (West Taurus), 2050.0048273.08.02 (West Eminence) e 2050.0048275.08.02 (West Orion). Já os de prestação de serviços, firmados por Seadrill Serviços de Petróleo, foram obtidos da própria fiscalizada: 2050.0048179.08.02 (West Taurus), 2050.0048274.08.02 (West Eminence) e 2050.0048276.08.02 (West Orion). Tais contratos são concomitantes, de execução simultânea (vide cláusula 2.2.1.1 em ambos os modelos). Para cada unidade a serviço da Petrobrás há um contrato de afretamento e outro de prestação de serviços. As contratadas, Seadrill Offshore e Seadrill Serviços, são solidárias em todos eles (vide cláusulas 1.4.6 e 17 dos contratos de afretamento e 1.5.4 nos de serviços). A remuneração do afretamento leva o equivalente à cerca de 80 % dos montantes totais. Seguem os valores estipulados: [...] Fl. 3978DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 32 31 Dessa forma, uma única prestação de serviços é contratualmente secionada com o propósito de caracterizar a sua maior parcela como remuneração de afretamento de embarcação. Assim, busca enquadrar a tributação das respectivas remessas de divisas na incidência de alíquota zero, obstando a retenção do IRRF (Lei n° 9.481/97, art 1º, inciso I). Nesse sentido, de que a realidade fática destas contratações é uma única e inseparável prestação de serviços, já se pronunciou por diversas vezes a DRJ do Rio de janeiro. Ver os acórdãos n° 1248145, 1254294, 12 62151, 1265774 e 1266837. A título ilustrativo, reproduzse a seguir a ementa do mais recente deles: [...]; Também tem sido este o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Eis a ementa de acórdão recente, publicado em 01/07/2014: [...]; Não fosse suficiente, a remuneração dos contratos de prestação de serviços também não é alcançada pela tributação. A uma porque os resultados, como já demonstrado, são reiteradamente negativos, não sendo, portanto, alcançados pelo IRPJ e CSLL. A duas porque esses mesmos resultados se convertem em créditos fiscais e são utilizados para compensar débitos das contribuições incidentes sobre a receita (PIS e COFINS), através das PERDCOMP. E como são formados os referidos prejuízos? Essa é a questão que se impôs à programação desta fiscalização. Não se cogitou de questionar a respeito da remuneração dos serviços prestados, respeitandose a forma das contratações firmadas com a Petrobrás. Dessa forma, restou analisar os custos apropriados à formação dos resultados já demonstrados. Observese que os prejuízos são reiterados na série dos quatro primeiros anos de operação. Os custos são superiores à receita líquida, resultando em lucro bruto negativo. Ora, a primeira dúvida que advém é como um negócio com tais resultados se mantém ativo e longevo. O capital inicial, de R$ 17 milhões, tampouco faz frente ao investimento. Quem paga a conta são as sócias estrangeiras. Como já informado, em 2010 foram enviados, na forma de aumento de capital, recursos oportunos e suficientes para a manutenção das atividades. Tal procedimento não é exclusividade da empresa ora fiscalizada. Freqüentemente se observa nas DIPJ de empresas de atividades de apoio à extração de petróleo e gás natural, e com contratos firmados com a PETROBRÁS, informações de prejuízos consecutivos, ano após ano, sem que, contudo, deixem essas empresas de operar, saldar dívidas, honrar compromissos de pagamentos, suportar seus custos operacionais e não operacionais, além do que, as instalações e edificações das sedes são, sem exceção, novas e de ótima qualidade estrutural, com visível cuidado de conservação e manutenção. O quadro de funcionários é amplo e de boa remuneração, revelando que a ótica administrativa de viabilidade econômica dessas empresas contempla um cenário de grande retorno de investimento, correspondente à expectativa de que a atividade seja lucrativa. Com base em informes obtidos nas ações fiscais já desenvolvidas em outras empresas, puderam ser flagradas as mesmas práticas que explicam a permanência em operação no Brasil de empresas econômica e financeiramente deficitárias, ou seja, contratos distintos com a Petrobrás Fl. 3979DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 33 32 para afretamento e operação