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Numero do processo: 11080.007935/2004-22
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
DECISÃO DE JUSTIÇA DO TRABALHO. NÃO RETENÇÃO DO IRRF. COISA JULGADA PERANTE A ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA.
A sentença somente faz coisa julgada entre as partes (art. 472 do CPC/1.973 e art. 506 do CPC/2015). A homologação, pela Justiça do Trabalho, de acordo entre empregador e empregado com cláusula de não incidência de imposto sobre verbas pagas, não impede a constituição do crédito tributário do imposto incidente sobre essas verbas.
Numero da decisão: 9202-007.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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NÃO RETENÇÃO DO IRRF. COISA JULGADA PERANTE A ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. A sentença somente faz coisa julgada entre as partes (art. 472 do CPC/1.973 e art. 506 do CPC/2015). A homologação, pela Justiça do Trabalho, de acordo entre empregador e empregado com cláusula de não incidência de imposto sobre verbas pagas, não impede a constituição do crédito tributário do imposto incidente sobre essas verbas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 79 35 /2 00 4- 22 Fl. 281DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2102001.131, proferido na sessão de 16 de março de 2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. ACORDO HOMOLOGADO PELA JUSTIÇA DO TRABALHO. IMPOSSIBILIDADE DE REANÁLISE EM SEDE DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Nos termos do art. 28, § 1 0, da Lei n° 10.833/2003, compete ao Juízo do Trabalho calcular o imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos pagos em cumprimento de decisões da Justiça do Trabalho. Sendo assim, é válido entendimento firmado pelo o Juízo do trabalho quando este consigna expressamente que não incide o imposto de renda sobre os valores pagos em decorrência de acordo firmado pelas partes. Tendo o Poder Judiciário já analisado a matéria e decidido pela não recolhimento do imposto de renda, não é possível reanalisar a incidência ou não do tributo em processo administrativo. A decisão está assim registrada: ACORDAM os membros da lª Câmara/2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nubia Matos Moura e Rubens Mauricio Carvalho. 0 Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos acompanhou o relator pelas conclusões. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: Possibilidade de reanálise da incidência do Imposto sobre verbas recebidas em decorrência de ação trabalhista, quando o Juiz do Trabalho decide pelo não desconto do imposto pela fonte pagadora. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da Primeira Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo da Fazenda Nacional, nos termos do Despacho de efls. nº 270 a 271. Em suas razões recursais a Fazenda nacional aduz, em síntese, que a decisão homologatória da Justiça do Trabalho, que considerou intributáveis os rendimentos não produz efeitos perante a União (fazenda Nacional), tendo em vista que esta não foi chamada a integrar a lide; que o artigo 472 do Código de Processo Civil determina que a sentença somente faz coisa julgada entre as partes que integram a lide, não beneficiando, nem prejudicando terceiros; que somente com a edição da Lei nº 11.457/2007, que alterou a redação do art. 832, § 4º da CLT, tornouse obrigatória a intimação da União acerca de decisões homologatória de acordos que contenham parcela indenizatória, facultandolhe a interposição de recurso relativo aos tributos que lhe forem devidos; que antes dessa alteração, as decisões homologatórias não poderia produzir efeitos perante a União; que isenção depende de lei, inexistindo previsão legal Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11080.007935/200422 Acórdão n.º 9202007.232 CSRFT2 Fl. 3 3 de que verbas salariais pagas em decorrência de acordo trabalhista homologado judicialmente não estejam sujeitas à incidência do imposto. O Contribuinte foi intimado do Acórdão Recorrido, do Recurso da Fazenda Nacional e do Despacho que lhe deu seguimento em 26/03/2013 (AR, fls. 276) e não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, a questão em litígio está muito bem delimitada: tendo o Juiz do Trabalho homologado acordo trabalhista em que se consigna a não incidência do imposto de renda na fonte, pode o Fisco pleitear a tributação desses rendimentos, exigindolhe do contribuinte quando do ajuste anual? Penso que sim. Primeiramente, o Magistrado não está decidindo litígio envolvendo matéria tributária, mas trabalhista. Portanto, a Fazenda Nacional não figura como parte. Precisa, todavia, definir os descontos a serem processados nos pagamentos consignados ao reclamante, daí ter que decidir sobre a retenção ou não do imposto. É o que faz qualquer fonte pagadora quando paga rendimentos sem que com isso tal decisão se torne definitiva e oponível ao Fisco. Sendo assim, a sentença faz coisa julgada apenas entre as partes, dentre as quais, repitase, não figura a União. É o que reza, aliás, como ressaltado no recurso, o art. 472 do Código de Processo Civil vigente à época. Confirase: Art. 472. A sentença .faz coisa julgada as partes entre as quais ("! dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. Registrese, inclusive, que o atual CPC reitera esse comando no artigo 506. Notese também, como ressaltado pela Recorrente, que a Fazenda Nacional sequer foi ouvida, providência que passou a ser exigível a partir 2008, com a edição da Lei nº 11.457/2007, que alterou o art. 832, § 4º da CLT. Nessas condições, como pretender que a decisão singular de um juízo, sem competência específica para decidir em matéria tributária e da qual, por não ser a União parte no processo e, portanto, sem legitimidade para questionar o que decidido, possa ser definitiva? Fl. 283DF CARF MF 4 O lançamento tributário, neste caso, não representa afronta a uma decisão judicial, pois esta não é oponível a Fazenda Nacional. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, doulhe provimento, determinado o retorno dos autos à turma a quo para a apreciação do mérito quanto à incidência do tributo. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 284DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12326.000521/2010-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
RECURSO ESPECIAL. CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Hipótese em que o acórdão recorrido se fundamenta em situação jurídica não existente quando do julgamento do acórdão paradigma.
Numero da decisão: 9202-007.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), que conheceram do recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que o acórdão recorrido se fundamenta em situação jurídica não existente quando do julgamento do acórdão paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), que conheceram do recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 05 21 /2 01 0- 53 Fl. 144DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para determinar o cancelamento do lançamento por meio do qual exigese IRPF sobre rendimentos recebidos de pessoa jurídica acumuladamente, decorrentes de ação trabalhista. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2007 LANÇAMENTO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu ao recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física foi devidamente motivada e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; a Notificação ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório do recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. GLOSA DE IRRF. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NA FASE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. São definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário, o que importa não conhecimento da matéria não impugnada. IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. 1. Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do RIR/2005, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. 2. Embora o recorrente tenha comprovado ser portador de moléstia grave definida na legislação vigente, o que foi reconhecido pela própria decisão recorrida, ele não se dignou Fl. 145DF CARF MF Processo nº 12326.000521/201053 Acórdão n.º 9202007.077 CSRFT2 Fl. 145 3 de trazer aos autos qualquer documento que comprovasse a natureza dos rendimentos, o que inviabiliza a aplicação da regra isentiva. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas apenas cancelar a exigência. Recurso Voluntário Provido. Inconformada com a decisão, a Fazenda Nacional apresentou o presente recurso. A recorrente requer a aplicação ao caso do entendimento externado no acórdão paradigma nº 2201.002.588 o qual encaminhou pela manutenção do auto de infração, apenas determinando a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressiva vigentes à época da aquisição dos rendimentos regime de competência. No curso do processo, o Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção rejeitou, por inexistência de omissão, os embargos de declaração opostos pela respectiva Delegacia Fiscal. Intimado o contribuinte apresentou contrarrazões com conteúdo semelhante aqueles constantes das peças de impugnação e recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 146DF CARF MF 4 Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do Conhecimento: Antes de analisarmos o mérito, pertinente tecer algumas considerações acerca do conhecimento do recurso. Conforme exposto no relatório, por meio do Recurso Especial a Fazenda Nacional devolve a este Colegiado a discussão acerca do critério utilizado para o cálculo do IRPF incidente sobre rendimento recebidos acumuladamente, mais especificamente sobre a possibilidade de retificação de lançamento que na origem utilizouse do critério de caixa para o cálculo do imposto. Discutese sobre a possibilidade ou não do órgão julgador refazer o lançamento na tentativa de corrigir o equívoco perpetrado pela autoridade lançadora. Lembramos que o recurso é baseado no art. 67 do Regimento Interno (RICARF), o qual define que caberá Recurso Especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Tratase