de unidades perfuradoras; firmados, os primeiros com empresa estrangeira, que concentra a remuneração total estipulada, e os segundos com suas controladas brasileiras que, embora tenham personalidades jurídicas distintas das sócias, estão, à evidência, sob gestão daquelas. DOS CUSTOS COM SERVIÇOS PRESTADOS MDO Ultrapassada a questão da origem dos recursos que suportam resultados tão extravagantes, passouse a indagar sobre a natureza, a origem e a efetividade de custos tão elevados em relação às receitas que lhes são atribuídas. Foram analisados diversos custos e despesas, mas o que chama a atenção são os custos declarados na rubrica de Serviços Prestados por Pessoa Jurídica (ficha 4A linha 34 das DIPJ). Na ordem de R$ 146 milhões em 2009 e de R$ 158 milhões em 2010, representam cerca de 50% dos custos totais e nada menos do que 66% e 55% das receitas líquidas dos respectivos exercícios. Inquiriuse a respeito. Reiteradamente. Há uma seqüência de intimações (TIF n° 1 item 3; TIF n° 2, item 2; TIF n° 3, item 1; TIF n° 5, itens 1 e 2; TIF n° 7, item 2; TIF n° 8, item 1 e TIF n 10, item 1) que resultaram em uma série de documentos e esclarecimentos evasivos. Tudo depois de solicitações intermináveis de prorrogação dos prazos de atendimento, conforme se pode verificar pelas diversas solicitações por escrito que se juntam aos respectivos termos. Contudo ficou constatado que se trata da folha de pagamentos da tripulação das unidades perfuradoras, composta por funcionários "expatriados", estrangeiros. Quadro cujos empregadores são as sócias norueguesas. Foi a informação obtida com o TIF 1, de 18/03/2013. À solicitação da respectiva folha de pagamentos, a fiscalizada juntou cópias das faturas emitidas pelas sócias e aduziu, em resposta ao TIF 3: "que não possui o controle requerido, já que não temos acesso à folha de pagamentos da empresa no exterior. A Cia Brasileira recebe outrossim um documento com o valor fechado que varia por sonda". Tal argumentação foi ratificada em resposta ao TIF 5, em 27/09/2013, depois de duas prorrogações no prazo de atendimento. Só nessa ocasião é que então foram apresentados os contratos de cessão de mãodeobra, firmados com as sócias norueguesas. Foi ressaltado, porém, que a documentação apresentada não é suficiente para comprovação dos referidos custos (TIF 7 e 8), e que seria imprescindível a identificação e quantificação dos prestadores e suas funções, de modo a esclarecer a natureza, as características e a efetividade dos serviços. Ao primeiro termo não foi apresentada qualquer resposta. Ao segundo, já em janeiro de 2014, respondeu ratificando as mesmas informações anteriores, acrescentando que a sócia Eastern Drilling é a empregadora e responsável pela gestão dos expatriados. Que "a empresa brasileira não tem qualquer gestão pelos empregados daquela e por ocasião do pagamento do serviço, a empresa localizada no exterior emite uma fatura contra a empresa localizada no Brasil contendo todo o valor do serviço, sem qualquer discriminação de pessoal... que o contrato firmado entre as empresas já foi entregue à presente fiscalização, de forma que a natureza e características do serviço foram esclarecidas". Os contratos mencionados são os de cessão de mão de obra. Estes, de fato, não deixam dúvidas a respeito da sua natureza. Foram firmados particularmente entre sócios e estipulam que serão, regidos, interpretados e Fl. 3980DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 34 33 arbitrados por normas e autoridades estrangeiras (ver artigo 10). Prevêem que os custos com a folha de pagamentos das tripulações das unidades sejam repassados para a empresa brasileira, mediante faturamentos mensais. Também é pertinente a informação quanto à gestão dos empregados. Efetivamente, fica claro que a empresa brasileira, a contratante, não tem qualquer gerência ou responsabilidade em relação a eles (art. 12°). Ou seja, de fato, tal acordo serve apenas para tentar justificar a apropriação destes custos aos resultados da empresa brasileira, que ainda lhe imputa, adicionalmente, uma taxação de 5% sobre o valor das faturas (ver art. 6º), a título de remuneração pela "cessão" de seus empregados. Fica patente, portanto, que tais encargos não podem onerar os resultados da empresa fiscalizada. Tal ônus é, à evidência, de responsabilidade das sócias estrangeiras. Assim considerado, inquiriuse sobre o motivo de tal ônus ser imputado a Seadrill Serviços de Petróleo (TIF 10, item 1). A resposta, não sem antes mais um pedido de prorrogação, não trouxe qualquer novidade. Salienta apenas que os serviços são especializados e inerentes à sua atividade e que necessita subcontratálos. Não há qualquer menção a respeito da efetiva questão que lhe foi imposta, qual seja, a titularidade dos custos. Não obstante tais evidências fáticas, há ainda estranheza na forma de contratação em relação aos padrões e costumes adotados para operações de afretamento de embarcações. Não se tem notícia de contratações feitas da forma ora verificada. Em geral a doutrina classifica tais contratos, quanto ao tipo, em três modalidades: por viagens, a casco nu e por tempo determinado. A legislação brasileira acompanha. E, a julgar pelas definições doutrinárias e legais (art. 2º, Lei 9.432/97), podese afirmar que o afretamento ora em questão é o por tempo determinado, conhecido no mercado internacional por "Time Charter Party". A principal característica desta modalidade é que a embarcação é entregue armada e tripulada, pronta para operação. É, de fato, o que ocorre no presente caso. Observe se como se pronunciou o STJ, em sede de Recurso Especial, em relação ao assunto: STJRECURSO ESPECIAL Resp 1054144 RJ 2008/00977978 Data de publicação 09/12/2009 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. ISS. AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÃO. ILEGITIMIDADE DA COBRANÇA. 1. Nos termas do art. 2º da Lei 9.432/97, afretamento a casco nu é o "contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação". Afretamento por tempo é o "contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado" e afretamento por viagem é o "contrato em virtude do qual o fretador se obriga a colocar o todo ou parte de uma embarcação, com tripulação, à disposição do afretador para efetuar transporte em uma ou mais viagens". 2. No que se refere à primeira espécie afretamento a casco nu , na qual se cede apenas o uso da embarcação, a Segunda Turma/STJ, ao apreciar o REsp 792.444/RJ , entendeu que "para efeitos tributários, os Fl. 3981DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 35 34 navios devem ser considerados (Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 26.9.2007) como bens móveis, sob pena de desvirtuaremse institutos de Direito Privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN". E levando em consideração a orientação do STF no sentido de que é inconstitucional a incidência do ISS sobre a locação de bens móveis (RE 116.12I/SP, Tribunal Pleno, Rel Min. Octávio Gallotti, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, DJ de 25.5.2001), concluiu no sentido de que é ilegítima a incidência do ISS em relação ao afretamento a casco nu. De falo. no contrato em comento há mera locação da embarcação sem prestação de serviço, o que não constitui falo gerador do ISS. 3. No que tange às demais espécies, consignouse no precedente citado que: "Os contratos de afretamento por tempo ou por viagem são complexos porque, além da locação da embarcação, com a transferência do bem, há a prestação de uma diversidade de serviços, dentre os quais se inclui a cessão de mãodeobra", de modo que "não podem ser desmembrados para efeitos fiscais (Precedentes desta Corte) e não são passíveis de tribulação pelo ISS porquanto a específica atividade de afretamento não consta da lista anexa ao DL 406/68". Assim, podese afirmar que em tais espécies contratuais (afretamento por tempo e afretamento por viagem) há um misto de locação de bem móvel e prestação de serviço. Contudo, como bem observado no precedente citado, a jurisprudência desta Corte — em hipóteses em que se discutia a incidência do ISS sobre os contratos de franquia, no período anterior à vigência da LC 116/2003 — firmouse no sentido de que não é possível o desmembramento de contratos complexos para efeitos fiscais (REsp 222.246/MG. 