de recurso com cognição restrita não podendo a CSRF ser entendida como uma terceira instância, ela é instância especial, responsável pela pacificação de conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica. Assim, para caracterização de divergência interpretativa exigese como requisito formal que os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas sejam suficientemente semelhantes para permitir o 'teste de aderência', ou seja, deve ser possível avaliar que o entendimento fixado pelo Colegiado paradigmático seja perfeitamente aplicável ao caso sob análise, assegurando assim o provimento do recurso interposto. No presente caso entendo que este requisito não foi cumprido. Embora a tese enfrentada nos acórdãos envolva o critério de apuração do IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente, discutindose pela aplicação do regime de caixa ou de competência e divergindo sobre a possibilidade de se manter o lançamento com o mero recálculo dos valores, entendo que a fundamentação das decisões são diversas. Me refiro ao fato de o acórdão recorrido ter aplicado para solução da lide o art. 62A do RICARF em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 614.406, julgado sob a sistemática da Repercussão Geral, cujo acórdão transitou em julgado em 09.12.2014. O acórdão indicado como paradigma acórdão 2201.002.588 de 05.11.2014 foi proferido em contexto diverso. Na ocasião ainda não tínhamos a decisão vinculante do STF sobre o tema, razão pela qual aquele Colegiado não fez qualquer consideração sobre sua aplicação ao caso. O Colegiado paradigmático, embora tenha entendido pela possibilidade de refazimento do lançamento do IRPF sob o regime de competência o fez exclusivamente com base no entendimento externado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.118.429. Assim, considerando que o Colegiado paradigmático não analisou a matéria sob o mesmo prisma da turma a quo pela completa impossibilidade de se debruçar sobre Fl. 147DF CARF MF Processo nº 12326.000521/201053 Acórdão n.º 9202007.077 CSRFT2 Fl. 146 5 decisão ainda não existente no mundo jurídico, entendo que estamos diante de situações fáticas distintas o que impede o conhecimento do presente recurso especial. Vale destacar que quando da interposição do Recurso Especial, em 05.09.2016, já era possível encontrar no sítio do CARF acórdãos proferidos após a decisão do Supremo Tribunal Federal os quais melhor fundamentariam o conhecimento da pretensão da Fazenda Nacional. Diante de todo o exposto, deixo de conhecer do recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 148DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.950621/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/10/1999
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.117
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/10/1999 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 06 21 /2 00 8- 97 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.950621/200897 Acórdão n.º 3201004.117 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) relativa a pagamento a maior da contribuição (Cofins/PIS), declaração essa que restou não homologada pela repartição de origem. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, ou sua reforma, bem como a realização de diligência para se comprovar o direito creditório, alegando que recolhera aos cofres públicos valores superiores aos efetivamente devidos, pois desconsiderara os termos do art. 3º, inciso III, § 2º da Lei nº 9.718/1998. Arguiu, também, que o Fisco concluíra pela inexistência do crédito sem ao menos solicitar qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do valor compensado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 032.430, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da não comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, afastandose o pedido de realização de diligência por falta de apresentação de qualquer documento indicativo do direito alegado. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de forma hábil e tempestiva, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacandose os seguintes argumentos: (i) a Delegacia de Julgamento invocou a ausência da prova de liquidez e certeza dos créditos para rejeitar a manifestação de inconformidade, sendo que, se tivesse ocorrido a intimação para se demonstrar o crédito, o Fisco teria tido acesso às planilhas de apuração e poderia ter verificado a regularidade do encontro de contas efetuado; (ii) enquanto não for realizada a efetiva mensuração dos créditos utilizados é precipitada qualquer consideração a respeito da existência ou não de créditos passíveis de compensação; (iii) se a autoridade responsável pelo exame da declaração de compensação tivesse cumprido o dever de fiscalizar a existência do crédito declarado e não simplesmente glosado mecanicamente o encontro de contas teria verificado que o Requerente é legitimo credor da União Federal; e (iv) não se permitiu a produção de provas necessárias e, com base nessa decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.950621/200897 Acórdão n.º 3201004.117 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.096, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.910725/200869, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.096): No caso em apreço há a imperiosa necessidade de se comprovar a existência do direito creditório de modo inconteste, o que, pela análise dos elementos probatórios não ocorreu. Da decisão recorrida temse: "No caso em apreço, o Contribuinte declarou em débito de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito. De fato, tal constatação decorre da não localização do DARF indicado pelo Contribuinte no PER/DCOMP nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Observase que antes do Despacho Decisório, de 12/08/2008, o Contribuinte foi informado da não localização do DARF e intimado, em 15/12/2006 conforme A.R., às fls. 07, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado na mesma oportunidade que a consequência da falta de saneamento no prazo poderia acarretar o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP em análise. Portanto, ao contrário do alega a Manifestante, foi lhe dado a oportunidade para comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. No entanto, antes da ciência do despacho decisório, o interessado conservouse silente e inerte no tocante à integralidade das informações declaradas perante a RFB, as quais acabaram servindo de parâmetro para a continuidade da análise da matéria e respaldando a referida decisão administrativa. Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que não procede o argumento da requerente de que recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos por não ter considerado os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da lei 9.718/98, quando apurou a base de Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.950621/200897 Acórdão n.º 3201004.117 S3C2T1 Fl. 5 4 cálculo das contribuições do PIS/COFINS, para o período de apuração constante neste PER/DCOMP, pois o contribuinte não conseguiu comprovar a existência do alegado indébito neste período, ou seja, o DARF supra mencionado que poderia demonstrar que de fato teria ocorrido "o pagamento indevido ou a maior" gerandolhe crédito, não foi localizado, e a empresa quando intimada a sanar tal irregularidade não se manifestou, e consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Cabe observar ainda que, mesmo se o referido DARF tivesse sido localizado, o art. 170 do CTN fixa como pressuposto para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional: que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. No entanto, a interessada não trouxe aos autos documentos que pudessem vir a comprovar a apuração incorreta nas bases de cálculo do COFINS, para o período em que alega o direito creditório, motivo pelo qual não se operaria, mesmo nesta hipótese, a liquidez e certeza desses pretensos créditos." Temse, então, que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em face de a recorrente, não ter comprovado a existência e liquidez do crédito apontado, mesmo tendo sido oportunizada a produção de prova. Não logrou êxito a recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto. Mesmo em sede recursal não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova válido a confirmar suas alegações. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a autorização de compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.950621/200897 Acórdão n.º 3201004.117 S3C2T1 Fl. 6 5 dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) A própria recorrente confessa que não trouxe elementos probatórios aos autos para confirmar sua pretensão, tanto que, solicita a realização de diligências. Ocorre que, conforme já referido, sequer indícios do seu direito foram colacionados ao processo administrativo, razão pela qual não há como se converter o julgamento em diligência. Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.950621/200897 Acórdão n.º 3201004.117 S3C2T1 Fl. 7 6 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Ademais, a Recorrente, em casos análogos, teve seus recursos julgados improcedentes conforme decisões a seguir transcritas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.950621/200897 Acórdão n.º 3201004.117 S3C2T1 Fl. 8 7 nº 10880.950624/200821; Acórdão 3803003.786; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950622/200831; Acórdão 3803003.785; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15463.720229/2014-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DISTINTA. CONHECIMENTO.
1. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade.
2. A propósito, a ação judicial tem matéria distinta da deduzida no presente processo administrativo.
IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. GLOSA DE IRRF. AÇÃO JUDICIAL.
1. Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do RIR/1999, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
2. A natureza dos rendimentos recebidos pelo sujeito passivo é incontroversa, além de estar documentalmente comprovada: proventos de aposentadoria.
3. A cardiopatia isquêmica é uma cardiopatia grave, conforme afirmado no laudo médico oficial.
4. Muito embora pudessem ser eventualmente aplicáveis as orientações constantes da SCI 09/13 quando da entrega da declaração de ajuste anual, as quais poderiam demonstrar um certo equívoco por parte do recorrente quando da informação dos rendimentos e da retenção na fonte na sua declaração, o fato é que a isenção do IRPF, a retenção do imposto na fonte, o depósito da retenção em juízo e a sua conversão em renda da afastam a acusação de compensação indevida de IRRF, devendo ser determinado o recálculo da restituição dos valores devidos ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 2402-006.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DISTINTA. CONHECIMENTO. 1. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade. 2. A propósito, a ação judicial tem matéria distinta da deduzida no presente processo administrativo. IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. GLOSA DE IRRF. AÇÃO JUDICIAL. 1. Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do RIR/1999, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. 2. A natureza dos rendimentos recebidos pelo sujeito passivo é incontroversa, além de estar documentalmente comprovada: proventos de aposentadoria. 3. A cardiopatia isquêmica é uma cardiopatia grave, conforme afirmado no laudo médico oficial. 4. Muito embora pudessem ser eventualmente aplicáveis as orientações constantes da SCI 09/13 quando da entrega da declaração de ajuste anual, as quais poderiam demonstrar um certo equívoco por parte do recorrente quando da informação dos rendimentos e da retenção na fonte na sua declaração, o fato é que a isenção do IRPF, a retenção do imposto na fonte, o depósito da retenção em juízo e a sua conversão em renda da afastam a acusação de compensação indevida de IRRF, devendo ser determinado o recálculo da restituição dos valores devidos ao sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF Recorrente SEBASTIAO JOSE MARTINS SOARES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DISTINTA. CONHECIMENTO. 1. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade. 2. A propósito, a ação judicial tem matéria distinta da deduzida no presente processo administrativo. IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. GLOSA DE IRRF. AÇÃO JUDICIAL. 1. Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do RIR/1999, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. 2. A natureza dos rendimentos recebidos pelo sujeito passivo é incontroversa, além de estar documentalmente comprovada: proventos de aposentadoria. 3. A cardiopatia isquêmica é uma cardiopatia grave, conforme afirmado no laudo médico oficial. 4. Muito embora pudessem ser eventualmente aplicáveis as orientações constantes da SCI 09/13 quando da entrega da declaração de ajuste anual, as quais poderiam demonstrar um certo equívoco por parte do recorrente quando da informação dos rendimentos e da retenção na fonte na sua declaração, o fato é que a isenção do IRPF, a retenção do imposto na fonte, o depósito da retenção em juízo e a sua conversão em renda da afastam a acusação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 02 29 /2 01 4- 06 Fl. 115DF CARF MF 2 compensação indevida de IRRF, devendo ser determinado o recálculo da restituição dos valores devidos ao sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de IRPF, anocalendário 2008, sem saldo de imposto a pagar/restituir, em face da constatação de infração à legislação tributária: compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 100.772,19. A glosa deveuse ao fato de o contribuinte ter efetuado a compensação de imposto de renda retido na fonte, cuja exigibilidade encontravase suspensa diante da existência de depósito integral em juízo. O contribuinte apresentou impugnação acompanhada de documentos, alegando, em síntese, que: (a) é engenheiro aposentado do BNDES e participante assistido da Fundação de Assistência e Previdência Social do BNDES (FAPES); (b) em março de 2007, foi diagnosticado com cardiopatia isquêmica multiarterial e submetido à revascularização do miocárdio, moléstia grave em razão da qual faz jus à isenção do imposto; (c) somente em janeiro de 2012, solicitou e obteve deferimento de tal isenção pela fonte pagadora; Fl. 116DF CARF MF Processo nº 15463.720229/201406 Acórdão n.º 2402006.455 S2C4T2 Fl. 3 3 (d) o benefício legal ainda não se concretizou no que se refere ao período março/2007 a dezembro/2011, pois a Receita Federal ainda não se pronunciou sobre as retificadoras apresentadas; (e) a retificadora relativa ao anocalendário 2008 motivou a notificação de lançamento objeto desta impugnação; (f) embora o comprovante de rendimentos fornecido pela FAPES informe que o IRRF foi depositado judicialmente, o atendimento a sua solicitação “(...) independe de qualquer decisão judicial a ser proferida, uma vez que o fundamento de seu pedido é a condição de portador de moléstia grave (...)”; (g) o total de rendimentos relacionado a este caso foi declarado no campo destinado a Rendimentos Isentos e Não Tributáveis; (h) requer reconsideração da glosa e restituição do IRRF em questão, no valor de R$ 100.772,19; (i) requer prioridade na análise, com base no art. 71 do Estatuto do Idoso. A DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: COMPENSAÇÃO DE IRRF. IMPOSSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE DEPÓSITO JUDICIAL. O valor correspondente a imposto de renda retido na fonte cuja exigibilidade esteja suspensa e depositado judicialmente não pode ser compensado na Declaração de Ajuste de Anual. ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. A isenção relativa a proventos de aposentadoria ou reforma depende da comprovação de que o beneficiário é portador de uma das patologias previstas na legislação, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A legislação tributária enumera de forma taxativa as patologias que dão ensejo à isenção pleiteada e deve ser objeto de interpretação literal. O contribuinte foi intimado da decisão em 15/04/2015 (fl. 53) e interpôs recurso voluntário em 11/05/2015 (fls. 56/59), no qual basicamente reiterou os termos da sua impugnação, anexando, ainda, a "CERTIDÃO DE OBJETO E PÉ" dos autos da ação cautelar inominada 001117670.2001.4.02.5101, que daria conta da existência de decisão judicial determinando a transformação em pagamento definitivo da União dos valores dos depósitos judiciais. Em sessão de julgamento realizada em 15 de junho de 2016, este Colegiado editou a Resolução de fls. 75/77, na qual solicitou que a Delegacia de origem verificasse: Fl. 117DF CARF MF 4 (a) se os valores depositados nos autos 001117670.2001.4.02.5101 já foram definitivamente convertidos em renda da União; (b) se os valores convertidos correlacionamse com aqueles objeto da compensação glosada neste PAF, além de totalizar o montante de R$ 100.772,19, glosado pela fiscalização. Em cumprimento à resolução, a fiscalização informou que os valores foram transformados em pagamento definitivo e que são atinentes à glosa efetuada em sede de lançamento (fl. 97). O sujeito passivo apresentou manifestação, na qual reiterou seu pedido de restituição e reafirmou o pedido de prioridade de tramitação, este em caráter de acentuada urgência, tendo em vista que ele contaria com mais de oitenta anos. Os autos foram distribuídos a este conselheiro. Sem contrarrazões ou manifestação da Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Conforme já julgado em sede de Resolução, o recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A propósito, é importante afirmar que a ação judicial tem matéria distinta da deduzida no presente processo administrativo, não incidindo o óbice retratado na Súmula CARF nº 1. Com efeito, (i) o presente lançamento não é meramente preventivo da decadência; (ii) a ação judicial trata da não incidência, de forma genérica, do imposto sobre a complementação de aposentadoria ou pensão; (iii) o recorrente contraiu a moléstia grave anos depois da data da propositura da ação; (iv) a própria DRJ julgou a impugnação, tendo em vista a existência de matéria distinta. 2 Da glosa de IRRF Conforme já relatado, o presente lançamento decorre da acusação de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 100.772,19. Este valor foi inclusive confirmado na informação fiscal de fl. 97: Conforme (fls. 18) pela Fonte Pagadora Fundação de Assistência e Previdência Social do BNDES, CNPJ: 00397695/000197, são informados valores depositados judicialmente sob o processo judicial 200151010111763 (001117670.2001.4.02.5101), com a soma perfazendo R$ Fl. 118DF CARF MF Processo nº 15463.720229/201406 Acórdão n.