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 4.9.2000, REsp 189.225/RJ. 2ª Turma. Rel. Min. Francisco Peçanha Martins, DJ de 4.9.2001). 4. Por tais razões, mostrase ilegítima a incidência do ISS sobre o contrato de afretamento de embarcação, em relação às três espécies examinadas. Recurso especial provido. DOS CUSTOS COM IMPORTAÇÃO Auditoria em uma outra rubrica dos custos, Material Aplicado, revelou a conta de custos com importação 3.1.03.02.07. Diferente do que indica a denominação da rubrica nas DIPJ, tal conta não registra aquisição de materiais. Exame no razão indica que nela são lançadas despesas aduaneiras com importações, como impostos, taxas e armazenagem. As intimações do TIF n° 7 item 1 e TIF N° 8 item 2, procuraram esclarecer a questão, inquirindo sobre a natureza da conta, bem como a respeito das aquisições que lhe deram origem. A resposta foi lacônica. Afirma de pronto que já havia prestado tais esclarecimentos em respostas anteriores, mas não há registro de qualquer manifestação acerca do assunto antes do atendimento ao TIF 8. A intimação anterior TIF 7, não foi atendida. Mas a informação assim obtida é de que ali "são lançadas as despesas de armazenagem e eventuais taxas de liberação de mercadorias" e que "os custos referentes à importação de produtos e mercadorias são, por sua vez, lançados na conta 3.1.03.02.01". Esta última informação não foi confirmada com a análise da conta indicada. Os registros e a própria denominação da Fl. 3982DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 36 35 conta contradizemna. Nela, cuja denominação é Custos dos Serviços Prestados, estão lançadas despesas com serviços de consultoria, prestados, em sua maior parte, por Visa Solutions para obtenção de vistos, passaporte e autorizações de trabalho. Os montantes registrados foram de R$ 380 mil, em 2009 e de R$ 945 mil, em 2010. Essa questão foi, então, tema do TIF n° 9, no qual foram solicitados esclarecimentos adicionais, considerando a possibilidade de ter havido um lapso na indicação da referida conta. A resposta surpreende. Não há menção a tal conta que registraria as aquisições de produtos e mercadorias, pois se depreende que não há importações. O que se registra são apenas os respectivos encargos aduaneiros, já anteriormente identificados. A razão é muito simples. Como já havia ficado claro para esta fiscalização, as importações se referem à internação de equipamentos, acessórios, instalações, componentes e outros materiais inerentes às plataformas de perfuração. A resposta dá conta de que se trata de regime aduaneiro de admissão temporária, sem cobertura cambial, transcrevendo o dispositivo que o disciplinava. Ou seja, depois da hesitação inicial, a fiscalizada admitiu, ainda que de forma subjacente, que tais encargos, de evidente responsabilidade da Sedrill Offshore, proprietária dos bens importados, estão indevidamente apropriados aos seus resultados. A título de informação, registrese que duas das plataformas foram internadas em 2009 e uma terceira em 2010. Extrato do SISCOMEXImportação informa que a primeira foi desembaraçada em 12/02/2009, através da DI n° 0901586786001, no valor de US$ 850 milhões, a segunda em 19/06/2009, DI n° 0907360984001, de US$ 745 milhões e a terceira em 16/07/2010, DI n° 1012054839001, de US$ 668 milhões. Assim, não poderia ser outra a indagação do TIF n° 10 item 2. Solicitouse que se indicassem os motivos de tal ônus recair sobre a empresa brasileira. A resposta só veio um mês depois, mais uma vez com direito a prorrogação do prazo. Não há qualquer novidade, apenas se reafirmam as alegações anteriores de que referidos custos são necessários e utilizados na sua atividade. Tal procedimento da fiscalizada já havia sido objeto de análise pela DRJ do Recife. A conclusão não foi diferente. Segue a ementa do acórdão N° 1144244 de 2013 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica Irpj Anocalendário: 2008 IRPJ. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. CONTRATO DE AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÃO ENTRE SOCIEDADE ESTRANGEIRA E EMPRESA NACIONAL QUE FIRMA COM O FISCALIZADO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE OPERAÇÃO DA EMBARCAÇÃO. IMPORTAÇÃO DE BENS SOB RESPONSABILIDADE DA EMPRESA ESTRANGEIRA, VINCULADA AO CONTRATO DE AFRETAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DE TAIS GASTOS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL POR PARTE DO FISCALIZADO. Se efetivamente a aquisição dos bens fosse de responsabilidade do impugnante, todas as despesas e custos (dos bens e incidentes na importação) deveriam figurar em contas de resultado do fiscalizado. Fl. 3983DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 37 36 Ocorre que os bens foram importados sem cobertura cambial, uma vez que não haveria pagamento à sociedade estrangeira, tendo o contribuinte impugnante apenas contabilizado os impostos incidentes sobre tais importações. Ademais, como afirmado pela autoridade lançadora, sequer tais bens constaram no ativo imobilizado, muito menos em contas de estoques. Ora, se o contribuinte importa bens (máquinas, equipamentos, acessórios etc.) para fazer frente a um contrato de prestação de serviço, não se compreende como tais bens, pelo seu preço de aquisição, não figurassem na contabilidade do adquirente, nem muito menos fossem ativados em contas do imobilizado ou de estoque. A mesma estranheza avulta quando se vê que o contribuinte somente contabilizou em conta de despesa os tributos incidentes na importação de tais bens, quando poderia a impugnante ou a sociedade estrangeira solicitar o reembolso de tais despesas ao contratante nacional, e assim não procedeu. Apreende se, de tudo, que os gastos oriundos da importação estão vinculados ao contrato de afretamento de embarcação, não podendo ser despesas dedutíveis em favor do impugnante. DO PLANO DE CONTAS Quanto à classificação contábil que é dada aos custos acima analisados, o plano de contas da fiscalizada reserva um grupo sob a denominação de Mercado Externo 3.1.03.02, onde, além das duas contas supracitadas, estão as que registram os tributos ISS e CIDE e outros encargos incidentes e/ou inerentes aos próprios valores faturados pelas sócias estrangeiras a título de cessão de mãodeobra (Serviços Prestados MDO). Eis a composição ao final em cada um dos exercícios: Cod. Descrição 2009 2010 3.1 03.02 MERCADO EXTERNO 146.950.594,27 155.012.208,81 3.1.03.02.01 CUSTO DOS SERVIÇOS PRESTADOS 388.054,10 945.512,56 3.1.03.02.06 SERVIÇOS PRESTADOS MDO 110.499.603,49 125.913.461,62 3.1.03.02.07 CUSTO COM IMPORTAÇÃO 20.317.529,60 8.107.644,79 3.1.03.02.09 CUSTO COM TREINAMENTOS 27.133,29 98.812,13 3.1,03.02.10 ISS S/ CUSTO SERV. PREST. EXTERIOR 5.815.750,34 6.627.024,31 3.1.03,02.11 IRRJ S/ CUSTO SERV. PREST, EXTERIOR 15.748,00 0 3,1.03.02.12 CIDE S/ CUSTO SERV. PREST. EXTERIOR 9.886.775,45 13.254.048,75 3.1.03.02.99 OUTROS CUSTOS COM SERV PREST MDO EXT 0 65.704,65 Vejamos esse grupo de contas inserido nas demonstrações dos resultados no encerramento dos exercícios em questão: [...] Verificase, portanto, que a própria escrituração contábil segrega os custos de "Mercado Externo", indicando que eles estão à parte, que são considerados extraordinários, que não devem ser computados no resultado, posto que seriam reembolsáveis. Do contrário estariam integrados aos demais custos, da mesma natureza, classificados de Mercado Interno 3.1.03.01 e/ou Custos com Pessoal 3.01.03.04. E nem se diga que se refiram às receitas equivalentes, de serviço no mercado externo (conta Fl. 3984DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 38 37 4.1.02.02). Nesta são lançados meros reembolsos, faturados contra a sócia Seadrill Offshore, conforme a escrituração e os esclarecimentos prestados em atendimento aos TIF n° 01, item 4; n° 03, item 2; e n° 05 item 5 DAS INFRAÇÕES APURADAS Por todo o exposto, tais custos, classificados no grupo de contas 3.1.03.02 Mercado Externo, foram considerados estranhos às atividades da fiscalizada, não necessários para a manutenção da respectiva fonte de receitas. Dessa forma foram glosados para efeito das apurações do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Os montantes mensais foram extraídos da escrituração e os extratos dos respectivos balancetes estão anexados ao presente Termo de Verificação. Está bem claro que a Fiscalização não questionou a divisão do valor total dos contratos