º 2402006.455 S2C4T2 Fl. 4 5 100.772,19. Ou seja, o valor que fora glosado como IRRF (fls. 09) é idêntico ao que fora informado pela fonte pagadora como objeto de depósito judicial (fls. 18); Também houve a juntada de tela da DIRF anocalendário 2008 (fls. 38) onde fica evidenciado esse valor no somatório da coluna Depósito Judicial (destacouse). É que o sujeito passivo declarou a quantia de R$ 100.772,19 a título de IRRF, mesmo estando esse valor com exigibilidade suspensa oriunda de depósito judicial, e ainda não declarou os rendimentos correspondentes a essa retenção como rendimentos tributáveis, mas sim como rendimentos isentos. No entender da DRJ, e de acordo com a Solução de Consulta Interna SCI nº 09, de 18/03/2013: 27. Na hipótese de o contribuinte não incluir os rendimentos com exigibilidade suspensa entre os rendimentos tributáveis da DAA, mas mesmo assim compensar o IRRF depositado judicialmente, devese tão somente efetuar a glosa do IRRF. Em sendo assim, e como se vê na notificação de lançamento, o imposto a restituir foi reajustado de R$ 116.496,98 para R$ 15.724,79. Na impugnação e no recurso, o contribuinte alega que os rendimentos correspondentes a tal retenção seriam isentos, por se tratar de proventos de aposentaria recebidos por portador de moléstia grave. Quanto a essa questão particular da isenção, a DRJ entendeu que a cardiopatia isquêmica multilateral não seria uma cardiopatia grave. Pois bem. A isenção do imposto de renda pessoa física sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portadores de moléstia grave tem fundamento no art. 39, incs. XXXI e XXXIII, do RIR/1999. Para o gozo da isenção, o § 4º do citado artigo determina que a moléstia grave deve ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vejase com destaques: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, Fl. 119DF CARF MF 6 nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). Portanto, para fazer jus à isenção, o contribuinte deve cumprir determinados requisitos, tais como: (i) ser portador de uma das moléstias arroladas no inc. XXXIII; (ii) receber proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, visto que a regra isentiva não se aplica a outros rendimentos porventura tributáveis; (iii) ter laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. De conformidade com o § 5º, a isenção se aplica aos rendimentos recebidos a partir (i) do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; (ii) do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta foi contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; ou (iii) da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Portanto, e de conformidade com a regra do § 5º, importa a data em que foram recebidos os rendimentos, conclusão esta reforçada pelo art. 6º, § 4º, inc. II, da IN RFB 1500/2014 (que revogou a IN RFB 15/2001, sem alteração do conteúdo do texto), segundo o qual a isenção é aplicável "aos rendimentos recebidos acumuladamente por portador de moléstia grave, desde que correspondam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, ainda que se refiram a período anterior à data em que foi contraída a moléstia grave". Veja se: RIR/1999: art. 39. [...] § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. IN RFB 1500/2014: Art. 6º São isentos ou não se sujeitam ao imposto sobre a renda, os seguintes rendimentos originários pagos por previdências: Fl. 120DF CARF MF Processo nº 15463.720229/201406 Acórdão n.º 2402006.455 S2C4T2 Fl. 5 7 § 4º As isenções a que se referem os incisos II e III do caput, desde que reconhecidas por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, aplicamse: II aos rendimentos recebidos acumuladamente por portador de moléstia grave, desde que correspondam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, ainda que se refiram a período anterior à data em que foi contraída a moléstia grave; No caso in concreto, a natureza dos rendimentos recebidos pelo sujeito passivo é incontroversa, além de estar documentalmente comprovada: proventos de aposentadoria. Com efeito, e a rigor, não houve lançamento com base em omissão de rendimentos e a divergência inaugurada pelo acórdão de impugnação é atinente à moléstia de que o recorrente é portador. No entender da DRJ, a cardiopatia isquêmica multilateral não seria uma cardiopatia grave. Todavia, e em primeiro lugar, essa afirmação tem pouco validade jurídica quando confrontada com o laudo médico oficial de fl. 17, firmado e elaborado por profissional da medicina, que, nessa qualidade, tem mais conhecimento técnico e científico para afirmar se a cardiopatia isquêmica é ou não uma cardiopatia grave. Tal laudo, ademais, assevera que a moléstia tem caráter definitivo. Por outro lado, e em segundo lugar, curiosamente as diretrizes transcritas no voto condutor do acórdão recorrido dão sim conta de que a cardiopatia isquêmica é grave. Vejase com destaques: Nesse mesmo ano, “uma comissão multidisciplinar de médicos enunciou o conceito de Cardiopatia Grave como doença que leva, em caráter temporário ou permanente, à redução da capacidade funcional do coração (...)”. Cardiopatia grave não é uma doença específica, mas um conceito que “(...) engloba tanto doenças cardíacas crônicas, como agudas (...). [...] O quadro clínico bem como os recursos complementares, com os sinais e sintomas que permitem estabelecer o diagnóstico de cardiopatia grave, estão relacionados às seguintes cardiopatias: cardiopatia isquêmica, cardiopatia hipertensiva, miocardiopatias, valvopatias, cardiopatias congênitas, arritmias, pericardiopatias, aortopatias e cor pulmonale crônico. Portanto, está documentalmente comprovado que os rendimentos correspondentes à glosa do imposto na fonte são relativos à aposentadoria (complementação) recebidos por portador de moléstia grave, valendo ser citado o seguinte precedente jurisprudencial: Fl. 121DF CARF MF 8 ISENÇÃO. RENDIMENTOS PROVENIENTES DA APOSENTADORIA PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção dos portadores de moléstia grave deve ser comprovado nos autos que os rendimentos são proventos de aposentadoria, pensão ou reforma e a existência da moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988 deve ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que identifique a data de início da doença. [...] (Número do Processo 10166.721421/201108, Recurso Voluntário, Data da Sessão 11/02/2015, Relator(a) GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Acórdão nº 2201 002.683) Em sendo assim, muito embora pudessem ser eventualmente aplicáveis as orientações constantes da SCI 09/13 quando da entrega da declaração de ajuste anual, as quais poderiam demonstrar um certo equívoco por parte do recorrente quando da informação dos rendimentos e da retenção na fonte na sua declaração, o fato é que a isenção do IRPF, a retenção do imposto na fonte, o depósito da retenção em juízo e a sua conversão em renda da União (circunstâncias essas confirmadas na informação fiscal prestada em sede de diligência) afastam a acusação de compensação indevida de IRRF, devendo ser determinado o recálculo da restituição dos valores devidos ao sujeito passivo. Logo, o recurso voluntário deve ser provido. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13149.720205/2017-29
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2016 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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Numero do processo: 10830.007808/2008-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.685
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique se i) as contas do Banco Bradesco nº 26.594-2 (ag. 1200-9) e 5.040-7 (ag. 2917-3) eram de co-titularidade do Autuado e de sua esposa, Sra. Maria de Fatima Lopes Garcia Costa, CPF 794.728.008-82, nos anos-calendário 2003, 2004 e 2005; e ii) a conta do Banco do Brasil nº 8033-0 era de titularidade da Sra. Ida Augusta Lopes Garcia no ano-calendário 2004.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente OSCAR CAMARGO COSTA FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique se i) as contas do Banco Bradesco nº 26.5942 (ag. 12009) e 5.0407 (ag. 29173) eram de cotitularidade do Autuado e de sua esposa, Sra. Maria de Fatima Lopes Garcia Costa, CPF 794.728.00882, nos anos calendário 2003, 2004 e 2005; e ii) a conta do Banco do Brasil nº 80330 era de titularidade da Sra. Ida Augusta Lopes Garcia no anocalendário 2004. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 4ª Tuma da DRJ/SPOII, consubstanciada no Acórdão nº 1730.200 (fls. 597/612), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 07 80 8/ 20 08 -6 4 Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10830.007808/200864 Resolução nº 2402000.685 S2C4T2 Fl. 3 2 Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração de fls. 05 a 08, acompanhado dos demonstrativos de fls. 09 a 12 e Termo de Verificação Fiscal de fls. 14 a 31 (planilhas de fls. 32/49), relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 811.276,25, dos quais, R$ 275.886,02 são referentes a imposto, R$ 413.829,02 são cobrados a título de multa proporcional e R$ 121.561,21 correspondem a juros de mora calculados até 30/06/2008. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 06/08, a exigência decorreu da omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas correntes mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme explicado no Termo de Verificação Fiscal anexo. Os valores tributáveis, data dos fatos geradores e enquadramento legal encontramse descritos As fls. 06/08. A multa de oficio foi aplicada no percentual de 150%, com base no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996. Cientificado do lançamento em 01/08/2008, na pessoa de sua procuradora (documento de fl. 248), o contribuinte apresentou, em 02/09/2008, a impugnação de fls. 508 a 545, subscrita por procuradores (documento de fl. 248), acompanhada dos documentos de fls. 546 a 548, na qual alega, após breve relato dos fatos, em síntese, que: PRELIMINARMENTE 1. DA IRREGULAR QUEBRA DE SIGILO a quebra de sigilo bancário deferida pela MM. Juíza da 1ª Vara Criminal da 5ª Subseção Judiciária da Justiça Federal do Estado de São Paulo, em Campinas, nos autos do Procedimento Investigatório n° 2006.61.05.0099313 é inconstitucional por ofensa ao artigo 5°, incisos X e XII e 93, inciso IX, todos da Constituição Federal; em primeiro lugar porque se o impugnante não está sob ação fiscal o Ministério Público Federal somente pode instruir o pedido de quebra de sigilo com informações da DIRPF após realizar a quebra de sigilo fiscal de forma ilegal e inconstitucional; em segundo lugar porque o ato jurisdicional que decretou a quebra de sigilo, fundouse em mera presunção, vez que inexiste qualquer indicio ou prova de que o fiscalizado tivesse praticado qualquer infração criminal nos anos de 2003, 2004 e 2005, além do fato de que em relação ao período de 1999 (existência da conta conjunta mantida com César Herman Rodriguez) nada foi formalizado e, assim sendo, a MM. Juíza poderia ter decretado a quebra de sigilo bancário apenas para o ano de 1999, nunca para os anos subsequentes (cita doutrina e jurisprudência); informa que sem prejuízo da responsabilização do Ministério Público e Receita Federal pela quebra do sigilo fiscal, está tomando as medidas judiciais cabíveis Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10830.007808/200864 Resolução nº 2402000.685 S2C4T2 Fl. 4 3 buscando anulação do ato judicial que decretou a quebra de sigilo bancário pelo Poder Judiciário solicitando a suspensão da presente fiscalização até pronunciamento definitivo do Poder Judiciário; 2. DECADÊNCIA PARCIAL DOS MESES DE JANEIRO A JULHO DE 2003 já que o impugnante deve ser equiparado à pessoa jurídica e que o período de apuração do IRPJ é trimestral com vencimento até o último dia útil do mês subsequente ao do encerramento do período, tendo ocorrido a intimação do auto de infração em 01/08/2008, encontramse extintos pela decadência os supostos créditos do 1RPJ de 1° e 2° trimestres do ano de 2003, nos termos do artigo 173, inciso I, combinado com o artigo 156, inciso V, do Código Tributário Nacional; por outro lado, não obstante tratarse inequivocamente de atividade empresarial com o dever do Fisco em tributar o impugnante como pessoa jurídica, caso mantido o entendimento de que deve ser tributado como pessoa física, também encontramse extintos pela decadência os supostos débitos de IRPF do período de janeiro a julho de 2003, nos termos do 173, inciso I, combinado com o artigo 156, inciso V, do Código Tributário Nacional, posto que o período de apuração do IRPF é mensal nos termos do artigo 10 da Lei n°7.713/88 (transcreve jurisprudência do STJ e do Conselho de Contribuintes); 3. DA IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAR DEPÓSITOS COMO RENDA AUFERIDA a utilização como critério único para definição de renda de valores depositados em conta bancária afronta o Código Tributário Nacional e a Constituição Federal (transcreve doutrina sobre conceito de renda e a liberdade do legislador ordinário para definilo); a leitura harmônica da Constituição Federal e o enunciado do CTN leva o intérprete e jurista A. conclusão de que apenas a "renda nova ou aquisição de acréscimo patrimonial" são hipóteses de incidência do imposto de renda (transcreve doutrina e jurisprudência), sendo que na autuação em tela não há provas de que o contribuinte tenha auferido renda nova ou acrescido seu patrimônio, baseandose a autuação em valores constantes de extratos bancários, depósitos, sem levar em conta a existência ou não de renda nova (transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais); a tributação com base exclusiva em depósitos bancários extrapola o fato gerador e a base de cálculo possíveis determinados pelo artigo 43 do CTN e ainda a própria Constituição Federal no seu artigo 145, §1°, o princípio da capacidade contributiva, devendo, portanto, ser suficientes para aferição do quantum de renda (acréscimo patrimonial) auferida, a identificação clara e precisa da atividade do impugnante, bem como a efetiva remuneração do seu negócio; requer o cancelamento do auto de infração, ou a conversão do mesmo em diligência para que o mesmo seja feito em conformidade com o ordenamento jurídico; Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10830.007808/200864 Resolução nº 2402000.685 S2C4T2 Fl. 5 4 4. DOS RENDIMENTOS DECORRENTES DO EXERCÍCIO DA ADVOCACIA EM SOCIEDADE INFORMAL os depósito bancários decorreram do exercício empresarial sistemático e habitual, até então informal (foi oficializada apenas em 25/10/2007), de serviços advocatícios de sociedade de advogados mantida com o Dr. João Rosisca, nos moldes do artigo 16, da Lei n° 8.906/1994 (Estatuto da OAB) e artigo 146, §3°, do Decreto n° 3.000/1999; comprovado o exercício profissional através de sociedade de advogados mediante juntada de diversos documentos entregues oportunamente à fiscalização, o impugnante tem direito de ser tributado de forma equiparada A pessoa jurídica, nos termos do artigo 150 do RIR/99, não se aplicando ao caso o disposto no §2° do mesmo artigo (transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes e Solução de Consulta da SRRF/9a Região Fiscal); requerse seja o auto de infração anulado no tocante aos rendimentos omitidos e dito como não justificados, considerandoos justificados como honorários advocatícios obtidos em Sociedade de Advogados, tributandoos segundo as normas aplicáveis As demais pessoas jurídicas, sob ofensa ao princípio da verdade real; 5. DOS RENDIMENTOS JÁ JUSTIFICADOS E NÃO CONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO devem ser excluídos os seguintes lançamentos por estarem plenamente justificados: a) transferências entre familiares — 1. item XLIV do AI, os depósitos caracterizados como "Doação Sra. Ida Lopes Garcia — sogra do Sr. Oscar, referemse às doações feitas em virtude da doadora residir conjuntamente com o fiscalizado e sua esposa reembolsandoos dos gastos com medicamentos, alimentação e outros cuidados, tais depósitos estão identificados nas planilhas e nos extratos e DIRPF da Sr. Ida — 2. item XLIII do AI, doação da Sra. Maria Beatriz Camargo Costa Varca efetuada no dia 25/01/2005 comprovada pela declaração firmada por esta e juntada em 22/04/2008 — 3. item XLIII do AI, o crédito do dia 31/01/2005 além de estar plenamente justificado no extrato bancário, comprovase a doação juntando cópia autenticada da declaração do Sr. Pedro Camargo Costa, irmão do fiscalizado, decorrente do reembolso de despesas em uma viagem realizada em conjunto, decorrendo o erro do nome no extrato de erro de digitação (requer prazo para juntada do original do documento); b) conta Banco de Brasília (item XXVI) — o crédito no valor de R$ 17.000,00 de 17/11/2003, decorreu de pagamento de débito com o Banco de Brasília, oriundo de rendimento do próprio impugnante, e negociado com o Banco, cuja operação pode ser facilmente comprovada através dos documentos entregues à Fiscalização oportunamente em 31/08/2007 e 22/04/2008; c) transferências entre contas — o alto valor recolhido pelo impugnante a título de CPMF decorreu da intensa movimentação financeira realizada entre suas próprias contas, principalmente com depósitos em dinheiro realizados em caixas eletrônicos provenientes de dinheiro sacado de suas contas correntes até o limite permitido, Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10830.007808/200864 Resolução nº 2402000.685 S2C4T2 Fl. 6 5 acrescido de dinheiro transferido para as contas dos filhos e devolvido para depósito na conta do impugnante, evitandose a permanência nas filas das agências, portanto dinheiro do próprio fiscalizado e, no tocante às movimentações da conta n° 5.0407, mantida no Bradesco (relaciona dez depósitos), tem origem em cheques oriundos da Conta Corrente n° 23.732612 do Bank Boston; 6. DA NÃO OBSERVÂNCIA DA EXISTÊNCIA DE CONTA CONJUNTA COM SUA ESPOSA. DA NECESSIDADE DE REDUÇÃO DO VALOR. a exceção da Conta Corrente n° 15.9050, agência 37907, do Banco do Brasil e da Conta Corrente n° 2141791132, agência 0214 do Banco Regional de Brasília, as demais contas bancárias são contas conjuntas com sua esposa, devendo o valor dos supostos rendimentos omitidos serem repartidos pelo número de titulares, conforme dispõe o §6° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, incluído pela Lei n° 10.637/2002 (transcreve ementa de acórdão proferido pela DRJ de Campo Grande); requer a divisão dos rendimentos não justificados entre ele e seu cônjuge; 7. DA NECESSIDADE DA REDUÇÃO DA MULTA AGRAVADA — INAPLICABILIDADE a multa de oficio deve ser reduzida para 75% não podendo a Fazenda Pública considerar ocorrido um fato por mera presunção, independentemente da efetiva verificação e comprovação dos fatos; o fisco deveria comprovar o dolo do impugnante, constitucionalmente presumido inocente, na ocorrência da fraude, para aplicar a multa de 150% (transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes); tratase, o caso dos autos, de tributo não declarado e não pago enquadrandose na hipótese tipificada no inciso I, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96 e, se houvesse dúvida quanto A. capitulação, deverse ia aplicar a mais favorável ao contribuinte nos termos do artigo 112 do CTN, ademais o contribuinte não omitiu qualquer fato da fiscalização (transcreve acórdãos de Delegacias de Julgamento da Receita Federal); aplicar penalidade com base em presunções afronta todos os princípios constitucionalmente consagrados de legitima defesa, do devido processo legal e da presunção de inocência; houve, de fato, infrações A legislação tributária pelo impugnante passíveis de autuação, por descumprimento de obrigação principal e acessória, sem qualquer intuito fraudulento, motivo pelo qual requer a aplicação do artigo 44, inciso I, reduzindose a multa de oficio para 75%. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação, tendo concluindo, em resumo, que: Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10830.007808/200864 Resolução nº 2402000.685 S2C4T2 Fl. 7 6 DECADÊNCIA: tendo a ciência ao Auto de Infração ocorrido em 01/08/2008 (fl. 248), constatase que não ocorreu o instituto da decadência quanto ao direito de lançar a omissão de rendimentos relativa aos anoscalendário de 2003 a 2005; DO SIGILO BANCÁRIO: a quebra do sigilo bancário do recorrente, neste procedimento fiscal, foi feita pela autoridade judicial, dentro dos ritos e condições próprias daquele poder judicante. Não tem a esfera administrativa competência para entrar no mérito de tal medida. Cabelhe tão somente acatála e cumprila. DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS: o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras, ou seja, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Ao contrário da alegação do contribuinte de que o depósito extrapola o fato gerador do imposto de renda definido pelo artigo 43 do CTN e artigo 145, §1° da Constituição Federal, após a vigência da Lei n° 9.430/96, o depósito, quando não comprovada sua origem, é, por expressa disposição legal, omissão de receita ou rendimentos. Não há mais a necessidade de se comprovar acréscimo patrimonial e/ou sinais exteriores de riqueza. DA MULTA QUALIFICADA: a ação reiterada do contribuinte, nos anos calendário fiscalizados, de reduzir a base de cálculo do imposto de renda, pela omissão de rendimentos evidenciados pela análise de sua movimentação bancária mantidos à margem da tributação constitui sonegação e de acordo com os artigos citados, tal prática, em tese, constitui ilícito penal, tendo o fiscal autuante aplicado corretamente a multa majorada prevista na legislação. DA JURISPRUDÊNCIA. DA DOUTRINA: quanto às decisões administrativas, mesmo as proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, e às judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Em relação às doutrinas transcritas na peça impugnatória cumpre informar que mesmo a mais respeitável doutrina, ainda que dos mais consagrados tributaristas, não pode ser oposta ao texto explicito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 620/670, reiterando os termos da impugnação apresentada. É o relatório. VOTO Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10830.007808/200864 Resolução nº 2402000.685 S2C4T2 Fl. 8 7 O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Preliminarmente, pugna o contribuinte em sua peça recursal pela nulidade do lançamento, em face da não intimação da sua esposa, cotitular das contas bancárias fiscalizadas, para prestar esclarecimentos. No caso vertente, verificase que as seguintes contas bancárias foram objeto da ação fiscal: BANCO AGÊNCIA CONTA Banco do Brasil 37907 15.9050 Banco do Brasil 40398 5.5166 Bradesco 12009 26.5942 Bradesco 04847 89.8929 Bradesco 29173 5.0407 BRB 0214 2141791132 BankBoston Campinas 23.7326.12 Em sua peça recursal, aduz o contribuinte que, com exceção da Conta Corrente no 15.9050, Agência 37907 do Banco do Brasil, existente para recebimento dos proventos de aposentadoria (antiga contasalário), as demais contas bancárias são contas conjuntas com sua esposa. Assim, impõese verificar (i) se a há comprovação nos autos de que as referidas contas são, de fato, contas conjuntas mantidas pelo Recorrente com a sua esposa à época dos fatos geradores e, caso positivo, (ii) se houve intimação da cotitular, no curso da fiscalização, para prestar esclarecimentos. Dessa forma, com vistas a demonstrar as conclusões alcançadas em relação a cada uma das contas bancárias, com exceção, por certo, daquela já reconhecida pelo contribuinte como conta corrente individual, existente para recebimento dos proventos de aposentadoria, reproduzse a tabela supra com os devidos acréscimos e informações: Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10830.007808/200864 Resolução nº 2402000.685 S2C4T2 Fl. 9 8 BANCO AGÊNCIA CONTA Documentos Apresentados Fls. Conclusão (há comprovação de que se trata de conta conjunta?) Banco do Brasil 40398 5.5166 Extratos 129 a 174 Não. Os extratos apresentados não contém essa informação Extratos 178 a 198 Declaração da Instituição Bancária 672 Bradesco 12009 26.5942 Cheque 673 Sim, nos termos da Declaração das Instituição Bancária Bradesco 04847 89.8929 Extratos 176 a 177 Não. Os extratos apresentados não contém essa informação Extratos 200 a 233 237 a 276 Cheque (em branco) 594 Bradesco 29173 5.0407 Declaração da Instituição Bancária 672 Sim, nos termos da Declaração das Instituição Bancária BRB 0214 2141791132 Extratos 78, 79 Não. Os extratos apresentados não contém essa informação Extratos 81 a 106 BankBoston Campinas 23.7326.12 Cheques 680 a 697 Sim, já reconhecida pela DRJ Da análise do Quadro Resumo acima, verificase que o Recorrente logrou comprovar, pelo menos a princípio, a natureza de conta conjunta das seguintes contas: BANCO AGÊNCIA CONTA Bradesco 12009 26.5942 Bradesco 29173 5.0407 BankBoston Campinas 23.7326.12 * JÁ RECONHECIDA PELA DRJ Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10830.007808/200864 Resolução nº 2402000.685 S2C4T2 Fl. 10 9 Ocorre que, tratandose de matéria conhecida de ofício pela DRJ e considerando que a Declaração de fls. 672, informando que as contas do Bradesco nº 26.5942 (ag. 12009) e 5.0407 (ag. 29173) se tratam de contas conjuntas, foi apresentada somente em sede de recurso voluntário, propõese a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique se as referidas contas do Bradesco são de titularidade do Autuado e de cotitulariedade da sua esposa, Sra. Maria de Fatima Lopes Garcia Costa, CPF 794.728.00882, nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005 (período fiscalizado). Outro ponto que merece análise e manifestação da Unidade de Origem diz respeito às doações realizadas pela Sra. Ida Lopes Garcia, sogra do Recorrente. Analisando o TVF, verificase que o Fisco realizou as seguintes glosas: No recurso apresentado, destaca o sujeito passivo que o Sr. AFRF, este entendeu por bem restarem justificadas todas as transferências resultantes da Conta Corrente no 80349, Agência 1910, do Banco do Brasil, vez que tal conta encontrase, inclusive, destacada na Declaração de Imposto de Renda da Sra. Ida. Porém, entendeu não restar comprovado que as demais transferências, oriundas da Conta no 80330, Agencia 01910, também eram de titularidade da Sra. Ida, vez que não foi apresentada documentação comprobatória. A DRJ manteve a autuação, sob argumentação da ausência de comprovação de que a Conta no 80330 da Agencia 01910 pertencia à Sra. Ida. Irresignado, o Recorrente destacou que razão não assiste ao Sr. AFRF e aos Julgadores, vez que basta uma análise cuidadosa da Declaração de Imposto de Renda da Sra. Ida, juntada aos autos em petição de 22/04/2008, para verificar que referida conta encontrase descrita na Declaração de Bens e Direitos. Às fls. 474 e seguintes dos autos, encontrase acostada a Declaração de Ajuste Anual Simplificada da Sra. Ida Augusta Lopes Garcia, referente ao anocalendário 2003, na qual se encontram declaradas tanto a conta 80349 (cujos depósitos com origem nesta conta foram acatados pela fiscalização), quanto a conta 80330 (cujos depósitos com origem nesta conta não foram acatados pela fiscalização, sob a fundamentação de que não seria da Sra. Ida Augusta Lopes Garcia). Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10830.007808/200864 Resolução nº 2402000.685 S2C4T2 Fl. 11 10 Neste contexto, considerando que, de acordo com a Declaração de Ajuste Anual Simplificada da Sra. Ida Augusta Lopes Garcia, referente ao anocalendário 2003. Constante às fls. 474 e parcialmente reproduzida acima, tanto a conta 80349 (cujos depósitos com origem nesta conta foram acatados pela fiscalização), quanto a conta 80330 (cujos depósitos com origem nesta conta não foram acatados pela fiscalização), pertencem à Sra. Ida Augusta Lopes Garcia, propõese a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique, também, se a referida conta do banco do brasil nº 80330 era de titularidade da Sra. Ida Augusta Lopes Garcia no anocalendário 2004. Conclusão Em face do acima exposto, propõese o julgamento do presente processo em diligência para que a Unidade de Origem verifique (i) se as contas do Bradesco nº 26.5942 (ag. 12009) e 5.0407 (ag. 29173) são de titularidade do Autuado e de cotitulariedade da sua esposa, Sra. Maria de Fatima Lopes Garcia Costa, CPF 794.728.00882, nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005 e se (ii) a conta do Banco do Brasil nº 80330 era de titularidade da Sra. Ida Augusta Lopes Garcia no anocalendário 2004. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior. Fl. 711DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.900306/2008-23
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. DARF COMPENSANDO DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO.
Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, com informação de DARF compensando débito extinto por pagamento, é de se reconhecer o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior apurado bem como a prévia extinção do débito.
Numero da decisão: 1003-000.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. DARF COMPENSANDO DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO. Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, com informação de DARF compensando débito extinto por pagamento, é de se reconhecer o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior apurado bem como a prévia extinção do débito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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ERRO DE PREENCHIMENTO. DARF COMPENSANDO DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO. Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, com informação de DARF compensando débito extinto por pagamento, é de se reconhecer o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior apurado bem como a prévia extinção do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 03 06 /2 00 8- 23 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10820.900306/200823 Acórdão n.º 1003000.219 S1C0T3 Fl. 59 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 36/40) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 09, que homologou parcialmente a compensação, ali mencionada, de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior. A recorrente, às folhas 43/51, em síntese, alega erro no preenchimento das seis DCOMP relacionadas à folha 01, nas quais equivocadamente informou como crédito os valores dos DARF pagos a maior relativos respectivamente aos períodos de março a agosto de 2004, e como débito os próprios montantes retificados dos débitos quitados pelos mesmos DARF. Demonstra, mediante a Declaração Anual Simplificada à folha 03, transmitida em 31/05/2005, bem como pela planilha à folha 51, que pretendia compensar os débitos de outubro, novembro e dezembro de 2004 com os valores pagos a maior pelos referidos DARF. Por fim, solicita o cancelamento dos débitos indevidamente confessados por meio das DCOMP preenchidas equivocadamente. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Na DCOMP retificadora nº 28370.64780.300505.1.7.044002 (folhas 12/16), com original transmitida em 11/10/2004, constam, como origem do crédito, o DARF de período de apuração 31/08/2004, código de receita 6106, data de arrecadação 10/09/2004 e valor principal e total de R$ 4.263,16 (folha 14), bem como débito de código de receita 61060, período de apuração agosto de 2004, data de vencimento 10/09/2004 e valor principal e total de 2.842,11 (folha 15). Observase, de pronto, tratarem, débito e crédito, de mesmo código de receita e período de apuração, com data de vencimento coincidente com a de arrecadação. Na Declaração Anual Simplificada à folha 03, transmitida em 31/05/2005, cujos valores não foram contestados por fiscalização, consta como Simples Devido relativo a agosto de 2004 o montante de R$ 2.842,11, o exato valor do débito informado como a compensar na DCOMP, cuja diferença de R$ 1.421,05 em relação ao DARF informado como crédito corresponde ao valor de crédito reconhecido no referido despacho decisório. Observe se que o débito indicado na DCOMP encontrase extinto por pagamento. O pagamento informado como crédito é, portanto, DARF pago a maior relativo ao próprio débito informado como objeto de compensação na DCOMP. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para manter o reconhecimento do crédito original, de 10/09/2004, no valor de R$ 1.421,05, ressaltando que o débito de Simples, código de receita 61060, período de apuração agosto de 2004, data de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10820.900306/200823 Acórdão n.º 1003000.219 S1C0T3 Fl. 60 3 vencimento 10/09/2004 e valor principal e total de 2.842,11, encontrase extinto por pagamento efetuado com o próprio DARF origem do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.902899/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
(assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 28 99 /2 00 8- 38 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10882.902899/200838 Acórdão n.º 3402005.423 S3C4T2 Fl. 3 2 (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10882.902899/200838 Acórdão n.º 3402005.423 S3C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.866, a DRJ não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10882.902899/200838 Acórdão n.º 3402005.423 S3C4T2 Fl. 5 4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.398, de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900443/200833, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.398): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10882.902899/200838 Acórdão n.º 3402005.423 S3C4T2 Fl. 6 5 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10882.902899/200838 Acórdão n.º 3402005.423 S3C4T2 Fl. 7 6 do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10882.902899/200838 Acórdão n.º 3402005.423 S3C4T2 Fl. 8 7 interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10882.902899/200838 Acórdão n.º 3402005.423 S3C4T2 Fl. 9 8 e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10882.902899/200838 Acórdão n.º 3402005.423 S3C4T2 Fl. 10 9 tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10882.902899/200838 Acórdão n.º 3402005.423 S3C4T2 Fl. 11 10 vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.003755/2008-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
Numero da decisão: 2301-005.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Ausente justificadamente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
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ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Ausente justificadamente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 37 55 /2 00 8- 28 Fl. 305DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), Debcad nº 37.160.0790, para a cobrança de contribuições previdenciárias (empregador, empregados, terceiros e SAT) incidentes sobre valores pagos a título de salário in natura no período de 01 a 12 de 2004. Consta do Relatório Fiscal (efl. 50) que a empresa não comprovou, para o período, a adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT), nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. Por essa razão, não poderia deixar de incluir, no salário de contribuição, os valores de alimentação paga in natura. O sujeito passivo apresentou impugnação (efls. 74 a 84) em que alegou, em síntese, que: a) está filiada ao PAT, e b) o fornecimento de cestas básicas decorre da Convenção Coletiva de Trabalho, decorrentes de acordo coletivo, e que tais intrumentos têm força de lei, descabendo o seu questionamento pelo Fisco. O colegiado de origem manteve integralmente o lançamento (efls. 178 a 186). Foi interposto recurso voluntário (efl. 196 a 212) no qual os argumentos da impugnação foram reiterados. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. O lançamento teve por supedâneo fático o fornecimento de refeições e cestas básicas sem que a empresa estivesse inscrita, no período, no PAT. Embora a recorrente tenha afirmado sua filiação ao programa, não logrou apresentar qualquer comprovante de que nele estava regularmente inscrita no ano se 2004, quando ocorreram os fatos geradores do presente lançamento tributário. A ausência de inscrição no PAT também deu sustento à decisão recorrida, que assim se pronunciou (efl. 184): Nesse sentido, as parcelas pagas de acordo com programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho, nos termos da Lei n.° 6.321, DE 14.04.76 (D.O.U. 19.04.76), não integram o salário de contribuição, conforme descrito na Lei 8.212/91, artigo 28, § 9.0, alínea 'c'. Contudo, se a alimentação, mesmo que in natura, é concedida em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT (como, por exemplo, Fl. 306DF CARF MF Processo nº 15504.003755/200828 Acórdão n.º 2301005.538 S2C3T1 Fl. 307 3 quando a empresa não se encontra formalmente inscrita no mesmo), o valor correspondente a esta alimentação integra o salário de contribuição.(Sem grifo no original.) Assim, embora a própria defendente afirme que possui inscrição no Programa de Alimentação ao Trabalhador, juntando comprovação de sua inscrição para o presente exercício, não demonstrou que no ano de 2004, objeto desta autuação, estava inscrita no mesmo e, desta forma, é indiscutível a natureza salarial das referidas parcelas pagas. Pois bem. Esta turma já se deparou com a matéria outras vezes, em composições anteriores do colegiado, e vem decidindo no sentido de aplicar o entendimento exposto no Ato Declaratório nº 3, de 2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que estabelece: (...) fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). (Grifos do original.) Como razões de decidir, reproduzo parte do Acórdão nº 9202005.190, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no qual a matéria foi unanimemente resolvida: Por meio de despacho, publicado em 24.11.2011, o Ministro da Fazenda aprovou o citado Ato Declaratório nº 03/2011, fato de grande importância para desfecho da lide na medida em que nestas circunstâncias tratase de entendimento que vincula os integrantes deste Colegiado por força do art. 62, §1º, II, c da Portaria MF nº 343/15, que aprovou o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (Grifo do original.) Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: ... II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 307DF CARF MF 4 ... c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Diante do exposto, dou provimento ao recurso do Contribuinte para, aplicando o Ato Declaratório da PGFN nº 03/2001 excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária devida pelo Contribuinte os valores despendidos com o fornecimento de refeições dentro do seu estabelecimento, mesmo na ausência de adesão ao PAT. Superada a necessidade de inscrição no PAT para excluir, do salário de contribuição, os valores de alimentos pagos in natura, nada mais sustenta o lançamento. Deixo, pois, de analisar a natureza da verba, suscitada no recurso, por se tratar de questão prejudicada. Conclusão Voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.723088/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