firmados com a Petrobras entre as empresas citadas (o chamado split contratual). A forma de contratação, pela qual se dividiu o montante total dos contratos em 80% para o afretamento (controladora no exterior) e 20% para a prestação de serviços (controlada no Brasil), não foi em nenhum momento questionada ou alterada pela Fiscalização. O que a Fiscalização fez foi analisar os custos apropriados à formação dos resultados, partindo exatamente das receitas reconhecidas pela própria contribuinte. É bastante acertada a observação contida no despacho de admissibilidade, de que "quem primeiro levantou a questão da 'artificialidade' da divisão da operação entre os contratos de afretamento e de prestação de serviço (split contratual) foi o próprio sujeito passivo, em sua impugnação", e que "essa questão foi, então, examinada tanto pela decisão de primeiro grau quanto pela decisão recorrida, mas sempre, a meu ver, como obiter dictum". Também é importante registrar que a glosa de custos/despesas foi averiguada com profundidade no curso da fiscalização, conforme evidencia a transcrição acima do TVF, e foi dirigida para contas e rubricas específicas. A glosa não abrangeu todos os custos e despesas, como pretende sugerir a contribuinte em seu recurso. Em 2009, de um custo total de vendas e serviços na ordem de R$ 277 milhões, foram glosados valores em torno de R$ 146 milhões. Já em 2010, de um custo total de vendas e serviços na ordem de R$ 352 milhões, os valores glosados giraram em torno de R$ 155 milhões. As reivindicações da contribuinte em seu recurso especial apontam, inclusive, para uma demanda de puro reexame de provas, o que já seria bastante inapropriado para essa fase de recurso especial, que não se confunde com qualificação jurídica dos fatos (mas não é o caso deste processo, dado que a divergência que se pretende instaurar não é sobre a qualificação jurídica). O fato é que todo o questionamento em relação à artificialidade do split contratual serviria apenas para a subida do recurso, mas a conclusão pela dedutibilidade das rubricas e valores glosados pela Fiscalização não seria tão automática assim, ou "inevitável", nas palavras da contribuinte. Basta ver o conteúdo do TVF, para se perceber que a análise da glosa dos custos/despesas vai muito além dos questionamentos em relação ao split contratual. E já ficou Fl. 3985DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 39 38 bastante esclarecido que a Fiscalização nem mesmo fez qualquer modificação na divisão do valor total dos contratos firmados com a Petrobras entre as empresas citadas (que é o que se designa como split contratual). Desse modo, ainda que se tomasse conhecimento do recurso especial para apreciar essa questão da artificialidade do split contratual, não haveria nada a fazer em relação ao montante e à proporção das receitas reconhecidas pela própria contribuinte, porque a Fiscalização partiu exatamente desses valores para a apuração do resultado tributável. É isso o que evidencia a falta de interesse recursal no presente caso. Ainda que se tomasse conhecimento do recurso especial para apreciar essa questão da artificialidade do split contratual, caberia ainda tratar individualmente de cada rubrica glosada, e isso exigiria puro reexame de provas O que está bastante evidente é que a caracterização da divergência que a contribuinte pretendeu suscitar em seu recurso especial dependeria da apresentação de um paradigma que tratasse de glosa dos mesmos tipos de rubricas, nesse mesmo tipo de situação/ contrato, só aí se estaria pacificando a qualificação jurídica dos fatos e as provas poderiam ser revisadas. Mas como já destacado anteriormente, o paradigma apresentado, o Acórdão nº 1103001.105, nem mesmo se refere a lançamento por glosa de custos/despesas, mas sim por omissão de receitas, receitas que estariam configuradas nos valores que as controladoras no estrangeiro remeteram à controlada no Brasil. No relatório (no tópico contrarrazões da PGFN), consta transcrição de boa parte desse paradigma, e não é necessário reproduzila novamente. O que é importante registrar é que essa decisão tratou de lançamento bastante distinto do contido nestes