PRECLUSÃO PROCESSUAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Numero da decisão: 3302-005.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. PRECLUSÃO PROCESSUAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração para constituição de créditos tributários relativos ao PIS/Pasep e Cofins, no período de janeiro a dezembro de 2009, em razão de valores declarados no campo "Contribuição para o PIS a Pagar" do DACON, mas não declarados em DCTF e nem recolhidos em DARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 30 88 /2 01 2- 10 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 19515.723088/201210 Acórdão n.º 3302005.926 S3C3T2 Fl. 221 2 Em impugnação, a recorrente aduziu que, por lapso da administração contábil, os valores declarados em DACON deixaram de ser informados em DCTF, não tendo havido o recolhimento por ausência de condições financeiras da recorrente, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS/Cofins pela Lei nº 9.718/1998, que o DACON é declaração suficiente à constituição dos créditos tributários, sendo desnecessário o lançamento de ofício, com a consequente inaplicabilidade da multa de ofício no percentual de 75%. Subsidiariamente, pede a realização de perícia contábil para que se possa apurar a base correta da contribuição. A Décima Sétima Turma da DRJ/RJ 1 proferiu o Acórdão nº 1263.884, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DIPJ. DACON. NATUREZA JURÍDICA. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON têm caráter meramente informativo, ou seja, não têm natureza de confissão de dívida, portanto, não constituem o crédito tributário. DCTF. DCOMP. NATUREZA JURÍDICA. Atualmente, os débitos informados espontaneamente em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e/ou em DCOMP Declaração de Compensação constituem confissão de dívida e, portanto, são instrumentos hábeis e suficientes para a exigência dos mesmos. MULTA DE OFÍCIO. NORMAS LEGAIS. A falta de recolhimento ou de confissão de dívida da contribuição apurada em procedimento de ofício sujeita a contribuinte à aplicação da multa de 75%, por força de expressa previsão legal. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, tempestivamente, abordando a necessidade de cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal, que tem direito ao crédito decorrentes da compra de óleo diesel, ainda que esteja sujeito ao regime cumulativo, em razão de o produto ser submetido ao regime monofásico, que o lançamento em presunções somente é cabível quando expressamente previsto em lei, discorre sobre o princípio da verdade Fl. 221DF CARF MF Processo nº 19515.723088/201210 Acórdão n.º 3302005.926 S3C3T2 Fl. 222 3 material, sobre a segurança jurídica, sobre outros princípios do direito tributário, sobre o ato administrativo de lançamento. Aduziu que os fatos narrados não são verdadeiros, que os valores haviam sido declarados em DCTF, que não foram apontadas as contas contábeis da escrituração, que a fiscalização não trouxe provas da ocorrência do fato gerador, que recebeu subvenções para investimento que não devem compor a base de cálculo, que a DIPJ e o DACON não têm caráter declaratório, mas meramente informativo, o que invalidaria a autuação com base exclusivamente no referido demonstrativo, que tem direito a excluir de seu faturamento os valores pertencentes a outras pessoas jurídicas participantes do Consórcio contratado pelo Município de São Paulo, juntando documentos comprobatórios da transferência de recursos relativos à subvenção. Por fim, pede a conversão do julgamento em diligência para apuração dos créditos relativos à aquisição de combustíveis. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, é preciso delimitar a lide. A autuação foi realizada pelo confronto entre DACON x DCTF, com verificação de valores de PIS a pagar informados no DACON, sem qualquer informação em DCTF, confirmados com cópias dos Livros Diário e Razão (efls. 58/95), especialmente na conta contábil do passivo 2.1.03.01.0002 PIS. As divergências foram objeto de intimação e retintimação (efls. 3 e 50), tendo a recorrente respondido (efl. 52) que, por erro de fato, as informações não constaram em DCTF e que a recorrente possuía interesse em regularizar a situação. Lavrado o Auto de Infração, a recorrente, em impugnação, reiterou que, por lapso da administração contábil, os valores declarados em DACON deixaram de ser informados em DCTF, não tendo havido o recolhimento por ausência de condições financeiras. Além da confirmação de que os valores não estavam informados em DCTF, o que já havia sido informado à fiscalização durante a ação fiscal, a recorrente arguiu, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS/Cofins pela Lei nº 9.718/1998 e que o DACON é declaração suficiente à constituição dos créditos tributários, sendo desnecessário o lançamento de ofício, com a consequente inaplicabilidade da multa de ofício no percentual de 75%. Subsidiariamente, pede a realização de perícia contábil para que se possa apurar a base correta da contribuição Porém, em recurso voluntário, houve total inovação de argumentação, alegando questões não antes abordadas como irregularidades relativas a Mandado de Procedimento Fiscal, direito ao creditamento de óleo diesel, necessidade de exclusão de Fl. 222DF CARF MF Processo nº 19515.723088/201210 Acórdão n.º 3302005.926 S3C3T2 Fl. 223 4 subvenções da base de cálculo, direito de excluir valores transferidos a outras pessoas jurídicas participantes de consórcio, nulidade de lançamento lastreado em presunções não legais, abordagem meramente retórica sobre princípios de direito tributário, que os valores haviam sido declarados em DCTF, que não há provas da ocorrência do fato gerador e que a DIPJ e DACON não eram instrumentos de confissão de dívida e, portanto, não poderiam lastrear um lançamento tributário. Verificase, destarte, que a impugnação é completamente divergente da peça de recurso voluntário, à exceção da alegação de inconstitucionalidade de alargamento que, com boa vontade, poderia se entender conexa com o pedido de exclusão de subvenções, considerando o regime cumulativo a que se sujeitou a recorrente. Neste sentido, dispõem os artigos 16 e 17 do Decreto 70.235/1.972: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Defluise que as alegações concernentes ao direito de creditamento de óleo diesel, direito de excluir valores transferidos a outras pessoas jurídicas participantes de consórcio, nulidade de lançamento lastreado em presunções não legais estão preclusas e não serão conhecidas. No que tange à irregularidade em MPF, por se referir a eventual alegação de incompetência do auditorfiscal para lavratura do Auto de Infração, será conhecida. Neste aspecto, destacase que o procedimento fiscal foi realizado sem a emissão de MPF, por se tratar revisão de declarações, conforme disposto no artigo 10 da Portaria RFB nº 3.014/2011, abaixo transcrito: Art. 10. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: [...] IV relativo à revisão interna de declaração, inclusive na hipótese de aplicação de penalidade por falta ou atraso em sua apresentação (malhas fiscais); Assim, não que se falar em irregularidades em MPF, que sequer foi emitido para a realização do procedimento fiscal. Em relação às alegações que os fatos não são verdadeiros e que os valores foram informados em DCTF, também são improcedentes, uma vez que a própria recorrente afirmou em impugnação que os valores deixaram de ser informados em DCTF por erro da administração e deixaram de ser pagos por falta de condições financeiras. Se houve algum equívoco quanto à informação prestada em impugnação, a recorrente deveria trazer provas aos autos de eventual lapso manifesto ou erro de fato que indicasse a declaração dos valores em DCTF, de forma a infirmar o lançamento. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 19515.723088/201210 Acórdão n.º 3302005.926 S3C3T2 Fl. 224 5 No que tange à verdade material e utilização apenas do DACON como meio de prova, destacase que o lançamento foi efetuado com base não somente no DACON, mas também com lastro nos lançamentos contábeis do Diário e Razão, acostados aos autos, especialmente na conta contábil de PIS a recolher do passivo 2.1.03.01.0002 PIS, entregues pela própria recorrente em resposta à intimação fiscal. Registrase que os valores tributados referemse a receitas de vendas de bens e serviços à alíquota de 0,65%, informada pela recorrente nas linhas 01 das fichas 08A dos DACON (efls. 6/41), não havendo qualquer valor lançado a título de outras receitas, razão pela qual são inaplicáveis ao caso as alegações de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo previsto no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 e de exclusão de subvenções. Em resumo, as alegações efetuadas em recurso voluntário ou estão preclusas ou estão desacompanhadas de qualquer elemento de prova. Diante do exposto, voto para conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 224DF CARF MF
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