autos. No paradigma, a Fiscalização entendeu que a contribuinte autuada e as empresas no exterior, por serem suas controladoras, atribuíram com artificialidade os preços que ambas praticariam junto à contratante, a Petrobras, de modo que a maior parte do preço global ajustado com a contratante fosse imputável às controladoras no exterior – no caso, cerca de 90% do preço global. E é a partir dessa artificialidade de preços contratados (ou seja, do split contratual) que emergiu a parte do preço (receita omitida) da prestação de serviços pela contribuinte autuada à Petrobras, representada pelos recursos que foram transferidos pelas controladoras estrangeiras para a controlada brasileira. A artificialidade dos preços na contratação pela Petrobrás estaria configurada da seguinte forma: parte do preço estabelecido na contratação do afretamento – contratação das empresas estrangeiras controladoras – em realidade, comporiam o preço estabelecido na contratação da controlada no Brasil para prestação de serviços à Petrobras. A contribuinte autuada afirmava que, por comodidade operacional, ela fazia desembolsos de despesas incorridas pelas empresas estrangeiras contratadas pela Petrobras, sendo por essas reembolsada. Ou seja, os valores recebidos das empresas estrangeiras Fl. 3986DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 40 39 corresponderiam a reembolsos de despesas incorridas por aquelas empresas, mas pagas pela empresa brasileira. Diante desse cenário, o acórdão paradigma registrou que não havia nos autos nenhuma indicação de que os limites previstos nos editais de licitação da Petrobras (ou seja, o split contratual) tinham sido objeto de alguma negociação entre os participantes do certame e a Petrobras. E que, portanto, não haveria artificialidade na determinação dos preços de afretamento e de prestação de serviços, ambos contratados pela Petrobras conforme o split contratual previsto nos próprios editais de concorrência e de convite, os quais menciona e transcreve. Ainda segundo o paradigma, com isso, restaria derruído o motivo central da autuação naquele caso, qual seja, o de estabelecimento de fluxo triangular de recursos, com artificialidade dos preços praticados com a contratante, a Petrobras. O acórdão paradigma entendeu que não se sustentava a conclusão de que os valores de transferência de recursos das “controladoras” da recorrente para esta eram preço de prestação de serviços da recorrente às suas “controladoras”, e que também não se sustentava a conclusão de que tais valores eram preço de prestação de serviços pela recorrente à Petrobras (encobertos no preço dos afretamentos das empresas estrangeiras contratadas). O acórdão paradigma, além de rejeitar o entendimento de que os valores repassados pelas empresas estrangeiras à empresa brasileira correspondiam a receitas referentes aos serviços prestados por esta à Petrobrás (receitas omitidas), também refutaram o argumento de que os valores recebidos pela empresa brasileira poderiam constituir, alternativamente, subvenção para custeio ou recuperações de custos por ela deduzidos. Tudo isso deixa muito evidente que não há paralelo entre o referido paradigma e o acórdão recorrido, que permita a caracterização de divergência jurisprudencial. Os contextos dos lançamentos examinados por essas decisões são muito distintos. Nem mesmo há como analisar o lançamento dos presentes autos (glosa de custos/ despesas) pela ótica do acórdão paradigma (que tratou de lançamento por omissão de receitas). Além da falta de interesse, não há como caracterizar a divergência suscitada a partir de decisões que examinaram contextos tão diferentes. E como já mencionado, o recurso especial não configura uma terceira instância destinada a simples reexame de provas desvinculado de qualificação jurídica dos fatos, que, em resumo, é o que a contribuinte busca com seu recurso. Correta a preliminar de não conhecimento suscitada pela PGFN em sede de contrarrazões. Deste modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 3987DF CARF MF Processo nº 12448.725982/201480 Acórdão n.º 9101003.683 CSRFT1 Fl. 41 40 Fl. 3988DF CARF MF
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